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1- INTRODUÇÃO   O futebol é uma modalidade de esporte com exercícios intermitentes deintensidade variável. Aproximadamente...
método eficaz para controle da fadiga em futebolistas? Como se comportam osindicadores metabólicos de estresse e fadiga ap...
condição técnica, tática, física, psicológica dentre outras (FORNAZIERO, 2009). Éimportante ressaltar que o presente estud...
no soro humano é de cerca de 96% para CK-MM e de 4% para a CKMB.(CAMAROZANO & HENRIQUESL, 1996).      A concentração séric...
RESPOSTA AGUDA DA CPK PLASMÁTICA EM JOGADORES DE FUTEBOL      A CPK, como descrito no capítulo anterior, aumenta no plasma...
de exercícios físicos pode estar diretamente relacionada com a característicaindividual, podendo classificar os sujeitos c...
Tabela 1- Comportamento da CPK durante o Jogo (FORNAZIEIRO, 2009).       Ascensão et al (2008) também verificaram um aumen...
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TUMILTY, D. Physiological characteristics of elite soccer players. Sports Medicine,Canberra, v.16, n.2, p.80-96, 1993. Tra...
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  1. 1. A UTILIZAÇÃO DO BIOMARCADOR CPK COMO SINALIZADOR DE ESTRESSE E FADIGA EM FUTEBOLISTAS1 FERREIRA JUNIOR, D. A. -2 SOUZA, H. S.3 SOUZA, R. M.4 FREITAS, P. A. RESUMOO futebol é uma modalidade de esporte com exercícios intermitentes de intensidadevariável. Durante o exercício de alta intensidade, as maiores vias de fornecimento deATP são a quebra da creatina fosfato e a degradação do glicogênio muscular. Acreatinafosfoquinase (CPK) é uma enzima catalisadora do sistema energético queparticipa diretamente desse processo e por isso possui uma relação direta comlesão muscular do tecido cardíaco e estriado (muscular). Quanto mais elevados osvalores no plasma, maior é o indicio de que há lesão muscular. Portanto, torna-serelevante identificar a partir das tarefas motoras executadas pelo jogador de Futebol,como ocorre o progressivo desgaste fisiológico e metabólico do mesmo durante eapós uma partida. O objetivo desta pesquisa descritiva é através de uma revisãobibliográfica acerca do tema, analisar o comportamento do biomarcador CPK emdecorrência de uma partida de futebol. Dentre os principais resultados encontrados,destacam-se: Não há um consenso em relação aos valores de referência para aenzima em jogadores de Futebol; Os Valores de CPK apresentados por futebolistassão maiores em relação aos apresentados por indivíduos sedentários; A CPKaumenta durante a partida de Futebol, entretanto o pico de aumento da mesmaacontece em até 72h após o término da mesma. Tais apontamentos sugerem anecessidade de uma abordagem individualizada na utilização da CPK comobiomarcador de estresse e fadiga no Futebol.Palavras-chave: Futebol, CPK e Fadiga.1 Prof. Msc. Titular do Centro Universitário de Volta Redonda - UniFOA.2 Prof. Esp. Centro de Estudos em Psicobiologia do Exercício – UNIFESP/EPM3 Prof. Esp. Centro de Estudos em Fisiologia do Exercício – UNIFESP/EPM4 Prof. Graduado em Educação Física pelo Centro Universitário de Volta Redonda – UniFOA.
  2. 2. 1- INTRODUÇÃO O futebol é uma modalidade de esporte com exercícios intermitentes deintensidade variável. Aproximadamente, 88% de uma partida de futebol envolvematividades aeróbias e, os 12% restantes, atividades anaeróbias de alta intensidade.Os jogadores percorrem aproximadamente 11 quilômetros, sendo que a média dadistância coberta no primeiro tempo é 5% maior que a do segundo tempo. Nessadistância temos atividades que perfazem 3,2 quilômetros de caminhadas, 1,8quilômetro de corridas e 1,0 quilômetro em sprint, entre outras (GUERRA et al.,2007). A fadiga é a diminuição da capacidade muscular de manter a geração da força ea velocidade de relaxamento, indução de alterações nas características contráteis domúsculo e de alterações das propriedades elétricas que geram disfunções nosistema neuromuscular humano. A creatinafosfoquinase (CPK) é uma enzima catalisadora do sistemaenergético que possui uma relação direta com lesão muscular do tecido cardíaco eestriado (muscular). Quanto mais elevados os valores no plasma, maior é o indiciode que há lesão muscular. Por isso, estas enzimas são utilizadas como marcadoresbioquímicos. O Futebol é caracterizado como um exercício de altíssima intensidade e delonga duração. Apesar de intermitente, o organismo dos praticantes é levado acondições extremas em se tratando do metabolismo energético. O jogador de futebolintercala períodos altamente intensos com períodos desregulados de pausasregenerativas. Nesses períodos as atividades motoras executadas sãoprincipalmente as corridas caracterizadas por acelerações, freadas bruscasacompanhadas de trocas rápidas de direção, geralmente somadas à execução deuma tarefa motora específica da modalidade como um passe ou um chute etc. Analisar a atividade competitiva do Futebol, assim como em qualquer modalidadeesportiva, é o ponto de partida para o entendimento dos processos metabólicos defadiga. Considerando que Gomes (2009) afirma que o treinamento físico geraadaptações crônicas no organismo do praticante com vistas a manter a performancena atividade apesar do processo crescente de instalação da fadiga. Portanto, torna-se relevante identificar a partir das tarefas motoras executadas pelo jogador deFutebol, como ocorre o progressivo desgaste fisiológico e metabólico do mesmodurante e após uma partida. As principais questões que emergem são: Qual seria o
  3. 3. método eficaz para controle da fadiga em futebolistas? Como se comportam osindicadores metabólicos de estresse e fadiga após uma partida de Futebol? Qual ouquais seriam os biomarcadores mais eficientes? O estudo dos aspectosbiodinâmico-funcionais dos futebolistas nos auxilia nas respostas das questõespropostas. O objetivo desta pesquisa descritiva é através de uma revisão bibliográficaacerca do tema, analisar o comportamento do biomarcador CPK em decorrência deuma partida de futebol. Para tal pretende-se verificar as demandas fisiometabólicasdos jogadores de futebol, identificar a cinética de alguns biomarcadores de estressee fadiga no futebol e avaliar a validade da utilização da CPK como um biomarcadorde fadiga para futebolistas.2- ATIVIDADE COMPETITIVA DO JOGADOR DE FUTEBOL No que diz respeito à atividade de alta intensidade durante uma partida defutebol, os resultados de distintos estudos indicam que os jogadores da primeiradivisão ficam parados ou caminhando entre 55% e 60% do tempo total da partida(49 a 54 minutos). Correm em ritmo moderado (velocidade inferior a 15 Km/h)durante 35-40% do tempo (31 a 35 minutos), correm em velocidade quase máxima(15-25 Km/h) durante 3-6% (3-5 minutos) do tempo, e por último, correm avelocidade máxima (maior que 25 Km/h) durante 0,4-2% (22 a 170 segundos) dotempo total da partida. É importante lembrar que 50% dos esforços realizados comvelocidade máxima é inferior a 12 metros de distância. 20% fazem em distânciascompreendidas entre 12 e 20 metros, 15% entre 20 a 30 metros, e também 15% dosesforços realizados em velocidade máxima são feitas sobre distâncias superiores a30 metros. O número de acelerações feitas por partidas, saindo da inércia oucorrendo, é em torno de 130. E as mudanças de ritmo durante uma partida pode serem torno de 1000. Os jogadores de primeira divisão se distinguem dos de outrascategorias inferiores porque: 1) Empregam uma porcentagem maior de tempo totalpor partida correndo a velocidade máxima, e 2) sua velocidade máxima é maior(GOROSTIAGA, 2000). De modo geral, concorda-se que o futebol atual, está mais rápido e intenso.Inúmeros fatores podem influenciar o rendimento dos jogadores, tais como a
  4. 4. condição técnica, tática, física, psicológica dentre outras (FORNAZIERO, 2009). Éimportante ressaltar que o presente estudo abordará apenas o aspecto físico. Com relação ao treinamento de atletas de futebol, os esforços das equipespara aprimorar o desempenho destes durante os jogos geralmente focam ematividades técnicas e táticas, que são realizados em busca de uma boa condiçãofísica. O preparo atlético dos jogadores tem se tornado cada vez mais essencial nofutebol moderno, pois as exigências físicas de um jogo são mais elevadas emrelação à tempos anteriores (TUMILTY,1993). Com isso, o esporte competitivo prioriza o desempenho individual do atleta ouda equipe e exige grande esforço e maior risco de desenvolvimento de lesõesmusculares. Estas exigências levam o atleta a um limite não apenas físico, mastambém comportamental e psicológico, por obrigá-lo a controlar seu emocional nabusca de melhores resultados (POWERS e HOWLEY, 2000).3- BIOMARCADORES DE ESTRESS E FADIGABaseado em Evia (2007) o termo biomarcador (marcador biológico) foi definido em1989 como "um parâmetro biológico com índices mensuráveis e quantificáveis.Serve para a saúde e está fisiologicamente relacionado com a avaliação de risco ediagnóstico da doença. " Em 2001, padroniza a definição como "uma característicaque é objetivamente medidos e avaliados como um indicador de processosbiológicos normais, patológicos ou resposta à intervenção terapêutica farmacológica".4- CPK O tecido muscular e cerebral contém quantidades substanciais de creatinafosfato, a qual impede a rápida depleção de ATP e abastece os músculos comfosfato de alta energia. A creatina fosfato é formada a partir de ATP e creatina,quando o tecido muscular está relaxado e as demandas de ATP não são muitoelevadas. A enzima catalizadora desta reação é creatinafosfoquinase (CPK). Em1967 foi demonstrada a existência de três isoenzimas da creatinafosfoquinase(CPK), a MM encontrada no músculo esquelético, a BB no tecido cerebral e a formahíbrida MB no músculo cardíaco. Normalmente, a atividade isoenzimática detectada
  5. 5. no soro humano é de cerca de 96% para CK-MM e de 4% para a CKMB.(CAMAROZANO & HENRIQUESL, 1996). A concentração sérica da creatinafosfoquinase (CPK) é dependente da idade,sexo, raça, massa muscular e atividade física. Em geral, os homens têm níveis maiselevados que as mulheres e, negros têm níveis maiores que os brancos. Os níveisem outros grupos raciais não diferem da população branca. A massa muscularconstitui outro fator independente que influencia os níveis de CPK. Durante a vidaadulta, os níveis de CPK aumentam discretamente com a idade para declinar navelhice. Elevações transitórias da CPK são observadas após trauma muscular,injeções intramusculares, procedimentos cirúrgicos, e exercício físico. A atividade daCPK pode estar elevada no hipotiroidismo. A CPK sérica eleva-se também napolimiosite, na dermatomiosite, no traumatismo muscular, na miocardite, intoxicaçãopor cocaína, na distrofia muscular e no infarto agudo do miocárdio. Valores muitoelevados podem ser encontrados após crises convulsivas. Valores diminuídos daCPK são encontrados nos estágios precoces da gestação, em pessoas com vidasedentária, durante períodos prolongados de repouso no leito e quando há perdaimportante da massa muscular. Por ser essencial na atividade de endurance, quando exposto ao treinamentofísico este marcador sofre alterações, a elevação da CPK geralmente indica umgrande estresse orgânico. Se mensurado logo após um Ironman, por exemplo, podeficar 50 vezes superior em relação a dosagem normal. Os valores de CPK séricageralmente começam a aumentar em poucas horas após a prova, atingindo um picoentre 24 a 72 horas, iniciando a diminuir de 72 até 168 horas. No entanto se estaaltíssima dosagem for identificada no decorrer da temporada, possivelmenteindicaria um overtraining. (PASETTO, 2010). Um aspecto de elevada importância relaciona-se ao período de recuperaçãoentre as sessões de treinamento, pois, quando ocorrerem danos nos tecidosmusculares, a enzima creatinafosfoquinase (CPK), com vasta distribuição no tecidocontrátil, flui para a linfa, via interstício e entra na corrente sanguínea geral. Aenzima CPK apresenta-se como exame laboratorial mais específico e provavelmentemais sensível para avaliação do dano muscular (SILVA et al., 2007).
  6. 6. RESPOSTA AGUDA DA CPK PLASMÁTICA EM JOGADORES DE FUTEBOL A CPK, como descrito no capítulo anterior, aumenta no plasma sanguíneo emrazão da prática de esforço físico em altas intensidades. Seus níveis de referênciapara homens são menores que 195 U/l porém, podem chegar até 500 U/l aindadentro de um nível de normalidade em desportistas. Após uma atividade intensacomo é uma partida de futebol, principalmente devido ao número de contraçõesmusculares tanto concêntricas quanto excêntricas (as últimas sugeridas pelaliteratura como as principais causadoras das microlesões musculares), os níveis daenzima CPK aumentam consideravelmente até 72 horas após o esforço, e acredita-se que com o repouso devido e utilização de alguns recursos ergo-nutricionais essesníveis tendam a diminuir. Contudo, se houver um esforço de intensidade igual ousuperior pode dificultar a remoção/reconversão da CPK. Zoppi et al (2003) em seu estudo afirmam que as concentrações plasmáticasda CPK em jogadores de Futebol estiveram sempre acima dos valores de referênciapara sujeitos sedentários, evidenciando um maior nível de alteração muscular, oupelo menos uma maior permeabilidade da membrana sarcolemal neste grupo deatletas. Nossa interpretação é que deve haver uma outra faixa de referência para osvalores da CPK nesta população, uma vez que os atletas participantes do grupoexperimental não apresentaram nenhum tipo de lesão muscular que os impedisse departicipar dos jogos por motivo de tratamento. Aliás, a freqüência dos atletas aodepartamento médico foi praticamente inexistente durante esse período.Corroborando nossa hipótese, inúmeros estudos mostram aumento deste parâmetroem resposta ao treinamento físico, principalmente em atividades que exigemcontrações excêntricas sugerindo que jogadores de futebol possuem maior atividadeplasmática da CPK pelo próprio estresse induzido pelo treinamento a que sãosubmetidos diariamente e que tais alterações não são necessariamente de origemoxidativa. Urhausen & Kindermann (2002) afirmam que a atividade da CPK representa odesgaste mecânico do músculo em relação aos treinamentos de dias anteriores,relacionando com a intensidade e volume dos treinamentos, principalmente sehouverem a realização de exercícios excêntricos em que o sistema muscular nãoesteja adaptado. Newhan, Jones & Edwards (1983) e Brancaccio, Maffulli &Limongelli (2007) acreditam que o comportamento da CPK durante e após a prática
  7. 7. de exercícios físicos pode estar diretamente relacionada com a característicaindividual, podendo classificar os sujeitos como “alto-respondentes” ou “baixo-respondentes”. Ainda segundo os autores, o pico de CPK pós-exercício para o grupocom alta resposta foi abaixo de 3.000 U/l, sendo que o valor para o grupo com baixaresposta foi abaixo de 400 U/l. Corroborando com o estudo anterior, Totsuka et al(2002) utilizaram essa classificação proposta e afirmaram que para o grupo alto-respondentes, existe um ponto de quebra do aumento da CPK, que ocorre entre 300a 500 U/L após exercício de endurance. Além disso, os autores ainda citam queesses valores estão diretamente relacionados com as distintas característicasmusculares dos avaliados. Totsuka et al (2002) também observaram que o pico de CPK ocorreuimediatamente após o terceiro dia seguido de exercícios de endurance. Emcontrapartida, Takarada (2003) identificou que em decorrência da prática de 2partidas de rugby, a CPK tinha o seu maior valor 24 horas após as partidas, comvalores médios de 1081 ± 150 U/l. Já Ispirlidis et al (2008) verificaram que comoefeito da realização de uma partida de futebol, a atividade da CPK obtinha seu pico-atividade após 48 horas, observando valores em torno de 950 U/l. Os fatos de a CPK ser diretamente relacionada com a característica individualdo atleta, além de variar o momento de seu pico pós esforço, prejudicam oestabelecimento de valores de referência. Dessa forma, em um estudo que mento(2009) contemplou analises de CPK de 483 atletas masculinos e 245 femininos devários esportes, Mougios (2007) apresentou os seguintes valores de referência,respectivamente: de 82 à 1083 U/L e de 47 à 513 U/L. O autor também calculouesses valores somente com atletas masculinos de futebol e natação, obtendo limitessuperiores de 1492 e 523 U/L, respectivamente. Outro estudo importante foi o deLazarim et al (2009) que teve por objetivo examinar o comportamento da CPKdurante o Campeonato Brasileiro de Futebol (CBF), a fim de se estabelecer valoreslimítrofes de referência para essa enzima. Devido ao fato de o limite superior dopercentil 97,5 ter representado um valor acima do observado na maioria dos atletas(1338 U/l), os autores decidiram utilizar o limítrofe superior do percentil 90 como umlimiar para a sobrecarga muscular, que corresponde ao valor de 975 U/l. Fornazieiro (2009) em seu estudo encontrou valores de CPK (tabela 1) queaumentaram significativamente no grupo controle no pós jogo em relação aosvalores de repouso.
  8. 8. Tabela 1- Comportamento da CPK durante o Jogo (FORNAZIEIRO, 2009). Ascensão et al (2008) também verificaram um aumento significativo da CPK,sendo que antes da partida os atletas se apresentavam com valores médiosaproximados de 200 U/L e após 30 minutos do término do jogo os valoresencontrados eram de 375 U/L. Faz-se necessário salientar que o pico da CPK foiobservado em 48 horas após a partida, com valores próximos de 800 U/L. Osvalores pico encontrados na presente pesquisa são menores em relação aosencontrados por Takarada (2003), Ascenção et al (2008) e Ispirlidis et al (2008).Entretanto, tal fato pode ser explicado pela ausência de coletas sanguíneas emperíodos posteriores ao final do jogo, pois apenas foi coletado sangueimediatamente após o término da partida. Em comparação com valores de referência para atletas de futebol, aquantidade média de CPK observada por Fornazieiro (2009) após o jogo (713,70 ±308±20) ficou abaixo dos limites superiores postulados por Mougios (2007) eLazarim et al (2009), que são de 1498 e 975 U/L, respectivamente. Entretanto, deve-se ter cautela ao comparar os valores obtidos imediatamente após o jogo comvalores de referência, pois tal qual mencionado anteriormente em outras pesquisas,sabe-se que o pico da CPK ocorre após o esforço. Sendo assim, pode-se notar queo jogo de futebol proporciona um aumento de lesões em células musculares,indicando que a CPK pode ser um bom preditor desse tipo de stress, poisapresentou aumentos significativos durante e após o esforço. Em associação com outras variáveis , pode fortalecer ainda mais essa relaçãocom as lesões musculares. Pelo fato de essa enzima representar comportamentosde alta e baixa resposta, sugere-se o acompanhamento individual e longitudinal,para a identificação e prevenção de lesões musculares nos atletas.4- CONSIDERAÇÕES FINAIS • No treinamento esportivo atualmente é imprescindível o controle dos processos de fadiga para a quantificação das cargas de treinamento.
  9. 9. • Os Biomarcadores metabólicos como as enzimas (LDH ou a CPK) têm enorme importância nesse cenário pois alteram sua concentração na razão da intensidade do esforço físico. • O uso da CPK como marcador de estresse e fadiga deve obedecer a alguns cuidados: 1. Não há um consenso em relação aos valores de referência para a enzima em jogadores de Futebol. 2. Os Valores de CPK apresentados por futebolistas são maiores em relação ao apresentados por indivíduos sedentários. 3. Existem jogadores de Alta resposta e Baixa resposta ao aumento da CPK. 4. A CPK aumenta durante a partida de Futebol, entretanto o pico de aumento da mesma acontece em até 72h após o término da mesma. 5. As partidas nem sempre têm a mesma intensidade, portanto as respostas são diferentes. • As características supracitadas apontam para a necessidade de uma abordagem individualizada na utilização da CPK como biomarcador de estresse e fadiga no Futebol. Não há a possibilidade de generalizar as descobertas, de modo a diagnosticar um quadro de overtraining ou de fadiga com base nas médias dos valores de CPK publicados na literatura. É importante ressaltar que Individualmente, se o treinador conhece o comportamento da enzima naquele jogador, pode inferir sobre o nível de fadiga apresentado momentaneamente pelo mesmo a partir dos valores de CPK.5- BIBLIOGRAFIAAndriolo, A.; Cotrim, F.L.S. Infarto agudo do miocáradio. In: Andriolo, A. Guias demedicina ambulatorial e hospitalar UNIFESP/ Escola Paulista de Medicina. MedicinaLaboratorial. 2ed. São Paulo, Manole, 2008. p. 57-60.CALFEE, R.; FADALE, P. Popular Ergogenic Drugs and Supplements in YoungAthletes. Pediatrics, v. 117, p. 577-589, 2006.CAMAROZANO, A.C.A.; HENRIQUESL, M.G. Uma Macromolécula Capaz de Alteraro Resultado da CK-MB e Induzir ao Erro no Diagnóstico de Infarto Agudo doMiocárdio. Arquivo Brasileiro de Cardiologia, v. 66, n. 3, p.143, São Paulo, 1996.
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