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Geraldo Medeiros de AguiarTEXTOS SOBRE ECONOMIA      POLÍTICA E  DESENVOLVIMENTO           2008
DEDICATÓRIAS E AGRADECIMENTOS       Agradeço e dedico estes TEXTOS a minha esposa ProfessoraMauricéa Marta B. Wanderley po...
ÍNDICEAPRESENTAÇÃO                      05I.    VISÃO PRÉVIA                  08       Velhos e novos paradigmas 08       ...
IV. SINOPSE DAS TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO ESUBDESENVOLVIMENTO                             112     Teoria do circulo vicio...
APRESENTAÇÃO        Os presentes Textos sobre economia política e desenvolvimentodestinam-se aos alunos do autor e leitore...
b) Análise, de forma sinótica, e em tópicos dos assuntos julgadosessenciais com vistas a seus desdobramentos, contextualiz...
O autor considera e conceitua a economia política, como padrão emrede de relações de trabalho e de relações sociais de pro...
I.    VISÃO PRÉVIA          O propósito dessa visão prévia é situar o leitor no sistema mundocapitalista a partir da queda...
René Descartes (Cartesius), que revoluciona o mundo do pensamento e daciência com a criação do método cartesiano com base ...
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É nesse cenário de superação de um código por outro que a educação seprojeta combinando o aprendizado com trabalho, com a ...
iii) a consciência traduzir a vontade de realizar a cidadania terrena e planetáriacom vistas à antropolítica.        O par...
dominante do universo como um sistema mecânico casualmente emergido deum caldo de matéria de modo fortuito.        O desag...
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As ideologias imbricadas a economia política             A luz do presente tema vale lembrar a historicidade das ideologia...
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impõe aos indivíduos, portanto, como unidade exterior, como ‘uma forçaestranha da qual não conhece nem a origem, nem a fin...
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intervalos cada vez menores, a crise de empregabilidade se torna maisdramática, sem quaisquer ajustes nos campos: econômic...
Fritjof Capra, também, em sua obra “As conexões ocultas” aponta comotarefa desta e das futuras gerações “a mudança do sist...
a) A força de trabalho insere-se no processo “just-in-time”, tornando-sefluida, flexível e descartável, e as oportunidades...
d) À estrutura da integridade/identidade doando limites as possibilidadesdo que se cogita na jornada da vida      e) À est...
Nos escritórios e departamentos de empresas que antes estavam repletosde empregados, hoje se limita a um número pequeno de...
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b) Não prometer demais de forma a apreender a cultura da empresa       c) Controlar o tempo, como maneira de focar o traba...
com a natureza circundante e a essência da teoria da cultura. Sendo processode hominização a cultura está imbricada a evol...
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produção da vida material condiciona o processo de existência social, política eespiritual no seu conjunto. Não é a consci...
forma muito clara “a importância do conceito de identidade cultural, queenfeita a idéia de manter com nosso passado uma re...
dizer de Darcy Ribeiro, pode experimentar impulsos progressistas“incorporando à sua cultura elementos de um acervo tecnoló...
próprias do seu povo não somente em termos políticos, mas na busca evolventede mitigar, virtuosamente, a destrutividade so...
Racismo e sexismo. Qualquer bom dicionário explicita que o racismoconfigura um conjunto de teorias e crenças com vistas à ...
Textos sobre economia e desenvolvimento
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A proposição do autor Geraldo Medeiros de Aguiar é dotar seus leitores, universitários ou não, deuma consciência crítica abrangente inserta em paradigmas não-cartesianos. O autor considera e conceitua a economia política, como padrão em rede de relações de trabalho e de relações sociais de produção com a natureza.

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  1. 1. Geraldo Medeiros de AguiarTEXTOS SOBRE ECONOMIA POLÍTICA E DESENVOLVIMENTO 2008
  2. 2. DEDICATÓRIAS E AGRADECIMENTOS Agradeço e dedico estes TEXTOS a minha esposa ProfessoraMauricéa Marta B. Wanderley por me motivar a escrevê-los e a meu filhoTiago Wanderley de Aguiar que os formatou e digitou. Dedico, ainda, aminha filha Milena (minha linda flor gentil singela), e aos meus filhos Lucase Eugênio que, com Marta e Tiago, são a razão de todo meu amor, carinho ededicação familiar. Externo, em especial, meus agradecimentos ao Professor Ary AvelarDiniz, (Presidente da Mantenedora do Colégio e da Faculdade BoaViagem), que financiou a minha participação na Conferência das NaçõesUnidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD XI) e ao ProfessorWalter Moraes que acreditou no meu trabalho. Dedico estes TEXTOS aos mestres e amigos: Manuel FigueroaLazarte, técnico da ONU/FAO, com quem apreendi a contextualizar ou lera realidade, a Vantuil Barroso Filho meu ilustre contraponto em diferentesfóruns, (na esperança de que volte a apostar na luta para o humanismoconcreto). Também, externo minhas homenagens ao colega e amigo ProfessorGeorge Emílio Bastos Gonçalves e Felipe Reis e aos meus ex-alunos deEconomia Política, ao meu genro Fabrício Azevedo, a minha querida sograJosamira B. Pontes, a minha neta Thaís e aos meus netos Andrey e IanVictor pelo carinho e dedicação como me recebem e acolhem. (Estes textos, ainda, não foram submetidos à revisão gramatical dalíngua portuguesa. A redação é a coloquial do Autor. Para publicação teráque ser revisado. No presente momento serve de apostila para os alunos doAutor ). 2
  3. 3. ÍNDICEAPRESENTAÇÃO 05I. VISÃO PRÉVIA 08 Velhos e novos paradigmas 08 As ideologias imbricadas à economia política 20 A divisão do trabalho e um mundo sem empregos 21 Outros conceitos importantes 30 Cronologia de acontecimentos importantes no sistema mundocapitalista 42II. CATEGORIAS BÁSICAS PARA O ENTENDIMENTO DA SOCIEDADE E DA ECONOMIA POLÍTICA 47 Instância econômica – IE 47 Instância social – IS 48 Instância política – IP 49 Instância ideológica/psicossocial –II 50 Sistemas mundiais 51 Economia política 52 Leis da economia política 57 Trabalho e alienação 59 Bens e mercadorias 61 Teoria da mais valia 62 O valor e suas teorias 64 Valor e processo de trabalho 66 As lógicas do valor 69 Capital e crédito 73 Empresa capitalista 76 Excedente econômico e acumulação de capital 78 Renda, lucro e investimento 81 Comércio mundial 82 A rodada de Doha da OMC. A Conferência de Hong Kong 89III. MODELOS E SEUS USOS 92 Modelos de desenvolvimento econômico 93 Modelos de desenvolvimento político 100 Nacional capitalismo 101 Capitalismo de estado 102 Socialismo de desenvolvimento 103 Características das realidades emergentes 104 Uso de modelos econométricos. Uma crítica 106 3
  4. 4. IV. SINOPSE DAS TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO ESUBDESENVOLVIMENTO 112 Teoria do circulo vicioso 112 Teoria do dualismo econômico 114 Teoria do grande incentivo 115 Teoria do crescimento equilibrado 115 Teoria do crescimento não-equilibrado 116 Teoria da transição do arranco para o autodesenvolvimento 117 Teoria da economia periférica ou exportadora dependente 118 Teoria do subdesenvolvimento 122 Teoria do desenvolvimento sustentável 124V. AS ESTRUTURAS ECONÔMICAS DAS REGIÕESSUBDESENVOLVIDAS 137 A configuração estrutural 137 A dinâmica do subdesenvolvimento 145 As condições do subdesenvolvimento 149VI. IDÉIAS PARA UM MODELO AUTÔNOMO DEDESENVOLVIMENTO 157VII. DESENVOLVIMENTO/SUBDESENVOLVIMENTO UMADESCONSTRUÇÃO DE EDGAR MORIN 179BIBLIOGRAFIA 184O AUTOR 193 4
  5. 5. APRESENTAÇÃO Os presentes Textos sobre economia política e desenvolvimentodestinam-se aos alunos do autor e leitores diversos. Os Textos, em epígrafe,servem, também, de complemento aos outros trabalhos do autor, voltados parapalestras e cursos, intitulados: a) Notas sobre metodologia de pesquisa científica. Recife, 2001. 90 p. b) Temas sobre epistemologia e ecologia. Recife, 2002. 68 p. c) Política includente de recursos humanos de base local. Recife,2008. 130 p. (no prelo) d) Leituras sobre planejamento estratégico. Recife. 2003. 108 p. e) Agenda 21 e desenvolvimento sustentável. (Caminhos e desvios).Recife. Livro Rápido. 2004. 109 p. (2ª edição no prelo) f) Organizações em rede. O que são como funcionam? Recife, 2006.150 p. (no prelo). g) Anotações sobre a análise da realidade brasileira contemporânea.Recife 2007. 135 p. Os dois primeiros trabalhos são em co-autoria com a ProfessoraMauricéa Marta Bezerra Wanderley que também motivou a elaboração dosoutros ensaios, acima citados, e estes Textos sobre economia edesenvolvimento. A proposição do autor é dotar seus leitores, universitários ou não, deuma consciência crítica abrangente inserta em paradigmas não-cartesianos. Paratanto, busca introduzir nos Textos os elementos básicos da teoria dacomplexidade a partir de uma visão sistêmica, dialética e transdisciplinar. A metodologia utilizada foi a de consultas bibliográficas, de indução,participação na UNCTAD XI (com patrocínio da Faculdade Boa Viagem) econtextualização de sua experiência profissional. A técnica ou plano de trabalho foi voltado para as palestras, ementas eprogramas pedagógicos das disciplinas dos cursos das organizações de ensinoonde o autor atua. Os conteúdos, apresentados de forma sinótica, servem de ajuda dememória para contextualizações tanto em conferências quanto em salas de aulase em oficinas de trabalho, a partir de uma visão crítica abrangente comdestaques para: a) Teoria da complexidade com vistas a motivar os leitores à inter etransdisciplinaridade com os novos paradigmas da visão sistêmica ou holísticada realidade 5
  6. 6. b) Análise, de forma sinótica, e em tópicos dos assuntos julgadosessenciais com vistas a seus desdobramentos, contextualizações e conexõesrealizadas em salas de aula, em conferências e palestras c) Síntese a partir das respostas e doações de sentido às ementas econteúdos pedagógicos e andragógicos das disciplinas que leciona d) Formação de base de conhecimento para seus alunos, leitores eouvintes. Como foi dito os Textos, agora, estão imbricados aos demais trabalhos,acima citados, em co-autoria ou não com a Professora Marta Wanderley. Ficaclaro, portanto, que seus leitores e, principalmente, seus alunos tomamconhecimento do que se explicitou naqueles ensaios. Essa é a razão de, naleitura, apresentarem-se repetições dos assuntos tratados em outros ensaios deforma modificada ou não. Os Textos estão divididos em sete partes: a primeira, voltada para umavisão prévia de paradigmas, a segunda, converge para os fundamentosconceituais das categorias de análise da sociedade e da economia política suasprincipais escolas e categorias de análises; a terceira estuda modeloseconômicos e políticos e seus usos, a quarta diz respeito às principais teorias dodesenvolvimento e do subdesenvolvimento, a quinta, visualiza as estruturaseconômicas das regiões subdesenvolvidas a sexta, volta-se aos fundamentospara um modelo autônomo de desenvolvimento sustentável ( revisada dolivro Agenda 21 e desenvolvimento sustentável) e a sétima trata dadesconstrução do desenvolvimento/subdesenvolvimento segundo Morin. O autor no que pese ter feito sua graduação universitária e seu mestradona já fragmentada, República Socialista da Tchecoslováquia, hoje, RepúblicaTcheca e República da Eslováquia. Ali, estudou, com certa profundidade, omarxismo e participou da Primavera de Praga (movimento importante para aRevolução Mundial de 1968). Deseja explicitar, ao leitor, que não vê e muitomenos aceita o marxismo como doutrina ou dogma, mas sim como uma visão,método, concepção e contextualização dos entes humanos em sociedade, nosdiferentes modos de produção que não foram e não são realidades estáticas. Omarxismo, no seu entender, recria-se no fluir das mudanças e mutações dahistória da humanidade. Continua a ser “a filosofia da ação transformadora domundo” ou um “método inacabado para as ciências sociais” mesmo fora docontexto histórico em que surgiu, emergiu e fortaleceu-se, como parte oucontribuição, às ciências humanas cujo objetivo é adquirir conhecimento sobrea realidade, a sociedade e o mundo histórico. Como filosofia é ciência pura, istoé, foge do pragmatismo do controle dos seres humanos sobre a natureza paraanalisar o metabolismo do capital em seu processo incessante de acumulação. 6
  7. 7. O autor considera e conceitua a economia política, como padrão emrede de relações de trabalho e de relações sociais de produção com anatureza. Seu objeto é tão complexo ou similar à própria vida que se autorecria.As suas relações implicam em perspectivas: > De processo, como mudanças autocriativas ou autodeterminadas dasações induzidas a partir da ação comunicativa humana que se dão nas relaçõesde produção e circulação dos bens econômicos pelo conhecimento reflexivo epelo metabolismo do capital > De forma, como ação estratégica dos relacionamentos humanos com anatureza ou biosfera > De matéria, como ação instrumental de fabricação de instrumentos emeios de trabalho que se dão e se realizam nos processos de trabalho e deprodução no mundo concreto > De sentido ou significado, como apreensão e entendimento das coisas,dos fenômenos e do metabolismo do capital. A economia política sintetiza todas essas perspectivas ou padrões davida na terra com o objetivo de atender ilimitadas necessidades humanas comvistas a um cenário de antropolítica. O autor solicita dos seus leitores, críticas aos Textos pelo correioeletrônico gmaguiar@yahoo.com.br 7
  8. 8. I. VISÃO PRÉVIA O propósito dessa visão prévia é situar o leitor no sistema mundocapitalista a partir da queda de paradigmas ao tempo que lhe apresenta conceitose teorias insertas na realidade contemporânea em um contexto que seconvencionou chamar de globalização. Essa visão prévia, sem dúvida, é umrequisito para a formação de uma base de conhecimento a título de intróito. Velhos e novos paradigmas O objetivo aqui é situar o ledor no paradigma cartesiano, (reducionista,mecanicista e determinista) e seu processo de superação por um novoparadigma que pode ser chamado de holístico, ecológico ou sistêmico. Paratanto, em termos sinóticos, busca-se a historicidade da visão do mundo pelosentes humanos e radical mudança do pensamento linear para o pensar complexo. Grosso modo pode afirmar-se que até os anos dos grandesdescobrimentos ou invasões (1492 a 1500) a visão do mundo era orgânica, istoé, se vivenciava a natureza pela interdependência dos fenômenos naturais eespirituais em termos de relações orgânicas, onde prevalecia a subordinaçãodas necessidades individuais às da comunidade. A Igreja fundamentada nafilosofia de Aristóteles e na Teologia de Tomás de Aquino estabeleceu aestrutura conceitual do conhecimento durante toda a chamada Idade Média.Aquela visão tinha por finalidade apenas o significado das coisas e não exerciaquaisquer predições ou controles dos fenômenos naturais. Seu foco era asquestões teístas voltadas para a alma humana e a moral. Outrossim, em pleno cisma da Igreja Católica Apostólica Romana, nascee cresce o hedonista Francis Bacon ferrenho crítico de Aristóteles, Platão,escolásticos e alquimistas e reformula, por completo, a indução aristotélicadando a mesma uma grande amplitude e eficácia. Dessa maneira Bacon, emcontraponto ao “Organon” aristotélico, expõe em sua obra “Novum organum”um novo método de investigação da natureza a partir das “Tábuas dainvestigação” que bem caracteriza a sua teoria da indução e seu empirismo. Em réplica a Platão, Bacon escreve a “Nova Atlântida” em cuja utopia aciência deixa de ser um exercício de gabinete ou atividade contemplativa para setransformar em um cotidiano de árdua luta com a natureza. A partir desses escritos, Bacon redefine a visão orgânica do mundo.Coloca o conhecimento em um novo plano científico cuja divisa máxima foi“saber é poder”, princípio este que lhe permitiu construir um vasto, eficaz evirtuoso sistema de idéias para o seu método do empírico de buscar a verdademesmo violentando a natureza. Em pleno processo da acumulação primitiva do capital e do capitalismomercantil ou renascimento surge no, continente europeu, um grande pensador, 8
  9. 9. René Descartes (Cartesius), que revoluciona o mundo do pensamento e daciência com a criação do método cartesiano com base na metafísica e namecânica. Seu método leva a laicização do saber, isto é, a universalização doconhecimento. Ao desenvolver o princípio da causalidade Descartes, anuncia oadvento de um mundo racional e positivo sobre o qual o ente humano proclamaseu reinado sobre as potencialidades da natureza. Na tentativa de organizar omundo em um domínio da natureza Descartes, tenta integrá-la em um universode máquinas que fundamenta a idéia cartesiana. Dessa forma, Descartesdesenvolve o tema da empresa inflectida na caça ao lucro e a mecanização dasrelações humanas e da natureza fundamentando a forma de pensar cartesiana.O seu “penso logo existo” remete o pensar filósofo a uma ordem naturalinerente à progressão do conhecimento, agora, alicerçado na matemática e nageometria cartesiana, ou seja, só se considera verdadeiro o que for evidente eintuitível com clareza e precisão. Sua filosofia racional proclama auniversalidade do bom senso. A filosofia cartesiana se explicita na máquinacapaz de produzir todos os fenômenos do universo inclusive o corpo humano. Sua magistral obra está explicita nos seus seguintes escritos: • Discurso do método • Meditações • Objeções e respostas • As paixões da alma • Cartas. Ainda, no renascimento ou iluminismo surgem dois grandes sábiosGalileu Galilei e Kepler que conceberam a idéia de lei natural em toda suaamplitude e profundidade, sem, entretanto, ser aplicada em outros fenômenosalém do movimento dos corpos em queda livre e as órbitas dos planetas. A partir de 1666 vem à luz à física e a mecânica celeste de IsaacNewton que matematiza e experimenta um método para a ciência de forma aunir e superar o empirismo de Francis Bacon e o racionalismo de RenéDescartes. Isaac Newton (matemático, físico, filosofo e teólogo) desenvolveu ométodo matemático das flexões com o cálculo diferencial e integral. Criou ateoria sobre a natureza da luz e as primeiras idéias sobre a gravitaçãouniversal, enunciaram as leis e princípios da física com ênfase a sistematizaçãoda mecânica de Galileu e astronomia de Kepler. Dessa forma criou ametodologia da pesquisa científica da natureza, que consiste na análiseindutiva seguida da síntese. Foi ainda criador da teoria do tempo e do espaçoabsolutos. Vale dizer que os pensadores aqui, sinteticamente, apresentados foram osgrandes formuladores dos paradigmas cartesianos (reducionista, mecanicista 9
  10. 10. e determinista) das ciências e que somente a partir dos meados do século XX,começaram a serem superados com o desenvolvimento da teoria darelatividade e da física quântica. Com os pensamentos de Darwin, Hegel, Marx, Engels, Einstein,Heisenberg, Planck, Bohr, Freud, Chew, Rutenford, Broglie, Schrodinger,Pauli, Dirac, Sartre, Bell, Habermas, Prigogine, Maturana, Varela,Bateson, Margulis, Grof, Lovelock, Capra e outros, dão-se o início dasuperação dos paradigmas cartesianos por outro que pode ser chamado deholístico, ecológico ou sistêmico que pode ser explícito pelos critérios de: • Mudança da parte para o todo - Tal critério, nesse novo paradigma,objetiva apreender as propriedades das partes a partir do todo. As partes sãovistas como um padrão em um emaranhado de relações inseparáveis em formade uma teia • Mudança de estrutura para processo - No diagnóstico e prognósticotentar-se-á apreender a realidade na dinâmica da teia, isto é, as estruturas serãovistas como manifestação de um processo subjacente e não a partir de estruturasfundamentais • Mudança da objetividade real para um enfoque epistêmico, ou seja,a compreensão do processo de conhecimento na descrição dos fenômenosnaturais. Dessa forma a objetividade do real passa a conter uma dependência doobservador humano e do seu processo de conhecimento • Mudança de construção para rede como metáfora doconhecimento. Com tal critério tenta-se fugir das chamadas leis e princípiosfundamentais para uma metáfora em rede ou reticular. Na medida em que arealidade é percebida como uma rede de relações ou interfaces, passando asdescrições a forma de uma rede interconexa dos fenômenos observados. Dessamaneira, o enfoque reticular ou em rede não suporta hierarquias ou alicerces • Mudança de descrições verdadeiras para descrições aproximadas -É um critério de novo paradigma que não aceita a certeza absoluta e final.Reconhece que os conceitos, as teorias, as descobertas científicas e as inovaçõestecnológicas são limitados e aproximados. Entende que a própria realidade nãopode ter uma compreensão completa, ou seja, sua apreensão depende da maiorou menor aderência do modelo ou enfoque que a apreende. O ente humano lidaapenas com descrições limitadas e aproximadas da realidade. A partir dos novos paradigmas é importante compreender o novo códigoda época da revolução pós-industrial, da informação ou do conhecimento que sesustenta nas seguintes categorias: 10
  11. 11. a) Interatividade que se constitui de vasta rede de aparelhos eletrônicosinterativos onde é deslocado o poder das redes de televisão para os usuários namedida em que estes podem modificar as imagens com total liberdade e,portanto, atenuar ou erradicar a passividade do telespectador. Está imbricada aodesenvolvimento da telemática b) Mobilidade característica da comunicação em linha imediata dequalquer lugar para qualquer parte do planeta ou situação de trânsito ou lugarfixo. O imediatismo da comunicação móvel ou fixa, inserta nesta categoria,permite a efetividade da conversão ou transferência de informação de um meiopara outro c) Conversibilidade ou conectividade que tem a capacidade detransformar a mobilidade de um sistema de aparelho para outroindependentemente de uma marca ou país de origem. A conversibilidade étambém um elo fundamental da rede interativa e sua mobilidade; d) Ubiqüidade consiste na sistemática disseminação dos sistemas decomunicação em rede pelo mundo e por todas as classes e estratos sociais dospaíses hegemônicos e periféricos. Esta categoria é responsável, hoje, peladivisão da população mundial em "inforrica e infopobre" e) Globalidade/mundialidade aponta para as ilações de troca onde seexplicitam os fenômenos políticos de mundialização versus fragmentação.Também, dá-se o sócio-econômico de exclusão versus inclusão, ou a criação deum sistema mundo onde, ainda, não se visualiza o novo rumo do existente modode produção capitalista ou de sua possível superação ou negação histórica, porum outro modo de produção que não se sabe qual é. No cenário de mudanças de paradigmas e do processo de globalização aeducação do futuro demanda uma reconceitualização e reencantamento dosdiscentes tão profundas que abalam os alicerces das questões orçamentário-financeira, tamanho das classes nas organizações educacionais, formação,salários do corpo docente. Há que se dar atenção aos conflitos curriculares,avaliações e ementas insertas nos planos pedagógicos e andragógicos. Comotransformar a educação em um sistema de alta opção em termos decompatibilizar o ensino desfocado e desencontrado com a realidade evolvente emutante é o cerne da questão educacional em rede. Vislumbra-se a tendência de as empresas venderem conhecimentos, comapoio das novas tecnologias da informação, com vistas a adequar o ensino ouadaptar a educação às novas realidades indicando novos caminhos queconduzem ao sucesso e orientam o ensino às demandas educacionais do futuro. O código da revolução da informação e do conhecimento subverte ovelho código do industrialismo que foi consubstanciado nas seguintescategorias: padronização; especialização; sincronização; concentração;maximização e centralização. 11
  12. 12. É nesse cenário de superação de um código por outro que a educação seprojeta combinando o aprendizado com trabalho, com a luta política, comserviços comunal-associativos, com turismo e lazer, etc.. Aponta para um totalou completo reexame educacional tanto nos países cêntricos como nosperiféricos com vistas ao humanismo concreto como utopia a ser realizada. Edgar Morin em seu livro “Os sete saberes necessários à educação dofuturo" trata das seguintes questões, aqui, sinòticamente, apresentadas: a) Aprender a ser, a fazer, a viver juntos e a conhecer (produzirconhecimento) b) Visão transdisciplinar da educação como processo de construção doconhecimento comum a todas as especialidades compreendendo principalmente:i) as linguagens para superar as diferenças de conceito e enfoque sobre o mesmoobjetam que as especialidades introduzem no processo do conhecimento; ii) oerro e a ilusão, isto é, fazer conhecer o que é conhecer ou, ainda, conhecimentodo conhecimento para saber que sabe; iii) o erro e a ilusão que são diretamentecondicionados por características cerebrais, mentais e culturais do conhecimentohumano c) Princípios do conhecimento pertinente a: i) aprender problemasglobais e neles inserir conhecimentos parciais e locais; ii) saber que oconhecimento fragmentado impede a operação da interface entre as partes e atotalidade; iii) ensinar métodos que permitam estabelecer as relações mútuas e asinfluências recíprocas entre as partes e o todo em um mundo complexo d) Identidade terrena com as percepções: i) do destino planetário do entehumano (geneticamente modificado ou não); ii) das comunicações imediatasentre todos os países e continentes; iii) do destino de vida e de mortecompartilhado de forma planetária e) Incertezas e inesperados nas percepções da vida e do mundo, ou seja:i) preparar as mentes para esperar o inesperado para poder enfrentá-los; ii)pensar estratégias que permitam enfrentar os imprevisto ou incertezas; iii)ensinar a enfrentar as incertezas, isto é, "navegar em mares de incertezas emmeio a arquipélagos de certezas" f) Compreensão mútua entre os humanos para uma frente vital quanto a:i) reforma das mentalidades para novas percepções da vida e do mundo; ii)compreensão da necessidade de sair do estado bárbaro da incompreensãopolitizando os problemas concretos; iii) estudo da incompreensão a partir desuas raízes, modalidades e efeitos para a erradicação do racismo, da xenofobia,do desprezo e da exclusão social g) Ética e antropoética com vistas a perceber que o ser humano temnecessariamente a condição de indivíduo-sociedade-espécie, isto é: i) oshumanos serem simultaneamente indivíduos, parte da sociedade e parte daespécie; ii) a humanidade ser vista e desenvolvida como comunidade planetária; 12
  13. 13. iii) a consciência traduzir a vontade de realizar a cidadania terrena e planetáriacom vistas à antropolítica. O paradigma Cartesiano-Newtoniano. Uma Síntese. A tão decantadacivilização tecnológica está em crise. A técnica, o tecnicismo e a alta tecnologia,associadas a uma forma de viver moderna, igualmente técnica, mas cada vezmais estereotipada, pragmática e menos humana, está apontando para a faláciade mais uma promessa: por nos meios de produção ou no extremodesenvolvimento material a chave para a felicidade humana (hoje, tudo isso temseparado cada vez mais os humanos dos humanos e os humanos da natureza, e,também, o humano de si mesmo). Este paradigma se caracteriza por idealizar uma realidade, ou melhor,uma concepção/visão de mundo mecânica, determinista, material e composta, ouseja, de máquina constituída por peças menores que se conectam de modopreciso. E essa concepção de mundo teve um grande impacto não só na Física,mas muito mais, pélas suas conseqüências filosóficas em: Biologia, Medicina,Psicologia, Economia, Filosofia e Política. A extrema fragmentação dasespecializações e a codificação da natureza. A ênfase no racionalismo, na friaobjetividade e no desvinculamento dos valores humanos superiores, aabordagem mercantil competitiva na exploração da natureza, a ideologia doconsumismo desenfreado, as diversas explorações com fins de se obter qualquervantagem em cima de outros seres vivos, etc. têm sua fundamentação filosóficanuma pretensa visão “científica”. Essa visão de um universo mecanicista,reducionista e determinista numa concepção “neodarwinista” da supremacia deumas ditas classes sociais, políticas e profissionais por sobre outras, é reediçãoaprimorada de um discurso fascista-racista já usado pelos nazistas há algumtempo atrás. O paradigma Holístico. Um Sumário. O extremo sentimento de mal-estar que muitas pessoas sentem diante dos complexos e trágicos problemas daatualidade têm levado a uma busca de um diálogo entre os vários núcleos dosaber e da atividade humana. Por exemplo, a ONU, a OMS, a UNESCO, aUNCTAD e a FAO, como grandes organizações internacionais, buscam umamaneira conjunta de solucionarem muitos dos atuais problemas humanos, semfalar nos movimentos de encontro interdisciplinares e a busca pela açãocooperativa em todos os âmbitos, a medicina psicossomática e homeopática e aabordagem holística em psicoterapia, etc. É a essa busca de uma visão deconjunto, uma visão do TODO, que se dá o nome holismo. Desde que Descartes cristalizou, de modo definitivo, a idéia da divisãoda ciência em humana e exata (ou melhor, em “Res cogitans” e “Res extensa”, oque viria a se refletir em nossa divisão em corpo e mente etc.). Tem-se vistotoda uma vasta gama de atitudes e comportamentos compatíveis com a idéia 13
  14. 14. dominante do universo como um sistema mecânico casualmente emergido deum caldo de matéria de modo fortuito. O desagrado ao modelo cartesiano – e da sua conseqüente visão demundo – foi expresso de maneira clara por vários grandes cientistas em nossoséculo, como Albert Einstein, Werner Heisenberg, Niels Bohr, Baterson,Varela e tantos outros. Enquanto, o mecanicismo cientifico vê o universo como uma imensamáquina determinística, o holismo, sem negar as características “mecânicas”que se apresentam na natureza, percebe o universo mais como uma rede de inter-relações dinâmicas, orgânica. Sabe-se que a incrível dinâmica do mercado das tecnologias e dosconhecimentos humanos impõe desafios. É preciso mudar sempre, estar abertoàs idéias novas sempre. É necessário rever constantemente os conceitos ecrenças, e estar sempre prontos a reavaliar os conhecimentos sempre abertos aaprender mais. Esse é o desafio. Não se pode confundir o real com a cópia oucom o virtual. O fato é que em todas as partes do mundo, todos os dias, pessoas reagema propostas de mudanças que causam incertezas. Elas sempre são traduzidas noscérebros humanos como perigo. Todos os dias, ao redor do globo, pessoasrepelem novas idéias, empresas rejeitam boas soluções e propostas, apenasporque não estão de acordo com as expectativas dos conhecimentos anterioresdas pessoas que tomam as decisões. Essas pessoas têm, em suas mentes, padrõesjá desenvolvidos de como funciona o mercado, ou a linha de produção, e assim,não conseguem enxergar nenhuma solução ou proposta que não obedeçam essespadrões, esses paradigmas. No dicionário, paradigma significa “padrão”, “modelo”. Paradigmassão modelos que se concebe de como funciona ou é concebida alguma coisa.Está presente em tudo na vida; em nossas atividades particulares, no trabalho, nasociedade. Por exemplo. William Bridges, autor do best seller “Job shifting” (Omundo sem empregos) diz que as empresas do futuro, mesmo as grandes, nãoestarão baseadas em um conglomerado de empregos, mas sim em duas redes:uma de pessoas interdependentes (não-empregados) e outra de informações. Para ver através dos paradigmas, é preciso ter em mente ainda outroconceito: os paradigmas cegam, não deixam ver soluções que fujam ao padrãoconhecido. Por isso, a solução costuma vir de gente de fora, de pessoas que nãoestavam envolvidas com os padrões antigos. Às vezes, de pessoas nãoespecialistas. Por isso, ao apresentar-se uma proposta nova, afaste do caminhoaquelas pessoas que dizem “isto não funciona”. Elas vão atrapalhar os que estãobuscando novos paradigmas. Quando Henry Ford quis desenvolver o motor V-8, teve como resposta dos especialistas de que não funcionaria. Buscou, então,gente nova, engenheiros novos sem os velhos paradigmas. Isto não significa queos conhecimentos dos mais experientes devam ser desprezados. Mas também,que não se deve desprezar a visão dos mais novos. Idêntico procedimento se deu 14
  15. 15. com Thomas Edison não somente no invento da lâmpada incandescente, masno do telegrafo e outras invenções. Os cientistas gostam de pensar que contribuem para a marcha constantedo progresso. Cada nova descoberta corrige deficiências, traz aperfeiçoamentosao conhecimento e torna a verdade cada vez mais clara. Eles voltam seus olhospara a história da ciência e observam um contínuo desenvolvimento,convenientemente assinalado pelas grandes descobertas e criações. Essa visão, entretanto, é ilusória, segundo o historiador de ciênciaThomas Kuhn, em seu livro “The struture of scientific revolutions” (1962). Aciência não é uma transição suave do erro à verdade, é sim uma série de crisesou revoluções, expressas como “mudanças de paradigmas”. Kuhn define “paradigma” como uma série de suposições, métodos eproblemas típicos, que determinam para uma comunidade científica quais são asquestões importantes, e qual a melhor maneira de respondê-las. Os estudos deKuhn revelaram duas coisas: que os paradigmas são persistentes e que umderruba o outro de uma só tacada e não com pequenos golpes. O progressocientífico está mais para uma série de transformações revolucionárias do quepara um crescimento orgânico. As idéias fundamentais sobre paradigmas: • O hábito é o maior inimigo do novo • Novos modelos só são propostos nos “limites” da situação atual • O novo só acontece se houver “força” para superar os obstáculos que virão • Só enxerga-se o novo afastando-se da regra e do comportamento atual. Apresentam-se, a seguir, alguns princípios da “teoria da complexidade”para enfatizar as mudanças ou a transposição de paradigmas. Certamente, essateoria ocupa cada vez mais espaços com a revolução do conhecimento e dainformação. Mais ainda, com a gestação de novas fontes de energia (biomassa,eólica, solar) e da economia do hidrogênio com vistas à substituição doscombustíveis fósseis, redistribuição não somente do lucro, mas também, dopoder entre os humanos que vivem no planeta. A complexidade necessariamentesupera o conhecimento disciplinarizado. Fala-se, não mais dos processos de produção na organização da empresaconvencional, mecânica e complicada, do sistema mundo do capitalismo, mas deuma empresa viva. Esta se autorecria por ser capaz de aprender e pensar apartir das famílias que nela estão insertas, portanto, de uma empresa ouorganização tão complexa como a vida ou como a sociedade humana. Para maior inteligibilidade de como funcionam essas visões dacomplexidade ou apreensões em rede, nos processos sócio-econômicos e nasorganizações reticulares apresentam-se, sinoticamente, os princípios básicos oucaracterísticas da teoria da complexidade e o holismo com vistas àcontextualização e apreensão da ciência, particularmente, da economia política. 15
  16. 16. Dinâmica. Com a observação dos campos de forças contrárias(impulsoras e restritivas) que pressupõem o devir e o fazer novo imbricados ascategorias de: atividade, criatividade, objetividade, historicidade e agilidade.Compreende as chamadas “estruturas dissipativas” para a criatividade possível.É o modo inovador do vir a ser. A dinâmica da ciência está no fato de queenquanto mais paradigmática ela for, menos cientifica será. Não-linear. Esse princípio do pensar complexo embora aceite que todaintervenção ou criação tecnológica que seja linear como parte da realidade,porém em totalidades complexas, a decomposição das partes desconstrói o todoe é impraticável a partir das partes reconstituírem o todo. É preciso entender quena complexidade da vida na parte está contido o todo. A não-linearidade implicaequilíbrio e desequilíbrio que, geralmente, leva à substituição do velho pelonovo. Tudo está conectado. Segundo Demo na “não-linearidade implica, pois,muito mais que emaranhados, labirintos, complicações, onde se podem verprocessos que se complicam, mas não se complexificam”. Na complexidadepulsa relação própria entre o todo e as partes. O complexo pode provir dosimples como este do complexo. Reconstrutiva. Essa característica do pensar complexo doa sentido aproduzir-se algo para além de si mesmo. A luz pode ser vista como matéria eonda dependendo do ponto de vista de quem a observa. Apenas na lógica formallinear 2+2 são iguais a 4, haja vista que se leva em conta que o primeiro 2 sãodois euros e, o segundo, são dois reais seu somatório jamais serão 4. Muito doque parece igual esconde incomensuráveis diferenças e vice-versa. Areconstrutividade sinaliza sentidos de: autonomia; aprendizagem, reconstrução ereformação. A vida não significa uma matéria nova, mas certamente, uma novamodalidade de organização da matéria. Processo dialético evolutivo. O computador não aprende, logo, não sabeerrar. É máquina reversível, sofisticada, complicada, mas não complexa. Océrebro humano possui habilidades reconstrutivas e seletivas que ultrapassamtodas as lógicas reversíveis. É, portanto, irreversível e complexo. A vida não foicriada, ela mesma se reconstrói. É autocriativa. Dizia Heráclito em 2000 a.C.que: “vive-se com a morte e morre-se com a vida”. Essa assertiva aponta oucompõe o desafio dialético do conhecimento sobre o cosmo e sobre a vida. Irreversibilidade. Nada se repete. Qualquer depois é diferente do antes.É não linearidade. É impossível voltar ao passado ou ir ao futuro permanecendoo mesmo. A irreversibilidade sinaliza o caráter evolutivo e histórico da natureza.O tempo-espaço são dimensões irreversíveis. Toda e qualquer realidade estámuito além do que aparenta e que se pode verificar. O máximo que se pode fazeré construir um modelo de aderência à realidade. Aquilo que aparece real é muitadas vezes virtual ou cópia. A natureza não doa sentido e não tem sentido em si,apenas age ou reage por causa e efeito. Intensidade de fenômenos complexos. O que bem explicita esse fato éo chamado efeito borboleta, ou seja, aquelas que esvoaçam em um continentecausam um ciclone em outro ou o também conhecido efeito dominó. Demanda 16
  17. 17. relação de causa e efeito e ambivalência em sua contextualização. Sabe-se, hoje,que o mundo da complexidade é o mundo das incertezas. No caso do direitopode-se aventar que a justiça é cega, não por ser injusta e imparcial, mas porqueé voltada para o que se quer ver. Esse mesmo fenômeno pode ter referência amais valia e à alienação do trabalho. Ambigüidade/ambivalência dos fenômenos complexos. Ambigüidaderefere-se à estrutura caótica, isto é, à ordem e à desordem. Ambivalência dizrespeito à processualidade dos fenômenos. É o eterno vir a ser. Argumentar équestionar, é penetrar no campo de forças que constitui a dinâmica. Aambivalência subentende a existência e a simultaneidade de idéias com a mesmaintensidade sobre algo ou coisa que se opõem mutuamente. Por isso aambivalência é a tendência do construtivo no destrutivo e vice-versa com vistasà inovação e a criatividade. É o que se conhece como crise. Sob a alegação que a inteligência humana ser não-linear Pedro Demo,em seu livro “Complexidade e aprendizagem”, cita de Hofstardter o seguintetexto: “ninguém sabe por onde passa a linha divisória entre o comportamentonão inteligente e o comportamento inteligente; na verdade, admitir a existênciade uma linha divisória nítida é provavelmente uma tolice. Mas, certamente, sãocapacidades essenciais para a inteligência: • Responder a situações de maneira muito flexível • Tirar vantagens de circunstâncias fortuitas • Dar sentido a mensagens ambíguas ou contraditórias • Reconhecer a importância relativa de elementos de uma situação • Encontrar similaridades entre situações, apesar das diferenças que possam separá-las • Encontrar diferenças entre situações, apesar das que possam uni- las • Sintetizar novos conceitos, tomando conceitos anteriores e reordena-los de maneiras novas • Formular idéias que constituem novidades”. Sobre o pensar complexo e sistêmico a aluna Mirella Ferraz, junto comAristófanes Júnior, contextualizaram o tema resumindo-o nos seguintesprincípios: • “Tudo está ligado a tudo • O mundo natural é constituído de opostos ao mesmo tempo antagônicos e complementares • Toda ação implica uma retro alimentação (feedback) • Toda retro alimentação resulta em novas ações • Vive-se em círculos sistêmicos e dinâmicos de retro alimentação e não em linhas estáticas de causa e efeito imediato • Há que se ter responsabilidade em tudo que se influencia • A retro alimentação pode surgir bem longe da ação inicial, em termos de tempo e espaço • Todo sistema reage segundo a sua estrutura • A estrutura de um sistema muda continuamente, mas não a sua organização • Os resultados nem sempre são proporcionais aos esforços iniciais 17
  18. 18. • Os sistemas funcionam melhor por meio de suas ligações mais frágeis • Uma parte so pode ser definida como tal em relação a um todo • Nunca se pode fazer uma coisa isolada • Não há fenômeno de causa única no mundo natural • As propriedades emergentes de um sistema não são redutíveis aos seus componentes • É impossível pensar num sistema sem pensar em seu ambiente ou contexto • Os sistemas não podem ser reduzidos ao meio ambiente e vice- versa”. No final de suas apresentações, em sala de aula, foram enfáticos emafirmar que, nas suas bases de conhecimento o pensar complexo mostrou que: • “Pequenas ações podem levar a grandes resultados (efeitos: borboleta e dominó) • Nem sempre se aprende pela experiência ou repetição • O autoconhecimento se dar com ajuda do outro • Soluções imediatistas podem provocar problemas ainda maiores do que aquele que se tenta resolver • Toda ação produz efeitos colaterais • Soluções óbvias em geral causam mais mal do que bem • É possível pensar em termos de conexões, e não de eventos isolados • O imediatismo e a inflexibilidade são os primeiros passos para o subdesenvolvimento, seja ele pessoal, cultural e grupal”. 18
  19. 19. 19
  20. 20. As ideologias imbricadas a economia política A luz do presente tema vale lembrar a historicidade das ideologiasentendidas como parâmetros que atribuem à origem das idéias humanas àspercepções sensoriais do mundo externo. No dicionário Houaiss lê-se o métodomarxista tem como ideologia “um conjunto de idéias presentes nos âmbitosteórico, cultural e institucional das sociedades, que se caracteriza por ignorar asua origem materialista nas necessidades e interesses inerentes às relaçõeseconômicas de produção, e, portanto, termina por beneficiar as classesdominantes”. Segundo Wallerstein as ideologias surgem com a RevoluçãoFrancesa em 1789 com as ideologias burguesas dos conservadores e dosliberais ou liberalismo. Os primeiros (girondinos) considerados de direita e ossegundos (jacobinos) intitulados de esquerda pelas posições que ocupavam noparlamento francês. A ideologia proletária tem sua origem na RevoluçãoFrancesa de 1848 (cinqüenta e nove anos depois das ideologias conservadora eliberal). Esta surge com Marx e Engels que fundamentaram a ideologiasocialista após absorção e negação de idéias do liberal-socialismo de SaintSimon e da crítica ao blanquismo, prudonismo e anarquismos oriundos doliberalismo. Com o desenvolvimento do capitalismo e do socialismo, pósrevolução industrial, é importante, nestes Textos, mencionar-se os principaisvieses que tomaram cada uma dessas ideologias: A ideologia burguesa conservadora teve aparências hegemônicas no colonialismo escravista, fascismo, nazismo e no nacionalismo de direita sempre com ênfase ao crescimento e desenvolvimento econômico A ideologia burguesa liberal ou liberalismo assume aparências hegemônicas no neocolonialismo, imperialismo, neoliberalismo, teocracismo e nacionalismo de esquerda (industrialismo) todas também voltadas para o desenvolvimentismo induzido pelas forças motrizes do modo de produção capitalista (lucro e poder) Finalmente, a ideologia proletária do socialismo assume as aparências hegemônicas do leninismo, estalinismo, trotskismo, titoismo e maoísmo todas reivindicando para si o método marxista de Marx e Engels. Curiosamente, todos esses vieses do socialismo de estado tiveram e ainda tem o desenvolvimentismo-industrialismo como meta principal haja vista a China que a partir de um forte “centralismo democrático partidário” tem como bandeira e prática o desenvolvimentismo. As poucas tentativas de prática de autogestão, como tentativa de negação do estado, foram abortadas tanto na 20
  21. 21. Iugoslávia, Argélia e Tchecoslováquia, no curto período da Primavera de Praga, que deu origem a invasão soviética no país. Na análise acurada dessas três ideologias vê-se que todas têm emcomum, como princípio, o anti-estatismo ou negação do estado, porém suaspráticas são a de manterem um ferrenho cunho estatal para exercer o poder comvistas a implantar seus ideais ideológicos. Sem exceção todas elas usam eabusam da instituição do estado como instrumento de poder político, econômicoe social, particularmente, nas organizações do legislativo e do judiciário. Oestado, em todas elas, é a instituição e instrumento pelo qual as classes sociaisque o detem, são beneficiadas ou privilegiadas na drenagem ou distribuição damais valiam oriunda do sistema produtivo. Hoje, no Brasil, é a burguesiafinanceira aquele estrato social que mais se beneficia da mais valia nacionalmantendo sobre seu controle os estratos da burguesia agrária, comercial eindustrial que também são detentoras do estado nacional. A partir desse ponto de vista as “três ideologias da economiapolítica” (liberal, nacionalista e marxista) em seu livro “A economia políticadas relações internacionais” merecem ser revisitada e criticada.Epistemologicamente, o marxismo não é uma ideologia e sim um método assimcomo o nacionalismo pode ser conservador (direita) ou liberal (esquerda). A divisão do trabalho e um mundo sem empregos A divisão do trabalho é no sistema mundo do capitalismo, a fonte detodas as alienações. As ciências da administração e da economia política a têmsempre como pano de fundo. Ela é discutida a luz da gestão da fábrica ou daorganização da intensidade e da produtividade do trabalho, da intensidade daprodução. Da cisão entre o trabalho intelectual e o braçal com vistas àhierarquização e à disciplina inserta no parcelamento das tarefas e nossistemas de monopolização da técnica e da ciência pelas gigantes instalações ecentralização do poder das empresas transnacionais têm-se na produtividade seuinstrumento de caça ao lucro. Essa configuração foi, historicamente, montada pelo metabolismo docapital em seu processo incessante de acumulação em suas diferentes fases. Nodizer de André Gorz, “a monopolização da produção pelos aparelhosinstitucionais – trustes industriais, administrações – e das corporaçõesespecializadas (médicos, professores, corporações de Estado) faz com que elase submeta a produzir o que não consome, a consumir o que não produz e a nãopoder produzir nem consumir conforme suas próprias aspirações individuais oucoletivas. Não existe mais lugar onde a unidade dos trabalhos socialmentedivididos passa a corresponder à experiência da cooperação, da troca, daprodução em comum de um resultado global. Essa unidade só é assegurada – deum lado, pelo mercado; do outro, pelas burocracias privadas estatais. Ela se 21
  22. 22. impõe aos indivíduos, portanto, como unidade exterior, como ‘uma forçaestranha da qual não conhece nem a origem, nem a finalidade”. Em “A ideologia alemã”, ainda, segundo Gorz, Karl Marx explica otema em lide quando explicitou que “enquanto a atividade não for, poisdividida voluntária, mas naturalmente, o ato próprio do homem torna-se paraele uma força exterior que o subjuga, quando ele deveria dominá-la. Comefeito, desde que o trabalho passa a ser repartido, cada um tem seu currículo deatividade determinado, exclusivo, que lhe é imposto, do qual não pode sair; sejaele caçador, pescador, pastor ou crítico – é forçado a continuar a sê-lo, se nãoquiser perder seus meios de subsistência; enquanto na sociedade comunista,onde cada um não tem currículo exclusivo de atividade, mas pode aperfeiçoar-se em qualquer ramo, a sociedade regula a produção geral e dá-me, assim, apossibilidade de hoje fazer isso; amanhã, aquilo; de caçar pela manhã, pescar àtarde, cuidar da criação à noite, e mesmo criticar a alimentação, o meu belprazer, sem jamais tornar-me pescador, caçador, pastor ou crítico. Essaestabilização da atividade social, essa consolidação do nosso próprio produtonuma força concreta que nos domina, que foge ao nosso controle, barra asnossas esperanças, anula nossos cálculos, constitui um dos principais fatores dodesenvolvimento histórico passado (...). A força social, ou seja, a forçaprodutiva multiplicada, que resulta da colaboração dos diferentes indivíduoscondicionados pela divisão do trabalho, aparece para esses indivíduos – porquea própria colaboração não é voluntária, mas, natural – não como a sua própriaforça unida, mas como força estranha, situada fora deles, da qual nãoconhecem nem a origem, nem a finalidade, que eles, portanto, não mais podemdominar, mas que agora percorre, ao contrário, toda uma série de fases e degraus de desenvolvimento particular, independente da vontade e da agitaçãodos homens, até regulando essa vontade e essa agitação”. Em geral, os estudantes de administração e de economia política têm emsua grade escolar de curso os ensinamentos de Henri Fayol a partir de sua obra“Administração industrial e geral”, base de sua doutrina - o fayolismo - quetrata das necessidades e possibilidades de um ensino administrativo e dosprincípios e elementos da administração com vistas à divisão racional dotrabalho, à autoridade, à responsabilidade, à disciplina, à unidade de mando e àconvergência de esforços na empresa. Outro clássico da administração é “Osprincípios de administração científica”, de F.W. Taylor, onde ele apresentasuas observações e experiências, particularmente, quanto às formas dedesperdícios, procura de homens eficientes, causas da vadiagem no trabalho, leida fadiga, seleção de pessoal e outros temas relevantes que serviram defundamentos à sua doutrina, conhecida como teilorismo. Uma das mais belascríticas ao teilorismo, como doutrina, vem do gênio do cinema mudo CharlesChaplin em seu belíssimo filme “Tempos modernos”, que se aconselha a ver,para divertir-se e contextualizar tão importante crítica. 22
  23. 23. Tanto Fayol quanto Taylor em muito influenciaram Henry Ford, em suaindústria automobilista, onde, de fato, também criou sua doutrina administrativamundialmente conhecida como fordismo, que se fundamenta na linha demontagem com ou sem esteira rolante para a produção em série. Esses arautos da administração e da economia fabril ou empresarialFayol, Taylor e Ford em suas idéias e obras dão uma “aparência científica àracionalização do trabalho de tal forma” a ocultar e camuflar as críticas deMarx. Segundo ele “toda produção capitalista, como geradora não só do valor,mas também da mais-valia, tem esta característica: em vez de dominar ascondições de trabalho, o trabalhador é dominado por elas; mas essa inversãode papéis só se torna real e efetiva, do ponto de vista técnico, com emprego dasmáquinas. O meio de trabalho, tornado autômato ergue-se, durante o processode trabalho, diante do operário sob a forma de capital, de trabalho morto, quedomina e explora a força de trabalho viva”. É do conhecimento público que, em todos os setores da economia(primário, secundário e terciário) o nível de emprego tende a diminuir e, semdúvida, não há um único segmento industrial, na última década, onde o empregonão tenha se contraído. A revolução do conhecimento e da informação viatelemática, biotecnologia, nanotecnologia, robótica, aeroespacial e agriculturamolecular estão levando a mudança radical na empregabilidade. Tanto ocrescimento e o desenvolvimento econômicos se dão, hoje, à revelia da geraçãode empregos e, mais grave ainda, tornando-os obsoletos e o empregadodescartável. A reengenharia do trabalho foi criada pelas grandes corporações paraeliminar cargos de todos os tipos e em quantidade maior do que em qualquerépoca do sistema mundo capitalista. Sua forma de eliminar empregos écomparável a grande crise mundial do capitalismo dos anos 29 e 30 do séculopassado. Note-se, também, que a reengenharia do trabalho alimenta a queda dopoder aquisitivo das comunidades pelo impacto do achatamento das gigantescasburocracias das transnacionais, agora, funcionando em rede ou de formareticular com total e absoluta transposição de fronteiras, sejam elas quais forem,ou seja, geográficas, culturais, raciais, religiosas, étnicas etc. Observe-se, também, que as grandes corporações desenvolvem diferentesestratégias de trabalho contingencial para evitar os altos custos, para elas, debenefícios aos trabalhadores, tais como: aposentadorias, assistência médica,férias e licenças médicas pagas, etc. Reduzem, portanto, seu núcleo detrabalhadores fixos, contratando trabalhadores temporários, estagiáriosuniversitários, todos com variações sazonais. Na prática, a mão de obra, comomercadoria, recebe todo o impacto da logística “just-in-time”, criada paraatender o que há de mais moderno na circulação dos bens econômicos sob aégide da micro-eletrônica. Por mais que as corporações diminuam a duração de vida dos produtos viaaceleradas depreciação moral e material dos mesmos, com sua substituição em 23
  24. 24. intervalos cada vez menores, a crise de empregabilidade se torna maisdramática, sem quaisquer ajustes nos campos: econômico-social e ambiental domodo de produção capitalista, justificando o enunciado de Marx, feito em 1857,de que “chegou o tempo em que os homens não mais farão o que as máquinaspodem fazer”. Dessa forma, vive-se, hoje, no sistema mundo do capitalismo,com a abolição do emprego obrigando os trabalhadores a disputar entre si asescassas oportunidades de emprego em vez de juntos se organizarem em buscade uma nova racionalidade econômica, política, sociais e ambientais. Naprática, essa crise da empregabilidade tem servido de arma para os detentores decapital com vistas a estabelecer cada vez mais hierarquia, obediência, disciplinana divisão do trabalho nas empresas e corporações transnacionais. Segundo Gorz, a crise da empregabilidade tem levado os estadoscapitalistas a um impasse: “não se trata mais de trabalhar para produzir, masde produzir para trabalhar (...) a economia de guerra e a própria guerra queforam, até hoje, os únicos métodos eficazes para assegurar o pleno emprego doshomens e das máquinas quando a capacidade de produzir ultrapassava a deconsumir”. “O declínio inevitável dos níveis dos empregos e a redução da forçaglobal do trabalho”, é o subtítulo do livro, “O fim dos empregos”, de JeremyRifkin. Este aponta para se deixar de lado a ilusão de retreinar pessoas paracargos já inexistentes e pondera, institucionalmente, para a ação em um mundoque está eliminando o emprego de massa na produção e na comercialização debens e serviços. Aconselha a intuir-se uma era pós-mercado em busca de novasalternativas e novas maneiras de proporcionar renda e poder aquisitivo comvistas à restauração das comunidades e reconstrução de uma cultura desustentabilidade. Sinaliza, também, a necessidade de se iniciar uma grandetransformação política, social, econômica e ambiental com vistas aorenascimento do ser humano em toda sua plenitude. Em seu conhecido livro “A economia do hidrogênio”, o mesmo Rifkinsinaliza que as células combustíveis energizadas por hidrogênio possuídopelas comunidades possibilitarão toda uma nova redistribuição do poder namedida em que qualquer ser humano poderá produzir sua própria energia. Essa“geração distributiva”, preconizada por Rifkin, tornará o controle oligárquico ehierárquico das grandes corporações obsoleta. Afirma ele que “milhões deusuários poderão conectar suas células combustíveis locais, regionais enacionais de hidrogênio, através dos mesmos princípios e tecnologia da worldwide web, compartilhando e criando um novo uso descentralizado da energia”. Seu otimismo chega a ponto de afirmar que “o hidrogênio pode acabarcom a dependência do petróleo, reduzir a emissão de dióxido de carbono e oaquecimento global, além de apaziguar guerras políticas religiosas. Ohidrogênio poderá se tornar o primeiro sistema energético democrático dahistória”. 24
  25. 25. Fritjof Capra, também, em sua obra “As conexões ocultas” aponta comotarefa desta e das futuras gerações “a mudança do sistema de valores que estápor trás da economia global, de modo que passe a respeitar os valores dadignidade humana e atenda às exigências da sustentabilidade ecológica”. Após essas breves divagações sobre a divisão do trabalho procura-se,agora, navegar ou proceder a conjecturas sobre um mundo sem empregos. Contextualizando o livro de William Bridges, “Um mundo semempregos. JobShift. O desafio da sociedade pós-industrial”, pode-se, grossomodo, sinalizar os seguintes tópicos para a sua compreensão: 1. Da gênese e da evolução ou desenvolvimento, vê-se que o conceitode emprego não faz parte da natureza na medida em que é uma criação humana.Durante séculos, apresentou-se como arte ou ofício dos humanos nos modos deprodução precedentes ao capitalismo e, mesmo, em algumas fases deste. Passoua ter o significado que tem hoje a partir da revolução industrial, através doadvento das fábricas, das máquinas e das burocracias institucionais eorganizacionais tanto das empresas quanto dos estados nacionais. Não existemempregos fora das organizações fabris ou não-fabris – burocratas. Hoje, asorganizações que deram origem ou criaram os empregos estão em processo demutação, ou seja, desaparecendo via processos de terceirizações (outsourcing)e serviços públicos terceirizados/privatizados. O emprego nunca foi e não é um fato atemporal da existência humana. Éum artefato social próprio de determinadas etapas do desenvolvimento daeconomia mundo do capitalismo e, muito em particular, do metabolismo docapital. Do ponto de vista da psicologia social, o emprego proporciona à pessoa oseguinte: a) Uma ajuda à pessoa a dizer a si mesma e aos outros os que ela é b) Seu envolvimento em uma rede central de relações de amizades em umcontexto social c) Uma estrutura de tempo onde se imagina a padronização dos dias,meses e anos de sua vida d) Um rol de papéis a serem desempenhados em tempo hábil, ou seja,lugar e hora de comparecer, coisas a fazer, expectativa quanto a um padrão decarreira e propósitos diários e) Um significado e ordem de sua vida em função de uma remuneração edireitos sociais empregatícios. 2. Do mundo do emprego para o mundo sem emprego. Nesse processode transição vale lembrar os seguintes tópicos: 25
  26. 26. a) A força de trabalho insere-se no processo “just-in-time”, tornando-sefluida, flexível e descartável, e as oportunidades e situações de trabalho tendempara tempo parcial, temporalidade e flexibilidade b) As novas tecnologias facilitam e deslocam a colaboração entreempresas em redes e, também, a partir de fornecedores terceirizados entrediferentes localizações de uma mesma organização transnacional c) A economia desloca-se das velhas indústrias para novas guiadas pelamicro-eletrônica, biotecnologia, robotização e outras informatizadas. Aagricultura tradicional passa a dar lugar à agricultura molecular, agrônica eagrótica d) A reengenharia do trabalho altera significadamente o mundo da divisãodo trabalho tanto em seus aspectos qualitativos quanto quantitativos, remetendopara o mundo da administração e da gestão das organizações públicas e privadaso emprego, como parte do problema e não da solução na medida em que oanalisa e o vê como inibidor das mudanças e) O trabalho, informatizado e robotizado demanda um número bemmenor de empregados e desloca-se para todo e qualquer lugar. Essa é a razão dofax, dos laptops, dos telefones celulares transformarem qualquer ambiente emum escritório completo f) O ex-empregado necessita, agora, vender suas habilidades, inventarnovas relações com organizações para ocupar seu tempo de trabalho e aprendernovas maneiras de trabalhar fora dos empregos, ou seja, nas organizações oucorporações sem empregos. 3. Desse processo de abolição dos empregos deduz-se que levam àsmudanças as necessidades não-satisfeitas nos seguintes aspectos dasorganizações: a) No abrir dos espaços entre os recursos disponíveis b) Na criação de novas fronteiras e novas interfaces entre as organizações c) Na introdução de novas tecnologias e novas economias a seremintroduzidas no metabolismo do capital d) No obsoletismo dos arranjos técnicos, econômicos e organizacionais. 4. Do trabalho ou ocupação no mundo sem empregos torna-senecessário que a pessoa ou trabalhador redefina e recicle seus dados pessoaisquanto: a) Às expectativas sob a ótica das incertezas b) Aos hábitos sociais, técnicos, econômicos e criação de cenáriosalternativos c) Às regras pessoais quanto à qualificação, atitudes, capacidades,temperamento e ativos 26
  27. 27. d) À estrutura da integridade/identidade doando limites as possibilidadesdo que se cogita na jornada da vida e) À estrutura da realidade em constante e permanente mudança f) À criação de um novo sentido com vistas às condições internas eexternas para lidar com esse novo mundo. Nestes tópicos sobre a divisão do trabalho e sobre um mundo semempregos, vale, aqui, transcreverem-se as novas atitudes ou estratégiasapresentadas por William Bridges em seu livro, acima citado, resumidas noseguinte: “1. Aprenda a encarar toda situação potencial de trabalho, tanto dentroquanto fora de uma organização, como um mercado. Até mesmo pessoas queatualmente estão sem trabalho descobrirão, ironicamente, que muito dasmelhores perspectivas para as futuras situações de trabalho encontram-se naorganização que as demitiu de emprego ou as induziu a uma aposentadoriaprecoce”. “2. Pesquise seus DADOS (ou seja, suas Aspirações, Capacidades,Temperamento e Pontos Fortes) e recicle-os num produto diferente e mais‘viável’. Todo mercado está cheio de pessoas à procura de produtos, mesmoquando nenhum emprego está sendo anunciado. Você precisa aprender atransformar seus recursos naquilo que está sendo procurado”. “3. Pegue os resultados do nº2, construa um negócio (vamos chamá-lode Você & Co.) em torno do mesmo aprenda a dirigi-lo. Nos anos vindouros,você vai obter menos quilometragem de um plano de carreira no sentido antigodo que de um ‘plano comercial’ para sua própria empresa. Quer você estejaempregado ou não naquilo que costumava chamar de emprego, daqui parafrente você está num negócio próprio”. “4. Aprenda sobre os impactos psicológicos da vida neste novo mundodo trabalho e monte um plano para lidar com eles com sucesso. Não bastarásaber para onde você vai se você não puder suportar as pressões do lugarquando chegar lá”. No ambiente das empresas e organizações pós-emprego, os cargostornam-se obsoletos e são substituídos por atribuições de tarefas além de se terem conta o ócio criativo e uma economia pública. Daí sua estrutura tender paraconter os seguintes elementos: a) Empregados essenciais b) Fornecedores e subcontratantes c) Fregueses e clientes d) Trabalhadores temporários e) Contratações por prazo limitado. 27
  28. 28. Nos escritórios e departamentos de empresas que antes estavam repletosde empregados, hoje se limita a um número pequeno de pessoas fazendoprevisões para clientes reais e potenciais ou indivíduos mandando pedidos viafax de seus “laptops” em veículos, hotéis, etc. Muitas dessas pessoas sãodistribuidores independentes do sistema de vendas direta, contratantesindividuais ou trabalhadores temporários para o fluxo de negócios. A questão de uma organização ou empresa pós-emprego équalitativamente diferente daquela baseada em cargos. As carreiras sãoreconceitualizadas e reinventadas desde a disponibilidade de acoplamentotecnológico até as questões idiossincrásicas como são as responsabilidadesfamiliares das partes como as condições de ir e vir ao autoemprego,autonegócios ou trabalho. Há que se rever e refazer o estado em função dasempresas ou organizações não-governamentais (ONG) economia social-comunitária. No pós-emprego das empresas trabalho e lazer também fogem ou sedivorciam do cálculo do emprego permanente. O tempo livre não é maisparte do horário de serviço, mas algo inserto nas atribuições de tarefas oucontratos de projeto e aposentadoria torna-se uma questão individual quenada tem a ver com a política organizacional. A economia do hidrogêniocertamente provocará a redistribuição do poder no mundo globalizado. As tendências das empresas ou organizações pós-emprego são três: a) Expansão dos ganhos para participação dos resultados b) Pagamento por habilidades c) Autogestão na direção dos negócios, isto é, aceso direto àsinformações que antes eram do domínio das pessoas que tomavam as decisões.Hoje se observa que a economia tende a conectar células combustíveis dehidrogênio com geração autônoma e resdistribuitiva. Ainda no ambiente da empresa ou organização pós-emprego, a pessoafaz aquilo que precisa ser feito para facilitar, honrar e realizar a missão, a visãoe os valores da organização onde cada pessoa administra o todo e não apenasa sua parte. O hidrogênio como fonte de energia pode se tornar o primeirosistema energético democrático, libertador e eqüitativo da história humana. Nas organizações pós-emprego, consegue-se que as pessoas: a) Tomem decisões gerenciais que eram restritas aos gerentes b) Tenham acesso às informações para tais decisões c) as pessoas sejam capacitadas e treinadas para entender as questõescomerciais e financeiras da empresa d) Interessem-se pelo fruto de seu trabalho como forma decompartilhar com a organização e participar dos seus lucros 28
  29. 29. e) Possam na economia do hidrogênio compartilhar e criar um novo usodescentralizado da energia e do bem estar. Para administrar a transição da sociedade industrial para a sociedadeda informação, onde predominam as organizações pós-emprego, há que sereinventarem também os programas de capacitação e treinamento. Essasações devem: a) Objetivar a leitura dos mercados, identificarem as necessidadesoriundas das mudanças e definir o produto de ou para alguém de acordo com asnecessidades b) Identificar outros vendedores de bens ou serviços que estão fazendoaquilo que a organização pretende fazer e como alcançam resultados c) Induzir a melhorar continuamente a qualidade daquilo que se pretendefazer; d) Gerir seu tempo pessoal e do “joint-venturing” pessoal na organização.A criação da economia do hidrogênio deve levar à redistribuição do lucro e dopoder como forças motrizes de um novo modo de produção. O novo sistema circulatório da organização pós-emprego requer para aredisposição de recursos: a) Capacitação e treinamento em como administrar a própria carreira eoportunidades de negócios b) Estímulo, motivação e entusiasmo para ações multiníveis (networking)e acesso “on line” às oportunidades de negócios ou de oportunidades detrabalho ou autoemprego c) Desenvolvimento de estratégias de a própria pessoa atuar como umnegócio d) Informações de como dispor da ajuda para a carreira, em termos decursos, bancos de dados, serviços de avaliação e coisas afins e) Com o hidrogênio, como fonte de energia, a geopolítica do sistemamundo do capitalismo entrará em colapso dando lugar a uma política biosféricainserta em uma antropolítica. Vale lembrar que o Centro de Políticas Sociais da Fundação GetúlioVargas, em seu recente levantamento sobre emprego no Brasil, aponta que “umaem cada três pessoas vai perder o emprego nos próximos dois anos”. (VerRevista Época nº. 427 de 24/07/2006). Comenta, ainda, a revista em tela queaqueles que pretendem manter seu emprego têm de cuidar das seguinteshabilidades: a) Entender o que é sucesso, conhecendo os valores da empresa 29
  30. 30. b) Não prometer demais de forma a apreender a cultura da empresa c) Controlar o tempo, como maneira de focar o trabalho a ser produtivo edar resultados d) Ser político, isto é, participar da vontade do time, mesmo que dele nãofaça parte de forma a externalizar habilidade política e liderança e) Fazer marketing pessoal de maneira que as pessoas achem que seutrabalho tem a ver com o sucesso em manter seu emprego ou carreira naempresa. Outros conceitos importantes Ainda, nessa visão prévia para criação de uma base de conhecimento emeconomia política e desenvolvimento, faz-se menção à conceitualização econtextualização de termos usuais, no cotidiano das pessoas, e que muitocontribuem para uma consciência crítica da realidade brasileira. Brasileiro. Etimologicamente, contrabandista de pau-brasil tornou-seo gentílico, no Brasil, por exclusão social, haja vista que, na língua portuguesa, osufixo “eiro” é um sufixo de atividade (pedra = pedreiro, ferro = ferreiro,maconha = maconheiro, etc.). No caso concreto do Brasil o gentílico devia tersido brasilês, para os homens e, brasilesa, para as mulheres. Outrossim, porfalta de uma identidade para os cafuzos, curibócos, mamelucos, caboclos, etc.(que deram origem ao povo brasileiro), os portugueses de além mar, pordiscriminação social e, pejorativamente, os apelidaram de brasileiros que, naépoca eram conhecidos os contrabandista do pau brasil. Sociodiversidade. Etimologicamente, sócio é aquele que compartilha,associa ou participa em conjunto de algo e, diversidade. É a qualidade do quenão é igual ou semelhante, isto é, aquilo que é diferente ou distinto. Asociodiversidade é a qualidade de mestiçagem de diferentes pessoas comculturas, religiões, raças, estamentos sociais e etnias diversificadas e queconvivem de forma não antagônicas. O Brasil por ser detentor de um povonovo, (Darcy Ribeiro) é uma das maiores e bem sucedidas nação em termos desociodiversidade (semelhante a Cuba) e tolerância social. Chega-se ao extremode, em um mesmo local, coexistirem e conviverem status sociais de indigentes elumpens com grandes burgueses ou status sociais de alta renda. Cultura e pluralidade cultural. Cultura etimologicamente vem do latin“culturae” que significa ação de cuidar tratar, venerar. A palavra por serdetentora de amplos sentidos e conceitos configura um grande número deepítetos como exemplo cultura de massa, cultura popular, cultura erudita, etc.Do ponto de vista da economia política há que se contextualizar o processo daorigem da cultura, sua historicidade, suas funções e suas relações e conexões 30
  31. 31. com a natureza circundante e a essência da teoria da cultura. Sendo processode hominização a cultura está imbricada a evolução da ideação reflexiva doshominídeos nas ações ou operações inovadoras e prospectivas sobre a natureza eo cosmo. Como efeito da relação produtiva (indissociável do processo deprodução e do processo incessante de acumulação de capital) a teoria da culturaa vê em dois sentidos fundamentais: produção do ser humano por si mesmo eprodução dos meios de sustentação da vida e a interpreta em dupla natureza,isto é, bem de consumo e bem de produção. Inserta nos sentidos e naturezassupracitados a cultura é o acervo de conhecimentos, instrumentos e técnicasque permite a exploração coletiva do planeta terra pelos hominídeos. Essa duplanatureza implica em que nas sociedades humanas ou nos diferentes modos deprodução a cultura se apresente apropriada por um grupo minoritário que seautodesigna de “cultos” em contra ponto a maioria desapropriada que assumea aparência enganosa de “inculta”. Sendo o ente humano um bem de produção ou principal forçaprodutiva ele próprio inventa e produz a cultura. Na medida em que lhe doafinalidades, apropriações e desapropriações colocam em evidência todo ofenômeno do processo de alienação do próprio ser humano e da cultura,particularmente imbricado ao conceito de classes sociais, de divisão social dotrabalho e da teoria do valor-trabalho. A cultura, em sua acepção mais ampla, é a maneira pelas quais oshominídeos se humanizaram e se humanizam na criação de sua existência:política; social; ambiental; econômica; religiosa; lúdica e etc. Seus significadospodem ser resumidos no seguinte: a) Posse de certos conhecimentos (artes, literatura, etc.) b) Diferenças sociais (ser ou não ser culto) c) Propriedade individual através de prestígio, respeito, privilégios eexclusão d) Algo em si ou por si mesmo tais como culturas: brasileira,francesa, chinesa, australiana, angolana, etc. e) Erudita, culta, intelectual, científica, etc. f) Popular ou vulgar como expressão da massa ou do povo g) Elitista como é exemplo a Doutrina da Escola Superior de Guerrae outras doutrinas h) De massa quando disseminada pela mídia falada e escrita comvistas às manipulações i) De comunidade, onde os mitos unificam o tempo e àsinterpretações 31
  32. 32. j) De atividade agrícola, com os cultivos de vegetais e criatórios deanimais k) Cuidado do ente humano com a natureza e a alma l) Formação e educação dos seres humanos m) Aprimoramento da natureza humana n) Natureza adquirida. Nesta visão prévia dos Textos a cultura pode e deve ser apreciadacomo: Cultura histórica. Vista sob o ponto de observação do espírito ourazão conforme trata HEGEL na “Fenomenologia do Espírito” e em seustratados sobre a “Estética” tanto no referencial a idéia e o ideal quanto ao beloartístico e o ideal. Historicamente pode ser apreendida segundo a ótica dasrelações de produção na extensa, oportuna e discutida obra de MARX nãosomente nos seus “Manuscritos Econômico-Filosóficos”, mas no “Capital”(três volumes) e na “Crítica da Economia Política”. Cultura e antropologia. Sob essa ótica a cultura é vista comodiferença ente humano-natureza, ou seja, é apreendida como a ordemsimbólica da lei, da linguagem e do conjunto de práticas, comportamentos eações entre os humanos entre si e entre eles e a natureza. Em sua análise sobre acultura brasileira o antropólogo Darcy Ribeiro escreve o seguinte: “o caráterespúrio da cultura brasileira decorre, como vimos, da própria natureza exógenae mercantil da empresa que lhe deu nascimento como formação colonialescravista, organizada para prover o mercado europeu de certos produtos.Nestas condições, o Brasil nasce e cresce como um proletariado externo dassociedades européias, destinado a contribuir para o preenchimento dascondições de sobrevivência, de conforto e de riqueza destas e não das suaspróprias. A classe dominante brasileira, em conseqüência, é chamada a exercerdesde o início, o papel de uma camada gerencial de interesses estrangeirosmais atenta para as exigências destes do que para as condições de existência dapopulação nacional. Não constituía, por isso, um estrato senhorial e erudito deuma sociedade autônoma, mas uma representação local, alienada, de outrasociedade cuja cultura buscava mimetizar. Sua função precípua era induzir apopulação a atender os requisitos de feitoria produtora de gêneros tropicais oude metais preciosos e geradora de lucro exportáveis”. Cultura e ideologia. Sob este ângulo a cultura é vista comoimposição das classes dominantes do seu ideal ou ponto de vista sobre asociedade ocultando as divisões internas. Tanto isto é verdade que MARX,historicamente, colocou que “as idéias das classes dominantes são as idéiasdominantes de cada época ... a existência de idéias revolucionárias em umadeterminada época já pressupõe a existência de uma classe revolucionária.” NaCrítica a Economia Política, MARX é enfático em afirmar: “o modo de 32
  33. 33. produção da vida material condiciona o processo de existência social, política eespiritual no seu conjunto. Não é a consciência dos homens que lhe determina oser, mas, pelo contrário, é o ser social que lhes determina a consciência”. Cultura e desenvolvimento sustentável segundo o saudosoeconomista CELSO FURTADO (Ex-ministro de Planejamento, da Cultura e 1ºSuperintendente da SUDENE) cabem aos brasileiros, quanto ao item supradito,o seguinte: a) Tirar proveito da crise atual para fundamentar um novo pactosocial com vistas a erradicar a concentração de rendas e as desigualdades sociaise regionais existentes b) Aprofundar a percepção da realidade para restaurar a confiançana criatividade da cultura brasileira e da identidade nacional c) Criar padrões de consumo de conformidade com a configuraçãoda demanda populacional em um forte e consolidado mercado interno sobrebases sustentáveis de desenvolvimento d) Satisfazer via mercado interno, as necessidades básicas dapopulação com redução radical das desigualdades pessoais de rendas e dasregiões e) Criar ou buscar meios e caminhos para sanear o desastre dosendividamentos externo e interno e salvaguardar a nação da tutela do FMI,BIRD, OMC e BIS sobre a política econômica nacional f) Modificar as bases do poder de sustentação econômica atual comvistas a assegurar uma participação efetiva nos processos político e cultural dossegmentos sociais vitimados pela racionalização econômica atual g) Abolir formas sofisticadas de concorrência e de competitividadede elevados custos sociais e que conformam a demanda definindo o status decada classe de consumidor h) Compreender que cabe a ação política gerar os recursos de poderrequeridos para modificar o modelo atual de desenvolvimento que conduz aingovernabilidade e a calamitosa situação de bem estar social, econômico efinanceiro i) Adotar políticas culturais, econômicas, sociais e ambientais queatendam de frente os problemas que mais angustiam a população brasileira. No que diz respeito à dimensão cultural do desenvolvimentosustentável FURTADO, no seu livro “O Capitalismo Global” afirma: “acultura deve ser observada simultaneamente, como um processo acumulativo ecomo sistema, vale dizer, algo que tem uma coerência e cuja totalidade não seexplica cabalmente pelo significado das partes, graças a efeitos de sinergia”.Após outras considerações importantes sobre a dimensão cultural enfatiza de 33
  34. 34. forma muito clara “a importância do conceito de identidade cultural, queenfeita a idéia de manter com nosso passado uma relação enriquecedora dopresente”. Segundo ROSENTAL (em seu Dicionário Filosófico Abreviado)cultura é o “conjunto dos valores materiais e espirituais criados pelahumanidade, no curso de sua história. A cultura é um fenômeno social querepresenta o nível alcançado pela sociedade em determinada etapa histórica:progresso, técnica, experiência de produção e de trabalho, instrução, educação,ciência, literatura, arte instituições que lhes correspondem. Em um sentido maisrestrito, compreende-se, sob o termo cultura, o conjunto de formas da vidaespiritual da sociedade, que nascem e se desenvolvem à base do modo deprodução dos bens materiais historicamente determinados. Assim entende-sepor cultura o nível de desenvolvimento alcançado pela sociedade na instrução,na ciência, na literatura, na arte, na filosofia, na moral, etc. e as instituiçõescorrespondentes”. A partir do conceito acima citado se pode estudar a culturabrasileira em três fases, a saber: a primeira, cultura transplantada anterior aoaparecimento do povo brasileiro. A segunda, cultura transplantada com osurgimento do povo brasileiro, isto é, mamelucos, caipiras, curibocos,crioulos, caboclos, sertanejos, etc. que vem a constituir o proletariado e achamada classe média. A terceira, a partir da libertação dos escravos, com osurgimento do processo de desenvolvimento da cultura brasileira, muito emparticular, depois de 1930, com a era VARGAS, dinamizando as relaçõescapitalistas de produção tanto no agro quanto na urbe consolidando a existênciadas classes sociais: burguesia e proletariado no Brasil. Cultura e imperialismo (Globalismo). Considerando que aprodução intelectual é à base da cultura capitalista, tanto material quantoespiritual, ela tende ou é dirigida a reproduzir globalmente, idéias, valores,princípios e doutrinas colocando os países periféricos em profunda dependênciacultural. A produção intelectual é o produto e a condição do imperialismocultural, na forma do pensar eurocêntrico e etnocêntrico, que se verifica nochamado processo de globalização. Para superar as formas de pensareurocêntricas e etnocêntrica há que se contrapor, a elas, o pensar críticoabrangente com as respectivas recomposições: política, econômica, social,psicossocial, institucional e ambiental. Com esta perspectiva o povo do país,alienado culturalmente, deve entender e apreender de forma objetiva nãosomente os processos de deculturação, mas, principalmente, de aculturação.Na medida em que apreende os processos, em tela, cabe ao povo e àintelectualidade esforçar-se, persistentemente, em conduzir maneiras de auto-afirmação libertando sua cultura da carga de pré-noções e preconceitosdestinados a resigná-la. Em contra ponto ao pensar do “centro de dominação"há que se estabelecerem umas compreensões solidárias, criativas e niveladorasna dimensão cultural da nação. O pensar crítico abrangente na sociedade, no 34
  35. 35. dizer de Darcy Ribeiro, pode experimentar impulsos progressistas“incorporando à sua cultura elementos de um acervo tecnológico-produtivoque, mais que traços de uma cultura qualquer, fazem parte, hoje em dia, dopatrimônio do saber humano”. Ainda, segundo Ribeiro, é necessário ter emconta que "as construções culturais devem ser examinadas valorativamente, emtermos de seu papel como instrumentos e estímulos da afirmação decriatividade e desenvolvimento autônomo de um povo, ou ao contrário, depercalços dissuasivos de qualquer esforço renovador. É admitir ademais apossibilidade de restauração da ingenuidade cultural pela erradicação de seusconteúdos espúrios, através de processos autoconstrutivos que seriamrevoluções culturais". A pluralidade cultural se dá no âmbito da teoria da adaptação(ver HABERMAS) a partir da tolerância que prefigura, envolve e evolve omulticulturalismo e a democracia nas sociedades humanas chamadasocidentais. O termo tolerância vem do latim “toleranz” que trata da virtudepolítica entre os cidadãos de procedência e modos diferentes de viver. Do pontode vista da cultura tolerância é considerada a mistura ou miscigenação dediferentes e distintas culturas para a cooperação e compromisso de convivênciahumanitária, ou seja, mistura, de forma virtuosa, não somente de etnias, masprincipalmente, de raças e de religiões. Sob esse aspecto o Brasil se diferencia, no planeta, na medida emque é dotado de total e absoluta tolerância étnica, racial e religiosa em todo o seuterritório. Esse qualificativo da pluralidade cultural ou do multiculturalismobrasileiro aponta para um por vir virtuoso da nacionalidade na solução dos seusproblemas internos. Também, em particular, dos problemas mundiais ouinternacionais aonde se verificam cerca de 30 conflitos bélicos (guerras) comconteúdos e formas de origem ética, racial e religiosa que se originam naestrutura metabólica do capital no modo produção capitalista e se tornamirreconciliáveis. Sendo um modelo reduzido das contradições globais, desse modoprodução, certamente o Brasil, na medida em que soluciona os seus problemas,pode e deve servir de modelo para a solução dos conflitos atuais do sistemamundo capitalista. Para tanto sua pluralidade é o seu principal ponto forte pelaadaptabilidade étnica, racial e religiosa do seu povo. Com uma séria política de inclusão social acredita-se que o paíspossa, agora, circunscrever um campo de ação onde possa reivindicar para si epara o mundo uma estrutura e uma lógica de humanidades ou antropolítica ou,ainda, uma nova forma de vida em seu todo. O nexo da teoria da cultura e dateoria da adaptação está, no Brasil, exatamente na miscigenação da cultura.Ela é a gênese da pluralidade cultural ou formação de identidades coletivas 35
  36. 36. próprias do seu povo não somente em termos políticos, mas na busca evolventede mitigar, virtuosamente, a destrutividade social e o discenso irreconciliáveldas etnias, das raças e das religiões. Com essa sensibilidade e virtuosidade opovo brasileiro tem um ajuste legitimador a um pluralismo de visões do mundo,coexistências e integração político-social para os “por vir” da humanidade ousociedade globais livres, ecumênicas e sem ranços colonialistas e imperialistas. Muticulturalismo. Coexistência de diferentes culturas em um mesmoterritório ou país. O Brasil é por excelência, um país multicultural bem sucedido.Em seu território fala-se mais de 170 línguas com particularidade a oficial oportuguês (substituta da língua geral) integrar sua população em seus 8,5milhões de km² independentemente de raças, etnias, religiões, níveis sociais e derendas. Até mesmo os regionalismos existentes servem de catalisadores para aidentidade nacional onde as distâncias servem de unidade. O Brasil, como umtodo, é a negação do eurocentrismo ou etnocentrismo do determinismogeográfico. O multiculturalismo imbricado ao metabolismo do capital, no Brasil,pode ser explícito como “uma exigência política, uma exigência de grupos quesentiam ser oprimidos, ignorados e reprimidos” (Wallerstein). É por issoversátil e libertador. Exclusão social. Fenômeno causado pelo metabolismo do capital nosistema mundo capitalista, ora vigente e que exclui incomensurável número depessoas dos processos de trabalho e de produção e circulação dos bens e serviçosofertados pelas empresas ou unidades de produção e de circulação demercadorias. Ela gera, também, em nível mundial, resistências com vistas ao seuinverso, ou seja, a inclusão social e que batem de frente com as forças motrizesdo metabolismo do capital (lucro e poder) na expectativa de uma antropolítica.Enquanto a inclusão social trata da ação de inserir, envolver ou introduzir osentes humanos no sistema mundo do capitalismo, a exclusão social, própria dometabolismo do capital, é a ação de descartar os seres humanos dos processos detrabalho. Transforma-os em coisas, isto é, priva-os de ser do sistema e de suacidadania. Embora, a exclusão social não signifique pobreza vale lembrar que amaioria da população brasileira, está inserta em um dos mais aberrantes eignóbeis processos de pobreza. Apenas 15% são do país e do mundo e os 85%restantes apenas estão no território sob o manto da mais irracional e perversaconcentração de renda, e de riqueza. O Brasil, segundo dados da ONU, sóperde em concentração de renda, no mundo, para o mais miserável país doplaneta, segundos dados de IDH da ONU que é Serra Leoa no Continente daÁfrica. A exclusão social, no Brasil, tende, também, para a exclusão digital, ouseja, no sistema tecnológico da informação, via satélites, e da nanotecnologiasob a ótica da física subatômica. Esta, inclusive muda a visão do mundo e docosmo descartando o pensamento linear e a visão criacionista da vida no planeta. 36
  37. 37. Racismo e sexismo. Qualquer bom dicionário explicita que o racismoconfigura um conjunto de teorias e crenças com vistas à discriminação entre asraças e entre as etnias e o sexismo é a atitude de se discriminar pessoas comfundamento no gênero, ou melhor, dizendo, na forma de comportamento sexualde um ser humano. Do ponto de vista da economia política o racismo tem afinalidade manter as pessoas dentro do sistema econômico-social comoinferiores. Podem e devem, segundo os racistas, ser explorados economicamente(como se dá com os migrantes e imigrantes nos países cêntricos) no processoincessante de acumulação de capital e, por isso, são vistos como atrasados,baderneiros ou bárbaros. Para tristeza dos antropolíticos os cientistas políticos esociais vêm transformando o racismo em uma questão básica de legislaçãoformal em vez de contextualizar as raízes dos privilégios, dele oriundos, quepermeiam as sociedades e que dizem respeitos a todas as suas instituições eorganizações inclusas nelas a do saber. Esquece-se que a luta contra o racismo éindivisível e que deve ser extipardo em quaisquer das formas em que seapresente. O sexismo é a maneira pela qual o sistema mundo capitalistadiscrimina o gênero feminino nos processos de produção e, conseqüentemente,no processo incessante de acumulação de capital onde as mulheres quase sempretêm remuneração mais baixa que os homens para a mesma atividade. Universalismo e particularismo. Nesta visão prévia, dos Textos, não sepode deixar de trazer, para as suas contextualizações, os conceitos deuniversalismo e de particularismo sob o ponto de vista da economia política. Oconceito mais amplo de universalismo é aquele que o apresenta como doutrinaou crença que afirma que todos os humanos estão destinados a salvação eternaem virtude da bondade divina. Outro é aquele inspirado pelo iluminismo que sóreconhecem como legado universal aquilo que é patrimônio de todos. Já doponto de vista de determinados segmentos das ciências sociais universalismo ésupostamente a visão que se tem de existirem leis, normas, valores ou verdadesque se aplicam indistintamente a pessoas, grupos ou sistemas históricos notempo e no espaço. Essa concepção é muito utilizada, pelos defensores dosistema mundo capitalista para perpetuar o processo incessante de acumulaçãode capital quando coloca como universal aqueles valores que são criados ouobservados, primeiramente, pelo centro hegemônico do sistema de acumulaçãoou potência imperial. De um ponto de vista da economia política os conceitos acima citadoslevam a crença de existirem pelo menos três variedades de universalismo, isto é,o religioso, o humanista-científico e o imperialista. Daí os universalismos seprestarem para oprimir as pessoas que, em troca, se refugiam em particularismocomo bem explica Wallerstein. “Os particularismos, por definição, negam osuniversalismos”. Daí existirem, também, múltiplos particularismos, ou seja,“aqueles reinvidicados pelos atuais derrotados nas corridas do universalismo”.Aqueles “dos grupos em declínios” sejam eles: raça, classe social, etnia, língua 37

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