• Share
  • Email
  • Embed
  • Like
  • Save
  • Private Content
Panorama de Língua Estrangeira - Prêmio Victor Civita 2011
 

Panorama de Língua Estrangeira - Prêmio Victor Civita 2011

on

  • 1,113 views

Relatório da selecionadora Sandra Baumel Durazzo sobre os trabalhos da área de Língua Estrangeira enviados ao Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 de 2011.

Relatório da selecionadora Sandra Baumel Durazzo sobre os trabalhos da área de Língua Estrangeira enviados ao Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 de 2011.

Statistics

Views

Total Views
1,113
Views on SlideShare
1,113
Embed Views
0

Actions

Likes
0
Downloads
7
Comments
0

0 Embeds 0

No embeds

Accessibility

Categories

Upload Details

Uploaded via as Adobe PDF

Usage Rights

© All Rights Reserved

Report content

Flagged as inappropriate Flag as inappropriate
Flag as inappropriate

Select your reason for flagging this presentation as inappropriate.

Cancel
  • Full Name Full Name Comment goes here.
    Are you sure you want to
    Your message goes here
    Processing…
Post Comment
Edit your comment

    Panorama de Língua Estrangeira - Prêmio Victor Civita 2011 Panorama de Língua Estrangeira - Prêmio Victor Civita 2011 Document Transcript

    • Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 2011 LÍNGUA ESTRANGEIRA Relatório analítico do processo de seleção de trabalhos Selecionadora: Sandra Baumel DurazzoPor definição, todos os aprendizes de línguas estrangeiras,independente da idade em que começam, já conhecem ao menosuma língua1. Esse conhecimento é uma vantagem, pois os aprendizesjá têm uma ideia do funcionamento das linguagens. Por outro lado, oconhecimento sobre a outra língua pode levar o aprendiz a elaborarhipóteses incorretas sobre a língua estrangeira levando-o a cometererros que não cometeria se estivesse aprendendo a primeira língua.Essas considerações são importantes quando se pensa no processode aprendizagem das línguas estrangeiras. Tanto na escolha damelhor idade para iniciar o aprendizado, quanto na definição deaspectos da metodologia como o tratamento do erro e as interaçõespromovidas.Aqueles que defendem o início do aprendizado desde a educaçãoinfantil evocam a hipótese do período crítico, segundo a qual, duranteos primeiros anos de vida, o cérebro humano está predisposto aadquirir línguas, sendo capaz de registrar diferentes sons. Assim,começar a aprender línguas estrangeiras quando criança garantiriauma pronúncia similar à de um nativo. Além disso, as crianças têmmenor senso crítico sobre sua performance o que lhes permitearriscar mais e, consequentemente, aprender mais. Finalmente, atolerância dos professores com os períodos de silêncio e o tempo paraprodução de língua diminui na medida em que os aprendizes ficammais velhos, garantindo aos pequenos melhores oportunidades paraaprender.1 Lightbown, Patsy & Spada, Nina, How Languages are Learned, Oxford, 2006 - p.30
    • Por outro lado, adquirir uma pronúncia similar à de um nativo não énecessariamente o objetivo principal quando se fala de línguasestrangeiras. Muitos nativos, ainda que pronunciem perfeitamentedeterminados fonemas, não são necessariamente falantescompetentes daquele idioma. Além disso, os aprendizes mais velhostêm também maior maturidade cognitiva e consciênciametalínguística, o que lhes permite refletir e buscar soluções deproblemas sobre o funcionamento da nova língua. Esses fatores oslevariam a uma aquisição mais rápida e elaborada do que a de umacriança.Quando se pensa no propósito dos cursos de línguas, a meta éadquirir competência linguística. Colin Baker 2, citando diversosestudos, apresenta uma definição interessante descrita no esquemaabaixo que descreve os componentes dessa competência:Competência linguística: 1. Competência Organizacional a) Gramatical - conhecimentos sobre sintaxe, morfologia, vocabulário, ortografia e fonologia – é a competência de saber colocar as palavras corretamente na frase (forte ou fortemente? Devo usar um adjetivo ou advérbio?) b) Textual – conhecimento das convenções para juntar palavras e expressões para formar um texto, que é uma unidade de linguagem composta de duas ou mais sentenças. 2. Competência Pragmática a) Elocucional - esta é formada por quatro funções da linguagem: ideacional (a forma como criamos significado a partir de experiências); manipulativa (usar a linguagem para alcançar objetivos); heurística (o uso da linguagem para descobrir novas coisas sobre o mundo e solucionar problemas); e imaginativa (usar a linguagem para além do aqui e agora, por exemplo, para humor ou fantasia). b) Sociolinguística- sensibilidade ao contexto na qual a linguagem é usada, garantindo que será adequada às pessoas naquela situação. Também se refere ao uso de2 Baker, Colin, Foundations of Bilingual Education and Bilingualism, Multilingual Matters, Bristol,2006 - p. 15
    • variantes culturais de acordo com a situação (por exemplo, expressões regionais). Finalmente, a competência sociolinguística se refere à habilidade de interpretar referências culturais e figuras de linguagem.Chega-se então à mesma conclusão apontada no relatório de 2010:as decisões sobre o currículo de línguas estrangeiras na escola devemconsiderar as características dos aprendizes e, ao mesmo tempo,focar nos objetivos de aprendizagem. Que grau de proficiência sequer dos alunos? Quanto tempo eles terão para aprender, pensandoem anos de exposição e frequência nas aulas?Algumas soluções interessantes foram propostas por professores queenviaram seus trabalhos para o Prêmio 2011 como iniciar oaprendizado nas séries iniciais do ensino fundamental, articular oaprendizado de LE com outros conhecimentos do currículo e buscarinterlocutores reais.Outro aspecto relevante para o aprendizado promovido é a qualidadedo material usado pelos professores e alunos. A internet oferece umagama de materiais autênticos que podem ser facilmente consultadose até levados para a sala de aula. Além disso, os materiais jáexistentes na escola usados em outras áreas podem enriquecer oscursos de línguas estrangeiras. Por exemplo, para crianças pequenas,o professor pode contar as histórias dos livros infantis da própriaescola, mas no idioma alvo. Os jornais internacionais têm sempreuma versão digital dos quais se pode extrair textos diversos, desdetirinhas humorísticas até editoriais ou artigos de opinião.Algumas editoras também oferecem muitos materiais para uso dosprofessores em seus sites. As atividades propostas podem serutilizadas independentemente ou apoiadas por publicaçõesinteressantes como livros paradidáticos. 1) Quadro geral dos trabalhos encaminhados:Foram lidos 64 trabalhos, uma pequena redução em comparação comos 76 de 2010, vindos de todas as regiões do Brasil, comconcentração maior da região Sudeste.
    • A maioria dos professores participantes do Prêmio é de escolaspúblicas (83%) e foram poucos os trabalhos vindos de escolas rurais(5%).A maior parte dos trabalhos enviados tinha inglês como línguaestrangeira trabalhada. Foi interessante receber dois trabalhos decomunidades indígenas que tinham o trabalho com o dialeto local e alíngua portuguesa paralelamente. 2) Análise dos trabalhos lidosA grande maioria dos professores relata que seus alunos não gostamdas aulas de língua estrangeira e mudar essa visão é o que motiva osprojetos. No entanto é preciso cuidado, pois a busca do prazer dosalunos acaba prevalecendo a tal ponto que justifica inclusive a nãoaquisição de proficiência na língua estrangeira. Esse ponto foidestacado no relatório de 2010 e continua presente nos trabalhosenviados em 2011: poucos professores mencionam o avanço no graude proficiência de seus alunos, relatando somente o envolvimento e aparticipação nas atividades propostas. Claro que se o objetivo erafazer com que os alunos gostassem das aulas, a alegria em participardas atividades é um indicativo de sucesso. Mas não indica aquisiçãodo idioma, propósito primeiro das aulas de línguas estrangeiras.Outro cuidado importante é com a definição dos temas de projetos.Os professores propõem temas de “interesse” para os trabalhos delínguas. Muitas vezes esse interesse é levantado com os própriosalunos e outras vezes é o interesse pessoal do professor queprevalece. Claro que o vínculo com a temática é benéfica para otrabalho, tanto o vínculo dos alunos, como do professor, mas épreciso pesar essas escolhas para não impor valores que não sealinhem com os valores da escola e comunidade. Por exemplo, o queé considerado alimento saudável, a noção de cidadania ou deocupação ideal de espaços públicos pode variar bastante.
    • Também vale o alerta quando as propostas se alinham com gosto ouaptidão pessoal do professor. Neste ano foram enviados diversosprojetos envolvendo o uso de música. Os professores, claramenteapaixonados por música, propuseram saraus, prêmios simulando umGrammy e festivais. Diversos deles se envolveram tanto com atemática que descreviam seus objetivos como: “desenvolver o gostopela música”, “trabalhar a voz”, “discriminar eventos sonoros eproduções musicais”. Ainda que pessoalmente eu considereextremamente valiosa a formação musical, essa não é tarefa para osprofissionais de língua. A música é uma aliada importante para odesenvolvimento de habilidades orais como a fluência e pronúncia,por isso é interessante usá-la em aulas de línguas estrangeiras, maslembrando de estabelecer objetivos relacionados à aquisição deproficiência, como: expressar-se oralmente usando a pronúnciacorreta de determinados fonemas e desenvolver fluência na produçãooral ao seguir o ritmo da música. As músicas também podem serboas fontes para ampliação de vocabulário, para trabalhar gramáticaou até mesmo para abordar aspectos culturais presentes emexpressões idiomáticas de determinadas canções.Outro aspecto que chama a atenção é a grande quantidade detrabalhos que usam tecnologia. Os professores já se apropriaram demuitas ferramentas da internet como sites interativos, trocas por e-mail e uso de vídeos e textos extraídos de sites como YouTube ou derevistas eletrônicas. Isso é excelente já que amplia a diversidade devariantes do idioma presente na sala de aula. Outra grande vantagemdo uso da internet em particular é a possibilidade de encontrarinterlocutores reais para as produções em LE dos nossos alunos.Como sugestão eu diria para explorarem mais os sites educacionaisdisponíveis. Há diversos jogos online ativando desde o uso devocabulário e gramática até habilidades de compreensão e produçãooral. Por serem interativos, potencializam a reflexão sobre a línguauma vez que o aluno tem uma resposta imediata e precisa buscarformas corretas para dar continuidade à atividade. Algumassugestões para inglês são: www.eslkidsstuff.com; iteslj.org ewww.eslgamesworld.com. Mas certamente é fácil encontrar essesjogos em outros idiomas.Como já comentei em 2010, em se tratando de situações decomunicação, é difícil não propor sequências que finalizem comprodutos concretos como apresentações orais para a comunidade,escrita de receitas, cartas e outros textos, elaboração de blogs etc.
    • No entanto, estes são apenas fechamentos do processo deaprendizagem. O objetivo do aluno será mesmo realizar a tarefafocando na culminância, mas o objetivo do professor deve ser sempreque eles aprendam algo, que avancem na sua competêncialinguística. Os objetivos do professor, que serão objeto da avaliação,são os usos de língua requeridos em cada situação comunicativa. Porexemplo, na produção de um blog, os saberes envolvidos (eavaliados) podem ser: expressar ações rotineiras usando o presentedo indicativo; formular e responder perguntas pessoais usandopronomes interrogativos; e assim por diante.Um aspecto interessante deste ano foi a constatação, por parte dealguns professores, do que causa o desinteresse dos alunos oufragilidade dos cursos de línguas estrangeiras. Eles reconhecem quesua própria falta de especialização e de estratégias de ensinodiversificadas são (também) a causa da rejeição dos alunos. Essaanálise corajosa tem fundamento, pois todo aprendiz se interessaquando se sente desafiado, aprendendo. Os professores devemsempre buscar se autocapacitar. E isso não necessariamente implicaem estender sua graduação, ainda que seja extremamenterecomendável. Pode-se investir no aprimoramento de sua própriaproficiência fazendo cursos presenciais ou a distância, usando oidioma em situações cotidianas como leituras de lazer, viagens outrocas com outros falantes via internet. Também é extremamenterecomendável ficar antenado para a produção de materiais didáticose paradidáticos que possam apoiar o trabalho na sala de aula ediversificar suas estratégias. 3) Critérios para seleçãoOs trabalhos foram lidos e analisados em relação ao aprendizado dalíngua estrangeira descrita. Numa primeira leitura, o critério deseleção focou na descrição dos objetivos de aprendizagem referentesao desenvolvimento da proficiência dos alunos.Em seguida, foi feita uma segunda leitura, acompanhada, em algunscasos, de telefonemas aos professores para que esclarecessemdúvidas. Desta vez o critério para seleção era a consistência entre osobjetivos propostos, o desenvolvimento das atividades e a avaliaçãodo aprendizado. O trabalho deveria demonstrar a segurança do
    • professor para justificar as escolhas feitas, tanto na definição dosobjetivos quanto no desenho da sequência.Entre os critérios que levaram a não seleção dos trabalhos estão:  O projeto não é de língua estrangeira. Esta é utilizada apenas em tradução de partes de textos, mas não há trabalho que promova aprendizado de idioma;  O professor não descreve a metodologia utilizada, apenas descreve etapas com títulos ou nomes das unidades do material didático;  Falta clareza na definição dos objetivos de aprendizagem – inclusão de atividades como objetivo ou de definições do currículo geral da escola, mas que não se referem ao trabalho realizado nem ao aprendizado da língua estrangeira;  A avaliação do aprendizado não remete aos objetivos e conteúdos ou o professor não descreve a avaliação do aprendizado restringindo-se a comentar a aceitação do produto final;  O foco do professor é na sua própria necessidade ou afinidade em detrimento do aprendizado dos alunos;  A temática escolhida é inadequada porque valoriza aspectos que se opõe à visão de educação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (como o papel das línguas estrangeiras para os brasileiros e a não existência de culturas superiores, mas diferentes);  Há excesso de controle da produção dos alunos por parte do professor;  O professor não domina a língua estrangeira;  Há confusão entre práticas de escrita, leitura e oralidade. Por exemplo, coloca-se os alunos para escrever como forma de praticar e desenvolver a oralidade;  Utilização de práticas equivocadas na avaliação – por exemplo, utilização de atividade de escrita para avaliar leitura ou oralidade. 4) Os projetos indicadosTrês trabalhos de línguas estrangeiras foram classificados entre os 50melhores.
    • a. Profa. Cristiane da Silva Dias - Soltando a língua com um visitante estrangeiro Trabalho de inglês, realizado na cidade de Oswaldo Cruz, SP A professora Cristiane esteve no Japão em um programa deformação para professores. Nessa viagem, além de contato commuitos professores, ela se encantou com o fato de crianças pequenasfalarem inglês, ainda que apenas algumas palavras. Colocou-se entãoessa tarefa: promover aprendizado aos seus alunos do fundamental1, onde a língua estrangeira não é obrigatória. Assim, o trabalho tratade promover para as crianças menores o contato com o idiomaestrangeiro em uma situação de comunicação real. Ela fecha asequência (e a nomeia) com a visita de um italiano, ou seja, umestrangeiro, conversando com as crianças em inglês. O primeiro grande mérito da professora Cristiane foi conquistar umespaço para o aprendizado de inglês em uma escola onde isso nãoexistia. A própria coordenadora relata que o grande ganho dotrabalho foi despertar nos alunos o interesse por aprender inglês. Noentanto, a professora iniciou recentemente na função de professorade inglês e ainda não é fluente, sendo este o maior problema. Com ointuito de supri-lo, Cristiane se preocupou em trazer outras fontes delíngua para que seus alunos pudessem entrar em contato. A sequência atingiu os objetivos a que se propôs. Citando aprópria professora: conscientizar e motivar os alunos para aimportância de aprender a língua inglesa; ser capaz de ler, escrever efalar o nome de algumas cores, animais, numerais, alimentos epartes do corpo. Além de todos estes, destaco a consciência doalcance do aprendizado de LE e inglês, em particular, pelos alunos,além da interação com um estrangeiro “de verdade”, o que deu a elesuma noção desse conceito que não tinham. A professora faz opções sempre reguladas por seus objetivos.Quando trabalha oralidade, utiliza fontes orais e coloca os alunos parafalar. Quando trabalha escrita, oferece modelos para comparar ecoloca os alunos para escrever. Os materiais selecionados sãoextremamente adequados: histórias do repertório conhecido dosalunos, CDs e vídeos com outros falantes para que tivessem input dequalidade (já que a fala da professora é deficitária nesse aspecto).Vale comentar também a inserção do trabalho com a escritaortográfica em inglês – a professora considera o “erro” dos alunoscomo indicador de que já estavam elaborando hipóteses utilizandoseus conhecimentos sobre a grafia das palavras em língua materna.
    • Ainda assim, consciente de que não poderiam estacionar nessahipótese, ela elaborou atividades que os levaram a aprender aortografia correta do inglês. Finalmente destaco a reflexão da professora sobre sua prática. Elaestá o tempo todo pensando nas razões de suas escolhas. Cito algunsexemplos: escolher uma história infantil que eles já conheciam emportuguês; contextualizar o novo vocabulário apresentado e atenderos alunos menos expansivos individualmente para que ganhassemconfiança de se expressar em público e outros. Como ponto do trabalho a aprimorar está a interação. Ainda que ainteração com os materiais tenha sido interessante, nas entrevistasgravadas pudemos notar que os alunos não se escutavam, repetindoas mesmas perguntas ao entrevistado (que foi gentil ao aceitá-las erespondê-las novamente com paciência!). Uma sugestão seria inseriratividades que desenvolvam a compreensão oral, como trocas oraisentre os próprios alunos que podem ser em jogos ou atividadesdirigidas.Comentários da educadora Daniela Alonso sobre a adequaçãopara um aluno com deficiência física: O trabalho foi desenvolvido numa turma de 4º ano com 23 alunos,da qual pertence um aluno com deficiência física - cadeirante(Paralisia Cerebral), que apresenta dificuldade na coordenaçãomotora de membros superiores. Segundo o relato da professora, oaluno participou de todas as etapas do trabalho, de acordo com asequência didática planejada. O aluno demonstrou interesse efacilidade na expressão oral. Para garantir sua participação efetivanas atividades de escrita, a professora utilizou estratégias deadequação ou flexibilização já usadas pelos professores de classe(duplas para produção colaborativa, colega ou professora comoescriba para registro de ideias etc.). É relevante o fato que aprofessora valorizou a facilidade oral com a língua estrangeira epromoveu eliminação de barreiras na participação do aluno nasatividades. Ela reconhece o desenvolvimento oral do aluno (avaliacomo melhor desempenho no grupo e sabe que o aluno ganhou bolsade estudo em Curso Livre de LE - Inglês). Como sugestão à professora: oferecer adequações e alternativaspara a participação mais autônoma do aluno. Buscar parceria com aSala de Informática ou com o Atendimento Educacional Especializado
    • para o uso de recursos tecnológicos. Valorizar a competência oral doaluno como colaboração no trabalho coletivo. b. Profa. Claudia Regina Bonotto – Let’s Go! Contar, divulgar e convidar Trabalho de inglês, realizado na cidade de Palmas, PR Esse trabalho é uma proposta de ensino dos números em línguainglesa, tanto ordinais quanto cardinais, em contextos comunicativos:informações sobre eventos (preço, data, horário etc.). Dois aspectosdesse trabalho valem ser ressaltados: (a) ela sempre inicia asequência com uma avaliação diagnóstica muito bem elaborada econduzida. Nesse projeto, ela inicia com uma avaliação escrita e outraoral. E (b) o foco é claro e eficaz: Claudia se propõe a trabalhar comconteúdos de língua que percebe que seus alunos não sabem. Todasas propostas se articulam no sentido de fazê-los adquirir osconteúdos escolhidos, nesse caso, aprender a falar, escrever e usaradequadamente os números. Como estes são usados em datas,horários e preços, ela propôs situações comunicativas que envolvemesses dados. A comparação das produções iniciais e finais dos mesmos alunosdemonstra o sucesso da proposta, tanto do ponto de vista da escritaquanto da oralidade. No entanto, nessa fase da escolaridade osalunos já sabem coisas sobre a língua e poderiam facilmente darconta de objetivos mais amplos. Por exemplo, poderiam trabalharprocedimentos de escrita como a revisão e o uso do dicionário;vocabulário usado para descrição de lugares e pessoas; uso deverbos modais; e até pensar na produção oral mais formal já que elacontava com interlocutores reais. Outra qualidade desse trabalho é que a professora acompanha aprodução dos alunos de perto e oferece atividades extras àqueles quedemonstram não ter chegado onde ela queria ao longo da sequência.As atividades extras são boas e realmente promovem avanço, poisreproduzem o processo de aquisição do conteúdo, oferecem modelose garantem oportunidades de prática. O projeto prevê diversas atividades de interação: entre alunos,dos alunos com a professora, dos alunos com materiais diversoscomo flyers autênticos e jogos e dos alunos com a comunidade daescola na divulgação do evento de arte.
    • Como sugestões para aprimorar o trabalho, além da inclusão deoutros conteúdos como mencionado acima, aponto o uso de inglês eportuguês com os alunos. É comum que os aprendizes jovensqueiram utilizar a língua materna, mas é necessário que o professorgaranta o uso somente da língua alvo. Se assim o fizer, com o tempoos alunos passarão a construir significados e entender. Por outro lado,se a professora traduz suas falas imediatamente após a produção, osalunos rapidamente entenderão que não precisam ativarconhecimentos para entender LE uma vez que logo em seguida virá atradução. c. Professora Fernanda Cristina Puça França – Radioatividade em uma visão interdisciplinar Trabalho de francês, realizado na cidade de Recife, PE Esta é uma proposta interdisciplinar de francês e química paratrabalhar a biografia e as descobertas de Marie Curie, francesa queganhou o Prêmio Nobel por seu trabalho na área da radioatividade.Chama a atenção o fato de haver um trabalho realmentecomplementar entre as áreas. Na área de língua estrangeira, osalunos lidam com fontes autênticas na língua alvo e produzemexclusivamente em francês. Nos trabalhos enviados pode-se notar oprotagonismo dos alunos na produção dos textos e a apropriação dotema tratado: a vida da pesquisadora e o conteúdo dos seus estudos. Na descrição das etapas, a professora mostra que trabalhoubastante com a escrita, fato que ficou evidente também nasproduções que enviou. Destaco que todo o processo de estudo sobreesse conteúdo foi feito em francês, o que sem dúvida promove odesenvolvimento da fluência dos alunos. Ao analisar o processo e as produções, percebe-se que os alunostêm bastante familiaridade com o idioma estrangeiro, inclusiveusando-o em situações formais e informais. No entanto, não hánenhuma referência ao currículo nem aos conteúdos de língua aosquais eles foram expostos antes desse trabalho. Nesse caso, o foco no tema se justifica por ser um projetointerdisciplinar, no qual o tema foi o gerador do projeto. Ainda assim,a professora trabalha com procedimentos interessantes como arevisão da escrita. Analisando as intervenções feitas pela professorano texto dos alunos para a reescrita, pude notar duas açõesdiferentes. Em um dos textos as intervenções eram somente do
    • ponto de vista da gramática e ortografia. Nesse caso, a segundaversão do texto foi apenas uma cópia do primeiro corrigindo osaspectos apontados pela professora. Já no segundo exemplo enviado,algumas intervenções levaram os autores a refletir sobre o quequeriam expressar e escolher outras formas mais adequadas deconstruir as frases além de corrigir ortografia e gramática. A segundaforma é bastante adequada, pois coloca o aluno para refletir sobre ofazer do escritor e não apenas corrigir erros. Outra estratégia positiva desse trabalho é a valorização dainteração entre os alunos. Eles trabalharam em pequenos grupos otempo todo e as orientações os levaram a negociar significado naleitura dos textos-fonte e escrever o texto biográfico em conjunto. Para avançar, diria da necessidade de definição clara dos objetivosde aprendizagem relativos à aquisição da língua francesa. Estes, alémde orientar ações como a revisão dos textos dos alunos, tambémorientariam os instrumentos de avaliação. Por sua vez, estesdeveriam deixar claro o avanço na proficiência do idioma. Valorizo o fato da professora usar a língua-alvo o tempo todo,estratégia essencial para promover avanço na proficiência de seusalunos. Finalizo comentando que os trabalhos interdisciplinares queenvolvem língua estrangeira costumam usar esse idioma somentepara títulos ou alguma tradução. Nesse caso, todo o estudo sobre avida da protagonista foi realmente feito em francês, usando fontesautênticas no idioma, um excelente exemplo a seguir.