UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA-UNEB          DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM EDUCAÇÃO FÍSICA     ...
ALEXSANDRO BATISTA ARAÚJO    TREINAMENTO CONCORRENTE: A INFLUÊNCIA DOTREINAMENTO AERÓBICO SOBRE O TREINAMENTO DE FORÇA    ...
Dedico este trabalho à minha querida mãe,grande amiga e parceira de todas as horas.
AGRADECIMENTOS       Agradeço primeiramente a Deus, nosso grande pai.       À minha mãe, grande responsável por minhas con...
“Mais importante que saber é saber onde encontrar”. Rubem Alves.
RESUMO O presente estudo teve como objetivo avaliar a interferência do treino aeróbio sobrea força muscular em exercícios ...
SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO..........................................................................................................
8  1 INTRODUÇÃO      Qualquer praticante de exercícios físicos que vise saúde ou fins estéticosdeve planejar seu programa ...
9poderia sofrer interferência negativa do treinamento concorrente de força eresistência aeróbia.      Estudos    já demons...
102 OBJETIVOS2.1 Objetivo Geral      O presente estudo teve por objetivo analisar qual a influência do treinamentoaeróbio ...
113 REFERENCIAL TEÓRICO      A fim de tornar mais simples o entendimento do tema principal dessapesquisa, o presente capít...
12aumento de força muscular e hipertrofia para os militares. Daí, desde meadosde 1950-1960, o treinamento de força tem sid...
13      Para Pitanga (2004) cada programa de exercícios resistidos deveprivilegiar todos os grupos musculares, de preferên...
14é suprida através da quebra anaeróbica da glicose (glicólise anaeróbia) tendocomo conseqüência a formação do lactato. Ai...
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16responsáveis pelo aumento de força nas primeiras semanas de treino (GENTIL,2008). Os fatores musculares estão segundo Gu...
17cardiovascular e ser sustentado energeticamente pelo metabolismo de ácidosgraxos e carboidratos.        Os exercícios ae...
18com subseqüente acúmulo de lactato ( MCARDLE, KATCH e KATCH, 2001), eprincipalmente pela oxidação de ácidos graxos como ...
19hipertrofia e potência muscular os estudos já não são tão consensuais e algunsautores sugerem que esse tipo de prática p...
20as sessões combinadas ( força+ aeróbio) são mais efetivas se comparadascom sessões isoladas (CASTINHEIRAS, 2007). Portan...
214 METODOLOGIA4.1 Modelo do estudo      Para Mattos, Blecher e Rosseto Jr (2004), “o método de pesquisadescritivo tem com...
224.4 Determinação da freqüência cardíaca máxima (FCMAX)      A frequência cardíaca máxima foi predita através da equação ...
23aeróbio sobre o exercício posterior em extensora, era a perfeição no padrão demovimento. Após três dias da realização do...
245 RESULTADOS E DISCUSSÃO      Foi observado significativo decréscimo no desempenho da forçamuscular após a execução do t...
25uma limitação na ativação neural voluntária. Em relação aos substratosenergéticos Kraemer et al., 2005 apud Castinheiras...
26questão da alteração na razão testosterona/cortisol segundo Tricoli et al.,(2005).      Pelo fato deste estudo ter sido ...
27ativação    das musculaturas envolvidas no protocolo (musculaturas dosmembros inferiores).       Em relação ao teste de ...
286 CONSIDERAÇÕES FINAIS      O treinamento aeróbio em bicicleta ergométrica interferiu de formadeletéria no desempenho da...
29REFERÊNCIASANDRADE, N.V.S; GONÇALVES, R.N; MONTEIRO, L.L; PEREIRA, E.F.M.Uma revisão sobre Treinamento Concorrente. V. X...
30GENTIL, P. Bases científicas do treinamento de hipertrofia. Rio de Janeiro:3° edição: Sprint, 2008.GUEDES, D.P. Treiname...
31RAMOS, A.T. Treinamento de Força na Atualidade. Rio de Janeiro: Sprint,2000.TRICOLI, V; UGRINOWITSCH, C; LAURENTINO, G; ...
32ANEXO
33                                     A                UNIVERSIDADE ESTADUAL DO ESTADO DA                 BAHIA DEPARTAME...
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Alexsandro Batista

  1. 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA-UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM EDUCAÇÃO FÍSICA ALEXSANDRO BATISTA ARAÚJO TREINAMENTO CONCORRENTE: A INFLUÊNCIA DOTREINAMENTO AERÓBICO SOBRE TREINAMENTO DE FORÇA SUBSEQUENTE. ALAGOINHAS 2010
  2. 2. ALEXSANDRO BATISTA ARAÚJO TREINAMENTO CONCORRENTE: A INFLUÊNCIA DOTREINAMENTO AERÓBICO SOBRE O TREINAMENTO DE FORÇA SUBSEQUENTE. Monografia apresentada como requisito parcial para Conclusão do Curso de Licenciatura Plena em Educação Física da Universidade do Estado da Bahia. Orientador: Prof. Ms. Valter Abrantes ALAGOINHAS 2010
  3. 3. Dedico este trabalho à minha querida mãe,grande amiga e parceira de todas as horas.
  4. 4. AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus, nosso grande pai. À minha mãe, grande responsável por minhas conquistas. Por meio desimples palavras não tenho como expressar toda a importância que esta guerreiratem em minha vida. Aos meus amigos Cristiano e Waltinho, meus parceiros de todas as horas. Ao meu orientador, Professor Mestre Valter Abrantes, minha referênciaprofissional. A todos os meus irmãos, sempre torcendo pelo meu sucesso. À minha noiva Sandra, uma grande mulher na minha vida. As minhas irmãs Sandra, Andréa e Janete por todo apoio e torcida.
  5. 5. “Mais importante que saber é saber onde encontrar”. Rubem Alves.
  6. 6. RESUMO O presente estudo teve como objetivo avaliar a interferência do treino aeróbio sobrea força muscular em exercícios de mesmo grupo muscular. A amostra foi compostapor dez jovens do sexo masculino (176,0 ± 5,1cm; 76,5 ± 8,8kg; 19,4 ± 1,3 anos),fisicamente ativos. Na primeira fase do experimento os participantes realizaram umasérie de extensão de pernas com carga de 1RM e duas séries do mesmo exercício a80% - 1RM. Após os exercícios resistidos foi realizada uma sessão de atividadeaeróbica com duração de 45 minutos entre 50-60% da FCR. Imediatamente após otreino aeróbio, foi realizado o mesmo protocolo de exercício resistido citadoanteriormente. Os dados foram demonstrados descritivamente (média, desviopadrão e percentual) através do software Windows Excel 2007. Foi observadasignificativa interferência negativa no desempenho de força, após o treino aeróbiopara o mesmo grupo muscular tanto nos testes de 1RM quanto a 80%-1RM. Osresultados assim sugerem que o treino aeróbio com duração de 45 minutos interferenegativamente no desempenho da força para exercícios de mesmo grupo muscular,nesse caso, especificamente o treino de pernas. Como a interferência observada noexercício concorrente depende do grupo muscular exercitado, possivelmente o efeitodeletério decorre da fadiga residual dos músculos envolvidos na atividade anterior,ou seja, o efeito adverso pode ser causado provavelmente por alterações periféricasna musculatura específica. O estudo dessas influências adversas é de extremaimportância no momento em que possibilita, por parte dos profissionais da área, umamelhor prescrição de exercícios, organizando-os em sessões diferentes, evitando osefeitos negativos provenientes de sessões prévias de atividades aeróbias.Palavras chave: treinamento concorrente, treinamento aeróbico, interferência, forçamuscular.
  7. 7. SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO..........................................................................................................82 OBJETIVOS............................................................................................................102.1 Objetivo Geral.....................................................................................................102.2 Objetivos Específicos........................................................................................102.3 Delimitação do Estudo.......................................................................................102.4 Limitações...........................................................................................................103 REFERENCIAL TEÓRICO3.1 Treinamento de Força........................................................................................113.1.1 Treinamento de força e sistemas energéticos.............................................133.2 Força muscular...................................................................................................143.3 Treinamento aeróbico........................................................................................163.3.1 Treinamento aeróbico e sistemas energéticos............................................173.4 Treinamento concorrente..................................................................................184 METODOLOGIA.....................................................................................................214.1 Modelo do estudo...............................................................................................214.2 Amostra...............................................................................................................214.3 Local do estudo..................................................................................................214.4 Determinação da freqüência cardíaca máxima (FCMAX)..................................224.5 Determinação do valor de 1-RM e da capacidade de repetição máxima......224.6 Arranjo experimental.........................................................................................224.7 Coleta de dados.................................................................................................234.8 Procedimentos estatísticos..............................................................................235 RESULTADOS E DISCUSSÃO.............................................................................246 CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................28REFERÊNCIAS.........................................................................................................29ANEXO......................................................................................................................32
  8. 8. 8 1 INTRODUÇÃO Qualquer praticante de exercícios físicos que vise saúde ou fins estéticosdeve planejar seu programa de treinamento com atividades que abarquem tanto osaspectos aeróbios quanto os de força muscular. O treinamento aeróbio é indispensável quando se deseja aumentar acapacidade cardiopulmonar, a mobilização de gorduras como substratosenergéticos, a diminuição da pressão arterial, entre outros diversos benefícios parauma boa qualidade de vida. O treinamento de força por sua vez, além do conhecido benefício que traz àestética, produz resultados positivos no tocante à saúde como o aumento dadensidade óssea, diminuição do tecido adiposo e, por conseguinte a diminuição dapressão arterial, melhoria da postura e o aumento da massa magra. Cientes das vantagens de trabalhar tanto os aspectos aeróbios quanto os deforça em seus programas de exercícios, cada vez mais pessoas se utilizam daprática do treinamento concorrente, que é a combinação de exercícios aeróbios comexercícios de força na mesma sessão de treinamento. Atualmente uma das maiores discussões que envolve a prática damusculação, diz respeito à ordem como são feitos os exercícios de força e aeróbicosdentro de uma mesma sessão. Segundo Guedes (2004) a essa associação deexercícios aeróbicos e exercícios resistidos no programa de treinamento, dá-se onome de treinamento concorrente (TC). Para alguns treinadores o treinamentoconcorrente é uma alternativa interessante para quem busca um maior gastoenergético no intuito de conseguir um corpo mais esbelto e, portanto mais saudável.A grande dúvida levantada é sobre a interferência desse tipo de treinamento sobre aprodução da força, quando o treino resistido for realizado logo após o treino aeróbionuma mesma sessão. Segundo Kraemer (2006) o tema da compatibilidade doexercício despertou o interesse de estudiosos da ciência do esporte na década de80 quando Hickson (1980) demonstrou que o desenvolvimento da força dinâmica
  9. 9. 9poderia sofrer interferência negativa do treinamento concorrente de força eresistência aeróbia. Estudos já demonstram que o treino aeróbio não é influenciadonegativamente pela prática prévia de exercícios de força (KRAEMER et al., 1995;MCCARTHY et al., 2002; SALE et al., 1990 apud GUEDES, 2004). Porém, a práticasubseqüente do treino de força sofre interferências adversas do exercício aeróbioprévio, de acordo com os achados de diversas pesquisas da área ( BACURAU et al.,2003; CRAIG et al., 2006 apud TRICOLI et al., 2005). Apesar de um númeroconsiderável de pesquisas sobre TC apontarem para uma interferência deletéria dotreino de endurance sobre o desempenho da força quando se trata de exercícios demesmo grupamento muscular, muitos profissionais da área de Educação Físicaainda são negligentes quanto à montagem de programas de treinamento. .Com isso, o estudo pode ajudar profissionais da área de Educação Físicaque pretendem desenvolver treinos pautados na prescrição/periodização consciente,organizando assim, programas que minimizem o efeito deletério do treinamentoconcorrente.
  10. 10. 102 OBJETIVOS2.1 Objetivo Geral O presente estudo teve por objetivo analisar qual a influência do treinamentoaeróbio sobre o desempenho da força muscular no treinamento de forçasubseqüente.2.2 Objetivos Específicos Discutir os fatores associados à influência do treinamento aeróbio sobre odesempenho da força muscular em exercícios resistidos de mesmo grupamentomuscular.2.3 Delimitação do Estudo O estudo registrou e analisou o treinamento de um grupo de jovens do sexomasculino (de 18 a 21 anos) participantes de um protocolo de exercícios físicoscomposto por atividade aeróbia e treinamento de força em uma academia deginástica na cidade de Entre Rios. A composição da amostra restringiu-se a participantes fisicamente ativos, comexperiência mínima de 1 (hum) ano em atividades aeróbias e exercícios resistidos.O grupo amostral foi acompanhado num período de 15 dias, tempo em queparticiparam de todos os testes que compuseram o arranjo experimental.2.4 Limitações Na coleta de dados, o critério utilizado foi a observação dos movimentosrealizados na cadeira extensora, enfatizando-se o primor técnico dos movimentos ea falha muscular. A escolha deste critério levanta uma dúvida sobre a possibilidadede o participante cessar o movimento antes mesmo de ocorrer a falha namusculatura recrutada. A impossibilidade de acompanhar a dieta dos participantesno tocante à suplementação alimentar, também se configura como fator limitante doestudo, no momento em que substâncias ergogênicas atenuariam possíveis efeitosdeletérios provenientes da prática do treinamento concorrente.
  11. 11. 113 REFERENCIAL TEÓRICO A fim de tornar mais simples o entendimento do tema principal dessapesquisa, o presente capítulo foi estruturado a partir de tópicos imprescindíveispara o estudo, são eles: a) Treinamento de força; b) Força muscular; c)treinamento aeróbico; d) Treinamento concorrente.3.1 Treinamento de força Também conhecido como treinamento resistido, ou ainda maiscomumente musculação, o treinamento de força configura-se hoje como umadas principais modalidades praticadas por intusiastas de exercícios físicos queprocuram uma modalidade capaz de trazer benefícios tanto para saúde comotambém para uma estética mais bonita e atlética. Sobre essa afirmação Guedes (2003) coloca que tal modalidade temsido recomendada não só para atletas e para a estética, mas também para apromoção de saúde e qualidade de vida de jovens, idosos, hipertensos ecardiopatas. Segundo Fleck e Kraemer (2006) o crescente número de salas demusculação que surgem a todo o momento nas pequenas e grandes cidadesatesta a informação supracitada. Reconhecidamente importante nos dias de hoje, o treinamento de forçanem sempre gozou desse status. Antigamente algumas falsas idéias a respeitodo tema eram comumente disseminadas. Para alguns atletas, esse tipo detreinamento poderia retardar o crescimento ou até mesmo acarretar uma perdade flexibilidade articular devido ao aumento do volume muscular (MCARDLE,KATCH e KATCH, 2001). Atualmente nota-se uma mudança de perspectiva quando o assunto aser tratado é o treinamento de força. Muito dessa mudança é conseqüência dotrabalho de DeLorme and Watkins (1946). Apesar de muitos eventos esportivosjá acontecerem desde 1800 foram eles que demonstraram após a II GuerraMundial a importância da progressão nos exercícios de resistência para o
  12. 12. 12aumento de força muscular e hipertrofia para os militares. Daí, desde meadosde 1950-1960, o treinamento de força tem sido um tópico de grande interesseno meio científico, médico e entre os atletas (ACSM, 2002). Quanto aos benefícios para a saúde Fleck e Kraemer (2006, p.19)coloca que: [...] os indivíduos que participam de um programa de treinamento de força esperam que ele produza determinados benefícios, tais como aumento de força, aumento da massa magra, diminuição da gordura corporal e melhoria do desempenho físico em atividades esportivas e da vida diária. Um programa de treinamento de força bem elaborado e consistentemente desenvolvido pode produzir todos esses benefícios [...] Segundo Bompa e Cornacchia (1998) como adaptação ao treinamentode força, os músculos crescem, ossos ficam mais fortes, o sistema nervosocentral torna-se mais eficiente para recrutar ações musculares e a performancemotora ganha em refinamento e coordenação. Para Ramos (2000), o treinamento de força proporciona adaptaçõesfisiológicas dentro do sistema muscular, ósseo e neural que o colocam comoimprescindível para aqueles indivíduos que se preocupam com a profilaxia(prevenção) no tocante à saúde e à manutenção da autosuficiência. Além de todos os benefícios que traz à saúde o treinamento de força,com certeza a melhor metodologia de treinamento desportivo para desenvolvera capacidade física força, pode ser considerada uma modalidade esportiva, jáque existem diversas competições de fisiculturismo, levantamentos básicos eolímpicos. Dentro do treinamento de força existem diferentes tipos de trabalho quede acordo com Junior (2000) obedece a características próprias. De acordocom o autor cada tipo de trabalho pode ser caracterizado como um ciclo detreinamento são eles: adaptação, RML (Resistência Muscular Localizada),força de potência, força rápida, força máxima, hipertrofia e ainda a RMP(Resistência Muscular Prolongada).
  13. 13. 13 Para Pitanga (2004) cada programa de exercícios resistidos deveprivilegiar todos os grupos musculares, de preferência seqüenciados por tiposde articulação. Ainda segundo o autor podemos utilizar para prescrição dotreinamento, testes de carga máxima ou repetições máximas e que para adeterminação da intensidade, número de repetições e séries, o objetivo doaluno deve ser considerado.Hoje, após visível progresso científico na área, o treinamento de força passa afigurar não como um mero instrumento esculpidor de corpos fortes emusculosos, mas como um indiscutível parceiro da saúde.3.1.1 Treinamento de força e sistemas energéticos Dependendo da duração e da intensidade, diferentes atividades físicasativam sistemas específicos de transferência de energia. Em muitos casos,todos os três sistemas de transferência de energia – o sistema trifosfato deadenosina-fosfocreatina (ATP-PCr), o sistema do ácido lático e o sistemaaeróbico – operam predominantemente em diferentes momentos durante oexercício (MCARDLE, KATCH e KATCH, 2001). Cada tipo de esforço muscular aciona um sistema energético e algunsaté podem acionar mais de um sistema. Assim, os sistemas energéticos podemser divididos em anaeróbico alático, anaeróbico lático, anaeróbio-aeróbio eaeróbio (JUNIOR, 2000). No treinamento de força especificamente - que é caracterizado por seruma atividade intensa e de duração curta – a demanda energética é mantidaem duas situações distintas, exceto no caso do sistema de circuito: em açõesmusculares de até 10 segundos, essas ações são mantidas quase queexclusivamente pela energia provinda da quebra dos radicais de alta energiaarmazenados no músculo (fosfocreatina). Nesse caso segundo Junior (2000), a intensidade do exercício situa-seentre 90 a 100% da capacidade máxima e não há formação de lactato, daí onome “anaeróbico alático”. Nos casos em que esses esforços ultrapassem abarreira dos 10 segundos até os 3 minutos de duração, a demanda energética
  14. 14. 14é suprida através da quebra anaeróbica da glicose (glicólise anaeróbia) tendocomo conseqüência a formação do lactato. Ainda segundo Junior (2000),nessas ações têm uma intensidade situada entre 50 e 80% da capacidademáxima. Além das especificidades de demanda energética, observa-se umcaso específico de recrutamento de fibras no treinamento de força, ondepredominam as fibras tipo II.3.2 Força muscular Por definição “a força, ou força muscular, é a capacidade de gerar forçamáxima maximorum externa.” (KRAEMER e ZATSIORSKY, 2008, p.37). Dentrodo treinamento com pesos, a força muscular pode ser conceituada como aquantidade de tensão que um músculo ou grupamento muscular pode gerar emum padrão específico e determinada velocidade de movimento (KRAEMER eHAKKINEN, 2004 apud GENTIL, 2008). Data-se da metade da década de 1880, a maior importância dada àmensuração da força muscular (MCARDLE, KATCH e KATCH, 2001). Aindasegundo os autores: [...] as forças armadas avaliavam a força dos recrutas durante a Guerra Civil; as mensurações da força proporcionavam também a base para as avaliações sistemáticas de aptidão nos programas de Educação Física de colégios e universidades. (MCARDLE, KATCH e KATCH, 2001). Segundo Junior (2000), a década de 60 inaugurou uma fase desuperestimação do fator aeróbio em detrimento ao da força motora. Mesmoque em menor proporção, ainda é possível observar resquícios dessaconstatação. Evidencia disso é a reduzida quantidade de estudos científicosque são encontrados sobre o tema quando comparados com os estudosvoltados à valência aeróbia. A força muscular pode se manifestar de diversas maneiras, seja comoforça máxima, força rápida, força de potência ou finalmente como força deresistência aeróbia. (JUNIOR, 2000). No tocante ao campo do treinamento
  15. 15. 15desportivo, mais especificamente ao treinamento de força, é interessantedestacar que são reconhecidas como medidas da força de um atleta, somenteas forças externas que atuam sobre o corpo deste atleta. (ZATSIORSKY eKRAEMER, 2008). Desse modo pode-se, segundo Junior (2000) afirmar quepara exercer determinada força o sistema motor, através de suas alavancasósseas e respectivas musculaturas, contrapõe uma determinada resistência.Tal resistência, se vencida, caracteriza a ação muscular concêntrica(encurtamento do músculo envolvido). Se sustentada, caracteriza a açãomuscular isométrica (sem modificação no comprimento muscular). Podeocorrer também do músculo ceder a tal resistência, caracterizando assim aação muscular excêntrica (alongamento do músculo envolvido). No tocante ao campo do treinamento desportivo, mais especificamenteao treinamento de força, é interessante destacar que são reconhecidas comomedidas da força de um atleta, somente as forças externas que atuam sobre ocorpo deste atleta. (ZATSIORSKY e KRAEMER, 2008). Desse modo pode-se,segundo Junior (2000) afirmar que para exercer determinada força o sistemamotor, através de suas alavancas ósseas e respectivas musculaturas,contrapõe uma determinada resistência. Tal resistência, se vencida, caracterizaa ação muscular concêntrica (encurtamento do músculo envolvido). Sesustentada, caracteriza a ação muscular isométrica (sem modificação nocomprimento muscular). Pode ocorrer também do músculo ceder a talresistência, caracterizando assim a ação muscular excêntrica (alongamento domúsculo envolvido). É importante ressaltar que no momento em que existem diferentestipos de ações musculares, cada uma com características específicas, há de seconsiderar que ganhos de força são específicos às ações treinadas (FLECK eKRAEMER, 1999 apud GENTIL, 2008), portanto ao se buscar, por exemplo,ganhos de força concêntrica, seria totalmente incoerente prescrever treinoscom ênfase em ações excêntricas para tal objetivo. Vários são os fatores que estão intimamente ligados à força, assimpodemos destacar os fatores neurais, os fatores musculares, biomecânicos epsicológicos. Os fatores neurais segundo alguns estudos são os maiores
  16. 16. 16responsáveis pelo aumento de força nas primeiras semanas de treino (GENTIL,2008). Os fatores musculares estão segundo Guedes (2003) relacionadosprincipalmente com a hipertrofia muscular, que seria “o aumento volumétrico deum músculo, devido ao aumento volumétrico das fibras que o constituem”.(GENTIL, 2008, p. 37). Acredita-se que a hipertrofia muscular, principal objetivo da grandemaioria das pessoas que optam pelo treinamento de força, “[...] influencie naforça, pois mantidas constantes as demais variáveis, uma maior quantidade demassa muscular envolvida em um movimento aumentará a capacidade degerar força”. (KRAEMER e HAKKINEN, 2004 apud GENTIL, 2008). Esse fato éconfirmado por Kraemer e Zatsiorsky (2008) quando mencionam que músculoscom uma maior área transversal produzem maiores forças do que músculossemelhantes com uma área transversal menor. A partir desse achado, nota-se a importância de privilegiar treinos quetrabalhem de forma equilibrada e consciente cada um desses aspectos. Bosco(2007) traz uma contribuição importante nesse sentido quando afirma que tantopara melhorar a força máxima quanto para aumentar a massa muscular, otreino com cargas elevadas (entre 70-100% da carga máxima) seria o maisindicado. Finalmente, o desenvolvimento da força muscular configura-se comoparte integrante do processo de treinamento para qualquer modalidadeesportiva (VERKOSHANSKI, 1995 apud GUEDES, 2003), além de ser defundamental importância para a realização das tarefas da vida diária, das maissimplórias às mais complexas.3.3 Treinamento aeróbico Diferente do treinamento de força, o treino de endurance, comotambém é chamado o treinamento aeróbico, se caracteriza por ter umapredominância aeróbia, segundo Navarro e Silva (2007) promover o sistema
  17. 17. 17cardiovascular e ser sustentado energeticamente pelo metabolismo de ácidosgraxos e carboidratos. Os exercícios aeróbicos, por “aumentar a capacidade do indivíduo demobilizar, transportar e oxidar os ácidos graxos para a obtenção de energiadurante o exercício submáximo” (MCARDLE, KATCH e KATCH, 2001, p. 478),são muito apreciados por pessoas que desejam exibir um corpo mais “enxuto”,livre dos excessos de gorduras, tão indesejados. Com relação à saúde, são inúmeros os benefícios atribuídos à práticaregular desses exercícios, como a própria melhoria da capacidade aeróbica.Pitanga (2004, p. 103) ressalta que: “O aumento da capacidade aeróbica proporciona proteção cardiovascular, mediante modificações positivas em muitos fatores de risco coronariano. Dentre eles, o exercício aeróbico regular melhora o metabolismo das gorduras e dos carboidratos, diminui a pressão arterial e reduz a adiposidade corporal” Segundo (MCARDLE, KATCH e KATCH, 2001) “o treinamentoaeróbico produz melhoras significativas na capacidade para o controlerespiratório no músculo esquelético”. Ainda segundo os autores, músculosesqueléticos treinados aerobicamente possuem maiores e mais numerosasmitocôndrias, fato corroborado por (SALTIN, 1973 e SCHON, 1978 apudWEINECK, 2005, p. 215) quando cita um aumento de 2-3 vezes no número, notamanho e na superfície das mitocôndrias. Aumentos nesse sentido e também alterações acontecidas a nível deenzimas do ciclo de Krebs e da cadeia respiratória ( BUYZE et al,1976 eHOLLOSZY, 1975 apud WEINECK, 2005, p. 215) resultam num aumento dacapacidade oxidativa, tão esperada por quem busca um objetivo mais estéticoe também de saúde, e da capacidade aeróbia de resistência.3.3.1 Treinamento aeróbico e sistemas energéticos O treinamento aeróbico é basicamente sustentado energeticamentepelas reações metabólicas do sistema de energia a curto prazo da glicólise,
  18. 18. 18com subseqüente acúmulo de lactato ( MCARDLE, KATCH e KATCH, 2001), eprincipalmente pela oxidação de ácidos graxos como já citado anteriormente. Para conseguir o ATP necessário às contrações musculares através daoxidação de ácidos graxos, nesse momento o exercício já ultrapassou dos 2-4minutos de duração, com conseqüente diminuição da intensidade, o corpodepende quase que exclusivamente do metabolismo aeróbico para geraçãodessa demanda energética (MCARDLE, KATCH e KATCH, 2001). Nessemomento a dependência da energia produzida por vias anaeróbicas aláticas(ATP-PCr) e anaeróbicas láticas (HCO) é diminuída, justificando assim adependência da produção aeróbica. Portanto de modo geral, à medida que o esforço físico diminui e passaa acontecer numa intensidade entre 50-80% do VO2 máximo, os sistemasenergéticos solicitados no exercício de endurance se diferem dos observadosno treinamento de força, assim como as fibras solicitadas, que nesse caso sãoas fibras de contração do tipo I. Essas fibras têm um maior número demitocôndrias, fato que, como visto anteriormente, justifica uma maiorcapacidade metabólica aeróbica.3.4 Treinamento concorrente O treinamento concorrente é hoje, tema recorrente nas discussões queenvolvem os programas de exercícios físicos. A polêmica surge no momentode definir a ordem correta de se realizar o treino de força e o aeróbio dentro deuma mesma sessão de treinamento. Para Guedes (2004) esta associação deexercícios de características distintas define o TC. A interferência negativa queo TC pode exercer sobre a valência força é a grande questão a ser discutidapelos praticantes de musculação e estudiosos da área de Educação Física. Diversos estudos concordam que o treinamento concorrente nãoprejudica o desenvolvimento da capacidade aeróbia, podendo esta serpotencializada (KRAEMER et al., 1995; MCCARTHY et al., 2002; SALE et al.,1990 apud GUEDES, 2004). Quando se trata do desenvolvimento da força,
  19. 19. 19hipertrofia e potência muscular os estudos já não são tão consensuais e algunsautores sugerem que esse tipo de prática prejudica o desenvolvimento dessasvalências (BELL et al., 2000; KRAEMER et al.,1995). As causas dessa provávelinterferência são diversas, e alguns estudos já trabalham com hipóteses tantocrônicas, que sugere que algumas adaptações que o corpo deveria sofrer paradesenvolver as valências força e resistência aeróbia são antagônicas, quantoagudas, que sugere que o comprometimento da força tenha origem na fadigacausada pelo componente aeróbico do treinamento (TRICOLI et al.,2005 apudFONTANELLI, 2009). Tais achados são corroborados por estudos que demonstram quevários são os mecanismos responsáveis pelas limitações nas adaptações domúsculo esquelético no desenvolvimento da força durante o treinamentoconcorrente, podendo ser citados os de ordem neurais, os de disponibilidadede substratos energéticos e os de incompatibilidade funcional dos diferentestipos de fibras (HAKKINEN et al., 2003; CREER et al., 2005 apud MONTEIRO,2009). O tema torna-se polêmico na medida em que alguns estudos tambémdemonstram que a força não é afetada por conta da prática prévia deexercícios de resistência aeróbia (BELL et al.,1991b; HORTOBAGYI, KATCH eLA CHANCE, 1991; SALE et al., 1990 apud KRAEMER, 2006). Torna-se patente a quantidade de dúvidas que irão surgir toda vez queum profissional da área de educação física optar pelo treinamento concorrentecomo protocolo de exercício a ser sugerido para seus alunos, uma vez que osestudos não demonstram um parecer conclusivo quanto ao assunto. O idealnesse caso será trabalhar de maneira consciente e observar todos os fatoresque envolvem a atividade a ser realizada. McCarthy e colaboradores (1995)apud Kraemer (2006) realizou um estudo onde demonstrou que o treinamentoconcorrente de força e resistência aeróbia pode ser compatível, dependendode fatores como nível de intensidade e volume de treinamento. Outro aspecto que deve ser levado em consideração é o objetivo quese busca atingir com o programa de atividade física escolhido. Estudosmostram que quando se busca um maior gasto energético, benefícios a nívelde cardiopatas, melhorias na densidade óssea, diminuição de gordura corporal,
  20. 20. 20as sessões combinadas ( força+ aeróbio) são mais efetivas se comparadascom sessões isoladas (CASTINHEIRAS, 2007). Portanto, é interessante antesde tomar qualquer decisão, ponderar sobre as estratégias que melhor irão seadequar aos desafios surgidos, respeitando sempre os níveis de aptidão física,assim como as limitações de seus clientes.
  21. 21. 214 METODOLOGIA4.1 Modelo do estudo Para Mattos, Blecher e Rosseto Jr (2004), “o método de pesquisadescritivo tem como características observar, registrar, analisar descrever ecorrelacionar fatos ou fenômenos sem manipulá-los.” (p. 15). Coloca ainda quea pesquisa descritiva tem como objetivo descobrir com precisão a frequênciaem que um fenômeno ocorre e sua relação com outros fatores. , Enfim, esta pesquisa assumiu a forma de estudo descritivo, maisespecificamente um estudo de caso, uma vez que teve como preocupação ainvestigação de um evento específico da amostra, nesse caso a interferênciado treinamento concorrente na força muscular em exercícios envolvendo amesma musculatura.4.2 Amostra A amostra foi composta por dez jovens do sexo masculino (176,0 ±5,1cm; 76,5 ± 8,8kg; 19,4 ± 1,3 anos), fisicamente ativos, alunos da academiade ginástica Perfil da cidade de Entre Rios-Ba. Todos os alunos da amostrapossuíam uma experiência mínima de 12 meses dentro das atividadesrealizadas no experimento (treinamento de força e treinamento aeróbico). Osparticipantes foram informados sobre os procedimentos utilizados eparticiparam de maneira voluntária do estudo, assinando um termo deconsentimento informado e proteção de privacidade. Para efeito de facilitar aaplicabilidade dos testes, o grupo amostral foi dividido em dois, realizando osprocedimentos em dias diferentes4.3 Local do estudo O município de Entre Rios localiza-se a 134km da cidade do Salvador etem população estimada no último censo do IBGE no ano de 2007 de 38.886habitantes. A cidade em questão possui três academias de ginástica, sendoque uma destas é de uso restrito dos associados de um clube social.
  22. 22. 224.4 Determinação da freqüência cardíaca máxima (FCMAX) A frequência cardíaca máxima foi predita através da equação deKarvonen apresentada a seguir: FCmax = 220 – idade. No teste, porém, foiutilizada a equação de freqüência cardíaca de reserva para determinação dazona alvo.4.5 Determinação do valor de 1-RM e da capacidade de repetição máxima O teste para determinação do valor de 1-RM e da capacidade derepetição máxima foi realizado no aparelho de extensão de pernas. Após umabreve sessão de alongamento e aquecimento, este último realizado no próprioaparelho utilizado no teste através da execução de 20 repetições ligeiras, ovalor referente a 1- RM foi determinado após a realização de 3-6 tentativasconsecutivas, com intervalos de 180 segundos para restabelecimento dasreservas de ATP-CP. O maior valor observado e a perfeição no padrão domovimento foram utilizados como critério de avaliação. Para determinar a cargareferente às repetições máximas foi calculado o valor percentual de 80% de 1-RM.4.6 Arranjo experimental Para analisar a interferência do exercício aeróbico prévio sobre a forçamuscular em exercícios resistidos de mesmo grupo muscular, os participantesdo experimento divididos em dois grupos, primeiramente realizaram o testeinicial (1-RM e determinação da carga de RMs) em dias separados. Umasemana após o teste, os grupos sempre em dias separados, realizaram umasérie de extensão de pernas com carga referente a 1-RM, antes e depois deuma atividade aeróbica em bicicleta ergométrica com duração de 45 minutos,em um intervalo de intensidade entre 50-60% da freqüência cardíaca dereserva (FCR). A frequência cardíaca de reserva foi utilizada para determinar azona alvo do treino, devido ao fato desta, levar em consideração o estágio deaptidão do indivíduo, que nesse caso é representado pela freqüência cardíacade repouso. Na análise da produção de força após o exercício em bicicletaergométrica, o critério utilizado para determinar a influência deletéria do treino
  23. 23. 23aeróbio sobre o exercício posterior em extensora, era a perfeição no padrão demovimento. Após três dias da realização do último protocolo, os gruposrealizaram o mesmo procedimento, só que desta vez, ao invés de uma série naextensora com carga de 1-RM, antes e depois do exercício aeróbio, osmesmos executaram duas séries de extensão de pernas a 80% de 1-RM,novamente antes e depois da bicicleta ergométrica. Os critérios deavaliação foram a falha muscular e mais uma vez o primor técnico nosmovimentos.4.7 Coleta de dados Os efeitos do treino aeróbio sobre o subseqüente desempenho da forçamuscular foram observados a partir de criteriosa análise dos movimentosrealizados em aparelho específico de extensão de pernas. Cada participante doestudo foi testado com cargas relativas a 1-RM e 80%-RM.4.8 Procedimentos estatísticos Os dados foram analisados a partir da estatística descritiva (média,desvio padrão e percentual) utilizando o software Windows Excel 2007. Paraverificar as diferenças entre os valores antes e depois do exercício aeróbio(endurance) nos teste de uma repetição máxima (1RM) e de repetições a 80%de uma repetição máxima (80% RM) foi utilizado o teste t, consideradosignificativo p<0,05 utilizando o software Windows Excel 2007.
  24. 24. 245 RESULTADOS E DISCUSSÃO Foi observado significativo decréscimo no desempenho da forçamuscular após a execução do treino de endurance em bicicleta ergométrica(testes de 1-RM e REPMAX- antes do exercício em bicicleta ergométrica.Tabela 1. Teste de Repetições Máximas (extensão de pernas), antes e apósexercício em bicicleta ergométrica. TESTE ANTES APÓS ENDURANCE ENDURANCE Primeira série a 80% de uma 9,2 ± 1,2 6,7 ± 1,3* repetição máxima (1RM) REPETIÇÕES REPETIÇÕES Segunda série a 80% de uma 8,6 ± 1,4 6,1 ± 1,2 * repetição máxima (1RM) REPETIÇÕES REPETIÇÕES* P< 0,05 levando em consideração os valores antes e depois do exercício deendurance Embora haja muito interesse em se buscar respostas para a questão dotreinamento concorrente no que tange às adaptações induzidas por este tipo detreinamento, os estudos ainda não são conclusivos, segundo Aoki et al. (2008).Estudos demonstraram que as adaptações decorrentes do treinamento deendurance e do treinamento de força ocorrem por meio de transformaçõesestruturais e funcionais específicas de cada estímulo, inclusive no que dizrespeito ao recrutamento dos diferentes tipos de fibras musculares (BACURAUet al., 2003). Segundo Monteiro (2009) as diferentes adaptações envolvidas nodesenvolvimento da força durante o treinamento concorrente são no nível demecanismos neurais, de disponibilidade de substratos energéticos e dainterconversão na capacidade funcional dos diferentes tipos de fibras. Hakkinen et al (2003) em seus estudos afirmam que o treinamentoconcorrente pode atenuar o desenvolvimento da força explosiva através de
  25. 25. 25uma limitação na ativação neural voluntária. Em relação aos substratosenergéticos Kraemer et al., 2005 apud Castinheiras, 2009 acreditam que ocomprometimento no desenvolvimento da força durante o treinamentoconcorrente tenha origem na depleção de substratos energéticos pela atividadeaeróbica. Já no nível das fibras musculares, quando dois programas sãorealizados, com foco no treinamento aeróbico e outro sobre o treinamento deforça, a resposta adaptativa não é a mesma que ocorre quando apenas umprotocolo é utilizado (FLECK e KRAEMER, 2006). Atualmente três hipótesessão utilizadas para explicar a interferência deletéria do treinamentoconcorrente, a hipótese crônica, a hipótese do overtraining e por último ahipótese aguda. De acordo com a hipótese crônica, o organismo não seria capaz depromover adaptações tão distintas ao mesmo tempo. Nelson et al., (1990) apudTricoli et al., (2005) descreveram que treinamentos de força combinados comtreinamentos de resistência aeróbica podem recrutar diferentes tipos deunidades motoras. Segundo os mesmos autores, protocolos de endurance de altaintensidade ( 90% VO2 max) e de treinamentos de força acima de 80% de 1-RM recrutariam os mesmos tipos de fibras musculares, as do tipo II. Assimsendo, a combinação desses dois protocolos causaria um estresse maior nomesmo tipo de fibra, impossibilitando adaptar-se para um aumento de força. Segundo Fleck e Kraemer (2006) o sobretreinamento pode ser a causafinal da incompatibilidade entre os protocolos de força e endurance, e quetreinamentos convencionais de três dias por semana podem ser compatíveisdentro da lógica de treinamento concorrente. A hipótese do overtraining sugere que um alto volume de treinamentoconcorrente seria capaz de criar um ambiente catabólico que levaria ao estadode excesso de treinamento. Esse resultado indesejado estaria muito ligado à
  26. 26. 26questão da alteração na razão testosterona/cortisol segundo Tricoli et al.,(2005). Pelo fato deste estudo ter sido realizado utilizando-se os mesmosgrupamentos musculares (ex: bicicleta ergométrica seguida de extensão dejoelhos), a hipótese que melhor explicaria o comprometimento da força após oexercício de endurance seria a hipótese aguda. Segundo Aoki et al., (2008) ahipótese aguda foi proposta por Craig et al., (1998) após constatar que o treinode corrida não produzia inibição da força em membros superiores, mas só nosinferiores, e que neste caso a fadiga residual causada pela execução prévia deum treino aeróbico estaria restrita apenas à musculatura treinada,comprovando assim o comprometimento músculo-específico. Alguns achadosdemonstram que mesmo nos casos onde os mesmos grupos musculares foramrecrutados, o efeito adverso do treinamento concorrente após 8 horas não foiobservado (AOKI et al., 2008). Para Bacurau et al., (2003) a suplementação de carboidrato realizadaantes e durante a execução de uma sessão de endurance não reverte o efeitodeletério do treinamento concorrente sobre o desempenho da força,comprovando que a depleção do glicogênio muscular, que era o mecanismoproposto para justificar a suplementação com carboidrato não seria o maisindicado para explicar o decréscimo no desempenho da força muscular apósuma sessão aeróbia. Em estudo realizado por Aoki e Gomes (2005) a suplementação comcreatina anulou o efeito adverso do exercício de endurance sobre odesempenho da força em repetições máximas. Para os autores a depleção decreatina-fosfato pode estar associada à diminuição do desempenho da forçaapós sessão de endurance, já que se instalaria nesse caso um ambiente defadiga residual, mais uma vez a hipótese do comprometimento agudo semostra mais plausível para explicar tal fenômeno. O presente estudo corrobora os achados de Craig et al., (2006) apudTricoli et al., (2005), que atribuem a queda na produção da força a fatorescomo a falta de tempo de recuperação da musculatura e até a diminuição na
  27. 27. 27ativação das musculaturas envolvidas no protocolo (musculaturas dosmembros inferiores). Em relação ao teste de 1-RM, os dados encontrados diferem de algunsachados, a exemplo do estudo realizado por Bacurau et al., (2003), onde ostestes de 1-RM não sofreram alteração após o exercício de endurance, com ousem o uso de suplementação de carboidrato. No presente estudo, acapacidade de executar o teste de carga máxima também foi significativamentecomprometida, conforme se observa na tabela 2.Tabela 2. Teste de 1-RM (extensão de pernas), antes e após exercício embicicleta ergométrica (50-60% da FCR). TESTE ANTES APÓS ENDURANCE ENDURANCE UMA REPETIÇÃO MÁXIMA (1RM) 62,7 ± 9,1 kg 54,7 ± 9,1 kg** P< 0,05 levando em consideração os valores antes e depois do exercício deendurance No caso da ausência de comprometimento no teste de carga máxima,a explicação estaria no recrutamento adicional de fibras IIa e IIb observadanesse teste, já que a produção de energia em esforços máximos e curtos éfornecida predominantemente pela degradação da creatina fosfato, e aprodução de energia pela glicólise, observada no caso das repetiçõesmáximas, é menos importante. A diminuição na capacidade de gerar forçaobservada no teste de carga máxima ainda não está totalmente elucidada.
  28. 28. 286 CONSIDERAÇÕES FINAIS O treinamento aeróbio em bicicleta ergométrica interferiu de formadeletéria no desempenho da força muscular em exercícios de mesmogrupamento muscular. Os dados apresentados no presente estudo sugeremque o comprometimento observado no protocolo de treinamento concorrentetem característica músculo-específica, reforçando a hipótese aguda que nestecaso, teria a fadiga residual como principal causa para o decréscimo da força. Os resultados obtidos têm relevância na construção de programas detreinamento. A partir do momento em que se tem ciência dos efeitos deletériosdo treinamento concorrente realizado para mesmo grupamento muscular, aconstrução de programas de endurance para membros inferiores, e deexercícios de força, para membros superiores torna-se uma alternativainteressante e eficiente. Com isso, o estudo se configura como importanteferramenta para os profissionais da área de Educação Física que pretendemdesenvolver treinos pautados na prescrição/periodização consciente visandominimizar os efeitos indesejados. É importante ressaltar que várias são as hipóteses utilizadas paraexplicar esse fenômeno tão complexo como é o treinamento concorrente, e queestudos demonstram que vários fatores podem ser responsáveispeladiminuição da força e não só os achados e apresentados por este estudo. Ahipótese aguda apenas se mostrou mais condizente com os dadosencontrados. Mais estudos são necessários para investigar de maneira maisconclusiva a questão da ordem na execução dos exercícios. Além disso, apossibilidade deste estudo ser realizado de maneira a investigar outrasvariáveis, capazes de responder a questões de ordem crônica também seriaextremamente válida.
  29. 29. 29REFERÊNCIASANDRADE, N.V.S; GONÇALVES, R.N; MONTEIRO, L.L; PEREIRA, E.F.M.Uma revisão sobre Treinamento Concorrente. V. XII, n° 2. Ensaios eCiência: Ciências Biológicas, Agrárias e da Saúde. Ano 2008.AOKI, M.S; BACURAU, R.F.P; CHARRO, M.A; GOMES, R.V; RADDI, L.L.O.Treino de corrida não interfere no desempenho de força de membrossuperiores. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. Vol. 14, n° 6.Niterói, Nov/Dez. 2008.AOKI, M.S; GOMES, R.V. Suplementação de creatina anula o efeitoadverso do exercício de endurance sobre o subseqüente desempenho deforça. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. Vol. 11, n° 2. Niterói, Mar/Abr.2005.M, A. Treinamento Concorrente: Força e Aeróbio. Site 2009. Disponível emhttp://www.arturmonteiro.com.br. Acesso em: 4 abr. 2010.BACURAU, R.F.P; UCHIDA, M.C; NAVARRO, F; JUNIOR, F.L.P; AOKI, M.S.Suplementação de carboidrato não reverte o efeito deletério do exercíciode endurance sobre o subseqüente desempenho de força. RevistaBrasileira de Medicina do Esporte. Vol. 9, n° 5. Niterói, Set/Out. 2003.BOMPA, T.O; CORNACCHIA, L.J. Treinamento de Força Consciente. SãoPaulo: Phorte Editora, 2000.BOSCO, C. A força muscular: aspectos fisiológicos e aplicações práticas.– São Paulo: Phorte, 2007.FLECK, S.J; KRAEMER, W.J. Fundamentos do treinamento de forçamuscular. 3. ed. – Porto Alegre: Artmed, 2006.
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  32. 32. 32ANEXO
  33. 33. 33 A UNIVERSIDADE ESTADUAL DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO COLEGIADO DE EDUCAÇÃO FÍSICA TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Senhor_ Estamos realizando uma pesquisa com o objetivo de verificar ainfluência do treinamento aeróbico sobre o treinamento de força subsequente,tendo como responsável o Prof. Ms. Valter Abrantes e como pesquisadorAlexsandro Batista Araújo. O Senhor está sendo convidado a participar desta pesquisa, onde seráfeito o uso do espaço da academia em que é usuário. Solicitamos então a suaautorização para realizar com o senhor todos os procedimentos necessários aoestudo. Este estudo pretende seguir os princípios éticos de pesquisasenvolvendo seres humanos, evitando danos/ agravos aos sujeitos envolvidosna pesquisa. Sua participação é voluntária e, a qualquer momento, estaremosa sua disposição para esclarecimentos sobre a pesquisa e você terá todo odireito de desistir dela quando não se sentir devidamente satisfeito, semnenhum prejuízo para o senhor. Caso haja algum prejuízo por quaisquer danos decorrentes destapesquisa, o senhor terá direito à indenização, que estará de acordo comResolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Será garantido o sigilo de todas as informações individuais coletadasnessa pesquisa, preservando a sua identidade. Os resultados desse estudoserão publicados e poderão ajudar a entender a influência do treinamentoaeróbico sobre o treinamento de força subseqüente. Se você concordar em participar, deverá assinar este termo. Uma cópiadele ficará como você e a outra com os pesquisadores.Alagoinhas (BA), / / Assinatura do sujeito

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