Ler na vida, ler na escola para fde
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Ler na vida, ler na escola para fde Ler na vida, ler na escola para fde Document Transcript

  • Ler na vida, ler na escola Celinha Nascimento Muito se tem escrito, falado e discutido sobre os prazeres da leitura, sobre asconquistas sociais proporcionadas pelos livros, por tudo que podemos aprender e nosmaravilhar com as narrativas e com os mais diversos mundos que as histórias fazemchegar até nós. Muito também se tem discutido sobre a liberdade de ler, quesito que para muitos éconsiderado fundamental quando se fala em escolha de livros. Especialistas, professorese mesmo pais e leigos em literatura discutem se a leitura deve ser obrigatória, se cobrarresultados ou quantidades ajuda ou não a formar leitores. Sabemos não ter a respostapronta, mesmo porque não se trata de uma resposta única para contextos tão variados deleitura, que dialogam com os variados grupos sociais e culturais representados emespecial pela escola e as famílias. Apesar de não adotarmos ou defendermos uma resposta acabada, acreditamosnum formato de trabalho que, sem abandonar a liberdade e o alto grau de encantamento,ou seja, nenhum dispositivo de medição palpável ou mensurável, se preocupa – sim - coma qualidade do que é lido e com os espaços diferentes nos quais acontecem as leituras.Daí pensarmos numa diferença entre ler na vida e ler na escola. Escolher livremente as leituras está na esfera do ler na vida. Esta sim, leitura semnenhum compromisso, que a ninguém deve ser dada nenhum tipo de devolutiva, leituraque acontece no tempo e com quantidades, escolhas e critérios naturais de cada leitor.Leitura feita para nós mesmos, para a qual podemos escolher livremente apenasbiografias ou romances, adotar um autor e ler toda sua obra, perseguir um tema, umgênero, fazer leituras complexas ou algumas bem simples, selecionar o horóscopo dojornal e deixar a política de lado, reler o mesmo livro dezenas de vezes, gostar mais dosreligiosos ou de auto ajuda e assim por diante, numa seleção enorme de títulos. Algunsleitores afirmam que esta liberdade é a que caracteriza a mais prazerosa de todas asleituras, já que livre de qualquer cobrança. Também é verdade que é aquela que sereserva a todo público, a todas as idades e em qualquer situação. Porém quando lemos para alguém que não nós mesmos, precisamos de outroconjunto de atitudes e experiências. Num dizer mais científico, uma nova postura eestética. A responsabilidade de uma leitura que se faz para um outro não é só de ler porprazer e se deixar encantar pelas narrativas; ainda que sem esta finalidade, talvez nãovalha a pena ler para outro. Ler na escola representa formar leitores que possam, dentrode um leque variado e amplo, escolher seus próprios caminhos e também reproduziratitudes leitoras. Todos sabemos que ensinamos bem quando sabemos do que estamosfalando, conhecemos nosso assunto. É uma tarefa não fácil, pois precisamos abrir mãode nossos gostos pessoais, de nossas escolhas e nos manter absolutamente abertospara outras leituras, que nem nos pareçam prazerosas. Não podemos ensinar apenasaquilo que gostamos, é preciso ler também o que não gostamos, o que criticamos, o quenão nos agrada. Nossos alunos precisam ter contato com todo tipo de texto e seus gostospodem ser bastante distintos dos nossos. Além disso, é tarefa do professor oferecer umagrande diversidade de opções no qual os alunos se sintam livres e, ao mesmo tempo,tentados. Mas ainda não é só: é preciso aprender a ler diferentes tipos de texto e para tal
  • o professor precisa se preparar cada vez mais, tornar-se um apaixonado real pela leitura,procurar os textos que não conhece e não se acostumar num único tipo de texto. Comodito acima, não é tarefa fácil, já que nossa tendência primeira é seguir em busca denossas escolhas e dos títulos que mais gostamos, que mais nos fazem sentir bem. Esse desafio produz, geral e inevitavelmente, um encontro com o inusitado. Não éraro ouvir comentários de professores e demais leitores públicos que agregam um tanto amais na sua lista de livros preferidos quando se lançam a uma busca por novos einusitados títulos. O leitor coletivo, o leitor público, o professor, tem a responsabilidade deser um leitor mais preparado que seus ouvintes, sempre aprende com eles, mas devepesquisar e levar a cada encontro com o ouvinte, um conjunto de narrativas que sedistingam, que formem uma lista e uma coletânea aberta a muitas tendências. Diante deum acervo de uma sala de leitura, ou de uma biblioteca é comum procurarmos por aquiloque já conhecemos ou nos guiarmos por alguns critérios como nome do autor, ilustrações,imagens que constituem o livro, até mesmo somente a capa, o tema, a espessura do livro,a quantidade de páginas. Tais práticas são muito comuns e acabam por repetir asmesmas práticas de nossos alunos quando buscam suas leituras. Quem procura algoabsolutamente inusitado? Algo que nunca imaginou que um dia pudesse ler? Assim é aescolha de muitos leitores. Esse receio é absolutamente compreensível e legítimo, poisnão costumamos nos aproximar do desconhecido, mas a leitura exige essa postura. Nãogosto de biografia? É preciso buscar e ler. Nunca ouvi falar de ensaio, que gênero seráesse? É para lá que eu vou. Histórias em Quadrinhos, oh não, é para pequenos! Será quetenho certeza disso? Podemos também colocar nessa discussão, o item da qualidade do que se lê. Se éverdade que podemos aliar liberdade de escolha com uma boa dose de ajuda na escolha,também podemos e devemos (na leitura na escola) nos esforçarmos para atingir cada vezgraus maiores de qualidade daquilo que é lido. A palavra qualidade assume aqui doissignificados ou duas dimensões. A primeira delas se refere ao grau de compreensão eapreensão do texto lido, objetivo primordial da escola. Nesta dimensão, queremos indagarnão apenas se a leitura é autônoma, se é rápida, se é integral, mas questionamos se oleitor foi capaz de mergulhar com intensidade na narrativa e consegue extrair dela omáximo que o autor escreveu. Nunca mergulhamos numa única obra, a leitura semprenos indica novos mundos e novas leituras e é isso que chamamos de extrair o máximo!Outra dimensão da palavra qualidade se refere a escolha de bons textos. Dimensão difícilde se avaliar, pois chegamos até ela não só com um bom conhecimento de livros, mascom o exercício constante e apaixonado da leitura. Quanto mais se lê e se busca novosautores, gêneros, estilos e épocas; quanto menos se conforma com que já foi lido, maisse ganha experiência para qualificar os textos. A opinião e julgamento sobre as duasdimensões da qualidade é bastante difícil, pois necessita de um alinhamento entre gostose atividades pessoais e coletivas. Na escola, atividades de julgamento são chamadasgenericamente de avaliação e não podem prescindir de tal instrumento. Livres das velhasfichas de leitura que causaram o afastamento de muitos leitores em décadas passadas, aescola aprendeu a utilizar novos e deliciosos métodos de avaliar a performance leitora deseus alunos. Um deles é o de não ter dúvida de afirmar que melhor avalia, o professorque também melhor lê. Um breve “exame de consciência” antes de continuarmos nossa conversa sobre“Ler na vida e ler na escola”: Como estou me saindo nas duas atividades? O que tenho escolhido para mim e para meus alunos? Tenho me esforçado para pesquisar títulos, editoras, gêneros e temas quedesconheço?
  • Tenho exigido de meus alunos uma postura leitora que seja exigente, ou seja, quepersiga uma grande abrangência de títulos, que seja constante e prazerosa? E quandofaço isso, lembro de exigir de mim mesmo a mesma postura? Tenho lembrado que posso descobrir outros mundos que nem suspeitava, ao meaventurar em novas leituras? Antes de fazer uma leitura coletiva, ou seja, uma leitura escolhida para um grupo,que não seja apenas para o leitor-solitário, podemos tentar ainda esse auto-questionário.-Preparei a leitura antes de fazê-la?-Conheço meu público? Sei como me comportar com ele e o que pedir em troca?-Sei a qual gênero pertence o livro escolhido, que idéias traz, que temas discute?-Já li algo sobre o autor, ilustrador, tradutor?- Esta leitura me lembra outras narrativas?- Por que escolhi este texto e não outro?- Fiz comparações, procurei outros títulos que dialoguem com este escolhido?-Posso e consigo falar do livro escolhido? Explorei suas imagens, li a apresentação, oprefácio, as orelhas, explorei-o como um objeto e com “um todo” de informações?-Procurei outras versões, outras traduções ou adaptações (se acaso existem)?-Conformei-me com a idéia de ler as mesmas leituras de todos os anos ou fui em buscade mais títulos para deixar meu grupo mais sábio?- Não descansei enquanto não tive certeza de reunir e procurar um elevado grau deexcelência com a leitura feita e com o que pude aprender lendo para mim e depoislevando esta leitura para um outro público?- Procurei o que não conhecia e mergulhei no seu conhecimento?- Pesquisei nos acervos da sala de aula, biblioteca e outros espaços até esgotá-los? São perguntas simples, mas que fazem toda a diferença quando se deseja garantirum bom nível de trabalho com leitura. Podemos aqui, ainda, relembrar um dos fundamentos do Programa Ler eEscrever. Vejamos: Página 25 do volume 1 – Professor Albabetizador: Porque é fundamental que o(a) professor (a) seja um modelo de leitor? Muitas vezes, esses alunos não convivem com pessoas que lêem; portanto, vocêé uma referência muito importante quando se trata de explicitar os usos e funções daleitura e da escrita. Ao compartilhar com os alunos os diferentes propósitos com os quaisaborda os textos, ao convidar os alunos a participar e testemunhar diferentes práticas de
  • leitura, você está ensinando a eles comportamentos de leitor. Assim, você podecompartilhar suas ações quando lê na sala de aula. Por exemplo: ao consultar uma listapara encontrar um número de telefone, ao buscar uma informação do Diário Oficial, ao lerseu planejamento para o dia, entre outras possibilidades. Isso tudo contribui para que osalunos passem a ter conhecimentos sobre a função social da escrita. No aconchego do seu quarto, com a luz do abajur acesa, mergulhado na leitura deum livro absolutamente pessoal, ou deitado preguiçosamente na praia em companhiadaquele livro de receitas ou fazendo palavras cruzadas, o professor está livre de qualquermediação ou critério. Na sala de aula, o professor-leitor ganha novas e imprescindíveispossibilidades de se relacionar com os livros. E, acredite, essas possibilidades fazemmuito bem a ele que se descobre ainda mais leitor, já que capaz de contagiar todo seugrupo..