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Introdução à Cultura Védica
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Introdução à Cultura Védica

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Este livro tem o objetivo de esclarecer a todos os simpatizantes e admiradores da cultura mais antiga e espiritual do planeta, o verdadeiro objetivo da vida humana, o qual é amplamente explicado nos …

Este livro tem o objetivo de esclarecer a todos os simpatizantes e admiradores da cultura mais antiga e espiritual do planeta, o verdadeiro objetivo da vida humana, o qual é amplamente explicado nos Vedas.

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  • 1. Introdução à Cultura Védica (Artigos escritos pelos Gaudiya Vaishnava Acharyas)Yuga Acharya Srila Bhaktivedanta Narayan Goswami Maharaj
  • 2. Om Visnupad Srila Bhakti Ballabh Tirtha Goswami Maharaj
  • 3. Prefácio Este livro tem o objetivo de esclarecer a todos os simpatizantes eadmiradores da cultura mais antiga e espiritual do planeta, o verdadeiroobjetivo da vida humana, o qual é amplamente explicado nos Vedas. Selecionamos aqui alguns artigos escritos pelos GaudiyaVaishnava Acharyas, por serem eles seguidores estritos das instruçõesdadas nas escrituras sagradas védicas. A cultura védica foi desenvolvidavisando o bem estar de todas as entidades vivas. Para os seres racionaisque, por sua boa fortuna, recebem cérebros capazes de diferenciar entre ocorpo e a alma, o bom e o ruim, os Vedas são da maior utilidade porquenos conduzem ao caminho que leva à felicidade e à auto-realização: aDeus. Esta é a real riqueza da cultura da Índia: a espiritualidade em umnível que só pode ser encontrado lá. E por que este lado é poucomostrado a nós, aqui? É simples: a cultura védica tem como princípio aausteridade, o autocontrole, o sacrifício e uma vida bem simples; e, aomesmo tempo, é contrária ao desfrute dos sentidos, tais como: sexo,intoxicação, jogos de azar, consumo de carne, peixe e ovos... e isto vai deencontro à proposta ocidental de vida, que hoje em dia é chamada desociedade ‘consumista’ ou ‘moderna’. "Vamos todos consumir edesfrutar o máximo que pudermos e assim seremos felizes". Este é olema que as pessoas hoje em dia aceitam como sua filosofia de vida. Elasaceitam pessoas tolas como sendo seus Gurus. Mesmo assim, vemos queaqui as pessoas não são tão felizes como os arianos, ao contrário, estãocompletamente frustradas, mesmo com todo o desenvolvimentoeconômico e tecnológico. A filosofia védica nos alerta que através docaminho do desfrute e da exploração não podemos ser felizes erealizados; ao passo que uma vida simples, com a mente focada em Deus,pode ser de maior sucesso e felicidade. Ela nos dá o caminho daautorrealização que se deve à conexão com o Supremo através depráticas espirituais, praticadas sob a guia de um agente divino auto-realizado que realmente viu e realizou a Verdade de forma concreta eprofunda. Este agente nos ajuda a compreender a essência desta culturaque há milhões de anos vem sendo praticada no oriente por sábios auto-realizados. Baladeva Das Brahmachari
  • 4. O Leitor progressivo e o leitor infrutífero Por Srila Saccinandana Bhaktivinoda Thakur Maharaj Amamos ler um livro que nunca havíamos lido antes. Ficamos ansiosos em obter qualquer informação nele contida. E com tal obtenção feita, nossa curiosidade cessa. Este espírito de estudo prevalece entre um grande número de leitores que são grandes homens em sua própria apreciação, bem como daqueles que lhes são semelhantes. De fato, a maioria dos leitores são meros repositórios de fatos ou afirmações feitas por outras pessoas. Mas isto não é estudo. O estudante deve ler os fatos visando criar, e não com o objetivo de retenção infrutífera. Os estudantes, como satélites, devem refletir qualquer luz que tenham recebido dos autores, e não aprisionar os fatos e pensamentos assim como os magistrados aprisionam os criminosos na cadeia! O pensamento é progressivo. O pensamento do autor deve progredir no leitor, na forma de correção ou desenvolvimento. O melhor crítico é aquele que pode mostrar o desenvolvimento subsequente de um velho pensamento, mas o mero denunciador é o inimigo do progresso e consequentemente, da natureza. Deve haver correções e desenvolvimento no decorrer do tempo. Mas, o progresso significa ir adiante ou elevar-se cada vez mais. O crítico superficial e o leitor infrutífero são dois grandes inimigos do progresso. Devemos evitá-los. O verdadeiro crítico, por outro lado, aconselha-nos a manter aquilo que já obtivemos e ajustar nossa marcha a partir do ponto onde chegamos. Ele nunca nos aconselhará a voltar ao ponto de onde começamos, uma vez que neste caso haveria uma perda infrutífera do nosso precioso tempo e trabalho. Ele orientará o ajuste do ângulo de nossa marcha a partir do ponto onde estamos. Esta também é a característica do estudante útil. Ele lerá um velho autor e encontrará sua posição exata no progresso do pensamento. Ele nunca aconselhará queimar um livro sob alegação que possui pensamentos inúteis. Nenhum pensamento é inútil. Os pensamentos são meios pelos quais alcançamos nossos objetivos. O leitor que denuncia um mal pensamento não sabe que até mesmo uma má
  • 5. estrada é capaz de melhorar e desembocar em uma boa. Umpensamento é uma estrada que leva a outra. Assim, o leitorobservará que um pensamento que é o objeto hoje, será o meio deum objeto subsequente amanhã. Os pensamentos necessariamentecontinuarão a ser uma interminável série de meios e objetos noprogresso da humanidade. Os grandes reformadores sempre afirmarão que vieram nãopara destruir a antiga lei, mas para cumpri-la. Valmiki, Vyasa,Platão, Jesus Cristo, Maomé, Confúcio e Chaitanya Mahaprabhuafirmam este fato expressamente ou por suas próprias condutas. Nosso crítico, entretanto, pode nobremente dizer-nos que umreformador como Vyasa, a menos que puramente explicado, podeem pouco tempo, levar milhares de homens a uma situaçãoproblemática. Mas, querido crítico, estude as histórias das eras epaíses! Onde você encontrou um filósofo ou reformador que foiplenamente compreendido pela população? A religião popular émedo de Deus, e não o puro amor espiritual que Platão, Vyasa,Jesus e Mahaprabhu ensinaram aos seus respectivos povos! Quervocê dê a religião absoluta através de expressões figurativas ousimples, ou ensine-as por meio de livros ou palestras orais, ohomem ignorante e o homem não pensativo certamente adegradarão. Na verdade, é muito fácil dizer, e agradável ouvir, que aVerdade Absoluta tem tal afinidade com a alma humana que serevela de modo como que intuitivo, e que nenhum esforço énecessário para nos ensinar os preceitos da verdadeira religião, masesta é uma idéia enganosa. Isso pode ser verdade no que diz respeitoà ética e ao alfabeto da religião, mas não no que se refere à formamais elevada de fé, que requer uma alma exaltada para compreendê-la. Todas as verdades superiores, embora intuitivas, requerem préviaeducação nas verdades mais simples. A religião mais pura é aquelaque dá a ideía mais pura de Deus. Como então é possível que oignorante obtenha a religião absoluta, enquanto permaneceignorante? Assim, não devemos escandalizar o salvador de Jerusalém ouo salvador de Nadiya por estes males subsequentes. Luteros, ao
  • 6. invés de críticos, é o que queremos para a correção daqueles malesatravés da verdadeira interpretação dos preceitos originais. Deus dá-nos a verdade, como deu a Vyasa, quandoansiosamente buscamos por ela. A verdade eterna inexaurível. Aalma recebe revelação quando está ansiosa por ela. As almas dosgrandes pensadores de eras passadas, que agora vivemespiritualmente, frequentemente se aproximam do nosso espíritoindagador e o assistem em seu desenvolvimento. Assim, Vyasa foiassistido por Narada e Brahma. Nossas escrituras, ou ‘livros depensamento’, não contém tudo que poderíamos obter do Pai Infinito.Nenhum livro está desprovido de erro. A revelação de Deus éVerdade Absoluta, mas é escassamente recebida e preservada emsua pureza natural. No Srimad Bhagavatam, somos aconselhados aacreditar que a verdade, quando revelada, é absoluta; no entantoobtém a mácula da natureza do receptor no decorrer do tempo, e seconverte em erro pela contínua troca de mãos. Novas revelações,portanto, são necesárias para manter a verdade em sua purezaoriginal. Assim, somos advertidos a ser cuidadosos em nossosestudos de velhos autores, por mais sábios que eles sejam no que dizrespeito à sua reputação. Aqui, temos plena liberdade de rejeitar aidéia errônea, que não é sancionada pela paz da consciência. Vyasa não estava satisfeito com aquilo que coletou nos Vedas,dispôs nos Puranas, e compôs no Mahabharata. A paz da suaconsciência não sancionava seu trabalho. Ela lhe dizia internamente:“Não, Vyasa! Não deve descansar contente com o quadro errôneoda verdade que lhe foi necessariamente apresentado pelos sábios detempos passados! Deves, tu próprio, bater à porta do reservatórioinexaurível da verdade, do qual os sábios antigos retiraram suariqueza. Vá! Vá à fonte da verdade, onde nenhum peregrinoencontra qualquer tipo de desapontamento”. Vyasa o fez e obteve oque desejava. Todos nós somos aconselhados a fazer o mesmo. A liberdade, então, é o princípio que devemos considerarcomo a mais valiosa dádiva de Deus. Não devemos permitir quesejamos liderados por aqueles que viveram e pensaram antes de nós.Devemos pensar por nós mesmos, e tentar obter verdadessubsequentes que ainda não estão descobertas. No SrimadBhagavatam (11.21.23) somos aconselhados a absorver o espírito
  • 7. dos sastras, e não as palavras. O Bhagavata é a religião da liberdade,verdade descontaminada, e amor absoluto. A outra característica é o progresso. A liberdade certamente éa mãe de todo progresso. A santa liberdade é a causa do progressocada vez mais elevado na eterna e interminável atividade de amor.Liberdade mal usada causa degradação, mas o Vaishnava devesempre usar cuidadosamente esta bela dádiva de Deus. O espírito deste texto apresenta-se para honrar todos osgrandes reformadores e mestres que viveram e viverão em outrospaíses. O vaishnava está pronto a honrar todos os homens, semdistinção de casta, porque eles estão repletos de energia de Deus.Vedes quão universal é a religião do Bhagavata. Ela não se destina auma certa classe de Hindus apenas, mas é uma dádiva para oshomens em geral, estejam eles em qualquer país ou sociedade. Emsuma, o Viashnavismo é o Amor Absoluto unindo todos os homensao infinito, não-condicionado e absoluto Deus. Que a paz reine parasempre em todo universo no contínuo desenvolvimento de suapureza, através do esforço dos futuros heróis, que serão abençoados,de acordo com a promessa do Bhagavata, com poderes do Pai Todo-Poderoso, O Criador, Preservador e Aniquilador de todas as coisasno céu e na terra.De uma palestra em inglês dada em Dinajpur, Bengala Ocidenatl, Índia, em 1869 Introdução ao Jaiva Dharma Por Srila Bhakti Prajnana Keshav Goswami Maharaj Das muitas tradições religiosas no mundo, quase todas elasadotaram vários métodos para propagar seus respectivos ideais.Com isto em mente, publicaram literaturas em diferentes idiomas. Éauto-evidente que, no campo da educação não religiosa, haja níveiselementar, intermediário e avançado, tanto em elevados quanto embaixos ramos de aprendizados. Similarmente, o mesmo, em relação
  • 8. ao estudo da religião, é auto-evidente para aqueles que sãoextenuados leitores e profundos aprendizes de diversas tradiçõesreligiosas. Entre todas estas ideologias religiosas, as instruçõesdadas por Sri Chaitanya Mahaprabhu sobre a religião do amor purosão as mais elevadas revelações de todas as perspectivas de visão.Certamente, uma vez que pensadores não partidários deste mundosejam expostos a tal sublime entendimento, eles irão porunanimidade aceitar este fato. Todos querem ser inspirados pelos mais elevados ideais eensinamentos, mas como este auspicioso desejo vai trazer frutos? Écom este pensamento que a grande personalidade liberada, e jóiamais preciosa da elite educada, Srila Bhaktivinoda Thakura,estabeleceu, pelo seu próprio exemplo, o ideal pioneiro da vidaespiritual, compondo muitos livros sobre vaisnava-dharma emdiferentes idiomas. (...)Dentro deste mundo, os Vedas são os mais antigosescritos. Seus corolários, que incluem os Upanisads e outrasliteraturas compiladas por Sri Vyasadeva - como o Mahabharata e oSrimad Bhagavatam, são todas literaturas consumadas. Com o passar do tempo, variedades de livros foram escritosinspirados por idéias enunciadas do corpo destas literaturas. Elesforam amplamente distribuídos e, circulando, ganharam vastapopularidade. Neles encontramos não somente gradações depensamentos, como também: exclusividade mútua, polarização dadoutrina e especulação filosófica. Como resultado, houve revoltas ecalamidades no domínio religioso, e isto continua até o presente dia. Diante de tal precária circunstância, o Senhor Supremo,Bhagavan, que é a Verdade Absoluta, apareceu, háaproximadamente 500 anos atrás, no mais notável dos sete lugaressagrados, Sridhama Mayapura, dentro de Navadvipa dhama, paraliberar as entidades vivas condicionadas. Naquela época, o Senhordotou de poder alguns de seus queridos associados para compilarvolumosos livros, os quais contém o propósito verdadeiro e aessência de todos os sastras. A maioria deles foi escrita emSânscrito. Por intermédio desta literatura, o senhor desejou investirem Bhakti, que é a raíz do conhecimento transcendental dentro docoração de todas as pessoas. Alguns, incapazes de averiguar o
  • 9. verdadeiro significado dos sastras, são impelidos a interpretá-los deacordo com o seu entendimento relativo. Em alguns casos, taispessoas tomam somente um significado parcial dos sastras; emoutros, suas interpretações obscurecem o verdadeiro significado, e,em outros ainda, adotam uma visão que é completamente oposta àintenção original. Srila Jiva Gosvami não está em qualquer umadestas categorias, e as instruções que fluem de sua caneta sãoabsolutamente conclusivas instruções de Sri Chaitanya Mahaprabhue dos Vedas. (...)Pelo desejo de Mahaprabhu, Srila Krsna DasKaviraja Gosvami, um associado muito querido de Sri Gauranga,compôs vários belíssimos versos na literatura entitulada “CaitanyaCaritamrta”, nos quais se encontra o seguinte verso: Jivera svarupa haya krsnera nitya dasa Krsnera tatastha sakti bhedabheda prakasa “A condição natural da jiva é ser uma serva de Krsna. A jiva é a potencia marginal de Krsna e uma manifestação simultaneamente igual e diferente de Krsna.” Há muitos exemplos de grandes personalidades e até de outrosseres não humanos, como pedras, vacas e lagartos, que tambémaceitaram este fato. Somente pessoas de eminente qualificaçãopodem aceitar o ideal que está contido nos ensinamentos maisavançados. Os seres humanos são privilegiados, pois são dotados deconsciência com a qualidade de raciocínio, porém apenas aquelesque desenvolveram plenamente esta consciência, estão qualificadospara o entendimento profundo real. Através deste entendimentoconclui-se que todos os seres, móveis e imóveis estão destinados aodharma, porém apenas os seres humanos exibem esta tendênciareligiosa. Filósofos ocidentais têm afirmado que os homens sãoseres racionais, contudo é essencial notar que o significado dafilosofia ocidental é consideravelmente limitada, pois a maioria doshomens são equivalentes aos animais, devido ao fato de nãoexpandirem sua consciência. Na filosofia ariana, a palavra dharma éextremamente abrangente. Dentro de um simples aspecto deste
  • 10. significado, ele encerra o conceito filosófico Ocidental de racional,e o chuta para longe, ao incluir adiante a adoração a Deus. Está declarado no Hitopadesa: “Seres humanos são iguais aos animais na questão de dormir,acasalar-se, comer e defender-se. Sem religião eles não sãomelhores do que os animais.”Sistemas de casta. A sociedade ideal.(Tirado do Bhagavad Gita (18.41), falado pelo próprio Senhor Krishna, comcomentário Prakasika-vrtti de B.V.Narayana Goswami Maharaja) “Ó Parantapa! Os deveres prescritos dos brahmanas, dos ksatriyas, dos vaisyas e dos sudras, estão divididos de acordo com as tendências provindas de suas respectivas naturezas.” (Prakasika-vrtti) Com o propósito de situar os seres humanos além dajurisdição dos três gunas e promovê-los gradualmente a uma atitudemais elevada, Bhagavan Sri Krishna estabelece o varna-dharmadividindo os deveres prescritos de acordo com as qualidades eações. O sistema de varna puro é muito benéfico, favorável ecientífico para a vida humana. Porém, com o decorrer do tempo, oshomens ordinários perderam a fé neste sistema, após detectaremdiversos defeitos em seus respectivos seguidores. Perdeu-se a fé detal maneira que, hoje em dia, até as pessoas ordinárias da sociedadehindu responsabilizam o sistema de varnasrama, pelas divisões ehostilidade criada por suas castas. A maioria da população hinduestá determinada a destruir o varna-dharma para estabelecer umasociedade ateísta sem nenhum varna. É fácil destruir algo útil, mas émuito difícil criar e propagar, neste caso, o sistema ideal. Que SriBhagavan outorgue uma boa inteligência a estas pessoas. Estão elas
  • 11. assumindo esta postura após a deliberação sobre o assunto ou elasestão sendo arrastadas por seus sentimentos? Com relação a isto,citaremos fragmentos dos comentários de Bhaktivinoda Thakuraencontrados no Chaitanya Charitamrta. Oramos humildemente aoleitor fiel que os examine cuidadosamente e tente compreendê-los. “As inclinações ou qualidades de uma pessoa dependem dasua natureza. Ela deve atuar de acordo com esta natureza individual,pois a ação que não é realizada de acordo com este princípio édefeituosa. É difícil que uma pessoa mude sua natureza uma vez queesta amadureceu, portanto ela deve trabalhar para viver eaperfeiçoar-se espiritualmente através das ações próprias da suanatureza específica. Na Índia, as pessoas são divididas em quatrovarnas segundo suas naturezas. O resultado é que as pessoas,situando-se em um lugar social adequado, sempre atuamnaturalmente de forma fruitiva e a humanidade se torna favorável.Uma sociedade com este fundamento é digna de respeito de toda ahumanidade.” “Pode ser que algumas pessoas duvidem do sistema devarnasrama e digam: ‘Na Europa e América ninguém segue asinstruções baseadas nas divisões de varnas, e as pessoas destescontinentes são mais avançadas e respeitadas, econômica ecientificamente, do que o povo hindu.’ Aqueles que pensam assimconsideram que é inútil aceitar este sistema. Mas as dúvidascarecem de fundamento, pois as sociedades européias sãoconsideravelmente novas. As pessoas destas sociedades sãogeralmente muito fortes e audaciosas. Com toda esta audácia eforça, executam diversas atividades no mundo e aceitam parte doconhecimento, ciência e artes que estão preservadas pelassociedades mais antigas. Mas estas sociedades se extinguirãogradualmente, porque sua estrutura social não tem fundamentocientífico. Mas os sintomas do sistema de varna original, que existiana sociedade ariana hindu, se podem ver também na sociedadehindu atual apesar de ser tão antiga e débil. “Antigamente, as sociedades romana e grega eram muito maispoderosas e avançadas do que os países europeus modernos, masqual é a sua condição atual? Perderam seu antigo sistema de castas eabraçaram as religiões e sistemas das sociedades modernas ao
  • 12. extremo, tanto que as pessoas dessas castas nem sequer proclamamas glórias dos seus nobres ancestrais. Mesmo que a sociedade arianada Índia seja mais antiga que a romana e a grega, os arianos atuaisse sentem orgulhosos de seus grandes e heróicos antepassados. Quala razão disto? Se deve ao forte alicerce no qual se sustenta asociedade ariana, que é o sistema de varnasrama, cujas divisõessociais, ou de castas, todavia ainda permanecem. Os descendentesde Ram, que foram derrotados pelos mlecchas, ainda se consideramheróicos descendentes de Sri Ramacandra. Enquanto a estrutura dovarna continuar existindo na Índia, as pessoas continuarão sendoarianas.” “Ainda que o varna-dharma seja parcialmente aceito naEuropa, não se estabeleceu em sua forma plena e científica. Ondequer que o conhecimento e a civilização progridam, o varna-dharma se manifesta proporcionalmente de forma mais completa.Em qualquer atividade, há duas classes de métodos efetivos: ocientífico e o intuitivo. Uma atividade é executada intuitivamenteaté que se aceite o processo científico. Por exemplo, antes dainvenção dos barcos a vapor, as pessoas viajavam em botesdesenhados para depender do vento. Mas quando se introduziu asembarcações fabricadas cientificamente, todas as viagenscomeçaram a ser feitas nelas. O mesmo princípio pode ser aplicadoà sociedade. Enquanto o varna não se estabelecer apropriadamenteem um país, sua sociedade se estruturará em um sistema rudimentare intuitivo. Esta estrutura de varna rudimentar e primitiva opera econtrola hoje as sociedades de todos os países do mundo, comexceção da Índia. Por esta razão, a Índia vem sendo denominadacomo karma-ksetra, ou a terra ideal para a execução apropriada dokarma.” “Poder-se-ia perguntar agora se o sistema de varna aindafunciona na Índia atual... A resposta é não. Mesmo que este sistematenha sido estabelecido plenamente, se debilitou com o decorrer dotempo e sua degradação é visível hoje em dia na Índia.” “A fama da Índia se difundiu pelo mundo inteiro, como opoderoso brilho do sol meridional, quando o varna funcionava demaneira inteligente. Pessoas de todos os países do mundo ofereciamtributo à Índia e aceitavam seus governantes, regentes e mestres
  • 13. espirituais como sendo seus. As pessoas de países como o Egito eChina escutavam e recebiam instruções dos hindus com grande fé ereverência.” “O sistema de varnasrama-dharma mencionado perdurou naÍndia, em sua forma pura, durante muito tempo. Depois, devido àinfluência do tempo, Jamadagani e Parasurama, que possuíam umanatureza ksatriya, foram ilegalmente aceitos como brahmanas, maseles abandonaram esta casta que era oposta à suas naturezas. Então,surgiu uma disputa entre os brahmanas e os ksatriyas que causouuma perturbação na paz em nível mundial. O resultado desfavoráveldesta luta no sistema de varna foi que se deu maior ênfase nonascimento. Com o passar do tempo, o sistema de varna deturpadofoi se infiltrando de maneira encoberta, de modo que até os sastrasforam afetados. Os ksatriyas perderam toda a esperança de alcançarum varna superior e começaram uma revolta. Eles apoiaram odharma budista e focaram toda energia na destruição dosbrahmanas. A oposição a qualquer atividade ou opinião nova sedesenvolvia com a mesma intensidade da propagação. Quando odharma budista, oposto aos Vedas, nasceu para confrontar osbrahmanas, a estrutura do varna fundamentada no nascimento seaprofundou ainda mais. Logo surgiu um desacordo entre estesistema erroneamente concebido e um espírito nacionalista,conduzindo à virtual desintegração da civilização ariana da Índia.” “Movidos por desejos egoístas, os supostos brahmanas,carentes de qualidades bramínicas, criaram suas próprias escriturasreligiosas e começaram a enganar as outras castas. Os supostosksatriyas haviam perdido suas qualidades e seu espírito ksatriya, eeram contrários à guerra, e assim perderam seus reinos. Finalmente,todos começaram a pregar o dharma budista, que era insignificantee inferior. Como resultado, o cultivo de conhecimento e asdiscussões sobre os sastras védicos foram barrados. Os governantesdos países baixos atacaram então a Índia e estabeleceram seucontrole. A indústria naval da Índia sofreu e finalmente desapareceudevido à má administração. Assim, a influência de Kali seintensificou. A raça ariana da Índia, que havia sido um exemplopara o mundo inteiro, se deteriorou até a lastimosa condição quevemos hoje. A razão deste desafortunado acontecimento não é o
  • 14. envelhecimento da civilização hindu, mas os numerosos defeitosque se infiltraram neste sistema de varna.” “Paramesvara (Krishna) é o controlador original de todos ossistemas e entidades vivas. Ele tem a capacidade de eliminar todosos elementos desfavoráveis e outorgar aquilo que é favorável. Atémesmo os escritores dos Puranas afirmam que Sri Kalki-deva virá àterra e reinstalará as glórias do sistema de castas e asrama. Oprincípio básico deste sistema é que uma pessoa adquire deveres deacordo com sua própria natureza.” A meta da vida humana Por Bhaktivedanta Swami Maharaj O objetivo da vida é a autorrealização, ou a realização deDeus, mas os cientistas não sabem disto. A sociedade moderna éliderada por homens cegos e tolos. Os assim chamadostecnologistas, cientistas e filósofos não conhecem o real objetivo davida. E o povo também é cego como eles. Então nós temos asituação na qual um cego está guiando outro cego. Se um homemcego tenta guiar um outro cego, que tipo de resultado podemosesperar? Nenhum. Este não é um bom processo. A pessoa deve seaproximar de uma pessoa autorrealizada se quiser compreender aVerdade. A pessoa deve primeiro compreender a diferença entre ocorpo e a alma. Ela deve saber que não é este corpo. Quando apessoa compreende este princípio básico, ela pode avançar noconhecimento mais profundo. É muito simples entender que nãosomos este corpo. No Bhagavad Gita, Krishna diz que somosespíritos que estamos dentro deste corpo, e que estamos sofrendo asmisérias deste corpo material. Então a pergunta é "Como vamosconseguir nos livrar deste corpo?" O termo reencarnação significa que eu sou uma almaespiritual que entrou neste corpo. Após a morte, vou receber outrocorpo, e este pode ser um corpo de cachorro, pássaro, ou pode ser
  • 15. um corpo de um rei, porém sempre vai haver sofrimento, tanto emum corpo animal como no de um rei. Este sofrimento incluinascimento, doença, velhice e morte. Então, visando nos livrardestes quatro tipos de sofrimento, temos que nos livrar deste corpo.Este é o real problema humano: como livrar-se do corpo material.Isto pode durar muitas vidas ou pode-se conseguir em apenas umavida. A partir do momento em que adquirimos este conhecimento deque precisamos sair deste corpo, então sentimos a necessidade denos aproximarmos de um Sad-Guru (a pessoa que realmenterealizou a Verdade). Este Guru passará o mesmo ensinamento quelhe foi passado por seu mestre espiritual que também ouviu de seuGuru e assim por diante. Isto se chama sucessão discipular, e oprimeiro Guru é o próprio Krsna e suas instruções estão também nosVedas, Srimad Bhagavd Gita, Srimad Bhagavatam etc. Destamaneira devemos ouvir desta pessoa sobre como encontrar a chaveque nos libertará de toda a miséria causada pelo corpo material. Esteé o processo da Consciência de Krsna, o processo daautorrealização.Texto de Srila Prabhupada extraído do livro em inglês chamado "Coming Back" A doçura da palavra amor. Por Bhaktivinoda Thakura. Tirado de Rays Of Harmonist N:13, primeira vez em português. Amor é uma palavra muito doce. Quando ela é falada, um docesentimento se manifesta no coração de ambos: a pessoa que falou e apessoa que a escutou. Mesmo que poucos sejam capazes de entenderseu verdadeiro significado, todo mundo gosta de escutar esta palavra.Todas as entidades vivas são controladas pelo amor. Muitos iriam atémesmo abandonar suas vidas por isto. Amor é o único objetivo davida humana. Muitos pensam que a satisfação dos seus própriosdesejos é o objetivo primário da existência, mas isto é errado. Poramor, um homem pode sacrificar todo o seu interesse próprio.
  • 16. Auto-satisfação causa a busca por sua própria felicidade eautonomia. Mas amor causa o sacrifício de todo o interesse própriopara a satisfação da coisa ou pessoa que é querido por alguém.Mesmo que haja uma disputa entre amor e luxúria(auto-satisfação) oamor é vitorioso. Mesmo que a auto-satisfação seja muito intensa,ainda sim ela continua subordinada ao amor. Amor é proeminentetambém no caminho da devoção. Aqueles que anseiam por prazerespiritual, considerando que prazer material é temporário, são dedois tipos: Aqueles que desejam desfrutar e aqueles que desejam aliberação. Os que buscam por desfrute estão constantementepreocupados pela busca de riqueza, reino, esposa ou crianças; oudesejam a posição de Indra, ou qualquer semi-deus em Svarga pelafelicidade nos planetas superiores, tal qual Brahmaloka. Porque elestêm amor por estas coisas, eles constantemente se esforçam para teristo. Aqueles que desejam liberação não têm amor por estas coisas,desfrutes mundanos, mas permanecem ainda com o desejo de seremliberados do mundo. Amor é o que os materialistas buscam do seupróprio desfrute e os liberacionistas da liberação. Então, obter amoré o objetivo final de ambos os tipos de pessoas. Vejam o que Candi Das (poeta Vaishnava) diz sobreAmor: “As três silabas pi-ri-ti (amor) são a essência dos trêssistemas planetários. Eles permanecem na minha mente dia e noite.Eu não penso em nada além disso.” Concentrado profundamente, Brahma criou a sílaba pi. Aíquando o oceano de rasa encheu, a sílaba ri emergiu. Quando ooceano transbordou pela segunda vez, o néctar emergiu, e veio asílaba ti. Como posso comparar qualquer coisa com estas trêssílabas, que são a residência de toda felicidade? A pessoa querealizou no coração a essência destas três sílabas se viu forçada aabandonar todo dharma, karma, timidez, casta e família; e consideraisso tudo sem nenhum sentido. Eu não sei a natureza de tal amor equal vai ser o resultado. O duas vezes nascido Candi Das diz: "Aescravidão do amor é realmente terrível." Candi Das diz em outro poema: "Apenas aquele que conhece oque é Amor pode alcançar Ele(Krishna). Piriti(amor) tem trêssílabas e é de três tipos, mas quando isto fica condensado comoresultado do continuo bhajana, se torna de apenas um tipo."
  • 17. As almas em escravidão são de dois tipos: O amor de quemestá completamente desatento em relação a Krishna é extremamentedistorcido pela associação com a matéria. Eles não sabem nada,sabem apenas amar os objetos dos sentidos e desfrute, e assimengajam-se em gratificação dos sentidos dia e noite. Esquecendo-sede si mesmos, eles se mantém ocupados na busca da satisfação dossentidos. Em outro poema Candi Das diz: "Kanu é minha vida,minha casta, meu tesouro e a pupila do meu olho. Ele é meu amadoque mora no meu coração. Eu não tenho ninguém, apenas meu amorSYAMA(Krishna). O que mais eu posso dizer sobre dharma ekarma? Minha mente não é independente. Meus familiarescriticam-me, mas eu não vou para suas casas. E mais: "Amor porKanu(Krishna) rejeita casta, família e caráter." Os transcendentais passatempos de Krishna no mundoespiritual, Vraja, são eternos. A alma é uma diminuta partículasentimental, então é elegível para participar destes passatempos.Quando a alma está em escravidão, sua identidade transcendentalaparece numa forma ilusória como seu corpo grosseiro e sutil.Similarmente o amor puro por Krishna que é encontrado nestaidentidade transcendental aparece na ilusória forma como o amorpela ciência mundana ou objetos mundanos. Então, amor corporal ouamor mental são simplesmente distorções do amor puro porBhagavan Sri Krishna. Eles não são amor verdadeiros. Mas porque aalma errou sobre a deliberação da própria identidade, ela consideraisto ser o real amor. Amor real, como sempre, é o amor existenteentre duas almas. Bhaktivinoda Thakura, no Brhad Aranyaka Upanisad diz:"Quando a esposa de Yajnavalkya - Maitreyi, desapegou-se docorpo grosseiro e sutil, ela se aproximou de seu marido e pediualgumas instruções. Yajnavalkya replicou: - “Óh Maitreyi, a esposa não ama realmente o marido parabenefício dele. Mas, a todo momento ela faz isto apenas para seubenefício(interesse) próprio. Similarmente, um marido ama suaesposa apenas para seu próprio interesse. Este assim chamado amorpelo marido, filho, riqueza e tudo mais, é simplesmente umamentira, uma fraude. Por completamente rejeitar tal desonestidadevocê deve adorar Bhagavan Sri Krishna, o eterno objeto do amor de
  • 18. todas as almas. A pessoa que desapegou-se do mundo material e docorpo sutil deve inquirir sobre Esta Alma (Krishna), que é a maioramante da jiva. Fazendo isto, a pessoa conhecerá tudo.” Assim, o que pensamos ser amor é simplesmente luxúria.Quando falamos de luxúria logo pensamos no desfrute sexual,devido ao fato de que o sexo é a maior forma de desfrute sensual,porém todo desejo de satisfazer nosso próprio interesse é chamadode luxúria. No ocidente, todos estão 24 horas tentando aproximar ossentidos dos objetos dos sentidos, visando o desfrute sexual último; eassim, desperdiçamos nossa chance de obter o amor puro a Deus.Amor puro significa, como Bhaktivinoda disse, sacrifício de nossopróprio interesse visando satisfazer os sentidos de Sri Krishna.Quando sacrificamos nossa própria felicidade para a felicidade deBhagavan, isto se chama Bhakti, amor e devoção por Krishna.Assim, mesmo que pareçam a mesma coisa, há um abismo dediferença entre o amor mundano e amor puro. Tal amor não éencontrado neste mundo e na troca de sentimentos com pessoasmundanas. Tal amor puro é encontrado somente nos devotos purosque tem o poder de passar algo deste amor ao coração da pessoa quesacrificou sua vida de interesses próprios para o interesse de SriGuru e Sri Krishna. Suddha Bhakti – Devoção Pura Por Bhakti Ballabh Tirtha Goswami Maharaj Todos nós buscamos por felicidade neste mundo, porém talfelicidade nos parece uma miragem: quanto mais corremos atrásdela, mais ela se distancia de nós. Quando uma pessoa inteligentepercebe que está correndo atrás de algo ilusório e temporário, elacomeça a questionar acerca da real e eterna felicidade ‘ananda’. A natureza de todo ser vivo é ser feliz e bem-aventurado, esentir-se em êxtase na conexão com a fonte do prazer: Sri Krishna.
  • 19. “Krishna” significa “aquele que dá prazer” e “também aquele queatrai tudo e todos”. Aqueles que têm esta conexão transcendentalpodem sentir felicidade ilimitada, a qual não é encontrada nestemundo. Então pode surgir uma pergunta: “Se Krishna atrai a todos,e nesta atração encontramos felicidade, por que ele não me atrai enão estou feliz?”. Podemos aqui usar a analogia do metal e domagnésio (imã). O imã tem a natureza de atrair o metal, porémquando há uma cobertura de sujeira no metal, o imã não consegueatraí-lo. Assim também, a sujeira acumulada nos nossos coraçõesnão permite que o todo-atrativo nos atraia. Esta é nossa principaldoença. Por estarmos esquecidos de Sri Krishna, dormindo no coloda ilusão, acumulamos muita poeira nos nossos corações. Assim otodo-atrativo não nos atrai, ao contrário, estamos sendo atraídos pelaenergia ilusória(maya). Queremos desfrutar deste mundoseparadamente de Sri Krishna, e o resultado disto é o sofrimento. Àsvezes, desfrutamos um pouquinho de algo sensual e nos sentimosfelizes, mas logo em seguida, sofremos a reação de tal ato, e ainfelicidade nos toma por completo novamente. Doençainevitavelmente acompanha o desfrute irrestrito. Na verdade, todosos atos praticados com base no ego pervertido levam ao sofrimento.Então a pergunta é: “Devemos permanecer neste mundoeternamente, inflingindo a nós mesmos, tanto sofrimento?”. NoGita, Krishna diz: “Eu sou a causa de tudo neste mundo. Ó Arjuna, tudo quevocê fizer, faça como uma oferenda a mim. Assim você alcançaráverdadeira paz e felicidade.” “Aquele que me adora com amor e devoção alcança minhaeterna morada, e nunca mais volta a nascer neste mundo material” Um dia, todos terão que deixar este corpo, seja a pessoa ricaou pobre, feia ou bonita, todos terão que partir. Yada vabda satante va Mrtyu vai praninam drhuvah (Padma purana)
  • 20. “Uma pessoa pode permanecer aqui neste mundo por mais um dia, um mês, um ano ou cem anos, mas o certo é que um dia ela vai ter que morrer”. Porém, por estarem completamente encobertos pela energiailusória de Deus, as pessoas não entendem este mundo. Elas pensamque ele é cheio de prazer, e que podem conseguir felicidade aqui.Deus é a causa deste mundo. Quando as pessoas se tornam aversas aDeus devido à sua relativa independência, sua sombra vem e asencobre. Esta sombra as faz pensar que este mundo é eternamenteconsciente e feliz, mas de fato isto não tem uma real substância. Tudo que você vê é como um sonho. Enquanto você estádormindo você pensa que tudo é realidade, mas quando acorda,realiza que é falso. Assim, o mundo inteiro está sonhando. Assimcomo quando temos uma doença, procuramos um médico e oquestionamos sobre qual foi a causa de tal doença, e qual é a formade tratamento; também devemos nos aproximar de um médicoespiritual (Guru) e perguntar a ele qual foi a causa de tamanhosofrimento e infelicidade, e também qual é a forma de tratamentopara esta doença. O médico divino, o guru perfeito, então, irá nostransmitir internamente, no campo da alma, o conhecimento sobre:quem somos, o que é este mundo, quem é Deus e qual é a nossarelação com Ele. Também dará o remédio, o método prático atravésdo qual alcançaremos a felicidade divina. Devemos seguir às ordensdo Guru cem por cento, com uma rendição incondicional e dar todonosso coração a ele. Mas primeiro devemos analisar se tal Guru érealmente um guia fidedigno. Sobre isto, uma vez o Senhor Shivadisse à sua esposa Parvati: “Ó Parvati, neste mundo é muito fácil encontrar um guru que está só interessado em tirar toda a riqueza dos seus discípulos e extrair fama deles, mas é muito difícil encontrar um Guru que realmente pode livrar o discípulo deste oceano de repetidos nascimentos e mortes.” (Shiva purana)
  • 21. Então, devemos primeiro analisar bem as características doMestre espiritual a quem vamos nos render. Aceitando a guia e asinstruções do guru genuíno, a pessoa interessada na real felicidade(acordar deste sonho, o mundo material), deve se rendercompletamente ao Senhor Supremo Sri Krishna: “saranagati, hoibejanhara”. A mensagem de Sri Krishna Chaitanya Mahaprabhu Por Srila Bhakti Ballabh Tirtha Goswami Maharaj De acordo com o Deus Sri Chaitanya Mahaprabhu, o divinoamor transcendental é a maior força espiritual, na face da Terra, quepode estabelecer uma íntima relação amorosa no coração de todas asentidades vivas, e assim estabelecer real paz no mundo. Existemvários e vários grupos digladiando entre si no mundo inteiro. Não seencontra paz em lugar algum. Eu fiquei um pouco aborrecido ao lerno jornal sobre bombas e explosões. Uma seção de um povo tornou-se tão violenta e bárbara, que eles não hesitam em cometer crimes eassassinatos contra milhões de pessoas inocentes visando satisfazerseus objetivos políticos. Todas as considerações humanas foramabandonadas. Enquanto houver diferentes interesses, ninguém iráabandonar as lutas individuais, grupais, nacionais etc. De acordocom o Deus Chaitanya Mahaprabhu, deve haver o conhecimento dopróprio ser, do real interesse e do centro do interesse. Apenas oDeus Supremo Sri Krishna pode ser o centro de interesse comum detodas as almas que dele emanaram. Se dermos água à raiz de umaárvore, todas as outras partes se nutrem e ficam satisfeitas; assimtambém se servimos Krishna, todos ficam satisfeitos. Não-violênciasignifica não causar sofrimento aos outros, isto é negativo; masamor significa fazer o bem aos outros. Se alguém desenvolve amorpuro por alguém, ele não é capaz de causar sofrimento a esta pessoaou a qualquer parte dela. Se desenvolvermos nosso amor porKrishna, não seremos capazes de causar sofrimento a qualquer parte
  • 22. que emana da sua potência marginal. Todas as entidades vivas estãointer-relacionadas em conexão com Krishna. O Senhor Krishna disse no Bhagavad Gita: “Ó Arjuna, renda-secompletamente á mim. Por minha graça, você alcançará pazsuprema e também minha eterna morada transcendental”. Rendiçãoabsoluta à Suprema Personalidade de Deus é a única maneira deconseguir paz eterna. No momento em que desejarmos servir o DeusSupremo incondicionalmente, todas as nossas doenças e sofrimentosirão embora. Saranagati, ou seja, rendição absoluta a Krishna, é oremédio que cura todas as nossas doenças e a solução para todos osproblemas. Falso ego gera falsos interesses, e esta disputa deinteresses faz o fogo florestal queimar toda a terra. O Deus SupremoSri Chaitanya Mahaprabhu disse que se as almas individuaisespirituais tiverem o conhecimento de que estão interconectadasatravés de uma relação amorosa, o incêndio florestal das disputas deinteresses pode acabar. Mahaprabhu disse que o amor divino é amelhor e única solução para a caótica situação do mundo. Este amordivino(prema bhakti) pode ser alcançado através da prática docantar dos santos nomes de Deus tais como Krishna, Rama,Madhava, Govinda etc. Nesta era atual, este cantar (nam sankirtan)é o melhor remédio e prática efetiva para todos alcançarem osommun bonnum da vida humana; e isto pode ser praticado emqualquer circunstância que nos encontremos. Este cantar dos santosnomes de Deus é a religião universal na qual todos aqueles queforam rejeitados, de todas as religiões ou seitas, podem se unir. OCEANO DE FÉ Por Srila B.R.Sridhar dev Goswami Maharaj Embora o objeto da fé de nosso coração seja infinito, algumasconcepções dele foram dadas pelos homens com experiência nooceano da fé. Neste oceano, muitos tiveram sua experiênciaespecial, e isso foi registrado nas escrituras. Através disso,
  • 23. podemos nos aproximar dos santos que se alçam como faróis paranos auxiliar a cruzar o oceano de nesciedade... Mas de um santofidedigno, e não meramente uma hipócrita ou um imitador. Talvezseja possível também imitar a coisa verdadeira, quando pegamosnossa experiência mundana e a introduzimos no mundo da fé.Portanto devemos nos aproximar desse plano com muito cuidadoatravés da linhagem dos santos confiáveis. Devemos cuidar bem para sabermos as qualificações de umverdadeiro santo. Seus sintomas estão disponíveis nas escrituras. Equem é um discípulo e qual deve ser sua atitude. Todas essas coisasestão nas escrituras. A fé é requisito para se trabalhar nesse substancial mundoconsciente, que é subjetivo. Essa é a coisa mais importante quetemos de lembrar: o infinito é subjetivo. Ele pode nos guiar e serafetuoso para conosco. Devemos contar com todas essas coisas. Elepode nos guiar. A verdade revelada repousa sobre este fundamento:não podemos nos aproximar de Krishna pelo método ascendente,porém Ele pode descer até nosso nível para dar-Se a conhecer.Devemos entender este ponto muito fundamental e substancial: Elepode vir até nós, e só pela fé é que nós podemos chegar a Ele. Sraddha - fé - é mais importante do que a verdade calculista.O exemplo de grandes almas é mais valioso para nós que nossocálculo humano. A verdade externa, material, física não tem muitovalor; em vez disso, é uma atitude falsa da mente que é muito forte.Essa verdade física não deve receber mais respeito que as práticasintuitivas dos devotos puros; mas sim, a intuiçäo de um devoto purodeve ter preferência aos cálculos da verdade feitos por homenscomuns. A fé não possui nenhuma conexão com a assim chamadarealidade desse mundo. É completamente independente. Há ummundo que é guiado apenas pela fé (sraddha-mayam-lokan). Fé étudo ali, e é infinita. No mundo da fé, tudo pode ser verdade peladoce vontade do Senhor. E aqui, na terra da morte, o cálculo éinconclusivo e destrutivo em sua meta final; não tem nenhum valorno final das contas. Deve ser rejeitado. O conhecimento no qual osmaterialistas se apoiam, o cálculo falível das almas exploradoras,
  • 24. não tem nenhum valor. Mas no mundo do infinito, a fé é o únicopadrão de acordo com o qual tudo se movimenta. svayam samuttirya sudustaram dyuman bhavarnavam bhimam adabhra-sauhrdah bhavat padambhoruha-navam atra te nidhaya yatah sad-anugraho bhavan Srimad Bhagavatam 10.2.31 Aqui, o Srimad-Bhagavatam diz que assim como no vastooceano, quando nada mais pode ser visto, a bússola é a únicaorientação, também no mundo do infinito, nossa única guia são ospassos daquelas grandes almas que viajaram no caminho da fé. Ocaminho foi marcado pelos santos passos daqueles que foram para oquadrante mais elevado. Essa é nossa única esperança.Yudhishthira Maharaja também diz que o verdadeiro segredo estáoculto no coração dos santos, assim como um tesouro se escondenuma misteriosa caverna (dharmasya tattvam nihitam guhayam). Alonga linha que leva à verdade é demarcada por aqueles que estãoindo para o mundo divino. E isso é nossa guia mais segura. Todosos outros métodos de orientação podem ser eliminados porque ocálculo é falível. Orientação vem do absoluto infinito. E aorientação Dele pode vir de qualquer forma, em qualquer lugar, aqualquer hora. Com esta ampla visão, devemos perceber osignificado de Vaikuntha. Vaikuntha significa "sem limites". Écomo se estivéssemos num barco flutuando num infinito oceano.Muitas coisas podem vir nos ajudar ou atrapalhar. Mas somentenossa boa fé otimista poderá ser nossa guia, nosso gurudeva. O guiaé Sri Guru.

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