Um dos doze
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    Um dos doze Um dos doze Document Transcript

    • Introdução Jesus subiu a um monte, e chamou os que ele quis, e vie- ram a ele. Nomeou doze para que estivessem com ele, e os mandasse a pregar, e tivessem o poder de expulsar demônios. São estes os doze que designou: Simão, a quem deu o nome de Pedro; Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão de Tiago, aos quais deu o nome de Boaner- ges, que significa filhos do trovão; André, Filipe, Barto- lomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o zelote, e Judas Iscariotes, que o traiu. – Mc 3:13-19 … É um dos doze… – Mc 14:20 Muitas vezes me perguntei e coloquei a questãonas aulas de Novo Testamento em que ministrei: Por que Jesus Cristo, o filho de Deus, escolheuaqueles homens como seus discípulos? O que Ele viuneles? Quais eram as suas qualificações para que mere-cessem tal honra? 1.
    • SÉRIE C ONHEÇA M AIS O que Jesus viu neles para que os escolhesse paraserem os representantes do Seu Reino nos primeirosdias daquilo, que mais tarde, veio a ser a Igreja? Se recebêssemos a tarefa de escolher entre as pes-soas à nossa volta ou de nosso convívio relacional, dozepessoas para exercerem a maior tarefa já estabelecidanos céus e na terra, elaboraríamos um perfil que seriapreenchido por raríssimas pessoas. Ao olharmos, simplesmente, para o “currículo”que a Bíblia nos apresenta destes homens, não encon-tramos neles as qualificações de acordo com nossa pers-pectiva de recursos humanos, para exercerem aimportante incumbência de apóstolos. Em leitura devocional, no livro de Marcos, depa-rei-me com uma frase que me chocou. Aquela que,parece que, nunca havia lido antes. No relato sobre a traição de Judas, Jesus anuncia,respondendo aos questionamentos dos discípulos: éum dos doze1! Um dos doze! Poderia ser qualquer umdeles! Percebi na leitura, que todos se entristeceramcom o anúncio da traição próxima. Qualquer um deles1 Mc 14:202.
    • UM DOS DOZEpoderia ter traído Jesus! Todos tinham as “condições”para isto! No fundo, no fundo, todos eram traidores.Judas apenas foi o representante! Chocou-me profundamente esta perspectiva dotexto. Pior ainda, quando comecei a meditar e concluirque como discípulo de Cristo, EU TAMBÉMESTAVA SENDO REPRESENTADO POR JUDAS!Também sou um traidor em potencial! Foi tempo de meditação na minha vida sobremeu real compromisso com o Reino. Algumas ques-tões me vieram à mente e ao coração: Por que faço o que faço? A quem de fato sirvo? À Jesus Cristo, meu Senhor e Salvador? Ou aos meus interesses pessoais? Passei a fazer uma leitura dos evangelhos parabuscar a forma de comportamento dos discípulos eobservei que estou representado em cada um deles. Cada um tem características diferentes e JesusCristo os escolheu não por apresentarem as melhoresqualificações de representantes do Seu Reino, mas por 3.
    • SÉRIE C ONHEÇA M AISrepresentarem o conjunto do comportamento huma-no que encontramos hoje na Igreja! O caráter e personalidades demonstradas pelosdiscípulos revelam o MEU comportamento. Jesus querme ensinar, através desta leitura dos Evangelhos, comoEle me vê no Reino e deseja tratar comigo, como fezcom os Doze. O Senhor quer me levar a um lugar de abundân-cia, mas há um caminho de “discipulado” a ser percor-rido. Quero analisar o que a Bíblia relata sobre o com-portamento dos discípulos e traçar uma analogia com arealidade das pessoas que compõe nos nossos dias aIgreja, a grande representante do Reino de Deus. Talvez algumas afirmações choquem pela hones-tidade, por não desejarmos nos identificar desta maneiracom a Palavra de Deus, mas precisamos fazê-lo para quea obra de Cristo na cruz se consuma em nós! Não quero escrever uma biografia dos discípulos,mas sim, tratar do comportamento deles e de como nosafetam em nossa caminhada cristã.4.
    • A motivação Entendemos o que pode ter levado Jesus a esco-lher dentre os seus inúmeros seguidores, os que esta-riam mais próximos a Ele para receberem umtreinamento intensivo de liderança do Reino de Deus. Mas, o que de fato motivou os homens, que aoprimeiro contato com Jesus Cristo, a desistirem de suasvidas privadas, seus negócios e ocupações ou profissõese seguirem um homem que parecia ser o Messias enviadopor Deus? É certo que o cenário comum na Palestina doNovo Testamento era de grande expectativa para avinda eminente do Messias. Já há anos que o domíniodo Império Romano privava os judeus da sua herança,além de impingir uma carga tributária onerosa. É fácil imaginar o sentimento da população, porocasião das festas judaicas instituídas por Deus para tra-zer à lembrança os grandes feitos de Deus no passado: alibertação do Egito, a vida no deserto e o sustento diá- 5.
    • SÉRIE C ONHEÇA M AISrio, a grande conquista de Canaã como terra prome-tida, em cumprimento às promessas de Deus aospatriarcas. Em lugar de alegria, que era o sentimento orde-nado por Deus para ocasião das festas, havia agora umfrustrante sentimento de fracasso. Viver num lugar,numa terra que por direito de herança e aliança lhe per-tence, mas, sem a liberdade de ir e vir, sem perspectivade futuro para as próximas gerações… Some-se a isto ainda, o peso das obrigações legaisimpostas por uma liderança religiosa que, por imposi-ção autoritária, submetia a população à tradição dosantigos além do cumprimento dos mandamentos deDeus. Por tradição dos antigos, expressão utilizada pelopróprio Senhor Jesus, entendemos os acréscimos à leique surgiram durante o longo período de aproximada-mente quatro séculos de absoluto silêncio da parte deDeus.6.
    • UM DOS DOZE Trata-se de interpretações da Lei de Deus que sur-giram a partir do Exílio da Babilônia e que foi expressoatravés da tradição oral e escrita2. Havia uma grande expectativa na população deIsrael para a vinda do Messias. Aquele que virialibertá-los do peso dos altíssimos impostos e outrasobrigações legais impostas pelo Império Romano, bemcomo do peso das obrigações religiosas impostas pela aliderança religiosa elitizada denominada Sinédrio3. Opovo desejava e esperava o Messias para salvá-los destasituação. Este fato é perceptível na oração de gratidão deZacarias pelo nascimento de seu filho, João:2 Por tradição entenda-se aqui com relação ao ensino na elaboração e na explicação sobre o Antigo Testamento, surgido entre o período do Antigo Testamento e do Novo Testamento, que foi adicionado pelos rabinos judeus. Este ensino era transmitido de mestre para alunos e, pelos dias de Jesus, havia assumido posição equivalente às Escrituras quanto a importância. (Douglas, 1986)3 O Sinédrio era mais alto tribunal religioso dos judeus, do qual faziam parte os sumos sacerdotes (o atual e os anteriores), chefes religiosos (anciãos) e professores da Lei. Era composto por 71 membros, incluindo o presidente. 7.
    • SÉRIE C ONHEÇA M AIS Bendito seja o Senhor Deus de Israel, porque visitou e redimiu o seu povo, e nos levantou uma poderosa salva- ção na casa de Davi, seu servo. Como falou pela boca dos seus santos profetas, desde o princípio do mundo, para nos livrar dos nossos inimigos e da mão de todos os que nos odeiam. – Lc 1:68-71 A esta altura Zacarias e Isabel, os pais de João, jásabiam da gravidez de Maria e de seu casamento comJosé, ambos da Casa de Davi, de onde, de acordo com asprofecias do Antigo Testamento, surgiria o Messiasredentor. Nas décadas seguintes surgiram diversos “movi-mentos” e personagens que poderiam ser a manifesta-ção do Messias e a grande salvação de Deus. Um destes personagens era João Batista. Atravésda sua mensagem de arrependimento fez crescer nocoração do povo a expectativa do Messias: Estando o povo na expectativa, e pensando todos de João, em seus corações, se porventura seria o Cristo, – Lc 3:15 A eminente vinda do Messias traria, segundo opensamento do povo, a libertação do domínio do8.
    • UM DOS DOZEImpério Romano e uma nova perspectiva de vida atra-vés de um novo reino – o Reino de Deus, governadopelo sucessor da casa de Davi, que traria de volta ostempos de paz e prosperidade de outrora. O “mover” de João Batista aproximou ainda maisa expectativa do povo da realidade. Havia suspeitas deque o próprio João Batista seria o Messias anunciado.E, questionado sobre as suas mensagens, declaroumuita personalidade e consciência da realidade doReino de Deus: Ele confessou e não negou, confessou: Eu não sou o Cristo. … Eu batizo com água, nas no meio de vós está alguém que não conheceis. Este é aquele que vem após mim, do qual não sou digno de desatar as correias das sandálias. – Jo 1:20, 26-27 O Reino de Deus já estava lá! Seu Messias já estava no meio do povo! Finalmente a salvação de Deus seria manifesta! Finalmente Israel teria novamente um Rei dignoda grandeza e da importância da grande nação! 9.
    • SÉRIE C ONHEÇA M AIS Quando Jesus surgiu com seu ministério, dandosinais de que Ele poderia ser o Messias, algumas pes-soas o seguiram. Por exemplo, André... Bastaram algumas horas em companhia de Jesuspara que André4, até então discípulo de João Batista, setornasse seguidor do Messias, levando consigo aindaseu irmão, Simão5. Quando Simão (ou posteriormente, Pedro) seencontrou com Jesus, este lhe convidou para segui-Lo.Então, eles, deixando as suas redes, o seguiram6. O que André e Pedro viram em Jesus? Que perspectiva ou expectativa o Senhor pôdegerar em seus corações para que largassem simples-mente os seus negócios e atividades e seguissem umhomem, cujo futuro, até então, era completamenteincerto?4 Jo 1:35-425 Posteriormente recebendo o nome de Pedro!6 Mc 1:1810.
    • UM DOS DOZE Na sequência encontramos Tiago e João tambémdeixando seus afazeres e suas famílias para seguirJesus7. E desta maneira, muitos outros o seguiram, dei-xando famílias, trabalho, afazeres e demais atividadespara trás. O que estas pessoas viram em Jesus? Será que a mensagem e a forma simples de ser doSenhor Jesus convenceria um razoável grupo de pes-soas a segui-Lo? Para nós talvez fosse simples. Mas precisamosconsiderar que a população de Israel da época, mesmocom toda a expectativa da eminente vinda do Messias,ainda dependia de um sistema religioso que era extre-mamente rígido e opressor, mas com um histórico de14 séculos! Gosto de citar que para os judeus, estudar a histó-ria do seu país e estudar a Palavra de Deus era a mesmacoisa! O livro de história dos alunos na escola em Israelera o próprio Antigo Testamento! Nele estava relatadotodo o propósito de Deus para com seu povo, as pro-7 Mc 1:19-20 11.
    • SÉRIE C ONHEÇA M AISmessas do seu futuro, os princípios e mandamentos aserem obedecidos. Além disso, a dura lição aprendida na época doExílio estava registrada, tanto nos livros como namemória do povo. Nunca mais o povo queria ser aban-donado pelo seu Deus, por seguirem outros deuses. Não seria tarefa simples convencer qualquerjudeu a abandonar suas convicções “religiosas” paramudar a sua crença. Ainda na região da Galiléia, Filipe aceitou o con-vite de seguir Jesus e a empolgação deste produziu maisum seguidor: Natanael8. Este apesar de incrédulo noinício, rapidamente foi convencido pelo próprioSenhor Jesus, de que se tratava de uma empreitada comêxito garantido. Jesus estava começando a se manifestarcomo o Profeta9 que haveria de vir. Mas longe do resplendor de um Rei, Jesus, comoo Messias se revelou de maneira simples e humilde,como o realizar de grandes milagres que livravam o8 Jo 1:43-519 De acordo com Dt 18:15, o Senhor Deus levantaria outro profeta à semelhança de Moisés, que deveria ser ouvido.12.
    • UM DOS DOZEpovo, não da opressão do Império Romano, mas dasgarras de espíritos malignos e da escravidão do pecado. O Cristo se manifestou como um grande Mestreda Palavra e não como um valente e guerreiro. A promessa que os primeiros discípulos recebe-ram foi a de serem feitos pescadores de homens e queseriam testemunhas da manifestação do Reino deDeus. Nenhuma recompensa, nenhum ganho extra,nada! Mas, um imenso privilégio – ser discípulo doMestre dos Mestres. Durante os primeiros meses do ministério deJesus e com o aumento da popularidade do Messias,através dos inúmeros milagres, podemos imaginar queo coração dos discípulos exultava com uma nova reali-dade para suas vidas extensiva para a própria nação deIsrael. Ao serem enviados para pregar a mensagem doReino de Deus, eles mesmos puderam experimentar opoder de Deus através das curas, libertações, milagres,etc.1010 Mc 6:7-13 – por exemplo. 13.
    • SÉRIE C ONHEÇA M AIS No coração de todos certamente reinava o senti-mento de êxito ministerial constante, sem a possibili-dade de derrota ou fracasso. Tudo indicava umcrescimento do Reino de Deus sem precedentes na his-tória do povo judeu. E eles, os discípulos, homens sim-ples e rudes, sem a formação que seria consideradanecessária para ocupar cargos importantes num reino,eram personagens essenciais no processo de estabeleci-mento do Reino de Deus. Quando tudo parecia, de fato, caminhar para osucesso absoluto e a vitória final sobre o domínio doImpério Romano e sobre a dominação do sistema reli-gioso vigente, o Senhor Jesus, juntamente com seus dis-cípulos retirou-se para um lugar distante do centroministerial.14.