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ANNE SULIVAN LOPES DA SILVA REISMEMÓRIAS DOS ESPAÇOS PÚBLICOS DE ESPORTE E LAZER          ALAGOINHENSES E PADOVANOS:      ...
FICHA CATALOGRÁFICAReis, Anne Sulivan Lopes da SilvaMemórias dos Espaços Públicos de Esporte e Lazer Alagoinhenses ePadova...
AGRADECIMENTOSA minha vida é um caminho maravilhoso, tudo é possivel para mim!!!!!!!!!Obrigada meu Deus, pela infinita e i...
quando cheguei e aos demais: Paloma, Olívia, Tatinai, Carla, Flávia, Igor, Jairo, Leandro,Palmira, Bianca pelos momentos d...
“O exílio começa com o esquecimento      e a libertação com a memória”.                     Baál Shem Tov                 ...
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LISTA DE ABREVEATURAS E SIGLAS               Associazione italiana arbitri, Coni - Comitato regionale               veneto...
Federazione italiana sport disabili - Comitato regionaleFisd        veneto (Federação Italiana Esporte com Mobilidade     ...
LISTA DE ILUSTRAÇÕESFIGURA 01 - MAPA DA CIDADE DE ALAGOINHAS- BAHIA- BRASIL............................. 17FIGURA 02 - MAP...
FIGURA 21 - PRAÇA RUI BARBOSA, PLAYGROUNDS, JANEIRO DE 2009.................. 79FIGURA 22 - PRAÇA RUI BARBOSA, JUNHO 2009....
SUMÁRIORESUMO ...............................................................................................................
1. INTRODUÇÃO      O Estudo sobre as Memórias dos Espaços Públicos de Esporte e Lazeralagoinhense, surgiu a partir da inqu...
do município, no período de junho que reune a população das regiões circunvizinhas aosom do tradicional forró. Tem como mo...
referências na história, na cultura e na arte, consagrado o seu viés turístico. Atualmenteesta se sobressai pelo grande fl...
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fim, ao oitavo capítulo é exposto as considerações finais acerca da investigação sobre asMemórias do Esporte e Lazer Alago...
2. ESPORTE E LAZER: VIAS DE DESENVOLVIMENTO SÓCIO-      EDUCATIVAS      Para    iniciarmos     a   nossa    discussão     ...
Segundo Linhales (2001) a importância do esporte como um bem cultural, esta nasua edificação histórica pela sociedade, a q...
De acordo com o conceito do esporte como ferramenta educacional, podemosidentificar no cartum abaixo (Figura 03), uma das ...
esporte em específico, restringindo as outras tantas modalidades esportivas a merossegundos informativos, quando estes exi...
tornar impossível qualquer iniciativa de dissociá-lo do conceito de                     educação.(MASCARENHAS, 2001, p.1)....
compreendida no seu sentido mais amplo, vivenciada (praticada ou não) no tempodisponível. Acordando com esta reflexão Alve...
Seguindo a ótica do lazer como via de desenvolvimento sócio - educativa, se tornaimprescindível referenciá-lo como uma pro...
que para a prática positiva das atividades de lazer é necessário o                        aprendizado, o estímulo, a inici...
[....] a educação não-formal é aquela que se aprende “no mundo da vida”,                         via os processos de compa...
artigo : "São direitos sociais a       A constituição brasileira expressa no seu 6°educação, a saúde, o trabalho, o lazer,...
3. POLÍTICAS PÚBLICAS E ESPAÇOS PÚBLICOS: MEIOS DE      CONSTRUÇÃO SOCIAL      Começamos nossa discussão sobre Políticas P...
E para que possamos entender melhor o conceito de qualidade de vida temos Leal(2008) que traz:                     Qualida...
A sociedade cada vez mais vem reivindicando Políticas Públicas, objetivando umareal qualidade de vida que venha a suprir s...
o objetivo da edificação de uma sociedade onde os preceitos da justiça se façampresentes, havendo uma dinâmica de inter-re...
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Para efetivar o direito tanto ao esporte e especialmente ao lazer, é preciso segundoMarcellino apud Isayama (2006) p.67, d...
contínuo e prolongado que procure compreender os indivíduos enquanto agentes sócio-culturais no intuito de mudar a realida...
O espaço urbano não pode ser visto como espaços estáticos, pois estão                        sempre em processo de transfo...
... o cotidiano é muito mais que um inconsciente de dias sempre iguais;é                    no cotidiano que o cidadão se ...
arquitetônico e que respeitem os interesses, a memória e o afetivo dos                     cidadãos. (Ibid, p.9).      Con...
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  1. 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO ANNE SULIVAN LOPES DA SILVA REISMEMÓRIAS DOS ESPAÇOS PÚBLICOS DE ESPORTE E LAZER ALAGOINHENSES E PADOVANOS: CONTRASTES E APROXIMAÇÕES ALAGOINHAS-BA 2010
  2. 2. ANNE SULIVAN LOPES DA SILVA REISMEMÓRIAS DOS ESPAÇOS PÚBLICOS DE ESPORTE E LAZER ALAGOINHENSES E PADOVANOS: CONTRASTES E APROXIMAÇÕES Trabalho monográfico para conclusão de curso apresentado como exigência parcial para obtenção do Grau de Licenciatura em Educação Física da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Campus II, sob a orientação do Professor Dr. Augusto Cesar Rios Leiro. ALAGOINHAS-BA 2010 I
  3. 3. FICHA CATALOGRÁFICAReis, Anne Sulivan Lopes da SilvaMemórias dos Espaços Públicos de Esporte e Lazer Alagoinhenses ePadovanos: Contrastes e Aproximações. /Anne Sulivan Lopes da Silva Reis- Alagoinhas: Universidade do Estado da Bahia, 2010. 123 f. Orientador: Augusto Cesar Rios Leiro Monografia (Graduação) – Universidade do Estado da Bahia. Departamento de Educação. 1. Memórias 2. Esporte 3. Lazer 4. Políticas Públicas ii
  4. 4. AGRADECIMENTOSA minha vida é um caminho maravilhoso, tudo é possivel para mim!!!!!!!!!Obrigada meu Deus, pela infinita e inesplicável maravilha de existir!Obrigada minha Virgem Maria do Bom Conselho, que desde menina me acompanha!Obrigada meu Santo Antônio, que por devoção da minha grande mãe, encaminhou- mepara Alagoinhas-Ba, cidade onde é padroeiro e para Padova- Itália, onde viveu a suapregueira intensamente, sendo patrono oficial, igualmente a Santo Antônio de Jesus,cidade onde meu Pai mora atualmente.Obrigada minha Nossa Senhora Aparecida, que sempre me direciou e alcalmou meucoração, quando a dor de estar sem os meus me invadia...Obrigada a meu grande exemplo de vida, José da Silva Reis, meu Pai, meu maravilhosopainho, famoso “Zeca Silva”, que com sua coragem e força de lutar, me ensinou a olhar avida por meio das suas doçuras...Obrigada minha grande Mãe Angélica Lopes da Silva, que por meio da sua dedicação eproteção sempre nos guiou para o caminho do amor e da verdade. Te amo mainha!Obrigada a minha querida irmã Simony, que sempre me deu forças para continuar,acolhendo minhas dores e celebrando minhas conquistas! Somos vitoriosas “Mony”!Obrigada meu irmão Carlinhos, “Cal”, pela torcida pela compreenção e admiração! Amovocê irmão do meu coração.Obrigada aos meus grandes e verdadeiros amigos da minha terra natal: Samuel, Geiza,Marta e Mércia pelo amor incondicinal e pelo companherismo mesmo a distância!Obrigada meu grande amor e companheiro, Ramon Sena de Jesus dos Santos, meu “Rálindo” por juntos trilharmos sempre uma bela e maravilhosa caminhada!Obrigada aos meus inesqueciéveis colegas e amigos de curso: Larissa, Ledinha, Suélen,Narla, Aurelice, Nívea, Geane, Bete, Guilherme, Marquinhos, Jonatan... A lista é grande!Obrigada a todos que estiveram comigo durante estes anos de Alagoinhas, principalmentea bióloga Lílian e sua família, por me acolherem em sua casa, quando na residência eramais que impossível estar...Obrigada a minha conterrânea e residente Rosimere, que me levou para este espaço da“RUA”, Residência Universitária de Alagoinhas, a Aline, primeira pessoa que me acolheu iii
  5. 5. quando cheguei e aos demais: Paloma, Olívia, Tatinai, Carla, Flávia, Igor, Jairo, Leandro,Palmira, Bianca pelos momentos de partilha.Obrigada a minha tia Rosi e seu esposo Cícero que como Ísis e sua família me acolheremsempre em Salvador nos fins de semana e pelo otimismo que sempre passavam para mim.Obrigada ao meu caro e ilustre professor e orientador Augusto Cesar Rios Leiro, grandemestre e amigo que me “abriu os olhos” para o mundo acadêmico científico e sempre embusca “da vitória final”!Obrigada a todos os entrevistados, que gentimente me concederam além do seu preciosotempo, um pouco de suas vidas, da sua história!Obrigada ao meu caro professor e coodernador do curso de Educação Física, Luiz CarlosRocha, que sempre me encentivou para os estudos e para as realizações profissionais!Obrigada ao professor e diretor do Departamento de Educação de Alagoinhas, AntônioGregório Benfica Marinho, pela orientação nos estudos de Biodança e nos tramitesburocráticos da parte administrativa da Universidade.Meu muito obrigado aos professores Ubiratam Menezes, Gleide Sacramento, ValterAbrantes, Maurício Maltez, Ana Cristina, Marta Benevides, Diana Tigre, Micheli Venturine,Neuber Leite, Francisco Pitanga, a todos os citados e por ventura os não mencionados,pela amizade, cordialidade e pelas “caronas” para meu tratamento médico e para o cursode italiano em Salvador, degraus importantes para a conquista do meu intercâmbio com aUniversità Degli Studi di Padova (UNIPD).Um obrigado muito especial a professora Mônica Benfica, pela paciência e pela dedicaçãoa minha co-orientação monográfica.Obrigada a Mirelle, Monalisa e Dejane que estando no colegiado, nos atenderam, oumelhor, nos “socorreram” sempre e muito bem!!!Obrigada aos amigos italianos do Don Mazza e do Grita Brasil que torceram por mim.Obrigada, ao professor Anderson Spavier e ao professor Gianni Boscolo pela amizade epela contribuição ao meu Intercâmbio, o qual me possibilitou uma visão ampliada darealidade internacional dos Espaços Públicos de Esporte Lazer! Obrigada a todos e atodas que estiveram comigo nesta Jornada! Grazie Mille a tutti!!!!!!!!!!!! iv
  6. 6. “O exílio começa com o esquecimento e a libertação com a memória”. Baál Shem Tov v
  7. 7. RESUMOA investigação em foco surge da participação no Grupo de Estudos e Pesquisas emEducação Física, Esporte e Lazer – GEPEFEL, do Departamento de Educação daUniversidade do Estado da Bahia – UNEB, campus II, Alagoinhas-Ba e da experiência naIniciação Científica, bem como no Intercâmbio Cultural com a Università Degli Studio diPadova – UNIPD, Padova, Itália. Trata-se de um estudo oriundo do projeto intituladoOrdenamento Legal de Lazer e Esporte - OLLE- no município de Alagoinhas e região como intuito de resgatar e promover as Memórias dos Espaços Públicos de Esporte e Lazer dacidade de Alagoinhas. A pesquisa mapeou, analisou, diagnosticou e discutiu políticaspúblicas direcionadas ao Esporte e o Lazer, registrando suas memórias e edificaçõessimbólicas, bem como as contrastou com a realidade encontrada na cidade de Padova,situada ao norte da Itália. Caracterizada por sua natureza qualitativa, esta investigaçãoenvolveu a história oral como prática metodológica, e como técnicas a análise documentale a entrevista semi-estruturada, formando um banco de dados. Mesmo com uma imensaausência de registros da memória alagoinhense, por parte dos setores públicos, o queevidencia um profundo descaso com a história do Esporte e Lazer, foi possível por meio deuma constante e árdua investigação, identificar a memória da cidade em questão por meiodas recordações da comunidade local. Diferentemente do verificado na cidade de Padova,onde as Memórias dos Espaços Públicos do Esporte e Lazer são preservadas por meio deedificações públicas, tais como centros, museus e bibliotecas, a partir da parceria do poderpúblico, associações comunitárias e instituições privadas. Ficou evidenciado que asMemórias dos Espaços Públicos do Esporte e Lazer Alagoinhense em sua consistênciaencontam-se na memória de seus cidadãos, os quais relatam saudosamente o tempo emque cidade e comunidade se reuniam para festejar sua cultura e identidade, fossem pormeio das apresentações das filarmônicas em suas praças centrais, fossem pelos animadoscampeonatos de futebol nos campos de várzea nas áreas periféricas.Palavras chave: Memórias, Esporte, Lazer e Políticas Públicas. vi
  8. 8. ABSTRACTResearch in focus comes from participation in Group Study and Research in PhysicalEducation, Sport and Leisure - GEPEFEL, the Department of Education, University ofBahia - UNEB, Campus II, Alagoinhas-Ba and experience in the Scientific Initiation and asin cultural exchange with the Università Degli Studio di Padova - UNIPD, Padova, Italy.This is a study originated from a project entitled Land, Use, Legal Leisure and Sport -OLLE is Alagoinhas municipality and region. Aiming to rescue and promote the Memoirs ofPublic Spaces for Sport and Leisure City Alagoinhas, research mapped, analyzeddiagnosed, and discussed public policies directed to Sports and Recreation, recordingtheir memories and symbolic buildings as well as contrasted with the reality found the cityof Padova, north of Italy. Characterized by its qualitative nature, this research involved oralhistory as a methodological practice, and how technical document analysis and semi-structured interview, forming a database. Even with a huge lack of records concerning thememory of city by public sectors, which shows a profound disregard for the history ofSports and Recreation, was possible through a constant and arduous research, identifythe memory of the city issue through the memories of the community alagoinhense. Unlikeestablished in the city of Padova, where the Memoirs of Public Spaces for Sport andRecreation are preserved by means of public buildings such as shopping, museums andlibraries, through a partnership of public, community organizations and private institutions.It was demonstrated that the Memoirs of Sport and Recreation Alagoinhense in itsconsistency are found on the memory of its citizens, which report wistfully the days whenthe city and the community gathered to celebrate their culture and identity, whetherthrough the presentations of Philharmonic in its central squares, were excited by thefootball championships in soccer fields in peripheral areasKeywords: Memories, Sports, Recreation and Public Policy. vii
  9. 9. RESUMENTema a fondo proviene de la participación en el Grupo de Estudio e Investigación enEducación Física, Deporte y Ocio - GEPEFEL, el Departamento de Educación de laUniversidad de Bahía - UNEB, II Campus, Alagoinhas-Ba y experiencia en la iniciacióncientífica y como en el intercambio cultural con la Università degli Studio di Padova -UNIPD, Padova, Italia. Este es un estudio de su origen en un proyecto titulado Uso de laTierra Legal Ocio y Deporte - OLLE que Alagoinhas municipio y la región. Con el objetivode rescatar y promover las Memorias de espacios públicos para el Deporte y Ocio de laciudad Alagoinhas, trazó un mapa de investigación, analizan, diagnóstico y discuten laspolíticas públicas dirigidas al Deporte y la Recreación, grabación de sus recuerdos yedificios simbólicos, así como en contraste con la realidad encontrada la ciudad dePadova, al norte de Italia. Caracterizado por su naturaleza cualitativa, esta investigaciónparticipan la historia oral como una práctica metodológica, técnica y cómo el análisis dedocumentos y entrevistas semi-estructuradas, formando una base de datos. Incluso conuna enorme falta de documentación relativa a la memoria de la ciudad por los sectorespúblico, lo que demuestra un profundo desprecio por la historia de Deportes y Recreación,fue posible a través de una investigación constante y arduo, identificar la memoria de laciudad cuestión a través de los recuerdos de la alagoinhense comunidad. A diferenciaestablecida en la ciudad de Padua, donde las Memorias de espacios públicos para elDeporte y la Recreación se conservan a través de edificios públicos como tiendas,museos y bibliotecas, a través de una asociación de organizaciones públicas de lacomunidad, e instituciones privadas. Se demostró que las Memorias del Deporte y laRecreación Alagoinhense en su consistencia se encuentran en la memoria de susciudadanos, que informe con nostalgia los días en la ciudad y la comunidad reunida paracelebrar su cultura y su identidad, ya sea a través de las presentaciones de Filarmónicaen sus plazas centrales, estaban emocionados por los campeonatos de fútbol en lascanchas de fútbol en las zonas periféricas.Palabras clave: Memorias, Deportes, recreación y Política Pública. viii
  10. 10. RÉSUMÉRecherche en bref vient de la participation au Groupe détude et de recherche en éducationphysique, Sport et Loisirs - GEPEFEL, le ministère de lÉducation, Université de Bahia - UNEB,Campus II, Alagoinhas-Ba et de lexpérience dans linitiation scientifique et comme dans leséchanges culturels avec lUniversità degli di Padova Studio - UNIPD, Padoue, Italie.Il sagit dune étude provenant dun projet intitulé Aménagement juridique du Loisir et du Sport -OLLE de la municipalité Alagoinhas et de la région visant à conserver et à promouvoir lesSouvenirs des espaces publics du sport et de loisirs de la ville Alagoinhas, cartographié larecherche, analysé, le diagnostic et discuté les politiques publiques visant à Sport et du Loisir,de lenregistrement de leurs souvenirs et des bâtiments symboliques, ainsi que contrasteavec la réalité trouvé la ville de Padova, au nord de lItalie. Caractérisée par sa naturequalitative, cette recherche est une sorte de reconstitution de lhistoire orale commepratique méthodologique avec comme technique lanalyse de documents etd’entretiens semi-structurés servant de base de données. Malgré un manque criard dedocuments publics concernant la mémoire de la ville, ce qui témoigne dun méprisprofond pour lhistoire du sport et des loisirs, il nous a été possible grâce à unerecherche constante et pénible de restaurer, ne se reste qu’en partie, la mémoire de laville en ce qui concerne le sport et les loisirs à travers les souvenirs de la communautéde Alagoinhas. Contrairement établi dans la ville de Padoue, où les Mémoiresdespaces publics pour le sport et les loisirs sont conservés par le biais de bâtimentspublics tels que magasins, musées et bibliothèques, grâce à un partenariat public desorganismes communautaires et des institutions privées. Il a été démontré que leshabitants de Alagoinhas gardés précieusement dans leur mémoire les souvenirs dusport et des loisirs dans la logique successive des évènements vécus et, ils en rendentcompte avec toute la nostalgie d’une époque où la population de la ville se réunissaitpour célébrer leur culture et leur identité, que ce soit sous forme de présentation desphilharmoniques au niveau des places centrales ou lors de l’enthousiasme provoquépar les championnats de football sur les terrains de soccer dans les zonespériphériques. Mots-clés: Souvenirs, Sports, Loisirs et Politique Publique. ix
  11. 11. RIASSUNTOLa ricerca nel fuoco proviene dalla partecipazione al Gruppo di Studio e Ricerca inEducazione Fisica, Sport e Tempo libero - GEPEFEL, il Dipartimento di Scienze dellaFormazione, Università di Bahia - dallUNEB, Campus II, Alagoinhas-Ba e di esperienzenel Iniziazione scientifica e come in uno scambio culturale con lUniversità degli Studio diPadova - UNIPD, Padova, Italia. Questo è uno studio nato da un progetto intitolato uso delterritorio legali per il tempo libero e lo sport - OLLE nella cità di Alagoinhas comune eregione. Con lobiettivo di salvare e promuovere le Memorie di spazi pubblici per lo Sport eTempo Libero della città ad Alagoinhas, la ricerca ha mappato, analizzate, diagnosi ediscusse le politiche pubbliche dirette a Sport e Tempo libero, registrando i loro ricordi e gliedifici simbolici come pure in contrasto con la realtà trovata la città di Padova, nord Italia.Caratterizzato dalla sua natura qualitativa, la ricerca coinvolti storia orale come praticametodologica, e come documento di analisi tecnica e lintervista semi-strutturata, formandoun database. Anche con una mancanza enorme di documenti riguardanti la memoria dellacittà con i settori pubblici, che mostra un disprezzo profondo per la storia dello sport etempo libero, è stato possibile attraverso una costante ricerca e arduo, identificare lamemoria della città questione attraverso i ricordi della comunità locale. A differenza istituitonella città di Padova, dove sono conservate le memorie di spazi pubblici per lo Sport eTempo Libero per mezzo di edifici pubblici come lo shopping, musei e biblioteche,attraverso un partenariato pubblico, organizzazioni comunitarie e istituzioni private. È statodimostrato che le Memorie di spazi pubblici per lo Sport e tempo libero in Alagoinhense inconsistenza si trovano nei ricordi dei suoi cittadini, che malinconicamente report il giorno incui la città e la comunità riunita per celebrate loro cultura ed identità, sia attraverso lepresentazioni delle Filarmonica nelle sue piazze centrali, o per eccitati dalla campionati dicalcio in campi di calcio in aree periferiche.Parole chiave: Memories, Sport, Tempo Libero e Politiche Pubbliche. x
  12. 12. LISTA DE ABREVEATURAS E SIGLAS Associazione italiana arbitri, Coni - Comitato regionale veneto e Scuola regionale dello Sport (Associação ItalianaAia de Ábitros, Coni - Comitê Regional Veneto e Escola Regional do Esporte). Associazione italiana arbitri calcio - sezione di PadovaAia- Figc (Associação Italiana de Árbitros Futebol, seção de Padova). Associazione italiana allenatori calcio - sezione di PadovaAiac (Associação Italiana Treinadores de Futebol, seção de Padova).BA BahiaCMEL Centro de Memória de Esporte e LazerDUDH Declaração Universal dos Direitos Humanos Federazione ginnastica dItalia - Comitato regionale venetoFgi (Federação Ginástica da Itália – Comitê Regional Veneto).FAPESB Fundação de Amparo ao Pesquisador da Bahia Federazione italiana disciplina con armi sportive da caccia -Fidasc Comitato regionale veneto (Federação Italiana de Armas Esportivas de Caça-Comitê Regional Veneto). Federazione italiana danza sportiva – Comitato regionaleFids veneto (Federação Italiana Dança Esportiva – Comitê Regional Veneto). Federazione italiana gioco handball - Comitato regionaleFigh veneto (Federação Italiana jogo Handebol- Comitê Regional Veneto). Federazione italiana pallavolo - Comitato regionale venetoFipav (Federação Italiana Vôlei – Comitê Regional Veneto). Federazione italiana pesca sportiva e attività subacquee - Comitato regionale veneto (Federação Italiana pescaFipsas Esportiva e Atividade Subaquática – Comitê Regional Veneto). Federazione italiana sport equestri - Comitato regionaleFise veneto (Federação Italiana Esporte Eqüestre – Comitê Regional Veneto). xi
  13. 13. Federazione italiana sport disabili - Comitato regionaleFisd veneto (Federação Italiana Esporte com Mobilidade Condicionada – Comitê Regional Veneto). Federazione italiana sport orientamento - ComitatoFiso regionale veneto (Federação Italiana Orientação ao Esporte – Comitê região veneto). Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação FísicaGEPEFEL Esporte e LazerIBGE Instituto Brasileiro de Geografia e EstatísticaINSS Ministério da Previdência SocialIPAC Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Cultural da BahiaJJ SEABRA José Joaquim SeabraOLLE Ordenamento Legal do Lazer e EsportePICIN Programa de Iniciação CientiíficaRUA Residência Universitária de AlagoinhasSECEL Secretária Municipal de Cultura, Esporte e LazerUNEB Universidade do Estado da Bahia Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência eUNESCO Cultura Università Degli Studi di Padova (Universidade dos EstudosUNIPD de Padova). xii
  14. 14. LISTA DE ILUSTRAÇÕESFIGURA 01 - MAPA DA CIDADE DE ALAGOINHAS- BAHIA- BRASIL............................. 17FIGURA 02 - MAPA DA CIDADE DE PADOVA- VENETO- ITÁLIA ................................... 18FIGURA 03 – CARTUM ..................................................................................................... 25FIGURA 04. PIAZZA DEI SIGNORI. .................................................................................. 53FIGURA 05. PIAZZA DELLE ERBE. .................................................................................. 54FIGURA 06. PIAZZA DEI FRUTTI. .................................................................................... 54FIGURA 07. PIAZZA DELL’ INSURREZIONE. .................................................................. 55FIGURA 08. PIAZZA YTZHAK RABIN.(PIAZZA DELLA PACE) ........................................ 55FIGURA 9. VISTA PANORÂMICA DO PRATO DELLA VALLE. ........................................ 57FIGURA 10. FESTA DI FERRAGOSTO. ........................................................................... 57FIGURA 11. MARATONA S. ANTONIO.. .......................................................................... 57FIGURA 12. CARTILHA INFORMATIVA DOS ESPAÇOS PUBLICOS PARA A PRÁTICADE ATIVIDADE FÍSICA NA CIDADE ................................................................................. 58FIGURA 13. CARTILHA INFORMATIVA PARA A PRÁTICA DE ATIVIDADE FÍSICA NOSESPAÇOS PÚBLICOS DA CIDADE. ................................................................................. 58FIGURA 14. BIBLIOTECA DELLO SPORT. ...................................................................... 60FIGURA 15: STADIO EUGANEO ...................................................................................... 60FIGURA 16. PADOVA-TORINO , BACIGALUPO,1949. “LE ORIGINI”.. ............................ 62FIGURA 17. PADOVA-ROMA, BRIGHENTI MORO ROSA,1958. “L’ERA ROCCO”.. ....... 62FIGURA 18 E 19 - PRAÇA RUI BARBOSA, 1950. ............................................................ 78FIGURA 20 - PRAÇA RUI BARBOSA, DÉCADA DE 70.................................................... 78 xiii
  15. 15. FIGURA 21 - PRAÇA RUI BARBOSA, PLAYGROUNDS, JANEIRO DE 2009.................. 79FIGURA 22 - PRAÇA RUI BARBOSA, JUNHO 2009.. ..................................................... 79FIGURA 23 - PRAÇA JJ SEABRA, “CORETO”, 1929.. ..................................................... 81FIGURA 24 - PRAÇA JJ SEABRA, “CORETO”, 1929. ...................................................... 82FIGURA 25 - PRAÇA DR. J.J SEABRA, 1945................................................................... 84FIGURA 26 - PRAÇA DR. J.J SEABRA, 2009................................................................... 85FIGURA 27 - PRAÇA DR. J.J SEABRA, CORETO ........................................................... 85FIGURA 28 - PRAÇA DR. J.J SEABRA, “JOGO DE DAMA”. ............................................ 86FIGURAS 29 E 30 - PRAÇA MÁRIO LAERTE. ACIMA E ABAIXO, QUADRASPOLIESPORTIVAS.. .......................................................................................................... 87FIGURA 31 - PRAÇA MÁRIO LAERTE PISTA DE SKATE.. ............................................. 88FIGURA 32 - GINÁSIO DE ESPORTES ANTÔNIO C. MAGALHÃES .............................. 89FIGURA 33 - ESTÁDIO MUNICIPAL ANTONIO CARNEIRO (CARNEIRÃO). ................. 89FIGURAS 34 E 35 - ESTÁDIO MUNICIPAL ANTONIO CARNEIRO (CARNEIRÃO)1970 E2008.. ................................................................................................................................. 90FIGURAS 36 E 37. ALAGOINHAS ATLÉTICO CLUBE 1973 E 2008................................90 xiv
  16. 16. SUMÁRIORESUMO ........................................................................................................................... VIABSTRACT....................................................................................................................... VIIRESUMEN ....................................................................................................................... VIIIRÉSUMÉ ........................................................................................................................... IXRIASSUNTO ....................................................................................................................... XLISTA DE ABREVEATURAS E SIGLAS............................................................................ XI1. INTRODUÇÃO............................................................................................................ 162. ESPORTE E LAZER: VIAS DE DESENVOLVIMENTO SÓCIO-EDUCATIVAS ......... 233. POLÍTICAS PÚBLICAS E ESPAÇOS PÚBLICOS: MEIOS DE CONSTRUÇÃOSOCIAL.............................................................................................................................. 333.1. PRAÇAS PÚBLICAS: LEMBRANÇAS DA COMUNIDADE ..................................... 424. MEMÓRIAS: O RECANTO DA HISTÓRIA ................................................................. 475. A CIDADE DE PADOVA E A MEMÓRIA DE SEUS ESPAÇOS PÚBLICOS DEESPORTE E LAZER .......................................................................................................... 526. PERCURSO METODOLÓGICO ................................................................................. 657. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO ............................................................................. 738. CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................ 91REFERÊNCIAS ................................................................................................................. 96APÊNDICE xv
  17. 17. 1. INTRODUÇÃO O Estudo sobre as Memórias dos Espaços Públicos de Esporte e Lazeralagoinhense, surgiu a partir da inquietação como bolsista de iniciação científica e davinculação de caráter investigativo do Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação Física,Esporte e Lazer (GEPEFEL) da Universidade do Estado da Bahia - UNEB campus II,situada em Alagoinhas – Bahia - Brasil, em parceria da Fundação de Amparo a Pesquisado Estado da Bahia (FAPESB) no ano de 2007-2008 e o apoio do Programa de IniciaçãoCientifica da UNEB (PICIN) no ano 2008-2009, nos quais obteve premiação nosrespectivos anos, como melhor trabalho da área das Ciências Aplicadas na Jornada deIniciação Científica da UNEB. Esta pesquisa advém do desmembramento do projeto intitulado OrdenamentoLegal do Lazer e Esporte - OLLE- em municípios baianos, notadamente em Alagoinhas eregião. No OLLE, encontram-se vários subprojetos e dentre eles, Memórias do Esporte eLazer Alagoinhense, o qual por meio de uma constante investigação sobre o temaoriginou a idéia da construção de um estudo mais profundo e de ampla intervenção arespeito das memórias dos espaços públicos de esporte e lazer e das políticas públicasreferentes ao tema. Localizada no leste baiano, a cidade de Alagoinhas (nome dado devido ao númerode lagoas existente na região), conhecida também na literatura como “Pórtico de Ouro doSertão Baiano”, tendo mais 150 anos, possui uma população de 132.725 habitantes(IBGE, 2007), em uma área de 734 km². É uma das cidades mais desenvolvida do agrestebaiano, com um expressivo pólo comercial e industrial, e com uma relevante infraestruturanas áreas referentes a saúde e a educação, pois abriga não somente diversas clínicas,mas um complexo hospitalar com diversas modalidades médicas, além de abrigar um dosmaiores campus universitários da Universidade do Estado da Bahia - UNEB, denominadoCampus II, que em 2011 completa 30 anos de sua instalação. A cidade conta tambémcom diversas faculdades particulares e cursos técnicos nas áreas de Petróleo e Gás, jáque estar próxima a uma zona petrolífera. Umas das manifestações culturais mais importantes na cidade é a famosa “Alafolia“micareta de Alagoinhas realizada sempre em Abril e a festa de Santo Antônio, padroeiro 16
  18. 18. do município, no período de junho que reune a população das regiões circunvizinhas aosom do tradicional forró. Tem como monumentos simbólicos da história alagoinhense, aEstação Ferroviária São Francisco, com influência neoclássica, datada de 1863, única nopaís e a Ruína da igreja inacabada em Alagoinhas Velha, construída por jesuítas noséculo XVIII. Podemos localizar o município de Alagoinhas no mapa do estado da Bahia(Figura 01): Figura 01 - Mapa da cidade de Alagoinhas- Bahia- Brasil A outra cidade em foco na presente investigação é a cidade de Padova, localizadano norte da Itália, na região Veneto, fundada em 1132 a.C, com a população de 213.591habitantes (PADOVA, 2010). Conhecida internacionalmente por ser a cidade onde SantoAntônio (Frade Franciscano), passou grande parte de sua vida e veio a falecer em 13 dejunho de 1231 data, que até hoje é festejado pelos padovanos e pelos cristãos devotosem todo o mundo, a exemplo dos Alagoinhenses como a festa de Santo Antônio, no mêsde junho. Padova também abriga a Università Degli Studio di Padova, sétima universidademais antiga do mundo, datada de 1222, tendo como ilustre estudante e professor GalileuGalilei. É nesta cidade também que se passa parte da peça de Willian Shakespeare, “AMegera Domada” e onde está localizado o “Musei Civici agli Eremitani”, um grandecomplexo que reúne 3 museus, os quais recebem turistas de toda parte, para vê dentreoutros, os afrescos de Giotto. Nesta também se encontra o “L’Orto Botanico di Padova”,fundado em 1545, é o jardim botânico universitário mais antigo do mundo, consideradopatrimônio mundial pela UNESCO. Esta cidade, sempre se destacou pelas grandes 17
  19. 19. referências na história, na cultura e na arte, consagrado o seu viés turístico. Atualmenteesta se sobressai pelo grande fluxo estudantil e pelo destaque que tem em toda Europa,como centro econômico de transportes intermodal (PADOVA, 2010). O mapa abaixolocaliza a cidade de Padova (Figura 02): Figura 02 - Mapa da cidade de Padova- Veneto- Itália Observando a cidade como um pólo de formação humana e social em que oEstado deve ser o grande responsável pelas ações que resguardam os direitos básicoscomo: Educação, Saúde e Segurança Pública, podemos evidenciar no Brasil eespecificamente em seus municípios a nítida prevalência do “Estado mínimo”, provindo daimplantação de políticas neoliberais no país, as quais minimizam a participação do Estadona sociedade e consequentemente promovem uma drástica redução no campo dosdireitos sociais, refletindo com bastante consistência, nas esferas do esporte e do lazer, jáque estes são direitos respaldados pela constituição brasileira. Focalizando a grande importância e o poder de transformação social que tanto oesporte como o lazer tem na sociedade, é notável que manifestações de cunhoreivindicatório por meio dessas áreas estejam crescendo cotidianamente, apesar do nãoreconhecimento por parte do poder público, o que porventura limita o desenvolvimento e aampliação dessas áreas (MARCELLINO, 1996, p. 40). Diante da necessidade de construir propostas que vão ao encontro das PolíticasPúblicas de Esporte e Lazer, por meio da preservação da memória dos seus espaços 18
  20. 20. públicos, surge um questionamento: qual é a relevância do resgate da memória dosespaços públicos de Esporte e Lazer na construção de Políticas Públicas referentes aessa temática na cidade de Alagoinhas-Bahia-Brasil? A temática em foco nasce a partir de inquietações acerca da responsabilidade daEducação Física nos espaços não formais de Educação, onde o poder político é operantede forma opressora ou simplesmente não opera. Tais inquietações surgem primeiramentecom o ingresso ao curso de Educação Física, o que foi ampliado progressivamente pormeio do acesso de leituras críticas, discussões e participações em diversos eventos daárea, bem como, por meio da Iniciação Científica, do contato com pesquisadores eestudantes de outras instituições de ensino e de áreas a fins, a exemplo da Geografia,com o contato da minha irmã Simony Reis, estudante e pesquisadora desta área, e daHistória, com o apoio do professor Gregório Benfica, me fez entender profundamente oconceito de Espaços Públicos e de Memória. Por fim, o intercâmbio cultural realizado coma Università degli Studi di Padova, na cidade de Padova, Itália no primeiro semestre de2010, motivo pelo qual este trabalho não foi apresentado no segundo semestre de 2009,veio para fortalecer e enriquecer ainda mais as experiências e os conhecimentosacadêmicos vivenciados no Brasil. O alvo da pesquisa em questão esta em resgatar as memórias dos espaçospúblicos de Esporte e Lazer da cidade de Alagoinhas por meio do mapeamento, análise ediscussão dos relatos dos seus atores sociais e de suas políticas públicas, no intuito defornecer dentre outros, o reconhecimento do espaço público como um posto educativo,baseado nos aspectos da educação dita Não-Formal. O papel do resgate das memórias dos espaços públicos de esporte e lazer está noreavivamento da identidade sociocultural, neste caso particular, dos cidadãosalagoinhenses, esquecida em meio ao seu passado histórico, o qual deve ser assimiladocomo peça fundamental para a construção e a continuidade de sua edificação histórica,registrando as memórias e construções simbólicas a elas estabelecidas. Partimos dopressuposto de que o conhecimento da sua história se configura como base estruturalpara a construção de quaisquer políticas públicas de cunho social que realmente vise àmelhoria da qualidade de vida da população tendo em vista que, para a realização desteresgistro, é necessário perpassar pela questão que entrelaça o campo da educação e dapolítica, por meio do processo de mediação cultural, estimulação social que visem 19
  21. 21. encontrar novas formas de comunicação e de ocupação do espaço público. E nadamelhor que saber aproveitar o ambiente da cidade que nos cerca para concretizar açõesde grande importância social, como é o caso do esporte e do lazer que juntosrepresentam manifestações de grande poder de transformação e expressão cultural. Este estudo investigou detalhadamente a influência das memórias dos espaçospúblicos na estruturação das políticas públicas referentes ao esporte e lazer citadino,tendo como principal via de acesso o rememoramento de seus atores sociais e a açãoeducativa que este produz. Já que a memória, o passado, a história estão presentes emtoda sociedade, sendo responsável pelas principais mudanças na estrutura política,econômica, cultural e social de uma nação. Pensando em Memórias como uminstrumento de resgate e preservação histórica importantíssima para a cultura esociedade, onde sua estruturação se apresenta, ao contrário do que se possam imaginar,como um grande subsídio para a busca de vestígios perdidos, fragmentos inusitados dopassado, grandes descobertas. Estas podem subsidiar a Gestão municipal com reflexõescríticas a respeito de suas políticas públicas frente à população local, condizentes com aspráticas de sua preservação histórica, para além das limitações objetivas de suapromoção, conservação e manutenção, na tentativa de resgatar suas referênciasidentitárias e de promover a educação através da socialização de conhecimentoshistóricos regionais. No intuito de refletir sobre os preceitos que regem uma sociedade cidadãconhecedora de sua história e que valoriza a cultura, as tradições, em meio a suaarquitetura urbana e seus espaços públicos, os quais também são ambientes de formaçãohumana e social, a exemplo dos espaços do esporte e do lazer, proponho o registro dasMemórias do Esporte e Lazer praticados nos espaços públicos da cidade de Alagoinhas,focalizando suas principais praças, objetivando contribuir para a construção de políticaspúblicas que resguardem a história e a memória citadina, como meio de educação eformação popular. Na intenção de promover uma reflexão e encontrar possíveis soluções aosquestionamentos expostos, desenvolvemos 8 itens no referente trabalho. O primeirodiscorre a apresentação da pesquisa, contextualizando o objeto, a justificativa, ospressupostos, os objetivos e as inquietações responsáveis pelo desenvolvimento doestudo. No segundo capítulo, Esporte e Lazer: vias de desenvolvimento sócio - 20
  22. 22. educativas, mencionamos os principais conceitos de esporte e de lazer no campo social eeducacional, trazendo suas ocorrências no Brasil, os processos de transformação queestes estão passando, bem como a ampliação no seu campo de atuação no contextosocial. Aprofunda-se questionamentos do esporte como manifestação cultural e o Lazercomo prática a cidadania, ambos legitimados como direitos humanos pelas organizaçõesde nível federal a mundial. Aqui são analisados documentos públicos que resguardamesses como direitos a exemplo da Constituição Federal Brasileira e o Relatório daOrganização das Nações Unidas bem como o conceito da Educação não-formal comoinstrumento forte de aprendizagem dos direitos dos indivíduos, por meio da suaflexibilidade com o tempo e com seus espaços. O terceiro, intitulado Políticas Públicas eEspaços Públicos: meios de construção social, diz respeito às implicações e asaplicações das Políticas Públicas como construções participativas de uma coletividade.Estas, neste contexto, aplicam-se aos Espaços Públicos focalizando o Esporte e o Lazercomo principais vias de desenvolvimento, enfatizando, definições, posições e ações tantoda esfera estatal como da ação comunitária. Relata-se também a organização do EspaçoPúblico como ambiente precursor da qualidade de vida para os citadinos. Para entender esta realidade, analisamos algumas definições a respeito da cidadee da qualidade de vida, em conjunto a estruturação do espaço público. Isto demandou aformação de um sub - capítulo abordando questões específicas referentes às PraçasPúblicas, que foram os espaços estudados na perspectiva de BOSI (1988, p. 43)verdadeiros “locais da memória”, constituindo-se como elementos centrais nestadiscussão. No quarto capítulo, Memórias: o recanto da história, a memória é discutidacomo uma forma de preservação e manutenção da identidade cultural, a qual por meio doato de rememorar os fatos, as realidades ocorridas, detém o poder de construir o agora,recontando o passado e planejando o futuro. No quinto capítulo, Memórias dos EspaçosPúblicos de Esporte e Lazer Alagoinhenses e Padovanos: contrastes e aproximações,reconto a trajetória da minha experiência internacional na cidade de Padova, Itália, pormeio do intercâmbio cultural entre a UNEB e a UNIPD, evidenciado contrastes eaproximações nos campos do Esporte e Lazer entre as cidades em questão. No sexto, édisponibilizado o Percurso Metodológico, este descreve o caminho percorrido do trabalho,tanto os referenciais metodológicos, quanto os procedimentos adotados para odesenvolvimento do estudo. Ė colocado no sétimo capítulo a Apresentação e aDiscussão, tratando-se da apresentação e discussão do tema pesquisado. Chegando ao 21
  23. 23. fim, ao oitavo capítulo é exposto as considerações finais acerca da investigação sobre asMemórias do Esporte e Lazer Alagoinhense: uma questão de políticas públicas,constatando sua realidade, indicando suas limitações, seus possíveis progressos, bemcomo propor mecanismos de transformação para a melhoria das mesmas. 22
  24. 24. 2. ESPORTE E LAZER: VIAS DE DESENVOLVIMENTO SÓCIO- EDUCATIVAS Para iniciarmos a nossa discussão sobre o esporte este fenômenoeconomicamente ativo e de crescimento exorbitante, nada melhor que nos votarmos aoseu surgimento. Existem muitas especulações a respeito de como se iniciou as práticasesportivas de viés cultural. Melo, em seu livro “Dicionário do Esporte no Brasil”, relata que: Na definição do surgimento do esporte enquanto uma manifestação cultural pode-se situar duas grandes tendências. Na primeira delas, acredita-se que o esporte já existia na Antigüidade, sendo identificado em jogos que eram praticados por chineses, egípcios e gregos entre outros. Já na outra tendência procura-se entendê-lo como um fenômeno da modernidade, que, mesmo apresentado similaridades com antigas práticas corporais, possui sentidos e significados completamente diferenciados daqueles jogos “pré-esportivos”. (MELO, 2007, p.68). As grandes discussões a respeito do esporte giram em torno do esporte modernona tentativa de entendê-lo e distingui-lo das práticas primárias de competição. Váriosestudiosos do assunto justificam a incompreensão do esporte, por modelos de análisespreconcebidos devido a este encontrar-se ainda em processo de constituição, Gebara(2002) caracterizado pelos fatores que perpassam a sistematização secular, aoportunidade igualitária em meios competitivos, o respeito às condições apresentadas, aprecisão das regras, a internacionalização, a burocratização, a qualificação, além dacorrida aos recordes. Sem dúvida, o esporte faz hoje parte, de uma ou de outra forma, da vida da maioria das pessoas em todo o mundo. [...] Hoje ele é, em praticamente todas as sociedades, uma das práticas sociais de maior unanimidade quanto a sua legitimidade social. (BRACHT, 1997, p. 5). Ao ressaltarmos o Esporte, como uma manifestação cultural de imenso poder deinfluência populacional, e tendo este como umas das principais formas de lazerenvolvendo grande contingente populacional, Melo (2004) propõe que, o esporte foi umadas mais importantes manifestações culturais do século passado, sendo procurado eacessado com a mesma magnitude nos momentos de lazer. No entanto ao conceber oesporte como forma de lazer, o mesmo autor evidencia a necessidade de se requereratenção para instâncias maiores, como, por exemplo, a monocultura do futebol e acarente crítica ao fenômeno esportivo. 23
  25. 25. Segundo Linhales (2001) a importância do esporte como um bem cultural, esta nasua edificação histórica pela sociedade, a qual o legitimou como um dos seus direitos,apesar deste encontra-se nas administrações públicas, emaranhado a setores sociais,servindo de instrumento para inúmeros fins, a exemplo das atividades complementaresem políticas ligadas tanto a educação como a saúde. Já Bracht (2002) nos traz que a legitimidade do esporte no âmbito social se dá pormeio da sua grande capacidade de revigorar e por em dias, os valores, as normascomportamentais, e os princípios regidos pela atmosfera social. Neste sentido asignificância do esporte na sociedade não estar apenas associado a cultura popular, masna sua capacidade de transmitir valores, expressar desejos e proporcionarquestionamentos de forma extremamente impactante, na medida que promove granderepercussão, atrelada a uma constate reflexão. Por isso temos o esporte como uminstrumento de grande poder social, como nos afirma Leiro (2004): O esporte é tomado como direito social situado num tempo histórico e uma prática social de grande alcance popular. Uma prática social que influencia e é influenciada pelas decisões políticas e econômicas e que, cada dia mais, com seu poder objetivo e subjetivo, vem persuadindo o pensar e o fazer cotidiano de parcelas significativas das populações. (LEIRO, 2004, p.45). No Brasil o esporte esta na constituição como um dos direitos do cidadão,especificamente em seu artigo 217, reconhecendo-o como manifestação cultural degrande importância social. Tal documento enfatiza tanto o esporte de cunho educativocomo o esporte consagrado ao lazer. Ao observarmos o lócus do Esporte como um instrumento educacional, nosdeparamos com uma manifestação de cunho formativo que prepara os sujeitos para opleno exercício cidadão, baseados em conteúdos sócio-educativos que passa peloscritérios da participatividade, cooperatividade, co-educatividade, movimentos deintegração, interação e responsabilidade (Tubino,1999, p.27). Neste sentido a invertidaem Esportes de identidade cultural, originados na própria cultura, seja ela identidadenacional ou regional, conotam aspectos bastante relevantes, pois reforçam a ligação queexisti do ser humano e seu cotidiano, reafirmando sua história, seu ambiente social, osquais são resguardados em sua memória servindo de base para a legitimação e aconcepção historiografia de suas edificações como ser humano social, político e cultural. 24
  26. 26. De acordo com o conceito do esporte como ferramenta educacional, podemosidentificar no cartum abaixo (Figura 03), uma das suas interrelações, a qual permeia ocampo da associação de conhecimentos prévios, teóricos com os adquiridos, por meio devivências esportivas. Figura 03 – Cartum O Esporte como via de desenvolvimento sócio-educativa, de caráter individual ecoletivo, por meio da sua pluralidade pode ser evidenciado de início nas primícias que oregem desde a socialização, o ato de compartilhar, o contar com o outro, até suasdimensões mais complexas, as quais dizem respeito ao compromisso com a efetivaçãode objetivos, a superação, o rendimento, o competitividade, o sucesso, a alienação e ocompromisso com a vitória. Ao pensarmos em uma formação humana baseada nainterculturalidade, devemos voltarmos-nos para o esporte e refletirmos sobre acapacidade que este tem de desenvolver valores éticos, morais e sociais entre os sujeitossociais que os pratica, como meio de afirmação identitária, exposição de diferenças erespeito aos limites. E por ser uma manifestação que abrange um sentido diversificado, jáque estar em uma constate transformação pelos sujeitos que os praticam, no que dizrespeito a seus valores, o esporte transcende uma interface multicultural, o que legítima apluralidade de seus sentidos na sociedade. O esporte hoje é uma das principais atividades de lazer praticado por grande parteda população, e o futebol se configura como a maior delas. Podemos afirmar que estarealidade esta inteiramente relacionada com conceitos pré-estabelecidos entre os meiosde comunicação de massa e o próprio sistema esportivo, já que é evidente na rotinamidiática, a hegemonia futibolística predominante no tempo e espaço reservados a esse 25
  27. 27. esporte em específico, restringindo as outras tantas modalidades esportivas a merossegundos informativos, quando estes existem é claro. Fatos como estes nos porta a uma dimensão controversa, à medida que esclarecepontos cruciais da relação comunidade e poder público, pois evidencia a prevalência dadesvalorização das práticas esportivas condivisas com a comunidade, a qual rege aintegração social, ao destinar maior importância ao esporte fundamentado nos preceitoscapitalistas, constituído como um produto exposto em prateleiras pronto para sercomercializado, onde seus valores não estão na capacidade de fortalecer relaçõeshumanas, sócio - culturais e de propiciar questionamentos do sistema operante, mas nopoder alienatório da manutenção e reprodução do modelo capitalista, da sociedade doconsumo, infelizmente vigentes em nosso cotidiano. E graças a essa articulação condizente com o modelo da dinâmica neoliberal que,tanto os serviços como os espaços públicos antes assegurados e destinados ao esportetão quanto ao lazer, hoje são comercializados, em sua maioria por lucrativos setoresprivados, demonstrando um crescimento exacerbado das privatizações, negando oscidadãos os direitos ao esporte e ao lazer, como diz a constituição brasileira. Assim ocidadão dá lugar ao consumidor, o qual também é dotado de “direitos” todos referentes éclaro aos bens de consumo prevalecentes na instauração do Estado Mínimo, o qual deixaa mercê das instituições privadas a estruturação dos espaços públicos esportivos e aconstrução e realização de programas referentes aos mesmos, reafirmando o seudescaso com o setor público, renegando os direitos de seus cidadãos, já que não é capazde cumprir com seus deveres de Estado (BRACHT, 2002), o que consequentementereforça a indústria do entretenimento, e ou do lazer. Iniciamos o debate sobre o Lazer, pelo entendimento da origem de sua palavra, aqual deriva do latim licere, ou seja, ser lícito, ser permitido a algo. E na perspectiva daliberdade dos afazeres humanos, que buscamos por meio de vários autores de visõesdiversas, compreender as discussões nesta área, na tentativa de promover novaspossibilidades e aperfeiçoar as existentes. Assim vale considerar que discutir o Lazer requer considerar algumas concepçõescontemporâneas a respeito deste fenômeno. Iniciamos por Mascarenhas, que relata: O lazer se apresenta como lugar de uma experimentação valorativa onde a estética, a ética e a política articulam-se como dimensões que acabam por 26
  28. 28. tornar impossível qualquer iniciativa de dissociá-lo do conceito de educação.(MASCARENHAS, 2001, p.1). Para este estudioso, o lazer é como qualquer outra esfera do social, que estaconectada em um espaço interdisciplinar, o qual a todo o momento interage com asdemais esferas da sociedade seja com a política, religião, saúde, educação, relaçõespessoais e demais outras. Para este autor lazer nada mais é que uma grande via dedesenvolvimento da cidadania e para a consagração da liberdade. E por isso que omesmo ressalta: “A prática do lazer se configura enquanto uma possibilidade de construção de sujeitos co-participantes do processo educativo e que se transformam na medida em que modificam também suas próprias circunstâncias de vida”.(MASCARENHAS, 2001, p.7). Ao falarmos de lazer recorremos à necessidade prioritária do ser humano, desentir-se livre, de poder vivenciar momentos em que sua vontade, seu prazer direcionasuas ações, as quais são determinadas única e exclusivamente por ele, proporcionandosua autonomia tanto no âmbito social quanto cultural. Medeiros (1975) diz que o Lazersignifica muito mais que um momento de diversão, este corresponderia primeiramente auma das necessidades estruturais de base do ser humanizado. Portanto acordamos que:”O lazer como prática da liberdade significa, então a possibilidade de, mediante umaexperiência lúdica e educativa, refletir sobre a realidade que o cerca e praticar a liberdadecomo um exercício de cidadania e participação social” (MARCASSA, 2004, P.132). Num lazer que vá além da constatação da realidade, do relaxamento e das práticas recreo-esportivas. Para tanto, é preciso ações que favoreçam a coletividade ao invés do individualismo, a solidariedade ao invés da barbárie e a organização ao invés das ações acríticas referentes dos problemas sócio-ambientais.Tal caminho deve ser potencializado, na dimensão das políticas públicas, para assegurar a um maior número de sujeitos, experiências culturais que contribuam para refletir criticamente sobre os interesses de ordem global e para mobilizar, discutir e organizar os interesses da ordem local (LEIRO 2001, p. 9-10). Para Marcellino (2001), o lazer é uma manifestação do ócio, um espaçoprivilegiado a uma efervescência prazerosa, atuante no espaço da subjetividade,favorecendo significativas modificações, conceitos, significados e representações darealidade vivida. Já Amaral (2003), evidência o lazer como sinônimo de cultura, 27
  29. 29. compreendida no seu sentido mais amplo, vivenciada (praticada ou não) no tempodisponível. Acordando com esta reflexão Alves (2003) afirma ser o lazer um dos grandesresponsáveis pela a esfera cultural. Mascarenhas (2001) relata que o lazer, se constituicomo um fenômeno tipicamente moderno, resultantes das tensões entre o capital etrabalho, que se materializa como um tempo e espaço de vivências lúdicas, lugar deorganização da cultura, perpassado por relações de hegemonia. Nesta perspectivaBramante (1998) também evidencia: O lazer se traduz por uma dimensão privilegiada da expressão humana dentro de um tempo conquistado, materializada através de uma experiência pessoal criativa, de prazer e que não se repete no tempo/espaço, cujo eixo principal é a ludicidade (BRAMANTE, 1998, p.11). Caminhando para além das ocupações do lazer, este teria um sentido maisabrangente, ultrapassando sua conceitualização ao vislumbrar-se como elemento deacessão comunitária, sucesso individual, coletivo e é claro uma qualidade no âmbitohumano e social. Retornado ao assunto citado anteriormente referente ao crescimento daindustrialização do lazer, e a formação de um grande mercado de entretenimento, devidoa omissão estatal no âmbito do esporte praticado como lazer, recorremos ao alerta deMarcedo & Figueiredo (1986), que constam nesta esfera, uma intrínseca relação entremeios opressores na manutenção e reprodução de uma sociedade alienada, onde adesigualdade impera, e a política do pão e circo funciona. E é neste tocante que devemosnos ater para as discussões que atrelam o lazer a uma supérflua mercadoriadisponibilizada no mundo do capital. Por meio do conceito de superficialidade, atribuído hoje ao lazer pelo sistema docapital, este se limita nesta visão equivocada, a mais um serviço a ser contatado, porcentros comerciais, como mais um produto exposto a venda, a espera do consumidor,com preços elevados, privilegiando apenas uma pequena parcela da população. Esta visão passou a ser difundida e ampliada pela descoberta de um grandemercado promissor, tendo o lazer como essência, é a famosa indústria do entretenimento,capaz de gerar lucros altíssimos para aqueles que detêm o poder. Daí a importância dese buscar o sentido social do lazer, enquanto exercício de cidadania e alternativas para oenfrentamento dos limites de nossa realidade (WERNECK 2000). 28
  30. 30. Seguindo a ótica do lazer como via de desenvolvimento sócio - educativa, se tornaimprescindível referenciá-lo como uma proposta que permeia o âmbito educacional, jáque é nos seus momentos livres que o ser humano exerce sua criatividade ao máximo,deixando de ser um mero ser reprodutor de ações para se tornar o criador do seucotidiano, do seu universo, das suas ações. Um dos relatos de Marcassa (2004, p.127) a respeito do lazer esta na complexaperspectiva deste ser um espaço de educação constante, o qual oferece aos sujeitos orepouso e o reequilíbrio das atividades físicas e mentais, proporcionando um alívio dastensões rotineiras oriundas do trabalho, mantendo os indivíduos em situaçõesestritamente prazerosos, as quais consequente os encaminham para um desenvolvimentoa nível individual e coletivo, reintegrando assim o ser humano ao seu estado de perfeitoequilíbrio, estando pronto tanto para solucionar situações-problemas, como paradesenvolver sua capacidade intelectual, ajustada às súbitas e mutáveis condiçõesemergentes da estrutura universalmente moderna, favorecendo para uma possívelqualidade no setor social. Esta, segundo a mesma autora se estabelece como visãofuncionalista da relação entre lazer e educação, pois diz possibilitar a liberação deestereótipos e promover um sistema de adequação a todas e quaisquer situaçõesaparentemente adversas, já que predomina a crença em uma elevação da personalidadedo indivíduo através do lazer, subsidiados por argumentos do campo psicológico, a partirdo instante que compreende as vias de compensação e de estabilização dos contextosque resguardam o sujeito individual e o sujeito social, na readaptação e na manutençãoda ordem vivente. Existem outros autores que compartilham da premissa eficiente do lazer unido aEducação, estes divergem um pouco da visão funcionalista, a exemplo de Marcellino(2004) que considera o lazer como um fenômeno educativo que tem a necessidade de serinserido no plano sócio cultural, direcionado para efetivas transformações de ordemsocial. Como o próprio diz: “Em outras palavras: ... só tem sentido falar em aspectoseducativos do lazer ao considerá-lo como um dos campos possíveis de contra-hegemonia” (MARCELLINO, 2004 p.63-64). Este estudioso também destaca ainda o duplo aspecto educativo do lazer: Trata-se de um posicionamento baseado em duas constatações: a primeira, que o lazer é um veículo privilegiado de educação; e a segunda, 29
  31. 31. que para a prática positiva das atividades de lazer é necessário o aprendizado, o estímulo, a iniciação, que possibilitem a passagem de níveis menos elaborados, simples, para níveis mais elaborados, complexos, com o enriquecimento do espírito crítico, na prática ou na observação. Verifica-se, assim, um duplo processo educativo – o lazer como veículo e como objeto de educação. (MARCELLINO, 2003, p.58- 59.). Articulado com a idéia do lazer com viés educativo temos Mascarenhas, o qualpropõe um lazer sócio - educativo sistematizado na contemporaneidade, exaltando aintervenção pedagógica do lazer, pois esta transcenderia as barreiras limitantes da açãocultural, já que estaria inteiramente relacionada com a realidade contextual,socioeconômica e histórica da sociedade, em um patamar que visualiza transformaçõesdas atuais condições sociais existentes. Este mesmo autor comunga da perspectiva dolazer-educação, que baseados nas experiências lúdicas e educativas produz umarealidade diversa, capaz de libertar a sociedade de um regime que a impede de praticar oexercício da cidadania e de sua participação como sujeitos operantes, sociais, instituindoum modelo que visa banir o poder da reflexão sobre a realidade que nos cerca, impostaatualmente. Neste sentido como “posição político pedagógica de elos com grupos e oumovimentos de origens sociais em face da sua constante resistência e persistência nasreivindicações cotidianas que vão desde a sobrevivência, passando pela emancipação,chegando a consagração da vitória de um mundo mais humano, justo, verdadeiramenteum lugar para viver” (MASCARENHAS, 2003, p.22 apud MARCASSA, 2004). Aqui é importante ressaltar que as Políticas Públicas referentes ao Lazer devemresguardá-lo como um organismo fomentador da Educação, conceituada por Fávero eSantos (2002): [...] definimos a educação como um processo de criação ao mesmo tempo de sonhos (utopias) e de realidades (materialistas). Uma educação que seja capaz de instaurar a fome no sentido da curiosidade permanente, que enseje uma abertura para o mundo e instaure a condição para o espanto e para a indignação frente às desigualdades sociais e a exclusão da parte que cabe a todos nós. [...], sem descuidar em nenhum momento, o fazer e o aprender, o sonho e a materialidade, o espanto e a ação (p. 15). A Educação proposta por meio da dimensão do Lazer abrange o campo dosespaços não-formais de educação, assim esta se configura como Educação não-formal,referenciada por Gonh (2006): 30
  32. 32. [....] a educação não-formal é aquela que se aprende “no mundo da vida”, via os processos de compartilhamento de experiências, principalmente em espaços e ações coletivas cotidianas. (GONH, 2006, P.28). A educação não-formal designa um processo de formação para a cidadania, de capacitação para o trabalho, de organização comunitária e de aprendizagem dos conteúdos escolares em ambientes diferenciados (GOHN 1999, p.98-99). Ainda neste contexto da Educação não-formal temos Gadotti que explana sobre aimportância dos espaços para a realização desta: Na educação não-formal, a categoria espaço é tão importante como a categoria tempo. O tempo da aprendizagem na educação não-formal é flexível, respeitando as diferenças e as capacidades de cada um, de cada uma. Uma das características da educação não-formal é sua flexibilidade tanto em relação ao tempo quanto em relação à criação e recriação dos seus múltiplos espaços. Trata-se de um conceito amplo, muito associado ao conceito de cultura. Daí ela estar ligada fortemente a aprendizagem política dos direitos dos indivíduos enquanto cidadãos e à participação em atividades grupais, sejam esses adultos ou crianças. (GADOTTI, 2005 p.2,3). É por meio da direção que concilia o Lazer como um benefício educativo no âmbitoda educação não-formal, que se faz necessário propor políticas públicas que reconheçamatravés de suas práticas na sociedade, a importância da efetivação desse direito nasociedade, legitimado pela constituição federal, e reforçado pelas leis orgânicasmunicipais. É importante frisar a responsabilidade do poder local, o qual deve assumiruma competência destinada a satisfazer as necessidades de seus integrantes respeitandoseus direitos sociais. Para Silva (2005), direitos sociais são ações positivas atribuídas ao poder estatal, oqual pode ser efetivado direta ou indiretamente com o objetivo de proporcionar a umaqualidade vida e bem-estar aos que delas fazem parte, na tentativa de extinguir a misériae a exclusão por meio da igualdade social. A dimensão de bem-estar deve consideraralguns pontos a serem compreendidos, como os discorridos na definição abaixo: É o bem comum, o bem da maioria, expresso sob todas as formas de satisfação das necessidades coletivas. Nele se incluem as exigências naturais e espirituais dos indivíduos coletivamente considerados; são as necessidades vitais da comunidade, dos grupos e das classes que compõem a sociedade. (MEIRELES, 1976, p.18). 31
  33. 33. artigo : "São direitos sociais a A constituição brasileira expressa no seu 6°educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção àmaternidade e à infância, a assistência aos desamparados” (BRASIL, 2004). Outrodocumento de relevante importância é a Declaração Universal dos Direitos Humanos(DUDH) de 1966, promulgadas pelo Brasil em 1992, que em seu dito 22° valoriza tanto o ,Lazer como o Esporte, como vivências de fundamental importância para odesenvolvimento humano, pessoal e sócio - comunitário. Este diz: Uma vez que entendemos que na prática esportiva se formam identidades sociais que se reúnem em grupos e categorias de pessoas simbolizadas pelos jogadores ou por seus times, ampliando as oportunidades de expressão de diferenças sociais e culturais, além de diferenças em relação ao conhecimento que uns têm dos outros e da própria prática que se faz...Por sua vez, lazer tem para nós o sentido da vivência privilegiada do lúdico que materializa a experiência sociocultural movida pelos desejos de quem joga e é coroada pelo prazer. Prazer que se funda no exercício da liberdade e, por isso, representa conquista de quem pôde sonhar, sentir, decidir, arquitetar, aventurar e agir, esforçando por superar os desafios da brincadeira, consumindo o processo do brinquedo, recriando o tempo, o lugar e os objetos em jogo e usufruindo do seu processo/produto que, em sua exuberância, é uma festa. (DUDH, 1966, dito 22° .). Valendo-se da garantia de direitos inscritos na legislação, como os especificadosacima, é visível a responsabilidade do Estado como centro articulador das esferas dopoder, à medida que cumpri sua obrigação de conceber resoluções hegemônicas quepromovam estabilidade e continuidade de políticas que garantirão os direitos doscidadãos. Esta atuação genuína do Estado deve ser preponderante no seu financiamento,intercalando-se com as diversas iniciativas da sociedade, abrangendo suas inúmerasformas de organização, sempre visando potencializá-las. Para validar essas açõesestatais é preciso criar mecanismos concretos de instalação e manutenção de uma sériede medidas que privilegie os setores sociais e que façam das políticas públicas,instrumentos de mediação social, verdadeiros organismos de controle das desigualdadesprevalecentes, com a construção de projetos, programas e serviços realmente eficientesque rompam com os limites da burocratização e do autoritarismo próprios do sistemaestatal. E este é um dos assuntos que trataremos no capítulo a seguir. 32
  34. 34. 3. POLÍTICAS PÚBLICAS E ESPAÇOS PÚBLICOS: MEIOS DE CONSTRUÇÃO SOCIAL Começamos nossa discussão sobre Políticas Públicas as responsabilizando comomeio de construção social. Para tanto recorremos aos estudos de Amaral, 2004, a qualdiz que as Políticas Públicas têm o estigma de assegurar o equilíbrio funcional dasociedade, valendo-se da resolução dos embates sociais e da legitimação do aparatoestatal vigorante. Outro conceito que distingui esta idéia é o de Menicucci (2006) aoconsiderar estas, ações e não ações do Estado por meio dos representantes públicos,fronte a uma demanda ou um setor social, envolvendo um complexo de medidas degrande impacto, o que as defini como intervenções públicas. Na tentativa de compreender a dinâmica das políticas públicas na realidade local,Teixeira (2002), esclarece os elementos que as constitui, conceituando-as como: Diretrizes, princípios norteadores de ação do poder público; regras e procedimentos para as relações entre poder público e a sociedade, mediações entre atores da sociedade e do Estado. São, nesse caso, políticas explicitadas, sistematizadas ou formuladas em documentos (leis, programas, linhas de financiamento) que orientam ações que normalmente envolvem aplicações de recursos públicos. Nem sempre, porém, há compatibilidade entre as intervenções e declarações de vontade e as ações desenvolvidas. Devem ser consideradas também as “não-ações”, as omissões, como formas de manifestação política, pois representam opções e orientações dos que ocupam cargos (TEIXEIRA, 2002, p. 02). Este mesmo autor chama atenção para as finalidades das políticas públicas, ediscorre serem elas: I. Suprir as demandas sociais, principalmente as consideradasvulneráveis; II. Respaldar e estender os direitos de cidadania; III. Promover o progresso,por meio da empregabilidade e da renda, visando compensar desníveis criados,principalmente por estratégias econômicas; IV. Intervir nos embates de interesses,gerados por e entre sujeitos sociais. Por esta linha de raciocínio, as Políticas Públicas se posicionam como instrumentosde sumo valor no estabelecimento e na manutenção da qualidade de vida dos indivíduos,simbolizando um grande mediador nos diálogos entre Estado e Sociedade, como nosdenomina Rocha (2004, p. 194), “um verdadeiro espaço de fortalecimento da cidadania”. 33
  35. 35. E para que possamos entender melhor o conceito de qualidade de vida temos Leal(2008) que traz: Qualidade de vida é a soma do meio ambiente físico, social, cultural, espiritual e econômico, onde o indivíduo está enserido, dos estilos de vida que este adota, das suas ações e da sua reflexão sobre si, sobre os outros e sobre o meio ambiente que o rodeia. É também a soma das aspectativas positivas em relação ao futuro. (LEAL, 2008, p.18,19). Para Carvalho (2002) políticas públicas são construções participativas de umacoletividade, que visam a garantia dos direitos sociais dos cidadãos que compõem umasociedade verdadeiramente humanizada. Transpondo os limites do sistema estatal, aspolíticas públicas direcionam todos e quaisquer espaços de estruturação social que visema legitimação dos direitos humanos. No Brasil, através da conjuntura do estado, aspolíticas públicas vêem garantindo por meio da constituição, e das práticas de açõesafirmativas em setores direcionados à educação, a saúde, a habitação, bem como aoesporte e o lazer, o cumprimento do exercício dos direitos sociais junto aos seuscidadãos. Valorizando a estruturação de mecanismos promotores de ações no âmbitosocial, Rocha (2004), focaliza: As políticas públicas podem se constituir numa excelente oportunidade de refletir e alterar este quadro através de ações que privilegiem as prioridades da população, equacionando ou minimizando as desigualdades existentes entre os diferentes grupos, principalmente aqueles que estão marginalizados e excluídos do processo social pela política econômica adotada no país centrada na concepção de mercado. (ROCHA, 2004, p. 3). Surgindo como uma vertente capaz de preencher as lacunas das carências deordem diversas, as políticas públicas necessitam passar por um planejamentoconsistente, já que o desenvolvimento do contexto social não se limita apenas a questõesde ordem econômica, mas de uma complexa dinâmica envolvendo o reconhecimento doser humano e seu universo social. Carvalho (2002) traz que, ao se mobilizarem entornode discussões, fundamentos e argumentações, no sentido de regulamentar direitossociais, os grupos representantes da sociedade civil e do Estado acabam por formularpolíticas públicas que expresse os interesses e as necessidades de todos. 34
  36. 36. A sociedade cada vez mais vem reivindicando Políticas Públicas, objetivando umareal qualidade de vida que venha a suprir suas necessidades. Por isso a participaçãopopular no planejamento municipal democratiza a gestão, causando uma profundareflexão sobre projetos a serem implantados, os quais devem esta de acordo com arealidade e os interesses dos diversos contextos nestes inseridos. No Brasil é possívelobservar o alargamento da democracia, expressada na edificação de espaços públicos eno aumento da participação dos sujeitos que compõem a sociedade civil nosprocedimentos ligados á discussão e as decisões envolvendo questões e políticaspúblicas (Teixeira, Dagnino e Silva, 2002). Voltando-se para a área do Esporte e do Lazer, embora seja possível averiguarque estes fizeram-se presentes em diversos momentos históricos do cenário políticobrasileiro, só foram reconhecidos como direitos dos cidadãos, a partir da Constituição de1988. Sobre as reivindicações da população brasileira neste campo temos: No Brasil, as discussões envolvendo as políticas públicas de lazer são relativamente novas e se intensificam na medida em que há um crescimento, demanda motivada, principalmente, pela organização de determinados setores da sociedade que, inspirados na idéia do lazer como um direito social, reivindicam dos poderes públicos ações que atendam essa realidade. (ROCHA, 2004, p. 3). Nas últimas décadas brasileiras, a conceitualização de políticas públicas de esportee lazer começou a migrar da tradicionalidade do esporte de rendimento para o campo doesporte e lazer comunitário, promovendo a participação geral da sociedade, por meio depráticas esportivas convencionais ou não, além de modelar-se à cultura local e aosrecursos disponíveis. Para o aproveitamento do tempo livre, a promoção da saúde e a elevação daqualidade de vida as práticas de lazer, esporte, recreação e de atividades físicas, formamum contingente elementar contribuinte para o bem-estar de uma forma generalizada,atrelando o físico e o mental, o que as consagram como permanentes instrumentoseducacionais, por meio de ações que atinjam a população, respeitando suasespecificidades e necessidades, enfatizando é claro os cidadãos que se encontram amargem da sociedade. Para a concretude destas, se faz necessário a realização deatividades em que o esporte e o lazer sejam privilegiados, onde a identidade cultural, ocontexto histórico a realidade de seus participantes sejam levados em consideração, com 35
  37. 37. o objetivo da edificação de uma sociedade onde os preceitos da justiça se façampresentes, havendo uma dinâmica de inter-relação que legitimem os direitos sociais. Compreendendo o esporte de forma desmitificada dentre vários âmbitos sociais,fomenta-se a oferta de exercer uma compreensão da prática do esporte como forma deconhecimento vivencial e prazerosa. A reciprocidade entre esporte e a humanidade, principalmente a relação existenteentre os valores da sociedade neoliberal e a esportivização vem sendo discutidos não sóno âmbito acadêmico, mas no quadro político das administrações públicas, as quais aoconsiderar este como fenômeno social, busca a legitimação da acessibilidade do esportee lazer, através de políticas que reconheçam os espaços públicos como lugares devivências fundamentalmente sociais. Ao começarmos discussão sobre espaços públicos se faz necessário retomarmos oconceito de espaço e para isso nos apoiaremos no entendimento de Santos (1997), estetraz que: “O espaço é formado por um conjunto indissociável, solidário e tambémcontraditório, de sistemas de objetos e sistemas de ações, não consideradosisoladamente, mas como o quadro único no qual a história se dá” (SANTOS, 1997, p. 51).O pesquisador italiano Giedion 1969, afirma que: “L’uomo prende coscienza del vuoto chelo circonda e gli conferisce una forma fisica e un’espressione. L’effetto di taletrasfigurazione è la concezione dello spazio.”1 (GIEDION, 1969, p. 539). Ainda relacionado ao espaço temos, Silva (1991) que comenta: O espaço se define como um conjunto de formas representativas de relações sociais do passado e do presente, e por uma estrutura representada por relações sociais que estão acontecendo diante dos nossos olhos e que se manifestam através de processos e funções. O espaço é então um verdadeiro campo de forças cuja aceleração é desigual (SILVA, 1991, p. 13). Considerando os Espaços Públicos como meios também de construção social esua apropriação um grande fator relacionado à cidadania, como nos traz Cladeira (2000):“Espaço Público como possível arena na qual a democratização, a equalização social e a1 "O homem se torna consciente do vazio em torno dele e lhe dá uma forma física e de expressão. O efeitode tal do transfiguração é a concepção do espaço” (tradução própria). 36
  38. 38. expansão dos direitos da cidadania vêm sendo contestados nas sociedadescontemporâneas” (CALDEIRA, 2000, p. 12). Neste sentido é importante recordar o alertar do geógrafo brasileiro Milton Santos(1985) para a perspectiva do espaço que aprecie tanto os fixos nele situados, como osfluxos que os percorrem. Esta visão de pensamento empreende uma dimensão de espaçopúblico capaz de identificar elementos permanentes de transição ao decorrer do tempo,bem como no momento atual, criando uma ponte entre o passado e o presente,resgatando os ocorridos por meio das suas memórias, o que consequentemente promoveuma ampliação no horizonte das perspectivas com relação ao futuro. Tratando de espaços públicos de esporte e lazer, Leiro (2001) afirma que o Espaçodo esporte e lazer é campo de síntese em meio a interesses culturais que reconhecem apositiva tensão, a qual envolve os cidadãos e o poder público. Nesta dimensão em que oespaço público e colocado como via primordial para a afirmação dos direitos dasociedade, por meio da urbanização e edificação desses espaços, Rocha (2003) ressaltaque “... o espaço local ganha grande importância nas discussões pela profundaarticulação entre cidade e cultura”.(ROCHA, 2003, p.52). E para que os espaços públicos preencham as reais necessidades sociais precisar-se: [...] implementar uma política de investimento muito clara na retomada da qualidade do espaço da cidade, na retomada da multifuncionalidade e beleza, na retomada da idéia de uma sociedade que conecte usos, funções e pessoas diferentes, em segurança. (ROLNIK, 2000, p.184). Estes estudiosos estão de comum acordo com as palavras de Marcellino, quandoressalta que: ”Democratizar o lazer é democratizar o espaço”. (MARCELLINO, 1995, p.57).E compartilhando também deste pensamento temos Leiro (2001) “A ampliação deoportunidades de lazer implica democratizar o espaço, em melhorar a qualidade social da vidacitadina”. (LEIRO, 2001, p.7). Este mesmo autor ainda afirma: O espaço é qualificador do lazer e, a partir da intervenção do poder público, é possível criar ambientes favoráveis para mudanças de atitudes. A forma de organização do espaço pode contribuir para tornar os parques públicos, por exemplo, um campo de re-criação educativa na perspectiva da superação da ordem do grande capital. (LEIRO, 2001, p.7-8). 37
  39. 39. Para efetivar o direito tanto ao esporte e especialmente ao lazer, é preciso segundoMarcellino apud Isayama (2006) p.67, democratizar o espaço. Espaço o qual em nossarealidade cotidiana se caracteriza como urbano, por meio das cidades, a qual o mesmoautor acima a localiza como grandes espaços e equipamentos de lazer. Este ainda relataque assim como as ruas, as praças públicas em suma em suas metrópoles sãoestereotipadas apenas como locais de passagem. Neste sentido o mesmo, diz que oespaço público cada vez mais sofre perdas referentes a sua real função, a demultifuncionalidade (p.72). Concordamos com Bramante (1993) quando diz: Vale destacar a necessidade de se oferecer oportunidades que atendam a os diversos interesses culturais... São poucos os diagnósticos, os inventários de recursos existentes ou mesmo o conhecimento dos hábitos de lazer dos distintos segmentos da população (BRAMANTE, 1993, p.167). Nessa perspectiva Le Corbusier (1993) enfatiza que: “A manutenção ou a criaçãode espaços livres são, portanto, uma necessidade e constitui uma questão de saúdepública” (p.35). Em bairros pobres, periféricos, muitos dos seus habitantes criamalternativas de espaços para a recreação e para o lazer. Estes são locais improvisados,em sua maioria, com grande precariedade, porém se configuram como a única opçãopara o divertimento e para o encontro da comunidade. O autor acima reitera asargumentações no que tange aos espaços de lazer, estes devem contar no planejamentoda construção do ambiente urbano, pois é necessário dar existência e coordenar suacontinuidade, ao propor locais de esporte e lazer, inseridos antecipadamente em projetos,assegurando-lhes locais, reservando-lhes áreas (LE CORBUSIER, 1993). Evidenciando os maus tratos aos dos espaços públicos De Angelis (2005)exemplifica o palco central desta pesquisa: “as praças localizadas no centro costumamreceber maiores e melhores tratos, enquanto que as periféricas são relegadas, se não aoabandono completo, a um estado de penúria” (DE ANGELIS, 2005, p.23). Ao discutirmos a distribuição de equipamentos de lazer pela cidade podemosrefletir sobre as desigualdades e os desafios abarcados pelas políticas públicas em tornodesta realidade nacional, já que em território brasileiro e principalmente baiano, essaconotação chega a ser ainda mais relevante devido ao grande déficit relacionado aestruturação e manutenção destes espaços, os quais precisam de um suporte pedagógico 38
  40. 40. contínuo e prolongado que procure compreender os indivíduos enquanto agentes sócio-culturais no intuito de mudar a realidade até então imposta e cantada pela nordestina,nascida em Paraíba, Elba Ramalho: “...no be-a-bá do sertão, sem chover, sem colher,sem comer, sem lazer, o be - a - bá do Brasil”. Melo Alves, (2003) afirma que, a cidade pode até possuir equipamentos públicos,mas se não houver um estímulo para que estes possam ser freqüentados pela sociedade,ou apenas um seletivo estrato social seja privilegiado com esses estímulos, nada adiantaa infinidade desses equipamentos. Outro ponto importante para ser avaliado está na construção dos espaçospúblicos, os quais devem respeitar as tradições natas da região, sua história, sua formaorganizacional, suas práticas sócias, levando em conta seus anseios e necessidades.Cabe aqui reconhecer a existência de aspectos importantes que contribuem de maneiradesfavorável às reais apropriações dos espaços públicos, tais como a própria qualidadedestes e, portanto, as políticas públicas que os planejam e os gestem. Assim éimprescindível uma qualificação do espaço público na organização e na estratégia,voltadas ao desenvolvimento sócio-espacial, considerando, sobretudo, suas formas deapropriação (MENDONÇA, 2007.p.129). Reconhecendo o espaço público como também um lugar de memória, segundo aconcepção de Neves (2000), que diz estes serem “Os lugares da memória”, esteios daidentidade social, monumentos que têm, por assim dizer, “... a função de evitar que opresente se transforme em um processo contínuo, desprendido do passado edescomprometido com o futuro” (p.112). São lugares em que a população se apropria, Hewison apud Harvey (2000)destaca que o impulso de preservar o passado é parte do impulso de preservar o eu, poiso passado é o fundamento da identidade coletiva e os objetos do passado são a fonte designificado, de símbolos culturais (p.85). Os locais onde se edificam os espaços públicosde esporte e lazer nos chama para vivenciar profundas experiências por meio dasrelações e determinações sociais ali encontradas. É neste campo fértil de relações sociaisque a comunidade formada por mulheres, homens, idosos, jovens e crianças constroemseus vínculos, projetam seus anseios e realizam seus sonhos, vivem suas vidas. Portantose faz jus dizer que o espaço público é um espaço dinâmico como nos traz, CAMPOS(1995): 39
  41. 41. O espaço urbano não pode ser visto como espaços estáticos, pois estão sempre em processo de transformação e contínua adaptação ás condições da sociedade moderna, registrada em diversas formas de utilização dos espaços públicos por seus usuários (CAMPOS, 1995, p.07). Vale ressaltar que esses espaços estão em meio à cidade, a arquitetura urbana, aqual ganha outro significado com a participação humana, e este resplandece na relaçãodo sujeito consigo mesmo, com o outro e com o lugar onde vive. Esses espaçosproduzidos resultantes dessas relações precisam ser percebidos na sua dimensãohumana, ou seja, no que a cidade e alguns de seus cenários significam para quem nelaabita e para quem acessam, no âmbito do lazer e do esporte. Segundo Rechia (2003),independente da sua estruturação, a cidade é uma organização viva, dinâmica, compartes diversificadas e interação permanente. Tratando a cidade como universo criacionista, de socialização de conhecimentotemos Gadotti (2005): O espaço da cidade (...) é marcado pela descontinuidade, pela eventualidade, pela informalidade. A educação não-formal é também uma atividade educacional organizada e sistemática, mas levada a efeito fora do sistema formal (GADOTTI, 2005, p.2). Secchi (2000) explana: “La città e il territorio (…) non sono solo un immensoarchivio di documenti del passato, ma soprattutto un inventario del possibile”2 (SECCHI,2000, p. 30). Em conjunto a esta relevância primordial dos espaços citadinos nosvoltamos às idéias de Freire (1993): A tarefa educativa das Cidades se realiza também através do tratamento de sua memória e sua memória não apenas guarda, mas reproduz, estende, comunica-se às gerações que chegam. Seus museus, seus centros de cultura, de arte são a alma viva do ímpeto criador, dos sinais da aventura do espírito. (Freire, 1993.p.24). Assim os espaços públicos também podem ser referenciados como espaços docotidiano:2 "A cidade e o território (...) não são apenas um enorme arquivo de documentos do passado, mas tambémum inventário do possível" (tradução própria). 40
  42. 42. ... o cotidiano é muito mais que um inconsciente de dias sempre iguais;é no cotidiano que o cidadão se encontra diante de coações e vigilância: mas na repetição também pode surgir a essência do imaginário.(...) Há portanto criação de um mundo prático e sensível a partir de gestos repetitivos. Há brechas no cotidiano que abrem espaço para o criativo (CARLOS, 1996, p.99-100). Articulando teoria e prática colocada sob a realidade objetiva e subjetiva de cadaser, incluindo seus ideais, suas lutas e referências, a cidade se configura como um planorevelador do vivido e da produção social do espaço urbano. Considerando-a comoprodutora de realidades em meio as suas representações, é cabível enfatizar nestecontexto as relações de poder, que faz da cidade um espaço que ao mesmo tempo emque se constrói, é construída na medida em que se busca conhecê-la. Assim, Santos(2005) diz que a cidade só passou a ser pensada à medida que se tornou necessária paraum determinado estágio da cultura. Por conseguinte, ela é refém da história e dosprojetos sociais e culturais em curso. Tomando a sociedade como um todo, como meiopromotor de educação, nos dirigimos a Freire: Muito de sua tarefa educativa implica a nossa posição política e, obviamente, a maneira como exerçamos o poder na Cidade e o sonho ou a utopia de que embebamos a política, a serviço de que e de quem a fazemos (Freire, 1993, p.23). A cidade moderna cada vez mais vem privatizando seus espaços, os públicos vêmdiminuendo em quantidade e extensão, consequentemente a ação do Estado éminimizada. Podemos evidenciar este processo no discurso abaixo: [...] Vivese uma época de intensa, profunda e desrespeitosa renovação das cidades por parte dos administradores públicos [...] Para estes, os elementos que dão significado à cidade são simplesmente coisas envelhecidas, ultrapassadas, corroídas, remendadas e que precisam ser demolidos para dar lugar a outros símbolos exóticos e exógenos que não permearam a lembrança, a história e o cotidiano dos citadinos. Equivocadamente chamam de revitalização [...] (ARANHA SILVA, 2006, P.9). Ainda sobre este processo a mesma autora recita: Acreditase na importância e significado da revitalização de elementos da cidade para o fortalecimento da identidade cultural local, na medida em que privilegiem ações de preservação do patrimônio histórico e 41
  43. 43. arquitetônico e que respeitem os interesses, a memória e o afetivo dos cidadãos. (Ibid, p.9). Contundente neste discurso Aranha Silva (2006) ressalta a necessidade deidentificar alguns pontos característicos das cidades: I. A humanização dos espaçospúblicos; II. A revitalização e valorização dos monumentos marcantes da história citadina;III. A incorporação de equipamentos para o lazer; IV. O respeito com os aspectosecológicos; V. O incentivo a presença da comunidade, tanto na criação como naimplantação destes. Rodrigues (2006) também concorda com este pensamento ecomenta: “criar áreas verdes e praças abertas ao público, assim como preservá - las, demodo a contribuir para o equilíbrio do meio em que mais intensamente vive e trabalha ohomem: a cidade” (RODRIGUES, 2006, p.117). 3.1. PRAÇAS PÚBLICAS: LEMBRANÇAS DA COMUNIDADE Praça! Cenário de festas, passeios, reuniões, comércio, permanência, encontros e desencontros, descanso, convulsões sociais; obra do Homem no arco do tempo que transcende o próprio; registro vivo a perpetuar na História. Modismos e estilos de cada época. Senhora dos espaços públicos desafiou séculos. Impassível, superou o abandono, a indiferença e as transformações ao longo do tempo. As praças são as mãos de uma cidade. Lugar de encontro ou de promessa de encontro (SANTOS, 2007, p. 17). A respeito da concepção das praças como um lugar público livre, de relaçõeshumanas e construção social, trazemos Robba & Macedo (2003, p.17) que configuramestas como são: “espaços livres públicos urbanos destinados ao lazer e ao convívio dapopulação, acessíveis aos cidadãos”. Este também ratifica a importância da praça nãoapenas como ambiente recreativo, mas também histórico e cultural que está inserido noprocesso de construção das cidades (p.18). Estes autores recordam que o espaço urbanotido com precursor das praças foi a ágora, na Grécia a qual era um espaço aberto,delimitado normalmente por um mercado, no qual se praticava a democracia direta, vistoser este o local para discussão e debate entre os cidadãos. A função primordial desta é ade aproximar e reunir as pessoas, seja por motivo cultural, econômico, político ou social(LIMA et al., 1994; MACEDO e ROBBA, 2002). Atrelado a este pensamento temos Spirn(1995): 42

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