Drogas e adição

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  • 1. Adição de drogas Aline Reis e Fernanda Castro Outubro de 2010
  • 2. EPIDEMIOLOGIA
    • 2009: Relatório do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC):
      • 172 a 250 milhões de pessoas no mundo, entre 15 a 64 anos (total de 4,3 bilhões) fizeram uso na vida de uma ou mais substâncias ilícitas.
      • Maconha - anfetaminas – cocaína - opióides
      • Maior consumo no sexo masculino
      • Tabaco e álcool são as causas principais de mortalidade e incapacidade
      • Comorbidades:
        • Transtorno depressivo maior
        • Síndrome do pânico
        • Transtorno de ansiedade generalizada
        • Fobia social
  • 3. EPIDEMIOLOGIA
    • Estudo em 2001 com 8589 indivíduos entre 12 e 65 anos de idade
    • Em 107 cidades com mais de 200 mil habitantes no Brasil
    • Uso de drogas de abuso em algum momento da vida
    Tabela I- Porcentagem estimada do uso de drogas de abuso em 107 cidades do Brasil Drogas de abuso % Álcool 68,7 Maconha 6,9 Solventes (benzina) 5,8 Ansiolíticos (benzodiazepínicos) 3,3 Cocaína 2,3 Xaropes (codeína) 2,0 Estimulantes (anfetamina) 1,5 Opióides (morfina) 1,4 Anticolinérgicos (utilizados para Parkinson) 1,1 Alucinógenos (chás e LSD) 0,6 Barbitúricos (sedativos) 0,5 Crack 0,4 Merla 0,2 Heroína 0,1
  • 4. COCAÍNA/CRACK
  • 5. COCAÍNA/CRACK
    • Histórico:
      • Uso da folha de coca pelos povos andinos
      • Levada pelos espanhóis para a Europa
      • Vinho Mariani
      • Coca-cola até 1905
      • Tratamento da dependência de morfina (Freud – livro Über Coca )
      • Sherlock Holmes
      • 1885: a companhia americana Park Davis vendia livremente cocaína em cigarros, pó ou liquido injectável sob o lema de "substituir a comida; tornar os covardes corajosos, os silenciosos eloqüentes e os sofredores insensíveis à dor".
  • 6.
    • Dados epidemiológicos:
      • A cocaína e o crack são consumidos por 0,3% da população mundial
      • Maior parte dos usuários nas Américas (70%)
      • No Brasil, cerca de 2% dos estudantes já usou cocaína pelo menos uma vez na vida e 0,2% o crack
      • Em SP, é a 3ª substância ilícita mais utilizada, depois de solventes (2,7%) e da maconha (6,6%).
        • 2,1% de uso de cocaína e 0,4% de crack
      • Emergências: 30% a 40% das admissões relacionadas a drogas ilícitas, 10% entre todos os tipos de drogas e 0,5% das admissões totais
      • A população de usuários é extremamente jovem, variando dos 15 aos 45 anos, com predomínio da faixa etária dos 20 aos 30 anos
    COCAÍNA/CRACK
  • 7.
    • A droga:
      • Alcalóide extraído das folhas da coca ( Erythroxylon coca )
    COCAÍNA/CRACK
  • 8.
    • Vias de consumo:
    COCAÍNA/CRACK
  • 9.
    • Efeitos:
      • Anestésico local, vasoconstrictor e estimulante do SNC
      • Sensação de bem estar
      • Diminuição da necessidade de sono
      • Aumento das sensações sexuais
      • Redução do apetite
      • Hiperatividade, euforia
      • Perda de sensação de cansaço
      • Autoconfiança elevada
      • Aceleração do pensamento
      • Sintomas graves de abstinência
    COCAÍNA/CRACK
      • Amento da Fc e Fr
      • Aumento da temperatura
      • Sudorese
      • Tremor leve de extremidades
      • Espasmos musculares
      • (língua e mandíbula)
      • Tiques
      • Midríase
  • 10.
    • Overdose:
    COCAÍNA/CRACK
  • 11.
    • Complicações psiquiátricas:
      • Intoxicação aguda
        • Disforia (irritação)
        • Ansiedade
        • Agitação
        • Heteroagressividade
        • Sintomas paranóides
        • Alucinações
      • Dependência
      • Síndrome de abstinência
    COCAÍNA/CRACK
  • 12.
    • Tratamento (emergência):
    COCAÍNA/CRACK
  • 13.  
  • 14. LSD
    • Ácido, doce, gota, quadrado, papel, bike, selo, trips, ...
    • Dietilamida do ácido lisérgico (composto cristalino)
    • Derivado da ergolina
    • Uma das mais potentes substâncias alucinógenas conhecidas
    • Fungo Claviceps purpurea (centeio)
    • Efeitos descobertos em 1943 pelo químico suíço Albert Hofmann (impedir sangramento excessivo após parto)
  • 15. LSD
    • Apresentação: folhas de papel secante (selos ou autocolantes)
    • Dosagem média: 50 a 75 microgramas.
    • Uso: via oral , absorção sub-lingual, injetada ou inalada.
    • Ação: bloqueio dos receptores pré-sinápticos da dopamina (D1 e D2) - concentração de dopamina na fenda sináptica.
    • Metabolismo hepático
    • Excreção renal
    • Latência: de ½ a 3 horas
    • Duração dos efeitos: de 8 a 12 horas
    • Meia-vida: 3 horas
  • 16.
    • Não existem registros de morte por overdose
    • Não causa dependência química
    • Efeitos biológicos:
    LSD
      • Dilatação das pupilas
      • Náuseas, cefaléia, insônia, sonolência
      • Aumento da PA, Fc, hipo ou hipertermia
      • Dificuldade de concentração, alteração da noção tempo-espaço
      • Contrações uterinas
      • Hiperglicemia
      • Piloereção, transpiração
      • Hipoestesia ou parestesia, hiperreflexia, tremores
  • 17.
    • Efeitos mentais: personalidade, contexto, qualidade do produto
    LSD
  • 18.
    • 5 kg de tartrato de ergotamina
    • 1kg de LSD
    • 20 milhões de doses
        • 2 a 3 dias para produzir 30 a 100 gramas do composto puro!
        • PERIGO:
          • Uso com anfetaminas
          • Pessoas depressivas, ansiosas e outros transtornos mentais
    LSD
  • 19. LSD
  • 20. MACONHA
  • 21. MACONHA
    • Combinação de flores e folhas da planta conhecida como Cannabis sativa .
    • Droga ilícita de maior consumo no mundo
    • - 60 milhões de americanos, incluindo 13% daqueles entre as idades de 12 e 17 anos.
    • - No Brasil:
    • Crescimento de 40% do seu uso entre estudantes do ensino fundamental e médio durante a última década.
    • 8 % dos estudantes relatam que já fizeram uso de maconha.
    • A maconha é a segunda droga mais utilizada entre estudantes (exceto álcool e tabaco).
  • 22.
    • Aspectos Farmacocinéticos
    • Via pulmonar – efeitos em minutos (efeito pleno – 1 horas e duração de 2 a 3 horas)
    • Via oral – lenta e de absorção variável
    • Formas para Uso:
    • Fumo: tolhas, caules e sementes (triturados); 1-2%
    • Maconha sem semente: Prensada e vendida como tijolo; 6%
    • Haxixe: Flores femininas secas, ricas em resina; 8%
    • Óleo de haxixe: Óleo ou resina (extração industrial); 15 a 40%
    • Cristais de haxixe: Cristais de canabinol; 60%
    MACONHA
  • 23. MACONHA Haxixe Fumo
  • 24.
    • THC : substância tóxica - principal constituinte ativo da marijuana.
    • Receptores de THC - localizam-se especificamente nos neurônios do sistema de opióides endógenos (Sistema relacionado a secreção de susbstâncias opióides pelo próprio organismo).
    • Ligação do THC com seus receptores => excitação dos neurônios que enviam sinais aos neurônios dopaminérgicos do sistema límbico * (responsável principalmente pela regulação dos processos emocionais) =>liberação de mais dopamina (neurotransmissor relacionado a sensação de prazer) =>sensação de prazer e euforia .
    MACONHA
  • 25. MACONHA
  • 26.
    • Doses de THC (princípio ativo da maconha): propriedades ansiolíticas e antidepressivas.
    • Doses de THC : efeitos inversos (altamente sedativas e depressivas) .
    • Relatório britânico de 2002 listou os riscos à saúde pública associados com o uso da maconha: suicídio, comportamento sexual de risco, gravidez na adolescência e não desejadas aumentadas, doenças sexualmente transmissíveis, acidentes de trânsito, acidentes em geral, crimes violentos e em geral, custos da saúde aumentados, e problemas e doenças mentais .
    MACONHA
  • 27.
    • Primeiro estudo científico: INDIAN HEMP DRUGS COMMISSION REPORT (1894)
    • *Realizado pelo Reino Unido em suas colônias produtoras de cânhamo (fibra que se obtêm da planta Cannabis ): ÍNDIA, BANGLADESH E BURMA.
    • * Durante três anos, cerca de 1200 indivíduos e 300 médicos foram ouvidos e avaliados, em mais de trinta cidades.
    • * Não encontrou alterações psiquiátricas exclusivamente relacionadas ao consumo de maconha.
    • * Complicações relacionadas ao uso pesado .
    MACONHA
  • 28. MACONHA ANOS 40 *Estudos relevantes CANNABIS SATIVA EM RELAÇÃO ÀS DOENÇAS MENTAIS E AO CRIME NA ÍNDIA por Chopra et al (1942).
  • 29.
    • 1940 - 1970
    • Identificação e Classificação das psicoses relacionadas ao consumo de maconha:
    • PSICOSE CANÁBICA
    • Psicose secundária ao consumo de maconha e decorrente de desequilíbrios provocados no cérebro pela presença da maconha (organicidade).
    • 1. PROPRIEAMENTE DITA (AGUDA OU CRÔNICA)
    • Indivíduos não predispostos
    • 2. INDUZIDA
    • Indivíduos predispostos
    • 3. AGRAVADA
    • Indivíduos sabidamente psicóticos
    MACONHA
  • 30.
    • SÍNDROME AMOTIVACIONAL : Caracterizada por apatia, desinteresse, indiferença, retraimento e embotamento afetivo, levando a um distanciamento do convívio social e afetivo, sem que isso represente um motivo de preocupação ou angústia para o usuário.
    • HÁ PREJUÍZOS À MOTIVAÇÃO E AO PRAGMATISMO (OBJETIVIDADE) NAS ATIVIDADES NECESSÁRIAS PARA SE ALCANÇAR UM BOM DESEMPENHO COTIDIANO.
    MACONHA
  • 31.
    • ESQUIZOFRENIA & MACONHA
    • O consumo de substâncias psicoativas entre os esquizofrênicos é maior que na população em geral.
    • MODELOS ETIOLÓGICOS
    • Causalidade (abuso de substâncias poderia causar ou precipitar esquizofrenia em indivíduos vulneráveis),
    • Automedicação (pacientes esquizofrênicos usariam drogas para minimizar sintomas da doença ou efeitos colaterais da medicação),
    • Coincidência (a associação entre as duas entidades seria uma coincidência por serem entidades clínicas semelhantes quanto a idade de início idade e prevalência, não havendo relação causal entre ambas).
    MACONHA
  • 32.
    • QUESTÕES ATUAIS
    • ANOS 90
    • Aumento do consumo entre os adolescentes.
    • Surgimento de apresentações mais potentes.
    • Novo interesse pelo tema em estudos populacionais de modelos biológicos.
    MACONHA
  • 33. MACONHA
  • 34.
    • SISTEMA DE NEUROTRANSMISSÃO CANABINÓIDE
    • O sistema de neurotransmissão canabióide pode estar diretamente relacionado ao surgimento da psicose.
    • O consumo prolongado de maconha estimula o funcionamento do sistema canabióide.
    • Estimulado pelo consumo de maconha, o sistema canabióide, atua diretamente no sistema de dopamina, relacionado à ocorrência de psicose.
    • Alguns estudos apontam que pacientes esquizofrênicos possuem concentrações alteradas de receptores CB1 (estudos preliminares).
    MACONHA
  • 35.
    • CONCLUSÕES
    • Existem uma associação entre o uso de maconha e o risco de psicose, que aumenta de acordo com a gravidade do consumo;
    • A predisposição à psicose e o uso concomitante de outras drogas aumentam significativamente o mesmo risco;
    • O uso precoce de maconha (especialmente durante a adolescência) também é um fator de risco.
    MACONHA
  • 36.
    • O Tratamento farmacológico é um dos de menor efetividade quando comparados aos outros
    • Está limitado a três episódios:
    • Intoxicações
    • Síndrome de Abstinência
    • Complicações Clínicas
    MACONHA
  • 37.
    • Tratamento farmacológico
    • Intoxicação : É um quadro muito raro, sendo praticamente inexistente as intoxicações que necessitem de alguma abordagem específica.
    • Abstinência e “Craving” : Raramente ocorrem, e quando presentes não são de grande intensidade que justifiquem o emprego de medicamentos.
    • Síndrome Amotivacional : Pode ser tratada com abstinência total da droga, e se necessário antidepressivos.
    MACONHA
  • 38. MACONHA
  • 39.
    • ALCÓOL
  • 40.
    • A cada ano, cerca de 2 bilhões de pessoas consomem bebidas alcoólicas => aproximadamente 40% (ou 2 em cada 5) da população mundial acima de 15 anos.
    ÁLCOOL
  • 41.
    • Uso abusivo e crônico de bebidas alcoólicas => predisposição ao desenvolvimento de psicoses mais tardias (4ª ou 5ª década de vida, dependendo da quantidade de consumo do álcool)
    • Caracterizadas por muitas alucinações e delírios persecutórios.
    • Uso prolongado do álcool => Lesões no cérebro => Psicose de Korsakoff e Demência Alcoólica. 
    ÁLCOOL
  • 42.
    • Psicose de Korsakoff
    • Distúrbio cerebral envolvendo a perda das funções cerebrais específicas, em conseqüência de deficiência de tiamina .
    • Desnutrição = falta de vitamina B-1 ( tiamina ) (normalmente acompanha o uso de álcool ou alcoolismo ).
    • Danos à memória ;
    • Danos às habilidades cognitivas/intelectuais (solução de problemas ou aprendizado);
    • Confabulação (invenção) (para compensar os lapsos de memória).
    ÁLCOOL
  • 43.
    • Demência Alcoólica
    • O alcoolismo é a terceira maior causa da síndrome cerebral orgânica de tipo demencial.
    • 1. Demência sobrevindo após consumo abundante e prolongado de álcool e persistindo pelo menos 3 semanas depois da interrupção esse consumo. 2. Com base na história da doença, no exame clínico e nos exames complementares, eliminação de todas as causas de demência que não sejam o consumo prolongado de álcool.
    ÁLCOOL
  • 44.
    • Perturbações mnésicas,
    • Alterações das práxis (atividade humana em sociedade),
    • Alterações das gnosias (reconhecimento de objetos) e
    • Alterações da linguagem.
    • Formas mais graves são irreversíveis.
    • Formas iniciais podem regredir com abstinência de álcool prolongada e definitiva.
    ÁLCOOL
  • 45.
    • SAA (Síndrome de Abstinência Aguda)
    • Definição - "modificações orgânicas em razão da suspensão brusca do consumo de droga geradora de dependência física e psíquica”
    • 3 a 10 dias do último uso (72h)
    • Alucinações e crises convulsivas
    • Distúrbios táteis e visuais
    • Delirium Tremens
    ÁLCOOL Sinais e Sintomas Disforia Insônia Ansiedade Irritabilidade Náusea Agitação Taquicardia Hipertensão
  • 46.
    • O Tratamento farmacológico é um dos de menor efetividade quando comparados aos outros
    • Está limitado a três episódios:
    • Intoxicações
    • Síndrome de Abstinência
    • Tratamento da Dependência
    ÁLCOOL
  • 47.
    • Intoxicação
    • Manutenção dos sinais vitais
    • Tratamento de suporte clínico
    • -Tinamina (Vit B1): 300mg/dia
    • - Administração de glicose – Sem eficácia comprovada
    ÁLCOOL
  • 48.
    • Síndrome da Abstinência Aguda (SAA)
    ÁLCOOL Ambulatório Tiamina 300mg/dia 2-15 dias EV Diazepam 20mg/dia/VO Retirada lenta Clordiazepam 100mg/dia/VO Lorazepam 40mg/dia/VO Hepatopatas Domiciliar Tiamina BDZ Recaida ou evolução desfavorável -> Internar
  • 49. ÁLCOOL Hospital Tiamina 300mg/dia 7-15 dias EV Diazepam 10-20mg/h/VO Administração EV com retaguarda para eventual parada respiratória Clordiazepam 20-100mg/h/VO Lorazepam 2-4mg/h/VO Hepatopatas
  • 50.
    • Complicações:
    • Convulsões
    • 90% - 48h
    • Pico – 13-24h
    • 40% - Crises isoladas
    • Diazepan 10-20mg/VO (EV apenas durante as crises)
    • Epilépticos – Manter medicação original
    ÁLCOOL
  • 51.
    • Delirium Tremens
    • 1-4 dias abstinência
    • 3-4 dias de duração
    • Diazepan, 60mg/dia
    • Lorazepam, até 12mg/dia (Hepatopatas)
    • Haloperidol, 5mg/dia (Controle da Agitação)
    ÁLCOOL
    • Alucinações
    • Haloperidol, 5 mg/dia
    • Por menor risco de provocar convulsões
  • 52. ÁLCOOL O que não se deve fazer? Hidratar Indiscriminadamente Administrar Glicose
  • 53.
    • Tratamento da Dependência
    • Droga Aversiva (1950)
    • Disulfiram
    • Droga “Anti-Craving” (1994)
    • Naltrixone
    • Nalmefene
    • Acamproxato
    • ISRS – Fluoxetina
    • Agonista da 5HT – Buspirona
    ÁLCOOL Obs: No tratamento da Dependência não há consenso farmacológico
  • 54. ÁLCOOL
  • 55.
    • DROGAS????
    DROGAS NÃO