Faca seucurta2012

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Faca seucurta2012

  1. 1. Siga-nos no Twitter:www.twitter.com/popmidiaFaça seu CurtaComo fazer um curta-metragem com recursos própriosWilliam RigaCopyright © 2012 William RigaCopyright desta publicação © 2012 Popmídia TalentosTodos os direitos reservados.4ª. ediçãoPopmídia TalentosPres. Prudente - SP - BrasilFone: (18) 9665-8500Email: contato@popmidia.com.brWeb: www.popmidia.com.brTwitter: www.twitter.com/popmidia
  2. 2. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br2Nota do AutorNeste manual, a fim de tornar a leitura mais agra-dável e menos repetitiva, tomamos a liberdade deusar os termos filme e vídeo para designar qual-quer obra resultante de um projeto de curta-metragem. Da mesma forma, usamos os termoscinema, cinematográfico e videográfico a fim deexpressar melhor as noções de criação audiovisual.Filmar, gravar, editar, montar também se referemàs respectivas etapas da realização de um projetode curta-metragem em vídeo.SUMÁRIOPrefácio: Um novo começoIntrodução: As novas tecnologias1. Etapas da produção2. Roteiro3. O Diretor4. O Produtor5. A Fotografia6. A Direção de Arte7. O Elenco8. A Equipe Técnica9. Os Equipamentos básicos10. A Filmagem11. A Edição e a Finalização12. Como mostrar o seu filme?13. Como anda o mercado para novos talentos?14. MotivaçãoSobre o autor
  3. 3. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br3Prefácio: Um novo começoAtualmente muito se tem falado sobre os novoscaminhos da produção cinematográfica brasileira.Muitos jovens talentos - alguns não tão jovensassim - começam a se entusiasmar com a oportu-nidade de poder contar suas histórias por meio deimagens em movimento. Isto é, de filmes.Mas muitas dúvidas ainda residem entre os queestão se iniciando nesta carreira:É fácil trilhar esse caminho?O quê precisa para se fazer um filme?Basta mesmo uma câmera na mão?É muito caro fazer um curta-metragem?E por aí vai.Poderíamos dizer que, no campo da criatividadehumana, tudo é possível. Mas... a primeira e maisimportante dica é: você tem que começar peque-no!Pequeno não no sentido de talento, é claro. Masde tamanho!Para quem não sabe, um curta-metragem temmuita importância na carreira de um futuro reali-zador (ou videomaker, diretor, produtor etc.). Vocêpode fazer dezenas de cursos sobre cinema, pro-dução audiovisual, multimídia, se informar sobre oque acontece no meio, ter muitos amigos no ramoetc., mas o curta-metragem é a sua verdadeiraescola. Na prática!Basta lembrar que a maioria dos cineastas come-çaram suas carreiras no curta: Steven Spielberg,Martin Scorcese, Francis Coppola etc. No Brasil,temos o Fernando Meirelles, o Cao Hambúrguer eo autor de um dos mais assistidos e citados curtas-metragens brasileiros de todos os tempos, JorgeFurtado, com o seu Ilha das Flores.A bem da verdade, é no curta que você pode apli-car tudo o que aprendeu na teoria e pode testartodas as suas idéias e conceitos antes de fazeraquela "obra da sua vida".E o melhor de tudo: com pouquíssimo investimen-to!Você sabe que, devido à competitividade atual domeio vídeo-cinematográfico, não é muito fácil mos-trar seus projetos para produtoras e potenciaispatrocinadores, não é? Isso sem falar na dificulda-de em conseguir realmente os recursos necessá-rios para viabilizar uma produção.
  4. 4. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br4As empresas que costumam patrocinar projetoscinematográficos estão enxugando suas verbascada vez mais. E, por conseqüência, investindonaqueles em quem sempre investiram (“É maisseguro”, pensam os contadores das empresas). Asprodutoras, por sua vez, costumam investir apenasem projetos próprios ou de seu círculo de parcei-ros.Então, só lhe resta duas saídas: (1) continuar ten-tando um patrocínio ou (2) arregaçar as mangas eproduzir o seu filme, com as suas próprias mãos!Mesmo que tenha que descer do pedestal e en-colher o seu projeto para utilizar o mínimo possívelde recursos. Isto é, transformá-lo em um curta-metragem!Produzindo um curta, você terá algo concreto parapoder mostrar o seu talento e as suas capacidadescriativas. Imagine você, com um DVD do seu curtana mão batendo à porta de um potencial parceirocomercial ou dos veículos de comunicação. Nãoacha que suas chances aumentariam?Você pode, inclusive, produzir uma seqüência deuns 3 ou 5 minutos do seu projeto “maior” só paramostrar do que você será capaz com os recursossuficientes!Sim! É possível fazer filmes com o mínimo de des-pesas. E com qualidade!E é justamente esta a função deste manual: per-mitir que você faça o seu próprio curta. E semgastar nada (ou quase nada). Você vai fazer o seufilme utilizando os recursos que tiver à mão, ondequer que você esteja, e sem depender de patrocí-nios, leis de incentivo e concursos governamentaisque, infelizmente, geram oportunidade para umnúmero cada vez mais restrito de “felizardos”.Ponha a mão na massa! Saiba que você tem con-dições de fazer o seu filme com os seus própriosrecursos!E nós vamos lhe ensinar como fazer isso na práti-ca!Seguindo as orientações deste manual, você iráproduzir um curta-metragem completo. Do começoao fim.Você aprenderá como fazer o "máximo com o mí-nimo" e também a fazer parcerias colaborativascom pessoas que tenham maior conhecimento emcada uma das etapas do processo de produção.E não se preocupe com equipamento. Você vaiusar o que for mais viável para você.
  5. 5. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br5Pode ser uma câmera digital doméstica, uma anti-ga filmadora Super-8, uma Mini-DV, ou até mesmoo seu telefone celular!Pode ser seu, emprestado ou até alugado. Tantofaz. Tudo o que você precisará é de iniciativa eentusiasmo!E ter em mente que você vai terminar este manualcom um filme prontinho para participar de festivaise mostras de vídeo em todo o Brasil. E no mundo.Você também poderá conhecer as tecnologias e asplataformas para apresentar o seu filme.E, por falar em novas plataformas, parece que ocinema entrou definitivamente em uma nova Era.A Meca do cinema mundial, Hollywood, já substitu-iu totalmente os métodos tradicionais de filmageme distribuição, pois a reprodução dos filmes paraexibição em película custava milhares de dólaresaos cofres dos estúdios e, ao fim da temporadanos cinemas, a maioria acaba sendo destruída einutilizada (no Brasil, as cópias viram vassouras...você sabia disso?).Além do fato de que as novas câmeras digitais seaproximam cada vez mais da qualidade visual dosnegativos cinematográficos (35mm), os efeitosespeciais digitais se tornaram o padrão do merca-do, o que prova que as novas tecnologias são umatendência inevitável.E isso está acontecendo não só em Hollywood,mas também no nível dos artistas e realizadoresindependentes, pois os preços e os modelos deequipamentos estão ficando cada vez mais acessí-veis.Essa “revolução digital” mostra que não há maisdesculpas para realizar trabalhos amadorísticos. Osseus filmes não serão julgados pelos críticos, maspor seus amigos, parentes, vizinhos e até aqueleseu sobrinho de 10 anos que, por sua vez, poderáse tornar um novo talento a qualquer hora tam-bém.É pegar ou largar!
  6. 6. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br6Introdução: As novas tecnolo-giasÉ inegável que estamos vivendo numa era degrandes avanços tecnológicos.E na área do audiovisual a tecnologia tem trazidobenefícios cada vez maiores e mais rápidos.Hoje em dia, qualquer computador comum quevocê for comprar já vem com capacidade suficien-te para editar pequenos vídeos. Os softwares sãotão simples e fáceis de usar que qualquer pessoapode manejá-los. Em outras palavras, a produçãode filmes e vídeos, que antes estava restrita a es-túdios e profissionais bem equipados, finalmenteestá ao alcance de todos. É a popularização daarte do vídeo.Ainda hoje, muita gente tem medo das inovaçõestecnológicas, achando que os pequenos realizado-res adquirirão poder de fogo e se tornarão concor-rentes no já concorridíssimo mercado audiovisualbrasileiro.Isso, porém, não passa de uma grande ilusão, poiso que vale mesmo – e sempre foi assim na históriada arte – é o talento! Não é um equipamento novoque vai transformar uma pessoa comum num artis-ta da noite para o dia. Lembre-se do caso do lápis:todo mundo tem acesso a um, em qualquer lugardeste mundo. E a pergunta que fica é: quantaspessoas que têm acesso a essa “tecnologia” setornaram artistas? E dos bons?Pois é. O mesmo acontece com a tecnologia digi-tal. Afinal, o grande segredo é que nada substitui otalento.No entanto, nunca deixe de se antenar com asinovações tecnológicas, pois o mercado e o públicoestão ficando cada vez mais exigentes e só se so-bressairão aqueles que dominarem a tecnologia.
  7. 7. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br71. Etapas da produçãoPara entender melhor todo o processo de realiza-ção de um filme, dividimos este manual numa se-qüência lógica, que acompanha todas as etapas deprodução.Qualquer que seja o tamanho de um filme, existemtrês etapas básicas que devem ser seguidas para obom andamento do projeto: Pré-produção, Produ-ção e Pós-produção, além de uma quarta que é aetapa de Divulgação do filme (afinal, ninguém fazum filme para ficar na gaveta, não é?).Ei-las:Pré-produçãoÉ onde se definem os aspectos iniciais da produ-ção: escolha de argumento, desenvolvimento doroteiro, levantamento de recursos financeiros (sehouver necessidade), estudos de viabilidade co-mercial, busca de locações etc. É a fase de prepa-ração da filmagem, quando são resolvidos os pro-blemas identificados na análise técnica do roteiro eelencados todos os recursos necessários para arealização do filme.ProduçãoÉ onde o filme começa a tomar corpo, isto é, re-solvem-se os aspectos em função da captação deimagem: contratação de elenco e equipe técnica,aluguel de equipamentos, confecção de cenáriose.figurinos e a própria filmagem, entre outras atri-buições.Pós-produçãoÉ a finalização dos trabalhos, desde a pré-ediçãoaté a confecção do máster do filme. Paralelamentesão executadas as tarefas auxiliares à montagemdo filme, como seleção de trilhas sonoras e deruídos adicionais, dublagens, trucagens e confec-ção de letreiros.DivulgaçãoNesta fase o seu filme já está pronto, finalizado, echegou a hora de mostrá-lo ao público e entrar nomercado. Como? Onde? Por quanto tempo? É oque você verá mais à frente.
  8. 8. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br8Um curta bem sucedido pode definiro seu futuro como realizador!E que tipo de filme poderei fazer? Pode ser comé-dia? Drama? Romance? Terror?Bem, isso é com você.O que é importante para você? O que o deixa fe-liz? O que o faz questionar?Não importa a sua idade, seu nível social ou assuas circunstâncias.Nós lhe daremos todo o conhecimento básico paraque você produza o seu filme!Use, abuse e faça experiências. Essa é a melhormaneira de aprender. E a melhor maneira de sedivertir também.Vamos lá! Faça um filme. Faça o seu curta!***
  9. 9. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br92. RoteiroHoje em dia é muito raro não encontrar pessoasque tenham alguma história para contar.Algumas pessoas contam da forma mais básica,isto é, falando. Outras conseguem se expressarmelhor através das artes: escritores usam a pala-vra escrita, pintores e fotógrafos as imagens está-ticas, entre muitas outras maneiras.No entanto, há quem prefira contá-las através deimagens em movimento.Esses são os cineastas, que contam suas históriasatravés de filmes. Uma das mais belas artes, semdúvida.No entanto, por sua complexidade e pelo envolvi-mento de uma infinidade de elementos para a suarealização, talvez seja a maneira mais difícil decontar histórias. Isto é, uma história que funcione!Todos sabem que antes de se começar a produzirum filme é preciso ter um roteiro.O roteiro é praticamente a base de todo filme epode ser definido como uma descrição detalhadada história, um guia minucioso para a filmagem,contendo todos os elementos técnicos, artísticos econceituais de um filme: as ações, os diálogos, adramaticidade, as emoções e os conflitos quecompõem a história contada no filme.Entretanto, muito antes de desenvolver o roteiro, épreciso saber exatamente o que se quer. Isto é,que história você quer contar. De onde ela veio epara onde ela vai.Essas informações são detalhadas em uma etapachamada argumento.O argumento basicamente é um resumo completoda história que se deseja contar, com começo,meio e fim.Na verdade, a escolha do argumento é uma dastarefas mais difíceis e comprometedoras de todo oprocesso de elaboração de um filme, pois é o pri-meiro e mais importante passo de toda a obra.Ao desenvolver o seu argumento, você deve terem mente que está criando o embrião de umaobra de arte (um filme), e toda obra de arte nãopoderá ser considerada como tal se não conseguirtransmitir a sua mensagem ou, pelo menos, atingiro público de forma compreensível.Daí a importância de se escolher um tema ade-quado ao público com o qual você deseja se co-municar, com clareza, fluência, de fácil interpreta-
  10. 10. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br10ção e compreensão, que apresente fatos e circuns-tâncias facilmente identificáveis.Para muitos videomakers é muito fácil encontraruma idéia para um curta-metragem. No entanto,outros sentem muita dúvida em relação a isso.Essa dificuldade ocorre porque nós não temos ahabilidade de sintetizar idéias. Isso é perfeitamen-te normal, mas precisamos desenvolver essa habi-lidade para podermos contar histórias interessan-tes, que tenham relevância.Uma boa dica é você procurar manchetes nos jor-nais e imaginar pequenas histórias que podemsurgir dalí. E, para ser mais original, você nemprecisa se ater às notícias policiais.Faça associações livres de idéias. Por mais absur-das que pareçam, no fim você encontrará umasolução legal. Com uma mente mais aberta comcerteza você encontrará inspiração para filmesmuito criativos!No mais, como o objetivo deste manual é ensinara produzir filmes baratos, de qualidade e que fun-cionem na tela, ao criar o seu argumento, vocêdeve levar em consideração os recursos que terádisponíveis para a produção do seu filme: elenco,cenários, figurinos, equipe técnica, equipamentosetc.Quanto menos recursos você dispuser para a pro-dução, mais cuidado terá de tomar ao criar o seuargumento, para o conseqüente desenvolvimentodo roteiro.Ao buscar a sua história, você deve optar por a-quelas que não exijam muito atores, cenários difí-ceis de se achar, efeitos especiais (cênicos ou digi-tais) etc.. É um verdadeiro trabalho de investiga-ção. Seja dentro da sua mente criativa, ou pesqui-sando em livros, jornais e revistas.Em longas-metragens, o argumento costuma serescrito em no máximo uma página A4.No caso de um curta-metragem, ¼ de página ésuficiente.Lembre-se que um dos objetivos do argumento époupar o leitor (seja ele um produtor, um patroci-nador etc.) de precisar ler o roteiro inteiro parasaber se a história é boa ou se lhe interessa e,tendo isso em mente, as chances de sucesso deseu filme serão muito maiores.Exemplo de argumento:Karine é uma bela jovem que vive sozinha em seu apar-tamento. Como todas as garotas de sua idade, gosta desair para dançar e se divertir com seus amigos.
  11. 11. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br11Apesar de viver uma vida praticamente normal, Karinepassa por uma situação que envolve não somente a suavida, como também a de seus amigos e de toda a socie-dade: uma revolta civil acontece na cidade.A revolta é o assunto principal das programações da TVe parece ter se tornado parte do cotidiano das pessoas.No entanto, como em toda situação de violência social, ofato interfere diretamente nesse mesmo cotidiano daspessoas.Os amigos de Karine a esperam no bar, como de costu-me, mas ela demora a chegar.Karine, se apressa, mas seu maior obstáculo parecer sermesmo o caos que está nas ruas.Finalmente, ela se apronta e, com a pequena trégua narevolta que ela observa pela TV, aproveita para sair.Na rua, o caos reina e Karine tem de correr para não serapanhada pelos tiros e explosões.Os amigos no bar começam a se preocupar.Karine corre, se desviando da multidão desesperada.Mesmo assim, uma explosão ocorre bem próxima a Ka-rine.Os amigos do bar não sabem. Mas acreditam que elaainda vai chegar.AdaptaçãoAinda nesta fase de escolha de argumento e ela-boração do roteiro, é possível se partir de umaobra originalmente criada para outro meio: umlivro, por exemplo.Neste caso, a história já se encontra completa,com começo, meio e fim, e muito provavelmentejá terá sido avaliada e aprovada pelo público, di-minuindo os riscos de se fracassar na história.As adaptações de obras literárias devem ser feitaslevando-se em consideração o tempo que um filmeterá na tela e esta tarefa envolve uma série dedecisões que o roteirista terá de tomar (e se res-ponsabilizar por elas). Por exemplo: cortar ou inse-rir novas tramas e personagens, transferir a épocae o local em que se passa a história, alterar ambi-entações e elementos por causa do orçamento dofilme etc., tudo para adequar a narrativa ao filmeque se pretende produzir.No entanto, como o propósito deste manual é en-sinar os segredos da produção de um curta-metragem autoral, vamos considerar que vocêprefira trabalhar com seu próprio argumento origi-nal e deixar os estudos mais aprofundados sobreargumento, roteiro e adaptação para outros bons
  12. 12. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br12livros, cursos e workshops que já existem no paísatualmente.Não que a adaptação de um livro esteja comple-tamente fora de cogitação... Mas é que, paraquem está iniciando, é um pouco complicado ten-tar entrar em contato com o autor ou a editorapara solicitar a autorização e assinar contratos etc.Entretanto, se a sua intenção é realmente fazerum filme baseado num texto de outro autor, vá emfrente. Procure fazer um contato com o autor ou aeditora que publicou o livro e explique o propósitodo seu trabalho, que não tem fins lucrativos etc.Quem sabe, eles se sintam lisonjeados e liberem aobra para o seu filme... Creio que vale a pena ten-tar!Pronto. Uma vez definido e concluído o seu argu-mento, chegou a hora de transformá-lo num ro-teiro.O roteiro mais fácil (e mais barato) de se filmar,teoricamente, será o que utiliza o mínimo possívelde elementos de produção. Por exemplo: um ho-mem andando numa praia, relembrando mental-mente seu passado. Você vai precisar apenas deum ator, uma praia, uma câmera e a narração.É claro que um filme assim pode se tornar muitoentediante. Chato mesmo.Então é aí que entra a criatividade do roteiristapara, a partir de um argumento enfadonho trans-formá-lo em um roteiro que consiga transmitiralguma emoção, ou que mexa com o espectador,de alguma forma.Por exemplo: o homem caminha pela praia, relem-brando seu passado, seus momentos de tristeza esolidão, preocupado com seu futuro financeiro,pensando até em suicídio, quando, de repente,encontra uma sacola cheia de dinheiro.Note que os recursos de produção continuarão osmesmos, mas você percebeu a mudança?Isso não gerou uma expectativa na sua cabeça?É assim que se desenvolve um roteiro “que funcio-na” na tela.Partes do roteiroUm roteiro é basicamente dividido em 3 partes: aapresentação, a trama e o desfecho.Sem uma destas partes, o roteiro não existe.É de extrema importância estar atento ao “como”,o “quando” e o “porquê” de todas as circunstân-cias apresentadas, para evitar os famosos “furosde roteiro”, evitando deixar alguma coisa suben-
  13. 13. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br13tendida, já que cada espectador poderá interpretarde forma diferente, de acordo com as suas pró-prias possibilidades mentais.No desenvolvimento de um roteiro, é preciso antesde tudo decidir seus aspectos estruturais: a forma,o conteúdo, o ritmo, a ambientação, os persona-gens, os diálogos etc.E o trabalho do roteirista é basicamente o de criarcom situações simples a trama emocional e temá-tica do filme.Cultura, boa memória, bom senso, equilíbrio ecuidado estético devem ser qualidades primordiaisdo roteirista. Um roteiro será considerado de gran-de valor quando, mantendo intactos a idéia e oconceito criado no argumento, apresente, dentrode um senso de equilíbrio lógico e fluente, cadauma das seqüências do filme, cada uma das cenas,sem procurar “malabarismos” desnecessários, típi-cos de autores principiantes.DiálogoO diálogo é uma das partes mais frágeis de umroteiro e motivo de constrangimentos para a car-reira de um filme que não tenha trabalhado direitoesse elemento da produção.O diálogo em um filme é basicamente um com-plemento de expressão, uma vez que o filme, co-mo arte audiovisual, deve se apoiar no próprioconceito de “imagem em movimento”.O diálogo deve ser escrito para fluir da forma maisnatural possível. Deve ser conciso, direto e estri-tamente funcional, isto é, deve servir unicamentepara o entendimento da mensagem que se desejatransmitir e seu equilíbrio é de suma importância.Comece a prestar atenção nos filmes (de qualida-de) que você assiste: os diálogos fluem natural-mente e usam palavras e maneiras comuns de sefalar no dia-a-dia.Em contraste, os filmes ruins sempre apresentamdiálogos totalmente inverossímeis, forçados, anti-naturais, destoantes do modo que pessoas comunsconversam...Só para ilustrar, existem dezenas de casos (princi-palmente na cinematografia brasileira) onde o ro-teirista, para explicar, por exemplo, a ausência dospais de uma criança, põe o seguinte diálogo naboca de um personagem: “Você precisa se alimen-tar, fulano. Desde que seus pais morreram naqueleterrível acidente de automóvel, você vive assim,nessa tristeza.”
  14. 14. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br14Você percebeu o absurdo deste diálogo? Soa tãofalso e antinatural que não é nada funciona! (ondejá se viu alguém comentar fatos óbvios com outrapessoa que já está farta de saber o que aconte-ceu?).Ou ainda: se o personagem vai se dirigir a algumlugar, ele não precisa dizer “Vou a tal lugar”. Aimagem por si só já deve mostrar isso. Às vezes, o“menos” é “mais”.Na verdade, muitos roteiristas, por comodidade,usam a solução mais fácil que existe: explicar umaação através do diálogo e ponto final.E é neste ponto que deve entrar a sua criatividadepara contar fatos que não serão mostrados nofilme, bem como a sua capacidade (e bom senso)de imaginar como seria um diálogo com o mesmoconteúdo na vida real.A situação mostrada num filme deve ser por si sótão evidente que, neste caso, o diálogo deveráservir apenas como complemento ou ênfase para aprópria situação já visualmente narrada. Um filmebaseado exclusivamente em diálogos parecerámais um “teatro filmado” do que realmente umfilme. Mesmo que sua plasticidade e beleza sejamevidentes, esses filmes mostram-se extremamentemonótonos e cansativos.Está bem claro até aqui que é muito mais fácil (erápido) iniciar sua carreira cinematográfica comum projeto de 5 minutos do que com um de 100minutos.Por isso mesmo, apesar das semelhanças no sis-tema de produção, há muitas diferenças na formacomo se deve contar a história. Não somente naduração, mas na estrutura dramática também. Umcurta deve focar sua história em apenas uma tra-ma, enquanto que um longa pode explorar umasérie de tramas, subtramas e reviravoltas em seuroteiro.DramaturgiaOs princípios de conflitos e personagens não dife-rem, mas muitas regras sim. Por exemplo, umlonga bem sucedido deve ser baseado em um pro-tagonista simpático ao público. Já o curta pode sedar ao luxo de trabalhar um personagem que nãoseja tão simpático assim, pois o público não terátempo de odiá-lo antes que o filme acabe. Esta,inclusive, é uma das vantagens do curta-metragem: poder desenvolver temas que não têmespaço nos longas. O experimentalismo é uma dasmarcas registradas dos curtas-metragens.
  15. 15. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br15No entanto, uma fórmula que funciona muito bemnos filmes de sucesso, e que pode servir perfeita-mente para um curta, é a estrutura hollywoodianabaseada em 3 atos, através da qual o roteiro édesenvolvido com base em 3 partes: a Apresenta-ção, o Conflito e o Desfecho (ou Começo, Meio eFim).Na Apresentação, como o próprio nome diz, é on-de são apresentados os personagens e a ambien-tação geral do filme.No Conflito, é onde se desenrola a ação propria-mente dita.No Desfecho, é onde a trama caminha para o seufinal.Para separar um ato do outro, geralmente aconte-ce algo inesperado, uma virada na história ou algoque obriga o personagem a dar prosseguimento àsua história.As passagens entre uma parte e outra podem sersutis ou baseadas em uma situação surpreenden-te.É lógico, porém, que essas regras não precisamser seguidas cegamente, ou à risca. A liberdadeque o curta permite é mais importante do que asregras e, quem sabe, algo de revolucionário podesurgir justamente ao se “quebrar algumas regras”.DicasNo entanto, e principalmente se o seu orçamentofor pequeno (ou inexistente), há uma série de cui-dados que você deve tomar para que não acabecom um “mico” nas mãos.Veja algumas dicas valiosas para o sucesso do seuroteiro (e do seu filme) de baixo orçamento:Escreva a história certa - procure sempredesenvolver uma história com a qual você tenhaalguma afinidade. Será mais fácil para pesquisar efluir a sua história.Fique de olho no orçamento – Se você é oautor e realizador do seu próprio filme, você deve-rá saber de antemão de quanto dinheiro irá dispor(ou não) para a produção. E, assim, o seu roteirodeverá ser escrito com base no orçamento quevocê terá. Se você quer escrever um roteiro queexige um grande número de locações, viagens,muita produção, e seu orçamento não permite,então é melhor nem escrever...Faça um levantamento dos recursos e e-lementos que você terá à disposição para filmar.
  16. 16. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br16Ao mesmo tempo, saiba o que você deverá evitar(pelos custos, por exemplo).Crie poucos personagens – Seja econômiconesse aspecto. Lembre-se que é mais fácil contro-lar menos gente e se concentrar melhor nos pou-cos personagens, de forma a atrair mais o interes-se do espectador.Crie poucos cenários – O seu roteiro deve serbaseado nas locações que você terá disponíveis.Nada de viajar, ou de ficar mudando de cenáriosmuito contrastantes entre si. A menos que você ostenha próximos de sua cidade. Mesmo assim, eviteas locações públicas onde você não poderá contro-lar os transeuntes, o que dará uma imagem ama-dorística ao filme.Cenas noturnas – Filmagens à luz do dia sem-pre serão mais vantajosas. No entanto, se for im-prescindível filmar à noite, verifique se você teráiluminação suficiente para isso. Senão, corte-as doseu roteiro.Filmes de época – Esqueça. A menos que sejauma comédia e o escracho faça parte do seu obje-tivo.Seja objetivo - ao contrário de um longa-metragem, quando se escreve o roteiro de umcurta, você deve ser o mais objetivo possível comas caracterizações de personagens e ambientes.No curta não há tempo para construções ou tra-mas complexas.Dê um foco aos seus personagens – Acheuma situação ou objetivos para os seus persona-gens seguirem na trama, sem se perderem emações e diálogos desnecessários. Desenvolva o seupersonagem principal como se fosse real.Defina o começo, o meio e o fim da suahistória – Nunca inicie um roteiro sem antes defi-nir como ele vai terminar. Isso facilita o controleda história e da duração que o filme terá na tela.Desenvolva um começo interessante, quecapte a atenção do espectador logo no início.Dedique o “meio” do roteiro ao objetivo dopersonagem.Finalize a trama com algo imprevisível,surpreendente.A trama deve sempre guiar a ação de for-ma crescente.Efeitos especiais – Hoje em dia, com os re-cursos digitais é mais fácil utilizar efeitos visuaisnos filmes. Mas antes de escrever o seu roteiro,pesquise se os profissionais e os equipamentos
  17. 17. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br17que você terá para editar o seu filme poderão darconta desse serviço.Estude roteiros de seus filmes preferidos –Procure na Internet por sites que publicam roteirosde filmes lançados comercialmente. Baixe-os eestude como seus roteiristas desenvolveram a his-tória e como exploraram os recursos da linguagemcinematográfica: os personagens, os conflitos, asações, os diálogos etc. Use-os como uma boa fon-te de inspiração antes de escrever o seu roteiro.Ao escrever um roteiro, dificilmente você ficarásatisfeito com o resultado de cara. Com certeza,você vai ficar com vontade de mexer no texto mui-tas vezes. E você não só pode, como deve fazeressas alterações.Isso é perfeitamente normal e o grau com queessas alterações são feitas depende muito de pes-soa para pessoa. Tem diretor que elabora seu ro-teiro técnico de uma só tacada e fica feliz com oresultado. Outros, mexem e remexem tanto noroteiro que chegam a fazer alterações até no mo-mento da filmagem.No entanto, a solução mais sensata é ficar nummeio-termo. Você faz a primeira versão do seuroteiro técnico e deixar "descansar" por algunsdias. Faz algumas pesquisas, assiste alguns filmespara se inspirar e retorna ao roteiro. Você vai verque algumas cenas poderiam ser melhor "conta-das" de outras maneiras. Aí refaz essa parte. Eassim por diante.Mas, importante: imponha um prazo-limite parafazer essas alterações! Senão você vai ficar me-xendo e remexendo eternamente no roteiro e nun-ca vai ficar satisfeito. Tem que fazer, consertaralguma coisa e sentir segurança nas decisões to-madas!A estrutura do roteiroPara escrever um roteiro, você deve seguir umpadrão estrutural que serve para facilitar o enten-dimento do filme por todas as pessoas envolvidase em todas as suas etapas de produção.Para começar, costuma-se calcular o tempo de umfilme da seguinte forma: cada página de roteiroescrito equivale a 1 minuto de filme finalizado.Portanto, se você quer fazer um curta com 5 minu-tos, seu roteiro deverá ter cerca de 5 páginas.Pode haver variações de até 50% para mais oupara menos conforme o tipo de ação desenrolada,mas o importante é que dá para se ter uma noçãoda duração do seu filme.
  18. 18. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br18Note que essa regra "1 página = 1 minuto" é ape-nas uma orientação para que o roteirista tenhauma noção da duração que o filme que está escre-vendo terá na tela. Para sabermos até onde po-demos chegar com o roteiro. Mas, como toda re-gra, existem suas exceções. E uma delas é que, seo filme é bastante "visual", e não apresenta muitos(ou nenhum) diálogo, realmente fica muito difícil"seguir a regra". E isso é bastante comum tam-bém. Como exemplo, o roteiro de Jurassic Park,que foi escrito por Michael Crichton, tinha "apenas"80 páginas. Mas o filme teve 127 min. de duração.O próprio Spielberg orientou o roteirista a omitirdescrições de cena e diálogos, justamente parapriorizar ação (e que ação, hein?). Outra exceção équando o próprio diretor escreve o roteiro. Em suacabeça, ele já sabe o que vai acontecer na cena epode omitir muitos detalhes.O roteiro pode ser escrito em qualquer programade edição de texto existente no mercado. O maiscomum é o MS Word e você deve obedecer aosseguintes padrões:Tamanho do papel: Carta (27.94cm x 21.59cm)Fonte: Courrier ou Courrier New, tamanho 12Numeração das páginas: Canto superior direito,geralmente seguida por um ponto.Margens da página: 2,5 cmMargem Ação/Cabeçalhos: 3,5cm da esquerda /3,5cm da direitaMargem Nomes: 9 cm da esquerdaMargem Diálogo: 6,5cm da esquerda / 7,5cm dadireitaMargem Instruções para o ator: 7cm da esquer-daOs diálogos são destacados por meio de recuos noparágrafo correspondente, tendo como primeirapalavra, o nome (em letras maiúsculas) do perso-nagem que emite o diálogo.Para facilitar o trabalho do roteirista, circulam pelaInternet vários programas e macros que podemser importados no seu MS Word e que agilizam esimplificam a digitação do seu roteiro (veja a seçãoDownloads).Só lembrando que esse padrão não é obrigatório.Apenas facilita a leitura e o entendimento do rotei-ro.
  19. 19. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br19O tamanho idealTradicionalmente, um filme é considerado curta-metragem se a sua duração é de até 25 minutos.E qual a duração ideal para o meu curta-metragem? Bom, isso depende muito do que vocêpretende fazer com ele.Se for apenas por curtição, qualquer duração ser-ve.Se for para participar de festivais, têm os que acei-tam filmes de até 1 minuto, os que aceitam até 5minutos e assim por diante.Se for para exibir em emissoras de TV, o ideal éque o curta tenha uma duração de 7 a 8 minutos,ou de 15 minutos, ou ainda de 23 a 24 minutos(como essas são as minutagens padrão das emis-soras, o seu curta será mais facilmente aceito, poisnão precisará sofrer os tão temidos “cortes”).Exemplo de roteiro:Veja na página seguinte um roteiro completode curta-metragem com aproximadamente 5minutos de duração. (O texto está em formatoreduzido para que o leitor possa visualizarcomo o mesmo foi redigido originalmente, emformato A4).KARINEPor William RigaINT. APARTAMENTO DE KARINE/SALA – NOITEUm aparelho de TV, velho e desgastado, exibe cenas jornalísti-cas, por meio de imagens trêmulas que tentam registrar pessoascorrendo pelas ruas e calçadas, em meio a muita fumaça e con-fusão. No canto superior da tela lê-se “ao vivo”. O volume éensurdecedor.A mão de KARINE aperta a tecla de volume do televisor, pelocontrole remoto e o som diminui.Em silhueta, Karine se afasta do móvel onde se encontram otelevisor, algumas fitas de vídeo e outros objetos amontoadosdesordenadamente, e se dirige ao banheiro.INT. BAR – NOITEUm grupo de jovens, homens e mulheres, riem, conversam e be-bem, ao som de música eletrônica. Duas jovens chegam para sejuntar ao grupo, sentando-se à mesa.CRISPerdemos alguma coisa?HUGO (cínico)Não, nada que eu tenha encontrado, hahaha...INT. APARTAMENTO/BANHEIRO – NOITEUm pequeno e velho ventilador, com a pintura desgastada e semgrade, é colocado no chão e acionado. Sua função é dissipar ovapor que toma conta do ambiente. Junto ao ruído do aparelho,ouve-se a água que cai do chuveiro.
  20. 20. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br20Em seguida, vemos através de um espelho velho e embaçado pelovapor, detalhes do rosto de Karine observando sua pele, seuslábios etc. Aos poucos o vapor se dissipa, revelando seu belorosto.SALAA TV continua exibindo cenas de uma cidade caótica onde, vezou outra, o narrador faz comentários, não muito compreensí-veis, sobre a situação.De outro ângulo, podemos ver agora o banheiro e, pela portaentreaberta, detalhes de Karine, se enxugando.INT. BAR – NOITEEntre luzes e sombras, as pessoas dançam em um pequeno espaçoentre as mesas, bem próximas umas das outras. Hugo conversacom Cris na mesa.SÍLVIAHugo... Larga essa perua! Vem dançar com a gen-te!Hugo olha para Cris e todos caem na risada. O clima é de muitadescontração.INT. APARTAMENTO – NOITEKarine anda por um corredor pouco iluminado. Algumas partes deseu corpo ainda estão úmidas do banho. Ela se abaixa até otelefone, que está no chão, pega o fio e encaixa-o na tomadana parede, também meio desgastada pelo tempo.SALANa TV ainda se vê toda a confusão nas ruas.QUARTOUm gato, cinza, sem raça definida, espreguiça-se sobre umacama desarrumada, iluminada apenas por uma luz que entra pelajanela. A sombra de Karine passa sobre o gato, que acompanha-acom os olhos. Uma luz de abajur se acende e ilumina um poucomais o ambiente.SALANa tela da TV, uma explosão faz balançar a câmera que tentaregistrar as imagens.QUARTOKarine pega um despertador debaixo de sua cama e coloca-osobre a penteadeira.SALANa TV, as imagens oscilam com os passos rápido do cinegrafis-ta, aproximando-se de uma multidão agitada. Em meio à multi-dão, surge uma mulher chorando, com uma criança no colo. Ren-pentinamente, surgem problemas na transmissão. Não há som e aimagem ameaça sair do ar.COZINHAKarine, semi-vestida, abre a geladeira. A luz fraca e amarela-da do aparelho ilumina parte de seu belo rosto.INT. BAR – NOITEA multidão se cruza em várias direções. Casais se beijam. Numadas paredes, um vídeo-wall exibe as mesmas imagens de pessoascorrendo, mulheres chorando etc.INT. APARTAMENTO/SALA – NOITEA TV mostra mais imagens. Agora começa-se a perceber que setrata de uma revolta urbana.Karine se senta na cadeira. Abaixa ainda mais o volume da TV.Com um copo d’água na mão, ele bebe lentamente, enquanto olhaas imagens. Ela cruza as pernas sobre a cadeira e, desviando oolhar da tela, revira uma pilha de roupas sobre a mesa.
  21. 21. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br21INT. BAR – NOITEPor entre as muitas pessoas que passam na frente, podemos verno vídeo-wall, as mesmas imagens da revolta.INT. APARTAMENTO – NOITEKarine pega o ferro de passar e testa a temperatura.Na TV, as imagens passam freneticamente.KARINEAh... meu Deus...Karine se frustra ao perceber uma mancha na peça de roupa queiria vestir.KARINEDroga!...Na TV, uma vinheta, seguida de uma entrada “ao vivo” do apre-sentador.INT. BAR – NOITEAs pessoas continuam rindo e conversando.CRISKarine ainda não chegou?SÍLVIAAh, você já viu a Karine chegar na hora certaalguma vez?(risos)INT. APARTAMENTO/QUARTO – NOITEKarine sai devagar, acabando de vestir a roupa, indo para a...SALA, onde as imagens da TV parecem indicar uma pequena pausana revolta nas ruas.Karine, agora apressada abre várias gavetas do móvel. Suasmãos reviram tudo, procurando algo. De repente, ela pára, selembra de algo e aproxima-se de uma pequena estátua sobre aqual repousa um colar com crucifixo. Rapidamente ela o colocaem seu pescoço.Karine dá um último retoque nos cabelos e vai em direção à...PORTA, de onde desliga o aparelho de TV, deixando o controleremoto sobre um móvel ao lado da entrada. Fecha a porta.ESCADARIAKarine desce a escadaria mal iluminada até chegar à porta doedifício. Hesitante, aciona o botão que, depois de falharalgumas vezes, aumentando a sua tensão, abre-se com um estaloque ecoa pelo prédio. E sai.EXT. RUA – NOITEKarine fecha a porta do prédio e encosta-se sobre ela. Suarespiração está ofegante. Olha para os lados, só com os olhos.Tudo parece estar quieto. Fica assim, imóvel, por mais algunssegundos. Suspira e, repentinamente, dispara em uma corridapela calçada, desviando-se de entulhos e latas de lixo, espa-lhadas pela rua. Ouve-se um ZUNIDO ao longe. Karine, com seusolhos atentos, pára e se esconde atrás de uma parede. O clarãode uma explosão e seu ESTRONDO mais à frente estremecem ochão. Ela faz uma pausa. Olha para os lados novamente, procu-rando o caminho aparentemente mais seguro, e dispara novamenteem sua corrida.Agora, alguns TIROS podem ser ouvidos ao longe. Desviando-sedos buracos e protegendo-se das balas, Karine passa correndoao lado de um amontoado de ferros retorcidos que um dia foi umautomóvel, agora reduzido a uma bola de fogo. Ela pára nova-mente mais à frente. Ouve tiros, agora mais fortes, de armasmais pesadas.Hesitante, sai em disparada mais uma vez, segurando os cabelosque teimam em cair sobre seu rosto. Algumas pessoas ultrapas-sam-na, correndo desesperadamente.Agora, pode-se ver que a rua está um caos, por causa da revol-ta. Mais pessoas vêm correndo em direção a Karine que, parali-sada, hesita entre seguir ou não a multidão.De repente, outra explosão faz Karine arregalar seus olhosassustados.INT. BAR – NOITE
  22. 22. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br22Em meio às pessoas se divertindo, Cris olha no relógio, preo-cupada.SÍLVIAFica calma. Ela sempre consegue...As duas se entreolham e esboçam um leve sorriso, porém, semconseguir disfarçar a preocupação estampada em seus rostos.No vídeo-wall, as imagens da revolta continuam: explosões,pessoas feridas, mulheres chorando...FIM------------Roteiro Literário x Roteiro TécnicoO roteiro do qual falamos até agora é o que cha-mamos de roteiro literário, isto é, o materialcuja principal função é contar a história, com co-meço, meio e fim, e que servirá de base para asetapas seguintes da produção, bem como para osatores se localizarem na história.Você deve ter notado que até agora não falamosem numeração de cenas, planos, enquadramentos,movimentos de câmeras e atores, som, músicaetc.É que esses elementos são pensados e descritosem um outro tipo de roteiro: o roteiro técnico,cuja elaboração é de responsabilidade do diretore não do roteirista que, por sua vez, é especializa-do em escrever roteiros e não realizar filmes.Esse tipo de dúvida é mais comum quando o pró-prio diretor é o roteirista do filme. O dire-tor/roteirista escreve o roteiro já pensando na so-lução visual, com enquadramentos, ângulos, cor-tes, efeitos etc.. É perfeitamente normal, mas ésempre bom ter as duas versões do roteiro. O "li-terário" será usado como base para o elenco etodo o filme. O "técnico" é a visão do diretor sobrecomo serão compostos os elementos básicos dofilme: os planos. E serve também para a equipe deprodução se organizar melhor. No primeiro está ahistória. No segundo, a fragmentação dessa histó-ria, para facilitar a filmagem.Imagine os atores lendo um roteiro técnico: nãoentenderiam nada... Da mesma forma, a equipetécnica tendo que se virar com o roteiro literário:"que cena será filmada hoje?", "quais planos?","como ele quer o enquadramento?". Ou pior, odiretor do filme (caso não seja você) esbravejan-do: “Afinal, quem é o diretor aqui?”...Note também que, no roteiro literário, não é ne-cessário explicitar os pontos onde a cena “corta”pois, quem vai ler já entende que entre uma cenae outra existe um "corte". Um roteiro assim fica
  23. 23. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br23mais enxuto, direto e objetivo e permite maiorfluência na leitura.No cinema profissional, esse tipo de conflitopraticamente não existe porque os roteiristasentendem que o trabalho deles é desenvolver ahistória, com começo, meio e fim e suas nuances.Quando o roteirista descreve uma cena ou situaçãode difícil entendimento, ele pode até indicar algumenquadramento ou ângulo de câmera apenas parareforçar seu ponto-de-vista para o diretor ou parao produtor para o qual apresenta seu projeto. Masa decisão final de usar as sugestões é unicamentedo diretor. Nesse aspecto, o roteirista deve ser umprofissional que não pode ter egos, senão corre orisco de ficar "magoado" com as interpretações dodiretor (que é o principal "artista" do filme).Isso veremos com detalhes mais à frente no capí-tulo específico sobre direção.No entanto, nunca é demais lembrar: por mais quese tenha um roteiro perfeitamente escrito ou umahistória interessante, é impossível fazer um filmesem um roteiro inteligente, isto é, aquele que pre-za as emoções e que seja compreensível ao espec-tador.SinopseDepois de pronto o seu roteiro, é interessante vocêdesenvolver uma sinopse.A sinopse é um pequeno resumo do filme quemostra, em linhas gerais, o contexto da história eé usada para apresentar o projeto para o elenco, aequipe, eventuais patrocinadores e para a impren-sa.A sinopse deve ser escrita em no máximo um pa-rágrafo e, como dica, você pode esconder o finalda história.Exemplo de sinopse:Karine é uma jovem que, como a maioria dos desua idade, gosta de sair e se divertir. No entanto,sua vida é prejudicada por uma manifestação pú-blica que atinge a sua cidade, transformando ocotidiano das pessoas. Karine terá de enfrentar ocaos nas ruas para tentar viver uma vida normal.DicaVá até a locadora mais próxima ou à sua video-teca e pegue os seus filmes (longas-metragens)preferidos. Assista-os e observe como a história é
  24. 24. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br24contada (o começo, o meio e o fim). Observe co-mo o roteirista criou a trama, os diálogos, os per-sonagens etc. Inspire-se nesses trabalhos paradesenvolver o seu próprio roteiro.Pratique!1. Crie, pesquise e desenvolva o argumento do seufilme.2. Com base no seu argumento, escreva o seuroteiro.3. Escreva a sinopse do seu filme.***
  25. 25. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br253. O DiretorSe o filme é a arte de contar histórias com ima-gens em movimento, o verdadeiro contador dessashistórias é o diretor.O diretor é um realizador de sonhos. É o respon-sável direto por dar alma a um filme. É um artistaque possui várias facetas ao mesmo tempo: talen-to, conhecimento técnico, capacidade de liderança,sensibilidade artística, noções de unidade estéticae bom senso. Muito bom senso.Para efeitos de compreensão, o papel do diretorpode ser comparado ao de um maestro de orques-tra que, com sua batuta, conduz a música, atravésdos músicos e seus instrumentos. Ou ainda, aocapitão de um navio, que conduz sua embarcaçãoliderando a tripulação e tomando decisões sábiasquando necessário. O elenco e os técnicos podemser excelentes, mas se a mão do diretor não forcapaz de conduzir harmonicamente esses aspec-tos, eles se perderão no trabalho em conjunto.Devido à própria natureza da arte cinematográfica,o diretor precisa ter um conhecimento profundo detodos os elementos que irão compor o filme e,dentre todos, é o profissional que participa ativa-mente em todas as etapas de produção do filme,desde a escolha do argumento e desenvolvimentodo roteiro (em casos de filmes autorais), passandopelas filmagens (sua tarefa mais atuante) até afinalização. E, eventualmente, a distribuição dofilme.Teoricamente, não há diferenças entre um diretorde longas-metragens e um de curtas ou de outracategoria audiovisual. No entanto, em qualqueruma delas será necessário conhecer cada uma dasformas componentes da arte cinematográfica, tan-to no âmbito técnico quanto artístico.A visão do diretor espelha o visual e o sentido deum filme. Ele é a força criativa que carrega o filme.É o responsável por traduzir as palavras do roteiroem imagens na tela. Os atores, escritores, técni-cos, produtores e editores orbitam à sua volta,como planetas ao redor do Sol.O diretor, já ao ler o roteiro, imagina como o filmeficará na tela. Ele vê os personagens tomandoforma, pode ver as luzes e ouvir os sons.Cada diretor tem as suas próprias características epeculiaridades. E isso é bom. Ou melhor, ótimo! Épor isso é que vemos tanta diversidade de filmes eestilos no mundo inteiro.
  26. 26. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br26Formação profissionalUma das dúvidas mais comuns dos videomakersiniciantes é sobre a necessidade de uma formaçãoou registro profissional para trabalhar como diretorou exercer outras funções no meio audiovisual.Bom, a princípio, para ser um diretor, roteirista ouprodutor vídeo-cinematográfico não é necessáriopossuir o DRT, que é o registro profissional especí-fico para quem trabalha na área. No entanto, parafins de profissionalização, você pode optar por tiraro seu DRT, que é a comprovação da sua atividadeprofissional, assim como engenheiros, médi-cos e advogados têm as suas. Se você pretendeseguir carreira como independente, não vemosnecessidade disso agora. No entanto, se você pre-tende ser contratado por produtoras ou emissorasde TV, aí sim, será necessário. Veja mais detalhessobre isso no site do Sindcine (seção Links interes-santes).A mecânica da direção cinematográficaQuando o diretor lê o roteiro finalizado, ele se fazuma série de perguntas interiores: Qual é a idéiaprincipal do roteiro? Que história o roteiro quercontar? Que comparações podem ser feitas com avida real? Como o roteiro poderá ser traduzidopara a linguagem visual? Quem irá assisti-lo?Quanto mais envolvido com o roteiro o diretor es-tiver, melhor será o resultado final.Por isso, dentre todas as tarefas propriamenteditas do diretor, uma das mais importantes e cru-ciais é transformar o roteiro em um guia de filma-gem, contendo todas as indicações técnicas neces-sárias para a produção, tais como a divisão doroteiro em seqüências, cenas e planos, os enqua-dramentos e movimentações de câmera, as indica-ções para os atores, os técnicos, a edição (monta-gem), sonorização etc. Esse guia de filmagem échamado de roteiro técnico e é feito pelo diretor,o principal autor do filme.O roteiro técnico é a ferramenta através da qual ofilme já começa a se tornar “visualizável”. Ou seja,é possível imaginar como será o resultado final dofilme. Por este motivo, o roteiro técnico é a basede trabalho para toda a equipe técnica durante afilmagem e a montagem.O roteiro técnico é composto basicamente da divi-são do roteiro literário em seqüências, cenas eplanos:
  27. 27. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br27Seqüência: é o conjunto de cenas que definemtoda uma situação ou um cenário onde há continu-idade da ação. Por exemplo: “Seqüência 19: Fugana rua” se refere à parte do filme que se passa narua, tendo a fuga como objeto central da trama.Cena: é o conjunto de planos dentro de umadeterminada sequência. Por exemplo: “Seqüência19 / Cena 1: Karine fecha a porta e encosta-sesobre ela”.Planos: são os “pedaços” de imagem filmadaque compõem a cena, entre um corte e outro. Porexemplo: “Plano 127: Primeiro-plano de Karineencostando-se sobre a porta”.Os planos são na verdade os “tijolos” com que odiretor constrói seu filme. São as células básicasda linguagem cinematográfica que, mais tarde,montadas na seqüência, é que darão a noção doritmo e do andar da história que está sendo conta-da. Por exemplo: uma cena onde dois personagensdialogam é composta por planos dos personagensintercalados para formar a seqüência do diálogo.Vemos um “pedaço” de um personagem emitindouma frase do diálogo. Corta para outro pedaçomostrando o outro personagem emitindo a suaparte do diálogo e assim por diante, até formar-mos a cena completa do diálogo.Da mesma forma, acontece com cenas de ação,sem diálogos, onde a trama é desenrolada unica-mente por meio das imagens em movimento. Atensão e o ritmo de cada uma dessas cenas sãoconstruídos utilizando-se dos recursos exclusivosda arte cinematográfica: os enquadramentos e osmovimentos de câmera.EnquadramentosSe você observar nos filmes, cada plano apresentaum enquadramento diferente. Isto é, uma formade enquadrar o objeto da cena (personagem, ce-nário etc.). Esse recurso é a base para se contaruma história com eficiência e, para isso, cada tipode enquadramento tem sua determinada função.Vamos ver os principais tipos de enquadramentos(fotos: divulgação):Plano Geral (PG):Como o próprio nome diz, enqua-dra todo o ambiente onde está oobjeto da cena.
  28. 28. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br28Plano Americano (PAm):Enquadra o personagem mais oumenos a partir do joelho até acabeça. Leva esse nome porquefoi criado em Hollywood nos anos40 e era muito usado nos wes-terns.Plano Aberto (PA):Enquadra todo o objeto da cena enada mais.Plano Médio (PM):Enquadra meio objeto, ou o per-sonagem da cintura para cima.Primeiro Plano ouPlano Próximo (PP):Enquadra mais ou menos 1/3 doobjeto, ou o peito e a cabeça dopersonagem.Close:Enquadra a parte mais significativado objeto. Por exemplo: o rostoassustado da personagem.Super Close (Close Up):Enquadra um detalhe de partesignificativa do objeto, como osolhosPlano de Detalhe (PD):Enquadra apenas as partes de umobjeto da cena ou do personagem.Movimentos de câmeraOutro recurso bastante útil na arte cinematográficasão os movimentos de câmera.
  29. 29. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br29Independente do tipo, do formato ou do tamanhoda câmera que se está usando, é possível realizaralguns movimentos de câmera que ajudam a in-crementar o visual do filme, enriquecendo a obra,que basicamente é formada por imagens em mo-vimento.Principais movimentos de câmera:Panorâmica (PAN): quando a câmera gira emum eixo paralelo ao plano do filme. Pode ser hori-zontal ou vertical. Serve para mostrar um ambien-te, partindo de um ponto do cenário até chegar noobjeto da cena.Travelling: movimento onde a câmera andasobre um caminho. Pode ser horizontal, vertical,para a frente ou para trás. Serve para acompanharum personagem enquanto anda ou para simularuma viagem, por exemplo. Esse movimento podeser feito usando-se carrinhos ou até mesmo umcarro, com a câmera na janela.Steadycam: muito usado em filmes de ação esuspense, ou ainda em documentário. É aquelemovimento que simula o ponto de vista do espec-tador e é feito usando-se um equipamento sofisti-cado chamado Steadycam, que possui braços hi-dráulicos para suavizar os movimentos da câmera.Para filmes de baixo orçamento, uma câmera namão é suficiente para simular esse equipamento.Apesar dos recursos de estabilização de imagensda maioria das camcorders, você só deve tomarcuidado com o excesso de movimentos, fazendo-oda maneira mais sutil possível. Senão os seus ex-pectadores ficarão enjoados com tanta imagemtremida...Zoom: movimento de lente que aproxima oudistancia o objeto, alterando também a profundi-dade de campo (distância aparente entre o fundoe o objeto). Pode ser In ou Out. Não recomenda-mos esse recurso, a não ser em casos especiais,pois é muito utilizado por principiantes, demons-trando um certo amadorismo. Se puder, evite.Naturalmente, o diretor de cinema não precisaobrigatoriamente saber manejar todos os instru-mentos e elementos de produção, mas terá deconhecê-los de perto. E quanto maior esse conhe-cimento, maior a sua capacidade expressiva. E,conseqüentemente, maiores as habilidades de do-mínio das emoções que deseja transmitir.Logicamente, vai da criatividade do diretor a me-lhor utilização desses recursos de linguagem e,mais ainda, o bom senso, pois cada recurso deve
  30. 30. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br30ser usado com parcimônia e com fundamento. Écomum o novato querer mostrar tudo o que sabe efazer uma salada com as imagens, em detrimentoda história que está contando.O diretor deve prestar muita atenção nesse aspec-to e manter-se consciente em todas as etapas daprodução, principalmente nas filmagens.O Roteiro TécnicoUm roteiro técnico é basicamente a conversão doroteiro literário em uma seqüência de planos (pe-daços) de imagens que serão filmadas para que,depois de editadas, criem a noção e o sentido dahistória que está sendo contada.Uma vez que o roteiro técnico está diretamenteligado à concepção artística do filme, esta tarefa érealizada pelo diretor do filme. Como o maestro daorquestra ou o capitão do navio, ele é o único e-lemento profissional com as habilidades necessá-rias para tal responsabilidade. É nesta hora emque as células que irão compor o corpo do filmecomeçarão a tomar forma.O roteiro técnico é constituído basicamente dadescrição das seqüências, cenas e planos a seremfilmados e numerados em ordem, para uma perfei-ta referência por todos os envolvidos na produção.É neste roteiro que serão descritos os enquadra-mentos, as ações, os ângulos e os movimentos decâmera para cada pedaço do filme que se estáconstruindo. É aqui que o filme começa a criarvida, mesmo que no papel.Exemplo de roteiro técnicoPara facilitar o entendimento da estrutura de umroteiro técnico, veja na página seguinte uma a-mostra baseada no roteiro do capítulo anterior.
  31. 31. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br31ROTEIRO TÉCNICOFILME: KARINEDIRETOR: _____________________SEQÜÊNCIA 1: Karine se prepara para sairCENA 1: INT. APARTAMENTO DE KARINE/SALA - NOITEFADE IN1) PD – Câmera enquadra um aparelho de TV, velho e desgas-tado, exibindo cenas jornalísticas, por meio de imagens trêmu-las que tentam registrar pessoas correndo pelas ruas e calça-das, em meio a muita fumaça e confusão. No canto superior datela lê-se "ao vivo".SOM: Volume da TV muito alto.2) PD - A mão de KARINE apertando a tecla de volume dotelevisor pelo controle remoto SOM: Volume da TV diminui.3) PA - Vemos o corpo de Karine, em silhueta, saindo da frentedo móvel onde se encontram a TV, algumas fitas de vídeo eoutros objetos amontoados desordenadamente.4) PD - Karine, ainda em silhueta, entra pela porta do banheiro.CENA 2: INT. BAR - NOITE5) PG - Um grupo de jovens, homens e mulheres, riem, conver-sam e bebemSOM: música eletrônica.6) PA - Duas jovens chegam para se juntar ao grupo, sentando-se à mesa.7) PP - CRIS fala: Perdemos alguma coisa?8) PP - HUGO (cínico): Não, nada que eu tenha encontrado,hahaha...CENA 3: INT. APARTAMENTO/BANHEIRO - NOITE9) PD - Vemos um pequeno e velho ventilador, com a pinturadesgastada e sem grade, sendo colocado no chão.10) PD - A mão de Karine aciona o botão de ligar.11) PA - O ventilador assopra o vapor que toma conta do ambi-ente.SOM: ruído do ventilador e água caindo do chuveiro.12) PP - Vemos através de um espelho velho e embaçado pelovapor, detalhes do rosto de Karine observando sua pele, seuslábios etc.13) PD - O ventilador continua funcionando.14) PP - O vapor já se dissipou um pouco e podemos ver o belorosto de Karine.(...)--------------------------------------
  32. 32. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br32DecupagemDepois de pronto o roteiro técnico, passa-se para afase de decupagem do roteiro, isto é, o detalha-mento do roteiro técnico de forma a prever todosos recursos que serão utilizados em cada cena.É uma listagem de necessidades e providênciasfeita pelos departamentos envolvidos na produção(iluminação, equipamentos, figurinos, transporte,cenários etc.). Todos os setores encaminham suasanálises técnicas à direção de produção, que faz oplanejamento global da produção.A decupagem é feita em conjunto pelo diretor e oprodutor do filme e compreende o levantamentode necessidades cena por cena. É aqui que se de-cide, baseado no orçamento disponível e na opçãoestética do diretor, quais serão o recursos e ele-mentos a serem usados no projeto.Exemplo de Decupagem:Filme: KarineCena: 19Local: Locação rua.Atores: 1 (Karine).Figurino: roupa esporte.Figuração: Pessoas de todas as idades correndo pelolocal.Objetos de cena: Automóveis estacionados. Automó-veis destruídos e em chamas. Destroços espalhados.Equipamento: Câmera, kit básico de iluminação notur-naEquipe: Diretor, diretor de fotografia, equipe de produ-ção, figurinista, cenógrafo.Obs.: Fornecer alimentação da equipe e elenco.--------------------StoryboardO storyboard é um recurso muito útil para o pla-nejamento visual das cenas a serem filmadas etambém para transmitir a toda a equipe o que odiretor tem em mente para o seu filme.Ele consiste de uma seqüência de quadros ondesão desenhadas as cenas da forma como imagina-das pelo diretor, incluindo o ângulo da câmera, ailuminação desejada, etc. Cada um desses dese-nhos pode ser acompanhado de anotações sobre acena, tais como a descrição da ação, do movimen-to, o som (ou sons) que a acompanharão, ouqualquer outra informação que se julgar importan-te.O storyboard é, de uma certa forma, uma etapaintermediária entre o roteiro do filme e sua realiza-ção na prática. Com eles é possível à equipe en-
  33. 33. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br33volvida na realização do filme determinar qual alente e a posição de câmera mais adequadas, omelhor posicionamento dos cenários, refletores,microfones e todos os equipamentos e componen-tes que serão utilizados e avaliar toda a infra-estrutura necessária para a filmagem.O storyboard é particularmente importante no pla-nejamento de filmes de animação, já que eles pos-sibilitam uma primeira aproximação das artes aserem confeccionadas e, no caso de animação deobjetos, o planejamento dos movimentos a seremdados nas cenas. Nesse sentido, eles podem serconsiderados como uma versão prévia do filme noformato de uma história em quadrinhos.O storyboard pode ser desenhado por um dese-nhista contratado ou pelo próprio diretor, que de-ve, sempre que possível, consultar o diretor defotografia e o diretor de arte para se certificar quea sua criação sempre estará dentro das possibili-dades do filme.O storyboard não é obrigatório, principalmente emse tratando de filmes simples, mais calcados nosatores. No entanto, esse recurso é mais freqüen-temente usado em filmes onde serão utilizadosefeitos especiais (cênicos, digitais), pois a sua rea-lização é mais complexa e todos os técnicos e ar-tistas devem saber como deverá ser o resultadofinal da imagem, de modo a não comprometer obom andamento da produção.Se você gosta de detalhar seu filme, ou se preten-de usar uma linguagem mais rebuscada, mais grá-fica, você pode usar esse recurso sem problemas.Inclusive, para se fazer um storyboard não se exi-ge nenhum recurso ou normas especiais. Vocêpode usar um bloco de desenho e dividir as pági-nas em quadros (4 por página é ideal). Cada qua-dro equivale a um plano a ser filmado e você de-senha diretamente no quadro a imagem que gos-taria de ver registrada pela câmera.Você pode copiar e imprimir quantas folhas foremnecessárias. De preferência, as folhas devem serimpressas em papel com gramatura igual ou supe-rior a 90g/m2.Faça quantos desenhos forem necessários atéchegar a um storyboard que represente suas idéiaspara o filme da melhor maneira possível. Lembre-se que você não precisa ficar limitado às dimen-sões dos quadros nas folhas do exemplo, já que,por vezes, em cenas mais complexas, pode sermais conveniente representá-las em quadros maio-res para mostrar mais detalhes. Nesse caso, só
  34. 34. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br34não esqueça de manter no quadro a mesma pro-porção da imagem do filme.Quando considerar pronto o storyboard, procureencadernar todas as folhas para preservar a se-qüência das cenas, e o próprio storyboard, e tam-bém para facilitar sua consulta. Faça tantas cópiasquantas forem necessárias para serem distribuídasà equipe do filme.Você pode ver como são feitos os storyboards pro-fissionais na seção “Extras” de alguns DVDs defilmes longas-metragens lançados comercialmente.DicaPegue um filme do seu diretor preferido e estu-de minuciosamente como os planos foram deta-lhados e como o diretor visualizou cada cena. Ob-serve os enquadramentos, os ângulos e os movi-mentos de câmera que o diretor usou. Procure seinspirar no trabalho dele.Pratique!1. Como diretor, peque o seu roteiro literário econverta-o em um roteiro técnico. Nessa etapa desua carreira, vale até se imaginar como o seu dire-tor preferido: “Como ele planejaria esta cena?”,“Que planos, cortes e seqüências ele usaria?”, “Oquê ele faria numa situação dessas?”. Só não valeimitá-lo, ok? Você pode se inspirar nele, mas sem-pre tenha em mente que você deve criar o seupróprio estilo.2. Depois de pronto seu roteiro técnico, faça adecupagem de todas as cenas.3. Se achar necessário, você pode fazer um story-board do seu filme a partir do roteiro técnico.***
  35. 35. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br354. O ProdutorDepois de semanas (ou meses) de realização ererealizaçãos, o seu roteiro finalmente está pronto.E é ainda na etapa de pré-produção que as cenasestudadas e planejadas (roteiro técnico, storybo-ard), e os orçamentos e o planejamento da produ-ção serão feitos. Antes que um único plano sejagravado, o filme será planejado do início ao fim nopapel e os momentos finais desta etapa incluempesquisas de locações, montagem de cenários,roupas e outros ítens.Um filme, por sua complexidade natural, exige umesforço coletivo que envolve dezenas de artistas,técnicos e profissionais especializados, cada umem uma função específica.Num curta-metragem, devido à suas característicaspróprias, nem todos esses elementos serão neces-sários para a sua realização, e outros tantos pode-rão facilmente acumular uma ou mais funções naprodução.Mas, mesmo que o diretor seja o autor da obra,isto é, o “dono” do filme, é interessante podercontar com a figura de um produtor, para queeste se responsabilize pelas tarefas específicas daprodução, deixando o diretor livre para atuar emsua especialidade artística.O produtor cinematográfico é um profissional queatua com administrador, comunicador e orienta-dor, ajudando a equipe a atingir o seu objetivo:completar o filme dentro do prazo, do orçamento edentro da visão do diretor.O produtor administra todos os diversos aspectosda produção de um filme, do conceito inicial doroteiro ao orçamento, à preparação para as filma-gens, a pós-produção e a distribuição. Ele nãoprecisa ser especialista em roteirizar, dirigir, editarou interpretar para desempenhar bem a sua fun-ção, mas deve ter o conhecimento básico necessá-rio para isso.Numa produção de longa-metragem, as funçõesinerentes à produção se dividem basicamente en-tre três profissionais: o produtor, o produtor exe-cutivo e o diretor de produção (e seus respectivosassistentes). O primeiro pode ser o dono da produ-tora ou quem financia a produção do filme (ouparte dele). O produtor executivo é o administra-dor financeiro do filme: cuida dos orçamentos edos custos, coordena os processos de captação derecursos, e juntamente com o diretor de produção,faz a seleção da equipe técnica e do elenco, nego-
  36. 36. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br36cia e assina contratos com fornecedores, locado-ras, órgãos públicos etc. Já o diretor de produçãoé o profissional que literalmente “põe a mão namassa”, isto é, o profissional que gerencia na prá-tica os recursos e as necessidades do filme (equi-pamentos, elenco, materiais cênicos etc.).Normalmente um projeto pode pertencer ao dire-tor ou ao produtor executivo.No curta-metragem, no entanto, uma só pessoapode muito bem dar conta das funções de produ-tor executivo e diretor de produção, podendo ad-ministrar o caixa do filme ao mesmo tempo emque corre atrás para reunir os elementos necessá-rios para sua produção. Ele será o responsável porplanejar, coordenar e executar as atividades deapoio à realização do filme, contratar atores e téc-nicos, preparar e seguir um plano de filmagem efazer um levantamento de tudo o que será neces-sário para a realização do filme.Pegue o telefone e torne-se um produtor!Pode não ser muito fácil: você terá que fazer acor-dos, correr atrás e até suplicar por coisas que nãoquerem dar para você. Mas você terá de realizar oseu filme.Por isso, seja organizado e faça um planejamentodetalhado da produção!Durante a filmagem, o produtor é o ponto de apoiopara todos os envolvidos no filme. É ele quem veri-fica se a equipe e o elenco estão na hora marcada,fala com a imprensa e controla diariamente o or-çamento.Dúvidas? Discussões? O produtor ouve-as todas edeve ser diplomático para solucionar problemas.Ele deve ter um bom conhecimento de onde deveconseguir as coisas, deve ser “mão-aberta” ou“econômico” conforme a situação necessita, e deveentender as decisões diárias e as dificuldades lo-gísticas por trás da arte cinematográfica.Seja em qualquer uma das etapas da produção, éimprescindível que o produtor acompanhe de pertoos trabalhos do diretor, sempre com a intenção deorientá-lo sobre a melhor maneira de utilizar osrecursos disponíveis e nunca para atrapalhá-lo ouinibir sua liberdade artística.As ferramentas do produtor. Orçamento: O orçamento de um filme é nadamais que uma planilha detalhando todos os itensnecessários para a produção e seus custos corres-
  37. 37. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br37pondentes. Mas é de suma importância para obom andamento da produção. O orçamento é aluz-guia do produtor. É elaborado a partir do planode produção e das informações disponíveis sobreequipe técnica, elenco, custos de cenografia e fi-gurinos, locações e equipamentos, direitos auto-rais, encargos etc. Somente com o orçamento épossível determinar o custo do filme e traçar umaestratégia de captação de recursos financeiros,observando-se um rigoroso cronograma de de-sembolso para a produção. Habitualmente é umatarefa do produtor executivo e/ou do diretor.O produtor deve trabalhar dentro dos limites doseu orçamento, selecionando as melhores pessoase soluções possíveis para trazer o roteiro para atela. Se o projeto ficar sem dinheiro, a produçãonão pode prosseguir.Ele não pode (e nem deve) fazer nada sem consul-tar seu orçamento. Antes de dar cada passo, eledeve se perguntar: “Quanta verba nós temos paraisso exatamente?”.Ao planejar o seu filme, nunca fique na esperançade que alguém vá financiar o seu sonho ou ajudá-lo financeiramente. Pode até ser que você encon-tre uma boa alma (uma empresa? um amigo?) queinvista no seu filme. Mas você vai esperar quantotempo por isso? O melhor a fazer é realizar a suaobra antes que seja tarde... E o que você tem paragastar é o que está lá no orçamento e ponto final.. Cronograma de Produção (Production S-chedule): É a planificação e o gerenciamento daprodução propriamente dita. É uma planilha ondesão especificados as tarefas, os prazos e os res-ponsáveis pela pré-produção, produção, filmagem,montagem, mixagem, finalização e a previsão daprimeira cópia do filme. O plano de filmagem émontado pelo produtor executivo e o diretor.. Plano de Filmagem (Shooting Schedule): Éum planejamento completo das filmagens, plano aplano. É um cronograma que mostra quais planosserão filmados, dia por dia, e contém ainda deta-lhes sobre as locações, os elementos de produçãoe os horários em que serão gravados.Esta ferramenta é de suma importância para queninguém se perca na aparente confusão que irá seformar.Ao contrário do que muita gente pensa, as filma-gens dificilmente são realizadas na mesma se-qüência em que aparecem no roteiro. A seqüênciade filmagem deve obedecer a uma logística deprodução e não à seqüência da história contida noroteiro.
  38. 38. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br38O motivo é que, como a produção é um processocomplexo e toma um tempo considerável, as cenasa serem filmadas devem ser agrupadas de modoque uma determinada circunstância seja exploradaaté o fim, para que não seja necessário voltar aomesmo ponto e perder tempo (e dinheiro) comisso.Imagine uma cena que se inicia com o mar baten-do nas rochas, acontece um diálogo entre doispersonagens e a cena termina novamente com omar. E que, por motivos de localização geográfica,fica difícil colocar os atores sentados na areia dapraia, como está no roteiro. Então, esses planosterão de ser filmados em separado: primeiro fa-zem-se as tomadas do mar (para o início e o fimda cena) e depois filma-se o diálogo dos persona-gens numa outra locação onde seja possível osatores se sentarem na areia, a 10 km de distânciada praia, por exemplo. Na montagem, essas cenasserão intercaladas de modo que passem a ilusãode tudo ter acontecido no mesmo local.Desta forma, entende-se o porque das cenas nãoserem filmadas na seqüência. Ou você prefeririafilmar o mar, ir para a locação dos atores a 10 kme depois voltar outros 10km para filmar o mar no-vamente?DicasPlaneje as diárias de filmagem de modo a co-meçar as gravações pelo plano mais difícil, poisassim você aproveita a energia e a disposição doelenco e da equipe logo cedo. Ao longo do dia, ocansaço, mesmo que mínimo, será inevitável. Porisso, tendo planos mais fáceis à frente, os ânimosse mantém.O normal é planejar a filmagem de até 15 pla-nos por dia. Baseie-se nessa estimativa para limitaro seu cronograma.Agrupe os planos para filmagem conforme oposicionamento da câmera. Você ganha muitotempo, pois não precisará mexer no equipamentotoda vez que finalizar uma gravação.Lembre-se sempre de incluir horários para al-moço ou lanche, pois ninguém consegue trabalhare ser eficiente com o estômago roncando, concor-da?Pratique!1. Monte o Orçamento do seu filme. Tente nãogastar nada, ou o mínimo possível. Se o roteiroestiver exigindo mais verbas, existem duas solu-ções: consiga mais verba ou refaça seu roteiro.
  39. 39. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br392. Faça a Decupagem do seu roteiro.3. Monte o Cronograma de Produção do seu filme.4. Monte o seu Plano de Filmagem.***
  40. 40. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br405. A FotografiaO cinema é uma arte reconhecidamente derivadada fotografia, pois os processos de impressão deimagens são basicamente os mesmos, com a dife-rença que no cinema, as fotografias são registra-das em uma seqüência que, quando projetadas,criam a ilusão de movimento.A princípio, pode-se dizer que qualquer fotógrafoque saiba usar um fotômetro e conheça a sensibi-lidade do negativo poderia fotografar um filme.Porém, a função da fotografia em cinema é maiscomplexa do que possa parecer.O diretor de fotografia é o profissional direta-mente responsável pelo registro das imagens deum filme. É ele quem definitivamente cria o visualque o filme vai ter, a imagem que o público verána tela. Seu compromisso é captar as imagens quemelhor ajudem o diretor a contar a história.Como um verdadeiro designer da luz, o diretor defotografia (ou fotógrafo) tem como principal fun-ção garantir ao filme o visual perfeitamente imagi-nado pelo diretor e criar o impacto necessário parao desenrolar da trama, executando o estilo de fo-tografia que deverá ser usado em todo o filme,com unidade total, ao mesmo tempo em que cria ailuminação específica para cada plano a ser filma-do.O fotógrafo é considerado, depois do diretor, oprofissional de maior responsabilidade na realiza-ção de um filme.IluminaçãoA iluminação fotográfica de uma cena tem comobase duas funções totalmente diferentes: a obten-ção de luz em quantidade suficiente para impres-sionar o filme negativo (no nosso caso, o vídeo-tape ou a mídia digital) e a criação do ambiente deacordo com a necessidade temática do filme.Na prática, ao se fotografar uma cena, é necessá-rio considerar a intensidade e a direção da luz.Para os exteriores, podem ser utilizados rebatedo-res e até mesmo refletores, dependendo do efeitodesejado, da distância entre a câmera e o objetoou a intensidade dos refletores.O diretor de fotografia pode ser facilmente compa-rado a um pintor dando os tons na tela. Só que asferramentas são diferentes: em vez de tinta, ofotógrafo usa a luz para “pintar” a cena. E os seuspincéis são as objetivas, os refletores, os difusores,
  41. 41. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br41os filtros etc. Com esses instrumentos, ele recorta,centraliza, condensa, oculta ou destaca os objetosde cada cena a ser filmada.A equipe de iluminação (ou o assistente) e maqui-naria (maquinistas e eletricistas), são requisitadosapenas durante o andamento das filmagens, paraefetivamente montar, ligar e manipular as luzes eos acessórios de câmera (como gruas, travellings,dollys etc.), conforme indicação do diretor de foto-grafia.DicaA melhor forma de conhecer e estudar Direçãode Fotografia cinematográfica é assistindo aosfilmes vencedores do Oscar® da categoria. Pes-quise na Internet ou em revistas especializadas emcinema os títulos e procure-os na sua videolocado-ra preferida.Pratique!1. Contrate o seu Diretor de Fotografia e planejea imagem que o seu filme terá na tela. Se vocêmesmo for o seu diretor de fotografia, estude osrecursos que a sua câmera possui, bem como astécnicas de iluminação fotográfica. Existem bonslivros no mercado.2. Assista aos seus filmes preferidos e veja comoos profissionais da fotografia conseguem o efeitoque desejam em cada cena, em cada plano.***
  42. 42. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br426. A Direção de ArteNo cinema profissional (de longa-metragem), odiretor de arte é o profissional que realiza a con-cepção visual e sonora de um filme, planejando eescolhendo com o diretor as cores, os espaços e osambientes das cenas. Coordena cenógrafos, figuri-nistas, maquiadores e atores com o intuito de ga-rantir a uniformidade e a qualidade das cenas.Cenários, figurinos, objetos de cena, ambientaçãogeral e tudo o mais que é usado para concretizaruma história é considerado trabalho para o diretorde arte. Quanto melhor a harmonia entre esseselementos e o roteiro, maior a chance de o filmeser bem sucedido.O diretor de arte é o responsável pela credibilidadedos cenários e ambientes de um filme. É o arquite-to do filme.Em cinema, chamamos de ambientes os mais vari-ados locais onde se podem filmar as cenas de umfilme e, de forma geral, podem ser internos ouexternos, conforme estejam sob a luz solar ou aluz de um estúdio.Escolher um ambiente ideal para cada cena dofilme pode parecer, a princípio, uma tarefa sim-ples. No entanto, muitos detalhes devem ser pre-vistos pelo diretor de arte para que ele possa ori-entar a contento o cenógrafo, o figurinista e a e-quipe de produção. Detalhes como: as característi-cas naturais do ambiente, o relevo, a flora, as di-reções de luz e sombra, as horas em que a luzsolar incide sobre a locação etc.Os ambientes são como as roupas que caracteri-zam um filme. Grande parte da responsabilidadenarrativa do filme cabe à correta escolha do local.Principalmente em caso de filmes de pequenosorçamentos, pois nem sempre será possível alteraras características locais ou mesmo construir cená-rios ou partes deles.Igualmente, os figurinos devem ser pensados deforma a se adequar ao orçamento do filme e, prin-cipalmente, à sua trama. De nada adianta a fisio-nomia triste de um personagem em um funeral sea sua roupa for alegre. O contraste será evidente ea cena não convencerá, a menos que seja deseja-do esse contraste, como visto no capítulo sobreroteiro.Resumindo, a direção de arte é a etapa onde secria e planeja toda a harmonia visual e credibilida-de do filme, antes do início das filmagens.
  43. 43. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br43Em nosso caso, de curtas-metragens de baixo (ounenhum orçamento), a direção de arte, os cenáriose os figurinos podem ficar sob a responsabilidadede uma única pessoa, que levará os créditos porisso.CenografiaA cenografia deve ser a mais natural possível. Amelhor solução é mesmo pesquisar e encontrarlocações (cenários reais) que possam servir decenários para o filme, sem a necessidade de mui-tas alterações e adaptações.A melhor maneira de se encontrar boas locações ésimplesmente indo atrás delas. Pegue o carro,puxe da memória e vá ver aquele lugar que vocêvisitou tempos atrás, ou que ouviu falar, ou queleu no jornal da sua cidade. As locações, tantoexternas quanto internas, devem ser interessantese devem ser capazes de abrigar a equipe de filma-gem, preferencialmente onde os proprietários nãoexijam muitas condições, permissões etc.As melhores locações são geralmente encontradasno campo, pois são mais baratas, de fácil acesso elivres de elementos que possam atrapalhar as fil-magens, tais como pessoas andando ao redor.No entanto, se uma cena crucialmente necessáriase passar em uma zona urbana, procure realizar asfilmagens logo no início da manhã, quando não háquase ninguém transitando.Você também pode usar e abusar da sua criativi-dade. Vamos supor que você precise filmar umacena no corredor de uma prisão. Em vez de vocêse estressar para conseguir uma locação real numapenitenciária, você pode improvisar um corredordesses numa escola vazia, por exemplo. É muitomais simples e o resultado pode sair até melhor.Além disso, você não precisará encarar os habitan-tes típicos daquele lugar...FigurinosMais fácil ainda que os cenários, os figurinos po-dem ser improvisados e adaptados de inúmerasmaneiras.Se você não estiver produzindo um filme de época,a solução mais rápida e eficiente é usar o seu pró-prio guarda-roupa ou o dos atores para compor aspeças que serão usadas pelos personagens.Você pode ainda visitar brechós e comprar peçasbem baratinhas. Não precisam ser novas, de formaalguma, pois para o expectador não fará diferença
  44. 44. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br44nenhuma. A menos que as peças estejam rasgadase esse detalhe não faça parte do roteiro...Agora, se você está produzindo um filme de época,e que não seja uma comédia, prepare-se para ador de cabeça. Onde você vai conseguir roupassuficientes para a produção? Se você tiver orça-mento para isso, ótimo. Senão, é melhor desistir...Maquiagem e cabelosAqui aconselhamos ao videomaker contratar um(a)profissional ou alguém que tenha prática em cabe-los e maquiagem.Da mesma forma que os cenários e figurinos, amaquiagem deve ser a mais simples possível, u-sando o próprio material do maquiador. Sem mui-tos segredos. Apenas para realçar as feições dosatores ou algum detalhes específico do roteiro(cabelos brancos, por exemplo).DicaA melhor forma de conhecer e estudar Direçãode Arte é assistindo aos filmes vencedores do Os-car® da categoria. Pesquise na Internet ou emrevistas especializadas em cinema os títulos e pro-cure-os na sua videolocadora preferida.Pratique!1. Contrate o seu Diretor de Arte e planeje a “ca-ra” que o seu filme deverá ter. Se você for acumu-lar esta função, pesquise as locações e os cenáriosonde as filmagens serão feitas. Tire fotos e planejetudo o que precisará ser feito ou alterado.2. Planeje o Figurino do seu filme: serão usadasroupas dos próprios atores? Terão de ser compra-das algumas roupas? E os acessórios?3. Contrate o seu maquiador e estude com eletodos os detalhes para atender às necessidades doroteiro.***
  45. 45. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br457. O ElencoApesar da importância do diretor e de outros artis-tas que participam da produção, os atores (e asatrizes) são, sem sombra de dúvida, a vitrine deum filme.Mesmo assim, o elenco é apenas parte de um tododurante a execução do filme.Daí a importância da escolha minuciosa de cadaprofissional que irá atuar no filme.Em produções de baixo orçamento (como os cur-tas-metragens) nem sempre os realizadores po-dem se dar ao luxo de contratarem bons atores,tendo de se contentar com os amigos e conhecidosque se dispõem a colaborar com o projeto.Neste caso então, a atenção deve ser redobrada!Com o roteiro em mãos, deve-se fazer um relatóriodetalhado de cada personagem que entrará nofilme. E com uma lista dos atores disponíveis, odiretor e o produtor devem procurar distribuir ospapéis da forma mais harmônica possível, entre-gando cada um dos personagens ao ator que maiscombina com as suas características. Agindo as-sim, pode-se minimizar (não eliminar) os riscos deerros grosseiros de interpretação.O ator deve ser escolhido de acordo com a neces-sidade expressiva do diretor, e cabe a este extrairo máximo de perfeição e naturalidade de seusatores, sabendo invocar suas emoções e reaçõesde cada um, relacionando-os entre si de modo aobter a harmonia desejada.É muito constrangedor quando percebemos na telaum “ator-mecânico”, isto é, aquele ator que co-nhece todas as técnicas de interpretação, mas édesprovido de emoção, de alma (a ferramentabásica de um ator). Lembre-se que a câmera nãoperdoa. Ela penetra na alma do ator e este nadatransmitirá se no seu interior não houver um sen-timento autêntico ou identificação com o persona-gem que vive.Um bom ator deve possuir uma capacidade deempatia muito grande, isto é, ter o dom de viver opersonagem como se fosse sua própria vida, en-trar na pele do personagem, sentir o que ele sentee reagir da forma que ele reagiria.Muita gente fica impressionada com o trabalho deRobert de Niro, um ator que consegue “encarnar”seus personagens com tamanho realismo que,
  46. 46. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br46mesmo fora do set, ele “vive” como se fosse opróprio personagem.Um detalhe que muitos não percebem (inclusiveprofissionais!) é o excesso de gesticulação quegrande parte dos atores utilizam em sua interpre-tação. Principalmente os brasileiros.Se você observar, nada é mais antinatural do queum ator falando e gesticulando ao mesmo tempo,como se falasse com seus braços e mãos. Isso éum vício oriundo do teatro, onde os atores preci-sam gesticular bastante, abrir bem os olhos e falaralto para que possa ser visto e ouvido até na últi-ma fila da platéia. No entanto, no cinema isso étotalmente inútil, pois a câmera está tão próximado ator que um simples e discreto piscar de olhospode significar muita coisa no filme. No teatro, oator se expressa pela reação (da platéia), no cine-ma, pela ação (da cena).O ator deve ter sempre em mente que sua voztambém deve parecer normal. Nunca exagerada (amenos que isso seja necessário e dentro do con-texto do filme). Deve saber a entonação mais con-dizente com o clima da cena, explorar os momen-tos emocionais corretos, da mesma forma queagiria numa situação real.É claro que essas dicas perdem todo o valor se ofilme retratar uma família de italianos... Mas, combase nestas constatações, pode parecer que qual-quer um pode se tornar um ator cinematográfico.E isso pode ser verdade, pois as qualidades pri-mordiais do ator estão calcadas na inteligência, naobservação e na experiência.Escolhendo o elencoA escolha do elenco certo, portanto, é um grandeexercício de bom senso e perseverança por partedo diretor, pois sua obra depende em grande partedeste elemento básico de um filme.Mesmo em caso de filmes de curta-metragem, ésempre bom ter em mente que atores tem famade serem “difíceis”, “estrelas”.Mesmo se você contrata seus amigos, vizinhos ouparentes sem experiência prévia para participar doseu filme, com o passar dos dias de filmagens e asrepetições de cenas, cobranças por melhores atua-ções, eles podem se tornar impacientes e perde-rem a motivação, o que pode comprometer o bomandamento das filmagens.Em sua cidade com certeza deve existir atores egrupos de teatro amadores que adorariam partici-
  47. 47. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br47par de uma produção cinematográfica. Mesmo queem curta-metragem. Vale a pena entrar em conta-to com eles. Até mesmo anunciar em jornais lo-cais.Com ou sem cachê, você ficará surpreso com aquantidade de candidatos que você receberá. Elespodem até não ser o que você procura, mas vocêpoderá escolher e direcionar as melhores pessoaspara cada personagem do seu filme.Analise o currículo de cada um e investigue queexperiência ele tem. Um ator de teatro sem expe-riência de câmera pode ficar meio deslocado numfilme. Mas não o descarte, de forma alguma. Elepode evoluir naturalmente na arte de representar.Outra dica bastante interessante é contratar pes-soas que já desempenham uma atividade seme-lhante ao do personagem que irá representar. Porexemplo, contrate aquele seu amigo garçon parainterpretar o garçon do filme. Uma enfermeirapara interpretar uma enfermeira. E assim por dian-te. Com certeza as coisas ficarão bem mais fáceispara o diretor.De qualquer forma, antes de iniciar as filmagens,dê tempo suficiente para os atores lerem o roteiroe se envolverem com a trama. Promova váriosensaios com a participação de todos os atores.Essa aproximação entre as pessoas e o tema dofilme será benéfica para o resultado do trabalho.No entanto, se a sua produção não possui verbapara pagamento de elenco, você deverá planejarmuito bem o período de filmagens de modo a fazê-las o mais rápido possível para que o seu filme nãoperca qualidade durante esta etapa. Os atores,profissionais ou não, podem se cansar de “prestarfavores gratuitos” por muito tempo, em detrimentode seus afazeres rotineiros. No início tudo seráótimo, divertido. Mas, com o passar dos dias, oclima pode começar a pesar e o bom andamentodas filmagens ficar comprometido. Inclusive, essedetalhe deve ser pensado já na fase do roteiro.Procure poupar ao máximo as pessoas que fazemparte do seu elenco.Lembre-se que você terá de vender a sua idéiapara eles. Fale da importância desse trabalho, nãosó para você, mas para todos os envolvidos e atépara quem vai assistir ao filme pronto.E, o mais importante: faça um acordo formal comeles antes de iniciar os trabalhos, de forma queeles entrem no projeto sabendo o “quanto” irãoganhar. Você pode, inclusive, estipular um per-centual de rendimento caso o seu curta vença al-gum festival com premiação em dinheiro, por e-
  48. 48. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br48xemplo. Não é obrigatório dividir os prêmios comas pessoas que participam do seu filme, mas sevocê quiser presenteá-los em troca de acreditaremem seu trabalho, isso vai da sua consciência... Masse não for essa a sua intenção, deixe bem claro noacordo/contrato que ninguém receberá pagamen-tos pelo trabalho realizado.Os contratos mais usados são para os atores etécnicos (profissionais ou não). Não se preocupecom outros contratos, caso contrário você não faráoutra coisa no projeto a não ser administrar con-tratos e mais contratos... (Veja alguns modelos deacordos de cessão de imagem e autorizações naseção Downloads).E, finalmente, nunca se esqueça que os atores quevocê escolher é que trarão vida ao seu filme. Assuas decisões devem ser baseadas em fatores taiscomo a disponibilidade, a iniciativa, a motivação eo talento nato dos atores. E um pouco de intuiçãotambém...Pratique!1. Contrate o seu elenco. Pesquise, peça infor-mações, converse com amigos, visite grupos deteatro, anuncie no jornal etc.2. Assim que o elenco estiver definido, comece aensaiar as cenas. Não é para filmar nada. O ensaioserve para deixar o elenco mais afinado com ahistória e você pode aparar qualquer aresta doroteiro.3. Assista seus filmes preferidos e observe comoos atores interpretam as ações e os diálogos. Useisso para inspirar os seus atores.***
  49. 49. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br498. A Equipe TécnicaTodas as pessoas que trabalham na produção deum filme são cruciais para o seu sucesso nas telas.O talento humano sempre é maior que qualquerrecurso ou efeito usados no filme. Os profissionaiscertos devem compreender e respeitar a visão dodiretor, trabalhar bem em conjunto e inclusiveagregar valor ao processo.Assim como o elenco, a equipe técnica tem a suaimportância na realização do filme. A única dife-rença é que esse pessoal trabalha por trás dascâmeras.Decidir quantos membros você irá precisar seráuma mera questão de verba. Quanta verba parapagamento de equipe você tem no seu orçamen-to?Num curta-metragem, uma equipe básica pode serconstituída de:1 roteirista1 diretor1 produtor1 diretor de fotografia (que acumula as funçõesde cinegrafista e iluminador)1 microfonista (opcional)1 ou mais atores1 diretor de arte (que acumula as funções decenógrafo e figurinista)1 maquiador / cabeleireiroÉ claro que esta lista de funções pode ainda sermais enxuta. Só depende de quantas funções aspessoas envolvidas poderão acumular durante aprodução. Isso pode variar muito e só você poderádecidir.Selecionando as pessoasDa mesma forma que você conseguiu o seu elen-co, você também poderá conseguir a sua equipetécnica.Se dentre os seus amigos você não tiver nenhumque se adapte às funções, um bom local para vocêcomeçar a procurá-los é em escolas de arte da suacidade. Procure por pessoas competentes, respon-sáveis, que levem o projeto a sério, que saibam ecompreendam o seu propósito e sigam junto até ofim.
  50. 50. Faça Seu Curta! – William RigaPopmídia Talentos – www.popmidia.com.br50Seja honesto e sincero: você toparia trabalhar por10 a 15 horas por dia sem ganhar nada? E a pes-soa, também toparia? Se não sentir uma respostapositiva, é melhor nem contratar, senão será dorde cabeça na certa. Já pensou na hipótese de al-gum membro abandonar você no meio da produ-ção?Mesmo que você não tenha nenhuma verba paracontratar os membros da sua equipe, uma coisa écerta: você deve dar os devidos créditos aos quese propõem a participar do seu projeto! Em hipó-tese alguma esqueça de mencionar o nome e afunção que a pessoa desempenhou na produção.Você deve, de qualquer forma, demonstrar suagratidão pelo sacrifício que essa pessoa dedicoupor um sonho que é seu...Outra forma de “pagar” a sua equipe é garantir-lhes uma cópia em DVD (ou VHS) do filme pronto.Isso será de grande valor para as pessoas, sejapara montar seu portifólio, para prospectar traba-lhos futuros, ou até mesmo para mostrar para osamigos etc. Essas pequenas demonstrações degratidão serão um grande incentivo para as pesso-as trabalharem em seu projeto por nada, ou quasenada.Dê às pessoas tarefas específicas, de modo quecada um possa se concentrar em seu próprio tra-balho e não acabe executando tarefas de outrosou até mesmo esperando que outros realizem umatarefa que é sua.Pratique!1. Contrate a equipe técnica adequada para oseu filme. Pesquise, peça informações, conversecom amigos, visite escolas de arte, anuncie nojornal etc.***

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