Your SlideShare is downloading. ×
A HISTÓRIA DO FUTEBOL FEMININO EM ALAGOINHAS – BA: SOB O OLHAR DE UMA EX - ATLETA
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Thanks for flagging this SlideShare!

Oops! An error has occurred.

×
Saving this for later? Get the SlideShare app to save on your phone or tablet. Read anywhere, anytime – even offline.
Text the download link to your phone
Standard text messaging rates apply

A HISTÓRIA DO FUTEBOL FEMININO EM ALAGOINHAS – BA: SOB O OLHAR DE UMA EX - ATLETA

2,427
views

Published on

REINALDO OLIVEIRA DE SOUZA JUNIOR

REINALDO OLIVEIRA DE SOUZA JUNIOR


0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total Views
2,427
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
1
Actions
Shares
0
Downloads
21
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

Report content
Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
No notes for slide

Transcript

  • 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO - DEDC CURSO: LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA REINALDO OLIVEIRA DE SOUZA JUNIORA HISTÓRIA DO FUTEBOL FEMININO EM ALAGOINHAS – BA: SOB O OLHAR DE UMA EX - ATLETA Alagoinhas 2011
  • 2. REINALDO OLIVEIRA DE SOUZA JUNIORA HISTÓRIA DO FUTEBOL FEMININO EM ALAGOINHAS – BA: SOB O OLHAR DE UMA EX - ATLETA Monografia apresentada ao curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Campus II, Alagoinhas, como requisito parcial para obtenção de grau de licenciatura em Educação Física, sob orientação do Prof. Ms. Ubiratan Azevedo de Menezes. Alagoinhas 2011
  • 3. Na escola da vida aprendiComo chorei e sofriNo sonho eu persistiNão desisti de lutarVi muita gente subirMas vi o mesmo cairPor humilhar e ferirQuem quis só te ajudarPara alcançar o sucessoEu tive fé fui a lutaNão mudei minha condutaNem meu jeito de ser...Porque a humildade é aessência da vida.Mc Andrezinho
  • 4. AGRADECIMENTOSA Deus que sempre esteve presente em minha vida e de todos os meus familiares eamigos.Ao meu pai Reinaldo Oliveira, as minhas mães Maria da Conceição e Maria Vanda“in memoriam”.A todos os meus parentes e em especial a minha tia Vera que sempre me apoiouem todas as dificuldades que não foram poucas viu.A minha noiva Cris que esteve sempre presente em toda a minha trajetória no iniciocomo amiga mais depois como companheira.A meu orientador, Ubiratan Menezes, por ter acreditado em mim, obrigado pelaconfiança em meu trabalho.A todos os professores que dispuseram de seus conhecimentos e possibilitarammeu aprendizado.A todo o pessoal de apoio da universidade em especial para Josias o cara da SantaTerezinha pelo ótimo serviço.A todos os meus colegas de turma, jamais esquecerei vocês.Aos meus amigos Pitty, Viny, Pedro, Deivid, Anderson, Cajá, Kleber, Marcelo,Daniel, Rafael Mota e a todos os outros que não citei mais estão lembrados emminha mente.A João Narciso um amigo que me ajudou muito com seu conhecimento durante essacaminhada.A todos que de alguma forma contribuíram direta ou indiretamente nessacaminhada.
  • 5. RESUMOEste trabalho foi realizado com o objetivo de analisar a história do futebol femininona cidade de Alagoinhas - BA buscando responder o principal objetivo: como se da àconstituição do futebol feminino na cidade. O trabalho discorre sobre o futebolfeminino, do seu inicio até os dias atuais tendo como enfoque a cidade deAlagoinhas. Foi utilizado como instrumento de coleta de dados nesse trabalho, aentrevista semi-estruturada direcionada a praticantes do futebol feminino na cidadede Alagoinhas na década de 80. Buscando responder aos questionamentos de comoé ser praticante de futebol feminino na cidade, suas principais dificuldades e seuvalor por praticar esse esporte.Concluimos que Alagoinhas tem uma história no futebol feminino não muito diferentedas demais cidades que até os dias de hoje são mantenedores do esporte, porémseu passado está adormecido sendo recordado apenas por aqueles queparticiparam, pois não é notoria a participação de mulheres na pratica.Palavras – chave: Futebol feminino, História, Gênero.
  • 6. ABSTRACTThis work was carried out to examine the history of womens football in the city ofAlagoinhas seeking an answer as to the forms? the womens football in city.The worktalks about womens football at its beginning? the present approach as taking the cityof Alagoinhas, was used as an instrument to collect data in this work a semi-structured interview aimed at practitioners of womens football in the city ofAlagoinhas deach 80. Trying to answer questions of how? being a practitioner offemale football in the city and their difficulties and their value for practicing this sport.Concluding that Alagoinhas has a history in womens football is not very differentfrom other cities that even today play the game but his memory is erased andremembered only by those who attended, who did not live because you do not know,not even heard of.Key - words: Female soccer, History, Genus.
  • 7. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLASCBF Confederação Brasileira de FutebolCND Conselho Nacional de DesportosEUA Estados Unidos da AméricaFA Football AssociationFBF Federação Baiana de FutebolSESI Serviço Social da IndústriaUEFA União das Federações Européias de FutebolUNEB Universidade do Estado da Bahia
  • 8. SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO 82. O FUTEBOL FEMININO 112.1. O futebol feminino no Brasil 122.2. O futebol feminino na Bahia 152.3. O futebol feminino em Alagoinhas – BA 183. GÊNERO E FUTEBOL FEMININO 204. METODOLOGIA 234.1. Simplesmente a entrevista 245. ANÁLISE DA ENTREVISTA 266. CONSIDERAÇÕES FINAIS 31REFERÊNCIAS 33APÊNDICE A - ENTREVISTA 35
  • 9. 81. INTRODUÇÃOPor ser praticante do futebol, esporte esse representado em sua maioria por homensaliado com minha formação como professor de Educação Física me dispertou oolhar sobre as mulheres na pratica do futebol, por ser um tema pouco estudadodentro da sua historiografia, principalmente em nossa região, percepçõesacadêmicas e pessoais relativas a pratica do futebol feminino. Esse interesseproporcionou um contato com um grupo de praticantes do esporte na Universidadedo Estado da Bahia – UNEB, onde tive a oportunidade de atuar ministrando umaoficina no Projeto Cultura Corporal na UNEB – Campus II.O futebol é a “grande paixão nacional do brasileiro” e mobiliza milhares detorcedores e admiradores nos estádios e na frente dos televisores. Sempre foiconsiderado um esporte para homens. Talvez, pela sua rigidez ou pela força, amulher que jogava era logo estigmatizada, como qualquer pessoa que fizesse algoque fosse de encontro à padrões de comportamento de uma cultura dominante noesporte que tem como característica o futebol como um esporte masculino. Opõe-se, assim, à instituição do futebol feminino.Mesmo com o crescimento da pratica do futebol feminino e os bons resultadosobtidos pela seleção brasileira nas ultimas Olimpíadas e na Copa do Mundo, avalorização e o interesse ainda são insuficientes para estimular a mídia e ospossíveis patrocinadores para a proliferação do mesmo. Isso é possível constatarcom as seguintes observações: Quantos jogos de futebol feminino são transmitidospela TV aberta ou por emissoras de radio? Quantos programas de esporte falamsobre o futebol feminino.Essa falta de incentivo prejudica o crescimento e a evolução do futebol em nossomeio, pois um time de futebol feminino necessita de apoio para que suas atletaspossam se dedicar exclusivamente ao futebol, aos treinamentos, as preparações,que via de regra não acontecem, são trabalhadoras de diversas áreas que em tempode folga ou recesso praticam o esporte, diferente do futebol masculino onde osatletas de grandes clubes se dedicam apenas aos treinamentos e jogos.
  • 10. 9Alguns temas são comuns e freqüentes no contexto do futebol feminino, dentre elesseu surgimento e seus segmentos geralmente distorcidos e às vezes inexistentes ouesquecidos em alguns casos. O futebol feminino surgiu por volta de 1894, outrosmeios citam que surgiu em 1898 em Londres na Inglaterra numa partida entre asseleções da Escócia e Inglaterra, já no Brasil a primeira partida de futebol que setem registro aconteceu no ano de 1921 na cidade de São Paulo segundo algunstextos1 que falam sobre o surgimento do futebol no Brasil.Na Bahia o futebol feminino teve início na década de 50, os times pioneiros foram oVitória e o Ypiranga. No entanto não existiam campeonatos nesta época, apenasalguns amistosos entre os times sempre de forma amadora, as atletas não sereuniam constantemente para treinamentos apenas nos dias de jogos.Mesmo com todas as dificuldades enfrentadas para formar equipes, alguns anosdepois, melhor dizendo, no inicio da década de 80 a cidade de Alagoinhas semostrou interessada em montar um time para tal pratica até o momento semnenhum costume na cidade, assim nascia à equipe de futebol feminino deAlagoinhas a Catuense.Já no ano de 1982 ocorreu o primeiro Campeonato Baiano de futebol feminino ondea Catuense teve sua principal revelação na categoria a jogadora Flor de Liz. Dessetempo em diante Alagoinhas perdeu muito espaço, pois deixou de disputar ascompetições seguintes por falta de apoio, em seguida a Catuense mudou - se para acidade de Catu – BA, a partir daí não se sabe como andas o futebol da cidade, nemcomo é ser jogadora na cidade, com sua historia esquecida.Tomando como tema e lugar de investigação a historia do futebol feminino emAlagoinhas, proponho um estudo sobre o assunto na cidade. Buscando responder áseguinte questão: Como se dá a constituição do futebol feminino na cidade deAlagoinhas - BA?1 danielle-portifolio.blogspot.comwww.calameo.com
  • 11. 10Para dar continuidade a proposta e responder ao questionamento, sem a pretensão dedisponibilizar respostas prontas irei levantar os dados de praticantes do futebol feminino nacidade, como é ser jogadora de futebol feminino na cidade, quais as principais dificuldades,quais os incentivos e se ser praticante desse esporte é valoroso. Sem deixar de valorizar ahistoria do futebol feminino evidenciando o perfil das atletas praticantes do esporte. Comoprincipal objetivo destaco a importância de contribuir para a construção e valorizaçãoda memória do futebol feminino na cidade.A pesquisa é de cunho qualitativo, foi utilizado como instrumento de coleta de dadosentrevista semi-estruturadas direcionadas a praticantes do futebol feminino nacidade de Alagoinhas na década de 80.O trabalho é composto por seis capítulos divididos em: Introdução onde é feito umapanhado geral sobre a pesquisa. No segundo capitulo é feito um levantamento dahistoria do futebol feminino, do seu surgimento aos dias atuais, no mundo, no Brasil,na Bahia e Alagoinhas. Dando segmento o terceiro capítulo discute gênero e futebolfeminino suas definições as relações entre ambas e importância de se trabalhar oassunto. O quarto capítulo se refere à metodologia mostrando como se deu aconstrução e desenvolvimento do trabalho, os métodos, e forma de pesquisa. Oquinto capítulo faz uma análise da entrevista fundamentando com os referenciasutilizados na produção dos textos. A pesquisa é finalizada com considerações eestratégias de superação.
  • 12. 112. O FUTEBOL FEMININOA mulher tem papel importante no desenvolvimento do futebol até os dias de hoje.Os primeiros indícios datam desde o tempo da Dinastia Han (25–220 CE) em queelas jogavam uma variação do antigo jogo chamado TSU Chu. Há outros relatos queindicam que, no décimo segundo século, era usual que as mulheresdesenvolvessem jogos com bola, especialmente na França e na Escócia. Em 1863,foram definidas regras para prevenir a violência no jogo, enquanto era socialmenteaceitável para as mulheres.Em 1892, na cidade de Glasgow, Escócia, houve o primeiro jogo de futebol entre asmulheres, o futebol feminino surgiu por volta de 1894 quando Nettie Honeyball umativista dos direitos da mulher, fundou o primeiro clube desportivo britânicochamado: O Ladies Football Club. Honeyball, convicta de sua causa declarou quepretendia demonstrar que as mulheres poderiam alcançar a emancipação e ter umlugar importante na sociedade.Lady Florence Dixie desempenhou um papel fundamental na criação do jogo,organizando jogos de exposição para caridade, e em 1895 ela se tornou presidenteda British Ladies Football Club, estipulando que "as jovens devem entrar no espíritodo jogo com o coração e a alma”. Ela providenciou uma turnê para a Escócia daequipe de futebol de Londres.A Primeira Guerra Mundial, foi à chave para a superlotação de futebol feminino naInglaterra. Porque muitos homens foram para o campo de batalha a mulher foiintroduzida na força trabalhadora. Muitas fábricas tiveram suas próprias equipes defutebol que até então eram privilégio de homens. A mais exitosa destas equipes foiDick, Kerrs Ladies of Preston, Inglaterra. A equipe foi bem sucedida, atingindoresultados como os de um jogo contra uma equipe escocesa que levou uma goleadade 22-0.No entanto, no final da guerra, a FA (Hotmail Association) entidade que controla ofutebol na Inglaterra não reconheceu o futebol feminino, apesar do sucesso epopularidade. Isto levou à formação da English Ladies Football Association
  • 13. 12(Associação de Futebol das Senhoras Inglesas) cujo início foi difícil devido aoboicote da FA que levou mesmo a mulheres a jogarem em estádios de Rugby.Após a Copa do Mundo 1966, o interesse dos amadores cresceu de tal forma que aFA decidiu voltar atrás e em 1969 criou o ramo feminino da FA. Em 1971, a UEFAinstruiu seus respectivos parceiros a gerir e promover o futebol feminino e na Europafoi consolidado nos anos seguintes. Assim, países como a Itália, EUA e o Japão têmligas profissionais cuja popularidade não permite a ser relacionado aos similares dosexo masculino.2.1. O futebol feminino no BrasilGiulianotti (2002) assinala que, em muitos países, o futebol feminino é praticamentecontemporâneo ao futebol masculino. No Brasil, o primeiro jogo envolvendo pessoasdo sexo feminino aconteceria apenas 23 anos mais tarde, em 1921, em São Paulo,onde entraram em campo os times das senhoritas catarinenses e tremembeenses2.O futebol feminino desde seu surgimento até á atualidade vem sendo analisadoprincipalmente através da categoria gênero. Segundo Scott (1995, p. 89), “O gêneroé um elemento constitutivo de relações sociais baseadas nas diferenças percebidasentre os sexos e o gênero é uma forma primária de dar significado às relações depoder”. As mulheres atualmente sofrem com esse tipo de preconceito principalmenterelacionado às diferenças de sexo, não tendo o devido valor e reconhecimento porparte da sociedade que ainda convive com a idéia de que futebol é coisa de homem.Tendo como base a definição de Scott (1995) podemos observar a importância deanalisarmos o caminho percorrido pelas mulheres para chegar a pratica do futebol.Para Farias Junior (1995), talvez um dos motivos para o atraso no desenvolvimentoda prática do futebol entre as mulheres tenha sido a pouca participação eoportunidades oferecidas a elas, com uma educação física injusta, burguesa, brancae machista. O principal obstáculo enfrentado para a pratica do futebol feminino é odiscurso preconceituoso e estereotipado transmitido ao longo do último séculoquanto a essa prática.2 Quem nasce na cidade de Tremembé - SP
  • 14. 13Conforme Castellani Filho (1988), outro entrave para a implementação do futebolfeminino, refere-se à legislação brasileira que, durante a época da ditadura militar,através do Conselho Nacional de Desportos (CND) baixa as seguintes instruções àsentidades desportivas do país sobre a prática de desportos pelas mulheres:Deliberação – CND – N. º 7/65.N. º 1 – Às mulheres se permitirá a prática de desportos na forma, modalidades econdições estabelecidas pelas entidades internacionais dirigentes de cada desporto,inclusive em competições, observado o disposto na presente deliberação.N. º 2 – Não é permitida a prática de lutas de qualquer natureza, futebol, futebol desalão, futebol de praia, pólo aquático, pólo, rúgbi, halterofilismo e baseball.A proibição dessa prática naquela época já se constatava um preconceito, poisnessa época onde as mulheres não tinham nenhum tido de regalias, a opção eraapenas a obrigação de cuidar do marido e dos filhos, ou seja, era proibida departicipar de qualquer prática que pudesse influenciar sobre o meio em que viviam.Somente em 1979, o Conselho Nacional dos Desportos, CND, através daDeliberação n. º 10 revogou a de n. º 7/65.Um grande marco na trajetória do futebol feminino foi à criação do Esporte ClubeRadar, em 1982, este clube carioca difundiu o futebol feminino brasileiro, dando-lhecrédito através de campanhas vitoriosas inclusive no exterior. Em 1988 o Radarencerrou suas atividades culminando com uma estagnação temporária do futebolfeminino no Rio de Janeiro.Segundo Castellani Filho (1988), Somente a partir dos primeiros anos da década de80 em 06/03/1986, o CND baixou a Recomendação n. º 02, na qual, reconhece anecessidade de estímulo à participação da mulher nas diversas modalidadesdesportivas no país [...]Leite (1999) afirma que a situação do futebol feminino nacional voltou a melhorarsomente quando a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) repassou aadministração da seleção brasileira para uma empresa particular. Foi a partir de1994 que a Sport Promotion recebeu os direitos de cuidar e explorar o esporte até oCampeonato Mundial de 1999.
  • 15. 14Com o objetivo de formar uma nova geração de atletas para integrar a seleçãobrasileira, a Sport Promotion organizou em conjunto com a Federação Paulista deFutebol o primeiro Campeonato Paulista de Futebol Feminino, a Paulistana-97(FOLHA DE SÃO PAULO, 1997). Colaborando com a mudança de cenário queestamos acompanhando no Brasil, Darido (1999) acrescenta a participação da mídiaque, de acordo com Kenski (1995 citada por Darido, 1999), tem no esporte umespetáculo de fácil produção, baixo custo e grande rentabilidade.Darido (1999) levanta a hipótese de que o futebol feminino tenha passado a fazerparte da programação televisiva a partir de 1994 por razões de ordem econômica,ou seja, surgiu como uma solução barata para cobrir a programação de um horárioaberto de uma rede de TV.Nos dias atuais não é possível afirmar que as dificuldades das décadas de 80 e 90foram vencidas. Isto considerando que a sociedade (mesmo que a idéia estejacomeçando a mudar) discrimina a mulher que mostra um interesse na prática(BRUHNS, 2000). De acordo com Daolio (2000), esse fato pode ser afirmado atravésde análises feitas no campo sociológico. Por exemplo, a sociedade em geral agedessa forma: quando uma criança nasce ela é condiciona desde cedo e de acordocom a configuração de seus órgãos sexuais, a agir de tal forma, ter certaspreferências. Se for menino ganham carrinhos, armas, bonecos de super-heróis e éclaro, uma bola. Enquanto que as meninas ganham bonecas e miniaturas deeletrodomésticos e utensílios.Daolio (1997) isso comprova que a cultura exerce influência importante nadiscussão, visto que existem fatores na atualidade provenientes dessa cultura.Como o fato de meninos terem, em sua maioria, um desempenho motor muitomelhor comparando os gêneros no esporte.Essa afirmação é comprovada pelo fato da criança do sexo masculino sair parabrincar na rua, correr, soltar pipa, jogar bola, andar de carrinho de rolimã e etc.,desde pequeno para não interferir nos trabalhos realizados por suas mães em suascasas. Piorkowsky (2005) em contrapartida as meninas devem ficar em casa, a fimde ser preservadas das brincadeiras de menino e ajudar as mães nos trabalhosdomésticos, que lhes serão úteis futuramente quando se tornarem esposas e mães.
  • 16. 15Que é quebrado quando ela tenta "invadir" um espaço “masculino”, de acordo com amaior parte da sociedade.Além de sofrer com o preconceito as mulheres acabam sofrendo também assediopor parte da “torcida masculina” que acompanha os jogos não por admiração aoesporte praticado e sim pelo fato de serem mulheres. De acordo com Bruhns (2000)a mulher no esporte em geral, é lembrada não por seu desempenho ou conquista,mas pela sua beleza e sensualidade frente ao que a mídia retrata, "o jogo bonito dese ver". Não está relacionado ao jogo em si, nem ao aspecto estético das belasjogadas, mas às siluetas das jogadoras, às "sainhas e shortinhos", enfim, associadoà imagem veiculada e vendida pela indústria cultural, determinando padrão debeleza feminina, que confunde a estética do jogo com a estética do corpo.A profissionalização no Brasil é acentuadamente difícil, visto que não há umarepresentação que organize o futebol feminino e também não há investimentopúblico nem privado (SUGIMOTO, 2003). Nos EUA, o futebol é visto como esportefeminino, enquanto que em 1994 foi o vice-presidente quem entregou a Taça aocapitão da seleção brasileira, Dunga, e em 1996 foi o próprio Bill Clinton quementregou a Taça pelo mesmo evento, porém feminino. O que não significa que amulher é bem mais reconhecida lá do que é aqui nos esportes, frente que a mesmanão tem vez no futebol americano e no beisebol, dois dos esportes mais difundidosnos EUA.2.2. O futebol feminino na BahiaOs registros sobre o surgimento do futebol na Bahia não são muito por isso existempoucos documentos e poucas produções acadêmicas, por essa carência deinformações este texto foi produzido baseado na entrevista cedida por MárioAugusto Figueiras técnico da equipe do São Francisco do Conde no dia 30/10/2009
  • 17. 16ao site Mulheres em campo3 onde ele relata através de sua experiência um poucoda tragetoria do futebol feminino na Bahia e do blog soccerlogos4.O futebol feminino na Bahia teve início na década de 50. Os times pioneiros foram oVitória e o Ypiranga. No entanto, não existiam campeonatos nesta época, apenasalguns amistosos entre os times, sempre de forma amadora. As atletas não sereuniam constantemente. Nos anos 80, Bahia e Catuense também montaram assuas equipes.O primeiro campeonato de futebol feminino na Bahia foi realizado no ano de 1982sendo disputado por oito equipes: Clube Baiano de Tênis, Associação Atlética daBahia, Clube Itapagipe e Vasco da Gama, todas de Salvador, além da Catuense deAlagoinhas, Flamengo de Feira de Santana, Clube Cajueiro de Feira de Santana eTeodoro Sampaio do interior.O detalhe é que o torneio não foi organizado pela Federação Baiana de Futebol(FBF) e sim pela TV itapoã (na época, afiliada do SBT), a partir do interesse pessoalde Pedro Irujo, dono da emissora, pela família Santarém, dona do time feminino doVasco da Gama, e também com a ajuda da Superintendência dos Desportos doEstado da Bahia (Sudesb). No entanto, a FBF prestou todo o apoio, cedendo osestádios, a arbitragem e a hospedagem para as equipes.Os jogos eram transmitidos pela TV Itapoan, ao vivo. O campeonato foi dividido emdois turnos. O Clube Bahiano de Tênis venceu o primeiro e o Flamengo de Feira foio campeão do segundo. Portanto as duas equipes foram finalistas do primeirocampeonato baiano.A primeira partida da final ocorreu no Estádio Alberto Oliveira, em Feira de Santana,mais conhecido como Jóia da Princesa. Houve um empate em 1 x 1. A grande finalfoi realizada no Estádio da Fonte Nova, em Salvador. Mais de 35 mil torcedoresassistiram ao jogo, apesar do duelo ter sido televisionado. O Clube Bahiano de Tênisconquistou o título.3 www.baianissimo.com.br4 Blog.soccerlagos.com.br
  • 18. 17A equipe do Clube Bahiano de Tênis era formada por atletas de classe média alta eem sua maioria de pele branca com poucas atletas de pele preta diferente doFlamengo de Feira de Santana que era composta por atletas selecionadas empeneiras que aconteciam na própria cidade e região onde o próprio treinador daequipe realizava a seleção com biótipos diferentes das atletas do Bahiano de Tênis.Durante o primeiro Campeonato Baiano feminino, em 1982, umas das coisas quemais chamaram a atenção foram a categoria e o talento de uma jogadora doFlamengo de Feira, de apenas 15 anos de idade. Sisleide Lima do Amor nascida nomunicípio de Esplanada, no interior da Bahia, além de Sissi, como eracarinhosamente chamada também se destacaram, Doralice e Nalvinha, oriundas deoutras cidades do interior. Com essa crescente no futebol da Bahia em 1889 foifundada a Associação de Futebol Feminino que gerenciou os campeonatos a partirdo seu surgimento. Com o anúncio de que se pretendia realizar campeonatos emvários estados tendo em vista a formação de uma seleção brasileira, alguns clubesde futebol profissional começaram a se interessar pela categoria feminina.Assim o Bahia desfez o Flamengo de Feira, o Ypiranga e a Catuense e montou comjogadoras destas agremiações um grande time que foi campeão invicto por três anosconsecutivos e representante do estado em competições nacionais. A visibilidadedada pelo clube valeu em 1991 a convocação de metade do time baiano, nadamenos do que seis jogadoras, para a seleção brasileira. Outras quatro baianas detimes diversos foram chamadas a testes em Teresópolis-RJ centro de treinamentoda CBF, a maioria não retornou a Salvador.As jogadoras foram contratadas por clubes como o Radar, do Rio de Janeiro, oPalmeiras, SAAD e Corithians de São Paulo. Seis baianas: Sisi, Flor-de Liz,Solange, Doralice, Nalvinha e Susi viajaram para participar da primeira copa domundo na China. A exceção de Flor-de Liz, centroavante, as cinco baianas foramtitulares. O Brasil ficou em nono lugar.A década de 90 é marcada pela hegemonia do Clube Recreativo Campomar, queconquistou diversos títulos regionais e nacionais. Em 1996, chegou a levantar a taçade campeão do Campeonato Brasileiro de Clubes. No entanto, por problemasfinanceiros, o Camponar não estava representando a Bahia neste torneio e sim oEstado do Mato Grosso.
  • 19. 18Os times de futebol de campo e futsal do Campomar eram comandados pela técnicaDilma Maria Mendes, que ajudou a revelar grandes talentos para a seleçãobrasileira. Das jogadoras que disputaram as Olimpíadas de Atlanta, em 1996, oitoatletas haviam sido comandadas por Dilma, na Bahia. São elas Nenê, Taffarel, Sisi,Elaine, Formiga, Tânia, Didi e Kátia. Nascida na cidade de Camaçari, Dilma MariaMendes é uma das grandes referências do futebol feminino da Bahia e também doBrasil.O primeiro campeonato de futebol feminino organizado pela FBF (Federação Baianade Futebol) foi em 1998. Doze equipes participaram e o Flamengo de Feira foi ocampeão. Os jogos eram realizados principalmente no Estádio de Pituaçu e nocampo do SESI, no Largo de Roma em Salvador.Muitos clubes não participaram dos campeonatos baianos nos anos de1998, 1999 e2000 porque não tinham condições de pagar a taxa de inscrição de R$ 500 cobradapela federação.A realidade do futebol feminino na Bahia é lamentável mesmo sendo gerido pelaFBF (Federação Baiana de Futebol) que realiza um campeonato anual de curtaduração com pouca quantidade de clubes que em sua maioria tem dificuldades dese estruturar para competições o que tira um pouco o brilho da competição.A Bahia tem como principal equipe o clube São Francisco do Conde que édecacampeão baiano e atual terceiro melhor colocado na copa do Brasil, únicacompetição nacional realizada no País.2.3. O futebol feminino em Alagoinhas – BASabe-se através de informações desencontradas que na década de 80 a cidade deAlagoinhas teve o privilégio de ter um dos grandes times de futebol feminino daBahia e do Brasil, porém essa tão nobre equipe ficou no passado junto com todaessa história, pois o que se vê hoje é a eminente desvalorização de um trabalhoescasso e significativo para a história do esporte na atual sociedade. Essadesvalorização em sua maioria surge da parte interna, ou seja, das equipes que
  • 20. 19“comercializam” essas meninas, alimentando e intensificando o preconceito queenvolve o futebol feminino.Devido à carência de material ou registro, utilizamos como fonte membros dadiretoria, com o objetivo de que a mesma pudesse colaborar, sendo a primeira eúnica equipe a disputar um campeonato baiano da modalidade. A direção informoua ausência informações arquivada, por não existir registros escritos na época como“sumulas” e que ainda teria acontecido uma mudança de cidade por parte do clube eque os registros fotográficos daquela época tinham se perdido.Lamentavelmente a única forma de saber que Alagoinhas já foi uma das grandespotências do futebol feminino da Bahia e do Brasil, é através de sites que falam dahistória do futebol feminino da Bahia, não especificamente em Alagoinhas. Nãoexiste nenhum registro em nenhum acervo da cidade, nem em nenhum clube!
  • 21. 203. GÊNERO E FUTEBOL FEMININOSCOTT (1995, pag.86) define gênero como “um elemento constitutivo de relaçõessociais fundadas sobre as diferenças percebidas entre os sexos”, e também comouma forma primária de dar significação às relações de poder.Baseado nessa definição podemos fazer uma análise sobre a inserção da mulher noesporte tomando como referência o futebol feminino, onde até a atualidade aquestão de gênero é bastante discutida.Durante muitos anos a mulher no Brasil vem se destacando no âmbito esportivo nocenário nacional e internacional não só como figurantes, mas como protagonista deuma história, sobretudo nos últimos cinco anos, quando a jogadora Martha5 vemconquistando consecutivamente o titulo de melhor atleta do futebol feminino domundo.Essa é uma marca inédita para o primeiro esporte mundial, ou seja, considerando oscinco títulos de melhor jogadora do mundo, Martha eleva não só a mulher comoatleta de alto rendimento como também ultrapassa todos os recordes de jogadorespremiados de um único país consecutivamente. Nem o Pelé teve essa honra,contudo isso não significa algo muito especial, as mulheres no futebol continuamainda em segundo plano. São poucas as modalidades desportivas em que de fatoexiste um incentivo especifico para as mulheres seja no futebol ou em qualqueroutro esporte. Mas talvez o mais descreditado para nós brasileiros “o pais do futebol”é ter que conviver com a total falta de estrutura e apoio para o futebol da melhoratleta da modalidade no mundo.Essa influência com relação a gênero pode ser vista se compararmos a quantidadede competições existentes no futebol para os praticantes do sexo masculino e ospraticantes do sexo feminino a começar pela profissionalização que não existe nofutebol feminino.5 Jogadora de futebol feminino
  • 22. 21Frente a essa desigualdade de gênero utiliza-se seu conceito como igualmenteempregado para identificar as relações sociais entre os sexos, o que segundo JoanScott (1995): O seu uso rejeita explicitamente as explicações biológicas, como aquelas que encontram um denominador comum para várias formas de subordinação no fato de que as mulheres têm filhos e que os homens têm uma força muscular superior. [...] é uma maneira de indicar as „construções sociais‟: a criação inteiramente social das idéias sobre os papéis próprios aos homens e às mulheres. É uma maneira de se referir às origens exclusivamente sociais das identidades subjetivas dos homens e das mulheres. [...] oferece um meio de distinguir a prática sexual dos papéis atribuídos às mulheres e aos homens. [...] coloca a ênfase sobre todo o sistema de relações que pode incluir o sexo, mas que não é diretamente determinado pelo sexo nem determina diretamente a sexualidade.As mulheres já na década de noventa ainda continuam sofrendo do mesmopreconceito que nas décadas do seu surgimento onde eram proibidas de realizaratividades por questões de gênero, por existir papeis específicos na sociedade quese diz liberta.Daólio (1995) em seu estudo intitulado: A construção cultural do corpo femininoou o risco de transformar meninas em antas. Ressalta a força da tradição de umdeterminado valor ou costume cultural no comportamento de uma criança.Ainda é comum encontrarmos famílias tradicionais com alguns segmentos arcaicosque atrapalham na formação e construção de sua própria identidade, pois não éporque se pratica determinado esporte e tem determinada forma física que pode sercomparado ao sexo contrario.Jocimar Daólio (1995) em seu estudo intitulado “A construção cultural do corpofeminino ou o risco de transformar meninas em antas”, ressalta a força da tradiçãode um determinado valor ou costume cultural no comportamento de uma criança.
  • 23. 22 Para uma menina assumir determinados comportamentos historicamente vistos como masculinos, como ser mais agressiva ou jogar futebol, implica ir contra uma tradição. Implica ser chamada de „machona‟ pelos meninos ou ser repreendida pelos pais. Da mesma forma para um menino, assumir uma postura delicada, mais afetiva, e brincar de maneira mais contida implica ser chamado de „bicha‟ ou „efeminado‟. Tanto para o menino quanto para a menina que contrariam a expectativa que deles se tem, há o peso de uma sociedade que os marginaliza [...]Nos dias atuais em pleno século 21 é comum encontrarmos pais e mães com essepensamento preconceituoso, não muito diferente do que já vimos antes na décadade 80, onde os pais proibiam as filhas de sair de casa para não irem praticar futebolou qualquer outro esporte determinado pela sociedade de esporte de homens.
  • 24. 234. METODOLOGIATraçar os caminhos a serem percorridos para desenvolver uma pesquisa é de sumaimportância. Antes de definir o caminho metodológico a ser utilizado paradesenvolver esse estudo é importante demonstrar alguns conceitos de pesquisa.Minayo (1994, p. 17) “afirma entender a pesquisa como prática da ciência numareflexão e construção do conhecimento como forma de entender a realidade”.Podemos dizer que a pesquisa é uma troca de conhecimentos entre o entrevistadore o publico a ser entrevistado como cita Freire (1996, p. 29) quando afirma que “nãohá ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino”.Esta pesquisa tem cunho qualitativo que tem como características o enfoqueindutivo, o caráter: descritivo e principalmente o ambiente natural como fonte diretade dados, que se identifica com o estudo de caso, que é o método utilizado, que secaracteriza por fazer registro da história de vida de indivíduos que, ao focalizar suasmemórias pessoais, constroem também uma visão mais concreta da dinâmica defuncionamento e das várias etapas da trajetória do grupo social ao qual pertencem.Foi utilizado como instrumento de pesquisa a entrevista que tem como característicaa flexibilidade de obter informações sobre a pesquisa com a possibilidade deintroduzir variações que se fizerem necessárias durante a entrevista.Minayo (1999) diz que a abordagem qualitativa não pode pretender o alcance daverdade, com o que é certo ou errado, deve ter como preocupação primeira acompreensão da lógica que permeia a prática que se dá na realidade.O Estudo de Caso é um dos tipos de pesquisa qualitativa que vem conquistandocrescente aceitação na área da educação como conceitua VILABOL. É uma categoria de pesquisa cujo objeto é uma unidade que se analisa profundamente. Pode ser caracterizado como um estudo de uma entidade bem defi nida, como um programa, uma instituição, um sistema educativo, uma pessoa ou uma unidade social. Visa conhecer o seu “como” e os seus “porquês”, evidenciando a sua unidade e identidade própria. É uma investigação que se assume como particularística, debruçando-se sobre uma situação específica,
  • 25. 24 procurando descobrir o que há nela de mais essencial e característico. (VILABOL)Para este estudo foi utilizado uma entrevista semi-estruturada que para Triviños(1987, p. 146) a entrevista semi-estruturada tem como característicaquestionamentos básicos que são apoiados em teorias e hipóteses que serelacionam ao tema da pesquisa. Os questionamentos dariam frutos a novashipóteses surgidas a partir das respostas dos informantes. O foco principal seriacolocado pelo investigador-entrevistador. Complementa o autor, afirmando que aentrevista semi-estruturada “[...] favorece não só a descrição dos fenômenos sociais,mas também sua explicação e a compreensão de sua totalidade [...]” além demanter a presença consciente e atuante do pesquisador no processo de coleta deinformações (TRIVIÑOS, 1987, p. 152).Os procedimentos utilizados foram vários informativos a respeito do tema como:livros, revistas, sites, artigos e entrevista. Como instrumento de coleta de dados,caderno de campo, caneta, gravador, entrevista semi-estruturada com uma ex -atleta de futebol que atuou na equipe da Catuense em 1982.A escolha do sujeito entrevistado teve como critérios: Ter participado como atleta daprimeira equipe de futebol feminino de Alagoinhas, onde foi realizada uma entrevistasemi-estruturada com a ex - atleta e ex - arbitra de futebol da primeira equipe defutebol feminino da cidade de Alagoinhas abordando os principais fatores da praticado futebol feminino.4.1. Simplesmente a entrevistaA entrevista foi feita com Rosana Vigas que se encaixa nos perfis utilizados paraselecionar os mesmos.A entrevista aconteceu no dia 19 de Janeiro de 2011 na cidade de Salvador – BA, ás16:00 hs com duração de 17 min. onde me encontrei com a entrevistada no bairro daRibeira no campo do Lasca por conta da disponibilidade da entrevistada, que só
  • 26. 25poderia ceder a entrevista nesse local e horário pois esse era o único tempodisponível, o que dificultou um pouco nosso encontro por causa dos contratempos edo deslocamento, mais tudo correu em devida ordem obedecendo todos os critériosexigidos como a autorização da entrevista para uso acadêmico e o dialogo abertoentre o entrevistado e o entrevistador para a realização de uma entrevista semi –estruturada com sete questionamentos sobre preconceito, gênero, sua trajetória nofutebol feminino e situação do futebol na atualidade.Ao aproximar da entrevistada tive o cuidado de enfatizar o propósito da atividadeque a mesma aceitou sem nenhum empecilho e com bastante satisfação.
  • 27. 265. ANÁLISE DA ENTREVISTAQuando perguntada sobre a reação de sua família quando ficaram sabendo de suaescolha pela pratica do futebol Rosana Vigas respondeu que: “Como toda família daquela época afinal de contas nós estamos falando da década de 80, então as famílias não achavam interessante ver suas filhas jogando futebol e procuravam proibir de todas as formas mais sempre dávamos um jeito de escapar e continuar praticando o esporte...”É com este relato de Rosana Vigas atleta de futebol feminino na cidade deAlagoinhas na década de 80 que inicio este capítulo. Um comentário curto, porémque simboliza bastante o estudo que estamos realizando quanto a historia do futebolfeminino na cidade de Alagoinhas.Ao longo entrevista6, foi possibilitado o privilegio de vasculhar a memória de umamulher soteropolitana7 que teve influência bastante positiva na historia do futebolfeminino na cidade de Alagoinhas.Quando Rosana Vigas foi indagada sobre o apoio dado quando era jogadora nadécada de 80 não titubeou em responder: “Basicamente igual ao de hoje não tinha apoio nenhum, basicamente estrutura nenhuma eram alguns abnegados que gostavam como até hoje alguns gostam formam um grupo que acaba participando de algumas competições locais regionais e ai com a experiência desse grupo de sempre jogar junto se forma um grupo forte e disputa competições...”Afirmando o que diz Castellani Filho (1988), Somente a partir dos primeiros anos dadécada de 80 em 06/03/1986, o CND baixou a Recomendação n. º 02, na qual,6 Todos os relatos da entrevistada estarão entre aspas e destacadas do texto7 Quem nasce na cidade de Salvador - BA
  • 28. 27reconhece a necessidade de estímulo à participação da mulher nas diversasmodalidades desportivas no país.Leite (1999) afirma que a situação do futebol feminino nacional voltou a melhorarsomente quando a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) repassou aadministração da seleção brasileira para uma empresa particular. Foi a partir de1994 que a Sport Promotion recebeu os direitos de cuidar e explorar o esporte até oCampeonato Mundial de 1999.Porém até os dias atuais estes estímulos não são suficientes para umdesenvolvimento a altura do futebol feminino praticado nos Pais.Quando perguntada com relação as dificuldades e principalmente sobre opreconceito Rosana Vigas respondeu que: “O preconceito sempre vai existir mais eu acho que hoje a coisa já começa a ser vista de outra forma haja vista que passa na televisão, canal aberto, jogos da seleção brasileira onde nós temos a nossa Martha pela quinta vez consecutiva melhor jogadora do mundo, então já se desperta o interesse de alguns, então a gente espera que o futuro mais próximo que seja a profissionalização do futebol feminino...”Um dos principais motivos para essa falta de apoio e incentivo é o preconceitorelacionado ao gênero que Segundo Scott (1995, p. 89), “O gênero é um elementoconstitutivo de relações sociais baseadas nas diferenças percebidas entre os sexose o gênero é uma forma primária de dar significado às relações de poder”. Asmulheres até os dias atuais sofrem com esse tipo de preconceito principalmenterelacionado às diferenças de sexo, não tendo o devido valor e reconhecimento porparte da sociedade que ainda convive com a idéia de que futebol é coisa de homem. Tendo como base a definição de Scott (1995) podemos observar aimportância de analisarmos o caminho percorrido pelas mulheres para chegar apratica do futebol. Resgatando aqui o Farias Junior (1995), talvez um dos motivospara o atraso no desenvolvimento da prática do futebol entre as mulheres tenha sidoa pouca participação e oportunidades oferecidas a elas, com uma educação físicainjusta, burguesa, branca e machista. Sem duvidas o principal obstáculo enfrentado
  • 29. 28para a pratica do futebol feminino é o discurso preconceituoso e estereotipadotransmitido ao longo do último século quanto a esta prática.Também reforça a compreensão de Daolio (1997), Isso comprova que a culturaexerce influência importante na discussão, visto que existem fatores na atualidadeprovenientes dessa cultura. Como o fato de meninos terem, em sua maioria, umdesempenho motor muito melhor comparando os gêneros no esporte. Isso se dápelo fato da criança do sexo masculino sair para brincar na rua, correr, soltar pipa,jogar bola, andar de carrinho de rolimã e etc., desde pequeno para não interferir nostrabalhos realizados por suas mães em suas casas.Já Piorkowsky (2005), Em contrapartida as meninas devem ficar em casa, a fim deser preservadas das brincadeiras de menino e ajudar as mães nos trabalhosdomésticos, que lhes serão úteis futuramente quando se tornarem esposas e mães,o que deixa um ar de delicadeza em torno da menina. Ar que é quebrado quandoela tenta "invadir" um espaço masculino, de acordo com a maior parte da sociedade.Sociedade que impõem as varias formas de criação e aceitação de acordo com aopinião da maioria que sem duvidas tendem ao tradicionalismo e a não aceitação doindividuo numa pratica diferente do que é normal se ver, pois tudo que é diferente étemeroso.Na seqüência da entrevista, perguntei se Rosana Vigas faz relação entre a paixãopelo futebol e a escolha de ser professora de educação física ela me respondeu que: “Sim, mas não o futebol necessariamente, já praticava outros tipos de esporte: eu nadava, eu corria, eu fazia atletismo eu fazia basquete eu jogava handebol essa atração por todos os esportes além do futebol fizeram com que eu realmente optasse pelo curso de educação física...”A fala de Rosana Vigas apenas reforça a idéia e que não tem condições de umamulher se manter com apenas a pratica do futebol na Bahia, como pode serobservado em outro momento onde Rosana Vigas reforça a opção pelos estudos aoinvés de tentar a independência financeira através do futebol:
  • 30. 29 [...] preferi fazer minha faculdade porque sei que até hoje aquelas meninas que deixaram os estudos por causa do futebol hoje não tem uma formação e eu escolhi minha formação acadêmica e minha carreira profissional porque eu sempre achei que além de contribuir como atleta eu também poderia contribuir de outra forma [...]Como foi observado durante os levantamentos realizados na cidade sobre o futebolfeminino, onde não foi encontrado nenhum relato, nenhum tipo de registro, nemmuito menos alguém do sexo feminino que pudesse falar, onde provavelmente deveexistir muitas ex – atletas na cidade, mas que possivelmente caíram noesquecimento, se é que já foram verdadeiramente notadas como atletas. Sobre oassunto Rosana Vigas, que não é moradora da cidade e apenas atuou na únicaequipe da cidade na década de 80 fala um pouco sobre a realidade daquela época: É maravilhoso relembrar o período em que jogávamos pela Catuense, o saudoso Antonio Pena, um grande amigo, um grande incentivador do futebol feminino, pena não haver mais iguais a ele, então era muito bom ir para o Ninho do bem – te - vi ficar concentrada, inclusive a gente conhecia os jogadores do profissional: Luis Henrique, Bobô, Sandro, Wandick, então foi nessa época que nos jogávamos por lá e sempre que podia Pena abria as portas da concentração para a gente, apoiava no que podia mais era muito pouco mesmo, não era aquilo que a gente pretendia mais já era alguma coisa, então é com saudosismo, com saudades mesmo que a gente lembrar aquele período maravilhoso que gente passou jogando pela Catuense.Falando sobre os investimentos e custos com a equipe feminina naquela década nacidade de Alagoinhas Rosana Vigas comentou que: [...] todo mundo gostava do que fazia e achava que não era necessário pagar jogador porque afinal de contas era colocado como amador, então como o futebol feminino até hoje é amador então por isso que digo o importante é profissionalizar o futebol feminino para que se comesse a perceber que á uma necessidade das jogadoras serem remuneradas para praticar suas atividades.
  • 31. 30Afirmando que a profissionalização no Brasil é acentuadamente difícil, visto que nãohá uma entidade forte que organize o futebol feminino e também não háinvestimento público nem privado (SUGIMOTO, 2003). É fácil observarmos adistancia ente a experiencia baiana no futebol e a Norte Americana onde o futebol évisto como esporte feminino, e no Brasil não. Enquanto que em 1994 foi o vice-presidente quem entregou a Taça ao capitão da seleção brasileira, Dunga, e em1996 foi o próprio Bill Clinton quem entregou a Taça pelo mesmo evento, porémfeminino. O que não significa que a mulher é bem mais reconhecida lá do que é aquinos esportes, frente que a mesma não tem vez no futebol americano e no beisebol,dois dos esportes mais difundidos nos EUA (SUGIMOTO, 2003). Necessitamos hojede um estreitamento dessa distância para possamos sonhar com dias melhores coma diminuição das dificuldades.
  • 32. 316. CONSIDERAÇÕES FINAISBaseado nos caminhos percorridos na construção desse trabalho que tem comoobjetivo destacar a importância de contribuir para a construção e valorização damemória do futebol feminino na cidade é possível constatar que a cidade deAlagoinhas tem uma historia no futebol feminino, uma historia de luta, dedicação eacima de tudo vontade dessas guerreiras que aqui deixam seus nomes gravados.Uma historia não muito diferente da realidade das equipes que se sustentaram atéhoje e das que surgiram, equipes formadas sem nenhum tipo de estrutura, apoio ouqualquer recurso, movidas apenas por um sonho de jogar futebol, sonho esse queperpassa décadas sem realizações, respondendo as questões levatadas como serjogadora de futebol na cidade, os seus incentivos e seus valores. O futebol femininode Alagoinhas realmente existiu e ainda existe na memória daquelas pessoas quetiveram o prazer de acompanhar e de participar.Pois não existe até o dia de hoje é claro nenhum registro formal na cidade sobreesse passado de glorias do futebol feminino, onde mulheres se dedicavam ao quesentiam prazer de fazer que era praticar futebol enfrentando preconceitos, leis e atémesmo suas famílias, mais não se renderam a todas essas dificuldade e seguiramfazendo o que gostava sonhando com futuros melhores.Toda essa dificuldade poderia ser amenizada ou até solucionada se houvesseinteresse do poder publico em discutir políticas publicas que incentivassem a praticado futebol feminino na cidade, assim como os empresários da cidade que poderiainvestir no esporte e ter seu retorno nos impostos com descontos e diminuição dasreceitas.A federação baiana de futebol deveria inserir no regulamento do campeonatomasculino a obrigatoriedade por parte dos clubes participantes de inscrever junto asua equipe masculina suas equipes femininas para a disputa do campeonato, assimreduzindo os custos já que o campeonato iria obedecer a mesma tabela domasculino acontecendo paralelamente incentivando a pratica do futebol feminino emtodo estado.
  • 33. 32Espero que este seja apenas um primeiro passo para que possamos resgatar umagrande pratica esportiva que é o futebol feminino e que nós possamos dar a voltapor cima e reerguer a pratica na cidade.
  • 34. 33 REFERÊNCIASBRUHNS, Heloisa T. Futebol, Carnaval e Capoeira: Entre as gingas do corpobrasileiro. Campinas - SP: Papirus, 2000.DAOLIO, Jocimar. Cultura: Educação Física e Futebol. Campinas - SP. Editora daUNICAMP, 1997. LEITE, J. F. K. Proposta de um Programa em Iniciação ao Futebol Feminino.1999FARIA JÚNIOR, A. G. Futebol, Questões de Gênero e Co educação – Algumasconsiderações didáticas sob enfoque multicultural, Revista do Núcleo deSociologia do Futebol, Rio de Janeiro, n. 2, 1995.DARIDO, Suraya Cristina. RANGEL. et al. Educação Física no Ensino Médio:Reflexões e ações. Motriz. Rio de Janeiro: 1999.SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação &Realidade. Porto Alegre., 1995.SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação eRealidade. Gênero e Educação,Porto Alegre: v. 20, n. 2, p. 71-99, jul/dez. 1995.CASTELLANI FILHO, L. Educação física no Brasil: a história que não se conta.Campinas: Papirus, 1988.GIULIANOTTI, R. Sociologia do futebol: dimensões históricas e socioculturaisdo esporte das multidões. São Paulo: Nova Alexandria, 2002.PIORKOWSKY, Lilian dos Santos. Gênero, raça/ etnia e escolarização. Faculdadede Educação-Universidade de São Paulo.SUGIMOTO, Luiz. Universidade Estadual de Campinas / Assessoria de Imprensa.Eva Futebol Clube, Campinas: 2003.TRIVIÑOS, A. N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisaqualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987.VILABOL. Disponível em <http://mariaalicehof5.vilabol.uol.com.br/> Acesso em29/07/2010.MINAYO, Maria Cecília de Souza. Pesquisa Social: teoria, método e criatividade.Rio de Janeiro: Vozes, 1994.
  • 35. 34CUNHA, Marion Machado. O Trabalho Docente na Universidade de Mato Grossoem Sinop na Década de 1990. Porto Alegre, 2007.www.baianissimo.com.br. Acessado em 18 de Novembro de 2011.Blog.soccerlagos.com.br. Acessado em 18 de Novembro de 2011.The Scottish FA - "A Brief History of Women’s Football""Football history: Winning ways of wedded women"
  • 36. 35 APÊNDICE A Universidade do Estado da Bahia – UNEB Reconhecida pela portaria ministerial nº 909 de 31–07–95 Departamento de Educação/Campus II – Alagoinhas Colegiado de Educação Física ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADAA entrevista consiste em uma conversa sobre: A história do futebol feminino emAlagoinhas – BA, a pesquisa será feita de comum acordo e será gravada paraposterior transição e análise.As informações coletadas nesta pesquisa serão utilizadas unicamente paraaprofundamento de conhecimento da Educação Física sendo divulgada na forma deTrabalho de Conclusão de Curso mantendo a confidencialidade e o sigilo referente áidentidade. ROTEIROAUTOR: Reinaldo Oliveira de Souza JuniorORIENTADOR: Prof. Ms. Ubiratan Azevedo de MenezesEntrevistador: Acad. Reinaldo Oliveira de Souza Junior1) Fale-me um pouco de onde vem o encanto pelo futebol? Narre sua trajetória.1.1 Família1.2 Opção2) Como era o apoio ao futebol feminino quando você foi jogadora?2.1 Apoio institucional2.2 Estrutura3) E sobre as principais dificuldades, o que pode me dizer?
  • 37. 363.1 Apoio financeiro3.2 Preconceito3.3 Incentivo4) Você faz relação entre a paixão pelo futebol e a escolha de ser professora deeducação física? Ou vice versa?4.1 Atividades realizadas4.2 Incentivo nas aulas5) Século XXI, como avalia o futebol feminino na atualidade brasileira? Como aBahia se encontra nesse cenário e em especial o município de Alagoinhas?6) Pensando no futebol feminino em Alagoinhas quais são suas principaismemórias?7) Se você tivesse a chave desse baú, o que revelaria dele?