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Conheça Santa Catarina! …

Conheça Santa Catarina!

Este documento apresenta informações sobre história, geografia, cultura, economia, infraestrutura, regiões turísticas e qualidade de vida.

Recheada de fotos das paisagens catarinenses e das pessoas que aqui vivem, esta publicação convida a todos a explorar e desfrutar das riquezas do Estado.

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  • 1. Créditos editor Nelson Rolim de Moura criação, produção e supervisão editorial Carlos Paulo textos Maurício Oliveira Colaboração Mário Speranza fotos Créditos na página 156 direção de arte Oscar Rivas Beasley projeto gráfico, mapas e arte final Alexandre Oliveira revisão Jaqueline Tartari, Julia Amorim impressão Gráfica Coan ISBN 978-85-66500-03-5 © 2013. Todos os direitos reservados à Propaulo. Reprodução proibida Governador do Estado João Raimundo Colombo Vice-Governador do Estado Eduardo Pinho Moreira Secretário de Estado Nelson Santiago Secretário Adjunto Cássio de Quadros Diretora de Divulgação Thamy Soligo Diretor de Imprensa Claudio Thomas Diretor de Novas Mídias e Inovação João Evaristo Debiasi
  • 2. Índice Santa Terra Catarina Todo dia é Dia de Santa Catarina O Estado em síntese Por que investir em Santa Catarina? História e gente O início da ocupação A homenagem a Santa Catarina A Capitania de Santa Catarina Imigração açoriana Caminho das tropas A disputa pelo território Colonização alemã Colonização italiana Babel catarinense Revolução Farroupilha A Guerra do Contestado Santa Catarina na Era Republicana As regiões catarinenses Grande Florianópolis Vale do Itajaí Oeste Norte Sul Serra Infraestrutura Rodovias Ferrovias Aeroportos Portos Telecomunicações Energia Economia Indústria Alimentos e bebidas Têxteis, vestuário e calçados Metalomecânica Plásticos Minerais não metálicos Madeireira, celulose e papel Naval 4 6 8 10 12 16 18 20 22 24 26 28 30 32 34 36 38 40 42 48 52 56 60 66 70 72 73 74 75 76 77 78 80 82 84 85 86 87 88 89 Construção civil Comércio e serviços Comércio exterior Geografia Clima Cuidado por inteiro Os caprichos do relevo Santa Catarina, planeta água Qualidade de vida Educação A cultura vive em Santa Catarina Festas e eventos Música Dança Literatura Artes plásticas Museus e patrimônio histórico Cinema Teatro Esportes Regiões Turísticas Caminho dos Príncipes Costa Verde e Mar Grande Florianópolis Vale Europeu Encantos do Sul Caminho dos Cânions Vale do Contestado Grande Oeste Caminhos da Fronteira Serra Catarinense No rumo do futuro Bibliografia Créditos de fotos 90 91 92 94 95 96 98 100 102 104 106 108 110 111 112 113 116 118 119 120 122 126 128 132 136 138 140 142 144 146 148 152 154 156
  • 3. Índice de Desenvolvimento Humano, o IDH, que avalia e compara uma série de refe- rências de qualidade de vida. Estaria à frente até mesmo de diversos países europeus. Soma-se a tudo isso uma natureza privilegiada, que deu ao nosso Estado algumas das mais belas praias e baías do mundo, além de dunas, lagoas, cânions, florestas e até a rara condição da ocorrência de neve em um país tropical. E essa mesma natureza nos pro- porciona água em fartura, em diferentes tipos de solo, propí- Santa Terra Catarina Entre os Estados brasileiros, Santa Catarina é primeira, segunda ou terceira melhor co- locada em praticamente todas as medições que avaliam os po- tenciais e o nível de desenvol- vimento: escolaridade média, alfabetização, longevidade, mortalidade infantil, renda per capita, matrículas nas universidades, acesso à inter- net, produtividade. Se fosse avaliada em sepa- rado, como um país, Santa Catarina seria o 31º mais de- senvolvido do mundo, segundo os inquestionáveis critérios do P.A.
  • 4. São Paulo é o polo industrial do país e o Rio de Janeiro, sabe- mos, o destino turístico do Bra- sil mais conhecido no mundo por suas belezas naturais. Nosso Estado consegue ter as duas ca- racterísticas ao mesmo tempo, sem ficar atrás de nenhum dos dois. Soma o empreendedoris- mo e a capacidade de trabalho de seu povo às belezas naturais das praias, das serras e dos ou- tros presentes dados aos catari- nenses pelo Criador. Sempre de braços e cora- ção abertos a quem continua chegando ainda hoje às nossas cidades, Santa Catarina certa- mente não seria a mesma não fosse a gente que aqui nasceu. Hospitaleira, aceitou e cresceu em parceria com quem daqui fez seu lugar para viver. É esta Santa Catarina – trabalhadora, diversificada, múltipla, determinada, feliz em seu modo de viver e firme em sua forma de enfrentar os obstáculos, orgulhosa dos pro- gressos conquistados e conscien- te das metas que almeja –, é esta Santa Catarina que apre- sentamos aqui. Uma terra cheia de opor- tunidades, com muito já rea- lizado e muito espaço ainda para realizações. Sejam bem-vindos a Santa Catarina. Homens, mulheres, crianças, brasileiros, estran- geiros, trabalhadores, empre- sários, investidores. Para nós, que aqui nascemos ou que para cá viemos há mais tem- po, e para você, que está vindo agora, esta é uma terra santa. Santa Terra Catarina! João Raimundo Colombo Governador do Estado de Santa Catarina cios aos mais diversos plantios agrícolas e a criações pecuárias. Todas essas felizes coinci- dências, que fizeram convergir para um mesmo pequeno peda- ço do Brasil algumas das mais desejáveis riquezas que uma so- ciedade pode almejar, fizeram ainda muito mais por Santa Catarina: fizeram se juntar aqui, ao longo dos anos, por meio de diversas levas de imi- grantes chegados em diferen- tes momentos históricos, uma grande diversidade de povos que formaram uma incrível e inédita miscigenação humana. Dunas entre a Lagoa da Conceição e a Praia da Joaquina, em Florianópolis
  • 5. Todo dia é Dia de Santa Catarina O nome escolhido para o Estado se originou da Ilha de Santa Catarina – sede de sua capital, Florianópolis. Em 1526, o navegador italiano Sebastião Caboto, que esteve no litoral Sul do Brasil a serviço da coroa espanhola, batizou a ilha com a homenagem a Santa Catarina de Alexandria. O tempo demonstraria que a escolha foi apropriada, já que a história de determinação e fé da santa tem tudo a ver com a trajetória do povo catarinense, sempre pronto para enfrentar as dificuldades. Além de celebrar o Dia de Santa Catarina, 25 de Novem- bro, esta publicação tem o ob- jetivo de lembrar que todo dia é dia de Santa Catarina, este lugar único e fascinante. Um Estado que se desenvolveu sob o prin- cípio da descentralização, sem uma metrópole predominante sobre as demais. Diversas ci- dades catarinenses cumprem o papel de polos regionais, fazen- do com que cada região tenha identidade própria e contribua fortemente para a economia ca- tarinense. Um “jeito de ser” que se valorizou ainda mais com o modelo de gestão adotado pelo governo do Estado, em que se- cretarias regionais cuidam de perto dos temas locais. É com base nesse princípio, que estimula a participação de todos, que o Estado consegue produzir 4% das riquezas do Brasil, tendo apenas 3,3% da população e 1,1% do território nacional. São resultados obtidos graças ao seu povo preparado e dedicado ao trabalho, à infra- estrutura completa – tanto no que diz respeito ao transporte, quanto à energia e às telecomu- nicações –, à força da economia, à modernidade da indústria, à sintonia com as tendências globais, à qualidade de vida e – por que não? – às suas belezas naturais, que têm deslumbrado os visitantes através dos tempos e atraem um número cada vez maior de turistas ao Estado. Santa Catarina é, acima de tudo, uma terra construída pelo trabalho dos diversos povos que o destino fez se encontrarem aqui – indígenas, europeus de várias procedências, africanos, asiáticos, os vizinhos da Améri- ca, brasileiros de todos os can- tos. Nossas origens são reveren- ciadas pelas festas típicas, pelas manifestações folclóricas e pela rica herança cultural. Ao mes- mo tempo em que valorizam o passado, no entanto, os catari- nenses jamais deixam de olhar em frente, com a certeza de que estamos cada vez mais prepara- dos para o futuro.
  • 6. Um passeio por Santa Catarina (de cima para baixo, da esquerda para a direita): pórtico de entrada de Joinville; monumento O Desbravador, em Chapecó; neve no Morro da Igreja, em Urubici; Blumenau à noite; serrano contemplando a paisagem; vista panorâmica de Florianópolis; e Farol de Santa Marta, em Laguna. Z.P. P.A. A.F. Th.E. Z.P. S.V. Z.P.
  • 7. S N LO Rio Grande do Sul Oceano Atlântico ARGENTINA Paraná Basecartográfica:MapaPolíticodoEstadodeSantaCatarina1997,dositesc.gov.br(GovernodoEstadodeSC). Municípios mais populosos África Brasil Oceano Pacífico Oceano Atlântico Oceano Índico América do Norte América Central América do Sul Antártida Europa ARGENTINA URUGUAI PARAGUAI BOLÍVIA CHILE PERU EQUADOR COLÔMBIA VENEZUELA GUIANA GUIANA FRANCESA Santa Catarina SURINAME Brasília 6 8 5 10 24 3 7 9 1 Municípios mais populosos Posição Município População 1 Joinville 515.288 2 Florianópolis 421.240 3 Blumenau 309.011 4 São José 209.804 5 Criciúma 192.308 6 Chapecó 183.530 7 Itajaí 183.373 8 Lages 156.727 9 Jaraguá do Sul 143.123 10 Palhoça 137.334 Fonte: Censo 2010, IBGE Localizado na região Sul do Brasil, o Estado de Santa Catarina faz divisa com o Paraná, ao norte; com o Rio Grande do Sul, ao sul; e fronteira com a Argentina a oeste. O contato com o Oceano Atlântico, a leste, totaliza 561 km, extensão que corresponde a 7% da costa brasileira.
  • 8. O Estado em síntese População 6.248.436 habitantes 3,3% do total brasileiro 84% urbana, 16% rural 11º Estado mais populoso entre as 27 Unidades da Federação 50,4% mulheres, 49,6% homens Área 95.736,8 km² 1,1% do total brasileiro 20º Estado mais extenso entre as 27 Unidades da Federação Densidade demográfica: 65,3 habitantes por km² Configuração familiar: 3,1 moradores por domicílio ocupado Idade média da população: 32,9 anos Símbolos de Santa Catarina Tanto as Armas quanto a Bandeira e o Hino de Santa Ca- tarina foram criados no mesmo ano, 1895. A bandeira tem três faixas horizontais – a do centro é branca, cercada por duas fai- xas vermelhas –, simbolizando as três comarcas que existiam no Estado à época. Dentro do losango central estão as Armas, desenhadas por Lucas Boiteux, em que a águia representa a ca- pacidade de trabalho e os ramos de trigo e café simbolizam as riquezas naturais do território catarinense. Hino de Santa Catarina Letra: Horácio Nunes Pires Melodia: José Brasilício de Souza Sagremos num hino de estrelas e flores Num canto sublime de glórias e luz As festas que os livres frementes de ardores Celebram nas terras gigantes da cruz. Quebram-se férreas cadeias Rojam algemas no chão Do povo nas epopeias Fulge a luz da redenção. No céu peregrino da Pátria gigante Que é berço de glórias e berço de heróis Levanta-se em ondas de luz deslumbrante O sol, liberdade cercada de sóis. Pela força do Direito Pela força da razão Cai por terra o preconceito Levanta-se uma Nação. Não mais diferenças de sangues e raças Não mais regalias sem termos fatais A força está toda do povo nas massas Irmãos somos todos e todos iguais. Da liberdade adorada No deslumbrante clarão Banha o povo a fronte ousada E avigora o coração. O povo que é grande mas não vingativo Que nunca a Justiça e o Direito calcou Com flores e festas deu vida ao cativo Com festas e flores o trono esmagou. Quebrou-se a algema do escravo E nesta grande Nação É cada homem um bravo Cada bravo um cidadão.
  • 9. Por que investir em Santa Catarina? Desenvolvimento equilibrado Em Santa Catarina há diversos polos de desenvolvimento. As regiões catarinenses têm importância equivalente e não há metrópoles no Estado, um dos poucos do país em que a capital não é a cidade mais populosa. Infraestrutura completa Transporte, energia, telecomunicações: tudo o que é necessário para o conforto e a segurança dos cidadãos e o desenvolvimento das empre- sas funciona muito bem em Santa Catarina. Economia robusta Com grande diversificação de setores, a economia de Santa Catarina é uma das que mais crescem no Brasil. A indústria tem significativa e crescente participação no Produto Interno Bruto (PIB) catarinense. 40 70 78 P.A. Z.P. WEG/Divulgação
  • 10. Valorização da cultura Em Santa Catarina, as tradições herdadas dos antepassados são a base para uma produção cultural diversificada e rica. A melhor qualidade de vida do Brasil O Estado tem alguns dos melhores índices do país em aspectos como nível de educação, expectativa de vida e renda, fundamentais para mensurar a qualidade de vida da população. Paisagens encantadoras Dos recantos frios e nevados da Serra ao mar límpido do litoral, os cenários de Santa Catarina unem os Alpes ao Caribe. Os catarinenses costumam dizer, brincando – mas com um inegável fundo de verdade –, que têm o privilégio de morar onde os outros passam férias. 106 102 122 T.E. E.L. Z.P.
  • 11. História e gente Muitas aventuras, emoções, surpresas, conquistas, belezas. Tudo é superlativo nesta terra. Santa Catarina é um mosai- co de influências que resultou em um Estado único, de alma europeia, pela capacidade de trabalho e força, e ao mesmo tempo tão brasileira, pela perse- verança e inventividade. Ao ler as próximas pági- nas, será impossível não se colocar no lugar dos primei- ros navegadores e imaginar a fascinação que sentiram ao ver esta terra pela primeira vez, ou então lembrar com admiração dos colonizadores e pensar na esperança que os trouxe a Santa Catarina. Cavaleiros na Serra “Castelinho” de Blumenau Pesca artesanal: tradição no litoral catarinense Z.P. Z.P. E.L. 12
  • 12. Festas típicas de outubro: a alegria toma conta do Estado Templo de Santa Paulina, em Nova TrentoE.L. E.L. 13
  • 13. Z.P. 14
  • 14. Ponte Hercílio Luz, Florianópolis 15
  • 15. O início da ocupação Nas primeiras décadas após a chegada dos portugueses ao Brasil, em 1500, o território que viria a ser Santa Catarina se resumia à condição de local de passagem, uma base de apoio para os interesses dos portugueses e dos espanhóis na região do rio do Prata. As exceções eram alguns integrantes das expedições pio- neiras, que, encantados com a beleza da paisagem e com a perspectiva de viver livremente em meio à natureza, decidiam ficar para sempre no litoral ca- tarinense. O mesmo aconteceu com náufragos, como os 11 so- breviventes do afundamento da embarcação comandada pelo espanhol Juan Días de Solís, em 1512, nas proximidades da Ilha de Santa Catarina, que ain- da nem tinha esse nome. Desse grupo fazia parte Aleixo Garcia, futuro protagonista de uma his- tória fantástica: foi levado pelos índios a percorrer o Caminho de Peabiru, trilha que ligava o litoral catarinense à civilização Inca, nos Andes. Além dos portugueses e dos espanhóis, aventureiros de outras procedências passaram pelo litoral catarinense naquele Z.P. 16
  • 16. período. Em 1504, o francês Binot Paulmier de Gonneville chegou à Baía da Babitonga a bordo da embarcação L’Espoir (“Esperança”), avariada por uma tempestade. Após perma- necer seis meses na ilha que mais tarde viria a sediar São Francisco do Sul, Gonneville voltou à Europa levando um jovem índio, Essemeric, filho do cacique local. Moldado ao estilo de vida do homem bran- co, o índio viria a se casar com a filha do navegador francês, Susana. O povoado de Nossa Senhora das Graças do Rio de São Francisco seria oficial- mente fundado por bandei- rantes em 1658, tornando-se o primeiro núcleo populacio- nal catarinense. Os guaranis que viviam no litoral catarinense – chamados pelos europeus de carijós – eram amigáveis e se habituaram rapidamente a esses contatos, que se tornaram mais frequen- tes com a chegada de catequiza- dores jesuítas, a partir de 1549. Já os dois outros grupos indíge- nas catarinenses – os kaingangs, que ocupavam os campos de cima da Serra, e os xoklengs, na região entre o litoral e o pla- nalto – só viveriam experiências semelhantes quase 200 anos de- pois da chegada dos europeus ao litoral. Esses índios descendiam de povos que já circulavam pela região pelo menos 10.000 anos antes, de acordo com registros arqueológicos e inscrições ru- pestres encontradas em vários pontos do Estado. Hoje há cerca de 10.000 remanescentes das tribos originais vivendo em Santa Catarina, a maior parte em reservas criadas para asse- gurar a permanência da cultura dos primeiros catarinenses. Centro Histórico de São Francisco do Sul 17
  • 17. A homenagem a Santa Catarina Diz a História que o nome Ilha de Santa Catarina foi ideia do navegador italiano Sebastião Caboto – que, a serviço do reino espanhol, passou pelo litoral catarinen- se em 1526. A ilha havia sido chamada de diferentes formas até então. Para os índios carijós que a ocupavam antes da chegada dos europeus, o nome era Meiembipe – “lugar acima do rio”. Em 1514, os navegadores portu- gueses Nuno Manoel e Cristóvão de Haro a batizaram de Ilha dos Patos. Em 1516, depois do naufrágio do barco de Juan Días de Solís, houve quem tenha chama- do a região de Baía dos Perdidos, em referência aos 11 tripulantes que se salvaram e passaram a viver na ilha, junto com os índios. Mas o nome que se conso- lidou e se tornou o definitivo foi mesmo o escolhido por Ca- boto, registrado pela primeira vez em um mapa desenhado por Diego Ribeiro em 1529. Especula-se que Caboto pode ter aproveitado a oportunidade para fazer um agrado à esposa, Catarina Medrano. O fato ine- gável é que, de qualquer forma, a homenageada é mesmo a san- ta, cuja memória é celebrada em 25 de novembro. Nascida em Alexandria, no Egito, no final do terceiro sé- culo depois de Cristo, Catarina cresceu pagã e se converteu ao Cristianismo aos 18 anos, após ter uma visão em que ascendeu aos céus e encontrou-se com a Virgem Maria e o Menino Je- sus. Oriunda de família rica e influente, até então preocupa- da exclusivamente com a fas- cinante beleza que ostentava e com os aspectos mais fúteis da vida, Catarina iniciou, a partir daí, um incansável trabalho de combate às perseguições que o Império Romano impunha aos cristãos, considerando que era essa a sua missão. Catarina se voltou então às atividades intelectuais, aprovei- tando os conhecimentos adqui- ridos em sua sólida formação. Um dia, teve a oportunidade de conversar com o imperador ro- mano Maximino, que se sentiu contrariado pelos argumentos da jovem e mandou prendê-la. Ela demonstrava tanta convic- ção que o imperador decidiu promover uma espécie de jogo: chamou os sábios mais reco- nhecidos da época para tentar convencê-la de que Deus não existia e de que Jesus Cristo não havia sido nada além de um ho- mem comum. Prometeu belas recompensas para quem conse- guisse cumprir o objetivo. Ne- nhum dos sábios conseguiu – e alguns até foram convertidos ao Cristianismo por Catarina. Maximino determinou que a jovem fosse levada à masmorra, e ainda assim ela conseguiu con- verter os soldados que a vigiavam e até mesmo a própria esposa do imperador, Augusta. Transtorna- do, ele mandou matar todos que haviam se convertido, incluindo a própria mulher. Catarina foi decapitada e, dizem, em vez de sangue jorrou leite de seu corpo – por isso muitas mulheres que têm bebês evocam a proteção da santa. O corpo desapareceu misteriosamente, como se tivesse sido carregado por anjos. Diz a lenda que foi encontrado intac- to, três séculos depois, em uma região isolada, ocasião em que foi transferido para o Mosteiro da Transfiguração, aos pés do Monte Sinai – que passou a ser chamado de Mosteiro de Santa Catarina e hoje é Patrimônio Histórico da Humanidade. A influência dessa história de fé atravessou gerações. Mais de 1.000 anos após a morte de Catarina, Joana d’Arc relatou que visões da santa a impeliram a lutar pela liberdade da França. 18
  • 18. E.M. Santa Catarina, por Vera Sabino 19
  • 19. A capitania de Santa Catarina Em 1534, o território brasileiro foi dividido em 12 capitanias hereditárias, entregues à administração de homens de confiança da coroa portuguesa. Os principais objetivos eram incentivar a ocupação das terras e fomentar atividades econômicas, que pudes- sem se desenvolver sem a interferência direta de um governo central. A Capitania de São Vicente, abrangendo partes dos atuais territórios do Paraná e de São Paulo, foi entregue a Martim Afonso de Sousa. As Terras de Sant’Anna, mais ao sul – se es- tendiam de Laguna até a Baía de Paranaguá, no atual Estado do Paraná – ficaram com seu irmão, Pero Lopes de Sou- sa. Com a morte de Pero, seis anos depois, em um naufrágio em Madagascar, iniciou-se um período de marasmo para a ca- pitania e também uma disputa entre os herdeiros da família. A pendenga se arrastou por quase dois séculos e só foi resolvida com a recompra da área pelo império, em 1711. A decisão de retomar a ad- ministração do território era uma consequência do aumento das tensões entre Portugal e Es- panha desde o rompimento da União Ibérica, em 1640, mo- mento em que os aliados se tor- naram inimigos. Portugal acre- ditava que precisava estruturar melhor o povoamento de Santa Catarina, ponto crítico de uma região sob disputa. Fez parte dessa mesma es- tratégia a fundação do povoado de Nossa Senhora do Desterro (atual cidade de Florianópolis), em 1672, por Francisco Dias Velho. Tratava-se do segundo núcleo populacional do Estado – São Francisco havia sido fun- dado 15 anos antes. Dias Velho chegou à Ilha de Santa Catarina acompanhado da mulher, duas filhas, três filhos, uma família de empregados, dois padres e 500 índios domesticados. Numa co- lina em frente ao mar, ergueu uma capela consagrada a Nossa Senhora do Desterro – referên- cia à fuga de Maria para o Egito, com o pequeno Jesus, para esca- par da perseguição de Herodes. O local é hoje ocupado pela Ca- tedral Metropolitana. Em 1689, a vila foi invadida por piratas, que dominaram seus habitantes e cometeram uma sé- rie de atrocidades. Dias Velho buscou refúgio dentro da capela, mas foi descoberto e morto. O povoado só não foi extinto pela perseverança de alguns integran- tes do grupo, que se recusaram a abandonar o local. Nesse meio tempo, surgiu o terceiro núcleo habitacional do litoral catari- nense – a vila de Santo Antônio dos Anjos de Laguna, mais tarde conhecida apenas como Laguna, fundada em 1676, com a chega- da do bandeirante Domingos de Brito Peixoto. Em 1738, Santa Catarina foi desmembrada de São Pau- lo, tornando-se capitania au- tônoma. O império português nomeou para o cargo de go- vernador o brigadeiro José da Silva Paes. Ele recebeu a missão de planejar um sistema de for- talezas que protegesse a Ilha de Santa Catarina de possíveis in- vasões. O brigadeiro providen- ciou os projetos o mais rápido possível e iniciou a construção de quatro fortalezas, posiciona- das para estabelecer um sistema de fogo cruzado. 20
  • 20. Catedral Metropolitana, FlorianópolisZ.P. 21
  • 21. Imigração açoriana Outro ponto importante da estratégia de ocupação do litoral catarinense traçada pelo reino português viria a ser a imigração de açorianos. Como o Arquipélago dos Açores enfrentava uma série de dificuldades – excesso po- pulacional, escassez de alimentos e ocorrência de terre- motos –, enviar parte dos habitantes ao Brasil seria uma forma de amenizar dois problemas ao mesmo tempo. O alistamento foi aberto em 1746 e, ao longo da década se- guinte, Santa Catarina recebeu 5.500 açorianos e também mo- radores da Ilha de Madeira, o que fez triplicar sua população. Os imigrantes se instalaram nos núcleos populacionais já exis- tentes e fundaram outros, tanto na Ilha de Santa Catarina quan- to na área continental. Uma das primeiras ativida- des econômicas exercidas pelos açorianos em Santa Catarina foi a pesca da baleia – o óleo extraí- do do animal era usado como combustível de iluminação, en- tre outras aplicações. Algumas “armações”, complexos cons- truídos para viabilizar a pesca de baleia e a transformação de sua carne em óleo, foram ins- taladas em diferentes partes do litoral catarinense. Outras heranças dos aço- rianos são a renda de bilro, a produção de cerâmica utilitá- ria e a fabricação de farinha de mandioca em engenhos. No campo da religião e do folclo- re, há as benzedeiras, a devo- ção ao Divino Espírito Santo e ao Senhor dos Passos, o terno de reis e as lendas de bruxas. Na culinária, peixe com pirão é um clássico prato açoriano. Assim como o sotaque típico dos descendentes, marcado pelo jeito “apressado” de falar e pela sonoridade que remete à forma como o idioma é pra- ticado em Portugal. A arquitetura é uma das heranças trazidas dos Açores Z.P. 22
  • 22. Festas folclóricas: preservação do patrimônio culturalE.L. 23
  • 23. Caminho das tropas Por volta de 1720, Portugal determinou a abertura de um caminho para o transporte de gado entre o Rio Grande do Sul e São Paulo. Seria uma forma de ocu- par e desenvolver o interior da região Sul, motivo de disputas com a Espanha, e também de levar os animais até Minas Gerais, que vivia uma fase de franco desen- volvimento decorrente da exploração do ouro. Dos povoados à beira desse caminho se originaram cida- des como Lages, oficialmente fundada em 1766. Antônio Correa Pinto foi quem orga- nizou a povoação, pertencente no início a São Paulo – só em 1820 seria incorporada a San- ta Catarina. Para estabelecer uma ligação entre o planalto e o litoral, criou-se um caminho até Laguna – essa é a origem da estrada da Serra do Rio do Rastro, repleta de curvas e belas paisagens, hoje um dos pontos turísticos mais conhecidos e ad- mirados do Estado. O Tropeirismo foi um ciclo importante, também, para via- bilizar a ocupação do Oeste ca- tarinense – realizada em grande parte por gaúchos e paranaenses descendentes de imigrantes eu- ropeus. Quando outras regiões do país começaram a explorar a pecuária, já no início do sé- culo 20, a utilização do antigo caminho das tropas perdeu for- ça. Mas a cultura dos tropeiros permanece viva. Na Serra, o estilo de vida dos tropeiros E.M. 24
  • 24. A imponência da araucária, árvore-símbolo da regiãoZ.P. 25
  • 25. A disputa pelo território Demorou um bom tempo até que Portugal e Espanha se entendessem sobre as fronteiras do “Novo Mundo”. De certa forma, a disputa começou ainda em 1494, antes mesmo da chegada dos portugueses ao Brasil, quando o Tratado de Tordesilhas estabeleceu previamente, com base em referenciais já conhecidos, uma regra para a divisão das terras que viessem a ser descobertas por am- bas as potências. A aplicação dessa regra ao território brasileiro resultou no traçado de uma linha imaginária que cortava o país desde Belém, no Pará, até Laguna, em Santa Catarina. A faixa litorânea per- tenceria a Portugal e o interior do continente à Espanha. O problema é que o extre- mo sul do território destinado a Portugal era uma faixa muito estreita de terra, corresponden- te ao atual litoral catarinense. A Espanha passou a cobiçar aquele território, que poderia aumentar consideravelmente seu acesso ao mar, e traçou uma estratégia de ocupação. Sebas- tião Caboto, italiano a serviço da Espanha, permaneceu na costa catarinense por cinco me- ses entre 1526 e 1527, com o objetivo de conhecer melhor o terreno – foi nesse período que ele batizou a Ilha de Santa Ca- tarina. Em 1541, Dom Alvar Nuñez Cabeza de Vaca chegou à ilha, junto com 400 homens, representando o rei da Espanha, com a missão de tomar posse das terras. A disputa ficou adormecida no período entre 1580 e 1640, em que vigorou a União Ibéri- ca, aliança entre as duas monar- quias. Voltou à tona, porém, após o rompimento. Em 1750, num ato de boa vontade das partes, foi assinado o Tratado de Madri, que estabelecia com 26
  • 26. precisão a linha da fronteira. Pelo acordo, Portugal abria mão da Colônia de Sacramen- to (atual Uruguai), que vinha cobiçando, e ficava com os Sete Povos das Missões (atual Rio Grande do Sul). Para que o acordo fosse concretizado, con- tudo, as populações das áreas envolvidas teriam que se tornar súditas da realeza rival, condi- ção que gerou muita revolta e fez com que o acordo fosse anu- lado. As duas potências se lan- çaram então à Guerra dos Sete Anos na Europa, com Portugal aliado à Inglaterra e a Espanha sendo apoiada pela França. A Espanha passou a pre- parar em segredo uma grande esquadra para invadir a Ilha de Santa Catarina. Em novembro de 1776, nada menos que 116 embarcações, com 920 canhões no total e quase 16.000 solda- dos e marinheiros, partiu rumo ao Brasil, sob o comando de Dom Pedro de Cevallos – que já havia visitado a Ilha de Santa Catarina e conhecia bem o sis- tema local de defesa. Quando a esquadra espanho- la chegou à Ilha, em fevereiro de 1777, as fortalezas se demonstra- ram incapazes de conter os avan- ços de invasores tão numerosos e potentes. Alguns disparos até foram realizados pela fortaleza de São José da Ponta Grossa, no Norte da Ilha, mas sem qualquer efeito prático. Os espanhóis de- sembarcaram tranquilamente na praia de Canasvieiras, e as au- toridades locais assinaram sem resistência o termo de rendição. A Ilha de Santa Catarina passava naquele momento ao comando da Espanha. Com a morte do rei de Por- tugal, Dom José I, e a conse- quente queda do Marquês de Pombal, em março de 1777, as negociações evoluíram até chegarem ao Tratado de Santo Ildefonso, assinado em outubro daquele mesmo ano. Por esse novo acordo, Portugal receberia de volta a Ilha de Santa Cata- rina, comprometendo-se a não utilizá-la como base de navios de guerra ou porto de comércio com outros países. Era o início de uma nova fase para Santa Catarina. Em 1800, sua popu- lação chegou a 21.000 pessoas, com divisão mais ou menos proporcional entre os três prin- cipais núcleos – Desterro, São Francisco e Laguna –, cada um com cerca de 4.000 habitantes. Surgia o embrião do modelo catarinense de desenvolvimen- to, predominante até hoje, ca- racterizado pela inexistência de metrópoles, com a população distribuída por vários municí- pios de porte semelhante. Fortaleza da Ilha de Anhatomirim Z.P. 27
  • 27. Colonização alemã Com a Independência do Brasil, em 1822, inten- sificaram-se os projetos de colonização do país por europeus, que enfrentavam escassez de empregos em decorrência da Revolução Industrial. A primeira co- lônia alemã em Santa Catarina foi instalada em São Pedro de Alcântara, em 1829. Esse grupo pioneiro, de 523 pessoas, vindas de Bremen, enfrentou todo tipo de problema, desde a falta de pagamento na íntegra das diárias combinadas até as dificuldades de adaptação ao clima tropical. Como se não bastasse, temporais destruíram suas primeiras plantações. Muitos persis- tiram, enquanto outros decidiram tentar a sorte em outra região, o Vale do Itajaí. O farmacêutico alemão Hermann Bruno Otto Blume- nau, que veio ao Brasil em 1846 contratado pela Sociedade de Proteção aos Emigrantes Ale- mães para desenvolver um pro- jeto de colonização, também escolheu o Vale do Itajaí. En- quanto os trâmites burocráticos eram encaminhados, Blumenau recebeu a notícia de que a insti- tuição que ele representava fe- chara as portas. Mesmo assim, decidiu tocar adiante o projeto por conta própria. Associou- se ao comerciante Fernando Hackradt e voltou à Alemanha para recrutar colonos – os pri- meiros 17 chegaram em agosto de 1850. Eram quase todos ar- tesãos – carpinteiros, marcenei- ros, funileiros, ferreiros –, con- tra apenas dois lavradores. Essa seria uma tendência dos grupos seguintes de colonos alemães, origem da industrialização que viria a caracterizar a economia do Norte catarinense. Diversas novas levas de imigrantes che- gariam nos anos seguintes. No final dessa década, a população já estava próxima de 1.000 pes- soas – e a cidade foi natural- mente batizada de Blumenau. Já Joinville surgiu de um processo oficial de colonização. Em 1829, a Sociedade Coloni- zadora de Hamburgo comprou 81 léguas de terras em Santa Ca- tarina, pertencentes ao príncipe francês François Ferdinand Phi- lippe. Ele havia recebido as ter- ras como dote ao se casar com Francisca, irmã de Dom Pedro II. A colônia foi batizada de Dona Francisca, mas, quando virou cidade, ganhou o nome de Joinville em homenagem a François, que ostentava o título nobre de Príncipe de Joinville, um vilarejo medieval francês. Em 1851, chegou o primeiro grupo de 192 imigrantes ale- mães, suíços e noruegueses. Nas levas seguintes, predominaram os alemães. Entre as influências mais marcantes da colonização alemã estão a arquitetura enxaimel – construções cuja estrutura com- bina harmoniosamente madeira e tijolos aparentes – e a delicio- sa culinária, com pratos como chucrute e eisbein, o joelho de porco. Nas colônias alemãs, a cerveja é até hoje fabricada com os requintes ensinados pelos pioneiros – visitar as cervejarias artesanais é um roteiro fasci- nante para os fãs da bebida. A cultura deixada pelos antepas- sados é celebrada anualmente com a realização de diversas festas típicas no território cata- rinense, das quais a mais famosa é a Oktoberfest de Blumenau. 28
  • 28. Pórtico de entrada em Joinville Dança típica em Pomerode Z.P. E.M. 29
  • 29. 30 Colonização italiana Dois europeus que viviam em Desterro – o italia- no Carlo Demaria e o suíço Henrique Schutel – se uniram para fundar uma empresa de colonização, Demaria & Schutel. Em 1835, pediram à província uma série de benefícios para instalar grupos de lavra- dores a serem trazidos da Itália. Assim, em março de 1836, chegaram ao porto de Desterro 186 colonos, quase todos oriundos da Ilha da Sardenha. O governo de Santa Catarina cedeu uma área no município de São Miguel e a colônia foi denominada “Nova Itália”, atual São João Batista. Novas colônias italianas só viriam a ser criadas em San- ta Catarina bem mais tarde, em consequência do contrato estabelecido em 1874 entre o Império brasileiro e o em- preendedor Joaquim Caetano Pinto Jr.. Eram instaladas em áreas periféricas das colônias alemãs, a exemplo de Rio dos Cedros, Rodeio, Ascurra, Bo- tuverá e Nova Trento, organi- zadas em torno de Blumenau e Brusque. O Sul do Estado também se tornou destino a partir de 1877, com o desem- barque de 291 colonos vênetos em Laguna, para ocupar o Nú- cleo de Azambuja e o Núcleo Urussanga. A região se tornaria destino preferencial dos italia- nos, com novas levas de imi- grantes instalando-se em Cri- ciúma, Pedras Grandes, Treze de Maio, Acioli de Vasconce- los (atual Cocal), Grão-Pará (atuais municípios de Orleans, Grão-Pará, São Ludgero e Bra- ço do Norte) e Nova Veneza (municípios de Nova Veneza e Siderópolis). Essas colônias se especializaram desde o início na produção agrícola, com o uso de técnicas trazidas da ter- ra natal para o cultivo de uva, milho e arroz. Os italianos se espalharam por boa parte dos municípios catarinenses – cerca de 220, bem mais do que qualquer outro grupo de imigrantes. Estima-se que quatro em cada dez catarinenses tenham as- cendência italiana. Essa tradi- ção se manifesta na culinária – polenta e vinho são presen- ças constantes na mesa dos descendentes –, nas vocações econômicas desenvolvidas no Sul de Santa Catarina, como a produção cerâmica, e até em atividades de lazer, a exemplo do jogo de bocha.
  • 30. 31 Casa de pedra em Nova Veneza, Sul catarinense Vinho e queijo: a base da culinária colonial italiana T.E. Z.P.
  • 31. babel catarinense Dos poloneses aos gregos, dos africanos aos japoneses, des- cendentes dos mais diversos povos se fazem presentes em Santa Catarina. no Sul do Brasil. Mas os pro- blemas logo começaram a aflo- rar, como a inexperiência dos franceses com a agricultura e os desentendimentos causados no processo de distribuição das tarefas. A colônia se desfez e apenas algumas famílias per- maneceram na região. Marcante também é a pre- sença austríaca em Santa Ca- tarina. Imigrantes oriundos da região do Tirol fundaram, em 1933, a cidade de Treze Tílias, numa região cuidadosamen- te escolhida pelo governo da Áustria pela semelhança com as paisagens originais. O país havia perdido território após a derrota na Primeira Guerra Mundial e já não havia lugar para todos. Hoje a encantadora Treze Tílias mantém muitas das tradições trazidas pelos coloni- zadores, como as casas em estilo alpino e a prática de esculturas em madeira. Santa Catarina tem também influência árabe. Sírios e libane- ses chegaram a partir de 1885 a cidades como Florianópolis, Biguaçu, Caçador, Canoinhas, Criciúma e Lages, dedicando- se, sobretudo, ao comércio. Já os japoneses vieram em peque- nos grupos, na primeira metade do século 20, e se instalaram especialmente no atual municí- pio de Frei Rogério, no Meio- -Oeste, e em São Joaquim, na Serra, onde contribuíram para o aprimoramento da produção de maçãs com a introdução de novas variedades. Não se pode deixar de ci- tar, por fim, a presença e a influência marcante dos afri- canos, que, na maior parte dos casos, chegaram a Santa Catarina como escravos. Em 1810, dos 30.000 habitantes de Santa Catarina, 7.000 eram escravos negros, quase sempre descendentes de bantos e suda- neses que desembarcavam nas regiões Nordeste e Sudeste do país e desciam por terra rumo ao Sul. Em 1872, a propor- ção havia caído para 10% dos 158.000 habitantes, mas ainda assim sua cultura permaneceu presente, como se pode cons- tatar pelas práticas religiosas – a umbanda e o candomblé – e culturais, a exemplo do car- naval e do samba. O Estado mantém várias áreas quilom- bolas, originalmente ocupadas por ex-escravos, como o Sertão do Valongo, em Porto Belo, e a Lagoa de Acaraí, em São Fran- cisco do Sul. Se há ainda qual- quer dúvida sobre a impor- tância da herança africana em Santa Catarina, basta dizer que o maior nome da nossa litera- tura era negro: o poeta João da Cruz e Sousa. A imigração polonesa é possivelmente a mais rele- vante depois da açoriana, da alemã e da italiana. Em 1871, o primeiro grupo chegou a Brusque. Em 1882, foi a vez de Jacinto Machado, no Sul do Estado. Em 1889, o en- tusiasmo com a perspectiva de uma nova vida no Sul do Brasil tomou conta de muitos poloneses. No ano seguinte, nada menos que 29.200 vie- ram ao país, contra não mais que 4.500 ao longo dos 15 anos anteriores. A maior parte eram agricultores. Em Santa Catarina, os poloneses se alo- jaram especialmente no Sul, nos vales dos rios Urussanga, Tubarão e Araranguá, com maior concentração na cidade de Criciúma, e também nos vales do Itajaí e do Itapocu, ao norte, em cidades como Ma- fra, Itaiópolis, Canoinhas, São Bento do Sul e Brusque. Após a Segunda Guerra Mundial, novas levas chegaram a Mon- daí e Pouso Redondo. Os franceses, além de terem sido uns dos primeiros euro- peus a conhecer Santa Cata- rina, em 1504, quando Binot Paulmier de Gonneville chegou à futura cidade de São Francis- co do Sul, viveram outra expe- riência marcante por aqui, na mesma região. Foi a instalação, em 1841, de um experimento socialista, a Colônia Industrial da Barra do Saí. Idealizado por um médico homeopata, Benoit Joseph Mure, o projeto contou com o apoio e a simpatia da monarquia brasileira. Mais de 400 franceses se estabeleceram na colônia, que tinha como princípio a inexistência da pro- priedade privada – tudo era co- mum e o resultado do trabalho seria desfrutado igualmente por todos. A colônia alcançou rápido desenvolvimento, com uma olaria e uma forja que ga- nharam muitos clientes na re- gião. Essas notícias chegavam à França e em 1844 havia mi- lhares de pessoas interessadas em integrar a célebre colônia 32
  • 32. No sentido horário: dança polonesa em Itaiópolis, tambores japoneses em Frei Rogério, comunidade quilombola no Sul do Estado e indígenas na Grande Florianópolis Z.P. E.L. C.F. T.E. 33
  • 33. 34 Revolução Farroupilha O período regencial, entre 1831 e 1840 – desde a re- núncia de Dom Pedro I até a ascensão ao trono de seu filho Dom Pedro II –, viu surgir uma série de revoltas no país. A mais significativa foi a Revolução Farrou- pilha, que eclodiu em 1835 no Rio Grande do Sul e se prolongou por dez anos. Foi um movimento impul- sionado por ideais republicanos e pela insatisfação com os altos impostos cobrados pela Mo- narquia sobre produtos típicos do Sul, a exemplo do charque e da erva-mate. Essa ideologia encontrou muitos apoiadores no território catarinense, que também seria palco do conflito. Depois de tomarem Porto Alegre em 1835 e terem sido repelidos pelas forças do gover- no, os revoltosos, conhecidos como “farrapos”, dirigiram-se a outros pontos de interesse, como Bagé, no território gaú- cho, Lages, na Serra catarinen- se, e Laguna, no litoral Sul de Santa Catarina. Laguna foi to- mada em 1839, num esforço conjunto das forças de terra, lideradas por Davi Canabarro, e de mar, sob comando do ita- liano Giuseppe Garibaldi. Na pacata cidade catarinense foi proclamada a República Julia- na, em 29 de julho de 1839 – nome que fazia referência ao mês em que ocorria aquele epi- sódio histórico. A presença dos farrapos em Laguna se prolongou por seis meses, até que o governo se reorganizou para retomar a ci- dade, obrigando os revoltosos a escapar de volta para o Rio Grande do Sul. O movimento continuaria até 1845, quando chegou ao fim por meio de um acordo em que o governo concordava em reduzir subs- tancialmente os impostos co- brados sobre o charque. Mas a permanência em Laguna foi suficiente para que Garibaldi se apaixonasse pela catarinense Ana Maria de Jesus Ribeiro e se unisse à jovem – que dali em diante ficaria conhecida como Anita Garibaldi. Depois de lutar no Brasil, o casal partiu para o Uruguai e, de lá, para a Itália, onde Gari- baldi foi o grande líder do pro- cesso de Unificação do país, que se encontrava esfacelado e sub- metido ao controle de diversos governos estrangeiros. Anita foi companheira inseparável, in- clusive nos campos de batalha, do chamado Herói dos Dois Mundos – até morrer em 1849, aos 28 anos, quando adoeceu em meio à perseguição pelos austríacos. Tornou-se sinônimo de mulher destemida e é uma figura adorada tanto na Itália quanto no Brasil.
  • 34. Farol de Santa Marta (acima) e casa de Anita Garibaldi (ao lado): símbolos de Laguna E.L. Z.P. 35
  • 35. 36 A Guerra do Contestado Ao mesmo tempo em que a Primeira Guerra Mundial agitava o mundo, o conflito do Contestado abalava a paz em território catarinense. Ocorrido numa zona de disputa por terras entre Paraná e Santa Catarina – 48.000 km² no Meio-Oeste e Oeste catarinenses –, durou de 1912 a 1916 e vitimou, estima-se, pelo me- nos 20.000 pessoas. Foi provocado por uma conjun- ção de fatores que se somaram às incertezas causadas pela longa disputa judicial entre os dois Estados. Um desses fatores foi a construção da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, entre 1907 e 1910, pela Brazil Rail- way Company. Os objetivos da obra eram dar saída à pro- dução de madeira e iniciar ao redor da ferrovia um processo consistente de ocupação – para isso, a empresa receberia 6.000 km² de terras como parte do pagamento, com a possibilida- de de explorar toda a madeira existente ali e a obrigação de assentar imigrantes estrangei- ros. O problema é que as famí- lias que ocupavam esse territó- rio – uma faixa de 15 km em cada lado da ferrovia – foram simplesmente expulsas e não tinham para onde ir. Para tor- nar a situação ainda mais com- plexa, cerca de 8.000 operários trazidos para a obra ficaram sem o ganha-pão assim que a ferrovia ficou pronta. Essa multidão de pessoas desesperançosas e revoltadas encontrou nos diversos líde- res religiosos que apareceram na região as palavras de fé que precisavam para seguir adiante. Em 1912, o monge-curandei- ro José Maria arrebanhou mi- lhares de seguidores fanáticos, multidão que assustava os po- deres constituídos. Os gover- nos de Santa Catarina e Paraná deram uma trégua na disputa que travavam entre si para en- frentar juntos o movimento, contando ainda com a ajuda do Governo Federal. O conflito foi desigual. De um lado, metralhadoras, ca- nhões e até aviões. De outro,
  • 36. paus e facões. Mesmo assim, foi preciso mobilizar grande parte do exército brasileiro ao longo de quatro anos para aba- far de vez o Contestado. Do ponto de vista social, a guer- ra não trouxe solução alguma – só agravou o sentimento de revolta da população e os pro- blemas da região. Mas serviu, ao menos, para pôr fim à dis- puta entre os dois Estados, que firmaram um acordo em 1916, estabelecendo os limites que permanecem até hoje. Com isso, surgiram municípios como Mafra (nome dado em homenagem ao Conselheiro Mafra, defensor de Santa Cata- rina na disputa judicial), Porto União, Joaçaba e Chapecó. Em 1943, Santa Catarina sofreu uma modificação geo- gráfica, que se mostrou tem- porária, com a criação do Ter- ritório do Iguaçu pelo governo Getúlio Vargas, abrangendo a região Oeste dos Estados do Paraná e de Santa Catarina. No lado de Santa Catarina, o novo território incluía cidades como Chapecó, Concórdia, Caçador, Joaçaba, Xanxerê e São Miguel d’Oeste. Os objetivos eram for- talecer a ocupação da fronteira depois da entrada do Brasil na Segunda Guerra e ao mesmo tempo dar autonomia a uma região que se sentia distanciada do poder estabelecido no Lito- ral. A mudança durou apenas três anos, sendo revogada pela Constituição de 1946. Painel Contestado – Terra Contestada, de Hassis FundaçãoHassis/Divulgação 37
  • 37. 38 Santa Catarina na Era Republicana A proclamação da República e o consequente fim da Monarquia, em 15 de novembro de 1889, marcariam um novo período para o Brasil e para todas as suas províncias, que passaram a ser chamadas de Estados. O presidente de Santa Catarina, Luís Alves Leite de Oliveira Bello, foi pacificamente destituído e muitos deputados monarquistas aderiram espontaneamente ao novo regime. Lauro Müller tornou-se o primeiro gover- nador de Santa Catarina na era republicana. A Cons- tituição Federal de 1891 estabeleceu eleições diretas e Gustavo Richard foi o escolhido. lis (“cidade de Floriano”), uma forma de marcar a vitória obti- da ali pelo Marechal de Ferro. Em 1900, Santa Catarina somava 320.300 habitantes. Florianópolis e Blumenau eram as maiores cidades, com cerca de 31.000 habitantes cada. O Estado consolidava o modelo de ocupação por pequenas pro- priedades agrícolas, de adminis- tração familiar, sem latifúndios e sem uma metrópole predo- minante. Com o passar das dé- cadas, esse se tornaria um dos principais diferenciais de Santa Catarina em relação à maioria dos Estados brasileiros. As limitações econômicas do início do século foram sen- do gradualmente superadas. A pauta de exportações, antes li- mitada às madeiras, à erva-ma- te e à farinha de mandioca, foi reforçada pelo gado e o arroz. Com o advento da industria- lização do Estado, processo iniciado ainda na década de 1880, com a fundação de uma fábrica de camisetas em Blu- menau pelos irmãos Hermann e Bruno Hering, Santa Cata- rina passou a ter produção re- levante também de tecidos e fios, camisas, bordados e meias de algodão. Impulsionado pelo desenvolvimento da indústria têxtil, Blumenau logo se tor- naria o maior município ca- tarinense – em 1920, a cida- de somava 68.000 habitantes, enquanto nenhuma outra do Estado chegava a 40.000. Florianópolis, a capital, vi- via isolada pela inexistência de uma ligação da Ilha de Santa Catarina com o continente. O governador Hercílio Luz resol- veu enfrentar esse problema ao providenciar a construção, en- tre 1922 e 1926, da ponte que seria batizada com o seu nome. O desenvolvimento trazido pela obra foi inegável, assim como o endividamento do Estado, que precisou fazer um emprésti- mo de 20.000 contos (quantia equivalente a 5 milhões de dó- lares) para executar essa e outras obras de infraestrutura. O valor correspondia a quase quatro anos de receita. Em 1955, o lageano Nereu Ramos, que havia sido gover- nador de Santa Catarina entre 1935 e 1945 (e era filho do também ex-governador Vidal Ramos), tornou-se o político mais importante da história catarinense ao assumir a Pre- sidência da República por um período de três meses, após o suicídio de Getúlio Vargas. Ramos era o primeiro vice- -presidente do Senado Federal e foi alçado ao cargo após o impedimento do vice de Ge- túlio, Café Filho, e do presi- dente da Câmara dos Deputa- dos, Carlos Luz. Conduziu o governo até a posse de Jusceli- no Kubitschek, tornando-se a partir daí ministro da Justiça. Nereu Ramos morreria num acidente aéreo, em 1958, que vitimou também o então go- vernador de Santa Catarina, Jorge Lacerda, e outro impor- tante político do Estado, Leo- berto Leal. As turbulências ainda es- tavam longe de terminar em Santa Catarina, contudo. O Estado se viu involuntariamen- te envolvido na Revolta da Ar- mada, que eclodiu no Rio de Janeiro em 1893. A Marinha, em parte por ter resquícios mo- narquistas em seus quadros, e também insatisfeita pelo fato de que apenas representantes do Exército estavam assumindo o governo do país após a procla- mação da República, revoltou- se sob a liderança do almirante Custódio de Melo. Os navios rebeldes bombardearam o Rio de Janeiro e, atacados pelas for- ças governamentais, escaparam rumo ao Sul do país, onde se juntaram aos revoltosos da Re- volução Federalista e invadiram a pacata e indefesa capital cata- rinense, Desterro. Floriano Peixoto adquiriu novos navios e retomou a ci- dade, com forte repressão – in- cluindo quase duas centenas de fuzilamentos e enforcamentos realizados na Ilha de Anhato- mirim, sob comando do te- mido coronel Moreira Cesar. As vítimas foram não apenas membros comprovados do mo- vimento original, mas também simples moradores de Desterro que teriam, na avaliação do go- verno, colaborado de alguma forma com os revoltosos. Santa Catarina entraria no século 20 com muitos traumas a superar e uma nova identidade para a capital, cujo nome foi trocado de Desterro para Florianópo-
  • 38. O golpe militar de 1964 im- pôs um período de duas décadas de ditadura no Brasil. Santa Ca- tarina teve um papel destacado no processo de redemocratiza- ção do país ao desencadear um movimento popular que entrou para a história como Novem- brada, referência ao mês de 1979 em que o episódio ocor- reu em Florianópolis. Durante visita do presidente João Figuei- redo à cidade, estava prevista a inauguração de uma placa em homenagem a Floriano Peixoto – contestada por boa parte da população em decorrência da memória dos acontecimentos que haviam culminado com a troca do nome da cidade para Florianópolis, em 1894. Os protestos se transformaram em tumulto e a população arrancou à força a placa recém-instalada na Praça 15 de Novembro, ma- nifestação que foi interpretada como sinal do enfraquecimento do governo militar e contribuiu para o advento do processo de abertura política que se daria dali em diante. Em 1983, o voto voltou a ser direto para a escolha de go- vernadores. Em Santa Catarina, foram eleitos sucessivamente Esperidião Amin (1983-1987), Pedro Ivo Campos (para o man- dato entre 1987 e 1990, com o vice Casildo Maldaner assu- mindo por pouco mais de um ano após a morte do governa- dor), Vilson Kleinübing (para o período entre 1991 e 1995, com seu vice Antônio Carlos Konder Reis também assumin- do por quase um ano em decor- rência do titular ter concorrido ao Senado), Paulo Afonso Vieira (1995-1999), novamente Espe- ridião Amin (1999-2003), Luiz Henrique da Silveira (que cum- priu dois mandatos, entre 2003 e 2010, com o vice Leonel Pa- van assumindo por quase um ano, ao final do período, para que o governador se candida- tasse ao Senado) e Raimundo Colombo, a partir de 2011. Palácio Cruz e Sousa, Florianópolis S.V. 39
  • 39. ARGENTINA Paraná Oeste Principais municípios Posição Município População Vale do Itajaí 1 Blumenau 309.011 2 Itajaí 183.373 3 Balneário Camboriú 108.089 Norte 1 Joinville 515.288 2 Jaraguá do Sul 143.123 3 São Bento do Sul 74.801 Oeste 1 Chapecó 183.530 2 Caçador 70.762 3 Concórdia 68.621 Grande Florianópolis 1 Florianópolis 421.240 2 São José 209.804 3 Palhoça 137.334 Sul 1 Criciúma 192.308 2 Tubarão 97.235 3 Araranguá 61.310 Serra 1 Lages 156.727 2 Curitibanos 37.748 3 Campos Novos 32.824 As regiões catarinenses Oterritóriocatarinenseédivididoemseisregiõesgeográficas, cada uma delas com configuração física, formação étnica e vocações econômicas específicas. São o retrato da grande diversidade, em todos os sentidos, que se encontra em Santa Catarina. O Vale do Itajaí concentra a maior população, o Oeste tem a maior área e o maior número de municípios, enquanto a Grande Florianópolis apresenta a maior densidade demográfica. População e área por região Região Municípios População Área (km²) Densidade demográfica (habitantes/km²) Vale do Itajaí 54 1.508.980 13.098,4 115,2 Norte 26 1.212.843 15.928,9 76,1 Oeste 118 1.200.712 27.310,8 44 Grande Florianópolis 21 994.095 7.355,5 135,1 Sul 44 925.065 9.719,2 95,2 Serra 30 406.741 22.324,0 18,2 Total 293 6.248.436 95.736,8 65,3 40
  • 40. S N LO Rio Grande do Sul Oceano Atlântico Serra Norte Vale do Itajaí Grande Florianópolis Sul 41
  • 41. 42 Grande Florianópolis Para brasileiros de todas as regiões e para os nossos vizinhos argentinos, não é de hoje que a simples menção a Florianópolis remete à ideia de belas paisagens e invejávelqualidadedevida.Nosúltimosanos,afamade “paraíso” ganhou o mundo. Publicações internacionais de grande repercussão passaram a citar a capital de Santa Catarina como um dos destinos turísticos mais encantadores do planeta e conhecê-la entrou para os planos de viajantes de todas as partes do globo. Com isso, os “manezinhos” – como são chamados os nati- vos da cidade – estão se habi- tuando a ouvir não mais apenas os sotaques brasileiros e o caste- lhano dos hermanos, mas tam- bém o inglês e diversos idiomas europeus. A cidade se tornou cosmopolita e o turismo, antes limitado à temporada de verão, transformou-se em uma ativi- dade desenvolvida ao longo de todo o ano. Para receber esse público exigente, surgiram ho- téis, pousadas e restaurantes de alto nível. Além do turismo de praia, a Grande Florianópolis tem de- senvolvido o turismo rural em cidades como Santo Amaro da Imperatriz, Alfredo Wagner, Angelina e Rancho Queimado, que oferecem opções acolhe- doras de hospedagem. Já Nova Trento, conhecida como a ter- ra de Madre Paulina, primeira santa brasileira, é um dos prin- cipais destinos de turismo reli- gioso no país. Florianópolis também tem se destacado como importante polo de Tecnologia da Informa- ção – uma indústria limpa, que combina perfeitamente com sua natureza exuberante e pre- servada. Já existem na cidade mais de 500 empresas de au- tomação, desenvolvimento de programas e jogos, com geração de 12.000 empregos diretos. Setores tradicionais da indús- tria encontram espaço na vizi- nha São José – quarto municí- pio mais populoso do Estado, sede de um parque empresarial em franco desenvolvimento. A indústria de calçados é uma im- portante atividade em São João Batista e Canelinha. Embora a ocupação de Flo- rianópolis e da maior parte dos municípios da região tenha sido feita predominantemente por açorianos, há também ci- dades colonizadas por alemães, como é o caso de São Pedro de Alcântara – primeiro núcleo catarinense a receber imigran- tes daquele país, em 1829 –, e por italianos, a exemplo de Nova Trento. A própria Madre Paulina foi uma imigrante, que chegou ainda criança à cidade em que desenvolveria, na vira- da do século 19 para o século 20, seu trabalho de assistência a enfermos. 11 19 14 20 7 13 3 2 1 4 8 5 10 69 17 18 15 12 16 21
  • 42. 43 Grande Florianópolis Posição Município População Área (km²) Densidade demográfica (habitantes/km²) Gentílico 1 Florianópolis 421.240 675,4 623,7 Florianopolitano 2 São José 209.804 152,4 1.376,7 Josefense 3 Palhoça 137.334 395,1 347,6 Palhocense 4 Biguaçu 58.206 370,9 156,9 Biguaçuense 5 Tijucas 30.960 279,6 110,7 Tijucano 6 São João Batista 26.260 221,1 118,8 Batistense 7 Santo Amaro da Imperatriz 19.823 344,0 57,6 Santo-amarense 8 Governador Celso Ramos 12.999 117,2 110,9 Gancheiro 9 Nova Trento 12.190 402,9 30,3 Nova-trentino 10 Canelinha 10.603 152,6 69,5 Canelense 11 Alfredo Wagner 9.410 732,8 12,8 Alfredense 12 Antônio Carlos 7.458 228,7 32,6 Antônio-carlense 13 Paulo Lopes 6.692 449,7 14,9 Paulo-lopense 14 Águas Mornas 5.548 327,4 16,9 Águas-mornense 15 Angelina 5.250 500,0 10,5 Angelinense 16 São Pedro de Alcântara 4.704 140,0 33,6 Alcantarense 17 Leoberto Leal 3.365 291,2 11,6 Leobertense 18 Major Gercino 3.279 285,7 11,5 Majorense 19 Anitápolis 3.214 542,1 5,9 Anitapolitano 20 São Bonifácio 3.008 460,4 6,5 São-bonifacense 21 Rancho Queimado 2.748 286,3 9,6 Rancho-queimadense Total 994.095 7.355,5 135,1 Fonte: IBGE, Censo 2010 Pontes de Florianópolis que ligam a Ilha de Santa Catarina ao continente P.A.
  • 43. 44 Acima: casario açoriano em São José. Abaixo: casa de campo do governador Hercílio Luz, em Rancho Queimado Z.P. Z.P.
  • 44. 45 Acima: figueira centenária da Praça 15 de Novembro, em Florianópolis. Ao lado: Praia do Sonho, Ponta do Papagaio e Praia da Pinheira, em Palhoça Z.P. T.E.
  • 45. 46 P.A.
  • 46. 47 Reserva Marinha do Pirajubaé, em Florianópolis
  • 47. 48 Vale do Itajaí A história do Vale do Itajaí é marcada pelo empreen- dedorismo e a obstinação dos imigrantes alemães em construir uma nova vida longe da terra natal. Essa in- fluência continua mais viva do que nunca em cidades como Blumenau, Brusque e Gaspar, polos têxteis que são o berço de várias empresas reconhecidas internacio- nalmente, e Pomerode, onde a maior parte da popula- ção é fluente no idioma dos antepassados. O orgulho pelas origens é simbolizado pela realização anual da Oktoberfest, em Blu- menau, embalada por cerveja, comida e danças típicas. Trata- se do carro-chefe de uma série de festas organizadas pelos cata- rinenses no mês de outubro. A primeira edição da Oktoberfest ocorreu em 1984, para ajudar a cidade a recuperar o ânimo e as finanças depois das grandes en- chentes que haviam ocorrido no Vale do Itajaí. Desde então, 20 milhões de pessoas já participa- ram do evento, que se estende por quase três semanas e atrai visitantes de todos os cantos do Brasil e também do exterior. Já em Itajaí, colonizada principalmente por açorianos, as atividades econômicas es- tão diretamente relacionadas ao mar. Com um dos índices de desenvolvimento mais al- tos do país ao longo da últi- ma década, a cidade explora a pesca (73.300 toneladas por ano, cerca de 60% da produção catarinense) e sedia um porto estratégico para as exportações brasileiras – em decorrência disso, muitas empresas especia- lizadas em logística estão se ins- talando na região. A excelente infraestrutura de transportes do Vale é reforçada pelo aeroporto de Navegantes, que vem se con- solidando como um dos mais importantes do Sul do Brasil. Balneário Camboriú é outra cidade litorânea da região, co- nhecida em todo o país como um dos destinos turísticos mais agitados do verão. Com suas belas praias e ar cosmopolita, simbolizado pelos arranha-céus da Avenida Atlântica e a profu- são de restaurantes e casas no- turnas, o município tem estru- tura para receber um milhão de pessoas simultaneamente. Essa marca, que corresponde a quase dez vezes sua população regular, é alcançada especialmente nos meses de dezembro e janeiro. 37 18 53 33 22 42 48 46 21 34 35 49 31 38 52 15 51 43 41 639 29 17 44 47 28 27 11 25 32 30 9 54 36 40 45 16 4 2 5 10 20 23 3 7 13 19 14 50 26 24 8 1 12
  • 48. 49 Vale do Itajaí Posição Município População Área (km²) Densidade demográfica (habitantes/km²) Gentílico 1 Blumenau 309.011 518,5 596,0 Blumenauense 2 Itajaí 183.373 288,3 636,0 Itajaiense 3 Balneário Camboriú 108.089 46,2 2.339,6 Praiano 4 Brusque 105.503 283,2 372,5 Brusquense 5 Camboriú 62.361 212,3 293,7 Camboriuense 6 Rio do Sul 61.198 260,4 235,0 Rio-sulense 7 Navegantes 60.556 112,0 540,7 Navegantino 8 Gaspar 57.981 386,8 149,9 Gasparense 9 Indaial 54.854 430,8 127,3 Indaialense 10 Itapema 45.797 57,8 792,3 Itapemense 11 Timbó 36.774 127,4 288,6 Timboense 12 Pomerode 27.759 214,7 129,3 Pomerodense 13 Penha 25.141 58,8 427,6 Penhense 14 Barra Velha 22.386 140,1 159,8 Barra-velhense 15 Ituporanga 22.250 336,9 66,0 Ituporanguense 16 Guabiruba 18.430 174,7 105,5 Guabirubense 17 Ibirama 17.330 247,3 70,1 Ibiramense 18 Taió 17.260 692,9 24,9 Taioense 19 Balneário Piçarras 17.078 99,4 171,8 Piçarrense 20 Porto Belo 16.083 93,6 171,8 Porto-belense 21 Presidente Getúlio 14.887 294,3 50,6 Getulense 22 Pouso Redondo 14.810 359,4 41,2 Pouso-redondense 23 Bombinhas 14.293 35,9 398,1 Bombinense 24 Ilhota 12.355 252,9 48,9 Ilhotense 25 Rodeio 10.922 129,9 84,1 Rodeiense 26 Luiz Alves 10.438 259,9 40,2 Luiz-alvense 27 Benedito Novo 10.336 388,8 26,6 Benedito-novense 28 Rio dos Cedros 10.284 554,1 18,6 Rio-cedrense 29 Lontras 10.244 197,1 52,0 Lontrense 30 Apiúna 9.600 493,3 19,5 Apiunense 31 Agrolândia 9.323 207,6 44,9 Agrolandense 32 Ascurra 7.412 110,9 66,8 Ascurrense 33 Salete 7.370 179,3 41,1 Saletense 34 Rio do Oeste 7.090 247,8 28,6 Riense-do-oeste 35 Trombudo Central 6.553 108,6 60,3 Trombudense 36 Vidal Ramos 6.290 342,9 18,3 Vidal-ramense 37 Rio do Campo 6.192 506,2 12,2 Rio-campense 38 Petrolândia 6.131 305,9 20,0 Petrolandense 39 Laurentino 6.004 79,6 75,4 Laurentinense 40 Imbuia 5.707 123,0 46,4 Imbuiense 41 Aurora 5.549 206,6 26,9 Aurorense 42 Vitor Meireles 5.207 370,5 14,1 Vitor-meirelense 43 Agronômica 4.904 130,5 37,6 Agronomense 44 José Boiteux 4.721 405,2 11,7 José-boatense 45 Botuverá 4.468 296,2 15,1 Botuveraense 46 Dona Emma 3.721 181,2 20,5 Donemense 47 Doutor Pedrinho 3.604 374,6 9,6 Pedrinhense 48 Witmarsum 3.600 152,0 23,7 Witmarsumense 49 Braço do Trombudo 3.457 90,3 38,3 Braço-trombudense 50 São João do Itaperiú 3.435 151,4 22,7 Itaperiuense 51 Atalanta 3.300 94,2 35,0 Atalantense 52 Chapadão do Lageado 2.762 124,8 22,1 Lageadense 53 Mirim Doce 2.513 335,7 7,5 Mirindocense 54 Presidente Nereu 2.284 225,7 10,1 Nereusense Total 1.508.980 13.098,4 115,2 Fonte: IBGE, Censo 2010
  • 49. 50 Anoitecer em Blumenau Beto Carrero World, maior parque temático da América Latina, na cidade de Penha T.E. BetoCarreroWorld/Divulgação
  • 50. Acima: vista panorâmica de Balneário Camboriú. Ao lado: Brusque, importante polo têxtil do Estado. Abaixo: Porto de Itajaí Z.P. N.E.P.A. 51
  • 51. 52 Oeste A agroindústria é a principal atividade econômica do Oeste catarinense, berço de importantes empresas brasileiras do setor de alimentos. Trata-se de um dos mais relevantes polos de avicultura, produção de leite e criação de suínos do país. A agricultura se baseia no modelo familiar e é concentrada na produção de grãos, especialmente milho, soja e feijão – uma das exceções fica por conta da cidade de Fraiburgo, maior produtora brasileira de maçãs. Com crescimento acelerado nas últimas décadas, Chapecó – sexto município catarinense mais populoso –, é o principal centro do Oeste catarinense. Outras cidades importantes da região, como Caçador, Concór- dia, Videira e Xanxerê, seguem modelo semelhante de desen- volvimento, com progressiva ur- banização e investimentos cons- tantes em infraestrutura. A ligação do aeroporto de Chapecó a Florianópolis e dali às principais cidades do país, por meio de voos diários, con- tribuiu decisivamente para re- duzir a sensação de isolamen- to dos habitantes do Oeste. O êxodo ao qual muitos jovens da região eram obrigados a se lançar para continuar os estu- dos em outras partes de Santa Catarina ou em outros Esta- dos foi reduzido pela instala- ção de diversas instituições de ensino superior. Colonizado em grande parte por gaúchos de origem italiana e alemã, o Oeste catarinense tem 118 cidades, número que equivale a 40% do total catari- nense. A maior parte delas não chegou ainda à marca de 10.000 habitantes, dado que sintetiza o grande potencial de desenvolvi- mento projetado para a região nas próximas décadas. 19 88 20 52 25 69 84 93 98 59 18 49 37 36 28 6 110 44 38 33 85 51 108 10 66 24 116 53 46 17 109 26 34 16 70 11 91 72 114 104 79 87 112 27 81 101 42 95 99 23 74 60 41 14 32 76 103 89 96 11894105 83 29 9 5 117 73 157 92 65 64 97 48 61 113 43 15 67 68 100 40 58 31 22 54 30 8 102 39 13 55 5682 106 3 71 115 62 12 7850 45 63 111 75 90 80 35 107 7 21 77 86 2 47 4
  • 52. Oeste Posição Município População Área (km²) Densidade demográfica (habitantes/km²) Gentílico 1 Chapecó 183.530 626,1 293,1 Chapecoense 2 Caçador 70.762 984,3 71,9 Caçadorense 3 Concórdia 68.621 799,9 85,8 Concordense 4 Videira 47.188 380,3 124,1 Videirense 5 Xanxerê 44.128 377,8 116,8 Xanxerense 6 São Miguel do Oeste 36.306 234,1 155,1 Miguel-oestino 7 Fraiburgo 34.553 547,9 63,1 Fraiburgense 8 Joaçaba 27.020 232,2 116,4 Joaçabense 9 Xaxim 25.713 293,3 87,7 Xaxiense 10 Maravilha 22.101 171,3 129,0 Maravilhense 11 São Lourenço do Oeste 21.792 360,5 60,4 Lourencense/Lourenciano 12 Herval d’Oeste 21.239 217,3 97,7 Hervalense 13 Capinzal 20.769 244,2 85,0 Capinzalense 14 Abelardo Luz 17.100 953,1 17,9 Abelardo-lusense 15 Seara 16.936 311,4 54,4 Searaense 16 Pinhalzinho 16.332 128,2 127,4 Pinhalense 17 Palmitos 16.020 352,5 45,4 Palmitense 18 Itapiranga 15.409 282,7 54,5 Itapiranguense 19 Dionísio Cerqueira 14.811 379,2 39,1 Cerqueirense 20 São José do Cedro 13.684 281,0 48,7 Cedrense 21 Lebon Régis 11.838 941,5 12,6 Lebon-regense 22 Ponte Serrada 11.031 564,5 19,5 Ponte-serradense 23 Faxinal dos Guedes 10.661 339,7 31,4 Faxinalense 24 Cunha Porã 10.613 217,9 48,7 Cunha-porense 25 Guaraciaba 10.498 330,4 31,8 Guaraciabense 26 São Carlos 10.291 161,3 63,8 São-carlense 27 Quilombo 10.248 280,3 36,6 Quilombense 28 Mondaí 10.231 202,1 50,6 Mondaiense 29 Coronel Freitas 10.213 234,0 43,6 Freitense/Freitano 30 Catanduvas 9.555 197,3 48,4 Catanduvense 31 Irani 9.531 325,7 29,3 Iraniense 32 São Domingos 9.491 384,6 24,7 Dominguense 33 Campo Erê 9.370 479,1 19,6 Campo-erense 34 Saudades 9.016 206,6 43,6 Saudadense 35 Tangará 8.674 388,2 22,3 Tangaraense 36 Descanso 8.634 286,1 30,2 Descansense 37 Iporã do Oeste 8.409 199,7 42,1 Iporã-oestino 38 Palma Sola 7.765 330,1 23,5 Palma-solense 39 Ouro 7.372 213,7 34,5 Ourense 40 Ipumirim 7.220 247,4 29,2 Ipumiriense 41 Água Doce 6.961 1.314,3 5,3 Água-docense 42 Ipuaçu 6.798 260,9 26,1 Ipuaçuense 43 Itá 6.426 165,8 38,8 Itaense 44 Anchieta 6.380 228,3 27,9 Anchietense 45 Treze Tílias 6.341 186,6 34,0 Treze-tiliense 46 Caibi 6.219 174,8 35,6 Caibiense 47 Rio das Antas 6.143 318,0 19,3 Rio-antense 48 Águas de Chapecó 6.110 139,8 43,7 Chapecoense-das-águas 49 São João do Oeste 6.036 163,3 37,0 São-joanense 50 Luzerna 5.600 118,4 47,3 Luzernense 51 Romelândia 5.551 225,9 24,6 Romelandino 52 Guarujá do Sul 4.908 100,2 49,0 Guarujaense 53 Riqueza 4.838 192,0 25,2 Riquezense 54 Vargem Bonita 4.793 298,5 16,1 Vargembonitense 55 Piratuba 4.786 146,0 32,8 Piratubense 56 Ipira 4.752 154,6 30,7 Ipirense 57 Guatambu 4.679 205,9 22,7 Guatambuense 58 Lindóia do Sul 4.642 188,6 24,6 Lindoiense 59 Tunápolis 4.633 133,2 34,8 Tunapolitano 53
  • 53. 54 Posição Município População Área (km²) Densidade demográfica (habitantes/km²) Gentílico 60 Passos Maia 4.425 619,2 7,1 Passosmaiense 61 Caxambu do Sul 4.411 140,7 31,4 Caxambuense 62 Erval Velho 4.352 207,4 21,0 Ervalense 63 Salto Veloso 4.301 105,1 40,9 Velosoense 64 Nova Erechim 4.275 64,9 65,9 Nova Erechinense 65 Nova Itaberaba 4.267 137,5 31,0 Nova Itaberabense 66 Iraceminha 4.253 163,2 26,1 Iraceminhense 67 Arabutã 4.193 132,8 31,6 Arabutanense 68 Xavantina 4.142 216,7 19,1 Xavantinense 69 Paraíso 4.080 181,2 22,5 Paraisense 70 Modelo 4.045 91,1 44,4 Modelense 71 Jaborá 4.041 191,9 21,1 Jaboraense 72 Saltinho 3.961 156,5 25,3 Saltinhense 73 Cordilheira Alta 3.767 82,9 45,4 Cordilheiraltense 74 Vargeão 3.532 166,6 21,2 Vargeonense 75 Arroio Trinta 3.502 94,3 37,1 Arroio-trintense 76 Galvão 3.472 122,0 28,5 Galvãoense 77 Calmon 3.387 638,2 5,3 Calmonense 78 Ibicaré 3.373 155,8 21,6 Ibicareense 79 Serra Alta 3.285 92,3 35,6 Serra-altense 80 Pinheiro Preto 3.147 65,9 47,8 Pinheirense 81 Entre Rios 3.018 104,5 28,9 Entrerriense 82 Peritiba 2.988 95,8 31,2 Peritibense 83 União do Oeste 2.910 92,6 31,4 União-oestense 84 Bandeirante 2.906 147,4 19,7 Bandeirantense 85 Santa Terezinha do Progresso 2.896 118,8 24,4 Terezinhano 86 Matos Costa 2.839 433,1 6,6 Matos-costense 87 Sul Brasil 2.766 112,9 24,5 Sul brasilense 88 Princesa 2.758 86,2 32,0 Princesense 89 Novo Horizonte 2.750 151,9 18,1 Novo-horizontino 90 Iomerê 2.739 113,8 24,1 Iomerense 91 São Bernardino 2.677 144,9 18,5 Bernardinense 92 Planalto Alegre 2.654 62,5 42,5 Planaltoalegrense 93 Belmonte 2.635 92,4 28,5 Belmontense 94 Formosa do Sul 2.601 100,1 26,0 Formoense do sul 95 Bom Jesus 2.526 63,5 39,8 Bonjesuense 96 Coronel Martins 2.458 107,3 22,9 Coronel martiense 97 Águas Frias 2.424 76,1 31,9 Aguasfriense 98 Santa Helena 2.382 81,7 29,2 Santaelenense 99 Ouro Verde 2.271 189,2 12,0 Ouro-verdense 100 Arvoredo 2.260 90,8 24,9 Arvoredense 101 Marema 2.203 104,1 21,2 Maremense 102 Lacerdópolis 2.199 68,9 31,9 Lacerdopolitano 103 Jupiá 2.148 92,1 23,3 Jupiaense 104 Bom Jesus do Oeste 2.132 67,1 31,8 Bonjesuense 105 Irati 2.096 78,3 26,8 Iratiense 106 Alto Bela Vista 2.005 104,0 19,3 Bela-vistense 107 Ibiam 1.945 146,7 13,3 Ibianense 108 São Miguel da Boa Vista 1.904 71,4 26,7 Boa-vistense 109 Cunhataí 1.882 55,8 33,7 Cunhataiense 110 Barra Bonita 1.878 93,5 20,1 Barrabonitense 111 Macieira 1.826 259,6 7,0 Macieirense 112 Jardinópolis 1.766 67,7 26,1 Jardinopolense 113 Paial 1.763 85,8 20,5 Paialense 114 Tigrinhos 1.757 57,9 30,3 Tigrinhense 115 Presidente Castello Branco 1.725 65,6 26,3 Castelinense 116 Flor do Sertão 1.588 58,9 27,0 Flor-sertanense 117 Lajeado Grande 1.490 65,3 22,8 Lageado grandense 118 Santiago do Sul 1.465 73,8 19,9 Santiaguense Total 1.200.712 27.310,8 44,0 Fonte: IBGE, Censo 2010
  • 54. 55Igreja Matriz e monumento O Desbravador, em Chapecó Agroindústria, base da economia da região E.L. S.V.
  • 55. 56 Norte Na região Norte estão o maior município catarinense – Joinville, o único do Estado a ter superado a marca de 500.000 habitantes, colonizado principalmente por alemães a partir de meados do século 19 – e também a cidade mais antiga de Santa Catarina e uma das mais antigas do país, a litorânea São Francisco do Sul, visi- tada pelos europeus desde o início do século 16 e coloni- zada ao longo de sua história por açorianos, espanhóis e franceses. Esses dois municípios sintetizam a grande diversidade cultural da região, característica que se es- tende também à economia. Joinville e sua vizinha Jara- guá do Sul formam o principal polo industrial de Santa Catari- na e um dos mais importantes do Brasil, com destaque para o setor metalomecânico. Em- presas nascidas na região torna- ram-se conhecidas em todo o país e expandiram sua presença e suas vendas para o mercado global. O estilo de gestão das empresas do Norte catarinense é reconhecido pela combinação bem-sucedida entre atualização tecnológica, visão de mercado e simplicidade nas relações – ter- no e gravata não fazem parte do dia a dia corporativo e há incen- tivo ao contato direto e infor- mal entre operários e diretores. Outro setor econômico re- levante do Norte catarinense é o moveleiro, concentrado es- pecialmente nos municípios de São Bento do Sul e Rio Negri- nho – as duas cidades, juntas, reúnem mais de 200 fabrican- tes e revendedores de móveis. O agronegócio se faz presente como base da economia de ci- dades como Canoinhas e Ma- fra. Já a histórica São Francisco do Sul vive em torno de seu porto, um dos mais movimen- tados do Brasil. 209 25 5 26 24 23 13 21 11 4 12 7 3 18 2 17 8 14 1 10 22 6 15 16 19 6
  • 56. 57 NORTE Posição Município População Área (km²) Densidade demográfica (habitantes/km²) Gentílico 1 Joinville 515.288 1.126,1 457,6 Joinvilense 2 Jaraguá do Sul 143.123 529,5 270,3 Jaraguaense 3 São Bento do Sul 74.801 501,6 149,1 São-bentense 4 Mafra 52.912 1.404,0 37,7 Mafrense 5 Canoinhas 52.765 1.140,4 46,3 Canoinhense 6 São Francisco do Sul 42.520 498,6 85,3 Francisquense 7 Rio Negrinho 39.846 907,3 43,9 Rio-negrinhense 8 Guaramirim 35.172 268,5 131,0 Guaramirense 9 Porto União 33.493 845,3 39,6 Porto-unionense 10 Araquari 24.810 384,0 64,6 Araquariense 11 Itaiópolis 20.301 1.295,4 15,7 Itaiopolense 12 Três Barras 18.129 437,6 41,4 Três-barrense 13 Papanduva 17.928 747,9 24,0 Papanduvense 14 Schroeder 15.316 164,4 93,2 Cheredense 15 Itapoá 14.763 248,4 59,4 Itapoaense 16 Garuva 14.761 502,0 29,4 Garuvense 17 Massaranduba 14.674 374,1 39,2 Massarandubense 18 Corupá 13.852 402,8 34,4 Corupaense 19 Campo Alegre 11.748 499,1 23,5 Campo-alegrense 20 Irineópolis 10.448 589,6 17,7 Irineopolitense 21 Santa Terezinha 8.767 715,3 12,3 Terezinhense 22 Balneário Barra do Sul 8.430 111,3 75,7 Barrassulense 23 Monte Castelo 8.346 573,6 14,6 Monte-castelense 24 Major Vieira 7.479 525,5 14,2 Major-vieirense 25 Timbó Grande 7.167 598,5 12,0 Timbó-grandense 26 Bela Vista do Toldo 6.004 538,1 11,2 Bela vistense Total 1.212.843 15.928,9 76,1 Fonte: IBGE, Censo 2010 Polo metalomecânico é destaque da economia no Norte catarinense Z.P.T.E.
  • 57. 58 Palácio dos Príncipes, Joinville Igreja Matriz de São Bento do SulZ.P. Z.P.
  • 58. Cachoeira Rio dos Pardos, Porto UniãoZ.P. 59
  • 59. 60 Sul O Sul catarinense tem economia bastante diversificada. No que diz respeito a setores industriais, os destaques são o cerâmico e o de vestuário, ambos liderados por Cri- ciúma, seu maior município. Imbituba tem o único porto público do Brasil administrado por uma empresa privada, estrutura que ganha força como uma das me- lhores opções do Sul do país para a movimentação de cargas. Na maior parte dos demais municípios da região, a principal sustentação econômica é a agricultura, com cultivo principalmente de milho, feijão e arroz. Contemplado por uma série de belezas naturais, o Sul tem parte considerável de sua renda durante os meses de verão pro- veniente do turismo. Redutos como Balneário Rincão, em Içara, Morro dos Conventos, em Araranguá, e Praia do Rosa, entre Imbituba e Garopaba, são frequentados no período de ca- lor por um grande número de visitantes, vindos sobretudo do Estado vizinho, o Rio Grande do Sul. A cidade de Laguna, terra de Anita Garibaldi, encan- ta pelo centro histórico preser- vado, pelas lindas praias e por monumentos como o Farol de Santa Marta, erguido no final do século 19. A região Sul de Santa Catari- na foi colonizada predominan- temente por italianos, cultura que se faz presente até hoje na arquitetura, música e gastrono- mia em cidades como Urussan- ga, Nova Veneza e Orleans. O vinho, uma das heranças mais celebradas, continua sendo pro- duzido artesanalmente em di- versas localidades, como símbo- lo permanente do valor que os habitantes do Sul dão às origens e à memória dos pioneiros. 30 31 34 27 26 3 4 1425 33 2 10 23 29 41 21 6 13 5 5 3912 16 15 22 7 40 17 11 36 38 43 19 18 1 9 3532 42 37 20 24 44 8 28
  • 60. 61 Sul Posição Município População Área (km²) Densidade demográfica (habitantes/km²) Gentílico 1 Criciúma 192.308 235,7 815,9 Criciumense 2 Tubarão 97.235 301,8 322,2 Tubaronense 3 Araranguá 61.310 303,3 202,1 Araranguaense 4 Içara 58.833 293,6 200,4 Içarense 5 Laguna 51.562 441,6 116,8 Lagunense 6 Imbituba 40.170 182,9 219,6 Imbitubense 7 Braço do Norte 29.018 211,9 136,9 Braço-nortense 8 Sombrio 26.613 143,3 185,7 Sombriense 9 Forquilhinha 22.548 183,1 123,1 Forquilhense 10 Capivari de Baixo 21.674 53,3 406,6 Capivariense 11 Orleans 21.393 548,8 39,0 Orleanense 12 Urussanga 20.223 254,9 79,3 Urussanguense 13 Garopaba 18.138 115,4 157,2 Garopabense 14 Jaguaruna 17.290 328,3 52,7 Jaguarunense 15 Morro da Fumaça 16.126 83,1 194,1 Fumacense 16 Cocal do Sul 15.159 71,1 213,2 Cocalense 17 Lauro Müller 14.367 270,8 53,1 Lauro-milense 18 Nova Veneza 13.309 295,0 45,1 Veneziano 19 Siderópolis 12.998 261,7 49,7 Sideropolitano 20 Turvo 11.854 235,5 50,3 Turvense 21 Imaruí 11.672 542,6 21,5 Imaruense 22 São Ludgero 10.993 107,7 102,1 São-ludgerense 23 Gravatal 10.635 164,8 64,5 Gravatalense 24 Jacinto Machado 10.609 431,4 24,6 Jacinto-machadense 25 Sangão 10.400 82,9 125,5 Sangãoense 26 Balneário Arroio do Silva 9.586 95,3 100,6 Arroio-silvense 27 Balneário Gaivota 8.234 145,8 56,5 Gaivotense 28 Santa Rosa do Sul 8.054 151,0 53,3 Santa-rosense 29 Armazém 7.753 173,6 44,7 Armazenense 30 Praia Grande 7.267 284,1 25,6 Praia-grandense 31 São João do Sul 7.002 183,4 38,2 João-sulense 32 Meleiro 7.000 187,1 37,4 Meleirense 33 Treze de Maio 6.876 161,7 42,5 Treze-maioense 34 Passo de Torres 6.627 95,1 69,7 Passotorrense 35 Maracajá 6.404 62,5 102,5 Maracajaense 36 Grão-Pará 6.223 338,2 18,4 Grão-paraense 37 Timbé do Sul 5.308 330,1 16,1 Timbeense 38 Rio Fortuna 4.446 302,9 14,7 Rio-fortunense 39 Pedras Grandes 4.107 159,3 25,8 Pedras-grandense 40 Treviso 3.527 157,1 22,5 Trevisano 41 São Martinho 3.209 223,9 14,3 São-martinhense 42 Morro Grande 2.890 258,2 11,2 Morrograndense 43 Santa Rosa de Lima 2.065 202,0 10,2 Rosa-limense 44 Ermo 2.050 63,4 32,3 Ermense Total 925.065 9.719,2 95,2 Fonte: IBGE, Censo 2010
  • 61. 62 Dunas em Jaguaruna E.M. E.L. Carro de boi em Orleans
  • 62. A singeleza de GaropabaZ.P. 63
  • 63. 64 Z.P.
  • 64. Praia do Rosa, em Imbituba 65
  • 65. 66 6 18 14 15 5 29 19 11 28 8 16 4 26 30 124 13 17 12 23 3 20 9 27 2 21 22 25 10 7 Serra Os vastos campos da Serra catarinense contrastam com os cenários litorâneos, a menos de 100 km de distân- cia. A possibilidade de viajar de um lugar ao outro em apenas duas horas de estrada demonstra a incrível diversidade de paisagens encontradas em Santa Ca- tarina. Enquanto o litoral é associado a sol e calor, a Serra é sempre lembrada pelas paisagens de inverno – trata-se da única região do país onde neva pratica- mente todos os anos. São Joaquim, conhecida como a cidade mais fria do Brasil, com temperatura média anual de apenas 13 graus centí- grados e registros frequentes de quedas abaixo de zero, recebe muitos visitantes entre junho e agosto. Esses turistas aguardam a oportunidade de testemunhar um fenômeno inusitado para a maioria dos habitantes de um país predominantemente tro- pical e brincam nas ruas feito crianças quando surgem os pri- meiros flocos de neve. Lages, principal cidade da região, foi fundada no final do século 18 para marcar a ocupa- ção da região pelos portugueses e evitar que fosse tomada pelos espanhóis. Hoje, visitantes são muito bem-vindos, tanto que Lages é considerada a capital brasileira do turismo rural, com diversas opções de hospedagem em hotéis-fazenda e pousadas charmosas. Nesses estabeleci- mentos, o hóspede vive o coti- diano da vida na Serra, pratican- do atividades como ordenhar vacas e percorrer trilhas a cavalo. A vizinha Urubici tornou-se co- nhecida como palco de esportes radicais – praticados na água, como canoagem; na terra, como rapel e mountain bike; ou no céu, a exemplo de voo livre. A atividade madeireira e de celulose sempre foi uma das ba- ses econômicas da região serrana e continua sendo relevante, devi- damente adaptada às exigências atuais de sustentabilidade. A bai- xa ocupação demográfica facilita também a pecuária, que depende de áreas amplas para a criação de gado. Campos Novos, com vas- to território apto à agricultura, é conhecida como o “celeiro” de Santa Catarina pela grande produtividade de grãos, especial- mente milho, soja e trigo. Nos últimos anos, a região tornou-se produtora de vinhos finos, cuja qualidade tem sido muito elogia- da pelos especialistas.
  • 66. 67 Serra Posição Município População Área (km²) Densidade demográfica (habitantes/km²) Gentílico 1 Lages 156.727 2.631,5 59,6 Lageano 2 Curitibanos 37.748 948,7 39,8 Curitibanense 3 Campos Novos 32.824 1.719,4 19,1 Campos-novense 4 São Joaquim 24.812 1.892,3 13,1 Joaquinense 5 Otacílio Costa 16.337 845,0 19,3 Otaciliense 6 Santa Cecília 15.757 1.145,8 13,8 Ceciliense 7 Correia Pinto 14.785 651,1 22,7 Correia-pintense 8 Urubici 10.699 1.017,6 10,5 Urubiciense 9 Monte Carlo 9.312 193,5 48,1 Montecarlense 10 São José do Cerrito 9.273 944,9 9,8 Cerritense 11 Bom Retiro 8.942 1.055,6 8,5 Bom-retirense 12 Anita Garibaldi 8.623 587,8 14,7 Anita-garibaldense 13 Campo Belo do Sul 7.483 1.027,7 7,3 Campo-belense 14 São Cristóvão do Sul 5.012 351,1 14,3 São-cristovense 15 Ponte Alta 4.894 569,0 8,6 Ponte-altense 16 Bom Jardim da Serra 4.395 935,9 4,7 Bom-jardinense 17 Cerro Negro 3.581 417,3 8,6 Cerronegrense 18 Ponte Alta do Norte 3.303 399,2 8,3 Norte pontealtense 19 Bocaina do Sul 3.290 512,8 6,4 Bocainense 20 Zortéa 2.991 189,7 15,8 Zorteense 21 Brunópolis 2.850 337,0 8,5 Brunopolitense 22 Vargem 2.808 350,1 8,0 Vargense 23 Celso Ramos 2.771 208,3 13,3 Celso-ramense 24 Capão Alto 2.753 1.335,8 2,1 Capão altense 25 Abdon Batista 2.653 235,8 11,3 Abdonense 26 Urupema 2.482 350,0 7,1 Urupemense 27 Frei Rogério 2.474 159,2 15,5 Frei rogeriense 28 Rio Rufino 2.436 282,5 8,6 Rio rufinense 29 Palmeira 2.373 289,3 8,2 Palmeirense 30 Painel 2.353 740,1 3,2 Painelense Total 406.741 22.324,0 18,2 Fonte: IBGE, Censo 2010 Neve e maçãs: elementos da identidade serrana A.F. C.F.
  • 67. 68 Z.P.
  • 68. 69 Pedra Furada, em Urubici
  • 69. 70 Infraestrutura Com localização privilegia- da entre os dois principais cen- tros econômicos da América do Sul – São Paulo e Buenos Aires –, o Estado de Santa Catarina está inteiramente conectado com o Brasil e com o mundo. Seus aeroportos têm linhas diárias com países da América do Sul e com as maiores cida- des brasileiras – e destas com os principais destinos ao redor do planeta. Suas rodovias inter- ligam o território catarinense e conduzem, de forma eficiente e segura, aos Estados e países vi- zinhos. Seus portos são muito importantes para o transporte de cargas e para as exportações brasileiras, enquanto as ferrovias estão ganhando novo impulso com os projetos anunciados pelo Governo Federal. A infraestrutura de energia e telecomunicações assegura todas as condições necessárias à população e às empresas que decidem investir em Santa Ca- tarina. Estatais como as Cen- trais Elétricas de Santa Cata- rina (Celesc) e a Companhia Catarinense de Águas e Sanea- mento (Casan) estão entre as mais eficientes do país. A infraestrutura de Santa Catarina é uma das melhores do Brasil Z.P.
  • 70. 71 J.T. Acima: Rodovia SC-473, em Lindóia do Sul. Ao lado: Usina Hidrelétrica Palmeiras, em Rio dos Cedros Secom/Divulgação Celesc/Divulgação
  • 71. 72 Rodovias O sistema rodoviário de San- ta Catarina totaliza quase 62.800 km, dos quais 6.800 km são pavimentados – extensão que permite a interligação eficiente e segura entre as regiões do Esta- do, além da conexão com os vi- zinhos Paraná e Rio Grande do Sul e o acesso à Argentina, pela região Oeste. A frota catarinen- se é composta ao todo por 3,9 milhões de veículos, incluindo 280.000 veículos de carga. As estradas catarinenses es- tão em melhores condições ge- rais do que a média brasileira. Uma detalhada pesquisa divul- gada pela Confederação Na- cional dos Transportes (CNT) mostrou que 53,6% dos trechos pavimentados em Santa Catari- na estão em bom ou ótimo esta- do, contra 42,6% do país como um todo. As principais rodovias catarinenses receberam avalia- ção geral positiva. Asfaltada em 2013, a Rodovia SC-112, entre Urupema e Rio Rufino, é a mais alta do Estado e contribui para o turismo na região Serrana J.T. Secom/Divulgação
  • 72. 73 Ferrovias Santa Catarina tem 1.365 km de trilhos dedicados ao transporte de cargas, operados por duas concessionárias. A América Latina Logística (ALL) detém 1.201 km no Estado, em duas ferrovias que cortam o território no sentido norte-sul, passando ambas pela cidade de Mafra – tradicional entronca- mento logístico catarinense – e dali seguindo em direção aos portos de São Francisco do Sul (SC) e Paranaguá (PR). Essas ferrovias transportam princi- palmente combustíveis, soja e outros produtos agrícolas. Já a Ferrovia Tereza Cristina, com 164 km de extensão, liga mu- nicípios do Sul catarinense ao porto de Imbituba (SC), tendo como carga principalmente car- vão e coque. O Governo Federal anun- ciou recentemente a constru- ção de duas novas ferrovias em território catarinense, dentro do Programa de Investimentos em Logística, a ser executado em parceria com a iniciativa privada – que ficará respon- sável pela construção e terá garantia de compra da capaci- dade de transporte pela estatal Valec. Uma das novas ferrovias ligará Mafra à cidade de Ma- racaju (MS), cruzando toda a porção Oeste do território pa- ranaense. Mafra estará também no caminho da outra ferrovia projetada, que ligará São Paulo (SP) a Rio Grande (RS), cor- tando o território catarinense no sentido norte-sul. Transporte ferroviário: projetos de expansão E.M.
  • 73. Aeroportos Quatro dos 67 aeroportos administrados pela Empre- sa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) estão em Santa Catarina. Juntos, os aeroportos de Florianópolis, Navegantes, Joinville e Criciú- ma/Forquilhinha transportam anualmente mais de 5 milhões de passageiros, em quase 95.000 voos. O Estado conta ainda com outros 17 aeródromos públicos e oito privados. Entre esses, desta- ca-se o Aeroporto Municipal de Chapecó, que tem linhas regu- lares operadas por grandes com- panhias aéreas e é de grande im- portância para as regiões Oeste de Santa Catarina, Sudoeste do Paraná e Noroeste do Rio Gran- de do Sul. O Aeroporto Internacional Hercílio Luz, em Florianópo- lis, é o 14º mais movimentado do país e o 7º em tráfego inter- nacional – 6,4% dos quase 3,4 milhões de passageiros que pas- saram por ele em 2012 estavam indo ou chegando do exterior. O aeroporto da capital catari- nense está sendo ampliado e passará da capacidade anual de 4,1 milhões para 10,8 milhões de passageiros. A principal obra prevista é a construção de um novo terminal de passageiros, que aumentará a área dessa es- trutura dos atuais 8.800 m² para 33.800 m². Aeroportos de Santa Catarina Aeroporto Passageiros/ano Voos/ano Carga aérea (kg/ano) Mala postal (kg/ano) Florianópolis 3.395.256 56.086 1.436.903 4.920.943 Navegantes 1.277.486 24.485 1.731.886 0 Joinville 423.122 10.106 1.176.865 0 Criciúma/Forquilhinha 36.391 3.711 0 0 Fonte: Infraero (Anuário Estatístico-Operacional de 2012) Aeroporto de Florianópolis: mais de 3 milhões de passageiros por ano P.A. 74
  • 74. Portos Santa Catarina conta com três importantes portos que, juntos, movimentam mais de 24 milhões de toneladas de cargas por ano. Cada um desses portos tem um modelo específico de gestão. O de São Francisco do Sul é uma autarquia estadual, enquanto o de Itajaí teve a au- toridade portuária concedida ao município e o de Imbituba é administrado pela Companhia Docas de Imbituba, uma empre- sa de capital aberto – sendo, des- sa forma, o único porto público do país sob responsabilidade de uma organização privada. Portos de Santa Catarina Porto Movimento anual (toneladas) São Francisco do Sul 11.233.182 Itajaí 11.225.526 Imbituba 2.311.731 Fontes: Respectivas autoridades portuárias (2012) O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao Governo Federal, comparou 34 portos brasilei- ros, analisando uma série de aspectos que iam além do mo- vimento de cargas – incluíam a área de influência (local, regio- nal ou nacional), a proporção de exportações e o valor agre- gado dos produtos movimen- tados. Concluiu que o porto de Itajaí é o quarto mais im- portante do país, enquanto o de São Francisco do Sul ocupa a sétima posição e o de Imbitu- ba está em 21º. Porto de São Francisco do Sul, um dos mais importantes do Brasil Z.P. 75
  • 75. 76 Telecomunicações A presença de equipamentos de telecomunicação nos domi- cílios catarinenses está acima da média nacional. Em Santa Catarina, 98,4% das residên- cias têm aparelho de televisão (contra 96,9% no Brasil como um todo), 94,6% contam com telefone fixo (89,9% no país) e 55,8% dispõem de microcom- putador (índice nacional de 42,9%), de acordo com núme- ros da Pesquisa Nacional por Amostragem por Domicílios (Pnad), realizada pelo IBGE. Santa Catarina tem 1,2 mi- lhão de telefones fixos em fun- cionamento – um para cada cinco habitantes. Há também 8,1 milhões de celulares. Isso significa que os catarinenses dispõem de 13 aparelhos celula- res para cada grupo de dez habi- tantes. Apesar do amplo acesso à telefonia móvel, existem ainda 33.800 telefones públicos, co- nhecidos como “orelhões”, em funcionamento no Estado. Em julho de 2012, o Ibope estimou em 2,7 milhões a quan- tidade de usuários regulares de internet em Santa Catarina, número equivalente a 43% da população. Estão contempla- dos nessa conta todos os locais de acesso, incluindo institui- ções de ensino, bibliotecas e lan houses. Se for considerado ape- nas quem acessa a rede em casa ou no ambiente de trabalho, a estimativa é de 2,4 milhões de usuários regulares, equivalente a 37% da população. As ope- radoras que atuam no Estado têm ampliado a abrangência dos serviços de terceira geração (3G), que incluem internet de alta velocidade sem fio. Com relação à TV por assi- natura, o serviço está disponível em 34 municípios catarinenses – que juntos abrigam 54,8% da população do Estado. Há 503.700 assinaturas do serviço vigentes em Santa Catarina. De acordo com a Associação Cata- rinense de Emissoras de Rádio e Televisão (Acaert), o Estado tem 18 emissoras de TV – al- gumas delas já oferecendo tec- nologia HD, de alta definição –, 114 emissoras de rádio FM e 108 emissoras AM. Santa Catarina Brasil Telecomunicações em SC* Televisão 98,4% 94,6% 55,8% 96,9% 89,9% 42,9% Telefone Fixo (*) Índice de presença nos domicílios Microcomputador Z.P.
  • 76. 77 Capacidade instalada de geração elétrica (MW) Tipo Brasil SC Participação catarinense (%) Hidro 82.459 3.621 4,4 Termal 31.243 1.070 3,4 Eólica 1.425 206 14,5 Nuclear 2.007 - - Total 117.134 4.899 4,2 Fonte: EPE (Balanço Energético Nacional 2012) Energia Santa Catarina 41 Resto do Brasil 59 41% 59% Produção de Carvão Mineral Santa Catarina Resto do Brasil Santa Catarina produz 2,3 milhões de toneladas de carvão mineral por ano, volume equi- valente a 41% do total nacional. A distribuição de gás natural no Estado tem sido ampliada ano a ano com a atuação da SCGás. Em 2011, a rede catarinense ga- nhou 75 km adicionais, chegan- do a 958 km, e a 57 municípios – é o terceiro Estado do país com maior rede. As vendas médias no ano alcançaram 1,8 milhão de m³ por dia, acréscimo de 5% em re- lação ao ano anterior. No que diz respeito à geração elétrica, Santa Catarina tem ca- pacidade instalada de 4.899 me- gawatts (MW), potência equiva- lente a 4,2% do total nacional. Trata-se de uma contribuição proporcional à utilização de ele- tricidade pelos catarinenses. A capacidade instalada de geração hidrelétrica em Santa Catarina é de 3.621 MW – e o potencial estimado é o dobro disso, 7.232 MW. O Estado tem se destacado como um dos que mais investem em novas modalidades de energia reno- vável, com 14,5% da produção nacional de energia eólica. Abaixo: Usina Pery, em Curitibanos, que teve a potência ampliada de 4,4 MW para 30 MW em 2013. Ao lado: Usina Bracinho, em Schroeder, com potência de 15 MW Celesc/Divulgação Celesc/Divulgação
  • 77. 78 Economia O Produto Interno Bruto (PIB) de Santa Catarina do- brou em seis anos, chegando a R$ 152,5 bilhões em 2010, úl- timo ano contabilizado oficial- mente até o fechamento desta publicação. É o sétimo maior PIB entre as 27 Unidades da Federação do Brasil, correspon- dente a 4% de todas as riquezas produzidas no país. Já o PIB per capita, R$ 24.398, é o quarto Um indício do dinamismo e da modernidade da economia catarinense é a grande fatia do PIB ocupada pelo setor terciá- rio: 59,2% das riquezas catari- nenses vêm do comércio e da melhor do país – bem acima da média nacional, R$ 19.766. Os domicílios catarinenses têm o terceiro melhor rendimen- to entre as Unidades da Federa- ção, segundo o último Censo – cada domicílio de Santa Catarina obtém, em média, R$ 2.636 por mês, contra a média nacional de R$ 2.222. Só Distrito Federal e São Paulo têm desempenho su- perior nesse aspecto. prestação de serviços. Já o setor secundário, representado pela indústria, responde por uma fatia também significativa, de 34,1%. A agropecuária, setor primário, contribui com 6,7%. Evolução do PIB catarinense Ano PIB (R$ bilhões) PIB per capita 2002 55,7 9.969 2003 66,8 11.764 2004 77,4 13.403 2005 85,3 14.543 2006 93,1 15.633 2007 104,6 17.834 2008 123,3 20.369 2009 129,8 21.214 2010 152,5 24.398 Fonte: IBGE (Contas Regionais do Brasil 2010) gropecuária 6,7 dústria 34,1 omércio e serviços 59,2 6,7% 34,1% 59,2% Composição do PIB Catarinense (em %) Agropecuária   Indústria   Comércio  e  serviços  
  • 78. 79 Porte das empresas Tipo Trabalhadores (em milhares) Estabelecimentos (em milhares) Micro (até 19 empregados) 641,0 179,1 Pequeno (20 a 99 empregados) 454,6 11,8 Médio (100 a 499 empregados) 381,6 1,9 Grande (500 empregados ou mais) 492,4 0,3 Total 1.969,6 193,1 Fonte: Fiesc (SC em Dados, 2012) A Agência de Fomento do Estado de Santa Cata- rina (Badesc) é importante financiadora das empresas e do setor público catarinenses, oferecendo emprésti- mos de longo prazo e com taxas de juros competitivas. Em 2011, emprestou R$ 407,7 milhões, aumento de 21% em relação ao ano anterior. Micro e pequenas empresas também exercem um papel importante na economia catarinense – são res- ponsáveis por 55% dos empregos no Estado. De cada 100 empresas catarinenses, apenas uma tem 100 em- pregados ou mais. Número de empresas por setor Setor Empresas (em milhares) Serviços 68 Indústria 31,9 Comércio 74,3 Construção civil 10,4 Agropecuária, extrativismo vegetal e pesca 8,5 Total 193,1 Fonte: Fiesc (SC em Dados, 2012) Mão de obra empregada por setor Setor Trabalhadores (em milhares) Serviços 796,5 Indústria 641,4 Comércio 392,0 Construção civil 94,5 Agropecuária, extrativismo vegetal e pesca 45,2 Total 1.969,6 Fonte: Fiesc (SC em Dados, 2012)
  • 79. 80 Indústria Qualquer brasileiro que olhe para os lados dentro de casa ou no ambiente de traba- lho provavelmente encontrará produtos de Santa Catarina. Com um amplo leque de ativi- dades, a produção catarinense vai dos itens mais complexos, como compressores de ar e motores elétricos, àqueles que fazem parte do cotidiano de todos nós – carne de frango, suínos e pescados, leite, maçã, cebola, mel, geladeiras, móveis, portas de madeira, cerâmicas para revestimento, descartáveis de plástico, embalagens de pa- pel, camisetas, toalhas, tubos de PVC, brinquedos, entre muitos outros. Participação dos principais setores na indústria catarinense Posição Produto % da indústria catarinense 1 Alimentícios 16 2 Artigos de vestuário e acessórios 13,1 3 Máquinas, aparelhos e materiais elétricos 9,3 4 Produtos têxteis 8,3 5 Máquinas e equipamentos 6,7 6 Produtos de borracha e material plástico 6,2 7 Metalurgia básica 5,7 8 Produtos de minerais não metálicos 4,7 9 Produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos 4,4 10 Celulose, papel e produtos de papel 4,2 Fonte: Fiesc (SC em Dados 2012) Participação da indústria no PIB estadual Posição Estado Participação (%) 1 Amazonas 43,9 2 Pará 41,4 3 Espírito Santo 36 4 Santa Catarina 34,1 5 Minas Gerais 33,6 Fonte: IBGE (Contas Regionais do Brasil 2010) Participação dos segmentos industriais no PIB catarinense Segmento % Indústria da transformação 22,6 Construção civil 5,7 Produção e distribuição de eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza pública 5,3 Extrativa 0,5 Total 34,1 Fonte: IBGE (Contas Regionais do Brasil 2010)
  • 80. 81 A indústria contribui com 34,1% do PIB catarinense, quarta maior participação entre todas as Unidades da Federação. O parque industrial do Estado é o quarto do país em quanti- dade de empresas e o quinto em número de trabalhadores. À frente do setor está a Federação das Indústrias de Santa Cata- rina (Fiesc), criada no início da década de 1950 para defen- der os interesses da indústria e trabalhar por melhorias na in- fraestrutura e na qualificação da mão de obra. A atividade industrial está bem distribuída pelo território catarinense. No Norte, há em- presas de metalurgia, máquinas e equipamentos, material elétri- co, autopeças, plástico, confec- ções e mobiliário. No Vale do Itajaí, destaque para os setores têxtil e naval. No Oeste, a ên- fase está na indústria alimen- tar e na fabricação de móveis. No Sul, os principais setores são o cerâmico, o carbonífero, de vestuário e de descartáveis plásticos. Na região serrana, há concentração das atividades madeireira e de celulose e pa- pel. Na Grande Florianópolis, a Tecnologia da Informação vem ocupando um espaço cada vez mais relevante. Um terço do PIB catarinense vem da indústria WEG/Divulgação
  • 81. 82 Alimentos e bebidas Participação na indústria catarinense: 17,9% Santa Catarina é o maior produtor brasileiro de carne suína (responsável por 23% da produção nacional) e o segun- do maior de carne de frango (17,9% do total brasileiro). Esses setores empregam, jun- tos, 57.500 pessoas no Estado. Muitas empresas de alimentos que se tornaram conhecidas em todo o país e até mesmo in- ternacionalmente nasceram em solo catarinense – origem que corresponde a uma espécie de “selo de qualidade” aos olhos do mercado e dos consumido- res. O Estado está também na liderança do ranking de pesca e aquicultura, com 14,5% da produção nacional. O cultivo de moluscos – mexilhões, os- tras e vieiras – é o maior do país. Santa Catarina é ainda o principal produtor brasileiro de maçã e cebola e está entre os três primeiros em arroz, fumo, banana e trigo. Produção anual de pescados e aquicultura (em toneladas) Posição Estado Pesca Aquicultura Total % do total nacional 1 Santa Catarina 125.586 58.184 183.770 14,5 2 Pará 138.534 4.544 143.078 11,3 3 Bahia 91.713 22.817 114.530 9,1 4 Ceará 32.890 59.311 92.201 7,3 5 Rio Grande do Sul 31.219 55.086 86.305 6,8 Fonte: Fiesc (SC em Dados 2012) Produção anual de carne suína Posição Estado Produção (mil toneladas) % do total nacional 1 Santa Catarina 782 23 2 Rio Grande do Sul 602 17,7 3 Paraná 530 15,6 4 Minas Gerais 428 12,6 5 Mato Grosso 187 5,5 Fonte: Fiesc (SC em Dados 2012) Produção anual de carne de frango Posição Estado Cabeças abatidas (milhões) % do total nacional 1 Paraná 1.384,5 26,2 2 Santa Catarina 946,8 17,9 3 Rio Grande do Sul 765,0 14,5 4 São Paulo 762,2 14,4 5 Minas Gerais 380,8 7,2 Fonte: Fiesc (SC em Dados 2012) Efetivo animal em Santa Catarina Tipo Cabeças % do total nacional Galos, frango(a)s e pintos 158.285.213 15,1 Galinhas 16.977.756 7,9 Suínos 7.968.116 20,3 Bovinos 4.039.217 1,9 Codornas 1.762.452 11,3 Fonte: IBGE (Produção da Pecuária Municipal, 2011) Derivados animais Tipo Produção % do total nacional Leite (bilhões de litros) 2,5 7,9 Ovos de galinha (milhões de dúzias) 222 6,5 Ovos de codorna (milhões de dúzias) 8 3,1 Mel de abelha (toneladas) 3.990 9,6 Lã (toneladas) 268 2,3 Fonte: IBGE (Produção da Pecuária Municipal, 2011) Produção agrícola catarinense Produto Área plantada (em hectares) Produção (em toneladas) Milho 537.185 2.986.900 Soja 452.007 1.125.452 Arroz 150.369 1.020.282 Fumo 118.963 237.673 Feijão 84.349 120.023 Trigo 76.042 235.730 Banana 30.600 676.260 Mandioca 27.500 510.000 Cebola 20.219 442.325 Maçã 18.563 653.337 Fonte: Fiesc (SC em Dados 2012, safra 2011/2012)
  • 82. 83 Agricultura e pecuária: vocações que Santa Catarina explora com alta produtividade E.L. Z.P.
  • 83. 84 Têxteis, vestuário e calçados Participação na indústria catarinense: 22,2% A fabricação de roupas e outros produtos têxteis – espe- cialmente camisetas de malha e artigos de cama, mesa e banho – é uma tradição catarinense que remonta às primeiras ativi- dades exercidas pelos imigran- tes alemães, ainda no século 19. Grandes empresas do setor nasceram no Norte catarinen- se e no Vale do Itajaí. Nos úl- timos anos, essa indústria tem ganhado força também no Sul do Estado. Ao todo, emprega cerca de 170.000 catarinenses, em quase 10.000 empresas. Já as 350 indústrias do setor calça- dista empregam 7.200 trabalha- dores. Em 2011, os fabricantes catarinenses de calçados expor- taram US$ 26,1 milhões, espe- cialmente para a Alemanha. Indústria têxtil no Vale do Itajaí E.M.
  • 84. 85 Indústria metalomecânica Participação na indústria catarinense: 27,5% Santa Catarina tem 5.100 empresas de metalurgia, pro- dutos de metal e fabricação de máquinas e equipamentos. A maior parte está concentrada na região Norte, mas há tam- bém atividades desse setor no Vale do Itajaí e no Sul. Jun- tas, essas empresas empregam 97.300 trabalhadores. O Esta- do se destaca na fabricação de compressores, motores elétri- cos, produção de geladeiras e de elementos de fixação (por- cas, parafusos etc.), além de sediar a maior fundição inde- pendente do país, especializa- da em fornecer produtos para a indústria automotiva. Fábrica de motores em Jaraguá do Sul WEG/Divulgação
  • 85. 86 Plásticos Participação na indústria catarinense: 6,2% Esse setor industrial está bem distribuído pelo território catarinense. O Norte se desta- ca pela produção de tubos e conexões de PVC, autopeças e utensílios para construção civil, enquanto o Sul fabri- ca descartáveis e embalagens plásticas, o Vale do Itajaí tem empresas especializadas em utilidades domésticas e brin- quedos, e o Oeste está mais voltado a embalagens e com- ponentes para móveis. Fábrica de tubos e conexões no Norte catarinense E.M.
  • 86. 87 Minerais não metálicos Participação na indústria catarinense: 4,7% Dentro do grupo dos mine- rais não metálicos, o grande des- taque da indústria catarinense é o setor cerâmico, responsável por 15% da produção nacional. A fabricação de pisos e azulejos concentra-se no Sul do Estado, com presença significativa tam- bém na Grande Florianópolis. Algumas das empresas de reves- timentos mais conhecidas do país nasceram em Santa Catari- na. Elas se destacam não apenas pelo volume de produção, mas também pela utilização de tec- nologia de ponta, alto nível de capacitação da mão de obra e modernidade da gestão. Produção de cerâmica no Sul do Estado T.E.
  • 87. 88 Indústria madeireira, celulose e papel Participação na indústria catarinense: 9,5% O Estado tem quase 400 empresas do setor de celulose e papel, incluindo unidades do maior grupo produtor, expor- tador e reciclador de papéis do Brasil. No que diz respeito à produção madeireira, respon- de por 15,5% do setor no país. O destaque são as portas e seus complementos, como caixilhos e soleiras – grande parte da pro- dução é exportada para os Es- tados Unidos e o Reino Unido. Santa Catarina se destaca pela fabricação de móveis de madeira, concentrada nas cida- des de São Bento do Sul e Rio Negrinho, na região Norte, com um polo relevante também no Oeste. O Estado é o maior ex- portador do país nesse setor. A indústria catarinense do mobi- liário emprega 26.700 pessoas em 2.300 estabelecimentos. Ao lado: fábrica de portas de madeira. Abaixo: plantação de pínus para indústria de papel e celulose, no Oeste catarinense T.E. T.E.
  • 88. 89 Indústria naval Participação na indústria catarinense: 1,2% A indústria naval cresceu consideravelmente em Santa Catarina nos últimos anos – e suas perspectivas são as melho- res possíveis. Concentrado nas cidades de Itajaí e Navegantes, o setor reúne mais de 50 empre- sas, nas quais trabalham 4.100 pessoas. O Estado é o terceiro maior produtor de embarcações do país, mas está ampliando sua produção também para compo- nentes de plataformas petrolí- feras, negócio que deve crescer nos próximos anos com a ex- ploração da camada pré-sal. Ita- jaí projeta a construção de uma das maiores marinas do Sul do país, com 780 vagas molhadas e 200 secas. Indústria naval: mercado em expansão SchaeferYachts/Divulgação
  • 89. 90 Construção civil As atividades envolvidas na construção de residências, pré- dios e obras de infraestrutura são responsáveis por 5,7% do PIB catarinense e empregam 94.500 pessoas, em 10.400 em- presas que atuam no setor. A ex- pectativa é de crescimento desse mercado nos próximos anos, com a execução de muitas obras de infraestrutura, anunciadas pelo Governo Federal. Avenida Atlântica, em Balneário Camboriú (ao lado), e Avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis (abaixo) P.A. P.A.
  • 90. 91 Comércio e serviços O setor terciário tem se tornado cada vez mais significativo para a economia catarinense. Entre 2004 e 2010, sua participação no PIB do Estado passou de 54,4% para 59,2%. Um dos destaques é o setor de Tecnologia da Informação (TI). Com sua mão de obra pre- parada e excelentes instituições educacionais na área das ciências exatas, Santa Catarina ganhou importância no mercado nacio- nal e internacional de TI. Principais atividades de comércio e serviços Atividade % do PIB catarinense Comércio 15,8 Administração, saúde e educação públicas 11,5 Atividades imobiliárias e aluguéis 8,6 Intermediação financeira, seguros e previdência 4,7 Transportes, armazenagem, correio 4,6 Outros 14 Total 59,2 Fonte: IBGE (Contas Regionais do Brasil, 2010) Com projetos arrojados como o Sapiens Parque, um centro de inovação e desenvol- vimento econômico em Floria- nópolis, o Estado vem sendo chamado de “Vale do Silício” brasileiro. Hoje, o setor está presente com destaque não ape- nas na capital, mas também em Blumenau, Chapecó, Criciúma e Joinville. Nesses polos, esti- ma-se a existência de 1.600 em- presas de TI, que geram mais de 60.000 empregos diretos e fatu- ram em torno de R$ 2,5 bilhões ao ano. É um setor que cresce rapidamente no Estado, a taxas anuais superiores a 20%. Santa Catarina inovadora: Network Operation Center (NOC) e Sapiens Parque, em Florianópolis J.T. Dígitro/Divulgação Secom/Divulgação
  • 91. 92 Comércio Exterior Santa Catarina é um Estado cada vez mais aberto ao comér- cio com outros países. Nos úl- timos dez anos, o movimento da balança comercial foi mul- tiplicado por seis, saltando de US$ 4 bilhões para US$ 23,5 bilhões. Os principais parceiros são, por ordem, China, Argen- tina, Estados Unidos e Chile. As exportações catarinen- ses cresceram 19,4% em 2011, chegando a US$ 9 bilhões, va- lor correspondente a 3,5% do total das exportações brasileiras – o Estado está em décimo lu- gar no ranking nacional. O des- taque da pauta são as carnes de frango – responsáveis, sozinhas, por um quarto do total das ven- das catarinenses para o exterior. Já as importações vêm crescendo num ritmo ainda mais acelerado, comprovação de que Santa Catarina é um parceiro atraente para estabe- lecer ou ampliar laços comer- ciais. Os principais produtos comprados pelo Estado são matérias-primas utilizadas na indústria, com liderança dos cátodos de cobre, componen- tes da produção de vergalhões, barras, fios e tubos. Comércio exterior de Santa Catarina se multiplicou por seis em dez anos Z.P.
  • 92. 93 Produtos mais exportados por Santa Catarina Posição Produto US$ milhões % do total exportado por SC 1 Carnes de frango 1.963,5 21,2 2 Fumo 885,4 9,8 3 Motores, transformadores e geradores elétricos 676,7 7,4 4 Carnes de suínos 478,4 5,3 5 Motocompressores 470,7 5,2 6 Blocos de cilindros, cabeçotes 436,1 4,8 7 Preparados de alimentos e conservas de frango 255,4 2,8 8 Grãos de soja 215,3 2,4 9 Móveis de madeira 174 1,9 10 Resíduos de extração do óleo de soja 147,5 1,6 Fonte: MDIC, 2011/Fiesc Principais destinos das exportações catarinenses Posição País US$ milhões % do total exportado por SC 1 Estados Unidos 992,4 11 2 Japão 684,4 7,6 3 Argentina 678,5 7,5 4 Países Baixos 640,7 7,1 5 China 410,3 4,5 6 Reino Unido 368,9 4,1 7 Alemanha 367,1 4,1 8 Rússia 287,3 3,2 9 Hong Kong 280,6 3,1 10 México 280,4 3,1 Fonte: MDIC (Balança Comercial 2011) Principais empresas exportadoras catarinenses Posição Empresa Valor (milhões US$ FOB/ano) 1 Seara Alimentos 798,7 2 WEG Equipamentos Elétricos 760,8 3 Whirlpool 594,6 4 Sadia 573 5 BRF – Brasil Foods 568,6 Fonte: MDIC (Balança Comercial 2011) Produtos mais importados por Santa Catarina Posição Produto US$ milhões % do total importado por SC 1 Cátodos de cobre 1.577,6 10,6 2 Laminados de ferro e aço 533,8 3,7 3 Polietilenos 486,3 3,3 4 Fios de fibras de poliésteres 301,4 2 5 Pneus 286,9 1,9 6 Polímeros de etileno 199,5 1,3 7 Fios texturizados (poliésteres e nylon) 186,5 1,3 8 Policloreto de vinila 176,6 1,2 9 Polipropileno 176,5 1,2 10 Alumínio 133,6 0,9 Fonte: MDIC (Balança Comercial 2011) Principais fornecedores das importações catarinenses Posição País US$ milhões % do total importado por SC 1 China 3.977,7 26,8 2 Chile 1.547,8 10,4 3 Argentina 1.258,1 8,5 4 Estados Unidos 987,4 6,6 5 Alemanha 686,1 4,6 6 Peru 546,4 3,7 7 Coreia do Sul 446,6 3 8 Índia 407,7 2,7 9 Itália 387,5 2,6 10 México 288,3 1,9 Fonte: MDIC (Balança Comercial 2011)
  • 93. 94 Geografia Com as quatro estações bem definidas, Santa Catarina é um dos raros Estados brasilei- ros que têm a possibilidade de explorar tanto o frio quanto o calor como atrações turísticas. Imagens das cidades serranas cobertas de neve são tão sim- bólicas do Estado quanto as praias repletas de banhistas no verão. Além da beleza de suas paisagens, Santa Catarina apre- senta grande diversidade em seu relevo e em sua vegetação. Há riqueza também no subso- lo: o Estado possui algumas das maiores reservas brasileiras de argila, carvão mineral, quartzo e fluorita. O litoral catarinense se ca- racteriza por ser extremamente recortado e diversificado, com muitas formações rochosas, ilhas, baías, lagoas e dunas. A hora oficial de Santa Ca- tarina é a mesma da capital brasileira, Brasília: menos três horas em relação a Greenwich. Estrada da Serra do Corvo Branco: ligação entre a Serra e a região Sul do Estado Z.P.
  • 94. 95 Clima A sensação de frio ou calor intensos são exceções em Santa Catarina. Na maior parte do ano, e na maior parte das cida- des, a temperatura se mantém agradável, na faixa entre 10 e 30 graus. Temperaturas abaixo disso ocorrem eventualmente na região serrana entre junho e agosto e acima disso nos perío- dos mais quentes dos meses de verão, entre dezembro e feverei- ro. Ambas as situações alegram os turistas – tanto aqueles que vêm ao Estado para aprovei- tar as belas praias catarinenses quanto os que sobem a Serra com a expectativa de ver neve. O Sul do Brasil se diferencia do restante do país pela ocor- rência do clima subtropical – com temperatura média anual abaixo de 18 graus –, enquanto as demais regiões localizam-se em área de influência do clima tropical, com média anual aci- ma de 18 graus. Outra diferen- ça do Sul é a distribuição das chuvas ao longo de todo o ano, sem estação seca. A classificação oficial do clima predominante em Santa Catarina é subtropical úmido mesotérmico. A subclassificação Cfa, caracterizada por verões quentes e invernos brandos, ocorre no litoral e na planície do rio Uruguai, enquanto a Cfb, com verões brandos e in- vernos rigorosos, é verificada no Planalto Serrano e no norte da região Oeste catarinense. Morro da Igreja, em Urubici, onde ocorreu a menor temperatura já registrada no Brasil: 17,8 graus negativos, em 1996 A.F.
  • 95. 96 Cuidado por inteiro Santa Catarina é um Estado reconhecido pela beleza e pela diversidade de seus atributos naturais. O litoral recortado abriga praias de todos os tipos, ilhas, baías e enseadas – com direito a espetáculos “extras”, como a presença de baleias-francas no Sul, durante o inverno, ou de golfinhos na região de Florianópolis. As paisagens bucólicas do interior apresentam desde longas extensões de campos até montanhas e vales. A fauna catarinense inclui cerca de 170 espécies de mamí- feros – lobo-guará, jaguatirica e veado-campeiro entre elas – e mais de 600 espécies de aves, incluindo martim-pescador, ga- vião-real e a gralha-azul, típica da região serrana. A vegetação catarinense é di- versificada, com mais de 20.000 espécies de plantas, que vão dos arbustos rasteiros dos mangues e dunas a árvores gigantescas, com mais de 30 metros de altu- ra. Uma das espécies que com- põem essa grande diversidade é a orquídea Laelia purpurata, flor-símbolo do Estado. A cobertura vegetal original de Santa Catarina se mantém intacta em muitos pontos. O Estado se destaca pelo maior índice de preservação da Mata Atlântica – 23%, contra a mé- dia nacional de 7%. Outros tipos de vegetação nativa do Estado são a Litorânea, na faixa bem próxima ao litoral, com- posta por restingas, mangues e dunas; a Floresta de Araucária, no Planalto Serrano e no Oeste; a Floresta Subtropical, na pla- nície do rio Uruguai, com ve- getação de pequeno porte; e os Campos, ocupados pela Flores- ta Nebular, assim chamada por estar frequentemente coberta de neblina. Preocupado em preservar seu patrimônio natural, o Es- tado tem dezenas de áreas de conservação, entre as federais, estaduais e as Reservas Parti- culares do Patrimônio Natural (RPPN), além de muitas ini- ciativas municipais e privadas. A coordenação das políticas ambientais e a fiscalização fi- cam por conta da Fundação do Meio Ambiente (Fatma), órgão de esfera estadual, sediado em Florianópolis, com 14 coorde- nadorias regionais distribuídas pelo território catarinense. A riqueza natural de Santa Catarina tem despertado o in- teresse de cientistas ao longo da história – o mais conhecido deles foi Fritz Müller, natura- lista alemão que se estabeleceu em Blumenau no século 19 e se dedicou a estudar espécies da fauna e flora catarinenses. Müller foi correspondente do inglês Charles Darwin, com quem trocou ideias sobre a teoria evolucionista e chegou a colaborar efetivamente ao apresentar conclusões de um estudo sobre crustáceos na Ilha de Santa Catarina. Já no século 20, o também alemão Fritz Plaumann instalou-se em Seara, no Oeste catarinense, onde iniciou um extenso pro- cesso de catalogação de insetos e orquídeas – mais de 80.000 exemplares de 17.000 espécies, das quais 1.500 eram até então desconhecidas da ciência. Foi um trabalho que se estendeu por sete décadas – até sua mor- te, em 1994, aos 92 anos.
  • 96. 97 Biodiversidade catarinense: manguezal na Baía da Babitonga, bugio-ruivo, gralha-azul, orquídea Laelia purpurata e baleia-franca Z.P. Z.P.Z.P.Z.P. P.A.
  • 97. 98 Os caprichos do relevo Dois tipos básicos de formação compõem o território catarinense: o planalto, que ocupa dois terços do Es- tado, e as planícies, encontradas na faixa litorânea e na porção sudoeste do Estado, junto ao rio Uruguai. A porção litorânea é formada por vales que correspon- dem às bacias hidrográficas dos rios que desembocam no Oceano Atlântico. Destacam-se no relevo de Santa Catarina dois gran- des conjuntos de serras – a do Mar e a Geral. A Serra do Mar acompanha o litoral das regiões Sul e Sudeste do país, por cer- ca de 1.000 km. Acredita-se que seu surgimento, há 100 milhões de anos, esteja relacio- nado ao evento geológico que causou a separação dos conti- nentes americano e africano. Já a Serra Geral é uma formação que surge no Paraguai e atraves- sa diagonalmente os três Esta- dos do Sul brasileiro até chegar ao Uruguai e à Argentina. Em Santa Catarina, estabelece uma separação natural entre o litoral e o interior. O ponto culminante de Santa Catarina é o Morro da Boa Vista, entre os municípios de Bom Retiro e Urubici, na Serra Geral, com 1.827 me- tros de altitude. Próximo dele está o Morro da Igreja, mais conhecido dos turistas. Ali foi registrada, no dia 29 de junho de 1996, a temperatura oficial mais baixa do país: 17,8 graus negativos. Outros pontos tu- rísticos do Estado estão direta- mente relacionados ao relevo. É o caso da estrada da Serra do Rio do Rastro, que oferece pai- sagens de tirar o fôlego ao ligar o litoral à região serrana, e dos cânions dos Aparados da Serra, no extremo Sul do Estado.
  • 98. 99 A encantadora Serra do Rio do RastroE.M.
  • 99. 100 Santa Catarina, planeta água Santa Catarina é um Esta- do muito bem abastecido por recursos hídricos. Os rios da porção litorânea de seu territó- rio correm em direção ao mar – integram a chamada Vertente do Atlântico. Do outro lado da Serra do Mar e da Serra Geral estão os rios da Vertente do In- terior, que correm em direção à região Oeste do Estado. Do total da população catarinen- se, cerca de 65% são abasteci- dos pelos rios da Vertente do Atlântico e 35% pela Vertente do Interior. Metade do território cata- rinense, em sua porção Oeste, está na área de abrangência do Aquífero Guarani, uma das maiores reservas subterrâneas do mundo, que se estende por cerca de 1,2 milhão de km² em quatro países – Brasil, Ar- gentina, Paraguai e Uruguai. Especialistas consideram que a existência dessa reserva é fun- damental para assegurar o abas- tecimento de Santa Catarina num cenário de maior ocupa- ção populacional. Cachoeiras em São Bonifácio (nesta página) e em Joinville (página ao lado)Z.P.
  • 100. 101 Z.P.
  • 101. 102 Qualidade de vida Há vários indicadores que demonstram o quanto os mo- radores de Santa Catarina são privilegiados por desfrutar de condições de vida acima da mé- dia nacional. De acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), metodologia da Organização das Nações Unidas (ONU) internacional- mente aceita, Santa Catarina é a segunda Unidade da Federação com melhor qualidade de vida no país, atrás apenas do Distrito Federal. O índice catarinense, 0,840, seria suficiente para co- locá-lo na 31ª posição do ran- king de países, dentro do seleto grupo cujo nível de desenvol- vimento humano é considera- do “muito alto”. Florianópolis é a quarta cidade do país com melhor qualidade de vida – a melhor capital – e outros cinco municípios catarinenses apare- cem entre os 20 primeiros do ranking do IDH municipal: Balneário Camboriú, Joaçaba, Joinville, Blumenau e Luzerna. No que diz respeito à dis- tribuição de renda – elemento importante para avaliar a qua- lidade de vida do conjunto de uma população –, Santa Cata- rina também se destaca. O Es- tado tem o melhor Índice de Gini do país. Esse índice vai de zero (situação hipotética em que todos os membros da socie- dade têm exatamente o mesmo rendimento) a um (quando um elemento da sociedade acumula todo o rendimento). A marca de Santa Catarina é 0,448, con- tra a média nacional de 0,536. Santa Catarina apresen- ta o segundo menor índice de analfabetismo do país – 4,1% da população com 15 anos ou mais – e acesso mais amplo a bens duráveis que os demais brasileiros. De cada 1.000 resi- dências catarinenses, apenas 4 não têm fogão, 6 não têm ge- ladeira e 16 não têm aparelho de TV. Microcomputadores são encontrados em 55,8% dos domicílios do Estado, contra a média nacional de 42,9%. O Estado oferece a mais alta expectativa de vida do país, ao lado do Distrito Federal – 76 anos. Os catarinenses vivem, em média, dois anos e meio a mais que a média dos brasilei- ros, graças, em grande parte, à melhor qualidade do aten- dimento prestado pela rede de saúde do Estado. Também contribuem para isso o menor índice de homicídios do Brasil – 12,9 por 100.000 habitan- tes, contra a média nacional de 26,2 – e a menor taxa de mor- talidade infantil do país. Existência de bens nos domicílios Bem SC (%) Brasil (%) Fogão 99,6 98,6 Geladeira 99,4 95,8 TV 98,4 96,9 Telefone 94,6 89,9 Máquina de lavar roupa 80,5 51 Carro 68,5 40,9 Microcomputador 55,8 42,9 Moto 24,1 19,1 Fonte: IBGE (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios, 2011) Expectativa de vida UF Idade Santa Catarina 76 Distrito Federal 76 Rio Grande do Sul 75,7 Minas Gerais 75,4 São Paulo 75 BRASIL 73,5 Fonte: IBGE, 2011 Menores taxas de analfabetismo* UF % de analfabetismo Distrito Federal 3,5 Santa Catarina 4,1 Rio de Janeiro 4,3 São Paulo 4,3 Rio Grande do Sul 4,5 BRASIL 9,6 * Entre a população com 15 anos ou mais Fonte: IBGE (Censo 2010)
  • 102. 103Santa Catarina proporciona qualidade de vida de Primeiro Mundo T.E. Z.P.
  • 103. 104 Educação Santa Catarina sempre deu muito valor à educação. O Censo de 2010 revelou que a taxa de analfabetismo no Estado caiu de 5,2% para 4,1% em apenas quatro anos, consolidando-se como a segunda menor entre as Unida- des da Federação. Nesse mesmo período, subiu de 16 para 58 o número de municípios catarinenses considerados “livres de analfabetismo”, de acordo com o Ministério da Educação – que inclui nessa classificação os municí- pios com índice abaixo de 4%. As principais cidades do Estado têm excelentes taxas, como é o caso de Blumenau (1,8%), Florianópolis (2,1%) e Joinville (2,3%). Somando-se todos os níveis de ensino, da pré-escola à pós- graduação, Santa Catarina tem cerca de 2 milhões de estudan- tes frequentando algum tipo de aula, quase um terço da popu- lação. Na educação básica, são 6.200 estabelecimentos espa- lhados pelo Estado, 85% deles públicos, especialmente muni- cipais e estaduais. No ensino superior, há quase 270.000 alunos frequentando cursos em 93 instituições, das quais 82 são privadas. A trajetória que conduziu a esses números impressio- nantes começou em 1750, quando os jesuítas fundaram o primeiro colégio do Des- terro. Depois disso, o gran- de marco seria a contratação do professor paulista Orestes Guimarães para reformular o ensino de Joinville, em 1906. Ele reproduziu experiências que havia aplicado em cidades do seu Estado de origem. Deu tão certo que o governador Vidal Ramos decidiu chamar Guimarães para reformular o ensino público em todo o Es- tado de Santa Catarina. Foram implantadas mudan- ças significativas na pedagogia. Atividades lúdicas, a exemplo de cantos e exercícios físicos, passaram a ser reconhecidas como contribuições efetivas ao aprendizado, reduzindo a im- portância da antiga decoreba. Guimarães trouxe, também, o conceito de grupo escolar, em que os alunos eram divididos em diversas classes por idade, com um professor responsá- vel, em substituição ao modelo em que crianças de diferentes idades se misturavam em uma mesma turma. O primeiro Grupo Escolar de Santa Catari- na foi inaugurado em 1911 – o Conselheiro Mafra, em Joinvil- le –, seguido por outros seis ao longo dos dois anos seguintes: Lauro Müller (Florianópolis), Jerônimo Coelho (Laguna), Silveira de Souza (Florianópo- lis), Luiz Delfino (Blumenau), Vidal Ramos (Lages) e Victor Meirelles (Itajaí). Em 1917, o ensino em San- ta Catarina daria novo salto com a inauguração da primeira Escola de São Bento do Sul reconhecida pela excelência do ensino: os catarinenses sempre valorizaram a educação Secom/Divulgação
  • 104. instituição de nível superior do Estado, idealizada por José Boiteux: o Instituto Politécni- co, com cursos de engenharia, odontologia, farmácia e co- mércio. Foi o início de uma trajetória que culminou, na década de 1960, com a insta- lação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), insti- tuições que hoje estão entre as mais produtivas do Brasil. San- ta Catarina se destaca também no ensino técnico, sob lideran- ça do Instituto Federal de San- ta Catarina (IFSC), uma das mais conceituadas escolas do gênero no país. A evolução do ensino em Santa Catarina fez surgir figu- ras ímpares como Antonieta de Barros, que viveu na primeira metade do século 20. Negra e de origem simples, ela dedi- cou-se com afinco aos estudos, desde cedo, para realizar o so- nho de se tornar professora. Conseguiu – e com brilho, a ponto de alcançar o posto de diretora do Instituto Esta- dual de Educação. A militância como educadora a conduziu à prática política – foi a primei- ra mulher eleita deputada em Santa Catarina. Sua morte, em 1952, aos 51 anos, causou gran- de comoção em Florianópolis. Instituto Estadual de Educação, em Florianópolis T.E. 105
  • 105. 106 A cultura vive em Santa Catarina Santa Catarina é o Estado da diversidade, em todos os aspec- tos – das paisagens naturais às atividades econômicas. Com a cultura não poderia ser diferen- te: há um rico mosaico resultante das práticas artísticas e culturais. Os catarinenses se orgulham do seu teatro, da sua dança, música, artes plásticas, cinema, literatu- ra e esportes. Orgulham-se das formas mais sofisticadas de pro- dução cultural, mas também das mais autênticas: o folclore, o ar- tesanato, as lendas, as tradições, os linguajares. Embora remetam à sensibili- dade humana, as manifestações culturais não conduzem apenas à contemplação, mas também à reflexão e à ação: são agentes e ao mesmo tempo reflexo de transformações na sociedade. Têm, nesse sentido, um poder extremamente revolucionário. Existem para iluminar novos caminhos e consolidar os cami- nhos já trilhados. Por reconhe- cer essa função vital da arte, o governo do Estado incentiva a produção cultural por meio de editais na área de cinema, lite- ratura e artes plásticas. Olhar para a frente sem es- quecer a trajetória já percorrida é uma das grandes marcas cata- rinenses. As festas típicas, orga- nizadas para celebrar a memória dos antepassados, são a melhor síntese de como Santa Catarina valoriza sua História, aprendi- zado fundamental para cons- truir um presente cada vez me- lhor e trabalhar por um futuro em que o progresso, a justiça e a liberdade sejam percebidos e desfrutados por todos os habi- tantes do Estado. Z.P.Z.P.
  • 106. O folclore representado pelo boi de mamão, a habilidade artesanal e a música: riqueza cultural E.L. D.S.Z.P. 107
  • 107. 108 Festas e eventos Outubro é o mês oficial da diversão em Santa Catarina. É quando o Estado organiza uma série de festas típicas, embaladas por muita música e culinária deliciosa que lembram as tradições trazidas pelos imigrantes europeus e reverenciam a memória dos antepassados. A maior parte desses gran- des eventos foi criada na déca- da de 1980. É o caso da Ok- toberfest de Blumenau, a mais famosa e movimentada de to- das. Há, contudo, outra Okto- berfest, ainda mais antiga, que começou a ser organizada em Itapiranga cinco anos antes. A cultura alemã é reverencia- da também na Oberlandfest, em Rio Negrinho; na Festa do Imigrante, em Timbó; na Schützenfest, em Jaraguá do Sul – a “festa do tiro”, que ho- menageia as antigas sociedades de atiradores –; e na Fenarreco, em Brusque, criada em torno de um prato típico alemão, o marreco com repolho-roxo. Em Treze Tílias, a Tiroler- fest lembra as tradições trazi- das pelos fundadores tiroleses, enquanto a cultura açoriana é celebrada em Florianópolis pela Fenaostra e em Itajaí pela Ma- rejada. Já as festas inspiradas na colonização italiana – como o Carnevale di Venezia, em Nova Veneza; o Incanto Trentino, em Nova Trento; a Ritorno Alle Origini, em Urussanga; e a Fes- ta da Etnia Italiana de Xanxerê – são realizadas em outros me- ses do ano. O mesmo acontece com a Festa das Flores, de Join- ville – que se realiza em novem- bro por conta da floração das orquídeas –, com a Festa Nacio- nal da Maçã, em São Joaquim, e a Festa Nacional do Pinhão, em Lages, organizadas durante o inverno. Milhares de turistas chegam ao litoral catarinense para as fes- tas de virada de ano, com des- taque para as queimas de fogos em Balneário Camboriú e Flo- rianópolis. O verão é também o auge da temporada de baladas, que atraem os mais diversos ti- pos de público – do sertanejo à música eletrônica. O carnaval é outro momento de grande cele- bração em Santa Catarina, com desfiles de escolas de samba e de blocos em diversas cidades. No que diz respeito a convenções, congressos e feiras, o Estado conta com uma ampla estru- tura, em todas as suas regiões, para sediar grandes eventos cor- porativos e empresariais. Culto às raízes: tradição austríaca em Treze Tílias (acima) e desfile de rua na Oktoberfest, em Blumenau (ao lado)Z.P. E.M.
  • 108. 109 T.V.S.S. Acima: espetáculo de fogos no Réveillon de Florianópolis. Ao lado: Centro de Eventos de Fraiburgo, inaugurado no final de 2012. Abaixo: música e gastronomia, as duas grandes atrações da Festa do Pinhão, em Lages, que atraiu 350 mil pessoas na sua 25ª edição, em 2013 Prefeitura Municipal de Lages/DivulgaçãoPrefeitura Municipal de Lages/Divulgação Secom/Divulgação Vision Show/Divulgação
  • 109. 110 Música A música está na alma dos catarinenses – sendo, em mui- tos casos, uma paixão trazida pelos antepassados e transferi- da às novas gerações. Dessa tra- dição, surgiram músicos que, embora sejam desconhecidos do grande público, construí- ram bem-sucedidas carreiras internacionais. Exemplo é o instrumentista Airto Moreira, natural de Itaiópolis, que to- cou ao lado de ícones como Miles Davis, Paul Simon e Chick Corea e participou da trilha sonora de filmes que se tornaram grande sucesso de bi- lheteria, como O Exorcista e O Último Tango em Paris. No campo da música clás- sica, Aldo Baldin, nascido em Urussanga e radicado na Alema- nha desde a década de 1970, é um tenor reconhecido como um dos melhores intérpretes de Bach e Schubert. O maestro Edino Krieger, natural de Brusque, é um compositor erudito que deu im- portante contribuição à gestão da música no país, tendo sido diretor da Fundação Nacional de Arte (Funarte) na década de 1990. Ins- tituições como a Orquestra Sinfô- nica de Santa Catarina (OSSCA), a Camerata Florianópolis e a Cia. de Ópera de Santa Catarina repre- sentam muito bem a arte da músi- ca no Estado. Santa Catarina tem tam- bém seus ícones da música po- pular, gente que dedicou versos e melodias a cantar as coisas da terra. Trata-se de um leque am- plo que, apenas para exemplifi- car a diversidade, vai da Banda Cavalinho, alegria dos foliões da Oktoberfest, até Luís Hen- rique Rosa, nascido em Tuba- rão e radicado em Florianópo- lis – precocemente morto em um acidente de trânsito, em 1985 –, músico e compositor ligado ao movimento da Bossa Nova, com carreira internacio- nal e uma célebre amizade com a atriz e cantora norte-america- na Liza Minelli. Concerto da Camerata Florianópolis, sob a regência do maestro Jeferson Della Rocca T.N. CamerataFlorianópolis/Divulgação
  • 110. 111 Dança Em 2000, Joinville se con- solidou como a capital brasi- leira da dança ao ser escolhida para sediar a primeira escola do célebre Teatro Bolshoi fora da Rússia. Nada mais justo para a cidade que promove anual- mente, desde 1982, o Festival de Dança mais encantador e grandioso do Brasil, com qua- se 200 horas de espetáculos, somando-se a mostra compe- titiva e as apresentações em lo- cais públicos ao longo de qua- se duas semanas. Há também diversos cursos e oficinas para os bailarinos que vêm de todos os cantos do país e do exterior para participar do evento. A escola do Teatro Bolshoi é também um grande projeto de inclusão social para crianças e jovens. Vários de seus ex-alunos integram companhias de desta- que ao redor do mundo, reafir- mando o nome de Santa Cata- rina como um centro formador de talentos. Esse papel também tem sido cumprido por outros festivais e encontros de cará- ter interestadual, a exemplo do organizado anualmente em Chapecó, e por grupos como o Cena 11, de Florianópolis, de- dicado à formação e à pesquisa em dança. Santa Catarina se destaca também pela importância que dá às danças folclóricas e ét- nicas, tradição preservada por grupos como o Ítalo-Brasileiro de Nova Trento e o de Danças Alemãs da Furb, em Blumenau, para citar exemplos de organiza- ções premiadas na edição mais recente do Festival de Dança de Joinville. A cultura açoriana também conta com um grande número de instituições que tra- balham por sua preservação em todo o litoral catarinense. Só em Florianópolis há quase 40 grupos folclóricos que mantêm vivas as danças trazidas pelos colonizadores, como o boi de mamão, o pau de fitas e o terno de reis. Escola do Teatro Bolshoi no Brasil: a excelência do Ballet Giselle N.B. EscoladoTeatroBolshoi/Divulgação
  • 111. 112 Literatura Pode-se dizer que a certidão de nascimento da literatura catarinense foi a publicação do primeiro livro de um autor da terra – Assembleia das Aves, de Marcelino Dutra, conhecido pela alcunha “Poeta do Brejo”, lançado no Rio de Janeiro em 1847. Logo o hábito da leitura seria incentivado com a fundação da Biblioteca Pública de Santa Catarina, em 1855 – a instituição existe até hoje no Centro de Florianópolis. No ano seguinte, Manoel Joaquim de Almeida Coelho publicaria o primeiro trabalho catarinense de cunho historiográfico, Memória Histórica da Província de Santa Catarina. Naquela época, os jornais eram parte importante do pro- cesso de divulgação da literatura – o primeiro do Estado, O Ca- tharinense, havia sido lançado em 1831, em Desterro, por Je- rônimo Coelho. Surgiriam tam- bém publicações voltadas aos imigrantes, a exemplo do Kolo- nie-Zeitung, escrito em alemão e lançado em 1862, em Joinville. Foi exclusivamente pelos jornais que o poeta Luiz Delfino, que viveu no século 19, apresentou seus versos – somente alguns anos depois da sua morte seu primeiro livro seria lançado. A geração seguinte seria profícua, com nomes como o do poeta João da Cruz e Sousa, filho de negros alforriados que é considerado o maior expoente do Simbolismo no país, e Vir- gílio Várzea, cronista e poeta cuja temática principal era a vida marinha. Em 1896, a fun- dação do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, em Florianópolis, congregou a intelectualidade e preparou terreno para o trabalho de auto- res dedicados à historiografia, a exemplo de Oswaldo Rodrigues Cabral, em Florianópolis, Car- los Ficker, em Joinville, e José Ferreira da Silva, em Blumenau. A literatura catarinense tam- bém teve nomes femininos rele- vantes. No século 19, Ana Luísa de Azevedo Castro, natural de São Francisco do Sul, adotava o pseudônimo “Indígena do Ipi- ranga” e era uma defensora fer- renha dos direitos de igualdade das mulheres. Na virada do sé- culo 19 para o século 20, Del- minda Silveira, escritora e poe- tisa, publicou muitas de suas obras nos jornais, quase sempre usando o pseudônimo “Brasília Silva”. Já no século 20, Maura da Sena Pereira, professora, jor- nalista e escritora com intensa atividade intelectual, tornou-se conhecida nacionalmente com a publicação da coletânea de poesias A Dríade e os Dardos, em 1978. Talvez não haja momento mais marcante para a identida- de da literatura catarinense do que a criação do Grupo Sul, em 1948. A trupe, de inspira- ção modernista, reunia nomes como Aníbal Nunes Pires, Sa- lim Miguel, Eglê Malheiros, Hugo Mund Jr. e Guido Wil- mar Sassi. Publicou durante dez anos a Revista Sul e interagiu com outros campos da cultura, tendo participado diretamente da fundação do Museu de Arte Moderna e produzido o primei- ro longa-metragem do cinema catarinense, O Preço da Ilusão. Desde então a produção lite- rária catarinense se expandiu e tornou-se significativa em todas as regiões do Estado e nos mais diferentes estilos.
  • 112. 113 Artes plásticas Qualquer lista sobre os grandes artistas plásticos ca- tarinenses começará sempre por Victor Meirelles, au- tor no século 19 de quadros que reproduzem cenas históricas, como Primeira Missa no Brasil, Batalha dos Guararapes e Combate Naval do Riachuelo. Santa Catarina revelou desde então vários outros pintores de excelente nível, como Eduardo Dias, muralista e também restau- rador; Martinho de Haro, ino- vador na pintura de paisagens; Hassis, desenhista que buscava inspiração em cenas do cotidia- no; Willy Zumblick, que ganhou projeção sem deixar sua cidade natal, Tubarão; Ernesto Meyer Filho, notabilizado pelos seus ga- los coloridos; e o lageano Agos- tinho Malinverni Filho, que teve muitas de suas obras compradas por colecionadores estrangeiros. No campo da escultura, Santa Catarina também pro- duziu, ao longo do século 20, nomes de relevância nacional, a exemplo de Fritz Alt e Elke Hering. Franklin Cascaes dedi- cou-se a registrar, com desenhos e esculturas, as tradições da co- lonização açoriana em Floria- nópolis, com ênfase especial às lendas de bruxas. Já o joinvilen- se Luiz Henrique Schwanke foi plural e intenso em suas obras – passeou pela pintura, escultu- ra e instalações, colecionando premiações nacionais. A fundação do Museu de Arte de Santa Catarina (Masc), em 1949, viria a ser um dos mar- cos fundamentais das artes plás- ticas catarinenses. Foi uma con- sequência do trabalho do Grupo Sul, que trouxe a Florianópolis a Exposição de Arte Contemporâ- nea, organizada pelo escritor ca- rioca Marques Rebelo, que esteve na capital catarinense e motivou os jovens do grupo a unir for- ças para a criação de um museu – que, inicialmente, chamou-se Museu de Arte Moderna de Flo- rianópolis. Hoje, o Masc reúne quase 2.000 obras e realiza um intenso trabalho de formação e informação sobre arte, com ofici- nas, cursos e exposições. Da geração de artistas plás- ticos catarinenses em atividade, alguns dos destaques são, entre vários outros, Eli Heil, com seu Mundo Ovo povoado por criaturas fantásticas; Rodrigo de Haro, filho de Martinho de Haro e expoente do chamado “realismo mágico”; Juarez Ma- chado, que mantém um ateliê em Paris e é reconhecido pelo uso do humor e de cores fortes; Vera Sabino, que se inspira no folclore e na religiosidade cata- rinenses; e Rubens Oestroem, pesquisador de novas possibili- dades para a pintura. Primeira Missa no Brasil, de Victor Meirelles Divulgação
  • 113. 114 Obras do acervo do Masc. Nesta página: Paisagem de São José (Martinho de Haro, 1954), Sem Título (Schwanke, 1987) e Figura Sentada (Elke Hering, 1985). Na página ao lado: A Comungante (Rodrigo de Haro, 1965), Dor Contida (Malinverni Filho, 1937), Bichos (Eli Heil, 1989), Farol de Santa Marta (Willy Zumblick, 1984) e Galo Cósmico com Lua Branca (Meyer Filho, 1972). Fotos: Masc/Divulgação
  • 114. 115
  • 115. 116 Museus e patrimônio histórico Santa Catarina tem 277 bens arquitetônicos tombados pelo Estado. Desses, 113 estão nas três maiores cidades catari- nenses. Em Florianópolis, são tombados monumentos como o Palácio Cruz e Sousa, o Tea- tro Álvaro de Carvalho, a Ponte Hercílio Luz e a Catedral Metro- politana, além de várias outras igrejas. Em Joinville, a Socieda- de Harmonia Lyra e a ponte co- berta sobre o rio Cubatão, além de diversos casarões da Rua do Príncipe e adjacências. Em Blu- menau, a Praça Hercílio Luz, a Igreja do Espírito Santo, o Cas- telinho e várias construções da Rua 15 de Novembro. Entre as outras cidades que contribuem com um grande número de pa- trimônio arquitetônico estão São Bento do Sul, Lages, Urus- sanga, Timbó, Pomerode, Itajaí e Jaraguá do Sul – juntas, essas cidades somam 130 bens tom- bados. Os demais 34 imóveis de importância histórica estão espa- lhados por 27 municípios. Muitas das tradições e da cultura de Santa Catarina estão preservadas graças à existência de museus em todo o território do Estado. Há 161 instituições do gênero em funcionamento. A maioria é administrada pelas prefeituras, com uma parcela de empreendimentos privados e alguns casos de instituições sob a responsabilidade do Governo Federal, como as fortalezas da região de Florianópolis, além do Museu Victor Meirelles e do Núcleo de Estudos Museológi- cos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ambos na capital. Sob a gestão do go- verno do Estado estão alguns dos museus mais importantes, como o Museu de Arte de Santa Catarina (Masc), o Museu His- tórico de Santa Catarina/Palá- cio Cruz e Sousa e o Museu da Escola Catarinense, em Floria- nópolis; o Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul; a Casa de Campo Governador Hercílio Luz, em Rancho Quei- mado; e o Museu Etnográfico/ Casa dos Açores, em Biguaçu. Ao lado: Museu Fritz Plaumann, em Seara. Abaixo: Fortaleza de São José da Ponta Grossa, em Florianópolis T.E. Z.P.
  • 116. Acima: Museu do Mar, em São Francisco do Sul. Ao lado: interior do Palácio Cruz e Sousa, em Florianópolis T.E. Z.P. 117
  • 117. 118 Cinema No início do século 20, Santa Catarina apenas repro- duzia, em suas salas de cinema, filmes feitos em outros países e eventualmente em outros Estados brasileiros. Aos poucos, no entanto, começaram a surgir as primei- ras experiências cinematográficas catarinenses, quase sempre documentários com temas históricos ou reporta- gens sobre atualidades que precediam os filmes de lon- ga-metragem nas salas de exibição – o blumenauense Alfred Baumgarten se especializou nesse tipo de trabalho na década de 1930. Em 1957, Santa Catarina ganharia seu primeiro longa, O Preço da Ilusão, graças ao espírito aventureiro e inquie- to dos jovens que integravam o Grupo Sul. Para financiar o projeto, foram vendidas cotas a amigos, a pessoas influentes da sociedade de Florianópolis e até mesmo no varejo, em uma barraca montada na Praça 15 de Novembro. Os catarinenses convidaram para a direção o gaúcho Nilton Nascimento – que, ao contrário de todos ali, acumulava algumas experiên- cias cinematográficas. Os testes para elenco, rea- lizados no escritório de conta- bilidade do produtor Armando Carreirão, atraíram uma peque- na multidão de gente interessa- da em virar estrela de cinema da noite para o dia. O princi- pal papel feminino, Maria da Graça, uma funcionária públi- ca que decide participar de um concurso de beleza, ficou com uma estudante de Direito, Li- lian Bassanesi. O roteiro incluía muitas externas, mostrando pontos turísticos de Florianó- polis, como a ponte Hercílio Luz e o Mercado Público. O filme deu prejuízo, mas valeu como uma grande experiência para todos os envolvidos. Depois disso, o cinema passou por uma fase difícil em Santa Catarina, com poucas produções. Cineastas nascidos no Estado, como Silvio Back e Rogério Sganzerla, tiveram que sair para realizar seus projetos, que alcançaram grande reper- cussão. Trajetória semelhante foi percorrida por atores como Mozarte Régis, o “Pituca”, fale- cido em 1995, comediante que ganhou fama nacional com o trabalho no rádio, no teatro, na televisão e no cinema; e a blu- menauense Vera Fischer, que desenvolveu carreira de atriz depois do título de Miss Brasil que a projetou, em 1969. Na década de 1990, Eduar- do Paredes se destacou ao diri- gir dois filmes sobre temas his- tóricos, Desterro e Novembrada, ambos premiados no Festival de Gramado, o mais importan- te do país. Mais recentemente, o cinema ganhou novo impul- so em Santa Catarina graças ao edital de incentivo do governo do Estado, o prêmio Cinema- teca Catarinense, que financia a produção de longas e curtas e também a elaboração de pes- quisas e roteiros. Um dos resul- tados dessa política foi o longa A Antropóloga, do diretor Zeca Pires, que integrou a lista dos filmes brasileiros pré-candida- tos ao Oscar de 2012.
  • 118. 119 Teatro Santa Catarina sedia importantes festivais de teatro, a exemplo do Floripa Teatro/Festival Isnard de Azeve- do, em Florianópolis, Festival de Teatro de Joinville e Festival Nacional de Teatro Infantil, em Blumenau. Realizados anualmente, esses eventos aproximam os grupos e profissionais das diferentes regiões catarinenses e fomentam o intercâmbio com outros Estados do país. A atividade teatral começou a se desenvolver com mais for- ça em Santa Catarina na segun- da metade do século 19, com a inauguração de casas como o Teatro Santa Isabel (que teve o nome posteriormente trocado para Álvaro de Carvalho), em Desterro; o Adolpho Mello, em São José; e a Sociedade Teatral Froshinn (rebatizado de Car- los Gomes durante a Segunda Guerra Mundial), em Blume- nau. Além de serem locais ade- quados para a apresentação de companhias de outros Estados e mesmo do exterior, o surgimen- to desses teatros deu impulso às produções locais. Na capital, no- mes como Horácio Nunes Pires, autor da letra do Hino de Santa Catarina, e Álvaro de Carvalho – que viria a ser homenageado com o nome do teatro – passa- ram a escrever e montar peças para contribuir com a progra- mação da casa de espetáculos que a cidade acabara de ganhar. Em 1947, foi inaugurado em Lages o Teatro Marajoara, em estilo art déco. No início dos anos 1980, Criciúma ga- nhou o maior teatro do Sul de Santa Catarina, o Elias Ange- loni, enquanto o Teatro Ade- mir Rosa, no Centro Integra- do de Cultura (CIC), abria as cortinas em Florianópolis. Esse complexo, administrado pelo Governo do Estado, sedia tam- bém o Museu de Arte de San- ta Catarina (Masc) e passou recentemente por uma grande reforma. Em 1998, foi a vez de Joinville apresentar um novo e moderno espaço, o Teatro Jua- rez Machado, anexo ao Centre- ventos Cau Hansen. Em 2008, Florianópolis passou a desfru- tar do Teatro Governador Pe- dro Ivo, construído junto ao Centro Administrativo do Go- verno, à beira da SC-401, em Florianópolis. Com capacida- de para 706 lugares, palco de 450 m², um moderno sistema de iluminação e camarins que proporcionam todo o conforto aos artistas, a nova casa logo se tornou peça importante da vida cultural catarinense. Teatro Ademir Rosa, Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis (acima), e Teatro Carlos Gomes, em Blumenau (ao lado) E.L. N.D. Secom/Divulgação
  • 119. 120 Esportes Talvez não haja melhor símbolo da paixão catarinense pelos esportes do que os Jo- gos Abertos de Santa Catarina (Jasc), disputados anualmente desde 1960. Centenas de atletas de todos os cantos do Estado reúnem-se no município-sede para disputar 25 modalidades. Cada um deles tenta conquis- tar bons resultados para somar pontos à equipe da cidade de origem. Das 50 edições realiza- das até 2011, apenas três mu- nicípios conseguiram chegar ao título geral: Blumenau (39 ve- zes), Florianópolis (sete vezes) e Joinville (quatro vezes). Um dos méritos do Jasc é revelar atletas para esportes olímpicos. Dois bons exemplos de catarinenses que fizeram bri- lhantes carreiras em suas res- pectivas modalidades estão em Ana Moser, do vôlei feminino, que ganhou projeção depois de ter sido eleita a melhor atleta do Mundial Juvenil de 1987, e Fernando Scherer, da natação, medalhista de bronze nas Olim- píadas de Atlanta, em 1996. Nos esportes náuticos, uma tradição de Santa Catarina – que tinha o remo como espor- te mais popular no início do século 20 –, há nomes como o surfista Teco Padaratz, que na década de 1990 integrou a elite mundial do esporte, e Fabiana Beltrame, remadora que já par- ticipou de duas Olimpíadas. Vale registrar também as aven- turas da Família Schürmann, que ganhou fama ao retornar de uma viagem ao redor do mundo que se estendeu por dez anos, entre 1984 e 1994, a bor- do de um veleiro. No futebol, o modelo ca- tarinense sempre foi de equilí- brio de forças entre as equipes, especialmente Avaí, Figueirense (ambos de Florianópolis), Join- ville, Criciúma e Chapecoense. Nos últimos anos, essas equipes têm desempenhado bom pa- pel no campeonato nacional. Entre os jogadores de futebol catarinenses mais destacados na história estão Paulo Rober- to Falcão, nascido em Abelardo Luz, que se tornou conhecido como “Rei de Roma” ao ser de- cisivo para a conquista do título italiano pela Roma; o lagunen- se Mengálvio, do inesquecível Santos de Pelé; e o imbitubense Lico, do também marcante Fla- mengo de Zico. Mas, certamente, não hou- ve atleta catarinense que tenha ganhado dimensão semelhante à do carismático tenista Gusta- vo Kuerten, o Guga, “manezi- nho” de Florianópolis, três ve- zes vencedor do célebre torneio de Roland Garros, na França (1997, 2000 e 2001), e líder do ranking mundial por 44 sema- nas. Com seu talento e simpli- cidade, Guga arrebanhou uma legião de fãs em todo o Brasil e também no exterior – na Fran- ça, por exemplo, é cultuado como um dos grandes ídolos do tênis de todos os tempos. Ironman Brasil: uma das maiores competições mundiais de triatlo (natação, ciclismo e corrida) é realizada anualmente em Florianópolis P.A.
  • 120. 121 No mar ou nos rios, esportes aquáticos são uma tradição em Santa Catarina T.E. Z.P.
  • 121. Caminhos da Fronteira Grande Oeste Regiões Turísticas Para aprimorar a prática e a gestão das atividades turísticas em território catarinense, a Santa Catarina Turismo (Santur) dividiu o Estado em dez roteiros, cada um deles composto por municípios agrupados por alguma afinidade, como o histórico de colonização ou o tipo de atrativos. Surfe na praia da Joaquina, em Florianópolis, arquitetura colonial em Jaraguá do Sul e imagem de Santa Paulina, em Nova Trento E.M.D.S.E.L. 122
  • 122. S N LO Vale do Contestado Serra Catarinense Vale Europeu Grande Florianópolis Caminho dos Príncipes Costa Verde e Mar Encantos do Sul Caminho dos Cânions 123
  • 123. 451 465 463 494 454 452 452 454 467 466 488 465 465 462 303 458 461 468 473 471 472 469 484 471 469 473 468 283 386 163 158 163 163 280 282 282 283 480 480 480 283 153 282 470 153 280 480 282 Entre Rios Bom Jesus Ouro Verde Passos Maia Ponte SerradaFaxinal dos Guedes Cordilheira Alta Arvoredo Lajeado Grande Erê São Bernardino Novo Horizonte Jupiá Galvão Coronel Martins Formosa do Sul Santiago do SulJardinópolis Quilombo Marema do Sul Modelo Serra Alta Saltinho Irati Bom Jesus do Oeste Sul Brasil União do Oeste Águas Frias Coronel Freitas Campo Cunhataí Cunha Porã Romelândia Tigrinhos Flor do Sertão Descanso Iraceminha Pinhalzinho Nova Erechim Nova Itaberaba Planalto Alegre Caxambu Helena Belmonte Bandeirante Paraíso Princesa Guarujá do Sul Palma Sola Anchieta Santa Terezinha do ProgressoBarra Bonita Iporã do Oeste Riqueza Caibi Tunápolis Santa Ibicaré Herval d'Oeste Zortéa Presidente Castello Branco Lacerdópolis Peritiba Alto Bela Vista Ipira Macieira Salto Veloso Arroio Trinta Catanduvas Luzerna Vargem Bonita Jaborá Celso Ramos Ouro Água Doce Domingos Ipuaçu Abelardo Luz Xanxerê Xaxim Vargeão Maravilha Saudades São Miguel da Boa Vista Paial Lindóia do Sul Arabutã Ipumirim Xavantina Erval Velho Palmitos São Carlos Águas de Chapecó Guatambu Chapecó Itapiranga São Miguel do Oeste Guaraciaba São José do Cedro Dionísio Cerqueira São Lourenço do Oeste São Mondaí São João do Oeste Capinzal Itá Joaçaba Treze Tílias Irani Piratuba Concórdia Seara Palmas Pato Branco Francisco Beltrão Bernardo de Irigoyen Rio Grande do Sul Três Passos (Missões) Frederico Westphalen (Missões) Nonoai Erechim l Passo Fundo Lagoa Vermelha (Serra Gaúcha) ARGENTINA Paraná MAPA TURÍSTICO RODOVIÁRIO Turismo O maior movimento turísti- co em Santa Catarina ocorre no período de janeiro a março, que corresponde à temporada de ve- rão. São cerca de 7 milhões de visitantes brasileiros e 500.000 estrangeiros ao longo desses três meses. De acordo com pesquisa da Santur, a permanência mé- dia por turista é de sete dias em janeiro e fevereiro, e de quatro dias em março. Dos turistas nacionais, 36% são os próprios catarinenses em viagem para conhecer outras partes do Estado. Depois vêm os paranaenses (30%), gaúchos (15%) e paulistas (11%). Entre os estrangeiros, o maior contin- gente é de argentinos (76%), seguidos pelos chilenos (16%). Outros países da América do Sul respondem por 5% e os eu- ropeus são 3%. Santa Catarina se destaca pela grande variedade de atra- ções. Há muito o que ver e fazer durante o dia e também durante a noite, já que muni- cípios como Florianópolis e Balneário Camboriú são co- nhecidos nacionalmente não só pela beleza das praias, mas também pela qualidade da vida noturna. As maiores cidades do Estado dispõem também de excelente infraestrutura para eventos e convenções. 124
  • 124. Oceano Atlântico 450 485 449 448 446448 487 447 446 443 445 445 440 438 438 431 482 439 438 437 100 442 434 407 407 407 407 431 408 401 401 405 406 411 411 410 408 416 416 413 417 418 474 470 411 301 495 416 413 474 301 301 415 415 302 302 422 422 425 421 491 421 427 426 429 428 481 481 408 302 427 430 458 438 439 423 302 453 457 456 302 302 456 457 455 451 423 303 419 460 455 453 453 303 303 302 476 302 458 455 430 439 438 414 478 303 302 153 101 470 116 470 282 116 282 470 477 477 470 282 282 285 101 101 101 101 116 280 477 280 280 280 280 280 470 486 116 430 426 116 486 409 101 483 483 S N LO Maracajá Anita Garibaldi Otacílio Costa Capão Alto Campo Belo do Sul Palmeira São José do Cerrito Cerro Negro Painel Ermo Morro da Fumaça Sangão Treze de Maio Timbé do Sul Morro Grande Meleiro Passo de Torres São João do Sul Santa Rosa do Sul Forquilhinha Turvo Siderópolis Lauro Müller Cocal do Sul Braço do Norte Armazém Grão-Pará Rio Fortuna Paulo Lopes São Ludgero Capivari de Baixo Pedras Grandes São João Batista Pouso Redondo Aurora Vidal Ramos Imbuia Chapadão do Lageado Petrolândia Atalanta Braço do Trombudo Agronômica Alfredo Wagner Treviso Terezinha Salete Taió Rio do Oeste Laurentino Lontras Tijucas Mirim Doce Rio do Campo Trombudo Central Leoberto Leal Major Gercino Major Vieira Bela Vista do Toldo Irineópolis Presidente Nereu Canelinha Guabiruba Ascurra José Boiteux Dona Emma Witmarsum Santa Ponte Alta São Cristóvão do Sul Três Barras Cecília Timbó Grande Iomerê Abdon Batista Vargem Ibiam Calmon Matos Costa Brunópolis Monte Carlo Lebon Régis Ponte Alta do Norte Santa São Pedro de Alcântara Angelina Santo Amaro da Imperatriz Águas Mornas Rancho Queimado Biguaçu Palhoça São José Governador Celso Ramos Timbó Benedito Novo ApiúnaIbirama Presidente Getúlio Vitor Meireles Rio do Sul Ituporanga Agrolândia Rodeio Anitápolis São Bonifácio Antônio Carlos Rio das Antas Frei Rogério Pinheiro Preto Doutor Pedrinho Pomerode Rio dos Cedros Nova Trento Botuverá Brusque Gaspar Indaial Blumenau Tangará Caçador FraiburgoVideira Curitibanos Campos Novos Porto União Canoinhas Itaperiú Balneário Barra do Sul São Francisco do Sul Barra Velha Bom Jardim da Serra Correia Pinto Bocaina do Sul Rio Rufino Urubici São Joaquim Bom Retiro Urupema Lages Garuva Schroeder Guaramirim Corupá Campo Alegre São Bento do Sul Rio Negrinho Itaiópolis Mafra Monte Castelo Papanduva Jaraguá do Sul São João do Balneário Gaivota Luís Alves Navegantes Balneário Piçarras Penha Camboriú Itapema Balneário Camboriú Itajaí Ilhota Porto Belo Bombinhas Massaranduba Araquari Joinville Itapoá Imaruí Garopaba Imbituba Urussanga Criciúma Nova Veneza Jaguaruna Içara Orleans Araranguá Balneário Arroio do Silva Jacinto Machado Sombrio Praia Grande Laguna Tubarão Gravatal Santa Rosa de Lima São Martinho (Serra Gaúcha) PORTO ALEGRE CURITIBA Rio Negro l CURITIBA União da Vitória l CURITIBA Vacaria FLORIANÓPOLIS 125
  • 125. 126 Caminho dos Príncipes O nome Caminho dos Prín- cipes faz referência às origens de Joinville, cidade que flores- ceu em terras dadas como dote pelo francês François Ferdi- nand, príncipe de Joinville, ao se casar com dona Francisca Carolina, filha de Dom Pedro I, em 1843. Esta região turística oferece ao visitante a oportu- nidade de conciliar diferentes experiências, a começar pelos ares europeus e cosmopolitas de Joinville e Jaraguá do Sul, cen- tros urbanos que preservam a cultura trazida pelos imigrantes alemães que ali desembarcaram a partir de 1851. As belezas naturais da Serra do Mar e da Mata Atlântica proporcionam contato com a natureza – com destaque para a cidade de Co- rupá, que abriga em seu terri- tório dezenas de cachoeiras e se tornou conhecida como cenário de esportes ao ar livre. Há ainda lindas paisagens nos municípios litorâneos, a exemplo de São Francisco do Sul, com seu casa- rio histórico, Itapoá, Balneário Barra do Sul e Barra Velha. 301 495 416 413 474 301 301 415 415 419 101 101 116 477 280 280 280 280 280 116 116 Itaperiú Balneário Barra do Sul São Francisco do Sul Barra Velha Garuva Schroeder Guaramirim Corupá Campo Alegre São Bento do Sul Rio Negrinho Itaiópolis Mafra Monte Castelo Papanduva Jaraguá do Sul São João do Massaranduba Araquari Joinville Itapoá P/ CURITIBA P/ FLORIANÓPOLIS P/ CURITIBA
  • 126. 127Museu Felippe Wolff, em São Bento do Sul Rua das Palmeiras, em Joinville Mercado Público de São Francisco do SulTh.E. Z.P. Z.P.
  • 127. 128 Costa Verde e Mar Visitar esta região significa ter a oportunidade de conhe- cer um dos trechos mais belos e diversificados do litoral brasilei- ro, com praias em mar aberto e outras protegidas por enseadas e baías caprichosamente dese- nhadas pela natureza. Dentro de uma mesma cidade, como Balneário Camboriú ou Itajaí, é possível encontrar pontos de grande agitação e recantos ain- da selvagens. Bombinhas, Por- to Belo, Navegantes e Balneá- rio Piçarras também guardam paisagens encantadoras, tendo como elementos em comum as areias brancas e o mar em dife- rentes tons de verde. Para “des- cansar” um pouco de tanto sol e sal, pode-se dar um pulo com as crianças no parque Beto Car- rero World, em Penha, visitar as fábricas e lojas de moda praia em Ilhota ou experimentar as famosas cachaças artesanais de Luís Alves. 413 470 411 414 470 101 101 486 Luís Alves Navegantes Balneário Piçarras Penha Camboriú Itapema Balneário Camboriú Itajaí Ilhota Porto Belo Bombinhas Ilha das Galés Ilha do Arvoredo Itapema, um dos cenários magníficos da região Z.P.
  • 128. 129 Acima: Balneário Camboriú. Ao lado: Igreja Matriz de Itajaí Z.P. E.M.
  • 129. 130 Z.P.
  • 130. 131 Bombinhas
  • 131. 132 Grande Florianópolis “Um pedacinho de terra perdido no mar/ Num pedaci- nho de terra beleza sem par.” Os versos iniciais do Rancho do Amor à Ilha, do Poeta Zininho, hino oficial de Florianópolis, sintetizam o encantamento que toma conta dos visitantes. En- tre os cenários inesquecíveis estão a Lagoa da Conceição e dezenas de praias com as mais diferentes personalidades, des- de a badalada Jurerê Interna- cional até a selvagem Lagoinha do Leste, passando por tantas outras – Mole, Joaquina, Barra da Lagoa, Ingleses, Canasviei- ras, Campeche. Há também os prédios históricos – destaque para a Catedral Metropolita- na e o Mercado Público – e a deliciosa gastronomia baseada em frutos do mar. A cidade vizinha de Governador Celso Ramos, até recentemente uma pacata colônia de pescadores, também vem se tornando um importante destino turístico com a instalação de estabele- cimentos de hospedagem de alto nível. A região da Grande Florianópolis conta ainda com as belas paisagens rurais encon- tradas em municípios como Santo Amaro da Imperatriz, Angelina e Rancho Queimado. 407 407 407 407 431 408 401 401 405 406 410 481 408 282 282 101 São João Batista Major Gercino São Pedro de Alcântara Angelina Santo Amaro da Imperatriz Águas Mornas Rancho Queimado Biguaçu Palhoça São José Governador Celso Ramos Anitápolis São Bonifácio Antônio Carlos Santa Rosa de Lima FLORIANÓPOLIS
  • 132. 133 Tesouros de Florianópolis: Santo Antônio de Lisboa (ao lado) e Praia Mole (abaixo) E.L. Z.P.
  • 133. 134 P.A.
  • 134. 135 Ilha do Campeche, em Florianópolis
  • 135. 136 Vale Europeu No entorno do rio Itajaí-Açu, muitos imigrantes europeus en- contraram, no exótico Brasil do século 19, cenários naturais que se aproximavam daqueles dei- xados para trás em suas terras de origem. Localizado na área central de Santa Catarina, em um território que serve como conexão entre as mais diversas regiões do Estado, este roteiro turístico tem como uma de suas marcas a preservação da me- mória e dos costumes trazidos pelos antepassados. O melhor exemplo disso está em Blume- nau, que mantém viva no coti- diano a cultura alemã e a celebra anualmente com a realização da Oktoberfest. Outro grande atrativo para os visitantes são os caprichos da natureza, que incluem desde as impressionan- tes cavernas de Botuverá até a profusão de rios e cachoeiras que fazem de Ibirama um dos palcos mais apreciados pelos praticantes de esportes radicais. Nova Trento, a terra de Madre Paulina, é um dos destinos reli- giosos mais procurados do país. 411 411 408 416 416 417 418 474 411 302 302 422 422 421 491 421 427 426 429 428 481 481 408 302 427 423 302 302 470 477 477 470 101 282 426 486 409 São João Batista Pouso Redondo Aurora Vidal Ramos Imbuia Chapadão do Lageado Petrolândia Atalanta Braço do Trombudo Agronômica Alfredo Wagner Terezinha Salete Taió Rio do Oeste Laurentino Lontras Tijucas Mirim Doce Rio do Campo Trombudo Central Leoberto Leal Major Gercino Presidente Nereu Canelinha Guabiruba Ascurra José Boiteux Dona Emma Witmarsum Santa Timbó Benedito Novo ApiúnaIbirama Presidente Getúlio Vitor Meireles Rio do Sul Ituporanga Agrolândia Rodeio Doutor Pedrinho Pomerode Rio dos Cedros Nova Trento Botuverá Brusque Gaspar Indaial Blumenau
  • 136. Ao lado: cavernas de Botuverá e culinária típica alemã. Acima: Igreja Matriz de Gaspar. Abaixo: vista noturna de Blumenau Z.P. Th.E. T.E. Th.E. 137
  • 137. 138 Encantos do Sul Neste roteiro turístico, as belas praias de Garopaba e Im- bituba – com destaque para a famosa Praia do Rosa – se unem à riqueza histórica de Laguna e à preservação da cultura dos imigrantes italianos, observada em cidades como Urussanga e Nova Veneza, para oferecer um cardápio irresistível aos visitan- tes. As atrações não param por aí, contudo. Em Grão-Pará, percorrer a estrada da Serra do Corvo Branco, repleta de cur- vas fechadas, é uma experiên- cia de tirar o fôlego. Criciúma, maior cidade da região, conso- lida-se como um dos principais centros de turismo de negócios do Estado, enquanto Tubarão se destaca pelas estâncias hi- drominerais e por preservar sua história ferroviária, intimamen- te ligada ao desenvolvimento do município. Uma atividade turística que vem ganhando força e atraindo cada vez mais adeptos é a observação de ba- leias-francas, que buscam refú- gio no litoral Sul catarinense no período entre julho e setembro.446448 487 447 446 443 445 445 440 438 438 431 482 439 438 437 100 442 434 407 101 101 Maracajá Morro da Fumaça Sangão Treze de Maio Forquilhinha Siderópolis Lauro Müller Cocal do Sul Braço do Norte Armazém Grão-Pará Rio Fortuna Paulo Lopes São Ludgero Capivari de Baixo Pedras Grandes Treviso Imaruí Garopaba Imbituba Urussanga Criciúma Nova Veneza Jaguaruna Içara Orleans Laguna Tubarão Gravatal Santa Rosa de Lima São Martinho Criciúma, a maior cidade do Sul Z.P.
  • 138. 139Surfe na Praia do Rosa, em Imbituba Antiga locomotiva em Tubarão Z.P. Z.P.
  • 139. 140 Caminho dos Cânions O turismo no extremo Sul de Santa Catarina é marcado pelos imponentes cânions da Fortaleza e do Itaimbezinho, lo- calizados nos parques nacionais da Serra Geral e de Aparados da Serra, respectivamente, entre os municípios de Praia Grande (SC) e Cambará do Sul (RS). Só recentemente a região come- çou a ganhar estrutura turística, com a instalação de pousadas charmosas que tornam ainda mais agradável a experiência de visitar esses impressionantes monumentos naturais. O rotei- ro inclui também belas praias, muito frequentadas por turistas gaúchos, a exemplo de Balneá- rio Arroio do Silva, Balneário Gaivota e Morro dos Conven- tos, em Araranguá. 450 485 449 448 448 487 285 101 483 483 Maracajá Ermo Timbé do Sul Morro Grande Meleiro Passo de Torres São João do Sul Santa Rosa do Sul Turvo Balneário Gaivota Araranguá Balneário Arroio do Silva Jacinto Machado Sombrio Praia Grande PORTO ALEGRE Trilha do Rio do Boi, cânion ItaimbezinhoZ.P.
  • 140. 141 Aparados da SerraZ.P.
  • 141. 142 Vale do Contestado A história desta região é marcada pela Guerra do Con- testado (1912-1916), disputa de terras entre Santa Catarina e Paraná que teve como elemento adicional a revolta da popula- ção cabocla. Caçador, a cida- de mais populosa do Vale do Contestado, reúne o principal acervo relacionado ao conflito – era na estação ferroviária local que as tropas governamentais desembarcavam para combater a população revoltosa. Entre as diversificadas atrações turísti- cas da região estão os pomares de maçã em Fraiburgo – maior produtora brasileira da fruta –, a colônia japonesa de Frei Ro- gério (estabelecida na década de 1960, com a chegada de oito famílias), a herança austría- ca presente em Treze Tílias e a inusitada história de Itá, cidade construída na década de 1990 para substituir a antiga Itá, inundada por uma hidrelétrica. 425 302 453 457 456 302 456 457 455 451 423 303 460 451 455 463 494 454 452 452 453 453 454 303 303 302 476 302 466 488 465 465 462 303 458 458 461 455 478 303 302 153 283 153 282 470 153 280 470 116 470 282 116 280 477 280 282 Arvoredo Otacílio Costa Major Vieira Bela Vista do Toldo Irineópolis Ibicaré Herval d'Oeste Zortéa Presidente Castello Branco Lacerdópolis Peritiba Alto Bela Vista Ipira Ponte Alta São Cristóvão do Sul Três Barras Cecília Timbó Grande Macieira Salto Veloso Iomerê Arroio Trinta Catanduvas Abdon Batista Luzerna Vargem Vargem Bonita Jaborá Celso Ramos Ouro Água Doce Ibiam Calmon Matos Costa Brunópolis Monte Carlo Lebon Régis Ponte Alta do Norte Santa Paial Lindóia do Sul Arabutã Ipumirim Xavantina Erval Velho Rio das Antas Frei Rogério Pinheiro Preto Capinzal Itá Joaçaba Tangará Caçador FraiburgoVideira Curitibanos Treze Tílias Campos Novos Irani Piratuba Concórdia Porto União Canoinhas Seara P/ União da Vitória l CURITIBA P/ Lagoa Vermelha (Serra Gaúcha)
  • 142. 143 Igreja submersa, em ItáZ.P.
  • 143. 144 Grande Oeste Este roteiro turístico é per- feito para quem gosta de des- cobrir lugares pouco badalados e quase desconhecidos. São 58 municípios, a maior parte de pequeno porte, que ainda não desfrutam de infraestrutura profissional de turismo, condi- ção compensada pela recepção calorosa dada aos visitantes. Entre as atrações estão as estân- cias de águas termais em cidades como Águas de Chapecó, Pal- mitos e Quilombo – esta conta até com uma série de piscinas públicas em sua região cen- tral. Campings e pesque-pague são outras tradições do Oeste. Também vale a pena conferir o calendário de festas regionais, que inclui desde celebrações em homenagem aos antepassados italianos e alemães até festivais gastronômicos, com temas es- pecíficos e variados, que vão da melancia ao leitão. Chapecó, a maior cidade da região, é um centro de eventos e negócios, com boa infraestrutura voltada a congressos e convenções. 465 467 466 468 473 471 469 484 471 469 473 468 158 282 283 480 480 480 280 386 480 282 Entre Rios Bom Jesus Ouro Verde Passos Maia Ponte SerradaFaxinal dos Guedes Cordilheira Alta Lajeado Grande Erê São Bernardino Novo Horizonte Jupiá Galvão Coronel Martins Formosa do Sul Santiago do SulJardinópolis Quilombo Marema do Sul Modelo Serra Alta Saltinho Irati Bom Jesus do Oeste Sul Brasil União do Oeste Águas Frias Coronel Freitas Campo Cunhataí Cunha Porã Romelândia Tigrinhos Flor do Sertão Iraceminha Pinhalzinho Nova Erechim Nova Itaberaba Planalto Alegre Caxambu Santa Terezinha do Progresso Riqueza Caibi Domingos Ipuaçu Abelardo Luz Xanxerê Xaxim Vargeão Maravilha Saudades São Miguel da Boa Vista Palmitos São Carlos Águas de Chapecó Guatambu Chapecó São Lourenço do Oeste São Mondaí P/ Palmas P/ Pato Branco P/ Francisco Beltrão P/ Frederico Westphalen (Missões) P/ Nonoai
  • 144. 145 Sequência de quedas-d’água em Abelardo Luz Vista noturna de ChapecóR.C. T.E.
  • 145. 146 Caminhos da Fronteira As fronteiras são regiões atí- picas, marcadas pela dinâmica nascida do relacionamento en- tre populações que, apesar da proximidade geográfica, vivem separadas por diferentes cultu- ras, idiomas e realidades eco- nômicas. Este roteiro turístico contempla as cidades catarinen- ses mais próximas da Argenti- na. São 18 municípios que, em decorrência do “afunilamento” do território catarinense em sua porção Oeste, têm também a peculiaridade de estarem simul- taneamente próximos dos Esta- dos vizinhos do Rio Grande do Sul e do Paraná. A síntese dessas múltiplas influências é o Marco das Três Fronteiras, em Dioní- sio Cerqueira – onde, esticando os braços, é possível estar ao mesmo tempo em território pa- ranaense e argentino, sem sair de Santa Catarina. Além da ri- queza cultural, a região oferece uma série de belezas naturais – rios, cachoeiras e grutas – e se esmera em celebrar a memória dos colonizadores, a exemplo dos alemães que fundaram Ita- piranga e dos poloneses que co- lonizaram Descanso. 473 471 472 471 283 386 163 163 163 280 282 Descanso Helena Belmonte Bandeirante Paraíso Princesa Guarujá do Sul Palma Sola Anchieta Barra Bonita Iporã do OesteTunápolis Santa Itapiranga São Miguel do Oeste Guaraciaba São José do Cedro Dionísio Cerqueira São João do Oeste P/ Bernardo de Irigoyen P/ Três Passos (Missões) ARGENTINA
  • 146. 147 Acima: plantação de soja em Dionísio Cerqueira. Ao lado: Igreja Matriz de Guaraciaba E.M. E.M.
  • 147. 148 Serra Catarinense O frio é a principal carac- terística da Serra Catarinense, região que se encontra a aproxi- madamente 2.000 metros acima do nível do mar. Mas os mora- dores da região tiveram o méri- to de transformar esse atributo natural, considerado desconfor- tável por muitos, em uma expe- riência extremamente agradável para os visitantes. Certamente contribuem para isso as boas op- ções de hospedagem. A região foi pioneira no país em turismo rural, com a trans- formação de fazendas centená- rias em hotéis. Nesses estabe- lecimentos, os hóspedes têm a oportunidade de realizar ativi- dades típicas da vida rural e des- frutam de culinária farta e de- liciosa. A típica cultura serrana é celebrada a cada inverno pela realização da Festa do Pinhão, em Lages. O fluxo de turistas tem aumentado também fora do período mais frio, impulsio- nado pelo interesse despertado por paisagens deslumbrantes como a estrada da Serra do Rio do Rastro, em Bom Jardim da Serra, ou a Pedra Furada vista do Morro da Igreja, em Uru- bici, conhecida também como reduto de praticantes de espor- tes radicais. Uma atividade que vem ganhando força na Serra Catarinense é a produção de vinhos finos. Várias vinícolas na região de São Joaquim perma- necem abertas à visitação. 438 425 427 430 458 438 439 457 458 430 439 438 282 116 282 430 Anita Garibaldi Otacílio Costa Capão Alto Campo Belo do Sul Palmeira São José do Cerrito Cerro Negro Painel Abdon Batista Bom Jardim da Serra Correia Pinto Bocaina do Sul Rio Rufino Urubici São Joaquim Bom Retiro Urupema Lages (Serra Gaúcha) P/ Vacaria
  • 148. 149Da gastronomia às paisagens: atrativos serranos Z.P.Z.P. S.F. P.A.
  • 149. 150 Z.P.
  • 150. 151 Rio Canoas, em Urubici, sob o luar
  • 151. 152 No rumo do futuro Os catarinenses sempre olharam com otimismo para o futuro, mas não permanecem apenas contemplando o horizonte. Arregaçam as mangas e trabalham duro, de sol a sol, para realizar seus projetos e sonhos. Neste momento de sua his- tória, o Estado mais uma vez vislumbra um período de de- senvolvimento e de grandes realizações. Boas notícias têm surgido em todas as áreas – eco- nomia, infraestrutura, seguran- ça, saúde, turismo. A BMW, célebre marca alemã de veículos, anunciou a construção de uma fábrica de carros de luxo em Araquari, no Norte catarinense. O processo de escolha do local se estendeu por quase dois anos e envolveu várias outras cidades candidatas no Brasil e em outros países do continente americano. A em- presa optou por Araquari em decorrência de uma soma de fatores, especialmente as facili- dades logísticas (com destaque para a proximidade com os por- tos de São Francisco do Sul, Ita- jaí e Navegantes) e o preparo da mão de obra da região, já muito industrializada e com experiên- cia na área metalomecânica. Os investimentos iniciais da BMW serão de R$ 530 mi- lhões, com geração de mais de 1.000 empregos diretos. A esti- mativa é de que cada um desses empregos fará nascer outros sete indiretos, pois a indústria auto- mobilística é tradicionalmente aglutinadora – a região deverá receber uma série de empresas “satélites”, fornecedoras de pe- ças e serviços para a montadora. Grandes corporações que já atuam no Estado também estão reforçando seus inves- timentos. A BrasilFoods am- pliará a unidade de Videira, resultando na criação de 1.200 novos empregos e movimen- tando toda a cadeia produtiva do agronegócio catarinense. Já o grupo Whirlpool comunicou a abertura de 850 novas va- gas de trabalho para a fábrica de refrigeradores em Joinville, a maior do mundo em equi- pamentos de alta capacidade, com produção anual de 4 mi- lhões de unidades e perspectiva de aumento de 10% com os novos investimentos. São iniciativas que tornam ainda mais dinâmica e diversi- ficada a economia catarinense, que sempre se diferenciou por essas características. Outra mar- ca do Estado, o desenvolvimen- to descentralizado, ganha força ano após ano com a adoção ofi- cial desse modelo de gestão pelo governo catarinense, por meio das Secretarias Regionais. Para continuarem desfru- tando da melhor qualidade de vida do país, os catarinenses contam com importantes inves- timentos na área social. O Pacto por Santa Catarina, um amplo programa do Governo Esta- dual, prevê a aplicação de R$ 5 bilhões. Já foram contempladas as áreas de Segurança Pública, Justiça e Cidadania, com verbas destinadas a melhoramentos nos serviços prestados pelas po- lícias Civil e Militar, Corpo de Bombeiros e Instituto Geral de Perícias, além da construção de unidades prisionais e socioedu- cativas. Também a área de Saú- de, em busca da meta de que todos os catarinenses possam
  • 152. ter atendimento em qualquer especialidade dentro de um raio de 100 km da cidade em que moram. Para cumprir esse obje- tivo, o programa prevê a cons- trução de policlínicas em todas as regiões do Estado. Santa Catarina trabalha também para renovar e ampliar sua infraestrutura. Seus aero- portos e portos ganham impor- tância no cenário nacional, ao mesmo tempo em que as fer- rovias surgem como alternativa para o transporte de cargas e o de passageiros. A rede de teleco- municações é ampla e moderna. O saneamento ganhou um im- portante reforço com a parceria entre o Governo do Estado e a Agência Francesa de Desenvol- vimento, que assegurou investi- mentos em 12 municípios. As obras previstas incluem a cons- trução de dez estações de trata- mento e 80 estações elevatórias, além da ampliação em 500 km das redes de coleta no Estado. Cerca de 110.000 catarinenses serão diretamente beneficiados por esses projetos. Na área de Turismo, o Es- tado de Santa Catarina foi escolhido pelo sexto ano con- secutivo como o melhor para se visitar do Brasil, de acordo com votação dos leitores da revista Viagem & Turismo, a principal do segmento no país. Para desenvolver também o chamado “turismo do conheci- mento”, Florianópolis avançou mais alguns passos no projeto do Sapiens Parque, um grande complexo de desenvolvimento econômico, esportes, cultura e lazer. Numa área de 4,5 milhões de m² no bairro de Canasviei- ras, serão implantados parques urbanos, áreas de passeio, ciclo- vias, centros de eventos, teatros, arenas multiúso e empresas de serviços e de setores ligados a vocações da cidade, como tec- nologia e meio ambiente. O Sa- piens Parque foi idealizado pela Fundação Centros de Referên- cia em Tecnologias Inovadoras (Certi) e é apoiado pelo Gover- no do Estado. É com base nessas e em mui- tas outras perspectivas que Santa Catarina vislumbra um futu- ro feliz e próspero. Um futuro que se constrói a cada dia, com muita dedicação e esforço, como bem sabem os catarinenses. Z.P. 153
  • 153. 154 Bibliografia ARAÚJO, Sandra M.; DEPIZ- ZOLATTI, Norberto Verani; PIRES, José Henrique Nu- nes. O cinema em Santa Cata- rina. Florianópolis: Editora da UFSC, 1987. BRANCHER, Ana (org.). His- tória de Santa Catarina – Estu- dos Contemporâneos. 2ª edição, revista. Florianópolis: Letras Contemporâneas, 2004. CABRAL, Oswaldo Rodrigues. História de Santa Catarina. Flo- rianópolis: Lunardelli, 1987. CABRAL, Oswaldo Rodrigues. Nossa Senhora do Desterro. Me- mória, I e II. Florianópolis: Im- prensa da UFSC, 1972. CARIO, Silvio A. F. (org,). Economia de Santa Catarina: inserção industrial e dinâmica competitiva. Blumenau: Nova Letra, 2008. CORREA, Carlos Humber- to. História de Florianópolis Ilustrada. Florianópolis: In- sular, 2005. FICKER, Carlos. Dona Fran- cisca. História de Joinville – crônica da Colônia Dona Fran- cisca. Joinville: Editora Letra d’Água, 2008. MAAR, Alexander; NETO, Fernando Del Prá; PERON, André. Santa Catarina – His- tória, Espaço Geográfico e Meio Ambiente. Florianópolis: Insu- lar, 2009. MACHADO, César do Can- to. Biografias de Catarinenses Notáveis. Florianópolis: Insu- lar, 2001. PEREIRA, Moacir. Santa Ca- tarina Padroeira. Florianópolis: Insular, 2002. PIAZZA, Walter. A Coloniza- ção de Santa Catarina. Floria- nópolis: Lunardelli, 1994. PIAZZA, Walter. Santa Catari- na, Sua História. Florianópolis: Editora da UFSC, 1983. SACHET, Celestino. A Litera- tura de Santa Catarina. Floria- nópolis: Lunardelli, 1979. SACHET, Celestino; SACHET, Sérgio. Santa Catarina, 100 Anos de História. Volume I e II. Florianópolis, Século Catari- nense, 1997. SILVA, Jaldyr Faustino da (org.). Fundamentos da Cultu- ra Catarinense. Rio de Janeiro: Laudes, 1970. VÁRZEA, Virgílio. Santa Cata- rina, A Ilha. Florianópolis: Lu- nardelli, 1984. (1ª ed., 1900).
  • 154. 155 Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina (Badesc) – www.badesc.gov.br Confederação Nacional dos Transportes (CNT) – www.cnt. org.br Empresa Brasileira de Infraes- trutura Aeroportuária (Infrae- ro) – www.infraero.gov.br Federação das Indústrias do Es- tado de Santa Catarina (Fiesc) – www.fiesc.com.br Fundação Catarinense de Cul- tura (FCC) – www.fcc.sc.gov.br Governo de Santa Catarina – www.sc.gov.br Instituto Brasileiro de Geogra- fia e Estatística (IBGE) – www. ibge.gov.br Instituto de Pesquisa Econômi- ca Aplicada (Ipea) – www.ipea. gov.br Ministério das Comunicações – www.comunicacoes.gov.br Ministério de Minas e Energia – www.mme.gov.br Ministério do Desenvolvimen- to, Indústria e Comércio Exte- rior – www.desenvolvimento. gov.br Ministério dos Transportes – www.transportes.gov.br Programa das Nações Uni- das para o Desenvolvimento (Pnud) – www.pnud.org.br Santa Catarina Turismo (San- tur) – www.santur.sc.gov.br Secretaria de Estado da Educa- ção – www.sed.sc.gov.br Secretaria de Portos – www. portosdobrasil.gov.br Outras fontes de consulta
  • 155. 156 Créditos de fotos André Freyesleben (A.F.) Cristiane Fontinha (C.F.) Danisio Silva/Tempo Editorial (D.S.) Edu Lyra (E.L.) Eduardo Marques/Tempo Editorial (E.M.) James Tavares/Secom Divulgação (J.T.) Neiva Daltrozo/Secom Divulgação (N.D.) Nico Esteves/Tempo Editorial (N.E.) Nilson Bastian/Escola do Teatro Bolshoi Divulgação (N.B.) Philippe Arruda (P.A.) Robson Covatti (R.C.) Sabiá Filmes (S.F.) Sandro Scheuermann/Prefeitura Municipal de Lages Divulgação (S.S.) Sergio Vignes/Tempo Editorial (S.V.) Telli Narcizo/Camerata Florianópolis Divulgação (T.N.) Tempo Editorial (T.E.) Thiago Eriksson (Th.E.) Toninho Vieira/Prefeitura Municipal de Lages Divulgação (T.V.) Zé Paiva (Z.P.)

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