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IZANDRA PEREIRA DA SILVAO CORPO MODELADO: UM ESTUDO SOBRE IDENTIDADECORPORAL FEMININA ENTRE AS MULHERES FREQUENTADORASDA A...
A minha amada mãe.
AGRADECIMENTOSA Deus por ter me dado a dádiva da vida.A minha família, em especial à minha mãe Maria de Lourdes, pelo cari...
RESUMOEste trabalho tem como objeto o estudo da relação exercícios físicos e a construçãoda identidade corporal entre as m...
ABSTRACTThis work has as its object the study of the relationship exercise body and identityconstruction among women atten...
LISTA DE GRÁFICOSGráfico 1 - Indica a faixa etária de todas as mulheres .....................................................
SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO .................................................................................................. 102...
6.1 A ACADEMIA MUNICIPAL DE POJUCA ....................................................... 486.2 A COLETA DE DADOS: A OBSE...
O corpo é uma espécie de escrita viva no qual as forçasimprimem “vibrações”, ressonâncias e cavam “caminhos”. Osentido nel...
101 INTRODUÇÃO        A presente pesquisa se inspira em uma tendência da Educação Físicade aproximação e diálogo com disti...
11      O capítulo nomeado O Corpo da Mulher: Interseção entre Beleza eSaúde faz uma relação mais estreita entre corpo e g...
122 O CORPO NA SOCIEDADE OCIDENTAL      O corpo como fenômeno social foi concebido de diferentes formas adepender da época...
13padrões da época; a Idade Média, ao contrário, esconderia o corpo atrás demisticismos, mitos religiosos, superstições. E...
14cotidiana e nos momentos excepcionais sofreram modificações em todas associedades históricas”. (2006, p. 1).      Tem-se...
152.1 O CORPO DA MODA O CORPO NA MÍDIA2.1.1 O corpo da moda      O século XX assistiu a uma mudança radical do corpo e pri...
16corpo a mulher passa então a utilizar outros métodos. A solução foi cobri-lo decremes, vitaminas, silicones e colágenos....
17                      vistos refletem-se no público feminino. (DEL PRIORE, 2000,                      p.91).       E atu...
18cirurgias estéticas. Um grande exemplo disso são as mulheres “frutas” 1 e ascantoras de funk com seus corpos turbinados ...
19feminino. “Desde a Antiguidade, a beleza feminina é celebrada pelos artistas[...]”. (LIPOVETSKY, 2000, p.169). Esses art...
20conquistando seu espaço na vida das mulheres. “Nas últimas décadas doséculo XIX a imprensa feminina torna-se uma imprens...
21      É nas últimas décadas do século XIX que a imprensa feminina torna-seuma imprensa de grande difusão, mas é, sobretu...
22                      mídia feminina: é preciso interpretar sua ação ao mesmo tempo                      como um meio de...
23pretendia promover a beleza a partir do próprio público. Ele agora éresponsável por seu próprio corpo e por sua própria ...
24que os produtos de beleza se associassem a publicidade. Até porque apublicidade estava intrinsecamente ligada aos concei...
25      Autoras como Sant’Anna (2005) e Del Priore (2000) consideram que naatualidade os meios de comunicação e a publicid...
26                    conformação estética da mídia feminina, mas lembra que as                    leitoras de revistas nã...
273 O CORPO DA MULHER: A INTERSEÇÃO ENTRE BELEZA E SAÚDE3.1 AS TRANSFORMAÇÕES DA BELEZA      Como um dos elementos constit...
28         A partir do século XVI temos a descoberta da beleza feminina como umabeleza espiritualizada2 e que, de acordo c...
29                     [...] a extrema diferenciação e especialização do sexo feminino                     em “belo sexo” ...
30(DEL PRIORE, 2000, p.29). Até porque ficavam cobertas pelas roupascompridas. Roupas que demonstravam status social3.    ...
31No século XX ocorre definitivamente a desconstrução do paradigma queassociava a beleza feminina ao mal. De acordo com Li...
32      Os anúncios publicitários solidificavam o discurso de que beleza seconseguia com o uso de produtos químicos. De ac...
33      Para fortalecer o discurso dirigido à mulher, conselhos de belezainsistem que é preciso conhecer, explorar, tocar ...
344 O PERCURSO DO CORPO FEMININO PARA A AUTONOMIA: OESPORTE, O MERCADO DE TRABALHO E O MOVIMENTO FEMINISTA4.1 AS MULHERES ...
35      As mulheres percorreram um espinhoso e discriminatório caminho atéconseguirem carta de alforria para a prática de ...
36                     contribui para que se desenvolva e fortaleça a individualidade                     da mulher. (KOLO...
37      “As mulheres agora reivindicam posições de poder na esfera política eao mesmo tempo, todas as pesquisas mostram qu...
385   MODELANDO O CORPO FEMININO: DO ESPARTILHO ÀS PRÁTICASCORPORAIS       O espartilho é um artefato de modelagem do corp...
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40       Temos, então, por parte dos higienistas e médicos, a propagação dodiscurso da beleza e saúde associada à prática ...
41      Como já foi abordado em capítulos anteriores, ao longo do século XX, asmulheres vão deixando de estarem restrita a...
425.2 AS TECNOLOGIAS DE MODELAGEM DO CORPO       Vivemos     atualmente     rodeados     pelos    avanços     científicos ...
43instrumentos       pelos    médicos      ortopedistas    para    corrigir    as   anatomiasconsideradas defeituosas.    ...
44                    endireitar. Foi preciso banalizar o espaço corporal e generalizar                    o mecanicismo p...
45      Tudo isso graças à ciência e todo seu aparato técnico, que veio e vemoferecendo um arsenal de possibilidades dentr...
46       A prática da musculação6 começou a se solidificar na sociedadeocidental após a Segunda Guerra Mundial, sendo que,...
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O corpo modelado: um estudo sobre a identidade corporal feminina entre as mulheres frequentadoras da academia municipal de Pojuca - BA

  1. 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CAMPUS II – ALAGOINHAS CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA IZANDRA PEREIRA DA SILVAO CORPO MODELADO: UM ESTUDO SOBRE IDENTIDADECORPORAL FEMININA ENTRE AS MULHERES FREQUENTADORASDA ACADEMIA MUNICIPAL DE POJUCA - BA Alagoinhas-BA 2012
  2. 2. IZANDRA PEREIRA DA SILVAO CORPO MODELADO: UM ESTUDO SOBRE IDENTIDADECORPORAL FEMININA ENTRE AS MULHERES FREQUENTADORASDA ACADEMIA MUNICIPAL DE POJUCA - BA Monografia apresentada ao curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Campus II, Alagoinhas, como requisito parcial para obtenção do título de Licenciada em Educação Física. Orientadora: Prof. Drª. Mônica Benfica Marinho. Alagoinhas-BA 2012
  3. 3. A minha amada mãe.
  4. 4. AGRADECIMENTOSA Deus por ter me dado a dádiva da vida.A minha família, em especial à minha mãe Maria de Lourdes, pelo carinho e pelaformação que me proporcionou.Aos meus sobrinhos, que sempre me ajudaram e incentivaram a minha jornadaacadêmica.Aos amigos pelo companheirismo e amizade em especial a Ariane, Angela Maria,Arissandra, Érica Paula, Juliana Correia, Janilma, Milena, Shirlei, Silas, Rita deCássia e Tatiane.À minha paciente orientadora Mônica Benfica Marinho, pelo incentivo, confiança ededicação que foram fundamentais para o desenvolvimento da pesquisa.Aos demais professores que contribuíram para o meu crescimento profissional epessoal.Às mulheres frequentadoras da Academia Municipal de Pojuca que se dispuseram aparticipar da pesquisa, e que foram fundamentais para o desenvolvimento damesma.
  5. 5. RESUMOEste trabalho tem como objeto o estudo da relação exercícios físicos e a construçãoda identidade corporal entre as mulheres frequentadoras da Academia Municipal dePojuca-BA. O objetivo é analisar a relação gênero e prática de exercícios físicosmaterializada em uma identidade corporal. Parte do pressuposto de que essa práticaé fundamental na construção de uma identidade corporal feminina, sendo saúde ebeleza elementos constitutivos dessa identidade. Discute a centralidade do corpo nacontemporaneidade e a crescente prática de atividade física relacionada a ela. Deforma específica, a crescente busca por parte das mulheres pela prática dosexercícios físicos. A pesquisa caracteriza-se por uma abordagem qualitativa.Delimita como universo de investigação um grupo de mulheres frequentadoras daAcademia Municipal de Pojuca localizada na cidade de Pojuca-BA e tem comométodo de investigação o Estudo de Caso Observacional. Utiliza como técnica decoleta de dados a observação participante e como instrumentos o registro de campo,a entrevista semi-estruturada, e o questionário fechado. A análise mostra que paraas mulheres pesquisadas o exercício físico, especialmente a musculação, éfundamental no alcance de um corpo percebido como ideal onde saúde e belezaaparecem como elementos conformadores, e que se assemelha aos corposmidiáticos das dançarinas de funk e de pagode. No entanto elas reconhecem alimitação do próprio corpo, e da condição socioeconômica de acesso às práticastransformadoras da aparência. As mulheres vivenciam essa limitação como um dadode realidade, e buscam se acomodar a ela procurando modelar o corpo de acordocom as condições estruturais que se lhes apresentam.Palavras-chave: Corpo. Gênero. Exercícios físicos. Identidade Corporal.
  6. 6. ABSTRACTThis work has as its object the study of the relationship exercise body and identityconstruction among women attending the Municipal Academy of Pojuca-BA. Theobjective is to analyze the relationship gender and physical exercise materialized in abody identity. It assumes that this practice is crucial in building an identity femalebody, health and beauty are the constituent elements of this identity. It discusses thecentrality of the body in contemporary and increasing physical activity related to it.Specifically, the growing demand by women for the practice of physical exercises.The research is characterized by a qualitative approach. Defines the universe as aresearch group of women attending the Municipal Academy of Pojuca located inPojuca-BA and its research method observational case study.Used as a technique ofdata collection instruments such as participant observation and the recording field,the semi-structured and closed questionnaire. The analysis shows that for womensurveyed exercise, especially weight training, is essential in achieving a bodyperceived as ideal where health and beauty appear as conforming elements, and thatmedia is similar to the bodies of the dancers of funk and pagode. However theyrecognize the limitations of the body, and socioeconomic status on access topractices that transform appearance. Women experience this limitation as a matter offact, and seek to accommodate it looking shape the body according to the structuralconditions that present themselves.Keywords: Body. Genre. Exercise. Corporal Identity.
  7. 7. LISTA DE GRÁFICOSGráfico 1 - Indica a faixa etária de todas as mulheres .................................................. 52Gráfico 2 - Indica a distribuição das mulheres quanto o grau de instrução .................. 54Gráfico 3 - Indica a distribuição das mulheres quanto o estado civil ............................ 55Gráfico 4 - Indica há quanto tempo às mulheres frequentam a academia .................... 56Gráfico 5 - Indica os principais motivos que levaram as mulheres a academia ............ 57Gráfico 6 - Indica a primeira parte do corpo que as mulheres gostam de treinar ......... 60Gráfico 7 - Indica a segunda parte do corpo que as mulheres gostam de treinar......... 61Gráfico 8 - Indica a terceira parte do corpo que as mulheres gostam de treinar .......... 62Gráfico 9 - Indica a quarta parte do corpo que as mulheres gostam de treinar ............ 63Gráfico 10 - Indica a quinta parte do corpo que as mulheres gostam de treinar........... 64
  8. 8. SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO .................................................................................................. 102 O CORPO NA SOCIEDADE OCIDENTAL ....................................................... 122.1 O CORPO DA MODA O CORPO NA MÍDIA .................................................. 142.1.1 O Corpo da moda ...................................................................................... 152.1.2 O corpo propagado na imprensa feminina ............................................. 182.1.3 O corpo propagado na fotografia e no cinema ....................................... 212.1.4 O corpo propagado na televisão e na publicidade ................................. 223 O CORPO DA MULHER: A INTERSEÇÃO ENTRE BELEZA E SAÚDE......... 273.1 AS TRANSFORMAÇÕES DA BELEZA .......................................................... 273.1 SAÚDE E BELEZA NO BRASIL NO INÍCIO DO SÉCULO XX ....................... 314 O PERCURSO DO CORPO FEMININO PARA A AUTONOMIA: O ESPORTE, OMERCADO DE TRABALHO E O MOVIMENTO FEMINISTA ............................. 344.1 AS MULHERES E AS PRÁTICAS ESPORTIVAS .......................................... 344.2 AS MULHERES NO MERCADO DE TRABALHO E A HERANÇA DOMOVIMENTO FEMINISTA ................................................................................... 355 MODELANDO O CORPO FEMININO: DO ESPARTILHO ÀS PRÁTICASCORPORAIS........................................................................................................ 385.1 A INSTITUIÇÃO DAS PRÁTICAS DE EXERCÍCIOS PARA AS MULHERES SOBO OLHAR HIGIENSITA ........................................................................................ 395.2 AS TECNOLOGIAS DE MODELAGEM DO CORPO ..................................... 415.3 AS ACADEMIAS DE GINÁSTICA E A PRÁTICA DA MUSCULAÇÃO ........... 456 EXERCÍCIOS FÍSICOS E A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE CORPORALFEMININA: O PERCURSO METODOLÓGICO ................................................... 48
  9. 9. 6.1 A ACADEMIA MUNICIPAL DE POJUCA ....................................................... 486.2 A COLETA DE DADOS: A OBSERVAÇÃO PARTICIPANTE, O QUESTIONÁRIO,A ENTREVISTA ................................................................................................... 496.3 CARACTERIZANDO AS MULHERES FREQUENTADORAS DA ACADEMIAMUNICIPAL DE POJUCA .................................................................................... 506.4 AS NARRATIVAS SOBRE IDENTIDADE CORPORAL.................................. 666.4.1 O corpo saudável e belo o corpo belo e saudável ................................. 677 CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................. 80REFERÊNCIAS .................................................................................................... 81APÊNDICE -TERMODE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO ............. 83
  10. 10. O corpo é uma espécie de escrita viva no qual as forçasimprimem “vibrações”, ressonâncias e cavam “caminhos”. Osentido nele se desdobra e nele se perde como num labirinto onde o próprio corpo traça os caminhos. Daniel Lins
  11. 11. 101 INTRODUÇÃO A presente pesquisa se inspira em uma tendência da Educação Físicade aproximação e diálogo com distintos âmbitos acadêmicos, especialmente aantropologia e a sociologia. Esse intercâmbio encontra um espaço privilegiadonos estudos sobre o corpo que trabalham na perspectiva de suadesnaturalização enquanto fenômeno biológico, e o concebem enquanto umaconstrução cultural. Isso significa que “[...] o que define o corpo é o seusignificado, o fato de ele ser produto da cultura, ser construído diferentementepor cada sociedade, e não as suas semelhanças biológicas universais”.(DAOLIO, 1995, p.41). E o corpo sendo uma construção histórica e culturaladquire diferentes significações em diferentes tempos e espaços. No âmbito daidentidade Giddens (2002, p.95) é inspirador ao afirmar que “[...] sua imersãoprática nas interações da vida cotidiana é uma parte essencial da manutençãode um sentido coerente de autoidentidade”. Diante das inúmeras possibilidades de uma reflexão sobre o corpo façoum recorte elegendo o significado das práticas corporais—tema de estudo nalinha de pesquisa da Educação Física Corpo e Cultura— mais especificamenteos exercícios físicos, para as mulheres frequentadoras da Academia Municipalde Pojuca-BA. Busco relacionar a prática de exercícios físicos e a construçãode uma identidade corporal feminina, identidade que pressuponho tenha comoelementos constitutivos a saúde e beleza. Daí emerge a seguinte questão:Qual o significado da prática de exercícios físicos na constituição de umaidentidade corporal feminina entre essas mulheres? Questão que tentoresponder com a elaboração de seis capítulos, dividido em seções, queapresento na sequência e brevemente a seguir. O capítulo intitulado O Corpo na Sociedade Ocidental discorre deforma panorâmica a respeito de como o corpo, em especial o feminino, foiconcebido desde a Antiguidade até o século XXI no Ocidente. Abordo asmudanças ocorridas na forma de conceber o corpo; como tais transformaçõesinfluenciaram a forma como o imaginamos na atualidade, e de que maneira amoda e a mídia participaram desse processo.
  12. 12. 11 O capítulo nomeado O Corpo da Mulher: Interseção entre Beleza eSaúde faz uma relação mais estreita entre corpo e gênero. Discorrebrevemente a respeito da concepção de ‘beleza’ e ‘saúde’ na história, e comoesses elementos se tornaram constitutivos da identidade corporal femininaenfocando referências sobre o Brasil. O capítulo O Percurso do Corpo Feminino para a Autonomia: oEsporte, O Mercado de Trabalho e o Movimento Feminista enfatiza o papelda mulher na sociedade ocidental, quando e como este sofre mudanças com aparticipação feminina nos esportes, no mercado de trabalho, com as lutas domovimento feminista que contribuíram para a participação ativa da mulher navida pública. Busca discutir como todos esses fatos afetaram o corpo feminino. O capítulo que tem como título Modelando o Corpo Feminino: doespartilho às práticas corporais aborda a modelagem do corpo através dasdiferentes formas de intervenções que vão do uso do espartilho a pratica deatividades físicas. Destaca a instituição das práticas de exercícios físicos paraas mulheres sob o domínio Higienista. Relata como os avanços científicosproporcionados pela tecnologia proporcionaram a invenção e aperfeiçoamentode equipamentos voltados para a modelagem do corpo. Traz um brevehistórico da prática de exercícios físicos, o surgimento e expansão dasacademias de ginásticas e da musculação mostrando como na atualidade esseespaço, antes marcadamente masculino, tornou-se território de livre acessopara as mulheres. Finalmente, o capítulo Exercícios físicos e a construção daidentidade corporal feminina: o percurso metodológico. Disponibiliza oPercurso metodológico descrevendo o caminho percorrido pela pesquisarealizada entre as mulheres frequentadoras da Academia Municipal de Pojuca.Apresenta os dados coletados que são problematizados com base nasdiscussões teóricas, conteúdo dos capítulos anteriores.
  13. 13. 122 O CORPO NA SOCIEDADE OCIDENTAL O corpo como fenômeno social foi concebido de diferentes formas adepender da época e cultura em questão. Em relação à sua centralidade nasociedade contemporânea Le Goff e Truong explicam que [...] o lugar central atribuído ao corpo não é novidade no ocidente. Basta lembrar o culto de que ele foi objeto na Grécia Antiga, por exemplo, quando seu arrebatamento e sua estetização ultrapassaram amplamente a cultura do corpo praticada na Idade Média pelos cavaleiros nas guerras e nos torneios, ou pelos camponeses nos jogos rústicos. Mas, ainda que se assista na Idade Média a uma derrocada das práticas corporais, assim como a supressão ou ainda ao confinamento dos lugares do corpo da Antiguidade, o corpo se torna paradoxalmente o coração da sociedade medieval. (LE GOFF; TRUONG, 2006, p. 31). O corpo na Idade Média viveu um paradoxo: por um lado, o cristianismoreprimia-o constantemente por considerar o corpo perigoso, lugar de tentação.Por outro, era glorificado, pois, quando bem governado, poderia se tornar meioe lugar de salvação. Para a igreja o corpo também era sagrado, morada daalma, não poderia ser violado, profanado. Essa concepção de corpo diretamente associada à religião ao sagradoexpressa, segundo Le Goff e Truong (2006, p. 11). A dinâmica da sociedade e da civilização medievais que resulta de tensões entre Deus e o homem, entre o homem e a mulher, entre a cidade e o campo, entre o alto e o baixo, entre a riqueza e a pobreza entre a razão e a fé, entre a violência e a paz. O corpo estando aprisionado à experiência religiosa praticamente quasetudo relacionado a ele era considerado heresia, pecado. “O corpo cristãomedieval é em parte atravessado por uma tensão, esse vaivém, essa oscilaçãoentre a repressão e a exaltação, a humilhação e a veneração”. (LE GOFF;TRUONG, 2006, p.13). Se na Grécia Antiga a valorização do corpo, o masculino, estavarelacionada à exibição de um corpo forte, exercitado, de acordo com os
  14. 14. 13padrões da época; a Idade Média, ao contrário, esconderia o corpo atrás demisticismos, mitos religiosos, superstições. E a Igreja reprimiria o corpo,controlando-o de todas as formas. Principalmente o corpo feminino que eraassociado aos pecados como vaidade, infidelidade, desobediência e luxúria. A mulher perigosa por sua beleza, por sua sexualidade, por sua associação com a natureza, inspirava toda a sorte de preocupações dos pregadores católicos. Não foram poucos os que fustigaram o corpo feminino, associando-o, conforme a teologia cristã, com um instrumento do pecado e das forças. (DEL PRIORE, 2000, p.8). Já no Período Renascentista, a concepção de corpo, ao mesmo tempoglorificado e humilhado, muda drasticamente, pois começa haver umapreocupação com a autonomia do sujeito. De acordo com Le Goff e Truong(2006, p.12). “As revoluções do artesanato aproximam-se do nascimento daindústria: o ofício de tecelão se aperfeiçoa, a fabricação de tecidos sedesenvolve e a realização terrena passa a ser valorizada”. E nesse processode transformações passa a ser valorizado o pensamento científico juntamentecom o estudo do corpo pela medicina. Um período, segundo os autores,marcado por uma racionalidade científica. Além disso, as artes aparecem comouma instância de valorização do corpo. Le Men fala de uma [...] redescoberta do corpo, principalmente, no que diz respeito às artes. No salão de 1831, Delacroix expôs um grande quadro que causou, ao mesmo tempo, admiração e escândalo, La Liberté guidant le peuple (A Liberdade guiando o povo);escalando uma barricada, sob a qual jazem os cadáveres de um homem semi nu, de um guarda suíço e de um soldado da guarda real. (2008, p.141). Na Idade Moderna, a fé é substituída pela razão e pela ciência, e adominação do corpo pelo cristianismo se fragmenta, os indivíduos passam adissociar o corpo do espírito. O fato é que as representações históricas docorpo humano tiveram diferentes concepções no decorrer da história dassociedades. Ainda como afirma Le Goff e Truong “[...] a concepção do corpo,seu lugar na sociedade, sua presença no imaginário e na realidade, na vida
  15. 15. 14cotidiana e nos momentos excepcionais sofreram modificações em todas associedades históricas”. (2006, p. 1). Tem-se que considerar que a concepção do corpo foi sendo influenciadapor vários fatores como a religião, a filosofia, a ciência, a educação, a política eas artes e esses mecanismos sempre estiveram presentes, de diversas formasno pensamento e na cultura de um modo geral contribuindo diretamente noprocesso de subjetivação do corpo. Segundo Del Priore (2000) contemporaneamente compartilhamos umdiscurso de apologia ao corpo, glorificado em sua força e beleza. Evivenciamos a tríade beleza, juventude e saúde. A associação entre juventude,beleza e saúde, modelo das sociedades ocidentais, aliada às práticas deaperfeiçoamento do corpo, intensificou-se principalmente no século XXI.Portanto, na atualidade o corpo, em especial o feminino, deve ser desenhadopara e sob o olhar do outro. E deve estar compatível com os desejos de umpadrão corporal dito ideal. Visto que estamos vivendo um período em que ocorpo tem que ser completamente compacto, firme, enxuto, recheado porformas metrificadas, com musculatura definida, jovem e sem marcas para serum corpo bonito. E a mídia tem mostrado que entre as mulheres contemporâneas emergea necessidade de cuidarem de seus corpos, não só para ficarem saudáveis,mas principalmente para serem bonitas e jovens eternamente. Sendo assim,modelar o corpo é a exigência atual, seja através de práticas esportivas,através de cirurgias plásticas, ou do uso de determinadas roupas quedisfarçam as formas indomáveis de algumas mulheres, ou o uso de produtos etécnicas de embelezamento e rejuvenescimento. Le Breton (2003, p.28) afirmaque: “Para muitos contemporâneos, o corpo tornou-se uma representaçãoprovisória, um gadget, um lugar ideal de encenação de ‘efeitos especiais’”. Nosdia de hoje, a tal promessa do corpo ideal conquistou um espaço inédito namídia e uma banalização importante no cotidiano. Cirurgias, implantes desilicones, esteróides anabolizantes compõem um arsenal contemporâneodiversificado, que está redimensionando o corpo numa velocidade curiosa.
  16. 16. 152.1 O CORPO DA MODA O CORPO NA MÍDIA2.1.1 O corpo da moda O século XX assistiu a uma mudança radical do corpo e principalmenteda silhueta feminina e a magreza ativa passou a ser sinônimo de corpo jovem ebelo. Os corpos das mulheres e as formas se alongaram, as linhas do corpoganharam autonomia e liberdade. Foi instituído um corpo magro e alongadocomo um corpo saudável. Lipovetsky explica esse fato da seguinte maneira:“[...] o que vemos exprime antes de tudo o apogeu de uma dinâmica ligada àsmetamorfoses da cultura de massa, da moda e dos lazeres nas sociedadesmodernas de cem anos para cá”. (LIPOVETSKY, 2000, p.137). Na Europa, de onde vinham todas as modas, a entrada da mulher nomundo do exercício sobre bicicletas, nas quadras de tênis, nas piscinas epraias, trouxe também a aprovação de corpos esbeltos, leves e delicados. Umoutro modelo de corpo se impõe e tem início a moda da mulher magra. (DELPRIORE, 2000, p.66). “Deixando para trás o ideário de mulher, da época daRenascença, em que o corpo feminino era farto, com seios grandes, ancaslargas”. E surge o padrão corporal de beleza que acompanhou as mulheres doséculo XX e acompanham as mulheres da atualidade: corpos magros e semexageros que simbolizam a elegância e o poder. “A ideia de beleza varia. Elaagora reside na esterilidade de mulheres alongadas, donas de flancospequenos”. (DEL PRIORE, p.68). Assim, encontrar-se atenta às medidas e aopeso, tornou-se indispensável para a vida das mulheres. Sem deixar deesquecer que esse padrão do corpo magro e sem excessos não perseguesomente as mulheres, mas os homens também. Evidentemente, as mulheres são muito mais “tiranizadas” do que os homens, muito mais atingidas do que eles pelo ideal do corpo sem gordura. Mas também é verdade que estes, em nossas sociedades, querem igualmente emagrecer, vigiam seu peso e sua alimentação, fazem exercícios físicos para manter a linha e a forma. (LIPOVETSKY, 2000, p.136). Com a modificação dos corpos femininos uma série de objetos, produtose utensílios passam a povoar o imaginário das mulheres. “No decorrer doséculo XX a mulher se despiu”. (DEL PRIORE, 2000, p.11). E para cobrir o
  17. 17. 16corpo a mulher passa então a utilizar outros métodos. A solução foi cobri-lo decremes, vitaminas, silicones e colágenos. “A pele tonificada, alisada, limpa,apresenta-se idealmente como uma nova forma de vestimenta, que não enruganem “amassa” jamais”. (DEL PRIORE, 2000, p.11). Segundo Sant’Anna (2005,p.137) “a maquiagem mais perfeita de toda mulher se torna a sua própria pele,diariamente submetida aos tratamentos embelezadores”. Portanto, a mulher querendo ser moderna muda literalmente a sua formade ver e sentir o próprio corpo: os cabelos curtos, as pernas finas, os seiospequenos eram percebidos por muitos homens como uma negação dafeminilidade. O movimento, contudo, estava lançado. Regime e musculação“[...] começavam a modelar as compleições longilíneas e móveis que passarama caracterizar a mulher moderna, desembaraçada do espartilho e ao mesmotempo, de sua gordura decorativa”. (DEL PRIORE, 2000, p.68). “As carnudas estrelas dos anos 50, como Marilyn Monroe, Sophia Lorenou Anita Ekberg, foram substituídas, nos anos 60, por criaturas esquálidas”.(DEL PRIORE, 2000, p.89). “[...] nascendo o novo modelo corporal de mulheresque são: Kate Moss, Claudia Schiffer, entre outras”. (DEL PRIORE, 2000,p.89). Mulheres estas que são extremamente magras. “Tornar-se um saco deossos parece o ideal da mulher contemporânea”. (DEL PRIORE, p.91). Nos anos 70 “[...] desembarcam no Brasil, junto com as bonecas Barbienumerosas máquinas e técnicas do corpo, instrumentos de um verdadeiromarketing de vivências corporais: o boby business”. (DEL PRIORE, 2000,p.91). Sendo que o Brasil desde que era colônia de Portugal já importavamodelos, que na maioria das vezes não tinha nada a ver com a nossarealidade. As mulheres brasileiras mergulharam em um universo depossibilidades em produtos e serviços destinados ao melhoramento e cuidadosdo corpo. O corpo numa sociedade de abundância industrial tinha uma novatarefa: ser um corpo consumidor em cada uma das suas partes individualizadase cuidadas. Para as unhas, esmaltes e lixas. Para os cabelos, xampus, tinturas, secadores. Para o corpo, bronzeadores, hidratantes, sabonetes cremosos e desodorantes. Difundindo padrões de beleza, as imagens publicitárias de produtos nunca dantes
  18. 18. 17 vistos refletem-se no público feminino. (DEL PRIORE, 2000, p.91). E atualmente as mulheres brasileiras querendo obter resultados rápidose sem esforços passaram a aderir às cirurgias plásticas. Segundo a SociedadeBrasileira de Cirurgia plástica, [...] o brasileiro, especialmente a mulher brasileira, tornou-se, logo após o norte-americano, o povo que mais faz plástica no mundo. As mulheres são a esmagadora maioria. (GOLDENBERG, 2007, p.25). No Brasil nos dias atuais, nos deparamos com a valorização de umdado padrão de beleza, aquele do corpo belo, jovem e sempre em forma a serconquistado a partir de múltiplas possibilidades de intervenção: dietas,cosméticos, cirurgias plásticas, ginásticas, medicamentos. Outra técnica muitodifundida no país na atualidade é o implante de silicone. “Nos últimos 12 anos,a cirurgia de implante de prótese de silicone cresceu 360% no Brasil”.(GOLDENBERG, 2007, p.26). As mulheres brasileiras estetizam o próprio corpo, tanto pela roupa,quanto pela maquiagem e adereços, exercícios físicos, dietas e recursostecnológicos. Determinado modelo de corpo, no Brasil de hoje, é um valor, um corpo distinto, um corpo aprisionado e domesticado para atingir a “boa forma”, um corpo que distingue como superior aquele que o possui, um corpo conquistado por meio de muito investimento financeiro, trabalho e sacrifício. (GOLDENBERG, 2007, p.29). E hoje mais do que nunca. No caso brasileiro, [...] as mulheres imitáveis, as mulheres de prestígio, são, atualmente, as modelos, atrizes, cantoras e apresentadoras de televisão, todas elas tendo o corpo como o seu principal capital, ou uma de suas mais importantes riquezas [...]. (GOLDENBERG, 2007, p.23). Observa-se hoje no Brasil principalmente a valorização de um padrãocorporal em que o corpo é totalmente esculpido por exercícios físicos e
  19. 19. 18cirurgias estéticas. Um grande exemplo disso são as mulheres “frutas” 1 e ascantoras de funk com seus corpos turbinados e siliconados que fazem grandesucesso no país. Figura 1- Suellen Aline Mendes Silva- Mulher Pera Diante disso, as singularidades e diferentes modelos corporais sãodesconsiderados, em virtude da divulgação de um único modelo de corpo.2.1.2 O Corpo Propagado na imprensa feminina No século XX, a mídia assumiu o posto, anteriormente ocupado pelosartistas do passado, de divulgadores do modelo ideal de beleza corporal1 “Mulheres-fruta é a designação dada a um fenômeno do funk carioca surgido na primeiradécada do século XX, quando uma série de dançarinas começou a ganhar destaque no cenáriodo funk brasileiro. O sucesso logo se espalhou para outras mídias, sendo citadas desde apágina da Academia Brasileira de Letras” (WIKIPÉDIA, 2012).
  20. 20. 19feminino. “Desde a Antiguidade, a beleza feminina é celebrada pelos artistas[...]”. (LIPOVETSKY, 2000, p.169). Esses artistas pintavam em seus quadrosimagens de mulheres que na época idealizavam a beleza feminina, pois para operíodo o único recurso disponível para propagar as imagens era através daspinturas. Os grandes pintores do período – pensemos, por exemplo, em Veronese, o veneziano – preferiam mulheres de cabelos claros, ondulados ou anelados, com rosto e colo leitoso como pérola, bochechas largas, fronte alta, sobrancelhas finas e bem separadas. O corpo devia ser “entre o magro e o gordo, carnudo e cheio de suco”. (DEL PRIORE, 2000, p. 18). Para Del Priore (2000), no século XVI, o corpo feminino para ser belotinha que obedecer aos critérios de beleza que o artista Veronese retratou emsua obra a bela Nani. Que ficou sendo o ideal de beleza feminina doRenascimento. Consequentemente o padrão corporal feminino estabelecido nasociedade do período. Eram corpos volumosos e rotundos. Nessa época agordura era um sinônimo de saúde, beleza e sedução. Figura 2- La Bella Nani de Veronese Em 1450, com a invenção da imprensa por Gutenberg, ocorremmudanças relacionadas à divulgação e propagação de informações. Com isso,um século depois, em 1554, é publicada uma revista destinada ao públicofeminino. Que “[...] começa a circular em Veneza com o nome Il libro della belladonna, de F. Luigi”. (DEL PRIORE, 2000, p.100). A partir de então, o fenômenoda revista feminina, desde os seus primórdios, de modo crescente manteve
  21. 21. 20conquistando seu espaço na vida das mulheres. “Nas últimas décadas doséculo XIX a imprensa feminina torna-se uma imprensa de grande difusão.”(LIPOVETSKY, 2000, p.155). E entre 1900 e 1930, as revistas e os jornais ficaram responsáveis pelarepresentação e divulgação da beleza e do padrão corporal feminino. Ainda deacordo com Lipovetsky (2000, p.154). Com a imprensa feminina moderna, a difusão social dos modelos estéticos mudou de escala, pouco a pouco as representações e as mensagens ligadas à beleza feminina deixaram de ser signos raros, invadiram a vida cotidiana das mulheres de todas as condições. As revistas voltadas para o público feminino davam ênfase nesseperíodo ao discurso dos médicos e higienistas, que na época propagavam aideia de que para as mulheres se tornarem belas era preciso mudar os seushábitos de vida: Vejamos o conselho da Revista Feminina, de outubro de 1920: As feias [...] não devem fingir-se belas. Contentem-se em ser feias, tratem de educar seu espírito, de viver higienicamente para adquirir saúde, de nutrir-se convenientemente, de ser simples, bem-educadas e meigas. A vida higiênica, a boa nutrição, os esportes garantir-lhes-ão a saúde, a boa pele, os bons dentes, a harmonia das formas, o desembaraço dos gestos e a graça das atitudes; a leitura sã, o cultivo do espírito, dar-lhes-ão inteligência e a fronte; a bondade, a simplicidade, a meiguice torná-las-ão perturbadoramente simpáticas. Deixarão, pois, de ser feias; ou, se continuam feias, valerão mais do que as belas, terão mais prestígio pessoal, impor-se-ão às simpatias gerais. (DEL PRIORE, 2000, p.72). Em períodos anteriores, os segredos de beleza eram assim transmitidossegundo Lipovetsky (2000, p.158): “[...] tradicionalmente, as mulherestransmitiam suas receitas de beleza entre amigas ou entre mães e filhas [...]”. Eainda de acordo com o mesmo autor tinham obras que traziam o nome desegredos dirigidos a um público restrito, propunham receitas de perfumes e demaquiagens a serem confeccionados em casa. “[...] foi essa culturaconfidencial e “mágica” que a imprensa feminina destruiu”. Aos “[...] truquescochichados entre mulheres sucederam as seções “beleza higiene saúde” [...]”.(LIPOVETSKY, 2000, p. 158).
  22. 22. 21 É nas últimas décadas do século XIX que a imprensa feminina torna-seuma imprensa de grande difusão, mas é, sobretudo a partir da década de 1930que ela exalta o uso dos produtos cosméticos, e encoraja as mulheres dequalquer condição a realçar por todos os meios possíveis a beleza do rosto edo corpo. [...] a imprensa feminina se impôs como agente de democratização do papel estético da mulher, como uma das grandes instituidoras da beleza feminina moderna, ao lado das estrelas do cinema. (LIPOVETSKY, 2000, p.157). Nas revistas femininas dos anos 60 do século 20, os especialistasdissertavam sobre cuidados com o corpo em diferentes abordagens:alimentação, dietas, sexualidade, moda, beleza e exercícios físicos. As revistase manuais, de beleza também se tornaram mais adeptos à suavidade e aoprazer do embelezamento. Os manuais de beleza começam a ser escritos cada vez mais pelos novos profissionais de beleza: modelos, esteticistas, esportistas, etc. Eles se preocupam menos em reforçar os laços entre a dignidade moral e a beleza e, cada vez mais, em detalhar as regras de embelezamento. Ao invés de fazer o elogio dos antigos modelos de beleza, eles preferem visar o potencial das leitoras, apreendidas a partir de suas especificidades físicas e psíquicas. Emancipados do domínio médico e higienista, os cuidados de beleza se tornam tão sedutores quanto a bela aparência das modelos e artistas que os recomendam. (SANT’ANNA, 2005, p.135). Ao longo do século XX, a imprensa feminina adquiriu um imenso poderde influência sobre as mulheres. Generalizou a paixão pela moda, favoreceu aexpansão social dos produtos de beleza, “[...] contribuiu para fazer daaparência uma dimensão essencial da identidade feminina para o maiornúmero de mulheres”. (LIPOVETSKY, 2000, p.164). Embora a mídia feminina tenha contribuído para a configuração estéticadas leitoras não se pode negar que, segundo Lipovetsky (2000, p.168). [...] folheando as páginas ilustradas das revistas, as mulheres selecionam tal tipo de maquiagem, tal modelo de penteado ou de traje, escolhem, eliminam, retêm o que corresponde à sua personalidade, às suas expectativas, aos seus gostos. Consumidoras de imagens, nem por isso as mulheres são menos protagonistas, fazendo um uso pessoal e “criativo” dos modelos propostos em grande número. Evitemos diabolizar a
  23. 23. 22 mídia feminina: é preciso interpretar sua ação ao mesmo tempo como um meio de direção coletiva dos gostos e como um vetor de personalização e de apropriação estética de si. Evidentemente, as mulheres imitam modelos, mas, aqueles queacreditam possíveis de tomar para si, e de acordo com a sua autoimagem.2.1.3 O corpo propagado na fotografia e no cinema Além das revistas, a fotografia e o cinema participam da constituição,nas sociedades da época, de um novo padrão corporal feminino. [...] a fotografia, o cinema e a imprensa divulgavam padrões que deviam ser seguidos, excluindo aqueles que deles não se aproximassem. Tipos femininos criados por Clara Bow, Alice White, Collen Moore incentivavam imagens sobre “garotas modernas”, misto de alegria, mocidade, jazz e coktails. (DEL PRIORE, 2000, p.72). A partir do entre guerras os padrões de beleza e o imaginário acerca docorpo feminino sofreu uma grande influência da indústria do cinema. A fábricade sonhos hollywoodiana criava e recriava mundos, temas, hábitos, heróis,valores, conceitos, criava novas referências e difundia cultura. Outros padrõesde beleza feminina foram estabelecidos na sociedade da época, novosprodutos cosméticos e novos modismos foram criados a partir de um mercadoeditorial que se fortaleceu e expandiu no mundo levando as novas tendências adiferentes lugares. Graças ao cinema americano, novas imagens femininas começam a multiplicar-se. A moda foi uma das principais articuladoras do novo ideal estético imposto pela indústria cinematográfica americana. Não era mais Paris quem a ditava, mas os estúdios de Hollywood. Nas páginas de revistas como Cinearte podiam encontrar-se às dezenas, artigos com títulos sugestivos: ‘ O que as estrelas vestem’, “Cabelos curtos ou cumpridos”? [...]. (DEL PRIORE, 2000, p.74). E segundo Vigarello apud Ferreira (2010), o cinema brincava com oscorpos, com a luz, com a tela, com os sentidos do espectador, deslocando-o noespaço e no tempo, criando novos gêneros de beleza, modelando os corpos eajustando-os aos novos estilos. O padrão corporal das estrelas passava a serbuscado, trabalhado e construído arduamente através de exercícios queenvolviam disciplina, cultura física e regime. Um grande sonho social é criado apartir desse novo padrão de beleza. Cria-se uma pedagogia de massa que
  24. 24. 23pretendia promover a beleza a partir do próprio público. Ele agora éresponsável por seu próprio corpo e por sua própria beleza, ele não pode senegligenciar, pois um anônimo pode se transformar e a partir de seu própriomérito se tornar uma estrela admirável.2.1.4 O corpo propagado na televisão e na publicidade Com a expansão e aprimoramento de um dos mais revolucionáriosmeios de comunicação, de informação e entretenimento de massa, a televisão,um novo padrão corporal de beleza feminina passa a ser mais acessível adiferentes classes sociais. Ao contrário do jornal, da revista e do cinema elaconsegue abranger um maior número de pessoas e informar como ele deve secomportar, como consumir os produtos, ideias, comportamentos e moda. Comodeve fazer para ter um corpo belo, jovem e saudável. A reprodução e divulgação do padrão corporal feminino deixaram deficar somente na responsabilidade dos artistas de outrora e passoudefinitivamente na atualidade a ser responsabilidade dos meios decomunicação como: jornal, revistas, fotografia, cinema e televisão. Assim, os meios de comunicação divulgam e reproduzem o ideal debeleza corporal que está sendo valorizado na sociedade que serve de modelo: O conjunto de hábitos, costumes crenças e tradições que caracteriza uma cultura também se referem ao corpo. Assim, há uma construção cultural do corpo, com uma valorização de certos atributos e comportamentos em detrimentos de outros, fazendo com que haja um corpo típico para cada sociedade. Esse corpo, que pode variar de acordo com o contexto histórico e cultural, é adquirido pelos membros da sociedade por meio da “imitação prestigiosa”: os indivíduos imitam atos, comportamentos e corpos que obtiveram êxito e que viram ser bem-sucedidos. (MAUSS apud GOLDENBERG, 2005, p.35). E no século XX, a publicidade foi mais um desses mecanismos queinfluenciou o ideal de beleza feminina modificando conceitos e regrasreferentes ao corpo e a beleza feminina. “[...] as regras de beleza prescritaspelos médicos e moralistas das décadas anteriores se tornam insuficientes,austeras e ultrapassadas”. (SANT´ANNA, 2005, p.128). Isto porque apublicidade também passou a ditar os ideais de beleza e aparência feminina. Eestando a publicidade vinculada à indústria da beleza não demorou muito para
  25. 25. 24que os produtos de beleza se associassem a publicidade. Até porque apublicidade estava intrinsecamente ligada aos conceitos e modelos de beleza,que começavam a propagar nos discursos publicitários. A publicidade passa,então, a ditar também as novas regras de beleza feminina. [...] a publicidade anterior aos anos 50 não hesita em descrever detalhadamente os sofrimentos resultantes da falta de beleza. Vítima do acaso, uma “coitada, alvo de todo tipo de chacota, a mulher considerada feia é uma figura extremamente importante para as didáticas ilustrações publicitárias do passado. Nelas, a imagem da feia serve como um contraexemplo, como aquilo que é antes do uso do produto anunciado. (SANT’ ANNA, 2005, p.127e128). Na imagem do corpo feminino, a beleza transmitida na publicidade e osprodutos associados a ela passaram por transformações ao longo dos anosdevido às conquistas que as mulheres alcançaram na sociedade e asmudanças de hábitos e comportamentos: [...] os produtos de beleza foram se adaptando para a nova mulher que vinha surgindo. Diante da suavidade e da transparência dos novos cremes de beleza, os cremes brancos e espessos se tornam grosseiros e antiquados, pois eles não permitem que a mulher possa utilizá-los fora de casa e durante todo dia. Da embalagem ao conteúdo, os produtos de beleza serão cada vez mais solidários à mulher que passa o dia fora de casa, mais adequados ao transporte em bolsas e ao uso rápido e constante. Produtos que aplicados sobre a pele tornam-se invisíveis, uma segunda pele imperceptível. (SANT´ANNA, 2005, p.135). Mas, foi no século XXI que a mídia assumiu definitivamente o posto dedifusora e representante do ideal de beleza corporal feminina.com umapresença cada vez maior na vida cotidiana. Sem deixar de esquecer que asimagens de corpos veiculadas dentro de uma sociedade, é construída pelaforma como os seus integrantes percebem, lidam e vivem com seus corpos eos corpos dos outros. Enfim, percebe-se que muitos fatores influenciaram einfluenciam o universo feminino com relação ao corpo e a beleza. Entretanto,essa transformação na concepção de beleza e no desejo das mulheres emobter um corpo belo e uma aparência ideal acompanha as necessidades epossibilidades das mulheres de cada época, sendo influenciadas por diversosfatores.
  26. 26. 25 Autoras como Sant’Anna (2005) e Del Priore (2000) consideram que naatualidade os meios de comunicação e a publicidade deram onipresença aocorpo feminino que com isso adquiriu aspectos cada vez mais evidentes e maisparadoxais. Pois, vive em meio à inflação de imagens mostrando atrozes sofrimentos físicos, também ficam diariamente incitadas a ver silhuetas magnificamente bem cuidadas, expressões vitoriosas de saúde e alegria, incessantemente difundidas pela publicidade. (SANT´ANNA, 2005, p.67). Para Del Priore (2000), a mídia vem colaborando para que uma grandeparcela das mulheres tenha uma preocupação excessiva com a imagem,valorizando a beleza, magreza, juventude e vigor. Sendo forçadas a se colocara serviço dos seus próprios corpos. Essa sendo, sem dúvida, uma outra forma de subordinação. Subordinação, diga-se, pior do que a que se sofria antes, pois diferentemente do passado, quando quem mandava era o marido, hoje, o algoz não tem rosto. É a mídia. São os cartazes da rua. O bombardeio de imagens na televisão. (DEL PRIORE, 2000, p.15). Ainda para a autora, existe uma radicalização compulsiva e ansiosa queempurrou as mulheres nos últimos dez anos, e a segue empurrando para atríade abençoada pela mídia: ser bela, ser jovem, ser saudável. Que graças àsupremacia das imagens, exibidas na mídia instaurou-se a tirania da perfeiçãofísica. Hoje, quase todas as mulheres querem ser magras, leves, turbinadas.Parecem querer participar da sinfonia do corpo magnífico. Pois, o corpofeminino belo está constantemente presente na televisão, no rádio, nas mídiasimpressas, no cinema e atualmente na internet. Por outro lado Marinho (2006, p. 06) ao se reportar a Lipovetsky chamaa atenção para o fato de que [...] de todos os lados jorram críticas contra a tiranização da mídia como meio de propagação social das normas do corpo esbelto e da eterna juventude. No entanto, para Lipovetsky, (2000) a mídia, e de forma mais específica, a imprensa feminina, representariam muito mais um pluralismo estético do que a erradicação das diferenças e a homogeneização da beleza. Antes de tudo, sua influência se exerceria apenas com base numa demanda feminina de beleza que as mídias, evidentemente, não criaram. O autor não nega o poder de
  27. 27. 26 conformação estética da mídia feminina, mas lembra que as leitoras de revistas não se assemelham sistematicamente a seres passivos, conformistas e desvalorizados na imagem que têm de si pelo brilho das fotografias de moda. Estas funcionam ainda como sugestões positivas, fontes de idéias que permitem mudar o look, valorizar-se, tirar melhor partido de seus triunfos. Lembra ainda que para Lipovetsky (2000). Não se trata de deixar de considerar as atribuições da mídia na propagação de uma certa maneira de fazer, um modo de se comportar em função de sua força e vigência na cultura ocidental como um todo. O autor reconhece sua presença no processo de instauração e solidificação do regime capitalista das sociedades modernas, bem como na cultura contemporânea. [...] para o autor é preciso interpretar sua ação ao mesmo tempo como um meio de direção coletiva dos gostos e como um vetor de personalização e de apropriação estética de si. (MARINHO, 2006, p. 06). Mas adiante apresento algumas considerações sobre o comportamentode um grupo de mulheres pesquisadas em relação à propagação de ummodelo de corpo pela mídia e volto a esta questão.
  28. 28. 273 O CORPO DA MULHER: A INTERSEÇÃO ENTRE BELEZA E SAÚDE3.1 AS TRANSFORMAÇÕES DA BELEZA Como um dos elementos constitutivos da significação do corpo a belezaenquanto fenômeno social vai ser experenciada de diferentes formas emdiferentes tempos e espaços. Segundo Lipovetsky apud Marinho (2006), abeleza feminina encontrava-se na antiguidade, restrita às condições de classe;e também, se deparava com a resistência por parte de uma culturapederástica, que privilegiava a beleza dos homens, e de uma misoginia queassemelhava a beleza feminina a uma armadilha maléfica. Na Grécia , assimcomo nas outras civilizações antigas, a beleza feminina está sempre carregadade ressonâncias negativas. Foi de “Pandorra que saiu a corja maldita dasmulheres e é a beleza de Helena que serve de pretexto à guerra contra Tróia”.(LIPOVETSKY apud MARINHO, 2006, p. 11). Esta hostilidade e suspeita emrelação à aparência feminina prolongou-se por toda a Idade Média. Essa percepção da beleza estava associada à condição de submissãoda mulher atravessando o tempo desde a antiguidade. A mulher eraconsiderada um ser mais frágil e incapaz para assumir a direção e chefia dogrupo familiar. Segundo Lipovetsky (2000, p.106). Na sociedade primitiva, a divisão sexual das tarefas se organiza de tal sorte que se afirma por toda parte a supremacia do homem. As atividades nobres e valorizadas são as exercidas pelos homens; as funções subalternas e desprezadas, ao contrário, cabem as mulheres. Mas segundo Del Priore (2000, p.14) “na outra ponta dessa submissão,a mulher era senhora de beleza e sensualidade”. No entanto, para a autora abeleza é percebida como atributo perigoso, pois capaz de perverter os homens.Sensualidade mortal, pois se comparava a vagina a um poço sem fundo, noqual o sexo oposto naufragava.
  29. 29. 28 A partir do século XVI temos a descoberta da beleza feminina como umabeleza espiritualizada2 e que, de acordo com Lipovetsky apud Marinho (2006,p.11), até o século XVIII dominou uma concepção tradicional da beleza quetem por característica fundamental não separar a beleza física das virtudesmorais. Mas, a beleza feminina ainda também denotava medo e desconfiança.“A esposa bela demais pode permanecer honesta?” (LIPOVETSKY, 2000,p.171). A mulher bonita não era digna de confiança. Del Priore (2000) mostra como o corpo da mulher era retratado de formadesvalorizada e posto em segundo plano na sociedade ocidental. A mulher erasinônimo de sexo belo ou sexo frágil que era vinculado às imagens de belezaou de saúde. “[...] no passado, o corpo da mulher, era visto com as marcas daexclusão e da inferioridade. Cristalizada pelas formas de pensar de umasociedade masculina [...]”. (DEL PRIORE, 2000, p.14). O argumento da diferença biológica entre homens e mulheres favoreceua construção de um discurso justificador das desigualdades sociais. Nestediscurso, as diferenças decorreriam das distinções biológicas entre os sexos, eprevaleceu durante muitos séculos na sociedade ocidental. “Segundo osmédicos setecentistas, o corpo feminino era menor, seus ossos pequenos,suas carnes moles e esponjosas, seu caráter, débil”. (DEL PRIORE, 2000,p.14). Não diferente das mulheres das outras sociedades e culturas, a mulherno Brasil colônia tinha a sua formação toda voltada para o casamento, semdireitos de mandos e opiniões, viviam submissas aos seus maridos e trancadasem seus lares. Segundo Del Priore (2000, p.50). “[...] as mulheres poucosaíam, pouco caminhavam [...]”. As mulheres viviam dominadas pelos pais,maridos, invisíveis em um mundo em quem mandava eram os homens e elassimplesmente obedeciam. Gilberto Freire (2003, p.208) registrou que:2 O humanismo da renascença foi acompanhado de uma nova significação da beleza feminina,em ruptura com sua diabolização tradicional. “[...] Longe de ser pura aparência sensível, abeleza é apresentada como ‘esplendor da face divina’, manifestação de sua perfeição e de suasabedoria. Ganhando uma dimensão metafísica” (LIPOVETSKY, 2000, P.115).
  30. 30. 29 [...] a extrema diferenciação e especialização do sexo feminino em “belo sexo” e “sexo frágil”, fez da mulher de senhor de engenho e de fazenda e mesmo da Iaiá de sobrado, no Brasil, um ser artificial, mórbido. Uma “doente, deformada no corpo para ser a serva do homem e a boneca de carne do marido”. As mulheres mesmo trancadas em suas casas, uma rede de objetos,matérias, cores e odores buscava transformar o corpo feminino. “Dissimular,apagar, substituir as imperfeições graças ao uso de pós, perucas, unguentos,espartilhos e tecidos volumosos era comum”. (DEL PRIORE, 2000, p.14). Para Sant’Anna (2005, p.67) “[...] a ideia de que a beleza está para ofeminino assim como a força está para o masculino, atravessa os séculos e asculturas”. “E lá no século XVI entre as mulheres, já circulavam livros de receitas– os segredos – de beleza”. (DEL PRIORE, 2000, p. 23). Nessa época a belezafeminina começava a ganhar um novo aliado os cosméticos, e novos hábitosque até então eram ignorados. A depilação das sobrancelhas, a pintura dos olhos e dos lábios, a coloração das maçãs do rosto, o relevo dado à fronte atestavam uma nova representação da mulher. Preparações variadas desdobravam-se em maquilagens pesadas, muito parecidas a máscaras. (DEL PRIORE, 2000, p.23). Para que a beleza e a preocupação feminina com relação ao corpo secristalizassem na sociedade ocidental foi necessário que ocorressemmudanças na estrutura econômica e social nas sociedades ocidentais. Deacordo com Lypovetsky (2000, p.107). Para que adviesse a idolatria do belo sexo, foi preciso – condição necessária, mas, por certo, não suficiente – que surgisse a divisão social entre classes laboriosas, tendo como correlato uma categoria de mulheres isentas do trabalho. E essas novas condições sociais permitiram relacionar mais estreitamente feminidade e práticas de beleza: nas longas horas de ociosidade de que dispõem as mulheres das classes superiores, elas passam a se dedicar a maquiar-se, enfeitar-se, fazer-se belas para se distrair e agradar ao marido. No século XVII, a preocupação maior com o embelezamento femininoera com o rosto “[...] o investimento maior concentrava-se no rosto, locus porexcelência da beleza. As outras partes do corpo eram menos valorizadas”.
  31. 31. 30(DEL PRIORE, 2000, p.29). Até porque ficavam cobertas pelas roupascompridas. Roupas que demonstravam status social3. Dentro desse contexto referente à beleza feminina, o uso de cosméticospelas mulheres estava sob o olhar sempre condenatório de maridos, padres emédicos. “A crítica regular do uso excessivo de tintas, besuntos, cremes eunguentos acumulava-se. Perseguia-se a possibilidade de ver a mulherassemelhar-se às cortesãs ou prostitutas”. (DEL PRIORE, 2000, p. 30). Mas ouso de cosméticos pelas mulheres da época era meio contraditório. “O curiosoé que o limite entre a cosmética saudável, aquela capaz de sanar males edoenças, e a cosmética para “embelezar” era estreito”. (DEL PRIORE, 2000, p.30). Naquele período a cosmética estava fortemente vinculada aos cuidadosmédicos. “[...] a ideia fundamental consistia em esconder os males de maneiraartificial”. (DEL PRIORE, 2000, p.29). Outro elemento bastante valorizado no contexto social e culturalreferente à beleza feminina era os cabelos compridos. Algo que “[...] marca oideal de beleza feminina também aqui no Brasil no inicio do século XVIII. Eramcabelos de comprimento extraordinário e de beleza notável”; como aindaressalta Del Priore (2000, p.26). Ainda de acordo com a autora “[...] numa época em que o dimorfismosexual era lei, a figura feminina era marcada, nas partes baixas do corpo, pelascurvas, e no rosto pelos signos da feminilidade”. Del Priore (2000, p.24). Osvalores sexuais com relação ao corpo feminino ainda continuavam forte aqui noBrasil colônia. Pode-se dizer que até a primeira metade do século XIX o valor damulher estava muito mais ligado à sua capacidade reprodutiva do que à beleza.3 A roupa, na sua forma, cor e substância, significou durante o Antigo Regime, ou seja, entre osséculos XVI e XVII, uma condição, uma qualidade, um estado. Não havia dúvidas quanto aisso. Instrumento de regulação política, social e econômica, as “leis suntuárias” existiam paramanter visíveis os níveis sociais de quem se vestia. O luxo de tecidos e bordados era apanágioda aristocracia. A seus membros não podiam ser confundidos com os das camadasemergentes. (DEL PRIORE, 2000, p.32).
  32. 32. 31No século XX ocorre definitivamente a desconstrução do paradigma queassociava a beleza feminina ao mal. De acordo com Lipovetsky (2000, p.174). Desde os anos 40 e 50, as imagens do feminino se libertaram do referencial secular da beleza demoníaca em benefício de um sexy moderno, lúdico e despreocupado, de jovens mulheres de pernas afiladas, de silhueta esbelta e maleável, de ar ingênuo e provocante. As formas de problematizar as aparências, os modos de conceber e deproduzir o embelezamento, não cessaram de ser modificados. E compreenderessas mudanças implica perceber a coerência das representações que, aolongo do tempo, acentuam a repulsa pelas aparências consideradas feias.Nesse sentido, o embelezamento feminino tem uma história. Da medicina ao esporte, passando pela higiene e pela moda, esta história é heterogênea, pouco explorada, embora ela trate de uma preocupação ao mesmo tempo antiga e contemporânea [...] Sendo importante salientar que a insistente preocupação com o embelezamento feminino faz parte de uma história que contém tanto de supérfluo quanto de indispensável”. (SANT’ANNA, 2005, p.121). Cada sociedade, classe, cultura e época possuem seus corpos, ou seja,padrões definidos de belo. Ocorrendo uma definição e uma representaçãodifundida para as pessoas de beleza, que se instituem como maneiras própriasde ver o corpo; pois o que para nós atualmente é considerado feioesteticamente, em outros tempos são traços e padrões indiscutíveis de beleza,ou seja, o corpo e o belo modificam, são (re) criados.3.2 SAÚDE E BELEZA NO BRASIL NO INÍCIO DO SÉCULO XX No início do século XX, a beleza feminina principalmente no Brasiltornou-se sinônimo de saúde. Percebe-se esse acontecimento nos anúncios depublicidade da época em que os problemas de saúde se confundem com os debeleza. [...] o composto vegetal souviroff é o unico remedio no mundo que tira o pello sem ser “depilatorio” e sem uso da electricidade; assim como cura as sardas, manchas, rugas e todas as doenças da cutis. O composto vegetal souviroff foi aprovado nesta capital pela diretoria geral de saude publica.” (SANT’ANNA, 2005, p.122).
  33. 33. 32 Os anúncios publicitários solidificavam o discurso de que beleza seconseguia com o uso de produtos químicos. De acordo com Sant’Anna (2005,p.122). Entre os anos de 1900 e 1930, dezenas de publicidades concorrem no combate dos mais diversos “defeitos” da aparência feminina. As pomadas para “afinar a cintura”, ”branquear a pele”, “tirar pelos” ou “escurecer os cabelos brancos”, são comumente chamadas de remédio. Raramente se utiliza o termo cosmético. O conceito de beleza estava intrinsecamente ligado à saúde “[...]traduzida em termos de doença, merece o exame médico e o tratamento comremédios”. (SANT’ANNA, 2005, p.123). E as principais mídias da época noBrasil, ao lado dos jornais reproduziam esses valores. Segundo DeniseSant’Anna (2005, p. 123). O prazer de se embelezar, por meio do banho ou do uso de cremes para a pele, era visto com reservas: No “consultório da mulher”, da Revista da Semana, os conselhos de beleza se preocupam menos em sublinhar as possíveis sensações agradáveis resultantes do uso dos remédios de beleza neles recomendados, do quem afirmar, de modo imperativo, o quanto eles são eficazes nas curas dos mais diversos males: “inflamações do couro cabeludo”, “peito caído”, “estômagos sujos”, “gases fétidos”, “manchas”, “azedumes”, “catarros no útero”, “constipações”, “comichões”, “vermelhidões”, “anemia do rosto”, a lista é longa e a linguagem é crua. Nela, os problemas de beleza se submetem aos de saúde, o vocabulário popular se mistura ao nome de médicos considerados “renomados”, as justificativas científicas prolongam e atualizam as crenças religiosas. Segundo a autora era frequente “[...] mulheres belas aconselhandooutras mulheres, de modo informal e didático, como é bom, fácil e importantese fazer bela, dia após dia.” (2005, p.128): A partir dos anos 60, uma imagem se tornou frequente em revistas femininas brasileiras: uma mulher sob uma ducha, seminua, de olhos fechados, mãos e braços envolvendo o corpo, sugerindo prazer de estar consigo. Esses modelos de beleza muitas vezes anônimos parecem não necessitar mais da aprovação alheia. São mulheres sempre jovens, que se querem “iguais a todo mundo” e que sugerem um contentamento único e solitário: aquele de cuidar do próprio corpo. (SANT’ANNA, 2005, p.133).
  34. 34. 33 Para fortalecer o discurso dirigido à mulher, conselhos de belezainsistem que é preciso conhecer, explorar, tocar o próprio corpo para torná-lomais autêntico e natural. Doenças e higiene estavam constantemente presentes nas relaçõesestabelecidas entre a beleza e a saúde na vida das mulheres. Nesse períodoos médicos, apresentavam concepções de saúde e de beleza advindos dopensamento médico-higienista e, ao tratarem sobre questões ligadas ao corpofeminino, seu principal objetivo era sempre associar beleza à saúde. A beleza feminina ligada ao discurso médico no Brasil do início doséculo XX se alia também às regras de uma moral católica, amplamentepresente nos manuais e nas revistas femininas. Segundo esta moral, “[...] amulher de mais má pinta é a que mais a cara pinta”. (SANT’ANNA, 2005,p.125). Esse pensamento era fartamente difundido pela imprensa brasileira daépoca. Sant’Anna (2005) mostra que nesse período, a mulher deveria, segundoos padrões, se contentar com o uso de jóias; chapéus e luvas. Fora deste usoe para além das prescrições médicas, que incluem a higiene do corpo e acultura física, o embelezamento corre o risco de denotar uma moral duvidosa.Pois, apesar dos apelos publicitários em torno da cura dos problemas debeleza, apesar da diversidade de remédios existentes para embelezar a mulhercomo num passe de mágica, prevalece a convicção de que a verdadeira belezaé fornecida por Deus. Ou seja, a beleza é considerada um dom, muito mais doque uma conquista individual. Observa-se, então, que no Brasil em plenoséculo XX as mulheres ainda tinham seus corpos controlados e reprimidos pelacensura religiosa.
  35. 35. 344 O PERCURSO DO CORPO FEMININO PARA A AUTONOMIA: OESPORTE, O MERCADO DE TRABALHO E O MOVIMENTO FEMINISTA4.1 AS MULHERES E AS PRÁTICAS ESPORTIVAS O corpo feminino foi por muito tempo controlado pela rigidez dos valoresmorais na sociedade ocidental, sendo duramente criticado e humilhado pelasnormas sociais e pelo pensamento religioso, que nele inscreveram todas asregras, e todos os valores elaborados pela concepção teológica e filosófica queperdurou durante muitos séculos na nossa sociedade. Não sendo diferentecom relação a inserção da mulher na prática de atividades físicas. Uma provadisto foi a exclusão das mulheres dos jogos no século XVII. As exclusões se impõem além das imprecações moralistas e vagamente formais que recomendam às mulheres “não jogar, a não ser raramente, e sempre com muita circunspecção e indiferença”. A soule, e a péla e os jogos de bolas eram julgados inconvenientes a uma mulher ou moça. Pela agitação que provocam são quase exclusivamente jogos masculinos. (VIGARELLO, 2008, p.361). E as mulheres também eram excluídas dos esportes. Segundo AntônioSimões et al (2009), nos Jogos Olímpicos da Modernidade em 1894, (recriadopelo Barão de Coubertin), elas não podiam participar, pois “segundo o Barãoo papel que cabia as mulheres no esporte era somente coroar os vencedores”.As mulheres só começaram a participar dos esportes em 1925 quando oComitê Olímpico Internacional, (COI), no seu Congresso Pedagógico realizadoneste mesmo ano aprovou a participação feminina nos esportes, mas tendo asua participação limitada a algumas modalidades e provas. Para o pensamento vigente da época as mulheres só podiam realizaratividades físicas que não exigissem força, destreza ou velocidade,privilegiando como femininas as atividades que demandassem movimentosleves, delicados, graciosos e ritmados, mais condizentes com o papel de sexofrágil atribuído a elas. “[...] deve evitar todo exercício “rude” para as mulheres,e só evoca como convenientes a elas a dança, o canto ou a prática deinstrumentos musicais”. (VIGARELLO, 2003, p. 361).
  36. 36. 35 As mulheres percorreram um espinhoso e discriminatório caminho atéconseguirem carta de alforria para a prática de atividades físicas e para odesporto. Mas esta mulher frágil e submissa começou a partir das décadas de40 e 50 do século XX, a ocupar diferentes posições sociais e usufruir suasconquistas. Passando a aderir a prática de exercícios físicos, a ter cuidado coma aparência, a mudar de atitude, a desnudarem os seus corpos e a usaremartifícios estéticos para modificar. Atualmente “[...] as mulheres fazem cada vezmais atividades físicas e de treinamento; na França, 50% dos praticantes deesporte são mulheres”. (LIPOVETSKY, 2000, p.133).4.2 AS MULHERES NO MERCADO DE TRABALHO E A HERANÇA DOMOVIMENTO FEMINISTA As mulheres lutaram durante séculos com muito esforço, atéconseguirem demarcar o seu espaço dentro da sociedade. A exigência daentrada no mercado de trabalho possibilitou que as mulheres saíssem doslares e se promovessem como seres capazes de guiar e controlar as rédeasdas suas vidas. Deixaram para trás a função de esposas zelosas, mãesdedicadas, representantes da honra familiar, com características de docilidadee submissão, pois a condição feminina se caracterizava pela exclusão social epolítica, condicionada à dependência masculina e sem autonomia. O papel da mulher na sociedade ocidental já havia começado a mudargradativamente a partir da revolução Francesa em 1789, quando as mulherespassaram a atuar de forma significativa na sociedade. Entretanto, a vida desubmissão, exclusão e prisão das mulheres dentro dos lares começou a mudarde forma mais drástica a partir do século XVIII, com a Revolução Industrial e oavanço da sociedade capitalista. Assim, o corpo da mulher ganhou outroscontornos estabelecendo, a partir de então, uma nova configuração de corpoem que a mulher torna-se objeto dos processos de produção, se tornandoindependente e dona de si. [...] Ao arrancar do lar, do berço, milhares de mulheres, o capitalismo converte essas mulheres submissas e passivas, escravas obedientes dos maridos, num exército que luta pelos seus próprios direitos e interesses da comunidade humana. Desperta o espírito de protesto e educa a vontade. Tudo isso
  37. 37. 36 contribui para que se desenvolva e fortaleça a individualidade da mulher. (KOLONTAI, 2005, p. 21). Sendo que, o simples fato de as mulheres saírem de seus lares àprocura de trabalho nas fábricas em crescimento constante contribuiu para quedessem passos primordiais para uma conquista, até então consideradaimpossível. Mesmo assim, a ideia da mulher como propriedade do homem e arelação de submissão entre os sexos perdurou fortemente até meados doséculo XX, mas mudaram significantemente com o surgimento das lutas e domovimento feminista durante as décadas de 1960 e 1970 a queima dos sutiãse o advento da pílula anticoncepcional. “[...] a pílula anticoncepcional permitiu-lhe fazer do sexo não mais uma questão moral, mas de bem-estar e prazer”.(DEL PRIORE, 2000, p.11). Ficando livre da submissão das múltiplasgestações. “[...] a mulher passa a conquistar uma nova posição na sociedade”.(DEL PRIORE, 2000, p. 12). “Ocupando cada vez mais os postos de trabalho[...]”. E inicia a caminhada contra o sistema patriarcal. Embora as mulheresainda estejam vivendo em uma sociedade machista e os preconceitos erepressões ainda estejam longe de ter fim, no final do século XX e nestaprimeira década do século XXI mais do que nunca as mulheres estão a cadadia conquistando espaços que eram dominados pelos homens. No viés dessasconquistas ocorreram vitórias, mais também derrotas. O diagnóstico das revoluções femininas até o século XX é, por assim dizer, ambíguo. Ele aponta para conquistas, mas também para armadilhas. No campo da sexualidade e do trabalho houve conquistas, mas também frustrações. A revolução sexual eclipsou-se frente aos riscos da Aids. A profissionalização se trouxe independência, trouxe também estresse, fadiga e exaustão. (DEL PRIORE, 2000, p.13). Infelizmente, apesar de todas as conquistas, as mulheres ainda têmmuitos caminhos a desbravar, pois elas ainda enfrentam barreiras, ocupam oslugares menos privilegiados na economia, ganham menos do que os homens,têm condições de trabalho mais precárias. Tem mais responsabilidade porpossuírem dupla jornada de trabalho. Mas segundo Lipovetsky (2000, p.152).
  38. 38. 37 “As mulheres agora reivindicam posições de poder na esfera política eao mesmo tempo, todas as pesquisas mostram que os homens aprovam achegada das mulheres ao poder”. Não deixando de salientar que o paradigma da beleza, a fragilidade e ainterioridade relacionados às mulheres ainda favorecem para que elas soframpreconceitos.
  39. 39. 385 MODELANDO O CORPO FEMININO: DO ESPARTILHO ÀS PRÁTICASCORPORAIS O espartilho é um artefato de modelagem do corpo que surge no períodoModerno, lá no século XVI, e era usado tanto por mulheres quanto por meninoscomo mostra Vigarello: Colocar este instrumento sobre bustos jovens, como quer o costume para as crianças nobres ou burguesas no século XVII, afirmar que ele é feito para “garantir o porte correto”, e dar mais lugar a uma modelação do corpo obtida por alguma dinâmica interior; é privilegiar a força do aparelho em vez da força do músculo. Crença profunda, pode se dizer, partilhada por Madame de Maintenon, aconselhando seus alunos a não ficar jamais sem corpo [espartilho] e fugir de todos os excessos que são comuns atualmente; partilhada por Madame de Sévigné que sugere o uso do espartilho de barbatanas de baleia para seu neto cujo corpo lhe parece bem fraco e bem disposto a vacilar [...]. (VIGARELLO, 2003, p.375). No século XIX, o uso do espartilho pelas mulheres começou a serquestionado, e foi duramente criticado pelos higienistas no final do século porcausar deformações nos corpos femininos. Essa percepção está ancorada nasmudanças históricas do conceito de corpo, sob a intervenção da medicina, doesporte, dos higienistas e da moda, que possibilitaram a emergência, ao longodo século XX, de novas práticas cotidianas voltadas para garantir aos corposforça física, vigor, robustez, dinamicidade, saúde e energia. No Brasil do século XIX, o corpo bonito era ainda o corpo modelado peloespartilho. No século XIX, belas eram, portanto, as elegantes, possuidoras de um corpo ampulheta, verdadeiras construções trabalhadas por espartilhos e anquinhas capazes de comprimir ventres e costas, projetando seios e nádegas. A couraça vestimentar deveria servir para protegê-las, simbolicamente, do desejo masculino. Desejo alimentado pela voluptuosidade da espera, do mistério, do jogo de esconde-esconde que as mulheres traduziam com seus corpos. (DEL PRIORE, 2000, p.59). Gilberto freire, ao tratar da imitação de um modelo de corpo europeu porparte das mulheres brasileiras no século XIX destaca o uso do espartilho. Elenos narra que:
  40. 40. 39 Com a generalização das modas européias mais requintadamente burguesas e a urbanização dos estilos de vida, outrora rusticamente patriarcais, as deficiências ou os excessos de formas do corpo que não correspondessem à moda de Paris e de Londres foram sendo corrigidos por meio de ungüentos, cosméticos, dentes e cabelos postiços, ancas, tinturas para barbas e cabelos, espartilhos. Espartilhos de que, desde a primeira metade do século XIX, aparecem nos numerosos anúncios nos jornais brasileiros. (FREIRE, 2003, p.220). Chama a atenção do autor que a cintura da mulher se deformouexageradamente com o uso do espartilho.5.1 A INSTITUIÇÃO DAS PRÁTICAS DE EXERCÍCIOS PARA AS MULHERESSOB O OLHAR HIGIENSITA Com o apoio do discurso médico, diante do respeito que apresenta aoorientar as pessoas com o objetivo de garantir a saúde, as mulheres passarama ser incentivadas a prática de exercícios. Segundo Del Priore (2000, p.62)desde o início do século XIX na “[...] Europa multiplicavam-se os ginásios, osprofessores de ginástica, os manuais de medicina que chamavam a atençãopara as vantagens físicas e morais dos exercícios [...]”, sendo que, nos finaisdo século, mulheres começam a pedalar ou a jogar tênis na Europa, atividadesestas que, ao longo do século XX, foi sendo enunciada como moda e sinônimode saúde e bem estar. Mas não faltou quem achasse a novidade imoral, uma degenerescênciae até mesmo um pecado. “Perseguia-se tudo o que pudesse macular o papelde mãe dedicada exclusivamente ao lar. Era como se as mulheres estivessemse apropriando de exercícios musculares próprios à atividade masculina”. (DELPRIORE, 2000, p. 62). Algumas vozes, todavia, se levantaram contra essasatanização da mulher esportista. “Médicos e higienistas faziam a ligação entre histeria e melancolia - asgrandes vilãs do final do século – e a falta de exercícios. Confinadas em casa,diziam, as mulheres só podiam fenecer, estiolar, murchar”. (DEL PRIORE,2000, p. 62).
  41. 41. 40 Temos, então, por parte dos higienistas e médicos, a propagação dodiscurso da beleza e saúde associada à prática dos esportes. O discursohigienista, tão ativo entre os anos 20 e 30 do século 20, estimula a vida dasmulheres ao ar livre, menos cobertas e mais fortificadas. O hábito dos esportes,a fundação de clubes, a ênfase na dança estimulada pela recém – inventadaindústria fonográfica, instigam a exposição dos corpos. Instala-se a busca daaparência sã. A medicina começa a sublinhar a “[...] importância de exercíciose vida saudável, para preservar, não somente a saúde, mas também a frescurada tez, a pele saudável, o corpo firme e jovem”. (DEL PRIORE, 2000, p.72). A prática de exercícios físicos4 passa a ser justificada pelo seu carátereducativo, terapêutico e pelo desenvolvimento da força e da beleza. Ele passoua ser associado à saúde, qualidade de vida, longevidade e beleza. Era preciso“[...] oxigenar as carnes, e alegrar-se graças ao equilíbrio saudável doorganismo. A elegância feminina começou a rimar com saúde”. (DEL PRIORE,2000, p. 63). É importante lembrar que a inserção das mulheres nas atividades físicasaconteceu em meio a avanços e recuos. Del Priore (2000, p.65). Destaca queos exercícios físicos eram associados aos homens por receio de que suaprática levasse “[...] à masculinização da mulher, sendo comuns preconceitoscom as praticantes”. O discurso de que as mulheres devido ao risco de semasculinizarem ou prejudicarem suas “funções” ainda é recorrente no discursohigienista dominante nas décadas de 1930 e 1940 do século 20, e apossibilidades de atividades físicas femininas deveriam ficar restritas ao balé,ginástica ou dança feminina moderna. Na verdade a prática da ginástica eradefendida para homens e mulheres, com a distinção de exercícios de acordocom “a sábia natureza dos sexos”.4 Exercício físico é compreendido neste trabalho como “[...] a atividade repetitiva, planejada eestruturada, que tem como objetivo a manutenção e melhoria de um ou mais componentes daaptidão física”. (PITANGA, 2003, P.16).
  42. 42. 41 Como já foi abordado em capítulos anteriores, ao longo do século XX, asmulheres vão deixando de estarem restrita a esfera privada, e passando aparticipar da esfera pública. Ficando mais exposta e desnuda. Ainda no século XX, ocorreram três momentos fundamentais para o entendimento do culto ao corpo no mundo contemporâneo: os anos 50,60 e 80. Férias remuneradas e popularização do acesso às praias e proliferação de campings, contribuem, a partir da segunda metade dos anos 50, para a revolução de veraneio, que imporá um novo conceito de férias de verão, em que a exposição do corpo ocupa espaço central. (CASTRO, 2004, p.3). Então as mulheres vão, cada vez mais, aderindo à prática de exercíciosfísicos. Tem-se, assim, no final do século XX, a instituição de uma nova moralatrelada ao corpo: a chamada “boa forma”. Segundo Lipovetsky (2000, p.137). È preciso sublinhar a esse respeito o importante papel desempenhado pela promoção das atividades de praia e de lazer, o desenvolvimento dos esportes, o desnudamento do corpo (short, biquíni, monoquíni), as transformações da moda dos anos 20 e, depois, dos anos 60: vestidos retos uso de calça, saias curtas descobrindo as pernas e as coxas, roupas justas. Todas essas mudanças têm em comum o fato de terem contribuído para valorizar o corpo móvel, magro e jovem. Enfim, o século XX assistiu a uma crescente valorização do corpoprincipalmente o feminino e uma revolução de valores relativos à beleza,saúde, higiene, lazer, alimentação e atividades físicas. Naturalizou-se a ideia da boa forma, da prática de exercícios físicoscomo conquista e manutenção da qualidade de vida. Todas essas mudanças têm em comum o fato de terem contribuído para valorizar o corpo móvel, magro e jovem; elas desqualificaram as marcas da inércia, do sedentarismo feminino, de que a corpulência era uma das expressões. (LIPOVETSKY, 2000, p.137). E na atualidade não raro muitas mulheres praticam algum tipo deatividade física. Seja para emagrecer, engordar, diminuir o colesterol, aumentara massa muscular, controlar a pressão arterial ou com fins estéticos.
  43. 43. 425.2 AS TECNOLOGIAS DE MODELAGEM DO CORPO Vivemos atualmente rodeados pelos avanços científicos e odesenvolvimento de tecnologia. Ficamos maravilhados com as possibilidades ecomodidade que ela nos proporciona em todas as esferas da nossa vida. Nãosendo diferente com relação ao corpo um sem-número de produtos etecnologias para modelação, transformação e adequação corporal são postosno mercado todos os dias. Uma gama de aparelhos, utensílios, produtos etécnicas de intervenções são ofertadas. “Não há dúvida de que o fenômenodeva ser relacionado às políticas industrial e mercantil de investimento nocorpo como um novo mercado com incontáveis ramificações”. (LIPOVETSKY,2000, p.135). Nesse cenário de possibilidades de reconstrução e embelezamento docorpo, as cirúrgicas plásticas vieram nos últimos tempos tornando-secorriqueiras e naturalizadas, pois, possibilitam modificações no corpo em curtoespaço de tempo e sem sacrifícios. E nesse leque de produtos destinados atransformação e manutenção do corpo surgiram e se aperfeiçoaram osaparelhos que proporcionam benefícios físicos e psicológicos que vêm cadavez mais sendo ofertados e o seu uso facilitado. E todos os dias surgem novas técnicas, novos medicamentos parasaciar a fome, estimuladores elétricos que prometem proporcionar umamusculatura definida sem sacrifícios. E uma série de aparelhos voltados paraas atividades físicas5 são fabricados e postos no mercado com a finalidade demodelar e modificar o corpo. A preocupação com a aparência do corpo sempre esteve apoiada numdiscurso ora voltada à questão estética, ora à preocupação com a saúde comomostrei em capítulo anterior. Uma prova disto era a utilização de aparelhoscorretores. Antes do século XVII os aparelhos corretores eram utilizados como5 Atividade Física é definida como qualquer movimento corporal produzido pela musculaturaesquelética que resulte em gasto energético. (PITANGA, 2008, p. 16).
  44. 44. 43instrumentos pelos médicos ortopedistas para corrigir as anatomiasconsideradas defeituosas. O aparelho que corrige é, primeiramente, instrumento corretor possui somente virtudes – de “aliviar” e de “ajustar” – funcionando no sentido de prolongar o gesto que ajuda a restituir alguma estética perdida. Ele remete a uma tática corolária de sua sutileza: dispositivo encarregado de retificar ou de sustentar estruturas disformes, ele supõe uma referência normativa. (VIGARELLO, 2005, p.22). Mas o que era tentativa casual de retificação e de anulação de umadeformidade transformou-se abertamente numa abrupta imposição da norma.O corpo tornou-se receptáculo passivo de desenhos impostos exteriormente.Evidenciam-se aí as bases de um poder pedagógico sobre o corpo. O corpopoderia então, ser um espaço possível de manipulação direta e concreta. Era oestímulo de fora para dentro proporcionado pelo uso dos aparelhos corretores. Assim, no “dinamismo” preventivo e formador, trazido pelo tutor que corrige, materializa-se o velho sonho de um trabalho completo, o de uma dominação sem reserva, para os quais o aparelho corretor é ao mesmo tempo a mediação e o símbolo. (VIGARELLO, 2005, p. 27). É então, nesse momento que a medicina deixa de conceber o corpocomo uma entidade e passa a concebê-lo como um processo, sobre o qual sepodia intervir para adequá-lo, abria-se, então, a possibilidade para aremodelação e reconstrução do corpo através dos aparelhos corretores.“Tarefa banal para uma medicina preocupada não apenas com ofuncionamento dos corpos, mas também com sua aparência”. (VIGARELLO,2005). É nesse período que “[...] o novo pensamento mecanicista emprega suafecundidade sobre um corpo transformado ele próprio em máquina”.(VIGARELLO 2005, p.22). Ocorrendo então, essa alternância de estímulos quepossibilitaram aos aparelhos corretores se apresentarem nesse período.Favorecendo manifestações e mudanças nas técnicas de intervenção médica,nas técnicas de trabalho e nos espaços corporais. O arsenal terapêutico expande-se bruscamente com engenhos que, apesar de suas concepções rudes e primitivas, visam
  45. 45. 44 endireitar. Foi preciso banalizar o espaço corporal e generalizar o mecanicismo para que tais proposições pudessem surgir. Nesse caso, as rodas, as lâminas e as alavancas que corrigem, são percebidas como de natureza idêntica às próprias partes corrigidas. Casualidades tornadas homogêneas trocam suas eficiências. (VIGARELLO, 2005, p.22). Na segunda metade do século XVIII, uma mudança passou a guiar ediferenciar os desvios de origem exclusivamente muscular. Sendo desejadoagora o trabalho, o movimento no lugar da imobilidade imposta pelo uso dosaparelhos. Vale a compensação atlética e não o encerramento do corpo nosmoldes ou sua sustentação pelo tutor. A cura dos desvios não mais seria entregue ao trabalho de bloqueio feito pelos aparelhos fixadores, mas sim aos deslocamentos variados de movimentos declaradamente reforçadores. Desde então, não é mais o corpo que sofre uma pressão por aparelhos, mas é ele que agora exerce sua força sobre máquinas dotadas de manivelas e polias, que surgem ao fim do século XVIII e início do século XIX. (VIGARELLO, 2005, p.28). No início do século XIX emergem as máquinas para a prática deexercícios físicos tem a função de modelar o corpo. Que agem de dentro parafora fazendo com que o corpo passe então a não ser mais exibido comomáquinas. Racionalizando as forças físicas e formalizando os deslocamentos. Nessa pedagogia de rigor e concisão, constituiu-se um material encarregado de normalizar o trabalho: bastões, pesos, sistemas de sustentações ou de apoios, utensílios especializados, supostamente capazes tanto de promover quanto de guiar as forças - até o ponto em que o próprio corpo passa a ser o instrumento, segundo séries de exercícios que o século XIX formalizará. (VIGARELLO, 2005, p. 31). Desse modo, o século XIX inaugura o princípio do treinamento físicometiculoso, sistematizado em tarefas parceladas e mecanizadas.Desencadeando mecanismos metabólicos e fisiológicos. O corpo passa entãoa se movimentar. E agora no século XXI a atenção se volta para os vigoresfísicos. Os corpos passaram a ser explorados com a perspectiva de rendimentodas forças e de medir os vigores. O corpo que se limitava ao espetáculo foisubstituído por corpos cuja formação supõe planificação de trabalho eacumulação de exercícios é o corpo musculoso que está em evidência.
  46. 46. 45 Tudo isso graças à ciência e todo seu aparato técnico, que veio e vemoferecendo um arsenal de possibilidades dentre eles: produtos cosméticos,intervenções cirúrgicas, aparelhos para a prática de atividades física etratamentos necessários para que o corpo principalmente o feminino sejacontrolado, que toda flacidez, gordura e imperfeição seja corrigida, os defeitose desordens eliminados.5.3 AS ACADEMIAS DE GINÁSTICA E A PRÁTICA DA MUSCULAÇÃO A prática de exercícios físicos é antiga e como espaços de prática deexercícios físicos surgiram às academias de ginástica. Segundo Capinussú;Costa (1989), Platão criou em 387 a.C uma escola em homenagem ao heróiateniense Academus, onde havia o ensino de práticas esportivas e lúdicasentre outras, e esse local recebeu o nome de Akademia. E as academias,conhecidas como ginásios de esportes, existem desde o século 19 quando oalemão, professor Attila, montou em 1867, em Bruxelas, uma instituiçãodestinada ao ensino da cultura física com aparelhos. Novos estabelecimentos,onde se praticava atividades físicas em salas fechadas foram surgindoprogressivamente na França e, posteriormente, nos Estados Unidos ondemarcaram época, principalmente com a atividade de halterofilismo. Com o desenvolvimento do ramo, nos Estados Unidos, as academias deginástica começaram a se solidificar. Posteriormente elas foram se espalhandonaquele país oferecendo diversas atividades, entre elas ginástica (e suasvariações) e musculação (halterofilismo). (CAPINUSSÚ; COSTA, 1989,COSTA; PALAFOX, 1993). Os primeiros registros conhecidos, querepresentam o homem realizando exercícios para desenvolver força muscularforam encontrados no antigo Egito e datam de 2.500 a.C. Portanto, a origem dotreino com cargas adicionais (pesos livres, peso do próprio corpo, máquinas demusculação, etc.), com o objetivo de desenvolver os níveis de força e deresistência muscular perde-se ao longo dos tempos.
  47. 47. 46 A prática da musculação6 começou a se solidificar na sociedadeocidental após a Segunda Guerra Mundial, sendo que, a maior credibilidade damusculação deve ser concedida a dois médicos do hospital de Massachussets:Thomas Delorme, que era treinador e praticante de pesos e halteres, e ArthurWatkins. Estes utilizaram para reabilitar soldados feridos na guerra, seusprogramas de musculação fizeram um grande sucesso. Os resultados dos seustratamentos começaram a despertar o interesse da sociedade americana paraas reais potencialidades deste tipo de exercício físico, uma vez que, além demelhorar os níveis de força, propiciava benefícios para a saúde daspopulações. Mas, foi “[...] DeLorme (1945), quem pela primeira vez, sugeriu autilização do princípio da carga progressiva para o treino em musculação”.(CORREIA, 2006, p.67). Foi necessário um longo período para que as práticas corporaispassassem a ser realizadas em academias de ginásticas, ou seja, em espaçosdestinados para a prática de atividades físicas. Os principais locais onde sepraticava atividades físicas eram nos clubes esportivos e nas escolas. Foiapenas a partir da década de 60 que as academias nos Estados Unidoscomeçaram a ser uma boa opção para a prática de atividade física e terimportância, tanto nas capitais dos estados como nas principais cidades dointerior. Além das atividades tradicionais como halterofilismo, culturismo(musculação), surge vários tipos de ginástica, balé, dança e artes marciais.(CAPINUSSÚ; COSTA, 1989). As academias de ginástica surgiram no Brasil aproximadamente em1914, em Belém surgiu a primeira academia em moldes comerciais, com aatividade de jiu-jitsu ensinada pelo japonês Conde Koma. Em 1925, no Rio deJaneiro, o português Enéas Campello montou um ginásio onde eram oferecidoshalterofilismo (levantamento de peso e culturismo) e ginástica olímpica.(ANTUNES, 2008). As primeiras academias necessitaram de um período de6 A musculação, também é conhecida como exercício resistido. Os exercícios realizados comutilização de sobrecarga externa - como aparelhos, halteres, caneleiras, bastões ou o peso dopróprio corpo. (SANTARÉM, 2003).

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