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Nilton Nilton Document Transcript

  • 0 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS II CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA NILTON CONCEIÇÃO JESUSDIAGNÓSTICO DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR NO ENSINO INFANTIL E SÉRIES INICIAIS EM ALAGOINHAS/BA. ALAGOINHAS 2010
  • 1 NILTON CONCEIÇÃO JESUSDIAGNÓSTICO DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR NO ENSINO INFANTIL E SÉRIES INICIAIS EM ALAGOINHAS/BA. Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção do título de Licenciado em Educação Física pela Universidade do Estado da Bahia - Campus II. Orientadora: Profª. Ms. Martha Benevides da Costa. ALAGOINHAS 2010
  • 2 Dedico esse trabalho minhaavó Maria Eliza (in memorian) que nos deixou ao longo da minha jornada acadêmica. View slide
  • 3 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus e aos meus pais Ana e Nilton por tudo que tem feito pormim durante toda a minha vida. Aos meus irmãos, Fábio e Luciana, pela compreensão nesses últimos anos. Aos meus tios Antonio (Suza) e Nerivaldo (Nerinho) e respectivas famílias porterem me ajudado sempre que precisei, inclusive nas horas mais difíceis. Ao meu padrinho Antonio Rafful, por contribuir com a minha formação durantetoda minha vida. Agradeço a Jurandir Lopes e Maria de Lurdes e família por terem me acolhidoem sua casa durante todo esse tempo em que estou na Universidade sem nemmesmo ter me conhecido antes. Deixo aqui minha eterna gratidão. A minha namorada e companheira, Marta Fabiana, por ter dado o primeiropasso para que pudesse fazer esse curso nessa cidade. E também pelo carinho,amor e compreensão apesar da distância durante esses anos que estamos juntos. À Pina como pessoa e representante da Casa do Sol pela contribuição aolongo desses anos, pela amizade e a atenção. Aos integrantes da Associação Quilombo do Orobu por ter me dado aoportunidade de outra visão de mundo preparando-me para as discussões naUniversidade. A todos meus colegas da turma 2006.2: Américo, Anderson, Camila, Cris,Daise, Daniel, Débora, Deise, Deivid, Ezequiel, Jamile, Josemir, Juliana, Leo,Marcelo, Mauricio, Pedro, Ramon, Reinaldo, Roberta, Selma, Silvana, Tércia, Tiago,Tiago Reis, Vinicius e Willien, a “ diretoria ” por toda amizade, carinho, discussões,diversões, viagens e principalmente, pelo aprendizado. Aos meus eternos amigos Anderson e Vinícius, pela amizade, compromisso,responsabilidade e o grande apoio no final dessa jornada. À professora Martha Benevides, por ter apostado em mim, pelos “cascudos”,e por ter me orientado não só nesse processo, mas em toda a graduação. Ao professor Ubiratan Meneses por ser um dos primeiros a incentivar a seguirnessa jornada, também pela amizade e respeito. A todos os professores que contribuíram com minha formação, pelas“caronas”, amizade e respeito ao longo desses anos: Martha, Ubiratan, César Leiro, View slide
  • 4Valter, Luiz Rocha, Micheli, Mônica, Gleide, Ana Simon, Diana, Mauricio, Pitanga,Marcela Brasil, Cândida, Gregório. As funcionárias do colegiado de Educação Física em a Mirele , Monalisa,Djane. Aos Funcionários da Universidade, em especial o motorista Carlitos. À Antônia Regina pela correção desse trabalho.
  • 5“A reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação Teoria/Prática sem aqual a teoria pode ir virando blábláblá e a pratica ativismo” (FREIRE, 1996 p. 22)
  • 6 LISTA DE SIGLAS E ABREVIATUASPPP PROPOSTA POLITICO PEDAGOGICAUNEB UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIAIBGE INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATISTICAINEP ISTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISA EDUCACIONAIS ANISIO TEIXEIRAPCN PARAMETROS CURICULARES NACIONALLDB LEI DE DIRETRIZES E BASESSUDEB SUPERINTENDÊNCIA DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO BÁSICA
  • 7 LISTA DE QUADROSQUADRO 1 PESSOA RESPONSÁVEL POR RESPONDER O QUESTIONÁRIO 29QUADRO 2 A ESCOLA TEM AULA DE EDUCAÇÃO FÍSICA 30QUADRO 3 EXISTE NA ESCOLA ALGUM TRABALHO REFERENTE AO EIXO CORPO E MOVIMENTO 30QUADRO 4 TIPOS DE ATIVIDADES TRABALHO REFERENTE AO EIXO CORPO MOVIMENTO 31QUADRO 5 AS ESCOLAS QUE RESPONDERAM NÃO TER TRABALHO COM O EIXO CORPO E MOVIMENTO 32QUADRO 6 NECESSIDADE DA EDUCAÇÃO FISICA NA ESCOLA OU TRABALHO COM MOVIMENTO CORPORAL 32QUADRO 7 MOTIVOS QUE JUSTIFICAM A NECESSIDADE DO MOVIMENTO CORPORAL 33QUADRO 8 FORMAÇÃO DOS PROFESSORES QUE MINISTRAM AS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA OU TRABALHO COM O EIXO CORPO E MOVIMENTO 34QUADRO 9 OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA E/OU TRABALHO COM MOVIMENTO CORPORAL 35QUADRO 10 CONTEÚDOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA E/OU TRABALHO COM MOVIMENTO CORPORAL 36QUADRO 11 AVALIAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA OU TRABALHO COM O EIXO CORPO E MOVIMENTO 38QUADRO 12 OBJETIVOS DA AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO FÍSICA E/OU TRABALHO COM MOVIMENTO CORPORAL 38QUADRO 13 LOCAL ONDE SÃO DESENVOLVIDAS AS ATIVIDADES RLATIVAS AO EIXO CORPO E MOVIMENTO 39QUADRO 14 SENTE FALTA DE ACOMPANHAMENTO PEDAGÓGICO EM RELAÇÃO AO CAMPO DA EDUCAÇÃO FÍSICA OU EIXO CORPO E MOVIMENTO 40QUADRO 15 JUSTIFICATIVA SENTE FALTA DE ACOMPANHAMENTO PEDAGÓGICO EM RELAÇÃO AO CAMPO DA EDUCAÇÃO FÍSICA OU EIXO CORPO E MOVIMENTO 40
  • 8 RESUMO Esta pesquisa teve como objetivo identificar como se concretiza o processode ensino/aprendizagem da Educação Física ou trabalho com o eixo corpo emovimento no Ensino Infantil e nas Séries Iniciais nas instituições de ensino públicoda sede do município de Alagoinhas/BA. A investigação partiu da premissa daobrigatoriedade da Educação Física na Educação Básica conforme a LDB de 1996 eda necessária legitimação da Educação Física escolar no município de Alagoinhas.Nos procedimentos metodológicos optou-se pela pesquisa Survey de cunhoquantitativo através de um instrumento predefinido, questionário misto (perguntasaberta e fechadas). Utilizou-se a análise de conteúdo para analisar os dados. Econclui-se que apesar de não ter a disciplina Educação Física no Ensino Infantil eSéries Iniciais e 78,94% das escolas realizam trabalho com o eixo corpo emovimento mesmo tendo em sua maioria só a sala de aula como espaço deaprendizagem. Identificaram-se tais objetivos com as práticas de movimentoscorporais: Passar o conteúdo de outra disciplina, Melhor desempenho nasatividades, Facilitar o aprendizado; Cuidado com o corpo, Manter a Disciplina/regras,Socialização/integração, Relaxamento, Auto-estima, Quebrar timidez, Liberarenergia, Recreação/lazer Esporte. Sobre os conteúdos as respostas foram: dançajogos, música, brincadeira de roda, capoeira e alongamento. Verificou-se, também,que apenas em uma escola a disciplina Educação Física faz parte do currículoescolar por conta da parceria com uma Universidade. Em contrapartida, em todas asoutras unidades pesquisadas, quem ministra as aulas são professores de outra área.Palavras-chave: Educação infantil e Séries Iniciais; Educação Física escolar;Diagnóstico.
  • 9 SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO 102 HISTÓRIA E PROCESSO DE ESCOLARIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO FÍSICA 133 PROPOSIÇÕES TEÓRICO-METODOLOGICAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA E MATERIALIZAÇÃO NA ESCOLA 173.1 Educação Física na escola: um apanhado de estudos 204 PROCEDIMENTOS METODOLOGICOS 244.1 Tipo de Estudo 254.2 Local da coleta de dados 254.3 Técnica utilizada na coleta de dados 264.4 A amostra 264.5 Análise de dados 275 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS DADOS 296 CONSIDERAÇÕES FINAIS 42 REFERÊNCIAS 45 ANEXO
  • 101 INTRODUÇÃO Durante a graduação foi visto um leque de possibilidades da área de atuaçãodo professor de Educação Física. A licenciatura ampliada nos dá condições depercorrer por vários caminhos, entre eles o âmbito escolar. E a partir do momentoque começam as experiências de estágios pode-se perceber as carências quecercam o dia-a-dia das escolas públicas. Começa, assim, uma longa discussãosobre o assunto abordado lançando mão de conhecimentos adquiridos e diálogospossíveis com alguns autores que têm aproximação com a temática. Após ter passado por essas experiências durante a graduação em EducaçãoFísica somada ao envolvimento no Projeto de Extensão, “Transformação daEducação Física Escolar em Cidade de Alagoinhas/BA”, houve o interesse deinvestigação do processo de ensino/aprendizagem da cultura corporal nasInstituições de Ensino Infantil e Séries Iniciais na supracitada cidade. Logo, o objetivo desse estudo é fazer um diagnóstico para saber como seconcretiza o processo de ensino/aprendizagem da Educação Física ou trabalho como eixo corpo e movimento no Ensino Infantil e nas Séries Iniciais nas instituições deensino público da sede do município de Alagoinhas/BA. E tem como objetivosespecíficos:  Verificar as escolas que possuem Educação Física ou trabalho com movimento corporal;  Identificar a formação dos professores que ministram as aulas de Educação Física ou movimento corporal nessas escolas;  Levantar objetivos e conteúdos no trabalho da Educação Física ou movimento corporal;  Identificar se há e qual é o objetivo da avaliação nas aulas de Educação Física ou trabalho com movimento corporal;  Verificar os espaços físicos destinados às aulas de Educação Física ou atividade com movimento corporal. Segundo o Projeto de Extensão supracitado, “Desde a aprovação da Lei deDiretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96), em 1996, a EducaçãoFísica tornou-se componente curricular obrigatório na Educação Básica, que envolvea Educação Infantil, Ensino Fundamental e o Ensino Médio” (UNEB, 2009, p.3).
  • 11Além disso, a Educação Física constitui-se uma disciplina importante para ocurrículo escolar porque se torna um instrumento de mediação para a formaçãohumana. Por isso, torna-se necessário investigar sua efetividade nas escolaspúblicas do município de Alagoinhas/Bahia, já que é comum se comentarcotidianamente que a região de Alagoinhas tem déficit de professores de EducaçãoFísica com formação na área. Para Vasquez (2007), conhecer uma determinada realidade, em si nãoimplica uma exigência de ação efetiva, a isto ele chama de “atividade cognoscitiva”.Já o conceito de “atividade teleológica”, trazido pelo autor, explicita uma exigênciade realização porque exige o conhecimento da realidade para poder transformá-la.Isto gera ainda mais questionamentos sobre a presença e o encaminhamento daEducação Física nas escolas desse município. No campo acadêmico, discute-semassivamente sobre a desvalorização da Educação Física Escolar ocorrida ao longodesses últimos anos, porque passou a ser vista apenas como uma prática esportiva.Bracht (1999) afirma que a Educação Física moderna sofreu desde os primeirospassos a influência de um pensamento científico pautado em princípios deexperimentação e qualificação, que possibilitou a presença massiva de referênciasfisiológicas e médicas nessa área de conhecimento, que transformou o esportecomo conteúdo hegemônico da Educação Física. Kunz (2004) destaca o esportepraticado na lógica do treinamento e incorpora a perspectiva da seleção e dainstrumentalização e sua valorização no âmbito econômico. Sendo assim, fazer um diagnóstico da Educação Física nas escolas públicasdesse município pode apresentar várias situações não reveladas à sociedade e, aomesmo tempo, reforçar o necessário compromisso do professor de Educação Físicaenquanto pesquisador da realidade social em que está inserido e na sua possíveltransformação. Destaca-se ainda importância desse trabalho na obtenção dos dadosdessa pesquisa para os futuros profissionais e acadêmicos da área nesse município,pois os dados podem servir de base para elaboração de outras pesquisasacadêmicas, apresentar projetos à prefeitura do município, realizar palestras,debates ou projetos de extensão na própria Universidade. Além disso, o diagnóstico aqui produzido norteará a continuidade das açõesdo projeto de extensão “Transformação da Educação Física em Alagoinhas/BA”. Ouseja, trata-se de conhecer a realidade para pensar suas necessidades e articularações possíveis. Efetivamente, o diagnóstico em todo o município constitui a
  • 12primeira etapa do referido projeto que objetiva, a partir de agora, dialogar com aSecretaria Municipal de Educação para promover ações formativas nas escolas e nocampo das políticas em Educação no município. Na busca de tais objetivos, esta monografia esta estruturada em seiscapítulos, sendo Introdução, na qual delimito o tema, defino os objetivos eargumento a relevância do trabalho; História e processo de escolarização daEducação Física, no qual trato da sua valorização herdada da medicina no séculoXIX, construção do campo da Educação Física, faço uma discussão sobrelegitimação como componente curricular e falta de autonomia da materialização daEducação Física na escola; Proposições teórico-metodológicas da EducaçãoFísica e materialização na escola; a qual cita os movimentos contrários aEducação Física tecnicista denominadas de abordagens pedagógicas da EducaçãoFísica e a concretização da Educação Física através de um apanhado de estudos;Procedimentos metodológicos, onde faço uma discussão entre a dicotomia quecircundam sobre as técnicas quantitativas e qualitativas, apresento o tipo de estudo(pesquisa Survey), faço um breve levantamento sobre a cidade de Alagoinhas, nacoleta de dados utilizei o questionário do projeto de extensão “Transformação daEducação Física escolar em Alagoinhas/BA”, a amostra é do tipo não probabilísticae para analise de dados utilizo a análise de conteúdo; Apresentação e discussãodos dados, na qual trago os resultados da pesquisa apresentando os dados edialogando com os autores sobre as temáticas citadas; Considerações Finais,relato os dados encontrados na pesquisa fazendo algumas relações com a realidadesocial pesquisada.
  • 132 HISTÓRIA E PROCESSO DE ESCOLARIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO FÍSICA O processo de escolarização da Educação Física iniciou no século XIXatravés de uma valorização que encontrou argumentos na medicina. Naquelemomento histórico, a sociedade costumava legitimar apenas idéias que fossemcomprovadas cientificamente. Assim, afirma Castellani Filho (1994), a EducaçãoFísica nas escolas teria função social de embranquecer e formar corpos saudáveis(processo de higienização), fortalecendo o racismo que dominava o País. Para Bracht (2003), havia um olhar pedagógico (médico-pedagógico, moral-pedagógico) e as práticas corporais eram vistas como ferramentas para a educação,para a saúde e educação moral. O autor destaca o século XIX como o da“sistematização dos métodos ginásticos” onde predominavam as ciências biológicasdominadas pelos intelectuais da época. Para Paiva (2003), a “biologização daEducação Física”, considerada “prima pobre da medicina”, contribuiu para suainstitucionalização no âmbito escolar. Nesse mesmo sentido (Castellani Filho apudPaiva, 2003, p. 64 afirma que: Na perspectiva de análise apontada, a tendência a biologização da Educação Física pode ser caracterizada no processo de redução do estudo “do homem em movimento apenas a seu aspecto biológico [...] Tal reducionismo biológico configura-se hoje na ênfase [...] as questões afetas à performance desportiva, à correspondente na educação física a ordem de produtividade, eficiência e eficácia, inerente ao modelo de sociedade [capitalista]. [A tendência a biologização] reflete [...] a categoria sempre marcante da categoria médica na educação Física em nosso país. Percebe saúde apenas nos aspectos biofisiológicos [...]”. Paiva (2003) ressalta, ainda, a colaboração das instituições militares nesseperíodo para construção do campo da Educação Física. Nessa influência, o objetivocontinuou sendo educar o corpo no sentido de discipliná-lo. Na década de 1960, explica Bracht (2003), a Educação Física passou a seradotada pelos professores com perspectiva de fazer da escola um seleiro de atletas.A competição era prioridade dando alta ênfase ao desporto, para formar campeõespropagando a idéia de vencer pelo seu próprio esforço (individual) com objetivo doalto rendimento e produtividade. Já o processo de desescolarização tem reflexo na discussão trazida atravésda cientificização e pedagogização da Educação Física. Para Bracht (2003) essa
  • 14temática é definida como despedagogização da Educação Física que se questiona asua legitimidade, ora no campo acadêmico, ora como ciência. Efetivamente, aEducação Física é questionada e posta em dúvida no campo educacional no mesmomomento em que emerge uma série de outros campos de atuação, funcionando nalógica do mercado. Sendo assim, segundo Bracht (2003), a repedagogização daEducação Física, ou reescolarização para Paiva (2003), começou quandoprofessores e pesquisadores iniciaram movimento contrário ao tecnicismo daEducação Física buscando seu objeto de estudo no ramo pedagógico. O que se observa é que a Educação Física enfrentou e enfrenta muitasdificuldades para se legitimar como componente curricular na escola. Para algunsautores o seu objeto de estudo é muito amplo, o que dá margem para diversasinterpretações. Caparróz (1997, 2001) observa que o salto qualitativo no âmbitoteórico da Educação Física não se tem materializado no cotidiano escolar, o quedificulta a legitimação da Educação Física nos currículos escolares. Mas,atualmente, o debate em torno de tal área vem consolidando-a como componentecurricular sob duas perspectivas: a da legitimidade instrumental e a da relevânciasocial. Porém, o que vem se encontrando na sociedade atual são característicastrazidas da sociedade burguesa onde o maior objetivo era massificar a culturacorporal nos séculos XVIII e XIX logo, a educação e, conseqüentemente, aEducação Física vem servindo a sistemas hegemônicos, contribuído paramanutenção e reprodução do sistema capitalista. A chamada legitimidade instrumental perpassa por todos esses entraves emque, além de alimentar interesses a Educação Física escolar, serve de instrumentopara vinculação com mercado de trabalho, objetivando a força de trabalho tornando-se, dessa forma e nessa lógica de suma importância para o currículo escolar. Embora a Educação Física tenha conseguido se firmar como disciplinaobrigatória ainda se pode verificar que, principalmente, nas escolas públicas, aEducação Física não tem o mesmo trato que as outras disciplinas. Isso quando serefere a saberes porque é considerada pelos outros professores e diretores comouma disciplina meramente prática. Alertando sobre essa temática, Bracht (1999, p. 25) afirma que:
  • 15 (...) a hegemonia do conhecimento científico na escola precisa permitir outros saberes, e é nisso, só na medida em que se reconhecem outros saberes que não saberes de caráter conceitual, de caráter intelectual, é que temos uma chance de nos afirmarmos no currículo escolar. Tal temática pode ser evidenciada no dia-a-dia da escola pública. Foi possívelverificar isto nas atividades de estágio curricular do curso de Educação Física daUNEB Campus II, que acontece em algumas escolas públicas do Município deAlagoinhas. Durante o ano letivo de 2009, período de estágio dos discentes do 7ºsemestre em uma escola do nível médio, ficou claro que o trato dado à EducaçãoFísica, pela comunidade escolar, ou seja, diretores, coordenadores, alunos,professores de outras disciplinas e principalmente os professores da própriadisciplina de Educação Física, (quando tem na escola), mostra que a mesma aindanão é levada a sério. É claro que não se pode generalizar, mas segundo Soares (1996), aEducação Física deve manter sua especificidade, mesmo sabendo que irá geraruma “adorável desordem” para a escola. Ou seja, a criação de outra ordem bempeculiar que tende a movimentar toda a escola, o que causa certo desconfortoprincipalmente a direção. E ainda tem que lidar com a supervalorização das outrasdisciplinas e a redução da carga horária, que acabam contribuindo para nãolegitimação da Educação Física na escola. E ao manter essa proposta de especificidade e conhecimento, segundoResende e Soares (1996), a Educação Física tende a superar tais reducionismoscitados anteriormente. Se utilizando da cultura corporal que implica uma atuaçãodidático-pedagógica que envolva a vivência lúdica, reflexiva e sócio-comunicativa depráticas relacionadas aos jogos e brincadeiras populares, aos esportes, àsginásticas e à dança (entendida como possibilidades de expressão rítmica do corpo). Ainda sobre a especificidade, Souza Junior (1999) entende a EducaçãoFísica, como uma prática pedagógica que materializa, em forma de conteúdos, seusconhecimentos sistematizados historicamente. Mas por outro, em tempos maisrecentes, o que acaba acontecendo com a Educação Física brasileira é que ao invésde tratar seus elementos específicos, estabelece prioritariamente ligação com asteorias educacionais em caráter abrangente. Fazendo-nos pensar na idéia de queexiste uma “Educação Física na escola” e não uma Educação Física da escola.
  • 16 Portanto, o fazer pedagógico da Educação Física, segundo Souza Junior(1999), está pautado nas articulações do ensino/aprendizagem no que diz respeitoaos seus objetivos e conteúdos que tratem de uma Educação Física para a escola.A qual remete levar o aluno a desenvolver uma postura crítica diante da cultura dasatividades corporais, no sentido da obtenção da autonomia deconhecimentos/habilidades necessárias a uma prática intencional e permanente queconsidere o lúdico, os processos sócio-comunicativos e a saúde. Porém cabe aoprofessor a intermediação da pratica social interagindo com seus alunos paraformação de sujeitos para que possa haver a compreensão e assimilação dosconteúdos problematizados. E sobre essa pedagogia histórico-crítica, para Saviani,apud Soares e Resende (1996, p.55) é preciso: [...] provocar a atividade e a iniciativa dos alunos sem abrir mão, porém, da iniciativa do professor; favorecer o diálogo dos alunos entre si e com o professor, mas sem deixar de valorizar o diálogo com a cultura acumulada historicamente; levar em conta os interesses dos alunos, os ritmos de aprendizagem e o desenvolvimento psicológico, mas sem perder de vista a sistematização lógica dos conhecimentos, sua ordenação e gradação para efeitos do processo de transmissão-assimilação dos conteúdos. E, em se tratando do recorte dessa pesquisa (Educação Infantil e SériesIniciais), é preciso pontuar algumas situações que indicarão a perspectiva teórico-metodológica da Educação Física escolar. Discussões e debates que podemesclarecer serão abordados a partir do próximo capítulo.
  • 17 3 PROPOSIÇÕES TEÓRICO-METODOLÓGICAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA EMATERIALIZAÇÃO NA ESCOLA No final da década de 1970 surgiram movimentos contrários à EducaçãoFísica tecnicista, mecânica e biologista por influência do momento histórico socialque o país vivia. Nesse período, investia-se alto no esporte de rendimento comobjetivo de desviar a atenção da população aos problemas sociais. Os movimentos contrários são organizados por Darido (1999) em“Abordagens pedagógicas da Educação Física Escolar”, que são divididas em doismomentos: abordagens Desenvolvimentista, Construtivista–interacionista, Crítico–superadora e Sistêmica. No segundo momento são apresentadas as abordagens daPsicomotricidade, Crítico–emancipatória, Cultural, Jogos cooperativos, SaúdeRenovada e abordagem relacionada aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Na Abordagem Desenvolvimentista, como o próprio nome já diz, trata da fasede desenvolvimento da criança com faixa etária compreendida ente 4 a 14 anos.Atenta-se para o aprendizado as habilidades motoras, cognitiva, afetiva social,fisiológicos e a progressão para o crescimento físico. E esses elementos são osrelevantes para a Educação Física Escolar. Já a abordagem Construtivista–interacionista toma como base a construçãodo conhecimento em que o indivíduo é valorizado resgatando seus valores econhecimentos e não suas habilidades. Faz uso de jogos e brincadeiras da culturapopular, as rodas cantadas e jogos de regras para o ensino-aprendizado daEducação Física. Na abordagem Crítico-superadora, segundo Soares et al. (1992), centra-sena cultura corporal e tem como conteúdos conhecimentos sobre os jogos, dança,esporte e ginástica. Por sua vez, a abordagem Sistêmica traz uma concepção de Educação Físicaescolar que tem maior preocupação com a especificidade do eixo corpo/movimentocomo meio e fim da Educação Física escolar, integrando e introduzindo o aluno de1º e 2º grau no mundo da cultura física. Sob este aspecto, Betti apud Darido (1999)coloca que os objetivos da Educação Física escolar devem possibilitar acompreensão do universo da cultura corporal de movimento. Também traz comoconteúdo os jogos, esportes, a dança e a ginástica. Entretanto, difere daconstrutivista porque não basta apenas conhecê-los, mas vivenciá-los, respeitando a
  • 18diversidade da Educação Física escolar, proporcionando atividades diferenciadascom objetivo de integrar todos os alunos em vivências e atividades diversas. Analisando a Abordagem da Psicomotricidade, observa-se que se refere àformação de base da criança normal ou com problemas através dos movimentosespontâneos e atividades corporais favorecendo a imagem do corpo assegurando odesenvolvimento funcional e afetivo e o equilíbrio através do intercâmbio com oambiente humano A idéia é dessa referência é que dos 4 aos 14 anos,os alunos possamvivenciar os mais diversos movimentos humanos como: saltar, andar, saltar, correr,rastejar, rebater, equilibrar-se, quicar, rolar, passa, chutar, receber, transportar, entreoutros com objetivo de percepção e controle do corpo (vivências sensoriais,lateralidade, coordenação, interdependência dos membros em relação ao corpo eem relação a eles mesmos, noção espacial e temporal, etc.) Outra abordagem é aCrítico-emancipatória; que tem como característica o confronto do aluno com arealidade de ensino denominada por Kunz apud Darido, (1999) de transcendênciade limites. Para o autor os alunos devem aprender a perguntar e questionar sobresuas aprendizagens e descobertas, com objetivo de saber o significado cultural daaprendizagem garantindo a emancipação através do uso da linguagem epromovendo a suspensão de estruturas autoritárias A Abordagem Cultural, diz respeito ao desenvolvimento das atividades comconteúdos que respeitem o corpo e as particularidades culturais de cada povo sejamtrabalhados e compreendidos encontrada em toda cultura de movimento. Considerada uma esperança para as aulas de Educação Física escolar pormuitos autores da nova geração, como Brotto apud Darido (2001), os JogosCooperativos são uma prática nova onde o maior objetivo é a cooperação,solidariedade e justiça. Em oposição à competição se caracterizam pelaparticipação e diversão de todos os envolvidos nas atividades sem se preocuparcom o resultado. A abordagem da Saúde Renovada é denominada assim porque incorporaprincípios e cuidados já consagrados em outras abordagens com enfoque maissócio cultural. Entende-se que a socialização das informações sobre conceitosbásicos de saúde contribuirá para que os alunos tenham maior reflexão sobre aimportância da relação entre atividade física, aptidão física e saúde. Nahas apudDarido (1999) salienta que essa perspectiva deve atender a todos os alunos com
  • 19maior preocupação para os sedentários, obesos, portadores de deficiência, e baixaaptidão física. Darido (1999) traz também Parâmetros Curriculares Nacionais como umaabordagem. Criados a partir de 1997 com o 1º e 2º ciclos direcionados para (1ª a 4ªséries) e 3º e 4º ciclos (5ª a 8ª séries), com função de subsidiar a elaboração ouversão curricular dos Estados e Municípios na construção de projetos e para servircomo material de reflexão para prática de professores. O PCN tem incluso no seutexto seguintes documentos: documento introdutório, temas transversais (saúde,Meio Ambiente, ética, Pluralidade Cultural, Orientação Sexual, Trabalho e consumo)e documentos que abordam o tratamento a ser oferecido em cada um dos diferentescomponentes curriculares. Há três propostas trazidas pelos autores do PCNs que objetivam a integraçãodo aluno na esfera da cultura corporal para a qualidade das aulas de EducaçãoFísica: 1. Princípio da inclusão às dimensões dos conteúdos (atitudinais, conceituais,e procedimentais), que deseja uma Educação Física dirigida a todos os alunos e queeles aprendam a articular o fazer e saber por que estão fazendo as atividades. 2.Associação da Educação Física escolar com os problemas sociais do Brasil atravésdos temas transversais, dando um tratamento didático e contribuindo para oaprendizado do aluno. 3. Uma Educação Física formal que visa à construção decidadãos críticos. Diante dessas teorias pedagógicas da Educação Física, vê-se que hádiversas possibilidades de concretizá-la na escola. Cabe, então, fazer umlevantamento de outros estudos que tragam debates sobre a concretização daEducação Física no sentido de ampliar a discussão que propõe este estudo. 3.1 Educação Física na Escola: um apanhado de estudos A crise de identidade da Educação Física foi resultado do questionamento desuas práticas, pois os professores que trabalhavam nas escolas tinham suaformação advinda do esporte, o que remetia a práticas esportivistas. Com talquestionamento, os professores não sabiam o que fazer e caíram noespontaneísmo. Em dias atuais, sabe-se que isto ainda ocorre, porém se percebeuma crescente na busca por uma metodologia, que valorize os conteúdos eobjetivos específicos da Educação Física.
  • 20 O estudo realizado por Silveira (2002) no município de Palhoça/SC tinhacomo foco a questão de como anda a Educação Física escolar na perspectiva demudanças na sua prática. Foi feita uma pesquisa em dez escolas da rede públicasobre metodologias utilizadas nas aulas de Educação Física no ciclo de iniciação àsistematização do conhecimento (5ª e 6ª séries). O autor buscou subsídios para, apartir dessa pesquisa, obter um panorama da Educação Física brasileira. Ao analisar os questionários, percebeu os seguintes resultados: sobre oplanejamento todos os professores afirmaram que faziam anualmente; sobre osobjetivos a maioria valorizou o desenvolvimento do físico, o que remeteu a umposicionamento tecnicista; e, em relação aos conteúdos ministrados nas aulas, sãoos quatros esportes (futebol, vôlei, handebol e basquete) e a capoeira. Portanto, oautor evidenciou que as aulas de Educação Física das escolas da rede públicaanalisada tinham características ainda bem tradicionais e adota o esporte comoconteúdo hegemônico de sua prática pedagógica. Quanto às mudanças, foi possível observar que o comodismo de certosprofessores, conduzidos pela falta de remuneração de apoio da comunidade escolar,além da e falta de formação continuada, impediam os mesmos de ofertar aos seusalunos novas possibilidades para prática pedagógica. Silveira (2002, p.12) citandoCastellani Filho, coloca que: Mesmo sabendo que o conhecimento atribuído a educação física, restringe- se, em muitas escolas, ao esporte irrefletido/inquestionável, deve-se ter em mente que muito além do "fazer por fazer", temos o que ensinar, e para que esse "ensinar" extrapole o que foi citado anteriormente, é preciso "redimensionarmos os espectros do conhecimento a ser (re) conhecido pelos profissionais da área, de modo a garantir que a cultura corporal [de nossos alunos] seja apreendida como dimensão significativa da sua realidade social complexa. A afirmação acima e o estudo sugerem a reflexão a respeito do fazerpedagógico do professor. É importante que as aulas de Educação Física não sejamsimplesmente “fazer por fazer” e sim pensar numa maneira de Educação onde osconteúdos são pensados de forma com que estimulem o pensamento crítico doaluno. Já o estudo realizado por Guimarães (2001), intitulado “Educação FísicaEscolar: Atitudes e Valores” discute até que ponto os aspectos que superam aprática do esporte estão sendo desenvolvidos.
  • 21 Foi feito um estudo de caso numa escola pública de Presidente Prudente/SPanalisando uma turma de 5ª série no ano de 1999. A investigação foi através deconversas informais e observações das aulas. Ao analisar esse estudo os autoresapresentam os resultados enfatizando que alguns fatos observados se repetemdurante as aulas e isso chama bastante atenção. São eles: a professora semprecomeçava a dar aula e não definia previamente às atividades e conteúdos; nãohavia diretividade por parte da professora, quem tomava a iniciativa eram os alunose ela apenas acompanhava as atividades; durante as aulas era freqüente adiscordância de opiniões e atitudes e a professora perdia a oportunidade de intervirtornando aquele momento educativo e se fazia passiva. Portanto, verifica-se quenão tem como conteúdo de suas aulas o ensino de atitudes e valores. Observou-se também que nem todos os alunos participavam das aulas doinício até o fim, além de haver separação de meninos e meninas. Sendo assim, foiconstatado que a professora não tinha consciência de sua importância comoeducadora em desenvolver valores e atitudes positivos aos seus educandos. O quefaz pensar na afirmação: “Não haveria criatividade sem a curiosidade que nos movee que nos põe pacientemente impacientes diante do mundo que não fizemos,acrescentando a ele algo que fazemos” (FREIRE, 1996, p.32). Em uma pesquisa bibliográfica feita por Paraíso e Cruz (2009) cujo tema é a“Prática Pedagógica da Educação Física na escola: Contradições e Possibilidades”buscou-se compreender como se caracteriza a organização do trabalho pedagógicolevando em consideração o conhecimento, os objetivos e a avaliação numaperspectiva emancipatória. O estudo discute a questão da escola na sociedadecapitalista e correlaciona com as estruturas de classes sociais. Define osobjetivos/avaliação como processo essencial para compreender e transformar aescola. A visão que se tem é que os objetivos servem para manutenção do sistemavigente e a avaliação serve de controle para essa função, tanto na forma deinstrumentos de medição quanto no que se diz respeito à aferição de valores eatitudes dos estudantes. Citam, também, avanços alcançados nesses últimostempos como afirmação do esporte e as outras formas de culturas corporais. Porém,o estudo aponta que esses avanços teóricos não são encontrados na sala de auladas escolas públicas nas aulas de Educação Física.
  • 22 Na Bahia, segundo dados da SUDEB (Superintendência de Desenvolvimentoda Educação Básica, 2005), há carência de espaços para Educação Física e oproblema na formação de professores influencia diretamente no trato pedagógico naescola. Das 1.943 unidades escolares 721 possuem quadras, 672 são descobertas eapenas 49 cobertas; 1.222 não possuem quadras. Dos 2.333 professorescurriculares da disciplina Educação Física, 1.223 possui formação específica, 12 têmformação em outras áreas e 1.098 não possuem formação acadêmica (SUDEB apudPARAÍSO e CRUZ, 2009). Diante dessa realidade, Paraíso e Cruz (2009) fazem severas críticas aomodelo de escolas que reforçam o sistema capitalista, pois, para as autoras, sequisermos transformar a realidade é preciso criar condições para que tal fato ocorra,no plano concreto. O estudo “A prática Pedagógica da Educação Física no contexto escolar”,realizado por Alves (2001), objetivou investigar a prática pedagógica da EducaçãoFísica no âmbito escolar e fazer uma relação como o Projeto Político Pedagógico daEscola. A pesquisa aconteceu em uma escola pública de Goiânia no ano de 2001 eenvolveu a professora de Educação Física, duas duplas de estagiários, acoordenadora pedagógica e os alunos. Para análise dos dados fez-se uso de análise documental do projeto políticopedagógico da escola e planos de ensino, entrevista com a coordenadora,professora, estagiários e alunos, observação das aulas de turmas de 1ª e 2ª séries.Logo após analisar o Projeto Político-Pedagógico (PPP) da escola constatou que aEducação Física não fazia parte do mesmo. Uma das justificativas da coordenadorafoi que era o primeiro ano que a disciplina entrara no currículo na fase inicial doensino fundamental (1ª a 4ª série) e, por isso, ainda estava em discussão. Ao ser questionada, a professora afirmou que não havia prejuízos com aexclusão da disciplina que leciona fora do PPP da escola. Tal fato remete àobservação de que a mesma não percebe a importância da discussão da disciplinacom a comunidade e o contexto escolar, corroborando, portanto, com adesvalorização e subserviência às outras disciplinas. As aulas eram pautadas na Psicomotricidade de forma unilateral ondeprevaleciam o ensino relacionado ao corpo, esquecendo-se de trabalhar as relaçõessociais, como a questão de gênero. Por outro lado, com uma dupla de estagiáriosesses problemas eram resolvidos com muita criatividade, quando tinham que criar e
  • 23realizar movimentos, jogos, atividades que fossem construídas coletivamente. E, navisão dos alunos, as aulas de Educação Física eram as melhores que tinham naescola. Disto parte o pensamento de Alves (2001): é preciso aproveitar essesmomentos para além de passar conteúdos da disciplina, contribuir para a formaçãohumana de cada indivíduo, através de atividades que privilegiem a diversidadecorporal, que não era possível nas aulas da professora da escola onde foi realizadaa pesquisa, visto que ela utilizava em suas aulas preferencialmente os princípios daPsicomotricidade, deixando de lado os outros temas/conteúdos da Educação Física. Embora os estudos acima apresentados relatem realidades diferentes, épossível encontrar pontos de intersecção entre eles quando está se tratando daEducação Física escolar num contexto geral, visto que os quatro esportes (futebol,vôlei, handebol e basquete) ainda são conteúdos predominantes das aulas deEducação Física, os professores parecem não ter consciência da importância dadisciplina e apresenta dificuldades para justificá-la na escola. Além disso, ainda há professores que não seguem um planejamento, o quedificulta o reconhecimento da disciplina no âmbito escolar. Porém, foi notado noestudo de Paraíso e Cruz (2009) que já houve muitos avanços em termosacadêmicos e teóricos só que a realidade encontrada no interior das escolaspúblicas ainda é insatisfatória. Pôde-se comprovar isso no estudo de Alves (2001),quando é citada a ausência da disciplina Educação Física no Projeto PolíticoPedagógico da escola pesquisada na cidade de Goiânia/GO. Essa realidade tornamais difícil a cobrança por melhores condições nas estruturas, recursos materiais eformação inicial e/ou continuada de professores.
  • 24 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS A ciência surge a partir do momento em que o homem tem a necessidade decompreender a realidade, diferente dos mitos e crenças. Para Babbie (1999), elatem base na razão, na lógica e fundamenta-se numa forma probabilística dedeterminismo. Nas ciências sociais, o enfoque empírico analítico conhecido comopositivismo, segundo Gamboa (2002), destaca a prioridade dada às técnicasquantitativas e aos instrumentos “objetivos”. Para a fenomenologia, seusinstrumentos são utilizados com base nas manifestações dos fenômenos nadescrição densa dos fatos, isto gera conflitos porque os dados qualitativos ou aobservação da realidade acaba reduzindo-se a meros dados matemáticos. O objetivo dessa investigação é identificar a concretização do processo deensino aprendizagem da Educação Física ou trabalho com o eixo corpo emovimento nas escolas de Ensino Infantil e Séries Iniciais na sede do município deAlagoinhas/BA. Embora o presente estudo apresente traços quantitativos, Minayo (2001) eGamboa (2002) afirmam que há uma falsa dicotomia entre o quantitativo e oqualitativo, quando se toma a dialética por referência,pois ao analisar os dadosquantitativos os seus resultados servirão de base para análise qualitativa de umadeterminada realidade, neste caso, as escolas públicas municipais de Alagoinhas.Tais dados e análises podem servir de referência para posteriores projetos eprogramas que visam ampliar e qualificar o ensino das práticas corporais ouEducação Física e estes podem promover uma mudança efetiva na realidade daEducação Física do município pesquisado. Tal explicação tem base na dialética enquanto metodologia através doprincípio das transformações das mudanças quantitativas em qualitativas, na qual secompreende que características imanentes dos objetos estão inter-relacionadas, eas mudanças quantitativas graduais geram mudanças qualitativas, e estatransformação se opera por saltos (Afanasyev apud Gil, 1987, p. 32). Em suma, paraconhecer realmente o objeto é necessário estudá-lo em todos os seus aspectos emtodas as suas relações e conexões.
  • 25 4.1 Tipo de Estudo Trata-se de uma pesquisa Survey que, segundo Babbie (1999), visa àobtenção de dados ou informações sobre características, ações ou opiniões dedeterminado grupo de pessoas, indicado como representante de uma populaçãoalvo. A pesquisa Survey, segundo Babbie (1999), apresenta semelhanças com ocenso, porém o Survey difere do censo porque examina uma amostra da populaçãoe o censo geralmente implica uma enumeração de toda população. Em sua história,a pesquisa Survey assumiu funções políticas porque geralmente eram encomendaspor candidatos políticos, utilizada por sociólogos também políticos. Um dos sociólogos a utilizar o Survey foi Karl Marx que utilizou umquestionário bem longo para saber o grau de exploração dos empregados franceses.Outro sociólogo a utilizar o método de pesquisa Survey foi um dos fundadores daSociologia moderna, Marx Weber, que investigou a ética protestante. 4.2 Local da coleta de dados A coleta de dados foi realizada nas escolas públicas de Ensino Infantil eSéries Iniciais da zona urbana do município de Alagoinhas/BA. Esta cidade que ficaa aproximadamente 110 km de distância da capital baiana, localizada no leste daBahia. Segundo últimos dados do IBGE, a cidade tem 139.818 habitantes. No quediz respeito aos aspectos econômicos, a cidade se destaca no setor agrícola por sero maior produtor de limão. Segundo a Junta Comercial do Estado da Bahia(JUCEB), o Município ocupa 13º lugar na posição geral do Estado da Bahia com 666indústrias e o terceiro setor vem crescendo com a descoberta de grande quantidadede poços de Petróleo. O último censo do INEP (2009) mostra que no Ensino Infantil a cidade temaproximadamente 5.619 alunos matriculados na zona urbana e 2.494 na zona rural,seja em tempo parcial ou integral. No Ensino Fundamental, sendo Séries Iniciais eFinais na zona rural, apresenta um total de 5.619 e na zona rural 3.457considerando tempo parcial e integral. O índice de aprovação é de 74,7% no EnsinoInfantil e séries inicias para as escolas municipais, e de 70,2% para rede Estadual eMunicipal.
  • 26 Alagoinhas possui 44 escolas, segundo documento intitulado “Informativo dasUnidades Escolares-2009”, cedido ao projeto de Extensão citado na introdução pelaSecretaria Municipal de Educação de Alagoinhas Dentre estas, 19 é de EnsinoInfantil, 16 são de séries iniciais, porém 1 encontra-se fechada; 5 atendem ambos ossegmentos, 3 são de ensino fundamental II (Serieis Finais) e 1 atende ao ensinotécnico. Para fins deste trabalho, foram utilizados os dados das escolas deEducação Infantil, de Séries Iniciais e das escolas que atendem a ambos ossegmentos. Portanto, trabalhou-se com um universo total de 38 escolas. 4.3 Técnica utilizada na coleta de dados Como instrumento de coleta de dados foi utilizado um questionário com(perguntas abertas e fechadas) do projeto de extensão “Transformação daEducação Física Escolar em Alagoinhas/BA”, que foi produzido com base napesquisa de Ferraz e Macedo (2001). O questionário é um instrumento de investigação muito utilizado paraobtenção de dados nas pesquisas sociais. Para Gil (1987), os seus objetivos são: oconhecimento de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas, situaçõesvivenciadas. Esse tipo de técnica possui inúmeras vantagens se comparado com aentrevista, entre elas a possibilidade de atingir um grande número de pessoas,menores gastos e garante o anonimato das respostas não expondo o pesquisado ainfluência de opiniões. Entretanto, segundo Gil (1987), o questionário apresenta algumas limitações,como a exclusão das pessoas que não sabem ler e escrever impede o auxílio aoinformante, impossibilita o conhecimento das circunstâncias em que foi respondido,não oferece garantia de que a maioria das pessoas vai devolvê-lo e, além disso,envolve geralmente um número relativamente pequeno de perguntas e proporcionaresultados bastantes críticos em relação à objetividade. 4.4 Amostra Tipicamente, métodos de survey são usados para estudar um seguimento ouparcela, uma amostra de uma população, para fazer estimativas sobre a natureza dapopulação total da qual foi selecionada (BABBIE, 1999, p. 113). No entanto, pode-se
  • 27dizer que os surveys quando aplicados em menor escala permitem procedimentosde acompanhamentos mais severos, proporcionando estimativas muito precisas.Vale ressaltar que o pesquisador tem que estar preparado para absorver certasambigüidades, pois nem sempre é possível determinar o grau de precisão dos dadosachados em uma amostra. Como o universo de aplicação dos questionários se trata de uma unidadeescolar pública nem sempre é possível encontrar o responsável legal, o professor (a)de Educação Física. Para garantir a aplicabilidade e a coleta dos dados, osquestionários foram respondidos por Diretores, vice-diretores, coordenadorespedagógicos e professores de outra área que não era Educação Física. Segundo Babbie (1999) pelo fato da pesquisa não obter umarepresentatividade exata, o tipo de amostragem é não probabilística. Neste casojustificada por confiar nas respostas dadas pelos sujeitos que estavam disponíveisno momento de visita à escola para responder questionário 4.5 Análise de dados Para análise de dados, foi feita a análise de conteúdo que Bardin apudMinayo (1996, p. 303) define como: Um conjunto de técnicas de análise de comunicação visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção destas mensagens. A análise de conteúdo historicamente foi utilizada, segundo Minayo (1996),para dar conta tanto da objetividade dos números como dos sentidos subjetivos.Visam ultrapassar os limites do senso comum e subjetividade na hora de interpretartextos, biografias, entrevistas, resultados de observação, atribuindo como objetivoperceber o que está nas entrelinhas. A concretização da análise de conteúdo mencionando a sua consistência écitada por Minayo (1996, p. 308-309) de forma que:
  • 28 [...] deva ser objetiva, trabalhando com regras pré-estabelecidas e obedecendo a diretrizes suficientemente claras para que qualquer investigador possa replicar os procedimentos e obter os mesmos resultados; sistemática, de tal forma que o conteúdo seja ordenado e integrado nas categorias escolhidas, em função dos objetivos e metas anteriormente estabelecidos. Entre os tipos de análise de conteúdo foi utilizada a temática, que visa àsignificação de discursos através de freqüências de termos expressões palavras.
  • 29 5 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS DADOS Para a aplicação dos questionários, foram consideradas as respostas válidas,respondidas pelos sujeitos que estavam disponíveis no momento de visita à escolapara garantir a sua aplicabilidade e coleta de dados. Das 44 Instituições na zonaurbana de Alagoinhas, 1 se encontra fechada; 1 atende ao ensino técnico; 3atendem somente ao ensino fundamenta lI do (Séries Finais); e, 38 atendem aoEnsino Infantil e Séries Iniciais que se constituem como universo da pesquisa.Sendo assim o quadro de distribuição no quesito pessoa responsável por responderos questionários ficou da seguinte forma:QUADRO 1 PESSOA RESPONSÁVEL POR RESPONDER O QUESTIONÁRIO CATEGORIA PROFISSIONAIS FREQÜÊNCIA EM NÚMERO Diretor 13 PESSOA Coordenador 03 RESPONSÁVEL Professor de EF 00 POR Professor de Outra Disciplina 14 RESPONDER O Orientador Educacional 01 QUESTIONARIO Vice diretor 07 Analisando o quadro acima nota-se que a única representação que não seencontrou presente para responder aos questionários foram os professores deEducação Física. Ver-se-á que isto se deve à ausensia deste professor na redeeducacional pesquisada. Além disso, na Educação Infantil e nas Séries Iniciais doEnsino Fundamental quando se fala “ professor de outra disciplina” trata-se de um(a) generalista que rege uma turma em todas as sua atividades. O ítem a seguir trata da presença ou não da disciplina Educação Física nasInstituições de ensino público. Segundo a LDB (Lei 9394/96), em 1996, tornou-se umcomponente curricular obrigatório na Educação Básica, “que envolve a EducaçãoInfantil, Ensino Fundamental e o Ensino Médio” (UNEB, 2009, p.3).
  • 30 QUADRO 2 A ESCOLA TEM AULA DE EDUCAÇÃO FÍSICA CATEGORIA SIM NÃO ESCOLA QUE TEM 1 37 AULA DE EDUCAÇÃO FISICA De 38 Instituições de Ensino Infantil e Séries Iniciais apenas uma tem aula dadisciplina Educação Física, ou seja, apenas (2,64%) do total de escolas. Issoacontece porque existe uma parceria entre a Universidade do Estado da Bahia(UNEB) e a instituição de ensino público em questão. Parceria pela qual sãoofertadas as disciplinas de Atletismo e Estágio Curricular I do curso de Licenciaturaem Educação Física da Universidade que desenvolvem suas atividades no CentroSocial Urbano (CSU) da cidade de Alagoinhas com os alunos da referida escola. Dando sequência à pesquisa, passou-se a investigar se outras atividades sãodesenvolvidas com os alunos. Mesmo quando não há a disciplina Educação Físicano currículo das instituições de ensino público, buscou-se saber se há algumtrabalho referente ao eixo corpo e movimento.QUADRO 3 EXISTE NA ESCOLA ALGUM TRABALHO REFERENTE AO EIXOCORPO E MOVIMENTO CATEGORIA SIM NÃO EXISTE NA ESCOLA ALGUM 30 8 TRABALHO REFERENTE AO EIXO CORPO E MOVIMENTO Das 38 escolas pesquisadas. 30 responderam que sim (78,94%) enquanto 8escolas (21,6%) não desenvolvem tal trabalho. Então, não se pode, afirmar que tallinguagem é menosprezada na escola. Ficou a questão sobre qual o tipo deatividades são desenvolvidas. Em relação a isto, segue a quadro 4, que trata dasatividades presentes na escola.
  • 31QUADRO 4 TIPOS DE ATIVIDADES TRABALHO REFERENTE AO EIXO CORPO EMOVIMENTO FREQUÊNCIA CATEGORIA OCORRÊNCIAS EM NÚMEROS COMPETIÇÕES 1 GINÁSTICA HISTORIADA 1 ALONGAMENTO/RELAXAMENTO 3 BRINCADEIRAS 7 RECREAÇÃO 5 JOGOS 7TIPOS DE ATIVIDADES FUTEBOL 4 TRABALHOREFERENTE AO EIXO ATIVIDADE COM MÚSICA 7 CORPO E DANÇA 2 MOVIMENTO MOVIMENTOS CORPORAIS 5 NÃO ESPECIFICOU 6 RECREAÇÃO EM DATA 2 COMEMORATIVA ACOLHIDA 1 ATIVIDADES DO PROJETO 1 SOCIAL PULA CORDA 3 Os elementos mais presentes são os jogos e atividades com música. Isto,aparentemente, pode dar a impressão de que os professores tem consciência danessecidade de a criança experimentar a cultura corporal. Todavia, só é possivelfazer tal análise sabendo os objetivos do trabalho pedagógico. A mesma observaçãovale para o item movimentos corporais. Quanto à ideia de recreação, trata-se dealgo que vai contra a perspectiva de que a Educação Física tem algo a ensinar,mesmo que lúdicamente. Muitas escolas não especificam as atividades realizadas, oque da pistas que a supracitada consiêcia não é tão clara assim. Aparecem, ainda,duas ocorrências que chamam a atenção: competição, que mostra uma perspectivade trabalho como movimento corporal que reproduz a exclusão e práticas
  • 32classificatórias inadequadas para a primeira infância; e, datas comemorativas, quetornam a Educação Física por um enfeite na escola. Embora se perceba a importância dessas atividades, algumas escolasresponderam não ter nem Educação Físca nem trabalho voltado ao eixo corpo emovimento. Portanto no item a seguir pediu-se justificativa.QUADRO 5 AS ESCOLAS QUE RESPONDERAM NÃO TER TRABALHO COM OEIXO CORPO E MOVIMENTO FREQUÊNCIA EM CATEGORIA RESPOSTAS NÚMEROS FALTA DE NÃO PRESENÇA DE 4 PROFISSIONAL TRABALHO RELATIVO AO FALTA DE MOVIMENTO CORPORAL 4 ESTRUTURA FÍSICA Pode-se fazer uma relação com os dados encontrados no QUADRO 5 com osdo QUADRO 8, esse que apresentou em maioria das respostas 21 professoresformados em pedagogia ou (55,26%) das escolas pesquisadas, como ministrantesdas atividades relacionadas ao eixo corpo e movimento. Tal fator revela a carênciade professores de Educação Física para o segmento de ensino na zona Urbana dacidade de Alagoinhas/BA. A falta de estrutura física mostra que as escolas paracrianças também estão organizadas de modo a priviligiar os conhecimetosintelectuais.QUADRO 6 NECESSIDADE DA EDUCAÇÃO FISICA NA ESCOLA OU TRABALHOCOM MOVIMENTO CORPORAL CATEGORIA SIM NÃO NÃO RESPONDEU NECESSIDADE DA EDUCAÇÃO 37 0 1 FISICA NA ESCOLA OU TRABALHO COM MOVIMENTO CORPORAL
  • 33 Das escolas pesquisadas, 37 (97,36 %) consideram a Educação Físicanecessária. Para melhor visualizar qual as justificativas da necessidade de realização dasatividades com movimento corporal nas escolas, foi organizado o quadro que segue,explicitando as respostas que mais apareceram.QUADRO 7 MOTIVOS QUE JUSTIFICAM A NECESSIDADE DO MOVIMENTOCORPORAL FREQUENCIA CATEGORIA OCORRÊNCIAS EM NUMEROS AJUDA NO DESENVOLVIMENTO 10 TIRA A TIMIDEZ 2 BOM PARA SAÚDE 7 GASTAR ENERGIA 3 MOTIVOS QUE TRABALHA CORPO E MENTE 3 JUSTIFICAM A SAIR DA SALA 3 NECESSIDADE DO DIVERSÃO 3MOVIMENTO CORPORAL COORDENAÇÃO MOTORA 3 INTEGRAÇÃO/SOCIALIZAÇÃO 3 MANTER A DISCIPLINA 2 CONHECER/CUIDAR DO CORPO 7 Analisando o quadro acima, percebe-se que as resposta que mais aparecemsão “Ajuda no desenvovimento, bom para saúde e conhecer/cuidar do corpo”. Issomostra não só a visão da comunidade escolar sobre o movimento corporal comotambém a opinião do senso comum sobre a disciplina Educação Física, queacredita que a disciplina está voltada basicamete para o desenvolvimento do corpo,do físico, ou seja, é bom para saúde e para a mente. Essas percepções mostram,que as concepções biologicistas e espontaneístas de Educação Física estãoenraizadas na realidade escolar, possivelmente pela própria história da EducaçãoFísica. Além disso, isto mostra que o conhecimento científfico produzido nasUniversidades brasileiras sobre a Educação Física não está presente no contextodas escolas alagoinhenses, o que coaduna com as afirmações de Paraíso e Cruz(2009).
  • 34 Tais respostas também podem ser explicadas por conta da formação dosprofessores que ministram aulas de Educação Física, explícita no quadro 8.QUADRO 8 FORMAÇÃO DOS PROFESSORES QUE MINISTRAM AS AULAS DEEDUCAÇÃO FÍSICA OU TRABALHO COM O EIXO CORPO E MOVIMENTO. CATEGORIA FORMAÇÃO FREQUÊNCIA EM NÚMEROS EDUCAÇÃO 1 FÍSICA(ESTÁGIARIOS) PEDAGOGIA 21FORMAÇÃO DOS FORMAÇÃO EMPROFESSORES 8 NÍVEL SECUNDÁRIO HISTÓRIA 1 NÃO ESPECIFICOU 7 Foi possível visualizar no quadro acima que apenas uma escola possuiprofessores de Educação Física ainda em formação atuando. Logo, verifica-se quena maioria são os profissionais formados em Pedagogia e secundaristas queministram essas aulas. Essa realidade não é muito diferente da apresentada pelaSUDEB, no estudo de Paraíso e Cruz (2009). O debate sobre as transformaçõesnecessárias na área da de Educação Física acontecem nos cursos atuais deEducação Física. Então, se esses professores não estão nessas escolas é fácilexplicar porque as justificativas para a Educação Física são as mostradasanteriomente Sabendo qual a formação das pessoas que ministram essas atividades, erapreciso saber os objetivos e conteúdos desenvolvidos. Então, pergunto-se, quais osobjetivos do trabalho com o movimento corporal, na sua opinião e quais osconteúdos devem ser desenvolvidos nas atividades relativas ao movimentoscorporal? Sobre os objetivos segue o quadro 9. E no que diz respeito aos conteúdos,constitui-se o quadro 10.
  • 35QUADRO 9 OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA E/OU TRABALHO COM MOVIMENTOCORPORAL FREQUENCIACATEGORIA OCORÊNCIA EM NUMEROS DESENVOLVIMENTO DA COORDENAÇÃO MOTORA 7 PASSAR O CONTEÚDO DE OUTRA DISCIPLINA 3 MELHOR DESEMPENHO NAS ATIVIDADES 1 FACILITAR O APRENDIZADO 1 CUIDADO COM O CORPO 7 MANTER A DISCIPLINA/REGRAS 2OBJETIVOS SOCIALIZAÇÃO/INTEGRAÇÃO 10 RELAXAMENTO 5 AUTO-ESTIMA/QUEBRAR TIMIDEZ 4 LIBERAR ENERGIA 2 RECREAÇÃO/LAZER 5 ESPORTE 4 O desenvolvimento da coordenação motora foi bastante apontado no quadro acima. No entanto, Darido (1999), cita a perspectiva da abordagem da Psicomotricidade, a qual esta pautada na execução dos movimentos concentrando no rendimento motor e outro ligado ao nível de controle “Psicomotor”. Para tanto os movimentos precisam acontecer de forma espontânea onde a criança possa se expressar livremente. Já a abordagem desenvolvimentista acaba privilegiando o movimento como meio e fim da Educação Física, contrariando a sua especificidade. Com valorização do desenvolvimento motor e das habilidades motoras que passam a ter maior grau de importância para vida das crianças. Para Betti apud Darido (1999) os objetivos da Educação Física não podem se restringir ás habilidades motoras. A Educação Física em si é utilizada para diversos fins, no quadro as respostas socialização/integração, manutenção da disciplina/regras, recreação e lazer liberar energia destaca tal evidência. Entretanto Sabe-se que a Educação
  • 36Física tende a considerar os sujeitos do processo ensino aprendizagem em suatotalidade. Outro fator que se destaca é questão do cuidado com o corpo, tal afirmaçãoadvém da visão que a Educação Física ou atividade física esta correlacionada àsaúde. Ou seja, o fato de fazer exercícios físicos não deixará as pessoas isentas adoenças.QUADRO 10 CONTEÚDOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA E/OU TRABALHO COMMOVIMENTO CORPORAL FREQUÊNCIA CATEGORIA OCORRÊNCIA EM NUMEROS DANÇA 6 CAPOEIRA 2 ALONGAMENTO/AQUECIMENTO 2 JOGOS 5 MÚSICA 5 FUTEBOL 7 BRINCADEIRAS DE RODA/CULTURA 2 POPULAR ESPORTE 1 COORDENAÇÃO MOTORA 1 CONTEÚDOS FLEXIBILIDADE 1 DISCIPLINA 2 HISTÓRIAS 1 CONCEITO DE CORPO 1 NÃO ESPECIFICOU 10 AFETIVIDADE 1 CIÊNCIAS 1 PORTUGUÊS 1 MATEMÁTICA 1 HIGIENE 1 TEATRO 1
  • 37 Para Souza Junior (1999), os conteúdos devem promover as atividadesvoltadas para a cultura corporal, e garantindo aos alunos a prática de outrasvivências além do esporte, como também cita em seu estudo de Alves (2001). Noentanto, Souza Junior (1999) defende que o esporte de forma geral faça parte docotidiano da Educação Física, mas que possa ser ensinado em uma lógica que façao aluno pensar criticamente sobre. Entretanto, olhando o quadro 10 percebe-se queforam citados outros conteúdos da Educação Física, embora o se tenha questionadosobre o trabalho com o eixo corpo e movimento. Isso mostra que mesmo sem oconhecimento especifico os conteúdos são trabalhados nas escolas de Alagoinhas.Por entender que, o trabalho com o eixo corpo e movimento não seja uma áreaexclusiva da Educação Física. O item música, teatro e histórias apesar de aparecer nas respostas doquadro acima não são conteúdos da Educação Física. Logo a idéia de que se tem éque a Educação Física cede espaço para as outras atividades porque ainda não élegitimada em certos âmbitos escolares. Já quando são citados como conteúdooutras disciplinas como: Ciências, português, e matemática percebem-se asupervalorização que é dada a essas em detrimento da Educação Física. E aquestão do alongamento/aquecimento que também foi apontado, demonstra certapreocupação por parte das professoras que realizam as atividades relativas ao eixocorpo e movimento, com o corpo. Além disso, há o problema de saber como lidar em diversas situações quedemandem do conhecimento da área tipo as questões sociais (separação nas aulas,gênero e outros), diretividade, e do tipo físico mesmo, (força, tamanho, peso,estatura, etc.). Como intervir? É possível que ocorra o que aconteceu no estudocitado por de Guimarães (2001) anteriormente onde a professora observada quasesempre perdia o controle da aula. Outro elemento que buscou identificar foi se as escolas fazem avaliação notrabalho do eixo corpo e movimento. O fato de a maioria das escolas não fazeravaliação remete, mais uma vez, ao valor pedagógico que a Educação Física temnessas realidades. Souza Junior (2003) afirma que um componente curricular temobjetivos e conteúdos específicos. E, Soares et al. (1992 p.70) dizem que osprocedimentos avaliativos, “não se reduz a medir, comparar e classificar os alunosse constitui como uma totalidade sentido e uma finalidade um conteúdo uma forma”.
  • 38QUADRO 11 AVALIAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA OU TRABALHO COM O EIXOCORPO E MOVIMENTO CATEGORIA FAZ NÃO FAZ NÃO AVALIAÇÃO AVALIAÇÃO ESPECIFICOU AVALIAÇÃO 8 22 8 EM EDUCAÇÃO (21,05%) (57,89%) (21,05%) FÍSICA Sobre as escolas que realizam avaliação em Educação Física ou trabalhocom movimento corporal buscou-se saber quais os objetivos e as respostas foram:verificar no quadro abaixo.QUADRO 12 OBJETIVOS DA AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO FÍSICA E/OUTRABALHO COM MOVIMENTO CORPORAL FREQUÊNCIA CATEGORIA OCORRÊNCIA EM NUMEROS PARA SABER SE OS ALUNOS ESTÃO 1 GOSTANDO DAS ATIVIDADES PARA SABER SE TEM ALGUMA DEFICIÊNCIA 1 AVALIAÇÃO GRADUAL 1 OBJETIVOS DESENVOLVIMENTO MELHORAR 2 DA DESEMPENHO E ACOMPANHAMENTO AVALIAÇÃO VERIFICAR O RESULTADO DO TRABALHO 1 AVALIAR A TIMIDEZ/PARTICIPAÇÃO NAS 1 AULAS SUPERAR OS LIMITES DO CORPO 1 A avaliação referente ao eixo corpo e movimento, Soares, et. al. (1992), trazcomo proposta para do processo de ensino aprendizagem, resultados obtidos, aobservação, análise e conceituação que compõe através dos elementos da conduta
  • 39humana. É preciso considerar todos os estágios e níveis de desenvolvimentos dociclo ensino aprendizagem. Porém o que se pode observar no quadro acima é queas escolas que realizam avaliação, não têm objetivos claros, que visem à formaçãocompleta dos alunos. Para saber onde são desenvolvidas essas atividades, foi perguntado: Qual oespaço físico disponibilizado para acontecerem às aulas de Educação Física e/outrabalho com o eixo corpo e movimento?QUADRO 13 LOCAL ONDE SÃO DESENVOLVIDAS AS ATIVIDADES RELATIVASAO EIXO CORPO E MOVIMENTO LOCAL FREQÜÊNCIA EM NÚMEROS SOMENTE QUADRA POLIESPORTIVA 1 SOMENTE SALA DE AULA 5 SOMENTE EM UM PÁTIO OU CAMPO 8 SALA E QUADRA POLIESPORTIVA 0 SALA E UM PÁTIO OU CAMPO 12 QUADRA POLIESPORTIVA, CAMPO 4 E/OU PÁTIO, SALA DE AULA NÃO RESPONDEU 7 Nota-se que o local onde são desenvolvidas as atividades mais citado sãosala e pátio ou campo. A realidade demonstrada no quadro 13 é abordada por Cruze Paraíso (2009) o qual revela e faz severa criticas as instalações escolas públicasda Bahia. Constatando todas essas informações, questionou-se: Você sente falta deacompanhamento pedagógico com relação ao trabalho no campo da EducaçãoFísica ou movimento corporal? Especifique
  • 40 QUADRO 14 SENTE FALTA DE ACOMPANHAMENTO PEDAGÓGICO EM RELAÇÃO AO CAMPO DA EDUCAÇÃO FÍSICA OU EIXO CORPO E MOVIMENTO NÃO CATEGORIA SIM NÃO RESPONDEU SENTE FALTA DE COMPANHAMENTO PEDAGÓGICO EM RELAÇÃO AO CAMPO DA 25 7 6 EDUCAÇÃO FÍSICA OU EIXO CORPO E MOVIMENTO Observando o quadro acima se vê que as escolas gostariam de ter acompanhamento pedagógico para o trabalho com movimento corporal.QUADRO 15 JUSTIFICATIVA SENTE FALTA DE ACOMPANHAMENTO PEDAGÓGICOEM RELAÇÃO AO CAMPO DA EDUCAÇÃO FÍSICA OU EIXO CORPO E MOVIMENTO FREQUENCIA EM CATEGORIA OCORÊNCIA NUMEROS AUMENTO DA OFERTA DE ATIVIDADES A SEREM 8 DESENVOLVIDAS QUESTÕES DE SAÚDE 2 SENTIR SEGURANÇA NAS 3 ATIVIDADES DESENVOLVIDAS SABER COMO LIDAR COM AS JUSTIFICATIVA 5 ATIVIDADES PORQUE É IMPORTANTE TER UM 4 PROFISSIONAL DA ÁREA PARA SABER COMO LIDAR COM 4 O CORPO PARA TER CONHECIMENTO 2 ESPECIFICO DA DISCIPLINA
  • 41 Quanto às respostas „sim’, as justificativas que mais apareceram foram:porque nos ajudaria com as atividades, aumentaria a oferta de atividades, porquesentiríamos mais segurança sobre as atividades desenvolvidas. E quando aresposta foi não à justificativa foi porque temos acompanhamento de umapedagoga. O que se pode notar é que há por parte dos sujeitos que respondeu osquestionários nas escolas a perspectiva de que o professor de Educação Físicapode contribuir na sua realidade. Ainda assim, parte dessa perspectiva se vincula aoponto de vista que vinculam a Educação Física ao físico.
  • 426 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo teve como objetivo analisar concretização do processo deensino-aprendizagem da Educação Física ou trabalho com o eixo corpo emovimento nas Escolas de Ensino Infantil e Séries Iniciais na sede do Município deAlagoinhas/BA. Assim, os objetivos foram: verificar as escolas que possuem Educação Físicaou trabalho com movimento corporal; identificar a formação dos professores queministram as aulas nas escolas; levantar objetivos e conteúdos; identificar se há equal é o objetivo da avaliação; verificar os espaços físicos destinados a prática dasaulas de Educação Física ou atividade com movimento corporal. No ano de 1996 foi aprovada a LDB (Lei 9394/96), que traz em seu texto aobrigatoriedade da disciplina Educação Física na Educação Básica, que envolve aEducação Infantil, Ensino Fundamental e o Ensino Médio. No entanto o que seencontra na maioria das cidades do Brasil em especial na Bahia, é que a mesmavem sendo descumprida. Infelizmente, essa também é a realidade do município deAlagoinhas. Após realizar essa pesquisa foi possível constatar inúmeras situaçõesadversas. Uma delas foi o questionamento feito anteriormente sobre os dadosencontrados em relação à quantidade (76, 94,%) de escolas que realizam atividadescom movimentos corporais mesmo sem ter no currículo a disciplina Educação Física.Demonstrando que as professoras que realizam essas atividades, em sua maioriacom formação em Pedagogia ou secundarista (magistério), tem consciência daimportância das atividades para a vida dos alunos. Vale ressaltar aqui a grandecontribuição dessas professoras, que mesmo sendo uma generalista, encontratempo para desenvolver as atividades voltadas ao eixo corpo e movimento. Outra situação foi no que diz respeito ao acompanhamento pedagógico, naqual a maioria das professoras responde sentir falta do mesmo, principalmente paradesenvolver as atividades relacionadas ao eixo corpo e movimento. Tal evidência é,mas um fator que comprova o descaso para com a educação no ensino infantil eSéries Inicias desse município. O que se pode notar em relação ao espaço que são realizadas às atividades,segundo as respostas dos questionários, é que os mesmos acabam sendoinsuficientes para tais práticas. Demonstrando que a estrutura das escolas públicas
  • 43está longe de atender as necessidades básicas para o processo de ensinoaprendizagem. E em se tratando de uma cidade do interior, o abandono e descasono que diz respeito à estrutura com essas instituições (Ensino Infantil ao 5º ano)torna-se cada vez, mais comum. Embora o conteúdo mais citado ainda seja o esporte em especial o futebol, édifícil pensar como realizar essas atividades se o município se quer tem no seucurrículo a disciplina Educação Física nem estrutura física que garanta essa ação.Logo, não se têm objetivos claros para com as atividades com movimentos corporaise muitas vezes, são “feitas só por fazer”. A realidade da cidade de Alagoinhas não é muito diferente das outras dointerior da Bahia. Foi constatado que existe um grande déficit de professores comformação em Educação Física apesar de possuir um curso de formação deprofessores na Universidade do Estado da Bahia (UNEB) na própria cidade. Massabe-se que o mesmo é novo, cerca de 6 anos, e por conta disso só agora o perfilda cidade vem mudando no que diz respeito à Educação Física escolar, através deprojetos de extensão, estágios, pesquisas acadêmicas e parcerias com a prefeitura. No entanto, acredita-se que a transformação dessa realidade pode acontecer.Isso se torna possível se a Universidade entrar no embate político com asautoridades competentes dessa cidade. Para que a cultura corporal seja tematizadae legitimada nas escolas. Depois de feitas tais constatações, o estudo aponta para anecessidade de uma política de educação, que valorize todos os conhecimentosinclusive a Educação Física como componente curricular. E como uma das principais funções da Universidade é a preparação doindividuo para o mundo do trabalho, entende-se que os professores que sãoformados por essa Instituição, principalmente no curso de Educação Física, deva ternesse município mais um campo de atuação. Garantindo aos cidadãos dessa cidadeacesso educação de qualidade. Entretanto, neste momento torna-se importante destacar os projetos deextensões existentes na UNEB Campus II. Pois os mesmos já estão contribuindosignificamente à comunidade local. E em especial, o projeto, “Transformação daEducação Física escola em Alagoinhas, o qual se constitui como fonte de instigaçãodesse estudo. Uma vez que parte da iniciativa de um professor da Universidade(UNEB). Mas sem duvida o que é preciso levar em consideração são os dados
  • 44encontrados nessa pesquisa de bastante relevância e que vai servir de mediaçãoentre a universidade e a comunidade do município de Alagoinhas. Sendo assim, acredita-se que a Educação Física ou trabalho com movimentocorporal, que foi muito citado nesse trabalho, pode vir a se tornar de fato umcomponente do curricular em tal seguimento escolar (Ensino Infantil e SériesIniciais). Pois, os dados demonstrados na pesquisa, apresentam que a grandemaioria dos representantes escolares que estão no dia-a-dia na escola, sentenecessidade enfatizam sua importância para a vida das crianças.
  • 45 REFERÊNCIASALVES, Wanderson Ferreira. A prática Pedagógica da Educação Física no contextoescolar: um estudo de caso. Revista de Pedagogia. 2001. Disponível emhttp://www.fe.unb.br/revistadepedagogia/numeros/06/artigos/artigo02.htm. Acessoem 05/07/2010BABBIE, Earl. Métodos de pesquisa Survey. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1999BRACHT, Valter; CRISÓRIO, R. (Orgs.). A Educação Física no Brasil e naArgentina: identidade, desafios e perspectivas. Campinas: Autores Associados,2003.BRACHT, Valter. Educação Física e Aprendizagem social. Porto Alegre: Magister,1992.BRACHT, V. Educação Física & Ciência: cenas de um casamento (in) feliz. Ijuí:UNIJUÌ, 1999.CASTELLANI FILHO, Lino. Educação Física no Brasil: a história que não se contaCampinas: Papirus, 1988.CAPARRÓZ, F. E. Entre a Educação Física na escola e a Educação Física daescola: a Educação Física como componente curricular. Vitória: CEFD-UFES,1997.COSTA, Martha Benevides da. Projeto de extensão: Transformação da EducaçãoFísica Escolar. UNEB. Alagoinhas 2009 -2010DARIDO, S.C. Educação Física na escola: questões e reflexões. Rio de Janeiro:Guanabara Koogan, 2003.FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à práticaeducativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.GIL, Antonio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa 4. Ed. São Paulo:ATLAS, 2007.Guerreiro, Djane Aparecida e Araújo, Paulo Ferreira. Educação Física escolarou esportivização escolar? 2004 Disponível emhttp://www.efdeportes.com/efd78/esportiv.htm Acesso em 15/07/2010GUIMARÃES, Ana Archangelo. Educação Física Escolar: Atitudes e valores. Jan-jun, 2001 vol. 7, n.1, pp. 17-22 Disponível emwww.rc.unesp.br/ib/efisica/motriz/07n1/Guimaraes.pdf Acesso em 05/07/2010
  • 46IBGE. Perfil dos municípios Brasileiros: Esporte 2003. Pesquisas de Informaçõesbásicas municipais. Rio De Janeiro: RJ: 2003. Disponível emhttp://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/perfilmunic/esporte2003/default.shtm acesso em 05/07/2010KUNZ, E. Transformação didático-pedagógica do esporte. Ijuí: Unijuí, 1994.MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento. Rio de Janeiro:Hucitec-Abrasco, 2006.PAIVA, Fernanda. Constituição do campo da Educação Física no Brasil:ponderações acerca de sua especificidade e autonomia. In: BRACHT, Valter eCRISÓRIO, Ricardo. (orgs.). A Educação Física no Brasil e na Argentina.Campinas: Autores Associados, 2003. p. 63-80.PARAISO, Cristina Souza e Cruz, Amália Catharina Souza. Prática pedagógica daEducação Física na escola: contradições e possibilidades Anais do XVICongresso Brasileiro de Ciências e do Esporte e III Congresso Internacional deciência do Esporte Niterói.RESENDE, Helder Guerra de e SOARES, Antonio Jorge Gonçalves, Conhecimentoe especificidade da educação física escolar, na perspectiva da cultura corporal.Revista Paulista. Educação Física, São Paulo, supl. p.49-59, 1996. Disponível emhttp://www.educacaofisica.com.br/biblioteca_mostra.asp?id=930 Acesso em27/07/2010SILVEIRA, Juliano. A Educação Física escolar nas escolas públicas e seusconteúdos: Uma analise da sobre a postura dos educadores acerca do seucampo de trabalho. VI encontro Fluminense de Educação Física Escolar, Niterói:Universidade Federal Fluminense, Departamento de Educação e Desporto 2002.Disponível em.http://scholar.google.com.br/scholar?hl=ptBR&lr=&q=related:3BRXELij8W0J:scholar.google.com/&um=1&ie=UTF8&sa=X&ei=6hkyTKjuM4uSuAew8uHnAg&ved=0CBoQzwIwAA Acesso em 05/07/2010SOARES, Carmem Lúcia, et al. Metodologia do Ensino da Educação Física. SãoPaulo: Cortez, 1992.SOARES, Carmem Lúcia Educação Física Escolar conhecimento e especificidade.Revista paulista. Educação Física. São Paulo supl.2 p.6-12, 1996. Disponível em:http://cev.org.br/biblioteca/educacao-fisica-escolar-conhecimento-especificidadeAcesso em 05/07/2010SÁNCHEZ, Gamboa, Sílvio (org.). Pesquisa Educacional: quantidade qualidade,São Paulo: Cortez, 2002.SOUZA JÚNIOR, Marcílio. O saber e o fazer pedagógicos: a Educação Físicacomo componente curricular... ? ...isso é História! Recife: EDUPE, 1999.
  • 47SOUZA JÚNIOR, Marcílio. Política Curricular e Educação Física: competências,ciclos e qualidade social na proposta da Rede Municipal do Recife. In SOUZAJÚNIOR, Marcílio (org.) et al. Educação Física escolar: Teoria e política curricular,saberes escolares e proposta pedagógica. Recife: EDUPE, 2005, p. 31-81.VASQUEZ, Adolfo Sanchez. Filosofia da Práxis. 2. Ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra,1977
  • 48ANEXO
  • 49 Universidade do estado da Bahia – UNEB Reconhecida pela portaria ministerial nº909 de 31-07-95 Departamento de Educação/Campus II – Alagoinhas Colegiado de Educação Física PROJETO DE EXTENSÃO “EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR EM ALAGOINHAS” QUESTIONÁRIO Prezado (a) Senhor (a),Este questionário faz parte das ações do projeto de Extensão “Educação Física escolar emAlagoinhas,” vinculado ao Curso de Licenciatura em Educação Física da UNEB-CampusII/Alagoinhas. O objetivo inicial é diagnosticar a condição da Educação Física e/ou trabalhocom movimento corporal no currículo das escolas dessa cidade para, em seguida, oferecer curso deformação e acompanhamento pedagógico em relação a essa área de conhecimento nas escolas domunicípio cidade de Alagoinhas.*Este questionário foi produzido com base na pesquisa de Ferraz e Macedo (2001), que objetivou amesma realidade no município de São Paulo.Unidade escolar: _____________________________________________________Respondido por:( )Diretor( )Coordenador( )Professor de Educação Física( )Professor com outra formação( )Orientadora Educacionala.A Escola possui aulas de Educação Física? 1. ( ) Sim 2.( ) Nãob. se você respondeu não na questão anterior responda:Existe na escola algum trabalho referente ao eixo corpo e movimento?. 1. ( ) Sim 2.( ) NãoEspecifique:___________________________________________________________________c. Se você respondeu não na questão b responda:Por que não existe na escola nem Educação Física nem algum trabalho relativo ao movimentocorporal?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Caso tenha respondido não nas questões a ou b é necessário responder a seguinte questão:d. Você acha que a Educação Física ou trabalho com movimento corporal é necessário na sua escola? 1. ( ) Sim 2.( ) Não Justifique:_____________________________________________________________________
  • 50________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Se você respondeu sim nas questões a ou b prossiga respondendo o questionário. Caso tenharespondido não nas questões a ou b, não é necessário responder as questões seguintes.e. Qual a formação de quem ministra as aulas de Educação Física ou trabalho relativo ao movimentocorporal?1. ( ) Educação Física2.( ) Formação em nível secundário3. ( ) Outra graduação. Qual?___________________________f. Quais os objetivos do trabalho com movimento corpora, em sua opinião?________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________g. Quais os conteúdos devem ser desenvolvidos nas atividades relativas ao movimento corporal?________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________h. Existe avaliação em Educação Física ou no trabalho referente ao movimento corporal?1.( )Sim2.( )Nãoi.Qual o objetivo da avaliação?________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________j.Qual o espaço físico disponibilizado para acontecerem as aula de Educação Física /ou trabalhos como eixo corpo e movimento?1. ( ) Somente quadra poliesportiva2.( )Somente sala de aula3.( )Somente em um pátio ou campo4.( ) Sala e quadra poliesportiva5.( )Sala e um pátio ou um campo6.( )Quadra poliesportiva, campo e/ ou pátio, sala de aulak.Você sente falta de acompanhamento pedagógico com relação ao trabalho no campo da EducaçãoFísica ou do movimento corporal?1. ( ) Sim2. ( ) NãoEspecifique:___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________