Your SlideShare is downloading. ×
Prêmio Victor Civita Educador Nota 10                                     2011                              EDUCAÇÃO FÍSIC...
rede de profissionais que acreditam ser possível fazer educação de qualidade,comprometida com a APRENDIZAGEM dos alunos.  ...
organização nas diferentes etapas de execução do projeto. É o momento  de julgar se existe uma coerência interna entre as ...
conteúdos a serem estudados. Quando o assunto é ensinar com  qualidade, um bom diagnóstico facilita para que as ações do p...
trabalho atende aos itens solicitados no regulamento, se está escrito deforma compreensível e coerente e se a experiência ...
Fase 4 – Análise das produções dos alunos e dos registros do professor       Em conjunto com a equipe de coordenação do Pr...
5. EIXO QUANTITATIVO     Neste eixo do relatório vamos atualizar os dados apresentados nasedições anteriores. A ideia é re...
Como já dissemos anteriormente, acreditamos ser importante para aárea que tenhamos professores e professoras atuando nas e...
FORMAÇÃO     70,00%                          65,50%                              61%                                      ...
SEGMENTOS     60,00%    56,25%       DE ATUAÇÃO DOS                             PROFESSORES                      52%     5...
integrada com os chamados “temas transversais”, mas é preciso ir com calmae ter clareza de onde se quer chegar. Vale lembr...
da linguagem corporal que esteja vinculada a aprendizagens relacionadas atemas mais amplos como cultura, lazer, comunidade...
NORTE                          NORDESTE            79              80                          CENTRO-OESTE              7...
GRÁFICO 9                                                98,80%               PERFIL DAS                                  ...
GRÁFICO 10                120                      103                100                 80                              ...
160                  142                 140                          117                 120                             ...
ENSINO MÉDIO / EJA                       6                          6   CURSO                                             ...
didática mais construtiva e reflexiva.Diagnóstico      Os professores estão mais atentos à necessidade de mapear oconhecim...
habilidades   relacionadas   com      o   pensamento   lógico       (situação-problema,hipótese, estratégia para solução e...
InclusãoEste foi um ano muito positivo para o tema da inclusão de alunos comnecessidades educacionais especiais nas aulas ...
impacto que a qualidade do ensino provoca na aprendizagem dos conteúdos daárea. É preciso clarificar com mais propriedade ...
no processo de reflexão e registro da prática. Este é o primeiro passo para queo professor possa aprimorar sua competência...
capacidade   de   trabalhar     e   conviver   em   grupos   estão   vinculados   aaprendizagens externas, que devem acont...
manifestações da cultura corporal de possível abordagem pela Educação FísicaEscolar no primeiro Ciclo do Ensino Fundamenta...
NEEs;  • Construção e adequação dos materiais e recursos para todos os alunos    (Lembrar NEEs);  • Capacidade de adequaçã...
preconceituosas para com as diferenças.Os conteúdos trabalhados foram organizados a partir do que a professoradenominou de...
As rodas de conversa pautadas pela construção coletiva, onde a professorapermitiu e incentivou a participação das crianças...
procedimental e atitudinal.O Projeto apresentou como objetivos mais amplos e gerais o desenvolvimento,por parte das crianç...
O encaminhamento dado nas diferentes etapas do trabalho foi bastantepertinente. Na leitura e avaliação do material enviado...
(conteúdo) pouco difundido e conhecido pelos professores de Educação Física,a Corrida de Orientação (Modalidade Esportiva ...
simbologias.O projeto ensinou que a Corrida de Orientação, enquanto uma manifestaçãoda cultura corporal, vai muito além de...
realização de uma corrida oficial. Foi uma etapa com atividades muito ricas,que realizadas em grupo, tiveram uma relação d...
Achamos interessante a clareza do professor em olhar para o conteúdo dotrabalho, no caso os jogos de tabuleiro, como um re...
diagnóstico o professor, com boas perguntas (Quais os jogos de tabuleiro quevocês conhecem? O que caracteriza um jogo de t...
Professora: Daiene Cruz MercadoTítulo do trabalho: Projeto Pulando CordasSegmento de ensino: Ensino Fundamental I (3ª e 4ª...
- Um número maior de crianças passou a participar das brincadeiras de cordanos momentos do recreio e intervalos;- Os menin...
corda utilizando músicas e cantigas populares. Achei interessante a ideia defechamento, principalmente porque solicitou a ...
alimentar uma rede que trabalha para melhorar o nível de qualidade daeducação oferecida nas nossas escolas. Professores qu...
Upcoming SlideShare
Loading in...5
×

Panorama de Educação Física - Prêmio Victor Civita 2011

1,891

Published on

Relatório do selecionador Fabio Luiz D'Angelo a respeito dos trabalhos da área de Educação Física que concorreram ao Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 de 2011.

Published in: Education
0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total Views
1,891
On Slideshare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
0
Actions
Shares
0
Downloads
22
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Transcript of "Panorama de Educação Física - Prêmio Victor Civita 2011"

  1. 1. Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 2011 EDUCAÇÃO FÍSICA Relatório analítico do processo de seleção de trabalhos Selecionador: Fabio Luiz D´AngeloRoteiro 1. Introdução 2. Objetivos 3. Descrição do processo seletivo – etapas e critérios utilizados 4. Representatividade da área 5. Eixo quantitativo – análise comparativa com os anos anteriores 6. Eixo qualitativo – reflexão sobre a prática pedagógica dos professores 7. Projetos indicados 8. Considerações finais 1. INTRODUÇÃO Participar como selecionador do Prêmio Educador Nota 10 pelo quartoano consecutivo é motivo de prazer e satisfação. Trata-se de uma ricaexperiência que permite conhecer de perto a qualidade da prática pedagógicarealizada pelos professores de educação física nas escolas deste país. Com aleitura dos trabalhos o selecionador tem acesso ao “cenário” atual da educaçãofísica escolar, suas conquistas e os desafios que temos pela frente. Apublicação deste documento configura-se como um canal de comunicaçãoentre o selecionador e os professores e contribui para o fortalecimento de uma
  2. 2. rede de profissionais que acreditam ser possível fazer educação de qualidade,comprometida com a APRENDIZAGEM dos alunos. 2. OBJETIVOS Este relatório tem como principal objetivo oferecer uma devolutiva aosparticipantes que inscreveram trabalhos na área de Educação Física, edição2011 do Prêmio Victor Civita. Temos aqui uma oportunidade privilegiada parapontuar as conquistas e os bons encaminhamentos realizados, assim como,mostrar possíveis caminhos de avanços para as futuras edições. No sentido deorganizar o relato e facilitar a leitura optamos, desde 2008, por definir umroteiro de trabalho que pudesse resgatar os dados apresentados nos relatóriosdos anos anteriores e, a partir daí, compará-los com os trabalhos apresentadosno corrente ano. Acreditamos que desta forma conseguimos estruturar uma“linha do tempo” que, além de avaliar os projetos enviados na edição 2011,oferece um panorama de como a área vem se desenvolvendo ao longo dosanos. 3. DESCRIÇÃO DO PROCESSO SELETIVO A seleção dos trabalhos é sempre realizada com base nos indicadores ecritérios definidos pelo regulamento do Prêmio. Em linhas gerais estesindicadores, voltados para as questões do ensino e da aprendizagem, visamgarantir que os projetos selecionados tenham qualidade em aspectos como aintencionalidade, a organização, a coerência didática e principalmente oimpacto na aprendizagem dos alunos. Existem critérios que chamamos de “gerais”, ou seja, servem paraqualquer área ou componente curricular. Estes critérios explicitam de formaclara e objetiva o que se espera de uma sequência didática comprometida coma aprendizagem. A leitura dos indicadores descritos abaixo pode ajudar noentendimento, por parte dos professores, daquilo que se espera de um “bom”trabalho. São sugeridas também algumas dicas que podem contribuir com osprofessores que pretendem inscrever projetos nas edições futuras do prêmio. ♦ Detalhamento das etapas de trabalho (justificativa, objetivos, conteúdos, metodologia e avaliação): Avaliamos a clareza, a objetividade e a
  3. 3. organização nas diferentes etapas de execução do projeto. É o momento de julgar se existe uma coerência interna entre as expectativas de aprendizagem, as intervenções realizadas (atividades e estratégias) e os resultados. Durante a leitura buscamos observar aspectos como: definição de objetivos factíveis, seleção de conteúdos que atendam às necessidades de aprendizagem dos alunos, detalhamento de cada etapa da sequência, apresentação de metodologia que de fato desenvolva os objetivos propostos, aproveitamento do tempo didático, referência à heterogeneidade da classe e observação da autoria do professor. DICA: Uma boa sequência didática deve ter começo, meio e fim. É fundamental registrar todas as etapas do trabalho e mostrar que existiu coerência entre aquilo que se desejava na etapa de planejamento (antecipação) e os resultados alcançados.♦ Foco na aprendizagem: Observamos se existem boas e reais referências sobre as conquistas e aprendizagens dos alunos (o que sabiam, o que não sabiam e o que aprenderam). Verificamos a explicitação dos indicadores de avaliação das aprendizagens dos alunos, o direcionamento das ações de forma que privilegiem a aprendizagem e a flexibilização das propostas de forma que atendam às Necessidades Educacionais Especiais. DICA: Um bom projeto revela indicadores que explicitam as conquistas eos avanços dos alunos. Para o selecionador é essencial constatar que osalunos passaram de um estágio de menor para maior conhecimento.♦ Relação ensino e aprendizagem: Neste critério nos preocupamos em observar se existe a descrição de situações de avaliação em que o olhar do professor esteja voltado para as aprendizagens dos alunos e se existem destaques tanto para o papel do professor quanto para o dos alunos, no que concerne à construção das aprendizagens. DICA: Uma sequência didática exige momentos e espaços de avaliação e observação da prática. A “observação” sistemática e constante permite que os ajustes e as regulações sejam realizadas durante o tempo de aplicação da sequência. É importante que os projetos iniciem com um diagnóstico, um mapeamento sobre o conhecimento dos alunos sobre os
  4. 4. conteúdos a serem estudados. Quando o assunto é ensinar com qualidade, um bom diagnóstico facilita para que as ações do professor sejam objetivas e eficientes. A partir de critérios que são mais amplos e gerais definimos osindicadores específicos da área. Estes indicadores são pensados em funçãodas características de cada área, dos objetivos e dos conteúdos quelegitimam a sua presença dentro dos currículos escolares.♦ Concepção de ensino da área de Educação Física : Avaliamos se o professor é um estudioso da sua área e demonstra ter um embasamento teórico que sustenta a sua prática pedagógica. DICA: É importante investir na justificativa do trabalho. A descrição de como foi o processo de seleção do tema trabalhado (contexto), a sua relevância e como se “encaixa” no currículo revelam qual a visão e o entendimento do professor sobre a educação física escolar.♦ Conteúdo de ensino: Observamos a importância do conteúdo para a área, sua adequação aos objetivos propostos no trabalho e a sua pertinência em relação a aspectos como a série, o ciclo, a faixa etária e as necessidades de aprendizagem dos alunos. DICA: A forma como o conteúdo foi trabalhado revela a sua pertinência para a faixa etária e a sua adequação. Para o selecionador é importante que o conteúdo tenha alguma relevância (social e cultural) no contexto em que foi desenvolvido. O ideal é que o conteúdo seja selecionado a partir de expectativas de aprendizagem que estejam organizadas “dentro” de um currículo que demonstre alguma verticalidade nos ciclos de escolarização.Fases / etapas de seleção Como nos anos anteriores, a seleção dos trabalhos na Área de EducaçãoFísica foi dividida em quatro fases:Fase 1 - Leitura e análise dos projetos enviados Esta primeira fase de seleção caracteriza-se por uma leitura de todos osprojetos enviados. Na primeira aproximação que fazemos verificamos se o
  5. 5. trabalho atende aos itens solicitados no regulamento, se está escrito deforma compreensível e coerente e se a experiência apresentada foi de fatodesenvolvida na escola. Nesta fase os trabalhos são organizados em duascategorias: Classificados e Desclassificados. Os professores devem saberque trabalhos não concluídos, desenvolvidos fora do período indicado noregulamento, realizados por instituições de educação não formal e/oudesenvolvidos “fora” de sala de aula são desclassificados e não continuamnas etapas posteriores da seleção.Fase 2 – Leitura e análise dos projetos classificados Nesta segunda fase de seleção, os projetos classificados passam por umanova leitura, agora com o foco nos critérios e indicadores mencionadosacima. Todos os trabalhos são analisados minuciosamente nas questõespedagógicas e são organizados nas categorias: Selecionados e NãoSelecionados. Os melhores projetos selecionados passam por uma novaleitura, não só do selecionador, mas também da equipe de coordenação doPrêmio. Os projetos bem avaliados passam para a fase 3 e são indicadospara os 50 melhores do ano.Fase 3 – Conversa telefônica com o professor e pedido de material A terceira fase da seleção caracteriza-se pelo contato telefônico doselecionador com o professor responsável pelo trabalho indicado. Nestecontato avaliamos se existe coerência entre a produção escrita e aargumentação do professor. É importante que o professor demonstre sua“autoria” e fale com segurança e desenvoltura sobre o trabalho realizado. Éo momento de o professor responder com consistência sobre aspectos doseu trabalho como: etapas desenvolvidas, conteúdos trabalhados,aprendizagens alcançadas e investimentos na sua formação profissional.Nesta fase são solicitados os registros do professor sobre o projeto e asproduções dos alunos. Aproveitamos esta fase também para fazer contatocom o diretor e o coordenador pedagógico da escola com o objetivo depesquisar como foi a repercussão do projeto junto aos alunos, como é oenvolvimento do professor com o trabalho, como foi realizado oplanejamento e como foram feitos os registros do trabalho pelo professor.
  6. 6. Fase 4 – Análise das produções dos alunos e dos registros do professor Em conjunto com a equipe de coordenação do Prêmio as produções e os registros são analisados e avaliados. Textos, vídeos, fotos, desenhos, material de avaliação ou qualquer outra produção são analisados e avaliados na sua qualidade. Esta fase serve para verificar se as produções são coerentes, se revelam as aprendizagens dos conteúdos propostos e o percurso dos alunos durante a realização do projeto. Nesta fase final de seleção valoriza-se a aprendizagem dos alunos, ou seja, as produções devem “convencer” a equipe de selecionadores de que os alunos realmente alcançaram as aprendizagens esperadas. Ao final desta fase são indicados os trabalhos para seleção dos 10 melhores do ano.4. REPRESENTATIVIDADE DA ÁREA Na edição de 2011, conforme mostra o gráfico 1, foram lidos 126trabalhos. Quando comparamos este número com os anos anterioresverificamos uma queda na quantidade de projetos inscritos. Levantamos ahipótese de que estamos entrando em uma fase onde a qualidade prevalecerásobre a quantidade. Se por um lado tivemos um número menor de projetosinscritos, por outro podemos afirmar que a qualidade dos trabalhos temevoluído a cada ano. Prova disso, como veremos mais à frente, é que onúmero de trabalhos desclassificados vem diminuindo e a quantidade detrabalhos selecionados aumenta a cada edição do prêmio. GRÁFICO 1 NÚMERO DE 200 TRABALHOS ENVIADOS 187 200 179 180 160 126 140 112 2007 120 2008 100 2009 80 2010 60 2011 40 20 - 2007 2008 2009 2010 2011
  7. 7. 5. EIXO QUANTITATIVO Neste eixo do relatório vamos atualizar os dados apresentados nasedições anteriores. A ideia é realizar um mapeamento de dados quantitativos eassim oferecer informações sobre o perfil dos professores, as característicasdos projetos e as características das escolas. Perguntas orientadoras como:Quem são os professores? Qual a sua formação? Quais os segmentos e ciclosescolares mais representados? Quais os principais temas e conteúdosabordados nos projetos? Onde se localizam as escolas onde os professoresdesenvolveram seus projetos? contribuem para que possamos estruturar orelatório da área, comparar os dados com os anos anteriores e assim elaborarum panorama de como este componente curricular tem avançado ao longo dostempos.Perfil dos professoresEm 2011, identificamos a mesma tendência detectada nos anos anteriores narelação de gênero. A maior parte dos trabalhos encaminhados, de acordo como gráfico 2, foi desenvolvida por professoras (59,53% dos participantes sãodo sexo feminino). GRÁFICO 2 58,03% 59% 57,75% 59,53% GÊNERO 60,00% 55,30% 50,00% 44,70% 41,97% 41% 42,25% 40,47% 40,00% 30,00% MULHERES HOMENS 20,00% 10,00% 0,00% 2007 2008 2009 2010 2011
  8. 8. Como já dissemos anteriormente, acreditamos ser importante para aárea que tenhamos professores e professoras atuando nas escolas. Cada umcom as suas características e particularidades pode contribuir para que aEducação Física incentive a construção de uma escola que aprenda a conviverno discurso e na ação com as diferenças. Vale ressaltar que neste ano, comonos anteriores, temos bons trabalhos desenvolvidos tanto por professorascomo também professores. Podemos afirmar que professores pós-graduados têm uma prática maisqualificada? Não é tarefa fácil avaliar qual o impacto dos cursos de pós-graduação na qualidade da prática pedagógica dos professores. Na nossaexperiência como selecionadores temos encontrado bons trabalhosdesenvolvidos por professores que investem nos cursos de pós-graduação.Para se ter uma ideia, neste ano de 2011, os 5 trabalhos da área indicadosentre os melhores foram planejados e realizados por educadores que foramalém da graduação. O gráfico 3 mostra que o número de professores pós-graduados é maior do que aqueles que se inscreveram como graduados. Dos102 trabalhos selecionados na 2ª fase de leitura e avaliação, 62 foram inscritospor professores que se especializaram em áreas como pedagogia, educaçãofísica escolar, psicopedagogia etc. Se por um lado acreditamos que é precisoanalisar com cuidado a qualidade destes cursos e o quanto eles impactam naprática pedagógica dos professores, por outro, é importante sugerir e motivaros professores para que continuem a investir na sua formação. É fundamentalque todos os professores assumam o compromisso com a ideia de queprofessor é profissão de quem ESTUDA. GRÁFICO 3
  9. 9. FORMAÇÃO 70,00% 65,50% 61% 57,90% 60,00% 57,14% 56% 50,00% 44% 42,86% 39% 38,10% 40,00% 34,40% PÓS GRADUAÇÃO GRADUAÇÃO 30,00% OUTROS 20,00% 10,00% 0,00% 2007 2008 2009 2010 2011Características dos Projetos Neste ano de 2011, como nos anos anteriores, a maioria dos projetosenviados foi desenvolvida no Ensino Fundamental (gráfico 4). Dos 126trabalhos que recebemos, 52% foram realizados com turmas do 1º ciclo doEnsino Fundamental (1º ao 5º ano). No ciclo 2, 6º ao 9º ano, tivemos 60projetos realizados, o que representa 48% do total. Uma informaçãoimportante é que não recebemos projetos desenvolvidos com as turmas daEducação Infantil. Este dado é preocupante, já que a educação física escolardeveria estar presente em todos os ciclos de escolarização, principalmente nosanos iniciais, quando temos o que chamamos de “ótima fase” para aalfabetização corporal. Um aspecto positivo a ser ressaltado é que os melhoresprojetos deste ano, ou seja, aqueles que foram indicados entre os melhores,foram desenvolvidos com alunos e alunas do primeiro ciclo do ensinofundamental. É bom ver que a educação física se faz presente neste ciclo e quetemos professores contribuindo para a formação de uma geração deestudantes interessados e motivados pelas práticas da cultura corporal. GRÁFICO 4
  10. 10. SEGMENTOS 60,00% 56,25% DE ATUAÇÃO DOS PROFESSORES 52% 50,00% 48% 45% 45,80% 46% 43,75% 39,60% 40,00% 36% ED. INFANTIL 34% 1º AO 5º ANO 30,00% 6º AO 9º ANO 1º AO 9º ANO NÃO RELATADO 20,00% 10,00% 0,00% 2007 2008 2009 2010 2011 A partir da leitura e da tabulação dos trabalhos inscritos neste ano de2011, nos arriscamos a dizer que finalmente vencemos o paradigma daesportivização da educação física escolar brasileira. Os professores nãoconfundem mais educação física com esporte e estão mais atentos epreparados para trabalhar com os mais diversos temas que compõem a culturacorporal do nosso país. Não estamos com isso defendendo ou afirmando que oesporte não deva estar presente na escola, mas sim que a educação físicaprecisa orientar a sua prática pela diversificação e não pela especialização. Osgráficos 5 e 6 dão uma ideia da diversidade de temas / conteúdos abordadospelos professores. Em relação aos anos anteriores tivemos um aumentoexpressivo no número de trabalhos focados em temas como jogo e dança. Ostemas ginástica e luta, que nos outros anos apareceram em boa quantidade,neste ano não estiveram presentes com tanta ênfase. Muitos foram ostrabalhos apresentados com a temática da saúde, o que parece “informar” quea educação física pode contribuir para uma educação voltada aodesenvolvimento e manutenção de hábitos relacionados com a “qualidade” devida. Temas mais amplos como cidadania e cultura também foram abordados.Sem dúvida a educação física pode e deve contribuir para uma educação
  11. 11. integrada com os chamados “temas transversais”, mas é preciso ir com calmae ter clareza de onde se quer chegar. Vale lembrar que quem quer ensinartudo, acaba não ensinando nada. GRÁFICO 5 ESPORTE CLASSIFICAÇÃO DO PROJETOS JOGO 30 GINÁSTICA LUTAS 26 DANÇA 25 CIDADANIA 23 22 CULTURA 20 MEIO AMBIENTE 18 SAÚDE 15 15 OUTROS TEMAS 10 9 8 5 4 1 0 0 ESPECÍFICOS GERAIS Como já acenamos no ano passado, parece que os professores estãomais atentos aos interesses e às necessidades dos alunos quando da seleçãodos temas e conteúdos de ensino. Há uma maior disponibilidade por parte doseducadores para o entendimento de que há “gosto para tudo”, ou seja, as maisdiversas práticas corporais podem e devem ser tematizadas na escola. Provadisso são os trabalhos que ficaram entre os melhores neste ano de 2011 eabordaram temas como o circo, a corrida de orientação, o jogo de tabuleiro e acorda. Todos, trabalhos muito interessantes e que mobilizaram aprendizagensrelacionadas com o fazer e também o saber, o ser e o conviver. O desafio agoraestá em compreender que os conteúdos específicos da área, como emqualquer outro componente curricular, não têm fim neles mesmos. É precisoinvestir no entendimento de que os conteúdos são “meios” para uma educação
  12. 12. da linguagem corporal que esteja vinculada a aprendizagens relacionadas atemas mais amplos como cultura, lazer, comunidade, saúde etc. GRÁFICO 6 45 44 40 35 30 26 25 22 20 18 15 15 10 5 0 1 0 BRINCADEIRA ESPORTE OUTROS TEMAS TRANSVERSAIS GINÁSTICA LUTAS DANÇA JOGO E TEMAS TEM ÁTICAS 2011Características das Escolas Foram lidos e analisados projetos de todas as regiões, oriundos de quasetodos os estados do Brasil. No entanto, como nos anos anteriores, a regiãosudeste foi a mais representativa (gráfico 7). O estado com o maior númerode trabalhos inscritos, como mostra o gráfico 8, foi São Paulo (56 trabalhos),seguido de Paraná (14 projetos), Minas Gerais e Rio de Janeiro (12 trabalhoscada) e Rio Grande do Sul (4 projetos enviados). Na área de educação física édesafio a ser vencido a melhor qualificação dos projetos originários das regiõesnorte, nordeste e centro-oeste. Esperamos com este relatório contribuir paraque os professores destas regiões continuem avançando no planejamento, nasistematização e na avaliação dos seus trabalhos. Gostaríamos também de verum maior número de projetos destas regiões sendo enviados para o prêmio.Seria uma forma de conhecer melhor o nosso país, as suas escolas e osprofessores que fazem a educação física brasileira. GRÁFICO 7
  13. 13. NORTE NORDESTE 79 80 CENTRO-OESTE 70 SUDESTE 60 SUL 50 40 30 22 20 15 10 4 3 0 GRÁFICO 8 SÃO PAULO 4 14 MINAS GERAIS 12 RIO DE JANEIRO 56 PARANÁ 12 RIO GRANDE SUL Quando analisamos as características das escolas e o seu contextogeográfico, verificamos que 93,6% dos professores de educação física,participantes do Prêmio, trabalham em escolas urbanas. O gráfico 9 mostraque as escolas rurais ainda são a minoria, com poucos projetos inscritos. Onúmero de trabalhos inscritos por professores que atuam em escolas rurais foimaior nesta edição de 2011, quando comparamos com os anos anteriores. Issoé positivo e nos deixa a esperança de que a educação física, presente na escolarural, pode contribuir para uma educação que se quer integral, ou seja, atentaa todas as dimensões do desenvolvimento humano.
  14. 14. GRÁFICO 9 98,80% PERFIL DAS 95,50% 93,60% ESCOLAS 100,00% 95,57% 93% 90,00% 80,00% 70,00% 60,00% 50,00% URBANA RURAL 40,00% 30,00% 20,00% 4,50% 6,40% 10,00% 1,20% 4,43% 7% 0,00% 2007 2008 2009 2010 2011 Como mostra o gráfico 10, as escolas públicas, nos últimos anos,representam a maioria daquelas que participam do Prêmio na área deeducação física. Temos aqui uma grande oportunidade para qualificar a práticapedagógica que se realiza nas escolas mantidas pelas diferentes instâncias degoverno e também compartilhar as boas experiências realizadas no primeirosetor. Acreditamos, como selecionador, que os professores participantes doprêmio podem encontrar por aqui boas referências de uma educação física quedá “certo”. O relatório deste ano traz a descrição de bons projetos, algunsdeles desenvolvidos no contexto da escola pública.
  15. 15. GRÁFICO 10 120 103 100 80 PRIVADAS 60 PRIVADAS FILANTRÓPICAS 40 PÚBLICAS 17 20 6 0 1 6. EIXO QUALITATIVO É momento de analisar criticamente a qualidade da prática pedagógicados professores de educação física. Este eixo do relatório tem a função desocializar com o leitor os pontos positivos e os pontos a serem melhoradospara o futuro. Olhando para os avanços e as conquistas, como também para osdesafios, imaginamos estar contribuindo com os professores que seempenharam para enviar seus projetos neste ano, como também com aquelesque irão se inscrever na próxima edição do Prêmio. Neste ano confirmou-se a tendência de queda no número de trabalhosdesclassificados, algo que acontece desde 2009. Quando comparamos aproporção de projetos desclassificados entre os anos de 2010 e 2011verificamos que este número caiu sensivelmente. Em 2010 tivemos 24% detrabalhos que foram eliminados sobre o total de inscritos, já em 2011 estenúmero caiu ainda mais, agora para 17%. O gráfico 11 revela a relação entretrabalhos classificados e desclassificados na área de educação física nasúltimas três edições do prêmio. GRÁFICO 11
  16. 16. 160 142 140 117 120 104 100 80 62 CLASSIFICADOS 60 45 DESCLASSIFICADOS 40 22 20 - 2009 2010 2011 A leitura do gráfico nos permite levantar a hipótese de que osprofessores estão mais atentos ao regulamento, principalmente aos critériosrelacionados com a desclassificação dos projetos. Por outro lado é fato que oseducadores da área têm evoluído no planejamento e aplicação das suassequências didáticas. É importante lembrar os motivos que levam os trabalhosa serem desclassificados. O gráfico 12 faz referências ao número de trabalhosdesclassificados e as causas que levaram à eliminação (trabalhos nãoconcluídos, realizados com alunos e alunas “fora de sala de aula” – cursosextracurriculares e realizados fora do período). Uma leitura atenta na descriçãodo processo seletivo (item 3) pode contribuir ainda mais para o entendimentodos critérios e indicadores utilizados para a seleção e indicação dos projetos. GRÁFICO 12
  17. 17. ENSINO MÉDIO / EJA 6 6 CURSO EXTRACURRICULAR 5 5 PROJETO DE PESQUISA 5 TRABALHO NÃO CONCLUÍDO 4 NÃO É SEQ. DIDÁTICA 3 OUTROS 3 2 2 1 1 - DESCLASSIFICADOSAVANÇOS E CONQUISTAS Como dissemos anteriormente estamos avançando na qualidade dostrabalhos enviados. Este foi um ano em que a qualidade prevaleceu sobre aquantidade e os projetos mostraram uma prática pedagógica mais segura econsistente. Entre as conquistas já explicitadas nos anos anteriores, valereforçar alguns aspectos em que avaliação continua muito positiva: - A qualidade da escrita, fruto de uma dedicação maior dos professorescom o compromisso de registrar a sua prática; - As sequências didáticas “completas”, com etapas lógicas, coerentes emais detalhadas; - A didática inclusiva, com os professores preocupados em favorecer aparticipação de todos os alunos; - A especificidade da área, com os professores mais seguros eesclarecidos para superar modelos onde a educação física é vista como“apêndice” das outras disciplinas; - A relação entre o fazer e o compreender, com os professores maisconscientes da necessidade de praticar uma didática que possa equilibrar osconteúdos da “quadra” com os conteúdos do “quadro”. Vamos agora aos avanços identificados nos projetos enviados neste anode 2011. Aproveitamos a oportunidade para sugerir a leitura das sínteses dostrabalhos indicados (item 7). Lá os leitores irão encontrar bons exemplos decomo os professores colocaram em prática interessantes princípios de uma
  18. 18. didática mais construtiva e reflexiva.Diagnóstico Os professores estão mais atentos à necessidade de mapear oconhecimento que os alunos trazem consigo para os espaços de ensino eaprendizagem. As sequências didáticas planejadas e aplicadas pelosprofessores da área já têm incorporado uma fase de diagnóstico, onde osprofessores buscam saber aquilo que os alunos e as alunas conhecem sobre oconteúdo a ser estudado. Esta é uma prática que favorece a aprendizagem,comprometendo e motivando mais os alunos com as aulas e o estudo.Sugestão: Leiam a síntese do trabalho da Professora Fernanda (Circo). Elautiliza boas estratégias (vídeos, pesquisa,...) para realizar o diagnóstico comos seus alunos.Construção coletiva Os professores de educação física estão evoluindo na construção de umarelação mais dialogada com os seus alunos, uma relação que privilegia mais aconstrução coletiva do que a alta diretividade e condução por parte do mestre.Os bons projetos passam por uma didática em que o professor valoriza ainteração entre os alunos como um fator importante de aprendizagem. Osprojetos normalmente selecionados e indicados entre os melhores mostramuma participação ativa das crianças, onde o trabalho coletivo é sempre muitopresente. Esta é uma lógica inclusiva que tem toda a chance de educar paraatitudes mais independentes e autônomas.Sugestão: Leiam a síntese do trabalho do Professor Aldrin (Jogos de Tabuleiro).Ele, durante as aulas, valoriza muito a troca e a interação entre os alunos.Didática da “pergunta” Percebemos nas etapas de desenvolvimento das sequências didáticasuma valorização da pergunta como estratégia de mobilização dos alunos para ainvestigação e a pesquisa. Mais do que a resposta pronta e acabada, osprofessores estão instigando seus alunos com boas e interessantes perguntas.Este processo é muito saudável já que incentiva o desenvolvimento de
  19. 19. habilidades relacionadas com o pensamento lógico (situação-problema,hipótese, estratégia para solução e argumentação).Sugestão: Leiam a síntese do trabalho da Professora Daiene (Corda). Ela utilizaboas estratégias para mobilizar os alunos a uma prática mais reflexiva.Tempo de fazer Não podemos durante as aulas esquecer do movimento, especificidadeda nossa área de conhecimento. Projetos adequados têm uma preocupaçãocom as aulas na quadra, espaço de ação e prática da motricidade. Neste anorecebemos projetos interessantes que valorizaram o movimento comoexpressão de uma disciplina que se propõe a desenvolver a linguagem corporaldos alunos. Não se trata de valorizar o movimento pelo movimento em umadimensão somente biológica e instrumental, mas sim legitimar a visão de queuma boa educação da motricidade passa pela aprendizagem de habilidades ecapacidades relacionadas com o fazer.Sugestão: Leiam a síntese do trabalho da Professora Elisangela (Amarelinha).Ela garante períodos de prática e experimentação das crianças, tempofundamental para que todos possam aprender e dominar o conteúdo estudado.ParceriasRecebemos projetos de professores que construíram boas parcerias com osprofessores de “sala”. Esta é uma ação importante que contribui para ofortalecimento de uma educação que se deseja interdisciplinar. Como fazê-lasem dialogar com os colegas? Para o professor de educação física este é umgrande desafio, na medida em que fomos educados e estamos acostumados apermanecer dentro da quadra, longe dos colegas da escola. Parcerias sãofundamentais para a construção de projetos que integrem os conteúdos eaproximem o professor da utilização de recursos diversos como laboratórios,salas de recursos, bibliotecas etc.Sugestão: Leiam a síntese do trabalho do Professor Luciano (Corrida deorientação). O sucesso do seu trabalho está justamente na parceria que eleconstruiu com a professora Silvana da área de geografia.
  20. 20. InclusãoEste foi um ano muito positivo para o tema da inclusão de alunos comnecessidades educacionais especiais nas aulas de educação física. Se nos anosanteriores este tema passou despercebido, nesta edição tivemos 18 trabalhosque fizeram referência a uma perspectiva inclusiva. Parece que os professoresestão mais atentos e mais dispostos a estudar e entender o conceito e osprocedimentos de flexibilização.Sugestão: Leiam a síntese do trabalho da Professora Fernanda (Circo). Elarealiza durante a sequência de aulas boas flexibilizações para incluir os alunoscom necessidades educacionais especiais.DESAFIOSAo longo dos últimos anos, quando da elaboração do panorama da área,deixamos registrados alguns desafios para os professores que irão inscrevertrabalhos nas futuras edições do prêmio. Neste ano vamos atualizar estequadro e sugerir algumas leituras que, imaginamos, podem contribuir para queos projetos sejam planejados e executados com cada vez mais consistência equalidade.Avaliação A avaliação continua a ser um desafio para os professores de EducaçãoFísica. Desde 2009 temos apontado para a necessidade de sistematizar melhoreste processo de avaliação. Ainda recebemos muitos projetos quesimplesmente não acenam ou mostram seus resultados. São trabalhossuperficiais e incompletos na definição e seleção dos indicadores einstrumentos de avaliação. Como acenamos ano passado muitos trabalhosdescrevem que os alunos gostam das aulas e das atividades propostas,reduzindo nesta participação o êxito das sequências desenvolvidas. É precisoevoluir na definição dos indicadores de avaliação com base nos objetivos deensino. Fica como um desafio e sugestão aos professores o estabelecimento deobjetivos e expectativas mais reais e de possível execução. É necessárioestabelecer um equilíbrio entre o que se pretende e o que realmente seconsegue realizar. É preciso mais clareza e objetividade na descrição do
  21. 21. impacto que a qualidade do ensino provoca na aprendizagem dos conteúdos daárea. É preciso clarificar com mais propriedade quais as aprendizagensefetivadas, quais as mudanças de comportamento que acontecem no percursodas crianças ao longo do tempo de desenvolvimento do projeto.Sugestão de leitura: O livro “Práticas pedagógicas reflexivas em esporteeducacional”, da editora Phorte, traz boas referências de como articularindicadores e instrumentos de avaliação às expectativas de aprendizagem.Quem quer ensinar tudo, não ensina... Continuamos a receber nesta edição de 2011 sequências com umnúmero excessivo de objetivos, causando um desequilíbrio entre asexpectativas e as atividades desenvolvidas pelos alunos. Projetos muito amplossão mais difíceis de gerenciar, pois os objetivos propostos se perdem ao longodo caminho e não são contemplados nas sequências. A indicação que fazemosé começar devagar, ou seja, planejar e aplicar projetos com expectativassimples e reais, de possível execução e avaliação.Sugestão de leitura: O livro “Pedagogia da Cultura Corporal”, da editora Phorte,no capítulo 5, traz boas referências de sequência didáticas bem objetivas narelação expectativas de aprendizagem e tempo de realização.Planejamento por “empreitada” Este ainda é um desafio a ser vencido. A realidade dos professores deEducação Física, muitas vezes, é ministrar aulas para um grande número deturmas de diferentes séries (anos) na escola. Muitos professores, em função dotempo e do espaço reduzidos para planejamento, o fazem por empreitada.Utilizam um mesmo planejamento para todas as turmas, independente dafaixa-etária, dos interesses e das necessidades. Esta prática dificulta oprocesso de observação, registro e avaliação da qualidade do ensino e daaprendizagem. Sabemos que não é uma tarefa fácil planejar sequênciasdidáticas para todas as turmas, respeitando as diferenças e os interesses decada uma. Reforçamos a sugestão de começar com apenas uma turma e assimdesenvolver as habilidades de antecipação, observação e regulação viaregistro. Sugerimos planejar uma sequência didática para uma turma e investir
  22. 22. no processo de reflexão e registro da prática. Este é o primeiro passo para queo professor possa aprimorar sua competência de planejar e avaliar sua prática.Os bons projetos normalmente são relatos de trabalhos desenvolvidos comuma turma, onde as etapas de diagnóstico, desenvolvimento e fechamento sãorealizadas com calma e tempo para observação e regulação das ações.Sugestão de leitura: O site da revista Nova Escola tem uma série desequências que são indicadas e sugeridas para os diferentes ciclos deescolarização.Planejar a partir de objetivos Parece ser uma tradição na área de educação física a valorização doconteúdo em detrimento dos objetivos e das expectativas de aprendizagem.Continuamos a receber muitos trabalhos que tratam o conteúdo como ponto departida do planejamento. O que se vê nestes casos, como já colocamos no anopassado, é que o caminho do planejar tem seu início na seleção dos conteúdospara depois serem definidos os objetivos e as expectativas de aprendizagem.Defendemos a ideia de que inverter esta tendência pode ajudar nasistematização do planejamento e na construção de uma prática mais objetivae efetiva. Fica como sugestão de que primeiro o professor defina seusobjetivos de ensino e aprendizagem para depois selecionar os conteúdos eatividades adequadas para cada etapa da sequência didática.Sugestão de leitura: O livro “Educação como prática corporal”, da editoraScipione, pode contribuir para o entendimento desta relação entre objetivos econteúdos.Indisciplina Muitos professores fazem referência nos seus projetos a questõesrelacionadas com a indisciplina e a dificuldade na gestão de sala de aula.Muitas vezes a indisciplina é o tema central do trabalho e, outras vezes, elaaparece como um problema a ser superado nas ações de desenvolvimento eavaliação das propostas. O que nos chama a atenção é que muitos professoresabordam as questões atitudinais como pré-requisitos da escolarização, ou seja,eles acreditam que atenção, concentração, respeito às regras, cooperação e
  23. 23. capacidade de trabalhar e conviver em grupos estão vinculados aaprendizagens externas, que devem acontecer fora da sala de aula. Precisamosreverter este quadro e um dos desafios para os professores é justamenteincorporar este tema no seu processo de formação e reflexão. É precisoromper com o “muro das lamentações” que muitas vezes predomina nodiscurso e na prática dos professores da área. A nossa indicação é que osprofessores tenham mais disponibilidade para escutar seus alunos. Não setrata de fazer o que eles querem, mas valorizar o diálogo como uma saídapossível para uma educação que, nos dias de hoje, exige compromisso, co-responsabilidade e coautoria.Sugestão de leitura: O livro “Ensaios pedagógicos: como construir uma escolapara todos”, da editora Artmed, sugere uma interessante reflexão sobre asformas de gestão da sala de aula.7. PROJETOS INDICADOS Nesta edição do Prêmio foram selecionados e indicados 5 projetos naárea de Educação Física para o grupo dos 50 melhores trabalhos. Destes,tivemos um trabalho selecionado entre os 10 melhores projetos. Segue abaixouma síntese dos 5 projetos selecionados, com uma breve descrição da suaestrutura e do seu conteúdo. Estes trabalhos são referência para a área e aleitura das sínteses pode ajudar os professores a encontrar caminhos para oplanejamento e a realização de futuros projetos.Projeto 1 – Selecionado entre os 10Professor(a): Fernanda Pedrosa de PaulaTítulo do trabalho: Respeitável Público: Um Circo da Escola!Segmento de ensino: Ensino Fundamental I (2º Ciclo – 9 a 11 anos) – EscolaMunicipal José de CalazansCidade: Belo HorizonteEstado: BHA sequência didática apresentada trata do tema CIRCO, como uma das
  24. 24. manifestações da cultura corporal de possível abordagem pela Educação FísicaEscolar no primeiro Ciclo do Ensino Fundamental. A professora Fernandaassume o desafio de trabalhar com um tema (conteúdo) novo e justifica a suaopção a partir do pressuposto de que a Educação Física deve privilegiar evalorizar as diferentes práticas corporais.O trabalho é original e atual quando o assunto é a valorização pela educaçãofísica de práticas corporais chamadas de não convencionais. Nas universidadese orientações curriculares mais recentes o CIRCO tem sido sugerido como umconteúdo (prática) a ser tematizado na escola. Trata-se de mais um conteúdo(modalidade), que a partir do conceito da DIVERSIDADE, pode contribuir parauma educação física que pensa o desenvolvimento humano em umaperspectiva global e integrada com a cultura. O projeto é relevante porquealém da sua originalidade, traz um relato coerente e muito bem detalhado naTemática Práticas Corporais Expressivas. Chamaram positivamente a nossaatenção:Aspectos gerais • Sequência didática coerente, bem detalhada nas etapas de diagnóstico, desenvolvimento e fechamento; • Qualidade das intervenções realizadas pela professora no sentido de promover a inclusão e a aprendizagem de todos; • Nível de sistematização, planejamento e registro (diário de bordo) da prática pedagógica. Anotações qualificadas (gerais e específicas) na questão das intervenções flexibilizadas; • Prática reflexiva da professora que valoriza o processo e origina regulações e adaptações durante as aulas (respeito aos interesses e necessidades dos alunos); • Relação dos objetivos com os resultados. A professora tem clareza das mudanças de comportamento / aprendizagens dos alunos (via observação); • Pressuposto (valor) de uma educação inclusiva. A professora tem como princípio que todos podem e devem participar das aulas; • Professora com visão ampliada (para além do fazer) e que intervém qualificadamente para educar atitudes.Aspectos específicos da área • Proposta curricular de área focada na ampliação cultural (adequado à faixa etária); • Originalidade e relevância do tema (1ª vez que temos um bom trabalho nesta temática); • Possibilidade de disseminação da proposta – o Circo como um tema / conteúdo de possível abordagem para aqueles que não são professores especialistas na modalidade; • Rotina de aula que sugere a construção coletiva e valoriza a interação entre os alunos (rodas de conversa, trabalhos em grupo...) • Rotina de aula que contempla o fazer e o compreender - Roda inicial – rotina, retomada da aula anterior, atividade de hoje, desafios / Roda final – avaliação da aula – combinados e regras, participação e autoavaliação; • Adequação das atividades na perspectiva da inclusão – Alunos com
  25. 25. NEEs; • Construção e adequação dos materiais e recursos para todos os alunos (Lembrar NEEs); • Capacidade de adequação das propostas e recursos em função das respostas dos alunos durante as aulas (NEEs); • Consideração e respeito para com a disponibilidade dos alunos NEEs em participar ou não das atividades e ou recursos adaptados (Ex. Você se sente bem em sair da cadeira para jogar?); • Professora comprometida com os seus alunos – ela pergunta, investiga sobre os históricos dos alunos e pesquisa sobre suas necessidades (deficiências e quadros específicos dos transtornos).As dimensões do saber, do ser e do fazer foram contempladas no trabalho. Navisão da professora, bem fundamentada em autores da área, o Circo pode serum bom conteúdo para mobilizar o desenvolvimento e a aprendizagem damotricidade, da capacidade expressiva, da criatividade e de valores como aconfiança e o respeito mútuo. No relato da professora foram apresentadas asseguintes expectativas de aprendizagem (objetivos mais específicos) emrelação aos alunos:- Ampliar os conhecimentos sobre a origem, a história e a evolução do circo;- Conhecer e aprender técnicas e movimentos simples do circo nasmodalidades malabares, equilíbrios, acrobacias e encenações;- Comunicar-se corporalmente de forma expressiva e criativa, valorizando acultura e as características do circo;- Participar das atividades com posturas e atitudes de cooperação e respeito àdiversidade.Os alunos passaram a ver o circo como uma manifestação da cultura que vaimuito além das figuras folclóricas do palhaço e do domador de animais. Se forfunção social da escola transmitir o conhecimento que foi socialmenteproduzido, penso que a professora trabalhou bem no sentido de ampliar avisão dos meninos e das meninas para a percepção de um circo mais atual econtemporâneo onde existe uma diversidade incrível de manifestaçõesartísticas, expressivas e corporais.Na descrição do processo avaliativo foram também apresentadas as seguintesaprendizagens:- Aquisição e melhoria das habilidades coordenativas, do conhecimento e docontrole do corpo;- Ampliação do repertório motor no que diz respeito às habilidades demanipulação e equilibração;- Conhecimento mais aprofundado e menos superficial sobre a cultura docirco;- Valorização das aulas como um espaço de prática corporal onde todos podemparticipar;- Entendimento e compreensão da diversidade e diferenças no nível dehabilidades de cada um;- Autoconhecimento sobre suas potencialidades e suas limitações quando daexploração dos movimentos e práticas corporais;- Atitudes de cooperação e respeito pelo outro com a adoção de posturas não
  26. 26. preconceituosas para com as diferenças.Os conteúdos trabalhados foram organizados a partir do que a professoradenominou de modalidades circenses. Foram abordadas 4 modalidades e asseguintes atividades 1) Acrobacias – atividades aéreas e de solo; 2)Manipulações – atividades de malabares; 3) Equilíbrios – atividades deequilibração e estabilização sobre os objetos (tambor) e 4) Encenações –atividades de dança e caracterização dos palhaços. São conteúdosinteressantes e tornaram-se compatíveis com as necessidades deaprendizagem muito em função da qualidade das intervenções realizadas pelaprofessora. A Fernanda cumpriu bem a sua tarefa de ampliar o saber dascrianças sobre o circo. A flexibilidade para trabalhar com os conteúdos emfunção dos interesses e das necessidades mostradas pelas crianças garantiunovas aprendizagens e mostrou a possibilidade de efetivação de um projeto natemática circo com crianças do primeiro ciclo do ensino fundamental.Existe uma relação coerente entre a definição dos objetivos, a seleção dosconteúdos e o encaminhamento das atividades. Trata-se de um projeto comcomeço, meio e fim, o que parece óbvio, mas ainda é desafio para osprofessores de educação física. A professora organiza o trabalho em 4 etapas,chamadas de A) Estudos sobre a temática do circo; B) Elaboração de umplanejamento prévio; C) Etapa exploratória e D) Execução do planejamento.As duas primeiras etapas fazem parte de um processo de ANTECIPAÇÃOquando a professora estuda, pesquisa e organiza os caminhos que serãotrilhados ao longo do projeto. Defini-se aqui uma carta de intenções queorienta e dá objetividade às ações da professora. A etapa exploratória podeser também definida como uma etapa de diagnóstico, onde a professoraapresenta a temática aos alunos, identifica o conhecimento prévio e realiza asprimeiras regulagens, ou seja, incorpora as necessidades e os interesses dosalunos às suas ideias iniciais. Temos aqui um bom exemplo de adequação dasatividades aos objetivos e conteúdos propostos. Pesquisas na internet eapresentação de vídeos são alguns exemplos de atividades que foramrealizadas nesta etapa de sondagem e ajudaram os alunos a se aproximar econhecer mais profundamente da história e evolução do circo. A fasedenominada de execução do planejamento é marcada pelas vivências epráticas corporais, quando os alunos vivem corporalmente as modalidades docirco e ampliam o seu conhecimento sobre a temática. Temos nesta fase umasérie de bons exemplos relacionados com a capacidade da professora emintervir qualificadamente para promover a aprendizagem das crianças. Asrodas de conversa no início e no final das aulas, a organização das turmas emgrupos para as práticas corporais em forma de circuito, a construção eadequação dos recursos materiais, as adequações e flexibilizações realizadaspara incluir os alunos com NEEs, a consideração e o respeito para com adisponibilidade dos alunos NEEs em participar ou não das atividades fazemparte da didática de uma professora reflexiva e comprometida com a inclusãoe com a aprendizagem. Penso que as observações acima dão uma boa ideia daqualidade do trabalho da professora Fernanda quando o assunto é acompetência de regular e organizar a prática em função dos objetivos econteúdos de ensino.
  27. 27. As rodas de conversa pautadas pela construção coletiva, onde a professorapermitiu e incentivou a participação das crianças na tomada de decisões, naconstrução e nas adaptações das atividades e nas flexibilizações, constituíram-se como bons exemplos de ações que valorizaram a interação entre os alunos.Outros momentos relatados pela professora como as atividades em grupo paraa realização dos circuitos com as modalidades do circo e a construção dosmateriais pelas turmas ilustram ainda mais o relato de um projeto onde ainteração e o contato entre os alunos foi uma constante. A valorização dasaulas pelos alunos como um espaço de prática corporal onde todos podemparticipar; o entendimento das crianças e a sua disponibilidade para melhorcompreensão da diversidade e das diferenças no nível de habilidades de cadaum e o aprendizado de atitudes de cooperação e respeito pelo outro sãoexemplos de um trabalho que privilegiou a participação e a interação entre osalunos.Projeto 2 – Selecionado entre os 50Professor(a): Elisangela Ferreira GabrielTítulo do trabalho: Pulando, Criando e Recriando Jogos de AmarelinhaSegmento de ensino: Ensino Fundamental I (2º Ano)Cidade: SorocabaEstado: SPA sequência didática trata do Jogo da Amarelinha, uma prática da culturacorporal muito valorizada pelas crianças menores nos momentos do brincar naescola. A Professora Elisangela abordou o tema com propriedade edesenvolveu um projeto simples e bem feito que promoveu interessantesaprendizagens nas dimensões do saber, do fazer e do ser/conviver. Temos aquiuma boa experiência quando pensamos em uma educação física que olha parao futuro, mas também para o aqui e o agora. Na escola da Elisangelalevantamos a hipótese de que quem é sabido na Amarelinha tem maispossibilidade de participação e inclusão na rotina escolar. Isto é AlfabetizaçãoCorporal.O projeto revelou uma professora de Educação Física preocupada com aaprendizagem dos seus alunos. Trata-se de uma sequência didática clara ecoerente nas etapas de diagnóstico, desenvolvimento e fechamento. Vimoscomo aspectos positivos do trabalho: 1) Coerência entre as expectativas deaprendizagem e os indicadores e instrumentos de avaliação (forma deapresentação da unidade didática); 2) Qualidade das intervenções realizadaspela professora no sentido de desafiar as crianças para novas aprendizagens;3) Nível de protagonismo dos alunos, que participaram ativamente dasconstruções dos jogos de amarelinha e 4) Prática consistente dentro de umaabordagem que valoriza aprendizagens nas dimensões conceitual,
  28. 28. procedimental e atitudinal.O Projeto apresentou como objetivos mais amplos e gerais o desenvolvimento,por parte das crianças, de competências sócioafetivas, cognitivas epsicomotoras, além da ampliação da cultura corporal de movimento. Comobjetivos específicos (expectativas), mais relacionados com o tema/conteúdoamarelinha, a professora acenou com aprendizagens relacionadas aoconhecimento do jogo e suas possíveis variações; à execução das habilidadesmotoras de lançar, saltar, girar e equilibrar-se com uma boa coordenação; àcriação e recriação de novos jogos de amarelinha e à capacidade de jogaramarelinha em pequenos grupos, respeitando as regras e favorecendo aparticipação de todos.Na descrição da avaliação do processo de aprendizagem foram apresentadosos seguintes resultados:- As crianças aprenderam novas formas (jeitos diferentes além dos jáconhecidos “tradicional” e “caracol”) de jogar a amarelinha, identificandotambém novas possibilidades de saltar durante o trajeto do jogo (saltar “decostas”, “lateralmente”, “com os pés juntos”, “segurando objetos” etc.);- Os meninos e as meninas evoluíram bastante na habilidade de combinar osmovimentos de lançar a pedrinha e saltar pelas casas. A professora relatouque todos os alunos melhoraram a sua capacidade de jogar com mais rapideze melhor coordenação. Segundo a professora, foi importante para as criançasconseguir chegar até o final do trajeto de jogo. Isso deu a elas a sensação dejogo realizado, além de sugerir avanços e desafios na forma e no jeito dejogar;- Os conflitos diminuíram e a capacidade de jogar junto, unificando erespeitando as regras, evoluiu durante as aulas da amarelinha. A professorarelatou que, com o passar das aulas, suas intervenções para mediar osconflitos foram menores. A hipótese é que as crianças aprenderam a jogar deforma mais autônoma e independente, autogerenciando assim o espaço e otempo das suas brincadeiras.O Jogo da Amarelinha, aqui o conteúdo central da proposta, pareceu-mebastante significativo para este grupo de crianças de 6 e 7 anos. Pensamosque a Educação Física, como qualquer componente curricular, deve olhar parao futuro, mas também tem a missão de ensinar um conhecimento relacionadocom o tempo presente. Crianças brincam de Amarelinha na escola e estesaber tem muito sentido, principalmente quando pensamos em aspectos comoinclusão e participação ativa na rotina escolar. Crianças que não sabem brincarprovavelmente serão excluídas e marginalizadas. Conteúdos (expectativas deaprendizagem) nas dimensões conceitual, procedimental e atitudinal foramencaminhados de forma pertinente pela professora. Ela (a professora) cumpriubem a sua tarefa de ampliar o saber das crianças sobre este jogo da culturainfantil. Os meninos e as meninas necessitavam ir além do jogo tradicional jáconhecido, no caso um jeito de jogar que já não apresentava mais desafios edesequilíbrios (vamos para a escola para aprender o que fora dela não seaprende – caso contrário, por que a presença do professor?). As intervençõesda professora garantiram novas aprendizagens, as crianças criaram novosjogos a partir daqueles já conhecidos, identificaram as semelhanças e asdiferenças entre os diferentes jeitos de jogar e passaram a brincar e aconviver em grupo de forma mais cooperativa e colaborativa.
  29. 29. O encaminhamento dado nas diferentes etapas do trabalho foi bastantepertinente. Na leitura e avaliação do material enviado observamos clareza ecoerência nas etapas de mapeamento, desenvolvimento e fechamento, todasbem descritas. A professora utilizou estratégias e atividades interessantes,todas bem coerentes com os objetivos e conteúdos selecionados na etapa deplanejamento (antecipação). Na etapa de diagnóstico, chamada pelaprofessora de mapeamento, as rodas de conversa e as primeiras vivênciasforam importantes para a adequação dos conteúdos. Nesta etapa a professorarealizou interessantes intervenções como, por exemplo, a construção deamarelinhas em e.v.a., o que possibilitou momentos de prática e novasexperimentações. Durante o desenvolvimento da sequência, após odiagnóstico, as atividades realizadas na sala e na quadra foram beminteressantes. Neste momento as crianças tiveram mais tempo paraexperimentar os jogos de amarelinha levantados durante a etapa anterior,novos desafios foram sugeridos nos aspectos relacionados ao desenho, àaltura dos saltos, à velocidade de passagem pelo trajeto e à direção dosmovimentos realizados. Ainda nesta etapa os meninos e as meninas tiveram aoportunidade de experimentar algumas variações trazidas pela professora etambém recriar e criar novas formas de pular amarelinha. Na 3ª etapa,denominada pela professora de fechamento, foi realizada uma avaliação paraidentificar os avanços alcançados e os resultados obtidos (já descritos acima).Cabe ressaltar aqui que esta sequência didática se configura como um bomexemplo na relação expectativas de aprendizagem e indicadores einstrumentos de avaliação.O projeto valorizou a interação entre os alunos. Os registros (fotos e vídeos) enviadosmostram momentos interessantes onde os alunos foram incentivados a aprender unscom os outros. As rodas de conversa no início e no final das aulas, a divisão empequenos grupos para brincar de amarelinha, as construções coletivas de variações dejogos de amarelinha, entre outras ações, ilustram estes momentos. A capacidade debrincar juntos e a diminuição dos conflitos e intervenções da professora durante as aulassão também bons indicadores de que a interação e o trabalho em grupo foramvalorizados.Projeto 3 – Selecionado entre os 50Professor(a): Luciano Rodrigues da SilvaTítulo do trabalho: Aprendizagem significativa através da manifestaçãocorporal: OrientaçãoSegmento de ensino: Ensino Fundamental I (4º Ano) – SESI (Araras)Cidade: ArarasEstado: SPA sequência didática apresentada pelo Professor Luciano abordou um tema
  30. 30. (conteúdo) pouco difundido e conhecido pelos professores de Educação Física,a Corrida de Orientação (Modalidade Esportiva que tem origem nas forçasarmadas e hoje é praticada em vários países). Trata-se de um projeto naabordagem da cultura corporal que extrapolou os “muros” da quadra econvidou professor e alunos a estudar e ampliar sua visão de mundo e deeducação física. O trabalho teve seu foco na educação dos sentidos, maisprecisamente no aprendizado de habilidades relacionadas com a organização ea estruturação espacial. Vale ressaltar também que o projeto foi fruto de umaboa parceria construída pelo Luciano com a professora de sala (Silvana).Consideramos o trabalho relevante porque o professor tratou de um temaoriginal, de forma bem planejada e sistematizada. Alguns aspectos como: 1)Coerência nas etapas de diagnóstico, desenvolvimento e fechamento; 2)Qualidade das estratégias e das intervenções realizadas e 3) Integração com aárea de geografia chamaram a minha atenção positivamente. No âmbitoespecífico da Educação Física o trabalho é relevante porque amplia adiversidade de conteúdos tratados pela área, algo que temos defendido aolongo deste processo de seleção dos trabalhos. O projeto nos permite celebrarnovos tempos na educação física escolar. São tempos de professores maisestudiosos e ousados que valorizam a diversificação de práticas da culturacorporal e rompem com a esportivização que predominou durante anos e anosnas escolas.O projeto acenou com aprendizagens menos centradas na educação dascapacidades e habilidades motoras e valorizou mais as habilidades perceptivo-motoras. No EIXO chamado de Educação dos Sentidos, o professor tinha comoexpectativa básica que seus alunos aprimorassem a capacidade de se localizare se deslocar no ESPAÇO, levando em consideração os diferentes contextos erotinas do dia a dia (casa, escola etc). Durante o trabalho foram mobilizadosconhecimentos (conteúdos) que normalmente, no currículo escolar, sãoabordados em componentes como educação física, geografia, matemática, etc.O CORPO e a sua relação com o ESPAÇO estão na base de muitasaprendizagens sugeridas pela escola.Após a leitura do trabalho, a observação e a avaliação do material enviadoidentificamos as seguintes aprendizagens por parte das crianças:- Ampliação do universo cultural esportivo e conhecimento da modalidadechamada de corrida de orientação (suas regras, sua estrutura e o seufuncionamento);- Evolução no desenvolvimento de funções psicomotoras como organizaçãoespaço-temporal, lateralidade e percepção visual;- Conhecimento (utilização) de como as diferentes formas e estratégias deorientação e localização no espaço evoluíram através dos tempos (estrelas eplanetas, rosa dos ventos, bússola, google earth, GPS etc.);- Percepção do EU no espaço e no tempo (da escola para a minha casa, omunicípio, o estado, o país e o mundo);- Leitura e interpretação de mapas, seus códigos e signos específicos(direções, sentidos, planos e posições etc.);- Elaboração e representação cartográfica (mapa da corrida de orientação)utilizando referências e pontos de localização, projeção, proporção e
  31. 31. simbologias.O projeto ensinou que a Corrida de Orientação, enquanto uma manifestaçãoda cultura corporal, vai muito além de uma simples corrida. Levou os alunosao conhecimento e ao entendimento de que a prática desta modalidadeesportiva exige habilidades de antecipação, raciocínio lógico, abstração etambém construção de estratégias e trabalho em grupo.O professor Luciano abordou os conteúdos da educação física com bastantepropriedade. A educação dos sentidos, mais especificamente o conteúdoLOCALIZAÇÃO (ORGANIZAÇÃO) ESPACIAL, é tema pertinente a ser abordadono primeiro ciclo do ensino fundamental. A ideia de vincular o conteúdo com amodalidade Corrida de Orientação foi muito interessante. Este jeito de fazerdeu mais sentido para as aprendizagens e contribuiu para o encaminhamentodos objetivos propostos. Conseguiu-se assim dar uma dimensão mais culturale menos instrumental para os conteúdos abordados. Os alunos conseguiramvisualizar que estes conteúdos como conhecimento do corpo, espaço, tempo,lateralidade estão presentes nas diferentes práticas corporais e esportivas,entre elas a Corrida de Orientação. A parceria com a Professora Silvanacontribuiu muito para a percepção, por parte das crianças, de que estesconteúdos são universais, ou seja, saberes da geografia, da matemática, entreoutros, passam pelas habilidades de localização, orientação, percepçãoespacial etc.Na etapa de diagnóstico os meninos e as meninas tiveram a oportunidade dese aproximar dos objetivos e conteúdos de uma forma muito saudável. Osconceitos de localização e orientação espacial foram abordados a partir darealidade de cada um. Os alunos foram convidados a olhar para o lugar ondemoram e vivem e tiveram a oportunidade de se localizar no espaço e notempo. Foram elaborados mapas onde cada um pode reconhecer sua casa, suarua, seu bairro, os locais preferidos etc. No segundo momento, iniciou-se umaetapa da sequência que tinha como objetivo a construção do mapa para arealização da corrida de orientação dentro do espaço do SESI. O percursopercorrido pelos alunos contemplou atividades interessantes como o manuseiodo globo terrestre, a construção de uma bússola e a ida no laboratório deinformática para o trabalho com um software da Lego e o Google Earth etc.Todas estas atividades contribuíram para que os alunos pudessem ter osdados e as informações necessárias para a elaboração do mapa da corrida.Nesta etapa também foi realizada uma pesquisa sobre a Corrida de Orientaçãocom o objetivo de esclarecer os alunos sobre suas regras e seufuncionamento. Nesta atividade os conteúdos específicos da corrida (cartatopográfica, sinalética, cartão de ponto, postos de controle, legenda,simbologia, planilha de controle do tempo, estratégias de corrida etc.) foramapresentados às crianças. Como atividades práticas foram realizadas umacaminhada para a identificação dos pontos da simbologia da orientação e umasessão de caça ao tesouro como um pré-desportivo da corrida de orientação.Na terceira e última etapa foram realizadas duas pistas de orientação e umaavaliação mais detalhada de todo o processo vivenciado durante as aulas. NoCentro de Lazer do SESI os alunos tiveram a oportunidade de realizar aCorrida de Orientação de forma muito parecida com a prática oficial. Nas duaspistas foram utilizados o mapa, os cartões de ponto, os prismas de localizaçãoe a planilha eletrônica de controle, todos os instrumentos necessários para a
  32. 32. realização de uma corrida oficial. Foi uma etapa com atividades muito ricas,que realizadas em grupo, tiveram uma relação direta com as habilidades delocalização, orientação e percepção espacial, todas ligadas diretamente aosobjetivos e aos conteúdos previstos no projeto.As atividades realizadas no campo (caça ao tesouro e a própria corrida deorientação) fortaleceram a convivência entre os alunos. São atividades quepor si só convidaram à interação, isto porque aprender Corrida de Orientaçãoé aprender a trabalhar em grupo. Neste projeto a interação entre os alunos foivista mais do que como uma boa estratégia de ensino, como uma necessidadepara a realização da própria corrida. Vale registrar as palavras do professorque destacou no seu relato aprendizagens interessantes relacionadas comatitudes cooperativas e solidárias por parte dos alunos.Projeto 4 – Selecionado entre os 50Professor: Aldrin Guzzo TesseroliTítulo do trabalho: Que lugar os Jogos de Tabuleiros Tradicionais ocupam naescola?Segmento de ensino: Ensino Fundamental I (4ª E 5ª Série) – FundaçãoBradescoCidade: ParanavaíEstado: PRO Projeto foi desenvolvido a partir do tema JOGOS DE TABULEIRO, com aideia de valorizar os jogos chamados de tradicionais (Dama, Xadrez, Trilha,Ludo etc.). O Professor Aldrin constatou na sua prática que as criançasgostavam desta modalidade de jogo, mas poucos conheciam aqueles queforam criados pelas gerações passadas (história, regras, evolução, jeito dejogar etc.).O Projeto configurou-se como um bom relato de que é possível trabalhar comeste conteúdo nas aulas de Educação Física. Aprender a jogar jogos detabuleiro é também aprender (desenvolver) algumas habilidades interessantesrelacionadas com o raciocínio lógico, a solução de problemas e desafios, aconstrução de estratégias e o prazer de jogar junto com os colegas.Consideramos o trabalho relevante porque o professor, com competência,conseguiu mostrar como os Jogos de Tabuleiro podem fazer parte de umcurrículo de Educação Física que valoriza o JOGO como um espaço para boas einteressantes aprendizagens. Chamaram a nossa atenção aspectos como: aclareza e o foco nos objetivos, a coerência da sequência didática nasdiferentes etapas, a qualidade das intervenções do professor e os resultadosconseguidos. Vale ressaltar que nos últimos anos temos recebido muitosprojetos voltados para jogos de tabuleiro, mais especificamente o xadrez.Temos aqui um bom modelo a ser disseminado para professores que desejamtrabalhar com este tema, principalmente porque o projeto amplia o repertóriode jogos e não confunde as aulas de educação física com aulas de xadrez,onde o jogo tenha fim nele mesmo.
  33. 33. Achamos interessante a clareza do professor em olhar para o conteúdo dotrabalho, no caso os jogos de tabuleiro, como um recurso para mobilizar epromover aprendizagens nas dimensões cognitivas, sociais e motoras. Temosaqui um professor que conseguiu pensar na seleção de conteúdos a partir deobjetivos, um detalhe importante que garante intencionalidade e objetividadena ação de ensinar. Quando pensamos em aspectos mais gerais (o jogo comorecurso para...), o professor tinha como expectativas a aprendizagem de 1)habilidades cognitivas relacionadas com o raciocínio lógico, a capacidade deantecipação, a construção de estratégias eficientes e a tomada de decisão; 2)habilidades sociais relacionadas com o jogar junto com diferentes colegas, orespeito às regras construídas de forma coletiva e a valorização dos diferentestipos de jogo como possibilidade de prática nas aulas de educação física e 3)habilidades motoras relacionadas com as coordenações óculo-manuais e aorganização espaço-temporal. Nos aspectos mais específicos as crianças foramconvidadas a aprender mais sobre a história, a origem, a evolução, as regras eas curiosidades dos jogos de tabuleiro conhecidos como tradicionais.O processo de avaliação foi bem conduzido e os resultados foraminteressantes. O professor, quando do envio do material, apresentouinstrumentos de avaliação (pautas de observação) com registros quemostraram uma evolução nos seguintes aspectos:- Os alunos aprenderam a jogar e aprimoraram a sua habilidade de raciocinarlogicamente e construir estratégias. A velocidade para jogar e a diversidade dejogadas utilizadas são indicadores que provam a habilidade dos alunosjogarem com cada vez mais competência.- Os alunos aprenderam sobre a necessidade da tomada de decisão rápida eprecisa como uma condição para jogar bem.- Os alunos aprenderam a identificar e a reconhecer as diferenças entre jogosde tabuleiro, jogos de dados, jogos de cartas e jogos de mesa.- Os alunos aprenderam as regras e as noções básicas de cada jogo, além deinformações, fatos e curiosidades sobre a sua origem e a sua história.- Os alunos aprenderam a jogar de forma mais autônoma, gerenciando commais competência os espaços e os tempos de jogo.- Os alunos aprenderam a utilizar ferramentas tecnológicas (o computador e ainternet) como recursos para melhorar e aprimorar a sua capacidade de jogar.O professor realizou uma boa avaliação diagnóstica, o que permitiu realizar osajustes e as regulações necessárias na seleção dos conteúdos. Os jogos detabuleiro selecionados e apresentados como os conteúdos do projetopareceram pertinentes e foram bem tematizados pelo professor. O projetocumpriu com a sua missão de transmitir às novas gerações a cultura dos jogosde tabuleiro de uma forma saudável e motivante. O trabalho convenceu econseguiu mostrar que o jogo de tabuleiro pode ser um bom recurso para otrabalho da educação física com a faixa etária selecionada. Gostamos muito darelação estabelecida entre o conteúdo e as aprendizagens voltadas para ashabilidades da cognição.Um dos aspectos mais relevantes deste projeto foi o encaminhamento e odesenvolvimento das etapas da sequência didática. Temos aqui um trabalhocom começo, meio e fim; muito coerente na relação entre as atividades(estratégias) realizadas e os objetivos e conteúdos selecionados. Na etapa de
  34. 34. diagnóstico o professor, com boas perguntas (Quais os jogos de tabuleiro quevocês conhecem? O que caracteriza um jogo de tabuleiro? Podemos jogar aquina escola?...), identificou o conhecimento prévio dos alunos sobre o tema.Ainda nesta fase grupos de trabalho foram formados para a realização depesquisas sobre a história e a evolução dos diferentes jogos. Os meninos e asmeninas, a partir de um roteiro sugerido pelo professor, investigaram emfontes como internet, revistas e livros especializados informações sobre osseguintes jogos: xadrez, dama, trilha, ludo, jogo da velha, go, gamão emancala. Os resultados das pesquisas foram apresentados em plenárias e asclasses tiveram a oportunidade de escolher os jogos que seriam jogados naspróximas aulas. A pesquisa e a apresentação nas plenárias contribuíram paraque os alunos pudessem pensar nas possibilidades de prática dos diferentesjogos na escola (produção dos tabuleiros e das peças, espaços para jogar,estratégias para incluir a todos nos jogos etc.). Todo este processo deadaptação e construção do material foi importante para que os objetivos e osconteúdos previstos fossem contemplados. Na etapa seguinte os alunostiveram a oportunidade de jogar concretamente os jogos selecionados (dama,xadrez, trilha e go). Foram 12 aulas de prática onde todos os alunos tiveram aoportunidade de experimentar os diferentes jogos. Nestas aulas, realizadasem uma sala, os meninos e as meninas aprofundaram seus saberes sobrecada jogo, desde o conhecimento das regras e o funcionamento do jogo até oaprimoramento das estratégias e dos diferentes jeitos de jogar. Para finalizar oprojeto os alunos foram convidados a compartilhar suas aprendizagens comoutras turmas da escola. Foram organizados grupos de monitoria edisponibilizados jogos para o horário do intervalo. As turmas do 4º e 5º anosensinaram aos colegas os jogos estudados. Nesta etapa também foramrealizados jogos de trilha e dama em um tabuleiro gigante, onde os alunos,caracterizados como peças vivas, mostraram aos colegas o que aprenderamsobre cada jogo. Durante esta atividade foram apresentados para toda aescola os produtos das pesquisas realizadas no início do projeto. O professormediou este trabalho e aproveitou a oportunidade para motivar a prática dejogos de tabuleiro entre as crianças. Como forma de fechamento dos estudose disseminação da proposta o professor criou um blog para incentivar jogosonline. O blog serviu como mais um espaço de estudo e aprendizagem, ondeos alunos puderam registrar suas opiniões e suas avaliações sobre o projeto.A interação entre os alunos foi uma constante neste trabalho. Penso que oprofessor cuidou disso com esmero e carinho. Desde o início, na etapa dediagnóstico, até o final os meninos e as meninas foram incentivados ainteragir uns com os outros. As produções enviadas pelo professor estavamrecheadas de fotos e vídeos que ilustraram bem a qualidade das interaçõesentre os alunos. A pesquisa em grupo, a plenária, a construção do material e aprópria ação de jogar foram exemplos que contribuíram para esta avaliação.Relatos do professor relacionados com a capacidade dos alunos de jogarjuntos, com diferentes colegas e respeitando as regras acordadas são bonsindicadores de que a interação e o trabalho em grupo foram valorizados.Projeto 5 – Selecionado entre os 50
  35. 35. Professora: Daiene Cruz MercadoTítulo do trabalho: Projeto Pulando CordasSegmento de ensino: Ensino Fundamental I (3ª e 4ª Séries) – EscolaMunicipalCidade: São PauloEstado: SPA brincadeira de PULAR CORDA foi o tema principal do Projeto desenvolvidopela professora Daiene com grupos de meninos e meninas das 3ªs e 4ªsséries em uma escola municipal de São Paulo. Ela abordou esta prática comcompetência e promoveu interessantes aprendizagens relacionadas com amotricidade e a cultura do brincar. A partir do projeto as crianças que nãosabiam pular corda aprenderam a brincar e os diferentes grupos passaram aenxergar a brincadeira como uma prática da cultura onde meninos e meninospodem estar juntos, divertindo-se e valorizando as aulas como um espaço departicipação e inclusão.O trabalho foi relevante porque integrou as dimensões do fazer e docompreender, normalmente apartadas no cotidiano das aulas de educaçãofísica. É um equívoco pensar que as crianças chegam à escola já sabendobrincar... Brincar, como qualquer conhecimento, é algo que se aprende!!!Temos aqui uma sequência didática que levou as crianças a pensar sobre oBRINCAR, sobre o melhor jeito e a melhor forma de resolver os desafios e assituações-problema que se apresentam na AÇÃO de pular corda. Este projetotorna-se referência para uma educação física construtiva que entende oaprendizado como um processo que passa pelo ciclo problema-hipótese-pesquisa-regulagem-aprendizado. Vimos ainda os seguintes aspectos positivosno trabalho: 1) Sistematização da avaliação diagnóstica; 2) Qualidade dasintervenções realizadas pela professora no sentido de desafiar as crianças paranovas aprendizagens; 3) Estratégias (perguntas) utilizadas para mobilizar opensamento das crianças sobre o desafio de pular a corda e 4) Preocupaçãocom a inclusão de todos nas aulas.O projeto apresentou como objetivo geral o ensino (aprendizagem) de jogos ebrincadeiras da cultura local para todas as crianças da escola. Como objetivosespecíficos (expectativas), mais relacionados com o tema/o conteúdo PULARCORDA, a professora acenou com aprendizagens relacionadas aoconhecimento da brincadeira e suas possíveis variações; à execução dashabilidades motoras relacionadas com o pular corda de forma consciente e nãomecânica e ainda ao entendimento e à valorização das brincadeiras comopráticas de todos (meninos, meninas, alunos com NEEs etc.).Na descrição da avaliação do processo de aprendizagem foram apresentadosos seguintes resultados:- As crianças aprenderam novas formas de brincar e pular a corda;- Os meninos e as meninas melhoraram as suas habilidades e as suascoordenações motoras (empunhadura para bater a corda, saltos, organizaçãoespaço-temporal);
  36. 36. - Um número maior de crianças passou a participar das brincadeiras de cordanos momentos do recreio e intervalos;- Os meninos e as meninas passaram a brincar mais juntos e romperam com opreconceito de que pular corda é “coisa de menina”.A professora relata também que os alunos melhoraram a sua capacidade debrincar em grupo. Os conflitos diminuíram e houve evolução na capacidade debrincar junto, unificando e respeitando as regras.A brincadeira de PULAR CORDA, conteúdo central da proposta, pareceu-nosbastante significativo para este grupo de crianças de 3ª e 4ª série. Comoacenamos no relato do Projeto do Jogo da Amarelinha (indicado também paraos 50 melhores trabalhos neste ano de 2011) pensamos que a EducaçãoFísica, como qualquer componente curricular, deve olhar para o futuro, mastambém tem a missão de ensinar um conhecimento relacionado com o tempopresente. Crianças brincam de pular corda na escola e este saber tem muitosentido, principalmente quando pensamos em aspectos como inclusão eparticipação ativa na rotina escolar. Crianças que não sabem brincarprovavelmente serão excluídas ou marginalizadas. Conteúdos (expectativas deaprendizagem) nas dimensões conceitual, procedimental e atitudinal foramencaminhados de forma pertinente pela professora. Ela (a professora) cumpriubem a sua tarefa de ampliar o saber das crianças sobre esta brincadeira dacultura infantil. Suas intervenções garantiram novas aprendizagens, ascrianças criaram novas formas de brincar a partir daquelas já conhecidas epassaram a jogar e a conviver em grupo de forma mais cooperativa ecolaborativa.Na leitura e avaliação do material enviado observamos coerência nas etapasdo trabalho, principalmente nas fases de mapeamento e desenvolvimento. Aprofessora, no início do trabalho, utilizou uma estratégia interessante paraidentificar a habilidade motora das crianças para brincar com a corda. Elaaplicou um protocolo de avaliação para verificar as capacidades deempunhadura (coordenação para bater a corda) e impulsão vertical(coordenação de saltos sobre a corda em movimento) dos meninos e dasmeninas. Com base nos resultados foram definidos os grupos de trabalho erealizadas as adequações para que todos pudessem brincar de corda. Foramformados grupos heterogêneos e, pelo que pudemos constatar, os que sabiammais ajudaram a ensinar aqueles que sabiam menos. No desenvolvimento dasequência, após o diagnóstico e divisão dos grupos, as atividades realizadasna quadra foram bem interessantes. Neste momento as crianças tiveram maistempo para experimentar as diferentes formas de brincar com a corda, novosdesafios foram sugeridos e as aprendizagens ligadas ao fazer e compreenderse efetivaram. Esta foi a melhor etapa do projeto... Com boas perguntascomo: Qual é o melhor jeito de bater a corda? Qual a melhor posição parapular e enxergar a corda? Qual a melhor forma de pular? Existem jeitosdiferentes de pular? a professora mobilizou os alunos a pensarem sobre ofazer. Neste momento os alunos levantaram e testaram as suas hipóteses,desenvolveram seu poder de argumentação, encontraram as melhores formase os melhores jeitos de pular a corda e socializaram suas aprendizagens eseus conhecimentos. A isso dou o nome de uma educação física que integra ofazer e o compreender, o corpo e a mente. Na 3ª etapa, denominada pelaprofessora de produto final, os grupos elaboraram uma coreografia com a
  37. 37. corda utilizando músicas e cantigas populares. Achei interessante a ideia defechamento, principalmente porque solicitou a participação de todos os alunose não apenas daqueles que tinham mais habilidade para brincar com a corda.Na etapa de desenvolvimento do projeto, quando foram formados os gruposde trabalho para o estudo e o entendimento da brincadeira de pular corda, aconvivência entre os alunos foi uma constante. As rodas de conversa para aapresentação e a discussão das propostas, as investigações sobre as melhoresestratégias e técnicas para pular corda, os registros dos grupos sobre suashipóteses, investigações e conclusões, os meninos e as meninas brincandojuntos, entre outras ações, são exemplos de situações onde a interação entreos alunos contribuiu e facilitou para que as aprendizagens esperadaspudessem ser efetivadas. A capacidade de brincar juntos e a diminuição dosconflitos e intervenções da professora durante as aulas são também bonsindicadores de que a interação e o trabalho em grupo foram valorizados.8. CONSIDERAÇÕES FINAIS Finalizamos mais uma etapa de trabalho como selecionador da área deeducação física com a sensação do dever cumprido. Após trabalharmos emquatro edições seguidas do prêmio podemos afirmar que a área de educaçãofísica caminha “de vento em popa”. Pelo terceiro ano consecutivo tivemos umtrabalho selecionado entre os 10 melhores e, pela primeira vez, quatroprojetos eleitos entre os 50. Entre tantos trabalhos que participam do Prêmio,é sempre importante que a área esteja presente e representada. Temos nestaedição referências de uma boa educação física que, sem dúvida, podem serdisseminadas pelas escolas brasileiras. É fato que os desafios também sãograndes, mas é momento de celebrar e parabenizar os professores querealizam um belo trabalho por este Brasil. Como selecionador da área é positivo verificar que os professores deEducação Física estão cada vez mais preocupados com a sistematização do seutrabalho e com o registro e avaliação da sua prática. Este foi um ano em que aqualidade predominou sobre a quantidade. Os professores enviaramsequências didáticas mais completas, mais detalhadas e mais coerentes narelação objetivos, conteúdos, indicadores e instrumentos de avaliação. Isto nosajuda a identificar e a reconhecer as aprendizagens dos alunos e legitima aeducação física escolar. É importante lembrar que na boa escola só sobrevivemaqueles que conseguem mostrar que são capazes de ensinar. Em um país continental como o Brasil e com um universo tão vasto ediversificado de escolas o prêmio cumpre a sua função de lançar sementes e
  38. 38. alimentar uma rede que trabalha para melhorar o nível de qualidade daeducação oferecida nas nossas escolas. Professores que participam desteprocesso estão investindo na sua formação profissional e evoluindo noprocesso de sistematização e intencionalidade da sua prática. Estão maverdade melhorando a sua competência de ensinar. Trabalhar como selecionador do Prêmio tem sido uma experiência ímparna nossa trajetória como educador. Todos os anos, durante o processo deleitura e seleção dos trabalhos, temos a oportunidade de viver em um espaçode formação pessoal e profissional muito significativo. A convivência com aequipe de coordenação e com os selecionadores das outras áreas nos motiva aestudar e a ampliar nossos olhares para uma avaliação mais precisa e críticada qualidade de nossa Educação. O grande legado que o prêmio deixa para todos aqueles que se envolvemanualmente nas fases de inscrição, leitura e seleção dos trabalhos é apossibilidade de conhecer um pouco mais sobre a Educação brasileira. Otrabalho é árduo, mas também muito gratificante. É uma felicidade finalizar oprocesso encontrando professores que fazem valer a sua missão de ENSINAR.

×