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Reformador 10 outubro_2006

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Reformador 10 outubro_2006 Reformador 10 outubro_2006 Document Transcript

  • reformador outubro 2006 - a.qxp 9/10/2006 11:13 Page 3 Expediente Sumário 4 Editorial Relembrando Kardec 12 Entrevista: Gloria Avalos de Ynsfrán Fomentar a paz através do conhecimento e do amor Fundada em 21 de janeiro de 1883 Fundador: Augusto Elias da Silva 14 Presença de Chico Xavier Na trilha de Allan Kardec – André Luiz Revista de Espiritismo Cristão 21 Esflorando o Evangelho Ano 124 / Outubro, 2006 / N o 2.131 Madalena – Emmanuel ISSN 1413-1749 Propriedade e orientação da 34 A FEB e o Esperanto FEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA As idéias de Zamenhof e a Doutrina Espírita – Diretor: NESTOR JOÃO MASOTTI Diretor-substituto e Editor: ALTIVO FERREIRA Paulo Sérgio Viana Redatores: AFFONSO BORGES GALLEGO SOARES, ANTONIO CESAR PERRI DE CARVALHO, EVANDRO 42 Seara Espírita NOLETO BEZERRA E LAURO DE OLIVEIRA SÃO THIAGO Secretária: SÔNIA REGINA FERREIRA ZAGHETTO Gerente: AMAURY ALVES DA SILVA Gerente de Produção: GILBERTO ANDRADE Equipe de Diagramação: SARAÍ AYRES TORRES, AGADYR TORRES E CLAUDIO CARVALHO 5 Não julgueis – Juvanir Borges de Souza Equipe de Revisão: MÔNICA DOS SANTOS E WAGNA CARVALHO 8 Campeonato da insensatez – Vianna de Carvalho e outros Espíritos-espíritas REFORMADOR: Registro de publicação o n 121.P.209/73 (DCDP do Departamento de Polí- 11 Realidade e ficção – Washington Borges de Souza cia Federal do Ministério da Justiça), CNPJ 33.644.857/0002-84 • I. E. 81.600.503 16 Saúde é trabalhar – Richard Simonetti Direção e Redação: 17 O Mestre e o Apóstolo – Emmanuel Av. L-2 Norte • Q. 603 • Conj. F (SGAN) 70830-030 • Brasília (DF) 18 Pedra angular – Dalva Silva Souza Tel.: (61) 2101-6150 22 Espiritismo – O Consolador prometido por Jesus FAX: (61) 3322-0523 Departamento Editorial e Gráfico: – Hugo Alvarenga Novaes Rua Souza Valente, 17 • 20941-040 Rio de Janeiro (RJ) • Brasil 24 O necessário e delicado intercâmbio mediúnico Tel.: (21) 2187-8282 • FAX: (21) 2187-8298 E-mail: redacao.reformador@febrasil.org.br – Waldehir Bezerra de Almeida Home page: http://www.febnet.org.br 27 Vianna de Carvalho – 80 anos de desencarnação E-mail: feb@febrasil.org.br e – Luciano Klein Filho webmaster@febnet.org.br 30 A resposta de Deus – Eliana Thomé PARA O BRASIL Assinatura anual R$ 39,00 32 Muito à frente de seu tempo – Sônia Zaghetto Número avulso R$ 5,00 33 Capacitação do Trabalhador do Grupo Mediúnico PARA O EXTERIOR Assinatura anual US$ 35,00 36 Santos Dumont Assinatura de Reformador: 38 Divaldo Franco na FEB-Rio Tel.: (21) 2187-8264 • 2187-8274 E-mail: 39 Normalização Editorial – Padrão de qualidade editorial assinaturas.reformador@febrasil.org.br dos livros febianos – Geraldo Campetti Sobrinho Projeto gráfico da revista: JULIO MOREIRA 41 Dia Estadual da Confraternização Espírita Capa: AGADYR TORRES PEREIRA
  • reformador outubro 2006 - a.qxp 9/10/2006 11:14 Page 4 Editorial Relembrando Kardec R eformador, deste mês, relembra o lúcido trabalho de Allan Kardec na elabo- ração da Codificação Espírita, materializando, junto à Humanidade, o Consolador Prometido por Jesus. Resgata uma página de André Luiz, intitulada “Na trilha de Allan Kardec” (p. 14) e publica mensagem de Emmanuel, “O Mestre e o Apóstolo” (p.17), ambas psicografadas por Francisco Cândido Xavier. Sobre a obra do Codificador, é oportuno relembrar, também, alguns pensamen- tos de Bezerra de Menezes, Espírito que, sob inspiração superior, vem orientando o estudo, a divulgação e a prática da Doutrina Espírita:* “A Doutrina Espírita possui os seus aspectos essenciais em configuração tríplice. Que ninguém seja cerceado em seus anseios de construção e produção. Quem se afeiçoe à ciência que a cultive em sua dignidade, quem se devote à filosofia que lhe engrandeça os postulados e quem se consagre à religião que lhe divinize as aspira- ções, mas que a base kardequiana permaneça em tudo e todos, para que não venha- mos a perder o equilíbrio sobre os alicerces em que se nos levanta a organização.” “Allan Kardec, nos estudos, nas cogitações, nas atividades, nas obras, a fim de que a nossa fé não se faça hipnose, pela qual o domínio da sombra se estabelece sobre as mentes mais fracas, acorrentando-as a séculos de ilusão e sofrimento.” “Seja Allan Kardec, não apenas crido ou sentido, apregoado ou manifestado, a nossa bandeira, mas suficientemente vivido, sofrido, chorado e realizado em nossas próprias vidas. Sem essa base é difícil forjar o caráter espírita-cristão que o mundo conturbado espera de nós pela unificação.” “É indispensável manter o Espiritismo, qual foi entregue pelos Mensageiros Di- vinos a Allan Kardec, sem compromissos políticos, sem profissionalismo religioso, sem personalismos deprimentes, sem pruridos de conquista a poderes terrestres transitórios.” “Amor de Jesus sobre todos, verdade de Kardec para todos.” *Mensagem “Unificação”, psicografada por Francisco C. Xavier (Reformador, dezembro de 1975). 4 362 R e f o r m a d o r • A g o s t o 2 0 0 6
  • reformador outubro 2006 - a.qxp 9/10/2006 11:14 Page 5 Não julgueis J U VA N I R B O R G E S DE SOUZA E ncontra-se no Evangelho de Ao mesmo tempo que po- Mateus, 7:1-2, esse ensino de significar uma de- de Jesus: cisão de juiz ou “Não julgueis, a fim de não ser- de árbitro, des julgado; – porquanto sereis pode tam- julgados conforme houverdes jul- bém ser em- gado os outros; empregar-se-á co- pregado no sentido de imaginar, vosco a mesma medida de que vos conjecturar, formar opinião, ava- tenhais servido para com os ou- liar, formar juízo crítico, conside- tros. (O Evangelho segundo o Espi- rar-se, etc., conforme o texto em ritismo, 3. ed. especial, cap. X, item que está inserido. nevolência para com todos são 11, p. 215.) Acreditamos que Jesus, conhe- componentes da caridade, junta- Esta lição do Mestre insere-se, cendo profundamente a natureza mente com o perdão amplo de to- como muitas outras, na lei do dos habitantes do nosso mundo, das as ofensas, como ensinou Jesus. amor – a síntese maravilhosa que procurou deixar evidente o pre- (O Livro dos Espíritos, questão Ele formulou para facilitar a com- juízo moral para aqueles que, por 886.) preensão não somente de seus dis- hábito adquirido, ou por natural A caridade, por sua vez, é a con- cípulos e ouvintes, mas de todos os inclinação, fazem conjecturas de- cretização do amor, é a prática do que viessem tomar conhecimento sairosas sobre o procedimento mais elevado sentimento de que de sua mensagem, no futuro. alheio, ou formam juízo crítico as leis supremas do Criador dis- Como amar ao próximo é a re- sobre seus semelhantes. põem para a elevação e a com- gra áurea para reger o relaciona- São procedimentos comuns preensão de todas as criaturas. mento com nossos semelhantes, de todos os tempos os juízos te- A indulgência é a base, o fun- colocada junto ao primeiro man- merários, inclusive nas socieda- damento moral inconfundível de damento – amar a Deus sobre to- des da atualidade, que prejudi- um dever que se aplica a todos os das as coisas –, o não julgueis para cam e dificultam a fraternidade, Espíritos no relacionamento com não serdes julgados é um desdo- a compreensão e a solidariedade seus semelhantes. bramento da lei suprema. entre as criaturas. É ela, a indulgência, que o Cris- É uma forma de facilitar a Criticar, reprovar, censurar, com to opõe aos juízos insensatos e compreensão humana para aque- ou sem fundamento, tornaram-se contrários às leis naturais ou divi- les que visam aceitar, compreen- formas comuns nas conversações nas, para lembrar a todos nós que der e vivenciar as leis divinas. e comentários entre pessoas, com não devemos julgar os outros, O verbo julgar tem acepções referências a outras, presentes ou muito menos utilizar a severidade diversificadas na linguagem hu- ausentes. em condenações e críticas das mana, especialmente no idioma A indulgência para as imperfei- quais nos absolvemos, como se português. ções dos outros, assim como a be- fôssemos criaturas superiores. Outubro 2006 • Reformador 363 5
  • reformador outubro 2006 - a.qxp 9/10/2006 11:14 Page 6 Quando apreciamos a conduta isso, a regra resultante da lição mens, Espíritos imperfeitos e su- de nossos semelhantes, o que se do Cristo deve ser entendida co- jeitos a erros, com mais razão não torna inevitável na vida de rela- mo oposição à maledicência e à devem arvorar-se em julgadores ção do homem, ou concordamos maldade, mas não como tolerân- dos outros, mas, sim, cooperado- com seus pensamentos e ações, cia ao mal, resultante de má in- res para o aperfeiçoamento de ou deles discordamos, total ou terpretação dos ensinos do Mes- seus semelhantes. parcialmente. tre, que empregou a palavra jul- As leis divinas, sintetizadas no Na primeira hipótese, a da con- gar em conformidade com a or- amor, abrangem a fraternidade, cordância, pode ocorrer que tanto dem das idéias que se apresenta- a solidariedade, a compreensão, a nós quanto nosso semelhante es- vam na ocasião. tolerância e o respeito para com os tejamos pensando e agindo de for- Para bem entender a lição do semelhantes. O julgamento torna- ma correta, ou ambos estejamos Mestre, torna-se necessário que o -se incompatível com essas leis, ao errados, sem que percebamos. Po- aprendiz penetre seu íntimo, ouça opor-se a qualquer de seus funda- de acontecer também que um es- sua consciência e demonstre que mentos. teja certo e o outro errado. usa a indulgência para com seus O que compete a cada um de Falíveis em si mesmos, os julga- irmãos. Essa é uma das formas da nós, Espíritos em evolução, é a aju- mentos humanos nem sempre dis- prática da caridade. da aos nossos semelhantes em suas tinguem o erro da verdade, pela Exemplo magnífico do signifi- transgressões e dificuldades, como imperfeição dos próprios homens. cado do “não julgueis” mostrou Je- seguidores dos ensinos do Cristo. Há, pois, fortes razões para não sus no episódio da mulher adúlte- Em vez de julgamentos, as leis de se atribuir, de nossa parte, à opi- ra, apresentada ao Mestre pelos es- Deus, justas e perfeitas, dispõem de nião de uma individualidade hu- cribas e fariseus. Depois de ouvir mecanismos de retificações das fal- mana, nem a certeza e infalibilida- as acusações à mulher, Jesus disse: tas e desvios das criaturas, para que de, nem o erro e engano de seu jul- “Aquele dentre vós que estiver retomem o caminho do progresso gamento. A prudência e o respeito sem pecado, atire a primeira pe- e da evolução. são nossos melhores conselheiros. dra”. (João, 8:7.) O erro, o desvio do bem, o Infelizmente, o orgulho e o Os acusadores, após ouvirem transvio são circunstâncias transi- egoísmo dos homens desprezam essas palavras, retiraram-se um tórias na vida de cada Espírito, por essa realidade. após outro. mais rebelde que seja, no uso do Reconhecendo nossas imper- Perguntou Jesus então à mu- seu livre-arbítrio. Por isso, mesmo feições, o mais seguro é evitar os lher: “Onde estão os que te acusa- nos casos mais tristes de rebeldias, julgamentos das posturas, das vam? Ninguém te condenou?” nunca devemos perder a esperan- opiniões, do procedimento e de Ela respondeu: “Não, Senhor”. ça na recuperação do transviado, tudo o que caracteriza, afinal, o Disse-lhe Jesus: “Também eu não já que, em determinado tempo, o nosso semelhante. te condenarei. Vai-te e de futuro Espírito recomeça sua evolução, Esse posicionamento em relação não tornes a pecar”. (João, 8:3-11.) mesmo que à custa de muito sofri- ao “não julgueis” do ensinamento mento regenerativo. de Jesus não se refere à repulsa ao Ninguém tem o direito de ar- mal de variadas origens, que é um O exemplo oferecido por Jesus vorar-se em dono da justiça. dever de todos os indivíduos e de no caso da mulher adúltera, repe- Mesmo a justiça humana, ba- todas as sociedades humanas. tido em outras circunstâncias, seada nas leis dos homens, come- O mal deve ser identificado e consagra o princípio de que, sen- te muitos enganos, visto que de- reprimido em toda parte, qual- do Ele um Espírito perfeito, não pende de juízes falíveis e de inter- quer que seja a sua origem. Por julga seus irmãos menores. Os ho- pretações variáveis. 6 364 R e f o r m a d o r • O u t u b r o 2 0 0 6
  • reformador outubro 2006 - a.qxp 9/10/2006 11:14 Page 7 Temos de entender a justiça hu- O que nos parece condenável nos Os ensinos, os preceitos e os mana como uma organização ne- outros pode não o ser na realida- exemplos deixados por Jesus, em cessária em um mundo atrasado e de, porque desconhecemos por- sua passagem pela Terra, encon- imperfeito, que se torna útil por menores dos fatos e do que se pas- tram-se ampliados e interpreta- cooperar na repressão aos mais va- sa no íntimo das pessoas. dos corretamente pelos Espíritos riados crimes e transgressões. Mas Uma pergunta lógica se impõe Superiores. Cumpriu-se a pro- seus julgamentos nem sempre re- ao nosso raciocínio: por que nos messa do Mestre de pedir ao Pai o presentam a verdadeira justiça. preocupamos mais com os erros, envio de outro Consolador. Devemos nos lembrar sempre os defeitos e as imperfeições Com a Doutrina dos Espíritos, de que, como criaturas imperfei- alheias, em lugar de valorizar e o Consolador, encontra-se no tas, podemos ser portadores de aplaudir as virtudes que as criatu- mundo tudo o que ensinou o defeitos semelhantes, ou até pio- ras apresentam? Cristo, sem as distorções interpre- res que os daqueles a quem julga- Não seria essa particularidade tativas dos homens. mos, cabendo-nos, portanto, es- mais um motivo e uma justificati- Agora nos compete seguir os forçar-nos por combater nossas va para adotarmos o preceito evan- ensinos do Mestre, consolidados próprias imperfeições, antes de gélico do “não julgueis”? na Terceira Revelação. nos preocuparmos com as alheias. A vida do Espírito, quando en- Uma de suas lições inesquecí- Ao julgar alguém, podemos carnado, tem características pró- veis é a do “não julgueis”, que visa estar cometendo um equívoco, prias de um mundo material, as a paz, o perdão e a compreensão do qual resulta grande ou pe- quais influenciam muito nossos para cada criatura. queno dano àqueles que rece- juízos. É uma das faces do amor, tão ne- bem nosso juízo. É evidente que Mas a vida continua nas esferas cessário para reverter as condições respondemos pelas conseqüên- espirituais, em que as influências deste planeta sob as influências das cias de nosso erro. materiais diminuem ou desapare- inferioridades espirituais, emocio- Muitas vezes não sabemos o al- cem, dependendo da evolução al- nais, mentais, verbais e físicas que cance real daquilo que julgamos. cançada pelo Espírito. atuam sobre seus habitantes. Cristo e a Mulher Adúltera, quadro de Guercino, pintado por volta de 1621
  • reformador outubro 2006 - a.qxp 9/10/2006 11:14 Page 8 Campeonato da insensatez Q uando o conhecimento li- Sintetizando o idealismo filo- ção clerical, que teimava em pros- bertava-se da grilheta soez sófico com as conquistas da expe- seguir soberana, graças aos víncu- da ignorância e as ciên- rimentação científica moderna, los com Roma, que apoiava gover- cias adquiriam cidadania cultural, ao tempo em que a ética do Evan- nos usurpadores e perversos na alargando os horizontes do pen- gelho se fazia restaurada, essa in- Europa, assinalava o declínio do samento e facultando melhor en- comparável Doutrina propunha- Velho Mundo de ostentação e pri- tendimento em torno da finalida- -se a oferecer os instrumentos vilégios, a fim de que os vexilários de existencial, em meado do sé- hábeis para a aquisição da felici- do amor e da paz abrissem clarei- culo XIX, surgiu o Espiritismo dade. ras na imensa noite amedronta- como um sol para a Nova Era, que O obscurantismo ancestral ce- dora. deveria iluminar a Humanidade a dia lugar a novas conquistas liber- Os Espíritos, considerados mor- partir de então. tadoras, enquanto Espíritos de es- tos, romperam o apavorante si- Era a resposta dos Céus às ro- col encarregavam-se de promover lêncio a que foram relegados e gativas dos sofrimentos que se o progresso material, social e inte- proclamaram os lídimos ensinos espalhavam pela Terra. Conforme lectual no Orbe, sacrificando-se do Cristo como fundamentais à Jesus houvera prometido, trata- fiéis aos anseios de iluminação. vida, bem como a própria imorta- va-se de O Consolador, que che- Os objetivos da liberdade al- lidade, restaurando a pulcritude gava para atender às múltiplas ne- cançada desde os dias sangrentos do Evangelho que houvera sido cessidades humanas. de 1789, com a queda da Bastilha gravemente adulterado, desse mo- e os movimentos que a seguiram, do despertando as consciências pa- facultavam o florescimento da ra a vivência da concórdia, do bem verdadeira fraternidade entre to- e da caridade... dos, igualando-os em relação aos Os paradigmas científicos do direitos e aos deveres que lhes di- Espiritismo revestiam-se do vigor ziam respeito, pelo menos teori- indispensável ao enfrentamento camente. com o materialismo de Frederico Respiravam-se novos ares sem Engels e de Schopenhauer, de os tóxicos dos preconceitos e da Marx e de Nietzsche, revitalizan- intolerância religiosa, que cedia do a ética centrada na Boa Nova, ante o vigor das conquistas in- conforme Jesus e os Seus primei- comparáveis da evolução que dia- ros discípulos a haviam vivido. riamente chegavam às massas so- Era um renascimento da Pala- fridas... vra e um reencontro com a Ver- A arrogância de Napoleão III, dade, que houvera perdido o bri- em França, refletindo a domina- lho, empanada pelos dogmas ul- 8 366 R e f o r m a d o r • O u t u b r o 2 0 0 6
  • reformador outubro 2006 - a.qxp 9/10/2006 11:14 Page 9 tramontanos e a Teologia partida- praiou-se por diversas nações ter- aos infelizes de todo porte, entre- rista, elaborada apenas para aten- restres, apresentou escritores, mé- gam-se à conquista de patrimônio der aos interesses mesquinhos e diuns, oradores e conferencistas, material e de projeção social, vin- subservientes aos poderosos que, pedagogos, psicólogos, médicos e culando-se a políticos de realce, às vezes, eram também submeti- advogados, juízes e desembarga- nem sempre portadores de condu- dos ao talante do seu atrevimento. dores, entre muitos outros profis- ta louvável, para partilharem das Permitindo-se investigar até a sionais, todos incorruptíveis, que migalhas do mundo em detrimen- exaustão, os imortais confabula- deixaram um legado honorável, to das alegrias do reino dos céus. ram com as criaturas terrestres, mas que, infelizmente, em alguns Substituem a simplicidade e a oferecendo-lhes explicações segu- dos seus bolsões, não está sendo espontaneidade dos fenômenos ras sobre a vida, seus objetivos, os dignamente preservado. mediúnicos por constrições e di- problemas do sofrimento, do des- Os atavismos ancestrais, em di- retrizes escolares que culminam, tino, do ser humano... versos espíritas, que se elegeram lamentavelmente, com a diploma- Nunca, até então, uma Doutri- ou foram eleitos líderes por si ção de médiuns e de doutrinado- na abrangeria tantos temas e ques- res, que também alcançam os pa- tões porque, afinal, não procedia de uma pessoa, mas de uma equi- Exigências tamares teológicos da autofasci- nação. pe de pensadores como João Evan- gelista, Paulo, o Apóstolo, Santo descabidas e Exigências descabidas e vaido- sas agridem a simplicidade que Agostinho, Descartes, Lacordaire, Cura d’Ars, São Luís de França, vaidosas deve viger nas Sociedades espíri- tas, antes desvestidas de atavios Joana d’Arc, Henri Heine, Féne- ditos tecnológicos e atuais, que lon, para citar apenas alguns pou- agridem a eram vivenciados pela tolerância e cos, todos sob a inspiração de Je- bondade entre os seus membros. sus Cristo... simplicidade Ao estudo sério dos postulados Essa trilogia sintetizada num doutrinários, sucede-se a chocar- bloco monolítico – Ciência, Filo- que deve viger rice e o divertimento em relação sofia e Religião – deveria enfren- ao público que busca as reuniões, tar o futuro, acompanhando o nas Sociedades em atitudes mais compatíveis progresso, aceitando todas as suas com os espetáculos burlescos do conquistas, mas interpretando-as espíritas que com a gravidade de que o Es- com discernimento apurado, por- piritismo se reveste. que estuda as causas, enquanto as mesmos, no entanto, não têm su- O excesso de discussões em tor- ciências estudam os seus efeitos. portado o peso da responsabilida- no de questões secundárias toma Um século e meio quase trans- de pela execução do trabalho que o tempo para análise e reflexão corrido, após o surgimento de O lhes diz respeito, e, preocupados em relação aos momentosos desa- Livro dos Espíritos, em Paris, a 18 injustamente com o labor organi- fios sociais e humanos aos quais o de abril de 1857, a Doutrina resis- zacional, vêm-se desviando dos Espiritismo tem muito a oferecer. tiu a todas as investidas da cultura conteúdos insofismáveis da Dou- A presunção e a soberba ele- científica, tecnológica, filosófica, trina, qual fizeram ontem em re- gem delineamentos e condutas permanecendo vigorosa e insupe- lação à Mensagem cristã, que que recordam aqueles formulados rável como no instante da sua transformaram em romanismo... pelos antigos sacerdotes, e que ora consolidação. Às preocupações em torno da pretendem se encarreguem de de- O Movimento Espírita es- caridade fraternal em referência finir os rumos que devem ser to- Outubro 2006 • Reformador 367 9
  • reformador outubro 2006 - a.qxp 9/10/2006 11:14 Page 10 mados pelo Movimento, após reu- a cursos, quando necessitam de futuras gerações, conforme a rece- niões tumultuadas com resíduos uma palavra de conforto moral beram do Codificador e dos seus de mágoas e animosidades mal dis- urgente... iluminados trabalhadores das pri- farçadas. Os corações enregelam-se e a meiras horas. Ouvem-se as mensagens dos fraternidade desaparece. Bons espíritas, meus bem-ama- Benfeitores espirituais, comoven- O Cristianismo resistiu brava- dos, sois todos obreiros da última do-se com as suas dissertações, e mente a trezentos anos enquanto hora, conforme proclamou o Es- logo abandonando-as dominados perseguido e odiado, até o mo- pírito protetor Constantino, em O pela alucinação da frivolidade. mento em que o imperador Cons- Evangelho segundo o Espiritismo.* Apegam-se ao poder, como se tantino o vilipendiou, no dia 13 Não vos esqueçais! fossem insubstituíveis, esqueci- de junho de 313, mediante o Edi- Estais comprometidos, desde dos de que as enfermidades e a to de Milão, que o tornou tolera- antes da reencarnação, com o Es- desencarnação os desalojam das do em todo o Império romano, piritismo que agora conheceis e funções que pretendem preservar descambando posteriormente pa- vos fascina a mente e o coração. a qualquer preço. ra religião do Estado, em olvido Tende cuidado! O tecnicismo complicado vem total às lições de Jesus Cristo, Evitai conspurcá-la com atitu- transformando as Instituições em passando, depois, de perseguido a des antagônicas aos seus ensina- Empresas dirigidas por executi- perseguidor... mentos e imposições não com- vos brilhantes, mas sem qualquer O Espiritismo ainda não com- patíveis com o seu corpo doutri- vínculo com os postulados dou- pletou o seu sesquicentenário de nário. trinários... surgimento na Terra e as mesmas Retornar às bases e vivê-las Divisões que se vão multipli- nuvens borrascosas ameaçam-no qual o fizeram Allan Kardec e to- cando por setores, por especiali- de extermínio, por invigilância de dos aqueles que o seguiram desde zações, ameaçam a unidade do alguns dos seus profitentes... o primeiro momento, é dever de corpo doutrinário, olvidando-se É hora de estancar-se o passo todo espírita que travou contato daqueles que não possuem títulos na correria desenfreada em busca com a Terceira Revelação judai- terrestres, mas que são pobres de das ilusões, a fim de fazer-se uma co-cristã porque o tempo urge e a espírito, simples e puros de cora- análise mais profunda em torno hora é esta, sem lugar para o cam- ção, em elitismo injustificável. da Doutrina Espírita e dos seus peonato da insensatez. Escasseiam o amor, a compai- objetivos, saindo-se das brilhantes xão e a caridade... teorias para a prática, a vivência Críticas sórdidas, perseguições dos ensinamentos libertadores. Vianna de Carvalho públicas, malquerenças grassam, Não é momento para escamo- e outros Espíritos-espíritas onde deveriam vicejar o perdão, tear-se a realidade, em face do o bem-querer, a compreensão fra- anseio para conseguir-se, embora ternal, a caridade sem jaça. rapidamente, o brilho momentâ- (Página psicografada pelo médium Dival- Não se dispõe de tempo, con- neo dos holofotes, como se bla- do Pereira Franco, na reunião mediúnica sumido pelo vazio exterior, para sona com certa mofa, em relação da noite de 17 de julho de 2006, no Cen- a assistência aos sofredores e ne- aos que disputam as glórias ter- tro Espírita Caminho da Redenção, em cessitados que aportam às casas restres. Salvador, Bahia.) espíritas, relegados a segundo pla- Menos competição e mais co- no, nem para a convivência com operação, deve ser a preocupação *Capítulo XX – “Os trabalhadores da últi- os pobres e desconhecedores da de todos espíritas sinceros, a fim ma hora”, item 2. Nota do Autor espiri- Doutrina, que são encaminhados de transferir a Doutrina para as tual. 10 368 R e f o r m a d o r • O u t u b r o 2 0 0 6
  • reformador outubro 2006 - a.qxp 9/10/2006 11:14 Page 11 Realidade e ficção WA S H I N G TO N B O R G E S DE SOUZA O mundo onde vivemos está livre-arbítrio e de outras qualidades uma vida melhor. As leis divinas são envolto, ainda, por influên- que lhe são peculiares. sábias, justas e amorosas, mas nin- cias predominantemente Os materialistas, ateístas, incré- guém as transgride sem se ferir. materialistas. dulos, transitoriamente incapacita- Todavia, não basta abster-se de Não obstante serem decorridos dos de conceber e perceber a alma, infringi-las, é necessário praticar o dois milênios desde a presença confundem a realidade com a fic- bem. Elas se cumprem independen- amorosa de Jesus entre os homens, ção. Intelectual e sentimentalmente temente da nossa ignorância ou da a Doutrina consoladora e esclarece- afastados do Criador, imaginam nossa compreensão. dora, que deixou eternamente para que é a matéria tangível e grosseira O ser humano não pode cami- nós, não se fixou na consciência e que formula e desenvolve as idéias e nhar na senda evolutiva sem fé, no coração da imensa maioria da é a fonte inteligente. Embora o pro- sob pena de não progredir. Cum- Humanidade, cativa de ilusões e gresso científico esclareça que o cor- pre assinalar, entretanto, que a fé quimeras de natureza nitidamente po humano seja constituído de cer- do adepto espírita é robusta por- material. A realidade do Espírito ca de cem trilhões de células, os in- que tem base na razão, na certeza permanece encoberta por fantasias crédulos não perceberam ainda as absoluta da existência de Deus e materialistas perniciosas e efêmeras. sutilezas da alma, a origem da inte- do espírito. A prova dessa existên- A Ciência tradicional da Terra, ligência e da razão. Ignoram que a cia não depende da instrumenta- embora já tenha dado largas passa- memória do ser humano ultrapassa ção e dos laboratórios terrenos, por- das na senda do progresso, ainda os limites das células cerebrais, não quanto está impressa em tudo que imagina que o Espírito é uma abs- desaparece com a morte do corpo existe em toda parte do Universo. tração, não um ser real. As lições de físico, mas acompanha a alma imor- É manifesta na obra da Criação: na Jesus e as provas trazidas pelo Espi- tal. A carreira do tempo encarregar- Natureza, nas leis que regem a vida ritismo não foram devidamente -se-á de fazer com que todas as pes- e as coisas. É, portanto, crença cons- consideradas. As trevas da ignorân- soas alcancem a verdade, pelos ciente e inabalável. cia inibem o Espírito, o ser real. Tu- desígnios de Deus. A Doutrina Espírita lembra que do decorre da condição da Terra, de Quando os princípios da doutri- as sucessivas gerações sempre se planeta de provas e expiações, onde na cristã, deixados nos sítios da empenharam na busca da felicida- são freqüentes as guerras e conflitos, Palestina, puderem ser absorvidos e de. Jesus, em suas sublimes e magis- a violência de vários matizes, as pai- praticados, e a Humanidade conse- trais lições, ensina que a felicidade xões inferiores sob o império do or- guir chegar às verdades eternas, o está ao alcance de cada um de nós gulho e do egoísmo e, sobretudo, da comportamento humano modifi- pela prática do bem, do exercício da ignorância das leis divinas, da exis- car-se-á completamente e haverá caridade, do amor a Deus, ao nosso tência de Deus e da alma. Esse esta- paz na Terra. A compreensão da vi- próximo e a nós mesmos. do evolutivo reflete o desconheci- da futura facultará à criatura ter es- mento da vida humana, da sua na- perança de poder encontrar a ver- tureza, dos seus atributos, da cons- dadeira felicidade pela prática do ciência do homem, do raciocínio, bem. O acesso à verdade abre à cria- da vontade, da moralidade, do seu tura a possibilidade de usufruir
  • reformador outubro 2006 - a.qxp 9/10/2006 11:14 Page 12 Entrevista G LO R I A AVA LO S DE YNSFRÁN Fomentar a paz através do conhecimento e do amor Gloria Avalos de Ynsfrán, dirigente espírita paraguaia, foi entrevistada durante a 11ª Reunião do Conselho Espírita Internacional (CEI), em Assunção, quando abordou o desenvolvimento do Movimento Espírita paraguaio Reformador: Como está se desen- principalmente porque há uma maneira que atuamos todos jun- volvendo o Movimento Espírita no grande aceitação do que tem si- tos pela Federação. Paraguai? do divulgado, assim como estí- Gloria: Há um crescimento do Mo- mulo ao estudo. Em cada Centro Reformador: O Movimento Espíri- vimento Espírita paraguaio muito Espírita têm-se formado grupos ta se concentra na Capital ou se es- mais rápido do que imaginávamos, de estudo sobre Doutrina Espíri- palha pelo interior do País? ta (ESDE), sobre Mediunidade Gloria: A maioria dos centros es- (ESME), preparação de trabalhado- píritas se concentra em Assunção, res, de integração, de atendimen- sendo que dois fora do centro ur- to fraterno a adultos, crianças e jo- bano e os outros estão nas proxi- vens, e já estamos observando os re- midades. sultados com a preparação de um bom número de jovens trabalha- Reformador: Qual idioma é mais dores; assim, está se solidificando utilizado nos centros espíritas? o Movimento Espírita paraguaio, Gloria: Empregamos dois idiomas, com uma boa base doutrinária. porque no Paraguai pensamos em guarani e nos expressamos em es- Reformador: E a formação da Fe- panhol. Portanto, para facilitar as deração Espírita Paraguaia? interpretações e a divulgação, e co- Gloria: O Movimiento Espírita Pa- mo procuramos sempre chegar ao raguayo conta com apenas três anos coração das pessoas, utilizamos de fundação e estamos trabalhan- muito a expressiva língua que é o do com o objetivo de formar a guarani. Federação Espírita do Paraguai. É um trabalho de equipe, co- Reformador: No Movimento Espí- mo numa secretaria geral, de rita paraguaio há algum desenvol-
  • reformador outubro 2006 - a.qxp 9/10/2006 11:14 Page 13 vimento mais intenso na área da ram com os temas abordados, São Paulo, no Brasil. Há uns quin- infância e juventude? inclusive os relacionados com a ze anos se estabelece um intercâm- Gloria: No momento damos ênfa- defesa da vida: aborto, suicídio, bio muito interessante e que tem se ao ESDE e ao ESME porque a eutanásia. Se a família se desenvol- sido bastante produtivo. maioria dos freqüentadores se en- ve em paz, teremos mais paz nas contra numa faixa de 20 a 40 anos. ruas e na sociedade. Reformador: Vocês mantêm rela- Estamos dando início a trabalho cionamento com outros países? de evangelização da infância, e já Reformador: No Paraguai há algum Gloria: Como o grupo de trabalha- temos um grupo mais sólido de preconceito contra o Espiritismo? dores ainda é pequeno e as neces- jovens espíritas. Gloria: Sim, por falta de conheci- sidades internas de atuação são mento sobre o que é o Espiritis- grandes, mantemos pouco relacio- Reformador: Há edições de livros mo e por confundi-lo com práti- namento com outros países. Par- espíritas no Paraguai? cas mediúnicas não-espíritas. Mas ticipamos do Conselho Espírita Gloria: Há uma empresa de pro- Internacional e temos muitos con- priedade de espíritas que tem cola- As atividades tatos com o Movimento Espírita borado muito na impressão de ma- do Brasil. terial para difusão espírita e, mais do CEI têm recentemente, de livros. Há sete Reformador: Como analisa as ati- anos vem sendo editada a revista contribuído vidades do CEI? La Luz del Porvenir, que reúne ex- Gloria: As atividades do CEI têm celentes matérias, e é um meio de para dar uma contribuído para dar uma estrutu- divulgação em nosso país, ofere- ra de segurança e apoio aos vários cendo também informações sobre estrutura de países. Nestes anos de existência o nosso Movimento Espírita. segurança do CEI tem sido maravilhoso o in- tercâmbio que se estabelece. Nesta Reformador: Qual a motivação pa- ra adotarem o tema “Família, Vida e apoio aos Reunião do CEI, em Assunção, sentimos madureza em todos os e Paz” na Semana Espírita que se desenvolveu antes do início da Reu- vários países participantes, tranqüilidade e pro- fundo respeito a todos. Creio que nião do CEI? nunca tivemos problemas e há li- o CEI está cumprindo os objetivos Gloria: É o terceiro ano que pro- berdade de culto no País. Já reali- para os quais se formou. Está con- movemos a “Semana Espírita do zamos encontros, seminários e tribuindo muito para a difusão da Movimento Paraguaio”. Escolhe- congressos sem maiores dificulda- Doutrina Espírita. mos o tema porque entendemos des. Temos sido bem recebidos que o futuro da sociedade depende onde procuramos algum contato Reformador: Uma mensagem final. da estrutura da família, que hoje com vistas às realizações espíritas. Gloria: Para o homem alcançar a se encontra fragilizada. Há neces- verdadeira felicidade que tanto sidade de uma família com base Reformador: Como conheceu o Es- busca, é indispensável conhecer-se religiosa, capaz de se sustentar piritismo? como ser espiritual, sabendo de com fé e conseguir a paz. Quando Gloria: Conheci o Espiritismo no onde vem e para onde vai; fomen- tivemos contato com o material da Paraguai, em função de alguns tar a paz dentro de cada um atra- Federação Espírita Brasileira foi companheiros que chegaram do vés do conhecimento e do amor; maravilhoso para nós. Verificamos Brasil e após recebermos convite encontrar no próximo o próximo que muitas famílias se beneficia- para participar de uma reunião em mais próximo... Outubro 2006 • Reformador 371 13
  • reformador outubro 2006 - a.qxp 9/10/2006 11:14 Page 14 Presença de Chico Xavier Na trilha de Allan Kardec E studando a vida espiritual além do túmulo, dos Espíritos mais elevados e tudo isso lhes incute Allan Kardec, o eminente Codificador da Nova idéias que antes não tinham.” Revelação, apresenta em O Livro dos Espíritos A resposta é segura. Os “Espíritos errantes”, isto é, algumas definições que será oportuno examinar, a nós outros os viajores em demanda da perfeição fim de que nós outros, tarefeiros encarnados e desen- suprema, inclusive a maioria das almas reencarnadas carnados do Espiritismo, estejamos vigilantes nas res- que permanecem na curta romagem do berço ao ponsabilidades que o Plano Superior nos conferiu. túmulo e que ainda voltarão muitas vezes ao educan- dário da carne, encontramos oportunidades de estu- do e meios de elevação. Na pergunta 226, indaga o apóstolo da Codifica- Ora, quem diz “estudo e elevação” refere-se a es- ção: forço e trabalho, disciplina e progresso. – “Poder-se-á dizer que são errantes todos os Espí- Assim é que tanto na experiência física quanto na ritos que não estão encarnados?” experiência espiritual, propriamente consideradas, E os seus elevados mentores responderam: nós, os viajores da senda evolutiva, não nos achamos – “Sim, com relação aos que devam reencarnar. órfãos da organização que nos define os méritos e Não são errantes, porém, os Espíritos puros, os que deméritos. chegaram à perfeição. Esses se encontram em seu es- Compreender-se-á, então, logicamente, que civili- tado definitivo.” zação e autoridade, agrupamento e ordem, escola e Segundo é fácil deduzir, “Espíritos errantes”, na dignificação, hospital e penitenciária, embora dife- elucidação, não significa Espíritos vagabundos, deso- renciados na expressão, escalonam-se e vigem para cupados, inertes, mas sim sem residência fixa, qual nós, os milhões de encarnados e desencarnados que ocorre com todos nós, de vez que, de conformidade vivemos ainda tão longe do acrisolamento absoluto. com a palavra dos instrutores de Allan Kardec, so- mente não são considerados “errantes” aqueles “que chegaram à perfeição”, da qual, todos nós, a genera- Na pergunta 229, interroga o Codificador: lidade das criaturas terrestres, ainda nos achamos – “Por que, deixando a Terra, não deixam aí os imensamente distantes. Espíritos todas as más paixões, uma vez que lhes reconhecem os inconvenientes?” E os orientadores aduziram: Na pergunta 227, inquire o grande servidor da – “Vês nesse mundo pessoas excessivamente inve- Verdade: josas. Imaginas que, mal o deixam, perdem esse defei- – “De que modo se instruem os Espíritos errantes? to? Acompanha os que da Terra partem, sobretudo os Certo não o fazem do mesmo modo que nós ou- que alimentaram paixões bem acentuadas, uma espé- tros?” cie de atmosfera que os envolve, conservando-lhes o E o esclarecimento veio, precioso: que têm de mau, por não se achar o Espírito inteira- – “Estudam e procuram meios de elevar-se. Vêem, mente desprendido da matéria. Só por momentos ele observam o que ocorre nos lugares aonde vão; ou- entrevê a verdade, que assim lhe aparece como que vem os discursos dos homens doutos e os conselhos para mostrar-lhe o bom caminho.” 14 372 R e f o r m a d o r • O u t u b r o 2 0 0 6
  • reformador outubro 2006 - a.qxp 9/10/2006 11:14 Page 15 A elucidação não deixa dúvidas. corpo, o Espírito não se acha completamente des- Carreamos para além do sepulcro a sombra das prendido da matéria e continua a pertencer ao ações deploráveis em que nos envolvemos, por efeito mundo onde acabou de viver, ou a outro do mesmo das paixões que acalentamos no próprio ser. grau, a menos que, durante a vida, se tenha elevado, Somos prisioneiros das imagens infelizes a que o que, aliás, constitui o objetivo para que devem ten- nos afeiçoamos, quando na extensão do mal aos ou- der seus esforços, pois, do contrário, não se aperfei- tros e a nós mesmos, imagens essas que se imobi- çoaria. Pode, no entanto, ir a alguns mundos supe- lizam, temporariamente, em nossa vida mental, de- riores, mas na qualidade de estrangeiro. A bem dizer, tendo-nos nas grades do remorso e do arrependi- consegue apenas entrevê-los, donde lhe nasce o dese- mento, até que atendamos à expiação necessária. jo de melhorar-se, para ser digno da felicidade de Em tais condições, a visão das verdades divinas que gozam os que os habitam, para ser digno tam- surge em nossa consciência, tão-somente à maneira bém de habitá-los mais tarde.” do relâmpago nas trevas que nós mesmos criamos, A resposta é tão brilhantemente positiva que não descerrando-nos o caminho regenerador que nos requisita comentários. compete aceitar e seguir. Vale, todavia, dizer que, muitas vezes, em desen- A morte física, como é racional, não nos subtrai, de carnando a alma do veículo de sangue e ossos, não se improviso, dos íntimos refolhos do espírito, as conse- liberta mentalmente da experiência a que ainda se qüências dos erros nefastos a que nos precipitamos, de prende na vida terrestre, em torno da qual gravita vez que os pensamentos oriundos das faltas cometidas por tempo indeterminado. nos entrançam a alma às imposições do resgate. Ninguém acredite, pois, que o túmulo seja de- pósito de asas destinadas à elevação de quem não procurou elevar-se durante a passagem pelo seio da Na pergunta 230, consulta o notável missionário. Humanidade. – “Na erraticidade, o Espírito progride?” E os Ascensão pede leveza. Benfeitores informam: Triunfo verdadeiro reclama heroísmo e glória. – “Pode melhorar-se muito, tais sejam a vontade e Sublimação exige amor e sabedoria. o desejo que tenha de consegui-lo. Todavia, na exis- Felicidade não dispensa equilíbrio. tência corporal é que põe em prática as idéias que O preço da perfeição é trabalho contínuo de en- adquiriu.” grandecimento da alma. Outra vez reconhecemos os veneráveis mensagei- Ninguém espere, assim, depois da morte, repouso ros interessados em destacar a necessidade de servi- e bem-aventuranças que não soube conquistar por si ço e educação, além-túmulo, aclarando, ainda, que mesmo. todos nós, “os viajores da evolução”, despendemos Serviço e hierarquia, aprendizado e aprimoramen- muitos séculos adquirindo ensinamentos na Vida to são imperativos a que não conseguiremos fugir, Espiritual e aplicando-os na esfera física, de modo a tanto do berço para o túmulo quanto do túmulo para assimilarmos com segurança, a golpes de trabalho o berço, se desejamos marchar para a Vida Superior... no campo do tempo, os valores da perfeição. E enunciando semelhante realidade, não estamos fazendo mais que acompanhar a trilha de Allan Kar- dec, nas lições que o apóstolo admirável entesourou, Ainda na pergunta 232, Kardec argúi, meticuloso: em nosso benefício, há cem anos. – “Podem os Espíritos errantes ir a todos os mun- Pelo Espírito André Luiz dos?” E a explicação veio clara: (Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier.) – “Conforme. Pelo simples fato de haver deixado o Fonte: Reformador, abril de 1957, p. 103-104. Outubro 2006 • Reformador 373 15
  • reformador outubro 2006 - a.qxp 9/10/2006 11:14 Page 16 Saúde é trabalhar RICHARD SIMONETTI A o longo de sua luminosa que considero, conforme me ensi- – Poder trabalhar, não obstan- trajetória, Chico Xavier ex- nou Emmanuel, que a possibilida- te a doença, já é quase saúde. perimentou inúmeros pro- de de ver já é um privilégio. blemas de saúde, sem permitir que Notável postura, não é mesmo, os males físicos o inibissem. leitor amigo? Um convite à refle- Diariamente, milhões de brasi- Indagado, certa feita, se em al- xão em torno de males que não leiros justificam sua ausência no gum momento sentira impaciên- nos afligiriam tanto, se não os ima- serviço, apresentando atestados cia ou revolta, explicou: ginássemos capazes de paralisar médicos, a informar que estive- – Não sofro tanto assim, por- nossas iniciativas e descolorir nos- ram impossibilitados de exercer que a ciência médica está bastante sa existência. suas funções. avançada. Tenho, por exemplo, um A forma como o Mentor espiri- Há algo do chamado jeitinho processo de catarata inoperável e tual passou-lhe essa convicção é brasileiro em muitas dessas iniciati- há décadas faço a medicação em bastante pitoresca. vas, com as quais se pretende matar meus olhos, com muita calma, por- Certa feita, lutando por debelar o serviço, em favor de alguns dias um processo hemorrágico no olho no dolce far niente dos italianos. direito, Chico deixou de partici- Em relação às atividades espiri- par dos trabalhos mediúnicos tuais e filantrópicas, no Centro por dois dias. Espírita, acontece com freqüência Emmanuel veio vê-lo. maior, lamentavelmente. – Por que não está traba- Isso porque não há necessidade lhando? de atestado. Geralmente os falto- E Chico, ensaiando agasta- sos nem se dão ao trabalho de avi- mento: sar, ocasionando sérios embara- – Como o senhor sabe, ços em determinados setores. estou com um olho doente. Particularmente na atividade O guia não deixou ba- mediúnica, tal comportamento é rato: altamente danoso, porquanto, não – E o outro, o que es- raro, um planejamento cuidado- tá fazendo? Ter dois samente elaborado pelos Benfei- olhos é luxo! tores espirituais é prejudicado pe- Chico con- la ausência de um ou mais partici- clui, após re- pantes. latar o epi- Deixam de comparecer por mo- sódio: tivos triviais: 16 374 R e f o r m a d o r • O u t u b r o 2 0 0 6
  • reformador outubro 2006 - a.qxp 9/10/2006 11:14 Page 17 Chuva. Com relação a este último mo- tivo, não se dão conta os médiuns Frio. de que, não raro, uma enxaqueca, Em qualquer situação, no dia- uma dor, uma tensão nervosa, um -a-dia, oportuno lembrar que o Cansaço. ânimo caído, decorrem da presen- trabalho é o melhor remédio para ça da entidade que deverá comu- nossos males. nicar-se por seu intermédio. Como o próprio Chico ensi- Desinteresse. Os Mentores espirituais anteci- na, trabalhar, mesmo estando pam a ligação, a fim de que ocorra doente, já é um começo de recu- Sono. melhor familiaridade com o Espí- peração. rito, favorecendo a manifestação. Espiritualmente, haverá de- Visita. O médium, que deveria saber monstração mais exuberante de disso, deixa de comparecer, por saúde do que alguém disposto a Mal-estar. estar doente. servir, mesmo estando doente? O Mestre e o Apóstolo Luminosa, a coerência entre o Cristo e o Após- Kardec expõe. tolo que lhe restaurou a palavra. Jesus lança as bases do Cristianismo, entre fe- Jesus, o Mestre. nômenos mediúnicos. Kardec, o Professor. Kardec recebe os princípios da Doutrina Espí- Jesus refere-se a Deus, junto da fé sem obras. rita, através da mediunidade. Kardec fala de Deus, rente às obras sem fé. Jesus afirma que é preciso nascer de novo. Jesus é combatido, desde a primeira hora do Kardec explica a reencarnação. Evangelho, pelos que se acomodam na sombra. Jesus reporta-se a outras moradas. Kardec é impugnado desde o primeiro dia do Kardec menciona outros mundos. Espiritismo, pelos que fogem da luz. Jesus espera que a verdade emancipe os ho- Jesus caminha sem convenções. mens; ensina que a justiça atribui a cada um pelas Kardec age sem preconceitos. próprias obras e anuncia que o Criador será ado- Jesus exige coragem de atitudes. rado, na Terra, em espírito. Kardec reclama independência mental. Kardec esculpe na consciência as leis do Uni- Jesus convida ao amor. verso. Kardec impele à caridade. Em suma, diante do acesso aos mais altos va- Jesus consola a multidão. lores da vida, Jesus e Kardec estão perfeitamente Kardec esclarece o povo. conjugados pela Sabedoria Divina. Jesus acorda o sentimento. Jesus, a porta. Kardec desperta a razão. Kardec, a chave. Jesus constrói. Emmanuel Kardec consolida. Jesus revela. Fonte: XAVIER, Francisco C.; VIEIRA Waldo Opinião espírita. Kardec descortina. Pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz. 5. ed. Uberaba Jesus propõe. (MG): CEC, 1982. p. 23-25. Outubro 2006 • Reformador 375 17
  • reformador outubro 2006 - a.qxp 9/10/2006 11:14 Page 18 Pedra angular D A LVA S I LVA S O U Z A N a arquitetura antiga, quan- Honra, portanto, a vós que ram a importância de sua pre- do as construções eram acreditais. Para os incrédulos, po- sença na Terra, mas seus ensinos feitas com pedras, uma das rém, ‘a pedra que os construtores são a essência do edifício de es- pedras era cuidadosamente sele- rejeitaram tornou-se pedra angu- piritualização, cujas bases foram cionada na pedreira, para ser ta- lar’, ‘pedra de tropeço e pedra de lançadas nesses tempos antigos e lhada no tamanho e formato cor- escândalo’. Tropeçaram por não que ainda estão em construção retos, a fim de receber o maior acreditarem na palavra, à qual sob as vistas amorosas do Pai. Ca- peso do edifício e sustentá-lo – era foram destinados”. da um que alcance a compreen- a pedra angular. Encontramos es- Observa-se a idéia de cons- são disso é uma pedra viva na sa expressão usada de forma me- trução do templo como metáfo- edificação sublime, mas a pedra tafórica em alguns textos, com o ra, utilizada com o objetivo de angular é Jesus. objetivo de transmitir um ensi- trabalhar o conceito da espiri- Nas obras básicas do Espiritis- namento que nos parece extre- tualização do homem. O edifício mo, a expressão é utilizada tam- mamente útil. que está sendo construído é o bém como metáfora, encerrando No Novo Testamento (Pedro, templo espiritual, os ouvintes são preciosos ensinamentos: 2:4-8): convidados a se tornarem pe- 1. “[...] o que Jesus colocou “Caríssimos: Aproximai-vos do dras vivas da edificação, a fim de por pedra angular do seu edifí- Senhor, que é a pedra viva, rejeita- constituírem o corpo sacerdotal, cio e como condição expressa da da pelos homens, mas escolhida e isto é, tornarem-se propagado- salvação: a caridade, a fraterni- preciosa aos olhos de Deus. res da nova doutrina, habilita- dade e o amor do próximo [...]” E vós mesmos, como pedras dos a oferecer sacrifícios espiri- O Evangelho segundo o Espiritis- vivas, entrai na construção des- tuais verdadeiramente agradáveis mo, cap. XXIII, item 15. (Desta- te templo espiritual, para consti- a Deus. Pedro destaca o conteú- que nosso.) tuirdes um sacerdócio santo, des- do da profecia antiga, que men- 2. “[...] sua doutrina tem por tinado a oferecer sacrifícios es- cionava uma pedra que seria base principal, por pedra angu- pirituais, agradáveis a Deus por rejeitada, mas que, aos olhos do lar, a lei de amor e de caridade.” Jesus Cristo. Senhor, era a pedra angular des- O Evangelho segundo o Espi- Por isso se lê na Escritura: ‘Vou se edifício. A referência é clara a ritismo, cap. XIV, item 6.(Desta- pôr em Sião uma pedra angular, Jesus. Os contemporâneos dele, que nosso.) escolhida e preciosa; e quem nela com raras exceções, não conse- Nos dois textos, Kardec utiliza puser a sua confiança não será guiram alcançar o entendimento a expressão para deixar claro que confundido’. de sua Doutrina, nem visualiza- a essência do ensino de Jesus é a 18 376 R e f o r m a d o r • O u t u b r o 2 0 0 6
  • reformador outubro 2006 - a.qxp 9/10/2006 11:14 Page 19 caridade, o amor ao próximo, a um povo que dele tirará frutos. haveriam de rejeitar a pedra es- fundamento desrespeitado pelos – Aquele que se deixar cair sobre colhida, que se tornaria pedra de que, dizendo-se cristãos, armam- essa pedra se despedaçará e ela escândalo e de tropeço para eles -se contra seus semelhantes. esmagará aquele sobre quem mesmos, e a possibilidade que 3. “A parte mais importante da cair. tem a equipe espiritual de situar revelação do Cristo, no sentido Tendo ouvido de Jesus essas a mensagem de Jesus em outros de fonte primária, de pedra an- palavras, os príncipes dos sacer- contextos mais favoráveis, quan- gular de toda a sua doutrina, é o dotes reconheceram que era de- do aqueles que foram chamados ponto de vista inteiramente no- les que o mesmo Jesus falava.” A não se revelarem em condições vo sob que considera ele a Divin- Gênese, cap. XVII, item 27. de divulgá-la adequadamente. dade.” A Gênese, cap. I, item 23. Nesse caso, a análise incide so- As conclusões a que podemos (Destaque nosso.) bre o conteúdo da profecia que chegar com esse estudo são bem Aqui o Codificador situa o mencionava os atropelos dos que claras: Jesus é a pedra angular do conceito de Divindade da men- edifício da espiritualização da Hu- sagem do Evangelho como base manidade e quem quiser ser pe- para uma nova filosofia, cuja con- dra viva nesse templo em cons- seqüência é o desenvolvimento trução, como conclama Pedro, pre- da atitude correta das criaturas cisa aproximar-se do Senhor, isto umas para com as outras. Con- é, evangelizar-se, seguir com o cebendo Deus como Jesus ensi- Mestre. nou, sabemos que Ele é Pai de O Cristianismo, por sua vez, todos – essa é a pedra angular de tem como pedra angular um no- uma nova edificação, que colo- vo conceito de Deus, que gera ca por terra o conceito antigo de o imperativo do amor entre as um Deus parcial, que abençoava criaturas. Os cristãos precisarão um povo para que prevalecesse vivenciar e ensinar isso, para que sobre o outro. se tornem as pedras vivas do edi- 4. “Não lestes jamais isto nas fício, mas sabemos que, ao longo Escrituras: A pedra que os edifi- dos séculos, o movimento orga- cadores rejeitaram se tornou a nizado pelos homens distanciou- principal pedra do ângulo? Foi o -se de Jesus e, por isso, o Espiri- que o Senhor fez e nossos olhos tismo veio na época prevista re- o vêem com admiração. – Por is- lembrar esses ensinos e acrescen- so eu vos declaro que o reino de tar tudo o mais que, naquele tem- Deus vos será tirado e será dado Outubro 2006 • Reformador 377 19
  • reformador outubro 2006 - a.qxp 9/10/2006 11:14 Page 20 po, ainda não poderíamos supor- dro, Jesus acrescentou que não iniciou. Esse movimento teria, en- tar, mas que agora, com o avan- haviam sido a carne e o sangue tão, como pedra angular a me- ço das ciências, já nos habilita- que propiciaram ao apóstolo tal diunidade bem utilizada, isto é, a mos a apreender. Somos nós, es- conhecimento, mas o Pai que es- possibilidade de entrar em con- píritas, nos tempos modernos, tá nos céus. Isto é, a informação tato com as esferas mais elevadas chamados ao trabalho de colocar não lhe veio das possibilidades do mundo espiritual, a fim de tra- em prática o que Jesus propôs. racionais do cérebro físico, mas zer de lá o que seja fundamental Mas, talvez o ensinamento mais da interação de Pedro com uma para a edificação dos seres huma- interessante, no momento, para dimensão superior. Está explíci- nos, exatamente o que Pedro re- nós espíritas, quando tratamos ta aí a origem mediúnica da in- presentou naquele momento, não desta metáfora, seja o da seguin- formação veiculada pelo apósto- havendo, pois, qualquer possibi- te passagem: lo. E o ensino que mais nos inte- lidade de se identificar aí a insti- “Tendo Jesus chegado às re- ressa vem no final do episódio tuição pelo Cristo de uma hie- giões de Cesaréia de Filipe, inter- rarquia sacerdotal. rogou os seus discípulos, dizen- do: Quem dizem os homens ser A Doutrina Chegamos, enfim, à conclusão que nos interessa fixar. A Doutri- o Filho do Homem? Responderam eles: Uns dizem Espírita está na Espírita está na Terra para a edificação moral do homem, pe- que é João, o Batista; outros, Elias; outros, Jeremias, ou algum dos na Terra para la retomada dos ensinos de Jesus, apoiando-se na mediunidade profetas. bem utilizada, conforme orienta Mas vós, perguntou-lhes Jesus, a edificação a Codificação. Essa a pedra an- quem dizeis que eu sou? gular do edifício espírita. A rejei- Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. moral ção dessa pedra angular também tem sido motivo de tropeço para Disse-lhe Jesus: Bem-aventura- do és tu, Simão Barjonas, porque do homem mais de uma instituição em nos- so Movimento, ao longo do tem- não foi carne e sangue que to re- quando Jesus acrescenta: “Pois po. Estudar a mediunidade, en- velou, mas meu Pai, que está nos eu também te digo que tu és Pe- tender seus fundamentos e apli- céus. dro e sobre esta pedra edificarei car-se à sua prática, conforme as Pois também eu te digo que tu a minha igreja”. orientações claras e precisas de és Pedro e sobre esta pedra edifi- Jesus usa, nesta passagem, me- O Livro dos Médiuns, é o que nos carei a minha igreja [...].” (Ma- taforicamente, o conceito de cons- cabe fazer, para manter as luzes teus, 16:13-18.) trução, referindo-se à espiritua- espirituais clareando o roteiro O Mestre confirma a infor- lização do ser humano, como era difícil destes tempos de transição mação dada por Pedro, deixan- habitual no contexto cultural da- pelo qual passamos. Sem isso, do claro que Ele não era a reen- quela época. Sua igreja, toman- também para nós, a pedra an- carnação de nenhum profeta an- do-se a etimologia do termo, de- gular será pedra de escândalo e tigo. Hoje, à luz do Espiritismo, ve ser entendida, não como orga- tropeço, gerando mais e mais sabemos que a evolução de Jesus nização religiosa formal, ou co- obstáculos a que possamos nos não se processou na Terra, pois, mo templo de pedra, mas como tornar, verdadeiramente, as pe- quando nosso planeta se consti- assembléia, isto é, movimento de dras vivas do templo em cons- tuiu, Ele já era um Espírito puro. pessoas que haveria de dar pros- trução, para cujo trabalho fomos Ao confirmar a resposta de Pe- seguimento ao trabalho que Ele convocados. 20 378 R e f o r m a d o r • O u t u b r o 2 0 0 6
  • reformador outubro 2006 - a.qxp 9/10/2006 11:14 Page 21 Esf lorando o Evangelho Pelo Espírito Emmanuel Madalena “Disse-lhe Jesus: Maria! – Ela, voltando-se, disse-lhe: Mestre!” (JOÃO, 20:16.) D os fatos mais significativos do Evangelho, a primeira visita de Jesus, na ressurreição, é daqueles que convidam à meditação substanciosa e acurada. Por que razões profundas deixaria o Divino Mestre tantas figuras mais próximas de sua vida para surgir aos olhos de Madalena, em primeiro lugar? Somos naturalmente compelidos a indagar por que não teria aparecido, antes, ao coração abnegado e amoroso que lhe servira de Mãe ou aos discípulos amados... Entretanto, o gesto de Jesus é profundamente simbólico em sua essência divina. Dentre os vultos da Boa Nova, ninguém fez tanta violência a si mesmo, para seguir o Salvador, como a inesquecível obsidiada de Magdala. Nem mesmo Paulo de Tarso faria tanto, mais tarde, porque a consciência do apóstolo dos gentios era apaixonada pela Lei, mas não pelos vícios. Madalena, porém, conhecera o fundo amargo dos hábitos difíceis de serem extirpados, amolecera-se ao contato de enti- dades perversas, permanecia “morta” nas sensações que operam a paralisia da alma; entretanto, bastou o encontro com o Cristo para abandonar tudo e seguir-lhe os passos, fiel até ao fim, nos atos de negação de si própria e na firme resolução de tomar a cruz que lhe competia no calvário redentor de sua existência angustiosa. É compreensível que muitos estudantes investiguem a razão pela qual não apare- ceu o Mestre, primeiramente, a Pedro ou a João, à sua Mãe ou aos amigos. Todavia, é igualmente razoável reconhecermos que, com o seu gesto inesquecível, Jesus rati- ficou a lição de que a sua doutrina será, para todos os aprendizes e seguidores, o código de ouro das vidas transformadas para a glória do bem. E ninguém, como Maria de Magdala, houvera transformado a sua, à luz do Evangelho redentor. Fonte: XAVIER, Francisco Cândido. Caminho, verdade e vida. 26. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Cap. 92, p. 199-200. Outubro 2006 • Reformador 379 21
  • reformador outubro 2006 - B.qxp 9/10/2006 11:22 Page 22 Espiritismo – O Consolador prometido por H U G O A LVA R E N G A N OVA E S Jesus O Espiritismo é reconheci- mento do homem sobre a sua na- no Evangelho de do pelos seus adeptos co- tureza, abrange todas as questões João, para re- mo sendo o Consolador sociais, e, conseqüentemente, as lembrar o que que Jesus prometera enviar aos questões religiosas. Ele dissera e homens. Emmanuel, o sábio mentor de nos ensinar to- Baseando-se no que o Mestre Chico Xavier, em seu esclarecedor das as coisas disse, segundo consta no Evange- livro O Consolador, relata-nos que que não po- lho de João, (capítulo 14, nos versí- o Espiritismo possui um tríplice deriam ser en- culos de 15 a 17 e 26), cujo texto é aspecto: o de ser, ao mesmo tem- tendidas na- o seguinte: po, Ciência, Filosofia e Religião. quela época. Livro O Consolador, “Se me amais, guardai os meus Vejamos este trecho: Em outras pa- psicografado por Francisco C. Xavier mandamentos. E eu rogarei ao Pai, e “– Podemos tomar o Espiritis- lavras: futura- ele vos dará outro Consolador, para mo, simbolizado desse modo, co- mente, Ele daria ao homem um que fique convosco para sempre; o mo um triângulo de forças espiri- Consolador que prometera outro- Espírito da verdade, que o mundo tuais. ra, o qual se tornaria a Terceira não pode receber, porque não o vê A Ciência e a Filosofia vincu- Revelação que não é outra coisa nem o conhece; mas vós o conhe- lam à Terra essa figura simbólica, senão a Doutrina codificada por ceis, porque habita convosco, e esta- porém, a Religião é o ângulo divi- Allan Kardec, pois ela cumpre rá em vós. Mas aquele Consolador, no que a liga ao céu.[...]”1 aquilo que o Mestre Nazareno pro- o Espírito Santo, que o Pai enviará Equivocar-nos-íamos enorme- metera. Ou seja: o conhecimento em meu nome, esse vos ensinará mente, se pensássemos que a tare- que leva o homem a saber de on- todas as coisas, e vos fará lembrar de fa do Mestre estivesse limitada de vem, para onde vai e porque tudo quanto vos tenho dito”. àqueles tempos da Palestina. está neste planeta; faz com que a O Espiritismo, como se sabe, é Ele está atento todo o tempo, dureza das provações se torne me- uma doutrina filosófica, cujos fun- em relação aos destinos humanos, nos difícil, pois acende em cada damentos estão centrados em fatos e sabe que não seria fácil para os um a luz da esperança, além de concretos e leis naturais, ressaltan- homens o caminho da evolução despertar o sentimento de reli- do disso o seu aspecto científico. espiritual, por isso prometeu que giosidade natural que o leva a dar No entanto, essa doutrina, mo- enviaria mais tarde um Consola- mais importância às obras, do dificando profundamente o pensa- dor, como vimos anteriormente, que à fé. 22 380 R e f o r m a d o r • O u t u b r o 2 0 0 6
  • reformador outubro 2006 - B.qxp 9/10/2006 11:22 Page 23 Uma das principais característi- Isto nos fica claro na seguinte Se o Espiritismo cumpre tudo cas do Espiritismo é que ele nos passagem do Evangelho segundo aquilo que Jesus nos prometeu, e se, aproxima de Deus, assim como da- João (16:12): além disso, dizendo-nos de onde quele que é o seu maior mensagei- “Ainda tenho muito que vos di- viemos, para onde vamos e o que ro aqui na Terra – Jesus, o Cristo. zer, mas vós não o podeis suportar estamos fazendo na Terra, ensinan- A Doutrina Espírita cumpre a agora”. do-nos ainda, como devemos viver promessa de Jesus, ensinando aos Para nós, esta é uma prova neste planeta, a Doutrina codifica- homens a observância das leis mo- incontestável da necessidade de da por Allan Kardec é realmente o rais, fazendo-os compreender o aguardar a evolução da Humani- Consolador Prometido pelo Cristo. que o Cristo havia dito por pará- dade, a fim de que esta pudes- Somente através de uma refor- bolas. se suportar certos conteúdos que ma íntima persistente, consecuti- O Mestre Nazareno disse-nos no não seriam compreendidos na vamente ampla e constante, é que Evangelho, segundo o apóstolo época do Cristo. alcançaremos bem-aventuranças Mateus (11:15): Conforme Ele mesmo declarou, maiores tanto na Terra quanto “Quem tem ouvidos para ouvir, seus ensinamentos estavam incom- no Céu. ouça”. pletos; e mais ainda, anunciava a Como bem afirmou um Espírito O Espiritismo vem nos abrir os vinda daquele que os deveria com- israelita, em Mulhouse, no ano de olhos e ouvidos, porque fala tudo pletar, dizendo-nos também as 1861: clara e logicamente. seguintes palavras no Evangelho “Moisés abriu o caminho; Jesus Levanta-nos o véu que há sobre segundo Marcos (13:31): continuou a obra; o Espiritismo a certos mistérios. “Passará o Céu e a Terra, mas as concluirá”.2 Consola a todos aqueles que so- minhas palavras não passarão”. frem, dando-lhes uma causa justa Alguns pensam que é uma pre- em relação àquilo que estão pas- tensão dos que professam o Espi- Referências: 1 sando no momento. ritismo conferir ao mesmo o títu- XAVIER, Francisco C. O consolador. Pelo Se Jesus não falou tudo que teria lo de Consolador. No entanto, ele Espírito Emmanuel. 26. ed. Rio de Janeiro: para dizer, é que deveria deixar cer- nos fornece as respostas que falam FEB, 2006. “Definição”, p. 19. 2 tas verdades na sombra até que os aos nossos corações, consolando- KARDEC, Allan. O evangelho segundo o homens estivessem prontos para -nos e preenchendo as lacunas dei- espiritismo. 125. ed. Rio de Janeiro: FEB, compreendê-las. xadas pela cultura humana. 2006. Cap. I, item 9, p. 63. Outubro 2006 • Reformador 381 23
  • reformador outubro 2006 - B.qxp 9/10/2006 11:22 Page 24 O necessário e delicado intercâmbio mediúnico WA L D E H I R B E Z E R R A DE A L M E I DA A História confirma que há melhorar o mundo para o qual re- essa prática. A partir do Codifica- dez mil anos, no Egito, já tornarão. dor, no âmbito da Doutrina Espí- era corrente o intercâmbio Durante os três primeiros sécu- rita, toda produção mediúnica, se- com os desencarnados. Assírios e los de nossa Era, o uso da mediuni- ja ela científica, filosófica ou reli- caldeus em épocas remotíssimas dade para o intercâmbio com as es- giosa, passará pelo crivo da razão, praticavam a desobsessão. Na Pér- feras espirituais transformou-a em sendo analisada pelo seu conteú- sia (atual Irã) do século XIV antes fator propulsor para a divulgação do e não pela forma nem pela sua de Cristo, admitia-se que as almas do Cristianismo, quando os após- origem. Esse procedimento evita dos mortos eram protetoras dos tolos eram naturalmente orienta- que os falsos profetas da erratici- vivos. Foi naquele ambiente que dos pelos Espíritos sobre como dade tomem o lugar dos verdadei- Zoroastro se comunicou com ele- agir para mais fielmente servirem ros arautos do Cristo, na comple- vados mensageiros espirituais e à obra do Senhor. Paulo, o apósto- mentação da Terceira Revelação. concebeu o livro sagrado do mas- lo dos gentios, chegou mesmo a O grupo espírita que pretenda deísmo, o Zend Avesta. traçar normas disciplinares para produzir bons frutos pelo inter- Na linha da cultura judaico- o exercício e correta realização do câmbio com os Espíritos deverá -cristã, a Bíblia, com inúmeros re- intercâmbio espiritual. (I Cor., 12 tomar sérias precauções no senti- latos de fenômenos mediúnicos, e 14.) do de minimizar a interferência de deixa patente que o intercâmbio Ao missionário Allan Kardec mentes inferiores encarnadas e de- entre o mundo visível e o invisível coube, no entanto, estabelecer com sencarnadas na produção mediú- foi sempre uma prática natural, mais precisão princípios morais e nica final. Em virtude da delicade- demonstrando ser a mediunidade racionais para o correto uso da me- za do intercâmbio e com a intenção um poderoso instrumento a ser- diunidade, considerando que os de cooperar nessa prática tão ne- viço do progresso humano. Por Espíritos são as almas dos homens cessária, resgatemos alguns ensina- ela, os irmãos do outro lado da vi- que viveram na Terra e continuam mentos dos Mentores espirituais. da atendem caridosamente o nos- envolvidos conosco, fazendo a nos- No que diz respeito aos Espíri- so chamado ou vêm espontanea- sa História. Para tanto, escreveu O tos comunicantes, alerta-nos Em- mente em nosso socorro, ofere- Livro dos Médiuns. Nele encontra- manuel: cendo-nos orientação, conselho, mos teorias sobre as manifestações – “[...] a maioria das entidades instrução e consolação. Não pou- espíritas, instruções e orientações comunicantes são verdadeiros ho- cas vezes, por solidariedade, ad- seguras de como entrar em conta- mens comuns, relativos e falhos, vertem-nos quanto aos nossos atos to com o mundo espiritual; alertas porquanto são almas que conser- e propõem correções em nossos sobre suas dificuldades, e os prin- vam, às vezes integralmente, o seu projetos de vida, na esperança de cípios morais que devem nortear corpo somático e cujo habitat é o 24 382 R e f o r m a d o r • O u t u b r o 2 0 0 6
  • reformador outubro 2006 - B.qxp 9/10/2006 11:22 Page 25 próprio orbe que lhes guarda os Luiz, estudando a atuação das on- bre o hipnotizado, verificando-se o despojos e as vastas zonas dos es- das mentais, conclui que: inverso, toda vez que aderimos ao paços que o cercam, atmosferas do “[...] o pensamento, a formular- modo de ser e de sentir dos ou- próprio planeta, que poderíamos -se em ondas, age de cérebro a cé- tros”.3 (Grifamos.) classificar de colônias terrenas nos rebro, quanto a corrente de elé- Dessas afirmativas, podemos planos da erraticidade”.1 trons de transmissor a receptor, concluir que em um grupo de tra- Diante disso, há que se ter se- em televisão. balho mediúnico todas as mentes riedade e amor ao bem para que Não desconhecemos que todo presentes estão interagindo entre venhamos conseguir as comunica- Espírito é fulcro gerador de vida si, com mais propriedade à daque- ções de que somos dignos, da for- onde se encontre. le que se coloca como intermediá- ma mais pura possível. Sabemos E toda espécie de vida começa rio direto dos Espíritos. Segundo que não é comum se obter mensa- no impulso mental. LIMA (2005), a partir da relativi- gens escritas ou faladas de conteú- Sempre que pensamos, expres- dade de tudo o que nos envolve, do inédito dos irmãos que conos- sando o campo íntimo na ideação “se estabelece que não há fenôme- co mourejam nas casas espíritas. e na palavra, na atitude e no exem- no de per si: Vale dizer: todo fenô- Quanto a isso, o Mentor de Chi- plo, criamos formas-pensamentos ou meno depende parcialmente do co Xavier acrescenta: imagens-moldes que arrojamos para observador e são as condições des- “Dos motivos expostos, infere- fora de nós, pela atmosfera psíqui- te que determinam as conclusões -se que a suposta vulgaridade dos ca que nos caracteriza a presença. sobre aquele”. E, mais à frente, ci- ditados mediúnicos é um fato na- Sobre todos os que nos aceitem ta o eminente cientista John turalíssimo, porque emanam das o modo de sentir e de ser, cons- Wheeler que propõe a substitui- almas dos próprios homens da ciente ou inconscientemente, atua- ção da palavra observador por par- Terra, imbuídos de gosto pessoal mos à maneira do hipnotizador so- ticipante nas experimentações de [...]. Procuram agir no plano físi- co unicamente para demonstração da sobrevivência além da morte, levantando os ânimos enfraqueci- dos, porque dilatam os horizontes da fé e da esperança no futuro, po- rém, jamais serão portadores da palavra suprema do progresso, não só porque a sua sabedoria é igual- mente relativa, como também por- que viriam anular o valor da ini- ciativa pessoal e a insofismável rea- lidade do arbítrio humano.”2 Outro fator significativo que in- terfere no resultado dos trabalhos mediúnicos, sem nenhum desdou- ro para todos que atuamos nas reu- niões onde o intercâmbio se dá, é a nossa interferência mental, cons- ciente ou inconsciente, no processo de comunicação. O Espírito André Outubro 2006 • Reformador 383 25
  • reformador outubro 2006 - B.qxp 9/10/2006 11:22 Page 26 qualquer natureza.4 Logo, numa dam e a alegria que experimentam mensagem advinda a sua essên- reunião mediúnica ninguém é por nos lembrarmos deles. Para nós, cia, sem optarmos pelo exagero de simplesmente observador... grande satisfação é sabê-los dito- tudo creditar ao animismo, des- Essas realidades são trazidas sos, informar-nos, por seu intermé- prezando a alegria e a consolação aqui, não para desestimular o con- dio, dos pormenores da nova exis- que o momento nos oferece. O mé- tato com os Espíritos, mas sim, tência a que passaram e adquirir a dium interpreta e dá forma ao para que busquemos essa interlo- certeza de que um dia nos iremos pensamento do comunicante. A cução com intento sério e sem a a eles juntar”.5 (Grifamos.) Mas é cada um dos presentes compete pretensão de resultados acima das natural que Allan Kardec, conhe- atribuir-lhe o valor que o seu con- nossas condições espirituais; com cendo a delicadeza desse intercâm- texto íntimo permite, sem exage- humildade e seriedade. O contato bio, estabelecesse condições ideais ros de racionalidade e com pureza com os irmãos que nos precede- para esse encontro, as quais aqui de coração. O momento exige o ram e continuam do “outro lado” apresentamos: equilíbrio do coração e da razão. e ao “nosso lado”, na luta pela im- Respeitemos as dificuldades que os plantação da fraternidade no mun- • “Perfeita comunhão de vis- Espíritos encontram para trans- do, é um estímulo para todos nós: tas e de sentimentos; mitir suas idéias, as dos médiuns alimenta-nos a esperança, fortale- • Cordialidade recíproca en- que se tornam alvos de dardos ce-nos o ânimo e encoraja-nos pa- tre todos os membros; mentais de encarnados e desencar- ra a luta de cada dia. Não isolemos • Ausência de todo sentimen- nados no exercício de seu labor, e os familiares e amigos que nos pre- to contrário à verdadeira ca- agradeçamos aos “mortos” pela ab- cederam e que comungam do mes- ridade cristã; negação e esforço em nos atender. mo ideal, alegando disciplina e • Um único desejo: o de se O momento é delicado, mas respeito aos “mortos”, ou ainda, instruírem e melhorarem, muito necessário a todos que bus- que os Espíritos já disseram o que por meio dos ensinos dos camos apoio para nossa renova- tinham de dizer na Codificação e Espíritos [...]; ção. nas obras complementares... • Exclusão de tudo o que, nas O Codificador não é tão rigo- comunicações pedidas aos Referências: 1 roso assim e encontra razões bas- Espíritos, apenas exprima o XAVIER, Francisco Cândido. Emmanuel. tante humanas para nos incenti- desejo de satisfação da curio- Pelo Espírito Emmanuel. 25. ed. Rio de var o intercâmbio com os desen- sidade; Janeiro: FEB, 2005. Cap. XXVIII, p. 151. 2 carnados. Diz ele: • Recolhimento e silêncio res- Idem, ibidem. p. 151-152. 3 “A possibilidade de nos pormos peitosos, durante as confa- XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, em comunicação com os Espíritos bulações com os Espíritos; Waldo. Mecanismos da mediunidade. é uma dulcíssima consolação, pois • União de todos os assisten- Pelo Espírito André Luiz. 25. ed. Rio de que nos proporciona meio de con- tes, pelo pensamento [...]; Janeiro: FEB, 2006. Cap. 11, “Pensamento versarmos com os nossos parentes e • Concurso dos médiuns da e televisão”, p. 91-92. 4 amigos, que deixaram antes de nós assembléia com isenção de LIMA, Moacir Costa de Araújo. A era do a Terra. Pela evocação, aproxima- todo sentimento de orgulho, espírito. 1. ed. Porto Alegre: Gráfica Edito- mo-los de nós, eles vêm colocar-se de amor-próprio e de supre- ra Comunicação Impressa, 2005. p. 24. 5 ao nosso lado, nos ouvem e respon- macia e com o só desejo de KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. 87. dem. Cessa assim, por bem dizer, to- serem úteis”.6 ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Questão da separação entre eles e nós. Auxi- Atendidos esses requisitos mí- 935. Comentário de Kardec. 6 liam-nos com seus conselhos, teste- nimos, busquemos o diálogo com ______. O livro dos médiuns. 78. ed. Rio munham-nos o afeto que nos guar- os Espíritos. Descubramos na de Janeiro: FEB, 2006. Item 341. 26 384 R e f o r m a d o r • O u t u b r o 2 0 0 6
  • reformador outubro 2006 - B.qxp 9/10/2006 11:22 Page 27 Vianna de Carvalho 80 anos de desencarnação LU C I A N O K L E I N F I L H O C om entusiasmo e perseve- onde se destacaria pelo brilho de Ali, Vianna de Carvalho desta- rança, desde alguns anos te- sua inteligência. Nesse mesmo ano, cou-se como um dos mais ardoro- mos procurado rastrear os juntamente com outros cadetes, co- sos trabalhadores do grupo, pas- passos luminosos de Manoel Vian- nheceu o Espiritismo, organizando sando a ocupar a tribuna, quase na de Carvalho, alma preexcelsa, na própria escola um grupo de es- todas as noites. Sua aparência ju- exemplo de inclinação missioná- tudos doutrinários. venil não fazia diferença, porque ria, baluarte de um trabalho in- Em 1894, ainda na capital cea- seu verbo inspirado e eloqüente comparável na difusão dos postu- rense, avultou como poeta, partici- embevecia os ouvintes, concorren- lados espíritas por todo o País. En- do para aumentar, diariamente, o tre os seus pósteros, todavia, bem número de curiosos por ouvi-lo. poucos conhecem a dimensão exa- Em 1896, foi transferido para ta de seu labor, disseminando os Escola Militar de Porto Alegre. Pro- princípios de uma verdade con- curou, então, alguns confrades soladora: a doutrina sistemati- e, numa casa abandonada, des- zada por Allan Kardec. provida de mesas e cadeiras, Neste mês de outubro re- dentro de um terreno baldio lembramos o 80o aniversário no bairro do Parthenon, co- de seu regresso ao mundo es- meçou a divulgar o Espiritis- piritual. Lamentavelmente, em mo. Em seguida, fundou um razão do descaso para com a núcleo de estudos no andar memória histórica do nosso Mo- térreo de uma casa comercial, vimento, poucos conhecem a vida na Rua dos Andradas. Convocou de um dos mais fiéis apóstolos da diversas pessoas, entre as quais Mer- Terceira Revelação. cedes Ferrari que, animada pelo Eis, pois, seu perfil biográfico. cadete Vianna e com o apoio de Manoel Vianna de Carvalho outros companheiros, deu grande nasceu na cidade de Icó, Ceará, a pando da fundação do Centro Li- impulso ao Movimento Espírita 10 de dezembro de 1874. Era filho terário, agremiação dissidente da local. de Tomás Antônio de Carvalho, célebre Padaria Espiritual. No ano Ainda em 1898, regressou ao professor de Música e Língua Por- de 1895, transferiu-se para o Rio de Rio de Janeiro e retomou os traba- tuguesa da Escola Normal, e de Jo- Janeiro, matriculando-se no Cur- lhos na União Espírita de Propa- sefa Vianna, mulher de raras virtu- so Superior da antiga Escola Mi- ganda do Brasil, passando a ser des. Em Fortaleza, estudou no Li- litar da Praia Vermelha. Passou a requisitado para proferir conferên- ceu do Ceará. Em 1891, matricu- freqüentar a União Espírita de Pro- cias em todo o Distrito Federal, na lou-se na Escola Militar do Ceará, paganda do Brasil. época no Rio de Janeiro. Outubro 2006 • Reformador 385 27
  • reformador outubro 2006 - B.qxp 9/10/2006 11:22 Page 28 No ano de 1898, de novo em XIX, mercê da persistência do preleções – que passaram a ser Porto Alegre, publicou a sua pri- grande pioneiro Luiz de França de publicadas, sinteticamente, nos meira obra literária, Facetas, cuja Almeida e Sá, fundador do Grupo jornais Unitário e A República – segunda edição, lançada em 1910, Espírita Fé e Caridade. Na virada tiveram repercussão extraordiná- foi prefaciada pela poetisa Carmen do século, surgiram mais dois gru- ria e motivaram imediata reação Dolores, pseudônimo da escritora pos na cidade de Maranguape, o de líderes católicos que, pelos jor- Emília Bandeira de Melo. O livro Verdade e Luz – que editou, em nais Cruzeiro do Norte e O Bandei- mereceu os melhores elogios da 1901, o jornal Luz e Fé – e o Cari- rante, combateram o Espiritismo e crítica. Em 1923, publicou Colori- dade e Luz, organizado em agosto seu fiel arauto. A campanha insi- dos e Modulações, coletânea de suas de 1902, e que publicava o jornal diosa, em vez de prejudicar, au- crônicas, escritas durante vários Doutrina de Jesus e mantinha a Es- mentou grandemente o interesse anos em periódicos espíritas e li- cola Cristã, de 1902, uma das pri- pela Doutrina. terários. A obra foi igualmente mui- meiras escolas vinculadas a uma Entretanto, o corolário do pro- to bem recebida. sociedade espírita no Brasil. Con- fícuo labor desse filho de Icó foi a Em 1905, foi transferido para o tudo, esses grupos de reuniões fa- fundação, em junho de 1910, do o 8 Batalhão de Infantaria, em Cuia- miliares não tiveram longa dura- Centro Espírita Cearense, que fun- bá. Naquela cidade, fundou o Cen- ção, e não mais existiam quando cionaria na Rua Santa Isabel, no tro Espírita Cuiabano, em 1906, do- da chegada de Vianna. 105 (hoje Princesa Isabel, no 255), tando-o do necessário ao seu bom O grande ímpeto da Doutrina bem no coração da cidade.1 funcionamento, sendo seu primeiro dos Espíritos no Ceará só ocorreu, O Unitário, na edição do dia 22 presidente. Em 1907, retornou ao efetivamente, a partir de 1910, com de junho, registrou este memorá- Rio de Janeiro a fim de se matricu- a chegada de Vianna de Carvalho. vel acontecimento. lar no Curso de Engenharia da Sua estada em Fortaleza, de maio Domingo (19), a uma hora da Escola Militar do Realengo. Dessa daquele ano até novembro de tarde, realizou-se no palacete da Fê- vez realizou uma série de conferên- 1911, foi pródiga de realizações. nix Caixeiral, a sessão solene de cias na Federação Espírita Brasileira Logo ao chegar, procurou arregi- fundação do Centro Espírita Cea- e no auditório da antiga Associação mentar forças para organização do rense. dos Empregados do Comércio, com Movimento Espírita local. Publi- Presidiu-a o ilustre magistrado platéias cada vez maiores. Foi convi- cou, repetidas vezes, nas páginas Sr. Desembargador Olympio de Pai- dado para conferências em São do jornal Unitário, anúncios como va, que teve a secretariá-lo os senho- Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo este: res Miguel Cunha e Francisco Pra- e em todo o Estado do Rio de Ja- Peço aos espíritas do interior do do. [...] Em seguida foi dada a pala- neiro, sendo, em muitas dessas ex- Ceará, bem como aos socialistas, vra ao Sr. Dr. Vianna de Carvalho cursões acompanhado por Ignácio maçons, livres pensadores, adeptos que produziu brilhante e erudita Bittencourt, diretor do jornal Au- em geral das idéias modernas, o ob- peça oratória discorrendo larga- rora, em cujas páginas Vianna em- séquio de me enviarem os seus ende- mente sobre a Doutrina Espírita. prestou a sua colaboração, como em reços para fins de propaganda. Sua Senhoria foi delirantemente tantos outros periódicos, espíritas e Vianna de Carvalho aplaudido. laicos, por todo o País. Em 1910, Endereço: Rua 24 de Maio, no 26. ........................................................... concluiu o Curso de Engenharia Promoveu o estudo sistemático Estiveram presentes à sessão inú- Militar e mudou-se para Fortaleza de O Livro dos Espíritos e fez con- meros cavalheiros de distinção e em abril daquele ano. ferências semanais nos salões das O Espiritismo no Ceará flores- lojas maçônicas “Amor e Caridade”, 1 Atualmente funciona no local a Federa- ceu na última década do século “Igualdade” e “Liberdade”. Essas ção Espírita do Estado do Ceará. 28 386 R e f o r m a d o r • O u t u b r o 2 0 0 6
  • reformador outubro 2006 - B.qxp 9/10/2006 11:22 Page 29 várias famílias, que assinaram a ata guição de influentes membros da tembrino de Carvalho, e fundador, de fundação da novel associação. Foi Igreja, que passaram a pleitear sua em 1916, da Faculdade de Farmá- grande o número de pessoas que se transferência junto às autorida- cia e Odontologia. inscreveram como sócios do Centro des militares. Assim, em novembro No Rio de Janeiro, juntamente Espírita Cearense. de 1911, depois de um ano e seis com Ignácio Bittencourt, fundou a Aos esforçados membros do Cen- meses de grandes serviços presta- União Espírita Suburbana; com tro, enviamos os nossos votos para dos à Causa, partiu para a Capital Arthur Machado, a Tenda Espíri- que tenham completo êxito em seu Federal. ta de Caridade. Realizou inúme- nobilíssimo desideratum. Em outubro de 1923, regressou ras conferências públicas no Cine- Na conferência de inauguração a Fortaleza como chefe interino do -Teatro Odeon e na Escola Nacio- do Centro, Vianna lamentou que Estado Maior da 7a Região Militar, nal de Música. no Ceará, onde têm surtido os mais com sede em Recife, no desempe- Vianna percorreu as principais belos empreendimentos, ainda não nho de importante comissão do cidades brasileiras do início do sé- se apercebesse da necessidade im- Ministério da Guerra. Aproveitou culo XX. Em Recife, onde já era periosa de organizar um centro es- a oportunidade para rever amigos grande a sua fama, fundou, com pírita,2 enquanto em outros esta- e fazer conferências no Centro Es- Antônio José Ferreira Lima e Ma- dos, mesmo os mais longínquos, o pírita Cearense, que então já pos- noel Aarão, a Cruzada Espírita Per- Espiritismo tem sulcado profundo suía sede própria, e na Loja Li- nambucana, em 1923. Pregou no a sua ação benéfica pela profusão berdade. Cine-Teatro Polyteama e no Tea- espantosa de todos os ensinamen- No dia 10 de abril de 1924, vol- tro Santa Isabel. Os jornais A Pro- tos capazes de remodelar os senti- tou para assumir as funções de fis- víncia e o Diário de Pernambuco, mentos incompatíveis com a ver- cal do 23o Batalhão de Caçadores. noticiavam que o público para ou- dadeira e genuína religião do Cris- Largo círculo de seus amigos e vi-lo era incalculável, com pes- to. Disse mais, que era em nome admiradores o recepcionou no de- soas de todas as classes sociais. Foi da Federação Espírita Brasileira sembarque. Em julho desse ano, ele quem, em 1914, levantou a que assim falava e pediu ao Sr. assumiria o comando interino do campanha para evangelização das Presidente que em nome daquela referido Batalhão. crianças nos centros espíritas, su- conspícua corporação, declarasse Vianna permaneceu em Forta- gerindo a criação das Aulas de Mo- fundado nesta capital o Centro Es- leza até 11 de setembro de 1924. ral Cristã. pírita Cearense.3 Proferiu conferências e participou Em 1926, quando servia em O Centro Espírita Cearense pas- de atividades culturais. Decorri- Aracaju, adoeceu gravemente, viti- sou a desenvolver notável servi- dos treze anos de sua fecunda tare- mado por um tipo grave de beri- ço no campo da propaganda dou- fa na organização do Movimento béri. Era o comandante interino trinária (promoção de estudos, Espírita cearense, não enfrentou as do 28o Batalhão de Caçadores, no conferências, criação do jornal O mesmas resistências da outra vez posto de major. Diante da gravida- Lábaro, etc.) e no campo assisten- porquanto, além do respeito que de do seu estado de saúde, os mé- cial. lhe impunha o novo posto e fun- dicos o encaminharam para o A partir de Fortaleza, Vianna de ção, vários intelectuais, figuras Hospital de São Sebastião, em Carvalho sofreria intensa perse- conspícuas da sociedade fortale- Salvador. Foi conduzido de maca zense, haviam se convertido ao até o vapor “Íris”. Nas proximida- 2 Ele se refere a um Centro Espírita legal- Espiritismo. Entre estes, o tenente- des da praia de Amaralina, às 6h30 mente constituído. -coronel Francisco de Sá Roriz da manhã do dia 13 de outubro de 3 Ata de Fundação do Centro Espírita (1870-1925), que fora chefe de 1926, desencarnou a bordo, aos 51 Cearense. polícia no governo do general Se- anos. Outubro 2006 • Reformador 387 29
  • reformador outubro 2006 - B.qxp 9/10/2006 11:22 Page 30 A resposta de ELIANA THOMÉ Deus “D eus! ó Deus! onde es- conclusão podemos tirar do senti- que impõem o progresso do ser e tás que não respon- mento instintivo que todos os ho- desenham a sua felicidade. E o fi- des?”, escrevia Antô- mens trazem em si mesmos da nal feliz, ansiado e projetado em nio Frederico de Castro Alves em existência de Deus,1 os Espíritos todas as consciências da Terra, só Vozes d’África, poema publicado respondem que é a prova de que será possível quando houver a em 1883, doze anos após sua Deus existe; acrescentando que esse compreensão de que somente em morte, que se traduziu num bra- sentimento nada seria se repousas- Deus, o Bem e o Amor personifi- do contra a Escravatura, causa se sobre o vazio; lembrando assim cados, poderá o homem encon- que o poeta abraçou com coração o princípio de que “não há efeito trar a medida exata da evolução; palpitante em toda sua obra, em sem causa”. grandes textos de cunho social. Eis aí o grande ensinamento da Autor ainda de Espumas Flu- Doutrina dos Espíritos: Deus não tuantes, único dos seus livros pu- somente existe como se mani- blicado em vida, e de poemas festa permanentemente em como Navio Negreiro, onde retra- nós, chancelados que so- ta o sofrimento do negro escravo, mos pelo seu amor, pela sua Castro Alves não é o único a ques- vibração permanente, cuja tionar os caminhos da vida e a bus- voz se faz ouvir no mais pro- car em Deus as respostas para as fundo de nossa consciência, venturas e provas pelas quais passa no maior sentimento que pos- a Humanidade. sa palpitar em nosso coração, fa- A busca de Deus tem sido uma zendo vibrar nossa alma ainda Castro constante na vida humana. Aliás, imperfeita, como a alertá-la Alves arriscaríamos mesmo dizer que ela sobre algo que supera o tem ocupado o homem ao longo próprio homem, e que de toda sua história, de toda sua é maior que o mundo e trajetória, consciente ou incons- tão infinito quanto o cientemente, não importando a es- Universo. cola religiosa que professa ou deixa Deus nos responde de professar. Quando Allan Kardec ainda, através de suas indaga em O Livro dos Espíritos que leis perfeitas e justas, 30 388 R e f o r m a d o r • O u t u b r o 2 0 0 6
  • reformador outubro 2006 - B.qxp 9/10/2006 11:22 Page 31 caso contrário é dor, é retorno, é pensamentos e ações de hoje, se Pai de todos, é a Inteligência que reparo “tantas vezes quantas fo- desenrolarão adiante, além no anima tudo, e “não pode ser indi- rem necessárias”, segundo ensina tempo e no espaço, no mundo e vidualizado”.3 o Evangelho. fora dele, buscando finalmente Deus também não se esconde, Por isso, a maldade que grassa a harmonia da grande lei de amor pois a Revelação não obra no es- hoje na Humanidade, atinge os la- entre os homens, no tributo que curo. A Perfeição não pode ser to- res e perturba os seres é passagei- todos devemos ao Pai. cada e sim, sentida; como senti- ra e finita, se levarmos em conta Enquanto isso não acontece, mos a Arte dos nossos maiores que haveremos todos de evoluir e Deus a tudo observa, a tudo acom- artistas, guardando as devidas de ascender para o Pai. A vida se panha com infinita bondade, dan- proporções, já que é impossível constitui de estágios obrigatórios do-nos as condições necessárias à comparar o homem a Deus: um é que a alma em evolução realiza nossa vitória. Cada encarnação na Pai, o outro, filho; um é o Criador, em mundos inferiores para am- Terra se traduz em oportunidade o outro, criatura. pliar sua inteligência e aprender de ouro para colocarmos um fim Deus é a Luz do mundo, a vi- a equilibrar sentimentos, ou se- no sofrimento de ontem e plantar bração de todo o Universo. Pode- ja, desenvolver-se e crescer nas a felicidade de amanhã, no aguar- mos entender melhor Deus, com- difíceis experiências da carne, em do da conquista do Reino dos preendendo o mundo onde habi- mundos materiais. Céus prometido por Jesus, que é a tamos, como explica Kardec: “[...] Assim é que sem a compreen- consciência do justo em paz con- tudo atesta uma idéia diretora, são verdadeira da vida – a que ex- sigo mesmo pelo dever cumprido. uma combinação, uma previdên- trapola as campas dos cemitérios Assim, devemos findar a busca cia, uma solicitude que ultrapas- –, o homem, por hábito, fuga ou de Deus, encontrando-o em nós, sam todas as combinações huma- preguiça, corrompe-se e endivi- primeiramente, honrando a vida nas [...].”4 da-se com as leis divinas e com e as oportunidades de redenção Deus é a Causa de todo o bem aqueles com os quais trilha a mes- que ela nos oferece, e, depois, pro- que nos rodeia, de todo o bem que ma jornada evolutiva; a exemplo curando no próximo o reajuste nos anima e de todo o bem que da escravidão que atingiu o Brasil que se faz necessário. Seguindo o devemos conquistar em nós. Im- colonial em pleno século XVI, apóstolo Paulo, eis o que nos con- portante o papel da Doutrina Es- lembrada pelo poeta. Muito, acre- vém realizar, cansados que esta- pírita quando nos revela a essência ditamos, deve ter se compadecido mos de sofrer e chorar. espiritual e a ilimitada grandeza Deus dos homens nesse momento Mas saibamos antes, como nos de Deus. e muito deve o Brasil pagar ainda alerta Léon Denis em Depois da hoje pela afronta aos filhos encar- Morte,2 que “Deus não se mani- Referências: 1 cerados e supliciados. Uma ação festa aos sentidos”. Está, diríamos, KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. 12. que repercute no tempo, exigindo em toda parte, em tudo e em to- ed. de bolso. Rio de Janeiro: FEB, 2006. função corretiva de todos os en- dos, conforme os ensinamentos Parte Primeira, cap. I, questão 5. 2 volvidos através da bênção da re- espíritas. Importa agora não mais DENIS, Léon. Depois da morte. 25. ed. encarnação. humanizá-lo, nem buscá-lo em Rio de Janeiro: FEB, 2005. Parte Segunda, Oferece-nos assim a vida o pal- ídolos de barro, ídolos materiais, cap. IX, “O Universo e Deus”, p. 110. 3 co necessário para o reajuste e re- falíveis, e em idéias pequenas, re- Idem, ibidem. 4 paro de nossos erros anteriores. O presando sua força em sinais e KARDEC, Allan. Obras póstumas. Ed. Es- enredo desse grande teatro se tra- amuletos materiais. pecial. Rio de Janeiro: FEB, 2005. Primeira duz nos atos praticados ontem, Deus nos ouve em todos os ins- Parte, “Profissão de fé espírita raciocina- que, somados às atitudes e aos tantes, por toda a Eternidade. É o da”, p. 39-40. Outubro 2006 • Reformador 389 31
  • reformador outubro 2006 - B.qxp 9/10/2006 11:22 Page 32 Muito à frente de seu tempo Há 150 anos, Kardec fez jornalismo à moda do século XXI S Ô N I A Z AG H E T TO M ulheres têm Alma? Con- ele no dia 15 de novembro de “A apresentá-lo defeituoso, melhor versas de Além-túmulo 1857.* será nada fazer [...]”. Nascia ali a com os Espíritos Mozart Exatamente sete meses após a diretriz de qualidade editorial que e Chopin, Um Espírito nos Fune- publicação de O Livro dos Espíritos, norteou a Revista enquanto Kar- rais de seu Corpo, Os Milhões do ele já cogitava a publicação de um dec esteve à frente da publicação. Sr. Allan Kardec. Foi com títulos jornal para divulgar a Doutrina. Lições importantes nos dias atuais, atraentes, assuntos interessantes e Temia que outros lhe tomassem a em que se ensaia a estruturação de um incrível senso de oportunida- frente. Evocou os Espíritos e apre- uma comunicação social espírita. de que Allan Kardec se tornou o sentou o projeto. Afinal, tratava-se Antes que se atribua o senso melhor jornalista da história do de uma ferramenta de interação jornalístico de Kardec tão-somen- Espiritismo. Ler a Revista Espírita direta com o grande público. Com te à orientação espiritual, vale a é um prazer. Nas suas páginas es- ela, o Espiritismo sairia dos círculos pena lembrar que muitos requisi- tão perfeitamente atendidos os que restritos para ganhar o mundo. tos exigidos pelo jornalismo são desejam estudar o Espiritismo A orientação espiritual confirmou detectáveis nele bem antes do de forma séria e os que são essa visão avançada: a divulgação aparecimento da Revista Espírita: atraídos pelas notícias le- pela imprensa seria um poderoso argúcia, discernimento perante as ves e por curiosidades. auxiliar da Doutrina que nascia. informações, bagagem intelectual, Nesse caso – justiça se Registre-se que a mensagem obtida adoção de procedimentos como faça – o maior mérito de pela médium Ermance Dufaux po- checagem da informação e, claro, Kardec foi seguir com de ser incluída em qualquer com- ser um ótimo perguntador. Quem rigor a orien- pêndio atual de Teoria da Co- negaria que essas são algumas das tação dada a municação. Sugeria evitar a mono- mais marcantes características de tonia, buscar assuntos que atendes- Rivail, todas decisivas nas obras sem simultaneamente ao homem da Codificação? de ciência e à curiosidade popular; Acredite: além de leitura estimu- manter a periodicidade; e cuidar lante, a Revista Espírita é ideal para para que a primeira impressão – quem deseja conhecer o homem decisiva – fosse a melhor possível. Allan Kardec. Ali, ele expõe múlti- Uma recomendação dos Espíri- plas facetas. Se o jornalista se reve- tos foi particularmente preciosa: la no texto direto e na seleção de as- suntos que prendem a atenção, o *Obras póstumas. Ed. Especial. Segunda ser humano encantador surge em Parte, “A Revista Espírita”, p. 356-357. comentários sobre as coisas de seu 32 390 R e f o r m a d o r • O u t u b r o 2 0 0 6
  • reformador outubro 2006 - B.qxp 9/10/2006 11:22 Page 33 tempo e em artigos que traduzem duro, que convivia com o pensador vantagem da (re)leitura desses tex- uma alma que sonhava com o eté- robusto e o intelectual sintonizado tos, que harmonizam jornalismo reo mas tinha pés bem fincados na com as novidades socioculturais e e doutrina, é justamente porque realidade. Coragem e segurança se científicas de sua época. neles o Codificador expõe uma mostram nas evocações dos Espíri- Análises como essa parecem atitude pessoal que ele estendeu tos de gente famosa, extraindo-lhes apontar para uma certa idealiza- ao Espiritismo: submeter-se à ava- confissões de felicidade ou de tor- ção de Kardec. Nada disso. É ine- liação do público sem demons- menta pós-morte, expondo vivên- gável que ele é um Espírito com trar qualquer temor do julga- cias que servem de exemplo e refle- grandes conquistas intelecto-mo- mento. Em suma: permitir-se re- xão para os leitores. A transparên- rais, o que não é pouco. Idealizá- ver idéias, reinventar-se desde que cia com que prestava contas desve- -lo é desnecessário, uma vez que necessário. O desafio de nossos la o administrador consciente, ma- a solidez de sua obra fala por si. A dias é imitá-lo. Capacitação do Trabalhador do Grupo Mediúnico Treinamento nas Federativas do ções existentes no opúsculo Orientação ao Centro Es- Maranhão, Piauí e Rio Grande do Norte pírita, capítulos 5 e 6. Os períodos de realização e os responsáveis pela Considerando a importância de se fazer uma reflexão condução das atividades foram: mais aprofundada a respeito das práticas mediúnicas existentes nas casas espíritas e das possíveis distorções Federação Espírita do Maranhão – 2 a 4 de junho doutrinárias aí existentes; considerando a urgente neces- de 2006. sidade de minorar os processos obsessivos e a redução Responsáveis pelo trabalho: Marta Antunes Moura das taxas de suicídio que marcam a sociedade contem- e Edna Maria Fabro, da FEB; Ana Luiza Nazareno Fer- porânea; considerando também a importância de unifi- reira e equipe, da FEMAR. car ações e procedimentos no Movimento Espírita fede- rativo, na área da mediunidade, algumas Federativas da Federação Espírita Piauiense – 14 e 15 de julho de Comissão Regional Nordeste promoveram, com apoio 2006. e trabalho conjunto da Federação Espírita Brasileira, a Responsáveis pelo trabalho: Marta Antunes Moura capacitação do trabalhador do grupo mediúnico. (FEB) e Otávio de Oliveira C. Filho, da FEPI. A capacitação foi realizada por meio de palestras, seminários, oficinas e atividades plenárias, tendo co- Federação Espírita do Rio Grande do Norte – 19 e mo referência O Livro dos Médiuns, diversas obras de 20 de agosto de 2006. André Luiz, Seara dos Médiuns, de Emmanuel, e o ro- Encontro Regional Espírita com sede na cidade- teiro “Organização e funcionamento da reunião me- -pólo de Mossoró. diúnica”, cuja elaboração foi concluída na Reunião da Responsáveis pelo trabalho: Marta Antunes Moura Comissão Regional Nordeste de 2006, em João Pessoa, e Carmem Rabelo, da FEB; Rosenite Alves de Oliveira Paraíba, representando um detalhamento das orienta- e Francisco de Assis Pereira, da FERN. Outubro 2006 • Reformador 391 33
  • reformador outubro 2006 - B.qxp 9/10/2006 11:22 Page 34 A FEB e o Esperanto As idéias de Zamenhof e a Doutrina Espírita Como anunciamos no número de setembro de Reformador, reproduzimos a seguir o texto-resumo da palestra proferida pelo Dr. Paulo Sérgio Viana, de Lorena (SP), em uma das reuniões sobre Espiritismo realizadas dentro do programa do 41º Congresso Brasileiro de Esperanto (Campinas, 15 a 19 de julho de 2006) P AU LO S É R G I O V I A N A P ara a grande maioria dos espíritas, as idéias e a pontos de contato com a ética do esperanto. Nesse sen- ideologia de Zamenhof se mostram em absolu- tido, dever-se-ia propor, em vez de oposição, um aper- ta harmonia com a Doutrina Espírita, o que, to de mãos entre todos os movimentos que sincera- entretanto, não significa haver sobre o tema una- mente se empenham pelo bem da Humanidade. nimidade de juízo. Em primeiro lugar, Em face, portanto, dessas incompreen- pelo fato de que – ainda quando isso sões – felizmente não muito numero- nos pareça estranho – existem espí- sas – vale a pena reflexionar sobre ritas que não aceitam o esperan- os vínculos objetivos entre o to, nem como língua, nem co- Espiritismo e o pensamento de mo ideal. Em segundo lugar, Zamenhof. Deveríamos, mes- porque entre alguns não-es- mo, divulgá-los com mais fre- píritas a harmonia entre Es- qüência, tão grande é a im- perantismo e Espiritismo portância desses vínculos. parece causar algum descon- Zamenhof era, de acordo forto, talvez por nisso enxer- com os ensinos dos Espíritos, garem uma ameaça à neutrali- um típico missionário. A propó- dade tão necessária e tão defendi- sito, recordemos o que se encontra da pela língua. Impõe-se, portanto, no capítulo VII de O Evangelho se- um esclarecimento sobre esse juízo er- gundo o Espiritismo, item 13, “Missão rôneo, uma vez que tal semelhança de do homem inteligente na Terra”: Paulo Sérgio em sua alocução idéias absolutamente não lhes consti- tui qualquer ameaça – pelo contrário, traz benefícios “Não vos ensoberbais do que sabeis, porquanto es- a ambos os ideais, pois, a bem considerar, esperanto e se saber tem limites muito estreitos no mundo em que Espiritismo somente ganham com essa harmonia. habitais. Suponhamos sejais sumidades em inteligên- Além disso, não se pode afirmar que somente a cia neste planeta: nenhum direito tendes de envaide- ética espírita se mostra harmônica e afim com a ética cer-vos. Se Deus, em seus desígnios, vos fez nascer do esperanto. Também a ética de outras religiões – num meio onde pudestes desenvolver a vossa inteli- certamente de quase todas as grandes religiões – tem gência, é que quer a utilizeis para o bem de todos; é 34 392 R e f o r m a d o r • O u t u b r o 2 0 0 6
  • reformador outubro 2006 - B.qxp 9/10/2006 11:23 Page 35 uma missão que vos dá, pondo-vos nas mãos o instru- Fé raciocinada: mento com que podeis desenvolver, por vossa vez, as “A ti não vimos com uma crença nacional, com inteligências retardatárias e conduzi-las a ele.[...]” dogmas de cego fervor [...]” Lendo-se a biografia de Zamenhof, constata-se cla- Civilização verdadeira como fruto da caridade cristã: ramente que, como Espírito, ele se preparou adequa- “Perfeitos e belos criaste os homens, mas eles se di- damente para a sua missão, portando intelecto refina- vidiram em lutas, [...] concede de novo a paz às crian- do e imensa modéstia. ças [...]” Há um fato curioso que se nota entre a obra de Za- menhof e os aspectos com que se apresenta o Espiri- Lei do Trabalho: tismo – sua famosa divisão didática como Ciência, Fi- “Juramos trabalhar, juramos lutar [...] concede tua losofia e Religião: se, no que diz respeito ao Espiritis- bênção ao nosso trabalho [...]” mo, ela tem aceitação universal, no esperanto seme- lhante divisão nem sempre é notada. Também Zame- Lei de Sociedade: nhof erigiu a língua sobre um tripé: “Destruamos os muros entre os povos, que ruirão com fragor para sempre [...]” Ciência: a construção puramente lingüística da própria estrutura do esperanto é fruto de uma con- Lei de Justiça, Amor e Caridade: cepção genial, reconhecida até por renomados lin- “Unam-se os irmãos, avante, com mãos entrelaça- güistas, cujas bases repousam sobre o chamado Fun- das e armas de paz! Cristãos, hebreus, muçulmanos, damento do Esperanto e sobre sua gramática. somos todos filhos de Deus. Tenhamos sempre em mente o bem da Humanidade, e apesar das dificulda- Filosofia: está nas idéias de Zamenhof sobre a ne- des, lancemo-nos ao alvo fraterno com obstinação, sem cessidade de se criar uma língua para a construção de detença nem estacionamento. Avante, sem cessar!” um mundo mais justo e em sua argumentação no sen- tido de que a evolução da língua se deve dar no seio É certo que Zamenhof tinha clara consciência de da própria sociedade. Atualmente, esse ponto de vista que, não sendo fácil à mente humana compreender a filosófico é identificado na expressão “democracia lin- verdadeira natureza e a essência de Deus, é todavia güística”. Nesse campo, o principal documento legado possível aspirar à observância de suas leis, o que cer- pelo filósofo Zamenhof é a tese “Essência e Futuro da tamente constituiu o principal objetivo de sua vida. Idéia de Língua Internacional” – modelo de raciocínio Aos espíritas causa forte impressão a maneira sutil, e argumentação lógicos. delicada e ao mesmo tempo firme com que ele condu- ziu a implantação da revolucionária idéia de uma lín- Religião: não obstante opiniões contrárias, Zamenhof gua internacional. não hesitou em lançar sua língua em ligação com a idéia É evidente que as línguas vivas sempre carregam, de uma Força Superior – Deus. Dentro desse aspecto, o no seu próprio terreno cultural, alguma ideologia. principal documento é sua famosa “Prece sob o Estan- Mas, com o esperanto, o mundo viu pela primeira darte Verde”, de cujo inesquecível conteúdo destacamos vez uma língua que expressa uma filosofia e uma pequenos trechos em que se evidencia essa ligação. ética – em forma mais vasta e ambiciosa do que qualquer outra língua. E é o Espiritismo que nos for- Deus e a Lei de Adoração: nece explicação para esse fato extraordinário: o espe- “A ti, ó mistério incorpóreo e potente [...] que o mun- ranto é obra de um missionário igualmente extraor- do governas [...] grande fonte de amor e verdade [...] dinário, para isso preparado nas Altas Esferas do Mun- fonte de vida constante [...] que crias, que reinas [...]” do Espiritual. Outubro 2006 • Reformador 393 35
  • reformador outubro 2006 - B.qxp 9/10/2006 11:23 Page 36 Santos Dumont Centenário do vôo do “14-Bis”, ocorrido em Paris, a 23 de outubro de 1906, que consagrou Alberto Santos Dumont (1873-1932) como Pai da Aviação rito Estêvão Montgolfier* (1745- Ofício da FEB a Santos A o registrar em Reformador o centenário do inolvidá- -1799), recebida em 30 de julho de Dumont vel e heróico feito de San- 1876 (quando Dumont tinha 3 anos tos Dumont, rememoramos um de idade), pelo médium Ernesto “Rio, 12 de Setembro de 1903 outro fato, também histórico, que Castro, na cidade de Silveira (SP). Prezado e ilustre patrício Sr. relaciona a Federação Espírita Bra- Alberto Santos-Dumont: sileira com o Pai da Aviação. Consenti que ao coro de unâni- O ilustre brasileiro iniciara suas mes e afetuosas saudações, com experiências com o balão “Brasil”, que é justamente festejado o vosso em 4 de julho de 1898; prosse- regresso à pátria, se venha asso- guira, em setembro do mesmo ciar, por seus diretores abaixo ano, com o “Santos Dumont assinados, a Federação Espírita no l”; e, apesar de alguns re- Brasileira. vezes, continuou os experi- E não vos pareça estranho, mentos com outros balões, pela índole de suas cogita- até que, em 1901, cons- ções, este testemunho da nos- truiu o dirigível no 6, com sa Sociedade que, ao contrá- o qual contornou a Torre rio, por força mesmo dos Eiffel, em Paris, no dia 19 de seus ideais espiritualistas e outubro de 1901, recebendo o humanitários, não se pode de prêmio Deutsch de la Meurthe, modo algum desinteressar das de 100.000 francos-ouro, conquistas do século e dos bene- Já consagrado mundialmente, fícios que à causa do progresso Santos Dumont veio ao Brasil em humano trazem os seus colabora- 1903. Passando pelo Rio de Janeiro, dores, em cujas fileiras vos reser- a Federação Espírita Brasileira, por vou a Providência tão assinalado intermédio do seu presidente e de Para conhecimento dos preza- posto. seu 1o secretário, entregou-lhe em dos leitores, reproduzimos, a se- Filhos desta abençoada terra mão um ofício datado de 12 de guir, o ofício da FEB e a referida da Santa Cruz, cujos gloriosos des- setembro de 1903, acompanhado mensagem. tinos nem sequer pode sonhar a do exemplar de Reformador de 1o de descuidosa geração contemporâ- agosto de 1883, que publicara uma *Estêvão (Étienne) e seu irmão Joseph nea, é com verdadeiro interesse que mensagem mediúnica profética, construíram o aeróstato (balão de ar temos acompanhado o vosso es- sobre seu futuro invento, do Espí- quente) em 1783. forço perseverante, na absorção 36 394 R e f o r m a d o r • O u t u b r o 2 0 0 6
  • reformador outubro 2006 - B.qxp 9/10/2006 11:23 Page 37 do gênio e da predestinação, por ministrar-vos esse esclarecimento Leopoldo Cirne, presidente; dotar a Humanidade com os bene- acerca da providencialidade da Geminiano Brazil de O. Goes, fícios dessa conquista, com que, vossa missão na Terra. vice-presidente; Albino Gonçalves imortalizando-vos, enobreceis ao Ali se fala, é certo, de “pássaro Teixeira, 1o secretário; Nilo Fortes, mesmo tempo a nossa Pátria. mecânico”, superior aos balões, me- 2o secretário; Ulysses de Mendon- Não enxergueis nestas expres- ros “exploradores e precursores da ça, 3o secretário; Pedro Richard, sões o intuito de vos estimular sen- admirável invenção”. Não se enten- tesoureiro.” timentos de vaidade que, por for- derá, porém, com os balões cativos tuna vossa, parece serem alheios ao esta alusão? Assim nos parece, tanto Fonte: Reformador de setembro de 1956, vosso espírito, revestido, ao con- mais que, não somente o vosso in- p. 12(200)-13(201) – Artigo “A Predestina- trário, da modéstia e do desinte- vento tem o valor da conquista de- ção de Santos-Dumont”, de Almerindo resse característicos do verdadeiro finitiva do ar, como a data da co- Martins de Castro. missionário. municação confirma a anteriorida- Se algum outro fim temos em de do vosso nascimento. Mensagem mediúnica vista, além das saudações fraternais Guardai, pois, esse jornal, ao me- que vos trazemos, é o de oferecer- nos como uma afetuosa e espontâ- Em 30 de julho de 1876, em -vos, como um documento que nea recordação dos vossos irmãos Silveiras (SP), o médium Ernesto particularmente nos parece dever espíritas do Brasil, e permiti-nos Castro recebia espontâneamente a interessar-vos, o número do Refor- que, abraçando-vos, vos exortemos seguinte mensagem do Espírito mador de 1 de Agosto de 1883, jor- a que, de par com a simplicidade Estêvão Montgolfier: nal que no ano seguinte começou a e modéstia que vos distingue, e tão ser órgão da nossa Sociedade, tal se bem vai nas almas crentes, conser- “Vencer o espaço com a velocida- conservando até agora, como vereis veis sempre em Deus essa confian- de de uma bala de artilharia, em um da coleção deste ano, que igual- ça que é o segredo dos vossos triun- motor que sirva para conduzir o mente vos oferecemos. fos e serenidade de ânimo, e será homem, eis o grande problema Ali se encontra uma comunica- o da vossa glorificação, não aos que será resolvido dentro de pouco ção espírita, ditada quando apenas olhos dos homens, o que bem pou- tempo. Essa máquina poderosa de contáveis 3 anos de idade, a qual, co vale, mas aos desse mesmo recebida por um médium que Deus, que é a nossa for- ainda vive, parece que se entende ça, o nosso amparo e convosco. a razão única da nos- Ignoramos quais sejam as vos- sa própria existên- sas idéias acerca desta nova ciência cia. que na gloriosa França, como por Se vos agradar toda a parte, conta os mais esclare- continuardes a rece- cidos e dedicados cultores. Sabe- ber a nossa modesta mos, entretanto, pelas referências folha, enviai-nos o dos jornais a vosso respeito, que vosso endereço em sois uma alma crente, alcandoran- Paris. do-vos nos transportes da prece, E crede sempre quando, nas arriscadas ascensões, nos cordiais e frater- expondes a vossa vida; e pois, sem nos sentimentos dos nenhuma preocupação de proseli- vossos sinceros ir- tismo, temos unicamente em vista mãos em Jesus. Outubro 2006 • Reformador 395 37
  • reformador outubro 2006 - B.qxp 9/10/2006 11:23 Page 38 Divaldo Franco condução não há de ser uma uto- pia, não. O missionário, que traz es- se aperfeiçoamento à Terra, já se acha entre vós. O progresso da via- ção aérea, que tantos prosélitos tem achado e tantas vítimas há feito, não está, portanto, longe de realizar-se. na FEB-Rio O aperfeiçoamento de qualquer ciência depende do tempo e do Cumprindo o já tra- estado da Humanidade para rece- dicional ciclo de pales- bê-lo. tras no Rio de Janeiro, A locomotiva, esse gigante que Divaldo Pereira Franco avassala os desertos e vence as dis- atraiu, no dia 30 de tâncias, será um insignificante in- julho, um público de vento ante o pássaro colossal, que, aproximadamente 900 qual condor dos Andes, percorrerá pessoas à Sede Sec- o espaço, conduzindo em suas cional da FEB, na Ave- soberbas asas os homens de vários nida Passos, no 30. continentes. Em memorável ses- Os balões, meros exploradores e são, cuja mesa de tra- precursores da admirável invenção, balhos foi composta nada, pois, serão perante o belo e por Nestor João Ma- Divaldo falando; atrás, sentados, Nestor portentoso pássaro mecânico. sotti, presidente da Ca- João Masotti e Juvanir Borges de Souza Esse Deus de bondade e de mise- sa, e Juvanir Borges de ricórdia, que nada concede antes da Souza, seu antecessor, Divaldo, base insubstituível de sua boa hora marcada, deixa primeiramen- com o inconfundível brilho de condução; e o irresistível magne- te que seus filhos trabalhem em sua inspirada oratória, brindou tismo dos ensinos e exemplos de procura da sabedoria, e depois que os presentes com riquíssima ex- Jesus sobre as almas de boa von- eles se têm esforçado em descobrir posição a respeito de temas atua- tade, independentemente de suas a Verdade, aí então lhes envia um líssimos, tais como a preparação confissões religiosas. raio de sua divina luz. da Nova Era através da reencar- Esperamos, de todo o coração, Já vêem, ó mortais, que a navega- nação de Espíritos especialmen- que Divaldo, esse querido irmão, ção aérea não será um sonho, não, te preparados para as fecundas amado por todos os espíritas do mas sim uma brilhante realidade. transformações sociais; a necessi- Brasil e de além-fronteiras, amigo O tempo, que vem próximo, vos dade de que os adeptos da Dou- incondicional da Casa de Ismael, dará o conhecimento desse estu- trina Espírita sustentem o crité- aqui retorne no ano vindouro pendo motor. rio seguro de Allan Kardec como para nova semeadura de luz. Brasil, tu que foste o berço dessa grande descoberta, serás em breve o país escolhido para demonstrar a força dessa grandiosa máquina aérea. Eis o prognóstico que vos dou, ó brasileiros!” Fonte: Idem, ibidem. p. 9(197). 38 396 R e f o r m a d o r • O u t u b r o 2 0 0 6
  • reformador outubro 2006 - B.qxp 9/10/2006 11:23 Page 39 Normalização Editorial Padrão de qualidade editorial dos livros febianos GERALDO CAMPETTI SOBRINHO Estrutura da publicação O s cuidados editoriais com qualquer erro, que “saltará” facil- a publicação de uma obra mente aos olhos de outro revisor. não se devem limitar ao Por isso, a revisão final deve ficar Um livro possui elementos pré- seu conteúdo. Indispensável que a cargo de terceiros, especializa- -textuais, textuais, pós-textuais, e o autor se preocupe com a reda- dos na função de revisar. extratextuais. ção esmerada, em consonância O trabalho de revisão é um Os elementos preliminares ou com os padrões da língua culta. tanto quanto inglório. Por mais pré-textuais referem-se às partes Mas, também, é preciso redigir que se pretenda atingir a exce- iniciais do livro. São, por exem- de forma agradável, atraente, lência de qualidade, quando se plo: guardas brancas, folha de simples, com vistas a facilitar a conclui o serviço e o resultado é leitura das informações registra- publicado, notam-se, depois, al- das na obra. guns erros que poderiam ter sido corrigidos antes da publicação. Revisar nunca é demais Mas, isso também faz parte do processo e não se configura de- A boa redação obedece a crité- sestímulo aos que estão no ofí- rios rígidos de correção semânti- cio. Ao contrário, é motivo de en- ca, gramatical e ortográfica. Ini- corajamento aos revisores pa- cialmente, quem escreve é igual- ra que prossigam no intuito mente quem primeiro revisa o de aperfeiçoar a qualidade texto redigido. São várias revisões, da produção. Assim, se reescritas, correções... E o ciclo re- uma publicação “saiu” pete-se inúmeras vezes. com erro, o que é comum Em seguida, outras pessoas in- ocorrer, apressem-se os res- cumbem-se da revisão. É natural ponsáveis editoriais para que assim ocorra, pois há um mo- as correções que deverão mento em que o autor de um tex- ser contempladas em pró- to já não consegue enxergar nele xima edição. Outubro 2006 • Reformador 397 39
  • reformador outubro 2006 - B.qxp 9/10/2006 11:23 Page 40 rosto, dedicatória, epígrafe, sumá- Sumário e índice da publicação, e registrado em ti- rio, apresentação, prefácio e in- pologia de um a dois pontos me- trodução (quando esta substitui Ainda é comum a confusão nores que o texto normal. a apresentação ou o prefácio). entre sumário e índice, de tal Os elementos particulares do forma que o leitor e, às vezes, os Reformatação das texto ou textuais são aqueles que próprios editores não sabem dis- obras febianas ajudam a aumentar a legibilida- tinguir um do outro. Para deixar de da obra, destacando as diver- a questão esclarecida, seguem as Você já teve oportunidade de sas seções, acompanhando as ilus- considerações sobre estes dois im- ver os últimos livros publicados trações e introduzindo determi- portantes elementos de uma pu- pela FEB? nados comentários complemen- blicação, segundo os critérios das O que se observa nessas publi- tares. Dentre os principais, in- normas técnicas atualizadas. cações é o resultado de um traba- cluem-se: introdução (quando es- A norma brasileira (NBR) lho de equipe, que se dedica zelo- ta não substitui a apresentação 6027/2003 trata da estrutura, lo- samente ao que faz: profissionais ou o prefácio), títulos e subtítu- calização e aspecto tipográfico do contratados e colaboradores vo- los, citações, notas de rodapé, qua- sumário. Esta norma possui ape- luntários que procuram fazer o dros, ilustrações, comentários ou nas duas páginas, porém esclare- melhor ao seu alcance, com cons- notas marginais e cabeçalhos ou tí- ce a distinção entre sumário e tante atualização sobre as necessi- tulos correntes. índice, dois elementos geralmen- dades do mercado, capacitação Os elementos finais ou pós- te confundidos não só por leito- técnica e desenvolvimento pessoal. -textuais são: apêndices, anexos, res, mas também pelos próprios Os integrantes dessa equipe rea- glossário ou vocabulário, refe- responsáveis pela edição de livros. lizam o trabalho porque gostam. rências, bibliografia, índice e A finalidade do sumário é apre- Envolvem-se integralmente com colofão.* sentar uma visão de conjunto do os objetivos da tarefa de divulga- Os elementos extratextuais de conteúdo da obra, conforme sua ção doutrinária ao público espí- uma publicação referem-se às estrutura organizacional, a fim de rita e àquele que começa a se in- capas (da primeira à quarta) e à facilitar a rápida localização das teressar pelo Espiritismo. Uma das lombada. seções – capítulos e tópicos – que razões que desperta o interesse A forma de apresentação da a compõem. Deve figurar, pois, do leitor é exatamente o atrativo estrutura de uma publicação é logo no início da publicação. que o livro espírita vem propor- explicada nas diversas normas A preparação de índice de pu- cionando. sobre informação e documenta- blicações é regulamentada pela Além do precioso conteúdo que ção da Associação Brasileira de NBR 6034/2004 da ABNT. Ao a Federação Espírita Brasileira res- Normas Técnicas (ABNT) já re- mencionar o tipo de publicação a guarda com todo o cuidado, as pu- lacionadas no artigo anterior que se refere esta norma, é destaca- blicações ganharam há alguns anos desta série e que explicitaremos do que ela “aplica-se, no que cou- uma reformatação de seus elemen- gradativamente nos próximos ber, aos índices automatizados”. tos internos e externos. Os livros artigos a serem publicados em Pelo seu caráter de exaustivi- gradativamente estão passando por Reformador. dade, isto é, a cobertura de todas um reempacotamento que para o as informações contidas na obra, leitor é como se um novo título es- diferentemente do sumário que tivesse sendo lançado. *Indicação, no final do livro ou folheto, do apresenta uma visão geral da es- A última Bienal do Livro, rea- nome do impressor, local e data da im- pressão e, eventualmente, outras caracte- trutura da obra, recomenda-se que lizada em março na capital pau- rísticas tipográficas da obra. o índice seja localizado no final lista, é uma demonstração dessa 40 398 R e f o r m a d o r • O u t u b r o 2 0 0 6
  • reformador outubro 2006 - B.qxp 9/10/2006 11:23 Page 41 conquista. O livro infantil Carti- logia da informação, utilizados pe- cação e os demais de Allan Kar- lha do bem, ditado pelo Espírito los especialistas, diagramadores, dec que estão sendo publicados Meimei e a obra Contos desta e arte-finalistas e designers. pela FEB. Os índices das obras psi- doutra vida, do Espírito Humber- cografadas por Chico Xavier, es- to de Campos (Irmão X), ambos Elaboração de índices pecialmente as ditadas por André psicografados por Chico Xavier, gerais Luiz e Emmanuel, encontram-se estiveram entre os mais vendidos também em fase de elaboração. na feira. As primeiras edições des- Outra importante característi- À medida que a Editora publica tes livros foram lançadas, respec- ca acrescentada às novas edições um novo título ou relança uma tivamente, em 1969 e 1964! Fize- da FEB é a elaboração dos índices publicação com nova forma de ram sucesso entre aqueles que já gerais. Eles representam a aber- apresentação, a equipe responsá- conheciam as obras, em sua for- tura do caminho para acesso rá- vel pela indexação é acionada pa- matação anterior, e entre o públi- pido e exato ao conteúdo deta- ra a realização de seu trabalho. co que se interessou pelos títulos lhado de cada obra. A caminhada é longa... Mas como se fossem lançamentos. Tem-se adotado a expressão ín- temos certeza – pois assim o sen- Esse trabalho prosseguirá ao dice geral, pois se associam dois timos no cotidiano de nossos tra- longo do tempo, considerando- ou mais tipos de entradas como balhos – de que com Jesus o far- -se que a editora febiana possui pontos de recuperação do conteú- do é leve e o jugo é suave. em seu catálogo aproximadamen- do. Reúnem-se comumente ver- Sentimo-nos honrados pela te 450 títulos, sem contar os no- betes em ordem alfabética repre- oportunidade de servir nessa vos títulos que já ganham em sentativos de assuntos, nomes pes- imensa seara do Mestre Divino qualidade de apresentação com o soais, de localidade, etc. em que fazemos o mínimo dian- processo de editoração eletrônica Já foram contemplados com te do muito que constantemente e os modernos recursos de tecno- índices todos os livros da Codifi- recebemos. Dia Estadual da Confraternização Espírita Instituído pela Lei 3.905, do Estado do Espírito Santo A família espírita capixaba reuniu-se para comemorar esse evento, em 3 de agosto, no auditório do Centro Federal de Educação Tecno- lógica (CEFETES), das 19h30 às 22h. A convite da Federação Espí- rita do Estado do Espírito Santo, o presidente da Federação Espírita Brasileira, Nestor João Masotti, proferiu a conferência “O Espiritis- mo em Ação”. No período da tarde o presidente da FEB manteve um encontro dialogado com dirigentes espíritas de grande número de instituições do Estado, tratando de assuntos de interesses das casas espíritas. Outubro 2006 • Reformador 399 41
  • reformador outubro 2006 - B.qxp 9/10/2006 11:23 Page 42 Seara Espírita Mês de Kardec na FEB-Rio Equador: Congresso Espírita Suely Caldas Schubert, escritora e oradora espíri- A Federação Espírita do Equador realizou, no perío- ta, visita neste mês a Sede Seccional da Federação do de 25 a 27 de agosto, o II Congresso Espírita Espírita Brasileira, no Rio de Janeiro (Avenida Internacional do Equador, com o tema central Passos, 30), onde profere, no sábado, dia 14, às “Ciência Espírita – Fonte de paz e equilíbrio para o 10h30, palestra sobre o tema “Mecanismos da Justiça ser humano”, abordado, na conferência de aber- Divina”. O evento realiza-se dentro do programa tura, por Divaldo Pereira Franco, que proferiu “Mês de Kardec”, que a FEB-Rio vem promovendo mais duas conferências. Outros expositores: Alvaro desde as comemorações do Bicentenário de Nas- Vélez (CEI), Luis Hu Rivas (CEI), Hugo Arriciaga cimento do Codificador. Devido à limitação de lu- (Equador), Isauro Hoyos Penagos (FEDECOL) e gares, o acesso será feito mediante apresentação de Enrique Gagliardo (Equador). convite. FEB-Brasília: Programação doutrinária Rio de Janeiro: Kardec na Assembléia Honório Onofre de Abreu e Haroldo Dutra, respecti- Legislativa vamente, presidente e assessor da União Espírita Em Sessão Solene às 18 horas do dia 3 de outubro, a Mineira, realizaram programação doutrinária no dia Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro 12 de agosto passado na Sede Central da Federação presta uma homenagem pública ao Espiritismo, pela Espírita Brasileira. No período da manhã, dirigiram terceira vez em dois anos, desta feita em comemo- um curso de capacitação destinado aos monitores do ração ao nascimento de Allan Kardec, ocorrido em curso Estudo Aprofundado da Doutrina Espírita 3 de outubro de 1804, na cidade francesa de Lyon. O (EADE). Das 16h às 17h30 desenvolveram um semi- evento resulta da ação do Conselho Espírita do nário sobre o tema “Ensinos e Parábolas de Jesus”, Estado do Rio de Janeiro (CEERJ) e do empenho tendo como público-alvo monitores e estagiários dos do deputado estadual Áttila Nunes, e conta com a diversos cursos das áreas de estudo da FEB. Das 18h às participação de representante da Federação Espírita 18h30, proferiram palestra aos participantes do EADE, Brasileira. sobre o tema “O Evangelho de Jesus – como, por que e para que estudá-lo à luz da Doutrina Espírita”. Rondônia: Encontro de Trabalhadores Espíritas Amazonas: Congresso Espírita De 25 a 27 de agosto, em Ariquemes (RO), a A Federação Espírita do Amazonas promoveu, de 18 a Federação Espírita de Rondônia promoveu o XX 20 de agosto, no auditório da Reitoria da Universidade Encontro de Trabalhadores Espíritas de Rondônia. do Amazonas, em Manaus, o 2o Congresso Espírita do “Comunicação Social no Processo de Divulgação Estado, com o tema principal “Família – Um planeja- Espírita” e “O Centro Espírita e a Legislação” estavam mento divino”. Participaram do evento conferencistas entre os temas que foram abordados. A palestra de como Divaldo Pereira Franco (BA), Raul Teixeira (RJ), abertura foi feita por Ricardo Silva, da Assessoria Alberto Almeida (PA) e André Luiz Peixinho (BA). Jurídica da FEB. Na ocasião, a FERO informou os O Congresso fez parte da programação da Semana da trabalhadores sobre os assuntos da Reunião da Família, promovida anualmente pela FEA. No encer- Comissão Regional Norte do Conselho Federativo ramento – que foi transmitido ao vivo pela Internet – Nacional da FEB, realizada em Macapá (AP) no mês Divaldo homenageou Bezerra de Menezes, pelos seus de junho. 175 anos de nascimento. 42 400 R e f o r m a d o r • O u t u b r o 2 0 0 6