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A FAMÍLIAEnquanto retornava ao hotel pensava um pouco sobre as glórias do passado. Nos diasem que o Reverendo Michael Cuni...
velho o recomendava, tirando o chapéu de couro, que guardasse sua fé até as últimasconseqüências:        – Nunca abandone ...
convidou-a a assumir a vaga naquele mesmo dia. Desligou o telefone, a princípio deforma desinteressada.           Ficou se...
braços da donzela, que o afagava sobre seus sinuosos seios perfumados da melhorfragrância francesa. Ali mesmo na sala de e...
espantada com a reação de Mike, indagou como poderia interromper a gestação. Foinesse momento que Michael respondeu que um...
Deixou a jovem, que já contava com quase três meses de gravidez eprosseguiu para o escritório prometendo buscá-la no dia s...
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O último sermão

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  1. 1. Prévia do Livro O Último Sermão Marcelo Olemberg Editora Emanuel Compre esse livro em: http://loja.gospel10.com/
  2. 2. QUANTO TEMPO TENHO DE VIDA, DOUTOR?N ove horas da manhã. Atrasado mais uma vez. Mal conseguia levantar a mão paradesligar o despertador, que parecia soar dentro da própria cabeça. Começou a arrumar-se rapidamente, pois estava com horário marcado no consultório médico. Não haviamais tempo para se barbear, olhou o espelho e quase não conseguia acreditar no que via.Sua aparência era péssima. Havia chegado em casa pelas altas horas da madrugada, depois de uma noiteagitada no bar, contrariando as ordens médicas. Beber, fumar e perder noites de sonoeram recomendações fatais da equipe médica. Mas. . . Enquanto se arrumava, ligou a televisão. Logo reconheceu que o documentárioera exatamente sobre os escândalos em que estava envolvido. A reportagem destacava,com certo ar de lamento, como aquele personagem havia sido um cidadão respeitável,sempre convidado para debates de interesses públicos, tendo sempre sua imagemassociada aos grandes nomes da nação. Saiu do hotel, na verdade uma espelunca de quinta categoria, muito diferente dosluxuosos “cinco estrelas” onde costumava hospedar-se. Tomou um táxi e, enquantoviajava, começou a meditar nos rumos que sua vida havia tomado: comorepentinamente, o esplendor dos holofotes foi substituído pela obscuridade, que emboradesagradável, o mantinha longe da investigação dos repórteres. Pensou como era solicitado, como suas opiniões influenciavam a vida daspessoas, dos banquetes e recepções que freqüentava, suas fotos em colunas sociais... Neste momento o táxi parou em frente ao consultório. Pagou a viagem e subiu asescadas vagarosamente, apoiando-se no corrimão, tentando vencer o cansaço provocadopelas malditas tosses que o acompanhavam nos últimos meses. Depois de avaliar alguns exames o médico o encaminhou a um oncologista, oDr. Richard Abraham, especialista e bem conhecido em sua área. Por ser bastante objetivo nos seus diagnósticos era temido por seus clientes. Asrespostas eram fatais, o que determinava sua competência.
  3. 3. Logo que chegou foi encaminhado pela recepcionista, que o apoiou nos braços aointerior do consultório, onde o Dr. Abraham já o aguardava. Cumprimentou-o com arsevero, visto que suas recomendações não estavam sendo observadas. Após examinar detidamente os exames radiológicos e laboratoriais o Dr.Abraham levantou os olhos sobre os óculos, com ar soturno e semblante carregado,como que procurando puxar assunto, perguntou como estava se sentindo ultimamente.Após um silêncio acusador, ouviu respostas evasivas, tentativas de desviar a atenção daverdade e receber o resultado dos exames. O médico lembrou-lhe as recomendações, passou severas advertências para queinterrompesse imediatamente hábitos notívagos, tabagismo e bebedeiras, pois seu estadode saúde estava cada vez pior. Sentindo que uma resposta nada agradável viria, pediu ao médico que fossedireto ao assunto. Com sua habitual objetividade, o doutor evitou delongas e relatou queos resultados dos exames foram positivos e seu estado de saúde se agravaraassustadoramente, devido as contrariações das determinações médicas. Perguntou então o que aconteceria com ele diante desta realidade. Mesmopercebendo que seu estado emocional estava bastante abalado, o Dr. Abraham foi diretoao assunto: — Bem, Sr Michael, infelizmente seu estado é irreversível. O câncer tomoucompletamente ambos os pulmões, impedindo uma extirpação preventiva e iniciandoum processo de metástase, de forma que sua expectativa de vida se encontra bastantereduzida. — Quanto tempo tenho de vida doutor? Indagou com voz embargada. — Não muito – Respondeu o médico – Não há previsão, algo em torno de dozemeses, mas se o senhor procurar um bom lugar de repouso, alimentação saudável eprincipalmente abandonar o cigarro e a bebida, este prazo poderá chegar a dezoitomeses. Sinto muito!
  4. 4. A FAMÍLIAEnquanto retornava ao hotel pensava um pouco sobre as glórias do passado. Nos diasem que o Reverendo Michael Cuningham era um dos grandes líderes religiosos daAmérica, como era convidado para aconselhar presidentes, como seus programas derádio e televisão eram apontados pelas pesquisas com alto índice de audiência. Seupassaporte diplomático facultava grandes viagens por todo o mundo, sendorecepcionado pelos chefes de governo. Chegou a recordar sobre a polêmica causada nosmeandros políticos e religiosos quando visitou o Vaticano; a coleção dos vários títulosde doutor honoris causa das principais universidades do mundo; sua glamourosa formade vida; a luxuosa mansão com jardins esplêndidos, plantas exóticas, aquários complantas aquáticas, e especialmente grande quantidade de peixes ornamentais; a famosabiblioteca, conhecida no país pelos milhares de volumes raros, visitada pelo programade TV que mostrava as mais ricas bibliotecas e as belas mansões do país. Sua esposa sempre presente no cenário político, costumava promover jantaresbeneficentes em favor da população carente. Por causa de sua influência na sociedadefoi solicitada para apoiar o candidato a prefeito nas últimas eleições, que lhe garantiuuma grande quantidade de votos, não somente por sua influência mas, também, pelofato de ser amiga inseparável da senadora Eleonor Hershey, famosa por sua luta contra oracismo e intolerância religiosa. Formavam uma família exemplar e bem-sucedida, o que causou sua indicação aocargo de Superintendente-Geral da denominação. Seu filho mais velho fora convidado para trabalhar na equipe do Governador doEstado, fato que ocupou as manchetes dos principais jornais. Michael Cuningham começou sua brilhante carreira vindo do interior aindasolteiro, participando dos cultos na Memoryal Church, na grande cidade de Nova York.Sem amigos para conversar, sentava-se no último banco. Seu terno surrado odistanciava dos outros jovens, o que dava a idéia de isolamento. Seu velho pai, umsitiante semi-alfabetizado, porém fervoroso cristão, juntou o dinheiro das duas últimascolheitas para custear sua passagem para a cidade grande. Na hora da partida do únicofilho, as lágrimas se encontraram: pai e filho se abraçaram chorando, ao lembrarem damãe, enferma em estado terminal. Enquanto o jovem caminhava para a velha porteira o
  5. 5. velho o recomendava, tirando o chapéu de couro, que guardasse sua fé até as últimasconseqüências: – Nunca abandone sua fé, meu filho. Um dia a filha mais velha do Pastor da Memoryal Church se aproximou dele, omal vestido jovem interiorano, para convidá-lo a participar do Departamento deMissões. Aquele simples convite daria início a um belíssimo romance, que culminariaem casamento. A grande recepção promovida pelo pastor, o pai da noiva, estava repletade convidados famosos e influentes que lhe abriram muitas portas, facilitando seuingresso nas altas cúpulas da denominação. O reconhecimento foi imediato. Lembrou de sua mania de guardar um velho par de sapatos que usava quandoveio do interior, e por eles nutria um grande valor sentimental; de sua coleção degravatas importadas das mais distantes partes do mundo. Como ia tudo bem em suavida, até que tudo aconteceu... Seu Ministério era próspero. Seu último livro era sucesso absoluto de vendas edevido a tantas tarefas precisou contratar uma secretária, uma vez que Senhora MartaStewart estava se aposentando. Colocou um anúncio nos jornais, solicitando candidatase marcando entrevistas. Compareceram muitas e selecioná-las não era tarefa muito fácil,visto que necessitavam possuir excelentes qualificações. Após entrevistar algumas, fez pausa para o almoço e ao retornar dispensou o seuauxiliar, que havia solicitado folga na parte da tarde e recebeu a candidata seguinte.Chamou seu nome, a porta abriu e entrou a Srta. Mary Ellen Mackartney: 22 anos deidade, cabelo ruivo, olhos azuis e rosto angelical. Ainda que ele tentasse disfarçar aquela belíssima jovem havia causado umtremendo impacto em sua mente. Com palavras desconcertadas, mandou que elasentasse e começou a entrevista. Embora houvesse candidatas mais preparadas algodizia quem seria a escolhida. O coração já fizera a escolha. Terminou o dia, entrou no carro, e a lembrança daquela jovem o atormentava.Quando chegou em casa sua esposa indagou o motivo do silêncio na hora do jantar e elealegou cansaço, se retirou para o quarto e foi deitar. No dia seguinte pegou a ficha de Mary Ellen viu o número do telefone e ligoupara ela anunciando sua escolha, mesmo sem ter avaliado as outras candidatas
  6. 6. convidou-a a assumir a vaga naquele mesmo dia. Desligou o telefone, a princípio deforma desinteressada. Ficou sentado na cadeira presidencial reclinável, enquanto ouvia uma insistenteadvertência no seu coração. As justificativas vazias abafavam a voz da insistenteconsciência, já algemada pelas emoções. Quando a Srta. Mary Ellen chegou, foi recebida com muito entusiasmo; apesarde sua razoável competência, seu dinamismo e alegria contagiavam o ambiente. Três meses após a admissão da jovem, o trabalho acumulou-se e Cuninghamteve que trabalhar até tarde e solicitou a ajuda da Srta Mackartney. Neste dia, sendotarde, resolveu levá-la em casa por causa da forte chuva que caía. Quando parou o carro em frente à casa da jovem, ela convidou-o a entrar e tomarum café, o que ele recusou, mas diante da insistência, pensou que não haveria nenhummal entrar rapidamente e ir embora sem que ninguém percebesse. Com a roupa levemente molhada, Mary Ellen entrou em casa mandou que eletirasse o paletó enquanto ela trocava de roupa e preparava o café. Ele sentou e esperouque ela retornasse enquanto observava a casa humilde. Tamanha foi sua surpresa quando a jovem apareceu com uma camisolalevemente transparente de forma que pudesse ver a lingerie de cor vermelha comdetalhes excitantes. Ainda que bastante surpreso e a princípio passando despercebido,continuou aguardando o café, porém ela sentou-se ao seu lado, exibindo o farto decoteda camisola, pegou sua mão e começou a chorar, dizendo-se perdidamente apaixonadapor ele. Nesse momento, de nada valeu lembrar-se de sua mãe doente, pedindo àslágrimas que sempre permanecesse fiel à palavra de Deus. Quando tentou levantar-se,como última tentativa de fugir daquela situação, lembrou-se de José diante da mulher dePotifar. Embora seu desejo fosse tomar aquela iniciativa primeiro, a bela jovem de 22anos o segurou pelas barras do seu colete, já meio desabotoado. Sentiu-se impotente, como se suas forças sucumbissem diante de um gigante quenão se deseja enfrentar ou uma criança indefesa diante de seu algoz. Nesse momentoMichael era um feliz escravo, porém, mais infeliz que seu vitorioso inimigo. Atordoado, indefeso e infeliz, preferiu ser dominado a dominar; embriagado,mas consciente, ele não mais se esforçou para escapar, mas para acomodar-se nos
  7. 7. braços da donzela, que o afagava sobre seus sinuosos seios perfumados da melhorfragrância francesa. Ali mesmo na sala de estar Michael e Mary Ellen experimentaramum novo sabor da vida que, não muito tempo depois, se transformaria no pior dossabores: o absinto. A respiração ofegante os fez dormir o sono que provocaria o pesadelo dainsolência. O relógio já acusava 9 horas da manhã, o sol ia alto e ele não podia crer no quevia: Mary Ellen, completamente nua ao seu lado. Levantou e se recompôs. Procurou sairsem ser percebido e foi para o escritório, ainda incrédulo com o que acontecera. Mal chegou e Susan, sua esposa, ligou perguntando o motivo de ter passado anoite fora, ele disse que trabalhou até tarde e dormiu no escritório. Enquanto elecolocava as coisas em ordem, Mary Ellen chegou com ar de satisfação e ocumprimentou dizendo: – Bom dia meu amor, como estou feliz! Ele permaneceu calado. No final do expediente pediu-lhe para levá-la em casanovamente. Aquela noite seria o jantar de comemoração pela indicação do filho dele aogabinete do Governador, e precisava chegar cedo em casa, argumentou Cuninghan.Mesmo demonstrando descontentamento ela concordou. – Oi Michael! - disse Susan – Que saudades! – exclamou abraçando-o. – Como está Mathew? – perguntou pelo filho. – Muito feliz, o próprio governador virá ao jantar. Será uma noite especial! Indisposto para conversa, Michael subiu para se arrumar para o grande jantar. Passaram-se, aproximadamente, dois meses desde que aquela noite chuvosa osenlaçou. Michael continuou em suas atividades ministeriais como de costume, porémacrescentando as saídas freqüentes com Mary Ellen, até que ela trouxe a notíciabombástica: – Mike, tenho algo muito importante para lhe dizer. Ele, que a esta altura havia começado a beber a ponto de embriagar-se,perguntou o que seria, mas sem esperar por algo tão grave. – Estou grávida. – disse. Meio trêmulo e quase bêbado não conseguiu segurar o copo com o susto.Fortemente irritado, Cuninghan esbravejou que isso não poderia acontecer de maneiranenhuma. A gravidez teria que ser interrompida a qualquer jeito. Mary Ellen ainda
  8. 8. espantada com a reação de Mike, indagou como poderia interromper a gestação. Foinesse momento que Michael respondeu que um aborto resolveria o caso. – Como um pregador do Evangelho poderia sugerir tal coisa, perguntou MaryEllen. – Escute – respondeu – estou no melhor momento de minha carreira, fuichamado para ser o conselheiro do presidente, esta semana estive na Casa Brancatomando café com ele. Meus livros estão vendendo muito; não posso deixar que essasituação venha a público, destruirá meu ministério, minha carreira e minha família. Apropósito, você comentou isso com alguém? – Eu liguei para minha mãe. Ela ficou feliz, disse Mary Ellen. – Você não entende? – argumentou nervoso e falando alto – sou um homemcasado, pastor de igreja e conhecido neste país; isto será um grande escândalo! Mary Ellen começou a chorar, não conseguia aceitar a possibilidade de umaborto. Pediu para que Michael considerasse; ele a segurou pelos braços, aos berros: – Ou você faz isso ou nunca mais vejo você! – Se você me abandonar, eu conto tudo pra imprensa, ela respondeu. Michael, descontrolado berrou novamente: – Eu mato você! A jovem, grávida de dois meses, atordoada com a reação do reverendo, nãosuportou e desabou no chão desmaiada, sendo logo amparada pelo opressor. Quando ela voltou a si, Cuninghan de forma bastante sutil tentou persuadi-la,prometendo que mais tarde se divorciaria de Susan e constituiriam família, casoconseguisse alcançar seus objetivos. Diante das juras de amor e promessas de ficarem definitivamente juntos, MaryEllen concordou. Perguntou se isso não afetaria sua saúde, o que imediatamente foidescartado por Michael, como se fosse obstetra. Beijaram-se e concordaram emprocurar uma clínica especializada na semana seguinte, devido aos compromissosministeriais dele. Era uma segunda-feira ensolarada, Michael havia chegado pela madrugada deuma viagem à Capital Federal, buscou Mary Ellen em casa, e foram à cidade vizinhaonde existia uma clínica para realização de aborto. Ele sabia do endereço porque, fizeraum levantamento de várias clínicas com o propósito de denunciar a justiça.
  9. 9. Deixou a jovem, que já contava com quase três meses de gravidez eprosseguiu para o escritório prometendo buscá-la no dia seguinte, pois a tarde realizariauma palestra para importantes homens de negócios. Chegou em casa mais cedo, para espanto de Susan, que estava envolvida emmais um importante evento beneficente. Não poderia se atrasar, pois participaria de umencontro com a Senadora Hershey e um famoso jogador de basquete, que havia doadouma quantia considerável para a construção de mais uma creche em uma comunidadecarente. Beijou-o e despediu-se dizendo que voltaria tarde, se caso ele estivessecansado, fosse dormir sem esperá-la. Ele sorriu e foi se deitar, observando como Susan o ajudava na projeçãopublicitária da Fundação Cuningham e como isso beneficiava seu Ministério. A cobertura da mídia associava frequentemente seu nome a causas sociais edespertara a atenção dos Republicanos que sondaram seu interesse em candidatar-se aosenado nas próximas eleições. Tomou um banho bem quente e foi dormir, pensando em levar um buquê derosas para Mary Ellen, quando fosse buscá-la na clínica.
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