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  • 1. 71 INTRODUÇÃO O presente projeto, intitulado de Área Cultural, busca explorar os principais pontosculturais da cidade: museus, Fundação Cultural, Teatro Carlos Gomes, as praças da cidade,entre outros, divulgar também a cultura dos talentos amadores até então desconhecida, trazeruma abordagem diferenciada sobre os assuntos de maior interesse dos moradores deBlumenau, SC, e valorizar a literatura, até então, pouco focada nos cadernos culturais.Na busca por um nicho de mercado inovador, surgiu a ideia de um folhetim como suplementocultural e literário, onde as pessoas tenham acesso a todo conteúdo que envolva cultura nacidade, não somente as agendas culturais, e sim uma abordagem diferenciada dos CadernosCulturais da região, um produto inovador. A inovação fica por conta de poemas, resenhas,crônicas, entre outros trabalhos artísticos blumenauenses, além da enquete, um espaço para opúblico expressar sua opinião. Segundo Gonzalez (2009): O jornalismo cultural deve ampliar suas fronteiras para além das notinhas de shows, as agendas sobre espetáculos diários ou os releases de filmes, peças de teatro ou de exposições. Ele deve colocar em debate idéias, sem deixar de lado a crítica aos espetáculos ou aos produtos de arte, que são uma forma de refletir sobre o mundo [...] Explorar locais antes inimagináveis é uma alternativa que os meios de comunicaçãoprecisam atender. Explorar assuntos de maneira diferenciada é uma forma de atingir o públicoalvo e descobrir os motivos do pré-conceito referente ao jornalismo cultural, que é poucovalorizado. Segundo Gomes (2009): Os folhetins traziam além de romance em capítulos, contos, poemas, crônicas e eventualmente críticas sobre política, teatro, literatura e coluna social. Com a chegada das novelas de rádio o folhetim deixa de ocupar espaço nobre na imprensa. Em 1902 o cinema começava a ser tratado como uma expressão artística. Em 1928 começam as publicações de uma sessão fixa de cinema, teatro e rádio. E é buscando informações, que o projeto Área Cultural visa além de inovar, reverter oquadro problemático da desvalorização deste tema. O jornalismo impresso ainda tem avantagem de ser levado para qualquer lugar e a qualquer hora. Esse é também um motivo quenos impulsiona a criar esse material inovador.Gradim (2000) revela a diferença do jornalismo impresso: [...] é mais facilmente transportável e manuseável; leva-se para a praia, o café, o autocarro, o emprego. O jornal de papel continua a ser — por muito que a velocidade dos processadores e a largura de banda das redes se velocize, de consulta
  • 2. 8 mais rápida que um jornal digital. A leitura em frente a um monitor é também mais difícil, e susceptível de produzir cansaço visual. Já Ferrari (2004, p.19) avalia o comportamento dos leitores digitais, diferente do queacontece com o público do jornal impresso: ―[...] dão uma olhada nas manchetes, lêem ohoróscopo, entram em alguma área que chamou atenção na home page e assimsucessivamente. A informação é absorvida sem grande comprometimento com a realidade‖. Eao contrário da afirmação citada pelo autor, Área Cultural visa um comprometimento com arealidade e o público que busque o mesmo ideal.1.1 JUSTIFICATIVA Cada vez mais a sociedade busca receber informações sobre sua cidade. Dornelles(apud RIBEIRO, 2009) mostra a necessidade do leitor receber informações sobre fatos locais,próximos da comunidade: ―O leitor opta pela publicação de acontecimentos regionais‖,conforme diz o autor. Dessa forma, os blumenauenses querem saber não somente sobre os eventos e locaisculturais existentes, é preciso pensar apoiada no conceito de cultura como diversidade deexpressões artísticas (literatura, cinema, teatro), dos seus criadores, sob perspectiva regional eprincipalmente na reflexão das manifestações culturais. Logo, se faz necessário um produtocom um diferencial, que mostra aos moradores da cidade o outro lado da cultura, aquele quenão é abordado nos cadernos culturais. O produto pode atuar de maneira independente ou até mesmo encadernado em jornaisou revistas da cidade. A intenção é trabalhar um texto curto e fácil de ser compreendido e, aomesmo tempo, apresentar informações relevantes à vida dos blumenauenses e turistas. Tendoem vista a importância dos temas, o Área Cultural busca apoio na Fundação Cultural deBlumenau para levantar dados consistentes em função da pesquisa. E é com base em informações que possam acrescentar e misturar conhecimento cominteratividade ao público leitor, que o Área Cultural, tem o interesse de integrar literatura einformação diferenciada como conteúdo de um produto inovador. Pressupomos que o receptor não quer apenas um caderno com agendas culturais, estápreocupado em receber uma informação mais aprofundada e mais diversificação cultural. Épreciso conhecer os trabalhos artísticos, abordar a literatura, o que vai muito além da
  • 3. 9programação semanal. Será que alguém lembra que o jornalismo cultural precisa servalorizado? Atualmente a cultura nos meios impressos abrange apenas Cadernos de jornais e partesde revistas, apenas revistas de turismo exploram de uma forma mais ampla o tema. Porém,nestas revistas são retratadas outras regiões, não somente Blumenau, como é o caso da revistaDestino Blumenau1. O produto abrange também outras regiões como Indaial e Pomerode. E aforma abordada é para turistas que pretendem frequentar a região do vale e não parablumenauenses estarem interados dos meios culturais que a cidade tem para oferecer e dosartistas que possui. É preciso tirar a visão de que o jornalismo cultural não tem a mesma relevância dosoutros estilos. Considerando que a arte e a cultura são importantes, notamos que existe sim ojornalismo de veículos, mas não o cultural, portanto falta um veículo impresso de jornalismocultural em Blumenau. Levando em conta que a cultura e a arte são fundamentais para a população dequalquer cidade. Pressupomos que Blumenau tem apenas jornalismo de veículos e nãojornalismo cultural. O jornalismo cultural precisa ser bem trabalhado, mostrando suasvariadas vertentes. A ausência de incentivo e verbas para a criação de um Folhetim, além do―medo‖ de arriscar uma nova proposta sem ter êxito são alguns dos motivos que levam a faltadeste produto.1 Destino Blumenau é uma revista dedicada especialmente aos turistas, com formato em papel couchê
  • 4. 102. OBJETIVOS2.1 OBJETIVO GERALCriar um suporte midiático impresso com o foco de cultura e literatura em Blumenau, SC.2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS a) Retratar, a partir de pesquisa com jovens de 18 a 24 anos o interesse nas temáticas culturais em Blumenau, SC; b) Realizar um veículo midiático e impresso visando valorizar aos artistas blumenauenses e a cultura regional; c) Compreender o conceito sobre cultura e sua importância na construção da cidadania;
  • 5. 113 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA3.1 AS DIFERENTES VERTENTES CULTURAIS Não podemos falar de Jornalismo Cultural sem antes abordar o conceito de cultura,afinal cada região tem uma cultura diferente. Segundo Santos (2009, p.44) ―Cultura é umadimensão do processo social, da vida de uma sociedade. Não diz respeito apenas a umconjunto de práticas e concepções, como por exemplo, se poderia dizer da arte‖. Desta forma, observamos que a cultura é ampla, não condiz somente à arte, mastambém faz parte de toda uma sociedade. A cultura faz parte do nosso dia a dia, no momentoem que construímos uma identidade, estamos vivenciando uma cultura própria, uma culturade vida. O autor ainda acrescenta que: Não se pode dizer que cultura seja algo independente da vida social, algo que nada tenha a ver com a realidade onde existe. Entendida dessa forma, cultura diz respeito a todos os aspectos da vida social, e não se pode dizer que ela exista e alguns contextos e não em outros. (SANTOS, 2009) A partir dessa afirmação, concluímos que a cultura é muito mais abrangente do que seintitula, toda a sociedade está ligada a atividades culturais. ―Cultura é um produto coletivo davida humana‖, reforça o autor. Ou seja, o autor indica que a cultura não atua de formaindividual, ela está presente no coletivo, na sociedade, em que juntos a constituem. Porto (2009, p. 33) aborda a cultura de outra forma: Se pensarmos a cultura para além da ideia de um conjunto de práticas relacionadas à produção artística, científica e lingüística, e ao patrimônio histórico e social, isto é, se concebermos a cultura como (...) ―uma dimensão do processo social da vida em sociedade‖, possivelmente apenas o transpirar diário do jornalismo – desde que investido de intenções que contribuíram para o aumento do conhecimento do leitor – pode ser capaz de fragmentos a dinamicidade do processo cultural sem comprometer demais a sua compreensão. Dessa forma, para a autora a cultura faz parte do cotidiano, por isso é determinantepara o convívio em sociedade, já que está estreitamente ligada ao nosso dia-a-dia. Já paraCanclini (2005, p.32), ―A cultura é um processo de montagem multinacional, uma articulaçãoflexível de partes, uma colagem de traços que qualquer cidadão de qualquer país, religião eideologia pode ler e utilizar‖. Neste ponto de vista, a cultura é multinacional pelo fato de as pessoas consumiremfilmes de outros lugares do mundo ao invés de valorizar a do seu país. Essas são asconsideradas culturas de diferentes nações de qual qualquer indivíduo pode utilizar.
  • 6. 12 E nesta perspectiva o autor cita Renato Ortz, que denomina uma ―Culturainternacional-popular‖, com uma memória coletiva feita com fragmentos de diferentesnações. A partir do desinteresse do cidadão, que se torna em primeiro lugar consumidor,Canclini (2005, p.68) discute a transformação da vida cotidiana por meio dos holofotes deHollywood: ―Não sei se a fórmula ―americanização‖ (seria mais correto falar de norte -americanização) é adequada, mas não acho outra melhor‖. O autor aborda o fato do cidadão se tornar um consumidor constante, ou seja, seconforma com o que o mercado propõe. Acostumados a receber o mesmo jornal todos os dias,não buscam inovações, não exigem um diferencial, um produto novo. Esses são osconsumidores do século XXI. Tendo isto em vista, Canclini (2005, p.71) propõe que―Podemos atuar como consumidores nos situando somente em um dos processos de interação– o que o mercado de trabalho regula – e também podemos exercer como cidadãos umareflexão [...]‖. Então, o autor mostra que como papel de consumidores, podemos nos conformar como que o mercado nos oferece e com o que regula ou fazer uma reflexão, estabelecer o quepode ou deve ser mudado, contestar, demonstrando assim, nosso papel como cidadãoscríticos. A ênfase em mudanças nos leva a pensar na cultura popular, a falta atual dasmanifestações em função do querer e do poder do cidadão. De acordo com Santos (2009,p.55) ―Entende-se por cultura popular as manifestações culturais dessas classes,manifestações diferentes da cultura dominante, que estão fora de suas instituições, queexistem independente delas, mesmo sendo suas contemporâneas‖. A cultura popular dizrespeito ao conhecimento vulgar ou espontâneo, ao senso comum. Aparece associada ao povo,às classes excluídas socialmente, às classes dominadas, não está ligada ao conhecimentocientífico. De acordo com John et al (2007, p. 5) ―[...] a cultura popular tem seu suporte nastradições e costumes de um povo‖. Entrar em contato com o povo, e preservar o que pertenceao passado do mesmo. Mediante a todo bombardeio que sofremos da cultura de massa, acultura popular reage como meio contra-repreensivo de preservar as manifestações culturais,uma repreensão simbólica. Em contrapartida, Pereira (2009) diz que: ―Não há como definir a ComunicaçãoPopular ipsi litere, podemos apenas dizer que tem um caráter de oposição ao status quo, que
  • 7. 13está intrinsecamente ligada aos desejos de mudança, a um reflexivo tempo presenteentrelaçado com um tempo futuro‖. Em oposição ao estado atual da cultura predominante, acomunicação popular, segundo o autor, quer mudanças para tirar a visão atual de que oimportante é o popular enquanto popularidade na mídia, como mostra a cultura de massa. Sendo assim, observamos que a partir das atividades, artistas, festas populares, enfim,consagrações artísticas, que compunham uma cidade são os fatores que formulam sua culturapopular, aquela ao qual é ―preservada‖ ou até mesmo ―escondida‖ por ser deixada muitasvezes ao lado em prol da divulgação de uma cultura massiva. A qual busca por mudanças.Porém, Santos (2009, p.54) acredita que ―O fato de que as tradições de uma cultura possamser identificáveis não quer dizer que não se transformem, que não tenham sua dinâmica‖. Desta forma, é possível sair do conformismo e aplicar o diferenciável, colocar emvista as tradições com outra abordagem, sem a forma que os veículos impressos costumamadotar. O autor propõe a mudança de um contexto histórico. De acordo com Peruzzo (2009, p.2) ―Historicamente o adjetivo popular denotou tratar-se de ―comunicação do povo‖, feita por ele e para ele, por meio de suas organizações emovimentos emancipatórios visando à transformação das estruturas opressivas e condiçõesdesumanas de sobrevivência‖. Deste modo, a comunicação popular é a comunicação do povo, o espaço em que ostalentos são colocados em vigor, e não são escolhidos por serem responsáveis pela audiênciaou pelo sucesso e sim por ser importante e reconhecido numa sociedade em que prevalecemna mídia os artistas que estão em alta e que são reconhecidos pelo público, a famosa culturade massa. A autora ainda frisa como pode ser entendida a comunicação popular: A comunicação popular e comunitária pode ser entendida de várias maneiras, mas sempre denota uma comunicação que tem o ―povo‖ (as iniciativas coletivas ou os movimentos e organização populares) como protagonista principal e como destinatário, desde a literatura de cordel2 até a comunicação comunitária. Peruzzo (2006, p.9) Desta forma, entendemos que a comunicação popular está voltada ao povo e para opovo, as peças fundamentais da comunidade em questão. Peruzzo (2010, p.10) explica sobreos processos de comunicação popular e comunitária:2 Tipo de poesia popular originalmente oral e depois impressa em folhetos pendurado em cordas ou cordéis.
  • 8. 14 Os processos de comunicação popular e comunitária têm maior visibilidade especialmente em duas situações: quando os desafios estão, por exemplo, na apropriação de instrumentos de comunicação dirigida, tais como: pequenos jornais, panfletos, cartazes, faixas, troças carnavalescas, peças de teatro, slides, alto-falantes etc. Diante do afirmado, a comunicação popular e comunitária terá maior visibilidadequando ocorrida por meios mais específicos, meios que tendem a atingir um público desejado.Isto acontece devido à identificação cultural deste público. Segundo Fiske (2010) ―A cultura popular envolve a arte de dar um jeito ou se virarcom o que está disponível‖. O artista popular não está preocupado em colocar suas obrasexpostas em lugares prestigiados. Nesse sentido, o mais importante na arte popular não é oobjeto produzido, e sim o próprio artista, o homem do povo, do meio rural ou das periferiasdas grandes cidades. A cultura popular é a cultura oprimida pela cultura de massa. O artista popular tem sua ―inspiração‖ em acontecimentos locais rotineiros, pois a artepopular é regional. Por isso, a arte popular se encontra mais afetada pela cultura de massa, queatinge a todas as regiões igualmente, procurando homogeneizá-las culturalmente.John et al, (2007 p.6) comprovam a diferença entre cultura de massa e a cultura popular. ―Adiferença entre essas culturas surge do empobrecimento da cultura popular. Sua renovaçãoresulta na relação de consumismo estabelecida com o homem e numa cultura não criada, massim, massificada como produto industrial‖. Seguindo a perspectiva dos autores, a renovaçãoda cultura popular partiu para a ênfase de uma nova cultura, baseada no consumismo, acultura de massa. E quando falamos de uma massa, neste mesmo local, podem existir culturasdiversificadas. De acordo com Morin (2002, p.69) a cultura de massa é a primeira cultura dahistória mundial. ―A cultura de massa é a ética do lazer‖. O poder está no fato de conseguirmobilizar o lazer por meio de atividades e tornando-as um estilo de vida. Holfeldt (2002,p.47) apresenta um conceito sobre a cultura de massa: A cultura de massa (mass culture, em inglês) seria, então, a cultura produzida pelas grandes multidões, perspectiva que Max Horkheimer e Theodor Adorno refutam, em 1947, na obra denominada Dialética do esclarecimento, sob o argumento de que, na verdade, o fenômeno concreto era o da emergência da indústria cultural. De acordo com essa afirmação, pode-se concluir que o conjunto de veículos queintegram a indústria cultural seriam os meios de comunicação de massa. John et al, (2007,
  • 9. 15p.05) concordam com Holfeldt, quando mencionam que: ―A cultura de massa é consequênciados fenômenos culturais decorrentes da sociedade industrial‖. A partir desse conceito, podemos relembrar dos teóricos da Escola de Frankfurt3:Adorno e Horkheimer, responsáveis pelo conceito de indústria cultural. Esse seria o modocomo a sociedade poderia manipular os indivíduos, através dos meios de comunicação demassa. Portanto, é muito mais viável a mídia mostrar o show da Beyoncé em Florianópolis4ao invés de expor o show de um cantor amador, regional. Logo, ―A massificação cultural ésubmissa ao capital industrial e financeiro, que consequentemente reprime as demais culturas‖(JOHN, 2009, p. 6). Mas, o objetivo da indústria cultural, no conceito proposto na formulação dos autoresé anular as individualidades e a capacidade crítica, formando uma massa homogênea queconsumiria com mais facilidade poucos produtos culturais produzidos em larga escala.Nesta perspectiva, Benjamin (2010, p. 169) trabalha o conceito da aura da arte: ―O conceitode aura permite resumir essas características: o que se atrofia na era da reprodutibilidadetécnica da obra de arte é sua aura‖. Nesse sentido, a obra de arte sofre uma mudança para serconsumida pela grande massa, atualiza o objeto reproduzido, que sofre o abalo da tradição. Segundo Durhan (apud JACKS, 2005) ―a análise da cultura de uma formação socialexige uma reconstituição da realidade que é elaborada a partir da consciência que dela têm osportadores da cultura. É a caracterização do produto de uma sociedade contemporânea.3.2 MÍDIA IMPRESSA LOCAL: Critérios e Públicos A mídia local existe desde que surgiram os meios de comunicação de massa. É pormeio das razões históricas e culturais que podemos configurar a existência e o grau deimportância da mídia regional e local. Conhecido no passado, como uma imprensa3 Nome dado a um grupo de filósofos e cientistas sociais de tendências marxistas que se encontram no finalda década de 1920.4 A cantora estadunidense Beyoncé realizou o primeiro show no Brasil, em Florianópolis no dia 04 de fevereirode 2010.
  • 10. 16―artesanal‖, o jornalismo local ainda carrega algumas características impostas antigamente,pelo simples fato de ter exercido um enfoque mais opinativo do que informativo. E esta forma de ―conversar‖ com o leitor, fazem com que haja ainda maisaproximação entre as duas partes. É claro que a informação já não fica mais de lado como nopassado. A mídia impressa local tem a possibilidade de exercer a aproximação com o leitor.De acordo com Peruzzo5 (2005), ―As pessoas acompanham os acontecimentos de forma maisdireta, pela vivência ou presença pessoal [...]‖. Portanto, a mídia de proximidade expressa àsespecificidades de uma dada localidade. É caracterizada por vínculos de pertença, enraizadosna vivência e comprometidos com o lugar e com a informação de qualidade. Segundo Norberto (apud FERNANDES, 2009), ―(...) o leitor prefere tomarconhecimento de um fato pequeno, mas próximo, do que outro, mais importante, porém,ocorrido a quilômetros de distância‖. Sendo assim, o critério de noticiabilidade proximidadeprevalece na mídia impressa local, com a possibilidade de o leitor exercer um vínculo com otexto escrito na matéria ou reportagem. Conforme Peruzzo6 (2003), ―o sentido de proximidade diz respeito à noção depertencimento, ou dos veículos existentes entre pessoas que partilham de um cotidiano e deinteresses em comum‖. Neste caso, a autora expõe o critério de noticiabilidade proximidade,que é essencial para o jornalismo regional, já que o leitor quer informações relevantes sobre oque acontece ao seu redor, sentir-se próximo da notícia e de seu cotidiano. Nesta mesma linha de pensamento Alsina (2009, p. 135) diz que ―A proximidadeespacial, por sua vez, confere à notícia um caráter de interesse particular quando o fatoocorreu no mesmo espaço físico que o da própria instância de recepção. As representaçõesprofissionais postulam que um acontecimento próximo interessa mais de perto ao cidadão‖. Portanto, este meio da mídia impressa local é privilegiado pela proximidade com opúblico e os eventos ou problemas locais. Ao relatar a cultura da cidade, acontecimentos,palestras, entre outros.5 PERUZZO, Cicília M. Krohling. Mídia regional e local: aspectos conceituais e tendências. Disponível em:>http://revistas.univerciencia.org/index.php/cs_umesp/article/view/196/154< Acesso em 10 nov.20096 PERUZZO, Cicília M.Krohling. Mídia local, uma mídia de profundidade. Disponível em: <http://revcom2.portcom.intercom.org.br/index.php/comunicacaoveredas/article/viewFile/5105/4723> Acessoem 12 nov.2009.
  • 11. 17 Segundo Ribeiro (2009), ―Independente de sua linha editorial, o periódico regionalpode informar o que interessa mais de perto a seus leitores, garantindo assim um processonatural de identificação do leitor com o jornal local‖. Dessa forma, o leitor pode manifestar eparticipar do desenvolvimento local, expondo suas opiniões e reivindicações. De acordo com Fadul (apud JACKS, 2009), ―Por regional, portanto, é entendida acultura que se relaciona com o domínio da diferença, do que é específico de uma região.Assim, podemos concluir que no jornalismo regional, o lado social é mais acentuado e aresposta do público é imediata. No regional, há o serviço direto à população específica daregião, possibilidade maior intimidade entre a notícia e o leitor. Seguindo a opinião do autor, Alsina (2009, p. 136) define bem esta realidade regionalquando diz ―[...] desenvolver uma cidadania da proximidade, do convívio, voltada para aaldeia‖. Quando fala em aldeia o autor se refere à região específica, ao jornalismo feito para ohabitante daquela cidade, aquela ao qual traz a tal proximidade com o leitor, por se trataremde fatos que acontecem ao seu redor. Segundo Ribeiro (2009) ―o periódico regional pode informar o que interessa mais deperto a seus leitores, garantindo assim um processo natural de identificação do leitor [...]‖.Assim, pode-se notar que existe um foco específico, são assuntos que a comunidade localbusca saber. E que não encontrará em um jornal de nível nacional. Alsina (2009) ressalta que as mídias estão presas a dois imaginários que determinamdois tipos de público: [...] aqueles que se apegam à aldeia (a imprensa regional, com a caça, a pesca, a política local, os faits divers que envolvem as pessoas do local) e aqueles que sonham com o planeta (a imprensa nacional, com a política interna e externa, os esportes, os acontecimentos sociais). Mas qual é a mídia que não sonha poder atingir ao mesmo tempo esses dois tipos de público? Neste ponto de vista, acreditamos que atingir os dois tipos de público não seja a formaadequada, jamais conseguiremos agradar a gregos e troianos. Precisamos sim de um públicoespecífico, ao qual sejam feitas as matérias em função dele e para ele.3.3 CARACTERÍSTICAS E GÊNEROS JORNALÍSTICOS Não basta apenas ter informação, é preciso tê-la com qualidade. E saber fazer com queo leitor goste do que esta lendo, uma leitura prazerosa, que o agrade e que mostre odiferencial. Souza (2001, p.121) define como deve ser um texto jornalístico:
  • 12. 18 Um texto jornalístico pode proporcionar uma leitura mais ou menos amena, pode até fazer brotar uma gargalhada dos lábios do leitor, ou comovê-lo até as lágrimas, pode fugir às formas rotineiras de elaborar as mensagens. Mas não deve perder de vista os princípios régios de enunciação jornalística. A partir disso, pode-se perceber que o texto tem o poder de entreter o leitor, bastaconstruí-lo da forma adequada a qual alcance o objetivo do jornalista de mostrar o seudiferencial e ao mesmo tempo exercer seu papel de passar informação ao leitor. Souza (2001,p.116) reforça o que é de interesse do leitor e do jornal: [...] a um jornal interessa, sobretudo, ser eficaz na veiculação de informação e cativar a audiência. As notícias não trazem unicamente o que é ―importante‖, tem também de trazer o que é ―interessante‖ ou, pelo menos têm de ser contadas de uma forma interessante. Portanto, não basta apenas cativar a audiência, é preciso construir o texto de maneiraque faça prender o leitor até o final da matéria, que ele chegue ao final sem sentir cansaço,com uma leitura que seja agradável e que ao mesmo tempo transmita informação relevante aopúblico. Ainda segundo Souza (2001, p.122) o jornalista deve respeitar os princípios do textoinformativo. São eles: princípio da correção, o texto deve respeitar as regras gramaticais,obedecer as normas de estilo do jornal e ajustar-se à realidade; princípio da clareza, o textodeve ser de fácil compreensão; princípio da simplicidade, texto de linguagem simples;princípio da funcionalidade, adaptação às necessidades do jornal; princípio da precisão,cada palavra deve ser escolhida de acordo com o seu valor semântico. As fontes devem seridentificadas, exceto se necessitarem anonimato; princípio da sedução, texto cativante eagradável, que tenha vivacidade e ritmo para proporcionar uma leitura de prazer egratificação; princípio do rigor, texto precioso e rigoroso; princípio da eficácia, o essencialdeve ser imediatamente apreendido; princípio da coordenação, o texto deve ser encadeado,lógico, conduzido, ordenado. A informação deve ser exposta por etapas; princípio daselectividade, informação selecionada, evitar evidências e irrelevâncias informativas;princípio da utilidade, conteúdo útil; princípio de interesse, dar informação interessante etambém tornar interessante a informação importante; princípio da hierarquização,informação hierarquizada ajuda a estruturar o texto. E para respeitar os princípios do jornalismo é preciso conhecer os gêneros jornalísticosdeste meio impresso. Para compreender o espaço da opinião na mídia impressa recorremos aBeltrão (apud MELO 2003, p.58) mencionado como ―único pesquisador a se preocuparsistematicamente com o fenômeno‖ de classificação de gêneros jornalísticos, para conceituar
  • 13. 19as cinco classificações dentro do jornalismo opinativo. São elas: o editorial, espaço em que oveículo expressa sua opinião; o artigo, onde ocorre a dissertação temática, o lugar em queespecialistas ou leitores comuns expõem suas opiniões; a crônica é a narração histórica, orelato cronológico de um fato cotidiano; a opinião ilustrada é o uso da imagem comoinstrumento de opinião: charges e caricaturas. (BELTRÃO, 2003) Bulhões (2007, p.47) classifica a crônica desta forma: ―A crônica é um gênero aomesmo tempo jornalístico e literário‖. Um texto com elementos como ficção, fantasia ecriticismo e também com abordagem de acontecimentos diários. Concluímos então, que acrônica não é somente um gênero literário, mas também jornalístico, a modalidade queacompanha a sucessão dos fatos no tempo e se conforma às exigências do conteúdo e dafunção a que se presta em uma dada situação. Bulhões (2007, p.49) ainda acrescenta a relaçãodo cronista com a redação de um jornal: ―E, mesmo que o cronista esteja ausente do ambiente de redação, encarar a crônica como algo que convive com textos de natureza estritamente jornalística é válido para se atentar um pouco à sua natureza. Afinal, ela respira o mesmo ar de circunstancialidade dos textos produzidos pelos profissionais da imprensa diária. Sendo assim, o cronista se inspira nos acontecimentos diários, que constituem a baseda crônica. ―É com a opinião segura, abalizada, bem fundamentada, que o veículo decomunicação cumpre seu papel social a serviço do receptor, agindo com transparência,passando seriedade e credibilidade‖. (CAMPOS, 2009, p.4) Porém, mesmo pelas classificações do gênero opinativo divididas por Beltrão (2003)percebemos dentro do Área Cultural além do uso da opinião, a utilização do gêneroinformativo, também classificado por Beltrão como: notícia, reportagem, história deinteresse humano e informação pela imagem. Mesmo levando em consideração que o ÁreaCultural mostre o gênero opinativo predominante em suas edições.Bulhões (2007, p.39) explica o comportamento dos gêneros jornalísticos em relação àliteratura: A natureza essencialmente pragmática e utilitarista do jornalismo aponta para uma realização formal que atende a necessidades muito prementes de eficácia comunicativa, identificadas com demandas por informação ou opinião provenientes do interesse do grande público. Daí a tendência à fossilização formal dos gêneros, à padronização de seus traços, ao aspecto viciado e repetitivo de sua fisionomia textual. Ou seja, o autor aponta que no jornalismo as demandas por informação ou opiniãosurgida pelo grande público são as necessidades para a eficácia comunicativa, o que torna
  • 14. 20padrão o aspecto textual, fazendo a pasteurização formal, ou seja, a notícia sofre mudançapara ser consumida pela grande massa. Bulhões (2007, p. 39) ressalta ainda: ―[...] o percurso da questão dos gêneros no jornalismo parece ter se dado em caminho oposto ao da literatura. Enquanto na literatura, a trajetória histórica conduziu à superação do caráter normativo, com negação de regras e prescrições, no caso do jornalismo, exigências profissionais e mercadológicas acabaram por sedimentar a delimitação de padrões expressivos e estilísticos. Neste caso, Bulhões esclarece os percursos opostos da literatura e do jornalismo,colocando em maior evidência as preocupações mercadológicas do jornalismo, não que naliteratura não tenha também, porém de forma mais amena. Por outro lado, Bulhões (2007), p.40) enfatiza o ponto em comum entre jornalismo eliteratura: Um ponto essencial da confluência de gêneros do jornalismo e da literatura, sem dúvida, atende pelo nome de narratividade. Produzir textos narrativos, ou seja, que contam uma seqüência de eventos que se sucedem no tempo, é algo que inclui tanto a vivência literária quanto à jornalística. E a narratividade possui conexão estreita com a temporalidade, o que significa dizer que se contam eventos reveladores da passagem de um estado ao outro. Podemos concluir que o jornalismo também conta histórias. O depósito dessashistórias em nosso imaginário não seria um simples acúmulo de experiências fragmentadas,mas a configuração de grandes narrativas ficcionais sobre a realidade imediata. Nesta linha, ojornalismo perderia seu caráter de descrição neutra e objetiva do real e se assemelharia àficção, tal qual a literatura. Bulhões (2007, p.40) ainda acrescenta: ―[...] tanto literatura como jornalismo atuamcomo expedientes de conhecimento do mundo, sendo que a experiência literária parecepreferir conhecer o mundo por meio da prática imaginativa e alegórica, a qual não énecessariamente menos ―verdadeira‖ que a alternativa jornalística. Portanto, entendemos que, ambas as experiências, jornalísticas e literárias, possuemcaracterísticas próprias que a legitimam como tais. Ou seja, há dentro delas um conjunto decaracterísticas específicas, mas que, ambas, estão objetivadas em mostrar um fato enquantotais. Melo (2009, p.28) fala sobre o texto no jornalismo cultural: O texto hegemônico nos cadernos culturais dos jornais diários não está dissociado do texto jornalístico. Embora não esteja ―amarrado à ideia de originalidade‖, o texto jornalístico ―tem a obrigação de trazer uma novidade, já que a essência da imprensa é a notícia‖.
  • 15. 21 Diante do afirmado anteriormente, entendemos que o jornalista não pode se conformarcom o texto estilo ―feijão com arroz‖ ou com o mesmo estilo de matérias é preciso inovar,trazer algo que atraia o leitor, que desperte interesse, fazer o diferencial.3.3.1 Critérios de Noticiabilidade Atualmente os meios de comunicação selecionam informações antes de veicular umanotícia. Isso acontece porque toda instituição possui sua linha editorial, que condiz com oscritérios de noticiabilidade impostos por esses veículos ou que deveriam ser seguidos pelosmesmos. Segundo Wolf (apud SILVA, 2005, p.99) os critérios de seleção tem início a partir dadescoberta da notícia, considerando a importância de sua relevância, até o processo final deprodução de notícias. Dessa forma, cabe ao jornalista selecionar o fato que tem maior relevância ao público,com a utilização dos critérios de noticiabilidade, que irão facilitar esta escolha. Silva (2005,p.97) explica o uso dos critérios de noticiabilidade para a seleção das notícias: A necessidade de se pensar sobre critérios de noticiabilidade surge diante da constatação prática de que não há espaço nos veículos informativos para a publicação ou veiculação da infinidade de acontecimentos que ocorrem no dia-a-dia. Frente a volume tão grande de matéria-prima, é preciso estratificar para escolher qual acontecimento é mais merecedor de adquirir existência pública como notícia. Sendo assim, o autor relata o enorme número de acontecimentos que surgem aodecorrer do dia-a-dia, e é nesta hora em que é necessário aplicar os critérios denoticiabilidade, e de forma concisa optar pelo fato merecedor da abordagem e futurapublicação realizada pela imprensa. Na mesma perspectiva, Wolf (1994, p.175) define a noticiabilidade: ―[...] conjunto deelementos através dos quais o órgão informativo controla e gere a quantidade e o tipo deacontecimentos, dentre os quais há que selecionar a notícia‖. Dessa forma, para poder selecionar as notícias que serão publicadas é importanteutilizar os critérios de noticiabilidade, e por meio deles, ter os critérios de escolha a partir dosvalores-notícias. Silva (2005, p.98) acrescenta ainda: ―A seleção, portanto, se entende redação adentro,quando é preciso não apenas escolher, mas hierarquizar‖. Diante do exposto, não basta apenas
  • 16. 22escolher, é preciso selecionar o nível de importância a tais notícias, recorrendo aos valores-notícia e aos critérios de noticiabilidade, decidindo desta forma qual o assunto cabe a umagrande reportagem ou apenas a uma nota no veículo impresso. Neste aspecto Wolf (1994, p.175) diz que: ―[...] valores/notícia são critérios derelevância espalhados ao longo de todo o processo de produção; isto é, não estão presentesapenas na seleção das notícias, participam também nas operações posteriores, embora com umrelevo diferente‖. Para o autor os valores/notícia não participam somente de uma escolha esim de todo o processo de produção. Silva (2005, p.102) apresenta conceitos de alguns autores que contribuem com a ideiade valores notícia no jornalismo: Quadro 1 – ELEMENTOS DE VALORES-NOTÍCIAS: Segundo Critérios Relevantes Fonte: Fernandes, Mário
  • 17. 23 Um dos critérios presente neste projeto é o da brevidade. Golding e Elliott (apudWOLF, 1994, p.185) falam a respeito deste critério: ―De acordo com um dito jornalístico, asnotícias deveriam ser como as saias de uma mulher: suficientemente compridas para cobriremo essencial e suficientemente curtas para reterem atenção‖. A partir dessas informações, entendemos que a notícia não pode ser tão extensa aoponto de cansar o leitor, mas também não pode deixar uma informação vaga, sementendimento completo, ou seja, deve ser na medida certa. De forma que o leitor compreendao exposto e que tenha vontade e satisfação de ler a notícia completa. Outro critério importante para a produção de um folhetim sobre cultura regional é aproximidade, que está ligada aos critérios de importância e interesse. Wolf (1994, p.180) falaque: ―Os critérios substantivos da notícia articulam-se, essencialmente, em dois fatores:importância e interesse da notícia‖. E para ter a proximidade com o leitor é preciso ter umassunto de importância relevante e que seja de interesse do público alvo, desta forma ambosestão interligados com o critério de proximidade. Além do critério de entretenimento, que está vinculado ao interesse do público decultura, como constatado na pesquisa tabulada, em que 40% dos entrevistados de acadêmicosde 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC responderam que lêem jornal porentretenimento.3.4 JORNALISMO CULTURAL Se perguntarmos a alguns jornalistas, qual o significado de Jornalismo Cultural, comcerteza cada um irá fornecer conceitos distintos. Porém, podemos acrescentar as qualidadesimprescindíveis para um bom texto de Jornalismo Cultural. Segundo Piza (2004, p.70) ―[...] otexto precisa ter clareza, coerência e agilidade, mostrar aos leitores do que a obra ou tema setrata [...]‖. Assim, o Jornalismo Cultural visa à elaboração e divulgação de notícias paradiferentes mídias, cujo enfoque central são as notícias culturais, qualquer que seja a suanatureza. Melo (2009, p.25) faz a seguinte colocação na relação da cultura com o jornalismo:―[...] vamos observar que o universo cultural se distribui indiscutivelmente pelo conteúdo dasdemais editorias de um jornal diário. O que significa dizer que o jornalismo é uma atividadeeminentemente cultural.‖
  • 18. 24 O autor explica que a cultura não está somente distribuída em sua editoria, mastambém agregada nas demais. Já que a cultura é abordada de maneira ampla e faz parte docotidiano de uma sociedade. Junto aos textos se encontra as famosas agendas culturais,utilizadas em cadernos de cultura e lazer catarinenses, como o Jornal de Santa Catarina, Folhade Blumenau, A Notícia, Diário Catarinense, entre outros. A partir de sua pesquisa, Daniel Piza (2004, p.75), teve a clara percepção de que ojornalismo cultural apresenta ampla relação com a evolução das cidades e consequenteprocesso de urbanização. Piza diz que, não considera como jornalismo cultural as notinhas deshows, as agendas sobre espetáculos diários ou releases de filmes, peças de teatro ou deexposições. Além de ressaltar o excesso das agendas nesses cadernos. John et al, (2009, p.9) concordam com Piza quando citam ―Os suplementos culturaisdedicam cada vez mais espaço para as grades de programação ou matérias que contribuempara o leitor organizar a sua ―agenda cultural‖ e pouco ou nenhum espaço para matérias queanalisem a repercussão ou a contribuição dessas manifestações, característica essencial dojornalismo cultural‖. A partir do que os autores expuseram, nota-se que o principal problema apontado noscadernos culturais brasileiros é a tendência ao agendamento. O grande espaço dedicado aprogramação dos eventos culturais, sem a preocupação de impor a diferença e de demonstraruma nova proposta que envolva literatura, e que busque informações aprofundadas e nãosomente meros releases. Cypriano (2009, p.79) argumenta sobre o conteúdo das agendasculturais: [...] muito do que se lê em cadernos culturais é uma cópia ou aversão disfarçada de releases enviados pelas assessorias de imprensa, que cumprem muito bem o seu papel de divulgadoras das exposições, apesar muitas vezes exagerando nos tons dessas mostras. Concordando com a argumentação utilizada pelo autor, podemos concluir que hámatérias culturais como meras cópias de releases. Deste modo, o jornalista passa a nãocumprir seu papel como profissional, copiando ou modificando poucas palavras de um textocriado por um assessor de imprensa. ―Nesse contexto de ―agenda‖, a cultura popular não tem encontrado espaço, a não ser éclaro que seja absorvida e transformada em cultura de massa‖. JOHN et al, (2009, p.9).Conforme os autores citam, falta espaço para quem ainda não é conhecido, nem fez sucesso
  • 19. 25perante a mídia, mas que pode precisar de um apoio ou incentivo para mostrar a importânciade seu trabalho. Segundo Arendt (apud LEMOS, 2009) ―[...] as obras que duram e que poderiam serconsideradas culturais seriam as produzidas pelos artistas [...]‖. No ponto de vista do autor,somente as obras que passam pelo processo de criação dos artistas e que duram poderiam serconsideradas como cultura. Porém, entendemos que a palavra artista pode referir-se não só aspessoas que utilizam a arte como profissão mas também as que fazem por lazer. Cypriano (2006, p.77) reflete sobre o desconhecimento dos jornalistas sobre o papelque a arte assumiu nos últimos 50 anos, em ser ela também um campo de crítica, de reflexão:―Por isso, o que predomina nas coberturas em geral é uma visão da cultura e da arte comoentretenimento e diversão, tornando desnecessário qualquer espaço para um jornalismocrítico‖. Diante do afirmado anteriormente, percebemos que no jornalismo cultural exercidonos cadernos culturais ou revistas da região, não há espaço para a crítica. Tendo em vista queé difícil encontrar resenhas, nem mesmo um espaço dedicado ao público para o mesmo expora opinião a cerca de determinado tema. Atualmente não há vez e voz para o jornalismo crítico. John et al, (2009, p.9) ―Se a ausência da cultura popular nos jornais da circulação maisampla (como Folha e Estado de S.Paulo) já é preocupante, o que dizer de jornais que têmcomo linha editorial o caráter regional?‖ A preocupação dos autores se constitui justamentepela ausência da cultura popular até mesmo em jornais que tem linha editorial regional, o queprejudicam os artistas amadores, que buscam incentivos da mídia impressa. Nísio Teixeira(2009) apresenta aspectos relevantes quanto ao uso da agenda cultural: A agenda do jornalismo cultural muitas vezes segue a agenda do próprio produto cultural, seja ele um livro, um disco, um espetáculo. Mas muitas vezes a pauta recai sobre o produto cultural e não problematiza os processos que levaram o produto até sua configuração final. A partir disso, pode-se concluir que em alguns casos o jornalista não faz umaprofundamento sobre o assunto, apenas os cita na programação da agenda. Concordandocom esta ideia, Porto (2009, p. 36) afirma “Quando se trata da informação cultural, o descasoé imensurável. Espaços cada vez mais restritos e predominância do sistema de agenda”. Nota-se então que cultura vai além de simples notas ou programação semanal, épreciso ser abordada, mostrar conhecimento, saber agir com a forma diferente que o jornalistade cultura pode dominar. Assim como as dificuldades existentes em instituições culturais ou
  • 20. 26na produção de um novo produto cultural. De acordo com Piza, o que importa é ter domíniono assunto e criatividade na abordagem. Porto (2009, p.34) acrescenta e questiona ―A informação cultural exige um tratamentovip, requer que se tenha um mínimo de ciência sobre uma obra ou acontecimento, casocontrário, como podemos pensar o jornalismo como uma forma de conhecimento?‖ Com basenesta questão, percebe-se que no jornalismo cultural atual não acontece desta forma, não háum tratamento “vip”, diferenciado, apenas o dito pelo não dito, ou seja, a informação passadade maneira curta, presa nas agendas culturais, sem aprofundamento específico. Porto (2009, p.35) afirma ainda que “[...] a informação cultural pede um tratamentodiferenciado que amplie a noção do leitor sobre aquilo que está sendo dito”. Diante doafirmado, percebemos que o espaço da cultura é um lugar também para reflexão, por issoprecisa ser tratado de forma diferente, com leveza e de maneira criativa, e claro sem perder acredibilidade. Nesse sentido recorro ao escrito por Piza (apud BARRETO, 2006, p.72) arespeito do tratamento dado aos cadernos culturais: Os cadernos de cultura ainda são tratados pela grande imprensa como área do jornalismo que desempenha papel quase decorativo, quando, na verdade, sua importância é muito maior do que se imagina. Importância que vai desde a riqueza de temas até a sofisticação dos textos que podem e devem chegar aos leitores. Os cadernos culturais tendem cada vez mais para a ―cultura de variedades‖, deixandopara trás o papel crítico e interpretativo. Como é o caso do caderno do Diário Catarinense,titulado ―Variedades‖, que trazem inseridos a arte, as tradições e o lazer, geralmente voltadosà cultura de massa. Piza (2004, p. 8), argumenta sobre este aspecto: ―[...] uma tendência dojornalismo brasileiro recente é de querer aparentar o jornalismo cultural aos outros, o quenuma frase significa não reconhecer o maior peso relativo da interpretação e opinião em suaspáginas [...]‖. O autor fala sobre a falta de criatividade e também de exploração a cerca dos temastratados no jornalismo cultural. Exatamente o espaço em que o jornalista de cultura temliberdade para o uso da opinião e interpretação, geralmente não é exercido desta forma.Levando em conta este papel crítico, Barreto (2006) lembra que antes os suplementos ecadernos culturais dos veículos impressos eram capazes de estabelecer um vínculo afetivocom o leitor, que dialoga com os colunistas. Barreto (2006, p.66) enfatiza as mudanças queocorreram neste suplemento:
  • 21. 27 Embora nas duas últimas décadas tenham se afastado dessas características, considerando-se que a cultura está cada vez mais inserida na sociedade do espetáculo, do consumo imediato, da superficialidade das abordagens, os cadernos culturais, na maioria das vezes, estiveram ligados à difusão da cultura consagrada e em processo de consagração. O escrito citado permite entender que a cultura dos cadernos ou suplementosculturais está se desviando de seu objetivo inicial, do poder da crítica, e deixando se levar pelacondição de assuntos que façam ―sucesso‖ no momento. Ou também se deixando levar pormeros releases enviados pela imprensa. Barreto (2006, p. 79) argumenta sobre o conteúdo doscadernos culturais: [...] muito do que se lê em cadernos culturais é uma cópia ou uma aversão disfarçada de releases enviados pelas assessorias de imprensa, que cumprem muito bem o seu papel de divulgadoras das exposições, apesar muitas vezes exagerando nos tons dessas mostras. O autor questiona o uso de releases feitos por assessores de imprensa e publicadospor jornalistas como textos próprios, sem dar o parecer jornalístico à questão e utilizando acópia de um texto feito por uma função que não condiz ao seu papel de mediador dainformação. De acordo com Teixeira (2009), ―O jornalismo cultural inclui textos informativos,opinativos, serviços, colunas sociais, horóscopos e passatempos [...] A própria ideia do furono jornalismo vive, portanto, uma sequencia de dilemas‖. Apesar de o autor citar colunas sociais, horóscopos e passatempos como parte dojornalismo cultural, em contrapartida entendemos que esses utensílios constituem o ambientede Lazer, uma forma de entretenimento, não considerável como cultura. Ao definir ojornalismo cultural, Teixeira (2009), aborda as questões dos dilemas culturais: Gênero jornalístico cuja origem remonta a períodos antes do Iluminismo, o jornalismo cultural atual vive uma série de dilemas. Desafios que, como se já não bastassem aqueles existentes ao exercício diário dos cadernos impressos, tornam-se ainda maiores com o surgimento da internet: uma plataforma que contém, a um só tempo, a capacidade de pesquisa e publicação e, ainda, traz a possibilidade da convergência de mídias diversas, como o texto, o áudio e o vídeo. A partir disso, pode-se concluir que com o surgimento da internet tornou-se aindamais difícil escrever sobre jornalismo cultural de maneira que desperte e prenda a atenção doleitor. Por outro lado, de acordo com Kellner (apud GADINI, 2009) a ‗cultura da mídia‘ é umprocesso recente, que é descrito da seguinte forma: [...] esse processo de ‗midiatização‘ da cultura e da sociabilidade se acentua de modo ainda mais acelerado e intenso com o desenvolvimento das chamadas novas
  • 22. 28 tecnologias da comunicação. ―A TV a cabo e por satélite, o videocassete e outras tecnologias de entretenimento doméstico, além do computador pessoal – mais recentemente –aceleraram a disseminação e o aumento do poder da cultura veiculada pela mídia. Assim, percebemos que com o uso da tecnologia, a cultura se tornou mais acessível àpopulação e com maior quantidade de conteúdos, possibilitando um acervo com maisvariedades, mas também com maiores possibilidades de escolha. E para a formação de sentimentos, emoções e pensamentos de um indivíduo, é precisoconhecer os microuniversos culturais e artísticos. Os microuniversos constituem cartografias –musicais, literárias e filosóficas, segundo Suely Rolnik (2006, p.29): ―Não há subjetividadesem uma cartografia cultural que lhe sirva de guia; e, reciprocamente, não há cultura sem umcerto modo de subjetivação que funcione segundo seu perfil‖. Portanto, nota-se que não háum guia para ser cumprido, o jornalismo cultural é preciso ser feito com dedicação, levado asério e jamais ser desmerecido. Piza (2004, p.90), define o que é preciso ser feito neste meio: ―o jornalista cultural, emresumo, tem de ter temperamento forte e equilibrado, para manter sua independência e nãodesbancar para o julgamento fácil quer positivo quer negativo. E isso não sai barato‖. O autor aborda a forma que o jornalista cultural deve agir, ter temperamento forte, ouseja, mostrar um texto diferente, mas com equilíbrio, que tenha conteúdos relevantes einteressantes, sem exageros. Já para Basso (2009), o jornalista de cultura deve seguir estesparâmetros: Ao jornalista cultural ou ao crítico de cultura cabe o papel de levar à análise e à interpretação, de forma a dar subsídios mais aprofundados para o leitor refletindo as formas de organização da sociedade através das artes e da produção cultural. À parte expor a filosofia estética de uma obra, por exemplo, cabe também a reflexão sobre as circunstâncias sócias e históricas em que foi concebida, no sentido de apresentar como um processo cultural. Desta forma, para ser jornalista cultural é preciso cumprir as normas estabelecidastanto por Piza, quanto por Basso, pois são de forma imprescindíveis para um profissional domeio. É preciso saber também, o que não deve ser aplicado no jornalismo cultural, ondeaparecem os famosos ―jabás‖7. Costa (2005, p.170) explica esta situação: [...] perigo é a política de compadrio dos cadernos culturais, permitindo que seu espaço seja usado para a troca de favores entre jornalistas, editores e críticos. E, com isso, os contatos e a visibilidade conquistada na imprensa camuflarem a falta de qualidade de um trabalho literário.7 Exposição na mídia em troca de dinheiro.
  • 23. 29 Tendo isto em vista, o jornalista de cultura deve cuidar com as possíveis trocas defavores impostas na imprensa. O poeta Fabrício Marques8 (apud COSTA, 2005, p.171)dedicou um poema a esta delicada questão de bajulações: Me suplica que eu te publico Me resenha que eu te critico Me ensaia que eu te edito Me critica que eu te suplico Me edita que eu te cito Me analisa que eu te critico Me cita que eu te publico Me publica A poesia de Marques retrata bem esta realidade em que passam alguns veículosmidiáticos, medida a qual não pode ser exercida por um jornalista ético. O jornalista se torna―setorialista‖ de uma mesma fonte informativa, por construir uma relação de proximidade. Eacaba deixando de lado a possibilidade de aumentar o campo de fontes a serem exploradas.Sem esquecer que alguns casos, o jornalista abandona seu papel de profissional da informaçãoe acaba cedendo ao pedido de publicação de fontes que lhe propõem algo em troca. Já Barreto (2006, p.72) alerta para os perigos existentes no jornalismo cultural: Primeiramente, como a arte, na maioria das vezes, é encarada como mercadoria, os jornais simplesmente divulgam a informação, dando maior atenção a circuitos mais restritos, deixando com isso, de ampliar a visão cultural do público brasileiro para outras formas de cultura. Em segundo lugar, o jornalista corre o risco de ser cooptado pelo marketing da indústria cultural, vale dizer, das grandes editorias, gravadoras e TVS. Por isso, precisa ficar atento à pressão a que é submetido, que envolve um sem-número de CDS, livros e releases. Além de seguir os parâmetros definidos pelos autores, um novo produto cultural, comoé o caso de Área Cultural busca mostrar seu diferencial, resgatar a literatura utilizada temposatrás nos folhetins. Bulhões (2007, p.25) avalia a função do folhetim: ―[...] o folhetim será umcomponente de irresistível atração e apelo às massas como intervalo de puro entretenimento,espaço para o imaginário das populações urbanas‖. Levando em conta a afirmação do autor, entendemos que o folhetim é sim umsuplemento também de entretenimento e que em sua maioria são voltados à populaçãomassiva. Porém nos cabe aqui observar que o ideal seria uma informação com conteúdo, quenão deixe o entretenimento de lado e resgate a literatura, mas que ao contrário do colocado sevolta à cultura popular.8 Poeta e jornalista de Belo Horizonte. Entre 2004 e 2005 foi editor do “Suplemento literário de Minas Gerais”.
  • 24. 30 Como já apontamos anteriormente, no ponto de vista de Meyer (1996, p. 18): ―[...]folhetim não é algo unívoco fechado, mas tem uma história, a qual se escreve na história‖.Portanto, o folhetim não é susceptível de uma só interpretação, não é algo evidente, porqueele permite com que sejam ali retratados assuntos variados, do romance às variedades,incluindo a literatura. Strelow (2009, p.1) fala sobre o conteúdo do jornalismo cultural: [...] dentre osassuntos contemplados pelo que se convencionou chamar de jornalismo cultural, a literaturafoi o primeiro a ocupar lugar nas páginas dos periódicos. De maneira que o autor cita, a literatura sendo a primeira no espaço das páginas dosperiódicos, não há como deixar de fora a relação entre jornalismo e literatura. E Para falarsobre esta relação entre jornalismo e literatura é preciso conhecer o New Journalism, aprincipal tendência que nos Estados Unidos afrontou os limites convencionais do fazerjornalístico, lançando um novo ―ritmo‖. Bulhões (2007, p.146) explica o sentido do NewJournalism, que é: [...] elaborar formas expressivas de uma ―nova‖ textualidade jornalística, desatrelada da pasteurização e do pragmatismo noticiosos, desatando o nó da gravata da burocracia redacional, os representantes do New Journalism convocaram conscientemente as armas – e os barões assinalados – da literatura. O escrito citado pelo autor permite compreendermos que o New Journalism estabeleceuma nova possibilidade de escrever de maneira diferente, inovar, lançando um novo legado,com a possibilidade de quebrar barreiras e sair da mesma formatação textual das redações.Melo (2009, p.23) explica o começo da relação entre jornalismo e literatura: Categoria emergente nos anos 1980 como produto das mudanças ocorridas em território nacional (modernização econômica e redemocratização política) e das transformações operadas nas empresas jornalísticas (profissionalização e segmentação), o jornalismo cultural é caudatário do jornalismo literário, que teve o seu apogeu na primeira metade do século XX. Dessa forma, compreendemos que, o jornalismo cultural segue na mesma direção daliteratura. Já que a literatura faz parte da cultura, ambos seguem juntos, compartilhando umsegmento. Carbajo (apud CASTRO, 2005, p.16) afirma que ―A relação entre literatura ejornalismo conhece um primeiro momento de esplendor com a aparição das revistas culturaisdo século XVIII, estreita-se ao longo do século XIX e constitui um dos capítulosfundamentais do século XX‖. A partir deste momento o jornalismo passa a dar espaço ao umnovo tema, que antes não havia abordagem nos meios de comunicação impressa. Costa (2005,p.42) diz que o momento literário passou por uma fase de modernização em 1900:
  • 25. 31 Os jornais, sem desprezarem a colaboração literária, iam tomando um caráter cada vez menos doutrinário sacrificando os artigos em favor do noticiário e da reportagem. As notícias de polícia, particularmente, outrora, mesmo quando se tratava de um crime rocambolesco, não mereciam mais do que algumas linhas, agora passavam a cobrir largo espaço, surge o noticiário esportivo, até então inexistente, tudo isso no sentido de servir o gosto sensacionalista do público que começava a despertar. Consequência: facultando trabalho aos intelectuais, aos escritores, os jornais lhes pediam menos colaboração literária – crônicas, contos ou versos – do que reportagem, noticiário, tarimba da redação. E assim, a literatura perdia espaço nos jornais para dar lugar as matériassensacionalistas, que no momento era de maior interesse do público, devido ao apelo abusivodos jornalistas quando escrevem matérias deste porte. Castro (2005, p.17) declara o queaconteceu com a criação literária no jornalismo: Com efeito, a criação literária, fixada exemplarmente no marco da modernidade como a conquista de um novo espaço onde se estende essa linha na qual a linguagem converte-se em obra, enfrenta uma crise sem precedentes, ao questionar-se o próprio fundamento sobre o que tem se construído durante quase três séculos. Percebemos então, que após a literatura ganhar maior espaço passa-se a questionar oobjetivo deste espaço. Costa (2005, p.173) explica o que aconteceu com os escritoresjornalistas do gênero literário no decorrer das gerações: Ao contrário das gerações anteriores, que tiveram grandes nomes que passaram longe dos bancos universitários, como Graciliano Ramos e Ferreira Gullar, praticamente todos os escritores jornalistas de hoje são egressos da faculdade de comunicação treinados desde o início para o exercício de um modelo específico de texto. O que nos leva concluir, que atualmente mesmo sem a obrigação do diploma, amaioria dos escritores de hoje são jornalistas formados até mesmo para uma aprimoraçãotextual. Entendemos que, a formação do jornalista o faz estar mais preparadas comoescritores, devido à aprendizagem acadêmica, exercida como ferramenta. Porém existemexceções, como é o caso dos escritores, citados pelo autor: Graciliano Ramos9 e FerreiraGullar10. Costa (2005, p.42) diz que na nova imprensa era preciso transitar entre os dois meios(o literário e o jornalístico), a autora cita João do Rio11, escritor e repórter que soube se9 Romancista, cronista, contista, jornalista, político e memoralista brasileiro do século XX.10 Poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memoralista e ensaísta brasileiro.11 Jornalista, cronista, tradutor e teatrólogo brasileiro.
  • 26. 32encaixar como poucos na nova imprensa. Travancas (2010) fala sobre a imagem que umsuplemento literário transmite para seu público: ―Os suplementos literários transmitem umaideia de livro e de literatura e significam prestígio para os jornais e status para quem trabalhaneles‖. Apesar de concordarmos com o ponto de vista do autor, não há na cidade umsuplemento literário em nenhum dos jornais regionais, portanto, é preciso retomar esteprestígio e status que contém a literatura para um novo produto cultural na cidade. Santiago(apud TRAVANCAS, 2010) salienta sobre a crítica literária nos jornais: A literatura (contos, poemas, ensaio, crítica) passou a ser algo mais que fortalece semanalmente os jornais através de matérias de peso, imaginativas, opinativas, críticas, tentando motivar o leitor apressado dos dias de semana a preencher o lazer do weekend de maneira diferente. Diante da afirmação, observamos que esta é a oportunidade de interação do leitor. Umespaço em que o leitor tenha entretenimento. Arquitete o uso da interpretação, a imaginaçãoou da ficção estabelecida pelo autor. São possibilidades de mergulhar no mundo da fantasia eda realidade encontradas no mundo das palavras. Bulhões (2007, p.11) faz uma afirmação a respeito do jornalista como parente daHistória: ―Seria, então, o jornalista uma espécie de ―historiador da vida contemporânea‖,diariamente compartilhada‖. E o jornalista é de fato um historiador, é ele quem informa osmais variados fatos que acontecem hoje e também aqueles em que marcaram a vida dasociedade ao decorrer de cada trajetória vivida. Desta forma, percebemos que o jornalismoestá ligado à literatura. Bulhões (2007, p.12) reforça: ―Na literatura, a linguagem não é merafigurante, mas o centro das atenções‖. Portanto, não basta apenas escrever, a literatura tem que ser bem feita, ao ponto quedesperte atenção do leitor e o faça compreender o exposto. Não basta exercer a funçãocotidiana e costumeira, é preciso transmudar, recriar e inovar. Ainda em Bulhões (2007, p.13)―Todo texto literário é insubstituível‖. Nesta mesma linha, Bulhões (2007, p.14) afirma: ―Nolimite, pode-se afirmar que a literatura nem chega a representar a realidade, mas recriá-la naoperação de desviar a linguagem de sua função habitual‖. Desta forma, o autor explica que a literatura não é a representação da realidade, comoacontece no jornalismo, mas sim, uma recriação da mesma, abordada de forma diferente econstruída com linguagem diferente.
  • 27. 33 Bulhões explica esta diferença: ―De um lado, o jornalismo seria uma atividade baseadana urgência informativa, ocupado e preocupado somente com os fatos. Quanto à literatura,bem, ela poderia se entregar, sem culpa, aos desregramentos da ficção e da fantasia‖. O autordeixa bem explícito a diferença entre a literatura, que dá lugar para a imaginação, enquanto ojornalismo dá prioridade a informação e a verdade dos fatos. Bulhões (2007, p.16) fala sobre aliteratura: Durante séculos - antes do advento do cinema, da televisão e da internet – a literatura saciou, de forma hegemônica, necessidades de fantasia dos seres humanos. Nesse sentido, ela participa de uma das atividades mais poderosas e antigas da manifestação da própria civilização humana, a de contar e transmitir histórias. Operando com ―a vida que poderia ter sido e não foi‖, não interessaria à literatura extrair uma verdade factual, mas uma verdade simbólica, ou alegórica. Diante do citado, compreendemos que o autor explica que a literatura prefere se tornarparte da vida do leitor e não ser como uma notícia factual, que permanece pouco tempo nalembrança do leitor e logo é substituída por outro relato mais recente ou de maiorimportância. Bulhões (2007, p.19) conceitua literatura: ―A literatura é, por excelência, um territóriopara o devaneio fantasioso, uma instância de desatrelamento da vida contingente. A sua―verdade‖ reside também aí, ou seja, na capacidade de atingir uma dimensão universal eessencial da subjetividade humana, a da atividade imaginativa‖. O autor aborda a capacidadede a literatura ser essencial para a imaginação do leitor, uma forma de ―descontração‖ para osfatos da vida cotidiana expostos pela mídia. E reforça: ―[...] ela envolve com a dimensão do imaginário, com o que ainda nãoexiste ou não existirá, abrindo os flancos da vida para a criação do possível ficcional‖. Esta éa diferença da literatura, que mexe com o imaginário das pessoas, e investe na ficção. Nesta perspectiva, Bulhões (2007, p.23) relaciona: ―Assim, o jornalismo vai de fatoassumindo uma identidade marcadamente contrária à dos produtos de ficção e fantasia. Amatéria do jornalismo seria a própria vida mas a vida como substância plausível edemonstrável‖. O autor nos leva a entender que a literatura não tem uma identidade marcante tal comoacontece no jornalismo, que é o relato dos fatos do cotidiano. Porém, acreditamos que ambostenham uma identidade marcante, de formas diferenciadas, mas que levam aos leitores umaidentidade. No jornalismo, pelo factual, acontecimentos que envolvam proximidade esentimentos que marcam a vida do leitor. Já na literatura, a imaginação marca por outro lado,
  • 28. 34o local da fantasia, onde cada indivíduo busca um espaço, até mesmo para entretenimento.Bulhões (2007, p.28) explica a condição paradoxal da literatura: A literatura parece viver, portanto, uma eterna condição paradoxal: ao mesmo tempo que é instância de liberdade pelo poder criativo e transformador da linguagem, fornece marcas identificadoras que a conectam a uma determinada época. Ela é autônoma, mas sempre carrega alguma etiqueta que fornece ao leitor sinais de identificação do tempo em que foi produzida. Desta forma, concluímos que a obra do escritor é fruto da imaginação dele, emboraseja baseado em elementos reais, que façam com que o leitor identifique o tempo em que foicriada.
  • 29. 354 RELATO DE PRODUÇÃO4.1 PRÉ-PRODUÇÃO4.1.1 Pesquisa de Opinião Em primeiro lugar, optou-se por realizar pesquisa de opinião sobre a importância dacultura em Blumenau/SC. Além de buscar respostas sobre a satisfação ou insatisfação dopúblico em relação à abordagem da cultura nos meios impressos da cidade e da possívelimplantação de um produto midiático cultural impresso de Blumenau/SC. Os tipos de pesquisa escolhidos foram quantitativa, descritiva e exploratória comperguntas fechadas e abertas, de maneira a formar o perfil dos entrevistados. Explorando oobjeto de pesquisa através da aproximação com o tema. (NOVAES, 2005) As pesquisas de opinião partem de uma perspectiva quantitativa, permitem identificarposicionamentos, tendências, percepções e sugestões que o público tem a respeito de umproduto ou serviço, da empresa ou de qualquer outro assunto. (NOVAES, 2005) O público alvo são os jovens blumenauenses e universitários de Instituição de EnsinoSuperior do Ibes-Sociesc, de 18 a 24 anos. Pressupõe-se que esses jovens não dispõem de umproduto com esta abordagem na cidade. Em relação à coleta de dados, ela foi realizada entreos dias 09 e 14 do mês de abril de 2010 no Ibes-Sociesc, das 18 horas às 22horas. (Apêndice A) A pesquisa de opinião é um método de investigação científica, que mostra a expressãode uma opinião pública. É a coleta de vasta quantidade de dados com grande número deentrevistados. Novaes (2005, p. 164). Novaes (2005, p.164) destaca como pontos positivos: o resultado da pesquisa comoforma de investigação de um problema de uma empresa, por meio de estatísticas, dadossociodemográficos e de atitude. Além desse tipo de pesquisa ter um baixo custo de aplicação. Já como pontos negativos Novaes (2005, p.164) destaca a manipulação dopesquisador, em tentar influenciar o entrevistado com a má formulação da pergunta,ordenação confusa das questões ou constrangimento do entrevistado. Segundo Novaes (2005,p.165) O processo de pesquisa deve cumprir algumas fases: a) Planejamento e realização – Plano das etapas da pesquisa. São as estratégias utilizadas para conseguir alcançar os objetivos e evitar incoerências que possam comprometer os resultados.
  • 30. 36 b) Definição do escopo do estudo – Identificar o alvo, mira, o intuito para não apresentar dados inúteis ou distorcidos. Além de solicitar e receber bem os pontos de vista dos entrevistados. c) Definição do método de coleta, do cronograma e do orçamento – Após analisar as metas, deve-se escolher se a aplicação da pesquisa vai ser feita pessoalmente por telefone ou correio. Novaes (2005, p.165) salienta sobre o uso da técnica de coleta de dados: neste caso, aentrevista pessoal. E define os aspectos positivos: poder explicar as perguntas com uso derecursos visuais, a cooperação do entrevistado devido à aproximação, o alcance a pessoas quenão seriam acessíveis em outros métodos, como moradores de ruas, além da possibilidade deaplicar entrevistas mais longas e obter maior número de respostas, sendo difícil a entrevistaser interrompida antes de chegar ao final. Já os pontos negativos relatos por Novaes (2005, p.165) são: o maior custo, o maiortempo de aplicação e a possibilidade do entrevistador poder induzir o entrevistado a respostasou introduzir colocações pessoais além das questões específicas. Em relação aos tipos de perguntas, Novaes (2005, p.172) relata que nas perguntas abertasé necessário formular a resposta livremente registrada em forma de texto. Também é precisoconhecer melhor a opinião do entrevistado, porém, podem surgir respostas que não sejamobjetivas referentes ao tema, dificultando a análise estatística. Já nas fechadas, Novaes (2005, p.173) explica ser possível uma melhor comparação entreas respostas, além de melhor facilidade de digitação na base de dados. Porém, pode não ter aopção que o entrevistado gostaria, não podendo expressar opinião. Se não tiver a alternativaque a pessoa busca, acaba forçando a pessoa a escolher a alternativa mais próxima. Por isso éviável apresentar a alternativa ―outros‖ como um campo de anotação, mas não em todas asperguntas. Chegando ao trabalho em questão, para realizarmos a pesquisa de opinião utilizamos osdados de 2009/01, cedidos pela Secretaria Acadêmica do Ibes-Sociesc, por meio de FernandoScherer12. Foi contabilizado o número de matriculados por curso, sexo e idade (de 18 a 2412 Secretário Acadêmico de Graduação do Ibes-Sociesc.
  • 31. 37anos), portanto a divisão entre homens e mulheres na aplicação do questionário foiproporcional a cada curso. Desta forma, 91 acadêmicos em Administração (50 mulheres e 41 homens), 23 deContábeis (12 mulheres e 11 homens), 69 de Comunicação Social (38 mulheres e 31 homens),32 de Direito (17 mulheres e 15 homens, e por fim, cinco acadêmicos de Psicologia (trêsmulheres e dois homens). Aplicamos então, uma fórmula para o cálculo do tamanho mínimo da amostra. SegundoBarbetta (2002, p.60) Sejam: N tamanho (número de elementos da população); N tamanho(número de elementos da amostra); No arma primeira aproximação para o tamanho daamostra e Eo erro amostral tolerável. Um primeiro cálculo do tamanho da amostra pode serfeito, mesmo sem conhecer o tamanho da amostra, mesmo sem conhecer o tamanho dapopulação, através da seguinte expressão:No = 1/Eo²Então, No = 1/ (0,05)² = 400Conhecendo o tamanho N da população, podemos corrigir o cálculo, por: N.no/N+noBaseado na fórmula de Barbetta (2002, p.60) obtivemos o seguinte resultado:n = (400).(486)/ 400 + 486 = 194400/886n = 219,41 Desta forma, entrevistamos 220 pessoas para obtenção do resultado amostral. Assim,foi aplicada a pesquisa de opinião para conhecer os interesses dos jovens blumenauensessobre cultura e áreas relacionadas. O questionário contou com 30 perguntas, sendo aidentificação do nome opcional, então relatamos as 29 questões. O roteiro das perguntas foidividido em três partes: identificação, hábitos de leitura e cultura. Seguimos então para apesquisa em questão. O primeiro questionamento foi formulado buscando compreender qual o sexo dosjovens blumenauenses e universitários de Instituição de Ensino Superior do Ibes-Sociesc, de18 a 24 anos. Foram abordadas 220 pessoas no total, senso assim o universo da presentepesquisa.
  • 32. 38 Gráfico 1 – População pesquisada, por gênero feminino ou masculino, dos jovens acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. A partir da pesquisa obtivemos o resultado, em que a maioria dos jovens de 18 a 24anos, 55%, que estudam no Ibes-Sociesc, são do sexo feminino. O segundo questionamento foi elaborado com intuito de identificar a idade dos jovensque estudam no Ibes-Sociesc. Gráfico 2 – Faixa etária dos jovens acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. Diante das informações tabuladas e apresentadas no gráfico 2, podemos perceber quedos 220 entrevistados, 37% como maioria dos estudantes da faixa etária estabelecida napesquisa (de 18 a 24 anos) tem 21 anos. Em seguida, os jovens de 20 anos, com 34%. Emcontrapartida, apenas 4% possuem 24 anos e 2% dos jovens têm 22 anos. No terceiro gráfico buscou-se saber a quantidade de jovens na faixa etária de 18 a 24anos presente em cada curso do Ibes-Sociesc.
  • 33. 39 Gráfico 3 – População pesquisada por curso dos acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. A partir das informações apresentadas no gráfico, observamos que 41% dosentrevistados cursam Administração, 16% Jornalismo; em empate, com 15% Direito ePublicidade e Propaganda; 10% Contábeis e 2% Psicologia. No quarto questionamento, buscou-se descobrir a ocupação desses jovens, setrabalham e estudam ou apenas trabalham. Gráfico 4 – Ocupação dos acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. Com o resultado, verificamos que a maioria, 97% dos jovens pesquisados trabalham eestudam, enquanto 3% apenas estudam. No quinto gráfico procuramos saber a renda familiar dos entrevistados.
  • 34. 40 Gráfico 5 – Renda familiar dos acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. Dessa forma, notamos que, 73% dos pesquisados tem uma renda familiar acima deR$2000 enquanto o menor índice, 3% dos entrevistados tem renda familiar de R$500 atéR$1000. No sexto questionamento buscou-se saber com quem os pesquisados residem emBlumenau. Gráfico 6 – Com quem reside os acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. A partir do resultado, verificamos no topo, que 81% desses jovens residem com ospais e irmãos e 10% com parentes. Em contrapartida, 1% moram com amigo. No sétimo gráfico perguntamos a composição familiar dos pesquisados.
  • 35. 41 Gráfico 7 – Composição familiar dos acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. Concluimos então, que 80% dos jovens entrevistados tem a composição familiar detrês a quatro pessoas, 9% tem menos de três pessoas na residência, enquanto 8% cincopessoas e 3% mais de cinco pessoas. No oitavo questionamento, buscou-se descobrir o hábito de leitura, se esses jovenslêem jornal impresso. Gráfico 8 – Hábito de leitura de jornal impresso dos acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes- Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. A partir dos dados apresentados no gráfico, observamos que 99% lêem jornal impressoe apenas 1% não lê este tipo de veículo. O nono questionamento foi elaborado com o intuito de verificar qual jornal osentrevistados costumam ler.
  • 36. 42 Gráfico 9 – Hábito de leitura de jornal impresso dos acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes- Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. Nesta perpectiva, define-se então que 90% dos entrevistados lêem o Jornal de SantaCatarina, 6% a Folha de Blumenau, enquanto no empate 2% lêem A Notícia e 2% o DiárioCatarinense. No décimo gráfico buscou-se saber qual a perocidade da leitura do jornal dessesjovens. Gráfico 10 – Periodicidade de leitura do jornal impresso dos acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. A partir dos dados apresentados no gráfico, observamos que 38% dos pesquisadoslêem jornal todos os dias, 28% uma vez por semana, enquanto 19% mais de duas vezes porsemana e 15% duas vezes por semana. No décimo primeiro questionamento, perguntamos qual a editoria os entrevistadosmais gosta de ler.
  • 37. 43 Gráfico 11 – Editoria preferida do jornal impresso pelos acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes- Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. Com os resultados, verificamos que 41% desses jovens preferem a editoria de Geral,28% de Cultura e 27% Esportes. Em contrapartida, 3% preferem Política e apenas 1%Economia. No décimo segundo gráfico, buscou-se saber se o entrevistado julga claro ovocabulário dos jornais que costuma ler. Gráfico 12 – Julgamento do vocabulário dos jornais lidos pelos acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. No décimo terceiro questionamento perguntamos quais os motivos que levam osentrevistados a ler um jornal.
  • 38. 44 Gráfico 13 – Motivos que levam aos acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC a ler um jornal. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria, da pesquisadora. A partir dos dados do gráfico, observamos que 56% dos entrevistados lêem jornal parase manter informado, 40% para ter intretenimento, e no empate, 2% por hábito e 2% porinteresses profissionais. No décimo quarto gráfico buscou-se saber se a cultura é importante em Blumenau. Gráfico 14 – Importância da cultura para os acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. A partir das informações apresentadas no gráfico, verificamos que todos os 220entrevistas, ou seja, 100% do universo da presente pesquisa consideram a cultura importanteem Blumenau. Sendo assim, comprovamos a relevância da cultura para esses jovens eressaltamos a importância da existência de um folheto cultural na cidade.
  • 39. 45 No décimo quinto questionamento buscou-se saber os motivos que levam esses jovensa acreditarem que a cultura é importante em Blumenau. Gráfico 15 – Motivos que levam aos acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC a acreditarem que cultura é importante. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. Conforme as informações do gráfico, podemos concluir que a maioria dosentrevistados, 55% consideram a obtenção de informação como motivo da importância dacultura em Blumenau. Enquanto 20% dizem que valorizar a cidade seja o principal motivo; já15% acreditam que o costume e a tradição sejam as peças principais; 6% julgam aimportância pelo motivo da cultura ser parte da nossa história e 3% acreditam ser importantepara conhecer o passado. No décimo sexto gráfico perguntamos se Blumenau possui algum meio decomunicação que traga informação relevante sobre cultura. Gráfico 16 – A cidade possui ou não, um meio de comunicação que traga informação relevante sobre cultura para os acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. Fonte: Elaboração própria, da pesquisadora.
  • 40. 46 De acordo com os dados, verificamos que 96% dos entrevistados acreditam que não háum meio de comunicação em Blumenau que traga informação relevante sobre cultura,enquanto apenas 4% afirmam que há um veículo deste porte. No décimo sétimo gráfico buscou-se saber qual meio de comunicação que trazinformação relevante sobre cultura em Blumenau. Gráfico 17 – Meio de Comunicação que traga informação relevante sobre cultura em Blumenau para os acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. Diante do exposto, observamos que 88% dos pesquisados responderam que ostelejornais são o meio de comunicação que traz informação relevante sobre cultura emBlumenau, já 13% responderam que os blogs têm esta função. No décimo oitavo gráfico, perguntamos se os veículos midiáticos culturais se prendemsomente às agendas culturais. Gráfico 18 – Veículos midiáticos culturais se prendem ou não às agendas culturais na opinião dos acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC. Fonte: Elaboração própria.
  • 41. 47 Mediante as informações, observamos que 89% acreditam que os veículos midiáticosculturais de Blumenau se prendem sim às agendas culturais, enquanto 11% consideram quenão. No décimo nono gráfico, buscou-se saber se falta na cidade um veículo impressovoltado somente à cultura em Blumenau. Gráfico 19 - Necessidade de veículo impresso voltado somente à cultura, na opinião dos acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. De acordo com os dados, observamos que todos os 220 entrevistas, ou seja, 100% douniverso da presente pesquisa acreditam que falta em Blumenau um veículo impresso voltadosomente à cultura. Desta maneira, comprovamos que falta na cidade um produto como o ÁreaCultural. Os jovens blumenauenses têm necessidade de um veículo que aborde o jornalismocultural. No vigésimo gráfico, perguntamos quais as três editorias dentro de um FolhetoCultural os entrevistados preferem. Gráfico 20 – Principais editorias dentro de um Folhetim Cultural na opinião dos acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria.
  • 42. 48 A partir da pesquisa obtivemos o resultado, em que 28% preferem música, 23%literatura, 12% enquete, 11% cinema, 8% charges e carticaturas, 8% talentos amadores, 7%festas típicas/eventos, enquanto apenas 3% agendas culturais e 2% teatro. Os dadosapresentados estabelecem vínculo com a linha editorial proposta no Produto Experimental deComunicação. No vigésimo primeiro gráfico, buscou-se saber o que falta nos Cadernos Culturais. Gráfico 21 – O que falta nos Cadernos Culturais na opinião dos acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. Conforme os dados do gráfico, 47% dos entrevistados acreditam que falta nosCadernos Culturais conteúdo com profundidade, 39% responderam que falta interatividade e14% opinião. No vigésimo segundo gráfico, perguntamos se os eventos das agendas culturais sãoexplicados de maneira adequada, e com informação em profundidade. Gráfico 22 - Eventos das agendas culturais são explicados de forma adequada ou não, na opinião dos acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria.
  • 43. 49 De acordo com os dados do gráfico, notamos que 98% acreditam que os eventos dasagendas culturais não são explicados de forma adequada, e com informação em profundidade,apenas 2% acreditam que sim. Percebemos então, que as maiorias dos veículos abordam asagendas culturais de forma rápida, sem explicar o conteúdo do evento em questão, deixando oleitor com dúvidas do que está por vir. No vigésimo terceiro gráfico, buscou-se saber por quais motivos a cultura não évalorizada na cidade. Gráfico 23 – Motivos para a cultura não ser valorizada na opinião dos acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. Conforme as informações do gráfico, verificamos que 40% acreditam que a falta deum veículo impresso voltado somente à cultura é o motivo da desvalorização cultural, 25%afirmam que é devido à falta de apoio e visibilidade aos artistas locais, 15% devido à falta deum Folheto Cultural de Blumenau em jornais da região, já 12% responderam a falta deincentivo, enquanto 2% responderam ser a falta de verbas e apenas a falta de interesse. No vigésimo quarto gráfico, perguntamos quais motivos levariam os entrevistados alerem um Folhetim Cultural.
  • 44. 50 Gráfico 24 – Motivos para ler um Folhetim Cultural na opinião dos acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. De acordo com os dados do gráfico, observamos que 36% consideram a informaçãocomo principal motivo para a leitura de um Folhetim Cultural, 32% acreditam ser oentretenimento, 21% a cultura abordada de outro forma, 7% o design editorial, enquanto 4% aobtenção de conteúdo. No vigésimo quinto gráfico, buscou-se saber até quanto os entrevistados pagariam porum Folhetim Cultural mensal. Gráfico 25 – Preço que os acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC pagariam para ter um Folhetim Cultural. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. Conforme os dados do gráfico, 46% pagariam R$1,75 por um Folhetim Culturalmensal, 29% R$1,50, 13% R$1,00, 11% não pagariam e 1% pagariam R$0,75. No vigésimo sexto gráfico, perguntamos de qual forma o Folhetim Cultural devecircular.
  • 45. 51 Gráfico 26 – Forma em que Folhetim Cultural deve circular na opinião dos acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. De acordo com as informações do gráfico, 57% preferem que o Folhetim Culturalcircule independente, enquanto 43% encadernado em jornais da região. No vigésimo sétimo gráfico, buscou-se saber qual o meio utilizado pelos entrevistadospara obter informações culturais de Blumenau. Gráfico 27 – Meio utilizado pelos acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC para obter informações culturais de Blumenau. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. Definimos então, que 34% dos pesquisados, obtém informações culturais por meio datelevisão, 28% pela internet, 26% por meio do jornal impresso e 12% na rádio. No vigésimo oitavo gráfico, buscou-se saber se a cultura em Blumenau é conhecidasomente pelas festas alemãs.
  • 46. 52 Gráfico 28 – A cultura da cidade é conhecida ou não pelas festas alemãs, na opinião dos 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. De acordo com os dados do gráfico, 85% dos entrevistados afirmam que sim, a culturade Blumenau é conhecida somente pelas festas alemãs, enquanto 15% acreditam que não. No vigésimo nono gráfico, perguntamos os motivos da cultura de Blumenau serconhecida somente pelas festas alemãs. Gráfico 29 – Motivos que fazem a cultura da cidade ser conhecida somente pelas festas alemãs, na opinião dos 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC. (Em porcentagem) Fonte: Elaboração própria. Conforme os dados do gráfico, verificamos que 74% acreditam que só com festas hádivulgação, 24% devido às tradições e 2% afirmam como motivo, a falta de incentivo. Considerando os resultados da pesquisa, comprovamos que as 220 pessoasentrevistadas, ou seja, 100% do universo da mostra consideram a cultura importante emBlumenau e também acreditam que falta na cidade um veículo impresso voltado somente àcultura. Desta forma, concluímos que é necessário um folhetim como o Área Cultural para
  • 47. 53preencher o espaço vazio que há na mídia regional em relação a este tema, que é um fatordeterminista do cotidiano da sociedade.4.1.2 Linha Editorial Pensamos em produzir o folhetim Área Cultural mensalmente. Com texto delinguagem simples e direta. Mas, também com textos que façam o leitor refletir, o foco é acultura de uma forma diferenciada do convencional. A intenção é levar informações culturais,por meio de notícias, matérias, poesias, contos, crônicas, enquetes, resgatar uma parte doconteúdo do folhetim de antigamente. Foram elaboradas 11 editorias, sendo elas: Canto da Poesia, Informações culturais,Seção de arte, Música.com.BNU, Crônica, Diz aí!, Confira, Editorial, Profissão: Artista,Polêmica e Lugar de Resenhar. As editorias foram construídas a partir de assuntos considerados importantes para osjovens blumenauenses e que quase não possuem abordagem nos veículos midiáticos. Pelo fatoda cultura ter uma definição ampla, deixamos de lado temas já indagados pela mídia local eoptamos por assuntos ligados à literatura, opinião e talentos amadores, abordagem que falta nacidade. No caso do presente Projeto Experimental, na segunda página, ao lado esquerdo,definimos o Canto da Poesia. Onde serão expostas poesias de autores que já publicaramlivros e também de autores que ainda não publicaram, que escrevem por lazer. Indiferente daidade, porque para lidar com cultura não existe idade específica. Por que a importância deste espaço? Segundo Pignatari (2010, p.10): ―O poeta éaquele artista que não está no gibi. E é aquele que ajuda a fundar culturas inteiras‖.Portanto, brincar com os sons, descobrir novas ressonâncias, poder ouvir e ler pequenashistórias em verso, memorizar os poemas preferidos, desvendar imagens e sentimentoscontidos na palavra, são atividades de adesão imediata que podem e devem ser introduzidasno nosso universo e dessa forma fundar as culturas inteiras, citadas pelo autor. De acordo com Pierce (apud PIGNATARI 2010, p.10): ―O poeta faz linguagem parageneralizar e regenerar sentimentos‖. Dessa forma, é usar a sensibilidade para colocar pormeio dos poemas de forma poética o que acontece em nosso dia-a-dia, injustiça, paixão, amor,amizade, perda, ilusão, morte, esperança, enfim, sentimentos que percorrem nossos corpos eacontecimentos que fazem parte da nossa trajetória de vida.
  • 48. 54 É importante ressaltarmos a Poética de Aristóteles, a obra se divide em duas partes. Aprimeira apresenta o conceito de poesia como imitação de ações. A segunda parte da Poética,a mais extensa, estuda a tragédia, uma das espécies ou gêneros da poesia dramática, e faz acomparação da tragédia e da epopéia. Aristóteles (1990) diz que: ―A epopéia, o poema trágico, bem como a comédia, oditirambo13 e, em sua maior parte, a arte do flauteiro e a do citaredo, todas vêm a ser, de modogeral, imitações. Diferem entre si em três pontos: imitam ou por meios diferentes, ou objetosdiferentes, ou de maneira diferente e não a mesma‖. A Poética de Aristóteles se trata basicamente do ato de "imitar" uma arte e conseguircriar outra, ou seja, fazer com que a partir das diferenças se crie uma imitação diferente. Destaforma citamos Aristóteles como exemplo e modelo do que estará presente no folhetim.Concluímos que para ser poeta é preciso inovar, apesar da maioria dos poemas seremcompostos por versos, por esse motivo que o autor fala da imitação. Continuando a descrição do espaço estabelecido para cada sessão do Folhetim, ao ladodireito no canto superior, estão localizadas as Informações Culturais. Este é o espaço paracolocar tanto matérias sobre algum ponto cultural específico dos blumenauenses, como porexemplo, as festas culturais, abordadas de uma forma diferente, quanto informações sobre oseventos culturais que acontecem na cidade, explicados de maneira elaborada. Já no canto inferior direito está localizado a Seção de arte. O local é destinado paraartistas amadores que criam não só desenhos, mas tudo que seja ligado à arte por lazer e nãopelo trabalho. Um espaço para aqueles artistas blumenauenses que não tem oportunidade paraexpor seus trabalhos e valorizá-los. Na terceira página, no canto superior esquerdo, encontramos o música.com. BNU,visualizado para dar espaço aos músicos e bandas amadoras ou não, de Blumenau. O lugardos blumenauenses prestigiarem e conhecerem as bandas existentes na cidade, assim como ostalentos musicais escondidos, por falta de divulgação. Logo abaixo, a enquete, espaço opinativo Diz aí!, onde cada mês será elaborada umapergunta diferenciada à respeito de Cultura para os jovens blumenauenses responderem edarem suas opiniões.13 Hino coral em louvor de Dionisio (Baco).
  • 49. 55 Já no canto superior direito, visualizamos Crônica, um lugar para os cronistasblumenauenses, tanto profissionais quanto amadores exporem seus textos, compartilhandocom o público leitor a arte de escrever bem. E abaixo, também ao lado direito, do canto inferior, localizamos o Confira, lugar emque falaremos sobre um filme interessante, que tenha haver com cultura e que não estreouainda nas telas do cinema. Na última página, no canto superior esquerdo, encontramos o Editorial, colocado deuma maneira diferenciada dos jornais e revistas, que costumam colocá-lo o início da edição.O Área Cultural resolveu estabelecer este espaço na última página, para este ser o lugar emque o leitor fique sabendo como foi a produção do mês, a correria, as dificuldades e por fim, oresultado final ou uma matéria que foi destaque na edição anterior. E abaixo, a sessão Polêmica, em que um profissional ou artista da região expõe suaopinião a cerca de um tema polêmico que envolva cultura em Blumenau. Ao lado direito, no canto superior, produzimos o Profissão: Artista, um espaçodedicado aos artistas profissionais, um lugar para expor o trabalho realizado recentemente ouhá anos. E em seguida, Lugar de Resenhar, onde profissionais podem divulgar resenhasproduzidas por eles.4.2 PRODUÇÃO E REALIZAÇÃO Em busca de um veículo cultural de Blumenau inovador surgiu a ideia de um folhetimcomo suplemento cultural e literário, onde as pessoas tenham acesso a todo conteúdo queenvolva cultura na cidade, não somente agendas culturais, e sim uma abordagem diferenciadados Cadernos Culturais da região. O nome Área Cultural foi criado pelo fato do veículo seruma mídia jornalística que estabelece seu foco na cultura de Blumenau. Portanto, uma novaárea em que serão inseridos conteúdos diferentes dos já abordados pela mídia da região,cedendo espaço também aos artistas amadores.4.2.1 Linha Editorial Por uma questão de diferenciação, optamos por realizar a produção de um materialimpresso cultural, em que resgate um pouco do folhetim de antigamente e não se prenda
  • 50. 56somente às agendas culturais. Cogitamos a possibilidade do produto agir independente ouencadernado em jornais ou revistas da região. Foram coletadas informações com a diretora do Patrimônio Histórico da FundaçãoCultural de Blumenau, Sueli Petry14, no dia 30 de março de 2010 via e-mail. Na entrevista, foiquestionado sobre a divulgação, incentivo, exploração, espaço e abrangência da cultura emBlumenau. A diretora do Patrimônio Histórico da Fundação Cultural de Blumenau ressaltouem depoimento: A cultura é abrangente e não depende apenas das instituições públicas, ela deve e é manifestada pelo povo! E este deve articular-se para manifestar-se. Deve haver maior engajamento das instituições privadas e da comunidade como um todo! Quando ocorrerem os eventos se fazer presente, participar. Não apenas criticar que não acontecem mais eventos ou atividades. A comunidade deve também promover no bairro, manifestações culturais que a identifiquem. Já as enquetes, aconteceram nos dias 2 e 3 de abril. Foram realizadas duas perguntas:―Para você, o que é cultura‖ e ―O que falta nos Cadernos Culturais‖? Foram realizadas também entrevistas com artistas amadores e profissionais deBlumenau. Em contato direto, no dia 5 de abril, conversamos com a blumenauense, GislaineGiambastiani Lopes, a estudante de moda da Furb, que busca futuramente seguir o caminhoartístico como profissão, faz representações de mulheres dos anos 40 e também de outrostipos de figuras humanas. Entrevistou-se no dia 6 de abril, via e-mail, o caricaturista Daniel Costa de Souza. Oartista profissional relatou como funciona o seu trabalho, os lugares em que já expôs ascaricaturas, o significado de arte e do seu trabalho. No dia 12 de abril, em contato direto e posteriormente por e-mail, conversamos com aautora do livro Particularidades e também acadêmica de Jornalismo do Ibes-Sociesc, NanePereira15. A escritora contou sobre os planos futuros e sua origem, além de contribuir noprojeto com um de seus poemas, incluso no livro, publicado em 2009. Interrogou-se no dia 15 de abril, em contato direto, Carolina e Sérgio, que fazem parteda família musical Stein e compõem a Escola de Música Espaço Kan de Blumenau. Ambos14 Graduada em Pedagogia pela UFSC, além da graduação em Pedagogia pela UFSC, mestrado em Educaçãopela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutorado em Educação pela Universidade Estadual deCampinas.15 A autora do livro Particularidades nasceu em Toledo (PR), mas está radicada em Blumenau (SC), há 29 anos.
  • 51. 57passaram informações sobre esta paixão pela música, que envolve os quatro componentes dafamília. Perguntou-se via e-mail no dia 18 de abril, para o historiador e escritor, ViegasFernandes da Costa16, sobre as publicações e também sua origem. Além do convite, aceitopelo escritor, para integrar o Área Cultural, com um de seus poemas. Falou-se com Camila Mannrich, que ilustra desenhos japoneses, em contato direto nodia 21 de abril. Ela contou sobre a afeição pelos mangás (desenhos japoneses) e tambémsobre quando surgiu o interesse para este nicho. Já no dia 22 de abril, tivemos contato direto com o vocalista da banda blumenauenseBipolar, Nitay Gustavo. Questionou-se o significado do nome da banda, assim como o estilomusical, além dos instrumentos utilizados pelos integrantes, o lançamento do CD demo emJunho e também a história de uma das apresentações iniciais do grupo. Apresentou-se e explicou-se o projeto Área Cultural via e-mail, para Maicon Tenfen17,no dia 4 de maio, convidando o colunista e também escritor para possível participação noFolheto Cultural. Posteriormente, o convite foi aceito e Tenfen escreveu uma resenha sobre olivro Paixão Solitária. Conversou-se no dia 10 de maio, via e-mail, com o jornalista Fernando Arteche18,tendo conhecimento sobre o projeto em questão, aceitou participar do piloto, com a resenha,feita por ele, do livro O albatroz azul. No dia 20 de maio, conversou-se via e-mail, com o poeta e escritor blumenauense,Ricardo Brandes. Explicado o projeto do Área Cultural, o escritor aceitou o convite paraintegrar o espaço com uma de suas crônicas. Foi convidada via e-mail, no dia 24 de maio, para integrar o projeto, a Cônsul dePoetas del Mundo do Estado de Santa Catarina, Terezinha Manczak19. Posteriormente, oconvite foi aceito, com a divulgação de uma crônica de sua autoria.16 Nascido em Blumenau é editor do site de literatura Sarau Eletrônico, da Biblioteca da FURB e possui trêslivros publicados.17 O escritor e colunista do Jornal de Santa Catarina nasceu em Ituporanga, e é conhecido pela publicação decontos, romances e crônicas.18 Graduado em Comunicação Social Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.19 Moradora de Blumenau, Terezinha Manczak é tecelã, poeta, cronista e produtora cultural.
  • 52. 584.2.1.1 A Primeira Edição do Área Cultural No primeiro número Área Cultural, o piloto, as pautas foram desenvolvidas de acordocom as definições dirigentes de cada editoria. No espaço intitulado Canto da poesia foiexposto o trabalho da acadêmica de Jornalismo e também autora do livro Particularidades,composto por poemas e lançado no final de 2009. A escolha foi devido à temática dospoemas feitos pela autora, que condiz com assuntos de interesse do público alvo, jovens de 18a 24 anos. Já na editoria Informações Culturais, como forma de não deixar de lado as tradiçõesda cidade, e ao mesmo tempo ter uma abordagem diferenciada, optamos em construir umamatéria sobre a 2ª maior festa das Américas. Descobrindo desta forma, como foram realizadasas primeiras edições e quais as diferenças entre as primeiras e a última edição, o que mudoureferente aos costumes e tradições. Para isso, tivemos como referência informações do livroOktoberfest A Festa da Cerveja, de Marita Deeke Sasse20. Na Sessão de arte, Gislaine Giambastiani Lopes, demonstra a arte de desenhar porlazer. A garota mostra um estilo diferente presente em seus desenhos. Um local para ostalentos amadores poderem mostrar seus trabalhos. A jovem foi escolhida devido ao trabalhodiferenciado, ilustrando os “PinUps”. A banda blumenauense Bipolar foi a escolhida para o Música.com.BNU. O trio, quecomeçou como uma banda de garagem vem tendo um destaque na cidade e já aguarda olançamento do CD demo. O Diz Aí! da nossa primeira edição traz um questionamentoimportante e que tem um peso forte com o Área Cultural, a cultura. A pergunta do mês é:―Para você, o que é cultura?‖ Pergunta escolhida de acordo com o tema exposto em nossotrabalho experimental. Na Crônica, foi exposto a crônica do escritor Ricardo Brandes, Amigos Modernos. Aescolha foi devido à temática das crônicas feitas pelo autor, que condiz com assuntos deinteresse do público alvo, jovens de 18 a 24 anos. Já na editoria Confira! falou-se sobre o filme Tropa de Elite 2, devido a repercussãoque está causando antes mesmo do lançamento nas telas dos cinemas. O editorial é o espaçoem que apresentamos o folhetim, descrevendo o que está por vir.20 A autora, que nasceu em Florianópolis, licenciou-se em Letras pela FURB. Com opção em Literatura Brasileiraobteve grau de mestre pela UFSC e concluiu doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
  • 53. 59 No Polêmica, buscou-se a opinião do artista plástico Bruno Bachmann, que falou arespeito da divulgação midiática da cultura em Blumenau. O artista foi escolhido devido aostrabalhos conhecidos e caracterizados pelos traços fortes e por ressaltar polêmica com osdesenhos feitos em muros da cidade. Na editoria Profissão: Artista convidou-se o ilustrador de quadros, Nestor Júnior, queconta sobre o início da vida artística até os dias atuais. Nestor é destaque na cidade pelos seusquadros diferentes e marcantes. No Lugar de Resenhar, convidou-se Fernando Arteche Hamilton para fazer umaresenha a respeito do livro O albatroz azul. Arteche é graduado em Comunicação SocialJornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. É especialista emJornalismo pela FURB (Blumenau) / INPG e Mestre em Sociologia Política pelaUniversidade Federal de Santa Catarina. Desenvolve pesquisas nas áreas de Ética e crítica deMídia, além de Mídia e Comunicação. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfaseem telejornalismo, atuando principalmente nos seguintes temas: jornalismo, comunicação,mídia, televisão e juventude. É pesquisador associado do LEI - Laboratório de Estudos sobrea Intolerância da Universidade de São Paulo. No projeto Intolerância/Tolerância - Democraciae Cidadania, do Programa Institutos do Milênio – CNPq desenvolve a pesquisa SBT Meio-Dia.4.2.1.2 A Segunda Edição do Área Cultural No segundo número do Folhetim, permanecem as mesmas editorias do projeto piloto,porém, surgem novas pautas. No espaço intitulado Canto da poesia foi exposto o poema dohistoriador e escritor, Viegas Fernandes da Costa, intitulado Respostas. A escolha foi devido àtemática do poema feito pelo autor, que condiz com assuntos de interesse do público alvo,jovens de 18 a 24 anos. Já a editoria Informações Culturais abre espaço para a Sociedade dos Escritores. Paraquem estiver envolvido em atividades culturais poder ingressar e quem não estiver conhecercomo funciona. Na Sessão de arte, Camila Mammrich, demonstra a arte de desenhar por lazer. Agarota mostra a febre de ilustrar desenhos japoneses, os mangás e explica o motivo daadmiração. A jovem foi escolhida devido aos desenhos japoneses terem virado febre até emBlumenau.
  • 54. 60 Quem integra o Música.com.BNU é a família Stein. Os quatro integrantes da família seenvolveram com a música e hoje trabalham na Escola de Música Espaço Kan queconstruíram, além de tocar em apresentações. O Diz Aí! da segunda edição traz um questionamento importante sobre cultura e quetem transmite a preocupação que o Área Cultural tem com as informações culturais. Apergunta do mês é: ―O que falta nos Cadernos Culturais?‖ Na Crônica, foi exposto a crônica da Cônsul de Poetas del Mundo do Estado de SantaCatarina, Terezinha Manczak, a Casa Poética. A escolha foi devido à temática das crônicasfeitas pelo autor, que condiz com assuntos de interesse do público alvo, jovens de 18 a 24anos. Na editoria Confira, falou-se sobre a animação Rio, que traz no filme a cultura do Riode Janeiro, mostrando os principais pontos da cidade, como o Cristo Redentor e as praias. No editorial deste mês, destacou-se o nosso ponto de vista a cerca de uma matériaimportante que chamou atenção na edição anterior. No Polêmica Cultural, convidou-se a diretora do Patrimônio Histórico da FundaçãoCultural de Blumenau, Sueli Petry, para falar a respeito da banalização da cultura deBlumenau em relação à Oktoberfest21, deixando de lado, os outros eventos culturais dacidade. Na editoria Profissão: Artista, o caricaturista Daniel Costa de Souza nos mostra umpouco sobre seu trabalho, e nos explica o conceito de caricatura. O artista foi cogitado para ofolhetim devido à repercussão de seu trabalho, que já foi exposto em Belo Horizonte eCampinas. No Lugar de Resenhar, convidamos Maicon Tenfen, para fazer uma resenha a respeitodo livro Paixão Solitária. Colunista do Jornal de Santa Catarina, entre suas obras,destacam-se: ―Um Cadáver na Banheira‖ (romance), ―O Impostor‖ (contos), ―Mistérios‖,―Mentiras e Trovões‖ (novela) e ―A Culpa é do Mordomo‖ (crônicas).21 A Oktoberfest de Blumenau é um festival das tradições germânicas. É considerada a maior festa alemã dasAméricas.
  • 55. 614.2.1.3 Futuras Edições do Área Cultural Para a terceira edição do Área Cultural pensou-se em algumas pautas: No Canto dapoesia, um poema sobre amor, escrito por um dos escritores de Blumenau. Já na editoriaInformações Culturais será abordado o teatro em Blumenau de uma forma diferenciada. Falarcomo funciona uma peça teatral desde a produção até o resultado final. Na Sessão de arte seráexplorado o talento amador dos malabaristas. Que mesmo sem espaço na mídia, realizam umtrabalho difícil e de relevância cultural. Para o Música.com.BNU optou-se por um talento amador que toque violão para fazerparte do espaço. Já no Diz Aí! Perguntaremos que tipo de local cultural falta na cidade. Emcrônica convidaremos um profissional para falar a respeito de um assunto do cotidiano, comoo trânsito em Blumenau. Na editoria Confira será falado sobre o filme Eclipse22, o qual é febre não só no Brasil,mas também em Blumenau. No editorial deste mês, destacamos a nossa opinião a cerca deuma matéria importante que chamou atenção na edição anterior, as caricaturas de Costa deSousa. Em Polêmica Cultural pensou-se em algum profissional ou artista que possa expor aopinião em relação aos motivos que fazem com que a cultura seja pouco abordada emBlumenau. Na editoria Profissão: Artista surgiu a ideia em convidar um profissional que fazesculturas para falar sobre seu trabalho. As dificuldades e as conquistas ao longo da carreira.No Lugar de Resenhar optou-se por um profissional da área para falar a respeito de um filmepolêmico. Em Crônica, um profissional fará um texto sobre amor. Para a futura quarta edição, no mês da primavera, nada melhor do que o Canto daPoesia ser composto por um poema voltado a este tema. Já na editoria Informações Culturais,o foco será no aniversário de Blumenau, instruindo o leitor com os principais pontos culturaisda cidade. Para integrar a Sessão de arte, um artista que produz fantoches, para mostrar comofunciona a produção dos mesmos. E também como funciona seu trabalho. Para a editoriaMúsica.com.BNU um resgate ao MPB, com um grupo que toca este estilo musical.22 Terceiro filme da saga Crepúsculo, adaptação cinematográfica do livro da escritora Stephenie Meyer.
  • 56. 62 Já no Diz Aí! a questão será qual o melhor ponto cultural da cidade. Na editoriaConfira! escolheu-se o filme ―Comer, Rezar, Amar,‖ uma adaptação do livro de ElizabethGilbert23. No editorial deste mês, destacou-se a nossa opinião a cerca de uma matériaimportante que chamou atenção na edição anterior. Em Polêmica Cultural pensou-se emalgum profissional ou artista que possa expor a opinião em relação aos pontos culturais deBlumenau. Na editoria Profissão: Artista um artista teatral contará como é organizado seutrabalho, assim como as falas a serem decoradas para a apresentação. Em crônica, um profissional vai expor seu texto com o tema primavera. No Lugar deResenhar um profissional da área falará a respeito do livro ―Comer, Rezar, Amar‖.4.2.2 DIAGRAMAÇÃO Para a produção gráfica do Área Cultural, optou-se pelo software InDesign já quetivemos conhecimento no 5° semestre do curso de jornalismo do Ibes-Sociesc, dentro dadisciplina de Editoração Eletrônica. Como a intenção do projeto já partiu da inovação,criamos uma identidade visual própria, fugindo do convencional e apostando na ousadia doprojeto gráfico. Na primeira capa utilizou-se a fonte Rockwell Extra Bold para a pergunta central eForte para os destaques. Já na segunda capa usou-se a letra Hobo Std e Trabuchet MS para achamada principal. E para as demais chamadas utilizou-se a fonte Bahaus 93 e novamente aletra Hobo Std. Para os títulos do Área Cultural foi escolhida a letra Ravie Regular com o intuito detransmitir uma sensação suave para o leitor, sem ser uma diagramação carregada. De formaque interesse ao público alvo, e que aposte em uma ―cara jovem‖. Sair do formalismo dosjornais, ousar, fazer diferente dos atuais Cadernos Culturais existentes. Já para os textos, optou-se pela letra Times New Roman, para produzir uma forma maistranquila ao leitor e não deixar um texto cansativo. Somente no Canto da Poesia optamos por uma letra diferenciada, Tw Cen MT, vistoque os poemas precisam de uma letra que represente outro estilo, que diverge do normal.23 Autora de uma coletânea de contos, além de escrever romances e livros de não-ficção escreve para a revistanorte-americana GQ.
  • 57. 63 Para as fotos das matérias, utilizou-se uma câmera digital amadora (Olympus FE-150).Já para as fotos, cuja veiculação já tivesse acontecido, as creditamos dentro do folhetim.4.3 PÓS PRODUÇÃO E FINALIZAÇÃO Diante da importância de se criar a identidade visual do folhetim cultural, viu-se anecessidade de criar um visual atraente, mas que criasse impacto aos olhos do leitor. Acriação da logo, assim como os temas abordados, se refere à cultura. Os elementos presentes:livro, guitarra e pincel, representam a diversidade dentro do Área Cultural. A fonte foiselecionada buscando um visual sofisticado e que demonstrasse o que o folhetim quer passarao leitor. A variedade de cores dentro das letras tem ligação direta com os diferentes estilosculturais presentes em Blumenau, já que há uma diversidade nas cores e no conteúdo doprojeto. O traço de tinta, abaixo das letras, foi utilizado com a intenção de transmitir o sentidode leveza, inspiração e tranqüilidade ao qual nos propõe a arte. Mostrar as diferentes vertentesda cultura da cidade em um único folheto é a função do Área Cultural.O logotipo: Devido aos orçamentos de exemplares mínimos para a impressão do folhetim estaremacima de nossa disponibilidade econômica, finalizamos o projeto com a versão do ÁreaCultural impressa para a banca examinadora. Utilizamos o papel couchê, em formato A3,com o intuito de fornecer ao leitor um espaço que o interesse não somente pelo conteúdo, mastambém pelo visual inovador.
  • 58. 645 CONSIDERAÇÕES FINAIS A sensação que nos fica ao término do Área Cultural é que a cultura ganhou umespaço que não existia até então. Transformar o conformismo no poder de escolha e dequestionamentos. Abrir um espaço em que possam surgir talentos até então desconhecidos,resgatar a literatura, que fora deixada de lado e além de tudo ser um local também para uso daopinião. O desafio principal desta pesquisa foi transformar o concreto no diferenciável, noinovador e no único meio cultural voltado ao público de Blumenau. Mostrar acima de tudo aimportância da cultura para toda a sociedade e, sobretudo o destaque que merece na cidade.Afinal, quem vive sem cultura? Segundo GASSET (2009) ―A cultura é uma necessidadeimprescindível de toda uma vida, é uma dimensão constitutiva da existência humana, como asmãos são o atributo do homem‖. A partir disso, considerou-se a cultura uma ferramenta capaz de transmitir por meiodos assuntos enfatizados no presente Projeto Experimental de Comunicação, a importânciaque exerce na cidade de Blumenau, a fim de sustentar um periódico mensal, que se proponhaa informar e entreter além do que encontramos nos Cadernos Culturais da região. Inicialmente, pressupõe-se que os jovens de 18 a 24 anos sentem falta de um produtocultural deste porte, construímos o Área Cultural com esta finalidade e comprovou-se pormeio da pesquisa de opinião, com dados concretos, que os estudantes do Ibes-Sociesc, destafaixa etária sentem falta e querem um suporte midiático cultural da cidade. A pesquisa deopinião foi ao encontro da linha editorial do Àrea Cultural. Foram 220 entrevistados, 100%da mostra responderam que Blumenau tem necessidade de um produto deste porte e tambémque a cultura é importante sim para a cidade. Comprovou-se com 98% das respostas, que asagendas culturais da região simplificam o conteúdo e não o abordam com profundidade. O Área Cultural busca mostrar a importância da cultura em Blumenau e assim,buscou-se um público que leia, se entretenha e consiga pensar sobre a importância erelevância deste fato. Que o público veja além de um simples passatempo, que consigausufruir, ter um espaço em que possa sair da rotina diária e possa mergulhar em um mundoque agregue um aprendizado para a vida.
  • 59. 65REFERÊNCIASLivrosBULHÕES, Marcelo. Jornalismo e Literatura em Convergência. São Paulo: Ática, 2007.CANCLINI, Néstor Gacía. Consumidores e Cidadãos. 5 ed. Rio de Janeiro, 2005.CHARAUDEAU, Patrick. Discurso das mídias. São Paulo: Contexto, 2006.COSTA, Cristiane. Pena de aluguel. São Paulo, 2005.LINS, Daniel; et al. Cultura E Subjetividade. 5 ed.São Paulo: Papirus, 2006MELO, José Marques de. Jornalismo: Compreensão e Reinvenção. São Paulo: Saraiva,2009.MELO, José Marques de. Jornalismo Opinativo. 3ed. São Paulo, 2003.MORIN, Edgar. Cultura de Massas no Século XX . 9 ed. Rio de Janeiro: FlorenseUniversitária,2002.PIZA, Daniel. Jornalismo Cultural. 2 ed. São Paulo, 2004.WOLF, Mauro. Teorias da Comunicação. Lisboa, 1994.Documentos EletrônicosABIAHY, Ana Carolina de Araujo. O Jornalismo Especializado na Sociedade daInformação. Disponível em: <http://www.bocc.uff.br/pag/abiahy-ana-jornalismo-especializado.pdf> Acesso em: 15 abr.2010.AMARAL, Adriana. Subculturas e Cibercultura (s): para uma genealogia das identidadesde um campo. Revista FAMECOS. Disponíel em:<http://revcom.portcom.intercom.org.br/index.php/famecos/article/view/5553/5037> Acessoem: 20 mar.2010.BASSO, Eliane Fátima Corti. Para Entender o Jornalismo Cultural. Disponível em:<http://www.uscs.edu.br/revistasacademicas/revista/com16.pdf#page=70> Acesso em: 12mar.2010.BRANCO, Samantha Castelo; TARGINO, Maria das Graças; GOMES, Alisson DiasJornalismo Cultural: realidade ou idealização? Disponívelem:>http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2006/resumos/R0144-1.pdf< Acesso em 04fev.2010.
  • 60. 66CANAVILHAS, João. O Domínio da Informação-Espetáculo na Televisão. Disponível em:<http://www.bocc.ubi.pt/pag/canavilhas-joao-televisao espectaculo.html> Acesso em: 10mai.2010.CANO, Jefferson. Folhetim: Literatura, Imprensa e a Conformação de uma Esfera Pública noRio de Janeiro do Século XIX. Disponível em: <http://www.ifcs.ufrj.br/~nusc/cano.pdf>Acesso em: 14 de abr. 2010.CARREIRO, Rodrigo Octávio d‘ Azevedo. O Gosto dos Outros: Consumo, Cultura Pop eInternet na Crítica de Cinema de Pernambuco. Disponível em:<http://www.bocc.ubi.pt/pag/carreiro-rodrigo-o-gosto-dos-outros.pdf> Acesso em: 11abr.2010.CASTRO, Gustavo de. Jornalismo e Literatura: a Sedução da palavra. Disponível em:<http://books.google.com.br/books?hl=ptBR&lr=&id=jCu896akfA4C&oi=fnd&pg=PA9&dq=Jornalismo+e+literatura+em+convergência&ots=y2_QzuqxKZ&sig> Acesso em 12abr.2010FERNANDES, Mario Luiz. A proximidade como critério de noticiabilidade da notícialocal. Disponível em:<http://sbpjor.kamotini.kinghost.net/sbpjor/admjor/arquivos/iiisbpjor2005_-_ci_-_mario_luiz_fernandes.pdf> Acesso em 10 mar.2010.FISKE, John. Cultura Popular. Disponível em:<http://anabeatrizgomes.pro.br/moodle/file.php/1/Estudos_Culturais/_Estudso_Culturais_Cultura_Popular.pdf > Acesso em: 12 abr.2010.GADINI, Sérgio Luiz. A lógica do entretenimento no jornalismo cultural brasileiro.Disponível em:<http://www.eptic.com.br/arquivos/Revistas/v.%20IX,n.%201,2007/9%20SergioGadini.pdf>Acesso em: 01 fev.2010.GOMES, Ana Beatriz Gomes. Cultura Popular. Disponível em:<http://anabeatrizgomes.pro.br/moodle/file.php/1/Estudos_Culturais/_Estudso_Culturais_Cultura_Popular.pdf> Acesso em 04 abr.2010.GONZALEZ, Lydianne de Paula Ribeiro. Jornalismo Cultural: Interfaces entre cultura eentretenimento. Disponível em:<http://200.136.53.130:13580/cdrom/2009/intercom/sudeste/cd/expocom/EX14-0616-1.pdf>Acesso em: 06 fev.2010.JACKS, Nilda. Mídia Nativa: Inístria Cultural e Cultura Regional. Disponível em:<http://bocc.ubi.pt/pag/_texto.php3?html2=jacks-nilda-midia-nativa.html> Acesso em: 04fev.2010.
  • 61. 67JOHN, Valquíria Michela; ET al. A Invisibilidade da Cultura Popular nos Jornais DiáriosCatarinenses. Disponível em:<http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2007/resumos/R1352-1.pdf> Acesso em: 15abr.2010.LEMOS, Flávia Cristina Silveira. História, Cultura e Subjetividade: Problematizações.Revista do Departamento de Psicologia UFF. Disponível emhttp://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-80232007000100005&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 14 jan.2010.LOVISOLO, Hugo. Mídia, Lazer e Tédio. Revista Brasileira de Ciências da Comunicação.Disponível em:<http://revcom.portcom.intercom.org.br/index.php/rbcc/article/view/831/614>. Acesso em: 20fev.2010.NOGUEIRA, Antonio Gilberto Ramos. Inventário e Patrimônio Cultural no Brasil.Estudos Avançados. Disponível em :<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-90742007000200013&lng=pt&nrm=iso>. Acesso em: 17 mar.2010.OLIVEIRA, Neide Aparecida Arruda de; et al. Gêneros Jornalísticos Opinativos deHumor: Caricaturas e Charges. Disponível em:<http://publicacoes.fatea.br/index.php/janus/article/viewFile/38/41> Acesso em: 8 mai.2010.PEREIRA, Lucia Mendes Helena. Comunicação Popular: para além do bem e do mal.Disponível em: <http://www.bocc.ubi.pt/pag/pereira-lucia-comunicacao-popular.html>Acesso em: 01 abr.2010.PERUZZO, Cicilia Maria Krohling. Conceitos de Comunicação Popular, Alternativa eComunitária Revisitados e as Reelaborações no Setor. Disponível em:<http://www.pos.eco.ufrj.br/ojs-2.2.2/index.php/revista/article/viewFile/272/264> Acesso em:13 abr.2010.PERUZZO, Cicilia Maria Krohling. Revisando os Conceitos de Comunicação Popular,Alternativa e Comunitária. Disponível em:<http://www.unifra.br/professores/rosana/Cicilia+Peruzzo+.pdf> Acesso em: 15 mar.2010.PORTO, Ana Carolina Costa. O Jornalismo e o Saber Local: Análise da Construção doconceito de cultura na revista Continente Multicultural. Disponível em:<http://www.bocc.ubi.pt/pag/porto-ana-carolina-jornalismo-saber-local.pdf> Acesso em: 12abr.2010.RÉGIS, Fátima . Tecnologias de Informação, Entretenimento e Competências Cognitivasna Cibercultura. Revista FAMECOS. Disponível em:<http://revcom.portcom.intercom.org.br/index.php/famecos/article/view/5552/5036>. Acesso
  • 62. 68em: 20 jan.2010.RIBEIRO, Juliano Colussi. Jornalismo Regional e Construção da Cidadania. Disponívelem:> http://www.labcom.ubi.pt/~bocc/pag/ribeiro-juliana-jornalismo-regional-construcao-cidadania.pdf< Acesso em: 14 jan.2010.SANTOS, José Luiz dos. O que é cultura. Disponível em:< http://www.slideshare.net/secretariacult/o-que-cultura-jos-luiz-carlos< Acesso em: 2mar.2010.TEIXEIRA, Nísio. Impacto da Internet sobre a Natureza do Jornalismo Cultural.Disponível em: <http://www.bocc.ubi.pt/pag/teixeira-nisio-impacto-da-internet.pdf > Acessoem: 12 fev.2010.TRAVANCAS, Isabel. Suplementos e Leitores. Disponível em:<http://www.bocc.ubi.pt/pag/travancas-isabel-suplementos-leitores.html> Acesso em: 5mai.2010.
  • 63. 69 APÊNDICE AQuestionário aplicado aos acadêmicos de 18 a 24 anos do Ibes-Sociesc de Blumenau, SC.QUESTIONÁRIOCaro(a) amigo(a). Esta pesquisa consiste em saber a relevância da cultura em Blumenau.Analisar a maneira que a cultura é divulgada e abordada pela mídia na cidade. E aindaestabelecer quais os estilos culturais mais atrativos ao público. Para isso, precisamos de 10minutos do seu tempo. Posso contar com a sua participação?I.IDENTIFICAÇÃO(1) Nome: ____________________________________________________(opcional)(2) Sexo:1. ( ) Feminino 2. ( ) Masculino(3) Idade: 1. ( ) 18 anos 2. ( ) 19 anos 3. ( ) 20 anos 4. ( ) 21 anos 5. ( ) 22 anos 6. ( ) 23 anos 7. ( ) 24 anos(4) Curso: _____________________________________________________(5) Como você ocupa seu tempo?1. ( ) Você apenas estuda2. ( ) Você estuda e trabalha3. ( ) Outros (indicar) __________________________________________(6) Qual é a renda familiar de sua casa? (total aproximado)[Salário mínimo atual R$ 510,00]1. ( ) menos de um salário mínimo2. ( ) de um salário mínimo até R$500,003. ( ) de R$ 500,00 até R$ 1.000,004. ( ) de R$ 1.000,00 até R$ 2.000,005. ( ) acima de R$ 2.000,00(7) Atualmente, com quem você reside?1. ( ) Sozinho (a)2. ( ) Com amigo (a)3. ( ) Com parentes4. ( ) Com os pais e irmãos Outros (indicar) _________
  • 64. 70(8) Quantas pessoas compõem a sua família?1. ( ) Menos de 3 pessoas2. ( ) De 3 a 4 pessoas3. ( ) 5 pessoas4. ( ) Mais de 5 pessoasII. HÁBITOS DE LEITURA(9) Você lê jornal impresso?1. ( ) Sim2. ( ) NãoCaso você responder não, pule para a parte III(10) Qual jornal você costuma ler?1. ( ) Jornal de Santa Catarina2. ( ) Diário Catarinense3. ( ) Folha de Blumenau4. ( ) A Notícia5. ( ) Outros (indicar) _____________________________(11) Qual a periodicidade de leitura do jornal?1. ( ) Todos os dias2. ( ) Uma vez por semana3. ( ) Duas vezes por semana4. ( ) Mais de duas vezes por semana5. ( ) Outros (indicar) _____________________________(12) Qual a editoria que você costuma ler mais?1. ( ) Economia2. ( ) Geral3. ( ) Política4. ( ) Cultura5. ( ) Esportes6. ( ) Outros (indicar) _____________________________(13) Você julga claro o vocabulário dos jornais que costuma ler?1. ( ) Sim2. ( ) Não(14) Quais motivos te levam a ler um jornal?1. ( ) Para se manter informado
  • 65. 712. ( ) Para ter entretenimento3. ( ) Por interesses profissionais4. ( ) Hábito5. ( ) OutrosIII. CULTURA EM BLUMENAU(15) A cultura é importante em Blumenau?1. ( ) Sim2. ( ) Não(16) Por quê?_________________________________________________________(17) Blumenau possui algum meio de comunicação que traga informação relevante sobre cultura?1. ( ) Sim2. ( ) Não(18) Qual? (indicar) ______________________________(19) Os veículos midiáticos culturais se prendem somente as agendas culturais (eventos)?1. ( ) Sim2. ( ) Não(20) Na sua opinião, falta na cidade um veículo impresso voltado somente a cultura de Blumenau?1. ( ) Sim2. ( ) Não(21) Quais editoriais de um folhetim cultural você prefere? Escolha três.1. ( ) Literatura (livros, poesias, contos, crônicas, entre outros).2. ( ) Música3. ( ) Cinema4. ( ) Enquete (opinião)5. ( ) Teatro6. ( ) Talentos amadores7. ( ) Charges, caricaturas, pinturas, quadros, entre outros8. ( ) Festas típicas, eventos, locais culturais9. ( ) Agendas culturais(22) O que falta nos Cadernos Culturais? (pode escolher mais de uma opção)1. ( ) Conteúdo com maior profundidade2. ( ) Opinião (entrevistas/enquete)
  • 66. 723. ( ) Interatividade (links sobre assunto)4. ( ) Outros (indicar) ______________________(23) Os eventos das agendas culturais são explicados de maneira adequada, e com informação em profundidade?1. ( ) Sim2. ( ) Não(24) Por quais motivos a cultura não é valorizada na cidade? (pode escolher mais de uma opção)1. ( ) Falta de interesse2. ( ) Falta de verbas3. ( ) Falta de incentivo4. ( ) Falta de divulgação5. ( ) Falta de um veículo impresso voltado somente à cultura6. ( ) Falta de um folheto cultural de Blumenau em jornais da região7. ( ) Falta de apoio e visibilidade aos artistas locais8. ( ) Outros (indicar) ___________(25) Quais motivos te levariam a ler um folhetim cultural?1. ( ) Para se manter informado2. ( ) Para entretenimento3. ( ) Para obter conteúdo4. ( ) Pelo design editorial diferenciado5. ( ) Pela cultura abordada de outra forma, diferente de agendas culturais6. ( ) Outros (indicar) ____________(26) Até quanto você pagaria por um folhetim cultural mensal?1. ( ) R$0,752. ( ) R$ 1,003. ( ) R$ 1,204. ( ) R$ 1,505. ( ) R$ 1,756. ( ) Não pagaria(27) O folhetim cultural deve circular de qual forma?1. ( ) Independente2. ( ) Encadernado em jornais da região(28) Você utiliza qual meio para obter informações culturais de Blumenau?1. ( ) Televisão2. ( ) Rádio3. ( ) Jornal impresso4. ( ) Folhetos/ Panfletos
  • 67. 735. ( ) Revista6 . ( ) Internet7. ( ) Outros (indicar)(29) Você acha que a cultura em Blumenau é conhecida somente pelas famosas festasalemãs? Oktoberfest, Sommerfest e Stammtisch?1. ( ) Sim2. ( ) Não(30) Por quê? ___________________________________________________
  • 68. 74 APÊNDICE BRecursos necessários para a produção do Projeto Experimental e orçamentos para a impressãodo Área Cultural com finalidade de apresentação à banca. Elementos materiais do PEC - JORN GRÁFICA HELIOPRINT Papel A4 Exemplares: 500 Impressão: off-set Câmara fotográfica digital Páginas: 2 coloridas em formato Meio de transporte A3 em papel couchê Combustível/Vale transporte Preço: R$ 650,00 Computador com impressora COPY.COM Cartucho para impressora Exemplares: 500 Acesso à internet Impressão: off-set Livros Páginas: 2 coloridas em formato Fotocópias e Impressões A3 em papel couchê Preço: R$ 1.700,00 CDS para gravação/Pen drive COPIHAUS Elementos humanos Exemplares: 500 Acadêmica: Luana Dallabrida. Impressão: off-set Coordenadora e orientadora do PEC: Professora Páginas: 2 coloridas em formato Doutora Ofelia Elisa Torres Morales. A3 em papel couchê Entrevistados: Bruno Bachmann, Bruno Gabriel Preço: R$ 2.200,00 da Silva, Camila Mammrich, Carolina Stein, Daniel Costa de Souza, Fernando Jader Mantau, Gislaine Giambastiani Lopes, Nane Pereira, Nestor Júnior, Nitay Gustavo, Sérgio Stein, Sheila Sueli Lange e Tuany Bertoldi. Cronistas: Ricardo Brandes e Terezinha Manczak. Resenhistas: Fernando Arteche e Maicon Tenfen.

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