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Consenso TEP 2010
 

Consenso TEP 2010

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    Consenso TEP 2010 Consenso TEP 2010 Document Transcript

    • ISSN 1806-3713 Publicação Bimestral J Bras Pneumol. v.36, número Supl. 1, p. S1-S68 Março 2010 Editor Chefe José Antônio Baddini Martinez – Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, SPAssociação Brasileira Editores Associadosde Editores Científicos Afrânio Lineu Kritski – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ Álvaro A. Cruz – Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA Fábio Biscegli Jatene – Universidade de São Paulo, São Paulo, SP Ilma Aparecida Paschoal – Universidade de Campinas, Campinas, SPPublicação Indexada em: José Alberto Neder – Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, SPLatindex, LILACS, Scielo Renato Tetelbom Stein – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RSBrazil, Scopus, Index Sérgio Saldanha Menna-Barreto – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RSCopernicus, ISI Web of Conselho EditorialKnowledge e MEDLINE Alberto Cukier – Universidade de São Paulo, São Paulo, SP Ana C. Krieger – New York School of Medicine, New York, USADisponível eletronicamente nas Ana Luiza Godoy Fernandes – Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, SPversões português e inglês: Antonio Segorbe Luis – Universidade de Coimbra, Coimbra, Portugalwww.jornaldepneumologia.com.br e Brent Winston – Department of Critical Care Medicine, University of Calgary, Calgary, Canadawww.scielo.br/jbpneu Carlos Alberto de Assis Viegas – Universidade de Brasília, Brasília, DF Carlos Alberto de Castro Pereira – Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, SP Carlos M. Luna – Hospital de Clinicas, Universidad de Buenos Aires, Buenos Aires, Argentina Carlos Roberto Ribeiro de Carvalho – Universidade de São Paulo, São Paulo, SP Carmen Silvia Valente Barbas – Universidade de São Paulo, São Paulo, SP Chris T. Bolliger – University of Stellenbosch, Stellenbosch, South Africa Dany Jasinowodolinski – Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, SP Douglas Bradley – University of Toronto, Toronto, ON, Canadá Denis Martinez – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS Emílio Pizzichini – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC Frank McCormack – University of Cincinnati School of Medicine, Cincinnati, OH, USA Geraldo Lorenzi-Filho – Universidade de São Paulo, São Paulo, SP Gustavo Rodrigo – Departamento de Emergencia, Hospital Central de las Fuerzas Armadas, Montevidéu, Uruguay Irma de Godoy – Universidade Estadual Paulista, Botucatu, SP Isabela C. Silva – Vancouver General Hospital, Vancouver, BC, Canadá J. Randall Curtis – University of Washington, Seattle, Wa, USA John J. Godleski – Harvard Medical School, Boston, MA, USA José Dirceu Ribeiro – Universidade de Campinas, Campinas, SP, Brazil José Miguel Chatkin – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS José Roberto de Brito Jardim – Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, SP José Roberto Lapa e Silva – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ Kevin Leslie – Mayo Clinic College of Medicine, Rochester, MN, USA Luiz Eduardo Nery – Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, SP Marc Miravitlles – Hospital Clinic, Barcelona, España Marcelo Alcântara Holanda – Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, CE Marcos Ribeiro – University of Toronto, Toronto, ON, Canadá Marli Maria Knorst – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS Marisa Dolhnikoff – Universidade de São Paulo, São Paulo, SP Mauro Musa Zamboni – Instituto Nacional do Câncer, Rio de Janeiro, RJ Nestor Muller – Vancouver General Hospital, Vancouver, BC, Canadá Noé Zamel – University of Toronto, Toronto, ON, Canadá Paul Noble – Duke University, Durham, NC, USA Paulo Francisco Guerreiro Cardoso – Pavilhão Pereira Filho, Porto Alegre, RS Paulo Pego Fernandes – Universidade de São Paulo, São Paulo, SP Peter J. Barnes – National Heart and Lung Institute, Imperial College, London, UK Renato Sotto-Mayor – Hospital Santa Maria, Lisboa, Portugal Richard W. Light – Vanderbili University, Nashville, TN, USA Rik Gosselink – University Hospitals Leuven, BélgicaI N T E R N A T I O N A L Robert Skomro – University of Saskatoon, Saskatoon, Canadá Rubin Tuder – University of Colorado, Denver, CO, USA Sonia Buist – Oregon Health & Science University, Portland, OR, USA Rogério de Souza – Universidade de São Paulo, São Paulo, SP Talmadge King Jr. – University of California, San Francisco, CA, USA Thais Helena Abrahão Thomaz Queluz – Universidade Estadual Paulista, Botucatu, SP Vera Luiza Capelozzi – Universidade de São Paulo, São Paulo, SP
    • ISSN 1806-3713SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIASecretaria: SEPS 714/914, Bloco E, Asa Sul, salas 220/223. CEP 70390-145 - Brasilia - DF, Brasil.Telefone 0800 616218. Site: www.sbpt.org.br. E-mail: sbpt@sbpt.org.brO Jornal Brasileiro de Pneumologia ISSN 1806-3713, é uma publicação bimestral da SociedadeBrasileira de Pneumologia e Tisiologia. Os conceitos e opiniões emitidos nos artigos são deinteira responsabilidade de seus autores. Permitida a reprodução total ou parcial dos artigos,desde que mencionada a fonte.Diretoria da SBPT (Biênio 2008-2010):Presidente: Jussara FitermanPresidente Eleito (Biênio 2010-2012): Roberto StirbulovSecretário-Geral: Carlos Eduardo Ventura Gaio dos SantosSecretária-Adjunta: Fernanda Lara Fernandes Bonner Araújo RiscadoDiretora Financeira: Veronica Moreira AmadoDiretora de Assuntos Científicos: Marina Andrade LimaDiretor de Divulgação e Defesa Profissional: Fernando Luiz Cavalcanti LundgrenDiretora de Ensino e Exercício Profissional: Ana Luisa Godoy FernandesPresidente do XXXV Congresso Brasileiro de Pneumologia e Tisiologia: Rodney Luiz Frare e SilvaPresidente do Conselho Deliberativo: Antônio Carlos Moreira LemosCONSELHO FISCAL:Efetivos: Eraldo Emanoel Simões Barbosa Filho, Marcelo Fouad Rabahi, Nuno Fevereiro Ferreira de LimaSuplentes: Benedito Francisco Cabral Júnior, Paulo César Nunes Restivo, Terezinha do SocorroMacedo LimaCOORDENADORES DOS DEPARTAMENTOS DA SBPT:Ações Programáticas – Alcindo Cerci NetoCirurgia Torácica – Fabio Biscegli JateneEndoscopia Respiratória – Marcelo Gervilla GregórioFunção Pulmonar – Roberto Rodrigues JuniorImagem – Dante Luiz EscuissatoPneumologia Pediátrica – Marcus Herbert JonesCOORDENADORES DAS COMISSÕES CIENTÍFICAS DA SBPT:Asma Brônquica – Paulo Augusto Moreira CamargosCâncer Pulmonar – Guilherme Jorge CostaCirculação Pulmonar – Renato MacielDistúrbios Respiratórios do Sono – Carlos Alberto de Assis ViegasDoenças Intersticiais – Carlos Alberto de Castro PereiraDoença Pulmonar Avançada – Maria Christina Lombardi de Oliveira MachadoDPOC – Alberto CukierDoenças Respiratórias Ambientais e Ocupacionais – Eduardo AlgrantiEpidemiologia – Ana Maria Baptista MenezesFibrose Cística – Paulo de Tarso Roth DalcinInfecções Respiratórias e Micoses – Paulo José Zimermann TeixeiraPleura – Evaldo MarchiRelações Internacionais – Ricardo de Amorim Corrêa e Octávio MessederTabagismo – Irma de GodoyTerapia Intensiva – Arthur Oswaldo de Abreu ViannaTuberculose – Marcus Barreto CondeSecretaria Administrativa: SEPS 714/914, Bloco E, Asa Sul, salas 220/223. CEP 70390-145 - Brasília -DF, Brasil.Telefones/Fax: 0xx61-3245-1030, 0xx61-3245-6218.Secretária: Luana Maria Bernardes Campos. E-mail: jpneumo@jornaldepneumologia.com.brRevisão de português, assessoria técnica e tradução: Precise EditingEditoração: Editora CuboTiragem: 1100 exemplaresDistribuição: Gratuita para sócios da SBPT e bibliotecasImpresso em papel livre de ácidosAPOIO:
    • ISSN 1806-3713Publicação Bimestral J Bras Pneumol. v.36, número Supl. 1, p. S1-S68 Março 2010Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2010 ............1 1. Introdução .......................................................................................................... 2 2. Epidemiologia .................................................................................................... 4 3. História natural .................................................................................................. 6 4. Fatores de risco ................................................................................................ 8 5. Suspeita clínica ................................................................................................ 12 6. Diagnóstico diferencial .................................................................................... 15 7. Exames de apoio ao diagnóstico ..................................................................... 17 8. Exames de confirmação ................................................................................... 19 9. Algoritmos de diagnóstico .............................................................................. 21 10. Anticoagulação na fase aguda ....................................................................... 28 11. Tratamento anticoagulante de longa duração............................................... 32 12. Uso de trombolíticos e alternativas terapêuticas no paciente grave ........... 35 13. Uso de filtros de veia cava ............................................................................ 39 14. Fatores prognósticos ..................................................................................... 40 15. Tromboprofilaxia primária ............................................................................ 43 16. TEP na gravidez ............................................................................................. 49 17. Manejo perioperatório de pacientes em uso de anticoagulantes orais ........ 54 18. Cuidados com anticoagulação ....................................................................... 57 19. Câncer e TEP .................................................................................................. 60 20. TEP crônica hipertensiva ............................................................................... 62 21. Medicamentos alternativos e novos fármacos ............................................. 64
    • Regionais da Sociedade Brasileira de Pneumologia e TisiologiaAssociAção cAtArinense de PneumologiA e tisiologiA sociedAde de PneumologiA e tisiologiA do rio grAnde do sul Presidente: Emílio Pizzichini Presidente: Paulo de Tarso Roth Dalcin Secretário: Israel Silva Maia Vice: Renato Soares Gutierrez Endereço: Hospital Universitário da UFSC - NUPAIVA - térreo. Endereço: Centro AMRGS - Av. Ipiranga, 5311 Campus - Trindade, 88.040 - 970 - Florianópolis - SC 90.610-001 - Porto Alegre - RS Tel: (48) 3234-7711/ 3233-0747 Tel: (51) 3384-2889 Fax: (51) 3339-2998 E-mail: pizzichi@matrix.com.br E-mail: sptrs@terra.com.brAssociAção mArAnHense de PneumologiA e cirurgiA torÁcicA sociedAde goiAnA de PneumologiA e tisiologiA Presidente: Maria do Rosario da Silva Ramos Costa Presidente: Fernanda Miranda de Oliveira Secretária: Denise Maria Costa Haidar Secretária: Karla Cristina de Moraes Arantes Curado Endereço: Travessa do Pimenta, 46 Endereço: Rua 83-C, 52, Setor Sul 65.065-340 - Olho D‘Água - São Luís - MA 74.083-100 - Goiânia - GO Tel: (98) 3226-4074 Fax: (98) 3231-1161 Tel/fax: (62) 3942-6203 E-mail: rrcosta29@hotmail.com E-mail: sgpt2007@gmail.comsociedAde AlAgoAnA de PneumologiA sociedAde mineirA de PneumologiA e cirurgiA torÁcicA Presidente: Fernando Antônio Mendonça Guimarães Presidente: Valéria Maria Augusto Secretária: Mirtes Maria de Melo Silva Secretário: Bruno Horta Andrade Endereço: Rua Walfrido Rocha 225, Jatiuca Endereço: Av. João Pinheiro, 161 - sala 203 - Centro 57.036-800 - Maceió - AL 30.130-180 - Belo Horizonte - MG Tel: (82) 33266618 Fax: (82)3235-3647 Tel/fax: (31) 3213-3197 E-mail: famguima@gmail.com E-mail: smpct@ammgmail.org.brsociedAde AmAzonense de PneumologiA e cirurgiA torÁcicA sociedAde norte-rio grAndense de PneumologiA e tisiologiA Presidente: Fernando Luiz Westphal Presidente: Francisco Elmano Marques Souza Secretária: Maria do Socorro de Lucena Cardoso Secretário: Paulo Roberto Albuquerque Endereço: Avenida Joaquim Nabuco, 1359 Endereço: Rua Mossoró, 576, sala 17, Ed. Eduardo, Tirol 69.020-030 - Manaus - AM 59.020-090 - Natal - RN Tel: (92) 3234-6334 Fax: 32348346 Tel: (84) 4009-2034 Fax: (84) 4009-2028 E-mail: f.l.westphal@uol.com.br E-mail: elmano@hcnatal.com.brsociedAde BrAsiliense de doençAs torÁcicAs sociedAde PArAense de PneumologiA e tisiologiA Presidente: Benedito Francisco Cabral Junior Presidente: Lúcia Helena Messias Sales Secretária: Raquel Melo Nunes de C. Feitosa Secretário: Paulo Roberto Klautau Ferreira Endereço: Setor de Clubes Sul, Trecho 3, Conj. 6 Endereço: Trav. Dom Romualdo de Seixas, 1529, Umarizal 70.200-003 - Brasília - DF 66.050-200 - Belém - PA Tel/fax: (61) 3245-8001 Tel/fax: (91) 3222-2224 E-mail: sbdt@ambr.com.br E-mail: lucia.sales@terra.com.brsociedAde ceArense de PneumologiA e tisiologiA sociedAde PArAiBAnA de PneumologiA e tisiologiA Presidente: Maria da Penha Uchoa Sales Presidente: Alfredo Fagundes de Souza Secretária: Cyntia Maria Sampaio Viana Secretário: Paulo Roberto de Farias Braga Endereço: Av. Dom Luis, 300, sala 1122, Aldeota Endereço: Av. Senador Rui Carneiro, 423, Miramar 60160-230 - Fortaleza - CE 58.015-010 - João Pessoa - PB Tel: (85) 3081-7194 3092-0401 Tel: (83) 3244-8444 E-mail: pneumoceara@gmail.com E-mail: alfredofagundes@gmail.comsociedAde de PneumologiA dA BAHiA sociedAde PArAnAense de tisiologiA e doençAs torÁcicAs Presidente: Eliana Dias Matos Presidente: Lêda Maria Rabelo Secretário: André Luiz Barreto Cunha Secretário: Carlos Eduardo do Valle Ribeiro Endereço: Av. Oceânica, 551 - Ed. Barra Center - sala 112 Endereço: Rua Cândido Xavier, 575 - Água Verde 40.160-010 - Barra - Salvador - BA 80.240-280 - Curitiba - PR Tel/fax: (71) 3264-2427 Tel/fax: (41) 3342-8889 E-mail: spba@terra.com.br / site: www.pneumobahia.com.br E-mail: spdt@brturbo.com.brsociedAde de PneumologiA do esPírito sAnto Presidente: Carlos Alberto Gomes dos Santos sociedAde PAulistA de PneumologiA e tisiologiA Secretária: Marli Lopes Presidente: Jaquelina Sonoe Ota Arakaki Endereço: Rua Eurico de Aguiar, 130, Sala 514 - Ed. Blue Chip Secretária: Valéria Cristina Vigar Martins Praia do Campo, 29.055-280 - Vitória - ES Endereço: Rua Machado Bittencourt, 205, 8° andar, conj. 83 Tel: (27) 3345-0564 Fax: (27) 3345-1948 04.044-000 - Vila Clementino - São Paulo - SP E-mail: casantos@unimedvitoria.com.br Tel: 0800 17 1618 E-mail: sppt@sppt.org.br site: www.sppt.org.brsociedAde de PneumologiA e tisiologiA do mAto grosso Presidente: Dr. Clóvis Botelho sociedAde PernAmBucAnA de PneumologiA e tisiologiA Secretária: Dra. Wandoircy da Silva Costa Presidente: Marília Montenegro Cabral Endereço: Rua Dr Jonas Correa da Costa, 210, Bairro Verdão Secretária: Adriana Velozo Gonçalves 78030-510 - Cuiabá - MT Endereço: Rua Das Fronteiras, 51, Boa Vista Tel: (65) 3637-1471 Fax: (65) 3637-7539 50070-170 - Recife - PE E-mail: fbotelho@terra.com.br Tel/fax: (81) 3231-2888 E-mail: montcabral@hotmail.comsociedAde de PneumologiA e tisiologiA do mAto grosso do sul Presidente: Dra. Lilian Cristina Ferreira Andries sociedAde PiAuiense de PneumologiA e tisiologiA Secretário: Dr. Paulo de Tarso Guerreiro Muller Presidente: João Araújo dos M. Moura Fé Endereço: Rua Antônio Maria Coelho,2912, Jardim dos Estados Endereço: Rua Mário Teodomiro de Carvalho, 1120, Ininga 79.002-364 - Campo Grande - MS 64049-820 - Teresina - PI Tel: (67) 3324-5460 Tel: (86) 2106-8000 E-mail: liliandries@yahoo.com.br E-mail: joaomfe@yahoo.com.brsociedAde de PneumologiA e tisiologiA do rio de JAneiro sociedAde sergiPAnA de PneumologiA e tisiologiA Presidente: Bernardo Henrique Ferraz Maranhão Presidente: José Barreto Neto Secretária: Simone Miranda Secretário: Almiro Oliva Sobrinho Endereço: Rua da Lapa, 120 - 3° andar - salas 301/302 Endereço: Av. Gonçalo Prado Rollemberg, 211, Sala 206 20.021-180 - Lapa - Rio de Janeiro - RJ Bairro São José, 49010-410 - Aracaju - SE Tel/fax: (21) 3852-3677 Tel: (79) 3213-7352 E-mail: sopterj@rjnet.com.br E-mail: j.barreto@uol.com.br
    • Diretrizes da SBPT Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2010* Recommendations for the management of pulmonary thromboembolism, 2010 Mario Terra-Filho, Sérgio Saldanha Menna-Barreto e Colaboradores**ResumoA tromboembolia pulmonar constitui, juntamente com a trombose venosa profunda, a condição denominadatromboembolismo venoso. Apesar dos avanços, a morbidade e a mortalidade atribuídas a essa doença ainda sãoelevadas, pois os pacientes apresentam doenças mais complexas, são submetidos a um maior número de proce-dimentos invasivos e sobrevivem por mais tempo. Embora existam inúmeras diretrizes internacionais disponíveis,optou-se por redigir estas recomendações para sua aplicação na prática médica nacional, embasadas nas melhoresevidências na literatura e na opinião do grupo de consultores. Este documento é apenas uma ferramenta parao atendimento dos pacientes, e, embora possa ser aplicado na maioria das situações, o médico deve adaptar asinformações a sua realidade local e ao caso específico. O diagnóstico de tromboembolia pulmonar é realizadoatravés da combinação da probabilidade clínica pré-teste (escores) com o resultado dos exames de imagem, sendoatualmente o método de eleição a angiotomografia computadorizada. É fundamental a estratificação do risco dedesfecho desfavorável, sendo a instabilidade hemodinâmica o preditor mais importante. Pacientes de baixo riscodevem ser tratados com heparina, comumente as de baixo peso molecular. Pacientes de alto risco requerem vigi-lância intensiva e uso de trombolíticos em alguns casos. A longo prazo, os pacientes devem receber anticoagulantespor no mínimo três meses, sendo sua manutenção decidida pela presença de fatores de risco para a recorrência e aprobabilidade de sangramento. A profilaxia é altamente eficaz e deve ser amplamente utilizada, tanto em pacientesclínicos como cirúrgicos, conforme os grupos de risco. Finalmente, são feitas recomendações relacionadas ao diag-nóstico, tratamento e prevenção da tromboembolia pulmonar.Descritores: Tromboembolia venosa; Trombose venosa; Tromboembolia.AbstractPulmonary thromboembolism and deep vein thrombosis together constitute a condition designated venousthromboembolism. Despite the advances, the morbidity and the mortality attributed to this condition are stillhigh, because the patients present with more complex diseases, are submitted to a greater number of invasiveprocedures and survive longer. Although there are various international guidelines available, we decided to writethese recommendations for their application in medical practice in Brazil. These recommendations are based onthe best evidence in the literature and the opinion of the advisory committee. This document is only a tool foruse in the management of patients. Although the recommendations it contains can be applied to most situations,physicians should adapt its content depending on their local context and on a case-by-case basis. Pulmonarythromboembolism is diagnosed by evaluating pre-test clinical probability (scores) together with the results ofimaging studies, the current method of choice being CT angiography. Stratification of the risk for an unfavorableoutcome is fundamental. Hemodynamic instability is the most important predictor. Low-risk patients should betreated with heparin, commonly low-molecular-weight heparins. High-risk patients require intensive monitoringand, in some cases, thrombolytic therapy. In the long term, patients should receive anticoagulants for at least threemonths. The decision to prolong this treatment is made based on the presence of risk factors for the recurrence ofthe condition and the probability of bleeding. Prophylaxis is highly effective and should be widely used in clinicaland surgical patients alike, according to their risk group. Finally, we include recommendations regarding theprevention, diagnosis and treatment of pulmonary thromboembolism.Keywords: Venous thromboembolism; Venous thrombosis; Thromboembolism.* Trabalho realizado pela Comissão de Circulação Pulmonar da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia – SBPT – Brasília(DF) Brasil** Colaboradores: Ana Thereza Rocha, Ângela Beatriz John, Carlos Jardim, Dany Jasinowodolinsky, Eloara Vieira Machado Ferreira,Hugo Hyung Bok Yoo, Jamocyr Marinho, Jaquelina Sonoe Ota Arakaki, João G. Pantoja, Jorge Luiz Pereira e Silva,Marcelo Basso Gazzana, Nelson Morrone, Paulo Henrique Feitosa, Patrícia Kfiter, Renato Maciel, Rogério Souza,Thais Helena Abrahão Thomaz Queluz, Verônica Amado, Walter RorizEndereço para correspondência: Comissão de Circulação Pulmonar da SBPT, SEPS 714/914 - Bloco E - Sala 220/223 - Asa Sul -CEP 70390-145 - Brasília (DF) Brasil.Fone/fax: 0800 61 6218/ (55) (61) 3245 1030/ (55) (61) 3245 6218 J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 2 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradores1. Introdução tico de forma indelével, sendo as recorrências comuns. Têm-se identificado fatores de risco A necessidade de otimizar a conduta nos que precisam ser considerados nas situações deníveis de profilaxia, diagnóstico e tratamento potencialização de sua presença. A profilaxiada TEP origina-se num conjunto de caracte- é muito útil e está hierarquizada nos níveis derísticas próprias dessa pleomórfica e complexa risco. A TEP pode ocorrer em situações de doençacondição. grave, sendo uma complicação que pode ser A TEP é um dos componentes da TEV. A TEV fator contribuinte ou causa eficiente de óbito.é constituída por duas condições inter-relacio- Por outro lado, muitos pacientes vivenciandonadas: a trombose venosa e a TEP. A expressão morbidades que são fatores de risco de TEP nãoaguda básica da TEV é a TVP, e sua complicação morreriam pela doença de base não fosse a ocor-aguda potencialmente fatal é a TEP aguda. A rência de TEP. Na prática de várias especialidadesTVP pode evoluir cronicamente, com o quadro clinicas e cirúrgicas, podem ocorrer episódios dede síndrome pós-flebítica, e a TEP pode evoluir TEP, mas os médicos individualmente acabamcronicamente com o desenvolvimento de HPTC. acompanhando poucos casos, o que é insufi- A ocorrência de TEP é uma situação clínica ciente para formar uma experiência sólida paracomum, de alta prevalência relativa em faixas manejar a situação quando ela ocorrer. Comomais altas de idade e em ambiente hospi- não há um quadro clínico específico de TEP,talar. Suas manifestações clínicas podem ser faz-se necessário um alto grau de suspeição.(1,2)inaparentes, dissimuladas ou sugestivas. Pode A extensão do evento tromboembólico foiser um achado incidental, uma complicação inicialmente avaliada em termos anatômicos porde alta morbidez ou levar a morte súbita. Na meio da cintilografia perfusional ou da angio-TEP, os óbitos ocorrem precocemente. Não é grafia pulmonar por cateter pulmonar. A TEPuma condição de diagnóstico clinico, exigindo maciça corresponde à obstrução de pelo menosconfirmação objetiva com recursos nem sempre duas artérias lobares ou mais de 50% da perfusãodisponíveis nos lugares em que ocorrem. O diag- pulmonar, e a TEP submaciça corresponde ànóstico correto e o tratamento imediato fazem obstrução de pelo menos uma artéria segmentardiferença na mortalidade. A morte por TEP não e extensão menor do que duas artérias lobaresé comum quando é instituído tratamento para ou menos de 50% da perfusão.prevenir a recorrência imediata. A terapia com Considerando-se que a repercussão da TEPanticoagulantes e trombolíticos oferece risco aguda depende da carga embólica e da condiçãoaos pacientes e exige cuidados específicos. O cardiopulmonar subjacente do paciente, atual-tratamento prolonga-se bem além do processo mente têm-se valorizado mais as implicações doinicial e mesmo depois de desaparecerem os ponto de vista funcional; sendo assim, a TEP deefeitos ostensivos. A ocorrência de um episódio risco alto ou maciça é aquela que se acompanhatromboembólico vincula o paciente ao diagnós- de colapso circulatório (hipotensão e choque); aQuadro 1 - Lista de abreviaturas. Angio-RM: angiorressonância magnética PIOPED: Prospective Investigation of Pulmonary Embolism DiagnosisAngio-TC: angiotomografia computadorizada RNI: razão normatizada internacionalANVISA: Agência Nacional de Vigilância Sanitária rtPA: recombinant tissue plasminogen activatorAVK: antagonistas da vitamina K SNC: sistema nervoso centralAVC: acidente vascular cerebral TEP: tromboembolia pulmonarCPI: compressão pneumática intermitente TEV: tromboembolia venosaDVD: disfunção ventricular direita TIH: trombocitopenia induzida por heparinaECG: eletrocardiograma TTPa: tempo de tromboplastina parcial ativadaFVCI: filtro de veia cava inferior TVP: trombose venosa profundaHBPM: heparina de baixo peso molecular VD: ventrículo direitoHNF: heparina não fracionada VE: ventrículo esquerdoHPTC: hipertensão pulmonar tromboembólica crônica VPN: valor preditivo negativoIAM: infarto agudo do miocárdio VPP: valor preditivo positivoMECG: meias elásticas de compressão graduadaJ Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 3Quadro 2 - Classificação quanto aos níveis de evidência. Níveisa Características Ia Meta-análise, ECR ou revisões sistemáticas com muito baixo potencial de viés. Ib Meta-análise, ECR ou revisões sistemáticas com baixo potencial de viés Ic Meta-análise, ECR ou revisões sistemáticas com alto risco de viés IIa Meta-análise de estudos de coorte e de caso-controle ou estudos de coorte e de caso-controle com baixo risco de viés e alta probabilidade de relação causal IIb Estudos de coorte ou de caso-controle com baixo risco de viés e moderada probabilidade de relação causal IIc Estudos de coorte ou de caso-controle com alto risco de viés III Estudos descritivos não analíticos (relatos e série de casos) IV Pareceres e experiência pessoal de autoridadesECR: ensaio clínico randomizado. aAdaptado de estudos anteriores,(6,7) conforme a seguir: 1++ = Ia; 1+ = IB; 1− = Ic; eassim sucessivamente.TEP de risco intermediário ou submaciça é a que material, o grupo editorial procurou padronizarapresenta sobrecarga do coração direito, preser- os textos, os níveis de evidência e os graus devando a circulação sistêmica; e a TEP de risco recomendação. Por fim, houve a discussão dobaixo é a focal, subpleural, sem comprometi- documento final por um grupo de especialistasmento significativo das circulações pulmonar e para dirimir eventuais dúvidas.sistêmica. No estudo PIOPED, em 117 pacientes Fornecemos uma lista de abreviaturas dossem doença cardíaca ou pulmonar de base, 65% termos recorrentes neste documento (Quadro 1).dos eventos de TEP aguda foram de extensão Na elaboração dessas considerações, utilizou-senão maciça, 22% foram de eventos com reper- a classificação de níveis de evidência e graus decussão submaciça, e 8% foram de apresentação recomendação semelhantes à Diretriz Britânicamaciça.(3-5) para Manejo da Suspeita de Tromboembolia A metodologia do presente documento Pulmonar Aguda (Quadros 2 e 3).(6-8)ocorreu da seguinte forma. Foi elaborada,pelos organizadores, uma lista de tópicos Referênciasessenciais, os quais foram distribuídos para 1. Alpert JS, Dalen JE. Epidemiology and natural historypneumologistas de reconhecida experiência no of venous thromboembolism. Prog Cardiovasc Dis.tema, visando a elaboração de um texto preli- 1994;36(6):417-22. 2. Dalen JE. Pulmonary embolism: what have we learnedminar. Recomendou-se que fosse utilizada uma since Virchow? Natural history, pathophysiology, andbibliografia atualizada (selecionada a partir de diagnosis. Chest. 2002;122(4):1440-56.Medline, SciELO Brasil e LILACS, sobretudo dos 3. Urokinase pulmonary embolism trial. Phase 1 results: a cooperative study. JAMA. 1970;214(12):2163-72.últimos cinco anos) e com a melhor evidência 4. Urokinase-streptokinase embolism trial. Phase 2 results.disponível (ensaios clínicos, meta-análises e A cooperative study. JAMA. 1974;229(12):1606-13.revisões sistemáticas). Após a reunião de todo 5. Value of the ventilation/perfusion scan in acute pulmonary embolism. Results of the prospective investigation of pulmonary embolism diagnosis (PIOPED). The PIOPED Investigators. JAMA. 1990;263(20):2753-9.Quadro 3 - Classificação quanto aos graus de 6. British Thoracic Society Standards of Care Committeerecomendação. Pulmonary Embolism Guideline Development Group. Graus Características British Thoracic Society guidelines for the management of suspected acute pulmonary embolism. Thorax. A Uma meta-análise ou ECR nível Ia ou um 2003;58(6):470-83. conjunto de nível Ib 7. Harbour R, Miller J. A new system for grading B Nível IIa ou extrapolação de estudos Ia ou Ib recommendations in evidence based guidelines. BMJ. C Nível IIb ou extrapolação de estudos IIa 2001;323(7308):334-6. 8. Knottnerus JA, van Weel C, Muris JW. Evaluation of D Níveis III, IV ou extrapolação de estudos IIb diagnostic procedures. BMJ. 2002;324(7335):477-80.ECR: ensaio clínico randomizado. Erratum in: BMJ. 2002;324(7350):1391.8. J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 4 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradores2. Epidemiologia Não há um consenso em relação à preva- Devido ao seu quadro clínico multiface- lência de TEP entre os sexos. Alguns autorestado e à sua natureza muitas vezes silenciosa, a relatam uma prevalência de TEP de 20-30%TEP é uma doença ainda enigmática do ponto maior entre homens, independentemente dade vista epidemiológico. Os dados da literatura raça e da idade; outros relatam uma prevalênciasão provenientes de prontuários hospitalares, maior entre mulheres; e outros não observaramde atestados de óbito e/ou de autópsias, e seus nenhuma diferença significativa.(2,15-19) Variaçõesresultados são díspares, uma vez que tanto sazonais interferindo com o número de casos deepisódios ocorridos fora do ambiente hospitalar TEP é ainda um ponto controverso.(13)quanto os não diagnosticados clinicamente não Provavelmente devido à melhora dos recursospodem ser detectados e, consequentemente, diagnósticos, da profilaxia e do tratamento, acomputados. Portanto, a incidência real da TEP, prevalência mensurável e a mortalidade poristo é, sua incidência populacional, está prova- TEP têm diminuindo nas últimas décadas. Nosvelmente sendo subestimada. EUA, estima-se que cerca de 50-100 mil pessoas Nos EUA, estima-se que a TEV acomete cerca morram anualmente de TEP, e dados compi-de 100 pessoas para cada 100.000 habitantes, lados de atestados de óbito revelam que a TEPsendo que um terço desses pacientes apre- é responsável por aproximadamente um terço das doenças associadas ao óbito.(16,17) Os resul-senta TEP, e dois terços apresentam TVP, com tados do PIOPED(17,18) mostram que, três mesesmortalidade no primeiro mês após o episódio após o diagnóstico de TEP, há cerca de 15%de, respectivamente, 12% e 6%.(1) Dados de de casos fatais; porém, desses, apenas 10% doshospitais americanos revelam a incidência de óbitos são diretamente atribuídos à TEP. UmTEP em 1 caso por 1.000 pessoas por ano ou grupo de autores(10) observou uma redução de200.000-300.000 hospitalizações por ano.(1) 30% na mortalidade de TEP no período entre Os estudos sobre a epidemiologia de TEP no 1979 e 1998, fenômeno também encontrado naBrasil são raros, todos com dados de autópsias, população idosa, que tem elevada prevalência dae mostram que, nessas condições, a prevalência doença.(20)de TEP varia de 3,9% a 16,6%.(1-7) Esses resul- No Brasil, os trabalhos de um grupo detados são similares a estudos nos EUA, nos quais autores,(4,12) um deles envolvendo uma série dea prevalência de TEP varia de 3,4% a 14,8%, 544 autópsias de indivíduos com TEP, realizadosenquanto que na Ásia essa prevalência é menor, entre 1979 e 2000, revelaram uma redução devariando de 2,0% a 4,7%.(8-11) 0,8% na prevalência e de 3,5% nos casos de TEP A TEP aguda ocorre predominantemente fatal, reforçando os achados de vários outrosem pacientes acima da meia-idade, havendo autores de que a prevalência e a mortalidade porum aumento quase linear na prevalência com a TEP estão diminuindo.idade.(10-12) Entretanto, um grupo de autores,(13) Entretanto, deve-se salientar que diversosem um estudo na população geral, mostrou estudos de autópsias não selecionadas e reali-que o aumento linear da incidência de TEP de zadas em hospitais gerais, utilizando-se técnicasacordo com a idade ocorre aproximadamente rígidas e sistemáticas, mostram que a taxa deaté os 65 anos, havendo a seguir uma queda TEP sem suspeita clínica antes do óbito é aindabrusca nessa incidência, possivelmente devido à muito elevada — variando de 67% a 91% —baixa acurácia de diagnóstico de TEP nos indi- apesar da melhoria dos recursos diagnósticos evíduos mais idosos. Alguns estudos mostraram do aumento dos conhecimentos sobre a doença.que, entre pacientes com TEP diagnosticada em Essa taxa elevada de subdiagnóstico é provavel-vida, mais da metade tinha entre 65 e 85 anos mente um marcante reflexo da alta mortalidadede idade, enquanto apenas 5% tinham menos da TEP quando seu diagnóstico é esquecido e,de 24 anos.(3,14) É provável, conforme observado portanto, ela não é tratada.(4,5,13,21)por alguns autores(2) em um estudo baseado em Por razões ainda não elucidadas, em negros,dados hospitalares, que o aumento quase expo- a taxa de mortalidade por TEP, ajustada para anencial da incidência de TEP com a idade seja idade, é cerca de 50% maior do que em brancos e,devido ao aumento concomitante do número nesses, essa taxa é 50% maior do que em outrasdos fatores de risco. raças (asiáticos, índios americanos, etc.).(10) EssasJ Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 5diferenças têm explicações em geral complexas autopsy patients: comparison with Caucasian series.e, às vezes, presuntivas, que incluem as influ- Pathology. 1997;29(3):263-6. 10. Horlander KT, Mannino DM, Leeper KV. Pulmonaryências ambientais, o estilo de vida, dietas e a embolism mortality in the United States, 1979-1998: angenética. Nos asiáticos, a baixa prevalência de analysis using multiple-cause mortality data. Arch InternTEP está associada à menor frequência de traços Med. 2003;163(14):1711-7.trombofílicos, como o fator V Leiden e o baixo 11. Gillum RF. Pulmonary embolism and thrombophlebitis in the United States, 1970-1985. Am Heart J.nível sérico de fibrinogênio e dos fatores VIIc e 1987;114(5):1262-4.VIIIc; outra variante genética trombofílica, como 12. Yoo HH, De Paiva SA, Silveira LV, Queluz TT. Logistico gene G20210A da trombina, que é associada regression analysis of potential prognostic factors forao aumento da protrombina plasmática, pode pulmonary thromboembolism. Chest. 2003;123(3):813- 21.ser menos frequente em asiáticos.(22,23) 13. Giuntini C, Di Ricco G, Marini C, Melillo E, Palla A. Pulmonary embolism: epidemiology. Chest. 1995;107(1Referências Suppl):3S-9S. 14. Ferrari E, Baudouy M, Cerboni P, Tibi T, Guigner 1. White RH. The epidemiology of venous thromboembolism. A, Leonetti J, et al. Clinical epidemiology of venous Circulation. 2003;107(23 Suppl 1):I4-8. thromboembolic disease. Results of a French Multicentre 2. Anderson FA Jr, Wheeler HB, Goldberg RJ, Hosmer DW, Registry. Eur Heart J. 1997;18(4):685-91. Patwardhan NA, Jovanovic B, et al. A population-based 15. Talbot S. Epidemiological features of pulmonary perspective of the hospital incidence and case- embolism. Br J Clin Pract. 1972;26(6):257-62. fatality rates of deep vein thrombosis and pulmonary 16. Clagett GP, Anderson FA Jr, Geerts W, Heit JA, embolism. The Worcester DVT Study. Arch Intern Med. Knudson M, Lieberman JR, et al. Prevention of venous 1991;151(5):933-8. thromboembolism. Chest. 1998;114(5 Suppl):531S- 3. Silverstein MD, Heit JA, Mohr DN, Petterson TM, 560S. O’Fallon WM, Melton LJ 3rd. Trends in the incidence 17. Heit JA, Silverstein MD, Mohr DN, Petterson TM, of deep vein thrombosis and pulmonary embolism: a O’Fallon WM, Melton LJ 3rd. Predictors of survival 25-year population-based study. Arch Intern Med. after deep vein thrombosis and pulmonary embolism: 1998;158(6):585-93. a population-based, cohort study. Arch Intern Med. 4. Yoo HH, Mendes FG, Alem CE, Fabro AT, Corrente JE, 1999;159(5):445-53. Queluz TT. Clinicopathological findings in pulmonary 18. Carson JL, Kelley MA, Duff A, Weg JG, Fulkerson WJ, thromboembolism: a 24-year autopsy study. J Bras Palevsky HI, et al. The clinical course of pulmonary Pneumol. 2004;30(5):426-32. embolism. N Engl J Med. 1992;326(19):1240-5. 5. Menna-Barreto S, Cerski MR, Gazzana MB, Stefani 19. Stein PD, Huang H, Afzal A, Noor HA. Incidence of acute SD, Rossi R. Tromboembolia pulmonar em necropsias pulmonary embolism in a general hospital: relation to no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, 1985-1995. J age, sex, and race. Chest. 1999;116(4):909-13. Pneumol. 1997;23(3):131-6. 20. Lilienfeld DE. Decreasing mortality from pulmonary 6. Amary J, Coli Jr DF, Pereira M, Bailone S. Embolismo embolism in the United States, 1979-1996. Int J pulmonar - levantamento em 13500 necrópsias. Arq Epidemiol. 2000;29(3):465-9. Hosp Santa Casa S Paulo. 1974;20:143-7. 21. Karwinski B, Svendsen E. Comparison of clinical and 7. Maffei FH, Faleiros AT, Venezian CA, Franco MF. postmortem diagnosis of pulmonary embolism. J Clin Contribuição ao estudo da incidência e anatomia Pathol. 1989;42(2):135-9. patológica do tromboembolismo pulmonar em autópsias. 22. Stein PD, Kayali F, Olson RE, Milford CE. Pulmonary Rev Assoc Med Bras. 1980;26:7-9. thromboembolism in Asians/Pacific Islanders in the 8. Chau KY, Yuen ST, Ng TH, Ng WF. An autopsy study United States: analysis of data from the National of pulmonary thromboembolism in Hong Kong Chinese. Hospital Discharge Survey and the United States Bureau Pathology. 1991;23(3):181-4. of the Census. Am J Med. 2004;116(7):435-42. 9. Chau KY, Yuen ST, Wong MP. Clinicopathological 23. Klatsky AL, Baer D. What protects Asians from venous pattern of pulmonary thromboembolism in Chinese thromboembolism? Am J Med. 2004;116(7):493-5. J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 6 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradores3. História natural de seis de aplicações) e repouso na cama por 10 dias, a pesquisa só incluiu casos muito graves A TEP é uma afecção comum, com alta (diagnóstico clínico, radiológico e eletrocardio-mortalidade, que requer tratamento de longo gráfico), mas demonstrou cabalmente que a faltaprazo e pode ser associada a uma considerável de tratamento estava associada à mortalidade eiatrogenia, cujo diagnóstico de certeza é caro à recidiva inaceitáveis, o que tornou antiético ae não disponível em muitos hospitais. Assim, falta de tratamento. Essa conclusão é seguidao conhecimento preciso da história natural de até hoje e inclui a TEP diagnosticada acidental-TEP é importante, pois permitiria tomar decisões mente, e provavelmente não será modificada alógicas, evitando riscos e custos desnecessários. curto prazo.(3)Entretanto, os dados disponíveis são escassos Entretanto, algumas informações são rele-por serem múltiplos os fatores que dificultam vantes, como a pesquisa a respeito de pacientessua avaliação e que serão analisados a seguir. submetidos à angiografia pulmonar por suspeita de TEP e não diagnosticada inicialmente porAfecção da circulação venosa esse exame. Portanto, esses pacientes não foram A relação das várias formas de TVP com tratados. A revisão dos exames, entretanto,a TEP é tão estreita que se justifica a adoção demonstrou TEP em 20 pacientes, dos quaisdo termo TEP para designar a afecção, sendo só 1 apresentou evidência de recidiva de TEP.(4)quase impossível separar a história natural da Esses dados devem ser vistos com cautela, poisTEP daquela de TVP, sendo a probabilidade de se tratava de TEP de pequena magnitude.recidiva de TVP o aspecto crucial para a história Outros autores(5) realizaram uma interes-natural de TEP. Até certo ponto, a história sante pesquisa envolvendo 87 pacientes comnatural de TVP e de TEP é dependente do tempo TVP confirmada por venografia e com fatores dede seguimento, o que dificulta a comparação risco presentes em 69%. Inicialmente, o mapea-entre várias séries. mento pulmonar era normal em todos, e MECG Os êmbolos sanguíneos são os mais comuns. foram usadas por todos. Dividiu-se a amostraEles quase sempre têm origem nas veias mais em dois grupos: 46 pacientes foram tratadosproximais dos membros inferiores, sendo admi- com heparina e anticoagulante oral, e 41 nãotido que os mais distais praticamente nunca receberam esse tratamento. Na evolução, a taxaembolizam para os pulmões. Entretanto, cerca de de progressão dos trombos nos membros infe-um quarto das tromboses mais distais evoluem riores foi semelhante nos dois grupos. Os autorespara as veias proximais em poucos dias ou até em concluíram que o tratamento com anticoagu-horas.(1) Outras sedes venosas de êmbolos geral- lante não tinham importância no prognóstico demente estão associadas a trombofilias. Assim, é pacientes com TVP de membros inferiores.presumível que a história natural dessas condições Por outro lado, a diferença de prognósticoseja diferente da história natural das provenientes relacionada ao tratamento de TEP, deduzida pordas veias proximais de membros inferiores. dois autores,(6) é extraordinária (mortalidade de 30% e 8%, respectivamente, nos pacientes nãoTratamento obrigatório tratados e naqueles tratados que sobreviveram por mais de uma hora), como também o é o Em 1960, foi publicado o trabalho que achado de embolia prévia pouco significativaaté hoje baliza o tratamento de TEP aguda.(2) em pacientes que faleceram com TEP aguda.Dois autores observaram que, em 19 pacientes Há ainda outro aspecto conflitante: a enormenão tratados, ocorreram 5 óbitos, dos quais 3 proporção de TEP assintomática (até 50%) emcom processos embólicos pulmonares graves, e pacientes com TVP aguda.(7)5 recorrências. Entre os 16 pacientes tratadoscom heparina, não foi observado nenhum desses Causas predisponenteseventos, o que estava de acordo com a litera-tura até então disponível e que incluía cerca de Numerosas são as causas predisponentes,1.000 pacientes tratados. A pesquisa continuou sendo comum a existência de mais de um fator;com a inclusão de mais 38 pacientes tratados, o risco é cumulativo e não independente. Emnão ocorrendo nenhum óbito por TEP. Apesar muitos pacientes, a TEP é aparentemente umde aspectos não aceitos atualmente, como a evento isolado, mas as pesquisas demonstramadministração insuficiente da heparina (seis que a incidência de neoplasia oculta e só reve-doses de 10.000 UI a cada 6 h, em um total lada meses após é maior que na populaçãoJ Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 7normal.(8-10) Em um trabalho realizado há anos, observado principalmente em cardiopatas. Emdemonstrou-se que a recidiva de TEP era maior uma meta-análise recente envolvendo mais denos pacientes sem fatores de risco evidentes, 200 pacientes com o diagnóstico de TEP, revelou-e levantou-se a hipótese de que, na realidade, se que 87%, 68%, 65%, 57% e 52% dos pacientes,esses pacientes apresentavam uma condição respectivamente, apresentavam uma involuçãopredisponente não reconhecida, como se sabe incompleta da obstrução arterial pulmonar em 8hoje, como por exemplo, trombofilias. Assim, dias, 6 semanas, 3 meses, 6 meses e 1 ano.(12) Afica claro que a história natural é influenciada não normalização do fluxo pode estar associadaprofundamente pelas causas predisponentes, a perdas funcionais importantes e influenciar oque, quando transitórias, estão associadas a prognóstico de novas embolias, além de dificultarum excelente prognóstico. Na repetição dos o diagnóstico de recidivas. A recuperação inte-episódios, é fundamental pesquisar as causas gral do endotélio das artérias pulmonares e daspredisponentes permanentes, como neoplasias veias de origem do êmbolo provavelmente estáocultas e trombofilias. associada a um melhor prognóstico, mas não há evidência indiscutível que confirme essa possibili-Doenças associadas dade. Portanto, além de influenciar o prognóstico imediato, é possível que o tratamento da fase Além das condições predisponentes, outras aguda possa modificá-lo a longo prazo.condições obrigam o paciente a permanecer noleito, e, portanto, têm grande influência na repe-tição dos episódios de TEP e no prognóstico em Referênciasrelação à sobrevida. Assim, nem sempre é fácil 1. Kakkar VV, Howe CT, Flanc C, Clarke MB. Naturalclassificar um óbito por repetição de TEP ou history of postoperative deep-vein thrombosis. Lancet.pela doença de base, podendo a dúvida persistir 1969;2(7614):230-2. 2. Barrit DW, Jordan SC. Anticoagulant drugs in themesmo em pacientes autopsiados. treatment of pulmonary embolism. A controlled trial. Lancet. 1960;1(7138):1309-12.Apresentação clínica 3. Sebastian AJ, Paddon AJ. Clinically unsuspected pulmonary embolism--an important secondary finding Admite-se que a formação de êmbolos e in oncology CT. Clin Radiol. 2006;61(1):81-5. 4. Stein PD, Henry JW, Relyea B. Untreated patients withsua lise sejam comuns em indivíduos normais e pulmonary embolism. Outcome, clinical, and laboratoryque o rompimento deste equilíbrio é o determi- assessment. Chest. 1995;107(4):931-5.nante primário da TEP. O quadro clínico é muito 5. Nielsen HK, Husted SE, Krusell LR, Fasting H, Charlesvariável, podendo ocorrer o óbito em poucos P, Hansen HH. Silent pulmonary embolism in patients with deep venous thrombosis. Incidence and fate in aminutos ou passar despercebido, sendo interme- randomized, controlled trial of anticoagulation versusdiário na maior parte dos casos.(6) no anticoagulation. J Intern Med. 1994;235(5):457-61. A influência do tamanho do êmbolo e das 6. Dalen JE, Alpert JS. Natural history of pulmonarydoenças associadas é fundamental no prog- embolism. Prog Cardiovasc Dis. 1975;17(4):259-70. 7. Meignan M, Rosso J, Gauthier H, Brunengo F, Claudelnóstico imediato, sendo, por exemplo, pior nos S, Sagnard L, et al. Systematic lung scans reveal a highgrandes êmbolos e nos portadores de cardiopatias frequency of silent pulmonary embolism in patientsou pneumopatias prévias graves. É possível que with proximal deep venous thrombosis. Arch Internêmbolos de pequeno tamanho em indivíduos sem Med. 2000;160(2):159-64. 8. Prandoni P, Lensing AW, Büller HR, Cogo A, Prins MH,doença concomitante grave estejam associados à Cattelan AM, et al. Deep-vein thrombosis and theTEP pouco ou nada sintomáticas e cujo prog- incidence of subsequent symptomatic cancer. N Engl Jnóstico seria muito melhor na fase aguda, com Med. 1992;327(16):1128-33.probabilidade quase nula em relação à recidiva. 9. Monreal M, Casals A, Boix J, Olazabal A, Montserrat E, Mundo MR. Occult cancer in patients with acute pulmonary embolism. A prospective study. Chest.Influência do tratamento e da integridade 1993;103(3):816-9.do endotélio após o evento inicial 10. Morrone N, Dourado AM, Pereira CA, Mendes ES, Saito M. Recorrência em embolia pulmonar: fatores A evolução do êmbolo pulmonar é muito determinantes. Ação profilática de anticoagulante oral e da heparina subcutânea. J Pneumol. 1982;8(3):141-5.variável com o tratamento com heparina ou fibri- 11. The urokinase pulmonary embolism trial. Anolítico, podendo ocorrer lise, fragmentação ou national cooperative study. Circulation. 1973;47(2recanalização em 24 h, como observado em 8% Suppl):II1-108. 12. Nijkeuter M, Hovens MM, Davidson BL, Huisman MV.dos pacientes em um estudo.(11) Há o restabele- Resolution of thromboemboli in patients with acutecimento do fluxo sanguíneo em 3 meses em ¾ pulmonary embolism: a systematic review. Chest.dos pacientes, mas isso pode não ocorrer, como 2006;129(1):192-7. J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 8 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradores4. Fatores de risco lino, talvez por um maior acúmulo relativo de comorbidades).(5-8) A fisiopatologia da trombose intravas- Existem diversas entidades de trombofi-cular, descrita desde o século XIX por Rudolph lias herdadas e faltam estudos epidemiológicosVirchow, envolve três principais mecanismos: nacionais que mostrem a representatividadeestase venosa, dano local da parede vascular desses em nosso país. Números obtidos na lite-(endotelial) e hipercoagulabilidade (ou trombo- ratura internacional sugerem que até 30% dosfilia).(1) A estase permitiria que fatores ativados casos de TEV poderiam estar ligados às predispo-da coagulação constantemente gerados na sições genéticas, principalmente em associaçãocirculação sanguínea permanecessem concen- a fatores de risco adquiridos.(9,10)trados e em contato continuado com o endotélio A mutação do fator V Leiden causa resistênciavascular. Já o dano endotelial presumivelmente para os efeitos anticoagulantes da proteína Cliberaria fatores pró-coagulantes do subendo- ativada. O estado heterozigoto parece aumentartélio que, ao interagir com vias fibrinolíticas a chance de TEV durante a vida em 2-8 vezes,anormais (adquiridas ou herdadas), resultariam enquanto o risco entre homozigotos é esti-no trombo vascular. Condições adquiridas ou mado em 30-80 vezes, se comparado com o daherdadas podem, de forma independente ou população em geral.(11) A protrombina variantecombinada, interagir e causar um distúrbio no G20210A determina a superprodução desse fatordelicado balanço da homeostase coagulatória, de coagulação, e, portanto, ocorre uma maiorfacilitando a trombose ao invés da manutenção geração de trombina e um risco para TEV deda fluidez sanguínea. Nas ultimas décadas, uma 2-5 vezes (heterozigoto) e de 10-20 vezes (homo-ampla variedade de fatores de risco foram iden- zigoto). A deficiência de antitrombina, proteínatificados, todos derivados de alguma forma dos C e proteína S também é responsável por umamecanismos básicos descritos por Virchow. A parcela menor de casos de TEV (Quadro 5).(12)chamada TEV seria, portanto, o resultado de uma Trombofilias adquiridas são condições predis-interação multifacetada de algumas caracterís- ponentes para a trombose de forma não herdadaticas presentes numa determinada oportunidade e são muito variadas. O risco em portadores denum individuo. As características clínicas indi- malignidade é de 2-20 vezes maior se compa-viduais que resultam nos estados trombofílicos, rado ao da população geral de semelhante idadesejam do âmbito genético (herdados) ou adqui- e sexo, devido à produção de substâncias comridos (resultantes de traumas com a liberação atividade pró-coagulantes, especialmente emde substâncias protrombóticas na circulação tumores do tipo adenocarcinoma (produtoressanguínea), interagem temporalmente com de mucina).(13) Esse risco pode ser potenciali-situações de imobilizações.(2) A importância do zado pela associação com outras característicasdevido reconhecimento dos fatores de risco relacionadas, como a invasão ou a compressãodessa doença está na possibilidade de prevenção venosa, a imobilização prolongada (por doença(tromboprofilaxia), que é sabidamente mais neoplásica ou intercorrências terapêuticas clinicasfácil e menos dispendiosa do que diagnosticá- ou cirúrgicas) e a utilização de determinadosla ou tratá-la. Estima-se que cerca de 80% dos regimes quimioterápicos ou medicamentosospacientes que desenvolvem TEV têm algum (tamoxifeno, asparaginase, etc.). A maioria dosfator de risco identificável que poderia ter sido casos de malignidade relacionada com eventosabordado precocemente.(3) Consensos recentes tromboembólicos é clinicamente aparente;sugerem que a forma e a intensidade da trom- entretanto, a TEV pode preceder o diagnósticoboprofilaxia sejam moduladas pela avaliação da malignidade (oculta) em até alguns meses.(14)cumulativa de fatores de risco protrombóticos Doenças mieloproliferativas (especialmente poli-(Quadro 4).(4) citemia vera e trombocitopenia essencial) podem Fatores de risco intrínsecos do individuo e apresentar hiperviscosidade, amplificando essenão modificáveis são a idade (o risco aumenta risco.(15) Anticorpos antifosfolípides, incluindoexponencialmente) e talvez o gênero (maior o anticorpo anticardiolipina e o anticoagulanteem pessoas do sexo feminino durante os anos lúpico, são um grupo heterogêneo de imuno-reprodutivos, enquanto a incidência na terceira globulinas direcionadas contra complexosidade parece ser superior no sexo mascu- proteína-fosfolipídeo, capazes, nessa interação,J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 9Quadro 4 - Fatores de risco para TEV.a Fatores de risco maiores (risco relativo entre 5 e 20) Cirúrgicos • Cirurgia abdominal ou pélvica de grande porte • Prótese de quadril ou joelho • Necessidade de UTI no pós-operatório • Politraumatismo/trauma medular Obstétricos • Gravidez a termo • Parto cesáreo • Puerpério Problemas em membros inferiores • Fratura • AVC com paralisia de membros Malignidade • Neoplasia abdominal ou pélvica • Doença avançada/metastática • Quimioterapia Imobilidade (> 3 dias ) • Hospitalização • Institucionalização Trombofilias • Deficiência de antitrombina • Deficiência de proteína C • Deficiência de proteína S • Síndrome antifosfolipídeo • Homozigose para fator V Leiden • Homozigose para mutação do gene da protrombina Outros • Evento embólico prévio Fatores de risco menores (risco relativo entre 2 e 4) Cardiovasculares • Doenças cardíacas congênitas • Insuficiência cardíaca congestiva • Idade • Tromboflebite superficial/varizes • Cateter venoso central Estrogênios • Anticoncepcional oral • Terapia de reposição hormonal Trombofilias • Heterozigose para fator V Leiden • Heterozigose para mutação do gene da protrombina • Hiper-homocisteinemia Outros • Exacerbação da DPOC • Deficiências neurológicas • Doença maligna oculta • Viagens prolongadas • Obesidade • Cirurgia por laparoscopia (por ex., colecistectomia)a Adaptado de estudo anterior.(4) Na presença de profilaxia o risco relativo diminui.de inibir as vias anticoagulantes naturais ou tissular, liberando tromboplastinas circulantes.ativar o endotélio.(16) A hiper-homocisteinemia Cirurgias em geral resultam em um aumento do(variadas causas) também foi descrita como risco relativo, estratificável em relação à idade,um fator independente de TEV, sendo esti- tipo de procedimento, presença de malignidademada, em uma meta-análise, de aumentar o e coexistência de trombofilias hereditárias.(5,13,17)risco em até 3 vezes.(15) O risco trombótico é Devido ao seu uso disseminado, contraceptivosclaramente aumentado em qualquer forma de orais são a mais importante causa de trombosetrauma importante, inclusive cirúrgico, ainda em mulheres jovens (relacionada sobretudomais se envolver o território de uma veia de ao conteúdo estrogênico e aos novos proges-grande calibre e resultar em um extenso dano tágenos), sendo o risco crescente dentro dos J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 10 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e ColaboradoresQuadro 5 - Doenças trombofílicas herdadas comuns.a Doenças Prevalência Frequência em Risco relativo de pacientes com TEV primeiro episódio TEVFator V Leiden (heterozigotos) 18,8% 7Branco 4,8%Africano ou asiático 0,05%Fator V Leiden (homozigotos) 0,02% -- 80Variante protrombina g20210A 7,1 2,8Branco 2,7% -- --Africano ou asiático 0,06% -- --Deficiência de antitrombina III 0,02% 1,9% 20Deficiência proteína C 0,2 – 0,4% 3,7% 6,5Deficiência proteína S 0,003% 2,3% 5,0Hiper-homocisteinemia (>18.5 μmol/L) 5 a 7% 10% 2,95a Adaptado do estudo de Perry e Ortel.(15)primeiros 4 meses do inicio da terapia e não contraceptivos orais, idade, fator V Leiden, etc.),se alterando pela duração de uso, e redu- amplificando seus efeitos no risco de TEV.(10,23)zindo ao nível basal dentro de 4 meses após Não há consenso na literatura com relação aoa interrupção do uso. Estudos observacionais papel dos fatores cardiovasculares de risco paraestabeleceram que o uso corrente de terapia de doença arterial (tabagismo, hipertensão, diabetereposição hormonal, mesmo com uma menor melito, dislipidemia) em relação à TEV.(24)concentração estrogênica do que contracep- Fatores de risco para TEV são importantes,tivos orais, também incorre em um aumento pois ajudam na avaliação diagnóstica, inferindodo risco tromboembólico.(18) Da mesma forma, um peso na probabilidade clinica de TEP, e auxi-o estado gestacional e o puerpério aumentam liam no desenho da profilaxia mais adequadao risco relativo de TEV de maneira multifatorial. para cada situação clinica, podendo até definir(2) A imobilização relativa ou absoluta é uma um tratamento de forma e duração distintas paracaracterística intrínseca de hospitalização, e cada problema.(25) Não há consenso na literaturaqualquer paciente clínico criticamente enfermo em relação à indicação de exames na suspeitaadmitido e acamado tem um maior risco de TEV. de trombofilia herdada ou adquirida inaparente(19-21) Viagens prolongadas (“síndrome da classe (hiper-homocisteinemia, anticoagulante lúpico,econômica”) têm como a duração média da etc.), mas se sugere avaliar as seguintes situa-imobilização um importante fator contribuinte. ções (D):(20) Doenças neurológicas, incluindo paresia ou • TEV antes da sexta década (< 50 anos)plegias, também causam imobilização. A insu- • História de TEV sem causa aparente ouficiência cardíaca congestiva comporta-se como recorrenteum “estado de hipercoagulabilidade” que pode • Evento trombótico em sitio incomumresultar em trombo intracardíaco e TEV, sendo (membro superior, etc.)que o maior risco de TEV seria maior naqueles • História familiar de TEV, principalmentepacientes com falência ventricular direita (com em jovensedema periférico).(21) Episódios prévios de TEV são Testar indivíduos para a trombofilia comum importante fator de risco para TEV, podendo exames laboratoriais sofisticados é muito dispen-conferir um risco relativo de até 8 vezes para dioso, sendo que mesmo no selecionado grupoa sua recorrência.(22,23) Episódios de trombose assinalado acima, alguns autores(8) propõemprévios que ocorreram na ausência de fatores que se avaliem exclusivamente o fator V Leidende risco identificáveis (trombose idiopática) ou e a variante protrombínica — pela importânciaem associação com fatores de risco permanentes de sua prevalência nos estudos disponíveis —(câncer, etc.), têm uma chance de recorrência hiper-homocisteinemia — pela possibilidade demaior do que aqueles relacionados com riscos tratamento vitamínico — e anticorpos antifos-efêmeros (imobilização, uso de contraceptivos folípides — pela importância na manutenção daorais, etc.). A obesidade parece interagir com intensidade e da duração do tratamento preven-fatores de risco definidos (gestação, uso de tivo.(D)J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 11Referências 13. Heit JA, Silverstein MD, Mohr DN, Petterson TM, O’Fallon WM, Melton LJ 3rd. Risk factors for deep vein thrombosis 1. Virchow RL. Gesammelte Abhandlungen zur and pulmonary embolism: a population-based case- wissenschaftlichen Medicin. Frankfurt: Meidinger Sohn; control study. Arch Intern Med. 2000;160(6):809-15. 1856. 14. Nordström M, Lindblad B, Anderson H, Bergqvist 2. Heit JA. Risk factors for venous thromboembolism. Clin D, Kjellström T. Deep venous thrombosis and Chest Med. 2003;24(1):1-12. occult malignancy: an epidemiological study. BMJ. 3. Bertina RM. Genetic approach to thrombophilia. Thromb 1994;308(6933):891-4. Haemost. 2001;86(1):92-103. 15. Perry SL, Ortel TL. Clinical and laboratory evaluation of 4. British Thoracic Society Standards of Care Committee thrombophilia. Clin Chest Med. 2003;24(1):153-70. Pulmonary Embolism Guideline Development Group. 16. Roubey RA. Immunology of the antiphospholipid British Thoracic Society guidelines for the management antibody syndrome. Arthritis Rheum. 1996;39(9):1444- of suspected acute pulmonary embolism. Thorax. 54. 2003;58(6):470-83. 17. Rosendaal FR. Risk factors for venous thrombotic 5. Torbicki A, Perrier A, Konstantinides S, Agnelli G, Galiè disease. Thromb Haemost. 1999;82(2):610-9. N, Pruszczyk P, et al. Guidelines on the diagnosis and 18. Gomes MP, Deitcher SR. Risk of venous thromboembolic management of acute pulmonary embolism: the Task disease associated with hormonal contraceptives and Force for the Diagnosis and Management of Acute hormone replacement therapy: a clinical review. Arch Pulmonary Embolism of the European Society of Intern Med. 2004;164(18):1965-76. Cardiology (ESC). Eur Heart J. 2008;29(18):2276-315. 19. Kierkegaard A, Norgren L, Olsson CG, Castenfors J, 6. Silverstein MD, Heit JA, Mohr DN, Petterson TM, Persson G, Persson S. Incidence of deep vein thrombosis O’Fallon WM, Melton LJ 3rd. Trends in the incidence in bedridden non-surgical patients. Acta Med Scand. of deep vein thrombosis and pulmonary embolism: a 1987;222(5):409-14. 25-year population-based study. Arch Intern Med. 20. Lapostolle F, Surget V, Borron SW, Desmaizières M, 1998;158(6):585-93. Sordelet D, Lapandry C, et al. Severe pulmonary 7. Coon WW, Willis PW 3rd, Keller JB. Venous embolism associated with air travel. N Engl J Med. thromboembolism and other venous disease in the 2001;345(11):779-83. Tecumseh community health study. Circulation. 1973;48(4):839-46. 21. Lip GY, Gibbs CR. Does heart failure confer a 8. Goldhaber SZ. Pulmonary embolism. N Engl J Med. hypercoagulable state? Virchow’s triad revisited. J Am 1998;339(2):93-104. Coll Cardiol. 1999;33(5):1424-6. 9. Cogo A, Bernardi E, Prandoni P, Girolami B, Noventa 22. Samama MM. An epidemiologic study of risk factors for F, Simioni P, et al. Acquired risk factors for deep-vein deep vein thrombosis in medical outpatients: the Sirius thrombosis in symptomatic outpatients. Arch Intern study. Arch Intern Med. 2000;160(22):3415-20. Med. 1994;154(2):164-8. 23. Anderson FA Jr, Wheeler HB, Goldberg RJ, Hosmer DW,10. Heit JA, Silverstein MD, Mohr DN, Petterson TM, Lohse Forcier A. The prevalence of risk factors for venous CM, O’Fallon WM, et al. The epidemiology of venous thromboembolism among hospital patients. Arch Intern thromboembolism in the community. Thromb Haemost. Med. 1992;152(8):1660-4. 2001;86(1):452-63. 24. Tsai AW, Cushman M, Rosamond WD, Heckbert SR,11. 11. Riess H. Hereditary and acquired thrombophilia. Polak JF, Folsom AR. Cardiovascular risk factors and In: Konstantinides SV. Contemporary Cardiology: venous thromboembolism incidence: the longitudinal Management of Acute Pulmonary Embolism. 1st ed. investigation of thromboembolism etiology. Arch Intern Totowa (NJ): Humana Press; 2007. p. 187-98. Med. 2002;162(10):1182-9.12. Seligsohn U, Lubetsky A. Genetic susceptibility to venous 25. Wells PS, Ginsberg JS, Anderson DR, Kearon C, Gent thrombosis. N Engl J Med. 2001;344(16):1222-31. M, Turpie AG, et al. Use of a clinical model for safe J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 12 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradores management of patients with suspected pulmonary suspeição. Devemos sempre lembrar a possibi- embolism. Ann Intern Med. 1998;129(12):997-1005. lidade de TEP aguda frente a alguns cenários clínicos: (a) sintomas torácicos agudos na5. Suspeita clínica presença de TVP aguda, antecedentes de TEV, A suspeita clínica de TEP aguda baseia-se na fatores de risco, síncope, pós-operatórios, peri-presença de um quadro clínico compatível e na parto ou puerpério; (b) pacientes criticamenteidentificação de um ou mais fatores de risco. Na enfermos ou com trauma; (c) pacientes commaioria de pacientes com suspeita clínica de TEP taquiarritmias súbitas e inexplicáveis, prin-aguda, essa não será confirmada e o diagnóstico cipalmente se apresentarem fatores de risco;final apontará de uma condição alternativa.(1-3) (d) pacientes com arritmia crônica e que se apre- Não há um quadro clinico específico ou sentam com dor pleurítica e hemoptise súbitas;patognomônico de TEP aguda. As repercussões (e) descompensação inexplicável de insuficiênciafisiopatológicas e as manifestações anatomopa- cardíaca ou de pneumopatia crônica; e (f) paradatológicas — de onde se originam os sintomas e cardiorrespiratória.(5,6)os sinais — dependem das condições prévias do A TVP sintomática está presente em menospulmão e da carga embólica. Indivíduos jovens da metade dos casos confirmados de TVP. Valee sadios podem ter TEP primária sem evidência considerar que, em casos de TVP proximaisclínica ostensiva, e indivíduos idosos e doentes sintomáticas, cerca de 50% dos pacientes têmpodem ter sintomas e sinais de TEP mascarados TEP assintomática; em casos de TEP confir-por uma doença de base. Não obstante, uma mada, cerca de 70% dos pacientes têm TVPsuspeita clínica criteriosa baseia-se na preva- silenciosa.(9,10)lência das apresentações clínicas encontradas No estudo PIOPED, com mais de uma centenaem várias séries de casos documentados de TEP, de pacientes sem doenças cardíacas e pulmo-as quais mostraram que as principais manifes- nares prévias, 65% dos pacientes apresentaramtações clínicas presentes nos episódios agudos um quadro de dor pleurítica ou de hemoptisesubmaciços de TEP são taquipneia (FR no adulto (compatível com edema, hemorragia pulmonar> 20 ciclos/min), dispneia, dor torácica pleurí- e/ou infarto pulmonar), correspondente a TEPtica, taquicardia, apreensão, tosse e hemoptise. não maciça ou a pacientes com risco baixo de(Quadro 6). Episódios maciços em pulmões mortalidade a curto prazo; 22% apresentaramnormais ou submaciços em pulmões com pouca dispneia isolada, correspondente a TEP subma-reserva cardiorrespiratória podem apresentar um ciça ou a pacientes com risco intermediário dequadro de colapso circulatório agudo. A morte morte; 8% com quadro de colapso circulatóriosúbita encontra-se entre as manifestações raras (síncope, hipotensão arterial sistêmica), corres-mais possíveis de TEP aguda.(4-8) pondente a TEP maciça ou a pacientes com Como não há um quadro clínico específico risco alto de morte; e 5% foram assintomáticos.para TEP, faz-se necessário um alto grau de Dor pleurítica, tosse e hemoptise sugerem TEPQuadro 6 - Sinais e sintomas de TEP aguda. Sinais e sintomas Estudos UPET(4) PIOPED(6) ICOPER(7) RIETE(8) (n = 327) (n = 117) (n = 2.210) (n = 3.391) Dispneia 84% 73% 82% 83% Taquipneia 92% 70% ND ND Dor torácica pleurítica 74% 66% 49% 54% Tosse 53% 37% 20% ND Hemoptise 30% 13% 7% 6% Síncope 13% ND 14% 16% Crepitações 58% 51% ND NDUPET: Urokinase Pulmonary Embolism Trial; PIOPED: Prospective Investigation Of Pulmonary Embolism Diagnosis;ICOPER: International Cooperative Pulmonary Embolism Registry; RIETE: Registro Informatizado de la EnfermidadTromboembólica.J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 13Quadro 7 - Regra de predição clínica para TEP (escore de Wells). Critérios Pontuação Sinais objetivos de TVP (edema, dor à palpação) 3,0 Taquicardia (FC > 100 bpm) 1,5 Imobilização ≥ 3 dias consecutivos (exceto idas ao banheiro) ou cirurgia nas últimas 4 semanas 1,5 TVP ou TEP prévias (com diagnóstico objetivo) 1,5 Hemoptise 1,0 Neoplasia maligna (ativa ou término do tratamento < 6 meses) 1,0 Diagnóstico alternativo menos provável que TEP 3,0Probabilidade clínica: baixa < 2,0 pontos; moderada, entre 2,0 a 6,0 pontos; alta > 6,0 pontos. Como derivação, pontu-ação ≤ 4,0 pode ser considerada improvável de TEP aguda; pontuação > 4,0 pode ser considerada como provável de TEPaguda.(12,13)pequena, próxima à pleura, enquanto síncope, acompanhados de sintomas agudos nãocianose e hipoxemia indicam usualmente TEP explicados por outra causa.extensa.(1) 2) baixa (subgrupo com prevalência de 10% As seguintes apresentações clínicas sugerem ou menos), quando não são identificadosoutros diagnósticos: dor torácica recorrente na fatores de risco e as anormalidades clínicasmesma localização, dor pleurítica com mais são explicáveis por outros diagnósticos.de uma semana de duração, dor pleurítica ou 3) intermediária, quando houver uma combi-hemoptise com radiografia de tórax normal, nação dos fatores descritos acima.atrito pericárdico, escarro purulento, febre alta Alguns escores, pontuando parâmetros clínicos e exames complementares não diag-com duração de mais de uma semana, ausência nósticos, foram criados para facilitar a decisãode taquipneia em presença de dor pleurítica inicial à beira do leito e em condições deou hemoptise, e ausência de fatores precipi- pronto atendimento.(13-15) O escore simplifi-tantes.(4-7) cado de Wells et al.(13) engloba diversos fatores A partir do momento da suspeita da ocor- (Quadro 7). Escores inferiores a 2,0 indicam umarência de TEP aguda, deve-se proceder de probabilidade baixa de TEP; de 2,0-6,0 pontosimediato à determinação dos graus de proba- indicam uma probabilidade moderada; e supe-bilidade de confirmação diagnóstica.(D)(11) A riores a 6,0 indicam uma probabilidade altaprobabilidade de TEP a partir da suspeita pode de TEP. Como derivação, uma pontuaçãoser:(11,12) ≤ 4,0 pode ser considerada improvável, enquanto 1) alta (subgrupo com prevalência igual ou valores > 4,0 podem ser considerados como caso maior de 80%) se houver um ou mais provável de TEP aguda.(14) No estudo original, fatores de risco maiores conhecidos, a frequência de TEP em pacientes com baixa,Quadro 8 - Regra de predição clínica para TVP (escore de Wells). Critérios Pontuação Sensibilidade dolorosa no sistema venoso profundo 1,0 Aumento do volume de toda perna 1,0 Aumento do volume da panturrilha > 3 cm em relação à perna assintomática 1,0 (medido 10 cm abaixo da tuberosidade tibial) Edema compressível (cacifo) 1,0 Veias colaterais superficiais (não varicosas) 1,0 Neoplasia maligna ativa 1,0 Paralisia, paresia ou imobilização de membros inferiores 1,0 Imobilização no leito ≥ 3 dias ou grande cirurgia nas últimas 4 semanas 1,0 Diagnostico alternativo mais provável que TVP −2,0 Probabilidade clínica: baixa < 0 pontos; moderada, entre 1,0 e 2,0 pontos; e alta > 2,0 pontos. Adaptado do estudo de Wells et al.(17) J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 14 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradoresmoderada ou alta probabilidade clínica foi de 5. Bell WR, Simon TL, DeMets DL. The clinical features of submassive and massive pulmonary emboli. Obstet3%, 28% e 78%, respectivamente, tendo atin- Gynecol Surv. 1977;32(7):598-600.gido valores de 1,3% para baixa probabilidade e 6. Stein PD, Terrin ML, Hales CA, Palevsky HI, Saltzmande 91% para alta probabilidade em outras séries. HA, Thompson BT, et al. Clinical, laboratory,A dosagem negativa de dímeros D associada roentgenographic, and electrocardiographic findings in patients with acute pulmonary embolism and noà pontuação de baixa probabilidade virtual- pre-existing cardiac or pulmonary disease. Chest.mente exclui a possibilidade de TEP.(11) Outros 1991;100(3):598-603.escores têm sido testados, como os escores de 7. Goldhaber SZ, Visani L, De Rosa M. Acute pulmonaryGenebra(15) e de Pisa,(16) permanecendo o escore embolism: clinical outcomes in the International Cooperative Pulmonary Embolism Registry (ICOPER).canadense de Wells et al. como o mais extensa- Lancet. 1999;353(9162):1386-9.mente usado. 8. Lobo JL, Zorrilla V, Aizpuru F, Uresandi F, Garcia-Bragado Modelos clínicos para estabelecer probabili- F, Conget F, et al. Clinical syndromes and clinical outcome in patients with pulmonary embolism: findingsdades pré-testes diagnósticos para TVP também from the RIETE registry. Chest. 2006;130(6):1817-22.auxiliam o clínico no estabelecimento de proba- 9. Moser KM, Fedullo PF, LitteJohn JK, Crawford R.bilidades para TEP aguda (Quadro 8).(17) Frequent asymptomatic pulmonary embolism in patients Em síntese, a suspeita clínica criteriosa, with deep venous thrombosis. JAMA. 1994;271(3):223-5. Erratum in: JAMA. 1994;271(24):1908.baseada em sintomas e sinais compatíveis, 10. Girard P, Musset D, Parent F, Maitre S, Phlippoteaupresença ou ausência de fatores de risco e possi- C, Simonneau G. High prevalence of detectable deepbilidades de diagnósticos alternativos, permite venous thrombosis in patients with acute pulmonaryestabelecer graus de probabilidades que auxi- embolism. Chest. 1999;116(4):903-8. 11. British Thoracic Society Standards of Care Committeeliam o médico assistente no manejo inicial do Pulmonary Embolism Guideline Development Group.paciente com suspeita de TEP aguda, passando British Thoracic Society guidelines for the managemento diagnóstico de TEP possível para de TEP of suspected acute pulmonary embolism. Thorax. 2003;58(6):470-83.provável.(C)(11) 12. Hyers TM. Venous thromboembolism. Am J Respir Crit Care Med. 1999;159(1):1-14. 13. Wells PS, Ginsberg JS, Anderson DR, Kearon C, Gent M, Turpie AG, et al. Use of a clinical model for safeReferências management of patients with suspected pulmonary embolism. Ann Intern Med. 1998;129(12):997-1005. 1. Value of the ventilation/perfusion scan in acute pulmonary 14. Wells PS, Anderson DR, Rodger M, Ginsberg JS, Kearon embolism. Results of the prospective investigation of C, Gent M, et al. Derivation of a simple clinical model to pulmonary embolism diagnosis (PIOPED). The PIOPED categorize patients’ probability of pulmonary embolism: Investigators. JAMA. 1990;263(20):2753-9. increasing the models utility with the SimpliRED 2. Miniati M, Pistolesi M, Marini C, Di Ricco G, Formichi D-dimer. Thromb Haemost. 2000;83(3):416-20. B, Prediletto R, et al. Value of perfusion lung scan in 15. Wicki J, Perneger TV, Junod AF, Bounameaux H, Perrier the diagnosis of pulmonary embolism: results of the A. Assessing clinical probability of pulmonary embolism Prospective Investigative Study of Acute Pulmonary in the emergency ward: a simple score. Arch Intern Med. Embolism Diagnosis (PISA-PED). Am J Respir Crit Care 2001;161(1):92-7. Med. 1996;154(5):1387-93. 16. Miniati M, Bottai M, Monti S. Comparison of 3 clinical 3. Poulsen SH, Noer I, Møller JE, Knudsen TE, Frandsen JL. models for predicting the probability of pulmonary Clinical outcome of patients with suspected pulmonary embolism. Medicine (Baltimore). 2005;84(2):107-14. embolism. A follow-up study of 588 consecutive 17. Wells PS, Anderson DR, Bormanis J, Guy F, Mitchell M, patients. J Intern Med. 2001;250(2):137-43. Gray L, et al. Value of assessment of pretest probability 4. Urokinase pulmonary embolism trial. Phase 1 results: a of deep-vein thrombosis in clinical management. Lancet. cooperative study. JAMA. 1970;214(12):2163-72. 1997;350(9094):1795-8.J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 156. Diagnóstico diferencial pode ser normal ou apresentar uma imagem cardíaca adquirindo forma triangular, indistin- Os sinais e sintomas de TEP são inespecí- guível de miocardiopatias. O diagnóstico é feitoficos e variam de quadro súbito de dispneia, dor através do ecocardiograma, que evidencia atorácica, tosse, hemoptise e instabilidade hemo- presença de pequenas a grandes quantidades dedinâmica até quadros subclínicos. O diagnóstico derrame pericárdico com miocárdio normal.(5)diferencial inclui IAM, aneurisma de aorta torá- A dor do aneurisma torácico é retroesternal ecica, pericardite aguda, tamponamento cardíaco, profunda, podendo ocorrer rouquidão e hemop-pneumotórax, pneumomediastino, tumores tise. Achados de exame clínico são pobres,torácicos, exsudatos, fratura de arcos costais, desde ausculta pulmonar e cardíaca normal, aténeuralgia intercostal; insuficiência cardíaca diminuição ou ausência de pulsos periféricos econgestiva descompensada, asma aguda, choque. A radiografia de tórax pode ser normalexacerbação de DPOC, pneumonias, tuberculose ou mostrar um alargamento da sombra aórtica.pleuropulmonar e bronquiectasias.(1,2) O ecocardiograma transesofágico pode avaliar a O IAM caracteriza-se pelo início súbito de dor presença da ectasia e o local da ruptura, mas, noprecordial de forte intensidade, acompanhada ou paciente grave, apresenta dificuldades técnicas.não por dispneia e choque cardiogênico. Achados Nesses casos, a realização de angio-TC ouindicam que pode tratar-se de uma manifes- angio-RM torácica é conclusiva no diagnósticotação de TEP. Ao ECG, encontramos inversão de diferencial.(B)(6)onda T ou depressão do ponto J, supradesnive- Doenças pleuropulmonares ou de paredelamento ST e alterações difusas de repolarização torácica, de etiologia infecciosa ou neoplásica,na parede comprometida. O ECG de admissão caracterizam-se por dor torácica localizada,normal não exclui IAM. Recomenda-se a reali- acompanhada ou não por dispneia. A presençazação seriada de ECG e a dosagem sérica das de hemograma com leucocitose e formas jovensenzimas cardíacas (creatina fosfoquinase fração ou febre não exclui TEP.(7,8) A realização de umaMB, transaminase glutâmico oxalacética, desi- radiografia simples de tórax frequentementedrogenase lática e troponina), principalmente, confirma o diagnóstico. Quando persistir dúvidaem IAM sem onda Q, comum em diabéticos.(B) com TEP, a angio-TC é o exame de escolha.(B)(9)É importante destacar que achados ao ECG de Na presença de efusão pleural, a toracocenteseTEP podem se sobrepor a achados de isquemia e, eventualmente, a biopsia pleural diagnósticascoronariana: inversão de onda T de V1 a V4, são imprescindíveis.(C)ou padrão de pseudoinfarto (onda Qr) em V4, Asma e a DPOC cursam com grau variável,comum na vigência de DVD. A elevação de irreversível ou não, de obstrução ao fluxo aéreo,troponina pode ocorrer em TEP.(3,4) frequentemente com um fator desencadeante Talvez o diagnóstico diferencial mais difícil reconhecível. Sinais de broncoespasmo e examesesteja entre IAM com ECG normal e TEP. A dúvida que comprovem a obstrução ao fluxo aéreo eestá em como prosseguir a investigação, com resposta a broncodilatador também são signi-angio-TC ou cateterismo cardíaco (ambos reali- ficativos. A radiografia de tórax pode indicarzados com contraste endovenoso nefrotóxico). uma pneumonia ou achados sugestivos de TEPNessas situações, a história clínica detalhada, como desencadeantes da descompensação dacom pesquisa de fatores de risco específicos para doença de base. A TEP é comum em pacientesas duas doenças, e exames laboratoriais seriados com DPOC, apesar de não ser um risco inde-(gasometria arterial, enzimas cardíacas) deve ser pendente. Os exames diagnósticos mantêm seuconsiderada.(D) poder apesar da pneumopatia de base, exceto A pericardite aguda e o tamponamento a cintilografia, que tem sua acurácia reduzida.cardíaco comprometem indivíduos de diversas Na dúvida da associação com TEP, a angio-TCidades e apresentam sinais e sintomas seme- é conclusiva, pois além de confirmar ou excluirlhantes à doença coronariana aguda. Quando há TEP, possibilita o achado de diagnósticos alter-derrame pericárdico significativo, ocorre o abafa- nativos (por ex., neoplasia pulmonar, pneumoniamento de bulhas cardíacas, e sintomas de falência e dissecção aórtica).cardíaca podem ser encontrados. Alterações ao A presença de TEP grave em paciente previa-ECG são inespecíficas. A radiografia de tórax mente hígido, sem fator predisponente aparente, J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 16 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradorespode ser confundida com síndrome de hiperven- value of negative T waves in precordial leads--80 case reports. Chest. 1997;111(3):537-43.tilação. Os pacientes apresentam-se ansiosos, 4. Konstantinides S, Geibel A, Olschewski M, Kaspercom sensação de morte iminente, hipotensão W, Hruska N, Jäckle S, et al. Importance of cardiacarterial, taquipneia, taquicardia e cianose de troponins I and T in risk stratification of patients with acute pulmonary embolism. Circulation.extremidades. Exames subsidiários devem ser 2002;106(10):1263-8.realizados, pois o diagnóstico de síndrome de 5. Goldhaber SZ. Echocardiography in the management ofhiperventilação é de exclusão.(2) pulmonary embolism. Ann Intern Med. 2002;136(9):691- 700. 6. Macura KJ, Szarf G, Fishman EK, Bluemke DA. Role of computed tomography and magnetic resonance imaging in assessment of acute aortic syndromes. SeminReferências Ultrasound CT MR. 2003;24(4):232-54. 7. Stein PD, Afzal A, Henry JW, Villareal CG. Fever in acute 1. Goldhaber SZ, Visani L, De Rosa M. Acute pulmonary pulmonary embolism. Chest. 2000;117(1):39-42. embolism: clinical outcomes in the International 8. Afzal A, Noor HA, Gill SA, Brawner C, Stein PD. Cooperative Pulmonary Embolism Registry (ICOPER). Leukocytosis in acute pulmonary embolism. Chest. Lancet. 1999;353(9162):1386-9. 1999;115(5):1329-32. 2 Goldhaber SZ. Pulmonary embolism. Lancet. 9. Shah AA, Davis SD, Gamsu G, Intriere L. Parenchymal 2004;363(9417):1295-305. and pleural findings in patients with and patients 3. Ferrari E, Imbert A, Chevalier T, Mihoubi A, Morand P, without acute pulmonary embolism detected at spiral Baudouy M. The ECG in pulmonary embolism. Predictive CT. Radiology. 1999;211(1):147-53.J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 177. Exames de apoio ao diagnóstico os achados são inespecíficos, e a principal rele- vância do exame é excluir outras entidades, Pacientes com TEP apresentam-se frequen- como IAM ou pericardite.(2) Alguns estudos têmtemente com sintomas torácicos agudos. Nesse avaliado o ECG para a estratificação de risco, osentido, existem exames que auxiliam no diag- diagnóstico e o prognóstico, mas demonstraramnóstico diferencial, reforçando a suspeita clínica pouca utilidade clínica devido à baixa sensibili-ou tendendo a outro diagnóstico, mas não dade e à baixa razão de probabilidade.(4-6)permitindo confirmar ou excluir com segurança O ECG, à semelhança da radiografia de tórax,o diagnóstico de TEP. Exames séricos, como é útil, sobretudo, para o diagnóstico diferencialleucograma, enzimas cardíacas, gasometria arte- de TEP.(C)rial e provas hepáticas, demonstraram alteraçõesem percentuais variáveis dependendo da série Ecocardiogramaestudada e da gravidade da apresentação de TEP.Entre eles, a gasometria arterial é a mais estu- O ecocardiograma é um exame não invasivodada. Apesar de possível, é incomum TEP com e de baixa sensibilidade para o diagnóstico devalores gasométricos (PaO2, PaCO2 e gradiente TEP. Entretanto, pode ser uma ferramenta útilalvéolo-arterial) inteiramente normais. no diferencial de dispneia aguda, dor torácica, colapso cardiovascular e outras situações clínicasRadiografia de tórax em que a TEP é considerada como um dos diag- nósticos.(3) Outra importância do ecocardiograma Os achados à radiografia de tórax raramente é na avaliação prognóstica e na estratificação desão conclusivos para o diagnóstico de TEP risco de pacientes com TEP.(7,8)aguda, sendo mais importantes para o diagnós- O ecocardiograma transtorácico raramentetico diferencial e para a avaliação da cintilografia consegue visualizar o êmbolo pulmonar, mas àsde perfusão. Pode ser normal e, na presença vezes revela um trombo flutuando no átrio oude dispneia de causa não definida, reforça a no VD. É incapaz de excluir TEP com segurança,suspeita de TEP aguda. Os achados mais comuns e sua principal relevância é em pacientes hemo-são atelectasias laminares nas bases, elevação dinamicamente instáveis com TEP maciça, nosda cúpula diafragmática e derrame pleural, quais a visualização do trombo proximal (quegeralmente pequeno. Podem-se observar sinais confirma o diagnóstico, em geral, pelo ecocar-clássicos de oligoemia regional, aumento das diograma transesofágico), a dilatação aguda doartérias pulmonares centrais e opacidade perifé- VD e a presença de hipertensão pulmonar (diag-rica em cunha.(1-3) nóstico presuntivo) permitirão a rápida decisão A radiografia de tórax é útil para o diag- da terapêutica (uso de trombolíticos).(9-12)nóstico diferencial de TEP, permitindo somente Embolia pulmonar com importante repercussãoevidenciar outras causas para os sintomas, mas hemodinâmica é improvável na presença denão excluir ou confirmar TEP.(C) ecocardiograma normal. O ecocardiograma transesofágico à beira do leito pode ser consi-ECG derado como o teste diagnóstico de primeira É incomum o ECG ser normal, e é infrequente escolha, podendo confirmar embolia pulmonaro achado do padrão clássico S1-Q3-T3 descrito em pacientes em choque ou durante a ressusci-para TEP aguda. Às vezes, a única alteração é a tação cardiopulmonar.(3,13)presença de taquicardia sinusal. Há outros sinais O ecocardiograma pode ser útil no diagnós-de sobrecarga direita que podem ser observados, tico de TEP clinicamente maciça.(C)além do padrão S1-Q3-T3, principalmente em Dímero Dpacientes com TEP maciça, como desvio doeixo QRS para a direita, inversão de onda T nas O dímero D é um produto da degradaçãoprecordiais de V1-V3, bloqueio do ramo direito da fibrina, podendo estar elevado na presençatransitório total ou parcial, padrão Qr em V1, de trombos, mas também em outras situações,onda P pulmonale, onda Q na derivação III, como no pós-operatório, na gestação, no puer-padrão Q3-T3 e taquiarritmias atriais.(2-4) Todos pério, na doença vascular periférica, no câncer, na J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 18 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradoresinsuficiência renal, na sepse e em várias doenças Referênciasinflamatórias, assim como aumenta com a 1. Langan CJ, Weingart S. New diagnostic and treatmentidade, o que limita sua utilidade clínica.(3,14) Tem modalities for pulmonary embolism: one path throughalta sensibilidade, mas a sua especificidade é the confusion. Mt Sinai J Med. 2006;73(2):528-41.baixa; portanto, deve ser analisado com cautela, 2. Riedel M. Diagnosing pulmonary embolism. Postgrad Med J. 2004;80(944):309-19.em conjunto com a avaliação de probabilidade 3. Guidelines on diagnosis and management of acuteclínica.(15) pulmonary embolism. Task Force on Pulmonary Há diferentes métodos para a realização Embolism, European Society of Cardiology. Eur Heart J.do teste (ELISA ou ELISA rápido quantitativo, 2000;21(16):1301-36. 4. Sinha N, Yalamanchili K, Sukhija R, Aronow WS,semiquantitativo ou qualitativo; aglutinação por Fleisher AG, Maguire GP, et al. Role of the 12-leadlátex quantitativo ou semiquantitativo ou aglu- electrocardiogram in diagnosing pulmonary embolism.tinação do sangue total), diferindo, entre eles, na Cardiol Rev. 2005;13(1):46-9. 5. Iles S, Le Heron CJ, Davies G, Turner JG, Beckert LE.sensibilidade, especificidade e razão de proba- ECG score predicts those with the greatest percentagebilidade, além da variabilidade entre pacientes of perfusion defects due to acute pulmonarycom suspeita de TVP ou TEP. Dentre todos os thromboembolic disease. Chest. 2004;125(5):1651-6. 6. Geibel A, Zehender M, Kasper W, Olschewski M, Klimamétodos utilizados, o teste por ELISA ou ELISA C, Konstantinides SV. Prognostic value of the ECG onrápido quantitativo são os que têm melhor admission in patients with acute major pulmonarysensibilidade e maior probabilidade de excluir embolism. Eur Respir J. 2005;25(5):843-8.TEP (razão de probabilidade negativa) e são os 7. Kucher N, Rossi E, De Rosa M, Goldhaber SZ. Prognostic role of echocardiography among patientsque têm melhor utilidade clínica. O dímero D é with acute pulmonary embolism and a systolic arterialum teste unidirecional; logo, um teste negativo pressure of 90 mm Hg or higher. Arch Intern Med.é usado para excluir o diagnóstico.(1,16) 2005;165(15):1777-81. 8. Vieillard-Baron A, Page B, Augarde R, Prin S, Qanadli Numa revisão sistemática para a avaliação de S, Beauchet A, et al. Acute cor pulmonale in massiveestratégias para o diagnóstico de TEP aguda em pulmonary embolism: incidence, echocardiographicpacientes com baixa probabilidade clínica pré- pattern, clinical implications and recovery rate. Intensive Care Med. 2001;27(9):1481-6.teste, um teste negativo para dímero D (qualquer 9. Bova C, Greco F, Misuraca G, Serafini O, Crocco F,teste) esteve associado com uma probabilidade Greco A, et al. Diagnostic utility of echocardiographypós-teste < 5%, não sendo necessários outros in patients with suspected pulmonary embolism. Am Jtestes para se excluir a embolia pulmonar.(1,12) Já Emerg Med. 2003;21(3):180-3. 10. Miniati M, Monti S, Pratali L, Di Ricco G, Marini C,em pacientes com probabilidade clínica inter- Formichi B, et al. Value of transthoracic echocardiographymediária, para a exclusão de TEP, só pode ser in the diagnosis of pulmonary embolism: results of avalorizado um teste quantitativo utilizando o prospective study in unselected patients. Am J Med. 2001;110(7):528-35.dímero D pelo método ELISA (valor < 500 µg/L). 11. Pruszczyk P, Torbicki A, Kuch-Wocial A, Szulc M, Pacho R.Em pacientes com alta probabilidade clínica, Diagnostic value of transoesophageal echocardiographyoutros testes serão necessários para se excluir esse in suspected haemodynamically significant pulmonary embolism. Heart. 2001;85(6):628-34.diagnóstico com segurança. Nesses pacientes, se 12. Roy PM, Colombet I, Durieux P, Chatellier G, Sors H,o teste for positivo, não acrescentará ajuda no Meyer G. Systematic review and meta-analysis ofdiagnóstico, sendo que outros exames deverão strategies for the diagnosis of suspected pulmonaryser realizados.(15) embolism. BMJ. 2005;331(7511):259. 13. Vieillard-Baron A, Prin S, Chergui K, Dubourg O, Jardin Recomenda-se o seguinte: F. Echo-Doppler demonstration of acute cor pulmonale • O dímero D deve ser usado somente em at the bedside in the medical intensive care unit. Am J pacientes após a avaliação da probabili- Respir Crit Care Med. 2002;166(10):1310-9. 14. Wells PS. Advances in the diagnosis of venous dade clínica.(B) thromboembolism. J Thromb Thrombolysis. • O dímero D não deve ser usado em 2006;21(1):31-40. pacientes com alta probabilidade clínica. 15. British Thoracic Society Standards of Care Committee Pulmonary Embolism Guideline Development Group. (B) British Thoracic Society guidelines for the management • Um teste negativo exclui TEP em pacientes of suspected acute pulmonary embolism. Thorax. com baixa (qualquer método) ou interme- 2003;58(6):470-83. diária (ELISA) probabilidade clínica, sem a 16. Stein PD, Hull RD, Patel KC, Olson RE, Ghali WA, Brant R, et al. D-dimer for the exclusion of acute venous necessidade de exames de imagem adicio- thrombosis and pulmonary embolism: a systematic nais.(B) review. Ann Intern Med. 2004;140(8):589-602.J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 198. Exames de confirmação clatura confusa, é a ocorrência de resultados de cintilografia pulmonar com baixa probabilidade Os exames de confirmação ou de exclusão do de TEP em pacientes com alta suspeita clínica.quadro de TEP e de TVP incluem a cintilografia Nesses casos, a TEP pode ocorrer em até 40%,pulmonar de ventilação e perfusão, angio-TC, sendo obrigatório o prosseguimento da investi-angio-RM, a arteriografia pulmonar por cateter gação, apesar da “baixa” probabilidade. Outrascom subtração digital e a ultrassonografia dos situações que merecem destaque é a possibili-membros inferiores. dade de resultados falso-positivos em pacientes A ultrassonografia dos membros inferiores com asma (vasoconstrição reflexa) ou com TEPcom Doppler a cores é um excelente método prévia (déficit perfusional persistente).para o diagnóstico de TVP dos membros infe- O emprego do exame de cintilografiariores, com acurácia de 99% acima do joelho pulmonar de ventilação e perfusão em pacientese de 90% abaixo do joelho.(1) Esse método não sem comorbidades e com radiografias normaisinvasivo pode ser realizado até junto ao leito de propicia um melhor rendimento desse estudo,pacientes acamados e não tem contraindicações; com menos resultados indeterminados, sendoassim, é uma excelente opção para o estudo de uma excelente opção na investigação inicialTVP profunda isoladamente. Outros métodos das suspeitas de TEP.(5) A associação dos dadospara o estudo do sistema venoso profundo estão de probabilidade clínica para TEP ao exame dedisponíveis, tais como a veno-TC, a venorresso- cintilografia apenas de perfusão (comparadosnância magnética e flebografia convencional. à radiografia de tórax) também demonstra boaEntretanto, pela praticidade e custo, a ultrasso- acurácia diagnóstica, com redução do custo donografia é o método de escolha. exame. Em pacientes sintomáticos para TVP, a Um exame de cintilografia pulmonar normalultrassonografia pode ser utilizada como método é suficiente para afastar o diagnóstico de TEP.inicial de investigação, uma vez que encontrada (A)a TVP, pode-se iniciar a anticoagulação.(B) Um exame de cintilografia pulmonar com Para o estudo de TEP, os exames podemser divididos em métodos indiretos, pelos quais alta probabilidade para TEP em um pacientese buscam sinais que se correlacionam com a com alta probabilidade clínica é suficiente parapresença de tromboembolia, como a cintilo- confirmar esse diagnóstico.(A)grafia pulmonar de ventilação e perfusão, ou A utilização da TC para o estudo de TEPexames diretos, que buscam a identificação do evoluiu muito em consequência dos avançostrombo propriamente dito, como a angio-TC, a tecnológicos, e, no recente PIOPED II,(6)angio-RM e a angiografia convencional. estudou-se o papel da TC com múltiplos detec- A cintilografia pulmonar de ventilação e tores no diagnóstico de TEP. Nesse estudo, osperfusão é um método cujo desempenho diag- autores demonstraram que o exame de angio-nóstico foi criteriosamente estudado no final dos TC das artérias pulmonares, realizada comanos 1980 pelo PIOPED(2) e, quando associado à tomógrafo de múltiplos detectores, (incluindo aprobabilidade clínica para TEP, possui alto VPN pesquisa de TVP dos membros inferiores reali-quando o resultado é normal (VPN = 97%), zada por TC) tem alto VPP (96%) em pacientesassim como alto VPP quando o resultado é de com alta probabilidade clínica para TEP, assimalta probabilidade (VPP = 92-99%). No entanto, como também alto VPN (97%) em pacientes deresultados de moderada probabilidade não auxi- baixa probabilidade clínica. Nos pacientes comliam no processo de decisão e conduta.(3) probabilidade clínica intermediária, tanto o VPN Apesar dos critérios cintilográficos terem quanto o VPP foram de 92%.sido revistos, ainda há um grande número de A angio-TC possibilita, além do estudopacientes que tem resultado de moderada proba- angiotomográfico, a avaliação da aorta, dobilidade, principalmente aqueles com radiografias parênquima pulmonar, da caixa torácica e doalteradas ou aqueles com comorbidades cardí- espaço pleural, permitindo assim a realização deacas ou pulmonares, como embolias prévias e diagnósticos alternativos nos casos de suspeitaDPOC, entre outras.(4) Uma situação que não é de TEP.incomum, porém frequentemente interpretada Os valores preditivos e a acurácia da angio-erroneamente pelos clínicos devido a sua nomen- TC se assemelham bastante àqueles encontrados J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 20 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradoresnos estudos de cintilografia, sendo, portanto, senta limitações de sensibilidade e especificidadepossível utilizar os mesmos graus de recomen- no estudo dos vasos subsegmentares.(9) Por serdação, principalmente se considerarmos as um método invasivo e também de baixa dispo-demais vantagens já mencionadas da angio-TC, nibilidade, seu emprego como método inicialalém da maior reprodutibilidade do método.(7) é usualmente limitado aos pacientes instáveis Um exame de angio-TC negativo para TEP com contraindicação ao uso de trombolíticose TVP em pacientes com baixa probabilidade e que podem se beneficiar da trombectomiaclínica para TEP é suficiente para afastar esse por cateter, embora não tenha sido demons-diagnóstico.(A) trado ainda o impacto dessa abordagem.(C). Um exame de TC positivo para TEP ou TVP Nos pacientes estáveis, a indicação da angio-em um paciente com alta probabilidade clínica é grafia ocorre quando os resultados dos examessuficiente para confirmar esse diagnóstico.(A) não invasivos são inconclusivos, ou quando há A angio-RM é uma alternativa à angio-TC, discordância entre os mesmos e a clínica.(A)(5)pois, através desse método, também se poderealizar um estudo angiográfico, assim como Referênciasoutras técnicas, como a perfusão pulmonar, que 1. Mani R, Regan F, Sheridan J, Batty V. Duplex ultrasoundpodem auxiliar no diagnóstico da TEP. scanning for diagnosing lower limb deep vein thrombosis. A angio-RM tem algumas vantagens em Dermatol Surg. 1995;21(4):324-6.relação à angio-TC, sendo as principais a ausência 2. Value of the ventilation/perfusion scan in acute pulmonary embolism. Results of the prospective investigation ofde radiação e o meio de contraste utilizado pulmonary embolism diagnosis (PIOPED). The PIOPED(gadolínio), que pode ser utilizado em pacientes Investigators. JAMA. 1990;263(20):2753-9.com alergia a contraste iodado. Pacientes com 3. Miniati M, Pistolesi M, Marini C, Di Ricco G, Formichiinsuficiência renal, que até pouco tempo atrás B, Prediletto R, et al. Value of perfusion lung scan in the diagnosis of pulmonary embolism: results of theeram um nicho para a ressonância magnética, Prospective Investigative Study of Acute Pulmonaryatualmente têm esta indicação proibida pela Embolism Diagnosis (PISA-PED). Am J Respir Crit Careocorrência de fibrose sistêmica (incluindo altera- Med. 1996;154(5):1387-93.ções cutâneas e infiltração visceral) relacionada 4. Jacobsson H. Time to reconsider the PIOPED criteria? Eur J Nucl Med. 2000;27(3):368.ao uso do gadolínio nesses pacientes. Além disso, 5. British Thoracic Society Standards of Care Committeeo exame de angio-RM possibilita a realização de Pulmonary Embolism Guideline Development Group.outras técnicas, como a perfusão, a quantifi- British Thoracic Society guidelines for the management of suspected acute pulmonary embolism. Thorax.cação de fluxo nos grandes vasos e a avaliação 2003;58(6):470-83.da função cardíaca. As principais desvantagens 6. Stein PD, Fowler SE, Goodman LR, Gottschalk A,do método são a menor resolução espacial, Hales CA, Hull RD, et al. Multidetector computedmaior custo, maior complexidade, menor dispo- tomography for acute pulmonary embolism. N Engl J Med. 2006;354(22):2317-27.nibilidade e a dificuldade de monitorar pacientes 7. Quiroz R, Kucher N, Zou KH, Kipfmueller F, Costellograves no interior do equipamento, devido ao P, Goldhaber SZ, et al. Clinical validity of a negativealto campo magnético. A principal indicação computed tomography scan in patients with suspectedatual da ressonância magnética é como método pulmonary embolism: a systematic review. JAMA. 2005;293(16):2012-7.alternativo à TC em pacientes com alergia ao 8. Wallis JW, van Beek EJ, Reekers JA, van Rooij WJ,contraste iodado.(C) Oudkerk M. Reserve concerning pulmonary angiography A angiografia pulmonar, consagrada como in pulmonary embolism is not justified. [Article inpadrão ouro no diagnóstico de embolia, é um Dutch]. Ned Tijdschr Geneeskd. 1997;141(12):578-81. 9. Quinn MF, Lundell CJ, Klotz TA, Finck EJ, Pentecost M,método invasivo, com baixa morbidade e morta- McGehee WG, et al. Reliability of selective pulmonarylidade.(8) Apesar de essa ser considerada o padrão arteriography in the diagnosis of pulmonary embolism.ouro, vale ressaltar que esse exame também apre- AJR Am J Roentgenol. 1987;149(3):469-71.J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 219. Algoritmos de diagnóstico É conhecido que o maior fator prognós- tico para a mortalidade na TEP é o grau de A TEP apresenta significativa mortalidade, instabilidade hemodinâmica, representada porsobretudo nas primeiras horas de sua apre- hipotensão, síncope (sinal de baixo débito) ousentação.(1) Na verdade, o episódio que leva a DVD significativa.(11) Pacientes sem instabilidadesintomatologia inicial é um aviso de uma possível hemodinâmica e sem DVD, quando tratadosrecorrência fatal.(2) Portanto, exige-se rapidez no adequadamente, apresentam taxa de mortali-manejo dos pacientes. dade relacionada à TEP quase nula. No outro O espectro de apresentação de TEP é muito polo, pacientes que apresentam colapso circu-amplo. Ocorre desde um episódio assintomá- latório inicial ou deterioração clínica durante otico em pacientes com TVP até a morte súbita, episódio apresentam taxa de mortalidade quepassando pela síndrome pleurítica, dispneia se aproxima a 32%.(12) Sendo assim, é essen-isolada e colapso circulatório.(3) As manifestações cial abordar esses grupos de pacientes de formairão depender da carga embólica pulmonar, do diferente.estado cardiopulmonar prévio do paciente e dograu de liberação de mediadores neuro-humo- Pacientes clinicamente estáveisrais.(4) Por exemplo, uma TEP segmentar empaciente com DPOC grave pode levar à parada Considerando-se que TEP e TVP são polos dacardiocirculatória, enquanto uma obstrução mesma doença, a saber, TEV, pacientes clinica-de 30% da circulação pulmonar num paciente mente estáveis com sintomas torácicos agudosjovem, previamente hígido, em pós-operatório de e com sintomas e sinais de TVP deverão realizarcirurgia ortopédica, pode ser paucissintomática. inicialmente uma avaliação do sistema venoso Diversas sociedades médicas têm elaborado profundo do membro afetado, já que a sensi-algoritmos de manejo de pacientes com TEP, de bilidade e a especificidade do método nessecomplexidade diversa, apresentando diferenças, contexto são elevadas (maior que 90%).(13,14)sobretudo nos pontos controversos na litera- Isso permite o diagnóstico de TEV em caso detura.(5-7) As recomendações finais dependem resultado positivo e o respectivo tratamentobasicamente de como as evidências são valori- (anticoagulação, se não houver contraindicação).zadas e da opinião dos especialistas do respectivo Entretanto, se o resultado foi negativo e houverconsenso. suspeita de TEP, deve-se avaliar o comprometi- Na elaboração dos algoritmos de diagnóstico, mento pulmonar, não sendo possível excluí-laé preciso levar em conta os seguintes fatores: somente por ecografia venosa normal.1) gravidade do episódio de TEP (presença Quando surge a suspeita criteriosa de TEPde instabilidade clínica e/ou hemodinâmica); aguda, com base nos sintomas e sinais (como2) doença cardiopulmonar prévia significativa; dispneia, taquipneia ou dor torácica) sem causa3) disponibilidade dos recursos diagnósticos; aparente do ponto de vista clínico ou nos4) disponibilidade de métodos terapêuticos; exames de apoio iniciais (radiografia de tórax,5) o grau de invasividade dos procedimentos; ECG e gasometria arterial), é imprescindível6) história prévia de TEP; 7) contraindicações o estabelecimento da probabilidade clínica.ao tratamento farmacológico (heparinas e trom- Atualmente, tendo em vista a variabilidade dabolíticos); 8) risco de transporte intra-hospitalar experiência pessoal no atendimento de pacientespara a realização dos exames; 9) experiência da com TEP, recomenda-se a utilização de escoresequipe médica no atendimento de pacientes de predição clínica validados.(15) Entre eles, ocom TEP; e 10) nível de evidência da recomen- mais estudado e aplicável, tanto em pacientesdação na literatura. A história de TEP ou TVP que chegam à emergência quanto naqueles jáprévias ao episódio atual poderá dificultar o hospitalizados, é o Escore Canadense (de Wells).diagnóstico da recorrência atual, sobretudo se Apesar de inicialmente dividido em três níveis,não há exames de imagem após o tratamento estudos mais recentes têm dicotomizado o escoredo primeiro episódio mostrando reperfusão ou (TEP improvável: escore ≤ 4; ou TEP provável:sequela permanente.(8) escore > 4) na abordagem inicial, simplificando No Quadro 9 estão sumarizadas as estratégias as decisões.(16) Pacientes com escore ≤ 4 deverãoque, à luz da probabilidade clínica, permitem ser submetidos à dosagem de dímeros D de altaconfirmar ou excluir TEP aguda com segurança. sensibilidade (ELISA, VIDAS, hemaglutinaçãoOutras combinações de resultados obrigam o ou Liatest). Sendo essa com níveis abaixo doprosseguimento da investigação.(9,10) valor normal, TEP pode ser excluída com segu- J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 22 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e ColaboradoresQuadro 9 - Estratégias definidoras de TEP aguda. Confirmação de TEP Probabilidade clínica alta • Cintilografia pulmonar de alta probabilidade para TEP • Cintilografia pulmonar de probabilidade intermediária para TEP • Angio-TC positiva para TEP (segmentar ou maior) • Arteriografia convencional positivaProbabilidade clínica intermediária • Cintilografia pulmonar anormal, não de alta probabilidade e US com sinais de TVP • Angio-TC positiva para TEP (segmentar ou maior) • Arteriografia convencional positiva para TEPProbabilidade clínica baixa • Arteriografia convencional positiva para TEP Exclusão de TEPProbabilidade clínica alta • Arteriografia convencional negativa para TEPProbabilidade clínica intermediária • Dosagem de dímeros D normal (alta sensibilidade) • Cintilografia pulmonar normal • Cintilografia pulmonar de baixa probabilidade para TEP e US sem sinais de TVP • Angio-TC unidetector negativa para TEP e US sem sinais de TVP • Angio-TC multidetector negativa para TEP • Arteriografia convencional negativa para TEPProbabilidade clínica baixa • Dosagem de dímeros D normal • Cintilografia pulmonar normal • Cintilografia pulmonar de baixa probabilidade para TEP • Angio-TC unidetector negativa para TEP • Angio-TC multidetector negativa para TEP • Arteriografia convencional negativa para TEPUS: ultrassonografia. Adaptado de estudos anteriores.(10,11)rança e sem a necessidade de realização de Hoje em dia, a angio-TC do tórax com multi-exames de imagem adicionais. Em pacientes detectores (sobretudo, com 8 ou mais canais)com escore > 4 (suspeita intermediária ou alta), tem se tornado o exame de eleição para TEP,não há a necessidade de se solicitar a dosagem já que é mais disponível nos hospitais que ade dímeros D, pois um valor normal não exclui cintilografia pulmonar, além de permitir realizarTEP, sendo necessário prosseguir a investigação. diagnósticos alternativos a TEP caso o resultadoCabe lembrar que a especificidade da dosagem seja negativo.(19,20) Entretanto, a cintilografiade dímeros D com ponto de corte de 500 ng/mL pulmonar perfusional pode ser o método inicialnão é adequada para o uso assistencial, tendo de eleição em pacientes com radiografia normalem vista o grande número de resultados falso- (o que promove o aumento da acurácia empositivos em contextos nos quais TEP é comum, relação aos pacientes com doença pulmonarcomo em pós-operatórios e na presença de prévia), alergia a contraste iodado e/ou insufici-neoplasias malignas ou de doenças clínicasexacerbadas.(17) ência renal.(21) Os resultados da angio-TC ou da Convém lembrar que pacientes com suspeita cintilografia pulmonar que sejam concordantesclínica intermediária ou alta deverão receber com a probabilidade clínica (isto é, angio-TCanticoagulantes, quando não houver contrain- positiva ou cintilografia de alta probabilidadedicações, para reduzir o risco de recorrência com probabilidade clínica alta, ou angio-TCdurante o período da investigação diagnóstica. negativa ou cintilografia de baixa probabilidadeNa presença de contraindicações aos anticoagu- com probabilidade clínica baixa) permitem,lantes, pode-se optar por FVCI temporários até respectivamente, confirmar ou excluir TEP comque se confirme ou não o diagnóstico, apesar do segurança. Já com resultados discordantes (istocusto elevado desses dispositivos.(18) é, angio-TC negativa ou cintilografia de baixaJ Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 23probabilidade com probabilidade clínica alta, ou biomarcadores, como a troponina e brain natriu-angio-TC positiva ou cintilografia de alta proba- retic peptide (BNP), para auxiliar na estratificaçãobilidade com probabilidade clínica baixa), há a do risco de desfecho desfavorável na TEP.(23)necessidade de investigação adicional.(22) Nos pacientes com hipotensão, há o bene- Em pacientes clinicamente estáveis, o exame fício do tratamento com trombolíticos.(24) Casorecomendado na sequência é a ecografia de haja contraindicação para o seu uso, as alter-compressão e/ou Doppler de sistema venoso nativas são a embolectomia por cateterismo ouprofundo de membros inferiores (incluir membros mesmo a cirurgia aberta, que, em geral, temsuperiores na presença de cateter venoso alta mortalidade devido ao estado do paciente que é levado ao bloco cirúrgico. Sendo assim, écentral), mesmo em indivíduos assintomáticos essencial uma rápida definição da presença oupara TVP, já que a presença de trombose nesse não de TEP. Por isso, o método de eleição é alocal permite o diagnóstico nosológico de TEV e arteriografia convencional, já que em centroso respectivo tratamento.(10) Métodos alternativos com experiência, durante a arteriografia, éao ecografia para o estudo do sistema venoso possível realizar a embolectomia por cateter,profundo são a venorressonância, a veno-TC e a unindo procedimentos diagnósticos e terapêu-flebografia convencional.(22) ticos, muitas vezes evitando a embolectomia Nos pacientes com estudo do sistema venoso cirúrgica.(21,25)profundo negativo que mantiverem a suspeita Nos pacientes que são candidatos a trombó-clínica de TEP, deverá ser realizada a arterio- lise, pode-se optar inicialmente por um métodografia pulmonar, que, apesar de ser um método diagnóstico não invasivo. No caso de pacientesinvasivo e com necessidade de uso de contraste, com risco elevado de transporte intra-hospi-é seguro em centros experientes, desde que talar (em uso de vasopressor em altas doses,tomadas as devidas precauções (prevenção de em ventilação mecânica com alta FiO2 ou comnefropatia de contraste, estabilização antes do parada cardiorrespiratória na apresentaçãoexame, uso de contraste não iônico e uso de inicial de TEP) pode-se usar métodos à beira doarteriografia por subtração digital).(22) Sendo a leito, sobretudo o ecocardiograma, idealmente,arteriografia pulmonar convencional o padrão o transesofágico.(26,27) Esse método, além da boaouro, o resultado positivo (isto é, defeitos de sensibilidade para trombos centrais, permiteenchimento vascular) permite confirmar o diag- o diagnóstico alternativo de condições que simulam a instabilidade hemodinâmica da TEP,nóstico de TEP, bem como o resultado negativo como a dissecção aórtica, o infarto do miocárdioo afasta com segurança, podendo-se, nesse com complicação mecânica e o tampona-último caso, suspender a anticoagulação se essa mento pericárdico, situações nas quais o uso dehavia sido iniciada. trombolíticos poderia ser desastroso. O ecodop- É importante ressaltar que, para pacientes plercardiograma de sistema venoso profundo decujo diagnóstico de TEV foi excluído, se inicie membros inferiores (incluir membros superioresa profilaxia primária (se isso ainda não tenha na presença de sinais clínicos de TVP ou quandosido feito) e se mantenha a vigilância para a do uso de cateter venoso central), num contextopossibilidade de TVP ou TEP, pois, em geral, os de paciente com suspeita de TEP e instabilidadepacientes estão em cenário de risco, tanto que a clínica, permite o diagnóstico operacional desuspeita foi levantada. TEV. Caso esses métodos à beira do leito não demonstrarem TEP e a suspeita seja mantida, ouPacientes clinicamente instáveis no caso de pacientes que podem ser transpor- tados ao departamento de radiologia, o método No caso de pacientes que estão clinicamente de escolha é a angio-TC de tórax. Para os casosinstáveis (hipotensão, síncope e/ou hipoxemia duvidosos após essa etapa, deverá ser realizado osignificativas) e quando há a suspeita de TEP teste padrão ouro, a arteriografia pulmonar.(6,28)(geralmente intermediária ou alta), há a neces-sidade de rapidez no diagnóstico para que o Recomendações para a investigação de TEPtratamento seja iniciado o mais breve possível,em especial quando o VD está demonstrando Os algoritmos apresentados a seguir são umasinais diretos ou indiretos de falência, o que sugestão de conduta, deverão ser adaptados àspode culminar em choque cardiogênico refra- diferentes instituições de saúde de acordo comtário e óbito.(4) Atualmente, estão sendo testados a respectiva disponibilidade e não substituem o J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 24 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradoresjulgamento do médico assistente, o qual deverá 7) Em pacientes com baixa suspeita clínicautilizar os conceitos apresentados à luz das (Escore de Wells ≤ 4) deverá ser solicitadaparticularidades do paciente para a decisão da a dosagem de dímeros D (preferencial-conduta final. Dessa forma, é essencial que cada mente através dos métodos ELISA, látexhospital faça seus protocolos de atendimento automatizado ou hemaglutinação). Casolocais, embasados nas recomendações aqui o resultado seja negativo (dosagemapresentadas. < 500 ng/mL), o diagnóstico de TEP pode Os pontos essenciais desses algoritmos são os ser excluído sem a necessidade de investi-seguintes: 1) valorização da probabilidade clínica gação adicional. Para pacientes com níveiscomo primeiro método diagnóstico (que deverá elevados de dímeros D, deve-se continuar a investigação.(A)ser estimada, se possível, por escores validados) 8) A angio-TC de tórax com multidetectoresantes da solicitação dos exames confirmatórios; (sobretudo > 8 detectores) é o método2) estratificação dos pacientes em clinicamente preferencial de diagnóstico e permiteestáveis e instáveis; 3) definição operacional de observar diagnósticos alternativos napresença ou ausência de TEP por uma combi- ausência de TEP.(A)nação da probabilidade clínica e dos resultados 9) A cintilografia pulmonar perfusional,de exames não invasivos e invasivos; e 4) atre- combinada com a radiografia de tóraxlamento entre os métodos diagnósticos e os ou a cintilografia inalatória, é o métodorecursos terapêuticos (Figuras 1 e 2). preferencial em pacientes com insufici- Os seguintes pontos devem ser enfatizados: ência renal prévia, história de alergia ao 1) As instituições de saúde devem elaborar contraste e gestantes, sobretudo se não protocolos de atendimento de pacientes houver doença cardiopulmonar prévia e a com TEP aguda de acordo com a diretriz radiografia de tórax for normal.(B) adaptada à realidade e à disponibilidade 10) Resultados da angio-TC de tórax ou da local.(D) cintilografia pulmonar concordantes (isto 2) O algoritmo de abordagem dos pacientes é, angio-TC positiva ou cintilografia de alta com TEP aguda deve diferenciar pacientes probabilidade com probabilidade clínica que se apresentam clinicamente estáveis alta, ou angio-TC negativa ou cintilografia daqueles clinicamente instáveis (choque, de baixa probabilidade com probabilidade hipotensão relativa, síncope ou hipoxemia). clínica baixa), permitem, respectivamente, (B) confirmar ou excluir o diagnóstico de TEP 3) As decisões do manejo individual do com segurança. Resultados discordantes paciente devem levar em conta, sobretudo, (isto é, angio-TC negativa ou cintilografia a instabilidade clínica, a disponibilidade de baixa probabilidade com probabili- local e as particularidades do caso.(D) dade clínica alta, ou angio-TC positiva 4) No caso de pacientes com suspeita de ou cintilografia de alta probabilidade com TEP, deve ser estabelecida a probabilidade probabilidade clínica baixa), há a necessi- pré-teste da doença, através do Escore dade de investigação adicional.(A) Canadense de Wells para TEP. Caso o 11) Pacientes clinicamente estáveis com paciente apresente também sinais de TVP, resultados da angio-TC ou cintilografia recomenda-se o uso do Escore Canadense discordantes da probabilidade clínica, de Wells para TVP.(A) deverão ser submetidos à ecodopplercardio- 5) Pacientes com suspeita clínica mode- grama do sistema venoso profundo. Caso o rada ou alta devem receber heparinização resultado comprove TVP, está confirmado plena enquanto realizam os exames diag- o diagnóstico de TEV. Na presença de nósticos.(B) resultado negativo, recomenda-se a reali- 6) No caso de pacientes clinicamente estáveis zação de arteriografia pulmonar.(A) com suspeita de TEP e que apresentam 12) A arteriografia pulmonar é o padrão sinais clínicos de TVP (edema, calor e ouro de diagnóstico. O resultado positivo dor unilateral em extremidade), a inves- confirma diagnóstico de TEP, e resultado tigação deve ser iniciada com ecografia negativo afasta TEP com segurança.(A) de compressão e/ou Doppler de sistema 13) Pacientes clinicamente instáveis com risco venoso do membro acometido. A confir- para transporte intra-hospitalar deverão mação de TVP permite o tratamento de ser submetidos a ecocardiograma transe- TEV. Caso o resultado seja negativo para sofágico à beira do leito. O diagnóstico de TVP, deve-se proceder a investigação.(B) TEP por sinais diretos ou a presença deJ Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 25 Tromboembolia Pulmonar - Pacientes Estáveis na Apresentação Suspeita de TEP Dispneia Com fatores de risco E/OU Quadro clínico, fatores de risco, gasometria, ECG, raio-X tórax Taquipneia Sem causa aparente Dor torácica Instabilidade Sinais Clínicos Estimar probabilidade clínica pré-teste hemodinâmica de TVP Escore de Wells para TEP Protocolo - hipotensão pacientes - sinais de baixo instáveis débito cardíaco - hipoxemia Ecodoppler da região acometida Escore Wells ≤ 4 Escore Wells > 4 Considerar Heparinização plena Positiva Negativa Dímeros-D2 (exceto contraindicações)4 TEV Angio-TC Normal Elevado multidetector5,6,7 confirmada1 TEP excluída3 Negativo Positivo Escore Escore TEP Wells ≥ 4 Wells < 4 confirmada1 Ecografia venosa de membros inferiores (+ ecografia TEP venosa de membros superiores se cateter central)8 excluída3 Negativo Positivo Arteriografia pulmonar TEV convencional confirmada1 Negativo Positivo TEP TEP excluída3 confirmada1 1 Com TEP-TEV confirmada, complementar a estratificação de risco (Ver algoritmo 3) 2 Dosagem de dímeros D por método com alta sensibilidade (> 90%): ELISA, VIDAS 3 Procurar outro diagnóstico + profilaxia primária para TEV + manter vigilância para TEV 4 Nos casos com contraindicação a heparina, considerar colocação de filtro de veia cava inferior, se possível tipo temporário, até a confirmação da TEP (no contexto de alta suspeita clínica) 5 Se a angio-TC for negativa e a suspeita clínica for alta, pode-se combinar veno-TC no mesmo exame 6 Se alergia ao contraste, insuficiência renal ou gestação, o exame inicial indicado é a cintilografia pulmonar perfusional (comparada com radiografia de tórax) 7 Angio-TC helicoidal com um detector com boa qualidade técnica (boa opacificação da circulação pulmonar) pode ser suficiente para a maioria das situações 8 Outros métodos para diagnóstico de TVP: venorressonância, veno-TC ou flebografia convencionalFigura 1 - Algoritmo de diagnóstico de TEP em pacientes clinicamente estáveis. J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 26 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradores Tromboembolia Pulmonar - Pacientes Instáveis na Apresentação Suspeita de TEP - Probabilidade pré-teste: intermediária ou alta (escore Wells ≥ 2 ) - Hipotensão não responsiva a volume (PAS < 90 ou PAM < 70 mmHg) - Sinais de baixo débito cardíaco - Hipoxemia significativa (PaO2 < 60 mmHg com FiO2 > 40%) Heparinização plena: (exceto contraindicações)2 Contraindicações a trombolíticos Sim Não Arteriografia Alto risco no convencional transporte3 Sim Não Não Positiva Negativa Ecocardio transesofágico disponível Angio-TC e/ou ecodoppler MiIs à multidetector4,5 beira do leito TEP TEP confirmada excluída1 Positiva Negativa Negativa Positiva Embolectomia por cateter + filtro VCI6 Persiste suspeita de TEP Ausência de melhora clínica Arteriografia convencional Embolectomia cirúrgica6 Positiva Negativa TEP TEP excluída1 confirmada Trombolítico7 1 Procurar outro diagnóstico + profilaxia primária para TEV + manter vigilância para TEV 2 Se for utilizar trombolítico imediatamente, não utilizar heparina concomitante. Caso contraindicação a heparina, considerar colocação de filtro VCI, se possível do tipo temporário, até a confirmação da TEP 3 Uso de vasopressor em moderadas ou altas doses, VM com FiO2 > 0.6, PCR na apresentação 4 Considerar ecocardiograma transesofagico se alergia ao contraste iodado ou insuficiencia renal grave 5 Angio-TC helicoidal com um detector mostrando imagens com boa qualidade técnica (boa opacificação da circulação pulmonar) pode ser suficiente para a maioria das situações 6 Depende da disponibilidade local. Se necessário e paciente com condições de transporte, considerar transferência para centro de referência 7 Iniciar HNF i.v. em infusão contínua (sem bolus), conforme TTPa seriado após uso do trombolíticoFigura 2 - Algoritmo de diagnóstico de TEP em pacientes clinicamente instáveis. PAS: pressão arterial sistólica;PAM: pressão arterial média; Ecocardio: ecocardiograma; MiIs: membros inferiores; VCI: veia cava inferior.J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 27 sinais indiretos na ausência dos principais 12. Goldhaber SZ, Visani L, De Rosa M. Acute pulmonary diagnósticos diferenciais (tamponamento embolism: clinical outcomes in the International Cooperative Pulmonary Embolism Registry (ICOPER). cardíaco, dissecção de aorta, IAM com Lancet. 1999;353(9162):1386-9. complicação mecânica) permitem o diag- 13. Kreit JW. The impact of right ventricular dysfunction on nóstico assistencial para fins de tratamento the prognosis and therapy of normotensive patients with de TEP.(C) pulmonary embolism. Chest. 2004;125(4):1539-45. 14) Pacientes com risco de transporte, mas que 14. Zierler BK. Ultrasonography and diagnosis of venous não puderem ser submetidos ao exame à thromboembolism. Circulation. 2004;109(12 Suppl beira do leito, ou se esse tenha um resul- 1):I9-14. 15. Chunilal SD, Eikelboom JW, Attia J, Miniati M, Panju tado inconclusivo, devem ser submetidos AA, Simel DL, et al. Does this patient have pulmonary à arteriografia pulmonar, sobretudo se embolism? JAMA. 2003;290(21):2849-58. na instituição há um médico que realiza 16. van Belle A, Büller HR, Huisman MV, Huisman PM, embolectomia por cateter. Na impossi- Kaasjager K, Kamphuisen PW, et al. Effectiveness of bilidade de arteriografia convencional, managing suspected pulmonary embolism using an a angio-TC com multidetectores é um algorithm combining clinical probability, D-dimer testing, and computed tomography. JAMA. 2006;295(2):172-9. método aceitável.(C) 17. Caprini JA, Glase CJ, Anderson CB, Hathaway K. Laboratory markers in the diagnosis of venousReferências thromboembolism. Circulation. 2004;109(12 Suppl 1):I4-8. 1. Alpert JS, Dalen JE. Epidemiology and natural history 18. Büller HR, Agnelli G, Hull RD, Hyers TM, Prins MH, of venous thromboembolism. Prog Cardiovasc Dis. Raskob GE. Antithrombotic therapy for venous 1994;36(6):417-22. thromboembolic disease: the Seventh ACCP Conference 2. Calder KK, Herbert M, Henderson SO. The mortality of on Antithrombotic and Thrombolytic Therapy. Chest. untreated pulmonary embolism in emergency department 2004;126(3 Suppl):401S-428S. Erratum in: Chest. 2005 patients. Ann Emerg Med. 2005;45(3):302-10. Jan;127(1):416. 3. Stein PD, Henry JW. Clinical characteristics of patients 19. Quiroz R, Kucher N, Zou KH, Kipfmueller F, Costello with acute pulmonary embolism stratified according to P, Goldhaber SZ, et al. Clinical validity of a negative their presenting syndromes. Chest. 1997;112(4):974-9. computed tomography scan in patients with suspected 4. Wood KE. Major pulmonary embolism: review of a pulmonary embolism: a systematic review. JAMA. pathophysiologic approach to the golden hour of 2005;293(16):2012-7. hemodynamically significant pulmonary embolism. 20. Filipek MS, Gosselin MV. Multidetector pulmonary Chest. 2002;121(3):877-905. CT angiography: advances in the evaluation of 5. Hirsh J, Hoak J. Management of deep vein thrombosis pulmonary arterial diseases. Semin Ultrasound CT MR. and pulmonary embolism. A statement for healthcare 2004;25(2):83-98. professionals. Council on Thrombosis (in consultation 21. Dalen JE. Pulmonary embolism: what have we learned with the Council on Cardiovascular Radiology), American since Virchow? Natural history, pathophysiology, and Heart Association. Circulation. 1996;93(12):2212-45. diagnosis. Chest. 2002;122(4):1440-56. 6. Tapson VF, Carroll BA, Davidson BL, Elliott CG, Fedullo 22. Andrews RT. Contrast peripheral phlebography PF, Hales CA, et al. The diagnostic approach to acute and pulmonary angiography for diagnosis of venous thromboembolism. Clinical practice guideline. thromboembolism. Circulation. 2004;109(12 Suppl American Thoracic Society. Am J Respir Crit Care Med. 1):I22-7. 1999;160(3):1043-66. 23. Kucher N, Goldhaber SZ. Cardiac biomarkers for 7. British Thoracic Society Standards of Care Committee Pulmonary Embolism Guideline Development Group. risk stratification of patients with acute pulmonary British Thoracic Society guidelines for the management embolism. Circulation. 2003;108(18):2191-4. of suspected acute pulmonary embolism. Thorax. 24. Wan S, Quinlan DJ, Agnelli G, Eikelboom JW. 2003;58(6):470-83. Thrombolysis compared with heparin for the initial 8. Menna Barreto SS, Gazzana MB. Tromboembolia treatment of pulmonary embolism: a meta-analysis pulmonar. In: Menna Barreto SS, Vieira SR, Pinheiro of the randomized controlled trials. Circulation. CT. Rotinas em terapia intensiva. Porto Alegre: Artmed; 2004;110(6):744-9. 2000. p. 193-215. 25. Rahimtoola A, Bergin JD. Acute pulmonary embolism: 9. Fedullo PF, Tapson VF. Clinical practice. The evaluation an update on diagnosis and management. Curr Probl of suspected pulmonary embolism. N Engl J Med. Cardiol. 2005;30(2):61-114. 2003;349(13):1247-56. 26. Warren J, Fromm RE Jr, Orr RA, Rotello LC, Horst HM;10. Roy PM, Colombet I, Durieux P, Chatellier G, Sors H, American College of Critical Care Medicine. Guidelines Meyer G. Systematic review and meta-analysis of for the inter- and intrahospital transport of critically ill strategies for the diagnosis of suspected pulmonary patients. Crit Care Med. 2004;32(1):256-62. embolism. BMJ. 2005;331(7511):259. 27. Goldhaber SZ. Echocardiography in the management11. Torbicki A, Perrier A, Konstantinides S, Agnelli G, Galiè of pulmonary embolism. Ann Intern Med. N, Pruszczyk P, et al. Guidelines on the diagnosis and 2002;136(9):691-700. management of acute pulmonary embolism: the Task 28. Institute for Clinical Systems Improvement. Venous Force for the Diagnosis and Management of Acute Thromboembolism Diagnosis and Treatment. Pulmonary Embolism of the European Society of Bloomington: Institute for Clinical Systems Improvement; Cardiology (ESC). Eur Heart J. 2008;29(18):2276-315. 2009. J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 28 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradores10. Anticoagulação na fase aguda HNF ou com HBPM,(A) dando-se preferência à HBPM.(A) A HNF é efetiva no tratamento de TEP, Por se tratar de doença grave, com grandemostrando melhores resultados quando compa- potencial de morbidade e mortalidade, não érada à condição de não tratamento do paciente necessária a confirmação diagnóstica para ocom TEP confirmada.(1) Devem ser respeitadas as início do tratamento, em caso de forte suspeitacontraindicações ao seu uso, pesando a relação clínica. No entanto, o tratamento definitivorisco-benefício de acordo com a situação clínica com anticoagulantes orais só deverá ser iniciadodo paciente (Quadro 10).(2,3) A dose da HNF após a confirmação diagnóstica, tendo em vistacalculada pelo peso do paciente — a dose de os riscos envolvidos com o uso dessas medica-ataque de 80 UI/kg e a dose de manutenção de ções.(14,15)18 UI/kg i.v., ajustada a cada 6 h de acordo com Embora não haja evidência na literatura, oo valor de TTPa medido — resulta em um tempo início da ação da HBPM é mais lento que a damenor para se atingir os valores alvos de TTPa HNF i.v. Por esse motivo, pode-se fazer umaentre 1,5 e 2,3 vezes o controle, quando compa- dose de ataque com HNF i.v. de 5.000 UI asso-rada a doses padronizadas de ataque de 5.000 UI ciada à dose inicial de HBPM.(14)e a doses de manutenção de 1.000 UI/h.(4) No Para pacientes com suspeita clínica forte deQuadro 11 está disposto um nomograma para TEP, aguardando definição diagnóstica, reco-uso da HNF i.v. de forma contínua. menda-se o início da anticoagulação com HNF Recentemente, estudos mostraram que a ou HBPM. Deve-se fazer a dose inicial da HBPM,HBPM s.c., com dose calculada de acordo com associada a uma dose de ataque de 5.000 UI deo peso do paciente, é pelo menos tão eficaz HNF.(D)quanto a HNF i.v. com dose ajustada de acordo Trabalhos clínicos não randomizadoscom os controles periódicos de TTPa. Em duas mostraram uma maior chance de sangramentosmeta-análises, verificou-se maior facilidade de importantes relacionados ao uso de HBPM emadministração da HBPM, assim como houveresultados favoráveis a ela em relação à HNF pacientes com insuficiência renal grave, umaquanto à mortalidade e à ocorrência de sangra- vez que a excreção dessa droga é feita por viamentos graves, fatos esses que permitem a sua renal. Se, ainda assim, a opção for pelo uso deindicação como primeira escolha no tratamento HBPM, deve-se fazer o controle com a medidade TEP não maciça.(5-13) Em um recente ensaio do antifator Xa. Em pacientes obesos, ainda nãoclínico randomizado no Canadá, comparou- há dados que justifiquem a contraindicação dese o uso de HNF s.c. em dose fixa por kg de HBPM. Os trabalhos que avaliaram esse subgrupopeso (333 UI/kg seguido por 250 UI/kg a cada usaram o peso atual dos pacientes para o cálculo12 h), sem monitorização de TTPa, com HBPM, da dose da HBPM a ser usada.(16-19)não havendo redução da eficácia ou aumento Em pacientes com insuficiência renal grave,de efeitos adversos. Esse regime pode ser uma deve-se usar preferencialmente a HNF ao invésalternativa terapêutica.(B)(10) da HBPM.(C) A administração da HBPM pode ser feita em A infusão contínua de HNF i.v. mostrou-duas aplicações diárias ou em apenas uma, sem se superior à administração intermitente s.c.prejuízo do efeito anticoagulante ou aumento quanto à recorrência de eventos trombóticos edo risco de sangramentos documentados até o à maior chance de sangramentos.(20-21) Portanto,momento.(10-13) Não existem estudos consistentes sempre que possível, deve-se optar pela infusãodemonstrando diferenças das diversas HBPM no contínua i.v. para a infusão de heparina.tratamento da TEP. Em pacientes com função A HNF deve ser usada preferencialmente emrenal normal, a enoxaparina é utilizada na dose regime de infusão contínua i.v.(B)de 1 mg/kg de peso a cada 12 h ou 1,5 mg/kg a A combinação entre reagentes e coagulôme-cada 24 h, a nadroparina é utilizada na dose de tros pode fornecer valores muito irregulares de90 UI/kg a cada 12 h ou 190 UI/kg a cada 24 h, TTPa, resultando na inadequação da anticoagu-e a dalteparina é utilizada na dose de 120 UI/kg lação (excessiva ou insuficiente). Para evitar essea cada 12 h ou 200 UI/kg a cada 24 h. tipo de erro, sugere-se a dosagem de heparina Pacientes com diagnóstico objetivo de TEP plasmática e que o intervalo de TTPa corres-aguda não maciça devem ser tratados com ponda à dosagem plasmática de 0,3-0,7 UI/mLJ Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 29Quadro 10 - Contraindicações relativas para o uso de que 40.000 UI/dia. Nessa situação, o controleanticoagulantes. feito pela medida do antifator Xa diminui a Sangramento ativoa necessidade de aumentos adicionais da dose da Doença ulcerosa péptica ativa HNF.(24) Defeitos conhecidos na coagulação Pacientes em tratamento com infusão (RNI basal > 1,2 ou TTPa > 1,3 vs. controle) contínua de HNF i.v que estejam necessitando Trombocitopenia (< 50.000/mm3) ou disfunção de doses excessivamente altas (maiores que plaquetária 40.000 UI/dia), para atingir os alvos propostos AVC hemorrágico recentea de TTPa, devem passar a ser controlados com Paciente com dificuldade de adesão ao tratamento testes para dosagem de antifator Xa.(B) (por motivos clínicos e/ou sociais) O fondaparinux sódico é um anticoagulante História de quedas (3 dentro do último ano ou recorrente lesão por queda) inibidor direto do fator Xa utilizado tanto no Hipertensão arterial sistêmica não controlada tratamento como na profilaxia de TEV.(15) Possui (> 180/110 mmHg) registro na ANVISA, mas ainda não é comercia- Cirurgia maior ou politraumatismo nos últimos lizado no Brasil. Em um grande ensaio clínico 3 meses aberto de não inferioridade, comparou-se o Cirurgia maior ou procedimento invasivo planejado fondaparinux com a HNF por infusão contínua Endocardite bacteriana i.v., não demonstrando diferenças em relação à Doença intracerebral ativa (por ex., metástase cerebral recorrência de TEV e sangramento.(25) Como não confirmada) há descrição de TIH, não há necessidade de se Anemia grave ou de causa não explicada monitorar a contagem das plaquetas. Pela sua Tumores ulcerados (de qualquer tipo) longa meia-vida (15-20 h), o medicamento pode Gestaçãob ser administrado uma vez ao dia. A dose varia TIHc conforme o peso corporal, sendo de 5 mg/diaa Recomenda-se aguardar pelo menos 4-6 semanas para para pacientes com peso abaixo de 50 kg, dereiniciar a anticoagulação em hemorragias fora do SNC.Em hemorragia intracraniana, deve-se esperar mais tempo. 7,5 mg/dia se o peso for de 50-100 kg e deCaso haja opção não farmacológica eficaz, essa deve ser 10 mg/dia para aqueles com peso maior queinstituída neste período (p.ex., uso de filtro de veia cava 100 kg. É contraindicado em pacientes comem paciente com TEP grave e recorrente). bGestação é insuficiência renal grave (depuração de creati-contraindicação somente em relação aos AVK. cContrain-dicação somente ao uso de HNF ou HBPM. Adaptado de nina endógena < 20 mL/min).(26)estudos anteriores.(2,3) A TIH é uma complicação grave relacionada à terapia com heparina. A PIH tipo I é uma forma menos grave, provavelmente relacionada(para o lote de reagente testado). No entanto, ao efeito direto da heparina na ativação plaque-se o laboratório não tem as condições de dosar tária e sem mediação imunológica. A formaa heparina, deve-se adotar o intervalo de TTPa imunomediada, também chamada de PIH tipoentre 1,5 e 2,3 vezes o valor de referência do II, é causada por imunoglobulinas direcionadaspaciente, pois esse intervalo é geralmente mais contra o fator 4 do complexo heparina.(27) A inci-adequado para os reagentes modernos.(22,23) dência de PIH tipo II varia de 1-3%. Um dos Em pacientes tratados com HNF, o valor de fatores que parece influenciar a ocorrência dessacontrole de TTPa deve corresponder à dosagem complicação é o tipo de heparina (HNF > HBPMde heparina plasmática de 0,3-0,7 UI/mL, de > fondaparinux); porém, em uma meta-análiseacordo com testes que avaliem a inibição do sobre esse assunto, não se confirmou a menorfator Xa. Entretanto, na impossibilidade da incidência dessa complicação com o uso dadosagem da heparina sérica pelo laboratório HBPM quando comparado com o uso de HNF.e subsequente estabelecimento do intervalo (28) Geralmente a PIH ocorre após 5-14 dias doadequado de TTPa a ser seguido, deve-se adotar início do tratamento ou mais precocemente emo intervalo entre 2,5 e 3,5 vezes o valor de base casos de reexposição. Caracteriza-se por plaque-do paciente.(B) topenia (plaquetas inferiores a 100.000/mm3 Alguns pacientes apresentam resistência ou em número inferior a 50% do valor basal doà heparina, definida como a necessidade paciente) e aumento de risco de eventos trombó-diária de HNF (infusão contínua i.v.) maior ticos venosos e arteriais. Define-se o diagnóstico J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 30 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e ColaboradoresQuadro 11 - Nomograma para o uso de HNF. Dose de ataque 80 UI/kg i.v. em bolus Dose inicial da infusão contínuaa 18 UI/kg a cada h (i.v.) Ajuste da infusão por TTPab Valor medido em TTPa Ajuste < 1,2 × controle 80 UI/kg i.v. em bolus + aumentar infusão em 4 UI/kg a cada h 1,2-1,5 × controle 40 UI/kg i.v. em bolus + aumentar infusão em 2 UI/kg a cada h 1,6-2.3 × controle Não modificar 2,4–3,0 × controle Diminuir a infusão em 2 UI/kg a cada h > 3,0 × controle Parar a infusão por 1 h + diminuir infusão em 3 UI/ kg a cada ha Sugestão de preparo da solução de HNF: soro glicosado 5% ou soro fisiológico 0.9% (99 mL) e HNF 5.000 UI (1 mL).Concentração final: 50 UI/mL. bApós cada ajuste na dose de HNF, deve-se solicitar uma nova dosagem de TTPa em 6 h.Ficando o nível estável, repete-se o TTPa a cada dia durante o uso de HNF. Adaptado do estudo de Raschke et al.(4)por exclusão de outras causas de plaquetopenia coagulação oral tenha atingido o alvo (RNI entree através de testes imunológicos específicos.(27) 2 e 3, por pelo menos 24 h) e tempo de sobre-O tratamento consiste em suspender a heparina posição entre heparinas e AVK de no mínimo 5e iniciar a medicação anticoagulante alterna- dias.(A)tiva. Entre as recomendadas, estão os inibidoresdiretos da trombina, lepirudina e argatrobana.(29) ReferênciasO uso de AVK geralmente é contraindicado na 1. Barrit DW, Jordan SC. Anticoagulant drugs in thefase aguda de doença. treatment of pulmonary embolism. A controlled trial. Os anticoagulantes orais atuam inibindo os Lancet. 1960;1(7138):1309-12.fatores da coagulação dependentes da vita- 2. Institute for Clinical System Improvement. Anticoagulantmina K (fatores II, VII, IX e X), mas eles também Therapy Supplement. Bloomington: Institute for Clinical System Improvement; 2001.reduzem a síntese de fatores anticoagulantes 3. Samama MM, Cohen AT, Darmon JY, Desjardins L, Eldornaturais, proteínas C e S, o que pode promover A, Janbon C, et al. A comparison of enoxaparin witheventos trombóticos paradoxais no início do placebo for the prevention of venous thromboembolismtratamento, enquanto a ação anticoagulante in acutely ill medical patients. Prophylaxis in Medicalnão for plena. Antigamente, o anticoagulante Patients with Enoxaparin Study Group. N Engl J Med. 1999;341(11):793-800.oral só era iniciado após cerca de 5 dias de uso 4. Raschke RA, Reilly BM, Guidry JR, Fontana JR, Srinivas S.contínuo de HNF; entretanto, estudos prospec- The weight-based heparin dosing nomogram comparedtivos randomizados mostraram que não havia with a “standard care” nomogram. A randomizeddiferença quanto à recorrência de eventos trom- controlled trial. Ann Intern Med. 1993;119(9):874-81.bóticos entre o início precoce (menos de 3 dias 5. de Valk HW, Banga JD, Wester JW, Brouwer CB, van Hessen MW, Meuwissen OJ, et al. Comparingapós o início da anticoagulação com heparina) subcutaneous danaparoid with intravenouse o início tardio (após 5 dias). Por outro lado, o unfractionated heparin for the treatment of venousinício precoce, concomitante ao início da hepa- thromboembolism. A randomized controlled trial. Annrina, diminui o tempo de internação hospitalar, Intern Med. 1995;123(1):1-9. 6. Simonneau G, Sors H, Charbonnier B, Page Y, Laaban JP,sendo, portanto, recomendado. A dose inicial Azarian R, et al. A comparison of low-molecular-weightdeve ser de varfarina 5-10 mg/dia nos primeiros heparin with unfractionated heparin for acute pulmonary3 dias, seguindo-se o ajuste de acordo com a embolism. The THESEE Study Group. TinzaparineRNI.(30-33) Em nosso meio, além da varfarina, há a ou Heparine Standard: Evaluations dans l’Emboliefemprocumona. Entretanto, esse anticoagulante Pulmonaire. N Engl J Med. 1997;337(10):663-9. 7. van Dongen CJ, van den Belt AG, Prins MH, Lensingoral, que tem meia-vida mais longa, é menos AW. Fixed dose subcutaneous low molecular weightestudado e não há nomogramas específicos heparins versus adjusted dose unfractionated heparinde uso, sendo, portanto, dada a preferência à for venous thromboembolism. Cochrane Database Systvarfarina. Rev. 2000;(2):CD001100. O anticoagulante oral só deve ser começado 8. Hull RD, Raskob GE, Brant RF, Pineo GF, Elliott G, Stein PD, et al. Low-molecular-weight heparin vs heparin inapós a confirmação diagnóstica de TEP. Deve ser the treatment of patients with pulmonary embolism.iniciado em conjunto com HNF ou HBPM, que American-Canadian Thrombosis Study Group. Archpoderá ser suspensa tão logo o controle da anti- Intern Med. 2000;160(2):229-36.J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 31 9. Dolovich LR, Ginsberg JS, Douketis JD, Holbrook AM, 21. Glazier RL, Crowell EB. Randomized prospective trial Cheah G. A meta-analysis comparing low-molecular- of continuous vs intermittent heparin therapy. JAMA. weight heparins with unfractionated heparin in the 1976;236(12):1365-7. treatment of venous thromboembolism: examining some 22. Bates SM, Weitz JI, Johnston M, Hirsh J, Ginsberg JS. unanswered questions regarding location of treatment, Use of a fixed activated partial thromboplastin time product type, and dosing frequency. Arch Intern Med. ratio to establish a therapeutic range for unfractionated 2000;160(2):181-8. heparin. Arch Intern Med. 2001;161(3):385-91.10. Couturaud F, Julian JA, Kearon C. Low molecular weight 23. Hirsh J, Raschke R. 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Büller HR, Davidson BL, Decousus H, Gallus A, Gent low-molecular-weight heparin for acute treatment of M, Piovella F, et al. Subcutaneous fondaparinux venous thromboembolism. JAMA. 2006;296(8):935-42. versus intravenous unfractionated heparin in the initial13. Merli G, Spiro TE, Olsson CG, Abildgaard U, Davidson BL, treatment of pulmonary embolism. N Engl J Med. Eldor A, et al. Subcutaneous enoxaparin once or twice 2003;349(18):1695-702. Erratum in: N Engl J Med. daily compared with intravenous unfractionated heparin 2004;350(4):423. for treatment of venous thromboembolic disease. Ann 26. Levine MN, Hirsh J, Gent M, Turpie AG, Cruickshank M, Intern Med. 2001;134(3):191-202. Weitz J, et al. A randomized trial comparing activated14. 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Gerlach AT, Pickworth KK, Seth SK, Tanna SB, Barnes or unfractionated heparin: a metaanalysis. Chest. JF. Enoxaparin and bleeding complications: a review 2007;132(4):1131-9. in patients with and without renal insufficiency. 29. Greinacher A, Völpel H, Janssens U, Hach-Wunderle V, Pharmacotherapy. 2000;20(7):771-5. Kemkes-Matthes B, Eichler P, et al. Recombinant hirudin17. Cestac P, Bagheri H, Lapeyre-Mestre M, Sié P, Fouladi A, (lepirudin) provides safe and effective anticoagulation Maupas E, et al. Utilisation and safety of low molecular in patients with heparin-induced thrombocytopenia: a weight heparins: prospective observational study in prospective study. Circulation. 1999;99(1):73-80. medical inpatients. Drug Saf. 2003;26(3):197-207. 30. Gallus A, Jackaman J, Tillett J, Mills W, Wycherley18. Spinler SA, Inverso SM, Cohen M, Goodman SG, A. Safety and efficacy of warfarin started early after Stringer KA, Antman EM, et al. 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Hull RD, Raskob GE, Hirsh J, Jay RM, Leclerc JR, Geerts 1990;322(18):1260-4. WH, et al. Continuous intravenous heparin compared 33. Institute for Clinical Systems Improvement. Venous with intermittent subcutaneous heparin in the initial Thromboembolism Diagnosis and Treatment. treatment of proximal-vein thrombosis. N Engl J Med. Bloomington: Institute for Clinical System Improvement; 1986;315(18):1109-14. 2009. J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 32 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradores11. Tratamento anticoagulante de (D)(9) Há fatores associados à maior frequêncialonga duração desse efeito adverso: idade avançada (sobre- tudo > 75 anos), sangramento digestivo prévio O tratamento anticoagulante de longa (principalmente se causa não revertida), AVCduração tem como principal objetivo impedir prévio não cardioembólico, nefropatia, hepa-a recorrência de TEV e a ocorrência de TEP topatia, uso concomitante de antiplaquetários,fatal. Na decisão de manter o anticoagulante, é outras doenças graves, monitorização subótimaimportante também estimar o risco de sangra- e má adesão ao uso de anticoagulantes. Existemmento, pesando-se a relação risco-beneficio escores de predição de risco de sangramento quedessa terapia. O tempo de anticoagulação deve podem ser utilizados no contexto de TEV.(10)ser sempre individualizado diante do contexto Além da eficácia dos anticoagulantes e dodo paciente. Entretanto, recomendações gerais inerente risco de sangramento, a definição dabaseadas nos ensaios clínicos e meta-análises duração do seu uso depende da persistênciapodem ser feitas.(1) Ressalta-se que os pacientes dos fatores de risco. Um estudo em pacientesincluídos nos estudos são aqueles com TEV em com TEP demonstrou uma taxa de recorrênciageral, sendo a maioria com TVP e, excepcional- de TEV de 2,5% ao ano em pacientes commente, TEP isolada.(2) Do ponto de vista prático, fatores de risco transitórios (por ex., cirurgia,não há diferenças no manejo, a longo prazo, de doença clínica aguda, gestação, estrogenote-pacientes com TEP ou com TVP proximal, apesar rapia e trauma) e de 4,5% ao ano em pacientesde o risco de recorrência de TEV ser 3 vezes com fatores de risco permanentes ou não iden- tificados.(2) Ensaios clínicos em cenários commaior nos pacientes com TEP.(3) fatores de risco transitórios compararam a anti- A anticoagulação é realizada na maioria dos coagulação de curta duração (4-6 semanas)pacientes com o uso de AVK, sendo necessária à com a de duração intermediária (3-6 meses),dosagem repetida de RNI a fim de manter o alvo de demonstrando que o grupo de menor tempo2,5 (entre 2,0 e 3,0). Estudos antigos que tentaram de tratamento tem uma taxa elevada de recor-utilizar HNF em minidoses mostraram que essa rência.(11) Portanto, em pacientes com fatores deestratégia não foi eficaz em prevenir a recorrência risco transitórios, recomenda-se o tratamentoda TEV quando comparada ao uso de AVK em anticoagulante por 3 meses.(A)(12,13)dose plena.(4) Mais recentemente, foi testado um Estudos comparando tempos de anticoa-alvo terapêutico mais baixo para os AVK (entre gulação intermediários (3, 6 ou 12 meses) não1,5 e 2,0) que, comparado ao placebo, é eficaz demonstraram diferenças significativas do pontoem prevenir a recorrência da TEV, mas pior que a de vista prático. O risco de recorrência e sangra-anticoagulação em níveis convencionais (alvo de mento não foi estatisticamente significativo em2,5).(5,6) Pacientes em tromboprofilaxia secundária dois estudos que compararam 3 e 6 meses decom AVK devem manter o RNI entre 2,0 e 3,0. uso de anticoagulantes em pacientes com o(A) Em situações especiais, onde há o desejo de primeiro episódio de TEV.(13,14) Em pacientes semmonitorização menos frequente, pode-se optar fatores de risco conhecidos (TEP não provocadapor um alvo menos intenso de anticoagulação ao ou idiopática), recomenda-se que o tratamentoinvés de suspender a anticoagulação.(B) As HBPM dure pelo menos 3 meses.(A) Após esse período,são alternativas tão eficazes quanto os AVK na esses pacientes devem ser avaliados quanto aosanticoagulação de longa duração e prescindem, riscos e benefícios de se manter a anticoagu-na maioria dos casos, de monitorização labora- lação por tempo prolongado.(C) O benefíciotorial. São possivelmente mais seguras que os da anticoagulação permanece enquanto essaAVK e podem ser úteis, sobretudo, em pacientes está em uso, não ocorrendo um efeito reboteque residem em áreas inacessíveis, que desejam de aumento da recorrência da TEV após a suamenos consultas médicas para o controle de anti- suspensão. Apesar do risco de novos episódioscoagulação ou que tenham contraindicações aos de TEV diminuírem ao longo do tempo, o riscoAVK.(7,8) As HBPM podem substituir os AVK na de sangramento pela anticoagulação permanecetromboprofilaxia secundária da TEV.(A) As ques- independente do tempo de uso.(15,16) Pacientestões de farmacoeconomia devem ser levadas em com primeiro episódio de TEP idiopática, baixoconsideração e calculadas conforme os custos de risco de complicações e boa adesão ao trata-aquisição das medicações no mercado. mento devem ser mantidos sob anticoagulação A estimativa do risco de sangramento é indefinidamente.(A)(17) Cabe ressaltar que, emfundamental na decisão do tempo do tratamento. situações nas quais a TEV foi descoberta aciden-J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 33talmente, a conduta terapêutica é a mesma. ou dupla heterozigose para essas mutações,Em pacientes que apresentam recorrência de bem como a deficiência de proteína C, deTEP idiopática (segundo episódio ou mais), proteína S ou de antitrombina, são candidatosrecomenda-se o uso de anticoagulação indefi- à anticoagulação por tempo indefinido.(C)(21,22)nidamente.(A) Nos casos de heterozigose isolada para o fator Pacientes com câncer têm um risco aumen- V Leiden, de mutação do gene da protrombinatado de recorrência de TEV, chegando a 20% no ou hiper-homocisteinemia, os estudos não têmprimeiro ano após o evento inicial.(18) Neoplasia demonstrado benefícios da anticoagulaçãomaligna é o maior preditor de recorrência entre os permanente, visto que o risco de recorrência nãofatores associados às características do paciente, é tão elevado.(23)sendo que a anticoagulação por tempo indefi- Recentemente, foi lançado no mercado brasi-nido deve ser fortemente considerada. Nesses leiro o etexilato de dabigatrana, um inibidorpacientes, o uso de HBPM mostrou-se mais eficaz reversível do sítio ativo da trombina. É um agenteque o de AVK na prevenção de novos episó- para uso oral que prescinde de monitorizaçãodios, mas sem modificação da sobrevida.(19,20) laboratorial. A dose utilizada é de 150-220 mg/diaApós 6 meses, não há estudos randomizados em uma tomada. Esse fármaco foi testado emconsistentes que favoreçam um dos anticoagu- ensaios clínicos de fase III na prevenção de TEVlantes. Assim, recomenda-se o tratamento por em cirurgias ortopédicas, sendo comparado a3-6 meses com HBPM em pacientes com câncer. enoxaparina. Na maioria dos estudos, não houve(B) Após esse período, a anticoagulação deve ser diferença estatisticamente significativa nosmantida, com AVK ou HBPM, de forma indefi- desfechos de incidência de TEV, sangramento enida ou até o câncer ser resolvido.(A) Embora seja importante estratificar os mortalidade.(24-26) É uma alternativa às HBPM napacientes com TEP não provocada (isto é, sem prevenção de TEV em pacientes ortopédicos.(B)fatores de risco transitórios e sem câncer), esse Apesar de ter comprovada eficácia na anticoa-é um tema complexo. Alguns contextos clínicos gulação plena no contexto da fibrilação atrial,devem ser levados em consideração na decisão ainda não foram liberados os resultados do usode se manter ou suspender a anticoagulação da dabigatrana no tratamento de TEV. Seu usode longa duração, pois os seguintes contextos nessa indicação ainda é incipiente, podendo seraumentam o risco de recorrência: TEV prévio discutido os riscos e benefícios com o paciente(isto é, recorrente), sexo masculino, síndrome no contexto da trombocitopenia por heparina, jáantifosfolipídeo, trombofilias hereditárias, trom- que no mercado brasileiro não há outras alter-bose residual em veias próximas e presença nativas até o momento.(D)de DVD verificada por ecocardiograma na alta Um recente estudo demonstrou que valoreshospitalar.(D)(9) de dímeros D acima do plano de corte após a Pacientes portadores de trombofilias here- suspensão da anticoagulação têm sido associadosditárias de alto risco de recorrência, como a uma maior taxa de recorrência.(27) Sugere-se ahomozigose para o fator V Leiden, homozi- sua determinação cerca de 4 semanas após agose para mutação do gene da protrombina descontinuação da anticoagulação, tendo emQuadro 12 - Recomendações para a duração da tromboprofilaxia secundária.a Contexto Tempo de anticoagulação recomendado Primeiro episódio de TEV associado a fatores de risco transitórios 3 meses Primeiro episódio de TEV não provocada Pelo menos 3 meses Se há baixo risco de sangramento, considerar anticoagulação de longa duraçãoSegundo episódio de TEV não provocada A longo prazoTEV associada a câncer A longo prazo ou enquanto câncer ativoTEV associada a trombofilias de alto riscob A longo prazoTEV associada à heterozigose para fator V Leiden, heterozigose Conforme contextos anteriores (essaspara mutação do gene da protrombina ou hiper-homocisteinemia trombofilias isoladamente não modificam a conduta)a Considerar o equilíbrio entre o risco de recorrência de TEV e a chance de sangramento. bTrombofilias de alto risco: homo-zigose para fator V Leiden, mutação do gene da protrombina, deficiência de proteína C, de proteína S ou de antitrombinae síndrome antifosfolipídeo. J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 34 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradoresvista a reavaliação e a discussão sobre a reintro- or pulmonary embolism, or both: randomised trial. BMJ.dução do tratamento.(B) 2007;334(7595):674. 14. Pinede L, Ninet J, Duhaut P, Chabaud S, Demolombe- As recomendações para a duração do tempo Rague S, Durieu I, et al. Comparison of 3 and 6de terapia anticoagulante estão sumarizadas no months of oral anticoagulant therapy after a firstQuadro 12. episode of proximal deep vein thrombosis or pulmonary embolism and comparison of 6 and 12 weeks of therapy after isolated calf deep vein thrombosis. Circulation.Referências 2001;103(20):2453-60. 1. Kearon C. Duration of therapy for acute venous 15. Hutten BA, Prins MH. Duration of treatment with vitamin thromboembolism. Clin Chest Med. 2003;24(1):63-72. K antagonists in symptomatic venous thromboembolism. 2. Agnelli G, Prandoni P, Becattini C, Silingardi M, Taliani Cochrane Database Syst Rev. 2006;(1):CD001367. MR, Miccio M, et al. 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    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 3512. Uso de trombolíticos e a um aumento não significativo de sangra-alternativas terapêuticas no mento importante (9,1% vs. 6,1%; OR = 1,42; IC95%: 0,81-2,46) e a um aumento significativopaciente grave em sangramentos menores (22,7% vs. 10,0%; Grandes registros mostram que a morta- OR = 2,63; IC95%: 1,53-4,54). Dessa forma, paralidade intra-hospitalar por TEP atinge 30% melhor entendermos a evidência e as indicaçõesem pacientes que apresentam eventos agudos para o uso de trombolíticos, é recomendávelassociados à instabilidade hemodinâmica ou estratificar os pacientes com TEP de acordochoque.(1) Estudos usando ecocardiografia têm com a presença de instabilidade hemodinâmicademonstrado que a presença de DVD é um (geralmente associada à hipotensão arterial àfator prognóstico importante em pacientes apresentação) e com a presença de DVD.com TEP, mesmo quando normotensos à Para o primeiro grupo, composto deapresentação, estando presente em 31-56% dos pacientes com instabilidade hemodinâmica e/casos.(2,3) Um grande registro prospectivo de TEP ou choque, apesar da evidência ser tênue, o uso(International Cooperative Pulmonary Embolism de trombolíticos, na ausência de contraindica-Registry) mostrou que pacientes normotensos ções, é recomendado pela maioria dos consensostinham chance duas vezes maior de morrer internacionais, particularmente devido à altaquando apresentavam DVD.(4) A dilatação do VD mortalidade associada a essa situação.(20-22)detectada por TC (definida como uma razão do Nesses pacientes, o risco de sangramento gravediâmetro do VD sobre o diâmetro do VE > 0,9) é (levando à hemorragia cerebral ou morte), quevista em 64% dos pacientes com TEP e também normalmente chega a 2-3%, é claramente supe-está associada a uma maior chance de morte por rado pelo risco de morte por TEP.(23) O segundoTEP em 30 dias (OR = 5,17; p = 0,005), após grupo envolve a situação oposta, na qualajustes para efeito de outros fatores.(5) pacientes com TEP apresentam-se com pressão Esses dados têm suscitado vários estudos arterial, FC e função de VD normais. Nessescom o uso de agentes trombolíticos, desde os casos, os pacientes têm bom prognóstico comanos 70, visando mostrar que uma resolução o uso de anticoagulação sistêmica apenas e,mais rápida dos êmbolos pulmonares leva à portanto, não está indicada a trombólise, mesmomelhora da perfusão pulmonar, detectada por que tenham TEP anatomicamente grande. Porangiografia ou cintilografia pulmonar, e dos fim, há o grupo de pacientes para os quais háparâmetros hemodinâmicos, como DVD.(6) Isso bastante controvérsia quanto à indicação deocorre porque, enquanto a anticoagulação sistê- trombolíticos. São aqueles que se apresentammica com heparina previne apenas a recorrência hemodinamicamente estáveis, mas com sinaisda TEP, com a remoção parcial do êmbolo, de DVD. Alguns ensaios clínicos controladosa trombólise leva à redução da sobrecarga sugerem que esses pacientes podem se benefi-e à reversão da dilatação do VD e, em teoria, ciar da resolução mais rápida do êmbolo, compoderia resultar em uma redução da morta- melhora da função do VD. Entretanto, apesar delidade. Entretanto, após um estudo inicial em que a dilatação e a hipocinese de VD estão asso-1970, apenas 10 outros estudos clínicos contro- ciadas a um pior prognóstico, a avaliação desseslados foram realizados, com randomização de parâmetros é, na maioria das vezes, qualitativa,um total de 717 pacientes, comparando o uso podendo não ser reprodutível fora do ambientede heparina com o de trombolíticos.(7-16) Esses de ensaios clínicos. Além disto, a presença deestudos mostram a evidência conflitante quanto DVD pode representar apenas um subgrupo deà superioridade de trombolíticos na redução da pacientes previamente mais doentes por outrasmortalidade por TEP em pacientes em geral. causas (por ex., insuficiência cardíaca congestiva Em três meta-análises publicadas nos últimos ou cor pulmonale crônico) e não por uma conse-5 anos, compilaram-se os dados desses estudos quência de TEP.e chegaram a conclusões semelhantes.(17-19) Finalmente, a determinação de estabilidadeQuando comparados com a heparina, os trom- hemodinâmica não se baseia em um único parâ-bolíticos estão associados a uma redução não metro, como a pressão arterial, mas dependesignificativa na recorrência de TEP ou em morte de vários fatores, o que pode levar à inclusão(6,7% vs. 9,6%; OR = 0,67; IC95%: 0,40-1,12), de pacientes com prognósticos muito diversos J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 36 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradoresnesse grupo. A heterogeneidade e a relativa- Quadro 13 - Regimes trombolíticos utilizados emmente baixa mortalidade desse grupo dificulta TEP aguda.a demonstração de benefícios clínicos, pois a Agente Dosagemamostragem de estudos clínicos randomizados trombolíticotem que ser muito maior. Em 2002, foi realizado Estreptoquinase • 1.500.000 UI i.v em 2 hao maior estudo controlado até então, incluindo • 250.000 UI em 30 min, seguido por 100.000 UI/h por 12-24 h256 pacientes com TEP e DVD.(16) O desfecho Alteplase • 100 mg i.v. em 2 haprincipal de morte ou escalonamento na terapia (rtPA)b • 0,6 mg/kg (máximo, 50 mg) i.v. emocorreu em 24,6% dos pacientes randomizados 15 minpara o uso de heparina e em 11% daqueles a Regime preferencial. bPara o uso durante parada cardior-tratados com rtPA (p = 0,006). Entretanto, esse respiratória (ritmo de atividade elétrica sem pulso comdesfecho combinado não foi suficientemente forte suspeita de TEP): alteplase, 100 mg i.v. em 15 min.objetivo, e não houve diferenças significativasnas incidências de morte ou de recorrência de a relação risco-benefício diante da situação doTEP (2,2% vs. 3,4% para heparina vs. rtPA, e paciente (Quadro 14).(26,27)2,9% vs. 3,4% para heparina vs. rtPA, respec- Em relação ao uso de trombolíticos na TEP,tivamente), que são as razões mais importantes recomenda-se:para o uso de trombolíticos. 1) Trombolíticos (estreptoquinase ou rtPA) De um modo geral, as doses de trombolíticos estão indicados para o tratamento derecomendadas para TEP são as seguintes: estrep- pacientes com TEP maciça e/ou instabili-toquinase, 250.000 UI em dose inicial, seguida de dade hemodinâmica e sem contraindicações100.000 UI/h por 24 h; uroquinase, 4.400 UI/kg importantes para anticoagulantes.(B)de peso em dose inicial, seguida de 2.200 UI/kg 2) Trombolíticos não estão indicados empor 12 h; ou rtPA i.v., 100 mg/2 h (Quadro 13). pacientes com TEP de qualquer tamanho,(20) A infusão deve ser feita sistemicamente, uma quando hemodinamicamente estáveis evez que o efeito da lise de coágulos de fibrina sem evidência de DVD.(A)é global, e a infusão por cateter pode aumentar 3) Uma dose de 50 mg de rtPA em bolus podeo risco de sangramento no local da punção. A ser usada emergencialmente em pacientesduração da infusão pode ser curta, pois tanto com forte suspeita clínica de TEP maciça ea estreptoquinase (1.500.000 UI) quanto rtPA risco de morte iminente.(D)(100 mg) levam à dissolução do êmbolo e à 4) Na ausência de contraindicações, pacientesredução da resistência arterial pulmonar quando com TEP, hemodinamicamente estáveisinfundidas em 2 h, sem o aumento do risco de e com evidência de DVD podem ter umsangramento importante.(24) Heparina pode ser melhor curso clínico intra-hospitalar comadministrada concomitantemente com rtPA, o do uso de trombolíticos.(B) Entretanto,mas não com estreptoquinase ou uroquinase. O trombolíticos não devem ser utilizados emtempo máximo para o tratamento trombolítico todos os pacientes com essas caracterís-de TEP, diferentemente daquele estabelecido ticas, pois benefícios em termos de menorpara IAM e para AVC, não é tão limitado, uma recorrência e de menor mortalidade emvez que o seu uso muitas vezes ocorre como o relação à anticoagulação ainda não foramúltimo recurso no caso de instabilidade hemodi- comprovados.(B)nâmica e de eminência de morte, até 2 semanas Pacientes com TEP grave, quando se cogitaapós o início dos sintomas. Entretanto, sabe-se o uso de trombolíticos, necessitam obvia-que quanto mais precoce é a administração do mente de suporte respiratório e hemodinâmico.trombolítico, maior a probabilidade de haver (C) A reversão da hipoxemia pode exercer umreperfusão. No caso de forte suspeita clínica de efeito vasodilatador benéfico sobre a circulaçãoTEP maciça e de morte eminente, uma dose de pulmonar. A oxigenoterapia, portanto, tem um50 mg de rtPA em infusão rápida está indicada papel significativo. Caso seja necessário o uso dedurante a ressuscitação cardiorrespiratória.(25) ventilação mecânica, deve-se considerar a possi- Na decisão do uso de trombolíticos, devem bilidade de efeitos hemodinâmicos deletériosser respeitadas as contraindicações e balanceada pela pressão positiva.J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 37Quadro 14 - Contraindicações para o uso de ser feito através de radiologia intervencionistatrombolíticos. (por cateter e através de fragmentação e aspi- Contraindicações absolutas ração) ou por cirurgia aberta (com esternotomia • AVC hemorrágico ou de etiologia desconhecida e circulação extracorpórea). Entretanto, esses independente do tempo procedimentos são de exceção e necessitam • AVC isquêmico nos últimos 6 meses de um centro médico de referência, que não é • Neoplasia ou lesão no SNC disponível em muitos locais do Brasil. A embo- • Cirurgia ou trauma maior nas ultimas 3 semanas lectomia por cateter visa reduzir agudamente a • Sangramento gastrointestinal no último mês resistência vascular pulmonar, podendo haver • Sangramento ativo conhecido rápida melhora hemodinâmica independente- Contraindicações relativas mente do resultado angiográfico.(30) Naqueles • AVC isquêmico transitório nos últimos 6 meses pacientes sem contraindicações, podem-se usar • Uso de anticoagulante oral trombolíticos locais concomitantemente. No • Gestação até 1 semana pós-parto passado, a embolectomia cirúrgica era associada • Punções em locais não compressíveis á elevadíssimas taxas de mortalidade (cerca de • Ressuscitação cardiorrespiratória traumática 80%), muito relacionadas à seleção dos pacientes • Hipertensão arterial sistêmica refratária (praticamente moribundos). Atualmente, com (pressão sistólica > 180 mm Hg) o manejo agressivo dos pacientes e a decisão • Hepatopatia avançada precoce por tratamento cirúrgico com indicação • Endocardite infecciosa precisa, os resultados têm sido melhores.(31,32) • Ulcera péptica ativa Portanto, pacientes com TEP grave, insta-Adaptado de estudos anteriores.(26,27) bilidade hemodinâmica e contraindicação para ou refratários à terapia trombolítica (um grupo infrequente e altamente selecionado) são candi- A insuficiência ventricular direita aguda (ou datos a embolectomia por cateter ou cirúrgicaagudizada) é o mecanismo principal de óbito em centros com experiência nesses procedi-em pacientes com TEP. Realizar um desafio mentos.(C)hídrico agressivo pode piorar a disfunção ventri-cular. Sendo assim, o uso judicioso de reposição Referênciasvolêmica para otimizar a pré-carga e o débito 1. Konstantinides S, Geibel A, Olschewski M, Heinrichcardíaco pode ser tentado inicialmente (em F, Grosser K, Rauber K, et al. Association between thrombolytic treatment and the prognosis ofgeral, 250-500 mL de solução salina). Vários hemodynamically stable patients with major pulmonaryfármacos vasoativos (dobutamina, dopamina, embolism: results of a multicenter registry. Circulation.noradrenalina, adrenalina, levosimendana, 1997;96(3):882-8.óxido nítrico, sildenafil e prostaglandinas) já 2. Grifoni S, Olivotto I, Cecchini P, Pieralli F, Camaiti A, Santoro G, et al. Short-term clinical outcome of patientsforam testados em modelos experimentais e em with acute pulmonary embolism, normal blood pressure,pequenas séries de casos. Enfim, o manejo da and echocardiographic right ventricular dysfunction.instabilidade cardiovascular é importante, mas Circulation. 2000;101(24):2817-22. 3. Ribeiro A, Lindmarker P, Juhlin-Dannfelt A, Johnssonnão há uma estratégia comprovadamente eficaz, H, Jorfeldt L. Echocardiography Doppler in pulmonarydevendo-se individualizar conforme o contexto embolism: right ventricular dysfunction as a predictor ofdo paciente.(28) mortality rate. Am Heart J. 1997;134(3):479-87. Aqueles pacientes que não melhoram após 4. Goldhaber SZ, Visani L, De Rosa M. Acute pulmonary embolism: clinical outcomes in the Internationaluma primeira infusão de trombolítico e perma- Cooperative Pulmonary Embolism Registry (ICOPER).necem instáveis podem responder a uma segunda Lancet. 1999;353(9162):1386-9.infusão de resgate de um outro trombolítico (por 5. Schoepf UJ, Kucher N, Kipfmueller F, Quiroz R, Costelloex., se recebeu estreptoquinase, na sequência, P, Goldhaber SZ. Right ventricular enlargement on chest computed tomography: a predictor of earlyseria administrado alteplase e vice-versa).(29) death in acute pulmonary embolism. Circulation. Pacientes graves, com instabilidade 2004;110(20):3276-80.hemodinâmica significativa, que têm contrain- 6. The urokinase pulmonary embolism trial. A national cooperative study. Circulation. 1973;47(2dicações formais a trombolíticos ou não Suppl):II1-108.responderam a essa terapia, são candidatos 7. Urokinase pulmonary embolism trial. Phase 1 results: aa embolectomia.(29) Esse procedimento pode cooperative study. JAMA. 1970;214(12):2163-72. J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 38 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradores 8. Tibbutt DA, Davies JA, Anderson JA, Fletcher EW, 2004;126(3 Suppl):401S-428S. Erratum in: Chest. Hamill J, Holt JM, et al. Comparison by controlled 2005;127(1):416. clinical trial of streptokinase and heparin in treatment 21. Guidelines on diagnosis and management of acute of life-threatening pulmonary embolism. Br Med J. pulmonary embolism. Task Force on Pulmonary 1974;1(5904):343-7. Embolism, European Society of Cardiology. Eur Heart J. 9. Ly B, Arnesen H, Eie H, Hol R. A controlled clinical 2000;21(16):1301-36. trial of streptokinase and heparin in the treatment 22. British Thoracic Society Standards of Care Committee of major pulmonary embolism. Acta Med Scand. Pulmonary Embolism Guideline Development Group. 1978;203(6):465-70. British Thoracic Society guidelines for the management10. Marini C, Di Ricco G, Rossi G, Rindi M, Palla R, Giuntini of suspected acute pulmonary embolism. Thorax. C. 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    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 3913. Uso de filtros de veia cava pacientes com contraindicação ao uso de anti- coagulantes ou que apresentam recorrência Tradicionalmente, filtros de veia cava têm apesar do tratamento farmacológico adequado.sido indicados para pacientes com TEP aguda, (C) Pacientes com filtros permanentes, apósna presença de contraindicação ou de compli- passada a contraindicação de anticoagulantes,cação relacionada ao uso de anticoagulantes. deverão receber essa terapia adicionalmente.(1-3) São também utilizados nas recidivas de TEP, Filtros removíveis devem ser empregadosa despeito de anticoagulação adequada, bem para pacientes com contraindicação temporáriacomo na presença de TEP maciça e nos casos ao uso de anticoagulantes, devendo permanecercirúrgicos de embolectomia.(2) Mais recente- por aproximadamente 2 semanas.(D)mente, sobretudo com o advento dos filtros O uso de filtros de veia cava deve ser conside-removíveis, sua indicação foi estendida para rado no pré-operatório de pacientes candidatospacientes acometidos por TVP proximal com alto à cirurgia e acometidos por evento trombóticorisco temporário para TEP.(4) Nos últimos anos, nos últimos 30 dias, para os quais a anticoa-devido à maior prevalência de trombos originá- gulação precisa ser interrompida.(9,10) Filtrosrios das extremidades superiores, filtros também removíveis devem ser considerados na presençatêm sido instalados na veia cava superior.(5) de uma contraindicação temporária à anticoa- Há apenas um estudo randomizado, contro- gulação.(D)lado, que procura demonstrar a eficácia ea segurança dos FVCI na prevenção de TEP Referênciasem pacientes com trombose venosa proximal.(6) Foram implantados FVCI em 200 pacientes 1. Kinney TB. Update on inferior vena cava filters. J Vasc Interv Radiol. 2003;14(4):425-40.com TVP proximal, sob risco de TEP, enquanto 2. Kearon C, Kahn SR, Agnelli G, Goldhaber S, Raskob GE,outros 200 indivíduos não utilizaram os filtros. Comerota AJ, et al. Antithrombotic therapy for venousTodos os 400 pacientes foram tratados com thromboembolic disease: American College of Chestheparina e cumarínicos da forma tradicional. Physicians Evidence-Based Clinical Practice GuidelinesFicou demonstrado que, embora o grupo que (8th Edition). Chest. 2008;133(6 Suppl):454S-545S. 3. Girard P, Stern JB, Parent F. Medical literature and venautilizou os FVCI tenha tido menor incidência cava filters: so far so weak. Chest. 2002;122(3):963-7.de TEP, houve um maior número de recidivas 4. Pacouret G, Alison D, Pottier JM, Bertrand P, Charbonnierde TVP, todavia, sem aumento da mortalidade. B. Free-floating thrombus and embolic risk in patientsEsse mesmo grupo de pesquisadores realizou with angiographically confirmed proximal deep venousuma segunda análise, com os mesmos pacientes, thrombosis. A prospective study. Arch Intern Med. 1997;157(3):305-8.estudados 8 anos depois.(7) Ao final do período, 5. Spence LD, Gironta MG, Malde HM, Mickolick CT,além da heparina ministrada na fase aguda, Geisinger MA, Dolmatch BL. Acute upper extremity deep50% dos pacientes ainda estavam em uso de venous thrombosis: safety and effectiveness of superiorcumarínicos. Na fase inicial,os FVCI reduziram o vena caval filters. Radiology. 1999;210(1):53-8.risco de TEP. A médio e a longo prazo, os FVCI 6. Decousus H, Leizorovicz A, Parent F, Page Y, Tardy B, Girard P, et al. A clinical trial of vena caval filters inforam suficientes para reduzir a ocorrência de the prevention of pulmonary embolism in patients withTEP, a despeito do aumento na incidência de proximal deep-vein thrombosis. Prévention du RisqueTVP. O maior número de casos de TVP não se d’Embolie Pulmonaire par Interruption Cave Studytraduziu em uma maior incidência de síndrome Group. N Engl J Med. 1998;338(7):409-15.pós-trombótica. Não houve impacto na redução 7. PREPIC Study Group. Eight-year follow-up of patients with permanent vena cava filters in the preventionda mortalidade. of pulmonary embolism: the PREPIC (Prevention du Complicações com uso de filtros de veia Risque d’Embolie Pulmonaire par Interruption Cave)cava permanentes são comuns. Complicações randomized study. Circulation. 2005;112(3):416-22.precoces incluem a trombose do sítio de punção, 8. Torbicki A, Perrier A, Konstantinides S, Agnelli G, Galièassim como a recorrência de TVP e a síndrome N, Pruszczyk P, et al. Guidelines on the diagnosis and management of acute pulmonary embolism: the Taskpós-trombótica tardias. A oclusão da veia cava Force for the Diagnosis and Management of Acuteinferior ocorre em 22% dos pacientes após Pulmonary Embolism of the European Society of5 anos e em 33% após 9 anos, independente- Cardiology (ESC). Eur Heart J. 2008;29(18):2276-315.mente do uso e do tempo de anticoagulação.(8) 9. Levine MN, Raskob G, Landefeld S, Kearon C. O uso sistemático de filtros de veia cava em Hemorrhagic complications of anticoagulant treatment. Chest. 1998;114(5 Suppl):511S-523S.nível terapêutico não está indicado para pacientes 10. Kearon C, Hirsh J. Management of anticoagulationnão selecionados com TVP e candidatos ao uso before and after elective surgery. N Engl J Med.de anticoagulantes.(A) Devem ser utilizados em 1997;336(21):1506-11. J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 40 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradores14. Fatores prognósticos ainda, enquanto a mortalidade de pacientes sem DVD, nos diferentes estudos realizados com O desenvolvimento de DVD em decorrência de pacientes estáveis do ponto de vista hemodinâ-um episódio de TEP é, há décadas, reconhecido mico, é de até 1%, a presença de DVD eleva essacomo um fator de mau prognóstico. A presença taxa a até 14%, o que é bastante significativo,de instabilidade hemodinâmica e choque, como considerando a ausência de sinais clínicos queconsequência da falência ventricular direita, diferenciem essas duas situações.(1)eleva as taxas de mortalidade dos pacientes, na Alguns sinais clínicos parecem estar asso-fase aguda, a valores acima de 60%.(1) ciados a um pior prognóstico, tais como síncope, Existe certo consenso, apesar da ausência de sexo feminino, idade avançada e presença deestudos prospectivos definitivos, sobre a neces- hipoxemia. Existem escores prognósticos quesidade de se intervir de forma mais agressiva auxiliam na predição do desfecho do paciente,nesses quadros, com o uso de trombolíticos. mas que não foram utilizados a fim de orientarEntretanto, o reconhecimento e a necessidade a terapêutica do paciente.de intervenção na DVD sem instabilidade hemo- Várias abordagens podem ser utilizadas paradinâmica ainda são motivo de discussão. o reconhecimento de DVD associada, embora a Em função da área do leito vascular ocluída, tendência atual seja a de se utilizar a combi-seja em decorrência dos êmbolos, seja em decor- nação de dois ou mais marcadores.(D)rência do fenômeno de vasoconstrição associadoà ativação plaquetária (entre outras vias), há um Eletrocardiogramaaumento proporcional da resistência vascularpulmonar e, consequentemente, da pós-carga Em uma análise recente, a presença de aodo VD. Essa sobrecarga, frente a um ventrí- menos uma alteração eletrocardiográfica compa-culo não adaptado, leva ao aumento da tensão tível com sobrecarga ou isquemia relacionada aona parede do VD, assim como no volume e na evento embólico, como a presença de complexospressão de enchimento diastólico, ocasionando de baixa voltagem, bloqueio completo de ramoum desvio do septo interventricular e o poten- direito, arritmia atrial, alterações do segmento STcial aparecimento de fenômenos isquêmicos. nas derivações ventriculares esquerdas ou aindaEsse desvio, juntamente com a diminuição da alterações compatíveis com pseudoinfarto nasfunção sistólica do VD, leva à diminuição da derivações DIII e aVF, foi associada a um maiorcomplacência e das pressões de enchimento risco de mortalidade intra-hospitalar.(6) Emborado VE, respectivamente, com uma consequente pouco específicas, essas alterações devem servirdiminuição do débito cardíaco, aumentando o de aviso para a necessidade de se investigar maisrisco de isquemia cardíaca e também do desen- ativamente a função ventricular direita.(C)volvimento de hipotensão ou choque. A maiorou menor magnitude dessa cascata de eventos Ecocardiogramaestá diretamente relacionada à maior ou menormortalidade associada à TEP aguda.(2) O ecocardiograma é, sem dúvida, a ferra- Entretanto, é difícil estabelecer a partir de menta mais utilizada na avaliação da funçãoque ponto, ou de que magnitude, a mortalidade ventricular direita. Porém, tão grande quantorelacionada à DVD torna-se significativa. Em a sua utilização, é a falta de padronização nosoutras palavras, a definição de critérios diagnós- critérios diagnósticos. Os diferentes estudos queticos de DVD é extremamente importante, pois utilizaram o ecocardiograma usaram desde crité-devem refletir a exata magnitude dos eventos rios qualitativos, como a presença de hipocinesiafisiopatológicos relacionados e a mortalidade do VD, como quantitativos, como o aumento darelacionadas a eles. relação entre o volume diastólico final do VD Essa foi sem dúvida uma das grandes dificul- sobre o do VE (> 1) ou o aumento isolado dodades relacionadas aos estudos que avaliaram o volume diastólico final do VD (> 30 mm), ouimpacto de terapias trombolíticas em pacientes ainda sinais de hipertensão pulmonar com ocom TEP aguda. O critério inicial, relacionado aumento da pressão sistólica da artéria pulmonarapenas à presença de instabilidade hemodinâ- a valores acima de 30 mmHg ou da pressãomica, é insuficiente, uma vez que cerca de 80% média da artéria pulmonar a valores acima de 20dos pacientes com TEP aguda apresentam pres- mmHg.(3,4,7,8) O achado de qualquer um dessessões arteriais sistêmicas normais, e ao menos um sinais foi relacionado a uma mortalidade asso-terço desses pacientes apresenta DVD.(2-5) Mais ciada ao evento agudo da embolia, até duasJ Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 41vezes maior. Mais recentemente, confirmou-se o melhorar seu potencial de estratificação depapel da avaliação ecocardiográfica através da risco, embora a análise de custo-efetividadeanálise dos pacientes incluídos no International ainda seja necessária. Um estudo publicado emCooperative Pulmonary Embolism Registry.(C)(7) 2005, com pacientes com embolia pulmonar e Na subpopulação estudada, a presença de sem instabilidade hemodinâmica, mostrou quehipocinesia do VD demonstrou ser um fator níveis baixos de NT-proBNP caracterizavam umindependente de mortalidade (OR = 1,94; grupo de baixo risco (relacionado à embolia); jáIC95%: 1,23-3,06).(9) De qualquer forma, existe pacientes com NT-proBNP aumentado, mas comainda a necessidade de padronização quanto aos troponina normal, caracterizavam um grupo decritérios utilizados e seus respectivos valores de risco intermediário, enquanto pacientes com ocorte para a caracterização de DVD através da aumento de ambos os marcadores apresentavamavaliação ecocardiográfica. alto risco, com mortalidade associada à emboliaAngio-TC de tórax À medida que a angio-TC foi se tornando o Tromboembolia Pulmonar - Estratificação de Riscoexame de escolha na avaliação diagnóstica daembolia pulmonar, cresceu o interesse em se TEPutilizar o mesmo exame para a avaliação do VD, confirmadaprincipalmente no que se refere ao aumento dacavidade ventricular.(10) Um estudo retrospectivodemonstrou que o aumento do VD, avaliado Estabilidade Instabilidade Hemodinâmica Hemodinâmicapela angio-TC de tórax, através da relação entreas dimensões do VD e VE (anormal quando> 0,9), é um fator independente de mortalidade Biomarcadores séricos(OR = 5,17; IC95%: 1,63-16,35), confirmandoassim o potencial uso dessa ferramenta na estra-tificação de risco dos pacientes com embolia Troponina baixa Troponina elevadapulmonar aguda.(C)(11) E BNP baixo OU BNP elevadoMarcadores bioquímicos Ecocardiograma De forma análoga ao que aconteceu coma avaliação da disfunção ventricular esquerda,o aparecimento de marcadores bioquímicos, Sem disfunção Com disfunçãocomo os peptídeos natriuréticos e a troponina, de VD de VD1demonstrou ser de extrema utilidade na avaliaçãoda DVD, tanto aguda quanto crônica. Anticoagulação Trombólise OU A elevação dos níveis de troponina, como plena2,3 Embolectomia3,4,5marcador de lesão de cardiomiócitos, não só secorrelaciona com a extensão de DVD (medida 1 Disfunção de ventriculo direito definida como dilatação de VD, hipocinesia de VD, presença de hipertensãoatravés do ecocardiograma), como também é pulmonar (PSAP > 30 mmHg). Na decisão terapêutica,um marcador independente de mortalidade.(B) considerar a limitação deste método pelo grau de(12) Já a elevação dos níveis de peptídeos natriu- subjetividade de alguns destes critérios.réticos (tanto o BNP quanto o NT-proBNP), 2 Em pacientes estáveis, dar preferência as HBPM para aliberados pelos cardiomiócitos em decorrência anticoagulação plena. 3 A decisão terapêutica final depende de contraindicaçãodo aumento da tensão na parede ventricular, às terapias e da disponibilidade local.apresenta VPNs ainda maiores que os da 4 Alguns fatores clinicos, tais como presença de síncope,troponina. Apesar de esse achado ser bastante hipoxemia e idade avançada podem contribuir para asignificativo, a elevação dos níveis de troponina decisão de tratamento mais agressivo 5 Iniciar HNF i.v. em infusão contínua (sem bolus bolus),ou dos peptídeos natriuréticos não possui VPP conforme TTPa seriado após uso do trombolíticosuficiente para identificar os pacientes hemodi-namicamente estáveis que possam se beneficiar Figura 3 - Algoritmo de estratificação de risco dedo tratamento trombolítico, por exemplo.(B)(13) pacientes com TEP aguda. BNP: brain natriureticA combinação desses dois marcadores parece peptide; e PSAP: pressão sistólica da artéria pulmonar. J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 42 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradoresde até 33%.(B)(14) Em duas meta-análises, foi embolism: right ventricular dysfunction as a predictor ofconfirmada a importância da troponina e de mortality rate. Am Heart J. 1997;134(3):479-87. 5. Wolfe MW, Lee RT, Feldstein ML, Parker JA, Come PC,BNP na estratificação de risco de TEP.(15,16) Em Goldhaber SZ. Prognostic significance of right ventricularum recente estudo prospectivo, no qual foram hypokinesis and perfusion lung scan defects indosados oito biomarcadores, demonstrou-se que pulmonary embolism. Am Heart J. 1994;127(5):1371-5.somente a troponina e BNP tinham a capacidade 6. Geibel A, Zehender M, Kasper W, Olschewski M, Klima C, Konstantinides SV. Prognostic value of the ECG onpara predizer a mortalidade na TEP.(17) Mais uma admission in patients with acute major pulmonaryvez, porém, é necessário ressaltar as limitações embolism. Eur Respir J. 2005;25(5):843-8.relacionadas à especificidade desses marcadores 7. Goldhaber SZ, Visani L, De Rosa M. Acute pulmonaryem relação à embolia pulmonar. embolism: clinical outcomes in the International Cooperative Pulmonary Embolism Registry (ICOPER). Lancet. 1999;353(9162):1386-9.Caracterização combinada 8. Kasper W, Konstantinides S, Geibel A, Tiede N, Krause T, Just H. Prognostic significance of right ventricular Deve-se considerar que a ausência de crité- afterload stress detected by echocardiography inrios homogêneos, a depender do método patients with clinically suspected pulmonary embolism.diagnóstico utilizado, ou de estudos pros- Heart. 1997;77(4):346-9.pectivos que os validem, não permite ainda a 9. Kucher N, Rossi E, De Rosa M, Goldhaber SZ. Prognostic role of echocardiography among patients with acuterecomendação de um algoritmo para a avaliação pulmonary embolism and a systolic arterial pressure of 90da função ventricular direita frente ao quadro mm Hg or higher. Arch Intern Med. 2005;165(15):1777-de embolia pulmonar aguda, mais especifi- 81.camente em pacientes hemodinamicamente 10. British Thoracic Society Standards of Care Committeeestáveis. Entretanto, o resultado de estudos Pulmonary Embolism Guideline Development Group.recentes, combinando a análise de marca- British Thoracic Society guidelines for the management of suspected acute pulmonary embolism. Thorax.dores bioquímicos e exames de imagem, como 2003;58(6):470-83.o ecocardiograma, levou à proposição de um 11. Schoepf UJ, Kucher N, Kipfmueller F, Quiroz R, Costelloalgoritmo a ser utilizado nos próximos estudos P, Goldhaber SZ. Right ventricular enlargement onprospectivos, a fim de ser validado quanto a chest computed tomography: a predictor of earlysua capacidade diagnóstica e de estratificação death in acute pulmonary embolism. Circulation. 2004;110(20):3276-80.de risco (Figura 3).(C)(13,18,19) Esse algoritmo leva 12. Douketis JD, Leeuwenkamp O, Grobara P, Johnstonem consideração a sensibilidade dos marcadores M, Söhne M, Ten Wolde M, et al. The incidence andbioquímicos e a especificidade do ecocardio- prognostic significance of elevated cardiac troponinsgrama, tentando, dessa forma, alcançar o maior in patients with submassive pulmonary embolism. Jcompromisso entre o VPP e o VPN para a iden- Thromb Haemost. 2005;3(3):508-13.tificação de pacientes com DVD e, até mesmo, 13. Kucher N, Goldhaber SZ. Cardiac biomarkers for risk stratification of patients with acute pulmonarypara a proposição de terapia trombolítica. A utili- embolism. Circulation. 2003;108(18):2191-4.zação desse algoritmo, porém, ainda depende de 14. Kostrubiec M, Pruszczyk P, Bochowicz A, Pacho R,sua validação, principalmente no que se refere à Szulc M, Kaczynska A, Biomarker-based risk assessmentutilização de trombolíticos, podendo ser utili- model in acute pulmonary embolism. Eur Heart J.zado tão somente para a caracterização de DVD 2005;26(20):2166-72. 15. Becattini C, Vedovati MC, Agnelli G. Prognostic valueassociada à embolia pulmonar aguda. of troponins in acute pulmonary embolism: a meta- analysis. Circulation. 2007;116(4):427-33.Referências 16. Coutance G, Le Page O, Lo T, Hamon M. Prognostic value of brain natriuretic peptide in acute pulmonary 1. Kasper W, Konstantinides S, Geibel A, Olschewski M, embolism. Crit Care. 2008;12(4):R109. Heinrich F, Grosser KD, et al. Management strategies 17. Kline JA, Zeitouni R, Marchick MR, Hernandez-Nino J, and determinants of outcome in acute major pulmonary Rose GA. Comparison of 8 biomarkers for prediction of embolism: results of a multicenter registry. J Am Coll right ventricular hypokinesis 6 months after submassive Cardiol. 1997;30(5):1165-71. pulmonary embolism. Am Heart J. 2008;156(2):308-14. 2. Lualdi JC, Goldhaber SZ. Right ventricular dysfunction 18. Torbicki A, Perrier A, Konstantinides S, Agnelli G, Galiè after acute pulmonary embolism: pathophysiologic N, Pruszczyk P, et al. Guidelines on the diagnosis and factors, detection, and therapeutic implications. Am management of acute pulmonary embolism: the Task Heart J. 1995;130(6):1276-82. Force for the Diagnosis and Management of Acute 3. Grifoni S, Olivotto I, Cecchini P, Pieralli F, Camaiti A, Pulmonary Embolism of the European Society of Santoro G, et al. Short-term clinical outcome of patients Cardiology (ESC). Eur Heart J. 2008;29(18):2276-315. with acute pulmonary embolism, normal blood pressure, 19. Kearon C, Kahn SR, Agnelli G, Goldhaber S, Raskob GE, and echocardiographic right ventricular dysfunction. Comerota AJ, et al. Antithrombotic therapy for venous Circulation. 2000;101(24):2817-22. thromboembolic disease: American College of Chest 4. Ribeiro A, Lindmarker P, Juhlin-Dannfelt A, Johnsson Physicians Evidence-Based Clinical Practice Guidelines H, Jorfeldt L. Echocardiography Doppler in pulmonary (8th Edition). Chest. 2008;133(6 Suppl):454S-545S.J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 4315. Tromboprofilaxia primária de TEV e sangramento, mas são pouco disponí- veis e de alto custo.(C)(11) A profilaxia primária de TEV tem sido reco- A tromboprofilaxia farmacológica incorporamendada fartamente na literatura médica e as heparinas (HNF e HBPM), o fondaparinuxbaseia-se na alta incidência de TVP e/ou TEP (pentassacarídeo ainda não comercializado noem pacientes hospitalizados.(1,2) Apesar de um Brasil), os AVK e, mais recentemente, a dabi-grande número de estudos comprovarem a gatrana (inibidor da trombina). A aspirina nãoeficácia da tromboprofilaxia, essa ainda é muito deve ser utilizada como medida isolada para asubutilizada, tanto em contextos cirúrgicos, prevenção de TEV.(A)(12)quanto clínicos.(3) O uso de HNF como profilaxia de TEV é Uma alternativa à profilaxia seria a realização recomendado nos EUA desde o Consenso dode exames de membros inferiores em pacientes National Institute of Health (1986).(13) A HNFde alto risco de TEV; entretanto, a ultrasso- reduz em cerca de 70% a incidência de TEV,nografia Doppler venosa tem sensibilidade em comparação aos pacientes que não usamapenas moderada para diagnosticar TVP em nenhum tipo de profilaxia.(14) É utilizada naspacientes assintomáticos.(4) Essa estratégia não doses de 5.000 UI, duas ou três vezes ao dia,demonstrou ser custo-efetiva e, portanto, não é sendo essa última mais eficaz.(15)recomendada.(B)(5) As HBPM são tão eficazes quanto à HNF. O risco de TEV varia conforme o cenário do Meta-análises mostraram que as heparinaspaciente, isto é, conforme a presença de fatores reduzem significativamente a incidência de TEV,de risco inerentes ao paciente e ao procedi- mas não alteram a mortalidade, sendo que umamento, no caso dos pacientes cirúrgicos. É dessas meta-análises mostrou uma tendência defundamental que todo paciente hospitalizado maior eficácia para as HBPM.(16,17) Na escolha datenha seu risco estimado e receba a profilaxia tromboprofilaxia farmacológica (principalmentepara o nível correspondente.(A)(5) Pacientes do das HBPM e do fondaparinux), deve ser levadagrupo de maior risco apresentam uma incidência em conta a presença de insuficiência renal,de TVP distal de 40-80%; de TVP proximal, de sobretudo em idosos com diabete melito e risco10-20%; de TEP, de 4-10%; e de TEP fatal, de sangramento.(5)de 0,2-5,0%. Dessa forma, necessitam receber Os AVK, com dose ajustada para manter omedidas preventivas mais intensas que aqueles RNI, são altamente eficazes na prevenção decom risco moderado.(6) Nos Quadros 15 e 16, TEV, inclusive em situações de alto risco, comoestão apresentadas as incidências estimadas cirurgias ortopédicas de quadril ou joelho, apesarde TEV nos vários contextos clínicos e, no de aumentarem o risco de hematoma na feridaQuadro 17, a estratificação de risco de TEV com operatória.(18) O AVK deve ser iniciado na noitea tromboprofilaxia sugerida. anterior à cirurgia, e o nível terapêutico é atin- As medidas disponíveis para a profilaxia da gido após o terceiro dia pós-operatório.TEV são divididas em métodos mecânicos efarmacológicos.(5) Entretanto, a deambulação Qadro 15 - Incidência estimada de TVP emprecoce e frequente, quando possível, deve ser vários grupos de pacientes que não recebiamsempre estimulada. Um dos métodos mecâ- tromboprofilaxia.nicos são as MECG, que são recomendadas para Contexto Prevalência depacientes com risco moderado de TEV,e com TVP distal, %tendência elevada de sangramento.(A)(7) A CPI Pacientes clínicos 10-20é o método mecânico sugerido para pacientes Cirurgia geral 15-40com alto risco de TEV, mas também de sangra- Cirurgia ginecológica 15-40mento.(A)(8) Em cirurgias ortopédicas, também Cirurgia urológica maior 15-40há alguns estudos com as bombas pneumá- Neurocirurgia 15-40ticas para pés.(9) Os métodos mecânicos também AVC 20-50podem ser usados em associação a medidas Artroplastia de joelho ou quadril 40-60farmacológicas em pacientes com alto risco de Politraumatismo 40-80TEV.(A)(10) Os FVCI, sobretudo os temporários, Pacientes críticos 10-80podem excepcionalmente ser empregados na Lesão da medula espinhal 60-80prevenção de TEV, em situações de extremo risco Adaptado do estudo de Geerts et al.(5) J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 44 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e ColaboradoresQuadro 16 - Níveis de risco de TEV e respectivos regimes profiláticos. Níveis de risco Incidência de TVP Tromboprofilaxia sugerida distal sem profilaxia Risco baixo Tromboprofilaxia farmacológica não • Cirurgia menor que permite deambulação < 10% recomendada • Paciente clínico que deambula plenamente Deambulação precoce e “agressiva”Risco moderado HBPM, HNF duas ou três vezes ao • Maioria das cirurgias, cirurgia ginecológica 10-40% diaa aberta, urológica, • Paciente clínico acamado ou prostradoTEV com risco moderado, mas com alto risco de Tromboprofilaxia mecânica (MECG)sangramentoRisco elevado HBPM, cumarínicos (RNI = 2-3)a • Artroplastia do quadril ou de joelho, cirurgia 40-80% de fratura de quadril • Politraumatismo, lesão da medula espinhalRisco elevado de trombose e também de Tromboprofilaxia mecânica (CPI)sangramentoa s.c. Adaptado do estudo de Geerts et al.(5) O fondaparinux sódico tem sido amplamente rinas para a prevenção de TEV em pacientesestudado em pacientes cirúrgicos e clínicos, cirúrgicos.mostrando equivalência ou superioridade em Pacientes cirúrgicos com baixo risco de TEVrelação às heparinas. Não é ainda comerciali- não necessitam receber medidas profiláticas,zado no Brasil (mas possui registro na ANVISA) exceto a deambulação precoce.(A) Já pacientese é recomendado como uma alternativa na com risco moderado ou alto devem receberprevenção de TEV na maioria das diretrizes tromboprofilaxia farmacológica e/ou mecânicainternacionais, tendo forte evidência favorável.(5) conforme o nível de risco.(A)A dose profilática recomendada é de 2,5 mg/dia Cirurgias neurológicas maiores requerempor administração s.c. profilaxia para TEV. Os métodos mecânicos CPI, O uso da profilaxia farmacológica com HNF, com ou sem MCEG, são os mais recomendadosHBPM ou AVK deve ser empregado em pacientes devido ao temor de sangramentos intracra-com risco moderado ou alto de TEV,(A) sendo o nianos ou espinais.(A) Em pacientes com maioruso do fármaco específico escolhido de acordocom as características do paciente e do cenário risco, recomenda-se a combinação de métodosnosológico. mecânicos e farmacológicos.(B)(21) Pacientes submetidos à cirurgia por neoplasiaProfilaxia de TEV em pacientes cirúrgicos constituem uma população de alto risco de desenvolver TEV.(22) Um estudo comparou o uso O uso da tromboprofilaxia em pacientes de enoxaparina (40mg, uma vez ao dia) comcirúrgicos é determinado por uma combinação HNF (5.000 UI a cada 8 h), usadas na profi-de fatores inerentes ao paciente e ao tipo eduração da cirurgia. Sua eficácia é evidenciadapor um grande número de estudos clínicos. Quadro 17 - Posologia das heparinas para o regimeGrandes séries de estudos e várias meta-análises, profilático em pacientes cirúrgicos.acomparando HNF e HBPM na tromboprofi- Fármacos Risco moderado Risco altolaxia de pacientes submetidos à cirurgia geral, Dalteparina 2.500 UI/dia 5.000 UI/diademonstram que ambas são igualmente seguras Enoxaparina 20 mg/dia 40 mg/dia ou 30e efetivas.(19) As HBPM, entretanto, podem ser mg 2 vezes ao diaadministradas em dose única diária e apresentam Nadroparina 2.850 UI/dia 5.700 UI/diamenor incidência de TIH.(20) No Quadro 17, estão Nadroparina 2.850 UI/dia 5.700 UI/diaapresentadas as doses recomendadas das hepa- a Todas s.c.J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 45 Todos os pacientes clínicos devem ser rotineiramente avaliados não Deambulação e Idade ≥ 40 anos1 e Mobilidade reduzida2 reavaliar em 2 dias sim Algum fator de risco? AVC3 Infecção (exceto torácica) Câncer Insuficiência renal Cateteres centrais e Swan-Ganz Internação em UTI Doença inflamatória intestinal Obesidade Doença respiratória grave Paresia/paralisia MMII não Doença reumatológica aguda Quimio/hormonioterapia Gravidez e pós-parto Reposição hormonal/contraceptivos História prévia de TEV Sindrome nefrótica IAM Trombofilia ICC classe III ou IV Varizes/insuficiência venosa crônica Idade ≥ 55 anos sim Contra-indicação? sim Métodos mecânicos Sangramento ativo (CPI e/ou MECG e reavaliar em 2 dias) Úlcera péptica ativa HAS não controlada (> 180 X 110 mm Hg) Coagulopatia (plaquetopenia ou INR >1,5) Alergia ou plaquetopenia por heparina Insuficiência renal (clearance < 30 mL/min) Cirurgia craniana ou ocular < 2 sem 1 Pacientes com menos de 40 anos, mas com Coleta de líquido cefalorraquidiano < 24 h fatores de risco adicionais, podem se beneficiar de profalixia. não 2 Pelo menos metado do dia deitado ou sentado a beira do leito (excluído o período de sono) Profilaxia indicada 3 AVCI - excluir hemorragia com TC ou RM HBPM SC 1 vez ao dia AVCH - considerar profilaxia à partir do 10º dia, Enoxaparina 40 mg, ou dalteparina 5000 Ul ou após confirmação de estabilidade clínica e nadroparina4 3800 Ul (<70 kg) ou 5700 Ul (>70 kg) tomográfica. ou HNF 5000 Ul SC 8/8 h 4 Houve aumento na mortalidade no grupo que Manter por 10 ± 4 dias ou enquanto persistir o risco recebeu nadroparina, comparado com HNFFigura 4 - Algoritmo para a avaliação do risco de TEV e profilaxia correspondente em pacientes clínicos.Retirado de estudos anteriores.(36-38) ICC: insuficiência cardíaca congestiva; MMII: membros inferiores; HAS:hipertensão arterial sistêmica; sem: semana; AVCI: AVC isquêmico; e AVCH: AVC hemorrágico.laxia de TEV em pacientes submetidos à cirurgia o tempo de profilaxia, que pode ser mantidaoncológica abdominal ou pélvica, e mostrou inclusive após a alta hospitalar.(B)resultados similares.(23) Um estudo comple- A cirurgia por videolaparoscopia é um proce-mentar evidenciou que um regime de 4 semanas dimento que tem sido cada vez mais empregadode profilaxia com enoxaparina, em comparação desde a década de 80. As suas vantagens incluem menor trauma cirúrgico, menor permanênciaao de 1 semana, reduz a ocorrência de TEV em hospitalar e redução da dor e da imobilizaçãocirurgias de neoplasia abdominal ou pélvica, sem pós-operatória. Tais achados podem sugeriralterar o sangramento.(24) É interessante o uso enganosamente que o risco de TEV pós-combinado de métodos mecânicos de prevenção operatória pode ser considerado mínimo emnesses pacientes. Em pacientes submetidos à cirurgias laparoscópicas. Entretanto, algunscirurgia oncológica maior, sugerimos prolongar fatores próprios da videolaparoscopia tendem a J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 46 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradoresaumentar o risco de trombose, como a pressão manter a tromboprofilaxia até 35 dias após ade insuflação peritoneal usada, que provoca alta.(A)(28) Em pacientes que realizaram cirurgiavenostase nos membros inferiores, e a hipercoa- oncológica, é sugerida utilização da profilaxiagulabilidade induzida pelo pneumoperitônio. A por pelo menos 28 dias após a alta hospitalar.posição de Trendelenburg invertida — posição (A)(24)supina em aclive — necessária para a exposição Outros contextos cirúrgicos (cirurgia vascular,adequada do campo operatório, especialmente torácica, ginecológica e revascularização miocár-utilizada na colecistectomia videolaparoscópica, dica) têm recomendações específicas, mas queacentua a venostase e pode ser um fator que são semelhantes às já mencionadas, variandojustifique a profilaxia diferenciada.(25) Pacientes com a especificidade de cada procedimentosubmetidos à videolaparoscopia sem fatores de (risco de trombose e de sangramento).(5)risco adicionais para TEV necessitam apenasdeambulação precoce. Aqueles com outros Profilaxia de TEV em pacientes clínicosfatores de risco devem receber tromboprofilaxia O uso da tromboprofilaxia é bem estabelecido(HNF, HBPM, MECG ou CPI).(B) para a maioria dos pacientes cirúrgicos; porém, a A TVP é uma causa importante de complicação situação para pacientes clínicos hospitalizados éda cirurgia para obesidade mórbida. Uma análise menos conhecida, tendo em vista a grande hete-retrospectiva de prontuários de 5.554 pacientes rogeneidade dessa população.(29) A profilaxia desubmetidos à cirurgia bariátrica revelou 12 casos TEV em pacientes clínicos é uma área na qual os(0,21%) de TEP fatal.(26) Um estudo prospectivo, possíveis benefícios para o paciente são grandes,no qual se avaliou 481 pacientes submetidos à já que TEP fatal é uma das mais comuns causascirurgia bariátrica que fizeram uso de MCEG e CPI evitáveis de morte hospitalar, sendo resultado dae receberam enoxaparina (30 ou 40 mg a cada subutilização de profilaxia nesses doentes.(30)12 h), demonstrou que o uso de 40 mg de enoxa- Pacientes agudamente doentes, hospita-parina reduziu significativamente a incidência de lizados e acamados, e que apresentem váriosTVP, sem diferenças de sangramento.(27) As doses fatores de risco para TEV devem receberde heparina devem ser maiores que as usuais profilaxia.para pacientes não obesos (por ex., enoxaparina, Um estudo comparou o uso de HNF (5.000 UI40 mg duas vezes ao dia).(C) a cada 8 h) com o de enoxaparina (40 mg/dia) em Pacientes submetidos à cirurgia ortopédica pacientes clínicos internados com insuficiênciamaior, como artroplastia total de quadril ou de cardíaca congestiva ou insuficiência respiratóriajoelho, ou cirurgia de fratura de quadril, têm grave. Os dois esquemas se mostraram efetivos euma alta incidência de TEV, podendo atingir seguros.(31) Outro estudo avaliou três regimes deaté 85% de TVP distal nas artroplastias de profilaxia [placebo, enoxaparina (20 mg/dia) ejoelho na ausência de tromboprofilaxia.(5) Nesses enoxaparina (40 mg/dia)] em pacientes clínicoscontextos, os pacientes devem receber HBPM hospitalizados com pelo menos um fator de(dose profilática alta) ou AVK (RNI = 2-3).(A) risco adicional para TEV (média, 2,1). O regimeA dabigatrana pode ser uma alternativa nessascircunstâncias.(B) O uso de HNF, MECG ou CPI de enoxaparina de 40 mg/dia significativamenteisoladamente não é recomendado.(A) O regime reduziu o risco de TVP sem alterar a segurança.de HBPM pode ser iniciado 12 h antes da (32) A dose de enoxaparina de 20 mg/dia nãocirurgia ou 12-24 h após, tendo como alterna- foi eficaz e não deve ser utilizada em pacientestiva o início com a metade da dose profilática clínicos. Outro estudo comparou o uso dealta 4-6 h antes da cirurgia e atingindo a dose dalteparina (5.000 UI/dia) ou placebo duranteplena no dia seguinte.(A) 2 semanas em 2.991 pacientes > 40 anos de Um aspecto importante a ser considerado é idade, com condição clínica aguda, hospita-a manutenção da profilaxia após a alta hospi- lização projetada para mais de 4 dias e pelotalar. Do ponto de vista teórico, dever-se-ia menos um fator adicional de risco.(33) O desfechopermanecer utilizando as medidas preventivas final mostrou que a prevenção com daltepa-enquanto persistissem os fatores de risco. Nos rina reduziu significativamente a ocorrênciaestudos clínicos, verificou-se que, para pacientes de TEV sem aumentar o risco de sangramentosubmetidos a cirurgias ortopédicas, deve-se maior. Uma meta-análise reunindo nove artigosJ Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 47comparando o uso de HNF e HBPM na trom- Referênciasboprofilaxia de pacientes clínicos (n= 4.669) 1. Alikhan R, Peters F, Wilmott R, Cohen AT. Fataldemonstrou eficácia e segurança similares no pulmonary embolism in hospitalised patients: a necropsyuso dessas heparinas.(34) review. J Clin Pathol. 2004;57(12):1254-7. Recomenda-se avaliar todos os casos de 2. Yoo HH, Mendes FG, Alem CE, Fabro AT, Corrente JE, Queluz TT Clinicopathological findings in pulmonarypacientes internados com doença clínica aguda, thromboembolism: a 24-year autopsy study. J Brasimobilização projetada para 3 ou mais dias e na Pneumol. 2004;30(5):426-32.presença de fatores de risco adicionais.(A)(35) 3. Goldhaber SZ, Dunn K, MacDougall RC. New onset of venous thromboembolism among hospitalized patientsUm grupo de trabalho da Associação Médica at Brigham and Women’s Hospital is caused more oftenBrasileira, através de uma revisão sistemática by prophylaxis failure than by withholding treatment.da literatura, elaborou recomendações atuais de Chest. 2000;118(6):1680-4.profilaxia para pacientes clínicos, que são apre- 4. Schmidt B, Michler R, Klein M, Faulmann G, Weber C, Schellong S. Ultrasound screening for distal veinsentadas na Figura 4.(36,37) thrombosis is not beneficial after major orthopedic A síndrome da classe econômica, inicial- surgery. A randomized controlled trial. Thromb Haemost.mente descrita em médicos que realizavam 2003;90(5):949-54. 5. Geerts WH, Bergqvist D, Pineo GF, Heit JA, Samamalongas viagens aéreas e desenvolviam TEV, foi o CM, Lassen MR, et al. Prevention of venousprimeiro indício que as viagens poderiam ser um thromboembolism: American College of Chestfator de risco. Em um estudo avaliando um total Physicians Evidence-Based Clinical Practice Guidelines (8th Edition). Chest. 2008;133(6 Suppl):381S-453S.de 135 milhões de passageiros, a incidência de 6. Geerts WH, Pineo GF, Heit JA, Bergqvist D, LassenTEP foi mais frequente em viagens maiores que MR, Colwell CW, et al. Prevention of venous5.000 km — 1,5 casos por milhão de pessoas vs. thromboembolism: the Seventh ACCP Conference on0,01 casos por milhão de pessoas em viagens Antithrombotic and Thrombolytic Therapy. Chest. 2004;126(3 Suppl):338S-400S.mais curtas.(38) 7. Amaragiri SV, Lees TA. Elastic compression stockings for Indivíduos em viagens aéreas > 8 h devem prevention of deep vein thrombosis. Cochrane Databaseevitar roupas apertadas, manter hidratação Syst Rev. 2000;(3):CD001484. 8. Urbankova J, Quiroz R, Kucher N, Goldhaber SZ.adequada e fazer contrações frequentes das Intermittent pneumatic compression and deep veinpanturrilhas.(B) Pacientes que têm outro fator thrombosis prevention. A meta-analysis in postoperativede risco adicional para TEV podem utilizar MECG patients. Thromb Haemost. 2005;94(6):1181-5. 9. Charalambous C, Cleanthous S, Tryfonidis M, Goel A,(abaixo do joelho, com pressão de 15-30 mmHg Swindell R, Ellis D. Foot pump prophylaxis for deepno tornozelo) ou receber dose única de HBPM venous thrombosis-rate of effective usage followingantes da partida do voo.(C) knee and hip arthroplasty. Int Orthop. 2003;27(4):208- 10. Apesar da existência de evidências claras 10. Kakkos SK, Caprini JA, Geroulakos G, Nicolaidesquanto aos benefícios da profilaxia de TEV em AN, Stansby GP, Reddy DJ. Combined intermittentpacientes sob risco na redução de eventos trom- pneumatic leg compression and pharmacologicalboembólicos, o seu uso persiste negligenciado. Os prophylaxis for prevention of venous thromboembolism in high-risk patients. Cochrane Database Syst Rev.estabelecimentos de saúde devem implementar 2008;(4):CD005258estratégias para a disseminação do uso das 11. Obeid FN, Bowling WM, Fike JS, Durant JA. Efficacymedidas preventivas para TEV.(A) O uso de alertas of prophylactic inferior vena cava filter placement in bariatric surgery. Surg Obes Relat Dis. 2007;3(6):606-8;eletrônicos para os médicos assistentes seria uma discussion 609-10.alternativa para aumentar o uso da profilaxia e, 12. Hovens MM, Snoep JD, Tamsma JT, Huismanconsequentemente, reduzir a taxa de TEV. Em MV. Aspirin in the prevention and treatment of venous thromboembolism. J Thromb Haemost.um estudo randomizado e controlado, no qual 2006;4(7):1470-5.foi avaliada a estratégia de alerta eletrônico para 13. Prevention of venous thrombosis and pulmonaryos médicos cujos pacientes hospitalizados não embolism. NIH Consensus Development. JAMA. 1986;256(6):744-9.estivessem recebendo profilaxia para TEV, os 14. Clagett GP, Anderson FA Jr, Geerts W, Heit JA,resultados foram promissores. O alerta eletrônico Knudson M, Lieberman JR, et al. Prevention of venousfoi eficaz em aumentar a prescrição da profilaxia thromboembolism. Chest. 1998;114(5 Suppl):531S-de TEV no grupo intervenção e reduziu em 41% 560S. 15. King CS, Holley AB, Jackson JL, Shorr AF, Mooreso risco de TEV em 90 dias, em comparação com LK. Twice vs three times daily heparin dosing foro grupo controle.(39,40) thromboembolism prophylaxis in the general medical J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 48 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradores population: A metaanalysis. Chest. 2007;131(2):507- prevenção do tromboembolismo venoso. J Pneumol. 16. 2000;26(3):153-8.16. Kanaan AO, Silva MA, Donovan JL, Roy T, Al-Homsi AS. 30. Goldhaber SZ, Turpie AG. Prevention of venous Meta-analysis of venous thromboembolism prophylaxis thromboembolism among hospitalized medical patients. in medically Ill patients. Clin Ther. 2007;29(11):2395- Circulation. 2005;111(1):e1-3. 405. 31. Kleber FX, Witt C, Vogel G, Koppenhagen K, Schomaker17. Wein L, Wein S, Haas SJ, Shaw J, Krum H. Pharmacological U, Flosbach CW, et al. Randomized comparison venous thromboembolism prophylaxis in hospitalized of enoxaparin with unfractionated heparin for the medical patients: a meta-analysis of randomized prevention of venous thromboembolism in medical controlled trials. Arch Intern Med. 2007;167(14):1476- patients with heart failure or severe respiratory disease. 86. Am Heart J. 2003;145(4):614-21.18. Mismetti P, Laporte S, Zufferey P, Epinat M, Decousus 32. Samama MM, Cohen AT, Darmon JY, Desjardins L, Eldor H, Cucherat M. Prevention of venous thromboembolism A, Janbon C, et al. A comparison of enoxaparin with in orthopedic surgery with vitamin K antagonists: a placebo for the prevention of venous thromboembolism meta-analysis. J Thromb Haemost. 2004;2(7):1058-70. in acutely ill medical patients. Prophylaxis in Medical19. Bergqvist D. Low-molecular-weight heparin for the Patients with Enoxaparin Study Group. N Engl J Med. prevention of postoperative venous thromboembolism 1999;341(11):793-800. after abdominal surgery: a review. Curr Opin Pulm Med. 33. Leizorovicz A, Cohen AT, Turpie AG, Olsson CG, 2005;11(5):392-7. Vaitkus PT, Goldhaber SZ, et al. Randomized, placebo-20. Warkentin TE, Levine MN, Hirsh J, Horsewood P, Roberts controlled trial of dalteparin for the prevention of RS, Gent M, et al. Heparin-induced thrombocytopenia venous thromboembolism in acutely ill medical patients. in patients treated with low-molecular-weight Circulation. 2004;110(7):874-9. heparin or unfractionated heparin. N Engl J Med. 34. Mismetti P, Laporte-Simitsidis S, Tardy B, Cucherat M, 1995;332(20):1330-5. Buchmüller A, Juillard-Delsart D, et al. Prevention of21. Agnelli G, Piovella F, Buoncristiani P, Severi P, Pini venous thromboembolism in internal medicine with M, D’Angelo A, et al. Enoxaparin plus compression unfractionated or low-molecular-weight heparins: a stockings compared with compression stockings alone meta-analysis of randomised clinical trials. Thromb in the prevention of venous thromboembolism after Haemost. 2000;83(1):14-9. elective neurosurgery. N Engl J Med. 1998;339(2):80-5. 35. Leizorovicz A, Mismetti P. Preventing venous22. O’Donnell M, Weitz JI. Thromboprophylaxis in surgical thromboembolism in medical patients. Circulation. patients. Can J Surg. 2003;46(2):129-35. 2004;110(24 Suppl 1):IV13-9.23. Efficacy and safety of enoxaparin versus unfractionated 36. Academia Brasileira de Neurologia; Associação de heparin for prevention of deep vein thrombosis in elective Medicina Intensiva Brasileira; Federação Brasileira das cancer surgery: a double-blind randomized multicentre Associações de Ginecologia e Obstetrícia; Sociedade trial with venographic assessment. ENOXACAN Study Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular; Sociedade Group. Br J Surg. 1997;84(8):1099-103. Brasileira de Cancerologia; Sociedade Brasileira de24. Bergqvist D, Agnelli G, Cohen AT, Eldor A, Nilsson PE, Cardiologia; et al. Tromboembolismo venoso: profilaxia Le Moigne-Amrani A, et al. Duration of prophylaxis em pacientes clínicos – parte I. São Paulo: Associação against venous thromboembolism with enoxaparin after Médica Brasileira, Conselho Federal de Medicina; 2005. surgery for cancer. N Engl J Med. 2002;346(13):975- 37. Academia Brasileira de Neurologia; Associação de 80. Medicina Intensiva Brasileira; Federação Brasileira das25. Maciel R, Menna-Barreto SM. Thromboprofilaxis for Associações de Ginecologia e Obstetrícia; Sociedade videolaparoscopic cholecystectomy. J Bras Pneumol. Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular; Sociedade 2004;30(5):480-4. Brasileira de Cancerologia; Sociedade Brasileira de26. Sapala JA, Wood MH, Schuhknecht MP, Sapala MA. Cardiologia; et al. Tromboembolismo Venoso: Profilaxia Fatal pulmonary embolism after bariatric operations for em Pacientes Clínicos – Parte II. São Paulo: Associação morbid obesity: a 24-year retrospective analysis. Obes Médica Brasileira, Conselho Federal de Medicina; 2005. Surg. 2003;13(6):819-25. 38. Lapostolle F, Surget V, Borron SW, Desmaizières M,27. Scholten DJ, Hoedema RM, Scholten SE. A comparison Sordelet D, Lapandry C, et al. Severe pulmonary of two different prophylactic dose regimens of low embolism associated with air travel. 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    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 4916. TEP na gravidez de resultados falso-positivos. Valores normais de dímeros D têm o mesmo valor para excluir TEP A incidência de TEV, incluindo TVP e TEP, em mulheres gestantes do que em não gestantesencontra-se aumentada em cerca de 5 vezes para suspeitas de baixa probabilidade.(7.8)durante a gravidez e o puerpério, em compa- O elevado percentual de estudos cinti-ração com mulheres não grávidas na mesma lográficos pulmonares normais e de baixaidade, representando 1:2.000 grávidas.(1,2) probabilidade confirmam que muitos dos sinaisDiferentemente do diagnóstico em pessoas não e sintomas compatíveis com TEP em grávidasgrávidas, poucos estudos foram realizados com provavelmente são causados pela mimetização deesse objetivo especifico. A extrapolação dos alterações fisiológicas e anatômicas que ocorremétodos para as grávidas pode não ser a forma durante a gravidez. Resultados de cintilografiacorreta na escolha do teste diagnóstico, mas, normal são seguros em afastar o diagnóstico,em muitas situações, essa extrapolação é utili-zada.(3) enquanto resultados anormais têm alta proba- Os sinais e sintomas de TEP em grávidas são bilidade em afirmar o diagnóstico. A maioria dasde menor valor que em pacientes não grávidas, gestantes são mulheres jovens e com baixa inci-pois muitas alterações fisiológicas e anatômicas dência de doença cardiopulmonar prévia, o quedurante a gravidez podem mimetizar sintomas diminui o percentual de cintilografias pulmo-de TEP.(4) A estimativa da probabilidade clínica nares não diagnósticas (cerca de 25%).(9)pré-teste é fundamental na investigação de TEV A angio-TC, no diagnóstico de TEP, teme se baseia na presença de sintomas e sinais, em papel fundamental em pacientes não grávidas.fatores de risco para TEV e na possibilidade de Não existe um estudo especifico e definitivo emum diagnóstico alternativo, geralmente classi- grávidas sobre esse tópico. Contudo, um inqué-ficando as pacientes em alto, intermediário ou rito realizado em serviços de radiologia nosbaixo risco. Existem vários escores de predição EUA,(10) demonstrou que 75% desses serviçosclínica, mas que não foram validados para utilizam a angio-TC e 53% o utilizam como ogestantes. A simples extrapolação desses dados exame inicial. Na avaliação de exposição e segu-pode gerar erros, pois a população de gestantes rança fetal, dois estudos demonstraram a baixaé mais jovem, há diferentes fatores de risco não irradiação com esse exame. Portanto, visto suaincluídos (por ex., síndrome de hiperestimulação alta acurácia e por não apresentar risco maiorovariana) e nítida predominância de TVP no para o feto, pode ser utilizado em grávidas commembro inferior esquerdo, os quais não foram suspeita de TEP.(11,12) Estudos retrospectivosincluídos no modelo. Mesmo assim, a impressão sugerem que a angio-TC pode ser mais útil queclínica subjetiva é importante.(D) a cintilografia para o diagnóstico de TEP em O algoritmo de investigação de TEV em gestantes.(13) A ressonância nuclear magnéticagestantes apresenta várias incertezas. Apesar de não apresenta indicação, até o momento, nonenhum grande estudo utilizando a ecografia diagnóstico de grávidas com suspeita de TEP. Avenosa de compressão e/ou Doppler de membros arteriografia pulmonar é raramente utilizada nainferiores ter sido realizado em grávidas com gravidez.(14)suspeita de TEP, não há razões biológicas que Na ausência de um diagnóstico objetivo deimpeçam a confirmação diagnóstica quando osachados são compatíveis com TVP, devendo, TVP, a cintilografia pulmonar perfusional ouportanto, por ser praticamente um teste diag- a angio-TC de tórax deve ser realizada paranóstico não invasivo, ser o exame inicial na confirmar ou excluir a presença de TEP.(B)suspeita de TEP em grávidas.(D)(5,6) Contudo, Os prejuízos da falta de diagnóstico,um exame negativo não pode ser definido como associado aos riscos do uso inapropriado de anti-ausência de TVP, principalmente na grávida, coagulação durante a gravidez, são superioressituação em que a veia ilíaca é mais frequente- aos riscos da radiação empregada para um diag-mente comprometida, local em que esse exame nóstico preciso.(15) Quando doses menores quetem baixa acurácia. 50 mSv são utilizadas, os riscos para o feto são Em relação aos testes laboratoriais, a dosagem muito baixos. A irradiação utilizada para o diag-de dímeros D aumenta progressivamente durante nóstico de TEP é possível com uma exposiçãoa gravidez, podendo haver um elevado número menor que 0,5 mSv. O Quadro 18 apresenta a J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 50 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e ColaboradoresQuadro 18 - Dose de irradiação no feto em exames de imagem. Teste diagnóstico Irradiação, mSv Radiografia de tórax (com proteção abdominal) < 0,5 Arteriografia pulmonar via femoral 2,21-3,74 Arteriografia pulmonar via braquial < 0,5 Cintilografia de perfusão 99mTc 0,2-0,6 Cintilografia de ventilação 99mTc 0,1-0,3 Cintilografia de ventilação 81mKr 0,0001 Angio-TC pulmonar 0,003-0,13dose de irradiação utilizada em exames diagnós- anterior único por causa idiopática; 3) episódioticos na suspeita de TEP. anterior único de TEP associado à trombofilia O tratamento de TEP em gestantes segue confirmada por laboratório; 4) dois ou maisos mesmos princípios gerais da terapêutica em episódios de TEP; e 5) trombofilia sem episódiopacientes não grávidas. Os cumarínicos ultra- de TEP anterior.(27) Essas categorias são amplas,passam a barreira placentária e não devem ser e o risco necessita ser individualizado.(D)usados, sobretudo no primeiro trimestre da Mulheres com um episódio prévio de TEV têmgravidez, pelo risco de teratogenicidade.(16) As uma possibilidade aumentada de TEV em umaheparinas não ultrapassam essa barreira e são próxima gravidez. A taxa exata de recorrência nãoseguras para a mãe, para o feto e para o recém- está bem estabelecida.(28,29) Em um estudo pros-nascido, não causando teratogenicidade.(17-19) pectivo, 125 grávidas com episódio anterior únicoA HBPM tem vantagens em relação à HNF por de TEV foram acompanhadas, sem uso de hepa-causar menos trombocitopenia, menos osteopo- rina, durante uma nova gravidez.(30) A pesquisarose e ter maior facilidade posológica.(20,21) de trombofilia foi realizada em 95 das grávidas; A dose das heparinas deve ser a habitual, a taxa total de recorrência foi de 2,4% (3/125).corrigida proporcionalmente ao ganho que Em 44 grávidas sem trombofilia, nas quais oocorre durante a gravidez.(22) Se disponível, a fator de risco do episódio anterior foi transitório,monitorização do fator anti-Xa deve ser perio- não houve recorrência. Entre as pacientes comdicamente realizada, com alvo terapêutico de trombofilia ou com episódio anterior idiopático,0,35-0,70 UI/mL, determinada 4 h após a dose 3 (5,9%) apresentaram recorrência. Na síndromes.c. As heparinas s.c. devem ser suspensas pelo antifosfolipídeo, a incidência de TEV também semenos 24 h antes do parto induzido ou cesa- encontra aumentada.(31)riana. Devem ser reiniciadas quando a hemostasia Um estudo retrospectivo recente envol-permitir, em geral 12-24 h após o nascimento. vendo um grande número de grávidas comO cumarínico deverá ser iniciado junto com a episódio anterior de TEV mostrou uma recor-heparina no pós-parto imediato. O tratamento rência, durante a gravidez e puerpério, dedeve ser prolongado no mínimo por 6 semanas 6,2%, naquelas que não receberam profilaxia,após o parto, período de maior incidência de chamando a atenção de que a recorrência ocorreuTEV (com um tempo total mínimo de 6 meses). principalmente no pós-parto e que nenhum(A)(23-27) Convém ressaltar que os cumarínicos evento ocorreu nas pacientes que receberam ae as heparinas podem ser utilizados durante a profilaxia.(32) A HBPM é eficaz e segura na profi-amamentação sem riscos para o recém-nascido. laxia de TEV em grávidas, e a HNF também se Para realizar a profilaxia de TEP em mulheres mostrou eficaz.(19,33-38)grávidas, é necessário conhecer aquelas As gestantes podem receber profilaxia ativapacientes que apresentam um risco aumentado, (com HNF ou HBPM) ou permanecer em vigilânciacomo episódio anterior ou trombofilia confir- clínica. Em uma avaliação de custo-efetividade,mada por exame laboratorial. Para a avaliação utilizando-se a HBPM para a profilaxia, foida intensidade do risco, é conveniente classificar demonstrado que, nas pacientes com episódioa situação da grávida em: 1) episódio anterior anterior único de TEV e baixo risco (causa tran-único por fator de risco passageiro; 2) episódio sitória e sem trombofilia), a observação clínicaJ Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 51Quadro 19 - Contextos que envolvem profilaxia para TEV na gestação.aPodem dispensar a profilaxia antes do parto: • História de TEV isolada diretamente relacionada a evento trombogênico transitório (trauma ortopédico, complicação cirúrgica) sem trombofilia identificada • Carreadores assintomáticos de trombofilias (exceto deficiência de antitrombina, homozigose para fator V Leiden ou mutação do gene da protrombina), sem história pessoal nem familiar de trombose, pela marcada variação na penetração das trombofiliasProfilaxia para TEV com heparina em baixas doses antes do parto: • Carreadores de outras trombofilias, sem história pessoal de TEV, mas forte história familiar de TEV • História pessoal de TEV, mas sem trombofilia identificada • História de trombose relacionada a estados estrogênicos (uso de anticoncepcional ou gestação prévia) • História de trombose e deficiência de proteína C ou de proteína S • Presença de síndrome pós-trombótica significativaPacientes que necessitam profilaxia para TEV com dose ajustada de heparina: • Deficiência de antitrombina, com ou sem história de TEV • Síndrome antifosfolipídeo. Pacientes sem história de TEV e sem outros fatores de risco podem ser candidatos a profilaxia com baixa dose • Homozigose para mutação do fator V Leiden ou mutação G20210A do gene da protrombina • Heterozigose para ambos as mutações (fator V Leiden e mutação G20210A do gene da protrombina) • Pacientes em uso crônico de cumarínicos por TEV recorrente, ameaçadora da vida (por ex., cerebral), ou trombose recentea Em todos esses contextos, está indicado o uso de cumarínicos após o parto por 6 semanas.apresentou melhor relação de custo-efetividade dos casos de TEV durante a gravidez está rela-que a profilaxia, diferentemente das pacientes cionada a essas alterações genéticas (OR = 51,8;com alto risco. O uso alternativo de HNF (5.000 UI IC95%: 38,0-69,2).(47)duas vezes ao dia) pode ser realizado, mas pode Os principais cenários que ocorrem naser insuficiente para gestantes de alto risco.(27) A gestação com a respectiva profilaxia estão rela-HBPM é, no momento, a medicação de escolha tados no Quadro 19.para a profilaxia e o tratamento de TEP.(B)(27,39) A experiência com filtros de veia cava emDoses diárias baixas de HBPM para a profilaxia mulheres grávidas está restrita a pequenasde TEV na gravidez são sugeridas (dalteparina, séries e a relatos de casos. Não há estudos que5.000 UI; enoxaparina, 40 mg/dia; ou nadropa- demonstrem sua eficácia e segurança por longosrina, 2.850 UI). Doses profiláticas ajustadas de períodos, devendo ser utilizados em casos deHBPM devem manter os níveis de antifator Xa exceção.(48)3-4 h após a injeção de 0,08-1,00 UI/mL.(27,40) Em grávidas sem episódios prévios de TEV, Referênciasmas com diagnóstico de trombofilia, a ampli-tude do risco e a incidência de um evento de 1. Prevention of venous thrombosis and pulmonaryTEV durante a gravidez dependem da alteração embolism. NIH Consensus Development. JAMA.genética. A maior incidência ocorre em pacientes 1986;256(6):744-9. 2. Gherman RB, Goodwin TM, Leung B, Byrne JD,com deficiência de antitrombina, associação Hethumumi R, Montoro M. Incidence, clinicalheterozigótica da protrombina G20210A, fator characteristics, and timing of objectively diagnosedV Leiden e em homozigóticos para uma dessas venous thromboembolism during pregnancy. Obstetduas últimas alterações.(41-46) Cerca de metade Gynecol. 1999;94(5 Pt 1):730-4. J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 52 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradores 3. Nijkeuter M, Ginsberg JS, Huisman MV. Diagnosis study of enoxaparin safety in 624 pregnancies. BJOG. of deep vein thrombosis and pulmonary embolism in 2001;108(11):1134-40. pregnancy: a systematic review. J Thromb Haemost. 20. Warkentin TE, Levine MN, Hirsh J, Horsewood P, Roberts 2006;4(3):496-500. RS, Gent M, et al. Heparin-induced thrombocytopenia 4. Stone SE, Morris TA. Pulmonary embolism during in patients treated with low-molecular-weight and after pregnancy. Crit Care Med. 2005;33(10 heparin or unfractionated heparin. N Engl J Med. Suppl):S294-300. 1995;332(20):1330-5. 5. Bates SM, Ginsberg JS. How we manage venous 21. Pettilä V, Leinonen P, Markkola A, Hiilesmaa V, Kaaja thromboembolism during pregnancy. Blood. R. Postpartum bone mineral density in women treated 2002;100(10):3470-8. for thromboprophylaxis with unfractionated heparin or 6. Macklon NS, Greer IA, Bowman AW. An ultrasound study LMW heparin. 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    • 54 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradores17. Manejo perioperatório de devem ser mantidos com heparina até que a RNIpacientes em uso de alvo do anticoagulante oral seja atingida.(5) Em procedimentos cirúrgicos que necessitamanticoagulantes orais ser realizados em 24-96 h, pode-se administrar O manejo perioperatório de pacientes em uso vitamina K oral (2-3 mg — a própria ampolaregular de anticoagulantes orais considera o risco de medicação i.v./s.c., já que é fabricada comde tromboembolia e das complicações hemor- micelas mistas que permitem a absorção intes-rágicas associado a diferentes estratégias de tinal).(B) Essa conduta faz a RNI reduzir maisanticoagulação.(D) Enquanto o risco de sangra- rapidamente sem causar uma resistência ao usomento depende fundamentalmente do local e do do anticoagulante oral no pós-operatório, quetipo de cirurgia, o risco de tromboembolia está pode perdurar por até 1 semana.(6) Após o usoligado à indicação prévia para o uso regular de da vitamina K, a RNI deve ser repetida a cadaanticoagulantes (profilaxia arterial ou venosa), 8-24 h dependendo do nível inicial, já que aao tempo decorrido desde o episódio de trom- medicação pode ser usada novamente.(7)bose e ao tipo de procedimento a ser realizado. Nos casos de urgência cirúrgica (nas próximasAlém disso, deve-se considerar se a cirurgia será 24 h), deve-se suspender o anticoagulanterealizada em caráter eletivo ou de urgência.(1) O oral e administrar vitamina K i.v., concentradoQuadro 20 descreve esses contextos. de complexo protrombínico ou plasma fresco. Para pacientes em uso regular de anticoagu- (B)(8) Em casos específicos, o fator recombinantelantes orais, sempre que possível, o procedimento VIIa pode ser considerado, mediante consultacirúrgico deve ser realizado em caráter eletivo, ao hematologista.(1) A RNI deve ser monitoradapara que haja tempo suficiente para reverter a amiúde.anticoagulação.(D)(2) Em pacientes cuja RNI está Outro aspecto essencial no manejo periope-no nível terapêutico (geralmente 2-3), inter- ratório de pacientes em uso de anticoagulantesrompe-se o uso do anticoagulante oral 5 dias é a necessidade de bloqueio neuroaxial (anes-antes, obtendo-se nova RNI no dia anterior à tesia espinhal, anestesia epidural ou analgesiacirurgia, o qual deve estar menor que 1,5. Idade epidural contínua). Nos pacientes cirúrgicos,avançada, insuficiência cardíaca congestiva essas são eficazes no controle da dor, permitemdescompensada, câncer e RNI muito elevada são a deambulação precoce do paciente e reduzemfatores que retardam o retorno espontâneo de as taxas de complicações pulmonares. O hema-RNI a níveis próximos da normalidade.(C)(3) Nos toma periespinhal é uma rara complicação dapacientes com alto risco de trombose, deve-se anestesia epidural, com incidência estimada emfazer um estratégia de transição, iniciando menos de 1:150.000 pacientes em anestesiasHBPM (paciente ambulatorial ou hospitalizado) epidurais e em menos de 1:220.000 pacientesou HNF em infusão contínua (indivíduo hospita- em anestesias espinhais, mas com consequênciaslizado) quando a RNI estiver subterapêutica.(B) potencialmente graves.(9) Na maioria dos casosA suspensão das heparinas deve ser de 6 h antes descritos, houve uma combinação de fatoresda cirurgia para a infusão de HNF e de 12-24 h de risco, envolvendo a inserção traumática deantes para a última dose de HBPM. Em procedi- agulhas e de cateteres, anormalidades anatô-mentos odontológicos, os pacientes podem ser micas ou vasculares da coluna lombar, uso deoperados com RNI na faixa terapêutica e serem anticoagulantes e coagulopatias. Nas formasutilizados agentes hemostáticos tópicos (por ex., típicas, os pacientes apresentam dor na regiãoácido tranexâmico).(C)(4) dorsal acompanhada de fenômenos sensitivos e A anticoagulação deve ser reiniciada, motores. O sangramento no espaço restrito donormalmente na dose pré-operatória, assim que canal medular comprime e causa isquemia àsa hemostasia esteja assegurada, e isso deve ser fibras nervosas, podendo resultar em paraplegia,sempre discutido com a equipe cirúrgica, em se não for realizada laminectomia descompres-geral, 12 h após o procedimento.(D) A reintro- siva dentro das próximas 8 h.dução do anticoagulante deverá ser retardada A Associação Americana de Anestesia Regionalnos casos de neurocirurgia e naqueles pacientes elaborou recomendações para essa situação.(10)que permaneçam com sangramento ativo. Nos Pacientes em uso de fármacos que atuam noscasos de alto risco de trombose, os pacientes fatores da coagulação e na função plaquetáriaJ Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 55Quadro 20 - Riscos de sangramento e tromboembolia em diferentes contextos cirúrgicos. Risco de sangramento Risco de tromboembolia Alto Alto • Todas as cirurgias de grande porte e aquelas que • Próteses de válvula mitral ou os modelos antigos envolvam a abertura de cavidades de próteses aórticas • Procedimentos transcutâneos com agulhas em áreas • Fibrilação atrial + passado de AVC ou risco não compressíveis, incluindo biópsias viscerais aumentado adicional para AVC • Qualquer tipo de cirurgia de próstata • TEP/TVP nos últimos 3 meses • Cirurgias em locais específicos, em que pequenos • Estados de hipercoagulabilidade com episódio sangramentos costumam acarretar grande morbidade, trombótico recente, trombose recorrente ou história como no sistema nervoso central e em certos de trombose com risco de vida procedimentos oftálmicos Baixo Baixo • Procedimentos transcutâneos com agulhas, em • Modelos mais recentes de próteses aórticas ou áreas facilmente compressíveis quaisquer modelos de próteses biológicas • A maioria dos procedimentos cutâneos • Fibrilação atrial sem outros fatores de risco para AVC • Procedimentos dentários de rotina (limpeza, • TEP/TVP há mais de 3 meses restaurações, intervenções endodônticas, próteses e • Estados de hipercoagulabilidade sem episódio extrações simples) trombótico recente, trombose recorrente ou passado de trombose com risco de vidasão os principais candidatos às complicações do cateter epidural é recomendada antes doassociadas a esses procedimentos. A anestesia e início da tromboprofilaxia. Se o cateter epidurala analgesia neuroaxiais devem ser evitadas em for mantido no local durante a tromboprofilaxiapacientes com discrasias sanguíneas, bem como com HBPM (duas vezes ao dia), um retardo denaqueles em uso de drogas antitrombóticas. São 24 h, entre a última dose de HBPM e a remoçãocontraindicações para a anestesia e a analgesia do cateter, é recomendado.(B)(10)neuroaxiais RNI > 1,5, tempo de protrombina Cateteres epidurais somente devem ser> 1,5 vezes o controle e contagem plaquetária removidos quando o efeito anticoagulante for< 50.000/mm3.(D) desprezível. Se a profilaxia com anticoagulantes O uso de anti-inflamatórios não esteroides orais for inevitável, recomenda-se não manter oe de ácido acetilsalicílico provavelmente não cateter instalado por mais de 1-2 dias, devido àaumenta isoladamente o risco de hematoma sua imprevisibilidade. Nesses casos, a RNI deveepidural. Apesar da inexistência de estudos ser mantida < 1,5 no momento da remoção dorandomizados que avaliem o risco de hema- cateter.(C)(11,12)toma epidural associado ao uso de clopidogrel e Outros cuidados em pacientes sob medicaçãoticlopidina, recomenda-se sua interrupção 5-14 anticoagulante são os seguintes: a via intramus-dias antes do procedimento.(C)(1) Em pacientes cular deve ser evitada; se for inserido um cateterem uso de anticoagulantes no pré-operatório, a venoso central, deve-se preferir um local de fácilinserção de agulha ou cateter no canal medular compressão (por ex., evitar a punção de veiadeve ser retardada, até que o efeito anticoagu- subclávia); não inserir intubação nasotraqueal;lante seja revertido. Isso costuma ocorrer depois e não instalar sonda nasogástrica.de, pelo menos, 8-12 h após uma dose de HNFs.c. ou de HBPM s.c. quando empregada em Referênciasduas doses diárias. Considerando-se o esquema 1. Douketis JD, Berger PB, Dunn AS, Jaffer AK, Spyropoulosposológico caracterizado por uma dose diária AC, Becker RC, et al. The perioperative managementde HBPM, deve-se observar um período mínimo of antithrombotic therapy: American College of Chest Physicians Evidence-Based Clinical Practice Guidelinesde 18 h. Para o esquema com HBPM (2 vezes (8th Edition). Chest. 2008;133(6 Suppl):299S-339S.ao dia), a primeira dose é habitualmente minis- 2. Bombeli T, Spahn DR. Updates in perioperativetrada 12-24 h depois da cirurgia, e a remoção coagulation: physiology and management of J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 56 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradores thromboembolism and haemorrhage. Br J Anaesth. 7. Dunn AS, Turpie AG. Perioperative management of 2004;93(2):275-87. patients receiving oral anticoagulants: a systematic 3. Hylek EM, Regan S, Go AS, Hughes RA, Singer DE, Skates review. Arch Intern Med. 2003;163(8):901-8. SJ. Clinical predictors of prolonged delay in return of the 8. O’Shaughnessy DF, Atterbury C, Bolton Maggs P, Murphy M, Thomas D, Yates S, et al. Guidelines for international normalized ratio to within the therapeutic the use of fresh-frozen plasma, cryoprecipitate and range after excessive anticoagulation with warfarin. Ann cryosupernatant. Br J Haematol. 2004;126(1):11-28. Intern Med. 2001;135(6):393-400. 9. Horlocker TT. Low molecular weight heparin and 4. Blinder D, Manor Y, Martinowitz U, Taicher S, Hashomer neuraxial anesthesia. Thromb Res. 2001;101(1):V141- T. Dental extractions in patients maintained on 54. continued oral anticoagulant: comparison of local 10. Horlocker TT, Wedel DJ, Benzon H, Brown DL, hemostatic modalities. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Enneking FK, Heit JA, et al. Regional anesthesia in Oral Radiol Endod. 1999;88(2):137-40. the anticoagulated patient: defining the risks (the 5. Kearon C, Hirsh J. Management of anticoagulation second ASRA Consensus Conference on Neuraxial before and after elective surgery. N Engl J Med. Anesthesia and Anticoagulation). Reg Anesth Pain Med. 2003;28(3):172-97. 1997;336(21):1506-11. 11. Tyagi A, Bhattacharya A. Central neuraxial blocks and 6. Hirsh J, Fuster V, Ansell J, Halperin JL; American anticoagulation: a review of current trends. Eur J Heart Association; American College of Cardiology Anaesthesiol. 2002;19(5):317-29. Foundation. American Heart Association/American 12. Institute for Clinical Systems Improvement. Venous College of Cardiology Foundation guide to warfarin thromboembolism prophylaxis. Bloomington: Institute therapy. Circulation. 2003;107(12):1692-711. for Clinical System Improvement; 2009.J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 5718. Cuidados com anticoagulação Outra complicação relacionada à varfarina é a necrose de pele.(11) Essa complicação é rara, mas A principal complicação da anticoagulação pode levar a extensas áreas de necrose decorrenteé o sangramento, mas esse risco não deve ser da trombose de vênulas e capilares. Geralmenteavaliado isoladamente na decisão do trata- ocorre entre o terceiro e o sexto dia de anti-mento, sendo importante considerar o potencial coagulação e está relacionada a doses altas debenefício da terapia anticoagulante na TEP.(1) A varfarina no início do tratamento, o que leva apresença de sangramento não deve ser atribuída uma rápida redução dos níveis de proteína C esomente à anticoagulação, sendo indicado inves-tigar a presença de alteração orgânica mesmo ocasionando um estado de hipercoagulabilidadequando a anticoagulação encontrar-se em nível transitória.terapêutico.(D) São considerados como sangra- O manejo da anticoagulação excessivamentos maiores o sangramento intracraniano; o dependerá da presença e/ou do risco aumentadosangramento retroperitoneal, que necessita de de sangramento e do nível de anticoagulaçãohospitalização ou de transfusão de hemoderi- (Quadro 22).(11)vados; ou o sangramento fatal.AVK Quadro 21 - Principais interações medicamentosas com os AVK. Os principais determinantes de sangra- Potencializam o efeito dos AVKmento quando em tratamento com AVK são os • Amiodaronaseguintes: a intensidade e a duração da antico- • Anabolizantes hormonaisagulação, o uso de medicações concomitantes e • Aspirinaas características do paciente. A idade superior • Cimetidinaa 75 anos, câncer, hipertensão arterial sistêmica, • Ciprofloxacinadoença vascular cerebral, doença cardíaca grave, • Citalopraminsuficiência renal, doença hepática e alcoolismo • Clofibratotambém são fatores de risco para o sangra- • Diltiazenmento. Várias medicações podem interferir na • Eritromicinafarmacocinética da varfarina, aumentando ou • Fenilbutazonadiminuindo o seu efeito (Quadro 21). Portanto, é • Fenofibratonecessário um maior controle da anticoagulação • Fluconazolquando qualquer medicação for adicionada ou • Isoniazidaretirada, inclusive os fitoterápicos. Alimentos • Metronidazolricos em vitamina K, como fígado, vegetais • Miconazolcrus e alguns cereais, também podem interferir • Omeprazolno controle adequado da anticoagulação com • PiroxicamAVK. Se RNI > 4-5 ou se há flutuação no seu • Propafenonacontrole, ocorre um aumento do risco de sangra- • Propanololmento maior. O risco de sangramento é maior • Sertralinano primeiro mês, diminuindo nos meses conse- • Sulfametoxazol/trimetoprimcutivos no decorrer do primeiro ano; porém, • Voriconazola ocorrência de casos fatais na fase inicial e a Inibem o efeito dos AVKlongo prazo de tratamento é semelhante.(2-7) A • Barbituratosimplementação de clínicas de anticoagulação • Carbamazepinamultiprofissional (médicos, farmacêuticos, • Clordiazepoxenfermeiros) tem mostrado melhor eficiência • Colestiraminado ajuste terapêutico, tanto em relação a níveis • Grisofulvinaterapêuticos mais frequentes, quanto ao menor • Mesalazinaíndice de sangramentos.(8-10) Recomenda-se, se • Ribavirinahouver disponibilidade, que os pacientes em • Rifampicinauso crônico de anticoagulantes sejam acompa- • Sucralfratonhados em clínicas de anticoagulação.(B) Adaptado do estudo de Ansell et al.(11) J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 58 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e ColaboradoresQuadro 22 - Manejo da elevação de RNI ou da presença de sangramento na vigência de AVK. RNI Sangramento Conduta <5 Não Suspender a próxima dose e/ou reduzir a dose de manutenção. Monitorar com maior frequência. 5-9 Não Suspender temporariamente ou, além de suspender a varfarina, adicionar pequena dose de vitamina K (< 5 mg) por via oral. Em pacientes com risco de sangramento ou que necessitarem de reversão mais rápida, repetir vitamina K oral (1-2 mg). Reintroduzir a varfarina em dose menor quando se atingir o nível terapêutico. Monitorar com maior frequência. ≥9 Não Suspender a varfarina e administrar vitamina K oral (5 mg). Monitorar a anticoagulação e repetir dose de vitamina K, se necessário. Reintroduzir a varfarina em dose menor quando se atingir o nível terapêutico. Qualquer nível Sangramento Suspender a varfarina. grave Vitamina K i.v., 10 mg, infusão lenta associada a plasma fresco ou concentrado de complexo protrombínico ou fator VIIa recombinante. Qualquer nível Sangramento Suspender a varfarina. com risco de Concentrado de complexo protrombínico ou fator VIIa recombinante. morte Vitamina K i.v., 10 mg, infusão lenta. Repetir na dependência de RNI.Adaptado do estudo de Ansell et al.(11) A vitamina K pode ser administrada i.v., mas dade capilar. O risco de sangramento com o usoem infusão lenta. Há risco de reação anafilática. A de HNF ou HBPM em níveis terapêuticos é baixo.via s.c. não é recomendada, visto a sua absorção Idade > 70 anos, insuficiência renal, cirurgia ouirregular e à baixa eficácia em reverter a anticoa- trauma recente, assim como o uso concomitantegulação.(C) A via intramuscular é contraindicada de ácido acetilsalicílico ou agente trombolíticodevido ao risco sangramento local. A via oral é são fatores de risco para o sangramento asso-a preferencial, pois a sua eficácia é semelhante ciado às heparinas.(13-15)à da i.v. mas com menor risco de reação anafi- A HNF i.v. intermitentemente traz maior riscolática.(B) A dose oral eficaz é de geralmente de sangramento quando comparada à infusão1-2,5 mg. Caso não haja disponibilidade de vita- i.v. contínua, que deve ser o regime preferencial.mina K oral, pode-se administrar o preparado (A)(16-21)i.v. pela via oral. Deve-se utilizar a medicação As interações medicamentosas são muitoi.v. quando houver a necessidade de reversão menos frequentes do que com os cumarínicos.rápida da anticoagulação.(B) A dose de vitamina Cefalosporinas e penicilinas podem aumentar oK pode ser repetida a cada 12 h. A reversão do risco de sangramento. O uso associado de outrosefeito de AVK após a administração da vitamina antitrombóticos aumenta o risco de hemorragia.K é esperada em 24-48 h. Após doses elevadas Outros fármacos com relato de aumento do efeitode vitamina K, pode haver dificuldades para se da heparina são anti-histamínicos, tetraciclina,atingir a anticoagulação adequada com AVK, quinina, nicotina e digoxina. A nitroglicerina emrecomendando-se a associação de HNF ou altas doses pode reduzir o efeito da heparina.(22)HBPM nos primeiros dias.(12) O efeito da heparina é neutralizado com sulfato de protamina, na dose de 1 mg para cadaHeparinas 100 UI de HNF.(23) Para reverter o efeito da HNF Os principais efeitos colaterais das heparinas em infusão i.v., o cálculo da dose de protaminasão o sangramento, a trombocitopenia e a oste- a ser utilizada deve ser baseado na dose de HNFoporose (sobretudo HNF em doses superiores administrada na última hora.(B) Não existe uma 20.000 UI/dia por mais de 30 dias), sendo método definido para a neutralização do efeitoque os dois últimos são menos frequentes com da HBPM.(24) A protamina reverte parcialmente aas HBPM. O sangramento pode ocorrer pela atividade do antifator Xa da HBPM. Se a HBPMinibição dos fatores de coagulação, diminuição foi administrada nas últimas 8 h, a protaminada função plaquetária e aumento da permeabili- deve ser dada na dose de 1 mg por 100 UIJ Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 59antifator Xa (1 mg de enoxaparina equivale a Physicians Evidence-Based Clinical Practice Guidelinesaproximadamente 100 UI de antifator Xa). Caso (8th Edition). Chest. 2008;133(6 Suppl):160S-198S. 12. Dezee KJ, Shimeall WT, Douglas KM, Shumway NM,o sangramento persista, pode-se repetir a dose O’malley PG. Treatment of excessive anticoagulationde 0,5 mg de protamina para cada 100 UI de with phytonadione (vitamin K): a meta-analysis. Archantifator Xa. Quando a HBPM foi administrada a Intern Med. 2006;166(4):391-7.um intervalo maior que 8 h, a dose de protamina 13. Mant MJ, O’Brien BD, Thong KL, Hammond GW, Birtwhistle RV, Grace MG. Haemorrhagic complicationsnecessária é menor. of heparin therapy. Lancet. 1977;1(8022):1133-5. A protamina é uma proteína derivada 14. Jick H, Slone D, Borda IT, Shapiro S. Efficacy andde esperma de peixe que se liga à heparina, toxicity of heparin in relation to age and sex. 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    • 60 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradores19. Câncer e TEP Alterações nos parâmetros de hemostasia ocorrem frequentemente em pacientes portadores A TEV é uma complicação comum em de neoplasias malignas, incluindo o aumento dopacientes com câncer, sendo causa frequente fator VIIa, do complexo trombina-antitrombina ede morbidade e mortalidade.(1) De todos os de estimuladores dos fatores tissulares da coagu-pacientes com TEV, 20% têm câncer subjacente, lação sanguínea.(14) Os mecanismos de tromboseenquanto a neoplasia maligna está presente em venosa associada ao câncer estão hoje centrados26% dos casos novos de TEV idiopática.(2) Cerca nas propriedades intrínsecas das células neoplá-de 10% dos pacientes têm câncer diagnosticado sicas que levariam ao estado pró-trombótico.subsequentemente ao episódio inicial de TEV.(3,4) Essa hipercoagulabilidade parece ser devido àO período maior de risco está entre 6-12 meses aumentada expressão celular de fator tissular edo episódio inicial de TEV. As neoplasias à elevação dos níveis de fator tissular em micro-malignas mais comumente associadas são as de partículas na circulação sistêmica. Contribuempâncreas, cérebro, estômago e ovário, sendo que também a invasão de células neoplásicas nao melanoma, o câncer de mama ou o de próstata parede vascular e na estase venosa, determinadatêm uma incidência menor. Câncer avançado e pela compressão vascular por tumores sólidos.metastático tem uma maior incidência relativa Outros fatores, como os sítios primários dosde TEV. tumores, as condições gerais dos pacientes, a É questionável a realização de exames mais presença de comorbidades, as intercorrênciascomplexos para a pesquisa da localização de cirúrgicas e os tipos de tratamento, acrescentamtumor nesses pacientes, sendo a sobrevida riscos que determinam uma incidência elevadamédia, nesses casos, de 12% em 1 ano, devido de TEV em pacientes com câncer.à alta frequência da doença já se encontrar em Os pacientes com neoplasias malignas apre-estágio avançado.(5) É controverso realizar uma sentam um aumento de risco para TEV; noextensa investigação com exames sofisticados entanto, o uso profilático de terapia antitrom-(TC de tórax e abdômen, endoscopia digestiva bótica acarreta um maior risco de sangramentoalta e baixa, tomografia por emissão de pósi-trons, etc.).(6,7) Uma investigação aprofundada nesses indivíduos.(15) Os pacientes com indicaçãoem pacientes com TEV idiopática somente deve de procedimentos cirúrgicos de maior porteser realizada a partir de achados positivos na devem receber profilaxia com terapia antico-história clínica, exame físico, exames laborato- agulante.(B)(12) Apesar da profilaxia não ser ariais de rotina e radiografia de tórax.(B) rotina atual em pacientes que são tratados com O surgimento de TEV é um fator prognós- quimioterapia em regime ambulatorial, estudostico desfavorável em pacientes com esse tipo de atuais sugerem um benefício com o uso dedoença, pois eles têm um risco de TEV recor- HBPM no domicílio naqueles pacientes comrente e de óbito (por qualquer causa) três vezes neoplasia metastática ou localmente avançadamaior do que pacientes com TEV recorrente e em programa de quimioterapia.(B)(16)sem malignidade.(8,9) Um em cada 7 pacientes As HBPM são mais eficazes que os AVK emcom câncer hospitalizados morre devido a pacientes com TEV e câncer, tanto pela menorTEP.(10,11) Cirurgias para câncer produzem um recorrência dos episódios de trombose, quantomaior risco de TEV e de tromboembolia do que pela maior tendência de reduzir a mortalidade.cirurgias em pacientes sem essa moléstia.(10) A O uso de HBPM deve ser a primeira escolha noquimioterapia, principalmente se for associada à tratamento de TEV, tanto para a fase aguda,hormonioterapia, também acarreta um aumento quanto para a fase de manutenção.(A)(17) Odo risco de TEV nos portadores de neoplasia tempo de anticoagulação dependerá do númeromaligna. Nestes últimos anos, tem sido relatada de ciclos de quimioterapia (e de quais fármacos),uma alta taxa de TEV em pacientes tratados do tipo de câncer e da previsibilidade da doençacom a combinação de quimioterapia e inibi- em atividade, contrabalançando esses com odores da angiogênese.(12,13) Outro fator que deve risco de sangramento. Se possível, o antico-ser observado é a presença de cateteres venosos agulante deverá ser utilizado por pelo menoscentrais, que frequentemente são utilizados 6-12 meses, indefinidamente ou até a resoluçãonesses indivíduos, ocasionando um maior risco do câncer. A recorrência de TEV é alta, mesmo nade trombose venosa. vigência do tratamento. Nessa situação, algunsJ Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 61estudos observacionais sugerem que doses mais 9. Sørensen HT, Mellemkjaer L, Olsen JH, Baron JA. Prognosis of cancers associated with venous thromboembolism. Naltas de HBPM podem ser mais efetivas que as Engl J Med. 2000;343(25):1846-50.doses convencionais.(18) 10. Stein PD, Beemath A, Meyers FA, Skaf E, Sanchez J, Olson RE. Incidence of venous thromboembolism in patientsReferências hospitalized with cancer. Am J Med. 2006;119(1):60-8. 11. Heit JA, Silverstein MD, Mohr DN, Petterson TM, O’Fallon 1. Lee AY. Epidemiology and management of venous WM, Melton LJ 3rd. Risk factors for deep vein thrombosis thromboembolism in patients with cancer. Thromb Res. and pulmonary embolism: a population-based case- 2003;110(4):167-72. control study. Arch Intern Med. 2000;160(6):809-15. 2. Wun T, White RH. Epidemiology of cancer-related 12. Behranwala KA, Williamson RC. Cancer-associated venous thromboembolism. Best Pract Res Clin Haematol. venous thrombosis in the surgical setting. Ann Surg. 2009;22(1):9-23. 2009;249(3):366-75. 3. Prandoni P, Lensing AW, Büller HR, Cogo A, Prins MH, 13. Kakkar AK, Levine M, Pinedo HM, Wolff R, Wong J. Cattelan AM, et al. Deep-vein thrombosis and the Venous thrombosis in cancer patients: insights from the incidence of subsequent symptomatic cancer. N Engl J FRONTLINE survey. Oncologist. 2003;8(4):381-8. Med. 1992;327(16):1128-33. 14. Khorana AA. Cancer and thrombosis: implications of published guidelines for clinical practice. Ann Oncol. 4. Chew HK, Wun T, Harvey D, Zhou H, White RH. Incidence 2009;20(10):1619-30. of venous thromboembolism and its effect on survival 15. Ansell JE. Prophylaxis and treatment of venous among patients with common cancers. Arch Intern Med. thromboembolism in cancer patients: a review. Am J 2006;166(4):458-64. Clin Oncol. 2009;32(4 Suppl):S8-S12. 5. Pavic M, Debourdeau P, Aletti M, Farge-Bancel D, 16. Agnelli G, Gussoni G, Bianchini C, Verso M, Mandalà Rousset H. Venous thromboembolism and cancer [Article M, Cavanna L, et al. Nadroparin for the prevention of in French]. Rev Med Interne. 2006;27(4):313-22. thromboembolic events in ambulatory patients with 6. Piccioli A, Lensing AW, Prins MH, Falanga A, metastatic or locally advanced solid cancer receiving Scannapieco GL, Ieran M, et al. Extensive screening chemotherapy: a randomised, placebo-controlled, for occult malignant disease in idiopathic venous double-blind study. Lancet Oncol. 2009;10(10):943-9. thromboembolism: a prospective randomized clinical 17. Imberti D, Di Nisio M, Donati MB, Falanga A, trial. J Thromb Haemost. 2004;2(6):884-9. Ghirarduzzi A, Guarneri D, et al. Treatment of venous 7. Monreal M, Lensing AW, Prins MH, Bonet M, thromboembolism in patients with cancer: Guidelines Fernández-Llamazares J, Muchart J, et al. Screening of the Italian Society for Haemostasis and Thrombosis for occult cancer in patients with acute deep vein (SISET). Thromb Res. 2009;124(5):e32-40. thrombosis or pulmonary embolism. J Thromb Haemost. 18. Carrier M, Le Gal G, Cho R, Tierney S, Rodger M, Lee 2004;2(6):876-81. AY. Dose escalation of low molecular weight heparin 8. Lee AY, Levine MN. Venous thromboembolism and to manage recurrent venous thromboembolic events cancer: risks and outcomes. Circulation. 2003;107(23 despite systemic anticoagulation in cancer patients. J Suppl 1):I17-21. Thromb Haemost. 2009;7(5):760-5. J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 62 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradores20. TEP crônica hipertensiva colateral, alterações parenquimatosas (padrão em mosaico, áreas de infarto), bem como Define-se como TEP crônica hipertensiva, ou comorbidades (enfisema, fibrose pulmonar).mais frequentemente, HPTC, o quadro de hiper- Eventualmente, algumas característicastensão pulmonar observado após um período permitem a separação do fenômeno tromboem-mínimo de 3 meses após pelo menos um episódio bólico agudo de HPTC.(9) Resultados de angio-TCde embolia de pulmão, desde que excluídas outras sem a presença de trombos não exclui comple-causas de hipertensão pulmonar.(1) A resolução tamente a possibilidade de HPTC; entretanto, osparcial do defeito perfusional é comum, podendo novos tomógrafos com multidetectores possuemchegar a 50% após 1 ano de seguimento.(2) acurácia progressivamente melhor para esseObserva-se que 3,8% dos pacientes que sobre- contexto.(10) A ressonância magnética, tal comovivem a um episódio agudo de embolia pulmonar a angio-TC, permite a visualização direta daevoluem, após 2 anos de seguimento, para um falha de enchimento do vaso, com a vantagemquadro crônico hipertensivo.(3,4) Sendo assim, de não se irradiar o paciente, nem de se utilizarconclui-se que a maior parte dos pacientes com contraste iodado. Entretanto, é uma técnicadéficits perfusionais persistentes não desenvolve mais dispendiosa, demorada e menos disponívelHPTC, devendo, portanto, haver outros fatores que a TC. A arteriografia pulmonar é o exameassociados, hereditários ou adquiridos, para sua padrão para o estadiamento vascular e sempreocorrência. Por outro lado, até 40% dos pacientes deve ser realizada quando existe a indicaçãocom HPTC não tem história previa de TEV.(5) cirúrgica.(B) Embora invasiva, é segura em mãos Na HPTC, o principal sintoma é a dispneia experientes, mesmo em pacientes hemodinami-progressiva, podendo estar acompanhada de tosse camente instáveis.(10,11)seca. A síncope e a opressão retroesternal aos A avaliação hemodinâmica invasiva é essen-esforços são mais comuns nos casos terminais, cial na avaliação de pacientes com HPTC.nos quais se observa a pressão na artéria pulmonar (A) Permite a confirmação do diagnóstico deem valores muito elevados. Esses sinais e sintomas hipertensão pulmonar, determina a gravidadeencontrados são muito inespecíficos, e isolada- (principalmente o grau de elevação da pressãomente, revelam pouco valor na identificação de na artéria pulmonar e no átrio direito, assimHPTC, pois são comuns às diversas etiologias que como o comprometimento do débito cardíaco) ecompõem o quadro de hipertensão pulmonar. permite predizer razoavelmente a relação risco-Entretanto, em indivíduos com fatores predispo- benefício do tratamento cirúrgico (tanto pelosnentes bem caracterizados, história de TEP prévia valores absolutos, quanto pela análise do gráficoe associados a exames de imagem torácicos, esses da curva de oclusão da artéria pulmonar).(10-12)achados clínicos, apesar de inespecíficos, podem O tratamento preferencial para a maioriatrazer uma importante contribuição para a eluci- dos casos de HPTC é a tromboendarterectomia,dação diagnóstica de HPTC.(6) embora, para casos selecionados, o trans- O ecocardiograma é o principal método diag- plante pulmonar possa ser considerado comonóstico não invasivo, que possibilita a análise da alternativa.(A)(13,14) Em pacientes selecionadosfunção do VD com a estimativa da pressão em portadores de HPTC, com obstrução vascularartéria pulmonar.(7) Junto com a radiografia de central, recomenda-se como tratamento a trom-tórax, esse exame faz parte da avaliação inicial boendarterectomia, desde que realizada emde pacientes suspeitos de apresentar hipertensão centros especializados.(C)(10)pulmonar após a avaliação clínica. A anticoagulação oral, mantendo-se a RNI A cintilografia pulmonar perfusional é o entre 2-3, deve ser prescrita para todos osexame de eleição para a exclusão de HPTC, portadores de HPTC que foram submetidosquando o resultado for normal ou de baixa à tromboendarterectomia, assim como paraprobabilidade.(B)(8) Pacientes candidatos à aqueles cujo procedimento cirúrgico não foicirurgia têm ao menos um defeito segmentar realizado.(B)(10)ou maior, associado à normalidade no estudo Apesar de alguns centros ainda colocaremventilatório. Deve chamar a atenção para outras FVCI profilaticamente em todos os pacientes,etiologias (neoplasia, agenesia, mediastinite) essa ainda é uma conduta controversa, já aban-quando houver defeito pulmonar de todo um donada por alguns grupos mais experientes.(5,11)pulmão somente. O uso de fármacos deve ser prescrito para A angio-TC permite observar a presença de pacientes que não são candidatos à cirurgiatrombos, sua localização, a circulação brônquica (tanto por inacessibilidade das lesões, como porJ Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 63contraindicações por outras comorbidades).(B) 8. Rich S, Rabinovitch M. Diagnosis and treatment ofAs várias drogas utilizadas no tratamento da secondary (non-category 1) pulmonary hypertension. Circulation. 2008;118(21):2190-9.hipertensão arterial pulmonar mostraram benefí- 9. Heinrich M, Uder M, Tscholl D, Grgic A, Kramann B,cios em pacientes com HPTC, mas com evidência Schäfers HJ. CT scan findings in chronic thromboembolicbaseada em séries de casos e em estudos de pulmonary hypertension: predictors of hemodynamiccoorte. Nesse contexto, inclui-se a utilização de improvement after pulmonary thromboendarterectomy. Chest. 2005;127(5):1606-13.óxido nítrico, epoprostenol, sildenafil, iloprost, 10. Hoeper MM, Barberà JA, Channick RN, Hassoun PM,treprostinil e bosentana.(15-22) Lang IM, Manes A, et al. Diagnosis, assessment, and O uso de fármacos como “ponte” para a treatment of non-pulmonary arterial hypertensioncirurgia ainda é um tema em debate. Em geral, pulmonary hypertension. J Am Coll Cardiol. 2009;54(1não se deve retardar o procedimento visando Suppl):S85-96. 11. Dartevelle P, Fadel E, Mussot S, Chapelier A, Hervé P,otimizar o paciente. Entretanto, alguns pacientes de Perrot M, et al. Chronic thromboembolic pulmonarylimítrofes podem ser levados à cirurgia em hypertension. Eur Respir J. 2004;23(4):637-48.melhores condições. A decisão deverá ser tomada 12. Bonderman D, Skoro-Sajer N, Jakowitsch J, Adlbrechtconjuntamente com o cirurgião, levando-se em C, Dunkler D, Taghavi S, et al. Predictors of outcome in chronic thromboembolic pulmonary hypertension.conta o quanto poderá ser reduzida a resistência Circulation. 2007;115(16):2153-8.vascular pulmonar com o procedimento para 13. Jamieson SW, Kapelanski DP, Sakakibara N, Maneckeque o paciente tolere o período do pós-opera- GR, Thistlethwaite PA, Kerr KM, et al. Pulmonarytório imediato.(10) endarterectomy: experience and lessons learned in Alguns fatores predizem de modo indepen- 1,500 cases. Ann Thorac Surg. 2003;76(5):1457-62; discussion 1462-4.dente um pior prognóstico dos pacientes com 14. Genta PR, Jatene FB, Terra-Filho M. Quality of lifeHPTC. Os principais fatores são a não realização and shortness of breath before and after pulmonaryde tromboendarterectomia, hipertensão pulmonar thromboendarterectomy. Am J Respir Crit Care Med.grave e HPTC associada a condições clínicas (por 2002;165(Suppl 1):A329. 15. Kramm T, Eberle B, Krummenauer F, Guth S, Oelertex., esplenectomia, doenças inflamatórias e uso H, Mayer E. Inhaled iloprost in patients with chronicde cateteres venosos permanentes).(12) thromboembolic pulmonary hypertension: effects Em 2005, a Sociedade Brasileira de before and after pulmonary thromboendarterectomy.Pneumologia e Tisiologia elaborou uma diretriz Ann Thorac Surg. 2003;76(3):711-8. 16. Ghofrani HA, Schermuly RT, Rose F, Wiedemann R,específica para o atendimento de pacientes com Kohstall MG, Kreckel A, et al. Sildenafil for long-termhipertensão pulmonar, que inclui aqueles com treatment of nonoperable chronic thromboembolicHPTC.(23) pulmonary hypertension. Am J Respir Crit Care Med. 2003;167(8):1139-41. 17. Hoeper MM, Kramm T, Wilkens H, Schulze C, SchäfersReferências HJ, Welte T, et al. Bosentan therapy for inoperable chronic thromboembolic pulmonary hypertension. 1. Terra-Filho M. Uso racional dos métodos diagnósticos na Chest. 2005;128(4):2363-7. doença tromboembólica pulmonar. In: Sociedade Brasileira 18. 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Becattini C, Agnelli G, Pesavento R, Silingardi M, Poggio E, Jakowitsch J, Klepetko W, et al. Treprostinil for R, Taliani MR, et al. Incidence of chronic thromboembolic severe inoperable chronic thromboembolic pulmonary pulmonary hypertension after a first episode of hypertension. J Thromb Haemost. 2007;5(3):483-9. pulmonary embolism. Chest. 2006;130(1):172-5. 21. Krug S, Hammerschmidt S, Pankau H, Wirtz H, 5. Hoeper MM, Mayer E, Simonneau G, Rubin LJ. Chronic Seyfarth HJ. Acute improved hemodynamics following thromboembolic pulmonary hypertension. Circulation. inhaled iloprost in chronic thromboembolic pulmonary 2006;113(16):2011-20. hypertension. Respiration. 2008;76(2):154-9. 6. Auger WR, Kim NH, Kerr KM, Test VJ, Fedullo PF. 22. Suntharalingam J, Treacy CM, Doughty NJ, Goldsmith K, Chronic thromboembolic pulmonary hypertension. Clin Soon E, Toshner MR, et al. Long-term use of sildenafil Chest Med. 2007;28(1):255-69, x. in inoperable chronic thromboembolic pulmonary 7. Sbano JC, Tsutsui JM, Terra-Filho M, Mathias-Junior hypertension. Chest. 2008;134(2):229-36. W. Papel da ecodopplercardiografia na avaliação 23. Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. da hipertensão arterial pulmonar. J Pneumol. Hipertensão pulmonar tromboembólica crônica. J Bras 2004;30(1):78-86. Pneumol. 2005;31(Suppl 2):S28-S31. J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 64 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradores21. Medicamentos alternativos e e humorais. Os inibidores diretos da trombinanovos fármacos bloqueiam a trombina sem a necessidade de cofatores e sem intervir em outros mecanismos Os anticoagulantes tradicionalmente usados pró-trombóticos. Essa ação, independente deno tratamento e na prevenção das doenças trom- cofatores, torna as antitrombinas drogas potentesboembólicas são as heparinas e a varfarina. Essas para evitar a trombose, pois não há individuali-medicações têm limitações importantes, como dade de ação, como ocorre com os coatores, ea estreita janela terapêutica e a alta variação por ter ação direta, neutraliza a trombina ondedose-resposta para cada indivíduo, demandando ela se encontrar. Os inibidores diretos da trom-monitorização laboratorial frequente. Os AVK têm bina têm duas vantagens inquestionáveis emmuitas interações medicamentosas e podem ser substituição ao complexo antitrombina-hepa-alterados até pela dieta (alimentos ricos em vita- rina: na plaquetopenia induzida por heparina emina K), provocando um importante problema, na deficiência congênita de antitrombina.(4)principalmente quando a anticoagulação é indi-cada por tempo indeterminado. A heparina é Hirudinautilizada na prática clínica desde a década de30.(1) Há vários efeitos colaterais relacionados ao A hirudina é um potente e específico inibidorseu uso: hemorragias, osteoporose, reações cutâ- da trombina.(11) Ela consegue se ligar à trombinaneas, eosinofilia, alopecia, alterações nos testes com alta afinidade e especificidade, formandoda função hepática e hipercalcemia ocasional.(2,3) um complexo não covalente irreversível,No entanto, um dos mais importantes é a trom- inibindo, assim, todas as funções proteolíticasbocitopenia.(3,4) Devido a essas limitações, foram da trombina.(12) Ao contrário da heparina, anecessárias pesquisas para o desenvolvimento de hirudina não é inativada pelo fator plaquetárionovas drogas anticoagulantes.(5) 4 e, como apresenta estrutura química diferente, Os novos anticoagulantes são classificados não existe reação cruzada entra essas drogas.(13)pelo seu mecanismo de ação (Quadro 23). É excretada pelo rim e é necessário o ajuste deAtualmente, o principal uso desses fármacos doses em pacientes com insuficiência renal. Oalternativos é no tratamento de TIH. controle da droga é feito pelo TTPa (mantido a 1,5-2,5 vezes o valor do controle), e as principaisHeparinoides desvantagens são o custo e a falta de antídoto para a mesma.(12) Alguns estudos mostram sua O danaparoide, que é composto pelos sulfatos maior eficácia do que a enoxaparina na profi-de heparan, dermatan e condroitina, tem sido laxia de TVP em cirurgias ortopédicas, sem haverextensivamente utilizado na TIH num amplo diferenças significativas nas complicações, comocontexto de doenças. Apesar da ocorrência de sangramentos.(14)15% de reações cruzadas de anticorpos contra Várias formas comerciais de hirudina sãoa heparina in vivo, raramente causa piora de fabricadas através do emprego de biotecnologiaTIH.(6) O embasamento para seu uso provém de recombinante.(15) A lepirudina é uma hirudinaensaios clínicos abertos e de série de casos.(7) O recombinante dissulfatada, estando indicadadanaparoide não está mais disponível nos EUA no tratamento da plaquetopenia induzida pore Reino Unido, mas, onde está disponível, tem heparina, promovendo uma rápida e sustentadasido largamente utilizado em pacientes com recuperação da contagem de plaquetas, indi-TIH.(8,9) Sua monitorização é feita pelos níveis de cando uma ausência de reação cruzada, comantifator Xa. risco de sangramento semelhante ao da heparina.Inibidores diretos da trombina O efeito adverso mais comum é o sangramento, sendo outros efeitos as reações cutâneas, sepse, A função primordial da trombina é provocar pneumonia e aumento das enzimas hepáticas.a cisão da molécula de fibrinogênio, originando O uso por mais de 5 dias de lepirudina tem sidoo polipeptídeo A e o monômero de fibrina. A relacionado à formação de anticorpos IgG anti-formação da fibrina segue, em um destino irre- hirudina. Nesses pacientes, há um aumentoversível, para consolidar a rede de fibrina, com maior de TTPa, necessitando de uma monitori-ajuda do fator XII ativado.(10) A trombina, sem zação mais frequente.(16)função fisiológica, tem que sofrer neutralização, Está aprovada na Europa, desde 1997, e nose dessa participam vários mecanismos celulares EUA, desde 1998, para o tratamento da TIH.(13)J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 65 Argatrobana dade deixou seu uso com restrições importantes. (23) Em 2004, o Food and Drug Administration É uma droga sintética que atua de forma desaprovou o uso da medicação devido aosreversível, direta e seletiva. Atinge uma rápida seus importantes efeitos colaterais, sobretudoeficácia terapêutica antitrombótica, com relacionados à hepatotoxicidade.(24) No Brasil,um mínimo risco de sangramento e rápida essa medicação teve seu uso suspenso antes darestauração da hemostasia no momento da comercialização.descontinuação.(17) A argatrobana tem meia-vidacurta e, como a ligação com a trombina é rever- Dabigatranasível, torna-o mais seguro e com menor riscode sangramento em relação à hirudina recom- Recentemente, foi lançado no mercadobinante.(18) É necessária precaução em pacientes brasileiro o etexilato de dabigatrana, umportadores de disfunção hepática, já que essa é a inibidor reversível do sítio ativo da trombina. Évia de excreção. Não há necessidade de ajuste de um agente para uso oral que prescinde de moni-dose em portadores de insuficiência renal.(19) Em torização laboratorial. Cerca de 80% da drogajunho de 2000, o Food and Drug Administration é excretada via renal, não sendo recomendávelaprovou a droga para uso na trombocitopenia seu uso em pacientes com insuficiência renalprovocada por heparina. Esse fármaco foi utili- moderada a grave. Esse fármaco foi testado emzado, na maioria dos casos, em pacientes com ensaios clínicos de fase III na prevenção de TEVcardiopatia isquêmica agudizada, tendo sido em cirurgias ortopédicas, sendo comparado àaplicado em pacientes com TEV em pequenas enoxaparina. Deve ser iniciado de 1-4 h após oséries de casos.(20) A sua monitorização é feita término da cirurgia na dose de 110 mg. Devepelo TTPa, mantendo-o entre 1,5-3 vezes o ser aumentado para 220 mg no dia subsequentecontrole (não excedendo 100 s).(21) se não houver sangramento, mantendo-se sua administração até o total de 10 dias. Na maioria Ximelagatrana dos estudos, não houve diferenças estatistica- mente significativas nos desfechos de incidência Este fármaco foi uma esperança promissora de TEV, sangramento e mortalidade.(25-27) Podecomo um inibidor direto da trombina, pois era ser uma alternativa às HBPM na prevenção deo primeiro que poderia ser administrado por via TEV em pacientes ortopédicos. Um recenteoral.(22) Seria uma ótima opção terapêutica para ensaio clínico randomizado de não inferioridadepacientes que necessitariam de anticoagulação comparou a dabigatrana (em dose fixa de 150 mgprolongada por prescindir de monitorização. duas vezes ao dia, sem controle laboratorial)Entretanto, a alta incidência de hepatotoxici- com varfarina (RNI alvo entre 2-3), demons-Quadro 23 - Classificação dos novos anticoagulantes por seu mecanismo de ação. Anticoagulantes indiretos Fármacos Mediados por antitrombina • Fondaparinux • Idraparinux • SSR12517E, SR123781A Mediado pelo cofator-II da heparina • Odiparcil Mediado pela proteína C • ART-123Anticoagulantes Diretos Fator IXa • RB006, TTP889 Fator Xa • Razaxabana • Otamixabana • Apixabana • Rivaroxabana • DX9065a, LY517717, YM150, DU176b, PRT054021 Trombina • Dabigatrana • Pegmusirudina • FlovagatranaAdaptado do estudo de Weitz et al.(30) J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 66 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradorestrando igual eficácia e segurança no tratamento pédicas. Houve uma diminuição de 50-60%de TEV aguda.(28) Essa é uma primeira evidência desses eventos, e apresentou maior eficácia doconsistente para o seu uso na prática clínica, que a enoxaparina.(30) Um estudo envolvendomas é prudente observar os relatos de farma- 2.213 pacientes com TEP comparou a eficiênciacovigilância, bem como estudos posteriores que da fondaparinux vs. heparina convencional. Acorroborem esses resultados. Apesar de não incidência de recidiva foi igual nos dois grupos,ter sido testada no contexto de TIH, como no e não houve diferenças significativas quanto àBrasil não são disponíveis fármacos alternativos incidência de sangramentos maiores, tromboci-as heparinas, talvez possa já ser utilizado nessaindicação. topenia ou morte.(31) Bivalirudina Idraparinux É um polipetídeo semissintético, diferindo Ainda se encontra em estudo, e é um análogoda hirudina por ser um inibidor de menor afini- da fondaparinux. Tem ação mais prolongada edade, promovendo apenas a inibição temporária pode ser administrado por via s.c. uma vez porda trombina. Sua meia-vida é mais curta, resul- semana.(32) Estudos iniciais demonstraram umtando em um perfil de segurança mais favorável. aumento da taxa de sangramento e uma maiorFoi mais testado na cardiopatia isquêmica, sendo recorrência de TEV nos primeiros 10 dias, sendo,seu uso em TEV apresentado apenas em relatos portanto, recomendado iniciar com HBPM nade caso de TIH.(29) fase aguda e continuar com idraparinux. Como vantagem, há a possibilidade de reversão doInibidores do fator Xa efeito anticoagulante com um antídoto especí-(pentassacarídeos sintéticos) fico (avidina). Os inibidores do fator Xa podem agir dire- Razaxabanatamente, ligando-se ao sitio ativo de ação,ou indiretamente, catalisando a ação da É um pentassacarídeo que poderá serantitrombina. usado por via oral. Resultados preliminares de um estudo randomizado em fase II mostram Fondaparinux sua maior eficácia do que a enoxaparina na prevenção de TVP em cirurgias ortopédicas, mas É um pentassacarídeo sintético análogo têm-se observado hemorragias mais importantes,da heparina, uma espécie de heparina símile, principalmente no local da cirurgia.(33)inibidor seletivo do fator Xa, não se ligando àsplaquetas ou ao fator plaquetário 4. Sua grande Apixabanalimitação é a não reversibilidade pelo sulfatode protamina. A sua eficácia tem sido demons- É uma variante da razaxabana com vanta-trada em pacientes com maior risco de eventos gens farmacocinéticas (maior biodisponibilidadetromboembólicos e submetidos a cirurgias orto- e meia-vida mais longa). Um ensaio clínico paraQuadro 24 - Doses recomendadas de fármacos alternativos para uso em TEV. Fármacos Dose terapêutica Dose profilática Danaparoide 1.500-2.250 UI s.c. a cada 12 h 750 UI s.c. a cada 8-12 h Argatrobana 2 μg/kg/min i.v. continua NA Lepirudina 0,4 mg/kg i.v. em bolus, seguido de 0,15 mg/kg/h i.v. continua 25 mg s.c. a cada 12 h ou 0,75-2 mg/kg s.c. cada 12 hFondaparinux 50-100 kg de peso: 7,5 mg s.c. a cada 24 h 2,5 mg s.c. a cada 24 h < 50 kg de peso: 5 mg s.c. a cada 24 h > 100 kg de peso: 10 mg s.c. a cada 24 h Dabigatrana 150 mg v.o. a cada 12 h 110 mg v.o. 1-4 h após a cirurgia No dia seguinte, 220 mg v.o. a cada 24 hNA: Não avaliado. Adaptado de estudos anteriores.(9,30)J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • Recomendações para o manejo da tromboembolia pulmonar, 2009 67profilaxia do TEV em pacientes ortopédicos 3) Tendo em vista a não disponibilidadecomparando o uso de apixabana (doses diárias da maioria desses fármacos no mercado5 e 10 mg/dia, em regimes de uma ou duas brasileiro, o seu uso assistencial deverávezes ao dia) com o de varfarina ou enoxaparina ser autorizado pela ANVISA e no âmbitodemonstrou uma redução da incidência de TEV de projetos de pesquisa aprovados pelae da mortalidade total com todas as doses.(34) Na Comissão Nacional de Ética em Pesquisa.(D)dose diária de 5 mg (2,5 mg duas vezes ou 5 mguma vez), houve menor incidência de sangra- Referênciasmento. Estudos para tratamento de TEV estão 1. Hyers TM. Management of venous thromboembolism:em andamento. past, present, and future. Arch Intern Med. 2003;163(7):759-68. Rivaroxabana 2. Walenga JM, Bick RL. 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Weitz JI, Hirsh J, Samama MM. New anticoagulant drugs: the Seventh ACCP Conference on Antithrombotic andmento.(35) A rivaroxabana também foi avaliado Thrombolytic Therapy. Chest. 2004;126(3 Suppl):265S-para o tratamento de TVP proximal através de 286S.estudos de dose-resposta (fase II), os quais veri- 6. Warketin TE. Danaparoid (Orgaran®) for the treatmentficaram uma redução da progressão do trombo of heparin-induced thrombocytopenia (HIT) and thrombosis: effects on in vivo thrombin and cross-e de desfechos clínicos, mas sem relação com a linked fibrin generation, and evaluation of the clinicdose do fármaco.(36) significance on in vivo cross-reactivity (XR) of danaparoid for HIT-IgG [abstract]. Blood. 1996;88(Suppl 1):626A.Outros fármacos anticoagulantes 7. Chong BH, Gallus AS, Cade JF, Magnani H, Manoharan A, Oldmeadow M, et al. Prospective randomised open- Alguns novos fármacos estão sendo testados label comparison of danaparoid with dextran 70 in the treatment of heparin-induced thrombocytopaenia withem estudos experimentais e em ensaios clínicos thrombosis: a clinical outcome study. Thromb Haemost.de fase II para a profilaxia de TEV, entre eles os 2001;86(5):1170-5.inibidores da propagação da coagulação (DPC 8. Ibbotson T, Perry CM. Danaparoid: a review of its use906, trombomodulina solúvel) e os moduladores in thromboembolic and coagulation disorders. Drugs. 2002;62(15):2283-314.da atividade fibrinolítica endógena (inibidores 9. Hassell K. The management of patients with heparin-de PAI-1, inibidores TAFIa e inibidores do fator induced thrombocytopenia who require anticoagulantXIIIa). Aguardam-se os resultados de ensaios therapy. Chest. 2005;127(2 Suppl):1S-8S.clínicos de fase III para se definir o seu papel na 10. Mosesson MW. Fibrin polymerization and its regulatory role in hemostasis. J Lab Clin Med. 1990;116(1):8-17.prática assistencial.(5) 11. Greinacher A, Völpel H, Janssens U, Hach-Wunderle V, As doses recomendadas para os fármacos Kemkes-Matthes B, Eichler P, et al. Recombinant hirudinalternativos estão descritos no Quadro 24. (lepirudin) provides safe and effective anticoagulation in patients with heparin-induced thrombocytopenia: a As recomendações são as seguintes: prospective study. Circulation. 1999;99(1):73-80. 1) Fármacos alternativos, como dana- 12. Tsuda Y, Szewczuk Z, Wang J, Yue SY, Purisima E, paroide, hirudina recombinante e Konishi Y. Interactions of hirudin-based inhibitor with fondaparinux, podem ser utilizados nos thrombin: critical role of the IleH59 side chain of the inhibitor. Biochemistry. 1995;34(27):8708-14. casos de trombocitopenia autoimune 13. Kelton JG. The clinical management of heparin-induced induzida por heparina.(C) thrombocytopenia. Semin Hematol. 1999;36(1 Suppl 2) Os resultados dos ensaios clínicos disponíveis 1):17-21. não permitem recomendar esses novos 14. Greinacher A, Eichler P, Albrecht D, Strobel U, Pötzsch B, Eriksson BI. Antihirudin antibodies following low-dose fármacos como tratamento de eleição subcutaneous treatment with desirudin for thrombosis em substituição das heparinas e cumarí- prophylaxis after hip-replacement surgery: incidence nicos.(D) and clinical relevance. Blood. 2003;101(7):2617-9. J Bras Pneumol. 2010;36(supl.1):S1-S68
    • 68 Terra-Filho M, Menna-Barreto SS e Colaboradores15. Lubenow N, Eichler P, Lietz T, Greinacher A; Hit 28. Schulman S, Kearon C, Kakkar AK, Mismetti P, Schellong Investigators Group. Lepirudin in patients with heparin- S, Eriksson H, et al. Dabigatran versus warfarin in the induced thrombocytopenia - results of the third treatment of acute venous thromboembolism. N Engl J prospective study (HAT-3) and a combined analysis Med. 2009;361(24):2342-52. of HAT-1, HAT-2, and HAT-3. J Thromb Haemost. 29. Weitz JI, Hirsh J, Samama MM; American College of 2005;3(11):2428-36. Chest Physicians. New antithrombotic drugs: American16. Fischer KG, Liebe V, Hudek R, Piazolo L, Haase KK, College of Chest Physicians Evidence-Based Clinical Borggrefe M, et al. Anti-hirudin antibodies alter Practice Guidelines (8th Edition). Chest. 2008;133(6 pharmacokinetics and pharmacodynamics of recombinant Suppl):234S-256S. Erratum in: Chest. 2008;134(2):473. hirudin. Thromb Haemost. 2003;89(6):973-82. 30. Turpie AG, Bauer KA, Eriksson BI, Lassen MR;17. Clarke RJ, Mayo G, FitzGerald GA, Fitzgerald DJ. Combined PENTATHALON 2000 Study Steering Committee. administration of aspirin and a specific thrombin Postoperative fondaparinux versus postoperative inhibitor in man. Circulation. 1991;83(5):1510-8. enoxaparin for prevention of venous thromboembolism18. Sheth SB, DiCicco RA, Hursting MJ, Montague T, after elective hip-replacement surgery: a randomised Jorkasky DK. Interpreting the International Normalized double-blind trial. Lancet. 2002;359(9319):1721-6. Ratio (INR) in individuals receiving argatroban and Erratum in: Lancet. 2002;360(9339):1102. warfarin. Thromb Haemost. 2001;85(3):435-40. 31. Büller HR, Davidson BL, Decousus H, Gallus A, Gent19. Swan SK, Hursting MJ. The pharmacokinetics and M, Piovella F, et al. Subcutaneous fondaparinux pharmacodynamics of argatroban: effects of age, gender, versus intravenous unfractionated heparin in the initial and hepatic or renal dysfunction. 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