Revista Literária                                           “O Voo da Gralha Azul”                                        ...
SUMÁRIO                                            XVII Prêmio Cidade de Conselheiro Lafaiete                             ...
Campo mal-assombrado ............................93                   Pra Lua................................................
CarvalhoSilviah Carvalho                                                   recordações e renovação...........................
1        A menina era filha única. De pele muito    física. Às vezes, ela pensava entrever um vultoclara, cabelos louros e...
2salvar a minha vida.                              possibilidade de estar grávida. Na mesma hora,                         ...
3  Replicando: estou no meu.         Calorosa como a prece,                                    É uma letra de verdade.   E...
4          No mundo da Matemática;                   e trovas. Suas composições literárias foram          Em XANGÔ é um em...
5                                                    coisa destas, não o faria, porque o caderno        Do dicionário: na ...
6dos vários nomes que o caderno foi tendo,              para lá da pele, mergulhar e percorrer ospode ser um indicador int...
7quase um horário, se o usarem com a mesma           “quaternum”, e fazerem, e até ritualizarem, ofreqüência com que eu o ...
8mesmo grupo.                                       libreto seu e música de Jorge Salgueiro, O        Em 2001, no Solar do...
9quais, como oradora, fez conferências e             Editores, Lisboa, Abril de 1999participou em colóquios sobre estas du...
10ruído bom, familiar, que lhe devolvia a infância,             A sensação de juventude vinha cada vezas longas viagens de...
11                                              e em nada, todos os meus sofrimentos!                                     ...
12   Esgota-me com teu beijo!   Renova-me com teu beijo!     Me faz viver de novo    em meio a nossos beijos     desejos t...
13     a igreja com seu sino a repicar ...          Do som da divindade     Amo o riso depois da desventura            Toc...
14E nasceu em nossos olhos       Oh Crisântemos divinos  Amor à primeira-vista      São as flores de um adeus             ...
15                                                            Te quero muito meu amor            Os Lírios perto do mar   ...
16idêntico brilho. Abriam-se os transitórios          na mão. Sequer uma ponta de tédio.vizinhos em amenidades que o compr...
17Participou do Suplemento do Livro com                 seu Capricho, saiu em 1992.numerosas resenhas.                    ...
18                       Encontro prazer na forma completa, repleta, latente.                        Meretriz sem pudor,mu...
19         O primeiro livro de contos de Rinaldo de   funcionário da prefeitura e advogado”; “Eu souFernandes, O Caçador, ...
20narradora) apresenta “Uma mulher vivendo só,      margens” se mistura à angústia de ter sidosem emprego certo, pedindo a...
21presente: “Ontem o mar estava todo                  narrador onisciente ou do escritor, não seesmeralda”.               ...
5 revista o voo da gralha azul numero 5 julho agosto 2010
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5 revista o voo da gralha azul numero 5 julho agosto 2010

  1. 1. Revista Literária “O Voo da Gralha Azul” n0. 5 – Paraná, julho/agosto 2010 Idealização, seleção e edição: José Feldman Contatos, sugestões, colaborações: pavilhaoliterario@gmail.comhttp://singrandohorizontes.blogspot.comEndereço para correspondencia:Caixa Postal 11Cep.85440-000Ubiratã/PRQue a humanidade possa aprender com a nossa Gralha-azul e entender que oequilíbrio e o respeito ecológico entre fauna e flora é fundamental para a existênciado Homem na face da Terra!!! Prezado Leitor Esta revista não tem a pretensão e nunca poderá ser considerada como substituição aos livros,jornais, colunas, etc. que circulam virtualmente ou não, mas sim como mola propulsora de incentivo aocidadão para buscar novos conhecimentos, ou relembrar aqueles perdidos na névoa do passado. Por que o Voo da Gralha Azul? A Gralha Azul, que assim como semeia o pinheiro, ela alça voo e semeiano coração de cada um que alcançar, o pinhão da cultura, em todas as suas manifestações. Ao leitor, novos conhecimentos.Ao escritor ou aspirante a tal, sejam poetas, trovadores, romancistas, dramaturgos, compositores, etc.,um caminho de conhecimento e inspiração. Obrigado por me permitir dividir consigo estes breves momentos, José Feldman
  2. 2. SUMÁRIO XVII Prêmio Cidade de Conselheiro Lafaiete ................................................................... 118ACADEMIAS XXIV Jogos Florais de Ribeirão Preto e XIIAcademia Maranhense de Letras .............77 Jogos Florais Estudantis de Ribeirão Preto – 2011 ........................................................... 124 XXX Concurso Estadual/Nacional e IANÁLISE DE OBRAS Concurso Interno de Trovas da Academia deMary Shelley Trovas do Rio Grande do Norte – Natal/2010Frankestein ...............................................51 ................................................................... 118Rinaldo de FernandesO Perfume de Roberta ...............................19 ENTREVISTA Antonio Augusto de AssisBIOGRAFIASAmadeu Amaral ........................................47 O Escritor em Xeque..................................................69Ângela Bretas ...........................................18Antonio Augusto de Assis..........................69 ESTANTE DE LIVROSAntonio Carlos Villaça ..............................38 Ivanir Calado A Caverna dos Titãs .......... 111Antonio Prata ...........................................50 Mundo de Sombras: O Nascimento doAntônio Torres...........................................64 VampiroApollo Taborda França .............................. 4 Rachel de Queirós (O Quinze) .................. 114Augusto Monterroso ..................................36 Raul Pompéia (Tragédia No Amazonas) .. 112Bisa Maith ................................................24 Raul Pompéia (As Jóias da Coroa) ........... 113Danilo Corci ...............................................89Deonísio da Silva .......................................85Geary Hobson ............................................68 FOLCLOREIalmar Pio Schneider ................................60 Folclore IndígenaIvanir Calado.............................................112 Lenda Tolteca (Quetzalcoatl).................... 72Jeanette Monteiro de Cnop .......................76 Lenda dos Índios Sioux (O Falcão e A Águia)Marina Colasanti.......................................16 ................................................................... 73Mary Shelley .............................................55 Folclore ParanaenseRabindranath Tagore ................................98 ALMIRANTE TAMANDARÉRachel Jardim............................................10 O fantasma das águas do Val Verde......... 89Rinaldo de Fernandes................................21 ALTAMIRA DO PARANÁRisoleta Pinto Pedro ..................................7 A noiva ..................................................... 90Rubem Braga.............................................86 ANTONINASilviah Carvalho .......................................41 Escravos da igreja de São Benedito ......... 90Sylvio von Söhsten Gama..........................101 ANTONIO OLINTO Visagens .................................................... 90 ARAPOTICONCURSOS COM INSCRIÇÕES ABERTAS O pinheiro da noiva................................... 90Concurso de Crônicas - Academia Pedralva de BOA ESPERANÇALetras e Artes ............................................122 Uma tal confusão ...................................... 90Concurso Nacional Intersedes ..................121 CALIFÓRNIA3º Concurso Cidade de Gravatal de Literatura Cecília, a deusa da estrada ....................... 91(Conto e Poesia) ........................................122 COLOMBO7o Concurso Rogério Salgado de Poesia ....123 Lenda do Bradador ................................... 91II Concurso de Trovas Poeta Antônio Roberto CURITIBAFernandes – Academia Pedralva Letras e A loira fantasma ....................................... 91Artes ..........................................................122 O fantasma da grávida da Praça da UcrâniaV Concurso Literário “Cidade de Maringá” ................................................................... 92 ...................................................................121 FRANCISCO BELTRÃO
  3. 3. Campo mal-assombrado ............................93 Pra Lua...................................................... 48GENERAL CARNEIRO Antônio TorresPoço da visagem.........................................93 Por um Pé de Feijão .................................. 63IPIRANGA Artur da TávolaA noiva que ia se casar ..............................93 O Pródigo do Jardim ................................. 26IRATI Átila José BorgesO garupeiro................................................93 O Pinheiro, O Casebre. O Quadro ............ 102IVATÉ Augusto MonterrosoA bola de fogo.............................................93 O Macaco que quis ser Escritor Satírico... 36JAGUARIAÍVA Bisa MaithAssombração da antiga Serrinha .............94 Sogra e Sogra ........................................... 22MATINHOS Marina ColasantiO carona da bicicleta .................................94 Como é mesmo o nome? ............................ 15MORRETES Olga AgulhonFantasma do Central.................................95 Sobre os Trilhos......................................... 74SÃO JOSÉ DOS PINHAIS Rabindranath TagoreO velório da virgem noiva .........................95 Nas Margens do Ganges ........................... 95TUNAS DO PARANÁ Jardim Rachel JardimA caverna do jesuíta ..................................95 A Viagem de Trem .................................... 9 Risoleta Pinto Pedro O Caderno ................................................. 4HAICAIS Rubem BragaSylvio von Söhsten Gama A Viajante ................................................. 85Água...........................................................100 Vicencia JaguaribeCaminhar...................................................100 Sem Necessidade de Explicação ............... 1Corpo Celeste.............................................100Despedida ..................................................100Dúvida .......................................................100 POESIASEspaço........................................................100 Alba AlbarelloFalar ..........................................................100 É tempo de vencer..................................... 11Fim.............................................................100 Ângela BretasFlores .........................................................100 Mulher Abstrata ....................................... 17As Formigas...............................................100 Carmo VasconcelosLonge .........................................................100 Poetas?... ................................................... 38Pescar.........................................................100 Leite Dinair LeiteSabedoria ...................................................100 Ode ao CUPHI! ......................................... 115Saudade .....................................................100 Eugênio de SáA Sombra ...................................................101 Fernando Pessoa ...................................... 37Tempos.......................................................101 Gislaine Canales Liberdade .................................................. 11 Jeanette Monteiro de Cnop CnopNOTÍCIAS Dualidades ............................................... 75Andrey do Amaral – Livro com “QI” ........117 Duas Crianças .......................................... 76Diretoria da UBT Estadual do Paraná 2009- Lígia Antunes Leivas2010............................................................116 Os beijos que não esqueci.......................... 12Dinair Leite, de Paranavaí, PR, nomeada Luiz Eduardo CaminhaPresidente Nacional da União Contrastes ................................................. 12Hispanoamericana de Escritores – UHE ..115 Santos Maria Nascimento Santos Carvalho Excesso de amor........................................ 12O ESCRITOR COM A PALAVRA Marisa CajadoAntonio Carlos Villaça Sou a Música ............................................. 13Quando eu Chegar ao Céu… .....................38 Paulo Jorge Brito e AbreuAntonio Prata Fernando Pessoa, para sempre ................ 37
  4. 4. CarvalhoSilviah Carvalho recordações e renovação............................ 64O Poeta .....................................................39 Luiz OtávioO Coração Que Ama .................................40 Jogos Florais de Corumbá......................... 30O Dia Perfeito ...........................................40Perdão .......................................................41Tchello dBarros TEATRO DE ONTEM E DE SEMPREA Flor da Pele ............................................13 A Dama das Camélias............................... 60 Pequenos Burgueses ................................. 61SOPA DE LETRAS Pluft, o Fantasminha ................................ 62AlbertoAlberto FilhoUma Atividade Mágica para Cultivar oHábito da Leitura ......................................25 TROVAS Amaral.........................................Amadeu Amaral Apollo Taborda FrançaNovela e Conto: Psicologia do Boato - Prefácio O Nosso Alfabeto em Trovas..................... 2de Franco da Rocha ...................................43 42 Anos dos I Jogos Florais de Corumbá 27 Corumbá..Danilo Corci Ial Ialmar Pio SchneiderO Romance Moderno .................................88 Menestrel do Sul ....................................... 57Deonísio da Silva Jeanette Monteiro de CnopDe Onde vêm as palavras..........................81 4 Trovas..................................................... 76 EscolaresDicas de Trabalhos EscolaresArtigo Científico .......................................32Monografia ................................................32 INDICAÇÃO DE SITES DE LITERATURADissertação ...............................................33 Academia Brasileira de Letras ................. 126Escolha do Tema .......................................34 Jornal de Poesia (Soares Feitosa) ............... 125O Orientador .............................................34 Por Tras das Letras (Hélio Consolaro) ........ 125Projeto de Pesquisa ...................................35 Um Coração que Ama (Silviah Carvalho) ... 125Geary Hobson Portal Vânia Diniz .................................... 126A Literatura Nativa Norte-Americana:
  5. 5. 1 A menina era filha única. De pele muito física. Às vezes, ela pensava entrever um vultoclara, cabelos louros e olhos azuis, dava a sem feições. Uma silhueta diáfana, que lheimpressão de diafaneidade. Parecia que, a dava, no entanto, a impressão de que ouvia oqualquer momento, desafiaria as leis da que ela dizia, via o que ela lhe mostrava, mas,natureza, criaria asas e sairia voando. Para principalmente, entendia o que ela sentia ecompletar a impressão de que, na realidade, como que lia seus pensamentos. Nos últimosela não pertencia ao triste mundo material, tempos, aquela presença vinha-lhecomunicava-se com alguém completamente antecipando acontecimentos, prevenindo-a dosinvisível a olhos que não os seus. Vez ou outra, perigos, protegendo-a, enfim.dirigia o olhar para o lado e sorria. Às vezes, Quando se aproximou o dia dos seusbalançava a cabeça, como se confirmasse ou sete anos, e os pais lhe disseram que iamnegasse alguma coisa. Em outras ocasiões, preparar uma festinha, ela não quis. Como osabria um livro e passava as folhas, como se pais insistissem, ela disse que o dia de seuestivesse mostrando as gravuras a alguém. aniversário seria muito triste.Quando começou a ler – e lia bem com quatro - Mas triste por que, minha filha?anos –, fazia-o sempre em voz alta, ou melhor, - Não sei. Ela não me disse.em meio tom, como se alguém a estivesse - Ela? Ela quem?escutando. - Ela, a minha amiga. No início, os pais achavam aquiloengraçado, mas, com o tempo, começaram a No dia do aniversário da menina,preocupar-se, pois sentiam como se uma chegou a notícia de que sua avó paterna tiverapresença acompanhasse a filha todo o tempo. um enfarto e passava mal.Levaram a menina a uma psicóloga, que teve Os pais pensaram em coincidência. Mas,com ela algumas sessões e concluiu não haver com a repetição de episódios como aquele,nada para gerar preocupação. A menina era começaram a desconfiar de que a filha tinha ofilha única, vivia só, por isso criara uma amiga dom da premonição. E que aquela amigaimaginária. Quando ampliasse seu círculo de imaginária não era mais do que a manifestaçãoamizades, aquilo acabaria. desse dom. E guardaram isso como um segredo A amiga imaginária, no entanto, não de estado. Nem mesmo os familiares tomaramatrapalhava as relações da menina com as conhecimento do fato.outras crianças. Ela ia à casa das amigas, O dia amanhecera quente. E eraconvidava-as a irem à sua casa. Quando os pais domingo. Os pais resolveram ir à praia paraa levavam ao shopping, ao cinema, ao parque, escapar da sensação de sufocamento quesempre pedia a companhia de uma criança. oprimia os bairros distantes do mar. Quando aFazia amigos com facilidade. Mas, quando não mãe tirou a entrada de banho e ficou só dehavia ninguém por perto, agia como se biquíni, a menina fez um carinho em suaestivesse acompanhada por alguém que só ela barriga:via. - Meu irmão já tá aí dentro. Para a menina, aquela presença era algo - Que história é essa, filha? Você sabenatural. Desde que se entendera por gente, que eu não posso lhe dar um irmão.tinha a sensação de que havia alguém ao seu - Eu sei, mas ele já tá aí.lado. Na verdade, era algo mais do que uma - Foi sua amiga que lhe disse isso?sensação; mas não chegava a ser uma presença - Foi. E ela disse também que ele vai
  6. 6. 2salvar a minha vida. possibilidade de estar grávida. Na mesma hora, pegou o telefone e marcou consulta com o A mãe esboçou um sorriso e disse que ginecologista. O exame clínico, confirmadobom que ele vai salvar sua vida! E ficou depois pelo exame laboratorial, disse-lhe queobservando a filha, que abria um buraco na ela, realmente, estava gerando um filho. Oareia molhada e, vez por outra, ria e balançava médico, meio atrapalhado, tentou umaa cabeça, como se ouvisse alguém lhe falar. explicação para o que chamou de fenômeno. Uma semana depois, a menina começou Mas ela não precisava de explicação. Aliás, nãoa apresentar manchas no corpo e a queixar-se queria explicação. O importante era que a filha,de fraqueza. Os exames confirmaram o agora, tinha uma chance.prognóstico do médico – leucemia. Única No dia em que voltou do hospital, com opossibilidade de cura: transplante de medula. bebê nos braços, viu a filha abrir a porta da rua,Mas, como ela não tinha irmão, era quase dizer adeus e soprar um beijo para alguém,impossível encontrar um doador compatível. exatamente como fazia quando se despedia Os pais entraram em desespero. A mãe dela na porta do colégio.chorava com frequência, mesmo na frente da - De quem você está se despedindo,filha, que, um dia, sem mesmo desviar a filha?atenção do quebra-cabeça que montava em - Da amiga. Ela foi embora.cima da cama, encorajou-a: - Foi embora!? Por quê? - Não chore, mamãe, você não sabe que - Ela disse que agora, com a chegada domeu irmão vai me ajudar a ficar boa!? meu irmão, eu não precisava mais dela. A mãe, então, lembrou-se do que a Sem demonstrar tristeza, ou qualquermenina dissera na praia, há mais ou menos um outro sentimento, como se nada tivessemês. Ela não dera atenção àquela história e acontecido, a menina abriu o livro de contos denem mesmo a contara ao marido. Como podia fadas cuja leitura interrompera. Deitou-se nodar ouvidos à filha, se ela sabia que não podia sofá e retomou a história do ponto em que aengravidar uma segunda vez? De repente, veio- deixara. Aquele foi o último dia em que ela selhe à mente que já fazia quase dois meses que referiu à amiga imaginária.não menstruava. Como, porém, suas regrassempre foram irregulares, não dera atenção ao Fonte:fato. Mas, a partir daquele instante, para não Colaboração da Autoraperder as esperanças, agarrou-se à A na ordem é a primeira Do ALFABETO, original; C tem ritmo completo, Tem presença costumeira, Colorindo o seu CÉU; Vai num texto sem igual. Se sublima, som dileto, Vale mais do que um troféu. B se mostra importante, Dentre as letras principais; D é letra favorita, BRASIL a leva confiante, DECISIVA e dá apogeu; É o país dos mananciais. Valoriza toda escrita,
  7. 7. 3 Replicando: estou no meu. Calorosa como a prece, É uma letra de verdade. E é letra da ESPERANÇA, Enriquece o fraseado; O é letra sintonia, E o sentido, de antemão, OPULENTA como o Sol; Fica firme e bem postado. Muito pura, sem mania, Se repete em rouxinol. F é uma letra mágica, Que impressiona de saída; P dispensa comentário, FORTALECE a trova sáfica Letra forte do PERDÃO; E as demais, a toda brida. Se mantém no itinerário Do alfabeto, é bridão. G está em geralmente,Tem GRANDEZA, é muito usada; Q garante o rijo som, É importante integralmente É QUERIDA em qualquer texto, Sua presença numa toada. Na poesia dá seu tom, Na palavra é cabresto. H mostra ter talento, Vem no nome de HEITOR; R é letra principal, O seu som é de acalento, Ao ROSÁRIO dá estesia; Sustentando o seu valor. Tem um som monumental, Flui no texto e na poesia. I é aquela letra base, Que INSPIRA muito afeto; S é um tanto sibilante, Se impõe em qualquer frase, SILVA a torto e a direito; É destaque no alfabeto. Mas, mantem-se firme e estuante: É uma letra de respeito. J brilha em toda linha, Joga o JOGO na jogada, T é uma letra ponderável. Tem sua verve, sempre tinha, Que TEMPERA nossa língua; No alfabeto é a bem bolada. Seu emprego é inumerável E o pensar não fica à míngua. K é letra motivada É de uso bem correto; U vogal maravilhosa Em KARDEC é badalada, É de UNIÃO e de argumento; Mas sacaram do alfabeto. Se diz muito caudalosa, Na palavra é um sustento. L vai em LIBERDADE, É o que todo mundo quer; V tem som inimitável, Sendo letra sem vaidade, Ajuda muito no verso; O servir é seu mister. Em VITÓRIA é bem notável Nos idiomas do universo. M tem a sua marca, De letra sublimação; W tem a sua saga, Em MARIA bem abarca É rejeitada por muitos; O sentido da oração. Em WESTPHALEN afaga, Da tradição, os seus mitos. N nunca desfalece, Lembrando a NATIVIDADE, X é a base do problema
  8. 8. 4 No mundo da Matemática; e trovas. Suas composições literárias foram Em XANGÔ é um emblema publicadas em jornais, especialmente em livros De influência carismática. e coletâneas impressas em São Paulo e Rio de Janeiro, etc. Y era antiga Letra assim convencional; – Cadeira n.36 da Academia Paranaense de Na YOGA é muito amiga, Letras Com seu talhe bem sensual. – Cadeira n.38 da Academia de Letras José de Alencar Z é a letra derradeira, – Membro do Centro de Letras do Paraná De nosso falar gentil; – Membro do Círculo de Estudos Bandeirantes ZODIACAL, é uma bandeira – Presidente da UBT/Curitiba 1984/86 e No idioma do Brasil!... 1990/92. – Membro do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense Publicações:APOLLO TABORDA FRANÇA – Poesia (em colaboração) Apollo Taborda França, nasceu em – Sinfonia da Rua 15Curitiba, capital do estado do Paraná. – A lua escorregou pela parede Filho de Heitor Stockler de França e – Festa de amores– O nosso alfabetoBrasília Taborda Ribas de França. Fez cursos – Praças de Curitibaprimário e ginasial no Instituto Santa Maria, dos – Constelação dos bairros de CuritibaIrmãos Maristas. Posteriormente em Direito – Os nossos pés de todos os diaspela Universidade Federal do Paraná, em – MPPr – Movimento Poético ParanaenseJornalismo pela Universidade Católica (hoje – Poesia do ParanáPUCPR), ainda em Curso Técnico de Construção Fontes:de Máquinas e Motores, pela Escola Técnica – Antologia dos Acadêmicos: edição comemorativa dosFederal do Paraná que agora está transformada 60 anosda Academia de Letras José de Alencar. Sãoem Universidade; e se formou em Ciências Paulo: Scortecci, 2001.Econômicas. – Apollo Taborda França. O Nosso Alfabeto. Curitiba: Gráfica Vitória, 1982. Possui 17 livros publicados, em prosa e – Carlos Leite Ribeiro. Portal CEN.em verso. Inclusive cinco de Trovas. Passou a – Vasco José Taborda e Orlando Woczikoskyfazer versos naturalmente, talvez por influência (organizadores). Antologia de Trovadores do Paraná.sangüínea, uma vez que seu pai Heitor Stockler Curitiba: O Formigueiro – Instituto Assistencial dede França era escritor, poeta, jornalista e Autores do Paraná, 1984.advogado e seus irmão também fazem poesias(Este texto/reflexão deriva de uma Aluno aprendecomunicação/aula/conversa/conferência para Dáalunos de uma escola de medicina holística no Enquantopassado ano letivo) Recebe Na medida Com o caderno cada Ótima. Oculta.
  9. 9. 5 coisa destas, não o faria, porque o caderno Do dicionário: na entrada: “Caderno”, a representa acima de tudo uma emocionanteetimologia aparece como remontando ao latim DESCOBERTA PESSOAL“quaternus”, que significa “de quatro emquatro”. Quádruplos, constante de quatro O QUE POSSO DIZER:elementos, porque eram as partes em que sedobrava um “folio” (folhas de impressão com - Como já fiz…quatro páginas impressas). - Como fui fazendo… O que faz todo o sentido. O quatro é o - Como venho fazendo…número da estabilidade e da matéria. O - Como gostaria de conseguir fazer…caderno é a matéria na qual nós podemos - Como fazem algumas pessoas queconstruir / observar o nosso mapa / processo / conheço…estrada. É ele, bem enquadrado no solo, que Um caderno é como o ADN, como a voz,vai permitir-nos voar. Sem esse solo, como as impressões digitais: não existem doispoderemos elevar-nos ao sol, mas em breve iguais. Se houver, ou um deles está a mentir, ouestaremos no solo. Bem estatelados. Não talvez estejam os dois.quadrados, mas esborrachados. Então, a idéia, é o caderno ser o mais Na música, o compasso quatro por parecido possível com aquele/aquela que euquatro é de uma grande regularidade e sou, com a verdade deste meu momento. Masequilíbrio. Curiosamente, ou não, também se isso vai mudando, e assim, o caderno irá,representa por um “C”. certamente registrar uma sucessão de Enfim, podemos ficar por aqui no que verdades, ele irá ser diferente ao longo dotoca a especulações, embora fosse possível tempo. Se assim não for, é mentira.continuar assim durante umas horas… Qual é afinal, a idéia, com esta DIÁRIO DA LUZ E DA PELEconversa? - Não vou dizer como se deve fazer um Foi um caderno que os meus alunoscaderno fizeram. - Não vou dizer como se faz um caderno Pensei falar sobre isto porque talvez - Pensei não dizer, tão pouco, como não abra horizontes relativamente ao caderno.se faz, porque isso seria dizer como eu faço; Texto - próprio ou alheiomas depois, pensando melhor, decidi fazê-lo, Escolha da cor que vai acompanhar esteporque pelo menos sempre se fica a saber processo (uma cor em todos os cambiantes,como é que não se faz, o que é útil, porque modulações e tons possíveis) - O tema, quepode sempre aparecer quem queira fazer apenas excepcional e justificadamente poderiaassim, o que também é bastante legítimo… Mas ser alterado durante o processo.fica adiado mais para a frente… Forma, matéria objetos, texturas, - O que não vou certamente dizer é fotografia, desenho, colagem, pedaços decomo é que acho que se deveria fazer. Primeiro coisas, da natureza, ou não (dar exemplos:porque não acho nada, segundo porque não pacotes de açúcar, flores, sementes, incensos,sei, terceiro porque não devo. fechos eclair, etc.), sempre na cor escolhida. - O nome pode ser importante; neste PORQUE: caso ele foi dado por mim e era imutável, porque os ajudava a orientarem-se, era a sua - Não está no meu feitio dizer às pessoas bússola. como devem fazer as coisas - Mas dar um nome ao caderno pode ser - Ainda que estivesse no meu feitio, não uma forma de tomar consciência do processo.sei dizer como se deve fazer uma coisa destas. Seria interessante que houvesse espaço para ir - Ainda que fosse possível dizer uma rebatizando o caderno. No final, uma análise
  10. 10. 6dos vários nomes que o caderno foi tendo, para lá da pele, mergulhar e percorrer ospode ser um indicador interessante de muita misteriosos corredores internos.coisa e pode ensinar muito. OUTROS CADERNOS - Em que consistia este caderno: Alunos de uma escola de ensino artístico O CADERNO DOS SONHOS:(artes plásticas) na disciplina de Português. O lugar dele é sempre à cabeceira, Às - O que se pretendia: vezes debaixo da almofada, às vezes ao lado da Basicamente, o mesmo que em relação almofada, deve ter uma capa resistente paraa todos nós: que os alunos tomassem resistir ao corpo dos sonhos. É inseparável daconsciência do seu crescimento. Crescer, se caneta, que nunca deve afastar-se. Um cadernocresce sempre, mas às vezes não se dá por isso à cabeceira sem uma caneta (já me aconteceu)e portanto cresce-se menos. Se crescer com um não serve para nada.irmão gêmeo, que neste caso é o caderno, No caderno dos sonhos tanto possosabemos do nosso crescimento através do escrever como desenhar, porque há sonhosnosso irmão. Que é a imagem. O caderno é um que são desenháveis, que só podem mesmo serespelho. E eu posso intervir em mim através do desenhados.caderno, intervindo nele, porque o espelho Mas há O CADERNO DAS ESCRITAS, quefunciona nos dois sentidos. deve colar-se ao meu corpo, porque posso escrever a meio da noite à saída de um sonho, - Para que servia o nome, que também na casa de banho, a fazer o jantar, a estender aera um tema: roupa, a ver um filme, a andar na rua…. Para não se perderem, para terem um Daria jeito ao nosso caderno ter umfio condutor corpo que lhe permitisse habitar vários meios: Todos têm um fio condutor, podem é da banheira à cama passando pela rua, pelonão saber disso, mas se formos ver bem, não autocarro ou pelo… cinema.anda muito distante da luz e da pele. Se calhar, O fator presença, proximidade,a pele é o nosso caminho para a luz. intimidade, é muito importante. Não me serveCaminhamos sobre a pele com o olhar, com as de nada ter o caderno em casa se estou na rua,mãos, com as agulhas, com o olfato, com a ou no carro se estou no teatro, ou na escola sepele, com a nossa pele. A luz que procuramos é estou a ver uma exposição.a que está dentro do corpo e num local secreto Tenho também O CADERNO DAque o corpo ilumina. Mas temos de passar pela MEMÓRIA, onde colo coisas: bilhetes depele, enterrar, aprofundar, mergulhar nos espetáculos, postais que me enviam, moedasporos, e penetrando no interior do corpo, encontradas na rua, fotografias que meretificá-lo, trazer à luz a preciosa pedra unitária. oferecem, espécies vegetais, cartões de visita, Quando falo em luz não me refiro pequenos catálogos de exposições, e um semàquela luz artificial dos catecismos antigos, mas número de coisas. (Este aprendi-o com umà luz que realmente ilumina o interior do corpo, amigo)a luz de profundidade, a visão do bem estar, da O CADERNO DAS VIAGENS, ondesaúde, da compreensão do eu como um ser escrevo percursos, sítios, desenho coisas que vi,único, íntegro, indivíduo (in-dividuo), que frases que retive, frases que criei, pessoas quesignifica o que não está dividido, porque “in” é conheci, idéias que surgiram. Nesse cadernoum prefixo de negação. preparo as viagens, vivo as viagens e recrio as A doença é quando o corpo se encontra viagens. (Este aprendi-o com… talvez comfragmentado dentro de si e em relação ao todo, Deus)ao mundo, aos outros. No fundo, é isso que se Um caderno pode ser utilizado como umpretende: pelo mapa da pele, mas penetrando diário, com a regularidade do sol, mas pode ser
  11. 11. 7quase um horário, se o usarem com a mesma “quaternum”, e fazerem, e até ritualizarem, ofreqüência com que eu o faço. E não tenham momento de criação do vosso caderno. Parareceio se emudecerem um dia. O caderno, se é quem isso for importante. Não há nada quequadrado, pelo menos na origem, não tem de seja proibido se for para ampliar e crescer.ser rígido. Pode ser a quadratura do círculo, e Alguns cadernos que referi são cadernosser flexível, móvel, girar. parciais: de sonhos, de escrita, mesmo o dos É claro que eu posso ser caótica, meus alunos, com escrita e objetos e fotografia,totalmente indisciplinada e anarquista, porque mas o caderno é potencialmente, nãoeu apenas tenho que o mostrar a mim mesma, obrigatoriamente, mas potencialmente, maisque foi quem docemente me ordenou que o amplo, porque como terapeutas holísticos defizesse. nós mesmos ( e por extensão, do mundo) que Quanto ao que se deve lá pôr, eu diria: todos deveríamos ser, nada poderá ficar detudo! fora, e, de acordo com as características de Mesmo que pensem que não sabem cada um, que, naturalmente, dará diferentedesenhar, não devem ter pudor em desenhar, peso às várias possibilidades, aí poderemosse isso fizer sentido para vós, se o impulso do incluir sonhos, reflexões, intuições, citações,desenho saltar para a vossa mão revelações, esquemas, grelhas, questionários, Eu não sou um bom exemplo, porque listas, argumentações, entrevistas, reportagens,não tenho um caderno, tenho vários, um em notícias, crônicas, críticas, apontamentos,cada sítio: cozinha, quarto, mochila, pasta, ao descobertas, interrogações, dúvidas,pé do PC, carro, etc. Nem sei quantos tenho. Se possibilidades, bílis, cartas de amor…eu tivesse de fazer um caderno por me Sob as formas de texto, traço, desenho,mandarem fazer, ou teria de grafar os cadernos fotografia, objeto, colagem, corte, rasgão,todos, arquivá-los num dossiê, ou arrancar-lhes cheiro, sabor, beijo e até… som (por que nãoas folhas e dar-lhes uma organização. poderá uma gravação num suporte qualquerRealmente eu não sou um bom exemplo. Tenho fazer parte de um caderno assim? Ou umo caderno dos sonhos, o caderno dos suporte multimídia?)exercícios, o caderno de qualquer coisa que Enfim… acho que comecei a falar doando a escrever (que pode ser romance, quadrado e terminei a falar do infinito, porquecantata, musical, poemas, crônicas, este texto o “problema” ou o encanto (depende do pontoque estou aqui a transmitir-vos hoje, foi escrito de vista) do quatro é que pode sempreassim, aos bocados…), o caderno dos alunos, o transformar-se num oito deitado, o sinal docaderno das reuniões, o caderno das coisas que infinito. Cabe-nos a vós decidir se queremos umando a estudar, o caderno dos desenhos, o caderno atado com uma corrente a umacaderno onde colo coisas, e acho que não secretária, ou um caderno a voar por aí e nósacaba aqui… Se vocês forem assim pessoas agarrados a ele a sobrevoarmos o mundo, aodispersas terão de arranjar um truque para estilo Super-Homem, Mary Poppins, anjo ouparecer que têm um caderno. Na verdade folha de árvore em outonal dia de vento e davocês têm um caderno, e mais outro, e mais desarrumação que precede a ordem, ooutro… compasso quaternário… Para as reuniões muito chatas (desdeque não estejamos nós a dirigir), à falta decaderno, é sempre possível fazer poemas àmargem das notas oficiais. Fiz imensos poemas RISOLETA PINTO PEDROnumas reuniões assim… depois recortei os Foram-lhe atribuídos dois prêmios depoemas e colei num caderno… que já não sei poesia e no drama escreveu O Deserto, o Mar epor onde anda. o Tempo, peça representada pelo TE-ATO de E também podem dobrar em quatro os Leiria; a convite deste mesmo grupo, escreveuvossos fólios, à maneira da palavra latina Um Olhar Azul, também representada por esse
  12. 12. 8mesmo grupo. libreto seu e música de Jorge Salgueiro, O Em 2001, no Solar dos Zagalos em Achamento do Brasil, com espetáculosAlmada, realizou-se um concerto com música realizados em Abril de 2004 no Fórum Lisboa, edo compositor Paulo Brandão para vozes, Maio do mesmo ano em Fátima, Barreiro,celesta, clarinete baixo e tímpanos, com Sintra e Teatro Rivoli do Porto. Foi publicada napoemas seus sobre o 25 de Abril, também por altura uma Banda Desenhada com textoconvite. No mesmo ano, um seu libreto, para a extraído do libreto de sua autoria. Ainda paracantata Conquistador, sobre D. Afonso este compositor escreveu o musical Kate e oHenriques, com música do compositor Jorge Skate (uma encomenda do Coro Infantil deSalgueiro, teve, durante os meses de Maio e Setúbal) que será apresentado ainda em Julho.Junho, espetáculos em Lisboa, Fátima e Coliseu Tem participado com textos seus emdo Porto. Em Maio, no Teatro Maria Matos, em catálogos de pintura e escultura dos artistasLisboa, realizou-se um espetáculo de bailado, plásticos Alcariota e Fernando Sarmento eViagens de Luar, com base em poema de sua apresentou vários livros de poesia,autoria, Sensualua. Participou ainda no Júri do nomeadamente de Ana Viana, Daniel Domingosprêmio de poesia José Régio, da Câmara Dias, Mário Máximo, Ana Cristina Peres,Municipal de Celorico da Beira, onde também Manuel Amaral, Orfeu B., Maria Virgíniaapresentou uma comunicação sobre a poesia Monteiro e Isabel Millet.de Mário Máximo. Em 2002, a participação no Também escreveu para a fotografia de3º número da revista temática de poesia Renato Monteiro, cujo livro sobre a Arte daSaudade, de Amarante. Estreou, também, um Xávega apresentou. Estreado a 1 de Outubro noespetáculo de bailado pela AMALGAMA – Convento de S. Paulo o espetáculo multiculturalCompanhia de Dança de Mafra, a partir de Venite in Silentio (dança, representação,texto seu (A LUZ E O DESEJO), encomendado música, artes plásticas) para o qual contribuiupor essa companhia. com a criação de uma narrativa que Participação, com o poema “Conquista- acompanhou a criação do mesmo e vice-versa.me”, num projeto de Canções Eróticas A estreia coincidiu com o lançamento do livroPortuguesas de vários autores, com música de de sua autoria com o mesmo título: Venite inJorge Salgueiro, interpretado pelo grupo Silentio . Este espetáculo tem realizaçõesNegros de Luz. previstas para este verão, na Quinta da Assinou uma crônica semanal, Quarta- Regaleira, em Sintra, e em Mafra. EscreveuCrescente, transmitida às quartas-feiras na poemas e textos para os espetáculos erubrica O Sentido das Palavras, do Programa catálogos de À Flor do Caos e De Olisipo a“Despertar dos Músicos”, da RDP – Antena 2, Lisboa, produzidos pela Escola Secundáriaentre Janeiro e Setembro de 2003. Escreveu Artística António Arroio, assim como para oquinzenalmente crônicas para os jornais Cidade projeto “Espaço Habitado”, uma colaboraçãode Tomar e Despertar do Zêzere, mantendo-se desta escola com o CCB, no mês de Maio dea colaboração com este último. A partir de 2005, numa performance onde colabora comOutubro de 2003, iniciou a colaboração regular textos e voz off. Na Escola Secundária Artísticacom a revista O Professor, da Editorial António Arroio estreou em Junho de 2005 umaCaminho, que mantém. Registra também peça de teatro para marionetes de sua autoriaparticipações ocasionais na revista História com Adeus, inspirada em poema de Eugénio decrítica de teatro e literatura. Estreou em Andrade.Outubro de 2003, no Convento de São Paulo, Também a cantata O Conquistador foina Serra D’Ossa, o espetáculo Mutações, com reposta no passado mês de Maio em Lisboabase em textos seus, pela Amalgama – (Coliseu dos Recreios), Sintra (Centro CulturalCompanhia de Dança de Mafra. Espetáculos Olga Cadaval) e Fátima (Pavilhão Paulo VI). Temainda em Novembro, no Convento de Mafra. sido convidada pela Associação Fernando Uma ópera infantil em dois atos com Pessoa e Agostinho da Silva, a convite das
  13. 13. 9quais, como oradora, fez conferências e Editores, Lisboa, Abril de 1999participou em colóquios sobre estas duas - O Arquiteto, Hugin Editores, Lisboa,personalidades. Pela Fundação Cultural Sintra Março de 2002 - Venite In Silentio, Unicepe,foi convidada para a Quinta da Regaleira, como Porto, Setembro de 2004escritora, no dia Mundial da Poesia de 2005, a - Contos de Azul e Terra, romance, emfim de ler poemas seus. Foi igualmente co-autoria com Raquel Gonçalves, Hugin,convidada, recentemente, a realizar na SPA, um Lisboa, Novembro de 2004colóquio sobre a sua experiência no âmbito da Participou ainda nas seguintesescrita para música (canção, libreto, musical e publicações:cantata), o que fez conjuntamente com o - “O Teatro é como as Cerejas”, in Umacompositor Jorge Salgueiro. Em Julho de 2005 questão de Tempo, de Jaime Salazar Sampaio,estreou, em Setúbal, no teatro Luísa Toddi, o Hugin Editores, Lisboa, Setembro de 1999musical Kate e o Skate, com libreto de sua - “Um Pai Natal de Sonho”, in Contosautoria e música de Jorge Salgueiro. Uma Eróticos de Natal, Hugin Editores, Lisboa,encomenda do Coro infantil de Setúbal. Dezembro de 2000 É cronista regular (“Quarta-Crescente”) - “O Pintor sem Rosto”, in O Homem emde uma página da editora Unicepe, no Porto, de Trânsito, Histórias de Intimidade e de Mistério,O Despertar do Zêzere e de O Progresso de col. Minimezas, Indícios de Oiro – Edições Ld.ª,Gondomar Mantém o seu próprio blog, com o Lisboa, Dezembro de 2002.seguinte endereço: - “O Homem da Minha Vida...”, inhttp://risocordetejo.blogspot.com/ MARGENS outros de nós, Padrões Culturais Publicou os seguintes livros: Editora, Col. Paixões Mundanas nº 13, Lisboa, - A Criança Suspensa, Prêmio Ferreira de Novembro 2004Castro, de ficção narrativa, da Câmara de - O Achamento do Brasil, uma Ópera emSintra, edição da Câmara Municipal de Sintra, Banda Desenhada, (libreto), Foco Musical-Dezembro de 1996 Educação e Cultura Lda, Lisboa, 2004 - O Corpo e a Tela, Hugin Editores, - “Conquista-me” in Dez Anos deLisboa, Julho de 1997 Inquietação, CD dos Negros de Luz, concebido e - O Aniversário, Prêmio Revelação produzido por Jorge Salgueiro, compositor eAPE/IPBL 1994, Ficção, Difel – Difusão Editorial, diretor do mesmo. Ed. Tradisom, 2005Lisboa, Maio de 1998 Fonte: - A Compreensão da Lua, Hugin http://triplov.com/letras/risoleta_pedro/index.htm Conhecera, afinal, Florença e achava da cidade, vagando por ela, sem rumo, duranteque a vida já lhe tinha dado bastante. dias.Conhecera-a madura, depois de ter sonhado Sem esgotá-la, tinha partido e agora,com ela toda sua juventude. Chorara no Ponte enquanto o trem andava, começou a degluti-la.Vecchio, como se reencontrasse a mocidade, as Jantou só, no carro-restaurante, eestranhas visões que a povoavam. voltou para a cabine. Não desejava dormir e Desde menina a ponte a fascinava, com teve curiosidade de ver a paisagem noturnasuas casas entranhadas, mais rua do que ponte. pela janela do trem. Nenhum passageiroAlgo absolutamente insólito, ocupando um parecia estar acordado, apenas um silêncioespaço e um tempo desarrazoados. feito de sons abafados. Deixou-se penetrar pelo encantamento O barulho do trem nos trilhos era um
  14. 14. 10ruído bom, familiar, que lhe devolvia a infância, A sensação de juventude vinha cada vezas longas viagens de noturno rumo à fazenda. mais forte, e ele participava dela. Estava lhe "Estou me sentindo estranhamente dando de presente o tempo reconquistado, ojovem", pensou. Olhava pela vidraça fechada a tempo de juventude, aquele que ninguémpaisagem banhada de luar. conta. A solidão reinante fazia bem, deixava o Ainda no trem, quis detê-la e lhe pediamundo à sua mercê, podia envolvê-lo na palma que ficasse, que deixasse alguma coisa deda mão. palpável, um endereço, uma pista para Uma voz. Olhou espantada. Uma voz ao encontrá-la um dia em algum lugar.seu lado. Um homem a olhava e falava. Ia Resistiu.retirar-se e fechar a porta da cabine, quando Acenou pela janela e sentou naalguma coisa a fez mudar de idéia. O homem poltrona.pedia-lhe que ficasse e a voz combinava com a O coração batia violentamente.noite, o trem, o resto de Florença. Teve vontade de parar o trem, Ser jovem — ser jovem uma vez mais precipitar-se pela porta, voltar.numa noite, numa cidade estranha. Depois, O trem, grande devorador, jápartir sem deixar rastro. Esgotar a vida, a transformara em tempo o espaço percorrido.cidade, o tempo, num só dia. Não desejava Estava livre e só na manhã de verão.mais, ou melhor, só desejava isso. Qualqueracréscimo e tudo estaria perdido. Cogumelos e cerejas no restaurante.Brilhantes e redondos. Tenros, devorados em RACHEL JARDIMplena juventude. a vinho, velho, conservava a Rachel Jardim, romancista emocidade, tinha também o poder de inebriar. memorialista, nasceu em Juiz de Fora (MG) em A cidade era feita de tempo, tempo 19 de setembro de 1926. Formou em Direitoguardado, tempo preservado. pela PUC-RJ. Ingressou no funcionalismo Amava sim, de um amor sem tempo, público. Fez estágios em museus de Nova Yorksem limite, sem fim e sem começo. e, de volta ao Brasil, dirigiu o Patrimônio Ele se chamava Alfredo e queria detê-la. Cultural e Artístico do Rio de Janeiro. TemProcurava saber tudo, seu nome, sua cidade, o colaborado na imprensa (Jornal do Brasil-RJ,que fazia, se era casada, se tinha filhos. Ela não Suplemento Literário do Minas Gerais, Correiodizia nada. Ele fora casado e agora se dizia, do Povo - RS).livre. Tinha o senso do limite. Queria-a para si Obras publicadas:num tempo e num espaço certos. Guardada, Os anos 40: a ficção e o real de umaconservada. Que sabia ele? época, romance, 1973; Cheiros e ruídos, Ela se sentia livre e aspirava até o último contos, 1975; Vazio pleno, romance, 1976; Osorvo essa liberdade, duramente conquistada. conto da mulher brasileira, antologia, 1978;Desistira das coisas concretas, uma posição Mulheres & mulheres, antologia, 1978;definida, um lugar no espaço. Seu espaço era Inventário das cinzas, romance, 1980; Muitofeito de muitos espaços; seu tempo, de muitos prazer, antologia, 1981; A cristaleira invisível",tempos. Queria conhecer um dia que não contos, 1982; O prazer é todo meu, antologia,pudesse ser contado em dias. Que lhe daria 1984; Crônicas mineiras, antologia, 1984; Oele? a tempo aprisionado, a dor das coisas que penhoar chinês, romance, 1985; Minas dese perdem de momento a momento. Ela não Liberdade, memórias, 1992.queria mais ganhar nem perder. O amor seria Fonteagora assim, feito de instantes - instantes sem Contos de escritoras brasileiras. SP: Editora Martinstempo. Já perdera e ganhara seu espaço e seu Fontes, 2003.tempo. Sentia-se livre para viver sem medo de http://www.releituras.com/perder.
  15. 15. 11 e em nada, todos os meus sofrimentos! No azul do mar, a imagem refletida, a imagem do meu próprio coração, num renascer eterno de emoção! Livre e feliz, eu sigo pela vida, Tens vergonha com mil estrelas a brilhar, converso, de chorar, plantando os sonhos meus pelo Universo! sofrer dar um sorriso. Frágil? Mas quem não é... Ser como um cristal! Que pode estilhaçar. Pense... Enquanto não quebrar Dentro de mim vive o consolo da saudade Brilhe... sentida. Lute! Mergulhe? Saudade de teu beijo ardente Para se molhar! de nossos beijos loucos Todos procuram que nos cansaram o corpo Carinho e afeição. nos fizeram tolos Sabem...ou na certeza pouca Estão buscando de que o nunca mais Vagueiam..a paz um dia chegaria. Descendo aos corações. Ah! teus beijos!. Adrenalina pura! Lânguidos insanos feitos de romance de bem, de mal, de tudo; de sonhos de paixão Me sinto livre, porque sou amada, de toques de ousadia pertenço aos céus e corro como os ventos, do fogo da emoção vou flutuando na noite enluarada, do ardor da euforia. nas doces asas dos meus sentimentos! Dentro de mim resta o consolo de sentir Faço da liberdade, a minha estrada, saudade. e dou amor em todos os momentos,transformando em meu tudo, um quase nada, Vem! Volta!
  16. 16. 12 Esgota-me com teu beijo! Renova-me com teu beijo! Me faz viver de novo em meio a nossos beijos desejos tão sentidos! Deus se faz... Amo o sol, amo a lua, o firmamento, amo os montes, as serras, e arrebóis, amo a terra, a beleza, o pensamento ... Eu amo loucamente os rouxinóis. Amo prados, colinas e amo os ventos, e tudo desta vida passageira, A cor azul turquesa eu aprendi a amar os sofrimentos Faz o contraponto, e até mesmo a vizinha faladeira ... Com a palidez Da linha do horizonte. Amo as flores, as aves, as florestas, amo praias, jardins, e os coqueirais, Acima de mim, o céu, eu amo a solidão, bem como as festas, Vestido de azul claro, também amo o frescor dos matagais. Espera o manto dourado, Dos raios vindos do Leste. Amo a sombra, o silêncio e a harmonia, amo tudo o que traz felicidade, A última estrela da manhã o sereno, o ciúme, a cortesia,Vê, aos poucos, brilho apagado, amo a cor, amo o amor, e amo a saudade ! O nascer de um novo dia. Amo o frio da noite enluarada, No meio do oceano, amo os rios, o espelho e a amplidão, Como uma casca de noz, amo a vida, sem mesmo ser amada, Flutuando na lagoa, porque amo ouvir a voz do coração ... Eu sinto o Universo gigante. Eu amo o bem - estar da Humanidade,Na madrugada de instantes atrás seguindo o que me ensina a Lei Cristã... Relâmpagos e trovoadas, Amo plantar, feliz, na mocidade Faziam da chuva, tormenta uma esperança a mais para o amanhã !Contrastes da aurora iluminada. Amo a noite, amo o dia, a madrugada, Tantas forças que se opõem! a chuva que dá viço a flor do agreste, De noite o vendaval, o sublime cantar da passarada, De dia, a serena paz. e a vida sossegada do Nordeste... Não há como negar: Amo a fonte, os desertos, os rochedos, Deus existe! E SE FAZ!!! amo a areia e amo a espuma do oceano, o clarão, amo a réstia, amo os degredos, e amo as quatro estações de cada ano ... Amo o sonho, o talento, amo a pintura,
  17. 17. 13 a igreja com seu sino a repicar ... Do som da divindade Amo o riso depois da desventura Toco os acordes da alma e amo o barulho ouvido à beira - mar ... Que estimula e acalma O cerne da humanidade Amo o som, a ternura, amo a nobreza, e o pranto quando fruto de emoção, Onde o concerto Divino, amo todo o esplendor da Natureza, Profundo e Cristalino, eu amo tudo, enfim, sem distinção... Exprime-se naturalmente, Alcançando árvores ninhos Amo as nuvens com arte e com mesuras, As vozes dos passarinhosquando formam no espaço um longo véu ... No som do eternamente. e as estrelas fazendo travessuras, mudando de lugar, mesmo no céu ... Estou na voz do vento, Suave ou em tormento, Eu amo os vegetais, toda a folhagem, Acompanhando a vida a garra da cigarra cantadeira, Desde o princípio da Terra, as notas musicais, amo a friagem Nas lutas que ela encerra, e o calor insistente da lareira... A dar-lhe paz e guarida. Eu amo o despertar da simpatia, Inspirei o guerreiro iludido a velhice e também a juventude, Também o homem vencido um semblante que vibra de alegria, Porque, a minha missão a força de vontade, amo a virtude ! É de acordar a grandeza Que dormita na fraqueza Amo o lirismo, a paz, amo a cultura, Dos pobres de coração. amo o trabalho, a luz e a inteligência, amo as benesses da literatura, Em tantos hinos de glórias, amo a sabedoria da Ciência ... Exaltei muitas vitórias, Nas ilusões que traduzem. Eu amo o campo santo, a nostalgia, Até, o homem encontrar E o lazer no descanso após a lida, O vórtice angular e fervorosamente amo poesia ... Representado nas cruzes. e amando o Ser Humano ... Eu amo a Vida ! Então, em elevação Eu amo este Universo imenso e bom A alma sem divisão, com todo o amor que Deus me concedeu, Retornará ao seu lar. pois nem toda Mulher possui o dom Sou a música que embalade Amar, com tanto excesso, assim com eu ... Enquanto à sua alma fala: Amigo, Viver é amar! No contexto do universo O Amor-perfeito veio Sou voz em tom expresso Nascer na tela do artista
  18. 18. 14E nasceu em nossos olhos Oh Crisântemos divinos Amor à primeira-vista São as flores de um adeus Jamais morre esta chamaAs Avencas hoje dançam Que me une aos olhos teusAo vento que vem soprar Essa brisa diz-me algo Os Cravos estavam tristesVem teu nome sussurrar Pois o sol havia se posto Vi nas nuvens deste céu As Azaléias formosas O desenho do teu rostoFazem sombra pro besouro E sem sombra de dúvida A Flor-de-Liz e suas cores Nosso amor é um tesouro São matizes da beleza Mantemos em nosso peito As Acácias abraçadas A chama do amor acesa Tão juntinhas neste ramoOlho dentro dos teus olhos Os Gerânios nos jardins Então digo que te amo Ornamentam a cidade Assim é o nosso amor As Adálias tão formosas Jardim de felicidade Parecem obras de arte E bate forte o meu peito A Gérbera apaixonadaSimplesmente por amar-te Na primavera nascia Em mim nasceu o amor Os Antúrios corações Que renasce à cada dia Lá no jardim à crescer Bate-bate e faz tum-tum Os Girassóis apaixonados Cada vez que vou te ver Sorriam ao astro-rei Te amarei eternamente Os Agapantos ao vento Jamais te esquecereiComo azuis olhos de Venus Com afagos e carícias Os Hibyscus perfumavam Assim nós nos amaremos O vento do entardecer Meu coração será teu As Begônias são a causa Cada vez que ele baterDe um jardim tão colorido As Hortências tão sublimesSem teu amor minha vida De fragrância tão pura Não teria algum sentido Mais sublime é nosso amor Puro afeto e ternuraAs Bromélias são encanto Magia de belos matizes Os Ipês na primavera Essa paixão é o feitiço Vestem traje amareloQue nos faz sorrir felizes Teu amor vestiu meu mundo De um sonho doce e belo As Camélias tem um ar De quem vibra de paixão O Jasmin enamorado Escrevo hoje teu nome Floresceu até que enfim No livro do coração O romance de nós dois Tem começo e não tem fim
  19. 19. 15 Te quero muito meu amor Os Lírios perto do mar Mais que tudo neste mundo Inesquecível paisagem Assim é o teu semblante As Prímulas elegantes Em sonho vi tua imagem Como asas de querubim No céu brilha o arco-íris Nos Lisiantus do jardim Como este amor sem fim Pisca-pisca um vagalume O teu amor me completa A Rosa disse ter visto Como a flor e seu perfume Borboletas no jardim E falou do teu amor As Margaridas não mentem A melhor parte de mim Respondem à quem quiser Perguntei de nosso amor As Tulipas são tão raras Terminou em bem-me-quer Tão difíceis de encontrar Encontrei o meu amor A Miosótis tão singela E meu destino é te amar Sempre me enterneceu Estarei junto de ti As Violetas violácias Sempre sempre ao lado teu Ou da mesma cor do céu Não acaba este beijo As Orquídeas com seu néctar Com doce sabor de mel Onde pousa o beija-flôr Nesses lábios pousam beijos Fonte: Também a palavra amor Colaboração de Iara Melo Gruta da Poesia - Nº 07 da 2ª série – Abril de 2008 http://www.caestamosnos.org/Revista_A_Gruta_da_Poe As Petúnias se destacam sia/08.html No céu de azul profundo Levou o manequim de madeira à festa amigo.porque não tinha companhia e não queria ir — Os amigos dos nossos amigos sãosozinho. nossos amigos — disseram saboreando a Gravata bordeaux, seda. Camisa generosidade da sua atitude. E o apresentarampregueada, cambraia. Terno riscado, lã. Tudo a outros convidados, amigos e amigos dedo bom. Suas melhores roupas na madeira bem nossos amigos. Todos exibiram os dentes emtalhada, bem lixada, bem pintada, melhor amável sorriso.corpo. Só as meias um pouco grossas, o que Recebeu o copo de uísque, sua senha. Eporém se denunciaria apenas se o manequim foi colocado no canto esquerdo da sala, entre acruzasse as pernas. Para o nariz firmemente porta e a cômoda inglesa, onde mais seobstruído, um lenço no bolsinho. harmonizaria com a decoração. No relógio de ouro do pulso torneado, a A meia hilaridade pintada com tintafesta já tinha começado há algum tempo. esmalte e reforçada com verniz náutico Sorridentes, os donos da casa se exortava outras hilaridades a se manteremdeclararam encantados por ter ele trazido um constantes, embora nenhuma alcançasse
  20. 20. 16idêntico brilho. Abriam-se os transitórios na mão. Sequer uma ponta de tédio.vizinhos em amenidades que o compreensivo Imperturbável, o manequim de madeira varavacalar-se do outro logo transformava em a festa em que os outros aos poucos seconfidências. Enfim alguém que sabia ouvir. descompunham.Relatos sibilavam por entre gengivas à mostra e Já não eram como tinham chegado. Asse perdiam em quase espuma na comissura dos mechas escapavam, amoleciam os colarinhos,lábios. Cabeças aproximavam-se, cúmplices. secreções escorriam nas peles pegajosas. Só osApertavam-se as pálpebras no dardejado do sorrisos se mantinham, agora descorados.olhar. O ruge, o seio, o ventre, a veia expandida No relógio torneado do pulso rijo a festapalpitavam. O gelo no uísque fazia-se água. estava em tempo de acabar. A própria dona da casa ocupou-se dele As mulheres recolhiam as bolsas comna refrega de gentilezas. Trocou-lhe o copo discrição. Os amigos, os amigos dos amigos, osainda cheio e suado por outro de puras pedras novos amigos dos velhos amigos deslizavame âmbar. Atirou-se à conversa sem porta afora.preocupações de tema, cuidando apenas de Mais tarde, a dona da casa, tirando amantê-lo entretido. Do que logo se arrependeu, maquilagem na paz final do banheiro, dedos nonaufragando na ironia do sorriso que lhe era pote de creme, comentava a festa com ooferecido de perfil. A necessidade de assunto marido.mais profundo levou-a à única notícia lida nos — Gostei — concluiu alastrando preto eúltimos meses. E nela avançou estimulada pelo vermelho no rosto em nova máscara —, gosteisilêncio do outro, logo úmida de felicidade mesmo daquele convidado, aquele atencioso,frente a alguém que finalmente não a de terno riscado, aquele, como é mesmo ointerrompia. No mais frondoso do relato o nome?marido, entre convivas, a exigiu com um sinal.Afastou-se prometendo voltar. O brilho de uma calvície abandonou ocentro da sala e coruscou a seu lado, MARINA COLASANTIderramando-lhe sobre o ombro confissões Marina Colasanti (SantAnna) nasceu emimpudicas, relato de farta atividade 26 de setembro de 1937, em Asmara (Eritréia),extraconjugal. Sem obter comentários, sequer Etiópia. Viveu sua infância na Africa (Eritréia,um aceno, o senhor louvou intimamente a Líbia). Depois seguiu para a Itália, onde moroudiscrição, achando-a, porém, algo excessiva 11 anos. Chegou ao Brasil em 1948, e suaentre homens. Homens menos excessivos família se radicou no Rio de Janeiro, ondeaguardavam em outros cantos da sala a reside desde então.repetição de suas histórias. Possui nacionalidade brasileira e Não acendeu o cigarro de uma dama e naturalidade italiana.esta ofendeu-se, já não havia cavalheiros como Entre 1952 e 1956 estudou pintura comantigamente. Não acendeu o cigarro de outra Catarina Baratelle;dama e esta encantou-se, sabia bem o que se Em 1958 já participava de vários salõesesconde atrás de certo cavalheirismo de de artes plásticas, como o III Salão de Arteantigamente. Os cinzeiros acolheram os Moderna.cigarros sem uso. Nos anos seguintes, atuou como Um cavalheiro sentiu-se agredido pelo colaboradora de periódicos, apresentadora deseu desprezo. Um outro pela sua superioridade. televisão e roteirista.Um doutor enalteceu-lhe a modéstia. Um Ingressou no Jornal do Brasil em 1962,senhor acusou-lhe a empáfia. E o jovem que o como redatora do Caderno B, desenvolveu assegurou pelo braço surpreendeu-se com sua atividades de: cronista, colunista, ilustradora,rígida força viril. sub-editora, Secretária de Texto. Foi também Nenhum suor na testa. Nenhum tremor editora do Caderno Infantil do mesmo jornal.
  21. 21. 17Participou do Suplemento do Livro com seu Capricho, saiu em 1992.numerosas resenhas. Em 1994 ganhou o Prêmio Jabuti de No mesmo período editou o Segundo Poesia, por Rota de Colisão (1993), e o PrêmioTempo, do Jornal dos Sports. Deixou o JB em Jabuti Infantil ou Juvenil, por Ana Z Aonde Vai1973. Você? Assinou seções nas revistas: Senhor, Suas crônicas estão reunidas em váriosFatos & Fotos, Ele e Ela, Fairplay, Claudia e Jóia. livros, dentre os quais Eu Sei, mas não Devia Em 1976 ingressou na Editora Abril, na (1992) que recebeu outro prêmio Jabuti, alémrevista Nova da qual já era colaboradora, com a de Rota de Colisão igualmente premiado.função de editora de comportamento. Publicou vários livros de contos, De fevereiro a julho de 1986 escreveu crônicas, poemas e histórias infantis. Dentrecrônicas para a revista Manchete. outros escreveu E por falar em amor; Contos de Deixa a Editora Abril em 1992, como amor rasgados; Aqui entre nós, Intimidadeeditora especial, após uma breve permanência pública, Eu sozinha, Zooilógico, A morada dona revista Claudia, tendo ganho três Prêmios ser, A nova mulher (que vendeu mais deAbril de Jornalismo. 100.000 exemplares), Mulher daqui pra frente, De maio de 1991 a abril de 1993 assinou O leopardo é um animal delicado, Gargantascrônicas semanais no Jornal do Brasil. abertas e os escritos para crianças Uma idéia De 1975 até 1982 foi redatora na toda azul e Doze reis e a moça do labirinto deagência publicitária Estrutural, tendo ganho vento.mais de 20 prêmios nesta área. Colabora em revistas femininas e Atuou na televisão como entrevistadora constantemente é convidada para cursos ede Sexo Indiscreto - TV Rio, e entrevistadora de palestras em todo o Brasil.Olho por Olho - TV Tupi. É casada com o escritor e poeta Affonso Na televisão foi editora e apresentadora Romano de SantAnna com quem teve duasdo noticiário Primeira Mão -TV Rio, 1974; filhas: Fabiana e Alessandra.apresentadora e redatora do programa cultural Em suas obras, a autora reflete, a partirOs Mágicos -TVE, 1976; âncora do programa de fatos cotidianos, sobre a situação feminina,cinematográfico Sábado Forte -TVE, de 1985 a o amor, a arte, os problemas sociais brasileiros,1988; e âncora do programa patrocinado pelo sempre com aguçada sensibilidade.Instituto Italiano de Cultura, Imagens da Itália-TVE, de 1992 a 1993. Fontes: Em 1968, foi lançado seu primeiro livro, COLASANTI, Marina. O leopardo é um animalEu Sozinha; desde então, publicou mais de 30 delicado. RJ: Editora Rocco, 1998.obras, entre literatura infantil e adulta. http://omundodemarinacolasanti.blogspot.com Seu primeiro livro de poesia, Cada Bicho / Sou quem sou, simplesmente mulher, não fujo, nem nego, Corro risco, atropelo perigo, avanço sinal, ignoro avisos. Procuro viver, sem medo, sem dor, com calor, aconchego, Supro carências, rego desejos, desabrocho em risos... Matéria cobiçada... na tez macia, no calor ardente. Alma pura, envolta em completa fissura. Sem frescuras!
  22. 22. 18 Encontro prazer na forma completa, repleta, latente. Meretriz sem pudor,mulher no ponto, uva madura! Sou quadro abstrato, me entrego no ato à paixão que aflora. Sou enigma permanente, sem ponto final, sem continências, Sou mulher tão somente, vivendo o momento, sorvendo as horas. Sou pétala recolhida, sem forma, sem cor, completa em essência. Exalo a esperança, transpiro vontades. Não me tenhas senhora. Sou mulher insolúvel, nada volúvel. Vivo a vida em reticências... Encantada, 2002 - Antologia Poetrix – Movimento Internacional Poetrix, 2002 ÂNGELA BRETAS - Talento Feminino em Prosa e Verso Ângela Bretas é natural de Santa Rede Brasileira de Escritoras, 2002Catarina. Sempre gostou de escrever prosa e - Antologia Tempo Limitado – Scortecci Editora,versos. Mudou-se para os EUA em 1985 e 2002cursou língua inglesa no Lynn CommunityCollege, em Massachussetts. Tem três livros E- books:publicados e dois no prelo, e atua como free- - Poetrixlance para diversos jornais no Brasil e nos - Ecos InspiracionaisEstados Unidos, trabalhando como colunista e – Prosas Poéticasjornalista. Reside em Boca Raton - Florida/USA. - 1º Concurso Verso e Prosa da Florida – No momento ultima a produção do livro coordenadora“BRAVA GENTE BRASILEIRA EM TERRASESTRANGEIRAS”, uma coletânea de poesias e Alguns prêmios, troféus e participações:crônicas de 29 brasileiros residentes nos mais - Recebeu o prêmio Troféu Brasil 2001 nadiversos lugares desta Terra. O livro deverá ser categoria jornalismo, evento realizado emlançado na Feira Internacional do Livro de Miami anualmente homenageando brasileirosMiami - "Miami International Book Fair" -, em que lutam para manter a cultura brasileira emagosto de 2004, e na Bienal Internacional do terras norte-americanas.Livro de São Paulo, em 2006. - Foi indicada, através do voto popular, pelo terceiro ano consecutivo ao Brazilian PressLivros e trabalhos publicados: Awards de Miami 2001. - Finalista do prêmio Eccho of Literature com- “Éramos quatro”, 1983 base em Londres – Inglaterra, pela editora- “Sonho americano”, 1997 Rickmarck Publishing.- “Conversando com as estrelas”, 2002 - Homenageada com o Troféu Imigrante 2002 –- American Antology of Poetry. 1999 Miami – categoria jornalismo.- Antologia de Poesias, Contos e Crônicas Fonte:17ª Bienal Internacional de São Paulo, 2002 http://www.releituras.com/- Antologia diVersos – Grupo Pax Poesis
  23. 23. 19 O primeiro livro de contos de Rinaldo de funcionário da prefeitura e advogado”; “Eu souFernandes, O Caçador, é de 1997. Meticuloso, um homem de quarenta e seis anos.” Emsem pressa, em 2005 apresentou o segundo “Confidências de um amante quase idiota” – novolume, O Perfume de Roberta (Rio de Janeiro, outro livro, “Eu não sou um idiota” –, oEditora Gamamond), juntando cinco daquelas protagonista nada diz de si mesmo. Roberto faznarrativas a treze inéditas. a narração de “Pássaros”. E é neste tipo de Os narradores de Rinaldo ora são narrativa que o escritor declara ao leitor, desdeprotagonistas, ora meros observadores. Ou o início da narrativa, quem é o vencedor doprincipiam como espectadores e terminam duelo final, o sobrevivente da tragédia. É comocomo protagonistas. De alguns o leitor conhece se o narrador dissesse ao leitor, desde aduas ou três características ou traços primeira linha: “Veja, eu vou narrar umafisionômicos, físicos, socioculturais. Muitas tragédia, da qual sou protagonista. Eu sou ovezes não sabe sequer o nome. vencedor do duelo final, porque sou o Em “Ilhado”, um homem toma uísque narrador”. O perdedor (ou a perdedora) é onuma praia de uma cidade onde não mora. E outro (ou a outra), a que morreu no último ato.pouco mais se sabe dele: (“Cheguei ontem aqui O vencedor, porém, é também perdedor.na cidade. Vim fazer uma conferência, vai ser Talvez um perdedor menor, porque lhe restouna segunda. Estou num hotel mais adiante.”). O a vida. Ora, é o narrador, mas não narra anarrador de “O cavalo” apenas espreita, de História dos outros. Não é historiador, maslonge, do alto, da varanda do apartamento, as protagonista de uma narrativa.cenas que constituem a peça ficcional. Quase Em “Borboleta” – outra história danada diz de si mesmo: “moro aqui já tem três coleção de estréia de Rinaldo –, o narrador éanos, após me aposentar como advogado”; obscuro e a peça de feição rara. Também já“Dia seguinte, viajei para o Rio de Janeiro, fui publicado é “A tragédia prima de Sílviavisitar meu neto.” Em “A morta”, o ser fictício Andrade”, no qual o narrador se diz escritor etambém não se exibe com clareza, porque não relata fatos (o conto) a um delegado.passa de testemunha dos fatos. O protagonista São poucas as histórias contadas porde “Oferta” apenas se diz “velho vendedor” e mulheres. A narradora de “O mar é bem ali”revela ter 48 anos. O de “A poeira azul” se confidencia: “Sou uma velha poeta”, moradoramostra o tempo todo: “Já dez anos que eu de uma quitinete. Em “Duas margens” umavendo camisas!”, “já estou com trinta e quatro mulher narra no presente: bebe cerveja noanos”, “já fui garçom”, não é casado, não tem “mais pobre dos bares”, é casada com Marcos efilhos, embora não diga o próprio nome. Em “O tem uma filha de nome Juliana. Ao mesmoperfume de Roberta”, cabe relatar os fatos ao tempo em que conta a própria história (opai da personagem Roberta, mera figurante na desenlace amoroso), que julga catastrófica,trama. Esquisito, tudo faz para se esconder, observa (vê e ouve) personagens de outranão se revelar, sobretudo porque age de narrativa há muito iniciada e que em breve terámadrugada, às escondidas de todos: “eu falei desfecho trágico.pra ela que me chamo Pedro”. Entretanto, não “Rita e o cachorro” (o título – que nãooculta outros dados importantes: “Sou faz parte da narração – revela o nome da
  24. 24. 20narradora) apresenta “Uma mulher vivendo só, margens” se mistura à angústia de ter sidosem emprego certo, pedindo a um e outro para traída no amor. A narradora está só, bebefazer revisões de todo tipo de texto, teses, cerveja num bar, enquanto outra mulherartigos, dissertações, o diabo.” desesperada se debate também na solidão, A narradora de “Sariema” – recriação de após ter sido abandonada pelo marido.“A hora e a vez de Augusto Matraga”, de Algumas obras de Rinaldo têm desfechoGuimarães Rosa – se desvela desde o título. trágico. A carnificina em “Ilhado” vai numPode-se falar em clonagem literária. De um ser crescendo. O leitor nem percebe a lenta(composição) se extrai uma célula-tronco e dela transformação do lirismo dos namorados àse cria novo ser, semelhante ao original. Ou beira-mar em tragédia. A tragédia de “A morta”remeter ao mito bíblico da criação da mulher: se dá de forma inesperada, porque nenhumde uma costela de Adão se fez Eva. Neste conto conflito se manifesta no decorrer na narração,se repete o esquema do vencedor e do a não ser de forma sutil: “Não tem ninguém aí,perdedor. Se a história é contada por Sariema e não é possível!” (os três visitantes acreditavamse dá o embate entre ela e Nhô Augusto, encontrar o casal à sua espera); “E, quase quelogicamente (mas poderia não ser lógico) ela é ao mesmo tempo, algo tombou na estrada. Nãoa vencedora e ele o morto. sei se tombo ou o tropeço de alguém.” Em Nas demais peças não há personagens “Duas margens” a morte da criança é algonarradores. O primeiro é “Negro”, conto escabroso. A mãe enterra o filho vivo, com areproduzido da primeira obra. Em “O último ajuda da narradora, que acreditou na afirmaçãosegredo”, o narrador, pode-se dizer, é semi- da outra: “– Ele está morto”. Na últimaonisciente. “Passarinho” se assemelha àquele tragédia, Sariema, mulher de Osório, esfaqueiatambém neste aspecto, além de serem curtos e Nhô Augusto, após este matar aquele.de tratarem de problemas sociais ou de O mar é uma constante nas peçasrelações sociais. Em outras composições pode- ficcionais de Rinaldo. Não exatamente o mar.se ver a preocupação de Rinaldo com os Na verdade, não se vêem pescadores, banhistasdramas sociais, pessoais e domésticos. O ou surfistas. O mar é muito mais referência denarrador de “Procurando o carnaval” – também ambiente, às vezes pano-de-fundo (“O marda primeira coleção – é espécie de alter ego do espuma, adiante, nos arrecifes.”), mas sempreprotagonista sem nome explícito, sua sombra. presente. Toda a tragédia de “Ilhado” se inicia à Um dos temas predominantes em beira-mar e termina em pleno mar, num barco.Rinaldo é a solidão. Enquanto as pessoas se Em “O mar é bem ali”, o próprio título diz tudo.debatem entre a vida e a morte, há sempre Na verdade, a trama se dá num apartamento àalguém (o narrador, no mais das vezes) em beira-mar. A tragédia de “A morta” tambémplena solidão, embora por alguns instantes ou não se dá no mar. Entretanto, o mar está muitomomentos se envolva num turbilhão de fatos presente: “A lâmina do mar apareceu láalheios à sua vontade ou expectativa. É o caso embaixo, depois do descampado e de umado narrador de “Ilhado”: tomava uísque numa ponta de duna.” Veja-se “Oferta”, que se passabarraca de praia, certamente para espairecer, num boteco de beira de estrada no sertão.quando se viu envolvido numa tragédia. Em “O Entretanto, o narrador lembra uma propagandaCavalo”, o narrador é um solitário observador de televisão em que um rapaz se aproxima de(“com a insônia, me levantei, fui à cozinha”). um casebre à beira-mar. O narrador olha emParecida com ele é a narradora de “O mar é volta “procurando o mar”, que muito longebem ali”: uma moradora solitária de uma dele está. “Não há mar, mas uma paisagemquitinete, que termina imaginando um diálogo rubra, de pedras pretas e raros arbustos,com um suposto visitante. Em solidão também paisagem seca, de muitos gravetos.” Logo noestá o protagonista de “Oferta”, assim como os início de “A poeira azul” se lê: “Só foi possíveldemais personagens, que mal conseguem se ver a faixa verde de mar depois da curva.” Emcomunicar. A solidão da protagonista de “Duas “Rita e o cachorro” o mar também está
  25. 25. 21presente: “Ontem o mar estava todo narrador onisciente ou do escritor, não seesmeralda”. amarram a pormenores. Os diálogos e as falas Entretanto, nem só de paisagens são curtos. As narrações elidem a necessidademarinhas vivem os personagens de Rinaldo. deles. Também nada de descrições minuciosasAlguns estão no sertão, em estradas de seres fictícios ou paisagens. Essa economiapoeirentas, outros na cidade grande, em verbal dá aos contos de O Perfume de Robertaapartamentos, ruas. um ar de novidade, apesar da simplicidade A estrutura das narrativas de O Perfume estrutural e de linguagem. Um quê de cheiro dede Roberta é, quase sempre, linear no tempo. fruta madura.Nada de retrospectos, a não ser emelucubrações ou monólogos. Ou quando doistempos se fundem: o presente da narração e opassado narrado, como se vê em “Sariema”. RINALDO DE FERNANDESIsto é, quando o narrador está contando Rinaldo de Fernandes, nasceu em(presente) uma história (passado) para um Chapadinha, MA, e morou por muitos anos emouvinte. Na maioria dos contos, o narrador Fortaleza, CE. Graduou-se em Letras, naconta uma história, sem se dirigir ao leitor ou a Universidade Federal do Ceará. Doutor emum ouvinte. Algumas obras de Rinaldo, Letras pela UNICAMP, é professor de literaturaconstituídos de breves quadros, lembram na Universidade Federal da Paraíba.roteiros de cinema. Divididos em blocos, Organizou os livrosgeralmente em razão da mudança de tempo. - O Clarim e a Oração: cem anos de Os sertõesAssim, em “Ilhado”, cortado em três (São Paulo: Geração Editorial, 2002),segmentos, se pode ver claramente que no - Chico Buarque do Brasil (Rio de Janeiro:primeiro a cena é quase parada, com pouca Garamond/Biblioteca Nacional, 2004),movimentação dos seres: o narrador, a mulher - Contos cruéis: as narrativas mais violentas dasentada num banco, a chegada do homem num literatura brasileira contemporânea (São Paulo:barco, a cozinheira do bar e o garçom. No Geração Editorial, 2006) esegundo segmento surge o mendigo, que será o - Quartas Histórias, contos baseados empersonagem central da trama. E, por último, a narrativas de Guimarães Rosa (Rio de Janeiro:cena do ataque do mendigo ao narrador, à Garamond, 2006).mulher e ao homem do barco. Tudo em algunsminutos. Com o conto "Beleza", conquistou o Em outros contos, embora a ação primeiro lugar no Concurso Nacional de Contosprincipal se dê em poucos minutos ou horas, há do Paraná de 2006.referências às conseqüências dele na vida dos Como pesquisador, fez os textos daseres fictícios num tempo futuro, como em “O antologia Os cem melhores poetas brasileiroscavalo”: o narrador, numa noite, vê do alto da do século, organizada por José Nêumanne Pintovaranda de seu apartamento um cavalo solto (São Paulo: Geração Editorial, 2001).na rua, a chegada de um homem num carro à Já teve contos publicados, entre outroscasa vizinha, a briga do homem com uma suplementos, pelo "Rascunho", de Curitiba.mulher, etc. Tudo em poucos minutos. Após Autor dos livros de contos “O Caçador” (1997) eisso, refere-se ao dia seguinte e, no último “O perfume de Roberta” .parágrafo, há alguns meses depois. A linguagem de Rinaldo é simples, Fontes:próxima da oralidade, porém sem uso de gírias artigo de Nilto Maciel paraurbanas ou expressões regionais. A estrutura http://www.cronopios.com.br/site/resenhas.asp?id=107 9dos composições também é singela, exceto em http://triplov.com/contos/rinaldo/index.html“Borboleta”, pleno de ousadia formal. As http://argiladapalavra.softservice.info/narrações, sejam de personagens, sejam do

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