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Mostras de Cinema Super -8 na Escola Técnica Federal do Paraná: Um Resgaste Histório
 

Mostras de Cinema Super -8 na Escola Técnica Federal do Paraná: Um Resgaste Histório

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Trabalho de Conclusão do Curso de Comunicação Institucional da UTFPR sobre as Mostras de Cinema Super -8 na Escola Técnica Federal do Paraná.

Trabalho de Conclusão do Curso de Comunicação Institucional da UTFPR sobre as Mostras de Cinema Super -8 na Escola Técnica Federal do Paraná.

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    Mostras de Cinema Super -8 na Escola Técnica Federal do Paraná: Um Resgaste Histório Mostras de Cinema Super -8 na Escola Técnica Federal do Paraná: Um Resgaste Histório Document Transcript

    • UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ DEPARTAMENTO ACADÊMICO DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL GEVERSON BISPO RODRIGUESMOSTRAS DE CINEMA SUPER-8 NA ESCOLA TÉCNICA FEDERAL DO PARANÁ NO FINAL DA DÉCADA DE 70: UM RESGATE HISTÓRICO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO CURITIBA 2010
    • GEVERSON BISPO RODRIGUESMOSTRAS DE CINEMA SUPER-8 NA ESCOLA TÉCNICA FEDERAL DO PARANÁ NO FINAL DA DÉCADA DE 70: UM RESGATE HISTÓRICO Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação, apresentado à disciplina de Trabalho de Diplomação, do Curso Superior de Tecnologia em Comunicação Institucional, do Departamento de Comunicação e Expressão – DACEX, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR, como requisito parcial para obtenção do título de Tecnólogo. Orientadora: Professora Mestre Selma Suely Teixeira CURITIBA 2010
    • TERMO DE APROVAÇÃO Aluno: Geverson Bispo Rodrigues (887129) Mostras de Cinema Super-8 na Escola Técnica Federal do Paraná no Final da década de 70: um resgate históricoTrabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito para à disciplina de Trabalho deConclusão de Curso II do Curso Tecnológico de Comunicação Institucional do DepartamentoAcadêmico de Comunicação e Expressão da Universidade Tecnológica Federal do Paraná.Banca Examinadora:Prof. Msc. Almir Correa, UTFPR/DACEXProfª. Dr. Angela Maria Rubel Fanini, UTFPR/DACEXProfª..Dr. Denise Rauta Buiar, UTFPR/GEREPOrientadora: Profª. Msc. Selma Suely Teixeira, UTFPR/DACEX
    • Aos meus pais por acreditarem.Aos meus amigos por não esquecerem.
    • AGRADECIMENTOS Agradeço o entusiasmo incessante da minha professora e orientadora Mestre SelmaSuely Teixeira com esse trabalho, mesmo quando ainda nem sabíamos que ele setransformaria no meu TCC. Sua orientação cuidadosa fez com que essas páginas pudessemcrescer em segurança. Através da Professora Mestre Maurini de Souza A. Pereira quero reverenciar todos osprofessores do Curso de Comunicação Institucional que, no decorrer do Curso, me fizeramenxergar a Comunicação como uma área instigante. Fica registrado aqui o carinho que recebi dos servidores da Cinemateca de Curitibaque abriram os seus arquivos sobre cinema paranaense com sorrisos estimulantes. Agradeçotambém a Biblioteca Pública do Paraná, principalmente a Divisão de DocumentaçãoParanaense, onde pude consultar uma infinidade de pastas durante as manhãs preguiçosas desábado. Também agradeço ao Núcleo de Documentação Histórica da UTFPR (NUDHI) ondeencontrei verdadeiras preciosidades. Espero que esse trabalho seja parte do meu agradecimento aos entrevistados que semostraram extremamente prestativos e solidários ao revelarem suas participações nasMostras. Fico grato ao Jorge Luiz Bostelmann por abrir para mim as portas da sua casa aquiem Curitiba e, também àqueles que, mesmo longe, como Hélio Lemos, Francisco Simões eElisabeth Karam, responderam meus e-mails com muita atenção e carinho. Não posso deixar de agradecer a meus colegas de turma por compartilharem comigoas alegrias, angústias e a dedicação inerentes ao cursar uma universidade. Por fim, mas não menos importante, meu agradecimento a Bruna, por me fazer rirsempre.
    • “Nunca se deve subestimar o poder de compartilhamento da experiênciahumana” Paul Thompson“O trabalho (de pesquisa) deve ser assumido no desejo. Se essa assunção nãose dá, o trabalho é moroso, funcional, alienado, movido apenas pelanecessidade de prestar um exame, de obter um diploma, de garantir umapromoção na carreira”. Roland Barthes
    • RESUMO Este trabalho apresenta o resgate histórico das cinco Mostras de Cinema Super-8 queocorreram na Escola Técnica Federal do Paraná, hoje Universidade Tecnológica Federal doParaná, no final da década de 70. Sob esse aspecto procura encontrar, nesse passado, fatosque possam reverberar no presente da Instituição, além de contextualizar e retomar aimportância dessa manifestação cultural como parte integrante da história do cinemaparanaense e brasileiro dos anos 70. Para realizá-lo, foi feita, inicialmente, uma breve revisãobibliográfica sobre o que hoje se denomina História Empresarial, para logo depoisdivulgarmos como transcorreram essas cinco edições, por intermédio de jornais da época,documentos que se mantinham até o momento depositados nos arquivos da UTFPR e relatosorais de participantes.Palavras-chave: Super-8, UTFPR, Resgate Histórico, Cinema Paranaense, MemóriaEmpresarial.
    • SUMÁRIOINTRODUÇÃO..........................................................................................................................71.0 MEMÓRIA: UMA POSSIBILIDADE DE COMUNICAÇÃO...........................................8 1.1 MEMÓRIA EMPRESARIAL...........................................................................................9 1.2 MEMÓRIA SOCIAL.....................................................................................................11 1.3 MEMÓRIA E ACONTECIMENTO .............................................................................11 1.4 MEMÓRIA E IDENTIDADE ......................................................................................13 1.5 AÇÕES PARA PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA EMPRESARIAL..........................152.0 O Super-8 na ETFPR: elementos para uma história...........................................................17 ..................................................................................................................................................17 2.1.1 POR UMA HISTÓRIA DO TEMPO PRESENTE.....................................................17 2.1.1 POR UMA HISTÓRIA DO TEMPO PRESENTE.....................................................17 2.1.2 BREVE HISTÓRIA DO SUPER-8............................................................................18 2.1.3 A I Mostra Internacional de Super-8, da ETFPR - 1975 ...........................................20 2.1.4 GODARD E ALAIN RESNAIS NA ETFPR.............................................................23 2.1.5 A CENSURA E a Mostra DE 1975............................................................................23 2.1.6 RELATO – Jorge Luiz Bostelmann............................................................................24 2.1.7 A PEDRA FUNDAMENTAL DO CINEMA PARANAENSE.................................26 2.1.9 A III Mostra Nacional DO FILME Super-8 - 1977....................................................29 2.1.10 RELATO – Hélio Lemos..........................................................................................30 2.1.11 A CENTRAL DE PRODUÇÃO DE FILMES DIDÁTICOS da ETFPR.................31 2.1.12 A IV Mostra de Filme Super-8 da ETFPR- 1978.....................................................32 2.1.13 RELATOS: Francisco Simões e Elisabeth Karam ...................................................35 2.1.14 A V Mostra de Filmes Super-8, na ETFPR - 1979 ..................................................37 2.1.15 UM FIM NÃO ANUNCIADO.................................................................................383.0 CONCLUSÃO....................................................................................................................39ANEXOS..................................................................................................................................40Anexo 1: Capa do suplemento especial dedicado à I Mostra Internacional de Filme Super-8,da ETFPR..................................................................................................................................41REFERÊNCIAS........................................................................................................................51
    • INTRODUÇÃO No final da década de 60 e início da de 70, uma tecnologia fílmica despontava noBrasil e também no exterior: era a câmera Super-8. Em um formato mais simples que asexistentes naquele tempo, ela era voltada para o público amador. No entanto, em pouco tempoessas câmeras passaram a ser utilizadas também de forma profissional. É nesse momento deascensão que surgem festivais e mostras de cinema que procuravam apresentar a produçãoque se acumulava e debater as limitações do formato Super 8. Esses festivais tiveram fundamental importância para a divulgação da intensaprodução feita tanto aqui como no exterior e que recebe, hoje, uma atenção especial por partedos estudiosos do cinema brasileiro. Ao nos aprofundarmos nas cinco edições de Mostras Super-8 que ocorreramanualmente na ETFPR, de 1975 a 1979, procuramos resgatar parte da história da instituiçãoque parece desconhecida, assim como retirar, dessas edições, elementos que ainda encontremecos no presente. É preciso lembrar que esse acontecimento, que durou cinco anos, ocorreu no momentoem que o país atravessava um período politicamente conturbado. O regime militar vigoravasob o comando do General Ernesto Geisel que, apesar de assumir o governo prometendo umprocesso gradual e seguro de retorno à democracia, a conhecida “distensão”, deixou quecontinuasse presente a censura e repressão. Basta recordarmos que em 1975 ocorre oassassinato do jornalista Vladimir Herzog na sede do DOI-CODI em São Paulo e que, duranteos anos que se seguiram, a imprensa e as atividades artísticas e culturais continuaram sendoalvos de perseguições. Na primeira edição da Mostra de Super-8, da Escola Técnica Federal do Paraná, em1975, filmes internacionais inscritos no evento não foram exibidos devido à censura. Essamesma atmosfera de ameaça e coerção vai permear as Mostras dos outros anos e estarpresente de forma mais direta na edição de 1977, como nos conta Hélio Lemos, participanteda III Mostra Nacional do Filme Super-8, em seu depoimento. Dessa forma, o resgate dasMostras de Super-8 da ETFPR deve entendido também a partir desse contexto histórico.
    • 1.0 MEMÓRIA: UMA POSSIBILIDADE DE COMUNICAÇÃO “Nunca se deve subestimar o poder de compartilhamento da experiência humana”,essa frase do estudioso britânico Paul Thompson, que se transformou em uma das epígrafesque abre esse trabalho, consegue condensar, de maneira clara, aquilo que iremos tratar nessasprimeiras páginas durante a abordagem teórica sobre Memória Empresarial. Mas, antes de começarmos a tratar da Memória Empresarial, é necessário que façamosalgumas considerações sobre a memória, “esse espaço móvel de divisões, de disjunções, dedeslocamentos e de retomadas, de conflitos de regularização... Um espaço de desdobramentos,réplicas, polêmicas e contra-discursos.”(PÊCHEUX, 1999, p. 56). A partir do conceito expresso por Michael Pêcheux é possível entender que a memóriaapresenta contornos fluídos e que o seu caráter movente tem a possibilidade de transitar emdiversas direções. Tais características nos são importantes porque é a partir delas que podemos entenderque “A memória em sua potencialidade permite reacender utopias, reconstituir outros tempos,representar diferentes idéias e ideais, reativar emoções, rememorar convivências ouconflitos”. (NEVES, 2000, apud CAPRINO; PERAZZO, 2008, p.117). Não sendo matéria imutável, a memória apresenta, portanto, variações na suaconstrução e na sua posterior sedimentação permitindo que, em determinadas situações, elareconstrua os fatos assimilados no passado, a partir do contexto atual. Se pudéssemos tomarde empréstimo a adjetivação “líquida”, criada pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, paradefinir a pós-modernidade, poderíamos estabelecer o termo memória líquida, pois, aocontrário da matéria sólida que se caracteriza pelo seu caráter inflexível e estável, a matérialíquida guarda entre suas características a capacidade de reorganização, expansão emobilidade, como a memória. Vista sob essa ótica, pode-se afirmar que a memória não se constrói somente a partirdos fatos que vivenciamos e guardamos. Segundo Pollack: A memória é, em parte, herdada, não se refere apenas à vida física da pessoa. A memória também sofre flutuações que são em função do momento em que ela é articulada, em que ela está sendo expressa. As preocupações do momento constituem um elemento de estruturação da memória. (POLLACK, 1992, p. 4)
    • Apesar de ser relativamente mais fácil para nós concebermos a memória como umaconstrução individual, é preciso incluir em nosso entendimento que a memória também é umaconstrução coletiva e, principalmente, social, sendo, assim, submetida a variações etransformações (POLLACK, 1992).1.1 MEMÓRIA EMPRESARIAL Nos últimos anos, artigos e livros começam a apontar a denominada MemóriaEmpresarial como um elemento valioso que pode, desde que corretamente gerenciado, gerarnas organizações a ratificação dos seus discursos e também uma análise mais profunda decultura organizacional. Isso acontece porque, ao compreender a vida de uma organização disposta na linha do tempo, podemos distinguir quão importantes foram e são os fatos históricos, as reações, as linhas de comando e o perfil que ela vai incorporando, traduzindo- se na própria maneira de ser da organização (MARICATO, 2006, p.126) Paulo Nassar, Diretor-Presidente da Associação Brasileira de ComunicaçãoEmpresarial - ABERJE conceitua história empresarial, em seu livro Relações Públicas naconstrução da responsabilidade histórica e no resgate da memória institucional dasorganizações como um: Campo controverso de pesquisas que, na atualidade, se debruça, cada vez mais, sobre os acontecimentos das organizações, os seus integrantes e dirigentes, bens e serviços e seus relacionamentos com a sociedade e os seus públicos, configurando o que se denomina história empresarial. (NASSAR, 2007, p. 111) Classificada como um “campo controverso”, a História Empresarial sistematiza orelacionamento entre a instituição e os seus públicos, enquadrando esse relacionamento emum contexto histórico e social. Essa preocupação com os acontecimentos da organização temsuas raízes nas Relações Públicas, que tem como uma de suas principais finalidadessatisfazer os interesses de todos os públicos da organização. Segundo Flávia Borges, no artigo “A memória da empresa: construindo arquivosempresariais” publicado no livro Memória e Cultura: a importância da memória na formaçãocultural humana:
    • Para as empresas, sem dúvida, a preservação da memória serve de suporte para redefinições estratégicas de negócios e de comunicação interna e externa e, neste sentido, é um instrumento valioso para a gestão da cultura e do conhecimento em um cenário marcado por transformações sociais e econômicas em um mercado extremamente competitivo. (BORGES, 2007. p.285) Quando implementados, os programas de Memória Empresarial podem oferecer àsinstituições uma série de benefícios e ser uma grande aliada da organização como expostopela autora. Além disso, essa tendência se revela importante também porque as empresas perceberam que tantos os registros físicos do passado como as pessoas que vivenciaram os momentos históricos estavam ser perdendo. Com eles, ia-se também a compreensão dos processos passados, e consequentemente, de seus reflexos no presente. (TOTINI; GAGETE, 2004, p.119) Sob essa ótica, a história da organização acabou por se tornar uma manifestação clarada sua cultura e da sua identidade, pois é a história que: [...] constrói, a cada dia, a percepção que o consumidor e seus funcionários têm das marcas, dos produtos, dos serviços. O consumidor e o funcionário têm na cabeça uma imagem, que é histórica. Uma imagem viva, dinâmica, mutável, ajustável, que sofre interferências de toda natureza. A imagem, somada à reputação, é determinante para o cidadão, nas inúmeras situações em que se relaciona com a empresa, e para o empregado, na hora de se aliar á causa da empresa. Por isso, todo cuidado é pouco e toda atenção é necessária. (NASSAR, 2007, p.139) Dessa maneira, ela se tornou a principal fonte em que, tanto o público interno quanto oexterno procuram como primeiro referencial. Analisar esse processo histórico em que aempresa está inserida e evidenciá-lo da maneira mais adequada se tornou indispensável para ofortalecimento da marca de uma empresa.
    • 1.2 MEMÓRIA SOCIAL Para melhor compreender o resgate que estávamos das Mostras de Super-8 realizadasna Escola Técnica Federal do Paraná na década de 70, que estávamos realizando recorremostambém a outras classificações de memória. Umas dela foi a de memória social que MarilenaChauí, em seu livro Convite à Filosofia, vai conceituar como aquela que: É fixada por uma sociedade através de mitos fundadores e de relatos, registros, documentos, monumentos, datas e nomes de pessoas, fatos e lugares que possuem significado para a vida coletiva. Excetuando-se os mitos, que são fabulações, essa memória é objetiva, pois existe em objetos (textos, monumentos, instrumentos, ornamentos, etc.) e fora de nós; (CHAUÍ, 2002, p.129). Cientes da importância dos depoimentos e fontes impressas que constituem a memóriahistórica e social, direcionamos o nosso trabalho de reconstrução da história das Mostras deSuper-8 da ETFPR para a pesquisa em jornais publicados no final dos anos 70 e para atomada de depoimentos de quem participou ou presenciou a realização dos eventos.1.3 MEMÓRIA E ACONTECIMENTO Ao realizar o resgate histórico que compõem o corpo desse trabalho nos foi importantechegar à noção de acontecimento histórico. Para Paulo Veyne (1983, p.54 apud WORCMAN;PEREIRA, 2006, p.202) “os acontecimentos não são coisas, objetos consistentes, substâncias;são um corte que operamos livremente na realidade, um agregado de processos onde agem epadecem substâncias em interação, homens e coisas”. Nesse sentido, o acontecimento seriaaquilo que submerge a simples realidade para modificá-la, como se fosse, usando umametáfora, uma cicatriz. Segundo Davallon (1999, p.25) Para que haja memória, é preciso que o acontecimento ou o saber registrado saia da indiferença, que ele deixe o domínio da insignificância. É preciso que ele conserve uma força a fim de poder posteriormente fazer impressão.
    • Essa força que poderia fazer com que as Mostras de Cinema Super-8 na ETFPRsaíssem do esquecimento estava no resgate desse acontecimento e também na aceitação doque Barthes expõe no seu ensaio “Da história ao real”, de que: O prestígio do que aconteceu tem uma importância e uma amplitude verdadeiramente históricas. Há um gosto de nossa civilização pelo efeito de real, atestado pelo desenvolvimento de gêneros específicos como o romance realista, o diário intimo, a literatura de documento, o fait divers, o museu histórico, a exposição de objetos antigos e, principalmente, o desenvolvimento maciço da fotografia, cujo único traço pertinente (comparada ao desenho) é precisamente significar que o evento representado realmente se deu. (BARTHES, 1984, p. 178 - 179). Procuramos esse efeito de real em nosso projeto a partir das notícias extraídas dejornais sobre as Mostras, procuramos também destacar as peculiaridades de cada edição econtextualizá-las no quadro maior que seria o de seu reconhecimento como parte integrante dahistória da UTFPR, instituição que se tornou centenária no ano de 2009, e também na históriado cinema paranaense e nacional da década de 70 com o cuidado necessário para comprovar asua relevância porque: Lembrar um acontecimento ou um saber não é forçosamente mobilizar e fazer jogar uma memória social. Há necessidade de que o acontecimento lembrado reencontre sua vivacidade; e, sobretudo, é preciso que ele seja reconstruído a partir de dados e de noções comuns aos diferentes membros da comunidade social. (DAVALLON, 1999, p. 25) Essa vivacidade de que fala Davallon é encontrada quando o fato histórico resgatadoainda encontra ecos no presente. É preciso que o objeto do resgate tenha alguma relação deimportância ou mesmo de continuidade com a atualidade. O cuidado com a comprovação da importância das Mostras Super-8 da ETFPR sedeveu, principalmente, pelo conhecimento de que ao lidarmos com um acontecimento inscritono passado nós podemos correr alguns riscos como orienta Burke: À medida que os acontecimentos retrocedem no tempo, perdem algo de sua especificidade. Eles são elaborados, normalmente de forma inconsciente, e assim passam a se enquadrar nos esquemas gerais correntes. Na cultura esses
    • esquemas ajudam a perpetuar memórias, sob custo, porém de sua distorção. (BURKE, 2005, p.88) Trabalhando com fatos ocorridos há trinta anos atrás tínhamos consciência dasdificuldades que encontraríamos ao tentar tecer uma história completa, com todos os fatos quepermearam as Mostras, assim como das dificuldades inerentes à distância temporal deconseguirmos um resgate preciso dos acontecimentos a partir de depoimentos e também dosmateriais coletados nos jornais da época. Ao realizar um resgate é preciso o Reconhecimento do fato de que sempre é possível interpretar de outra forma o mesmo complexo e, portanto, a admissão de um grau inevitável de controvérsia, de conflito entre interpretações rivais; em seguida, a pretensão de dotar a interpretação assumida com argumentos plausíveis, possivelmente prováveis, submetidos à parte adversa; finalmente, a confissão de que, por trás da interpretação, subsiste sempre um fundo impenetrável, opaco, inesgotável, de motivações pessoais e culturais, do qual o sujeito jamais acabou de dar conta. (RICCEUR, 2007, p.351) Assim, procuramos respeitar os diferentes enfoques dados pelos depoimentos, assimcomo registramos as informações de jornais e documentos da época. Ao entrar em contato com pessoas que participaram de forma ativa das Mostras,observamos que: Retomar a memória pela possibilidade narrativa das pessoas, permite, de forma inovadora na sociedade pós-moderna, recolocar o papel do comunicador social, dessa vez como mediador e não como informante ou meramente emissor ou reprodutor (CAPRINO; PERAZZO; 2008, p.119) Esse papel que os autores delegam ao novo comunicador social, um ator que apenasfaz a mediação, mais do que informar ou repetir a informação foi um dos caminhos pelosquais decidimos seguir, porque só como meros informantes teríamos um trabalho maislimitado, além de uma interpretação mais restrita.1.4 MEMÓRIA E IDENTIDADE Segundo Paul Argenti, a identidade de uma empresa é:
    • A manifestação visual de sua realidade, conforme transmitida através do nome, logomarca, lema, produtos, serviços e instalações, folheteria, uniformes e todas as outras peças que possam ser exibidas, criadas pela organização e comunicadas a uma grande variedade de públicos. Os diferentes públicos formam, então, percepções baseadas nas mensagens que as empresas enviam de forma tangível. Se essas imagens refletirem com precisão a realidade organizacional, o programa de identidade terá obtido êxito. (ARGENTI, 2006, p.81) Essa identidade pode ser modificada, amplificada ou mesmo ratificada através dafaceta que escolher para trabalhar a história da empresa. A memória, dessa forma, se relacionacom a identidade, porque ela é um elemento constituinte do sentimento de identidade, tanto individual como coletiva, na medida em que ela é também um fator extremamente importante do sentimento de continuidade e de coerência de uma pessoa ou de um grupo em sua reconstrução de si. (POLLACK, 1992, p.5) As organizações hoje necessitam de uma identidade clara e coesa principalmenteporque ela “costura (ou para usar uma metáfora médica,“sutura”) o sujeito à estrutura.Estabiliza tanto os sujeitos quanto os mundos culturais que eles habitam, tornando ambosreciprocamente mais unificados e predizíveis”. (HALL, 2006, p.12). Nesse sentido, ressaltaros elementos que formam a identidade corporativa de uma organização como: valores,filosofias, padrões e objetivos da empresa, a partir da sua história pode contribuir paracoerência que toda a instituição busca. (Argenti, 2006) Quando a Memória Empresarial é trabalhada visando a um fortalecimento deidentidade e, ambos os elementos, ficam suficientemente amarrados, Pollack argumenta que, [...] os questionamentos vindos de grupos externos à organização, os problemas colocados pelos outros, não chegam a provocar a necessidade de se proceder a rearrumações, nem no nível da identidade coletiva, nem no nível da identidade individual. Quando a memória e a identidade trabalham por si sós, isso corresponde àquilo que eu chamaria de conjunturas ou períodos calmos, em que diminui a preocupação com a memória e a identidade. (POLLACK, 1992, p.7)
    • No caso especifico do resgate da história das Mostras de Super-8 da ETFPR, os fatosprojetaram a Instituição para além de seus limites físicos levando-a a fazer parte da história docinema brasileiro e colocando a Escola Técnica Federal do Paraná como um importantereduto do cinema produzido no país no final da década de 70, fortalecendo, dessa maneira suaidentidade.1.5 AÇÕES PARA PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA EMPRESARIAL Atualmente, uma série de ações para preservação da memória empresarial ocorrem emorganizações de todo o Brasil. Isso se deve, principalmente, pelo fato de que: [...] ações, tem sido cada vez mais cobrada pela sociedade. Desta forma, o conhecimento da história da empresa passa a ser um novo critério a ser observado, em razão de seu potencial em agregar valor aos produtos e serviços das organizações. Como efeito dessa nova tendência surge o desafio por parte das empresas em valorizar sua história e resgatar sua memória. (MARICATO, 2006, p. 128) Apesar dessa movimentação ser uma tendência atualmente, e, consequentemente, maissistematizada e estudada, na década de 80, no Brasil, algumas empresas já realizavaminvestimentos em Centros de Documentação e Memória embora com outro enfoque. Comoexpõe Borges, Na época, os modelos de gestão mais inovadores incorporavam novos conceitos de marketing social e cultural. As empresas procuravam maior agilidade e mudanças culturais, e a História era vista então como uma ferramenta de análise de suporte para a gestão das áreas de Comunicação e Recursos Humanos. Por outro lado, as empresas familiares viam no trabalho histórico um reforço de suas culturas, identidades, valores e “mitos”. (BORGES, 2007, p.284) Presentemente se sabe que “fortalecer o senso de pertencimento e de autoria de cadaum, somado à possibilidade de fazer-se “ouvir” é o grande sentido social que um projeto dememória pode adquirir.” (WORCMAN; PEREIRA, 2006, p. 204). Nesse campo, as narrativas orais também começam a ganhar mais prestígio. Nos diasatuais áreas das Ciências Humanas e também das Ciências Sociais estão se voltando com maisatenção para aquelas narrativas que, de certa forma, ficaram à margem do que denominamos
    • de “história oficial”. Por isso, criações pioneiras como a do Museu da Pessoa, em São Paulo,passam a ganhar mais espaço. Constituído como organização da sociedade civil de interesse público, sem finslucrativos, O Museu da Pessoa tem sua sede de trabalho na cidade de São Paulo. Em 1997 estreou seu primeiro site e, em 2003, lançou o portal (www.museudapessoa.net), com ferramentas para pessoas e comunidades criarem sua própria coleção de histórias. (WORCMAN; PEREIRA, 2006, p. 199) Todo esse esforço aparenta estar mais forte, porque: A memória está na ordem do dia, a memória está presente na multiplicação dos museus, nas “instituições da memória”, centros de memória, arquivos, memórias de empresas, memórias de partidos, de igrejas, de famílias, de clubes, de ONGs, nos documentários, novelas de época, moda retrô, movimentos sociais de preservação de bens culturais, reivindicações de identidade e cidadania, etc. ( MENESES, 2007, p.20) A expressão “ordem do dia”, empregado por Meneses pode indicar uma insinuação demodismo, no entanto, a memória empresarial e suas ramificações passam a ter agora, além deum material bibliográfico ainda mais consistente, também mais ações por parte de grandesorganizações. O que torna essa preocupação irrevogável, já que, a partir dela, se conseguemelhorar o relacionamento com os públicos da organização, fortalecer sua identidade ecompreendermos melhor os processos internos da instituição.
    • 2.0 O Super-8 na ETFPR: elementos para uma história “Os festivais de cinema em Super-8 organizados pelo Teatro Guaíra e pela Escola Técnica Federal do Paraná, (atual Centro Federal de Educação Tecnológica – CEFET-PR) revelaram importantes curtas-metragistas, como os irmãos Wagner (Helmut Jr., Rosana, Ingrid e Elizabeth), que iniciaram sua carreira com Metamorfose (Super-8, 1977) e seguiram fazendo cinema de animação até os anos 90.” ENCICLOPÉDIA DO CINEMA BRASILEIRO – ORGANIZADORES: FERNÃO RAMOS E LUIZ FELIPE MIRANDA “O que possibilitou a expansão do movimento superoito, no Paraná como em outros estados, foram os festivais. Um dos dois mais importantes realizados em Curitiba, o Festival Nacional de Cinema em Super 8, coordenado por Silvio Back (1974 e 1975), evidenciou a heterogeneidade na bitola. Mas foi a então Escola Técnica Federal do Paraná (hoje Centro Federal de Educação Tecnológica) que, com a Mostra Nacional de Filme em Super-8 (1975- 1979), consolidou o movimento local e permitiu o intercâmbio de informações, o que contribuiu para a formação de profissionais do cinema.” CINEMA DO PARANÁ - ELEMENTOS PARA UMA HISTÓRIA – CELINA ALVETTI2.1.1 POR UMA HISTÓRIA DO TEMPO PRESENTE
    • Voltamo-nos para as edições das Mostras de Cinema Super-8 (1975-1979) ocorridosna então Escola Técnica Federal do Paraná (ETFPR), hoje, Universidade Tecnológica Federaldo Paraná (UTFPR), com um distanciamento de quem não viveu essa história. Pretendemosrevisitar o que restou desse acontecimento que, embora curto, foi suficiente para que ficasseinscrito na trajetória do cinema paranaense e do cinema nacional da década de 70. Buscamosuma limitada reconstituição desse passado que só foi importante por possibilitar certacompreensão do presente. É preciso que se reconheça já no início dessa apresentação, a impossibilidade desseresgate apresentar explicações que sejam categóricas sobre o começo, término e meandros detodas as edições. Trabalha-se, aqui, antes de tudo, com vestígios. Grande parte desse trabalhofoi possível a partir de dois grandes estudiosos do cinema paranaense: Francisco Alves doSantos e Celina Alvetti, cujo trabalho pioneiro sobre a história do cinema paranaense é umreferencial. Nosso projeto, inclusive, referencia esse trabalho tomando de empréstimo partedo título de seu livro Cinema Paranaense: elementos para uma história. 2.1.2 BREVE HISTÓRIA DO SUPER-8 As câmeras e cartuchos de Super-8 passaram a ser comercializados na metade da décadade 60, mas foi na década de 70 que a novidade começava a se consolidar como instrumentodemocratizador do registro das imagens em movimento. Apresentando um manuseio maissimples e, por conseguinte, mais dinâmico, esse novo formato modificou a memória dosacontecimentos caseiros e, por um efêmero período, o modo de se fazer cinema. A câmera deSuper-8, voltada ao público amador, era o equipamento ideal para realizar pequenos vídeosque podiam captar desde aniversários infantis até imagens de viagens de lua-de-mel. Noentanto, não tardou para que essa função “caseira” da câmera fosse substituída para se tornaruma ferramenta de produção artística. Assim, na década de 70, no Brasil e no exterior,cineastas começaram a utilizá-la para realização de filmes de ficção e documentários. Aexpansão foi intensa e, para abrigar todas essas realizações fílmicas, festivais e mostras foramcriadas no exterior e também em território nacional com a intenção de apresentar essasproduções. No Paraná, pode-se dizer que a história do Super-8 tem início em 1974 no FESTIVALNACIONAL DA BITOLA que teve à frente, como coordenador, o cineasta Sylvio Back. EsseFestival aconteceu no Teatro Guaíra, e teve apenas duas edições, uma em 1974 e outra em
    • 1975, o bastante, no entanto para que despertasse a atenção da crítica e movimentasse osrealizadores paranaenses de Super-8 ainda tímidos e sem espaço de exibição no estado. No Brasil, dois festivais incontestavelmente são essenciais para observar o desenrolardo Super-8 no país. Um dos maiores foi a Jornada da Bahia que surgiu em 1972, três anosantes da primeira edição da mostra na ETFPR, e que resiste até hoje, obviamente cedendoespaço a outros formatos e suportes de filmes. O outro festival significativo da época foi onotório GRIFE, nome como ficou conhecido o Super Festival Nacional do Super-8, em SãoPaulo. Realizado entre 1973 e 1983, tornou-se um dos mais importantes festivais de bitola dopaís, premiando vários realizadores paranaenses. Comum a esses festivais era a motivação dos diretores que, antes da premiação e o doreconhecimento, tinham por objetivo apresentar suas produções ao grande número de pessoasque frequentavam esses eventos. Sem esses canais, os filmes produzidos na nova bitolaficariam limitados a restritas sessões caseiras, ou mesmo às realizadas em pequenoscineclubes. O que diferenciava um festival do outro, além da localização e abrangência, eram assuas propostas. Enquanto o GRIFE e a Jornada da Bahia propunham uma discussão maiscentrada sobre o Super-8, os festivais realizados na ETFPR, buscavam algo a mais do queisso. Realizado por uma instituição de ensino, as edições contemplavam, além dascategorias comuns a eventos similares, a produção de filmes didáticos como uma dascategorias passíveis de premiação. O incentivo dado a essa categoria deu origem, em 1977, auma Central de Produção de Filmes Didáticos sediada pela Escola Técnica que produziu, atésua extinção, um acervo de cerca de 300 filmes que registraram atividades didáticas de todasas áreas de ensino da Escola. Aos poucos, o Super-8 passou a ganhar espaço em outras mídias. Na TV Cultura haviaum programa semanal chamado “Ação Super-8” que teve início em 1975 e que tinha comoproposta entrevistar realizadores, gravar reportagens sobre os festivais de bitola e exibirtrechos de filmes em Super-8. Já nos jornais impressos havia alguns veículos que mantiveraminclusive colunas exclusivas ao Super-8, como a Folha da Tarde, em São Paulo, a revista Íris,e até mesmo O Pasquim, cuja coluna era mantida pelo jornalista Carlos Sampaio, jurado daPrimeira Mostra Internacional de Super-8, da ETFPR. Nos veículos paranaenses, podemosdestacar os jornais O Estado do Paraná, principalmente a coluna Tablóide, de AramisMillarch, Gazeta do Povo, Jornal do Estado, Diário do Paraná e A Voz do Paraná.
    • 2.1.3 A I MOSTRA INTERNACIONAL DE SUPER-8, DA ETFPR - 1975A NEVE QUE VI PELA PRIMEIRA VEZ A Primeira Mostra dedicada ao filme Super -8 realizada pela então Escola TécnicaFederal do Paraná, hoje UTFPR, ganhou o nome de “Primeira Mostra Internacional do FilmeSuper-8” e aconteceu de 22 a 28 de setembro sob a coordenação da Professora RosaneSaldanha Câmera e do cineasta José Augusto Iwersen (v. Anexos 1, 2 e 3). Foram sete diasem que os filmes Super -8 tiveram um espaço amplo e propício a sua exibição e discussão.Passou pela Primeira Mostra toda uma produção fílmica que, analisada hoje, nos ajuda acompreender porque a década de 70 é frequentemente vista como a década em que ocorreu oBoom do filme Super-8. Vagotomia super seletiva, Desarticulação interescapulotorácica, Chuleio de varizesesofageanas. Títulos estranhos para filmes Super-8? Sim, pois todos esses termos fazem partedo jargão médico usados pelo médico-cineasta Dr. Alfredo Duarte para nomear trêsdocumentários científicos feitos por ele, a partir cirurgias que o médico realizou em várioshospitais de Curitiba, e inscritos na Primeira Mostra Internacional do Filme Super-8, daETFPR. Apesar da especificidade dessas produções elas foram apresentadas sem nenhumarestrição ao público. Consideradas pela crítica como bem realizadas e produzidas, essapelículas não obtiveram nenhuma premiação tendo em vista a inexistência de uma categoriaonde pudessem ser encaixadas.Coincidência ou não, os primeiros inscritos na Mostra forammédicos curitibanos, conforme comprova a nota publicada pelo jornalista Aramis Millarch emsua coluna no jornal Estado do Paraná do dia 21 de agosto de 1975, aproximadamentequatro meses antes do início da Mostra. No texto, o jornalista e crítico de cinema informavaque os primeiros quatro filmes inscritos na Mostra eram dos médicos João Alfredo Duarte,João Batista Marchesine e João Batista Neon. De todos os Joões, João Alfredo Duarte foi o único a ser premiado. O seudocumentário A Neve ganhou como “melhor filme sobre a neve”, categoria criada sobreinspiração dos flocos brancos que os curitibanos enxergaram descer em 17 de julho de 1975.A disputa não foi muito acirrada, já que só havia outro filme inscrito, A neve que vi pelaprimeira vez, de Edson Kolbe, Super-8 que, assim como o filme vencedor, documentou aneve se adensando sobre toda a capital em um dos dias mais frios que cidade já atravessou.
    • CORPO DE JURADOS Ao contrário das mostras que se seguiram, a Primeira Mostra não apresentou júripopular, apenas um júri oficial que durante todas as edições tradicionalmente foi compostopor profissionais reconhecidamente notórios em seus campos de atuações. Na primeira ediçãopodemos destacar a presença de Ozualdo Candeias, Carlos Sampaio, Aramis Millarch,Valêncio Xavier e Francisco Alves dos Santos, crítico de cinema e autor do Dicionário deCinema Paranaense, entre outras publicações. Abaixo podemos conhecer um pouco sobrecada um dos profissionais que compuseram o júri oficial da I Mostra.CARLOS SAMPAIO Publicitário e Desenhista, foi professor de cinema em Super-8 e escreveu sobre oassunto, sendo um de seus livros lançado em Curitiba, em 1977, Super 8 e quadrinhos,produto derivado da coluna que mantinha no jornal Pasquim.OZUALDO CANDEIAS Ozualdo Candeias, falecido em 8 de fevereiro de 2007, aos 88 anos, foi um dospercussores do chamado Cinema Marginal, movimento que surge na década de 70, pós-Cinema Novo, e que apresenta em seus filmes características como a ideologia dacontracultura e uma crítica ácida à sociedade do consumo. Sua primeira experiência cinematográfica é com o curta-metragem Tambau – Cidadedos Milagres (1955), mas é no longa A margem que faz um filme emblemático que logo setorna referência ao grupo de cineastas que, assim como ele, durante um curto período detempo fez um tipo de cinema marcado por uma estética que buscava contestar a próprialinguagem cinematográfica, contrariando em alguma parte o mote principal do Cinema Novoque buscava levar radicalmente às telas o processo político e cultural pelo qual o Brasilpassava. Candeias estabeleceu com Curitiba uma relação muito particular. Além de ministrarcursos de direção de atores a convite do Museu da Imagem e do Som na década de 80,realizou aqui, em parceria com Valêncio Xavier, A visita do velho Senhor. Já o curta-metragem Mister Pauer (1988) foi confeccionado durante um curso na Cinemateca.
    • ARAMIS MILLARCH Foi sem dúvida o maior jornalista cultural que o Paraná conheceu e um dos maisimportantes do Brasil. Um dos fundadores da Associação dos Pesquisadores da MúsicaPopular Brasileira foi também o seu primeiro Presidente. Millarch ao longo da carreiraganhou vários prêmios, inclusive o cobiçado Esso de Jornalismo. Deixou para a história maisde 30 anos de relatos jornalísticos sobre o que de mais importante aconteceu no Brasil e noexterior em termos de cultura.VALÊNCIO XAVIER Escritor e cineasta foi primeiro diretor da Cinemateca Guido Viaro, ligada à FundaçãoCultural de Curitiba. Sem nenhuma dúvida, é a figura principal do cinema na década de 70 e80 em Curitiba, porque centralizou em torno de si toda uma geração de cineastas que tevenele apoio em suas primeiras realizações. À frente da Cinemateca, além de realizar filmes queentraram para a história do cinema paranaense, também coordenou atividades de restauração ecursos livres. Paulistano radicado em Curitiba, tornou-se um célebre escritor, ganhadorinclusive de um prêmio Jabuti. Emprestou a suas obras literárias, muitas vezes, o seu olhar decineasta.CATEGORIAS As categorias de premiação dessa Primeira Mostra contemplaram 20 áreas, desde asmais comuns como a de melhor filme, direção, ator e atriz, até algumas curiosas como“melhor uso do som”, “melhor apresentação”, filme com “melhor mensagem humana”,“melhor temática paranaense”, oferecido pela Cinemateca do Museu Guido Viaro que acabounão sendo atribuído, e o já comentado “melhor filme sobre a neve”.A GEOGRAFIA DOS INSCRITOS Muitos filmes brasileiros se inscreveram na Mostra. Na geografia dos inscritos, amaioria dos participantes era do Paraná, incluindo, além de Curitiba, cidades como Maringá,Londrina e Paranaguá. Dos outros estados brasileiros houve presença maior de São Paulo,mas estados como o Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Pernambuco também estiverampresentes.
    • PREMIAÇÃO Os prêmios da primeira edição da Mostra foram, em sua maioria, oferecidos pelosapoiadores. O Grupo Importador Sosecal (v. Anexo 4) ofereceu projetores sonoros (BauerHertieur – Royal_, Filmadoras (Minolta), iluminadores (Taurolux) Gravadores (Monarch) eTripés (Velbon); a Escola Técnica Federal do Paraná ofereceu troféus confeccionados peloCurso de Decoração que a Escola Técnica abrigava e certificados, o Instituto Nacional doCinema ofereceu cinco mil cruzeiros, o jornal Voz do Paraná premiou os ganhadores comfilmes virgens, a Cinemateca do Museu Guido Viaro ofereceu a produção de filmes , oDiretório Acadêmico César Lattes ofereceu troféu e dois mil cruzeiros, o Studio 8, ofereceu aassinatura da revista Super 8 Filmaker, a Esferatur, passagem aos Estados Unidos. 2.1.4 GODARD E ALAIN RESNAIS NA ETFPR Em nota publicada na seção Tablóide, do jornal O Estado do Paraná, o jornalistaAramis Millarch divulgou que três filmes de Jean-Luc Godard e Alain Resnais estariamconcorrendo na I Mostra Internacional de Super-8, da ETFPR (v. Anexo 5). A notícia fezbrilhar os olhos de todos aqueles que tinham Godard e Resnais como os ícones da NouvelleVague, movimento cinematográfico que buscou transgredir a velha forma de se fazer cinema. Apesar de todo o alvoroço diante da possibilidade desses nomes fazerem parte daMostra, o evento ocorreu e desses cineastas não há nenhum resquício, não se sabe nem aomenos se os filmes foram inscritos e, caso tenham sido, se foram inscritos por eles, ou por fãsque usaram o nome dos diretores como pseudônimos. O registro da I Mostra confirma a inscrição de filmes internacionais, mas nenhumdeles chegou a ser exibido. 2.1.5 A CENSURA E A MOSTRA DE 1975 Em 1975, o regime militar vigorava sob o comando de Ernesto Geisel, o país vivia sobestado de forte repressão, e a censura aqui instalada pela Ditadura não deixou de assombrar aI Mostra Internacional de Super-8, da ETFPR, e seus realizadores, ao limitar a apresentaçãodos filmes internacionais inscritos no evento apenas para os jurados.
    • De acordo com os registros da I Mostra, os filmes Super-8 internacionais inscritos noevento foram:The Angel´s – Filme sueco. Relatando os excessos cometidos por um grupo de motociclistas,o filme abordava temas como sexo e drogas tendo, por esse motivo, sua exibição limitada aalguns críticos que manifestaram sua opinião no suplemento especial lançado no final daMostra. Para eles, o filme era originas e, apesar das cenas sexo, conseguia escapar dapornografia e registrar ótima fotografia, música e direção.The Conference – Filme de Chicago E.U.A., documentava uma reunião em um escritórioentre um homem de negócios, uma mulher de biquíni, Jesus, um cowboy, um jovem radical eum palhaço. Antes do final do filme Jesus era assassinado.Seashore – Filme de Atlanta E.U.A. Filme premiado no Festival Internacional de Chicago,em 1972, pelo seu discurso ecológico. Dirigido por Fred Hudson, mostrava o oceano sobdiferentes aspectos focando, principalmente, os animais que vivem no mar. 2.1.6 RELATO – JORGE LUIZ BOSTELMANN Jorge Luiz Bostelmann de Oliveira entrou na Escola Técnica Federal do Paraná paracursar o ensino técnico. Segundo ele, desde muito pequeno desejava se tornar jornalista. Noentanto, previa que o caminho seria mais difícil se não tivesse uma profissão antes de seformar por isso optou por fazer, junto com a Escola Normal, o Curso Técnico de Edificaçõesda ETFPR, muito tradicional na época. Na Escola Técnica da década de 70 ele disse terencontrado, além do ensino de qualidade, um apoio muito grande a várias formas de artes quesurgiam como atividades extracurriculares. Foi assim que ele teve o primeiro contato com ogrupo de Teatro da ETFPR que naquele ano passara a contar com José Maria Santos, umaverdadeira lenda do teatro paranaense. Bostelmamm lembra também da premiadíssima BandaMarcial da Escola. Não demorou para que logo começasse a participar do Centro Acadêmicoe foi junto com esses estudantes que fundou, na Escola, o CineClube Atlântida.
    • O CINECLUBE ATLÂNTIDA Na década de 70, devido a toda uma tecnologia inexistente na época, a projeção defilmes se restringia ou aos cinemas, ou aos cineclubes, ambientes que tinham uma tradiçãomuito forte no Paraná. São daquele tempo as atividades realizadas no Colégio Marista, naUniversidade Federal do Paraná e, em 1975, na Cinemateca da Fundação Cultural de Curitiba. Com uma logística um tanto inusitada para a época, o CineClube Atlântida exibiafilmes aos sábados, geralmente em duas sessões, em sua maioria lotadas. Bostelmann destacaque eles se preocupavam para que, em cada sessão, houvesse um aluno ou convidado queficasse responsável por fazer um estudo prévio antes das projeções para tecer comentáriossobre o diretor, ou a forma de produção dos longas exibidos. Para conseguir os filmes, ele se dirigia até o Cine Vitória, local em que hoje funcionao Centro de Convenções de Curitiba, na Rua Barão do Rio Branco e de lá trazia um saco comvários rolos de filmes em 16mm. O preço da locação era alto e quem financiava o empréstimoeram os recursos que o Atlântida recebia da ETFPR. Os filmes eram também repassados paraos colegas da UFPR. Um ano depois de iniciadas as atividades do CineClube Atlântida, os alunos ficaramsabendo que a Escola Técnica iria produzir a Primeira Mostra Internacional do Filme Super-8.Bostelmann diz não saber muito bem quem foi o idealizador da idéia. No entanto, destaca quemuito daqueles eventos culturais aconteciam por iniciativa do professor Ivo Mezzadri, Diretorda Escola Técnica que, apesar de agradar uma grande parcela de estudantes inquietos e quedesejavam uma formação mais completa era, por outro lado, criticado por uma parcela maisconservadora da Escola, que desejava a centralização em um ensino mais técnico.OS FILMES Como ainda não tinha nenhuma experiência em feitura de filmes, Bostelmann diz querecorreu a manuais que tratavam didaticamente sobre como elaborar roteiros. Reunido comalguns amigos eles trabalharam em uma história baseada em quadrinhos. Como ainda nãotinham câmera, foram socorridos pela Cinemateca que emprestou uma para eles. Parafinalizar o filme contaram com o apoio de Percy Tamplin, cineasta e professor de música, e deValêncio Xavier, jurados da Primeira Mostra de Filmes Super-8, da Escola. Foi assim e com aajuda também do grupo de teatro da ETFPR que filmaram Enigma, que acabou se tornando oprimeiro filme produzido pela Cinemateca Guido Viaro.
    • Entre essas idas e vindas até a Cinemateca Jorge viu, em uma lata de lixo, uma sériede filmes Super-8 revelados que haviam sido descartados. Recolheu-os e levou-os para casa.Inspirado por uma retrospectiva que havia visto anteriormente sobre o cineasta canadenseNormam Mclaren (1914-1987), com uma agulha de costura e um projetor começou adesenhar uma história na própria película do Super-8, um trabalho artesanal e delicado. Apósvários desenhos ele tinha uma animação que receberia o nome de Cotidiano, filme quetratava de cenas corriqueiras do dia-a-dia. Apesar de despretensioso, o filme recebeu elogios de Aramis Milarch que disse que,apesar das circunstâncias de feitura, o filme era muito criativo. O público também seentusiasmou, mas como na Primeira Edição não havia Júri Popular, o filme não chegou a serpremiado. Bostelmann também participou como ator no filme Apoio, de Mario Braga que venceua I Mostra como Melhor Filme Estudantil. O enredo centrava-se no sonho de uma pessoa comdeficiência física sobre sua aceitação pela sociedade. Após terminar o curso técnico, Bostelmann trabalhou por um breve período na área deEdificações, passou no vestibular de Jornalismo na UFPR e lá se tornou o primeiro calouroPresidente do Centro Acadêmico. Hoje, jornalista do Ministério da Saúde, Jorge Bostelmann destaca que foi umaexperiência fantástica seu envolvimento com o cinema, teatro e atividades do Cineclube, naETFPR. Apesar de não ter enveredado para área do audiovisual, o jornalista diz ainda queisso o ajudou muito no inicio da sua profissão, quando trabalhou na Rede Paranaense deTelevisão. 2.1.7 A PEDRA FUNDAMENTAL DO CINEMA PARANAENSE 1975, além de ser o ano que guarda a primeira edição da Mostra de Filmes Super-8 daETFPR e o último do Festival Brasileiro do Filme Super-8 que ocorria no Teatro Guaíra, étambém o ano em que é fundada a Cinemateca do Museu Guido Viaro, instituição queinfluenciará positivamente no rumo do cinema paranaense. Inaugurada em 23 de abril por Valêncio Xavier, seu diretor durante os oito primeirosanos, a Cinemateca logo se transformou em um pólo centralizador de toda culturacinematográfica de Curitiba dos 70 e 80. A partir da visão de Valêncio, o local que poderiaser só mais uma instituição municipal, representou um verdadeiro alento para os jovens
    • cineastas, cinéfilos, ou simplesmente amadores, além de outros profissionais do audiovisualparanaense que lá encontravam um pequeno refugio seguro para criar e dirigir filmesparanaenses. As atividades da Cinemateca não envolviam somente a produção cinematográfica, mastambém a elaboração de cursos práticos, recuperação de filmes, preservação do acervo fílmicoparanaense e atividades de cineclube. Ela também estava recebia cineastas de destaque quepassavam por lá para repartir o que sabiam através de mini-cursos, como Ozualdo Candeias,Sylvio Back, Rogério Sganzerla e Jean-Claude Bernardet, entre outros. Todo esse apoio ecentralização fizeram com que o cinema paranaense ganhasse um novo capítulo conhecidocomo “A geração Cinemateca” que englobava nomes que, a partir daquele espaço, tornaram-se grandes diretores. Dentre eles podemos citar Peter Lorenzo, Beto Carminatti, FernandoSevero, Rui Vezaro e Berenice Mendes. Em 1996, a Cinemateca mudou do antigo endereço na Travessa Nestor de Castro/RuaSão Francisco para a Rua Carlos Cavalcanti, 1174, onde se mantém até hoje oferecendocursos de prática de cinema, abrigando lançamentos de filmes e oferecendo para acomunidade em geral uma programação especial de filmes que não chegam ao circuitocomercial. Modernizada por uma reforma feita em 2007, hoje ela possui duas salas. Uma comequipamentos de última geração, batizada de “João Batista Groff”, em homenagem a um doscineastas pioneiros do Paraná, exibe filmes clássicos e inéditos filmes de arte que não sãoexibidos em outros cinemas. A outra, denominada “Limite”, em homenagem ao clássico deMário Peixoto, é dedicada à exibição e apresentações de filmes de diretores locais, mantendoa tradição de incentivo ao cinema paranaense. A Cinemateca também possui uma biblioteca especializada em cinema, além de umacervo de filmes e de materiais preciosos como pastas com recortes de inúmeros jornais sobrecinema paranaense que nos ajudam a tecer um panorama da nossa história cinematográfica.2.1.8 A II MOSTRA NACIONAL DO FILME DOCUMENTÁRIO - 1976SUPER-8 ECONÔMICO Após realizar a Primeira Mostra Internacional do Filme Super-8 com uma repercussãoalém da esperada, pois a Mostra foi muito bem aceita pela imprensa, o organizador da mostra
    • José Augusto Iwersen junto com o então diretor da ETFPR, professor Ivo Mezzadri, decidiubuscar um novo foco. Deixava-se agora toda a abrangência da primeira Mostra para abrigar osdocumentários (v. Anexo 6). Estávamos na década de 70, e o documentário se tornara a forma corrente de denúnciade uma realidade que gritava, priorizando, em geral, temas de nossa cultura que iam dareligiosidade à cultura popular. Nesse sentido Iwersen, ele próprio um exímio documentarista,anuncia a primeira mostra do gênero na cidade.A MOSTRA DO FILME DOCUMENTÁRIO DEIXOU A DESEJAR Apesar de todo o contexto favorável a uma Mostra dedicada a um gênerocinematográfico tão popular na época, a Mostra Nacional do Filme Documentário foiprejudicada pela falta de divulgação. Uma falha grave afinal para um evento que se pretendianacional, esse erro comprometeu toda a promoção. Um número reduzido de cineastas seinscreveu, chegando a haver quem propusesse o adiamento da Mostra. Com o auxílio das Cinematecas Guido Viaro e a do Museu de Arte Moderna, do Riode Janeiro, e também de participantes da edição anterior, a Mostra foi realizada contando com40 filmes inscritos sendo que a maioria das películas já havia sido exibida na Mostra anteriorou em outros festivais.A MOSTRA Os filmes inscritos na Mostra Nacional do Filme Documentário concorreram em trêscategorias: artes plásticas, técnico e cientifico, dificultando o trabalho do júri formado porintegrantes do eixo Rio – São Paulo que encontrou filmes que não se enquadravam emnenhum desses gêneros. Tentando encontrar uma solução para o impasse, o corpo de jurados decidiu, emconsenso, avaliar os filmes como “cientificamente didáticos”, destinados a serem utilizadosem sala de aula, como um auxílio no ensino. Como o novo foco, o prêmio de melhor filme foi para Há uma gota de sangue emcada poema, denominado também de Maciel. Dirigido por Tuna Espinheira, o filme tratavade um bairro de Salvador, famoso pela prostituição, miséria, promiscuidade e degradação.
    • Na categoria de filme técnico foi vencedor o conjunto de filmes que documentavamcirurgias relevantes e inovadoras na área da saúde, exibido pelo curitibano J. A. Duarte naedição anterior do Mostra na Escola Técnica. Na categoria de artes plásticas, o vencedor foi um documentário curto sobre um pintorprimitivo nordestino, dirigido por Pedro Jorge com fotografia de Valter Carvalho. A Menção Honrosa foi dada aos filmes Sob o ditame de rude almajesto, de Olney SãoPaulo, que documentava a previsão da chuva feita pelo nordestino a partir de interpretação ouleitura dos sinais encontrados na própria natureza, e Palmas para Jesus, em que a diretoraMariza Leão falava sobre o pentecostalismo que, naquela época, crescia como um fenômenoreligioso considerável. George Jonas levou outra Menção Honrosa pelo conjunto de filmesSementinha, que tratava da reprodução de plantas. O diretor de cada filme selecionado recebeu 7 mil cruzeiros. O júri também concedeuum prêmio de incentivo para o filme Proteus, uma produção de Cornélio Procópio quetratava do lançamento frustrado de um foguete construído pelos alunos de uma escola. 2.1.9 A III MOSTRA NACIONAL DO FILME SUPER-8 - 1977 O ano de 1977 marca, no cinema mundial, o surgimento da saga Star Wars, dirigidapor George Lucas, e tido, por muitos, como o marco inicial da era dos chamadosBlockbusters. No mesmo ano, no dia três de novembro tinha início a III Mostra Nacional do FilmeSuper-8, da Escola Técnica Federal do Paraná (v. Anexo 7). Diferente da II Mostra, essaterceira edição volta a privilegiar todos os gêneros fílmicos. Aberta a diferentes estilos, a III Mostra recebeu aproximadamente 60 filmes inscritos.Dentre as inscrições, 20 inscrições foram de cineastas curitibanos, duas de Londrina, duas deParanaguá e duas de Cornélio Procópio. Os prêmios chegaram a 70 mil cruzeiros, sendo 45 mil do Fundo Nacional deDesenvolvimento e 25 mil da Embrafilme. Com o objetivo de divulgar o evento em circuito nacional, ao mesmo tempo em quetrazia para a Mostra profissionais da crítica de cinema a prática de incluir jornalistas do eixoRio - São Paulo foi mantida nessa III Mostra sendo a escolhida, para essa edição, a jornalistado jornal O Estado de São Paulo, Pola Vartuk.
    • OS VENCEDORES Favelando, de Hélio Lemos, do Rio de Janeiro, foi o grande vencedor da III MostraNacional do Filme Super-8, recebendo os prêmios de Melhor Documentário (10 milcruzeiros), Melhor Filme Estudantil (6 mil cruzeiros) e Melhor Apresentação (3 mil cruzeiros). Tabela, de Henrique de Oliveira/Bernardo Caro e Berenice de Oliveira, de Campinas,recebeu os prêmios de Melhor Filme de Arte e Melhor Trilha Sonora (6 e 3 mil cruzeiros,respectivamente). O prêmio de Melhor Filme Didático ficou para Uma viagem em vitrais, deHugo Mengarelli e equipe que levou 10 mil cruzeiros. O de Melhor Ficção ficou para LonaSuja, de Francisco Simões. Os irmãos Wagner, de Curitiba, receberam, com o filme Ensaios, o segundo lugar nacategoria Didáticos, e filme na de Animação (5 e 6 mil cruzeiros, respectivamente). O deMelhor Documentário ficou para Círio de Nazaré, de Paes Loureiro, de Belém do Pará. O deMelhor Fotografia, para Urubu, da Bahia. O de Melhor Roteiro, para Contraponto, de Brasíliae a Menção Honrosa foi para Fausto, de Londrina. O prêmio de incentivo foi para O estranhomensageiro, de Ciro Matoso. 2.1.10 RELATO – HÉLIO LEMOS “O Favelando foi feito, inicialmente, como trabalho de grupo de faculdade. Eu eraaluno da ECO, Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas játinha certeza que queria fazer filmes. Tinha 21 anos. Favelando é a história de um grupo de estudantes de jornalismo de classe médiatentando fazer um trabalho sobre remoção de favelas e desigualdade social no Rio. É umacolagem bastante anárquica sobre poder e cidadania. O filme fez muito sucesso dentro dafaculdade, e resolvemos inscrevê-lo no Festival de Curitiba. Quando o festival começou, ficamos sabendo pelo Simões – eu ficara no Rio – que ofilme tinha sido proibido pela censura de ser exibido na competição, mas que o Júri decidiraque iria mantê-lo no festival mesmo assim e que ele, mesmo censurado, poderia ser premiado. Na véspera do dia do encerramento do Festival decidi ir a Curitiba, incentivado peloSimões que me dizia que os jurados elogiavam muito o Favelando. O presidente do Júri era oescritor, professor e cineasta, Marcos Margullies, já falecido.
    • A festa de premiação estava para começar quando ficamos sabendo que havia umapossibilidade de liberação do filme para exibição. Logo de início, o Favelando ganhou um prêmio de Solução de Apresentação, pois ofilme utilizava, no lugar dos créditos, uma profusão de documentos dos participantes,arrumados de forma criativa. Eu subi ao palco super feliz e satisfeito: pronto, já podia voltar para o Rio, o filmehavia ganhado algum prêmio. Segue a premiação e novamente sou chamado ao palco parareceber o prêmio de Melhor Montagem – o filme tinha uma linguagem nova, um jeito derelacionar som e imagem que provocava e instigava. Eu fiquei muito feliz com este segundoprêmio, pois adorava montagem e tinha sérias pretensões de me tornar um montadorprofissional, o que de fato aconteceu e acontece até hoje. Começaram a anunciar os vencedores em cada categoria. A nossa chamava Estudantile novamente ganhamos como Melhor Filme Estudantil. Neste ponto eu já estava eufórico,jamais imaginara que pudéssemos ganhar três prêmios. Para encerrar, o apresentadoranunciou o Grande Vencedor do Festival: Favelando, e a minha emoção foi muito forte, poislogo em seguida as luzes se apagaram e o filme foi exibido – já como grande premiado –sendo muito ovacionado e bem recebido pelo público. Houve depois um coquetel e nele fiqueisabendo que o Marcos Margullies havia avisado ao censor, antes da premiação, que dariamquatro prêmios ao Favelando e conseguiu convencê-lo de que seria melhor liberá-lo paraexibição. Depois, me formei jornalista, fui estudar cinema em Londres, e trabalhei por mais de10 anos como editor e montador de longas do cinema brasileiro, até criar minha própriaprodutora, a Quadro a Quadro Produções. O Favelando, ainda em 1977, ganhou o segundolugar no Festival de Cinema de Gramado, na categoria Curtas.” HÉLIO LEMOS, que participou da Mostra Nacional de Filmes Super-8, de 1977 com o filme Favelando. 2.1.11 A CENTRAL DE PRODUÇÃO DE FILMES DIDÁTICOS DA ETFPR A Central de Produção de Filmes Didáticos da Escola Técnica Federal do Paraná,criada com o objetivo de abrir um espaço em que houvesse condições de produzir filmes que
    • pudessem melhorar a técnica de ensino na ETFPR, iniciou suas atividades no mesmo ano daIII Mostra Nacional de Super-8. (v. Anexo 8). A ideia era dar condições para o corpo docente da Escola produzir e utilizar filmesdocumentários como elementos pedagógicos. Previa-se também que, a partir de umlaboratório para produção de filmes didáticos, servidores da Escola pudessem ser preparadospara a produção de filmes didáticos para o ensino profissionalizante, além de criar umaopção de atividade extra classe para os alunos, na área de educação artística. No projeto decriação da Central (v. Anexo 9)é evidenciado como o cinema havia se tornado, para a Escola,uma ferramenta educacional: “É indiscutível a eficácia da linguagem cinematográfica como forma de apresentação de idéias e conhecimentos. Como recurso didático áudio visual, o cinema é, até o presente momento, a técnica de maior poder de esclarecimento e convicção.” Pela Central passaram grandes nomes do cinema paranaense sendo deles Ruy Vezzaroque ali atuou de 1982 a 1986 dirigindo filmes técnicos e lecionando sobre técnicacinematográfica. Vezzaro realizou, na Central, mais de 60 filmes abrangendo as áreastecnológicas. Fernando Severo, hoje um dos mais importantes cineastas paranaenses, também foium dos técnicos que atuou na Central. 2.1.12 A IV MOSTRA DE FILME SUPER-8 DA ETFPR- 1978 A IV Mostra de Filme Super-8 foi realizada no Centro Federal de EducaçãoTecnológica, nova denominação da Escola Técnica Federal do Paraná, a partir de 1978.Iniciada no mesmo Auditório que abrigou as edições anteriores, a IV Mostra contou com umgrande público e com a expectativa dos participantes diante da possibilidade de exibir seusfilmes para uma platéia repleta. Em depoimento ao jornal Correio de Notícias publicado em 9 de novembro de 1978,Elisabeth Karam, jornalista e diretora do filme Até quando? Inscrito no evento, confirmou aimportância da Mostra para os produtores de Super-8: “Não há outro jeito. A única maneira da gente poder mostrar um filme é num festival. Se não mostrar em festivais, ou num encontro de amigos, o
    • filme acaba ficando na gaveta. A não ser um possível prêmio num festival, não há retorno de investimento. No Brasil não há campo, ainda, de exibição para essa bitola.” Naquele ano, os prêmios se tornaram ainda mais atrativos estando distribuídos nascategorias de Melhor Filme da Mostra (20 mil cruzeiros); dos três melhores filmes didáticos(respectivamente 20,15 e 10 mil cruzeiros); do Melhor Filme Estudantil (10 mil), de MelhorDocumentário (10 mil), de Melhor Filme de Arte (10 mil) e de Melhor Filme de Animação(10 mil). Para as categorias Roteiro, Fotografia e Melhor Apresentação, a premiação seriamfeitas em forma de material cinematográfico. A IV Mostra abria também um espaço para discussão em torno do Super-8, estandoincluídas, na programação, palestras sobre cinema no período da tarde. Entre os palestrantesa Mostra trouxe Abraaão Berman que falou sobre “O super-8 em ação”, André Margulis quetratou do tema “A importância do cinema como pesquisa e informação” e, por último, MarcosMargulis que falou sobre “O cinema na educação”. O júri oficial composto por vinte e um profissionais de diferentes áreas doconhecimento contou com o professor de estética da Universidade Católica do Paraná,Roberto Figurelli; com o cientista Freire Maia; com o arquiteto Rubens Meister; com osjornalistas Francisco Alves do Santos, Marilu Silveira e Aroldo Murá; com o ex-professor daETFPR, Guilherme Bender; com os professores do CEFET-PR Ingo Toedler, AntonioSokoloski, José Carlos Laurindo, Edson Iwamura, Antonio Venevides e com o representanteda Ótica Boa Vista, Eloir, Baglioli, além do Diretor do Departamento Profissionalizante daEMBRAFILME, Reinaldo Knittel Dias; de Frederico Góis, Diretor do Departamento deAssuntos Não Comerciais da EMBRAFILME; de Pedro Natal, representante da Kodak doBrasil; de Cesar Braga de Oliveira, representante do MEC; de Marcos Margulis, professor daUFPRJ; de André Margulis, representante da Rede Globo de televisão e Abraão Berman,cineasta e diretor do GRIFE.INSCRITOS Os filmes inscritos na IV Mostra passaram por uma seleção prévia composta porprofissionais ligados à arte, educação e cinema que seguiram os critérios de:a) adequação do filme aos objetivos da Mostra enunciados no item 2 do Regulamento quedizia que a IV Mostra Nacional do Filme super-8 era de caráter nacional e que tinha porobjetivo estimular a produção de filmes educativos e de documentários técnicos e científicos
    • que poderiam efetivamente contribuir para a melhoria do processo de ensino-aprendizagemem nosso país;b) qualidade técnica do filme;c) adequação à categoria proposta pelo responsável na ficha de inscrição;d) do prazo de chegada do filme e ainda a falta de ficha de inscrição de alguns filmes que nãopuderam ser identificados. Ao todo foram inscritos 89 filmes sendo 37 do Paraná, 14 do Rio de Janeiro, 18 de SãoPaulo, 4 de Brasília, 13 de São Luiz do Maranhão, 1 de Belém do Pará, 2 de Santa Catarina e1 da Bahia. Desses 89 inscritos foram selecionados 50 filmes.DESTAQUES Um dos destaques da IV Mostra foi a temática social explorada pelos 13 filmes quevieram de São Luís do Maranhão, no total de 13. Entre outros temas os filmes abordaram oproblema do êxodo rural, da baixa condição de vida nordestina e o registro de característicasda própria região. Em 1978, a Central de Produção de Filmes Didáticos do CEFET-PR participou daMostra na categoria de Filme Didático, com a produção coletiva Arriamento da Bandeira, queregistrava o ritual cívico da descida da Bandeira Nacional.PREMIADOS A IV Mostra do Filme Super-8 foi encerrada no dia 11 de novembro, com entrega deprêmios e exibição dos filmes premiados. Epílogo, filme de Claudine Perina, foi o grande vencedor, tematizando os abusos dohomem contra a natureza e a desumanização do mundo moderno. Foi pena Q foi eleito oMelhor Filme da mostra pelo Júri Popular. Dirigido pelos Irmãos Wagner, de Curitiba, otrabalho era uma sátira sobre o Descobrimento do Brasil. Na categoria Didática os três premiados foram: A vida a 18.000 a.c, de Ito Pedro deSouza, de Curitiba, Movimento Retilíneo Uniformemente Acelerado, de Luiz Roberto Gomes,de Curitiba e Spelaion, de Clayton Lino que também ganhou na categoria Melhor Fotografia. Na categoria Estudantil o melhor filme foi Caminhando, de Nelson Martins e AntônioDomingues, de Curitiba. A cidade dos executivos, também dos Irmãos Wagner, ganhou comoMelhor Filme de Animação e Ora bolas venceu na categoria Artes, com a Melhor TrilhaSonora e Apresentação.
    • O documentário vencedor da Mostra foi Pescadores da Raposa, de Jorge Martins, deBrasília. O filme teve por tema uma colônia de pescadores do Nordeste. A Menção Honrosa ficou para Gran Circo Natal, de Francisco Simões. O filme Atéquando, de Elisabeth Karam e o filme Marionete, de Varli Martins recebem os prêmios Vozdo Paraná e Cinemateca do Museu Guido Viaro, por apresentarem relevância à cultura local. Adaptado de um conto de Dalton Trevisan, o filme O besouro produzido por HugoMengarelli e alunos da Universidade Católica do Paraná recebeu o prêmio de MelhorProdução da IV Mostra Nacional do Filme Super-8. 2.1.13 RELATOS: FRANCISCO SIMÕES E ELISABETH KARAMGRAN CIRCO DO NATAL “Nesse filme tive a intenção de fazer críticas ao ambiente festivo da época natalinaque, infelizmente, não alcança a todos nem a todas as famílias. Expus à crítica também aexploração comercial levada a efeito naquele período, exibindo um autêntico festival deanúncios, tanto de revistas quanto da TV. Mostrei a festa realizada no Estádio do Maracanã, repleto de crianças, comapresentação de artistas de circo, músicos e cantores e a triunfal chegada de Papai Noel, dehelicóptero. Estive lá com Zezé e filmei todo o acontecimento naquele ano. Durante o filme ascenas se intercalam num ritmo alucinante e se mesclam com a filmagem que eu fizera na casade minha cunhada, Joamar, irmã de Zezé, durante uma noite de Natal com ceia farta, e muitagente reunida. Essas cenas começam com a lenta arrumação da mesa onde todos iriam sebanquetear mais tarde. Usei cenas de rua e também a rotina de um menino pobre, na mesma noite, sem festa,sem ceia, sem Papai Noel. O pequeno ator que desempenhou este papel foi o meu sobrinhoGlauco Fernandes, hoje um excelente e respeitado violinista, músico e arranjador. O fundo musical foi escolhido com muito carinho. Algumas músicas natalinas além deinterpretações do conjunto MPB-4 (“A fome tem que ter raiva de interromper/A raiva é afome de interromper”...), músicas circenses, a bonita Gente Humilde, de Chico Buarque,cantada por Ângela Maria, além de duas excelentes interpretações de Ivan Lins e Elis Regina. Nas cenas finais do filme, justamente quando o espetáculo do Maracanã tambémcaminhava para o encerramento, sobe a música interpretada por Elis cuja letra, ao final, diz:“... somos todos bons demais/sufocados pelo mal/só queremos acreditar/ que isso tudo podeacabar”...
    • Este trabalho seguiu a linha mestra da grande maioria do que produzi em curta-metragem, naquela grande fase do cinema Super-8, ou seja, a crítica política e social. Todosos filmes estiveram em algum Festival, alguma Mostra, pelo Brasil afora, geralmente nocircuito universitário. Alguns foram excluídos pela censura oficial da época, outros retirados pelos própriosorganizadores que se curvavam àquele absurdo monstruoso procurando agradar aos senhoresdo poder autoritário que se impunham pela força. Gran Circo do Natal, com duração de 12 minutos, foi apresentado em um Festival naUniversidade Federal do Maranhão, em São Luis, onde mereceu Menção Honrosa e outra noCEFET, em Curitiba. Era a segunda vez que eu comparecia à Mostra de Super-8, na primeirame haviam concedido o primeiro lugar, em Ficção, com o filme Lona Suja. Foi muito gratificante para mim a decisão que o júri da mostra do CEFET, emCuritiba, tomou, ao criar um prêmio que não existia para atribuir ao meu Gran Circo doNatal. O prêmio denominado Solidariedade Humana. Creio que não preciso dizer mais nada.” FRANCISCO SIMÕES participou da Mostra de Filme Super-8, de 1978 com o filme Gran Circo Natal.Até Quando “Na época, eu estava bastante envolvida com cinema, assim como com um grandegrupo de pessoas que vivia bastante o cinema em Curitiba no final da década de 70, lideradopelo Valêncio Xavier. Ele foi meu professor de Cinema no curso de Jornalismo que fazia naCatólica. Mas ele aglomerava um grupo em torno da Cinemateca com sessões de cinema,mostras e festivais, cursos e mais cursos rápidos - de dois dias, uma semana, com pessoal queo Valêncio trazia de fora. Enfim, encontrávamos quase sempre as mesmas pessoas nesseslocais. E se falava e se conversava sobre cinema. Sempre gostei de cinema, estava fazendo Jornalismo (me formei em 1976). Estagiavacomo repórter – e também comecei a fazer comentários de filmes no extinto Diário doParaná e também no jornal Pólo Cultural que circulava na época. E tinha também uma idéiade fazer um filme em Super-8 com a máquina que ganhei do meu pai de presente deformatura. Foi minha primeira experiência – e única. Não lembro do dia da premiação, não.Depois desse filme, estava com um projeto para fazer um outro em 16 mm, quase tudoacertado, mas aí me mudei para Florianópolis e o projeto parou. Em Florianópolis continuei
    • com o projeto, estava conseguindo verba, parei também. Continuei no Jornalismo, fazendodurante muitos anos a cobertura cultural. O filme está ainda só em Super 8, sempre penso em passar para outro formato, comoforma de preservá-lo, mas até hoje não fiz. Eu acho que[a Mostra] tinha boa cobertura daimprensa, é só ver os jornais da época. Naquela época havia uma movimentação em torno de cinema, cinemateca, festivais,cursos, um grupo estava se formando. Muitos deles seguiram em frente, assim como algunsque foram chegando depois. Acho que muitos dos nomes do cinema paranaense de hoje sãooriundos daquela época fomentada pelo Valêncio Xavier, em torno da Cinemateca, daFundação Cultural de Curitiba. Não só de cinema. Tinha exposições, lançamentos de livros,muita coisa acontecia. A Fundação Cultural de Curitiba, especialmente, promovia muitacoisa.” ELISABETH KARAM participou da Mostra de 1978 com o filme Até Quando? 2.1.14 A V MOSTRA DE FILMES SUPER-8, NA ETFPR - 1979 A V Mostra Nacional do Filme Super-8 foi uma das mais atribuladas da história doevento. Já no primeiro dia, uma onda de protestos pela eliminação do filme O Mágico, deHugo Mengarelli tomou conta da Mostra. Não selecionado pelo júri da seleção prévia porqueinfrigia o regulamento da V Mostra que só aceitava filmes realizados por brasileiros ouestrangeiros naturalizados, o filme foi exibido em sessão especial apenas para algunsmembros do Júri Oficial, revelando-se um ótimo trabalho segundo o corpo de jurados. Diante da qualidade do filme, o júri sugeriu a Mengarelli que desse o crédito dedireção para os alunos orientados por ele para a elaboração do documentário. Sem atender aopedido dos jurados, Hugo Mengarelli remontou os créditos colocando um “x” em cima de seunome, ocasionando a eliminação definitiva da Mostra. Exibindo um total de 45 filmes, a V Mostra encerrou suas atividades com um debateem que se discutiu a necessidade de serem criadas Mostras ao dos filmes premiados desde1970 que poderiam circular por todo o país e serem conhecidos pelo grande público. Seguindo a tradição de trazer para compor o júri nomes de relevância nacional a VMostra Nacional do Filme Super-8 contou com a presença de Jairo Ferreira, jornalista daFolha de São Paulo e diretor dos longas metragens O vampiro da Cinemateca e O Insigne
    • Ficante, e dos curtas O Guru e os guris, O M de Minha mão, Antes que eu me esqueça eHorror Palace Hotel. Além dessas atividades, Jairo Ferreira publicou o livro Cinema deInvenção, considerado um clássico da bibliografia sobre o cinema marginal brasileiro. Sobre aMostra de Super-8 do CEFET-PR, escreveu três matérias para a Folha de São Paulo em quediscorrreu sobre as “Misérias e Glórias do Super-8 em Curitiba”.OS VENCEDORES Anunciados pelo Presidente da Mostra e Diretor do CEFET-PR, professor AtaídeMoacyr Ferrazza, os vencedores da V Mostra de Filmes Super-8, do CEFET-PR foram:Mané da Paz, fabricante de viola, de Celso Luck, vencedor nas categorias Documentário (Cr$20 mil) e Melhor Filme (Cr$30 mil); Aluminosa Espera do Apocalipse, de Rui Vezzaro, nacategoria Estudantil (Cr$ 20 mil) e do Prêmio Especial do Júri (Cr$ 20 mil em materiaiscinematográficos). Nas categorias Artes(Cr$ 20 mil) e Júri Popular, o vencedor foi o cineastaPerina. 2.1.15 UM FIM NÃO ANUNCIADO O Super-8 que nascera no cinema paranaense de forma tímida em meados de 1974avançou durante meia década trazendo consigo adeptos que acreditam que “é fazendo cinema,que se aprende cinema”. Aquilo que surge de uma vontade amadora toma forma até serreconhecida como uma obra artística de nível profissional. Em 1979 já não se discutia as limitações do formato Super-8, mas sim aspossibilidades que ele podia trazer ao cinema paranaense e brasileiro que se expandia paracaminhos então desconhecidos. É nesse sentido que podemos dizer que a edição de 1979 dasMostras realizadas pela ETFPR completou um ciclo que se inscreveu na história do cinemaparanaense e nacional. O Super-8 havia realmente despertado novos cineastas, ganhou acrítica e um certo espaço, conforme atesta nota publicada no jornal Diário do Paraná de 3 dedezembro de 1982 (v. Anexo 10). Não foi encontrado nenhum registro sobre a extinção das Mostras de Super-8 daETFPR/CEFET-PR. Uma suposição pode ser feita a partir da carência de patrocínios para aárea cultural que permeou a década de 80. Outra possibilidade é a grande aceitação que os
    • aparelhos de videocassete passaram a ter no período, praticamente extinguindo os filmes debitola de 8 mm. 3.0 CONCLUSÃO Ao realizar o Trabalho de Conclusão de Curso, Mostras de Cinema Super-8 na EscolaTécnica Federal do Paraná no Final da Década de 70: um resgate histórico, descobrimosque em uma pesquisa, por mais que nos aprofundemos, sempre que a encerramos a sensaçãode incompletude é maior do que a sensação de finalização. Talvez porque seja difícil unirtodas as pontas sobram arestas abertas que não podemos fechar completamente. Descobrimostambém que a pesquisa é, antes de tudo, uma interpretação, ainda que baseada emdocumentos e fontes confiáveis, e, por isso, ela é passível de contestações e questionamentos. O trabalho que realizamos apresentou os meandros das cinco edições das Mostras deCinema Super-8 que ocorreram no final da década de 70, na Escola Técnica Federal doParaná. Essas Mostras possibilitaram a toda uma produção em Super-8 que estava sendorealizada pudesse ter um espaço apropriado de exibição e, mais do que isso, permitiu queessas obras também fossem discutidas, avaliadas e premiadas. Talvez seja adequado dizer, aofinal desse trabalho, que mais do que Mostras, o que a ETFPR promoveu foram verdadeirascelebrações, pois no período de duração do evento, estiveram em evidência o formato Super-8, os cinéfilos, os novos e velhos cineastas e a reunião estimulante de nomes da culturaparanaense e nacional que, durante as cinco edições, se alternaram na composição do júri. Todo esse conhecimento dos elementos que compuseram essa história se transforma,aqui, no elo de ligação entre passado e presente trazendo para os dias atuais um dos fatos maisrepresentativos da história centenária da Universidade Tecnológica Federal do Paraná etambém do Cinema Brasileiro e Paranaense da década de 1970.
    • ANEXOS
    • Anexo 1: Capa do suplemento especial dedicado à I Mostra Internacional de Filme Super-8, daETFPR
    • Anexo 2: Nota assinada pelo jornalista Aramis Millarch divulgando a apresentação da I MostraInternacional de Filmes Super-8 O cineasta José Augusto Iwersen, diretor do Studio 8 e professor de Cinema na Escola TécnicaFederal do Paraná, anunciou ontem, oficialmente, uma grande promoção: I Mostra Internacional do FilmeSuper 8. Patrocinada pela Escola Técnica Federal do Paraná, através de sua coordenação de EducaçãoArtística, dirigida pela professora Rosane Camera, esta grande promoção cinematográfica será realizada de22 a 28 de setembro de 1975. Com a participação de filmes de vários países, realização paralela de umfestival do cinema brasileiro e distribuição de Cr$ 100 mil em prêmios, a Mostra idealizada por Iwersen (exCine Clube Pró-Arte, ex-cine de arte Rivieira, editor de livros sobre cinema etc.), deverá alcançarpromoção internacional. Pelo seu relacionamento em todos os Estados e livre trânsito junto aos setores decomunicação e cultura do Estado, tem todas as condições de fazer de seu festival Super 8, umacontecimento da maior importância, entre tantas outras promoções semelhantes realizadas em váriascidades brasileiras. ARAMIS MILLARCH - ESTADO DO PARANÁ - SEÇÃO: TABLÓIDE - 18/03/1975
    • Anexo 3: Foto 1 - Diretora do Museu da Imagem e Som do Paraná , Mauro Alice e Percy Tamplin,membros do júri da I Mostra Internacional de Filmes Super-8. Fotos 2 e 3 - Rosane Saldanha Câmerae José Augusto Iwersen, organizadores da I Mostra. Foto 4 - Grupo reunindo intérpretes e realizadoresde dois filmes do Paraná – A pedra fundamental e Enigma
    • Anexo 4: Anúncio de projetores da empresa Sosecal, patrocinadora da I Mostra de Filmes Super-8, daETFPR.
    • Anexo 5: Texto assinado por Aramis Millarch anunciando a inscrição de filmes de Godard eResnais, na I Mostra de Super-8, da ETFPR.O cineasta José Augusto Iwersen recebeu ontem telefonema de monsieur Amy Courvisier, diretor daUnifrance, comunicando que três filmes em super-8, realizados por um cineasta chamado Jean-Luc Godarde Alain Resnais, estarão concorrendo na I Mostra Internacional em Super-8, que Zé Iwersen coordena paraa Escola Técnica Federal do Paraná em setembro próximo. Prestígio e bom relacionamento é isso! Apropósito: Godard e Alain Resnais, caso recebam passagens, virão a Curitiba para participar do Festival daETFPR. ARAMIS MILLARCH - ESTADO DO PARANÁ - SEÇÃO: TABLÓIDE - 19/04/1975
    • Anexo 6: Texto de Aramis Millarch notificando a realização da II Mostra de Filmes Super-8, naETFPR, com a inclusão de novas categorias.Reunido com o cineasta José Augusto Iwersen e a professora Rosane Câmera, terça-feira, o professor IvoMezzadri, o poderoso diretor da Escola Técnica Federal do Paraná já deu instruções para que se iniciem ospreparativos da II Mostra Internacional do Filme Super 8. A grande repercussão da mostra realizada nasemana passada, o bom nível dos filmes premiados e, principalmente, o fato de toda a promoção ter custadoà escola menos de Cr$ 20 mil (os prêmios foram oferecidos pelo grupo importador Sosecal/Focal e algumasentidades) animaram o professor Mezzadri a estimular novos eventos, abertos inclusive a outras categorias,em especial o cinema cientifico, didático e esportivo. O pequeno custo da promoção mostrou o que podefazer a boa organização, a honestidade da coordenação e o empenho em realizar um acontecimento sério esem auto-promoções. ARAMIS MILLARCH - ESTADO DO PARANÁ – SEÇÃO -TABLÓIDE - 03/10/1975
    • Anexo 7: Nota publicada no Nosso Jornal, órgão de divulgação da ETFPR, sobre a realização da IIIMostra de Filmes Super-8.De 3 a 5 de novembro terá lugar na Escola a III Mostra Nacional do Filme Super 8. Além das diversascategorias da Mostra, haverá a Didática que será a de maior interesse. A mostra começará a ser divulgadaem setembro e os interessados já poderão começar a pensar na produção de filmes para concorrer NOSSO JORNAL, AGOSTO DE 1977
    • Anexo 8: Nota de Aramis Millarch sobre a criação, na ETFPR, da Central de Produção de FilmesDidáticos.A Escola Técnica Federal do Paraná acaba de ganhar da EMBRAFILME uma Central de Produção deFilmes Didáticos. A Central deverá funcionar ainda este ano e é resultado de um Projeto apresentado pelaEscola àquela entidade. No final do mês de agosto estarão em Curitiba representantes da Embrafilme quevirão para assinar o Convênio de instalação da Central. Professores e alunos da Escola já poderão pensar naprodução de filmes didáticos. Nossa escola será a única do País que terá esta condição. ARAMIS MILLARCH - O ESTADO DO PARANÁ - SEÇÃO: TABLÓIDE - 05/11/1977
    • Anexo 9: Capa do projeto de criação do Laboratório de Filmes Didáticos, criado na EscolaTécnica Federal do Paraná, em colaboração com a Embrafilme .
    • Anexo 10: Nota publicada pelo jornal Diário do Paraná sobre a posição atingida pela últimaedição da Mostra de Filmes Super-8, da ETFPR.O superoito no Paraná chega ao auge em 1979 (última edição da Escola Técnica), quando os filmesrevelam incrível maturidade tanto a nível artístico como técnico alcançando o reconhecimento nacional emfestivais de expressão como Gramado, Salvador, São Paulo e Campinas. Os prêmios se multiplicam.Nomes como Celso Luck, Ciro Matoso, José Augusto Iwersen, Irmãos Wagner, Fernando Severo, PeterLorenzo, Rui Vezaro, Pedro Merege, Hugo Mengarelli, Aparecido Bueno Marques, Nivaldo Lopes,Manfredo Osterroht, dentre outros, fazem do superoito veículo de expressão cultural tão importante quantoas bitolas de 16mm e do 35 mm. Diário do Paraná, 08-12-1982
    • REFERÊNCIASARGENTI, Paul. Comunicação empresarial – A construção da identidade, imagem e reputação. Riode Janeiro: Elsevier, 2006.BARTHES, Roland. O discurso da História. In BARTHES, Roland. O Rumor da língua. Trad. MárioLaranjeira. São Paulo: Martins Fontes, 2004.BAUMAN, Zygmunt. Identidade: entrevista a Benedetto Vecchio. Trad. Carlos Albert Medeiros. Riode Janeiro: Jorge Zahar, 2005.BORGES, FLÁVIA. A memória da empresa: construindo arquivos empresariais. In Miranda, DaniloSantos. Memória e Cultura: a importância da memória na formação cultural humana. São Paulo: SESCSP, 2007.BURKE, Peter. O que é história cultural?, Trad. Sérgio Góes de Paula. 2 ed. Rio de Janeiro: JorgeZahar Editor, 2005.CAPRINO, Mônica Pegurer; Perazzo, Priscila Ferreira. Possibilidades da comunicação e Inovaçãoem uma dimensão regional. In Caprino, Mônica Pegurer. Comunicação e Inovação – ReflexõesContemporâneas. São Paulo: Paulus, 2008.CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. 12. ed. São Paulo: Ática, 2002.DAVALLON, Jean. A imagem, uma arte da memória?. In NUNES, José Horta. Papel da Memória.Campinas: Pontes, 1999.GAGETE, Élida; TOTINI, Beth. Memória Empresarial - Uma análise da sua evolução. In NASSAR,Paulo. Memória de Empresa: história e comunicação de mãos dadas, a construir o futuro dasorganizações. São Paulo: Aberje, 2004.HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Trad. Guacira Lopes Louro [et al.]. 11. ed.Rio de Janeiro: DP&A Editora, 2006.MARICATO, Adriano. História e Memória. In: MARCHIORI, Marlene (org). Faces da cultura e dacomunicação organizacional. São Caetano do Sul: Difusão, 2006.MENESES, Ulpiano Bezerra. Os paradoxos da memória. In: Miranda, Danilo Santos (org). Memóriae Cultura: a importância da memória na formação cultural humana. São Paulo: SESC SP, 2007.MIRANDA, Luiz Felipe. RAMOS, Fernão. Enciclopédia do Cinema Brasileiro. 2 ed. São Paulo:Editora Senac, 1997.NASSAR, PAULO. Relações Públicas na construção da responsabilidade histórica e no resgate damemória institucional das organizações. São Caetano do Sul, SP: Difusão Editora, 2007.PEREIRA, Jesus Vasquez; WORCMAN, Karen. História Falada: memória, rede e mudança social.São Paulo: SESC SP: Museu da Pessoa; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2006POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio: In: Estudos Históricos: Rio de Janeiro: V. 2,n.3, 1989. Disponível em: http://www.cpdoc.fgv.br/revista/asp/dsp edicao.asp?cd edi=15, Acesso em:18 de set. 2008
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