Psicologia da religião

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Psicologia da Religião , Psicologia da religião é o estudo do fenômeno religioso do ponto de vista psicológico, ou seja, a aplicação dos princípios e métodos da psicologia ao estudo científico do comportamento religioso do homem, quer como indivíduo, quer como membro de uma comunidade religiosa. Nessa definição, "comportamento religioso" refere-se a qualquer ato ou atitude, individual ou coletiva, pública ou privada, que tenha específica referência ao divino ou sobrenatural. Obviamente, esse divino ou sobrenatural é definido em termos da fé pessoal de cada indivíduo.

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Psicologia da religião

  1. 1. Psicologia da Religião Filipe Rhuan Vieira de Sá Cruz
  2. 2. Definição <ul><li>Psicologia da religião é o estudo do fenômeno religioso do ponto de vista psicológico, ou seja, a aplicação dos princípios e métodos da psicologia ao estudo científico do comportamento religioso do homem, quer como indivíduo, quer como membro de uma comunidade religiosa. Nessa definição, &quot;comportamento religioso&quot; refere-se a qualquer ato ou atitude, individual ou coletiva, pública ou privada, que tenha específica referência ao divino ou sobrenatural. Obviamente, esse divino ou sobrenatural é definido em termos da fé pessoal de cada indivíduo. </li></ul>
  3. 3. História da Psicologia da Religião <ul><li>Apesar do esforço de alguns de enquadrar a psicologia da religião no campo geral da psicologia científica, ainda existem certas barreiras que impedem tal relação mais íntima. Na proporção, porém, em que melhores métodos de pesquisa forem introduzidos no estudo psicológico do fenômeno religioso, a psicologia da religião desfrutará status acadêmico mais favorável. </li></ul>
  4. 4. O Fenômeno Religioso <ul><li>Ao psicólogo da religião interessa não somente o fato de que em todas essas culturas se encontram formas de comportamento religioso, mas também o fato singular de que, apesar das grandes diferenças quanto às crenças e práticas dos vários povos, há muitas similaridades entre elas, o que sugere a existência de um fator comum à experiência religiosa de todos os homens. </li></ul>
  5. 5. Definição de Religião <ul><li>Para Êmile Durkheim, religião é um fato essencialmente coletivo. Diz ele: &quot;Religião é um sistema unificado de crenças e práticas relativas a coisas sagradas, isto, a coisas separadas e proibidas - crenças e práticas que unem, numa comunidade moral chamada igreja, a todos aqueles que a elas aderem. </li></ul>
  6. 6. Origem da Religião <ul><li>Os estudos de antropologia cultura. parecem indicar que expressões religiões existem praticamente em todos os níveis de civilização. A religião, portanto, nasceu com o próprio homem pré-histórico. </li></ul>
  7. 7. A Experiência Religiosa <ul><li>Há vários tipos de experiências e todas elas podem ser conceituadas como resposta a diversos estímulos. A psicologia encarrega-se de determinar o limiar da consciência de determinadas realidades, ou seja, o ponto em que o organismo se torna sensível a essa realidade. </li></ul>
  8. 8. Comportamento Religioso <ul><li>Comportamento religioso é qualquer ato ou atitude que tem referência específica ao divino ou sobrenatural. </li></ul>
  9. 9. Interpretação Psicológica do Fenômeno Religioso <ul><li>Várias teorias, desde então, têm surgido como tentativa de interpretação do fenômeno religioso. Apresentaremos, a seguir, algumas das teorias que consideramos mais representativas. Entre as muitas interpretações psicológicas do fenômeno religioso, salientamos as que nos parecem mais importantes: </li></ul>
  10. 10. Interpretação Psicológica do Fenômeno Religioso <ul><li>Para Freud, a religião nada mais é do que a projeção infantil da imagem paterna. Ela é uma ilusão, não porque seja má em si, mas porque tende a levar o homem a fugir de sua realidade e contingência humanas. </li></ul><ul><li>Para Jung, a experiência religiosa resulta do inconsciente coletivo, que por sua vez, é composto de energias dinâmicas e de símbolos de significação universal. A experiência religiosa é fundamental ao funcionamento harmonioso do psiquismo e ajuda o homem a compreender realidades do universo que não podem ser conhecidas de outras maneiras. </li></ul>
  11. 11. Interpretação Psicológica do Fenômeno Religioso <ul><li>Para Allport, a experiência religiosa é algo essencialmente pessoal, sujeito às leis de evolução psicológica, e seu aspecto intelectual é mais importante do que emocional. A religião é fator importantíssimo na integração da personalidade. Ele diz que religião é o esforço do homem para unir-se à criação e ao Criador com o fim de ampliar e completar sua própria personalidade. </li></ul><ul><li>d) Para Anton Boisen, e experiência religiosa tem basicamente a mesma dinâmica da esquizofrenia. Diz ele que tanto a esquizofrenia como. a experiência religiosa profunda são tentativas à integração do &quot;eu&quot;. Quando a personalidade se vê ameaçada ao ponto de sua desintegração, recorre ao método mais eficaz para evitar a catástrofe. </li></ul>
  12. 12. Evolução da Experiência Religiosa <ul><li>A evolução da experiência religiosa está sujeita aos mesmos princípios gerais da evolução psicológica do homem, visto que religião não é mero apêndice à vida, porém parte integrante e vital da personalidade; </li></ul><ul><li>Em cada fase da vida do homem, a religião tem características típicas e cumpre determinadas finalidades ou propósitos. </li></ul>
  13. 13. Fé e Dúvida <ul><li>O psicólogo, enquanto psicólogo, não discute a lógica da fé, sua ou sua veracidade. Cabe- lhe apenas a tarefa de estudar como se forma, como se desenvolve e que funções desempenha na vida do indivíduo. </li></ul>
  14. 14. Fé Religiosa <ul><li>O estudo psicológico da fé religiosa é, entretanto, extremamente complexo, porque é muito difícil verificar se determinado indivíduo tem ou não fé religiosa. A maneira mais óbvia de saber se um indivíduo tem fé religiosa, apesar de todos os seus defeitos como método de pesquisa, é perguntar ao próprio indivíduo. </li></ul>
  15. 15. A Dúvida Religiosa <ul><li>Intimamente ligado ao problema da fé está o problema da dúvida religiosa. A dúvida é parte integral do desenvolvimento religioso do homem, bem como de todo o processo evolutivo de sua personalidade. A dúvida, como atitude resistente, pode levar o homem à indiferença e ao desespero, que constituem obstáculos a qualquer ação construtiva e tornam impossível os empreendimentos criadores. </li></ul>
  16. 16. Conversão Religiosa <ul><li>Estudo psicológico da conversão religiosa é, de fato, o marco inicial dos estudos de psicologia da religião em sua versão moderna e contemporânea. Há pelo menos duas razões para que assim acontecesse. Em primeiro lugar, o início dos estudos dos fenômenos religiosos, em bases mais empíricas, coincide historicamente com os grandes movimentos de avivamento religioso e a grande ênfase na mudança de vida causada pelo poder do evangelho. </li></ul>
  17. 17. O Processo de Conversão Religiosa <ul><li>O processo da conversão religiosa parece ter certas características comuns. Não importa qual seja a religião do homem, sua conversão é, ordinariamente, marcada por certos estágios bem definidos. Quase todos os autores que estudam o fenômeno da conversão religiosa reconhecem pelo menos três estágios fundamentais: o período de inquietação, a crise propriamente dita e o período de paz que segue a &quot;solução&quot; do problema espiritual. Drakeford acrescenta a esse um quarto estágio isto é, a expressão concreta dessa experiência através da vida e do comportamento do indivíduo. </li></ul>
  18. 18. O período de inquietação <ul><li>Nesse período o indivíduo reconhece que algo lhe está faltando e ele mesmo toma a iniciativa em procurar a solução para o seu problema. </li></ul>
  19. 19. A Crise Propriamente Dita <ul><li>Descrevendo essa fase, Clark diz que, sem a interferência de um estímulo exterior, de repente, algo extraordinário acontece – uma grande iluminação, um sentimento de que os problemas da vida foram todos resolvidos. Por exemplo, Agostinho lê um texto bíblico e, de repente, sente-se uma nova criatura. Tagore, ao ouvir a interpretação de um antigo Upanisbad, sente o bálsamo divino cair sobre si. </li></ul>
  20. 20. Estágio de Paz e Harmonia Interior <ul><li>Clark diz que, na proporção em que a emoção do momento climático se desvanece, o indivíduo começa a experimentar alívio, paz e harmonia interiores. As dúvidas cessam momentaneamente. O homem nota que tem fé; sente que está unido a Deus, que seus pecados foram perdoados, seus problemas foram resolvidos, que está salvo. </li></ul>
  21. 21. Maturidade Religiosa <ul><li>Maturidade religiosa implica na convicção da existência de um Ser Supremo e de idéias básicas sobre a vida e o universo. Essa convicção dá suficiente sentido à vida do homem e leva-o a um comportamento moral consistente com sua filosofia de vida e suas crenças religiosas. </li></ul>
  22. 22. Maturidade Religiosa <ul><li>Finalmente, a maturidade religiosa caracteriza-se pela capacidade de amar o próximo, de ser humilde, de ser criativo, de ajustar-se socialmente e de ser consagrado aos objetivos supremos da vida como concebidos pelo indivíduo. </li></ul>
  23. 23. Oração e Adoração <ul><li>A oração é uma das experiências religiosas mais comuns entre os homens. Heiler afirma que a oração é o fenômeno central da religião e a perda fundamental de toda piedade. Ele cita Lutero, quando diz que a fé nada mis é do que oração. A oração é, de fato, o elemento central do comportamento religioso. A prática da oração é, talvez, o índice mais seguro da religiosidade de uma pessoa. </li></ul>
  24. 24. Oração <ul><li>Falando sobre o conteúdo da oração primitiva, Heiler diz que são estes os seus elementos constítutivos: </li></ul>
  25. 25. Invocação <ul><li>A invocação do nome do ser divino e seus atributos pessoais é o primeiro elemento de toda oração. A pessoa que ora ordinariamente invoca a presença de seu Deus com frases exclamativas, como &quot;Ouve-me!&quot;, &quot;Ouve-nos!&quot;, &quot;Ouve a nossa voz!&quot;, Ouve a nossa súplica!&quot; ou outras frases semelhantes. </li></ul>
  26. 26. Queixa ou Pergunta <ul><li>Muitas vezes a oração primitiva é uma espécie de protesto ou uma pergunta que revela a insatisfação do homem com a divindade a quem ora. </li></ul>
  27. 27. Petição <ul><li>Petição é o elemento central da oração. O homem primitivo ora quase exclusivamente por coisas úteis ou que contribuam para a sua felicidade pessoal. </li></ul>
  28. 28. Intercessão <ul><li>A preocupação com o bem-estar dos demais membros da tribo leva o homem primitivo a interceder por eles. Esse estágio da oração é realmente elevado e não muito freqüente entre o chamado homem primitivo. </li></ul>
  29. 29. Meio de persuasão <ul><li>O homem primitivo tenta, por meio da oração, convencer a divindade de que deve favorecê-Io. Uma das maneiras por que tenta persuadir a divindade é alegando a sua própria perfeição moral. &quot;Tem misericórdia de mim!&quot; é uma forma comum de persuasão na prece. </li></ul>
  30. 30. Ação de Graças <ul><li>É o conhecimento não apenas verbal, mas também expresso de vários modos, de que tudo provém das mãos de Deus. </li></ul>
  31. 31. Motivo da oração <ul><li>Seja qual for o motivo por que a pessoa ora e sejam quais forem as reais possibilidades de uma relação com o transcendente através da oração, o fato é que ela produz grandes efeitos psicológicos sobre a pessoa que ora. </li></ul>
  32. 32. Adoração <ul><li>Adoração é a expressão, quer espontânea, quer formal, daquilo que o homem sente e faz quando na presença do Sagrado. No dizer de Stolz, a essência da adoração consiste em criar ou intensificar uma atitude de reverência. </li></ul>
  33. 33. Adoração <ul><li>A procissão tem por objetivo a aproximação de Deus. A invocação tem por objetivo o reconhecimento e estabelecimento de uma relação pessoal mais íntima. Não pode haver adoração sem que o homem reconheça que o objeto a ser adorado está ao alcance de sua voz e que com ele deseja dialogar. </li></ul>
  34. 34. Adoração <ul><li>Música religiosa é outra maneira interpessoal no ato da adoração. Através do hino e da poesia, a alma eleva-se a Deus. A música e a poesia prestam-se admiravelmente bem à expressão de ação de graças e de louvor. </li></ul>
  35. 35. Adoração <ul><li>Cada ato de adoração tem significado especial para a pessoa que adora. Este significado, muitas vezes, não é percebido pelo indivíduo &quot;de fora&quot;. Se alguém quiser compreender um ato de adoração, terá que tomar-se participante, pois de outra maneira jamais poderá compreendê-lo. </li></ul>
  36. 36. Confissão e Purificação <ul><li>Através da confissão, como parte do ato de adoração, o homem consegue a purificação de seu espírito e a renovação de sua vida. O rito de purificação é muito usado pelos japoneses, egípcios, gregos, hindus e outros. Entre os celtas, romanos e persas, o fogo era uma energia purificadora. O rito batismal entre os cristãos é uma forma de purificação. </li></ul>
  37. 37. Misticismo Religioso <ul><li>A experiência mística é um dos elementos centrais da vida religiosa. Podemos dizer que em toda experiência religiosa profunda há um elemento de misticismo. Adotamos aqui a definição de misticismo dada por Pratt, que diz: &quot;Misticismo é a senso-percepção de um ser ou de uma realidade através de meios que são os processos cognitivos ordinários ou o uso da razão. </li></ul>
  38. 38. Misticismo Religioso <ul><li>Há dois tipos básicos de misticismo: o ativo e o responsivo. No primeiro, o homem procura, através de danças, músicas, jejuns, drogas, etc., atingir o Infinito; no segundo tipo, o homem simplesmente se dispõe a receber a visitação divina. Ordinalmente, o místico é uma mistura dos dois tipos, havendo apenas a predominância de um dos elementos. </li></ul>
  39. 39. Vocação Religiosa <ul><li>A vocação religiosa é um dos aspectos mais pessoais da experiência espiritual do homem. Geralmente a maneira como o indivíduo se dedica à sua vocação religiosa reflete a intensidade de sua experiência com Deus. Num sentido muito geral, podemos dizer que todo indivíduo que professa uma fé pessoal tem uma vocação religiosa, pois a fé é o modo pelo qual o homem responde ao estímulo do transcendente. </li></ul>
  40. 40. Religião e Saúde <ul><li>A relação cada vez mais estreita entre o psiquiatra e o ministro religioso é um atestado do reconhecimento de que a religião desempenha importante papel no desenvolvimento da personalidade e pode constituir-se fator primordial no equilíbrio de suas funções psíquicas. O ministro de religião é hoje parte integrante da equipe de saúde, nos grandes hospitais e clínicas, especialmente nos Estados Unidos onde o movimento foi iniciado, graças ao extraordinário trabalho de Anton Boisen. </li></ul>

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