2011 Meus Estudos de Capoeira em          Barra do Corda/MA                   Leonardo Delgado        ...
Sumário                                                UNIDADE I: CAPOEIRA NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR       Problema      ...
UNIDADE I: CAPOEIRA NA EDUCAÇÃO                                                                         FÍSICA ESCOLAR    ...
e  isso  só  será  conseguido  com  professores  especializados  e  atualizados  com  os  avanços  da                     ...
‐   Finalmente  podemos  dizer  que  capoeira  contribui  para  interação  do  ser  e  a                                  ...
-   Reconhecer  e  valorizar  atitudes  não‐preconceituosas  relacionadas  a                                              ...
Avaliação                                                                                                                 ...
UNIDADE II: HISTÓRIA DA CAPOEIRA                                                                                          ...
africanos  vindos  das  mesmas  regiões,  em  alguns  casos,                                                            da...
não  só  permanecerem  vivos  e  lutarem  pela  sua  liberdade  era  preciso  também  preservar                           ...
              Naquela época, a capoeira reunia não só ex‐escravos e seus filhos, mas também                               ...
                                                                          O candomblé de angola, com o qual a capoeira ang...
‐   1809 – D. João VI criou a Guarda Real de Polícia, para seu chefe foi nomeado o                                        ...
CAPOEIRA NO MARANHÃO                                                                                                      ...
              A partir de 1970, Mestre Sapo começou a formar seu grupo de capoeira, passando                              ...
                                                                        1968  ‐  Mestre  Barnabé  (Mestre  Sapo),  Anselmo...
Meus estudos de capoeira em Barra do Corda
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  1. 1.   2011 Meus Estudos de Capoeira em  Barra do Corda/MA Leonardo Delgado   29/10/2011 
  2. 2. Sumário   UNIDADE I: CAPOEIRA NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR  Problema  Objetivo Geral  Conteúdos de Aprendizagem  Dimensão Conceitual  Dimensão Procedimental  Dimensão Atitudinal  Sugestões Metodológicas  Avaliação  UNIDADE II: HISTÓRIA DA CAPOEIRA   Origem da Capoeira  Capoeira das raízes africanas à origem brasileira  Capoeiristas Históricos  Cronologia  CAPOEIRA NO MARANHÃO  1° Mestre  Mestre Patinho  CAPOEIRA EM BARRA DO CORDA  Mestre Marreta  GABA (Grupo Angoleiros da Barra)  Irapuru Iru Pereira UNIDADE III: ESTILOS DE CAPOEIRA  Capoeira Angola   Mestre Pastinha  Capoeira Regional  Capoeira Contemporânea  Uniforme dos Angoleiros  Uniforme dos Capoeiras da Regional  Graduação  A ginga e alguns golpes de ataque e defesa  Roda de Capoeira  Curiosidade  UNIDADE IV: INSTRUMENTOS E MÚSICA NA CAPOEIRA  Instrumentos  Berimbau  Pandeiro  Atabaque  Agogô  Confecção dos Instrumentos  Vocabulário Básico da Capoeira REFERENCIAL   
  3. 3. UNIDADE I: CAPOEIRA NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR   Leonardo Delgado      Este  material  tem  como  objetivo  analisar  e  discutir  a  proposta  da  utilização  do  tema  Capoeira  na  Educação  Física  Escolar  para  a  disciplina  de  Educação  Física  no  ensino  fundamental  no  município  de  Barra  do  Corda/MA.  A  partir  de  nossa  pesquisa  bibliográfica,  encontramos alguns pontos importantes a serem tratados nesse trabalho sobre a capoeira.      É  importante  salientar  que  a  Capoeira  inicialmente  foi  inserida  na  escola  como  uma  atividade  extracurricular,  ganhou  seu  espaço  nos  currículos  escolares  mediantes  publicações como a metodologia do ensino de educação (Coletivos de Autores) e através dos  parâmetros  curriculares  nacionais  da  educação  física  (PCN),  como  parte  dos  conteúdos  de  lutas presentes na Educação Física Escolar.      Nossa proposta ao trabalhar o conteúdo capoeira na educação física escolar vem Meus estudos sobre capoeira ‐ Leonardo de Arruda Delgado  da  necessidade  de  estarmos  contribuindo  para  a  ampliação  dos  conhecimentos  dos  alunos,  partindo do pressuposto de que a capoeira não é apenas um saber que se traduz num saber  fazer,  num  realizar  "corporal",  sendo  a  Educação  Física  a  disciplina  que  estuda  pedagogicamente a  cultura corporal do movimento e suas manifestações, só isso já coloca a  capoeira como conteúdo obrigatório, pois não se pode negar que a capoeira e suas diferentes  modalidades fazem parte da cultura do Brasil.      A  capoeira  nasceu  nas  senzalas,  como  luta  de  libertação  da  classe  dominada  contra o regime de escravidão existente na época. Foi perseguida, e, no plano de resistência  ideológica,  agrediu,  por  muitos  anos,  os  códigos  das  culturas  dominantes.  Hoje,  encontra‐se  presente  em  diversos  segmentos  sociais  do  mundo,  sendo  realidade  sua  prática  no  ensino  fundamental,  médio  e  superior.  Entretanto,  trata‐se  de  um  conteúdo  pedagógico  pouco  estudado e fundamentado em sua estrutura técnica e cultural para o cotidiano escolar.      Com essa temática de pesquisa, junto ao problema proposto, buscamos legitimar  a importância de sua prática na escola, enquanto conteúdo da educação física e componente  da cultura corporal de movimento, por se tratar de um tema também presente nos PCNs da  educação física.      Soares    et    al.    (1992)    argumenta    que    a  Educação    Física    brasileira    precisa     resgatar    a  capoeira    enquanto    manifestação    cultural,    ou  seja,    trabalhar    a    sua   historicidade,  não desencarná‐la  do  movimento  cultural  e  político que  a  gerou.  Vamos ao  encontro, novamente, das novas metodologias, nas quais solicitam‐se novos conteúdos para a  Educação  Física  escolar,  conteúdos    estes    que    estejam    relacionados        ao  cotidiano    do   brasileiro  e  que  possuam significações histórico‐sociais.      Já  não  há  mais  dúvidas  de  que  a  capoeira  difundiu‐se  por  todas  as  camadas  e  classes sociais e também já não é um jogo exclusivamente de rua, levando milhões de pessoas  a praticá‐la em escolas, academias, ginásios e centros de Educação Física. Isso faz com que os  profissionais  que  ensinam  a  capoeira  tenham  o  máximo  cuidado  em  não  ensiná‐la  apenas  como luta, mostrando também os aspectos positivos que se pode conseguir com a sua prática,   
  4. 4. e  isso  só  será  conseguido  com  professores  especializados  e  atualizados  com  os  avanços  da  sociedade.      A  capoeira  é  um  conteúdo  que  pode  ser  contemplado  na  escola  pelos  seus  múltiplos enfoques, que possibilitam, a luta, a dança e a arte, o folclore, o esporte, a educação,  o lazer e o jogo.       A mesma deve ser ensinada globalizadamente, deixando que o aluno identifique‐ se com os aspectos que mais lhe convier.       A  sua  prática  na  escola  possibilita  o  desenvolvimento  de  conteúdos  conceituais,  procedimentais e atitudinais, como autonomia, cooperação e participação social, postura não  preconceituosa, entendimento  do  cotidiano  pelo exercício da cidadania, historicidade etc. No  aspecto motor,  especificamente,  a  capoeira  deve  ser reconhecida    como  uma  alternativa   rica    para    o  desenvolvimento    das    estruturas    da    criança,    como  esquema  corporal,  lateralidade, equilíbrio, orientação espaço‐temporal,  coordenação motora etc.    Problema  Meus estudos sobre capoeira ‐ Leonardo de Arruda Delgado    Quais os benefícios do ensino do conteúdo capoeira para a comunidade escolas?      ‐ A  Capoeira  resgata  o  processo  de  construção  da  formação  do  homem  brasileiro;   ‐ A Capoeira simboliza a resistência do homem negro, o qual entrincheirado nos  Quilombos resiste bravamente iniciando a fermentação do longo processo de  construção da cidadania no país.   ‐ A  Capoeira  representa  um  poderoso  instrumento  pedagógico  capaz  de  contribuir de forma efetiva para formação de um homem criativo, autônomo,  dotado de perspicácia e espírito de iniciativa;   ‐ As  aulas  de  Capoeira  estimulam  não  só  a  prática  corporal,  mas  também  o  gosto  pela  música  e  manipulação  de  instrumentos  musicais  tipicamente  brasileiros, contribuindo assim para a valorização da cultura brasileira;   ‐ Visto  a  Capoeira  estar  propagando‐se  nacionalmente,  ocupando  a  cada  dia  mais e mais a vida de milhares de brasileiros e com isso tendo um lugar tanto  na mídia televisiva, como nas revistas, jornais e outros meios de comunicação.  E  gerando  com  isso  a  necessidade  da  prática  da  Capoeira  com  profissionais  competentes.  Isto  para  que  a  essência  desta  dança  guerreira  não  seja  desvirtuada  e  não  possa  comprometer  o  bem  estar  dos  praticantes  e    da  sociedade.  Para  isso  deve‐se  buscar  essa  conscientização  nas  escolas  através  da Educação.   ‐ A Capoeira como prática desportiva, proporciona uma melhor saúde corporal,  conseqüentemente  ocorre  uma  melhora  em  termos  de  qualidade  de  vida,  agindo inclusive como método profilático.   ‐ Estimula  o  afetivo,  principalmente  a  auto‐estima,  além  de  integrar  os  seus  participantes, de modo que o indivíduo passa a se sentir aceito nesse grupo e   com  isso  a  respeitar  seus  semelhantes,  fator  fundamental  para  um  bom  convívio social.   ‐ Como  meio  de  recreação,  a  capoeira  auxilia  na  catarse,  ou  seja,  na  liberação  das  tensões  diárias.  Com  isso  vem  contribuir  para  diminuir  um  dos  focos  da  violência, que são as tensões e o estresse que estão sujeitos não só os adultos,  mas também as crianças.    
  5. 5. ‐ Finalmente  podemos  dizer  que  capoeira  contribui  para  interação  do  ser  e  a  formação de um sentimento de amor e respeito a nossa cultura.    Objetivo Geral     Fazer  a  reflexão  teórico‐metodológica  sobre  a  Capoeira  enquanto  manifestação  da cultura corporal brasileira, seu histórico, desenvolvimento, seus rituais, seus fundamentos  de  jogo,  dança,  luta  e  ginástica,  suas  implicações  sociais  contemporâneas  e  seus  limites  e  possibilidades de ensino no contexto escolar.    Conteúdos de Aprendizagem     Coll  et.  al  (2000)  definem  conteúdos  como  uma  seleção  de  formas  ou  saberes  culturais,  conceitos,  explicações,  raciocínios,  habilidades,  linguagens,  valores,  crenças,  sentimentos,  atitudes,  interesses    modelos  de  conduta  etc.  cuja  assimilação  é  considerada  essencial para que se produzam um desenvolvimento e uma socialização adequados ao aluno.      Dessa forma, quando nos referimos a conteúdos, estamos englobando conceitos, Meus estudos sobre capoeira ‐ Leonardo de Arruda Delgado  idéias, fatos, processos, princípios, leis científicas, regras, habilidades cognoscitivas, modos de  atividade, métodos de compreensão e aplicação, hábitos de estudos, de trabalho de lazer e de  convivência social, valores, convicções e atitudes.      É preciso levar em conta ás seguintes questões: o que se deve saber? (dimensão  conceitual),  o  que  se  deve  saber  fazer?  (dimensão  procedimental),  e  como  se  deve  ser?  (dimensão atitudinal), com a finalidade de alcançar os objetivos propostos.     Dimensão Conceitual - Conhecer  as  transformações  pelas  quais  passou  a  capoeira  em  relação  a  sociedade e relacioná‐las com o contexto histórico da época;  - Conhecer  as  mudanças  pelas  quais  passaram  a  capoeira  em  função  da  marginalização;  - Conhecer  os  estilos  de  capoeira  e  alguns  dos  vários  fundamentos  técnicos,  toques e músicas.    Dimensão Procedimental - Vivenciar e adquirir alguns fundamentos básicos da capoeira, golpes, musicas e  toques. Por exemplo, praticar a ginga e a roda da capoeira;  - Vivenciar  diferentes  ritmos  e  movimentos  relacionados  a  capoeira,  como  angola, regional e contemporânea;  - Vivenciar situações de brincadeiras e jogos.  Dimensão Atitudinal   - Valorizar  o  patrimônio  cultural  da  capoeira  em  seus  diferentes  contextos  e  estilos,  - Respeitar os adversários, os colegas e resolver os problemas com atitudes de  diálogo e não‐violência.  - Predispor‐se a participar de atividades em grupos, cooperando e interagindo;   
  6. 6. - Reconhecer  e  valorizar  atitudes  não‐preconceituosas  relacionadas  a  habilidade, sexo, religião e outras.  - Adotar o hábito de praticar atividades físicas visando à inserção em um estilo  de vida ativo.      Com base nisso iremos abordar Na Unidade I: os fatores que justificam a presença  desse  conteúdo  na  escola;  Na  Unidade  II:  Os  elementos  que  deram  origem  a  capoeira,  no  Brasil, no Maranhão e em Barra do Corda; Na Unidade III: os estilos de capoeira, uniformes,  graduações, fundamentos, rodas e curiosidades; Na Unidade IV: será estudado a musicalidade  da capoeira, com seus instrumentos, toques e musicas    Sugestões Metodológicas   - Projeção de vídeos e filmes;  - Pesquisa e discussão dos resultados.  - O movimento de ginga, no ritmo de Angola.  - Exercícios específicos: aú, cocorinha e negativa (demonstração prática);  - Movimentos  de  ataque  e  defesa,  executando  golpes  individualmente  ou  em  duplas. Meus estudos sobre capoeira ‐ Leonardo de Arruda Delgado  - Movimentos de golpes de defesa e contra ataque.  - Exercícios em duplas.    Utilização de vídeos     O vídeo ‐ filmes, documentários, reportagens especiais ‐ é um recurso importante  no ensino da educação física, desde que permita estabelecer relações com os temas que estão  sendo abordados em aula.      A  utilização  desse  suporte  exige,  entretanto,  alguns  cuidados  por  parte  do  professor:     - Primeiramente, é indispensável que assista ao vídeo com antecedência, para  destacar os aspectos a levantar na discussão do filme com a turma.  - Ao  assistir  ao  programa,  será  útil  que  elabore  um  roteiro  de  observações  e,  inclusive, selecione as passagens mais relevantes, que poderão ser re‐exibidas  durante o debate.  - Antes de iniciar a exibição do vídeo, ele deve conversar com os alunos sobre  as questões a serem observadas, facilitando, pela roteirização, a compreensão  dos objetivos da atividade e sua realização.    Coleta de Informações na Internet e na Mídia Impressa     As  práticas  da  cultura  corporal  podem  constituir‐se  em  objetos  de  estudo  e  pesquisa  sobre  o  homem  e  sua  produção  cultural.  Alem  de  proporcionar  fruição  corporal,  a  aula de educação física pode propiciar reflexão sobre o corpo, a sociedade, a ética, a estética e  as  relações  inter  e  intrapessoais.  Assim,  a  vivência  das  práticas  corporais  pode  ser  ampliada  pelo conhecimento sobre o que se pratica, buscando respostas mais complexas para questões  especificas.     
  7. 7. Avaliação     Os alunos podem ser avaliados:  - De  forma  sistemática  por  meio  da  observarão  das  situações  de  vivência,  de  perguntas e respostas formuladas durante as aulas.  - De forma específica, em provas, pesquisas, relatórios, apresentações ele. Para  que os alunos com dificuldades em algumas formas de expressão não sejam  prejudicados  pelo  tipo  de  avaliação,  e  muito  importante  que  as  formas  de  verificação do conhecimento sejam as mais diversificadas possíveis.      O  emprego  da  observação  no  processo  de  avaliação  apresenta  uma  série  de  vantagens.  Ela  é,  por  exemplo,  diagnostica,  como  preconiza  Resende  (1995);  as  aulas  não  precisam  ser  interrompidas;  o  ambiente  continua  o  mesmo;  e,  finalmente,  ela  permite  a  avaliação do comportamento na sua totalidade.      A  avaliação  em  educação  física  deve  considerar  a  observação,  a  analise  e  a  conceituação  de  elementos  que  compõem  a  totalidade  da  conduta  humana,  ou  seja,  a  avaliação deve estar voltada para a aquisição de competências, habilidades, conhecimentos e  atitudes dos alunos. Meus estudos sobre capoeira ‐ Leonardo de Arruda Delgado      Ela  deve  abranger  as  dimensões  cognitiva  (competências  e  conhecimentos),  motora  (habilidades  motoras  e  capacidades  físicas)  e  atitudinal  (valores),  verificando  a  capacidade  de  o  aluno  expressar  sua  sistematização  dos  conhecimentos  relativos  à  cultura  corporal  em  diferentes  linguagens  ‐  corporal,  escrita  e  falada.  Embora  essas  três  dimensões  apareçam  integradas  no  processo  de  aprendizagem,  nos  momentos  de  formalização  a  avaliação  pode  enfatizar  uma  ou  outra  delas,  Esse  é  outro  motivo  para  a  diversificação  dos  instrumentos, de acordo com as situações e os objetivos do ensino.    Mãos à Obra     Agora  que  o leitor  já  conhece  um  pouco  de  nossa  concepção  da  educação  física  escolar, passamos a apresentar uma proposta de desenvolvimento do conteúdo Capoeira para  o  segundo  segmento  do  ensino  fundamental.  A  proposta  não  teve  como  preocupação  sistematizar  a  capoeira  de  forma  hierárquica  e  gradativa,  que  distribuiria  os  conteúdos  por  ciclos  e/ou  séries.  Essa  tarefa  fica  a  cargo  do  professor  que  poderá  se  pautar  em  nossas  sugestões  e  ir  além  delas.  No  momento  procuraremos  oferecer  aos  professores  sugestões  didático‐metodológicas  para  o  tratamento  dos  conteúdos,  por  meio  de  vivências,  leituras,  discussões  pesquisas  e  outras  estratégias  que  possibilitem  uma  re‐significação  da  cultura  da  capoeira nas aulas de educação física.           
  8. 8. UNIDADE II: HISTÓRIA DA CAPOEIRA Leonardo Delgado    INTRODUÇÃO   A capoeira é um esporte, uma luta, uma dança,  um jogo. Afinal de contas, o que é a capoeira? Na verdade, é  um  pouco  de  tudo  isso.  A  capoeira  é  uma  manifestação  genuinamente  brasileira,  criada  pelos  escravos  africanos  trazidos para o país.      A  capoeira  é  uma  manifestação  da  cultura  brasileira e é caracterizada por golpes e movimentos ágeis e  complexos,  utilizando  primariamente  chutes  e  rasteiras,  além  de  cabeçadas,  joelhadas,  cotoveladas,  acrobacias  em  solo  ou  aéreas  muito  peculiares:  trata‐se  de  um  misto  de  luta‐jogo‐dança  praticada  ao  som  de  instrumentos  musicais  (berimbau,  pandeiro  e  atabaque),  palmas  e  cânticos.  Outras  expressões  culturais,  como  o  maculelê  e  o  samba  de  roda,  são  muito  associadas  à  capoeira,  embora  tenham  origem  e  significados  diferentes.  Por  tudo  isso  a  capoeira  vem  obtendo  cada  vez  mais  espaço  nas Meus estudos sobre capoeira ‐ Leonardo de Arruda Delgado instituições educacionais como escolas de primeiro e segundo graus e universidades e sendo  cada vez mais reconhecida em todas as instâncias da sociedade brasileira.      A  palavra  capoeira  é  originária  do  tupi‐guarani,  refere‐se  às  áreas  de  mata  rasteira  do  interior  do Brasil.  Foi sugerido  que  a  capoeira  tenha  obtido  o  nome  a  partir  dos  locais  que  cercavam  as  grandes  propriedades  rurais  de  base  escravocrata.  Capoeiristas  fugitivos  da  escravidão  e  desconhecedores  do  ambiente  ao  seu  redor,  freqüentemente  usavam  a  vegetação  rasteira  para  se  esconderem  da  perseguição dos capitães‐do‐mato.      Há uma grande controvérsia em torno da história da capoeira, sobretudo no que  se refere ao período compreendido entre o seu surgimento ‐ provavelmente no século XVII e o  século  XIX,  quando  aparecem  registros  confiáveis,  com  descrições  mais  detalhadas  desta  manifestação.     ORIGEM DA CAPOEIRA     Uma  das  discussões  que  mais  envolveram  os  estudiosos  da  arte‐luta  brasileira  girou em torno da questão: a capoeira surgiu na África ou no Brasil? Atualmente considera‐se  uma questão já resolvida, pois a grande maioria dos autores que escrevem sobre a história da  capoeira  concordam  com  a  tese  de  que  ela  teria  sido  criada  no Brasil  pelos  negros  africanos  trazidos pelos portugueses a partir do início da colonização para o trabalho escravo na lavoura,  na pecuária, mineração e em atividades urbanas.       Não pretendemos aprofundar aqui o debate sobre o surgimento da capoeira, mas  convém  observar  que  a  questão  é  realmente  complexa.  Os  que  defendem  que  a  capoeira  surgiu  no  Brasil,  apoiavam‐se  no  argumento  de  não  existir  atualmente  (nem  há  registros  históricos conhecidos) qualquer forma de luta criada e desenvolvida pelos escravos nas outras  ex‐colônias do continente americano, que também receberam grandes quantidades de negros 
  9. 9. africanos  vindos  das  mesmas  regiões,  em  alguns  casos,  daqueles  trazidos  para  o  Brasil.  Na  realidade,  esse  não  é  um  argumento  suficiente  para  provar  a  origem  brasileira  da  luta,  pois  várias  manifestações  culturais  bastante  próximas  da  capoeira,  reunindo  características  de  luta  e  dança,  já  foram  identificadas  em  outros  países  da  América  Latina.  A  idéia  de  que  a  capoeira  seria  uma  luta  africana,  trazida  pelos  cativos,  apoiava‐se no fato de que ainda hoje, no continente africano,  existem  danças  rituais  com  características  de  luta  (denominadas,  entre  outras,  Cujuinha,  Uianga, Cuissamba e Dança da Zebra)       Para alguns autores, a capoeira praticada em terras brasileiras seria simplesmente  uma  variação  dessas  danças,  que  teria  se  tornado  extremamente  útil  em  situações  de  luta  corporal  contra  o  branco  colonizador.  Assim,  de  acordo  com  a  organização  que  as  comunidades negras conseguiam constituir no Brasil nos primórdios da colonização (seja nos  quilombos, ou nas próprias senzalas, preparando os movimentos de rebeldia e as fugas) seriam  recuperados os elementos dessas danças‐lutas ancestrais.       Na  verdade,  a  controvérsia  se  justifica  pela  complexidade  da  questão  e  pela  dificuldade na obtenção de documentos que relatem a vida dos escravos durante os primeiros Meus estudos sobre capoeira ‐ Leonardo de Arruda Delgado séculos  de  escravidão  no  Brasil.  É  sabido  que  em  15  de  dezembro  de  1890  o  então  Ministro  das  Finanças  Ruy  Barbosa  mandou  incinerar,  no  âmbito  do  Ministério  da  Fazenda,  os  documentos  que  se  referiam  à  escravidão,  alegando  que  se  deveria  apagar  da  memória  brasileira  essa  lamentável  instituição.  Os  historiadores  atribuem  tal  ordem  a  uma  estratégia  que  procurava  evitar  que  os  ex‐proprietários  de  escravos  buscassem  junto  ao  governo  uma  compensação dos prejuízos que tiveram com a abolição da  escravatura,  em  1888.  Provavelmente  esses  documentos  nos trariam muitas informações sobre a vida dos escravos,  suas  fugas,  suas  formas  de  resistência  à  escravidão.  Mas  sua  destruição  não  pode  ser  tomada,  como  se  faz  habitualmente  nos  debates  sobre  a  capoeira,  como  obstáculo  intransponível  à  reconstituição  da  história  da  resistência à escravidão. A historiografia sobre o tema tem  nos mostrado isso constantemente.       Muito  embora  seja  suficientemente  esclarecido  que  a  capoeira,  como  a  conhecemos hoje, é uma luta surgida no Brasil, é preciso considerá‐la como parte da dinâmica  constante da cultura afro‐brasileira. Assim, a capoeira surgiu de um conjunto de aspectos pré‐ existentes nas culturas das comunidades africanas (rituais, danças, jogos, cultura musical etc.).  O  aparecimento  da  capoeira  deve  ser  pensado,  de  certa  forma,  como  as  próprias  artes  marciais  tradicionais  do  Oriente,  que  são  a  expressão  da  filosofia  de  seus  povos  criadores  e  que estão integradas às outras instâncias da vida social, como a religião e o trabalho. Sabe‐se,  por exemplo, que diversas armas utilizadas nessas artes marciais derivam de instrumentos de  trabalho agrícola, e algumas cerimônias ou simbologias se referem às tradições religiosas dos  orientais.       É  assim  que  devemos  compreender  a  questão:  a  capoeira  surgiu  no  Brasil  como  luta de resistência de uma comunidade que trazia uma imensa bagagem cultural de sua terra  de origem e que precisou desenvolver um conjunto de técnicas de ataque e defesa em virtude  da situação de opressão em que vivia durante a escravidão. Aliás, devemos considerar que a  capoeira  faz  parte  de  todo  um  processo  de  resistência  dos  negros  no  Brasil,  que  também  se  expressou na religião, na arte, na culinária etc. Em outras palavras: era necessário aos negros 
  10. 10. não  só  permanecerem  vivos  e  lutarem  pela  sua  liberdade  era  preciso  também  preservar  aspectos de sua cultura ancestral.       Dessa  forma,  o  surgimento  da  capoeira  se  confunde  com  a  história  da  resistência  dos  negros  no  Brasil.  Eis  porque  a  maioria  dos  autores  que  escreveram  sobre  a  questão  associam  o  aparecimento  da  capoeira  ao  surgimento  dos  primeiros  quilombos  no  Brasil.  Alguns  chegam  a  se  referir  especificamente  ao  Quilombo  dos  Palmares  (que  foi  o  que  reuniu  um  número  maior  de  pessoas,  cerca  de  25  mil,  e  foi  destruído  em  1694)  como  sendo  o  berço  da  capoeira.  Já  em  1928,  Annibal  Burlamaqui,  no  livro  Gymnastica  Nacional  (Capoeiragem)  Methodizada  e  Regrada,  destaca  a  superioridade  do  quilombola  no  combate  com  os  capitães  do  mato,  devido  a  um  "jogo  estranho  de  braços,  pernas,  cabeça  e  tronco"  utilizado  pelos  fugitivos.  (Annibal  Burlamaqui  não indica a fonte dessa informação, o que a torna duvidosa).       Desta  primeira  publicação  até  hoje,  muitos  têm  repetido  a  afirmação  de  que  a  capoeira surgiu nos quilombos sem, no entanto, apresentar provas mais concretas. Do ponto  de vista científico, apenas se pode sustentar essa idéia como uma hipótese a ser comprovada Meus estudos sobre capoeira ‐ Leonardo de Arruda Delgado por estudos futuros. Porém, é verdade inquestionável que os quilombos representavam uma  atmosfera de liberdade, de recuperação dos rituais e danças africanas e de convívio social que,  somadas à situação de opressão podem ter dado origem à capoeira.       Os  estudos  históricos  sobre  o  Quilombo  dos  Palmares  desenvolvidos  por  pesquisadores renomados como Édison Carneiro, Clóvis Moura, Décio Freitas e Joel Rufino dos  Santos,  embora  não  se  refiram  especificamente  à  capoeira,  descrevem  detalhadamente  (e  sobre isso há vasta documentação) as violentas guerras travadas ao longo de quase cem anos  na Serra da Barriga (que à época se localizava em território da capitania de Pernambuco, atual  estado  de  Alagoas)  entre  os  fugitivos  e  as  tropas  enviadas  para  a  destruição  do  quilombo.  Dificilmente  terá  existido,  em  toda  a  história  do  Brasil,  um  ambiente  mais  propício  para  o  surgimento de uma modalidade de luta como a capoeira.       Um quadro de Johan Moritz Rugendas intitulado  "Jogar  Capoeira  ou  Danse  de  la  Guerre",  de  1835,  é  considerado  o  primeiro  registro  preciso  sobre  a  capoeira.  Neste  quadro  dois  negros  se  situam  em  posição  de  luta  enquanto um outro, sentado, toca um atabaque  que segura  com as pernas. Outros negros, homens e mulheres, assistem  à luta (ou jogo) que se realiza.       Ao  longo  do  século  XIX  a  capoeira  torna‐se  uma  nítida  expressão  da  situação  vivida  pelo  negro  no  Brasil.  As  mudanças  ocorridas  na  economia  e  na  política  do  Império  vinham gerando um intenso processo de desescravização. Lembremo‐nos de que a Lei Eusébio  de  Queirós,  de  1850,  já  havia  proibido  o  tráfico  negreiro  para  o  Brasil.  A  lógica  do  sistema  econômico mundial e brasileiro impunha a substituição do negro pelo trabalhador imigrante, e  isso gerava uma inevitável situação de marginalidade. A capoeira floresceu dessa forma, e são  inúmeros os relatos de jornais do século passado que narram as aventuras dos capoeiras (esse  nome, até meados deste século, era utilizado para designar o lutador; a luta era denominada  capoeiragem).    
  11. 11.   Naquela época, a capoeira reunia não só ex‐escravos e seus filhos, mas também  figuras importantes da sociedade. Aos poucos a capoeira foi se envolvendo com a vida política  e chegou a ser amplamente utilizada como arma na luta entre as facções que se enfrentavam  nos  tempos  do  Império  e  nos  primórdios  da  República,  sobretudo  nas  cidades  do  Rio  de  Janeiro,  Salvador,  Recife  e  São  Paulo.  Os  capoeiras  eram  contratados  para  interferir  em  comícios,  tumultuar  eleições  e  fazer  a  segurança  de  figurões  da  política.  O  sociólogo  José  Murilo  de  Carvalho,  analisando  as  ocorrências  policiais  do  Rio  de  Janeiro  do  século  passado,  calcula  em  cerca  de  vinte  mil  o  número  de  capoeiras  cariocas  existentes  às  vésperas  da  Proclamação da República (1889), o que nos dá uma idéia da importância desse segmento na  sociedade da época.       Muito  tempo  se  passou  até  que  a  capoeira  superasse  esse  estigma  de  mazela  social. Pode‐se afirmar que a história da capoeira nos últimos cem anos tem sido a trajetória  de sua inserção e institucionalização na sociedade brasileira. Aos poucos foi sendo reconhecida  como  expressão  do  folclore  nacional,  como  técnica  eficiente  de  luta  e,  mais  recentemente,  como instrumento educativo importantíssimo para a consciência de nossa cultura.       Esse  processo  de  desenvolvimento  da  capoeira  teve  como  figura  chave  o  capoeirista baiano conhecido como Mestre Bimba, que merecerá nossa atenção especial mais  adiante. Mestre Bimba criou por volta de 1930 a Capoeira Regional, uma variação da capoeira Meus estudos sobre capoeira ‐ Leonardo de Arruda Delgado tradicional (conhecida como Capoeira Angola) que incluía uma série de inovações e métodos  de ensino.       O  desenvolvimento  técnico  da  capoeira  nas  últimas  décadas  foi  imenso,  e  não  pára de ocorrer. O contato com outras modalidades de luta e com os métodos científicos de  treinamento  desportivo  têm  exigido  dos  capoeiristas  um  intenso  esforço  de  atualização  e  sistematização de seus conhecimentos.     Capoeira das raízes africanas à origem brasileira      Várias sociedades africanas que falavam línguas semelhantes foram chamadas de  banto  pelos  europeus.  Acredita‐se  que  os  bantos  eram  da  atual  região  de  Camarões  e,  em  cerca de 1000 a.C, começaram a migrar para o sul. Essa migração se estendeu até os séculos III  e  IV  d.C,  levando  os  bantos  a  se  concentrar  no  centro‐sul  da  África,  nas  atuais  regiões  de  Angola,  Congo,  República  Democrática  do  Congo,  Uganda,  Namíbia,  Zâmbia,  Moçambique,  Botsuana      Nas  novas  regiões  que  ocuparam,  os  bantos  introduziram  a  metalurgia,  a  agricultura e a forma de governo centralizada. Formaram sociedades matrilineares, nas quais  as terras cultivadas eram consideradas dos antepassados, as florestas eram comunitárias e o  trabalho, individual.       Nos  primeiros  séculos  do  tráfico  de  escravos,  foram  trazidos  para  as  Américas,  escravizados,  muitos  negros  de  grupos  bantos.  Esses  grupos  foram  maioria  na  Bahia,  em  Alagoas,  Pernambuco, no Maranhão, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro e, em  muitos  momentos,  reproduziram  aqui  sua  organização  social  (especialmente  nos  quilombos),  sua  arte  e  sua  visão  de  mundo.  A  capoeira,  a  congada,  as  danças  e  cerimônias  cateretê,  caxambu,  batuque, samba, jongo, lundu, maracatu e coco de zambê são herança  banto. 
  12. 12.     O candomblé de angola, com o qual a capoeira angola mantém ligações, também  é expressão de origem banto.      Capoeira é uma palavra de origem tupi que significa vegetação que nasce após a  derrubada  de  uma  floresta.  No  Brasil  Colônia,  esse  nome  foi  também  dado  ao  "jogo  de  angola",  que  apareceu  nas  fazendas  e  cidades  desde  que  os  primeiros  grupos  de  negros  de  origem banto foram escravizados e trazidos para cá.      A  capoeira  praticada  em  senzalas,  ruas  e  quilombos  foi  vista  como  uma  ameaça  pelos  governantes,  que,  em  1821,  estabeleceram  medidas  de  repressão  à  capoeiragem,  incluindo  castigos  físicos  e  prisão.  Essas  medidas  policiais  contra  a  capoeira  só  deixaram  de  vigorar  a  partir  da  década  de  1930,  mas  isso  não  significou  que  passasse  a  ser  plenamente  aceita e que seus praticantes tivessem a simpatia da sociedade brasileira.      O  "jogo  de  angola"  não  foi  aceito  como  uma  forma  de  expressão  corporal  de  indivíduos  e  grupos,  em  sua  maioria  negros,  organizados,  pensantes  e  vigorosos.  Foi  transformado em folclore, com a diminuição de seu significado grupal para os participantes e,  depois,  em  esporte  ou  arte  marcial.  Mas  a  forma  não  esportiva  da  capoeira  também  permaneceu, ligada a grupos de capoeira angola. Meus estudos sobre capoeira ‐ Leonardo de Arruda Delgado     Assim,  surgiram  dois  ramos  da  capoeira  nas  décadas  de  1930  e  1940,  que  se  distinguiram mais efetivamente a partir dos anos 70. Ocorreu, por um lado, a mobilização de  grupos  de  resistência  cultural  afro‐baiana,  que  perceberam  nos  poucos  grupos  angoleiros  a  manutenção  dos  elementos  da  capoeira  trazidos  pelos  negros  bantos,  e,  por  outro  lado,  a  organização da capoeira esportiva (capoeira regional) como arte marcial.    Capoeiristas Históricos   ‐ Besouro  Mangangá:  capoeirista  baiano  do  século  XIX,  imortalizado  nas  músicas da capoeira.    ‐ Manduca da Praia: temido capoeirista no Rio de Janeiro do século XIX.    ‐ Madame Satã:  polêmico capoeirista do Rio de Janeiro do século XX, sua vida  foi retratada em filme.    ‐ Mestre  Pastinha  (Vicente  Ferreira  Pastinha):  fundou  a  primeira  escola  de  capoeira legalizada pelo governo baiano.  ‐ Mestre Bimba (Manuel dos Reis Machado): criador da capoeira regional        Cronologia   ‐ 1548 – Iniciam a imigração forçada de escravos africanos para o Brasil.   ‐ 1712 ‐ Primeiro registro escrito do termo capoeira, no Vocabulário Português e  Latino,  do  Padre  D.  Rafael  Bluteau,  seu  significado,  contudo  não  se  refere  à  luta.   ‐ 25  de  Abril  de  1789  ‐  Primeira  menção  da  capoeira  em  registros  policias  na  prisão de Adão, pardo, escravo, acusado de ser "capoeira",. [Nireu Cavalcanti,  "O Capoeira", Jornal do Brasil, 15/11/1999, citando do códice 24, Tribunal da  Relação, livro 10, Arquivo Nacional, Rio de Janeiro] 
  13. 13. ‐ 1809 – D. João VI criou a Guarda Real de Polícia, para seu chefe foi nomeado o  major Nunes Vidigal. Persegidor notório de capoeristas, o major Vidigal era por  si só um exímio capoerista.   ‐ 1813 – Antonio de Moraes Silva acrescenta o termo capoeira no Diccionario da  Lingua Portugueza composto originalmente pelo Padre D. Rafael Bluteau.    ‐ 1821  –  Carta  da  Comissão  Militar  do  Rio  de  Janeiro  enviada  para  Carlos  Frederico  de  Paula,  Ministro  da  Guerra,  requisitando  o  retorno  dos  castigos  aos capoeiristas.   ‐ 1826 ‐ O artista francês Jean Baptiste Debret retrata um tocador de berimbau  em "Joueur dUruncungo".     ‐ 1828  –  Os  capoeiras  sempre  tidos  como  marginais  e  desordeiros  ajudando  a  conter a Revolta dos Mercenários.  Meus estudos sobre capoeira ‐ Leonardo de Arruda Delgado ‐ 1835  –  Pela  primeira  vez  é  retratado  o  jogo  de  capoeira  pelo  alemão  Johann  Moritz  Rugendas  no  livro  Voyage  Pittoresque  dans  le  Brésil  com  as  gravuras  "JOGAR CAPOEIRA ou Danse de la guerre" e "SAN SALVADOR".   ‐ 13  de  Maio  de  1888  ‐  A  Princesa  Isabel  decreta  a  Lei  Áurea  abolindo  a  escravatura no Brasil.   ‐ 1890  ‐  Apesar  dos  capoeristas  terem  um  papel  heróico  na  Revolta  dos  Mercenários e na Guerra do Paraguai, o Governo Republicano instaurado em  1889 continuou a política de repressão à Capoeira do período Imperial, e em  1890 editou um decreto criminalizando a prática da Capoeira.   ‐ 1932 ‐ Mestre Bimba funda a primeira academia oficial de capoeira.   ‐ 1941 ‐ Mestre Pastinha funda a primeira academia oficial de Angola.   ‐ 1949 ‐ Mestre Bimba leva alguns alunos à São Paulo para competir com outras  lutas. Na década de 1950, Mestre Bimba viajou vários estados apresentando a  capoeira. Começa a expansão da capoeira baiana pelo território brasileiro.   ‐ 1953 ‐ Em Salvador, Mestre Bimba e seu alunos se apresentam no Palácio do  Governo  para  o  governador  da  Bahia  Juracy  Magalhães  e  o  presidente  da  República  Getúlio  Vargas.  Getúlio  teria  dito  então:  "a  única  colaboração  autenticamente  brasileira  à  educação  física,  devendo  ser  considerada  a  nossa luta nacional".   ‐ 1966 ‐ Mestre Pastinha leva uma comitiva de capoeiristas ao Premier Festival  International des Arts Nègres, em Dakar. A capoeira começa a expandir para o  mundo.   
  14. 14. CAPOEIRA NO MARANHÃO   O 1º Mestre     O  Mestre  Firmino  Diniz  ‐  nascido  em  1929  ‐  que  é  considerado  o  mestre  mais  antigo de São Luís, teve os primeiros contatos com a capoeira na infância, através de seus tios  Zé Baianinho e Mané. Lembra ainda de outro capoeirista da época de sua infância, Caranguejo;  Mestre  Diniz  teve  suas  primeiras  lições  no  Rio  de  Janeiro  com  "Catumbi",  um  capoeira  alagoano. Diniz era o organizador das rodas de capoeira e foi um dos maiores incentivadores  dessa manifestação na cidade de São Luís, nos anos 30 e 40.        Segundo o professor Leopoldo Gil Dulcio Vaz1:     "A Capoeira no Maranhão tem seu inicio ‐ segundo os registros mais  antigos  encontrados  até  agora  ‐  em  1835!  De  acordo  com  depoimentos  dos  Mestres  atuais,  teve  um  recomeço  por  volta  dos  anos 60, com a vinda de um grupo ‐ do mestre Canjiquinha, Aberrê ‐  no  qual  veio  junto  Mestre  Sapo;  que  retorna  depois,  se  fixando  em Meus estudos sobre capoeira ‐ Leonardo de Arruda Delgado São  Luis.  Diz  a  lenda  que  fora  convidado  por  Sarney,  para  ser  seu  guarda  costas.  Ganhou  emprego  público,  para  ensinar  a  capoeira,  num período em que houve a revitalização do esporte no Maranhão,  comandado por Cláudio Vaz dos Santos; a capoeira foi incluída entre  os esportes que ganharam escolinha no Ginásio Costa Rodrigues, com  Sapo no comando. Naturalmente que a Capoeira tinha seus adeptos,  sendo  citado  como  o  mestre  principal,  ou  mais  importante  naquela  época  ‐  anterior  aos  anos  60  ‐  Roberval  Serejo.  No  depoimento  de  Mestre  Patinho  são  citados  alguns  dos  praticantes,  com  a  fundação  do primeiro grupo, do qual Roberval já participava".      Em  1966  ‐  Mestre  Canjiquinha(Washington  Bruno  da  Silva,  1925‐1994),  e  seu  Grupo Aberrê passaram pelo Maranhão, apresentando‐se na cidade de Bacabal, no teatro de  Arena Municipal.      E  em  São  Luís  do  Maranhão,  no  Palácio  do  Governador,  no  Jornal  Pequeno,  TV  Ribamar na Residência do Prefeito da capital e no Ginásio Costa Rodrigues.      Acompanhavam  Mestre  Canjiquinha,  o  Sapo  (Anselmo  Barnabé  Rodrigues  ainda  com 17 anos), O Mestre Brasília (Antônio Cardoso Andrade), e Vitor Careca, os três, na época,  todos eram menores de idade.      1968  ‐  Mestre  Sapo  retorna  ao  Maranhão,  diz  alguns  que  fora  convidado  por  Sarney,  para  ser  seu  guarda  costas.  Ganhou  emprego  público,  para  ensinar  a  capoeira,  num  período em que houve a revitalização do esporte no Maranhão, comandado por Cláudio Vaz  dos Santos, a capoeira foi incluída entre os esportes que ganharam escolinha no Ginásio Costa  Rodrigues, com Mestre Sapo no comando.    1   O  texto  é  de  LEOPOLDO  GIL  DULCIO  VAZ.  Capoeiragem  no  Maranhão,  publicado  em  18/04/2005,  disponível online via: http://www.capoeira.jex.com.br/cronicas/capoeiragem+no+maranhao 
  15. 15.   A partir de 1970, Mestre Sapo começou a formar seu grupo de capoeira, passando  a ministrar aulas em uma academia de musculação, localizada na Rua Rio Branco, e no mesmo  ano  Roberval  Serejo  vem  a  falecer,  e  alguns  de  seus  alunos,  passam  a  treinar  com  Mestre  Sapo.  Que  logo  forma  um  grupo  com  muitos  alunos,  e  os  que  não  entraram  em  seu  grupo,  treinavam  paralelamente,  faziam  rodas,  coisas  que  o  Mestre  Sapo  não  gostava  e  por  muitas  vezes ele mesmo chamava a policia, pois a capoeira do maranhão, ainda vivia em repressão,  acredita‐se que tal atitude era, para ser o centro das atenções, já que era o único que tinha se  organizado, e tido o apoio do governo.      O Mestre Sapo em uma de suas viagens, no final dos anos 70, conheceu o Mestre  Zulú, em Brasília. Foi quem o graduou Mestre. A partir de então, Mestre Sapo implantou em  São Luís o sistema de graduação, através de cordel, seguindo as cores adotadas pelo Mestre  Zulú. Mas quem o iniciou na capoeira foi Natalício Neves da Silva, O Mestre Pelé de Salvador.      Desta  forma  o  Mestre  Sapo  se  tornou  a  maior  referência  da  capoeira  do  Maranhão. Mestre Sapo faleceu no ano de 1982, vítima de acidente de Transito. No Bairro da  Cohab.    Fonte: http://associaogrupokdecapoeira.blogspot.com/2009/07/capoeira‐do‐maranhao.html   Meus estudos sobre capoeira ‐ Leonardo de Arruda Delgado Mestre Patinho   2     ANTONIO JOSÉ DA CONCEIÇÃO RAMOS  –  Mestre  Patinho  –  nasceu  em  São  Luís,  em  14  de  setembro de 1953, no Bairro São Pantaleão; filho de  Djalma Estafanio Ramos e de Alaíde Mendonça Silva  Ramos;       Década de 60 ‐ Babalú, um apaixonado  pela  capoeira,  outro  amigo  que  era  marinheiro  da  marinha  de  Guerra,  também  aprendeu  com  o  mestre  Artur  Emídio  do  Rio,  Roberval  Serejo;  juntamos  Jessé,  Roberval  Serejo,  Babalú,  Artur  Emídio  e  eu  formamos  a  primeira  academia  de  capoeira,  Bantú,  e  estava  sem  perceber  fazendo parte da reaparição da capoeira no Maranhão. Também participaram Firmino Diniz e  seu  mestre  Catumbi,  preto  alto  descendente  de  escravo.  Firmino  foi  ao  Rio  e  aprendeu  a  capoeira com Navalha no estilo Palmilhada e com elástico, nos repassando.      1966  ‐  esteve  aqui  em  São  Luís  o  Quarteto  Aberrê  com  o  mestre  Canjiquinha  e  seus  discípulos:  Brasília,  hoje  Mestre  Brasília,  que  mora  em  São  Paulo;  e  o  nosso  querido  Mestre Sapo; Vitor Careca. Quando Vitor Careca e seus amigos chegaram aqui em São Luís não  foram  bem  sucedidos.  Por  sorte  do  grupo,  na  Praça  Deodoro,  na  apresentação,  estava  assistindo  o  Mestre  Tacinho,  que  era  marceneiro  e  trazia  gaiola.  Era  campeão  sul‐americano  de  boxe  no  estilo  médio  ligeiro  e  gostava  da  capoeira.  Vendo  que  o  grupo  tinha  um  total  domínio  da  capoeira,  apresentavam  modalidades  circenses,  mas  ligadas  a  capoeira,  como  navalha,  faca,  etc.  Tacinho  convidou‐os  para  uma  apresentação  no  Palácio  do  Governo,  pois  era  motorista  do  Palácio.  O  Governador  da  época  era  Sarney,  gostando  muito  da  apresentação,  convida  um  deles  para  ministrar  aula  de  capoeira  no  Maranhão,  pois  não  foi  possível porque eram de menor.  2   Mestre  Patinho,  publicado  em  27  de  fevereiro  de  2009.  Disponível  on  line  via:  http://sala‐prensa‐ internacional‐fica.blogspot.com/2009/02/antonio‐jose‐da‐conceicao‐ramos‐mestre.html 
  16. 16.     1968  ‐  Mestre  Barnabé  (Mestre  Sapo),  Anselmo  Barnabé  Rodrigues,  volta  ao  Maranhão.    ‐  Está  tendo  uma  roda  de  capoeira  no  Olho  d´Água  com  o  Mestre  Sapo,  coincidentemente estando na praia, entrei na roda, conheci o Mestre Sapo e nos  tornamos amigos e comecei a estudar com eles. Através do Professor Dimas.  ‐  Como  a  capoeira  era  mal  vista  na  época  e  cheia  de  preconceito,  parti  para  a  Ginástica  Olímpica,  volto  para  a  capoeira  e  participo  com  o  Mestre  Sapo  do  primeiro e segundo Troféu Brasil e fomos campeões, eu no peso pluma e Sapo no  peso pesado. Me intensifiquei pela capoeira e fui para Pernambuco, Bahia e São  Paulo, estudar capoeira.      Eu recebi muita influência de Mestre Sapo, Artur Emídio do Rio,Catumbi e Djalma  Bandeira que todos foram alunos de Aberrê.    Fonte: RODRIGUES, Inara. Patinho: vida dedicada à capoeira. In O ESTADO DO MARANHÃO, São Luís, 14  de setembro de 2003, Domingo, p. 6. Caderno de Esportes    CAPOEIRA EM BARRA DO CORDAMeus estudos sobre capoeira ‐ Leonardo de Arruda Delgado   Mestre Marreta   3   No  dia  14  de  fevereiro  nasce  o  filho  de  José  Basílio  e  Maria  Firmina  de  Jesus.  Ele  não  sabia,  mas  a  vida  deste  menino  reservava  um  destino  muito  especial  voltado  a  uma  arte  presente  nas  raízes  brasileiras  desde  o  tempo  da  escravidão:  a  Capoeira.  Nasce  então,  Edvaldo  Jesus  dos  Santos que mais tarde se tornaria Mestre Marreta!!!      Ainda  criança,  Edvaldo  morou  no  Bairro  Periperi  na  cidade  de  Salvador  –  BA,  juntamente com seus pais e seis irmãos. Estudou e conclui o Ensino Fundamental e o Ensino  Médio na Escola Almirante Barroso. Aos 14 anos trabalhou numa oficina de pintura; três anos  depois, alistou‐se no exército, onde ficou de excesso contingente no período de um ano, tendo  recebido posse da carteira de reservista em 1982.      Ainda com 17 anos de idade, Edvaldo entrou no Grupo de Capoeira Obalafom (seu  primeiro  contato  com  o  mundo  da  capoeira),  tendo  como  professor  Djalma  Marinho  de  Sá,  que o treinava na Escola Castelo Branco em Salvador, no Bairro da Urbes às 2ª, 4ª e 6ª feiras.      Aos  18  anos,  pôde  exercer  a  função  de  pintor  de  auto.  No  período  de  1987  a  1990,  trabalhou  como  coordenador  de  eventos  no  Maritim  Club  Hotel,  uma  empresa  internacional,  possuindo  25  hotéis  espalhados  em  toda  a  Europa.  Lá,  ele  desenvolvia  um  trabalho  de  Capoeira,  uma  capoeira  show,  unicamente  para  apresentações  ao  público  turístico; onde havia danças, como Maculelê, Dança dos Cafezais, entre outras muitas danças  do  folclórico  baiano.  No  mesmo  ano,  viajou  para  Brasília  tendo  permanecido  por  três  anos,  onde  trabalhou  no  STJ  (Supremo  Tribunal  de  Justiça).  Em  1993  a  1996  voltou  para  Salvador  onde trabalhou como segurança de valores da Raimundo Santana S.A.    3  Disponivel On Line: http://www.flogao.com.br/capoeiraflecha/78944277 

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