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Tiago baptista

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Tiago Baptista - finalista PNA 2013

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Tiago baptista

  1. 1. Tiragem: 15000País: PortugalPeriod.: SemanalÂmbito: RegionalPág: 8Cores: CorÁrea: 24,25 x 32,59 cm²Corte: 1 de 3ID: 48029402 30-05-2013Entrevista“Ninguémpodeserpobre,muitofelizebomprofissional”TiagoBaptista,artistaplásticodeLeiriavencedordoPrémioFidelidade-MundialJovensPintoreseem2009finalistadoPrémioEDPNovosArtistas,dizqueoscriadorestêmdeseragentesactivosnasociedadeequestionararealidadeemquevivem,atitudequemereceespecialatenção,numpaísondehá“pessoassemescrúpulos”quetomaram“contadademocracia”Jacinto Silva Durojacinto.duro@jornaldeleiria.ptEm todas as suas fanzines e obrasplásticas está presente uma visãobastante crítica do quotidiano. NolivroFábricas, Baldios, Fé e Pedrasatiradas à Lama, por exemplo,que foi distinguido com o PrémioMelhor fanzine dos Prémios Na-cionais de Banda Desenhada, atri-buídos pelo Amadora BD, isso éalgo bem presente, da capa à con-tra-capa. O papel do artista na so-ciedade actual é questionar?O papel do artista sempre foi pôrem questão as coisas que o ro-deiam e a realidade. Subjacente àarte está sempre esse conceito.Contudo, quando o autor convocaquestões políticas para o seu tra-balho - que pode e deve fazer – nãodeve nunca ter a intenção de fazeruma arte panfletária ou propagan-dista, porque isso é outro território.O artista tem de ser um agente ac-tivo na sociedade e deve questionara realidade em que vive. Claro quehá várias maneiras de o fazer eumas mais subtis que outras.Essa obrigação é mais perceptívelem tempos de crise?Nesses momentos, o artista deveestar atento ao que se passa em seuredor. O meu problema, em relaçãoa questões políticas na arte, é quan-do ela possa cair num discursopropagandista. Quando o artistapega em determinadas questõespolíticas e sociais tem de ter aten-ção para não fazer uma arte que de-fenda uma só visão das coisas. Aarte é política porque cria pensa-mento mas não é panfletária...Que temas ficam para o artistaabordar?Ele pode levar para o seu trabalhotudo e mais alguma coisa. Nos mo-mentos de crise, não deve apenasconcentrar-se a fazer arte que cha-me a atenção dos cidadãos sobre arealidade política e social em quevive. Pode fazê-lo, mas, mais im-portante que isso, é o artista ser umagente activo na denúncia, até en-quanto cidadão. Se tem esse espa-ço que lhe permite pôr em questãoalguma situação especifica do con-texto político ou social, pode fazê--lo, mas de uma maneira inteli-gente. Mas isso nem sempre é fácil,porque estamos a falar tambémde uma experiência estética dapercepção do real e não da expe-riência da realidade em si. A arte re-laciona-se com a experiência doreal mas o que deve procurar fazeré questioná-lo, procurando outrasformas de dar a ver a realidade. Épor isso que as questões relacio-nadas com o contexto político sãotão difíceis de abordar, porquedeve tentar-se criar pensamento elevantar questões de uma formasubtil. A arte não pode ser apenasuma plataforma informativa. A artedeve ter e apresentar um outro en-tendimentodoreal.Semequiserin-formar correctamente enquanto ci-dadão sobre algum assunto, leiojornais, leio livros, pesquiso na in-ternet, mas aí levantam-se outrasquestões ligadas à manipulação dainformação nos media.Na sua obra, por vezes, cria perso-nagens de forma semelhante à dacriação literária.A literatura está presente no meutrabalho. É verdade. Mas os estí-mulos que uso nas minhas obrassão variados. Não vêm apenas da li-teratura. Eles aparecem a partirdos livros, música, cinema e de si-tuações quotidianas – quando andode comboio ou na rua, por exemplo.As minhas pinturas são uma espé-cie de narrativa ou simples apre-sentação de uma situação que podeespoletar leituras e interpretaçõessobre o que estão as personagens afazer, ou o que aquela imagem deuma paisagem pode significar. Nofundo, é uma tentativa de criar umdiscurso, a posteriori, do que se vênas pinturas. A relação com a lite-ratura pode ter a ver com o facto deeu dispor personagens em contac-to directo ou de costas voltadas,num determinado espaço e criaruma situação de leitura desse re-gisto. É uma tentativa de criar umarepresentação do real. Há roupas,casas, pedras, árvores e as pessoaspodem estar bem ou mal humora-das. Na construção de imagens quetêm uma relação directa com a rea-Éridículoumapessoaterdevenderpipocas,ououtracoisaqualquer,parapagarosestudos.Quemdizessascoisas,temintençãodedeixaraspessoasmalinformadas...Em destaque
  2. 2. Tiragem: 15000País: PortugalPeriod.: SemanalÂmbito: RegionalPág: 9Cores: CorÁrea: 24,73 x 33,11 cm²Corte: 2 de 3ID: 48029402 30-05-2013ENTREVISTA COM O APOIO DE:JACINTO SILVA DUROlidade, pode estar essa ligação coma literatura. Não é uma descrição es-crita, mas uma representação visualde uma realidade. Eu dou as ima-gens e o que me interessa é que,cada um, possa criar uma inter-pretação do que vê.“Bater punho e vender pipocas”,como diz o publicitário MiguelGonçalves, embaixador do pro-grama Inov-Jovem, como metáfo-ra de vencer na vida, chegam paraum artista ser reconhecido?Bater punho e vender pipocas parapagar propinas é uma parvoíce detodo o tamanho. Essas frases sãocoisas que me aborrecem profun-damente... fico mesmo triste. Sãotantas as coisas semelhantes que seouvem, que parece que fico soter-rado numa espécie de avalanche deraiva. É ridículo uma pessoa ter devender pipocas, ou outra coisaqualquer, para pagar os estudos.Quem diz essas coisas, tem inten-ção de deixar as pessoas mal in-formadas... conformadas. Fazendocrer que o normal é ter que traba-lhar para sustentar os estudos,quando o normal é ter um períodode tempo para nos concentrarmosapenas no que estamos a estudar.Nos media e redes sociais só se falanesse tipo de declarações, que sãouma provocação a quem está atentar construir uma carreira. En-quanto artista, sinto que é ridícu-lo não ter o tempo todo para poderdedicar-me à criação. Os médicose enfermeiros passam o tempotodo a praticar para serem melho-res... Mas os artistas têm de ter um“trabalho normal” e só se dedicamà sua vocação artística, no tempolivre, depois de passarem oito oumais horas a trabalhar. Esta opiniãogeneralizada de que a produçãocultural não é trabalho é uma coi-sa que deve ser combatida. O tra-balho artístico é tão importantecomo outras áreas profissionais edeve ser pago. Todos os artistasquerem ser reconhecidos pelo tra-balho que fazem, não é por ven-derem pipocas e baterem punho. Jávendi pipocas e sei bem do que es-tou a falar. O mais preocupante é amediatização que se faz de decla-rações desse tipo... como se tivés-semos de aceitar tudo.É como se fosse uma das máxi-mas do Estado Novo: “o portuguêsé pobrete, mas alegrete”...Exacto. “Somos pobres, mas mui-to felizes”... Ninguém pode serpobre, muito feliz e bom profis-sional. Um bom engenheiro, mé-dico ou artista não consegue sermuito bom se não tiver tempo econdições monetárias, para se con-centrar no que faz. O mesmo acon-tece com outro profissional qual-quer, até com os operários fabris ouos sapateiros. As pessoas têm assuas áreas de trabalho e para dar omelhor de si, de forma honesta esincera, não podem estar preocu-pados com pressões económicas ea pensar em todo o trabalho extraque vão ter de fazer, apenas parapagar contas. Não é assim que seconstrói o futuro.Que perspectivas de futuro tem,nestemomento,alguémcomobrasem ao espólio de fundos importan-tes e que venceu o Prémio Fideli-dade-Mundial Jovens Pintores?Tenho um espaço de trabalho naGaleria Zé dos Bois. É uma coisaincrível, que me permite trocarideias com outros artistas comquem posso partilhar o trabalho.Estar integrado neste contexto,faz-me entrar em contacto comcoisas novas e com outras manei-ras de pensar. Estou muito gratopor isto. Na semana passada, acon-teceu-me uma coisa muito boa.Fui seleccionado para os finalistasda 10.ª edição do Prémio EDP No-vos Artistas.Estes prémios vieram abrir-meoutras perspectivas de futuro, poisé-nos atribuída uma verba paracriar uma exposição ou um traba-lho novo. Tenho alguma sorte,mas tenho amigos para quem istoé insuportável. Não podem fazerplanos de vida. Infelizmente, omesmo também se passa com oresto da população toda. Nin-guém, pode fazer planos paranada... Não se pode pensar em tercasa, em ter filhos. É impossívelviver assim. Não sei como as pes-soas aguentam...UmsonhoQueaspessoastenhamconsciência!TiagoBaptistanasceuem1986eélicenciadoemArtesPlásticaspelaEscolaSuperiordeArteeDesigndeCaldasdaRainha.Viveuatéaos18anosemFreiria,freguesiadeCaranguejeira,concelhodeLeiria.Em2009,recebeuoPrémioFidelidade-MundialJovensPintoresecontacomváriasobrasemacervos,comoacolecçãoAntónioCachola,noMuseudeElvas.Nestemomento,desenvolveumaresidênciaartísticanaGaleriaZédosBoisefoiseleccionadocomoumdosfinalistasda10.ªediçãodoPrémioEDPNovosArtistas.Tiagoéumartistaquesemprecreditounapossibilidadedetornarasociedademaisjustaenuncadeixoudeusaraartecomoformadecontestação.“Hácriminososnaclassepolítica,quegastammalodinheiropúblicoenãosãojulgados.Aculpadasituaçãotambémédaspessoasquenãosequereminformaresedemitiramdosseusdeveres,deixandoqueoutros,semescrúpulosesemamínimaconsciênciatomemcontadademocracia”,entendeoartistaplásticoqueadiantaquealiberdadeeademocraciasãocomoumjardim.“Temosdecuidardasflores,senão,quandonosapercebermossótemoservasindesejáveisportodoolado.Depoisaspessoasqueixam-sequevotarammal,masnãofizeramnadaparaalterarasituação.Gostariaquecomeçassematomarconsciênciaque,alémdosseusdireitos,tambémtêmdeverescívicosequehácriminosos,poraí,afazerumamágestãodosdinheirospúblicos.”TiagoBaptistatempatenteumaexposiçãonofoyerdoTeatroJoséLúciodaSilva,emLeiria.FaltaprogramaçãoInfra-estruturasculturaissub--aproveitadasT Leiria tem uma identidade quepossaserusadaparaatrairtodososleirienses e criar um projecto dedesenvolvimentoemtornodeumaideia comum?Nunca vivi plenamente Leiria. Usu-fruodelaenquantolocalquetemin-fra-estruturasculturaiseserviços.Éclaro que tenho uma relação emo-cional com a cidade, mas nuncasoube o que era viver dentro da suaárea urbana. Não consigo imaginaro que seria a identidade de Leiria. Éumlocalcomváriasinfra-estruturasculturais sub-aproveitadas – e isso éimpressionante porque se trata deumsítiocommuitopotencial.Háes-paços novos, como o edifício PraçaEça de Queiroz... que não sei o queé nem para que serve. Calculo quetenha um auditório e salas, mas oque costumo ver é um edifício comumas pessoas que fazem umas pin-turas e umas cadeiras lá ao fundo...Também há o Moinho de Papel... emuitossítiosondepoderiaacontecermuita coisa, como o Mimo e o Mer-cadoSantAna.Poderiamservividosefuncionarcomosedeoulocaldetra-balho de associações culturais – eemLeiriahámuitas–podiamacolherexposiçõeseconcertos,terateliers,or-ganizarem-seresidênciasartísticas...podiamatétercoisasdeoutrasáreasforadacultura.Masestesespaçospú-blicos estão subaproveitados e háumentraveaoseuusufruto.Talvezsehouvesse um compromisso e umplano real de programação conjuntadestes locais pudessem funcionarcomoumaidentidadedeLeiria.Comoumacidadecompotencialparafixarpopulações,criarempregoepôramá-quina a funcionar.Se as associações, que apareceramnosúltimosanos,seunissemnumafrente comum, esquecendo diver-gências, teriam massa crítica paracriarumlobbydaculturaemLeiria?Penso que sim. Mas os que se passaé que os interesses são dispersos e énormal que existam várias associa-ções com vários caminhos e inte-resses diferentes. Isso provoca al-gumas clivagens. Claro que, se hou-vesse união, poderia haver maiorpressão e os objectivos seriam maisfacilmenteconseguidos.Maisdoqueasclivagensentreasassociações,háum problema político da autarquia.Emtodoolado,enãoapenasemLei-ria, usam-se os fundos disponíveisparaconstruirespaçosculturaise,de-pois,nãohádinheiroparacriarumaprogramação consistente. Foi o queaconteceunoCentroCívico“Eçacoi-sa”... Fez-se aquilo, que é uma obraimportante,masdepoisnãohaviadi-nheiroparapagarapessoasparatra-balharláoufazerumaprogramação.Seiqueodinheironãochegaparato-dos, mas devia haver um planea-mento da res publica.
  3. 3. Tiragem: 15000País: PortugalPeriod.: SemanalÂmbito: RegionalPág: 1Cores: CorÁrea: 4,57 x 5,48 cm²Corte: 3 de 3ID: 48029402 30-05-2013TiagoBaptista,artistaHáaopiniãodequeaartenãoétrabalhoPágs.8/9

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