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Acerca do acesso da mulher ao universo futebolistico
 

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    Acerca do acesso da mulher ao universo futebolistico Acerca do acesso da mulher ao universo futebolistico Document Transcript

    •   ACERCA DO ACESSO DA MULHER AO UNIVERSO FUTEBOLÍSTICO: A PRESENÇA FEMININA EM UM ESPORTE MASCULINIZADO1 Victor José Machado de Oliveira2 Erineusa Maria da Silva3 RESUMOO objetivo deste estudo pretende analisar as formas de acesso da mulher ao universofutebolístico. A metodologia utilizada foi a revisão de literatura por meio de um recorte degênero. Percebe-se que a presença feminina nos espaços públicos é cercada depreconceitos e discursos sociais que por muito tempo buscaram legitimar a exclusãopautada em diferenças biológicas que marcam o sexo feminino e o masculino. No caso dofutebol esses discursos ainda são reproduzidos, no entanto, o acesso das mulheres nessetempo-espaço tem aumentado via fruto da luta feminina; apontando para a superação deum esporte ainda marcadamente masculinizado.Introdução Nem sempre a mulher4 teve acesso ao espaço público, cabendo a essa se alienar noespaço privado e se dedicar aos cuidados da casa, dos filhos e do marido. Segundo Campose Silva (2009b) os estudos historiográficos apontam que no Brasil “até a Belle-Époque –período compreendido entre o final do século XIX e início do século XX – homens emulheres da elite estavam separados entre o espaço privado e o público” (CAMPOS &SILVA, 2009b, p. 2). Porém, os pontos de resistência e a luta feminista resgatam mesmoque fora das esferas do poder e dos quadros políticos, uma participação informal, mas nempor isso menos importante e eficiente (MOTT, 1988). Com a revolução industrial elegitimação do sistema capitalista, a “modernização” da sociedade começa a levar asmulheres para o âmbito público, mesmo que a princípio de forma precária (SILVA, 2002). Em relação à presença de mulheres nos esportes é possível perceber que acompanhaa entrada da mulher para o mundo público, pois até então à mulher era “permitidosocialmente” atuar em atividades que estivessem ligadas a manutenção da beleza epreparação para a maternidade. E nesses casos, a ginástica e a dança eram mais adequadas. A participação mais efetiva e consolidada de mulheres no campo esportivo ocorre apartir dos anos 20/30 do Séc. XX. Somente a partir dos anos 40 do mesmo Século asmulheres começaram a participar do futebol, esporte popular até então só permitidosocialmente ao gênero masculino (FARIAS, 2009). E são nos anos 80 e 90 que essainserção irá se acentuar conforme aponta Goellner (2005a), mesmo que ainda em númeromenor quando comparado à adesão masculina. Atualmente o número de mulheresbrasileiras que praticam o futebol aumentou em vista à década anterior, porém, ainda há                                                            1 Este texto faz parte de uma pesquisa maior – em andamento – intitulada “Histórias de vida e o processo desubjetivação das experiências de adolescentes aprendizes com um esporte masculinizado”.2 Acadêmico de Educação Física – FCSES; Membro GEPEF.3 Mestre em Educação – UFES; Docente – CEFD/UFES; Membro do grupo Práxis/UFES e GEPEF4 Especialmente as mulheres da elite, já que para mulheres de classes menos abastadas as regras eram menosrígidas, pois o trabalho se configura como uma necessidade.
    •  um déficit na implementação de campeonatos regionais e nacional, tanto quanto aparticipação feminina em comissões técnicas e administrativas no esporte (GOELLNER,2005a). Hodiernamente, a temática gênero vem sendo debatida de forma intensa no âmbitoacadêmico, fomentando inquietações sobre as dicotomias presentes em oposições binárias:homem/mulher, feminino/masculino, macho/fêmea, social/particular, igualdade/diferença,dominação/submissão. Essas oposições se constituem de forma a naturalizar as posições dehomens e mulheres em relação ao que a cada um é endereçado poder na sociedade, criandodesigualdades, nesse caso, de gênero. Um bom exemplo é o futebol que ainda é percebidocomo um esporte naturalmente endereçado a homens e pouco apropriado a mulheres. Essas primeiras inquietações fomentaram uma pesquisa prévia que se configurou narevisão de literatura acerca do acesso e presença feminina no futebol. O objetivo centralbusca identificar como se dá/deu o acesso da mulher ao universo futebolístico analisando apresença desta neste tempo-espaço e como se posicionam em relação os processos depertença, em especial em relação aos clubes. Como objeto de estudo elegeu-se traçar essadiscussão através de um recorte de gênero. Este estudo se justifica na medida em que proporciona perceber as formas de acessoda mulher ao universo futebolístico, assim evidenciando quais são os indicativos deintegração às práticas corporais e como essas influenciam na formação humana dosindivíduos quanto aos sentimentos de pertença e de percepção de gênero. Este estudo podecontribuir para o debate das relações de gênero quanto à investigação das conformaçõessociais que entrelaçam o cotidiano de indivíduos e como esses se relacionam em vista dasposições dicotômicas vividas socialmente por mulheres e homens.Ascensão da mulher no esporte: das modalidades “femininas” às modalidades“masculinas” O contexto histórico brasileiro5 marca a participação feminina de forma maisconsolidada a partir dos anos 20/30 no campo esportivo, marcadas pelos aspectos médico-higiênicos, dados à sua prática “nas modalidades que ressaltavam a graça, a elegância e aleveza ‘natural’ dos movimentos femininos: natação, tênis, voleibol, equitação, esgrima”(FARIAS, 2009, p. 2). Com relação à Educação Física Pacheco (1998) aponta que aincorporação de atividades físicas (ginástica) na vida escolar se remete ao Séc. XIX e é apartir da década de 30 que a legislação brasileira vai tornar obrigatória a prática daEducação Física para ambos os sexos. Nesse período, pode-se observar a preocupaçãohigiênico-eugênica sobre os corpos, principalmente sobre o corpo feminino. A educação, nela incluída a educação física, era considerada como um componente fundamental para formar uma nova nação, uma nova raça. Através do higienismo e do eugenismo, utilizou-se a educação física/esporte para a implementação do novo projeto de modernização da sociedade brasileira, destinando à mulher, estereotipada como figura materna, a tarefa de gerar o futuro “saudável, resistente e forte” do país. (PACHECO, 1998, p. 46-47).                                                            5 Cabe ressaltar que o contexto histórico brasileiro foi/é demasiadamente influenciado pelos moldeseurocêntricos.
    •  Imbuído em sedimentar tal tarefa, o discurso higienista-eugenista recomendava asmulheres atividades físicas – com adequações necessárias ao corpo frágil, emocionalmenteinstável e com personalidade de tendência fraca. A ginástica feminina, a ginástica rítmica ea dança não dispunham de competições, pelo contrário sua beleza, leveza e delicadezaprivilegiavam a parte inferior do corpo, assim valorizando as formas femininas, ou seja,“[...] movimentar o corpo feminino significa lapidar a sua aparência” (GOELLNER, 2003,p. 36). Bem nos alerta Goellner (2003) que nessa época as imagens femininas eram vistassob o tripé: ser bela, mãe e feminina; tendo “beleza como obrigação, maternidade comodestino e feminilidade como consequência das anteriores” (GOELLNER, 2003, p. 10).Seguindo esta premissa pretendia-se desenvolver um corpo feminino belo – forte, ágil,harmonioso e atlético – e assim um corpo materno, afinal “as mães fortes são as que fazempovos fortes” (GOELLNER, 2003, p. 59). Esse romantismo dos ideais femininos – da boamãe, esposa e geradora de uma nação forte – foram dando lugar – ao mesmo tempo em queainda controladas – às novas conquistas alçadas por elas. Dito em outras palavras: aindaque as mulheres passem a se exercitar corporalmente chegando ao âmbito público, estasainda são cerceadas pelos discursos morais, higiênicos e biológicos que pretendem regrar ocorpo feminino para que possa cumprir aquilo que foi designado ao seu sexo: casamento eprocriação. Entretanto, cada vez mais as mulheres foram conquistando novos espaços erompendo com paradigmas dos ideais forjados na década de 20 (FARIAS, 2009). Aprópria autora verifica que na década de 40 é perceptível a mudança na relação entre osgêneros onde “as mulheres brasileiras começavam a se destacar também nos esportesconsiderados mais populares e tipicamente masculinos, como o futebol e o atletismo”(FARIAS, 2009, p.3). E conforme assinala Goellner (2005b), “já nos primeiros anos dadécada de 80 surgem vários times femininos, alguns clubes criam suas equipes e algunscampeonatos femininos adquirem visibilidade no calendário esportivo nacional”(GOELLNER, 2005b, p. 147). A esse processo se vincularam a legislação, o discurso dosespecialistas, e a mídia televisiva que acabaram por contribuir para o acesso da mulher aofutebol apenas no final da década de 80. Transgressoras ou não, as mulheres há muito estão presentes no futebol brasileiro. Vão aos estádios, assistem campeonatos, acompanham o noticiário, treinam, fazem comentários, divulgam notícias, arbitram jogos, são técnicas, compõem equipes dirigentes... enfim, participam do universo futebolístico e isso não há como negar. (GOELLNER, 2005b, p. 149). O espírito da luta feminina presente em todos os momentos da história éconvergente ao acesso das mulheres aos espaços até então ditos masculinos. Os confrontosde muitas feministas contribuíram/contribuem, em muito para a desconstrução dosestereótipos – validados até então nos preceitos biológicos – marcados no corpo feminino.Decorrente da nova conformação da sociedade moderna as mulheres começam a despontarno cenário público, mesmo com dificuldades e cerceadas de preconceitos. O temor àdesmoralização mostrava-se um fantasma que rondava as famílias, em especial, as da elite.O desnudamento do corpo, o acesso ao esporte, o uso de artifícios estéticos mesmo quemarcadores da modernização feminina eram no contrário, vistos como marcadores danatureza vulgar, da desonra e da prostituição (GOELLNER, 2005b).
    •   Nessa linha é plausível afirmar que a toda mulher é possível acessar o futebol, osespaços, as vivências e experiências decorrentes desse universo, uma vez que há muitotempo vem lutando para ter acesso a este espaço. Pensando-se que foi historicamente quehomens e mulheres constituíram-se como gêneros masculino e feminino dandosignificados às relações sociais, também é dessa forma que os preconceitos de gênero serãosuperados. A busca da autonomia feminina no esporte mesmo que inicialmente tímida epressionada pelo sistema masculinizado, tem contribuído para a inserção da mulher aosdireitos de participação ao tempo-espaços que tangem a prática e vivências do futebol –estádios, campos, quadras, praia, locais de debate dos jogos, etc.A construção da subjetividade a partir do acesso ao futebol e das aulas de EducaçãoFísica O futebol é a “modalidade esportiva considerada, pelo imaginário social, comointegrante da identidade nacional” (GOELLNER, 2005b, p. 143). Campos & Silva (2009a)ainda afirmam que “sabe-se que o futebol, para grande parte da população brasileira, é umreferencial de lazer, tanto na possibilidade do jogo quanto da assistência e manifesta-secomo uma linguagem da sociedade, sendo um fenômeno sociocultural” (CAMPOS &SILVA, 2009a, p. 2). Como ainda apontam os autores citados, o pertencimento clubísticoneste momento passa a ser importante na compreensão da formação da identidade, uma vezque “é formada pela relação estabelecida entre os torcedores e torcedoras e suas equipes.Isso corresponde a códigos, valores e atitudes que dizem sobre quem somos” (CAMPOS &SILVA, 2009a, p. 5). Sabendo-se que A constituição dos sujeitos é multifacetada e apresenta, simultaneamente, em maior ou menor relevo, se observada sua interação social, uma identidade de gênero, uma identidade de classe e uma identidade de raça/etnia. Com efeito, a categoria gênero, como elemento constitutivo das relações sociais, implica práticas humanas diferentes. (SILVA, 2002, p. 21). O processo de subjetivação na perspectiva das relações de gênero vai além daincorporação dos parâmetros da identidade de cada sexo, tendo a pretensão de estabilizá-laatravés da imposição das condutas aceitáveis e repressão das não-aceitáveis. Assim,podem-se preservar os “‘modelos’ sociais esperados para mulheres e homens”(PACHECO, 1998, p. 48). Uma vez “assimiladas à natureza, as mulheres são condenadasà imanência de seus corpos, fracos e deficientes” (SWAIN, s.d., p. 7). A classificaçãoprevista para ambos os sexos é então separatista, uma vez que, “se a ginástica pertence aomundo feminino é ao masculino que se designa o futebol” (GOELLNER, 2003, p. 75), ouseja, os homens deveriam ressaltar a braveza, dignidade, a virilidade através de esportes decombate e brutalidade – futebol, lutas, ginásticas com halteres, etc. – e mulheres suadelicadeza e fragilidade – dança, ginástica feminina e rítmica. No caso do futebol, percebe-se que o discurso da masculinidade que circunda essefenômeno reflete a identidade nacional como sendo masculina, reforçando os moldes dadominação exercida sobre as mulheres, uma vez que se aloca no imaginário social dosindivíduos projetando as conformações sociais de exclusão das mulheres dos espaçospúblicos. Conforme aponta Goellner (2005b, p. 150),
    •   [...] em se tratando de um país como o Brasil, onde o futebol é discursivamente incorporado à identidade nacional, torna-se necessário pensar, o quanto este ainda é, para as mulheres, um espaço não apenas a conquistar mas, sobretudo, a ressignificar alguns dos sentidos que a ele estão incorporados de forma a afirmar que esse espaço é também seu. Um espaço de sociabilidade e de exercício de liberdades”. As teorias biologicistas que pretendem justificar as práticas femininas e masculinaspretendem fixar relações de poder5. Relações essas que propiciam a dominação masculina,abarcando o crivo para a aceitação feminina neste espaço. Esse crivo denota a violênciasimbólica (BOURDIEU, 2003) sofrida pelas mulheres que tentam afirmar no futebol seuespaço. Exemplo disso são os comentários masculinos de que mulher não sabe discutirfutebol, e que para terem algum status precisam fazer “comentários inteligentes” esaber/entender a regra do impedimento (CAMPOS & SILVA, 2009a). Então, aspossibilidades permitidas e coibidas a cada gênero expressam uma política corporal latente,no sentido da construção de um corpo politizado – uma política incorporada – esocialmente modelado e naturalizado sob disposições percebidas como tendências naturais(BOURDIEU apud PACHECCO, 1998). No caso da educação física Souza & Altmann (1999) apontam que há um“emaranhado de exclusões”6 perceptíveis durante as aulas, uma vez que os meninosexcluem as meninas, e também os meninos menos habilidosos, com os pretextos de seremmais fracos(as) e menos habilidosos(as). Entretanto, quando o futebol é tratado nestetempo-espaço para além do gesto motor, pode-se contribuir para a formação dos sujeitos esuas subjetivações enquanto o pertencimento e possibilidades para além dos muros dasinstituições onde ela está inserida. Esses sujeitos nesse momento podem entender o futebolenquanto possibilidade de lazer – do encontro, da festa, das redes de sociabilidade – paraalém das quatro linhas que delimitam o campo, assim conformando-se num espetáculoesportivo construído coletivamente e carregado de significações (CAMPOS & SILVA,2009a). A integração das mulheres no futebol é um processo gradativo estandocondicionado às suas histórias de vida. Aos professores cabe proporcionar a elas asvivências que em grande maioria dos casos foi-lhes negada durante sua vida. Porém, nãoqueremos aqui passar a idéia de que as aulas de Educação Física darão conta, sozinhas,deste processo, tendo em vista que os contextos são tão diversos e projetam conformaçõesdistintas. Mas, levar em consideração as experiências dos/das alunos/as tem se mostradofiel aos objetivos de superação das práticas segregacionistas de gênero. São necessáriasatitudes que promovam ações críticas diante à inquietude e busca pelo conhecimento,problematizando as aulas para além do ensino das regras e habilidades técnicas e táticasvinculadas ao futebol, assim possibilitando aos/as alunos/as (re)significarem as práticascorporais, aqui por excelência as vinculadas ao universo futebolístico.Considerações finais                                                            5 O poder deve ser concebido como uma estratégia, e a dominação por ele desencadeada não deve seratribuída a uma “apropriação”, seus efeitos são fruto de disposições táticas exercidas (FOUCAULT apudSILVA: 2002, p. 25).6 Esse emaranhado de exclusões ocorre devido a construção multifacetada dos sujeitos. Deve-se encaminhara visão sob a ótica de gênero articulada com outras categorias como idade, força e habilidade.
    •   A presença feminina no campo esportivo brasileiro (espaço público) aparece deforma mais consolidada a partir dos anos 20/30 apoiadas nos discursos médico-higiênicosque procuravam eleger práticas corporais “adequadas” as mulheres. Na década de 40 osparadigmas das décadas anteriores começam a ser quebrados apontando a ascensão damulher em esportes ditos masculinos; sendo que somente nos anos 80 estas vão ter ummaior acesso ao futebol, esporte ainda marcadamente masculinizado. A sociedade modernamarca a presença feminina no cenário público mesmo que a princípio sendo marcadamentecercadas de preconceitos. O futebol é um fenômeno social que atende à construção da identidade nacional. Eos sujeitos que participam dessa sociedade sofrem inculcações provindas desse fenômenoreforçadamente masculinizado. Porém, sendo o futebol um espaço de sociabilidade, omesmo deveria ser estimulado tanto para mulheres como para homens, bem como serproporcionadas condições de acesso pleno a esse espaço, as suas vivências e à sua prática. Neste momento, fica evidenciado que as aulas de Educação Física podem contribuirpara a reflexão a respeito dessa modalidade esportiva masculinizada. De forma que apontenovos enfoques e significados a esse fenômeno social de forma a exercitar a sua superaçãocomo esporte masculino. Entendemos ser necessário também ir para além das aulas deEducação Física, assim possibilitando a superação das relações de dominaçãohomem/mulher, homem/homem. Pautando-se na educação como ferramenta para essasuperação como aponta Freire (1996), como um novo leque de possibilidades naconstrução das identidades nos processos de subjetivação dos sujeitos. A partir da percepção de como ocorre o acesso ao universo futebolístico pelasmulheres entende-se ser necessário alçar estudos que apontem elementos pedagógicospossíveis e cabíveis de mediação do processo de aprendizado e formação de mulheres ehomens capazes de lidarem com as diferenças de forma que essas não se configurem emdesigualdades de acesso, condições e fruição da vida. Desta forma, poder-se-á fomentarnovos debates e estudos nesta perspectiva que podem sugerir novas orientações públicasconcernentes ao direito de pleno acesso de mulheres e homens ao universo futebolístico.ReferênciasBOURDIEU, Pierre. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2003.CAMPOS, Priscila A. F.; SILVA, Silvio R. Mulheres e o lazer esportivo nos campos defutebol. In: Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte e Congresso Internacional deCiências do Esporte Salvador, 16 e 3. Salvador, 20 a 25 de setembro de 2009. Anais...Salvador: CBCE, 2009a Disponível em:<http://www.rbceonline.org.br/congressos/index.php/CONBRACE/XVI/paper/viewFile/689/744>. Acesso em 12 de out. de 2010.CAMPOS, Priscila A. F.; SILVA, Silvio R. Mulher torcedora: apontamentos sócio-históricos da presença feminina nos estádios de futebol em belo horizonte/MG. In:Seminário Nacional Gênero e Práticas Culturais: culturas, leituras e representações, 2. JoãoPessoa, 28 a 30 de outubro de 2009. Anais... João Pessoa: Editora Universitária UFPB,2009b. Disponível em: <http://gefut.files.wordpress.com/2010/04/6-mulher-torcedora-apontamentos-socio-historicos-da-presenca-feminina-nos-estadios-de-futebol-em-belo-horizontemg.pdf>. Acesso em 12 de out. de 2010.
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