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Panorama História - 2011

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Relatório do professor Juliano Custódio Sobrinho, selecionador da área de História do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 de 2011.

Relatório do professor Juliano Custódio Sobrinho, selecionador da área de História do Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 de 2011.

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  • 1. PRÊMIO VICTOR CIVITA EDUCADOR NOTA 10 - Edição 2011 - Panorama da área de História Selecionador: Prof. Juliano Custódio Sobrinho A toda hora rola uma história que é preciso estar atento. Paulinho da Viola, “Rumo dos ventos”. Apresentar um panorama da área para os participantes do prêmio oupara os demais interessados é um grande desafio. Afinal, o resultado queestamos trazendo é fruto de um intenso período de apreciação e avaliação deprojetos enviados de todas as regiões do país. E para começar, não poderiadeixar de expressar profunda gratidão à Fundação Victor Civita, que vemtransformando a vida de muitos professores e educandos e fazendo do prêmioum momento de reflexão sobre a necessidade de reconhecer a atuação debons profissionais da Educação. Sei o que significa ser agraciado com essapremiação e me sinto honrado por ter sido escolhido o selecionador da área.Uma responsabilidade que assumi por acreditar que é possível alcançar aqualidade de ensino, mesmo diante dos desafios que a Educação brasileiraapresenta nos dias de hoje, principalmente na vida dos profissionais que a elase dedicam. Este ano, a área de História recebeu 141 projetos, 43 a menos que noano passado. E antes que possamos nos atentar para uma análise maisdetalhada sobre os projetos participantes, é importante deixarmos claro queeste panorama está pautado na avaliação de uma pequena amostra (141projetos) e não se caracteriza como uma análise geral das práticas docentes eda aprendizagem de História em todo o 1    
  • 2. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  país. Contudo, isso não invalida uma reflexão que traga à tona hipóteses,questionamentos, perspectivas e análises de como a História ensinada estásendo conduzida na atualidade, até mesmo porque nos embasamos empesquisas científicas na área para propormos os critérios que serão avaliadosna leitura desses projetos.1 Uma outra ressalva importante que precisa ser feita é que os projetosenviados para essa área representam o que de mais significativo foi realizadopelas(os) professoras(es), ao longo de 2010 até a primeira metade de 2011, deacordo com os seus critérios e concepções sobre a prática de ensino. Nessesentido, fica o meu agradecimento aos 141 professores e professoras queacreditaram em seus trabalhos e socializaram essas experiências comigo e, deuma certa maneira, com todos os demais selecionadores. Por mais de um mês,essa equipe de seleção passou várias horas por dia lendo esses projetos,analisando-os, refletindo sobre essas práticas de ensino, e, em algunsmomentos, até se emocionando com certos relatos e com os seus resultadosde aprendizagem. Por isso, quero expressar minha felicidade e dizer que mesenti honrado por ter contribuído com essa edição do prêmio. Assim, esse panorama tem como objetivo principal apresentar algumasconsiderações do selecionador após o término de análise dos projetos, queculminou na escolha de 4 projetos da área entre os finalistas dessa edição,sendo um deles o grande vencedor, premiando a Professora Elaine AdrianaRodrigues de Paula com o título de Educadora Nota 10. Além disso, ele deveser encarado como uma devolutiva aos demais participantes e aos futuros                                                                                                                        1 Alguns estudos relativos à área de Ensino de História foram fundamentais para balizarmos oscritérios definidos nessa seleção. A citação a essas obras fica como um indicativo para osleitores desse panorama, principalmente, os professores que lecionam essa disciplina e que sepreocupam com a qualificação profissional e a formação contínua. Vejamos: BITTENCOURT,Circe. Ensino de História: fundamentos e métodos. São Paulo: Ed. Cortez, 2009; SILVA,Marcos & FONSECA, Selva. Ensinar História no século XXI: em busca do tempo entendido.Campinas: Ed. Papirus, 2007; ROCHA, Helenice, MAGALHÃES, Marcelo; GONTIJO,Rebeca(orgs.). A escrita da história escolar: memória e historiografia. Rio de Janeiro: Ed. FGV,2009; MIRANDA, Sonia Regina. Sob o signo da memória: cultura escolar, saberes docentes ehistória ensinada. São Paulo: Ed. UNESP; Juiz de Fora: Ed. UFJF, 2007. 2    
  • 3. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  concorrentes que possam vir a se interessar pelo prêmio. Mais que umaresposta aos professores que abrilhantaram a edição 2011, esse panoramatambém se propõe a apresentar algumas orientações que venham a contribuircom as propostas pedagógicas que vierem a desenvolver no futuro.1. Quadro geral dos projetos participantes 1.1 - Características das instituições: Como afirmado acima, a área de História recebeu 141 projetos, oriundosde 23 estados brasileiros, mais o Distrito Federal, representando assim as 5regiões do país (não recebemos projetos na área dos estados do Acre, Amapáe Roraima). Apenas 2 projetos inscritos para essa área foram remanejadospara outras, já que não apresentavam uma experiência pedagógica quepudesse ser caracterizada como de História. Contudo, esse número deinscritos demonstra a relevância que o Prêmio Educador Nota 10 conquistouentre os professores da disciplina, bem como para todos os educadoresbrasileiros. Para exemplificar essa análise, vejamos melhor essas informaçõesnos gráficos abaixo: Distribuição por regiões do país S CO N 25% 4% 9% NE 21% SE 41% 3    
  • 4. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10   Em relação as últimas três edições do prêmio, essa distribuição dosprojetos por regiões do país, nos proporciona uma comparação interessante.Em 2009, a região sudeste representava 45% do total, chegando a mais que ametade em 2010 (51%). Já em 2011, essa região enviou menos projetos quenos anteriores (41%). Isso significa que outras regiões tiveram maiorparticipação neste ano, como a região norte, que passou de 6%, em 2009, para5%, em 2010, chegando a 9%, em 2011. Traduzindo para números, recebemosem 2011, 57 projetos do sudeste, 35 do sul, 30 do nordeste, 13 do norte e 6 docentro-oeste. Vale ressaltar, que por mais que tenha havido uma redução nonúmero de projetos enviados de 2009 a 2011, na área de História, esseaumento percentual de projetos de outras regiões, em relação ao sudeste,demonstra o alcance que o prêmio vem atingido. Quando os projetos sãodistribuídos por estados, ainda se destacam os das regiões sudeste e sul. Nostrês últimos anos, São Paulo e Minas Gerais ocuparam as duas primeirascolocações. Estados mais representados 25 20 15 25 10 20 13 12 5 10 8 8 7 5 5 0 SP MG PR RS SC PE RJ BA PB TO 4    
  • 5. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10   Em relação ao tipo de escolas credenciadas para o envio de projetos,essa foram classificadas entre públicas, privadas e privadas filantrópicas e osresultados foram: Escolas 2011 Privada Privada Filantrópica 16% 5% Pública 79% É notório que as escolas públicas continuam sendo a grande maioria emtodas as áreas do prêmio e na área de História essa característica é bastanteevidente. Em 2010, 74% das escolas inscritas eram públicas e, em 2011, essaporcentagem teve um pequeno aumento, representando 79% do total. Emrelação aos projetos finalistas de História neste ano, podemos afirmar que onúmero de escolas públicas também se sobressai. Finalistas da área Finalistas da área Municipal 50 Federal 25 Privada  Filant. 25 Privada Filant. 25 Pública 75 0 10 20 30 40 50 5    
  • 6. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10   Entre os finalistas, estão 3 escolas públicas (2 da rede municipal e 1federal), representando, respectivamente, os estados de Minas Gerais, SãoPaulo e Rio de Janeiro e 1 escola privada filantrópica, do estado do Amazonas. Localização das escolas Rural 16% Urbana 84% Em relação à localização das escolas inscritas, podemos dizer que nestaedição tivemos um aumento percentual na participação das escolas rurais (em2010 as escolas do gênero representaram 9,8% do total). É visível que oprêmio recebe mais projetos da área urbana, contudo houve um aumentointeressante dos trabalhos enviados da área rural, para essa disciplina, quandocomparamos as duas últimas edições. 1.2 - Perfil dos educadores: A presença de professoras, ao longo das edições do prêmio, é substanciale, em 2011, não foi diferente. Dos 141 projetos recebidos para essa área, 103foram encaminhados por professoras e apenas 38 por professores. Entretanto,se compararmos com o percentual de inscritos do gênero masculino nosúltimos três anos, percebemos certo aumento (24% em 2009, 23% em 2010 e27% em 2011): 6    
  • 7. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10   Gênero 2011 Professores 27% Professoras 73% Este resultado acima é praticamente semelhante, quando o comparamoscom a porcentagem de homens e mulheres entre os finalistas da área: 75% (3professoras) e 25% (1 professor). A partir do que foi informado na ficha de inscrição para o prêmio,pudemos também traçar um panorama sobre a formação profissional desseseducadores. Vejamos: Formação 7% 93% Curso superior com pleto Sem curso superior 7    
  • 8. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10   Dos professores inscritos, a extrema maioria afirmou ter, ao menos,formação superior completa, destacando-se as formações em licenciatura emHistória ou Pedagogia. Apenas 7% declararam não possuir curso superior,incluindo aqueles que afirmaram não terem finalizado a graduação. Sem formação superior 10% 30% 60% Superior incompleto Ensino Médio Ensino Fund.(ou menos) Com formação superior 44% 56% Curso superior com pleto Pós-graduação Dos professores que informaram não ter formação superior completa,apenas 1 possui Ensino Fundamental ou menos, 3 possuem Ensino Médio e 6 8    
  • 9. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  não têm o curso superior completo. Esses dados são muito interessantes poisdemonstram que, diante dessa amostragem, a grande maioria apresentaformação superior completa ou mais para o exercício profissional. E quandonos atentamos para o nível de formação superior que esse professorespossuem, podemos verificar que 56% deles possuem algum tipo de pós-graduação e 44% graduação completa. Dados que nos sugerem pensar sobrea importância da qualificação para esses educadores frente aos desafios daeducação nos dias de hoje. Curso superior 20% 51% 29% História Pedagogia Outras Outra questão que precisamos atentar, também tem a ver com aformação superior desses profissionais. A maioria dos professores inscritosafirmaram ter graduação ou pós-graduação em História ou Pedagogia. Assim,chegamos a conclusão que a qualidade dos projetos dos professoresenvolvidos com o Ensino Fundamental I não são menos consistentes que dosprofessores com formação específica em História (a grande maioria lecionandono segmento II). É perceptível em alguns relatos de professores que atuam nosegmento I, que a busca por capacitação potencializou a prática do ensino dahistória escolar para aquele público. Isso pode ter sido um diferencial na 9    
  • 10. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  eficiência desses trabalhos, e a escolha do projeto de História entre osvencedores dessa edição do prêmio vem a corroborar essa ideia. 1.3 - Características dos projetos: De acordo com os critérios de eliminação listados no edital do prêmio,dos 141 projetos encaminhados para a área de História, 17 foramdesclassificados, 117 não selecionados, 7 selecionados (seguindo para novasanálises). Desses selecionados, apenas 4 foram finalistas (entre os 50melhores), sendo 1 deles o escolhido entre os 10 vencedores. Vejamos melhoresses resultados no gráfico abaixo: Classificação dos projetos 7 17 117 Desclassificados Não selecionados Selecionados Em relação ao ano de 2010, o número de projetos desclassificadosreduziu em resultados percentuais (14,1% em 2010 para 12,1% em 2011),porém vale a pena chamarmos a atenção para essa questão, já que não nosinteressa eliminar nenhum projeto. Porém, cabe maior atenção dos professorescandidatos no momento da inscrição para que cumpram as exigências doregulamento do prêmio. Mais adiante, falaremos sobre os critérios específicosque levaram a seleção dos projetos enviados para a área de História. 10    
  • 11. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10   Os 17 trabalhos desclassificados na área (de acordo com os critérios do edital): Ø 06 não foram concluídos (para o projeto seguir a diante na avaliação é obrigatório que ele tenha sido finalizado); Ø 03 foram desenvolvidos fora do período indicado no regulamento (do ano letivo de 2010 até o primeiro semestre de 2011); Ø 01 ultrapassou os limites estabelecidos de páginas; Ø 02 foram enviados com produções de alunos (isso é proibido de acordo com o regulamento do edital); Ø 03 não apresentaram a descrição da experiência ou sequência desenvolvida em sala de aula ou apresentaram plano de intenções, partes de teses e monografias e relatos de estágio (também proibido de acordo com o regulamento do edital); Ø 02 relataram experiências desenvolvidas no Ensino Médio. Segmento de ensino EF I 38% EF II 62% 11    
  • 12. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10   Apresentamos a pouco o desempenho considerável dos projetosrealizados para as séries do Ensino Fundamental I. Neste instante, é possívelconsiderarmos o montante desses projetos frente aos demais: dentre os 141projetos recebidos, 53 (37,6%) relataram experiências realizadas nas séries doprimeiro segmento e 88 (62,4%) para as séries do segundo, conforme o gráficoacima. Contudo, quando analisamos os 7 projetos selecionados nesta edição,algo interessante podemos concluir sobre eles, no que diz respeito a categoria“segmento de ensino”. Selecionados na área EF I; 3 EF II; 4 EF I EF II Os projetos selecionados passaram por uma outra etapa de avaliação.Eles foram relidos e analisados de forma mais pormenorizada. Era importantedetectar todos os resultados de aprendizagem alcançados. Em seguida, foramfeitos vários telefonemas para esses professores e o pedido (ou não) deproduções realizadas pelos alunos ao longo do projeto para uma novaavaliação. Desses 7 projetos selecionados, 3 foram aplicados para séries doEnsino Fundamental I, o que evidencia que a não formação específica emHistória, não se caracteriza um empecilho para a qualidade dos trabalhos 12    
  • 13. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  realizados na área. Entretanto, vale a pena ressaltar que, por mais que aformação unidocente dê subsídios para essas(es) professoras(es) lecionaremas diversas áreas do conhecimento, isso pode não ser o suficiente para a plenaaprendizagem dos alunos em alguns campos específicos. Por isso, éfundamental que esses profissionais avancem em suas qualificações e seatenham também a refletirem sobre as práticas docentes em áreas, como oensino de história, voltadas ao primeiro segmento.2 Para finalizar essa parte, gostaríamos de comentar sobre uma questãotão importante na atualidade e que faz parte de um debate educacional queprecisa ser colocado, urgentemente, em ação: a educação inclusiva. Muitopoucos projetos de História, que chegaram para esta edição, apresentaramalgum tipo de citação a alunos com necessidades especiais (4 projetos). Edesses, apenas 2 apresentaram na descrição da sequência didática,desenvolvida com a turma, alguma atividade adaptada a esses. Por mais quemetodologias aplicadas a alunos com necessidades especiais não seja umaobrigatoriedade no regulamento do prêmio, nem tão pouco venha a privilegiarum projeto que as descreva, seria bastante profícuo conhecer nas próximasedições o que os professores estão realizando para proporcionar a inclusãodesses alunos, a partir de atividades flexibilizadas a eles, ao lecionarem adisciplina de História.2. Os conteúdos curriculares dos projetos Todos os anos, a área de História recebe projetos que apresentam umadiversidade temática bastante interessante. Alguns desses apresentamassuntos que estão diretamente presentes nos programas curriculares da                                                                                                                        2 Além das obras citadas no início desse panorama, que também podem servir de referênciaspara os profissionais envolvidos com o Ensino Fundamental I, gostaríamos de apresentar outrotrabalho que se dedica a uma análise mais específica para esse segmento. GUIMARÃES,Selva. Ensinar e aprender História: formação, saberes e práticas educativas. Campinas: Ed.Alínea, 2009. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (1ª a 4ª séries) – História e Geografiaindicam pertinentes apontamentos para uma formação nessa área. Ver site:http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro051.pdf 13    
  • 14. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  disciplina. Outros transitam pela área de História, procurando também abordartemas de diversos campos do conhecimento (sem possuir um foco específicoem um deles). Além disso, recebemos projetos que não possuem assuntosligados à àrea ou que não é possível identificar tal contexto histórico. Apresentamos então uma classificação desses temas, elaborada peloselecionador, que tem como intuito facilitar esse processo de entendimento.Essas categorias foram definidas de acordo com a nossa interpretação (após aanálise de cada projeto) e a partir da tentativa de compreender não só ostemas trabalhados pelo professor em sala de aula, mas também os métodos eas teorias da História utilizados por ele. Entretanto, vale ressaltar que acomposição temática não é rígida e, possivelmente, alguns projetos analisadospoderiam ser afiliados a mais de uma categoria. É importante também dizerque a cada ano essas mesmas categorias podem variar, já que elas só podemser criadas após toda a análise dos projetos. Vejamos então: 14    
  • 15. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10   Temáticas dos projetos inscritos 2011 Conteúdos históricos curriculares 43 Conteúdos não-históricos 28 História e Cultura Afro-brasileira 19 História Local 17 Tem as transversais 12 História e Cultura Indígena 6 Educação Patrim onial 6 Conteúdos interdisciplinares 5 Conteúdos indefinidos 3 Conceitos e tem poralidade 2 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 Queremos iniciar a análise desse gráfico acima a partir da temáticaintitulada “Conteúdos históricos curriculares”. Definimos neste campo, todos osprojetos em que a temática é parte integrante dos currículos da disciplina eestão pautados em contextos históricos. Assim, podemos exemplificar, a partirda amostragem que recebemos para essa edição, que se encaixaria nessecampo projetos que tratam de episódios como o feudalismo, a colonização noBrasil, a Reforma Protestante e a Revolução Industrial. Esses assuntos,algumas vezes, são trabalhados pelos professores (de acordo com os seusrelatos) a partir da perspectiva de atrelar esses contextos àcontemporaneidade. Nesse sentido, temos que parabenizar uma gama deprofessores, que tiveram seus projetos afiliados a esse campo, e que se 15    
  • 16. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  preocuparam em dar sentido ao estudo da História, a partir do momento emque interligaram esses acontecimentos do passado a fenômenos da atualidadeque, direta ou indiretamente, influenciam na vida de seus alunos. O diálogoentre o passado e o presente se concretizam nesse tipo de metodologia deensino e conscientiza o aluno da pertinência de se estudar História. Paraaqueles que se interessam em participar das próximas edições do prêmio éimportante que apresentem nos projetos essas interlocuções entre o passadoe o presente, numa tentativa de justificar historicamente o estudo de sujeitos,espaços e períodos históricos. Quando pensamos na posição estatística desse tipo de temática, emrelação às outras, percebemos como os panoramas das edições anteriorespodem ter contribuído, já que apontavam para certa escassez de contextoshistóricos “clássicos” no montante dos projetos. Desde 2009, essa já era umapreocupação e serviu de apontamento para a reflexão dos professores.Quando comparamos, percentualmente, esse aumento de 2010 (16,8%) para2011 (23,4), é possível concluir que, mais uma vez, o panorama da área podeter servido como inspiração e direcionamento para os candidatos dessa edição. O quadro abaixo serve como exemplo para detalharmos melhor essesconteúdos inseridos nos projetos. Contudo, desde já, queremos deixar claroque esses assuntos representam os projetos enviados para essa edição e nãosão indicativos, por parte do selecionador, para estarem presentes naspróximas. A escolha do tema para a criação de um projeto deve partir davontade e da necessidade do professor em diagnosticar o que pode contribuirpara a melhoria da aprendizagem dos alunos. Contéudos históricos curriculares Período Conteúdo Ø História Antiga • Civilizações da Antiguidade Clássica: Grécia e Roma; 16    
  • 17. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10   Ø História Medieval • Sistema Feudal; • Império Muçulmano; Ø História Moderna • Renascimento Cultural; • Reforma Protestante e Contrarreforma Católica; • Absolutismo Ø História Contemporânea • Primeira e Segunda Guerras Mundiais; Ø Brasil Colônia • Revoltas Nativistas; • Escravidão (indígena e negra); Ø Brasil Império • Primeiro Reinado; • Guerra do Paraguai; • Escravidão negra; Ø Brasil Repúblicano • Período da República Velha; • Era Vargas; • Ditadura Militar. Por mais que a quadripartição histórica tenha sido criticada e repensadaao longo do tempo, ela ainda é presente nas práticas docentes (tanto para seensinar História na academia quanto na escola) e, por isso, utilizamos dessadivisão a título de exemplificar em que período temporal esses temas citados 17    
  • 18. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  nos projetos aparecem.3 Se a maioria dos livros didáticos apresentam essesfatos (a partir dessa quadripartição) e se esses assuntos são tão recorrentes eobrigatórios nos currículos, sempre foi uma indagação dos selecionadoresdessa área tentar entender o por que esses temas eram preteridos por outros,quando o professor enviava seu relato para o prêmio. É interessantepensarmos – e fica então uma outra orientação - de que é possível criarprojetos tendo como foco esses contextos. Se a temporalidade nos afastadesses contextos históricos (apontados no quadro acima) cada vez mais, seriapertinente termos uma análise de como os professores vem lidando com essastemáticas no cotidiano de sala de aula e como esses contextos refletem naqualidade da aprendizagem dos alunos. Elaborar projetos com temas de um passado mais próximo são tãosignificativos no ensino de História quanto aqueles de um passado maislongínquo. O que importa é como o professor dá sentido a esses estudos paraa turma. Gostaríamos também de felicitar alguns professores que apresentaramem seus projetos, certos contextos que parecem não receber uma atençãodevida na História ensinada, nem tão pouco nos livros didáticos. Episódiosremetentes à História antiga, medieval e História das américas apareceramcom certa frequência. Fica como um indicativo o investimento maior nessasconteúdos. Seria interessante conhecer propostas de trabalho que abordemessas aprendizagens. Outra temática que incita os professores a apresentarem seus projetos éa “História e Cultura Afro-brasileira”. Obviamente, que esse temática poderiatambém se enquadrar na categoria “Conteúdos históricos curriculares”, maspreferimos separá-la por três motivos: primeiro porque projetos com esseassunto são recorrentes na história do prêmio e sempre se destacam entre os                                                                                                                        3 Sobre esse assunto, fica como sugestão a leitura do artigo: MIRANDA, Sônia & DE LUCA,Tania. O livro didático de história hoje: um panorama a partir do PNLD. Disponível em:http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-­‐01882004000200006&script=sci_arttext 18    
  • 19. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  mais citados; segundo porque estimula os professores a orientarem seusalunos para a “conscientização” e “valorização” de parte da cultura brasileira, jáque remetem a um segmento social ainda excluído de nossa sociedade; porúltimo, porque a regulamentação do ensino da História da África e da culturaafro-brasileira pode ter influenciado os professores a investirem nesse tema.4 E quando destacamos entre aspas as palavras “conscientização” e“valorização” no parágrafo acima, fizemos isso de forma intencional. Comoessa temática provoca discussões ainda muito mal interpretadas e apresentarespostas diretas para se entender as desigualdades sociais no país hoje,alguns professores se preocupam em trazer à baila esse assunto numatentativa de orientar os alunos que a formação e a cultura brasileiras nãopodem ser entendidas simplesmente pela contribuição de um agente específicodo processo de colonização do Brasil (neste caso a contribuição europeia). Porisso, eles acreditam que seja importante ampliar as noções de colonização,sociedade e cultura brasileiras, por exemplo. Entretanto, promover uma temática em sala de aula que leve a“conscientizar” ou a “valorizar” algo, só pode ser uma estratégia eficiente de                                                                                                                        4   LEI nº 10.639, DE 9 DE JANEIRO DE 2003.   O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saberque o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:  Art. 1o A Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescida dos seguintesarts. 26-A, 79-A e 79-B:  "Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira.§ 1o O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da Históriada África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro naformação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social,econômica e política pertinentes à História do Brasil.§ 2o Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbitode todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura eHistória Brasileiras. (…)Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional daConsciência Negra’."Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.Brasília, 9 de janeiro de 2003; 182o da Independência e 115o da República.LUIZ INÁCIO LULA DA SILVACristovam Ricardo Cavalcanti Buarque. Disponível em:http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.639.htm   19    
  • 20. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  aprendizagem, se o professor justificar historicamente aos alunos o porquêdesse tipo de atitude. Em outras palavras, uma pessoa se conscientiza e passaa valorizar a necessidade de políticas afirmativas ou a importância da culturaafro-brasileira para a cultura do país, se antes ela for orientada a estudar sobreo sistema escravista ou o período pós-abolição, por exemplo. E o quepercebemos, é que alguns projetos propõem sequências didáticas com esseintuito de “valorização “ e “conscientização” dos alunos, que se pautam apenasnos aspectos das práticas culturais vigentes hoje, sem contudo apresentarestudos do passado histórico que levou a essa formação cultural. Oentendimento da necessidade do respeito mútuo às diversidades culturais eestímulo à formação de um sujeito (que entende a cidadania como umapreocupação social), não têm eficiência se o aluno não for levado a estudar, apensar, a criticar e se posicionar diante da realidade que o cerca. É essa aaprendizagem que se deseja a partir da disciplina da História. A “História e Cultura Afro-brasileira” também nos permite fazer outraconsideração importante, que pode ser percebida na análise das demaistemáticas: na tentativa de justificar a realização do projeto, alguns professoresacreditam que para despertar o “senso de consciência social e coletiva” nosalunos – a partir da importância dessa História e cultura afro-brasileira, porexemplo - seria necessário estudar todo o contexto relacionado a esse assunto,o que é um equívoco; dessa forma, observamos que alguns projetos sepropuseram a ensinar desde a formação dos grandes reinos africanos,passando pelo mundo da escravidão naquele continente, posteriormente noBrasil, até chegar às discussões sobre as consequências sociais dessesepisódios nos dias de hoje. A falta de recortes, diante dessa longa trajetória histórica que foi aimplantação do sistema escravista e seus desdobramentos na Históriabrasileira, ocasionou a perda de foco em muitos projetos. Ao acharem que oimportante é estudar “tudo” de um período, os projetos podem se tornarmassantes, confusos, e terem o processo de aprendizagem comprometido. Por 20    
  • 21. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  isso, ter a noção de que, por vezes, é necessário delimitar o contexto históricopode contribuir para os resultados desse aprendizado (lembrando que um tematão complexo e extenso como a escravidão, está presente nos currículos dequase todas as séries do Ensino Fundamental II, e, por isso mesmo, esseassunto não cabe ser contemplado somente em um único projeto). Projetos ligados à perspectiva da “História local” também sempre sefizeram presentes no prêmio. Nessa edição, 17 (12,0%) projetos podem serentendidos como pertencentes a essa categoria. Se compararmos as ediçõesanteriores houve uma aparente redução nesse campo (em 2010 foram 17,9%).Contudo, foi possível perceber uma melhora na qualidade dessas propostas.Tanto para a historiografia quanto para a História ensinada, a utilização dastécnicas da História local são válidas se o professor proporcionar para osalunos um estudo, que coloque em evidência esse olhar para os eventos locaissem, contudo, perder a percepção das interferências e convergências deações mais abrangentes que acontecem em várias localidades e regiões aomesmo tempo. Trocando em miúdos, promover o estudo da História de umbairro ou de uma cidade, somente pelos acontecimentos locais, sem articulá-los com fenômenos históricos que estão acontecendo em outras áreas naquelemesmo período pode não levar os alunos à compreensão da complexidadehistórica. O projeto da Prof. Elaine Adriana Rodrigues de Paula, escolhido entre os10 professores Nota 10 dessa edição, responde bem a essa percepção do queé, de fato, realizar História local na escola. Veremos esse exemplo ao fim dopanorama. Ao atentarmos novamente para o quadro de temáticas dos projetos, umacategoria nos chama a atenção: o número de projetos que não apresentamconteúdos em História (20% do total). Essa questão já foi apontada nospanoramas anteriores e continua a representar uma percentagem significativadiante do montante. Esses projetos são considerados evasivos por nãoapresentarei conteúdo e tema de História. Dentre esses trabalhos, estão 21    
  • 22. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  aqueles que tem como objetivo despertar comportamentos atitudinais nosalunos ou temas que são recorrentes do universo da própria escola (drogas,violência etc). Outros exemplos dessa questão são as propostas de gincanaspara arrecadação de mantimentos e agasalhos para doação ou “ações entreamigos” para o investimento na própria escola. Esses projetos podem até estarvinculados à área de História de alguma maneira, mas, em nenhum momento,eles disponibilizam essa compreensão durante o relato da experiência. Diferentemente, do que observamos na categoria intitulada de “Temastransversais”. Nessa linha, é recorrente os professores declararem tertrabalhado com noções de cidadania, ética ou política com os alunos, o quepara a História ensinada tem todo um sentido. Entretanto, por mais que tenhapertinência esse tipo de discussão na disciplina, esses projetos acabam nãodemonstrando foco na aprendizagem em História ou perdem seu propósito.Como exemplo, podemos citar trabalhos que tinham como objetivo centralestudar o sistema político democrático no país ao longo da História,trabalhando com uma série de conceitos, como cidadania, democracia,sociedade etc. Contudo, no desenrolar dessa proposta, descrita pelo professor,não fica evidente um estudo consistente dessa política ou dessas formas degoverno, ao longo da história, e o projeto se resume à simulação de umaeleição entre os alunos. A mesma falta de foco pode ser percebida para a categoria “ConteúdosInterdisciplinares”. Nessa temática, os professores propõem estudar umassunto a partir dos vários campos do conhecimento, sem contudo, direcionaresses estudos para um em específico. Como exemplo desse problema,podemos relatar projetos que tinham como intenção estudar “produtos deconsumo”. Por algum critério, esses professores entendem que esse projetodeve ser inscrito na área de História, porém eles podem apresentar poucaligação com algum contexto específico da História e serem direcionados maispara um aprendizado em Matemática, por exemplo. 22    
  • 23. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10   Nesse sentido, é importante que fique bem claro que um bom projeto deHistória precisa ter foco em História e estar comprometido com resultadosqualitativos de aprendizagem.3. Sobre os critérios (gerais e específicos) No decorrer de cada edição do prêmio, nós, selecionadores, estamosenvolvidos com uma série de práticas docentes que nos saltam aos olhos, apartir da leitura dos projetos, e passamos a nos colocar à disposição desseseducadores e educandos a partir de nossas análises. O prêmio, por si só, nãotem como objetivo central, simplesmente, premiar profissionais da educação.Ele parte do pressuposto de que o reconhecimento é fruto de um trabalho bemsucedido e que este pode ser referencial para demais educadores. Pensandoassim, os panoramas se constituem como um momento de colocarmos nossasimpressões sobre o fazer pedagógico, a partir de uma amostragem querecebemos todos os anos. E como em toda relação existe “reciprocidade”,compartilhamos com os participantes e com os demais leitores as nossasvisões sobre o ensino no país – e que fique claro que essa percepção estáassentada sobre bases científicas - a partir das experiências dessesparticipantes do prêmio vivenciadas no cotidiano da sala de aula. E é esseempréstimo dos relatos, das produções dos alunos e das conversas telefônicascom os professores, que se constitui no grande mote documental que temospara estudar, analisar e responder a essa conjuntura. Assim, gostaríamos de conhecer sempre experiências em sala de aulaque busquem o compromisso com a qualidade da aprendizagem dos alunos eque estejam atentas com os procedimentos do estudo, da pesquisa e daprodução desse conhecimento. Com isso, a busca ideal é pela concepção econstrução de um projeto que apresente uma sequência didática quedemarque todas as etapas de execução das propostas de aprendizagem dosalunos e seus resultados, bem como os seus encaminhamentos eprocessamentos das ações finais. E para os professores participantes do 23    
  • 24. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  prêmio e futuros interessados é importante entender que muitos projetos bemsucedidos não são perfeitos e apresentam falhas. O que os diferencia dosdemais é que na construção da narrativa dessas experiências pedagógicas,eles demonstram eficiência no processo de aprendizagem dos alunos, setornando referenciais e possíveis de ser replicados. Vejamos nos quadros abaixo alguns critérios relevantes para levarmosem conta no momento da elaboração do projeto5: Critérios gerais de não seleção dos Critérios de História de não seleção projetos dos projetos Ø A apresentação do projeto é Ø A descrição do projeto não evasiva, não esclarece a permite identificar os metodologia utilizada e os conteúdos de História, a resultados obtidos; metodologia e os resultados alcançados; Ø A análise da produção dos alunos não demonstra o que Ø Conteúdos de História aprenderam; trabalhados de formas superficial e descritiva, sem dar Ø Projeto desenvolvido de forma sentido aos alunos do estudo bastante intuitiva e baseado no da disciplina; senso comum, revelando inconsistência; Ø Concepção redutora de procedimentos didáticos e/ ou Ø Conteúdos não articulados aos metodológicos do ensino de objetivos e à sequência das História; atividades propostas;                                                                                                                        5 Os critérios gerais foram elaborados a partir do modelo de classificação construído pela Prof.Dra. Sueli Furlan, selecionadora da área de Geografia. 24    
  • 25. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10   Ø Equívocos conceituais quanto Ø Limitação ao livro didático ao conteúdo abordado e aos como único recurso para a procedimentos metodológicos; aprendizagem e/ou a transcrição dos conteúdos nas Ø Encaminhamentos produções dos alunos; inadequados para a faixa etária; Ø Não esclarece o desenvolvimento das Ø Metodologia não dialoga com atividades em História; os objetivos propostos; Ø O professor não tem Ø Metodologia não esclarece procedimentos definidos de como o professor preparou os avaliação do conhecimento encaminhamentos; adquirido pelos alunos a partir Ø Objetivos amplos e inatingíveis de suas produções; para o tempo didático em que o Ø O professor não demonstra os projeto foi desenvolvido; métodos de estudo (leitura, Ø Falta de clareza, objetividade e pesquisa às fontes, análise, foco; reflexão, senso crítico e ações) oferecidos aos alunos; Ø Projeto centrado no discurso teórico do professor, com pouca atenção à produção escrita dos alunos; Ø Concepção simplificadora dos conteúdos de História, fundamentação teórica inconsistente e não alinhamento com as novas 25    
  • 26. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10   propostas de ensino na área. Os projetos que venceram esses critérios foram submetidos a uma novaanálise: Critérios gerais de seleção dos Critérios de História de seleção dos projetos projetos Ø As estratégias metodológicas Ø Projeto alinhado com a teoria e são coerentes com os objetivos metodologia de pesquisa em propostos e adequados à faixa História recentes, com a etária dos alunos; transposição do contéudo para Ø O trabalho foi desenvolvido a história escolar; com os alunos, valorizando os Ø O professor demonstra o real conhecimentos da turma; sentido de se estudar os Ø A sequência didática foi conteúdos históricos ao aplicar coerente em todas as partes; esses acontecimentos para a Ø Etapas bem articuladas, realidade social dos alunos; objetivas e eficientes Ø O produto final dessa valorizando o conhecimento aprendizagem incentiva a uma didático; formação cidadã e consciente Ø Projeto que valoriza o do mundo, fundamentada no conhecimento científico; campo científico; Ø É possível deduzir, claramente, Ø O professor sabe da o que os alunos aprenderam a importância social da partir da narrativa do professor; aprendizagem de História para Ø O professor tem a capacidade a vida dos alunos e os auxilia a de intermediação do se compreenderem como conhecimento, valorizando o sujeitos desse processo; protagonismo dos alunos Ø O professor propõe uma nesse processo de aprendizagem de História que 26    
  • 27. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10   aprendizagem. não a interpreta como uma verdade absoluta e conduz a turma a entender a construção desse saber e dos seus poderes de transformação social; Ø Incentiva e justifica a importância da utilização de vários recursos didáticos para se aprender História, como aqueles pautados na tecnologia. Para os professores que se interessarem em participar das próximasedições do prêmio, ou que estão preocupados em melhorar o desempenho naaprendizagem de seus alunos a qualquer momento do ano letivo, sugerimosque fiquem atentos a esses critérios. Eles foram pensados a partir depesquisas científicas, que pautadas nas experiências do cotidiano da sala deaula, têm como objetivo proporcionar caminhos para melhorar essas práticasdocentes. Dos 141 projetos apresentados à área, somente 7 foram selecionados,4 se integraram entre os 50 finalistas, e 1 foi escolhido entre os demaisvencedores do prêmio. Nesse sentido, é fundamental os leitores do panoramaentenderem que só chegamos a esses resultados no fim de uma jornadaavaliativa, depois de analisarmos todos os projetos a partir desses critériosapontados acima. E como o produto final de nosso trabalho se constitui na materialidadedesse panorama, tenho que agradecer mais uma vez a todos os participantes,que com generosidade e dedicação nos ajudaram a construir nossas 27    
  • 28. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  intervenções sobre o processo de ensino e aprendizagem, a partir dos relatos eproduções enviados. Por fim, queremos compartilhar com todos uma apresentação dos 4projetos finalistas, que podem ser tomados como referenciais para se pensarem novas propostas para o ensino de História, a partir dos critérios acima.1) Projeto Objetos e costumes de nossos antepassados – Profa. ElaineAdriana Rodrigues de Paula.Escola Municipal Agnes Pereira Machado. 3º ano - EF I. Catas Altas-MG. Para promover a valorização da preservação da memória, da Histórialocal e do Patrimônio Histórico, a Prof. Elaine Adriana Rodrigues de Paula tevecomo propósito ensinar História a partir das histórias dos objetos presentes nocotidiano de seus alunos e da comunidade em que vivem. Ao fim do projeto,ela pretendia realizar uma exposição com um acervo criado e apresentadopelos próprios alunos referente a essas fontes estudadas. A Profa. Elaine nãoé graduada na área e expõe a sequência didática do projeto embasada emsuas experiências enquanto educadora e nos estudos sobre a temática querealizou anteriormente à proposta desse trabalho. Obviamente, isso nãodesabona o projeto em ser considerado um modelo para os professores quelecionam em História, já que esse projeto reúne qualidades metodológicasmuito pertinentes para a área. A impressão que se pode ter quando se lê orelato escrito é que ele não responde a todas as dúvidas quanto a suaaplicabilidade para a disciplina, mas é a análise do material enviado que, comcerteza, trouxe à tona a relevância de considerar esse projeto um grandereferencial para os professores de História. Pode-se afirmar que a proposta metodológica assumida pela Profa.Elaine se assemelha a perspectiva da Micro-História, um procedimentoinvestigativo que procura analisar um contexto local sem desconsiderar suasinterligações com movimentos mais amplos da sociedade em estudo. A ideiada professora é proporcionar como ponto de partida para a sua turma de 3ºano, do Ensino Fundamental I, um estudo sobre Catas Altas-MG, a partir doperíodo em que a cidade ainda se configurava enquanto povoado, nomomento da grande produção aurífera no século XVIII. Na verdade, aoestudar essa localidade, ela propõe por meio dos objetos domésticos e detrabalho levados para a sala de aula, um estudo sobre a região mineradoradas Minas e sobre o Brasil Colonial. Essa metodologia já pode ser observadanas práticas docentes escolares, não se resumindo apenas ao fazer históricoda academia, apresentando-se assim como uma pertinente alternativa para se 28    
  • 29. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  ensinar História no Ensino Básico. Na primeira etapa, ela realizou uma conversa com os alunos paraintroduzir o assunto e procurar estimulá-los a contarem o que sabiam sobre opassado da cidade e de suas famílias e conhecidos. Essa tentativa serviu paraque a professora explicasse o que era História e qual a importância de seconhecer o passado. Ela apresentou o contexto de Catas Altas a partir da suafundação, bem como os ensinou sobre a sociedade mineradora no Brasilcolonial. Algumas informações sobre essa contextualização também foi lidapara eles, a partir de textos pré-selecionados por ela. Os alunos realizaramatividades no caderno. Em seguida, ela propõs uma sondagem, pedindo paraque eles contassem aos seus responsáveis o que foi estudado naquela aula eque esses pudessem anotar o que ela conversou com os alunos. Era umatentativa de estimular a oralidade dos educandos e convidar seusresponsáveis para contribuir com suas histórias e memórias sobre o passadofamiliar e da cidade.* Para ensinar esse episódio ela relatou na conversa telefônica que estudouvários trabalhos de memorialistas e historiadores sobre a história da cidade edo período colonial brasileiro. Para conhecer sobre os bens patrimoniais deCatas Altas, ela tomou conhecimento do material disponibilizado na SecretariaMunicipal de Cultura. Para desenvolver a proposta da história local, ela sepautou nos referenciais do município para o Ensino de História, além dosestudos que realizou a partir dos Parâmetros Curriculares Nacionais deHistória e Geografia, desenvolvidos para o Ensino Fundamental I. Na segunda etapa, a professora escutou os relatos trazidos pelosalunos e compartilhou com eles essas vivências citadas por seusresponsáveis. Então, ela propõs que todos (inclusive ela) trouxessem para asala de aula objetos que possuíssem um significado para aquelas famílias eque estivessem presentes no cotidiano da localidade. Uma dasrecomendações dos PCNs para se ensinar História nesse ciclo é se basearnas histórias locais, nas experiências do vivido e do cotidiano e isso aprofessora demonstra estar em plena consonância. Ao levarem os objetosmateriais para serem estudados, a professora propõs instigá-los a conhecer assuas próprias histórias de vida e do ambiente que os cerca. Esse processo foilongo, pois a professora procurou conhecer e pesquisar informações sobreesses materiais. Ela escolheu textos, leu para eles, os ajudou a selecionar ostrechos significativos para a compreensão e os incentivou a produzir textossobre o que foi aprendido. O primeiro texto foi construído de forma coletiva.Após isso, a cada aula, novos objetos eram conhecidos e, incessantemente, a 29    
  • 30. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  professora intervinha na produção textual dos alunos, procurando melhorar aqualidade dessa aprendizagem e ensinando procedimentos de leitura,interpretação e compreensão e organização das informações estudadas. Essetipo de intervenção revela o cuidado em ensinar História sob a ótica de umaeducadora preocupada em pensar a Língua Portuguesa como um grandeaporte para se ensinar nessa área. Uma estratégia muito pertinente já que évisível a despreocupação de alguns professores de História em nãoacompanhar os seus alunos durante as suas produções textuais e sepautarem apenas na eficácia da intermediação oral para avaliarem aaprendizagem dos mesmos.* Ao estudar a história daqueles objetos do cotidiano, os alunos eram imersosnão apenas em interlocuções com a história de vida de seus antepassados dalocalidade, mas sim eram levados a pensar sobre histórias de outrosterritórios, já que muitos utensílios domésticos e ferramentas de trabalho nãoforam inventados no Brasil. O mergulho na história a partir da micro-análisepermitiu que esses alunos se lançassem a descobertas mais longínquas. Na terceira etapa, a professora informou aos alunos que para algunsobjetos levados para a sala de aula, não era possível encontrar informaçõesescritas. De forma intencional, ela instigou os alunos a pensarem de quemaneira eles poderiam conhecer aquelas histórias. Foi então que elacomprovou que muitos alunos conseguiam associar o conhecimento sobre opassado a partir da oralidade (assim como aconteceu na sondagem que elapropôs no início do projeto, quando os responsáveis apresentavam algunsrelatos de suas vidas). Assim, ela sugeriu que eles fizessem entrevistas comalguns moradores para descobrirem as histórias desses objetos faltantes. Aprofessora os ensinou a metodologia das entrevistas, elaborou um roteiro comeles, instigou-os a fazer perguntas e os acompanhou em algumas visitas aesses entrevistados. Alguns registros foram redigidos pelos próprios alunos eoutros ela se colocou como escriba. A metodologia da História Oral também seapresenta como uma metodologia em potencial para o Ensino de História, poisaproxima os alunos da vivência da pesquisa e do fazer histórico escolar.Nesse critério, mais uma vez a Prof. Elaine contribuiu para o aprendizado deseus alunos.* Algumas histórias desses objetos só foram descobertas pela iniciativa dealguns alunos em investigarem com seus conhecidos e socializaram essasinformações com todo o grupo. A professora relatou esses episódios naconversa telefônica. 30    
  • 31. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10   Na quarta etapa, os alunos foram levados a conhecer o Museu doSantuário do Caraça, localizado no próprio município de Catas Altas e queapresenta um acervo riquíssimo sobre materiais e utensílios do cotidianoregional, ao longo do tempo. Esse museu é parte da história local, já queabrigou um seminário católico e um colégio, e está inserido no ParqueNacional do Caraça, um dos maiores patrimônios da História do Brasil. Ointuito da professora era que os alunos ampliassem as informações sobre osobjetos já estudados e pudessem compreender o museu enquanto um espaçode estudo e de proteção da memória e da história da região. Para isso, elaapresentou, antes da visita, a história do museu e de seu acervo. Os alunosrealizaram atividades a partir desse conhecimento. Durante a visita, elespuderam visualizar os objetos, entender como funcionavam e como essesestavam inseridos no dia a dia daquelas pessoas. A visita foi acompanhadapelos arte-educadores do museu e pela professora que intervia sempre queachava necessário, procurando resgatar os conteúdos trabalhados ao longodo projeto. Além do acervo museológico, os alunos também conheceram oacervo arquivístico da instituição que guarda parte daquelas históriasestudadas. Ir a campo e conhecer os espaços de salvaguarda desses bens,proporcionou um momento de reflexão sobre as formas de preservar eproteger o patrimônio. Ao conhecerem os arranjos das peças museológicas,os alunos puderam pensar na organização do próprio espaço que iriam criarpara produzirem a exposição do acervo de peças que reuniram. O retornopara a escola foi outro momento de compartilharem ideias e aprendizados quetiveram durante a visita. Na última etapa, a professora propôs que os alunos fizessem asversões finais dos textos produzidos sobre as histórias dos objetos e dalocalidade, a partir das várias intervenções realizadas na busca pela qualidadeda aprendizagem. Além disso, eles produziram desenhos de observaçãodaqueles objetos como uma forma de perceberem nos registros visuais,elementos que também deveriam ser preservados. Para além dessa intenção,é possível dizer que alguns alunos puderam entender que o desenho nãodeixa de ser a produção de uma fonte histórica. A professora sugere que ahistória de cada objeto do acervo seja apresentado em dupla e, para isso, elesestudaram os materiais produzidos para essa apresentação oral. Paraassegurar confiança e tranquilidade aos alunos quando se defrontarem com opúblico convidado para a exposição, ela sugeriu que eles apresentassem oconteúdo para uma outra turma da escola. Passado essa preparação, osalunos auxiliaram na montagem do acervo e realizaram a exposição. Parafinalizar, eles reuniram todas as produções textuais e visuais em um livro, na 31    
  • 32. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  tentativa de proteger tais fragmentos do vivido naquele cotidiano, queaparentemente não externavam significados e informações que merecessemestudos, mas que por fim revelou histórias e memórias que não podiam seperder na contemporaneidade.2) Projeto Apresentando Nossa África - Prof. Larissa Costard Soares.Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 6º ano - EF II.Rio de Janeiro-RJ. A Prof. Larissa Costard Soares desenvolveu o projeto “Apresentandonossa África” com os alunos do 6º ano, procurando abordar os conteúdosreferentes às origens do ser humano e das primeiras comunidades quepovoaram a África, além da formação dos grandes reinos africanos daAntiguidade. A partir desses conteúdos, a Prof. Larissa produziu uma imersãodos alunos num processo de entendimento da História da África, a fim dedesconstruir estereótipos e imagens equivocadas que foram criadas sobre oterritório ao longo dos anos. Para isso, ela promove uma interlocução dosconteúdos da pré-história e da Antiguidade africana com a formação socialcontemporânea dos países que ocupam aquele continente. A lei 10.639, de 2003, veio a ratificar e acrescentar à lei 9394, de 1996,a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-brasileira em todas asescolas do Brasil. Essa jurisprudência fez com que os professores de Históriado país pensassem a maneira de se articular os conhecimentos, acerca dahistória dos afrodescendentes, na formação brasileira, resgatando a memóriadesses agentes, desde o deslocamento daquele continente até aqui. E porisso, o recriar do universo da escravidão negra em seus vários episódios daHistória do Brasil é bastante frequente nas propostas encaminhadas para oprêmio na área de História. Contudo, é preciso entender que a mesma lei emvigor também estimula os professores a conhecerem e a disponibilizarem paraos seus alunos algumas reflexões sobre a história e cultura dos africanos, ouseja, de alguns momentos específicos da história daquele continente. E nesse sentido, a Profa. Larissa estabelece uma sequência didáticacom o intuito de agregar aos seus alunos uma mudança no olhar sobre aspaisagens, sociedades, estruturas e culturas que compõem a diversidade docontinente africano. Num primeiro momento, ela apresentou os conteúdos temáticosrelacionados à evolução do homem, o povoamento dos continentes e àformação da África como o “berço da humanidade”. É exatamente nessecontexto que fica claro como a professora deu sentido a questionamentos que, 32    
  • 33. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  geralmente, são confusos aos alunos. Pode-se exemplificá-los: “para queestudar história?”; “como essas explicações sobre a origem do universo e dohomem chegam a nós?”; “como se faz uma investigação em História?”; “quemsão os profissionais responsáveis em pesquisar e escrever a História?”. Paraisso, ela seleciona textos(alguns presentes no próprio livro didático e outros dehistoriadores e arqueólogos que se debruçam a pesquisar esse período) eimagens para potencializarem a leitura da turma sobre o contexto estudado. Num segundo momento, ela exibiu a animação “Kirikou 2 – os animaisselvagens” (2005), uma produção conjunta da França com Senegal, quepropõe contar a partir de lendas africanas, histórias das diversas sociedadesda África Ocidental. Esse recurso contribuiu para que a professora instigasseos alunos a desconstruir mitos e estereótipos até então bastante presentesentre eles, principalmente na crença de uma “uniformidade” social, econômica,política e cultural daquele continente (esse processo auxilia no propósito daprofessora em encontrar as “múltiplas áfricas” no final do projeto). Ela cria umroteiro de observação e cada aluno faz anotações, a partir das impressões quetiveram ao longo da exibição da animação. Sempre que sente necessidade, aprofessora interrompe a apresentação e conversa com os alunos sobrealgumas situações e cenas previamente escolhidas para análise (ela concedeesses mesmos espaços de conversa quando os alunos colocam algumquestionamento). Essa metodologia de análise fílmica nas aulas de Históriareflete um procedimento bastante pertinente por parte da professora ao trazeresse material para colaborar na aprendizagem da turma. O roteiro criado poreles será um aporte para que em outro momento possam realizar umaatividade escrita específica sobre o filme e que deveria ser entregue àprofessora. Num terceiro momento, ela avaliou a produção sobre a animação eteceu comentários na devolutiva individual, bem como disponibilizou umespaço para discutir novos questionamentos e reflexões surgidas sobre oconteúdo ao longo da realização da atividade. Num quarto momento, o cenário de estudo avançou no tempo e secolocou na contemporaneidade, levando os alunos a conhecerem aorganização sócio-política, econômica, geográfica e cultural do continenteafricano. Eles foram divididos em duplas e receberam fichas para pesquisareminformações sobre os países. Essas informações contemplavam osconhecimentos sobre a organização política atual, as produções econômicas,as relações sociais e as principais representações culturais desses territóriosque deveriam ser aprendidos por eles. Essa etapa foi acompanhada pela 33    
  • 34. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  professora que auxiliou as duplas na organização das informações e nasfontes de pesquisas que deveriam consultar. Num último momento, os alunos apresentaram a pesquisa para todos,compartilhando sempre as similitudes e contrastes de cada país naconfiguração atual do continente africano. Também foi nesse instante quealguns alunos expuseram as informações estereotipadas e confusas quetinham sobre a África e como passaram a enxergar o continente a partir dosestudos. Esse material escrito produzido por eles foi apresentado na escolaem forma de murais.3) Projeto A Peste Negra e outras histórias: as epidemias como vetores detransformações sociais – Prof. Ailton Luiz Camargo.Escola Municipal Prof. Zilma Thibes Mello. 7º ano – EF II. Iperó-SP. Para motivar os alunos a perceber a situação da saúde públicae as epidemias que tomavam conta do espaço urbano local, o Prof.Ailton Luiz Camargo propôs apresentar para seus discentes uma investigaçãohistórica sobre algumas doenças que assolaram a humanidade. Dessa forma,ele justifica historicamente a necessidade de estudar o contexto da saúdepública na localidade e no mundo, a partir das transformações sociais eculturais ao longo do tempo. Como ponto de partida para essa análise, o Prof.Ailton aproveitou o conteúdo programático da Baixa Idade Média, do 7º ano,do Ensino Fundamental II, para promover essa discussão. A primeira etapa consistiu na realização de uma sondagem paraverificar o entendimento que seus alunos possuíam, acerca da questão dasaúde pública e das epidemias na atualidade. O Prof. Ailton instigou a turma afalar e a responder sobre o que sabiam e entendiam da temática. Nessemomento foi possível constatar a pouca compreensão sobre o que era saúdepública, epidemias e o próprio espaço vivido. Ao redigir algunsquestionamentos solicitados pelo professor foi clara a percepção que osalunos tinham pouco entendimento sobre saúde pública e suas implicações noespaço urbano. O processo diagnóstico adotado pelo professor permitiuampliar a sua análise sobre a proposta de estudo que seria desenvolvida coma turma e ratificar as etapas que viriam a ser aplicadas no projeto. Na segunda etapa, o professor continuou a contextualização sobre aBaixa Idade Média, sob a perspectiva das epidemias da época, conhecidascomo “peste negra”, mais especificamente a hanseníase e a peste bubônica.Após essa temática, os alunos foram levados a conhecer a Gripe Espanhola, 34    
  • 35. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  epidemia que assombrou o mundo entre os anos de 1918-1919. Eleselecionou trechos de documentos escritos de época e imagens comorecursos para potencializar o estudo com os alunos e ajudá-los noentendimento da produção da pesquisa histórica. Em seguida, o professorretomou a questão das epidemias atuais, como a gripe H1N1 e a dengue,promovendo nesse momento uma interlocução com as epidemias históricasestudadas anteriormente e as transformações sociais e culturais ocorridas aolongo desses períodos. O professor solicitou então uma produção textual,procurando entender como os alunos compreenderam a intervenção dessasepidemias na história dessas sociedades. Na terceira etapa, os alunos demonstraram parte da aprendizagem apartir de um seminário, apresentando em grupos uma síntese sobre essasepidemias, seus vetores e o período histórico em questão. Nesse momento, oprofessor interviu procurando ajudar seus alunos na visualização do espaçovivido e do papel de transformação social que eles poderiam promover nacomunidade, na tentativa de reivindicar melhores condições de saúde nobairro. Na quarta etapa, os alunos receberam a visita de uma agente de saúde,que corroborou para informá-los sobre a situação da saúde pública local e ostrabalhos realizados para prevenir e combater a proliferação da dengue nacidade. Os alunos puderam dialogar sobre o conteúdo estudado e compartilharcom a agente de saúde e o professor sobre as ações individuais e coletivasque devem ser tomadas por todos. Na última etapa, os alunos criaram panfletos informativos e saíram àsruas do bairro, conversando e informando os moradores sobre o conteúdoestudado em sala de aula e as epidemias atuais, suas profilaxias econsequências de contágio. Essa etapa proporcionou aos alunos aimportância dos estudos da História para a compreensão da realidadepresente e a conscientização de agentes sociais que devem assumir noespaço vivido como em toda a sociedade.4) Projeto Reconhecendo nossas raízes – Prof. Renata Merlin Reis Corrêa.Fundação Bradesco. 7º ano EF II. Manaus-AM. A Prof. Renata Merlin Reis Corrêa desenvolveu o projeto“Reconhecendo nossas raízes” com os alunos do 7º ano, procurando abordaros conteúdos referentes a História e Cultura Indígena, mas especificamente,tendo como ponto de partida, o processo de colonização do Brasil e o 35    
  • 36. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  encontro entre as culturas do colonizador e dos nativos. Ao promover o ensinode História a partir de eixos temáticos, a professora procurou retomar aspectosligados à cultura indígena e sua contribuição na formação da sociedadebrasileira, bem como introduzir seus alunos numa discussão sobre direito àposse e a propriedade de terras por parte desses agentes. Na verdade, oobjetivo principal da professora era que seus alunos reconhecessem aparticipação da identidade indígena em suas próprias formações culturais. O trabalho da Prof. Renata faz parte de uma amostragem pertinentepara ser desenvolvido na área de ensino de História, principalmente porqueele vem a responder aos anseios de um conteúdo pouco explorado pelosdemais professores, mesmo diante das preposições da lei 11.645, de 2008,que está em vigor e que altera a lei 9.394, de 1996, modificada pela lei 10.639,de 2003, estabelecendo as diretrizes e base para incluir nos currículos oficiaisde ensino a obrigatoriedade da “História e Cultura Afro-brasileira e Indígena”. Na primeira etapa, a professora apresentou todo o contexto históricodesde a ocupação de terras e de colonização dos povos indígenas no Brasil.Os alunos leram, estudaram e discutiram textos sobre esse assunto presentesno próprio livro didático. Em seguida, os alunos assistiram ao episódio“Pitanga” do programa “Um pé de que”, de 2008. A proposta era estudar ospovos ameríndios que viveram no litoral brasileiro e que foram expulsos noprocesso de ocupação colonial. Ao final do vídeo, os alunos foram levados auma discussão sobre o conteúdo apresentado e a afirmarem suas impressõessobre a questão. Em seguida, eles tiveram contato com o site da Organizaçãoda Sociedade Civil de Interesse Público, “Socioambiental”, em que procuraramestudar um quadro bastante interessante sobre os diversos povos indígenasdo Brasil, disponibilizado pela instituição. Eles puderam conhecer e estudar adiversidade cultural, linguística e social dessas comunidades e como elas seencontram na atualidade. Logo após, a professora instigou-os a analisaremum quadro comparativo entre o número de nativos que habitavam o territóriono período pré-cabralino até os dias atuais. Na segunda etapa, ela os auxiliou a refletirem se havia alguma lei deproteção ao indígena e, em seguida, apresentou o Estatuto do Índio (Lei6001/73). Os alunos leram e discutiram a proposta de lei e a professoraintroduziu a questão da demarcação de terras indígenas no país hoje. Algunstextos a respeito desse assunto foram estudados a partir do próprio livrodidático e os alunos foram levados a um momento de discussão da temática.Em seguida, eles produziram um texto apresentando argumentações sobre a 36    
  • 37. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  importância da demarcação desses territórios. Na terceira etapa, os alunos leram seus textos e a professora conduziuessa apresentação para valorizar as argumentações de cada aluno e quecontribuíssem para a conscientização da valorização dessas demarcações deterra, pensando a preservação da cultura indígena. Novos registros foramproduzidos no caderno a respeito desse debate. Em seguida, eles estudarama segunda parte do episódio “Pitanga”, do programa “Um pé de que” esocializaram as informações e o aprendizado através da constatação quemuitos elementos dessa cultura indígena, na verdade, fazem parte de umcontexto da própria cultura brasileira e que estavam presentes no cotidiano devida deles. Na quarta etapa, os alunos foram conduzidos à sala de informática parapesquisarem mais informações sobre o assunto e novamente eles sedebruçaram com o site da instituição “Socioambiental” e a professora ressaltoua importância das fontes de pesquisa quando se promove uma investigaçãono espaço virtual. Isso demonstra uma preocupação no processometodológico da pesquisa e é significativo esse tipo de cuidado por parte dosprofessores. Eles obtiveram mais informações e puderam aprender sobre oselementos indígenas na cultura brasileira através de um game disponibilizadono próprio site. Na última etapa, os alunos foram estudar a presença da linguagemindígena no repertório das palavras que estavam inseridas no cotidiano devida das pessoas da região e a professora solicitou que criassem umdicionário a partir dessa constatação, com palavras iniciadas pela primeiraletra do nome deles. Os alunos socializam essas informações. Para encerrar, gostaríamos de concluir que apesar da diminuição donúmero de projetos, tivemos a grata surpresa de nos depararmos compropostas bastante significativas para o ensino de História. Por mais que aamostragem de projetos é infinitamente menor diante do total de professoresde História em todo o país, pudemos conferir que boas experiências de práticaspedagógicas na área estão sendo realizadas em todas as regiões brasileiras.Isso nos enche de orgulho e satisfação, já que mesmo diante do cenáriodesafiador da educação hoje, muitos professores, ao romperem com o discurso 37    
  • 38. Panorama de História 2011 – Prêmio Educador Nota 10  “do não é possível”, trazem à tona propostas didáticas eficientes para aaprendizagem dos alunos. Contudo, a nossa preocupação ainda reside no cuidado metodológicoque o professor deve tomar na avaliação do conhecimento a partir da produçãodos alunos. No material recebido, percebemos que é preciso ensinar aosalunos os métodos de estudo (leitura, interpretação, análise, crítica e escritadesse conhecimento). O professor de História não pode perder de vista queavaliar e intervir, apontando qualidades e problemas nas produções escritasdos educandos, é um processo importantíssimo para balizar os níves deaprendizagem. Os meios percorridos pelos alunos para pesquisarem assuntosde História também precisam ser mais acompanhados pelos professores.Orientá-los para pesquisa em fontes bibliográficas é também fundamental. Sejalivros, revistas, sites, blogs, ou quaisquer outros meios de informação, osalunos precisam é ser instrumentalizados a buscarem boas referências. Assim, vamos encarar essa conclusão, como um novo ponto de partida! 38    

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