Revista Literária                                         “O Voo da Gralha Azul”                                          ...
SUMÁRIO                                                                                      VII Concurso de Trovas da Aca...
Millôr Fernandes                                                          LITERATURA DE CORDELO Rei dos Animais .............
Nostalgia .................................................... 118        José Carlos A. BritoPoetas ........................
1                                        Ney Souza Lima                                           Gralha Azul         nasc...
2         – Escolha outro, filha. Esse é macho, vai virar   pensamentos. Foi ficando cada dia mais triste,touro. Já temos ...
3  se este amor for “coisa feita”,        e o luso da padaria,     foi coisa feita por Deus!        bem distraído, diz: – ...
4  Na melhor hora do tchan,           revezando as fantasias a rede arrebenta e … tchun!        de pierrô e de arlequim…  ...
5    a coroa é mais sem graça                      só restaram na velhice,     que rodízio de chuchu!                     ...
6Jogos Florais por todo o Brasil. Possui, também, premiações   Célio Grünewald, seu tio e grande incentivador na Trova eem...
7segundo lugar, é uma extensão singular do            editor. Como auto-editor, você administra umaprocesso criativo. Além...
8O início do livro                                   universal e chamativo para um enorme                                 ...
9uma aparência mais leve. Mas se você pretende          solução é contratar um editor assistentelançar um manual, o futuro...
10Sobre a revisão                                          similares ao seu para ter uma idéia do que                     ...
11para a fonte que você usou e todos os arquivos        local de armazenamento dos livros ou qualquergráficos. Eis o seu l...
12aparecem na página “Mais informações”, no             devolver os livros que não consegue vender. Sefinal deste artigo. ...
13                                      Cesídio Ambrogi                                       Trovas e Sonetos   Produziu ...
14“Sociedade Taubateana de Ensino” e                          Depois de ter ficado viúvo, Cesídioconsiderado presidente pe...
15                                                    =========Livros de Poesia                                    Fontes:...
16detalhes da vida de Lobato e ele respeitava a Dona      vendem ou vendem mal, concentraram no rabo delePurezinha (mulher...
17                                     Amosse Mucavele                                      Poegrafia ao Lêdo Ivo         ...
18pequenas correntes que as mantinham               estava deitado. Preocupada Maria foi até seususpensas, dando um toque ...
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011
Upcoming SlideShare
Loading in …5
×

6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011

13,091 views

Published on

Almanaque Voo da Gralha Azul numero 6

Published in: Education
0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total views
13,091
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
2
Actions
Shares
0
Downloads
42
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

6 revista o voo da gralha azul numero 6 janeiro maio 2011

  1. 1. Revista Literária “O Voo da Gralha Azul” n0. 6 – Paraná, janeiro/maio 2011 janeiro/ 2011 Idealização, seleção e edição: José Feldman Contatos, sugestões, colaborações: voodagralhaazul@gmail.comhttp://singrandohorizontes.blogspot.comEndereço para correspondencia:Rua das Mangueiras, 296-ACep.87080-680Maringá/PRQue a humanidade possa aprender com a nossa Gralha-azul e entender que oequilíbrio e o respeito ecológico entre fauna e flora é fundamental para a existênciado Homem na face da Terra!!! Prezado Leitor Esta revista não tem a pretensão e nunca poderá ser considerada como substituição aos livros,jornais, colunas, etc. que circulam virtualmente ou não, mas sim como mola propulsora de incentivo aocidadão para buscar novos conhecimentos, ou relembrar aqueles perdidos na névoa do passado. Por que o Voo da Gralha Azul? A Gralha Azul, que assim como semeia o pinheiro, ela alça voo esemeia no coração de cada um que alcançar, o pinhão da cultura, em todas as suas manifestações. Ao leitor, novos conhecimentos. Ao escritor ou aspirante a tal, sejam poetas, trovadores, romancistas, dramaturgos, compositores,etc., um caminho de conhecimento e inspiração. Obrigado por me permitir dividir consigo estes breves momentos, José Feldman
  2. 2. SUMÁRIO VII Concurso de Trovas da Academia Mageense de LetrasACADEMIAS ................................................................................258 XV Jogos Florais de Porto Alegre ..........................259Academia Paraibana de Letras ................ 100 X Concurso de Trovas do C.T.S./2011/Caicó-Rn ....Academia Paranaense de Letras .............. 107 ................................................................................259 XXXI Concurso Estadual/Nacional/2011 da ATRN - Academia De Trovas Do RN ................................259BIOGRAFIAS Concurso de Trovas de Taubaté – 2011...............260 XII Concurso Vicentino de Trovas.......................260Abel Fernandes.......................................... 206Al Mutamid ................................................ 186Almeida Garrett ........................................ 193 CONTOSAntônio Campos ........................................ 139Apolônio Alves Dos Santos ....................... 178 A. A. de AssisArlindo Tadeu Hagen ................................... 5 A Eleição da Vênus ........................................ 6Carolina Maria de Jessus ......................... 162 Abel FernandesCarolina Ramos .......................................... 20 A Reunião no Bosque do Sonho ................ 204Cesídio Ambrogi ......................................... 13 Alfredo Ciuffi NetoChico Anysio .............................................. 180 Noite de Lua Cheia ...................................... 17Cidinha Frigeri .......................................... 255 Aninha CalijuriCyl Gallindo ............................................... 139 O Grande Amor de Anitinha e Lazzini ...... 27Eno Teodoro Wanke .................................. 105 Carlo ManzoniFelipe Machado ......................................... 140 Porcaloca .................................................... 130Figueiredo Pimentel ................................... 59 Carlos Alberto OmenaFlorbela Espanca ....................................... 114 Crime na Mansão ...................................... 245Gislaine Canales ......................................... 73 Carlos Drummond de AndradeHeloisa Seixas .......................................... 255 A de Sempre ............................................... 226Ibn Ammar ................................................. 183 Carolina RamosJosé Afrânio ............................................... 133 O Tombo ....................................................... 19Lino Sapo ..................................................... 99 Chico AnysioLuís Fernando Veríssimo .......................... 133 Silêncio, Hospital ....................................... 179Maria Antônia Canavezi Scarpa .............. 142 Derotheu Gonçalves da SilvaMaria Eliana Palma .................................. 198 Padre Zico .................................................... 23Maria Nascimento Santos Carvalho ........ 203 Emir Macedo NogueiraMiguel Sanches Neto................................. 110 O Homem que Colecionava Caixas de FósforosMilton Hatoum ............................................ 22 ................................................................. 84Myriam Campello ...................................... 141 Um Caso de Emir como Professor .............. 86Nany Schneider .......................................... 48 Figueiredo PimentelSilas Correa Leite ..................................... 122 Histórias da Avozinha : O avô e o netinho . 58Vania Dohme .............................................. 64 Histórias da Avozinha : O soldado e o diabo58Vasco José Taborda .................................. 228 Heloísa SeixasWilliam Shakespeare ............................... 150 Assombração .............................................. 219 Jorge Fregadolli O Vendedor ................................................ 136CONCURSOS COM INSCRIÇÕES José Afrânio Moreira Duarte O barranco mais fotografado do Brasil .... 131ABERTAS Lima Barreto A Biblioteca ................................................ 156Antologia e Concursos Literários da APALA - Academia Um Músico Extraordinário ......................... 48Pan Americana De Letras E Artes ........................ 256 Lino SapoJogos Florais da Academia de Letras e Artes de Cambuci – Conhecendo as Cidades do Rio Grande do Norte2011....................................................................... 257 em um Conto ................................................ 96XLI Jogos Florais de Niterói – 2011..................... 257 Luís Fernando VeríssimoII Jogos Florais de São Francisco de Itabapoana.. 257 Pá, Pá, Pá ................................................... 254VII Concurso de Trovas da UBT Maranguape/CE .. Sexa ............................................................ 133............................................................................... 258 Lygia Fagundes TellesVI Jogos Florais de Cantagalo .............................. 258 A Chave na Porta ........................................ 43
  3. 3. Millôr Fernandes LITERATURA DE CORDELO Rei dos Animais ..................................... 207Monteiro LobatoO Rabo do Macaco ..................................... 144 Apolônio Alves dos SantosNilto Maciel A Discussão do Carioca com o Pau-de-Arara176Jornal de Domingo ...................................... 95 História do Cordel ..................................... 170Homens de Negócios.................................. 125 Métricas do Cordel .................................... 171Olga AgulhonO Bezerrinho Malhado .................................. 1Sônia Bettencourt NOSSO PORTUGUÊS DE CADAMar Vazio ................................................... 186 DIAENTREVISTAS A Língua Portuguesa agradece (e nossos ouvidos também) ..................................................... 145 Lingua PortuguesaMarcia Sanchez Luz Situações Didáticas ................................... 120em Xeque.................................................... 249ESTANTE DE LIVROS POESIAS Abú Bakr Mubammad Ibn-Ammar Ibn-Antônio Campos e Cyl Gallindo A Alcachofra ............................................... 182Panorâmica do conto em Pernambuco ..... 138 A Al’Mutamid (I)........................................ 181Ariano Suassuna A Al’Mutamid (II) ...................................... 182Auto da Compadecida ............................... 236 A Amada..................................................... 181Carolina Maria de Jesus A Leitura .................................................... 181Quarto de Despejo ..................................... 162 À Sannabus ................................................ 182Érico Veríssimo Maçãs e Peras ............................................ 181O Tempo e o Vento .................................... 229 Agenir Agenir Leonardo VictorFelipe Machado Amor de um Poeta ....................................... 28Olhos cor de chuva .................................... 139 Almeida GarrettFiodor Dostoievski - A Tempestade .......................................... 192Os Irmãos Karamazov .............................. 234 - O Anjo Caído ............................................ 193Jane Austen Al MutamidRazão e Sensibilidade ............................... 234 A propósito de uma carta .......................... 185Orgulho e Preconceito ............................... 235 Evocação de Silves ..................................... 185Myriam Campello “Quando será que estarei” ........................ 184Como Esquecer – anotações quase inglesas .. André Augusto Passari ............................................................... 140 O Mago da Ironia ....................................... 137Viriato Corrêa Augusto dos AnjosCazuza ........................................................ 142 A Máscara .................................................... 96William Shakespeare Apollo Taborda FrançaA Megera Domada ..................................... 148 As Quatro Raças ........................................ 161 Cesídio AmbrogiFOLCLORE Lenda: Cruz de ferro ................................... 13 Minha Terra ................................................. 13 Eno Teodoro WankeA Menina dos Brincos de Ouro ................... 67 Apelo ........................................................... 103Lenda da Missa dos Mortos ........................ 65 Desejos de retorno ..................................... 105O Saci-Pererê ............................................... 65 Epílogo........................................................ 104Os Compadres Corcundas ........................... 67 Gama .......................................................... 104Folclore Indígena Nascimento do soneto ................................ 103Origem da Música ..................................... 225 Omega ........................................................ 104O Folclore Negro na Literatura Norte-Americana Norte- Saudade ...................................................... 105 ................................................................. 82 Soneto vazio ............................................... 104 Florbela Espanca Amar ........................................................... 117 Deixai entrar a morte ................................ 117 Eu ............................................................... 116
  4. 4. Nostalgia .................................................... 118 José Carlos A. BritoPoetas ......................................................... 113 Florbela Espanca, a alma em expansão ... 115Ser Poeta .................................................... 118 Leny Magalhães MrechSonho vago ................................................. 118 A Criança e o Computador: Novas formas deVozes do Mar ............................................. 113 pensar ........................................................... 74Voz que se cala .......................................... 113 Manuel da FonsecaMárcia Sanchez Luz Os Olhos do Poeta...................................... 119Lua Negra .................................................. 249 Miguel Sanches NetoO amor no sonho ........................................ 248 Do perigo das idéias fixas ......................... 110Remendos ................................................... 248 Milton HatoumRéquiem para um homem simples, brasileiro Leitores Incomuns ....................................... 21 ............................................................... 249 Orientações Metodológicas para o Estudo Estudo188Maria Antônia Canavezi Scarpa Rubens ZárateSerá Incondicional ..................................... 141 A Fala-adornada-do-espírito, as Aldeias da SerraMaria Eliana Palma do Mar & a Terra em que Vivemos ............ 87Os Perfumes do Amor ............................... 197 Sylvia PlathNany Schneider Devaneios ................................................... 119Ciranda da Felicidade ................................. 47 Tom HarrisDois lados de mim ....................................... 47 Auto-publicação de um Livro (Como Funciona)Embalos de luz ............................................ 46 ................................................................... 6Então, Carnaval .......................................... 47 Vania DohmeIlusão ............................................................ 47 A História como Veículo de Comunicação .. 60Impossível .................................................... 46 Tradição dos Nativos Americanos de Crepúsculo eJangada da dor ............................................ 47 as Lendas Quileute de Lua Nova .............. 51Rei do Nada ................................................. 46Sonho ............................................................ 48Ney Souza Lima TEATROGralha Azul ................................................... 1Nilto Maciel O TeatroO Jangadeiro.............................................. 124 Origens e história ...................................... 208Poema em Dó Maior .................................. 123 Teatro no Brasil ......................................... 215Visionário ................................................... 123Sandra KezenCaravelas ..................................................... 86Silas Corrêa Leite TROVASO Poeta e o Ser Humano ........................... 122Vicência Jaguaribe A. A. de AssisNa Palma da Minha Mão .......................... 145 Trovas Brincantes ....................................... 90 Ademar Macedo Livro de Trovas .......................................... 242SOPA DE LETRAS (Crônicas, Arlindo Tadeu Hagen Trovas ............................................................. 2Artigos, etc.) A Trova nos Versos dos Trovadores .......... 29 Cesídio AmbrogiAlbert Uderzo e René Goscinny Trovas ........................................................... 13Asterix .......................................................... 53 Cidinha Frigeri Norte-A Literatura Indígena Norte-Americana ...... Trovas ......................................................... 255 .............................................................. .............................................................. 69 Dinair LeiteAmosse Mucavele Homenagem aos Irmãos Trovadores .......... 19Poegrafia ao Lêdo Ivo .................................. 17 Eno Teodoro WankeDavid Pontes Trovas ................................................. 103, 106Como se ensina o prazer da leitura .......... 191 Gislaine CanalesFelipe Conrado Trovas .......................................................... 70As Cartas de Lobato para Cesídio Ambrogi... Glosas ........................................................... 72 ................................................................. 15 Maria Nascimento Santos CarvalhoFlávia Carpes Westphalen / Sandy Anne Palestra sobre Trovas................................ 198Czoupinski Almeida Trovas Humorísticas (“BARAFUNDAS”) 252A Literatura Indígena Brasileira ............... 31 Vasco José TabordaGérson Valle Trovas ......................................................... 228Vozes Novas para Velhos Ventos ............. 127
  5. 5. 1 Ney Souza Lima Gralha Azul nasci entre os galhos da araucária nos braços da mãe natureza, aqui meu nome é Gralha Azul, sou Bicho do Paraná na terra de muito pinhão entre tropas e frio, nasci neste lugar no útero do Aqüífero-Guarani ninguém nunca viu, em nenhum estado há ave tão interligada como sou no Paraná! conheço o Parque Nacional de Ilha Grande o clima o relevo a argila e o Arenito Caiuá carrego entre as mãos o meu livro didático vi na história o índio Xetá e o Kaigang com a história da minha vida,dessa gente- -pássaro e as paisagens no varjão, do Rio Paraná nas campinas só sobraram eu e a araucária preciso dela para viver e ela precisa de mim andei caminhos trechos estradas e trilhos extinta, nos limites da serra do mar sou um só corpo com a fauna e com a flora sou Gralha-Azul, e do Paraná eu sou Símbolo em terras vegetadas,cheia de trilhas nuvens e para os bichos e as aves viver é voar passo os dias nas galhas a observar a Gaia as Araucárias novinhas, o grão que plantei represento essa gente, cabocla,roxa vermelha gente de olhos azuis na cidade, no campo a árvore nasce do solo, uma nova muda africanos, escravos, heróis de pele negra assim que o meu Paraná-uê tem que crescer no sul personalidades, folclore, lendas e fandango de uma arvorezinha destacar no mundo com as cores da Bandeira no corpo da Gralha -Azul eu faço parte da lenda e da realidade ave canora, ave azul, da cor da água sou Símbolo do Paraná, levo a semente Sete Quedas,os turistas, Cataratas do Iguaçu faço minha trilha, nutrida de pinhão e entre a mata desmatada solto meus gritos de trato da família no ninho paranaense Gralha ao ouvir sonoramente o grito de alimentação eu vi guerras, Bandeirantes, paraguaia e 3º Lugar Categoria Adulto no 16° Concurso de Poesia Contestado Pinheiro do Paraná 2008 até hoje tenho medo, da bala, da flecha e do machado Fonte: http://www.overmundo.com.br/banco/gralha-azule se eu fosse guerrear juntamente com os pássaros definindo nossas terras, exigindo nosso espaço?! Olga Agulhon O Bezerrinho Malhado Duas semanas depois, três vacas deram cria. Isa havia completado cinco anos. Houve festa na Isa, quando viu os bezerrinhos, não teve dúvida.Fazenda São Pedro, mas não ganhou, no dia, o Encantou-se, de imediato, com o bezerrinho malhado,presente que mais esperava dos pais, pois o que tinha cria da Mimosa.pedido ainda estava para nascer. Queria, há muito, um bezerrinho só para ela. – É esse, papai! Que lindo o meu presente!
  6. 6. 2 – Escolha outro, filha. Esse é macho, vai virar pensamentos. Foi ficando cada dia mais triste,touro. Já temos muitos na fazenda; o suficiente para comendo menos, até cair doente. Pegou uma fortecobrir as vacas que temos; não pretendo ficar com ele. gripe, a gripe piorou, virou pneumonia. – Mas, pai, ele…. É o meu presente… É esse Já havia passado um mês da venda doque eu quero. Malhado, quando o pai de Isa viu-se obrigado a sair à – As outras duas são novilhas. Escolha uma procura dele. Buscou notícias por toda parte. Achou adelas, e os bezerrinhos que ela tiver, quando ela pessoa que o havia comprado do leiloeiro.crescer, também serão seus. Se escolher o O dono, um tal de Onofre, adquirira o animal paramalhadinho, não prometo que ficará com ele até cobrir suas vacas, mas não teve sorte.adulto. – Olha, moço, não sei o que tinha o touro! Mas Isa nem ouvia mais o pai. Estava a Parecia doente, às vezes até triste. Estava sempreacariciar o bezerrinho. Ninguém a faria mudar de isolado do resto do gado e não cobria as vacas. Nemidéia. umazinha. Assim, não servia, não senhor. Sua vida mudou. Tornou-se mais alegre. Na Homem prático e conhecedor de gado quemaior parte do tempo estava com o bezerrinho. No era, o senhor Onofre não insistiu; comprou um bomcomeço ele era arisco, mas logo se tornou dócil; reprodutor e vendeu Malhado para o frigorífico.parecia entender a menina, que chegava a fazê-lo de Desanimado e desorientado, o pai de Isacavalinho. pensou, então, em procurar um substituto, outro O bichinho chegou a desgarrar-se da mãe, touro bem parecido. Talvez Isa percebesse que não eracomo se ela fosse menos importante que Isa. Ambos o mesmo; afinal, já fazia muito tempo que ela não viaforam crescendo e a amizade entre eles era cada vez o Malhado. Ficou dois dias fora de casa rodando amaior. região e, enquanto isso, Isa piorava. As coisas na fazenda também foram No terceiro dia, ele retornou com um touromudando. O pai de Isa estava mecanizando a terra em cima do caminhão.para plantar soja e, para isso, estava acabando com o – Que sorte, Marta! Comprei pelo dobro dorebanho. Ficara apenas com umas poucas vacas de preço, mas vai valer a pena. Achei um touroleite e escolhera o melhor touro. igualzinho ao Malhado. Nossa filha não perceberá Malhado crescera, já era touro e não havia nenhuma diferença. Ficará contente, ficará boa. Vámais lugar para ele na fazenda. O pai de Isa nem correndo buscá-la.pensou que a filha, depois de tanto tempo, iria ligar. Dona Marta voltou com a filha no colo, poisVendeu-o, junto com os outros, para um leiloeiro. a menina estava muito fraca para andar.Quando a menina chegou da escola, ficou – Olhe, Isa, achamos os seu Malhado!desesperada. Chorou o resto do dia, mas os pais nãolhe deram muita atenção. Acharam que passaria a sua A menina virou a cabeça, sem forças, emdor. direção ao touro. Seus olhos se entristeceram ainda mais. Não disse palavra alguma. Voltou a cabeça para Ao levantar-se, no dia seguinte, Isa continuou o colo da mãe e deu mais um suspiro.fazendo suas tarefas. Nos momentos em que estariacom Malhado, permanecia no quarto, tentando ler Fonte: AGULHON, Olga. Germens da terra. Maringá: Midiograf, 2004.alguma coisa, mas não conseguia distrair os Arlindo Tadeu Hagen Trovas Garimpeiro, pelos vãos dos teus dedos que envelhecem, É nossa união perfeita muda a riqueza de mãos magia para os ateus: para mãos que não merecem!…
  7. 7. 3 se este amor for “coisa feita”, e o luso da padaria, foi coisa feita por Deus! bem distraído, diz: – Ui!… Por magia, o sonho lindo, Enganador é o Ramiro,que me segue ao fim da estrada, que finge como ninguém, é um pombo alegre fugindo e só de “último suspiro” de uma cartola surrada! ele já deu mais de cem!… Trata o amor com fantasia Ela voltou de surpresa para fazê-lo viver; e eu pude assim, num só dia, o amor que perde a magia após chorar de tristeza tem muito pouco a perder!… também chorar de alegria! Ser seu amigo é um valor Faltaram surpresa e encanto que para mim não compensa, em nosso encontro no cais… para quem deseja o amor, Eu te esperei tanto, tanto, a amizade é quase ofensa!. que eu nem esperava mais… Cansei de crer tolamente Num mau-humor quase eterno, nos meus sonhos de menino. há quem, no viver sombrio,Nem sempre o que agrada a gente faz da vida um grande inverno… também agrada ao Destino! depois reclama do frio! Eu não troco as ilusões No verão ela anuncia Pelos caminhos mais certos. que o nudismo é a sensação Meu sonho de abrir portões e o que só o marido via, Despreza os portões abertos! agora todos verão! Bate à porta… e a desconfiança É inverno… e ao vê-Ia passar põe o Salim na agonia: num shortinho tentação, tem mais medo de cobrança eu mal consigo esperar do que gato de água fria! a chegada do verão! Por mais que a vida dê volta, Lembrando o amor que a iludia nosso carinho perdura… minha alma, feliz, revive… que a mão do tempo não solta Eu sei que foi fantasia as mãos dadas com ternura! porém foi tudo que eu tive! Recordo o velho sobrado… Ante a clonagem, desmaiameus pais… a infância inocente… o cientista pouco esperto: e as essências do passado fez a sogra de cobaia vão perfumando o presente!… e a experiência deu certo! Como negar evidências Minhas mágoas mais secretas sobre um Ser especial em versos vou transformando. se, na essência das essências, No horizonte dos poetas Deus é sempre essencial!?… Há sempre estrelas brilhando! - Casamento é mesmo o fim! Se a vida é mera passagem diz ela, no seu enfado, por este plano somente, - Quem suspirava por mim o preço desta viagem agora ronca ao meu lado!… é a própria vida da gente- Quero um suspiro, – Anuncia, Na rede, pela manhã, em frente, ao balcão, o Rui; sonhei com a loura incomum.
  8. 8. 4 Na melhor hora do tchan, revezando as fantasias a rede arrebenta e … tchun! de pierrô e de arlequim… Num constante caminhar, Minha alma reflete o tema a minha vida consiste de um passarinho fujão, na procura de um lugar vivendo o eterno dilema que nem mesmo sei se existe! entre a fome e o alçapão Meu coração tem lutado Num dilema de amargura, na guerra contra a razão: a Deus eu tento culpar soldado, à força alistado meu fascínio pela altura no exército de paixão! sem asas para voar. Saudade são velhos trapos, Partir… ficar… e o problema pedaços do coração, de espinhosa solução que fica feito farrapos enlaça em nós de dilema na cerca da solidão! as cordas da indecisão ! “Boa viagem” – perdoa Por ver a nossa ansiedade mas te atender não consigo ao ter de nos separar, que a viagem só é boa o dilema da saudade quando tu segues comigo! é saber com quem ficar. Numa batalha incontida Se alguns sofrem se sozinhos eu luto a ver se domino, e outros sofrem por amar, na imensa arena da vida, dilema é ter dois caminhos os touros do meu destino! e nenhum para trilharInfância é um brinquedo usado Sou gota d’água a cismar que um dia a vida resolve num dilema-desafio, tomar um pouco emprestado entre a ventura do mar e nunca mais nos devolve! e a segurança do rio Senti, no suave cheiro Ter ou não ter seu amor… que o vento me trouxe agora, Este dilema profundo que o vento passou primeiro me faz o mais sofredor pela rua onde ela mora! dos sofredores do mundo. Para mudar a visão Vens… não vens… e na incertezade quem não muda as retinas, do dilema que me cansa, Deus, em sábia decisão, a minha vida está presa encheu as ruas de esquinas! neste fio de esperança! Violando os frágeis abrigos, Meu sogro cheio de medo, a chuva lembra uma espada tenta a peruca escondercortando os sonhos mendigos e o que ele guarda em segredo no meio da madrugada. “tô” careca de saber ! Ao te esperar, na agonia, Para manter a mensagem entre o dilema e a incerteza, daquele adeus, na partida, minha vida é tão vazia eu gastei toda a coragem que transborda de tristeza que eu juntei durante a vida! Indecisos, nossos dias Minha sogra é uma desgraça: vivem dilemas sem fim, magricela e jururu;
  9. 9. 5 a coroa é mais sem graça só restaram na velhice, que rodízio de chuchu! as migalhas da saudade! Pobre horizonte pequeno Em dupla transformação,de quem crê, sem ver mais nada, a dois milagres assista: que uma rosa com sereno o trigo em forma de pão… é só uma rosa molhada e o pão em forma de Cristo. Selei, ao negar-te o abraço, Olho o perfil da cascata a minha sina de só. e tenho a impressão estranha A mão que desfaz um laço de ver um manto de prata nem sempre desfaz um nó! sobre as costas da montanha! Eras corda enfraquecida… O sol, em plena alvorada, e eu era uma corda só… abrindo o dia bonito, Fez-se o nó… e a mão da vida é uma cascata dourada jamais defez este nós! jorrando luz do Infinito. Maria é um resto somente Nossa seleção – coitada… no cais, largada ao desdém… nesta copa, em desatino, ontem – mar de tanta gente… em vez de dançar lambada, hoje – porto de ninguém!… dançou um tango argentino! As leis do sangue são vãs Diz o burro: – Não dá pé pois sinto, nas horas calmas, minha paquera travessa! nossas almas tão irmãs… Não sei fazer cafuné e não há sangue nas almas… numa “mula sem cabeça”!!! Eu te imploro, por favor, No forró, lá no escurinho, não insistas neste adeus. ante tanta iniqüidade, Se não for por meu amor, foi que meu primo Santinho fica pelo amor de Deus! perdeu sua “santidade”. . Mil conquistas… sonhos vãos O toureiro Chico Louro que passaram como a bruma… é chífrado onde estiver: Eu apertei tantas mãos Na tourada… pelo touro, e não segurei nenhuma!… No forró… pela mulher. As ruas são labirintos Num constante caminhar, onde eu noto, em profusão, a minha vida consiste milhões de dramas distintos na procura de um lugar vagando na multidão! que nem mesmo sei se existe! Respeita as dores e anseios na igualdade que proclamas e vê que os dramas alheios ARLINDO TADEU HAGEN nasceu em Juiz desão dos outros… mas são dramas! Fora-MG, em 01 de agosto de 1964, filho de Arlindo Hagen e Isaura Pinto Hagen. Profissionalmente é A casa quase vazia Engenheiro Civil, formado pela UFJF e atua no ramo da mostra ao ator, numa trama, construção civil. que outro drama se inicia Trovador atuante, pertence à União Brasileira dequando ele encerra o seu drama Trovadores – Seção de Juiz de Fora, onde já ocupou diversos cargos, sendo atualmente seu Presidente. Magnífico Do trigo da meninice Trovador nos Jogos Florais de Nova Friburgo, tem centenas e do pão da mocidade de Troféus e Medalhas obtidos em Concurso de Trovas e
  10. 10. 6Jogos Florais por todo o Brasil. Possui, também, premiações Célio Grünewald, seu tio e grande incentivador na Trova eem Poesias, Contos, Crônicas e outros gêneros menos à Academias Mineira de Trovas, Cadeira nº 36 – Patronovisitados. Luiz Otávio. Pertence à Academia Juizforana de Letras, Cadeira nº Fonte:07 – Patrono Oscar da Gama, cujo ocupante anterior foi UBT/ Juiz de Fora A. A. de Assis A Eleição da Vênus Era, sem dúvida, uma escola de samba muito Operava-se a venda dos votos durante os ensaiosoriginal, descontraída até no nome: Estraga-Lar, que da escola de samba, assim de gente nasaliás na época andava em campanha arrecadativa de arquibancadas, o animador de voz barrocafundos. Não exatamente com vistas a cobrir os ditos assanhando as torcidas, as candidatas calipigiando nadas cujas; muito pelo contrário: o povão tanto mais passarela. “Reparem no calipígio dela!”, provocavaaplaudia as moças quanto mais ventiladas fossem. Os inocente o espíquer. Bum-bum... bum-bum, ritmavamfundos seriam para reequipar a bateria, comprar os bumbos, como se soubessem traduzir o grego.novos adornos e outros ziriguiduns. Abertas, afinal, ruidosamente, as urnas, a falta de Os diretores decidiram que para animar a iniciação em cultura clássica fez diferença mínima. Acampanha (e aumentar o ganho com a venda de intuição do eleitorado mostrou-se mais uma vezvotos) haveria de surtir bom resultado a eleição de atenta: por polpuda maioria de votos, deu o título aalgo assim como rainha ou miss, porém que não fosse Margaridinha Pureza, sedutor arranjo de rotundas,uma coisa nem outra, títulos por demais bem-distribuídas e bronzeadíssimas virtudes.chavonizados. “Vamos pedir umas ideias ao professor Ah, sim, quanto ao significado de calipígio, oPolycarpo”, e lá se foram consultar o sábio da cidade. pessoal da Estraga-Lar só deu pela coisa muito tempo Machadiano, o velho mestre sintonizou a depois, quando um dos diretores, por acidentalinspiração nas graças da Grécia antiga, riu por dentro, curiosidade, resolveu conferir no dicionário. A partirbotou pra fora a solução: “Elejam a Vênus Calipígia. daí nenhuma outra Vênus se fez eleger por lá.Nenhum título expressará mais abundantemente o ======essencial nas artes do requebrado...” Obs: “Vênus Calipígia!”, repetiu de boca unânime a Calipigia, segundo o Dicionário Caudas Aulete é quem temdiretoria da Estraga. Todos tinham razoável noção do formosas nádegas.que fosse Vênus. De calipígios, contudo, pareciampouco entender (será?). Mas o professor falou, tava Fonte: ASSIS, A. A. De. Vida, verso e prosa. Maringá/PR: EDUEM, 2010.sancionado. Soava bonito, gordo, macio, solene.Vênus Calipígia ficou sendo o epíteto. Tom Harris Auto-publicação de um Livro (Como Funciona) Introdução Primeiramente, é uma solução intrigante para um problema antiqüíssimo. Como levar suas Para um escritor, a auto-publicação é palavras ao grande público – de preferência um conceito poderosíssimo e muito atraente. ganhando algum dinheiro ao fazê-lo? Em
  11. 11. 7segundo lugar, é uma extensão singular do editor. Como auto-editor, você administra umaprocesso criativo. Além de colocar as palavras pequena empresa. Dependendo de onde vocêno papel, a auto-publicação permite ao escritor mora, começar um pequeno negócio significacontrolar todos os aspectos de ser autor de um passar por algumas etapas simples.livro – ele cria o livro e participa ativamente do – escolher um nome – obviamente, vocêprocesso de levá-lo ao público. É uma mistura precisa de um nome de editora que ninguémharmoniosa, satisfatória e singular entre arte e mais esteja usando, para evitar confusões. Vocêcomércio. pode consultar livros e publicações para ver se Obviamente não é fácil, mas hoje em há alguém usando nome escolhido. O nomedia a auto-publicação não é tão difícil como se deve incluir a palavra “publicação”, a palavrapensa. Hoje, é possível produzir uma tiragem “gráfica” ou a palavra “livros”, para deixar clarosubstancial de um livro de qualidade por aos futuros clientes o que você faz. Na maioriaaproximadamente R$12 mil. dos casos, você prefere algo que tenha uma certa flexibilidade, que dê margem a diversasO contexto geral interpretações – se o seu primeiro livro é sobre metralhadoras, não dê à sua empresa o nome Qual o significado verdadeiro de auto- de “Editora Metralhadora”, porque talvez vocêpublicação? deseje escrever sobre outro assunto no próximo livro; Em sua essência, significa que, além deescrever, você cuida de tudo que uma editora – obtenha uma licença comercial – No casocuidaria. Isso não quer dizer que você faz tudo do Brasil, é preciso, então, abrir uma empresaliteralmente sozinho – não vemos muitos em uma junta comercial como micro ouescritores operando o prelo, por exemplo. pequena empresa.Significa que você contribui com o necessáriopara ajudar a criar o livro e financia o projeto – crie um logotipo – ou contrate os serviços detodo (com seu dinheiro ou com dinheiro um ilustrador.emprestado). Ou seja, auto-publicação significa que Além disso, você precisará de coisasvocê produz e financia um pequeno fundamentais para a operação de umaempreendimento dedicado a produzir e empresa, por exemplo:comercializar um único produto: seu livro (ou – uma conta bancária em nome da empresa;livros, depois que você entende como funciona você não quer misturar contas empresariaisa coisa). Na maioria dos casos, a meta do com o seu orçamento pessoal; por isso, separe-empreendimento é ter lucro com o decorrer do os desde o início;tempo – criar um produto que venda bem o – papel timbrado, cartões de visita, etc;suficiente para cobrir os gastos de criá-lo e um – uma página na Internet. É preciso obterpouco mais. hospedagem e reservar um nome de domínio Esse empreendimento comercial se adequado;divide em três etapas: – uma caixa postal na agência dos Correios, 1 – escrever, editar e ilustrar o livro; para que você possa receber correspondência. 2 – preparar o livro para impressão eimprimi-lo; Como empresário, é provável que você 3 – vender o livro. se enquadre em diversas deduções fiscais. Por exemplo, se você escreve em casa, parte de suas Cada uma dessas etapas engloba tomar despesas domésticas são despesas de trabalho,muitas medidas e decisões individuais, como bem como seu computador, espaço paraveremos. armazenamento de livros, etc. Para obter uma lista completa do que você pode ou nãoAnatomia de um editor deduzir, será preciso a orientação de um contador. Antes de falarmos da criação de umlivro, vejamos os detalhes para se tornar um
  12. 12. 8O início do livro universal e chamativo para um enorme mercado-alvo, é também de grande relevância Na maioria dos casos, o primeiro passo que os seus livros possam vender tanto nasna auto-publicação é ter uma idéia para o livro. livrarias quanto no varejo de especialidades.Você pode auto-editar quase tudo que quiser, Nos meus livros, por exemplo, uma das boasmas se deseja ter lucro, é bom considerar o seu coisas é que depois de meses tentando vendê-livro não apenas como uma obra de arte, mas los, fui aceito por uma grande rede varejista emtambém como um produto vendável. Qual o todo o país chamada USA Baby… Eles colocampúblico que mais se interessa pelo assunto e meus livros ao lado do caixa e vendem muitocomo chamar sua atenção? bem ali. Todos têm uma opinião sobre o quevende e não falaremos muito sobre isso aqui – Que tipo de livro?faz parte do processo criativo individual peloqual passam os auto-editores. O mais Você não precisa saber exatamenteimportante é que, como auto-editor, você tem quantas páginas seu livro terá antes mesmo deque considerar as vendas como qualquer começar a escrevê-lo. Mas se você tem umagrande editora faria. A primeira etapa é ter meta e sabe que tipo de livro vai criar, poderáuma abordagem para o livro que o torne planejar seu orçamento adequadamente.valioso para o público. Entre outras coisas, isso Primeiro, a decisão mais abrangente:significa quais os livros semelhantes que você quer um livro capa dura ou brochura? Aexistem no mercado e como eles vendem. impressão de livros de capa dura é bem mais Obviamente, o dinheiro não é tudo. onerosa e, por causa do preço de capa maisPouquíssimos livros serão campeões de venda e elevado, ele pode vender menos do que amuitos auto-editores não estão nem um pouco brochura.preocupados em ganhar dinheiro. Mas mesmo Depois de tomar essa decisão, vocêdeixando o lucro de lado, é fundamental ter pode definir quantas páginas terá o livro. Penseum plano de negócios baseado no que você no escopo do que você tem a dizer e verifique oacredita que pode vender. Ou seja, não faz número de páginas de livros com conteúdosentido imprimir 10 mil livros se livros como o semelhante. Mas também pense como vocêseu costumam demorar três anos para vender quer que o livro seja. Basta pegar um livro quemil cópias. tenha o mesmo tamanho e formato do que Além do assunto e da abordagem, um você tem em mente.auto-editor precisa pensar sobre o livro como Quando você encontrar um bomum produto físico real. Será um livro de capa modelo para seguir, conte o número dedura ou brochura? Quantas páginas? Quanto palavras por página. Multiplique-o pelocustará? Todas essas perguntas estão inter- número de páginas. Depois, subtraia palavrasrelacionadas, como veremos na próxima seção. das “páginas atípicas” – a primeira e a última de cada capítulo (essas não costumam serO assunto certo cheias), páginas em branco numeradas e páginas no início e no final do livro. Isso lhe É útil escolher um assunto que é dará uma estimativa do número de palavras dosempre atual. livro. Se você calcular quantas palavras há em Ou seja, as pessoas fazem filhos, isso uma página de seu programa de processamentonunca vai sair de moda. Bebês nascem o tempo de texto (ou no papel, se você usar umatodo, ano após ano; por isso, o público máquina de escrever ou se escrever à mão),continua se renovando… você terá uma meta para o número de páginas. Quanto mais livros você tiver no Por que isso é importante? Porque émercado, mais fluxo de caixa você pode gerar. preciso pensar na psicologia do indivíduo queMinha idéia é continuar acrescentando livros, compra livros. Se você pretende criar um livrosem tirar nenhum. Todos são viáveis no para presente, brochura, você não vai querermercado, todos geram dólares… um volume de 500 páginas, porque ele ficará Ao escolher o assunto a ser publicado, parecendo uma enciclopédia. Se o público-alvoalém de ser importantíssimo que ele seja tem um interesse mais casual, o livro deve ter
  13. 13. 9uma aparência mais leve. Mas se você pretende solução é contratar um editor assistentelançar um manual, o futuro cliente não freelance. Ele tem a mesma função do editorpensará que um livro de 100 páginas é que trabalharia com você em uma editora –vantajoso. Os leitores escolherão o livro mais você pode lhe mostrar rascunhos e esboços, egrosso na prateleira ao lado do seu, porque ele ele pode editar algumas partes para melhorar oparece mais substancial. livro. A diferença, é claro, é que você tem a O preço também é importante. Mais palavra final e não ele. Teoricamente, apáginas custam mais e certos múltiplos de principal coisa que esses profissionais trazempáginas são menos onerosos do que outros. As para a publicação de livros é seu conhecimentográficas imprimem um determinado número especializado – um editor assistente precisade páginas de cada vez – em geral, 32 páginas, saber como criar um bom livro.frente e verso. Isso significa que é bem mais O custo de um editor assistentebarato imprimir um livro de 320 páginas do freelance entra em seu orçamento total para oque um de 321. Não é preciso tomar essa livro. Dependendo do seu modo de trabalhar,decisão logo no início, mas é algo a ser a presença desse profissional pode lhe pouparconsiderado quando você estiver com o livro tempo e ser um gasto que vale a pena.quase pronto. Além disso, você talvez queira a ajuda de outros profissionais. Na próxima seção,Tamanho é documento falaremos das outras pessoas que você poderá incluir em sua folha de pagamento. Com o primeiro livro, Walter Roarkreavaliou a sua escolha do tamanho do livro: Solicite reforços“Decidi que o primeiro livro ficou um pouco fino. Oprimeiro livro tem 160 páginas, ou seja, 5×32. E Além do editor assistente freelance,decidi que o segundo seria mais substancial porque o você pode conseguir mais ajuda durante obebê de 1 a 3 anos é mais complicado do que o processo de criação do conteúdo. Talvez vocêrecém-nascido. Decidi que o livro teria 224 páginas precise de:– 7×32. Também tive a impressão de que se ele – Um ilustrador ou cartunista para asparecesse mais substancial – um pouco mais páginas internas do livro ou a capa.volumoso – as livrarias ficariam mais tentadas a – Um pesquisador de fotos paravendê-lo. A Borders não quis pegar meu primeiro localizar fotos ilustrativas e obter permissãolivro… para usá-las. Uma coisa que entendi é que capas – Um revisor para revisar o texto final,chamam a atenção, mas quando estão só com a melhorar a redação e corrigir possíveis erroslombada para fora eles somem. Por isso, pensei em gramaticais ou de digitação.fazer o livro um pouco mais volumoso – assim, eleteria uma lombada maior e não se perderia. Foi isso A revisão é muito importante. Vocêque eu fiz e a Borders pegou meu segundo livro“. pode confiar em sua própria revisão, com a ajuda de amigos e familiares, mas se quiser umA criação do conteúdo texto coerente, relativamente sem erros, provavelmente terá de contratar um revisor Depois que você escolhe o tipo de livro experiente. Você ficará surpreso ao ver como éque deseja produzir, é hora de começar a difícil encontrar todos os erros em um artigoescrevê-lo. A maneira mais óbvia é fechar a de 1.500 palavras; imagine em um livro inteiro.porta para o mundo, escrever o que você quiser De modo geral, o período de criaçãoe só se preocupar com a edição depois. Mostre- diz respeito à redação, revisão e ilustrações.o à família e aos amigos quando você quiser Mas se você estiver trabalhando no conteúdomas, fora isso, faça do jeito que achar melhor. de seu livro, também precisará fazer algumasVocê não tem que se preocupar com o editor. coisas para que seu trabalho se transforme em Para muitos auto-editores, isso não um livro de verdade. Na próxima seção,funciona muito bem – e eles se perdem sem analisaremos estas etapas simples.alguém com quem possam trocar idéias. Uma
  14. 14. 10Sobre a revisão similares ao seu para ter uma idéia do que escrever. A revisão é uma parte importantíssima do – Você pode escrever uma biografia doprocesso final, porque por mais que você leia e releia autor para a quarta capa.o seu texto, você ficará surpreso com a quantidadede errinhos – pontuação, erros gramaticais – Depois que você terminar de escreverexistentes em um manuscrito eletrônico. É incrível. o conteúdo, é hora de colocá-lo na forma de livro. Na próxima seção, analisaremos esseO que um livro de verdade precisa processo. Os componentes básicos de um livro Preparar para imprimirsão óbvios – páginas de texto e de desenhos,encadernadas entre as duas capas. Mas para Até agora, o seu “livro” ainda não éque a sua obra seja um livro viável que possa um livro propriamente dito – é apenas umocupar as prateleiras de livrarias e de manuscrito. A próxima etapa é converter essebibliotecas, ele precisa de mais algumas coisas. manuscrito em uma forma pronta para serAntes de imprimi-lo, você precisa: impressa – a base para o que vai se tornar um – Obter um número ISBN – é como o livro real.número do CPF dos livros – todo livro Isso é muito mais fácil hoje. Com umimpresso tem um número exclusivo, e as microcomputador de boa qualidade e olivrarias, atacadistas de livros e outros usam software adequado para editoração eletrônica,esse número para identificar determinados você pode criar um livro pronto para sertítulos. Para obter o ISBN, você preenche impresso na forma digital. Com esse software,alguns formulários, pagar uma taxa. No Brasil, é possível configurar margens e tamanho daquem é responsável pelo número é a Fundação letra para obter o número de páginas desejado.Biblioteca Nacional. Você não pode simplesmente enviar à – Obter um código de barras EAN – gráfica um documento do Word formatado,trata-se de um código de barras UPC que pode porque esse tipo de programa deser conseguido pela Associação Brasileira de processamento de texto não é projetado paraAutomação Comercial. os drivers de impressão necessários para se usar – Definir um preço – você terá que uma impressora gráfica. Assim, é precisoimprimi-lo no livro; portanto, você precisa dele formatar o livro usando alguns programasantes da impressão. Mas você precisará dele o específicos: Quark Xpress (site em inglês) oumais cedo possível para que possa controlar o Adobe Pagemaker (site em inglês), porseu orçamento. O bom senso convencional diz exemplo. O software não é barato, e não é fácilque o seu livro deve custar, no mínimo, cinco aprender a usá-lo, mas a pessoa versada emvezes o valor de cada livro na produção inicial. computação poderá compreendê-lo comPara calcular o preço certo, veja livros relativa facilidade.semelhantes. Na maioria dos casos, definir um Além disso, você não pode usar umapreço menor do que o da concorrência não das fontes que vem com o seu programa deajuda as vendas; por isso, escolha um preço processamento de texto. Para o material prontomédio. para ser impresso, você precisa de uma fonte Postscript, além de drivers de impressão Outras coisas a considerar: Postscript. – Talvez você queira solicitar Para adicionar ilustrações, vocêcomentários (aprovações) para a quarta capa de precisará de um scanner de alta qualidade eseu livro. um bom programa gráfico, como Adobe – Você terá que escrever o material pré Photoshop (site em inglês), para que o textoe pós-textual para o seu livro – prefácio, fique pronto para a impressão.sumário, a página sobre direitos autorais e os Com o seu programa de editoraçãoagradecimentos que costumamos ver no início eletrônica, você pode montar cada página doou no final dos livros. Veja livros publicados livro. Depois, grave tudo em um CD – o arquivo de editoração eletrônica, o arquivo
  15. 15. 11para a fonte que você usou e todos os arquivos local de armazenamento dos livros ou qualquergráficos. Eis o seu livro, na forma digital, outro lugar que você escolher (por exemplo,pronto para a gráfica. diretamente a um atacadista de livros para quem você vendeu). É hora da etapa final:Para a gráfica divulgar e vender o livro. Depois que o seu livro estiver na forma Números e preçodigital, você precisa encontrar uma gráfica.Para isso, é preciso pesquisar um pouco o A maioria dos auto-editores começammercado. Faça pesquisas e encontre algumas com uma produção de 1.000 a 5.000 livros.gráficas especializadas em livros com as quais Walter Roark comentou suavocê possa trabalhar. Muitas gráficas costumam experiência: “Constatei que se eu quisesse imprimirimprimir apenas folhetos – certifique-se de 3 mil livros – que me parece um pouco ambiciosoprocurar gráficas especializadas em livros, que quando olho para trás, mas foi isso que eu deciditêm experiência no assunto. fazer, porque quanto mais livros impressos, menor o Peça a cotação para algumas gráficas – preço. Resolvi imprimir 3 mil e pedi que osum preço para a impressão, que a gráfica enviassem ao meu escritório, no porão de casa. Foihonrará por 30-90 dias – e solicite amostras de um dia assustador.trabalhos similares feitos no local. Compare e Recebi cerca de 47 caixas com 72 livrosveja quem oferece os melhores resultados com cada, que minha mulher e eu carregamos da portao melhor preço. de casa até o porão. Pouco mais de dois anos depois, Para fazer uma cotação, você terá que esvaziei a última caixa daquela primeira remessa. Jádecidir quantos livros deseja imprimir. Grande imprimi cerca de 10 mil livros até agora, desde aparte do custo da impressão está em preparar a primeira vez, e isso aconteceu há pouco mais de trêsgráfica para o trabalho. Por isso, você anos“.conseguirá um preço menor por livro seimprimir uma quantidade maior de uma só Marketing inicialvez. Contudo, se você superestimar o númerode livros que pode vender, acabará gastando Antes da data de publicação de seumuito dinheiro que não conseguirá recuperar livro, sua obra terá que chamar a atenção deem um período de tempo razoável. Essa é uma algum crítico importante ou, pelo menos,das decisões comerciais mais importantes que começar a circular entre os formadores devocê terá que tomar, que influencia opinião. Algumas etapas possíveis dediretamente seus lucros imediatos. marketing: Antes da gráfica imprimir o seu livro, – Procure sites ou blogs que divulgamela deverá imprimir provas. Quando as provas o tipo de material que você está publicando.ficarem prontas, é seu dever verificar cada – Faça uma assessoria de imprensapágina para que não haja erros. Qualquer coisa própria, divulgando, mesmo antes doque não estiver em seu arquivo original é erro lançamento, para algumas publicações que temde impressão – a gráfica terá que consertar e um perfil de leitores semelhante ao que leriaarcar com as despesas. Qualquer erro que seu livro.estiver em seu arquivo original é um ajuste doautor (AA), que significa que você terá que O marketing continuará enquantopagar por ele (embora a gráfica permita um você estiver vendendo livros. O marketing sedeterminado número de correções gratuitas). divide em duas áreas: promover o seu livroDepois de revisar as provas, você deve passá-las para revendedores (por exemplo, livrarias ouà gráfica para que façam as devidas correções. feiras) e para o público real para que as pessoas Neste ponto, ou ainda antes, a gráfica possam encomendá-lo e procurá-lo nas lojas.pode imprimir provas de granel (as primeiras Há dúzias e dúzias de truques e estratégias paraversões encadernadas do livro). Você poderá fazer o marketing nas duas áreas. Vocêusá-las para começar a divulgar o livro. encontrará muitas idéias nos livros e links que Finalmente, a gráfica criará uma provainteira do livro, e enviará as cópias à sua casa, o
  16. 16. 12aparecem na página “Mais informações”, no devolver os livros que não consegue vender. Sefinal deste artigo. os livros não estiverem danificados, você tem de devolver o dinheiro ao comprador. HáMarketing criativo também quem venda em consignação, ou seja, você entrega o livro e só recebe se o livro for A experiência de Walter Roark’ foi que vendido.o marketing aconteceu, de certo modo, na base Você precisará de um contrato deda tentativa e erro – algumas coisas termos e condições que defina, com detalhes,funcionaram, outras não. Ele deu algumas como você administrará a transação – quais osorientações: descontos que você oferece, como você lida “Constatei que gastar o tempo de maneira com as devoluções, como você faz a cobrança,abrangente é melhor do que trabalhos detalhados, etc. Os seus termos e condições dependemtentando vender um livro de cada vez. Quando apenas de você, mas você terá que trataraloco os meus dólares para o orçamento determinados tipos de compradores de certapromocional, tomo o máximo cuidado e sigo aquilo forma para fazer negócios. Por exemplo:que funciona. Constatei que enviar postais é muito – as livrarias individuais geralmentebom. É uma ótima opção de mala direta, com custo têm 40% de desconto do preço de capa;razoável; por isso, eu os envio aos bibliotecários. – atacadistas e distribuidores em geral Eis uma coisa que não valorizei muito no têm 50 – 55% de desconto do preço de capa;início – o mercado das bibliotecas. Um livro na – distribuidores exclusivos têm 62 abiblioteca é lido por muitas pessoas; por isso, um 67% do preço de capa.único exemplar chega a diversas pessoas“. Vender é um processo contínuo queVendas pode durar anos (sem tomar muito tempo). Quando a sua primeira remessa de livros acaba, Quando finalmente chega a data de e ainda há demanda, você volta à gráfica parapublicação, você tem apenas uma tarefa: fazer pedir a próxima remessa. Se o seu livrocom que as pessoas comprem o seu livro. Para realmente fizer sucesso, talvez você consiga umcompradores individuais de livros, isso é bom negócio com uma editora maior capaz desimples. Eles pagam o preço de capa, você aumentar o nível de suas vendas. No decorrerregistra a transação e envia ou entrega dos anos, muitos autores bem-sucedidospessoalmente o livro. Mas os compradores usaram esse caminho para entrarem na tela deindividuais de livros formam o menor grupo de radar das editoras.sua base de clientes. Os seus principais clientes O melhor momento de escrever umsão: livro costuma ser no início do processo – – livrarias independentes; quando estamos sentados ao computador, – atacadistas, que recebem pedidos de transformando nossas idéias em palavras. Pormuitas livrarias; eles só compram o que outro lado, o melhor momento da publicaçãoprecisam ou que esperam precisar; acontece depois que fazemos todo o trabalho – – distribuidores, que compram livros quando recuperamos nossos custos iniciais, epara revendê-los às livrarias; cada livro vendido é dinheiro que entra em – distribuidores exclusivos, que nosso bolso. Essa é a recompensa máxima decuidarão de tudo que a venda de seu livro um auto-editor.engloba em troca do direito exclusivo de Tom Harris é redator freelancer e bacharel emdistribuição; Inglês pela Universidade da Carolina do Norte. – vendedores de livros virtuais. Fonte: Dois novos fatores entram na questão Como funciona a auto-publicação. por Tom Harris – traduzido por HowStuffWorks Brasilcom esses clientes – descontos e devoluções. http://empresasefinancas.hsw.uol.com.br/auto-Para garantir o lucro, os vendedores de livros publicacao4.htmsempre compram livros bem abaixo do preçode capa, e a maioria se reserva o direito de
  17. 17. 13 Cesídio Ambrogi Trovas e Sonetos Produziu inúmeras Trovas, como estas que Um velho casarão acaçapado.são conhecidas no meio trovadoresco em todo Nossa casa tranqüila e hospitaleira.Brasil: O Cruzeiro lá em cima, em plena serra, “Sempre em lágrimas, tristonhos, Braços abertos para a minha Terra… são os olhos das rendeiras, E, eu criança e feliz. Que doce idade ! que a tecer rendas de sonhos envelheceram solteiras! Hoje, porém meu Deus, quanta emoção! Do meu peito no triste mangueirão, Morro de inveja do mar, Cavo e soturno, o aboio da saudade…”. felizardo, vagabundo, que não se cansa em beijar LENDA: CRUZ DE FERRO as praias de todo o mundo! No mais alto da serra, junto à estrada, Em Taubaté não me arrisco no ermo sertão, na paz silenciosa, a afirmar, mas acredito, por crentes mãos, um dia ali plantada, que em terra de São Francisco, a Cruz de Ferro se ergue majestosa. quem manda é São Benedito! E cansado de longa caminhada, Do bairro a mulher mais bela ante a cruz solitária e misteriosa, mora na esquina, a Gioconda. o viandante, ao passar, susta a jornada, – Rondam tanto a casa dela orando aos céus, em prece fervorosa. que a esquina ficou redonda…”. E a grande Cruz de Ferro, “…Penso em ti. Mas a esperança, negra e muda, insensível aos tempos, de ver-te minha, se trunca: a ação ruda, serena, - Meu sonho sempre te alcança, sempre a mesma olhando o mar… mas eu não te alcanço nunca…” E – milagre! – em abril, contam viajores, O seu romântico Soneto, em homenagem à se lhe enroscam nos braços rubras flores,sua terra natal Natividade da Serra, é de uma como se fossem rosas a sangrar…“Poesia lírica” talvez um dos únicos da nossalíngua, sem Verbo: MINHA TERRA CESÍDIO AMBROGI (1893 – 1974) Cesídio Ambrogi (Natividade da Serra, Meu vilarejo um cromo estilizado. 22 de maio de 1893 — Taubaté, 27 de julho de O Largo da Matriz. Uma palmeira. 1974). Considerado um dos maiores nomes da A cadeia sem preso nem soldado. intelectualidade valeparaibana do século XX. Calma em tudo. Silêncio. Pasmaceira. Foi professor, escritor e jornalista. Poeta eclético, sonetista emérito, além de Andorinhas em bando no ar lavado. notável trovador. Fundador de diversos O rio. O campo. Além de uma porteira, periódicos, foi também um dos fundadores da
  18. 18. 14“Sociedade Taubateana de Ensino” e Depois de ter ficado viúvo, Cesídioconsiderado presidente perpétuo da União Ambrogi em 21 de fevereiro de 1938 casou-seBrasileira de Trovadores (UBT-Taubaté). com sua segunda esposa, a talentosa professora, Como trovador fez jus a vários troféus advogada e trovadora Lygia Teresinhae menções honrosas. Colaborou assiduamente Fumagalli, com quem teve os seguintes filhosnos diversos órgãos da imprensa do Vale do nascidos em Taubaté: Elisa Mariana AmbrogiParaíba e de São Paulo. nascida no dia 21 de maio de 1939, Cesídio Ambrogi Filho, nascido no dia 25 de julho deBiografia 1941, Walfrido Ambrogi nascido aos 04 de setembro de 1943, Anabela Ambrogi nascida Filho dos comerciantes Bernardo aos 20 de julho e 1945 e Lygia Mara AmbrogiAmbrogi e de Marianna Nardi, imigrantes nascida aos 19 de fevereiro de 1947.italianos vindo para o Brasil, estabelecidos em Por várias décadas, como mestre eNatividade da Serra no final do século XIX. poeta, o grande Cesídio Ambrogi honrou o seuNasceu e passou sua infância em Natividade da mister, dedicando-se ao magistério com amor eSerra onde amava pássaros. Em 1905 sua dignidade, tendo lecionado lingua portuguesa efamília se transferiu pra Taubaté onde fez seus literatura brasileira, exercendo notávelpreparatórios e ingressou no tradicional ginásio influência na formação de professores, muitos“Nogueira da Gama” de Jacareí, no qual dos quais, pontificam hoje na Universidade deconcluiu o curso secundário. Tentou estudar Taubaté.engenharia na Escola Politécnica de São Paulo, Cesídio Ambrogi faleceu no dia 27 demas sem êxito. Foi pra Itália, onde se julho de 1974, às 19h e 15min no Hospitalmatriculou na Universidade de Pisa, como Santa Isabel de Taubaté, vítima de insuficiênciaaluno do curso de Engenharia e Letras respiratória aguda e de carcinomaClássicas que se graduou. Com a eclosão da broncogênico. Está sepultado no CemitérioPrimeira Guerra Mundial interrompeu os Municipal de Taubaté, Quadra 19, túmuloestudos e regressou ao Brasil em companhia do 102.primo Dante Cicchi. Algum tempo depois tentou colocação Cesídio Ambrogi e Monteiro Lobatono alto comércio do Rio de Janeiro onde o paidesfrutava de boas relações comerciais. Sua mãe Cesídio Ambrogi foi amigo íntimo donão vendo vocação do filho para trabalhar com escritor Monteiro Lobato de quem recebeu ocomércio, trouxe-o de volta para Taubaté e apelido de “jacaré”. E entre as inúmerasatravés da influência dos amigos da família correspondêcias trocadas, a famosa frase escritaPuccini, foi nomeado para o cargo de coletor por Monteiro Lobato ao amigo Cesídiofederal, que lhe fora oferecido. Ambrogi: ” As coisas mais belas que um leitor Mais tarde aceitou o convite para encontra num livro não são o que pomos neleexercer as funções de fiscal federal, junto à – são as que estão dentro do leitor e nós apenasantiga escola de comércio de Taubaté. Em sugerimos”.meados da Década de 20, Cesídio Ambrogi já Durante o período que Monteirodispunha de uma apreciável bagagem literária Lobato esteve no comando literário das(Prosa e Verso) o que lhe valeu o convite para editoras Monteiro Lobato & Cia e Companhiafigurar no primeiro corpo docente do recém Editora Nacional, ele apresentou e publicoucriado ginásio do estado, em Taubaté. algumas obras do amigo Cesídio Ambrogi. Casou-se duas vezes com mulheres dedescendência italiana. Seu primeiro casamentoem 22 de maio de 1920 com PetronilhaChiaradia, falecida em 26 de julho de 1933, Obras Literáriasteve um casal de filhos nascidos em Taubaté:Bernardo Ambrogi Neto nascido no dia 21 de O Caboclo do Vale do Paraitinga, São Paulo,abril de 1927 e Teresa Maria Ambrogi 1943.conhecida como Tita nascida no dia 28 de O opúsculo satírico “Janíadas”, publicado comjulho de 1928. o pseudônimo de K. Mões de Araque, 1945.
  19. 19. 15 =========Livros de Poesia Fontes: http://www.litoralvirtual.com.br/litoral/lenda_cruzdeferro.htmAs Moreninhas 1943. http://pt.wikipedia.orgOs Poemas vermelhos 1947. http://www.jornaldacidadedepinda.com.br Felipe Conrado As Cartas de Lobato para Cesídio Ambrogi Monteiro Lobato Cesídio Ambrogi Escritos íntimos de Monteiro Lobato a pintora Georgina Albuquerque, que teve grandeque estudiosos sabiam existir, mas que sucesso“, afirmou.permaneciam guardados a sete chaves vão vir à A partir das cartas, os autorestona em breve. O pesquisador Pedro Henrique iniciaram uma pesquisa aprofundada sobre asRubim e os jornalistas Vladimir Sacchetta e origens e infância de Lobato, mostrando desdeMárcia Camargos vão utilizar 57 cartas de a vida de seu avô, o Visconde de Tremembé atéLobato enviadas ao escritor Cesídio Ambrogi a amizade com os três jacarés (Gentil deentre 1919 e 1945 para revelar fatos Camargo, Urbano Pereira e Cesídio Ambrogi),desconhecidos e a relação de Lobato com passando pelo início de sua carreira e até osTaubaté. métodos de conquista utilizados por ele na Após conseguirem convencer a viúva juventude.de Ambrogi, Lygia, que tinha as cartas e ORIGENS – Para Vladimir Saccheta,recusou inúmeros pedidos de estudiosos que foi um dos autores do livro ‘Monteiroanteriormente para cedê-las, o grupo partiu Lobato -Furacão da Botocúndia’, as cartaspara a confecção de um livro, que está sendo possibilitam uma melhor compreensão denegociado com editoras e está previsto para ser determinadas posições tomadas por Lobato.lançado no segundo semestre deste ano, em “Descobrimos que o interesse e preocupaçãoque são comemorados os 120 anos do com o petróleo teve origem nas pesquisas com xistonascimento do taubateano. betuminoso feitas em Taubaté. As cartas também O projeto ’120 Anos de Monteiro mostram bastidores da política taubateana. É umaLobato’, que também conta com uma material que vai surpreender“, afirmou.exposição, tem cartas escritas entre 1919 a Segundo ele, os 57 textos devem1924, e de 1942 a 1945, tidas como os únicos representar cerca de 20% das cartas entre ostextos inéditos do escritor por sua filha escritores, mas provavelmente não é o únicoMartha. material inédito sobre Lobato. “Ele é uma fonte Nelas, o escritor fala sobre tudo e, sem inesgotável, sempre há algo novo sobre Lobato.papas na língua, destila sua irreverência (leia Como a memória cultural do país, o material sobretrechos nesta página). “As cartas esclarecem ele está disperso“, completou.pontos de vista de Lobato sobre a cidade. Achavamque ele odiava Taubaté em certo momento“, disse MUDANÇA DE IDÉIA – A viúva deRubim. Cesídio Ambrogi, Lygia Fumagalli Ambrogi, de Segundo ele, as cartas trazem 87 anos, disse que mudou de idéia em relaçãoinformações curiosas sobre o início da carreira. à publicação das cartas há pouco tempo,“A primeira crítica de arte de Lobato foi sobre a incentivada pelos pesquisadores.namorada Georgina Andrade, que depois se tornou “Meu marido não admitia a possibilidade de publicar as cartas. Elas são íntimas, revelam
  20. 20. 16detalhes da vida de Lobato e ele respeitava a Dona vendem ou vendem mal, concentraram no rabo delePurezinha (mulher de Lobato). Mas essas cartas os raios da inveja- e em plena exposição produziram-estavam se perdendo e podem completar o Lobato. lhe uma hemorróide terrível. O coitado teve deNão custa mostrá-las agora“, afirmou. deixar o salão e ir a um sanatório operar-se. (…) Segundo ela, as cartas ficaram Meu rabo ainda está virgem de hemorróides; mas seintocadas durante décadas e muitas se você e outros insistem tal Prêmio Nobel, não douperderam quando sua casa teve problemas nada para essa virgindade.”estruturais, nos anos 90, quando o material foi Buenos Aires, 15 de fevereiro de 1947perdido. Lygia disse que Lobato e Cesídio “Hoje dizem que criança é tudo, falam em s.m. dacostumavam passar tardes inteiras em sua casa criança- mas falam só. A não ser na Rússia e nosfalando sobre política e literatura. “Lobato era EUA, a criança não passa dum tema para belasum homem de muita fé no Brasil, irreverente e dissertações em salas de conferências elegantes. Efranco“, afirmou. entre nós ninguém quer saber das crianças, ou então Além das cartas entre os dois, Lygia tornam-na como ‘material político’… A nossa ordemtambém guarda correspondências do marido social é uma coisa tão suja e sórdida que meucom personalidades como Adhemar de Barros, consolo hoje é um só: saber que vou morre e afastar-Luís Carlos Prestes, Paulo Setúbal, Plínio me ab aeternitate da sujeira. Quando meus filhosSalgado e Cassiano Ricardo. Mas isso é assunto morreram senti uma grande satisfação íntima quepara outro livro. nem aqui em casa compreenderam. É que os vi livres Trechos das cartas de Lobato para da Sordície Reinante. E invejo-os, e anseio para queAmbrogi também me chegue a hora de escapar deste imenso campo de concentração de Estupidez Dominante“E a verdade é que a Argentina prospera aqui e em toda parte.”progressivamente, vai subindo como um balão, e onosso pobre Brasil desce, rola por uma ladeira, São Paulo, 20 de dezembro de 1943empurrado pelas duas maiores forças da estupidezhumana: o militarismo e o clericalismo. E como “Mas o grande prazer da literatura está justamenteessas duas forças, na sua atuação, no Brasil, são no contrário: ser lido pelo maior número de pessoas eincoercíveis e incontratáveis, o nosso destino está ser entendido por crianças, velhos, sábios, e imbecis.escrito na parede de Baltazar: Bancarrota, desastre, E para isso meu caro, o remédio é escrevermiséria cada vez maior, penúria do povo, hospital, vitaminadamente, com tintas vivas, vivíssimas- ehospício.” não empastar. Não sobrecarregar. Nunca dizer demais. Nunca, nunca dizer tudo. Já fiz está grande Buenos Aires, 15 de fevereiro de 1947 descoberta. As coisas mais belas que um leitor encontra num livro não são os pomos nele- são a que“Essa história do Prêmio Nobel só serve para uma está dentro do leitor e nós apenas sugerimos.coisa: botar contra mim todos os literatos do Brasil. São Paulo, 1943A inveja é um fato, meu caro. O ano passado tiveprova disso no Jurandir Campos (pintor, casado com Fontes: http://jornal.valeparaibano.com.br/a filha do escritor, Martha Lobato). Como é um http://www.jornaldacidadedepinda.com.brpintor que vende todos os quadros que pinta, naexposição do ano passado os pintores que não
  21. 21. 17 Amosse Mucavele Poegrafia ao Lêdo Ivo Um homem vindo de um lugar pobre suas mãos REI da EUROPA reconheceu ae distante das metrópoles, sonhou em um dia grandeza da sua obra.alavancar o nome da sua terra natal (Maceió – Neste momento eu estou aqui naAlagoas). ESTAÇÃO CENTRAL a espera do trem que Como os sonhos não envelhecem traz O UNIVERSO POÉTICO deste homem.(R.Riso) continuou firme a trilhar o caminho *Ledo Ivo é natural de Maceió-Alagoasdos seus sonhos, mas nunca compartilhou com expoente da Geração 45, publicou numerososalguém, guardava-os na gaveta da sua cachola. livros de poesia- As Imaginações(1944), A Procurou tantos ofícios e aperfeiçoou- linguagem(1951), Acontecimento do soneto ese no oficio de ourives da palavra, lapidou os ode a noite(1951), um Brasileiro em Paris e oseus sonhos e lançou-os em forma de Rei da Europa(1955), Estação central(1964).IMAGINAÇÕES, e dai percebeu que ter uma Também é novelista, contista, cronista e criticoourivesaria precisa de mão-de-obra e material e literário autor do ensaio- O universo poéticoa título individual não iria conseguir levar de Raul Pompeia (1963)avante o projeto, o coletivismo veio à tona(nasceu a Geração 45). Os sonhos deste homem continuaram AMOSSE EUGENIO MUCAVELfortes como a rocha, altos como o Everest nasceu em Maputo aos 8 de julho de 1987,e fez Colocou um desafio a si mesmo – de o curso agropecuário Instituto Agrário Boane.deliciar o mundo e mostrar o quão grande e a É membro do Movimento LiterárioLINGUAGEM da palavra que ele fabrica. Kuphaluxa, onde coordena o projeto literatura Este homem nunca teve inspiração na escola.pois a poesia e o sol que brilha no seu dia – a – O blog é http://kuphaluxa.blogspot.com/.dia e os SONETOS acontecem A NOITE. O Brasil tornou-se pequeno, atravessou Fonte: Texto enviado pelo autoros céus e foi a PARIS graças as MAGIAS das Alfredo Ciuffi Neto Noite de Lua Cheia Na fazenda reinava um clima de muita águas mansas. Deslizavam suavemente numalegria naquele dia ensolarado de tarde de clima de muita paz.verão. O sol mansamente se punha atrás da As crianças brincavam no quintalmontanha que ficava a pouca distância do correndo soltas numa algazarra simplesmenteseleiro e do curral, onde ficavam os cavalos e as infernal. Liberavam toda a sua energiavacas. O galinheiro situava-se no lado oposto, demonstrando muita saúde e vontade de viver.muito bem cercado e mantinha as galinhas Sempre que a tarde ia chegando, José e Maria,poedeiras confinadas até que pusessem seus proprietários daquelas paragens, tomavam seusovos. Outros animais como patos e gansos lugares na linda varanda cheia de vasos comficavam soltos e livres nadando no lago de samambaias pendentes do forro, através de
  22. 22. 18pequenas correntes que as mantinham estava deitado. Preocupada Maria foi até seususpensas, dando um toque todo especial na quarto procurando averiguar se estava bem.decoração. Ali ficavam por horas em suas Marcos achava-se encolhido sob seu lençol comcadeiras de balanço apreciando as brincadeiras os olhos arregalados e ainda um tantodas crianças. Enquanto Maria tricotava ou amedrontado. Sua avó o aconchegou em seusbordava, seu José pitava em longas baforadas o braços acariciando sua cabecinha de meninoseu cigarro de palha. assustado até que, se recuperando, levantou e À medida que a tarde ia avançando o foi ter com os demais à mesa do café.céu tornava-se cada vez mais escuro; pontos Durante o dia o clima na fazenda erabrilhantes cintilavam no infinito distante; e normal, os animais estavam sossegados e aspor detrás da montanha surgia devagarinho a crianças brincavam como sempre, exceção delua com sua luminosidade clara, prateava e Marcos que continuava apreensivo e divagandoenvolvia tudo ao redor. Era noite de lua cheia. num canto. Até certo ponto aquilo era normal Todos se recolheram para o descanso. numa criança atemorizada, e por ser o maisA noite já ia alta e lá fora o luar continuava velho, tinha mais consciência das coisas que semaravilhoso e inigualável, banhando toda a passaram na noite anterior, só quem conhece ovegetação, que assumia uma paisagem perigo tem medo, mas mesmo assim, nãosimplesmente esplendorosa pelo reflexo dos deixava de ser criança, pensava o seu avô,raios nas águas límpidas do lago. inspirando-lhe maior cuidado.Meia noite. O silêncio foi quebrado pela Quando a noite foi se aproximando,uivada ensurdecedora e enervantes dos cães, todos se recolheram mais cedo, trancaram bemcujas vozes lamentosas imitavam os lobos, as portas procurando maior segurança, casoinsistiam no seu grito prolongado e agoniante. aqueles barulhos estranhos voltassem aLadravam, ganiam de maneira desesperada. Os acontecer.outros animais se punham inquietos A noite avançou depressa, a lua,demonstrando um total desassossego; as vacas redonda e brilhante, com seus raios luminososmugiam; os cavalos relinchavam não tardou a aparecer nas montanhas,amedrontados. Um barulho estranho embelezando e clareando a tudo que envolvia.provocava aquela reação nos animais. O lago assumia um aspecto prateado e deixava Seu José levantou-se assustado com a refletir parte das árvores e outras vegetaçõesespingarda na mão, procurava saber o que circundantes, como se fosse um grande espelhoestava acontecendo lá fora; e enquanto isso, de cristal polido.Maria tratava de acalmar as crianças que Meia noite, o silêncio foi quebrado deestavam visivelmente apavoradas. Nada foi maneira repentina, outra vez os animais sevisto. No restante da noite seguiu-se tranqüila agitaram. Ouvia-se um grunhido ensurdecedorembora ninguém mais pudesse conciliar o que agitava os cães. Parecia que o barulhosono. vinha de dentro da própria casa. Seu José Pensativo, seu José questionava-se levantou-se com a espingarda na mão, indosobre o que poderia ter acontecido; morava na diretamente para o quarto das crianças,fazenda há trinta anos e nunca tinha visto ou pareceu-lhe que havia qualquer coisa lá, pois asescutado nada igual. Isso não poderia estar crianças gritavam desesperadamente poracontecendo, não agora que seus netos socorro.passavam as férias com ele. Tudo havia de estar Assim que abriu a porta do quartobem, as crianças não podiam ficar assustadas, notou que a janela estava aberta, e por ela umapois atrapalharia as suas férias, o que criatura de estatura mediana fugia. Era umpensariam seus pais quando viessem buscá-los, monstro meio homem meio animal, possuíapensava preocupado. uma cabeça grande e peluda, mãos compridas Logo cedo levantaram e reunidos à tinham unhas pontiagudas como a de ummesa do café matinal, comentavam sobre o felino. Era algo jamais visto. Inacreditável.ocorrido ainda com resquícios de medo e Seu José foi até a janela e viu a criaturasinalizando a noite mal dormida em suas faces. correndo em direção ao lago. Ainda da janelaFoi quando notaram que o menino mais velho do quarto apontou sua arma e disparou umque contava com apenas onze anos ainda tiro certeiro. O corpo rolou pelo gramado e

×