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Minicurso

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Slide sobre relações de gênero e quadrinhos - apresentado pela Valéria no terceiro dia de minicurso

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  • 1. GÊNERO NAS HQSPerpetuandodesigualdades,questionando valores,construindo práticas.Valéria Fernandes e Natania Nogueira
  • 2. Meninas, HQs e Gênero Meninas lêem quadrinhos, mesmo os que não foram feitos para elas. Algumas abandonam os quadrinhos quando crescem ou porque não encontram material de seu interesse. As HQs ao representarem as mulheres e meninas, e ajudam a construir e perpetuar papéis de gênero.
  • 3. Mas o que é Gênero? Gênero é uma categoria feminista que se refere aos papéis femininos/masculinos em uma determinada sociedade. Segundo Joan W. Scott, trata-se de um “(...) saber a respeito das diferenças sexuais. (...) com o significado de compreensão produzida pelas culturas e sociedades sobre as relações humanas, no caso, relações entre homens e mulheres. (...) saber é um modo de ordenar o mundo e, como tal, não antecede a organização social, mas é inseparável dela”.
  • 4. Rosa é para Meninas e Azul para Meninos. Sempre foi assim?A naturalização dos papéis de gênero e das suas “marcas”, faz com que não questionemos por quais motivos certas coisas “são como são”.A repetição e a recitação naturalizam e criam novas práticas e deslocam antigas.
  • 5. Rosa é para Meninas e Azul para Meninos. Sempre foi assim? Um artigo do Ladies’ Home Journal de 1918 disse:"A regra geralmente aceita é cor de rosa para os meninos, e azul para as meninas. A razão é que rosa, sendo uma cor mais decidida e forte, é mais adequado para o menino, enquanto o azul, que é mais delicado e gracioso, é mais bonito para a menina.”
  • 6. Rosa é para Meninas e Azul para Meninos Mas tais representações já estão firmes noimaginário social.“O imaginário opera (...) em dois registros: o daparáfrase, a repetição do mesmo sob outroinvólucro; e o da polissemia, na criação denovos sentidos, de um deslocamento deperspectivas que permite a implantação denovas práticas. Assim, o imaginário (...) reforçaos sistemas vigentes/instituídos e ao mesmotempo atua como poderosa correntetransformadora.” Tânia Navarro Swain
  • 7. Feminizar é Preciso Tutorial de desenho ensinando a desenhar uma“abelha rainha”. O animal é carregado de marcas degênero como corações no abdômen e a cor lilás.
  • 8. Feminizar é PrecisoEntender gênero como uma categoria histórica,entretanto, é aceitar que gênero, compreendido comouma forma de culturalmente configurar um corpo, estáaberto a contínua reconfiguração, e que “anatomia” e“sexo” não estão dissociados de um enquadramentocultural (...) A própria atribuição de feminilidade aoscorpos femininos como se fosse natural ou umapropriedade necessária se dá dentro de um quadronormativo no qual a atribuição de feminilidade aquiloque é desprovido dela é um mecanismo de produção degênero nele mesmo. Termos tais como “masculino”e“feminino” são notoriamente mutáveis; existe umahistória social atrelada a cada termo; seus significadosmudam radicalmente a depender das fronteiras
  • 9. Feminizar é PrecisoOutras marcas de gênero muito comuns são longoscílios, sapato alto, vestido.
  • 10. Questões de Gênero na Ordem do DiaO SECAD (Secretaria de Educação Continuada,Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação)tem produzido uma série de materiais que tem comoobjetivo discutir questões relacionadas com gênero,identidade de gênero, sexualidade e orientação sexual,que requerem a adoção de políticas públicaseducacionais que promovam a igualdade, pois: “Aescola e, em particular, a sala de aula, é um lugarprivilegiado para se promover a cultura dereconhecimento da pluralidade das identidades e doscomportamentos relativos a diferenças. Daí, aimportância de se discutir a educação escolar a partirde uma perspectiva crítica e problematizadora, (...)”.
  • 11. Marcas de Gênero nas HQs Toda mídia (HQs, Cinema, novelas, etc.) cria e/ou reforça representações e práticas. No Brasil, as telenovelas são o veículo de maior amplitude nesse aspecto, junto com o cinema norte americano. Vide a foto ao lado, do filme A Mulher Gato.
  • 12. Marcas de Gênero nas HQs Através do que Teresa de Lauretis chama de tecnologias de gênero, isto é, “(...) o conjunto de efeitos produzidos em corpos, comportamentos e relações sociais” são criados homens e mulheres, com contornos próprios e hierarquizados. Isso não é natural, daí, a necessidade da repetição. Para Judith Butler, o gênero é performativo, isto é, um efeito produzido pela atuação contínua. Por isso, a necessidade de repetir, reiterar,
  • 13. Marcas de Gênero nas HQs Características que podem aparecer associadas ao feminino:1. Sexualização,2. Futilidade,3. Debilidade física,4. Infantilização,5. Narcisismo,6. Instabilidade emocional,7. Irracionalidade, Fonte: http://eschergirls.tumblr.com8. etc.
  • 14. Marcas de Gênero nas HQs Tais características podem aparecer em HQs de qualquer origem. São bem comuns em material que tem o público masculino como principal alvo. O que no Ocidente significa em boa parte dos quadrinhos comerciais. Parecer sexy e atraente (*ao olhar masculino*) é a função das personagens femininas. Por conta disso temos poses impossíveis (*por questões de anatomia*) e roupas “inadequadas”.
  • 15. Poses e Uniformes “Impossíveis” Psyloch em uma típica pose “butt-boobs”.
  • 16. Poses e Uniformes “Impossíveis” Mais uniformes e poses impossíveis.
  • 17. Poses e Uniformes “Impossíveis” Exemplos de capas de revista.
  • 18. Poses e Uniformes “Impossíveis”  Gunbuster é um dos casos japoneses de uniformes absurdos.  A série de ficção científica produzida na época do auge da aeróbica, as meninas- piloto usavam roupas de aeróbica.  Os pilotos usavam macacões tradicionais.
  • 19. Poses e Uniformes “Impossíveis” • O site Escher Girls faz um excelente trabalho discutindo a misoginia na representação das mulheres no quadrinho. • Um dos objetivos do site é apontar os problemas de anatomia resultante da sexualização compulsória das persoangens.
  • 20. Poses e Uniformes “Impossíveis”• Um dos pôsteres do filme Os Vingadores foimuito criticado por reforçar estereótipos.
  • 21. Poses e Uniformes “Impossíveis”• A crítica feita pelo artista Kevin Bolk.
  • 22. Corpo: Metáfora da Cultura• Sobre o corpo, Susan Bordo escreveu:• “O corpo — o que comemos, como nos vestimos,os rituais diários através dos quais cuidamos dele— é um agente da cultura. (...) é uma poderosaforma simbólica, uma superfície na qual as normascentrais, as hierarquias e até os comprometimentosmetafísicos de uma cultura são inscritos e assimreforçados através da linguagem corporal concreta.O corpo também pode funcionar como umametáfora da cultura (...) uma imagem mental damorfologia corporal tem fornecido um esquemapara o diagnóstico e/ou visão da vida social epolítica.” Além disso, o corpo é “(...) um lugarprático direto de controle social”.
  • 23. Corpo: Metáfora da Cultura• Independente da editora, da heroína, desdepelo menos a segunda metade dos anos 1980,há um padrão de representação das mulheres.
  • 24. Corpo: Metáfora da Cultura• A sexualização também ocorre nos mangás.A maior diferença é que as heroínas tendem aser adolescentes, como em Evangelion.
  • 25. Corpo: Metáfora da Cultura• Christopher Hart ensina a desenhar corposfemininos e masculinos.
  • 26. Corpo: Metáfora da Cultura• Representada semprecomo uma mulherobesa, Waller foi foiinterpretada no cinemapela magra AngelaBasset.• Com o reboot doEsquadrão Suicida daDC Comics, Amandaagora é magra evoluptuosa.• Trata-se de umaadequação à norma.
  • 27. Corpo: Metáfora da Cultura• Os padrões de beleza, no entanto, não são “naturais”.No entanto, em uma sociedade patriarcal, o corpofeminino deve se pautar pelo olhar masculino..
  • 28. “Onze coisas que as meninas amam” Turma da Mônica Jovem – Edição 5  Neste volume de Turma da Mônica Jovem é possível perceber a HQ como uma “tecnologia de gênero” em ação.  Destaca-se que a edição tem um caráter assumidamente pedagógico.
  • 29. “Onze coisas que as meninas amam” Turma da Mônica Jovem – Edição 5  A edição no5 foi a escolhida para ser publicada em inglês e espanhol.  Apesar do caráter didático, a edição reforça estereótipos e ajuda a reforçar que as meninas (e só elas) devem/precisam se preocupar com sua aparência.
  • 30. “Onze coisas que as meninas amam” Turma da Mônica Jovem – Edição 5  É a mãe quem toma a palavra, a mulher adulta ensinando às jovens “o que é ser uma menina”. Se ela está dizendo, deve ser verdade.  A edição inteira é dedicada às meninas, os garotos não tem o que dizer sobre si mesmos.
  • 31. “Onze coisas que as meninas amam” Turma da Mônica Jovem – Edição 5  Segue então a história que serve para apresentar a personagem Denise: 1. Garotas amam se maquiar – “Antes de sair e arrasar tem que se produzir”. 2. Garotas amam ganhar presentes ou comprar. 3. Não há nada melhor do que dividir bons momentos com suas amigas – “amigas renovam nossas energias”. 4. Qual garota não ama fazer compras?
  • 32. “Onze coisas que as meninas amam” Turma da Mônica Jovem – Edição 5 5. Que garota não ama ir ao cabeleireiro? 6. Jóias!! Garotas amam joias! – “Tudo o que brilha atrai a atenção de uma mulher”. 7. Garotas amam perfumes. 8. Garotas amam ler tudo! – “moda, beleza e comportamento, alimentação, fofocas”. 9. A Sobremesa 10. Que garota não gosta de receber flores? 11. E garotas amam garotos.
  • 33. “Onze coisas que as meninas amam” Turma da Mônica Jovem – Edição 5 •A apologia ao consumismo marcam os pontos 2, 4, 6 e7. • As mulheres são apresentadas como economicamente dependentes ou, pior, como aquelas que não gastam o seu próprio dinheiro, mas o do pai ou parceiro.
  • 34. “Onze coisas que as meninas amam” Turma da Mônica Jovem – Edição 5  Comprar é uma fonte de prazer feminino.  Mulheres e meninas tem prazer em estar juntas com este objetivo.  A fala de Denise “Simples, é sua mente, mulher” se remete a naturalização de algo que é aprendido.
  • 35. “Onze coisas que as meninas amam” Turma da Mônica Jovem – Edição 5  Há a percepção na mudança nas práticas de consumo.  A mãe de Mônica, mulher adulta, fala em jóias, mas meninas têm múltiplos interesses.  Ainda assim, a noção de “natureza” não é questionada.
  • 36. “Onze coisas que as meninas amam” Turma da Mônica Jovem – Edição 5  Meninas amam ler, mas aquilo que lêem está dentro do círculo de seus interesses naturais.  Meninas não gostam de estudar.  O humor reforça o ridículo que é uma menina se interessar por física ou mesmo história.
  • 37. “Onze coisas que as meninas amam” Turma da Mônica Jovem – Edição 5  “Tudo a seu tempo”, diz a mãe. No entanto, aos 15 anos, estudar deveria ser algo importante.  Se as meninas têm uma natureza, os meninos também têm.  Eles lêem menos, mas o que as meninas lêem é cultural e socialmente menos importante.
  • 38. “Onze coisas que as meninas amam” Turma da Mônica Jovem – Edição 5  A ênfase consumitsa permeia toda a história.  O culto à aparência marca os pontos 1, 5, 6, 7, 9. Somados aos pontos 10 e 11 temos o objetivo: atrair e agradar os homens.  Meninas poderiam se juntar para outras coisas, como praticar esportes, por exemplo.
  • 39. Discussão de Gênero nas HQs  Enquanto alguns materiais reforçam estereótipos de gênero, Outros questionam e refletem sobre eles.  É o caso de Aya de Yopougon, incluído no Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) 2012.
  • 40. Discussão de Gênero nas HQs  Além de discutir papéis de gênero, Aya de Yopougon, de Marguerite Abouet, tem um recorte autobiográfico e mostra uma África para além dos estereótipos raciais.
  • 41. Discussão de Gênero nas HQs • Aya tem amigas, se preocupa com sua aparência, mas tem horizontes amplos. • Ela deseja ser médica em uma sociedade na qual o estudo para as mulheres não é uma prioridade.
  • 42. Discussão de Gênero nas HQs • Questões abordadas em Aya de Yopougon não são estranhas ao contexto brasileiro e podem ser utilizadas para discussão em sala de aula.
  • 43. Discussão de Gênero nas HQs • Outro material muito rico para discussões sobre papéis de gênero utilizando HQs é Persépolis de Marjane Satrapi. • Na falta da HQ, a animação surge como uma boa opção.
  • 44. Discussão de Gênero nas HQs • Engana-se quem pensa que Persépolis fala somente do Irã ou da “opressão do Islã”. • A HQ fala da falta da apropriação dos corpos das mulheres. • A violência se justificando, pela roupa que estão vestindo, ou simplesmente por serem mulheres.
  • 45. Discussão de Gênero nas HQs • Usando Persépolis é possível discutir com adolescentes como as mulheres podem discriminar as próprias mulheres, as pressões do grupo sobre o indivíduo, ou como a prática sexual ou orientação sexual não deve ser usada como fator de discriminação.
  • 46. Considerações Finais As HQs ajudar a perpetuar ou transformar as relações de gênero. É possível refletir sobre essas questões e divertir ao mesmo tempo. Meninas são leitoras de todo o tipo de HQs e precisam ser reconhecidas como tal. É preciso questionar estereótipos, HQs podem servir para excluir ou incluir as meninas e mulheres.
  • 47. REFERÊNCIAS Bibliográficas When Did Girls Start Wearing Pink? http://www.smithsonianmag.com/arts-culture/When-Did-Girls- Start-Wearing-Pink.html BORDO, Susan. O corpo e a reprodução da feminidade: uma apropriação feminista de Foucault in Gênero, corpo e conhecimento. In: ___, JAGGAR, Alison M. Gênero, Corpo e Conhecimento. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1997. SCOTT, Joan. Prefácio a Gender and Politics of History. Cadernos Pagu (3) 1994, p. 11-27. BUTLER, Judith. Problemas de Gênero – Feminismo e Subversão da Identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. ___. Undoing gender. New York: Routledge, 2004. LAURETIS, Teresa. ___. A Tecnologia do Gênero. in: HOLLANDA, Heloísa Buarque de. Tendências e Impasses – O Feminismo como Crítica da Cultura. Rio de Janeiro: Rocco, 1994, p. 206-242. ESCHER GIRLS: http://eschergirls.tumblr.com/
  • 48. Contato Natania Nogueira nogueira.natania@gmail.com www.gibitecacom.blogspot.com www.historiadoensino.blogspot.com.br Valéria Fernandes shoujofan@gmail.com http://www.shoujo-cafe.com http://www.historiativa.blogspot.com.br

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