Resumo FENERC 2012 - Governador Celso Ramos

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  • 1. Educação Nutricional e Ambiental com alunos da Rede Pública Municipal de Governador Celso Ramos, SC.Greice Daiane Ehrhardt¹; Cristina Silva Sant’Anna²; Azenir Néia Porto Soares³¹ Nutricionista da Secretaria Municipal de Educação de Governador Celso Ramos, SantaCatarina, SC, Brasil² Bióloga da Secretaria Municipal de Educação de Governador Celso Ramos, SantaCatarina, SC, Brasil³ Secretária Municipal de Educação de Governador Celso Ramos, Santa Catarina, SC,BrasilINTRODUÇÃO O município de Governador Celso Ramos localiza-se no litoral catarinense, écaracterizado por baías, praias, cachoeiras e a riqueza da mata atlântica, o que propicia oturismo. Este ambiente também oferece boas condições para o cultivo de mariscos e ostras,além de toda economia da pesca que é a principal fonte de renda do município, sendo estauma prática que está inteiramente relacionada à cultura local. Governador Celso Ramos temum total de 13.012 habitantes. Pelo fato de a base da economia do município ser a pesca,por consequência há uma baixa produtividade agrícola. Devido a isso, desenvolveu-se otrabalho dentro das escolas com o intuito de promover um maior consumo de frutas ehortaliças (verduras e legumes), já que as crianças passam grande parte do dia na escola. Eé nesse espaço que elas reforçam e aprendem hábitos que vão levar para a vida toda(WEISS; CHAIM & BELIK, 2006). Dessa forma, possibilita que essas informaçõesextravasem na comunidade como um todo, através do papel multiplicador que as criançastêm e da força que a unidade escolar possui na sociedade. (STON, 2006). Isso foi possíveldevido ao suporte da Secretaria de Educação do município, visto que o projeto foi idealizadoe orientado pela atual Secretária de Educação. O trabalho se torna mais eficaz e definitivo quando a escola adota ações envolvendoa participação de diversos membros da comunidade escolar. Isto porque, quando todosestão envolvidos e atuando de forma coerente, o aluno passa a vivenciar uma educaçãovoltada para o respeito pelo próximo e pelo ambiente (MELLO, 2007). O conhecimento da importância da alimentação saudável é, segundo Guerra (2001),pouco explorado, ou mesmo ignorado nas atividades de ensino nas escolas até por falta depreparação e atualização dos professores na transposição didática do conhecimentocientífico, produzido nas universidades, para os conteúdos do Ensino Fundamental e SériesIniciais. Dessa maneira a formação de professores possibilita que novas questões sejamdiscutidas na escola. Ademais, conscientizar as crianças tem papel fundamental no futurodo município já que elas assumirão importantes papéis na sociedade (STON, 2006). Trabalhos relacionados tanto à educação nutricional como ambiental possuem ointuito de tornar a comunidade ciente da problemática, incentivar o questionamento sobre aorigem dos problemas, oferecer informações, sensibilizar quanto a causa. A EducaçãoAmbiental também proporciona uma aproximação com a natureza, oportunizando vínculosemocionais importantes para a formação de cidadãos responsáveis. Além disso, dentro dasescolas é uma valiosa oportunidade de construir nos cidadãos uma visão crítica e umaresponsabilidade diante das agressões ao meio ambiente, utilizando o espaço escolar parapráticas de sensibilização, juntamente com uma fundamentação teórica básica nesta área(ALVES, 2007 & PRONEA 2005). A educação nutricional tem grande importância em relação à promoção de hábitosalimentares saudáveis desde a infância, como forma de prevenir doenças crônicas nãotransmissíveis, que está entre os dez fatores de risco que mais causam mortes e doençasem todo o mundo (WHO, 2002).
  • 2. Sabe-se que problemas decorrentes da má alimentação, como desnutrição eobesidade, afetam crianças, jovens e adultos. Por isso a educação nutricional é importantepara estimular uma alimentação saudável e boas práticas de higiene, sendo a escola umambiente propício para explicar isso às crianças e adolescentes. Na sala de aula é possívelensinar o valor nutritivo dos alimentos e como deve ser uma boa refeição. Tudo isso ajudana formação de bons hábitos alimentares, que é o primeiro passo para que as criançastenham uma vida saudável (WEISS; CHAIM & BELIK, 2006). As frutas e as hortaliças são as principais fontes de vitaminas, minerais e fibras.Normalmente os alimentos do grupo dos vegetais são inicialmente pouco aceitos pelascrianças porque, em parte, as crianças têm a propensão de aceitar melhor alimentos doces(VITOLO, 2002). Intervir precocemente no processo de formação por meio de ações educativas podeinfluir positivamente na formação dos hábitos alimentares, contribuindo para oestabelecimento de comportamento alimentar saudável e, ainda, para uma atitude positivadiante da adoção do mesmo, reforça que a intervenção da educação nutricional previnedoenças, promove uma vida mais saudável. Diante disso, o objetivo geral desse trabalho foi fazer com que os alunosconhecessem os alimentos e sua origem, ajudá-los a formar hábitos alimentares saudáveise promover o contato dos alunos com a natureza.MATERIAL E MÉTODOS O trabalho foi realizado com os alunos das treze unidades escolares da RedeMunicipal de Ensino de Governador Celso Ramos. Com uma abrangência de novecentos eoito alunos do maternal ao quarto ano. O trabalho foi realizado num total de doze semanas.No período de maio a julho de 2011. As ações pedagógicas se dividiram em diversos tipos de atividades. Essas açõesforam executadas pelos professores de educação ambiental que foram previamentecapacitados pela nutricionista e bióloga da Secretaria Municipal de Educação. Nacapacitação foram abordados temas como a propriedades e benefícios dos alimentos,maneiras de consumo, higienização dos alimentos e ciclo de vida das plantas, além deterem sido discutidas e elaboradas as etapas do trabalho em conjunto com os professores. O trabalho foi constituído por várias etapas, que serão descritas na sequência. Parainicializar, foram levadas à sala de aula sete frutas, que foram apresentadas para os alunos,dentre elas, banana, bergamota, laranja, maçã, melancia, mamão e maracujá e setehortaliças, dentre elas, alface, abóbora, beterraba, cenoura, chuchu, repolho e tomate. Emseguida, foi distribuída a cada aluno, uma folha com o desenho das frutas e hortaliças paraque eles pudessem pintar e recortar. Os desenhos foram separados em dois grupos, frutase hortaliças, e colados em cartazes que foram afixados na parede da sala de aula paravisualização durante todo o período de desenvolvimento trabalho. Para melhor fixação doconteúdo, foi adotada a prática de questionar o nome das frutas e hortaliças durante todasas semanas ao longo do desenvolvimento do trabalho. Na segunda etapa do trabalho, foram abordados temas como maneiras de consumo,nutrientes, benefícios, cores e higienização das frutas e hortaliças, além dos conceitosnutricionais também foram abordados aspectos biológicos, como ciclo de vida da planta,partes da planta (flor, fruto e semente) e processos como polinização e dispersão, por meiode rodas de conversa e músicas infantis dentro da temática. Já na terceira etapa, os professores levaram à sala de aula as frutas e hortaliças jáapresentadas previamente, no entanto, dessa vez partidas ao meio para que os alunospudessem manuseá-las, cheirá-las e até provar se tivessem vontade, proporcionando assimum maior contato com esses alimentos. Depois de concluída esta fase de apresentação dos alimentos, partiu-se para a parteprática, onde foi realizada uma aula de culinária com as frutas, na qual foi preparada umasalada de frutas com a participação dos alunos, que ajudaram a higienizar, fracionar emisturar as frutas. Depois de pronta a salada de frutas foi servida aos alunos.
  • 3. Dando continuidade à parte prática, realizou-se outra aula de culinária, porém dessavez com as hortaliças. Nessa aula merendeira, alunos e professores em conjuntoprepararam uma sopa de legumes. Ao final os alunos puderam provar o prato que elesmesmos ajudaram a elaborar. Por conseguinte, foi realizada uma visita a um sítio de um pequeno produtor rural domunicípio. Esta saída a campo teve o objetivo de promover e incentivar o contato com anatureza, além de proporcionar uma vivência prática aos alunos, que puderam observar aorigem dos alimentos que foram estudados durante as aulas. Após conhecer os alimentos e saber a sua origem, os alunos participaram do preparode uma horta na sua respectiva unidade escolar. Foram construídas hortas em todas asescolas da rede municipal de ensino. As mudas de hortaliças plantadas pelos própriosalunos foram adquiridas com recursos próprios da prefeitura, as quais foram cultivadas semprodutos químicos. As hortaliças colhidas da horta foram utilizadas na merenda escolar. Ashortas tiveram o intuito de possibilitar uma merenda mais saudável, promover o contatodireto das crianças com os alimentos, além ensinar noções do cultivo de plantas e cuidadocom o meio ambiente, num objetivo maior de fortalecer a educação nutricional e ambiental. Por fim, foi distribuído para todos os alunos um livro de receitas saudáveis. Esse livrofoi elaborado pela Secretaria de Educação e personalizado em sala de aula pelos própriosalunos. O livro contém mais de dez receitas saudáveis, entre elas receitas de sucos, bolos epratos salgados. As receitas foram elaboradas a base dos alimentos estudados durante otrabalho, para que assim, fosse possível dar continuidade em casa ao trabalho iniciado naescola. Logo, escola e família podem trabalhar juntas para que as crianças cresçam fortes esaudáveis. A fim de avaliar a efetividade do trabalho foram feitos alguns levantamentos. Paraavaliar o consumo de hortaliças dos alunos das séries iniciais foi aplicado um questionário(Apêndice I) pelo professor antes e após a realização do trabalho. Para avaliar o consumodas frutas com os alunos da educação infantil foi realizado um piquenique antes e outroapós a realização do trabalho, sendo avaliado pelo professor o número de alunos quecomeram e o número de alunos que rejeitaram. De modo que, para avaliar o consumo dasfrutas e hortaliças na merenda escolar foram comparadas as quantidades de frutas ehortaliças consumidas no período de maio a dezembro do ano de 2010 com as do mesmoperíodo no ano de 2011.RESULTADOS E DISCUSSÃO Por meio deste trabalho, percebeu-se que de forma geral as atividadesdesenvolvidas alcançaram satisfatoriamente os objetivos propostos. A partir do questionário aplicado para os alunos de series iniciais antes de o trabalhoser realizado, verificou-se que apenas dois por cento do total de alunos consome mais decinco tipos de hortaliças por semana, 12% consomem de quatro a cinco tipos de hortaliçaspor semana e a maioria (86%) consome até três hortaliças por semana. Após a conclusãodo trabalho, notou-se um considerável aumento (de dois para 15%) de alunos queconsomem mais de cinco hortaliças por semana. Bem como, na avaliação do consumo das frutas com os alunos da educação infantilos dados apontam que na realização do primeiro piquenique o percentual de alunos quecomeram a salada de frutas foi de 87%, já no segundo piquenique, após a conclusão dotrabalho, o percentual de alunos que comeram a salada de frutas foi de 96%, mostrando umaumento considerável revelando a importância da educação nutricional para consolidaçãode hábitos alimentares saudáveis. Com base nos dados computados a partir dos pedidos de hortifrutigranjeiros damerenda escolar, realizados no período de maio a dezembro de 2011 comparados aos domesmo período do ano de 2010, pôde-se perceber um aumento de 12% do consumo defrutas e hortaliças. Ademais, segundo relatos dos professores, concluiu-se que as aulas práticas deculinária despertaram grande interesse e participação dos alunos que ficaram motivados aexperimentar, pelo fato de eles mesmos terem participado do preparo dos pratos e com isso
  • 4. passaram a gostar de frutas e hortaliças que não conheciam ou até mesmo não haviamexperimentado. Tal fato é corroborado por Magalhães (2003) quando afirma que as oficinasculinárias são estratégias muito eficazes para promover uma melhoria na aceitabilidadedestes alimentos, os quais, embora muito nutritivos, costumam ser os campeões derejeição. Levar os alimentos para a sala de aula, tentando, de algum modo, transformá-losem elemento pedagógico, faz com que as crianças participem das ações de educaçãonutricional desenvolvidas e não fiquem como meros espectadores. Pôde-se também concluir a partir de relatos de professores, que alunos que nãoconsumiam certas frutas e hortaliças, passaram a incluir no seu cotidiano, pelo fato de teremtomado consciência da importância do mesmo. Fato este, que também é mostrado em umestudo realizado em outro país em desenvolvimento, o qual destaca entre os limitantes dobaixo consumo de frutas e hortaliças o desconhecimento da população sobre a importânciados alimentos para a saúde, sobretudo com relação a frutas e hortaliças (MONTEIRO,2003). No que tange as hortas escolares, conclui-se que entre a alimentação adequada, suaaceitação e o entendimento de que esta é a melhor opção, há uma grande distância quecertamente pôde ser diminuída com a oportunidade que este trabalho proporcionou aosalunos em acompanhar o desenvolvimento do próprio alimento. Conforme, Morgado &Santos (2008) os alimentos presentes no ambiente escolar passam a ter um novosignificado para as crianças, pois elas passam a entender que, antes de chegar aosmercados, os alimentos passaram por todo um processo que elas puderam vivenciar. Em relação ao livro de receitas, mães de alunos relataram que seus filhos estãocobrando para que elas preparem as receitas em casa. Além disso, notou-se que emalgumas escolas o livro funcionou como um ponto de partida para diversas atividadespedagógicas de disciplinas como português e matemática. Os resultados do presente estudo indicam que ações de educação nutricional quecombinam informação e motivação visando à promoção do consumo de frutas e hortaliçasforam bem sucedidas. As ações avaliadas buscaram, essencialmente, propiciarconhecimentos sobre vantagens do consumo de frutas e hortaliças para a saúde eincrementar habilidades para sua introdução na alimentação cotidiana.CONCLUSÕES A partir dos resultados obtidos, pode-se concluir que com a formação de hábitosalimentares saudáveis promove-se a saúde, consegue-se reduzir o índice de obesidade, orisco de doenças cardiovasculares, além de melhorar o rendimento escolar. Já que, acriança que come desde cedo frutas e hortaliças variadas, recebe maiores quantidades devitaminas, minerais e fibras. Além do mais, a horta inserida no ambiente escolar torna-se um laboratório vivo quepossibilitou o desenvolvimento de diversas atividades pedagógicas em educação nutricionale ambiental. O que permitiu unir teoria e prática de forma contextualizada, auxiliando noprocesso de ensino-aprendizagem. Diante do sucesso obtido por meio desse trabalho no ano de 2011, o mesmo terácontinuidade em 2012 com algumas modificações nas ações pedagógicas e inovações natemática para se tornar ainda mais efetivo e atrativo para as crianças.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASALVES, R. A escola com que sempre sonhei sem imaginar que pudesse existir. Campinas,SP: Editora Papirus, 2007.GUERRA, A.F.S. A educação ambiental em áreas costeiras: o uso da web como ferramentana formação do oceanógrafo. Revista Eletrônica do Mestrado em Educação Ambiental,Universidade Federal do Rio Grande. Vol. 06, 2001.
  • 5. MAGALHÃES, A. M. A horta como estratégia de educação alimentar em creche. 2003. 120 f.Dissertação (Mestrado em Agroecossistemas) - Universidade Federal de Santa Catarina,Florianópolis, 2003.MELLO, S.S.; TRAJBER, R. (Coord.) Vamos cuidar do Brasil: conceitos e práticas emeducação ambiental na escola / Vol. 216. Ministério da Educação, Coordenação Geral deEducação Ambiental: Ministério do Meio Ambiente, Brasília: UNESCO, 2007.MONTEIRO C.A. Setting up a fruit and vegetable promotion initiative in a developing country.In: WHO. Fruit and vegetable promotion initiative – report of the meeting. Geneva, 2003.MORGADO F.S.; SANTOS, M.A.A. A horta escolar na educação ambiental e alimentar:Experiência do projeto horta viva nas escolas municipais de Florianópolis. Revista Extensio.N. 6. 10 p. 2008.Programa Nacional de Educação Ambiental – ProNEA/Ministério do Meio Ambiente,Diretoria de Educação Ambiental; Ministério da Educação – 3ª ed – Brasília: 2005.STON, M.K.; BARLOW, Z.(org). Alfabetização ecológica: a educação das crianças para ummundo sustentável. São Paulo: Editora Cultrix, 2006.VITOLO, M.R. Dez passos para uma alimentação saudável. Ministério da Saúde,Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição. Brasília, DF. 2002WEISS B.; CHAIM N. B. & BELIK, W. Vamos cuidar da merenda escolar – Cartilha AçãoFome Zero. São Paulo, SP. 2006.World Health Organization. The world report 2002: reducing risks, promoting healthy life.Geneva: World Health Organization; 2002.
  • 6. APÊNDICE I - Questionário para investigar o consumo semanal de hortaliças.Quais hortaliças você consome no mínimo uma vez por semana?Abóbora ( ) SIM ( ) NÃOAlface ( ) SIM ( ) NÃOBeterraba ( ) SIM ( ) NÃOCenoura ( ) SIM ( ) NÃOChuchu ( ) SIM ( ) NÃORepolho ( ) SIM ( ) NÃOTomate ( ) SIM ( ) NÃO