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1      ROBERTA GONÇALVES DE MACÊDO SANTANA            KARATÊ-DÔ NA ESCOLA:POSSIBILIDADES DE UM PROJETO SÓCIO EDUCACIONAL  ...
2Dedico este trabalho aos meus pais AlcioneMacêdo e Antônio Valter, pelos exemplos que meproporcionaram e por saber que o ...
3                                   AGRADECIMENTOS       Neste momento de imensa satisfação por estar encerrando mais um c...
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5mim nesta jornada, e àqueles como Ana Claudia (Kaká), Tiaguinho, Deise, Eufigênia, Carol,Reginaldo, Matheus, Diamantino, ...
6    "Embora ninguém possa voltar atrás efazer um novo começo, qualquer um pode     começar agora e fazer um novo fim".   ...
7                               LISTA DE SIGLASFKTB -   Federação de Karatê-dô Tradicional da Bahia
8                                LISTA DE FIGURASFIGURA 1 -   Grande número de alunos nas aulas                           ...
9                                           RESUMOEsta pesquisa trata das contribuições e influências a cerca dos ensiname...
10                               SUMÁRIO1   INTRODUÇÃO                                              112   KARATÊ-DO: HISTÓ...
111 INTRODUÇÃO       Atualmente a educação tem estado bastante enfraquecida e desvalorizada, favorecendoa aparição de cená...
12agressão e criar intuito de esforço, tudo isso colocado em primeiro lugar, nota-se que a suafilosofia busca um desenvolv...
13       Optei por fazer esta pesquisa, primeiramente pelo fato de uma significativaaproximação do tema, sendo que sou pra...
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15colônias japonesas e poucos brasileiros tinham acesso. É na década de 1950 que algunsmestres decidem dar aulas e abrir a...
16membro da sociedade bom e honesto” (FUNAKOSHI, 1975, p. 110). Esta fala pode serconcluída com a afirmação de que “[...] ...
17       Uma das muitas recomendações do mestre Yasutsune Itoso (CITADO PORFUNAKOSHI, 2005), é que a maior preocupação do ...
183 PROJETOS SÓCIO-EDUCACIONAIS DE ESPORTE: CONTRIBUIÇÕES PARA AEDUCAÇÃO INTEGRAL       A maioria dos Projetos Sócio-educa...
19                       de vontade política de cada agente que nele está envolvido, o que,                       indubita...
20trabalho, das atividades domésticas e religiosas e das necessidades [...]” (MELO; BRÊTAS;MONTEIRO, 2009, p. 45) , sendo ...
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23nenhuma forma de seleção, sua escolha era livre e se colocava de acordo com o interesse doaluno, sendo o professor total...
24                          FIGURA 1 – Grande número de alunos nas aulas       Quanto ao comportamento desses educandos qu...
25disto inclusive dentro da sua própria família, que em sua grande maioria também é praticanteda arte, além do exemplo del...
26       Tudo isso era realizado no próprio espaço físico da escola (FIGURA 2), porémreferente ao aspecto da sua estrutura...
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29questão de implantação e divulgação da arte nas escolas públicas, e conseguia baixar algunscustos, este custo que era mu...
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326 TRAJETÓRIA METODOLÓGICA, APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS          Neste capítulo descreverei como se procedeu o passo...
33personalidade, o respeito, a sociabilidade, o crescimento pessoal, o autoconhecimento, oautocontrole, a responsabilidade...
34pontos fracos e fortes e só assim conhecer e compreender o próximo, melhorando então, nãosó o relacionamento pessoal com...
35de quando era mais jovem e a outra metade afirma que foi por acaso, por influência dosamigos. Como A4 indica:           ...
36para uma possível volta ao Karatê-dô, enquanto que os que puderam permanecer ainda lutamcontra as dificuldades relaciona...
377 CONSIDERAÇÕES FINAIS       Partindo dos conteúdos obtidos através das entrevistas e com base no referencialtrabalhado ...
38                                    REFERÊNCIASBARTOLO, Paulo. Karate-do: história geral e no Brasil. Santos, SP: Realej...
39MELO, José Pereira de; DIAS, João Carlos Neves de Souza e Nunes. Fundamentos doPrograma Segundo Tempo: Entrelaçamentos d...
40ANEXO
41   PROJETO FAZ CIDADÃO:FORMANDO CIDADÃO SAMURAI
42JUSTIFICATIVA       As leis de diretrizes e base da educação brasileira no seu primeiro artigo definemeducação como:    ...
43OBJETIVO       Desenvolver nos praticantes: a paciência, o controle emocional, a cortesia ehabilidades motoras que possi...
44CONTEÚDO       As práticas do karatê-do no estabelecimento de ensino difere completamente dasrealizadas em academias e c...
45METODOLOGIA       As aulas de karatê-do educacional são compostas de exercícios respiratórios,alongamento, exercícios de...
46RECURSOS MATERIAIS       Para a realização do Projeto de Implantação do Karatê-do Educacional será necessáriouma sala am...
47RECURSOS HUMANOS       A Associação Esportiva Reflexo é uma entidade com experiência de 25 anos no ramoesportivo educaci...
48EXPECTATIVA       Com um trabalho todo direcionado à formação do cidadão, embasado na ética para amelhor convivência, vi...
49APÊNDICE A
50               ROTEIRO DA ENTREVISTA PARA OS PROFESSORES1. Quando foi apresentado e implementado o Projeto?2. Quais os m...
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  1. 1. 0 UNEB – Universidade do Estado da Bahia Departamento de Educação/Campus II – Alagoinhas Licenciatura em Educação Física ROBERTA GONÇALVES DE MACÊDO SANTANA KARATÊ-DÔ NA ESCOLA:POSSIBILIDADES DE UM PROJETO SÓCIO EDUCACIONAL ALAGOINHAS 2010
  2. 2. 1 ROBERTA GONÇALVES DE MACÊDO SANTANA KARATÊ-DÔ NA ESCOLA:POSSIBILIDADES DE UM PROJETO SÓCIO EDUCACIONAL Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção do título de licenciada em Educação Física pela Universidade do Estado da Bahia - Campus II. Orientadora: Prof. Ms. Micheli Venturini ALAGOINHAS 2010
  3. 3. 2Dedico este trabalho aos meus pais AlcioneMacêdo e Antônio Valter, pelos exemplos que meproporcionaram e por saber que o que eles maisalmejavam era ver os seus filhos formados, comuma boa educação e com a possibilidade de umbom futuro pela frente, sentindo então quecumpriram com a sua missão. Por tanto sendo eu,a sua caçula e a última a concluir a graduação,agora vos digo e com muita propriedade, que essaparte das suas missões foi concluída, agora éconosco.
  4. 4. 3 AGRADECIMENTOS Neste momento de imensa satisfação por estar encerrando mais um ciclo da minhavida, quero aqui expressar a minha gratidão a aqueles que apoiaram e me guiaram para estecaminho de conquistas e realizações. Sinto-me presenteada por ter tido ao meu lado pessoas como essas que cada uma aoseu modo colaborou com esse maravilhoso momento de realização profissional e interior,espero que a cada dia mais estejamos ainda mais unidos e apoiando uns aos outros em cadamomento. Sei o quanto já me senti sozinha, abandonada, mas quando parava para pensar eanalisar, sempre me tocava do quanto estava enganada e percebia então as pessoasmaravilhosas que estavam ao meu lado, me erguendo, fazendo com que tudo isso fossepossível, com que a minha vida seja possível. Primeiramente agradeço a minha amada mãe Alcione Macêdo por todos seus esforços,que mesmo nos momentos mais difíceis nunca nos deixou na mão, nunca nos deixou faltarnada, sempre pensando no melhor para seus filhos, para sua família, estando continuamenteao meu lado ouvindo os meus lamentos e desesperos e desta forma sempre me trazendoexemplos de força, de garra, de honestidade, humildade, integridade, respeito e de espiritoguerreiro, que faria de tudo para alcançar os seus objetivos e sendo com certeza um grandeespelho para me. Em seguida agradeço ao meu querido pai Antônio Valter pelo seu carinho e atençãodispensados a minha pessoa durante todos os anos de minha vida, pela preocupação com osmeus estudos e com minhas realizações, me inspirando e me dando exemplos de vida. E queapesar do seu jeito tímido e bastante fechado nunca deixou de demonstrar da sua forma oamor que tem por nós e o desejo de nos ver vencer. Aos meus irmãos Valter e Valber que de seu modo colaboraram e contribuíram para aminha formação pessoal e também por saber que posso contar com eles quando precisar. Aos meus queridos e inesquecíveis avós Elísio e Dionélia Macêdo por tudo que jáfizeram por me, pelos momentos de alegria juntos, por terem contribuído diretamente naminha formação, sendo grandes ícones de responsabilidade e de leveza ao mesmo tempo; decomprometimento e de vitória, porque não é qualquer um que cria dez filhos de forma tãomaravilhosa e que deram tantos frutos bons, formando uma família tão frondosa e cheia desementinhas suas e ainda assim sempre se preocupando com o próximo, sendo ótimos
  5. 5. 4modelos a serem seguidos. Para me vocês nunca irão deixar de estar aqui ao meu lado, afinala morte não existe, amo vocês. Agradeço também às minhas tias e tios, meus primos e primas, que não são poucos,por todos os momentos passados juntos, pelos grandes ensinamentos adquiridos através denossa convivência e de muitas conversas participadas e apenas ouvidas, pelos momentos demuita alegria e de muitas risadas. Quero lembrar especialmente dos primos Suzane, Daisa,Stéphane, Sheyla, Saulo, Dêmisson, Derman e Darlene pela força e companhia que em muitosmomentos foram imprescindíveis na minha vida e às tias Carmen e Maria Dionélia pelosperíodos como minha professora, Maridalva por estar sempre presente e Marilene pelasdiversas ocasiões de descontração. E sem esquecer de mencionar o fato das minhas tias MariaElísia e novamente Maridalva e Maria Dionélia que juntamente com a minha querida mãe e oProfessor Enobaldo Ataíde, todos professores de Educação Física, terem sido os grandesinfluenciadores para a minha escolha por esta formação, elas que me proporcionaram ocontato com esta área desde pequenina e que me fizeram amar as práticas corporais eesportivas, me tornando bastante hiperativa o que ocasionou conhecer o professor Enobaldoque foi quem firmou ainda mais esse interesse, através das suas práticas e metodologias eprincipalmente através do Karatê, só tenho a agradecer a vocês por terem me oportunizadoesse conhecimento. E já que mencionei o professor Enobaldo, tenho que estender os meus agradecimentosa esta pessoa que me apresentou o verdadeiro Karatê e junto com a sua maneira de serprofessor me trouxe muitas contribuições e uma nova forma de ver o mundo, abrindo os meushorizontes. Hoje o considero mais que um professor, o vejo também como um grande amigo ejá me sinto como se fosse da sua família, a qual deposito muita gratidão por tudo que jáfizeram por mim, por terem aberto as portas de sua casa e me oferecido toda atenção possível.Enobaldo, Angélica, Renata e Anne sou grata por tudo. Não posso deixar de lembrar aqui do Karatê e da minha família formada através destebelo esporte, a família Reflexo, sendo os seus principais componentes, os professoresEnobaldo, Norbson, Sirval, Robson e os queridos amigos Edvan, Esnon, Elisa e Diego. Foiapós ter conhecido verdadeiramente esta arte e através dela pessoas maravilhosas, as quaislevarei para sempre em minha vida, que conjuntamente me acarretaram mudançasconsideráveis, deste modo, com toda certeza serão tempos e ensinamentos eternamentelembrados e com muita alegria. E por isso não é à toa o tema trabalhado nesta pesquisa. Ressalto ainda os amigos de graduação Silvana, Camila, Deivid, Anderson, Josemir,Nilton, Daíse, Daniel, Vinícius, Selma, Américo, Uilien e Maurício que estiveram juntos a
  6. 6. 5mim nesta jornada, e àqueles como Ana Claudia (Kaká), Tiaguinho, Deise, Eufigênia, Carol,Reginaldo, Matheus, Diamantino, Nildo e Rose que aqui fora estiveram presentes nas diversasocasiões contribuindo, apoiando, incentivando e me alegrando direta ou indiretamente para aconclusão dessa etapa. E você que não permitiu que eu desviasse em momento algum dosmeus objetivos, insistindo, persistindo e fazendo o possível para que esse sonho se realizasse. Sem esquecer os professores que desde a minha pré-escola vieram construindo apessoa que sou hoje, com todos os conhecimentos obtidos, cada um a sua maneira e com a suadevida contribuição, que me fizeram chegar a esse nível de graduação, a qual já venhotentando ampliar com a pós graduação em andamento. Agradeço especialmente a minhaorientadora Micheli Venturini, por ter me ajudado a desenvolver essa pesquisa e sem deixarde mencionar os professores Luís Rocha, Martha Benevides, Cezar Leiro, Valter Abrantes,Francisco Pitanga, Maurício Maltez, Neuber Leite, Diana Tigre, Ana Simon, GregórioBenfica e Monica Benfica que me deram respaldos para minha formação acadêmica e paraesse trabalho. E por fim devo dar o devido valor e gratidão ao Espiritismo, a minha religião, que temme trazido muita força e coragem para persistir e concluir os meus desejos e aspirações, memostrando o verdadeiro caminho a ser seguido. E com toda certeza foi pelo meuconhecimento desta doutrina juntamente com os conhecimentos adquiridos pelo Karatê, pelaforça e persistência que esses dois tem me dado que consegui concluir este trabalho no prazodeterminado.
  7. 7. 6 "Embora ninguém possa voltar atrás efazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim". (Chico Xavier)
  8. 8. 7 LISTA DE SIGLASFKTB - Federação de Karatê-dô Tradicional da Bahia
  9. 9. 8 LISTA DE FIGURASFIGURA 1 - Grande número de alunos nas aulas 24FIGURA 2 - Apresentação na escola em evento comemorativo 26FIGURA 3 - Alunos lavando os pratos utilizados na refeição de um evento 27FIGURA 4 - Palestra desenvolvida em um evento do Karatê-dô 27
  10. 10. 9 RESUMOEsta pesquisa trata das contribuições e influências a cerca dos ensinamentos do Karatê-dô emex-alunos de uma Escola Pública Estadual do Ensino Médio da cidade de Alagoinhas – BA,trazendo uma reflexão sobre a experiência vivida em um Projeto sócio-educacional dentrodesta escola, procurando identificar e apresentar essas contribuições e influênciasproporcionadas pelos princípios desta arte. A proposta foi responder a problemática de quaisas contribuições e influências proporcionadas pelos ensinamentos do Karatê-dô nos ex-alunosdesta Escola Pública, trazendo também uma reflexão sobre a experiência construída noprojeto, identificando e apresentando essas contribuições e influências. O estudo foi baseadonos objetivos de identificar as características desenvolvidas através da filosofia e da prática doesporte, identificar os fatores do Karatê-dô que intervieram no desenvolvimento sócio-educacional e avaliar e relacionar a função sócio-educacional do Projeto e os efeitosadquiridos através da prática do Karatê-dô enquanto elemento de intervenção social eeducacional. O trabalho foi dividido em capítulos que tratam do Karatê-dô, sua história epotencial educacional, Projetos sócio-educacionais de esportes e contribuições para aeducação integral e Karatê-do no projeto socio-educacional. Deste modo foi realizado umestudo de caso de cunho qualitativo, com base na pesquisa descritiva e fazendo uso daentrevista semi-estruturada com os ex-alunos, o diretor e o professor responsável pelaimplementação do Projeto, além da pesquisa documental para análise do Projeto apresentadoà escola e fotos do arquivo da mesma e de alguns educandos. Conclui que as contribuições einfluências advindas dos ensinamentos do Karatê-dô neste Projeto existem e são legítimas e afunção educacional no programa aplicado aos sujeitos desta pesquisa é válida, sendo queproporcionou benefícios sócio-educacionais visíveis, além de contribuir para a interaçãopessoal e interpessoal.
  11. 11. 10 SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO 112 KARATÊ-DO: HISTÓRIA E POTENCIAL EDUCACONAL 143 PROJETOS SÓCIO-EDUCACIONAIS DE ESPORTE: CONTRIBUIÇÕES 18 PARA A EDUCAÇÃO INTEGRAL4 KARATÊ-DO NO PROJETO SÓCIO-EDUCACIONAL 225 METODOLOGIA 306 TRAJETÓRIA METODOLÓGICA, APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS 32 DADOS6.2 REGISTRO E DISCUSSÃO DOS DADOS 327 CONSIDERAÇÕES FINAIS 37 REFERÊNCIAS 38 ANEXO 40 APÊNDICE A 49 APÊNDICE B 51
  12. 12. 111 INTRODUÇÃO Atualmente a educação tem estado bastante enfraquecida e desvalorizada, favorecendoa aparição de cenários de violência, uso de drogas, desvalorização do corpo, desumanização,aplicação incorreta dos recursos públicos etc., tudo isso acarreta milhares de reflexos nocomportamento humano, principalmente quando um jovem costuma presenciar essas cenasdesde cedo em suas casas, comunidades e até mesmo nas escolas, onde legalmente deveria serum lugar unicamente educacional, que só fosse possível presenciar e adquirir bonsconhecimentos e nunca maus tratos, desumanidade e desrespeito. Apesar de já haver umamobilização e tentativa de mudança deste cenário, que busca um fortalecimento e melhoriadesta educação, ainda não foi possível atingir o ideal. E é com esta finalidade que mais do quenunca a educação vem necessitando de incentivo, apoio e valorização não somente na escolacomo também em outros espaços, tanto por parte dos educandos, quanto da sociedade. Compreendendo então a escola como o ambiente formalmente responsável pelaeducação, porém entendendo que a todos lhe cabem uma contribuição, assim nasce osdiversos projetos de incentivo à cultura e o esporte, e em particular nasceu este Projeto sócio-educacional, o qual traz os indivíduos da pesquisa e que trata o Karatê-dô na escola, em umainstituição pública na cidade de Alagoinhas – BA, com o intuito de propiciar aos educandosum novo conhecimento, uma nova experiência, uma oportunidade capaz de trazer-lhes ótimosresultados educacionais, comportamentais e de crescimento pessoal, buscando eliminar pormeio desse esporte e sua filosofia grande parte desses reflexos desumanos causados pelainsensatez e desvalorização da sociedade. O Karatê-dô que é uma arte milenar idealizada no Japão foi introduzido na primeiraescola em cerca de 1900, após uma apresentação realizada numa visita do inspetor escolar deKagoshima- JP, que o deixou bastante impressionado com a arte, fazendo-o entender que estedeveria ser divulgado e introduzido nas escolas públicas do Japão, o que trouxe o governo aconvidar os mestres a ensiná-lo (FUNAKOSHI, 1975). Após a sua divulgação mundial, oKaratê-dô foi adotado por muitas escolas, inclusive no Brasil, na Bahia e também emAlagoinhas. Cada qual seguindo o objetivo que entende ser de bom proveito para asinstituições educacionais. Visando o Karatê-dô como uma prática complementar de formação cultural eesportiva, com foco no desenvolvimento de defesa pessoal e evolução interior. Considerandoos lemas do Karatê-dô, onde os quais tratam do respeito acima de tudo, esforçar-se para aformação do caráter, fidelidade para com o verdadeiro caminho da razão, conter o espírito de
  13. 13. 12agressão e criar intuito de esforço, tudo isso colocado em primeiro lugar, nota-se que a suafilosofia busca um desenvolvimento não só de boas habilidades práticas, como tambémestimular a formação de um sujeito integro, de caráter, que supere seus próprios limites e queseja firme na sua conduta como cidadão, desta maneira trata-se de uma prática em constantecolaboração com o meio educacional. Para tanto, considero importante para a sociedade de modo geral, conhecer e entenderos verdadeiros intuitos e benefícios que a prática do Karatê-dô pode trazer para seuspraticantes, principalmente quando ele é aliado e incorporado ao objetivo e cotidiano escolar.Sendo assim possível um maior estímulo e interesse em aderir essa prática. Deste modo esta pesquisa busca responder a problemática de quais as contribuições einfluências proporcionadas pelos ensinamentos do Karatê-dô nos ex-alunos de uma EscolaPública Estadual do Ensino Médio da cidade de Alagoinhas - BA, num Projeto Sócio-educacional no ambiente escolar? Trazendo também uma reflexão sobre a experiênciaconstruída no projeto, identificando e apresentando essas contribuições e influências. O universo de estudo foi constituído pelo Projeto sócio-educacional e pelos ex-alunosdesta Escola Estadual, participantes do Projeto de Karatê-dô educacional, os quais foramentrevistados individualmente com base em um roteiro de entrevista com temas previamentedefinidos. Foram estes os sujeitos da pesquisa, pelo fato de terem sido participantes do únicoProjeto Sócio-educacional desenvolvido numa Escola Pública Estadual na cidade, por teremsido os pioneiros deste Projeto e praticantes por um maior período. A proposta foi responder como os ex-alunos percebem as contribuições e influênciasdo Karatê-dô em suas vidas e quais são elas. E os objetivos específicos desse trabalho foram:identificar as características desenvolvidas através da filosofia e da prática do esporte naformação e atuação social, inter e intrapessoal dos ex-alunos participantes do Projeto Sócio-educacional; identificar os fatores do Karatê-dô que intervieram no desenvolvimento sócio-educacional dos ex-alunos participantes do Projeto e avaliar e relacionar a função sócio-educacional do Projeto e os efeitos adquiridos através da prática do Karatê-dô enquantoelemento de intervenção social e educacional. Reportando-me então ao âmbito acadêmico, entendo que esta pesquisa poderáincentivar e auxiliar alguns professores, à introdução do Karatê-dô no campo escolar,transmitindo-lhes as verdadeiras contribuições educacionais desta arte e permitindo-lhes tratarde forma mais segura, contundente e precisa, as possibilidades que o Karatê-dô traz aoseducandos.
  14. 14. 13 Optei por fazer esta pesquisa, primeiramente pelo fato de uma significativaaproximação do tema, sendo que sou praticante a mais de oito anos desta arte, dentro doâmbito escolar, me formando faixa preta e agora também professora de Karatê-dô, por tanto,entendo que a presença deste na escola é mais um aliado para a busca de uma formaçãodiferenciada, onde evidência o aluno como um ser social e que precisa de conhecimentos eestímulos para uma boa formação e conduta na sua vida como um todo. Agora no ensinosuperior, passo a me sentir responsável em pensar, estudar, analisar e apresentarpossibilidades e contribuições do karatê-dô nas diversas instâncias educacionais. Sendo esta escola pública a qual pratiquei e pratico o Karatê-dô até os dias de hoje,acompanhando desde a implantação do Projeto até o seu momento atual, tornando-metambém uma das professoras que contribui com o desenvolvimento desta arte no local, tenhopor tanto um maior e mais fácil acesso aos indivíduos da pesquisa. Desta forma, este trabalho foi dividido da seguinte maneira: uma breve apresentaçãoda atual deficiência educacional e as possibilidades de intervenções por meio dos ProjetosEducacionais extracurriculares, passando por um breve histórico da arte marcial que é foco dotema trabalhado, e apresentando minha trajetória relacionada a esta arte e consequentementeos motivos para a escolha do tema e do universo da pesquisa, subsequentemente, sendodividido em capítulos, tratei primeiramente no capítulo Karatê-dô: história e potencialeducacional, sobre o Karatê desde o seu nascimento, até a sua disseminação mundial,enfatizando seu potencial educacional. Sequencialmente, no capítulo Projetos sócio-educacionais de esportes: contribuições para a educação integral, dialoguei com osreferenciais a cerca de Projetos Sócio-educacionais no intuito de estabelecer suaspossibilidades, enquanto espaço educacional não-formal. Posteriormente, no capítulo Karatê-do no projeto sócio-educacional, foi apresentado com detalhes o Projeto no qual serviu debase e sustentação da pesquisa, informando seus precursores, seus objetivos e metodologias,sendo que parte das informações foram adquiridas através de entrevista com os responsáveispela implementação. E por fim serão apresentados os procedimentos metodológicosempregados para a realização da presente pesquisa, os resultados e as análises dos dados,concluindo então com a definição das características e influências a cerca dos ensinamentosdo Karatê-dô na formação dos ex-alunos e quais foram os aspectos da arte que provocaramtais influências e fazendo menção à função sócio-educacional do Projeto de tal maneira queseja possível refletir a introdução de Projetos como este no âmbito escolar.
  15. 15. 142 KARATÊ-DO: HISTÓRIA E POTENCIAL EDUCACIONAL O Karatê-dô nasce em meio a muitos conflitos, partindo do princípio de que a ilhaonde foi idealizado sempre esteve sobre terríveis guerras civis, principalmente entre a China eo Japão. Devido à localização privilegiada da ilha, ela tornou-se entreposto comercial,sofrendo influências de diversas culturas, sendo as mais fortes as da China, Coréia eprincipalmente a do Japão. Justamente por ter uma boa localização, a ilha de Okinawa ouarquipélago de Ryu Kyu despertou muita cobiça pela posse de suas terras, ocasionandoconstantes mudanças de poder (BARTOLO, 2009). Atribui-se a criação do Karatê-dô às diversas proibições do uso ou porte de qualquertipo de armas. Estas proibições tinham o intuito de desestimular ameaças ao Estado, noentanto ao invés disso motivou os habitantes do arquipélago a desenvolver técnicas decombate utilizando o próprio corpo ou utensílios domésticos e agrícolas para proteger-se dosconstantes conflitos (FUNAKOSHI, 1975). Inúmeros indícios demonstram que o Karatê-dô obteve grande influência do boxechinês, por isso inicialmente recebeu o nome de To-de, onde “To” representa a China e “de”significa mão, entendendo assim To-de como mão chinesa. Posteriormente a arte veio a sechamar Okinawa-tê, levando o nome da ilha de sua origem, em seguida veio a ser conhecidapelos nomes das cidades onde eram treinadas, estabelecendo assim diferentes estilos devido àdistancia entre as cidades e a impossibilidade de trocas de experiências, tornando ostreinamentos bastante singulares. Estes estilos foram chamados de Naha-tê, Shuri-tê eTomari-tê. Após determinado período esta arte marcial assumiu o nome de Karatê e anos maistarde o mestre Ginchin Funakoshi acrescentou a este o “dô”, tornando-se assim Karatê-dô(caminho das mãos vazias) (BARTOLO, 2009). Por muitos anos o Karatê-dô foi treinado às escondidas, pois qualquer tipo de artesmarciais era terminantemente proibido e quem fosse flagrado praticando, seria punido com amorte. Por este motivo os treinamentos eram realizados em lugares secretos, normalmentedurante a noite e exclusivamente com pessoas de confiança. Muitos dos movimentos da artemarcial foram introduzidos nas danças para que as autoridades não suspeitassem. Somente porvolta de 1900 que o Karatê-dô sai da clandestinidade, tomando repercussão em todo o Japão eem seguida no mundo (FUNAKOSHI, 1975). É apenas após a segunda Guerra Mundial, que o Karatê-dô começa a tomar grandesproporções em sua disseminação mundial. Foi depois da imigração dos Japoneses para oBrasil em 1908 que a arte chegou ao nosso país, inicialmente era praticado somente nas
  16. 16. 15colônias japonesas e poucos brasileiros tinham acesso. É na década de 1950 que algunsmestres decidem dar aulas e abrir academias. Em 1961, chega à Bahia o mestre Eisuke Oishi,que com apenas 19 anos de idade começa a dar aulas no Ginásio Acrópole de Salvador edentre os seus alunos destaca-se Denílson Caribé, que mais tarde seria o primeiro baiano atornar-se faixa preta e em seguida receberia o título de Patrono do Karatê Brasileiro, devido atodos os seus serviços prestados a esta arte (BARTOLO, 2009). Aos poucos o Karatê-dô veio sendo introduzido nas escolas brasileiras, em sua maiorparte as particulares, tornando-se assim objeto da Educação Física escolar como atividadesparalelas. Ainda encontrando certa resistência, pois a maioria dos professores não se sentemaptos a tratar o Karatê na escola, sendo esta uma atividade desenvolvida geralmente porprofessores que já praticam a arte marcial. Quanto ao seu potencial educacional, “O Karatê-dô é uma arte marcial para odesenvolvimento do caráter por meio do treinamento, para que o karateca possa superarquaisquer obstáculos, palpáveis ou não.” (NAKAYAMA, 1995, p. 13). Seguindo essepensamento e fazendo uma ligação com os conceitos de práticas da Educação Física,assegura-se que: A prática do Karatê-dô faz com que a pessoa domine todos os movimentos do corpo, como flexões, saltos e balanço, aprendendo a movimentar os membros e o corpo pra trás e para frente, para a esquerda e para a direita, para cima e para baixo, de um modo livre e uniforme (NAKAYAMA, 1995, p. 13). Além de auxiliar no desenvolvimento dos ossos e tendões, ajudar no funcionamentodos órgãos digestivos e uma melhor circulação sanguínea (BARTOLO, 2009). Possibilitando-nos entender então que a modalidade atende prontamente não só os princípios dedesenvolvimento motor tratados na Educação Física Escolar, como também odesenvolvimento fisiológico, oportunizando uma vida mais saudável. Nesse sentido,percebemos que ele abrange não apenas técnicas de autodefesa com socos e chutes, mastambém um meio para o autocontrole e o autoconhecimento tanto corporal quanto mental,promovendo a quem estuda esta arte maior confiança em si mesmo; estímulo e capacidade desuperar seus próprios limites e desafios; tranqüilidade e clareza para tomar decisões eaprender a não menosprezar o próximo, respeitando-o seja ele quem for, mesmo que seja oseu oponente. Como afirmava Funakoshi, o pai do Karatê moderno, “[...] O Karatê-dô não é somentea aquisição de certas habilidades defensivas, mas também o domínio da arte de ser um
  17. 17. 16membro da sociedade bom e honesto” (FUNAKOSHI, 1975, p. 110). Esta fala pode serconcluída com a afirmação de que “[...] A perícia técnica e a agilidade rapidamente perdem ovalor em comparação com a importância de se aprimorar o coração, a mente e o caráter – osverdadeiros elementos que definem a qualidade de vida de alguém” (TERAMOTO, 2005, p.10). Muitos ainda acreditam que as artes marciais como um todo, quando incorporadas aoambiente escolar, criando a oportunidade dos jovens aprenderem suas técnicas, só irá trazermais agressividade e oferecer um instrumento a mais para os confrontos, porém há muitosanos que se constata o contrário. De acordo com o que afirma Funakoshi: Todos os anos, no mês de abril, um grande número de novos alunos se matricula nas aulas de Karatê dos departamentos de Educação Física das Universidades – a maioria deles, felizmente, com o objetivo duplo de fortalecer seu vigor espiritual e sua força física. Entretanto, sempre há alguns que têm como desejo único aprender Karatê para utilizá-lo numa luta. Esses quase inevitavelmente abandonam o curso antes mesmo da metade do ano, porque é quase impossível que qualquer jovem com objetivo tão tolo continue por muito tempo no Karatê. Somente os que têm um ideal superior acharão o Karatê-dô interessante o bastante para perseverar nos rigores que ele requer. Os que persistirem descobrirão que quanto mais treinarem mais fascinados ficarão pela arte (FUNAKOSHI, 1975, p. 112). Por tanto “[...] As verdades mais profundas das artes marciais não se prendem atécnicas, truques e estratégias para a vitória - elas estão ligadas a estratégias para a vida”(TERAMOTO, 205, p.11). Seguindo esses pensamentos percebe-se que o verdadeiropraticante de Karatê não procura violência em sua vida e nem mesmo quer machucarninguém, ao contrário, esforça-se para não entrar em conflitos e não ter que lutar (LEDWAB;STANDEFER, 2001). É nesse sentido que penso que o Karatê deve ser introduzido nasescolas brasileiras com maiores proporções assim como são no Japão (FUNAKOSHI, 1975),oferecendo oportunidade de desenvolver tais benefícios aos jovens que a cada dia se desligammais e mais dos princípios de cortesia, honestidade, respeito, humildade e coragem, dentreoutros os quais são abordados no Karatê. Para tanto é preciso “[...] que o professor transmitaos ensinamentos morais e fortalecedores das forças do espírito ante as dificuldades da vida,que emanam da filosofia e da ética próprias do Karatê-dô e se insinuam na sua mesmaprática” (MONTEIRO, 1993, p. 26). Não é a toa que no Karatê-dô sempre se começa etermina com respeito e cordialidade, para com o outro e para se próprio e isto é que faz adiferença entre as artes marciais e uma simples forma de violência e agressão (FUNAKOSHI,2005).
  18. 18. 17 Uma das muitas recomendações do mestre Yasutsune Itoso (CITADO PORFUNAKOSHI, 2005), é que a maior preocupação do praticante deve ser a de evitar feriralguém com seus punhos ou pés, e é daí que nasce o segundo princípio fundamental do Karatêcriado por Funakoshi, o qual trás a seguinte mensagem: “Não existe primeiro golpe noKaratê” (FUNAKOSHI, 2005, p.23). Esta passagem vem trazer a preocupação deste mestrecom o comportamento e atitude dos praticantes desta arte, mostrando-lhes que ela não foi feitapara atacar, mas somente se defender, e apenas quando o último recurso para o entendimentoesteja esgotado. Conscientizando-os por tanto do potencial e respectivamente dasresponsabilidades que envolvem as suas atitudes. “[...] É a preocupação com os aspectosespirituais, que transforma o karate, de mera arte marcial, num caminho a ser percorrido evivenciado” (BARTOLO, 2009, p. 94). Podemos citar também as insistentes falas do mestreAsato para Funakoshi em seus treinamentos, quando ele dizia “[...] que a conduta adequada eas maneiras dignas eram tão importantes quanto as técnicas [...] ” (BARTOLO, 2009, p. 74). Por considerar a escola o ambiente onde devem ser discutidas essas competências ecompreendendo que a Educação Física não é uma disciplina meramente prática e que porassim ser é também sua função promover esses debates, sendo possível utilizar facilmente oKaratê-dô para tal função, pois além de trazer vivências de um esporte, traz o conhecimento emaior apropriação de uma cultura diferenciada, a qual evidência valores significativos parauma boa convivência pessoal e coletiva. E de acordo com Lopes e Vieira, “[...] o ensino dastécnicas de luta do caratê deve considerar tanto os aspectos simbólicos como a possibilidadede serem tratadas como produção de uma expressão dinâmica de cultura que permita areflexão dos saberes que constituem o caratê [...]” (2009, p. 107). Apesar de muitos entenderem o Karatê-dô como uma atividade exclusivamenteindividual, não é bem assim, afinal além da busca do próprio progresso, busca-se nãocompetir com os outros e na maioria dos casos não se treina sozinho, tendo a colaboração ecompanhia dos colegas para praticar e compartilhar a energia e o entusiasmo nos treinamentos(LEDWAB; STANDEFER, 2001). Não podemos deixar de considerar também, que osensinamentos adquiridos nas aulas são levados para a vida como um todo, auxiliando nasatitudes e decisões dos educandos.
  19. 19. 183 PROJETOS SÓCIO-EDUCACIONAIS DE ESPORTE: CONTRIBUIÇÕES PARA AEDUCAÇÃO INTEGRAL A maioria dos Projetos Sócio-educacionais visam um reforço no sistema educacional,possibilitando um espaço para além das salas de aula, que contribui para o desenvolvimentosócio-educacional dos jovens, favorecendo o acesso à prática esportiva, oportunizando a elesuma vivência nos esportes de maneira crítica e educativa, superando a idéia do jogar porjogar, praticar por praticar, trazendo assim uma perspectiva de superação das dificuldades docotidiano, ultrapassando limites e focando em uma vida melhor estruturada e com maiorqualidade. Partindo do pressuposto de que “[...] um projeto social nasce da convicção de pessoas,organizações, governamentais ou não-governamentais, tendo-se como princípio a necessidadede mudar realidades que afetam as condições de vida e o desenvolvimento das pessoas[...]”(MELO; DIAS, 2009, p. 13), complementando ainda com o pensamento de Stephanou ondeele afirma que: [...] Os Projetos sociais são pontes entre o desejo e a realidade. São ações estruturantes e intencionais, de um grupo ou organização social, que partem da reflexão e do diagnóstico sobre determinada problemática e buscam contribuir, em alguma medida, para outro mundo possível (2003, CITADO POR MELO; DIAS, 2009, p 16). Sendo assim percebe-se que através dos esportes tornam-se possíveis inúmerasabordagens que permitem aos jovens o aprendizado de buscar a conquista por meio de seuesforço pessoal, a habituar-se a vitórias e derrotas, além de desenvolver a independência, aresponsabilidade, a confiança neles mesmos (MARTINS; REZER; CASTRO; SHIGUNOV;2002) e o entendimento de que para uma vida em sociedade é necessário conviver e obedecerregras, lembrando que não estamos e nem vivemos sós. Completo esta afirmação com a falade Estadella, onde ele afirma que o esporte favorece o equilíbrio mental, melhorando aautoestima, tornando-se um bom canalizador de instintos e promovendo o espírito esportivo(ESTADELLA, 1980, CITADO POR VIEIRA; AZEVEDO, 2008). Afinal os Projetos sociaisencontram-se como um espaço onde se deve: [...] privilegiar o respeito à diversidade, a aceitação das diferenças e o reconhecimento de que cada sujeito vale pelo que é independente de sua aparência corporal, da cor de sua pele, das marcas de gênero ou da orientação sexual que adota. Mas isso depende de esforço, de sensibilidade e
  20. 20. 19 de vontade política de cada agente que nele está envolvido, o que, indubitavelmente, traduz-se em um grande desafio (GOELLNER, 2009, p. 81). Como foi mencionado por Pierre de Coubertin no ato solene da restauração dos JogosOlímpicos da Sorbonne, em Paris, “O esporte não é um luxo, mas sim uma necessidade”(1894, CITADO POR TEIXEIRA, 2009, p. 11), o que Teixeira busca complementar dizendoque “[...] o esporte desempenha um papel salutar no desenvolvimento do indivíduo e dahumanidade, por meio da aliança da cultura com a educação, integrando diferenças, sejamelas sociais, religiosas, raciais, dentre outras, para formar um mundo melhor” (TEIXEIRA,2009, p. 81). Compreendendo então o esporte como parte integrante da cultura, deve-sesalientar que a mesma “[...] é, sem dúvida nenhuma, um dos fatores mais importantes para aidentificação e unidade de um povo. Sua manutenção exige o esforço coletivo na transmissãode valores, crenças, padrões e comportamento do grupo para novas gerações [...]”(BARTOLO, 2009, p. 47). Sendo a disseminação da educação, papel primeiramente do Estado, o qual designa aEscola como o ambiente formal que deve desempenhar essa função, se fazem necessáriasentão, condições adequadas para essa atuação, condições estas que dificilmente sãoencontradas e que por assim ser dificultam um trabalho totalmente eficaz. Soares e Figueiredotraz a reflexão de que, “a falta de acesso a uma vida minimamente digna dentro e fora daescola transforma rapidamente crianças e jovens em potenciais: vagabundos, preguiçosos, eviolentos... Porém, as características perniciosas não são dos jovens e das crianças, e sim dosistema societal que as cerca” (SOARES; FIGUEIREDO, 2009, p. 46). Deste modo é para umtrabalho de conscientização e valorização dos jovens e da própria sociedade que essesProjetos vêm se manifestar, criando possibilidades de ações e intervenções, que focam seusserviços na: [...] concepção de uma sociedade igualitária, na qual todas as pessoas devem ter o direito de acesso aos elementos fundamentais para o desenvolvimento humano, utilizando o esporte como um desses elementos, na constituição de suas intervenções com foco para crianças e jovens que vivem em situação de risco social (MELO; DIAS, 2009, p. 17). Enquanto técnica corporal e assimilação de cultura, o esporte torna-se um meio onde épossível ampliar as utilidades do corpo, e incorporar noções de saúde, divertimento,civilidade, sociabilidade, ludicidade e lazer (MELO; DIAS, 2009). Considerando a concepçãode lazer, a qual trata-se de atividades “[...] vivenciadas no tempo livre das obrigações, do
  21. 21. 20trabalho, das atividades domésticas e religiosas e das necessidades [...]” (MELO; BRÊTAS;MONTEIRO, 2009, p. 45) , sendo a maioria dos Projetos realizados no contra turno da escola,então podemos classificar as suas atividades como sendo de lazer. Constituindo o mesmo,“um direito social e um tempo/espaço de formação” (MELO; BRÊTAS; MONTEIRO, 2009,p. 44), então: [...] não devemos considerar o lazer como um assunto de menor importância, de menor valor. Ele é uma das necessidades humanas, é um importante campo de vivência social. Não é um tempo/espaço ingênuo ou isolado das outras esferas da vida em sociedade, mas sim de tensão social, de diálogo e de conflito, que deve ser compreendido a partir da ótica de circularidade cultural (trocas mútuas e constantes de valores e sensibilidades). Por isso, a intervenção profissional deve superar o espontaneísmo e ser implementada de maneira consequente (MELO; BRÊTAS; MONTEIRO, 2009, p. 44). Assim os esportes trabalhados nestes Projetos no tempo livre de seus adeptos, ou seja,no lazer, são vivenciados de maneira lúdica, dando prioridade à prática pelo prazer e àeducação pela prática. É pensando desta forma que são desenvolvidas atividadesdescontraídas, que fogem um pouco à regra no intuito de dar oportunidade a aqueles não tão“bons”, não tão habilidosos, e assim manter uma igualdade entre os praticantes, sejam eleshomens ou mulheres, gordos ou magros, altos ou baixos, o que importa é o prazer de jogar eaprender através do próprio prazer. Por isso torna-se de fundamental importância a presençado jogo, da brincadeira e da descontração nesses espaços de intervenções. Pois acredita-se que“ a brincadeira permite que a criança resolva de forma simbólica problemas não-resolvidos dopassado e enfrente direta e simbolicamente questões do presente” ( SOARES; FIGUEIREDO,2009, p. 46). E que segundo Bettelheim: É através da brincadeira que podemos compreender como a criança vê e constrói o seu mundo, o que ela gostaria que ele fosse, quais as suas preocupações e quais os problemas a estão assediando; e é pela brincadeira que ela expressa o que teria dificuldade de colocar em palavras. Nenhuma criança brinca espontaneamente só para passar o tempo, se bem que os adultos que as observam podem pensar assim. Mesmo quando uma criança entra numa brincadeira, em parte para preencher momentos vazios, sua escolha é motivada por processos íntimos, desejos problemas e ansiedades (1989, CITADO POR SOARES E FIGUEIREDO, 2009, p. 46). Por tanto, diante da atual circunstância em que se encontra a Educação Brasileira,mostra-se a necessidade de interposições de outras instituições e organizações pra que osvalores humanos tenham mais uma chance de serem assimilados e colocados em prática, sem
  22. 22. 21mencionar os grandes benefícios oportunizados por esses Projetos Sociais que têm o intuitode oferecer propostas no âmbito da cultura e do lazer, vislumbrando uma melhor educação ereafirmando a busca de uma sociedade mais fraterna, digna e respeitosa, evidenciando oresgate dos jovens que se encontram em situações de risco para que estes ainda possam ter achance de uma vida melhor, e de um futuro brilhante pela frente, afinal a vida se encontra emconstante transformação.
  23. 23. 224 KARATÊ-DO NO PROJETO SÓCIO-EDUCACIONAL Cabe agora apresentar o Projeto no qual me inspirei para fazer esta pesquisa. Este cujotema é “Faz Cidadão: Formando Cidadão Samurai”, traz em seu texto a afirmação de que: O Karatê-do dispõe de recursos metodológicos que possibilita reflexões a respeito da disciplina, educação, comportamento, tolerância às diferenças, solidariedade, respeito às regras, controle emocional, combate qualquer tipo de violência através da filosofia oriental e princípios do zen budismo (PROJETO FAZ CIDADÃO: FORMANDO CIDADÃO SAMURAI, MIMEO, s/p). Com este princípio, foi então apresentado e implementado nesta Escola Pública deEnsino Médio da cidade de Alagoinhas – BA, no ano de 2002, com a chegada do novoprofessor de Educação Física na escola, este que, por já ser praticante de Karatê e ter aexperiência deste trabalho social em outras instituições educacionais, decidiu apresentá-lotambém nesta escola e ampliar seu trabalho voltado ao social, como havia prometido a semesmo enquanto componente da seleção brasileira, e que em meio à sua entrevista ele relata: [...] depois que eu deixasse de ser atleta da seleção eu queria aproveitar o meu trabalho para dar um retorno à sociedade, um trabalho de inclusão social com o Karatê, onde pensei, vou atrelar minha vida como atleta esportivo com a minha vida como educador. Era como se eu estivesse agradecendo tudo o que eu aprendi, tudo que o Karatê me trouxe como benefício, como cidadão, como pessoa, como ser humano e então ajudar na formação de alguns alunos, que não tinham acesso a essa arte marcial muito importante na questão da filosofia, na questão da formação dos valores humanos que ela nos traz [...] (PEF). Sendo assim foi apoiado pela direção da escola, tendo o seu Projeto aprovado pelodiretor da época, o qual o acolheu de braços abertos, incentivando-o e mantendo-se disposto aajudar no que fosse necessário. Compondo então o eixo temático da escola, o Karatê comoparte da Educação Física, dividindo o espaço com os outros esportes, seguia a questãopedagógica, promovendo debates e a interdisciplinaridade, trazendo a sua filosofia com oslemas do Karatê, que começaram a ser discutidos também em outras disciplinas emodalidades esportivas. A inscrição dos educandos para a prática desta arte se dava a partir do momento emque, enquanto alunos da escola, iriam preencher sua ficha de inscrição optando dentre outrosesportes para a prática da Educação Física, escolhendo o que mais lhe interessasse em fazer,neste caso, o Karatê. Principalmente por se tratar de um Projeto de inclusão, não havia
  24. 24. 23nenhuma forma de seleção, sua escolha era livre e se colocava de acordo com o interesse doaluno, sendo o professor totalmente contra qualquer tipo de seleção que privilegiasse os maishabilidosos, preferindo seguir: [...] na contra mão, buscando aqueles que achavam que não tinham condições de aprender nada, que não tinham condições físicas, ou que tinha um impedimento emocional [...] que eram inseguros, que tinham medo da própria limitação, ou tímidos que tinham problemas de relacionamento, porque a gente sabia que aqueles agressivos que procuravam, com um certo tempo eles iriam deixar de ser agressivos, aqueles que eram hiperativos, o Karatê trabalhava a questão emocional deles, mas eu queria um desafio maior que era pegar aqueles que tinham medo de convivência, tinha medo de se relacionar, que as vezes tinham um complexo pelo fato de ser muito magro, muito gordo e ai a gente utilizava o Karatê realmente como uma forma de despertar potencialidades dos alunos e eles começavam a mudar e essa mudança era muito visível, [...] eu percebia o aluno que era inibido, o aluno que estava com uma baixa autoestima e ai começamos a perceber a mudança nesses alunos, e isso motivava muito mais o trabalho [...] (PEF). Ou seja, ele incentivava-os à prática de uma atividade que no seu entender iriacolaborar e muito para o desenvolvimento destes jovens, tanto na parte educacional quanto nocrescimento inter e intrapessoal. Além disso, desmitificava a idéia de que o Karatê é um“esporte masculino”, tendo então uma predominância quase que igualitária entre meninos emeninas que praticavam a modalidade, mantendo assim uma comunhão daquele espaço, sempreconceitos machistas ou feministas. Essas inscrições chegavam a trazer cerca de cem alunospor ano na prática do Karatê, como podemos ver na Figura 1. As aulas eram divididas porturno, geralmente no turno oposto, acontecendo tanto no período matutino, quanto vespertinoe inclusive no noturno, sendo que muitos alunos, por tão motivados que ficavam, chegavam apraticar pelo menos em dois desses horários e por diversas vezes chegavam à escola pelamanhã e só voltavam para casa à noite, cumprindo assim o horário de aula regular das outrasdisciplinas e ficando para dois dos três momentos da prática da Educação Física, sendo quenos intervalos entre as aulas, socializavam seus conhecimentos tanto do Karatê, quanto dasdemais disciplinas. Deste modo pude identificar que esses alunos ao invés de estarem nas ruasdesperdiçando o seu tempo com atividades fúteis e de risco, estavam ocupados com atividadesprazerosas e que motivavam a interação entre eles, além de manterem o desempenho escolar,pois este era um dos critérios para a permanência no Projeto.
  25. 25. 24 FIGURA 1 – Grande número de alunos nas aulas Quanto ao comportamento desses educandos que praticavam o Karatê na escola, tantoo professor, quanto o diretor afirmam que houve mudanças significativas e para melhor. Oprofessor deixa claro que só teve certeza destas mudanças, através de comentários feitos pelospróprios familiares dos alunos e de outros professores, ou seja, de pessoas que conviviam nocotidiano com esses alunos e que em momentos de confraternização e de encontro com ospais, recebia relatos sobre essas mudanças. Ele atribui essas alterações de comportamento aofato do entendimento do aluno com relação à questão da educação, do respeito e da disciplinacomo procedimentos normais dentro de uma aula de Karatê, compreendendo que não sãoimposições, mas que abre-se um espaço para questionamentos e discursões sobre essesconceitos, e assim “[...] eles começam a ver a questão da valorização do outro, do respeito aooutro, da postura de uma pessoa com relação aos seus limites. Eles começam a entender deuma forma bem natural que o Karatê não impõe isso, o Karatê esclarece isso [...]” (PEF) de talmodo que eles apreendem esses ensinamentos para a sua vida fora do Karatê. O diretortambém afirma que após a implantação deste esporte lhe parecia que os alunos “[...]aprenderam realmente a conviver com o outro, a respeitar, a saber moderar a suaagressividade, respeitando para nunca agredir ninguém, sempre se defender [...] e senecessário” (DT), pois era isto que o professor lhes ensinava. Fazendo referência ao desenvolvimento inter e intrapessoal o diretor acredita que oKaratê influência sim nesta formação, podendo desenvolver não só a parte física, masprincipalmente a parte mental, fazendo o jovem aceitar as mais diversas situações com odevido controle, melhorando a sua relação com as pessoas. E assim o professor de EducaçãoFísica complementa dizendo que tem a certeza desta contribuição, pois ele tem exemplos
  26. 26. 25disto inclusive dentro da sua própria família, que em sua grande maioria também é praticanteda arte, além do exemplo dele mesmo no Karatê e por isso ele diz que: [...] não levaria para uma escola pública aquilo que eu não tivesse participado, não tivesse acreditado, que eu não tivesse exemplo dentro da minha própria família. Essa questão da relação intrapessoal e interpessoal é uma coisa comprovada e se for verificar aqueles alunos que não continuaram com o Karatê, até hoje sempre me mandam convite de formatura e dentro do convite faz agradecimentos, reconhece o quanto o Karatê contribuiu na formação deles, [...] depois que eles ganham uma certa maturidade é que eles começam a entender e agradecer. Eu tenho certeza que o Karatê meche com o relacionamento, com a autocrítica, então chega um determinado momento que a gente enquanto praticante, professor, a gente entende que o Karatê é para identificar quais são suas potencialidades e seus limites e quando você acredita na sua potencialidade e respeita os seus limites, você diminui um pouco as questões que podem frustrar uma pessoa na sua vida profissional, familiar, no seu dia-a-dia. Eu estou falando com uma experiência de quase quarenta anos de Karatê e para mim é uma experiência bastante positiva (PEF). Lembrando que são mudanças e benefícios adquiridos através do Karatê-dôeducacional aplicado à escola, o qual tem uma visão completamente diferente do Karatê-dôensinado nas academias, que geralmente visam um treinamento apenas para adquirir a boaforma física e ótimos resultados em competições, vislumbrando a formação de atletas de altonível. Enquanto que na escola o trabalho busca utilizar uma metodologia que visa: [...] uma formação integrada do educando para seu desenvolvimento como cidadão. O karatê-do educacional aborda de forma contextualizada alguns problemas da sociedade que repercute no espaço educacional através da violência, intolerância, indisciplina, do não cumprimento de regras, do individualismo e da discriminação de qualquer espécie (PROJETO FAZ CIDADÃO: FORMANDO CIDADÃO SAMURAI, MIMEO, s/p). Desta forma eram abordados exercícios que trabalhavam o desenvolvimento doestudante de maneira integral. Comtemplando métodos como: [...] exercícios respiratórios, alongamento, exercícios de flexibilidade, jogos recreativos de ação e reação, jogos cooperativos, jogos de equilíbrio, defesa pessoal, exercícios posturais, coordenação motora, técnicas de rolamentos, além de aulas teóricas de cultura oriental, técnicas de meditação (melhoria da concentração), treinamentos para demonstrações (eventos comemorativos da escola), avaliações oficias para graduação de faixa respaldado na regulamentação da Federação de karatê-do Tradicional da Bahia (FKTB) (PROJETO FAZ CIDADÃO: FORMANDO CIDADÃO SAMURAI, MIMEO, s/p).
  27. 27. 26 Tudo isso era realizado no próprio espaço físico da escola (FIGURA 2), porémreferente ao aspecto da sua estrutura, encontro um pequeno desacordo entre a fala do diretor ea do professor. Isso acontece pelo fato do primeiro achar que a escola possuía a estruturanecessária para a prática, disponibilizando um espaço coberto e um descoberto, lhe faltandoapenas o tatame, o que não deixava de impedir a sua realização devido ao cuidado que eratomado para evitar movimentos que pudessem causar acidentes. Enquanto que o professorconsiderava que a estrutura não era a necessária e nem mesmo a mais adequada, mas não seabalava por isso, pois já sabia que iria encontrar dificuldades, portanto desenvolvia suaspráticas na quadra, no pátio, na grama e inclusive nas salas de aula, procurando sempre fazero melhor. E quanto à infraestrutura ele diz: [...] a gente criava, o banheiro a gente lavava, abria a Escola, a gente capinava, limpava a quadra. Então isso para me demonstrava que era a única modalidade dentro da Escola que eu conseguia mobilizar os alunos a cuidar do espaço físico, a cuidar do meio ambiente. E eu aproveitava aquele momento para trabalhar a questão interdisciplinar, da convivência, do meio ambiente, do zelar pelo que é público, então era muito legal, porque a gente via o aluno, independente da classe social limpando o chão junto, tá lavando o banheiro junto e isso não era só os alunos, mas os professores, os monitores [...] (PEF) (FIGURA 3). Para ele essas dificuldades só serviram como mais uma forma de Educá-los,mostrando que nem tudo na vida é fácil, e que não deveriam ficar esperando por tudo,somente esperando que o poder público cumpra com o seu papel e que enquanto isso não éfeito, nada mais é pela busca de melhorias, seja para eles mesmos ou para os outros. Tudo issoera incentivado pelo amor que eles tinham pelo esporte e “O legado do Karatê, da escolapública é este, é dedicação, amor e acreditar [...]” (PEF). FIGURA 2 – Apresentação na escola em evento comemorativo
  28. 28. 27 FIGURA 3 – Alunos lavando os pratos utilizados na refeição de um evento O trabalho nas aulas era promovido principalmente pelo próprio professor deEducação Física da escola, porém como afirma o diretor e também consta no Projeto, as aulastinham o apoio de outros professores de karatê, sendo que havia mais dois que iam dar aulasfrequentemente, além de outros que iam em ocasiões específicas promover palestras(FIGURA 4), demonstrações e aulas especiais, trazidos com o intuído de colaborar e ampliaras possibilidades de aprendizado. Além destes, os alunos mais antigos e consequentemente osmais graduados também auxiliavam no aprendizado de seus colegas durante a prática. FIGURA 4 – Palestra desenvolvida em um evento do Karatê-dô Segundo o professor, o uniforme (Kimono) não era obrigatório e nunca foi obstáculopara a participação nas aulas, pois para ele “[...] para a pessoa aprender a se educar não
  29. 29. 28precisa estar uniformizado, para a pessoa aprender a disciplina, uma filosofia, a ter umavivência esportiva, ela não precisa ter um uniforme original, um uniforme digamos tradicionalde uma arte marcial [...]” (PEF). O kimono era utilizado apenas por aqueles que tinhamcondições de adquiri-los, e em alguns casos os que conseguiam doações, conforme o expostopelo professor: [...] O uniforme era necessário desde quando o aluno tivesse condições. A gente também conseguia uniformes, através de parceria com alguns clubes, algumas academias, alguns atletas de Karatê que treinavam em seleções e eles doavam o kimono, mas na realidade o uniforme nunca foi empecilho, porque eu tinha aluno que só usou o uniforme na avaliação, ele não tinha o uniforme, mas quando ele ia fazer uma avaliação, uma competição, ele usava naquele dia e depois voltava a treinar com a roupa de Educação Física quem tinha e quem não tinha com uma roupa comum, uma roupa que pudesse dar liberdade de movimento e eu nunca exigi isso e era uma coisa legal [...]. Então a minha intenção era tornar o Karatê escolar uma coisa comum, uma coisa popular, que tivesse ao alcance de todos. Só quando a gente se sujeitava a uma Federação ou no sentido de um exame de faixa, de uma competição, é que realmente a gente tinha que se enquadrar nas normas estabelecidas, a gente conseguia quimonos emprestados, faixas, tudo mais, eu cheguei a fazer um exame de faixa que entrava um aluno, fazia a avaliação, ia para o banheiro com o outro, trocava e o outro fazia, era uma coisa interessante, os professores [...] acharam interessante e foi muito divertido, no final todo mundo passou e noventa por cento não tinha a roupa do Karatê, só dez por cento tinha e esses dez por cento foi que foi fazendo o rodízio entre o grupo e isso tornou o exame interessante e as pessoas começaram a entender e valorizar o trabalho (PEF). Essas avaliações a que ele se refere, são os exames de faixa, realizados para que haja amudança de grau, de cor da faixa no Karatê. Conforme a fala do diretor, elas aconteciam“duas vezes por ano” (DT), nas datas preestabelecidas pelo professor. O qual afirma que: [...] não tinha o objetivo de trabalhar essa questão da graduação, mas o que eu percebi é que os alunos se motivavam e toda vez que eles se sentiam aptos a fazer uma avaliação, mexia na autoestima deles, então eu comecei a incentivar a forma de graduação, mas não como uma forma de superação, ou de hierarquizar, colocar alguém acima do outro, mas simplesmente deles entenderem que estavam conseguindo superar um desafio e esse desafio era um trabalho coletivo, não era só deles, era um trabalho da escola, dos professores, dos monitores, e do setor pedagógico [...] (PEF). O projeto contava com uma colaboração extraescolar proveniente de um momento emque o professor tinha certo prestígio na federação de Karatê, a FKTB, momento este que eleera “[...] presidente, diretor técnico, e que era uma pessoa que tinha certa influência na
  30. 30. 29questão de implantação e divulgação da arte nas escolas públicas, e conseguia baixar algunscustos, este custo que era muito baixo e [...] ainda dividia este custo com o aluno” (PEF). Ambos os professores acreditam que o Programa atingiu os objetivos propostos, poisele conseguiu melhorar “[...] muito a parte relativa à disciplina dos alunos, a atenção, ocompromisso, a responsabilidade que os alunos tinham para com a escola, para consigo e paraos colegas” (DT). Inclusive o Projeto se superou, pois inicialmente não havia intenção“esportiva, de competição, e de graduação” (PEF), porém os próprios alunos: [...] começaram a aprender, começaram a se interessar não só pela parte filosófica, pela parte ética, mas pelo desenvolvimento técnico, aprimoramento técnico, ai eles começaram a pensar em graduação e consequentemente a se interessar por competição. Mas sempre eu dizia para eles sem fugir o objetivo da formação do cidadão então, o que mais me surpreendeu foi que o trabalho todo ele voltado para cidadania, começou a ganhar um viés esportivo, técnico, sem se afastar da questão formativa e ai eu entendi e observei que a qualidade técnica e a qualidade filosófica, a qualidade ética poderia se concretizar num projeto e caminhar junto, e ai foi a minha grande surpresa porque a princípio eu não queria envolver nada mais do que a questão atitudinal, do conceito e os procedimentos que a gente utilizava no projeto que eram justamente pra atingir essa questão muito mais de valores e eu percebi que consegui atingir a parte educacional e junto com essa parte educacional agregou também a questão técnica e ai fiquei satisfeito por dois lados, um pela mudança de comportamento do grupo e segundo pelo índice técnico que era um índice técnico que muita gente duvidava que uma escola pública, que alunos com dificuldades de alimentação, dificuldade cultural, que sofria muitos preconceitos e tal e de repente eles começaram a fazer um Karatê de alto nível, tanto técnico, como filosófico, como ético. Isso pra mim superou as expectativas (PEF). Com o Projeto devidamente apresentado em suas concepções, expectativas,entendimentos e resultados expostos pelo professor e pelo diretor, caberá agora apresentar ametodologia da presente pesquisa, os dados obtidos através das entrevistas com os ex-alunos,concomitantemente com a sua análise, chegando então a uma conclusão entre as informaçõesdos professores e a dos ex-alunos, identificando uma concordância ou discordância entre asinformações obtidas e sendo assim oportuno oferecer potenciais sugestões e possibilidades deintervenções.
  31. 31. 305 FUNDAMENTOS E PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Entendendo que as possíveis características e influências trazidas pelo Karatê-dô sãoquestões particulares, possuindo significados, valores e crenças distintos, de acordo com cadaindivíduo pesquisado, posso afirmar que esta é uma pesquisa qualitativa, baseando-me emMinayo quando ela afirma que tal pesquisa: [...] responde a questões muito particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis (MINAYO, 2002, p. 21 e 22). Quanto ao método fundamenta-se na metodologia fenomenológica, porque esta “[...]Consiste em mostrar o que é dado e em esclarecer este dado. Não explica mediante leis nemdeduz a partir de princípios, mas considera imediatamente o que está presente à consciência, oobjeto [...]” (GIL, 1987, p. 33). Encaixando-se exatamente no objetivo dessa pesquisa, quetrata de identificar e apresentar as características e influências a partir dos ensinamentos doKaratê-dô em ex-alunos de um projeto sócio-educacional. O estudo utiliza-se da pesquisa descritiva, entendendo que esta delimita-se a estudarcaracterísticas de um determinado grupo, levando em consideração a procedência, idade,sexo, nível de escolaridade, entre outros. Sendo que em determinados momentos, não limita-se em apenas identificar relações entre fatores, mas também determinar a natureza de taisrelações (GIL, 1987). Em se tratando de delineamento da pesquisa, trata-se de um estudo de caso, pois a“[...] sua preocupação é estudar um determinado indivíduo, família ou grupo para investigaraspectos variados ou um evento específico da amostra. Um único caso é estudado comprofundidade para alcançar uma maior compreensão sobre outros casos similares”(MATTOS; ROSSETO JÚNIOR; BLECHER, 2004, p. 15). A amostra foi composta a cerca de seis ex-alunos de uma Escola Estadual de EnsinoMédio da cidade de Alagoinhas – BA (a única Escola Estadual a desenvolver esse projeto nacidade), que participaram do Projeto Sócio-educacional que desenvolve o Karatê-dô naescola. O critério estabelecido para a seleção dos alunos foi a acessibilidade, o maior tempode prática no projeto e a disponibilidade para a colaboração na pesquisa. O gênero não foilevado em consideração.
  32. 32. 31 Por entender que para a obtenção de fontes na construção desta pesquisa, não seriasuficiente apenas uma única forma de coleta de dados, então as técnicas se constituem pormeio da entrevista, partindo da abordagem de temas previamente fixados, pelo fato deperceber que a mesma se adequa à obtenção “[...] de informações acerca do que as pessoassabem, crêem, esperam, sentem ou desejam, pretendem fazer, fazem ou fizeram, bem como acerca das suas explicações ou razões a respeito das coisas precedentes” (SELLTIZ ECOLABORADORES CITADO POR GIL, 1987, p. 113). Para complementar fiz o uso dapesquisa documental, pois esta possibilita ao pesquisador o acesso a “dados suficientementericos” (GIL, 1999, p. 161), amenizando o desgaste nos levantamentos de campo, além deoferecer a oportunidade de analisar fontes preciosas do passado (MARCONI; LAKATOS,2002), neste sentido, busquei então uma cópia do Projeto (ANEXO) apresentado à escola naépoca da sua implementação, além de fotos do arquivo da mesma e de alguns alunos,facilitando assim a construção da pesquisa e análise dos dados. Sendo assim a entrevista (APÊNDICE) foi realizada individualmente através de umbate papo com os sujeitos, utilizando gravador para um registro mais eficaz e fidedigno. Estafoi utilizada também para coletar informações importantes a cerca dos detalhes da introduçãoe do funcionamento do Projeto, servindo como constructo teórico para a pesquisa, permitindoassim adquirir esses conhecimentos por meio de conversação com base na entrevista, com oprofessor que o idealizou e concretizou e também com o diretor que o avaliou e aprovou,esses foram identificados durante o trabalho a partir de códigos, os quais foram determinadosda seguinte maneira: para o diretor, foi utilizado o código DT, para o professor de EducaçãoFísica e idealizador do projeto foi adotado o PEF, além de utilizar as falas dos própriosalunos. Para a análise e interpretação dos dados foi feita inicialmente uma categorizaçãoatravés de temas determinados anteriormente, temas estes, presentes como componentescentrais das questões da entrevista realizada. Em seguida foram tabulados para assim facilitara verificação das inter-relações entre eles, sendo possível ter uma visão gráfica desteselementos, permitindo deste modo analisar os dados mais significativos e com maiorfrequência nas falas dos indivíduos entrevistados. Afinal “[...] a importância dos dados estánão neles mesmos, mas no fato de proporcionarem respostas às investigações” (MARCONI ELAKATOS, 2002, p. 34), permitindo então um maior aprofundamento e reflexão paratransformações necessárias no âmbito do tema trabalhado.
  33. 33. 326 TRAJETÓRIA METODOLÓGICA, APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS Neste capítulo descreverei como se procedeu o passo a passo da coleta de dados,apresentando, discutindo e analisando o que foi apontado nas entrevistas através dos sujeitospesquisados. Como já foi citado anteriormente a pesquisa foi realizada por meio de entrevista paraum grupo de seis pessoas, os quais foram ex-alunos de uma Escola Estadual do EnsinoMédio, que abordava o Karatê-dô num Projeto sócio-educacional. A composição da amostrase deu através de contato prévio com os possíveis indivíduos, levando em consideração aacessibilidade, informando-os deste modo sobre a pesquisa e questionando-os sobre ointeresse e disposição para a colaboração da mesma. Desta forma se manifestarampositivamente seis ex-alunos, compondo assim o grupo a ser analisado. Vale mencionar quedesses seis, três deles ainda treinam mesmo que esporadicamente, devido aos seus afazeresatuais. Com o intuito de preservar a identidade dos sujeitos da pesquisa, os ex-alunos ficaramidentificados como A1, A2, A3, A4, A5 e A6. A disposição do código para cada aluno foidecidida através de sorteio entre os seus nomes. As respostas obtidas por meio da entrevista foram submetidas à análise de conteúdo, jáque tal “[...] processo quantitativo é usado para proporcionar a média da importância e ênfaseda matéria de várias idéias verificadas e para permitir confrontos com outras amostras domaterial” (SELLTIZ E COLABORADORES, 1965, CITADO POR MARCONI; LAKATOS,2002, p. 130). Sendo assim os dados foram categorizados a partir do tema de cada pergunta daentrevista, as quais foram fundamentadas e baseadas no objetivo da pesquisa e no referencialteórico. Essas categorias são as seguintes: as contribuições e influências a cerca dosensinamentos do Karatê-dô, a relação do Karatê-dô com a formação inter e intrapessoal, osfatores do Karatê-dô que influenciaram para essas contribuições e influências, o Karatê-dô naescola, motivações para a aderência da prática e motivações para a persistência na prática.6.2 REGISTRO E DISCUSSÃO DOS DADOS Referente à primeira categoria, que trata das contribuições e influências à cerca dosensinamentos do Karatê-dô, foi possível identificar através das falas dos alunos que essaprática trouxe grandes contribuições para suas vidas, proporcionando significativas mudanças.Das diversas contribuições citadas as mais destacadas foram: a formação do caráter e da
  34. 34. 33personalidade, o respeito, a sociabilidade, o crescimento pessoal, o autoconhecimento, oautocontrole, a responsabilidade e a confiança em si mesmo. Isto pode ser bem identificado nafala a de A1 quando diz que o Karatê contribuiu “Especificamente na forma de ver, deenxergar as outras pessoas, na noção de respeito, de pensar como o próximo, de viver emharmonia com as outras pessoas, aprendi a viver socialmente digamos assim” e secomplementa com a fala de A6 quando afirma que “ele contribuiu e muito na minha vida,porque antes de eu entrar no Karatê eu era muito insegura, além de melhorar o meuautocontrole, pois eu antigamente agia muito por impulso, sem pensar, tinha surtos de nervosoe agia muito sem pensar”. Demonstrando assim a efetivação da intenção do Karatê-dô deacordo com Ledwab e Standefer, quando menciona que no Karatê-dô se: [...] trabalha para ser uma pessoa melhor sob todos os aspectos, não só nos aspectos físicos da arte marcial. Seus pensamentos e sentimentos sobre as outras pessoas fazem parte da sua prática. Nem todos serão excelentes amigos, mas você pode aprender a tratar a todos com respeito e cortesia e pode ser cuidadoso nos trabalhos feito em conjunto (LEDWAB; STANDEFER, 2001, p. 26). Ainda seguindo o pensamento destes autores que afirmam que, quando se aprende aconcentrar e relaxar a mente, torna-se mais fácil de controlar os sentimentos, ficando assimmais satisfeito com as pessoas ao seu redor e principalmente consigo mesmo. Essa prática fazentender que as atitudes e objetivos, influenciam nas coisas que acontecem para si(LEDWAB; STANDEFER, 2001). Quanto à categoria da relação do Karatê-dô com a formação inter e intrapessoal, osrelatos trazem a perspectiva de que “[...] desde que você aprende uma coisa, vai adquirindoconhecimento, você vai trazendo tudo para a sua vida pessoal, seu cotidiano, com certeza[...]” (A2) o Karatê colaborou para a relação pessoal e interpessoal e “[...] aprendi a meconhecer melhor a partir do Karatê, a partir da vivência com o professor e com outras pessoas,aprendi a saber como lidar com as situações, com o desequilíbrios promovidos pela própriaarte e também pela própria vida” (A5). Desta forma é possível notar que os alunos entendemque após a vivência do Karatê-dô, o conhecimento de se próprio e o entrosamento nasrelações interpessoais melhoraram consideravelmente, dando-lhes confiança em si mesmo emaior lucidez para solucionar seus problemas, trazendo assim benefícios em longo prazo.Deste modo seguindo os ensinamentos de Funakoshi, quando afirma “Primeiro conheça a semesmo, depois conheça os outros” (FUNAKOSHI; NAKASONE, 2005, p. 33), desta forma,para nos melhorar, devemos primeiramente nos conhecer, conseguindo identificar nossos
  35. 35. 34pontos fracos e fortes e só assim conhecer e compreender o próximo, melhorando então, nãosó o relacionamento pessoal como o interpessoal (FUNAKOSHI; NAKASONE, 2005). Na categoria dos fatores do Karatê-dô que influenciaram para essas contribuições einfluências, foi possível identificar que a forma como o professor lidava com os alunos eministrava as aulas foi requisito primordial para essas contribuições, além do convívio com aspessoas, a diversidade e a filosofia do Karatê. Isto fica bastante explicito quando os alunosfalam que “Em termo da filosofia do Karatê, em termo de como o professor ensina, fala,explica tudo direitinho, a filosofia dele, os ensinamentos dele contribui também bastante parao aluno” (A4) e também “[...] a forma como o professor dialogasse com seus alunos, asmetodologias de aula e os colegas que eu tinha, foram de extrema importância na minhaformação” (A5). Isso se dá porque o papel do professor é o de motivador e desta formapossibilita um professor sensível e capaz de estar consciente das precisões de seus alunos econhecer as diversas técnicas motivacionais, permitindo uma combinação ideal para aobtenção de resultados significativamente produtivos (TUTKO; RICHARDS, 1984, CITADOPOR MARCO; JUNQUEIRA, 1993). Na fala dos alunos foi possível notar que esse professoré possuidor destas técnicas e que se utilizava delas para obter resultados expressivos. Com relação ao Karatê-dô na escola, é possível notar que todos os ex-alunos aprovama iniciativa e que acreditam ser uma boa oportunidade de um ensino diferenciado e eficazquanto a disciplina e a satisfação de quem faz. “[...] o Karatê não só prepara o Físico como a mente, então é uma peça fundamental, se você tem um bom professor que possa te dar disciplina, principalmente ensinar a ver a vida como realmente é, te dar um bom resultado então. Mas isso também vai depender muito de quem esteja dando a aula, mas é fundamental, eu iniciei na escola e tenho certeza que sou uma pessoa melhor, devido a isso” (A2). Funakoshi sempre foi um dos grandes defensores da introdução do Karatê-dô nasescolas e por isso fez modificações nesta arte marcial, pois para ele “O mais importante detudo é que o karatê, como forma de esporte utilizada na educação física, deveria ser bastantesimples para ser praticado sem maiores dificuldades por todos, jovens e velhos, meninos emeninas, homens e mulheres” (FUNAKOSHI, 1975, p. 48). Neste sentido podemos perceberque o seu pensamento foi contemplado, o que fez ser adotado por inúmeras escolas, inclusiveesta, satisfazendo suficientemente os seus praticantes. Relativo às motivações para a aderência da prática as respostam ficaram um tantodivididas, a metade afirma ter sido uma boa oportunidade de realizar um sonho, uma vontade
  36. 36. 35de quando era mais jovem e a outra metade afirma que foi por acaso, por influência dosamigos. Como A4 indica: Eu sempre gostei de luta, mas eu nunca tive assim a oportunidade, ai depois que eu estudei no Colégio [...], que lá tinha o Karatê ai eu comecei depois daí, porque se fosse em termos de pagar mesmo, não dava. Me deu uma oportunidade de praticar sem ter custos, porque eu não teria condições de pagar. Enquanto que A2 fala do acaso pela opção desta prática: “Na verdade foi um belíssimodescuido da vida, foi o que surgiu, não conhecia direito o Karatê, foi na escola com algunsamigos, a gente opinou e graças a Deus foi maravilhoso”. Deste modo, alguns teóricossegundo Marco e Junqueira exprimem atenção em: [...] formulações sobre motivação a componentes intermediários, tais como: objetivos, intenções, expectativas e planos do indivíduo. A curiosidade, também considerada como componente intermediário, é um tipo de motivação intrínseca e pode ser definida como intenção de conseguir informações sobre um objeto, evento ou idéia, através de um comportamento exploratório (MARCO; JUNQUEIRA, 1993, p. 88). A categoria que trata das motivações para a persistência na prática, mostra que aconvivência com os amigos e a oportunidade de fazer novos amigos, além da didática doprofessor e de perceber que se sentiam bem fazendo aquilo, que gostavam muito e que era oque eles queriam, fez com que esses jovens permanecessem na prática do Karatê-dô.Mostrando-se claramente no discurso de A3: “[...] a princípio era só para paquerar asmeninas, claro que isso também, mas depois foi se tornando algo que eu não conseguia maissair, que eu não conseguia mais largar, como se fosse uma droga mesmo, que me mantinhapreso lá sempre e eu adorava isso, então foi ótimo [...]” e concluindo então com A6 que diz: [...] foi a forma da didática do professor, a forma que ele lidava com a gente, que tratava sobre o Karatê, que ele conseguiu conquistar o meu desejo de estar ali treinando e em segundo lugar, ou até igualmente foram as companhias, as amizades que eu fiz, foi o aprendizado e o prazer de treinar. Todos os ex-alunos entrevistados mostram-se saudosos às práticas, pois alguns devidoà mudança de cidade, ingresso na faculdade e trabalho, tiveram que abandonar a prática, pornão encontrarem condições de continuar os treinamentos, mas ainda mostram-se esperançosos
  37. 37. 36para uma possível volta ao Karatê-dô, enquanto que os que puderam permanecer ainda lutamcontra as dificuldades relacionadas à disponibilidade de tempo para não deixar de praticar. Isso acontece porque “Cada indivíduo dispõe, em cada situação, de um conjunto demotivos. A forma da expressão e a objetividade desses motivos dependem então decaracterísticas individuais” (MARCO E JUNQUEIRA, 1993, p. 87) e o motivo que mais seencaixa neste caso classifica-se em psicossociais, “que não têm base orgânica e funcional. Sãoaprendidos e não inatos, sendo adquiridos no processo de interação com outros sereshumanos, em uma determinada cultura” (MARCO E JUNQUEIRA, 1993, p. 88). Avaliando a função sócio-educacional do Projeto e os efeitos adquiridos por meio daprática do Karatê-dô, analisando a justificativa do mesmo, que traz “[...] o esporte, a artemarcial e as lutas conteúdos da educação física que promovem pesquisas e manifestações deoutras culturas, contribuindo de forma direta na construção e formação do cidadão crítico,participativo e autônomo na sociedade contemporânea” (PROJETO FAZ CIDADÃO:FORMANDO CIDADÃO SAMURAI, MIMEO, s/p) e fazendo então uma relação com asfalas dos alunos, do professor e do diretor ao longo da pesquisa, é possível perceber que eleenquanto elemento de intervenção social e educacional desempenha seu papel e obtémresultados e efeitos positivos na formação dos educandos. De modo que A5 relata que “[...]através do Karatê [...] pude tramar uma nova perspectiva, uma nova filosofia de vida paraaprender a conviver melhor [...]”, da mesma maneira que o professor menciona ter superadoos objetivos do planejamento, conseguindo aliar as questões éticas, morais, filosóficas etécnicas, alcançando as finalidades educacionais e promovendo mudanças expressivas emseus alunos. Sendo assim é possível perceber a legitimidade do Projeto em sua funçãoeducacional e entende-se que uma intervenção como esta, não somente é possível, como podeser bastante eficaz se incluída no meio escolar visando o desenvolvimento do educando.
  38. 38. 377 CONSIDERAÇÕES FINAIS Partindo dos conteúdos obtidos através das entrevistas e com base no referencialtrabalhado para fundamentação desta pesquisa, percebo que os objetivos traçados foramalcançados, pois foi possível observar que as contribuições e influências advindas dosensinamentos do Karatê-dô neste Projeto sócio-educacional existem e são legítimas, dentreelas foi possível destacar o autoconhecimento, o autocontrole, a sociabilidade, a confiança emsi mesmo, o crescimento pessoal, o respeito, a responsabilidade e a formação do caráter e dapersonalidade, o que colaborou consideravelmente em suas relações inter e intrapessoal. Ficou claro na fala dos indivíduos entrevistados o bem estar que essa prática oferecidana sua escola lhes trouxe, oportunizando momentos de muita alegria, descontração e comcerteza de muito aprendizado. Além de possibilitar o contato com outras pessoas e ampliarnão só o grau de conhecimento como o de afetividade e de amizades. Momentos estes queeles dizem lembrar com muito carinho e sentir muita falta. Foi notório que os fatores que intervieram nesse desenvolvimento dos alunos parteprincipalmente da atitude do professor com os mesmos e a ligação que era feita com afilosofia do esporte nas aulas, além deste contato mais próximo com os outros alunos. Desta forma a função sócio-educacional do Projeto aplicado aos sujeitos destapesquisa é válida, sendo que proporcionou benefícios sócio-educacionais visíveis,promovendo uma aliança entre ética, moral, filosofia e técnica, além de contribuir para ainteração pessoal e interpessoal, ficando isto constatado por meio das entrevistas aplicadas aesse grupo composto de seis ex-alunos de uma escola Estadual de Ensino Médio da cidade deAlagoinhas – BA, do mesmo modo que foram confirmadas as falas do diretor e do professorresponsáveis pela sua implementação. Sendo assim percebo que a pesquisa trouxe informações importantes no âmbito daslutas nas escolas e oferece subsídios para os professores que manifestarem interesse em aderiresta prática, aliando a luta com a educação, e que não necessariamente precisa ser nesteformato, podendo também ser trabalhada apenas na perspectiva do conhecimento da artemarcial, utilizando-a para abordagens interdisciplinares e oferecendo algumas vivências quedarão a oportunidade de um aprofundamento da cultura oriental e de uma possibilidade decultura corporal, que após o seu primeiro contato na escola, apresentando e desmitificando aarte, pode proporcionar mais uma opção ao educando no âmbito extraescolar.
  39. 39. 38 REFERÊNCIASBARTOLO, Paulo. Karate-do: história geral e no Brasil. Santos, SP: Realejo Edições,2009.FUNAKOSHI, Ginchin. Karatê-dô: O meu Modo de Vida. Tradução de Euclides LuizCalloni. São Paulo: Cultrix, 1975.______. Karate-dô: My Way of life. Copyright, 1975. Kodansha International Ltd..FUNAKOSHI, Ginchin; NAKASONE, Genwa. Os Vinte Princípios Fundamentais doKaratê: O Legado Espiritual do Mestre. Tradução de Henrique A. Rêgo Monteiro. São Paulo:Cultrix, 2005.______. The Twenty guiding principles of Karate: the spiritual legacy of the master.Copyright, 2003. Kodansha International Ltd..GIL, Antonio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. São Paulo: Atlas, 1987.______. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 5. ed. - São Paulo: Atlas, 1999.GOELLNER; Silvana Vilodre. Corpo, gênero e sexualidade: Educando para a diversidade. In:OLIVEIRA, Amauri Aparecido Bássoli de; PERIM, Gianna Lepre (Org.). FundamentosPedagógicos do Programa Segundo Tempo: da reflexão à prática. Maringá: Eduem, 2009.p. 69 – 82.LEDWAB, Claudio; STANDEFER, Roxanne. Um Caminho de Paz: Um Guia das Tradiçõesdas Artes Marciais para os Jovens. São Paulo: Cultrix, 2001.LOPES, Yuri Márcio e Silva; VIEIRA, Aline de Oliveira. A construção do saber ensinarcaratê nas aulas de Educação Física: Enfrentamentos e possibilidades na prática pedagógicada EMEF “Centro de Jacaraípe”, Serra – ES. Cadernos de Formação RBCE. v. 1, n. 1, p.100 -110 – Campinas: CBCE e Autores Associados, 2009.MARCO, Ademir de; JUNQUEIRA, Flávia Camargo. Diferentes tipos de influências sobre amotivação de crianças numa iniciação desportiva. In: PICCOLO, Vilma L. Nista (Org.).Educação Física Escolar: Ser... ou não ter? Campinas, SP: Editora da UNICAMP, 1993.(Série Pesquisas).MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de pesquisa:planejamento e execução de pesquisas, amostragens e técnicas de pesquisas, elaboração,análise e interpretação de dados. 5. ed. – São Paulo: Atlas, 2002.MARTINS, Danielle Fabiane; REZER, Ricardo; CASTRO, Rosângela Laura VenturaGomes de; SHIGUNOV, Viktor. O esporte como papel de uma reunião social. RevistaEletrônica de Ciências da Educação. vol. 1, n 1. 2002.MATTOS, Mauro Gomes de; ROSSETO JÚNIOR, Adriano José; BLECHER, Shelly. Teoriae Prática da Metodologia da Pesquisa em Educação Física: Construindo seu trabalhoacadêmico: monografia, artigo científico e projeto de ação. São Paulo: Phorte, 2004.
  40. 40. 39MELO, José Pereira de; DIAS, João Carlos Neves de Souza e Nunes. Fundamentos doPrograma Segundo Tempo: Entrelaçamentos do esporte, do desenvolvimento humano, dacultura e da educação. In: OLIVEIRA, Amauri Aparecido Bássoli de; PERIM, Gianna Lepre(Org.). Fundamentos Pedagógicos do Programa Segundo Tempo: da reflexão à prática.Maringá: Eduem, 2009. p. 13 – 38.MELO, Victor Andrade de; BRÊTAS, Angela; MONTEIRO, Mônica Borges. Fundamentosdo lazer e da animação cultural. In: OLIVEIRA, Amauri Aparecido Bássoli de; PERIM,Gianna Lepre (Org.). Fundamentos Pedagógicos do Programa Segundo Tempo: dareflexão à prática. Maringá: Eduem, 2009. p. 41 – 65.MINAYO, Maria Cecília de Souza. Pesquisa Social: Teoria, Método e Criatividade.Pretópolis, RJ: Vozes, 1994.MONTEIRO, Marco. Karate-do: uma nova visão. 1993.NAKAYAMA. Masatoshi. O Melhor do Karatê 9 – Bassai Sho, Kanku Sho, Chinte. SãoPaulo: Cultrix, 1995.SOARES, José Montanha; FIGUEIREDO, Márcio Xavier B.. O poder simbólico nocotidiano escolar: reflexões sobre o corpo da criança. Injuí: Ed. Unijuí, 2009.TERAMOTO, John. Introdução. In: FUNAKOSHI, Ginchin; NAKASONE, Genwa. Os VintePrincípios Fundamentais do Karatê: O Legado Espiritual do Mestre. Tradução de HenriqueA. Rêgo Monteiro. São Paulo: Cultrix, 2005.______. The Twenty guiding principles of Karate: the spiritual legacy of the master.Copyright, 2003. Kodansha International Ltd..VIEIRA, Danilo Mota; AZEVEDO, Aldo Antonio. Esporte, lazer e controle social: Reflexõessobre o programa “Esporte à meia-noite” em Palatina – DF. In: AZEVEDO, Aldo Antonio(Org.). Torcedores, Mídia e Políticas Públicas de Esporte e Lazer no Distrito Federal.Brasília: Thesaurus, 2008. p. 143 – 163.
  41. 41. 40ANEXO
  42. 42. 41 PROJETO FAZ CIDADÃO:FORMANDO CIDADÃO SAMURAI
  43. 43. 42JUSTIFICATIVA As leis de diretrizes e base da educação brasileira no seu primeiro artigo definemeducação como: Art. 1º. A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. Sendo o esporte, a arte marcial e as lutas conteúdos da educação física que promovempesquisas e manifestações de outras culturas, contribuindo de forma direta na construção eformação do cidadão crítico, participativo e autônomo na sociedade contemporânea. O Karatê-do dispõe de recursos metodológicos que possibilita reflexões a respeito dadisciplina, educação, comportamento, tolerância às diferenças, solidariedade, respeito àsregras, controle emocional, combate qualquer tipo de violência através da filosofia oriental eprincípios do zen budismo.
  44. 44. 43OBJETIVO Desenvolver nos praticantes: a paciência, o controle emocional, a cortesia ehabilidades motoras que possibilitem uma autoconfiança, autoestima, poder de liderança,respeito aos seus limites, melhoria da qualidade de vida e combate ao estresse.
  45. 45. 44CONTEÚDO As práticas do karatê-do no estabelecimento de ensino difere completamente dasrealizadas em academias e clubes, as quais têm como objetivo formar atletas competitivos,enquanto na escola, visa-se uma formação integrada do educando para seu desenvolvimentocomo cidadão. O karatê-do educacional aborda de forma contextualizada alguns problemas dasociedade que repercute no espaço educacional através da violência, intolerância, indisciplina,do não cumprimento de regras, do individualismo e da discriminação de qualquer espécie.
  46. 46. 45METODOLOGIA As aulas de karatê-do educacional são compostas de exercícios respiratórios,alongamento, exercícios de flexibilidade, jogos recreativos de ação e reação, jogoscooperativos, jogos de equilíbrio, defesa pessoal, exercícios posturais, coordenação motora,técnicas de rolamentos, além de aulas teóricas de cultura oriental, técnicas de meditação(melhoria da concentração), treinamentos para demonstrações (eventos comemorativos daescola), avaliações oficias para graduação de faixa respaldado na regulamentação daFederação de karatê-do Tradicional da Bahia (FKTB).
  47. 47. 46RECURSOS MATERIAIS Para a realização do Projeto de Implantação do Karatê-do Educacional será necessáriouma sala ampla, arejada e clara, piso liso, local para troca da indumentária (kimono), corda,cones, aros, som, colchonetes e espelho.
  48. 48. 47RECURSOS HUMANOS A Associação Esportiva Reflexo é uma entidade com experiência de 25 anos no ramoesportivo educacional com o karatê-do. Implantou este projeto em várias escolas como:Colégio Dois de Julho, Colégio Antônio Viera, Colégio Anchieta, Colégio Drummond,Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia (CEFET – Ba / IFBA), ambos na cidade deSalvador – BA, trabalhos sociais em escolas públicas do município e do estado. A Associação Esportiva Reflexo ficará responsável pelos profissionais capacitadospara a prestação do serviço com qualidade, em fazer relatórios mensais sobre odesenvolvimento do projeto, tendo como orientador o prof. Enobaldo Ataíde, professor deEducação Física, Faixa Preta V Dan, filiado a FKTB, representante da JKA (Japan KarateAssociation), Campeão Pan-americano, VICE-CAMPEÃO Mundial, e TRI-CampeãoBrasileiro.
  49. 49. 48EXPECTATIVA Com um trabalho todo direcionado à formação do cidadão, embasado na ética para amelhor convivência, visamos melhorar a relação interpessoal e intrapessoal dos educandos,criando um ambiente sadio e propício para a pesquisa e crescimento.
  50. 50. 49APÊNDICE A
  51. 51. 50 ROTEIRO DA ENTREVISTA PARA OS PROFESSORES1. Quando foi apresentado e implementado o Projeto?2. Quais os motivos que trouxeram a implantação deste Projeto?3. Você entende que ele atendeu os objetivos propostos?4. Qual a relação do Projeto com a Educação Física da Escola?5. Como se dava a inscrição dos alunos para as aulas?6. Cerca de quantos alunos se inscreviam por ano?7. Havia predominância de homens ou mulheres?8. Havia estrutura necessária para o seu funcionamento?9. Quanto ao uniforme, como era feita para sua aquisição?10. Quanto à mudança de graduação, como eram realizadas?11. Havia algum apoio extraescolar?12. Quantos professores eram responsáveis pela realizaçÀ

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