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  • 1. 1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS II CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA JONATAN SILVA SANTOSUNIVERSO LÚDICO NA PRAÇA PÚBLICA DE ALAGOINHAS-BA: ENTRE JOGOS E BRINCADEIRAS ALAGOINHAS 2010
  • 2. 2 JONATAN SILVA SANTOSUNIVERSO LÚDICO NA PRAÇA PÚBLICA DE ALAGOINHAS-BA: ENTRE JOGOS E BRINCADEIRAS Monografia a apresentada ao Curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade do Estado da Bahia/Campus II, como requisito parcial para obtenção do título de Licenciado em Educação Física. Orientadora: Prof. Dr. Augusto Cesar Rios Leiro Alagoinhas 2010
  • 3. 3 TERMO DE APROVAÇÃOUNIVERSO LÚDICO NA PRAÇA PÚBLICA DE ALAGOINHAS-BA: ENTRE JOGOS E BRINCADEIRASMonografia aprovada como requisito parcial para obtenção do título de Licenciado em Educação Física pelos avaliadores: _________________________________ Augusto Cesar Rios Leiro - Orientador Doutor em Educação _________________________________ Márcia Cozani Doutora em Comportamento Motor _________________________________ Neuber Leite Costa Mestre em Educação Salvador, 08 de março de 2010.
  • 4. 4 LISTA DE FIGURASFIGURA I - Relações entre lúdico, jogo, brinquedo e brincadeira. 9FIGURA II - Gira-gira 24FIGURA III - Balanço I 25FIGURA IV – Balanço II 25FIGURA V – Gangorra 26FIGURA VI - Tirolesa 26FIGURA VII - Trepadeira 27FIGURAS VIII - Casinha de múltiplos brinquedos 27
  • 5. 5 RESUMOA pesquisa em foco buscou analisar as atividades lúdicas, notadamente os jogos,brinquedos e brincadeiras desenvolvidas pelas crianças na Praça Pública RuyBarbosa da Cidade de Alagoinhas na Bahia. Trata-se de um estudo de caso denatureza qualitativa, do tipo descritivo e que objetivou reconhecer os equipamentospúblicos de lazer presentes na praça, mapear o fluxo, a interação e a ocupaçãolúdica das crianças que freqüentam tais espaços. A investigação lançou mão dosseguintes procedimentos metodológicos: observação direta, questionário, anotaçõesde campo e registro em fotografia e as palavras chave foram: criança, ludicidade,jogos e brincadeiras. Após diálogo com a literatura específica e diante dasinformações levantadas ficou evidente o interesse das crianças e familiares pelaocupação lúdica da praça em foco, no entanto o poder público municipal deve limitaro comercio e oferecer melhores condições de uso social da praça.Palavras-chave: Criança; Ludicidade; Jogos; Brincadeiras.
  • 6. 6 SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO 72 EMTRE JOGOS, BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS 93 RETRATOS DA PRAÇA PÚBLICA 154 NATUREZA E METODOLOGIA DA PESQUISA 175 DESCRIÇÃOE ANÁLISE DAS INFORMAÇÕES 205.1 UM OLHAR QUALITATIVA SOBRE OS NÚMEROS 205.2 UM DIÁLOGO EM CAMPO 235.2.1 Primeiro dia de observação 245.2.2 Segundo dia de observação 295.2.3 Terceiro dia de observação 305.2.4 Quarto dia de observação 316 CONSIDERAÇÕES FINAIS 327 REFERÊNCIAS 348 APÊNDICE 36 APÊNDICE A- Questionário 37 APÊNDICE B – Fluxo de crianças na praça ruy barbosa 39 APÊNDICE C – Interação entre as crianças na praça ruy barbosa. 40
  • 7. 71. INTRODUÇÃO O universo lúdico, composto por jogos, brinquedos e brincadeiras contribuipara o desenvolvimento da criança em vários aspectos. As inúmeras atividadeslúdicas se bem orientadas podem contribuir para a ampliação da coordenaçãomotora, da agilidade, da destreza, da atenção e do conhecimento do corpo e seusmovimentos. Tais atividades possibilitam ainda o desenvolvimento da expressãocorporal, favorecendo desta maneira a criatividade e criticidade. Durante uma atividade lúdica o que considera-se importante numa vivência debrincadeiras entre as crianças não é somente o resultado final dessa brincadeira,mas sim o que acontece ao longo do seu processo: o conhecer a si próprio e aooutro, a troca de experiência, o compartilhar desafios e alternância entre realidade efantasias. É de singular importância a vivência desses momentos, pois contribuempara a formação da criança em sua personalidade e individualidade e doaprendizado da convivência social. As brincadeiras entre crianças, ainda que envoltas em um clima de rivalidadee de competitividade, possuem características saudáveis que contribuem para aformação do sujeito. Isto ocorre porque as ações do brincar proporcionam à criançao conhecimento dos seus limites e o aprendizado de regras e valores essenciais naconvivência em sociedade bem como o respeito, a ética, a disciplina, a percepção ea mobilidade. A partir desta compreensão, é possível afirmar que os jogos, os brinquedos eas brincadeiras cumprem função educativa, pois o comportamento lúdico, inerenteao ser humano, torna-se um potencializador do contexto da aprendizagem efavorece a sociabilidade entre as crianças. Por outro lado, o espaço e o tempo da vivência lúdicas tem papel importanteno contexto da aprendizagem e do desenvolvimento da criança. Neste trabalho, oambiente público de lazer escolhido como campo empírico foi a praça pública. Nesteespaço, se observa um número cada vez maior de crianças que realizam jogos ebrincadeiras e desenvolvem variadas práticas lúdicas. Na cidade de Alagoinhas, situada ao Leste do Estado da Bahia, localizada a120 quilômetros de Salvador, é comum encontrar crianças brincando nas praças.Nos espaços públicos da cidade é possível perceber crianças se divertindo,fantasiando ora com vinculadas brinquedos próprios, mesmo que sejam artesanais
  • 8. 8ou industriais modestos ora nos equipamentos públicos, mas que trazem alegria.Mesmo porque para elas, o que importa é um canto para brincar, independente dasatisfação dos adultos. Assim, muitas praças da cidade passaram por uma revitalização, com a idéiade recuperar a paisagem e aliar a recreação. A Praça Ruy Barbosa, Kennedy e aSanta Isabel, as mais visitadas pelas crianças, após as reformas, tornaram-se locaismais atrativos para o público infantil, pois desde suas revitalizações tais praçasestão sempre cheias de crianças e pais que as acompanham. Para isto, o poderpúblico investiu em mini-parques que incluem gangorras, escorregadeiras, balanços,casinhas de madeiras e outros brinquedos. Diante do exposto justifica-se a escolha deste tema com vistas à base nanecessidade de compreender as atividades lúdicas, brincadeiras e jogosdesenvolvidos pelas crianças na praça, tanto pela importância que o brincar e jogartêm para a criança, como no sentido de contribuir com o debate sobre o jogo e abrincadeira livres, fora do ambiente escolar e residencial. Sendo assim, é necessário entender a seguinte indagação: que atividades eorientações as crianças desenvolvem suas atividades lúdicas, brincadeiras e jogosna praça Ruy Barbosa? A pesquisa em questão buscou analisar as atividadeslúdicas, notadamente os jogos, brinquedos e brincadeiras desenvolvidas pelascrianças na Praça Pública Ruy Barbosa da Cidade de Alagoinhas na Bahia. O estudo objetivou reconhecer os equipamentos públicos de lazer presentesna praça, mapear o fluxo, a interação e a ocupação lúdica das crianças quefreqüentam tais espaços e contribuir para novas pesquisas sobre o tema na área daEducação Física, em especial na UNEB de Alagoinhas.
  • 9. 92 ENTRE JOGOS, BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS Desperta-me um grande fascínio observar uma criança brincando de “faz deconta”, dada a relevante significação que ela atribui ao imaginário. Dentro de umdeterminado contexto imaginário não há dúvida sobre os significados assumidos pordeterminados objetos nas cenas que se desenrolam, e dessa forma, os papeisdesempenhados pelas crianças. Tornam-se pais, mães, tias, tios policiais, ladrões,professores, índio sem nada decorar, onde papeis e objetos são improvisados e semsupervisão. Para Miranda (2001), o lúdico é um campo mais amplo que acolhe o jogo,brinquedo e brincadeira e significa tudo aquilo que representa divertimento, onde oprimeiro pressupõe uma regra, o segundo um objeto manipulável e o último o ato debrincar, podendo esse desenvolver-se tanto com o jogo como com o brinquedo.Observe, através da figura 1, chamada de categorização do lúdico, como o autorilustra tal entendimento. Brinquedo Lúdico Jogo BrincadeiraFIGURA I - Relações entre lúdico, jogo, brinquedo e brincadeira. Gallahue & Ozmun (2003) afirmam que as atividades em que ocomportamento lúdico está presente, no ato de brincar e jogar e têm impactopositivo em componentes do desenvolvimento motor de crianças tais como ocrescimento físico e nos aspectos maturacionais. Para melhor entender as crianças, sobretudo no contexto cultural, trago osargumento de Kramer (1998), quando afirma que na infância a criança ainda
  • 10. 10encontra-se imatura para compreender certas palavras e manipular objetos, o quefaz com que ela faça uma leitura própria e uma interpretação individual do contexto.Diz ainda que a criança num ato inocente, porém real, encanta ou desencanta oestado em que o desenvolvimento racional é plenamente operacionalizado. Nesse contexto, o brinquedo assume um papel importante. Conforme discuteSolza (1996), o brinquedo faz com que a criança diminua seu sentimento deimpotência, quando ela traduz para a realidade infantil o real e suaviza o impactoprovocado pelo tamanho e pela força dos adultos, pois é durante as brincadeirasque a criança desenvolve sua inteligência e sua sensibilidade. A harmonia entre apotencialidade e afetividade da criança é garantida através da qualidade daoportunidade oferecida através de brincadeiras e brinquedos. Chateau (1987) considera que o jogo é a atividade mais importante da infânciaporque nesta fase é através dos jogos e brincadeiras que a criança tem a dimensãomaterial, cultural e técnica do ambiente que a cerca e melhora seu relacionamentocom o mundo. A brincadeira é de suma importância, pois contribui diretamente parao desenvolvimento da habilidade de aprender e pensar na infância, elementos estesimportantes nesta fase do desenvolvimento do indivíduo. Piaget (1982), chama a atenção sobre o “brincar” da criança. Segundo ele,quando uma criança está desempenhando uma brincadeira, o que se torna maisrelevante para ela não é especificamente a natureza do objeto, mas sim a funçãoque a criança atribui a este. Desta forma ela estabelece um compromisso com arealidade, pois a brincadeira ocorre no universo do simbolismo, diante dos papeisrepresentados. Neste contexto, Piaget (1982), propôs que a criança se desenvolve a partir detrês estágios ou fases que revelam o comportamento cognitivo e o desenvolvimentoinfantil em geral no contexto dos jogos. O primeiro estágio foi identificado como (1)Estágio sensório-motor (do nascimento até aproximadamente os dois anos deidade). Neste período, as funções sensoriais tais como (visão, audição, tato)permitem o aprendizado da criança e sua relação com o ambiente ao redor. Acriança brinca sozinha e regras sociais não é o aspecto mais valorizado no contextoda aprendizagem. Dentre as atividades funcionais que têm origem a partir donascimento, o que predomina é a imitação do que os outros fazem, sendo essasatividades compreendidas como jogos de exercícios, ou seja, a capacidade demexer os braços, pernas, agarrar, puxar, empurrar, engatinhar, entre outros
  • 11. 11comportamentos sensório-motores. O segundo estágio foi identificado como (2) Estágio pré-operatório ou a fasedos jogos simbólicos (dos dois aos seis anos de idade aproximadamente). Duranteesse período o que predomina é a assimilação. Essa é a fase em que ocorrem osjogos simbólicos. O “faz de conta” torna-se inevitável na noção da existência deregras, onde a criança assemelha o mundo exterior ao mundo interior, nãoimportando para ela a realidade e sim o que parece ser naquele momento, seja comum objeto qualquer que se transforma em um animal, um barco ou uma pessoa. Acriança nesta fase também desenvolve seu entendimento pelas estórias e contos defada e fabulam as suas próprias, pois tratam-se de jogos simbólicos. O terceiro estágio cognitivo proposto por Piaget (1982), é (3) Estágio dasoperações concretas ou a dos jogos de regra (dos sete aos onze anos de idadeaproximadamente). Nesta fase a criança aproxima-se e apossa-se da realidade,defrontando-se não mais com a fantasia mas sim com o mundo real, momento emque a brincadeira inicia-se com regras definidas, ou seja, ainda que em forma debrincadeira a criança aprende as regras dos jogos: brincar de casinha, médico,futebol, damas, etc. No curso do desenvolvimento, a criança passará a jogar emgrupo iniciando assim o desenvolvimento da capacidade de criar o seu meio social. Para Vygotsky (1993), citado pelo Centro de Referência Educacional (s/d), acriança cria a situação imaginária e esta define o brincar. Não podemos esquecerque o brincar muda de acordo com a idade onde em cada fase são preenchidasnecessidades da criança. Sendo assim, para entendermos o brincar da criançacomo uma atividade singular, devemos levar em conta a importância doamadurecimento dessas necessidades. Apesar de querer, a criança não podesatisfazer certos desejos. O brinquedo cria uma Zona de Desenvolvimento Proximal na criança’. (Oliveira, 2000), [...] (pois) a aquisição do conhecimento se dá através das zonas de desenvolvimento: a real e a proximal. A zona de desenvolvimento real é a do conhecimento já adquirido, é o que a pessoa traz consigo. Já a proximal, só é atingida, de início, com o auxílio de outras pessoas mais “capazes”, que já tenham adquirido esse conhecimento.Quando o brinquedo permite uma situação imaginária é permitido também umaregra, porém não uma regra explícita e sim uma criada e utilizada pela própriacriança durante a brincadeira. De acordo com a teoria vigotskiana, conforme o
  • 12. 12Centro de Referência Educacional (s/d), a criança modifica seu comportamento emrelação às regras à medida que desenvolve-se, uma vez que de início a situaçãoimaginária predomina e as regras são ocultas, ou seja não explícitas, e logo depoishá a predominância das regras explícitas ocultando-se nesse momento a situaçãoimaginária. De acordo com a mesma referência, o desenvolvimento de uma criança éinfluenciado, de maneira relevante, pelo brinquedo e é através dele que a criançaaprende a agir cognitivamente dentro de um contexto e não através da visualexterna, dependendo ainda das motivações e tendências internas e não externas. Conforme Kishimoto (2005), brincando, a criança entra em um mundoindividual e imaginário, o qual naturalmente lhe pertence, e de forma tranquila,nesse momento, se entrega de corpo e alma. Ao postular a natureza livre do jogo, amesma autora coloca-o como atividade voluntária do ser humano. Se imposta,deixa de ser jogo. Todo jogo acontece com uma seqüência própria da brincadeira emum determinado lugar e tempo Brincando a criança distancia-se da realidade cotidiana e entra no universoimaginário. Mas, ao mesmo tempo, essas relações imaginárias possibilitam que acriança se aproprie dos valores e normas que regem a sociedade em que ela vive. Segundo Kishimoto (2005), em resumo, vários autores assinalam pontoscaracterísticos que permitem identificar fenômenos comuns como elementos queinterligam e pertencem à grande família dos jogos: 1. Liberdade de ação do jogador ou o caráter voluntário, de motivação interna e episódica da ação lúdica; prazer (ou desprazer), futilidade, o “não-sério” ou efeito positivo; 2. Regras (implícitas ou explícitas); 3. Relevância do processo de brincar (o caráter improdutivo), incerteza de resultados; 4. Não-literalidade, reflexão de segundo grau, representação da realidade, imaginação; 5. Contextualização no tempo de no espaço. Segundo Almeida (2009), o lúdico, num contexto de espontaneidade demovimento, refere-se apenas ao jogar e ao brincar, e tem sua origem na palavra
  • 13. 13latina “ludos” que significa “jogo”. Ainda, o lúdico passou a ser reconhecido comotraço essencial do comportamento humano, de modo que a definição deixou de serapenas sinônimo de jogo. Este autor ainda reforça que as implicações danecessidade lúdica extrapolaram as demarcações do brincar espontâneo passandoà necessidade básica da personalidade, do corpo e da mente. O lúdico faz parte dasatividades essenciais da dinâmica humana. O Universo Autista cita Santos (2005), quando ele defende que a inteligência,a afetividade, a motricidade e a sociabilidade da criança são desenvolvidasprazerosamente através dos jogos e que, ainda segundo este autor, há no jogoregras de convivência e imaginárias que devem ser interpretadas e discutidas pelacriança, pois trata-se de uma atividade social. Seguindo a mesma linha depensamento, para Kuratani (2004), que também é citado pelo Universo Autista, paradesenvolver suas futuras afetividades, concentração e a percepção psicomotora, acriança deve jogar e brincar, já que é nesta oportunidade que ela aprende eexpressa a necessidade de socializar. Ao citar Biltencourt (2002), o Universo Autista afirma que a criança aprimorasua orientação e equilíbrio corporal, como também sua coordenação motora, atravésde atividades lúdicas e estes participam diretamente dos seus desenvolvimentosbiopsicológicos e sociais, tendo neste mesmo momento a satisfação dasnecessidades de crescimento e competitividade. Para Nasser (2004), os jogos, atividades lúdicas e brincadeiras, sendoatividades psicomotoras, possibilitam que a criança explore o mundo, reelabore oseu espaço psíquico, diferenciando aspectos espaciais e também suas ligaçõesafetivas e domínio do próprio corpo A criança que não encontra oportunidade de brincar e relacionar-se criativamente com o ambiente através de desafios, apresenta dificuldades no seu desenvolvimento. Por isso é importante que todos os profissionais que trabalham na área da psicomotricidade criem e desenvolvam o máximo de atividades lúdicas, desafiadoras, com abordagem e solução de problema, para facilitar o desenvolvimento psicomotor da criança (BERTOLDI, 2004, p.18). Para Oliveira, (2000), quando uma criança brinca, desenvolve oreconhecimento do seu corpo de forma mais intencional. Ou seja, ao ampliar suarealidade externa a criança, através das brincadeiras, aprende a utilizar asexperiências de sua imaginação, sonhos e fantasias em função do ambiente real.
  • 14. 14Para Vygotsky (1993) brincando a criança possibilita o preenchimento da realidadeao evidenciar, de maneira simbólica, suas emoções e intenções e dessa maneiracria uma nova relação entre situações reais. Nessa perspectiva, vale considerar a afirmação que afirma: Brincar, jogar, agir ludicamente, exige uma entrega total do ser humano, corpo e mente, ao mesmo tempo. A atividade lúdica não admite divisão; e, as próprias atividades lúdicas, por si mesmas, nos conduzem para esse estado de consciência. Se estivermos num salão de dança e estivermos verdadeiramente dançando, não haverá lugar para outra coisa a não ser para o prazer e a alegria do movimento ritmado, harmônico e gracioso do corpo. Contudo, se estivermos num salão de dança, fazendo de conta que estamos dançando, mas de fato, estamos observando, com o olhar crítico e julgativo, como os outros dançam, com certeza, não estaremos vivenciando ludicamente esse momento (LUCKESI, 2000, p. 21). Ainda segundo Luckesi (2000), é através do ato de brincar que o inconscienteé revelado e seus conteúdos são liberados e expressos livremente dos bloqueiosimpeditivos e é neste momento que a criança restaura suas possibilidades de vidasaudável. Se tais bloqueios já estão fixados, estes impedem a criança até mesmode brincar, e surge ai a necessidade de uma atenção mais cuidadosa. Conforme o mesmo autor, sendo as atividades lúdicas responsáveis pelacriação da identidade pessoal, são também instrumentos, nessa perspectiva, queinterligam a realidade interior e a exterior, identificando assim o lado construtivo detais atividades. As atividades lúdicas têm singular importância para o desenvolvimento dacriança, pois na aparente inocência do prazer de brincar ela desenvolvecompetências e habilidades que consolidarão a formação de sua individualidadeenquanto ser social, tendo como referência o seu ambiente sócio-cultural,principalmente familiar onde sua identidade pessoal é referenciada.
  • 15. 153 RETRATOS DA PRAÇA PÚBLICA Com efeito, a importância urbanístico-ambiental dos espaços livres temdestaque em nossos centros urbanos, ou seja, as praças pública, Meirelles, apudArruda (2009) define como limitações do traçado urbano voltadas à salubridade dacidade, os espaços livres e áreas verdes nos loteamentos, e acentua o carátersanitário das praças, como elemento de direito urbanístico e instrumento deproteção à saúde. Não seria nenhum despropósito afirmar que não só a segurança pública, mastambém a oportunidade de propiciar às pessoas, especialmente as crianças,momentos de interação e ludicidade nas praças públicas, é um desafio, pois apesardas praças garantirem tudo que foi dito até aqui, elas são, também, espaços de riscopara assaltos e outros tipos de abordagens comuns no nosso cotidiano. Ainda, segundo Arruda (2009), conforme o art. 25 III, da Constituição Federal,cabe a todos o dever de zelar pelas praças públicas, pois devem ser vistas comoespaços territoriais urbanos de relevante valor ambiental. Conforme o mesmo autor, os debates sobre a Educação Ambiental atentampara a importância de construir, valorizar e conservar as praças públicas. Todavia,importa registrar que a responsabilidade de construir e gerenciar as praças públicassão das prefeituras e necessitam reconhecer seus problemas e buscar saná-losprogressivamente. Mas também, se constituem um espaço em que emergem as contradições denossa sociedade, dentre as quais as conseqüências das desigualdades sociais. Nosentido ambiental, as praças podem amenizar as condições climáticas,principalmente quando implantadas nas áreas centrais. No aspecto funcional, essessão espaços de lazer e encontros, pois são lugares que servem de referênciageográfica. E, no sentido estético, embelezam o espaço urbano. Por sua vez, ao longo dos tempos, a praça sempre teve a sua importânciahistórica, no que diz respeito a ser um espaço reservado, especialmente para o lazerfamiliar e encontro de amigos. Na sociedade atual percebe-se que vem ocorrendo uma ampliação nasdiversas formas de utilização das praças; tornando-se também um espaço paramanifestações políticas e culturais através de ocorrência de eventos tais como:exposições artísticas, folclóricas, musicais, comícios, entre outras.
  • 16. 16 Outras mudanças que podemos observar é que a praça moderna englobaáreas de lazer ativas, com quadras poliesportivas e brinquedos para as crianças,requeridas pela própria sociedade, a preocupação com a segurança pública e apreservação do patrimônio cultural bem como também com a questão ecológica,tornando cada vez mais verde o ambiente da praça, com a inserção de plantas earborização que torna a praça um lugar agradável de estar.
  • 17. 174. NATUREZA E METODOLOGIA DA PESQUISA O presente trabalho monográfico se caracteriza como uma pesquisa denatureza qualitativa. A pesquisa qualitativa, segundo Oliveira (2007), é um processode reflexão e análise da realidade através da utilização de métodos e técnicas paracompreensão detalhada do objeto de estudo em seu contexto histórico e/ou segundosua estrutura. Em pesquisas de abordagem qualitativa todos os fatos e fenômenossão significativos e relevantes. As principais características da pesquisa qualitativa, segundo Godoy (1999)citado por Oliveira (2007), são: 1) ambiente natural como fonte direta de dados, e o pesquisador comoinstrumento fundamental; 2) caráter descritivo; 3) significado que as pessoas dão às coisas e à sua vida, que deve ser umapreocupação dos investigados; 4) enfoque indutivo. Esta pesquisa caracteriza-se como um estudo de caso, que é uma estratégiametodológica. Sobre estudo de caso “o método do estudo de caso é eclético. Poresta razão, ele pode ser trabalhado através das mais variadas técnicas e demétodos que facilitam a compreensão do fenômeno a ser estudado” (MARRENapud OLIVEIRA, 2007, p.55). Esta estratégia metodológica tem como objeto de pesquisa uma unidade quese analisa profundamente, visando o exame detalhado de um ambiente, de umsujeito ou de uma situação. Esse tipo de estudo tem se tornado a modalidadepreferida daqueles que procuram saber como e porque certos fenômenosacontecem ou dos que se dedicam a analisar eventos sobre os quais a possibilidadede controle é reduzida ou quando os fenômenos analisados são atuais e só fazemsentido dentro de um contexto específico (OLIVEIRA, 2007). Esta pesquisa foi feita na Praça Ruy Barbosa, da cidade de Alagoinhas-BA.Muitas praças da cidade de Alagoinhas passaram por uma revitalização, com a idéiade recuperar a paisagem e aliar a recreação. A Praça Ruy Barbosa, foi selecionadapara ser analisado o desenvolvimento de práticas lúdicas, brincadeiras e jogos entrecrianças, pois é a mais visitada pelos cidadãos da cidade e, após a reforma, tornou-se o local mais atrativo para o público infantil. Nesta Praça, existem mini-parques
  • 18. 18que incluem gangorras, escorregadeiras, balanços, casinhas de madeiras, caixas deareia e outros brinquedos e eventos que despertam interesse das crianças. Os dados sobre o objeto desta pesquisa foram coletados através daobservação direta das atividades concretizadas na Praça Ruy Barbosa em horáriose dias distintos. Trata-se de um estudo de caso do tipo descritivo e que mapeou o fluxo, ainteração e a ocupação lúdica das crianças que freqüentam tal espaço. Ainvestigação lançou mão dos seguintes procedimentos metodológicos: observaçãodireta, questionário, anotações de campo e registro fotografia. A opção pela técnica da observação decorreu da necessidade de conhecer apraça na sua cotidianidade. Estas podem dar-se de forma direta ou participante.Na observação direta, também chamada de sistemática ou estruturada, feita nestapesquisa, deve-se observar in loco os possíveis dados que devem ser pesquisadosem relação aos objetivos e hipótese preestabelecidos. Para Chizzotti (2003), aobservação estruturada ou sistemática consiste na coleta e registro de eventosobservados que foram previamente definidos. A técnica de tal observação podelançar mão de filmagens ou fotografias. Nesta pesquisa, foram feitas descriçõesdetalhadas de fenômenos e comportamentos. Além das observações, foram aplicados questionários com os adultosresponsáveis pelas crianças nos momentos de observação, que se dispuseram arespondê-los. Segundo Oliveira (2007), os questionários têm como principal objetivodescrever as características de uma pessoa ou de um determinado grupo social. Oquestionário também pode, segundo Mattos, Roseto Jr. e Blecher, (2004), ser misto,utilizando a combinação de perguntas abertas e fechadas. Este foi feito o tipo dequestionário utilizado nesta pesquisa. Através desse procedimento, procurei saberas condições sócio-econômicas, faixa etária e brincadeiras preferidas das criançasque freqüentam a Praça Ruy Barbosa, além dos motivos que levaram essaspessoas a procurarem a praça como espaço de lazer. De acordo com Oliveira (2007), a análise é o processo de ordenação dos dados,organizando-os em padrões, categorias e unidades básicas descritivas. A análisedos dados em pesquisas qualitativas consiste em três atividades interativas econtínuas: 1. Redução dos dados – Processo contínuo de seleção, simplificação, abstração e transformação dos dados originais provenientes das observações
  • 19. 19 de campo. Na verdade a redução dos dados já se inicia antes da coleta de dados propriamente dita;2. Apresentação dos dados – organização dos dados de tal forma que o pesquisador consiga tomar decisões e tirar conclusões a partir dos dados;3. Delineamento e verificação da conclusão – identificação de padrões, possíveis explicações, configurações e fluxo de causa e efeito, seguida de verificação, retornando às anotações de campo e à literatura, ou ainda replicando o achado em outro conjunto de dados. Desse modo, desenvolvi a metodologia do trabalho e organizei o processo de levantamento das informações que apresento a seguir.
  • 20. 205 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DAS INFORMAÇÕES Neste capítulo, apresento a descrição dos dados, tanto numéricos quanto osresultantes das observações e analiso os mesmos, retomando o diálogo com osautores que nortearam a construção do referencial teórico.5.1 UM OLHAR QUALITATIVA SOBRE OS NÚMEROSTABELA I – Fluxo de crianças na Praça Ruy Barbosa no período de observação DIA DE NÚMERO DE NÚMERO DE NÚMERO TOTALOBSERVAÇÃO/TURN MENINOS MENINAS DE CRIANÇAS O Manhã 04 02 0624/07/09 Tarde 06 03 09 Noite 09 13 22 Manhã 05 03 0825/07/09 Tarde 11 06 17 Noite 12 16 28 Manhã 06 03 0926/07/09 Tarde 13 11 24 Noite 14 20 34 Manhã 08 10 1827/07/09 Tarde 28 36 64 Noite 32 41 73 Podemos observar na tabela acima que o fluxo de criança tem um aumentoprogressivo nos respectivos turnos, ou seja, é aumentado da manhã para a tardeque por sua vez também é aumentado à noite. Isto se dá, provavelmente, peladisponibilidade de horário dos seus respectivos acompanhantes. Observa-setambém que são nos finais de semana, dias 26 e 27 de julho, por exemplo, que apraça recebe um número bem maior de crianças e que o público infantil feminino ésuperado pelo masculino nos dois primeiros turnos, fato este que é revertido à noite,quando o publico infantil feminino sempre supera o masculino.
  • 21. 21 TABELA II – Organização dos dados relativos ao questionário com os responsáveis Categoria analisadas Ocorrência Frequência Idade do responsável 18 10% pela criança 20 10% 27 20% 31 20% 32 10% 37 10% 39 10% 40 10% Profissão do Comerciário 20% responsável pelas Funcionário Público 20% crianças Servente 10% Técnico em segurança do trabalho 10% Operador de PDU 10% Técnico judiciário 10% Dona de casa 20% Grau de instrução do Ensino Fundamental 10%responsável pela criança Ensino Médio 70% Ensino Superior 20% Domicílio em que a Própria 90% criança mora Alugada 10% Parentesco com a Mãe 80% criança Pai 20% Distância entre Muito distante 60% residência e praça Pouco distante 30% Perto 10% Motivo pelo qual traz a Lazer 10% criança à praça Maior número de 30% crianças 40% Pedido da criança Disponibilidade de 20% brinquedosVantagem de freqüentar Maior liberdade para 40% a praça brincar Variedade de brinquedos 10% fixos Interação com outras 40% crianças Não há vantagens 10% Freqüência com que a Sempre 20% criança vem à praça Às vezes 60% Raramente 20%Avaliação das relações Ótimas 40% entre as crianças Boas 50% Regular 10%
  • 22. 22 Horário que a criança Manhã 70% freqüenta a praça Tarde 10% Noite 20%Como a criança se sente Melhor que em casa 10% na praça Alegre 80% Livre para brincar 10% A criança brinca na Bastante 80% praça? Pouco 20% Avaliação dos Bons 70% brinquedos oferecidos Regulares 30% às criançasTempo de permanência Até uma hora 20% na praça De uma a duas horas 70% Acima de duas horas 10% Com uma análise mais detalhada, pode-se observar na tabela acima que ascrianças são acompanhadas por pessoas de todos os níveis educacionais, indicandoassim a forma democrática com que os usuários utilizam o espaço físico da PraçaRuy Barbosa, pois como nos lembra Machado, apud Arruda (2009), os bens dessesespaços estão à disposição de todos os membros da coletividade, sendo estesanônimos e indeterminados, pois o direito de cada indivíduo limita-se à igualdadecom os demais na fruição desses bens. Observa-se também que as crianças são acompanhadas, prioritariamente,por suas mães e que para elas a distância não caracteriza obstáculo paradesenvolvimento de brincadeiras na praça, contribuindo assim para odesenvolvimento da ludicidade pois esta, para Oliveira (2000), são nas brincadeiraslúdicas que a criança desenvolve a criatividade e a espontaneidade e é utilizadacomo instrumento de estimulação pratico em qualquer fase do desenvolvimento dapsicomotricidade. Envolve todos os domínios da natureza como forma global deexpressão. Do ponto de vista físico, as brincadeiras lúdicas apresentam grandesbenefícios ao intelectual, social e didático para a criança. A maioria das crianças vai à praça porque pede aos seus responsáveis paralevá-las e estes destacam a liberdade que elas têm para brincar e a interação comoutras crianças e destacam também que é na praça que a criança demonstra grandealegria quando brincam bastante. Para Piaget (1982), quando brinca a criançaassimila o mundo à sua maneira, sem compromisso com a realidade, pois sua
  • 23. 23interação com o objeto não depende da natureza do objeto, mas da função que acriança lhe atribui. No mesmo sentido, Vygotsky (1993), nos mostra que é a criançaque define o brincar a partir da situação imaginária criada por ela. As crianças têmuma permanência na praça de uma a duas horas e aproveitam esse tempo de formadinâmica e criativa.5.2 UM DIÁLOGO EM CAMPO Quando assumi o desafio de analisar o fazer lúdico das crianças na PraçaRuy Barbosa da cidade de Alagoinhas, muitas eram as minhas expectativas.Perguntava-me sobre como eram as interações entre elas, como se vestiam, comobrincavam e como se comportavam num espaço público desenvolvido para este fim. Ao iniciar a pesquisa de campo na praça em questão, fui tomado porlembranças da minha infância e a relação que ainda mantinha depois de adulto comela e em espaços deste tipo. A princípio fui à praça em um dia da semana paraobservar seu espaço físico. Logo após ter feito uma visualização panorâmica dapraça, dediquei-me mais aprofundadamente ao espaço reservado para osequipamento fixos e brinquedo, pois, mesmo com outras áreas para brincar, esse éo local mais procurado pelas crianças. Vale lembrar que é no brinquedo, conforme discute Solza (1996), que acriança diminui seu sentimento de impotência quando ela traduz para a realidadeinfantil o real e suaviza o impacto provocado pelo tamanho e pela força dos adultos,pois é durante as brincadeiras que a criança desenvolve sua inteligência e suasensibilidade. A harmonia entre a potencialidade e afetividade da criança é garantidaatravés da qualidade da oportunidade oferecida através de brincadeiras ebrinquedos. Neste sentido, os brinquedos tornam-se de extrema importância para ascrianças ao desenvolverem-se, pois, como afirma Bertoldi (2004), ao não relacionar-se de maneira criativa e através de desafios com o ambiente, e não encontrandooportunidade de brincar, o desenvolvimento da criança apresenta dificuldades e ficacomprometido. A praça Ruy Barbosa, pelo que pude perceber, ainda é carente de políticaspúblicas voltadas para a população infantil que possibilitem às crianças desenvolversuas potencialidades. A praça oferece brinquedos prontos e estes já levam a
  • 24. 24brincadeiras preestabelecidas. No entanto, para Bertoldi (2004), é importante que osadultos responsáveis pela educação das crianças criem e desenvolvam o máximode atividades lúdicas, desafiadoras, com abordagem e solução de problema, parafacilitar o desenvolvimento da mesma de modo amplo. Cabe assim ao poder públicoinstalar equipamentos que desafiem as crianças e desenvolva suas respectivascapacidades motoras. Os brinquedos à disposição das crianças na praça pesquisada sãoconstruídos de ferro e madeira e ficam fixos em uma área de areia. Tratei, então, delevantar informações a partir das observações sobre a presença do jogo e dabrincadeira nesse espaço, conforme descrevo a seguir.5.2.1 Primeiro dia de observação (Dia 23/07 – Quinta-feira) Aproveitei esse dia para registrar, através de fotografias, os brinquedosdisponibilizados pelo poder público.FIGURA II– GIRA-GIRA. O brinquedo é fixo na areia, e sua dinâmica é desenvolvida quando criançasfazem-no girar com a utilização dos pés no chão. É construído com ferro e madeira.
  • 25. 25FIGURA III – BALANÇO I. Este é um tipo de balanço, também é fixado na areia, construído demadeira e ferro e sua dinêmica é desenvolvida quando crianças, sentadas, utilizam as mãos paraforçar seu movimento.FIGURA IV – BALANÇO II. Este bambém é um tipo de balanço, também conhecido como gangorra,fixado ao solo, e pode ser utilizado individualmente. É construído de madeira e ferro e sua dinâmicaconsiste em balançar para traz e para frente.
  • 26. 26FIGURA V – GANGORRA. Este é do tipo balanço, conhecido também como cavalinho, fixo ao solo,construído de madeira e ferro e sua dinâmica é desenvolvida quando duas crianças sentam em suasextremidades e realizam o movimento de subir e descer.FIGURA VI – TIROLESA. Este brinquedo é construído de ferro e corda, é fixado ao solo e suadinâmica consiste em deslocar a criança da extremidade mais alta para a mais baixa segurando emuma parte móvel.
  • 27. 27FIGURA VII – TREPADEIRA. Este é um brinquedo totalmente contruído de ferro, fixo ao solo e suadinâmica consiste no deslocamento da criança de uma extremidade para a outra, pendurada eutilizando apenas os braços.FIGURA VIII – CASINHA DE MÚLTIPLOS BRINQUEDOS. Este é o brinquedo mais utilizado pelascrianças, pois engloba vários outros brinquedos como balanços, escorregadeira, escadas e umacobertura na parte alta. É todo construído de ferro e madeira.
  • 28. 28Logo depois que cheguei, começaram a chegar algumas crianças. Um menino euma menina que, do modo que brincam, parecem ser irmãos. Em seguida, chegammais outras poucas crianças que logo misturam-se às que já estão. Todas brincamnum espaço de areia onde estão fixados os brinquedos colocados pela prefeitura. Vitambém outras crianças que estavam com uniformes, pois estudam em escolas queficam nas imediações da praça. Logo as observei: chegaram meio tímidas edevagar. Puseram os livros ali mesmo num banco e de pronto foram para osbrinquedos se divertirem. Ainda com olhares desconfiados, misturaram-se às outrascrianças que ali já estavam e logo revesaram-se para utilizar os brinquedos. Não houve a realização de jogos pelas crianças neste dia. Sabemos que osjogos contribuem de forma prazerosa no desenvolvimento global da criança: ainteligência, a afetividade, a motricidade e a sociabilidade, além de servirem derecursos de autodesenvolvimento e como atividades que vão propiciando o caminhointerno da construção da inteligência e dos afetos. Todavia, parece que a presençados brinquedos determina as atividades que serão realizadas pelas crianças napraça pesquisada. No entanto, tratando-se do primeiro momento de observação, nãoé possível afirmar isto categoricamente. Não se pode deixar de observar, contudo, que mesmo com brincadeiras pré-determinadas pelos brinquedos, o espaço público possibilita a interação entre ascrianças. Nesse sentido, é preciso considerar que o desenvolvimento infantilacontece na interação com sujeitos mais ou menos experientes que ele mesmo e osimples fato de estar na praça promove a interação entre as crianças. Durante a observação, percebi que a população de crianças na praça eraoscilante, pela forma como realionavam-se com ela, os brinquedos e entre si. Nodia seguinte, na sexta-feira, dei prosseguimento a minha observação.
  • 29. 295.2.2 Segundo dia de observação (Dia 24/07 – sexta-feira) Na praça existem poucas crianças que brincam na área de areia. Umamenina e dois meninos que, apesar de aparentemente não serem parentes, poispude perceber que seus respectivos responsáveis não se conhecem, a meninabusca interação com os meninos e logo brincam em conjunto nos brinquedos fixos.Brincam de pega-pega, no balanço e na casa de madeira que fica no alto, pois éneste briquedo onde concentra-se a maior parte das crianças durante asbrincadeiras. Tenho uma ideia sobre as idades mas mesmo assim não pergunto econtinuo só a observar. Mais tarde a praça é tomada por mais crianças e pudeobservar que nenhuma delas levou brinquedos ou está brincando sozinha. Bemmais tarde, já escurecendo, chega também um homem e monta um outro brinquedo:o pula-pula. Com um número maior de crianças na praça, algumas brincam noreferido brinquedo e outras continuam na área de areia. Talvez por ser estebrinquedo pago e muitas crianças não poderem pagar. Ao observar a presença de um pequeno comércio organizado da forma comoacontece na praça Ruy Barbosa, questiono qual motivo e o papel que as atividadespagas desenvolviam naquele espaço, pois, se por um lado, a praça pode serconsiderada como um local destinado ao lazer do público infantil, sua estruturatambém é utilizada em benefício de particulares. Ora, não podemos esquecer queeste é um espaço público e, sendo asim, é um espaço para todos. Seguindo nestesentido, a presença de crianças menos favorecidas só é restrita à área dosbrinquedos fíxos pois, nos brinquedos privados, se estas podem pagar bincam, senão podem olham. Desse modo, a praça pública e os brinquedos aí dispostosseguem a mesma lógica hierárquica e excludente da nossa sociedade, em que sedá a privatização e mercadorização do público e em que o Estado se exime daresponsabilidade de garantir a todos os cidadãos os mesmos direitos e tratamento. O que pude observar sobre as crianças na praça, é que todas elas brincam damaneira que acharem melhor e sem a interferência dos seus responsáveis, poisuma das formas de divertimento típico da infância é a brincadeira, ou seja, é umaatividade que a criançada realiza sem compromisso planejado, com umcomportamento espontâneos e gerador de prazer. Todo adulto recorda do seutempo de criança e lembra que as brincadeiras eram ensinadas entre os amigos e
  • 30. 30até mesmo pelos próprios familiares, de forma expressiva e que sempre promoviamo divertimento. O brincar é empregado muito mais como atividade livre do que comoinstrumento de estratégia de aprendizagem .5.2.3 Terceiro dia de observação (Dia 25/07 – sábado) Sendo final de semana, a praça, já devidamente tomada por crianças queocupam vários espaços, é palco de várias brincadeiras como jogar bola, correr,andar de bicicleta, pula-pula, mas a maior procura é pelos brinquedos fixos na areia.Observo um pequeno grupo de crianças que estão no brinquedo giratório. Meaproximo, e pelo tom parece que é a primeira vez que brincam juntas. Ouço-asfazendo acordos: “sua vez”, “agora sou eu”, “tire os pés do chão”. Numa outra áreada praça, num pula-pula, vejo que as crianças fazem fila para entrarem, e nestacomeçam a interagirem: “eu vou pular tão alto, mas tão alto que acho que vou voar”,“eu vou dar um monte de maria escumbunda”, “a gente vai brincar de pega-pega ládentro, tá?”. É facinante como as crianças, que acabaram de se conhecer,integram-se de maneira tão estável. Percebi que a população de crianças que frequentam a praça era, sem dúvidaalguma, dividida em dois grupos: o grupo das crianças dos dias da semana e o dosfinais de samana. As crianças que freqüentam a praça nos finais de semana, em suagrande maioria, demonstram, em suas aparências, os cuidados que lhes sãodestinados, pois estas crianças apresentavam-se arrumadas e pude reconheceralgumas que vi num dia da semana.
  • 31. 315.2.4 Quarto dia de observação (Dia 26/07 – domingo) As crianças, sempre dispostas, nos surpreendem com suas atitudes. Logocedo, quando tirava fotos para registros, um menino aproximou-se de mim eperguntou se eu poderia tirar uma foto dele. Ao responder que sim, logo ele tratoude chamar outras crianças para participarem. Logo após as fotos, todas voltaram abrincar de maneira integrada. Já escurecendo, uma criança desistiu de brincar nopula-pula antes do término do tempo, e a pessoa que lhe acompanhava reclamoudizendo “ já que eu vou pagar, brinca!” logo a criança desiste e ambas saem emdireção a área de areia, onde ficam localizados os brinquedos fixos. A noite, a praçajá estava fervilhando de crianças que espalhavam-se por toda ela, mas apreferência ainda era a área dos brinquedos fixos. Uma correndo com outra, umachamando outra, uma comendo com outra, enfim, era um verdadeiro “mundo dacriança”, onde todas brincavam em conjunto e seus responsáveis demonstravamtranquilidade em observá-las. Por vezes, na área destinada aos brinquedos fixos,devido ao fluxo de adultos, às vezes era difícil ver as crianças, pois seusresponsáveis os ajudavam empurrando-os num brinquedo, levantando-os emoutros, etc... Sobre as crianças menores, as que ainda eram de colo, arregalavamos olhos e riam à toa. As que já andavam, corriam sem rumo e cheias de alegria.Era aquela “festa”, onde tinha de tudo: bolas, brincadeiras, jogos, brinquedos,pipocas, doces .... As crianças faziam uma verdadeira festa. Como observador, quase acabei envolvendo-me na brincadeira e confessoque a tentação foi muito grande, pois ao ver crianças tão alegres, reportei-me aminha infância e fui tomado por um desejo de compartilhar brincadeiras com elas.Vale ressaltar que esse envolvimento aconteceu a convite das próprias crianças, ouseja, como uma manifestação da espontaneidade que é uma das características dojogar e brincar.
  • 32. 326 CONSIDERAÇÕES FINAIS Com relação às crianças a praça Ruy Barbosa é, sem sombras de dúvida, umlocal de interação. Um espaço a mais. Quando as crianças estão brincando na praçadão a ela um ambiente mais alegre e de pluralidade, e esta cresce ainda mais nosfinais de tarde e principalmente nos finais de semana, quando é possível ver umavariedade de crianças. Percebi que interromper as brincadeiras e levar as criançaspara casa não é uma tarefa fácil. Alguns pais negociam com elas resolvendo estemomento com uma troca, “vamos que eu te dou isso”, “vamos que eu te levo paraaquele lugar”, mas muitas crianças não aceitam o que eles estão propondo ealgumas delas acabam chorando, protestando, resistindo e, ainda assim, indoembora. Observando novamente o espaço físico da Praça Ruy Barbosa, como seestivesse vendo uma fotografia, posso afirmar que a área destinada às brincadeirascom equipamentos públicos, a área dos brinquedos, é menor do que o espaçodestinado às atividades pagas. Diante disso questiono-me qual o valor dasbrincadeiras na sociedade moderna e qual tipo de entretenimento estamosoferecendo às crianças, já que é no brincar que as crianças garantem formaspróprias de compreensão do mundo físico e social, cria sua estrutura emocional,aprende as regras de convivência e desenvolve a capacidade de lidarsimbolicamente com o real. No que diz respeito aos jogos e brincadeiras das crianças na praçapesquisada, observei que as crianças envolvem-se mais com os brinquedosoferecidos nesse espaço e poucas vezes realizam jogos umas com as outras, masos próprios brinquedos permitem a interação. Todavia, vê-se também a privatizaçãodo espaço público com a presença de brinquedos que para acessar é preciso pagar,e características próprias do brincar infantil são perdidas quando o brincar se tornauma mercadoria. Por isso, temos de pensar mais criticamente sobre a ocupação dosespaços públicos de nossa cidade pelas crianças e, especialmente, no modo comoesse espaço é explorado por comerciantes e, ainda, no que se oferece para ascrianças em termos de atividades lúdicas. Transformar em pesquisa o mundo das crianças na Praça Ruy Barbosa foidesejo pouco contemplado pelo tempo que me fora disponibilizado. O tempo que napraça parecia tão longo, ao esperar as interações entre as crianças. Quando isto
  • 33. 33acontecia, aí sim, para minha surpresa, a impressão que tinha era que os minutostransformavam-se em segundos. Observando as crianças pude perceber pelos seussorrisos e olhares voltados aos brinquedos, que o tempo para elas também eraprecioso, uma vez que este era unicamente para brincar. Só me resta afirmar que nenhum tempo será suficiente quando se tratar deum tema tão fascinante e envolvente como este. Encerro esse estudo, mas abronovas janelas de pesquisa em torno do universo lúdico no espaço público.
  • 34. 347 REFERÊNCIASALMEIDA, Anne. Ludicidade como instrumento pedagógico. Disponível em:http://www.cdof.com.br/recrea22.htm. Acesso em 19 de dez. 2009.ANTUNES, CELSO. Jogo para a estimulação de múltiplas inteligências.Petrópolis: Vozes, (2002)ARRUDA, Domingos Savio de Barros, Praças Públicas. Disponível em:http://www.mt.trf1.gov.br/judice/jud5/praças.htm. Acesso em: 17 de nov. 2009.BERTOLDI, A.L.S. A influência do uso de dicas de aprendizagens na percepçãocorporal de crianças com deficiência motora. Dissertação (Mestrado). UFPR(2004).CENTRO DE REFERÊNCIA EDUCACIONAL. Consultoria e Assessoria emEducação. Disponível em: http://www.centrorefeducacional.com.br/ludicoeinf.htm.Acesso em: 17 de nov. 2009.CHATEAU, JEAN. O jogo e a criança. Editora Summus, 1987.CHIZZOTTI, ANTONIO. Pesquisa em ciências humanas e sociais. 6 ed. SãoPaulo: Cortez, 2003.FRIEDMANN, ADRIANA. Brincar: crescer e aprender – O resgate do jogoinfantil. SP: moderna (1996)GALLAHUE, D; OZMUN, J. C. Compreendendo o desenvolvimento motor:bebês, crianças, adolescentes e adultos. São Paulo: Phorte Editora, 2003.HUIZINGA, JOHAN. Homo Ludens: O jogo com elemento da cultura. 4.ed. S.P.Perspectiva,1996.KISHIMOTO, TIZUKO MORCHIDA, jogo, brinquedo, brincadeira e a educação.Cortez, 2005.KRAMER, SONIA. Infância e produção cultural. Campinas, SP: Papirus, 1998.LAKATOS, EVA MARIA, MARCONI, MARINA DE ANDRADE. Fundamentos demetodologia científica. – 5 ed. – São Paulo: Atlas 2003.LUCKESI, CIPRIANO CARLOS. Educação, ludicidade e prevenção das neuroses
  • 35. 35futuras: uma proposta pedagógica a partir da Biossíntese. In: LUCKESI,Cipriano CarlosLUCKESI, CIPRIANO CARLOS. Ludicidade e atividades lúdicas: umaabordagtem a partir da experiência interna, Educação e Ludicidade. Gepel,Faced/Ufba, 2002.LUDOPEDAGOGIA - Ensaios 1: Educação e Ludicidade. Salvador: Gepel, 2000.MIRANDA, SIMÃO. Do fascínio do jogo à alegria do aprender na séries iniciais.Campinas, SP: Papirus, 2001.MATTOS, ROSETO JR. E BLECHER. Teoria e Prática da Metodologia daPesquisa em Educação Física. São Paulo: Phorte, 2004.NASSER, GILSA CANA VARROS. Psicomotricidade – MT, 2004.NATÁLIA MICOSSI DA CRUZ. Resenha de – PGraduanda de Geografia do IGCE-Unesp, campus de Rio Claro, Bolsista de Iniciação Científica do CNPq - PraçasBrasileiras (EdUSP, 2003).OLIVEIRA, MARIA MARLY DE. Como fazer pesquisa qualitativa. – Petrópolis, RJ:vozes, 2007.OLIVEIRA, ZILMA DE MORAES RAMOS DE (org). Educação infantil: muitosolhares. 4.ed. SP. Cortez 2000.PIAGET, JEAN. O nascimento da inteligência na criança. 4. ed. Rio de Janeiro:Zahar, 1982.SOLZA, MARIA DO ROSÁRIO SILVA. A importância do lúdico nodesenvolvimento da criança. – Campinas/ SP, 1996.UNIVERSO AUTISTA. A importância da ludicidade, jogos e brincadeiras nodesenvolvimento da psicomotricidade. Disponível em: http://www.universoautista.com.br/autismo/modules/articles/article.php?id=27. Acesso em: 19 de nov. 2009.VYGOTSKY, L.S. (1993) Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes.
  • 36. 36APÊNDICES
  • 37. 37 APÊNDICE A - QUESTIONÁRIONome:_____________________________________Idade:_____________________________________Profissão:__________________________________Grau de instrução: 1. 1º grau ( ) 2. 2º grau ( ) 3. 3º grau ( )Propriedade do domicílio 1. Própria ( ) 2. Alugada ( ) 3. Cedida ( )Qual o grau de parentesco com a criança 1. Mãe () 2. Pai () 3. Tio(a) () 4. Irmão(ã) ( ) 5. Outros ( ). Qual?_________________________Qual a distância da residência da criança para esta praça? 1. Muito distante ( ) 2. Pouco distante ( ) 3. Nada distante ( )Qual motivo o levou a trazer a criança a esta praça? 1. Distância de casa () 2. Maior número de crianças () 3. A pedido da criança () 4. Disponibilidade de brinquedos ( ) 5. Outros ( ). Qual? ___________________________________________Qual é, para você, a principal vantagem da criança freqüentar esta praça? 1. Maior liberdade para brincar () 2. Variedade de brinquedos fixos ( ) 3. Interação com outras crianças ( ) 4. Não vejo vantagem ()Com que freqüência a criança vem a esta praça? 1. Sempre () 2. Às vezes ( ) 3. Raramente ( )
  • 38. 38Como você avalia as relações entre as crianças nesta praça? 1. Ótima () 2. Boas () 3. Regular () 4. Más () 5. Péssimas ( )Qual o horário que a criança vem a esta praça? 1. Pela manhã () 2. Pela tarde () 3. Pela noite () 4. Qualquer horário ( )Em sua opinião, como a criança se sente nesta praça?____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Para você, a criança brinca nesta praça? 1. Bastante () 2. Pouco () 3. Não brinca ( )Você acha que os brinquedos disponibilizados nesta praça são ideais para aacriança? 1. Sim () 2. Não () 3. Não sei ( )Em geral, qual o tempo de permanência da criança nesta praça? 1. Até uma hora () 2. De uma a duas horas ( ) 3. Acima de duas horas ( )
  • 39. 39 APÊNDICE B- FLUXO DE CRIANÇAS NA PRAÇA RUY BARBOSAData_______/________/________PELA MANHÃ - Horário: Entre ____________ horas e ____________ horas.Sexo: Meninos ( ) Meninas ( ) Total: ( )PELA TARDE – Horário: Entre____________ horas e ____________ horas.Sexo: Meninos ( ) Meninas ( ) Total: ( )PELA NOITE – Horário: Entre ____________horas e ____________horas.Sexo: Meninos ( ) Meninas ( ) Total ( )Obs:_________________________________________________________________ _________________________________________________________________ _________________________________________________________________
  • 40. 40 APÊNDICE C- INTERAÇÃO ENTRE AS CRIANÇAS NA PRAÇA RUY BARBOSAData________/________/________PELA MANHÃ:Brincadeiras individuais: Muitas ( ), Poucas ( ), Nenhuma ( )Em grupo: Pequeno ( ), Médio ( ), Grande ( ).PELA TARDE:Brincadeiras individuais: Muitas ( ), Poucas ( ), Nenhuma ( )Em grupo: Pequeno ( ), Médio ( ), Grande ( ).PELA NOITE:Brincadeiras individuais: Muitas ( ), Poucas ( ), Nenhuma ( )Em grupo: Pequeno ( ), Médio ( ), Grande ( ).OBS:___________________________________________________________