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1                                                                   Revista Literária                                     ...
2                                                                                  SUMÁRIOANÁLISES LITERÁRIAS             ...
2FRANCISCO JOSÉ PEREIRA                                                                     Gorjala..........................
3JOÃO JUSTINIANO DA FONSECA                                                                 Soneto do Dia50 Haicais + 3 .....
4Pedro Melo/SP ..............................................                         63    Só quero existir ................
5Reencontro ...................................................................        179   Ademar Macedo – RN .............
6Glycínia De França Borges – Curitiba .........................               108   Maria Nicólas – Curitiba ................
1                                                         Mensagem           Paulo V. Pinheiro                            ...
2                                      Ialmar Pio Schneider                               Homenagens em SonetoSONETO A LAU...
3SONETO A ERNEST HEMINGWAY                               que faça qualquer coisa ao seu alcance...– In Memoriam –Morte do ...
4Uma Trova Premiada                  E fiz pra Deus uma carta                                    pedindo uma mesa farta200...
5 Disse o carteiro, confuso:          Paz, amor, felicidade!- mora aqui o “seu” Leitão?          Palavras tão usuais,- Não...
6Oh, minha mãe, quando eu falho,                       O que vou fazer agoratua lágrima rolada                            ...
7devorado. Resultado: o galo pôs-se a cantar fora de      sempre a marca de sua integridade e força dehora.               ...
8Fontes, Bilac, Colombina e outros, passaram por ela,   Embora concorrente bissexto, Cláudio de Cápuaainda que de raspão. ...
9semeio pelos caminhos             que persiste entre nós dois,bem-me-quer por todo lado...      dá mais vida à nossa vida...
10meu coração sonhador:                                  Delegado, além de poeta/trovador, Milton Loureiro é- se possuis t...
11- Ô mãe, que bobagem, - em uníssono. Sem que             também de pequena horta, com o mesmo desvelopudessem dissimular...
12se esquecer, só tendo lembranças muito antigas.         distante dele, arrastava as patas na vegetação rala,Espantou-se,...
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Almanaque O Voo da Gralha Azul numero 9 jan fev mar 2012

  1. 1. 0
  2. 2. 1 Revista Literária “O Voo da Gralha Azul” n0. 9 – Paraná, janeiro / março 2012 Idealização, seleção , layout e edição: José Feldman Contatos, sugestões, colaborações: voodagralhaazul@gmail.comhttp://singrandohorizontes.blogspot.com.br Endereço para correspondencia: Rua Vereador Arlindo Planas, 901-A Zona 6 Cep.87080-330 Maringá/PRQue a humanidade possa aprender com a nossa Gralha-azul e entender que o equilíbrio e o respeitoecológico entre fauna e flora é fundamental para a existência do Homem na face da Terra!!! Prezado Leitor Este almanaque não tem a pretensão e nunca poderá ser considerada como substituição aos livros, jornais, colunas, etc. que circulam virtualmente ounão, mas sim como mola propulsora de incentivo ao cidadão para buscar novos conhecimentos, ou relembrar aqueles perdidos na névoa do passado. Por que o Voo da Gralha Azul? A Gralha Azul, que assim como semeia o pinheiro, ela alça voo e semeia no coração de cada um que alcançar, o pinhãoda cultura, em todas as suas manifestações. Ao leitor, novos conhecimentos. Ao escritor ou aspirante a tal, sejam poetas, trovadores, romancistas, dramaturgos, compositores, etc., um caminho de conhecimento e inspiração. Obrigado por me permitir dividir consigo estes breves momentos, José Feldman
  3. 3. 2 SUMÁRIOANÁLISES LITERÁRIAS Dodora Galinari.............................................. 174 Domício da Gama .......................................... 36CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE Elmano Cardim .............................................. 55O poema das sete faces ............................................... 144 Inoema Nunes Jahnke ................................... 68CECÍLIA MEIRELLES Jacy Pacheco ................................................ 84Romanceiro da Inconfidência ....................................... 203 João Justiniano da Fonseca .......................... 80MACHADO DE ASSIS Linhares Filho ................................................ 25Trio em Lá Menor ......................................................... 183 Lino Sapo....................................................... 48 Luciene Barrel (lubarrel) ................................ 179ARTIGOS Milton Nunes Loureiro ................................... 10ADELTO GONÇALVES CONCURSOS LITERÁRIOSUma “redescoberta” da Literatura Africana no Brasil ... 58ALBA KRISHNA TOPAN FELDMANA Identidade da Mulher Indígena na Escrita de Zitkala-Ša e Concurso Literário Padre João Maia 2012 Vila deEliane Potiguara ........................................................... 220 Rei: Rostos e Olhares .................................. 228AMOSSE MUCAVELE III Concurso Literário da Academia Taubateana deA poesia epigramática do Amin Nordine ou a Babalaze do Letras ............................................................ 229Atirador das Verdades .................................................. 49 XV Concurso Nacional de Contos Prêmio JorgeCILZA CARLA BIGNOTTO Andrade ....................................................... 230Duas leituras da infância,segundo Monteiro Lobato .... 116 Prêmio Professor Mário Clímaco - Alepon .... 231ELMANO CARDIMAs primeiras revistas literárias ...................................... 52 15º Prémio Literário Fernando Namora (Portugal)IALMAR PIO SCHNEIDER ....................................................................... 232Outra Época e um Poeta Inesquecível ......................... 200JANDI FABIAN BARBOSA e TANIA M. K. ROSING CONTOS / CRONICASA literatura infanto-juvenil: do acesso ao livro até a formação doleitor .............................................................................. 133J. G. de ARAÚJO JORGE ABÍLIO PACHECOUma Casa na Lembrança ............................................. 213 Cheiro de café ................................................ 177JULIANA BOEIRA DA RESSURREIÇÃO AFRÂNIO PEIXOTOA Importância dos Contos de Fadas no Desenvolvimento da Barro Branco .................................................. 15Imaginação ................................................................... 71 AMOSSE MUCAVELENILTO MACIEL Carta do aniversariante no dia em que não se fará aA Poética de Linhares Filho .......................................... 21 festa ............................................................... 112RICARDO FARIA ANTONIO BRÁS CONSTANTEUm poeta chamado Solano Trindade ........................... 154 Humor – Sol e Frio (tomou Doril e Não Sumiu) 26SERAFINA FERREIRA MACHADOA imagem do negro na poesia de Solano Trindade ..... 156 APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZAWALDOMIRO WALDEVINO PEIXOTO A canção que tocou no meio da noite ............ 64O Tempo na Ficção ...................................................... 103 Caminho sem Volta ........................................ 214 ARTUR DE AZEVEDO Uma aposta .................................................... 125BIOGRAFIAS CAROLINA RAMOS Como de Costume... ...................................... 41Afrânio Peixoto ............................................... 16 CLÁUDIO DE CÁPUAAmérico Facó ................................................. 102 Galo Doidão ................................................... 6Amaury Nicolini .............................................. 227 DALTON TREVISANCassiano Ricardo ........................................... 31 Em Busca da Curitiba Perdida ...................................... 217Cilza Carla Bignoto ........................................ 121 DOMÍCIO DA GAMACláudio de Cápua .......................................... 6 Maria sem Tempo .......................................... 33Cornélio Pires................................................. 165 FERNANDO SABINODalton Trevisan.............................................. 217 A mulher vestida............................................. 142
  4. 4. 2FRANCISCO JOSÉ PEREIRA Gorjala.......................................................................... 96A Velha Senhora e seus Cachorros ............... 10 Gralha Azul .................................................................. 96 Iara ............................................................................... 97HENRIQUE OLIVEIRA João Galafoice ............................................................. 97O Bêbado e o Poeta ...................................... 45 João Galafuz ................................................................ 97JOÃO SCORTECCI Labatut ......................................................................... 98Eu sou um livro .............................................. 114 Loira Do Banheiro ........................................................ 98LEON ELIACHAR Lobisomem................................................................... 98 Mãe-Do-Ouro ............................................................... 98A Outra ........................................................... 81 Mani (A Lenda Da Mandioca) ...................................... 99LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO JOSÉ GERALDO MARTINEZVitor e seu irmão ............................................ 68 Lendas da Infância ....................................................... 201OLIVALDO JÚNIOR LENDAS INDÍGENASFim de Linha ................................................. 3 O guaraná .................................................................... 140MACHADO DE ASSIS Vênus e Sirius .............................................................. 141Adão e Eva..................................................... 195 LUIZ EDUARDO CAMINHATrio em Lá Menor ..... 180 Lenda de Iaraguaçu ...................................................... 60Um homem célebre ........................................ 169 MARIA ROSA MOREIRA LIMA A lenda dos tatus brancos ............................................ 150RACHEL DE QUEIROZ PARLENDAS ................................................. 126Os Dois Bonitos e os Dois Feios .................. 130VICÊNCIA JAGUARIBEA Decisão ....................................................... 88 HAICAISPor uma nota de dez reais ............................. 106 ACADEMIA RIBEIRAOPRETANA DE POESIAENTREVISTAS HAICAIS, 1996 Arthur Francisco Baptista............................... 104LINO MENDES Geraldo Lyra .................................................. 104Conversas Curtas com Fernando Máximo ................... 211 Dercy Alonso de Freitas................................. 104 Sérgio Bernardo............................................. 104 Darly O. Barros .............................................. 104FOLCLORE Morais Lopes (Portugal)................................. 104 Maria Thereza Cavalheiro.............................. 104FOLCLORE DO BRASIL Arthur Francisco Baptista............................... 104Alamoa ......................................................................... 90Ana Jansen .................................................................. 91 Napoleão Valadares ...................................... 105Anhangá ....................................................................... 91 Sérgio Bernardo............................................. 105Arranca-Língua ............................................................ 91 Arthur Francisco Baptista............................... 105A Tartaruga e o Gavião ................................................ 175 Izo Goldman .................................................. 105Barba Ruiva ................................................................. 91 Darly O.Barros ............................................... 105Bicho-Homem .............................................................. 92Boitatá .......................................................................... 92 Neide Rocha Portugal.................................... 105Boto Sedutor ................................................................ 92 Darly O. Barros .............................................. 105Cabeça-De-Cuia .......................................................... 93 Dercy Alonso de Freitas................................. 105Caboclo-D´água ........................................................... 93 Edmar Japiassu Maia .................................... 105Caipora ........................................................................ 93 Lila Ricciardi Fontes ...................................... 105Canhambora ................................................................ 93Capelobo ...................................................................... 94 Lila Ricciardi Fontes ...................................... 105Cavalo Branco ............................................................. 94 Silvio Ricciardi ............................................... 105Cavalo Das Almas ....................................................... 94 Branca Marilene Mora de Oliveira ................. 105Chibamba ..................................................................... 94 Lila Ricciardi Fontes ...................................... 105Chupa-Cabras .............................................................. 94 Sílvio Ricciardi ............................................... 105Cobra Grande .............................................................. 95Cobra-Jabuti ................................................................ 95 Sílvio Ricciardi ............................................... 105Cobra Norato ............................................................... 95 Rita Marcianp Mourão ................................... 106Corpo Seco .................................................................. 95 Lila Ricciardi Fontes ...................................... 106Cuca ............................................................................. 95 Silvio Ricciardi ............................................... 106Curaganga ................................................................... 96 AFRÂNIO PEIXOTOCurupira ....................................................................... 96Famaliá ........................................................................ 96 Haicais ........................................................... 14
  5. 5. 3JOÃO JUSTINIANO DA FONSECA Soneto do Dia50 Haicais + 3 ................................................ 86 Amilton Maciel Monteiro/SPNILTON MANOEL Mistério......................................................................... 19Haicai – O Poema de Três Versos ................. 84 Francisco Macedo/RN Um Soneto Filho do Sol ............................................... 115 Ialmar Pio Schneider/RSMENSAGEM Soneto do Abandonado ............................................... 40PAULO V. PINHEIRO João Justiniano Da Fonseca/BAUma Flor no Meio da Vida ........................................... 1 Soneto sem sal e sem pimenta .................................... 63 Renato Alves/RJMENSAGENS POÉTICAS Sussurros ..................................................................... 177(Ademar Macedo: seleção) Rogaciano Leite/PEMENSAGENS POÉTICAS 82 ........................ 3 Impossível .................................................................... 145MENSAGENS POÉTICAS 84 ........................ 18 Sônia Sobreira/RJMENSAGENS POÉTICAS 88 ........................ 40 Eu Gosto da Chuva ...................................................... 189MENSAGENS POÉTICAS 93 ........................ 62 Vanda Fagundes Queiroz/PR Transitório .................................................................... 4MENSAGENS POÉTICAS 101 ...................... 114MENSAGENS POÉTICAS 104 ................... 145 Uma Trova de AdemarMENSAGENS POÉTICAS 108 ...................... 176 Ademar Macedo/RN ..................................... 4MENSAGENS POÉTICAS 111 ...................... 188 Ademar Macedo/RN ..................................... 19 Ademar Macedo/RN ..................................... 40Estrofe do Dia Ademar Macedo/RN ..................................... 63Ademar Macedo/RN ...................................... 4 Ademar Macedo/RN ..................................... 115Ademar Macedo/RN....................................... 189 Ademar Macedo/RN ..................................... 145Carolina Ramos/SP ....................................... 40 Ademar Macedo/RN ..................................... 176Djalma Mota/RN ............................................ 19 Ademar Macedo/RN ..................................... 189Gilmar Leite/PE.............................................. 63José Lucas De Barros/RN ...... 115 Uma Trova NacionalJosé Tomaz/PB ............................................. 177 A. A. De Assis/PR .......................................... 18José Zilmar/PB .............................................. 145 Carolina Ramos/SP ....................................... 145 Izo Goldman/SP............................................. 40...E Suas Trovas Ficaram Jeanette De Cnop/PR .................................... 62Aloísio Alves Da Costa/CE ........................... 19 Marina Bruna/SP ........................................... 3Aloísio Alves Da Costa/CE ............................ 115 Olympio Coutinho/MG ................................... 114Durval Mendonça/RJ ..................................... 63 Rejane Costa/CE ........................................... 176Edmilson F. Macedo/MG ............................... 40 Roberto Medeiros/MG .................................... 188Luiz Otávio/RJ ............................... 145Paulo Cesar Ouverney/RJ.............................. 189 Uma Trova PotiguarMiguel Russowsky/SC ................................... 4 Ascendino De Almeida/RN ............................ 18Waldir Neves/RJ ............................................ 176 Bento Rabelo/RN ........................................... 63 Carmo Chagas De Oliveira/RN ...................... 115Simplesmente Poesia Fabiano Wanderley/RN .................................. 188Antonio m. A. Sardenberg/RJ – Joamir Medeiros/RN ...................................... 3Sorriso .......................................................................... 63 Marcos Medeiros/RN ..................................... 176Antonio Roberto Fernandes/RJ –Saudade... .................................................................... 19 Marivaldo Ernesto/PB .................................... 40Djalma Mota/RN Pedro Grilo/RN .............................................. 145Décima- (Redondilha Menor) ....................................... 145Eduardo A. O. Toledo/MG Uma Trova PremiadaPor Sobre as Nuvens ................................................... 189 Alcy Ribeiro S. Maior/RJ ................................ 188Gilson Maia/RJ .............................................. 115 Dorothy Jansson Moretti/SP .......................... 4Manoel De Macedo/RN ................................. 40 Eduardo A. O. Toledo/MG ............................. 19Zé De Sousa/PB ............................................ 176 Marcelo Zanconato Pinto/MG ........................ 115 Olympio Coutinho/MG ................................... 145
  6. 6. 4Pedro Melo/SP .............................................. 63 Só quero existir ............................................................ 52Selma Patti Spinelli/SP .................................. 176 ELISABETH SOUZA CRUZThereza Costa Val/MG .................................. 40 Missão terrestre ........................................................... 189 Segredo........................................................................ 190 Amor de extremos ........................................................ 190POESIAS Bacharel ....................................................................... 190 Dia de resgate .............................................................. 190ALBA HELENA CORRÊA ENÉIAS TAVARES DOS SANTOSSemeadura do bem ..................................................... 71 A briga de dois cegos por causa de uma esmola ......... 146AMAURI NICOLINI HÉRON PATRÍCIOCalendário .................................................................... 226 Colheita ........................................................................ 69No caminho ................................................................. 226 IALMAR PIO SCHNEIDERMemórias ..................................................................... 227 Soneto a Laurindo Rabelo ........................................... 2Passageiros a bordo ..................................................... 227 Soneto para Jayme Caetano Braun ............................. 2Velhos carnavais ......................................................... 227 Soneto a Arthur Azevedo ............................................. 2AMÉRICO FACÓ Soneto a São Francisco De Assis ................................ 2Noturno ........................................................................ 99 Soneto a Ernest Hemingway ........................................ 3Ar da floresta noturna .................................................. 100 INOEMA NUNES JAHNKEANTONIO MANOEL ABREU SARDENBERG Imortal .......................................................................... 66Amor e paixão .............................................................. 56 Coração guerreiro ........................................................ 66Seu beijo ...................................................................... 56 Corpo e alma................................................................ 66Presa ............................................................................ 56 Esperança .................................................................... 66Abraço .......................................................................... 57 Saudade ....................................................................... 67Noite de amor .............................................................. 57 Refúgio ......................................................................... 67Você ............................................................................. 57 Lasciva ......................................................................... 67CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE Janela da emoção ........................................................ 67Adeus a Sete Quedas .................................................. 149 É preciso ...................................................................... 67Balada do amor através das idades ............................. 121 Compaixão pela vida .................................................... 67Debaixo da ponte ......................................................... 130 O fim............................................................................. 68Poema das Sete Faces ............................................... 143 JACY PACHECOCASSIANO RICARDO Ambição do pingo dágua ............................................. 83Riso e lágrima .............................................................. 27 Primavera do mundo .................................................... 83Manhã de caça ............................................................ 27 O ateu .......................................................................... 83Brasil-menino ............................................................... 28 Conformismo ................................................................ 84A rua ............................................................................ 29 J.B. XAVIERA sintaxe do adeus ...................................................... 29 O Camelô ...................................................................... 197Serenata sintética ........................................................ 29 JOÃO JUSTINIANO DA FONSECAImemorial ..................................................................... 29 A beleza da vida ........................................................... 79Poema implícito ........................................................... 30 A morte do sonho ......................................................... 79O cacto ......................................................................... 30 As plantas do sertão .................................................... 80Você e o seu retrato ..................................................... 31 Coração do velho ......................................................... 80CECÍLIA MEIRELES O esquecimento ........................................................... 80Canção ......................................................................... 122 O tecelão da vida ......................................................... 80Motivo .......................................................................... 122 JOSÉ TAVARES DE LIMABalada das dez bailarinas do cassino .......................... 122 Tempo de colheita........................................................ 71Canção ......................................................................... 123 LINHARES FILHOCanção de alta noite .................................................... 123 A minha mãe, habitante da morte ................................. 22Canção do caminho ..................................................... 123 A Machado de Assis, morto vivo .................................. 23Canção ......................................................................... 123 Das coisas .................................................................... 24Guitarra ........................................................................ 124 Ode a Fernando Pessoa .............................................. 24Serenata ...................................................................... 124 LINO SAPOPássaro ........................................................................ 124 Jardim dos sonhos ....................................................... 46CECIM CALIXTO Poesia da cachoeira..................................................... 46Colheita da fé ............................................................... 69 Cachoeira do sapo ....................................................... 47EDMAR JAPIASSÚ MAIA Minha tapera ................................................................ 47O tolo e o sábio ............................................................ 70 LUBARRELEFIGÊNIA COUTINHO As fadas ........................................................................ 178Porque amo ................................................................. 51 Tributo ao mar .............................................................. 178O sonho realizado ........................................................ 51 Placidez noturna ........................................................... 178Sonhos ......................................................................... 51 Refúgio ......................................................................... 178Canção do amor .......................................................... 51 Ode a Iara ..................................................................... 179
  7. 7. 5Reencontro ................................................................... 179 Ademar Macedo – RN .................................................. 5MAURÍCIO CAVALHEIRO Angélica V. Santos – SP .............................................. 5Colheita para Deus ...................................................... 70 Antônio da Serra – PR ................................................. 5NILTO MACIEL Aparício Fernandes – RN ............................................. 4Conhecimento .............................................................. 37 Carolina Ramos – SP ................................................... 5Arco íris ........................................................................ 37 Carolina Ramos – SP ................................................... 5Soneto crepuscular ...................................................... 38 Diamantino Ferreira – RJ ............................................. 5Visionário ..................................................................... 38 Dinair Leite – PR .......................................................... 5O jangadeiro ................................................................ 39 Diva da Costa Lemos – RS .......................................... 4 Domitilla B. Beltrame – SP ........................................... 6PEDRO DU BOIS Eliana Palma – PR ....................................................... 6Final ............................................................................. 13 Francisco Macedo – RN ............................................... 6Transformar ................................................................. 13 Francisco Pessoa – CE ................................................ 5Estar ............................................................................. 13 Heliodoro Morais – RN ................................................. 4Construir ...................................................................... 13 Jeanette De Cnop – PR ............................................... 5Reinstalar ..................................................................... 13 Jeanette De Cnop – PR ............................................... 6Esquecer ...................................................................... 14 José Marins – PR ......................................................... 5PLINIO LINHARES Júlia Leal Miranda – RJ ................................................ 4Trovamando V - Helena .............................................. 191 Luiz Antonio Cardoso – SP .......................................... 5PROF.GARCIA Luiz Antonio Cardoso – SP .......................................... 6Sentimentos .................................................................. 71 Milton Nunes Loureiro – RJ .......................................... 6ROBERTO PINHEIRO ACRUCHE Nei Garcez – PR .......................................................... 5Ela e a janela ............................................................... 89 Nilton Manoel – SP ...................................................... 5Percepção .................................................................... 90 Osvaldo Reis – PR ...................................................... 5Passarinho ................................................................... 90 Relva de Egypto Rezende – MG .................................. 5Ponto final .................................................................... 90 Rodolpho Abbud – RJ .................................................. 6ROBERTO RESENDE VILELA Ronaldo Afonso Júnior – MG ....................................... 5Momentos de reflexão ................................................. 70 Thereza Costa Val – MG .............................................. 6SILMAR BOHRER CLÁUDIO DE CÁPUA(Outros) versos marinhos ............................................ 19 Trovas ........................................................................... 42Prisioneiro .................................................................... 20 CORNÉLIO PIRESCantilenas .................................................................... 20 Trovas ........................................................................... 164Riquezas ...................................................................... 20 Causos sobre Cornélio ................................................. 167Mensagem ................................................................... 21 DODORA GALINARISILVIAH CARVALHO Trovas ........................................................................... 174Insensato coração ........................................................ 43 MILTON LOUREIROCanção do amor .......................................................... 43 Trovas .......................................................................... 8Me perdoa .................................................................... 44 PARANÁ TROVADORESCOAté que as águas nos unam ........................................ 44 Adilson de Paula - Joaquim Távora ............................. 107SOLANO TRINDADE Alberto Paco – Maringá ................................................ 107Poema autobiográfico .................................................. 151 Aldo Silva Júnior – Curitiba .......................................... 107Canta América ............................................................. 151 Angelo Batista – Curitiba .............................................. 107Conversa ...................................................................... 151 A. .A. Assis – Maringá .................................................. 107Eu gosto de ler gostando ............................................. 152 Antônio Facci – Maringá .............................................. 107Negra bonita ................................................................ 152 Antônio Salomão – Curitiba ......................................... 107Reflexão ....................................................................... 152 Apollo Taborda França – Curitiba ................................ 108Poema do homem ........................................................ 152 Araceli Friedrich – Curitiba ........................................... 108O canto da liberdade .................................................... 153 Argentina de Mello e Silva – Curitiba ........................... 108Meu canto de guerra .................................................... 153 Ariane França De Souza – Curitiba ............................. 108Abolição número dois .................................................. 153 Arlene Lima – Maringá ................................................. 108Quem tá gemendo? ..................................................... 153 Átila Silveira Brasil – Cornélio Procópio ....................... 108THEREZA COSTA VAL Camilo Borges Neto – Curitiba ..................................... 108Colhendo versos .......................................................... 70 Cassiano Souza Ennes – Curitiba ............................... 108 Cecília Souza Ennes – Curitiba ................................... 108 Ceciliano José Ennes Neto – Curitiba.......................... 108TROVAS Cecim Calixto – Tomazina ........................................... 108 Cristiane Borges Brotto – Curitiba ................................ 108ADEMAR MACEDO Cyroba Braga Ritzmann – Curitiba .............................. 108Trovas Engraçadas ...................................................... 113 Dinair Leite – Paranavaí ............................................... 108AQUARELA DE TROVAS Fernando Vasconcelos - Ponta Grossa ....................... 108A. A. de Assis – PR ...................................................... 5 Gerson Cezar Souza - São Mateus ............................. 108A. A. de Assis – PR ...................................................... 5 Gilberto Ferreira – Curitiba........................................... 108
  8. 8. 6Glycínia De França Borges – Curitiba ......................... 108 Maria Nicólas – Curitiba ............................................... 110Harley Clovis Stocchero – Almirante Tamandaré ........ 109 Mariza Soares De Azevedo – Curitiba ......................... 110Heitor Borges de Macedo – Curitiba ............................ 109 Maurício Leonardo – Ibiporã ........................................ 110Heitor Stockler de França – Palmeira .......................... 109 Maurício Norberto Friedrich – Curitiba ......................... 110Hely Marés de Souza - União Da Vitória ..................... 109 Nei Garcez – Curitiba ................................................... 110Hilda Koller – Castro .................................................... 109 Neide Rocha Portugal – Bandeirantes ......................... 111Horácio Portella – Piraquara ........................................ 109 Olga Agulhon – Maringá .............................................. 111Istela Marina Gotelipe Lima – Bandeirantes ................ 109 Orlando Woczikosky – Curitiba .................................... 111Janete de Azevedo Guerra – Bandeirantes ................. 109 Ralf Gunter Rotstern – Curitiba .................................... 111Jeanette de Cnop – Maringá ........................................ 109 Rose Mari Assumpção – Curitiba ................................. 111José Feldman – Maringá ............................................. 109 Roza de Oliveira – Curitiba .......................................... 111Josias de Alcântara – Curitiba ..................................... 109 Serafim França-Curitiba ............................................... 111Lairton Trovão de Andrade – Pinhalão ........................ 109 Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão. ................. 111Leonardo Henke – Curitiba .......................................... 109 Sônia Ditzel Martelo – Ponta Grossa ........................... 111Ligia Cristina de Menezes – Pinhais ............................ 109 Tasso da Silveira – Curitiba ......................................... 111Lorys Marchesini – Curitiba ......................................... 109 Vanda Alves da Silva – Curitiba ................................... 111Lourdes Strozzi – Curitiba ............................................ 109 Vanda Fagundes Queiroz – Curitiba ............................ 111Lucília Trindade Decarli – Bandeirantes ...................... 110 Vânia Maria Souza Ennes – Curitiba ........................... 111Lúcio da Costa Borges – Morretes .............................. 110 Vasco Taborda Ribas – Curitiba .................................. 111Luiz Hélio Friedrich – Curitiba ...................................... 110 Vera Vargas – Piraí Do Sul .......................................... 111Lygia Lopes dos Santos – Curitiba .............................. 110 Victorina Sagboni – Curitiba ......................................... 111M. Machado – Curitiba ................................................. 110 Vidal Idony Stockler – Curitiba ..................................... 111Manoel Claro Alves Neto – Curitiba ............................. 110 Walderez de Araújo França – Paranaguá .................... 112Manuel M. Ramirez Y Anguita – Curitiba ..................... 110 Walneide Fagundes S. Guedes – Curitiba ................... 112Maria Conceição Fagundes – Curitiba ......................... 110 Wandira F. Queiroz – Curitiba ...................................... 112Maria de Lourdes Akel – Curitiba ................................. 110 Wellesley Nascimento– Almirante Tamandaré .......... .. 112Maria Eliana Palma – Maringá ..................................... 110Maria Lúcia Daloce Castanho - Bandeirantes ............ 110Marita França – Curitiba .............................................. 110 SUPLEMENTO ESPECIAL (ANEXO) – HOMENAGEM A FRANCISCO NEVES DE MACEDO Este Almanaque não pode ser comercializado em hipótese alguma. Caso assim o desejar, deve-se contatar o/s autor/es para obter autorização. Respeite os Direitos do Autor.
  9. 9. 1 Mensagem Paulo V. Pinheiro Passei a ler como se eu tivesse escrito o texto que não escrevi. Busquei o sentimento que vale a pena Uma Flor no Meio da Vida (no estrito sentido da pena que escreve).O quê queres? Perguntei-me a mim. Antes disso eu não respeitava os que escreveram tanto como mereciam.Dia e outro, na procura dos sentidos, me perco naspalavras que brotam por todo lado com seu Textos bons ou textos nem tanto como queríamospropósito de me confundir. ler, servem para o que servem, para se qualificarem uns aos outros.Jornais, revistas, livros... tantas letras que doem. Quem sabe o que é bom?Já li de tudo, me arrebatam as bulas... Sempre gostei das coisas mais fáceis e por issoMachado, Alencar, Scliar, Saramago, Lobato, e tanta busquei as mais difíceis, só para me contrariar... sógente que depois de um tempo me cobra: que eu sofri no caso das palavras que li.dizes? Que me dizes? Agora a pouco me perguntaram: e a flor, onde entraOusado, talvez com um pouco de medo, arrisquei nisso que dizes?umas pequenas linhas... pequeninas...pequenininhas. Ora entendo que a flor é o produto da expressão doEntão escrevi. que se diz, do que se escreve, do que se pinta, do que se faz para a apreciação, como o trabalho,Tive a sorte de aprender a letrar pensamentos e os como o amor... como a expressão pura e simples daletrei; então achei pouco. ação.Pensei: se posso descrever o que penso... porquê Existe no campo ou nos jardins, todo o tipo denão posso escrever o que sinto? expressão floral. Existe no jardim de nossos dias uma quantidade de obras a se admirar, umas comVi que existia uma ponte estreita, longa, perigosa e mais cuidado, outras com mais atenção, outrasmuita vez conflitiva, entre o que eu sentia e pensava. detalhadas, outras simples... cada qual com suas qualidades.Sofri, mas não desanimei, então me reescrevi. Para nós sobra entender o que fizemos ou faremosContei contos, desvelei novelas, trabalhei textos... de nós.passei a ler com mais cuidado, com mais rigor, commais seleção. Fonte: Revista Entrementes
  10. 10. 2 Ialmar Pio Schneider Homenagens em SonetoSONETO A LAURINDO RABELO SONETO A ARTHUR AZEVEDO– In Memoriam – – In Memoriam –Nascimento do poeta em 8.7.1826 - . – Nascimento do escritor em 7.7.1855Foi poeta... sofreu e fez seus versos, Foi dramaturgo, poeta e contista,clamando que seriam ais sentidos, com “Arrufos”, um soneto forte,pois quanto mais tristonhos, mais perversos, após desentender-se com a consorte,representando corações partidos... fez uns ares de quem do amor desista...Mas sua obra é vasta e os dias idos Toma o chapéu e sai, sem que suporte,na existência de sonhos tão dispersos, fingir que não mais ama e se contrista,lamentou como se fossem perdidos mas algo o faz voltar e então persistaos cantos que compôs, os mais diversos... a manter a paixão até a morte...E no soneto “O Tempo” põe sua alma Assim são os amores verdadeiros,arrependida de gastá-lo em vão, ao menos na aparência dos amantes,tal como se fosse perder a calma. que às vezes têm questiúnculas por nada...Um conselho final então dos diz: E quando voltam ficam companheirosde não desperdiçarmos, sem razão, para viverem todos os instantes,o tempo em que se pode ser feliz... seguindo adiante pela mesma estrada...SONETO PARA JAYME CAETANO BRAUN SONETO A SÃO FRANCISCO DE ASSIS– In Memoriam – – Nascimento em 5 de julho de 1182 -Jayme Caetano Braun, o inimitável poeta gauchescoe pajador, falecido há 12 anos, ou seja, em 8 de Quero ao “O Pobre de Deus” render meu preitojulho de 1999, aos 75 anos de idade. de gratidão por suas orações; quando pregava às aves, com efeito,Jayme Caetano Braun quando tu cantas, ele atingia a todos os corações...eu me quedo silente a te escutar;em teus poemas de belezas tantas, “Padroeiro dos Trovadores”, aceitoencontro o Rio Grande a me falar. e venerado pelas multidões, seu nome São Francisco tem conceito,Não posso compreender quem não encantas e nos consola em horas de aflições...no teu nobre e gauchesco linguajar;sobre as coxilhas quando te levantas Pregou a paz entre os irmãos e santoeu vejo um farroupilha em teu lugar. permanece p´ra sempre no seu canto de amor sublime a todas as criaturas...Primoroso cantor, valente e forte,sem temor de lutar, de altivo porte Hoje, no dia do seu nascimento,tal qual o lutador galo de rinha que sua bênção traga um sentimento de concórdia, de luz e de ternuras...que morre de tortura e não se entregae aguenta firme a ríspida refrega,pois morre sem deixar dobrar a espinha.
  11. 11. 3SONETO A ERNEST HEMINGWAY que faça qualquer coisa ao seu alcance...– In Memoriam –Morte do escritor em 2.7.1961 Um trágico final a um grande amor em que Ernest Hemingway desenvolveuLembra-me “Adeus às armas”, um romance a efemeridade da vida e a dor...que li mais de uma vez, pois foi chocantea emoção que senti naquele lance: Com certeza, não há maior torturaCatherine despede-se do amante... do que aquela em que ele descreveu a passagem da amada criatura...Henry, desesperado, vive o instante,e reza para um Deus, sentindo o transe Fonte:que o acomete, e não está confiante Sonetos enviados pelo autor Olivaldo Júnior Fim de Linha Pois é, o ano velho está no fim, é o fim da meus amigos é o quadrado de uma folha de papellinha para ele. Acabam-se as aulas e as férias em que pousam ilusões. Ilusão é pôr-se à mercê deinvadem as casas, causando frisson nas crianças e ninguém. Ninguém vive sem ninguém.em todos que estudaram ou trabalharam durante o Iludo-me. Mas o ano é novo. Fim de linhaano. O ano velho está de molho, o molho que é feito para o velho que mora em mim. Mas o que faço parade amizade. o despejo de quem me ajuda a ter assunto para Amigos que telefonavam todo dia já não meus versos, combustível para os lampejos de umligam quase nunca; amigos que não ligavam quase verso à-toa, que me atordoa? Contando com amoresnunca já não telefonam mais. Pois é, a vida é assim que nunca foram amáveis, amei quem nem sabemesmo: ligações ou longos períodos ocupados ou que o meu amor contava com o dele, o amor do meufora da área de cobertura. Cobrindo o ano velho, amor. O amor é velho; o ano, não. E eu estoucubro a mim mesmo, que eu mesmo ando velho, cansado de ser amigo de ninguém e de ninguémbem velho, querendo nascer. Nasceram amigos que estar comigo quando entra o ano novo e todoseu pensei que seriam eternos, mas fenecem no fazem tim-tim.esquecimento desta pessoa; tenho amigos que nãotelefonam mais, ainda que ligassem quase todo dia. Fontes: O AutorDia a dia, eu noto bem: tudo é ciclo, e o círculo dos Ademar Macedo Mensagens Poéticas 82Trova do Dia Trova PotiguarNeste ano novo eu pretendo Um Ano Novo sem guerra,rasgar meus dias tristonhos mandai, ó Deus paternal:e, de remendo em remendo, que reine a paz sobre a terra,reconstruir os meus sonhos... que reine o bem contra o mal!MARINA BRUNA/SP JOAMIR MEDEIROS/RN
  12. 12. 4Uma Trova Premiada E fiz pra Deus uma carta pedindo uma mesa farta2000 > Petrópolis/RJ para o faminto comer;Tema > Ano 2000 > 13º Lugar mandei essa carta em nome daquele que passa fomeQue os anos 2000 nos falem e que não sabe escrever!de novos feitos de luz, ADEMAR MACEDO/RNmas que seus ecos não calema voz que bradou na cruz! Soneto do DiaDOROTHY JANSSON MORETTI/SP – Vanda Fagundes Queiroz/PR –Uma Trova de Ademar TRANSITÓRIO.Neste Ano Novo eu queria Trezentos e sessenta e cinco dias,entre nós mais união; meu calendário, foi seu tempo exato.e, que o amor pela poesia Agora é estranho, quando então constato:cresça em nosso coração! - É um bloco velho, já sem serventias.ADEMAR MACEDO/RN Mas eu o estimo. As datas foram guias......E Suas Trovas Ficaram Cada lembrete compôs um retrato do cotidiano que se fez, de fato,Deus com seu saber profundo, de altos e baixos, sombras e alegrias.para nos trazer a paz,mandou o seu filho ao mundo Releio as notas... Dói-me concordar:há dois mil anos atrás - Dever cumprido! Ceda o seu lugarMIGUEL RUSSOWSKY/SC para o que chega e estréia no cenário.Estrofe do Dia Tão companheiro, em toda a minha lida de um ano inteiro... para mim, tem vida!Hoje eu pedi para o povo, – Adeus, meu velho amigo Calendário...em preces e em orações,muita paz neste Ano Novo, Fonte: Ademar Macedomuito amor nos corações! Aquarela de TrovasDesta saudade infinita A ressaca da bebidanão guardo mágoas, porque é pra ninguém esquecer.foi a coisa mais bonita Por isso a melhor pedidaque me ficou de você. é não parar de beber.Aparício Fernandes – RN Heliodoro Morais – RNSou tal qual ave ferida O vazio dos teus braços,que as suas asas quebrou depois de tristonho adeus,e Deus, para dar-lhe vida, fez a dor rondar meus passos,os seus pedaços juntou. na busca inútil dos teus...Diva da Costa Lemos – RS Júlia Leal Miranda – RJ
  13. 13. 5 Disse o carteiro, confuso: Paz, amor, felicidade!- mora aqui o “seu” Leitão? Palavras tão usuais,- Não mais, respondeu o luso: que seriam, na verdade,virou torresmo e sabão. mais bonitas, se reais.Relva de Egypto Rezende – MG Luiz Antonio Cardoso – SPOs dois velhinhos dançavam, Do Ano Velho ao Ano Novo:mostrando desenvoltura; – Baixa a pose, ó garotão,mas sempre que tropeçavam, que num zás o jovem ovotrocava de dentadura! torna-se um galo ancião!...Ronaldo Afonso Júnior – MG Osvaldo Reis – PRDe quantas bênçãos se tecem Fugindo pela janela,as vidas fortes, sofridas, o “dom juan” quis “dar no pé”.que de si mesmas se esquecem – Um fantasma!, gritou ela.para cuidar de outras vidas! E o marido: – Agora é!A. A. de Assis – PR Angélica V. Santos – SPNesta vida não deu certo, Toda vez que eu chego tarde,mas na próxima quem sabe? lá em casa, rente ao portão,Quem sabe, eu de ti mais perto, minha esposa dá “boa-tarde”o muro entre nós desabe?... com a vassoura na mão...Antônio da Serra – PR Nei Garcez – PRDeus um dia há de me dar Casa velha, quanto encanto!o que peço em cada prece: ... tem cobras, cupins, lagartos!- A virtude de perdoar Uma história em cada cantoa quem perdão não merece. e fantasmas pelos quartos.Carolina Ramos - SP Nilton Manoel – SPNão sou ave nem sou peixe, Nos passos do bailarino,nunca aprendi a nadar, na garganta do cantor,mas peço a Deus que me deixe em cada tango argentinonum dia desses voar! geme uma história de amor.Diamantino Ferreira – RJ A. A. de Assis – PRPalavras ditas à alma O amigo que nos quer bemnum sussurro, é como fosse é aquele que, sem temor,uma sonata bem calma oculta uma dor que temtocada por flauta doce. e vem sanar nossa dor...Francisco Pessoa – CE Ademar Macedo – RNNesta imagem refletida Somos anões sem idade,(tão bom se o espelho falasse...), a perseguir-te sem tréguas,quanta história está contida enquanto, felicidade,nos vincos da minha face! tens botas de sete léguas...Jeanette De Cnop – PR Carolina Ramos – SPAh, o mutirão da pamonha, Na esperança verde e belalá na casa de meus pais; há o otimismo de luz!em mim o menino sonha Se a porta fecha, a janelaum tempo que não vem mais. se abre em par e o sol reluz!José Marins – PR Dinair Leite – PR
  14. 14. 6Oh, minha mãe, quando eu falho, O que vou fazer agoratua lágrima rolada se a lembrança não tem fim?é qual pérola de orvalho Luiz Antonio Cardoso – SPsobre a rosa machucada!...Domitilla B. Beltrame – SP Amanhã... Depois... Depois... Foi assim a vida inteira...O verde em brasa estalando; E entre os sonhos de nós dois,uivos doridos da mata: a intransponível fronteira...gritos horrendos compondo Milton Nunes Loureiro – RJuma fúnebre sonata!Eliana Palma – PR Na vida, lutar, correr, não me cansa tanto assim...A saudade dos meus filhos, O que me cansa é saberdói, machuca, me amordaça. que estás cansada de mim!Comparo-me aos velhos trilhos, Rodolpho Abbud – RJPor onde o trem já não passa.Francisco Macedo – RN Agora peço somente, ao tempo de que disponho,Ausência do bem, o mal que um tempo me dê, paciente,só traz sofrimento a quem para que eu viva o meu sonho...não conhece o especial Thereza Costa Val – MGprazer que é se querer bem!Jeanette De Cnop – PR Fontes: Ademar Macedo (RN) – O Trovadoresco n. 67, de janeiro de 2011 A. A. de Assis (PR) Revista Virtual Trovia n.133 – janeiro de 2011Minha amada foi-se embora A. A. de Assis (PR) Revista Virtual Trovia n. 134 – fevereiro de 2011para bem longe de mim... Cláudio de Cápua Galo Doidãopublicado originalmente na edição número 2 da média de cana e uma enorme goiabeira de frutosrevista Santos Arte e Cultura vermelhos, que, temporã, frutificava o ano inteiro.Certas cenas indelevelmente ficam registradas, em Certo dia, nossa avó, Maria da Glória, fez-nos umanossa mente e, de uma forma ou de outra, marcam surpresa; - trouxe da feira cinco pintinhos, que nosnossas vidas. Uma delas: eu tinha aproximadamente foram dados de presente. Dois logo morreram, e ossete anos e Berto, meu irmão, uns três menos. outros três se transformaram em duas frangas e umMorávamos na Avenida Inajá, hoje Lavandisca, no frango. As frangas logo foram parar na panela, masbairro de Indianópolis, em São Paulo. Terreno, com o galo virou bicho de estimação. Nossa família,20 metros de frente, e 65 de fundos. Na frente, a descendente de italianos, como 85% das famíliascasa de meu avô materno, e nos fundos, a nossa paulistanas, nunca deixava faltar vinho à mesa.casa. Tínhamos no belo pomar dois pessegueiros, Certo dia, num almoço domingueiro, tio Rafael,limoeiro, laranjeira, ameixeira e dois pés de figo, irmão de minha mãe, molhou miolo de pão numsendo que um deles era raro, figo branco. E ainda resto de vinho e arremessou-o pela janela, emuma parreira de uvas rosé, um pé de louro, touceira direção ao nosso galo. Petisco de imediato
  15. 15. 7devorado. Resultado: o galo pôs-se a cantar fora de sempre a marca de sua integridade e força dehora. trabalho. Ainda no jornalismo, tornou-se professor de jornalismo eletrônico, na Universidade Mackenzie,Berto, meu irmão, embora pequeno, era vivo e na década de 80.arteiro. Viu o que o pão e o vinho fizeram ao galo epassou a repetir a arte a qualquer hora do dia ou da Cláudio de Cápua fez ainda algumas incursõesnoite. E, após algum tempo, o galo assumiu um ritual pelas artes dramáticas, tendo participado como atortodo seu. Devorava o petisco, subia no tanque, no filme "A Marcha" baseado no romance de Afonsopulava para o muro da vizinha, de onde saltava para Schmidt. Na televisão, foi ator coadjuvante nao telhado do tanque e depois para o telhado da telenovela "Hospital" da extinta TV Tupi, isso emcasa. E, aí, ele percorria o telhado, até a frente da 1971, e na TV record trabalhou como assistente deresidência e bem no alto da cumeeira punha-se a produção de externas na telenovela "O Leopardo".cantar, a qualquer hora do dia ou da noite, para umaplatéia de transeuntes que paravam diante da casa, Cláudio de Cápua atuou sempre de forma marcanteabismados com o espetáculo daquele galo doidão, na vida literária paulista, tendo participadosem entender as razões de sua estranha euforia. ativamente de diversas eleições da União Brasileira de Escritores. Nesta entidade deixou marcas de suaCLÁUDIO DE CÁPUA defesa intransigente dos direitos do escritor, e temO dia oito de março marca a data do nascimento de lutado pela divulgação de suas obras e doCláudio de Cápua, que é natural de São Paulo, e pensamento do escritor paulista. Nenhumque em 1960 mudou-se para Araraquara, tendo mais movimento sugnificativo que tivesse por objetivo atarde ingressado na Escola Superior de valorização e a divulgação dos escritores e suasAgrimensura. Paralelamente aos estudos, Cláudio obras deixou de contar com o apoio e iniciativacomeçou a colaborar no jornal semanário "A Cidade" decisiva de Cláudio de Cápua. Da mesma formaonde respondia pela edição da "Coluna do teve ainda atuação destacada junto ao Sindicato dosEstudante". A partir deste momento, Cláudio não Escritores do Estado De São Paulo e Centro deparou mais de escrever. Escrever tornou-se a forma estudos Euclides da Cunha de São Paulo.de comunicação marcante em sua existência. Foiescrevendo que Cláudio de Cápua passou a Como escritor, Cláudio de Cápua publicou livros queescrever em jornais paulistanos como a antiga "A não foram brindados com edições fantásticas, masGazeta", "Diário da Noite", "A Tribuna Italiana", que foram procurados avidamente pelos"Diário Popular"; colaborou também na revista conhecedores das obras de qualidade, esgotando"Destaque", de Santos, além de outras assim como rapidamente suas edições. Estão nessa categoria, aainda em cerca de 30 jornais de bairro, do interior de começar por 1980, a biografia do escritor e políticoSão Paulo e até de outros estados. Plínio Salgado, livro que alcançou 4 edições e vendeu 11 mil exemplares mantendo-se durante 9Em sua volta a São Paulo, Cláudio de Cápua teve semanas entre os livros mais vendidos. (...) Emde abandonar em definitivo os estudos de 1981, Cláudio de Cápua lançou o livro "MeuAgrimensura, uma vez que não existia este curso em Caderno de Trovas", editado por Mestre das Artes;nível superior na Capital. Foi nesta época que anos depois publicou em co-autoria com suacomeçou a conviver com poetas como Guilherme de esposa, Carolina Ramos, o livro "Paulo Setúbal -Almeida, Paulo Bomfim, Judas Isgorogota. Bernardo Uma Vida - Uma Obra", que teve sua primeiraPedroso, Orlando Brito, Oswaldo de Barros, Antônio edição esgotada em apenas 90 dias. Entre osLafayette, Plínio Salgado, Menotti Del Picchia, projetos de Cláudio de Cápua está a publicação deLaurindo de Brito, Ibrahim Nobre, só para mencionar um ensaio sobre a revolução de 1924, obra queos mais conhecidos. Para aperfeiçoar sua vocação demandou muita pesquisa e anos de trabalho.natural e satisfazer seu desejo de ampliar osconhecimentos e adquirir um maior lastro Nas palavras de Carolina Ramos, “Ninguém passaprofissional, Cláudio ingressou num curso de pela Trova saindo impune. Rendido aos seusjornalismo. A partir daí, o jornalismo constituiu-se a encantos, sempre deixa com ela um pedaço dobase de todas as variadas atividades nas quais coração, quando não o coração inteiro. No passado,Cláudio de Cápua se envolveu e nas quais deixou grandes poetas como Vicente de Carvalho, Martins
  16. 16. 8Fontes, Bilac, Colombina e outros, passaram por ela, Embora concorrente bissexto, Cláudio de Cápuaainda que de raspão. Naquele tempo, a Trova não conquistou vários prêmios em Concursos de Trovastinha a força nem o prestígio que hoje tem. Mas, realizados em território nacional.convém lembrar que o santista Ribeiro Coutoconquistou Prêmio Internacional com o livro "Jeux de Seu trabalho em prol da Trova, sincero elapprenti animalier", com suas fábulas consideradas despretensioso, merece o respeito daqueles quesuperiores às de La Fontaine pela concisão com que cultuam o gênero e fazem do Movimentoeram apresentadas, ou seja, sob o formato de Trovadoresco Nacional, uma das mais ativas eTrovas.” populares facções da literatura do nosso país.”Cláudio de Cápua não seria uma exceção. Fonte: Trechos extraídos do Discurso de Saudação deBiógrafo, prosador e poeta, esbarrou na Trova e Henrique Novak em recepção a Cláudio de Cápua.deixou-se cativar por ela. Em 1969, foi um dos 31 de outubro de 1998 . Disponível emfundadores da "União Brasileira de Trovadores", http://www.de-capua.com/biografia.htmlSeção de São Paulo e, desde 1980, faz parte do Excerto da Introdução por Carolina Ramos ao livroquadro associativo da Seção de Santos. “Canto que eu Canto”, de Cápua. http://www.de-capua.com/galodoidao.htmlA ciência me conduz parecendo não ter fim,a pensar desta maneira: é o cantar de uma saudadedo excesso, às vezes, de luz, que eu ouço dentro de mim...pode nascer a cegueira... A vida às vezes revelaAmanhã... Depois... Depois... certos contrastes assim:Foi assim a vida inteira... eu – enredado por ela;E entre os sonhos de nós dois, e ela – a tramar contra mim!a intransponível fronteira... Chegaste, os braços abertos,A penumbra que me invade tranqüila... em tuas andanças,e que nunca chega ao fim, e plantaste em meus desertosé a janela da saudade mil sementes de esperanças...fechada dentro de mim... Embora colhendo espinhosA tristeza que me invade, em meu viver malogrado,
  17. 17. 9semeio pelos caminhos que persiste entre nós dois,bem-me-quer por todo lado... dá mais vida à nossa vida e mais crença no “depois” ...Entre caminhos, frementes,os meus lábios, em volteios, O poeta em sua lida,dançam valsas diferentes ainda que o mundo o afronte,na vereda dos teus seios... nos devaneios da vida vai muito além do horizonte...Esperança, não me peçasque acredite em tuas juras... O amanhã, que importa agora?Já me cansei de promessas Que nos importa o depois?...e me perdi nas procuras... Vamos viver, vida afora, o imenso amor de nós dois!...Esta cautela, querida,Primaveris e frementes na valsa do nosso adeus...os meus lábios, em volteios,trocam passos diferentes EU não entendo, Senhor,sob o manto dos teus seios... a diferença das ruas: - Umas, repletas de amor,..Sem direito de sonhar, outras, de amor, sempre nuas.vagando no mundo, a esmo,nem sequer pude marcar Teu poder de sedução.encontro comigo mesmo! e a magia dos teus braços, levam minha solidãoSe o meu tempo está marcado a percorrer os teus passos ...e da saudade eu disponho,invento alguém ao meu lado, Não quero o poder que esmagacerro meus olhos e sonho... o sonho com seu furor.. Eu quero o poder que afagaSem jamais fazer menção nossos momentos de amor ...ao destino que a conduz,a raiz, na escuridão, Do poder tens o infinito,mantém os ramos na luz!... à fortuna tens direito, mas não sufoques o gritoSomente tristes lembranças do amor que vive em teu peito...vão comigo pela estrada...Eu, que plantei esperanças, Enquanto a noite vagueiacolho derrotas... mais nada... pela minha solidão, a distância mais ateiaTarde demais... e as lembranças o fogo desta paixão...vão comigo pela estrada...eu que plantei esperanças Esta carta que ora mandovivo de sonhos... mais nada... a você, com muita ânsia. é a saudade soluçandoSenhor, escuta os cicios sobre os trilhos da distânciados excluídos, sem teto...Troca seus ninhos vazios Liberta este amor profundopor ninhos cheios de afeto! dos grilhões dos teus desertos, que o maior Homem do mundoTanta ternura mostrando, morreu de braços abertos.teus olhos – juro por Deus –são mil promessas bailando Esta pergunta te faço,
  18. 18. 10meu coração sonhador: Delegado, além de poeta/trovador, Milton Loureiro é- se possuis tão pouco espaço, presidente da UBT, seção de Niterói, há mais decomo guardas tanto amor?... trinta anos, pela qual promove um dos mais tradicionais Jogos Florais do gênero no país. EssaUma verdade patente, realização anual reúne em torno de uma centena deque não tem contestação: amantes do gênero, além de inúmeras autoridades.abrir ESCOLA é semente Edita um livro de resultados, em riquíssimaque fecha muita prisão. impressão, com cerca de 60 páginas que, além dos trabalhos premiados, entre diversas matériasApesar dos solavancos ilustrativas traz, aos trovadores, os "Lembretes eem minha vida sem cor, Recomendações do Presidente Nacional da UBT",adornei, com lírios brancos, cujo primeiro item dá o seguinte alerta: "Não envie anossos segundos de amor... mesma trova para mais de um concurso".De tanto sofrer na vida, Títulos:eu peço a Deus, sem revolta: - Cidadão Cantagalense,- Abra as porteiras da ida, - Cidadão Niteroiense,feche as porteiras da volta!... - Cidadão Gonçalense, - Cidadão Benemérito do Rio de Janeiro;Eu não sei, meu Deus, por que,tendo a vida em desalinho, Membro:encontro sempre você - Academia Brasileira da Trova;ao longo do meu caminho. - Academia Niteroiense de Letras e Artes, e - Academia Ateneu Angrense de Letras e Artes.Neste mundo passageiro,a vida, que vai fluindo, Autor dos livros:é um intervalo ligeiro, “Sonetos de Outono”dois silêncios dividindo... “Dos Sonhos Brotaram Versos” e “Varanda dos Sonhos”Milton Nunes Loureiro (1925- 2011) Milton Nunes Loureiro nasceu em Campos- Fontes: Falando de TrovaRJ, a 09 de junho de 1925. Silvia Araujo Motta Radialista, jornalista, apresentador deprogramas de TV, Escrivão de Polícia, Advogado, Francisco José Pereira A Velha Senhora e seus Cachorros A velha senhora vivia só, preferira assim. Alegou razões conhecidas, atribuindo-lhes caráter de irreversibilidade. Assim, as filhas poderiam sentir-Quando ficou viúva, suas duas filhas propuseram se consoladas ou redimidas. Disse-lhes:levá-la. Ela não quis. - Assim sozinha e tão longe,mamãe - ponderaram, inutilmente. - Casei aqui, nesta casa que ele mesmo construiu. Vocês nasceram aqui, viveram aqui e tambémEmbora não fosse necessário, e tampouco elas casaram aqui. Ele morreu aqui. E eu vou morrerhouvesses pedido, a velha senhora justificou-se. aqui.
  19. 19. 11- Ô mãe, que bobagem, - em uníssono. Sem que também de pequena horta, com o mesmo desvelopudessem dissimular um certo tom de conforto. dele, e preparava sem prazer o parco almoço.Uma eternidade parecia separá-la das meiguices de Nas tardes longas e ociosas, senta-se no degrausuas meninas. Elas cresceram e foram perdendo mais alto da escada lateral, que dá acesso à sala,aquela ternura. Ele acompanhara esse lento e toma Zimbo no colo, com o Xapado sentado nonatural distanciamento delas, e lamentava. Ela degrau abaixo, e os faz confidentes de infindáveistambém acompanhara, mas sem lamentar. Afinal a revelações de seu tempo de menina, de suavida é mesmo assim, fora assim também com ela, adolescência, e sobretudo de sua vida feliz junto abifurcando-se igualmente lenta e definitiva. Elas ele.casaram e procriaram com genros chatos. Ele osestima, ela não - e com razão. Por onde, afinal, Nessas ocasiões, como acontece também com aandavam durante o calvário da penosa enfermidade gente, Zimbo se deixa envolver pelo hipnótico somque terminou por matá-lo? Só ela, solitária, estivera da velha senhora, cochila e dorme. Despertaali, na hora de fechar-lhe os olhos. Depois vestiram minutos depois, apruma-se com olhos de espanto,lutos, todos. Os netinhos inclusive, com tarjeta preta sacode repentinamente a cabeça num eficaz esforçona manga da camisa curta. Coitados, três pequenos para afastar o sono, e não cochila mais. Xapado,idiotas. este sempre desligado, logo estendia suas pernas traseiras e dormia a sono solto.As filhas a visitavam com alguma frequência etraziam os netos que cresciam sem que ela se desse Vencidas as longas tardes, segue-se repetitivo ritual.conta. E tampouco se deu conta de como as visitas A velha senhora se levanta, beija Zimbo, acariciadas filhas, com o tempo, se tornaram cada vez Xapado e os afugenta com delicadeza para osmenos frequentes e, agora, já muito raras. Raras fundos do quintal. Ambos obedecem, caminhando amesmo. passos lentos e em silêncio, com as compridas e úmidas línguas lambendo seus gelados focinhos -Mas havia seus cachorros. um antigo e atávico cacoete.Ela sempre os tivera, dividindo com ele um igual Há dias em que Zimbo sente vontade de alertarcarinho pelos bichos. Foram vários. Agora restavam Xapado para a recente tristeza da velha senhora.apenas esses dois, que haviam chorado com ela a Esta tristeza, preocupava Zimbo, não era como asmorte dele: o mais velho, Zimbo, tão velho quanto outras tristezas, tão antigas e conhecidas desde aela - exagerava, obviamente- e o Xapado, que morte dele. Essa nova tristeza era uma tristeza quechegou bem depois, à época em que surgira a lhe reduzia o cheiro. E isso, Zimbo sabia, não eraenfermidade dele, e fora ele quem o trouxera e lhe boa coisa. Mas não dissera nada ao Xapado, porquedera o nome. este - desde pequeno - se revelara um cachorro retardado ou de poucos ouvidos.A velha senhora passava parte dos dias falando comseus cachorros. Não só porque carecesse de gente Em verdade, essa tristeza que preocupava Zimbocom quem falar - o que era um fato - mas porque tomara forma quando a velha senhora, há algumeles a entendiam e compartilhavam seus pesares e tempo já, percebera, acabrunhada, uma insuportávelsua solidão. fadiga que - ela se convencera - iria prostrá-la definitivamente. E, desde então, um sentimento deHá muitos séculos, aliás, que humanos e cães que sua vida se tornara inútil instalara-separtilham seus alimentos, suas moradais e suas dolorosamente em seu coração. Após anos devidas. Neste planeta fortuito,entre outras formas de tantas ausências a velha senhora finalmentevida que nos circundam,nenhuma - exceto o cão - sucumbia à sua imensa solidão.tem feito aliança conosco. Suas pernas já nem sempre lhe obedeciam,Após o café matinal, a velha senhora seguia sua seguindo, cansadas, direção que ela não pretendia.antiga rotina de afazeres domésticos que, há muito Os pulmões respirando menos ajudavam menos,sozinha, já se reduzido a quase nada. Ocupava-se quando as pernas cansavam. A cabeça insistia em
  20. 20. 12se esquecer, só tendo lembranças muito antigas. distante dele, arrastava as patas na vegetação rala,Espantou-se, por fim, quando a cabeça embaralhou buscando, paciente, algo que só ele aparentementedia e mês da morte dele. E, então, se horrorizou no sabia.limite do desespero, temendo que viesse aesquecer-se de si mesma. Foi quando decidiu não Serviu-lhes a ração, como fazia a cada manhã;esperar mais pela morte que se tardava tanto, e desta vez, porém, em quantidade excessiva. Zimbocomeçou a organizar sua morte com pungentes comeu lenta e passivamente, como se já houvessecuidados. esquecido seus premonitórios uivos. Xapado, como sempre, digeriu vorazmente sua ração.Utilizaria o veneno que ele trouxera para ser usadoquando o suplício da dor lhe fosse insuportável. Após, como também era costume, estendeu-lhes asTinha efeitos semelhantes ao arsênico, dissera, e a pequenas tinas com água - agora com o venenoensinou como preparar a dose que ela deveria servir dissolvido em ambas. Zimbo fixou seus olhosa ele. O suplício dele se estendeu e a dor o matava remelentos nos olhos exauridos da velha senhra,lentamente, mas ela não teve coragem. Ele morreu, lambeu-lhe os pés, que já haviam perdido o antigojá sem dor, agradecendo o gesto dela. cheiro, bebeu a água envenenada de sua tina, e toda a água da tina do Xapado - antes que este aPensou, sem mágoas, em suas filhas que não bebesse.apareciam. E resolveu, aflita, não abandonar oscachorros, temendo que eles fossem recolhidos por A velha senhora perturbou-se e, sem ânimo paramãos malvadas. Havia suficiente veneno para os entender o incidente, voltou à cozinha, encheu a tinatrês. de água com nova dose de veneno e depositou-a na frente de Xapado, que se deteve confuso. Zimbo,Na véspera, à noite, ela preparou meticulosamente e com seus movimentos já muito afetados pela açãocom estranha frieza - da qual, aliás, já não tinha do veneno que agia rápido, ainda teve forças paraconsciência - doses adequadas de veneno. Não impulsionar as patas dianteiras e derramar,havia nela qualquer outra emoção, senão a de novamente, a água da tina do Xapado.concluir, com isenção, esses ritos finais. Só então a velha senhroa percebeu nos olhosDesde o quintal, chegavam uivos que - também à moribundos de Zimbo sua derradeira súplica pelavéspera - haviam anunciado a morte dele. Como vida de Xapado. Não teve tempo sequer de afagá-lo,soubera Zimbo? E como soube agora, se ela apenas Zimbo não se movia mais.pensara sozinha? E tem gente que não crê napercepção sensorial dos cachorros! - exclamou Com a alma esvaindo-se, a velha senhora retornou abaixinho. Ou, quem sabe, é a morte que lhes avisa? casa. Esqueceu-se de fechar a porta e de se banhar,- indagou-se ainda, já muito abalada. E dormiu tarde. como pretendera. Sentiu-se aliviada, enquanto sorvia o veneno no copo, escutando, lá fora, latidosDespertou cedo. Com o café, comeu mais torradas alegres do Xapado provocados pelo prazer dado que normalmente comia, pois com o estômago barriga cheia.vazio - acreditava assim - a dor do veneno seriamaior. Tomaria cuidados iguais com os cachorros. Fonte: PEREIRA, Francisco José. Contos Completos. Florianópolis: Garapuvu, 2006. Disponível emNo quintal, Zimbo se movia em pequenos círculos http://grandesautorescatarinas.blogspot.com/sem parar, num verdadeiro desassossego. Xapado,

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