Revista SPnotícias - Ano 1 - Número 10

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Tecnologia na agricultura

Institutos de pesquisa ajudam o agronegócio paulista a ficar cada vez mais rentável e produtivo

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Revista SPnotícias - Ano 1 - Número 10

  1. 1. SP notícias ANO 1 l NÚMERO 10 Programa Cultura É Currículo inova com aulas fora das escolas estaduais Região da Alta Paulista recebe 440 milhões de reais para obras de infraestrutura Atuação do Ipem garante qualidade de serviços para a população Dose Certa faz distribuição Tecnologia gratuita de 67 tipos de remédios na agricultura Institutos de pesquisa ajudam o agronegócio paulista a ficar cada vez mais rentável e produtivo
  2. 2. editorial A tecnologia entra em campo Em 2008, o Estado de São Paulo e a iniciativa privada investiram quase 30 milhões de reais em pesquisas coordenadas pela Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), órgão vinculado à Secretaria da Agricultura e Abastecimento. A Apta comanda o trabalho de seis institutos de pesquisas, que utilizam o que há de mais moderno em tecnologia para desenvolver novas variedades de alimentos, mais resistentes às mudanças climáticas e às pragas das plantações. Nesta edição da SPnotícias mostramos como é a atuação desses institutos a serviço do agronegócio. São verdadeiras referências na busca pela qualidade dos produtos que chegam à mesa do consumidor paulista e brasileiro. Ou até mesmo de outro país. Afinal, 50% do café da Colômbia, por exemplo, é uma variedade criada pelo Instituto Agronômico (IAC), localizado na cidade de Cam- pinas. A Secretaria da Agricultura também divulgou, em abril, os resultados do Levantamento Censitário das Unidades de Produção Agropecuária (Lupa), um mapeamento completo da produção agropecuária no Estado com dados colhidos em 2007 e 2008. Se as pesquisas estão alavancando o agronegócio paulista, na área da edu- cação um amplo programa está permitindo que alunos e professores tenham acesso à cultura e a uma série de atividades curriculares fora das salas de aula, como revela outra reportagem da edição. Trata-se do Cultura É Currículo, que possibilita a estudantes da rede pública de ensino da capital e do interior visitar cem museus e outras instituições culturais de todo o Estado. O programa é composto por três partes: Lugares de Aprender: a Escola Sai da Escola, Escola em Cena e o Cinema Vai à Escola. Mais de 1 milhão de alunos deverão participar das atividades externas e também terão noções da lingua- gem empregada no teatro e no cinema. Na seção Bastidores, SPnotícias acompanhou uma missão do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) na Operação Olho de Lince. A equipe passou o dia na Rodovia dos Bandeirantes, na altura do município de Jundiaí, para fiscalizar os caminhões-tanque que transportavam cargas líquidas perigosas, como ga- solina, álcool e amônia. Como vimos de perto, um dos fatores para uma ação bem-sucedida é o efeito surpresa no momento de abordagem. A equipe verificou 400 itens dos veículos, e o resultado da operação foi a emissão de 36 autos de infração e a apreensão de 20 certificados de inspeção, documento obrigatório para o transporte de produtos perigosos. Nessa repor- tagem você também conhecerá as outras áreas de atuação do Ipem, que visam sempre garantir a qualidade de tudo o que o instituto fiscaliza. Boa leitura e até a próxima edição. SPnotícias 3
  3. 3. renato stockler SPsumário Ano 1 | Nº 10 | 2009 11.000 exemplares Distribuição estadual Foto de capa: Renato Stockler Governo do estado de sÃo Paulo Governador José Serra vice-governador Alberto Goldman secretaria estadual da administração Penitenciária Lourival Gomes secretaria estadual da agricultura e abastecimento João de A. Sampaio Filho secretaria estadual da assistência e desenvolvimento social Rogério Pinto Coelho Amato secretaria estadual da Casa Civil Aloysio Nunes Ferreira Filho secretaria estadual da Casa Militar Coronel PM Luiz Massao Kita secretaria estadual de Comunicação 6 ENTREVISTA Bruno Caetano secretaria estadual da Cultura João Sayad O secretário dos Transportes, secretaria estadual de desenvolvimento Mauro Arce, afirma que Geraldo Alckmin 22 EDUCAÇÃO secretaria estadual de economia e Planejamento o trecho Sul do Rodoanel Francisco Vidal Luna já está 75% concluído secretaria estadual da educação Cultura É Currículo Paulo Renato Souza renato stockler 20 DOSE CERTA secretaria estadual do emprego e incentiva a relações do trabalho Governo amplia distribuição educação fora da Guilherme Afif Domingos secretaria estadual de ensino superior gratuita de remédios sala de aula nas Carlos Alberto Vogt para pacientes do Sistema escolas da rede secretaria estadual de esporte, lazer e turismo Único de Saúde pública estadual Claury Santos Alves da Silva secretaria estadual da Fazenda Mauro Ricardo Machado Costa 30 ALTA PAULISTA secretaria estadual da Gestão Pública Sidney Beraldo Governo do Estado secretaria estadual da Habitação investe 440 milhões de reais 44 Lair Alberto Soares Krähenbühl em 33 municípios do PERSONAGEM secretaria estadual da Justiça e defesa da Cidadania oeste de São Paulo DO MÊS Luiz Antônio Marrey secretaria estadual do Meio ambiente Francisco Graziano Neto 38 BASTIDORES O desafio do coordenador da secretaria estadual dos direitos da Pessoa com deficiência Por dentro do trabalho de Linamara Rizzo Battistella Secretaria dos fiscalização do Instituto de secretaria estadual de relações Institucionais Direitos da Pessoa José Henrique Reis Lobo Pesos e Medidas (Ipem) secretaria estadual de saneamento e energia com Deficiência Dilma Seli Pena 46 O ESTADO EM para tornar a cultura acessível secretaria estadual da saúde Luís Roberto Barradas Barata NÚMEROS secretaria estadual da segurança Pública Antônio Ferreira Pinto secretaria estadual dos transportes 48 AGENDA Mauro Arce secretaria estadual dos transportes Metropolitanos José Luiz Portella Procuradoria Geral do estado de são Paulo Marcos Fábio de Oliveira Nusdeo 10 a revista SPnotícias é uma publicação mensal do Governo do estado de são Paulo, CAPA distribuída gratuitamente. seu conteúdo é informativo e sua venda é proibida. Institutos de pesquisa da www.saopaulo.sp.gov.br bruno miranda Sugestões para a revista pelo e-mail: Secretaria da Agricultura e revistaspnoticias@sp.gov.br Abastecimento impulsionam CtP, impressão e acabamento: edição concluída em abril o agronegócio paulista SPnotícias 5
  4. 4. SPentrevista SPnotícias: O trecho Sul do Rodoa­ nel tem sido o principal desafio da “Queremos começar as atual administração na área dos obras do trecho Leste do transportes? Rodoanel este ano para Mauro Arce: Do ponto de vista da região metropolitana de São Paulo, terminá-lo em 2012” onde moram 20 milhões de pessoas, sem dúvida. Até porque a visibili- dade dele é maior que a de outras ríamos até 2011 para inaugurá-la. No obras. O trecho Sul era um desafio entanto, temos 75% do trecho já con- enorme, porque seu orçamento para cluído, e a entrega está prevista para 2007 não passava de 250 milhões de março de 2010. Se conseguirmos reais. Se esse valor fosse o mesmo uma antecipação, tanto melhor. nos anos seguintes, levaríamos 15 anos para concluí-lo. Essa obra custa- SP: A construção do Rodoanel está se­ rá pouco mais de 4 bilhões de reais, guindo o orçamento previsto? considerando não só a construção, Arce: O contrato foi assinado com va- O secretário mas também as desapropriações, os lores de dezembro de 2005, que são, dos Transportes, assentamentos e o acerto das exigên- evidentemente, corrigidos. Mas a obra Mauro Arce cias ambientais. Houve, portanto, está sendo executada de acordo com o um grande esforço do governo do planejado. É uma obra complexa que fotos: rogério casimiro Estado para buscar recursos. não pode ser comparada a qualquer outra estrada. Um terço dela é com- Rodoanel em SP: Qual foi a maior dificuldade para posta por grandes viadutos e pontes. a construção do trecho Sul? Para se ter ideia, há uma ponte com Arce: A questão mais complicada foi 1,8 quilômetro de extensão. contagem regressiva a obtenção de recursos. Alteramos o contrato original – que previa paga- SP: O trecho Leste também poderá ser mento por medição – e mudamos feito nesse ritmo acelerado? para preço global, atitude que gerou Arce: Estamos analisando a melhor uma redução de custos de mais de possibilidade, se faremos como no Trecho Sul está 75% pronto e pode entrar 100 milhões de reais. Além disso, a trecho Sul ou se haverá concessão em operação ainda neste ano região do trecho Sul tem implica- para a construção. A nossa ideia é ções com o meio ambiente porque começar o trecho Leste ainda este A inauguração dos 61,4 quilômetros do trecho Sul do passa por dois mananciais, Billings ano, com o traçado definido e a par- Rodoanel, que interligará o trecho Oeste ao Sistema e Guarapiranga, fundamentais para te ambiental aprovada. A conclusão Anchieta-Imigrantes, está em contagem regressiva. o abastecimento da região metropo- ficará para o final de 2012. Na entrada do prédio da Secretaria dos Transportes, um litana de São Paulo. enorme painel marca quantos dias faltam para a entrega da SP: Como está o andamento do proje­ obra, que consumirá mais de 4 bilhões de reais. Ele leva em SP: O cronograma para a entrega do to do trecho Norte? conta, porém, a data prevista inicialmente: março de 2010. trecho Sul está em dia? Arce: Estamos contratando o estudo Como 75% do trecho está pronto, é possível que a abertura Arce: O contrato, assinado em 2005, do impacto ambiental, que definirá seja antecipada, conforme conta o secretário Mauro Arce, determinava a construção em quatro o traçado e atenderá às exigências que também fala de outros detalhes do Rodoanel e do Pro- anos. Começamos a obra efetivamen- ambientais. Há um trecho que vai da grama de Concessões Rodoviárias na entrevista a seguir. te em 28 de maio de 2007, ou seja, te- Dutra até a Fernão Dias e outro que 6 SPnotícias SPnotícias 7
  5. 5. entrevista assinamos quatro contratos e todo o processo deve estar concluído em junho. Muita gente apostava que não apareceria nenhum interes- sado. O programa é vital, porque serão pagos 3,5 bilhões de reais de outorga, com 20% de entrada e o restante dividido em 18 meses. Cerca de 8 bilhões de reais serão in- vestidos nas estradas. As empresas cuidarão das vicinais e dos acessos que chegam a elas, e isso faz a dife- rença em relação às concessões an- teriores. Quando se faz a concessão, sobram recursos financeiros e hu- manos para tratar das outras estra- das que não interessam à iniciativa renato stockler privada por causa do baixo volume diário médio de veículos. Mas elas faz ligação com a Serra da Cantarei- nisso, por causa do pedágio, lembro são igualmente importantes e pre- Obras do trecho ra. Metade dele deverá ser em forma que no trecho Oeste muita gente fu- cisam ser mantidas. “A ponte entre Santos Sul do Rodoanel: de túnel e a outra metade em via- giu do pedágio na primeira semana. e Guarujá custará 500 investimento de 4 bilhões de reais duto, semelhante ao que ocorre na Na segunda semana, isso mudou por- SP: Essas melhorias devem ser feitas milhões de reais, bem Nova Imigrantes. O objetivo é causar que o usuário percebeu que é mais em que prazo? menos que um túnel” o menor impacto possível ao meio caro ficar parado no engarrafamento Arce: Os 12 mil quilômetros de recu- ambiente e também minimizar a ne- do que pagar 1,20 real. peração das vicinais ficarão prontos cessidade de desapropriações e reas- até 2010. Há ainda a construção de sentamentos. SP: Quando o Rodoanel estará total­ mais 3 mil quilômetros de vicinais e samos no início –, mas sim um esca- mente concluído? os acessos para as cidades. Estamos vado. O custo sairia três ou quatro SP: O trecho Oeste, em operação des­ Arce: Se a próxima administração recuperando as estradas que não es- vezes maior. A ligação Santos-Guaru- de 2002, alcançou o objetivo de desa­ apresentar a mesma disposição da tão sob concessão, e isso não signifi- já está orçada em torno de 500 mi- fogar o trânsito de São Paulo? atual, é possível terminar em junho ca apenas refazer o pavimento, mas lhões de reais e levará 30 meses para Arce: Sem dúvida, e o exemplo mais de 2014. também implantar a terceira faixa ser feita. Será uma ponte estaiada, marcante é o da Avenida Professor e asfaltar os acostamentos para dar com 70 metros de altura e 500 me- Francisco Morato, na zona sul da ci- SP: Que balanço o senhor faz do Pro­ mais segurança aos usuários. Para tros de vão. dade, cujo trânsito melhorou muito. grama de Concessões Rodoviárias, deixar todas as estradas em ótimas lançado em outubro passado? condições, vamos buscar o dinheiro SP: Há outros projetos previstos para SP: Qual é a redução de tráfego de veí­ Arce: Antes de tudo, o sucesso co- arrecadado pela outorga das estra- a Baixada Santista? culos pesados na cidade prevista com meçou com a concessão do trecho das concedidas. Arce: Assinamos com São Vicente a inauguração do trecho Sul? Oeste do Rodoanel, que garantiu convênio de transferência de recur- Arce: O grande impacto se dará na outorga de 2 bilhões de reais, apli- SP: O que pesou para o governo de­ sos para resolver um gargalo na Imi- Marginal do Rio Pinheiros e na Ave- cados para tocar a obra do trecho cidir construir uma ponte e não um grantes na chegada da cidade. A obra nida dos Bandeirantes, onde haverá Sul. Depois, tivemos a licitação de túnel na ligação Santos­Guarujá? – viadutos e passagens subterrâneas uma diminuição de 40% no fluxo dos cinco lotes em outubro. Houve per- Arce: Não há possibilidade de fazer – será feita pela prefeitura com a par- caminhões. Para quem não acredita calços por conta da crise, mas já um túnel pré-moldado – como pen- ticipação financeira do Estado. o 8 SPnotícias SPnotícias 9
  6. 6. fotos: renato stockler SPcapa Pesquisa aliada O feijão-carioca é um item indispensável no prato de qualquer cida- dão paulista. Todo mundo sabe que, antes de chegar à mesa, o pro- do agronegócio duto passa por diversas etapas como plantio, colheita, embalagem, armazenamento e transporte. O que poucos sabem é que, para todo esse processo acontecer da maneira mais rentável e produtiva possível, há um exército de pesquisadores por trás dele. Esses pesquisadores pertencem à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), órgão vinculado à Secretaria da Agricultura e Abastecimento e que coordena seis institutos Tecnologia de ponta dos institutos mantidos de pesquisa. São eles: Instituto Agronômico (IAC), de Zootecnia (IZ), Bioló- pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento gico (IB), de Economia Agrícola (IEA), de Tecnologia de Alimentos (Ital) e garante a qualidade dos produtos paulistas de Pesca (IP). Para se ter ideia do trabalho desses laboratórios, em 2008 o mercado brasileiro recebeu quatro novas variedades de feijão – três do tipo carioca e uma do feijão-preto. Por serem mais produtivas e resistentes às principais doenças e pragas, podem derrubar o custo de produção em até 30%. Para o secretário da Agricultura e Abastecimento, João de Almeida Sampaio Filho, os institutos exercem papel fundamental sob o ponto de vista da informa- ção tecnológica. “São Paulo tem um agronegócio muito importante, pois é o Estado mais diversificado do país”, afirma. “Ele produz quase de tudo, e isso é resultado do trabalho dos institutos.” Funcionário do IAC trabalha em terreiro de café na fazenda do instituto em Campinas 10 SPnotícias SPnotícias 11
  7. 7. fotos: renato stockler capa Segundo Sampaio, o desenvolvimen- investir 20 milhões de reais e repetir a to de novas tecnologias para a agri- dose em 2010.” O reconhecimento do cultura é o foco de sua pasta na atual trabalho da agência é tão grande que já administração. Não à toa, a verba desti- existem convênios de integração com nada à Apta foi de 13 milhões de reais países como México, China e Japão. “É em 2008. “Se somarmos o que veio da uma via de mão dupla: nós buscamos Fundação de Amparo à Pesquisa do Es- tecnologia lá e eles, aqui”, afirma. tado de São Paulo (Fapesp) e da inicia- tiva privada, foram quase 30 milhões Bons resultados de reais investidos no ano passado”, Para o coordenador da Apta, Orlando explica. “Em 2009, o governo pretende Melo de Castro, a principal missão dos institutos é desenvolver tecnologia e qualificar os produtores como um todo. Isso inclui tecnologia de produ- Em 2008, a Apta ção e processamento, mais as áreas recebeu 30 milhões de de métodos, sanidade e gestão e eco- reais em investimentos nomia. Essa preocupação com a quali- para pesquisas dade da agricultura paulista tem uma razão: São Paulo responde por 27% da produção agrícola do país, seguido pe- los Estados do Paraná e Rio Grande do Sul, ambos com 14%. “Toda essa estru- tura só pôde ser construída em cima de tecnologia”, diz Castro. Ele revela que, em determinados produtos, toda a tecnologia disponível foi elaborada pelo Instituto Agronômi- co. “Cerca de 90% do café plantado no país é uma variedade criada no IAC. Tem mais: 50% do café da Colômbia é fruto do trabalho do IAC”, diz. Tais números, segundo Castro, garantem um reconhecimento dos produtos cul- tivados em solo paulista. “Posso dizer categoricamente que, a cada dez co- pos de suco de laranja consumidos no mundo, sete saíram dos pomares de São Paulo”, afirma. Às vezes, a curiosidade e a neces- sidade ajudam a definir as linhas de Preparo do café. pesquisa dos institutos. Por exemplo: IAC pesquisa há alguns anos, chegou ao mercado novas vari edades nacional um novo tipo de arroz, o pre- resistentes ao to, muito utilizado em receitas sofisti- clima e mais saborosas cadas. “Temos o clima e as ferramen- 12 SPnotícias SPnotícias 13
  8. 8. capa Institutos também atuam na pós-produção, como embalagens adequadas e armazenamento tas para tornar possível que ele seja produzido aqui. Por que importar?”, indaga Castro. “Assim, começamos a desenvolver pesquisas para fazer fren- te aos importados e gerar renda no nosso mercado.” Outro fator que motiva as pesquisas é a possibilidade de ter um produto o ano inteiro. Originalmente, produtos como o abacaxi, o morango e a uva só podem ser cultivados em um determi- nado período devido às características climáticas. “O IAC criou variedades de uvas mais resistentes ao calor e ao frio. Hoje, podemos cultivar a fruta pratica- mente o ano inteiro”, diz o coordena- dor. “As uvas produzidas no Nordeste A localização privilegiada do Estado Na pós-produção, um dos institu- são criações do IAC. São sementes mais também foi essencial para o desenvol- tos mais atuantes é de Tecnologia de Pesquisa de resistentes a altas temperaturas e à es- vimento dessas pesquisas. Segundo Alimentos, que desenvolve formas de campo. Depois do cultivo, cassez de água.” Orlando Castro, o fato de São Paulo ser armazenamento e embalagens para agentes cortado pelo Trópico de Capricórnio carne, frutas, bebidas e cereais. Para acompanham o contribui para as grandes diferenças Castro, é um absurdo ainda existir a comportamento ComPArAção enTre oS CenSoS climáticas de região para região. “Essa situação de frutas sendo desperdiçadas das novas variedades diversidade é excelente para o desen- no transporte por causa de uma emba- o que mudou na agricultura 248 mil nos últimos 10 anos volvimento das pesquisas”, diz. lagem ineficiente. As pesquisas da Apta não se resu- 1997/1998 mem à criação de novas culturas. Elas Censo agropecuário 2007/2008 também se dedicam à elaboração de Em abril, a Secretaria da Agricultura 122 mil tecnologias de produção e pós-produ- e Abastecimento apresentou outra 62 mil ção. Recentemente, os estudos do Ins- pesquisa importante: o Levantamento 52 mil Censitário das Unidades de Produção 44% tituto Biológico se concentraram em 34% criar alternativas para a utilização de Agropecuária (Lupa). Com dados colhi- 10% 12% agroquímicos (veja no quadro). Dessa for- dos no biênio 2007/2008, o documento ma, os produtores são capazes de gerar faz uma radiografia da produção agro- ilustrações: seri Lavouras Vegetação natural Propriedades com Produtores com curso produtos mais saudáveis, com menos pecuária do Estado. As informações po- (% da área utilizada (% da área total energia elétrica superior completo resíduos. “A sociedade moderna tem dem ser consultadas no site do projeto para o plantio) do Estado) clamado por isso”, afirma Castro. (www.cati.sp.gov.br/projetolupa). 14 SPnotícias SPnotícias 15
  9. 9. capa Por denTro doS InSTITuToS Agronômico É o mais antigo de todos. Seu foco está na área de melhorias para culturas e tem atuação forte na pesquisa sobre cana-de-açúcar por conta da grande demanda de etanol do Estado. Também pes- quisa sementes resistentes a doenças e mudanças climáticas. Na área do café, desenvolve experimentos que analisam a qualidade do sabor da bebida. Foi o responsável por criar o feijão-carioca, indispensável na alimentação dos paulistas. Zootecnia Completou cem anos de atividade em 2005. Suas principais pes- quisas genéticas são direcionadas para a melhoria do gado de corte, visando ganho de peso e precocidade no abate. Também desenvolve um programa de incentivo à criação de ovinos. Biológico O foco do instituto tem sido a área de sanidade animal e vegetal, (UPAs). A área de cobertura totaliza Para os organizadores do censo, os principalmente no controle de pragas e doenças. Recentemente, Pesquisadora Uma área de 20 mais de 20 milhões de hectares em dados do Lupa permitem o desenvol- seus pesquisadores criaram um nematoide (tipo de parasita) capaz do Instituto de Tecnologia de milhões de hectares todos os 645 municípios do Estado de vimento de pesquisas e projetos para de se alimentar de outras larvas que completam seu ciclo de vida no solo e poderiam se constituir em pragas para as plantações. Alimentos testa foi pesquisada para São Paulo. Comparando os resultados qualquer parte do Estado. É possível comportamento dos dois últimos censos (o anterior foi saber se determinada região está pro- de produtos a realização do Lupa realizado entre os anos de 1997 e 1998), duzindo mais tomate enquanto outra economia Agrícola no calor Trabalha com estatísticas e análise de dados. Faz um levantamen- verifica-se que, agora, dois terços das tem grande participação na criação to periódico de preços praticados com o intuito de orientar o pro- propriedades rurais do Estado têm até de animais e quais foram os motivos dutor sobre o que ele está comercializando. No endereço eletrônico, é possível 500 hectares, ou seja, encaixam-se na que levaram a isso. Ou ainda detectar conhecer o material região por região, faixa dos médios produtores e figuram o grau de informatização de cada agri- Tecnologia de Alimentos com a ajuda de um mapa, ou até mes- como maioria no Estado. Também é cultor. “Para os lugares pouco informa- Trabalha na área de pós-colheita, principalmente de frutas e hor- mo por município. Em cada modali- possível constatar que, atualmente, tizados, vamos prover equipamentos”, taliças – e até mesmo com cereais e chocolates. Responsável por dade, estão consolidadas informações existe uma maior divisão das terras, afirma o secretário João Sampaio. “Se muitas técnicas de embalagens, procedimentos de secagem de frutas e práticas de conservação. sobre estrutura fundiária, ocupação uma vez que a área média das proprie- uma região tem um nível muito baixo do solo, culturas, maquinário e benfei- dades caiu de 72 para 63 hectares de de tratores, direcionaremos o progra- Pesca torias, com inúmeras possibilidades de extensão. ma Pró-Trator para lá.” Para Sampaio, Atua nas áreas do pescado marinho e pescado continental. Ge- cruzamento de dados. O Lupa concluiu que a principal cul- o principal objetivo do censo é desco- rou tecnologia para produção de ostras, mexilhões e mariscos e Para realizar esse levantamento tura de São Paulo é a cana-de-açúcar. O brir qual é a real situação da estrutura vem trabalhando no desenvolvimento da criação do robalo em completo, agentes da secretaria entre- produto ocupa 31% das UPAs e substi- fundiária do Estado. “Em cima disso, cativeiro – tipo de produção que pode gerar uma renda conside- vistaram produtores rurais de 324.720 tuiu o milho, que ocupava 30% do total adotaremos nossas políticas públicas”, rável para o criador. unidades de produção agropecuárias no levantamento anterior. explica o secretário. o 16 SPnotícias SPnotícias 17
  10. 10. SP certa dose Mais de 3 bilhões de remédios distribuídos na atual adminis- tração, o que representa 72 vezes o tamanho da população do Estado de São Paulo. Esse é o saldo do Dose Cer- ta, programa do governo estadual que oferece gratuitamente à população de todo o Estado 67 tipos de medicamen- tos como antitérmicos, analgésicos, antibióticos, anti-inflamatórios, con- traceptivos e remédios para controle de hipertensão arterial, diabetes e trans- tornos mentais. O Dose Certa faz a distribuição dos medicamentos no Estado de duas for- mas. Em 619 municípios com popula- ção até 250 mil habitantes, os remédios estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), abastecidas periodica- mente pela Secretaria da Saúde. Além do estoque das UBSs, o programa man- tém ainda 22 unidades das Farmácias Dose Certa localizadas na capital, em lugares de fácil acesso, como estações do Metrô, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), terminal de ônibus, hospitais e ambulatórios. Criadas em setembro de 2004, as far- mácias ajudaram a ampliar o acesso da eduardo anezeli população da capital e da Grande São Paulo aos medicamentos. Para Ricardo Oliva, superintendente da Fundação para o Remédio Popular (Furp), que ge- Remédios ao rencia o programa, o Dose Certa é uma das ações de maior sucesso do governo Nas cidades com até do Estado. “Nossos produtos atendem às 250 mil habitantes, necessidades da população dependente alcance de todos os remédios estão do Sistema Único de Saúde. Prova disso é a quantidade de remédios distribuída disponíveis nas UBSs pelo programa”, afirma. Programa distribui para a população 67 tipos de medicamentos nas Aprovação em pesquisa Uma pesquisa realizada pelo Ibope Unidades Básicas de Saúde do interior e em 22 pontos da capital no início de 2009 conferiu às Farmá- cias Dose Certa o índice de aprovação 18 SPnotícias SPnotícias 19
  11. 11. dose certa dos melhores laboratórios do segmen- to no mundo. Para que sejam validados e comer- cializados os primeiros lotes de medi- camentos sólidos e os de injetáveis, a expectativa é que no ano que vem a unidade já esteja produzindo comer- cialmente. Até 2010, o governo preten- de investir mais 50 milhões de reais na fábrica. A indústria ocupará uma área de 268 mil metros quadrados e, quando todas as linhas de produção estiverem em operação, poderá produzir 21,6 milhões de ampolas e 1,2 bilhão de comprimidos por ano. Atualmente, fotos: divulgação a produção média da Furp é de mais de 1,8 bilhão de unidades farmacêuti- cas por ano. o mento é padrão: depois de prescrito, Onde encOntrar as Farmácias dOse certa Dos 67 medicamentos o remédio é entregue ao paciente. Nas distribuídos, 39 são farmácias, que contam sempre com além das 22 unidades da Farmácia dose certa na capital, os medicamentos também estão disponíveis nas UBss do interior um farmacêutico e uma equipe de produzidos pela Fundação atendentes para orientar os usuários, estações do metrô tipos de remédios disponíveis para o Remédio Popular o beneficiado só precisa apresentar a Antes das catracas, Após as catracas, para para quem vai embarcar quem vai embarcar n Analgésicos/ antitérmicos receita médica emitida pelo Sistema n Hipertensão Único de Saúde (SUS). n Barra Funda n Ana Rosa n Clínicas n Brás n Medicamentos de saúde mental: e recomendação de 98% da popula- ansiolíticos, antidepressivos, n Saúde n Itaquera ção. Além disso, 95% acham o atendi- Fábrica nova n Santana n Carrão anticonvulsivantes, antiparkinso­ mento nas unidades ótimo ou bom. Dos 67 medicamentos distribuídos pe- n Tucuruvi n Sé nianos, antipsicóticos O reconhecimento é um reflexo do lo Dose Certa, 39 são produzidos pela n Vila Mariana n Contraceptivos, incluindo a crescimento de 43% na distribuição de Furp. Além da fábrica instalada em pílula de emergência remédios em 2008 em comparação a Guarulhos, o governo paulista já inves- mercado municipal Hospitais n Antibióticos que tratam infecções Cotia – Rua Marinha, 184, e ambulatórios de vias respiratórias, ouvido, 2007. “É cada vez maior o número de tiu quase 200 milhões de reais na cons- n box 10, Vila São Francisco Hospital Geral Santa garganta, vias urinárias pessoas que procuram e recebem os trução de uma segunda unidade em n Marcelina do Itaim Paulista n Antiulceroso remédios nas Farmácias Dose Certa”, Américo Brasiliense, na região central estações da cPtm n Anti­inflamatório afirma Oliva. “Os pontos de distribui- do Estado. n Hospital Estadual de n Guaianases n Medicamento para verminoses ção da capital, sempre de fácil acesso, A escolha dessa cidade foi estratégi- Sapopemba n Perus n Polivitamínicos n Hospital Geral de Pedreira também representam um importante ca: a localização do município facilita n Piqueri n Antianêmico n Hospital Mandaqui acerto do programa. ” a distribuição de medicamentos para n Santo Amaro n Broncodilatadores n Ambulatório Médico Hipoglicemiantes Ter direito ao medicamento do pro- todo o Estado. Com inauguração pre- estação da emtU n de Especialidades Dr. grama Dose Certa é bem simples. Nas vista ainda para este ano, a unidade n Terminal São Mateus Geraldo Bourroul mais informações pelo site www.furp.sp.gov.br Unidades Básicas de Saúde, o atendi- terá nível tecnológico semelhante ao 20 SPnotícias SPnotícias 21
  12. 12. renato stockler SPeducação Aprendizado fora da sala de aula Programa Cultura É Currículo leva alunos da rede pública estadual a visitar cem instituições do Estado Uma das principais prioridades do governo do Estado na área da educação tem sido oferecer a alunos e pro- fessores da rede pública oportunidades de aprendiza- do e acesso à cultura fora da sala de aula. Um passo impor- tante nessa direção foi dado em maio do ano passado, com o lançamento do programa Cultura É Currículo, em que as escolas visitam museus e várias outras instituições culturais como parte de suas atividades curriculares. Antes visitados por excursões escolares, famílias e inicia- tivas isoladas, os equipamentos do Estado de São Paulo não eram tão aproveitados. Com a implantação do Cultura É Cur- rículo, porém, os estudantes agora ocupam os corredores, grudam os olhos em painéis e peças dos acervos e se divertem ao interagir com as ferramentas que cada instalação propicia. Recém-inaugurado, Museus como os da Língua Portuguesa, do Futebol e o recém- o Espaço inaugurado Catavento, aliás, estão cada vez mais preparados Catavento é para estimular o aprendizado das crianças por meio da inte- um exemplo de instituição bem ratividade e já figuram entre os mais visitados do país. preparada para a interatividade com os alunos 22 SPnotícias SPnotícias 23
  13. 13. educação númEros do programa Em 2008, foram visitadas 26 instituições culturais. Em 2009, serão visitadas Os museus 100 instituições da Língua portuguesa No ano passado,15 e do Futebol: diretorias de ensino aprendizado adotaram o programa. aliado à diversão Neste ano, serão 61 diretorias de ensino 72 mil é o número de vagas previstas para as unidades do Sesc o BaLanÇo das TrÊs ETapas 2008 2009 Lugares de Aprender 160 mil alunos 424 mil alunos fotos: divulgação ilustrações: seri Escola em Cena 18 mil alunos 82 mil alunos O Cinema Vai à Escola 91 diretorias 1,2 milhão de ensino de alunos gógicas da Coordenadoria de Estudos e O projeto Escola em Normas Pedagógicas (Cenp). Cena permite o acesso Os professores também receberam a produções de material de apoio pedagógico para se preparar antes das aulas fora da escola. teatro e dança Outro instrumento bastante utilizado no programa são as videoconferências entre escolas e institutos, que mostram O Cultura É Currículo apoia-se em previamente as instalações que serão três importantes pilares: Lugares de visitadas. Além disso, foi produzido um Aprender: a Escola Sai da Escola, Esco- vídeo em parceria com a TV Cultura. la em Cena e O Cinema Vai à Escola. Nele, dois personagens saem de um Segundo Claudia Rosenberg Aratangy, quadro para explicar o acervo do Palá- diretora de Projetos Especiais da Fun- cio dos Bandeirantes. “Tirar os alunos dação para o Desenvolvimento da Edu- da sala de aula em determinados dias e cação (FDE), um dos primeiros desafios trazê-los às instalações foi o nosso pulo foi fazer um levantamento das instala- do gato”, afirma Claudia Aratangy. ções adequadas da capital e organizar “Queremos que eles se sintam donos o conteúdo curricular para os alunos, do lugar e que as escolas, com o tempo, seguindo sempre as orientações peda- cuidem de seus próprios projetos.” 24 SPnotícias SPnotícias 25
  14. 14. educação lalo de almeida/folha imagem Em 2008, 160 mil estudantes visi- programa todo, o que significa uma Outro importante eixo do progra- As instituições taram as 26 instalações da capital que autêntica descentralização da cultura. ma Cultura É Currículo é o projeto Es- o CinEma Vai à EsCoLa culturais do Estado estão aderiram ao projeto. Para 2009, o pro- “Antes do lançamento do programa, cola em Cena, feito em parceria com a os 20 filmes que fazem parte do kit s bem aparelhadas grama foi estendido para escolas e equi- não havia uma política definida para Secretaria da Cultura. Ele oferece ações n Diários de Motocicleta para receber o pamentos do interior e, atualmente, o aproveitamento desses espaços”, lem- para o acesso a produções de teatro e programa n Final Fantasy são nada menos que cem instituições bra Claudia. dança. “Como a linguagem das duas n O Pagador de Promessas disponíveis – 60 delas em municípios O orçamento do programa Cultu- expressões artísticas faz parte do currí- n A Cor do Paraíso distantes da Grande São Paulo. No ano ra É Currículo para 2009 é de cerca de culo das escolas estaduais na disciplina n Cinema, Aspirinas e Urubus passado, com o programa restrito à ca- 12 milhões de reais, valor que inclui Arte, é fundamental oferecer aos alu- n Vida de Menina pital, 15 diretorias de ensino (DEs) da lanche para os alunos, transporte, im- nos a possibilidade de assistir a exibi- n Putz, a Coisa Tá Feia Coordenadoria de Ensino da Rede Me- pressão de materiais, compra de DVDs ções nessas áreas”, explica Claudia. n A Rosa Púrpura do Cairo tropolitana da Grande São Paulo enga- e produção de programas de vídeo. Se- Os professores recebem material n Crash, no Limite jaram-se no Cultura É Currículo. Neste gundo Claudia Aratangy, o transporte de apoio pedagógico com sugestões de n Terra de Ninguém ano, são 61 DEs. A Secretaria da Cultura consome a maior parte desse valor, projetos didáticos a serem desenvolvi- n O Planeta Branco também firmou 32 convênios. As uni- uma vez que o aluguel de cada ônibus dos. O Escola em Cena também abre n Língua, Vidas em Português dades do Serviço Social do Comércio sai por cerca de 700 reais. “Como as vi- possibilidades para o desenvolvimento n Crianças Invisíveis n Bendito Fruto (Sesc), por exemplo, ficaram responsá- sitas ocorrem durante o turno letivo, de atividades como a apresentação de n Billy Elliot veis por 72 mil vagas no programa. as viagens devem durar, no máximo, jogos teatrais, improvisações, peças, n Frankestein Segundo estimativa da Secretaria uma hora na ida e uma na volta para coreografias e a produção e divulgação n Arquitetura da Destruição da Cultura, 424 mil alunos deverão não haver perda de tempo”, afirma. “A de textos dramáticos. n Narradores de Javé participar este ano somente no pro- logística disso tudo é complicada, até Já O Cinema Vai à Escola é dedica- n O Fim e o Princípio jeto Lugares de Aprender, e mais de 1 porque envolve escola, diretorias de en- do ao ensino médio. A Secretaria da n Luzes da Cidade milhão de alunos serão atendidos pelo sino e instituições.” Educação forneceu a 3 mil escolas da 26 SPnotícias SPnotícias 27
  15. 15. educação “o aCEsso à CuLTura ajuda a Formar o Cidadão” O secretário da Educação, paulo renato souza, ciete silvério falou sobre o programa Cultura É Currículo spnotícias: Qual a importância do programa Cultura É Currículo para a rede estadual de ensino? Paulo Renato Souza: O Cultura É Currículo é um programa pioneiro na rede de ensino de São Paulo, pois possibilita renato stockler que os 5 milhões de alunos tenham acesso a instituições culturais, amplia os conhecimentos, desperta interesse e agrega valores à vida de crianças e jovens de todas as regiões do Estado. E acesso à cultura é primordial para a formação de cidadão. temas como ética e cidadania, sexua- os alunos que tiveram dificuldades de spnotícias: as instituições culturais estão bem pre­ O Catavento já lidade, violência, drogas, conflitos de aprendizado no primeiro bimestre.” paradas e aparelhadas para receber as escolas, ou figura como uma adolescência e reflexões sobre a realida- Ela conta que, depois das visitas, algumas precisaram ser reformadas? das instalações mais de. “Os filmes não podem ter censura percebeu o entusiasmo dos alunos: Paulo Renato: Antes de firmar convênios, a Secretaria da acima de 14 anos, devem ter uma temá- “Eles voltaram muito empolgados, co- Educação, em conjunto com a Fundação para o Desenvol­ visitadas do país tica atual, contemporânea e polêmica mentando em detalhes as atividades vimento da Educação, realiza visitas técnicas às instituições e não podem passar de duas horas de que tinham feito”, afirma. “Só o fato de para analisar as condições físicas e estruturais de atendi­ duração”, explica Claudia. entrar em um ônibus e representar a mento. Se não houver condições, não há convênio. Nós não rede pública um conjunto de 20 DVDs Uma das escolas estaduais que já escola numa situação como essa já sig- realizamos reformas. com filmes de diferentes categorias e passaram pelo programa é a Loureiro nificou muito para as crianças. gêneros, acompanhados de materiais Júnior, do bairro do Tatuapé. Em maio Não é à toa que, cada vez mais, elas spnotícias: Quais foram os investimentos necessá­ rios para o programa? Ele passará por alguma mu­ de apoio à prática pedagógica. passado, uma parte de seus quase mil pedem para repetir a visita. Portanto, dança no ano que vem? Com esse acervo, o objetivo é facili- alunos visitou o Paço das Artes, na se um dia você estiver visitando um Paulo Renato: Em 2008, foram investidos cerca de 6 mi­ tar o acesso dos alunos a produções ci- Universidade de São Paulo (USP), e o museu ou outra instituição cultural lhões de reais no programa Cultura É Currículo. Para 2009, nematográficas, enriquecer seu reper- Teatro Itália. “A proposta pedagógica de São Paulo e se deparar com um ani- a previsão de investimentos é de 12 milhões de reais. Esses tório cultural, aprender a linguagem do programa é muito interessante, um mado grupo de alunos reunidos com o recursos são gastos com transporte, lanches, material de do cinema e ter subsídios para discutir complemento do que fazemos na sala professor, redobre o silêncio. Provavel- apoio pedagógico, aquisição de filmes em DVD etc. Para as questões socioculturais mais amplas. de aula”, afirma a diretora da escola, mente, eles não estão lá fazendo uma 2010, pretendemos ampliar o programa – e já estamos fa­ As consultas feitas com alunos do ensi- Alice do Ceo Miguel Pereira. “Funciona simples excursão. Estão em plena aula zendo o estudo para viabilizar essa ideia. no médio revelaram preferência por como uma recuperação paralela para fora da escola. o 28 SPnotícias SPnotícias 29

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