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2           ANA CAROLINA DO N. ALVES  HISTÓRIA DAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA NOCENTRO EDUCACIONAL NILTON OLIVEIRA SANTOS – ...
3Ao amor da minha existência. Minha mãe,                                Jussara
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6“Se queremos progredir, não devemos repetir     a história, mas fazer uma história nova”.                              Ma...
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101 INTRODUÇÃODurante as atividades desenvolvidas nas disciplinas História da Educação Física,Metodologia e Conhecimento d...
11Para se entender o processo histórico desta pesquisa, surge a seguinte pergunta:Como se deu o processo de ensino da Educ...
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13A pesquisa baseada em fonte oral é base para o conhecimento científico, apesar dehaver dilemas em torno da cientificidad...
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15recursos, as delimitações territoriais no interior do currículo escolar, os espaços noshorários, etc.Segundo o COLETIVO ...
16Segundo (ALMEIDA, 2006), em 1822, na tentativa de se suprir a falta de professoresinstitui-se o Método Lancaster, ou do ...
17para o ensino da ginástica nas escolas públicas da Prússia”, que havia sido distribuídopelo governo ou que se adotasse o...
18nova constituição implantou o voto universal para os cidadãos (mulheres, analfabetos,militares de baixa patente ficavam ...
19                         Destinava-se, portanto, à Educação Física, nessa questão da eugenia                         da ...
20- O Decreto 19.851, de 11 de abril, institui o Estatuto das Universidades Brasileirasque dispõe sobre a organização do e...
21Guerra organiza, por meio de uma Portaria em 1930, o Centro Militar de EducaçãoFísica, determinando como método oficial ...
22Lino Castellani Filho (1994), nos traz que, em 1937 surge a Constituição cuja afinalidade era de promover a disciplina m...
23Em 28 de maio de 1940, o Decreto n.º 5.723, concede o reconhecimento do CursoSuperior da Escola de Educação Física de Sã...
24apego e indefectível fidelidade para com a pátria” (CAPANEMA apud BETTI, 1991,p.85).No ano de 1946 o Governo Federal cri...
25Até 1953, foi Ministério da Educação e Saúde. Com a autonomia dada à área dasaúde surge o Ministério da Educação e Cultu...
26Estado a instituição esportiva foi na direção do quesito "segurança", por meio domascaramento da realidade. Nesse contex...
27significativa para a continuidade destes objetivos, é fundado o Colégio Brasileiro deCiências do Esporte (CBCE), que ao ...
28sugerindo que os conteúdos selecionados para a aula devem propiciar uma melhorleitura da realidade pelos alunos e possib...
29a escola e para o professor a responsabilidade da adaptação da ação educativaescolar.
304 SANTA LUZ E CENTRO EDUCACIONAL NILTON OLIVEIRA SANTOS:MEMÓRIAS DE SEUS SUJEITOSSanta Luz é um município brasileiro do ...
31Em 1969, o Sr. Petronélio Evangelista, criou o curso normal de Santa Luz, tendo comodiretor, o Sr. Valdomiro Carvalho e ...
32                           Portuguesa, Estudos Sociais, Ciências) deram-me o embasamento                           teóri...
334.1 OLHARES PARA A EDUCAÇÃO FÍSICA NO CENOSO processo de ensino da Educação Física no CENOS foi tardio quando se compara...
34prática corporal se tornou um dos eixos de ensino para busca de talentos quepudessem representar a pátria em competições...
35As aulas não aconteciam de forma mista, devido ao preconceito dos pais e dospróprios alunos. Só a partir da década de 19...
36                       É muito precário os materiais didáticos sobre Educação Física.                       Planejo, mas...
37entanto tinham os movimentos mais restritos, a brincadeira de pular elástico ou decasinha. Isto é claramente percebido n...
38binômio Educação Física/Esporte na planificação estratégica de governo. No CENOS,a esportivização se iniciou a partir do...
39organizadas na escola. Ou seja, a EF ainda é uma “prática”, que não tem sofridomudanças com a produção acadêmica das ult...
405 CONSIDERAÇÕES FINAISEsse trabalho se debruçou em como foi o processo de ensino da Educação Física noCentro Educacional...
41relação a algumas entrevistas, algumas pessoas já faleceram,impossibilitando assimacesso a algumas informações mais prec...
42REFERÊNCIASALMEIDA , Maria Cristina Alves de. As Tecnologias da Informação e Comunicação, osnovos contextos de ensino-ap...
43COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do Ensino de Educação Física. 2ªEd.Revista. São Paulo, 2009.CONFEF. Conselho Federal de...
44GIL, Antonio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 3ª ed., São Paulo:Editora Atlas,1991.GONÇALVES JUNIOR, Luiz; RA...
45SOARES, C. Educação física: raízes européias e Brasil. Campinas, AutoresAssociados, 1994.
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HISTÓRIA DAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA NO CENTRO EDUCACIONAL NILTON OLIVEIRA SANTOS – CENOS: DOS ANOS 1960 AOS DIAS ATUAIS

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HISTÓRIA DAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA NO CENTRO EDUCACIONAL NILTON OLIVEIRA SANTOS – CENOS: DOS ANOS 1960 AOS DIAS ATUAIS

  1. 1. 1 Universidade do Estado da Bahia – UNEBDEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO/ CAMPUS II – ALAGOINHAS CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA ANA CAROLINA DO N.ALVES HISTÓRIA DAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA NOCENTRO EDUCACIONAL NILTON OLIVEIRA SANTOS – CENOS: DOS ANOS 1960 AOS DIAS ATUAIS ALAGOINHAS – BA 2011
  2. 2. 2 ANA CAROLINA DO N. ALVES HISTÓRIA DAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA NOCENTRO EDUCACIONAL NILTON OLIVEIRA SANTOS – CENOS: DOS ANOS 1960 AOS DIAS ATUAIS Monografia apresentada, como pré-requisito de conclusão do Curso de Licenciatura de Educação Física, da Universidade do Estado da Bahia, Alagoinhas- Bahia Orientadora: Profª.Ms. Martha Benevides da Costa ALAGOINHAS- BA 2011
  3. 3. 3Ao amor da minha existência. Minha mãe, Jussara
  4. 4. 4 AGRADECIMENTOSÉ inevitável não agradecer a Deus em primeiro plano. Por tantas conquistas,realizações e vitórias alcançadas. A minha mãe Jussara, exemplo, fonte de força einspiração, na tua garra, espelho o desenvolvimento do meu ser. Meu Pai, Edson, portoda a luta durante esse período. Os meus anjos que não se fazem mais presenteaqui na terra, porém imortalizadas no meu coração, vovó Dorinha e Gê, sei que estãopresentes nessa minha trajetória acadêmica e de vida.A minha família, meus tios, primos, como suporte de alegrias e vontade de sempre tê-los por perto. Mas, em especial a minha família de Alagoinhas, Tio Milton e Tia Fá, porsempre estarem presentes na função de pai e mãe. Camila, fossemos irmãs, acho quenão daria tão certo, “nega véa”, amo muito você, obrigada por tudo, e principalmentepela força e estímulo. Léo, pelos momentos de descontraçã, seriedade e conselhos,hum?!rs.. Karol e Guilherme, lindos que passaram a ser fundamentais na minha vida,obrigada por tudo! Obrigada pelo abrigo, aconchego do lar e momentos que, semdúvidas já são inesquecíveis.Um dia, eu voltarei...rsrsAos meus verdadeiros amigos, e a minha “vala”: Tatá, Elo, Lara, Halanna, Cabeça,Patroa, Dayanna. Sempre presentes nos momentos que preciso e de que precisei.Essenciais e fundamentais. Durante esse período, com muitos acontecimentos, muitasamizades que surgiram, e a distância, foi que pude descobrir o verdadeiro valor deuma amizade. Se fizeram e se fazem presente ao meu lado nos melhores, piores etodos os momentos. Obrigada por tudo, amo vocês! Não importa a distância,estaremos juntos de qualquer jeito.Ao meu „trio‟, que sem querer ou querendo, nos juntamos e sobrevivemos durantenossa graduação, Lenize e Ricardo eu amo muito vocês. A “Kadinho”, que se tornouum irmão, dentro e fora da universidade. A gente pode desequilibrar(nem isso a genteconsegue), mas nunca cair!Aos meus colegas de sala, com muita luta conseguimos chegar até o final. Mas, tenhoque colocar em especial um muito obrigado aos „úr meninos‟: André, Raul, Raimundo,Rodrigo, Helder,Silas, pelos momentos de muita resenha, risos, stress..rs e luta. ‟Ármeninas‟: Natasha (Trabuquinho de meu coração), Vanessa (Severinho),Juli Vic,Shirlei, as „Andras‟, obrigada pelas resenhas. Nos encontraremos nessa estrada.
  5. 5. 5Aos meus professores, que são peças fundamentais para que eu tenha conseguidochegar até aqui. Minha „bagagem‟ de conhecimento com certeza seria diferente sevocês não tivessem feito a parte principal dela. Muito obrigada. Tenho que ressaltarem especial, a alguns professores. Alan, que chegando „por último‟ me fez perceber oquanto humanos podemos ser enquanto estamos batalhando pra sobreviver nessemundo louco. Mônica, como minha base na formação de Metodologia do TrabalhoCientífico. Martha, pela „chatice‟ e por eu ser assim também, conseguimos nosentender e te agradeço muito por tudo, principalmente pelas oportunidades econfiança. Valter e Mauricio, só tenho a dizer que : “ Se um dia eu crescer, quero serque nem vocês” .rsrsAs meninas do colegiado, „Deja‟, Mona e Rafa. Por me suportarem. Obrigadaprincipalmente pela atenção e conversas.
  6. 6. 6“Se queremos progredir, não devemos repetir a história, mas fazer uma história nova”. Mahtma Gandhi
  7. 7. 7 RESUMOPara se entender o presente, devemos conhecer o nosso passado, para isso comolinha de interesse do presente trabalho a história da aulas de Educação Física noCentro Educacional Nilton Oliveira Santos – CENOS, na cidade de Santa Luz écontada através de estudo e analise da década de 60, até os presentes dias. A históriado Brasil, da Educação e da Educação Física é „contada‟ com uma linha do temposobre como a história destes tópicos é trazida no trabalho monográfico. A pesquisa sedebruça sobre história da escola, a importância que ela exerce e exerceu sobre asociedade luzense. Conta também, sobre como eram ministradas as aulas deEducação Física, as vestimentas, quais materiais utilizados, os locais que as aulaseram ministradas,os horários e principalmente quem foram os ministrantes e qual operfil dos alunos da instituição. Para a resposta de tais questões, os dados foramobtidos por meio de entrevistas com pessoas e personagens fundamentais para ahistória do CENOS. Estudar História é descobrir e apropriar-se do resultado da açãodos homens no tempo, que se transforma em realidade concreta individual e social.Através dos resultados obtidos, pode-se perceber que algumas mudanças ocorreramdurante as aulas de Educação Física na instituição, porém, o seu perfil permanece omesmo de praticamente 20 anos atrás.PALAVRAS CHAVE: Educação Física – História - CENOS
  8. 8. 8 ABSTRACTTo understand this, we must know our past, as this line of interest in this work thehistory of physical education classes at the Educational Centro Educacional NiltonOliveira Santos - CENOS, in Santa Luz is told through study and analysis of 60s untilthe present day. The history of Brazil, Education and Physical Education is told with atimeline on the history of these topics is brought into the monograph. The researchfocuses on the schools history, the importance it has had on society and luzense. It also,how they were taught physical education classes, dress, what materials used, the localclasses were held, the times and especially who the faculty and students which theprofile of the institution. To answer such questions, data were obtained throughinterviews with key people and characters in the history of CENOS. Studying history isto discover and appropriate the result of human action in time, which turns intoindividual and social reality. The results obtained, we can see that some changesoccurred during physical education classes at the institution, however, the profileremains the same for almost 20 years ago.KEY WORDS: Phsycal Education. History.CENOS
  9. 9. 9Sumário1. INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 102. PROCEDIMENTOS METODÓLOGICOS .............................................................. 123. BREVE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO FÍSICA......................................................... 14 3.1 SISTEMA EDUCACIONAL E A EDUCAÇÃO FÍSICA DURANTE O BRASIL IMPÉRIO ............................................................................................................ 15 3.2 PRIMEIRA REPÚBLICA ............................................................................. 17 3.3 PERÍODO DA SEGUNDA REPÚBLICA ...................................................... 194. SANTA LUZ E O CENTRO EDUCACIONAL NILTON OLIVEIRA SANTOS:MEMÓRIAS DE SEUS SUJEITOS ............................................................................ 30 4.1 OLHARES PARA EDUCAÇÃO FÍSICA NO CENOS ............................... 335. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 40 REFERÊNCIAS ................................................................................................... 42
  10. 10. 101 INTRODUÇÃODurante as atividades desenvolvidas nas disciplinas História da Educação Física,Metodologia e Conhecimento do Ensino do Esporte, no curso de Licenciatura emEducação Física, na Universidade do Estado da Bahia- UNEB, surgiu o interesse emresgatar o processo histórico e de ensino da Educação Física no Centro EducacionalNilton Oliveira Santos – CENOS.Nesta instituição, estudei por dois anos, e foi o período em que despertou o interessepara a escolha da minha opção profissional. Além disso, trata-se da maior e maisantiga instituição de ensino da rede municipal da cidade de Santa Luz, interior daBahia.A cidade de Santa Luz emancipou-se há 76 anos e o sistema educacional domunicípio começou a funcionar na década de 1960. Por isso, a investigação foi feitado ano 1966 a 2011.As abordagens a respeito da formação dos professores, conteúdos trabalhados, autilização de vestimentas, materiais utilizados, os locais, horários, participação dosalunos durante as aulas. Do ponto de vista social, este trabalho visa resgatar a históriada disciplina na instituição, durante o período da década de 60 até os dias atuais.Mas, porque estudar a Historia da Educação Física? Conforme Mello (1997), a históriada Educação Física está ligada à necessidade de entender a sua trajetória e/oujustificar possíveis modificações necessárias. Então, a presente pesquisa é relevantepor se entender que, história, no geral, tem um caminho para contribuir. Todos têm umpassado que influencia o presente e que, certamente, terá relações com o devir.Portanto, o estudo da história da Educação Física ajuda entender as condições quenos cercam ou possíveis imposições do passado no presente, considerando oprocesso desencadeado no ensino da disciplina no CENOS.Fazer um estudo sobre as formas de vida social, as instituições e costumes de umlocal ou população, é fazer uma busca no passado, onde é importante pesquisar suasraízes e os seus fatos. O método histórico preenche os vazios dos fatos eacontecimentos, apoiando-se em um tempo, que assegura a percepção dacontinuidade e do entrelaçamento dos fenômenos, este que é o conjunto de técnicaspara descrever os acontecimentos históricos ocorridos e registrados.
  11. 11. 11Para se entender o processo histórico desta pesquisa, surge a seguinte pergunta:Como se deu o processo de ensino da Educação Física no Centro Educacional NiltonOliveira Santos – CENOS? Objetiva-se, então, compreender o processo desenvolvidono ensino de Educação Física no Cenos – Ensino Fundamental no período de 1966 a2011, e pretendo como objetivos específicos, conhecer a história da Educação Física;Identificar pessoas, elementos e fatos históricos que marcaram a disciplina duranteesse período; Relatar o processo de ensino da Educação Física, através do estudo dahistória contada pelas pessoas que vivenciaram a disciplina na escola; colaborar paraa sociedade luzense através deste estudo no que se refere aos caminhos possíveispara o ensino de Educação Física.No primeiro capítulo é abordado a historia da Educação Física da época do BrasilImpério, até a Segunda República. Onde foi relatado o processo histórico daEducação, de ensino e da disciplina Educação Física. A ginástica é inserida nocurrículo escolar e a prática de Educação Física passa a ser obrigatória nas escolas.Uma breve discussão relacionada ao verdadeiro papel da Educação Física é abordadano decorrer dos capítulos. A disciplina enquanto formação de jovens capazes derepresentar e defender a pátria ou mais uma disciplina do currículo escolar?Algunsautores trazem essa discussão no texto e „diálogo‟ com eles sobre tal situação noBrasil durante a história. A partir da Segunda República, surgem as primeirasuniversidades e o sentimento nacionalista passa a ser um dos principais meios paraque o Estado divulgasse o resultado do trabalho da Educação Física nas escolas:Educação Física como uma propaganda do Governo. Na década de 80, váriosautores passam a questionar qual o verdadeiro sentido da disciplina: Tentar superar amecanização anterior da Educação Física nas escolas.No segundo capitulo é abordada a História da cidade de Santa Luz – Bahia e doCentro Educacional Nilton Oliveira Santos, o CENOS, onde a história foi contadaatravés de entrevistas com pessoas que fizeram parte do processo de ensino nainstituição e fazem parte da história da cidade. No mesmo capítulo, é feita umadiscussão sobre a Educação Física no CENOS, como foi/é trabalhada pelosprofessores, o que mudou durante o período de 1960 até os dias atuais, quais asperspectivas e principalmente relatos de antigos professores sobre a disciplina.
  12. 12. 122 PROCEDIMENTOS METODOLÒGICOS2.1 TIPO DE PESQUISAA presente pesquisa monográfica assume o perfil de uma pesquisa exploratória que,têm como objetivo principal o aprimoramento de idéias ou a descoberta de intuições.Esse tipo de pesquisa geralmente envolve, a) levantamento bibliográfico; b)entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problemapesquisado; e c) análise de exemplos que “estimulem a compreensão (SELLTIZ et al.,1967, p.63 In GIL, 1991, s/p) . Os instrumentos a serem utilizados para obtenção dosdados – a entrevista, que segundo LAKATOS (2010, p. 178): A entrevista é um encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional, proporcionando assim, para o entrevistador, verbalmente, as informações necessáriaAs entrevistas semi-estruturadas e não estruturadas foram feitas com osprofessores,alunos e ex-alunos que fizeram parte da história das aulas de EducaçãoFísica do Centro Educacional Nilton Oliveira Santos.2.2 PROCEDIMENTOS TÉCNICOSUtilizei o método de pesquisa da história oral. A História Oral é uma metodologia muitousada em pesquisas históricas e sociológicas. Surgida como forma de valorização dasmemórias e recordações de indivíduos, é um método de recolhimento de informaçõesatravés de entrevistas com pessoas que vivenciaram algum fato ocorrido. O quetornaria a História oral diferente para Portelli (1997) seriam os “eventos e significados”.Já que o entrevistado sempre revela eventos desconhecidos ou aspectosdesconhecidos de eventos conhecidos. Sendo aquele que nos conta menos sobreeventos que sobre significados, sempre revelando algo de novo do evento conhecido.Dessa forma, as fontes orais mostram uma subjetividade do expositor que ajudam“não apenas o que o povo fez, mas o que queria fazer o que acreditava estar fazendoe o que agora pensa que fez” (PORTELLI, 1997, p.31).
  13. 13. 13A pesquisa baseada em fonte oral é base para o conhecimento científico, apesar dehaver dilemas em torno da cientificidade desse método, pois é uma forma de levantarmemórias que podem ser perdidas se não houver nenhum tipo de registro com aspessoas que as possuem.Nesta pesquisa, houve uma tentativa de se analisar documentos, arquivos para umapossível pesquisa documental, o que mudaria o tipo de estudo. Porém, pela falta deacesso e de não conservação dos registros foi-se utilizado o método de pesquisaatravés da historia oral. Em sua perspectiva, Aspásia Camargo (1994), afirma que ahistória oral é um instrumento pós-moderno para se entender a realidadecontemporânea. Pós-moderno por sua elasticidade, imprevisibilidade e flexibilidade.Para a autora, a história oral é, ao mesmo tempo, uma fonte e uma técnica, mas agrande preocupação é convertê-la em metodologia, aqui entendida como um conjuntode procedimentos articulados entre si, cuja finalidade é obter resultados confiáveis quenos permitam produzir conhecimento. Quando utilizando a História Oral como baseteórico-metodológico para pesquisas de teor histórico, os estudos têm em comum atendência a não “coisificar”, “factualizar” – os indivíduos/depoentes, mas preservá-losem sua integridade de sujeitos, registrando uma rica pluralidade de pontos de vista:distintas versões da História. A oralidade permite ressaltar, tornando mais dinâmicos evivos, elementos que, de outro modo, por outro instrumento de coleta, seriaminacessíveis; a evidência oral permite compreender, corrigir ou complementar outrasformas de registro – quando existem – e, finalmente, a evidência oral traz consigo apossibilidade de transformar “objetos” de estudos em “sujeitos”. Portanto, não se tratasimplesmente de optar pela coleta de depoimentos e, muito menos, de colocar comorivais escrita e oralidade. Trata-se de entender a História Oral na perspectiva deconstituir a história,reconstituir algumas de suas várias versões, aos olhos de atoressociais que vivenciaram certos contextos e situações, considerando como elementosessenciais, nesse processo, as memórias desses atores.
  14. 14. 143 BREVE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO FÍSICAFoi apenas no século XVIII que a Educação Física entrou, de fato, no currículo. Umdos pioneiros foi o educador Johann Bernard Basedow (1724-1790), que em 1774instituiu na escola-modelo de Dessau, na Alemanha, a prática de exercícios comocorrer, saltar, arremessar, transportar objetos. Muitas escolas européias seguiram amesma trilha - até que, em 1801, a Dinamarca se tornou o primeiro país a exigir oensino da Educação Física nas escolas públicas. No Brasil, a atividade física passou afazer parte dos programas escolares em 1854 - obra do então ministro do Império LuísPedreira do Couto Ferraz (1818-1886), ao aprovar um regulamento que incluiu aginástica nas instituições públicas da cidade do Rio de Janeiro. (RATIER, 2009).Os estudos sobre a História das disciplinas escolares e história do currículo revelamque ocorre uma mudança constante, partindo de um currículo, passando por umestágio e por fim alcançando uma definição da matéria como disciplina.Saviani(1991:26) afirma que “o currículo é o conjunto de atividades nuclearesdistribuídas no espaço e no tempo da escola para cuja existência, não basta apenas osaber sistematizado”.Segundo Marcílio Souza Junior (2010): Na Educação Física brasileira, diversos elementos de conflitos e indefinições são evidenciados ao longo de seu percurso histórico. Estudos na área da Educação Física escolar nos mostram que, por um lado, ela tem ficado a mercê de influências externas, não conseguindo, com os elementos que lhes são peculiares, firmar-se no currículo escolar de forma mais consistente e coerente com a própria instituição escola, mas por outro, em tempos mais recentes, quando trata dos seus elementos específicos, estabelece prioritariamente uma interlocução com a própria Educação Física, tratando das teorias educacionais apenas em caráter abrangente, nos remetendo à idéia de que existe uma “Educação Física na escola e não uma Educação Física da escola.Para Forquin (1992), esse campo de pesquisa, possibilita obter informações acerca daseleção cultural que faz a escola, identificando o que é, em determinada época,compreendido como o que deve ser ensinado. É possível também, nesse campo,captar elementos que, em um conflituoso percurso de conquista de legitimidade deuma ou outra disciplina curricular, mostrem a conquista de um estatuto, a briga por
  15. 15. 15recursos, as delimitações territoriais no interior do currículo escolar, os espaços noshorários, etc.Segundo o COLETIVO DE AUTORES (1992, p. 53-54) a Educação Física é umadisciplina pedagógica da escola, ententendo-a como um: [...] componente curricular responsável pela apreensão ( no sentindo de constatação, demonstração, compreensão e explicação) de uma dimensão de realidade social, na qual o aluno está inserido, que denominamos cultura corporal [...] O desenvolver de tal capacidade de apreensão tem por sua vez, a finalidade de vir a proporcionar a intervenção autônoma, crítica e criativa do aluno nessa dimensão de sua realidade social [...]Educação Física formalizou-se com as instituições médica, militar e educacional . AEducação Física Militarista não se resume numa prática militar de exercício físico, oobjetivo fundamental da Educação Física Militarista é a obtenção de uma juventudecapaz de suportar combates, a luta, a guerra. Por sua vez, visa a formação do“cidadão-soldado”, capaz de obedecer cegamente e de servir de exemplo para orestante da juventude pela sua bravura e coragem. (CORRÊA, 2006).A Educação Física educacional é uma concepção que vai reclamar da sociedade anecessidade de encarar a disciplina não somente como uma prática capaz depromover à saúde ou disciplinar a juventude, mas de encará-la como uma práticaeminentemente educativa.3.1 SISTEMA EDUCACIONAL E A EDUCAÇÃO FÍSICA DURANTE O BRASILIMPÉRIOEm 1820, o povo português mostra-se descontente com a demora do retorno daFamília Real e inicia a Revolução Constitucionalista, na cidade do Porto. Isto apressaa volta de D. João VI a Portugal em 1821. Em 1822, a 7 de setembro, seu filho D.Pedro I declara a Independência do Brasil e, inspirada na Constituição francesa, decunho liberal, em 1824 é outorgada a primeira Constituição brasileira. O Art. 179 destaLei Magna dizia que a "instrução primária e gratuita para todos os cidadãos".
  16. 16. 16Segundo (ALMEIDA, 2006), em 1822, na tentativa de se suprir a falta de professoresinstitui-se o Método Lancaster, ou do "ensino mútuo", onde um aluno treinado ensinaum grupo de dez alunos sob a vigilância de um inspetor.Conforme o mesmo autor, em 1826 um Decreto institui quatro graus de instrução:Pedagogias (escolas primárias), Liceus, Ginásios e Academias.Em 1827 um projeto de lei propõe a criação de pedagogias em todas as cidades evilas, além de prever o exame na seleção de professores para nomeação. E ainda aabertura de escolas para meninas. (BELLO,2001)Em 1834 o Ato Adicional à Constituição dispõe que as províncias passariam a serresponsáveis pela administração do ensino primário e secundário. Em 1835, surge aprimeira escola normal do país em Niterói.Em 1837, onde funcionava o Seminário de São Joaquim, na cidade do Rio de Janeiro,é criado o Colégio Pedro II, com o objetivo de se tornar um modelo pedagógico para ocurso secundário. Efetivamente, o Colégio Pedro II não conseguiu se organizar até ofim do Império para atingir tal objetivo. (BELLO, 2001)No que diz respeito à Educação Física, em 1851 a lei de n.º 630 inclui a ginástica noscurrículos escolares. O ensino era preconizado e a obrigatoriedade da EducaçãoFísica nas escolas primárias de secundárias era de 4 vezes por semana durante 30minutos. (CONFEF, 2003)Em 1872, Rui Barbosa, solicitou a paridade das aulas de Educação Física às demaisdisciplinas oferecidas pela escola elementar. Mesmo avesso às atividades físicas queos tempos modernos impunham (não apreciava o ciclismo), solicitou melhorescondições físicas para as aulas, a prática da ginástica segundo preceitos médicos erecomendações guiadas pela concepção de gênero, pedia também remuneraçãoadequada aos docentes (OLIVEIRA, 1989).Porém, os envolvidos no processo, não simpatizaram com a proposta feita (PAIVA ePAIVA, 2001), pois, a Educação Física oferecida nas escolas até então se atinha aosexercícios elementares; movimentos parciais (analíticos), e de flexões, marchascorridas, saltos simples, equilíbrios, em terra firme. Em seu lugar, os diretoressugeriram ao proponente Cap. Ataliba, a implementação de outro método “o novo guia
  17. 17. 17para o ensino da ginástica nas escolas públicas da Prússia”, que havia sido distribuídopelo governo ou que se adotasse o método americano do Dr. Barnetts que secaracterizava pela exercitação a mãos livres, com pequenos aparelhos e/ou pelo usode tiras borrachas com diferentes tipos de tensão.De acordo com Paiva e Paiva (2001), em seu trabalho sobre o ensino da ginástica,escrevem que: Em 25 de abril de 1873, foi enviado aos membros da Comissão designada para conduzir o processo de consulta acerca da proposta apresentada a inspetoria da instrução Pública da Corte pelo Cap. Ataliba M. Fernandes, mestre de ginástica, o oficio que encaminhava motivos e projetos explicativos para a realização nas escolas públicas de instrução primária do sexo masculino, o ensino racional, metódico e progressivo da ginástica elementar visando o desenvolvimento físico dos alunos, aconselhado pelos preceitos higiênicos e regras de boa educação e civilidade.Até a Proclamação da República, em 1889 praticamente nada se fez de concreto pelaeducação brasileira. O Imperador D. Pedro II quando perguntado que profissãoescolheria não fosse Imperador, respondeu que gostaria de ser "mestre-escola".Apesar de sua afeição pessoal pela tarefa educativa, pouco foi feito, em sua gestão,para que se criasse, no Brasil, um sistema educacional.3.2 PRIMEIRA REPÚBLICAO período que vai de 1889 a 1930 é conhecido como a República Velha. Este períododa História do Brasil é marcado pelo domínio político das elites agrárias mineiras,paulistas e cariocas. O Brasil firmou-se como um país exportador de café, e a indústriadeu um significativo salto. Na área social, várias revoltas e problemas sociaisaconteceram nos quatro cantos do território brasileiro.Após o início da República havia a necessidade da elaboração de uma novaconstituição, pois a antiga ainda seguia os ideais da monarquia.No final dos anos todos os trabalhadores e as instituições monetárias existentes nãoestavam preparadas para atender às novas necessidades da economia.A Constituição de 1891 garantiu alguns avanços políticos, embora apresentassealgumas limitações, pois representava os interesses das elites agrárias do país. A
  18. 18. 18nova constituição implantou o voto universal para os cidadãos (mulheres, analfabetos,militares de baixa patente ficavam de fora). A constituição instituiu o presidencialismoe o voto aberto.Nesse período a Educação Física inicia o seu processo de valorização e firmação nocenário da educação brasileira, conforme Carmem Lucia Soares (1994, p.74) aEducação Física é então valorizada pelas elites dirigentes e figura em publicações quetratam de questões de saúde em geral, de moral ou educação.Ainda segundo a autora (p. 79), “para se entender este universo urbano, sempre maiscomplexo e mais valorizado, colocava-se a necessidade da escola”. É a partir daí quea Educação Física passa a ter a sua importância e passa a ganhar espaço, pois ofísico era uma exigência nesse „novo período‟, pós- escravidão.Segundo a argumentação médica para o cumprimento desta regra consideradabásica, toda e qualquer prescrição de exercícios físicos seria sempre em função dascaracterísticas sexuais e da faixa etária das crianças. O único modo comum a todas,de exercitar o corpo, seria a ginástica, observando-se apenas as variações deintensidade e complexidade em relação as características citadas.Lino Castellani Filho (1994, p.48), nos traz a informação de que: Em 1882, Rui Barbosa deu à Educação Física um destaque ímpar em seu pronunciamento, terminando por sintetizá-lo em propostas que foram desde a instituição de uma sessão especial de Ginástica em escola normal (inciso primeiro), até a equiparação, em categoria e autoridade, dos professores de Ginástica, aos de todas as outras disciplinasDurante esse período, surge um termo chamado eugenia, cujo significado segundo oDicionário Aurélio (2010), é o conjunto dos métodos que visam melhorar o patrimôniogenético de grupos humanosO estudo sobre a história da Educação Física nesse período nos remete a um cenáriode valorização de um físico, para a valorização de um intelecto. Além disso, pode-seperceber a valorização da eugenia da raça brasileira. Castellani Filho (1994, p.56) nosdiz que:
  19. 19. 19 Destinava-se, portanto, à Educação Física, nessa questão da eugenia da raça, um papel proponderante. O raciocínio era simples: mulheres fortes e sadias teriam mais condições de gerarem filhos saudáveis, os quais, por sua vez, estariam mais aptos a defenderem e construírem a Pátria, no caso dos homens, e de se tornarem mães robustas, no caso das mulheres.Betti (1991) corrobora com essa discussão, ao afirmar que a idéia de que a melhoria eaperfeiçoamento da “Raça” brasileira poderia ser alcançada por meio de uma práticasistemática e orientada da atividade física foi um dos princípios fundadores daEducação Física no Brasil e continua, em seu raciocínio, afirmando que a Escola deEducação Física do Exército foi o principal centro divulgador desta função eugênica daEducação Física, a qual muitas vezes se confundia com a função de preparaçãoguerreira e patriótica3.3 PERÍODO DA SEGUNDA REPÚBLICA (1930 - 1936)A década de 1920, marcada pelo confronto de idéias entre correntes divergentes,influenciadas pelos movimentos europeus, culminou com a crise econômica mundialde 1929. Esta crise repercutiu diretamente sobre as forças produtoras rurais queperderam do governo os subsídios que garantiam a produção. A Revolução de 30 foi omarco referencial para a entrada do Brasil no mundo capitalista de produção. Aacumulação de capital, do período anterior, permitiu com que o Brasil pudesse investirno mercado interno e na produção industrial.A nova realidade brasileira passou a exigir uma mão-de-obra especializada e para talera preciso investir na educação. Sendo assim, em 1930, foi criado o Ministério daEducação e Saúde Pública e, em 1931, o governo provisório sanciona decretosorganizando o ensino secundário e as universidades brasileiras ainda inexistentes.Segundo Romanelli (1993), estes Decretos ficaram conhecidos como "ReformaFrancisco Campos":- O Decreto 19.850, de 11 de abril, cria o Conselho Nacional de Educação e osConselhos Estaduais de Educação (que só vão começar a funcionar em 1934).
  20. 20. 20- O Decreto 19.851, de 11 de abril, institui o Estatuto das Universidades Brasileirasque dispõe sobre a organização do ensino superior no Brasil e adota o regimeuniversitário.-O Decreto 19.852, de 11 de abril, dispõe sobre a organização da Universidade do Riode Janeiro.- O Decreto 19.890, de 18 de abril, dispõe sobre a organização do ensino secundário.- O Decreto 20.158, de 30 de julho, organiza o ensino comercial, regulamenta aprofissão de contador e dá outras providências.- O Decreto 21.241, de 14 de abril, consolida as disposições sobre o ensinosecundário.Em 1932, um grupo de educadores lança à nação o Manifesto dos Pioneiros daEducação Nova, redigido por Fernando de Azevedo e assinado por outrosconceituados educadores da época.O Governo Provisório foi marcado por uma série de instabilidades, principalmente paraexigir uma nova Constituição para o país. Em 1932 eclode a RevoluçãoConstitucionalista de São Paulo.Em 1934, a nova Constituição (a segunda da República) pela primeira vez, que aeducação é direito de todos, devendo ser ministrada pela família e pelos PoderesPúblicos.Ainda em 1934, por iniciativa do governador Armando Salles Oliveira, foi criada aUniversidade de São Paulo. A primeira a ser criada e organizada segundo as normasdo Estatuto das Universidades Brasileiras de 1931. (PILLETI, 1996)Em 1935 o Secretário de Educação do Distrito Federal, Anísio Teixeira, cria aUniversidade do Distrito Federal, com uma Faculdade de Educação na qual se situavao Instituto de Educação.Em função da instabilidade política deste período, Getúlio Vargas, num golpe deestado, instala o Estado Novo e proclama uma nova Constituição, também conhecidacomo "Polaca".Um breve retrospecto histórico da Educação Física permite observar que na tentativade propiciar a formação de especialistas na área de Educação Física, o Ministério da
  21. 21. 21Guerra organiza, por meio de uma Portaria em 1930, o Centro Militar de EducaçãoFísica, determinando como método oficial a ser adotado para o ensino de EducaçãoFísica nesta instituição o Método Francês. (CORRÊA, 2001)Com a obrigatoriedade da Educação Física no ensino secundário, disseminava-se nocontexto da rede escolar o método de Educação Física oficial que ficou conhecidocomo “Regulamento nº 7” ou “Método do Exército Francês”, cuja origem militar denotaforte relação com princípios bélicos.Tal método criado por Francisco Amoros (1770-1848) - espanhol que lutou ao lado deNapoleão Bonaparte e fundou, na França, a Escola de Joinville-le-Pont - ficouconhecido no Brasil por ocasião da chegada da Missão Militar Francesa ao paísdurante o governo Vargas (GONÇALVES JUNIOR e RAMOS, 2005).Assim: A Educação Física Higienista preocupada com a saúde, perde terreno para a Educação Física Militarista que subverte o próprio conceito de saúde. A saúde dos indivíduos e a saúde pública, presentes na Educação Física Higienista, de inspiração liberal, são relegadas em detrimento da „saúde da pátria. (GHIRALDELLI JÚNIOR, 1988, p.26- 27).De acordo com Cantarino Filho (1982), dentre as alterações estabelecidas peloMinistro Francisco Luiz da Silva Campos na área da educação, nomeada ReformaCampos, a qual foi regulamentada em 18 de abril de 1931, destaca-se oestabelecimento da obrigatoriedade da Educação Física em todas as classes dasinstituições de ensino secundário (corresponde atualmente da 5ª a 8ª séries do EnsinoFundamental e da 1ª a 3ª série do Ensino Médio).No ano de 1932, foi decretada sua utilização em todas as unidades do exército,inclusive na Escola de Educação Física do Exército, criada em 1933 e considerada opólo irradiador do Método Francês nos estabelecimentos de ensino.De 1934 a 1945, o então ministro da Educação e Saúde Pública, Gustavo CapanemaFilho, promove uma gestão marcada pela reforma dos ensinos secundário euniversitário. Nessa época, o Brasil já implantava as bases da educação nacional(BRASIL, s/d).
  22. 22. 22Lino Castellani Filho (1994), nos traz que, em 1937 surge a Constituição cuja afinalidade era de promover a disciplina moral e o adestramento físico de maneira aprepará-lo para o cumprimento dos seus deveres para com a economia e a defesa danação.A Educação Física era vista como poderoso auxiliar no fortalecimento do Estado epossante meio para o aprimoramento da raça, defesa contra o comunismo e asseguraro processo de industrialização.Inicia-se, então, o processo de militarização do corpo, onde a moral do corpo éformada a partir da prática do exercício físico. O Estado age sobre o preparo físico dosseus cidadãos e suas repercussões no trabalho.Em 1937, a Secretaria Geral do Conselho Segurança Nacional elabora um projeto delei propondo a criação do Conselho Nacional de Desportos, do Instituto Nacional deEducação Física e da Escola Nacional de Educação Física e Desportos. A EducaçãoFísica estava ligada a um projeto de segurança nacional, algo muito mais complexo doque simples preocupações com uma disciplina escolar. (MELO, 2007)O grande passo para a criação de uma escola nacional se deu, ainda em 1937, com acriação da Divisão de Educação Física (DEF) do Ministério da Educação e da Saúde.O capitão João Barbosa Leite foi nomeado diretor. Este órgão, primeiro especializadono nível administrativo federal, seria o responsável por sistematizar e regulamentartodo o processo de formação profissional. Os cursos, em funcionamento ou queviessem a funcionar, deveriam primeiro solicitar a autorização para tal e depois o seureconhecimento, além de serem periodicamente inspecionados. Junto com aJuventude Brasileira e a ENEFD, a divisão formaria o tripé que sustentaria o projeto deEducação Física do Estado Novo. (MELO, 2007)O primeiro currículo de ensino da Educação Física universitária surgiu, segundoCOSTA (1998), apenas na década de 30, contudo, o primeiro currículo reconhecido edivulgado, como de padrão nacional, foi o do curso superior da ENEFD, maisespecificamente, em 1939. A partir desta data, muitas foram as críticas e comentáriossobre as diretrizes curriculares e a criação da Escola Nacional de Educação Física eDesportos. A ENEFD recebeu a responsabilidade e incumbência na formação deequipes de especialistas em Educação Física para o meio civil.
  23. 23. 23Em 28 de maio de 1940, o Decreto n.º 5.723, concede o reconhecimento do CursoSuperior da Escola de Educação Física de São Paulo. Em 30 de outubro do mesmoano, é também reconhecido o Curso no Estado do Espírito Santo. Em maio de 1941 omesmo acontece nos estados do Rio Grande do Sul, Piauí e Santa Catarina. Em 1942,concede autorização para o funcionamento do Curso Normal de Educação Física nosEstados de Pernambuco e Paraná.Em 1941, foi criado o Conselho Nacional de Desportos e com a promulgação doDecreto Lei n.º 2.072 de 08 de março de 1940, tanto a Educação Física como aEducação Cívica e Moral passam a ser obrigatórias para todos os estudantes com até21 anos de idade de todo o país, tendo a Educação Física como objetivo não sófortalecer a saúde das crianças e jovens como também torná-los resistentes, comcorpos sólidos, ágeis e harmônicos, cabendo também à Educação Física hábitos epráticas higiênicas, prevenindo contra o acometimento de doenças, conservandoassim o bem estar e a longevidade das pessoas.Pelo Decreto-Lei n.º 4.073, de 30 de janeiro de 1942, fica estabelecida aobrigatoriedade da Educação Física nos cursos regulares do ensino industrial, peloDecreto Lei n.º 6.141, de 28 de dezembro de 1943 fica estabelecida a obrigatoriedadeda Educação Física nos cursos comerciais para alunos com até 21 anos e peloDecreto Lei n.º 9.613, de 20 de agosto de 1946, fica estabelecida a prática daEducação Física também no ensino agrícola.Pelo decreto lei n.º 8270 de 1945 há uma mudança no currículo da Educação Física,como por exemplo a inserção do estudo do comportamento humano e o curso passoua ter três anos de duração no que diz respeito à formação dos profissionais.1942 - Volta-se para o desenvolvimento econômico. Criação do SENAI. O dono daindústria não era apenas o patrão do seu empregado, mas também o seu educador.Além do desporto servir para solidificar a unidade da empresa, desenvolvia a saúde econseqüentemente a sua capacidade de trabalho.Betti (1991) destaca que, aliado ao adestramento físico, à relevância dada à EducaçãoFísica escolar, bem como a educação moral e cívica e a instrução militar, no ensinosecundário durante o governo Vargas, era no sentido de atuarem como “elementosintegradores e funcionais dentro do currículo” no sentido de inculcar no adolescentedentre outros valores, o patriotismo, concebido como “sentimento de indissolúvel
  24. 24. 24apego e indefectível fidelidade para com a pátria” (CAPANEMA apud BETTI, 1991,p.85).No ano de 1946 o Governo Federal criou e implementou Lei Orgânica. Talvez primeiralei na esfera educacional com caráter “democrático”. O ensino brasileiro deveriainiciar-se aos sete anos de idade. Os desfavorecidos deveriam cursar a escola técnica;os da elite seriam matriculados nas escolas com um curso introdutório de disciplinasem artes, ciências, educação, etc. As aulas de Educação Física ministradas nasescolas tiveram participação significativa para aumentar o espírito nacionalista.Grandes concentrações de estudantes e exibições de ginástica com ou semelementos foram praticadas afim de exibir o ufanismo nacional.Em janeiro de 1946 pelo Decreto n.º 8.529 foi promulgada a Lei Orgânica do EnsinoPrimário, dividido em primário elementar com 4 anos de duração, primáriocomplementar com um ano de duração destinados às crianças com idade em 7 e 12anos e o primário supletivo com 2 anos de duração destinados à educação deadolescentes e adultos. No mesmo ano, com a promulgação do decreto-lei n.º 8.530 éregulamentada a Lei Orgânica do Ensino Normal.Em 1946, o Congresso se transformou em Assembléia Constituinte, para elaborar umanova constituição, segundo Romaneli (1993), “a Constituição de 1946 estabelecia quea União cabia legislar as diretrizes e bases da educação nacional”,Ainda em 1946 a instrução militar é extinta pelo então Presidente Eurico GasparDutra. Se antes de 1930 tínhamos uma Educação Física Higienista, preocupada como saneamento público, a prevenção de doenças e uma sociedade livre de vícios,vemos durante o Governo Vargas uma Educação Física de concepção Militarista,formando uma juventude pronta para defender a Pátria, forte, robusta e rígida.O então Ministro da Educação Clemente Mariani constitui uma comissão deeducadores para elaborarem um projeto de reforma e reorganização da educaçãonacional presidida pelo Professor Lourenço Filho, figura destacada da AssociaçãoBrasileira de Educação. Este anteprojeto foi elaborado e encaminhado à CâmaraFederal em 1948 resultou na Lei 4.024, votada apenas em dezembro de 1961,denominada Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
  25. 25. 25Até 1953, foi Ministério da Educação e Saúde. Com a autonomia dada à área dasaúde surge o Ministério da Educação e Cultura, com a sigla MEC.O sistema educacional brasileiro até 1960 era centralizado e o modelo era seguido portodos os estados e municípios. Com a aprovação da primeira Lei de Diretrizes e Basesda Educação (LDB), em 1961, os órgãos estaduais e municipais ganharam maisautonomia, diminuindo a centralização do MEC.Foram necessários treze anos de debate (1948 a 1961) para a aprovação da primeiraLDB. O ensino religioso facultativo nas escolas públicas foi um dos pontos de maiordisputa para a aprovação da lei. O pano de fundo era a separação entre o Estado e aIgreja. (BRASIL, s/d)Ainda nesse período o processo em relação às políticas públicas até os anos 60, oficou limitado ao desenvolvimento das estruturas organizacionais e administrativasespecíficas tais como: Divisão de Educação Física e o Conselho Nacional deDesportos.Os anos 1970, marcado pela ditadura militar, a Educação Física era usada, não parafins educativos, mas de propaganda do governo sendo todos os ramos e níveis deensino voltada para os esportes de alto rendimento.A Educação Física escolar no Brasil, a expressão maior da legislação autoritária era oDecreto n 69.450, de 01/11/1971, que entre outras definia no seu artigo 1º que: A Educação Física, atividade que por seus meios, processos e técnicos, desperta, desenvolve e aprimora forças físicas, morais, cívicas, psíquicas e sociais do educando, constitui um dos fatores básicos para a conquista das finalidades da educação nacional”, e que no parágrafo primeiro do artigo 3º estabelecia que, “A aptidão física constitui a referência fundamental para orientar o planejamento, controle e avaliação da Educação Física, desportiva e recreativa, no nível dos estabelecimentos de ensino (BRASIL, 1971).A obrigatoriedade da Educação Física como atividade escolar regular, indica alegitimidade da disciplina. Os conteúdos das aulas de Educação Física sãoselecionados de acordo com o planejamento da escola, para que assim sejamapresentados aos alunos.Entre as décadas de 1970 e 1980, de acordo com Castellani Filho (1994), o esporte foielemento importante no quadro brasileiro do período e cumpriu, além doaprimoramento físico, a tarefa de desviar a atenção do ambiente coercitivo vivido pelopovo durante a ditadura militar. Dessa forma, o investimento e o apelo feito pelo
  26. 26. 26Estado a instituição esportiva foi na direção do quesito "segurança", por meio domascaramento da realidade. Nesse contexto, o professor de Educação Física ficaincumbido da melhoria da "aptidão física" e da pirâmide esportiva, pois, o esporte nosanos 60 e 70 ganha cada vez mais espaço e passa até a legitimar a Educação Física(Bracht, 1999).Nos anos 1980, a Educação Física vive uma crise à procura de propósitos voltados àsociedade que se constituía naquele período. No esporte de alto rendimento amudança nas estruturas de poder e os incentivos fiscais deram origem aos patrocíniose empresas podendo contratar atletas funcionários fazendo surgir uma boa geração decampeões das equipes Atlântica Boa Vista, Bradesco, Pirelli entre outras. A EducaçãoFísica escolar, que estava voltada mais para os alunos de 5ª a 8ª série, começou a serdirecionada para a pré-escola e para os alunos de 1ª a 4ª série. O objetivo agora era odesenvolvimento psicomotor do aluno.A Educação Física até a década de 1970 não encontra oposição a perspectivaconservadora que reveste suas práticas. A perspectiva da aptidão física, aesportivização e a idéia de neutralidade da prática pedagógica eram o ideário daépoca. Eram estes os elementos balizadores da formação do professor. Contudo, apartir da década de 80, como vários autores assinalam (Bracht, 1992; Coletivo deAutores, 1992; Castellani Filho, 1994; entre outros), a Educação Física passa pormovimentos renovadores e é nesse âmbito que se pode localizar a concepçãoconhecida por pedagogia crítico-superadora.A pedagogia crítico-superadora representa a repercução da pedagogia histórico-crítica no campo da Educação Física. Foi sistematizada por um Coletivo de Autores epublicada em livro em 1992, constituindo-se em uma importante contribuição paraessa área do conhecimento no Brasil. Nessa perspectiva de Educação Física oobjetivo não é o aprimoramento das capacidades físicas ou o rendimento esportivo,mas sim o de propiciar aos alunos a apropriação crítica da cultura corporalhistoricamente produzida pela humanidade. Inicia-se os questionamentos em relaçãoa Educação Física Escolar.Vários autores passam a discutir o assunto, sobre qual o verdadeiro papel daEducação Física escolar. Para a Educação Física brasileira foi um período de grandeavanço teórico, onde buscaram-se respostas e formularam indagações que até hojesão assuntos freqüentes. Em meio a estes avanços e contribuindo de forma
  27. 27. 27significativa para a continuidade destes objetivos, é fundado o Colégio Brasileiro deCiências do Esporte (CBCE), que ao longo dos anos foi crescendo e se firmando comoa mais importante entidade da Educação Física brasileira.Por conta disto, várias sistematizações teórico-metodológicas foram elaboradas entreo fim da década de 1980 e no decorrer da década de 1990 com o objetivo comum detentar superar a mecanização anterior da Educação Física. Daí, segundo DARIDO(2001), são as seguintes abordagens teórico-metodológicas:- PSICOMOTORA: nessa tendência, a Educação Física está envolvida com odesenvolvimento da criança, com os processos cognitivos, afetivos e psicomotores,buscando garantir a formação integral do aluno. O conteúdo predominantementeesportivo é substituído por um conjunto de meios para a reabilitação, readaptação eintegração que valoriza a aquisição do esquema motor, da lateralidade e dacoordenação motora. A principal vantagem dessa abordagem é a maior integraçãocom a proposta pedagógica da Educação Física. Porém, abandona completamente osconteúdos específicos dessa disciplina, como se o esporte, a dança, a ginásticafossem inapropriados para os alunos. A psicomotricidade é o primeiro movimento mais articulado que surge a partir da década de 70 em contraposição aos modelos anteriores. Na verdade, esta concepção inaugura uma nova fase de preocupações para o professor de Educação Física que extrapola os limites biológicos e de rendimento corporal, passando a incluir e a valorizar o conhecimento de origem psicológica. DARIDO,pg 8 (2001)- CONSTRUTIVISTA: a intenção dessa tendência é a construção do conhecimento apartir das interações da pessoa com o mundo. Segundo, DARIDO (2001), Nesta concepção a aquisição do conhecimento é um processo construído pelo indivíduo durante toda a sua vida, não estando pronto ao nascer nem sendo adquirido passivamente de acordo com as pressões do meio. Conhecer sempre uma ação que implica em esquemas de assimilação e acomodação num processo de constante reorganização.(pg.9)- CRÍTICA: passou a questionar as atitudes alienantes da Educação Física na escola,
  28. 28. 28sugerindo que os conteúdos selecionados para a aula devem propiciar uma melhorleitura da realidade pelos alunos e possibilitar, assim, sua inserção transformadoranessa realidade. Estas abordagens denominadas críticas ou progressistas passaram a questionar o caráter alienante da Educação Física na escola, propondo um modelo de superação das contradições e injustiças sociais. Assim, uma Educação Física crítica estaria atrelada as transformações sociais, econômicas e políticas tendo em vista a superação das desigualdades sociais. DARIDO (2001)São as abordagens críticas: Crítico-Superadora e Crítico-Emancipatória. No que serefere à abordagem crítico-superadora, Darido (2001) diz que: Esta percepção possibilita a compreensão, por parte do aluno, de que a produção da humanidade expressa uma determinada fase e que houve mudanças ao longo do tempo. Esta reflexão pedagógica é compreendida como sendo um projeto político-pedagógico. Político porque encaminha propostas de intervenção em determinada direção e pedagógico no sentido de que possibilita uma reflexão sobre a ação dos homens na realidade, explicitando suas determinações.( pg 9)Já no que se refere à Crítico- Emancipatória, Kunz (1994), ao longo do seu trabalho,tece algumas críticas à proposta crítico- superadora e apresenta algumas de suaslimitações. A primeira delas diz respeito a deficiência das práticas efetivamentetestadas na realidade concreta, que questionava, criticava e dava a entender que tudoestava errado na Educação Física e nos esportes, sem, no entanto, fornecerelementos para uma mudança ao nível de prática. Assim, o autor apresenta osresultados do desenvolvimento de uma proposta prática em algumas escolas, dentrode uma nova concepção de ensino para modalidades esportivas, baseada naperspectiva crítico-emancipatória.- DESENVOLVIMENTISTA: busca nos processos de aprendizagem e desenvolvimentouma fundamentação para a Educação Física escolar. Grande parte do modelo dessaabordagem relaciona-se com o conceito de habilidade motora, pois é por meio delaque as pessoas se adaptam aos problemas do cotidiano.Essas cinco abordagens se desdobram em novas propostas pedagógicas. Nessecontexto, surge uma nova ordem nas propostas da atual Lei de Diretrizes e Bases,orientando para que a Educação Física se integre na proposta pedagógica da escola.Essa nova ordem dá autonomia para se construir uma nova proposta, passando para
  29. 29. 29a escola e para o professor a responsabilidade da adaptação da ação educativaescolar.
  30. 30. 304 SANTA LUZ E CENTRO EDUCACIONAL NILTON OLIVEIRA SANTOS:MEMÓRIAS DE SEUS SUJEITOSSanta Luz é um município brasileiro do estado da Bahia (À 258Km da capital).Segundo o site do IBGE, sua população estimada em 2010 é de 33.838 habitantes. Aeconomia da cidade é praticamente com base agrária, com plantações de feijão,milho, mandioca e principalmente o sisal, pecuária com a produção de bois, decaprinos e ovinos. Com terras ricas em minério, recentemente a cidade é sede damaior mina de ouro a céu aberto da Bahia.Relativo à educação, dados do IBGE – CENSO 2010 mostram que existem 6.844alunos matriculados no ensino fundamental; 2.456 alunos matriculados no ensinomédio, sendo 302 docentes no Ensino Fundamental e 90, no Ensino Médio. Com essaconjuntura, o município figura como 82º na classificação dos índices educacionais doEstado.A sede municipal de Santa Luz se originou no século XIX, de uma estação ferroviáriada Leste Brasileiro, obra implantada em local onde havia uma aglomeração de casas,dentro da Fazenda Santa Luzia. Com a inauguração e utilização freqüente da estação,formou-se um arraial, sendo edificadas casas residenciais e comerciais. Municípiocriado com a denominação de Santa Luzia e território desmembrado do município deQueimadas por Decreto Estadual de 18 de Julho de 1935. Em 1943, o nome foialterado para Santa Luz, nome cuja escrita é separada e muitos escrevem juntoerroneamente, aparecendo assim, inclusive em sites oficiais. A sede, criada distritocom a denominação de Santa Luzia em 1918, foi elevada à categoria de cidade porDecreto Estadual de 30 de Março de 1938.A história da escola CENOS – cuja parte das terras foram doadas por D.Maria Cunha,Zelito Bahia e Jonas Lopes, está situado na rua Getulio Vargas s/n – começa em1966, com a fundação do 1º ginásio municipal pelo projeto Nilton Oliveira Santos naEscola Estadual José Leitão.Com o tempo, o curso normal foi transferido de onde funcionava, sendo que seusrespectivos cursos vieram „junto‟ para esta escola através do convênio feito com oestado da 1ª gestão do Sr. Nilton Oliveira Santos.
  31. 31. 31Em 1969, o Sr. Petronélio Evangelista, criou o curso normal de Santa Luz, tendo comodiretor, o Sr. Valdomiro Carvalho e secretária Seminares Silva, os alunos contribuíamcom uma taxa mensal, para ajudar a prefeitura a manter o curso.Em 1970, com a eleição do Sr. Hiram Carvalho Barreto, passa a ser diretora, aprofessora Marileide Secundino do Nascimento, funcionando em salas do grupoEscolar Tarcilina Borges de Barros.Em 1972, Sr. Hiram Carvalho, prefeito na época, construiu mais quatro salas, nasquais começaram a funcionar o curso primário.Em 1975, o colégio passa a se chamar Centro Educacional Nilton Oliveira Santos, porquestão de uma forte amizade de Nilton Oliveira com o „seu‟ Hiram, prefeito da época.Em 1978, diante da necessidade de juntarem o ensino fundamental, o antigo ginásio, eo ensino médio, antigo curso normal, passa a funcionar no mesmo local. Ainda em 78,acontece a contratação de mais professores, através de deputados e secretários deeducação da época.Sobre a importância do CENOS para a população luzense, por meio de uma entrevistanão estruturada e não dirigida, trago alguns relatos de pessoas que já estudaram nainstituição.Segundo A1: O CENOS tem uma grande importância para o povo luzense, pois de lá saíram muitos professores competentes, que vêm atuando na educação do município ou até mesmo lá fora, é uma escola que tem uma boa estrutura, que acolhe seus alunos e professores que ali passaram ou estão dando um ensino de qualidade, mesmo com as suas dificuldades.Em relação às disciplinas ministradas, a pessoa B2, nos traz que: Os professores (as) que ministravam o curso foram de uma competência extraordinária: As disciplinas do núcleo comum (História, Geografia da Bahia, Literatura Língua Portuguesa, Inglês, Biologia, Puericultura,...) e as disciplinas tidas como profissionalizantes (Prática de Ensino – Estágio Didático – matemático, Língua1 Estudante da década de 70 fez o curso de Magistério no Centro Educacional Nilton Oliveira Santos –CENOS – em Santa Luz Bahia.2 Estudante da década de 70 fez o curso de Magistério no Centro Educacional Nilton Oliveira Santos –CENOS – em Santa Luz Bahia.
  32. 32. 32 Portuguesa, Estudos Sociais, Ciências) deram-me o embasamento teórico prático para o exercício do Magistério.A Educação no Centro Educacional Nilton Oliveira Santos (CENOS) na década de1970 a 1980 da 5ª à 8ª série do Ensino Fundamental, Ensino Médio era mais eficienteque hoje, os professores apesar de na sua maioria não serem licenciados receberamautorização para ensinar, após um curso de capacitação oferecido, na época, pelaSuperintendência de Ensino. Tinham reuniões para discutir e fazer planos anuais, deunidade e semanais, buscando preparar a melhor maneira possível para que oprocesso ensino-aprendizagem efetivamente se realizasse. Na área de Ciênciasfaziam experiências em sala, Matemática resolução de exercícios nos livros, colagense desenhos para demonstração de problemas, Língua Portuguesa orientava asleituras, estudo de textos, a Gramática dentro de texto. Enfim, estavam sempreatentos a tudo que tivesse relação com sua disciplina e que acrescentasse melhoriano ensino.Na fala da pessoa C3: Ao preparar-nos para a docência, tínhamos que saber fazer Planos de Curso, de disciplina, de unidade, mensal, semanal, diária e de aula, todos com a estrutura peculiar a cada um: Objetivos, metodologia, conteúdo, avaliação, e como era muito claro para nós, normalista, a motivação da aula era tarefa nossa: Tínhamos que manter a classe disciplinada e motivada, ensinar e aprender era permanentemente avaliada mediante a eficácia no desempenho dos alunos (as).Logo, recursos de ensino (não eram tecnológicos) tinham que ser utilizados todas asaulas e isto estimulava muito a criatividade e a âncora foi uma disciplina chamadaJogos e Recreação. Nela se encontrava estratégias para situações mais cognitivas,e/ou motoras, para despertar atenção e/ou acalmar a excitação da turma; jogos deestimulação do raciocínio; jogos de cooperação / de competição, disciplinares. Aescola sempre foi mista, somente nas aulas de Educação Física que dividia osmeninas e as meninas.3 Estudante da década de 60 e 70, fez o curso de Magistério no Centro Educacional Nilton OliveiraSantos – CENOS – em Santa Luz/ Ba
  33. 33. 334.1 OLHARES PARA A EDUCAÇÃO FÍSICA NO CENOSO processo de ensino da Educação Física no CENOS foi tardio quando se comparacom a história da Educação Física escolar, pois teve início por volta da década de1960, assim que o colégio foi fundado. A metodologia do „ensino militar‟, tecnicista,prevaleceu durante algum tempo na instituição. As aulas de Educação Física nasescolas eram ministradas por instrutores físicos do exército, que traziam para essasinstituições os rígidos métodos militares da disciplina e da hierarquia. (COLETIVO DEAUTORES, 2009). Enquanto a Educação Física brasileira curvava-se ao esporte, essarealidade permanecia na instituição pesquisada.Segundo, a pessoa D: As aulas eram ministradas no campo de futebol, duas vezes na semana, pontualmente às 6 da manhã. Só meninos ou só meninas, por série, todos rigorosamente fardados – vestindo branco, com „conga‟ e meias brancas, short. Professor era o sargento Lauro, que pouco falava com a turma, tudo funcionava com base no seu apito : 4 sentar, 3 a direita, 2 a esquerda, 1 levantarAinda segundo relatos de alguns ex-alunos da década de 1960 e meados dos anos1970, a disciplina era somente prática, não tinha a parte teórica. Nas aulas femininas,a pressão de um professor militar bastante rigoroso, se quebrava com o jogo debaleado, porém, sempre com regras claras e que deveriam ser seguidas à risca. Osexercícios eram executados em fila, um atrás do outro. Outro fator presente na maioriadas falas foi sobre a questão da chamada de presença durante as aulas, pois quemnão freqüentasse, perdia o ano por falta e fazia recuperação nas outras disciplinas.Isto mostra que a Educação Física tinha um peso avaliativo grande, mas numaperspectiva de punição.No período do 7 setembro, as aulas de Educação Física eram pra ensaiar marcha porcausa do desfile cívico. Essa tradição permanece até hoje na cidade e na instituição.Isto mostra a relação da Educação Física como instrumento de controle do Estadoditatorial na década de 1960, como discutido por Castellani Filho (1994). Todavia, amanutenção da tradição mostra como perspectivas aparentemente superadas noâmbito acadêmico nem sempre desaparecem do cotidiano.A Educação Física assumiu, então, funções para a manutenção da ordem e doprogresso. Nesse período, criou-se também um forte vínculo entre nacionalismo e
  34. 34. 34prática corporal se tornou um dos eixos de ensino para busca de talentos quepudessem representar a pátria em competições internacionais.Nesta época, no Brasil e no CENOS, só poderia trabalhar com Educação Física, quemfosse policial ou militar, porém a partir da Lei das Diretrizes Básicas de Educação56924, teve uma abertura para que se aproveitassem professores da própria escola,porém, com a condição de que estes fizessem um curso de aperfeiçoamento. Oprofessor A, para a realização do curso, investiu dinheiro próprio para a ida à BeloHorizonte, e o governo municipal no restante do dinheiro. Fizeram parte desse curso,no Estado de Minas, alguns jogadores da seleção de futebol de 1970. Na década de 70, a Seleção Brasileira de Futebol conquistava o Tricampeonato Mundial de Futebol, e o regime autoritário utilizou o esporte como propaganda. O governo militar investiu na Educação Física principalmente com o objetivo de formar um exército composto por jovens sadios e fortes. Para isso, foi criado o chamado "modelo piramidal", de que a Educação Física escolar seria a base. A escola seria o "celeiro de novos talentos. (BRUN, 2011).No retorno, foi contratado pelo Governo do Estado, e a partir daí começou a lecionarno CENOS, trazendo para o conhecimento das pessoas o que tinha aprendido erevolucionou o ensino de Educação Física na instituição. A inserção do esporte seinicia a partir desse período, como atletismo, futebol de salão, vôlei.E diante desse cenário de formação de novos atletas para a nação, e apenas aobrigação de se cumprir a nova lei, as aulas ministradas eram apenas práticas,visando despertar os alunos para a nova tendência que estava surgindo nas aulas deEducação Física no CENOS, porém mais humanizada, sem esse „perfil‟ militar‟. Foi aí que a gente pode implantar, o esporte na nossa região. Participando de jogos de integração com outras cidades. A Educação Física naquele tempo era jogar baleado, e a gente pode trazer para nossa terra o conhecimento dessas modalidades. Um momento maravilhoso para a Educação Física na cidade (PROFESSOR A)A Educação Física assumiu, então, funções para a manutenção da ordem e doprogresso. Nesse período, criou-se também um forte vínculo entre nacionalismo eesporte, e a iniciação esportiva se tornou um dos eixos de ensino para busca detalentos que pudessem representar a pátria em competições internacionais.4 Art. 7º Será obrigatória a inclusão de Educação Moral e Cívica, Educação Física, EducaçãoArtística e Programa de Saúde nos currículos plenos dos estabelecimentos de 1º e 2º graus,observado quanto à primeira o disposto no Decreto-lei no 869, de 12 de setembro de 1969.
  35. 35. 35As aulas não aconteciam de forma mista, devido ao preconceito dos pais e dospróprios alunos. Só a partir da década de 1980 que se quebrou esse preconceito e oprofessor A passou a dar aulas mistas.Diante das dificuldades existentes sobre os conteúdos da Educação Física (teórica), eprática, o professor A, nos diz que: Nós éramos renegados. Toda festa que tinha na escola, o professor de Educação Física, era esquecido. Pegava a caderneta, ia pra quadra, dava a aula e ia pra casa.Não existia a diferença entre prática e teórica. A teórica poderia ser na sala de aula ou vice-versa. A prática era no turno oposto.Essa falta de materiais mostra uma ocorrência que é comum nos debates sobre aEducação Física escolar: seu isolamento na escola em relação aos outroscomponentes curriculares.Na mesma realidade, todavia, outras práticas se concretizavam. Ainda nas décadas de1980 e 1990, Professor B, desenvolveu seu ensino da Educação Física de 5ª a 8ªpraticamente da mesma forma durante todo o período. Sobre os conteúdos, ele diztrabalhar: “Basicamente o mesmo de hoje. Os conteúdos eram movimentos, colunavertebral. Educação Física é assim, você não tem um ponto de partida”.Segundo o entrevistado B, as aulas eram fundamentadas a partir de um livro, que nãofoi especificado, somente para parte prática. Assim como os anos anteriores, as aulaseram ministradas de forma separada por gênero e por conteúdo, porque : Não da pra trabalhar os „dois juntos‟. Não tem como, eu começava de 6:00 às 7:00 com os meninos, e das 7:00 às 8:00 com as meninas.A prática tem que separar. O conteúdo na teoria, era o mesmo.Mas, na prática, logicamente, o exercício que é feito pra homem, não da pra fazer pra mulher. Porque o homem tem a musculatura mais forte do que as meninas. Então, eu não faria um exercício integral com as meninas, como eu faço com os meninos. Eu não faria.Sobre as vestimentas, ainda de acordo com o mesmo professor, permaneciam comouma obrigação, mas diante das condições financeiras dos alunos, o que se poderiaexigir, eram roupas confortáveis, por exemplo: uma camiseta branca e um short de corazul marinho (as cores padrão do uniforme da escola), e obrigatoriamente o uso dotênis. O planejamento das aulas era feito com bastante dificuldade, onde o professorB, diz que:
  36. 36. 36 É muito precário os materiais didáticos sobre Educação Física. Planejo, mas não sei se tá sendo adequado. Pra mim, tá sendo o ideal, mas não sei em um contexto maior. Concordo que só pode ensinar Educação Física, quem é formado na área. Talvez o professor formado na área tenha tudo na mão, mas lá, não consegue executar, porém, pra mim, é o mais indicado.Em relação ao período que antecedeu e o tempo em que ensinou no CENOS (durante23 anos), o professor B relata: Eu sonhei bastante com Educação Física, enquanto eu sonhei foi bom. Mas, quando eu encarei a realidade da Educação Física, vi que não era realmente, aquilo tudo.Não se perde em Educação Física, e para a maioria, é só futebol. Nessa questão do militarismo da Educação Física, o que se pode aproveitar, foi a questão da disciplina, e enquanto a „fundadora‟ da disciplina.Sobre a disciplina, as suas perspectivas e como ela era tratada, o professor B diz que:“Educação Física não é só esporte, mas por ser mais fácil de se trabalhar, osprofessores se acham aptos a estudar algumas regras das modalidades esportivas, edepois ir para uma quadra pôr em prática”.Quando perguntado sobre como era feito o planejamento das aulas, o professor B, dizque: “O planejamento das aulas sempre foi independente das normas do colégio, dauma situação de que somos à toa”. Eu me dei muito bem com Educação Física, porque eu trabalhava de tudo. Esporte, jogos, lazer. Eu trabalhava com o que os meninos gostavam de trabalhar. Nada de forçar o aluno. Terminava o futebol, e tentava mesclar, atletismo, passeio de bicicleta, jogo de bolinha de gude.A Educação Física, como disciplina integrante do currículo de nossas escolas, partede pressupostos que integram objetivos para a formação de cidadãos. Não estamosafastados de elementos culturais que cercam a elaboração curricular. Somos guiadospor normas educacionais e culturalmente adequadas a propósitos que a sociedadeaceite. Desse ponto de vista, a Educação Física trabalha com a cultura corporal(SOARES, et al, 1992). Na entrevista com o professor B, todavia, vê-se que hádiferenças entre aula teórica e prática, inclusive nos conteúdos e uma dificuldade paradefini-los.Nessa realidade, havia uma aula sexista, na qual, os meninos exerciam atividadesonde eram pedidos movimentos amplos, como futebol, por exemplo. As meninas, no
  37. 37. 37entanto tinham os movimentos mais restritos, a brincadeira de pular elástico ou decasinha. Isto é claramente percebido nos relatos dos professores de Educação Físicano CENOS.Mas, diante de uma análise, que princípio leva a maioria dos professores de EducaçãoFísica a elaborar aulas limitando atividades, aos sexos, e não às escolhas dos alunos?A partir dos anos 1980 e 1990, mesmo com a proposta „renovadora‟, se percebe noCENOS, uma Educação Física que distingue atividades masculinas e femininas sob aótica da limitação. Durante anos, a Educação Física no CENOS permaneceu comaulas separadas por gênero, primeiro devido ao período militar, onde o professor nãoaceitava a “mistura” da turma. Em seguida, devido ao preconceito da família empermitir que as meninas participassem das aulas junto com os meninos.O corpo, trabalhado nas aulas de Educação Física, é preparado para exercer asatividades culturalmente determinadas para os sexos. A família, por um lado, a escola,por outro lado, reproduzem as desigualdades. Ambas instituições costumam reforçarestereótipos diferenciados de comportamentos sexuais. No caso da Educação Física,as atividades são diferenciadas de acordo com o sexo do aluno. O tratamentodiferenciado leva a desempenho motor diferenciado. Enquanto o menino tem maiorpossibilidade de ampliar suas experiências motoras, através dos movimentos amplos,as meninas, mais contidas, são educadas com vistas a cumprirem seu papel social, oda submissão.Cabe aos professores de Educação Física perceber que as diferenças sexuais nãodevem ser limitações ao crescimento do aluno durante as aulas. Deve-se levar emconsideração que, se o fator biológico tem certa importância, ele não é o responsávelpelos papéis que a mulher e o homem exercem na sociedade.Na década de 1980, o modelo esportivista começou a ser muito criticado pelos meiosacadêmicos, e a Educação Física passou por um período de valorização dosconhecimentos produzidos pela ciência. Rompeu-se, ao menos em nível de discurso,a valorização excessiva do desempenho como objetivo único da escola (DARIDO,2003). Todavia, nesse momento, isto não chegou na realidade do CENOS, quecontinuou pautado nas referências anteriores.Betti (1991) ressalta que até esse período, o método de ensino era o métodoesportivo, os objetivos estavam relacionados ao modelo econômico vigente, sendo aEducação Física voltada para o esporte de rendimento com o intuito de formação deatletas, destacando ainda, a ascensão do esporte à razão do Estado, e a inclusão do
  38. 38. 38binômio Educação Física/Esporte na planificação estratégica de governo. No CENOS,a esportivização se iniciou a partir do momento em que os professores buscaram umnovo perfil para as aulas de Educação Física. Porém, se manteve com a mesmacaracterística durante décadas, deixando em questão se é realmente uma influênciado período de espotivização ou se é a forma mais fácil de se lecionar as aulas deEducação Física. Nessa contextualização, segundo um dos entrevistados, na épocados anos 1980, surgiram vários atletas e times de vôlei, futebol de salão, handballformados por alunos que se destacavam nas aulas de Educação Física.Darido (2005) menciona que é nessa fase da história que o rendimento, a seleção dosmais habilidosos, o professor centralizador e a repetição de movimentos esportivosmecânicos tornam-se evidentes, sendo esse modelo esportivista também chamado demecanicista, tradicional e tecnicista.Em oposição ao esporte de rendimento tão predominante nesse período, a EducaçãoFísica em alguns casos voltou-se para outro extremo, passando para um tipo de aulaque os alunos decidem o que vão fazer nas aulas, escolhendo o que vão fazer, e oprofessor restringe-se ao papel de dar a bola e marcar o tempo, sendo denominadoesse tipo de aula de recreacionista. O professor C nos diz que: “Hoje em dia, osucesso da Educação Física é justamente isso, poder observar o que o menino gostade fazer e transformar em esporte”, aproximando-se de tal modelo.Na década de 90 a Educação Física escolar passou a ser discutida a partir da Lei deDiretrizes e Bases da Educação (LDB – 9394/96) como “componente curricular”,deixando de ser considerada uma “prática”. Essa mudança colocou novos desafiospara essa área de conhecimento no campo escolar, qual seja a de construir a sualegitimação a partir de referenciais próprios e não mais externos. Nesse contexto,ganha relevância a construção teórica, e o diálogo entre a produção do campoacadêmico e os atores da prática pedagógica que acontece em ambienteseducacionais. No entanto, os atores do campo escolar demonstram uma apropriaçãoteórica, que permita orientar a sua prática, o que mostra o distanciamento entre ocotidiano e o campo da produção teórica e na prática escolar.O que pude perceber durante essa análise é que a qualidade do professor deEducação Física no CENOS depende do sucesso alcançado pelas equipes da escolaem competições esportivas escolares ou pela disposição do professor em colaborarcom outras disciplinas escolares, ou, ainda, pela disponibilidade do docente paraorganizar e preparar os alunos para as festas folclóricas que anualmente são
  39. 39. 39organizadas na escola. Ou seja, a EF ainda é uma “prática”, que não tem sofridomudanças com a produção acadêmica das ultimas décadas. O que possivelmente,acontece pela distância do município de Universidades que tenham cursos deEducação Física.
  40. 40. 405 CONSIDERAÇÕES FINAISEsse trabalho se debruçou em como foi o processo de ensino da Educação Física noCentro Educacional Nilton Oliveira Santos – CENOS. Com o objetivo de compreendere conhecer o processo desenvolvido no ensino de Educação Física no CENOS de 5ª a8ª de 1960 até os presentes dias.Como fontes técnicas utilizei entrevistas semi- estruturadas e não estruturadas compessoas que vivenciaram e tiveram experiências, de acordo com o problemalevantado. Foram baseadas nos relatos e entrevistas, alguns fatos foram revelados atéentão desconhecidos, ou simplesmente não conhecidos até a presente pesquisamonográfica, para a história do ensino das aulas de Educação Física no CENOS.Sobre a história da Educação Física no CENOS, em entrevista a ex-alunos e antigosprofessores, a Educação Física entre as décadas de 1960 e 1980 até os dias atuais,não sofreu mudanças na sua estrutura didática e pedagógica na instituição. As aulasdurante a década de 1960 foram todas de caráter militar, marcha, levantar, correr,saltar faziam parte dos conteúdos. A questão da rigorosidade e disciplina tambémforam questões relatadas pelos entrevistados. A forma com que era/é ministrada, ébasicamente a mesma de 20 anos atrás. Os professores trabalhavam somente a parteprática e todas voltadas para o esporte. Nesse mesmo período, a Educação Física noBrasil, vinha sofrendo mudanças no aspecto de como trabalhar a Educação Física naescola, o que não chegou na realidade do CENOS.O que se observa no período pesquisado é o perfil militar da disciplina e depois, aesportivização. Daí, a participação em eventos esportivos na região foram fatos quemarcaram o período do esporte na cidade. Mas, em relação a disciplina no CENOS,percebi um „congelamento‟ em torno dessa perspectiva até os dias atuais.Então, há somente aulas práticas, os assuntos trabalhados sempre foram e sãovoltados para o esporte, principalmente vôlei,handball,futebol. Com a „vinda‟ doesporte na cidade, e na instituição, descobriu-se talentos do esporte,formando timescom os alunos que se destacavam durante as aulas.Para a realização da presente pesquisa monográfica, foram encontradas dificuldadesprincipalmente em relação a documentos „oficiais‟ da escola. Alguns funcionáriosdesconheciam até sobre o que estava sendo procurado ou não sabiam informar. Em
  41. 41. 41relação a algumas entrevistas, algumas pessoas já faleceram,impossibilitando assimacesso a algumas informações mais precisas, a busca dessas informações exigiumuitas idas à cidade, o que mostra a dificuldade de reavivar memórias.Enfim, para a contribuição como cidadã luzense e ex-estudante do CENOS, busqueiem minha pesquisa monográfica explicar como se deu o processo da Educação Físicano Brasil, e no CENOS, buscando na história fatos para que se fizesse uma linha dotempo situando como ocorreram esses processos. A partir dos resultados obtidos,surge a idéia de um curso de capacitação para os professores de Educação Física domunicípio, apontando os caminhos que podem ser seguidos e materiais que podemser utilizados para as aulas de Educação Física na instituição. Não somente para aprática, e sim criando uma nova perspectiva em relação a disciplina. Sugiro também,uma criação de um Centro de Memória da Educação Física no CENOS, e na cidade,englobando as escolas públicas e privadas.
  42. 42. 42REFERÊNCIASALMEIDA , Maria Cristina Alves de. As Tecnologias da Informação e Comunicação, osnovos contextos de ensino-aprendizagem e a identidade profissional dos professores. Tesede Doutoramento. FPCE da Universidade do Porto, 2006. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/47097462/Educacao-no-Brasil >. Acesso em: 23 de agosto de2011.BELLO, José Luiz de Paiva. Educação no Brasil: a História das rupturas.Pedagogia em Foco, Rio de Janeiro, 2001. Disponível em:<http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/heb14.htm>. Acesso em: 02 de agosto de 2011BETTI, M. Educação física e sociedade. São Paulo: Movimento, 1991.BRACHT, Valter. Educação Física e Aprendizagem Social. Porto Alegre: Magister,1992.BRACHT, V .Educação Física e Ciência : cenas de um casamento (in)feliz. Ijuí: Ed.UNIJUÍ, 1999BRASIL. Censo Demográfico 2000. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.Contagem Populacional. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br> Acesso em: 10 deagosto de 2011BRUN, Gilson. UMA NOVA CONCEPÇÃO DE EDUCAÇÃO FÍSICA. Disponível em: <http://www.aprendebrasil.com.br/educacao_fisica/educadores/educadores.asp>Acesso em: 10 de agosto de 2011CAMARGO, A. História oral e política. In: MORAES, M.de. História oral. Rio deJaneiro: Diadorim, FINEP, 1994.CASTELLANI FILHO, Lino. Educação Física no Brasil: A história que não seconta. 4ª Edição. Campinas, SP - Papirus, 1994. p.56CANTARINO FILHO, M.R. Educação física no estado novo: história e doutrina.Brasília: Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação,Universidade de Brasília, 1982.COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do Ensino de Educação Física. 12 ed. SãoPaulo: Cortez, 1992; 1998, p. 53-54).
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