Uma breve história das h qs

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Primeira parte do minicurso ministrado na ANPUH de Uberlândia, 2010.

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Uma breve história das h qs

  1. 1. Natania Nogueira e Valéria Fernandes
  2. 2. <ul><li>Histórias em quadrinhos são um ramo da arte seqüencial, na qual podemos incluir também o cinema. As HQs recebem nomes diferentes pelo mundo: historietas na América Latina, fumetti na Itália, bande dessinée na França, banda desenhada em Portugal, comics nos EUA, mangá no Japão, manhwa na Coréia, gibi no Brasil, etc. </li></ul>
  3. 3. <ul><li>Para o prof.º Waldomiro Vergueiro: “(...) as histórias em quadrinhos constituem um sistema narrativo composto por dois códigos que atuam em constante interação: o visual e o verbal.” por isso mesmo, se faz necessário uma “alfabetização” na linguagem específica dos quadrinhos. </li></ul>
  4. 4. <ul><li>Uma HQ precisa/pode ter: </li></ul><ul><li>Contar uma história; </li></ul><ul><li>Desenhos contidas ou não em quadrinhos; </li></ul><ul><li>Texto em balões; </li></ul><ul><li>Onomatopéias; </li></ul><ul><li>Elementos gráficos que denotam movimento, emoções, entre outros. </li></ul>
  5. 5. <ul><li>As HQs foram criadas, oficialmente, nos Estados Unidos, em 1895, com o Menino Amarelo (Yellow Kid) criado por Richard Outcault . </li></ul>
  6. 6. <ul><li>A Tapeçaria de Bayeux (séc. XII) pode ser vista como uma espécie de HQ, arte seqüencial com certeza é. </li></ul>
  7. 7. <ul><li>A arte funerária do Antigo Egito, também pode ser encarada como arte seqüencial. </li></ul>
  8. 8. <ul><li>Alguns defendem, que o italiano Angelo Agostini (1843-1910) publicou a primeira HQ no Brasil em 1869. Precedendo o Yellow Kid em 25 anos. </li></ul>
  9. 9. <ul><li>As aventuras do Nhô Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte (Angelo Agostini) </li></ul>
  10. 10. <ul><li>No mesmo ano de Yellow Kid, precedendo-o por alguns meses, a jovem Rose O’Neill (1874-1944) produziu seu primeiro quadrinho. (1) </li></ul><ul><li>Outras artistas a seguiram, produzindo HQs de todos o tipos, mas o mercado de quadrinhos femininos nos EUA, morreu nos anos 50. As mulheres quadrinistas sumiram também. </li></ul>
  11. 11. <ul><li>Para Anselmo Gimenez Mendo, o que definiria a HQ seria a existência de uma personagem fixa, um protagonista. Por este prisma, a primazia seria realmente do Menino Amarelo. </li></ul>
  12. 12. <ul><li>O primeiro grande herói dos comics de aventura foi Tarzan, criado por Edgar Rice Burroughs, em 1912. </li></ul><ul><li>Tarzan estreou em 1929 em tiras dominicais de jornal, desenhado por Hal Foster. </li></ul>
  13. 13. <ul><li>Em 1937, Hal Foster criou o Príncipe Valente, uma das primeiras HQs “históricas”. </li></ul><ul><li>Hal Foster publicou a série até 1970, quase sem hiato, e permaneceu na supervisão até 1982, quando faleceu. </li></ul>
  14. 14. <ul><li>Will Eisner (1917-2005) revolucionou os comics, ele foi fundamental para a criação do formato “comic book” , criou a primeira heroína (Sheena - 1937) ou por conseguir levar as HQs ao status de arte com as graphic novels. A qualidade da sua narrativa visual, destaca-se até hoje. </li></ul>
  15. 15. “ Nos anos de 1930, o Sonho Americano tinha se tornado um pesadelo, (...) e os super-heróis em particular ofereceram uma forma escapista de entretenimento que permitia ao público americano entrar em um mundo de fantasia onde os males do mundo eram corrigidos por esses heróis extraordinários, (...)” (1)
  16. 16. <ul><li>O primeiro super-herói foi o Super-Homem, criado em 1933, por Jerry Siegel e Joe Schuster. </li></ul><ul><li>O Super-Homem apareceu oficialmente no primeiro número da revista Action Comics em 1938. </li></ul>
  17. 17. <ul><li>Em 1941, William M. Marston criou a primeira super-heroína dos comics: a Mulher Maravilha. </li></ul><ul><li>Durante um bom tempo, ela foi a única super-heroína adulta das HQs americanas, em aventuras solo e sem a tutela masculina. </li></ul>
  18. 18. “ Uma vez que a Guerra começou, sentimos a necessidade de heróis mais patrióticos para lutar contra Hitler. (...) Na verdade, Hitler baniu os quadrinhos americanos, pelo menos Super-Homem e os super-heróis. Ele disse que eles eram judeus. Ele mal sabia que os seus criadores eram judeus de verdade... Hitler baniu os quadrinhos americanos, exceto um: Mickey Mouse, que era o seu favorito.” (3)
  19. 19. Um dos super heróis mais importantes da II Grande Guerra foi o Capitão América criado por Joe Simon and Jack Kirby.
  20. 20. <ul><li>As mulheres artistas nos EUA tinham quase que se especializado em desenhar quadrinhos “fofos” ou sobre flappers. Com a II Guerra, elas se fizeram presentes em todas as áreas e também nos comics de ação . É o caso de Wing Tips de Ruth Atkinson. </li></ul>
  21. 21. <ul><li>Com o retorno dos homens da guerra, elas são retiradas dos comics de ação, e poucas conseguem permanecer na indústria. Até as HQs de romance, são feitas por homens. As meninas deixam de interessar até como consumidoras e os comics para mulheres desaparecem. </li></ul>
  22. 22. <ul><li>No Brasil, a primeira publicação voltada para os quadrinhos surgiu em 1905. </li></ul><ul><li>“ O Tico-Tico” foi criado por Renato de Castro e Manuel Bonfin, da editora S.A.O. Malho. </li></ul>
  23. 23. <ul><li>A revista O Gibi foi lançada em 1939 pelo grupo Globo. O termo que significava moleque, negrinho, passou a ser sinônimo de HQ no Brasil. </li></ul><ul><li>O Gibi foi criado para competir com a revista Mirim de Adolfo Aizen. </li></ul>
  24. 24. <ul><li>A Editora Brasil-América (EBAL) foi fundada em 1945 por Adolfo Aizen. </li></ul><ul><li>A EBAL foi pioneira no Brasil na produção em massa de HQs com proposta educativa. Muitas tinha caráter histórico e de culto aos “heróis da pátria”. </li></ul>
  25. 25. <ul><li>A Primeira Exposição Internacional de Quadrinhos. Os pioneiros organizadores do evento foram Álvaro de Moya, Jayme Cortez, Miguel Penteado, Reinaldo de Oliveira e Syllas Roberg. Mandaram cartas e receberam respostas positivas dos artistas ao King Features Syndicate, conseguiram material original para a exposição e promoveram debates. </li></ul>
  26. 26. <ul><li>A imprensa se colocou contra, não conseguiram o MASP (usaram o Centro Cultura e Progresso), mas o evento foi um sucesso e é um marco. </li></ul><ul><li>A “saga” é contada por Álvaro de Moya no livro “Anos 50, 50 Anos”,. </li></ul>
  27. 27. <ul><li>Em 1954, auge do Macartismo, momento das História norte americana marcado pelo conservadorismo político e social, o psicólogo Frederick Wertham iniciou uma guerra contra as HQ. Rebeldia contra os pais, delinqüência juvenil, homossexualidade, as HQs eram culpadas de tudo. </li></ul>
  28. 28. <ul><li>Como resultado, os quadrinhos para adultos, como os de terror, desapareceram, houve uma infantilização das temáticas, e foi criado o Comics Code Authority . </li></ul>
  29. 29. <ul><li>Os heróis e heroínas sobreviventes foram descaracterizados, idiotizados. A partir de então HQs passaram a ser coisa de criança. </li></ul>
  30. 30. <ul><li>Os primeiros inimigos dos quadrinhos no Brasil foram os padres, ainda nos anos 30. Classificavam os gibis como “imorais” e “desnacionalizantes”. </li></ul><ul><li>Isso bem antes de Wertham escrever seu livro, mas os acontecimentos nos EUA foram capitais, o “espírito de imitação” dominou a imprensa e figuras como Carlos Lacerda se voltaram contra as HQs. </li></ul>
  31. 31. <ul><li>Gilberto Freyre foi um dos defensores das HQs, ele afirmou que os gibis ofereciam “elementos de ajuda na alfabetização. </li></ul>
  32. 32. <ul><li>Durante os governos Jânio Quadros e João Goulart, se discutiu a reserva de mercado para as HQs nacionais. Era uma demanda antiga e fortaleceria os artistas e editoras. O Golpe de 1964 colocou fim a esta discussão. E algumas revistas foram canceladas. </li></ul>
  33. 33. <ul><li>As HQs passaram a ser indicadas nos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais) como material que pode e deve ser usado nas escolas a partir do ano de 1997. E o MEC, através do Programa Nacional Biblioteca da Escola, vem implementando a sua distribuição. </li></ul><ul><li>Mas os velhos preconceitos não acabaram, e parece haver uma nova campanha contra as HQs no Brasil. </li></ul>
  34. 34. <ul><li>Um exemplo é o ataque às obras de Will Eisner, que tem alguns de seus trabalhos mais importantes lançados no Brasil. Eis dois exemplos da campanha que citamos: </li></ul><ul><li>G1: HQ com sexo e palavrão é material de apoio em escola de Vila Velha e Folha On Line: Livro para biblioteca escolar exibe até pedofilia </li></ul>
  35. 35. <ul><li>&quot;As pessoas têm um conceito vulgar da coisa. Acham que é preciso apelar para estimular a criança ou o jovem a ler. [...] para ensinar, é preciso ter conhecimento técnico. Que comissão é essa que escolhe esse livro? Por que dar preferência a isso? Esse tipo de educação é de entretenimento.&quot; </li></ul>Vitor Paro, da Faculdade de Educação da USP
  36. 36. <ul><li>&quot;Por que os livros de Jorge Amado ou Machado de Assis não recebem indicação para adultos? Por que a censura com os quadrinhos? [...] Quantos livros, quadros ou filmes sugerem violência? Mesmo a Bíblia tem muitas passagens que podem ser censuradas.&quot; </li></ul>Rogério de Campos, diretor da Conrad, editora especializada em HQs.
  37. 37. <ul><li>A idéia de que as HQs precisam ser material infantil, persiste na cabeça de muitos pais e educadores. Ajudar a desconstruir essa idéia é um dos objetivos de nossa oficina. </li></ul>
  38. 38. <ul><li>Os dois ramos principais de HQs européias são fumetti italianos, e a bande dessinée franco-belga. Ainda que fossem sentidos os reflexos das discussões americanas, os caminhos foram muito específicos: faroeste, humor, erotismo, história, ficção científica, as temáticas eram variadas. </li></ul>
  39. 39. <ul><li>Entre os quadrinhos franceses, um dos mais conhecidos mundialmente é Asterix, criado por Albert Uderzo e René Goscinny no ano de 1959. </li></ul><ul><li>Asterix critica a invasão cultural americana, mostrando a resistência de uma pequena vila gaulesa ao poderia romano. Tudo com muito humor. </li></ul>
  40. 40. <ul><li>Um dos ícones da liberação sexual feminina nos anos 60 foi a personagem Barbarella criada em 1962 por Jean-Claude Forest. A astronauta inspirada em Brigitte Bardot e encarnada no cinema por Jane Fonda. A personagem viajava pela galáxia, enfrentando aliens e fazendo sexo muito sexo... </li></ul>
  41. 41. <ul><li>Desde a primeira Exposição internacional de Quadrinhos de São Paulo, as HQs foram ganhando espaço e respeito, apesar dos preconceitos. </li></ul><ul><li>Em 1967, houve a primeira exposição no museu do Louvre. Já nos anos 1970, vários quadrinhos europeus passaram a ser publicados com capa dura para livrarias. </li></ul>
  42. 42. <ul><li>Mangá ( 漫画 / まんが ) é o nome dado aos quadrinhos japoneses. </li></ul><ul><li>Assim como em outras partes do mundo, os exemplos de narrativa visual remontam séculos, mas o mangá moderno nasceu no pós II Guerra com Osamu Tezuka. </li></ul>
  43. 43. <ul><li>Osamu Tezuka introduziu a narrativa cinematográfica, os grandes olhos inspirados no material Disney, e a serialização, rompendo com as histórias episódicas. </li></ul><ul><li>Vários mangás de Tezuka foram lançados no Brasil, inclusive o mangá histórico Adolf e a biografia de Buda. </li></ul>Adolf de Osamu Tezuka – 5 volumes – Editora Conrad
  44. 44. <ul><li>Em 1946, foi criado um dos mais duradouros sucessos dos mangás, Sazae-san ( サザエさん ) de Machiko Hasegawa. A série foi encerrada em 1974. </li></ul><ul><li>Sazae-san começou como adolescente no Japão ocupado pelos americanos, casou, teve filhos. Sua família era imagem modelar da classe média. </li></ul>
  45. 45. <ul><li>A perseguição ocorrida no Ocidente não atingiu os mangás. E as abordagens e temáticas se tornaram cada vez mais diversificadas. </li></ul>Morte de Maria Antonieta no mangá A Rosa de Versalhes ( ベルサイユのばら ) de Riyoko Ikeda
  46. 46. <ul><li>Nos mangás todos os temas são possíveis, mesmo em quadrinhos para o público infantil. E há uma forte presença das mulheres como produtoras e consumidoras de quadrinhos. </li></ul><ul><li>Há quadrinhos mangás para todos: homens (seinen) e mulheres (josei) adultas, meninos (shounen) e meninas (shoujo), crianças (kodomo), etc. </li></ul><ul><li>Recentemente, os mangás se tornaram febre no Ocidente e podem ser encontrados em todas as bancas do Brasil. </li></ul>
  47. 47. <ul><li>Alguns dos mangás publicados no Brasil tem conteúdo histórico e ajudam a aumentar o interesse de alunos e alunas pelos conteúdos da nossa disciplina. </li></ul><ul><li>Um exemplo, é o mangá adulto O Lobo Solitário ( 子連れ狼 , Kozure Ōkami) de Kazuo Koike. É um belo retrato dos costumes samurais no período do Shogunato. </li></ul>
  48. 48. <ul><li>Há poucos mangás com conteúdo histórico publicados no Brasil, mas os que temos à disposição podem estimular os alunos e alunas: </li></ul><ul><li>1945 Keiko Ichiguchi. </li></ul><ul><li>O Lobo Solitário. </li></ul><ul><li>Adolf e Buda de Osamu Tezuka. </li></ul><ul><li>Rurouni Kenshin de Nobuhiro Watsuki. </li></ul><ul><li>El Alamein e Outras Histórias de Yukinobu Hoshino. </li></ul>
  49. 49. <ul><li>O mangá 1945 é inspirado no incidente da Sociedade da Rosa Branca formada por um grupo de estudantes alemães que resistiram ao nazismo. </li></ul><ul><li>O filme alemão Uma Mulher Contra Hitler, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2006, é baseado na mesma história. </li></ul>
  50. 50. <ul><li>(1) ROBBINS, Trina. The Great Women Cartoonists. Nove York: Watson-Guptill, 2001, 1-2. </li></ul><ul><li>(2) Superheroes rise in tough times, CNN. http://edition.cnn.com/2009/SHOWBIZ/books/03/18/superhero.history/index.html </li></ul><ul><li>(3) Superheroes rise in tough times, CNN. http://edition.cnn.com/2009/SHOWBIZ/books/03/18/superhero.history/index.html </li></ul>
  51. 51. <ul><li>Professoras Natania e Valéria Fernandes. </li></ul><ul><li>E-mails: [email_address] e [email_address] </li></ul><ul><li>O conteúdo desta aula pode ser usado desde que seja dado crédito a quem produziu o material. </li></ul>

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