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Revista 01 de 2011
 

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    Revista 01 de 2011 Revista 01 de 2011 Document Transcript

    • REVISTA PAULISTA DECULTURA E POLÍTICA ANO l Nº 1 Novembro/2011 NOVEMBRO DE 2011
    • REVISTA PAULISTA DE CULTURA E POLITICAEditorial 03O Bandeirismo 04Cassio ForcignanoBandeirante o semeador de cidades 06Roberto ToninOs bandeirantes e Vianna Moog 10Roberto Tonin
    • Editorial ‘Um povo sem memória é um povo dominado’. 14 de novembro dia dos Bandeirantes. A data não é comemorada, não é feriado, osbandeirantes quando não esquecidos são atacados, caluniados, “desconstruídos” no linguajaresquerdista. Sua memória, desde a ditadura getulista, esta sendo apagada dos livros e suamemória dos paulistas. Até os sólidos monumentos, como o do bandeirante Borba Gato1, édesqualificado, vandalizado, e chega a ser ameaçado de demolição por grupos esquerdistas, talcomo o Taleban que derrubou a grande estatua de Buda no Afeganistão. Esses bárbarosquerem impor suas ideologias com violência, já que o povo em sã consciência nega segui-loscomo bois para o matadouro. E uma das formas dos esquerdistas de fazerem isso é destruirtudo o que representa liberdade, autonomia e amor a terra e a cultura. Só um povo derrotado,humilhado, pobre de corpo e espírito, aceitaria a ideologia esquerdista. Por isso o bandeiranteé tão martirizado. O bandeirante é o símbolo máximo do paulista, seu empenho no trabalho,na riqueza conquistada com esforço e dedicação, na glória de feitos grandiosos, no espírito deliberdade intransigente, não se submetendo ao estrangeiro – seja ele espanhol ou português,seja ideologias externas e internacionalistas como o proto-socialismo dos jesuítas. Odinamismo bandeirante permitiu uma total integração cultural com os índios, que peloscódigos de honra, ao serem derrotados militarmente pelos paulistas se converteram em fiesaliados nas expedições bandeirantes, e também na defesa das terras paulistas diante de tribosinimigas, espanhóis, portugueses e brasileiros (os emboabas). O bandeirante, como um giganteavançava pelo sertão plantando arraiais, que germinavam tornando-se cidades, trilharamcaminhos que se tornaram estradas de ferro e rodovias, e quando finalmente pararam, ali sefixaram as fronteiras da pátria. Aos bandeirantes devemos tudo! Sem eles não haveriaestradas a percorrer, cidades a habitar, terras para plantar, e história para se orgulhar. E é por isso que desperta tanta inveja e ódio nos esquerdistas. A memória bandeirante éum colosso que se põe em seu caminho, simbolicamente o gigante Borba Gato em pedra é umguerreiro vigilante das terras, da cultura e da história paulistas, assombrando àqueles quequerem invadir São Paulo para nos roubar, corromper e destruir. São Paulo encontra-se sitiada pela corrupção e pela ideologia esquerdista. O espíritobandeirante nos conclama a defesa de nossa terra bandeirante, nossa cultura bandeirante enossa historia bandeirante. Paulistas às palidaças!1 Estátua de concreto armado, revestido de mármore e basalto coloridos. A estátua tem dez metros dealtura e pesa vinte toneladas. Construída pelo escultor Júlio Guerra em 1963, em comemoração dos 400anos de Santo Amaro e em homenagem ao seu mais ilustre citadino o bandeirante Manuel de BorbaGato (1649-1718). Esta localizada na Avenida Adolfo Pinheiro em confluência com a Avenida SantoAmaro, em São Paulo/SP.
    • O BANDEIRISMOPor Cassio Forcignano Segundo Tito Lívio Ferreira o bandeirante devia ser um líder cujas as ordens nãopoderiam ser desobedecidas as bandeiras eram formadas pelo Capitão comandante ,os capitães das Companhias, Alferes porta-bandeira, Sargento, Meirinho, escrivão,além dos cabos de esquadra alguns autores acreditam que a palavra bandeira, talvezderive de “bando”reunião de bandos no livro Os Paulista João de Scantimurgoescreveu: “Segundo parece, apenas depois de 1635 começa-se a espalhar por SãoPaulo a palavra Bandeira como conjunto de Companhia de Milícia formada porsertanistas...E em 1636 a palavra Bandeira figura como conjunto de Companhia.”Ainda na mesma obra aparece: “ Constituem virtudes militares, a coragem , a energia,o hábito de comandar, características principais dos bandeirantes. Amparados nafamília, sua base fundamental, organizam-se militarmente, para defender e conquistara terra.”Cassiano Ricardo à definiu como "cidade que caminha", devido àsua diversificação social. O bandeirismo evidencia as dificuldades das comunidades afastadas do centroexportador dominante, o nordeste açucareiro. Assim era necessário que nossosantepassados paulistas saíssem em busca de meios para uma vida mais prospera. Distoresultaram as bandeiras, verdadeiras vilas móveis, misto de espírito aventureiro eempresarial. A primeira fase do bandeirismo foi o apresamento de indígenas a capturade índios tornou-se um bom negocio depois da conquista do nordeste da colônia porparte da Holanda que também conquistou importantes regiões da África queforneciam escravos negros para a lavoura da cana, regiões livres do domínio holandêstiveram que recorrer ao escravo indígena para suprir a falta de mão de obra, como foio caso da Bahia e Rio de Janeiro que tiveram que recorrer aos bandeirantes. O Tietêajudou em muito no apresamento servindo de estrada e mais importante aindapermitiu um caminho mais rápido com a Bacia Platina e as grandes missões localizadasao Sul , índios que se encontravam nas missões jesuítas já estavam acostumados à vidasedentária e ao trabalho agrícola, eram por esses motivos mais valorizados que osselvagens , evidente que a captura dos índios por parte dos bandeirantes levou a umaruptura com os jesuítas que condenavam a escravidão indígena. As primeiras missões a serem atacadas foram as situadas no atual Estado doParaná em uma grande bandeira comandada por Manuel Preto e Antonio RaposoTavares destruiu as missões da região, índios foram aprisionados e os jesuítasexpulsos, mas os padres ergueram outras missões em outras regiões , mas tambémforam destruídas após vários ataques . Não se tem um número exato de quantosíndios foram capturados por parte dos bandeirantes, mas calcula-se que o númeroultrapasse 60 mil.Os bandeirantes não queriam destruir os indígenas seu objetivo eraaprisionar índios para vende-los como escravos em lugares que não usavam o negropor ser muito caro, era o único bom negócio possível aos paulistas. Tal negócio foifacilitado, pois, devido à união Ibérica, o Tratado de Tordesilhas não estava em vigor,isto foi uma das causas da destruição do primeiro ciclo missioneiro no sul da colônia epor outro lado colocou São Paulo em uma condição de povoamento diferente dorestante da colônia fez surgir no povo paulista o pioneirismo desbravador , assim comoo isolamento inicial contribuíram em muito para a formação da consciência regional,tal consciência foi entendida, séculos depois como ideologia da classe dominante ou
    • elite paulista como preferem alguns, essa elite teria feito um trabalho deconvencimento defendendo que São Paulo era uma exceção do Brasil , a formaçãopaulista , pioneirismo e amor ao solo regional teria servido de base a elite para defesafederalista e o regionalismo teria levado a Revolução de 1932. Como qualquer outra tese essa também pode ser combatida, pois se os autoresque defendem não podiam desqualificar a questão do empreendedorismo paulista ternascido com os bandeirantes, ao menos em um primeiro momento, pois teriam quenegar que fatos do passado, assim como a formação política, ideológica, biológica(tomando como exemplo as condições geográficas, alimentares e climáticas) e não sepode negar que todos esses fatores são fundamentais na formação de um povo e oestudo desses mesmos fatores nos ajudam a entender as condições atuais. Então emum primeiro momento usaram o argumento que a elite precisava justificar o sucessopaulista e não apenas isso, mas demonstrar o motivo do sucesso e todo oempreendedorismo teria nascido com os bandeirantes e pensando no argumento daelite paulista a melhor forma de envergonhar o orgulho paulista era alegar que asfaçanhas dos bandeirantes não passavam de mitos, mas ao passo que aumentavam asprovas das façanhas dos bandeirantes ia por terra essa alegação, então como lobos emfúria lançaram outro argumento pregando que os bandeirantes foram bandidos,assassinos, bárbaros, homens atrasados. Pegando como exemplo o homem do séculoxx e comparando com os antigos bandeirantes, seria o mesmo que comparar as leismedievais com as atuais ou pegar obras renascentistas e falar que não tiveramimportância alguma.
    • Bandeirante o semeador de cidades.Por Roberto Tonin A efusão de bandeirantes sobre os planaltos, rios e sertões, dos pampas áAmazônia, dos sertões da caatinga ás montanhas andinas, decorre de vários fatores: a)solidariedade familiar, comunitária e política; b) rápido transbordamento demográfico,devido á multiplicação de tribos vencidas e aliadas, que através de costumesguerreiros, atenderam aos chamados ás armas de Piratininga, centro geopolíticodominante da região; o emolduramento territorial e jurídico e sua retroalimentação aoimperativo expansionista e resistência política. (Freitas, Amadeu – GeopolíticaBandeirante). O ímpeto bandeirante estabeleceu uma passagem para o Peru em 1622, pelobandeirante Antonio Castanho da Silva. Após o feito os espanhóis patrocinaram a construção das reduções jesuíticas do Itatim, para bloquear o acesso dos paulistas aos Andes. Entre 1620 e 1638 várias bandeiras ocuparam territórios dos atuais Mato-Grosso do Sul e norte do Paraguai, ameaçando a capital provincial espanhola de Assunção, os principais bandeirantes foram Antonio Raposo Tavares, Fernão Dias Paes Leme e André Fernandes. Entre 1641 e 1673, diversas bandeirasBatalha de Mboré, no atual Uruguai, 1641.Bandeirantes derrotados por uma força conjunta de chefiadas por Manuel Dias da Silva,tribos indígenas, jesuítas e espanhóis. Jeronimo Pedroso de Barros, Domingos Barbosa Calheiros e Bras Rodrigues Arzão,penetraram as províncias espanholas do Plata, atuais estados Argentinos de Misiones,Corrientes, Entre Rios e Santa Fé. Já o atual Uruguai foi devassado pelas bandeiras de Fernão Dias Paes Leme e deManuel Dias da Silva em 1635. Os territórios dos atuais Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, todosdentro dos domínios espanhóis foram fustigados por inúmeras bandeiras, desdeJerônimo Leitão em 1585 até Pedro de Alvarenga em 1679. Nessas incursõesbandeirantes foram fundadas centenas de povoados, que viriam a se tornar futurascidades, tal como a cidade de Laguna (SC), fundada pelo bandeirante Domingos deBrito Peixoto em 1676, com o nome de “vila de Santo Antonio dos Anjos de Laguna”. Deturpação histórica do bandeirante. É muito importante ater-se aos fatos com honestidade, sem cair nas mentiras dopoliticamente correto que busca reescrever a história sob uma ‘interpretação crítica’,obviamente regada por infecto caldo ideológico. De acordo com Freitas, “há uma literatura marginal, que pretende inutilmente desprezar o nosso homem antigo e atual – causa e efeito primordiais de nossa História. É na rude forja latifundiária que se temperava o aço dos caracteres bandeirantes, arrastados pelos chefes que a exigüidade dos vilarejos tornava sempre mais rurais do que urbanos.” (Freitas, Amadeu. ‘Geopolítica Bandeirante’).
    • Os acontecimentos do passado ocorreram dentro de um contexto. Ecomparações só são cabíveis, se feitas entre experiências dentro do mesmo contexto,e não entre épocas distintas, com contextos econômicos, históricos e culturaiscompletamente diferentes. ‘Criticar’ os bandeirantes por sua postura rústica eagressiva, e seus atos de conquista é tão ridículo quanto criticar os antigos romanospor sua postura igualmente rústica e agressiva, e suas conquistas militares. Os romanos são os pilares de nossa civilização, não ‘ocidental’ termo tão aogosto de fundamentalistas evangélicos estadunidenses, mas civilização humana,porque todos os povos que entraram em contato com os romanos, adquiriram seuaparato cultural e usufruíram de suas estruturas organizacionais, mesmo tendo obtidoa supremacia sobre seus territórios mais tarde. Pois Roma é o símbolo daracionalidade, oposta a anarquia e selvageria. Os bandeirantes, por seu lado, são os pilares de nosso caráter paulista, de nosso‘ser paulista’, em todos os aspectos, nosso ímpeto criativo e empreendedor, nossoespírito autonomista e livre, nossa determinação ao trabalho duro como geradora deuma riqueza justa e meritória. Portanto, os bandeirantes são nosso símbolo da auto-suficiência do povo paulista, oposta a cultura brasileira da submissão ao podercentralizado e corrupto. A construção de cidades. Os portugueses tinhas instruções rígidas para a fundação de cidades: localizaçãopreferencialmente nas aldeias indígenas, para ter o menor trabalho possível. Asprimeiras construções eram o pelourinho – símbolo da administração no Brasil, acamara municipal – para garantir o futuro dos fidalgos, e a cadeia – para os que sesentirem contrariados. Após uma cerimônia religiosa, com a presença forçada dosíndios, se dava por fundada mais uma cidade brasileira. Esses episódios ocorriamquase que exclusivamente no litoral brasileiro. Já os bandeirantes tinham procedimentos totalmente distintos: a localização fazpela necessidade de preservar novos caminhos para o interior, ou seja, eraminicialmente ‘Arraiais’ – bases avançadas no meio do sertão, a centenas de quilômetrosda costa, mas a um dia de distancia umas das outras, que rapidamente cresciam com ofluxo de novos habitantes. As primeiras construções paulistas eram a capela e a granja.Ou seja, as duas necessidades do homem de conquistas: o alimento do espírito e oalimento para o corpo. Quando o arraial cresce e torna-se uma cidade, torna-se focoirradiador para novas cidades. Dali partindo novas expedições, ou nela sendorecrutados os bravos que formam as grandes bandeiras. “Cada Bandeira, por sua vez, éuma cidade errante que lá se vai”, esta é a razão singela do baixo crescimentodemográfico durante os primeiros séculos das cidades paulistas. Um contínuo fluxo degentes para compor as bandeiras e ocupar as novas cidades que vão brotando pelocaminho. Nesse processo os Arraiais originais, e posteriormente as cidades, acabam seespecializando em certas atividades, tais como estâncias agropecuária (Campinas,Mogi-Mirim, Porto Feliz, Areias, Capivari), centro de mineração (Apiaí), entrepostoscomerciais (Freguesia do Ó, atualmente bairro de São Paulo), aldeamento indígena(Taubaté, Queluz, Itapecerica, Guarulhos, Barueri), colônia militar (Avanhandava),dentre outras atividades.
    • A partir de São Paulo, os bandeirantes fundaram cidades em todas as direções:ao norte como Mariana, Ouro Preto, Sabará, Januária, Diamantina, no atual estado deMinas Gerais; Cuiabá, Goiás, Vila Bela, Pilar, atualmente região Centro-Oeste; e NossaSenhora das Brotas, Morrinhos, Paulista, respectivamente nos atuais estados deSergipe, Bahia e Pernambuco, somente para citar alguns exemplos. Ao sul fundaramCuritiba, Rio Pardo, São Francisco do Sul, Guarapuava, Vacaria, Laguna, Desterro –atual Florianópolis, no território atual dos estados sulistas. Essas redes de arraiais se tornaram os fundamentos do tecido urbano de SãoPaulo e de grande parte da América Lusófona. Segundo Freitas, “Cada povoação dessas, além de constituir um subfoco de irradiação, tem uma história característica. Itu e Porto Feliz são postos avançados para Mato Grosso, no colorido e movimentado episódio das monções. Mogi tem o seu nome ligado ao ciclo do outro das minas; Jacareí contribui com Bartolomeu Fernandes de Faria, que aí residiu, e que foi – na questão do sal¹ – um dos exemplos da insubmissão paulista; S. José do Paraíba (hoje dos Campos) fundado por Anchieta, teve origem numa aldeia de índios guaianases e já, sob esse aspecto, deu a sua contribuição. Aí morou o primeiro bandeirante desbravador da região, Francisco João Leme, filho de Manuel João Branco, o tal do caso de bananas ao rei² o que foi grande povoador entre os de Minas Gerai; Guaratinguetá ‘assume notável papel dos fastos do bandeirismo, sobretudo com a guerra dos emboabas. Com a vitória destes, itu e Sorocaba assumem seu papel histórico’. Taubaté é o centro decisivo de onde partem, numerosas e alvoroçadas, as bandeiras que descobrem, povoam as gerais. Daí sai Salvador Fernandes Furtado para fundar a primeira urbe mineira, o Ribeirão do Carmo. Guapacaré (atual Lorena) é o acesso da Mantiqueira, levando sementes vivas de novas e numeráveis cidades que haviam de b rotar na zona da mineração. Atibaia é a chave com que o o piratiningano abriu a porta de Goiás,. Sorocaba, de onde irradiam as bandeiras mato- grossenses, é o marco de unificação ligando os núcleos bandeirantes do Sul, para depois ser o mercado do comércio de tropa, de famosa significação nacional. Lajes vai ‘fazer testa às missões castelhanas’, na luta contra o espanhol.” (Freitas, ‘Geopolítica Bandeirante’). A epopéia de Raposo Tavares. Dentre as incursões bandeirantes em território espanhol a mais célebre foichefiada pelo bandeirante Antonio Raposo Tavares. Durou três anos, partindo de SãoPaulo em maio de 1648, descendo o rio Tiete, rumo ao território espanhol, na épocatudo a oeste de Sorocaba oficialmente pertencia ao Império Espanhol. Não se detendopor esses fatos, a grande bandeira prossegue dividida em dois regimentos, avançandoparalelamente, para evitar cercos, reunindo-se para o ataque e destruição definitivadas reduções espanholas do Itatim, e de outras reduções próximas, Maracaju,Terecañi, Bolaños, Xerez e Santa Bárbara, provocando tal êxodo de habitantes, que oGoverno Espanhol organizou um enorme exército partindo de Assunção em direção áregião. Em abril de 1649, diante da ameaça, a bandeira prossegue em direção aosAndes, enfrentando espanhóis até ultrapassar Santa Cruz de La Sierra, e seaproximando de Potosí (atual Bolívia), permanecendo na exploração da região atéjulho de 1650, quando parte para o norte, até atingir o rio Madeira, do qual descemnuma flotina fluvial até atingir o forte português de Gurupá, na foz do ria amazonas,próximo a Belém em fevereiro de 1651. Finalmente os remanescentes da epopéiabandeirante chegam a São Paulo trazendo relatos e descrições de caminhos, além de
    • semear inúmeros arraiais – futuras cidades, por todo o percurso de mais de 12 mil km³, conquistando terras aos espanhóis que hoje conhecemos por Paraná, Mato-Grosso,Mato-Grosso do Sul e Rondônia, e ameaçou seriamente as possessões espanholas dosatuais Paraguai, Bolívia e Peru. ‘Onde parou o bandeirante surgiu a fronteira’. Os reflexos das incursões bandeirantesresultaram, além da fundação de centenas decidades, a consolidação das fronteiras, fixadaspelo Tratado de Madrid de 13 de janeiro de1750, e ratificadas pelo Tratado de SantoIldefonso de 1777, estabelecendo como novasfronteiras entre as Américas castelhanas elusófonas, os rios Paraná, Paraguai e Uruguai.Realizando a retirada de bandeirantesremanescentes dos territórios dos atuaisUruguai, Argentina, Paraguai e Bolivia, em trocada entrega da região oeste do Rio Grande doSul, local de resistência espanhola das cidadelas América Lusófona em 1709.de Sete Povos das Missões. Curiosamente aregião de Chiquitos, atual província de Santa Cruz de La Sierra, na Bolivia, influenciadapelos laços com os paulistas, buscaram a anexação ao Brasil em 1825, sendo aceitapelo comandante militar do Mato Grosso que ocupou a região. Entretanto diante daestupefação e protestos de todos os recém criados países sul-americanos,notadamente do líder supranacional Simon Bolivar, o governante do Brasil, D. Pedro I,ordenou a retirada da região e obrigou os habitantes de Chiquitos a se subordinarem arecém criada Republica da Bolívia.Notas:1 - Nos séculos XVI e XVII, havia na América Lusófona o chamado ‘monopólio do sal’, no qual corruptoscomerciantes portugueses obtinham a concessão da metrópole para comercializar o sal comexclusividade. Esses ‘concessionários’ eram homens ambiciosos, desalmados e cruéis, que faziam talmonopólio do sal que seu preço tornava-se extorsivo, tornando o sal, gênero de primeira necessidade,fora do alcance da maioria da população. Em 1710, indignado com essa situação, o bandeiranteBartolomeu Fernandes de Faria, saiu de sua fazenda nos arredores de Jacareí, com um tropa formadapor 200 indios aliados e escravos africanos e rumou para Santos. Chegando lá o bandeirante paulistaordenou que se arrombassem os prédios defendidos pela guarda portuguesa e de lá retiraram oprecioso sal. No retorno para a Serra acima, distribuíram o sal a todas as famílias que encontraram pelocaminho e que eram tão carentes do produto.2 - Numa viagem a Portugal, em 1640, Manuel João Branco entregou ao rei de Portugal um cacho debananas, feito de ouro maciço.3 - Trajetória superior à famosa ‘grande marcha’ de 9 mil km de Mao Tse Tung na China.
    • Os Bandeirantes e Vianna Moog.Por Roberto Tonin A obra Bandeirante e Pioneiros2, produzida em 1954, buscava criar um estudocomparativo da formação dos Estados Unidos e do Brasil. De modo a obter respostasda razão do desenvolvimento do primeiro e do atraso do segundo, e suplantar os mitoscorrentes de que os norte-americanos tiveram vantagem dada sua ‘superioridadeétnica’, com a colonização do inglês superior a colonização do português, e tambémtiveram vantagem com ‘fatores econômicos’. O mito da superioridade étnica anglo-saxã na colonização. Desculpa corrente no passado, e que persiste anda hoje em algumas cabeças, aidéia de que o fato dos americanos terem sido ‘colonizados’ por ingleses, foi decisivono progresso que tiveram, em relação ás américas hispânicas e lusitanas. O primeiromito é abordado por Moog comparando condições étnicas de colonização e ascondições naturais (geográficas, topográficas e climáticas) de ambos os países. Quantoaos Estados Unidos destaca as facilidades de planícies imensas e rios ideais paranavegação, clima ameno com estações definidas, e uma vegetação mais homogênea edomesticável. Quanto ao Brasil, a topografia da Serra do Mar e os rios cheios decorrentezas e cachoeiras, clima quente propicio a insetos e doenças tropicais, e umavegetação muito diversificada que é indomável – a selva, dificultavam muito a vida docolonizador. No que concerne a etnia anglo-saxã de um lado e ibérica de outro, o autorrebate afirmando que não há conexão entre raça e disposições psicológicas. E reforçao argumento mencionando a malfadadas experiências anglo-saxã na Amazônia,encabeçada pelo gênio capitalista Henry Ford na década de 30, que viu seus esforçosfracassarem, apesar de usar todos os recursos disponíveis, ao tentar reproduzir oamerican way of life, mas com a substituição da selva por plantations de seringueiras ecafé, desprotegeu as plantas do sol escaldante e as tornaram mais suscetíveis a pragas,dizimadas as plantações. O clima quente também ferveu os ânimos dos trabalhadores,confinados em habitações de estilo americano, de paredes finas de madeiraconstruídas diretamente sobre o solo, baratas e satisfatórias, mas terrivelmentequentes, vulneráveis a umidade, insetos e vendavais. Por fim, a tentativa de impor acultura anglo-saxã, de estilo protestante puritano, falhou na não aceitação pelos povoslocais, que desprezava seus costumes puritanos e sua comida insossa, e causou umasérie de protestos no empreendimento, culminando na retirada de Ford em 1946.Estabelecendo uma prevalência dos fatores geográficos e climáticos sobre os étnicos. O mito da vantagem protestante sobre o catolicismo. O segundo mito diz respeito à cultura anglo-saxônica protestante e a portuguesacatólica. A ética católica menosprezava a riqueza e condenava o lucro, importavaapenas a salvação da alma. A ética protestante, no entanto, criou uma visão oposta.Considerava a riqueza um sinal da graça de Deus, porque a riqueza, fruto do trabalho epoupança, implica esforço e devoção, só consolidada se o fiel for dotado dessasqualidades pelo criador. O ócio era então considerado falta de fé e de esforço, um2 Moog, Clodomir Vianna. Bandeirantes e Pioneiros. 1993. 18ª edição. Editora Civilização Brasileira. Riode Janeiro.
    • pecado. A associação Weberiana entre protestantismo e capitalismo é essencial naobra de Moog.3 Entretanto, o mesmo reconhece que a obra capitalista não éexclusividade de mercadores, teóricos e banqueiros protestantes. As grandes cidadesmercantis da Itália são todas católicas, assim como o cardeal Richelieu da França,responsável pela modernização da economia francesa, ou dos banqueiros emercadores alemães e holandeses, antes e após a reforma. Podemos acrescentar quese o iluminismo foi em grande parte protestante, o renascimento foi inteiramentecatólico, com a Igreja de Roma patrocinando grande parte deste. O próprio autorafirma que a própria Igreja Católica foi protagonista da expansão do capitalismo comsuas práticas comerciais e seu alcance global. O autor reconhece a importância dofator cultural religioso, mas ressalta que não é suficiente para explicar a discrepânciano desenvolvimento das Américas, e aponta que é preciso considerar fatoresgeográficos, históricos e sociais, juntos com os fatores religiosos. O pioneiro, o bandeirante e o mazombo. Dentro da analise social de Moog ele constrói um paralelo entre o colonoamericano - o pioneiro, e o colono no Brasil, que é dividido em dois - o bandeirante e omazombo. O autor recorda que o termo ‘brasileiro’ até o século XVIII era utilizado paradesignar aqueles que exploravam o comércio do pau-brasil, ou genericamente osportugueses que enriqueciam na América e retornavam para a Europa. Já o termo‘mazombo’, utilizado até o século XX, referia-se aos filhos de portugueses nascidos noBrasil. No que consistia o mazombo? “o mazombo, sem o saber, era ainda um europeu extraviado em terras brasileiras. Do Brasil e da América, de suas histórias, de suas necessidades, de seus problemas, nada ou pouco sabia, porque vivia no litoral, mentalmente de costas voltadas para o Pais? Iam mal as coisas no Brasil? Há, isto não era com ele. Ademais, que poderia fazer, se era só contra todos? Na vida pública como na vida privada, nunca seria por sua culpa ou negligencia que isto acontecia. A culpa seria sempre dos outros” (Moog, 1993, p. 105-106). Moog ressalta que o mazombo é carrancudo pelo ressentimento aosportugueses, no principio, por não lhes permitirem alterar seu nível social, e após comos estrangeiros em geral por não ter qualificações e condições de competir com eles. Eprincipalmente, o mazombo era contraditório, enquanto admirava o estrangeiro, ariqueza e sofisticação além-mar, principalmente os ideais libertários provenientes daFrança e América, quando volta-se para seu cotidiano inclina-se a apoiar regimesimpositivos e centralistas, porque o liberalismo no entender do mazomba esta muitobem, mas aplicá-lo nessas terras, com a ignorância e baixo nível cultural do povo, eraimpossível, e o poder então, não admitia dividi-lo com ‘lacaios e lavadeiras’(Moog,1993, p. 107) . O mozombo se caracteriza pela “falta de crença na possibilidade deaperfeiçoamento moral do homem, em descaso por tudo quanto não fosse fortunarápida e, sobretudo, na falta de um ideal coletivo, na quase total ausência desentimento de pertencer o individuo ao lugar e à comunidade em que vivia ”. (Moog,1993, p. 105-106) Apresenta um total desprezo pelo trabalho, é fascinado porprivilégios, exceções e direitos, esquivando-se de responsabilidades e deveres.Inclinado ao jogo, trapaças, cargos públicos, a esbórnia. O mazombo só se interessa3 Weber, Max. Ética protestante e o espírito do capitalismo.
    • pela vida fácil e gozadora. Trabalhar duro, construir seu patrimônio? A resposta domazombo seria: isso é coisa de escravo. Mulheres virtuosas? Só as da própria família,todas as outras são passiveis de usos e abusos. Diferenças entre bandeirantes e mazombos. Moog utiliza essa caracterização do mozombo, o português nascido no Brasil,para fazer a principal comparação com os pioneiros, os colonos europeus nos EstadosUnidos, que seriam o exato oposto, e a razão do sucesso destes e insucesso daqueles,em suma a essência da obra de Moog. O que é válido até hoje. Porém, ao trabalharespecificamente com o bandeirante, ou seja, com os paulistas, Moog admite que elenão faça parte do mazombismo brasileiro, o paulista é diferente. Enquanto omazombo é característico da colonização costeira, ‘com as costas voltadas para ointerior’, voltando-se exclusivamente para o estrangeiro, psicológica eeconomicamente, o bandeirante, por seu lado, esta intrinsecamente voltado para aconquista do interior, e de costas para a metrópole. Enquanto o mazombo cultura umrefinamento europeu, e despreza o trabalho, usufruindo das facilidades urbanas, obandeirante é rústico, voltado para o confronto e exploração, seja das minas, seja delavouras, trabalhando junto com seus escravos e serviçais, misturando-se com eles,aprendendo a falar suas línguas e seus costumes. O mazombo fica restrito as cidades eengenhos no litoral, o bandeirante se espalha pelo interior fundando arraiais evilarejos. Porque o americanismo na obra de Moog? Ao produzir seu trabalho, Vianna Moog, peca pela língua, se assemelhando umpouco com o mazombismo brasileiro que descrevera. Passa grande parte do livroexaltando o estrangeiro, traçando comparações forçadas, tais como os jesuítas daquicom os industriais e banqueiros ianques, ou os engenhos de açúcar com as fazendassulistas dos EUA, e principalmente, os bandeirantes com os pioneiros americanos.Neste caso, o tema do livro aliás, trata de traçar uma comparação nos mesmos termosque fez com o mazombismo brasileiro em relação aos bandeirantes, ou seja, obandeirante é um incrédulo, selvagem, rústico, buscando a conquista de terras e ariqueza, ao passo que o pioneiro americano seria na visão de Moog, um bom-moço,buscando consolidar suas cidades e fazendas antes de se arriscar para o interior,vivendo em harmonia e usufruindo de uma tolerância religiosa e elevação moral. Ouseja, ele pinta apenas caracteres negativos para o bandeirante, e exclui todos os dadose elementos negativos quando descreve o pioneiro americano. Isso pode ser vistocomo pura bajulação inconsciente, mas tem sim um aspecto ideológico. Os anos 50 secaracterizaram por um surto americanista no Brasil, com a presença militar americanano nordeste, resquício da Guerra Mundial, e investimento maciço de capitais no país.Buscava-se uma explicação do sucesso americano e da estagnação brasileira, aomesmo tempo em que, naquele momento, o crescimento paulista estava paralisadopelos anos de ditadura getulista (1930-1945), e havia um processo de difamação deSão Paulo em curso4, tudo que soasse reconhecer ou vangloriar os feitos dos paulistas,seria um ultraje aos nacionalistas brasileiros. Neste quadro não é de se espantar queum autor tenha escrito uma obra, como tantas outras de outros autores, antes e apósela, com o objetivo de desqualificar os paulistas, e neste caso, também o de exaltar os4 Que persiste até os tempos atuais, diga-se de passagem.
    • norte-americanos. Entretanto, o autor teve que fazer algumas concessões, diante deevidencias e fatos históricos, como no inicio da obra ao apontar a facilidade dosamericanos em ocupar o território, e também quanto à limitação da exploraçãodestes, quase restrita ao litoral, curiosamente igual aos mazombos brasileiros. Moogreconhece que os bandeirantes enfrentaram o terreno desfavorável e o climaimplacável, além de inúmeras tribos indígenas hostis, e povoações espanholas, e nadadisso impediu que percorressem vários milhares de quilômetros e fundassem centenasde povoados, conquistando vastos territórios. No entanto, Moog, não cumpre ahonestidade intelectual ao fazer comparações fajutas, compara certos aspectos,arranjando os dados que lhe convém. Não traça um paralelo completo entre osbandeirantes e os pioneiros, e sim aponta certas características negativas dosbandeirantes com certas características positivas dos pioneiros, e principalmentemistura os elementos, quando precisa enfocar um aspecto negativo e não o encontraentre bandeirantes, o faz com os mazombos brasileiros, igualmente, quando precisa deum aspecto positivo dos colonos americanos, ele deliberadamente ignora os pioneirose usa as colônias mercantis de Nova York. Essa confusão na comparação completa aslacunas no trabalho de Moog, mas deixa um ar de grosseira manipulação. Tal quando compara a motivação da colonização, enquanto os pioneiros vieram,não em busca de riquezas, mas sim de um espaço para viverem em paz segundo suasconcepções religiosas, e ao povoarem trouxeram consigo suas famílias, seu objetivoera trabalhar, prosperar, colonizar e não conquistar. Já os bandeirantes, eramgeralmente homens, que organizavam expedições militares para aprisionar escravos, eexplorar minas, obtendo o acumulo de riquezas, e sua função seria a de despovoar oterritório de índios, e não o de colonizar. Mas Moog é falso ao não informar que os pioneiros também promoveram abusca por minas, e não as encontrando trataram de ocupar o território, mas não domodo idílico como descrito no texto de Moog, que mais se assemelha a um filme deHollywood, os Pioneiros como os de Roanoke, fundada em 1586, passaram todo otempo em incursões em busca de ouro, anos mais tarde um navio de abastecimentonão encontrou ninguém no assentamento, todos haviam morrido de fome e doenças.Já Jamestown, fundada em 1607, passou por situação parecida, quase todos oscolonos eram homens, e passavam grande parte do tempo de expedições em busca deouro, após parte da colônia morrer de fome, eles passaram a comercializar tabaco,cultivado por escravos africanos, dando inicio aos plantations. As primeiras colônias de protestantes tiveram destino semelhante, incapazes deproduzir o próprio alimento, buscavam comercializar com indígenas para garantir asobrevivência. Somente quando suas colheitas prosperaram é que seus povoadoscresceram. Estes eram baseados numa teocracia, com sua estrutura social baseada emclãs familiares, que intercambiavam casamentos e mantinham o poder sobre acomunidade. Sua economia baseou-se em exportar os excedentes agrícolas para ascidades litorâneas. Ou seja, no inicio os pioneiros se assemelhavam aos primeirosbandeirantes, só que não tiveram sucesso. Os bandeirantes ao contrário tiveram grande sucesso, não só encontraramminas, devido ao empenho em ir fundo pelo sertão, como produziam eficazmente todaa alimentação de que precisavam, nas suas cidades de origem, através das fazendasonde parte dos lavradores era contratados pelos bandeirantes as tribos indígenasvizinhas, os pagamentos eram feitos ás tribos. E também produziam alimentos no
    • caminho de suas incursões, que é a chave de seu sucesso, são os arraiais, fazendasconstruídas nos caminhos das bandeiras. Os bandeirantes, ao contrário dos pioneiros, foram competentes em encontraras minas, e em produzir todos os alimentos de que precisavam. Com o progressoobtido, investiam em novas incursões e na construção de novos arraiais e novospovoados, enquanto os pioneiros se limitavam a ampliar suas vilas e aumentar aexportação de comida para o litoral. Os bandeirantes ocuparam o interior econtinuaram avançando, enquanto os pioneiros levaram mais de 200 anos paraconseguir avançar além da faixa litorânea. Moog numa tentativa de reforçar a imagem dos pioneiros busca associá-los aosbanqueiros e comerciantes das cidades litorâneas, numa alegada simbiose de virtude,cabendo a estes últimos o interesse em manter a unidade territorial, a futura naçãoamericana, com seus interesses econômicos transformados em motor do progresso.Esquecendo o autor que estes comerciantes são totalmente ligados a metrópoleInglaterra, e nada lhes interessa além de enriquecer e usufruir dessa riqueza. Domesmo modo, Moog tenta associar os jesuítas aos bandeirantes, alegando que aquelesbuscavam integrar o território, e tal como os comerciantes novaiorquinos buscavampatrocinar escolas, para aprender ofícios e difundir a fé. Mas bandeirante e jesuítas,tinham objetivos distintos e totalmente incompatíveis, e sua relação conturbadaresultou na expulsão dos jesuitas de São Paulo em 1640, mas uma descrição maispormenorizada fica para outro artigo. A tentativa de deturpar a imagem do bandeirante na obra de Vianna Moog. Em resumo o bandeirante descrito por Moog, como ávido por riquezas fáceis,pobres, em numero restrito, e que penaram para desenvolver a colônia, é totalmenteequivocada, e parte de pressupostos falsos. A busca por riquezas minerais motivoutodos os colonos nas Américas, e no que tange ao estadounidenses persistiu até oséculo XIX com a corrida do ouro na Califórnia. O que Moog, disse a respeito disso?Nada é claro. E quanto ao bandeirante ser um maltrapilho, como Moog junto comoutros adora apontar? É um dado ridículo, a preocupação com a moda européia e apompa é restrita aos povoados litorâneos, aqueles que o próprio Moog definiu pormazombos. Os bandeirantes, homens de ação, conquistadores, não se aprazavam dasefemeridades da vida sedentária. Nada mais obvio. O que não é válido em associar aluxuria á riqueza. Os bandeirantes aplicavam sua riqueza em novas expedições, naconstrução de novas povoações, e também na construção de obras públicas, como aigreja de São Bento em 1600, com doações do bandeirante Fernão Dias Paes Leme.Também a descrição do bandeirante por Moog como um despovoador do interior éfalso. As bandeiras não massacravam os índios, como os americanos fizeram no séculoXIX, e sim construíam alianças com tribos, e enfrentavam as tribos inimigas,aprisionando os vencidos. Quase 90% do efetivo militar das bandeiras era preenchidapor índios de tribos aliadas. E por todo o caminho que percorriam, fundavampovoações, quase todas as cidades do sul, sudeste e centro-oeste, e algumas do nortee nordeste, foram fundadas por paulistas bandeirantes. O aspecto da colônia étambém essencial, enquanto os pioneiros e também os mazombos descritos porMoog, eram subservientes a metrópole, produzindo insumos para os plantationsexportadores, os bandeirantes visavam a própria autodeterminação, não haviacomissários portugueses em São Paulo, não havia tropas ou fiscais, e quando os
    • portugueses tentaram exercer seu controle sobre o território paulista, ouveconfrontos, o episódio mais famoso foi a Guerra dos Emboabas (1707-1709) e o maissignificativo foi a aclamação de Amador Bueno como rei de São Paulo (1641), umas dasprimeiras tentativas de independência no continente americano. O bandeirante em fatos. O bandeirante em São Paulo tinha umaeconomia voltada para si e para a expansão nointerior. Por isso sua economia é tão discreta, émeio desconhecida, pouco estudada. Ao contrarioda economia e sociedade do litoral do Brasil, todavoltada para a Europa, para a exportação, paramodismos, e bajulação do modo de vida europeu,e cuja estrutura social compunha de uns poucosricos esnobes, com trajes europeus na selvaquente, enquanto a imensa maioria da população era escrava ou serva. Em contraste,a capitania de São Paulo demonstrava dentro desse contexto uma riqueza excepcional,e um enorme avanço social sobre seus vizinhos, se por um lado não havia ostentaçãoeconômica, por outro não havia miséria. A estrutura de vida social em são Paulo era defamílias livres, não havia ‘coroné’, e sim grupos de famílias que disputavam asupremacia sobre a câmara de São Paulo e a liderança nas expedições bandeirantes, eestas famílias tinham redes de apoio em famílias menos poderosas. O que significavaum grau de liberdade e dinamismo social que levou séculos para chegar ao resto doBrasil, que era baseado no coronelismo, um semifeudalismo degradante, que aindasubsiste em locais em certos estados brasileiros até os tempos atuais. Neste ínterim odinamismo da sociedade paulista era baseado na influência conquistada, através daeconomia local, na produção de alimentos, como o trigo, e de produtosmanufaturados, tal como marmelada, que era exportada para regiões vizinhasinclusive da America espanhola. As riquezas não eram usadas para adquirirquinquilharias da Europa, como os ‘coroné’ faziam, e sim utilizada internamente paraexpandir a economia, e fundar novos povoados e fazendas, alem de criar caminhos earraiais para novas rotas. E tudo isso explicava a criação de força de trabalho, que erabasicamente de famílias livres, e contratos de serviço com tribos indígenas aliadas,novidade no Brasil, até recentemente, e isso foi o grande diferencial. Enquanto que emSão Paulo a mão-de-obra cativa era usada para a produção de alimentos emanufaturados, no Brasil os cativos eram utilizados pelo latifúndio monocultor voltadopara exportação como no litoral brasileiro com sua mentalidade ‘casa grande esenzala’, que marcou a sociedade, incutindo um comodismo e submissão do brasileiroa um poder central. Enquanto que em São Paulo a sociedade de famílias livres, tinha a economiavoltada para o interior para consumo interno e para desenvolvimento local, quederivou em uma sociedade dinâmica, competitiva e livre, não subordinada a poderalgum que não o derivado de sua vontade, e principalmente, insuflador de umaautonomia local, que se tornou imprescindível. A câmara de São Paulo não tinhanenhum ‘coroné’, ninguém tinha o controle, era necessário a negociação e mediaçãoentre as famílias, para o exercício do governo em prol do bem da cidade, veja comoexemplo disso as deliberações da câmara municipal de São Paulo sobre o envio de
    • expedições militares para a Guerra dos Emboabas. Essas famílias mais poderosasorganizavam grandes formações militares, completadas por tropas auxiliaresfornecidas por famílias aliadas. Essas formações militares eram regimentos criados eformados por companhias de 100 soldados, cada uma liderada por capitães comautonomia tática. Tinham funções muito bem estruturadas, baseadas na surpresa eemboscadas. O caráter autônomo da bandeira é patente, como ressalta Ricardo “abandeira era organizada por exclusiva deliberação dos paulistas: eles mesmos, ospaulistas, se nomeavam capitães, alferes e sargentos, sem dar satisfação nenhuma aoseu governador, fosse este espanhol ou português.”(Cassiano Ricardo, ‘Marcha paraOeste’). O bandeirantismo criou a infra-estrutura da civilização paulista. Esteve muito àfrente de seu tempo, á frente de seus vizinhos que eram sociedades colonizadas,dependentes da Europa e baseadas num semifeudalismo. Ao passo que obandeirantismo moldou uma sociedade livre, estruturada, autônoma e auto-suficiente. Mas se os bandeirantes criaram as condições para o progresso, este foi barradopelo brasilianismo, vestígio do mazombismo, que predominava e ainda predomina naspopulações e governos desse Brasil. Todo espírito empreendedor, autonomista emeritório é endemoniado, perseguido e esmagado. As condições que nossa terra teveem 1708 era muito superior as condições que os pioneiros americanos tinham namesma época. Os bandeirantes fizeram a sua parte, muito superiores aos pioneirosianques. Mas para nosso azar, os mazombos tomaram as rédeas do poder eestagnaram o progresso. Enquanto os ianques, mesmo com sua desvantagem inicialnos superam e atingiram o apogeu como potencia mundial dominante nos temposatuais. No entanto isso não deve ser entendido como uma reles critica, e sim como aindicação das falhas, e do caminho correto a ser seguido. Devemos resgatar a memóriados bandeirantes, e impedir que os mazombos continuem dilapidando nossa cultura enossa memória histórica, e devemos contra-atacar, retomar o espírito bandeirante, oempreendedorismo, a autonomia e o mérito, e retomar o caminho do progresso.
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