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Ficha catalográfica preparada pelo Centro de Processamento Técnico da                     Biblioteca Central da UNAERP    ...
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AGRADECIMENTOS        Agradeço a Deus pela oportunidade que tive de colocar Seus planos para mim emprática. À minha famíli...
“Tudo o que é sólido, se desmancha no ar”.                                Karl Max
RESUMOEste estudo consta em relato de experiência em pedagogia musical na Escola Municipal deMúsica da cidade de Luiz Antô...
ABSTRACTThis study consists in reporting experience in musical pedagogy at the Municipal School ofMusic City Luiz Antônio/...
LISTA DE FIGURASFigura 1 - Luiz Antônio/SP ..................................................................................
SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................
1. INTRODUÇÃO        Nasci em São Caetano do Sul, estado de São Paulo e iniciei meus estudos na área damúsica ainda na inf...
objetivos eleitorais, quando, deveriam na realidade ter como foco principal o apaziguamentosocial, desenvolvendo o indivíd...
No campo pedagógico também nasceram novas correntes, em que a humanização noensino musical passou a ter uma especial atenç...
Este trabalho foi elaborado e contextualizado nas esferas sociais, econômicas eculturais do ambiente em que se encontra. N...
2. DALCROZE, WILLEMS, ORFF E SUZUKI          Apresentamos a seguir as propostas pedagógicas de alguns pedagogos da Primeir...
que usa a metodologia de Dalcroze costuma pedir aos alunos: “Mostrem-me o que vocês estãoouvindo”, em vez de “Digam-me o q...
se faz nesse sentido, a não ser insistir em exercícios técnicos sem interesse musical”(FONTERRADA, 2005, p. 137)       Est...
CARL ORFF6          Carl Orff (1895-1982) elaborou uma pedagogia musical que aborda a combinação delinguagens artísticas e...
crianças sentem necessidade de anotar é que se introduz a escrita e a leitura. Sua metodologiadestina-se a todas as crianç...
De acordo com Suzuki (1994), o procedimento básico consiste em ensinar à criançauma coisa de cada vez. Devem ouvir as grav...
   Improvisação: Orff.   Democratização da Música: Dalcroze, Willems, Orff e Kodaly.                                    ...
3. CONTEXTO HISTÓRICO E MUSICAL DO MUNICÍPIO                                         Figura 1 - Luiz Antônio/SP        Seg...
lei nº 5.121 de 31 de dezembro de 1958, que tratava da nova delimitação territorial do estadode São Paulo.           Quant...
4. FORMAÇÃO DO GRUPO INSTRUMENTAL       Quando cheguei à cidade de Luiz Antônio pela primeira vez, em junho de 2007 aconvi...
metodologias, ao contrário do que ocorria antes, procuramos aplicar na íntegra, na medida dopossível, abordamos mais detal...
trabalhos musicais sob a forma de audições coletivas ou solo. As obras caracterizadas comosolo são estudadas durante aprox...
audições e festividades, valendo-se dos repertórios erudito e popular, composto por obras decompositores como Johann Sebas...
5. RESULTADOS E DISCUSSÃOATUAÇÕES PASSADA E PRESENTE       Antes de toda informação pedagógica que recebi na universidade,...
obrigatoriedade de profissionalizar-se. Nesse ponto foi que percebi que necessitava buscarnovos conhecimentos.        Quan...
Laércio Sinhoreli Diniz. Utilizam-se também a criação e a improvisação na criação de letraspara as melodias, melhorando a ...
REGISTROS DE ATIVIDADES DO GRUPO           Importa-nos lembrar que alguns alunos que não possuíam o instrumento foramagrac...
Figura 3 - Alunos de violino, apresentando-se em audição, no Sindicato dos Trabalhadores de Papel e Papelão. Maio         ...
com a participação de toda a Camerata de Cordas, formada por 16 violinos, sendo 6primeiros,   5 segundos e 5 terceiros vio...
Figura 7 - Camerata de Cordas no Natal de 2009, na Praça Mário Junqueira.Figura 8 - Alunos de violino, apresentando-se no ...
Branca” de Luiz Gonzaga e alguns clássicos como obras de Beethoven ou Mozart, solicitadaspelos transeuntes. Todas as cançõ...
Figura 10 - Alunos de violino e canto participando do Musical “Para Sempre... Bela Adormecida”, no dia 3 de            dez...
Os ensaios foram realizados com os dois grupos separados: as cordas em LuizAntonio, conduzidos por mim e o restante em San...
Figura 13 - Orquestra Sinfônica Parcial em Santa Cruz das Palmeiras na Praça Condessa Monteiro de Barros,                 ...
Contudo, os resultados obtidos até o presente momento nos possibilitam pensar emfrutos doravante colhidos, baseados na sol...
seus cultos. Poucas pessoas, já que a maioria era composta por evangélicos, deixaram departicipar dos estudos por falta de...
6. CONCLUSÃO       Durante o decorrer deste trabalho, não pudemos deixar de evidenciar a importânciacultural, social e ped...
REFERÊNCIASBOGDAN, R.; BIKLEN, S. K. Investigação qualitativa em educação. Porto: Porto Editora,1994.LUIZ ANTÔNIO. Luiz An...
BILIOGRAFIA CONSULTADAGOULART, D. Dalcroze, Orff, Kodály, Suzuki: semelhanças, diferenças, especificidades.2000. Disponíve...
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A INFLUÊNCIA DOS PRINCIPAIS PEDAGOGOS MUSICAIS DA PRIMEIRA GERAÇÃO NA PRÁTICA DOCENTE CONTEMPORÂNEA: relato de experiência sobre a aplicação da pedagogia musical na Escola Municipal de Música da cidade de Luiz Antônio (SP).

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A INFLUÊNCIA DOS PRINCIPAIS PEDAGOGOS MUSICAIS DA PRIMEIRA GERAÇÃO NA PRÁTICA DOCENTE CONTEMPORÂNEA: relato de experiência sobre a aplicação da pedagogia musical na Escola Municipal de Música da cidade de Luiz Antônio (SP).

  1. 1. UNIVERSIDADE DE RIBEIRÃO PRETO LICENCIATURA PLENA EM MÚSICA WESLEY EKSTEIN DE CAMARGO A INFLUÊNCIA DOS PRINCIPAIS PEDAGOGOS MUSICAIS DAPRIMEIRA GERAÇÃO NA PRÁTICA DOCENTE CONTEMPORÂNEA: relato de experiência sobre a aplicação da pedagogia musical na Escola Municipal de Música da cidade de Luiz Antônio (SP). RIBEIRÃO PRETO 2012
  2. 2. WESLEY EKSTEIN DE CAMARGOA INFLUÊNCIA DOS PRINCIPAIS PEDAGOGOS MUSICAIS DA PRIMEIRA GERAÇÃO NA PRÁTICA DOCENTE CONTEMPORÂNEA: relato de experiência sobre a aplicação da pedagogia musical na Escola Municipal de Música da cidade de Luiz Antônio (SP). Monografia apresentada à Universidade de Ribeirão Preto UNAERP, como requisito para a obtenção do titulo de Licenciatura Plena em Música. Orientador: Profa. Me. Gisele Laura Hadad. RIBEIRÃO PRETO 2012
  3. 3. Ficha catalográfica preparada pelo Centro de Processamento Técnico da Biblioteca Central da UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto - Camargo, Wesley Ekstein de, 1977 -.C172i A influência dos principais pedagogos musicais da primeira geração na prática docente contemporânea : relato de experiência sobre a aplicação da pedagogia musical na Escola Municipal de Música na cidade de Luiz Antônio (SP) / Wesley Ekstein de Camargo. - - Ribeirão Preto, 2012. 43 f. : il. color. Orientadora: Prof.ª Me. Gisele Laura Haddad. Monografia (graduação) - Universidade de Ribeirão Preto, UNAERP, Música. Ribeirão Preto, 2012. 1. Educação musical. 2. Pedagogia - Musical. 3. Prática de ensino. I. Título. CDD: 780
  4. 4. WESLEY EKSTEIN DE CAMARGO A INFLUÊNCIA DOS PRINCIPAIS PEDAGOGOS MUSICAIS DA PRIMEIRA GERAÇÃO NA PRÁTICA DOCENTE CONTEMPORÂNEA: relato de experiência sobre a aplicação da pedagogia musical na Escola Municipal de música da cidade de Luiz Antônio (SP). Monografia apresentada à Universidade de Ribeirão Preto UNAERP, como requisito para a obtenção do titulo de Licenciatura Plena em Música. Orientador: Profa. Me. Gisele Laura Hadad.Área de concentração: Educação musical, Educação musical especial e Musicoterapia.Data da Defesa: 13 de dezembro de 2012.Resultado:______________________Banca examinadora: Profa. Me. Erika de Andrade Silva Universidade de Ribeirão Preto Profa. Me. Gisele Laura Haddad Universidade de Ribeirão Preto Profa. Esp. Ana Maria Monseff Barreto Universidade de Ribeirão Preto
  5. 5. Dedico este trabalho à memória de minha avó paterna Anna Calvo de Camargo, que nosdeixou no dia 18 de setembro de 2011, aos 86 anos. Com carinho e amor acompanhou-me incondicionalmente por todas as etapas de minha vida, inclusive durante as longas horas diárias de estudo violinístico, sempre orando, incentivando e orientando no caminho do bem. A ela meu carinho e amor.
  6. 6. AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus pela oportunidade que tive de colocar Seus planos para mim emprática. À minha família, em especial tio Osvaldo e tia Neusa que, em momento algumcriticaram minha decisão em escolher esta nobre carreira. À minha irmã Karina, pelosdeliciosos anos em que convivemos em São Caetano do Sul. Ao Sr. Luiz Aguiar Menon,Coordenador do Departamento de Cultura da cidade de Luiz Antônio, que gentilmente cedeu-me a documentação que registra a fundação da Banda Municipal “Irineu Santa Catarina” e da“Banda Marcial de Concerto” e relatou-me sobre antigos grupos de viola caipira e violão,compostos por moradores da cidade. A todos os amigos e colegas que marcaram de algumamaneira minha passagem pela Universidade de Ribeirão Preto, em especial aos amigosMarcelo Cosme dos Santos, Jaderson Luis da Silva, Willian Welson e Isabela Cosenza pelashoras de compartilhamento, ajuda e abnegação. À Sonara Campanha e Viviane Diab,secretárias do curso Licenciatura Plena em Música da Universidade de Ribeirão Preto, que emtudo prestaram auxílio e amizade. Aos mestres, que calçaram meus caminhos com pedras desabedoria e conhecimento, para que meus pés vacilantes não se desviassem pelos pântanos daignorância: Professora Mestre Erika de Andrade Silva, instrumento de Deus e bússola naadversidade: obrigado pelas horas maravilhosas que passamos assentados ao piano, cujosmomentos serviram também como terapia nas horas de aflições. Pelos sábios conselhossempre equilibrados, e compartilhamento de conhecimento durante as aulas de PedagogiaMusical. À Professora Ana Maria Monseff Barreto, pelo carinho sempre materno e prontidãoem ajudar sem medir esforços; aos Professores Mestre Lucas da Silva Galon, Doutor ÉricoFirmino e João Magioni, pelos conhecimentos compartilhados com generosidade, sem medode revelar o segredo do equilíbrio e da sabedoria. Aos queridos Professores Doutora HelenaCapellini e Mestre João Fernando Araújo, cujos conhecimentos são um espetáculo à parte. AoProfessor Armando Bugalho, sempre nos fazendo descontrair, ao mesmo tempo em que nosdeixava extasiados com seu domínio da tecnologia musical. Às Professoras Doutora SandraPicado e Mestre Helena Hashimine, por nos revelar um lado especial e inclusivo da educaçãomusical; à Professora Mestre Silvana Nieto, pela coragem de dizer a verdade e desvelar o queantes era-me obscuro no sistema educacional brasileiro. À Professora Cristina Modé, pormostrar a magia do canto. Aos Professores Doutor Wilson Coelho e Mestre Fernanda CristinaSakaemura, pelos princípios da Educação Moderna. Finalmente mas não menos importante, àProfessora Mestre Gisele Laura Haddad, por dividir sua experiência, orientando sempre eincentivando, mesmo em momentos extra-aula, para que este trabalho pudesse serdesenvolvido, não obstante meus medos e dúvidas.
  7. 7. “Tudo o que é sólido, se desmancha no ar”. Karl Max
  8. 8. RESUMOEste estudo consta em relato de experiência em pedagogia musical na Escola Municipal deMúsica da cidade de Luiz Antônio/SP e os desdobramentos alcançados através do estudo eaplicação das influências dos seguintes pedagogos musicais da primeira geração (início doséculo XX): Emille Jaques Dalcroze (1865-1950), Edgar Willems (1890-1978), Carl Orff(1895-1982) e Shinichi Suzuki (1898-1998). Através deste registro da rotina edesenvolvimento musical dos alunos, no período março de 2009 e novembro de 2012,evidenciamos a importância do conhecimento da pedagogia musical para os professores destaárea. Para tanto, consideramos as publicações de Fonterrada (2005), Rocha (1990), Suzuki(1994) e Schafer (1991). Verificamos que a importância dos novos conhecimentos adquiridospossibilita mudanças positivas na relação professor-aluno: o primeiro, de acordo com apedagogia tradicional, detentor do saber; o segundo, receptor passivo de informações,tranformando-se numa parceria onde existe troca de conhecimentos.Palavras-chave: Educação Musical; Pedagogia Musical; Prática Docente.
  9. 9. ABSTRACTThis study consists in reporting experience in musical pedagogy at the Municipal School ofMusic City Luiz Antônio/SP and the developments achieved through the study andapplication of the influences of the following musical pedagogues of the first generation(early twentieth century): Emille Jaques Dalcroze (1865-1950), Edgar Willems (1890-1978),Carl Orff (1895-1982) and Shinichi Suzuki (1898-1998). Through this registration routine andmusical development of students, in the period March 2009 and November 2012, we notedthe importance of knowledge of musical pedagogy for teachers in this area. For this, considerthe publications Fonterrada (2005), Rocha (1990), Suzuki (1994) and Schafer (1991). Wefound that the importance of new knowledge enables positive changes in teacher-studentrelationship: the first, according to traditional pedagogy, holder of knowledge, the secondpassive recipient of information, transforming into a partnership where there is knowledgeexchange.Keywords: Music Education; Music Pedagogy; Teaching Practice.
  10. 10. LISTA DE FIGURASFigura 1 - Luiz Antônio/SP ...................................................................................................... 22Figura 2 - Professores e funcionários do Departamento de Cultura em junho de 2009. .......... 31Figura 3 - Alunos de violino, apresentando-se em audição, no Sindicato dos Trabalhadores dePapel e Papelão. Maio de 2009................................................................................................. 32Figura 4 - Alunos de violino, apresentando-se em audição, na Praça Mário Junqueira emjunho de 2009. .......................................................................................................................... 32Figura 5 - Apresentação da Camerata em comemoração ao Natal de 2009, na Praça MárioJunqueira................................................................................................................................... 33Figura 6 - Apresentação da Camerata em comemoração ao Natal de 2009, na Praça MárioJunqueira................................................................................................................................... 33Figura 7 - Camerata de Cordas no Natal de 2009, na Praça Mário Junqueira.......................... 34Figura 8 - Alunos de violino, apresentando-se no Bosque Municipal, em homenagem a NossaSenhora Aparecida e dia das crianças, dia 12 de outubro de 2010. .......................................... 34Figura 9 - Banda do Departamento de Cultura da cidade de Luiz Antônio, em sua participaçãona “Festa do Peão Boiadeiro de Barretos” em 2010. ................................................................ 35Figura 10 - Alunos de violino e canto participando do Musical “Para Sempre... BelaAdormecida”, no dia 3 de dezembro de 2011, no Anfiteatro Municipal sob a regência daprofessora Renata Vetrano........................................................................................................ 36Figura 11 - Detalhe das alunas de violino participando do musical “Para Sempre... BelaAdormecida”. ............................................................................................................................ 36Figura 12 - Orquestra Sinfônica Parcial em Santa Cruz das Palmeiras na Praça CondessaMonteiro de Barros, 22/12/2011............................................................................................... 37Figura 13 - Orquestra Sinfônica Parcial em Santa Cruz das Palmeiras na Praça CondessaMonteiro de Barros, 22/12/2011............................................................................................... 38Figura 14 - Orquestra Sinfônica Parcial em Santa Cruz das Palmeiras na Praça CondessaMonteiro de Barros, 22/12/2011............................................................................................... 38
  11. 11. SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 112. DALCROZE, WILLEMS, ORFF E SUZUKI ................................................................. 15 EMILE-JAQUES DALCROZE ........................................................................................................ 15 EDGARD WILLEMS ....................................................................................................................... 16 CARL ORFF ..................................................................................................................................... 18 SHINICHI SUZUKI.......................................................................................................................... 19 ALGUNS PONTOS DISTINTOS OU SEMELHANTES ENTRE AS PROPOSTAS .................... 203. CONTEXTO HISTÓRICO E MUSICAL DO MUNICÍPIO ......................................... 224. FORMAÇÃO DO GRUPO INSTRUMENTAL .............................................................. 245. RESULTADOS E DISCUSSÃO ....................................................................................... 28 ATUAÇÕES PASSADA E PRESENTE .......................................................................................... 28 REGISTROS DE ATIVIDADES DO GRUPO ................................................................................ 31 - Audições de final de semestre..................................................................................................... 31 - Apresentações ao ar livre ............................................................................................................ 32 - Participação na Festa do Peão Boiadeiro de Barretos ................................................................. 34 - Musical........................................................................................................................................ 35 - Experiência com Orquestra Sinfônica Parcial ............................................................................ 36 PERSPECTIVAS FUTURAS ........................................................................................................... 38 REFLEXÕES .................................................................................................................................... 396. CONCLUSÃO..................................................................................................................... 41REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 42BILIOGRAFIA CONSULTADA .......................................................................................... 43
  12. 12. 1. INTRODUÇÃO Nasci em São Caetano do Sul, estado de São Paulo e iniciei meus estudos na área damúsica ainda na infância, com meu tio paterno Osvaldo Calvo de Camargo, que em suajuventude fora violinista e bandolinista amador. Continuei os estudos por toda aadolescência, sempre frequentando boas instituições de ensino musical, como a Fundação dasArtes de São Caetano do Sul – SP - referência nacional na profissionalização em artes visuais,dança, teatro e música há décadas - onde iniciei na Camerata1 de Cordas entre os anos 1996 e2000. Aos 19 anos já lecionava violino em aulas particulares, aos 21 fui professor noConservatório Musical Carlos Gomes de Santo André – SP e comecei a adquirir experiênciana Orquestra de São Caetano do Sul como violinista. Ingressei na Universidade de RibeirãoPreto – UNAERP no início do ano de 2010: seria necessário instruir-me no conhecimentopedagógico musical, que possibilitaria desenvolver um processo mais humano do ensinomusical, num projeto que inclui pessoas carentes de conhecimento técnico, mas que tambémnecessitam de um olhar mais afetivo e compreensivo. Precisava descobrir o “método” que iriamantê-los motivados. Mesmo tendo sido orientado por grandes mestres do violino, apenas tive uma visãomais profunda e panorâmica da educação musical ao ingressar no curso de Licenciatura Plenaem Música da UNAERP, que me proporcionou novos caminhos e forneceu ferramentas quepossibilitaram a realização de um trabalho bem fundamentado com meus alunos na cidade deLuiz Antônio - SP. Fui convidado a lecionar violino pelo atual Prefeito e mediante uma propostaplausível, resolvi deixar São Caetano do Sul e aventurar-me no Interior Paulista. Desde 2009,sou professor de violino da Prefeitura da cidade de Luiz Antônio – SP, na Escola Municipalde Música e conto com cerca de 20 alunos, com idades que variam entre 5 e 60 anos. Deparei-me com um trabalho pioneiro numa cidade carente de instrumentos de cordas com arco. Nomomento em que assumi este trabalho, senti que necessitava mais do que técnicainstrumental. A Escola Municipal de Música foi reaberta no ano 2009, depois de 4 longos anosfechada por questões políticas da Prefeitura Municipal - por esse motivo, infelizmente, aaplicação desses projetos educativos/culturais pelos órgãos públicos aparentam ter sobretudo,1 De acordo com o Dicionário Aulete, camerata é um grupo musical seleto e de poucos integrantes que seespecializa em executar composições de gênero específico, ou a chamada música de câmara (camerata deviolões; camerata de flautas). 11
  13. 13. objetivos eleitorais, quando, deveriam na realidade ter como foco principal o apaziguamentosocial, desenvolvendo o indivíduo nos aspectos sociais e educacionais, procurando ofereceruma atividade cultural e artística com o intuito de diminuir os riscos de envolvimento dascrianças e jovens com a violência e uso de drogas. A escola oferece diversos cursos teóricos e práticos, como violão, teclado, bateria,violino, entre outros. São ministradas aulas semanais de 50 minutos cada e atividades emgrupo, como a Camerata de Cordas, que conta com minha regência. Ocorrem ensaiosesporádicos de acordo com as datas das apresentações, geralmente com ciclos de 3 ou 4meses. A escola de música da cidade é responsável, juntamente com o DepartamentoMunicipal de Cultura, por grande parte dos eventos culturais do município, como audições deférias, recitais, recepções e apresentações natalinas, por exemplo. O objetivo deste estudo está em observar a influência da metodologia de Pedagogos daPrimeira Geração2, sua aplicação em minha prática docente atual e seus desdobramentos noquadro do desenvolvimento dos estudantes mediante os resultados. Os autores cujos métodosforam utilizados são: Emile Jaques Dalcroze (1865-1950), Edgar Willems (1890-1978), CarlOrff (1895-1982) e Shinichi Suzuki (1898-1998). Destaco também a importância desteregistro para que outros educadores musicais possam averiguar os resultados e com elesprosseguir no aprimoramento do ensino. O Período Histórico compreendido entre a segunda metade do século XIX e a primeirametade do século XX, tornou-se conhecido por promover grandes avanços tecnológicos,sociais e históricos, como o advento da energia elétrica, o expansionismo industrial, o pré-mercantilismo e as épicas duas grandes Guerras Mundiais. Dentro deste contexto histórico-social, novas idéias e grandes pensadores surgiram em todas as áreas do saber, como oscélebres cientistas Albert Einstein, que assombrou o mundo com sua “Teoria da Relatividade”(1905), e Alexander Fleming, com a descoberta da penicilina (1928). No âmbito musical, os mestres não deixaram por menos, revelando-se revolucionárioscompositores. Com o desenvolvimento do atonalismo, o nascimento do dodecafonismo3tornou-se inevitável, e, juntamente com ele, a aparição de uma grande leva de compositores eou teóricos modernistas como Schoenberg (1874-1951) e Stravinsky (1882-1971).2 De acordo com FONTERRADA (2005) foram os nascidos durante a última metade do século XIX e falecidosdurante a primeira do século XX. Dentre eles destacamos Emile-Jauqes Dalcroze, Zoltán Kodaly, EdgardWillems, Carl Orff, Shinichi Suzuki, entre outros.3 Segundo GROUT e PALISCA (2008), dodecafonismo é um sistema de organização criada por ArnoldSchoenberg na década de 1920, onde as 12 notas da escala cromática são tratadas como equivalentes, ou seja,sujeitas a uma relação ordenada e não hierárquica. 12
  14. 14. No campo pedagógico também nasceram novas correntes, em que a humanização noensino musical passou a ter uma especial atenção. Foi nessa época que surgiram educadoresque desenvolveram metodologias voltadas para o humano, sem, contudo, desprezar a técnica.Podemos enfatizar nomes como os já citados Dalcroze, Willems, Orff e Suzuki, cujas ideiasforneceram o embasamento teórico para o desenvolvimento deste trabalho. Este estudo tem uma investigação de caráter qualitativo, tendo na sua essência cincocaracterísticas: 1. a fonte direta dos dados é o ambiente natural e o investigador é o principal agente na recolha desses mesmos dados; [...] 2. os dados que o investigador recolhe são essencialmente de carácter descritivo; [...] 3. os investigadores que utilizam metodologias qualitativas interessam-se mais pelo processo em si do que propriamente pelos resultados; [...] 4. a análise dos dados é feita de forma indutiva; [...] 5. o investigador interessa-se, acima de tudo, por tentar compreender o significado que os participantes atribuem às suas experiências. (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 47) Ainda segundo os mesmos autores, na investigação qualitativa em educação, oinvestigador comporta-se mais de acordo com o viajante que não planeja do que com aqueleque o faz meticulosamente. Enquanto que a investigação quantitativa utiliza dados de naturezanumérica que lhe permitem provar relações entre variáveis, a investigação qualitativa utilizaprincipalmente metodologias que possam criar dados descritivos que lhe permitirá observar omodo de pensar dos participantes numa investigação. Na primeira fase deste estudo, colhemos informações obtidas durante o decorrer docurso de Licenciatura Plena em Música da Universidade de Ribeirão Preto – UNAERP,fundamentadas nestes grandes pedagogos musicais, além de outros, como Kodály (1882-1967) e Schafer (1933). Foram registradas técnicas de ensino musical ministradas edirecionadas pelas Professoras Mestre Erika de Andrade Silva, Coordenadora deste Curso deLicenciatura Plena em Música da Universidade de Ribeirão Preto, durante as aulas dePedagogia Musical e Sara Cesca, durante o estágio em docência coletiva do violino na Escola”Waldorf” João Guimarães Rosa, de Ribeirão Preto. Na segunda fase, baseamo-nos em obrasconsagradas de grandes mestres brasileiros atuais, como a de Marisa Trench de OliveiraFonterrada (2005), que traça um perfil histórico da Educação Musical desde a Grécia Antigaaté os dias atuais e a de Carmem Maria Mettig Rocha (1990), especialista na PedagogiaWillems. Finalmente, realizamos algumas pesquisas em sites eletrônicos para obtenção deinformações sobre o município de Luiz Antônio, e, sobretudo no Google Acadêmico, ondecoletamos valiosas informações em importantes artigos relacionados à educação musical,como a monografia de pós-graduação em Educação Musical de Diana Goulart (2000). 13
  15. 15. Este trabalho foi elaborado e contextualizado nas esferas sociais, econômicas eculturais do ambiente em que se encontra. Nosso objetivo foi destacar o desenvolvimentotécnico e humano dos alunos à luz dos métodos de acordo com as propostas dos autores daSegunda Geração, tendo como eixo central o processo em si, e não os resultados propriamenteditos. Somente a partir de então deu-se início à redação deste texto. Gostaríamos de destacar a importância dos novos conhecimentos adquiridos, quepossibilitam uma grande mudança na relação professor – aluno. Segundo Schafer (1991), oprimeiro, de acordo com os mais tradicionais, detentor do saber; o segundo, receptor passivode conhecimentos, e que nos moldes modernistas, transforma-se em uma grande comunidadede aprendizes. Finalmente, a grande lição: aliar técnica e amor. A pedagogia musical contemporânea é desconhecida pela quase totalidade dosprofessores da escola e a velha prática de ensino musical é aplicada em quase todos oslugares. Apresentaremos no próximo capítulo, a biografia e a metodologia dos principaispedagogos cujas influências me levaram a escrever este registro, e que tanto me ensinaram adesenvolver uma educação musical mais humana, aprimorando meus conhecimentos epotencializando os resultados obtidos. No capítulo seguinte, falaremos sobre a história domunicípio de Luiz Antônio, sua tradição musical e a reativação da Escola Municipal deMúsica. Após citaremos como e para que foi criada a Camerata de Cordas da escola. Nopróximo capítulo abordaremos minha atuação enquanto professor antes e depois da minhapassagem pela UNAERP, perspectivas futuras, atividades realizadas pelo grupo de alunos deviolino da Escola Municipal de Luiz Antônio no período 2009 e 2012, e, finalmenterefletiremos sobre o legado do trabalho realizado na Escola Municipal de Música e seuregistro. 14
  16. 16. 2. DALCROZE, WILLEMS, ORFF E SUZUKI Apresentamos a seguir as propostas pedagógicas de alguns pedagogos da PrimeiraGeração de forma a trazer a conhecimento os aspectos didático-metodológicos de cada umdeles para uma melhor compreensão da influência dos mesmos na Escola Municipal deMúsica da cidade de Luiz Antônio. Não utilizamos os autores da Segunda Geração - inseridosno contexto histórico na segunda metade do século XX - pois ao contrário dos da Primeira,que estão de acordo com a proposta deste trabalho trazendo um repertório pré-determinado,partem da cultura local para posteriormente ampliar o repertório.EMILE-JAQUES DALCROZE4 Emile-Jaques Dalcroze (1865-1950), suíço, foi quem desenvolveu o método quepropicia o treinamento rítmico musical através de movimentos corporais. De acordo comquem o conheceu, afirmam que o mesmo foi uma pessoa extremamente humana. Dalcroze foi professor do Conservatório de Genebra, instituição a qual foi obrigado adeixar em 1902, por ter sido desprezada sua metodologia de ensino. Segundo Fonterrada (2005), o desenvolvimento de sua metodologia iniciou-se quandonotou dificuldades rítmicas em alguns de seus alunos, que, não obstante a este fato,conseguiam caminhar no ritmo musical. De acordo com Fonterrada (2005), um grupo de empresários alemães financiou umaescola com excelente infra-estrutura para que Dalcroze pudesse difundir seu novo trabalho.Ficou na Alemanha até o desencadeamento da Primeira Guerra Mundial, quando retornou àSuíça, sendo finalmente reconhecido em sua pátria. Hoje existem professores treinados emsua metodologia em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, sendo aplicada também comdançarinos e atores. Segundo Fonterrada (2005), o pilar do método, a euritmia (bom ritmo), utiliza o corpopara o desenvolvimento rítmico: nesse processo, música e movimento estão intrinsecamenteligados. Além desse propósito mais amplo, atua como atividade educativa, desenvolvendo aescuta ativa, a voz cantada, o movimento corporal e o uso do espaço. Os movimentos usadosna euritmia são improvisados pelos próprios alunos, não propostos pelo professor. A dança éuma arte em si mesma; a euritmia é um meio para se atingir a plena musicalidade. O professor4 De acordo com Valiengo (2005), a palavra-chave para Emile-Jaques Dalcroze é: RÍTMICA. 15
  17. 17. que usa a metodologia de Dalcroze costuma pedir aos alunos: “Mostrem-me o que vocês estãoouvindo”, em vez de “Digam-me o que vocês estão ouvindo”. Há muita atividade física,muito movimento enquanto se ouve a música tocada pelo professor. Solfejo é o estudo da melodia e da harmonia, que utiliza como instrumento a vozhumana, desenvolvendo um “bom ouvido”; desse modo, os alunos aprendem a ler música. Improviso é o resultado final da combinação entre rítmica e solfejo. De acordo com Fonterrada (2005), os alunos são incentivados a criar as própriascomposições; segundo essa técnica, pessoas que são capazes de auto expressar-se, podemtambém entender o que os grandes mestres compositores queriam dizer. No processo, experiências com os elementos analisados são fundamentais, utilizando para isso, movimentos básicos como andar, correr, saltar, arrastar- se, deslocar-se em diferentes direções, utilizando-se de diferentes saltos, livremente, ou seguindo um determinado rítmo. Os exercícios corporais visam especificamente, combinar e/ou alternar movimentos, dissociá-los, estimular a concentração, a memória e a audição interior, promover a rápida reação corporal a um estímulo sonoro ou explorar o espaço em diferentes direções, planos e trajetórias, objetivos que continuam atuais, ainda mais se se pensar na expressão e na estrutura corporais como maneiras de suplantar as estereotipias postas hoje ao alcance da população. (FONTERRADA, 2005, p. 135)EDGARD WILLEMS5 Edgar Willems nasceu na Bélgica em 1890 e posteriormente radicou-se na Suíça.Faleceu em 1978, deixando-nos um imenso legado musical na área pedagógica. Seus grandesmestres, segundo ele, foram Émile-Jaques Dalcroze e Mme. Lydia Malan; a eles, de acordocom Fonterrada (2005), atribuiu alto grau de relevância durante seu processo de formaçãomusical. Willems solicitara a Dalcroze que elaborasse o prefácio do primeiro volume de seulivro L’oreille Musicale, linhas essas, em que enfatiza a coletivização do conhecimentomusical, ou seja, torná-lo acessível à todas as pessoas, porquanto era essa uma preocupaçãorecente entre os mestres da época. A necessidade de ensinar música a toda a população surgiu com o ideal democrático, apartir da Revolução Francesa, e foi uma conseqüência natural, no século XX, que os músicosinteressados em educação dedicassem algum tempo à descoberta de métodos e estratégiasadequados à preparação auditiva das camadas populares. “No entanto, lembra Dalcroze, nada5 De acordo com Valiengo (2005), a palavra-chave para Edgar Willems é: AFETIVIDADE. 16
  18. 18. se faz nesse sentido, a não ser insistir em exercícios técnicos sem interesse musical”(FONTERRADA, 2005, p. 137) Estabelecida a necessidade da educação musical, o objetivo de Willems foi fazer comque ela ganhasse status científico. Colabora nesse aspecto, abordando em sua obra musicaldois tópicos: o teórico (elementos fundamentais da audição e da natureza humana) e o prático(o material didático utilizado como ferramenta transmissora de suas idéias), expondo a relaçãoentre a música e o ser humano. Eleva a audição a tal grau de importância, que recomenda queesta seja aplicada antes da prática instrumental. Enaltece também, de acordo com Fonterrada(2005), três aspectos no tocante à audição: sensorial, afetivo e mental. ● Aspecto sensorial A compreensão do som como entidade física é de suma importância para Willems. Por isso promove a abordagem dos elementos sonoros: altura, duração, intensidade e timbre (dos quais considera a altura como elemento mais importante). A sensorialidade auditiva é a base material sobre a qual se assenta a música; assim, pretendia que o aluno ficasse livre de preconceitos futuros concernentes às organizações sonoras. ● Aspecto afetivo De acordo com Willems, a afetividade é o alicerce da escuta, da mesma forma que o elemento central da música manifesta-se na melodia, enfatizando a emoção como forma de expressão. ● Aspecto mental Permite processar conscientemente o universo sonoro, utilizando-o como elemento artístico, seja criando, seja interpretando. O ouvido tem a propriedade de identificar os sons isoladamente, enquanto o cérebro exerce a função de captá-los simultaneamente. Muito inspirado por Dalcroze, propôs método baseado nos aspectos da fisiologia doouvido humano e apontava para a importância do preparo auditivo antes do instrumental.Visava o ensino coletivo e o ideal de que a música pudesse ser feita por todos,independentemente de talentos. Buscava sempre encontrar relações entre o ser humano e amúsica. 17
  19. 19. CARL ORFF6 Carl Orff (1895-1982) elaborou uma pedagogia musical que aborda a combinação delinguagens artísticas e o ensino baseado no ritmo, no movimento e na improvisação. Foi umapessoa extremamente discreta em relação ao seu passado; não obstante, sabe-se que estudouna Academia de Música de Munique até 1914. Foi o compositor preferido do “III Reich”,época em que se popularizou sua mais conhecida obra “Carmina Burana”. Em 1925, juntamente com sua amiga Dorothea Ghunter, fundou a “Guntherschule”,instituição de ensino musical onde desenvolveu os princípios de sua técnica pedagógica comartistas e professores de educação física. Após a I Guerra Mundial, passou a utilizar essesprincípios e a aprimorá-los com crianças. Seus princípios sustentam-se sobre os pilares da linguagem artística, ensino baseadono ritmo, no movimento e na improvisação. Sua ideologia foi amplamente aceita em váriospaíses da Europa e América. Segundo Fonterrada (2005), com o auxílio de seu amigo Karl Maendler, Orffdesenvolveu vários instrumentos de percussão, que levam hoje seu nome; a eles, juntaram-seoutros (flautas doce e violas da gamba), incentivando cedo o gosto e o aprendizado utilizandovários timbres e uma massa sonora significante. Além destes, os poemas, rimas, provérbios,jogos, ostinatos (padrões rítmicos, falados ou cantados, que se repetem), canções e dançasusados como exemplos e como material básico, podendo ser tradicionais, folclóricos oucomposições originais. Falado ou cantado, tal material pode ser acompanhado por palmas,batidas de pés, baquetas e sinos. Os ritmos e as melodias propostas por Orff são simples e facilmente assimiláveis pelascrianças: utilizava cantilenas, rimas e parlendas, somadas aos jogos infantis que faziam partedo cotidiano delas, fazendo música e somente depois partindo para e ler e escrever. De acordo com Fonterrada (2005), são importantíssimas as improvisações, presentesdesde o início do processo até sua maturidade baseando-se no ostinato e na escala pentatônica,de fácil combinação rítmica e melódica. Para Orff, a vivência deveria ocorrer primeiro, depois passaria a existir a preocupaçãocom a teoria e com a técnica, por isso as aulas têm um ambiente não competitivo, onde umadas maiores recompensas é o prazer de fazer boa música com os colegas. Somente quando as6 De acordo com Valiengo (2005), a palavra-chave para Carl Orff é: IMPROVISAÇÃO. 18
  20. 20. crianças sentem necessidade de anotar é que se introduz a escrita e a leitura. Sua metodologiadestina-se a todas as crianças, não buscando talentos privilegiados. Segundo Fonterrada (2005), hoje sua pedagogia é difundida pelo mundo todo,inclusive seus instrumentos, que ainda hoje são fabricados pela mesma empresa da época, a“Studio 49”.SHINICHI SUZUKI7 Suzuki nasceu em Nagoya, Japão, em 1898, e faleceu em Matsumoto em 1998. Erafilho do proprietário da maior fábrica de instrumentos de cordas daquele país na época.Quando criança, brincava nesse espaço, e mais tarde, passou a trabalhar lá. Certa feita, seupai, munido de um gramofone, exibiu gravações de violinistas a Shinichi e seus irmãos,despertando-lhe o interesse pelo instrumento. De acordo com Fonterrada (2005), Inicialmente, atuou de forma autodidata; algumtempo depois foi à Alemanha aperfeiçoar-se. Nesse novo e desconhecido país, enfrentoudificuldades com o idioma alemão; percebeu que crianças alemãs falavam o idioma do paíssem dificuldades. Estudou violino em Berlim com Karl Klinger, do famoso Quarteto Klinger,e conheceu grandes personalidades como Albert Einstein (que tocava violino) e Pablo Casals,bem como sua esposa Wartraud. Surgiam então, os germes de seu longo e profícuo trabalho. Segundo Suzuki (1994), retornou à sua terra natal em 1928. Nesta época, um paitrouxe seu filho de quatro anos a Shinichi e pediu-lhe que lhe ensinasse a tocar violino;começou então a refletir sobre o modo mais seguro e prático de ensinar uma criança de tãotenra idade, quando na realidade, começava-se a aprender geralmente a partir dos sete ou oitoanos. Iniciava-se então sua grande jornada rumo à elaboração de seu famoso Método, baseadona aprendizagem através da “Linguagem Materna”. Observando a facilidade com que as crianças aprendiam, fundou em Matsumoto oTalent Education Institute (Instituto de Educação do Talento), onde iniciou seu trabalho. Suzuki (1994) afirma que talento não é hereditário, por isso sua metodologia apoia-sena educação do talento, tendo como cenário um ambiente favoravelmente concebido, numaparceria entre pais e mestres. As aulas são individuais; entretanto, coletivas são igualmenterelevantes, por promoverem estímulo e desenvolvimento mútuos entre alunos experientes einiciantes.7 De acordo com Valiengo (2005), a palavra-chave para Shinichi Suzuki é: INSTRUMENTO COLETIVO. 19
  21. 21. De acordo com Suzuki (1994), o procedimento básico consiste em ensinar à criançauma coisa de cada vez. Devem ouvir as gravações que acompanham o caderno de exercícios,até conhecerem muito bem a canção antes de executá-la. A observação também é umimportante fator: Os pais executam as peças em casa e o mestre em aula. Os procedimentos utilizados no processo são: repetição constante; utilização dosdiscos de gravações; contato positivo com a criança; oferecimento de oportunidades para acriança tocar em público; formação de repertório; estímulo à memória e estímulo à execuçãode “ouvido”. Alguns princípios da metodologia, segundo Suzuki, (1994) são:  Motivação;  Alegria e autoconfiança;  Aprendizagem dentro do ritmo de cada um, respeitando as dificuldades;  Imitação dos modelos, que estão sempre disponíveis (os professores não se cansam de repetir, jamais demonstrando cansaço ou irritação);  Identificação com os mestres, que estão sempre encorajando o aprendiz e elogiando as novas conquistas;  O aluno aprende com o objetivo de usar no dia-a-dia estes conhecimentos e habilidades; e  Afeto envolvido em todas as etapas. O repertório é formado de peças ocidentais barrocas e clássicas, por oferecerempadrões claros de tonalidade e forma, excluindo os compositores contemporâneos. Pode-seincluir, de acordo com a necessidade, o folclore nacional de cada país. Falaremos maisdetalhadamente sobre este assunto no capítulo 5.ALGUNS PONTOS DISTINTOS OU SEMELHANTES ENTRE AS PROPOSTAS8  Integração das linguagens artísticas: Dalcroze e Orff.  Exclusividade Musical: Willems e Kodaly.  Habilidade Instrumental: Willems e Suzuki.  Habilidade Vocal: Dalcroze, Orff e Kodaly.  Repetição: Suzuki.8 De acordo com a análise realizada na obra: VALIENGO. C. Algumas propostas músico-pedagógicas doséculo XX. 2005. Disponível em: <http://www.pesquisaemdebate.net/docs/pesquisaEmDebate_2/PesquisaEmDebate_2.pdf>. Acesso em: 10 out. 2012. 20
  22. 22.  Improvisação: Orff. Democratização da Música: Dalcroze, Willems, Orff e Kodaly. 21
  23. 23. 3. CONTEXTO HISTÓRICO E MUSICAL DO MUNICÍPIO Figura 1 - Luiz Antônio/SP Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística9, Luiz Antônio localiza-se naregião sudeste do Brasil, estado de São Paulo, mesorregião de Ribeirão Preto e distante daCapital Paulista 276 km. Tem como municípios limítrofes São Simão, Cravinhos, Guatapará,Descalvado, São Carlos, Rincão e Santa Rita do Passa Quatro. Sua população estimada em2010 era de 11.286 habitantes. De acordo com o site oficial da cidade10, inexistem dados precisos sobre a data defundação do município. As informações que dispomos são de alguns moradores mais antigosafirmando que a cidade originou-se a partir de um povoado surgido nas imediações de ondehoje se localiza a praça central da Cidade - Praça Mário Junqueira. Segundo os relatos deorigem popular, no dia 13 de dezembro de 1892, o viajante Carlos Loyola (morador de SãoSimão) passava pelo local transportando café para o porto do Jataí, tendo sido acometido poruma cegueira repentina. Como era dia 13 dezembro, ou seja, data consagrada ao culto deSanta Luzia, ele teria feito uma promessa à santa protetora dos olhos, tendo sido curadoprontamente. Para pagar a promessa, Carlos Loyola montou no local uma Botica (espécie defarmácia) para vender medicamentos aos viajantes e moradores da região. A Botica, logoapós, foi transformada em armazém que vendia desde alimentos até ferramentas. CarlosLoyola foi, portanto, o primeiro habitante do lugarejo que passou a ser chamado de Vila Jataía partir de 1887. Desde 1937, a localidade passou a ser conhecida como Luiz Antônio emhomenagem ao Coronel Luiz Antônio Junqueira - importante fazendeiro e desbravador daregião - que possuía uma fazenda com o mesmo nome Luiz Antônio obteve sua emancipaçãopolítica no dia 18 de fevereiro de 1959, quando entrou em vigor a lei nº 5.285 que substituiu a9 IPEADATA. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: <http://www.ipeadata.gov.br/>.Acesso em: 20 set. 2012.10 Luíz Antônio. Disponível em: < http:/ http://www.luizantonio.sp.gov.br/ />. Acesso em: 14 nov. 2012. 22
  24. 24. lei nº 5.121 de 31 de dezembro de 1958, que tratava da nova delimitação territorial do estadode São Paulo. Quanto aos registros musicais, os únicos documentados são o da CorporaçãoMunicipal “Irineu Santa Catarina” fundado em 18 de maio de 1982, sob a Lei Municipalnúmero 373 e o da Banda Marcial Municipal de Luiz Antônio, fundada em 27 de setembro de2001 sob a Lei Municipal número 97311. Existiam outros antigos grupos instrumentais evocais na cidade, contudo, são relatos antigos de moradores. Esses grupos eram formados porviolonistas e violistas amadores, cantores e instrumentos de percussão. Ainda hoje, algunsgrupos oriundos dessa época executam informalmente sua música em bares e praças. Orepertório baseia-se na música sertaneja, característica cultural da cidade e região. Na gestão municipal 2001/2004, foi criada a Escola Municipal de Música, agregada aoDepartamento de Cultura; de acordo com o mesmo departamento, não há registros oficiaissobre a fundação da escola. Eram oferecidos cursos de violão, viola caipira, teclado,cavaquinho, guitarra, baixo elétrico e bateria, todos populares e livres. A partir da gestão2009/2012, foram inseridos o piano e o violino como representantes da música erudita e amusicalização infantil. Não há planos pedagógicos de ensino na escola, exceto o de violino emusicalização infantil. A escola é dirigida pelo Sr. Luis Aguiar Menon, Coordenador do Departamento deCultura da cidade e possui aproximadamente 400 alunos, cujo público alvo são os habitantesda cidade, independente de idade ou grau de instrução. Nessa ocasião, começamos o trabalhode ensino do violino, cujo processo abordamos neste estudo.11 Informações retiradas de cópias das Atas Oficiais. 23
  25. 25. 4. FORMAÇÃO DO GRUPO INSTRUMENTAL Quando cheguei à cidade de Luiz Antônio pela primeira vez, em junho de 2007 aconvite de amigos, encontrei algumas pessoas que tocavam violino em igrejas evangélicas eque começaram a aprender o instrumento com uma violinista amadora que viera da cidade deSão Paulo; eram carentes de um instrutor técnico que pudesse levá-los mais adiante. Numadessas visitas à cidade, fui convidado pelo então futuro prefeito, para lecionar em suaadministração caso fosse eleito. Após o mesmo assumir o cargo, me foi feita a propostafinanceira, que mediante alguns ajustes, aceitei. Deixei então meus trabalhos no ABCPaulista, e migrei para o interior do estado. A escola funciona desde 2008 no Departamento Municipal de Cultura, que não possuiprédio próprio, mas conta com boa infra-estrutura, incluindo-se instrumentos como teclados,violões, cavaquinhos, uma bateria e instrumentos de percussão. Antes do início das aulas, a Prefeitura Municipal promoveu ampla divulgação doscursos que seriam oferecidos na escola através de carros de som que percorreram toda acidade. Foram feitas muitas inscrições, centenas. Para violino tivemos dezenas delas, o quenos obrigou a fazer uma triagem através de entrevistas. Um dos pré-requisitos era que o alunotivesse instrumento próprio, pois a prefeitura não os possuía Feita a triagem, foram selecionados por mim 20 alunos, baseado no tempo quedispunham para estudos diários, com idades entre 5 e 60 anos, independente do nível técnicoinstrumental. Deste grupo, 12 alunos permanecem até o presente momento, e o restante dasvagas têm sido preenchidas com alunos itinerantes, que estudam alguns meses, às vezes 1 ano,depois mudam de curso ou evadem. Consideramos, porém, que 12 alunos fixos e permanentessão o resultado de um trabalho árduo de incentivo e motivação encontrados nos novosconhecimentos pedagógicos adquiridos. Antes da aplicação dos mesmos, sempre me pareceumuito difícil manter o mesmo grupo por 4 ou 5 anos ininterruptos estudando e dedicando-seao instrumento: baseamo-nos em experiências obtidas em outras instituições ondelecionamos, como o Projeto Musical da Primeira Igreja Presbiteriana de São Bernardo doCampo, no qual atuei por cerca de 8 anos, e onde aplicava uma técnica de estudo maistradicional, adquirida com meus antigos professores. Tal técnica incluía estudos rotineiros,que em nada nos dava prazer em estudar. A solução encontrada foi mesclar o estudotradicional e o contemporâneo, principalmente do Professor Doutor Shinichi Suzuki, cujas 24
  26. 26. metodologias, ao contrário do que ocorria antes, procuramos aplicar na íntegra, na medida dopossível, abordamos mais detalhadamente no capítulo 5. Na Escola Municipal de Música de Luiz Antônio não existem regras queregulamentem a faixa etária e sua relação com o nível técnico do aluno; sendo assim, oplanejamento foi desenvolvido e elaborado por mim com base em 1 pré-nível e outros 10níveis de desenvolvimento. Todos os iniciantes passam primeiramente pelo pré-nível, que é oestágio de conhecimento e adaptação ao violino (podemos chamar este nível demusicalização, podendo estender-se enquanto durarem as necessidades da criança ou adulto).Do nível 1 ao 6, são os chamados ciclos básicos, e do 7 ao 10, avançados: cada módulo duraaproximadamente 6 meses, podendo ser alterado para mais ou menos, de acordo com odesenvolvimento de cada aluno. Os iniciados seguem os estudos a partir do nívelcorrespondente em que se encontram. Todos os alunos portam discos com gravações de referência das canções que estudame participam da Camerata de Cordas (prática de conjunto), em consonância com o Método doProfessor Doutor Suzuki. Nas aulas, as canções são executadas com o acompanhamento dePlay Back ou pianista quando possível. Visamos o desenvolvimento artístico, expressivo, técnico e a construção de repertórioviolinístico baseado, sobretudo no Período Barroco. Podemos incluir aí também peças doPeríodo Clássico e música folclórica brasileira. Em consonância com Método Suzuki de ensino, deveríamos formar um grupo decordas, para prática conjunta. Em seu início, o grupo executava peças muito simples, comotemas de Walt Disney. Com a evolução técnica, passamos a executar obras mais complexas, ehoje, é possível executarmos concertos barrocos como os de Antônio Vivaldi e JohannSebastian Bach. Nascia assim a Camerata de Cordas da cidade. Os ensaios ocorrem de acordocom a necessidade e proximidade das apresentações, ou seja, 2 ou 3 vezes a cada bimestre.Ainda não é o suficiente. De acordo com Suzuki, as aulas coletivas devem acontecersemanalmente, o que ainda não tornou-se possível, devido a questões técnicas dodepartamento e pessoais dos estudantes e do professor, como local disponível para ensaios eum horário em que todos possam estar sem impedimentos de outros compromissos. Além de ministrar as aulas práticas de violino a mais de 20 alunos, acumulamos ainda,a função de Regente da Camerata de Cordas da cidade. As atividades são realizadas nasdependências do Departamento, em salas de aula, ou espaços específicos destinados aatividades musicais. Contamos também com as instalações do Anfiteatro Municipal, comcapacidade para 400 pessoas assentadas, onde apresentamos os resultados semestrais dos 25
  27. 27. trabalhos musicais sob a forma de audições coletivas ou solo. As obras caracterizadas comosolo são estudadas durante aproximadamente 2 meses, e são lapidadas durante as aulas. As peças destinadas à execução coletiva são fornecidas aos alunos 1 mês antes doinício dos ensaios e são verificadas durantes as aulas práticas semanais e o repertório éescolhido em conjunto, depois de dadas as opções pelo professor-regente. Os mesmos são realizados nas dependências da escola, começando sempre com aorganização do espaço, como posição de cadeiras e audições individuais. Em seguida as obrassão apresentadas por naipes – primeiros e segundos violinos, violas e violoncelos. Os naipesdas violas e dos violoncelos são compostos por músicos convidados, visto que a escola nãooferece tais cursos. Finalmente o grupo, agora completo, executa a obra, equalizando o som,ajustando a afinação e a dinâmica. Tais ensaios duram entre 1 hora e meia e 2 horas,aproximadamente. Durante esses encontros, praticamos exercícios que utilizam movimentos rítmicos parapercepção e cognição, baseados nos métodos e princípios de Emile Jaques Dalcroze. Essesjogos proporcionam, além da melhora rítmica, a integração do grupo. De acordo com CarmenRocha12, especialista na Metodologia Willems: Exercícios rítmicos servem para despertar e desenvolver o sentido rítmico (instinto e consciência) enriquecendo a imaginação motriz, dinâmica. O ritmo deve ser considerado como um movimento ordenado e desempenhará um papel importante no trabalho musical. Para desenvolver o sentido do tempo, do compasso, utilizar-se-á o movimento corporal, a marcha [...] A marcação dos compassos concorrerá para a tomada de consciência do ritmo. (ROCHA, 1990) Dessa maneira, os ensaios iniciam-se descontraídos e os resultados são obtidos maisrapidamente do que quando começavam com o foco direcionado para a afinação a das peças. A escola não oferece aulas teóricas direcionadas, e os professores aplicam a mesmadurante as aulas práticas, quando necessário. Segundo Suzuki e Willems, a primeira etapa dodesenvolvimento instrumental é essencialmente prática, por esse motivo a leitura é aplicadaalgum tempo depois, dependendo do desenvolvimento de cada aluno. Procuramos aplicarmetodologias de outros pedagogos, como Orff, fazendo uso de xilofones existentes na escolae utilizados nas aulas de musicalização para fins de improvisação ou execução de obras queutilizem o mesmo. O grupo foi criado, para, além do objetivo pedagógico, realizar apresentações emdiversos locais da cidade como o Anfiteatro Municipal e a Praça Mário Junqueira, em12 ROCHA, C. M. M. Educação musical Willems: síntese. Disponível em: <http://www.musicaiem.com.br/textos/carmen.asp>. Acesso em: 15 nov. 2012. 26
  28. 28. audições e festividades, valendo-se dos repertórios erudito e popular, composto por obras decompositores como Johann Sebastian Bach, Wolfgang Amadeus Mozart, Luiz Gonzaga ePixinguinha. A Camerata de cordas começou a apresentar-se com 12 alunos. Posteriormenteesse número subiu para 20 componentes devido à evolução técnica dos mais iniciantes emúsicos convidados que passaram a compor a mesma. 27
  29. 29. 5. RESULTADOS E DISCUSSÃOATUAÇÕES PASSADA E PRESENTE Antes de toda informação pedagógica que recebi na universidade, as aulas baseavam-se na maneira como fui instruído: a tradicional. Isso explica-se pelo fato de que meu antigoprofessor fora orientado por sua mestra da mesma maneira e assim tem sido por gerações. Issoimplicava em aulas que seguiam um cronograma a ser cumprido sem levar em consideraçãoas aptidões e as opiniões do aluno. O objetivo era cumprir o programa estipulado, sob a penade reprovação, o que obrigava o aluno a refazer todo o processo novamente, geralmentedividido em semestres: visava-se a formação de intérpretes e solistas, onde o aprendizado nãoera visto com objetivos humanísticos, e sim profissionais. O aluno que não cumprisse aprogramação estipulada seria então rotulado como fracassado, sendo encorajado e convidadoa retirar-se da instituição. Enquanto formadora de profissionais, essa instituição é tida comouma das referências nacionais. As aulas seguiam sempre o mesmo padrão, iniciando-se por escalas e exercícios deafinação e técnica, executando-se em seguida a peça de repertório escolhida pelo professor.Geralmente não tolerava-se erros, que eram duramente criticados pelo professor. Não haviainteração professor/aluno e as regras deveriam ser cumpridas com afinco. Havia apresentações e concertos semestrais em grupo ou recitais/solo acompanhadospela Camerata, formada pelos alunos mais avançados ou piano. No derradeiro 5º ano, fazia-senecessário um recital mais elaborado, com obras do período Romântico e Contemporâneo,ocasião em que, ou era-se ovacionado ou criticado cruelmente. Lecionei a uma alunaparticular que ingressou em tal instituição e deixou de concluir o curso por um recital que nãosaiu exatamente de acordo com a crítica presente. Um dos pré-requisitos fundamentais para obter-se uma das disputadíssimas vagascomo aluno era ser jovem, isto é, de acordo com as regras da escola, possuir entre 12 e nomáximo 16 ou 17 anos, e ter em seu tempo algumas horas diárias para dedicar-se aos estudos.Quanto à idade havia algumas exceções, como por exemplo, quando o aluno fosse indicadopor algum mestre que já o conhecesse, como foi meu caso, especificamente. Meu objetivo eraentão, criar um espaço no Departamento de Cultura, onde todos, sem exceção, pudessemaprender a tocar e conhecer a música, gradualmente e, acima de tudo de forma natural, sem a 28
  30. 30. obrigatoriedade de profissionalizar-se. Nesse ponto foi que percebi que necessitava buscarnovos conhecimentos. Quando iniciei o Curso de Licenciatura Plena em Música na UNAERP, já lecionavaviolino no Departamento Municipal de Cultura da Cidade de Luiz Antônio pelo período deum ano; pude aliar então, meu trabalho como professor desta Instituição Pública ao estágio docurso de Licenciatura, onde aplico com sucesso os recursos pedagógicos que tenho adquirido.Diferentemente da antiga forma de selecionar os candidatos, tais atividades abrangem todas asfaixas etárias. Os objetivos além de despertar no aluno o interesse musical, percepção, gosto musical,senso crítico e o estudo técnico do violino, são:  Primeiramente a vivência prática da música, consistindo em tocar e cantar, em consonância com os pedagogos da primeira metade do século XX.  Desenvolver a leitura de partituras com as diversas variações de grafia, associadas à técnica do instrumento.  Postura Corporal.  Posições básicas da mão direita (arco).  Posição básica da mão esquerda (manutenção da forma).  Trabalho sincronizado entre os dois braços.  Desenvolver o domínio na digitação das notas, formação de arpejos e acordes, associados a exercícios, músicas eruditas (repertório violinístico) e populares.  Propiciar o conhecimento teórico de escalas e suas digitações diversas.  Trabalhar ritmos diversos, através de músicas e exercícios.  Desenvolver a atenção, concentração, memórias musical e auditiva.  Promover o bom convívio coletivo no âmbito social. Não impomos a nenhum aluno, em hipótese alguma, a execução de exercícios técnicosantes que o mesmo esteja bem preparado para que o exerça com naturalidade. As aulas iniciam-se com aquecimento baseado em algumas escalas pertinentes aosexercícios que estão sendo estudados pelo aluno naquele momento. Geralmente, fazemosimprovisações rítmicas ou melódicas, utilizando tais escalas, incentivando a criatividade. Deacordo com Suziki (1994), a audição da peça a ser tocada é o próximo passo, para que, logoem seguida o aluno execute a mesma. O processo baseia-se na repetição de movimentos ememorização das melodias. As técnicas de dedilhado são extraídas dos livros de NicolasLaoureux (livros 1 e 2), J. Lambert Ribeiro (2ª parte) e Sistema de Escalas do Professor 29
  31. 31. Laércio Sinhoreli Diniz. Utilizam-se também a criação e a improvisação na criação de letraspara as melodias, melhorando a capacidade de memorização do aluno. De acordo com ametodologia de Suzuki, o repertório é composto principalmente por peças do Período Barroco(sobretudo Bach), mas também são inclusas composições clássicas e românticas, como as deMozart (1756-1791), Schubert (1797-1828) e Dvorák (1891-1904), folclóricas e músicapopular brasileira. Segundo Suzuki (1994), a predileção por composições barrocas explica-sepelo fato de serem peças basicamente tonais, estruturadas de maneira que fique muito clara aescala e a forma utilizada na construção da mesma; canções folclóricas são domínio públicoe, com raras exceções, são de conhecimento de todos: esse procedimento favorece amemorização e a afinação do ouvido. A participação dos pais, na metodologia de Suzuki (1994) é um dos pilares, e que,infelizmente, devido ao tempo disponível pelos mesmos, não foi possível aplicar. Oresponsável deve participar das aulas juntamente com a criança, e em sua maioria, nãodispõem de tempo para acompanhar seus filhos, seja na escola, ou em casa. A leitura de partituras e anotações só são aplicadas depois de uma vivência musicalprática, ouvindo, executando as canções e fazendo exercícios corporais que desenvolvam umaboa rítmica e coordenação motora, por exemplo. Os alunos são avaliados no decorrer das aulas, de acordo com a participação,memorização dos conteúdos, assiduidade, empenho na organização dos estudos em casa,comportamento adequado em sala de aula e conservação do instrumento musical. No final decada módulo (6 meses), é feito um recital, apresentando os conhecimentos e a capacidadetécnica desenvolvida durante as aulas, através de músicas tocadas em grupo (Camerata), duos,trios ou solos. A grande diferença entre a prática contemporânea e a tradicional é o olhar maishumano que a primeira procura direcionar aos aprendizes, levando-se sempre em conta suaslimitações, encorajando-os a continuar mesmo tendo em frente dificuldades técnicas oupessoais, estimulando sempre e procurando manter o mesmo focado em seus estudos, aindaque deficiente, seja por falta de tempo ou dificuldade na realização dos exercícos. Em nossaexperiência, notamos que discípulos encorajados na dificuldade, com algumas poucasexceções, mostraram-se excelentes alunos posteriormente. 30
  32. 32. REGISTROS DE ATIVIDADES DO GRUPO Importa-nos lembrar que alguns alunos que não possuíam o instrumento foramagraciados com o mesmo através das igrejas as quais pertenciam. Contudo, a utilização dessesinstrumentos estava prioritariamente condicionada aos cultos, e por esse motivo, as datas dasapresentações da Camerata sempre foram subordinadas aos eventos dessas igrejas. A seguir exporemos alguns trabalhos realizados pelo grupo: Figura 2 - Professores e funcionários do Departamento de Cultura em junho de 2009.13- Audições de final de semestre Ao final de cada semestre, foram realizadas audições individuais ou não,demonstrativas dos trabalhos realizados durante o período. O repertório poderia ser escolhidopelo aluno, dentre as obras estudadas em aula, ou pelo professor. Tais obras deveriam serpopulares, folclóricas ou eruditas. Compositores como Pixinguinha, Mozart e John Williamscomprovam o esforço em levarmos os diversos estilos de música à população, procurandoatender a todos os gostos.13 As figuras de número 2 a 11 foram retiradas do arquivo pessoal de Wesley Ekstein de Camargo. 31
  33. 33. Figura 3 - Alunos de violino, apresentando-se em audição, no Sindicato dos Trabalhadores de Papel e Papelão. Maio de 2009. Figura 4 - Alunos de violino, apresentando-se em audição, na Praça Mário Junqueira em junho de 2009.- Apresentações ao ar livre Algumas apresentações foram feitas ao ar livre, como em praças ou palanquesestruturados em lugares estratégicos pela Prefeitura Municipal, com a finalidade de enriqueceralgumas festas da cidade, como Dia de Nossa Senhora Aparecida e Dia das Criançasconcomitantemente e Natal. No primeiro caso, o repertório baseava-se em música popularbrasileira como “Aquarela” de Toquinho, e eruditas, como Ave Maria de Gounoud, semprecom apresentações individuais acompanhadas ao piano. No segundo caso, música natalina, 32
  34. 34. com a participação de toda a Camerata de Cordas, formada por 16 violinos, sendo 6primeiros, 5 segundos e 5 terceiros violinos e violoncelistas convidados num total deaproximadamente de 20 integrantes. Figura 5 - Apresentação da Camerata em comemoração ao Natal de 2009, na Praça Mário Junqueira Figura 6 - Apresentação da Camerata em comemoração ao Natal de 2009, na Praça Mário Junqueira. 33
  35. 35. Figura 7 - Camerata de Cordas no Natal de 2009, na Praça Mário Junqueira.Figura 8 - Alunos de violino, apresentando-se no Bosque Municipal, em homenagem a Nossa Senhora Aparecida e dia das crianças, dia 12 de outubro de 2010.- Participação na Festa do Peão Boiadeiro de Barretos Os alunos de violino da Escola Municipal de Música de Luiz Antônio foramconvidados a participar da “Festa do Peão Boiadeiro de Barretos” de 2010, através do EspaçoCulturando da AGCIP (Associação Gestão Cultural no Interior Paulista). Juntamente comalguns professores do Departamento de Cultura, preparamos uma banda que apresentou-se emum dos palcos no local do evento. Os alunos tocaram movimentando-se por todos os locais decirculação do público presente, e o repertório mesclou música popular brasileira como “Asa 34
  36. 36. Branca” de Luiz Gonzaga e alguns clássicos como obras de Beethoven ou Mozart, solicitadaspelos transeuntes. Todas as canções executadas em movimento foram memorizadas duranteos estudos ou por conta própria. Música erudita e popular uniram-se numa apresentação que muito agradou às pessoasque se propuseram a apreciá-las. Figura 9 - Banda do Departamento de Cultura da cidade de Luiz Antônio, em sua participação na “Festa do Peão Boiadeiro de Barretos” em 2010.- Musical Realizamos o Musical “Para Sempre... Bela Adormecida”, com o apoio da PrefeituraMunicipal no dia 3 de Dezembro de 2011, no Anfiteatro da Cidade, onde fizemos umaparceria o grupo de violinos e Coral, ambos órgãos da Escola Municipal de Música e aEscola Municipal de Dança (Ballet e Jazz). O instrumental contou, além dos violinos, com umpiano elétrico. O repertório foi composto pelas canções originais da obra de Walt Disney,contando com cenário, dançarinos, músicos e cantores. O espetáculo dividiu-se em 3 atos: I – O Batizado II – O Feitiço III – A Visão Foi uma experiência singular para todos os alunos, devido à grandiosidade do evento,que necessitou uma diversidade de artistas e demais profissionais e técnicos envolvidos. Osensaios exigiram um envolvimento maior com outras artes como dança e artes cênicas. 35
  37. 37. Figura 10 - Alunos de violino e canto participando do Musical “Para Sempre... Bela Adormecida”, no dia 3 de dezembro de 2011, no Anfiteatro Municipal sob a regência da professora Renata Vetrano. Figura 11 - Detalhe das alunas de violino participando do musical “Para Sempre... Bela Adormecida”.- Experiência com Orquestra Sinfônica Parcial No dia 22 de dezembro de 2011, aconteceu o concerto natalino na Praça Condessa Monteiro de Barros na cidade de Santa Cruz das Palmeiras, onde houve o intercâmbio entre a Banda Musical de Concerto Escola Viva junto com a Camerata de Cordas da Escola Municipal de Música da cidade de Luiz Antônio. Por se tratar de uma apresentação onde a formação instrumental é diferente da tradicional (não havendo contrabaixo, oboé e fagote), a experiência como Orquestra Sinfônica Parcial trouxe um grande aprendizado para os músicos da banda e da Camerata. (SANTOS, 2011, p. 44) 36
  38. 38. Os ensaios foram realizados com os dois grupos separados: as cordas em LuizAntonio, conduzidos por mim e o restante em Santa Cruz das Palmeiras, conduzidos peloMaestro Marcelo. O ensaio geral aconteceu no dia da apresentação, poucas horas antes doespetáculo, o que não comprometeu a qualidade do mesmo, visto que já sabíamos de antemãoda necessidade do controle sonoro dos sopros e percussão frente às cordas, que possuemdensidade sonora menor. Essa questão foi estudada, portanto, antecipadamente. Reconhecemos que houve um desequilíbrio quantitativo entre os instrumentos daBanda, composta por sopros e percussão, e o som da Camerata, formada pelas cordas. OMaestro Marcelo, responsável pela regência do grupo, soube equilibrar muito bem a massasonora do grupo, e privilegiou as cordas nos momentos adequados. Tive a oportunidade deconduzir algumas obras, o que serviu-me como uma experiência excepcional, exigindo daliderança do regente uma técnica mais apurada e firme devido à nova equalização sonora,necessária àquela apresentação. A amálgama entre os dois grupos foi a realização de umsonho nascido na Universidade de Ribeirão Preto, durante o período em que o Marceloconcretizava sua graduação. Pude sentir muito de perto a emoção do público, ao apreciar o desempenho do grupo,que em sua grande maioria nunca havia presenciado um espetáculo como aquele. Fiqueisurpreso com esse fato e ficou claro que ainda há muito que fazer em relação à educação, àcultura e à música em nosso país. Figura 12 - Orquestra Sinfônica Parcial em Santa Cruz das Palmeiras na Praça Condessa Monteiro de Barros, 22/12/2011.1414 As figuras de número 12 a 14 foram retiradas do arquivo pessoal de Stela Marta Mendes Ramos Lucatelli. 37
  39. 39. Figura 13 - Orquestra Sinfônica Parcial em Santa Cruz das Palmeiras na Praça Condessa Monteiro de Barros, 22/12/2011. Figura 14 - Orquestra Sinfônica Parcial em Santa Cruz das Palmeiras na Praça Condessa Monteiro de Barros, 22/12/2011.PERSPECTIVAS FUTURAS A Escola Municipal de Música, sendo um projeto público, depende do respaldopolítico para prosseguir. A escola permanecerá fechada até segunda ordem dos novos poderesexecutivo e legislativo que assumirão seus respectivos mandatos em 2013. 38
  40. 40. Contudo, os resultados obtidos até o presente momento nos possibilitam pensar emfrutos doravante colhidos, baseados na solidez em que procuramos aplicar tão preciosastécnicas. Muitos desses estudantes já consideram a possibilidade de prosseguir os estudos emnível superior. Acreditamos também no incentivo aos professores e músicos do município, a doarem-se ao ensino e à educação musical de forma coerente e consciente. Esses professores deveriam ser formados de acordo com os princípios mais atualizados, embora não tenham recebido até o momento uma adequada preparação pedagógica e musical. Não se trata de fazer com que percorram caminhos já transitados, nem de repetir histórias já superadas por outros povos. Se estamos atrasados e decidimos atualizar-nos, o que fazer? (GAINZA, 1988, p. 98) Ao que a própria Violeta nos responde alertando-nos sobre a existência de muitos bonsprofessores de educação musical, espalhados por toda a América Latina.REFLEXÕES A partir do século XVIII apareceram as primeiras sistematizações em EducaçãoMusical antecipando os “métodos ativos” surgidos no século XX. Os métodos ativos, isto é, sistematizações que priorizam a experimentação antes do aprendizado da teoria, surgiram no início do século XX, inspirados em educadores do século anterior, como Jean Jacques Rousseau (1712- 1778), Pestalozzi (1746-1827), Herbart (1776-1841) e Froebel (1782-1852). (VALIENGO, 2005, p. 75) Basicamente, esse foi o pilar de nosso trabalho. Esses autores foram pioneiros nessaprática; foram, contudo, muito além: buscaram humanizar a educação, tranformando-a numapoderosa ferramenta na formação de bons cidadãos. Refletindo o período abordado entre 2009 e 2012, observei a carência da populaçãoLuizantoniense de uma abordagem mais técnica, e, sobretudo, mais humana do aprendizadomusical. A variedade de estilos musicais, também foi uma questão a ser implantada, já que acultura da cidade é basicamente sertaneja. A inserção de indivíduos de diversas faixas etáriasnos cursos oferecidos pela escola, seguindo as propostas de Dalcroze, Willems e Orff,democratizou o ensino, levando boa música às diversas camadas sociais, lembrando que ocurso foi oferecido gratuitamente e que alunos protestantes que não possuíam o instrumento,foram agraciados através de igrejas da cidade, que doaram os mesmos, ainda que para uso em 39
  41. 41. seus cultos. Poucas pessoas, já que a maioria era composta por evangélicos, deixaram departicipar dos estudos por falta de recursos. A aplicação da prática antecedendo a teoriatambém foi um marco importante em nosso trabalho. Podemos afirmar que o objetivoprimeiro deste trabalho foi cumprido, deixando um importante legado à sociedade, como aformação de instrumentistas ecléticos, técnicos, e, principalmente mais humanos. Muitoaprendemos com os autores das obras utilizadas como embasamento teórico, que indicaram ocaminho correto a seguir. Os resultados já se fazem transparecer com alunos que, se assim odesejarem, poderão dar prosseguimento aos estudos, visando seguir carreira artística e oudocente. Espera-se que estas reflexões possam auxiliar professores a buscar aperfeiçoamento econhecimento no âmbito metodológico e pedagógico, objetivando a humanização do ensinomusical, utilizando esta arte como importante ferramenta na formação humana. 40
  42. 42. 6. CONCLUSÃO Durante o decorrer deste trabalho, não pudemos deixar de evidenciar a importânciacultural, social e pedagógica que beneficiou toda a população Luizantoniense, direta ouindiretamente. Diretamente através de todos os alunos que envolveram-se neste projeto,aprendendo e levando ao público os resultados de suas conquistas. Indiretamente levandomúsica e arte a todas as pessoas que tiveram a oportunidade de apreciar, ineditamente ou não,todos os trabalhos concretizados e exibidos graciosamente. Frisamos ainda, que as opiniões egostos dos aprendizes sempre foram levados em alta consideração. O objetivo deste trabalho, contudo, atingimos com dedicação: à luz de metodologiasmais modernas, advindas de grandes mestres da pedagogia musical, esforçamo-nos por levarnão conhecimento pelo conhecimento, mas a contribuição no desenvolvimento dasensibilidade de todos às mudanças do mundo contemporâneo. Destacamos também, a possibilidade no prosseguimento dos estudos dos aprendizesenvolvidos, fazendo florescer perspectivas de profissionalização em outras instituições,através deste projeto que tanto enriqueceu a comunidade de Luiz Antônio. Que o legado deste trabalho seja um incentivo a todos os professores desta arte, quebuscam enriquecer seus conhecimentos, não apenas técnicos, mas, sobretudo didático-pedagógicos, utilizando como ferramentas, técnicas desenvolvidas e experimentadas porgrandes mestres, que, não obstante o talento que lhes era peculiar empenharam-se por levar eelevar a música ao status de ciência e elemento transformador e impulsionador na qualidadede vida das pessoas. A música deve ser vista por todos, sobretudo pelos educadores, como uma prazerosaarte que enriquecerá o modo de viver, amenizando os efeitos nocivos da violência e dainjustiça do mundo em que vivemos. 41
  43. 43. REFERÊNCIASBOGDAN, R.; BIKLEN, S. K. Investigação qualitativa em educação. Porto: Porto Editora,1994.LUIZ ANTÔNIO. Luiz Antônio. Disponível em: < http:/ http://www.luizantonio.sp.gov.br//>. Acesso em: 14 nov. 2012.FONTERRADA, M. T. O. De tramas e fios: um ensaio sobre música e educação. São Paulo:Editora UNESP, 2005.GAINZA, V. H. de. Estudos de psicopedagogia musical. São Paulo: Summus editorial,1988.GROUT, D. J.; PALISCA, C. V. História da música ocidental. Lisboa: Editora Gradiva,2008.DICIONÁRIO AULETE. Camerata. Disponível em: <http://aulete.uol.com.br/nossoaulete/camerata acesso em 30/11/2012>. Acesso em: 03 nov. 2012.IPEADATA. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: <http://www.ipeadata.gov.br/>. Acesso em: 20 set. 2012.ROCHA, C. M. M. Educação musical Willems: síntese. Disponível em:<http://www.musicaiem.com.br/textos/carmen.asp>. Acesso em: 15 nov. 2012.SANTOS, M. C. dos. Banda musical de concerto de Santa Cruz das Palmeiras: um relatode experiência. Ribeirão Preto, 2011. Monografia (Trabalho de conclusão de curso emLicenciatura Plena em Música) - Universidade de Ribeirão Preto.SCHAFER, M. O ouvido pensante. São Paulo: Editora UNESP, 1986.SUZUKI, S.. Educação é amor. Rio Grande do Sul: Gráfica Pallotti, 1994.VALIENGO. C. Algumas propostas músico-pedagógicas do século XX. 2005. Disponívelem: <http://www.pesquisaemdebate.net/docs/pesquisaEmDebate_2/PesquisaEmDebate_2.pdf>. Acesso em: 10 out. 2012. 42
  44. 44. BILIOGRAFIA CONSULTADAGOULART, D. Dalcroze, Orff, Kodály, Suzuki: semelhanças, diferenças, especificidades.2000. Disponível em: <http://ead.caxias.rs.gov.br/pluginfile.php/2816/mod_resource/content/1/DALCROZE,%20ORFF,%20SUZUKI%20E%20KOD%C3%81LY.pdf>. Acessoem: 15 set. 2012.PENNA, M. Revendo Orff: por uma reapropriação de suas contribuições. In: PIMENTEL, L..(org.). Som, gesto, forma, cor: dimensões de arte e seu ensino. Belo Horizonte: Editora ComArte, 1995.ROCHA, C. M. M. Educação musical: método Willems. Salvador: Faculdade de Educaçãoda Bahia, 1990. 43

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