Histórias em quadrinhos e ensino: uma parceria possível Natania Nogueira Valéria Fernandes
O que são Histórias em Quadrinhos?
Histórias em quadrinhos são um ramo da arte seqüencial, na qual podemos incluir também o cinema.
Nas HQs, texto e imagens, ou somente a segunda, se unem para passar uma mensagem.
Onde e quando surgiram as HQ?
As HQs foram criadas, oficialmente, nos Estados Unidos, em 1895, com o Menino Amarelo (Yellow Kid) criado por Richard Outcault .
Mas se olharmos para o passado...
A Tapeçaria de Bayeux (séc. XII) pode ser vista como uma espécie de HQ, arte seqüencial com certeza é.
Mas se olharmos para o passado...
A arte funerária do Antigo Egito, também pode ser encarada como arte seqüencial.
No Brasil, o italiano Angelo Agostini é considerado o pioneiro das HQ brasileiras.
Agostini (1843-1910) publicou a primeira HQ brasileira em 1869. Precedendo o Yellow Kid em 25 anos.
As aventuras do Nhô Quim ou Impressões de uma Viagem à Corte (Angelo Agostini)
O primeiro grande herói dos comics de aventura foi Tarzan, criado por Edgar Rice Burroughs, em 1912. Tarzan estreou em 1929 em tiras dominicais de jornal, desenhado por Hal Foster.
O primeiro super-herói foi o Super-Homem, criado em 1933, por Jerry Siegel e Joe Schuster.
Superman apareceu oficialmente no primeiro número da revista Action Comics em 1938.
O Príncipe Valente foi uma das primeiras HQs “históricas”.
Hal Foster publicou a série quase sem interrupções até 1970 e continuou supervisionando-a até sua morte, em 1982.
Em 1937, Hal Foster criou o Príncipe Valente, e revisitou a Corte do Lendário Rei Arthur.
Em 1941, o psicólogo William M. Marston criou a primeira super-heroína dos quadrinhos: a Mulher Maravilha. O sucesso foi imediato.
Durante um bom tempo ela foi a única super-heroína adulta das comics, que eram sempre “garota” ou “moça” alguma coisa.
No Brasil, a primeira publicação voltada para os quadrinhos surgiu em 1905.
“ O Tico-Tico” foi criado por Renato de Castro e Manuel Bonfin e publicado pela editora S.A.O. Malho.
A revista O Gibi foi lançada em 1939 pelo grupo Globo. O termo que significava moleque, negrinho, passou a ser sinônimo de HQ no Brasil.
O Gibi foi criado para competir com a revista Mirim de Adolfo Aizen.
A Editora Brasil-América (EBAL), fundada em 1945 por Adolfo Aizen, foi um dos pioneiros na produção e edição de histórias em quadrinhos dedicadas a temas relacionados à educação e, especialmente, à História.
A Perseguição aos Quadrinhos
Em 1954, durante o Macartismo, o psicólogo Frederick Wertham iniciou uma cruzada contra os quadrinhos.
Homossexualidade, criminalidade juvenil, dificuldades escolares dos jovens, as HQs eram culpadas de tudo.
Como resultado, os quadrinhos para adultos desapareceram, houve uma infantilização das temáticas, e criaram-se selos de qualidade.
Os heróis e heroínas sobreviventes foram descaracterizados, idiotizados.
A partir de então HQs passaram a ser coisa de criança.
A Perseguição aos Quadrinhos
Os primeiros inimigos dos quadrinhos no Brasil foram os padres. Classificavam os gibis como “imorais” e “desnacionalizantes”.
Isso já acontecia antes de Wertham escrever seu livro, mas os acontecimentos nos EUA foram capitais para que muita gente se convencesse de que os gibis eram coisa perigosa.
Sedução dos Inocentes, livro que deu início à caça às bruxas.
A Perseguição aos Quadrinhos
Gilberto Freyre , foi um dos maiores defensores dos quadrinhos no Brasil, que classificava como sendo uma “ponte para a literatura”.
As HQ nas Escolas
As HQ são indicadas pelos PCNs como material que pode e deve ser usado nas escolas.
O MEC, através do Programa Nacional Biblioteca da Escola, está levando HQ para as bibliotecas das escolas.
Mas não se achem que os velhos preconceitos acabaram, pois parece que há uma nova
campanha contra os quadrinhos em andamento na mídia.
Manchetes recentes da campanha Anti-HQ
Will Eisner é um dos mais importantes quadrinistas de todos os tempos e recentemente sua obra vem sofrendo ataques no Brasil:
G1: HQ com sexo e palavrão é material de apoio em escola de Vila Velha
Folha On Line: Livro para biblioteca escolar exibe até pedofilia
Manchetes recentes da campanha Anti-HQ
"As pessoas têm um conceito vulgar da coisa. Acham que é preciso apelar para estimular a criança ou o jovem a ler. [...] para ensinar, é preciso ter conhecimento técnico. Que comissão é essa que escolhe esse livro? Por que dar preferência a isso? Esse tipo de educação é de entretenimento."
Vitor Paro, da Faculdade de Educação da USP
Manchetes recentes da campanha Anti-HQ
"Por que os livros de Jorge Amado ou Machado de Assis não recebem indicação para adultos? Por que a censura com os quadrinhos? [...] Quantos livros, quadros ou filmes sugerem violência? Mesmo a Bíblia tem muitas passagens que podem ser censuradas."
Rogério de Campos, diretor da Conrad, editora especializada em HQs.
O Preconceito Persiste...
A idéia de que as HQs precisam ser material infantil, persiste na cabeça de muitos pais e educadores. Ajudar a desconstruir essa idéia é um dos objetivos de nossa oficina.
Mangá, uma outra história...
Mangás são quadrinhos japoneses. O processo de perseguição sofrido no Ocidente não atingiu os quadrinhos orientais.
Morte de Maria Antonieta no mangá A Rosa de Versalhes.
Mangá, uma outra história...
Nos mangás todos os temas são possíveis, mesmo em quadrinhos para o público infantil.
Há quadrinhos mangás para todos: homens e mulheres adultas, meninos e meninas, crianças, etc.
Recentemente, os mangás se tornaram febre no Ocidente e podem ser encontrados em todas as bancas do Brasil.
Mangá, uma outra história...
Osamu Tezuka é considerado o pai dos mangás modernos e trouxe a linguagem cinematográfica para as HQs. Vários mangás de Tezuka foram lançados no Brasil, inclusive o mangá histórico Adolf.
Adolf de Osamu Tezuka – 5 volumes – Editora Conrad
Mangá, uma outra história...
Alguns dos mangás publicados no Brasil tem conteúdo histórico e ajudam a aumentar o interesse de alunos e alunas pelos conteúdos da nossa disciplina.
Um exemplo é o mangá adulto O Lobo Solitário (Kozure Okami) de Kazuo Koike.
Mangá, uma outra história...
Ainda que poucos mangás históricos tenham sido publicados no Brasil, temos à disposição alguns títulos que podem estimular os alunos e alunas:
1945 Keiko Ichiguchi.
O Lobo Soliátio.
Adolf e Buda de Osamu Tezuka.
Rurouni Kenshin de Nobuhiro Watsuki.
Rurouni Kenshin ou Samurai X, como também é conhecido no Brasil.
Mangá, uma outra história...
O mangá 1945 é inspirado no incidente da Sociedade da Rosa Branca formada por um grupo de estudantes alemães que resistiram ao nazismo.
O mesmo episódio inspirou o filme alemão Uma Mulher Contra Hitler que foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2006.
Valéria Fernandes – [email_address]
Natania Nogueira – [email_address]
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