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    Josemir Josemir Document Transcript

    • UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - CAMPUS II DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO - DEDC JOSEMIR PEREIRA SANTOS MEMÓRIA DO ALAGOINHAS ATLÉTICO CLUBE: Jogadores, Trajetória e Vínculos Alagoinhas 2010
    • JOSEMIR PEREIRA SANTOSMEMÓRIA DO ALAGOINHAS ATLÉTICO CLUBE: Jogadores, Trajetória e Vínculos Monografia apresentada ao Curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade do Estado da Bahia - Campus II, para obtenção do grau de Licenciado em Educação Física, sob orientação do Professor Dr. Augusto César Rios Leiro. Alagoinhas- Ba 2010
    • AgradecimentosAgradecimento maior a Deus que nos concede força e discernimento parasuperação das dificuldades, à família que é a base de sustentação que memotiva e me impulsiona a todo momento.Rendo uma homenagem ao meu velho pai, incentivador de todos os filhos paraque estudassem em busca de uma educação de qualidade. Com todo esforçonos possibilitou esta oportunidade.Dedico uma página especial à minha mãe, presença marcante em todos osmomentos, símbolo de garra e proteção.Aos amigos os quais tenho dividido o peso do fardo, tornando-o mais leve.Também temos compartilhado muitos momentos de alegria.À minha turma, a qual parabenizo pela maturidade alcançada neste período emque convivemos, prova disso fica evidenciada pelos bons trabalhosapresentados para a conclusão do curso, me orgulho de tê-los como colegas,alguns se tornaram amigos, que levarei para toda a vida.A todos, os ex-atletas que com boa vontade e presteza aceitaram fazer partedesta pesquisa dando uma colaboração muito importante para a elaboraçãodeste trabalho.Aos professores que com seu método de ensino nos passam mais do queconhecimento tão somente voltado as disciplinas curriculares, nos incentivam apesquisar, discutir novas idéias, auxiliando assim para o bom desenvolvimentodo grupo.A meu irmão Silvan e minha cunhada Pedrita, pelo incentivo e ajuda constanteem busca da conclusão do curso e elaboração deste trabalho.Aos amigos Uilien e Milena pela disponibilidade, sempre que precisei consultá-los para formatação, correção e companhia para a coleta de dados.Aos amigos de todas as horas : Silvana, Roberta e Daniel.A todos o meu muito obrigado.
    • ResumoA presente escrita, trata de um estudo monográfico sobre a história e memóriado Alagoinhas Atlético Clube - Ba, com vistas dos ex - jogadores destacandosua trajetória no clube e sua atual situação fora do futebol. Foramdesenvolvidos os seguintes procedimentos metodológicos: pesquisadocumental e bibliográfica e questionário com questões fechadas e entrevista.Os resultados apontam que apesar dos ex-jogadores possuírem um tempo deatuação expressivo e terem participado da conquista de alguns títulos para oclube, nenhum deles possui qualquer tipo de vinculo com A.A.C. atualmente,onde apenas um dos entrevistados refere ter participado de um programasocial criado pelo clube. Para tanto, inicialmente, foi feito um diagnósticoinstitucional, para conhecimento do time e sua trajetória no cenário baiano enacional, as necessidades e dificuldades presentes no esporte local e tambémde seus jogadores. O estudo foi desenvolvido a partir de três (03) blocostemáticos: Aplicação de questionários aos ex-atletas; Entrevista com o gestordo A.A.C.; Levantamento documental do clube. Após análise descritiva dosdados, é possível afirmar que existem poucos registros referentes ao clubedatado da época da sua fundação em abril de 1970 e que seus ex-jogadores,seguem vidas distintas, sem manter nenhum vínculo social desde osrespectivos desligamentos do clube.Palavras-chave: Memória, Jogadores e Trajetória.
    • AbstractThis writing is a monographic study of the history and memory AlagoinhasAtlético Clube - Ba, with views of the ex - players at the club highlighting itshistory and its current situation outside of football. We have developed thefollowing methodology: desk research and literature and closed questions andinterview. The results show that in spite of ex-players have an impressive timeof work and have participated in the conquest of some titles for the club, none ofthem has any link with AAC Currently, only one of the respondents reportedhaving participated in a program created by the social club. For that, initially, aninstitutional diagnosis was made out to the team and its trajectory in Bahia andnational scene, needs and difficulties present in local sport and also his players.The study was developed from three (03) thematic groups: Application ofquestionnaires to former athletes, Interview with the manager of AACdocumentary survey of the club. After descriptive analysis, it is clear that thereare few records pertaining to the club dated from the time of its founding in April1970 and that his former players, they follow different lives, without maintainingany link from their social club shutdowns.Keywords: Memory, Players and Trajectory.
    • Lista de SiglasAAC – Alagoinhas Atlético ClubeAGAP – Associação de Garantia aos Atletas ProfissionaisCBF – Confederação Brasileira de FutebolFIFA- Federação Internacional e Associação de FutebolIBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
    • Lista de ImagensFIGURA 1 – Bola de Futebol 15FIGURA 2 – Escudo do AAC 27FOTO1 –Time do Bangu 20FOTO 2 - Campo do Bangu 22FOTO 3 – Estádio Antônio Carneiro 25FOTO 4 – Time Pioneiro do AAC 26FOTO 5 – Parte Interna do Estádio 36FOTO 6 – Visão Geral da Obra 36FOTO 7 – Estádio Atualmente 37
    • Sumário1 Introdução 82 Reflexões Teóricas sobre Memória e História 102.1 Memória no Esporte 122.2 História do Futebol 142.3 História e Memória dos Clubes 193 Caminhos Metodológicos da Pesquisa 233.1 O Alagoinhas Atlético Clube em Foco 253.2 Análise dos Dados 294 Considerações finais 30 Referências Anexos
    • 8 1. Introdução No processo de escolha do tema para o Trabalho de Conclusão deCurso havia um desejo de realizar, não uma monografia de produção textualbaseada apenas nas pesquisas bibliográficas, mas um trabalho de pesquisa decampo, um fator acabou sendo decisivo: a realização pessoal. Não tinhainteresse em fazer um projeto de pesquisa diretamente voltado para área, umaanalise do discurso, questionamentos acerca dos veículos ou tão somente umapesquisa histórica. Por conta disso, fica claro que, os projetos de pesquisas naUneb, tenham uma abrangência que vá além da Licenciatura na EducaçãoFísica e abra um leque de possibilidades maior e mais provocador. Com isso houve uma escolha de uma temática que fosse o maisprazerosa possível, assim o trabalho fluiria mais facilmente É claro que, sendoum produto comunicacional de possível interesse para o público e ao mercado,seria uma união ideal. O universo da educação física, conforme aprendemos durante todo ocurso, transcendem as técnicas de cada meio. Ele diz respeito ao mundo, poisé também uma questão de saúde. Sendo assim, enfatizo a modalidade esportiva de futebol, devida a suasignificativa expressão como alto rendimento no município de Alagoinhas, porser um importante esporte profissional na região. Abrangendo atletas, oumelhor, ex-atletas de status de nível nacional e internacional. O grandequestionamento era de que forma se encontra a situação atual dos ex-jogadores de equipes de futebol profissional no município e quais as atividadesdesenvolvidas por esses atletas. A idéia inicial de fazer um projeto tendo o futebol como tema surgiu apartir de questionamentos acerca de um grupo de ex-jogadores, moradores naproximidade da minha residência, que exercem uma série de atividades como:motorista, corretores e alguns sem atividades que vez por outra reunem-separa jogar dominó numa barraca do bairro. A minha curiosidade girava emtorno da fonte de renda dessas pessoas e se havia algum amparoprevidenciário voltado para esta categoria de ex-jogadores. Mais tarde aceitei a
    • 9sugestão de discorrer sobre a história do clube ao qual esses jogadores haviamatuado na cidade o Alagoinhas Atlético Clube. A partir dessas premissas nesse trabalho monográfico inicio umadiscussão sobre a história e a memória do futebol um estudo de caso doAlagoinhas Atlético Clube, clube oficial do município de Alagoinhas no interiorda Bahia. Comecei a leitura pelos livros e revistas, resumindo e fazendo anotaçõessobre os assuntos escolhidos. Inicialmente concentrei as primeiras pesquisasna origem do futebol, sua história moderna e suas regras. Dando continuidade,pesquisei os principais jogadores, técnicos, campeonatos e esquemas táticos.Depois, selecionei os termos mais utilizados na linguagem do futebol, ochamado futebolês. Por fim, para garantir informações e dados estatísticosmais atualizados consultei sites especializados, dando preferência aos sitesoficiais das confederações e dos times e jogadores. O presente trabalho trata do estudo sobre a história de ex-jogadores ememória do clube do Alagoinhas Atlético Clube do município de AlagoinhasBahia . O trabalho procura enfatizar a modalidade esportiva futebol, o grandequestionamento é de que forma se encontra a situação atual desses ex-jogadores da equipe de futebol do Alagoinhas Atlético Clube, a conservação eregistros dos fatos que marcaram a sua história no decorrer desses anos deatividade do clube e que atividades desenvolvem socialmente. Quais asmedidas utilizadas pelo clube ou município para a conservação da sua históriae como forma de homenagear os seus ídolos. A proposta de solução do problema mencionado seria implementarmedidas e diretrizes que possam contribuir para promover uma maiorconservação da memória dos clubes. Reconstruir histórias referentes aoesporte, futebol e à educação física utilizando-se de fontes primárias advindasdos depoimentos de pessoas cuja memória auxilia reconstruir o passadopermitindo, então, melhor compreender o presente;Organizar um acervo iconográfico e documental a partir do contato com osentrevistados e do processamento das entrevistas produzir documento parauma política de Centro de Memória do futebol na comunidade.
    • 10 2. Reflexões Teóricas sobre Memória e História O futebol, como é praticado hoje, tem mais de cem anos de história. É oprincipal esporte nacional, uma das principais manifestações do que seentende por brasilidade. Está no jeito, na cultura, nos nossos ídolos e ideais etambém na nossa língua. Isso pode ser facilmente perceptível em nossocotidiano repleto de expressões futebolísticas. Com tamanha importância einfluência na vida do brasileiro, esse esporte não poderia deixar de ser objetode estudo de antropólogos, historiadores, sociólogos, escritores e jornalistas,tematizado por diversos produtos culturais como livros, filmes, programastelevisivos dentre outros. Mesmo aqueles que pouco, ou nada, entendem eacompanham desse esporte se vêem envolvidos em um clima futebolístico quedomina o país. Segundo Silva, 2002 uma visão positivista toma memória comodistorção, ideologia, ficção ou simples narrativa identitária; outra visão aentende como uma das formas de acesso ao passado que reflete o acontecidono presente e o projeta no futuro. Na segunda perspectiva, apesar de amemória representar aquilo que uma coletividade ou um indivíduo permitiu quechegasse ao presente com imagens, escrita e oralidades, muitas das vezesdistorcidas e opacas, ainda assim essa narrativa tem como pretensão averdade, seja com base na experiência ou nos fragmentos discursivos,imagens e documentos que se apresentam ao presente. Nesse particular,memória e história compartilham do mesmo valor da busca da verdade, mesmoque seja por diferentes caminhos. Dos muitos conceitos pesquisado sobre a memória, destaca-se que:lembrar não é a re-excitação de inumeráveis traços fragmentados, fixos e semvida. É uma reconstrução, ou construção imaginativa, construída a partir denossa atitude em relação a uma massa ativa de reações ou experiências dopassado organizadas, e em relação a pequenos detalhes importantes quecomumente aparecem em imagem ou na forma da linguagem.( Rev. Bras. Hist,2003). Podemos compreender a memória como sendo qualquer forma depensamento, percepção ou prática que tenha o passado como sua principal
    • 11referência. A memória de experiências passadas está presente em cadapalavra que dizemos em cada passo que damos ou em cada sonho queconstruímos. Ela está presente no pensamento, nos sentimentos e percepções,bem como na imaginação. Tudo o que sabemos ou que podemos aprender sedeve às memórias que possuímos ou que iremos adquirir. Mesmoconsiderando a presença da memória "em nós", precisamos considerar queesse "nós" não é uno e indivisível. Nós não somos capazes de lembrar comtodos os detalhes nem mesmo um evento vivenciado algumas horas atrás. Senos damos conta de que, além de ser seletiva, a memória envolve oesquecimento, podemos compreender melhor ainda a falta de controle quetemos sobre ela, pois o que lembramos e esquecemos não é resultado apenasde nossas intenções e desejos declarados. Nós nos lembramos de detalhesaparentemente sem importância e esquecemos faces, nomes e lugares queseriam fundamentais para nós. O esquecimento de experiências traumáticaspode acontecer independentemente de nossas vontades. O dicionário de língua portuguesa Houaiss define História como sendo oconjunto de conhecimentos relativos ao passado da humanidade, segundo olugar, a época e o ponto de vista escolhido. Já a enciclopédia colaborativaWikipédia descreve: ―a História é o estudo da ação humana ao longo do tempo‖por meio da avaliação de processos e de eventos ocorridos no passado. Ofilósofo Arthur Schopenhauer acreditava que ―o que a História conta não passado longo sonho, do pesadelo espesso e confuso da humanidade‖. História (dogrego antigo historie, que significa testemunho, no sentido daquele que vê) é aciência que estuda o Homem e sua ação no tempo e no espaço, concomitanteà análise de processos e eventos ocorridos no passado.
    • 12 2.1 Memória no Esporte. Esta discussão objetiva destacar a pesquisa histórica como umapossibilidade de narrar e analisar o esporte moderno. Para tanto analisa arelação entre memória e história bem como a vinculação deste fenômenocultural com a tradição e com o espetáculo. Por fim, elenca uma série de"locais da memória" existentes no Brasil cujos acervos traduzem-se emimportantes fontes de consulta e pesquisa.Tendo como objetivo reconstruir,preservar e divulgar a memória do esporte, da educação física, do lazer . Dos 20 clubes pertencentes ao Clube dos 13 – os mais poderosos dopaís -, apenas nove têm museus ou espaços abertos ao público dedicados àhistória das agremiações (Bahia, Corinthians, Grêmio, Fluminense, Portuguesa,Santos, São Paulo, Sport e Vasco). E alguns não estão bem estruturados tantopara receber os interessados quanto na organização de seus acervos. O quemais recebe visitantes é o ―Memorial das Conquistas‖ do Santos (100 milvisitantes/ano). Seguido pelos espaços do Grêmio (85 mil) e São Paulo (36mil). Números bem inferiores - para não ir muito longe – aos do museu doBoca Juniors, que recebe anualmente 500 mil visitantes. Na Europa, então, apreocupação com a divulgação do passado dos clubes está muitomais enraizada. O memorial do Barcelona, com 1,2 milhão de visitantes a cadaano, é o museu mais visitado da região da Catalunha, superando espaços quereúnem acervos de qualquer tipo (quadros, esculturas etc). Além de divulgar ahistória das equipes e cativar um número maior de aficionados, os museusgeram também uma receita importante com a venda de entradas e desouvenirs. Apesar de ainda muito precisar ser feito, o movimento de preservação edivulgação da memória esportiva no Brasil ganha força com várias iniciativas.A principal delas foi a inauguração em setembro de 2008 do Museu do Futebol,instalado no estádio do Pacaembu (São Paulo). E o interesse do público porum espaço que mostre a história do esporte fica provado pelos números. Olocal já é o segundo museu mais visitado de São Paulo (113.942 pessoas de
    • 13janeiro a abril deste ano), pouco atrás do Museu de Língua Portuguesa(123.485), o mais visitado do país.
    • 14 2.2 A História do Futebol O futebol é um dos esportes mais populares no mundo. Praticado emcentenas de países, este esporte desperta tanto interesse em função de suaforma de disputa atraente. Embora não se tenha muita certeza sobre os primórdios do futebol,historiadores descobriram vestígios dos jogos de bola em várias culturasantigas. Estes jogos de bola ainda não era o futebol, pois não havia a definiçãode regras como há hoje, porém demonstram o interesse do homem por estetipo de esporte desde os tempos antigos. Segundo Unzelte (2002), as primeiras manifestações do futebolocorreram entre 3.000 e 2.500 a.C., na China. Há indícios que durante oimpério chinês, os soldados chineses tinham o costume de chutar crânios desoldados derrotados, que por sua vez mais tarde crânio seria substituídos porbolas de couro, usados por soldados em exército militar, onde deveriam serlançados entre duas estacas cravadas no chão, teriam sido as primeiras travesda história. O futebol tornou-se tão popular graças a seu jeito simples de jogar.Basta uma bola, equipes de jogadores e as traves, para que, em qualquerespaço, crianças e adultos possam se divertir com o futebol. Na rua, na escola,no clube, no campinho do bairro ou até mesmo no quintal de casa, desde cedojovens de vários cantos do mundo começam a praticar o futebol. Há relatos de um esporte muito parecido com o futebol, embora usava-se muito a violência. O Soule ou Harpastum era praticado na Idade Média pormilitares que se dividiam em duas equipes: atacantes e defensores. Erapermitido usar socos, pontapés, rasteiras e outros golpes violentos. Há relatosque mostram a morte de alguns jogadores durante a partida. Cada equipe eraformada por 27 jogadores, onde grupos tinham funções diferentes no time:corredores, dianteiros, sacadores e guarda-redes.
    • 15 Bola de futebol final do século XIX O primeiro brasileiro a dominar a nobre arte de controlar a bola e marcargols era quase um inglês. Charles Miller nasceu no Brás, em São Paulo,descendente de ingleses e escoceses. Aos 9 anos seguiu para a Inglaterracom a finalidade de estudar. Lá, aprendeu - e bem - a jogar futebol. Nos jogosoficiais de seu colégio. Charles era um artilheiro implacável. Marcou 41 gols em25 partidas. "Nosso melhor atacante. Drible maravilhosamente rápido e chutebrilhante. Marca gols com grande eficiência", registrou na época o jornal daescola. Seu futebol chamou tanto a atenção que acabou convocado para jogarno time de Southampton, a seleção local. Sem falar da partida que disputoupelo Corinthians, famoso time amador inglês, o mesmo que mais tarde iriainspirar a fundação do Corinthians Paulista. Quando desembarcou de volta ao Brasil em 1894, para São Paulo,trazendo na bagagem camisa, calção, chuteiras e duas bolas oficiais, CharlesMiller se surpreendeu ao descobrir que ninguém praticava o esporte bretão poraqui. Sorte que trouxera duas bolas, uma agulha, uma bomba de ar e doisuniformes. Charles voltou em 1895, mas em 26 de outubro de 1863 já haviasido fundada na Freemasons, taberna da Great Queens Street, centro deLondres, The Football Association, a entidade que até hoje rege o futebol naInglaterra. Já existiam, portanto, as regras, os grandes clubes, oscampeonatos, as taças. Quando Charles voltou, enfim, o futebol já era umesporte e não um antídoto de reformas sociais. Começou então a catequizarseus companheiros de trabalho e de críquete - altos funcionários daCompanhia de Gás, do Banco de Londres e Ferrovia São Paulo Railway,fundando o primeiro clube de futebol do Brasil, o São Paulo Athletic, clube quecongregava os britânicos residentes em São Paulo. O novo esporte vingou e, no primeiro campeonato disputado no Brasil (oPaulista de 1902), lá estava Miller encabeçando a lista de artilheiros com 10gols em nove jogos. O nosso homem-gol ainda jogou até 1910 pelo São Paulo
    • 16Athletic Club. Depois atuou como árbitro e, finalmente, apenas como torcedor.Morreu em 1953, coberto de glórias por ter introduzido o futebol no país, massem ver o Brasil campeão do mundo. Foi com jovens de boas famílias como a sua, até então interessados emcríquete, golfe, tênis e similares, que Charles plantou a semente. Ensinou-lhesos fundamentos do futebol, dividiu-os em dois times, escalou um dos seusamigos para juiz, outro para bandeirinha, e lá foram todos fazer história navárzea do Carmo. Depois, realizaram novos jogos em campo literalmente maisnobre: o gramado da chácara da também britânica família Dooley, no bairro doBom Retiro. Daí, sempre entre a elite, foi surgindo os primeiros times deverdade. Em 1896, o São Paulo Athletic Club, fundado oito anos antes, seria oprimeiro a aderir ao novo esporte, logo seguido do Sport Club Germania(1889), de Mackenzie Athletic Association (1898), Sport Club Internacional(1898), Clube Atlético Paulistano (1900), já com nome aportuguesado. EmCampinas, fundou-se a Associação Atlética Ponte Preta (1900). No Rio de Cox,o Fluminense Foot-ball Club (1902), o Rio Foot-ball Club (1902), o BotafogoFoot-ball Club, o America Foot-ball Club, o Bangu Athletic Club (os três últimosem 1904). Flamengo e Vasco da Gama já existiam desde o fim do século,ambos dedicando-se ao remo: o primeiro só criaria seu departamento defutebol em 1911; o segundo, em 1923. Em Porto Alegre, foi fundado o EsporteClube Rio Grande (1900); em Minas, o Sport Club Belo Horizonte (1904); emRecife, o Club Náutico Capeberibe (1901); em Salvador, o Vitória Foot-ballClub (1905). Vale ressaltar que há apenas um ponto comum entre todos osmomentos dessa gênese: aqui e ali o futebol brasileiro nasceu como brinquedode menino rico. Ou quase. É verdade que essa tese — a do melhor futebol ser um privilégio dohomem do povo — desperta controvérsias. Sociólogos, antropólogos, entreoutros estudiosos, têm denunciado sua falta de fundamento científico. Mas,defendida por Gilberto Freyre no prefácio do livro de Mário Filho O negro nofutebol brasileiro, e por este corroborada nas páginas seguintes, ela não deixade ter sentido. Mais que isso, tem contornos de verdade. E um dos seus maiseloqüentes pontos de apoio é ninguém menos que, o primeiro craque a surgirno Brasil: Arthur Friedenreich. Filho de alemão com negra brasileira, dividindosua infância entre o clube fechado do pai e as peladas democráticas do bairro
    • 17da mãe, o mulato de olhos verdes foi, até fins dos anos 20, uma espécie deestranho no ninho, um homem do povo vestindo a mesma camisa dos jovensda elite, fazendo-se campeão e artilheiro, chegando à seleção paulista e depoisà brasileira, tudo isso numa época em que nenhum de seus europeizadoscompanheiros e adversários jogava a metade de seu futebol. Segundo João Máximo, jornalista de O Globo, no Brasil, estranho quepareça, o avanço profissionalista teve como causa uma idéia conservadora. Osclubes que perdiam campeonatos por se negarem a ter em seus timesjogadores negros (e seus times eram formados obrigatoriamente por sócios-atletas, com direito a freqüentar as sedes sociais) decidiram decretar o novoregime. Assim, poderiam arregimentar jogadores de qualquer raça ou condiçãosocial, contratados como empregados, sem precisarem macular seu quadrosocial. Não foi por acaso que as elites do Fluminense e do São Paulo estavamentre os líderes do movimento profissionalista. O que, por sinal, resultou emséria cisão no futebol brasileiro, só sepultada com a reunificação de 1937. O jornalista afirma ainda que a profissionalização abriu definitivamente ocaminho para que os primeiros gênios do futebol brasileiro, a sucederFriedenreich, entrassem em campo. Fausto dos Santos, Domingos da Guia,Leônidas da Silva, Waldemar de Brito e depois uma longa e ilustre galeria deZizinho a Pelé. Integrado, profissionalizado e temperado na paixão, o futebolbrasileiro seria devidamente coroado em 1970 com o tricampeonato mundial noMéxico e a conquista definitiva da Taça Jules Rimet. Foi uma caminhadavitoriosa, mas nem por isso livre de malogros e frustrações. Porque, no meiodela, à medida que amadurecia dentro do campo, o futebol brasileiro via-sevítima de distorções nas arquibancadas. Talvez porque o país tivesse tãopouco do que se orgulhar, o futebol converteu-se num equivocado meio deafirmação nacional. Ganhar uma Copa do Mundo passou a ser, desde nossoterceiro lugar na de 1938, uma espécie de termômetro: era isso que iria dizerse éramos ou não uma grande nação. Claro, não pensavam assim os maislúcidos, os mais bem informados, os que viam o Brasil com olhos que não osdo torcedor. Mas para este, ser campeão mundial era o atestado de nossagrandeza. Motivo de ter ele encarado como tragédia nacional a derrota para osuruguaios em 1950, em pleno Maracanã erguido justamente para festejarmos avitória. Motivo também de duvidarmos de nosso talento, de nossos brios, de
    • 18nosso patriotismo, quando da derrota para os húngaros em 1954. Osequívocos se repetiriam até nos tão ansiados dias de glória, as conquistas de1958, 1962 e 1970. "Com o brasileiro não há quem possa...", cantava-se apósa primeira. "Ninguém segura este país!", exclamava-se depois da última. Para Máximo muito tempo passaria até que o torcedor brasileirocomeçasse a perceber que a seleção brasileira era uma coisa e o Brasil, outra.Que o futebol, eterna paixão, não era o que o dramaturgo Nélson Rodriguesrotulou de "a pátria em chuteiras". Era, sim, um brinquedo levado muito a sério.
    • 19 2.3 A História e Memória dos Clubes Ao iniciar a reflexão acerca da história dos clubes, coloco comodestaque o time do Bangu do Rio de Janeiro, pois reflete a origem da maioriados clubes fundados nesta época, criados apartir da implantação de fábricas ouem decorrência da chegada de grupos econômicos ao país. No dia 8 de marçode 1893 foi inaugurada a Companhia Progresso Industrial do Brasil, fábrica detecidos de capital português, no distante e até então praticamente despovoadoarrabalde de Bangu. Para tocar o novo empreendimento, foram contratadostécnicos e funcionários de diversas nacionalidades, principalmente ingleses. Aescolha de Bangu para sediar uma indústria têxtil se deveu ao fato daquelaparte da cidade apresentar fartos recursos hídricos, com um grande número decachoeiras e nascentes, pois "a água era fundamental em seis das oito etapasdo processo têxtil" (ASSAF, 2001, p.13). Não tardou para que os técnicos ingleses que trabalhavam na fábricatratassem de se organizar em torno da formação de um clube no qualpudessem se dedicar à prática desportiva durante os momentos de lazer. Apósalgumas tentativas frustradas, finalmente, em 17 de abril de 1904, contandocom o apoio dos diretores da fábrica, iniciava as suas atividades o The BanguAthletic Club, inicialmente voltado à organização de jogos de football, cricket elawn tennis (HAMILTON, 2001, p.69), que, ao contrário de outros clubesingleses da cidade, como o Paysandu, não restringia o ingresso de elementosde fora da comunidade britânica. Entretanto, o novo clube não apresentava um caráter tão democráticoquanto parece, já que a idéia inicial era a de congregar apenas ostrabalhadores especializados de origem britânica que ocupavam cargos dechefia. A abertura a uma gama maior de associados aconteceu devido a umaexigência por parte da direção da fábrica para formalizar o seu apoio à novaagremiação. Segundo Pereira (2000), o próprio valor da mensalidade - menosda metade daquele cobrado pelo Fluminense - facilitava o ingresso defuncionários menos qualificados, como era de interesse dos diretores dacompanhia (p.32-33).
    • 20 A esse respeito Caldas (1994) argumenta: Ainda que fundado por altos funcionários ingleses da Cia. Progresso Industrial do Brasil, o Bangu, pela própria condição geográfica, sempre teve tendências proletárias. Localizado na periferia distante, num bairro proletário, a Cia. Progresso iria estimular o futebol entre seus executivos como forma de lazer. Mas, como formar dois times se o número de funcionários mais graduados e interessados neste esporte não chegava a tanto? A alternativa seria a de aceitar operários para completar as duas esquadras. O critério de escolha, para isso, obedecia a algumas exigências administrativas na empresa, tais como: desempenho profissional, o tempo de serviço e o comportamento pessoal. Surgiria, assim, o primeiro time de futebol no Brasil não inteiramente elitizado. Mas, como se vê, por questões meramente circunstanciais. Desse contexto surgiria, mais tarde, o time proletário do Bangu (p.42- 43). Corroborando com o texto, a localização geográfica de Bangu, muitodistante das demais porções da cidade na qual a prática do futebol sedesenvolvia, gerou um isolamento dos jogadores bangüenses em relação aosseus colegas futebolistas (ingleses e brasileiros) dos clubes das zonas sul enorte que, muitas vezes, se recusavam a fazer a penosa viagem de trem emdireção ao bairro. Isso tornava necessária a formação de pelo menos doisteams dentro do próprio clube para que os seus associados pudessem sededicar à prática futebolística. Esse fato, aliado à relativa abertura existente nointerior do clube, proporcionou que um número cada vez maior de brasileirostomasse gosto pelo esporte. Sendo assim, não tardou para que, em 1905, emmeio a uma equipe composta por cinco ingleses, três italianos e doisportugueses (MÁRIO FILHO, 2003, p.32) surgisse a figura do primeiro negro aatuar em um time de futebol no Brasil. Seu nome, Francisco Carregal (Foto 1) . Foto 1: Francisco Carregal (sentado à esquerda) e parte do time do Bangu de 1905. Fonte: O Malho, 5 de agosto de 1905 apud Pereira, 2000, p. 68.
    • 21 Como não poderia deixar de ser, o Bangu pagou um preço bastante altopelo seu pioneirismo. Logo o clube tornou-se num dos principais alvos porparte da arbitragem e de torcedores (inclusive negros!) dos grandes times daépoca. É o que podemos constatar a partir do relato de Mário Filho (2003): Era sempre bom, mesmo para um clube de fábrica, ter mais brancos doque pretos no time. Os pretos muito visados, quase não podendo fazer nadaem campo. Tendo de jogar um futebol muito limpo, muito decente, respeitandoos brancos. Quando um preto metia o pé num branco era sururu na certa. Todomundo achando que o preto devia ser posto para fora de campo. A torcida dosclubes brancos, muito maior. O Bangu vinha jogar com um Fluminense, comum Botafogo, com um Flamengo ou com um América, não trazia quaseninguém: o time, meia dúzia de torcedores. Os torcedores do Bangu perdiam-se na geral, na arquibancada, nemabriam a boca. Os pretos que se portassem muito direitinho, senãoapanhavam. Até de outros pretos, os pretos da geral, que torciam pelo grandeclube, que vinham logo ofendendo com um negro sujo (p.88-89). As perseguições sofridas pela equipe da zona oeste serviram parareforçar ainda mais os laços que uniam o clube aos moradores do bairro eoperários da fábrica. Laços esses que se faziam mais fortes ainda quando oBangu tinha o mando de campo contra os grandes clubes aristocráticos. Deacordo com o mesmo Mário Filho: As coisas mudavam, é fato, lá em cima, jogo em Bangu. Aí o Bangulamentava não ter mais pretos no time. Os pretos metendo o pé, tomando abola do branco na força bruta. Podia ser do Fluminense, do Botafogo, doAmérica, do Flamengo. Quem mandava lá em cima era o Bangu. Por mais gente que o clube levasse com ele, para garantir o time, nãoadiantava. Lá em cima havia sempre mais gente do Bangu. Gente que ia paraa geral, para a arquibancada, disposta a tudo. Invertiam-se os papéis: o time debranco é que não podia fazer nada (p.89). Fatos como esses fizeram com que o novo clube conquistasse asimpatia dos funcionários da fábrica de tecidos e dos moradores do bairro,criando uma forte identidade entre eles. A impressão que se tinha ao chegar aBangu era de que clube e fábrica pareciam compor um único conjunto (Foto 2):
    • 22 Foto 2: O campo do Bangu com a fábrica ao fundo. Lazer e trabalho se misturam. Fonte: Alured Bell, The Beautiful Rio de Janeiro, Londres: W. Heinemann, 1914, p.182 apud Pereira, 2000, p. 259. Casos como o do Bangu se repetiu em outros pontos do planeta e noBrasil não foi diferente. O esporte que nasce elitizado aos poucos cede espaçoaos operários se popularizando especialmente entre os intelectuais e no interiordo movimento operário, razões que levaram à criação e desenvolvimento dasequipes fabris; o uso do futebol como veículo de propaganda do nome eprodutos das fábricas; e o surgimento da figura do "operário-jogador". Não posso deixar de mencionar o advento do futebol na Bahia com afundação de um dos clubes mais antigos do país o Esporte Clube Vitória,fundado em 13 de maio de 1899, foi o primeiro clube social do Estado fundadopor brasileiros. Antes dele, apenas os ingleses haviam feito isso, mesmo assimnum projeto que durou pouco tempo. O Ypiranga foi fundado em 7 de setembrode 1906, sendo um dos mais antigos clubes do futebol da Bahia. O primeiroclube de futebol fundado foi o Sport Club Bahiano, em 1903. Dois anos depois,seria fundada a Liga Bahiana de Sports Terrestres, atual Federação Baiana deFutebol, por outros três clubes, além do SC Bahiano: São Paulo Clube, SportClub Victoria (antes chamado de Club de Cricket Victoria e atual Esporte ClubeVitória) e Clube Internacional de Cricket, que ficaria com o primeiro título.
    • 23 3. Caminhos Metodológicos da Pesquisa O método de pesquisa será de abordagem de natureza qualitativa, umestudo de caso, utilizando as técnicas de análise de conteúdo, bem como, aaplicação de questionário com ex-jogadores e dirigentes do referido clube coma realização de pesquisa documental. A população é composta por 03 (três)ex-jogadores do Alagoinhas Atlético Clube. Haja vista que, 02 (dois) de umgrupo de 05 ( cinco) participantes que haviam se comprometido anteriormentepor motivos pessoais não tiveram condições de participar da última fase dapesquisa. Por fim, teremos a análise dos dados coletados. A primeira etapa do projeto foi fazer uma ampla pesquisa na bibliografiaespecializada para selecionar as fontes de consulta e, a partir destas fontes,identificar os temas que seriam tratados. Sendo o futebol o principal esporte brasileiro, foi imprescindível apesquisa em alguns livros, artigos, revistas e sites sobre o assunto. A revistaespecializada em futebol, também foi de extrema importância, pois lançadiversas edições especiais sobre assuntos específicos do esporte, como ahistoria das copas do mundo, além de suas edições mensais. Na internet os sites oficiais da Fifa Fédération International de FootballAssociation, órgão mundial da modalidade, da CBF – Confederação Brasileirade Futebol, sites oficiais de times, jogadores e de órgãos de imprensa possuemum vasto conteúdo que mereceu ser investigado. Comecei a leitura pelos livros e revistas, resumindo e fazendo anotaçõessobre os assuntos escolhidos. Inicialmente concentrei as primeiras pesquisasna origem do futebol, sua história moderna e suas regras. Dando continuidade,pesquisei os principais jogadores, técnicos, campeonatos e esquemas táticos.Depois, selecionei os termos mais utilizados na linguagem do futebol, ochamado futebolês. Por fim, para garantir informações e dados estatísticosmais atualizados consultei sites especializados, dando preferência aos sitesoficiais das confederações e dos times e jogadores. O presente trabalho trata do estudo sobre a história de ex-jogadores ememória do clube do Alagoinhas Atlético Clube do município de AlagoinhasBahia.
    • 24 O trabalho procura enfatizar a modalidade esportiva futebol, o grandequestionamento é de que forma se encontra a situação atual desses ex-jogadores da equipe de futebol do Alagoinhas Atlético Clube, a conservação eregistros dos fatos que marcaram a sua história no decorrer desses anos deatividade do clube e que atividades desenvolvem socialmente. Quais asmedidas utilizadas pelo clube ou município para a conservação da sua históriae como forma de homenagear os seus ídolos. A proposta de solução do problema mencionado seria implementarmedidas e diretrizes que possam contribuir para promover uma maiorconservação da memória dos clubes.
    • 25 3.1 O Alagoinhas Atlético Clube em Foco A pesquisa sobre o Alagoinhas Atlético Clube ou Atlético de Alagoinhasme levou a conversar com diversos admiradores, líder de torcida e diretores,que relataram diversos fatos pitorescos e controversos, em função destavariedade, optei por divulgar o que consta na página do clube na internet ¹ .Trata-se de um clube do futebol brasileiro sediado na cidade de Alagoinhas noEstado da Bahia distante à 100 Km da capital, com uma população estimadade 137.810 habitantes, ( IBGE, 2009). Segundo dados oficiais do Clube, foifundado no dia 2 de Abril de 1970, o Carcará (pássaro do Nordeste), como échamado pela torcida, manda seus jogos no estádio Carneirão. O AlagoinhasAtlético Clube teve no seu plantel jogadores como o lendário Merica e Dendê,que também brilharam com a camisa do Flamengo do Rio de Janeiro. A primeira partida amistosa, disputada pelo Atlético, foi em 30 de janeirode 1971, num jogo amistoso, no Estádio do Carneirão, contra o Fluminense deFeira de Santana, em que fora vencido pelo placar de 1 x 0. Foto 03: Estádio Antônio Carneiro em 1971 A primeira partida oficial, válida pelo Campeonato Baiano/71, foi no dia11 de abril de 1971, também no Carneirão, contra o Leônico, em que o Atléticovenceu pelo escore de 2 x 1. O primeiro gol surgiu aos 37 minutos da faseinicial, quando Dida recebeu um lançamento de Olívio, driblou dois zagueiros eda entrada da grande área, chutou no ângulo esquerdo do goleiro ―adversário‖,
    • 26sem chance de defesa. Alegria total nas arquibancadas era gol do Atlético. Nosegundo tempo, o Leônico voltou ameaçador empatando aos 18 minutos,emudecendo por completo a platéia que lotava o estádio. Mas, houve umareação, jogando melhor e, aos 43 minutos, Dida aproveitando a cobrança deum escanteio, pela direita, fez um bonito gol, levando a torcida ao delírio e, umcarnaval tomou conta da cidade. Era o Atlético ingressando do pé direito nocenário esportivo profissional. Dados pesquisados nos mostram que pelo ranking criado pelaConfederação Brasileira de Futebol que pontua todos os times do Brasil, o AACocupa a 146º posição, com um uma pontuação de 34 pontos. Vários ídolosmarcaram a história do clube, dentre eles destacam-se: Vaguinho, Américo,Barriga Azul(Técnico), Bené, Bigú, Dendê, Ênio, Hélio, Luciano, Merica,Meruca, Russo, Silva Paraíba, Zé Augusto, Dida, Zelito do Bamba, Márcio(PatoRouco).Essas passagens fora entremeadas pelos presidentes Walter RobattoCampos o primeiro em 1970 até o atual Albino Leite, que já gerenciou o clubeem outras gestões. Constatamos no decorrer da pesquisa o desempenho do clube noscampeonatos também foi coroado com a conquista de alguns títulos, entreeles: Vice-Campeonato Baiano: 1973;Vice-Campeonato Baiano da SegundaDivisão: 1993 e 1998.Também obteve vitórias nas categorias de base, sendo:Campeonato Baiano Sub-20 (Juniores): 1982;Copa Gazetinha Infanto-Juvenil:1999.;IV Copa Interestadual Nordestina Sub-20: 2001. Foto 04: Time Pioneiro
    • 27 Um grande motivo de orgulho para os seus torcedores são os símboloscomo o escudo e a bandeira do clube, com o AAC não podia ser diferente. Figura 02 A idéia do escudo nasce do sócio fundador, conselheiro e torcedorapaixonado, Saturnino Peixoto Pinto,que concentrou seu poder de imaginaçãopara criar o escudo do Atlético, clube de seu coração e, explicando seusignificado: ―O escudo é de forma circular e sua periferia é c ontornada por umaroda dentada em esmalte sable (preto), significando pela forma, o trabalho e,pela cor, a prudência e o poder. Segue-se a faixa concêntrica em metal prata(branco), significando pureza e paz, Nessa faixa está colocada a legendaAlagoinhas Atlético Clube, sendo separada por três estrelas que representamos elementos da natureza: Terra, Água e Ar. O círculo central, em esmaltegalês (vermelho), significa soberania e luta e nele está localizada as letras : A AC, de traçado concêntrico e em metal prata (branco)". As tabelas inseridas a seguir tem como objetivo caracterizar os sujeitospor aspectos sócio-econômicos, faixa etária e atual campo de atuaçãoprofissional, os quais serviram como base para questões envolvidas no estudo Os itens que se referem as carreiras profissionais e tiveram comoobjetivo constatar o sucesso desses atletas no clube e campeonatos quejogaram.
    • 28Tabela 01 - identificação dos jogadores:Identificação Idade (anos) Naturalidade Profissão Residência atualJ.F.B. 52 Alagoinhas- Aposentado Alagoinhas- BA BAM.B.S. 64 Paraíba Aposentado Alagoinhas- BAJ.A.V.S. 58 Alagoinhas- Instrutor de Alagoinhas- BA escolinha de BA futebol Tabela 2 - Trajetória no ClubeIdentificação Ano de ingresso Tempo de Títulos atuação (anos) conquistadosJ.F.B. 1978 15 Vice-Campeão do seletivo Copa Brasil 1984M.B.S. 1972 10 Vice-Campeão Baiano 1972, 1973, 1975, 1976 e 1977.J.A.V.S. 1973 1,8 Vice-Campeão Baiano 1973
    • 29 3.2. Análise dos Dados Durante a pesquisa foram entrevistados três ex-jogadores que atuaramno Alagoinhas Atlético Clube na década de 70. No decorrer das entrevistas observou-se que apesar dos ex-jogadorespossuírem um tempo de atuação expressivo e terem participado da conquistade alguns títulos para o clube, nenhum deles possui qualquer tipo de vinculocom A.A.C. atualmente, onde apenas um dos entrevistados refere terparticipado de um programa social criado pelo clube. Contudo constatamos que os jogadores entrevistados possui vínculocom a Associação de Garantias aos Atletas Profissionais – AGAP com o papelde ajudar profissionais e ex-profissionais, criada pela a Lei Pelé, em março de1998, destina recursos para a assistência social e educacional desses atletas.A verba é repassada para as Associações de Garantia aos Atletas Profissionais(Agaps), de cada Estado. Para ter direito ao benefício, é preciso fazer o cadastramento na sede daAgap, que custa R$ 50 ao ano. Os interessados devem levar documento deidentidade, CPF e cópia de um dos contratos registrados na CBF ou na antigaCBD, que era o nome da Confederação Brasileira de Futebol. A taxa deanuidade é apenas para aqueles que têm menos de 60 anos.Há ainda auxílio medicamento, auxílio funeral, cursos profissionalizantes e degraduação até R$ 400. Vale ressaltar que todos os entrevistados manifestaram o desejo quehouvessem projetos sociais criados pelos clubes voltados para ex-jogadores efamília, o que até o momento não existe.
    • 30 4. Considerações Finais Para ninguém é segredo que a grande maioria dos jogadoresprofissionais, não atinge um ápice financeiro, nem são consagrados pela mídiaesportiva, encerrando a carreira sem alcançar uma realização profissional. Porisso, existem muitos ex – jogadores passando por dificuldades econômicas pornão receberem nenhuma ajuda dos clubes e das Federações, que deveriamser responsáveis pela preparação do afastamento e aposentadoria dessesatletas. Essas entidades deveriam ser ainda responsáveis pela conservação damemória dos seus ex-jogadores que está atrelada diretamente a história dosseus clubes. Algumas medidas se tornam necessárias por parte do clube AlagoinhasAtlético Clube para o reconhecimento pelo tempo de serviço prestado Poresses atletas: a- Criação de acervo municipal com registro de todos os jogadores; b- Conservação de documentos relacionados à história do clube; c- Desenvolvimento de projetos sociais com aproveitamento da experiência de seus ex- jogadores, para formação de novos profissionais. d- Criação de um calendário de homenagens a pessoas de relevância para o clube. O presente trabalho não é conclusivo, acredito que posso colher maiselementos, visando enriquecer e trazer mais respostas para as demandas aquiapontadas numa oportunidade futura, no momento apresento essas propostasque poderão contribuir para conservação da história e memória do AlagoinhasAtlético Clube do município de Alagoinhas no Estado da Bahia.
    • 31Referências:BARRETO, J.A. Psicologia do esporte para o atleta de alto rendimento. Riode Janeiro: Shape, 2003.FARIA, T.G. Análise comparativa do nível de motivação intrínseca deatletas de ambos os sexos, participantes de esportes individuais ecoletivos, com diferentes níveis de experiência. Dissertação de Mestradoem Educação Física - Universidade Federal do Paraná, 2004.FILHO, Mário. Texto extraído da Revista: Brasil Escola.com.brDisponível em: <http://www1 pt.wikipedia.org/wiki/História> Acesso em: 13 jun.2010MÁXIMO, João Jornal O Globo, n. 2, p. 5, set. 1997 Rio de Janeiro (RJ).MENDELSOHN, Darío. El retiro Del futebolística. Disponível em:<http://efdeportes.com> acesso em 22 janeiro. 2011MCAULEY, E., DUNCAN, T. Inventário de motivação intrínseca parasituações competitivas, 1989.OLIVEIRA, V. M. O que é educação física. São Paulo: Editora Brasiliense, 11.ed., p. 112, 1994.PAIM, C. Fatores motivacionais e desempenho no futebol. Revista VirtualEF Artigos, Natal, v. 2, n. 6, 2004.Rev. Bras. Hist. vol.23 no.46, São Paulo, 2003.SERPA, S. O psicólogo e a intervenção no desporto. Revista Horizonte.Lisboa, n. 53, v. 9, jan-fev, p. 187-192, 1993.
    • 32 9. AnexosQUADRO 1:DADOS PESSOAIS DOS EX-JOGADORES DE FUTEBOLEX- FAIXA BAIRRO PROFISSÃO NATURALIDADEJOGADORES ETÁRIA ATUALABCDE
    • 33QUADRO 2:ATUAÇÃO PROFISSIONAL E TRAJETÓRIA DOS EX-JOGADORESEX- ÍNICIO TEMPO DE CAMPEONATOS PRINCIPAISJOGADOR ATUAÇÃO TIMESEM QUE ATUOUABCDE
    • 34QUESTIONÁRIO PARA OS EX-JOGADORES: 1- QUAL O SEU VÍNCULO COM O CLUBE? 2- POR QUANTO TEMPO JOGOU NO CLUBE ? 3- HÁ QUANTO TEMPO ESTÁ AFASTADO DO CLUBE ? 4– PARTICIPA DE ALGUM PROGRAMA SOCIAL CRIADO PELO CLUBE? 5- GOSTARIA QUE HOUVESSE UM PROJETO DO CLUBE VOLTADO PARA EX-JOGADORES ?
    • 35QUESTIONÁRIO PARA O DIRIGENTE DO ALAGOINHAS ATLÉTICOCLUBE:1-EXISTE ALGUM PROGRAMA SOCIAL OU PREVIDENCIÁRIO VOLTADOPARA OS SEUS JOGADORES?SIM ( )NÃO ( )2-O CLUBE GUARDA DOCUMENTOS OU REGISTROS DOS SEUS EX-JOGADORES?SIM ( )NÃO ( )3-EXISTE UMA SALA OU ESPAÇO PARA TOFÉUS EM HOMENAGEM ASPESSOAS LIGADAS A HISTÓRIA DO CLUBE?SIM ( )NÃO ( )4-EXISTE ALGUMA VERBA DAS FEDERAÇÕES BAIANA OU BRASILEIRADE FUTEBOL DIRECIONADA PARA A CRIAÇÃO OU MANUTENÇÃODESSES ESPAÇOS?SIM ( )NÃO ( )5-O CLUBE TEM EX JOGADORES QUE PRESTAM SERVIÇOSVOLUNTÁRIOS EM PROL DO TIME?SIM ( )NÃO ( )
    • 36Fotos do Estádio Antônio CarneiroParte Interna do EstádioVisão Geral da Obra
    • 37Estádio Atualmente