Teol.prosperidade
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estudo teologia da prosperidade

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    Teol.prosperidade Teol.prosperidade Document Transcript

    • 1SEP – SEMINÁRIO EVANGÉLICO DE PATOS CURSO BACHAREL EM TEOLOGIA A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE DISCIPLINA – TEOLOGIA CONTEMPORÂNEA Sem. Edson Poujeaux Gonçalves Professor: Pr. Nelson dos Santos PATOS – PB OUTUBRO DE 2007
    • 2 A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE SUMÁRIO1 O FENÔMENO NEO-PENTECOSTAL 22 TEOLOGIA DA PROSPERIDADE - HERESIA OU SEITA? 32.1 OS PRECURSORES DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE 32.2 OS ATUAIS PREGADORES DESTA TEOLOGIA NO BRASIL 43 O QUE É A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE 63.1 Autoridade Espiritual 63.2 Bênçãos e Maldições da lei 63.3 Confissão Positiva 64 A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE NO BRASIL 74.1 Características da versão brasileira adaptada 84.1.1 O Papel do “Diabo 84.1.2 Doutrina da Reciprocidade 94.1.3 Sacrifícios 104.1.4 Auto-ajuda 115 OS ENSINOS DA TEOL.PROSPERIDADE À LUZ DA BÍBLIA 135.1. AUTORIDADE ESPIRITUAL 135.1.1 Os profetas, hoje 135.1.2 Autoridade das revelações 145.1.3. Homens são deuses 145.2 Saúde e Prosperidade 155.2.1 Bênção e Maldição da Lei 155.2.2 O cristão não deve adoecer 155.2.3 O cristão não deve ser pobre 165.3. Confissão Positiva 176 A VERDADEIRA PROSPERIDADE 186.1 A PROSPERIDADE ESPIRITUAL 186.2 PROSPERIDADE EM TUDO 186.2.1 BÊNÇÃOS E OBEDIÊNCIA. Dt 28.1-14 186.2.2 PROSPERIDADE EM TUDO (Sl 1.1-3; Dt 29.29) 186.2.3 CRENDO NOS SEUS PROFETAS (2 Cr 20.20) 196.2.4 PROSPERIDADE E SAÚDE (3 Jo 2) 196.2.5. BÊNÇÃOS DECORRENTES DA FIDELIDADE NO DÍZIMO 196.2.6. O JUSTO NÃO DEVE SER MISERÁVEL. (Sl 37.25) 197 CONCLUSÃO 19 Referências Bibliográficas 23
    • 3 A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE1 O FENÔMENO NEO-PENTECOSTAL No Brasil, onde confessionários, hóstia sagrada, vestes imponentes, anjos,santos e altares, rituais e símbolos da Igreja Católica sempre se confundiram com ahistória da religiosidade, a alternância de credo chega a transformar a sociedade. Noinício do século XX, quase 100% dos brasileiros se diziam seguidores do Vaticano.Cem anos depois, o catolicismo segue como maioria absoluta, mas o maior paíscatólico do mundo entrou mesmo na rota da diversidade religiosa do mundoglobalizado. Quais são a intensidade, os caminhos e os resultados da penetração dosgrupos não- católicos numa população que, no início do século XX, se declarava99% católica — porcentagem hoje reduzida para 74%? O tema foi discutido na assembléia geral da Conferência Nacional dos Bisposdo Brasil (CNBB), em Itaici (SP), em maio de 2003, onde foi lançado o Atlas dafiliação religiosa e indicadores sociais no Brasil, assinado pelos professores CesarRomero Jacob e Dora Rodrigues Hees, da PUC-Rio, e pelos pesquisadoresfranceses Philipe Waniez e Violette Brustlein. O trabalho associa pela primeira vez acartografia à religião para jogar luz sobre a fé brasileira. Reúne 400 mapas, além detabelas, gráficos e análises dos movimentos que levaram a Igreja Católica a perderem nove anos quase dez pontos porcentuais em seu rebanho: de 83,3% em 1991para 73,9% em 2000. O Atlas identifica em que territórios e condições demográficas e sociais vemocorrendo a transferência dos fiéis para as correntes evangélicas e para o grupo dos“sem religião”, que subiu de 4,7% para 7,4% da população. A debandada seconcentra nas periferias dos grandes centros, na zona rural e nas fronteirasagrícolas, áreas com um fenômeno histórico em comum: a atração de migrantes quese tornam vítimas do desenraizamento cultural e do abandono do poder público. E um fenômeno social que tem despertado a atenção de estudiosos naatualidade é o crescimento acentuado das igrejas neo-pentecostais, que estãoinseridas no grupo das religiões “evangélicas”. De acordo com a publicação do Atlasda filiação religiosa e indicadores sociais do Brasil (CNBB) os neo-pentecostaiscresceram de 6% para 10,6% da população brasileira nos últimos nove anos.
    • 4 As causas desse fenômeno são variadas. Uma delas - como mostra o estudo- são as condições sócio-econômicas; a maciça utilização da mídia também tem seupeso de influência e a competente administração empresarial dessas igrejas é algorelevante. Mas a utilização da “teologia da prosperidade” nesse meio talvez seja acausa primordial desse sucesso, uma vez que as outras dependemfundamentalmente dela.2 TEOLOGIA DA PROSPERIDADE - HERESIA OU SEITA? Algumas obras norte-americanas, escritas contra a teologia da prosperidade,tratam-na como se fosse uma heresia ou uma seita. Ao nosso ver, acreditamos que ela não é uma seita. Uma seita é compostapor um grupo bem definido de pessoas, assim como os Testemunhas de Jeová ouos Mórmons, que se chamam cristãos, mas negam doutrinas básicas da Bíblia, taiscomo a trindade e a divindade de Cristo. Na teologia da prosperidade, seus adeptos não negam nenhuma doutrinabásica nem buscam outro fundamento que não seja Cristo e os apóstolos. Antes,trata-se de uma forma de compreender a Bíblia. A Teologia da Prosperidade é algo novo na história da igreja. Parece quenada assim já foi visto antes. Mas isso não quer dizer que ele tenha surgido demodo repentino ou aparecido totalmente formado. Como todo movimento,desenvolveu-se com o tempo, e isso significa que tem raízes ligadas a pessoas,épocas e lugares diversos.2.1 OS PRECURSORES DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE Seus precursores foram: A) Essek William Kennyon (Nova York, EUA, 1867) - Nasceu em 24.04.1867,Saratoga, Nova York, EUA, falecendo aos 19.03.48. Nos anos 30 a 40,desenvolveram-se os ensinos de Essek William Kennyon. Segundo PIERATT, 1993(p. 27), ele tinha pouco conhecimento teológico formal. "Kennyon nutria umasimpatia por Mary Baker Eddy" (Gondim,1993, p. 44), fundadora do movimentoherético "Ciência Cristã", que afirma que a matéria, a doença não existem. Tudodepende da mente.
    • 5 Kenyon pastoreou igrejas batistas, metodistas e pentecostais. Depois, ficousem ligar-se a qualquer igreja. De acordo com Hanegraaff, 1996, Kenyon sofreuinfluência das seitas metafísicas como Ciência da Mente, Ciência Cristã e NovoPensamento, que é o pai do chamado "Movimento da Fé". Esses ensinos afirmamque tudo o que você pensar e disser transformará em realidade. Enfim, tais ensinosenfatizam o "Poder da Mente". B) Kenneth Hagin (Texas, EUA, 1918) - Discípulo de Kennyon. Sofreu váriasenfermidades e pobreza na juventude. Aos 16 anos diz ter recebido uma revelaçãoquando lia Mc. 11.23,24: 23 Porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele.24 Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco. (Bíblia Almeida, ed. RA). Hagin interpreta esta passagem bíblica entendendo que “tudo se pode obterde Deus, desde que confesse em voz alta, nunca duvidando da obtenção daresposta, mesmo que as evidências indiquem o contrário”. Isso, então, é a essênciada "Confissão Positiva". Foi pastor de uma igreja batista (1934-1937); depois se ligou à Assembléia deDeus (1937-1949), em seguida passou por várias igrejas pentecostais e, finalmente,fundou seu próprio ministério, aos 30 anos, fundando o Instituto Bíblico Rhema. Foicriticado por ter escrito livros com total semelhança aos de Kenyon, mas defendeu-se, dizendo que não era plágio, que os recebera diretamente de Deus. C) Kenneth Copeland, seguidor de Hagin, diz que "Satanás venceu Jesus nacruz" (HANEGRAAFF,1996, p. 36). D) Benny Hinn. Tem feito muito sucesso. Diz que teve a revelação de que “asmulheres originalmente deveriam dar à luz pelo lado de seus corpos”. (id., p. 36).2.2 OS ATUAIS PREGADORES DESTA TEOLOGIA NO BRASILA) R.R Soares: Da Igreja Internacional da Graça (uma divisão da Igreja Universal doReino De Deus) e também da Graça Editorial (a maior publicadora dos livros dosMovimentos da Fé no Brasil) ela publica os livros de Kenneth Hagin, T.L. Osdorn eoutros. RR Soares é cunhado do Bispo Edir Macedo, e autor de vários livros quepropagam tal teologia.
    • 6B) Bispo Edir Macedo: Da Igreja Universal Do Reino De Deus e da Editora UniversalProduções. Rede Record de Televisão e uma centena de rádios convencionais hojeesparramadas ao longo do mundo.C) “Apóstola” Valnice Milhomens: Estudou na Escola de Hagin, do Ministério Palavrada Fé, e agora é “apóstola”, tendo fundado várias igrejas. Acompanha o “Apóstolo”René Terranova, do MIR - Ministério Internacional de Restauração.D) Cássio Colombo: Do Ministério Maná Cristo Salva; Ligado as Igrejas Maná dePortugal, do Pr. Jorge Tadeu.E) Jerônimo Onofre da Silveira. Pastor do Templo dos Anjos, presidente da Escolade Ministério Jeová-Jirê, diretor do Seminário “Ministros Labareados de Fogo”, epresidente do Centro de Convenções Jeová-Jirê; conferencista internacional e autordos livros “Provisões e Riquezas”, “Os Gafanhotos do inferno”, “O dom de adquirirRiquezas”, “Os Exterminadores de Riquezas”. etc.F) Cristiano Netto. Conferencista Internacional, fundador do Ministério CristianoNetto, autor dos livros “O Melhor Vencedor do Mundo”, “As Sete Chaves daRiqueza”, “Como Prosperar em Tempos de Crise”.G) Jorge Linhares: Pastor da Igreja Batista Getsêmica, autor do livro “Benção eMaldição”.H) O grupo musical gospel Diante do Trono, da Igreja Batista da Lagoinha de BeloHorizonte – MG. Este grupo é o que mais vende CDs evangélicos no Brasil e teminfluenciado fortemente a juventude evangélica brasileira, tendo fama de “ungidos”.A Igreja Batista da Lagoinha tem se tornado referencia a tal ponto de havercaravanas para ir assistir seus cultos e conhecer a igreja. Só que, tal igreja temdisseminado um festival de doutrinas antibíblicas. A IBL partilha dos ideais do MIR(Ministério Internacional de Restauração). Esse ministério tem sido o principalresponsável pela disseminação do G12 em terras brasileiras e é presidido por seufundador René Terra Nova, que afirma ser “Apostolo”. A IBL já adotou, não só oG12, mas também a onda de “restauração do apostolado” ungindo Marcio Valadão,seu pastor presidente, “Apostolo”, além de ter cedido seu templo para aconsagração de René Terranova “Apóstolo” do Brasil e da América Latina, culto este
    • 7que teve a presença da “Apóstola” Valnice Milhomens, e do “Apóstolo” Mike Shea,conhecido por ministrar louvor de costas, características esta da igreja ortodoxaantioquina.3 O QUE É A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE A teologia da prosperidade une o fútil ao desagradável, ou seja, é umamistura de ganância e comodismo. Os adeptos da teologia da prosperidade achamque nós temos direito de reivindicarmos o que quisermos de Deus, esquecendo dasoberania divina. As idéias de Hagin que levaram ao estabelecimento da teologia daprosperidade podem ser divididas em três pontos principais:3.1 Autoridade Espiritual Segundo K. Hagin, Deus tem dado autoridade (unção) a profetas nos diasatuais, como seus porta-vozes.3.2 Bênçãos e Maldições da lei K.Hagin diz, com base em Gl. 3.13,14, que fomos libertos da maldição da lei,que são: 1) Pobreza; 2) doença e 3) morte espiritual. Segundo essa doutrina, ocristão tem direito a saúde e riqueza; diante disso, doença e pobreza são maldiçõesda lei. Eles ensinam que "todo cristão deve esperar viver uma vida plena, isenta dedoenças" e viver de 70 a 80 anos, sem dor ou sofrimento. Quem ficar doente éporque não reivindica seus direitos ou não tem fé. E não há exceções. Pregam que Is. 53.4,5 é algo absoluto. Fomos sarados e não existe maisdoença para o crente. Os seguidores de Hagin enfatizam muito que o crente deveter carro novo, casa nova própria, as melhores roupas, uma vida de luxo. Utilizandoa Bíblia fora de contexto, alegam, dentre outras conclusões, que: O pecado de Adãofez com que “o homem perdesse a produtividade, José era um empresáriomadeireiro, Jesus se rodeou de amigos e damas ricas e que dispunha de tantodinheiro que necessitou de um tesoureiro”.3.3 Confissão Positiva
    • 8 É o terceiro ponto da teologia da prosperidade. Ela está incluída na "fórmulada fé", que Hagin diz ter recebido diretamente de Jesus, que lhe apareceu e mandouescrever de 1 a 4, a "fórmula". Se alguém deseja receber algo de Jesus, bastasegui-la:a) "Diga a coisa" positiva ou negativamente, tudo depende do indivíduo. “De acordocom o que o indivíduo quiser, ele receberá”. Essa é a essência da confissão positiva.b) "Faça a coisa". "Seus atos derrotam-no ou lhe dão vitória. De acordo com suaação, você será impedido ou receberá".c) "Receba a coisa". Compete a nós a conexão com o dínamo do céu". A fé é o pinoda tomada. Basta conectá-lo.d) "Conte a coisa" a fim de que outros também possam crer". Para fazer a "confissãopositiva", o cristão dever usar as expressões: exijo, decreto, declaro, determino,reivindico, em lugar de dizer : peço, rogo, suplico; jamais dizer: "se for da tuavontade", pois isto destrói a fé.4 A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE NO BRASIL Como vimos, a Teologia da Prosperidade teve sua origem na década de 40nos Estados Unidos, mas a efetiva introdução no meio evangélico se deu na décadade 70. Adicionou um forte cunho de auto-ajuda e valorização do indivíduo,agregando crenças sobre cura, prosperidade e poder da fé através da confissão da"Palavra" em voz alta e "No Nome de Jesus" para recebimento das bênçãosalmejadas; por meio da Confissão Positiva, o cristão compreende que tem direito atudo de bom e de melhor que a vida pode oferecer: saúde perfeita, riqueza material,poder para subjugar Satanás, uma vida plena de felicidade e sem problemas. Emcontrapartida, dele é esperado que não duvide minimamente do recebimento dabênção, pois isto acarretaria em sua perda, bem como o triunfo do Diabo. A relaçãoentre o fiel e Deus ocorre pela reciprocidade, o cristão semeando através de dízimose ofertas e Deus cumprindo suas promessas. No Brasil a primeira e principal igreja seguidora dessa doutrina é a IURD(Igreja Universal do Reino de Deus), fundada em 1977 por Edir Macedo que adaptouas suas práticas para as características brasileiras, além de possuir metodologias eprincípios próprios. Em vez de ouvir num sermão que "é mais fácil um cameloatravessar um buraco de agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus" (Mateus
    • 919,24 e Marcos 10,25), agora a novidade reside na possibilidade de desfrutar debens e riquezas, sem constrangimento e com a aquiescência de Deus. Para os pobres e desafortunados de uma em maneira geral, o direito depossuir as bênçãos como filho de Deus traz alívio e esperança na solução de todosos seus problemas. Segundo Edir Macedo, Jesus veio pregar aos pobres para queestes se tornassem ricos. Arrependimento e redenção, tema central no Cristianismo,e as dificuldades nesta vida para o justo de Deus são temas raramente tratados.Além da IURD temos as Igrejas Renascer em Cristo, Comunidade Evangélica SaraNossa Terra, Nova Vida, Bíblica da Paz, Cristo Salva, Cristo Vive, Verbo da Vida,Nacional do Senhor Jesus Cristo e pelas organizações Adhonep, Missão Shekinah eInternacional da Graça de Deus.4.1 Características da versão brasileira adaptada4.1.1 O Papel do “Diabo” Um importante ponto dentro da doutrina da IURD, assim como na maioria dasoutras igrejas neo-pentecostais brasileiras é a intervenção do Diabo na vida dohomem. Ele, o Diabo, é o elemento perturbador que está entre a graça de Deus e ospedidos do crente. As bênçãos estão ao alcance de todos mediante a fé, inclusivecom a alteração radical de realidades miseráveis em vidas prósperas; porém, sealguém tiver qualquer envolvimento direto ou indireto com o Diabo ou não estiverdisposto a "sacrificar" para a obra de Deus, não será agraciado. Não éprimordialmente o pecado (individual ou social) que impede a posse dos bens, maso Diabo, que age segundo seu próprio arbítrio, contra quem o crente deve lutar. Umavez que a responsabilidade fica por conta do fiel e do Diabo, cria-se uma linha detensão entre a posse da bênção e a atuação diabólica. Este mecanismo permiteexplicar porque muitos fiéis não alcançam a graça. Ao longo do ano de 2001, a IURD passou a utilizar o vocábulo ”encosto” quena linguagem popular corresponde aproximadamente à “obsessor” na nomenclaturaespírita. O encosto passou a ser a entidade que “pessoalmente” provoca todo equalquer tipo de mal ao homem, aparentemente a serviço do Diabo. Provavelmente,essa mudança estratégica se deva a dois fatores: Primeiro o de sugerir ao crenteque ele pode vencer mais facilmente o inimigo, já que não se trata do próprio Diaboem pessoa; e segundo pelo aprendizado prático dos pastores que perceberam que
    • 10não estão tratando sempre com a mesma entidade durante as seções ondesupostamente o Diabo se manifestava através de alguns fiéis. A este propósito devemos lembrar, mais uma vez, que segundo a doutrina daIURD, o indivíduo não é exatamente a sede do pecado, o que exigiria dele oarrependimento, mas uma vítima da ação maligna: o ato de pecar não deriva de suaescolha, mas o Mal é fruto do encosto que atrapalha a sua vida, em especial afinanceira, que consideram um sinal de bênção.4.1.2 Doutrina da Reciprocidade Na busca da bênção, o fiel deve determinar, decretar, reivindicar e exigir deDeus que Ele cumpra sua parte no acordo; ao fiel compete dar dízimos e ofertas. ADeus cabe abençoar. Ao estabelecer esta relação de reciprocidade com Deus, o queocorre é que Ele, Deus, fica na obrigação de cumprir todas as promessas contidasna Bíblia na vida do fiel. Torna-se cativo de sua própria Palavra. Macedo ensina como proceder: Comece hoje, agora mesmo, a cobrar dEle tudo aquilo que Ele tem prometido (...) O ditado popular de que promessa é divida se aplica também para Deus. Tudo aquilo que Ele promete na sua palavra é uma dívida que tem para com você (...) Dar dízimos é candidatar-se a receber bênçãos sem medida, de acordo com o que diz a Bíblia (...) Quando pagamos o dízimo a Deus, Ele fica na obrigação (porque prometeu) de cumprir a Sua Palavra, repreendendo os espíritos devoradores (...) Quem é que tem o direito de provar a Deus, de cobrar dEle aquilo que prometeu? O dizimista! (...) Conhecemos muitos homens famosos que provaram a Deus no respeito ao dízimo e se transformaram em grandes milionários, como o Sr. Colgate, o Sr. Ford e o Sr. Caterpilar. (MACEDO, Vida com Abundância, p. 36) E prossegue: Ele (Jesus) desfez as barreiras que havia entre você e Deus e agora diz “volte para casa, para o jardim da Abundância para o qual você foi criado e viva a Vida Abundante que Deus amorosamente deseja para você” (...). Deus deseja ser nosso sócio (...). As bases da nossa sociedade com Deus são as seguintes: o que nos pertence (nossa vida, nossa força, nosso dinheiro) passa a pertencer a Deus; e o que é dEle (as bênçãos, a paz, a felicidade, a alegria, e tudo de bom) passa a nos pertencer. (MACEDO, Vida com Abundância, pp. 25,85-86) O Neo-pentecostalismo se caracteriza exatamente por este tipo derelacionamento do fiel com Deus, inspirada na Teologia da Prosperidade: o cristãotem direito a tudo de bom e de melhor neste mundo. Nas palavras de Macedo: ABíblia tem mais de 640 vezes escrita a palavra oferta. Oferta é uma expressão de fé.Se Deus não honrar o que falou há três ou quatro mil anos, eu é que vou ficar mal.
    • 11(MACEDO, O Globo, 29/4/1990). Cabe ao fiel demonstrar revolta diante de Deus e"de dedo em riste" exigir que as promessas bíblicas se cumpram.4.1.3 Sacrifícios Torna-se impossível não evidenciar que essa relação agrega um fortesimbolismo ao dinheiro: o fiel propõe trocas com Deus para conseguir a bênçãodesejada. Neste discurso, a soberania de Deus é compartilhada pelo fiel na relaçãode troca. É incentivado que o fiel se acomode ao mundo das novas tecnologias,acumule riquezas, more melhor, possua carro e não tenha sentimento de culpa pornão negar o mundo; pelo contrário, a conduta ascética tem diminuído entre ospentecostais desde a década de 70. Na relação de troca o fiel dá o dízimo, ofertas, participa das campanhas: É necessário dar o que não se pode dar. O dinheiro que se guarda napoupança para um sonho futuro, esse dinheiro é que tem importância, porque o queé dado por não fazer falta não tem valor para o fiel e muito menos para Deus.(MACEDO, Isto É Senhor, 22/11/1989). E tem a garantia dos pastores iurdianos de que Deus cumprirá sua parte: Eleficará na obrigação de cumprir Sua Palavra. (MACEDO, Mensagens, p. 23). E ainda,O ditado popular de que promessa é dívida se aplica também a Deus. (CRIVELLA,501 Pensamentos do Bispo Macedo, p. 103). A ênfase na necessidade de dízimos eofertas é explicada pelos líderes da IURD: caso o fiel não alcance o sucessoalmejado, a responsabilidade e a falha são suas. As doações em dinheiro ou bens são presentes colocados no altar de Deus,logo, para uma grande bênção, um valioso presente! A fé é um instrumento de troca;uma mercadoria, e nesta relação "toma lá, dá cá", a imagem de Deus torna-se maispróxima e trivializada, em oposição à doutrina difundida pelo protestantismo históricoe pelo catolicismo tradicional, a partir da qual reverência e submissão sãoenfatizadas. Dependendo do grau de interesse do ofertante, o presente, por mais caro queseja, ainda assim se torna barato diante daquilo que está proporcionando aopresenteado. Quando há um profundo laço de afeto, ternura e amor entre o quepresenteia e o que recebe, o presente nunca deve ser inferior ao melhor que apessoa tem condições de dar. (MACEDO, O Perfeito Sacrifício: o significadoespiritual do dízimo e ofertas, p. 12)
    • 12 O fiel deve sacrificar o "seu tudo". A IURD tem uma campanha em queestimula o fiel a doar o máximo que puder na espera da bênção. Muitas pessoas dãotudo o que têm naquele momento de sua vida: uma caderneta de poupança, odinheiro para comprar comida, o dinheiro para o ônibus, e assim por diante. Aqueles que vêem as doações das ofertas com maus olhos, ou seja, do pontode vista meramente mercadológico, principalmente do lado da Igreja, também têmdificuldades para compreender a razão da vinda do Filho de Deus ao mundo. (...)haja vista que a oferta está intimamente relacionada com a salvação eterna emCristo Jesus. (MACEDO, O Perfeito Sacrifício: o significado espiritual do dízimo eofertas, p. 14) O adepto é conclamado a concorrer por melhores condições num mundo deextrema desigualdade social. E ainda tem de assumir uma responsabilidade a mais:a de ter sucesso, senão sua vida pode estar comprometida com as forças malignasou com sua própria incapacidade de gerenciar suas possibilidades. Há muitasoportunidades para aqueles que vivem nos bolsões de pobreza? É onde seencontram muitas igrejas da Universal. Mas, mesmo assim, é preciso "sacrificar"diante de Deus e, de preferência, em dinheiro: Aqueles que examinam o custo dosacrifício jamais sacrificarão uma grande oferta, e aqueles que não sacrificam para aobra de Deus jamais conquistarão qualquer vitória. (CRIVELLA, 501 Pensamentosdo Bispo Macedo, p. 21). Colocado nestes termos, é o fiel quem decide: Tudo depende de você. Seperseverar, automaticamente conquistará as bênçãos de Deus. E assim, entrará naterra prometida. (MACEDO, Mensagens, p. 21). E a igreja administra a sua doação: A árvore proibida, no paraíso,representava o dízimo, isto é, a parte de Deus na qual o homem não podia sequertocar, embora pudesse regá-la e fazê-la crescer. (CRIVELLA, 501 Pensamentos doBispo Macedo, pp. 99-100). Já ao fiel cabe expulsar Satanás, participar dascorrentes de prosperidade, ler sobre como muitos irmãos conseguiram resultadosexigindo de Deus o que têm direito. De resto, aquele que não alcançar uma bênção,não dará testemunho nem será citado nos livros.4.1.4 Auto-ajuda “É certo que muitas pessoas neste mundo são ricas, mesmo sem possuírem Deus no coração. Vencem, entretanto, porque confiam
    • 13 na força do seu trabalho, e por isso, são possuidoras de uma riqueza honesta e digna. (...) Reafirmo que nossa vida depende de nós mesmos”. (MACEDO, Mensagens, pp. 27, 22). Algumas das características do discurso “iurdiano” denotam a recomendaçãode autoconfiança; o fiel deve crer nele mesmo, em sua capacidade individual. Aestratégia oferecida pela IURD, baseada na Teologia da Prosperidade, estimula omembro da igreja a ser participativo nos cultos em relação a ofertas e dízimos ereivindicar perante Deus aquilo que lhe pertence por direito. Se todo o discursosobre espiritualidade vem atrelado à intervenção do Diabo, quando se trata dedinheiro, o fiel tem de ir à luta e buscar a Deus com revolta, que neste caso, assumeum sentido de inconformidade com a própria situação: doença, pouco dinheiro, serempregado assalariado, etc., e é Deus quem tem que assumir Sua posição diantedo fiel: a IURD assim o exige. Porque Deus é obrigado, como em um contrato, afazer sua parte! Depende apenas de você o que será feito de sua vida, pois quem decide nosso destino somos nós mesmos. Não são as outras pessoas; não é Deus, nem o Diabo. (...) Não adianta ficar só jejuando ou orando. É preciso buscar o que você quer; fazer a sua parte, e então falar ousadamente com Deus, revoltado com a situação. Você deve dar o primeiro passo, pois Deus não o fará por você. (MACEDO, Mensagens, p. 28)5 OS ENSINOS DA TEOLOGIA DA PROSPERIDADE À LUZ DA BÍBLIA5.1. AUTORIDADE ESPIRITUAL.5.1.1 Os profetas, hoje Segundo K. Hagin, Deus tem dado autoridade (unção) a profetas nos diasatuais, como seus porta-vozes. Ele diz que "recebe revelações diretamente doSenhor"; "...Dou graças a Deus pela unção de profeta...Reconheço que se trata deuma unção diferente...é a mesma unção, multiplicada cerca de cem vezes" (Hagin,Compreendendo a Unção, p. 7).O QUE DIZ A BÍBLIA: O ministério profético, nos termos do AT, duraram até João (Mt 11.13). Osprofetas de hoje são os ministros da Palavra (Ef 4.11). O dom de profecia (1Co.12.10) não confere autoridade profética.
    • 145.1.2 Autoridade das revelações Essa autoridade deriva das "visões, profecias, entrevistas com Jesus, curas,palavras de conhecimento, nuvens de glória, rostos que brilham, ser abatido (cair)no Espírito", rejeição às doenças, ordenando-lhes que saiam, etc. Ele diz que quemrejeitar seus ensinos "serão atingidos de morte, como Ananias e Safira" (Pieratt, p.48).O QUE DIZ A BÍBLIA. A Palavra de Deus garante autoridade aos servos do Senhor (cf. Lc 24.49; At.1.8; Mc 16.17,18). Mas essa autoridade ou poder deriva da fé no Nome de Jesus eda Sua Palavra, e não das experiências pessoais, de visões e revelações atuais.Não pode existir qualquer "nova revelação" da vontade de Deus. Tudo está na Bíblia(Ver At. 20.20; Ap. 22.18,19). Se um homem diz que lhe foi revelado que a mulher deveria ter filhos peloslados do corpo, isso não tem base bíblica, carecendo tal pessoa de autoridadeespiritual. Deveria seguir o exemplo de Paulo, que recebeu revelação extraordinária,mas não a escreveu (cf. 2 Co 12.1-6).5.1.3. Homens são deuses Diz Hagin: "Você é tanto uma encarnação de Deus quanto Jesus Cristo ofoi..." (Hagin, Word of Faith, 1980, p. 14). "Você não tem um deus dentro de você.Você é um Deus" (Kenneth Copeland, fita cassete The Force of Love, BBC-56). "Eisquem somos: somos Cristo!" (Hagin, Zoe: A Própria Vida de Deus, p.57). Baseia-se,erroneamente, no Sl 82.6, citado por Jesus em Jo. 10.31-39. "Eu sou um pequenoMessias" (Hagin, citado por Hanegraaff, p. 119).O QUE A BÍBLIA DIZ Satanás, no Éden, incluiu no seu engodo, que o homem seria "como Deus,sabendo o bem e o mal" (Gn 3.5). Isso é doutrina de demônio. Em Jo. 10.34, Jesuscitou o Sl. 82.6, mostrando a fragilidade do homem e não sua deificação: "...Todavia,como homem morrereis e caireis, como qualquer dos príncipes" (v. 7). "Deus não éhomem" (Nm 23.19; 1 Sm 15.29; Os 11.9 Ex 9.14). Fomos feitos semelhantes aDeus, mas não somos iguais a Ele, que é Onipotente (Jó 42.2;...); o homem é frágil
    • 15(1 Co 1.25); Deus é Onisciente (Is 40.13, 14; Sl 147.5); o homem é limitado noconhecimento (Is 55.8,9). Deus é Onipresente (Jr. 23.23,24). O homem só podeestar num lugar (Sl 139.1-12). Diante desse ensino, pode-se entender porque osadeptos da doutrina da prosperidade pregam que podem obter o que quiserem,nunca sendo pobres, nunca adoecendo. É que se consideram deuses!5.2 Saúde e Prosperidade Esse tema insere-se no âmbito das "promessas da doutrina da prosperidade".Segundo essa doutrina, o cristão tem direito a saúde e riqueza; diante disso, doençae pobreza são maldições da lei.5.2.1 Bênção e Maldição da Lei Com base em Gl 3.13,14, K.Hagin diz que fomos libertos da maldição da lei,que são: 1) Pobreza; 2) doença e 3) morte espiritual. Ele toma emprestadas asmaldições de Dt 28. contra os israelitas que pecassem. Hagin diz que os cristãossofrem doenças por causa da lei de Moisés.O QUE DIZ A BÍBLIA Paulo refere-se, no texto de Gl. 3 à maldição da lei a todos os homens, quepermanecem nos seus pecados. A igreja não se encontra debaixo da maldição da leide Moisés. (cf. Rm 3.19; Ef 2.14). Hagin diz que ficamos debaixo da bênção deAbraão (Gl 3.7-9), que inclui não ter doenças e ser rico. Ora, Abraão foi abençoadopor causa da fé e não das riquezas. Aliás, estas lhe causaram grandes problemas.Muitos cristãos fiéis ficaram doentes e foram martirizados, vivendo na pobreza, masherdeiros das riquezas celestiais (1 Pe. 3.7). Os teólogos da prosperidade dizem que Cristo, na Cruz, "removeu nãosomente a culpa do pecado, mas os efeitos do pecado" (Pieratt, p. 132). Mas issonão é verdade, pois Paulo diz que "toda a criação geme", inclusive os crentes,aguardando a completa redenção.5.2.2 O cristão não deve adoecer Eles ensinam que "todo cristão deve esperar viver uma vida plena, isenta dedoenças" e viver de 70 a 80 anos, sem dor ou sofrimento. Quem ficar doente é
    • 16porque não reivindica seus direitos ou não tem fé. E não há exceções (Pieratt, p.135). Pregam que Is. 53.4,5 é algo absoluto. Fomos sarados e não existe maisdoença para o crente.O QUE DIZ A BÍBLIA "No mundo, tereis aflições" (Jo. 16.33). O apóstolo Paulo viveu doente (Ver 1Co. 4.11; Gl. 4.13), passou fome, sede, nudez, agressões, etc. Seus companheirosadoeceram (Fp 2.30). Timóteo tinha uma doença crônica (1Tm. 5.23). Trófimo ficoudoente (2 Tm 4.20). Essas pessoas não tinham fé? Jesus curou enfermos, e citou Is53.4,5 (cf. Mt 8.16,17). No tanque de Betesda, havia muitos doentes, mas Jesus só curou um (cf. Jo.5.3,8,9). Deus cura, sim. Mas não cura todos as pessoas. Se assim fosse, nãohaveria nenhum crente doente. Deve-se considerar os desígnios e a soberaniadivina. Conhecemos homens e mulheres de Deus, gigantes na fé, que têm adoecidoe passado para o Senhor.5.2.3 O cristão não deve ser pobre Os seguidores de Hagin enfatizam muito que o crente deve ter carro novo,casa nova (jamais morar em casa alugada!), as melhores roupas, uma vida de luxo.Dizem que Jesus andou no "cadillac" da época, o jumentinho. Isso é ingênuo, pois o"cadillac" da época de Cristo seria a carruagem de luxo, e não o simples jumentinho. Na teologia da prosperidade, o céu é aqui e agora! Claro, com sucessofinanceiro, prosperidade material, caro importado, roupas de grife, casa em certoslugares... Verdadeiro sinal de que alguém "repousa na benção de Deus".Nesta ótica "God is fashion", a concepção de sacrifício é deturpada. Ricardo Mariano, sociólogo que estuda há oito anos o fenômeno pentecostalbrasileiro, crê que essa remuneração é aceita com naturalidade pelos membros daigreja pois eles vêm projetado na liderança seu próprio anseio, como fruto dateologia da prosperidade. O sociólogo acredita que a imagem propagada pelasociedade de que o pastor é sempre um homem rico foi criada a partir de algunsexemplos na história recente da igreja no Brasil e nos EUA. "Líderes pentecostais deigrejas bem-sucedidas tendem a ter um excelente padrão de vida, pois aadministração da obra está integralmente em suas mãos. É fácil observar quem tem
    • 17este poder totalitário, pois a coisa é tratada como negócio de família, e passa de paipara filho", explica o estudioso. (http://www.icmbrasil.org/index.htm?teoprosp.htm~principal - acessado em 10.10.07 - 17h13m) Morando em luxuosas mansões nos melhores bairros da cidade, ou mesmoem prósperos balneários no exterior, incorporando personagens criados por seusassessores de marketing e até ostentando jóias caras, eles mais se parecem com osemergentes jogadores de futebol ou artistas de Hollywood. E, na maioria dos casos,é assim que são tratados pelos fiéis, que os vêem como figuras míticas eexemplares, enquanto o Filho do Homem, não tinha onde reclinar a cabeça (cf. Mt8,20 e Lc 9,58). (http://www.icmbrasil.org/index.htm?teoprosp.htm~principal - acessado em 10.10.07 - 17h13m)O QUE DIZ A BÍBLIA A Palavra de Deus não incentiva a riqueza (também não a proíbe, desde queadquirida com honestidade, nem santifica a pobreza); Paulo diz que aprendeu acontentar-se com o que tinha (cf. Fp 4.11,12; 1 Tm 6.8); Jesus enfatizou que só uma coisa era necessária: ouvir sua palavra (Lc10.42); Ele disse que é difícil um rico entrar no céu (Mt 19.23); disse, também, que avida não se constitui de riquezas (Lc 12.15). Os apóstolos não foram ricaços, mashomens simples, sem a posse de riquezas materiais. S. Paulo advertiu para o perigodas riquezas (1 Tm 6.7-10).5.3. Confissão Positiva É o terceiro ponto da teologia da prosperidade. Ela está incluída na "fórmulada fé", que Hagin diz ter recebido diretamente de Jesus, que lhe apareceu e mandouescrever de 1 a 4, a "fórmula". Como já mencionamos acima, se alguém desejareceber algo de Jesus, basta segui-la:a) "Diga a coisa" positiva ou negativamente, tudo depende do indivíduo. “De acordocom o que o indivíduo quiser, ele receberá”. Essa é a essência da confissão positiva.b) “Faça a coisa". "Seus atos derrotam-no ou lhe dão vitória. De acordo com suaação, você será impedido ou receberá".c) "Receba a coisa". Compete a nós a conexão com o dínamo do céu". A fé é o pinoda tomada. Basta conectá-lo.
    • 18d) "Conte a coisa" a fim de que outros também possam crer". Para fazer a "confissãopositiva", o cristão dever usar as expressões: exijo, decreto, declaro, determino,reivindico, em lugar de dizer: peço, rogo, suplico; jamais dizer: "se for da tuavontade", segundo Benny Hinn, pois isto destrói a fé. Mas Jesus orou ao Pai, dizendo: "Se é da tua vontade... faça-se a tuavontade..." (Mt 26.39,42). ““Confissão positiva” se refere literalmente a trazer àexistência o que declaramos com nossa boca, uma vez que a fé é uma confissão”(Romeiro,1993, p. 6).6 A VERDADEIRA PROSPERIDADE A Palavra de Deus tem promessas de prosperidade para seus filhos. Aorefutar a "Teologia da Prosperidade", não devemos aceitar nem pregar a "Teologiada Miserabilidade".6.1 A PROSPERIDADE ESPIRITUAL Esta deve vir em primeiro lugar. Sl 112.3; Sl 73.23-28. É ser salvo em CristoJesus; batizado com o Espírito Santo; é ter o nome escrito no Livro da Vida; é serherdeiro com Cristo (Rm 8.17); Deus escolheu os pobres deste mundo para seremherdeiros do reino (Tg 2.5); somos co-herdeiros da graça (1 Pe 3.7); devemos serricos de boas obras (1 Tm 6.18,19); tudo isso nos é concedido pela graça de Deus.6.2 PROSPERIDADE EM TUDO Deus promete bênçãos materiais a seus servos, condicionando-as àobediência à sua Palavra e não à "Confissão Positiva".6.2.1 BÊNÇÃOS E OBEDIÊNCIA. Dt 28.1-14 São bênçãos prometidas a Israel, que podem ser aplicadas aos crentes, hoje.6.2.2 PROSPERIDADE EM TUDO (Sl 1.1-3; Dt 29.29) As promessas de Deus para o justo são perfeitamente válidas para hoje. Masisso não significa que o crente que não tiver todos os bens, casa própria, carro novo,etc, não seja fiel.
    • 196.2.3 CRENDO NOS SEUS PROFETAS (2 Cr 20.20) Deus promete prosperidade para quem crê na Sua palavra, transmitida pelosseus profetas, ou seja, homens e mulheres de Deus, que falam verdadeiramentepela direção do Espírito Santo, em acordo com a Bíblia, e não por entendimentopessoal.6.2.4 PROSPERIDADE E SAÚDE (3 Jo 2) A saúde é uma bênção de Deus para seu povo em todos os tempos. Mas nãose deve exagerar, dizendo que quem ficar doente é porque está em pecado ouporque não tem fé.6.2.5. BÊNÇÃOS DECORRENTES DA FIDELIDADE NO DÍZIMO (Ml 3.10,11) As janelas do céu são abertas para aqueles que entregam seus dízimosfielmente, pela fé e obediência à Palavra de Deus.6.2.6. O JUSTO NÃO DEVE SER MISERÁVEL. (Sl 37.25) O servo de Deus não deve ser miserável, ainda que possa ser pobre, pois apobreza nunca foi maldição, de acordo com a Bíblia.7 CONCLUSÃO É evidente que esta teologia tem conseguido, até o momento, um grandesucesso, tendo em vista o objetivo da expansão do número de fiéis e da área deabrangência das igrejas, inclusive a nível internacional. Todavia, o que podemos observar, na prática, é que a tal Teologia daProsperidade funciona... Essencialmente para os líderes destas Igrejas. A Bíblia não nos ensina a fazermos uma barganha com Deus. Não somosensinados a ter que dar “tanto” para receber “tanto”. Deus não se condiciona aosnossos caprichos: quando nos abençoa é pela sua misericórdia e tudo querecebemos é por sua infinita graça. O poder da fé é um dos mais contundentes ensinamentos de Jesus, bastalembrar que segundo ele, se tivermos fé do tamanho de um grão de mostardapoderemos ordenar e a montanha se moverá. É evidente que se trata de uma figurade linguagem, e é claro que devemos condicionar a realização dos nossos desejos
    • 20às leis e a “vontade” de Deus. “Pai seja feita a tua vontade” - Disse Jesus. Esteargumento refuta a idéia da confissão positiva, se tomada como algo absoluto. Os sacrifícios se apóiam principalmente nos textos do antigo testamento. Aprática de sacrifícios remonta o tempo das sociedades agrárias, onde eramrealizados com o objetivo de pacificar os deuses e solicitar boas colheitas. Apoiadanessa idéia, a “reciprocidade” de Deus não dá para ser levada a sério. Aliás, os movimentos da fé conhecem pouco acerca da doutrina da graça,uma doutrina tão defendida pelos reformadores. O Deus Todo Poderoso, queconhece tudo e que faz infinitamente mais do que pedimos ou pensamos, estásendo trocado por Aladim, o gênio da lâmpada, que só é buscado quando precisamde algum favor. Um Deus que tem que cumprir com todos pedidos dos pregadoresda Fé. Uma leitura mesmo superficial dos evangelhos mostra a total despreocupaçãode Jesus pelos bens materiais. Mesmo o seu reino, não era desse mundo. A Quemquisesse seguí-lo aconselhava a vender seus bens e dá-los aos pobres. Disse que ariqueza dificultava a entrada no reino de Deus. Aos pobres, famintos e sofredoresrecomendou paciência. “Não ajunteis riquezas na terra, onde a traça e a ferrugem as corroem, e osladrões assaltam e roubam. Ajuntai riquezas no céu, onde nem traça nem ferrugemas corroem, onde os ladrões não arrombam nem roubam. Pois onde estiver vossotesouro, aí também estará o coração” (Mt 6,19-21). Quem vive apegado a riquezatermina por ser seu escravo: “Pois onde estiver vosso tesouro, aí também estará ocoração” (Mt 6,21 e Lc 12,34). Que tesouro Deus quer para nós ? Estas distrações e falsos deuses da terra,onde tudo é passageiro e corruptível? “Ninguém pode servir a dois senhores. Poisou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e abandonará o outro. Não podeisservir a Deus e às riquezas” (Mt 6, 24). Amar e servir a Deus no próximo, nos pequenos (cf. Mt 25), procurar o Reinode Deus... é esta a mensagem do Evangelho. E como tal, tudo tem que ser posto aseu serviço, incluindo as riquezas.
    • 21 Quando um fiel doa à Igreja, não pode ser como quem resolve uma equaçãomatemática, esperando que na outra ponta, como resultado final e imediato, Deuslhe garanta juros e dividendos de retorno. De fato, nesta vida se cumpre o que Cristo disse: "E quem não toma a suacruz e não me segue, não é digno de mim" (Mt 10,38). Não são os bens e os“tesouros desse mundo” que anima o cristão e a cristã, mas a fé e a esperança naspromessas de Cristo. A felicidade plena e absoluta foi prometida para a outra vida,quando da nossa Ressurreição, em que veremos Deus "face a face", e ondefinalmente a alma humana encontrará alegria e gozo total. Assim, torna-se evidente que essa doutrina apregoada por Jesus édiametralmente oposta à teologia da prosperidade. Isso não significa que a riqueza, a saúde e o bem estar devam ser repudiadospelo cristão, pois que são necessárias, mas não pode fazer disso a razão principalda sua vida: Buscai, em primeiro lugar, construir o reino de Deus dentro de vós! O crente em Jesus tem o direito de ser próspero espiritual e materialmente,segundo a bênção de Deus sobre sua vida, sua família, seu trabalho. Mas isso nãosignifica que todos tenham de ser ricos materialmente, no luxo e na ostentação. Serpobre não é pecado nem ser rico é sinônimo de santidade. De um lado, não devemos aceitar os exageros da "Teologia da Prosperidade",mas, por outro, igualmente também não devemos aceitar a "Teologia daMiserabilidade". Ora, sabemos que Deus é fiel em suas promessas! Na vida material, a promessa de bênçãos decorrentes da fidelidade nosdízimos aplica-se á igreja. A saúde é bênção de Deus. Contudo, servos de Deus,humildes e fiéis, adoecem e muitos são chamados á glória, não por pecado ou faltade fé, mas por desígnio de Deus. Curiosa é a conclusão a que chegou a pesquisadora de religiões MarySchultz, citada por Belvedere Neto, em artigo publicado pelo CACP - CentroApologético Cristão de Pesquisas, que nos mostra como terminaram alguns dosgrandes pregadores da prosperidade e da saúde perfeita. De se observar:1. E. W. Kennyon faleceu vitima de um tumor maligno.
    • 222. John Wimber e seu filho Chris morreram de câncer.3. A . A. Allen morreu de alcoolismo.4. John Lake morreu de um colapso.5. Gordon Lindsey morreu do coração.6. O cunhado de Kenneth Haigin morreu de câncer.7. O mesmo aconteceu à sua irmã.8. Sua esposa foi operada e o próprio Haigin usou óculos até morrer.9. Kathryn Khulmann morreu do coração.10. Daisy Osborne morreu de câncer, jurando que havia sido curada.11. Jamie Buckingham morreu de câncer.12. Fred Price conseguiu uma quimioterapia para a sua esposa.13. John Osteen procurou ajuda médica para curar o câncer da esposa.14. A esposa de Charles Capps fez tratamento médico de câncer e também JoyceMeyer.15. Mack Timberlake está se tratando de um câncer na garganta.16. R. W. Shambach fez quatro pontes safenas.17. O Profeta Keith Greyton morreu de AIDS. http://www.cacp.org.br/estudos/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=453&menu=7&submenu=4 - acessado em 10.10.07, às 17h07m Isso é uma prova convincente não são bem assim como pregamentusiasticamente esses “profetas” do materialismo. Por ai percebe-se que nãovivem o que pregam! Assim, que o Senhor nos ajude a entender melhor essas verdades!
    • 23 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASGOMES, Wilson. Nem anjos nem demônios. interpretações do pentecostalismo.Petrópolis: Vozes.GONDIM, Ricardo. O Evangelho da Nova Era. Abba, S. Paulo, 1993.HANEGRAAFF, Hank. Cristianismo em Crise. CPAD, Rio, 1996.MARIANO, Ricardo. Os pentecostais e a teologia da prosperidade. In NovosEstudos. SP CEBRAPPIERATT, Alan. O Evangelho da Prosperidade. Edições Vida Nova, S. Paulo 1993.ROMEIRO, Paulo. Super Crentes. Mundo Cristão, S. Paulo, 1993.Revista Brasileira de História - vol.22, no. 43, SP - Os pentecostais: entre a fé e apolítica.http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/religiao/teologia-da-prosperidade.html - acessado 10.10.07 - 17hshttp://www.cacp.org.br/midia/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=1154&menu=16&submenu=6, acessado em 11.10.07, às 10h18m.http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=4180 - acessado em10.10.07 - 17h08mhttp://www.icmbrasil.org/index.htm?teoprosp.htm~principal - acessado em 10.10.07 -17h13mhttp://www.vidacomdeus.com.br/colaboradores/joaquim/O_Movimento_da_Fe_Confissao_Positiva_e_a_Teologia_da_Prosperidade_no_Brasil.htm - acessado 10.10.07 -16h58mhttp://www.cacp.org.br/estudos/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=453&menu=7&submenu=4 - acessado em 10.10.07, às 17h07m