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COMO SE FAZ

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EM CIÊNCIAS HUMANAS
Prefácio de

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Tradução de Ana Falcão Bastos e Luís ...
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•
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ou mesmo de ouLm anão. Depois
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sempre tempo para craba-

11-1. Te.mas antigos ou temas coutcmporãn...
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Quando se fala de seis mcse$ ou três anos. pensa-se, evidentemente, não no te mpo da rcdacç~o dcriniliva. que pode le...
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3) vs documcnlus de tMJ<)S os tipos devem encontrar-se disponívci~

numa área l'Cstrit3 e 1>o<lcrcrn ~cr i'acllrncnLc co...
Como se faz uma tese
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  1. 1. universidade hoje Na P<e:ie> to l)()r.:i o ng ,11 a todflS 0s ;;st:.idantes B.'11 d~ r.: 10r,s s1luay&"l a : 1, corsecuenca da o.i:tn Oi; <ecenlt:S•, • mborto l?i.-c expt'.O OÚfl •e er>teMe por tese. corno escolher o teria e arganiur o er1mo de trabalho, como !'Ondu.zir uma 'wésugaç-10 b tJ•1ografica. rorno organizar o •naler1a1 !!BIGGc1ol"adc e, 1ínalmeme, a redaçção 1o trabalho. E sugere out• se aprover1e •a ocasião ela test para rucuporar ç ~enlido 001110 dispor posrlivo o progrOS1'1VC> rlo estudo entend1C10 no1 no aquisição de !)ma ~Ap·1,Cldade para Identificar os pr:>· COMO SE FAZ UMA TESE EM CIÊNCIAS HUMANAS biamas. encará-los co•11 metodo C' ·~xpõ-los segundo certas técrucas uo cornun1c~o um hvro sempre actual e indJSnensavel . . l JÔ0.1 '9t:G100 10101101 9JlCIJIO r.r.o. t.;VO uto 00.WO S6. PA.t &J't. l'UC. ii ,.,«O cdlliOf u... , t ······ ;,q,cõ·~·.::.tõ Q4Y.,t:io P~g;() fNAC 11.22€ CA ~ EDITORIAL PRESENÇA
  2. 2. --Umberto Eco COMO SE FAZ UMA TESE EM CIÊNCIAS HUMANAS Prefácio de Hamilton Costa Tradução de Ana Falcão Bastos e Luís Leitão EDITORIAL~ PRES E NÇA
  3. 3. ÍNDICE Pl{EF,(:JO À 2.• EDIÇÃO PORTUGUESA .. ..... ..... ............. ................ . Tiluto original: (.'omn Si Fa l!11a Te.t i Oi Autor: Umiu.r;,., F :n ;1 Copyright «:) 1977 by C'as3 Editricc Vsfcntino Hompi;;ni & C., .·1i15n Tr:tdução «:> i:;dltoris l Presença, 1997 . T raduç2o: ..:i.na Fa!cãn Ma.uns ~ J.uú J.ei:ãn Capa: .Catarina .s·~:queira . Ga~ira .<: Compos i ç~o, J .• edição, 2.' edição, 3:' edição. 4." cdiçiio. imprcssio e acah.lmcnto: .Wulriripn - An~s ( iráj1<:as. / .dr.. Lishna. Janeiro, 1980 Lisboa, Janeiro, 19i:;2 Lisboa, Janeiro, 1984 Lis boa. Janeiro. I 9Sf< S." edição, Lisboa. Pc.vcrciro, 1991 6." edição, Li$bo3. Janeiro, i 995 7 !· edição, Lisboa. Janeiro, 199~ 8." edição. Li~hoa. Ahril. 200 t 9." edição. Lisboa. Abril, 2002 10:' edição. Lis boa, F'evc.rciro. 200:; 1 L,, oo.it;ão. Lisbo~. Junho, 2004 12 ." edição. Lisbo2. Setembro. 2005 13:' etlir.;.ão. Lisboa, F'e'crcir». 2(J 07 Dt pósilo legaJ n." 25:; 273/07 Rt's~.rvado.s todos o.s d irc.itos para a língua p()rlu,gee.sa à EDITORIAi. PRESBNÇA E.slri.!J a das P-almeira.'>. 59 . Queluz Je Daixu 2730- 132 BARCARENA Em~ il: i.ufo @:·prest'nL:<i.pl l nu ~rne1: bnp://www.-pr~~em.:a.pt 11 INTRODUÇÃO ..... ..... ........ ................... ........ ....... .... ................................ . 23 /.a ur~a !. O QU E É lJM.'- TESí; E PARA Q UE SERVE .. 1.1. Por que se deve Í-lzcr uma lese e o que é ...... . 1.2. A quent intcrc·ssa (.~Ste lh•ro ..... ............... .... . I:J. De que modo um·a tese ser'e !ambé.1 para depoi ~ da licencian lur;;1 ................ .... ................ . 1.4. Quatro regras óbvias ..... . II. A ESCOLHA DO T EMA ....... ..... ............ ... ................ . fl. J ·re~e Ol OOOgráljC.à Oll te.Se panorlffiica? ... ............ . 11.2. Tes~ hjs1 (1rica ou lese lcórica?.............. ....... ..... . 11.3. U.4. 11.5. 11.6. ll.7. TelnU.S anligos ou temas contemporâneos·? ........... . Q u ~mto tempo é preciso para fazer unla lese'!..... .. É necessário saber língua.' e:.trangeim.~? .. ............. ...... .... .......... Tese «científica» ou tese. polftic.a'! .... ....... .... ............. ............... ~. Con10 evitílf de.ixaJ'-~e. explorar pelo oricnu1<lor............... ......... . UI. A PROCURA DO MAIERL>.L ......... ......... . 111.1. A at::~·$Sibilid ade da fontc-s 111.2. A in•cslig(lção bibliográfica ... ............ . IV. O PLANO DE TRABALHO E l E"L A l!O R AÇ.Õ.O DE FICHAS ..... rv .1 . C> índice COffJO hipóte.s.e de trabalho ........... . rv .2.Fichas e apontantentos ................................ ........ ............ ........ .... 27 27 30 31 33 35 35 39 42 43 47 51 66 fi9 69 77 125 125 132 7
  4. 4. V, A REf)ACÇÃO.... .............................................................................. 161 V. 1 A quem nos di.rigimu................................................................ 161 V.2. Como <t foi>............................................................................. 163 V.J. A> cilMÇile> ...... ... ....................................................................... 171 /.4. As 001 de rodapé...................... ................... ........................... 182 .s V.5. Jdve-n!nc ia.~. r111 ntira.c;. co~tun1 e.s ............................................. 194 V.6, O ol'l(ulhu cfon1ilicu.................................................................. 198 VI. A REf)ACÇÃO O!;FINITIVA .......................................................... 102 VI.! . Critérios grifkos....................................................................... 202 Vl.2. 1 bihliõg~fia fi~l ................ u . . . . . . . . . . . .. . . .. . .. . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . - . . . . . . . 222 VJ.3. Os •P.:n~ic-cs ............................................................................. 225 "1.4. O índice..................................................................................... 2 27 ÍNDICE DE QUADROS Vll. CONCLUSÕES .................................................................................. 233 BffiLIOOR..~o SELECTIVA ................................................................ 23i QUAl)Ró 1 Resumo dos rogm.• p:ltll o eu•ç!o bibliográfica ......................... .. QUADR02 Exemplo de ficha bibliugr;llicu..................................................... QUAf)RO 3 101 103 () hra~ gerai.; ;:;ohrc o íl:'lrrOC(') ltaliann idc n li licalla~ at n1 vé~ do co n ~u l u. ... .. .. .. . .. . .. . . ...... ... . .... . . . .. .. ... .. J 11 Obras particulares sobre tnundistas iH t.lianos do século xvu idcn· tificadtts utravé) du i.:x.:1mc de três c!cmcnh.is de consulHl.. ........ .. i 12 exarne de três tl t 1nenro~ dt QUADR04 QUADRO S Fi c ln:i~ ,1e l.!iHÇi'if'•... ........ .... ............ ................................... . 1 138 QUA DRO 6 f'icha de lisaçõo .......................................................... ...... J40 Q UADRO 7-14 Fichas de lcirnru ............ ....................... ........ .... ....... .... .................. 144· 156 QUADRO JS Exernplo de: ilnA lii>e c1>nli11uud:t de 1 1nc:.s1 têth,t............ .1111 nv J79 QUADRO 16 Exen1plo de u nu~ pág.ino crun n s.is1 en10 citaç5o-nota........... Q UADRO 17 E'cmplo de bibliografia srandord correspondente....................... QUADRO 18 A mesma piigina du <JUuôru 16 rcfunnuht1..J:i cum u !thtcma autor-d.::11a .............................................................................................. QUAl)RO 19 E.tcmpJ de bibliottr3fio corrcspondcnic com o s.istcma autor' o ·<lttl• .............................................................................................. 187 188 192 193 9
  5. 5. QUADRO 20 (~(10 1(> 1r::1 n$lÜcrar alfabetos não latinos. ..... ...., ..................... . QUADRO 21 :breviatura~ rn a i ~ u s1.1~1 iS parà uti ) i~.à r e•H not.u ou nu texto . 212 21 6 QUADRO 22 Modelos de índice.......................................... ............ ....................... .. 229 PREFÁCIO À 2." EDIÇÃO PORTUGUESA A publicação em português deste livro de Umber;o Eco permire ver o co11ju11to de problemas que a merodologia da invesrigação acr.ua/ leva ma e faz compreender a imporrância das suas Tendências 110 avw1ço da ciência e 11a conservação do sabei: Encarada n luz das suas mutações teóricas. ou esrudada na s11a complexa estrumraçâo, ou., finalmente, na sistemarização dos seus nlodos de operar, essa reflexão é un1 contributo in1portante para refor111u/11r nzuittis atitudes aco1noda1las do faze1 ..a ciência, que s e r:o1npr11-:.en1 na efernizaç ão do jâ feito. A criação r:ientffica é u1na tu:tivida1le e unu1 instituiç11o. Co1110 de.,·ix1"' o processo de investiJ;:ação que .leva o investigaliOr a produzir a obra científica. ConuJ inJfituiçi.io, é unra estruactividade~ iura c(J11stitu{da por três ele1nento..,·: o sujeito, a objet:lll e o 111eio . Ao /.ongo dos fenzpos, estes aspet:tus .foranz evoluindo, de~rignando .a. associaçiio ou a dis.'t}(:iaçüo quer dos n1esn1os, quer de a/. u111as g das suas 1 arle!i, diversos 1novin1e11tQ. ' da investigaçüo ci entífica. > Caso nos ateuhan1os exclusivaniente à e 1 /ução que se r>rocessou ,:,> nas ciências huniantl!i,, e a restringirnu> -nos ao nO!iSO século, f>Ode- nzos distinguir três rnovinieutos irnportantes: unr. que se polarizou eru torno do sujeiJo da in ~:es1iga,çlio,, outro que gira ent torno do objeczo inv1:•s1igado e fittalrnente run terceiro que prete1tde trutnrer u1n j us10 equilíbrio no proces.ço da criaç:lio cien1fjica entre o sujeito e o seu objecto. Todcf> eles rei;efani 1>reecupaçiJes leâricas diferen S tes, tnas couvergeni na inquie.iação cornton de 1or11ar 1>ossfvel a ciên- citi através da elaboração e ape~feiçoamemo dos mérodos. t:xisrem.. com efeiro, 1rês movimemos dis;imos na evolução da 1net<)<Íofogio da invesrig(lçâO. O prüneiro. que te1n co1no reori:,ado· 10 11
  6. 6. p res Sertillanges, Ghelli11ck e Gui/1011 1 .whmvaloriza o papel do , .rnjeito na es1rut11ra da crl<1çao ciem(jlca em dnrimento da me10dologia da i11ves1/gaç1lo. 1 q11esulo jimdamenwl wma -sc. assim. « (l da c:xi.sté11C'ia» de u111 clilna espirirunl que 11reexi..,·te e detennina a cri11ção a q11e o s11jei10 dere aspirar. Daí que o decisivo seja esta aspiração 11u111if1'swda sob afonna de vocação i11telect11al, uma ve~ que é dela e do i!s/orço lJlll' ela pode virrualmeme despender na c:1mq11ista de 11111 campo 111' rmba/110. 011de a c11lrura geral fecunda a especialidt1de, 11a con.<trurlio dum tempo imerior uhrigo dos assaltos das preO('ll/Jaçfil!.• di.<persfras. de q11e depende a re1·elação do ralemo e do gllrio. 110.< m1m1entos dr plenimde d11ma vida consa•~ruda ao traballw cie111íjico. Otalento do investigador e o seu 11atural i11tuicionis1110 fazem relegar º·' métrxlos de rraballro para um plano menor. secundário e redtddt>, 11<>is. pura além das superiores capacidades i111efec111ais. ele pode di.•/N>r 1le 'árlos meios prátims (de.•de o.r sem.inários práricos até ao co1111ívfo e.m1emdameme seleccionado), que ensinanr a trabalhar ensinando CiJ1110 .'e fnzcn1 as coisas. Nesre contexto, a obra surgia. como a ohm-prima medieval 110 s110 perfeição magi.<tral. a coroar 11111 longo pen:ur.<o, 1 qual esraw va1n en,·o/vida!i 1 1u1i1as horns de rraballto de in ~"e.,·tigaçào esseucia.I. que só 111/Ul i11s1ir11içã11 dl! tip(I tradicional poderia pafrocinar. 11ma ve~ que ela exige agentes l1111111111os altameme qualificados e condiçrics objectfras de estud11 cxtr1:mam«111e co111ple.1·ificatlas. Por ser o sujeito da i11vestigaç1fo i11dispe11sável pura o rlesenvolviniento do ciência. ná1> é 1nenor o ;rnpo11â11cia do seu objccto. O conhechncuro das Ct>ntiiçr ela ·''"º existência e dos 11u)(los <la je,' sua uhordfJgem talltO 11ssegurw11 /ma pane da s11a acessihilidade, corno dell!nnincuu as regra.t da ,'ua reconsrrução teórica. "º Ora jâ nos 1Jtubie11res cie1uf/ic1>.,· t1Jrâs descritos a ohra dr. Ghe/Unck c:/wmam a me11çao p(ira a imponr111cia decisiva da elaboração de cerws tral1a/'1os pr6ticos (rec:em ííes críticas) que fo rnecessem a1> esrud1111/l! 11111 co11j1mto de re,~ra.r práticas de trabalho, 1 uuu1cia11do destt1 /or111a <> jin1 dtun ilnpre.'sioni.,·1110 responsável 1 1or tantas verdades a/Jnssadas e pouco amadw·ei:itlas. Mas foram, sem d1h'ida. as Oirectives pour la confection d'unc monographie scien1 Antonino Oalntácio Scrtilh1n1es. A ~·hlu inttlec-tut:!. F..<tpiri10 condiçiks. mitodrn. C<.limbra. tnnéuio Anul<lo F.d. Sue.• l9S7~ J. ele Ghellinck, [;e.s extrcic:e:s pra1 :iqu~.t d.e .::,·~111hwirt• '" 1hia l11gll', ·1 .~ cd .• P.ttis. Ott::téc du Brnu' í ct Cit.. 1948 C e Jean Ouiuon. Lt 1ru~·<1if iit1~11,,.1:1,1, ronJtils U crcLT qu1 ;u.ulit!nr ,.., kri·enl. Pari~. cd. ~tontaiJ.nt. 19.SI. 12 n <'ttu qu.i Lifique de Femmrd Van Stee11berghen' q1u1 i11a11guraram o segundo movimento da metodologia da /11ves1igaç<io soh o signo do objecto. Com e}«ito, (t obra de Van Steenberghen centra-se exc/11siva11ie111e no e~·tudo anaLfti<:o e sisre11rátlco da co1npnsiçt7o dunu;_ 111onografia científica 110 fmrbito da filosofia medie ..al. Destinando-se a servir de i11iciac:lio à i11vesrisaçilo de 11111 objecto delimitado. descreve t1. fl"·""'º.s e.'ista1rit1is que pennire111. tio conte.tio da investigação, dc.vcobrir u verdt1dt! e rnuncia as Mgras f1111da111entai.t que ajudanz, 110 conte.<1t1 da e.rpo•irão. a rrmrsmirir as descoberta.t. A metodt>fogia da i11vutigação de Van S1eenberghe11 contrapüe·se por dois modo.< à ctmapçtio amerlor. Em primeiro lugar, pela import{l11cia que ctJ1ifen: objl"Cto da pesquisa 1111111 duplo sentidt>. 11 da s11a dependfncia duma c:ifua âemífica particular e o da indi.tpensabi/idade de 111~1t1do.< pum o apreender e expor teoricome11te. Em segundo lugar. 11ela ctJ11r~pç<io de inl'estigador que comporta, pois trata-se de um espi!dali•·/11 cm fomração que deve apetrechar-se com 1111U1 ferramenta i11tclcl'tual - o.<modos de operar - para "º resolver proble1nas irrst·rittJ.' n1un tl!rritâri(J concreta1nenre definid.o a desbravar planificada e mefndicamenu:. É da redução e 1111ilaterali<ação de.<((J fase merodológica que vivem os Style ),fanuals and Guide americww.-!. Preocupados em •t!solver os vários tipos de 1ral)alho cie11tífico e mu:arwulo-os de 1ana fo ruu,,1 1nera111t~11rc a10111is1a 1 os autore.' a111ericanos dt!ra1n-lhes uma .wluçào quase receiruário de wdt>s os elenumto.1 que cmtram · na co111posição du111a nronograj'i'a deterrninada. Entra-se, assiln, nuni período cm que se perde de visra a mewdolo.~ic1 g1m1l' para mergulhar"""' atomismo de merodologia e.tpeclalizatla. Tr"lavia, algunws desrw· ohras tiveram o mérito de. pela sua pmfumla especialiw ç<lo, resolver e u11if'ormizor alguns problemas in1ri11cad()s referm:tes à hihliografia. à ti11olog,ia da ficlragem ou at> esrilo 11ráfico, dando forma de dicio11drio às f6m111las encontradas. Se é verdade que da delimiração da metodologia à iniciação cientí[ic:a decorrertJnl aspet·t<>S inJporranres e• até decisii·os para o : 3.• c:<.l.. Louvain!P11n'S. cd. Bé:nricc ~il'Clacn. 1961. 3 Villiml Cii1c.s C.mpbcll. Stcphcn V:iue.hnn Btdlou, Forn1 af!d Stylt'. The.'>es. Rtpurzs. Tt!rm paper'f. S.• e-d.. 80$1on. Houe,hton ~1lítlin Conlp.any. 1979. 'Vood Cir.iy ct nl, Jll.:rtorlt111 's Handbook: A Kty ro thc S1udy und Vritin,;: of 'flis1ury. nu~ltN1. Huu~h1on fi(Oin Comp:.ny. 196-i e l)cma.r ltvi.ns. JVriting ubotd musi!': A .s1ylt' b1J11k for R,.pt,rtt a11d Thts~s. Stnnlc. t..:nivt;niry of Vasltin,gton Press. 1968. 13
  7. 7. progresso da cifmcia, dos seus excessos saíram algumas desvanwge11.s que s" <:irc:11nscrevem no empobrcdmemo da 1eorização geral e especial. Ncio Ju1 nJetodologitt de investigação corno fi1n e1n si. divorciada d'1 111e1odologia especial e 11eral. E c:uni isto passanios narurt1bnente. ao terceiro niovilnenio da metodologia da investigaçilo. que viw equilibrar os t!lementos subjectivos e objectívos 110 processo ri" aiclção e da investigaçâo cie11tificas. Autores como listi Vem, Annand11 Zubi:.arrera e lwgelo Domi11gos Salvador' 1·isam nas s1ws prorwsta.r reóricas reavaliar a estmtura e o processo da criaçã<J denrífica itwala11do-a 110 coração da c:riaçt1o cultural, li fitn de, hunnu11i:..a11do a teoria co111 a prática~ " e~ludo t'fJ11J a i1n·e. tigação, criare111 os pressupostos do tra1 balho cientifico 1111ma concepçüo nm·a da formação 111úversiiária que deve processar-se como 11111 todo co111f11110 e progressi110. pois «tt estudar. a escre1·er 011 a i111·es1igar só se apre11de 110 exercício dessas tarefas,.._ Emre as séries de textos em que se revelaram as rré.s morimemos da metodologia da i11vesrigaçilo. ramadas globalmeme, hó não só t•1·ol11ção. como nmdançfl de terreno e preocup"çõe.s 1wvas. Tro1<~e111os pam primeiro plflllOos aspcc1 de mudtmra qu« cmwituem as linhas çis de .força das ac:tuais trndFncia.~" 'f'odtJ via, agora, in1porta detenno· nos nu1is utr.ntt.unente no Lílt1n10 tlf'.'.'l!.' n1ovh11en111s, para llze deter111i11anuos " e.,·truturu t:u1111u11 e ª·'' correntes parfic:ulares. Pode ufirnJar·.'e que a estrutura cornun1 da. actual rnetodologia d<1 investigaçiio assenta em <ioü principio.~ gerais: o da unidade indissociávt'I da merod1>lo,~i<l da í1westigaçtio com 11 mewdologia gaal e o da globali1ic11ie d<>pn>ce.~so de ft>rmaç1io ciemíflca. Amb<>s os princípios assemam na rel'fséfo dos ji1tuit1111e111os da criação cienlífica segundo 11111a óptica 101alizanre. O princípio da unidade da mrrodologia da invesrigaçiio com a merodologia geral afirma 11 depe11dência ramo 110 pomo de panida como 110 po1110 rle chegada da investigação em relação à ciência. c11q11111110 i11st{mcio teórico. míclco essencial que deten11i11a a co11ve11iência <los acros daq11ela (dcscriçilo, classificação, erc.) às leis !- As.ri Vcr.i, ~1~1cdol.a3tr: dt ln bn'é'Jrfgc:rldn, ~1adrid. cd. Cine:I. 1972: Armando F. 7.uhi:narrct:• (; .. f.a "'''nturo dtl rrnbajo /Jirtltcrual ( c.'OMO tsr11diar y como ün·ts· 1igarJ. Bogotá,. Fondo F.duc:1 ivt1 lntcramcric&no.. 1969 e Ângelo l>oming:os S3.lvaõor. u i'rlitrtdo:r e ticrstra..< d, P'<qu('fa hJbllngrdftro.. Clcbor(t(ii() t relorõrio de estudos citntlficos. l.• cd.. Pt1rlo Ah:SfC, l.iv. Sulina F.d.• 1971. s Armando f . Zubiu.rretl!: G.. op. ci1.. p. 'v11. 14 do pen.rnme11to. F.:.xprime a co11.rtan1e r1rc11<.'lf{Jf1Çtio de deft11ir a validade do. métc1dos de illvestlgaçllo. em rehição flOS press11pos1os ciemificos e.Ypedai'" gerais. O princf11io da 11lobalidade do proces.M d.i formação ciemíjica confirma a continuidade emrr o mérodo de en.1ifw e o método da investigação, po.tt11lw1do 1111w fom1açilo académica faseada lógico-cro11ologicame11te, de ftm11a a promover 110 est11dt1111e a.r indispen sáveis co1npe1fncit1. inrestiJ(ativas. Sobre este segundo princfpio. assumido na s11a fonrw crmcrera de relação da formaçü11 xeml com a especiali:ação, no seio da rota/idade do msino superior. .<t! dividem as opiniões. podendo di.r· ri11g11ir-se duas posições partic11larrs que se opõem. Para Armando Zubi:;arre1a. de1·e ser prfrilexiada a fomração geral, que abrange as formas 1radicionai.< de t!.<llldo (exame. apo111ame11ws). bem co11w as fomws actuai.• mai.• dfrusijicadas (resumo de livros, re.<e11ha crítica. conu111kadt1 científico. resumo de assumos, en.tafo) que implicam um 1rabal/10 flt!.<.wal. m<J.r .rob a óp1ica recapitulativa, deixn11do paro seg1111do plan11 a r..<pecialização. Es1e tipo de prio· ridade assenra na concepçüo dt! formação 1111iversi1ária progressim, em que se11do a me111fi11al o rrahalho mo11ográfico. não deixa de () m«diCitizar por metas mediaras. e.1 ·1a11do ele. preseme em formas nwnos <:omplexas desde o infcio até"º fim dafonnação. Ângelo Dami1111os Salvado•: pelo contrário, r11·ivifogifl a especialização reduzindo todas as formas mediml:.ad.is do trabfllho ciemíjico, atrás enwu:iadas, à dúplice cmegoria de estudos rempit11lativos e esru<ÚJS ori11i11ais. ac11mula11do-as 110 final dt1 ftm11aç1ià gemi e no decu:rso da espedalizaçt1o. Em resumo. à cvolnçllo da merodologia da i11vesti11.ação impôs a unidade da fom1açflo gemi com a e.fpecialiwçtlo, a sfmrse do saber estudar com o saber i11vestlg<11: t1dmi1i11do fâmmlas de dosemnento vário. f(J1jou, assinJ unJ 1ut•io - o ensino universitd1io , apto a /a:.er proxrculir (l ('ié11C"ia seni atrt1içoar a c:onser.1 ação e a tra11s1nissüo do ~·ahcr. Criada esta ba.YI! i11dispe11sdvel para o regultir de.wmvolvimento da ciêncitl, vejt.1n10,,• <:nu1o co1110 se organiza t1 actaal 11u!to1lologia da investig<.1çcio. 1 mewdologi<i da i11vcs1igaçilo estrulllra-se ern dois numumtos diferenciados e inturlepenrll'lltCs. O primeiro é o da desmberta da verdade. que agrupa wdm m ortos inrelec111ais illdispe11sá1·eis à fommlaçào e resoluçilo do pm/Jlema e.r111dado. enquamo o segundo 15
  8. 8. p d;z re,'JU!ito ii trwzsnJis.,·iio da verdade desc:1>ber1a. co1n 1odos os problemas que o .1i.stema da composição lrwmra. Ambos os mamemos implicam 11iio s6 operações cog11ilfra.s específicas. como desig11om 11111a ardem cro11ol6gica de abordagens que files garame a l'o/idode ciemifica. Dois sifo os comextos em que se desdobro o primeiro mo111e11to da im·esrigofâo - o conte.uo da desmberta e tJ <:011rr.xto do jusliftcaçào. O contexto da descoberta é o caminho t/Ue .rt' inic·ilz conl a forn1uÍllÇl1tJ cio prohlenza e se encerra coni a invcsli)(açcio das .roluçrit!.', Ahre-.e, ussinz., co1n a arte de pl)r proble1nu, , que requer u11z long" con vf,1 cont os objectos e ca111pó."leórico. da. di.w:iplinus i" que p1'lif-essa111os, pois ela é a irauiçclr> aclinuttadu no território dos 1111> de ver o semelfumre nas diferença.~. De.w:11v11lve·.ve dep11ü d1>s 111ravls dds várias operações que se re1íne111 .~ob u de,,·ignaçüo da In vestigação <ias soluções e que agrupan1 a l~ilura e a técnica de registo. A leitura. que dura11re muito rempo ha1·ia pasM1do despercebida. romou-se. com as investigaçôes recenres. o lugar privilegiada da investigação dos soluções. t evidente que se ela se e11co111ro 110 base da apreensão do marerial bibliagr6fico. exige, em ronsequê11cia, 111110 competência dil'ersijicada e apro/11ndada. e co11dicfrma todas as operaçôes imelecnrais ulteriores. Sem 1111111 leitura adf!q11ada " ril(orosa. não se e11con1rom reunidos os press11pos10s do regi.tftJ. que ca111i11ha para uma clorifica{:ilo e padronização indispensáveis à fomW:Ü11 de um dim11 d" objcctividade e seriedade i111elec111al 1111m pa{s de reduzida mulição cirnríjlca. ~.-. .fi110/111eme, reafüa-se como 11111 programa que rem c111110 limire 11 11erícia de formular problemas e a comeetêm:ia dt! 11<:1m11.tlt1r .wluçõ«s. resulrado de adequado e progressivo ade.•tranumto. t.IO nfv<d dos estudos .-ecapitularivos. que foi arravés de e.,tratt!l(itts l'ulrn!t11itJs e Judiciosm11e111e disrribuídas sobre o tempo da formaç1io 1<era/. reduziJido os fnctores da incerreza que pairavam sabre a co111rJTee1Lviio dos prol>f,,ma.s. a.s fon11os de ler e as 1éc11icas de 1Y!.~i.<t11r. Ruollúdos os dodos, impona apreciar a sua •·a/idade. E com i.vto e11rram11s 110 conre.rro dajusliftcação. que define doiJ ti1ms de tarefa.• op11.<1tJs. Há que ei•itor as falácias que se /atem r1u.,sar por e.rplic:a('lk• eis em q11e corrsisre a perseguição ao erro. E temos de apurur. da.<.lifirnr, justificar e promr os dados. os focttJs. as afirmações de /ai modo que os que forem retidos sejam aqueles que tlfl'avessararn fJOsi1i1:a1nente esu~.,·filtros lôM;ro•rcu:io11ais. Todas r sras capacidades fn1elecuu1is exige111 tuna longa uulfaraçtlo e zuna 16 fomwc·iio lógica e filosófica profu11d11 para permitir ao estudante di.rri11guir no tessitura do discurso da argumemoçâo 011de o nível do discurso polémico ar.aba paro dar lugar ao nfvel d1J di.srnrso lógico-cie111íftco. A expressão. segundo m1Jme1110 da metodologia dt1 itn·e.rtigação. é a esforço de síme.re dialécrica do ideia com os md"s da represe/Ilação. Foi Othon Moacyr Garcia quem i11.<i.<ti11 nesta caracrerí.rtica específica da tra11smissão da verrlade, chamando a are11ção para o facro de• o ai:<o de escrever não poder rr.c1/izur-.1e sem o concurso da (IC'IO de pensar. Essa intcl'liependêrtcia obriga a percorrer 11m longo caminho exto-base, ape1fciçoad11 aira vtfs das revisões. que, iniciado por um 1 termina m1111 texto defi11i1ivo onde a adcq1taç1io entre o comel.Ído e a forma se e11m11tram pelo menos ao nívi:I s"ri.<fatârio. E 111110 e outro designam um campo reórico de aborda,vc1u sobre os i11g.-edie111es fw1d11me11wis da exposição. Na 1·ertlade, o pmblemo essencial da reducção ciemfjico consiste em odeq11ar ao quadro. que rcsulra da unificação teórica da descoberta da verdade. 111110 expressão li11g11(s1/ca coereme que pem1iro tmn.1mi1ir a l'erriade de uma fnrma ímellgfloel. Importa primeirmnrme re.10/'er. 110 pla110 do peTLsamemo. a problema da mulriplícidade do" facros através duma ril(11rt>sa 1111ificaç{lo do conteúd", de tal .forma que as generolizaçcies t:ientíjicas s11bs111110111 w dados co11cret11s. Depois de criada a esrruwra de corue1ído. urge encon · trar af11mw coerellle e adequada mrre os várias meios de exr>ressào velo deter111i11ação do âmbito semânrico da palavra e pi!la respec1;v11 .tthordinação à 111011os.. ,·enric1. Na ancruUJhada do enconf1v da palavra co111 a ide}(l ,su114e e c:inienfa·se a unidade expressivo da linguagem cie11tíjica. Unidade que re1111la a f1111ção do seu <<S(J. determina as suas COl'llCfcrf.,ricas gerais. em1belece a co11dição i11dispe11sável do seu exercício. A li11gt<agem cientfjica é ilifor111ativa. pois" seu uso desr;n(l·fl ll tra11.,·1nitir a ver- dade. Por forço desse uso ela deve romar-se objectfradu. 1uecisa e desa111big11i:ada: pre/cri11do o semido denotarfr<J. dei·e derer111i11á-lo 110 {lmbito da exten.ràt> e da compru11sãtJ. A cloreto é a condição da sua existência. pois permire traduzir a complexidade das relaçôes causais 1111s seus diversos 11ívris. A li11g11age111 cienrfjica. em suma. te11do rwr obJecra a verdade i11teli,~frel. de"e criar os 1necanis 11los e di.';posi1ivos lillgísricos "''fJ1.1:.~s de tra11s111itir com " má.ti11w inteligibilidade. 17
  9. 9. p f'art1 realí~ar os objectivos atrá., descriros. " rodt1cção ciemífica pos.lli 11111 sistema de composição que abrange trl?s campos dis· rimos e de progressiva ccmplexific.ação: o da co11srelaçtio dm ideias, o do es1r11r11raçào das sequê11cias e o do estilo ciem(jico. O campo da co1is1elação das ideias define as operações 1e11de11tes à de1ermitração dn se11tido d.as palavras em ..; c 110 co111ex10 em que .vão 11sadas e à i11serção da palavra em 1111idadc.< ling11ís1icas mais va.,1as. Implica o de.wmvolvime1110 da capacidade n11a/í1ica a1ravés da e.w·olha da palavra aprop17ada para o conceilo objectivo, obriga11d11 11 111110 cons1ame depuração das palavras prove11iemes de '1orlz1Mte.< vocab111<1res diferentes (dtm fe o léxico comum. aré a.o léxico cie111ífi1:0 especializado) a.fim de a decanrar dt1 ambiguidade e1n que 11111 u,'O hnpróprio a envolveu. llé111 dlsstJ, o processo d.(J i11serçdo da pt1lavm em unidades c:o1110 <•frase 011 o parâ11ra,fo exige c1peraçlles a1111lí1ic:as e siméiicas hastallfe desenvolvidas para. sem comprometer o seu semido denotalivo iniclalmeme isolado fora do co111exro. a lómar um veículo apto ti cxpresstlo da.< cli.-age11s do 11en.Yllttre1110 quer 11a.'í suas ideias es.renciais, prinCifJàis e .'ecundária.'" quer 11as relaçães de sucessão, pamlelismo e oposição adentro dn desenvolvime11w de cada parágraffl. /11te~.<S(I realçar. par1iculam1e111e. a imporui11c:ia do (Jllrágrafo como unidtule sig11ijica1iva de expressão e lan('tlr as fi11flas gerais da sua definição. Oe acordo com Ot/1011 Moacyr Garcia. «O pará11.rafo é uma 1111idadc de composiçã" co11srituída por 11m cm mais de um perfodo, em que se desenvoh-e ou se e~plana deten11i11ada ideia centml, a q11e geralmente se agregam outras. secundál'i3.~ mas i11rimamente •ldac:io11adc1 pelo .re11tido»7• Toma-se, pois. afomw de expressão de s unu.1 capacidalle exct~pcio1u1L para cingir un1t1 ideia nu u111- raciocfniD a uma 1111idade facilme11te a11alisável. ·A s11a comrmsiçcio admite. via de rcxra, rrês parles: 11m tópico frusu/, cm que se e.<pressa a ideia olvim1mto 110 qual se desdobram e esp1,cifica111 as geral; 11111 dest•m• idei"" emmciadas: e uma ccmclusãoem que se reafirma" se11tido geral. Por sua ve.:. o cam(HJ da estruturação das stquência.'í co1npona as 11orma.r 11erais que pennitem tanto orrlc11ar as ideia.• /011gimdi11almente n11111 esquema quer geral, quer parric11/ar (u l'Dpímlo), seg11/11do o dispositivo orie1uador dos 111garr.r esrraiégk1Js do 1ex10 ti111rod11çtio, desmvo/vimenJo e co11c/11.tã1J), t:()mo regular as rela"Othon rvfnllc.'yr Gar.:!a. Cttm!uilraçiio em proNu m11dttn1n. A,F1re~11drr a es<:r(n•er. apt41'1dtndu u 1n:ru·ar, '1.1 cd .. füo d: Janeiro. Fundaç5o Ctltllio Vtar.=::ts, 1962. p. t85. 18 ções em re as ideias verriccilmente, de ma11eira a rornar 110 espaço disc11rsi~o reco11flecíveis os cm1 1eâdos se111tl111/cos e o seu 1ipo de relacio11is1110. Por um lad1J, o desdobrar das ideias 110 desenvolvimemo obedeci! a regras associativas. oposirivas 011 .ti/(Jgíslica.<. co11fom1e as opçiíe" co11sen1idas pelo plano escolhido e peln assumo a expor. d~tcnninandt>, enz co11sequêJ1cia~ a estratégia da escrita a seguir na ~flrurura particular que é o cap(11tfo. devendo em ambos os casos procurar i11cansavel111eme a diversidade de frlrm11/as. Por 01111'0 /(Ido. o disc11rso científico exige. pnra ""segurar fl .wa clareza. espec(fif:a, q11e a.r redes nocionais em que ele se co11.111/ma11cia asse111e111 "'" relt1çõe.1 causa.is. clarame111e pre.ws ti ideias e facros. de forma 11 reduzir ao mí11imo o carâcler pe1r11t/rix(I/ de que se reveste a 1ra11s111i.wio do con/Jecimelllo cie111ífic:u, devido à /1ifilrração i11si· dl0$11 rio sen1ido conotativo nos seu$ enunc:iud1 >s. O 1wilo ciem fjico ocupa .finalme11tl! ª· t!XJlerlências da expres' sivfr/1.1de em ordem a co11jel7r-lhe um cunho e.tJ!ecial. O campo de fundo em que se deve mover é o c:ognoscitivo. pois em 11e11h11ma d1JS sulu combinações das fom1as parlirnlcires da expressi'/o pode com· prometer o objectil'o essencial da linguagem cient(jicfl. Há assim um e.r1ilo académico, um cstillJ fi/1Js6fico. que ndo poderá infringir as fromeiras que a rradiçã(J das ciências e o bom senso dctcn11ilram. E com isro pflssamos aos dispositil'os semióticos q11c pennitem, JIOr uma acertada dosagem, reforçar a eficácia da comzmic:ução, ciem(fica. Emre os imimems c6digos a que se pode recorrer, nas ·de diversificadas rea/izaçtíes do disc11rso ciem(fico (1Jr.1 "discurso he11rfs1ico aré ao discu.rs" da vulgarização), 1111 dc1is tifl"· de côdi' 80S ,1 nonear as possibilidades de opções: o li11g1d.vtiç" e " icánico. Neste i11c/11e111-se todos os esquemas e i/11s11·oçlks q1w, reforçando a clare~a d<>s textos. cr111111ro111ete111 por vezes (1 stmtid1J de rigor. De mais vasra w i/ize1ção süo os códi8os /i111;111fs1ic1Js <111e permirem expressar. nas J(irmas de análise. símese. cirapi.,s. mlWS de rodapé. ele., 1od11s as ideias que uma co111u11icaçã11 ciett1tfica comporta. Oro todfl.< as fJfJeraçôes imelecniais que udma descrevemos repre· .<mtom <> /imi1e d11 formação 1miversitárit1. Para 111i11gir o grau de t:ompe1h1cia que elas pressupõem. adenuo da ctmcepçlio acrual da metodologia da im•e.<tigação. a fom1açiio geral u11il·ersitária deve17a ser ft1snJ1la de 1al modo que a prática da e.w:rita Mia se i11screwsse en1 toda,,· as suas forntlls (análise. rc.,·urn(I. .fnlt.fe, co111enrário. tlis· sertaçcio, eu·.. ) para apetrec:lzar o es111da111e com as 1éc11il:as de cxpre.vsão escrita mais imp11r1w1res. 19
  10. 10. O discurso científico. por isso. exprime a lma pela e.rpre.t.vão coereme e adequada da verdade lmelfgivel, 1 e11dê11cio l'irtual dn enr:outro da palavra com a ideia. na encruzillzada do rigor. Aclaradas as /Iniras de f orça da ac1110/ metodologia d<! im·esrigação pela com>ergt.11da da d1íplit;(' óptica evolutiva e s/s1e111â1ica em que foram esquemaricamente 1r111adas. imrmrta indagar qual é o lugar que 11 preseme obra de Umbcrto Eco vem ocupai: E1nbora elaborada 11u1n cont~xto n1uiro concreto t! visando dar resposta à necrssidade de fonnação de professore.< nu /ráfia do pós-guerra. e.<.<u obra seve o mérito dl! se romar o manual dos modos de operar du i11ve.<tigação. sis1e111a1izando-os e clarificw1do-os nas suas formas f undm111mrais. Essa inovaç,io poderá verificar-se em especial 110 que tocll à técnica de registo e, cm menor grau. lt•va1 1samefl/o bihli1111ráftco. pelo que nos li111itar(~1nos "º a co1r1entar alg11n1as das sutil' t.·arllcterís- ticas que se de.<linum a orie111ar os leitol"l!s da obra. Na abordagem do le.vamame1110 bi/Jliográ.fico usa-se u c.<tratégia de expor pri1neirtJ Jeor;cmnenre o as.un10, para depoi.ç o exc1nplificar prarica1 ne111e, a fi111 de ensinar aa.t es1u1ín11tes co11u> se 11sa111, com eftcâciCI, os documentos impressos. Numa primeira pane (pp. 69-100) esclarecem-se as ru>Ç6es fi111dm11emais da hihliorecono111lo (como se orgw1ú:J1 efimciona a bihliote,·ll) e da bibliol{mfia (a descriçüo e classificação dos livros e do.v impressos), para. em seg11ida. en.ri1111r como se elabora 111110 bibliografia. 111iliu111do 1111111 tempa mínimo esse meio e e.<us dom11U?mos; e11q11u1110 11a segunda pane (pp. 1000 • 124). se n!lm1m o problema com:re1 da elaborllção de 11ma biblio11rafia sobre o «1 :011cci10 de me1âfor1111t1tratadfsticu hunvca iraliona» na biblioteca de Alexandria para lll{JStrar todos os pas~·os concre tm n dar quando .ve tem de elalJOrar 11111 rraba/lw deste gh1ero. O encadeamemo lúgico das ran!fm, a exemplaridade dos proces.tos# a racio11all;ação dos 1e.111pos 1orna111, de facto. o lei~a111a111e1110 bibliográfico. descrim pelo autor. uma prática i11vestigutfra a seg11ir por todos os que as1Jiram a reunir com .1·eg11ra11ça e obj"f'rividade (mer:le-.w: no papel do w ntmlo cruzado du bibliografia), (JS mmeriais para rc~·0Jvert1111 os proble111as que se propõe111 estudar. Q11a1110 à 1éc11ica de registo, a obr(I em llpreço não Stí rMlça a 11ecessidade dt• disciplimir " trabalho da i1111c.ftigação como wmhém propõe uma ripologia de fidwgem operat6ria e efica;:, Díscipli11a que se materiuli::a na 1mificaçãt1 tio processo gemi du co11fecçâo dm fichas. que exige um adestromento na recolha das ideias, pelo 20 desmvofrime1110 da a11álise. do resumo e da símese. mas que se completa pela dil'ersijicação dos tipos de fichas (fichas de leimra. fie/tas temáticas. fie/tas de au101 .fichas de ciração, fichas de tra; balho). que permitem ci11gir de mais peno a pluridime.11sicmt1lidadc ens que se expressa ll docu111entaç11o. /·.' t:111hora todos 1~slt!,' ret:ur~ sos técnicos venlwm aemplific:ado.<. privile11ia·se um deles, a ficha de leitura que prrremle ser umu e"ptiâe de registu global. no qual se fundem as témkas analílic:a.v c1111uicana.v - ficha hiblitJgráfica, ficha de resu1no «fie/ta de cilaçÜ'1 - . c"n1 as lécnicus europeias rradicionais, c111 particular - o uponru1nen10. Essa técnit.:a teria uma dupla fma/idatle de controlar as microleituras através da sua instfrç'1o na 11uu:roleitura,funciana1tdo, c1.tsi111, co1no critério de veri.jkarüo d11., dados rect>lhidos q11an10 aos conrextos de que foram isolados, mus mio privlldos. Adverte. desta ma11eira. o amor para os perigos da mitol11gia da ficha, chamando a 01e11ção. sobretudo ao nfrel da ju>tifkação e da expreSS<iO. (Jaro os limi1es do seu uso e as miragens a q11e pode dar origem. Partindo dtls preocupações da ac111al metodologia da i11vestigaçüo, as soluçõe.<positivas de Eco, ao 11frt'I do regisro. prolo11gam a eficâcia das aré emi1o usadas e supera111·11as 11a operatorietladc. pois embortl elas 1e11ham. há m11ilo. emrevisto aquelas fonnas ccmcreras. jamais file deram corpo real com mma l11cide~ e igual rC1cío11alidadc. Settdo assim. podemos co11cl11ir que a acrual metodolo11ia du i11vesrigação. co11sagra11do a 1111idade do saber im·estigllr wm " saber es111dar. promove a u11ifonni~ação das técnica.< de trabalho de molde a desimpedir o caminho da criação cicmt(fica da pesada hera1iça que o i111uicionisnio e a inrpr()visução ilupuseranr à prúticu cient(fica porrug11esa. Mas para que f!S>'<'·' caminhos já1tifique111, é in1perioso rej'om1ular as condições objecti"·as e os nleio.,· insti1ucionois que enquadroni a produçiío científica. sem o que pn>lt>ngare1nos a utopia da rf'novação da 1'iJu nun1 etreino cuda1·eroso•. A presemr rtlição foi atenramente revi.tia sobretudo 110 que n!Speita oo vacal>ulário técnico da c.vpecialidade e à di.lpo.tiçi1o das vozes (pr;111cira pessoa do .~inMular e prin1eira e segunda pessoas do plural) n<I inwl'ior do texto, a fim cfo /Ire conferir o i11dispe11sável rigor e 11:stit11ir a caracleriz.uçiío sintâc1ica origfnal. Além disso, j11111m1-se-lhe uma bibliografia selectiva que visa prolongar a utilidade e eficácia do próprio rexro. Hamilton Costa 21
  11. 11. p I NTRODUÇÃO 1. Ho/lve 111 mpo em q11e a 1111il,ersidade era uma 1111iversidade de esG·o/. A da só tiniram acesso os filhos dos diplomados. Salvo raras excepç(Je.r, q111•m estmlava tinha rodo o rempo à sua disposição. A imi· versidtule t:ra concebida para ser frequemada rra11q11ilame111e. resr.nr cmdo 11111 «ertfJ tempo para o esrudo e outro para os «sãos» diverrime11w.< golianles.:11.• n11 1mra ac1b•idade em organisnws represmwtivo.<. As li1:cie.t eram conferências prestigiosas: def1(Jis. <J< est11dantes nu1is i111cre.t.tadt>s re1iravan•-se co11i os profe.ssorrf e assistentes e1n longos .te11rinários de dez 011 quú1::.e pessQ(lS no n1á.xiu1<>. Ainda hnje, ent 1nui1as 1oliversidades an1e1'icanos. 11n2 l.'urso nunca 11/trapas.ta ns de: ou vime e.smdames (que pagmn bem can> e têm o direim de «usar» o professor taJUo q11tmt1J 11uiserem 11ara discurir Cf)lll ele). Numa universidade como Ux.fonl. irlÍ 11111 wofe.ttor orien· ICtdf)r. que se ocupa da tese de investigação de 11111 grnpo reduzi· df.tsimo de e.mtdames (pode suceder qu" t11ulta a seu ct1rgo apenas 11111 011 dois por ano) e acompa11ha diariamente o seu trab,1/ho. Se a si11111ção act11al em Itália foss e s1<meffw111e, n<lo haveria necessidade dt• escrever esre livro - llinda que alg1111s conselhos nele expressos pudessem servir também ao e.ttudante "ideal• arrás sugerido. Mas a 1111frersidade iralia11a é h11je uma univtrsidade de mas· sas. A ela c/1egam esrud(llues de toda.<ª·" c/a.f.ttS, pro1·enie11tes de todos os tipos de escola secundária. podendo mesmo inscrever-se em filosofia ou em literatura.< clá.ssícas vindos de um i11sritu10 técnico onde 111111ca tiveram grego nem /01im. E se é verdade que o lati,n dr pout:o .·en'e flª'ª 1nui1os tipos de act1:l1 idadc. tf <fc grande mi/idade r1ara quem fi~er filosofia ou 1t·11·as. __, ?''
  12. 12. p Certos cursos rêm milhares de inscritos. Oesres. o professor co11/iece. mtdlwr ""pior, uma tri11te11a que t1compw1ha ns aulas com maior frequé11cia e, t:flm a ajuda dos seus colobort1tloms (bolseiros. C'o11rr11tados. agregado.< ao profe.<sorado). consegue fa:cr 1rabalhar cn1n 1una ~erra a.ssiduidade u111a t:entena. Entre e.tt~s. há 111uitos que crt!.,·c·eran1 n111na fanu?ia abastada e culta. e111 co111ac1n t:()Jll 1nn a11rhil'111r culrura( 1ivo. que pade111 pr.nnit;r.se ''iagen.· de e.vtudo. 1 1tio 1 "º·''ft:."tivnis a17ísricos e teatrai.,· e visit<un pafses estrangeiros. Dep11i.v há os outros. Es1uda11tes que provavelmente traballwm e passmn todo o dia 110 registo civil de uma pequena cidade de dez mil /1abltcmtes onde só existem papelaria.<. Hst11da111es que, desiludidos da universidar escolheram a O<'tividad« polfrica e pretenk, dem Orttro 1ipo de f ormaç<1o. mas que. mui.v wrde 011 mais ceda, tcrl1o de sul>nieter-se à obrigação da tese. E.1111d1mres muito pobres que. rendo de escollwr um exame. calculam o pTl')O dos 11ários 1extos obrigarórios e di;.em que «este é um e.tc1me de do:e mil liras», opumdo emre dois opcionais por aquele que CtLW mc'IOS. E:smdames que por •·ezes 'ém à aula e têm dificuldade t'm enromrar 11111 lugar muna .wla apinhada: e no fim queriam falar com 11 professor. mas fiá uma fil" de trima pessoas e têm de ir apa11/iar" c11mboio. pois não pm/em ficar 1111111 horel. Est1ula111cs a quem nunca 11i11xuém disse como pn>curar 11m li1ro na biblimeca e em que bib/iateca: frcquen ren1e111e 11en1 sequer sabenl que poderia111 enconrrar e.t.~e., livros na biblioteca da L'idade on.de vive111 'Ju ignora1n co1no se arrwrja u111 carrilo para. e111présthno. Os co11sel111>s de.ri« livro se111 partir:11/arme111e parcl estes. S<ió em wmbé.111 IÍteis para o e.vtudame da escola .vec1111dária que se prepara (JtJJ'ft (1 1olivc•rsidade e tfuer co1npreeruler c:o1nt1 .f'i.01cio11a a alqui111 io du //!se. A UJdos eles a obra pretmde sugerir pelo menos duas coisas: - Pode fazer-se uma tese digna mesmo que .ve e.vwja numa siwaÇ<io diftril, co11seq11ência de discriminaçõt.r remmas 011 recemes; - Pode t1proveitar-se a ocusião da tese (mesmo ~·e o resro do ctirso 1111i1'r.rsitário foi decept:ionante 01t/n1.Ttra11te) pora recupe- rar o untido posi1fro e proxressivo do estudo, nãa emmdido como reco/Jui de noções, mas como elal>oraçáo crítir.n de uma e.xperiéncia, como aquisição de uma comperh1cia (boa para a vida ji1111ra) para idc11ri.ficar 0.1 pmblnnns. e11cará-/11s com 1n~to1lo e e.:rpõ-!os 24 segundo cer1as 1dcnil·t1 de co111tu1ica<:tio. s 2. Diw i.tU>, esclarece-se que a obra não prewule •.<plimr 11como se fu: in.ltStigação científic<l» nenz constitui 1111ra cli."'t.'U.'.'ÜO 1eórico-crf1ica sobre o valor do estudo. '/'rata-se apenas de uma série de c0t1siderações sobre como conseguir t1(Jre.remar a wn j1íri um o/Jjecro ffsico. prescrito pela lei. e com(J<WO de um ceno mímero de 1x1g/11as dactilografadas. que se .mpõe ter q11alq11er relação com a disciplina da licenciatura e que mio mergulhe o oriemador 1111111 e.fiado de dolorosa estupefacção. É clara que o livro mio poderá dizer-1•os o q11e devem escrever 110 tese. Isso é rarrfa vo.vsa. Ele dir-vos-á: (1) o que se e111end« por tese: (2) como "sm/Jwr o 1e111a e orga11izar o tempo de rrn/Jallzo; (3) como condu~ir uma investigação biblíográjica; (4) como or11anizar o 111c1fl•ri(l/ .1·elect:i1mt1do: (5 ) como disporfisica111c11w a rcdtu:ção do rraballw. r; a parte mais precisa é jusrameme a 1ílrimll, que pode p11recer a nllmos importa111e. porque é a rí11ica para " qual e:cisrent regras b11stante precisas. 3. O ripo de tese " que se faz referê11cia 11esre lil'l'V é " que .re efec1110 nm fal'llldade.r de estudos J111111a11(sricos. Ot1dt1 que a minha experiii111'Ía .ve relacio11a com as faculdades tfe letra.< e filasojia. é natuml que a maior pane dos e.xemplos se refira a temas que se esrudam naquelas famldodes. Todavia. demro do.• limites que este · livro u pmruie, os crirérios que aconsellzo <J<Íapram-.1e igualmRnte à.< tl!.ve.1· 1wr111ais de ciências politicas. magistério (*) e jurisprudenc ia. Se .te tratar de teses históricas cm de reoria geral. e 11ão e.~peri111e11wis e aplicadas. o modelo devatl servir igmllmeme pam urquitecll4fa, economia. comérçio e para algrmw.v ft1c11ldt1des cientlfictis. lvfds uesres casos é necessário algcuna prudfncia. 4. Quando este livro for a imprimir. esltlrá em dlscussifo a refonna 1111iversírtfria (**). E filia-se de dois"" tr2s 11fvels de graduação 1111iversitdria. Podemos perguntar-110.r se esrq_ reforma alterará radi· calmeme o próprio conceito de tese. Ora. se ti'em1os vários níveis de rftulo unfrersirdrio e se o modelt1 for o 1111/i:ado na maioria do.< paí.ve> estrangeiros. verificar-se-á (•) Exine em hãli:t a fxcoJd!de du liagL,tt:rio que confere um titulo unhrcr~dtário em letras. pedagogia o u lin~uas l!.stnutgcir:u; p:trtt o 1:nsino nas cscnl~s mfdi3.I. (N1) (••) tJcm cn1cndirtn, n uulor :n::f<=rr:.-.s~ ~edição ita.llant. (N'/ J 25
  13. 13. p 11111a situação seme/Jumle à descrita 110 primeiro capfrulo (!. ]). lsw i, 11•remos uses de licencia11trt1 (011 de primeiro nível) •' teses de doutoramemo (ou de segundo nfvel). 0.f conselhos que damos neste livro dizem respei10 a ambas e, no caso de e"'°srirem diferenças emre uma t! tJutra, elas serão clarificada.f. Desre mtJdtJ, pelLl'amos que nulo o que se di: páxinas que se seg1w11 se aplica ixuabnente 110 âmbito da reforma e, .vo/muudo, no {imb/10 de uma lonxa transição para a co11cre1ir,ação d" uma eve11rual r~for11111. "ª" .5. Cesm·e Segre leu o texto dactilograji1do e dc't1 ·111e alxumas su}(estões. Dado que 101nei tnuitas e1n consideraçt}o, 11u~s, relalilla~ 1nentc a ourras. obstinei-nu! nas 11Jinlras posições, ele não é res· ponsável pelo prodttto fint1I. Evidemememe. agradeço-lhe de todo " <:()ração. 6. Uma 1í/1ima adl'enência. O discurso que se segue diz obviamente re.vpeito a esnidames de ambo.• "·' saos (studenti e stude ntesse) (*). bem como a professores e u pmfessoras. Dado que na lfngua italiana não existem expressões neutras vã/idas para ambos os sexos (os aniericanqs urilil.llln cada vez 111ais (} r~nno «person», mas seria ridéculo di~er •a pessoa estudante• (la pcrsona srudente) 011 a • pessoa candidata> (la persona candidata), limito·me. a falar sempre de estudante, candidato, professor e orientador, .vem q1te este 8ft111u1tfr:al encerre un1 disc:rilninação se.ti.ttu 1• a ""'º (•) ~·Jdenterne ntc: , a ressalva ~o é 'álida cm ronucuts PU3 o tenno <11,C<;;IUd.Jtnte•. que é uni $Ubst.antivo comum de dois ~éncrno:. (/1l 1'J 1 Poderão ptrgunll!:r-me por que ntotjvo não utili1.ci ~c mprc a tstudanrt·. a prnÍ«'"""º' c1c. A iexpJicaçiiu ít''>idc: no facto de teJ' tr:a.bulho.1do n:;i hao:c de recordaçõc:;.'i e cxptriênc:iAs pessoais. tenJo-mi:. as~ím jdcntitic-ado 1ntlho1. 26 t O QUE É UMA TESE E PARA QUE SERVE I.1. Por que se deve fazer uma tese e o que é? Uma icse é um trabalho dactilografado. de sr:mdcta média, variável entre a~ cem e aç quatrocentas páginas, em que o estudante traia um problema respeitante à área de estudos em que •e quer formar. Segundo a lei italiana, e la é indispensável. Após ter terminado todos os examc.ç obrigatórios, o e studante apresenta a tese perante um júri que ouve a infonnação do orientador (o profes.~or com quem «se faz,, a tc.•e) e do ou dos arguentes. us quais levantam ohje.:ções ao candidato; daí na•ce uma discussão na qual tomam parte o~ outros membros do júri. Das palavras dos dois arguente.•, que abonam sobre a qualidade (ou os defeitos) do trabalho escrito, e capacidade que o candidato demonstra na defesa das opiniões expressa• por escrito, nasce o pare.cer do j úri. Calculando ainda a média geral das notas obtidas nos exames. o j úri atribui uma nota à te~e. que pode ir dum mínimo de sessenta e seis :né um máximo de cento e dez. louvor e menç!lo honrosa. Esta é pe lo me nos a regra seguida na quase totalidade das faculdades de estudos humanísticos. Uma vez descritas as características «externas• do texto e o ritual em que se insere. não se disse ainda muito sobre a natureza da tese. Em primeiro lugar, por que motivo as universidades italianas exigem. comu condição de licenciatura. uma tese'! Repare-se que este critério não é seguido na maior parte das univcn.id11dC1> cstnlngcira.~. !algumas existem vários níveis de grau~ académico~ que podem ser obtidos sem tese; noutms existe um primeiro nível, corrt.spondente grosso modo ~ nossa licenciatura. que não dá direito ao titulo de «doutor» e que p()dc ser ohtido quer com 27
  14. 14. p a simples série de exames. quer com um trabalho escrito de pn:tcnsõcs mais modestas; noutrus existem diversos níveis de doutoramento que exigem trabalhoo de difon:nteeomplexidade ... Porém. geralmente, a 1csc propriamente dita é n:scrvuda a uma espl-cie de superlicenciatura, o dourorame1110, ao qual se propõem apenas aqueles que querem aperfeiçoar-se e espccialiwr-se como invcstigudores cientíC ficos. E$L tipo de doutoramemo tem vários nomes, rnas indicá-lo·emos daqui cm diante por uma sigla anglo-sax.Snic::i de uso quase internacional, PhD (que s ignifica Philosophy Dt1<:/(11 Doutor em ; Filosofia, mas que designa todos os tipos de doutores cm matérias humanísticas, desde o sociólogo até ao professor de grego; nas matérias não humanísticas são utilizada.' outras siglas, como. 1>0r exemplo. MD, Medicine Doctor). l'or sua vez. ao Ph 1) contrapõe-se algo muito afim à no•sa !ieeodatura e que indicaremos doravame por licenciatura. 1 licenciatur~ nas .suus várias forrna.'!i, destina-se ao exercício da profi ssão; pelo contrário, o l'hD destina-se il actividade académica, o que quer dizer que quem obtém um PhD se~ue quase sempre a carreira universitária. Nas unh·ersidades desle tipo, a tese é sempn: de PhD, tese de doutoramento, e constirui um trabalho origi11al de investigação, com o qual o candidato deve demonstrar ser um estudioso capaz de fa?.cr progredir a disciplina a que se dedica. E efectivamcote não se fv_ como a nossa 1cse de licenciatura, aos vinte e dois anos. mas numa idade mais avan~ai.Ja. por vezes mesmo aos quarenta ou cinquenta anos (ainda que. obviamente haja PhD muito jove11s). Porquê tanto tempo'! Porque se lrntu precisamente de investigação original, em que é necessáJ'io saber com segurança aquilo que disscr11m sobre o mesmo assumo outros estudiosos, mas em que é preciso sobretudo «descobrir» qualque r coisa que os outros ainda 11ão tenham dito. Quando 'e fala de «descobcna», especialmente no domínio dos estudos humanísticos, não C.'taroos a pensarem inventos revolucionários como a dcscobena da di•i~ào do átomo, a teoria da relatividade ou um medicamento que cure o cancro: podem ser descoben.a~ modestas. sendo também considerado um resultado «científico~ um novo modo de le.r e compreender um texto cláss ico. a caracterii.açilo de um manuscrito que lança um1l nova luz sohrc a biografia de um autor. unia reorganização e umu releitura de c~ludos anceriores conducentes ao amadurecimento e sistematizaçfü) das ideias que se encomravam dispersas noutros textos. Em todo o caso. o estudioso 28 deve produúr um trabalho que. em teoria. os outros esrudiosos do ramo não deveriam ignorar. porque diz algo de novo (cf. U.6.1.). A tese à italiana será do mesmo lipo'r !ão necessariamente. Efectivamente. dado que na maior pane dos casos é elaborada entre os vinte e dois e os vinte e quatro anos, enquamo <iimla se fazem o~ exames universil{uios. nfio pode rcprescoliir a conclusão tlé um longo e retlectido trabalho, a provu de um amadurccirncn10 cornpkto. No entanto. sucede que b(t teses de licenciatura (feitas pnr escudantes particularmente dotudos) que sã() verdadeira.• teses de PhD e outras que não alingcm esse nível. Nem a universidade o pretende a todo o custo: pode haver uma boa tese que não seja tese de investiga~âo. mas tese de compilação. Numa tese de <..-Ompi lação. o csrudame demonstra simplesmente ter examinado criticarnentc a maior pane da «literatura» existente (ou sej a. os lrabalhos puhlicados sobre o. a.%unto) e ter sido capaz de expô-la de motlo claro, procurando relacionar os váJ'ios pontos de vista. < .•ícrcccndo as!;ifn un1a inteligente panorân1ica, provaveln1ente úti l tk1 pnnL de vista informativo mesmo para um especialista do n ramo, que, sobre aquele pl'oble ma pai1icular, jamais tenha efectuado estudos aprofundados. Eis, pois. uma primeira advenência: pode fazer-se 111110 rese de compilação 011 uma rese de l111•es1ignção: uma tese de ..ucenciatura» ou uma tese de «PhD•. Uma tese de investigação é sempre mais longa. fa1igan1e e absorvente; uma tese de compilação pode igualmente ser Jungu e fatigante (existem trabalhos de compilação que levaram uno:. e anos) mas, geralmente, pode ser feita em menos tempo e com menor risco. Também não se pretende dizer que quem fu:i; uma tese de cnrnpilação tenha fechado o c<iminho da investig<ição: a compilaçáo f><)de constiruir um acto de seriedade por parte do jovem in•Cstigador que. antes de começar propriamente a invcsligação. prclcndc c<clarecer ali;umas ideias documentando-se bem. Em contrapartida, elÚstcm tese> que pretendem ~r de investigação e que. pelo <.."<Jnlnírio. siío feitas à pressa; são más teses que irri tam quem as lê e <JUC de mOd(l nenhum servem quem as fez. Assim, a escolba cnlrc tese de compilaç.ão e tese de investigação csttí ligada ii maturic~idc e à capacidade de trabalho do candidato. Mufüis vczc.< - infeli1.111cnle- está também ligada a fac1ores ccon<nnicos, uma vez que um esrudaníe-trabalhador terá com certeza menos tempo, menos energia e frequentemente menos dinheiro 29
  15. 15. para se dedicar u longas investigações (que muitas vezes implicam a aquisiçilv de livros ruros e dispendiosos, viagens a centros ou biblioteca.~ estrangeiros e assim por diante). Infelizmente, não podemos dur neste livro consel hos de ordem económica. Até há pouco tempo. no mundo inteiro. investigar era privilégio dos estudantes ricos. Também não se pode dizer que hoje em dia a simples existência de bolsas de estudo, bolsas de viagem e subsídios para estadia.~ cm universidades estrangeiras resolva a questão a contento de todos. O ideal é o de uma sociedade mais justa em que estudar seja um trabalho pago pelo Estado. em que seja pago <1uem quer que tenha uma verdadcirJ vocação para o esrudo e cm que não seja ne<:essário ter a todo o custo o «canudo» para conseguir emprego. obter uma promoção ou passar à freme dos outros num concurso. Ma~ o ensino superior italiano, e a sociedade que ele reflecte, é por agora aquilo que é: só nos resta fazer votoS pum que os esrudames de todas ~ classes possam frequencá-lo sem se sujeitarem a sacrifícios angustiantes. e passar a explicar de quantas maneiras se pode fazer wna tese digm1. calculando o tempo e as energias disponíveis e também a voca~iio de cada um. (.2. A quem interessa este lino Nestas condições, devemos pensar que hií muitos estudames obria foier uma tese, para poderem licenciar-se à pressa e alcançar provavelmente o estatuto que tinham cm vista quanto se inscreveram na universidade. Alguns deste$ estudantes chegam a ter quarema anos. Estes pretenderão, pois, ins truções sobre como fa7.c r uma tese num mês. de modo a poderem Ler uma nora qualquer e deixar a universidade. Devemos dizer sem rcbuço que este livro não é para eles. Se estas silo us suas necessidades, se são vítimas de uma legislação paradoxal que os obriga a diplC>rnar-se para resol''er dolorosas questões económicas. é preferível optarem por uma das seguintes vias: ( 1) investir um momante ra7.o:íveJ para encomendar a tese a alguém; (2) copiar uma tese já feita alguns anos ante;. noutrn universidade (nuo convém copiar uma obra já publicada mesmo numa língua estrangeira. dado que o docente, se estiver minimamente informado. já deverá saber da sua existência: mas copiar em Milão umu tese feita na Catânia oferece razoáveis poslfUdos 30 sibi lidades de êxito: nmun1Jmcn1 é necessário infomiar-sc primeiro c. se o orienludor <l.u 1csc. unlcs di.: ensinar crn Mi lãn, não terá cn~i na.do na Catânia; e. por isso mesmo, copiar uma tese implica um inteli - gente trabalho de investigação). Evidentemente, os dois conselhos que acabámos de dar são ilegais. Seria o mesmo que dizer •se te apresentares ferido no posto de socorros e o médico não quiser examinar-te, aponta-lhe uma faca à garganl.3». Em ambos os casos, trata-se de ac1os de desespero. O nosso conselho foi dado a título paradoxal, para reforçar o facto de este livro não pretender resolver graves problemas de estrutura social e de ordenamento jurídico exis1eme. Este livro dirige-se. ponamo. àqueles que (mesmo sem serem milionários nem terem à sua disposição dez anos para se diplomarem após terem viajado por todo o mundo) têm uma razoável possibilidade de dedicar alguma~ horas por dia ao esrudo e querem preparar uma tese que lhes d! também uma cena satisfação intelectmú e lhes sirva depois da licenciatura. E que, ponanto, fixados os limites, mesmo modestos. do seu projecto, queiram fazer um trabalho sério. Até uma recolha de cromos pode fozer-se de um modo sério: basta fixar o tema da recolha. os critérios de catalogação e os limites históricos da recolha. Se se decide não remonLar além de 1960, óptimo, porque desde 1960 uté hoje existem todos os cromos. Haverá sempre uma diferença entre esla recolha e o Muse11 do Louvre, rna.~ é preferível. em vei. de um museu p1.1uco séri o. fazc.r uma recolha séria de cromos de jogadores de futcbc>I de 1960 a 1970. Este critério é igualmen1 vúliclo para uma tese ele licenciatura. e J.3. De que modo uma te.se serve também para depois da licentiatura Há duas rnaneirus de fo1.er uma tese que sirva também para depois da lieenciatura. A primeira é fa7.er da tese o inicio de uma investigação mais ampla que pros>cguirá nos anos seguintes se. evidentemente, houver a oportunidade e a vontade para tal. Mas existe ainda uma segunda maneira. segundo a qual um director de um organismo de turismo local será ajudado na sua profissão pelo facto de ter elaborado um3 tese sobre Do «Ferino a Lucia» aos «Prornessi Sposii•. Efectivamente. fazer uma tese significa: (!) escolher um tema preciso: (2) recolher documentos sobre esse tema; 31
  16. 16. p (3) pôr em ordem esses documentos; (4) reexaminar o tema cm primeira mão. à luz dos documentos recolhid(ls: (5 ) dar uma forma (lrgânica n codas as rcikxões pre<:edemes; (6) proceder de modo que quem lê perceba o que se quer dizer e fique cm condições, se for ncceSl;(lrio. de voltar aos mesmos documenms pa;:a retomnr o cerna p0r sua coma. Fa1cr uma tese significa, pois. aprender a pôr ortlem nas própri as ideias e a ordenar dados: é uma ex periência de m1balho metódico: quer dizer, construir um «objecto» que, cm princípio, sirva tamhém parn outros. E deste modo 11<70 imporia tanto o tema da tese qmmto (l experiê11cia de trabalho que ela compon(I. Quem soube documentar-se sobre a dupla rctlac>iiO do romance de Manzoni. saberá depois também recolher com método os dados que lhe servirão para o organismo turístico. Q uem escreve j á publicou uma dezena de livros sobre temas diversos, mas se conseguiu razer os últimos nove é porque aproveitou sobretudo a experiência do pri, meiro. que era uma roclabornção da tese de licenciatura. Sem aquele primeiro trabalho, não teria aprendido a fazer os outros. E. tanto nos aspectos positivos como nos neJ!ativo;, os outros rcílcctem aint!a o modo como se fc)(. o primeiro. Com o tempo tornamo-nos provavclrncnte n1ais 111aduros. conhecerno~ rnais as coi sa~. rnas ct maneira corno trabalhamos nas coisas que sancrnos depender:í sempre do modo como estudámos inicialmeme muitas coisas que não sabíamos. Em última análise. fazer uma tese é como exercitar a memória. Temos uma boa memória e m velhos quando a mantivemos e m exercício desde muito jovens. E não importa se d a se exercitou aprende ndo de cor a compos ição de todas as equipas da Primeira Divisão. as poe.sia.> de Carducci ou u série de imperadores romanos de Augusto a R6mulo Augusto. Bem entendido. já que se exerci La a memória. n1ai~ vule aprender cui1>as que nos inlcressam ou que vcnhum a servir-nos: mas. por vc1.cs. mesmo aprender coisas inúceis constitui u ma hoa gimística. E, ussim. embora ~cju melhor fazer uma tese sobre um tema que nos ugrade . o tema é secundário re lativúmente ao méwdo de trabalho e i1 experiência que dele se tira. E isto iambém porque. se se trabalhar bem, não h:i nenhum tema que seja verdadeiramente estúpido: a trabalhar bem ti ram-se conclusões úteis mesmo de um tema aparentemente remoto ou r e ri l'é rico. Marx n5o fez a tese sobre econom ia política, mas 32 sobre dois íiló~oros i,.'Tegos como E picuro e Demõcrito. E não se rratou de um acidente. Marx foi talvez capaz de analisar os prob.lemas d a h istória e da ccM10mia com a energia te.órica que sabemos precisamente porque aprendeu a retlectir sobre os seus filósofos gregos. Perante tantos estudantes que começam com uma tese ambiciosfssima sobre Mane acabam na secção de pessoal das grandes e mpresas ca1litalis1as, é necessário rever os conceitos que se cêm sobre a util idade, a ac111;1lidade e o inceresse dos temas das teses. 1.4. Qu atro regras Óbias Há casos em que o candidato faz a tese sobre um tema impl1sto pelo docente . Tais casos devem evita1·-sc . Não estamos a referir-nos. evidentemente, aos casos em que o candidato pede conselho ao docente. mas sim àqueles crn que a culpa é do professor (ver U.7 .. «Como evitar deixar-se explorar pelo orientador») uu àqueles em que a culpa é do candidato. dcsintcrc~­ sado de 1mlo e disposto a alinhavar qualquer coi>a para se despachar deprcS'1t, Ocupar-nos-i::mos. pelo contrário . dos casos em que se prcssup1·ii:: a existência de um candidato movido por um interesse qualquer e de um docente disposto a interpretar as suas exigência•. Nestes casos, as rcgr.is para a escolha do tema são quatro: l) Que o tema corrcspo11tla aos imaesses do candida ro (quc1 · esteja rclacionadv cum o tipo de exumes feitos, com as sua' leitura< . com o .<cu mundo politico. c ultural ou religioso) : 2} Que as fo111es a qu" rcmrrc sejam acessfreis. o que quer dizer que estejam ao alcance material cio candidato: 3) Que as fomes <l que mwrre s~jam 11iim11seáveis. o que quer dizer que estejam ao alcance c ultural do candidato: 4) Que o quadro melodoM11ico da im·ps1ig(lç{lo esieja ao alcance da experiéttcia do candidato. Ex.pressas de.sta n1aneira, estas quatro rl!gr:t~ parecem bunais e c esurnir..:>c na noan<t seguinte: quem quer fazer unta cc.sc deve Íll~cr uma 1.:sc que seja capH de fnzer. Pois bem. é mesmo as~im, e há Z 33
  17. 17. ~I p casos de teses drumuticumcnlc folhada.< ju$ta111en1e porque não se soube pôr o pn>blcmu inicial nestes lermos tão óbvios' . Os capítul os que se seguem tentarão fornecer algumas sugestõe' para que a 1csc a f:11.er seja uma tese que se saiba e possa fazer. li. A ESCOLHA DO TEMA Il.1. Tese monográfica ou tese panorâmica? Podcrí:tmo~ "crcsecnuu unia. quinta rtAta: qu:i: o pruíe.s.sur "'eja o indic"do. Efci:li•amcn1c. hi canduJ~tOS que, por r.uõe~ de Si1op.i.tia uu de pn:guiç:'l, ("tUCf.:nl fat..a t:um o dncen1c da m11té:ri3 A UOl3 tese que. na tnb..Je. i: da m~téria 8. O doc~nte <Kcila (f'JCW' 'impada. ''11td~dc ou desatenção) e depois não esl.5. em ccmdições de .:!t"01np:.:nhar a tc..c. 1 3-1 A primeira tentação do estudante é fo~cr uma tese que fale de muitas coisas. Se ele se interessa por literaturn . o seu primeiro impulso é fazer uma tese do género A litr.rawra hoje. tendo derestringir o tema. quererá escolher A literatum italim1a desde o pós-guerra até aos anos 60. Es!Hs teses são perigosíssimas. Trata-se de Lema; que fozem tremer estudiosos bem mais maduros. Para urn C$ludantc de vinte anos, é um desafio imposslvel. Ou fará uma resenha HlOnótona de nomes e de opiniões correntes. ou dará à sua obra um cál'iz original e será sçnipre acusado de omissões imperdoáveis. O grande crítico conreinporâneo Gianfnmco Contini publicou em 1957 uma i_.etterarura Ttalia11a-Onoce11to-Novc•cc'nm (Sansoni Accadcrnia). Pois bem. se se tratasse de uma tese de licenciatura. teria ficado reprovado. apesar da.< suas 472 piíginns. Com efeito, teria sido atribuído a negligência ou ignorânci<1 o facto de não ter citado alguns nomes que a maioria das pessoas considernm muito imponames. ou de ter dedicado capítulos inteiros a autores ditos «menores» e breves notas de rodapé a aulorcs considcrndos «maiores». Evidemememe, tratando-se de um csLUdioso cuja prcparnçilo histórica e agudeza crítica são bem conhecidas, l.Oda a geme compreendeu que estas exclusões e desproporções eram volun· !ária<;. e que uma ausência era criticameme muito mais eloqúcrnc do que uma página demolidora. Mas se a mesma graça for feita por um estudante de vinte e dois anos. quem garante que por detrá.'> do sil~n­ cio não e.<;tá muita astúcio e que as omissões substituem páginas críticas escrita~ noutro lado ou que o autor saberia escrever?
  18. 18. + Em te,c.• dci>lc género, o estudante ac3h3 geralmente por acusar os membros do júri de não o terem compreendido. mas estes não podiam compreendê-lo e, ponamo. uma tese dema.<iado panorâmica consúrui sempre um acro de orgulho. Nilo que o orgulho intelecrual - numa tese - seja de rejeitar a priori. Pode mesmo dizer-se que Dame era um mau poeta: mas é preciso dizê-lo após pelo menos trezenlas páginas de aruíli.<e detalhada dos textos dantescos. Estas demons1rn~ões. numa tese panorftmica, não podem fazer-se. Eis porque seria então melhor que o estudante, em vez de A /i1era111ra italiana desde '' p6$-g11crra aré aos anos 60, escolhesse um título mais modesto. f:. pos~o di~cr j:í qual seria o ide.ai: nüo Os ro111a11cc de Fenog/io. •s mas As diversas 1t< dllcç<le.s de «li panigia110 Jol11111y». Enfadonho? ~ possível. mas corno desafio é mais interessante. Sobretudo, se se pensar bem. trata-se de um neto de astúcia. Com urna lô~c panorfjrnica sobre a fileratura de <1uutro décadas, o estu- dante expõ~-sc a t~1das as conicslações possfveh. Como pode resistir o oriemador ou o simples membro do júri à tentação de fazer saber que conheee um autor menor que o cs1udan1e não dlou? Basta que qualquer membro do júri. consultando o índic.-c. upome três omissões. e o estudante será alvo de uma rajada de acu>'•ções que farJo que n sua lese pareça uma lista de dcAflparecidos. Se. pelo contrário. o es1udante trabalhou seriamente num tema mui10 prc-ciso. consegue dominar um material desconhecido para 3 rnuior parle dos membros do j úri. Não estou a sugerir um 1ruquczi10 de dois vinténs: será um truque.. mas não de dois vinténs, pois ex ige esforço. Sucede simplcsmen1e que o candidato se apresenta como «Perito• di<snle de uma plateia menos perita do que e le. e, já que teve o trabalho de st: tornar peri to, é j usto que goze as vnnmgens dessa s ituação. Enlrc vs doi~ extremos da tese panorâmica sob1·e quarcou.a anos de literatura e da L rigidamente n1onográfica !obre a.' variantes de. um ese 1exto cuno, há muitos estádios intermédios. Poderão ª'sim apontar-se tema~ como A 11eovm1gucmla literária dos anos 60, ou A /mugem das La11gh" em Parnse e Fenoglio. ou ainda Afinidade.• e diferenças emre tris escritores efwuásticos,.: Savi11io. B11:;::p1i e Landolfl. Passando às faculdades dcntí6cas. num livro com o mesmo tema que nos propomos dá-se um conselho aplicável n todas as matérias: O temo Gwlu11iu. por e.,emplo. é dcma<iudo vo.<10. A Vutcauologia. con10 ra1no du g<:ologia. é ainda den1asiltdo l:no. Os t'tdcôes no México poderia ser de~envolvido num exercí..:io bom mltS um tanto superficial. Unia 36 liu)it:içâô <.ubsequente daria origem a um t·.stut.lo cJc maior 1alor: A /1;s1dr;a do Popoctutpetl (que foi c..~calado provaveJn1ente por u111 dos conquistadore~ de Corte1 em 1519. e que só em 1702 teve um> erupção violenta). Um tema mais limilado. que diz respeito a um n'k!nor ntlanero de ano~. seria O nm(·ilntnlq ~ '' 1tuJrte aparente do Paricu1in (de 20 de Fc,·creim de 1943 • ~ de :.forço de 1952)'. Eu acon~cl haria o último 1ema. Com a condiç~o de que. nessa alrura, o candidato diga tudo o que M a di zer sobre uquele amaldiçoado vulcão. !lá algum tempo veio te r comigo um estudan te que queria fazer a tese sobre O sfnibolo no p enstunento f:ont<~rnportiru'c>. t:rn umu tese impossível. Pe.lo menos . e u não sahia o que queria dizer «SÚlibolo• : cfectivamente. trata-se de um tenno que mud:l de s ignificudl1 segundo os nu1ores e, por vezes, em dois autores diferentes quer dizer duas coisas absolutamente oposta~. Repare-.~c que pur «Símbolo» os J6gicos formais ou os matemáticos entendem exprcssõc~ sem si•~ficado que ocupam um lugar definido com urna fun>iio pn.-cisa"'num dado cálculo formalizado (como os u e os h ou o;._. e 0~ y das fórmulas algébricas). enquanto outros autores entendem uma íomui repleta de significados ambíguos. como sucede nas imagcn~ que ocorrem nos sonhos. que pode m referir-se a uma árvore. a um 61"!1ão scxuul. ao desejo de crescime nto e assim por diante. Como f,;.er cn1no uma tese com es1e título? Seria necessário anali~ar todas as acepções do símbolo e m toda a cultura comemporllnea. catalogá-la.< de modo a evidenciar as semelhanças e as diferença.<, ver se subjacente às diferenças h<í um conceito u.nitário fundamental que apareça cm todos os autores e todas as te.orias, se as di fcrc.nça< nãn tornam cnlim incompatíveis entre si as teorias e m quest5o. Pois he m. uma obru <.lestas nenhum filósofo. linguista ou psicanalista contemporâneo conseguiu ainda realizá-la de uma maneira satisfatória. Como poderia consegui-lo um esn1dioso novato que. mesmo precoce, não tem atr.ís de si mais de seis ou sete anos de leitura' adulms? P~lcriu também fazer uma dissenação inteligentemente parcial, mas cauíamo~ tle ºº"ºna história da literarura italiana de Conúni. Ou poderia prupor uma leoria pessoal do símbolo. pondo de pane tudo quanto haviam dito os outros autores: mas até que ponto esta 1 C. V..1 • C'oopcr e F.. J. Robi11s, ·11!e Ten11 Paper Stanfonl l!ni vc:nti1 Prc...-..s. 1 cd.. l96i, p. 3. y 1.ª : /11(tn1ldl t1t1<f i1{)(/tl. Sta..nford. 37
  19. 19. + escolha seria <liscutívcl di-lo-emos no parágrnfo 11.2. Com o estudante cm qucstlio discutiu-se um pouco. Teria podido fazer-se um, 1cw <;<>bre o símbolo em Freud e Jung. niio considerando todas as outra.• acepções, e confrontando apem•s as dcotc~ dni• aumre.ç. Ma< dcscobriu-•e que o esrudante não sabia alL'ITlâO (e falaremos sobre o problema do conhecimento das Unguas no parágrafo TI.5). Decidiu-se então que ele se debnoçaria sobre o lema O rmu:eiw de _t(mholo em Peirce, Frye e J1mg. A lese teria examinadoª' diferenças entre U'ês conceims homónimos em 1rês autores diferentes. um filósofo. um crítico e um psicólogo: leria mostrado como em muita.' análise.s ern que siio considerados c~lCS três autore~ se corneteni 1nuiros equívocos, uma vez (jllC se atri bui a um o significado que é usado por outro. Só no llnal. a títu lo de conclusão hipotética. 1) candidato teria procurado eximir um resultado para mostrar se existiam analogias, e qu;us. enlrc aqueles conceitos homónimos, aludindo ainda aos outros autores de quem Linha conhecimento mas de quem, por explícita linúUl~1io do 1ema, não queria nem podia ocupar-se. Ninguém teria podido dizer-lhe que niio tinha considerado o autor K, porque a tese era sobre X. Y e 7 nem que tinha citado o autor J apenas em tradução. porque ~ tcr-<c-ia tratado de uma referência marginal. em conclusão. e a tese pretendia e.~rudar por extenso e no original apenas os três autores referidM no úrulo. Ei~ co1no un1a tese, panorâmica. sem se tomar rigorosamenlc monográfica. se reduzia a um meio termo. aceitável por todos. Por ouo·o lado. sem dúvida o termo «mon~>t.'Túfico» pode ter uma acepç5o mais vasta do que a que utiliz(lDlOS aqui. Uma monografia é o tratntamenco de um só tema e como tal ~>põe-se a umu «hist<lria de», 2 um mnnual. a uma enciclopédiu. Pelo que um 1cma como O tema do ft1nu11do às avessas» nos escritores 111edic11ais Hnnbérn é rnonográfico. Analis~tm·sc mui1 cst:. itoTC$, mas apenas do ponto de vislll de um lcrna os r (ou ~eja_ da hip6tcsc imaginária, propo.~ta a título de exemplo, de paradoxo ou de fu'hula, de que os peixes voem no ar, as aves nadem na água, etc.). Se se fizesse bem e.•te trabalho. obter-se-ia wna óptim:i monografia. Contudo, para o f37_er bem, é preciso ter presente todM oi; e.<õeritores que trataram o terna. e5pecial mente oi; menores, aqueles~ quem ninguém se. lembra As.•im. e.•ta tese é cla.•sificada como monográfico-panocimicae é muito difícil: exige uma infinidade de leirums. Se se quisesse mesmo fazê-la seria preciso restringir o seu campo. O remo do ~mundo às avessas• 1ws poetas carolflrgios. O campo reslrine~pccíficn gc ..sc. 'Uhcndn~sc o que se lcm de dominiir e (.1 <{UC se dC'c pt.lr de parte. Evidentemente, é mais excitante fazer a tese panorâmica, pois. além do mais. parece fasâdioso ocupanuo-noi; durante um. dois ou mais anos sempre do mesmo autor. :Vias repare-se que fazer uma tese rigorosamente monográfica não significa de modo nenhum perder de vista o contexto. Fazer uma tese sobre a narrativa de Fenoglio significa ter presente o reafuino italiano. ler também Pavese ou Vitoriai, bem como analisar os escritores americanos que Fenoglio lia e traduz.ia. Só inserindo um autor num contexto o compreendemos e explicrunos. Toditvia, uma coisa é utilizar o panorilma con10 fundo. e ourra fazer um '-Ju;.uJro panurftm.ico. Uma coisa é pinHlf <.1 re1rato de um cavalheiro sobre um fundo de campo com um rio. e outra pin1 Cillllpos. ar vales e rios. Tem de mudar a técnica. tem d1.: mudar. cm tcm1os fotogríúiws. u l'ocugem. !'arlindo de um só aulor. o contexto pode ser tillllbém um pt>uco dcsfocmlo. incomplelll t>u de segundu miio. Pum concluir. recordemos este princípio fundumentnl: quamo nwis se resrrfoge o campo, melhor se trabolha e com maior segurança. Uma tese monográlica é prcfcrivcl a umu lese panorâmku. É melhor 4uc a tese se assemelhe mais a um en'>nio do que a uma hiMí>ria ou a uma cnciclopt.'dia. Il.2. Tese histórica ou tese teórica? E.•ta alternativa só tem sentido para cenas matéria.•. Efcctivamente, em matérias como história da matemática. filologia românica ou história da literatura alemã, uma tese r.ó 1 >ode ser histórica. E em macérius conH) composição arquitectónica_ tisica do reactor nuclear ou anatomia compatada, gernlmente só se fazem teses teórica.;; ou experimentais. Ma.~ há omras matérias, como filosofia teórica, sociologia. antropolog ia cultural. estética. filosofia do direito, pedagogia ou direito internacional, em que se podem fazer teses de dois tipos. Uma tese teórica é uma tese que se propõe encarar um problema abs1n1cto que pode já ter sido ou não objccto de outras retlexões: a natureza da vontade humana. o conceito de liberdade. a noção de função social. a existência de Deus. o código genético. Enumerados as.çim. estes temas fazem imediatamente sorrir. pois pensamos naquele.• lipos de abordagem a que Gramsci chamavu «noções breves sobre o universo•. E. no entanto. insignes pensadores se debruçaro.1n1 ~nhrc CICS lemas. Mas. com pouca:s c;.;ccpvõcs, 11· ,cram-no na 1 conclusão de um trabalho de rneditaç.ão uc várias décadas. 39
  20. 20. • Nas mãos de um estudante com urna experiência científica nece-ssuriamenle limit<ida. es te.< tema< pndcm dar origem a dua• soluçõe.s. A primcir• (que é ainda a menos trágica) le'a a fazer a tese definida (no parágrafo anterior) como "panorâmica,.. Trata·se o conceito tle função social. ma< numa série de autores. E a este respeito aplicam-~ as ohscrvaçõe.s já feita<. A segunda solução é mais preocupante. dado que o candidato presume poder resolver, em poucas páginas. o problema de Deus e da definição de liberdade. A minha experiência di z-me que os estudames que escolheram temas do género quase se mpre fizeram teses muico curtas. sem grnnde orgunização interna. mais semelhantes a um poema lírico do q ue a um estudo científico. E, gernlmente, quando se objectll ao candidalo que a exposição é demasiado personalizada, genérica, infonnal, sem comprovações historiogníticas nem citações. ele responde que nilo se compreendeu que a Sla tese é muito miús inteligente do que muitos outros exercícios de bimal compilação. Pode dar-se o caso de ser verdade. mas, mais umu vez. a experiência ensina que gernlmente esta resposta é dada por um candidato com as ideias confusas. sem humildade científica nem c;ipacidade comurúcativa. O que se deve entender por humildade cicnlflica (que não é uma vinudc para rruco' mas. pelo contr:irit), uma virtude das pessoas otgulhosa') vcr-M!·iÍ oo paragrafo TV.2.4. ~certo que não se podi: excluir que o candidato seja um génio que. apenas com vime e dois ano~. tenha compreendido tudo . e é evidente que estou a adm iti r cst3 hip.Stcsc sem sombra de iron ia. Ma> a realidade é que. quando sobre a crosta tc 1 1·cs1rc apitrcce um génio de mi qualidade, a humanidade leva rnuim tcm1 a aperceber-se disso, 10 e a sua obra é lida e digerída duramc urn certo número de anos antes que se apreenda a sua grandeza. Corno se 1ode pretender que um > júri que está a exarninarl não u1na, rna! 1 nuitai; L eites, apreenda de chofre a grnndeza deste corredor solitário? Mas ponhamos a hipótese de o esmdante estar consciente de ter compreendido um problema importante; dado que nada nao;ce do nada. ele lerá elaborado os seus pensamentos sob a influência de outro autor qualquer. Transformou então a sua tese. de teóric.a cm histonogr.Hica. ou seja. não tratou o problema do ser. a noção de liberdade ou o conccilo de acção social. mas desenvoh·eu temas como " problema do ser 110 jo>w11 Heidegge1: a noção de liberdade em Ka111 ou o c:oni:eito de trcçflo soda/ em Parso11s. Se lcm ideias originais, elas e1nergirão no confronlo com as ideias do au1 tratado: podem dizer-se or 40 muita~ coisas llo'aS sobre a liberdade cs!Ud<mdo o modo como outr.< pessoa falou da li hel'dade. E se se quiser. nqucla que devia ser a sua tese teórica torna-se o capítulo final da sua tese historiográfica . O resultado será que todos poderão vcriliear aquilo que diz. dado que (referidos a um pensador anterior) <» conceitos que põe em jogo serão publicruneote verificá"eis. É diíícil movermo-nos no rngo e estabelecer uma exposição ab ini· rio. Prccisan1os de encontrar um ponto de apoio. e.5pccialmeme para problemas 1ão vagos como a noção de ser ou de liberdade. Mesmo quand1~ se é génio, e es pecialmente quando se é génio. não signi fica uma humilhação partir-se de outro autor. Com cfoitu. panit de urn autor anterior não significa prestar-lhe cul tv. adorá-lo ou rcpro· duZi l' sem crítica as suas afirmações : pude também pal'tir-sc de um ~1 uL01· para den1onstrar os seus erros e os seu~ lirnilC..'. Ma. ten1-se ~ um pomo de apoio. Os homens medievais. que 1in ha111 urn rcs peico exagerado pela autoridade dos autores anlil,vS, di1.ia111 que os modernos, embora ao seu lado fossem «anões•. apoiando-se neles coniavam-~e «anões às costas de gig&Dtcs» e. dtSL J C nodo. via111 inais alén1 do que os seus predecessores. Todas esros observações niiv são "álida< para as matérias aplicadas e experimentais. Se se apresentar uma cese cm psicologia. a altemaciva não é entre O problema da pen:epção em Piaget e O p/'fJ· blema da percepção (ainda q ue um imprudeme pudesse querer propor um tema liio genericamente perigoso). A alternativa à tese b.istoriogr(lfica ê antes a tese experimental: A percepçllo das cores 1J11m grupo de cri<mças deficienles. Aqui o discurso muda, dado que se tem direito a cncurar de forma expe1·imemal uma questão. conwnlo que se siga urn método de inves tigação e se possa trnbalhar em condições ru:wr. veis. no que respeita a laboratórios e com a devida assis tê nd a. M as um bom in'estigador experimental niío comc<;a a con1r~1lar as reacções dos seus pacientes sem antes ter rei10 pelo mcnrn, um lrâhalho panorâmico (exame dos estvot1s anú logos já n oa· lizad<ls), poi~ de outro modo arriscar-se-ia a descobrir o c hapéu de chuva, a demonstrar qualquer coisa que j<í havia >ido umplamentc demonstrada. ou a aplicar métodos que já se tinham revelado erróneo~ (se hem que possa ser objecto de ÍD'' estigaçilo o nvvo mntrolo de um método que não tenha ainda dado resuhudo> sati,fatórios). Portanto. uma tese de carácter experimental não pode ser feita em casa. nem o método pode ser inven1ado. Mais urnG ve1. se deve partir do princípio de que. se se é um aniio imcligemc. é melhor subir nos ombros de um gi!!antc qualquer, mes mo se for de altura modesta: 41
  21. 21. p ou mesmo de ouLm anão. Depois lhar sozinhos. temo~ sempre tempo para craba- 11-1. Te.mas antigos ou temas coutcmporãneos? F.ncarar esta questão pode parecer querer voluir i aniiga que.rei!~ dcs an!'icns er des modemes... E. de facto, par3 muitas tlisciplinas 3 quc.<tão n:io se põe (se bem que uma tese de história da litcrnlura latina possa tral3r liio bem de Horácio como da siruação dns es tudos horaciano.< nn último vinténio). Inversamente. é lôgko que. se nos licenciamos cm histúria da lilerntura italiann comemporâncu. nno haja alternativa. Todavia, não é raro o caso de um estudame que. perante o cc mselho do professor de liccraLurn italiana para se licenciar sohrc um pecrarquista quinhencista ou sobre um (ucade, prefira temas como Pavese. Bassani. Sanguineú . MuiL~ veze~ n escolha nasce de uma vocaçilo autêntica e é difícil contcsuí-la. Outras vezes nasce da falsa ideia de <1ue um autor contemporâneo é mab [úcil e mais agradável. Digamos desde já que o autor contcmpvr:.noo é sempre mais difícil. É certo que geralmente a bibliografia é mui~ reduzida. os textos silo de mais f:ícil acesso. a primeira doc:umcnta~iio pode ser consultada à hcira-mur. com um bom IOmance na< mão,, cm vez de fechado numa bihlimeca. Mas. ou queremos fazer uma Lese remendada. repetindo ~in11)Je...~n1cnlé o <ue disseram outn'>S críLiCt):o; e cntfto não há 1 mais nada a di7.cr (e. se quisennos. pode.mo< foicr uma tese ainda mnis re mendada sobre um petrnr<1uista do séculn XVI). ou queremos dizer alg.o de novo, e cni,ão apercebemo-nos d~ que sobre o autor untigo existen1 pelo n1cnos chave:s interprec::uivas seguras fts quais nos podemos referir, enquanto parn o autor moderno as opiniões são aindu vagas e discordantes. 3 nossa capacidade crítica é faiscada pela faha de perspecci,·a. e rudo se torrrn demasiado difícil. É indubitável que o autor antigo impõe uma leitura mais fotigamc, uma pesquisa bibliográfica muis alenta (ma~ os tílulos estão menos di,pcrsos e exisiem repertóri~ bibliográficos já completos): ma.< se se entende a 1ese como oca,ião pam aprender a fa?.cr uma investigação. n autor amigo põe mai~ problemas de preparação. Se. além disso. o estudante se sentir inclinado para a críúca conlcmponinea. a tese pode ser a última ocasião de abordar a lirerarura de) flª'sudo. para exercitar o seu goslo e capacid3dC de lei 1urn. Assim. 42 seria b<.>m aproveitar c.sw oportunidade. Mui los dus i,'l"•mdc.s escritores c-ontcmponincos, mc-smo de vanguarda. não li1.cram lelle~ <obre Montalc ou Poond. ma~ sohn: DanlC ou Foscolo. É claro que não existem regras preci~a~: um bom invc,,"tigador pode conduzir uma análise histórica ou estilística <nbre um autor comemporâneo com a mesma profundidade e precisão filológica com que trabalha sobre um antigo. Além disso, o problema varia de disciplina para disciplina. Em filosofia talvez ponha mais problemas uma tese sobre llusserl do que uma tese sobre Descanes e a relação entre ~facilidade» e «legibilidade» inverte-se: lê-se melhor Pascal do que Cam ap. Deste modo, o tí nico conselho que verdadeirnmeme poderei dar é o seguinte: trti/)al/wi so/)re um comemporâneo como St' fosse um /mtigo e sobre um antigo como se fosse 11111 co111emporti11eo. Ser.vos·á mais agradável e fareis um trabalho mais sério. II.4. Quanto tempo é preciso para fazer uma tc.se? Digamo-lo desde logo: 11ão mais de três a11os. 11e111 menos de seis meses. NilQ mais de 1rês anos. porque se em ~ anos de trabalho não se conseguiu circunscrever o lema e encontmr a documcntac;iio necess;iria. isso só pode signific;ir uês coisa~: 1) escolheu-se uma 1ese errada, superior às nossas forças: 2) é-se um eterno descomente que quer dizer tudo, e continua·se a trabalhar na 1ese durante vinte anos c.nquanlo um esludioso hábil deve ser capaz de fixar a s i mesmo limiles, mesmo modestos. e produzir al_ de definitivo den1ro desses lintites: go 3) teve início a neurose da tese, ela é abandonnda. retomada. sen1imo-nos falhados. entramos num eswdo de depressão. ulili- Zê•n1os a tese como álibi de muitas cob;.1 rdias. nunca viremos a licenciiu-nos. Ntio meno.v de .veis meses. porque mesmo que se queira fazer o equivalente a um bom artigo de revista. que não tenha mais de sessenta página.<. enrre o esrudo da organização do trabalho. a procura de bibliografia. a elaboração de ficha.• e a redacçl!o do texto passam facilmente seis meses. É claro que um estudioso mais maduro escreve um ensaio em menos tempo: mas tem atrás de si anos e anos de leituras. de fichas e de apontamentos. que o eswdame •10 invés deve fazer a panir do zero. 43
  22. 22. , p Quando se fala de seis mcse$ ou três anos. pensa-se, evidentemente, não no te mpo da rcdacç~o dcriniliva. que pode levar um mês ou quinze dias, consoante o m~todo com < se trabalhou: pensa1ue -se no lapso de tempo que medeia entre a formação da primeira ideia da tese e a entrega final do trabalho. Assim. pode haver um esrudantc que trnbalha efectivamente na tese apenas durnme um ano ma~ aproveitando as ideias e as leitura~ que, sem saber aonde chegaria. tinha a1:urnulado nos dois anos precedentes. O ideal. na minha opinião. é escollrer a te.rr (e o respectivo orientador) mais (>U menos 110 ft11nl do seg1111do ano do universidade. Nesra altura está-<c já f:nnilinrizado com as várias m:uérias. conhecendo-se o conteúdo. a dificuldade e a siruação das disciplinas em que ainda não se fc1 exame. Uma escolha tão tcrnpcsliva não é nem comprometedora nem irremediá•el. Tem-se ainda todo um ano para compreender que a ideia era errada e mudar o tema. o orientador ou mesmo a di~iplin:i. Repare-se que mesmo que se passe um ano a trabalhar numa tese de lileratura grega para depois se verificar que se prefere uma lc'c cm história comemporãnca, isso não foi óe modo nenhum tempo perdido: pelo menos aprendeu-se :t formar um:i bibliografia preliminar. como pôr um texto em ficha. como elabornr um sumário. Recorde-se o que dissemos no parágrafo 1.3.: uma tese serve sobretudo para aprender :i coordenar as ideia~, indcpendcntcrneme do se1 tema. Escolhendo ussim a tese por alcuras dv fim do segundo ano, t~m· -se três vcrôcs para dedicnr à investigação e, n:t medida do possível, a viagens de Cstu<.lo: podem escolher-se os progrnmas de examc.s perspectfrwulo-os para a rese. É c laro que se se fizer uma tese. de psicologia expcrimenlal. é difícil pers pcc1i var nesse sentido um exa111e de literatura liJtina: mus con1 n1uiLa.t.; outras matérias de carác1er lilosófico e sociológico pode chegar-se a acordo com o docente sobre alguns textos. talve,, cm substituição dos obrigatórios, que façam inserir a matéria do exume no âmbito do nosso ia teresse dominante. Quando isto é 1>ossívcl sem especiosa violcntação ou truques pueris. um docente inteligcmc prefere sempre que um c.s LUdante pre- Nada impede que se escolha a tese a111cs di s~o. Nada impede que isso aconteça depois. se se aceitar a ideia de cntrnr j1í no período posterior ao curso. Tudo desaconselha a escnlhê-la demasiado tarde. Até porque uma boa tese deve ser discutida passo a passo com o orient:idor, na medida do possível. E isto n~o tanto para mitificar o docente. mas porque escrever un1n ce.t.1e é corno c~crc'fer um livro. é um c1<ercício de comunicação que pressupõe a existência de um público - e o orientador é a única amostra de póhlico competente .de que o cstud;mte dispõe no decurso do seu trahalho. Uma te.se fcitu à última bom obriga o orientador a percorrer rapidamente os diversos capítulo~ ou mesmo o trabalho já feito. Se for este o caso. e se o orientador não ficur satisfeito com o resultado. atacará o <:andidato perante o júri. com resultados desagradáveis. mesmo para si próprio. que nunca deveria apresentar-se com uma tese que não lhe ai,<radc: é umu derrota também para ele. Se pensar que o candidato não con>eguc engreo;ir no trabalho, deve dizer-Jhn antes. aconselhando-o a falcr uma outra tese ou a esperar um pouco mais. Se depois o candiduto. nãv obslitnte estes conselhos. insistir em que o orientador não tem raâio ou que pura ele o factor tempo é fundamental. enfrentará igualmcnlc o risco de uma discussão tempestuosa, mas ao menos fá- lo-á cnm p lena consciência da situação. De todas estas ol>scrvaçõc< se deduz que a lese de seis meses, embora se admita como mal rncnnr, nã(l representa o ideal (a me.nos que, como se disse, n tema escolhido no~ úllimos seis meses permita aproveitar experiências c rcctuadas nos anos anterivres). Todavia. pode haver ca.~os de necessidade cm que seja preciso resolver mdo em seis meses. Traia-se cmiio de cncon1n1r um tema que possa ser abordado de modo digno e sério naquele período de tempo. Não gostmia que toda esta exposiçao fosse tomada num sentido demasiado «ComercinJ». corno se estivé~~ecno! a vender «LC..'C..~ ele seis rncses» e «teses de três anos». a preços diversos e para Lodos os tipos de cliente. Mas a verdade é que pode ha,•er tombém uma hoa tese de seis mCSc$. Os requisitos da tese de seis meses são os seguintes: pare urn ex.ame «niotivado>) e orientado, e não urn exame ao acaso. forçado. prcparndo sem pahão, 'ó para ultrapassar um escolho que não se pode cl iminar. Escolher a lc~c no fim do segundo ano significa ter tempo até Outubro do quarto ano pura a licenciatura dentro dos limites ideais. com dois anos completo' à disposição. 44 1) o tema deve ser circunscrito: 2) o tema deve ser tanto quanto possível contemporâneo. para não ter de se prcx:urar uma bibliografia que remonte aos grego;: uu cnliio <.leve ser um tema marginal. sobre o qual se tenha escrito muito pouco: 45
  23. 23. • 3) vs documcnlus de tMJ<)S os tipos devem encontrar-se disponívci~ numa área l'Cstrit3 e 1>o<lcrcrn ~cr i'acllrncnLc consultados. Vamos dar a1$uns exemplos. Se escolher como tema A ixnja de Santa Maria do Castelo de Alexandria, poss1) esperar encomrar tudo o que me sirva para reconstituir a sua história e as vicíssirudesdos seus restauros na biblioteca municipal de Alexandria e nos arquivos da cidade. Digo • posso esperar» porque estou a formular uma hipóle_se e me coloco nas condições de um estudante que procura urna tese de seis meses. Mas terei de informar-me sobre isso antes de arrancar com o prujc-cto, para verificar se" minha hipótese é válida. Além disso, terei de cr um estudante que reside na província de Alexandria; se resido cm Callani~tt". li"e uma péssima ideia. Além disso. existe um «lllas». Se alguns do<:uroentos fossem acessíveis. mas se se tratas.<em de manu.<critos mc<licvais jmnais p11blicados. teria de saber alguma coisa de paleografia, ou seja, de dominar uma técnica de leitura e decifração de manu.<critos. E eis que e'tc lema. que parecia tão fácil, se torna difícil. Se, pelo contrário, verifico que está ludo publicado, pelo menos desde o século XTX para cá, moviménlo-mc cm terreno seguro. Outro exemplo. Raffaclc La Capria é um escrilor contemporâneo que só escreveu três romances e um livro de ensaios. Foram todos publicados pelo mesmo editor. Bompiani. Imaginemos uma tese com o título A sorte de Rt1ffael/e /,11 Capria na crítica iialia11a co11remporâ11ea. Como de uma maneira geral os cdit()rcs têm nos seus arquivos os recortes de imprensa d~ todos os cnsai os eólict> e mtis gos publicados sol:irt' os seus autores. com urna ~éric de "isilas 11 sede th• cdi!tlrn em Milão posso esperar pôr cm fichas a •1uase totalidade dos tc~los que me interessam. Além disso, o autor csl.Ú "ivo e posso escrever-lhe ou ir en1 revirní-lo, colhendo outras indica~ôes bibliográficas e. 41wse de certeza. fotocópias de texrns que me interes~arn. NaLuraln1cnlc. um dado ensaio crírico renh!lC.r-lnc..á p:1 nt outros autore.~ a que l .a Cupria é comparado ou contraposto. O campo alarga-se um poucó, mas de um modo razoável. E. depois, ~e escolhi La Capria é porque já lenho algum interesse pela literatura italiana contemporanea. de oulro modo a decisão teria sido tomada cinicamente. a frio. e ao mesmo 1empo imprndentemente. üuua tese de seis mcse~: A imerpreração da Seg1111da Guerra Mu11dinl nos manuais de Tli.1"1úrit1 pt1m as escolns sec1111dárie1s do úllimo qui11qub1io. É talvez um pouco complicado detectar todos os 01anuai~ de Hi~túria cm circulação. nu1~ a.'. cdilor.l:.." cs<."Olares não 46 são tantas comt> isso. Uma vez na posse dos tcxtM nu das suas fotocópjas. vê-~c que e:>tes assuntos ocupani poucas página..., e o lrabalho de comparação pode ser leilo. e belll. cm pouco tempo. Evidentemente. não se pode avaliar a rormu como um manual fala da Segunda Guerra Mundial se não compararmo~ csle lrntamemo específico com o quadro histórico geral que cs'c mtmual oferece: e. ponanco. tem de trabalhar-se um pouco em profundidmJe. Também não se pode começ.a r sem ter admitido como parGmctru uma meia dúzia de histórias acredita· das da Segunda Guerra Mundial.~ claro que se eliminássemos toda' estas formas de controlo crilÍ(."Q, a te~ poderia fazer-se não em seis meses mas numa semana. e cnião não ~ria uma tese de licenciatura. ma< um artigo de jomal. talvc1. arguto e brilhante. mas incapaz de documentar a capacidade de investigação do L<Jndidato. Se se quiser fv.cr a tese de <ei' meses. mas trabalhando nela uma hora por dia. então é inútil continuar a falar. Voltemos aos conselhos dados no parágrafo 1.2: copiem uma tese qualquer e pronto. 11.5. É necessário saber lín~ua~ eslrangeirns? Este pmágrafo não se dirige àquclM que preparam uma tese numa língua ou literatura estrangeira. É. de facto. desejável que estes conheçam a língua .robre a qual vão apresentar a tese. Ou melhor. seria desejável que, se se apresen1asse uma tese sobre um autor francês. eslll fosse escrita em francês. É o que ~c faY. cm nmitas universith1des estrangeiras, e ~justo. Mas ponhamos o problema daqueles que fazem uma tc.~c cm rilosofia, ~m sudok>giu. cm jurisprudência, em ci6ncias políticlls. cm história ou em ciêncüis nmurnis. Surge sempre a necessidade de ler um livro escrito numa Ungua estrangeira mesmó se. a tese for sobre história iwlia na. seja ela sobre Dante ou sobre o Renascimento. dado que ilustres cspcdaListus de Dnnle e do Renascimento escreveram em inglês ou alcmílo. Habituo.lmcntc. nestes casos aproveita-se a oportunidade da te.se para começar a ler numt1 língua que nílo se conhece. Motivados pelo tema e com um pequeno c;l'or~o. começa-se a compreender qualquer coisa Muita< ve'c.' urna lfnguu uprende-se assim. Geralmente depois não se consegue fal5-la. rna.' pudc.->c lê-lu. É melhor que nada. Se sobre um dado tema cxi>tc '6 um livro em alem.'io e não se sabe esta língua. pode resolver-se o 1>rohlcma pedindo a al~•uém para ler os 47
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