Objetivos do trabalho

     I Explicitar o conceito de Alienação do trabalho desenvolvido por Karl Marx


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Entre os primeiros trabalhos de Marx, foi antigamente considerado como o mais importante o artigo
Sobre a crítica da Filos...
suficiente para poder trabalhar. Não considerava-o no tempo em que não trabalhava, ou seja, como
homem. Assim, "os mendigo...
Segundo Marx: O trabalhador fica mais pobre à medida que produz mais riquezas e sua produção
cresce em força e extensão. O...
A sociedade capitalista tem no dinheiro uma forma particular de alienação da essência humana em
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Marx critica os filósofos por desprezarem a praxis e se preocuparem apenas com a teoria. A
  praxis estava sendo entendida...
O grau de avanço de um país, portanto, é determinado pelas relações de trabalho e pelas
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O mistério da mercadoria consiste no encobrimento das características sociais dos produtos do
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  1. 1. Objetivos do trabalho I Explicitar o conceito de Alienação do trabalho desenvolvido por Karl Marx Melhor resposta - Escolhida por votação O conceito de alienação aparece em toda a história da filosofia, ora com contornos religiosos, ora metafísicos, ora morais, recorrendo-se ainda a categorias como "natureza humana", "queda", "falta", "mal". Marx rejeita as explicações que se valem do conceito de consciência e a elas opõe a análise das condições reais do trabalho humano: é na vida econômica que a alienação não tem origem. Qundo o operário vende no mercado a sua força de trabalho, o produto não mais lhe pertence e adquire uma existência independente dele próprio. Mas a perda do produto determina outras perdas para o operário: ele não mais projeta ou concebe aquilo que vai executar (dá-se a dicotomia concepção-execução do trabalho, a separação entre o pensar e o agir); com o aceleramento da produção, provocada pela crescente mecanização do trabalho (linha de montagem), o operário executa cada vez mais apenas uma parte do produto (trabalho parcelado ou trabalho "em migalhas"); o ritmo do trabalho é dado exteriormente e não obedece ao próprio ritmo naturla do seu corpo. O produto do trabalho do operário subtrai-se portanto à sua vontade, à sua consciência e ao seu controle, e o produtor já não mais se reconhece no que produz. O produto surge como um poder separado do produto, como uma realidade soberana ae tirana que o domina e ameaça. <>`´<> Fonte(s): ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofando: Introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 1986. Principais categorias de análises utilizadas por Karl Marx nos textos “salário, ganho de capital e renda da terra” contidos no caderno I da obra manuscritos econômicos – filosóficos. Por: Bianca Wild Marx tinha como principal objetivo entender o capitalismo e propunha através de sua obra uma ampla transformação política econômica e social, um aspecto particular de suas teorias é o fato de sua obra ser destinada a todos os homens e não apenas aos estudiosos de economia, política e da sociedade, em sua obra existe um alcance amplo nas suas formulações, que adquiriram uma dimensão revolucionária com ação política efetiva, as contradições na sociedade capitalista e as possibilidades da superação, enfim pode-se notar contida em toda obra de Marx a necessidade de se explicar a exploração do homem pelo homem, Marx utilizava o materialismo histórico, enxergava a sociedade através de uma base material sobre a qual todas as coisas funcionam. "Os seres humanos podem se diferenciar dos animais pela consciência, religião e qualquer outra coisa que quisermos considerar. Mas, eles somente começam a diferenciar-se dos animais tão logo comecem a produzir seus próprios meios de sobrevivência, sua comida, abrigo e roupas".Com estas palavras, Karl Marx antes de tudo destacava como sua explicação se diferenciava ao explicar como a sociedade se desenvolve.
  2. 2. Entre os primeiros trabalhos de Marx, foi antigamente considerado como o mais importante o artigo Sobre a crítica da Filosofia do direito de Hegel, em 1844, primeiro esboço da interpretação materialista da dialética hegeliana. Só em 1932 foram descobertos e editados em Moscou os Manuscritos Econômico-Filosóficos, redigidos em 1844 e deixa-os inacabados É o esboço de um socialismo humanista, que se preocupa principalmente com a alienação do homem; sobre a compatibilidade ou não deste humanismo com o marxismo posterior, a discussão não estava encerrada. Marx Pretendia caracterizar não apenas uma visão econômica da história, mas também uma visão histórica da economia, a teoria marxista também procura explicar a evolução das relações econômicas nas sociedades humanas ao longo do processo histórico. Haveria, segundo a concepção marxista, uma permanente dialética das forças entre poderosos e fracos, opressores e oprimidos, a história da humanidade seria constituída por uma permanente luta de classes, como deixa bem claro a primeira frase do primeiro capítulo de “O Manifesto Comunista”: “A história de toda sociedade passada é a história da luta de classes”. Classes essas que, para Engels são "os produtos das relações econômicas de sua época". Assim apesar das diversidades aparentes, escravidão, servidão e capitalismo seriam essencialmente etapas sucessivas de um processo único. A base da sociedade é a produção econômica. Sobre esta base econômica se ergue uma superestrutura, um estado e as idéias econômicas, sociais, políticas, morais, filosóficas e artísticas. Marx queria a inversão da pirâmide social, ou seja, pondo no poder a maioria, os proletários, que seria a única força capaz de destruir a sociedade capitalista e construir uma nova sociedade, socialista. Para Marx os trabalhadores estariam dominados pela ideologia da classe dominante, ou seja, as idéias que eles têm do mundo e da sociedade seriam as mesmas idéias que a burguesia espalha. O capitalismo seria atingido por crises econômicas porque ele se tornou o impedimento para o desenvolvimento das forças produtivas. Seria um absurdo que a humanidade inteira se dedicasse a trabalhar e a produzir subordinada a um punhado de grandes empresários. A economia do futuro, que associaria todos os homens e povos do planeta, só poderia ser uma produção controlada por todos os homens e povos. Para Marx, quanto mais o mundo se unifica economicamente mais ele necessita de socialismo. Os Manuscritos econômico-filosóficos ou Manuscritos de Paris apresentam a planta fundamental do pensamento de Marx: a concentração de sua filosofia na crítica da economia nacional de Adam Smith, J.B. Say e David Ricardo. Na obra, Marx expõe a contradição entre moral e economia, denunciando a radicalidade da exploração do homem pela empresa capitalista. Enquanto a reprodução do capital é o único objetivo da produção, o trabalhador ganha apenas para sustentar suas necessidades mais vitais, ou seja, para não morrer e poder continuar produzindo. materialismo dialético e declara a necessidade de "uma ação comunista efetiva" a fim de superar a propriedade privada. Se muitos dos capítulos da obra são apenas esboços, ela não deixa de oferecer um desenvolvimento quase absoluto da compreensão geral de Marx acerca das relações íntimas entre liberdade, economia e sociedade, em ensaios às vezes geniais e inclusive acabados como é o caso de "Dinheiro", o último capítulo dos Nos Manuscritos, Marx dá sinais de sua passagem do idealismo hegeliano ao Manuscritos. Nos Manuscritos Econômicos e Filosóficos, também nota-se que o humanismo de Marx adquiriu maior consistência. Não se tratava mais da defesa de um homem em geral, abstrato, mas de um homem concreto, histórico. Era um humanismo sob um novo ponto de vista, o ponto de vista proletário revolucionário. Neste trabalho o autor criticou os economistas burgueses que consideravam os homens apenas enquanto produziam para o Capital. Reduziam o proletariado apenas àquele que "sem capital nem renda da terra vivia puramente do trabalho e do trabalho unilateral, abstrato, apenas como operário". Assim puderam estabelecer "o princípio pelo qual como qualquer cavalo, ele tem que ganhar o
  3. 3. suficiente para poder trabalhar. Não considerava-o no tempo em que não trabalhava, ou seja, como homem. Assim, "os mendigos, os desempregados, os trabalhadores famintos, indigentes, criminosos, eram figuras que não existiriam para a economia política, mas apenas para os olhos dos médicos, juízes, coveiros e burocratas. As necessidades dos trabalhadores "se reduziriam as necessidades de mantê-lo diariamente no trabalho, de molde a não extinguir a raça dos trabalhadores". Os salários teriam "o mesmo significado, o da manutenção de qualquer outro instrumento de produção (...) é o óleo aplicado à mola para conservá-la rodando". O homem se transformava numa peça de engrenagem e a sociedade numa grande fábrica. Marx submeteu o capitalismo a uma crítica feroz, de um ponto de vista revolucionário. Foi uma das críticas mais radicais escritas até então. Denunciou a desumanização do homem e a sua transformação em simples mercadoria. Denunciou o processo de alienação, não apenas religiosa e política, mas fundamentalmente a alienação, a que teria por centro o próprio trabalho humano. Definiu o trabalho alienado como fundamento do homem alienado. No capitalismo, afirmava Marx, a produção não apenas produz o homem como mercadoria humana. produz o homem como um ser mental e fisicamente desumanizado. Imoralidade, aborto, escravidão do trabalho, a partir do momento em que a humanidade se compõe principalmente de trabalhadores, dos quais deserdados são os proletários, o humanismo real que se preocupa com os interesses de cada homem é aquele que defende os interesses proletários. Na sociedade capitalista os operários eram as maiores vítimas da guerra sem quartel da concorrência pelos mercados, pois as alianças entre os capitalistas, fundiários, empresários eram bem quistas e conseguiam êxito, já as entre os proletários condenadas , reprimidas e dificilmente vingavam. O operário, segundo ele, não ganhava necessariamente quando o capitalista ganhava, mas perdia necessariamente quando ele perdia. "Se a riqueza da sociedade declina, afirmou, é o operário quem mais sofre; mas se a riqueza progride, é a situação mais favoravelmente para os operários, mas significa para eles também um trabalho extenuante, que abreviará sua existência". A economia política burguesa era, por sua vez, extremamente moralista, pelo menos quanto a classe operária. Segundo o jovem Marx, sua tese principal era a renúncia à vida e às necessidades humanas. Quanto menos se comer, beber, comprar livros, ir ao teatro ou bares, ou botequim, e quanto menos se pensar, amar, doutrinar, cantar, pintar, esgrimir etc. tanto mais se poderia economizar. Tudo o que o economista tirava sob a forma de vida e humanidade devolvia sob forma de dinheiro. O trabalho deve ser apenas o que lhe é necessário para desejar viver, e deve desejar viver para ter isso. Em contraposição a moralidade burguesa começava a surgir uma nova moralidade: quando artesãos comunistas formam associações, o ensino e a propaganda são seus primeiros objetivos. Mas sua própria associação uma necessidade nova, a necessidade da sociedade, o que ser um meio tornar-se um fim. Fumar, comer e beber não são mais meios de congregar pessoas. A sociedade, a associação, o divertimento tendo também como alvo a sociedade, é suficiente para eles, a fraternidade do homem não é a frase vazia, mas uma realidade e a pobreza do homem resplandece sobre nós vindo de seus corpos fatigados. Já no seu 1º manuscrito Marx passou a estender o seu conceito de alienação do campo da política para o campo da economia; particularmente estudando a alienação do trabalho. No capitalismo o trabalho era exterior ao operário, não pertencia à sua essência. No seu trabalho o operário não se afirmava, mas se negava. Não se sentia bem, mas infeliz. Não desenvolvia nenhuma energia física e espiritual, mas mortifica o corpo e arruinava o espírito. Portanto, o operário só se sentia consigo mesmo fora do trabalho, pois no trabalho, pelo contrário, sentia-se fora de si. O trabalho era forçado, imposto de fora. Não era a satisfação de uma necessidade do trabalhador. O trabalho não se tornou uma necessidade, mas apenas um meio de receber um salário, um simples meio de atender outra necessidade. Todo trabalho operário voltava-se contra ele, como uma força estranha e hostil. O operário ao produzir mercadorias, produzia a sua própria alienação.
  4. 4. Segundo Marx: O trabalhador fica mais pobre à medida que produz mais riquezas e sua produção cresce em força e extensão. O trabalhador torna-se uma mercadoria ainda mais barata à medida que cria mais bens, quanto mais o trabalhador se desgaste no trabalho tanto mais poderoso se torna o mundo dos objetos por ele criado em face dele mesmo, tanto mais simples se torna a vida interior, e tanto menos ele se pertence a si próprio, o trabalhador pôs a sua vida no objeto, e sua vida, então, não mais lhe pertence, porém ao objeto. Concluiu que se o produto do trabalho não pertencia ao operário, isso só era possível porque pertencia a outrem, o capitalista. Marx descobriu assim um dos fundamentos da alienação humana no capitalismo: a apropriação do produto do trabalho pelo não-operário (proprietário dos meios de produção) o que acarretaria uma dominação real daquele que produz por aquele que não produz. A alienação do produto do trabalho exprimia-se na hostilidade entre o operário e o não-operário.Em geral, escreveu, a proporção de que o homem está alienado do seu ser genérico, significa que um homem está alienado de outro assim como cada um deles está alienado da essência humana. Por isso, Marx criticou as correntes socialistas, que buscavam eliminar a condição do proletário, através de um aumento de salários, se escondendo sob a palavra de ordem “salários justos". Escreveu: Uma elevação do salário pela força nada seria do que um melhor assalariado dos escravos e não conquista para o operário, nem para o trabalho, o seu destino humano". O salário seria conseqüência do trabalho alienado e aquele que se erguia contra a propriedade privada devia reclamar a anulação do trabalho alienado, e, portanto, do salariato, como a situação na qual o trabalho não era um fim em si, mas um servidor do salário. Marx já neste período tinha clareza da unidade dialética que se forjava entre o homem e sociedade. Nele não vemos nada que se assemelhasse ao determinismo econômico, que alguns teimam em lhe embutir. A sociedade e as condições históricas produziam os homens concretos, mas ao mesmo tempo estes não eram meros produtos, sem vontade, e sim agentes ativos que com sua ação consciente poderiam mudar as condições que lhes deram origem(consciência de classe). Afirmava ele: "da mesma forma que a sociedade produz o homem, também ela era produzida por ele". Continuou, "embora o homem seja um indivíduo único ele é igualmente o todo, o todo ideal, a existência subjetiva de sociedade como é pensada e vivenciada. Ele existe como a soma das manifestações humanas da vida". O homem, portanto, não pode ser entendido como um “Robson Cruzóe”, do pensamento liberal. Ele só pode ser entendido como parte integrante do mundo dos homens, a sociedade. Cada indivíduo era portador do conjunto dessas relações (homem/homem,homem/natureza). O Homem (individual/ real) só pode ser entendido na coletividade dos homens. Mas, em Marx, dos Manuscritos essas idéias estavam em transição e tenderiam a desaparecer na obras seguintes, em especial na Ideologia Alemã de 1845. Todo o mundo para o homem, inclusive os seus sentidos, eram frutos da ação dos próprios homens - do trabalho humano - e "mesmo as formas de relação do homem com o mundo, ver ouvir, cheirar, saborear amar, ou seja, tudo o que é possível captar e transmitir através dos órgãos de nossa individualidade são produtos de anos de trabalho social humano". "È evidente, continuou ele, que o olho humano aprecia as coisas de maneira diferente do olho bruto, não humano, assim, como o ouvido humano difere do ouvido bruto, e só quando o objeto se torna um objeto humano o homem não fica perdido nele. Isso somente é possível quando o objeto se torna um objeto social e quando ele próprio se torna um ser social". Mas, todas essas formas de apreensão humana do mundo, através dos sentidos, se encontram em nossa sociedade limitadas em sua potencialidade pela existência da propriedade da privada e a exploração do trabalho. A propriedade privada, segundo Marx, "tornou-nos estúpidos e parciais a ponto de um objeto só ser considerado nosso quando é diretamente comido, bebido, vestido, habitado, etc, em resumo quando utilizado de alguma forma todos os sentidos físicos e intelectuais foram substituídos pela simples alienação de todos eles, pelo sentido do ter".
  5. 5. A sociedade capitalista tem no dinheiro uma forma particular de alienação da essência humana em geral, que inverte o sentido da realidade, a propriedade do dinheiro passa a ser também de quem o possui, "sou feio, mas posso comprar a mais bela mulher, conseqüentemente não sou feio sou estúpido, mas o dinheiro é o verdadeiro cérebro de todas as coisas, como poderá este seu possuidor ser estúpido?". O dinheiro, para Marx, "converte o amor em ódio servo em senhor estupidez em inteligência aonde que pode comprar a bravura é bravo, malgrado seja covarde". Contrapondo ao mundo do dinheiro, Marx pregava uma nova sociedade em que "o homem fosse homem e que a relação com o mundo fosse humana, aonde o amor só pudesse ser trocado por amor se desejar apreender a arte, será preciso apenas ser uma pessoa autenticamente educada". Mas para realizar tal mundo é preciso, antes de mais nada, abolir a propriedade privada,esquecer o ganho de capital, as rendas da terra,eliminá-los definitivamente de nossas concepções. Este seria o primeiro passo para a apropriação da verdade humana a substituição positiva de toda a alienação, o retorno do homem da religião, do Estado, para a vida realmente social. O comunismo seria para Marx, a abolição da propriedade privada e o fim da alienação humana. Ele seria a "verdadeira apropriação da natureza humana através do e para o homem. O retorno do homem a si mesmo como ser social. O comunismo como naturalismo plenamente desenvolvido é humanismo é a resolução do antagonismo do homem e a natureza, do homem e seu semelhante. É a verdadeira solução do conflito entre a existência e essência entre o individuo e a espécie". Referências: MARX, Karl. Manuscritos econômicos-filosóficos. Boitempo.2004. <http://www.marx.org/portugues/marx/1844/manuscritos/index.htm> acesso em 23 de Novembro de 2007 às 22:15 PM. Bianca Wild. Cientista social (Socióloga) Bolsista do CNPq AT-NS Marx tentou demonstrar que no capitalismo sempre haveria injustiça social, e que o único jeito de uma pessoa ficar rica e ampliar sua fortuna seria explorando os trabalhadores, ou seja, o capitalismo, de acordo com Marx é selvagem, pois o operário produz mais para o seu patrão do que o seu próprio custo para a sociedade, e o capitalismo se apresenta necessariamente como um regime econômico de exploração, sendo a mais-valia a lei fundamental do sistema. A força vendida pelo operário ao patrão vai ser utilizada não durante 6 horas, mas durante 8, 10, 12 ou mais horas. A mais-valia é constituída pela diferença entre o preço pelo qual o empresário compra a força de trabalho (6 horas) e o preço pelo qual ele vende o resultado (10 horas por exemplo). Desse modo, quanto menor o preço pago ao operário e quanto maior a duração da jornada de trabalho, tanto maior o lucro empresarial. No capitalismo moderno, com a redução progressiva da jornada de trabalho, o lucro empresarial seria sustentado através do que se denomina mais-valia relativa (em oposição à primeira forma, chamada mais-valia absoluta), que consiste em aumentar a produtividade do trabalho, através da racionalização e aperfeiçoamento tecnológico, mas ainda assim não deixa de ser o sistema semi-escravista, pois "o operário cada vez se empobrece mais quando produz mais riquezas", o que faz com que ele "se torne uma mercadoria mais vil do que as mercadorias por ele criadas". Assim, quanto mais o mundo das coisas aumenta de valor, mais o mundo dos homens se desvaloriza. Ocorre então a alienação, já que todo trabalho é alienado, na medida em que se manifesta como produção de um objeto que é alheio ao sujeito criador. O raciocínio de Marx é muito simples: ao criar algo fora de si, o operário se nega no objeto criado. É o processo de objetificação. Por isso, o trabalho que é alienado (porque cria algo
  6. 6. alheio ao sujeito criador) permanece alienado até que o valor nele incorporado pela força de trabalho seja apropriado integralmente pelo trabalhador. Em outras palavras, a produção representa uma negação, já que o objeto se opõe ao sujeito e o nega na medida em que o pressupõe e até o define. A apropriação do valor incorporado ao objeto graças à força de trabalho do sujeito-produtor, promove a negação da negação. Ora, se a negação é alienação, a negação da negação é a desalienação. Ou seja, a partir do momento que o sujeito-produtor dá valor ao que produziu, ele já não está mais alienado. Fonte(s): Marx - O Capital Maturação do pensamento de Marx A Maturação do pensamento de Marx Trabalho originalmente apresentado para a cadeira de Filosofia Geral – FFLCH-USP . por Miguel Duclós Este trabalho trata de um período histórico-filosófico grande. Abordo aqui desde algumas leituras marcantes para o Jovem Marx até o primeiro capítulo da obra prima deste, O Capital, livro que é fruto uma vida inteira de estudos e coroação de sua maturidade como pensador e teórico. Porém, nosso artigo não tem a pretensão de tratar todos os conceitos fundamentais que foram determinantes para a maturidade do pensamento marxiano, mas sim se limitar a três conceitos específicos incluídos em três obras de Marx. Na primeira, Os manuscritos Econômico - Filosóficos, de 1844, será destacado o conceito de alienação, bem como o estilo ainda Feuerbachiano do autor. Na segunda, A ideologia Alemã e nas Teses sobre Feuerbach, será destacado a ruptura de Marx com sua consciência filosófica anterior, e sua formulação, junto com Engels, da teoria que seria uma das designações do seu pensamento: o materialismo histórico. No centro de tal teoria está o conceito de Ideologia, que será relacionado com a explanação sobre o fetichismo da mercadoria no primeiro capítulo de O Capital. Feuerbach havia demonstrado, em A Essência do Cristianismo, a tese escandalosa para a sociedade da época, que a essência da religião é a essência do ânimo humano, e que a teologia pode ser explicada pela antropologia. Explica o autor que as representações e segredos atribuídos a um Ser sobre-humano não eram mais do que representações humanas naturais, e que aquilo que no imaginário pairava no Céu, pode ser encontrado sem maiores dificuldades no solo da Terra. Dessa forma, o homem transporia para o Céu o ideal de justiça, bondade e virtude que não conseguia realizar na Terra. Colocaria num grau universal e absoluto atributos e qualidades de si mesmo. Todos os Deuses não seriam então, mais do que criações humanas. Feuerbach reconhece o sistema de Hegel como uma teologia especulativa, e critica a Idéia absoluta, que seria baseada na revelação e encarnação cristãs, ultrapassando assim o racional e se tornando teologia. Coloca em seu lugar a noção de Ser genérico do homem. A teologia, religião institucionalizada, é fonte de dogmas a abstrações metafísicas que perdem a ligação com o real e palpável. Cada religião pretende ser a detentora da verdade, e isso é motivo de fanatismo e intolerância com outras formas de pensamento. A verdade acessível apenas a alguns (revelada pela fé), sem critérios objetivos, torna fácil a manipulação de pequenos grupos sobre os demais, por se tratar de algo que não pode ser demonstrado com base em elementos sensíveis. Feuerbach inicia A essência do Cristianismo dizendo que o homem difere do animal por ter uma consciência no sentido estrito, ou seja, sua consciência “tem por objeto o seu gênero, a sua
  7. 7. essencialidade” 1. Essa consciência do homem enquanto espécie, que é próprio deste por fazer parte de sua ciência, o difere do animal. Do outro lado está a “consciência de si”. Afirma Feuerbach sobre ela: “A consciência de Deus é a consciência de si do homem, o conhecimento de Deus é o conhecimento de si homem. Pelo seu Deus conheces o homem e, vice-versa, pelo homem conheces o seu Deus; é a mesma coisa.” 2 Essa idéia de que a natureza dos deuses difere na mesma proporção da natureza dos povos não é nova. Feuerbach realmente desenvolve algumas frases dos pensadores pré-socráticos, como sua frase de que o “ser é, o não ser não é”, tomada emprestada de Parmênides e aplicada em um contexto mais profunda. Xenófanes de Colofão, mestre de Parmênides, ficou famoso por ser um dos primeiros filósofos a defender a unidade da divindade, o monoteísmo. Também afirmava, como Feuerbach, que a natureza dos Deuses variava com a natureza de quem os adorava. Vejamos os seguintes fragmento de Xenófanes: “Mas se mãos tivessem os bois, os cavalos e os leões e pudessem com as mãos desenhar e criar obras como os homens, os cavalos semelhantes aos cavalos, os bois semelhantes aos bois, desenhariam as formas dos deuses e os corpos fariam tais quais eles próprios têm”. E mais adiante: “os egípcios dizem que os deuses tem nariz chato e são negros, os trácios, que eles tem olhos verdes e cabelos ruivos.”3 Por esses trechos, vê-se que, mesmo antes da ascendência do Deus cristão, já havia uma crítica à antropomorfização dos Deuses. Para Feuerbach, uma essência finita não pode ter a mais remota idéia de uma essência infinita. Também Hegel afirma, em Introdução à História da Filosofia, que o homem não pode conceber o que é o Infinito porque só pode empregar para isso categorias finitas. A religião cristã pretende a essência do homem infinita, mas para Feuerbach o homem só pode ter consciência de tal essência se ela for razão, vontade e pensar. A consciência de si do homem vem pela consciência do objeto. Feuerbach inicia assim sua busca de superação do subjetivo. O que nas antigas religiões era considerado objetivo, hoje é apenas reflexo de idéias que só podem ser sentidas por abstrações, pertencendo portanto ao interior do homem. Feuerbach constata que a teologia se transformou em antropologia há muito tempo. Sua crítica às religiões pretende ser universal, buscando o que há de comum a todas as religiões. Chega à conclusão de que o mundo transcendente e a caracterização humana dos personagens divinos é comum nas religiões. Porém, essa generalização é no mínimo complicada. Muitos povos não podiam separar o sujeito do objeto, ou seja, o indivíduo nada mais era do que parte integrada do ambiente, e não podia ser entendido fora do seu quadro social. A religião muitas vezes não reconhece em sua idéia de divindade características humanas. Pois, afinal, o homem é apenas uma parte do todo, e nesse caso Deus é identificado com a totalidade da Natureza. Isso ocorre no panteísmo e em algumas religiões indígenas e orientais. A natureza é entendida como um complexo sistema de ambientes que existe independente da percepção humana. O egoísmo e a vaidade são os responsáveis por representar a divindade como algo humano, e a raça humana como herdeira da Terra. De fato, não é preciso ir muito longe para concluir que a idéia do planeta existir para servir ao homem constitui equívoco grave. O que Feuerbach fala é válido sobretudo para a religião judaico-cristã. No Velho Testamento está escrito que Deus fez o homem à sua imagem e semelhança, e no Novo Testamento é um homem que se faz Deus. Para Feuerbach isto é uma inverção da relação sujeito-predicado. O homem cria um sujeito infinito e atribui a ele a criação de si. A teoria feuerbachiana causou profunda influência na filosofia do século XIX. Os primeiros a se entusiasmarem com ela foram os jovens hegelianos, dentre eles Marx, que trataremos adiante. Mas a noção materialista de humanismo ateu iria alcançar um reflexo maior no século em que foi proclamada a morte de Deus. Quem mais alto bradou sua morte foi Nietzsche, inicialmente em A Gaia Ciência, e posteriormente em sua obra-prima, Assim Falava Zaratustra. Nietzsche engendra uma crítica severa à moral cristã, que para ele é ascética e mortificadora da vida – a moral dos
  8. 8. escravos, que limita a Vontade de Potência. No lugar da metafísica, Nietzsche propõe um apego aos valores da Terra, lugar onde o além-homem – aquele que cria seus próprios valores – direcionaria sua vida e sua paixão. No trecho adiante está uma passagem em que fica claro a relação entre o apego de Nietzsche à filosofia terrena e o materialismo de Feuerbach que prega o mundo sensível: “Em outras eras, blasfemar contra Deus era o maior dos absurdos; porém Deus morreu, e morreram com ele tais blasfêmias. Agora, o que causa mais espanto é blasfemar da Terra, e ter em mira as entranhas do impenetrável e não a razão da Terra.” 4 A título de curiosidade, vejamos o que Nietzsche fala em O Crepúsculo dos Ídolos: “O homem seria tão somente um equívoco de Deus? Ou então seria Deus apenas um equívoco do homem?”5 . Como se vê, o cerne do pensamento nietzscheano encontra procedência em Feuerbach. Outros paralelos podem ser traçados, como o da crítica ao plano transcendente, herança religiosa e platônica: “Este mundo, o eternamente imperfeito, pareceu-me um dia a imagem de uma contradição eterna, e uma alegria inebriante para o seu imperfeito criador (…) Ai, meus irmãos! Este Deus que eu criei era obra humana e humano delírio, como os demais deuses. Era homem, apenas um fragmento de homem e de mim. Esse fantasma surgia das minhas próprias cinzas e da minha própria chama, e realmente nunca veio do outro mundo” 6 Como se vê, filósofos das mais diversas áreas de atuação se aproveitaram das veredas abertas pela crítica de Feuerbach à religião e à teologia. Mas tal alcance não o livrou de críticas, como por exemplo a dos religiosos, que sugeriram um outro título para o seu livro: “A essência do Anti- Cristianismo” e a do pensador anarquista Max Stirner, que fazia parte da esquerda hegeliana. Stirner -criador de um individualismo radical que fundamenta a liberdade- ataca Feuerbach dizendo que este substituíra meramente a palavra Deus pela palavra homem. Dessa forma, Feuerbach rezaria pelo homem. Segundo Stirner, ele não teria deixado de ser hegeliano, porque apenas transpôs o ideal teológico e divino por uma noção abstrata de humanidade. Mas Feuerbach teve influência ativa nos hegelianos de esquerda. Engels escreveria, mais tarde, que todos os neo-hegelianos foram feuerbachianos. Dentre eles estava Marx, que de inicio adotou alguns conceitos e terminologia de Feuerbach. No primeiro manuscrito de 1844, Marx trata da questão da alienação. Tal termo fazia parte do vocabulário de Feuerbach, para quem a religião era uma alienação, pois, colocando sua essência e sua humanidade num Ser fora de si próprio, no mundo invertido da divindade, o homem vira um ser que não se pertence. Esse é o aspecto religioso da alienação que Feuerbach usa. O homem adora os ídolos que projeta. O próprio Marx afirma que, quanto mais se atribui a Deus, menos sobra para o homem .7 O termo alienação foi usado também por Hegel, fazendo parte da dialética, pois o homem aparecia em cada etapa da dialética como distinto do que era antes. Althusser observa que Marx aplicou a teoria da alienação de Feuerbach à política e a economia. 8 Para Althusser, Marx “esposou” a terminologia e a problemática de Feuerbach durante as suas obras de juventude.9 Por isso, o impacto das obras de 1845, no momento em que rompe com Feuerbach seria muito grande. Para Marx, a alienação religiosa seria gerada pela alienação econômica. Tal estado é, para Marx, resultado da realização de o trabalho aparecer como a desrealização do trabalhador. O objeto produzido pelo trabalhador aparece como estranho e independente a ele. As mercadorias existem para suprir necessidades. O sistema capitalista transforma o trabalhador e o trabalho em mercadorias, ao privar o trabalhador dos objetos que produz. Quanto mais ele produz, menos pode possuir. Essas apropriação do objeto pelos possuidores da propriedade, se realiza como alienação do trabalhador. Este, ao pôr sua vida na produção de objetos que não lhe pertencem, perde a posse desta. Como afirma Marx, “a alienação do trabalhador no seu produto significa não só que o trabalho se transforma em objeto, assume uma existência externa, mas que existe independentemente, fora dele e a ele estranho, e se torna um poder autônomo em oposição com ele”.10 Marx critica a economia política de então esconder a verdadeira relação entre o empregado e o empregador. O Estado submete os trabalhadores a seus próprios interesses. O trabalhador ganha um salário que não consegue comprar os produtos que ele próprio produziu. Ele produz coisas para os
  9. 9. ricos, mas pouco sobra para ele. Esta é a contradição básica do sistema capitalista na época de Marx. O empregado aparece então apenas como instrumento para o bem estar dos possuidores. Marx, dialeticamente, oferece um quadro de inversões para as atividades dos trabalhadores: quanto mais produz, menos possui, quanto mais civilizado é o produto feito por ele, tanto mais bárbaro ele se mostra. Nas fábricas as limitações a que o empregado é submetido, como os movimentos repetitivos, as jornadas de trabalho sobre-humanas, o baixo salário, a repressão e outras, apenas evidenciam seu caráter apenas funcional. Ele não transforma mais a natureza para fazer coisas que estão relacionadas a ele, ou que vão beneficiá-lo diretamente. Sua atividade apenas vai garantir que não morra de fome, pois o salário mínimo é a soma das condições mínimas de subsistência (alimentação e moradia). A alienação para Marx ocorre não na relação do trabalhador com o produto de seus trabalhos, mas também na própria atividade produtiva. Ou seja, o trabalho não pertence à natureza do trabalhador, mas sim é condição para que esse sobreviva minimamente, sendo obrigado a se adequar à condições de trabalho acima descritas. Por esse fato, ele apenas se esgota, e não se realiza na plenitude de suas capacidades mentais e físicas. Como afirma Marx, o trabalho “não constitui a satisfação de uma necessidade, mas apenas um meio de satisfazer outras necessidades”. 11 Estas outras necessidades geralmente se reduzem à prioridades mínimas, como alimentação, moradia. O meio para satisfazê-las é o dinheiro, um valor que não existe naturalmente, mas é abstraído e convencionado. O trabalhador vendeu seu tempo, seu sentimento, sua força, suas aspirações pelo dinheiro, e na posse de algum, pode trocá-lo por qualquer tipo de mercadoria, inclusive pelas que ajudou a produzir. Este trabalho alienado é um processo de mortificação, em que homem exerce uma atividade cansativa que não condiz com sua aspiração de indivíduo opinante, de cidadão livre, ou mesmo de animal, que tem emoções, orgulho, instinto, prioridades físicas. Marx afirma que o trabalhador só consegue ser livre nas funções animais, como beber, procriar, comer, mas nas atividades humanas se vê reduzido a animal. Mas estas funções animais primárias estão implicadas com o sistema social a ponto de perderem seu sentido original. O homem, ao modificar sua animalidade e sua humanidade, subordinado-a a um sistema social de valores e limitações, modifica-se, perde sua essência. E as esperanças humanas são então projetadas em um além, num Ser Divino, perfeito, de valores eternos. Esta alienação religiosa, subordinada à alienação econômico-política, leva o homem à incapacidade de reconhecer sua humanidade em si mesmo, porque seu Deus é definido por tudo aquilo que ele mesmo não possui, ou que perdeu. Marx, depois de reconhecer dois aspectos do trabalho alienado – a relação do trabalhador com o produto de seu trabalho, e a relação do trabalhado ao ato de produção, a auto-alienação - fala de uma terceira determinação do trabalho alienado, que parte das outras duas. Marx, usando de um vocabulário feurbachiano sobre Ser genérico, afirma que os dois primeiros tipos de alienação alienam o homem enquanto espécie. A atividade produtiva se transformou em social. Os meios de sobrevivência do homem estão condicionados pelas leis de mercado e do trabalho. Dessa forma, a vida genérica do homem serve de meio para a vida individual, pois a atividade produtiva é o único modo de continuar existindo fisicamente. Marx então faz uma comparação entre o homem e o animal, que lembra muito a Introdução da Essência do Cristianismo. Ele afirma o animal é a sua própria atividade, não se distingue dela.12 Enquanto o homem possui uma “atividade vital consciente”, pois submete sua atividade vital à vontade e à consciência. Feuerbach, como já observamos, afirmava que a diferença principal entre o homem e o animal é que o homem tem consciência no sentido estrito, que tem como objeto o seu gênero, a sua espécie.13 Marx continua sua argumentação observando que, se o animal também produz, o homem reproduz toda a natureza, enquanto o animal apenas se reproduz a si. É interessante notar que Marx, embora esteja tratando de uma questão já exposta por outros autores, consegue aprofundar as questões, usando um vocabulário ainda hegeliano, ainda feuerbachiano. Isso acontece, porque naquele momento, Marx transformava sua consciência filosófica em economia política. Os Manuscritos tem esse duplo caráter, o filosófico e o econômico. Segundo Althusser, os encontros
  10. 10. anteriores de Marx com a economia política tratavam apenas de algumas questões e efeitos relacionados com a política econômica. 14 Marx encara, nos Manuscritos, a Economia Política de verdade, formulando teorias que tratam dela como um todo, procurando seus fundamentos. No início dos Manuscritos, Marx afirma que a Economia Política de então parte do fato da propriedade privada sem o explicar. A propriedade privada era pressuposto, por isso os economistas não a haviam problematizado como deviam. Nos Manuscritos, são levantados diversos conceitos e problemas que aparecerão mais tarde em O Capital. Marx analisa a economia política burguesa a partir de um conceito chave, o de trabalho alienado. O homem, ao reproduzir-se fisicamente na natureza através da transformação da mesma pelo trabalho, reflete a si próprio no mundo objetivo. Sua individualidade é refletida pela obra que ele mesmo criou. Como já dissemos, a atividade produtiva é social, ou seja, pertence à vida genérica do homem, que ao representar-se, representa também a humanidade. O trabalho alienado tira do homem o fruto de sua produção, tirando assim, ao mesmo tempo, a sua vida genérica. Para Marx, o homem só era capaz de realizar suas forças intelectuais e físicas interagindo com o ambiente. O homem depende da natureza para crescer e conseguir sustento. Sua consciência não pode ser fechada, subjetiva, mas sim ser moldada pela realidade natural e social. O trabalho alienado transforma o homem estranho a si mesmo e ao ambiente onde vive. Segundo a concepção etimológica, alienatus é aquele que não se pertence, aquele que pertence a outro. O homem, alienado-se no seu trabalho, na sua vida genérica, aliena-se também dos outros homens. Marx continua dizendo que o ser estranho a quem pertence o trabalho alienado tem de ser algo real, objetivo. Dessa forma, não é nem à natureza nem aos deuses que ele pertence, mas sim ao próprio homem. O produto do trabalho pertence a alguém distinto do trabalhador, ou seja o capitalista. O trabalho é sofrimento para alguns, enquanto suas condições o afastam de si e da natureza, mas é fruto de gozo para aquele que desfruta dos produtos. Portanto, a propriedade privada é fruto do trabalho alienado. A propriedade privada, para Marx, é conseqüência e causa do trabalho alienado, da mesma forma que o salário também é conseqüência deste. Marx chegou ao conceito de trabalho alienado a partir da economia política, que “tudo atribui 15 à propriedade privada” e nada ao trabalho. Ela apenas formulou as leis do trabalho alienado, e não denunciou o seu caráter hostil à natureza humana, escravizador, que transforma o homem em um instrumento da riqueza de outros. Marx, depois de explicitar as implicações do trabalho alienado, parte para a explicação da propriedade privada. Essa importância que Marx dá às condições materiais da transformação humana, esta aplicação da economia à filosofia levariam Marx a romper com o idealismo da esquerda hegeliana. A famosa afirmação de Marx, no Manifesto Comunista, de que a história de toda sociedade até hoje tem sido a história da luta de classes, está ligado à maturidade de seu pensamento que encontra marco definitivo no ano de 1845, com a publicação de A Ideologia Alemã, em co-autoria com seu amigo, Engels. Neste livro estão lançados a base do materialismo histórico e do materialismo dialético, que ficaram sendo conhecidos como uma designação da teoria marxista, apesar de Marx não usar exatamente estas expressões, mas sim “concepção materialista da história”. Nas teses sobre Feuerbach, Marx dirige àquele que havia sido seu inspirador, como já vimos, críticas duras. O centro dessa crítica é fundamentado pela economia, pela atividade humana produtiva, pela política. O motor da história não pode ser, de modo algum, as idéias ou as teorias, mas sim a atividade humana objetiva - o trabalho. Os filósofos sempre separaram o mundo intelectivo do mundo cotidiano, prosaico. De fato, há essa diferença entre o ócio e o negócio. O cultivo do espírito, necessário para as atividades intelectuais, não se realiza com o trabalho obrigatório. Os filósofos, muitas vezes propuseram uma linha de ação prática, como Bacon e Descartes, mas a filosofia, na contemporaneidade, perdeu muito espaço para a ciência, às vezes ocupando até um papel adjunto, de fundamentação da ciência. Isto se deve sobretudo à aplicação prática da ciência. A ciência é o saber racional do mundo, mas suas descobertas tem valor prático sobretudo por direcionar melhor a transformação da natureza em produtos utilizáveis pelo homem.
  11. 11. Marx critica os filósofos por desprezarem a praxis e se preocuparem apenas com a teoria. A praxis estava sendo entendida até então como uma atividade suja e mundana, e não estava sendo respeitado seu caráter revolucionário. Marx ataca Feuerbach por limitar sua crítica da auto- alienação ao terreno religioso, divino. O fundamento terreno que projeta nas nuvens um reino autônomo deve ser explicado pela decadência e contradições presentes no próprio processo evolutivo terreno. Por isso, a realidade terrena deve ser revolucionada. O fato de que as relações sociais são todas práticas e sensíveis leva à revelação que o indivíduo abstrato, sozinho, é apenas social. A XI tese adquire importância como crítica à filosofia, especialmente ao Idealismo alemão, que representavam o mundo invertido, do invisível colocado acima do sensível, da idéia colocada acima da matéria. Marx critica, em Sobre a Questão Judaica, esta inversão. Vejamos este famoso trecho: “O fundamento da crítica religiosa é o seguinte: o homem faz a religião, a religião não faz o homem (…). O homem é o mundo do homem, o Estado, a sociedade. (…) Portanto, a luta contra a religião é indiretamente a luta contra aquele mundo cujo aroma espiritual é a religião. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o sentimento de um mundo perverso, e a alma das circunstâncias desalmadas. É o ópio do povo”. 16 Nas teses sobre Feuerbach, Marx afirma que o sentimento religioso é um produto social relacionado a uma forma determinada de sociedade. Para ele, a fonte da deficiência religiosa deveria ser buscada na deficiência do próprio Estado. Esta deficiência deveria ser suprimida com a tomada de consciência do homem como um ser espécie, num coletivismo que mudava o homem individual, abstrato. Daí advém a divisão da sociedade em classes sociais. Marx lembra que o homem não é apenas um produto das condições materiais, pois a interação com a natureza possui um aspecto criativo e subjetivo. As circunstâncias são feitas pelos homens, e o próprio educador deve ser educado. Mas sua crítica ao idealismo é cortante, como se vê no Prefácio à Economia Política, onde Marx diz: “O processo de vida material condiciona o processo de vida social, política e individual em geral. Não é a consciência dos homens que lhes determina o ser, mas pelo contrário, é o seu ser social que lhes determina a consciência.”17 E em A ideologia Alemã afirma que não é a consciência que determina a vida, mas sim a vida que determina a consciência. 18 O termo ideologia foi criado por Destutt de Tracy, que fazia parte de um grupo chama de ideólogos franceses. Nesse grupo constam também nomes como Cabanis, Volney, Garat, Daunou. A ideologia é a ciência que tem por objeto de estudo as idéias, suas origens, formação e relação com os signos. Posteriormente, em um sentido mais amplo passou a significar um sistema de idéias que refletem uma visão de mundo e orientam uma ação política. Marx, como fez com o conceito de alienação, toma o termo num sentido próprio, dando-lhe conotação pejorativa. Marx inicia A ideologia Alemã ironizando os pensadores recentes hegelianos por acharem que uma revolução no plano do pensamento foi mais importante que a Revolução Francesa. A Alemanha estava atrasada em relação aos outros países da Europa, como a França e a Inglaterra. A Inglaterra era o pais mais industrializado, e foi em sua vivência na França que Marx se tornou verdadeiramente um comunista. A Alemanha sofreu um processo de unificação tardio com Bismarck, e nela ainda estavam presentes certos elementos feudais. Para Marx, a filosofia alemã estava ainda nitidamente ligada ao sistema hegeliano, de forma que toda a crítica que se empreendeu ao hegelianismo não a tornava independente e superadora de Hegel. Esta crítica é dirigida especialmente a Feuerbach, Bruno Bauer e Max Stirner. Apesar das frases destes pensadores que supostamente abalaram o mundo, Marx denuncia seu caráter conservador. Para Marx, a chave estava na conexão entre a filosofia alemã e a realidade alemã. A mudança do modo de produção artesanal, feudal, para o modo de produção capitalista acarretou uma série de exigências dos novos grupos comerciais, como por exemplo a livre competição econômica. Os valores entendidos como representações da realidade ignoravam a base de toda ideologia, a existência no plano material, sendo entendidos como válidos para toda a humanidade, quando na verdade eram pertencentes apenas a uma classe determinada, geralmente a dominante.
  12. 12. O grau de avanço de um país, portanto, é determinado pelas relações de trabalho e pelas formas de produção. Marx aplica então esta concepção à história, afirmando que cada nova fase da divisão de trabalho acarreta uma mudança nas relações entre os indivíduos. Assim, inicia uma teoria da história, onde o homem ativo – aquele que produz as condições materiais de existência- teria evoluído em diferentes estágios, desde os tempos de caçador-coletor. Apresenta três formas de propriedade: a tribal, a comunal e a estamental. A quarta forma de propriedade estaria ainda acontecendo: a propriedade burguesa. Como observa no Manifesto Comunista, a burguesia revolucionou totalmente a economia e as formas de produção, gerando um novo tipo de mercadoria industrial. A burguesia teria acabado com antigas tradições da cultura popular, de formas de relacionamento. Marx inclusive chega a afirmar que a burguesia transformou as relações familiares em relações monetárias. Com a Revolução Industrial e a produção em escala, os países mais adiantados conseguiram acumular uma riqueza jamais vista. O homem, ao satisfazer suas primeiras necessidades, chega inevitavelmente a novas necessidades. Para satisfazer suas novas necessidades, precisava transformar os meios de produção, que estariam constantemente se revolucionando. A questão se houve ou não um corte no pensamento do Marx maduro para o jovem Marx é respondida pelo próprio com sua afirmação de que ajustara suas contas com o a consciência filosófica de outrora. Iniciar a Ideologia alemão com a crítica aos jovens hegelianos, grupo ao qual fez parte, marca seu avanço em direção a uma visão própria. Como mostramos, seu vocabulário, e sua própria consciência de si anteriores eram feuerbachianos ou inspirados em outras filosofia. Foi cm sua análise do sistema capitalista e seu apego à Economia Política que Marx traçou profundamente seu marco na história. O socialismo, ao qual só aderiu tardiamente, adquiriu com ele status científico. É na relação de O Capital com as outras obras que podemos identificar este rompimento de pensamento. Resta perguntar se foi um corte político ou epistemológico. Louis Althusser foi criticado por estabelecer “fases” para Marx, desde sua juventude como romântico em Bonn até o intelectual máximo da esquerda. Althusser afirma, em Análise Crítica da Teoria Marxista, que houve uma “cesura epistemológica” situada na Ideologia alemã. Nesta obra estão novos conceitos em profusão, que ainda seriam desenvolvidos e que mostram sem nenhuma duvida que Marx passou a fazer uma nova teoria da história, e uma teoria da ciência. Porém, como em toda transição, sempre encontramos elementos antigos ainda não totalmente superados nas novas realizações. Marx não chegou ao estilo claro e ao mesmo tempo erudito de O capital do nada, mas evoluindo de si mesmo, e arregimentando cada vez mais a filosofia, a ciência, a economia para transformá-las. O Primeiro capítulo de O Capital é destinado à análise da mercadoria. A mercadoria é um objeto que satisfaz as necessidades dos homens, e distingue-se por qualidade e quantidade. Uma mercadoria pode ter valor de troca e valor de uso. O valor de uso é real, imediato, determinado pela utilidade. As mercadorias com esse valor diferenciam-se pela qualidade. O valor de troca pode apenas ser diferenciado pela quantidade, pois produtos iguais tem o mesmo valor. Dessa forma x mercadorias a eqüivalem a y mercadorias b. A quantidade de trabalho empregados nestas mercadorias estabelecem o valor de troca entre elas. Mas a relação entre as mercadorias, entre os produtos, não existe por si só. É a convenção social quem determina o valor de uma mercadoria em relação a outra. Pois foi relacionando-se socialmente que o homem logrou produzi-la. No capitalismo, esta base social da mercadoria aparece como encoberta. A igualdade do esforço humano de produção (trabalho) fica disfarçada sob a igualdade dos produtos como valores. A mercadoria tem características sociais, na medida em que os homens trabalham uns para os outros. O homem que consegue se manter sozinho foi superado desde a aparição da primeira sociedade, a tribal. Na primeira forma de interação social, a família, já está implícito a dependência dos membros de um grupo entre si. Um ferreiro que só mexe com ferro necessita de pão. E o padeiro que só mexe com pão necessita de ferro. Esta característica da produção foi levado ao máximo no sistema capitalista, onde o trabalho é especializado e há padrões universais para o intercâmbio de trabalhos e de mercadoria, como o valor do ouro e do dinheiro.
  13. 13. O mistério da mercadoria consiste no encobrimento das características sociais dos produtos do trabalho humano, que aparecem como características materiais e pertencentes ao próprio objeto. Em última análise, o valor de uma coisa é atribuído pelo sujeito. Uma muleta não teria muito valor para atleta saudável, mas seria indispensável para um manco. Um produto nada mais é do que a natureza transformada. Uma muleta é madeira transformada, medida, trabalhada. Mas não deixa de ser mera madeira, se olhada objetivamente. No entanto, esta mesma madeira é transformada em mercadoria. O homem, um ser físico estabelece uma relação com a madeira, outra coisa física. Mas o valor da madeira enquanto mercadoria nada tem de físico. Ou como afirma Marx, “Uma relação social definida, estabelecida entre os homens, assume a forma fantasmagórica de uma relação entre as coisas.”19 A isto Marx chama de fetichismo da mercadoria. As coisas, tomadas num ponto objetivo, tem apenas existência material. É no plano físico onde acontecem as coisas, o trabalho, a transformação. No entanto, é o homem que, abstraindo e convencionado com outros homens através da linguagem, transforma o objeto em uma mercadoria de valor pessoal, subjetivo. E com a troca de mercadoria, estabelece-se um outro tipo de valor. Os trabalhos pessoais e privados pertencem ao todo do trabalho social, e é a relação social entre os indivíduos que cria a relação entre os trabalhos. Os homens, inconscientemente, igualam os diferentes tipos de trabalho e produtos numa qualidade comum do trabalho humano. Dessa forma, o valor de uma mercadoria é um signo social, que precisa ser decodificado por padrões comportamentais comuns para se efetivarem como valorosos em um sentido específico. O interessante é notar a relação do conceito de mercadoria com a diferença clássica da filosofia entre a coisa-em-si e a coisa-para-si. Esta distinção problematizada por Kant na forma de aporia, levada ao máximo no Idealismo e colocada sob outra perspectiva pelo Absoluto hegeliano, é um problema filosófico diretamente ligado aos autores que mais influenciaram Marx. Este, por sua vez, aplica-o aos valores do mercado e da economia, sem largar mão de sua posição materialista. Marx, afinal, não nega que as coisas adquirem um valor apenas na perspectiva do sujeito, mas submete esta perspectiva à relações definidas entre os membros do corpo social. Não é o indivíduo sozinho que, em sua percepção estabelece relações determinantes para o modo de se ver a realidade, mas sim as relações sociais entendidas com base em coisas materiais, existentes além da existência individual.

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