1      UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA      DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS II            CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA      ...
2           MÁRCIO DOS SANTOS PEREIRAO TRATO PEDAGÓGICO COM A CAPOEIRA NO ÂMBITO     DO PIBID/UNEB – EDUCAÇÃO FÍSICA/2009 ...
3Dedico este trabalho a minha Mãe, Maria Raymunda  Pereira dos Santos e a minha avó, Maria Francisca                      ...
4                                    AGRADECIMENTOSAgradeço a minha mãe, que sempre me apoiou e acreditou nas minhas escol...
5A todos meus colegas bolsistas do PIBID/UNEB – EF/2009: Alaine Bruna, Cíntia Castro,Joice Souza, Ivanildo, Gilmário Souza...
6" A capoeira não tem credo, não tem cor, não tem bandeira, ela é do povo, vai correr o                                   ...
7                        LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURASCCFR – Centro de Cultura Física RegionalCECA – Centro Esportivo de ...
8                      LISTA DE ILUSTRAÇÕESFigura 1–   O tocador de Berimbau                 16Figura 2–   Jogar capuëra o...
9                       LISTA DE QUADROSQUADRO I-    FREQUÊNCIA TEMÁTICA NAS ENTREVISTAS   35QUADRO II-   FREQUÊNCIA TEMÁT...
10                                          RESUMOEste estudo se debruça sobre o trato teórico-metodológico da capoeira no...
11                            SUMÁRIO1     INTRODUÇÃO                                            122     CAPOEIRA:    A   ...
121 INTRODUÇÃO        Esta pesquisa tem como objeto o trato pedagógico com a capoeira no âmbito do PIBID(Programa Instituc...
13orientarem capoeiristas e professores de educação física no trato pedagógico com o tema,como Falcão (2009) e Souza e Oli...
14inovador, como é o PIBID/UNEB–EF/2009, no qual alunos do curso de Educação Físicatrataram pedagogicamente o conteúdo cap...
152 CAPOEIRA: A HISTÓRIA DE UMA MANIFESTAÇÃO CULTURAL                                                 Nascia no cativeiro ...
16        É impossível falar de capoeira sem relatar a escravidão sofrida pelos negros relatadana epígrafe deste capítulo....
17prática liberada legalmente, foi reconhecida como método de ginástica brasileira e, maisrecentemente, tem passado por um...
18entrou no ramo da polêmica depois da publicação no vocabulário Português e Latino, deRafael Bluteau (1712) e no dicionár...
19        Figura 1 - O tocador de Berimbau (DEBRET, 1826 aprox.). Fonte: Capoeira (1999).        Temos em destaque a pintu...
20     Figura 2 - Jogar capuëra ou danse de la guerra (RUGENDAS, 1835 aprox.). Fonte: Capoeira (1999).         Nesta outra...
21formados exclusivamente por negros capoeiristas. Eles eram especialistas em tomar astrincheiras das bases inimigas no co...
22foram os negros saindo das condições subumanas das senzalas para a periferia dos centrosurbanos, iniciando o período de ...
23                               Parágrafo único. Se fôr estrangeiro, será deportado depois de cumprida a pena.           ...
24referida extinção do Decreto-Lei de 1890, proposto por Getúlio Vargas é prova disto, poislegalizar para controlar era o ...
25         Para mostrar a eficiência de sua luta regional baiana, em 1936, mestre Bimba desafioulutador de qualquer modali...
26com as inovações postas por mestre Bimba, a exemplo dos mestres Atenilo, Aberrê,Chapeleiro, Totonho de Maré, Gata Magra,...
27       Depois das academias de mestre Bimba e mestre Pastinha, a capoeira entrou em umanova era. As academias de capoeir...
283 CAPOEIRA E EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR       A relação da capoeira com a Educação Física não é algo recente. Como vimosant...
29encontra resistência tanto dos gestores quanto dos professores para o seu uso em ambienteescolar.       Falcão (2009, p....
30       Em uma visão mais ampla acerca da relevância da prática da capoeira no âmbitoescolar, Souza (1999, p. 44) destaca...
31ela deve ser desenvolvida preservando sua historicidade, sem separá-la do movimento social epolítico que a gerou.       ...
324 METODOLOGIA       A curiosidade em saber como cada evento surgia, cada novidade, curiosidade edescoberta aconteciam fo...
33Para tal, é adotada a linha de estudo qualitativa, que é definida por Vianna (2001, p. 122)como “uma pesquisa onde será ...
34        Para a coleta de dados, foram feitas entrevistas semiestruturadas contendo oitoperguntas abertas aos 19 bolsista...
35       Nesta pesquisa, dados foram analisados a partir das seguintes categorias: objetivospedagógicos e aspectos avaliad...
365 RESULTADOS E DISCUSSÃO        Este capítulo destaca os resultados e discussão da realidade, mas antes existemalgumas o...
37PIBID/UNEB-EF/2009, mas também com o modo como, em geral, a Educação Física seconcretiza nas escolas.       O Projeto de...
38                                                Historia                          15                                    ...
39que necessitava para sua sobrevivência. E, como outras manifestações afro brasileiras, ocandomblé e outras religiões de ...
40        Como citado anteriormente por Falcão (2009), a história da Capoeira deve ser bastanteaproveitada no processo de ...
41o melhor professor de geografia; nem será o historiador aquele que desempenhará o melhorpapel de professor de história (...
42sequência didática e de contato com a comunidade, como foi feito no âmbito doPIBID/UNEB-EF/2009, haverá condições de tra...
43                                                   Slaider                      1                                       ...
44da “semana de provas” e a atribuição de uma nota numérica ao estudantes. Esta seria, todavia,outra discussão – sobre ava...
456 CONSIDERAÇÕES FINAIS       Esta pesquisa estuda como foi o trato pedagógico com a capoeira no âmbito doPIBID/UNEB – EF...
46       Foi perceptivo nas entrevistas que os bolsistas perceberam a importância da pesquisaao abordarem temas de pouco c...
47REFERÊNCIASABIB, Pedro Rodolpho Jungers. Capoeira Angola: Cultura popular e o jogo dos saberesda roda. Campinas: UNICAMP...
48LAKATOS, Eva Maria.; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos da MetodologiaCientifica. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2001.MAR...
O trato pedagógico com a capoeira no ambito do PIBID/UNEB - EDUCAÇÃO FÍSICA -2009
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O trato pedagógico com a capoeira no ambito do PIBID/UNEB - EDUCAÇÃO FÍSICA -2009

  1. 1. 1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS II CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA MÁRCIO DOS SANTOS PEREIRAO TRATO PEDAGÓGICO COM A CAPOEIRA NO ÂMBITO DO PIBID/UNEB – EDUCAÇÃO FÍSICA/2009 ALAGOINHAS 2012
  2. 2. 2 MÁRCIO DOS SANTOS PEREIRAO TRATO PEDAGÓGICO COM A CAPOEIRA NO ÂMBITO DO PIBID/UNEB – EDUCAÇÃO FÍSICA/2009 Monografia apresentada ao Curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade do Estado da Bahia – UNEB/Campus II, para obtenção do título de Licenciado em Educação Física. Orientadora: Profª. Ms. Martha Benevides da Costa. ALAGOINHAS 2012
  3. 3. 3Dedico este trabalho a minha Mãe, Maria Raymunda Pereira dos Santos e a minha avó, Maria Francisca Luciana.
  4. 4. 4 AGRADECIMENTOSAgradeço a minha mãe, que sempre me apoiou e acreditou nas minhas escolhas.A minha vó, que sempre me apoiou financeira e espiritualmente, quando precisei não exitouem minha jornada.Aos meus irmãos, Ronivaldo Pereira dos Santos, Renivaldo Preira dos Santos e Wilmário(eterno irmão de consideração) quais eu sou grande admirador das personalidades que são.A todos meus familiares, aos tios: José Marques, Jair Marques, Marinho Marques, WellingtonMarques e Marculino Filho; as minhas tias: Maria Adelaide, Elza Maria, Magna; aos primosMarco Antonio (orêa), Marcone José (mascote), Welder Nascimento (Dinho), Jhonatas (jhowbrucutu), Maxon Brito (kissinho), Jadson Luciano, a minha cunhada Margarida e as minhassobrinhas Anna Beatriz e Anna Sofia.A toda minha Família ACEM, prefiro não citar nomes para não cometer o ardil de esqueceralguém, mas todos sabem o quanto eu os considero cada um, presente em minha vida desdesempre.Aos mestres da cultura Capoeira: Felipe Santiago, Luiz Medicina, Macaco (Santo Amaro),Pantera (Vitoria da Conquista) e Gago (Feira de Santana), que durante muito anos sãoreferência para minha formação capoeiristica.Aos meus colegas da Residência Universitária de Alagoinhas – R.U.A. que através doconvívio me mostraram ser possível coexistir com as diferenças, e a formação e consciênciapolítica que a própria residência trás consigo.Aos meus colegas de turma, pelas brigas e alegrias que convivemos nos últimos quatro anos.A todo corpo docente que estão ou passaram pelo Colegiado de Educação Física e que eu tiveo prazer de absorver conhecimento: Luiz Rocha, César Leiro, Viviane Rocha, Ana Simon,Alan Aquino, Valter Abrantes, Maurício Maltez, Lúria Scher, Neuber Costa, UbiratanMenezes (que nos permite a intimidade de chamar de BIRA), Michelle Venturine, DiannaTigre, Márcia Cozzani, Gleide Sacramento e Francisco Pitanga.
  5. 5. 5A todos meus colegas bolsistas do PIBID/UNEB – EF/2009: Alaine Bruna, Cíntia Castro,Joice Souza, Ivanildo, Gilmário Souza, Daniela Alvin, Jutebergue, Renan Gomes, DiegoFirmo, Ramon Carvalho, Priscilla Nascimento, Ana Isa, Isa Leal, Daiara Nascimento, LaísAraújo, Genildo Silva e em especial a Nívia Bispo e Gleisiane Almeida, por fazerem parte daconstrução do plano de unidade do conteúdo Capoeira. E as bolsistas de supervisão SandraStella e Meacy.A minha orientadora Martha Benevides, pela pessoa extraordinária que é e pela paciência nasorientações que tive nos últimos meses.E por último, mas não menos importante agradeço ao meu mestre, Carlos Marques dos Santos(mestre Kako), pela sua incansável dedicação à expansão e reconhecimento da capoeira emanifestações da cultura afrodescendente (samba de roda, maculêlê, puxada de rede, entreoutras).
  6. 6. 6" A capoeira não tem credo, não tem cor, não tem bandeira, ela é do povo, vai correr o mundo". Mestre Canjiquinha
  7. 7. 7 LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURASCCFR – Centro de Cultura Física RegionalCECA – Centro Esportivo de Capoeira AngolaCONBRACE – Congresso Brasileiro de Ciências do EsporteCONICE – Congresso Internacional de Ciências do EsporteEFE – Educação Física EscolarESEF/UFRGS – Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do SulFUBE - Federação Universitária Baiana de EsporteID - Iniciação á DocênciaLDB – Lei de Diretrizes e BasesPCN – Parâmetros Curriculares NacionaisPIBID - Programa Institucional de Bolsas de Iniciação á DocênciaRBCE – Revista Brasileira de Ciência do EsporteSBPC – Sociedade Brasileira de Pesquisa e CiênciaUEM – Universidade Estadual de MaringáUNEB – Universidade do Estado da BahiaUNICAMP – Universidade de Campinas
  8. 8. 8 LISTA DE ILUSTRAÇÕESFigura 1– O tocador de Berimbau 16Figura 2– Jogar capuëra ou danse de la guerra 17
  9. 9. 9 LISTA DE QUADROSQUADRO I- FREQUÊNCIA TEMÁTICA NAS ENTREVISTAS 35QUADRO II- FREQUÊNCIA TEMÁTICA DOS RELATÓRIOS 42
  10. 10. 10 RESUMOEste estudo se debruça sobre o trato teórico-metodológico da capoeira no âmbito doPIBID/UNEB-EF/2009. Para tanto, quanto á problemática desta pesquisa obteve-se: como foidesenvolvido o trato teórico-metodológico com a capoeira dentro do subprojeto PIBID/UNEB– EF/2009? Tendo como objetivos específicos: investigar se as proposições teórico-metodológicas da Pedagogia Histórico-crítica foram efetivamente utilizadas; identificar comoas atividades de capoeira foram desenvolvidas e as estratégias utilizadas para odesenvolvimento das intervenções; verificar o resultado de aprendizagem dos bolsistas de IDe dos estudantes da escola parceira em relação à capoeira. Esta pesquisa trata-se de um estudode caso de característica qualitativa descritiva, onde houve entrevista semiestruturada aos 19bolsistas de ID, a análise de dados utilizada foi a técnica de análise de conteúdo, organizadaem três etapas: organização do material (pré-análise), descrição analítica dos dados(codificação, classificação, categorização) e interpretação inferencial (tratamento e reflexão).Os resultados mostraram que dos 19 bolsistas quatro não utilizaram as preposições e os 15bolsistas conseguiram aplicar as preposições teórico-metodológica, mas valeram se apenas daaplicação teórica, já que não tinham domínio pratico do conteúdo, além de encontrar comoprincipal resistência a falta de conhecimento dos alunos com a Capoeira. Como conclusãoobteve-se o êxito da preposição teórico-metodológica ficando a ressalva que quando não setem domínio pratico de qualquer conteúdo deve-se concentrar no contexto teórico, deixando avivência pratica para uma pessoa qualificada.Palavras-chave: PIBID. Capoeira. Trato teórico-metodológico.
  11. 11. 11 SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO 122 CAPOEIRA: A HISTÓRIA DE UMA MANIFESTAÇÃO 15 CULTURAL2.1 CAPOEIRA DE LÁ PARA CÁ 173 CAPOEIRA E A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR 284 METODOLOGIA 324.1 TIPO DE ESTUDO 324.2 TÉCNICA DE COLETA DE DADOS 334.3 ANÁLISE DE DADOS 345 RESULTADOS E DISCUSSÕES 366 CONSIDERAÇÕES FINAIS 45 REFERÊNCIA 47 APÊNDICE A 49 APÊNDICE B 50
  12. 12. 121 INTRODUÇÃO Esta pesquisa tem como objeto o trato pedagógico com a capoeira no âmbito do PIBID(Programa Institucional de Bolsas de Iniciação á Docência)/ UNEB – Educação Física/20091por parte dos Bolsistas de Iniciação á Docência (ID), na escola parceira do subprojeto,localizada no município de Alagoinhas. A capoeira está presente na sociedade brasileira desde 17122, período em que se teveregistro pela primeira vez deste termo. De lá para cá, ela sofreu várias mudanças passando deluta perseguida e proibida a conteúdo escolar e objeto de estudo de universidades. Vista a importância da capoeira na sociedade atual enquanto manifestação que sepopularizou e tornou-se mercadoria de exportação, os trabalhos com a mesma foramnumerosos nos últimos dez anos. Em minhas pesquisas em algumas das principais revistas deEducação Física e nos principais eventos da área sobre a temática capoeira foramencontrados: na Revista Brasileira de Ciência e Movimento (Universidade Católica deBrasília) um artigo sobre a temática; na revista Conexões (UNICAMP) dois trabalhos; narevista da Educação Física da Universidade Estadual de Maringá – UEM foram encontradosquatro trabalhos; na Revista Movimento, da Escola de Educação Física da UniversidadeFederal do Rio Grande do Sul (ESEF/UFRGS) quatro artigos; na Revista de Educação Física,Esporte e Lazer: Motrivivência, cinco publicações; nos anais do XVII CONBRACE e IVCONICE realizado em Porto Alegre no ano de 2011, foram encontradas cinco publicações;nos anais das Reuniões Anuais da Sociedade Brasileira de Pesquisa e Ciência – SBPC, foramdoze publicações e na Revista Brasileira de Ciência do Esporte – RBCE, treze publicações.As publicações citadas acima estão divididas nos diversos campos do conhecimento humano,como: sociologia, psicologia, saúde, corpo e cultura e educação, sendo esta a que detém omaior número de publicações. No campo específico da temática capoeira na escola é comum encontrar trabalhosfeitos por professores de educação física (capoeiristas ou não) que utilizaram a manifestaçãoem suas aulas, como Pinheiro, Vieira e Silva (2010); ou que elaboraram estratégias para1 O PIBID/UNEB é desenvolvido desde maio de 2010. Os projetos que tiveram início nesse período foramaprovados no edital CAPES/DEB 002/2009, de 25 de setembro de 2009. Dentre eles foi aprovado o projeto daárea de Educação Física no Departamento de Educação – Campus II/Alagoinhas. Por isso, vamos nos referir aesse projeto como PIBID/UNEB – EF/2009.2 Waldeloir Rego, em sua obra Capoeira Angola, relata que no Vocabulário Português e Latino de RafaelBluteau teve se o primeiro registro deste vocábulo, no ano de 1968.
  13. 13. 13orientarem capoeiristas e professores de educação física no trato pedagógico com o tema,como Falcão (2009) e Souza e Oliveira (2001). Apesar de tantos trabalhos sobre o tema, entendo-o como significativo devido a minhaimplicação pessoal com o tema vem do fato de ser praticante de capoeira desde os doze anos,sendo ela fator decisivo para o meu ingresso na universidade. Além disso, como bolsista deID do subprojeto PIBID/UNEB – EF/2009, contribui na elaboração do projeto de ensino-aprendizagem no que diz respeito ao capoeira e ministrei oficina aos meus colegas bolsistasde ID no que diz respeito à pedagogização desse conteúdo. Sinto que minha trajetóriaacadêmica seria incompleta se eu não desse um retorno para os dois pilares da minha vidaacadêmica. Freitas (1995), em sua obra “Crítica da Organização do Trabalho Pedagógico e daDidática”, aborda proposta para o trato pedagógico com conteúdos escolares dividida em trêspartes: debates com autores da área; exposição sobre alguns pontos de partida teórico-metodológicos; e, apresentação de dados que apontam a categoria avaliação/objetivos comocentral para a compreensão da pratica pedagógica. Então, o autor traz como proposta: fazerum levantamento das pesquisas já desenvolvidas nesse sentido e dos procedimentosmetodológicos, além de captar a dinâmica do processo pedagógico; apontar aspectos relativosàs possíveis formas de superar as práticas conservadoras de trabalho pedagógico e enfatiza ascontribuições da pesquisa para a didática. Portanto, observa-se que o trabalho pedagógico exige domínio técnico e teórico doconteúdo a ser tematizado, mas também o cuidado com os elementos didáticos. Assim, é de seesperar encontrar dificuldade em abordar temas que não são do domínio do professor, mas,apesar de a maioria dos bolsistas não terem vivenciado o componente curricularConhecimento e Metodologia da Capoeira até as realizações das intervenções (apenas aoficina oferecida pelo PIBID/UNEB–EF/2009 foi o suporte), esta é a oportunidade desocialização das possíveis dificuldades e conquistas para sistematizar possibilidades no tratoteórico-metodológico da capoeira na escola. Além da implicação pessoal com o tema, entende-se que esta pesquisa tem relevânciaporque é preciso relatar e analisar o modo como as atividades propostas no âmbito do PIBIDvem sendo desenvolvidas nas escolas participantes desse Programa, visto que um dosobjetivos do mesmo é estimular práticas inovadoras na escola e ajudar na melhoria daqualidade do ensino público. Assim sendo, espero com esta pesquisa esclarecer como a capoeira pode serdesenvolvida no âmbito escolar, a partir do que se concretiza dentro de um subprojeto
  14. 14. 14inovador, como é o PIBID/UNEB–EF/2009, no qual alunos do curso de Educação Físicatrataram pedagogicamente o conteúdo capoeira em diálogo com as supervisoras e com acoordenação de área e de como foi essa experiência para os envolvidos no projeto. Visto isto, o problema desta pesquisa é: como foi desenvolvido o trato teórico-metodológico com a capoeira dentro do subprojeto PIBID/UNEB – EF/2009? Este estudo tem como objetivo geral relatar e analisar o trato teórico-metodológicocom a capoeira dentro do subprojeto PIBID/UNEB – EF/2009. Para tanto, os objetivos específicos são: investigar se as proposições teórico-metodológicas planejadas foram efetivamente utilizadas; identificar como as atividades decapoeira foram desenvolvidas e as estratégias utilizadas para o desenvolvimento dasintervenções; verificar o resultado de aprendizagem dos bolsistas de ID e dos estudantes daescola parceira em relação à capoeira.
  15. 15. 152 CAPOEIRA: A HISTÓRIA DE UMA MANIFESTAÇÃO CULTURAL Nascia no cativeiro Da dor do negro E hoje está no mundo inteiro Sinhozinho no mercado Sempre prestava atenção Para não comprar escravos De uma mesma região Misturando dialetos Sem o feitor perceber Escravo já conversava Planejando o que fazer O escravo então diz Que vivia do pescado Que pode ensinar a luta Que aprendeu no passado Outro escravo mostra a luta Que em sua terra é tradição Com um balanço de corpo Usando golpes de mão Negro diz a seu irmão Mostra as pernadas que usou Na disputa, na aldeia No dia em que se casou Das culturas africanas Mas em terra brasileira Do sofrimento do negro Surge a nossa capoeira (PERNINHA)
  16. 16. 16 É impossível falar de capoeira sem relatar a escravidão sofrida pelos negros relatadana epígrafe deste capítulo. Falar de capoeira é trazer à tona toda essa trajetória que os escravospassaram. Visto como uma fonte de renda que gerava lucros exorbitantes, o tráfico negreirofoi a saída encontrada pelo capitalismo europeu para colher as riquezas naturais brasileiras.Assim, muitos negros acabaram vindos parar em solo brasileiro, ao menos os quesobreviverem à longa viagem nos tumbeiros flutuantes3. Aqui chegando, eram separados peloseu dialeto, pois não era interessante para os senhores de engenho ter negros vindos da mesmaregião africana, marcados a ferro quente como gado e vendidos como animais paratrabalharem na economia vigente da época as lavouras de café e cana e na mineração(CAPOEIRA, 1999). Mas, ao contrário do que se pensava, os negros não aceitaram pacificamente estacondição subumana de horas de trabalho, alimentação inadequada (ração) e estadiainapropriada. Prova disto eram as constantes fugas para o interior das matas e a formação dosquilombos, que eram redutos organizados pelos negros contra a situação na qual eles seencontravam. Alguns historiadores relatam que nos quilombos não se encontrava apenasnegros, mas qualquer um que fosse contra essa situação (negros, índios, brancos). Existiramvários quilombos, mas o quilombo dos Palmares, situado na região de Pernambuco, foi o queresistiu mais tempo contra essa violência (CAPOEIRA 1997). Este foi apenas um pequeno relato histórico sobre o tráfico negreiro ocorrido no Brasilem meados do século XVII, mas irei me concentrar em relatar como foi o processo desurgimento da capoeira. Conforme Capoeira (1997, p.15), a história da capoeira no Brasilpode ser dividida em três momentos: escravidão, marginalidade e academias. No chamado período de escravidão, a capoeira era uma luta disfarçada de dança.Tratava-se da única forma de ataque e defesa dos negros em seus momentos de sofrimento efuga. Já no período que Capoeira (1997) denomina como da marginalidade, que se deu apósa abolição da escravatura, além da marginalização dos negros nas ruas das cidades, a práticada capoeira era proibida por ser vista como vadiagem. E, no período das academias, que tem início, segundo o mesmo autor, em 1930, acapoeira passou a ser ensinada em espaço especificamente destinado para isto, teve sua3 Era o outro nome dos navios negreiros, dava se esse nome porque muitos negros não resistiam às condiçõessub-humanas e morriam, sendo estes jogados em alto mar.
  17. 17. 17prática liberada legalmente, foi reconhecida como método de ginástica brasileira e, maisrecentemente, tem passado por um processo de mercadorização e esportivização.2.1 CAPOEIRA DE LÁ PARA CÁ Existe uma grande dúvida quanto ao surgimento da capoeira: é africana ou brasileira?Mesmo as duas celebridades da capoeiragem da Bahia divergiam sobre a sua origem.Conforme Capoeira (1997), para mestre Pastinha a capoeira veio da África e para mestreBimba ela nasceu na Bahia, mais especificamente no recôncavo baiano, em Cachoeira, SantoAmaro e Ilha de Maré. Campus (1990, p. 15) apresenta essas duas teorias que dividem angoleiros eregionais4, relatando que: “uma afirma que a capoeira teria vindo para o Brasil trazida pelosescravos, e a outra considera a capoeira como invenção dos escravos no Brasil”. Há ainda outras teorias sobre a origem da capoeira descritas por Capoeira (1999, p.37e 38) que começa pela tradicional aceita por grande maioria dos capoeiristas, como sendo umamistura de danças, lutas e rituais africanos desenvolvidos pelos escravos no Brasil; perpassapor uma luta disfarçada em dança, para escapar das perseguições dos seus opressores e, nestetrecho, ele contesta com a observação que as danças também eram reprimidas; e chega aon’golo (também conhecida como dança das zebras), uma disputa com chutes e coices onde oprêmio era a escolha de uma jovem para o casamento sem pagar o dote; destaca, ainda, outrateoria para a qual não há comprovação, envolvendo Zumbi dos Palmares, que afirma que aorigem da capoeira se deu dentro do quilombo. Quanto à teoria que a capoeira é africana, ela é contestada por pesquisadores que nãoencontraram registros históricos de luta na África que se assemelhasse à capoeira, além de queo negro, quando chegou aqui no Brasil, manteve algumas tradições, como o candomblé, emque a linguagem usada no Brasil é a mesma usada na África. Já na capoeira não existenenhum golpe em dialeto africano (ALMEIDA apud PÓVOAS, 1991, s/p). Sua nomenclatura, ao que se sabe, segundo Rego apud Capoeira (1997)4 Usaremos estes termos para reportarmos aos estilos de Capoeira Angola e Regional.
  18. 18. 18entrou no ramo da polêmica depois da publicação no vocabulário Português e Latino, deRafael Bluteau (1712) e no dicionário da Língua Portuguesa (1813), nesta briga três nomes sedestacaram pelas suas descobertas sobre a etimologia da palavra capoeira, sendo eles: José deAlencar, que dizia que a palavra capoeira deriva do guarani caa-apuam-era (ilha de mato jácortado); Beaurepire Rohan, indicava o tupi co-puera (roça velha) e Macedo Soaresdescordava dos dois antecedentes e firmava tupi caá-puera (mato miúdo que nasceu no lugardo mato que foi cortado). A passagem de mato para luta do termo capoeira está evidente em Areias (1983) eCapoeira (1997), pois os autores descrevem que esta passagem se deu porque assim foramdenominados os ataques que os negros fujões faziam aos capitães do mato que os perseguiam.Areias (1983, p. 17) comprova ao afirmar: Temos em alguns documentos citações de capitães do mato e comandantes de expedições, que, quando se referiam aos combates com o negro, comentavam “um estranho jogo de corpo” [...] os comandantes recomendavam aos soldados “terem o máximo de cuidado com as emboscadas e ataques de surpresa deferidos pelos negros, usando esse estranho jogo de corpo, vindos de repente do interior das capoeiras. Partindo de tudo que foi dito até agora, é que defendo aqui minha posição em relação àorigem da capoeira. Concordo com Areias (1983) e Rego (1968), de que ela é afro-brasileira.É nascida no Brasil, mas mescla de vários costumes africanos e da necessidade do escravosobreviver. Libâneo apud Goulart (2006, s/p) reforça minha opinião ao dizer que “a capoeiraé afro brasileira, ela não veio da África, ela nasceu no Brasil, ela é nascida no Brasil de filhosde pais africanos, esses africanos trouxeram para cá o legado da África[...] são legadosafricanos transformados”. Mas foi nos centros urbanos que se tiveram registros (de forma documental) da culturaafrodescendente, em especial a capoeira. Prova disto estão nas pinturas de Debret e Rugendas:
  19. 19. 19 Figura 1 - O tocador de Berimbau (DEBRET, 1826 aprox.). Fonte: Capoeira (1999). Temos em destaque a pintura retratada no século XIX do pintor francês Jean-BaptisteDebret, que viveu 15 anos no Brasil (até 1831), onde organizou sua grande obra, o livroilustrado Viagem Pitoresca e Histórica ao Brasil. Nesta obra, o artista apresenta diversaspinturas sobre o povo brasileiro, paisagens, sociedade, cultura e arquitetura do Brasil. E,dentre estas obras, está O Tocador de Berimbau, na qual retrata um idoso negro tocando umberimbau em um ambiente que parece com uma feira livre em um centro urbano. O berimbau5 é o símbolo da capoeira. É impossível olhar esse instrumento e nãoassociar à capoeira. O berimbau é um instrumento monocórdio constituído de uma cabaça(fruto da cabaceira), uma verga de biriba (madeira), caxixi (cesto pequeno fechado comsementes), vequeta e dobrão (antigamente usava se uma moeda de cinquenta réis). Há registros de instrumentos derivados do arco por diversas partes do mundo, comoNovo México, Patagônia, África e nas civilizações mais antigas, a exemplo de Fenícia, Hindu,Pérsia. Na África, ele era usado em cerimônias fúnebres e em pastoril do rebanho. SegundoCapoeira (1999, p. 84), “alguns diziam que em certas partes da África era vedado o uso doberimbau aos jovens que tomavam conta dos rebanhos: seu som levaria a alma do incauto ao„país de onde não se volta‟. Todavia, esse instrumento se tornou referência na capoeira”.5 A etimologia da palavra berimbau origina-se do termo quimbundo (dialeto Bantus). "Urucungo" que significa"cova". É uma referência à cavidade do berimbau.
  20. 20. 20 Figura 2 - Jogar capuëra ou danse de la guerra (RUGENDAS, 1835 aprox.). Fonte: Capoeira (1999). Nesta outra figura do pintor alemão Johann Moritz Rugendas, que morou três anos noBrasil também registrando através de suas pinturas os costumes do povo brasileiro, a sua obra,Jogar capuëra ou danse de la guerra, registra um jogo de capoeira ao lado de casas. Naimagem aparece, também, uma negra com cesto de frutas na cabeça e outra mulher, ao queparece, vendendo algo para um senhor, dando novamente a impressão que estão em uma feiralivre. Segundo Capoeira (1997), a promessa de alforria seduziu muitos negros capoeiristas aingressarem nas forças armadas, para lutarem na Guerra do Paraguai (1864-1870). A Guerrado Paraguai foi a maior batalha ocorrida na América do Sul, travada entre a Tríplice Aliançaformada pelo Brasil, Argentina e Uruguai (custeada pela Inglaterra) contra o governoparaguaio. Liderados por Francisco Solano López, o Paraguai invadiu a província do MatoGrosso, dando início ao conflito que durou cerca de cinco anos. Para reforçar o exércitobrasileiro, o governo prometia indenizar os proprietários das fazendas e engenhos eassegurava aos negros a tão sonhada carta de alforria, além de um soldo ao fim da guerra.Essas promessas não foram cumpridas. Freitas apud Soares (2007, p.16) comenta que: “A promessa de alforria dos escravosenganjados na guerra transformou os quartéis militares em pontos finais das rotas dos cativosque fugiam das fazendas do interior.” Nesta guerra, destacou-se o batalhão de Zuavos,
  21. 21. 21formados exclusivamente por negros capoeiristas. Eles eram especialistas em tomar astrincheiras das bases inimigas no confronto corpo a corpo, portando apenas armas brancas. A capoeira, com suas cantigas, ensina sua própria história. Prova dista está no trechoda cantiga de Caxias, que revela fatos históricos citados há pouco, sobre a Guerra doParaguai: Seu senhor lhe jurou liberdade Se ele fosse na guerra lutar E o negro foi para o Paraguai Se juntar ao pelotão Humaitá. Sou eu sou eu Humaitá sou eu Sou eu sou eu sou eu Humaitá Solano López pretendia O Mato Grosso dominar Mas... o que ele não sabia é que Caxias Traria consigo Humaitá Sou eu sou eu Humaitá sou eu Sou eu sou eu sou eu Humaitá Na batalha do Riachuelo O negro surpreendeu Com rasteira e cabeçada A vitória aconteceu. Sou eu sou eu Humaitá sou eu Sou eu sou eu sou eu Humaitá (CAXIAS) Com o fim da guerra do Paraguai, os negros sobreviventes tiveram sua liberdadealcançada. Porém, muitos não conseguiram o soldo prometido pelo governo e foram“jogados” nas ruas das cidades, aumentando a população negra nos grandes centros urbanos.Antes da guerra era comum encontrar nas ruas das cidades negros que, com muito esforço,compravam sua alforria e viviam de pequenos trabalhos no comércio (AREIAS, 1983). O governo também deu calote nos fazendeiros e engenheiros, não pagando os negrosque morreram nem os que sobreviveram à guerra, e isto se deu talvez pela queima dedocumentos referentes aos negros pelo então Ministro da Fazenda, Rui Barbosa, conformemostra Areias (1989, p. 21): Outro ponto que dificulta o esclarecimento dessas questões é o fato, ridículo da figura do nosso „ilustre Rui Barbosa‟, o „Águia de Haia‟ ter queimado todos os documentos referentes à escravidão, na alegação que tais documentos eram retratos da „vergonha nacional‟ que a escravidão tinha sido[...] Rui Barbosa acreditava que a história é feita com palavras e não com ação, privando assim de um maior conhecimento da nossa memória histórica. Anos mais tarde, a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que libertou todos os negros.Esta Lei foi fruto de uma manobra da Inglaterra visando um maior mercado consumidor. E lá
  22. 22. 22foram os negros saindo das condições subumanas das senzalas para a periferia dos centrosurbanos, iniciando o período de marginalidade da capoeira. A junção dos negros recém-libertos pela Lei Áurea com os negros sobreviventes da Guerra do Paraguai contribuiu para oaumento do fluxo de negros soltos nas ruas das cidades (AREIAS, 1983). Agora façamos uma reflexão: os negros foram libertados e, ao invés dos fazendeiroscontratarem os mesmos para cuidar das lavouras que já tinham costume, expulsaram-nos econtrataram outros imigrantes, desta vez pagando salários (alguns fazendeiros fizeramacordos e mantiveram os negros, mas foram bem poucos). Os negros foram entregues àpobreza e ao preconceito. E o que esperar disto? Imaginemos os negros que lutaram na guerrado Paraguai durante anos e agora estão sem emprego e perspectiva nenhuma de melhora, nãotendo condições nem sequer de se alimentar. Obviamente, eles foram praticamente obrigadosa entrar na marginalidade. É importante ressaltar que a marginalidade da capoeira ocorreu distintamente nos trêspólos: Bahia, Recife e Rio de Janeiro. Em Recife, a marginalidade estava relacionada abandas de músicas e foi se extinguindo com o surgimento dos grupos de frevo; no Rio deJaneiro, as maltas6 eram usadas por partidos políticos e foram sumindo com o surgimento daRepública; e, na Bahia, a capoeira estava mais ligada à religião, sem ter registro das maltas deRio de Janeiro e Pernambuco, mas foi perseguida pela ligação religiosa e persistiu a essaperseguição (CAPOEIRA, 1997). É nesse período que encontramos uma quantidade maior de documentos oficiais sobrea capoeira (todos ligados a queixas policiais), sendo o de maior significado histórico o CódigoPenal da República dos Estados Unidos do Brasil, que tem no seu decreto de número 847, de11 de outubro, um capítulo exclusivo para os vadios e capoeiras, descrito assim: Art. 402. Fazer nas ruas e praças públicas exercício de agilidade e destreza corporal conhecida pela denominação Capoeiragem: andar em carreiras, com armas ou instrumentos capazes de produzir lesão corporal, provocando tumulto ou desordens, ameaçando pessoa certa ou incerta, ou incutindo temor de algum mal; Pena de prisão celular por dois a seis meses. A penalidade é a do art. 96. Parágrafo único. É considerada circunstância agravante pertencer o capoeira a alguma banda ou malta. Aos chefes ou cabeças, se imporá a pena em dôbro. Art. 403. No caso de reincidência será aplicada ao capoeira, no grau máximo, a pena do art. 400.6 As maltas ou bandos eram grupos formados por negros, brancos e mulatos que aterrorizavam as capitais de Riode Janeiro e Recife. Mas as cariocas tiveram mais destaque principalmente na inicio do Brasil República. Osgrupos de maior destaque foram: os Guaimuns (ligados aos republicanos) e os Nagoas (ligados à monarquia)(CAPOEIRA,1999).
  23. 23. 23 Parágrafo único. Se fôr estrangeiro, será deportado depois de cumprida a pena. Art. 404. Se nesses exercícios de capoeiragem perpetrar homicídio, praticar alguma lesão corporal, ultrajar o pudor público e particular, perturbar a ordem, a tranqüilidade ou segurança pública ou for encontrado com armas, incorrerá cumulativamente nas penas cominadas para tais crimes. Esta foi, sem dúvida, a nossa primeira política pública no Brasil República que teverelação com a capoeira. É importante ressaltar que nesse período o capoeirista é um tiposocial, um jargão policial destinado a qualquer negro que fosse preso brigando, utilizando-sede socos e chutes (LIBÂNEO apud GOULART, 2006). Não sendo suficiente, mais adiante foram criadas colônias correcionais para os“vadios, vagabundos, mendigos, capoeiras e desordeiros” que perturbavam a ordem pública,fato que deu poder à polícia de fazer todo tipo de selvageria aos capoeiras (AREIAS, 1989, p.43-44). Segundo Capoeira (1997), a capoeira saiu de sua ilegalidade quando, em 1934, ogoverno do presidente Getúlio Vargas, procurando apoio popular a sua política deuniformização social, extinguiu o Decreto lei que proibia a capoeira, restringindo a prática dacapoeira a ambientes fechados, afirmando ser a capoeira um esporte genuinamente brasileiro.Almeida (1994) apud Campos (2001, p.46) relata a fala do presidente da República ao assistiruma apresentação de capoeira feita por Mestre Bimba e seus alunos. Na ocasião, o presidentediz: “A capoeira é o único esporte verdadeiramente nacional”. Mas, antes disto, entre 1907 e 1928, Campos (2001) destaca que a Educação Físicaincluiu a capoeira como método de ginástica nacional, nos trabalhos de ODC7 (Ofereço,Dedico e Consagro) intitulado de “O Guia do capoeira ou Gynastica brasileira” e de AnibalBulamarqui, a “Gynastica nacional (capoeiragem) methodista e regrada”. Essa política de Vargas se constituía na formação de uma sociedade organizada, ondeo corpo deveria funcionar como uma máquina e, para que isto ocorresse, o corpo deveria sereducado desde pequeno a hábitos saudáveis. Isso levou Vargas a tornar obrigatório o ensinoda Educação Física nas escolas, imaginando usar a capoeira como manifestação genuinamentebrasileira. É importante salientar que a capoeira que se pretendia usar não seria aquelaadvinda do tempo da escravidão e, sim, uma capoeira com moldes hierárquicos semelhantesàs escolas brancas europeias, informa Capoeira (1999). Em uma sociedade capitalista é de se esperar que nada vem de “mão beijada”, sempreexiste uma segunda intenção por trás das boas ações, e com a capoeira não foi diferente. A7 Neste período, a capoeira ainda era proibida e, por isso, o autor não se identificou.
  24. 24. 24referida extinção do Decreto-Lei de 1890, proposto por Getúlio Vargas é prova disto, poislegalizar para controlar era o lema nas entrelinhas da boa ação. Neste sentido, Capoeira (1997p. 59-60) afirma: Mas por um lado ele obriga que tanto os cultos quanto a capoeira sejam realizados fora da rua, em recinto fechado com um alvará de instalação, e assim cria também uma forma de controlar estas manifestações [...] embora permitindo a livre expressão (vigiada) da cultura negra ele desmantelava a Frente Nacional Negra que naquela época já tinha aglomerado uns duzentos mil associados, restringindo a politica dos negros. Neste período (a partir de 1930), iniciou-se a era das academias, com as academias deBimba e Pastinha. Eles foram/são, sem dúvida, ao lado de Besouro Mangangá8, os nomes demaior expressão cultural da capoeiragem mundial. Manoel dos Reis Machado, popularmente conhecido como Mestre Bimba, nasceu em23 de novembro de 1900, filho de Maria Martinha do Bonfim e do lutador de batuque9 LuizCândido Machado. Iniciou a Capoeira Angola ainda pequeno, aos doze anos, na antiga estradadas boiadas, hoje bairro da Liberdade. Seu mestre foi um africano de nome Bentinho. Seusofícios eram: doqueiro, carvoeiro, carpinteiro, trapicheiro, mas acima de tudo capoeirista, citaCampos (2001). Mestre Bimba estava insatisfeito com a Capoeira Angola e, em 1930, ele misturougolpes do batuque com a Capoeira Angola e criou a luta regional baiana e a capoeira sofreumais uma metamorfose. É importante destacar que a história da capoeira é descrita antes edepois de mestre Bimba. Antes a capoeira era ensinada de “oitiva”, os mestres antigosexecutavam os movimentos e os discípulos imitavam, e mestre Bimba criou um método deensino, constituído de oito sequências com golpes, contragolpes, esquivas e aús, introduziubalões e agarrões e a capoeira ficou mais dinâmica (CAPOEIRA, 1997). Campos (2001, p. 37-38) relata as características da Capoeira Regional como: “Examede Admissão, Sequência de Ensino de Mestre Bimba, Sequência de Cintura Desprezada,Batizado, Esquenta Banho, Formatura, Iúna, Curso de Especialização e Toques de Berimbau”.8 Besouro Mangangá, conhecido pelo nome de batismo como Manoel Henrique Pereira, foi um capoeiristatemido no recôncavo baiano. Tinha fama de ser justiceiro e não temia a polícia. Foi morto em 24 de julho de1924, aos 24 anos, vítima de uma emboscada.9 O batuque era uma luta/dança parecida com a capoeira, onde os jogadores usavam as pernas para desequilibraro adversário, jogada ao som de músicas, ritmada por pandeiros e bastante violenta, uma vez que muitos golpestentavam acertar a região genital.
  25. 25. 25 Para mostrar a eficiência de sua luta regional baiana, em 1936, mestre Bimba desafioulutador de qualquer modalidade. Compareceram quatro lutadores e a luta que demorou maisdurou um minuto e quarenta segundos, fazendo jus ao seu apelido de três pancadas(CAPOEIRA, 1999). Como a capoeira já estava fora do código penal, em 1937, mestre Bimba registrouoficialmente a sua academia, recebendo de um inspetor técnico de Ensino SecundárioProfissional o registro que lhe permitiu o ensino da sua Luta Regional Baiana, que foiabreviada para Capoeira Regional. A partir daí, uma nova era para a capoeira surgiu: ela agoratinha a participação da classe média da capital baiana. O método desenvolvido por mestre Bimba facilitou a difusão da capoeira. Graças aesse método de ensino-aprendizagem a Capoeira Regional ganhou diversos adeptos na capitalbaiana, o que ajudou a lançar a sua luta regional no cenário nacional, pois muitos alunos domestre eram estudantes que vinham de toda a parte do Brasil para estudarem no primeirocurso de Medicina do Brasil, e quando esses alunos retornavam a suas regiões, levavamconsigo na bagagem a Capoeira Regional do mestre Bimba. Campos (2001) relata que mestre Bimba estimulava as competições em sua academia,mas diz que a iniciativa das competições se deve à FUBE (Federação Universitária Baiana deEsporte) na década de 1970, ao Departamento de Capoeira das Federações Estaduais dePugilismo e à inclusão, em 1985, nos Jogos Escolares Brasileiros. Estes são registros decompetições envolvendo a capoeira da Bahia. A capoeira a essa altura desenvolveu caráter deluta/esporte, sendo, como outras manifestações corporais, esportivizada. A Capoeira Regional estava crescendo em Salvador e começou sua expansão quandomestre Bimba e alguns discípulos fizeram uma série de apresentações e participações de lutasBrasil afora, entre 1949 e 1969. Dentre as diversas exibições, pode se destacar a apresentaçãofeita para o presidente Getúlio Vargas em 1953, na inauguração da TV Record em São Pauloe a exibição na Exposição de Pecuária de Teófilo Otoni, em Minas Gerais (CAPOEIRA,1997). Mestre Bimba foi embora para Goiás com a promessa de que lá seria valorizado, fatoque não ocorreu em sua terra natal. Vendeu sua academia e suas casas e mudou-se paraGoiânia, mas as promessas não foram cumpridas e o mestre entrou em uma profundadepressão. Faleceu em 05 de fevereiro de 1974, colocando um ponto final em sua vida carnale iniciando sua imortalidade na capoeira. Mas, durante todo esse período em que a Capoeira Regional esteve em ascensão, acapoeira tradicional mantinha-se viva através de muitos capoeiristas que não concordavam
  26. 26. 26com as inovações postas por mestre Bimba, a exemplo dos mestres Atenilo, Aberrê,Chapeleiro, Totonho de Maré, Gata Magra, Valdemar, Cobrinha Verde, Traíra, entre outros(CAPOEIRA,1998). Mas Vicente Ferreira Pastinha, Mestre Pastinha (1889 – 1981), foi sem dúvida o maisimportante para a agora denominada Capoeira Angola. Filho de um espanhol com uma baianade acarajé, mestre Pastinha teve início na capoeiragem ainda na sua infância, também aosdoze anos, com um ex-escravo conhecido por Benedito, que ao observar Pastinha apanhar deum garoto mais velho e mais forte chamou e disse: “menino vem cá, você não pode com ele,sabe por quê? Ele é maior e tem mais idade. O tempo que você perde empinando arraia vemaqui no meu cazuá que vou lhe ensinar coisa de muita valia”. Depois desse episódio, eleiniciou a prática da capoeira mãe10, relembra mestre Pastinha no documentário “Pastinha: umavida pela capoeira” (MURICY,1998). Capoeira (1999) relata que mestre Pastinha abriu sua academia depois do mestreBimba, em 23 de fevereiro de 1941, no fim de linha do bairro da Liberdade, num localconhecido como Jingibirra, que era ponto de encontro dos maiores mestres da capoeiratradicional da Bahia. O Centro Esportivo de Capoeira Angola (CECA), fundado por Pastinha,levou este nome para diferenciar da capoeira de mestre Bimba. A academia de mestre Pastinha era reduto de artistas famosos, como o pintor Carybé eo escritor Jorge Amado. Ele ficou conhecido como o filósofo da capoeira. Dentre muitas desuas célebres frases, Capoeira (1999, p. 56) destaca: “capoeira, mandinga de escravo em ânsiade liberdade. Seu princípio não tem método, seu fim é inconcebível ao mais sábio dosmestres”. A mandiga é a principal característica da Capoeira Angola, sempre ligada aos aspectosmágicos e misteriosos. Rego (1968) apud Abib (2005, p. 190) faz a relação do substantivomandinga à “possivelmente Mandiga, na África Ocidental, banhada pelos rios Níger, Senegale Gambia, uma vez que entre os africanos trazidos para o Brasil havia a crença que nessaregião habitavam muitos feiticeiros”. E a Capoeira Angola se apropriou desse elemento. Mestre Pastinha morreu abandonado em um asilo em Salvador, aos noventa e doisanos e deixou como seu herdeiro João Pereira dos Santos, mais conhecido como JoãoPequeno de Pastinha (CAPOEIRA, 1999), falecido em 09 de dezembro de 2010, na cidade deSalvador, em decorrência de falência intestinal.10 Este termo “capoeira mãe” é usado por todos angoleiros para determinar a Capoeira Angola como a verdadeiracapoeira dos escravos. Ela é sem dúvida a capoeira que aproxima da capoeira primitiva criada pelos escravos.
  27. 27. 27 Depois das academias de mestre Bimba e mestre Pastinha, a capoeira entrou em umanova era. As academias de capoeira ultrapassaram os limites de Salvador, ganharam o Brasile, consequentemente, o mundo. Aliás, Almeida apud Goulart (2006, s/p) relembra que mestreBimba em conversa com o mesmo fala “Itapuã, eu criei a capoeira para o mundo”. E acapoeira agora é vista não como uma coisa de negro e, sim, um esporte de branco. O esporte, segundo Campos (2001, p. 42), “é um fenômeno social de alta relevânciano mundo moderno, distinguido principalmente pela ação democrática de participação de umasociedade”. O autor relaciona a capoeira com o esporte e justifica isto mostrando doisaspectos relevantes: 1 - O caráter econômico, pois a Capoeira é um esporte de baixo custo, não necessita de instalações e equipamentos sofisticados, o que facilita e populariza sua pratica; 2 – o aspecto lúdico/cultural que bem ajustado aos praticantes, por ser uma manifestação popular que desperta grande interesse, estimulando seus praticantes ao estudo e à pesquisa (CAMPOS, 2001, p. 45). Os PCN‟s (BRASIL, 1997, p. 70) classificam esportes como “práticas em que sãoadotadas regras de caráter oficial e competitivo, organizadas em federações regionais,nacionais e internacionais que regulamentam a atuação amadora e a profissional”. Fato queocorre atualmente no Brasil com a capoeira, pois as Federações de Capoeira organizamcampeonatos, visando uma maior valorização da capoeira perante a sociedade. Isto, todavia,pode ser uma faca de dois gumes, pois estas competições podem afastar a capoeira de suaessência, de sua ancestralidade e transformá-la apenas num fenômeno comercial que temcaracterizado o esporte moderno em nossos tempos. Com as regras, o capoeirista pode perdera criatividade em se expressar durante um jogo, já que será contado ponto. É bom ressaltar que, hoje em dia, esta capoeira com princípios esportivos (federações,associações, competições, uniformização, etc) se encontra presente nos estilos Regional eAngola, mas com uma ênfase maior na Capoeira Regional.
  28. 28. 283 CAPOEIRA E EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR A relação da capoeira com a Educação Física não é algo recente. Como vimosanteriormente, em 1907 e 1928, a capoeira foi concebida como método de ginástica brasileira.Porém, isto não vingou devido à perseguição sofrida pela capoeira na época e só mais tarde,com a criação do Centro de Cultura Física Regional (CCFR) por mestre Bimba, que registrousua academia na Secretaria de Saúde e Assistência Pública do Estado da Bahia, a capoeirapassou a ser vista como método de ginástica reconhecida pelo Ministério da Educação(CAMPOS, 2001). Já a inserção da capoeira na escola é recente. Campos (2001) destaca a entrada dacapoeira na escola pelas conquistas que a mesma vem tendo na sociedade brasileira atual e aoapoio da Educação Física que reconhece o valor educacional da capoeira. O autor aindadestaca essa entrada da capoeira no âmbito escolar a “professores de Educação Física comformação em Capoeira (capoeiristas) [...]” justificando a entrada da mesma “para suprir asdeficiências de espaço, material e atividades para os dias chuvosos” (CAMPOS, 2001, p. 77). Mas, a capoeira ganhou força na Educação Física escolar quando esta passou a serquestionada nas suas práticas tecnicistas e quando se reconhece que a mesma deve tematizar acultura corporal. Soares, et al. (1992, p. 75) diz: “A Educação Física brasileira precisa, assim,resgatar a capoeira enquanto manifestação cultural, ou seja, trabalhar com sua historicidade,não desencarná-la do movimento cultural e político que a gerou”. Além disso, a LDB de 1996 considera a Educação Física um componente curricularobrigatório. Essa Lei atribui às escolas (professores e diretores) e os Conselhos de Educação aliberdade em organizar e estruturar o ensino de acordo com sua região. Por isso, foramelaborados, como orientações para os professores, os Parâmetros Curriculares Nacionais(BRASIL, 1998). No que se refere à capoeira, Brasil (1998, p. 70) destaca a mesma como modalidade delutas, mencionando: “Podem ser citados como exemplos de lutas desde as brincadeiras decabo-de-guerra e braço-de-ferro até as práticas mais complexas da capoeira, do judô e docaratê”. Discordo dessa afirmação, por entender que a capoeira nasceu, sim, comcaracterísticas de lutas, mas durante muitos anos ficou à margem da sociedade, sendoconhecida como coisa de vadios e somente há poucos anos vem sendo usada pela sociedadecomo válvula de escape para um sentimento de nacionalismo. E esse “reconhecimento” ainda
  29. 29. 29encontra resistência tanto dos gestores quanto dos professores para o seu uso em ambienteescolar. Falcão (2009, p. 68) contempla minha posição quanto à associação da capoeiraenquanto luta dizendo:. A luta na capoeira deve e tem de ser vista a partir uma dimensão ampliada. A principal luta do capoeira, nos dias de hoje, não deve ser contra determinado feitor[...] A luta do capoeira nos, dias de hoje, deve ser contra todo e qualquer tipo de opressão, discriminação, e pela construção de uma sociedade mais justa, livre e democrática. Com o seu referencial afro brasileiro, diferente das outras modalidades daincorporadas pela Educação Física Escolar (voleibol, basquete, handebol e a ginástica), queoriginalmente foram manifestação disseminadas nas classes dominantes, a capoeira é,historicamente, característica de grupos oprimidos (FALCÃO, 2009). De todos esses pontos de vista, a capoeira tem e deve ser contemplada pela EducaçãoFísica Escolar. Porém, é preciso bastante cuidado no ensino desse conteúdo na escola, sendoesta um local de aprendizado e não de treinamento, uma vez que: Considerando a escola um local de expectativa educacionais, onde o aluno vai para conhecer, educar-se, defendemos que o espaço escolar é um campo de intervenção educacional intencional[...] a escola não é o local para treinar o aluno, mas para ensiná-lo de forma significativa e prazerosa[...]a capoeira na escola não deve ser algo apenas praticado, mas sim estudado (FALCÃO,2009, p. 57). Bispo, Pereira e Silva (2011, p. 5) chamam a atenção dos professores quanto ao modocom que a capoeira é desenvolvida no espaço escolar dizendo: “cabe ao professor entenderque além de ser conteúdo específico da Educação Física, a tematização da capoeira deve sefazer presente no espaço escolar enquanto manifestação da nossa cultura”. O professor tem que tomar cuidado para não ficar focalizado em ensinar apenas osmovimentos, ou apenas a história da capoeira, e sim oferecer de forma balanceada oselementos da mesma, já que: [...]a aprendizagem da capoeira não deverá ter somente o aspecto técnico de aprender determinada forma de luta ou esporte; o ensino dos movimentos deverá ser acompanhado da transmissão de todos os elementos que envolvem sua cultura, história, origem e evolução, ao mesmo tempo que deverá ser estimulada a integração com outras disciplinas do contexto escolar, a fim de que o educando tenha uma participação efetiva no contexto da capoeira como um todo[...] (SOUZA, 1999, p. 44).
  30. 30. 30 Em uma visão mais ampla acerca da relevância da prática da capoeira no âmbitoescolar, Souza (1999, p. 44) destaca que isto: [...] possibilita o desenvolvimento de conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais, como autonomia, cooperação e participação social, postura não preconceituosa, entendimento do cotidiano pelo exercício da cidadania, historicidade etc. No aspecto motor, especificamente, a capoeira deve ser reconhecida como uma alternativa rica para o desenvolvimento das estruturas da criança, como esquema corporal, lateralidade, equilíbrio, orientação espaço-temporal, coordenação motora etc[...]. Vê-se, portanto, que por uma série de argumentos, relativos, inclusive, a concepçõesdiversas de Educação Física escolar, reconhece-se a capoeira como um conteúdo que precisaser tematizado, sem exigir dos alunos a execução técnica perfeita dos movimentos própriosdessa manifestação, mas garantindo o conhecimento destes e de toda a história e simbolismoque a caracterizam. Além disso, considerando que esta pesquisa se debruça sobre o trato com a capoeirano âmbito do PIBID/UNEB-EF/2009 e este projeto se baseia na Pedagogia Histórico-Críticacomo dito antes, é importante trazer alguns aspectos e princípios dessa perspectivapedagógica e como Soares, et al. (1992), em livro conhecido como Coletivo de Autores,propõem o trabalho com a capoeira. A Pedagogia Histórico-Crítica entende que para a consolidação de uma educação dequalidade o ponto de saída e chagada é a prática social. Portanto, parte-se do conhecimentosincrético que o aluno possui do conteúdo a ser trabalhado, passando pela problematizaçãopara que o aluno possa avançar ao estágio sintético, ou seja, a mudança do olhar do alunoacerca de certo conteúdo (SANIANI, 2008). Gasparin (2009), baseando-se em Saviani, elabora “Uma Didática para PedagogiaHistórico-Crítica”, que tem como base o materialismo dialético e a teoria histórico-cultural deVigotski, para encaminhar o processo pedagógico em cinco passos: Prática Social Inicial (oque o aluno sabe sobre o conteúdo a partir de sua realidade), Problematização (o que o alunoquer/precisa saber mais sobre o conteúdo), Instrumentalização (trabalho sistematizado com oconhecimento), Catarse (síntese da apropriação realizada pelos alunos) e Prática Social Final(retorno à realidade com olhar crítico-reflexivo). Este livro foi base da nossa elaboração doprojeto de ensino-aprendizagem do PIBID/UNEB. Soares, et al (1992) propõem o uso da capoeira pela Educação Física brasileira, masfaz uma ressalva de que a capoeira deve ser trabalhada como manifestação cultural. Portanto,
  31. 31. 31ela deve ser desenvolvida preservando sua historicidade, sem separá-la do movimento social epolítico que a gerou. Nesse mesmo contexto, Bispo, Pereira e Silva (2011) apresentam proposta para setrabalhar a capoeira no ambiente escolar, valorizando sua história, sua musicalidade, seusinstrumentos. Enfim, todos os elementos cultural que a capoeira contempla.
  32. 32. 324 METODOLOGIA A curiosidade em saber como cada evento surgia, cada novidade, curiosidade edescoberta aconteciam foi o que levou os homens a criarem a ciência para responder a estasindagações de forma rigorosa e sistematizada. Ela pode ser definida como a busca constante de explicações e soluções paraproblemas que afligem e incomodam o ser humano. Lakatos e Marconi (2001, p. 80) definemciência como sendo uma palavra que é entendida como uma sistematização de conhecimento,ou seja, “um comportamento de certos fenômenos que se deseja estudar”. Já a pesquisa é um processo interativo de buscar respostas para perguntas formuladas,ou seja, para a descoberta de soluções de problemas. Para Andrade (2001, p. 121), “a pesquisaé um conjunto de procedimentos sistemáticos, baseados no raciocínio logico, que tem porobjetivo encontrar soluções para problemas propostos, mediante de métodos científicos”. A pesquisa é de fundamental importância para sociedade, pois ela busca respostas paraos problemas da mesma. Quando decidimos fazer uma pesquisa, partimos da suposição queexiste um problema a ser resolvido (MATTOS; ROSSETO JR; BLECHER, 2004). O método é o tipo de procedimento (quantitativo ou qualitativo) empregado napesquisa. Mattos, Rossetto Jr e Blecher (2004, p.12) relatam que: “por meio do método tem-secondições de alcançar objetivos, conhecer, investigar e traçar, demarcar o caminho a serseguido, detectando erros e acertos [...]”. Conforme citado, o método ajuda a atingir os objetivos da pesquisa. Todavia, para osmesmos autores não existe um método único que seja correto. Este é relevante do ponto devista científico na medida em que possibilita o alcance dos objetivos. Visto isto, o método é de suma importância na pesquisa, pois, sem ele não atingimosos objetivos propostos, ficando a pesquisa comprometida sem a resposta da sua indagação.Portanto, em grande medida o método é determinado pelo problema da pesquisa.4.1 TIPO DE ESTUDO Esta pesquisa aborda o trato teórico-metodológico com a capoeira dentro doPIBID/UNEB – EF/2009 no ano letivo de 2011, especificamente na quarta unidade letiva.
  33. 33. 33Para tal, é adotada a linha de estudo qualitativa, que é definida por Vianna (2001, p. 122)como “uma pesquisa onde será analisada cada situação a partir de dados descritivos, buscandoidentificar relações, causas, efeitos, consequências, opiniões, significados, categorias e outrosaspectos considerados a necessários á compreensão da realidade estudada”. A pesquisa tem caráter descritivo, pois busca descrever o trato pedagógico com acapoeira no âmbito do PIBID/UNEB – EF/2009. A descrição da característica de determinadapopulação ou fenômeno ou então o estabelecimento de relações entre as variáveis é o objetivoprimordial da pesquisa descritiva (GIL, 2007). Para Mattos, Rossetto Jr e Blecher (2004, p.15) este tipo de pesquisa tem como características: “observar, registrar, analisar, descrever ecorrelacionar fatos ou fenômenos sem manipulá-los, procurando descobrir com precisão afrequência em que um fenômeno ocorre e sua relação com outros fatores”. Em suma, ela visaconstruir uma descrição detalhada de determinado fenômeno, suas características,propriedades, variáveis e inter-relações. Trata se de um estudo de caso, definido por Mattos, Rossetto Jr e Blecher (2004, p.15)como investigação onde: “sua preocupação é estudar um determinado indivíduo, família ougrupo para investigar aspectos variados ou um evento específico da amostra”. Algumas dasvantagens deste estudo são explorar situações da vida real, preserva o caráter unitário doobjeto estudado, descrever situação do contexto em que está sendo feita determinadainvestigação e explicar as variáveis causais de determinado fenômeno em situações muitocomplexas que não possibilitam a utilização de levantamentos e experimentos. Por outro lado, as desvantagens deste estudo estão nas dificuldades de generalização (aanálise de um ou poucos casos não são suficientes para fornecer uma base generalizada), aotempo destinado à pesquisa (os estudos de caso demandam muito tempo, o que às vezes ospesquisadores não detêm) (GIL,2007). Como nos interessa no trato com a capoeira apenas noâmbito do PIBID/UNEB – EF/2009 é assim que esse estudo se caracteriza.4.2 TÉCNICA DE COLETA DE DADOS
  34. 34. 34 Para a coleta de dados, foram feitas entrevistas semiestruturadas contendo oitoperguntas abertas aos 19 bolsistas de Iniciação à Docência do PIBID/UNEB – EF/200911,além da análise documental dos planos de aula e dos relatórios dos bolsistas de ID no períodoem que a capoeira foi tematizada na escola parceira. A entrevista semiestruturada é parecida com a entrevista estruturada, contém umroteiro de perguntas, porém é permitido que o pesquisador altere e até mude a sequência dasperguntas se avaliar que isto é necessário para alcançar os objetivos da investigação. Minayo(2010, p.267) diz que: “Por ter um apoio claro na sequência das questões, a entrevistasemiestruturada facilita a abordagem e assegura, sobretudo, aos investigadores menosexperientes, que suas hipóteses e seus pressupostos serão cobertos na conversa”. Porém, aautora chama a atenção para o risco destes mesmos pesquisadores menos experientes na horada análise apontarem apenas o que interessa na sua pesquisa, deixando de relatar dadosimportantes dos entrevistados, que podem ser de grande aproveitamento na pesquisa. Além da entrevista, foi feita análise documental, que trabalha na classificação aleatóriados dados e na representação condensada da informação para armazenamento e consulta. ParaMinayo (2010), em geral, usa-se esse tipo de técnica com documentos que ainda não foramsubmetidos a estudos. A vantagem é que os documentos também trazem descrições sobre arealidade.4.3 ANÁLISE DE DADOS Os dados foram analisados a partir da técnica da análise de conteúdo, que tem comoobjetivo organizar e sumariar os dados de tal forma que possibilitem o fornecimento derespostas ao problema proposto para a investigação. A análise de conteúdo se debruça sobre aforma como as mensagens são produzidas e socialmente interpretadas (MINAYO, 1994). Aanálise de conteúdo é realizada em três etapas: organização do material (pré-análise),descrição analítica dos dados (codificação, classificação, categorização) e interpretaçãoinferencial (tratamento e reflexão) (TRIVIÑOS, 1997).11 Foram entrevistados 19 bolsistas de Iniciação à Docência porque o próprio pesquisador é também bolsista e seexcluiu desse momento.
  35. 35. 35 Nesta pesquisa, dados foram analisados a partir das seguintes categorias: objetivospedagógicos e aspectos avaliados, tema trabalhado e metodologia utilizada, dificuldadesencontradas no processo pedagógico e aprendizagem dos bolsistas de Iniciação à Docência eestudantes da escola.
  36. 36. 365 RESULTADOS E DISCUSSÃO Este capítulo destaca os resultados e discussão da realidade, mas antes existemalgumas observações que precisam ser esclarecidas: as intervenções dos bolsistas de Iniciaçãoà Docência na escola parceira do PIBID/UNEB-EF/2009 ocorreu em duplas e trios no turnovespertino12, ficando apenas um bolsista no turno matutino na unidade referida à capoeira; noprojeto de ensino-aprendizagem estava previsto para a unidade lutas e capoeira e ficou acritério dos bolsistas a utilização de um ou dos dois conteúdos a depender do tempopedagógico necessário para as intervenções e da segurança em realizar as intervenções com osreferidos temas; devido aos feriados e aos Jogos Intersalas13 a unidade ficou curta, o queimpossibilitou, mas dificultou, a execução do conteúdo. As entrevistas foram feitas aos 19 bolsistas de Iniciação à Docência nos locais em quefoi possível encontrá-los (em suas casas, na UNEB e na escola parceira). Para um maiorconforto dos entrevistados primeiramente tivemos um conversa formal sobre o objeto eobjetivos da pesquisa. Dos 19 bolsistas de Iniciação à Docência, que estão descritos na pesquisa como B1,B2, B3 e assim sucessivamente, apenas quatro não utilizaram as proposições teórico-metodológicas para o trabalho com a capoeira e a justificativa foi a de que pelas vivências queeles tiveram ao longo do ano foi perceptivo que os educandos tinham um maior contato com acapoeira, de modo que, como ficou à cargo dos próprios bolsistas definir se tratariam acapoeira ou as lutas, houve preferência pela tematização das lutas no sentido de ampliar oacesso dos alunos a diversos temas da cultura corporal. Some-se isto ao fato de que a unidade,como dito anteriormente, ficou curta. Esse é um primeiro elemento que possibilita a discussão nesse momento, apesar de sedistanciar das categorias de análise anteriormente definidas. Essa discussão tem relação com aproposta de organização do Projeto de Ensino-Aprendizagem formulado pela equipe do12 Como o curso de Licenciatura em Educação Física da UNEB/Campus II tem suas atividades de ensino (aulas)no turno matutino, o projeto PIBID/UNEB – EF/2009 se concretiza no turno oposto, mas para garantirintervenções no turno matutino os bolsistas com semestres mais avançados atuaram também neste horário nassituações em que foi possível. Em 2012, avaliou-se que é mais adequado manter as intervenções somente noturno da tarde para evitar choques e mudanças constantes de horário.13 Os Jogos Intersalas são realizados na escola e já aconteciam mesmo antes da parceria com a UNEB noPIBID/UNEB-EF/2009. Com a presença do PIBID/UNEB – EF/2009, os bolsistas deram um suporte maior aesta atividade na escola parceira, propuseram e realizaram modificações no evento.
  37. 37. 37PIBID/UNEB-EF/2009, mas também com o modo como, em geral, a Educação Física seconcretiza nas escolas. O Projeto de Ensino-Aprendizagem do PIBID/UNEB-EF/2009 propõe o tratopedagógico com todos os temas da cultura corporal em todos os anos/séries participantes doprojeto, pois em diagnóstico inicial realizado da realidade escolar a Educação Físicaencontrada cindia teoria e prática e tratava mais do esporte numa perspectiva de prática.Tomou-se como princípio, então, que era preciso garantir a todos os alunos o acesso aosdiversos temas da cultura corporal. Propõe-se, todavia, que a partir dos momentos subseqüentes a esta pesquisa, já que umdado é que o ano letivo é curto para o trato com todos os temas da cultura corporal, que ao sereavaliar o Projeto de Ensino-Aprendizagem do PIBID/UNEB-EF/2009 sejam estabelecidos,também, outros critérios de organização para que os temas da cultura corporal no decorrer dasséries/anos escolares. Quanto às categorias de análise, no sentido de descrevê-las e discuti-las, apresenta-se oQuadro I a seguir.QUADRO I- FREQUÊNCIA TEMÁTICA NAS ESNTREVISTAS CATEGORIAS FREQUÊNCIA OCORRÊNCIA EM NUMEROS História 6 Desmistificação 6 Objetivos pedagógicos capoeira/candomblé Preconceito 5 Fundamentos 5 Reflexão 2 Capoeira/mídia 2 Participação nas atividades 12 Questionário 2 Prova/ relatório/ debate 3 Aspectos avaliadores Leitura de texto 6 Construção de Painel 2
  38. 38. 38 Historia 15 Estilos 2 Movimentos 10 Musicalidade 6 Tema trabalhado Instrumentos 3 Economia 1 Esportivização 2 Metodologia utilizada Texto 5 Filme 6 Oficina 8Dificuldades encontradas no Domínio pratico do conteúdo 8 processo pedagógico Participação 8 Tempo 1Aprendizagem dos estudantes Aumento da participação dos da escola alunos nas aulas 2 Postura não preconceituosa 2 Não é necessário o 4 Aprendizagem dos bolsistas conhecimento prático de ID A necessidade de pesquisar em 2 qualquer conteúdo Dos objetivos pedagógicos que os bolsistas pretendiam atingir, os de maioresfrequências foram possibilitar o conhecimento da história da capoeira e desmistificar a relaçãoda capoeira com o candomblé, sendo este segundo o de maior preocupação. Essa necessidadefoi percebida antes ou durante a aplicação do conteúdo por conta do preconceito presente,estando bem transparente nos depoimentos de B8: “Desmistificar a relação da capoeiradiretamente com o candomblé (...)”; B12 também destaca: “[...] nosso objetivo então, poralgumas aulas, foi o de desmistificar essa visão preconceituosa sobre a capoeira [...].” Essa relação da capoeira com o candomblé se dá pelo fato de a capoeira, quandoperseguida no período da marginalidade, ter encontrado nos terreiros de candomblé o refúgio
  39. 39. 39que necessitava para sua sobrevivência. E, como outras manifestações afro brasileiras, ocandomblé e outras religiões de matriz africana são vistas socialmente com maus olhos. Foi perceptivo que os demais objetivos citados estavam relacionados com o projeto deensino-aprendizagem criado pela equipe do PIBID/UNEB-EF/2009 para orientação dosmesmos nas intervenções da escola. Esses objetivos foram: Conceituar a capoeira e apresentaraos alunos os fundamentos teóricos e práticos, de modo que os mesmos possam refletir sobrea importância cultural através de sua origem; Apresentar aos alunos os elementos quecompõem a capoeira, entendendo os significados que cada um traz, resgatando-a comomanifestação cultural; Apresentar aos alunos as diferentes formas da prática da capoeira deforma historicizada para que o aluno, além de identificar na prática os estilos da capoeira,conheça suas diferentes origens; e, Problematizar com os alunos a relação da capoeira com oesporte de forma que eles possam entender como a mídia aborda os diferentes elementos dacultura corporal de acordo com as necessidades capitalistas. Além disso, identificar osmotivos que levam o capoeirista a ser discriminado. No que diz respeito aos objetivos, o desenvolvimento da capoeira no âmbito doPIBID/UNEB – EF/2009 seguiu os princípios da Pedagogia Histórico-Crítica. Falcão (2009)já elucidava o referencial afro brasileiro presente na capoeira, como ferramenta pedagógica doprofessor para o processo de entendimento da realidade sócio-histórica brasileira. E estecontexto histórico foi bastante utilizado pelos bolsistas na consolidação da proposta. Na categoria aspectos avaliadores, a frequência que teve maior indicação foiparticipação dos alunos nas atividades desenvolvidas durante a unidade. O B3 relata: “aparticipação nas aulas práticas foi um método avaliativo e uma prova prática (...)”. Em relação à avaliação, Freitas (1995) destaca dois tipos de avaliação: a avaliaçãoformal, na qual consiste a utilização de instrumentos explícitos da avaliação e a avaliaçãoinformal, que se configura na construção de juízos gerais sobre o aluno por parte do professor.Estas avaliações podem ser desde a participação até a realização de prova. Todavia, para omesmo autor, os temas avaliados devem se relacionar com os objetivos pedagógicos e, aqui,parece haver um problema na prática avaliativa concretizada pelos bolsistas de Iniciação àDocência. Aparece, portanto, a necessidade de discutir o tema avaliação em Educação Físicaescolar no âmbito da equipe do PIBID/UNEB-EF/2009. Os temas mais utilizados nas aulas foram: história da capoeira e a vivência dosmovimentos (prática corporal) e o de menor citação a relação capoeira/economia. Com basenas entrevistas tais temas se destacaram primeiro para uma maior aproximação do conteúdopor parte do aluno,e segundo para o contato direto com a capoeira.
  40. 40. 40 Como citado anteriormente por Falcão (2009), a história da Capoeira deve ser bastanteaproveitada no processo de ensino-aprendizagem do aluno. Quanto à experimentação dosmovimentos da capoeira, isto atende à perspectiva de tematizá-la em todos os seus aspectos edimensões e possibilita que os alunos experimentem suas possibilidades de ação corporal,como propõem Soares, et al (1992). As metodologias utilizadas para consolidar o trabalho com a capoeira que mais sesobressaíram foram oficinas de capoeira, ministradas em sua maioria por convidados,conforme B2: “Contamos com o auxílio do contramestre e colega do PIBID, [...] que fez umaaula tematizando os golpes, a roda, a ginga, a música (...)” A exibição de filmes também foi bem utilizada como recurso metodológico, como estápresente na fala do B12: “fizemos debate sobre o filme “Besouro”. Outro recurso utilizado foileitura de textos. Referente às questões metodológicas utilizadas pelos bolsistas, Bispo, Pereira e Silva(2011, p. 6) destacam: “a transmissão do conteúdo pode ser feita através de estudo de textos,vídeos, filmes e convidados que possam ministrar palestras, oficinas que oportunizem aoaluno desfrutar de algumas vivências práticas”. Fato que ocorreu com todos bolsistas nautilização das proposições. Campos (2001, p. 87) destaca que o ensino-aprendizagem da Capoeira não deve servoltado para que o aluno aprenda uma técnica de luta ou esporte. O ensino dos movimentosdeve vir acompanhado da transmissão de todos os elementos que compõem a cultura (história,origem, e evolução), além de ser estimulada a pesquisa, o debate e as discussões emseminários, a fim de que haja participação dos alunos. Ele continua: “A principal ideia é que,durante as aulas, os alunos possam participar de maneira integrada, jogando, cantando etocando.” Ele ainda atribui ao professor estimular e oportunizar essa prática em momentos deaulas/capoeira. Vê-se, portanto, que as estratégias metodológicas utilizadas pelos bolsistas deIniciação à Docência são próximas daquelas propostas pelos autores que referenciam esteestudo, já que a capoeira é vista como tema de estudo na escola, como propõe Falcão (2009),não se constituindo uma prática de treinamento da capoeira. As dificuldades que se destacaram mais na aplicação do conteúdo foram domínioprático do conteúdo e participação dos alunos nas atividades de experimentação corporal(práticas), com índice de oito frequências cada. Saviani (2008) discorre que a relação do domínio de certo conteúdo não é garantia queseja bem executado na escola, ele exemplifica: “o melhor geógrafo não será necessariamente
  41. 41. 41o melhor professor de geografia; nem será o historiador aquele que desempenhará o melhorpapel de professor de história (...).” Isto ficou evidente de forma contrária a citada porSaviani, pois os bolsistas desempenharam bem o trato com o conteúdo, mesmo não tendo odomínio prático da Capoeira, pois conseguiram construir uma sequência didática que deuconta dos objetivos pedagógicos propostos e assumiram o compromisso político com o grupocom o qual se trabalhava, buscando os suportes para desenvolver o trabalho. Segundo os relatos dos próprios bolsistas a dificuldade em participação das atividadesestava relacionada à associação da capoeira com as religiões de matrizes africanas, emespecial ao candomblé, e ao não contato deles com o conteúdo, conforme cita B2: “Aprincipal dificuldade encontrada foi a não participação da grande parte da turma nas vivênciascapoerísticas devido, justamente, a associarem a prática da capoeira a uma prática religiosa(candomblé) e não como uma prática da cultural corporal.” B6 também comenta: “Veja bem,dentre as principais dificuldades encontradas, posso relacionar o não contato direto com essacultura[...].” Mas, estas ocorrências foram mais tarde contornadas através de conversas. Dentro das aprendizagens dos alunos percebidas pelos bolsistas ocorreram-se duascitações que merecem destaque, o B1 relata: “(...) alguns que ficavam fora de outrasatividades práticas e com a capoeira foram diferentes, eles participaram unanimemente” e B2afirma que “Pelo aumento na participação das atividades e pelos próprios jogarem capoeira naescola fora do horário da aula (...)”. Isto tem uma grande importância para a Capoeira, pois mostra apenas um dos seusvários benefícios, conforme cita Campos (2001, p. 78) “Aprender Capoeira é, acima de tudo,interagir com a identidade cultural de um povo, é vivenciar a expressão corporal, é ter apossibilidade de adquirir o espírito crítico-reflexivo da sociedade onde está inserido.” Quanto às aprendizagens dos bolsistas, as ocorrências foram de que não é necessário odomínio prático do conteúdo a ser tematizado. Em relação a isto, no relato de B2 destaca-se:"O meu principal aprendizado refere-se em tematizar esse conteúdo independente do meudomínio técnico ou não (...)”. Vejo esta declaração não como desvalorizando o domínio prático da Capoeira ou dequaisquer outros conteúdos da Educação Física escolar, mas que o não domínio não deve sermotivo para a não oferta do conteúdo, pois, como citado anteriormente por Saviani (2008), agarantia de que você domina na prática certo conteúdo não é garantia de que em sala de aulaserá um excelente professor. Do mesmo modo, se a postura assumida no trabalho pedagógicofor a de busca de suportes necessários para a transposição didática, para a construção da
  42. 42. 42sequência didática e de contato com a comunidade, como foi feito no âmbito doPIBID/UNEB-EF/2009, haverá condições de trato com o conteúdo. Houve também a preocupação dos bolsistas na pesquisa do referido conteúdo,explícito na entrevista de B12: “Aprendi muita coisa, principalmente pelo fato de ter quepesquisar sobre temas mais polêmicos, como a religiosidade, no sentido de ter propriedadepara passar para os meninos (...).”QUADRO 2 - FREQUÊNCIA TEMÁTICA DOS RELATÓRIOS CATEGORIAS FREQUÊNCIA OCORRÊNCIA EM NUMEROS - - - - Objetivos pedagógicos - - - - - - - - Relatório 1 Questionário 5 Prova 5 Aspectos avaliadores Textos 3 - - - - - - - - Tema trabalhado - - - - - - Jogos 2 Metodologia utilizada Filme 6
  43. 43. 43 Slaider 1 Oficina 11 Dificuldades encontradas no processo - - pedagógico - - - -Aprendizagem dos estudantes da escola - - - - - - Aprendizagem dos bolsistas de ID - - Não houve ocorrências, nos relatórios analisados, sobre os objetivos pedagógicos, ostemas trabalhados, as dificuldades e as aprendizagens de bolsistas e estudantes. Este já seconfigura um ponto de reflexão, pois a solicitação nos relatórios é que os bolsista de IDreflitam acerca de suas experiências. E, o que se viu, todavia, foram relatos descritivos sem sedar conta de um processo de reflexão sobre a experiência pedagógica oportunizada por essePrograma. Na categoria “Aspectos avaliados” tivemos como maior índice de frequência provas equestionário, , além de produção de texto e elaboração de relatório. Isto mostra que, apesar doPIBID/UNEB-EF/2009 propor uma pedagogia inovadora, ainda seguem as orientações daescola, pautada em referenciais tradicionais, para avaliação da aprendizagem dos estudantes. Falcão (2009, p. 92) chama a atenção para a avaliação na Capoeira em ambienteescolar. Ele diz: “O professor deve privilegiar o cotidiano, do aluno estabelecendo um tempopara deixá-lo falar, relatar situações e criar.” Para o autor, o professor deve valorizar o tempoque tem para o aprendizado pedagógico e os aspectos e conceitos que os alunos aprendemneste processo de ensino-aprendizagem. Estes fatos estavam presentes nas conversasinformais e nas entrevistas, mas nos relatórios não foram perceptivas. Outra reflexão que pode ser feita, nesse momento, remete-nos ao que afirma o próprioSaviani (2008) acerca das dificuldades de “atravessar a ponte” entre a proposição pedagógicada Pedagogia Histórico-crítica e o fazer escolar concreto e cotidiano. O autor afirma que umadas dificuldades desta proposição está no fato de o sistema escolar ainda se pautar emreferencias conservadores. Vê-se isto no modo como está organizado o sistema avaliativo darede estadual baiana (e, por conseqüência, da escola parceira), no qual é exigida a existência
  44. 44. 44da “semana de provas” e a atribuição de uma nota numérica ao estudantes. Esta seria, todavia,outra discussão – sobre avaliação na escola – a qual não pretendemos aprofundar. Dentre as metodologias utilizadas pelos bolsistas, tivemos a aplicação de oficina a queteve maior frequência nesta categoria com 11 aparições, seguido da utilização de filmes com 6frequência, a aplicação de jogos com 2 e a utilização de slides com uma indicação, sendoestes os recursos metodológicos encontrados nos relatórios e planos de aulas dos referentesbolsistas de Iniciação à Docência. Referente às metodologia utilizada pelos bolsistas de Iniciação à Docência paraobtenção dos resultados, Soares et al (2012) destaca: “o trato com o conhecimentocorresponderia à necessidade de criar as condições para que se deem a assimilação etransmissão do saber escolar”. E foi o que de fato ocorreu, os bolsistas utilizaram-se de vários métodos paraatingirem seus objetivos, isto ficou evidente tantos nos relatórios mensais que os bolsistasfazem das atividades, quanto nas entrevistas citadas anteriormente.
  45. 45. 456 CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta pesquisa estuda como foi o trato pedagógico com a capoeira no âmbito doPIBID/UNEB – EF/2009 por parte dos Bolsistas de Iniciação á Docência, na escola parceirado subprojeto. Para tanto os objetivos específicos foram: investigar se as proposições teóricasmetodológicas foram utilizadas, identificar como as atividades de capoeira foramdesenvolvidas, averiguar quais as estratégias os bolsistas de ID utilizaram para odesenvolvimento das aulas, verificar o resultado de aprendizagem dos bolsistas de ID e dosestudantes da escola parceira. No que se diz respeito ao primeiro objetivo específico, os resultados são bem claro,dos dezenove bolsistas de ID quinze utilizaram as proposições e quatro não tematizaram acapoeira pelos motivos anteriormente explicitados. As atividades foram desenvolvidas através de diversas estratégias metodológicas,desde a utilização de filmes, textos até as oficinas. E, o não domínio do conteúdo não foiempecilho para sua utilização, já que houve o convite de professores de capoeira reforçando arelação escola/comunidade e a busca de suportes necessários à pedagogização do tema. Como já era esperado encontrar resistência, até mesmo porque capoeira é um conteúdode pouco encontrado nas escolas, os bolsistas utilizaram-se de debates e pesquisas paradesmistificar a visão preconceituosa que os educandos tinham com a capoeira, conseguindoatingir seus objetivos e garantir a participação dos estudantes nas atividades no decorrer dasintervenções. Ao final das intervenções, segundo relato dos bolsistas pesquisados, os alunosmudaram a visão que eles tinham inicialmente da capoeira e a prova disto foi a participaçãonas atividades e nas pesquisas solicitadas. Nesse sentido, B16 narra: “(...) E uma coisa que foisuperinteressante, foi uma das atividades que a gente propôs que foi o seminário, a gentedividiu em subtemas relacionados com capoeira [...] foi superinteressante, todas as equipesfizeram, né, trouxeram cartazes com as figuras relacionadas ao tema, eles explicaram né,lógico alguns ainda com dificuldade na leitura, mas só o empenho de pesquisa de saber queeles puderam perceber a capoeira de uma forma diferente [...]. Tinham muitos alunos queeram evangélicos na sala e não tiveram nenhuma resistência nesse sentido, pesquisaram sobrea capoeira, trouxeram o conteúdo e apresentaram no seminário, o seminário que foi uma dasavaliações [...]”
  46. 46. 46 Foi perceptivo nas entrevistas que os bolsistas perceberam a importância da pesquisaao abordarem temas de pouco contato. E que a capoeira pode e deve ser trabalhada naEducação Física escolar, mesmo que o professor precise buscar auxílio de membros dacomunidade que tem o domínio que o professor não tem. Já nos relatórios os bolsistas de ID não relataram suas conquistas, adentraram-se emdescrever os encaminhamentos das aulas. As dificuldades também não foram relatadas nosdepoimentos dos mesmos e no último relatório referente, ao mês de dezembro, eles fizeramuma avaliação geral dos resultados obtidos no ano e não especificaram a capoeira, conteúdotrabalhado pela maioria na quarta unidade. Isto gera a necessidade da equipe rever o processode produção do relatório para que o mesmo se constitua um registro de memórias, mastambém de reflexões sobre a realidade escolar. É possível dizer que os resultados alcançados pelos bolsistas de Iniciação à Docênciaampliaram o acesso à capoeira por parte dos alunos da escola parceira. A dificuldade emtematizar o conteúdo no que se refere à experimentação corporal (vivência prática) já eraesperada, mas os bolsistas buscaram estratégias, especialmente convidando pessoas dacomunidade para dar conta dessa dimensão. Ou seja, apesar do não domínio prático dosmovimentos, conseguiu-se consolidar as proposições teórico-metodológicas para o trabalhocom a capoeira no contexto do PIBID/UNEB – EF/2009. Isto mostra que há possibilidadesreais e concretas de inserir esse tema na escola de modo contextualizado e que envolve,mobiliza e ensina a alunos e professores. Essa realidade, todavia, leva a refletir que a Capoeira precisa estar presente mais cedoe de forma mais aprofundada na formação inicial de professores de Educação Física. Partindo deste pressuposto, cabe realizar estudos sobre a capoeira na formação deprofessores de Educação Física e, ainda, os impactos do PIBID/UNEB – EF/2009 no trabalhopedagógico desses mesmos bolsistas quando estiverem nas diversas realidades escolares nacondição de professores, após a conclusão do processo de formação.
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