Estudo sobre o Programa Educação pelo Esporte do município de Pojuca/ BA
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Alani Santos de Oliveira

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    Estudo sobre o Programa Educação pelo Esporte do município de Pojuca/ BA Estudo sobre o Programa Educação pelo Esporte do município de Pojuca/ BA Document Transcript

    • 1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS II CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA ALANI SANTOS DE OLIVEIRAESTUDO SOBRE O PROGRAMA EDUCAÇÃO PELO ESPORTE DO MUNICÍPIO DE POJUCA-BA Alagoinhas 2012
    • 2 ALANI SANTOS DE OLIVEIRAESTUDO SOBRE O PROGRAMA EDUCAÇÃO PELO ESPORTE DO MUNICÍPIO DE POJUCA-BA. Monografia apresentada ao Curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade do Estado da Bahia – Campus II, como requisito para obtenção do grau de Licenciada em Educação Física. Orientador: Luiz Carlos Rocha Alagoinhas 2012
    • 3Dedico a minha amada mãe. Incentivadora dos meusestudos, minha inspiração e fortaleza, a detentora domeu mais puro e verdadeiro amor, respeito, admiraçãoe carinho. Te amo, minha Tchuquinha!
    • 4 AGRADECIMENTOS Enfim, cheguei ao momento mais esperado da monografia. Momento deagradecer a todos que de alguma forma contribuíram para a concretização dessaconquista e farei isso com muito prazer e gratidão, por acreditar de verdade queessa não é uma conquista só minha. Agradeço ao meu Deus, pela graça divina da vida, por todas as bênçãosconcebidas e por todos os pedidos atendidos. Agradeço também ao meu São Jorge,meu Bom Jesus da Passagem e meu Senhor do Bonfim por iluminar meuscaminhos, pela força para superar os obstáculos guiando meus passos comesperança e fé. A minha mãe, essa graduação é nossa! Sem as suas cobranças na mesmamedida dos carinhos, força, atenção e incentivo eu não teria conseguido. Me sintorealizada e extremamente feliz por saber que está orgulhosa de mim. Que venhamos próximos desafios Tchuquinha, com seu apoio me sinto sempre capaz. Aos meus irmãos Alan, Reno, Duda e Zé pelo apoio e admiração. Fico muitofeliz por ser motivo de orgulho para vocês. A meu dindo e minha querida dinda, pelo estímulo, exemplo e palavras deconfiança e amizade. A Mai, pela companhia nas leituras no período de elaboraçãodo capítulo teórico. Minha prima Bebel, como verdadeiras Pink e Cérebro, “vamos dominar omundo”! Obrigada pela força, por acreditar em mim, pela amizade e carinho. A Ellen e Amanda, minhas duas sobrinhas lindas. Agradeço as alegrias e ossorrisos despertados nos momentos de ansiedade. Titia ama vocês! A toda minha família, tios, tias, primos, primas, minha amada vó (inmemorian), cada um tem sua parcela de contribuição nessa conquista, obrigada portudo. Aos meus amigos, em especial a meu irmão de coração, Américo. Saudadesdas nossas sempre produtivas conversas. A Reynaldo, pessoa querida que conheci na 6ª série como meu professor deeducação física e tive o prazer de ser sua aluna por mais quatro anos, vocêdespertou em mim a vontade de ser professora. Muito do pouco que eu sei aprendicom você. Agradeço a confiança e o apoio.
    • 5 A minha turma 2008.2, em especial: Andressa, juntas formamos a dupla maisestourada do momento (tchutchari da Bahia). Isis, minha querida Valverde. Cintia,sempre muito atenciosa. Dayane (Dayine, Glória), sem palavras. Daiara, minhaparaguaia. Diego, parceiro nos trabalhos em Pojuca City. Alessandro, muito querido.Ana Isa, a irmã que eu não tive. Nildinho, meu primeiro amiguinho na UNEB (rs).Alan e Beto os trastes mais estressantes e queridos que tornaram o trajeto Pojuca xAlagoinhas muito mais agradável e divertido. Foram quase quatro anos de muitadiversão, cumplicidade, querer bem, “altos papos cabeça”, quando nos reuníamosera uma verdadeira terapia em grupo. Guardarei os sorrisos mais bobos everdadeiros despertados por minhas besteiras. A Luiz Rocha, pelos ensinamentos e orientações. Obrigada pela calma eesperança transmitida nos momentos de apuros, ansiedade e medo. Aos meus queridos professores: Neuber Costa, Ana Simon, César Leiro, AlanAquino, Micheli Venturini, Viviane Rocha, Ubiratan Menezes, Valter Abrantes,Maurício Maltez, Lúria Scher, Gleide Sacramento, Diana Tigre. Muito obrigada!!! A Monalisa, pela atenção. A Djane, minha Mamãe Smurf, pelo carinho epaciência, sempre muito solícita. Aos meus alunos, com quem aprendi muitas coisas, em especial: Lucas,Daniela e Albert. Sou mesmo uma pessoa muito iluminada por conhecer vocês. Dedico a todosessa conquista e minha plena gratidão pelas contribuições!
    • 6 Nos barracos da cidade (GILBERTO GIL) Nos barracos da cidade Ninguém mais tem ilusão No poder da autoridade De tomar a decisão E o poder da autoridade, se pode, não faz questão Mas se faz questão, não Consegue Enfrentar o tubarão Ôôô ,ôô Gente estúpida Ôôô , ôô Gente hipócrita E o governador promete, Mas o sistema diz não Os lucros são muito grandes, Grandes... ie, ieE ninguém quer abrir mão, não Mesmo uma pequena parte Já seria a solução Mas a usura dessa gente Já virou um aleijão Ôôô , ôô Gente estúpida Ôôô , ôô Gente hipócrita
    • 7 RESUMOA presente pesquisa teve como foco o estudo do Programa Educação pelo Esporteda cidade de Pojuca-Ba. O programa é a principal ação no âmbito do esporte e lazerno município e vem através da Gerência de Esportes (GESPORT), sendodesenvolvido desde Março de 2009. O programa oferece gratuitamente para acomunidade pojucana treze atividades esportivas e de lazer, como: basquete,handebol, futsal, futebol, voleibol, boxe, judô, capoeira, karatê, ginástica da terceiraidade, macroginástica, musculação e hidroginástica, atendendo atualmente cerca demil setecentos e trinta pessoas, entre crianças, jovens, adultos e idosos. Diante darelevância do programa para o município, esta pesquisa tem como objetivo fazeruma análise sobre o processo de implantação e desenvolvimento do mesmo.Caracteriza-se como pesquisa qualitativa e teve como método o Estudo de Caso,onde os dados foram coletados através da observação, análise documental eentrevistas semi-estruturadas realizadas com os gestores e os professores doprograma. Sendo assim, foi possível concluir que o programa não conseguiuconcretizar algumas propostas previstas em sua criação, porém, é bastantesignificativo para a comunidade pojucana.Palavras chaves: Educação, Esporte, Projetos sociais.
    • 8 ABSTRACTThis research focuses on the study of Sport Education Program by the city of Ba-Pojuca. The program is the main action within the sport and leisure in the city andcomes through its Office of Sports (GESPORT), under development since March2009. The program offers free to the community pojucana thirteen sports and leisureactivities such as: basketball, handball, futsal, soccer, volleyball, boxing, judo,capoeira, karate, gymnastics seniors, macroginástica, weightlifting and gymnastics,currently serving approximately thousand seven hundred and thirty people, includingchildren, youths, adults and seniors. Given the importance of the program for the city,this research aims to make an analysis on the process of implantation anddevelopment of it. It is characterized as a qualitative research method was casestudy, where data were collected through observation, document analysis and semi-structured interviews with managers and teachers of the program. Thus, weconcluded that the program failed to achieve some of the proposals set out in itscreation, however, is quite significant to the community pojucana.Keywords: Education, Sport, Social projects.
    • 9 LISTA DE SIGLASBA - Bahia.CEBAt – Confederação Brasileira de Atletismo.CELEM – Colégio Luís Eduardo Magalhães.CMPCB – Colégio Municipal Presidente Castelo Branco.CT – Centro de Treinamento.DECLA – Departamento de Esporte, Cultura e Lazer.GESPORT – Gerência de esportes.IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.FERBASA – Cia de Ferros e Ligas da Bahia.RH – Recursos Humanos.SUDESB - Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia.
    • 10 LISTA DE ILUSTRAÇÕESFIGURA 1 – MAPA DA LOCALIZAÇÃO DE POJUCA-BA.FIGURA 2 – QUADRA DO BAIRRO INOCOOP.FIGURA 3 – PAREDE PARA ESCALADA.FIGURA 4 – QUADRA DA PRAÇA ACM.FIGURA 5 – ÁREA DO PARQUE AQUÁTICO MUNICIPAL.FIGURA 6 – PARQUE AQUÁTICO DO RETIRO.FIGURA 7 – LUTADORA AMANDA NUNES.FIGURA 8 – ATLETA LUÍS INÁCIO JUNIOR.FIGURA 9– ATLETA MARILY DOS SANTOS.
    • 11 LISTA DE QUADROSQUADRO 1 – RELAÇÃO DE ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS DO MUNICÍPIO.QUADRO 2 – FORMAÇÃO PROFISSIONAL DOS PROFESSORES.QUADRO 3 – TEMPO DE ATUAÇÃO NA ÁREA.QUADRO 4 – QUAIS SÃO OS OBJETIVOS DA AULA.QUADRO 5 – ESPAÇOS DESTINADOS PARA AS AULAS.QUADRO 6 – DIFICULDADES ENCONTRADAS.QUADRO 7 – PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS EM COMPETIÇÕES.QUADRO 8 – A IMPORTÂNCIA DO PROGRAMA PARA OS ALUNOS.QUADRO 9 – A IMPORTÂNCIA DO PROGRAMA PARA OS PROFESSORES.
    • 12 SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO ------------------------------------------------------------------------------132. ESPORTE: O “TRAMPOLIM” DAS RELAÇÕES SOCIAIS --------------------163. O SIGNIFICADO DO ESPORTE EM PROJETOS SOCIAIS -------------------224. O PERCURSO METODOLÓGICO ----------------------------------------------------295. SOCIALIZANDO OS DADOS ------------------------------------------------------------35 5.1 O CENÁRIO ESPORTIVO NA CIDADE -----------------------------------------35 5.2 O PROGRAMA PELA ÓTICA DOS GESTORES -----------------------------45 5.3 O PROGRAMA PELA ÓTICA DOS PROFESSORES------------------------506. CONSIDERAÇÕES FINAIS -------------------------------------------------------------61 REFERÊNCIAS APÊNDICES
    • 131 INTRODUÇÃO O esporte é um fenômeno sociocultural de grande relevância em nossasociedade, cada vez mais, as pessoas independente de seus grupos sociaispraticam esporte, nos parques, nas ruas, como forma de lazer, distração eintegração. Como benefícios, é delegado ao esporte a capacidade de educar parapromover o desenvolvimento de competências pessoais, sociais e cognitivas.Percebe-se um grande aumento no surgimento de projetos e programas esportivoscom a finalidade de através do esporte contribuir para a educação e socializaçãodas crianças, jovens, adultos e idosos. Partindo desta premissa, surge como foco desta pesquisa um estudo sobre oPrograma Educação pelo Esporte da cidade de Pojuca-Ba. Este programa é a principal ação no âmbito do esporte e lazer do município evem através da Gerência de Esportes (GESPORT), sendo desenvolvido desdeMarço de 2009, atendendo atualmente cerca de mil setecentos e trinta pessoasentre crianças, jovens, adultos e idosos do município. O programa oferece para a população pojucana 13 atividades esportivas e delazer, dentre elas: basquete, handebol, voleibol, futsal, futebol, macroginástica,hidroginástica, musculação, judô, karatê, capoeira, ginástica da terceira idade eboxe. Essas atividades são oferecidas gratuitamente para a comunidade pojucana eacontecem de forma regular nas quadras, campos de futebol, escolas, praças,centros de treinamento e parque aquático do município. O presente trabalho surge a partir das minhas inquietações diante do cenárioesportivo da cidade, na busca de entender como a maior manifestação voltada parao esporte no município foi pensado, qual a sua proposta, como está estruturado, etc. Parte também, da experiência como monitora da modalidade handebol, o quedespertou o desejo de me debruçar em conhecer o programa no seu sentido maisamplo, podendo assim, conhecer de forma mais profunda as ações do mesmo paraalém das aulas de handebol ministradas por mim. Esta pesquisa justifica-se ainda pela importância do programa Educação peloEsporte para a cidade de Pojuca, que passou a ter atividades regulares de esporte elazer oferecidas para a comunidade de forma gratuita e da possibilidade como
    • 14cidadã pojucana de divulgar as ações do mesmo, além do interesse em aprofundarmeus conhecimentos no campo das políticas públicas de esporte e lazer. Sendo assim, esse trabalho apresenta como problema o seguintequestionamento: Como foi implementado e como é desenvolvido o ProgramaEducação pelo Esporte, do município de Pojuca-Bahia? Diante do exposto, este trabalho tem como objetivo analisar o processo deimplantação e desenvolvimento do Programa Educação pelo Esporte no Municípiode Pojuca-Ba, através do levantamento de dados que fundamentam a criação doprograma, do olhar dos coordenadores e educadores, além de identificar aaplicabilidade ou não do que é proposto pelo programa. É neste enquadramento que emerge a iniciativa de escrever sobre oPrograma Educação pelo Esporte, na perspectiva de discorrer sobre sua proposta esua possível concretização na prática. Ressaltando a relevância que o mesmo tempara a comunidade pojucana, considero importante essa pesquisa pela possibilidadede contribuir significativamente para a efetivação e qualificação das açõesdesenvolvidas pelo programa. Dessa forma, o presente trabalho foi organizado em seis capítulos. Onde,inicialmente abordamos de forma sintetizada a pesquisa realizada no capítulointrodutório. Já o segundo é contemplado com breves considerações sobre o processohistórico do esporte, sendo o mesmo classificado quanto a sua cronologia, emEsporte Antigo, Esporte Moderno e Esporte Contemporâneo. O terceiro capítulo faz uma discussão sobre as funções, sentidos e/ousignificados atribuídos ao esporte na perspectiva dos projetos sociais, na tentativade elucidar quais as verdadeiras contribuições dadas pelo esporte, quando abordadocom a finalidade de resolver problemas como afastar seus praticantes das drogas,educa-los, contribuir para o controle da violência, proporcionar saúde, etc. O quarto capítulo, descreve todo o percurso metodológico adotado durante operíodo de elaboração do trabalho, o que permitiu responder as questões levantadasinicialmente na perspectiva de elucidar o objeto de pesquisa. O quinto capítulo, traz os dados encontrados durante a pesquisa com afinalidade de realizar a discussão dos mesmos, na perspectiva de possibilitar umreal entendimento de como foi implementado e como é desenvolvido o ProgramaEducação pelo Esporte do município de Pojuca-Ba.
    • 15 Por fim, no sexto capítulo é possível encontrar as considerações finais acercadas investigações sobre o processo de implementação e desenvolvimento doPrograma Educação pelo Esporte, indicando as dificuldades encontradas pelomesmo para concretização da sua proposta, assim como, sugestões para a suaqualificação.
    • 162 ESPORTE: O “TRAMPOLIM” DAS RELACÕES SOCIAIS Falar sobre esporte nos remete a pensar nos sinônimos a ele atribuído pelavisão que a sociedade tem deste fenômeno, nos habituamos na atualidade a delegarao esporte a função de promover a saúde e qualidade de vida, segurança, inclusãosocial, educação, dentre outros. Para tanto, a fim de contemplar tal discussão, se faz necessário inicialmentepontuar de forma breve algumas considerações sobre o processo histórico doesporte. Segundo Malina (2009, p. 27-28), o esporte é compreendido em seu tempohistórico, não podemos dissociá-lo da compreensão do modo de produçãocapitalista, é nas relações com os fenômenos que estão dentro do esporte quepodemos tentar entendê-lo. Já para Bourdieu apud Telles (2009, p.55): A história do esporte é uma história relativamente autônoma que, mesmo estando articulada com os grandes acontecimentos da história econômica e política, tem seu próprio tempo, suas próprias leis de evolução, suas próprias crises, em sua cronologia específica. De acordo com Tubino (S/D, p. 1), podemos classificar o esporte, quanto asua cronologia, em Esporte Antigo, Esporte Moderno e Esporte Contemporâneo. OEsporte Antigo teve como principal manifestação as Olimpíadas Gregas, o EsporteModerno teve como marco o uso político-ideológico do esporte. Já o EsporteContemporâneo, surge no final da década de 1970 tendo como principal marco odireito de todos ao esporte. A partir deste momento surge a classificação do esporte em três dimensõessociais, sendo: esporte educação, esporte participação e esporte performance ouesporte de rendimento, as quais iremos abordar posteriormente de maneira maisaprofundada. A institucionalização do esporte acontece a partir do Esporte Moderno que seorigina no século XVIII sob a lógica da sociedade capitalista inglesa. De acordo com Proni apud Mezzaroba (2008, p.1): O esporte, tal como o entendemos hoje, é de origem inglesa, tendo existido desde o século XVIII, a partir da Revolução Industrial. Nasce, portanto, com a sociedade industrial, sendo inseparável de suas estruturas e funcionamento. Foi se estruturando e organizando de acordo com a evolução do capitalismo mundial e assumiu forma e conteúdo que refletem a ideologia burguesa.
    • 17 Segundo Neira (2009, p. 59), a sociedade capitalista pós-industrial passou asignificar o esporte como produto de consumo, ferramenta de educação, como formade competição, rendimento e meio de promoção social. Souza, Souza e Fidelis (2009, p. 1), afirmam que os burgueses usavam oesporte para controlar as desordens sociais, “ocupando o tempo daqueles quepoderiam tentar reivindicar por melhores condições de vida”. A difusão a partir da Inglaterra de modelos de produção industrial, de organização, de trabalho e das formas de ocupação do tempo livre do tempo conhecido como deporto foi notável. Parece razoável imaginar que as formar segundo a qual as pessoas utilizavam seu tempo livre seguiu de mãos dadas com a transformação da maneira segundo a qual trabalhavam (STAREPRAVO, S/D, p. 2). Diante do exposto, podemos perceber que o esporte sempre foi colocadocomo uma moeda de troca, como uma forma de alienação do povo pela sociedadecapitalista. Para Amaral e Junior (2008, p.2), foram as circunstancias da industrializaçãode produção e planificação fabril inglesa que deu ao esporte características comodisciplina, treinamento periódico, aperfeiçoamento, organização, rendimento eracionalidade instrumental. Este último refere-se ao poder do esporte como umaferramenta eficiente de divertimento das massas, além de desviar à atenção doshomens de uma participação política consciente. Ainda sobre o Esporte Moderno, estes autores comentam que: Por essas características, o esporte apóia os pressupostos básicos do capitalismo industrial, servindo como elo de adaptação para a vida moderna, na qual há uma ênfase exagerada na realização pessoal, na vitória pelo mérito individual. Ampliando esse novo modelo de gestos técnicos, podemos afirmar que o esporte se afastou da relação com o universo lúdico do jogo, produzindo em contrapartida novos significados para as práticas corporais (p. 2). De acordo com Leiro et al (2010, p. 21), a Revolução Industrial tem comoumas das consequências de suas mudanças o surgimento do esporte moderno. “E,nessa trilha, é possível estabelecer relações entre esporte e as dimensões políticase culturais da sociedade capitalista”. Sobre o fenômeno esportivo, é preciso dizer que essa prática manifestada noséculo XVIII e XIX na Europa, alcançou uma importância e abrangência que o colocaem destaque no cenário cultural mundial, as pessoas relacionam-se com ofenômeno esportivo no seu dia a dia, seja praticando, assistindo ou consumindo.
    • 18 A cultura já permite falar sobre certa esportização do cotidiano, por exemplo,ele se manifesta na moda, no estilo de vida esportivo, é a cultura esportiva, ainserção e ascensão do esporte possibilita afirmar que a sociedade está absorvendoos valores esportivos, ratificando assim a sua legitimidade cultural. O esporte moderno aparece, já há algumas décadas, como uma produção cultural consumível capaz de diferenciar e integrar seus praticantes, espectadores e telespectadores num mundo que assume cada vez mais seu caráter multifacetado. [...] A aquisição de materiais esportivos (já integrados ao universo da moda) anunciado por um atleta celebridade marca o individuo consumidor no mundo de múltiplas identidades. Assim, ao consumir o esporte, seja por meio da assimilação da produção mercantil ou da informação (notícias, livros, revistas, etc.), o indivíduo procurar se localizar num processo de diferenciação simbólica entre seus pares e seus, digamos assim, concorrentes (MENDONÇA, 1997, p. 2-3). O Esporte Contemporâneo surge no final da década de 70, em consequênciadas mudanças sociais provocadas no período após segunda guerra mundial e sesolidificam no período pós-guerra fria. Sobre o Esporte Contemporâneo, Tubino (S/D, p. 2), afirma que: O Esporte Contemporâneo teve inicio no final da década de 1970 e inicio da década seguinte, com a Carta Internacional da Educação Física e Esporte (UNESCO 1978), quando a prática esportiva passou a constituir-se num direito de todas as pessoas. Mudou a perspectiva única do rendimento no esporte, para uma abrangência social maior, incorporando também o esporte na escola e o esporte na comunidade. Esta carta1 “reconhece que a educação física e o desporto devem reforçar asua ação formativa e promover os valores humanos fundamentais indispensáveis aopleno desenvolvimento dos povos”. Ao contrário do Esporte Moderno que estavavoltado à medição de resultados e comparação de performance. Outra característica importante do esporte contemporâneo é a institucionalização de sentidos diferentes da prática esportiva que transcendem a hegemonia do alto rendimento. Isso se apresenta como alternativas de práticas e aproximação dos sujeitos ao universo esportivo, estando ligadas no mundo atual de ideais de promoção de saúde, valores educacionais, inclusão social e diversão, entre outros. Por isso, nota-se interesses sobre as diferentes faces do esporte contemporâneo tanto por órgãos de mercado (pela aproximação e familiarização desse fenômeno ao grande público por meio de práticas variadas), quanto de políticas públicas. (MARQUES, 2008, p. 4) A partir da perspectiva do esporte contemporâneo e do direito de todos àprática esportiva, Tubino (2001, p. 34), classifica o esporte em três dimensões1Carta elaborada na Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, aCiência e a Cultura, reunida em Paris, na sua 20º sessão, em 21 de Novembro de 1978.
    • 19sociais: esporte educação, esporte-performance ou esporte de rendimento e oesporte participação. O esporte educação é desenvolvido no sistema de educação formal e nãoformal, de maneira não institucionalizada, o que lhe permite adaptar regras,espaços, materiais e gestos motores de acordo com as possibilidades pessoais esociais. Não é seletivo, contribuindo assim, para a democratização da práticaesportiva. Segundo Tubino (2001, p. 35), um dos maiores enganos atribuído aoentendimento do esporte educacional é o sentido que os professores imputam a ele.Os jogos escolares, por exemplo, que deveriam ter um cunho educativo acabamganhando o significado de competição, passando consequentemente, a ter o sentidodo esporte na escola e não o esporte da escola. O esporte como prática social que institucionaliza temas lúdicos da cultura corporal, se projeta numa dimensão complexa de fenômeno que envolve códigos, sentidos e significados da sociedade que o cria e o pratica. Por isso deve ser analisado nos seus variados aspectos, para determinar a forma em que deve ser abordado pedagogicamente no sentido de esporte “da” escola e não como esporte “na” escola (SOARES, 1992, p. 70). O esporte educacional quando abordado na perspectiva das dimensões dosconteúdos, classificada por Darido (S/D, p.1), em dimensão conceitual (o saber),dimensão procedimental (o fazer) e a dimensão atitudinal (o ser), pode certamente,tratar de forma ampla e perpetuar o seu verdadeiro sentido para além da prática edarepetição de gestos técnicos. Esta mesma abordagem, quando estimulada para além dos muros da escola,contribui de forma significativa para o desenvolvimento humano, ultrapassando asfronteiras do aprender a fazer. O ato educativo está presente em todos os espaços eem todos os momentos, precisamos educar para as relações humanas, para odesenvolvimento como pessoa, para conscientização dos valores, etc. O esporte participação tem um princípio lúdico onde o foco é a descontração,o bem-estar e a interação social. Para Oliveira (2010, p. 11), esta dimensão se configura da seguinte forma: [...] como sendo a manifestação que se apóia no lúdico, no uso do tempo livre, não tendo obrigações com regras estabelecidas por instituições, podendo esta propiciar por meio de sua vivencia amenidade aos seus praticantes, além de poder proporcionar integração social, fortalecimento das relações pessoais.
    • 20 Já o esporte performance ou esporte de rendimento, é uma práticainstitucionalizada que segue regras previamente estabelecidas, é caracterizado pelasuperação de limites, pela competição e pela busca incessante da vitória. Traz consigo os propósitos de novos êxitos esportivos, a vitória sobre adversários nos mesmos códigos, e é exercido sob regras preestabelecidas pelos organismos internacionais de cada modalidade. Há uma tendência natural para que seja praticado principalmente pelos chamados talentos esportivos, o que o impede de ser considerado uma manifestação comprometida com os preceitos democráticos (TUBINO, 2001, p. 40). Conclui-se então, que o esporte de rendimento não é universal, nem todospodem ter acesso, consequentemente, ele não é democrático. O esporte mobiliza e é mobilizado por interesses sócio-políticos importantes,como também, cada vez mais interesses econômicos. Boa parte da população, degrupos sociais mais diversos mobiliza-se em torno desse fenômeno a partir dosdiferentes sentidos da sua prática. Seguindo essa crescente tendência no campo da cultura, o esporte é tambémconstantemente mercadorizado2, a tendência é fazer desaparecer os limites entre oeconômico e o cultural, onde a lógica da mercadoria se sobrepõe a produçãocultural. Para Silva (1991, p.6), “Com essa nova caracterização, o esporte vai sendodifundido por todo o mundo e seu estatuto de mercadoria acaba superando osoutros objetivos potencialmente existentes”. Um bom exemplo de mercadorização do esporte é a realização doschamados Megaeventos3, onde o próprio Estado participa da realização a partir doscritérios econômicos, critérios esses traduzidos em números de empregos gerados,fortalecimento do turismo, melhorias de infra-instrutura. Como afirma Leiro et al(2010, p. 24)“[...] o esporte envolve paixão, mas especialmente porque envolvenegócios, emprego, lazer, turismo, enfim, consumo.” Segundo Leiro et al (2010, p. 23): Os interesses da instituição esportiva de alto rendimento dependem, majoritariamente, da atenção que a mídia dará ao seu acontecimento, já que os espetáculos constituídos por grandes eventos esportivos apenas tomam as devidas proporções em função do alcance que os meios de comunicação proporcionam.2 Para Silveira, (2007, p.109), o processo de mercadorização do esporte, como o próprio nome diz,está voltado para o processo de transformação do esporte em mercadoria.3 São chamados de megaeventos as grandes competições esportivas que serão sediadas no país, aexemplo, das Olimpíadas e da Copa do Mundo.
    • 21 A mídia tem uma grande contribuição na mercadorização do esporte e atelevisão é o seu principal meio de divulgação e alienação do chamado esportetelespetáculo, termo utilizado por Betti (1998) para caracterizar o espetáculoesportivo visto a partir de sua exibição na televisão. É difícil referir-se ao esporte contemporâneo sem associá-lo aos meios de comunicação em massa. A relação esporte-espetáculo vem alterando, progressivamente e rapidamente, a maneira como praticamos e percebemos o esporte. E o elemento chave dessa transformação é o espectador, este disposta a pagar para assistir uma competição esportiva assumindo assim uma característica de consumidor do espetáculo esportivo (ALVES JUNIOR; FERES NETO; AZEVEDO, 2008, p. 125). O esporte convive com o paradoxo do rendimento e da igualdade deoportunidade fortemente enraizado em sua prática e difundido pela mídia. De acordo com Leite (2008, p. 1): A mídia atua na formação e disseminação da visão do esporte que é passada atualmente para a sociedade: o esporte como espetáculo, como possibilidade de ascensão sócio-econômico (entenda-se melhoria de qualidade financeira e status social), como mercadoria e consumo. Pautado na igualdade de oportunidades, no discurso de que praticar esporte ésaudável, é uma ferramenta muito eficaz de educação, um meio de promoção sociale no esporte de rendimento tão fomentado pela mídia e predominante no imagináriosocial, tem emergido através de organismos públicos, privados e do terceiro setor ainiciativa de criar politicas esportivas para crianças, jovens, adultos e idosos. Essas diferentes iniciativas têm ganhado força e surgem em todo o país emforma de projetos e/ou programas sócios educativos, que trabalham com um públicointergeracional, e em sua maioria priorizam as crianças e jovens, com o objetivo depromover atividades esportivas. Sabemos que a educação física, o esporte e o lazer são colocados,emblematicamente, como ferramentas para solucionar problemas e mazelas sociais.Faz-se necessário para elucidar algumas questões ao esporte direcionadas,entender como ele está inserido nos projetos, sendo assim, falaremos a seguir arespeito dos projetos sócio-esportivos ou os chamados projetos de educação peloesporte.
    • 223 O SIGNIFICADO DO ESPORTE EM PROJETOS SOCIAIS Atualmente percebemos que o esporte encontra-se fortemente inserido nasociedade, sendo o mesmo considerado um fenômeno sociocultural e entendidocomo um direito social. De acordo com o art. 217 da Constituição Federal, “é deverdo Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, como direito de cadaum [...]” (BRASIL, 1988). Apesar de ser dever do Estado, podemos observar que apromoção de práticas desportivas não se dá apenas pelos órgãos públicos. Para Bretãs (2007, p. 37), políticas esportivas direcionadas principalmentepara crianças e adolescentes tem sido alvo de organizações governamentais,privadas e do terceiro setor. Essas iniciativas, nomeadas geralmente pelo termo,projetos sócio-esportivos, vêm ganhando cada vez mais destaque na mídia e nasociedade. Os projetos sócio-esportivos se alastraram de uma forma tão grandiosa noBrasil, que se tornaram incontáveis. Surgem em sua grande maioria com a propostade através da prática esportiva resolver problemas sociais, como afastar seuspraticantes das drogas, educa-los, contribuir para o controle da violência e etc. Esses projetos têm como público alvo a população de baixo poder econômico,geralmente, crianças e adolescentes que vivem em situação de risco social, tendotambém como objetivo ocupar o tempo livre dos envolvidos. Segundo Correia (2008,p. 95), esses discursos defendem a ocupação do tempo livre “como solução para ospossíveis problemas relacionados com a violência, a criminalidade e outros queperturbam a ordem social urbana”. Vários motivos podem estimular as crianças e jovens a participar dos projetossócio esportivos ou praticar uma atividade física. O fato de pertencer a um grupopode ser um dos fatores mais importantes para os jovens se envolverem com oesporte. Está entre amigos ou construir novas amizades, contribui de formasignificativa para o desenvolvimento de crianças e jovens. Aliado ao motivo depertencer a um grupo por afinidade, a participação nos projetos sócio esportivos, dá-se também, pela busca da saúde, lazer, por gostar do esporte/modalidade quepratica, etc. Segundo Gonçalves et al (2011, p. 3): [...] na maioria as propostas e objetivos são voltados para os considerados “vulneráveis sociais” e tem a intenção de educar, principalmente, crianças e adolescentes através do esporte. Traz-se, então, o constante discurso do
    • 23 esporte como fenômeno social, que garante o afastamento dessas crianças e adolescente da criminalidade e drogadição, visando ocupar o tempo livre, a partir das possibilidades ditas como pedagógicas dos esportes, considerado um meio de disciplinamento e controle. Estas práticas encontram-se tão presentes, que por si só parecem naturalmente explicar/justificar estas ações em nível de estado e organizações governamentais, assim como por empresas privadas, organizações não- governamentais e iniciativas individuas. O fenômeno esportivo foi absorvido pela sociedade de tal forma queinfluenciou significativamente nossas condutas. Isso pode ser ressaltado nos jargõesque definem a função do esporte como “esporte educa”, “esporte é saúde”, “esporteafasta as pessoas das drogas”, “esporte é sinônimo de qualidade de vida”.4 Estranho o estranhamento que o esporte é capaz de causar. Diz-se tudo de bom sobre ele. Afasta das drogas, é eficaz no processo de ressocialização, é prática democrática, proporciona saúde, combate à violência, reintegra deficientes físicos, e tal coisa. Não é de hoje que se idealiza essa prática social (OLIVEIRA, 2009, p. 122-123). Esta idealização do esporte é ratificada por Stigger, quando afirma que: Todas essas significações do esporte geraram a perda do seu sentido inequívoco. Há, atualmente, sentidos múltiplos para o esporte, que envolvem a corporalidade, a saúde, o consumo, o ato educativo, a comunicação, a competição, a cooperação. Diferentes sentidos em perspectivas diversas de ser humano e sociedade (STIGGER, apud LEIRO, 2010, p. 23). Diante das funções, sentidos e/ou significados atrelados ao esporteapresentados até aqui, nos traz a necessidade de discutir estes na tentativa deesclarecer as afirmativas atribuídas ao esporte, particularmente, na perspectiva dosprojetos sócio esportivos. Para Hecktheuer, Silva e Silva (2009, p. 89), o estudo dos projetos sociaisligados ao esporte “se justifica, pois somos constantemente interpelados por práticasdiscursivas que estabelecem o esporte, independente da forma como for vivenciado,como a grande salvação para os sujeitos considerados vulneráveis”. De acordo com Zaluar (1994), o surgimento de projetos alternativos eparalelos à educação formal, ganhou força na década de 80 em consequência dacrise econômica, do crescimento da criminalidade e do fracasso da políticaeducacional.4Jargões adotados pelo senso comum, que transmitem ao esporte a responsabilidade da superaçãode alguns problemas sociais através da sua prática e da sua ação educativa.
    • 24 Ainda de acordo com a autora, os projetos sócio educativos surgiram comouma alternativa ao sistema de ensino formal, sendo direcionados, prioritariamente, àcrianças e adolescentes carentes, com o objetivo de promover a educação por meiodo esporte. Analisando o discurso que dissemina à prática esportiva o poder de afastar aspessoas das drogas, corrobora a ideia de que drogas e esporte trilham em caminhocontrário, conforme afirma Lauer e Vieira (2010, p.1): A ideia de que drogas e esportes caminham em sentidos opostos parece ser senso comum na sociedade: o esporte é o caminho da vida; a droga é o caminho da morte. O esporte se associa à saúde, à cidadania e à liberdade; a droga à degradação, à violência e ao vício. Aquele que se dedica ao esporte não se envolve com drogas; é um vencedor. Já um usuário de drogas nunca terá sucesso nos esportes ou mesmo na vida; é um perdedor. A ligação feita entre esporte e drogas e da sua possível contribuição para oafastamento das pessoas dos meios desagregadores e destrutivos, tem um sentidosimbólico, conforme afirmamos autores, “não há nenhum tipo de essência noesporte ou na droga que os façam ser benefícios ou malefícios, respectivamente”. O esporte afasta das drogas? Pode contribuir, mas também pode aproximar,por exemplo, o doping que está presente no esporte de rendimento na buscaincessante pela vitória, pela melhora da performance, pela quebra de recordes. Segundo Kunz (2003, p. 56), o anabólico esteróide, doping muito utilizado poratletas, potencializa de tal forma o desempenho, que um atleta que não usa estasubstância por melhor que fosse, seria pouco provável conseguir bater um outro sobefeito da mesma. As drogas também estão presentes e sendo cada vez mais utilizadas pelaspessoas no dia a dia, na busca pela estética do corpo perfeito, busca por um corpomodelado e tido culturalmente como ideal. O autor corrobora essa ideia salientandoque: Atualmente, o uso se estende inclusive fora do contexto do esporte de rendimento, ou seja, tem sido usado como auxiliar no desenvolvimento da estética corporal, especialmente em academias de musculação. [...] Muitos iniciam o uso de substâncias químicas, como o anabólico, ainda muito jovens e sem ter o menor conhecimento sobre os problemas provocados pelos efeitos colaterais (KUNZ, 2003, p. 56-57). O esporte pode sim contribuir para afastar as pessoas das drogas, a partir dosignificado que é atribuído a sua prática. Assim como, pode aproximar as pessoasdas drogas a partir do que se espera obter com a sua prática.
    • 25 Esses jargões nos remetem a um discurso moralista, o esporte pode sersaúde? Sim, mas também pode ser ao contrário quando inspirado pela lógica doesporte espetáculo da superação de limites, sem falar nas diversas concepções doque é saúde e do que é ser saudável. De acordo com Peres e Melo (2009, p. 62): Mesmo reconhecendo que o conceito de saúde sofreu consideráveis mudanças, inclusive institucionalmente (como no caso da Organização Mundial de Saúde, na década de 40), o modelo biomédico se consolidou como dominante e, portanto, legitimado. Há 40 ou 50 anos, por exemplo, pareceria espantosa a naturalidade com que usamos a categoria saúde, bem como as “exigências” que qualificam as pessoas como saudáveis ou não. Para os autores “o campo da promoção da saúde é, sem dúvida, um dosprincipais responsáveis pela atual legitimação dessa perspectiva que relaciona demaneira enredada saúde, condições sociais e qualidade de vida”. E o esporte é,constantemente, colocado como um meio eficiente para alcançar tal benefício. A qualidade de vida é outra função atribuída ao esporte e frequentementeafirmada pelo senso comum. Não podemos falar sobre qualidade de vida, e muitomenos atribuir ao esporte o papel de proporcionar tal benefício, ou até mesmo, aopróprio indivíduo a responsabilidade pela sua forma de viver, sem pontuar questõescomo a forma que a sociedade se organiza, sua organização societária, acesso aosistema de saúde e outros. Ainda de acordo com Peres e Melo (2009, p. 65), a Política Nacional dePromoção da Saúde tem como objetivo: Promover a qualidade de vida e reduzir vulnerabilidade e riscos à saúde relacionados aos seus determinantes e condicionantes-modos de viver, condições de trabalho, habitação, ambiente, educação, lazer, cultura, acesso a bens e a serviços essenciais. É preciso, primeiramente, entender o que é qualidade de vida para um povo,superando a máxima de que atividade física traz saúde ou esporte é saúde. Ele vaitrazer saúde se estiver associado a questões como educação, saneamento, acessoa cultura e lazer, etc. Quanto à violência, o esporte é tido como um eficaz disciplinador, mas épreciso entender que a violência não é um fenômeno linear, ela não só se manifestade diferentes formas como é desencadeada por uma série de fatores. Então, aeducação através do esporte se torna importante, na medida em que, acontece naperspectiva da educação para o desenvolvimento humano.
    • 26 Outra função atribuída ao esporte, e talvez a mais enraizada nos discursos, éo poder de educar através da prática esportiva. Barbieri (2001, p. 87), compreende aeducação como “um processo de intervenção no mundo, no qual ensinar não éapenas uma ação que se constitui no ato de transferir conhecimentos”, é possibilitara sua construção, considerando e valorizando a diversidade de saberes. Os projetos sócio-esportivos trabalham na perspectiva de educação quesegundo Kunz (2003, p. 72), “é entendida como toda e qualquer reação socialorientada sobre os fatores de desenvolvimento do homem”, ou seja, uma educaçãoque por intermédio do esporte apresenta a possibilidade de restauração do humano. Assim, não só na escola se configura numa organização social onde encenações pedagógicas do esporte acontecem, mas também a família, os parques e as áreas de lazer, os clubes, etc. E neste sentido, o esporte sempre que for encenado em algum lugar por algum motivo tem um caráter educacional (KUNZ, 2003, p.73). O esporte quando colocado como uma ferramenta de educação,constantemente presente nos chamados projetos de educação pelo esporte,apresenta ou ao menos deveria apresentar, a função de educar para o esporte eatravés do esporte. Conforme afirma Schwier (2009, p.87): [...] Por um lado, trata-se de educação para o esporte – no sentido de desenvolvimento das capacidades de atuação que se fazem necessárias para a participação competente neste campo social – e, por outro lado, é a educação através do esporte, o que consiste, primordialmente, na transmissão de modelos sociais de comportamento e de atitudes desejados na sociedade (lealdade e justiça, consciência de saúde, tolerâncias de ambiguidades, assumir responsabilidades, capacidade de lidar com conflitos e de atuar em equipe etc.). Sendo assim, fica claro que a educação é o grande pilar de todos os outrossinônimos atribuídos ao esporte, é pela educação através do esporte que se almejaalcançar os objetivos propostos pelos projetos sócio-esportivos e eles só serão esão alcançados quando consolidados em sua prática. Então, essas afirmativas nos levam a pensar na força mobilizadora doesporte, força essa, ratificada pela mobilização da mídia na construção de mitosheróis5, os sinônimos dados ao esporte estão sempre de forma representativaligados ao esporte espetáculo, é esse o esporte que povoa, predomina e é5 O termo mitos heróis é usado para designar os grandes ídolos do esporte tomados como exemplosde superação e conquistas pela sociedade.
    • 27hegemônico no imaginário social. Paradoxalmente não é esse o esporte praticadopelo cidadão comum. De acordo com Rossi (2000, p.60): É imprescindível que o educador, através do ensino dos esportes ofereça a oportunidade aos educandos para o esclarecimento destas práticas, ensinar e aprender as possibilidades e os limites destas, bem como a necessidade de transformá-los. O esporte admirado e que encanta, é o esporte das conquistas, das vitórias,das superações, da determinação. Todas essas “qualidades” podem ser re-significadas para o contexto em que estamos inseridos, as conquistas e vitórias dodia a dia, a determinação na busca de uma vida melhor, da superação dedificuldades e tantas outras coisas inseridas no cotidiano. É esse o exemplo doesporte que devemos absorver. Para Freire apud Malina (2009, p.2): [...] o esporte pode até ser elemento de contribuição na construção da cidadania, mas a idéia não é formar cidadãos pelo esporte, e sim coordenar o esporte para a conscientização da responsabilidade social do praticante com a comunidade com a qual está inserido, e compreender que naquela comunidade estão contidas às contradições do mundo atual e da possibilidade da sua modificação, e que esta possibilidade pode ser realizada como fruto do trabalho coletivo e do legado deixado por esses cidadãos. Malina (2009, p.2) afirma ainda, que tal proposta quando desenvolvida,contribui para uma maior participação popular nas decisões acerca das políticascomunitárias e até mesmo do esporte a ser inserido naquela comunidade. Para DaCosta (2007, p.16): [...] não podemos perder de vista que o esporte é uma prática corporal, construída, vivenciada e modificada na interação dos homens na cultura, refletindo seus valores e gerando novos; [...] os valores não são 6 essencialmente do esporte, mas se refletem no esporte e são também gerados a partir dos significados que os indivíduos e grupos sociais dão à prática esportiva. As práticas corporais são dotadas de sentidos e significados humanos, então,não basta saber e ensinar a jogar, é preciso saber e ensinar o porque se joga, osentido e significado do jogo em nossa vida. Correia (2008, p. 93-94), corrobora com essa ideia quando afirma que épreciso preparar “os sujeitos das comunidades para adquirir autoridade, autonomia epoder de representação social e política”.6 Grifo do autor.
    • 28 Sendo assim, cabe a nós fazermos com que o esporte seja um espaço dedesenvolvimento humano, um esporte que desperte e propague seus valores paraalém da sua prática. É preciso pensar o esporte como uma possibilidade de desenvolvimentohumano, um esporte que desperte e propague os valores, lembrando que ele nãotem em si uma essência salvadora. Diante do exposto, fica bastante evidente que o esporte é culturalmenteapropriado para os grupos que os re-significam a partir de outros códigos que não aconcorrência e o rendimento, mas sim, a sociabilidade, o divertimento, lazer, etc.
    • 294 O PERCURSO METODOLÓGICO O presente capítulo descreve toda a caminhada percorrida durante o períodode elaboração do trabalho na busca de elucidar o objeto de pesquisa. Inicialmentese faz necessário pontuar algumas definições sobre pesquisa e método, antes dediscorrer sobre o trajeto adotado na tentativa de obter informações, dados eevidencias que fundamentassem o presente trabalho. Quando falamos em pesquisa, de imediato pensamos em uma forma deinvestigar algo que ainda é desconhecido para nós. Para Gil (1987), a pesquisapode ser definida “como o processo formal e sistemático de desenvolvimento dométodo cientifico. O objetivo fundamental da pesquisa é descobrir respostas paraproblemas mediante o emprego de procedimentos científicos”. Já para Minayo (1994, p. 17), a pesquisa é entendida como: Entendemos por pesquisa a atividade básica da Ciência na sua indagação e construção da realidade. É a pesquisa que alimenta a atividade de ensino e a atualiza frente à realidade do mundo. Portanto, embora seja uma prática teórica, a pesquisa vincula pensamento e ação. A autora ainda afirma que “toda investigação se inicia por um problema comuma questão, com uma dúvida ou com uma pergunta, articuladas a conhecimentosanteriores, mas que também podem demandar a criação de novos referenciais”. Para Gil (1987, p.43), “pode-se, portanto, definir pesquisa social como oprocesso que, utilizando a metodologia científica, permite a obtenção de novosconhecimentos no campo da realidade social”. Segundo Minayo (1994, p. 16), “a metodologia inclui as concepções teóricasde abordagem, o conjunto de técnicas que possibilitam a construção da realidade eo sopro divino do potencial criativo do investigador”. De acordo com Marconi e Lakatos apud Conceição (2009, p. 35), “método éum conjunto de atividades sistemáticas e racionais que permitem alcançar umobjetivo, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando nasdecisões do pesquisador, dando direcionamento para a execução do trabalho”. Para Gil (1987, p. 27), “pode-se definir método como caminho para se chegara determinado fim. E método científico como o conjunto de procedimentosintelectuais e técnicos adotados para se atingir o conhecimento”. Diante do exposto, foi projetado um caminho metodológico para essapesquisa com a finalidade de obter informações que fundamentassem o presente
    • 30trabalho. Este é caracterizado como uma pesquisa qualitativa, que segundo Minayo(1994, p. 21-22): A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis. Esta pesquisa tem como objetivo fazer uma análise sobre o processo deimplantação e desenvolvimento do Programa Educação pelo Esporte, desenvolvidopela Gerência de Esportes (GESPORT) do município de Pojuca-Ba. O município de Pojuca faz parte do Território 18, Agreste Baiano e LitoralNorte, dista cerca de 70 km da capital, Salvador – Ba. Foi fundada em 29 de julho de1913 e anteriormente era distrito do município de Santana do Catu (atual Catu). O nome Pojuca deriva do termo iapó-iuca, que significa o pântano, oestagnado e podre. (IBGE, 2010). O município é banhado pelos rios Pojuca, Catu,Quiricozinho, Una e Quiricó Grande, estando situado à margem do rio Pojuca. De acordo com o censo 2010, o município possui uma população de 33.066habitantes, em uma área territorial de 290,113 Km² com densidade demográfica de113,98 hab./Km². A sua economia gira em torno da extração de petróleo, dossetores de serviços e indústria, (IBGE, 2010). Dentro do setor econômico do município podemos destacar a Cia de FerroLigas da Bahia (FERBASA), umas das 20 maiores empresas da Bahia, sendo amaior fabricante de Ferro Ligas do Brasil e única produtora integrada de ferro cromodas Américas. O município é ainda o quarto arrecadador de royalties de petróleo do estadoda Bahia atrás apenas de São Francisco do Conde, Madre de Deus e Esplanada. Asua riqueza em petróleo e gás, tornou a cidade conhecida popularmente como aPrincesinha do Petróleo. Pojuca faz vizinhança com as cidades de Catu, Araçás, Mata de São João,Itanagra e São Sebastião do Passé. Tem como principais rodovias de acesso a BA-093, BA-504 e BA-507, sendo ainda, servida por uma ferrovia cuja as linhas passamem meio a cidade.
    • 31 Figura 01: Mapa da localização de Pojuca. Fonte: Google É privilegiada por ter uma localização centralizada, sendo considerada cidadeentroncamento pela viabilidade com os municípios de Simões Filho, Camaçari, DiasD’avila, Mata de São João, Catu, Alagoinhas, Esplanada, Itanagra, Entre Rios, RioReal, Araçás e São Sebastião do Passé. Segundo o IBGE (2010), a cidade possui um clima tropical úmido comtemperatura média de aproximadamente 25ºC.É uma cidade plana com umaestrutura física contemporânea, a grande maioria das ruas são asfaltadas e possuium bom saneamento básico. A zona rural do município tem uma agricultura forte, tem como principalreferencia o distrito de Miranga onde também está concentrado a maior parcela dopetróleo extraído no município, além de contar com aproximadamente 18 povoadosque fazem parte dessa região. A sua sede é constituída por 18 bairros, destacam-se por sua localização osbairros da Inocoop onde encontra-se o batalhão da polícia militar e a delegacia dapolícia civil e o Centro onde está localizada as agências bancárias, a bibliotecamunicipal, o posto médico e o prédio da prefeitura, além de uma boa parte dosestabelecimentos comerciais da cidade. Administrativamente está organizada em 14 pastas, sendo elas:departamento de educação, saúde, meio ambiente, finanças, infra-estrutura (obras),
    • 32segurança (guarda municipal), recursos humanos, assistência social, comunicação,transporte, trabalho, lazer, cultura e esporte. O município não possui secretarias, as suas pastas estão estruturadas emdepartamentos como a educação, saúde, infra-estrutura, comunicação, finanças eserviço social. Em gerências, a exemplo da cultura e do esporte, e outros apenasintitulados como setor de transporte, RH, meio ambiente, segurança, etc. Religiosamente, a cidade tem como santo padroeiro o Bom Jesus daPassagem, a sua festa é religiosa e profana, festejada durante todo o mês de janeiroe encerrada com uma procissão que segue pelos principais bairros da cidade até aigreja matriz, sempre no último domingo do mês de Janeiro. Pojuca é uma cidade que possui uma estrutura física muito organizada. Contacom centros comunitários, campos de futebol, praças e quadras poliesportivas namaioria dos seus bairros o que possibilita a oferta de várias atividades esportivas,culturais e de lazer. No campo da cultura, a cidade conta com vários grupos de danças, teatros,artistas plástico, a fanfarra municipal e oficinas de música, além das tradicionaismanifestações locais como o bumba-meu-boi (o popular boi janeiro), a trezena deSanto Antônio e as quadrilhas de São João. O lazer no município está muito voltado para os eventos festivos, e na suaausência está voltado para a frequência em espaços como praças, apresentação demanifestações culturais como citado acima, voltado também para a prática esportivaque se destaca pela grande oferta de atividades oferecidas. As atividades esportivas gratuitas oferecidas pelo município sãodesenvolvidas através da Gerência de Esporte. A criação da gerência em Janeiro de2009 é fruto da ação da atual gestão que desmembrou o Departamento de Cultura,Esporte e Lazer, subdividindo esse departamento em Gerência de Cultura, Gerênciade Esporte e Departamento de Lazer. A GESPORT é formada por uma equipe de educadores, sendo um gerente,dois coordenadores, quatorze instrutores (dentre esses quatro professores deeducação física e três graduandos), e tem como principal ação o desenvolvimentodo Programa Educação pelo Esporte que oferece gratuitamente para a comunidadepojucana treze atividades esportiva e de lazer. Nesse estudo, inicialmente foi realizada uma revisão de literatura para aconstrução dos capítulos teóricos, onde foi possível realizar um levantamento do que
    • 33já foi publicado sobre o tema, considerando ser de tamanha importância esseprocedimento para situar o trabalho dentro da linha de pesquisa em que estáinserido. Na construção dos capítulos teóricos foi possível dialogar com autores como:Tubino, Proni, Malina, Bourdieu, Neira, Starepravo, Leiro, Da Costa, Marcellino,Rossi, Freire, Gil, Minayo, etc. Além de informações obtidas através da Gerência deesportes do município de Pojuca-Ba, sobre o cenário esportivo na cidade. O método adotado nessa pesquisa foi o Estudo de Caso, que para Gil (1987,p. 78), “é caracterizado pelo estudo profundo e exaustivo de um ou de poucosobjetos, de maneira a permitir conhecimento amplo e detalhado do mesmo”. Para Severino (2007, p. 121), o estudo de caso é uma “pesquisa que seconcentra no estudo de um caso particular, considerado representativo de umconjunto de casos análogos, por ele significativamente representativo”. Foi realizada, também, a observação de vinte aulas de seis modalidades dastreze desenvolvidas pelo programa, em quatro modalidades foram realizadasobservações de três aulas e em duas a observações de quatro aulas. Como instrumento metodológico foi utilizado a entrevista. Gil (1987, p. 113),define entrevista “como a técnica em que o investigador se apresenta frente aoinvestigado e lhe formula perguntas, com o objetivo de obtenção dos dados queinteressam à investigação”. Neto (1994, p. 57), entende a entrevista “como uma conversa a dois compropósitos bem definidos”. Segundo o autor elas podem ser estruturadas, não-estruturadas ou semi-estruturadas. Portanto, foi utilizada como instrumento de coleta de dados a entrevista semi-estruturada, que segundo Triviños (1987,p. 148): Podemos entender por entrevista semi-estruturada, em geral, aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa, e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, frutos de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas do informante. De acordo com o autor, a entrevista semi-estruturada “ao mesmo tempo quevaloriza a presença do investigador, oferece todas as perspectivas possíveis paraque o informante alcance a liberdade e espontaneidade necessárias, enriquecendo ainvestigação”.
    • 34 As entrevistas foram aplicadas ao gerente e ao coordenador de esporte domunicípio, versando sobre a proposta e desenvolvimento do Programa Educaçãopelo Esporte, além, das entrevistas realizadas com os professores do programa natentativa de elucidar qual a conotação dada as suas aulas, qual a importância doprograma para a sua formação profissional, formação dos alunos e quais asprincipais dificuldades encontradas na realização do trabalho. O programa conta com quatorze professores e as entrevistas foramrealizadas com onze deles, até a conclusão da pesquisa não foi possível realizar aentrevista com os outros três professores por incompatibilidade de horários. A coleta de dados também foi realizada por meio da análise documental, ondefoi possível acessar o projeto do Programa Educação pelo Esporte, fotos dasatividades desenvolvidas pelo programa, registro de participações em competições edados do município. Estes documentos foram cedidos pela Gerência de Esportes domunicípio. Para a análise dos dados, trabalhamos com categorias nas entrevistas dosprofessores do programa e análise de conteúdos para as entrevistas realizadas como gerente e o coordenador de esporte do município. De acordo com Gomes (1994, p. 70), trabalhar com categorias “significaagrupar elementos, idéias ou expressões em torno de um conceito capaz deabranger tudo isso”. Já a análise de conteúdos, segundo o autor é possível“encontrar respostas para as questões formuladas e também podemos confirmar ounão as informações estabelecidas antes do trabalho de investigação (hipóteses)”. Berelson apud Gil (1987, p. 163), corrobora com essa ideia ao definir aanálise de conteúdos como “uma técnica de investigação que, através de umadescrição objetiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto dascomunicações, tem por finalidade a interpretação destas mesmas comunicações”. Desta forma, o presente trabalho foi organizado na perspectiva de elucidar oobjeto de estudo e na possibilidade de poder contribuir de forma significativa parafuturos estudos acerca das propostas, sentidos e significados do esporte emprojetos sócio educativos.
    • 355 SOCIALIZANDO OS DADOS O presente capítulo, tem a finalidade de analisar os dados coletados durantea pesquisa, na perspectiva de possibilitar um real entendimento do cenário esportivopojucano, como foi implementado e como é desenvolvido o Programa Educaçãopelo Esporte do município de Pojuca-Bahia.5.1 O CENÁRIO ESPORTIVO NA CIDADE Este tópico nasce da necessidade de situar como se constitui o cenárioesportivo pojucano, em suas estruturas físicas, suas manifestações esportivas, seusatores, os obstáculos ainda existentes e a acessibilidade das pessoas nessecontexto. Para perceber a relação que a cidade tem com o esporte basta apenas umpequeno passeio por suas ruas, onde facilmente se torna perceptível a presença deespaços destinados para a prática esportiva, assim como, pessoas praticandoatividades esportivas no seu dia a dia. Por toda a cidade é possível encontrar campos de futebol, quadraspoliesportivas, praças utilizadas para fazer caminhada, corrida e em algumas atéencontramos aparelhos usados para musculação. Talvez alguns espaços, as praçaspor exemplo, não tenham sido pensados para tal finalidade, falaremos sobre issomais à frente. A cultura do futebol sempre esteve muito presente no município, até o ano de2000 este esporte foi o detentor das atenções e políticas de incentivo por parte dogoverno local, que por meio dos campeonatos de bairros e municipais se fortaleciacada vez mais como preferida prática esportiva na cidade. A partir do ano de 2000/2001, outras modalidades esportivas passaram aganhar espaço e ser de forma ainda tímida apoiadas pela gestão da época, aexemplo do voleibol e do futsal, que vinham em uma crescente na perspectiva denúmero de adeptos que acabaram atraindo o olhar do poder público local. Com o passar dos anos modalidades como o basquete e o handebol fizeramo mesmo percurso do voleibol e do futsal, ultrapassaram os limites dos muros dasescolas e se tornaram muito presente nas quadras da cidade, o que possibilitou umamaior visibilidade, e consequentemente, atenção e incentivo.
    • 36 Por volta do ano de 2004/2005, em meio a uma grande divergência política7na cidade, surge a partir da iniciativa do novo gestor a criação do Programa PratiqueSaúde, onde eram ofertadas para a comunidade atividades esportivas em forma deoficinas. Além das oficinas de voleibol, futsal, basquete e handebol, o ProgramaPratique Saúde contava ainda com as oficinas de hidroginástica, skate, musculação,boxe, jiu-jitsu, karatê, capoeira, bicicross e macroginástica. O panorama esportivo da cidade cresceu significativamente a partir do ano2000, em consequência do aumento dos espaços e equipamentos destinados para aprática de atividades físicas no município, Pojuca se tornou uma cidade com umgrande número de praças, quadras poliesportivas, campos de futebol, etc. Após um longo passeio pelos bairros da cidade, foi possível mapear essesespaços a fim de compreender o estado de conservação e políticas de utilização dosmesmos. Vale a ressalva, que este mapeamento foi realizado apenas nos bairrosque fazem parte da sede (zona urbana) do município. Dos dezoitos bairros que fazem parte da zona urbana apenas quatro nãopossuem praças, quadras, campos de futebol ou outro espaço destinado para aprática esportiva e de lazer. Uma consequência do crescimento desorganizado domunicípio, visto que esses bairros surgiram nos últimos anos em virtude dasinvasões que aconteceram em várias áreas da cidade. Se procedermos à relação lazer/espaço urbano, verificaremos uma série de descompassos, derivado da natureza do crescimento das nossas cidades, relativamente crescente, e caracterizado pela aceleração e imediatismo. O aumento da população urbana não foi acompanhado pelo desenvolvimento de infra-estrutura adequada [...] (MARCELLINO et al. 2007, p. 16). Ratificando essa ideia Rechia (2009, p.79), afirma que “isso ocorre porque ocrescimento populacional no meio urbano não foi acompanhado de um paralelodesenvolvimento de infraestrutura, gerando não só a escassez dos espaços, masconsequentemente uma desigual distribuição dos espaços de lazer na cidade”, Distribuídos em outros quatorze bairros é possível encontrar dois centroscomunitários, dezenove praças, doze quadras e oito campos de futebol. Algunsbairros são contemplados com campos, quadras, praças, centros, outros apenascom quadra e em alguns quadras e praças.7 Período conturbado no município em que houve duas trocas de prefeitos.
    • 37 Pojuca possui um grande número de praças, alguns bairros possuem mais deuma, essas apresentam diferentes funções para quem a utiliza. De acordo comDamico (2009, p. 110), “diferentes projetos de ocupação desses espaços têmajudado a compor quadros bastante variados no que se referem às funções, àsnormas e à paisagem dos espaços públicos de lazer”. Ainda de acordo com o autor: Nesse sentido, as praças, como componentes indispensáveis da sociedade contemporânea foram concebidas e construídas a partir de uma pluralidade de intenções ao longo da história. A forma como a comunidade utiliza tais espaços ajuda a transforma-los de acordo com as suas necessidades. A praça pública tem seu destaque potencializado em bairros populares e/ou periféricos, onde a comunidade parece carecer de alternativas de exercícios de lazer em espaços públicos, vendo então a praça como um lugar fundamental para o desenvolvimento das atividades esportivas, das festas do bairro e, além disso, como terreno fértil para construção de redes de sociabilidade. Para melhor compreender como esses espaços e equipamentos estãodistribuídos, o quadro a seguir apresentará por bairro os equipamentos existentesdestinados para a prática esportiva e de lazer no município. Aqui serãocontabilizados todos os espaços construídos e utilizados com tal finalidade.QUADRO 1 – RELAÇÃO DE ESPAÇOS E EQUIPAMENTOS NOMUNICÍPIO. BAIRROS PRAÇA QUADRA CENTRO CAMPO DE COMUNITÁRIO FUTEBOL Alfredo Leite 02 01 0 0 Castro Alves 01 0 0 01 Centro 04 01 0 0 Cruzeiro 02 01 0 0 Central 01 01 0 0 Cajazeiras 0 0 0 0 Inocoop 03 01 01 01
    • 38 Jenipapo 0 0 0 01 Liberdade 0 0 0 0 Los Angeles 01 01 0 0 Nova Pojuca 01 01 0 01 Pojuca Nova 02 01 0 02 Pojuca II 01 01 0 0 Pau D’arco 01 01 0 0 Retiro 0 01 0 01 Star 0 01 01 01 São Francisco 0 0 0 0 Vitória 0 0 0 0 O bairro da Inocoop e o Centro, são os mais privilegiados em relação aexistência de espaços e equipamentos destinados à prática esportiva. O Inocoop,por exemplo, conta com uma quadra poliesportiva, três praças, um campo de futebole um centro comunitário. Figura 02. Quadra do bairro Inocoop. Fonte: GESPORT
    • 39 Geralmente as quadras do município estão localizadas em praças e passampor manutenção uma vez ao ano, onde são realizados reparos nas tabelas, traves,são pintadas e marcadas, e conserto dos alambrados. Apesar do grande número de quadras na cidade apenas uma é coberta, foiinaugurada há um ano e ainda não está liberada para ser utilizada pela população,devido ao sol as quadras são bastante utilizadas a partir do final da tarde. Apenas uma quadra na cidade tem as dimensões oficiais, é a quadralocalizada na praça ACM, no centro da cidade onde podemos também encontraruma pista de skate, uma parede para escalada e uma área coberta onde aconteceas aulas de macroginástica. A parede para escalada é um equipamento pouco usado pela comunidade, setorna até compreensível, por ser um esporte fora das características e culturaesportiva da cidade. Além de não ter uma política de incentivo a utilização doequipamento e prática do esporte. O equipamento, também, não oferece segurança e não conta com umaorientação adequada para a sua utilização. Figura 03. Parede para escalada. Fonte: Alani Santos
    • 40 A quadra da praça ACM é a mais usada pela comunidade, o que pode serjustificado por suas dimensões, localização, conservação, visibilidade, etc. A procurapela quadra é tão grande que a GESPORT adotou um sistema que possibilita aspessoas reservar ou agendar os horários e dias para utilizar. Figura: 04. Quadra da Praça ACM. Fonte: GESPORT A cidade conta ainda com um parque aquático municipal, localizado no bairrodo Retiro, um pouco distante do centro da cidade, porém, se destaca por ser umaopção de lazer e de espaço para a prática esportiva gratuita. O parque conta com piscinas, quadra, campo de futebol, academia, pista deskate, área para eventos e parque infantil. Nesses equipamentos são desenvolvidasas aulas de ginástica aeróbica, hidroginástica, boxe e musculação. Grande parte dos adeptos das atividades desenvolvidas no parque sãoresidentes do bairro, a academia é o equipamento que tem uma maior frequência depessoas que residem em outros bairros, ao contrário da hidroginástica e da ginásticaaeróbica tem como público predominante os moradores local.
    • 41 Figura 05: Área do Parque Aquático Municipal. Fonte: GESPORT Muito embora o parque aquático seja uma opção de lazer e de espaço para aprática esportiva gratuita, o mesmo apresenta sinais de desgaste em sua estruturafísica, alguns brinquedos do parque infantil estão quebrados, o alambrado da quadraenferrujado e com aberturas, dentre outros. Segundo Gastaldo (2009, p.104), “o simples fato dos equipamentos de lazerficarem expostos ao tempo já implica severo desgaste, principalmente estruturas demadeiras e metal, como brinquedos de parquinhos infantis, cercas e equipamentosde quadras”. No parque são oferecidas gratuitamente para a comunidade aulas dehidroginástica, musculação, ginástica aeróbica e boxe. As piscinas são liberadaspara o público apenas aos finais de semana, é quando o parque funcionaefetivamente como uma opção de lazer para a comunidade, durante a semana aspiscinas são utilizadas para a aula de hidroginástica.
    • 42 Figura 06. Parque aquático do Retiro – aula de hidroginástica. Fonte: GESPORT Pojuca conta também com um centro de treinamento, espaço destinado paraas aulas de judô, karatê, boxe e jiu-jitsu. Foi dada essa finalidade ao espaço há trêsanos, devido ao aumento dos adeptos dessas atividades o que resultou nanecessidade de migrar essas aulas para uma área maior como o CT. Do cenário esportivo da cidade emergiu alguns atores pojucanos como frutodas crescentes ações e incentivos esportivo nos últimos dez anos, surgiram váriosatletas que romperam as fronteiras do município e ganharam destaque estadual,nacional e até internacional. Podemos citar como exemplo a lutadora Amanda Nunes, primeira baiana alutar no segundo maior evento dos EUA (Strikeforce8), conhecida como a Leoa, estarentre as melhores do mundo e hoje mora nos Estados Unidos onde se prepara paraas lutas.8 Strikeforce é uma organização norte-americana de MMA.
    • 43 Figura 07. Lutadora Amanda Nunes. Fonte: GESPORT Luís Inácio Junior é professor de karatê no município, é também o professorde karatê do Programa Educação pelo Esporte, faz parte da seleção brasileira erecentemente disputou o Pan-Americano de karatê na Nicarágua e o Sulamericanoem Lima no Peru. Figura 08. Atleta Luís Inácio Junior. Fonte: Luís Inácio Junior
    • 44 Marily dos Santos é Alagoana, mas reside e treina em Pojuca há mais de 12anos, em 2008 representou o Brasil na maratona de rua feminina nas Olimpíadas dePequim e atualmente, segundo a Confederação Brasileira de Atletismo (CEBAt),Marily é a primeira colocada do ranking nacional de corridas de rua. Figura 09. Marily dos Santos. Fonte: GESPORT Além do destaque de atletas como Amanda Nunes, Luis Inácio Junior e Marilydos Santos, o município tem sido representado e alcançado bons resultados pelosjovens alunos do Programa Educação pelo Esporte nas competições estaduais enacionais. Como resultados mais expressivos, é possível destacar a conquista de novetítulos baianos e um terceiro lugar no brasileiro de boxe. O judô teve o aluno HerbertMacário como campeão da Copa Salesiano, o karatê tem nove campeões baianos eatualmente a atleta Carine Lima faz parte da seleção baiana que vai disputar ocampeonato brasileiro. Essas conquistas são resultados da política de incentivo à iniciação esportivacultivada pelo Programa Educação pelo Esporte, que hoje se afirma como principalação esportiva desenvolvida no município.
    • 455.2 O PROGRAMA PELA ÓTICA DOS GESTORES Para compreender como o programa foi implementado e é desenvolvido,foram realizadas entrevistas com o gerente e o coordenador de esportes domunicípio, aqui os mesmos serão identificados aleatoriamente como A1 e A2. O Programa Educação pelo Esporte é desenvolvido pela Gerência deEsportes do município (GESPORT), de acordo com o entrevistado A1 a gerência foicriada em janeiro de 2009. Já para o entrevistado A2, a gerência foi criada emjaneiro de 2005, mas apenas em 2009 ganhou autonomia. O Departamento de Esporte, Cultura e Lazer foi criado em janeiro de 2005 e a gerência, possivelmente, foi criada também nessa oportunidade, só que a função não foi determinada a ninguém nesse período. Então, que eu tenha conhecimento, em 2009 é que a gerência chega a uma certa autonomia, a Gerência de Esporte, Cultura e Lazer passa efetivamente a funcionar a partir de janeiro de 2009 (ENTREVISTADO A2). A GESPORT é composta por um gerente, um digitador (secretário), doiscoordenadores e quatorze9 professores/instrutores. De acordo com o entrevistadoA2: Inicialmente foi estruturada com um gerente, três coordenadores (professores de educação física), um de esporte de rendimento, um de esporte participação, um de esporte educacional e uma assessora pedagógica, além de um digitador e na oportunidade, eu creio, que 19 instrutores. Hoje nós temos o gerente, um coordenador de esportes, uma assessora pedagógica, um digitador que faz outras atividades também e 15 instrutores. É possível notar que desde sua criação a GESPORT tem sofrido algumasmodificações em sua estrutura, inicialmente eram desenvolvidas pelo programa 19atividades para a comunidade, e em um pouco mais de três anos, algumas deixaramde ser ofertadas, como: jiu-jitsu, bicicross, yoga, massoterapia, skate, atletismo exadrez.10 Em consequência do término de algumas atividades, o quadro deprofessores/instrutores foi reduzido de 19 para 14, além da saída dos coordenadoresde esporte participação e de esporte de rendimento em 2010, essas funçõespassaram a ser desempenhadas pelo gerente de esportes.9 Embora o entrevistado A2 tenha contabilizado 15 instrutores, o programa conta com apenas 14.10 Essas atividades deixaram de ser ofertadas devido ao baixo número de adeptos e o bicicross emconseqüência da dificuldade de manutenção da sua estrutura.
    • 46 O entrevistado A1, afirma que a mudança que ocorreu com a saída dos doiscoordenadores foi a autonomia que os instrutores ganharam, “os instrutores hojenão se limitam só em trabalhar a modalidade, eles também participam dacoordenação das modalidades que participam, eles planejam, executam, aumentouum pouco o trabalho”. O Programa Educação pelo Esporte foi criado em 2009, com a justificativaque a população jovem da cidade “se ressentem da pouca oferta atual de atividadesculturais e esportivas [...]” (POJUCA, 2009). O programa hoje é a principal açãodesenvolvida pela GESPORT e também a maior manifestação esportiva domunicípio. O programa foi concebido no início dessa gestão como forma de abranger os projetos que existiam individualmente, existiam projetos de iniciação esportiva, de formação de equipes e alguns na área de fitness, a gente resolveu criar uma estrutura que abrigasse essas iniciativas, embora elas tinham na gestão anterior uma certa organização em forma de programa, já foi um avanço em relação a anteriormente que eram projetos desarticulados (ENTREVISTADO A2). Segundo o entrevistado A1, o projeto desenvolvido pela gestão anterior foiutilizado “modificando aquilo que a gente detectou que não estava atingindo o êxitoplanejado e aproveitando aquilo que estava dando certo, estava tendo resultado”. O entrevistado A1, relata que inicialmente foi feita uma pesquisa de campo detudo que acontecia na área esportiva da cidade e criou três linhas de atuação, sendoelas: esporte educacional, esporte participação e esporte de rendimento. Consequentemente, foram criadas as coordenações dessas três linhas deatuação, “onde colocamos professores de educação física para coordenar econtamos com a coordenadora pedagógica para fazer o trabalho entre os projetos eas escolas, para dá uma ênfase pedagógica”, (ENTREVISTADO A1). Embora, no projeto a criação do programa se justifique pela pouca oferta deatividades esportivas no município, é possível perceber na fala dos gestores aexistência de um outro programa esportivo desenvolvido pela gestão anterior11, oque é fortalecido pela fala do entrevistado A1, quando afirma que modificou noprograma anterior apenas o que não estava obtendo o êxito planejado.11 Na gestão anterior era desenvolvido o Programa Pratique Saúde, que também oferecia para acomunidade pojucana atividades esportivas regulares, tendo como diferença em relação ao atualprograma os espaços onde as aulas aconteciam, que prioritariamente, eram nas quadras e praças domunicípio e o Programa Educação pelo Esporte prioriza como espaço de atuação a escola.
    • 47 Quando questionados sobre qual é a proposta do programa os entrevistadosapresentaram respostas evasivas. O entrevistado A1 diz que “a proposta é despertarna comunidade um senso crítico em conjunto com a prática saudável, favorecendoaos pojucanos uma vida harmoniosa e feliz”. Segundo o entrevistado A2, “aproposta é que a gente conseguisse além de ensinar o esporte, ensinar sobre oesporte e ensinar pelo esporte, essa é a proposta, o que tá no documento em versãooriginal”. A fala do entrevistado A2 quando diz que a proposta de ensinar através doesporte é “o que tá no documento em versão original”, nos leva a pensar que talveznão seja o que acontece na prática, no seu desenvolvimento. Essa inquietação será,possivelmente, sanada mais à frente na análise das entrevistas dos professores. Na tentativa de compreender melhor qual é a proposta do programa osentrevistados foram questionados sobre quais são os objetivos do mesmo, para oentrevistado A2: [...] e o objetivo do projeto, ele se articula em três linhas, tem a linha de iniciação esportiva que é esporte educar, a linha de fitness que é vida ativa e uma linha de educação física escolar que começou a funcionar em 2009 em uma unidade escolar e hoje já atende oito unidade escolar e cerca de 2000 alunos, é uma das coisas que eu acho que ta funcionando mais certo aqui e melhor. O entrevistado A1 foi mais claro em sua definição, e segundo ele o programa“tem como principal objetivo proporcionar a comunidade pojucana uma práticaesportiva saudável, favorecendo assim, uma melhoria da qualidade de vida dacomunidade”. Proporcionar qualidade de vida aos seus participantes é uma das justificativasque fundamentam os programas sócio esportivos, principalmente, aqueles quetrabalham com grupos intergeracionais. Segundo Melo (2001, p.2), na virada doséculo XIX para o XX, a relação entre a atividade física e a saúde passou a serconsiderada questões fundamentais para a prática esportiva. E ainda continuapredominante, dentre outras funções delegadas ao esporte. Ainda de acordo com o entrevistado A1, o programa conta com cerca de1.730 pessoas matriculadas entre crianças, adolescentes, adultos e idosos. Essaafirmativa diverge com a fala do entrevistado A2 quando diz que “atualmente nósatendemos cerca de 2.000 na educação física escolar e 956 nas outras áreas”. Entendo por outras áreas as atividades desenvolvidas pelo programa,considerando que a educação física escolar não faz parte do mesmo, desde 2009
    • 48através da parceria firmada entre o Departamento de Educação e a GESPORT, aeducação física escolar acontece para os alunos das séries iniciais das escolas domunicípio, tendo como um dos seus objetivos facilitar a adesão ao programa pelascrianças a partir de quatro anos. Sendo assim, é possível mais uma vez notar um desencontro nasinformações dos gestores, quando A1 afirma que o programa conta com 1.730pessoas matriculadas e A2 diz que atende 956, nos permite chegar a conclusão quehá uma evasão de aproximadamente 50% dos alunos matriculados. São oferecidas para a comunidade pojucana treze atividades, sendo elas:judô, karatê, boxe, capoeira, vôlei, basquete, handebol, futsal, futebol,macroginástica, hidroginástica, ginástica para terceira idade e musculação. Essas aulas são desenvolvidas em espaços públicos como estádio municipal,campos de futebol dos bairros, centro de treinamento, sala do DECLA (antigo prédiodo Departamento de Esporte, Cultura e Lazer do município), parque aquático domunicípio e nas quadras das praças municipais, além das Escolas Castelo Branco eLuis Eduardo Magalhães. O programa atende pessoas de 4 a 80 anos de todas as faixas sociais, suasatividades acontecem de duas a três vezes por semana (com a exceção daacademia que funciona de segunda a sexta), com duração de até 60minutos poraula. Quanto à equipe de trabalho e sua legitimidade profissional, o programa écomposto por ex-atletas, estudantes e professores de educação física. Destes sãosete ex-atletas, quatro estudantes e seis professores (incluindo o gerente, acoordenadora pedagógica e o coordenador de esporte educacional). Sobre a existência de algum programa de capacitação para osprofessores/instrutores, A1 afirma que são realizados no início do ano, “damosnoções de primeiros socorros e reuniões periódicas para discutir o andamento dasatividades. Esse ano ainda não aconteceu, nos anos anteriores a gente fazia”. Inicialmente até 2009, nós tínhamos um programa interno, em que nós mesmos tocávamos (os coordenadores e a assessora pedagógica) essa formação, e chegamos a convidar na oportunidade uma professora pra fazer essa formação também, mas de 2011 pra cá, porque o quadro da gerência esvaziou e outros fatores também, e hoje esse programa de formação é muito prejudicado, não existe (ENTREVISTADO A2). O programa firmou parceria com a Superintendência dos Desportos da Bahia(SUDESB), que fornece os materiais esportivos utilizados. A2 afirma que o primeiro
    • 49convênio foi celebrado em dezembro de 2009 e está sendo renovado este ano. A1complementa informando que todo recurso necessário, com exceção dos materiaisesportivos, são obtidos através da prefeitura municipal. É possível entender como se organizam as fontes de recursos do programana fala de A2, “a prefeitura mantém a estrutura da gerência, paga os instrutores, e aSUDESB fornece os recursos (material esportivo e uniforme)”. Diante do exposto até aqui, do possível entendimento de quem administra oprograma, como ele é estruturado, como se desenvolve, a quem atende, qual a suaproposta e seus objetivos, passa a ser relevante a compreensão sobre as principaisdificuldades encontradas para implementação do programa e sobre a práticaesportiva no município após a criação do mesmo. Sobre as dificuldades encontradas para a implementação do programa, deacordo com A2: As coisas acontecem muito em função da cultura, então em uma época que nós tivemos a cultura esportiva mais forte na cidade, nas escolas, as pessoas aderiram o programa de iniciação esportiva com mais facilidades, mas essa cultura se perdeu um pouco, por exemplo, os últimos jogos escolares no município foi em 2003, lá se vão nove anos, jogos internos só uma escola que eu saiba ainda realiza, a Escola Maria Carvalho. Então isso faz com que as pessoas sejam solicitadas pra outros cantos que não a atividade esportiva, a gente faz a divulgação, mas tem muita dificuldade em promover a adesão e promover a permanência. Para o entrevistado, é preciso retomar os jogos internos das escolas, ter umcalendário de competições na cidade, trabalhar mais divulgação e participar de jogosintermunicipais. Segundo A1, a dificuldade inicial foi motivar os adolescentes a partir de 12anos para a prática de atividade física, para ele a disputa com vídeo game e osedentarismo dificultou bastante o trabalho no início. Diante do exposto oentrevistado afirma que: Começamos então, a captar crianças mais jovens a partir de quatro anos para que pudéssemos colocar a prática esportiva na vida deles, com essa ação começamos a criar dentro da cidade crianças com raízes esportivas, e consequentemente, os resultados começaram a aparecer de forma mais satisfatória. De acordo com o projeto, “o programa pretende abranger a sede do municípioe uma parcela da zona rural” (POJUCA, 2009). Embora não tenha sido citada comouma dificuldade pelos entrevistados, o programa até então, não conseguiu atendere/ou desenvolver atividades na zona rural do município.
    • 50 O entrevistado A1 justifica que tem dificuldade de transporte, já que aGESPORT não possui um carro destinado para as suas possíveis necessidades,dificultando o deslocamento dos instrutores para as localidades da zona rural. Quanto ao cenário esportivo na cidade após a criação do programa, para A1houve uma evolução porque os espaços destinados para a prática esportiva nomunicípio eram utilizados de forma errada, “onde nossos jovens tinham o espaço,mas não tinham orientação, hoje contamos com profissionais capacitados, materiaisadequados e o esporte é trabalhado de forma pedagógica, favorecendo assim, odesenvolvimento de uma cultura esportiva no município”. Segundo A2: A iniciação esportiva cresceu, os dados que nós temos até 2008 apontaram 720 pessoas, então podemos dizer que cresceu porque nós chegamos em 2009 a 1.100, no ano seguinte chegamos a 1.310 e no final, em 2011 chegamos a 1.610 que foi o pico de participação que nós tivemos, fora a educação física escolar. Então a gente mais que dobrou em relação a 720, mas a gente se ressente muito de atividades que dessem continuidade a iniciação, não ter conseguido realizar competições a nível municipal, como participar de competições intermunicipais, exceto o futebol que como sempre é extremamente privilegiado em relação aos outros esportes, acho que o futebol carreia aqui 80% dos investimentos e outros esportes 20%. De acordo com o entrevistado A1, se o município tivesse a secretaria deesporte o trabalho certamente seria mais eficiente, “pois a gente tendo recursosespecíficos para planejar as nossas atividades a gente poderia ter resultadosmelhores”. É possível perceber o crescimento da prática esportiva no município, assimcomo, uma forte influencia do Programa Educação pelo Esporte nesse aspecto, oque não se traduz apenas em número de participantes, mas principalmente, naqualidade e no objetivo do que é proposto.5.3 O PROGRAMA PELA ÓTICA DOS PROFESSORES A partir do discurso dos gestores no que diz respeito a implementação,proposta e desenvolvimento do Programa Educação pelo Esporte, surge anecessidade de compreender quem são os profissionais que concretamente fazem oprograma acontecer, quais os objetivos das aulas, as dificuldades encontradas, etc. Foram entrevistados onze professores dos quatorze que fazem parte doprograma, optei por conferir a cada um dos entrevistados um código que permite aidentificação dos mesmos como Professor A, Professor B, Professor C, e assim
    • 51sucessivamente, na perspectiva de evitar que a identificação dos professorespudesse levar a um prejulgamento dos argumentos e pontos de vista. Inicialmente, solicitei aos professores que falassem sobre a sua trajetóriaprofissional, mais especificamente sobre a sua formação. QUADRO 2 - FORMAÇÃO PROFISSIONAL DOS PROFESSORES QUANTO A FORMAÇÃO PROFISSIONAL DOS PROFESSORES: ATÉ O ENSINO MÉDIO Professor “A”, Professor “D”, Professor “G”, Professor “H” e Professor “J”. ESTUDANTES DE EDUCAÇÃO FÍSICA Professor “C”, Professor “E” e Professor “I”. PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA Professor “B”, Professor “F” e Professor “K”. No que tange a legitimidade profissional dos professores, podemos perceberque a maioria não são formados em Educação Física, dos onze professoresentrevistados os cinco que estudaram até o ensino médio são ex-atletas, três sãoestudantes de Educação Física e três professores formados. Dos professores formados, um é graduado em Pedagogia e fez pós-graduação em Metodologia do Ensino da Educação Física Escolar, os outros doisformados em Educação Física e um deles possui especialização em Fisiologia doExercício. Para Linhales (et al, 2008, p. 26), ser ex-atletas ou ter uma certa vivência noesporte são aspectos que facilitam e são considerados importantes para a inserçãono meio. Ainda de acordo com os autores, “nesse caso, a competência profissionalpara a realização das ações parece ser medida prioritariamente pela inserção nomundo esportivo”. Mesmo a maioria dos professores do programa não tendo formaçãoacadêmica em Educação Física, houve um grande avanço no número de estudantese professores formados atuando na gerência. Segundo o Gestor A1, no início da
    • 52gestão foi colocado como prioridade a contratação de profissionais da área e naépoca o programa chegou a contar com cinco estudantes e três professores deEducação Física, desses cinco estudantes dois já concluíram o curso. Complementando a pergunta sobre a formação profissional, os entrevistadosforam questionados sobre o tempo de atuação na área, por acreditar que essasinformações serão relevantes para a compreensão das respostas dosquestionamentos subsequentes. QUADRO 3– TEMPO DE ATUAÇÃO NA ÁREA TEMPO DE ATUAÇÃO NA AREA: ATÉ 5 ANOS Professor “C”, Professor “F”, Professor “G”, Professor “H” e Professor “I”. MAIS DE 5 ANOS Professor “A”, Professor “B”, Professor “D”, Professor “E”, Professor “J” e Professor “K”. No que diz respeito ao tempo de atuação dos professores, a maioria já atuana área há bastante tempo e são representados, majoritariamente, pelos ex-atletas.Quanto aos professores que atuam na área a menos de cinco anos, todos tiveram aoportunidade de iniciar a vivência como professor a partir do Programa Educaçãopelo Esporte. Até aqui é possível perceber o perfil profissional dos entrevistados, econsequentemente, dos professores que atuam no programa. As próximasinformações serão apresentadas na tentativa de entender se a proposta e odesenvolvimento do programa de fato acontece como consta em seu projeto e foirelatado pelos gestores. QUADRO 4 – QUAIS SÃO OS OBJETIVOS DAS AULAS OBJETIVOS DAS AULAS: INICIAÇÃO ESPORTIVA Professor “K”
    • 53 INCLUSÃO SOCIAL Professor “A”, Professor “E”, Professor “G”, Professor “H” e Professor “J”. PROPORCIONAR QUALIDADE DE VIDA Professor “B”, Professor “C”, Professor “E” e Professor “I”. EDUCAR ATRAVÉS DO ESPORTE Professor “D” e Professor “F”. No que se refere aos objetivos das aulas, é possível perceber claramente nosdiscursos dos professores, o que eles pretendem obter através das suas aulas equal o sentido dado a elas. A maioria tem como objetivo a inclusão social eproporcionar qualidade de vida, o que pode ser ratificado nas falas a seguir. Segundo o Professor “H”, o objetivo das suas aulas é “tirar os meninos darua para que eles possam ser algo no futuro”. O Professor “A” tem como objetivo“fazer cidadão de bem, fazer atleta de competição, trabalhar contra a violência econtra a droga”. “J” relata que tenta “tirar os alunos da rua e fazer se interessarmais pelo esporte”. Concordo com Linhales (et al. 2008, p. 33), ao afirmar que “esse olhar“salvacionista” confere ao esporte um poder maior do que ele realmente tem”. E issoé constantemente massificado nos discursos proliferados pelo senso comum. Dentre os professores que apresentam como objetivo de suas aulasproporcionar a qualidade de vida destaca-se a fala dos Professores “C e I”. Para“I”, o objetivo de suas aulas é “proporcionar qualidade de vida ou promoção àsaúde, tentando desconstruir o que a mídia mais focaliza, estética!”. Nessa mesmalinha “C” afirma que seu objetivo é orientar as pessoas “para que possam ter bonshábitos, como ser ativos fisicamente. Salientando a importância da atividade físicano nosso dia a dia”. Ainda de acordo com Linhales, ao ser relacionado com a promoção da saúde,fica claro o entendimento do esporte como uma forma de prevenção de doenças,“atribuindo a ele um papel relevante e funcionalista que tende inclusive a isolar odebate sobre a saúde de outros fatores de ordem social”. Educar através do esporte é o objetivo principal das aulas dos Professores“F e D”, convincentemente traduzido na fala de “F” quando diz que “o objetivoprincipal é a formação humana, qualificação para atuação em sociedade de forma
    • 54crítica. Sendo o trabalho desenvolvido a partir das relações interpessoais,consciência de grupo, partindo do esporte como base para essas questões”. As respostas apresentadas pelos professores são características das áreasde atuação dos mesmos. Os professores das atividades de fitness trazem comoobjetivo de suas aulas a qualidade de vida, os professores de lutas (em sua maioria)objetivam a inclusão social e os professores de esportes coletivos têm como objetivoprincipal de suas aulas educar através do esporte. Diante do exposto, podemos recorrer a discursão sobre o significado doesporte em projetos sócios educacionais realizada nos capítulos anteriores. Oesporte pode ser uma eficaz ferramenta para os sentidos frequentemente atribuídosa ele, assim como, para os objetivos imputados a sua prática, mas não tem em siuma essência salvadora. Quando no relato de alguns professores é possível perceber o objetivo deafastaras pessoas das drogas e tirá-las da rua, precisamos entender que essa não éuma tarefa fácil e que certamente necessita de uma prática esportiva orientada, umaprática amparada pelos princípios da educação, acima de tudo, na perspectiva daeducação para o desenvolvimento humano. QUADRO 5 – ESPAÇOS DESTINADOS PARA AS AULAS OS ESPAÇOS DESTINADOS PARA O DESENVOLVIMENTO DAS AULAS SÃO ADEQUADOS? SIM Professor “B”, Professor “C”, Professor “D”, Professor “E”, Professor “F”, Professor “G”, Professor “H”, Professor “J” e Professor “K”. NÃO Professor “A” e Professor “I”. Para a maioria dos professores, o espaço onde suas aulas são desenvolvidasé adequado para a atividade. Alguns relatam que precisam de poucos reparos, aexemplo do Professor “J”, que classifica o espaço como bom, mas diz: “no meuespaço eu preciso que melhore o tatame”. Já o Professor “F”, relata dificuldades nautilização de um espaço que pertence a uma escola estadual e admite acontecerchoques de atividades da escola e do programa.
    • 55 Eu considero o espaço destinado para as aulas bom, porém, por se tratar de uma parceria entre o governo municipal e o governo estadual, já que o espaço de treino é uma escola estadual, em alguns momentos o trabalho não flui como deveria, a exemplo, atividade realizada na escola no espaço da quadra sem a devida notificação (PROFESSOR “J”). Outros professores estão bastante satisfeitos com os espaços, o Professor“H” relata que “lá não tenho o que questionar não, o espaço lá é nota dez, tem atéárea para os atletas pegar condicionamento físico”. De acordo com “C” “o espaçodestinado para as atividades é apropriado, é um espaço amplo, cabe osequipamentos, tem espaço suficiente”. Corroborando com essas afirmativas “D” dizque “os espaços oferecem condições de desenvolver bem a aula”. Mas essa não é uma realidade para todos, de acordo com os Professores “Ae I” os espaços onde suas aulas acontecem não oferecem condições adequadas delimpeza e de estrutura. O Professor “I” classificou o espaço como péssimo, “faltalimpeza no espaço, pintura no lado interno e externo e manutenção na iluminação”.Já o Professor “A” apresenta o seguinte posicionamento: Rapaz eu vou dizer a você, viu. Não vou mentir, meu espaço não dá pra nada, estou lá porque não tem jeito. O espaço é pequeno, queria ter um espaço maior, não cabe o material completo que seria da modalidade, tenho que dividir turma. Segundo Linhales (2008, p.30), é preciso pensar para além das construções eprevê ações de manutenção frequente dos espaços e equipamentos, garantindoassim, condições para que as atividades desenvolvidas possam ter continuidade. Como as atividades do programa são desenvolvidas em vários espaços, épossível que alguns não ofereçam condições adequadas para a realização dasatividades, nas observações feitas em algumas aulas foi possível perceber que amaioria dos núcleos onde as aulas acontecem apresentam uma boa estrutura física,o que não anula o relato dos Professores “A e I”, até porque, essas aulas nãoforam observadas. QUADRO 6– DIFICULDADES ENCONTRADAS QUAIS AS DIFICULDADES ENCONTRADAS PARA DESENVOLVER SUAS AULAS? ESPAÇO FÍSICO Professor “A”, Professor “K” e Professor “E”.
    • 56 Professor “A”, Professor “C”, MATERIAIS Professor “K”, Professor “E”, Professor “D”, Professor “B” e Professor “J”. FALTA DE REUNIÃO; JOGOS; Professor “A”, Professor “C”, TRANSPORTE. Professor “D”, Professor “H”, Professor “F” e Professor “I”. A maioria dos entrevistados apresentam mais de uma dificuldade paradesenvolver suas atividades, a exemplo dos Professores “A, C, D, E e K”. Deacordo com os professores o que mais dificulta o desenvolvimento das suasatividades é a falta de transporte, não realização de eventos, falta de reunião e demateriais. Essas dificuldades são destacadas no discurso dos entrevistados quandoquestionados sobre qual sugestão apresentaria para qualificar ainda mais oprograma. Para o Professor “C”, “seria necessário que houvesse um contato maior daparte administrativa para com os professores do programa, para dá suporte naquiloque está faltando, para que de fato o programa tenha uma boa visibilidade (havendoplanejamento de ambas as partes)”. Já para o Professor “D”, “Deveria ter mais reuniões para que cada umpudesse fazer suas cobranças, porque durante os três anos de programa só tevetrês reuniões”. O Professor “E” apresenta como sugestão: “treinamentometodológico desenvolvido por profissionais habilitados ou pagamentos de taxaspara que os profissionais envolvidos no programa possa ta se qualificando paramelhor atender os alunos”. Professor “I” sugere “realização de reuniões mensais, programa decapacitação, uma visão diferenciada do gestor não focalizando apenas algumasmodalidades, mas sim a todas e deveria acontecer eventos semestrais”. Segundo oProfessor “H” “a cidade precisa de um ginásio de esporte para que todas asmodalidades pudessem competir”. De acordo com o Professor “K” as sugestões são “busca de parceiros,parceria com a iniciativa privada, intensificar a parceria com o poder público estadual
    • 57e federal, através dos programas de incentivo ao esporte”. O Gestor A1, ratifica essaafirmativa quando apresenta como uma das sugestões para qualificar o programaparceria com o governo federal e com empresas privadas. Como nosso programa é extenso, os custos são elevadíssimos e com o passar dos anos nossos alunos estão cada vez mais melhorando sua performance e começando a se destacar no cenário estadual e nacional, precisamos de recursos para que os mesmos possam dá continuidade ao seu processo de evolução [...]. Através dos relatos dos professores, é possível identificar que algumas açõespropostas pelo programa e citadas pelos gestores não acontecem, como exemplomais presente nas falas, a realização de reuniões periódicas e cursos decapacitação. Vale a ressalva que a qualificação dos “instrutores” está previsto noprojeto como um indicador de avaliação do programa, embora, não tenha acontecidodesde 2011. De acordo com Veiga (2009, p. 27), a formação de professores “é uma açãocontínua e progressiva que envolve várias instâncias, e atribui uma valorizaçãosignificativa para a prática pedagógica, para a experiência como componenteconstitutivo da formação”. Portanto é relevante uma política de formação dos profissionais envolvidoscom o programa, não só por ser essa uma forma de avaliação prevista, mas porpossibilitar, o encontro, o desencontro, aprimoramento e socialização dasexperiências vivenciadas. QUADRO 7 – PARTICIPAÇÃO DOS ALUNOS EM COMPETIÇÕES OS ALUNOS PARTICIPAM DE COMPETIÇÕES? SIM Professor “A”, Professor “D”, Professor “E”, Professor “F”, Professor “G”, Professor “H” e Professor “K”. NÃO Professor “B”, Professor “C”, Professor “I” e Professor “J”. Apenas as atividades da área do fitness não participam de competições, asdemais participam desde intercambio esportivos a competições oficiais. Para oProfessor “G” o objetivo do treino também é preparar para jogar, Professor “E”
    • 58relata que “a princípio eles treinam para ocupar seu espaço no horário oposto daescola, visando a questão educacional disciplinar, porém, quando alguns deles sedestacam e tem o interesse de participar de competições tendo autorização dospais, eles participam”. O programa tem alguns alunos que se destacam no cenário esportivomunicipal, estadual e até nacional. Isso acontece em maior proporção e com maisfrequência com as atividades de lutas, que já consagraram em suas devidascategorias, campeões estaduais e nacionais de boxe, jiu-jitsu e karatê. QUADRO 8 – A IMPORTÂNCIA DO PROGRAMA PARA OS ALUNOS QUAL A IMPORTÂNCIA DO PROGRAMA PARA SEUS ALUNOS? CONTRIBUIR NA EDUCAÇÃO E NA FORMAÇÃO Professor “A”, Professor “D”, DE CIDADÃOS Professor “F”, Professor “I” e Professor “J”. PROPORCIONAR QUALIDADE DE VIDA Professor “B”, Professor “C” e Professor “K”. VISIBILIDADE NA SOCIEDADE Professor “G” e Professor “H”. A concepção de poder contribuir para a educação e a formação cidadã dosalunos está muito presente no discurso dos entrevistados. O Professor “J” fala queo programa “contribui na formação deles como cidadão, noção de respeito àcidadania, abolindo a violência, discriminações e exclusões”. Essa fala é fortalecidapelo Professor “F” quando diz: “acredito ter contribuído com essa atividade para aformação cidadã dos alunos, já que o espaço para a prática do esporte torna-se,também, um espaço para a prática da cidadania”. Para alguns entrevistados, o programa tem sido importante para os alunospor proporcionar qualidade de vida para os mesmos. De acordo com o Professor“C” “a conscientização da importância da atividade física, como aliado que trarábenefícios para sua vida a longo prazo, quando feito corretamente”, é relevante paraa vida dos alunos. Já o Professor “K” diz que o programa é importante porincentivar “uma prática de hábitos saudáveis, uma melhoria para a qualidade devida[...]”.
    • 59 Para outros, o programa se tornou importante por apresentar para asociedade os alunos que se destacam no esporte, essa afirmação pode claramenteser percebida na fala do Professor “H”, que relata: “a importância do programapara eles é quase a mesma minha, muitos deles que competem é bastante queridopela população e admirados, e eles sem dúvidas são muito felizes com isso”. O discurso dos entrevistados ao relatar que o programa se torna importantepara os alunos, contribuindo para a formação cidadã e proporcionando qualidade devida para os mesmos, ratifica o que consta no projeto do Programa Educação peloEsporte. [...] esperamos que esta iniciativa possibilite aos jovens residentes em Pojuca serem protagonistas, estabelecendo um projeto de vida, desenvolvendo o senso crítico e a capacidade de tomar decisões numa perspectiva cidadã e solidária, aprendendo a resolver conflitos sem recorrer à violência e adotando um estilo de vida ativo e saudável (POJUCA, 2009, p.3). Azevedo e Malina (2009, p.2), relata ser comum a ideia adotada nos projetossócio esportivos de formar cidadãos pelo esporte, que são em sua maioriaimplantados na perspectiva de resolver ou minimizar problemas sociais através doesporte. Vale o questionamento se o esporte concebido a partir dessa concepçãonão se torna um instrumento alienante para a sociedade. QUADRO 9 – A IMPORTÂNCIA DO PROGRAMA PARA OS PROFESSORES QUAL A IMPORTÂNCIA DO PROGRAMA PARA A SUA FORMAÇÃO PROFISSIONAL? CRESCIMENTO E CAPACITAÇÃO Professor “B”, Professor “C”, PROFISSIONAL Professor “D”, Professor “E”, Professor “F”, Professor “G”, Professor “I”, Professor “J” e Professor “K”. OUTROS MOTIVOS Professor “A” e Professor “H”. Para os Professores “A e H”, o programa é importante financeiramente e porter proporcionado visibilidade como pessoa. “A” afirma que “o programa ajudou medando um salário para me manter com o programa, fortalecendo a ajuda de espaço,de materiais, de educação, trazendo o esporte para formar um projeto de educação”.
    • 60Já para “H”, “na minha vida é maravilhoso porque eu fiquei bastante querido nacidade e isso é muito importante na minha vida, só no fato de eu passar e os alunosme chamar de professor, isso aí pra mim é gratificante, eu me sinto muitoorgulhoso”. Na verdade, para a grande maioria o programa teve uma grande contribuiçãona capacitação e crescimento profissional. O Professor “F” diz: “para minhaformação profissional foi de extrema importância no tocante ao exercício dadocência, assim como, a promoção da relação teoria e prática, posso afirmar que oespaço destinado a mim serviu de campo de observação e análise do trabalhodocente”. Segundo o Professor “K”: Foi uma experiência muito importante pela faixa etária de idade que está sendo trabalhada, que me estimulou a criar e buscar novos métodos e maneiras de dá aula, principalmente para as faixas etárias menores de 7 anos e a necessidade de crescer tanto profissionalmente, quanto no aspecto pessoal. Para “C” o programa “além de proporcionar uma grande experiência na área,me ajudou também a saber lidar com determinadas situações me fazendo crescer,na verdade, como profissional e como ser humano”. O Professor “B” diz: “esteprograma tem me proporcionado crescimento profissional desde o início, meincentivando à pesquisa, leitura, há uma troca de conhecimento entre osprofissionais e também entre os alunos”. É possível perceber no discurso dos professores o reconhecimento de teraprendido e crescido diante dos obstáculos encontrados, de afirmação de umespaço que para muitos foi oportunizado o início a docência, o Programa Educaçãopelo Esporte proporcionou a seus professores o desafio de aprender quando seimaginava que apenas ensinaria. Mas ainda é notável, a centralização da administração e a não participaçãodireta dos professores na avaliação do programa, assim como, na construção decaminhos que qualifiquem o mesmo. O que caracteriza uma gestão que atua deforma verticalizada, não possibilitando de forma concreta a intervenção daquelesque de fato tem conhecimento do público atendido, suas necessidades, suaslimitações, etc.
    • 616 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo teve como objeto de pesquisa o Programa Educação peloEsporte do município de Pojuca-Ba, na perspectiva de compreender como oprograma foi implementado e como é desenvolvido, a partir do levantamento dedados que fundamentam a criação do mesmo, além de identificar a aplicabilidade ounão do que é proposto pelo programa. A partir dos relatos dos gestores, professores e acesso ao documento quejustifica a criação do programa, foi possível compreender que o mesmo apresentauma grande defasagem entre o que é formalmente proposto e como de verdade sedesenvolve. Muitas propostas o programa não conseguiu concretizar, a exemplo, dacarência de atividades esportivas na zona rural que era um dos objetivos almejadosem sua criação. O descompasso continua acerca das propostas como implantar o programanas escolas em consonância com o projeto político pedagógico e acompanhar a vidaescolar dos estudantes, a reativação dos jogos escolares do município, a formaçãocontinuada dos instrutores, reuniões periódicas, etc. Diante dos relatos dos professores fica perceptível a lacuna existente entre osgestores e os professores do programa, que em sua maioria traz a falta de reuniõese capacitações como falhas, ao mesmo tempo em que apresentam como sugestãopara uma gestão mais qualificada e participativa. As reuniões periódicas são de extrema importância para o bomdesenvolvimento das atividades, esse se torna o momento propício para expor asdificuldades encontradas, planejar ações, socializar experiências, um momento deoportunizar a construção de uma política mais participativa e com certeza maiseficiente e direcionada para seu público, a partir da ótica de quem está em contatodireto com ele no dia a dia. No que tange aos números de participantes apresentados pelos gestores,chego à conclusão que o programa sofre uma grande evasão, dos 1.730 alunosmatriculados apenas 956 frequentam as aulas, dados contabilizados pelo programaatravés das folhas de acompanhamento que cada professor utiliza. A privação de organização e participação em eventos esportivos pode seruma das prováveis justificativas para a oscilação da frequência dos alunos, partindodo pressuposto de quem treina quer jogar. Assim como, a ausência de reuniões e
    • 62cursos de capacitação pode ser fruto da limitação do setor administrativo doprograma após a saída de dois coordenadores em 2010, a partir daí as reuniõespassaram a ser cada vez menos frequentes até não mais acontecer a partir de 2011. O programa é de tamanha importância para os agentes que nele atuam,oportunizando para alguns o início à docência, e mesmo diante das dificuldadesapresentadas é possível notar o quanto o mesmo contribui para a formação dosprofessores. Na perspectiva de colaborar com o programa acredito ser de extremarelevância um planejamento coletivo, descentralizado, que possibilite aosprofessores autonomia de contribuir para o sucesso das suas atividades para alémda execução das aulas. Um acompanhamento mais efetivo da coordenadorapedagógica, para que possa junto com os professores pensar possibilidades deotimizar suas intervenções. Apresento como sugestões mais emergenciais a retomada das reuniõesperiódicas, a realização de eventos esportivos, capacitação profissional (mesmo queseja no formato inicial do programa quando acontecia anualmente),acompanhamento e controle mais eficaz da frequência dos alunos. No que diz respeito à importância o programa, é sem dúvida, muito relevantepara a sociedade pojucana, apesar das dificuldades encontradas em sua estrutura, aentrega dos profissionais envolvidos, o trato com os alunos e o desenvolvimento dasaulas, amenizam as eventuais dificuldades encontradas. Por isso, acredito ter contribuído significativamente para uma possívelreflexão acerca das necessidades de mudança e de possíveis estratégias pararetomar e concretizar as ações propostas qualificando ainda mais o programa. Diante do exposto, não foi possível contemplar nessa pesquisa aapresentação do programa a partir da ótica dos alunos, o que permite apossibilidade da realização de novas pesquisas a fim de ampliar a discussão sobreesse objeto de estudo.
    • 63 REFERÊNCIASALVES JÚNIOR, D.; FERES NETO, A.; AZEVEDO, A. A. de. A Televisão e oEsporte: Questões e tensões sobre o espetáculo, o mercado e o consumo. In:AZEVEDO, A. A. de (org.). Torcedores, Mídia e Políticas Públicas de Esporte eLazer no Distrito Federal. Brasília. Thesaurus, 2008.AMARAL, S. C. F.; NUNES JUNIOR, P. C. Esporte e política pública: o caso dosegundo tempo em Campinas. In: 1º Encontro da ALESDE, Paraná. Disponível em:<http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/123456789/37/anais%20alesde.pdf?sequence=3>. Acesso em: 28 de maio de 2012.BARBIERI, C. A. S. Esporte Educacional: uma possibilidade para a restauração dohumano no homem. Canoas, RS. Ed. ULBRA, 2001.BETTI, Mauro. A janela de vidro: Esporte, Televisão e Educação Física. Campinas.Ed. Papirus, 1998.BRASIL. Constituição da república Federativa do Brasil: promulgada em 5 deoutubro de 1998. Disponívelem:<http://www.senado.gov.br/legislacao/const/con1988/CON1988_05.10.1988/art_217_.shtm>. Acesso em: 22 de abril de 2012.BRASIL. Cidades: dados gerais dos municípios. IBGE, 2010. Disponívelem:<http://www.ibge.gov.br/cidadesat/link.php?uf=ba>. Acesso em: 28 de abril de2012.BRETÃS, Angela. PROJETOS SOCIAS: ESPORTE E LAZER Onde mora operigo? Discutindo uma suposta relação entre ociosidade, pobreza e criminalidade.Disponível em:<http://tvbrasil.org.br/fotos/salto/series/154745Educacaoesporte.pdf>.Acesso em: 22 de abril de 2012.CONCEIÇÃO, N. C. de A. Direito ao esporte e ao lazer e representações sociaisdos jovens de Alagoinhas. 54 f. Monografia. Universidade do estado da Bahia –Departamento de Educação, 2009.CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE ATLETISMO. Ranking Caixa/ CBAt deCorredores 2012. Disponívelem:<http://www.cbat.org.br/corrida/noticias/noticia.asp?news=5694>. Acesso em: 12de julho de 2012.CORREIA, M. M.; Projetos sociais em educação física, esporte e lazer: reflexõespreliminares para uma gestão social. Disponívelem:<http://www.rbceonline.org.br/revista/index.php/RBCE/article/view/212>. Acessoem: 12 de julho de 2012.DACOSTA, Lamartine P. et al. Manual Valores do Esporte – SESI: fundamentos.
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    • 67Disponível em:<http://www.efdeportes.com/efd131/esporte-em-condicoes-de-vulnerabilidade-social.htm>. Acesso em: 07 de junho de 2012.STAREPRAVO, Fernando Augusto. Surgimento do esporte moderno e oprocesso civilizador. Disponível em:<http://www.gpreve.cbmerj.rj.gov.br/documentos/publicacoes/surgimento_do_esporte_moderno.pdf>. Acesso em: 28 de maio de 2012.TELLES, Silvio. Bourdieu e uma visão sobre os aspectos sócio-econômicos doesporte. In: MALINA, André; CESARIO, Sebastiana (Org.). Esporte fator deintegração e inclusão social? Campo Grande. Editora UFMG, 2009.TRIVIÑOS, A. N. S. A introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisaqualitativa em educação.[S.L.]. Editora Atlas, 1987.TUBINO, M. J. G. Dimensões Sociais do Esporte. 2ª ed. São Paulo. EditoraCortez, 2001.TUBINO, M. J. G. Gestão e esporte. Disponível em:<http://www.gestaodesportiva.com.br/Gestao%20e%20Esporte%20Tubino.pdf>.Acesso em: 23 de maio de 2012.UNESCO, Carta Internacional da Educação Física e do Desporto da UNESCO.Disponível em:<http://www.fpf.pt/portal/page/portal/PORTAL_FUTEBOL/REGULAMENTACAO/Diplomas%20Internacionais/unesco.pdf>. Acesso em: 28 de maio de 2012.VEIGA, I. P. A. A aventura de formar professores. Campinas, SP. Ed. Papirus,2009.ZALUAR, A. Cidadãos não vão ao paraíso. São Paulo. Ed. Escuta, 1994.
    • 68APÊNDICES
    • 69 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS II CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Eu_____________________________________________________, CPF___________________, declaro, por meio deste termo, que concordei em serentrevistado(a) na pesquisa de campo referente a elaboração do trabalho deconclusão de curso intitulado ESTUDO SOBRE O PROGRAMA EDUCAÇÃO PELOESPORTE DO MUNICÍPIO DE POJUCA-BA desenvolvido pela discente AlaniSantos de Oliveira. Afirmo que aceitei participar por minha própria vontade, sem receber qualquerincentivo financeiro e com a finalidade exclusiva de colaborar para o sucesso dapesquisa. Minha colaboração se fará de forma anônima, por meio de entrevista semi-estruturada gravada a partir da assinatura desta autorização. O acesso e a análisedos dados coletados se farão apenas pela pesquisadora, sendo divulgados apenasos dados diretamente relacionados aos objetivos da pesquisa. _____________________________, ____ de _________________ de _____ Assinatura do(a) participante: ______________________________ Assinatura da pesquisadora: ____________________________
    • 70 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS II CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA Entrevista aos professores1. Qual é a sua formação?2. Em que modalidade você atua?3. Há quanto tempo atua na área?4. Qual a faixa etária dos seus alunos?5. Quais são os objetivos do seu trabalho?6. Como você avalia o espaço destinado para a realização das aulas?7. Seus alunos participam de competições ou treinam para competir? Que resultados foram alcançados com os alunos?8. Qual a importância do Programa Educação pelo Esporte para a sua formação profissional e a formação dos alunos?9. Quais as principais dificuldades encontradas na realização do trabalho? Que sugestões apresentaria para qualificar ainda mais o programa?
    • 71 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS II CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA Entrevista ao gerente e coordenador1. Quando foi criada e como é estruturada a Gerência de Esportes?2. O que é o Programa Educação pelo Esporte? Qual é a proposta do programa?3. Quantas pessoas são atendidas pelo programa? Que tipo de público o programa atende? Qual a periodicidade das atividades?4. Como é composto o quadro de professores do programa? São ex-atletas, estagiários, professores de educação física? Existem programas de formação destes agentes?5. Quantas modalidades esportivas são desenvolvidas pelo programa? Quais são? Onde as atividades são desenvolvidas?6. O programa tem parcerias com setores públicos ou privados? Qual?7. Quais são as fontes de recursos para a efetivação do programa?8. Como o senhor analisa a prática esportiva após a criação do Programa no município?9. Quais as principais dificuldades para implementação do Programa e que sugestões apresentaria para qualificar o referido?
    • 7210. Existe algum ponto que não foi abordado nesta entrevista e que o senhor gostaria de tratar?