Revista Literária                                                                   ―O Voo da Gralha                      ...
SUMÁRIOACADEMIAS                                                                                               ESTANTE DE ...
APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZA                                                                           Ode à água ............
Aos que sonham ....................................................................... 160          JUSSARA C. GODINHOSAMU...
1                ARISTÓTELES ONASSIS                                                          Mensagem                    ...
2                                        Carolina Ramos                                          Do CotidianoFim de tarde....
Almanaque Literário ―O Voo da Gralha Azul‖ – numero 8 – set/out/nov 2011                                             3morr...
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Almanaque o Voo da Gralha Azul numero 8 set out nov 2011

  1. 1. Revista Literária ―O Voo da Gralha Azul‖ n0. 8 – Paraná, setembro/outubro/novembro 2011 Idealização, seleção e edição: José Feldman Contatos, sugestões, colaborações: pavilhaoliterario@gmail.com voodagralhaazul@gmail.comhttp://singrandohorizontes.blogspot.com Endereço para correspondencia: Rua das Mangueiras, 296-A Cep.87080-680 Maringá/PRQue a humanidade possa aprender com a nossa Gralha-azul e entender que o equilíbrio e o respeitoecológico entre fauna e flora é fundamental para a existência do Homem na face da Terra!!! Prezado Leitor Este almanaque não tem a pretensão e nunca poderá ser considerada como substituição aos livros, jornais, colunas, etc. que circulam virtualmente ounão, mas sim como mola propulsora de incentivo ao cidadão para buscar novos conhecimentos, ou relembrar aqueles perdidos na névoa do passado. Por que o Voo da Gralha Azul? A Gralha Azul, que assim como semeia o pinheiro, ela alça voo e semeia no coração de cada um que alcançar, o pinhãoda cultura, em todas as suas manifestações. Ao leitor, novos conhecimentos. Ao escritor ou aspirante a tal, sejam poetas, trovadores, romancistas, dramaturgos, compositores, etc., um caminho de conhecimento e inspiração. Obrigado por me permitir dividir consigo estes breves momentos, José Feldman
  2. 2. SUMÁRIOACADEMIAS ESTANTE DE LIVROSACADEMIA CAMPINENSE DE LETRAS ......................................... 155 ANTONIO BRÁS CONSTANTE Hoje é seu Aniversário! "Prepare-se".......................................122ADEMAR MACEDO ÁTILA JOSÉ BORGES Matando o Porco. Eu Contos .....................................................166MENSAGENS POÉTICAS N. 399 BRANQUINHO DA FONSECAUma Trova Nacional ................................................................ 163 O Barão ..................................................................................... 43Uma Trova Potiguar ................................................................ 164 CAROLINA RAMOSUma Trova Premiada ............................................................... 164 Lançamento do Livro de Poesias ―Destino‖ ................................. 3Uma Trova de Ademar ............................................................. 164 GUIMARÃES ROSA...E Suas Trovas Ficaram ......................................................... 164 7 Contos do Livro Primeiras HistóriasEstrofe do Dia .......................................................................... 164 Sorôco, sua mãe, sua filha ........................................................ 74Soneto do Dia .......................................................................... 164 A menina de lá .......................................................................... 75 Os irmãos Dagobé ...................................................................... 76BIOGRAFIAS Pirlimpsiquice........................................................................... 77 Fatalidade ................................................................................. 78Abílio César Borges ...................................................................29 Substância................................................................................. 79Adalcinda Camarão ....................................................................25 A partida do audaz navegante ................................................... 80Adelto Gonçalves .......................................................................18 ISABEL FURINI (ORGANIZADORA)Anderson Braga Horta ............................................................. 142 Passageiros do Espelho (Antologia de Contos) ..........................164Antonio Brás Constante ............................................................ 122 JOÃO UBALDO RIBEIROAntônio Cândido da Silva ...........................................................67 O Sorriso do Lagarto.................................................................168Branquinho da Fonseca .............................................................45 JOSÉ MARINS (ORGANIZADOR)Carlos Reverbel ..........................................................................88 A brisa é você: Mini contos.......................................................101Cláudio Batista Feitosa ...............................................................69 LYA LUFTEmilia Pardo Barzón ............................................................... 137 A Asa Esquerda do Anjo ............................................................ 89Fernando Campanella .............................................................. 154 MARIO QUINTANAGlorinha Rattes ........................................................................ 134 80 anos de poesia ...................................................................... 72Jardel Estevão Barbosa Silva ................................................... 150Jussára C. Godinho ....................................................................59 FOLCLORELafcádio Hearn ―Koizumi Yakumo‖............................................86Laurindo Rabelo ........................................................................48 O Amigo da Onça ......................................................................145Lya Luft ......................................................................................90Natália Correia ........................................................................ 101 HAICAISNilton da Costa Teixeira ........................................................... 130Nilton Manoel.............................................................................10 NILTON MANOELRaul de Leoni .......................................................................... 160 Poesia Magica (haicais)................................................................ 5Valdeck Almeida de Jesus .........................................................96Victor Giudice ......................................................................... 125 MENSAGEMCINEMA ARISTÓTELES ONASSIS Talvez ........................................................................................ 1Obras de Shakespeare no Cinema ............................................. 120 O ESCRITOR COM A PALAVRACURIOSIDADES DE NOSSA LÍNGUA A. A. DE ASSISVÍCIOS DE LINGUAGEM A Moça do Jipe .......................................................................... 27Tautologia ................................................................................ 147 ALBERTO PACO Uma Estranha Mulher ...............................................................162ENTREVISTA ANTONIO BRÁS CONSTANTE A Partida Do Homem Mais Veloz Do Mundo ..............................118IALMAR PIO SCHNEIDER Contos da Delegacia Brasil ........................................................121O Homem atrás do escritor, o Escritor atrás do homem .............55 Mamãe, a Professora Sumiu!.....................................................110 Uma Feira de Doces para Alimentar o Pensamento .................... 81 ANTÔNIO CÂNDIDO DA SILVA Bar do Zizi ................................................................................ 66
  3. 3. APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZA Ode à água ...............................................................................142Celulares ....................................................................................52 ARTHUR RIMBAUDARTHUR RIMBAUD O barco ébrio ...........................................................................104Aurora — XXII ....................................................................... 106 Vogais ......................................................................................105ARTUR DE AZEVEDO Minha boêmia (Fantasia) ..........................................................105A Ama-Seca ................................................................................12 BRANQUINHO DA FONSECAA "Não-me-toques!‖ ..................................................................32 Naufrágio .................................................................................. 42CAROLINA RAMOS Arquipélago das sereias ............................................................ 42Do Cotidiano ................................................................................ 2 Castanheiros, irmãos… .............................................................. 42CINTIAN MORAES FERNANDO CAMPANELLAA diferença entre Viver Bem e Viver Melhor ...............................93 Ao vento ...................................................................................151DIEGO OLIVEIRA Ninféias ....................................................................................152Um Minuto ............................................................................... 102 Luz cadente ..............................................................................152EMILIA PARDO BAZÁN Refabulando .............................................................................152Oito Nozes ................................................................................ 135 Capela dos ossos .......................................................................152FERNANDO CAMPANELLA La Campanella ..........................................................................152Conversa de Compadres ............................................................ 150 A media luz ..............................................................................153HUMBERTO DE CAMPOS Alquimia ..................................................................................153A Rosa Azul ................................................................................. 4 Olhos ........................................................................................153O Filósofo ...................................................................................40 Tua beleza................................................................................153INGLÊS DE SOUSA Consummatum .........................................................................153A Quadrilha de Jacob Patacho ....................................................59 Frutos da terra .........................................................................153JARDEL ESTEVÃO BARBOSA SILVA Pássaros ...................................................................................154O Perfume ................................................................................ 148 GLORINHA RATTESJ.B.XAVIER Desabafo ...................................................................................133A Espera .....................................................................................11 Espelho ....................................................................................133JORGE LUIS BORGES Exemplo de vida.......................................................................133O Outro .................................................................................... 106 O que fica .................................................................................134JUSSARA C. GODINHO Sublime amor .........................................................................134Meninos de rua ..........................................................................51 JUSSARA C GODINHOLAFCÁDIO HEARN Amor, sentimento estranho ....................................................... 59A Promessa ................................................................................83 LAURINDO RABELOLUIS FERNANDO VERÍSSIMO ―O que fazes, ó minh’alma?‖ .................................................... 46Metamorfose............................................................................. 123 Dois impossíveis ........................................................................ 47MIGUEL FALABELLA LYA LUFTSaudade .....................................................................................97 Canção na plenitude .................................................................. 82NILTO MACIEL NATÁLIA CORREIAVou ser herói, Maria ..................................................................31 ―A defesa do poeta‖ ................................................................. 98OTTO MELANDER Fiz um conto para me embalar .................................................. 99A Mulher e o Cachorro ................................................................70 Auto retrato .............................................................................. 99PETRUS ALPHONSUS Queixa das almas jovens censuradas ......................................... 99Humor do Século XII ................................................................ 144 Ode à paz .................................................................................100SAMUEL CASTIEL JR. A alma......................................................................................100Noturnas ....................................................................................68 Falavam me de amor ................................................................100VICÊNCIA JAGUARIBE NILTON DA COSTA TEIXEIRAMas a vida...A vida não se passa a limpo ....................................22 A fonte luminosa ......................................................................132VICTOR GIUDICE PADRE CELSO DE CARVALHOO Arquivo ................................................................................. 124 A lenda dos caminhos ..............................................................102 Soneto .....................................................................................103POESIAS Diamantina em serenata ...........................................................103 RAUL DE LEONI ..............................................................................ADALCINDA CAMARÃO A hora cinzenta ........................................................................158Bom dia, Belém ..........................................................................24 Argila .......................................................................................158Espaço-tempo .............................................................................25 Decadência ...............................................................................158ANDERSON BRAGA HORTA Transubstanciação ...................................................................158Salmo para Célia ..................................................................... 139 Desconfiando ............................................................................159A tartaruga............................................................................... 140 ― Almas desoladoramente frias…‖ ...........................................159Sísifo ........................................................................................ 141 Crepuscular ..............................................................................159Rio ........................................................................................... 141 Unidade ....................................................................................159(A)mar(o) ................................................................................. 141 Pudor .......................................................................................159Ciranda .................................................................................... 141 Prudência .................................................................................160
  4. 4. Aos que sonham ....................................................................... 160 JUSSARA C. GODINHOSAMUEL CASTIEL JR. Trovas ....................................................................................... 52Flor Tropical .............................................................................67 NILTON DA COSTA TEIXEIRAVALDECK ALMEIDA DE JESUS Trovas dispersas ......................................................................132A vida pulsa ..............................................................................95 NILTON MANOEL (SP)Coração de pedra ........................................................................95 Trovas ....................................................................................... 10Cicatrizes ...................................................................................95 TROVAS Tema: Paciência ........................................................................ 19SOPA DE LETRAS TROVAS EM IMAGEM A. A. de Assis (PR) ..................................... 12,18, 35, 89, 104, 110ADELTO GONÇALVES Ademar Macedo (RN) ................................................................. 55Cinco séculos de poesia brasileira ..............................................15 Alberto Paco (PR) ...................................................................... 95FUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONAL ...............................................50 Austregésilo de Miranda Alves (BA) ........................................... 41 Dáguima Verônica (MG) ............................................................. 66 Élbea Priscila de Souza e Silva (SP)........................................... 15TROVAS Francisco Pessoa Reis (CE) ............................................................. Hermoclydes S. Franco (RJ) ...................................................... 21A. A. DE ASSIS Nemésio Prata Crisóstomo (CE) .............................................. 9, 31Tábua de Trovas ........................................................................35 Wagner Marques Lopes (MG) ...................................... 5, 27, 50, 70BAÚ DE TROVAS WALDIR NEVESNova Friburgo 1960 ................................................................. 111 Trovas ......................................................................................177ELIANA RUIZ JIMENEZ XVII JOGOS FLORAIS DE CURITIBATrova-Legenda (Participe!) ....................................................... 175 Regulamento ............................................................................174Trovas de 9 a 15 de outubro .................................................... 176IALMAR PIO SCHNEIDERTrovas ........................................................................................58 Este Almanaque não pode ser comercializado em hipótese alguma. Caso assim o desejar, deve-se contatar o/s autor/es para obter autorização. Respeite os Direitos do Autor.
  5. 5. 1 ARISTÓTELES ONASSIS Mensagem Talvez algumas pessoas queiram o meu mal. TALVEZ Mas irei continuar plantando a semente da fraternidade por onde passar.Talvez eu venha a envelhecer rápido demais.Mas lutarei para que cada dia tenha valido a pena. Talvez eu fique triste ao concluir que não consigo seguir o ritmo da música.Talvez eu sofra inúmeras desilusões no decorrer de Mas então, farei que a música siga o compasso dos meusminha vida. passos.Mas farei que elas percam a importância diante dosgestos de amor que encontrei. Talvez eu nunca consiga enxergar um arco-íris. Mas aprenderei a desenhar um, nem que seja dentro doTalvez eu não tenha forças para realizar todos os meus meu coração.ideais.Mas jamais irei me considerar um derrotado. Talvez hoje eu me sinta fraco. Mas amanhã irei recomeçar, nem que seja de umaTalvez em algum instante eu sofra uma terrível queda. maneira diferente.Mas não ficarei por muito tempo olhando para o chão. Talvez eu não aprenda todas as lições necessárias.Talvez um dia o sol deixe de brilhar. Mas terei a consciência que os verdadeiros ensinamentosMas então irei me banhar na chuva. já estão gravados em minha alma.Talvez um dia eu sofra alguma injustiça. Talvez eu me deprima por não ser capaz de saber a letraMas jamais irei assumir o papel de vítima. daquela música. Mas ficarei feliz com as outras capacidades que possuo.Talvez eu tenha que enfrentar alguns inimigos.Mas terei humildade para aceitar as mãos que se Talvez eu não tenha motivos para grandesestenderão em minha direção. comemorações. Mas não deixarei de me alegrar com as pequenasTalvez numa dessas noites frias, eu derrame muitas conquistas.lágrimas.Mas não terei vergonha por esse gesto. Talvez a vontade de abandonar tudo torne-se a minha companheira.Talvez eu seja enganado inúmeras vezes. Mas ao invés de fugir, irei correr atrás do que almejo.Mas não deixarei de acreditar que em algum lugar alguémmerece a minha confiança. Talvez eu não seja exatamente quem gostaria de ser. Mas passarei a admirar quem sou.Talvez com o tempo eu perceba que cometi grandes Porque no final saberei que, mesmo com incontáveiserros. dúvidas, eu sou capaz de construir uma vida melhor.Mas não desistirei de continuar trilhando meu caminho. E se ainda não me convenci disso, é porque como dizTalvez com o decorrer dos anos eu perca grandes aquele ditado: “ainda não chegou o fim”amizades. Porque no final não haverá nenhum “talvez” e sim aMas irei aprender que aqueles que realmente são meus certeza de que a minha vida valeu a pena e eu fiz overdadeiros amigos nunca estarão perdidos. melhor que podia.
  6. 6. 2 Carolina Ramos Do CotidianoFim de tarde. Friozinho abelhudo penetrava Disfarçou, fingindo não vê-lo. Foi puxado pelapor onde quer que lhe fosse permitido entrar, manga.encolhendo ombros e aconchegando corpos. – Moço, me dá um dinheirinho? Tô cum fome.Pressa. Pressa de voltar para casa. De rever aesposa, os filhos, os entes queridos. Pressa de Era tudo que não queria ouvir! Engoliu atrocar os sapatos pela comodidade dos chinelos saliva que o reflexo, condicionado à chegadavelhos, das meias de lã, ma maioria das vezes do hamburger, lhe fizera crescer na boca.furadas no dedão. Pressa de sumir dentro dopijama quentinho. De saborear o jantar – Hoje não, meu filho…Não tenho trocado. –fumegante e depois esparramar-se na Procurou ignorar a presença incômoda dopoltrona, frente à TV para cochilar e falar mal menino, saboreando, com os olhos, a iguaria,dela. cujo aroma lhe excitava as glândulas salivares. Apertou o hamburger com volúpia, fazendo oFim de tarde fria. Noite a insinuar-se, mais fria ―catchup‖ escorrer pelas bordas. Chegou aainda. abrir a boca para a primeira mordida, não consumada.Sem esposa, nem filhos, sem aquela pressa quemovia tantas pernas, Reginaldo caminhava Ao seu lado, o garoto permanecia fascinadosem motivação maior, arrastando os passos pelo petisco fumegante, entre fritas e folhas deaté a lanchonete mais próxima, menos cheia alface.de gente descompromissada, como ele, e,portanto, menos tumultuada pelo vozerio das Reginaldo engoliu em seco. Tivesse dinheiro nomassas. bolso e tudo estaria resolvido. O remorso antecipou-se à consumação, importunando-oRoído de fome, passou a perna por sobre a mais do que a própria fome. Pensou em divir obanqueta redonda, repousando os cotovelos pitéu. Lambuzou-se todo! Os olhos do garotono balcão de formica. Consultou os bolsos. Eles continuavam, gulosos, namorando oé que ditavam o pedido. Os apelos do hamburger.estômago eram secundários. Fim de mês.Minguava, no fundo da algibeira, a carteira Capitulou. Pediu um saquinho de papel emurcha. Não dava para muito. E, justamente encheu-o de batatas fritas. Embrulhou onaquele início frio de uma noite que prometia hamburger num guardanapo e entregou-o,ser gélida, sentia uma fome de cão vadio! inteiro, à fome que se estampava na carinha esquálida. E achou que seria pouco!– Um hamburger com fritas. Ah… e umcafezinho pingado. Alegria e surpresa coloriram a face ´pálida do menino que balbuciou qualquer coisa– Bebida? ininteligível e disparou porta afora, temeroso de possível arrependimento.Lembrou-se da carteira murcha. Sobraram para Reginaldo, desapontamento e– Não…obrigado. Só o cafezinho. frustração total!Aguardou, impaciente. Perdera o jantar! A fome continuava firme. E a fuga precipitada roubava-lhe, ainda, aChegaram juntos: – o hamburger e o garoto modesta satisfação do espetáculode olhos tristes. Seis ou sete anos, no máximo. proporcionado pela sua renúncia. Queria ver
  7. 7. Almanaque Literário ―O Voo da Gralha Azul‖ – numero 8 – set/out/nov 2011 3morrer a fome do guri! Fome a ser morta por a mãe, maltrapilha, e com mais duas crianças,ele! Morte da qual não se arrependeria, sua finada refeição.jamais! Direito seu! O sorriso do menino foi, sem dúvida, o que deContentou-se com o cafezinho morno e duas mais gratificante recebera da vida!fritas sobradas no prato. E enfrentounovamente a noite, mais fria do que antes, A caminho da modesta vaga que ocupava,ignorando os reclamos do estômago vazio. numa casa de cômodos, esqueceu-se da fome. Chegou mesmo a envergonhar-se dela!.Meio quarteirão adiante, uma surpresa. Fonte:Sentado na calçada, encostado à parede, o RAMOS, Carolina. Interlúdio: contos.SP: EditorAção, abril 1993.mesmo garoto, olhos menos tristes, dividia com Carolina Ramos Lançamento do Livro de Poesias ―Destino‖, em 23 de Novembro
  8. 8. Almanaque Literário ―O Voo da Gralha Azul‖ – numero 8 – set/out/nov 2011 4 Humberto de Campos A Rosa Azul O comendador Luiz de Faria acabava de fechar os olhos à velhamarquesa de São Justino, adoçando-lhe o O comendador interrompeu um momento a narrativa, recostou-se na almofada, e continuou:momento da morte com a noticia alvissareirae mentirosa da completa regeneração do seu A sua paciência de jardineiro era absorvida,neto, o estudante Guilherme de Araújo, entretanto, por uma idéia, que era um sonho:quando o encontrei à porta da casa funerária, encontrar a rosa azul das legendas do Oriente,à espera do seu automóvel. Abalado, ainda, de que tivera noticia, uma noite, ao ler ospela emoção daquele instante, em que tivera poemas latinos dos velhos monges medievais.de lançar mão de uma falsidade para Para isso, casava ele as sementes, os brotos,perfumar o último sopro de uma vida de fundia os enxertos, combinando as terras, comvirtudes e sofrimentos, o antigo par do reino que as cobria, e as águas, com que as regava,português aceitou um lugar no meu ―taxi‖, e esperando, ansioso, o aparecimento, no topoconfessou-me, em viagem: da haste, do sonhado botão azul! Ao fim de setenta anos de experiências e sonhos, em que- A mentira, meu amigo, é, às vezes, uma se lhe misturavam na imaginação as chagasnecessidade. Aquela de que me socorri há vermelhas de Cristo e as manchas celestes dameia hora, para suavizar a morte de uma sua rosa encantada, surgiu, afinal, nosanta, de uma senhora cuja maior esperança coroamento de um galho de roseira, um botãoconsistia no futuro de um neto que se azul, como o céu. Centenário e curvado, odesgarrara do lar, era tão necessária como a velhinho não resistiu à emoção; adoeceu, e,do prior da Cartuxa para alegrar a agonia conduzido à cela, ajoelhou-se diante dodaquele célebre monge do Bussaco. Crucificado, pedindo-lhe, entre soluços pungentes, que, como prêmio à santidade daEu olhei, interrogativamente, o meu sua vida, não lhe cerrasse os olhos sem que elescompanheiro de viagem, e ele, percebendo a vissem, contentes, o desabrochar da sua rosaignorância, indagou, com admiração: azul.- Não conhece, então, a lenda da rosa azul? Uma nova pausa, e o meu companheiro tornou:À minha afirmativa, que lhe pareceu estranha,o comendador apoiou as mãos robustas no - Em volta do santo velhinho, no catre docastão de ouro da bengala, e contou: mosteiro, todos choravam, compungidos. E foi, então, que, divulgada de boca em boca, foi a- No Mosteiro da Cartuxa, no Bussaco, em noticia ter a um convento das proximidades,Portugal, vivia, em séculos que já se foram, um onde jazia, orando e sonhando, uma lindapiedoso e santo monge, cuja vida se consumia, infanta de Portugal. Moça e formosa, e, aléminteira, entre a oração e as rosas. Jardineiro da de formosa e moça, – fidalga e portuguesa,alma e das flores, passava ele as manhãs de compreendeu a pequenina freira, no jardimjoelhos, no silencio da nave, aos pés de um do seu sonho, o valor daquela ilusão, e correuCristo crucificado, e as tardes, no pequeno à sua cela, consumindo toda uma noite ajardim da ordem, curvado diante das roseiras, fazer, com os seus dedos de neve, uma viçosaque ele próprio plantava e regava. flor de seda azul, que perfumou, ela própria, com essência de gerânio. E no dia seguinte, pela manhã, morria no seu catre, sorrindo entre lágrimas de alegria, por ter nas mãos
  9. 9. Almanaque Literário ―O Voo da Gralha Azul‖ – numero 8 – set/out/nov 2011 5tremulas, por um milagre do céu, a sua rosa - Feliz, meu amigo, aquele que morre, comoazul! esse monge e a marquesa, apertando nas mãos a rosa, mesmo mentirosa, de uma roseiraO ―taxi‖ parava no meio-fio da calçada, o de que cuidou toda a vida.comendador acrescentou, estendendo-me amão agradecida: Fonte: Domínio Público Nilton Manoel Poesia Magica (haicais) 1 7 Chove… Noite longa! Música na rua! Insone faço barquinhos O caminhão passa e vejo e a aurora não chega. meu fogão sem gás! 2 8 No céu estrelado, Menino de rua, a bola redonda, agita, - dorme e sonha à porta da igreja -, o dia das bruxas. sem família e escola. 3 9 É noite. Os barulhos Dois corpos inertes. são tantos… e um pernilongo, Sangue escorrendo no chão! deixa-me acordado. Há droga no crime? 4 10 Muro antigo, os bichos, Na estreita calçada, movimentam-se, com medo o bípede e o quadrúpede, de uma lagartixa. desfilam na corrente. 5 11 Famintos de espaço, Calça desbotada, cupins, mudam de lugar, rasgada, cós baixo… é a moda! nas tábuas da mesa, Quanta mulher linda! 6 12 Na cômoda antiga, Rua descalça: um jornaleiro de louça! - o povo clama e reclama, O guri se foi. e o prefeito? Viaja!
  10. 10. Almanaque Literário ―O Voo da Gralha Azul‖ – numero 8 – set/out/nov 2011 613 26No escuro da rua, Um tiro no escuro.alguém corre e agita a mão, A estrela sai de cartazao táxi que passa. e a platéia chora.14 27Na grama verdinha Boteco de esquina,a perereca faz cooper o pai ausente, acreditae assusta a madame. que, a família, é chope.15 28No verão há menos Brisa leve. Velasfofoqueiros que, no inverno.; aromáticas nos ares…o sorvete acalma! Rituais diversos.16 29A ágil libélula, Na ausência da lua,voa e sobrevoa, a fonte. namorados de esquina,da praça da escola. se esquecem do mundo.17Na praça, a menina, 30namora, entre belas flores. Na manhã de Sol,É um buquê de sonhos! a libélula descansa,18 num varal de roupas.Em céu de bons ventos 31e a meninada feliz, Campo Santo, a brisasolta pipa e canta. da madrugada, clareia,19 idéias macabras.A mosca chateia, 32o corpo suado do chapa, Delicia de vida!na usina de açúcar. Quando há cravo e canela,20 o arroz é doce.Deitados na grama 33da praça, um casal namora Cheia de cupins,e, o Sol nem se foi. morre aos poucos, a figueira,21 da praça sem nome.Na fria manhã, 34o entregador de jornal, Sopa quente… as letrastraz notícias de ontem. do macarrão, revelam-me22 palavras e idéias.Em banca de feira, 35o preço do feijão jalo, A cigarra cantavende mais arroz. na palmeira sem parar23 e nem todos a ouve.Friagem na rua, 36sob a marquise, o homem só, No xaxim do alpendre,põe jornais no tênis. a samambaia desfolha,24 folhinhas no chão.Na estreita calçada, 37portões, folhagem, floreiras… Saudade: – mão única.;pedestres, na rua! campas, estátuas, fantasmas.25 Desfecho da vida.Na coleta, o lixo, 38nem pesa na mão sofrida, Na areia macia,do rapaz cansado. a juventude faz festa, com as ondas do mar.
  11. 11. Almanaque Literário ―O Voo da Gralha Azul‖ – numero 8 – set/out/nov 2011 739 52Fogos de fim de ano Céus azuis. Planícies!e, o poeta, cheio de versos, Cidades. Sonhos. Poder.sonha com bonança. Quadros sociais.40 53Venta e chove forte , Sete de setembro.vejo da vidraça, na rua, Independência ou morte. Sorte.os ônibus lotados. Um bem-te-vi canta.41 54Real na pele, É carnaval. Festao rico chupa sorvete, do povo que sonha e suae o pobre gelinho.= em paz com alegria.42 55Natal! Luzes… lojas… Os flocos dengososSonhos… Novas esperanças! do algodão caem no chão…e o homem só, esmola! Tapetes plumosos.43 56Na falha da folha O poeta olha o céu,da goiabeira, o sol crava, Sonha, sonha, sonha e sonha…lâminas de luz. Desperta e escreve!44 57Máscaras, confetes, A inveja latejapelas ruas quanto samba! na alma abatida e sem calma.Carnaval é festa! Espinhos daninhos.45 58O homem com a pá, Primavera, festacava a cova e guarda os restos. da natureza. A belezaCom o fim vive a vida. está da alma da gente.46 59No xaxim de areia, Na mata, o perfume,a robusta samambaia revela os mistérios lindosquer dengo sem dengue. que a natureza tem.47 60Cantigas, bandeiras, Nos galhos secos,batatas, quentões, fogueiras… as aves pintam a tarde,é junho na roça. e o canto é saudade.48 61No fogão de lenha, Há uva na parreirao gosto do bom café, e o néctar de cada cachotem casa de campo. tornam-me um eterno.49 62Chapéus de lã, ventos Na rua o homem sóde frente fria, caem não pesa na minha consciência.folhas secas no chão. Virou postal.50 63A lua cheia e redonda, Saudade é a avenidatoma conta das estrelas.; dos que vão antes de mim!e o poeta, versa. E eu vou pra onde.51 64Na folha branquinha, Na rua do empório,consoantes e vogais, em dias de promoção,ondeiam meus sonhos. o povo faz fila .
  12. 12. Almanaque Literário ―O Voo da Gralha Azul‖ – numero 8 – set/out/nov 2011 865 78A velha senhora, Sentado no chão,entra no mercado, na farmácia… o menino, sem destino,Não ri nem chora. mastiga um filão.66 79O sapo coaxa, Lua baça, esfria!no lago da fazenda, É frente fria na genteem noite estrelada. e rua vazia.67 80Os campos se vão Como a vida é bela!e as aves silvestres ficam, Fartura! Há arroz com mistura.mais urbanizadas. Viva a mortadela.68 81No verde minguado Venta. É primavera.;de aves e animais, os homens, perfume em todos os lares, lumeplantam mais cinzas… de nova quimera.69 82Escureceu e o campo No pé de abacate,revela as luzes singelas o bem-te-vi canta bem…de mil pirilampos. Um cachorro late.70 83Luzes estelares Queimada de cana!de abril… sutil poesia Venta e a palha atormentaem todos os lares. o fim de semana!71 84Na lã do chapéu Tarde sossegada,De leve flocos de neve na rede, eu mato a sedeInvernam meu céu. com limonada.72 85Junho. A lua brilha. Em noite de ventoNa roça qualquer palhoça tem sempre o vulto de alguémfaz fogo e quadrilha. procurando alento.73 86Comédia medonha, A beira do rioo salário do operário, verde e robusto o arbustonão paga o que sonha. balança macio.74 87Tapete de flores, Rua longa, fria,no chão a emoção muito pó… O homem vai só,de perfuma em cores. sem lar, na agonia!75 88Na clara manhã Pobre e sem afeto,canta um galo e numa planta nada de novo para o povo,salta e salta a rã… sem terra e sem teto.76 89Na porta da firma, O mínimo vem!por salário, o operário, O salário do operário,faz greve e se afirma. faz sofrer? Amém!77 90Fim de tarde… o Sol Escura noite. O céumovimenta-se e inventa estrelado me vê caladoas cores do arrebol. com sonhos ao léu.
  13. 13. Almanaque Literário ―O Voo da Gralha Azul‖ – numero 8 – set/out/nov 2011 991 faz formas no chão.No sótão, guardados 99dos antigos da família, Magro o gato persa,dão vida aos cupins. no canto da sala, embala,92 muita conversa.Na rua devassa, 100cenas constantes, obscenas, Sentadas no chãoassustam quem passa. crianças batem mansas93 figuras com a mão.Na quadra de esporte 101a bola rola, rola e enrola, Chove forte e o rioo atleta sem sorte. de baixa borda transborda.94 e a vida num fio.Férias escolares 102nas noites de lua, a rua, Pula, corcoveia…têm bolas nos ares. no embalo pára o cavalo e o peão, na areia.95 103Folhas no chão. Flor branca e bela.Grilos. Sombras. Espantalhos visão de impacto o cactomexem com a visão.; de minha janela.96 104Na gaiola, canta Rua molhada,o canário e o hinário, a parada brusca de um fusca,é encanto e vida traz confusão danada.97 105O grão de feijão, Balcão de perfumes.descobre, na mesa do pobre, Rosa Maria, formosa,que é ouro-tesouro. é meiguice e ciúmes.98Seca, mansamente, Fonte:cai a folha e o vento lento Usina de Letras
  14. 14. Almanaque Literário ―O Voo da Gralha Azul‖ – numero 8 – set/out/nov 2011 10 Nilton Manoel Trovas 1 e geme sem dor com ela! Quem tem vida vive atento pêlos caminhos que enfrenta; 9 brinda as farpas do momento Solteiro? – Querida! Ó vida com chocolate e pimenta. de prazeres… sonhos tantos! Casados? ? Os nós da lida, 2 cegam os reais encantos!? O chifre em terra rachada em bucolismo infernal, 10 é o adorno que traça a estrada No lirismo de meu povo da carência de água e sal. sonho e tenho sempre fé que num dia de sol novo 3 será plena a paz.. de pé! Florestas? – Quero espigões! e a fauna toda enjaulada! 11 … e a moda de altos portões, Enfim dono dos saberes esconde a noite estrelada. da vida, em música e dança, 4 concluo que, o fim dos seres Depois dos cinqüenta, creio, é o limite da esperança. tudo é lucro e coerência; homem que não faz rodeio, 12 sabe o que vale a existência. Corre-se tanto, mas tanto, pelo pódio e sua glória que, o enfim é o fúnebre pranto, 5 de um troféu ao fim da história! Homem é o que sabe ser companheiro, amigo e irmão; 13 Quem preza o Bem, sabe ter Quando há morte programada da vida toda a emoção. pelos quadrantes da terra, homens que não valem nada 6 sentem paz plantando guerra. Meu pai, exemplo perfeito de luta e vitalidade; 14 ao partir, por ser direito, Cavalgando sem rodeios deixou sincera saudade. por galáxias estreladas, o poeta, em seus anseios 7 tece trovas requintadas.Quando o homem é Homem não chora, enfrenta as farpas da vida, vence a fauna hostil com a flora tornando a estrada florida. 8 Nilton Manoel O amante da Filomena, se encontra o ex-marido dela, treme tanto de dar pena… N ilton Manoel Teixeira, capricorniano de 3 de janeiro, nasceu em Ribeirão Preto-SP, onde vive.
  15. 15. Almanaque Literário ―O Voo da Gralha Azul‖ – numero 8 – set/out/nov 2011 11 Professor e contabilista. Casa do Poeta e do Escritor de Ribeirão Preto ( Começou nos anos sessenta publicando fundador e 1º presidente),seus textos no mimeógrafo à álcool e escrevendo Clube Internacional da Boa Leitura.para jornais. Com apoio de Luiz Otávio Instituto Histórico e Geográfico de Uruguaiana.(fundador da União Brasileira de Trovadores) Instituto Histórico e Geográfico do Distritoimplantou os Jogos Florais em sua cidade e como Federal.presidente da secção ubeteana de Ribeirão Ordem dos Velhos Jornalistas.Preto, realiza eventos locais e nacionais. The International Academy of Letters of England. Na área da Literatura, esteve no União Brasileira de Escritores.Conselho Municipal de Cultura, por três gestões. Usina de Letras etc. Tem editados:-Trovas da Juventude;Cantigas do meu terreiro; Caviar, gororoba e sal Tem o título de Magnífico Trovador pelade frutas, Poesia Mágica (haicais) e folhetos de Ordem Brasileira dos Poetas da Literatura deCordel ao estilo tradicional. Cordel; Pertence a: Mérito Cultural pelo Instituto Histórico eAcademia Anapolina de Filosofia, Ciências e Geográfico de Uruguaiana,Letras. Medalha de Ouro, no I Aniversário doAcademia Brasileira de Trova. Clube dos Trovadores Capixabas,Academia de Letras de Uruguaiana, Honra ao Mérito pela Ordem BrasileiraAcademia de Letras Fronteira Sudoeste do Rio dos Poetas da Literatura de Cordel.Grande do Sul. Mérito Cultural Pablo Neruda, em 2004Academia Friburguense de Letras.Academia Goianiense de Letras. No http://www.movimentodasartes.com.br/Academia Internacional de Ciências assina a coluna TrovadorHumanísticas.Academia Internacional de Heráldica e Fontes:Genealogia. Usina das Letras Portal CENAcademia de Letras de Ribeirão Preto.Academia Petropolitana de Poesia.Academia Poços-caldense de Letras.Academia Ribeirãopretana de Poesia.Academia Santista de Letras.Academia Virtual Brasileira de Letras. J.B.Xavier A Espera Por sobre o banco onde eu estavasentado, pendiam galhos de chorões que Muitos bons dias dei, muito acenei paraiam até o chão, mas ainda assim, por os passageiros que ansiavam porentre essa maravilhosa prisão verde, eu liberdade, por fugir da clausura de horaspodia ver os ônibus que chegavam, e horas de viagens claustrofóbicas.vindos de todos os Estados do país. Sorri um riso amarelo, e acenei Coloridos, eles se misturavam num claudicante para os sorrisos das crianças,caleidoscópio maravilhoso de cores e filhos de migrantes que vinham tentar aformas,num magnífico balé de titãs. sorte na cidade grande. Mas não tive tempo de ficar triste, porque os galhos Às seis horas da manhã lá estava eu, verdes, gentilmente manipulados pelasentado num banco da pequena praça brisa da manhã, acariciaram meu rostoque havia em frente à área de ternamente, alisaram meus cabelos edesembarque do terminal rodoviário de farfalharam alegres, certamente gratosuma das maiores cidades do país. pelo sol que surgia por trás dos edifícios,
  16. 16. Almanaque Literário ―O Voo da Gralha Azul‖ – numero 8 – set/out/nov 2011 12numa promessa de um cálido banho de mim, restando apenas uma umidade emvida. meus dedos, único sinal de que ela existira e ensinara-me algo sobre a Reflexos vívidos e faiscantes lascas de luz seqüência eterna dos ciclos.transformavam as poças da chuva danoite anterior em bateias repletas de Uma brisa mais ousada veio me dar seuesfuziantes diamantes. bom dia e o galho estremeceu num frenesi de prazer, feliz pela visita bemComo garimpeiro cuidadoso, toquei vinda.uma dessas jóias que pendiam frágeis naponta de uma delicada folhinha que Apenas por observar esse encontrobalouçava suavemente à minha frente. maravilhoso, fui ungido com a bênção de ter sobre mim as lágrimas de felicidade Gentilmente ela aceitou meu convite e, do orvalho remanescente. Então umassim, de repente, eu tinha uma obra de grande e multicolorido ônibus surgiuarte na ponta dos dedos. Olhei atônito entre os demais, e, numa janelaaquele universo minúsculo, aquela esfera ocasional senti, antes de ver, teu sorrisoperfeita, na qual Deus faz demonstrações maravilhoso e as doces promessas demagistrais de engenharia celestial e pude amor que dele rescendiam.ver seus espelhos refletindo o mundo aomeu redor, como a lembrar-me de Olhei durante aquela pequenaminha própria pequenez diante da eternidade que durou tua chegada ebeleza universal. lembrando de Louis Armstrong, pensei comigo mesmo: Frágil, e com a certeza de já ter vivido osuficiente para tocar-me a alma, a Que mundo maravilhoso!pequenina gotícula chegou ao fim de Fonte:sua eternidade e desfez-se diante de http://www.jbxavier.com.br/visualizar.php?idt=4572 Artur de Azevedo A Ama-Seca a mais leve infidelidade conjugal comoO Romualdo, marido de D. de roubar o sino de São Francisco de Eufêmia, era um rapaz sério, lá Paula; mas – vejam como o diabo as isso era, e tão incapaz de cometer arma! Um dia D. Eufêmia foi chamada,
  17. 17. Almanaque Literário ―O Voo da Gralha Azul‖ – numero 8 – set/out/nov 2011 13a toda a pressa, a Juiz de Fora, para vero pai que estava gravemente enfermo, e - Boa noite.como o Romualdo não podia naquelaocasião deixar a casa comercial de que - Como se chama?era guarda-livros (estavam a darbalanço), resignou-se a ver partir a - Antonieta.senhora acompanhada pelos trêsmeninos, o Zeca, o Cazuza, o Bibi, e a - Pode dar-me uma palavra?ama-seca deste último, que era ainda decolo. - Por que não falou no bonde?Foi a primeira vez que o Romualdo se - Era impossível… estava tanta gente… eseparou da família. Custou-lhe muito, estes elétricos são tão iluminados.coitado, e mais lhe custou quando, aocabo de uma semana, D. Eufêmia lhe - Mas o sinhô bolinou que não foi graça!escreveu, dizendo que o velho estava vamos, diga: que deseja?livre de perigo, mas a convalescençaseria longa, e o seu dever de filha era - Desejo saber onde mora.ficar junto dele um mês pelo menos. - Não tenho casa minha; tou empregadaO Romualdo resignou-se. Que remédio!… numa famia ali mais adiente, por siná que não stou satisfeita, e andoDurante os primeiros tempos saía do procurando outra arrumação.escritório e metia-se em casa, mas no fimde alguns dias entendeu que devia dar - Onde poderemos falar em particular?alguns passeios pelos arrabaldes, hojeeste, amanhã aquele. Era um meio, - Não sei.como outro qualquer, de iludir asaudade. - Você sai amanhã à noite?Uma noite coube a vez ao Andaraí - Amanhã não, porque saí hoje, e nãoGrande. O Romualdo tomou o bonde do quero abusá.Leopoldo, e teve a fortuna ou a desgraçade se sentar ao lado da mulatinha mais - Então, depois de amanhã?dengosa e bonita que ainda tentou ummarido, cuja mulher estivesse em Juiz de - Pois sim.Fora. - Onde a espero?Nessa noite fatal a virtude do Romualdodeu em pantanas: tencionando ele ir até - Onde o sinhô quisé.o fim da linha, como fazia todas asnoites, apeou-se na Rua Mariz e Barros, - Na Praça Tiradentes, no ponto dosali pelas alturas da Travessa de São bondes. As oito horas.Salvador. A mulata havia se apeadoalgumas braças antes. - Na porta do armazém do Derby?E ele viu, à luz de um lampião, o vulto - Isso!dela saltitante e esquivo, e apressou opasso para apanhá-la, o que conseguiu - Tá dito! Inté depois d‘amanhã às oitofacilmente, porque, pelos modos, ela já hora.contava com isso. - Não falte!- Boa noite!
  18. 18. Almanaque Literário ―O Voo da Gralha Azul‖ – numero 8 – set/out/nov 2011 14- Não farto não! - Que homens sem-vergonha!… Não podem ver uma mulata!…No dia seguinte, o Romualdo contou asua aventura a um companheiro de O Romualdo perturbou-se, masescritório que era useiro e vezeiro nessas disfarçou, perguntando:cavalarias… baixas, e o camarada levoua condescendência ao ponto de confiar- - E agora? E preciso anunciar! Nãolhe a chave de um ninho que tinha podemos ficar sem ama-seca!preparado adrede para os contrabandosdo amor. - Já mandei o Zeca pôr um anúncio no Jornal do Brasil.Antonieta foi pontual; à hora marcadalá estava à porta do Derby, com ares de No dia seguinte, o Romualdo saiu muitoquem esperava o bonde. cedo; ao voltar para casa, a primeira coisa que perguntou à senhora foi:O Romualdo aproximou-se, fez um sinal,afastou-se e ela seguiu-o… - Então? Já temos ama-seca?. .Dez dias depois, estava ele - Já; é uma mulatinha bem jeitosa, masarrependidíssimo da sua conquista fácil, e tem cara de sapeca. Chama-secom remorsos de haver enganado D. Antonieta.Eufêmia, aquela santa! Procurava agorameios e modos de se ver livre da mulata, - Hem? Antonieta?cuja prosódia era capaz de lançar águana fervura da mais violenta paixão. - Que tens, homem?Vendo que não podia evitá-la, tomou o - Nada; não tenho nada… E jeitosa?…Romualdo a deliberação de fugir-lhe, e Tem cara de sapeca?… Manda-auma noite deixou-a à porta do ninho, embora! Não serve! Nem quero vê-la!…esperando debalde por ele. Lembrou-se,mas era tarde, que havia prometido - Ora essa! Por quê? Olha, ela aí vem.dar-lhe uni anel, justamente nessa noite. Antonieta chegou, efetivamente, com o- Diabo! pensou ele, Antonieta vai supor Bibi ao colo; mas o Romualdo tinhaque lhe fugi por causa do anel! fechado os olhos, dizendo consigo:Voltou, afinal, D. Eufêmia de Juiz de - Que escândalo!… rebenta a bomba!…Fora. Veio no trem da manhã, este diabo vai reclamar o anel!.inesperadamente, e já não encontrou omarido em casa. Mas como nada ouvisse, o mísero abriu os olhos e – oh! milagre! – era outraEstava furiosa, porque a ama-seca de Antonieta!.Bibi deixara-se ficar na estação daBarra. Podia ser que não fosse de Ele pensou, os leitores também pensarampropósito. O mais certo, porém, era o ter que fosse a mesma; não era.sido desencaminhada por um sujeito quevinha no trem a namorá-la desde Decididamente, há um Deus para osParaíbuna. maridos que enganam as suas mulheres.Quando D. Eufêmia contou isso ao Fonte: Domínio Públicomarido, acrescentou indignada:
  19. 19. Almanaque Literário ―O Voo da Gralha Azul‖ – numero 8 – set/out/nov 2011 15 Adelto Gonçalves Cinco séculos de poesia brasileiraI O primeiro volume da série, Antologia da poesia barroca brasileira, traz poemasOs professores de Literatura Brasileira tanto do ensino médiocomo do ensino universitário já não de Gregório de Matos (1636-1696), Bento Teixeira (c.1561-1600), Manuel Botelho de Oliveira (1636-1711) e Sebastião da Rochaprecisam se preocupar tanto para Pita (1660-1738), selecionados porelaborar seus planos de ensino nem Emerson Tin, doutorando em Literaturaconsultar uma grande quantidade de Brasileira pela Unicamp, responsávellivros nem sempre disponíveis nas também pelo prefácio, por notasbibliotecas de escolas ou mesmo de explicativas e de natureza literária,universidades públicas ou privadas. Foi contextual e lexical e por uma pequenapensando nisso que a Companhia notícia biográfica de cada autor queEditora Nacional e a Lazuli Editora ajudam a tornar cada poema maisdecidiram editar uma série de cinco livros legível ao leitor pouco versado nasobre a poesia brasileira desde a produção barroca luso-brasileira.formação do País até o começo do século Não é preciso dizer que na produçãoXX, entregando a tarefa a uma equipe poética do período a primazia é dede jovens críticos e professores já com Gregório de Matos, o que levou oexperiência em sala de aula, todos organizador da antologia a selecionar 40ligados à Universidade Estadual de de seus poemas. Seu contemporâneoCampinas (Unicamp). Botelho de Oliveira aparece com 20 poemas, enquanto Rocha Pita,O resultado é uma edição que merece consagrado autor da História datoda a confiança do leitor e que permite América portuguesa, tem resgatada a―pensar a história da poesia no Brasil e sua um tanto esquecida produção nasuas principais linhas de força, ao longo Academia Brasílica dos Esquecidos.de cinco séculos‖, como assinala na Quem, porém, abre a antologia é Bentoapresentação do primeiro dos cinco Teixeira, conhecido especialmente pelovolumes Paulo Franchetti, professor poema épico ―Prosopopéia‖, que temtitular de Teoria Literária na Unicamp, como modelo ―Os Lusíadas‖, de Luís deresponsável também pela apresentação Camões (1524?-1580).dos demais livros.
  20. 20. Almanaque Literário ―O Voo da Gralha Azul‖ – numero 8 – set/out/nov 2011 16II a pouca modéstia, a biografia de Tomás Antônio Gonzaga que este articulistaC om seleção e notas de Pablo Simpson, o segundo volume da série,Antologia da poesia árcade brasileira, escreveu. IIIdedica os maiores espaços, como nãopoderia deixar de ser, a Cláudio Manuelda Costa (1729-1789) e Tomás Antônio J á Antologia da poesia romântica brasileira, com seleção e notas de PabloGonzaga (1744-1810), mas também Simpson, Pedro Marques e Cristianecontempla parte da produção de Santa Escolastico Siniscalchi, é um volume maisRita Durão (1822?-1784), Domingos encorpado, em razão mesmo daCaldas Barbosa (1738-1800), Basílio da necessidade de abranger maior númeroGama (1741-1795), Alvarenga Peixoto de autores. O período, a rigor, vai de(1744-1793) e Silva Alvarenga (1749-1814). 1836, quando o poeta Gonçalves de Magalhães (1811-1882) publicou um ensaioReúne o que de melhor produziu a na revista Niterói, editada em Paris,poesia árcade e, de certo modo, ajuda-a lançando as idéias de um programaa recuperar um lugar que nem sempre para a edificação de uma literaturalhe foi reconhecido pela crítica, genuinamente brasileira, sob a influênciaespecialmente a da primeira metade do da natureza americana, até meados daséculo XX, que viu com prevenção a segunda metade do século XIX. Eestilização e o apego de seus poetas a configura a presença do Romantismo emcânones não só portugueses como terras brasileiras.italianos, esquecendo-se de que, à época,o Brasil não existia como nação Além do citado Gonçalves de Magalhães,organizada e, na verdade, éramos todos o volume abrange autores díspares comoportugueses. Sousândrade (1832-1902), autor de ―O Guesa Errante―, poema redescobertoComo assinala Paulo Franchetti na pelos concretistas Augusto e Haroldo deapresentação, o Arcadismo, embora não Campos (1929-2003) a partir da décadatenha recebido a fortuna crítica e a de 60 do século passado, e Gonçalvesrecepção entusiasmada com que o Dias (1823-1864), autor da antológicaBarroco tem sido contemplado nos ―Canção do exílio‖ e de alguns dos maisúltimos anos, já pode ser visto de modo importantes poemas da lírica indianistamais favorável. Além disso, o próprio brasileira.movimento de constituição deagremiações intelectuais, as famosas Reúne ainda Luís Gama (1830-1882), comacademias, diz o professor, ―parece mais suas sátiras aos comportamentos, tipos esimpático, quando se considera que o uso situações de sua época, Bernardodos pseudônimos e a valorização do Guimarães (1825-1884), com sua poesiatalento como único requisito para erótica e, às vezes, até pornográfica,admissão dos membros encenavam, na Álvares de Azevedo (1831-1952), com suasociedade estratificada do século XVIII, o fina e sepulcral poesia, Laurindo Rabeloideal de uma aristocracia de espírito e (1826-1864), com sua poesia satírica enão de sangue‖. fescenina, Casimiro de Abreu (1839-1860), com sua lírica de tons suaves, CastroPara isso, muito contribuíram os recentes Alves (1847-1871), com seus versosestudos de Jorge Ruedas de la Serna, grandiloqüentes em favor dos escravos,Vania Pinheiro Chaves, Ivan Teixeira, Fagundes Varela (1841-1875), com seusAlcir Pécora, Melânia Silva de Aguiar, poemas religiosos uns, amorosos outros,Sérgio Alcides, Ronald Polito, Joaci de inspiração regional ou sertaneja,Pereira Furtado, José Ramos Tinhorão, Juvenal Galeno (1836-1931), com seusLuís André Nepomuceno e, se permitem versos francamente populares, e
  21. 21. Almanaque Literário ―O Voo da Gralha Azul‖ – numero 8 – set/out/nov 2011 17Junqueira Freire (1832-1855), com seus que essa geração ocupou na sociedadepoemas de monge atormentado. de seu tempo que a ela se deve a criação da Academia Brasileira de Letras, comoIV lembra Pedro Marques na sua introdução.C om seleção e notas de Pedro Marques, Antologia da poesiaparnasiana brasileira apresenta poemas Se muitas vezes os modernistas atacaram sem medidas o parnasianismo, isso se deude 14 poetas, entre consagrados e outros por conta da necessidade que tinham demenos conhecidos do grande público, oferecer alternativas para o quemas não menos representativos do consideravam fórmulas gastas dosparnasianismo. Entre os consagrados, parnasianos. Mas nunca deixaram deestão Olavo Bilac (1865-1918) e Machado reconhecer a importância histórica dode Assis (1839-1908), cuja produção como movimento.poeta acabou abafada pelo êxito deseus romances da última fase. Entre os Vmenos afamados, estão Luís Delfino(1834-1910), B.Lopes (1859-1916) eFrancisca Júlia (1870-1920), única mulherentre os poetas reunidos. C om seleção e notas da professora Francine Ricieri, doutora em Teoria e História Literária na área de Literatura Brasileira pela Unicamp, Antologia daLembra Franchetti na apresentação que poesia simbolista e decadente brasileirao parnasianismo, em seu grande reúne nove poetas de um movimentomomento, ocupou lugar proeminente que, ao não alcançar a repercussão doem jornais, revistas, conferências públicas parnasianismo, agrupa nomes aindae saraus burgueses, atraindo grande pouco conhecidos do público. Diz apúblico para a poesia, o que, aliás, nunca organizadora em aprofundado estudohaveria de se repetir, guardadas as introdutório à guisa de prefácio que essesdevidas proporções no tempo. É de poetas, como jamais pretenderam servirressaltar ainda que, desde os primeiros à causa nacional, ―foram usualmentetempos do Brasil independente, a representados como alienados,literatura esteve comprometida com as desenraizados, fúteis, irracionalistas,questões vitais da nação, tendo assumido incompreensíveis, colonizados‖.a bandeira da causa abolicionista. Seja como for, como observa FranchettiEncerrada a questão da abolição da na apresentação, a poesia simbolistaescravatura — embora a situação dos reserva muitas surpresas ―e a leituraex-escravos nunca tenha efetivamente desta antologia por certo ajudará apreocupado o governo e as classes reverter a idéia de desinteresse que sedirigentes –, e estabelecida a República, colou à produção simbolista‖. Para quedesapareceram os grandes temas épicos. esta frase não fique aqui assim um tantoAssim, a poesia refluiu a um exclusivo solta, é de lembrar que Franchetti, autorcultivo artístico, calcado em movimentos de As aves que aqui gorjeiam — a poesiaeuropeus posteriores ao Romantismo. do Romantismo ao Simbolismo (Lisboa, Cotovia, 2005), navega por estas águasEmbora fique clara a influência do com mão de mestre, como diria Massaudmovimento francês, os parnasianos Moisés.brasileiros procuraram um caminhopróprio, o que explica o fato de terem Missal e Broquéis, publicados no Rio decaído no gosto da população ou pelo Janeiro em 1893, por Cruz e Sousa (1861-menos daquele público letrado que se 1898), teriam sido a primeirainteressava pelas coisas do espírito. Com manifestação em livro no Brasil docerteza, tal foi a importância do lugar Simbolismo ou Decadentismo. Por isso,
  22. 22. Almanaque Literário ―O Voo da Gralha Azul‖ – numero 8 – set/out/nov 2011 18além de peças de Cruz e Sousa, que Por isso, seria aceitável que algunsabrem o volume, a organizadora especialistas viessem a questionar a suarecolheu poemas de Alphonsus de exclusão, mas a verdade é que o estudoGuimaraens (1870-1921), B.Lopes (1859- introdutório de Francine Ricieri é tão1916), Eduardo Guimaraens (1892-1928), bem embasado e didático e suasMaranhão Sobrinho (1879-1915), Pedro extensas notas de leitura tãoKilkerry (1885-1917), Da Costa e Silva esclarecedoras que essa se torna uma(1885-1950), Emiliano Perneta (1866-1921) tarefa extremamente difícil e ingrata.e Alceu Wamosy (1895-1923). É de notar _______________________que B.Lopes aparece aqui também Antologia da Poesia Barroca Brasileira,porque sua poesia tanto tem traços 157 Págs., 2007parnasianos como simbolistas. Antologia da Poesia Árcade Brasileira, 126 Págs., 2007Desses, o mais visível nos dias de hoje é Antologia da Poesia RomânticaDa Costa e Silva, em razão do trabalho Brasileira, 286 Págs., 2007de resgate de sua poesia encetado por Antologia da Poesia Parnasianaseu filho, o poeta Alberto da Costa e Brasileira, 227 Págs., 2007Silva, ex-presidente da Academia Antologia da Poesia Simbolista EBrasileira de Letras, que tratou de Decadente Brasileira, 223 Págs., 2008republicar a produção do pai, embora Apresentação De Paulo Franchetti. SãoAlphonsus de Guimaraens e Emiliano Paulo: Companhia EditoraPerneta também sejam frequëntemente Nacional/Lazuli Editora.lembrados em estudos acadêmicos. Site: http://www.editoranacional.com.br/ E-mail: editoras@ibep-nacional.com.brOutro bem conhecido seria Augusto dosAnjos (1884-1914), cuja poesia apresentarecursos e temas relacionados à poesiasimbolista, mas a organizadora preferiudeixá-lo de fora da antologia, A delto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999),argumentando que incluí-lo seria Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada,fornecer do poeta ―uma visão que não 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e Bocagecondiz com a linha peculiar e tão – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003). E- mail: adelto@unisanta.brcaracterística em que sua poesia sedefiniu‖. Até porque a produção de Fonte:Augusto dos Anjos guarda igualmente Literatura sem fronteirastraços parnasianos e até mesmo pré-modernistas.
  23. 23. Almanaque Literário ―O Voo da Gralha Azul‖ – numero 8 – set/out/nov 2011 19 Trovas Tema: Paciência Ante as agruras da vida, no altar do seu coração… que nos chegam com freqüência, ERCY MARIA MARQUES DE FARIA a conduta mais contida BAURU/SP é seguir com paciência. ―Quando a dor chega a seu lar HÉLIO PEDRO SOUZA paciência é uma virtude NATAL/RN que se deve cultivar com amor em plenitude!‖ A Paciência é uma virtude SÔNIA DITZEL MARTELO que, junto à perseverança, PONTA GROSSA/PR de nós, afasta a inquietude, e traz de volta a esperança! Quem pratica a paciência, DELCY RODRIGUES CANALLES como virtude na vida PORTO ALEGRE/ RS supera toda ciência vence a mais perversa lida. Só com paciência se alcança WILTON DI CARLI o que se espera da vida. GUARULHOS/SP Siga com mais esperança a cada meta vencida! Paciência tem limite, LEONILDA YVONNETI SPINA eu sempre pensei assim; LONDRINA/PR embora não acredite, nosso amor chegou ao fim. Dá-me, Deus, com certa urgência, NEIVA FERNANDES a graça que aqui rabisco: CAMPOS DOS GOYTACAZES/RJ dez por cento da paciência que puseste em São Francisco! A virtude da paciência HUMBERTO RODRIGUES NETO nos traz equilíbrio e paz PIRITUBA/SP ao evitar a imprudência de uma atitude fugaz. Motorista, paciência… ALFREDO BARBIERI Calma lá, meu companheiro! TAUBATÉ/SP Não se esqueça: competência nem sempre é chegar primeiro! Um desafio na vida ANTONIO AUGUSTO DE ASSIS é vencer tribulações MARINGÁ/PR e a paciência nos convida a refrear emoções. Não há nada que se negue MARINA GOMES DE SOUZA VALENTE ao homem manso e cortês: BRAGANÇA PAULISTA/SP a paciência consegue muito mais do que a altivez! Quando a dor desta existência RENATA PACCOLA FRISCHKORN torna-se um fardo pesado, SÃO PAULO/SP a Deus peço a Paciência e na fé sigo amparado! É na sua deficiência, MARIA EMÍLIA LEITÃO MEDEIROS REDI que o cego, na escuridão, PIRACICABA/SP acende a luz da paciência
  24. 24. Almanaque Literário ―O Voo da Gralha Azul‖ – numero 8 – set/out/nov 2011 20 Contra a grande violência outro amor manda endereço. e a total insegurança, CLÊNIO BORGES é melhor ter paciência PORTO ALEGRE/RS e uma dose de esperança, ILZE SOARES Diante de tanta violência, SÃO PAULO/SP serena, medita e ora; espera com paciência Paciência teve Jó e vive no aqui e agora. que tantas dores sofreu, ELISA SANTOS perdeu tudo, ficou só PONTA GROSSA/PR mas, sua fé não morreu. MIFORI Se teu viver é exemplar, MOGI DAS CRUZES/SP com paciência e união, tua vida há de brilhar, Tenha a calma de um regato, como uma bela lição! da criança a inocência; ARLENE LIMA você verá que, de fato, MARINGÁ/PR a tudo vence a paciência. ADAMO PASQUARELLI A paciência na dor SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SP é virtude de alma forte. Vislumbra tão grande Amor, vai vencer até a morte. Neste mundo em que vivemos, ELISA ALDERANI de tanta pressa e aflição RIBEIRÃO PRETO/SP que paciência nós temos para ajudar um irmão?! Paciência!… Paciência!… DIAMANTINO FERREIRA Oh meu Deus, me dá um pouco… CAMPOS DOS GOYTACAZES/RJ Pois se dela, há carência, fico agindo como um louco. Loja de conveniência, RAQUEL DELVAJE farmácia e lanchonete PIRACICABA/SP ofereçam ―Paciência‖ em comprimido ou tablete. Houve pedras no caminho… GISLENO FEITOSA Em que eu tanto tropecei, TERESINA/PI com paciência e carinho, na esperança confiei! Todas as dores do mundo, CÉLIA APPARECIDA SILLI BARBOSA tem uma causa, uma essência. RIBEIRÃO PRETO/SP Mas, com fé e amor profundo, Deus nos provê Paciência! Paciência é uma virtude DILMA RIBEIRO SUERO que se tem, mas que se gasta ESTÁCIO/RJ quando se toma a atitude de, para alguém, dizer: – Basta! Paciência é um preceito ANTÓNIO JOSÉ BARRADAS BARROSO de quem tem fé, confiança, PORTUGAL e acredita no conceito: ―Quem espera sempre alcança‖ Tanta era a sua pobreza DECIO RODRIGUES LOPES com humildade e decência, MOGI DAS CRUZES/SP que, faltando o pão na mesa, lhe sobrava a paciência. Tenha paciência, senhora, OLÍVIA ALVAREZ MIGUEZ BARROSO na vida tem recomeço; PORTUGAL quando um amor vai embora,
  25. 25. Almanaque Literário ―O Voo da Gralha Azul‖ – numero 8 – set/out/nov 2011 21 Que Deus me dê paciência MARIA JOSÉ FRAQUEZA para sofrer esta dor FUZETA/OLHÃO/PORTUGAL de ver que a inconsciência mata e diz que é por amor! Se a paciência faltar GISELA ALVES SINFRÓNIO nas penas, que hão-de ser luz… OLHÃO/PORTUGAL Lembra Deus a carregar por nós, o peso da Cruz! Em teus braços meu amor CLARISSE BARATA SANCHES me sinto plena e feliz, GÓIS/PORTUGAL tua paciência é calor, dá a minha vida matiz. Se na dor, por excelência, NORA LANZIERI O amor é primordial… BUENOS AIRES/ARGENTINA Há o sofrer, com paciência, De quem sofre d‘algum mal! Os avanços da ciência, FERNANDO REIS COSTA por vezes vão devagar, COIMBRA/PORTUGAL preciso ter paciência Um homem sem paciência, para uma cura aguardar… nem na dor tira vantagem; ACIOLINDA SPRANGER e vê na sua existência LAGOS/PORTUGAL uma vida sem coragem! JORGE A. G. VICENTE Se diz não ter paciência SUIÇA pra ler, da Bíblia, conselhos; No sofrimento e na dor use da sua valência: rogo a Deus Sua clemência, Fale com Deus, de joelhos… resarei com mais fervor, MARIA DA CONCEIÇÃO CUSTÓDIO para me dar paciência… SANCHES ANTÓNIO BOAVIDA PINHEIRO GOIS/PORTUGAL LISBOA/PORTUGAL Com positiva paciência Paciência é virtude obra boa descortina, que no mundo pouco abunda; te diz a minha consciência hoje em qualquer latitude que sempre Deus ilumina. está quase moribunda. JAMIL WILLIAM PISCOYA AYALA EUCLIDES CAVACO FERREÑAFE/PERU CANADÁ Para todo o sofrimento Fonte: É preciso Paciência Projeto de Trovas Para Uma Vida Melhor (Resultados da 2a. Etapa) Um olhar com sentimento A quem vive na indigência.
  26. 26. Almanaque Literário ―O Voo da Gralha Azul‖ – numero 8 – set/out/nov 2011 22 Vicência Jaguaribe Mas a vida...A vida não se passa a limpoA velha senhora entrou no escândalo dos futuros sogros, que nãocompartimento que sempre lhe servira pretendia ter filhos. Seus pais não sede biblioteca e de gabinete. Em um horrorizavam mais com suas opiniões etempo em que a maioria das mulheres se posições fora dos eixos, conforme diziam.dedicava às tarefas domésticas, aos Ela fora assim desde pequena. Faziacuidados com os filhos e com o marido, tudo diferente das irmãs. Não obedeciaela passava horas naquela sala lendo e ao horário convencional de dormir nemescrevendo. Quando o noivo mandara de comer, nunca se adaptou àsconstruir a casa onde morariam depois imposições da escola, não gostava dode casados, ela só fizera uma exigência: que as outras meninas de sua idadeum aposento onde pudesse guardar seus gostavam. Era um astro quelivros, onde pudesse isolar-se para ler e determinava sua própria rotação, nãoescrever. Nem ao menos perguntara lhe importando se as leis da Físicaquantos quartos ou quantos banheiros mandavam ir para a direita ou para ateria a casa, nem quisera saber o esquerda. Diante do inexorável, os paistamanho da cozinha. A casa tinha tiveram que capitular.quintal, ficava do lado da sombra ou dosol? Disso ela não quisera saber. Não Ele, o marido, nunca reclamara de seusdesperdiçaria seu tempo com coisas desse desvios do eixo da rotina. Amara-atipo. incondicionalmente até o fim da vida. Ela lhe davaa impressão de que estava Puxou a cadeira do birô, sentou-se e sempre na expectativa de que algoaproximou o porta-retrato com uma acontecesse. A si mesmo ele dizia que afotografia do dia do casamento: ela e o mulher vivia sempre de véspera; paranoivo... não, ela e o marido. Quando ela nunca chegava o dia D. Sabia quetiraram aquela foto já eram marido e escrevia muito, mas nunca conseguiramulher, fora logo depois da cerimônia. que ela lhe mostrasse – a ele ou a outraPassou a mão sobre a imagem do pessoa – os textos que produzia. Quandomarido e recordou como ele fora entrava no gabinete e surpreendia-aapaixonado por ela. Uma paixão que a escrevendo, pedia-lhe permissão para lerrotina do casamento não conseguira o produto da vez. A resposta era sempreesfriar. Diante do desinteresse dela pelos a mesma:assuntos domésticos, das horas queroubava da convivência com ele e com - Não, agora não. Ainda está noos filhos para dedicar à leitura e à rascunho, quando passar a limpo, você ocomposição de seus textos, sua paciência lerá.era uma fonte inesgotável, que pareciarenovar-se todos os dias. E ele não insistia. Respeitava-a e amava-a demais para forçá-la a fazer Sabia não ter sido uma boa mãe. Não qualquer coisa que a deixassese enquadrava nos parâmetros que contrariada ou constrangida.determinavam se uma mulher era umaboa mãe. Nunca se entusiasmara com a A velha senhora levantou-se e passoumaternidade e não escondera isso do em revista as estantes com seus livros.noivo. Chegara mesmo a dizer, para Diante dos seus preferidos, parava.

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