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    Gonçalves, júlio césar. monografia música. Gonçalves, júlio césar. monografia música. Document Transcript

    • Universidade de Ribeirão Preto - UNAERP Licenciatura Plena em Música JÚLIO CÉSAR GONÇALVES O CORPO DO MÚSICO RIBEIRÃO PRETO 2012
    • Ficha catalográfica preparada pelo Centro de Processamento Técnico da Biblioteca Central da UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto -Gonçalves, Júlio César, 1973 -G635c O corpo do músico / Júlio César Gonçalves. - -Ribeirão Preto, 2012.44 f. : il. color. Orientadora: Profa. Ms. Gisele Laura Haddad Monografia (graduação) - Universidade de Ribeirão Preto, UNAERP, Licenciatura plena em Música. Ribeirão Preto, 2012.1. Música. 2. Músicos - Aspectos da saúde. 3. Corpo humano. 4. Lesões dos tecidos moles. I. Título. CDD: 780
    • Júlio César GonçalvesO CORPO DO MÚSICO Monografia apresentada ao curso de Licenciatura Plena em Música da Universidade de Ribeirão Preto UNAERP, para obtenção do título de Licenciado em Música. Linha de Pesquisa: Educação Musical. Orientadora: Profª. Ms. Gisele Laura Haddad Ribeirão Preto 2012
    • JÚLIO CÉSAR GONÇALVES O CORPO DO MÚSICO Monografia apresentada à Universidade de Ribeirão Preto, UNAERP, como requisito para obtenção do título de Licenciado em Música.Área de Concentração: Licenciatura Plena em MúsicaData da defesa: 28/06/2012Resultado:BANCA EXAMINADORAÉrika de Andrade Silva Prof. Ms.__________________________Universidade de Ribeirão PretoGisele Laura Haddad Prof. Ms.__________________________Universidade de Ribeirão PretoSandra Barros da Rocha Picado Prof. Dra.__________________________Universidade de Ribeirão Preto
    • Dedico este trabalho à minha esposa VeraLúcia, que sempre foi uma verdadeira lição desuperação e dedicação e ao meu filho Pedro por terme ensinado a acreditar nas oportunidades que oamanhã nos reserva. Júlio César Gonçalves.
    • AGRADECIMENTOS A Deus, por toda sua misericórdia e esperança no meu trabalho me dando sempre novas manhãs de oportunidade. Aos novos amigos que conquistei durante esse ano letivo que me ajudaram ao longo dessa caminhada. Agradeço a minha orientadora Prof. Ms. Gisele Laura Haddad, por toda paciência, me ensinando com sabedoria e dedicação. Agradeço a Prof. Ms. Érika Silva Andrade, coordenadora do curso de licenciatura plena em música da UNAERP, por ter me conduzido nos caminhos da educação musical, mostrando o verdadeiro significado da música para o ser humano. Agradeço ao meu amigo e Prof. João Magioni, por ter incentivado os meus estudos na guitarra, me fazendo entender a importância do estudo e da dedicação na música. Agradeço a todos os professores que contribuíram para meu crescimento musical. Júlio César Gonçalves
    • Acaso não sabeis vós que o vosso corpo é santuáriode Espírito Santo, que está em vós, o qual tendesda parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?Porque fostes comprados por preço. Agora, pois,glorificai a Deus no vosso corpo. (CORINTIOS, 6:19-20)
    • RESUMOO presente trabalho aborda um tema atual e muito importante na formação dosmúsicos de uma forma geral: a prática de atividades físicas em benefício da saúde.No entanto o estudo em questão visa principalmente demonstrar que a importânciada atividade física como instrumento de prevenção e ainda procura incentivar umaprática saudável dentro da esfera ou meio musical, sendo ela amadora ouprofissional e busca levar informações para que o músico aprenda a diagnosticar aspossíveis lesões em seu início, prevenindo e corrigindo os movimentos necessáriospara um melhor desempenho musical. O presente estudo pretende através de umapesquisa bibliográfica esclarecer sobre a importância da prática da atividade físicacomo fator principal na prevenção de lesões mais comuns que acometem osmúsicos. Neste sentido buscamos conhecimentos para evitar o afastamento eintervenções médicas, gastos desnecessários com medicamentos e no extremo, ainterrupção das atividades profissionais. Assim ao analisarmos a evolução dacarreira do músico, consideramos a descoporificação; o afastamento do conceito decorpo saudável para o bom desempenho da profissão e o que uma vida equilibradae saudável representa para sua vida pessoal e social.Palavras-chave: Corpo. Músico. Lesão muscular. Saúde.
    • ABSTRACTThis paper approaches a current and very important issue in the training of musiciansin a general way: physical activity for the benefit of health. Nevertheless, this studyaims mainly to demonstrate the importance of physical activity as a prevention tooland also tries to encourage a healthy practice within the musical environment, beingit amateur or professional seeking to bring information to the musician in order tolearn to diagnose the possible bodily harms in his early, preventing and correcting themovements for a better musical performance. This study aims through a literaturereview to clarify the importance of physical activity as a major factor in preventing themost common injuries that affect musicians. In this regard we looked for knowledgeto avoid sick leave, medical intervention, and unnecessary expense on medicine andin the extreme, interruption of professional activity. By analysing the development ofmusician career, we considered the unbodiness; the slide away from the concept of ahealthy body for a good performance of his or her profession and what a balancedand healthy life means for their personal and social life.Key words: Body. Musician. Bodily harm. Health.
    • LISTA DE ILUSTRAÇÕESFigura 1 Tendinite e Tenosivite............................................................................ 18Figura 2 Bursite.................................................................................................... 19Figura 3 Estrutura óssea braço............................................................................ 19Figura 4 Braço e Antebraço................................................................................. 20Figura 5 Região lesões musculares do antebraço............................................... 20Figura 6 Antebraço............................................................................................... 21Figura 7 Detóide................................................................................................... 21Figura 8 Bíceps.................................................................................................... 22Figura 9 Tríceps................................................................................................... 22Figura 10 Pronador quadrado.............................................................................. 23Figura 11 Supinador curto................................................................................... 24Figura 12 Ligamentos.......................................................................................... 24Figura 13 Articulação........................................................................................... 25Figura 14 Flexores............................................................................................... 25Figura 15 Extensores........................................................................................... 26Figura 16 Flexores profundos dos textos............................................................. 26Figura 17 Flexores superficiais dos dedos.......................................................... 27Figura 18 Extensores comuns dos dedos............................................................ 27Figura 19 Tendinite.............................................................................................. 28Figura 20 Tenossinovite....................................................................................... 29Figura 21 Síndrome de Quervein......................................................................... 30Figura 22 Síndrome do túnel do carpo................................................................ 30Figura 23 Epicondilite lateral................................................................................ 31Figura 24 Cisto sinovial........................................................................................ 31Figura 25 Cervicalgia........................................................................................... 32Figura 26 Lombalgia............................................................................................ 32Figura 27 Hipersifose........................................................................................... 33
    • SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO.................................................................................................... 112 A IMPORTÂNCIA DA ATIVIDADE FÍSICA........................................................ 132.1 CONCEITO DE SAÚDE................................................................................... 132.2 CARACTERÍSTICAS FUNCIONAIS................................................................ 142.3 DEFINIÇÃO E DIFERENÇAS ENTRE LER E DORT ..................................... 152.3.1 Dort............................................................................................................. 152.3.2 Sintomas..................................................................................................... 162.4 LESÕES MUSCULARES................................................................................ 162.4.1 Classificação e Tratamento.......................................................................... 172.4.2 Lesões Mais Comuns em Músicos.............................................................. 172.4.3 Definição: Tendinite..................................................................................... 172.4.4 Bursite.......................................................................................................... 182.5 ANATOMIA BÁSICA: ESTRUTURA BRAÇO E ANTEBRAÇO....................... 192.5.1 Braço e Antebraço....................................................................................... 202.5.2 Deltóide........................................................................................................ 212.5.3 Bíceps.......................................................................................................... 222.5.4 Tríceps......................................................................................................... 222.5.5 Pronador Quadrado..................................................................................... 232.5.6 Supinador Curto........................................................................................... 232.5.7 Ligamentos................................................................................................... 242.5.8 Articulação................................................................................................... 242.5.9 Flexores....................................................................................................... 252.5.10 Extensores................................................................................................. 262.5.11 Flexores Profundos dos Textos................................................................. 262.5.12 Flexores Superficiais dos Dedos................................................................ 26
    • 2.5.13 Extensores Comuns dos Dedos................................................................. 272.6 LESÕES COMUNS EM MÚSICOS................................................................. 272.6.1 Tendinite..................................................................................................... 282.6.2 Tenossinovite.............................................................................................. 282.6.3 Síndrome de Quervein................................................................................ 292.6.4 Síndrome do Túnel do Carpo...................................................................... 302.6.5 Epicondilite Lateral....................................................................................... 312.6.6 Cisto Sinovial............................................................................................... 312.6.7 Cervicalgia.................................................................................................... 322.6.8 Lombalgia..................................................................................................... 322.6.9 Hipersifose.................................................................................................... 333 PREVENÇÃO................................................................................................... 344 CONSIDERAÇÕES........................................................................................ 375 CONCLUSÃO................................................................................................ 39REFERÊNCIAS..................................................................................................... 41
    • 11INTRODUÇÃO Educador físico, especialista em fisiologia e prescrição do exercício, atuandoem uma clinica de avaliação física com atletas de alto nível, e músico profissionaldesde 2003, observei a rotina da maioria dos músicos profissionais e amadores, medeparando com a alienação e despreparo com o corpo do músico, diante o seucotidiano relacionado com as suas apresentações e estudos, considerando o corpoo último item a ser somado no processo de finalização da atividade musical. Dalcroze foi o primeiro a fazer a ligação entre o corpo e a música, segundoele é preciso estabelecer comunicações rápidas entre o cérebro que cria e analisa eo corpo que executa (Fonterrada 2005). Para Dalcroze, a música não é um objetoexterno, mas pertence ao mesmo tempo ao fora e ao dentro do corpo, sendo assimo corpo expressa a música, mas também transforma-se em ouvido, transmutando-sena própria música ( Andrade 2009). Ao contrário, distante de uma consciência corporal, a grande parte dosmúsicos acaba não percebendo que o corpo é principal elo capaz de permitir que amúsica possa ser expressa, ou melhor, que a atividade como um todo seja realizada.Quando essa desconexão ocorre, é quando o músico acaba por interromper suasatividades de modo temporário ou definitivo acometido por lesões. Exageros de técnica, como o caso de Robert Schumann (1810 - 1856), queabandonou a prática do piano para dedicar-se somente a composição, foram um dosprimeiros casos documentados (FRAGELLI ET AL, 2008), sendo o caso maisconhecido no Brasil do maestro João Carlos Martins, que abandonou definitivamenteos palcos como pianista no ano de 2002 por problemas físicos. Este estudo tem por objetivo demonstrar que a atividade física é o melhorinstrumento para se prevenir ou garantir uma prática saudável dentro da esfera oumeio musical, sendo ela amadora ou profissional. Serve ainda como fonte deconsulta para que o músico aprenda a diagnosticar as possíveis lesões em seuinicio, prevenindo e corrigindo os movimentos necessários para um melhordesempenho musical. Temos também por objetivo demonstrar a importância da realização daatividade física em indivíduos antes de qualquer atividade musical, seja ela decaráter profissional ou amadora, promovendo através da consciência corporal maioríndice de produtividade, ou seja, mantendo a qualidade de criação e motivação para
    • 12o trabalho reduzindo faltas e afastamentos médicos. Este estudo pode então servircomo guia para a instrução ou referência de profissionais ou amadores da áreamusical, contribuindo para sua integridade física. Esta atividade cientifica foi realizada através de pesquisa bibliográfica emlivros, revistas e jornais científicos especializados, além de artigos referentes aoassunto obtidos a partir de sites específicos da área.
    • 132 A IMPORTÂNCIA DA ATIVIDADE FÍSICA O presente trabalho aborda questionamentos frequentes sobre as lesões maiscomuns em músicos. Através de uma revisão bibliográfica da literatura científica,afim de demonstrar a importância e a finalidade de realizar da atividade física emmúsicos amadores ou profissionais.2.1 CONCEITO DE SAÚDE Segundo a organização mundial de saúde, saúde é o estado completo bemestar físico, mental e social, e não somente ausência de enfermidade ou invalidez.(OMS, 1948). Saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. (Constituição federal, Art. 196). De acordo com pesquisa realizada no Brasil em 1996 por Andrade & Tals,com 419 músicos, 88% dos instrumentistas de cordas dos principais centrosculturais sofriam de algum desconforto físico, sendo que 30% tiveram que se afastarpara tratamento. Em 2004, pesquisa realizada com 45 músicos da orquestra sinfônica dauniversidade de Londrina, constatou que 77,8% apresentaram algum sintoma dedor músculo esquelético. (Fragelli, 2008) Em 2005, pesquisa realizada com 241 músicos da orquestra sinfônica deSão Paulo, 68% apresentaram dores, predominando em mulheres (Kaneko 2005). Em 2006, Mazzoni & Tals, constataram que em uma determinada populaçãoestudada, 93,1% dos músicos relataram apresentar algum tipo de sintoma músculo-esquelético como dor, formigamento, tensão muscular e dormência. Em 2010, Cassapian & Pellens, apresentaram um estudo sobre a realidadedos estudantes de uma Instituição de Ensino Superior em Música de Curitiba, que a
    • 14dor, considerada, pelos autores, como uma das principais características dasLER1/DORT2, foi relatada por 87% dos estudantes. Diante dessas pesquisas, podemos considerar que o campo da medicina parao músico, embora haja poucas pesquisas e reconhecimento, os músicos ainda nãotêm atenção que necessitam da medicina do trabalho, sendo que Frank et al., alertaque comparando somente os estudos apresentados entre 1986 a 2005, aprevalência de lesões chegam entre 55% a 86%, são índices considerados altos,principalmente quando comparados a outras profissões.2.2 CARACTERÍSTICAS FUNCIONAIS O músico em suas atividades, sejam elas de estudo, ou apresentação,demonstram uma atividade neuromuscular intensa, permeadas de precisão(técnicas), velocidade, resistência, propriedades que levam horas de estudo eensaio, que na maioria das vezes são estressantes e sem nenhum tipo orientaçãoprofissional, planejamento ou compensação muscular e relaxamento. A iniciação musical cada vez mais precoce e em idades cada vez maistenras, ainda carregadas historicamente pelo valorizado conceito técnico e virtuose,que na maioria das vezes são obrigados a manipular instrumentos projetados paraadultos, favorecendo desde muito cedo; principalmente durante seudesenvolvimento músculo esquelético, um ambiente propício para futuras lesõesmusculares. Algo agravante e somatório são os vícios posturais adquiridos de horasincalculáveis em posturas inadequadas em práticas com instrumentos pesados oumoveis sem nenhuma adaptação ergonômica para a atividade praticada, seguidaainda do transporte inadequado dos próprios equipamentos, que na maioria dasvezes possuem um peso acima da capacidade de carga do próprio músico, sendoum problema a mais tanto antes como após as apresentações. Os músicos profissionais enfrentam ainda ambiente de trabalho que muitasvezes é insalubre (casas de shows, pubs, bares), com exposição a cigarros,fumaças, drogas licitas e ilícitas, bebidas alcoólicas, sem contar a incertezafinanceira causada pela instabilidade do cenário musical.1 LER: Lesão por esforços repetitivos.2 DORT: Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho.
    • 15 Os horários alternativos de trabalho, principalmente sem o devidoplanejamento e organização acabam ainda por afetar os horários adequados erecomendados para o sono regenerativo e por consequência acaba atrapalhandotambém a possibilidade de desfrutar uma alimentação correta e balanceada nosseus devidos horários e porções recomendadas por dia.2.3 DEFINIÇÃO E DIFERENÇAS ENTRE LER E DORT Existe a definição da caracterização da doença como em decorrência dotrabalho, a equiparação entre LER e DORT depende do fato de se comprovar que otrabalho foi à causa da doença e não outro fator. Em 1998 o INSS introduziu o termo DORT (Doenças OsteoarticularesRelacionadas ao Trabalho). Sendo assim, DORT só é caracterizada quando o fator gerador da doençaLER tenha sido o trabalho e para tanto é imprescindível uma vistoria no posto detrabalho para comprovar a existência da tríade – lesão- nexo e incapacidade.Tendinite, tenossinovite, sinovite, peritendinite, epicondilite, dedo em gatilho, cistos,síndrome do túnel do carpo, síndrome do túnel ulnar, outras síndromes, cervicalgia,síndrome miofascial, síndrome simpático reflexa lombalgia e outros. Pereira (2002) afirma que a literatura evidencia dados alarmantes sobre oadoecimento dos músicos e indica que 75% dos instrumentistas são portadores deLER/DORT.2.3.1 Dort Segundo a norma técnica do INSS sobre DORT (Ordem de Serviço no.606/1998), conceitua-se as lesões por esforços repetitivos como uma síndromeclínica caracterizada por dor crônica, acompanhada ou não e alterações objetivas,que se manifesta principalmente no pescoço, cintura escapular e/ou membrossuperiores em decorrência do trabalho, podendo afetar tendões, músculos e nervosperiféricos. O diagnóstico anatômico preciso desses eventos é difícil, particularmente
    • 16em casos sub-agudos e crônicos, e o nexo com o trabalho tem sido objeto dequestionamento, apesar das evidências epidemiológicas e ergonômicas.2.3.2 Sintomas O músico deve ficar alerta para o reconhecimento dos sintomas comodesconforto, dores, tensão ou rigidez nas mãos, dedos, antebraços e cotovelos, bemcomo mudança de temperatura nas mãos (frias), dormência e formigamento. Esses sintomas podem em muitas vezes surgir acompanhados de certaredução da habilidade (destreza manual), perda de força ou coordenação nas mãos,nos casos mais graves, podendo ainda ser acometidos por uma intensa capaz deinterromper o movimento.2.4 LESÕES MUSCULARES As lesões musculares sobre os olhares dos músicos possuem parâmetrosdiferenciados muitas vezes associada somente a prática desportiva. Tal associaçãoenganosa acaba por mascarar os sintomas iniciais das lesões mais comuns nosgrupamentos musculares, frequentemente usados para o desempenho musical. As lesões musculares podem ocorrer por diversos mecanismos, seja portrauma direto3, laceração4 ou isquemia5. Após a lesão, inicia-se a regeneraçãomuscular, com uma reação inflamatória, entre 6 e 24 horas após o trauma. Oprocesso de cicatrização inicia-se cerca de três dias após a lesão, com estabilizaçãoem duas semanas. A restauração completa pode levar de 15 a 60 dias para seconcretizar.3 Trauma direto: lesões ocorridas por estiramento ( lesão muscular indireta causada por estiramentoexcessivo das fibras musculares) ou contusão (caudada por objetos sem ponta que chocam contra omúsculo).4 Laceração: Ruptura muscular total ou parcial.5 Isquemia: Diminuição do fluxo sanguíneo em uma determinada área do corpo.
    • 172.4.1 Classificação e Tratamento As lesões musculares são classificadas como leves (grau I), moderadas (grauII) e severas (grau III) (Weineck, 1999).  Leve ou Grau I: ruptura de poucas fibras musculares, leve edema edesconforto, com perda mínima ou sem perda de força ou restrição de movimento;  Moderada ou Grau II: maior acometimento de fibras musculares comperda visível de sua função (capacidade de contração);  Severa ou Grau III: ruptura se estendendo por todo o músculo comperda total de sua função. Tratamento: como tratamento imediato deve ser realizado com o PRICE, queem inglês significa: P (protect the area – interromper as atividades com o membro afetado) R (rest – relaxar a parte afetada) IC (ice compression – aplicação de gelo com compressão) E (elevation – levantar o membro com a lesão, acima da altura docoração, para interromper o fluxo sanguíneo e reduzir o edema).2.4.2 Lesões Mais Comuns em Músicos Embora existam outros tipos de lesões, abordaremos neste trabalho as lesõesmais comuns que ocorrem devido a inflamações nos músculos ou em seus tendões,provocadas por atividades que exigem do indivíduo o uso forçado e repetitivo degrupos musculares ou posturas inadequadas, principalmente, os membrossuperiores (mãos, dedos, ombros, braços, antebraços e pescoço).2.4.3 Definição: Tendinite Tendinite é a inflamação no tecido fibroso que faz a inserção do músculo aoosso, sendo esse processo inflamatório descrito de acordo com a estrutura agredidae no caso dos tendões são conhecidos como tendinite, por isso o sufixo “ITE” paradesignar um processo inflamatório.
    • 18 É importante salientar que a inflamação da bainha protetora que cobre otendão é conhecida como tenosinovite. Tendões: tecido conjuntivo fibroso que faz a inserção do músculo ao osso.Figura 1 Tendinite e TenosiviteFonte: (lerdort.com.br)2.4.4 Bursite A bursite é caracterizada por inflamação de uma bolsa (um saco achatadoque contém líquido sinovial6 e que facilita o movimento de algumas articulações emúsculos, reduzindo a fricção). Essas inflamações são mais comuns nos ombros,mas pode ocorrer nos cotovelos, joelhos, dedos dos pés e calcanhares.6 Líquido sinovial: líquido transparente e viscoso das cavidades articulares e bainhas dos tendões.
    • 19Figura 2 BursiteFonte: (artroscopiadeombro.com.br)Roda pé: Liquido sinovial: fornece nutrientes para as cartilagens e atua como lubrificante das facesarticulares móveis.2.5 ANATOMIA BÁSICA: ESTRUTURA BRAÇO E ANTEBRAÇO O braço é formado por um único osso, chamado Úmero. O úmero, em sua extremidade superior, forma uma articulação juntamentecom um osso das costas, a Escápula. O úmero interliga-se à escápula e à clavícula através de ligamentos. Figura 3 Estrutura óssea braço Fonte: (afh.bio.br)
    • 202.5.1 Braço e Antebraço Inferiormente, o úmero forma outras duas articulações junto aos dois ossos doantebraço, o rádio e a ulna. Figura 4 Braço e Antebraço Fonte: (afh.bio.br) Atenção para a extremidade inferior do úmero, nela existem duas saliênciasósseas chamadas epicôndilos, de onde partem a maioria dos músculos flexores eextensores da mão, punho e dedos. As maiorias das lesões musculares do antebraço envolvem essa região. Figura 5 Região lesões musculares do antebraço Fonte: (portalsaofrancisco.com.br)
    • 21 O antebraço possui em sua estrutura apenas dois ossos, o ulna e o rádio. Colocando-se o membro superior com a palma da mão voltada para cima,temos o osso ulna, próximo ao corpo, e o rádio mais afastado do corpo. Figura 6 Antebraço Fonte: (sanbiomedica.blogspot.com)2.5.2 Músculo deltóide O Deltóide é responsável por três movimentações do braço. Cada um desses movimentos é controlado por porções diferentes domúsculo. A porção frontal do deltóide é responsável pela flexão do osso úmero.Porção medial executa a abdução do úmero. A porção dorsal auxilia no movimentode rotação. Figura 7 Músculo deltóide Fonte: (auladeanatomia.com)
    • 22 2.5.3 Músculo bíceps Bíceps é responsável pela flexão do antebraço. O bíceps está ligado ao antebraço diretamente ao osso rádio. Figura 8 Músculo bíceps Fonte: (auladeanatomia.com)2.5.4 Músculo Tríceps O Tríceps é o músculo responsável pela extensão do antebraço. Ele está ligado ao osso ulna. Figura 9 MúsculoTríceps Fonte: (auladeanatomia.com)
    • 232.5.5 Músculo pronador Quadrado O Pronador quadrado localiza-se na altura do punho, na quarta camadamuscular do antebraço. É o principal responsável pela movimentação de pulso nos baixos D´Alberti,muito presentes nas obras pianísticas do período clássico. Figura 10 Músculo pronador quadrado Fonte: (auladeanatomia.com)2.5.6 Músculo supinador Curto Antagoniza o movimento de pronação, é o músculo responsável por trazer oosso rádio para sua posição natural. O músculo responsável pelo movimento de supinação do rádio é o SupinadorCurto. Pode-se identificar a ação do supinador quando se executa um arpejo muitorapidamente ao piano. O impulso do arpejo faz com que o supinador conduza o apoio do movimento,direcionando-o para o dedo mínimo.
    • 24 Figura 11 Músculo supinador curto Fonte: (auladeanatomia.com)2.5.7 Ligamentos Tecidos fibroso especializados, que conectam as extremidades ósseas eestabilizam as articulações. Figura 12 Ligamentos Fonte: (umm.edu)2.5.8 Articulação Articulação: junção móvel entre dois ossos. Também conhecida como junta ou juntura.
    • 25 Figura 13 Articulação Fonte: (sobiologia.com.br)2.5.9 Flexores Os flexores radial e ulnar do carpo têm sua origem no epicôndilo medial epercorrem todo o antebraço conectando-se aos ossos do pulso (carpos emetacarpos). O nome destes músculos é dado em função do caminho que percorremdesde a sua origem até os ossos do pulso. Tem a função de flexionar os dedos nomovimento semelhante ao fechar da mão, ou seja, no movimento para trás e parabaixo. Figura 14 Flexores Fonte: (Google.com.br)
    • 262.5.10 Extensores Os extensores radial e ulnar do carpo, como todos os músculos extensoresdos dedos, têm sua origem no epicôndilo lateral, ligando-se aos ossos do pulso(carpos e metacarpos) na região dorsal da mão. Tem a função de estender os dedosno movimento de abrir a mão, ou seja, para frente e para cima. Figura 15 Extensores Fonte: (Google.com.br)2.5.11 Flexores Profundos dos dedos Os flexores profundos dos dedos têm sua origem, aproximadamente, nametade do osso ulna, no antebraço, e fixam-se na última falange dos dedos, a distal.A função destes músculos é a flexão da última articulação dos dedos. Figura 16 Flexores profundos dos dedos Fonte: (Google.com.br)2.5.12 Flexores Superficiais dos Dedos
    • 27 Os flexores superficiais são responsáveis pela flexão dos dedos na altura dasfalanges medial e proximal. Os flexores superficiais originam-se de dois locais diferentes do antebraço:um, partindo do epicôndilo medial do úmero, e outra, partindo do rádio. Figura 17 Flexores superficiais dos dedos Fonte: (Google.com.br)2.5.13 Extensores Comuns dos Dedos Os músculos extensores comuns dos dedos prendem-se na primeiraarticulação dos dedos, e acabam dividindo-se em expansões, a fim de fixarem-se emcada uma das falanges. Além de prenderem-se às falanges, os tendões dos extensores estãointerligados um a um, sendo, por isso, denominados de extensores comuns dosdedos. Figura 18 Extensores comuns dos dedos Fonte: (parkwayphysiotherapy.ca)2.6 LESÕES COMUNS EM MÚSICOS
    • 282.6.1 Tendinite As tendinites envolvem processos inflamatórios a nível desses tendões.Essas inflamações manifestam-se com mais frequência nos músculos flexores dosdedos, podendo ocorrer nos tendões da palma da mão, que estão envolvidos pelafácia palma. Geralmente, dois fatores são responsáveis pelas tendinites: Movimentação dos dedos por longo tempo, e período de repouso insuficiente. Figura 19 Tendinite Fonte: (parkwayphysiotherapy.ca)2.6.2 Tenossinovite Cada tendão possui uma espécie de “bainha” que o reveste. Essa bainha, chamada de sinovia, exerce a função de proteção ao músculo eseus tendões, e manter as estruturas musculares unidas. Uma inflamação gerada por esforço repetitivo pode afetar somente as bainhasdos tendões. Por isso tenossinovite: (tenos = tendões; sinovia = tecido que reveste ostendões).
    • 29 Figura 20 Tenossinovite Fonte: (parkwayphysiotherapy.ca)2.6.3 Síndrome de Quervein A Síndrome de Quervein tem sido uma das principais lesões por esforçorepetitivo identificada em pianistas. Essa síndrome ataca um dos principais dedos visados pela técnica pianística:o polegar. A Síndrome de Quervein consiste na inflamação dos tendões da base dopolegar, mais precisamente na região do pulso. Um dos principais fatores causadores deste tipo de lesão é o ato de fazerforça torcendo o pulso.
    • 30 Figura 21 Síndrome de Quervein Fonte: (parkwayphysiotherapy.ca) 2.6.4 Síndrome do Túnel do Carpo Carpos são os primeiros ossos da mão. Dois desses pequenos ossospossuem pequenas saliências que acabam por formar um pequeno túnel por ondepassa todos os tendões flexores da mão, dos dedos, e o nervo mediano. A Síndrome do Túnel do Carpo nada mais é do que a compressão do nervomediano devido à inflamação dos tendões nessa região. Figura 22 Síndrome do túnel do carpo Fonte: (parkwayphysiotherapy.ca)
    • 312.6.5 Epicondilite Lateral A lesão mais comum em pianistas, em nível de cotovelo, é a epicondilitelateral. Essa lesão é conhecida também como Tênis Elbow ou lesão do tenista. Uma vez sabido que os músculos extensores estão inseridos no epicôndilolateral, fica claro o motivo dessa lesão quando ocorre em obras de passagensdifíceis e andamentos rápidos. Figura 23 Epicondilite lateral Fonte: (physio-terapia.blogspot.com) 2.6.6 Cisto Sinovial O Cisto Sinovial consiste na calcificação do líquido sinovial, que separa osossos das articulações, para que não se atritem. Quando há muita movimentação em postura inadequada e com excesso deesforço, esse líquido é produzido em grande quantidade. Como o organismo não o absorve, calcifica-o, dificultando os movimentos. Figura 24 Cisto sinovial Fonte: (pt.wikipedia.org)
    • 322.6.7 Cervicalgia Cervicalgia, pode ser decorrente, de desordem mecânica, fatores posturais eergonômicos ou ao excesso de sobrecarga dos membros superiores. A dor cervical resulta em perda na produtividade e caracteriza-se por dorcervical com irradiação para os membros superiores. Figura 25 Cervicalgia Fonte: (fisioterapia.com)2.6.8 Lombalgia Lombalgia, popularmente conhecida como dor lombar, dor nas costas ou dorna coluna, é considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como oprincipal problema de saúde funcional nos países ocidentais industrializados.Lombalgia não diferencia idade e atinge desde adolescentes a idosos, e é uma dasprincipais causas da deficiência na população ativa adulta e uma das principaiscausas de faltas ao trabalho, elevando o índice de absenteísmos. Figura 26 Lombalgia Fonte: (osteopatiasaude.webnode.com.br)
    • 332.6.9 Hipercifose Hipercifose, típica da adolescência e de pessoas introspectivas, ocorreporque a postura incorreta causa uma curvatura acentuada na coluna, deixando oindivíduo com os ombros projetados para frente e o dorso arredondado. O indivíduo com hipercifose possui um arqueamento das costas, que surgegradativamente, com ou sem dor, fadiga, sensibilidade e rigidez da coluna vertebral. A hipercifose torna os músculos da região torácica fortes e curtos, o queocasiona o surgimento da corcunda, fato que poder ser agravado pelo uso deinstrumentos pesados ou que exijam uma postura inadequada. Figura 27 Hipercifose Fonte: (fotosearch.com)
    • 343 PREVENÇÃO Para evitar que os músicos percebam os sintomas das lesões somente apósestarem instaladas é necessário o desenvolvimento de uma consciência corporal,através de leituras e informações tanto a nível acadêmico quanto a nível profissional,Costa (2005) alerta que os músicos constituem um dos principais grupos de risco deadoecimento ocupacional. O planejamento dos horários de estudo, tanto em termos de quantidade equalidade precisa ser mesclado com compensações de descanso e pausa, emboraseja difícil, pois cada apresentação é antecedida por várias horas de ensaio eestudo, o músico deve se organizar para não ter uma sobrecarga de trabalho semdescanso, Gonik (1991) afirma a necessidade de instituir pausas para repouso acada 25 minutos de prática musical. A execução de exercícios específicos para os grupos musculares que irãousar seria uma excelente oportunidade de preparação e aquecimento, podendo sertrabalhado antes e depois da atividade a ser executada. Os exercícios de alongamento mais indicados são: alongamento damusculatura do pescoço; rolagem e elevação dos ombros; alongamentos dosombros; rotação dos punhos; alongamentos dos extensores e flexores; alongamentoda região lombar, considerando que no aquecimento há um aumento da circulaçãosangüínea no interior dos tecidos principalmente, pela abertura e dilatação doscapilares na região da musculatura trabalhada. Além disso, proporciona melhorabastecimento de oxigênio e substratos, e há um aumento da atividade enzimática,otimizando assim a musculatura para apresentar um desempenho metabólicomáximo, pois a temperatura ideal, todas as reações fisiológicas decisivas para acapacidade de desempenho motor transcorrem de maneira mais eficiente eajustada, tanto a musculatura quanto os tendões e ligamentos se tornam maiselásticos, afastando a ocorrência de eventuais lesões. (WENEIK 1999). Devido à complexidade da atividade e execução musical, e por haversegundo Sheldon (BEAN 1999), classificação de três tipos de corpos básicos como:mesomórficos; endomórficos; ectomórficos, a prescrição correta da atividade físicasem uma prévia avaliação física (neuromuscular, aeróbia e flexibilidade) ficacomprometida, uma vez que o principio básico da prescrição do treinamentodesportivo é o respeito aos limites biológicos individuais e a especificidade do
    • 35treinamento, ou seja, no caso do músico o mais indicado seria uma preparação físicafuncional voltada para a atividade e instrumento que o músico executa na maiorparte do tempo, em sua atividade profissional, sendo esse grupamento muscularpreparado o mais próximo da sua atividade para suportar tal carga. De forma geral, tanto para os músicos instrumentistas de cordas, percussão,sopros, teclas e cantores, é indiscutível que o treinamento de força (popularmenteconhecido como musculação), junto com o trabalho aeróbio primeiramentetrabalhando a resistência muscular, traria benefícios à saúde, condicionamento físicoaos músicos de todas as idades e ambos os sexos, melhorando também a aparênciafísica e a simetria. É importante saber que a metodologia do treinamento de força maisadequado para o músico seria com ênfase na fase excêntrica do movimento, ouseja, na fase que o músculo se alonga, promovendo um grau maior de flexibilidade eamplitude desejável para a plasticidade e execução dos movimentos. As justificativas, primeiramente do treinamento de força, baseia-se em: 1. Na estimulação de novas proteínas musculares actina e miosina,responsáveis pela formação de novas fibras musculares. 2. Melhora da estabilidade das articulações através do aumento de forçados tendões e dos ligamentos. Durante o treinamento de força a tensão é transferidaaos tendões e ligamentos, aumentando a produção das proteínas de colágeno,aumento sua força estrutural. 3. Prevenção da perda de massa muscular e de força causada peloprocesso de envelhecimento. 4. Melhora da força dos ossos e aumento das osteosproteínas e mineraiscontido nos ossos. 5. Aumento da taxa metabólica basal em repouso, sendo essa a energianecessária para a manutenção dos tecidos e das funções essenciais, fazendo comque mais calorias sejam gastas durante o dia. 6. Aumento da suscetibilidade à glicose devido as mudanças nacomposição corporal, principalmente no aumento de mitocôndrias, favoráveis noaumento da capacidade aeróbia. 7. Redução da pressão sanguínea sistólica e diastólica. 8. Redução e melhoria da quantidade de colesterol e triglicérides nosangue.
    • 36 9. Melhora da postura e do equilíbrio em virtude do aumento do tônusmuscular, da força e flexibilidade bem como a correção de falhas especificas. 10. Resistência contra lesões devido ao fortalecimento do sistemamúsculo-esquelético. 11. Melhora do bem estar psicológico ajudando a reduzir o estresse,ansiedade e a depressão, melhora do humor e auxilia no relaxamento. Devido a falta de orientação na área de prescrição do exercício e a grandedificuldade de se encontrar profissionais de formação especializada, há umatendência em segmentar as atividades físicas, isolando ou ignorando o treinamentode força das atividades aeróbias. Segundo BEAN os benefícios do treinamentoaeróbio são: 1. Redução da gordura corporal 2. Aumento da capacidade do corpo em queimar gorduras durante oexercício e no período de descanso. 3. Melhora da composição corporal. 4. Melhora do bem estar cardiovascular (estaminas) 5. Redução do estresse e a ansiedade 6. Melhora da confiança, autoestima e do humor. 7. Redução da pressão sanguínea, colesterol e o risco de problemascardíacos. 8. Aumento do plasma sanguíneo. 9. Aumento dos capilares sanguíneos 10. Aumento do condicionamento cardio-pulmonar. É importante esclarecer que o termo aeróbio significa com oxigênio, fato queacontece na maioria das atividades diárias e comuns a todos como andar, sentar,dormir, onde do oxigênio provem a energia. As atividades anaeróbias ocorrem sem oxigênio, sendo a energia gerada deuma mistura de fosfocreatina, glicose e glicogênio, onde as atividades curtas, masde altas intensidades ocorrem, lembrando que as gorduras não são decompostas naausência de oxigênio.
    • 374 CONSIDERAÇÕES Ao aprofundar nas características pessoais e profissionais é inevitável traçarum paralelo entre os músicos e os atletas profissionais, não sendo levado em contanenhuma coincidência ou fato empírico, uma vez que as características físicas efuncionais delimitam ao mesmo tempo em que os especializam em determinadafunção ou instrumento, pois cada esporte exige características corporais padrõespara um bom desempenho, ao passo que cada instrumento também exige umaadequação física motora, ergonômica e técnica. Ambos os casos, são inseridos cada vez mais jovens aos estudos musicais eaos treinamentos desportivos, acreditando que a precocidade da habilidadeespecifica os prepara um futuro seguro brilhante, porém assim como já visto porBrito et al (1992) junto com essa precocidade também vem a LER/DORTassociadas a própria prática e dedicação desses profissionais sendo importanteressaltar que os dois profissionais realizam esforço físico e repetitivo intenso durantea execução de suas atividades ao longo de seus estudos e preparação, porém osesportistas profissionais recebem um acompanhamento médico especializado epreparação do sistema músculo-esquelético, e o músico ainda nem possui umaequipe multidisciplinar preparada para diagnosticar ou dar um tratamento dignoespecifico e eficaz. Vários autores ressaltam a necessidade da prevenção iniciar nos primeirosanos de educação musical com a participação tanto dos alunos como professores,pois neste período ocorre intensa demanda músculo-esquelética para aprendizagemda técnica (Costa 2005). Costa e Abrahão (2004), afirmam ainda que: A procura pedagógica pelaformação de músicos em idade cada vez mais tenra, buscando o virtuosismo atravésda imposição de jornada de estudos exaustiva e estressante, também favorece oaparecimento da dor. A transmissão de uma técnica inadequada pelo professor aoaluno, sem considerar as diferenças de fisiologia, pode acarretar a ocorrência detensão muscular ineficaz ou inútil, movimentos e pressões excessivos. De acordo com Costa (2005), os músicos são considerados um dos principaisgrupos de risco em relação às doenças ocupacionais. Vários autores têmdemonstrado preocupações com os estudantes de música e apontado à
    • 38necessidade de pesquisar os fatores envolvidos no desempenho musical e de iniciarcom prevenção durante a formação. Bean (1999), alerta que os adultos perdem de 2,26 a 3,17kg de músculos acada década, acarretando atrofia muscular primeiramente nas fibras muscularesresponsáveis pelos movimentos mais rápidos e bruscos (de maior força), e somentecom o treinamento de força podemos manter a massa muscular durante o processode envelhecimento, processo esse que além de acelerar os sintomas da LER/DORT,acabam limitando o músico, criando um triste paralelo, ou seja, quanto mais técnicoe experiente o músico se torna mais fraco seu corpo se torna. Por essa razão treinamento de força, visando principalmente os gruposmusculares mais usados em sua atividade musical e os músculos da parte posteriordo corpo, tais como; ísquio tibiais e panturrilhas, da parte superior das costas elombar são essenciais, juntamente com o abdômen garantem uma boa postura e oua redução ausência de possíveis dores.
    • 395 CONCLUSÃO Conclui-se que a profissão músico é formada por várias habilidades físico-pisicológicas, habilidades especificas, tanto cognitivas quanto motoras e que a faltade atividade física favorecem um corpo enfraquecido para o desempenho saudávelda atividade e ou profissão músico, tanto na sua manutenção quanto em sualongevidade. A iniciação musical cada vez mais precoce esconde um outro problema, aausência de uma orientação profissional ou por parte do próprio professor de músicaao seu aluno, agravando a falta de consciência corporal, levando o músico a nãoperceber o quanto determinada postura ou excesso de horas de estudo e prática deinstrumento, pode induzir uma lesão muscular crônica em determinada regiãomuscular, limitando ou impedindo o desempenho físico necessário. A falta de informação nas escolas de música, universidades, centro deformações de professores, favorecerem o desinteresse do músico por uma vidaprofissional mais saudável, sendo necessário repensar sobre uma forma mais eficazde planejar formas de estudo, técnicas de aprendizado e maior conhecimento sobreprincípios de ergonomia, permitindo novas técnicas e adaptações para osinstrumentos musicais. Conclui-se a necessidade pleitear junto aos grandes centros acadêmicos,planos de saúde, sindicatos a criação de uma equipe multidisciplinar de saúdevoltada para o atendimento exclusivo do músico, suas necessidades funcionaisatuando tanto na prevenção quanto no tratamento de lesões e patologias, uma vezque os primeiros centros de pesquisa e atendimentos voltados à saúde dos músicosforam inaugurados na década de 90. A importância vital da atividade física na prevenção de lesões e na melhoriada saúde do músico, nesse cenário médico brasileiro atual, sem os devidosprofissionais capacitados e especializados, acaba sendo o fator mais seguro, viávele estável para a formação tanto do músico quanto do professor de música, para umacarreira saudável, equilibrada, sem interrupções ou afastamentos médicos, tendoseu nível de produção o mais longo possível. É preciso lembrar que o músico só adquire determinadas técnicas através demuitos anos de estudo e práticas especificas que exigem dedicação e muitosmovimentos repetitivos, movimentos estes criados por outras pessoas com outras
    • 40características, em outros contextos sociais e culturais, sendo de suma importância,que o músico reconheça que determinados movimentos requerem necessidadesmuitas vezes adaptações ou recriações para se adequarem ao seu biotipo,instrumento e a região geográfica onde vive, ou seja, se adequar as influênciasexternas da temperatura ambiente. Quanto mais o músico for condicionado aerobicamente menor vai ser seupercentual de gordura, menos sobrecarga seu sistema músculo esquelético terá, oaumento significativo de sua capacidade cardio respiratório e a estabilização daperda de massa muscular através do treinamento de força, mais fisicamente epsicologicamente se sentirá para continuar a profissão de músico.
    • 41 REFERÊNCIASBIBLÍA. Português. A Bíblia Sagrada, tradução de João Ferreira de Almeida, SãoPaulo; Sociedade Bíblica do Brasil, 2.ed, 1993.AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. Prova de esforço & prescriçãode Exercicio, tradução de Adaurir Bueno de Camargo, Arlete Rita Siniscalchi Rigone Ricardo Munir Nahas. Rio de Janeiro; Revinter ltda, 1994.ÀSTRAND, Per-olof. Tratado de fisiologia do trabalho: bases fisiológicas doexercicio de Barrow e Mcgee, tradução de Márcia Greguol. Porto Alegre; Artmed,2006.BARATA, Germana. Doenças ocupacionais afetam saúde dos músicos.Ciência e cultura. v. 1, p. 13, 2002.BEAN, Anita. O guia completo de treinamento de força, São Paulo; Manole, 1999.BEJJANI, F. J; KAYE G. M; BENHAM M. Musculoskeletal and neuromuscularconditions of instrumental musicians. Archives of Physical MedicineRehabilitation, Philadelphia, n. 77, p. 406-413, 1996.BRASIL. Instrução Normativa INSS/DC Nº 98 de 05 de dezembro de 2003. DiárioOficial da União. Poder executivo, Brasília, DF, 10 dez 2003.BRITO, Alice da Costa; et. al. E. Lesões por esforços repetitivos e outrosacometimentos reumáticos em músicos profissionais. Rev Bras de Reumatol, v.32, n. 2, p. 79-83, 1992.BRASIL, CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DE 1988. Disponível em<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui%C3%A7ao.html>. Acessoem: 21 abr. 2012.COSTA, Cristina Porto; ABRAHÃO, Júlia Issy. Quando o tocar dói: um olharergonômico sobre o fazer musical. Per Musi, Belo Horizonte, n. 10, p. 60-79, 2004.COSTA, Cristina Porto. Contribuições da ergonomia à saúde do músico:considerações sobre a dimensão física do fazer musical. Música Hodie. Goiânia:UFG, v. 5, n. 2, p. 53-63, 2005.
    • 42FONTERRADA, Marisa Trech de Oliveira. De tramas e fios: um ensaio sobremúsica e educação. São Paulo: Editora UNESP, 2005FRAGELLI, Gustavo Azevedo Carvalho; PINHO, Diana Lúcia Moura. Lesões emmúsicos: quando a dor supera a arte. Rev Neurocienc 2008;16/4:303-309.FRY, H. J. H. The prevalence of overuse (injury) syndrome in Australian musicschools. Br Med J, 44: 35-40, 1987.GONIK, Renato. Afecções Neurológicas Ocupacionais dos Músicos. Rev BrasNeurol, v. 27, n. 1, p. 9-12, 1991.LUCAS, Ricardo Wallace das Chagas. Fisioterapia nas LER/DORT. Curitiba: Ed.digital. 2002. 102p.MOURA, Rita de Cássia dos Reis, FONTES, Sissy Veloso; FUKUJIMA, MárciaMaiumi. Doenças ocupacionais em músicos: uma abordagem fisioterapêutica.Neurociência. UNIFESP: São Paulo, v. 8, n. 3, p. 103- 107, 2000.OLIVEIRA, Camila Frabetti Campos de; VEZZA, Flora Maria Gomide. Saúde dosmúsicos: dor na prática profissional de músicos de orquestra no ABCD paulista.Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, São Paulo, v. 35, n. 121, p. 33-40, 2010.OMS, Organização Mundial de Saúde. Disponível em: <www.http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro092. pdf>. Acesso em 13 out. 2011.PARDINI, Arlindo Gomes Jr. Lesões por Esforços repetitivos. In: PARDINI, ArlindoGomes Jr. Traumatismos da Mão. 3. ed. São Paulo: MEDSI, 2000. p. 163-176.PEDERIVA, Patrícia Lima Martins; GALVÃO, Afonso. A construção e vivência docorpo na performance musical. Performance Online. Brasília, v. 1, n. 1, p. 1-16,2005.PEREIRA, C.(2002) Música sem dor. Disponível em:<http://www.cpqam.fiocruz.br/comunicacao/noticia/L1/noticia.htm>. Acesso em: 18jan. 2011.PETRUS, Ângela Márcia Ferreira; ECHTERNACHT, Eliza Helena de Oliveira. DoisViolinistas e uma Orquestra: Diversidade Operatória e Desgaste Músculo-Esquelético. Revista Brasileira de Saúde Ocupacional, São Paulo, v. 29, n. 109, p.31-36, 2004.
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