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A influência da dança na melhoria dos aspectos psicossociais na terceira idade: UATI - Alagoinhas - BA
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  • 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO/CAMPUS II – ALAGOINHAS CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA ALESSANDRO DE SOUZA FERREIRA A INFLUÊNCIA DA DANÇA NA MELHORIA DOS ASPECTOSPSICOSSOCIAIS NA TERCEIRA IDADE: UATI – ALAGOINHAS – BA Alagoinhas 2012
  • 2. ALESSANDRO DE SOUZA FERREIRA A INFLUÊNCIA DA DANÇA NA MELHORIA DOS ASPECTOSPSICOSSOCIAIS NA TERCEIRA IDADE: UATI – ALAGOINHAS – BA Monografia apresentada como requisito parcial para a conclusão do curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade do Estado da Bahia – Campus II, sob a orientação da professora Especialista Viviane Rocha Viana. Alagoinhas 2012
  • 3. DEDICATÓRIADedico esse trabalho a duas pessoas especiais quesão responsáveis pela pessoa que sou hoje e quetenho muito orgulho de ser filho, aos meus paisSônia Maria e Domingos Ferreira. Quando nósfilhos saímos de casa e ganhamos o mundo é paraque vocês possam se orgulhar da gente, nunca fizmal para ninguém e a educação que eu tenho hoje etodas as minhas vitórias são dedicadas a vocês,ainda não desisti de poder um dia cuidar de vocês otanto quanto vocês cuidaram de mim, amo vocês.
  • 4. AGRADECIMENTOS Primeiramente quero agradecer a Deus por todas as oportunidades que eletem me dado e a todas as pessoas de bom coração que fizeram parte de momentostão especiais da minha vida como esse. As minhas irmãs Leila e Helena, aos meus sobrinhos e minha Tia Sueli quemesmo distante sempre tivemos um amor recíproco e que tenho no fundo do meucoração como pessoas importantes para mim. A minha orientadora Viviane, que sem ela eu não teria condições de realizaresse trabalho, sempre amiga, paciente e pronta para ajudar, nunca me deixou namão, obrigado por tudo, essa vitória é nossa. Agradeço a todos os professores que fizeram parte da minha formação,principalmente ao professor Bira, que tenho como exemplo de professor e aosoutros que também contribuíram para esse processo da minha vida acadêmica. Aos meus amigos de coração Nildo e Ana Isa, que passávamos horas ehoras no telefone, conversando, discutindo sobre nossas monografias, além de umagrande amizade que hoje é real, nos sentimos como se fossemos irmãos de tãopróximos e amados que nos tornamos. Obrigado por tudo! Ao “grupo de Cintia”, incluindo todos, especialmente Cintia, Alani e Dayane“Lindinha” que eu amo de coração, pessoas especiais, que nunca esquecerei. Também minha amiga Helaine (minha dançarina de dança do ventre), Edvan(okara) e Renan (de Coité) que fizeram parte do “grupo do Alessandro” e apesar dealguns desacordos sempre terminávamos bem, porque sempre fomos responsáveis. Agradeço à coordenadora da UATI Iêda Fátima pela confiança ao meutrabalho, aos professores do projeto e a todas as minhas garotas da terceira idade,as quais amo muito, fizeram parte desse processo brilhantemente e se tornaramparte da minha família, nunca esquecerei o dia que meus pais puderam participar daaula juntamente com vocês e o carinho que vocês tiveram com eles. Agradeço também a Larissa e também Tarcísio pela colaboração em tornode tudo que eu precisava saber sobre a UATI e os livros que me deram para ajudarno meu trabalho.
  • 5. Não posso nunca esquecer pessoas especiais como Paulo, Norma e Cesarque sempre estavam prontos para me ouvir, nos momentos que mais precisei, omeu respeito, amor e carinho a vocês. Por fim, meus agradecimentos a todos os alunos e proprietários dasAcademias La Dance e Fisio Solutions, que estão presentes no meu dia-a-dia, e atodas as pessoas que contribuíram para minha formação como profissional e comopessoa. Obrigado por tudo!
  • 6. LISTA DE SIGLASUATI - Universidade Aberta à Terceira IdadeCSU - Centro Social UrbanoIBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e EstatísticaGAFTI - Grupos de Atividades Físicas para a Terceira IdadeUEFS – Universidade Estadual de Feira de SantanaUERJ - Universidade Estadual do Rio de JaneiroNAI - Núcleo de Assistência ao IdosoPUC - Pontifícia Universidade CatólicaUNEB – Universidade do Estado da BahiaDEDC – Departamento de Educação
  • 7. RESUMOO presente estudo vem tratar da prática da dança na melhoria dos aspectospsicossociais na terceira idade. Como resultado, temos uma discussão acerca dosbenefícios e a melhoria na qualidade de vida, reintegração social e do bem-estarpsicológico das idosas. Este estudo apresenta características de uma pesquisaqualitativa e na primeira parte apresentamos algumas questões relacionadas aoenvelhecimento, fazendo também uma breve consideração às questões biológicas;na segunda parte foram apontadas questões como qualidade de vida, aposentadoriae projetos de reintegração social relacionados à terceira idade e na última parte umhistórico sobre a dança e sua prática para com os idosos. Diante da pesquisarealizada podemos considerar que dentre outras características importantes aprática da dança resulta na melhoria dos aspectos psicológicos e sociais na vida doidoso.Palavras-chave: Dança. Terceira Idade. Aspectos Psicossociais.
  • 8. ABSTRACTThis study will deal with the practice of dance in the improvement of psychosocialaspects in the third age. As a result of the study, we have a discussion about thebenefits and the improvement in the quality of life, social reintegration andpsychological well-being of the elderly. For the study was conducted a qualitativeresearch. In the first part we present issues related to aging in psychosocial aspects,and also a brief account organic issues; in the second part were highlighted issuessuch as quality of life, retirement, and projects of social reintegration, related to thethird age and the last part a history on the dance and its practice with the elderlypeople. Before the research performed we can consider that among other importantcharacteristics to the practice of dance results in improvement of psychological andsocial aspects in the life of the elderly.Keywords: Dance. Third Age. Psychosocial Aspects.
  • 9. SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO ----------------------------------------------------------------- 112 ENVELHECIMENTO---------------------------------------------------------- 14 2.1 O ENVELHECER--------------------------------------------------------- 14 2.2 O ENVELHECIMENTO NO BRASIL E NO MUNDO ------------ 15 2.3 IDADES DO INDIVÍDUO ----------------------------------------------- 17 2.3.1 IDADE CRONOLÓGICA---------------------------------------------- 18 2.3.2 IDADE BIOLÓGICA --------------------------------------------------- 19 2.3.3 IDADE SOCIAL ---------------------------------------------------------- 20 2.3.4 IDADE PSICOLÓGICA ------------------------------------------------ 213 A TERCEIRA IDADE E A QUALIDADE DE VIDA ----------------------- 23 3.1 APOSENTADORIA ------------------------------------------------------- 23 3.2 PROGRAMAS PARA REINTEGRAÇÃO SOCIAL----------------- 25 3.3 UNIVERSIDADE ABERTA À TERCEIRA IDADE (UATI) ------- 274 A DANÇA E SUAS CONCEPÇÕES -------------------------------------- 29 4.1 A DANÇA E A TERCEIRA IDADE ------------------------------------ 305 METODOLOGIA --------------------------------------------------------------- 35 5.1 TIPO DE ESTUDO ------------------------------------------------------- 35 5.2 ESPAÇO E SUJEITO PESQUISADOS ----------------------------- 36 5.3 TÉCNICAS DE COLETA DE DADOS ------------------------------- 37 5.4 TÉCNICAS DE ANÁLISE DE DADOS ------------------------------- 386 RESULTADOS E DISCUSSÃO ------------------------------------------- 41 6.1 OFICINAS OFERECIDAS PELA UATI ------------------------------- 41
  • 10. 6.2 O HISTÓRICO DA DANÇA NOS INDIVÍDUOS ENTREVISTADOS 42 6.3 AS DIFICULDADES DA PRÁTICA DA DANÇA NA TERCEIRA 45 IDADE 6.4 O OLHAR DA SOCIEDADE PARA O IDOSO QUE DANÇA 47 6.5 TRANSFORMAÇÕES PSICOSSOCIAIS COM A PRÁTICA DA 48 DANÇA7 CONSIDERAÇÕES FINAIS --------------------------------------------------- 51 REFERÊNCIAS APÊNDICES
  • 11. 111 INTRODUÇÃO A dança está presente na vida das pessoas desde tempos imemoriais. Opróprio corpo de forma involuntária movimenta-se ao ouvir uma música, ou mesmoproduzindo sons com palmas ou batendo o pé. Pesquisas mostram que a dança éuma das atividades mais completas para se exercitar, ela reforça um trabalhocorporal, possibilitando a execução dos movimentos de maneira livre ou mesmocoreografados, onde o indivíduo tende a aprender, mentalizar e ou mesmo repetir osmovimentos. O contexto da dança na terceira idade é marcado por um processo deexclusão no sentido da prática “do dançar”, pois a maioria dos estilos de dançaexistentes tem algumas regras a serem seguidas, o que impossibilita a pessoa quenão tem alguma habilidade física e/ou motora para praticá-la. Mas a dança vai alémde apenas um movimento corporal, ela pode reunir expressão, diversão, prazer,espiritualidade, lateralidade, coordenação motora, além de promover sociabilização,motivação e conhecimentos de outras culturas. A cada ano que se passa aumenta a quantidade de idosos na populaçãobrasileira e mundial. A manutenção física, psicológica e social durante toda a vidado indivíduo é uma maneira de chegar à terceira idade de forma saudável, diante detantos preconceitos que o idoso enfrenta na sociedade. Ao nascer o indivíduo já começa a socializar-se com o mundo, durante seucrescimento e amadurecimento já estabelecerá um primeiro perfil de sua identidade.O tempo passa e várias modificações físicas vão acontecendo por um bom tempo,por exemplo, na adolescência, além dessas mudanças, aparecem também algumasquestões ligadas a saúde mental, onde o adolescente com a sua pouca experiênciade vida e a educação dada pela escola e pelos pais, reproduz o seu novo perfil deidentidade, confrontando seus pensamentos pessoais, além de opiniões construídaspelo contexto da educação da família e também da sociedade, assim passando parasua vida adulta. Já a chegada da terceira idade, termo que utilizaremos para os indivíduos quechegam aos 60 anos, é marcada pelo processo de exclusão social, ondeprincipalmente aqueles que se aposentam, são ditos improdutivos para o mercadode trabalho. Logo o afastamento do trabalho, dos amigos de convivência durante
  • 12. 12toda a vida se perde, fazendo com que o idoso se distancie cada vez mais, podendoocasionar doenças graves como a depressão, esta que pode levá-lo a morte. Para tanto, a escolha dessa temática para a realização da pesquisa tem umarelação com um perfil profissional que venho construindo em minha vida, o qual seinicia durante minha experiência com jovens em academias de ginástica deAlagoinhas-Ba, que utilizam a dança como lazer e prática corporal. Diante dealgumas experiências acadêmicas, surge o projeto de extensão da UNEB, em que ofoco de minha atuação seria a dança na terceira idade. Ao aceitar esse importantedesafio comecei a perceber a diferença com que os idosos vêem a dança, muitasvezes buscando nela uma forma de socializar-se com outras pessoas e resgatarinteresses também culturais. Tendo como universo de estudo o grupo de idosos da oficina de dança daUniversidade Aberta à Terceira Idade (UATI) de Alagoinhas-Ba, seguiu-se asdiretrizes da pesquisa qualitativa, utilizou-se como método de pesquisa o estudo decaso, onde a técnica de coleta de informações foi à observação participante. Comoinstrumento de coleta de dados foi elaborado uma entrevista semi-estruturada, estadirecionada a um número de seis idosas do programa com idades diferentes eaquelas que tiveram participação na oficina em tempo diferentes, como veremos,idosas que tem 03, 07 e 11 meses de participação na oficina. Para analisar osresultados foi utilizada a técnica de análise de conteúdo. O objetivo geral deste estudo é verificar as mudanças psicossociaisocorridas na prática contínua da oficina de dança com os idosos do programa. Comoobjetivos específicos buscamos fazer uma análise sobre os benefícios e dificuldadesque compõem a prática ofertada ao grupo, fazendo uma breve contextualização comas outras modalidades oferecidas pelo programa, e também resgatar o contexto dadança durante a vida dos idosos, discutindo de que forma praticavam e como eravista em tempos anteriores. O problema da pesquisa se resume na seguinte indagação: Como a dançapode influenciar na melhoria dos aspectos psicossociais na terceira idade? Tendocomo hipótese, que a prática da dança atua no sentido de trazer benefícios para ascondições psicológicas e sociais ao idoso, sendo uma atividade feita em grupo, ondetambém o idoso pode se sentir, dentre outras possibilidades, reintegrado novamentea sociedade.
  • 13. 13 No âmbito acadêmico este estudo tende a fazer com que haja um interessemaior para esta área de atuação, cuja temática tem relevância para a dança, assimcomo para a terceira idade. Pretende-se que os resultados encontrados permitamque as pessoas olhem para o idoso de outra maneira, no sentido positivo,valorizando-o enquanto sujeito importante para o contexto social, sendo tratadocomo cidadão produtivo e útil, afastando-o o máximo possível do processo deexclusão. O presente estudo traz no primeiro capítulo o referencial teórico sobre oenvelhecimento, onde tratamos dos índices de envelhecimento no Brasil e nomundo, além dos conceitos de envelhecimento no sentido cronológico, psicológico,biológico e social. No segundo capítulo, temos os conceitos sobre a terceira idade e qualidadede vida, pautados num estudo sobre a aposentadoria, tema esse que abre portaspara o discurso sobre os problemas relacionados às transformações psicossociaisna terceira idade, além de uma discussão sobre o surgimento e o desenvolvimentodas Universidades Abertas à Terceira Idade no Brasil, dando ênfase na UATI dacidade de Alagoinhas-Ba. A dança está muito presente no terceiro capítulo, e nele relatamos um poucode sua história e concepções, analisando os possíveis benefícios biopsicossociaispara os idosos e mostrando as possibilidades para a prática da dança direcionada àesse público. Finalizamos o trabalho apresentando os resultados e discussões, eestabelecendo nas considerações finais uma síntese do que foi percebido durante apesquisa, além de outras vertentes que foram importantes para conclusão dotrabalho.
  • 14. 142 ENVELHECIMENTO2.1 O ENVELHECER De acordo com Fortes (2008), o amadurecimento é marcado por ritos depassagens onde a cada etapa vencida o indivíduo está mais preparado para a suavida, ou seja, ele passa praticamente sua vida construindo e estabelecendo um novoperfil de identidade com as influencias geradas pelo seu meio. Na adolescência esseprocesso é significativo, principalmente se formos analisar as questões de cunhopsicológico e social, como ele observa o mundo e utiliza aquele conhecimentoadquirido com sua experiência de vida para a sua fase adulta. O tempo passa, ele constrói uma nova família, onde todos seusconhecimentos, cultura e modo de vida se misturam com os conceitos e percepçõesde outro indivíduo, estabelecendo uma modificação destes desde o nascimento atéo envelhecimento. Contribuindo para o entendimento das transformações de vida dosujeito até a terceira idade. Com o envelhecimento além de transformações físicas, o idoso passa porum processo de alterações psicológicas e sociais. Dentre eles, podemos destacar opreconceito social com o idoso, onde o mesmo não é valorizado ou mesmorespeitado por ter pela sociedade uma visão de impossibilidades, onde não é ocorreto se afirmar, pois apesar de suas dificuldades o idoso tem uma grandeimportância na sociedade, principalmente para sua geração, como filhos, netos epessoas que passaram por sua vida. Com o passar dos anos, podemos constatar algumas mudanças de atitudes,até importantes, nos diferentes tipos de sociedades, com relação aoenvelhecimento, como por exemplo, a diminuição de estereótipos e preconceitosestabelecidos pela própria sociedade oportunizando a reintegração do idoso, eapesar das características da população idosa do nosso país, faz-se necessária umaobservação acerca de suas vidas com a chegada da aposentadoria, considerando oaumento do chamado tempo livre, ou disponível, pois certamente trará resquícios deuma sociedade, onde o trabalho era prioridade para tudo na vida e o lazer deixadopara segundo plano. Logo, para atender essa população, têm surgido diversos programasvoltados para o idoso, com objetivos e características bem diferenciadas, como a
  • 15. 15educação no processo de envelhecimento, reintegração do idoso à sociedade,reeducação da sexualidade, assistência financeira e social etc. Dentre estesprogramas, destacamos as Universidades Abertas à Terceira Idade (UATI), osgrupos de convivência, os Centros Sociais Urbanos (CSU), entre outros. Estes programas, mesmo tendo objetivos e características diferentes,oferecem atividades bem semelhantes, como oficinas de trabalhos manuais: crochê,tricô, pintura em tela e tecido, tapeçaria; oficinas de música, canto; oficinas queenvolvem trabalhos corporais como: ginástica, alongamento, hidroginástica, dança,yoga e atividades lúdicas. Com essas atividades, novas concepções e práticas vão sendoimplantadas na sociedade, pois a tendência é que ao se chegar à terceira idade, oócio e a ansiedade que acompanham o processo de envelhecimento, sejamsubstituídos por outras atividades a fim de dar um novo sentido às suas vidas.2.2 O ENVELHECIMENTO NO BRASIL E NO MUNDO Para a Organização Mundial de Saúde a terceira idade tem início a partir dos60 anos, em países como o Brasil. Nesse período as pessoas passam a serchamadas de “idosas”, expressão essa que acaba ofendendo algumas pessoas,pois a relacionam com a expressão “velha”, significando algo usado ou semutilidade. No entanto a velhice deve ser vista como mais uma etapa da vida quepode ser plena de realizações, agindo assim o indivíduo alcança um equilíbrio maiorde si alterando a idéia de que os outros fazem deles. (MENEGHETTI; RODRIGUES,2010) Idoso, velho, melhor idade, maior idade, adulto maduro, entre outros sãovárias as nomenclaturas dada à velhice. Utilizaremos o termo “terceira idade” e“idoso” no decorrer da pesquisa, sendo que a segunda nomenclatura “[...] é maisusada pelas áreas da saúde, das ciências sociais e humanas, entre outras.”(ANDRADE; PORTELA , 2010, p.9) Considerando-se os conceitos e preconceitos que se faz ao indivíduo quechega aos 60 anos, na sociedade de consumo onde vivemos tanto o homem quantoa mulher idosa, tem enfrentado preconceitos de uma mentalidade que não valoriza amaturidade do idoso, até eles mesmos contribuem para o preconceito quando se
  • 16. 16mantêm ignorantes aos valores próprios da sua idade, muitos procuram até meiosduvidosos para “voltar” a juventude, para alguns quando os cabelos embranqueceme as rugas aparecem chega-se ao estágio da “solidão”, entretanto na Índia, a solidãonão significa necessariamente isolamento e melancolia e sim sinônimo de liberdade(LIMA; MENDES, 2002). O problema da solidão relacionada ao idoso não é somente, pela chegadada terceira idade, mas sim da forma que ele é visto pela sociedade, comoimprodutivo, ou mesmo pelos familiares que os abandonam em asilos, assim osexcluindo da sociedade, o que não deveria ocorrer, entendendo que o crescimentoconstante da terceira idade na população é notável. Nas nações Unidas em 1981, foi feita uma distinção entre as populaçõesmaduras onde 7% ou mais da população tinha mais de 60 anos, em 2025 casomantenha essa tendência, cerca de 20 % da população da América do Norte e deoutras partes da Europa terá mais de 55 anos, assim como em alguns países emdesenvolvimento (SHEPARD apud CIPRIANO; MEDALHA, 2007). De acordo com o IBGE (2008), a população brasileira envelhece em ritmoacelerado, com o avanço da medicina e melhorias nas condições gerais de vidaelevará a média de vida do brasileiro (expectativa ao nascer) de 45,5 anos de idade,em 1940, para 72,7 anos em 2008, ou seja, mais 27,2 anos de vida. Segundo aprojeção do Instituto, o país continuará galgando anos na vida média da suapopulação, em 2025 o patamar alcançará a expectativa de 81,29 anos, basicamenteo mesmo nível atual da Islândia (81,80), Hong Kong, China (82,80) e Japão (82,60). O índice de envelhecimento aponta para mudanças na estrutura etária da população brasileira. Em 2008, para cada grupo de 100 crianças de 0 a 14 anos existem 24,7 idosos de 65 anos ou mais. Em 2050, o quadro muda e para cada 100 crianças de 0 a 14 anos existirão 172, 7 idosos. Um exame das estruturas etárias projetadas mostra, também, a transformação nas relações entre pessoas que ingressam (e permanecem) nas idades ativas e aquelas que atingem as chamadas idades potencialmente inativas. Em 2000, para cada pessoa1 com 65 anos ou mais de idade, aproximadamente 121 A taxa de fecundidade total expressa o número de filhos que, em média, teria uma mulher, pertencente auma coorte hipotética de mulheres, que durante sua vida fértil tiveram seus filhos de acordo com as taxas defecundidade por idade do período em estudo e não estiveram expostas aos riscos de mortalidade desde onascimento até o término do período fértil pertencente a uma coorte hipotética de mulheres, que durante suavida fértil tiveram seus filhos de acordo com as taxas de fecundidade por idade do período em estudo e nãoestiveram expostas aos riscos de mortalidade desde o nascimento até o término do período fértil.
  • 17. 17 estavam na faixa etária chamada de potencialmente ativa (15 a 64 anos). Já em 2050, para cada pessoa com 65 anos ou mais de idade, pouco menos de 3 estarão na faixa etária potencialmente ativa. No tocante às crianças e jovens, existirá cada vez mais pessoas em idade potencialmente ativa “destinadas” a suprir suas necessidades. (IBGE, 2008) Segundo Okuma & Teixeira (2004) com esse aumento da população deidosos deverá haver uma maior necessidade de especialistas na área, sendo que osprofissionais da saúde não recebem instrução a respeito do idoso e, quando arecebem, é feita através de uma disciplina restrita. Os conteúdos oferecidos sãovoltados somente ao envelhecimento e é analisado somente na dimensão biológicacomo acontece nas áreas da saúde, ao invés de ser analisado em todas as suasdimensões, principalmente num contexto sócio-histórico-cultural. Sendo assim, ao estudar as perdas produzidas pelo envelhecimento,provavelmente haverá estereótipos negativos, possivelmente induzindo osestudantes a rejeitarem o trabalho com idosos. Deste modo, com base na literaturaque aponta o desconhecimento e conhecimento desse senso como um dosprincipais fatores relacionados ao preconceito e estereótipo negativo para com oidoso, sugere-se principalmente que o professor de Educação física esteja inseridonas atividades voltadas a esse grupo e deve ter o interesse de elaborar trabalhos eprojetos, sendo que o envelhecimento dito saudável nos âmbitos biológicos,psicológico e social é de mera importância diante das transformações ocorridas como indivíduo no decorrer do seu envelhecimento e a dança diante os benefícios queiremos apresentar mais adiante é uma atividade física dita completa para essepúblico.2.3 IDADES DO INDIVÍDUO O envelhecimento humano cada vez mais é entendido como um processo demudanças influenciado por fatores como gênero, classe social, cultura, padrões desaúde individual e coletiva da sociedade. (HOYER; ROODIN apud IRIGARAY;SCHNEIDER, 2008) Segundo Irigaray & Schneider (2008) na sua pesquisa sobre oenvelhecimento na atualidade, a idade do indivíduo apresenta-se em diferentesaspectos, caracterizando-os como cronológicos, biológicos, sociais e psicológicos.
  • 18. 18Utilizaremos essas representações para entendermos melhor sobre oenvelhecimento e suas características.2.3.1. IDADE CRONOLÓGICA Seguindo os conceitos estabelecidos pelo autor, a idade cronológica,mensura a passagem do tempo decorrido em dias, meses e anos desde onascimento, e é a melhor forma de se obter informações de uma pessoa. Sendo assim, a idade cronológica pode ser entendida como algo absoluto enela são fixadas propriedades que podem ser medidas pelo tempo, empregando-seum padrão absoluto ou escalas de medidas. Dada a comparação de tempo e medidapercebe-se que o tempo não é fundamental, absoluto e objetivo, mas sim relativo esubjetivo. Variáveis como o tempo histórico, idade (nascimento), coorte2 podemreduzir o mesmo conceito de tempo físico clássico, mas não pode apresentarconcomitância com a idade biológica. (SCHROOTS; BIRREN apud IRIGARAY;SCHNEIDER, 2008) Um exemplo da idade cronológica é a idade para a aposentadoria, segundoa Previdência Social, o homem a partir dos 65 anos e a mulher a partir dos 60 anos,estará na idade considerada inativa para o mercado de trabalho, mais a frenteabordaremos mais sobre esse assunto. Alguns autores afirmam que “é um absurdo insistir que a idade cronológicadeve fazer parte da identidade” (ANDREWS apud IRIGARAY; SCHNEIDER, 2008, p.589). Sendo que nesse sentido ela se refere somente aos anos que tem decorridodesde o nascimento da pessoa, portanto não é um índice de desenvolvimento nosentido biológico, psicológico e social. De acordo com Fortes (2008), a idade cronológica aponta uma fase davida, mas ao mesmo tempo podemos encontrar pessoas com 50 anos e comcaracterísticas clássicas do envelhecimento, mas também “jovens” de 60, 70 anoscaminhando pelas ruas e praticando esportes.2 Conjunto de indivíduos que estão experimentando um acontecimento similar no transcurso de um mesmoperíodo de tempo.
  • 19. 192.3.2. IDADE BIOLÓGICA Para Irigaray; Schneider (2008) a idade biológica é definida pelasmodificações corporais e mentais que ocorrem ao longo do processo dedesenvolvimento, sendo ela compreendida antes do nascimento do indivíduoestendendo por toda sua vida. Segundo Okuma (1998) as mudanças biológicas têm haver com implicaçõesdo meio ambiente que o indivíduo vai absorver de acordo com normas, valores e oscritérios da sociedade e da cultura nas quais a velhice acontece. Portanto, cadaindivíduo terá uma forma de encarar a sua velhice, dependendo de seus recursosinternos, seus valores e formas de pensamento e principalmente as suas relaçõessociais, sendo que a família é um ponto importantíssimo nesse processo. Para entendermos melhor o envelhecimento no sentido biológico devemoscompreender as perdas de funções orgânicas, conhecido por senescência, onde eleconsegue aceitar essas perdas de suas capacidades intelectuais e físicas. Asenilidade é conhecida como um envelhecimento onde aparecem as patologias.Sendo assim o processo de envelhecimento somente é conhecido pelas mudançasanatomo-fisiológicas, em que as pessoas levam a velhice como patologia, não comoum processo normal da vida e que não é necessário entendê-lo, mas sim combatê-lo. (MARCHAND apud CIPRIANO e MEDALHA, 2007) As modificações físicas são algo perceptível na terceira idade, diante dasalterações no sentido biológico podemos afirmar que: A partir dos 40 anos, a estatura do indivíduo diminui cerca de um centímetro por década, principalmente devido à diminuição da altura vertebral ocasionada pela redução da massa óssea e outras alterações degenerativas da coluna vertebral. A pele fica mais fina e friável, menos elástica e com menos oleosidade. A visão também declina, principalmente para objetos próximos. A audição diminui ao longo dos anos, porém normalmente não interfere no dia-a-dia. Com o envelhecimento, o peso e o volume do encéfalo diminuem por perda de neurônios, mas, apesar desta redução, as funções mentais permanecem preservadas até o final da vida (COSTA; PEREIRA apud IRIGARAY; SCHNEIDER, 2008, p.590). Durante a vida, a contínua prática de atividade física pode fazer com que achegada da terceira idade não tenha apenas aspectos negativos e ela pode
  • 20. 20contribuir para uma diminuição desse processo. Com a chegada dessa fase da vida,ocorre também o enfraquecimento de membros inferiores, que interferem nalocomoção, por exemplo, decorrentes das transformações físicas relacionadas aoenvelhecimento. Esse enfraquecimento, ocasionado pela redução de massa muscular leva-se às quedas que são constantes na terceira idade, geralmente ocorrem também poranormalidades do equilíbrio, fraqueza muscular, desordens visuais, anormalidadesdo passo, doença cardiovascular, alteração cognitiva, além de consumos demedicamentos, assim, essas quedas podem levar a pequenos ou até gravesacidentes, podendo ocorrer fraturas ou lesões em tecidos moles, ou levá-lo a morte.(MATSUDO apud CIPRIANO; MADALHA, 2007) Portanto, podemos entender a idade biológica como a condição e estado docorpo do indivíduo, ou seja, a integridade física, esta que com a prática de atividadefísica pode fazer parte da vida do indivíduo antes ou mesmo durante oenvelhecimento fazendo com que essas quedas sejam evitadas, assim comotambém fazendo com que ocorra a melhoria das suas condições físicas.2.3.3 IDADE SOCIAL A idade social segundo Medeiros (2009) refere-se aos papéis e expectativasque a sociedade espera de cada cidadão em determinada idade, como por exemplo,que trabalhe aos 30 anos, que tenha filhos antes dos 40 e aos 65 anos consigaaposentar-se. Conforme Irigaray; Schneider (2008) a medida da idade social é compostapor performances individuais de papéis sociais, bem como respeito social por partede outras pessoas em posição na sociedade. Segundo os autores ela é compostapor atributos que caracterizam o indivíduo e que varia de acordo com a cultura, ogênero, a classe social, o transcorrer das gerações e das condições de vida e detrabalho, sendo que as desigualdades dessas condições levam a desigualdades noprocesso de envelhecer. Socialmente, pode-se definir como pessoa idosa a partir domomento em que deixa o mercado de trabalho, por exemplo, o indivíduo deixa deser economicamente ativo. A partir do momento que o idoso é excluído do mercado de trabalho, eletambém diminui suas relações sociais, deixando de conviver com pessoas que
  • 21. 21estavam sempre presentes no seu dia-a-dia e se caso esses laços de amizade nãocontinuarem ou mesmo não houver uma nova relação de amizades, esse idoso sesentirá excluído da sociedade num momento que para ele seria de descanso, bem-estar e lazer. Segundo Garcia & Leonel (2007), diante da exclusão do idoso na sociedadecapitalista, onde o mesmo é visto como um elemento descartável, em sua pesquisasobre transformações nos relacionamentos a partir de programas sociais, o autorenfatiza que os profissionais da área de saúde focalizam programas parareintegração desses idosos na sociedade, estes programas favorecem odesenvolvimento da sociabilidade, provocando alterações na vida dessas pessoas,nas suas atividades e nas relações interpessoais, abrindo a construção de novasamizades.2.3.4 IDADE PSICOLÓGICA A idade psicológica tem relação com a idade cronológica e as capacidadespsicológicas, tais como percepção, aprendizagem e memória, que prenuncia opotencial de funcionamento futuro do indivíduo, ou seja, um idoso pode ter umaidade psicológica melhor do que um jovem, principalmente em relação a seu tempoe o aprendizado percorrido por toda sua vida, mas também alguns indivíduos jovenspodem ter uma idade psicológica melhor do que um idoso, ao depender do contextode vida dos dois sujeitos (NERI apud IRYGARAY; SCHNEIDER 2008). Para Medeiros (2009) a idade psicológica é a idade que a pessoa sente quetem e demonstra ter, na maneira de agir. Na terceira idade principalmente com asmudanças no sentido neurológico, alguns idosos, voltam a se comportar comocrianças, em alguns casos relembrar momentos e situações de tempos atrás quepodem interferir no comportamento atual. Estudos atuais sugerem que os idosos podem apresentar uma imensa capacidade de se adaptar a novas situações e de pensar estratégias que sirvam como fatores protetores. O conceito de resiliência, que pode ser definido como a capacidade de recuperação e manutenção do comportamento adaptativo mesmo quando ameaçado por um evento estressante, e o de plasticidade, caracterizado como o potencial para mudança, são vividos pelos
  • 22. 22 idosos e constituem fatores indispensáveis para um envelhecimento bem-sucedido (IRYGAHAY E SCHNEIDER 2008, p. 592) Sentir-se bem e ter uma boa auto-estima é o melhor caminho para aguardara chegada dessa nova fase da vida, a qual chamamos de terceira idade, essesaspectos são de muita significância para o bem-estar psicológico e social doindivíduo na sua velhice, sendo que a chegada da aposentadoria pode ser um fatorpreponderante para questões relacionadas à qualidade de vida. A opção pela dançaenquanto atividade física é algo relevante, pois ela apresenta inúmeros benefíciospara quem a pratica (veremos no capítulo quatro), além de ser uma das atividadesque fazem parte dos projetos realizados por instituições de atendimento voltado àterceira idade. Haja vista que é necessária uma nova visão da terceira idade, massobre este assunto discutiremos no capítulo seguinte.
  • 23. 233 A TERCEIRA IDADE E A QUALIDADE DE VIDA Com o aumento da expectativa de vida do cidadão brasileiro, faz-senecessário a busca de um envelhecimento saudável. Segundo Neri et al (2004) emseu livro “Velhice bem-sucedida”, são poucos os estudos voltados a esse assunto noambiente acadêmico brasileiro, freqüentemente há um desafio de questionamentosna validade dos dados contidos em publicações internacionais e uma adaptação aocontexto dos nossos idosos. A autora acima relata que uma velhice bem-sucedida revela-se em idososque mantêm autonomia, independência e envolvimento ativo com a vida pessoal,familiar, lazer e a sua vida social, incluindo os amigos. Nesse contexto, reflete-se emreconhecimento social às pessoas porque lhes permite oferecer contribuições àsociedade ou ao grupo familiar, mas é pouca a quantidade de pessoas que cheganesse padrão de vida, por vários fatores como genética, estilo de vida e condiçõessocioeconômicas. Para Nahas (apud Pinto, 2008) devemos levar em consideração quenenhuma pessoa é igual à outra e as mudanças ocorridas na vida de cada um sãoúnicas, assim serão muitos os fatores que determinarão a qualidade de vida doindivíduo como: condições de saúde, longevidade, satisfação e prazer no trabalho,salário, lazer, as relações familiares e até mesmo a espiritualidade. Quando pensamos na terceira idade a visão que se tem é de conceitospessimistas, distanciando a idéia de qualidade de vida. Para Marquez Filho (1998) achegada dessa nova fase da vida, pode surgir com perdas de outras naturezascomo: a separação dos filhos pela saída de casa, perdas de entes queridosmotivadas por morte, viuvez ou separação, outro fator que também influencia é aaposentadoria, conforme veremos a seguir.3.1 APOSENTADORIA Para a Previdência Social tem direito a aposentadoria, trabalhadoresurbanos do sexo masculino a partir dos 65 anos e do sexo feminino a partir dos 60anos, já os trabalhadores rurais podem se aposentar por idade, os homens com 60
  • 24. 24anos e as mulheres a partir de 55 anos. Esse conceito é entendido pela idadecronológica, como vimos no primeiro capítulo. Conforme Bossé (apud Neri et al, 2004) a aposentadoria, vista como a perdado papel social do trabalho, contribui para o declínio na saúde física e mental, éderivada, pelo menos por três premissas: dedutiva, observacional e histórica. Adedutiva tem a concepção de que o indivíduo constrói sua identidade tendo comoreferência sua ocupação ou papel profissional. A perda da identidade de trabalhadorgeraria estresse, ansiedade e predisposição a depressão. A observacional centra-sena doença ou morte atribuída a aposentadoria em si, já a histórica centra-se navisão capitalista e da ética protestante, onde o trabalho é visto como norma salutar,logo o não-trabalho gera exceção a essa norma. A sociedade só se preocupa com o indivíduo na medida em que este rende. Os jovens sabem disso. Sua ansiedade no momento em que abordam a vida social é simétrica à angústia dos velhos no momento em que são excluídos dela. Neste meio tempo, a rotina mascara os problemas. O jovem teme essa máquina que vai tragá-lo e tenta, por vezes, defender-se com pedradas; o velho, rejeitado por ela, esgotado, nu, não tem mais que os olhos para chorar (BEAUVOIR apud JUNIOR, 2004, p.13). Na visão apontada acima a aposentadoria é vista como um ponto negativona saúde emocional. Para o autor, estudos mostram que o aposentado sofre efeitossobre sua saúde física e/ ou mental, mas não podemos generalizar, pois indivíduosque aposentam por problemas de saúde, de renda insuficiente, ou de eventosestressantes também experimentam efeitos negativos que podem predispô-los adepressão, assim também como tipo de personalidade, alta importância dada aotrabalho ou até perdas do suporte social. Segundo a teoria clássica de Tousend (1957), a vida do sujeito estáequilibrada entre mundo familiar e mundo do trabalho, com a aposentadoriadiminuiria o status social e modificaria o papel desempenhado pelo sujeito, assim sóexistem duas saídas possíveis: assumir novos papéis dentro da família ou isolar-se.A solidão e o isolamento não são bem vistos pela sociedade e os idosos negam asolidão na tentativa de melhorar ou de manter auto-estima diante da sociedade.(Neri et al, 2004).
  • 25. 25 Para a autora outra teoria é a de Cumming e Henry (1961), ondepressupõem que a estrutura de personalidade é desenvolvida nas relaçõesinstituídas entre o sujeito e o sistema social, assim as mudanças sociaisacarretariam em mudanças na personalidade do idoso, pela diminuição da interaçãoentre o indivíduo e o sistema social. No entanto, em questão de gênero, a saída do mercado de trabalho para asmulheres, diferente dos homens, é menos impactante, pelo fato de que elasconciliavam os trabalhos profissionais com os trabalhos de dona de casa e de mãe.(OLSON; DEFRAIN apud NERI et al,2004) Segundo Cerqueira et al (2011), enquanto alguns sofrem com a chegada daaposentadoria, no centro da cidade de São Paulo, por exemplo, chama atenção osoficce-velhos, versão sênior dos Office boys (grifo da autora), onde no anúncio dojornal diz: “vaga para Office boy, podendo ser aposentado”. O interesse econômicodas empresas pela contratação dos idosos é pela conseqüência da economia com otransporte público e a vantagem que eles não permanecem nas filas dos bancos,cartórios e fóruns, os contratantes alegam que também o fato de contratá-los é queeles têm mais responsabilidade, seriedade e honestidade do que os mais jovens,apesar da dificuldade de encontrar candidatos qualificados que saibam no mínimoler e escrever. Outro fato interessante da autora citada acima é a ocupação de idosos emtrabalhos sociais e voluntários, onde esses fazem de coração e se sentem úteis coma ocupação, essa feita em igrejas ou mesmo festas populares religiosas, ou seja, osidosos ocupam o seu tempo com esses trabalhos se sentindo bem com o quefazem. Para Marquez Filho (1998), a aposentadoria pode representar uma saída euma porta de entrada para um novo mundo e mais verdadeiro, onde ao invés deficarem lamentando e vivendo de lembranças do passado, estarão de mente ecoração abertos para toda riqueza e potencialidade que a vida oferece.3.2 PROGRAMAS PARA REINTEGRAÇÃO SOCIAL Reintegrar, socializar e produzir é a nova perspectiva para o idoso, noconceito dos programas de reintegração, que fazem que essa fase da vida seja
  • 26. 26entendida de forma positiva e que a exclusão não aconteça, pois o idoso possui umhistórico cultural e social de grande importância para a sociedade. O velho não tem armas. Nós é que temos de lutar por eles’[...] Por que temos de lutar pelos velhos? Porque são a fonte de onde jorra a essência da cultura, ponto onde o passado se conserva e o presente se prepara [...]. (CHAUÍ apud BOSI, 2001, p. 18) Para alguns idosos, atividades de caráter sócio-cultural e físico esportiva,surgem como antídotos, em face de nova realidade a ser enfrentada em relação àtentativa de otimização do tempo disponível. Começam a se mobilizar em busca deatividades que preencham o vazio interior, ocasionado pelas desobrigações sociaiscomo trabalho e filhos, acreditando que efetivamente essas atividades possamminimizar os efeitos ocasionados pelo sentimento de inutilidade, surgem assimvárias instituições com apoio a terceira idade, grupos de pesquisas, trabalhosvoluntários que tem o interesse na qualidade de vida do idoso (MARQUES FILHO,1998). Segundo Neri; Cachioni (2004) esses programas surgiram por causa doenvelhecimento populacional e da longevidade, onde várias sociedades passaram atomar providências práticas para garantir o que passou a ser reconhecido comodireito desse grupo etário e como necessidade social. Foi exatamente assim queapareceram as primeiras iniciativas de proporcionar educação aos mais velhos, osprogramas tinham como perfil, estimular os alunos uma atitude social positiva,autônoma, independente e responsável, dominando o meio social, histórico,econômico, político, cultural e tecnológico, para entender o mundo em constantetransformação, além de satisfazer suas preocupações de ordem moral, estética ecultural. As autoras relatam que as universidades da Terceira Idade foram criadas naEuropa e logo depois na América, no final dos anos 60, a finalidade dessasinstituições, tinha o conceito de conscientizar os jovens e depois as dos políticos daeducação, para que houvesse um melhor entendimento e aceitação da terceiraidade, mostrando que podiam ser produtivos, diferente do que se julgava antes doaparecimento dessas instituições. Segundo Cachionni (apud NERI, 2004), no Brasil, o trabalho dasUniversidades foi feito pelo Serviço Social do Comércio (SESC), sob influênciafrancesa. Na década de 1970, surgiram as primeiras Escolas Abertas para a
  • 27. 27Terceira idade, que ofereciam informações sobre o envelhecimento, programas depreparação para a aposentadoria, atualização cultural, programas de atividadesfísicas, de expressão e lazer. Em 1984, segundo a autora, foi organizado peloCentro de Educação Física das Universidades de Santa Maria o Projeto GAFTI –Grupos de Atividades Físicas para a Terceira Idade, visando à criação de grupospara a prática de atividade física para a conseqüente melhoria da condição física eda autonomia de movimentos.3.3 UNIVERSIDADE ABERTA À TERCEIRA IDADE (UATI) Diante dos programas existentes para a terceira idade, no final da década de1980, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), criou-se um grupointerdisciplinar de profissionais para tratar das questões voltadas a esse público,esse grupo organizou o Núcleo de Assistência ao Idoso (NAI) que posteriormentedeu origem à Universidade Aberta à Terceira Idade. Mas foi na década de 1990 quea extensão universitária conheceu seu apogeu com a multiplicação dos programasem várias Universidades brasileiras, essa expansão ocorreu a partir da criação daUniversidade da Terceira Idade da PUC - Campinas, em agosto de 1990. (NERI;CACHIONI, 2004). Para Sodré et al (2009) na Bahia a UATI – Universidade Aberta à TerceiraIdade, surge em 1992, sendo iniciada na UEFS. Segundo Lima; Mendes (2002) emSalvador teve início em agosto de 1995, começando com 60 alunos em pequenasoficinas de trabalho, atualmente envolvem cerca de 600 idosos e as oficinas vemsendo ministradas por alunos da UNEB. O programa de extensão tem como objetivo: Proporcionar ao público alvo a oportunidade de freqüentar a Universidade em atividades de extensão com vistas a sua formação continuada; Oferecer espaço, aos idosos, para exercício da livre expressão de suas potencialidades artístico-culturais; Desenvolver atividades que estimulem a participação social e política dos idosos; Preparar os idosos para assumirem seu processo de envelhecimento, resgatando a autoconfiança e a auto-estima, através de uma formação teórica e prática; viabilizar o intercâmbio de experiências intergeracionais. (SANTOS, 2010, p.21)
  • 28. 28 Segundo informações adquiridas através do site da UNEB (2010), oprograma atende mais de 2.500 idosos, os trabalhos são operacionalizados atravésde oficinas e vivências corporais e sócio-educativas no período de março adezembro. As oficinas são distribuídas em: Núcleo Teórico, Núcleo de VivênciasCorporais, Núcleo de Trabalhos Manuais e Núcleo de Tecnologia e Informação. AUniversidade para a Terceira Idade foi implantada em 17 departamentos como osCampos de Juazeiro, Paulo Afonso, Teixeira de Freitas e Alagoinhas. Em Alagoinhas a UATI foi criada em 2009, funcionando no Colégio LuisNavarro de Brito, sob a Coordenação da profª. Iêda Fátima da Silva e ligada aoDEDC - Departamento de Educação Campus II, durante a gestão do diretor Prof.Antonio Gregório Benfica Marinho, o projeto começou com 200 alunos, hojeatualmente atende aproximadamente 300 alunos matriculados, distribuídos nas 17oficinas de cunho teórico e prático, tendo agora sua sede própria e ampliada emlugar privilegiado na cidade. Terapia comunitária, Dança, Movimentos Corporais, Coral, Libras,Geometria e Artes Visuais, Teatro, Hidroginástica, Jogos matemáticos, Dinâmica degrupo, Informática (Nível 1 e 2), Psicologia, Francês, Pintura, Forró, Saúde eQualidade de Vida, Leitura e Cidadania (Alfabetização), fazem parte das oficinasoferecidas para os idosos da cidade, além de atividades dentro da instituição ogrupo se apresenta em congressos e eventos. Uma das oficinas mais procurada é a“Oficina de Dança”, hoje com 45 alunos matriculados. Podemos dizer que a dança é uma das atividades físicas que para a terceiraidade também pode oferecer vários benefícios no sentido físico, psicológico e social,entenderemos melhor os conceitos de dança para terceira idade no capítulo aseguir.
  • 29. 294 A DANÇA E SUAS CONCEPÇÕES Desde o seu surgimento, o homem sentia necessidade de expor seussentimentos e emoções, mesmo antes de utilizar palavras para sua comunicação,ele utilizava movimentos corporais para se expressar, era sua linguagem natural,nela continha uma ligação direta com a natureza (PINTO, 2008). Sendo assim para Mazo et al (2001), a dança se faz presente na história dahumanidade, marcando a cultura, crença e participação na comunidade, além deuma manifestação cultural é uma forma de comunicação do próprio corpo humanocom o meio ambiente. Desde tempos atrás a dança era uma exaltação da alma,onde dançava para homenagear os deuses, exaltar espíritos, festejar fatos efenômenos da natureza, além de evidenciar conquistas pessoais e grupais. Para D’Aquino et al (apud CIPRIANO; MEDALHA, 2007, p 8): A dança era utilizada pelas culturas primitivas nos primeiros momentos importantes de sua vida, nascimento, procriação, morte, para evocar ou propiciar os fatores importantes a sua sobrevivência, como o sol, chuva, plantio, colheita, caça e pesca e para manifestar sua luta pela vida, seu amor, sua alegria e seu desamparo, suas vitorias, na guerra e na paz, suas suplicas e seus agradecimentos. Assim como todas as expressões artísticas a dança vem sofrendoinfluências no decorrer da história, por exemplo, antigamente havia uma divisão nassociedades européias para sua prática, sendo executada em duas vertentes: anobre, onde tinha movimentos delicados, por causa das roupas pesadas da época,executado por homens e mulheres, junto com a música suave de uma orquestra etambém a dança popular que se caracterizava por movimentos mais soltos ealegres, onde homens e mulheres dançavam juntos com saltos e palmas, comvestimentas leves que dava liberdade para os movimentos. Com o passar do tempoa dança começou a ter uma organização com compassos, mas era para agradar edeslumbrar as classes privilegiadas, como reis, rainhas, etc (PINTO, 2008). O renascimento cultural do século XV/XVI, trouxe diversas mudanças nocampo da arte, cultura e política, a dança começou a ter um sentido social, ou seja,era praticada em festas pela nobreza, no sentido de entretenimento e recreação.Logo a dança social foi se transformando e tornando acessível às camadas menos
  • 30. 30privilegiadas da sociedade, que já desenvolviam outros estilos, as danças populares(CIPRIANO; MEDALHA, 2007). Portanto, surgindo dos primórdios, a dança esteve presente emacontecimentos marcantes para a história da humanidade, passando por momentosde limitação para execução do dançar, até novas formas de expressão,demonstrando sentimentos, emoções e lutas. Ela se despiu de todo umtradicionalismo existente com a técnica clássica para mostrar as mudanças políticas,sociais e morais, além do que, esta arte faz com que o ser humano desempenhepapéis perante a sociedade (PINTO, 2008). A dança hoje é praticada por pessoas de diferentes faixas etárias, gênero,cultura e sociedades, ela também representa o estado de espírito, as emoções eexpressões entre as pessoas, exercendo assim possibilidade para oautoconhecimento e desenvolvimento de habilidades de movimentos. Para o idoso éuma atividade física benéfica, favorecendo recordações pessoais, expressividade,criatividade além de apresentar riquezas de gestos e movimentos (MAZO et al,2001).4.1 A DANÇA E A TERCEIRA IDADE Diante das transformações no sentido psicológico, social e físico, se discutequal a melhor atividade física para o idoso, qual a atividade mais completa para essepúblico. Para Matsudo (1992), em uma de suas pesquisas, anuncia que a caminhadaseria a melhor atividade para os idosos, mas se percebeu que não era do gosto dopúblico pesquisado, por que muitas vezes praticavam as atividades sozinhas, nessesentido podemos perceber que a caminhada, mesmo sendo uma atividade ditamelhor para ser praticada na terceira idade, segundo o autor, a mesma não reúneoutras visões no sentido de cultura, reintegração e sociabilização ao idoso, já adança em seu contexto, traz vários fatores favoráveis a uma vida social. Dentre outros estudos podemos observar que a melhor opção para pessoas de terceira idade são as atividades em grupo, como a dança facilita a integração e o fortalecimento de amizades, superação de limites físicos, ocupação do tempo em prol de si mesmos, livrando-se
  • 31. 31 das angústias, incertezas, inseguranças e medos. (OKUMA apud SALVADOR, 2004, p. 3) A dança pode modificar a vida dos idosos, possibilitando-lhes uma melhorcondição existencial, se percebermos a pluralidade principalmente cultural que adança traz, além de um movimento corporal que pode ter várias funções como: auto-expressão, comunicação, diversão e prazer, espiritualidade, identificação cultural,ruptura e revitalização da sociedade, além de forte caráter socializador e motivador(ROBATTO apud LEAL; HAAS, 2006). No aspecto psicológico, além da melhoria da auto-estima, motivação eautodeterminação, a dança faz com que o idoso se sinta bem no sentido de estarlivre, tranqüilo e realizado. Causa também a aceitação da sua idade, além de reduziro índice de depressão e estresse, melhorando assim o humor e atuando comoterapia na saúde psíquica, física e mental. (CHIARION; SILVA apud PINTO, 2008) Para Hass; Leal (2006) a dança, traz boas lembranças, sensações esentimentos ao idoso, causando assim um resgate das lembranças do passado,sendo que a utilização de músicas de época é algo muito importante nas aulas dedança na terceira idade. No aspecto social os idosos utilizam a dança para a busca de novasamizades ou manutenção das mesmas, encontram uma forma de inclusão e logo, aaproximação e convívio social com a sua própria família. (CHIARION apud PINTO,2008) Nessa fase o corpo mais rígido, não busca rodopios pelo salão, mas sim obem-estar pela dança, portanto: Apesar da expressão da dança na sociedade, algumas pessoas nunca dançaram principalmente aquelas mais tímidas ou vindas de famílias conservadoras. Para alguns idosos dançar é algo que não se imaginam fazendo, enquanto outros são adeptos a dança de salão (FORTES, 2008, p. 426). Assim, são vários os estilos que podem ser ministrados para a terceiraidade:  A dança de salão, por exemplo, é uma dança social que procuraultrapassar a cultura popular, representando um período histórico, comumente édançado ao pares, inclui tanto ritmos antigos que marcaram época (valsa, tango,
  • 32. 32foxtrote dentre outros), como estilos mais recentes (forró, samba, sertanejo etc).(MAZO et al, 2001).  A dança folclórica envolve traços culturais, localização geográfica ehistória, é passada de geração em geração encontra-se adeptos crianças,adolescentes, adultos. Exprime o caráter particular de um povo e representa a vidada comunidade são documentos culturais dançantes, os quais resgatam herançasde passos, ritmos e significados. Podemos citar o samba-de-roda, frevo, quadrilha,etc. (RIBEIRO apud LOPES, 2001)  A dança parafolclórica são danças recriadas a partir de um fatohistórico, busca resgatar gestos, objetos, ritmos, passos, através de movimento queestimulem uma manifestação cultural. Exemplo: Xaxado, pé-de-serra, etc. (LOPES,2011)  A dança coreografada também é uma opção para a terceira idade,o profissional deve adequar o trabalho coreográfico, a fim de permitir que o idosodescubra a capacidade de articulações, limite de força, extravase suas emoções esuas potencialidades (LOPES, 2011)  As danças de movimentos livres e ginásticos buscam uma temáticacontemporânea, utilizando objetos coreográficos, movimentos expressivos egestuais, além de formações e deslocamentos variados. (LOPES, 2011)  A dança sênior é uma dança normalmente executada com músicasalemãs e pode ser executada por qualquer pessoa de qualquer faixa etária ou comdificuldades de locomoção, praticada em grupo, de pé ou sentado, estimula amemorização e a coordenação. (MAZO et al, 2001). Embora muitos idosos não tivessem a oportunidade de praticar, estilos dedança como balé, jazz, dentre outros, podem ser oferecidos para a terceira idade,preferencialmente para aqueles que já vivenciaram, devido à técnica exigida, paraalguns esses estilos podem não se caracterizar tão interessante (MAZO et al, 2001.) Segundo Figueiredo; Souza (apud PINTO 2008) os professores devem usara dança de forma criativa, que o idoso tenha o direito de fazer e escrever a suahistória através da dança e não mostrá-la apenas com uma apresentaçãoperformática sabendo das limitações de cada um.
  • 33. 33 Conforme Mazo et al, (2001) existem vários tipos de idosos, e cabe aoprofessor estabelecer uma metodologia para que todos possam dançar, sem sesentir excluídos, dividem-se em:  Idoso fisicamente incapaz: aqueles que não realizam as atividadesda vida diária e dependem de terceiros, sugere-se escolher atividades que envolvama percepção visual, brincadeiras cantadas, utilização de materiais como percussão,proporcionando um trabalho individualizado, para obter respostas corporais emotivação para elaboração de gestos e expressões.  Idoso fisicamente dependente e idoso frágil: ou seja, necessita deajuda parcial ou total, sugere a dança sênior adaptada, buscando utilizar cadeiraspara auxílio nas aulas, além de utilizar implementos para tornar a dança atraente einteressante com preferência para ritmos alegres. Para o idoso frágil é aconselhávelenvolver a cultura local, estimulando os alunos na elaboração das danças, além deutilizar as danças folclóricas regionais e dança de salão.  Idoso fisicamente independente: sempre ter o cuidado de preservara individualidade e heterogeneidade do grupo, evidenciar interesses e culturaslocais, pode-se criar um grupo de dança que divulgue a cultura, alem de desenvolvera criatividade, fazendo com que os idosos participem da elaboração dascoreografias, pode utilizar trabalhos em círculos, colunas e fileiras.  Idoso fisicamente apto/ativo e idoso atleta: São idosos fisicamenteativos e independentes, além da ajuda coreográfica nas aulas feita pelo grupo,devem estimular a participação de grupos de danças folclóricas, contemporâneas,de salão entre outras. Com relação a prática da dança o idoso atleta é aquele que játeve alguma ligação com as técnicas da dança em tempo anteriores.  Alguns cuidados devem ser tomados ao incluir dança nasatividades voltadas á terceira idade como: Conhecer e respeitar a capacidade e o limite biopsicossocial, orientar e instruir com respeito; saber ouvir as dúvidas, opiniões e críticas; elogiar de forma natural e transmitir segurança; usar a criatividade e promover a sociabilidade do aluno em relação ao grupo. Também é muito importante praticar a dança de forma estimulante, agradável, cooperativa e evitar competição. (MAZO et al 2001) Nas aulas deve-se também pensar no condicionamento físico e narespiração, além de desenvolver o senso de ritmo, lateralidade, tranqüilidades,
  • 34. 34amizades, sentimento de liberdade e emoção. A aceitação da dança como atividadefísica para o idoso está relacionado ao fato de não visar o alto rendimento e quenessa fase da vida há uma redução do metabolismo por serem sedentários, além deque a dança melhora a circulação sanguínea e não gera cansaço (SILVA, apudPINTO 2008). É preciso tirar o foco da doença para colocar em prática a saúde na terceiraidade, nesse sentido, cada pessoa é responsável pela vida que tem, e deve-se optarpor uma velhice saudável, dançar pode ser a ferramenta para uma inclusão do idosona sociedade e uma grande possibilidade para tirá-lo do isolamento e da rotina queo acompanha (FORTES, 2008).
  • 35. 355 METODOLOGIA Para a realização deste estudo cuja temática trata da influência da dançana melhoria dos aspectos psicossociais na terceira idade tendo como universo deestudo o grupo de idosos da oficina de dança da Universidade Aberta à TerceiraIdade (UATI), seguiu-se as diretrizes da abordagem qualitativa, sendo essa maisapropriada para compreender a natureza de um fenômeno complexo como o dasinterações sociais, conforme veremos adiante.5.1 TIPO DE ESTUDO Para o alcance do objetivo deste estudo foi conduzida uma pesquisaqualitativa, que para Minayo (2001) responde questões muito particulares, onde sepreocupa com um nível de realidade que não pode ser quantificado, ou seja,trabalham com o universo de significados, motivos, valores, atitudes quecorrespondem a um espaço mais profundo das relações nas ciências sociais. Caracterizando a presente pesquisa, Gil (1987) afirma que a pesquisa socialé entendida em sentido mais amplo, envolvendo aspectos relativos ao homem emseus múltiplos relacionamentos com outros homens e instituições sociais, o conceitode pesquisa aqui adotado, aplica-se investigações realizadas no âmbito de diversasciências sociais, incluindo: sociologia, psicologia, entre outras. Utilizou-se como método para a realização desta pesquisa o estudo de caso,que para Triviños (1987) é uma categoria de pesquisa qualitativa, onde uma dastécnicas de coleta de informações mais importante dela é a observação participante,que conforme Gil (1987) consiste na participação real do observador na vida de umgrupo ou comunidade de uma situação determinada, o pesquisador assume atécerto ponto, o papel de um membro do grupo, chegando ao conhecimento da vidade um grupo a partir do interior dele mesmo. O autor afirma que: A técnica de observação participante foi introduzida na pesquisa social pelos antropólogos no estudo das chamadas “sociedades primitivas”. A partir daí passou a ser utilizada também pelos antropólogos nos estudos de comunidades e de subculturas específicas. Mais recentemente passou a ser adotada como técnica
  • 36. 36 fundamental nos estudos designados como “pesquisa participante” (BRANDÃO apud GIL, 1987, p. 108).5.2 ESPAÇO E SUJEITO PESQUISADOS O estudo foi realizado com o grupo da terceira idade que participa da oficinade dança da UATI, que é um programa de extensão universitária voltado àcomunidade circunvizinha à UNEB, Campus II, de Alagoinhas-Ba, que vematendendo ambos os sexos, mais o público feminino tem uma presença maior noprojeto, de qualquer nível sócio-educacional, onde o público participante tenha idadeigual ou superior a 60 anos, objetivando a reinserção psicossocial para o plenoexercício da cidadania. A oficina é formada por idosos entre 60 e 84 anos, sendo a maioria do sexofeminino e 01 indivíduo do sexo masculino. As atividades são realizadas uma vezpor semana com duração de 50 minutos e faz parte do programa desde o início doprojeto. A presente pesquisa iniciou-se em Maio de 2011, período que passei aministrar aulas de dança para o grupo. As atividades iniciais foram finalizadas emdezembro deste mesmo ano na II mostra de artes cuja temática estabelecida foicuidar de si para cuidar do outro, e para a participação deste grupo de dança namostra foi elaborada uma coreografia para ser apresentada juntamente com ostrabalhos das outras oficinas. No período de Março à Junho de 2012, demoscontinuidade a pesquisa, realizando neste momento as entrevistas. Os encontros com o grupo acontecem no turno vespertino, num espaçoaberto onde fica localizada a sede da UATI e a depender das condições climáticasutilizamos também os espaços internos da Instituição. Na oficina são ministradosvários conteúdos relacionados às questões culturais e com ritmos variados comocarimbó, dança cigana, hip-hop, forró, quadrilha junina, dança de salão dentreoutros. Nas aulas incluímos também dinâmicas de grupos relacionadas àaprendizagem da dança, e com alguns elementos teóricos sobre os ritmosabordados. Dentro da própria oficina há também um momento para confecção defigurinos usados para as apresentações fora da UATI, em eventos onde o grupo éconvidado a participar, assim como também festas e comemorações que acontecem
  • 37. 37na própria instituição. Um dos momentos mais importantes durante a participaçãodos idosos na UATI é o festival que acontece anualmente onde os professoresexpõem todas as produções organizadas a partir das oficinas. Em 2011, o eventoaconteceu no Centro de cultura da cidade de Alagoinhas, reunindo mais de 200expectadores que apreciaram além da dança, as apresentações das outras oficinas.5.3 TÉCNICAS DE COLETA DE DADOS A pesquisa foi composta por duas etapas: na primeira foi realizada aparticipação ativa do pesquisador, seguida das observações das idosas no decorrere no momento pós-aula de dança, esta com duração de 50 minutos e comfreqüência de uma vez na semana; na segunda etapa foi realizada a entrevista semi-estruturada com 06 idosos que participaram da pesquisa de forma voluntária. Durante a oficina foram abordados vários ritmos que pudessem a principiosocializar os idosos, dentre eles os que marcaram épocas referentes as histórias devida do público pesquisado progredindo para ritmos que se fazem presentes nosdias de hoje. Não podemos deixar de ressaltar que a participação dos idosos foi algoimportante para elaboração das aulas. Como instrumento de coleta de dados foi elaborada uma entrevista semi-estruturada, a qual: Podemos entender por entrevista semi-estruturada, em geral, aquela que parte de certos questionamentos básicos, apoiados em teorias e hipóteses, que interessam à pesquisa, e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo á medida que se recebem as respostas do informante. Desta maneira, o informante, seguindo espontaneamente a linha de seu pensamento e de suas experiências dentro do foco principal colocado pelo investigador, começa a participar na elaboração do conteúdo da pesquisa. (TRIVIÑOS, 1987, p.146) Para Gil (1987) a entrevista possibilita a obtenção de dados referentes aosmais diversos aspectos da vida social. Logo foram elaboradas 06 perguntasrelacionadas aos objetivos da pesquisa, as questões norteadoras da entrevistaforam sobre o resgate do contexto da dança durante a vida dos idosos; os benefíciosque compõem a prática da dança ofertada ao grupo, fazendo uma breve
  • 38. 38contextualização com outras modalidades oferecidas pela UATI e as possíveismodificações no comportamento psicossocial na contínua prática da oficina. As perguntas foram direcionadas a 06 idosas do grupo pesquisado, aparticipação foi voluntária, porém utilizamos como critério para a participação dasidosas na pesquisa o tempo de permanência delas na oficina de Dança da seguinteforma: SUJEITOS ENTRADA NA OFICINA TEMPO DE PARTICIPAÇÃO IDOSA A62, A84 MAIO DE 2011 11 MESES IDOSA B61, B75 SETEMBRO 2011 7 MESES IDOSA C62, C63 ABRIL DE 2012 3 MESES Para preservar a identidade das idosas utilizamos como referência algumasletras do alfabeto em substituição aos seus nomes, e à frente dessas letras, suasidades conforme observado no quadro acima. As entrevistas foram realizadas apósautorização da coordenação da UATI e assinatura do termo de Consentimento Livree Esclarecido por parte das idosas pesquisadas. Um dos aspectos levados em consideração na entrevista foi baseado nosargumentos de Larrosa (2002): [...] Na escuta, alguém está disposto a ouvir o que não sabe o que não quer, o que não precisa. Alguém está disposto a perder o pé e a deixar-se tombar e arrastar por aquilo que procura. Está disposto a transformar-se numa direção desconhecida. O outro, enquanto outro é algo que não posso reduzir a minha medida. Mas é algo do qual posso ter uma experiência que me transforma [...] (LARROSA apud BELLO, p.15, 2011)5.4 TÉCNICAS DE ANÁLISE DE DADOS As entrevistas foram realizadas com 06 idosas com idades e períodos depráticas da dança diferenciados, como foi visto no quadro anterior. Dessa forma,pode ser realizada uma análise diferenciada dos sujeitos pesquisados sobre aspossíveis transformações psicossociais através da prática da dança.
  • 39. 39 Na realização da entrevista utilizamos o recurso do celular para registrar asrespostas das idosas, uma vez que para Triviños (1987) é recomendável a gravaçãoda entrevista, mesmo sendo cansativa a sua transcrição, pois ela permite contarcom todo material fornecido pelo informante o que não ocorre com outro meio como,por exemplo, somente a anotação das respostas. Antes da entrevista deixamos as idosas bem à vontade para responder aosquestionamentos, sendo que foram informadas sobre a quantidade de perguntas eos temas relacionados. Vale ressaltar que a pesquisa qualitativa se desenvolve em interaçãodinâmica e é veículo para nova busca de informações, sendo assim: As idéias expressas por um sujeito numa entrevista, verbi gratia, imediatamente analisadas e interpretadas, podem recomendar novos encontros com outras pessoas ou a mesma, para explorar aprofundadamente o mesmo assunto ou outros tópicos que se consideram importantes para o esclarecimento do problema inicial que originou o estudo. (TRIVIÑOS, p.137, 1987) Utilizamos para analisar os resultados encontrados, a técnica da análise deconteúdo que é: Um conjunto de técnicas de análise das comunicações, visando, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, obter indicadores quantitativos ou não, que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) das mensagens. (Bardin apud Triviños, p.160, 1987) Para o autor acima citado, a análise de conteúdo é dividida em três fases,sendo a primeira a pré-análise que é a organização do material (hipóteses ereferencial teórico, por exemplo); a segunda a descrição analítica que já começa napré-análise, constituindo por um estudo aprofundado e orientado; por último a fasede interpretação referencial, onde há a reflexão e a intuição com o embasamentonos materiais empíricos que estabelecem relações com a realidade educacional esocial ampla, aprofundando as idéias e chegando se possível as propostas básicasde transformações nos limites das estruturas especificas e gerais.
  • 40. 40 A análise se dará em duas etapas: transcrição das respostas relacionadasàs perguntas da entrevista e a análise das respostas a partir da discussãoestabelecida com o referencial teórico utilizado durante a pesquisa.
  • 41. 416. RESULTADOS E DISCUSSÃO Diante dos objetivos da referente pesquisa, a entrevista foi elaborada e logoaplicada às idosas da UATI. As questões norteadoras tinham o objetivo de analisar apossível influencia da dança nas transformações psicossociais na terceira idade. Asperguntas foram construídas no contexto da prática e história da dança na vida dosidosos, além das percepções sobre as transformações psicológicas e sociais na vidados indivíduos na contínua prática da dança. Os resultados encontrados serãoapresentados em categorias como veremos a seguir.6.1 OFICINAS OFERECIDAS PELA UATI A UATI oferece oficinas práticas e teóricas, ao analisarmos as respostasreferentes à escolha das oficinas que as idosas participam, podemos perceber queas oficinas de cunho prático são as que mais interessam aos estudantes do projetocomo: oficina de dança, movimentos corporais (ginástica) e hidroginástica, sendoestas as mais citadas pelas entrevistadas. Podemos perceber que nessa fase da vida, buscam-se atividades físicasque possuem maior desenvolvimento motor, conforme a fala da idosa A62: “Quandochegamos à terceira idade tem mais que movimentar, então escolhi oficinas que temmovimentos”, assim como também a idosa A84: ”Escolhi a dança, porque émovimento [...] essas oficinas são mais ligeiras, a gente faz mais movimentos.” A dança é uma atividade completa, por ser uma prática que exige um maiordesempenho corporal e mental. O ritmo da música ou mesmo o som produzido apartir do corpo, faz com que a dança esteja além de um simples movimento,ultrapassando o sentido de prática, para se contextualizar com objetivos referentes ácriatividade, socialização, comunicação, entre outros. Dançar para o idoso pode favorecer recordações pessoais, além derepresentar grande riqueza de gestos e movimentos, contribuindo para aexpressividade. Outro fator importante é a relação do professor com o aluno naterceira idade, este deve conhecer e respeitar a capacidade e o limite psicossocial;orientar e instruir com respeito; saber ouvir seja opiniões, críticas e dúvidas; elogiar
  • 42. 42e transmitir segurança além de promover a sociabilidade do aluno em relação aogrupo (MAZO et al, 2009). Relacionando a oficina de dança com as outras oficinas de maior escolhapelas idosas da UATI, podemos perceber a afinidade das mesmas com a dança. Ahidroginástica e a ginástica possuem movimentos corporais com utilização demúsica, além de possuírem objetivos semelhantes à dança como, por exemplo:deslocamento, memorização, melhoria da capacidade motora, muscular ecardiorrespiratória. Para MATSUDO (2001) essas atividades são consideradas atividades debaixo impacto, assim diminuem o risco de lesões musculares e esqueléticas naterceira idade, sendo assim podemos dizer que as oficinas oferecidas pela UATI sãode muita importância para o público do projeto.6.2 O HISTÓRICO DA DANÇA NOS INDIVÍDUOS ENTREVISTADOS A dança com o passar dos tempos vem sofrendo várias modificações.Antigamente era utilizada na exaltação da alma e homenagem aos deuses, nodecorrer dos anos se fez presente nas apresentações e festejos das cortes, logodava origem a um novo estilo de dança, também executada nessa época, a dançapopular. Atualmente existem vários estilos como, por exemplo: danças folclóricas,dança de salão, balé, hip-hop, entre outras. Durante a pesquisa utilizamos danças atuais (forró, hip-hop, axé, samba,etc) e danças de tempos anteriores (rock, valsa, bolero, etc) para perceber a visãodas idosas em relação a esse contexto. Ao falarmos das histórias de vida das idosasrelacionando-as com as vivências de dança, percebemos que durante a infância e aadolescência, a dança não era executada como nos dias atuais, conformeobservamos na fala da idosa B61: “Na infância, nem na adolescência eu dancei, sódepois de 21 anos [...] meu pai não deixava, não admitia”. Na infância e adolescência não se tinha liberdade como se tem hoje, porexemplo, de uma mulher tomar a iniciativa de convidar o homem para dançar, e nemmesmo a família permitia que ela fosse aos bailes, a idosa A62 relata: “Na minhaépoca de adolescência nós éramos presas, não tinha essa liberdade que os jovenshoje têm de sair para se divertir”.
  • 43. 43 Assim ao perguntarmos como elas visualizavam a dança durante o passardo tempo, percebemos que antigamente o romantismo era algo marcante na dança,como podemos perceber na fala da idosa B61: “Antigamente era mais juntinho [...]era mais romântico”, também a idosa C63 afirma que: “Era mais assim romântico, eume lembro do bolero que dançávamos muito”. Durante as aulas pudemos vivenciar a alegria ou até mesmo emoção dasidosas ao dançar, ouvindo uma música que marcou as suas vidas, ao ouvir umavalsa, ou um bolero, por exemplo, as mesmas relatavam sobre os “bailes deantigamente”, como a idosa C62: “No baile, as moças ficavam sentadas e osrapazes vinham e tiravam as moças para dançar”, podemos nos reportar aos temposem que os homens educadamente convidavam as mulheres para dançar, coisa quehoje já não é tão freqüente, a forma de dançar se tornou mais livre. Outro fato interessante que podemos interpretar no depoimento das idosas,é a solidão, entendendo, que com a chegada da terceira idade, pode ocorrer com oabandono da família ou mesmo dos amigos de trabalho, que acabam sendoesquecidos por conta da chegada da aposentadoria, sendo assim a presença denovas amizades é algo importante na vida dos idosos. Palavras como “romantismo e paquera”, presente na fala da maioria dasidosas, e a seguinte frase: “Em termos de paquera, antigamente era melhor, por quedançava juntinho, hoje eu estou dançando com um rapaz, quero chegar pertinho e orapaz fica empurrando por causa da idade” as palavras acima foram expressasintensamente pela idosa C62, a qual nos trouxe à inquietação sobre a sexualidadena terceira idade, tema esse declara grande preconceito por parte da sociedade, oque não deixa de ser negativo para o idoso. Com o envelhecimento e a chegada da terceira idade, as alteraçõescorporais afetam a auto-imagem feminina, favorecem uma menor estima e a perdado desejo sexual, diversos fatores psicossociais podem intervir nos idosos. Aeducação e cultura trazidas pela família têm um peso significativo e importante nasexualidade e acabam por determinar o comportamento sexual dos idosos, além dapressão social que acaba gerando sentimento de culpa por experimentar desejossexuais, o que inibirá totalmente todos os aspectos de qualquer expressão sexual(OLIVEIRA, RODRIGUES, 2009). A viuvez, por exemplo, pode causar a solidão no indivíduo, ainda mais pelacultura que a sociedade impõe para o idoso, o mesmo pode não possuir a mesma
  • 44. 44beleza física de antes, mas ainda possui seus desejos, suas vontades, que deveriamser respeitadas como em outra fase da vida. Mas apesar do romantismo nas danças de tempos atrás, como citadoanteriormente: o bolero, a valsa, ou seja, as danças de salão, que exige que estejacom um par para ser realizada a dança, essa que também fez parte dos estilospraticados na oficina, hoje na terceira idade, elas preferem praticar as danças atuais,como por exemplo: axé, o samba, o hip-hop, que dá uma liberdade maior paradançar sozinho, podemos entender pelo depoimento da idosa A62: “Hoje a gentetem essa liberdade de dançar juntinho, ou de dançar solto”, assim como a idosaB75: "a gente fica à vontade, dança sozinha, não precisa de par, então eu achomelhor agora”. Retrocedendo no que se refere à parte musical, podemos perceber nãosomente o romantismo no “dançar juntos”, mas também nas letras das músicas queeram elaboradas antigamente. Atualmente existe uma decadência muito grande, e acada dia surge uma nova forma de dançar, essa que pode ter influência de dançasjá existentes ou formas às vezes até vulgares de executar esses movimentos, hojeindependente de gênero qualquer pessoa pode dançar. Para idosa C63: Hoje em dia é mais solto, existem muitos ritmos de dança, que fazem com que você se remexa, mexa o corpo. Como antigamente o homem não se remexia, hoje em dia não, é normal homem e mulher remexer. Segundo PINTO (2008), ao se falar em dança, no princípio do balé, porexemplo, somente os homens dançavam nos espetáculos, fazendo papéis dehomem e mulher, ou seja, o homem já fazia parte da arte da dança em temposanteriores, apesar do preconceito existente. Na oficina de dança, o público é formado em sua maioria por mulheres,mesmo entendendo que não existe mais esse tabu sobre o homem dançar, nodecorrer da oficina tivemos somente um sujeito do sexo masculino praticando asaulas, mas por causa de problemas pessoais não continuou, na fala anterior daidosa, podemos relacionar o preconceito que existia do homem praticar a dança emtempos anteriores, que apesar disso esse preconceito não era percebido durante asaulas no que se refere às questões de gênero.
  • 45. 45 Mas enquanto em outra etapa da vida das idosas a dança não era praticada,atualmente a prática da dança tem outros significados e objetivos. Para a idosa C63:“Hoje em dia a gente quer se movimentar [...] vai dançar para se livrar do stress,para ter uma melhor qualidade de vida, tem esse objetivo”, a prática da dançapermeia além de objetivos positivos para manutenção da saúde, o prazer que elatem de desfrutar de uma liberdade que antigamente para elas não existia. Hoje a dança tornou-se além de prazer, uma prática voltada à benefícioscorporais e mentais trazem alegria, auto-estima, bem-estar e satisfação pessoal.Dançar é uma atividade física que na terceira idade, contribui para melhorias nosaspectos físico e psicossociais (LEAL; HAAS, 2006).6.3 AS DIFICULDADES DA PRÁTICA DA DANÇA NA TERCEIRA IDADE Com o passar do tempo ocorrem várias transformações no indivíduo que seencontra na terceira idade, principalmente com questões biológicas. Assim, a práticada dança pode ser ofertada a esse público para melhoria de alguns problemascausados com o envelhecimento. São várias as modalidades de dança destinadas aesse público, mesmo aqueles que possuem algum problema físico causado peloenvelhecimento, podemos incluir a prática da dança sênior nas aulas para tentarminimizar tais questões. As transformações psicológicas e sociais na terceira idade é um dos fatoresque levam à exclusão do mesmo na sociedade, mas podemos perceber que asdificuldades na prática da dança estão mais relacionadas às questões biológicas.Dores musculares e esqueléticas dos membros inferiores são as dificuldades quepudemos constatar em torno dos relatos dos alunos entrevistados. As idosas C63 eB75, dizem sentir dores nas pernas e joelhos durante a prática, isso decorrido dafalta de atividade física durante suas vidas. A lateralidade e a coordenação motora são um dos objetivos da aula dedança, os movimentos de membros inferiores e superiores, além da memorizaçãodestes, faz com que haja um trabalho mental e corpóreo integrado também ao ritmoda música que está sendo executado. Nesse sentido podemos perceber na fala daidosa A62, ao perguntarmos qual dificuldade ela tinha em relação ao dançar elarespondeu: "coordenação motora, quando chegamos à terceira idade, não temosmais aqueles movimentos leves e soltos” e a idosa B61: “Quando eu cheguei
  • 46. 46mandava ir pra direita e eu ia pra esquerda”, apesar da dificuldade a mesma aopensar em desistir teve apoio total da família para á não desistência. Tendo idosas de idade e tempos diferentes de prática, apesar dasdificuldades físicas ditas pelas outras, a idosa A84 de maior idade do grupo, relata:“Eu não tenho dificuldade nenhuma, que eu nasci na dança, parece que na barrigada minha mãe eu já dançava, toda música que tocar eu danço.” Com o depoimentoda idosa anterior, nos faz pensar das questões referentes ao primeiro capítulorelacionado às idades do envelhecimento, podemos entender que a idadecronológica desta idosa é totalmente diferente relacionando as outras idosas deidade menor que relataram possuir dificuldade tanto em execução de movimentos oumesmo em dores nos membros inferiores. A dança Sênior foi usada para adaptar a dança aqueles que tinhamproblemas na locomoção, esta feita com palmas e movimentos de membrossuperiores, para dificuldades de lateralidade e coordenação motora optamos pelasdanças folclóricas como, por exemplo, o carimbó e a dança cigana. Mesmo tendo alguma dificuldade na prática, o próprio idoso acaba tendouma riqueza impar ao conhecer e entender outras culturas, sendo assim,observamos na fala idosa C62, que morava no Rio Grande do Sul e hoje mora naBahia, que a mesma não sente dificuldades ao conhecer novas danças: “Quadrilhaeu nunca dancei, to dançando agora, primeira vez que eu vesti roupa típica me acheiótima”, não existe impedimento á prática, justamente pela colaboração e interaçãodo grupo: “tem incentivo dos amigos, os colegas te auxiliam”. Sendo assim, para dançar pode haver dificuldades, mas nãoimpossibilidade. Ajudar o outro, receber idéias dos próprios alunos, ou mesmoadaptar as danças à realidade do público pesquisado foi nossa metodologia. Dançasênior para aqueles com dificuldade de locomoção; danças circulares e dança livrepara um melhor desempenho corporal relacionado à lateralidade e coordenaçãomotora foram algumas formas de socializar os alunos às diferenças corporais,culturais e físicas ou mesmo até preconceitos que poderia existir entre eles epensando também na sua independência. A prática de forma contínua da dança faz com que o idoso se previna dequedas e das fraturas que são normais nessa fase da vida, sendo assim dançarpode causar uma independência do idoso, no seu dia-a-dia e na comunidade que
  • 47. 47ele pertence, faz com que ele se sinta útil e reintegrado. (CHARION apud SILVAPINTO, 2008)6.4 O OLHAR DA SOCIEDADE PARA O IDOSO QUE DANÇA A chegada da terceira idade, o afastamento dos vínculos de amizades emdecorrência da aposentadoria, além de outros fatores, são os motivos que levam aexclusão do idoso na sociedade que pensa que o indivíduo ao chegar nessa etapada vida é improdutivo. Pensamento errôneo, pois com o histórico e experiência devida que o idoso traz é algo de muita importância para o meio social. A UATI vem reintegrar e socializar os idosos presentes no projeto, um dosquestionamentos para conclusão do nosso trabalho, era saber o que os idosospensavam em relação ao que a sociedade visualiza com a prática da dança nessaidade, sendo assim percebeu que a maior parte dos entrevistados estabelece umavisão positiva da sociedade para eles. Podemos perceber na fala da idosa A62 que “depois da concessão da UATI[...] os jovens estão aceitando a terceira idade” e “com as apresentações, os idosos estão sempre em convívio com a sociedade.”Para a idosa A84: “Me aplaudem muito, todos querem viver igual a mim” a mesmase sente orgulhosa de dançar e fazer apresentações de dança. Ou seja, a oficinatem resultados positivos em relação aos idosos, fazendo com que reintegrem asociedade e que ao mesmo tempo, possam ser vistos como úteis e participantes damesma. Diante das questões analisadas podemos perceber que apesar de atingir osobjetivos da oficina, ainda há preconceito para com os idosos, esse apontado pelafala da idosa B61: “tem umas pessoas que falam: para onde vai aquela velha, depoisde velha deu para ficar maluca? Quando eu saio para a aula de dança”. Esse tipo denomenclatura como “velho”, ainda é muito utilizado e a sociedade que não conhecea oficina de dança ou mesmo a UATI não sabe os objetivos do programa e osbenefícios da dança na vida desses idosos. A idosa B75 relata que as pessoas acham que o idoso não tem direito dedançar, de movimentar-se, como podemos observar na sua indagação: “Tem outrosque não aceitam, por que acham que o idoso não tem mais direito de estar sesacudindo, eu me sinto bem, não tem nada á ver”. Apesar desses pensamentos
  • 48. 48negativos as mesmas dizem não se importar com o que as pessoas falam. Algumaspessoas até se surpreendem, quando sabem da existência da oficina de dança paraterceira idade, como diz a idosa C63: Eu noto assim que eles ficam surpresos quando a gente fala que está praticando dança na melhor idade, outros dão risada, outros ficam assim: poxa eu não tenho coragem, ou então: já tá velho pra quê praticar dança? Mas eu me sinto muito bem aqui, porque não estou somente me movimentando, mas sim, botando para fora toda minha vitalidade, minha energia, como também auxiliando outras pessoas que já tem mais idade do que eu e que eu posso estar ali ajudando também a se soltar. A oficina de dança não tem somente o intuito de praticar atividade física,mas poder reintegrar e socializar os idosos do programa, numa perspectiva quecomece na oficina essa reintegração e possa ser levada para casa, logo parasociedade em geral e que principalmente possam ajudar uns aos outros,independente de estar ou não na terceira idade, durante a oficina isso é visto, pelodesempenho dos próprios alunos, para sua autoconfiança e com a ajuda aopróximo.6.5 TRANSFORMAÇÕES PSICOSSOCIAIS COM A PRÁTICA DA DANÇA A identidade individual é algo singular na vida de cada cidadão, estabeleceruma socialização com outras pessoas é algo simples ou não, dependendo tambémde cada indivíduo, sua história, sua cultura, seus pensamentos. A identidade dogrupo pesquisado foi uma mistura de culturas, de conhecimentos e de aprendizado.Limitações, religiosidade, convivência e afetividade foram alguns dos pontos quechamou bastante atenção no grupo A dança como atividade física e lúdica é uma alternativa de trabalho coletivo,estimula a solidariedade fazendo com que haja diminuição de tensões, angústias,além de trazer novas amizades, por ser uma atividade alegre e estimulante faz comque saiam da rotina e busquem socializar-se tendo prazer de estar com pessoas damesma faixa etária (SALVADOR apud PINTO, 2008). Tendo um poder socializador, apesar das possíveis dificuldades que umapessoa possa ter para praticar a dança, ela pode ser vista de outra forma, desde que
  • 49. 49o professor estabeleça uma metodologia em que todos possam praticarindependente de sua religião, tempo de prática, deficiência ou dificuldade, essa foi anossa técnica durante a oficina. Ao abordarmos os entrevistados sobre as possíveis transformações com aprática da dança no sentido de ter auto-estima e qualidade de vida, por exemplo,tivemos entre todas as respostas como pontos positivos. O interessante também foiconstatar o benefício da dança, para alguns idosos que também possuíam algumaspatologias, diante dos resultados da pesquisa, podemos destacar que foi importantecompreender que a prática da dança auxiliava positivamente para a reintegraçãosocial e o melhoramento psicológico dos entrevistados. A idosa C62, com diagnóstico de câncer, sente-se muito bem praticandodança e respeitando suas limitações, além de se sentir mais segura, depois daprática, exemplifica sua fala sobre uma dinâmica que sempre fazemos nas aulasonde começamos a dançar em dupla e logo em seguida trocam-se de par, passandopor várias pessoas e nisso conversando e fazendo perguntas pessoais, paraconhecer melhor o outro, isso enquanto dançavam-se vários ritmos. A idosa diz: Voltei agora pra aula de dança, ainda não tenho resultado dos meus exames, se eu me curei ou não do câncer, mas eu to muito otimista, e dançando ainda meio cansando, por que o tratamento é muito agressivo, mas to feliz e fazendo o que eu posso [...] a aula é dinâmica, essa troca de parceiro, você se entrosa, conversa, troca idéias e o contato físico que é muito bom pra gente O stress também presente na vida dos idosos é algo mencionado durante asentrevistas. Logo, a idosa C63 relata: Melhorou muito, diminuiu o stress a vontade de viver, alegria de me comunicar com os outros. Eu me lembro quando eu chegava ao colégio, depois da dança, eu estava mais solta com mais vontade, os alunos adoravam quando eu chegava e perguntavam: professora a senhora está mais alegre mais solta? Eu disse: é isso aí meu filho, é porque eu estou dançando, dançar dá alegria na gente, dá energia, vitalidade A idosa B61, afirma que resolveu entrar na oficina depois de ter feito examesmédicos e ter sido diagnosticado depressão, isso, logo após ter aposentado eprecisava fazer alguma atividade, resolveu entrar na oficina, diz se sentir muito bem,
  • 50. 50a mesma relata, com muitos sorrisos: “ontem eu fui ao shopping e minhas colegasde trabalho que estavam lá me acharam ótima, disseram fique lá, você tá ótima.Mostrei minhas fotos, elas me botaram para cima, me acharam até mais gordinha.” Outra observação apontada tem relação com a possibilidade das antigasamizades serem resgatas, pois por conta do tempo, algumas acabam sereencontrando na oficina, fato observado diante da ansiedade das idosas de quechegue logo o dia do encontro, como podemos perceber na reflexão da idosa A62: Eu me sinto mais feliz, por reencontrar amigos que a gente já tinha se distanciado, amigas e colegas de trabalho, de colégio, então conhecer novas amigas e isso pra mim tá sendo maravilhoso se reencontrar e toda semana estamos nos reencontrando e conversando, dançando, brincando, isso tá sendo maravilhoso. Além das melhorias nas questões psicossociais pudemos perceber pela falada idosa B84, que houve melhoria na saúde e principalmente no seu bem-estar,além de se sentir segura em seus movimentos, como podemos observar na fala daidosa: “Melhorou muita coisa, tanto a amizade, como saúde. Andar mesmo, a genteanda firme, não tem medo de nada, não tem medo nem de cair, eu gostei muito eadoro”. Dançar é promover qualidade de vida para as pessoas idosas, é fazer comque paradigmas sejam quebrados, onde viver é alegria, fortalecendo laços deamizade e afinidade, superando problemas, melhorando a saúde, fortalecendomúsculos e o sistema cardiorrespiratório, estimulando à percepção, lateralidade ecoordenação motora e o principal, a felicidade de estar bem e viver melhor. (PINTO,2008)
  • 51. 517. CONSIDERAÇÕES FINAIS A reintegração social é algo muito importante para a melhoria da qualidadede vida dos idosos, principalmente abordada do ponto de vista psicológico e social, oafastamento do trabalho e logo, de pessoas do seu convívio, deve ser visto de formaa pensar numa nova fase, numa nova perspectiva de vida. Diante da exclusão doindivíduo em decorrência do mundo capitalista, aparecem novas formas desocialização, as Instituições e os Centros de Convivência que com o aumento dalongevidade trabalham na perspectiva de uma nova esperança para a terceira idade. Diante dos objetivos da pesquisa pudemos perceber que a prática da dançapode reintegrar socialmente o idoso, fazendo com que a socialização obtida atravésda dança e logo o contato físico com o outro, o reencontro com amigos de temposanteriores que com o passar do tempo foi se perdendo, o relembrar das músicas edanças que marcaram suas vidas faz com que o idoso tenha sua auto-estimaelevada, diminuição do stress e também a melhoria da sua locomoção e diminuiçãode quedas, resultados estes obtidos e observados através da fala das idosasentrevistadas. Através deste estudo podemos perceber também que com o surgimento daUATI e com a participação dos idosos na oficina de dança, a maioria dos dadosobtidos nos faz entender que o preconceito, assim como outras questões, apontadono decorrer do texto mudou o seu formato, ou mesmo não existe mais e com asapresentações do grupo em eventos há uma grande probabilidade da sociedadeaceitar e reconhecer o idoso, cada vez mais, como cidadão ativo. O preconceito é algo notável, ele pode começar pela forma como asociedade julga o idoso, afetando rapidamente os seus pensamentos individuais,fazendo com que o próprio se sinta sem utilidade, produzindo um sentimento dedepressão, esse que pode levar o indivíduo à morte. O abandono pode começarpela própria família, o interessante é que mesmo percebendo a forma que ospróprios familiares tratam o idoso, esse sentimento negativo não é recíproco,durante as aulas percebi a forma carinhosa que eles falavam de seus entes queridose de seu passado, histórias e acontecimentos que para mim como professor,
  • 52. 52enriqueceu muito meus conhecimentos e fizeram com que eu percebesse aimportância que é trabalhar com esse público. Apesar das danças de tempos anteriores, que marcaram a vida dos idososentrevistados, pudemos perceber que eles preferem as danças atuais, seja porquepodem dançar sozinhos, ou não, ou seja, porque tem liberdade para dançar,inclusive em grupos. Analisando a visão do idoso em relação à dança, a princípio percebemosque há ainda um preconceito neles próprios, relatando impossibilidade e mesmo sealto julgando, ao dizer que não conseguem dançar e que não têm idade para isso.Logo, ao perceber que algo poderia ser feito para que eles mudassem essepensamento, me reportei a momentos da minha vida pessoal, para tentar fazer comque eles pudessem se sentir felizes, que pudessem relembrar os seus bailes, assuas músicas, os momentos que ficaram no passado, mas que poderíamos fazer opresente. Ministrar aulas para idosos requer amor, estudos e também muita emoção,pois ao mesmo tempo em que podemos vê-los sorrindo, no dia seguinte, podemosnos deparar com a notícia da morte. A notícia do falecimento de uma das nossasalunas, me fez repensar algumas questões da minha vida, e ouvir da própria famíliaque a partir do momento que ela havia entrado no programa, estava muito disposta,acordava bem, era mais feliz, foi algo que reconheço não pertencer somente aoindivíduo, ultrapassava a barreira do “eu”, era uma felicidade que afetavapositivamente toda família, ou até mesmo os amigos. Por mais que queiramoscompreender, é sempre muito difícil entender a morte. A religiosidade foi também algo marcante, pois foi complicado fazer com queo idoso entendesse que dançar era para se ter saúde, bem-estar, enquanto asoutras pessoas integradas ao próprio convívio social os recriminavam por praticar adança, como se dançar, fosse algo maléfico, o que não é e o que queríamos mostrarnas aulas, era a possibilidade de reviver o tempo bom de suas vidas, reintegrá-los eacabar com o preconceito que eles próprios tinham em relação a sua capacidadefísica. Com essa pesquisa foi possível compreender outras possibilidades na minhavida, uma vez que a minha experiência até então, tinha sido somente com dança emacademia, a qual tem objetivos totalmente diferentes, muito mais voltados paraestética, e na UATI o que menos importava é a estética, embora a mesma esteja
  • 53. 53presente entre elas, o importante é se sentir bem, feliz, útil e se sentir belo do jeitoque é e não da forma que as pessoas quisessem que eles fossem. As apresentações sempre mostravam que os idosos eram capazes, tantosaplausos que receberam e a forma como se sentiam depois de tanto sofrimentogerado pelas questões da vida. As pessoas passam a respeitar, e o próprio idosoconsegue dialogar e deixar a timidez de lado, o que era muito visto no começo daoficina, alguns ficavam nos cantos com vergonha e ao ouvir uma música que marcousuas vidas, eles se soltavam, se transformavam, era como se a “melhor idade”tivesse sido há tempos atrás e de repente ela continuava existindo. Percebemos que houve transformações positivas nas idosas ao praticardança atualmente se sentem felizes, são comunicativas, têm um contato maior coma própria família e são independentes em suas decisões, vivem seus desejos,dançam, cantam, fazem outras atividades além da dança. Haja vista que este estudo terá continuidade, pois é muito importantepensarmos nos idosos de hoje, para melhorarmos as condições de vida de quempossivelmente viverá esta fase da vida.
  • 54. 54REFERÊNCIASANDRADE, A. M; PORTELA, J. M. Abrindo o estatuto do idoso. RevistaMemorialidades, Ilhéus, N.14, p.9-25, 2010.BRASIL, PREVIDÊNCIA SOCIAL. Aposentadoria por idade. Disponível em:<http://www.previdencia.gov.br/conteudoDinamico.php?id=15>. Acesso em 18 dejulho de 2012.BELLO, L. Políticas de ações afirmativas na UFRGS: O processo de resiliência natrajetória de vida de estudantes cotistas negros com bom desempenho acadêmico.141 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Federal do Rio Grandedo Sul, 2011.BOSI, E. Memória e sociedade: lembranças de velhos. São Paulo: Companhia dasLetras, 2001.BRASIL. IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. População brasileiraenvelhece em ritmo acelerado. <Disponível em:<http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1272> . Acesso em: 5 de maio de 2012.CERQUEIRA et al. Notas etnográficas sobre o envelhecimento na região centralda cidade de São Paulo. Revista Memorialidades, Ilhéus, v.8, n. 16, p. 55-98, 2011CIPRIANO, D. N; MEDALHA, J; A dança de salão como lazer e interação socialpara idosos. In: SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE CIÊNCIAS INTEGRADAS DAUNAERP CAMPUS GUARUJA. 2007 RIBEIRÃO Preto. Pôster... Ribeirão Preto,2007. P. 1-12.FORTES, F.M. A superação das limitações da terceira idade através das dançasadaptadas. Anuário da produção Acadêmica Docente, Valinhos, v.2, p. 419-433,2008.GARCIA, A; LEONEL. S. Relacionamento interpessoal e terceira idade: a mudançapercebida nos relacionamentos com a participação em programas sociais para aterceira idade. Revista Pesquisas e práticas psicossociais. V.2, n. 1 p.130-139,2007.GIL, A.C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo, Atlas, 1987.JÚNIOR, G. P. Sobre alguns conceitos e características de velhice e terceiraidade: uma abordagem sociológica. Universidade Estadual de Santa Catarina,2004. Disponível em:<http://www.periodicos.udesc.br/index.php/linhas/article/viewFile/1255/1067>.Acesso em: 10 jun 2012.LEAL, I. F; HASS, A. N. O significado da dança na terceira idade. Revista Brasileirade Ciências do Envelhecimento Humano. Passo Fundo, p.64-71, jan./jun. 2006.
  • 55. 55LOPES, M. A. A dança e o idoso. Brazilian Journal of Sports and ExerciseResearch. Universidade Federal do Paraná. V.2, N.1. Disponível em: <http://www.bjser.ufpr.br/styled-2/index.html> Acesso em: 15 jul, 2012.MARCHAND, E. A. A. A influência da atividade física sobre a saúde mental deidosos. Disponível em: < http://www.efdeportes.com/efd38/idosos.htm> Acesso em25 de maio de 2012.MARQUEZ FILHO, E. A atividade física no processo de envelhecimento: Umaproposta de trabalho, 1998. 89 f. Dissertação (Mestrado em Educação física) –Universidade Estadual de Campinas, 1998MATSUDO, S. M. Envelhecimento, atividade física e saúde. Revista Mineira deEducação Física. Viçosa, v. 10, n. 1, p. 195-209, 2002.MAZO, G. Z. et al. Atividade física e o idoso: Concepção gerontológica. PortoAlegre: Sulina, 2001MEDEIROS, J. S. As representações sociais de ludicidade dos idosos do grupode pessoas idosas Felizidade/Alagoinhas-BA. 43 f. Trabalho de conclusão decurso (monografia) – Licenciatura em Educação Física, Universidade do Estado daBahia, Alagoinhas, 2009.MENDES, A. C. R; LIMA, J. F. O. Alimente-se brincando: Uma coletânea dedinâmicas de grupos aplicadas ás áreas de Nutrição e saúde para a terceira idade.Salvador: Uneb, 2002, 194 p.MENEGHETTI, P. C; RODRIGUES A. G. O acesso á saúde após o estatuto doidoso. Revista Memorialidades, Ilhéus, N.14, p.115-135, 2010.MINAYO, C. S. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis, Vozes,2001.NERI et al. Velhice bem-sucedida: Aspectos afetivos e cognitivos. Campinas:Papirus, 2004.OKUMA, S. S. Idoso e a atividade física. Campinas-SP: Papirus, 1998 (ColeçãoVivaidade).OLIVEIRA, A. C. M. D; RODRIGUES, G. F. O mito da velhice assexuada: A libido damulher idosa. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL ENLAÇANDO SEXUALIDADES.Salvador, p.1-7, 2009OKUMA, S. S. TEIXEIRA, D. C. Efeitos de um programa de intervenção para idosossobre a intenção de estudantes de educação física de trabalhar com este grupoetário. Revista Brasileira de Educação Física e Esportes, São Paulo, V. 18, n.2,2004PINTO, N. M. S. A dança promovendo a melhoria da qualidade de vida daspessoas da terceira idade. 2008. 42 f. Trabalho de conclusão de curso
  • 56. 56(monografia)- Faculdade de Licenciatura em Educação Física, Faculdadesintegradas de Itapetininga, Itapetininga, 2008.SALVADOR, M. A importância da atividade física na terceira idade: uma análiseda dança enquanto atividade física. Revistos Primeiros Passos da Universidade doContestado, Concórdia, Sc. V.1, n.1, 2005.SANTOS, D. P. Aderência à prática de atividades físicas entre idosas, 40f.Trabalho de conclusão de curso (monografia) - Licenciatura em Educação Física,Universidade do Estado da Bahia, Alagoinhas, 2010.SCHNEIDER, R. H; IRIGARAY T. O envelhecimento na atualidade: aspectoscronológicos, biológicos e sociais. Revista Estudos de Psicologia, Campinas, V.25(4), p. 585-593, 2008SILVA, C. R. O. Metodologia e Organização do projeto de pesquisa.Universidade Federal de Ouro Preto. Disponível em:<http://www.ufop.br/demet/metodologia.pdf>. Acesso em: 11 mar. 2012.SODRÉ et al. A influência da Universidade Aberta da Terceira Idade na vida doidoso. Trabalho de curso, 2009. Disponível em:<http://www.psicologia.pt/artigos/textos/TL0153.pdf>. Acesso em 01 de jul, 2012.TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução á pesquisa em ciências sociais: A pesquisaqualitativa em educação. Rio Grande do Sul. Atlas, 1987.UNEB, UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA. Programas e projetos deextensão. Disponível em: <http://www.uneb.br/proex/programas-de-extensao>.Acesso em 10 de junho de 2012
  • 57. 57APÊNDICES
  • 58. 58APÊNDICE A
  • 59. 59 UNIVERSIDADE DO ESTADO DABAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS II CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (COORDENAÇÃO) Eu Alessandro de Souza Ferreira, enquanto estudante do curso de EducaçãoFísica da UNEB – Campus II preciso realizar uma pesquisa monográfica paraconclusão deste curso. O meu estudo será sobre a “influência da dança na melhoriados aspectos psicossociais na terceira idade”, O objetivo desse trabalho é verificaras mudanças psicossociais ocorridas na prática contínua da oficina de dança com osidosos do projeto, fazendo uma análise sobre os benefícios e dificuldades quecompõem a prática da dança ofertada ao grupo, fazendo uma brevecontextualização com as outras modalidades oferecidas pelo projeto, e tambémresgatando o contexto da dança durante a vida dos idosos, discutindo de que formapraticavam a dança e como era vista em tempos anteriores. Pretendo realizá-lo comos idosos que participam da oficina de dança, através de minha intervenção e logoentrevista com alguns integrantes do referido grupo. Para tanto preciso daautorização da coordenação da UATI, para realização da pesquisa com os sujeitosdo projeto. Assinatura do (a) coordenador (a) da UATI
  • 60. 60APÊNDICE B
  • 61. 61 UNIVERSIDADE DO ESTADO DABAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS II CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (SUJEITOS) Eu Alessandro de Souza Ferreira, enquanto estudante do curso de EducaçãoFísica da UNEB – Campus II preciso realizar uma pesquisa monográfica paraconclusão deste curso. O meu estudo será sobre a “influência da dança na melhoriados aspectos psicossociais na terceira idade”, o objetivo desse trabalho é verificar asmudanças psicossociais ocorridas na prática contínua da oficina de dança com osidosos do projeto, fazendo uma análise sobre os benefícios e dificuldades quecompõem a prática da dança ofertada ao grupo, fazendo uma brevecontextualização com as outras modalidades oferecidas pelo projeto, e tambémresgatando o contexto da dança durante a vida dos idosos, discutindo de que formapraticavam a dança e como era vista em tempos anteriores. Considerando osobjetivos da pesquisa citados acima e após ler e receber explicações sobre apesquisa, e ter meus direitos de: 1. Receber resposta a qualquer pergunta e esclarecimento sobre apesquisa; 2. Retirar o consentimento e deixar de participar á qualquer momentodo estudo; 3. Não ser identificado e ser mantido o caráter confidencial dasinformações. Tendo recebido as informações acima e ciente dos meus direitos, concordoem participar voluntariamente da pesquisa. ______________________________ ______________________________ Assinatura do (a) participante Assinatura do pesquisador (a)
  • 62. 62APÊNDICE C
  • 63. 63 UNIVERSIDADE DO ESTADO DABAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO – CAMPUS II CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA ROTEIRO DE ENTREVISTA 1 – Diante as oficinas oferecidas pela UATI, quais oficinas vocês escolheu epor quê? Por que escolheu dança? 2 – Diante do passar do tempo, como você visualiza a dança de temposanteriores com os estilos de dança atuais? 3 - Qual a diferença em praticar dança hoje na terceira idade com a prática dadança em tempos anteriores, como na sua infância ou adolescência? 4– Qual (is) dificuldade(s) você tem em praticar a dança? 5 – Na sua visão, como é visto pela sociedade “o idoso que pratica dança”? Enesse contexto, como você se sente na oficina de dança da UATI? 6 – Após sua inserção na oficina de dança o que mudou na sua vida? Emquestões como qualidade de vida, relacionamento com família, amigos, porexemplo.
  • 64. 64APÊNDICE D
  • 65. 65 Apresentação de vários ritmos na semana de Educação física da UNEB em 2011 Apresentação de Hip-Hop na Semana de Educação física da UNEB em 2012Apresentação do Carimbó no Espetáculo de encerramento anual das oficinas da UATI em 2011

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