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Relacionamento e marketing nas plataformas; Convergência mobiliza autores eapoiadores, e Crowdfunding na cadeia produtiva ...
2 O SURGIMENTO        2.1 O conceito de crowdfunding        A motivação entre várias pessoas, a favor de uma causa comum, ...
O crowdsourcing não só é uma alternativa diante de licenças de custo alto,como também uma forma de personalizar serviços, ...
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O crowdfunding no Brasil oferece oportunidades, em sua maioria, a projetoscriativos que estão, de algum modo, conectados à...
A cibercultura é a expressão da aspiração de construção de um laço social,                               que não seria fun...
4 PANORAMA DAS PLATAFORMAS NO BRASIL      A maioria dos sites brasileiros de crowdfunding se inspira no Kickstarter. Aspla...
multidão a que se refere o crowdfunding tipicamente é o terceiro agente, ou seja, ofinanciador.16        Netto argumenta q...
Para o público dirigido, o crowdfunding atende às expectativas, mas asplataformas encontram resistência entre os conservad...
4.1.2 Catarse        O Catarse foi a segunda plataforma brasileira de crowdfunding (lançada emjaneiro de 2011) e a primeir...
4.1.3 Queremos           Uma turma de amigos fundou o grupo “cariocas empolgados” ao perceber quemuitos shows de bandas, a...
Vanessa Oliveira, sócia da plataforma, ressalta valores como confiança etrabalho em conjunto com as produções independente...
permitido nenhuma recompensa que envolva sorte, como sorteios e rifas,                                                    ...
5 RELACIONAMENTO E MARKETING NAS PLATAFORMAS           5.1 Aproximação dos nichos de mercado           O crowdfunding conc...
Os nichos ganham contornos cada vez mais definidos. Por não dependerexclusivamente da relação tradicional de mercado, vão ...
Neste momento estamos aprendendo a aplicar as novas habilidades de                           participação por meio de noss...
Robinson (2001) relatam resultados de levantamentos de participação pública quemostram que usuários da Internet (após o co...
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6 CONVERGÊNCIA MOBILIZA AUTORES E APOIADORES         6.1 Plataformas pela democratização das mídias           Com a conver...
precisa mais esperar pelo lançamento de um produto por uma grande produtorapara que tudo aconteça.           O cantor tem ...
R$10, o apoiador recebia por e-mail o MP3 de uma música do CD "Interior" e umagradecimento. Com R$30 ele ganhava o CD. Com...
afirma que o crowdfunding aumentou seu laço com os músicos. Por isso, pretendecontribuir para as boas idéias sempre que su...
7 CROWDFUNDING NA CADEIA PRODUTIVA DA ECONOMIA      A maioria das plataformas de crowdfunding foi lançada por grupos de am...
que há interdependência entre a indústria e os setores de comércio e serviços nacadeia da criativa, reconhecendo o poder m...
projetos. Por isso, um dos objetivos do Estrombo, como descreve o site do projeto, édar apoio à cadeia produtiva da música...
O Catarse não tem fins lucrativos. É uma empresa privada, mas seguimos                              preceitos de negócios ...
CONSIDERAÇÕES FINAIS      Os adeptos do crowdfunding vêem nas plataformas uma inovação na formade relacionamento entre as ...
BIBLIOGRAFIAANDERSON, C. A Cauda Longa: do mercado de massa para o mercado denicho. 1a ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006....
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O crowdfunding e a produção cultural no Rio de Janeiro

  1. 1. Faculdades Integradas Helio Alonso Departamento de Comunicação Social Habilitação em Relações PúblicasO Crowdfunding e a Produção Cultural no Rio de Janeiro Por: Flavia de Almeida Valentim Trabalho realizado para obtenção do grau de bacharel em Comunicação Social, habilitação em Relações Públicas, sob a orientação da Profª. Ms. Maria Helena Carmo dos Santos. Rio de Janeiro 2011/2 1
  2. 2. Resumo: Esta monografia é uma reflexão sobre o crowdfunding, destacando sua atuação no cenário cultural carioca. Palavras-chaves:Crowdfunding – financiamento colaborativo – cultura digital no Rio de Janeiro 2
  3. 3. Agradecimento Schuabb, Ort, Rodrigo Maia, Dona Jô, Andrea Dutra, Prima,Bruno Rodrigues, Suhett, Mayra e Ivana,por me ajudarem nas etapas do trabalho para desenvolver meus devaneios. 3
  4. 4. SUMÁRIO INTRODUÇÃO .............................................................................................. 052 O SURGIMENTO ......................................................................................... 08 2.1 O conceito de crowdfunding .................................................................. 08 2.2 A plataforma americana Kickstarter ...................................................... 103 CROWDFUNDING NO CONCEITO DE REDE ............................................ 134 PANORAMA DAS PLATAFORMAS NO BRASIL ........................................ 16 4.1 Principais plataformas de crowdfunding................................................. 18 4.1.1 Vakinha.......................................................................................... 18 4.1.2 Catarse.......................................................................................... 19 4.1.3 Queremos...................................................................................... 20 4.1.4 Movere......................................................................................... . 20 4.1.5 Embolacha................................................................................... . 21 4.1.6 Benfeitoria...................................................................................... 215 RELACIONAMENTO E MARKETING NAS PLATAFORMAS ...................... 235.1 Aproximação dos nichos de mercado ....................................................... 235.2 Crowdfunding no posicionamento de marca ............................................. 24 5.2.1 Empresas apostam na visibilidade.................................................... 24 5.2.2 Porta de entrada para novas ações ...... ........................................... 25 5.2.3 Estilo como instrumento de atração .... ............................................. 266 CONVERGÊNCIA MOBILIZA AUTORES E APOIADORES......................... 28 6.1 Plataformas pela democratização das mídias ........................................ 28 6.2 Mobilização dos fãs ..................................................................................307 CROWDFUNDING NA CADEIA PRODUTIVA DA ECONOMIA ................. 32CONSIDERAÇÕES FINAIS ..............................................................................36BIBLIOGRAFIA ................................................................................................ 37 4
  5. 5. INTRODUÇÃO Toda vez que surge uma nova ferramenta de interação na Internet, faça asapostas: Será moda passageira? Ou veio para ficar, até que outra mais aperfeiçoadaa substitua? O fascínio sobre o poder que a rede tem de unir pessoas e interessescomuns, além território nacional, despertou usuários no final de década de 90. Nobate-papo do ICQ, a escolha randômica permite que aleatoriamente qualquerusuário entre no seu perfil e converse com quem está conectado. Lembrava o“amigo por correspondência” do Penpals dos anos 80, quando cartas eram trocadascom pessoas de vários lugares do mundo. A caixa do correio das residências, com suas cartas seladas, dava lugar aoschats e aos fóruns de troca de conhecimento virtuais. O MSN e os blogs passaram asubstituir a dinâmica do ICQ e dos fóruns. A confiança na interatividade aumentou, epassamos a oferecer objetos reais de desejo via Mercado Livre, através dos leilões,já apontando a vocação mercadológica reservada aos nichos de usuários na rede. Afebre do “quem dá mais” e o produto entregue em casa com segurança pelovendedor-usuário foi uma das combinações que deram início à percepção de que naInternet se pode confiar - e contar, principalmente, com a confiança das pessoas quedividem o mesmo interesse que o seu. Esses são alguns dos exemplos que fizeram pensar que a interatividade valea pena e que, como na vida real, confiança e mobilização não são construídos deuma hora para outra. Com o tempo, as redes sociais como o Second Life, You Tubee Orkut perceberam que também poderiam ser lucrativas. Vender espaços parapatrocínio em suas páginas ou ambiente ajuda a fomentar a brincadeira. No livro The Crowdunfing Revolution: Social Networking Meets VentureFinancing (2010), os autores Kevin Lawton e Dan Marom destacam que somos doisbilhões de usuários agrupados na rede no mundo inteiro. No Brasil, o acesso àInternet atingiu 77,8 milhões de pessoas no segundo trimestre de 2011, segundo oIbope Nielsen Online. Estamos organizados via Twitter e Facebook, por exemplo,onde cada comentário postado por um usuário é uma reafirmação de umaidentidade e consequentemente do nicho. Hoje, a escala da interatividade é maior:os interesses dos usuários se organizam em multidões de nichos. Destaque para uma nova forma de relação que tem chamado a atenção pelascaracterísticas de reunir um pouco de todas essas forças: o conceito das 5
  6. 6. plataformas de crowdfunding. O diferencial é que as ferramentas que abraçam acausa dependem financeiramente dos seus próprios usuários. Com o crowdfunding,não precisamos esperar que produtores do entretenimento adivinhem nossosdesejos. Basta o usuário (em geral um artista) divulgar seu projeto através de umdesses sites, e contar com amigos ou estranhos, que se identificam com os mesmosobjetivos, para arrecadar investimento suficiente para bancar o desejo. Por isso não se pode ignorar os sites de crowdfunding, principalmente noBrasil. Artistas com seus seguidores restritos de fãs estão conseguindo realizar seusprojetos com a “vaquinha online” (como o crowdfunding é entendido a grosso modo).Eles têm a opção de não depender de gravadoras e nem de empresas parapatrocínio. Com isso, para o mercado cultural independente, há de certa forma umapossibilidade de transformação. Apurando com as fontes, elas se mostram bastantesatisfeitas por auto-realizar um trabalho. Uma simples saída para um problema – afalta de apoio. No Brasil, onde o incentivo à cultura é escasso, essas plataformas tambémfuncionam como vitrine. No Rio de Janeiro, em especial, o crowdfunding estáconcentrado – mais um fato curioso. Seria a descoberta de uma brecha parareaquecer uma cidade desassistida culturalmente? Surgiram para suprir a carênciade um mercado independente carioca, principalmente desses artistas que nuncativeram apoio? No crowdfunding há plataformas que, na realização de shows inéditos, naprodução de um novo CD, ou documentário, mobilizam um público cativo. É umapossibilidade de comunicação dirigida que poderia compensar para as grandesprodutoras, mas elas nunca pensaram lucrativamente nesses públicos. São artistasde samba do circuito da Lapa e bandas de garagem do rock alternativo, cujosnúmeros de seguidores não atraíam até ontem o mercado e nem a grande mídia. Esse é um momento onde essa pequena revolução no mercado carioca fazrepensar novos posicionamentos de marketing das empresas. Não é pelaquantidade que as plataformas de crowdfunding estão ganhando os holofotes, massim pela qualidade do público, exigente e seguidor fiel de seus gostos, disposto acontribuir financeiramente com quantias consideráveis para realizar desejos. Para analisar essa tendência, a monografia está dividida nos capítulos: Osurgimento; Crowdfunding no conceito de rede; Panorama das plataformas no Brasil; 6
  7. 7. Relacionamento e marketing nas plataformas; Convergência mobiliza autores eapoiadores, e Crowdfunding na cadeia produtiva da economia. 7
  8. 8. 2 O SURGIMENTO 2.1 O conceito de crowdfunding A motivação entre várias pessoas, a favor de uma causa comum, é uma dasprincipais características dos sites de crowdfunding. O usuário demonstra apoio aum movimento social ou contribui financeiramente para a realização de um projeto, aexemplo das tradicionais ‘vaquinhas’. No livro The Crowdunfing Revolution: SocialNetworking Meets Venture Financing, o primeiro e único sobre o assunto, os autoresLawton e Marom (2010) ressaltam que é difícil definir o termo, mas identificam seupoder na sociedade: O espaço do crowdfunding é bastante diversificado, composto de muitos nichos, e compartilha uma grande quantidade de energia das redes sociais. Seja para solicitar doações e criar uma base de fãs para uma aventura de vela ao redor do mundo, a pré-vender cópias de um livro, ou para financiar uma empresa iniciante para retorno de capital, de alguma forma o crowdfunding torna isso disponível. Quanto mais abrangente, ele conversa com seu grandioso potencial para o impacto econômico e social. Da mesma forma que as redes sociais mudaram a forma como alocamos tempo, 1 crowdfunding vai mudar a forma como alocamos capital. O conceito deriva de crowdsourcing - desenvolvedores voluntários sedebruçam no estudo de códigos abertos, viabilizando, por exemplo, o software livre,que apresenta vantagens: Os principais efeitos da adoção generalizada de software aberto podem-se resumir num aspecto fundamental: o software aberto permite deslocar a criação de valor acrescentado para mais perto do utilizador final. Pelo contrário, o uso de software proprietário, normalmente de um fabricante estrangeiro, tende apenas a criar situações de distribuição e revenda, em que a maior parte do valor vai para o fabricante, e em que há uma grande 2 dependência dos intervenientes locais em relação àquele De acordo com a comunidade BR-Linux.org, para uma licença ou softwareser considerado Código Aberto pela Open Source Initiative deve atender a critériosque incluem itens como Livre Redistribuição, Permissão de Trabalhos Derivados eDistribuição da Licença.1 Edição e-book de LAWTON,K.; MARROM, D., The Crowdunfing Revolution: Social Networking Meets VentureFinancing, p.1. Os trechos do livro são de livre tradução.2 CASTELLS, Manuel; CARDOSO, Gustavo (Orgs.). A Sociedade em Rede: do conhecimento à ação política;Conferência. Belém(Por): Imprensa Nacional, 2005. Livro organizado a partir de Conferência promovida peloentão Presidente da República de Portugal, Jorge Sampaio, em 4 e 5 de mar. 2005, no Centro Cultural deBelém. Disponível em: < http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/sociedade-em-rede-do-conhecimento-%C3%A0-ac%C3%A7%C3%A3o-pol%C3%ADtica> 8
  9. 9. O crowdsourcing não só é uma alternativa diante de licenças de custo alto,como também uma forma de personalizar serviços, de acordo com Anderson (2006)porque (...) Apenas a produção colaborativa é capaz de ir tão longe na Cauda Longa. E, no caso de autosserviço, o trabalho está sendo feito pelos indivíduos mais interessados em seus resultados, e que conhecem melhor 3 as próprias necessidades. A comunidade Crowdfunding Wiki registra que a palavra crowdfunding foicunhada em 2006 pelo empresário Michael Sullivan, um dos editores dacomunidade. O empresário identifica uma variedade de propósitos para ocrowdfunding: “desde amenizar desastres com apoio de mutirões, até o jornalismocolaborativo cidadão, passando por artistas em busca de apoio de seus fãs.” Lawton e Marom (2010) sinalizam a transformação do conceito decrowdfunding ao longo dos anos, desde a criação de Sullivan: “Crowdfunding estácrescendo rápido e, em algumas áreas, integrando e mesclando com métodosconvencionais de financiamento.” Tanto no Brasil, como nos Estados Unidos,organizações privadas e públicas começam a apostar na viabilização de parceriascom as plataformas. Os investimentos nas plataformas geram produtos e mobilizam clientes e, porisso, chamam a atenção do mercado. Lawton e Marom (2010) observam que “dadaa dimensão das mudanças sócio-econômicas que já encontrou a partir de novasformas de conectividade, um conjunto de mudanças profundas está por vir. Esta é arevolução crowdfunding”. No V Simpósio Nacional ABCiber, em artigo científico, os autores Cocate ePernissa afirmam que o sistema de mobilizar multidões já é um fenômeno que temocorrido há uma década: Vale ressaltar que o sistema abordado neste texto não se trata de uma novidade, segundo o autor Jeff Howe, autor do livro “O poder das multidões: por que a força da coletividade está remodelando o futuro dos negócios”. A arrecadação de financiamentos para campanhas políticas via web começou a partir de 2000. Mas foi em 2008 que a corrida presidencial de Barack Obama ganhou força com o apoio de cerca de $ 272 milhões oriundos de mais de dois milhões de doadores por meio de pequenas quantias. “Assim, a internet acelera e simplifica o processo de encontrar grandes grupos de financiadores potenciais que podem usar o crowdfunding para ingressar nas3 ANDERSON, C., A Cauda Longa: do mercado de massa para o mercado de nicho, p.217. 9
  10. 10. atividades mais inesperadas de nossa cultura, como a música e o cinema” 4 (HOWE, 2009, p. 222). 2.2 A plataforma americana Kickstarter O site americano Kickstarter é o que tem mais repercussão no crowdfunding.Em seu blog corporativo, a organização apresentou seus números no post publicadoem 28 de abril de 2011: em dois anos de existência, a plataforma lançou, no total,20.371 projetos (43% deles atingiram a meta). Foram U$40 milhões coletados porprojetos de sucesso financiados.5 O gráfico abaixo exibe as categorias dos projetosofertados aos financiadores: O curioso é que os Estados Unidos passam por uma recessão nãopresenciada há décadas, e o Kickstarter ainda é o site de referência mundial noassunto. O sucesso pode estar atrelado à crise, já que o mecanismo é a contribuiçãocoletiva com cotas que variam de $10 a $500 em grande parte. No crowdfunding, épossível investir pouco para que um negócio dê certo, aguçando a consciênciaindividual.4 “Estudo sobre crowdfunding: fenômeno virtual em que o apoio de uns se torna a força de muitos”. V SimpósioABCiber 2011. Disponível em:< http://simposio2011.abciber.org/anais/Trabalhos/artigos/Eixo%206/17.E6/226-353-1-RV.pdf>. Acesso em 20 jan. 2012.5 Informações extraídas do blog, com livre tradução. Disponível em: <http://www.kickstarter.com/blog/happy-birthday-kickstarter>. Acesso em 10 out. 2011. 10
  11. 11. O público, então, forma mutirões nas causas de mobilização social a favor dacidadania, ou com laços e interesses mais estreitos, ligados à natureza particular decada projeto. Os fundos arrecadados são para projetos culturais, de entretenimentoe startups (incubadoras de empreendedorismo) – setores que mais encontramdificuldades no mercado tradicional quando os investimentos tradicionais começama se restringir. Paralelamente, a noção de comunidade na Internet faz parte da culturaamericana por décadas, de acordo com a descrição do início das comunidades on-line: As comunidades on-line tiveram origens muito semelhantes às dos movimentos contraculturais e dos modos de vida alternativos que despontaram na esteira da década de 1960. A área da Baía de São Francisco abrigou na década de 1970 o desenvolvimento de várias comunidades on-line que faziam experimentos com comunicação por computadores, (...). Entre os primeiros administradores, hospedeiros e patrocinadores do WELL estavam pessoas que haviam tentado a vida em comunidades rurais, hackers de computadores pessoais, e um grande 6 contingente de deadheads, fãs da banda de rock Grateful Dead. No modelo de negócio do Kickstarter, o autor do projeto estipula a quantianecessária e o prazo para arrecadá-la, em média dois meses. Os doadores só sãocobrados no cartão de crédito no prazo final, caso o projeto alcance a metaestipulada. A colaboração financeira diferencia o crowdfunding do restante dosoutros sites de contribuição, como cita a reportagem abaixo: (...) A ideia de pedir a colaboração dos outros não é nova na internet. A Wikipédia é feita assim. O YouTube e o Flickr, também. Mas o Kickstarter leva a ideia um pouco mais longe: as contribuições são feitas em dinheiro. O site, lançado pelos nova-iorquinos Perry Chen, Yancey Strickler e Charles Adler, é uma espécie de vaquinha virtual ou um mercado de mecenas digitais. Quem tem um projeto criativo na cabeça e uma cifra necessária para colocá-lo de pé pode submeter a ideia ao Kickstarter. Se ela passar pelo crivo do trio - todos os descritos no começo desta reportagem foram 7 aprovados -, pronto: é só esperar as doações dos estranhos O americano IndieGoGo foi primeiro site de crowdfunding. Os números deprojetos lançados também são significativos, segundo artigo da UniversiaKnowledge, da Wharton School, da Universidade de Pensilvânia: Em 2008, Slava Rubin fundou a IndieGoGo em parceria com Danae Ringelmann e Eric Schnell depois de constatar que não havia um meio6 CASTELLS, M., A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade, p.48.7 TEIXEIRA, Jr. Me dá um dinheiro aí. EXAME.COM, 03 nov. 2010. Disponível em:<http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/0979/noticias/me-da-um-dinheiro-ai?page=2&slug_name=me-da-um-dinheiro-ai>. Acesso em: 20 set. 2011. 11
  12. 12. eficiente de levantar fundos para a pesquisa de câncer da medula óssea que vitimara seu pai. Em dois anos, o IndieGoGo, com sede em São Francisco, lançou 12.500 campanhas para o financiamento de filmes, obras sociais, empresas e gravações. Levantou também milhões de dólares para vários projetos em 139 países. "No mundo todo, tem gente apaixonada por uma porção de coisas diferentes", diz Rubin. "Nós ajudamos essas pessoas 8 a financiar seu projeto." Pelo pioneirismo, ou pela repercussão pelo mundo, as plataformasamericanas lançam a nova tendência de financiamento. Mesmo que no Brasil, ou emoutros países, o resultado das plataformas não cause tanto impacto na economia, ocrowdfunding gera uma nova interpretação sobre o mercado, principalmente quandoeste se relaciona com produção cultural e startups.8 Você gostaria de contribuir? Sites de crowdfunding transformam fã em patrono das artes.UNIVERSIAKNOWLEDGE@WHARTON, 12 jan. 2011. Disponível em: <http://www.wharton.universia.net/index.cfm?fa=viewArticle&id=1996&language=portuguese>. Acesso em: 05 jan.2012. 12
  13. 13. 3 CROWDFUNDING NO CONCEITO DE REDE O crowdfunding transforma o estado da ação: da realidade virtual para aconcretização de um projeto. O que estava no campo das ideias ganha a adesão deusuários, que juntos, contribuem com quantias em dinheiro em forma de mutirão -eles são os investidores, os que promovem o financiamento coletivo. Muitas vezes, o desejo de querer vivenciar a realidade só acontece depois dese experimentar sensações virtualmente. Essa é uma das hipóteses que podesustentar a existência de diversos ambientes de interação na Internet. Na Era daInformação, é principalmente através da virtualidade que processamos a criação designificado, Nesse sentido, vivemos de fato no tipo de cultura que, em meus escritos anteriores, chamei “a cultura da virtualidade real” (Castells, 1996-2000). Ela é virtual porque construída basicamente através de processos de comunicação virtuais, eletronicamente baseados. É real (e não imaginária) porque é nossa realidade fundamental, a base material sobre a qual vivemos nossa existência, construímos nossos sistemas de representação, exercemos nosso trabalho, vinculamo-nos a outras pessoas, obtemos informação, formamos nossas opiniões, atuamos na política e acalentamos nossos sonhos. Essa virtualidade é nossa realidade. É isso que caracteriza a cultura na Era da Informação: é principalmente através da virtualidade que 9 processamos nossa criação de significado. Entender o crowdfunding é primeiramente analisar a estrutura do negócio eseus desdobramentos. A comunicação, em rede, entre os usuários é o que divulga ocrowdfunding, em sua grande parte. Via redes sociais, os usuários simpatizantes doprojeto iniciam a campanha para comunicar que há uma proposta oferecida pelosautores do projeto na plataforma de crowdfunding. A partir daí, outros usuáriosapoiam a iniciativa e compartilham a informação com seus diversos laços e gruposde interatividade em rede, ampliando a comunicação. No crowdfunding, o usuário não apenas reforça ideologias e conceitos dogrupo, como atua como um dos atores sociais no processo em rede: (...) As redes são montadas pelas escolhas e estratégias de atores sociais, sejam indivíduos, famílias ou grupos sociais. Dessa forma, a grande transformação da sociabilidade em sociedades complexas ocorreu com a substituição de comunidades espaciais por redes como formas 10 fundamentais de sociabilidade.9 CASTELLS, M., A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e a sociedade, p.167.10 Ibid, p.106 13
  14. 14. O crowdfunding no Brasil oferece oportunidades, em sua maioria, a projetoscriativos que estão, de algum modo, conectados à rede de relacionamento depessoas que se inserem na cultura da classe média jovem brasileira. Essa camadada sociedade é responsável pela vanguarda na Internet, onde, segundo Lévy (1999)“a emergência do ciberespaço11 é fruto de um verdadeiro movimento social, com seugrupo líder (a juventude metropolitana escolarizada), suas palavras de ordem(interconexão, criação de comunidades virtuais, inteligência coletiva) e suasaspirações coerentes”. A contribuição financeira é também uma aposta de pessoas que não faziamparte anteriormente da rede de relacionamento dos autores do projeto. Cadaindivíduo que compõe o mutirão, arrecadando o montante para o projeto, pretendeexperimentar a sensação de recriar, coletivamente, um novo modo, e próprio, deoperar a realidade: Um grupo humano qualquer só se interessa em constituir-se como comunidade virtual para aproximar-se do ideal do coletivo inteligente, mais imaginativo, mais rápido, mais capaz de aprender e de inventar do que um coletivo inteligentemente gerenciado. O ciberespaço talvez não seja mais do 12 13 que o indispensável desvio técnico para atingir a inteligência coletiva. Ao mesmo tempo, o indivíduo imagina ganhar o reconhecimento de suacomunidade como participante pela concretização dos desejos. Hunt (2010) explicaque “as pessoas estão em redes sociais para se conectar e construirrelacionamentos. Relacionamentos e conexões, com o tempo levam à confiança,que é a chave para a formação de capital14 ”. Outra forma de se relacionar com o crowdfunding é financiar projetos queestão relacionados a assuntos explorados pela mídia, os que remetem a causassociais em sua maioria, atraindo perfil de um público engajado, ou que quer seengajar. Os laços, então, se tornam fortalecidos, gerando cooperação, e confiançanas transações do crowdfunding. Assim, o indivíduo se relaciona inserido nacibercultura, entusiasmado com as tendências na rede,11 Pierre Lévy define o ciberespaço como o espaço de comunicação aberto pela interconexão mundial doscomputadores e das memórias dos computadores.12 LÉVY, P., Cibercultura, p.130.13 Em sua obra A Inteligência Coletiva. Por uma antropologia do ciberespaço, o autor define o termo InteligênciaColetiva como “uma inteligência distribuída por toda parte, incessantemente valorizada, coordenada em temporeal, que resulta em uma mobilização efetiva das competências.” Ele ressalta que “a coordenação dasinteligências em tempo real provoca a intervenção de agenciamentos de comunicação que, além de certo limiarquantitativo, só podem basear-se nas tecnologias digitais da informação”.14 O autor se refere ao capital social, ou seja, a reputação no virtual. 14
  15. 15. A cibercultura é a expressão da aspiração de construção de um laço social, que não seria fundado nem sobre links territoriais, nem sobre relações institucionais, nem sobre as relações de poder, mas sobre a reunião em torno de centros de interesses comuns, sobre o jogo, sobre o compartilhamento do saber, sobre a aprendizagem cooperativa, sobre processos abertos de colaboração. O apetite para as comunidades virtuais encontra um ideal de relação humana desterritorializada, transversal, livre. As comunidades virtuais são os motores, os atores, a vida diversa e 15 surpreendente do universal por contato. Organizado na rede, o poder de decisão se intensifica. Até chegar àfinalidade, que é a de cumprir a meta para que o projeto se torne viável, omecanismo do crowdfunding permite que o público defina o que vale ou não serapoiado financeiramente. No crowdfunding, se o projeto ainda não organizou seupúblico na Internet, é uma oportunidade também de atrair seus nichos.15 LÉVY, P., Cibercultura, p.130. 15
  16. 16. 4 PANORAMA DAS PLATAFORMAS NO BRASIL A maioria dos sites brasileiros de crowdfunding se inspira no Kickstarter. Asplataformas viabilizam projetos culturais, de entretenimento, exclusivamente emmúsica, estritamente para a realização de shows, para causas sociais, para startups,ou para interesses particulares. Os autores de cada projeto apresentam a proposta ao grupo de cadaplataforma. Quando o projeto é aprovado, os próprios autores produzem um vídeoao público-alvo, argumentando a importância da ideia. Os usuários assistem aovídeo na página criada especificamente sobre a oferta na plataforma e, logo abaixo,há um texto sobre o projeto. No canto inferior da página, há links para redes sociais para difundir a açãoatraindo adeptos. O usuário pode aderir ao perfil do projeto nas redes sociais (viaFacebook, Twitter, ou vídeo do You Tube, por exemplo). Para se tornar umfinanciador, o usuário se cadastra na plataforma, criando seu próprio perfil, comopção de inserir foto e outros dados pessoais, visíveis publicamente, se preferir. Se o usuário se interessar pelo projeto, escolhe como investir, de acordo comas cotas estipuladas de participação, que variam de R$10,00 a R$5mil, em média,em troca de recompensas. São oferecidos produtos ou mix de produtos para cadavalor: CD autografado, camiseta, ingresso para show ou os músicos na sua casa.Dependendo do site, o dinheiro é debitado antes, ou depois, do projeto concluído.Caso o projeto não atinja a meta (e o dinheiro foi debitado anteriormente), o usuárioé reembolsado. Cada plataforma determina um prazo - de dois meses, em média - para oprojeto arrecadar a quantia mínima necessária. Ao atingir a meta, osadministradores das plataformas cobram uma comissão de 5% a 15%. Essaporcentagem varia por plataformas e cobrem as taxas administrativas. Há sites querepassam o dinheiro aos autores, debitando do financiador, mesmo quando o projetonão atinge a meta mínima. Michel Nicolau Netto, mestre e doutorando em Sociologia pela UniversidadeEstadual de Campinhas (Unicamp), no artigo “Crowdfunding e a agência damultidão”, propõe três agentes principais na ordenação do crowdfunding: o promotorda plataforma, o proponente do projeto e o financiador. De acordo com ele, a 16
  17. 17. multidão a que se refere o crowdfunding tipicamente é o terceiro agente, ou seja, ofinanciador.16 Netto argumenta que crowdfunding é uma estratégia de produção. Para ele,lançar um projeto inicialmente no crowdfunding pode não gerar lucro, mas tambémnão acarreta em prejuízo, como nas tradicionais produções: na Inglaterra, porexemplo, mais da metade dos shows não gera o retorno investido17. O crowdfunding, então, é uma alternativa segura para o autor de um projetodescobrir se este pode ou não se tornar viável. Ele constata se haverá garantia, ouinsucesso da viabilização de acordo com a porcentagem arrecadada de sua metafinanceira. Os projetos que não contaram com patrocinadores pelas vias depatrocínio tradicionais puderam, então, ser realizados ao se lançarem nasferramentas. A reportagem publica o levantamento sobre as áreas de projetosrealizados no país: (...) Em levantamento feito pelo GLOBO nos nove principais sites de crowdfunding do Brasil, 67,77% do total investido foi para projetos artísticos, como a produção de filmes e de livros. Os projetos de empreendedorismo, seja para criação de empresas ou de produtos inovadores, ficaram com fatia 18 de 28,83%. Iniciativas de cunho social levaram 3,40% dos recursos.(...) O crowdfunding mudou o mercado de shows de bandas alternativas no Brasil.“Abriu-se um canal excelente de ajuda entre bandas e fãs, mas por outro lado, épreciso calibrar as expectativas dos artistas, já que nem sempre o financiamento dopúblico vai viabilizar grandes projetos”, segundo Rodrigo Ortega, editor de música doblog Pípula Pop19, criado há sete anos. Com 2.600 seguidores no Twitter eFacebook, ele reafirma a força do mercado alternativo. Através do Queremos, Ortega foi um dos financiadores por duas vezes,recebendo retorno integral nos shows do Belle and Sebastian e do Two DoorCinema Club. Para ele, o Queremos não só mostrou que o público carioca estáinteressado nesses shows que o mercado tradicional não considerava, como provouque o crowdfunding é uma alternativa viável e mais justa do que a organização deshows convencional.16 Disponível em:<http://www.overmundo.com.br/banco/crowdfunding-e-a-agencia-da-multidao>.Acesso em 03nov.2011.17 Entrevista concedida por e-mail para mim, em 11/11/2011.18 SETTI, R.; CRUZ, M.. Modelo de financiamento pela web, crowdfunding avança no Brasil. Mas há barreiras. OGLOBO DIGITAL E MÍDIA, 08 mai. 2011. Disponível em: <http://oglobo.globo.com/tecnologia/modelo-de-financiamento-pela-web-crowdfunding-avanca-no-brasil-mas-ha-barreiras-2773332>. Acesso em: 13 set. 201119 Pípula Pop. < http://www.pilulapop.com.br/>. Acessado em 30 jan.2012. 17
  18. 18. Para o público dirigido, o crowdfunding atende às expectativas, mas asplataformas encontram resistência entre os conservadores, talvez por ser uma ideianova e por demandar uma dedicação maior de navegação para se entender omodelo de negócio. Gabriel Thomaz, vocalista da banda Autoramas observa quenem todos possuem o mesmo tempo para assimilar novidades com tanta agilidade.Alguns fãs da banda disseram não concordar com arrecadação de “esmolaeletrônica”. Outros não entenderam bem a proposta ao confundir a plataforma decrowdfunding com site de votação da melhor banda. “Há internautas que secomportam como se tivessem ligado a TV para zapear e acabam não prestandoatenção em nenhum programa”, argumenta. Pensando na relação com os usuários, cada plataforma brasileira apresentaparticularidades em suas propostas, ao adaptarem o crowdfunding à realidade daInternet no país. A maioria dos sites foi lançada por amigos, que viam nocrowdfunding a solução para desenvolver um mercado mais criativo. 4.1 Principais plataformas de crowdfunding No Brasil, seis plataformas de crowdfunding se destacam por atingirem, commais sucesso, suas metas e por se distinguirem pelo perfil dos projetos e pelo tipode oferta aos incentivadores: Vakinha, Catarse, Queremos, Movere, Embolacha,Benfeitoria. 4.1.1 Vakinha O primeiro site de crowdfunding brasileiro é o Vakinha, lançado em 2009. Aproposta se distingue das outras plataformas: as vaquinhas, em sua maioria, sãodesejos que atendam interesses particulares. Os objetivos vão desde realizarcasamento, tratamento médico para cachorro de estimação, incrementar umpequeno negócio a reformar a casa. O criador do pedido cadastrado na Vakinharecebe todo o dinheiro arrecadado pelos usuários que contribuem via boleto,transferência ou cartão de crédito. Desde o seu lançamento, foram 50mil vaquinhasrealizadas, de acordo com informações em seu perfil no Facebook. 18
  19. 19. 4.1.2 Catarse O Catarse foi a segunda plataforma brasileira de crowdfunding (lançada emjaneiro de 2011) e a primeira de financiamento colaborativo para projetos criativos,baseada nos moldes do Kickstarter, como hoje se apresenta a maioria dos sites noBrasil. No modelo de incentivo, os sócios do Catarse selecionam os projetos queentram no ar. A intenção é divulgar os trabalhos que estejam prontos para ir aopúblico: A gente está de braços abertos para projetos artísticos – Artes Plásticas, Circo, Dança, Filmes, Fotografia, Música, Teatro, etc. – e também para projetos criativos que surjam em campos como Alimentação, Design, Moda, Tecnologia, Jogos, Quadrinhos, Jornalismo, entre vários outros. Não 20 aceitamos projetos de caridade. O dinheiro é devolvido para os financiadores, caso o projeto não arrecade aquantia mínima desejada. Segundo Rodrigo Maia, sócio do Catarse, a plataforma éuma adaptação do Kickstarter com “jeitinho brasileiro”: única no mundo de códigoaberto (pelo menos sete plataformas, no Brasil e no exterior, se utilizam do código),além de aceitar boleto (que representa boa parcela das arrecadações), transferênciadireta e cartão de débito. Em sua opinião, o brasileiro tem receio dos métodos depagamento online, e o boleto traz segurança. Até novembro de 2011 o Catarse reuniu 12mil apoios, levantou 130 projetosbem sucedidos, arrecadando 1 milhão de reais. A plataforma recentemente bateuuma série de recordes em crowdfunding brasileiro com a arrecadação para o projeto"Belo Monte - Anúncio de uma Guerra". O documentário, com entrevistas e imagenssobre a relação da obra de Belo Monte com a sociedade, passou de 232 para 3milapoiadores em apenas um dia, além de 55mil compartilhamentos no Facebook. O trecho abaixo da reportagem online destaca a plataforma Catarse como oquarto na lista dos “dez projetos mais legais da Internet do ano”: O Catarse é a primeira plataforma brasileira de crowdfunding para projetos criativos. Funciona assim: você propõe um projeto e o resto do mundo pode te ajudar com dinheiro. É como se fosse uma compra coletiva ao contrário. Se, ao final do prazo, a arrecadação não atingir a quantia mínima, o dinheiro 21 é devolvido para os doadores.20 Em: < http://catarse.me/pt/faq>. Acesso em: 02 set.201121 COHEN, O. Destaques de 2011 da SUPER: Os 10 projetos mais legais da internet do ano. SUPER, 14 dez.2011. Disponível em: <http://super.abril.com.br/blogs/superlistas/destaques-de-2011-da-super-os-10-projetos-digitais-mais-legais-do-ano/ >. Acesso em: 15 dez. 2011. 19
  20. 20. 4.1.3 Queremos Uma turma de amigos fundou o grupo “cariocas empolgados” ao perceber quemuitos shows de bandas, a maioria internacionais, não incluíam o Rio de Janeiro naturnê. Com a plataforma Queremos, eles viram a solução. Dividem por uma fatia dopúblico o valor necessário para produção de um evento, garantindo assim a suarealização - podendo reembolsar integralmente essas pessoas com a arrecadaçãoda bilheteria, como explicam no site aos usuários. Com o valor mínimo necessário assegurado, o evento é confirmado e inicia-sea venda de ingressos normais para o público. Todos que compraram o ingresso-reembolsável têm direito a um reembolso proporcional à venda de ingressosregulares, podendo ir de zero até ao valor integral, conforme descrito no site. O Queremos apresenta, na sua página inicial, o balanço de 15 meses, tempode existência do site: “4.374 colaboradores viabilizaram apresentações de 22bandas, pagando, em média, R$32 por ingresso. Os colaboradores conseguiram100% de reembolso em 12 shows, indo de graça a esses eventos.”22 A originalidade do projeto transformou o Queremos no projeto de maiorsucesso de crowdfunding no Brasil. O grupo, formado por cinco integrantes, participade encontros internacionais conceituados, visto que o negócio é inédito no país e noexterior, conforme afirma Felipe Constantino, um dos fundadores do Queremos. Em novembro de 2011, o Queremos se apresentou no evento Futures ofEntertainment, no Massachusetts Institute of Technology (MIT), na mesa Creatingwith the Crowd: Crowdsourcing for Funding, Producing and Circulating MediaContent. Em fevereiro de 2011, eles levaram sua experiência para o evento TED XRio. 4.1.4 Movere A plataforma foi lançada no início de 2011. O Movere incentiva, além deprojetos culturais, trabalhos de outras áreas como gastronomia, design, moda, jogos,saúde, esporte, educação, dentre outras. As pessoas recebem em trocarecompensas únicas e especiais, de acordo com o site. Se a meta não for atingida, odinheiro volta para quem incentivou.22 Disponível na página principal da plataforma: http://www.queremos.com.br/. Acesso em 11 fev.2012. 20
  21. 21. Vanessa Oliveira, sócia da plataforma, ressalta valores como confiança etrabalho em conjunto com as produções independentes e boa articulação comparcerias com instituições de diversas naturezas para o crescimento da plataforma edo crowdfunding no Brasil. 4.1.5 Embolacha A ferramenta de financiamento colaborativo é exclusiva para projetos demúsica, e a quantia investida pelo financiador é debitada da conta se o projetoatingir a meta de 100%. Foram realizados projetos de bandas alternativas, comoMóveis Coloniais de Acaju (DF), Letuce, Autoramas, Rabotnik e Mig Martins. Paulo Monte, sócio da plataforma, acredita no poder democrático desse tipo deferramenta. Um dos objetivos do Embolacha, de acordo com ele, é continuartrabalhando para fortalecer e consolidar o modelo de financiamento colaborativocomo uma opção inteligente e viável pra cadeia produtiva da musica brasileira: (...) a Bolacha é um selo independente, que trabalha com artistas independentes, e por isso seus maiores empecilhos tinham uma causa: dinheiro. (..) A empresa inscreveu o projeto em um edital da Finep, do Ministério da Ciência e Tecnologia, aprovado no final de 2009. De lá para cá, ele cresceu e mudou. A ideia inicial – custear só a produção de discos – 23 foi ampliada para qualquer criação artística. (...) A plataforma foi uma alternativa para a empresa Bolacha Discos, dedistribuição e produção de conteúdo musical. Para ser desenvolvido, o site contoucom o apoio financeiro da Finep e do Ministério da Ciência e Tecnologia comrecursos do FNDCT. 4.1.6 Benfeitoria A plataforma Benfeitoria é a única do mundo que não cobra comissão. Ascolaborações e recompensas – definidas em uma das páginas do site como “sistemaenvolvente de micro-patrocínios” – também são realizadas através de consultorias,doação de materiais e voluntariado: As transações na benfeitoria são consideradas doações (em caso de recompensa simbólica, como agradecimentos e créditos em um livro), pré- venda (em caso de recompensas não simbólicas para contribuições financeiras, como a entrega do livro a ser viabilizado) ou troca (em caso de recompensas não financeiras para pedidos não financeiros). Também não é23 DIAS, T. Sonho Viável. ESTADÃO.COM.BR, 15 mai. 2011. Disponível em:<http://blogs.estadao.com.br/link/tag/letuce/ >. Acesso em: 11 nov. 2011. 21
  22. 22. permitido nenhuma recompensa que envolva sorte, como sorteios e rifas, 24 pois eles teriam que ter a aprovação da Caixa Econômica Federal. A plataforma arrecadou R$300mil em 2011 em projetos de impacto positivo(foi fundada em maio do mesmo ano), de acordo com dados de seu perfil noFacebook. Os fundadores, um casal de jovens com experiência de 15 anos emmarketing e no mercado multinacional, resolveu sair da empresa para aplicar oconhecimento em iniciativas que podem se transformar em ações. Na equipe,contam com mais dois integrantes.24 Em: <http://www.benfeitoria.com/index.php?t=pagina&a=visualiza&cd=10>. Acesso em: 02 set.2011. 22
  23. 23. 5 RELACIONAMENTO E MARKETING NAS PLATAFORMAS 5.1 Aproximação dos nichos de mercado O crowdfunding concentra nichos, pois a estrutura se adequa àsnecessidades deles. A rede permite mapear o comportamento dos pequenossegmentos, antes mesmo de um projeto ter sua página criada na plataforma. Econhecer os nichos de antemão pode estreitar o relacionamento com o potencialcliente: o autor do projeto sabe quem atingir, e o financiador investe para adquirirseu produto customizado. Agradar um nicho requer descobrir seus gostos maisparticulares. O nicho é um dos níveis de decomposição de mercado, no marketingde segmentos: Um nicho é um grupo definido mais estritamente, um mercado pequeno cujas necessidades não estão sendo totalmente satisfeitas. Em geral, os profissionais de marketing identificam nichos subdividindo um segmento ou definindo um grupo que procura por um mix de benefícios distintos. Por exemplo, o segmento de fumantes inclui aqueles que estão tentando parar 25 de fumar e aqueles que não se preocupam com isso. No crowdfunding, produtores independentes vivenciam um papel que antespertencia somente a uma parcela mínima de atores no mercado tradicional depatrocínio e apoio. Eles atendem diretamente seu público, já identificados em nichosna Internet: Cada vez mais o mercado de massa se converte em massa de nichos. Essa massa de nichos sempre existiu, mas, com a queda do custo de acessá-la – para que consumidores encontrem produtos de nicho e produtos de nicho encontrem consumidores -, ela, de repente, se transformou em força cultural e econômica a ser considerada. O novo mercado de nichos não está substituindo o tradicional mercado de hits, apenas; pela primeira vez, os 26 dois estão dividindo o palco. Na Teoria da Cauda Longa, de Anderson (2006), a sociedade está “seafastando do foco em alguns hits relativamente pouco numerosos (produtos emercados da tendência dominante), no topo da curva da demanda, e avançando emdireção a uma grande quantidade de nichos na parte inferior ou na cauda da curvada demanda”.25 KOTLER, P., Administração de Marketing, p.279.26 ANDERSON, C., A Cauda Longa: do mercado de massa para o mercado de nicho, p.6. 23
  24. 24. Os nichos ganham contornos cada vez mais definidos. Por não dependerexclusivamente da relação tradicional de mercado, vão disputando espaço na mídia.Como resultado, têm a oportunidade de reforçar cada vez mais sua identidade viacrowdfunding. 5.2 Crowdfunding no posicionamento de marca 5.2.1 Empresas apostam na visibilidade Empresas físicas tradicionais analisam as novas formas de interação eidentificam o comportamento de seu público-alvo na Internet. Consequentemente,elas apostam na nova tendência - o crowdfunding - como mais um meio derelacionamento e encantamento da marca. A loja virtual da livraria Saraiva possui uma parceria com a plataformaVakinha. Quando o usuário acessa a página de um produto no site da Saraiva, eletem a opção de clicar no aplicativo que leva à plataforma e gerar a vaquinha doproduto.27 A loja de roupas Cantão contribuiu como apoiador de dois projetos nos sitesEmbolacha e Queremos. Rick Yates, gerente de marca/branding revela que osretornos são imateriais, de posicionamento de marca. No caso do Cantão, é umreforço do DNA da marca: O Cantão é uma marca comportamental e desde o seu nascimento, em 1968, se relaciona com projetos e profissionais da área cultural e artística. O crowdfunding tem sido uma ótima ferramenta para viabilizar projetos bacanas através da iniciativa privada e individual, o que nos aproxima do 28 público-alvo. Castells (2003) observa que “a atividade empresarial, como dimensãoessencial da cultura da Internet, chega com uma nova distorção histórica: criadinheiro a partir de idéias, e mercadoria a partir de dinheiro, tornando tanto o capitalquanto a produção dependentes do poder da mente. ”Criamos meios de nos inserir,às vezes involuntariamente, na nova tendência, a começar pela cultura doentretenimento, como nota Jenkins (2010):27 O vídeo publicitário explica o funcionamento da parceria: < http://vimeo.com/26776637>. Acesso em: 11 fev.2012.28 Entrevista concedida por e-mail para mim, através da assessoria de imprensa da Cantão, em 02/01/2012. 24
  25. 25. Neste momento estamos aprendendo a aplicar as novas habilidades de participação por meio de nossa relação com o entretenimento comercial – ou, mais precisamente, neste momento, alguns grupos de usuários pioneiros estão testando o terreno e delineando direções que muitos de nós tenderemos a seguir. Essas habilidades estão sendo aplicadas primeiro à cultura popular por várias razões: por um lado, porque os riscos são baixos; por outro, porque brincar com cultura popular é muito mais divertido do que 29 brincar com questões sérias. Não são somente as empresas que estão desbravando a nova possibilidadede relacionamento com o público. Os autores dos projetos lançados nas plataformastambém viram a chance de desdobrar ações após visibilidade no crowdfunding. 5.2.2 Porta de entrada para novas ações Vanessa Oliveira, sócia da plataforma Movere, cita a campanha do grupo desamba carioca Sururu na Roda como exemplo de propaganda de marketing30. Apósarrecadar R$39mil para gravação de CD em homenagem ao centenário de NelsonCavaquinho, pelo Movere, o grupo musical manteve o relacionamento estreito com opúblico, através do desdobramento de outras ações, estimuladas por terceiros. Umaempresa de telefonia celular ofereceu aplicativo para iPhone do grupo. Uma pessoafísica investiu na recompensa de R$5mil para ter o show do Sururu na Roda, epresenteou uma instituição. O grupo, assim, reafirma sua imagem no cenáriomusical carioca. Oliveira também enfatiza outro caso: o projeto Fanzine Kapta - que consistiuem disponibilizar a publicação em versão para iPad - não alcançou a meta, masganhou projeção na mídia com a campanha. Como resultado, uma empresaincentivou a iniciativa para desenvolver o projeto. Por isso Rodrigo Maia, sócio daplataforma Catarse, explica que, para gerar uma série de conhecimentos nasociedade, o que as plataformas precisam são de pequenos pontos, ou pequenosnúcleos que se formam, e não de 1 milhão de pessoas.31 O comportamento que o crowdfunding tem gerado nos nichos vai ao encontrode Castells (2003), quando ressalta que “a Internet tende a aumentar a exposição aoutras fontes de informação”. O autor descreve que “Di Maggio, Hargittai, Neuman e29 JENKINS, H., Cultura da Convergência, p.313.30 Declaração feita durante palestra no evento “Observatório Criativo – Economia criativa: compartilhamento deideias sobre cultura”, realizado em 13/12/2011, no Centro Cultural da Justiça Federal.31 Idem. 25
  26. 26. Robinson (2001) relatam resultados de levantamentos de participação pública quemostram que usuários da Internet (após o controle das demais variáveis)freqüentavam mais eventos de arte, liam mais literatura, viam mais filmes, assistiammais esportes e praticavam mais esportes que não-usuários”. Ao agradar o público-alvo, o crowdfunding e outros formatos virtuais deaproximação de comunidades online de usuários segmentados - como blogs e redessociais – modificam então a visão de mercado. 5.2.3 Estilo como instrumento de atração A criatividade é um dos pontos-chave para um projeto se tornar bem-sucedidona Internet. Oliveira observa que um dos pontos do crowdfunding é se divertirfazendo, criando as alternativas de recompensas de um projeto, por exemplo32. Aoanalisar seus elementos, o crowdfunding se apresenta como ferramenta que agregadesejo ao entretenimento, através da linguagem: estilo de redação informal edescontraído; imagens e vídeos do(s) autor (es) em seu cenário, vendendo seusprojetos como um sonho desejado, através de narrativa que remete à emoção;recompensas materiais aos apoiadores com objetos que se relacionam ao tema,reforçando laços. Proporciona ao financiador a sensação de pertencimento ao grupoquando ele se cadastra na plataforma criando seu perfil, com opção de inserir foto eoutros dados pessoais, visíveis publicamente, se preferir. Em 09/11/11, em sua página principal, o site Queremos divulgou o resultadodo projeto da época - um festival em parceria com uma loja de roupas para mulheresjovens: E (enfim!) ontem rolou o primeiro dia do nosso Festival com o Queremos no Circo. E foi bem além da música. Quem passou por lá conferiu uma mistura bacana de arte, moda, comportamento e festa! Logo na entrada do espaço “EU QUERO”, intervenções de grafite do amigo Airá – um beijo! ♥. Nossa kombi trouxe uma seleção especial de camisas FARM + Queremos – com os pôsteres dos shows que rolaram – da Lust For Life, Cds da LAB – com as melhores bandas de todos os festivais – a Lomography distribuindo filmes pra quem quisesse fotografar na hora!Numa parceria com o Mola, os artistas cariocas Denne, Felipe Bardy e Flávio Lazarino transformaram o palco externo numa grande instalação (re)utilizando caixotes, pôsteres e32 Declaração feita durante palestra no evento “Observatório Criativo – Economia criativa: compartilhamento deideias sobre cultura”, realizado em 13/12/2011, no Centro Cultural da Justiça Federal. 26
  27. 27. fios de algodão, representando cordas de instrumentos musicais e a matéria 33 prima de nossa moda (morremos!). Segundo análise do webwriter Bruno Rodrigues, o sucesso de uma ação emcrowdfunding depende, antes de mais nada, da credibilidade do projeto proposto, eisso não está ligado apenas ao projeto, por si só. O jornalista enfatiza que uma dasetapas primordiais é a comunicação, seja entre empreendedores e investidores, sejaentre empreendedores e players envolvidos na concretização do projeto: Para o investidor, encontrar os detalhes sobre o projeto é fundamental e, neste processo, a arquitetura da informação do website é decisiva: informação não localizada é investidor a menos, não há dúvida. Todo formato de conteúdo disponível, seja texto, vídeo, gráfico ou áudio, deve ser bem pensado para que nenhuma das mensagens gere ruído, a chuva ácida da comunicação. Além disso, a forma como a informação é disponibilizada e como onde ela é disposta não somente reforçam a credibilidade, como são elementos primordiais para persuadir o visitante a 34 investir no projeto - o que se almeja, afinal de contas. A forma de abordagem nas páginas das redes sociais (criadas pelos autoresdo projeto) também incentiva o engajamento de mais pessoas. Os especialistas emcrowdfunding também sugerem aos autores divulgar o projeto nas redes sociais e,se necessário, por filipetas e e-mail, dependendo do público-alvo, antes até de acampanha ser lançada no crowdfunding. São estratégias paralelas elaboradas deacordo com perfil do público, ajudando a sustentar a fase de campanha.33 A página foi acessada na data mencionada, em 09/11/2011. Para se ter uma ideia do festival, consulte apágina disponível em: <http://queremos.com.br/show/22-Eu-Quero-Festival!>34 Entrevista concedida por e-mail para mim, em 09/11/2011. 27
  28. 28. 6 CONVERGÊNCIA MOBILIZA AUTORES E APOIADORES 6.1 Plataformas pela democratização das mídias Com a convergência das mídias, qualquer internauta grava arquivos em vídeoou imagem, via celular, para inseri-los em alguma plataforma de interatividadevirtual. Pelo aparelho, inclusive, pode-se navegar em ferramentas de colaboração ede compartilhamento, como You Tube, Vimeo, My Space e Facebook. O download grátis de arquivos em MP3 e MP4 pelo usuário muda a relaçãodas produtoras diante do mercado, e transfere o poder para o internauta,principalmente sobre o que ele quer ouvir. Como exemplo de uma das possibilidadesde compartilhamento, o usuário transfere suas músicas preferidas para seu aparelhocelular, via bluetooth, e desse modo pode divulgar o trabalho do artista em qualquerlugar. A presença desses novos instrumentos para se comunicar é um indício daaceleração da economia do virtual. Lévy (1996) aponta que a “economiacontemporânea é uma economia da desterritorialização ou da virtualização, quandoo volume de negócios cresce no turismo e na indústria que fabricam veículos,fazendo viajar signos e coisas”: Os meios de comunicação eletrônicos e digitais não substituíram o transporte físico, muito pelo contrário: comunicação e transporte, como já sublinhamos, fazem parte da mesma onda de virtualização geral. Pois ao setor da desterritorialização física, cumpre evidentemente acrescentar as telecomunicações, a informática, os meios de comunicação, que são outros setores ascendentes da economia do virtual. O ensino e a formação, bem como as indústrias da diversão, trabalhando para a heterogênese dos espíritos, não produzem outra coisa senão o virtual. Quanto ao poderoso setor da saúde – medicina e farmácia -, como vimos num capítulo 35 precedente, ele virtualiza os corpos. A aplicabilidade tecnológica cada vez mais acelerada, mais desenvolvida emais acessível facilita a convergência das mídias. Diante disso, muito damobilização e adesão ao crowdfunding é resultado da economia da virtualização. Aplataforma apresenta, de modo geral, fácil usabilidade, desde a produção do vídeopelos autores do projeto, até o mecanismo da arrecadação de dinheiro pelo mutirãode pessoas para que a realização do projeto seja viável. O consumidor, então, não35 LÉVY, P., O que é o virtual?, p.51. 28
  29. 29. precisa mais esperar pelo lançamento de um produto por uma grande produtorapara que tudo aconteça. O cantor tem a chance de ser seu próprio produtor, mostrando qualidade noseu trabalho, sem depender de gravadoras. A oportunidade de conhecer de pertoseu público e de ouvir seus anseios permite adaptar o trabalho de acordo com aopinião direta de fãs, porque os dispositivos estão ao alcance das mãos. Assim, setransformam em instrumentos de grande poder de divulgação. A produção e adistribuição da informação se inserem no tripé de forças, guiadas pela emoção epela democratização: A propaganda boca a boca amplificada é a manifestação da terceira força da Cauda Longa: explorar o sentimento dos consumidores para ligar oferta e demanda. A primeira força, democratização de produção, povoa a cauda. A segunda força, democratização da distribuição, disponibiliza todas as ofertas. Mas isso não é suficiente. Só quando essa terceira força, que ajuda as pessoas a encontrar o que querem nessa nova superabundância de variedades, entra em ação é que o potencial do mercado da Cauda Longa é 36 de fato liberado. Os amigos de Mariana Leporace, por serem os principais divulgadores de umespetáculo inédito da cantora de MPB (a proposta do projeto foi apresentada viacrowdfunding), foram os responsáveis pela lotação da casa no dia do show.Leporace tem 20 anos de carreira e se apresenta nos circuitos culturais pelo Rio deJaneiro. Ela promoveu o show de lançamento de seu nono CD através da plataformaCatarse. Leporace vê no crowdfunding uma espécie de “libertação” do mercado – aviabilização da criação, diretamente do "produtor" ao "consumidor" de maneirasimples: O crowdfunding desamarra dos demais meios de captação que o mercado oferece, que são ainda muito complexos e muitas vezes inatingíveis para os artistas independentes. A sensação de fazer um show inteiramente bancado por aposta no meu trabalho foi indescritível. As pessoas se sentiram parte do processo e consegui ampliar meu público, porque os amigos que compraram a ideia se encarregaram de divulgar pra outros amigos. Penso que as gravadoras já há algum tempo começaram a perder a função. A internet é uma aliada muito poderosa dos artistas e pode ser considerada a 37 ferramenta fundamental rumo a "independência. Via crowdfunding, a cantora criou diversas formas de recompensas para osfinanciadores, variando produtos e preços – são alternativas customizadas queagradam o consumidor. As cotas para patrocinar o projeto variavam de R$10 aR$2.500, com recompensas acumuladas de acordo com o aumento do valor. Com36 Ibid, p.11537 Entrevista concedida por e-mail para mim, em 23/11/2011. 29
  30. 30. R$10, o apoiador recebia por e-mail o MP3 de uma música do CD "Interior" e umagradecimento. Com R$30 ele ganhava o CD. Com R$40, levava o ingresso para oshow. Com R$70, ele ganhava o ingresso e o CD. Com R$100, levava doisingressos e o CD. Com R$500, foram quatro kits. Cada kit era composto por doisingressos, CD e a citação da marca (caso o financiador fosse uma empresa) ou donome no off do show. Com R$1.000 ganhava oito kits, além do logo incluído nomaterial de divulgação. Com R$2.500 o financiador levava dez kits e um pocketshow de voz e violão. Paulo Monte, sócio do Embolacha, afirma que existe um objetivo comercialpor trás de cada campanha de crowdfunding. Porém, os sites são muito mais do quesimples ferramentas para captação de recursos: as plataformas são espaços para aexperimentação e expansão dos limites artísticos. A convergência não envolve apenas materiais e serviços produzidoscomercialmente. Ela ocorre também quando as pessoas assumem o controle dasmídias. Jenkins (2008) acrescenta que “entretenimento não é única coisa que fluipelos múltiplos suportes midiáticos. Nossas vidas, relacionamentos, memórias,fantasias e desejos também fluem pelos canais de mídia”. Os novos comportamentos que divulgam a cultura fogem ao controle e àsregras ditados pela tradicional indústria fonográfica. Os virais, por exemplo,promovem artistas que estavam no anonimato a partir do momento em que fãscompartilham a informação para outros usuários. 6.2 Mobilização dos fãs Leonardo Rocha, fã do grupo de rock alternativo carioca Autoramas. Morandoem Contagem, em Minas Gerais, tem seu nome registrado na contracapa do CD dabanda como uma das recompensas oferecidas na campanha para a produção dodisco, via plataforma crowdfunding. Para ele, o mecanismo do crowdfunding éinteressante e inovador porque permitiu sua participação direta no trabalho do artistapreferido, além de o fato de ter seu nome nos agradecimentos. Rocha ressalta que a realização do projeto também é conseqüência dacredibilidade e do respeito dos Autoramas no meio underground. Ele acompanha otrabalho do vocalista desde a década de 90, assistindo aos videoclipes pela TV, e 30
  31. 31. afirma que o crowdfunding aumentou seu laço com os músicos. Por isso, pretendecontribuir para as boas idéias sempre que surgirem. A cooperação dos fãs ganha uma nova forma de relação no processo daprodução, principalmente musical, uma tendência deste novo modo de pensar: (...) Assim como o estudo da cultura dos fãs nos ajudou a compreender as inovações que ocorrem às margens da indústria midiática, podemos também interpretar as estruturas das comunidades de fãs como a indicação de um novo modo de pensar sobre a cidadania e a colaboração. Os efeitos políticos dessas comunidades de fãs surgem não apenas da produção e circulação de novas idéias (a leitura crítica de textos favoritos), mas também pelo acesso a novas estruturas sociais (inteligência coletiva) e novos 38 modelos de produção cultural (cultura participativa). As plataformas talvez não sejam a melhor opção para artistas em início decarreira, que ainda não construíram um público-base, na opinião de Monte. Segundoele, o crowdfunding “é poderoso para artistas independentes ou consagrados que játenham um relacionamento definido com seu público consumidor; é um espaço ondeartistas e público se unem para novas experiências e reinventar suas relações.” As pessoas, quando já agrupadas por afinidades em comum, se comunicamcom mais eficiência ao explicitar seus objetivos, baseadas em referências de signose representações. Por isso, é mais fácil, por exemplo, um fã-clube mobilizar maispessoas com o mesmo interesse e assim concretizar a proposta de um projeto.38 JENKINS, H., Cultura da Convergência, p.314. 31
  32. 32. 7 CROWDFUNDING NA CADEIA PRODUTIVA DA ECONOMIA A maioria das plataformas de crowdfunding foi lançada por grupos de amigos,em sua grande parte, residentes no Rio de Janeiro, ou com algum integrantecarioca, reafirmando a vocação do Estado em fomentar projetos criativos. Três delas– Movere, Benfeitoria e Embolacha (pela empresa Bolacha Discos) – estão entre os21 empreendimentos escolhidos pelo Programa Rio Criativo e fazem parte daIncubadoras de Empreendimentos da Economia Criativa do Estado do Rio deJaneiro (Incubadoras Rio Criativo), da Secretaria de Estado de Cultura do Rio deJaneiro. (...) A iniciativa tem como objetivo estimular a consolidação de empreendimentos criativos no Estado. Entre os serviços oferecidos aos empreendedores selecionados estão consultorias na elaboração de planos de negócios, planejamento estratégico, assessoria jurídica e de imprensa, entre outras. Além disso, os contemplados ganharão um espaço físico nas incubadoras para sediar seus empreendimentos por até 18 meses. (...) O projeto, realizado pela Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro e executado pelo Instituto Gênesis da PUC-Rio, conta com parcerias de Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro – FAPERJ, Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro – JUCERJA, SEBRAE RJ, Prefeitura do Rio, RioFilme e Prefeitura de São 39 João de Meriti. O estudo do Sistema Firjan “A Cadeia da Indústria Criativa no Brasil” apresentadados dos 12 setores criativos da economia (Arquitetura, Artes Cênicas, ArtesVisuais, Design, Expressões Culturais, Filme & Vídeo, Mercado Editorial, Moda,Música, Publicidade, Software & Computação e TV & Rádio) e indica o crescimentoda área no Estado: Em termos nominais, o núcleo da indústria criativa movimentou R$ 93 bilhões na economia brasileira em 2010. No estado do Rio, a importância do núcleo criativo para a economia fluminense (3,5%) continuou maior que na 40 média nacional (2,5%), equivalendo em 2010 a R$ 14,7 bilhões. A instituição adota a seguinte definição para o termo “indústria criativa”: osciclos de criação, produção e distribuição de bens e serviços que usam criatividade ecapital intelectual como insumos primários. No documento, o Sistema Firjan avalia39 Disponível em: <http://www.riocriativo.rj.gov.br/pt/institucional.html>. Acesso em: 02 dez. 2011.40 A Cadeia da Indústria Criativa no Brasil. SISTEMA FIRJAN, out. 2011, p.6. Disponível em:<http://www.firjan.org.br/data/pages/2C908CE9215B0DC40121793A0FCE1E51.htm>. Acesso em: 14 dez. 2011 32
  33. 33. que há interdependência entre a indústria e os setores de comércio e serviços nacadeia da criativa, reconhecendo o poder multiplicador da indústria criativa. Vanessa Oliveira, sócia da plataforma Movere, acredita que trocarexperiências com outros empreendimentos da incubadora será uma oportunidade dedesenvolver o espírito empreendedor entre empresas de várias áreas, crescendojuntas.41 A aposta no crowdfunding dentro do Rio Criativo é um aval para oreconhecimento do valor econômico que as plataformas podem significar ao Estado.O crowdfunding é uma possibilidade de negócio bastante rentável a longo prazo,quando as plataformas conseguirem atingir um volume maior de projetos, valores eparticipantes, segundo Monte. Os projetos encontrados no crowdfunding possuem abrangência nacional,mas é visível a adesão da cultura carioca. Como exemplo, dois blocos de Carnavalde rua do Rio de Janeiro conseguiram bater a meta estipulada para o desfile, viacrowdfunding: Fogo e Paixão e Toca Rauuul. Na opinião de Monte, a cidade do Riode Janeiro sempre teve vocação natural para a cultura desde os tempos da CortePortuguesa, ditando moda para o Brasil e exterior, além de ser um pólo de produçãoe consumo de bens culturais.42 O Estrombo é mais um projeto que pode afirmar a vocação carioca. Lançadoem dezembro de 2010, contribui para o desenvolvimento de novas negociações paraa música, com comercialização através do uso de novas tecnologias. Ele pretendefomentar a economia criativa voltada para o Estado, para desenvolverespecificamente o mercado musical. “É uma parceria do Fundo Multilateral deInvestimentos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Fomin/BID), Sebrae,Fundação Getulio Vargas (Centro de Tecnologia e Sociedade) e Facebook.”43 Heliana Marinho, diretora do Estrombo e gerente da área de EconomiaCriativa do Sebrae/RJ, ressalta que a utopia se recoloca nas redes e resgata acomunicabilidade e prazer de fazer as coisas, diferente do processo metódicotradicional de se fazer cultura. Ela ressalta que alguns segmentos não percebemque podem virar negócio.44 Muitos artistas não se relacionam com o mercado pornão dominar as leis de incentivo culturais e por terem dificuldades de escrever41 Entrevista concedida por telefone, para mim, em 24/01/2012.42 Entrevista concedida por e-mail para mim, em 09/01/2012.43 Informações extraídas de: < http://estrombo.com.br/o-que-e-o-estrombo>. Acesso em: 31 jan.2012.44 Declaração durante palestra no evento “Observatório Criativo – Economia criativa: compartilhamento de ideiassobre cultura”, realizado em 13/12/2011, no Centro Cultural da Justiça Federal. 33
  34. 34. projetos. Por isso, um dos objetivos do Estrombo, como descreve o site do projeto, édar apoio à cadeia produtiva da música, desde artistas, produtores, casas de shows,lan houses, DJs, fotógrafos, estúdios, escolas, webradios, jornalistas, artistasgráficos, figurinistas, técnicos de som e luz, cenógrafos e game designers. Estáestruturado para ser desenvolvido em três vertentes: capacitação, realização deestudos e participação mais ativa no mercado.45 Dentro da realidade do crowdfunding ao contexto brasileiro, os criadores docrowdfunding fazem adaptações, como, por exemplo, no atendimento aos autoresdos projetos. Rodrigo Maia, sócio do Catarse, enfatiza que as plataformas dedicam“extrema atenção aos proponentes, e também aos apoiadores. Prezamos o afeto, aproximidade e/ou aproximação – somos mais parceiros dos realizadores do queprestadores de serviços.” Com recursos públicos e de instituições privadas, há uma possibilidade dofortalecimento da microeconomia do Estado. “Toda e qualquer iniciativa queincentive a produção de bens culturais e a inserção de novos agentes dentro dacadeia produtiva da música ajuda a reaquecer a cidade e tornar o meio ambientemais favorável,” na opinião do produtor independente Alê Barreto.46 O crowdfundingé mais um recurso para os artistas, reconhecido pelo Estrombo, ao citar o modelo daplataforma Queremos: (...) Já não é raro artistas distribuindo músicas gratuitamente, sabendo que isso desperta o interesse do público e cativa novos ouvintes, aumentando o público pagante em shows. Nesse cenário, surgem iniciativas que dialogam criativamente com as novas tecnologias digitais. (...) O crowdfunding é um recurso usado de muitas maneiras na realização de shows. No Rio de Janeiro, um dos projetos mais bem-sucedidos é o Queremos, que trouxe 47 mais de 20 bandas internacionais para tocar na cidade. Maia ressalta que as plataformas de crowdfunding hoje no Brasil não sãosustentáveis. Os sócios do Catarse, ao longo de 2011, investiram recursos próprios,sem retorno. Tudo que os projetos geraram em 2011 são o capital de giro atual. NoCatarse, ele elabora com os sócios uma série de modelos de receita adicionais queentram em ação em 2012 para potencializar os projetos. Ele explica que, sesubissem as taxas de administração, ficaria muito pesado para os projetos, já que éuma carga incluir o custo logístico de entrega de recompensas:45 Trecho disponível em: <http://estrombo.com.br/video-estrombo-mapeamento-cultural-do-estado-do-rio-heliana-marinho-sebraerj>. Acesso em 01 fev. 201246 Entrevista concedida por e-mail, para mim, em 05/01/2012. Alê Barreto é administrador, produtor, autor do livroAprenda a Organizar um Show e gestor do conteúdo do blog Produtor Cultural Independente.47 Em: <http://estrombo.com.br/tag/queremos>. Acesso em: 30 jan. 2011. 34
  35. 35. O Catarse não tem fins lucrativos. É uma empresa privada, mas seguimos preceitos de negócios sociais, o chamado setor 2 e meio, numa alusão a um intermédio entre o terceiro setor e empresas. Isso não quer dizer que não possamos ter bons salários, mas todo o nosso lucro (excedente) é devolvido pra re-alimentar a roda. Mas isto ainda não ocorre, e quando ocorrer, é porque cumprimos nossa missão. O Catarse será, neste momento, algo 48 bem mais aberto do que é hoje. No apoio à prática do negócio, os Estados Unidos começam a se preocuparcom uma regulamentação de leis para o crowdfunding. Como uma das mudanças,os EUA pretendem incentivar a participação de empresas no crowdfunding. Maiaavalia a questão como ponto favorável para o Brasil: Seria como se, ao invés de um empreendedor procurar investidores de Venture Capital, ou Anjos investidores, pudesse mobilizar estes recursos através do crowdfunding. A diferença para o modelo que vemos hoje é que este apoiador passa a ter participação na empresa/empreendimento que ele apoia. Os EUA estão aprovando esta medida, e acreditamos que o Brasil siga no rastro. A importância disso é que teríamos um artifício para aquecer o mercado de micro-empreendimentos e fortalecer a cultura empreendedora 49 no Brasil. Ao acompanharem de perto o mercado, alinhado às necessidades do Rio deJaneiro, as plataformas de crowdfunding podem ser grandes aliadas para maiorafirmação da cultura carioca independente. Se contar com parcerias de empresasfísicas da indústria criativa é também trocar experiências em comum, isso podesignificar um caminho mais curto na identificação das urgências da sociedade. Agora, se assiste a um fortalecimento da cultura no Estado, haja vista oaumento do número de casas de shows, além do ressurgimento de movimentosculturais. Nos preparativos para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas de2016, os segmentos culturais começam a despertar o interesse de um público quedeseja conhecer os costumes da região, atraindo novos investidores.48 Entrevista concedida por e-mail, para mim, em 11/01/2012.49 Idem. 35
  36. 36. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os adeptos do crowdfunding vêem nas plataformas uma inovação na formade relacionamento entre as pessoas, baseada em pilares como os da confiança e domutirão. As iniciativas dos projetos são inéditas e, por isso redobram o entusiasmodos envolvidos. Se combinadas com processos de negócio do mercado tradicional,as atividades das plataformas podem se transformar em uma sólida estratégia paranovos empreendimentos. Quando amarramos aos projetos um discurso carregado de identidadeemocional, com afinidades e objetividade, podemos, sim, concretizar propostas – ocrowdfunding tem comprovado isso. Mas hoje, os projetos concluídos emplataformas brasileiras não chegam ao sucesso dos números que as plataformasdos Estados Unidos apresentam. Este país já se preocupa com meios para facilitaras transações no crowdfunding (a praticidade americana de adaptar a realidade aociberespaço não é novidade para ninguém). Se há a impressão de que o crowdfunding está apenas “engatinhando” nonosso país, há de se analisar profundamente todo o processo de negócio dasplataformas para prosseguir com segurança, e os idealizadores começam a agirnessa direção. Eles se relacionam com empreendedores de diversas esferas dasociedade, estudando o impacto e várias possibilidades de inserção docrowdfunding no mercado, além de aprimorarem fluxos para se tornarem eficazes narelação com os atores, diretos e indiretos da cadeia produtiva na qual osempreendimentos de crowdfunding se inserem. A Internet reserva a sensação de que não há limites para se testarexperiências, e isso pode ser usado a favor ou contra, uma vez que, quem aposta nocrowdfunding sabe que todo cuidado é pouco na manutenção da preservação dosideais, ao se pensar em expansão. A produção cultural Rio de Janeiro domina a prática do improviso e, por isso,se identifica com o crowdfunding. Essa é uma chance de os produtores seintegrarem mais no mercado, carente pela falta de leis de incentivos. Os produtoresindependentes cariocas saem na frente ao conquistarem apoio dos órgãos públicose privados em prol do desenvolvimento da economia, aproveitando o momento demostrar e desenvolver a riqueza cultural carioca, na busca pela valorização dopatrimônio imaterial. 36
  37. 37. BIBLIOGRAFIAANDERSON, C. A Cauda Longa: do mercado de massa para o mercado denicho. 1a ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. Tradução de Afonso Celso da CunhaSerra. 240p.CASTELLS, M. A galáxia da internet: reflexões sobre a internet, os negócios e asociedade. 1a ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2003. Tradução de Maria LuizaX. de A. Borges; revisão técnica, Paulo Vaz. 244 pHUNT, T. O Poder das Redes Sociais. Como o Fator Whuffie - seu valor nomundo digital- pode maximizar os resultados de seus negócios. 1a ed. SãoPaulo: Gente, 2010. Tradução de Alexandre Callari. 280 p.JENKINS, H. Cultura da Convergência. 1a ed. São Paulo: Aleph, 2008. Traduçãode Suzana Alexandria. 380 p.KOTLER, P. (1967). Administração de Marketing. 10a ed. São Paulo: Pearson,2000. Tradução de Bazán Tecnologia e Linguística. 768 p.LAWTON, K.; MAROM, D. The Crowdfunding Revolution: Social NetworkingMeets Venture Financing. Kevin Lawton and Dan Marom, 2010. E-book.LÉVY, P.(1999). Cibercultura. 2a ed. São Paulo: Editora 34, 2000. Tradução deCarlos Irineu da Costa. 260p.LÉVY, P.(1996). O que é o Virtual? 2a ed. São Paulo: Editora 34, 2011. Traduçãode Paulo Neves. 160p. 37

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