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Revista espirito livre_011_fevereiro10

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    Revista espirito livre_011_fevereiro10 Revista espirito livre_011_fevereiro10 Document Transcript

    • ENTREVISTA Entrevista com Martin Nordholts, desenvolvedor do Gimp ENTREVISTA Entrevista com Vitor Balbio, criador do Projeto Ruínas http://revista.espiritolivre.org | #011 | Fevereiro 2010 COMPUTAÇÃO GRÁFICA E SOFTWARE LIVRE N A MP MULTIMÍDIA JURIS Montando um WebServer Fazendo música com O destravamento de bens com PHP, Apache e software livre tecnológicos é ilegal? MySQL no NetBSD
    • COM LICENÇA Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |02
    • EDITORIAL / EXPEDIENTE Bits, bytes e folia... EXPEDIENTE Diretor Geral Carnaval. Um período que agrada a alguns e desagrada a outros. São João Fernando Costa Júnior momentos de alegria, descontração e até bastante culturais, desde que vividos com sabedoria e responsabilidade. Nessa edição do mês da folia, praticamente Editor não traremos muita coisa referente a festividades, aliás, nada. Entretanto, para João Fernando Costa Júnior alegria da galera, esta edição está recheada de muita informação em matérias inéditas e exclusivas. Revisão Eliane Domingos A matéria de capa vem trazendo a computação gráfica como um aliado ao Sandra Maria Tomaz software livre. Este gênero de software encontra na liberdade um terreno fértil, com muitas ferramentas de qualidade e facilmente disponíveis. Como Tradução entrevistados teremos Martin Nordholts, desenvolvedor do projeto Gimp, que Paulo de Souza Lima esclarece diversos pontos sobre as novas versões do popular editor de imagens. Vitor Balbio é outro entrevistado, que explica com clareza seus projetos, dentre Arte e Diagramação eles o Ruínas. Além destes, Alexandre Oliva, que participa da Free Software João Fernando Costa Júnior Foundation Latin América, nos concedeu uma entrevista esclarecendo seu ponto Eliane Domingos de vista sobre um evento bastante popular que acontece no próximo mês: o FLISOL, o Festival Latinoamericano de Instalação de Software Livre, que Capa acontece em diversas cidades das Américas. Além do FLISOL, conversamos com Carlos Eduardo Mattos da Cruz Fernanda G Weiden, da Free Software Foundation Europa, sobre o Document Freedom Day, evento que acontece simultaneamente em todo o mundo. Contribuiram nesta edição Alan MeC Lacerda Ainda sobre o assunto de capa, Carlos Eduardo, o Cadunico, apresenta Alexandre Oliva uma matéria bem ampla apresentado diversas ferramentas sobre o tema Ana Paula Gomes proposto. Karlisson Bezerra, responsável pela famosa tirinha "Nerson Não Vai A Antônio Augusto Mazzi Escola" também assina uma matéria comentando sobre a produção de tiras Cárlisson Galdino utilizando software livre. Jomar Silva e Leandro L. Parente atacam com duas Carlos Eduardo Mattos da Cruz matérias bem interessantes sobre multimídia. Diversas ferramentas são Cezar Taurion apresentadas e discutidas. Relsi Hur Maron continua com sua série de artigos Fernanda G Weiden sobre Joomla. Patrick Amorim traz a primeira parte de um artigo sobre perícia Hailton David Lemos forense utilizando GNU/Linux. Jorge Augusto continua seus com seus artigos João Fernando Costa Júnior sobre empregabilidade enquanto Hailton Lemos apresenta uma perspectiva Jomar Silva interessante mostrando como a biologia está inspirando a informática. Tem Jorge Augusto M. Carriça matéria sobre reciclagem digital, moodle, jailbreaking e muito mais. Karlisson Bezerra Leandro Leal Parente Já estamos caminhando rumo ao nosso primeiro aninho... É, algo que Martin Nordholts podemos dizer bem complicado em se tratando das circunstâncias que permeiam Otávio Gonçalves de Santana a comunidade num geral. Pensando nisso, estamos preparando surpresas a partir Patrick Amorim da edição nº 13. Aguardem! Paulo de Souza Lima Vocês vão perceber que a agenda está apresentando pouquíssimos Rafael Marassi eventos nos últimos meses. Pois então, conforme o ano vai tomando forma ao Relsi Hur Maron longo dos meses, os eventos vão aparecendo. Sabe-se que o primeiro semestre é Ricardo Pontes um período fraco em eventos, porém conforme formos sabendo, vamos Roberto Salomon publicando-os. Vitor Balbio Walter Capanema Nossos sinceros agradecimentos a todos que contribuíram de forma Wallison Narciso indescritível para que mais uma edição da Revista Espírito Livre. Sem estes essa Wesley Samp edição não seria possível. Agradecimentos também aos nossos leitores que nos Yuri Almeida injetam de ânimo todos os dias. Aqueles que nos seguem pelo Twitter, Identi.ca e demais veículos, estejam atentos: não custa lembrar que as promoções e Contato novidades são apresentadas primeiramente nestes veículos e no site oficial da re- revista@espiritolivre.org vista [http://revista.espiritolivre.org]. O conteúdo assinado e as imagens que o Agradecimentos a todos que não foram citados acima e integram, são de inteira responsabilidade que formam esta família que compõe a Revista Espírito Livre. de seus respectivos autores, não representando necessariamente a opinião da Revista Espírito Livre e de seus responsáveis. Todos os direitos sobre as imagens são reservados a seus respectivos proprietários. João Fernando Costa Júnior Editor Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |03
    • EDIÇÃO 011 SUMÁRIO CAPA Entrevista com 35 Software Livre na Computação Gráfica Martin Nordholts, Estamos bem servidos... desenvolvedor do 39 Quadrinhos e Software Livre Olha o Nerdson aí! Gimp 42 LiveBrush PÁG. 26 Software livre de desenho desenvolvido em Adobe AIR Entrevista com Vitor Balbio, COLUNAS criador do Projeto Ruínas 13 Ah!, a falta que ela faz Bye-bye... PÁG. 30 17 Warning Zone Episódio 5 - O Resgate 20 (des)Organização do modelo OpenSource Como isso funciona? 24 Carnavalesco Pura folia... MULTIMÍDIA 44 Fazendo música com software livre Puro som... 50 Jack Audio Connection Kit Parte 1 96 AGENDA 06 NOTÍCIAS ENTREVISTA 53 Alexandre Oliva Alexandre abre o jogo!
    • DESENVOLVIMENTO 58 Joomla Criando portais instantâneos Parte 3 GAMES 80 Linux é algo chato... Será?! EMPREGABILIDADE 62 A selva de dados chamada Internet JURIS Esteja atento! 83 Destravamento é ilegal? Uma análise jurídica sobre jailbreaking FORUM 65 Tempestade em copo d'água PROJETO Faíscas entre EUA X China Projeto Reciclagem Digital 87 Vamos reciclar! SEGURANÇA 68 Perícia Forense com Linux FTDK EDUCAÇÃO Olhando minusciosamente... 89 Moodle Educação a Distância SYSADMIN 72 NAMP EVENTOS NetBSD+Apache+MySQL+PHP 91 Document Freedom Day 2010 Vamos participar?! GESTÃO 93 Ekaaty Day+KDE Party + Comunidades SL - 76 Gestão da Informação Como a Biologia está influenciando a Salvador/BA informática Relato do evento 95 QUADRINHOS Os Levados da Breca HelpDesk 96 ENTRE ASPAS Citação de Andrew Stuart Tanenbaum 10 LEITOR 12 PROMOÇÕES
    • NOTÍCIAS NOTÍCIAS Por João Fernando Costa Júnior Apache completa 15 anos gins ou outros recursos para conversão. Mais in- No dia 23 de fevereiro formações e download em de 1994, autores indivi- http://www.broffice.org. duais de patches ao re- dor do mundo foram Opera abre código do Dragonfly convidados a partici- Dragonfly é a resposta da Ope- par da lista "new-httpd" para discutir melhorias e ra ao Firebug, e tem objetivo futuros lançamentos do NCSA httpd. O nome similar: uma ferramenta que fa- Apache foi escolhido para este novo esforço já cilita que o desenvolvedor nos dias iniciais da discussão, juntamente com web depure JavaScript e ins- regras básicas para colaboração via e-mail e a pecione CSS, DOM e headers missão de substituir o então atual servidor com HTTP. O Dragonfly esteve sob um novo sistema, baseado em padrões, open uma licença open source des- source e extensível. Atualmente ele é usado pa- de o princípio de seu desenvolvimento, mas os ra possibilitar acesso a cerca de 111 milhões de repositórios e o desenvolvimento eram internos. sites em todo o mundo e está em sua versão es- Mas agora isso vai mudar, e o o Dragonfly pas- tável 2.2.14 e alpha 2.3.5. A história do projeto sará a ser desenvolvido a partir de um repositó- encontra-se em http://ur1.ca/nvoc. rio publicamente acessível, assumindo a natureza de um projeto de código aberto. Deta- Kernel Linux 2.6.33 é lançado lhes em http://www.opera.com/dragonfly. Foi lançado na última quarta- feira a versão 2.6.33 do kernel Lançado Ubuntu 10.04 Lucid Lynx Alfa 3 linux. O kernelnewbies já con- Lançado o terceiro alfa da ta com os detalhes em versão que sairá no final http://kernelnewbies.org/Linux- de abril, o Ubuntu 10.04 Changes. Outras informações Lucid Lynx. Por ser uma interessantes podem ser en- versão alfa não se reco- contradas em http://www.linux- menda o uso em máqui- foundation.org/collaborate/lwf. Para baixar, visite nas de produção, já que o site oficial http://kernel.org. ainda não está estágio de testes. A agenda de próximas liberação das pró- BrOffice.org 3.2 Disponível para download ximas versões consta: 18/03/2010 – Beta1, Já está disponível 8/04/2010 – Beta2, 22/04/2010 – Versão candi- para download a ver- data e 29/04/2010 – Ubuntu 10.04 LTS. A ver- são 3.2 da suíte de são vem com o Ubuntu One Music Store, escritório gratuita e livre. Vem com diversas me- GNOME 2.29.91, Kernel 2.6.32.8, KDE SC 4.4, lhorias em relação a última versão, trazendo ain- likewise-open, MeMenu e muito mais. Anúncio da algo bastante aguardado: o Broffice.org 3.2, oficial aqui: http://www.ubuntu.com/testing/lu- suporta a partir de agora, todos os formatos do cid/alpha3. Office 2007, sem a necessidade de baixar plu- Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |06
    • NOTÍCIAS Língua Portuguesa é a terceira mais usada Lançada terceira edição de revista digital so- no Twitter bre Gimp Um estudo realizado pela Se- Esta edição conta com a miocast mostrou que o portu- participação de Guilher- guês é o terceiro idioma me Razgriz e de Camila mais utilizado no Twitter Magri, e tem ênfase no com 9% ficando atrás ape- publico iniciante no nas do Japonês com 14% e Gimp. São abordados os do obvio inglês com 50%. É seguintes assuntos: pro- um fato interessante tendo dução gráfica com software livre, os formatos de em conta que o espanhol consegue apenas 4% imagens, os efeitos e camadas e seus grupos e e outros idiomas como italiano, francês e ale- mais algumas dicas relativas ao Gimp. Informa- mão ficam entre 1% – 2% das mensagens no ções no site: gimplab.wordpress.com. Twitter. Detalhes e mais informações aqui: http://ur1.ca/nvp8. Modelos 3D feitos no Blender disponíveis gra- Ubuntu torna-se o sistema padrão dos tele- tuitamente centros Cícero Moraes, artista gráfi- A Serpro customiza uma versão mais leve do co, decidiu disponibilizar à sistema operacional, capaz de funcionar em má- comunidade o seu acervo quinas com configuração simples. Com o Ubun- de modelos 3D (.blend), tu, os computadores dos telecentros passam a confeccionados do zero e aceitar atualizações e oferecer opções de aces- utilizados em trabalhos rea- sibilidade para deficientes visuais. A partir dessa lizados por ele. Os mode- definição do Programa Serpro de Inclusão Digi- los servem tanto para tal, todas as novas máquinas doadas pela em- serem utilizados em cena, quando para serem presa utilizarão o Ubuntu. Os mais de trezentos estudados por iniciantes no Blender. Conforme telecentros já existentes serão atualizados de novos projetos forem aparecendo, Cícero prome- forma gradual, durante visitas técnicas. Antes te disponibilizando novos arquivos. Para quem da opção pelo Ubuntu, as máquinas utilizavam o quiser baixá-los, segue o link: http://www.cicero- Fedora 4. Detalhes aqui: http://ur1.ca/nvph. moraes.com.br/viewDownloads.php?tipo=ct- gid&busca=2. Kingston lança cartões SDHC de classe 10 A Kingston anunciou o lança- Microsoft publica especificações dos arqui- mento dos seus cartões SD vos .pst do Outlook de classe 10. Disponíveis em Finalmente a Microsoft cumpriu com a promessa versões de 16 e 32GB, estes de publicar as especificações dos arquivos .pst cartões garantem um taxa de que o Outlook utiliza para guardar os e-mails local- transferência de dados míni- mente. Trata-se de uma ótima notícia para as pes- ma de 10MBps podendo atin- soas e empresas que tem seus e-mails gir os 18MBps em escrita e os arquivados neste formato e desejam migrar para 22MBps em leitura. Quanto outro cliente de e-mail, já que anteriormente as ao preço, a Kingston afirmou que o modelo de conversões de arquivos .pst eram complicadas de 16GB irá custar $129 enquanto que a versão de realizar. Detalhes aqui: http://ur1.ca/n6qk. 32GB terá o valor de $245. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |07
    • NOTÍCIAS Facebook agora acessível via XMPP/Jabber Twitter lança página reunindo suas contribui- A rede social Facebook incor- ções em código aberto porou recentemente o supor- O Twitter lançou nos últimos dias uma nova pá- te a Jabber/XMPP de forma gina que apresenta todos os projetos de código que agora é possível conec- aberto que fazem parte do portfólio da empresa. tar usando Pidgin, Adium, bitl- A “Twitter loves open source”, traz diversos pro- bee ou qualquer outro cliente jetos escritos em linguagens como Java, C e Jabber/XMPP. Por enquanto Ruby que foram utilizadas na criação do micro- não interconecta com ne- blog e em outras iniciativas da comunidade nhum servidor Jabber/XMPP open source. Visite: http://ur1.ca/mk5k. da rede pública. Os detalhes podem ser conferidos aqui: http://ur1.ca/m7wa. Microsoft vai oferecer escolha de navegado- res na Europa a partir de março Tradutor de textos com anotações Essa mudança, fruto de E você, está cansa- acordo legal com a comis- do de ficar copian- são européia, está em ges- do e colando tação há tempo, e palavras em um tra- aparentemente será coloca- dutor para depois da em prática nas próximas reunir tudo no seu OpenOffice.org? Pois bem, semanas – já está em teste seus problemas acabaram! A ferramenta em em 3 países. Um vice-presi- questão traduz textos de diversas linguas utilizan- dente da Microsoft, citado do o Google. Basta selecionar o texto e modifi- pela BBC, informou que os usuários terão a es- car o idioma de sua escolha na barra de status. colha de permanecer com seu navegador atual Ficou curioso? Baixe a extensão e confira: ou trocá-lo por uma das opções oferecidas, que http://extensions.services.openoffice.org/en/no- incluem Chrome, Firefox, Opera e Safari. Deta- de/3661. lhes em http://ur1.ca/n1qs. Nasce o MeeGo Projeto Cauã - Jon maddog Hall lança vídeos Intel e Nokia anuncia- de divulgação ram uma promissora John 'Maddog' Hall parceria afim de unir lançou recentemente Maemo e Moblin em uma série de vídeos um novo produto cha- divulgando o Projeto mado MeeGo, com o Cauã, no qual exerce propósito de ser utiliza- a presidência. Este do em qualquer tipo de dispositivo que se possa projeto visa, entre ou- imaginar. O MeeGo será construído a partir do tras coisas, promo- núcleo Moblin, com a Qt sendo o ambiente de de- ver a inclusão digital, criar empregos, tornar a senvolvimento de aplicação. O projeto será hos- computação mais fácil, tudo isto de maneira sus- pedado de forma aberta pela Linux Foundation. tentável e ambientalmente correta. Estes vídeos A notícia completa pode ser conferida aqui: receberam legendas em português e podem ser http://www.osnews.com/story/22875/Nokia_Intel_- vistos no seu respectivo canal no YouTube: Merge_Moblin_Maemo_Into_MeeGo. http://www.youtube.com/ProjectCaua. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |08
    • NOTÍCIAS Livro grátis - GNU/Linux Advanced Adminis- ção sistema. Mesmo não estando completo, o tration PDF guia já aborda de maneira bem simples e práti- A "Free Technology Aca- ca os principais módulos do sistema e ele costu- demy (FTA)" acaba de lan- ma ser atualizado de acordo com as çar o excelente "The necessidades da BrodTec e seus clientes. O ma- GNU/Linux operating sys- terial está disponível em tem" cujo conteúdo princi- http://www.brod.com.br/sugarcrm-guia-pr-tico. pal trata da administração do sistema. Você aprende- Disponibilizada abiCloud 1.0GA, sob licença rá a instalar e configurar di- LGPL versos serviços e como Acaba de ser liberada otimizar e sincronizar os recursos usando a versão 1.0GA da GNU/Linux. Mais informações aqui http://www.cy- abiCloud, uma plata- berciti.biz/tips/gnulinux-advanced-administration- forma livre para geren- pdf-book.html. ciamento de nuvens privadas, que permite Projeto "Brasil 250 Cidades" avança para se- controlar máquinas vir- gunda etapa tuais, armazenamento A comunidade brasileira e redes. Além disso, a partir desta versão a li- do OpenStreetMap con- cença da abiCloud passa a ser LGPL. A Abi- cluiu com sucesso a pri- Cloud funciona sob VirtualBox, Xen e KVM. meira etapa do Projeto Quer saber mais então visite http://www.abi- Brasil 250 Cidades, produ- cloud.org. zindo informações livres sobre conexões entre PC-BSD 8.0 lançado mais de 80 cidades brasi- A equipe de desen- leiras. Agora o projeto par- volvimento do PC- te para seu maior objetivo, que é produzir um BSD anunciou o mapa roteável livre entre as 250 maiores cida- lançamento da ver- des brasileiras. Para isso, são necessário mapea- são 8.0 (codinome dores que conheçam as regiões mapeadas, e Hubble), a qual instala FreeBSD 8.0-RELEASE- que possam ajudar com um mapeamento de qua- P2 e KDE 4.3.5. O PC-BSD é um sistema opera- lidade. Para saber como participar, acesse o wi- cional que visa fornecer a possibilidade de insta- ki do projeto. http://wiki.openstreetmap.org/wiki/ lar um FreeBSD 8 totalmente funcional desde o WikiProject_Brazil/Brasil_250_Cidades. primeiro momento e com o ambiente gráfico KDE. Por outro lado, também oferece ferramen- Guia Prático do SugarCRM em português tas próprias e exclusivas do PC-BSD que aju- A BrodTec, de Cesar dam o usuário a ter uma melhor experiência ao Brod e Joice Käfer, uti- utilizar um BSD. Mais detalhes no site oficial liza internamente o http://www.pcbsd.org. SugarCRM e tam- bém implanta o siste- ma para seus clientes. Recentemente, a dupla disponibilizou Quer contribuir? Então entre em contato no portal da empresa seu guia prático de utiliza- pelo email revista@espiritolivre.org Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |09
    • COLUNA DO LEITOR EMAILS, SUGESTÕES E COMENTÁRIOS Ayhan YILDIZ - sxc.hu Ainda em clima de carnaval os comentários vão mais importantes meios de informação e chegando... São leitores expondo suas experiên- divulgação do Linux e software livre em geral. É cias, sugestões, situações ou simplesmente di- objetiva, tornando-se agradável para iniciados zendo o que acham da revista. Diga-nos o que ou não em SL. achou da última edição ou das últimas matérias! Marcus Paulo T. de Campos - São Paulo/SP Não gostou de algo? Ficou satisfeito por ter encontrado o que procurava? Então entre em Acho que a revista é um meio excelente para contato, envie suas sugestões e críticas. Abaixo divulgação das ideias livres. Concentra num só listamos alguns comentários que recebemos no lugar varios materiais do vasto universo livre!!! último mês: E é impressindível esse tipo de divulgação para manter e aumentar cada vez mais os niveis de É uma revista mais que interessante, onde maturidade de todo movimento de tecnologias abordam assuntos como tecnologia da livres. informação e comunicação tendo sempre como José B. Neto - São Sebastião do Paraíso/MG carro-chefe o software e a cultura livres de uma forma dinâmica e atraente. Adoro. Excelente revista, material informativo e Clécio J. Lima Ponciano - João Pessoa/PB importante, relevante para todos os amantes do espírito livre. Acabei de conhecer a Revista Espírito Livre e Alexssandro S. Souza - Campinas/SP estou achando uma excelente revista. Sem sombra de dúvidas é a melhor do seguimento. Iniciativa de coragem, ótima abordagem de Edivaldo Pereira - Gama/DF temas, excelente visual... Oswaldo A. Sá Ferreira - Nova Friburgo/RJ A revista é de alta qualidade mesmo. Já foram lançadas 10 edições com matérias exclusivas e Simplesmente a melhor fonte de informação objetivas sobre o Software Livre em geral. As sobre o Linux e o Software Livre em geral. edições que mais me chamaram atenção foi a Denis Rodrigues Ferreira - Uberlândia/MG de nº8 (Comunidades e Movimentos Livres) e nº9 (Redes Sociais) que conseguiram me ajudar A melhor ... Muito Boa, parabenizo a todos que a levar as cultural Web 2.0 e a filosofia do possibilitam a leitura desta revista, que esta, na Software Livre na empresa que trabalho. minha opinião, saindo melhor que algumas Abraço pessoal e parabéns pelo trabalho! revistas pagas, conteúdo bom, de fácil Rafael Leal da Silva - Santo André/SP entendimento, variados assuntos!! Revista Show! A Revista Espírito Livre é atualmente um dos Julio Gadioli Soares - Belo Horizonte/MG Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |10
    • COLUNA DO LEITOR Maravilhosa, estou usando Ubuntu depois da open source, principalmente pra mim que estou Revista. Já imprimir as 9 edições para guardar descobrindo essa área agora. para sempre. Erasmo Nepomuceno - Itaquaquecetuba/SP Leonardo H. Falcão - Campina Grande/PB Eu acho que a revista é muito bem Muito legal, até o momento não me recordo de desenvolvida e tantas outras coisa que não alguma matéria que não fosse fundamental caberiam nesse espaço. para meus conhecimentos da área de TI. Cleber Antonio Euzebio - Mirassol/SP Marco Aurélio Capela - Ananindeua/PA Adoro a Revista Espírito Livre, vejo ela como Essa revista tem se tornado minha referência uma revolução sendo para mim; uma revista tão principal no que tange Software Livre e suas boa ou melhor do que muitas outras que se aplicações nas diversas facetas do mundo pode comprar em bancas. Sempre que posso tecnólogico em que vivemos. Qualquer decisão indico ela a alguem, e faço isso sem medo, pois a se tomar, ou que prgrama similar utilizar para sei que o seu conteúdo é de primeira! continuar com o Linux no trabalho tem-se sido Thiago Lima de Sousa - Florianópolis/SC baseada nos excelentes artigos encontrados aqui. Além do que ela também tem contribuído, e muito, com o enriquecimento dos embates filosóficos na Faculdade sobre a utilização tanto do software como do modelo de trabalho colaborativo pregado por este "Movimento Open Source". Raphael Silva Souza - Macarani/BA Gostei bastante do conteudo; já ri bastante com alguns artigos, principalmente a matéria sobre Comentários, sugestões e contribuições: aterramento na 4ª edição. Gosto também porque tem bastante conteudo sobre o universo revista@espiritolivre.org Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |11
    • PROMOÇÕES · RELAÇÃO DE GANHADORES E NOVAS PROMOÇÕES PROMOÇÕES Na edição #010 da Revista Espírito Livre tivemos diversas promoções bem como promoções através de nosso site e canais de relacionamento com os leitores, como o Twitter e o Identi.ca, onde sorteamos diversos brindes, entre eles associações, kits, cds, inscrições a eventos e camisetas. Abaixo, segue a lista de ganhadores de cada uma das promoções. Fique ligado! Ganhadores da Promoção VirtualLink: 1. Clécio José de Lima Ponciano - João Pessoa/PB 2. Edivaldo Pereira - Gama/DF 3. Roger de Oliveira - Osório/RS 4. Yann da Silva Melo - Batalha/AL 5. Marcus Paulo Tavares de Campos - São Paulo/SP Ganhadores da promoção Clube do Hacker: 1. Rafael Leal da Silva - Santo André/SP 2. Cleiton Domazak - Joinville/SC 3. João Eduardo Borges Benevenuto - Campo Grande/MS A promoção continua! A VirtualLink em parceria com a Revista Espírito Livre estará sorteando kits de cds e dvds entre os leitores. Basta se inscrever neste link e começar a torcer! Não ganhou? Você ainda tem chance! O Clube do Hacker em parceria com a Revista Espírito Livre sorteará associações para o clube. Inscreva-se no link e cruze os dedos! Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |12
    • COLUNA · ALEXANDRE OLIVA Ah!, a Falta que Ela Faz Por Alexandre Oliva Cierpki - sxc.hu Uma porção de gente já ficou sabendo que, em pleno Carnaval, decidi interromper um longo relacionamento. Pra quem não viu, segue cópia da carta aberta que escrevi para quem me traiu minha confiança: Caro Google, Estamos juntos há vários anos, mas devo dizer que ultimamente vinha pensando cada vez mais em romper com você. Sua recente traição pública me fez decidir que não quero mais estar envolvido com você. Entendo que seja Dia de São Valentim, que é dia dos namorados no seu país de origem, e também Carnaval, mas... o que você esperava que eu fizesse? Confiança é algo que se constrói com dificuldade ao longo de anos, mas se perde numa fração de segundo. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |13
    • COLUNA · ALEXANDRE OLIVA Faz tempo que lhe dou acesso a algumas Também vou convidá-los a se manterem em partes íntimas da minha vida. No começo, eram contato comigo através de outros meios. só arquivos de listas públicas. Aí, você me aju- Para mensagens instantâneas, podem che- dou a manter contato com amigos que de outra gar a mim em lxoliva@jabber.org e lxoliva@jab- forma eu talvez nunca mais encontrasse. Aí vo- ber-br.org. Mesmo aqueles que escolham cê começou a escutar minhas conversas, mas continuar com você podem registrar esse ende- até isso era mais ou menos ok, pois eu tinha reço alternativo no GTalk, ainda que eu preferi- aceitado, não tinha? Você sempre disse que eu ria que se registrassem em jabber.org usando podia confiar em você, e eu confiei. Não pare- alguma implementação em Software Livre do cia que você iria compartilhar a informação parti- protocolo de mensageria instantânea XMPP ado- cular que eu compartilhei com você, então a tado pelo GTalk, como o Pidgin. confiança foi aumentando ao longo dos anos. Para redes sociais, vou continuar com a re- Mas outro dia conheci um lado seu que de do PSL-Brasil, que roda Noosfero, e gNewBo- não conhecia, dizendo na TV o quanto você valo- ok, construído sobre elgg. Não se preocupe, rizava a privacidade: que se havia alguma coisa Google, não vou entrar no Facebook, seria pelo que eu não quisesse que ninguém soubesse, eu menos tão burro quanto continuar no Orkut. não deveria fazer essa coisa. Ainda assim, achei que fosse um simples engano seu, e que Para microblogging, continuo no identi.ca, eu ainda podia confiar em você, então eu continu- que roda StatusNet. ei com você. Pidgin, Noosfero, elgg e StatusNet são to- E aí o Buzz me atingiu. Foi demais pra dos Software Livre. Eles respeitam as liberda- mim. des essenciais de seus usuários, inclusive usuários através da rede. Eu sei que tenho direi- Até onde sei, não dependo de minha priva- to de compartilhá-los com meus amigos, adaptá- cidade neste momento para minha segurança fí- los para minhas necessidades, instalar minhas sica, como Harriet Jacobs, ou para o próprias cópias e configurar minhas próprias re- desempenho de meu trabalho, como jornalistas des interoperáveis se eu quiser, e muito mais. que tiveram suas fontes expostas quando Buzz Ao contrário de outros serviços de microblog- foi empurrado para cima deles. ging, redes sociais e mensagens instantâneas. Mas, assim como confiança, privacidade é E, ainda por cima, estou amando desenvolvedo- algo que custa dedicação ao longo de anos, e res deles. um pequeno erro desfaz um monte de trabalho Quanto a e-mail, uso lxoliva@fsfla.org para duro. Não quero esperar pelo dia em que eu per- assuntos de Software Livre e oliva@lsd.ic.uni- ceba que preciso de minha privacidade de volta. camp.br para outras coisas... E-mail é pra ser Google, perdi a confiança que tinha deposi- particular, então não recomendaria usar qual- tado em você, mas não acho que seja tarde de- quer serviço de terceiros, mesmo que construí- mais para eu evitar perder também minha do sobre Software Livre. Nao é difícil configurar privacidade. Estou fechando nossas contas con- seu próprio serviço de e-mail via web; eu mes- juntas, esvaziando as gavetas que você reser- mo administro os servidores dos dois endereços vou para mim no seu closet, destruindo as pessoais que uso. Não têm um exército de em- chaves depois de trancar as portas, e não vou pregados seus por trás deles, mas dada a entre- lhe deixar mais acessar minhas partes íntimas. vista do funcionário do Facebook, um exército Também estou dizendo a todos os nossos assim parece mais uma maldição que uma bên- amigos que eu terminei com você, e por quê. ção. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |14
    • COLUNA · ALEXANDRE OLIVA Google, se precisar, você sabe onde me en- com o GTalk. Como poderia sentir falta dessas contrar e, se não soubesse, há outros serviços coisas? de busca por aí que podem saber. O mesmo va- Mesmo assim, uma porção de gente achou le para todos os meus amigos. Vejo vocês por o rompimento exagerado, questionando até se aí. eu não estava usando dois pesos e duas medi- Até blogo, das. Na verdade, minha política de evitar confiar informação pessoal a terceiros vem se aguçan- do há bastante tempo. Google era uma exce- Já faz quase um par de semanas que to- ção, e deixou de ser, justamente porque já não mei a decisão e, olha... Uma coisa preciso reco- mais me parece, digamos assim, boa compa- nhecer: foi bem fácil deixar tudo para trás. nhia, em que se pode confiar. Não me agrada entrar em relacionamentos Justamente pela espectativa excepcional de dependência, então eu já mantinha cópia lo- senti minha confiança traída. Os problemas de cal de todos os meus dados: mensagens, conta- privacidade no Facebook, que mencionei na car- tos, calendários, etc. Google sempre fez ta, não me surpreenderam; estão mais para típi- questão de me deixar manter essas coisas, aber- cos que absurdos. Os acidentes que tamente, inclusive em formatos abertos livres, aconteceram no Google no passado, tipo quan- pra que, se um dia eu quisesse ir embora, eu do gente começou a encontrar, através do servi- não seria impedido. É uma atitude exemplar, dig- ço de busca, documentos particulares de na de respeito e admiração, pois não se vê mui- terceiros armazenados no Google Docs, são par- to por aí. te do risco de deixar a informação nas mãos do Outra coisa que meio que me surpreendeu outro, por mais responsáveis que sejam. Não foi que eu continuei usando alguns serviços que dá pra qualificar um acidente desses como trai- não esbarravam em questões de privacidade. ção de confiança. Busca e mapas foram os que eu percebi: podem Mas o caso do Buzz foi diferente. Certa- ser usados anonimamente, uma vez removidos mente não foi um acidente na linha daquele do os biscoitinhos que Google continua me mandan- Google Docs. “Fez falta, sim!”, talvez dissesse do, mas já não aceito mais. Arnaldo Cézar Coelho, “falta clara, pra cartão Dos outros serviços, não senti falta. Pelo vermelho, muito bem marcada!” De fato, só ve- contrário: estou livre do ruído constante do Or- jo duas linhas de cenários possíveis que condu- kut, não preciso mais fazer controle duplo de zem a essa falta. Spam (e se alguém mandasse mensagem pro Numa delas, algum funcionário, preocupa- endereço do GMail e caísse na caixa de Spam do e responsável, chamou atenção pra questão da qual não tinha como receber cópia automáti- de privacidade da publicação automática de con- ca?), estou tranquilo que a caixa do GMail não tatos particulares no Buzz: além de ser um uso vai lotar de novo, não preciso mais ver como fa- público inesperado de informação particular, le- zer pra separar a parte particular da pública no vanta riscos para relacionamentos pessoais (já meu calendário no ORG-Mode do GNU Emacs, em risco, vá lá), para jornalistas e suas fontes nem tentar achar um jeito de alimentar o calendá- anônimas, para ativistas de direitos humanos rio do Google a partir dali. perseguidos por tiranos (não é irônico que, pou- O melhor de tudo é que ninguém mais fica cos dias após denunciar a invasão chinesa, Goo- pensando que eu passava o dia no Orkut, ou gle torna pública a informação que os invasores que eu usava a página do GMail carregada de buscavam?), e sabe lá pra quem mais. Aí, um Obfuscript, só porque o Pidgin se registrava gerente comercial mais preocupado em tentar Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |15
    • COLUNA · ALEXANDRE OLIVA ganhar espaço no imenso mercado de redes so- outro, como mudou com o Buzz. Apesar de vári- ciais, em que Google está atrás, descarta a obje- os dos problemas do Buzz terem sido corrigidos ção e vai em frente com o plano de construir a prontamente, a confiança de que essas ques- rede do dia para a noite com contatos particula- tões seriam levadas a sério e tratadas adequa- res. Péssimo, né? damente, de modo a evitar problemas, e sem Noutro cenário, nenhuma das inteligentíssi- precisar de protestos generalizados, já se foi. mas pessoas que trabalham para o Google e es- Pena. tavam envolvidas no projeto considerou nada Quem já achava que era uma questão de disso. Honestamente, não bom senso, que não ca- sei qual das possibilidades bia confiar no Google pa- é mais preocupante. ra questões tão sensíveis Não que eu tenha como integridade física, perdido alguma coisa. Eu Tem gente contatos com fontes anô- nimas, redes de combate era relativamente cuidado- so com as informações que não está nem aí a tirania, teria enfrentado minha discordância an- que disponibilizava pro Go- que seus contatos tes, pois eu via Google ogle. Porém, tendo pon- defendendo na justiça a tos de contato públicos, eu sejam públicos, e por privacidade até de prová- acabava induzindo outras pessoas a compartilharem isso minimiza o veis pedófilos virtuais. Hoje, concordo: não dá informação com Google, seja quando queriam en- problema do Buzz. Mas pra confiar a privacidade trar em contato comigo a ao Google, e tenho certe- respeito de assuntos pes- será que se importaria za de que Google já sabe muito bem a falta que a soais, seja quando sim- plesmente seguiam o se o conteúdo de suas confiança faz. modelo que eu adotava, conversas ou correios sem saber dos cuidados Copyright 2010 Alexandre Oliva que eu tomava. Por isso, eletrônicos fosse achei melhor dar um basta. Além disso, talvez eu exposto? Cópia literal, distribuição e publicação da íntegra deste artigo tenha mesmo tomado me- Alexandre Oliva são permitidas em qualquer meio, nos cuidado do que deve- em todo o mundo, desde que ria, dadas as novas sejam preservadas a nota de circunstâncias. Aliás, isso levanta um ponto im- copyright, a URL oficial do documento e esta nota de permissão. portante. Tem gente que não está nem aí que http://www.fsfla.org/svnwiki/blogs/lxo/pub/falta-que-ela-faz seus contatos sejam públicos, e por isso minimi- za o problema do Buzz. Mas será que se impor- taria se o conteúdo de suas conversas ou ALEXANDRE OLIVA é conselheiro da Fundação Software Livre América Latina, correios eletrônicos fosse exposto? Desta vez, mantenedor do Linux-libre, evangelizador a informação que Google publicou não lhes inco- do Movimento Software Livre e engenheiro de compiladores na Red Hat Brasil. modaria, mas e da próxima? Quem pode saber Graduado na Unicamp em Engenharia de que novas circunstâncias surgirão? Computação e Mestrado em Ciências da Computação. A política pode mudar de um instante para Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |16
    • COLUNA · CÁRLISSON GALDINO Por Carlisson Galdino Cidade de Stringtown, Bahia. Uma das empre- sas mais conhecidas na área de inovação tecno- lógica sofre um grave acidente envolvendo seu projeto de desenvolvimento de um vírus biológi- co. Como consequência de tão grave acidente, seus funcionários e o chefe adquirem super-po- Episódio 05 deres. Ao despertarem, Darrel e Pandora ouvem seu chefe falar de dominação mundial e fogem, O Resgate sem que os vejam. O casal volta à base para descobrir com mais precisão o que estava acon- tecendo, quando ouvem seu chefe falar em des- truir os dois, caso não queiram se juntar ao grupo. No capítulo anterior, Darrel e Pandora de- batiam sobre a questão. Neste, eles vão tentar resgatar Louise. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |17
    • COLUNA · CÁRLISSON GALDINO No capítulo do mês que vem, eles enfrentam o arrumaram tanta placa de aço dando bobeira de Homem-Serpentina; no seguinte eles vão ao uma hora pra outra? shopping tomar sorvete de tapioca; no outro eles... Nota do autor: não olhem pra mim... :-P Darrel: Lá está a SysAtom... Darrel: Depois do que o vírus fez com a gente, sinceramente não duvido mais de nada. Tungstênio: Ô Bem... Saudades daquele tem- po bom... Faz pouco tempo mas parece que faz séculos! Dobrando uma esquina eles encontram Louise dormindo. Um corpo que parece ser de gelatina. Darrel: … Os dois se olham, espantados. Pandora: Tá, e por onde a gente entra? Pandora: E agora? Como a gente acorda ela? Se tocar, ela desmancha! Darrel: Por uma passagem lateral. Por onde a gente viu a reunião. Darrel se aproxima do ouvido de Louise. Pandora: Hmmm... É! Darrel: Louise? Louise? Está nos ouvindo? Seamonkey: Que é, p*#$@!? Eles caminham até lá. Já é dia, mas não muito. A passagem é apertada e por pouco Pandora não se machuca. Tá, mas isso passa e logo Ela esfrega os olhos e se senta, encarando os eles estão dentro. dois. Pandora: Tou vendo ninguém, Bem! Tou com Seamonkey: Então vocês dois finalmente apa- medo! receram... Impressão minha ou não aconteceu nada com vocês? Darrel: Não tenha medo, eu estou aqui. Pandora: Aconteceu sim! Minha voz virou ou- Pandora: Oxente! Que cabra macho meu ho- tra coisa, ó! mem! Seamonkey: Estou vendo... Darrel: Tá, mas vê se faz silêncio senão nos descobrem. Pandora: Que foi? Tá triste de ver a gente? Pandora: Ainda não entendo essa construção Seamonkey: Não, só detesto que me acor- deles... E ficaram algumas paredes, né Bem? dem. … Olha, o Oliver está uma arara com vo- Ou pedaços de parede... Eles também fizeram cês. paredes com placas de aço e arame. Darrel: É, estamos sabendo e por isso viemos Darrel: Verdade... Onde Louise estará... aqui falar com você. Pandora: Fico pensando, ó! Onde foi que eles Pandora: Ele ficou louco, mulher! Você não Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |18
    • COLUNA · CÁRLISSON GALDINO viu? Perdeu os parafusos tudinho... Com esse Pandora abraça Darrel e os dois encaram aque- negócio de dominar o mundo... la gangue assustadora. Seamonkey: É verdade. Vocês deviam ver o Tungstênio: Acho que temos uns bugs... Va- discurso dele... mos fazer uma reunião emergencial pra tratar deles... Darrel: A gente ouviu uma parte. Seamonkey: E estavam onde? Escondidos? Pensei que tinham ido pro Pastor João e me dei- xado aqui com esse bando de malucos. Pandora: Hahaha! Que nada! Mas a gente veio aqui pra te salvar. Seamonkey: Salvar de quê? Pandora: o Oliver enlouqueceu, esqueceu? CARLISSON GALDINO é Bacharel em Ciência da Computação e pós-graduado Tungstênio: Quem enlouqueceu? em Produção de Software com Ênfase em Software Livre. Já manteve projetos como IaraJS, Enciclopédia Omega e Losango. Hoje mantém pequenos Os três olham para trás e lá estão os brutamon- projetos em seu blog Cyaneus. Membro tes, na única entrada do quarto, encarando com da Academia Arapiraquense de Letras e Artes, é autor do Cordel do Software mau humor. Livre e do Cordel do BrOffice. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |19
    • COLUNA · CEZAR TAURION A (des)organização do modelo de desenvolvimento Open Source Por Cezar Taurion w_dinkel - sxc.hu Outro dia participei de um é interno à empresa e apenas debate sobre Open Source, on- nos ciclos de teste alfa e beta de um dos principais temas de- é que o produto é exposto ao batidos foi o modelo de mercado, através de uma restri- desenvolvimento de software. ta e controlada comunidade de Acho que vale a pena comparti- usuários (individuais ou empre- lharmos algumas idéias... Exis- sas clientes) que se prontifi- tem dois métodos básicos de cam a cooperar nos testes e desenvolvimento de software: depurações. Mas todo o códi- os princípios catedral e bazar. go fonte é proprietário e fecha- Estes nomes foram cunhados do ao mundo externo e restrito a partir do célebre trabalho apenas aos olhos dos desen- “The Cathedral and the Baza- volvedores da empresa que ar” de Eric Raymond. O méto- produz o software. É o método do batizado de catedral é tradicionalmente adotado pela baseado no planejamento cen- indústria de software em seus tralizado, com evolução top- produtos comerciais. down e rígido relacionamento O princípio bazar, como o entre a gerencia e os desenvol- nome indica, é baseado em vedores, quanto a prazos, meto- uma forma mais livre e colabo- dologias adotadas e tarefas, rativa de desenvolvimento, dentro de uma hierarquia orga- sem centralização do seu pla- nizacional. O desenvolvimento nejamento e execução. É o mo- Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |20
    • COLUNA · CEZAR TAURION delo típico Open Source. O de- senvolvimento é efetuado em rede, por uma comunidade de desenvolvedores, muitas ve- O princípio bazar, zes voluntários, sem vínculos entre si, em uma organização como o nome indica, é baseado em virtual e informal. A comunica- ção é efetuada pela Web, sem uma forma mais livre e colaborativa fronteiras geográficas e exis- tem apenas alguns princípios de desenvolvimento, sem que regulam o trabalho. A lide- rança do projeto não é definida centralização do seu planejamento de maneira prévia e formal, mas emerge naturalmente pe- e execução. los méritos de um determinado Cezar Taurion membro da comunidade. Os códigos são revisados pelos próprios pares (peer revi- quando o produto pode ser libe- rado. Os ciclos de teste e revi- mas positivas e outras extrema- ew) e geralmente o melhor códi- sões são constantes e o mente desafiadoras. Em um go é selecionado feedback é contínuo. Todos, a projeto fechado, típico de (meritocracia). Como não exis- qualquer momento, podem in- softwares fechados, uma equi- te um departamento de marke- terceder e comentar sobre o có- pe de desenvolvedores profissi- ting nem acionistas digo, uma vez que este é livre onais são alocados a tarefas influenciando prazos, o ritmo e disponível a todos. de acordo com suas especiali- de desenvolvimento é direciona- zações e gerenciados quanto do pela disponibilidade de tem- Os princípios de desenvol- ao cumprimento de prazos e or- po e dedicação dos vimento em comunidade ainda çamentos. No projeto Open desenvolvedores. O método ba- não são totalmente conheci- Source, a equipe é virtual, inte- zar gera uma forte tendência dos. Apenas nos últimos anos rage pela Internet (email, news- de gerar código de alta qualida- é que os primeiros estudos groups, wikis, etc) e não existe de. O código é lido e analisado comportamentais de como a co- subordinação direta. A partici- por diversos, as vezes cente- munidade desenvolve softwa- pação dos desenvolvedores no nas, de desenvolvedores, o re, gerencia e cobra tarefas, e projeto é voluntária e portanto que acelera o processo de de- como os contextos organizacio- não está submetida aos pa- puração e correção de erros. A nais são desenvolvidos é que drões de gerenciamento típi- decisão de liberar o código é começaram a ser desenvolvi- cos dos projetos fechados. fruto de consenso do grupo e dos. não uma imposição de marke- Este modelo gera algu- Mas já sabemos de algu- ting, como muitas vezes ocorre mas incertezas, advindas do mas coisas. Uma é a importân- em um projeto comercial. próprio modelo de contribuição cia do mecanismo de controle voluntária. Como não existe Geralmente é necessário dos projetos. Ao contrário do uma rígida subordinação ou a figura de um líder ou mante- modelo hierárquico, com rígi- contrato empregatício, os cola- nedor, que se encarrega de co- das normas de controle e subor- boradores podem variar em ordenar as mudanças e decidir dinação, o modelo colaborativo muito de intensidade em suas (muitas vezes em colegiado) tem outras características, algu- Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |21
    • COLUNA · CEZAR TAURION Uma outra questão, ine- rente ao modelo colaborativo é o processo de seleção da codi- Outro aspecto importante ficação a ser inserida no proje- to. Os colaboradores é que os projetos de Open Source contribuem com seus códigos, e estes precisam passar por devem ser modulares para permitir o mecanismos de filtragem para serem aceitos e incorporados trabalho de muitos colaboradores ao corpo do software. Não exis- tem regras únicas. Os mecanis- simultaneamente. mos podem variar de decisões autocráticas a sistemas de vo- tação, sendo estes também va- Cezar Taurion riando de abrangentes (todos interessados podem votar) a colaborações. Podem contri- um papel executivo, responsabi- votos restritos a um comitê se- buir intensamente como po- lizando-se pelas decisões e ru- lecionado de colaboradores. dem, sem prévio aviso, mos do projeto. Esta O modelo colaborativo desaquecerem em suas colabo- organização é criada informal- exige também mecanismos efi- rações. Não existem planeja- mente, impulsionada pela pró- cientes de controle de versões. mentos de produção e pria necessidade de existir Como a contribuição de novos medidas de produtividade tipo uma estrutura razoavelmente códigos é livre, é necessário “colaboradores estarão desen- estável, que oriente e direcio- que o mantenedor gerencie cui- volvendo quantas linhas de có- ne os esforços do restante da dadosamente que pedaços de digo por determinada unidade comunidade. Entretanto, ao código deverão ou não ser in- de tempo”. Também não exis- contrário de projetos tradicio- corporados ao software e deci- tem divisões formais de traba- nais, este papel não é assumi- da quando o volume de lho, com prévia alocação de do por escrito ou por posição modificações for suficiente pa- desenvolvedores à determina- hierárquica em uma empresa, ra que seja liberada uma nova das tarefas. mas por reputação ou conquis- versão. Para contrabalançar es- ta de espaço. Outro aspecto importante tas incertezas, alguns mecanis- Na prática, acaba sendo é que os projetos de Open mos de governança são criado um sistema hierárquico Source devem ser modulares adotados nos projetos de informal, baseado na meritocra- para permitir o trabalho de mui- Open Source. Embora não exis- cia, com os desenvolvedores tos colaboradores simultanea- ta hierarquia rígida, acaba-se mais atuantes e experientes de- mente. criando um modelo de hierar- senvolvendo as tarefas mais O método colaborativo quia informal, com o mantene- avançadas (codificação de no- quebra o tradicional paradigma dor e alguns membros vas funcionalidades e melhori- criado por Fred Brooks em seu assumindo posição de lideran- as de desempenho) e os famoso livro “The Mytical Man- ça e gestão do projeto. Cria-se colaboradores menos experien- Month” onde ele observava um mecanismo de gestão cen- tes assumindo tarefas mais sim- que adicionar mais programa- tralizada, onde um grupo peque- ples, como depuração de dores a um projeto em atraso no de colaboradores assume código. simplesmente aumentaria este Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |22
    • COLUNA · CEZAR TAURION atraso. Um programador em desenvolvedores analisem e uma determinada empresa, que 12 meses não é igual a 12 pro- testem peças de código, depu- sustenta financeiramente a inici- gramadores em um mês. A ra- rem os erros e submetam as ativa, pagando desenvolvedores zão seria simples: um maior correções aos coordenadores e custeando muitos dos esfor- número de desenvolvedores en- dos módulos do sistema. É um ços da comunidade de voluntári- volvidos aumenta a complexida- processo similar ao sistema os. Mas, mesmo neste caso, as de e os custos da acadêmico de revisão de tex- decisões são tomadas pela co- comunicação entre os integran- tos científicos para publicação, munidade e não pela empresa. tes do projeto. A complexidade conhecido como “peer review” Em outros projetos, a gestão es- aumenta exponencialmente en- ou revisão pelos pares, quan- tá a cargo de uma fundação, quanto que a quantidade de tra- do um ou mais revisores ates- sustentada pela doação de em- balho adicionada seria tam a qualidade do texto e presas e indivíduos. aumentada apenas linearmen- sugerem correções e modifica- O modelo de Open Source te. O método colaborativo sim- ções. Este processo garante o tem seu processo de desenvolvi- plesmente ignora este fato e nível de qualidade e integrida- mento efetuado por métodos propõe que quanto mais desen- de dos textos científicos a se- que em muitas vezes contradi- volvedores são incorporados rem publicados. zem os parâmetros básicos da ao esforço de escrever código li- Entretanto, o modelo de engenharia de software, aprendi- vre, mais eficiente é o produto desenvolvimento bazar muitas dos nas salas de aula. É uma gerado. vezes negligencia alguns aspec- quebra de paradigmas...Mas E quanto à correção de tos como a questão do prazo e tem dado certo, basta ver os inú- bugs? Bugs não são novidade definição clara do escopo. Mui- meros projetos de sucesso. Por no software. O próprio proces- tos softwares Open Source co- que não olhar com mais aten- so de construção de software meçam com uma parte do ção este modelo? é baseado na descoberta e cor- código sendo disponibilizada e reção de bugs. O processo de algumas vagas intenções de es- depuração de software é um copo. À medida que o software Para mais informações: processo cuja eficiência aumen- é desenvolvido comunitariamen- ta quase linearmente na direta te, o próprio escopo muda sen- Site Open Source Initiative proporção do número de depu- sivelmente. Prazo pode ser http://www.opensource.org radores envolvidos na tarefa. É fundamental para alguns produ- um processo que tem muito a tos de software. Como a contri- Artigo sobre Open Source na ganhar com o paralelismo de buição é voluntária, o modelo Wikipédia atividades, pois não demanda colaborativo não pode forçar http://pt.wikipedia.org/wiki/Open muito esforço de coordenação prazos. Assim pode-se questio- source e gerenciamento. Os depurado- nar a validade do método ba- res não precisam de muita inte- zar para desenvolvimento de ração entre si, apenas softwares que necessitem de precisam ser coordenados por escopo e prazos bem defini- um responsável pela decisão dos. CEZAR TAURION é Gerente de Novas de aprovar ou não as corre- Com o tempo, diversas vari- Tecnologias da IBM ções. antes do princípio colaborativo Brasil. Seu blog está O método colaborativo po- vem sendo adotados. Vemos ho- disponível em www.ibm.com/develo tencializa o processo, pois per- je projetos de Open Source on- perworks/blogs/page/ mite que milhares de de a gestão está a cargo de ctaurion Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |23
    • COLUNA · ROBERTO SALOMON Carnavalesco Por Roberto Salomon Roberto Tostes - sxc.hu Muita gente adora fanta- momo para descansar a cabe- sia. Nem que seja só nos dias ça e refletir. Não viajei. Fiquei de Carnaval. Saem às ruas cen- em retiro em casa mesmo; pen- tenas de eternos pierrots, co- sando, refletindo e volta e lumbinas, piratas ao lado meia dando uma de motorista daquelas figuras "frutíferas" para os "meninos". Como pare- que volta e meia viram moda: ce que o ano só começa mes- samambaias, melancias, me- mo depois do Carnaval, achei lões. Todas com a mesma pou- o momento apropriado para ca roupa que fazem os uma reflexão de "ano novo". marmanjos babar. O politica- Quem trabalha em empre- mente incorreto vira regra e o sa de software e milita pelo sério sai para retiros espirituais. Software Livre de vez em quan- Este ano nem desfile na do precisa parar para fazer televisão eu vi. Com tanta coi- uma reflexão. Alinhar as espec- sa acontecendo aqui em Brasí- tativas, as contas a pagar e os lia, não tive como pensar em pruridos éticos (que coçam ca- nada a não ser tirar os dias de da vez mais). De vez em quan- Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |24
    • COLUNA · ROBERTO SALOMON impossível). Sempre que há al- gum evento (O FISL me vem à mente) tem alguma reunião ou compromisso de trabalho que Quem trabalha não me deixa ir. em empresa de software e milita Apesar disso tudo, o de- safio de integrar software fe- pelo Software Livre de vez em chado com Livre é muito gratificante e compensa a tra- quando precisa parar para fazer balheira toda. Fechar um proje- to que resolve o problema do uma reflexão. Alinhas as cliente usando software fecha- do e Livre lado a lado é uma vi- espectativas, as contas a pagar e tória. E cada a cada projeto desses, aumenta a sensação. os pruridos éticos (que coçam Mesmo assim, uma para- cada vez mais). da carnavalesca me faz refletir, parar para pensar e reavaliar Roberto Salomon rumos; olhar a fantasia no cabi- de e considerar mudanças mais ou menos radicais. do é preciso parar, tomar uma de convencer os seus colegas Mas chega a quarta-feira Providência (para quem não co- que Software Livre (ou Open de cinzas. A fantasia carnava- nhece, uma cachaça especial- Source, como alguns prefe- lesca passa e as contas come- mente boa feita em rem) é uma ótima plataforma çam a chegar. Buenópolis, MG) e ver se o de integração na qual os seus quanto o que fazemos nos afas- produtos podem conviver e ta daquilo em que acredita- não apenas competir. mos. Ou seja, passei o Para mais informações: Não é fácil convencer a al- carnaval pensando na fantasia guns exaltados que você não vi- Blog do Roberto Salomon: que usei nos últimos anos. No rou a casaca; que não foi para http://rfsalomon.blogspot.com que fiz pelo movimento e no o lado negro da força; que não quanto valeu, ou não, a pena a se vendeu. Porque eu trabalho trabalheira de conciliar o fluxo em uma determinada empresa de caixa com o ideal do Softwa- não implica na minha desistên- re Livre. cia do Software Livre. Muito an- Seguem aqui alguns dos tes pelo contrário. Vejo, cada resultados, pouco confortáveis, vez mais, uma convivência pos- ROBERTO do carnaval. sível nos dois modelos. É ques- SALOMON é arquiteto de software O principal é que não é fá- tão de sentar na mesa e na IBM e voluntário cil. Não é fácil trabalhar em em- colaborar. do projeto BrOffice.org. presa de software e defender o Não é fácil concilar o tem- Software Livre. Mesmo depois po (na verdade é praticamente Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |25
    • CAPA · ENTREVISTA COM MARTIN NORDHOLTS Entrevista com Martin Nordholts, desenvolvedor do GIMP Por João Fernando Costa Júnior e Carlos Eduardo Mattos da Cruz Revista Espírito Livre: Olá Martin, antes de tudo gostaria que você nos falasse como entrou no projeto Gimp? Martin Nordholts: Tudo começou com meu pai me ensinando o básico de programação num organizador Psion, quando eu era jovem. Eu passei boa parte do meu tempo livre fazen- do pequenos jogos, tanto a trabalho, quanto pa- ra impressionar meu pai. Eventualmente, migrei para o Pascal e depois para o Visual Basic. Acho que brincar de desenvolver jogos quando jovem desenvolveu a paixão pela programação que tenho. Continuei a brincar com programa- ção em C++ e C# e, eventualmente, decidi ten- tar o Linux em 2005 mais ou menos. Eu me apaixonei pela mentalidade do código aberto e decidi que queria fazer parte daquilo. Uma vez que eu estava interessado em gráficos, fotos e Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |26
    • CAPA · ENTREVISTA COM MARTIN NORDHOLTS MN: Há apenas planos de longo prazo mui- to superficiais para o Gimp, neste momento, to- do o foco está em fazer sair o Gimp 2.8. Ele terá um modo opcional de janela única e grupos de camadas. Gimp 2.10/3.0 terão grande profundi- dade de bits e edição não destrutiva. É difícil es- pecular a respeito do leque de características nas versões 2.10/3.0, mas eu acho que ainda haverá pelo menos uma versão antes que pos- samos pensar sério em suporte a CMYK. Então, naturalmente, haverão outras características mas essas são as mais importantes. Figura 1 - Wilber é o mascote oficial do projeto GIMP REL: A versão 2.7.0 não teve muitas mu- danças visíveis ao usuário final, gostaria que desenho gráfico, foi natural explorar a comunida- você nos falasse um pouco das mudanças de do Gimp. Isso foi na época do Gimp 2.2. De- implantadas nesta versão. pois, descobrindo que eu tinha potencial para MN: Não, é correto dizer que o Gimp 2.7.0 ser um contribuidor e de ficar cansado esperan- não traz muitas mudanças visíveis, mas o Gimp do pelo Gimp 2.4, devagar eu comecei a forne- 2.7.1 trará, ambos com modo de tela única e cer correções para bugs e solicitações de grupos de camadas. melhoria que estavam estancando o Gimp 2.4. Descobri que eu gostava de hackear o código do Gimp e fiquei cada vez mais envolvido, e REL: Fale-nos um pouco mais sobre mo- aqui estamos nós hoje. do de janela única que você desenvolveu. MN: O modo de tela única está sendo de- REL: Como é o seu dia a dia no projeto? senvolvido em colaboração com Peter Sikking, nosso eminente designer de interação que tem MN: Todos os dias eu abro minha caixa de uma grande participação nas melhorias na inter- entrada de e-mails que contém relatórios de er- face de usuário nas últimas versões. O propósi- ros e as atividades nos que já são conhecidos, to principal do modo de janela única é nos além de mensagens dos desenvolvedores e das deixar focar no trabalho com o Gimp, ao invés lista dos usuários. Frequentemente, eu tenho al- de trabalhar no gerenciamento de janelas do gum código no qual tenho trabalhado, não é ra- Gimp. Desenvolver um modo de janela única é ro para mim gastar algumas horas todo dia na verdade uma para mim há muito tempo, mas escrevendo código. Isso normalmente ocorre desde que ela tenha sido atingida com ceticismo em rajadas. Às vezes passo semanas sem escre- entre muitos dos mais iniciados membros da co- ver uma única linha de código no Gimp. Outras munidade, é somente nos últimos tempos que vezes, escrevo desde a hora em que chego do tem sido um projeto viável. trabalho até a hora em que vou para a cama, e trabalho como louco no fim de semana. REL: Como anda a implantação da GE- GL no Gimp? A 2.8 ela estará por completo? REL: Hoje em dia como você vê o gráfi- co de evolução do software? MN: Não, a versão 2.8 não trará nada de Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |27
    • CAPA · ENTREVISTA COM MARTIN NORDHOLTS grande valor para os usuários co- muns em termos de GEGL. Essa é uma decisão deliberada. Nós quere- mos ter trabalhos não relacionados ao GEGL no Gimp prontos, portan- to, assim que o Gimp 2.8 esteja libe- rado, todos poderão trabalhar em um GEGL completamente integra- do, finalmente. O Gimp 2.8 é a últi- ma versão estável que utilizará um núcleo de processamento de ima- gens de 8 bits por canal legado. REL: Segundo alguns sites Figura 2 - Tela da versão 2.6.7 do GIMP aqui do Brasil, a versão 2.8 só sairá em 2012, porque tanto tempo para sair REL: Que novos recursos estão sendo uma versão instável? incluídos nesta tão esperada versão? Há muita interpretação equivocada de uma MN: Isso ainda é uma questão em aberto. mensagem que eu enviei à lista gimp-developer Eu declarei antes na lista gimp-developer que recentemente, onde eu dizia que se decidísse- precisaríamos da ajuda de artistas para colecio- mos implementar todas as características origi- nar recursos para o 2.8. Tem havido algum es- nalmente planejadas para o Gimp 2.8, nós forço em ajudar mas, neste momento, está mais provavelmente teríamos trabalho até 2012. Des- ou menos morto, no pior caso não haverão mui- de então, temos colocado novas funcionalida- tos mais recursos adicionados, mas eu acho des gradativamente, de acordo com as que seremos capazes de resolver isso antes funcionalidades que colocamos na lista do 2.8, e que o 2.8 esteja liberado. hoje estimamos que a data de liberação da ver- são será no final de 2010. REL: Sobre ferramentas de animação, podemos esperar algumas novidades em ver- REL: Você propõe que a comunidade ele- sões futuras? ja alguns recursos e descarte outros como MN: A visão de produto do Gimp nao inclui uma forma de abreviar os trabalhos de progra- animação e ninguém deve esperar que ele ve- mação. Como você vê esta forma de desen- nha a ser um editos de animações no curto pra- volvimento? Isto de certa forma não criaria zo. Embora exista o Gimp Animation Package. uma camada de burocracia tornando o desen- volvimento ainda mais lento? MN: Você está certo quando diz que essas REL: Existem softwares de manipula- coisas durariam para sempre se fossem feitas ção de imagem no mercado que hoje intera- de maneira democrática, portanto eu simples- gem com formatos de arquivos 3D, você mente as faço eu mesmo. As pessoas dão al- acha que o Gimp num futuro teria uma forma gum retorno, meu trabalho é ajustado, e agora de interação com o Blender ou isto não seria estamos tão bem quanto se tivéssemos feito de o objetivo do projeto? outra forma. Portanto, tudo está muito bem. MN: O Gimp se esforça para ser um editor Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |28
    • CAPA · ENTREVISTA COM MARTIN NORDHOLTS lar por aqui? MN: Não faço ideia :) Talvez em al- gum Libre Graphics Meeting seja no Brasil, quem sabe? REL: Deixe uma mensagem aos leitores da revista. MN: Obrigado por se interessarem pelo Gimp o suficiente para ler essa en- trevista! Figura 3 - Screenshot da versão 2.7 não-estável, via SVN de imagens de alta qualidade. No meu mundo, is- so inclui uma boa integração com modelagem em 3D, seja lá o que isso signifique. Mas, nesse momento, não há esforços direcionados para is- Para mais informações: so, e eu acho que isso também ainda vai demo- rar para chegar ao Gimp. Site oficial Gimp: http://www.gimp.org REL: Depois da versão 2.8 do Gimp, Comunidade brasileira OGimp: qual será o futuro do projeto? http://www.ogimp.com.br MN: Alta profundidade de bits e edição não Forum Brasileiro sobre Gimp: destrutiva com o GEGL são as metas principais http://www.gimp.com.br depois do Gimp 2.8. Comunidade Gimp no SoftwareLivre.org REL: Quando você pretende visitar o http://softwarelivre.org/gimp nosso país e ver como o Gimp é bem popu- RECIFE/PE www.encontrolivre.org Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |29
    • CAPA · ENTREVISTA COM VITOR BALBIO Entrevista com Vitor Balbio, criador do Projeto Ruínas Por Carlos Eduardo Mattos da Cruz Vitor Balbio tem 19 anos cursa 4º período do Curso de Licenciatura em Computação pelo Lasalle RJ. Realiza trabalhos na área de Realti- me com cenários e aplicações interativas, Ren- der de imagens e coordena um projeto de inclusão social por mídias artísticas digitais em Duque de Caxias, RJ, na ONG Trama Ecológi- ca. Já palestrou sobre computação gráfica nos dois principais eventos de Blender no país, na Blender Pro " Desenvolvimento de Materiais Avançados com Blender Game Engine " e na Blender Day foi " Ruínas 2.0 Making of " e nes- ta edição ele nos conta como foi sua trajetória, seu primeiro projeto o Ruinas e seus projetos fu- turos. Revista Espírito Livre: Antes de mais nada como surgiu a idéia de fazer o projeto Ruínas? Vitor Balbio: A primeira versão do projeto Ruínas surgiu como um estudo de iluminação e texturização de cenários. Na mesma época eu Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |30
    • CAPA · ENTREVISTA COM VITOR BALBIO algumas vezes... Deu bastante trabalho, mas por outro lado foi excelente, pois desenvolvi no- vas técnicas e fluxos de trabalho. Outra área que deu bastante trabalho foi a criação do siste- ma de água em realtime com a BGE, até então não existia nenhuma implementação do sistema de Render To Texture ( na BGE é chamado Vi- deoTexture ) aplicado em um ambiente real, so- mente testes simples... E a documentação sobre o módulo era muito escassa, somando is- so ao fato de que eu não sou dos melhores pro- gramadores... Bom, acabei por me dar por Figura 1 - Ruínas satisfeito naquele momento com o resultado que obtive. vinha desenvolvendo alguns estudos de cenári- os internos com bake de radiosidade para a BGE e resolvi criar um cenário externo para trei- REL: Notei que no site para baixar o Ruí- nar outras técnicas. nas existe duas versões a 1.0 e a 2.0, o por- que de lançar 2 versões? E qual as principais diferenças entre as 2 versões? REL: O porque de sua decisão de usar Blender para executá-lo? VB: Realmente, a primeira versão como fa- lei, era um estudo de iluminação para cenários VB: Bom, existem diversos motivos que externos que possuía também um sistema de me levaram a adotar o Blender nesse e em ou- água em realtime, foi um estudo descompromis- tros estudos/projetos. Primeiramente, o Blender sado e fiz mais por diversão mesmo. A segunda é OpenSource e Multiplataforma. Eu, assim co- versão do Ruínas foi algo maior, mais bem pla- mo muitos outros profissionais independentes nejado, pois eu a criei especificamente para con- de CG não temos condições de pagar a licença correr ao Blender Game Contest 2009, concurso de softwares comerciais e queremos nos manter organizado pela comunidade Blender internacio- na legalidade com nossos trabalhos. Segundo nal. Existem muitas diferenças em quase todas pelo Blender ser uma fantástica ferramenta, tan- as áreas. Eu aproveitei o cenário do primeiro ruí- to o Blender, como ferramenta 3D, quanto a Blen- nas quase por completo, substituindo o sistema der Game Engine, suprem todas as de água realtime por um melhor (que desenvolvi necessidades que eu possuo e possuía naquela época. REL: Quais obstáculos foram encontra- dos durante o projeto, e fale das soluções transpô-los. VB: Para a primeira versão do Ruínas, hou- veram muitos problemas relacionados a minha própria técnica como artista 3D. Era um estudo, o maior que eu já havia feito sobre cenários ex- ternos, então muitas coisas eu não sabia de ante- mão como criar, e tive que reinventar a roda Figura 2 - Ruínas Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |31
    • CAPA · ENTREVISTA COM VITOR BALBIO da fundação Blender? VB: Talvez, mas acredito que o Ruínas já teve seu momento, e fico extremamente grato a ele por isso, afinal é devido a esse trabalho que estou dando esta entrevista... Mas gostaria de ver outros trabalhos futuros meus concorrendo nos próximos festivais. O Ruínas foi fundamen- tal para o meu desenvolvimento como artista e profissional mas espero criar em breve outros trabalhos que superem o Ruínas, eu ainda te- nho muito o que aprender e não gostaria de pen- sar que o Ruínas será o melhor trabalho da Figura 3 - Ruínas minha vida. Espero que meu melhor trabalho se- para a versão 2.0) e refazendo a iluminação des- ja sempre o próximo. te. Criei também um novo cenário inteiro e com o decorrer do desenvolvimento comecei a progra- mar minimamente em GLSL, reaproveitei códi- REL: Para quem quiser conferir o proje- gos de outros programadores e inclui no Ruínas to onde pode ser baixado? efeitos como DOF, film Noise e Bloom. VB: Podem baixar no tópico oficial na Blen- derArtist que contêm também todo o desenvolvi- mento do projeto ( http://blenderartists.org/ REL: Porque você não considera o Ruí- forum/showthread.php?t=152668) Ou então pe- nas um jogo? lo link direto: (http://sharex.xpg.com.br/files/ VB: Eu não considero o Ruínas um game 8163294659/Ruinas_2.0.rar) pois não o criei com esse objetivo. O Ruínas nun- ca foi pensado para entreter. Não possui objeti- vos, nem história. Eu gosto de pensá-lo como REL: No último Blender Day você anun- uma obra de arte ( sem pretensões de que ou- ciou a criação de um novo projeto o Memóri- tros também o considerem assim ) interativa, al- as, fale um pouco dele para nós. go mais próximo ao conceito de Demoscene, VB: O Memórias é um projeto que iniciei porém interativo. assim que terminei o Ruínas 2.0, segue a mes- ma linha de pensamento e filosofia... Porém meu objetivo é criar não um cenário externo so- REL: Quais prêmios o projeto já ganhou mente , mas com cenários internos também. Ou- até hoje? tra diferença é que o Memórias tem uma VB: Bom, eu fiquei em segundo lugar na vo- ambientação baseada em uma cidade real, no tação aberta da comunidade no Blender Game caso Veneza, enquanto Ruínas é fruto de um Contest 2009 e primeiro lugar no concurso de jo- mundo de fantasia baseado na Grécia antiga e gos e aplicações interativas da Blender Pro ambientes góticos... Eu fiquei muito feliz com o 2009 nas categorias “Aplicação com Melhor Usa- início desse projeto, pois muitos novos desafios bilidade/Interatividade“ e “Melhor Aplicação”. surgiram logo de cara e tive de voltar a estudar e buscar soluções para problemas, coisas que não havia feito desde o Ruínas... O que mais REL: Pretende lançá-lo em concursos in- me deixou realizado com o inicio desse desen- ternacionais, tais como o Suzzane Festival volvimento foi a reformulação total do sistema Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |32
    • CAPA · ENTREVISTA COM VITOR BALBIO Figura 4 - Prédio criado para o cenário de Memórias Figura 5 - Memórias REL: Existe algum projeto em andamen- de água para um outro muito mais complexo e re- to além do Memórias? alista. Que publiquei como artigo na Blender Pro VB: Sim, é o projeto em que estou me dedi- e demonstrei na minha palestra sobre Desenvol- cando no momento, Se chama “Lucy and The Ti- vimento de Materiais avançados com a BGE. me Machine”, saindo um pouco da área de demoscenes, decidi criar um game dessa vez, e REL: Quais inovações você pretende co- o foco não será em gráficos mas sim em game- locar neste projeto? play e física. Estou criando esse game para con- correr a um contest promovido pela comunidade VB: Primeiramente uso do sistema de oclu- Blender internacional e principalmente a Bullet ( são recentemente implementado na BGE para uma das principais engines de física do mundo melhor gerenciamento de polígonos entre os ce- que é também integrada a BGE ). O vencedor nários externos e internos. Pretendo portá-lo pa- será exposto na GDC como demonstração da ra o Blender 2.5 e fazer uso das novas Bullet. O Game consiste basicamente em um ferramentas que forem adicionadas. Na área de plataforma 3D com gameplay 2D, assim como gráficos irei usar o novo sistema de água que co- Trine e Little Big Plannet. Meu objetivo é criar mentei e efeito de HDR. o projeto ainda é embrio- um game divertido envolvendo puzzes de física nário então muitas coisas podem surgir com o e cenários bem planejados. Para este projeto es- tempo. REL: Tem algum prazo de conclusão do memórias? VB: Não. O memórias é um projeto sem agenda. Atualmente ele está parado devido a ou- tros projetos que estou criando que possuem pra- zos e prioridades maiores. Porém pretendo terminá-lo em 2010. Figura 6 - Lucy and the Time Machine Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |33
    • CAPA · ENTREVISTA COM VITOR BALBIO o Antropus, Vitor Vilela e do pessoal da Seaguls- Fly que foram minhas inspirações no início. Pos- teriormente quando migrei para o Blender conheci o trabalho do Andy, Mike Pan, Martinsh e Pablo Vazquez que são hoje as minhas refe- rências em Blender e BGE. REL: Pra quem está começando agora quais dicas você daria para eles? VB: Estudar, estudar, estudar, e se divertir Figura 7 - Lucy and the Time Machine fazendo isso. Não há nada melhor do que poder tou tendo ajuda de um grande artista e amigo trabalhar com o que se ama fazer. E CG é uma meu Bernardo Hasselman que está criando al- área fascinante... Que pessoa que cresceu jo- guns concepts, ajudando na criação do roteiro e gando não gostaria de criar seus próprios ga- na elaboração dos puzzes. O game conta a histó- mes? Ou fazer filmes de animação? Por mais ria de uma garotinha chamada Lucy que vive na que o início seja difícil e que os resultados pos- frança do século XIX em uma realidade alternati- sam demorar a aparecer, se é isso que você va em que a tecnologia se desenvolveu a partir gostaria de fazer da sua vida, então invista em da mecânica. O jogo portanto possui diversas re- si mesmo, corra atrás, estude muito, veja muitos ferências à cultura steampunk e alguns persona- trabalhos de outros, e tente melhorar sempre, gens do game são baseados em personalidades pois sempre se pode melhorar... O trabalho com históricas reais e algumas lendas a respeito des- CG é um trabalho de constante renovação de si sas pessoas. O avô de Lucy é um famoso inven- mesmo. O que pode ser fantástico ontem pode tor e têm a sua máquina do tempo roubada, não parecer tão bom hoje então se refaça todos Lucy então parte em busca desse artefato. os dias, acho que esse é o caminho para dar certo nessa área e é o caminho que tento trilhar REL: Vitor, quando você começou sua para mim. jornada no Blender quais foram seus referen- ciais? VB: Bom, eu conheço o Blender desde 2005, em uma época em que o Blender ainda não era nada popular. Existiam poucas informa- ção a respeito e a comunidade ainda estava se desenvolvendo. Com o passar do tempo fui apos- tando cada vez mais no Blender e a cerca de 2 Para mais informações: anos migrei definitivamente para o Blender/BGE Site oficial Blender: como meu software padrão para trabalhos em http://www.blender.org 3D e games. Eu tive muitas referencias com o 3D, acredito que minha paixão com o 3D come- Informações sobre o Ruínas: çou vendo ”Star Wars epsódio 1 Ameça Fantas- http://ur1.ca/m2z4 ma”, eu fiquei fascinado com os droids e com as lutas de sabre de luz.... Mas só alguns anos de- Download do Ruínas 2.0: pois comecei a realmente a estudar computação http://ur1.ca/m2z2 gráfica. A e conheci o trabalho de artistas como Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |34
    • CAPA · SOFTWARE LIVRE NA COMPUTAÇÃO GRÁFICA Sign of the Juggernaught - Autor: Derek Watts - Blender Gallery Software Livre na Computação Gráfica Por Carlos Eduardo Mattos da Cruz Olá pessoal, como esta edição é toda programas voltados para esta área. E não podia dedicada a computação gráfica, decidi dar um deixar de falar do primeiro evento de apanhado dos principais softwares livres do computação gráfica com software livre do Brasil mercado. Para isto dividi os software em 3 o GNUGRAF (http://www.gnugraf.org) que categorias básicas: abrange justamente estes assuntos, trazendo Gráfico – Softwares voltados para produção profissionais e empresas que utilizam software gráfica tais como Revistas, Jornais, Sites, etc... livre em seu dia a dia. Vídeo – Softwares para edição de vídeo e Mas chega de blábláblá e vamos ao que composição; interessa a lista, comecemos pela categoria Animação – Softwares para produção de gráfico. cinema de animação. Gráfico: Mas antes de entrar na listagem dos programas não podia deixar de falar dos sites Gimp (http://www.gimp.org) – É que me baseei para escrever esta matéria. O considerado o nosso software mais famoso, primeiro deles é o Estúdio Livre com ele a edição de imagens não tem limites, (http://www.estudiolivre.org), realmente para leve, rápido, muitas vezes comparado a versões quem quer se inteirar tanto de hardware quanto antigas do Photoshop, este software tem de software na área de computação gráfica ferramentas únicas que permite aos usuários livre, tem de visitar este site, lá você irá desenvolver seus trabalhos com muito mais encontrar tutoriais, vídeo aulas, acervos livres e rapidez, o link da comunidade Brasileira é este muito mais. Outro site que merece destaque é o http://www.ogimp.com.br lá encontrarão Linux Movies (http://www.linuxmovies.org) este tutoriais, artigos, dicas, vídeo aulas, apostilas e é mais focado na indústria do cinema, mas tudo mais relacionado a este excelente editor de podemos encontrar uma série de tutoriais e imagens. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |35
    • CAPA · SOFTWARE LIVRE NA COMPUTAÇÃO GRÁFICA Krita (http://www.krita.org) - Não tão muito grande. Sua comunidade Brasileira é famoso, mas também com o seu valor, este muito vasta e o usuário não encontrará programa de edição de imagem faz parte do problemas ao receber suporte, basta acessar pacote Koffice, com uma interface muito este site http://wiki.softwarelivre.org/Inkscape parecida com a do Photoshop sua migração é Brasil. bem fácil, vale dar destaque ao seu filtro de CMYK que ajuda muito na hora de fechar o arquivo para a gráfica. Não possui comunidade Xara Xtreme (http://www.xaraxtreme.org/) - brasileira mas tem sua referência no site do Não tão famoso quanto o Inkscape, mas nem Estudio Livre http://estudiolivre.org/tiki- por isto menos poderoso, o Xara é um poderoso index.php?page=Krita. software de desenho vetorial, o destaque está nas ferramentas de mudança de cor que troca todo o leque de cores de um objeto sem perder os semitons, outra vantagem que ele tem, uma série de ferramentas voltadas para fechamento de arquivo para gráfica. Mas a desvantagem é a mesma encontrada no Mypaint, não temos quase referências dele em português, mas como sua interface gráfica é muito parecida com a do Corel Draw, a migração se torna intuitiva. Figura 1 - Krita Mypaint (http://mypaint.intilinux.com/) - Se você tem habilidades para desenhos, é um exímio manipulador de tablet, e gostaria de ter recursos tais como pintura a óleo, carvão, aquarela e muito mais, então este software é pra você, com ele podemos simular qualquer tipo de pincel, dando ao seu trabalho um acabamento mais natural. Infelizmente para nós todas as referências estão em inglês, mas isto Figura 2 - Xara Xtreme não nos impede de conhece-lo, pois sua interface é bem intuitiva. Scribus (http://www.scribus.net/) – É um Publish Desktop muito parecido com o extinto Page Macker, mas não se engane com ele Inkscape (http://www.inkscape.org/) - quando se trata de diagramação, é uma Considerado outro carro chefe do software livre ferramenta muito poderosa que não perde em na computação gráfica, este programa nada para os primos proprietários. Possui uma transcende o conceito de desenho vetorial, com excelente comunidade Brasileira ferramentas muito práticas podemos chegar a http://wiki.softwarelivre.org/Scribus/WebHome. resultados fotorrealistas, com uma facilidade Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |36
    • CAPA · SOFTWARE LIVRE NA COMPUTAÇÃO GRÁFICA vídeo no nível intermediário, possui vários templates de resolução de tela e formato de vídeo, um leque muito grande de transições, todos os efeitos são vistos em tempo real, possui um módulo de geração de dvd ou vcd. Não foi encontrada nenhuma referência em português, mas graças a sua interface muito intuitiva a migração se torna muito simples. Figura 3 - Scribus Vídeo: Cinelerra (http://cinelerra.org/) - Com uma interface muito peculiar, este software é muito poderoso na edição de vídeos, principalmente na parte de animação de máscaras, a maioria dos efeitos podem ser vistos em tempo real. Aqui encontramos o manual em português http://cinelerra.org/docs/split_manual_pt_BR/cine Figura 5 - Kdenlive lerra_cv_manual_pt_BR_toc.html , e uma vídeo aula completa sobre o programa também em Cinepaint (http://www.cinepaint.org/) - português http://estudiolivre.org/tiki-view_blog_ Baseado no gimp, com ele nós podemos retocar post.php?postId=876. filmes quadro a quadro, possui suporte a formatos de imagens OpenEXR, DPX e Cineon sem perda de qualidade, imagens HDR, maior fidelidade de cores. Já foi usado nos filmes O Último Samurai, Homem-Aranha, A Liga Extraordinária, Harry Potter, Planeta dos Macacos. Animação: Blender (http://blender.org) – Outro super astro da computação gráfica com software livre, em termos de software 3D ele vai muito além do conceito tradicional, tendo dentro dele não Figura 4 - Cinelerra somente os recursos que todos os softwares do mercado possuem mas também um editor de Kdenlive (http://www.kdenlive.org/) - Com vídeo e um motor de jogos. Possui uma uma interface que lembra um pouco o Final Cut, comunidade forte e muito bem atuante aqui no com este software podemos fazer edições de Brasil http://www.blender.com.br/, e também 2 Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |37
    • CAPA · SOFTWARE LIVRE NA COMPUTAÇÃO GRÁFICA festivais dedicado ao programa, o Blender Day e o Blender Pro http://www.blender.pro.br. Wings3D (http://www.wings3d.com/) - Muito leve, intuitivo, e com recursos bem práticos, modelagem com este programa não é problema nenhum, é compatível com Nendo (NDO), 3D Studio (3DS), Wavefront (OBJ), Lightwave/Modo, VRML (WRL), Renderware (RWX), FBX (on Windows and Mac OS X), Yafray, Povray, Kerkythea, Collada, Adobe Illustrator 8 (AI) . Possui uma comunidade Brasileira http://www.wings3d.com.br. Figura 7 - Pencil Synfig (http://synfig.org) – Para animação animação. Não possui comunidade Brasileira. 2D este é o nosso melhor software, com alguns recursos também encontrados no toom boom podemos produzir animações profissionais, MUAN (http://www.muan.org.br/) - alguns artistas o está usando para fazer Idealizado pela equipe do festival Animamundi, composição. Possuía uma comunidade este programa tem por objetivo ensinar as Brasileira que agora está em reformulação. pessoas os conceitos básicos do cinema de animação. Basicamente é um capturador de imagens quadro a quadro. Por ser um software 100% Brasileiro, toda a documentação se encontra em português no site. Bem pessoal espero que tenha ajudado com esta listagem, é claro que existem muito mais programas livres nestas áreas e se fosse listar todos daria quase uma revista inteira só com este artigo;). Até a próxima edição gente! Figura 6 - Synfig CARLOS EDUARDO MATTOS DA CRUZ - Pencil (http://www.pencil-animation.org/) - CADUNICO - atua a 18 anos como designer Se você gosta de animar da maneira tradicional e a dois anos utilizo somente software livre quadro a quadro, pode usar este programa sem em suas criações. É membro dos grupos LINUERJ, Debian RJ e SLRJ. Idealizador do medo, seu preview de timeline é perfeito, com GNUGRAF [http://gnugraf.org]. ele podemos sentir com precisão o time de Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |38
    • CAPA · QUADRINHOS E SOFTWARE LIVRE Quadrinhos e Software Livre Por Karlisson Bezerra Dora Pete - sxc.hu Não é mais surpresa que softwares gráfi- cos como o Inkscape ou o GIMP sejam capa- zes de produzir excelentes trabalhos. Eles começaram simples, com poucos recursos, e continuam crescendo e conquistando cada vez mais usuários. Qualquer um que acompanhe o desenvolvimento de algum deles pode observar a evolução, tanto do software como da comuni- dade em torno deles. Eu observo o desenvolvi- mento do Inkscape desde a versão 0.44 (atualmente na versão 0.47) e posso assegurar que o salto de qualidade foi enorme, apesar de alguns pequenos bugs ainda persistirem e já te- rem comemorado muitos aniversários. Ainda sou questionado sobre os softwares que utilizo para produzir o Nerdson e já não me surpreendo mais com a reação à minha respos- ta. Há muitos artistas produzindo quadrinhos e ilustrações com esses softwares, o que prova mais uma vez que não é a ferramenta que im- porta, e sim o talento. Posso citar alguns que o fazem de forma brilhante, como o Wallisson Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |39
    • CAPA · QUADRINHOS E SOFTWARE LIVRE Narciso do http://nanquimaoquadrado.com/, o Ca- destina. Funciona como um aparador de pon- fetron do http://nebulosabar.com/ e o Rodrigo tas. Tudo que estiver fora da área seleciona- Leão do http://noisnatira.com/. da ficará oculto. (Fig. 1) Fazer quadrinhos não é nenhuma técnica milenar secreta. Se levarmos em consideração uma de suas muitas definições, como a de "arte sequencial", podemos definir como quadrinho uma sequência de imagens e/ou textos que pas- sem uma mensagem para o leitor. Assim, o mo- do de produzir, a forma de se expressar e o estilo artístico, entre outras características, são o que diferenciam os artistas. O Inkscape não deixa a desejar como ferra- menta de ilustração vetorial, e consequentemen- te, produção de quadrinhos. A vantagem inicial de trabalhar com o formato vetorial é o reaprovei- tamento de ilustrações, o que permite a criação de uma biblioteca de imagens, o que consequen- Figura 1 - Aparando as bordas temente poupa tempo e trabalho. O Inkscape 0.47 resolveu um antigo problema: permite que * Clones - Imagine que você fez várias objetos possam ser copiados entre diferentes ja- cópias de um objeto no quadrinho e precisa nelas da aplicação, através de uma "clipboard" alterar um pequeno detalhe. Para evitar o tra- comum a todas as janelas abertas. Nas versões balho de fazer a mesma alteração várias ve- anteriores só era possível copiar objetos de arqui- zes ou apagar e copiar tudo novamente, vos abertos pela janela atual. existe o recurso de clone. Ao clonar um obje- Depois de muitos quadrinhos criados você to, os clones passam a refletir as mudanças pode querer deixar tudo mais fácil para poupar feitas no objeto clonado, ou seja, você só faz tempo e trabalho. Além da biblioteca de ima- a alteração uma vez. gens, um modelo de quadrinho pré-definido po- * Desfoque e transparência - Útil para de ajudar a manter um padrão. Essas aplicar um contraste entre o cenário e os per- facilidades, obviamente, são inerentes ao modo sonagens. (Fig. 2) digital de produção. Vejamos mais algumas de- las: * Linhas-guia e grid - Você quer quadri- nhos alinhados corretamente? Crie linhas- guia. Elas ajudam a posicionar os objetos de acordo com um eixo específico. O grid tam- bém serve para esse mesmo propósito. Am- bos os recursos podem ser configurados para atender melhor à necessidade do usuá- rio. * Clipping - O recurso de clip existe pa- ra não nos preocuparmos se um desenho vai ficar maior do que o quadro ao qual ele se Figura 2 - Fecha tudo, o chefe chegou! Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |40
    • CAPA · QUADRINHOS E SOFTWARE LIVRE * Balde de tinta - Se você desenha à gável, além do feedback instantâneo mão, digitaliza e depois vetoriza as imagens, (WYSYWYG). esta ferramenta pode ser particularmente útil A experiência que acumulei desenhando para colorir automaticamente espaços fecha- quadrinhos, além de outros trabalhos realizados dos. (Fig. 3) com Inkscape e GIMP não me deixam negar o fato de que softwares livres gráficos fazem bem o seu trabalho, ao contrário do que prega o sen- so comum (que nem sempre está correto). Por- tanto, convido você, artista, a experimentar as alternativas livres, interagir com os desenvolve- dores, fazer parte de uma comunidade, ir além. Faz bem para a criatividade... e rende boas his- tórias para quadrinhos. Figura 3 - Da caneta ao pixel Para mais informações: Site Nerson não vai a escola Além desses recursos (simples, podemos http://nerdson.com dizer), temos no Inkscape uma gama de exten- sões e efeitos que combinados, podem gerar be- Site Oficial Inkscape los resultados visuais. E com um pouco de http://www.inkscape.org conhecimento em programação (em Python, prin- cipalmente) você também pode fazer sua pró- Site Nanquin ao Quadradro pria extensão. http://nanquimaoquadrado.com/ O Inkscape gera por padrão uma imagem PNG em 24 bits. Dependendo da complexidade Site Cafetron e tamanho da imagem, o arquivo pode ficar relati- http://nebulosabar.com/ vamente grande, o que não é recomendado pa- ra publicações na web. Nesse caso, deve-se Site Nóis na Tira então procurar reduzir o tamanho do arquivo. Se http://noisnatira.com/ sua imagem possui muitos degradês e efeitos mais rebuscados, não há muito o que fazer. Em KARLISSON BEZERRA é técnico em desenvolvimento web pelo CEFET-RN, certos casos converter para o formato JPG é graduando em Sistemas de Informação uma solução, apesar da relativa perda de quali- na FARN. Ilustrador, quadrinista e programador nas horas vagas, criador dade. Se a imagem possui apenas cores sóli- do "Nerdson não vai à escola". das, a melhor alternativa é reduzir o número de cores (indexar). Há ferramentas de linha de co- mando para isso, como o optipng ou pngcrush, mas eu recomendo o "convert" da suíte Image- Magick. A maioria dos quadrinhos que faço são convertidos para 8 bits (256 cores) sem perder qualidade. Há casos em que é possível reduzir em até 300% o tamanho do arquivo, com perda mínima de qualidade. Os utilitários de linha de co- mando são úteis para o caso de conversões em www.volcon.org massa, mas o GIMP é uma alternativa mais ami- Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |41
    • CAPA · LIVEBRUSH http://www.flickr.com/photos/livebrush/3739530117/ Por Rafael Marassi O LiveBrush é um programa de desenho vetorial desenvolvido em Adobe AIR, isto signifi- Software Livre ca que é multiplataforma e pode ser usado em Windows, Linux e Mac. Através do programa é possível criar wall- de desenho papers, desenhos, cartazes, abstrações, ilustra- ções e deixar sua criatividade aflorar. O editor é bem simples e quem tem prática vetorial em programas gráficos pode desenvolver exce- lentes resultados. Sua interface é bem parecida desenvolvido com o Photoshop. O LiveBrush possui um rico conjunto de fer- ramentas, pincéis e efeitos. O programa ainda em Adobe AIR suporta Canvas e conta com mais de 100 esti- los e decorações. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |42
    • CAPA · LIVEBRUSH Aba Layers Nesta aba, você consegue visuali- zar as camadas do seu trabalho, assim como é feito no Photoshop. É possível ainda configurar a aparência das cama- das no menu “blend mode”. Podemos também ajustar a opacidade e cores. Na parte inferior da aba, você pode adi- cionar, excluir e mudar as camadas de posição. Na parte direita do aplicativo você Figura 1: Tela do programa ainda encontra uma barra de ferramen- tas vertical com opções de pincéis, bal- Ferramentas do LivreBrush de de tinta, contador de gotas, ajuste de cor e a O programa tem um layout bem parecido ferramenta “mãozinha” para movimentar seu tra- com o Photoshop e possui as ferramentas bási- balho de forma simples, sem alteração no layout. cas para criação de layouts vetoriais. Depois finalizado o seu trabalho, você tem a opção de exportá-lo em PNG. O programa Aba Style também tem uma versão paga, que possibilita exportar o arquivo em formato vetorial. Nesta aba é possível visualizar os vários es- tilos de pincéis que podem ser utilizados. São vá- O LiveBrush também possui uma comuni- rios modelos que vão de um simples traço até dade para pessoas que utilizam as ferramentas galhos e flores. Basta testar os estilos para come- do aplicativo para desenvolverem seus traba- çar a compor seu trabalho de vetorização. lhos. No fórum, você pode encontrar dicas, tra- balhos realizados por outros usuários e Um detalhe bem interessante é que pode- compartilhar seus trabalhos. mos aplicar vários efeitos de uma única vez. Pa- ra fazer isso, é só clicar nos estilos que quer O LiveBrush merece uma atenção especi- utilizar com o “ctrl” pressionado. al, principalmente para quem é fã de gráficos di- gitais. Ainda na aba de estilos é possível visuali- zar quais foram selecionados, importar estilos, Para ter mais informações sobre o Live- exportar e criar seus estilos personalizados. Brush acesse o site www.livebrush.com e tenha acesso ao link de download do programa, um ví- deo de demonstração do aplicativo e saiba co- Aba Tool Settings mo fazer parte da comunidade de usuários do LiveBrush. Nesta aba é possível configurar todas as ferramentas para que seu trabalho seja mais ori- ginal. Através das opções disponíveis nessa RODRIGO MARASSI CREMONIN é aba é possível definir a velocidade do pincel, in- graduado em Sistemas de Informação e tervalos, distância, entre outras diversas opções Pós-graduado em Gestão de Segurança da Informação pela FEF - Fundação para facilitar o seu trabalho. Educacional de Fernandópolis. Pós- graduado em Gestão de Tecnologia da Informação pela FGV. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |43
    • MULTIMÍDIA · FAZENDO MÚSICA COM SOFTWARE LIVRE FAZENDO MÚSICA COM SOFTWARE LIVRE sxc.hu uyo14 - Por Jomar Silva Tenho me divertido muito nos últimos me- O primeiro da lista é o software que é con- ses fazendo música em casa somente utilizando siderado o “canivete Suíço” do áudio digital: Au- softwares livres e por isso resolvi apresentar dacityi. Além de ser um software extremamente aqui para vocês alguns aplicativos que tenho utili- poderoso, fazendo do básico ao avançado na zado. Existem diversos tutoriais para todos eles edição de áudio, o Audacity é ainda multi-plata- na Internet e portanto a minha intenção aqui é a forma e por isso, você pode usa-lo em diversos de lhes apresentar os softwares que utilizo e ex- sistemas operacionais. Em outras palavras, plicar como colocar um trabalhando com o outro aprenda a usar este software direito e você sem- (ou seja, um macro caminho das pedras). pre terá á sua disposição uma excelente ferra- Antes que alguém se assuste com o tema, menta de manipulação de áudio livre em eu sou músico desde antes de saber o que era qualquer plataforma. um computador, e resolvi escrever este artigo O Audacity é um gravador e editor de áu- pois existem inúmeros softwares livres para músi- dio, o que significa que com ele você pode gra- ca e foi um parto (e levou alguns anos) para que var um arquivo com base em uma entrada de eu encontrasse um conjunto de softwares que som (como um podcast ou uma entrevista), ou atendam á todas as minhas necessidades atu- editar um arquivo já existente (com tirar ruídos ais para gravação e produção musical. de entrevistas gravadas ou colocar trilha sonora em um podcast). Ele suporta múltiplas trilhas de Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |44
    • MULTIMÍDIA · FAZENDO MÚSICA COM SOFTWARE LIVRE áudio, e com isso se pode colo- softwares é a car e mixar quantas fontes de utilização de áudio se deseja, para fazer coi- um kernel em sas como podcasts ou trilhas tempo real, sonoras completas para víde- pois este irá os. Ele possui ainda uma lista responder gigante de filtros muito úteis, pa- com o mínimo ra fazer desde coisas simples de latência como ajustar automaticamente possível às os níveis de uma gravação até aplicações coisas mais complicadas como que você vai alterar o pitch de uma grava- utilizar (tocar ção (a distorção básica que uma guitarra sempre ouvimos na TV ou no e aguardar mi- rádio quando entrevistam uma crossegun- Figura 1: Tela do Audacity “testemunha anônima”... sim, a dos para voz de pato), e exporta para di- ouvir o som dela é terrível e invi- da atrapalhe minha concentra- versos formatos. Em resumo, o abiliza qualquer gravação mais ção. Audacity é uma mão na roda séria). Como eu uso o Ubuntu, O software mais importan- para as edições de áudio e gra- existe a opção de instalação te, ou a base para todos os ou- vações do dia a dia (é excelen- de um kernel em tempo real ne- tros softwares que vou te para gravar aquela ideia de le (chamado RT) e com isso eu apresentar aqui, é o Jackii. música que você acabou de sempre tenho no meu menu Existe uma explicação técnica ter e não sabe onde guarda-la). de inicialização a opção de inici- e bem bonita para o Jack, mas Tão logo você se anime alizar com este kernel, que só prefiro deixar aqui uma bem com o Audacity, vai acabar des- utilizo quando vou trabalhar simples de entender: O Jack é cobrindo que com ele é possí- com áudio. um gigantesco painel de cone- vel a gravação de várias trilhas A segunda dica que deixo xões virtuais de áudio, como separadamente, o que signifi- aqui, é que quando você iniciali- se fosse um gigantesco “benja- ca que agora você tem um gra- zar a máquina para uma ses- min” para conexões virtuais. vador multi trilhas á sua são de gravação, deixe em Ele é também um servidor de disposição e por isso você po- execução apenas as aplica- áudio em tempo real e com bai- de gravar suas músicas sozi- ções que vai utilizar durante xa latência e por isso, é o pri- nho, usando uma trilha para aquela seção. Cada byte que meiro software que você cada instrumento. A ideia é sobra de memória RAM para a precisa instalar, configurar e boa, mas o Audacity não é exa- utilização destes softwares aju- aprender a usar direito (e co- tamente a melhor ferramenta da bastante e além disso, já vi mo já falei, não faltam tutoriais para isso, e por isso mesmo eu sessões de gravação irem pa- para isso). apresento softwares que utilizo ra o vinagre por um e-mail que Basicamente você vai para gravações de músicas de chegou ou algum amigo cha- usar o Jack para conectar as forma mais profissional, e sal- mando no software de mensa- entradas e saídas dos demais vo duas exceções, só irei abor- gens instantâneas. Eu softwares, como se você esti- tar softwares livres para Linux. costumo deixar até minha inter- vesse conectando cabos no A primeira dica importan- face wifi desconectada quando mundo real entre equipamen- te para a utilização destes estou gravando, para que na- tos (como da guitarra para a Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |45
    • MULTIMÍDIA · FAZENDO MÚSICA COM SOFTWARE LIVRE pedaleira, da pedaleira para a atividade e por isso, use e abu- kits de bateria acústica que per- mesa de som, da mesa de se do software. mitem que você grave uma ba- som para o gravador e para o Quem já gravou alguma teria no computador com amplificador e etc...). Um vez em estúdio vai se acostu- tamanha qualidade que nin- software que ajuda muito no mar muito rápido como Ardour, guém consegue depois dizer processo é o Jack Controliii, e pois nele você vai adicionando se ela foi feita ao vivo ou não. depois que você se acostuma novas trilhas de áudio, e conse- A interface do Hydrogen é bas- com a tela de configuração de gue ir alterando e mesclando tante intuitiva, e existem mui- conexões dele, sempre imagi- trechos destas trilhas, além de tos tutoriais dele na rede. De nando que você está conectan- poder utilizar ferramentas de au- forma resumida, você escolhe do cabos virtuais, fica tudo tomação bem interessantes (co- o set de bateria que quer utili- muito fácil de entender. mo aumentar e abaixar o zar, abre a tela de edição de Já que temos um servidor volume dos instrumentos ao lon- padrões e parte para a edição de áudio em pé, passemos ago- go da música). O Ardour pode gráfica (point-and-click) colo- ra para o nosso gravador de áu- ser ainda utilizado para fazer cando no tempo as peças da dio multi trilhas digital, que é o música com base em loops de bateria que você quer que se- Ardouriv. áudio pré existentes, ou para fa- jam tocadas... é um processo zer arranjos para músicas já de aprendizado bem lúdico e O Ardour é um dos softwa- interessante e depois de al- res mais legais que conheço, existentes (importando a faixa original e acrescentando a ela guns padrões montados, você principalmente por que com consegue montar a música to- ele eu posso fazer em casa al- os instrumentos que você qui- ser). Como vantagem adicional da através da combinação de- gumas coisas que eu só pode- les. ria fazer em um estúdio ele também roda em Mac OS caríssimo há alguns anos X. A saída de áudio do Hy- atrás. As limitações do Ardour Já temos o servidor e o drogen pode ser conectada a são na verdade as limitações gravador, agora nos faltam os uma entrada de áudio do Ar- do seu computador e da sua cri- instrumentos... correto ? dour e com isso já temos a tri- lha da bateria pronta para ser Como ba- gravada. É importante ainda terista, vou co- ajustar o tempo de todos os meçar minha softwares para um valor co- lista de instru- mum e conectar todos os tem- mentos pela porizadores dos softwares ao bateria. Exis- Jack, para que você possa con- tem diversos trolar todos eles de um único softwares pa- lugar (play, rec e etc...). ra programa- ção de Ás vezes fica legal colo- bateria dispo- car algum tratamento de áudio níveis, mas em um instrumento antes de eu gosto mes- envia-lo ao gravador (Ardour) mo e uso bas- e no mundo real utilizamos pe- tante o daleiras e racks de efeito para Hydrogen, isso. No mundo da música livre pois ele pos- também temos pedaleiras e Figura 2: Tela do Ardour sui alguns racks de efeito e começo falan- Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |46
    • MULTIMÍDIA · FAZENDO MÚSICA COM SOFTWARE LIVRE ções), vamos Gosto muito do ZynAdd- agora colocar SubFX, mas como não tenho as bases da nenhuma super máquina ele nossa música. acaba às vezes comendo mui- Para to meu processamento durante quem toca te- uma sessão de gravação. clado e tem Além disso, eu toco piano e te- uma controla- clado mas não sou nenhum dora MIDI, eu profissional, e por isso, cometo recomendo a alguns erros que me levam ás utilização de vezes a ficar horas para conse- três softwares guir gravar uma trilha inteira de que julgo es- alguns minutos (e sei que isso senciais. acontece nas melhores famíli- Quem me as :) ). Figura 3: Tela do Hydrogen apresentou a Uma alternativa interes- estes caras sante e mais leve computacio- do sobre um rack de efeitos foi meu grande amigo Eduardo nalmente é a utilização do bom bem útil chamado Jack Rackv. Maçan, que é um mestre em e velho sequenciador MIDI, Ele é basicamente um música com software livre. que te permite editar as notas rack com diversos efeitos que O primeiro software é o Zy- após a gravação e com isso podem ser combinados e casca- nAddSubFXvi, que apesar do corrigir erros ou escorregões teados para que tenhamos na nome pra lá de nerd e esquisi- durante a gravação. Ele permi- saída o som que temos em to é um excelente sintetizador te ainda que você utilize diver- mente. Através da sua interfa- totalmente configurável. Ele já sos outros instrumentos que ce gráfica é possível a instala- vem com um extenso banco podem variar dos mais simples ção e configuração de cada de timbres e efeitos pré configu- (como um piano) aos mais inu- um dos módulos, e através do rados, e te permite ainda cons- sitados (como ruído de carro) Jack Control você conecta seu truir seus próprios timbres, que em suas músicas. instrumento a ele e a saída de- significa que você vai perder di- Como o Ardour não pos- le ao Ardour. Como eu estava as e dias brincando como Zy- sui ainda um sequenciador MI- falando do Hydrogen, acho nAddSubFX até que consiga DI interno, o sequenciador sempre interessante jogar um encontrar o “timbre perfeito”. MIDI que utilizo é o Rosega- reverb na saída de áudio do Hy- denvii, que como diz o Maçan drogen, para deixar o som da O controle das conexões entre ele e o Ardour (ou qual- “Não é perfeito, mas é o me- bateria mais envolvente e o lhor que temos !” Jack Rack é o cara certo para quer outra coisa que você que- esta tarefa, e você pode ter vári- ria colocar aí no meio) será O Rosegarden é o softwa- os JackRack abertos simultane- feito através do Jack, lembran- re que vai armazenar todas as amente. do que agora além das configu- faixas MIDI que você vai utili- rações de conexão de áudio zar, e ele possui diversas ferra- Bateria configurada (e se você ainda precisa fazer as co- mentas para te ajudar a você quiser gravada também, nexões MIDI, e tudo isso é compor a sua música (de es- para poder fechar o Hydrogen bem simples de fazer usando crever direto na partitura á en- e o Jack Rack, liberando mais o Jack Control. trada manual de eventos memória para as demais aplica- Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |47
    • MULTIMÍDIA · FAZENDO MÚSICA COM SOFTWARE LIVRE MIDI). Uma dica que deixo te de som (SoundFont 2). lão elétrico e com isso transfor- aqui é sempre gravar e ter um Existem diversos arquivos de mo meu violão folk na guitarra backup dos seus arquivos, fontes de som (extensão .SF2) do Jimmy Hendrix com apenas pois já me aconteceu duas ou disponíveis na rede, e inúme- alguns cliques (e o resultado fi- três vezes do Rosegarden tra- ras empresas que trabalham ca muito interessante... pena var e eliminar junto o arquivo com o desenvolvimento de fon- que eu não toco nem 1% do que eu estava utilizando (nu- tes específicas. Procurando que o Hendrix tocava...). Como ma destas eu perdi quase 6 ho- com atenção você pode encon- eu não tenho nem guitarra ras de trabalho). trar coisas interessantes que nem pedaleira, o Rakarrak tem É importante entender vão de sintetizadores dos anos sido extremamente útil para mi- que o sequenciador MIDI ape- 60, 70 e 80 a instrumentos me- nhas gravações. Ele possui nas registra o que, como e dievais. O QSynth permite ain- uma série de efeitos pré pro- quando tocar cada nota, mas da que você combine dois ou gramados, e me permite criar e ele não produz som algum. Pa- mais instrumentos e isso aca- armazenar os meus próprios ra que ele “toque”, é necessá- ba dando um resultado bem in- efeitos através da combinação rio que esteja conectado a um teressante (eu gravei outro dia de 19 pedais de efeitos que sintetizador MIDI, com os ban- uma trilha misturando uma flau- ele possui, como os clássicos cos devidamente carregados e ta com um teclado chapado Over Drive, Distortion, Chorus, configurados. dos anos 70 e o resultado fi- Phase, Flanger, Compressor e cou muito interessante). Reverb, entre outros (sim, vo- O sintetizador MIDI que cê vai perder aí mais alguns utilizo é o QSynthviii, que na ver- Para finalizar a lista de softwares, gostaria de lhes bons dias brincando com sua dade é uma interface gráfica pa- pedaleira virtual, através de ra o FluidSynthix. A função apresentar um software que descobri há poucos dias e que uma interface muito intuitiva). básica deste cara é de reprodu- zir um evento MIDI que ele rece- tem me rendido horas de diver- Eu não tenho nenhum be (neste caso do Rosegarden são na frente do computador. equipamento especial para co- ou diretamente da sua controla- Ele é o Rakarrakx, e ele mistu- nectar instrumentos aos meus dora MIDI), utilizando uma fon- ra dois softwares apresenta- computadores, algo como uma dos aqui: pode ser usado placa de captura especial ou como o Jack uma placa de captura USB, e Rack e foi de- por isso uso a boa e velha en- senvolvido trada de microfone dos meus com parte do computadores para fazer mi- código do Zy- nhas gravações. Sendo assim, nAddSubFX e conecto meu violão elétrico na portanto ele entrada de microfone do meu pode ser en- notebook, conecto esta entra- tendido como da no Rakarrak e a saída dele o ZynAdd- no Ardour (e claro, você pode SubFX para colocar o que quiser aí no guitarras. meio, como o Jack Rack para Eu utili- dar um segundo nível de efei- zo ele para co- tos). Figura 4: Tela do Rosegarden locar efeitos Existem diversos outros no meu vio- softwares que podem ser utili- Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |48
    • MULTIMÍDIA · FAZENDO MÚSICA COM SOFTWARE LIVRE Para mais informações: i. Site Oficial do Audacity: http://audacity.sourceforge.net/ ii. Site Oficial Jack http://jackaudio.org/ iii. Site Oficial Qjackctl http://qjackctl.sourceforge.net/ iv. Site Oficial Ardour http://ardour.org/ v. Site Oficial Jack-Rack Figura 5: Site do Movimento MPB - Música Para Baixar http://jack-rack.sourceforge.net/ nas os “complementos” do zados em conjunto com estes, Ubuntu Studio nela (foi assim vi. Site Oficial Zynaddsubfx mas estes são os caras que uti- que comecei a brincadeira, http://zynaddsubfx.sourceforge.net/ lizo com mais frequência, e sei mas hoje prefiro instalar os que eles se comportam bem softwares um a um... coisa de vii. Site Oficial RoseGarden uns com os outros. Espero que nerd). http://www.rosegardenmusic.com/ com este artigo, vocês percam menos tempo procurando Para finalizar, lembro a to- viii. Site Oficial Qsynth softwares e mais tempo se di- dos do movimento Música Pa- http://qsynth.sourceforge.net/ vertindo com eles. ra Baixarxi, que está batalhando para que possa- Uma coisa que aprendi é mos ter um cenário sólido de ix. Site Oficial Fluidsynth que a melhor forma de enten- produção cultural independen- http://fluidsynth.resonance.org/trac der softwares para música é uti- te no Brasil. Para quem não co- lizando-os na prática. Com o nhece, fica aqui a dica para x. Site Oficial Rakarrack tempo você vai entendendo me- conhecer e para todos que vão http://rakarrack.sourceforge.net/ lhor como eles funcionam e co- produzir suas músicas usando meça a ficar mais fácil para as tecnologias livres aqui apre- xi. Site Oficial do Movimento MPB procurar outros softwares para sentadas, fica o apelo deste http://musicaparabaixar.org.br/ complementar seu arsenal so- que vos escreve: Disponibilize noro, e até para entender as suas músicas na Internet atra- JOMAR SILVA é en- discussões nas listas de discus- genheiro eletrônico e vés de um licenciamento livre. Diretor Geral da são dos softwares, fonte de ex- Vamos juntos mudar a cara da ODF Alliance Latin celente informação sobre eles. America. É também produção cultural brasileira ! coordenador do gru- Para quem quiser baixar po de trabalho na Bom divertimento ! ABNT responsável uma distribuição com quase tu- pela adoção do ODF do isso instalado e funcionan- como norma brasilei- ra e membro do OA- do direito, recomendo o SIS ODF TC, o Ubuntu Studio. Se você já tem comitê internacional uma instalação do Ubuntu dis- que desenvolve o pa- drão ODF (Open Do- ponível, é possível baixar ape- cument Format). Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |49
    • MULTIMÍDIA · JACK AUDIO CONNECTION KIT - PARTE 1 Jack Audio Connection Kit Parte 1 Por Leandro Leal Parente Para todos que vêm acom- figurações que possibilitam o Como assim? Não exis- panhando meus artigos, che- processamento de áudio em tiam softwares semelhantes gou o grande momento. Para tempo real no Linux. ao Cubase, Logica, ou mes- os que não os leram, sugiro A partir deste momento mo igual ao FruitLoop Stu- que parem por aqui e não pros- passou a fazer sentido desen- dio? sigam até terem feito isto. Tu- volver softwares de áudio para Não!!! Não existia uma do o que escrevi anteriormente Linux já que agora o sistema software com funções “uni- foi apenas uma preparação pa- operacional fornecia condições versais” que fizesse tudo e ra este momento. Hoje será adequadas para a utilização mais pouco quando o assun- apresentado a vocês a maior dos mesmos. Entretanto pou- to fosse áudio. ferramenta para se trabalhar cas pessoas se interessavam com áudio no Linux. pelo assunto. Então começa- Há alguns anos atrás nin- ram a surgir pequenos softwa- A comunidade Linux tinha guém, falava de áudio no Linux res especialistas em apenas duas alternativas: por dois simples motivos: uma determinada atividade. - Desenvolver um software ro- - O sistema operacional pos- Na época haviam softwa- busto com “1 milhão de fun- suía muito latência; res para os seguimentos: ções”, semelhantes aos - Não existia softwares adequa- softwares proprietários do Win- - Multitrack (Editor/Sequencia- dows e do OsX; dos para esta tarefa; dor); Como vocês já devem sa- - Desenvolver uma plataforma - Sintetizadores; de comunicação de áudio e MI- ber o problema da latência foi - Sequenciadores MIDI; solucionado com o surgimento DI padrão, capaz de conectar - Drum Machines; todos estes softwares especia- do patch PREEMPT_RT que - Plugins LADSPA; modificou o Kernel nativo permi- listas e criar um ambiente mo- tindo definir umas séries de con- dular; Então vem a pergunta: Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |50
    • MULTIMÍDIA · JACK AUDIO CONNECTION KIT - PARTE 1 Em pouco tempo surgiu a Com o auxilio de um Ker- isto economiza processamento. solução para o problema! nel real-time, um hardware efici- Quando o servidor for ini- ente e uma configuração ciado aparecerão os clientes in- adequada o Jack transforma- ternos do Jack: canais de Prazer este é o Jack! se em um servidor de baixa la- O Jack Audio Connection entrada e saída, dependendo tência e alto desempenho, utili- do modo que foi selecionado. Kit é um servidor de áudio e MI- zando 32 bits para DI de baixa latência e de tem- Quando vou tocar, utilizo o mo- representação de dados e sen- do playback only, já que neces- po real com suporte a vários do capaz de tratar qualquer ti- sistemas operacionais: OsX, Li- sito apenas de saída para po de dado streaming e não minha controladora MIDI com nux, Windows, Solaris e Fre- apenas áudio. eBSD. Ele foi desenvolvido por 4 canais de áudio. Paul Davis, Richard Günther, Grande parte das aplica- Com o servidor funcionan- David Olofson, Benno Senno- ções com suporte ao Jack es- do é possível conectar várias ner, Kai Vehmanen e outros co- tão listadas neste link. Da aplicações multimídia e redire- laboradores. ultima vez que contei existiam cionar os fluxos áudio e MIDI 151 softwares na lista. entre elas. Seguindo este prin- Seu surgimento foi a mai- or revolução que o mundo do cípio é possível rodar um áudio em Linux sofreu. Rapida- Como o Jack funciona? player de música que ao invés mente começaram a surgir vári- O Jack têm suporte a vári- de se ligar direto aos canais de os software com suporte ao os drivers de áudio: saída da interface de som, redi- Jack e os que já existiam se reciona seu fluxo de áudio pa- - ALSA; ra o canal de entrada do adaptaram rapidamente. - PortAudio; Jack-rack, software capaz de Com este servidor de áu- - CoreAudio; aplicar efeitos LADSPA. Dessa dio foi possível integrar softwa- - FreeBoB; forma o Jack-rack aplica um res especialistas e criar uma - FFADO; determinado efeito, por exem- ambiente robusto e modular ca- - OSS; plo um flanger, e redireciona paz de substituir os softwares sua saída para os canais de proprietários mais conhecidos Nós iremos utilizar o AL- saída padrão da interface de e renomados do mercado. SA, que é nativo do Kernel, som. O resultado disto é um Seus criadores abstraí- mas sinta-se a vontade para uti- ambiente capaz de aplicar vári- ram a comunicação de qual- lizar qualquer outro. os efeitos a uma música sendo quer host (software cliente) reproduzida em um player de Ele também pode funcio- com o driver da interface de áu- música comum. nar em 3 modos: dio, adicionando uma camada Veja que os softwares se a mais neste processo. Portan- - Playback only: apenas saída conectam entre si e nem se to qualquer software de áudio de som; quer tomam conhecimento dis- deveria se comunicar somente - Capture only: apenas entra- to. O player de música está fun- com Jack, deixando todo resto da de som; cionando normalmente e o ser feito por ele. Internamente - Duplex: entrada e saída de Jack-rack também. O redirecio- o servidor de áudio controlava som; namento aplicado por nós não seus host utilizando uma políti- afetou o funcionamento de ne- ca FIFO, memória compartilha- Para cada um dos modos nhum destes softwares, o servi- da e threads. é possível escolher a quantida- dor de áudio abstraí tudo isto de de canais. Em alguns casos para nós. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |51
    • MULTIMÍDIA · JACK AUDIO CONNECTION KIT - PARTE 1 Isto resulta em aplica- eu sempre compilo o Jack, por mesmo que estas estejam em ções especialistas capazes de questão de desempenho. Ca- pastas diferentes. Toda vez serem desenvolvidas indepen- so você utilize uma distribuição que você for instalar uma outra dente de quaisquer outras apli- multimídia ela já virá com ele versão sobrescreva a anterior cações, basta apenas ter instalado. indicando o prefix corretamen- suporte ao Jack. Este é o úni- Para instala-lo via gerenci- te. Isso evita muita dor de ca- co pré-requisito para que uma ador de pacotes procure pelos beça! Continuamos na próxima aplicação possa ser utilizado pacotes jackd (lembre-se que edição. Não perca! dentro do nosso ambiente mo- existem duas versões) e qjackc- dular. tl(front-end) e instale-os. Caso você vá compilar algum softwa- Como instalar o Jack? re que dependa do Jack não se esqueça de instalar o paco- Para mais informações: Existem atualmente duas tes dev que incluem os hea- Site Jack Audio versões do Jack Audio Connec- ders necessários para o http://jackaudio.org/ tion Kit: processo de compilação. - Jack 0.116.2: versão mais es- Artigo no Estúdio Livre tável e mais antiga. Ela é reco- Se você optar por compi- http://www.estudiolivre.org/Jack#_Ins- mendada para processadores lar o Jack, o processo é diferen- talando de um único núcleo ou mono- te dependendo da versão. O cores. primeiro passo é escolher a ver- Artigo sobre Jack - Jack 1.9.3: versão mais recen- são, baixar e descompactar o http://lievenmoors.github.com/jack. te e menos estável. Ela é uma código fonte adquirido no site html evolução do Jack-mp (multi-pro- oficial na página de download. cessor) sendo mais recomenda- Depois entre na pasta descom- Site StudioLinuxBr da para processadores de pactada e digite os comandos http://studiolinuxbr.blogspot.com/ vários núcleos. Entretanto po- abaixo: de ser utilizada em processado- Artigo na Wikipédia sobre Jack res mono-cores sem Para o Jack 0.116.2: http://en.wikipedia.org/wiki/JACK_Au- problemas. No futuro se torna- dio_Connection_Kit rá o Jack 2. # ./configure --prefix=/usr –libdir=/usr/lib # make Estas versões podem ser # make install (necessita de instaladas de duas formas: permissão de root) LEANDRO LEAL PARENTE é - Com o auxílio do gerenciador graduando de de pacotes; Ciências da - Baixando o código fonte e Para o Jack 1.9.3: Computação pela Universidade compilando; Federal de Goiás # ./waf configure -prefix=/usr (UFG), adepto da # ./waf build filosofia Open O gerenciador de pacotes Source e usuário # ./waf install (necessita de Linux. Atualmente é facilita muito a instalação, entre- permissão de root) estagiário no tanto traz apenas os binários Laboratório de Processamento de do Jack, ou seja, o software já Imagens e compilado. Apesar do trabalho, Nunca tente manter duas Geoprocessamento versões do Jack no sistema, (LAPIG) na UFG. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |52
    • ENTREVISTA · ENTREVISTA COM ALEXANDRE OLIVA Entrevista com Alexandre Oliva, membro do conselho da FSFLA Por João Fernando Costa Júnior Está se aproximando o maior evento distri- Revista Espírito Livre: O que pretende o buído de Software Livre do mundo: o Festival La- FLISOL? tino-americano de Instalação de Software Livre. Alexandre Oliva: Vejo um consenso nas co- Todos os anos, em centenas de cidades, reú- munidades que o promovem de que há dois nem-se militantes do Software Livre e, digamos, grandes objetivos: a divulgação do Software Li- pessoas normais que querem aprender sobre vre e sua filosofia, e a integração das comunida- Software Livre e tê-lo instalado em seus compu- des de Software Livre da América Latina. tadores. Em edições anteriores, algumas das se- des já reuniram mais de 5 mil pessoas cada A integração se promove através da coor- uma. Este ano, o festival está marcado para 24 denação necessária para a organização de um de abril. Ainda dá tempo de organizar uma se- evento desse porte, e pela regra de que não de- de em sua cidade! ve haver mais de uma sede do evento por cida- de, de maneira que as comunidades locais Para falar um pouco sobre esse grande somem esforços ao invés de se dividirem. evento, convidamos o militante de Software Li- vre, membro do conselho da Fundação Softwa- A divulgação se faz não só através da ins- re Livre América Latina, Alexandre Oliva, que talação de Software Livre a quem leve seus tem participado do FLISOL nos últimos 3 anos. computadores, como diz o nome do evento, mas também através de palestras técnicas e filo- sóficas, tanto para ensinar os novos usuários a Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |53
    • ENTREVISTA · ENTREVISTA COM ALEXANDRE OLIVA utilizar o software recém-instalado, como para “instalar” na cabeça das pessoas a filosofia do compartilhamento, da autonomia, do respeito ao próximo, da busca do bem comum e do enfrenta- mento às ameaças às liberdades de todos. REL: Que software vocês instalam? AO: Depende da sede. Uma das regras mais marcantes do FLISOL é que não há re- gras. Cada sede se organiza de forma pratica- Figura 1 - Logomarca oficial do FLISOL mente independente, embora existam coordenações nacionais e internacionais. cluem muito Software Livre, mas também bas- Então, você vai encontrar sedes que insta- tante software grátis privativo, que priva lam de fato Software Livre: sistemas operacio- usuários das liberdades fundamentais. Muitos nais inteiramente Livres, como OpenBSD, usuários, e por vezes as próprias distribuições, UTUTO XS, Venenux, Trisquel, gNewSense, não fazem distinção. São distribuições grátis, BLAG, Dragora, Kongoni, Musix, Dyne:bolic, Veg- mas não Livres, e propagam essa confusão. nux NeonatoX, RMS's Mostly Slax, Parabola, Mesmo as que fazem a distinção acabam trans- além de aplicativos Livres para sistemas operaci- mitindo uma ideia de que o software privativo se- onais diversos, como os expoentes OpenOffi- ja algo benéfico, ao invés de uma armadilha ce.org (no Brasil, BrOffice.org) e Mozilla Firefox. para capturar, subjugar e controlar usuários. Mas também vai encontrar sedes que insta- lam, distribuem e promovem software grátis, ain- REL: Você se opõe à instalação dessas da que não seja Livre, promovendo a confusão distribuições no FLISOL? que existe ao redor desses termos. AO: Não exatamente. Não tenho nada con- Software Livre respeita as liberdades essen- tra as distribuições, tenho algo contra o software ciais dos usuários de executar, estudar, adaptar, privativo que elas distribuem. melhorar e distribuir o software, inclusive comer- cialmente. Pode estar no domínio público ou ter Instalar um Debian GNU/Linux, para em se- seus direitos autorais licenciados de maneiras guida substituir o Linux que ela distribui pelo Li- que permitam aos usuários gozar dessas liberda- nux-libre correspondente, do projeto des, exigindo ou não que essas permissões se- Freed-ebian, resulta um sistema Livre. Instalar jam passadas adiante junto com o software. Já software grátis, embora possa ser distri- buído e executado sem ônus, normalmente não permite ao usuário, com ou sem ajuda de tercei- ros à sua escolha, estudar seu funcionamento ou adaptá-lo para que funcione como deseja. Serve como plataforma para o desenvolvedor im- por suas escolhas sobre os usuários: justamen- te a antítese da autonomia defendida pelo movimento Software Livre. Ocorre que muitas das distribuições mais Figura 2 - É possível instalar o Debian e em seguida torná-lo livre populares de GNU/Linux, *BSD e OpenSolaris in- instalando um kernel específico Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |54
    • ENTREVISTA · ENTREVISTA COM ALEXANDRE OLIVA o Fedora, para em seguida instalar o Linux-libre REL: Mas e as incompatibilidades de correspondente do projeto Freed-ora, e aí remo- hardware? ver os pacotes *-firmware não-Livres, dá no mes- AO: Também há muito exagero nesse senti- mo. Dá pra fazer algo parecido com Gentoo, do. Ao contrário dos formatos de vídeo, aqui há que inclusive oferece em seus repositórios de pa- um fundo de verdade: há, de fato, dispositivos cu- cotes um Linux-libre. Noutras distros que não se- jos projetistas fazem questão de controlar a vida parem as coisas tão claramente, pode ficar mais de seus clientes, desrespeitando seus direitos hu- difícil. manos e liberdades essenciais. Muito mais simples e seguro é já instalar Para explicar isso a novos ou futuros usuári- uma distro Livre, em que o usuário nem vai cor- os de Software Livre, começo com exemplos co- rer o risco de ser induzido pelo sistema a insta- mo o iPad, quase todos os telefones celulares, lar software privativo e cair na armadilha depois consoles de jogos, videocassetes digitais e por aí do evento. E ainda se reforçam as comunida- vai. São computadores disfarçados, configurados des de Software Livre da América Latina, berço para controlar, espionar, restringir e tornar usuári- de mais de metade das distros Livres. os impotentes e dependentes do fornecedor. Car- regam valores diametralmente opostos aos que o REL: Então por que tem gente que insta- Movimento Software Livre propõe. Você deve po- la as não-livres? der controlar sua própria vida e a tecnologia que usa. Ninguém deveria tirar essa liberdade de você. AO: Só posso especular, mas minha impres- são é de que prevalece um senso competitivo de Ainda que os computadores convencionais comunidade, uma coisa de carregar a bandeira da não sejam tão desrespeitosos assim, muitos de sua distribuição favorita aonde for, de minimizar e seus componentes, também computadores dis- relevar as falhas e discrepâncias do próprio “time”, farçados, são. Placas controladoras de rede maximizando e reverberando os boatos a respeito com e sem fio, de vídeo, áudio e disco, entre ou- de dificuldades e erros dos times dos outros. tras, têm seus próprios processadores e memó- ria. São computadores por muitas vezes Acredito que a maior parte dos que defen- configurados para controlar, espionar, restringir dem ferrenhamente algumas distros quase-Livres e tornar usuários impotentes e dependentes de nunca sequer experimentaram as variantes Livres seus fornecedores. Pior: às vezes você nem sa- que existem delas, e guiam-se por boatos e suposi- be que seu computador tem componentes as- ções incorretas sobre suas limitações. sim, que conseguem espionar tudo que Por exemplo, há quem acredite que não dá para assistir a vídeos nos formatos mais comuns utilizando Software Livre. É uma confusão concei- tual. Há Software Livre para executar praticamen- te qualquer formato, mesmo aqueles cobertos por patentes de software, porque as patentes são váli- das em alguns poucos países. Há distribuições não-Livres que evitam esses Softwares Livres, não para serem menos privativas, mas para evitar riscos de processos pelos titulares das patentes nesses países. Mas já as distribuições Livres em geral incluem esses programas, pois não cedem as liberdades sem uma boa briga. Figura 3 - Ututo: Distribuição GNU/Linux com base no Gentoo Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |55
    • ENTREVISTA · ENTREVISTA COM ALEXANDRE OLIVA acontece no seu computador e estão conecta- Se você aceita o abuso, vão continuar abu- dos diretamente à rede. Miuta gente prefere sando de você e de todos. Se rejeita, se não com- nem pensar nisso, para deleite dos que querem pra o que tentam impor, e se mais gente age que seja assim. assim, vão perceber que lhes custa e passar a res- Os computadores que possuem componen- peitar a todos, não porque façam questão de nos tes assim exigem que a gente abra mão de nos- respeitar, mas porque querem vender. sas liberdades para que funcionem. Esses Por isso, não configuro componentes privati- computadores, deveríamos rejeitar, por solidarie- vos do computador quando instalo Software Livre dade a todos que poderiam se tornar vítimas de- para um amigo. Sugiro e ajudo a que providencie les. É nosso dever de cidadão solidário um componente compatível com seu computador combater esse abuso de poder e exigir o respei- e com sua liberdade, ainda que lhe custe e não to à liberdade de todos. Todos podemos fazer es- lhe resulte tão conveniente. sa exigência, levando esse fator em conta na hora Se instalasse o software privativo que o com- de escolher quais equipamentos eletrônicos com- ponente exige, meu amigo ficaria confortável com prar. o resultado e provavelmente se esqueceria do pro- Mas de repente você já tem um computador blema. Quando chegasse a hora de comprar outro assim faz tempo. Não pode levá-lo ao vendedor pa- computador, compraria outro que não o respeita, ra exigir de volta o pagamento pelo computador dando mais poder aos projetistas que tentam nos que, na verdade, nunca foi realmente seu. controlar a todos. Instalá-lo seria um favor não ao Muitas vezes é possível substituir os compo- amigo, mas ao fornecedor, que ganharia ou mante- nentes desse computador por outros que não se- ria um escravo. jam inimigos de nossa liberdade. Outras vezes, Não o instalando, meu amigo se lembra do não, por raras questões técnicas ou porque seus problema todas as vezes que o uso do substitu- projetistas as configuraram para que não funcio- to lhe pareça menos conveniente. Quando che- nem mais se você substituir os componentes por ga a hora de comprar o próximo computador, outros que queira usar para se tornar Livre. Há re- vai tomar cuidado para que não lhe imponha es- gistros de comportamento anti-ético assim de forne- sa inconveniência. Fará um favor a si mesmo e cedores de computadores com placas de rede a todos. sem fio, discos rídigos e outros componentes. Se alguém prefere evitar a inconveniência Ainda assim, quase sempre é possível conse- agora, ao invés de instalar toda uma distribuição guir um componente equivalente que funcione Livre no computador, instalo alguns programas com USB ou outras portas de expansão de compu- Livres no sistema que já está lá. O usuário conti- tadores: assim dá pra conectar um dispositivo de nua com as inconveniências com as quais já se rede com ou sem fio, um disco rígido, ou até uma acostumou, mas sei que vai gostar dos progra- controladora de vídeo, mesmo em computadores mas, e que numa próxima oportunidade, quem configurados para servir não a você, mas ao seu sabe num futuro FLISOL, virá com outro compu- projetista. tador, comprado com cuidado para que Softwa- Talvez não seja tão conveniente quanto usar re Livre funcione 100% nele. Claro que me o dispositivo que foi embutido na máquina para disponho a ajudar na escolha. controlar você. Talvez lhe pareça mais convenien- Pra quem preferir, instalo ambos: os aplica- te aceitar o abuso, ao invés de dizer aos projetis- tivos no sistema já em uso, e as distros Livres, tas e vendedores quem você faz questão que de modo que o usuário possa escolher qual inici- controle seu computador. ar a cada vez que ligar o computador. E quanto alguma incompatibilidade dificultar o uso de al- Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |56
    • ENTREVISTA · ENTREVISTA COM ALEXANDRE OLIVA gum componente, o usuário lembrará que o pro- jetista do componente lhe quer como escravo e nos impede de ajudá-lo a ser Livre enquanto use aquele computador. REL: O que você sugere para quem quer colaborar com o FLISOL? AO: Visite http://flisol.net, veja se já há algu- ma sede em cidade próxima, entre em contato e ofereça seus esforços. Se não houver, procure outras pessoas do Software Livre nas redonde- zas e registrem uma sede! Aproveitem para bai- Figura 4 - Musix: Sistema Operacional 100% livre para música xar distros Livres para oferecer (ou vender cópias) para os participantes. Não esqueça de ticipante como evitar cair nas armadilhas. A baixar e oferecer também os fontes, algumas li- mensagem fica um pouco menos coerente, mas cenças de Software Livre exigem pelo menos a por outro lado vai ter mais tempo pra explicar. oferta deles. Prepare também sua palestra, para ajudar Para os que carregam a bandeira de algu- os iniciantes a começar a usar os sistemas Li- ma distro não inteiramente Livre, procure desco- vres, entrar em contato com as comunidades, e brir o que há de não-Livre na sua distro favorita, aprender a filosofia que nos move. Lembre que para evitar instalar esses componentes no FLI- a instalação do software a gente faz no computa- SOL. Isso fica fácil instalando uma distro Livre dor, mas a liberdade é o usuário que precisa ins- baseada nela: compare as funcionalidades e os talar na própria cabeça, na própria vida. pacotes instalados e disponíveis. Experimente usar a versão Livre por um tempo, para saber ori- entar melhor os participantes em relação às dife- REL: E pros participantes? renças, e até para quebrar mitos que existam a AO: Visitem http://flisol.net, localizem a se- respeito. Se gostar, vá ficando. Aproveite para de mais próxima, e apareçam lá dia 24 de abril! dar uma força pra comunidade da distro Livre! Isso se não quiserem ajudar a organizar. Não Sua familiaridade vai permitir transmitir precisa de Software Livre para ajudar a organi- uma mensagem mais coerente com a do FLI- zar um evento. Levem seus computadores e fa- SOL, na hora de instalar e distribuir software, ça questão que instalem somente Software Livre sem deixar de promover sua distribuição favori- neles, de preferência mais de uma distribuição, ta. Se você gosta do Debian, instale e diga que pra poder conhecer e escolher melhor. Havendo está instalando o gNewSense 3, uma versão Li- dificuldades, peçam dicas para comprar seus vre do Debian. Se lhe agrada o Fedora, vá de próximos computadores. BLAG. Se é fã do Ubuntu, escolha Trisquel, Ve- Mais importante, liberem suas mentes para nenux ou gNewSense 2.3. Para os fãs de conhecer a filosofia de liberdade, solidariedade e Slackware, Kongoni e RMS's Mostly Slax. Do Ar- respeito ao próximo do Movimento Software Li- ch, Parábola. Do Gentoo, UTUTO XS é um des- vre. Assistam às palestras, façam perguntas e cendente distante. Dentro da proposta do mantenham contato. FLISOL, também cabe instalar a distro quase-Li- Sejam bem-vindos à imensa comunidade vre e remover ou substituir os componentes não- de Software Livre da América Latina! Livres por outros Livres, enquanto explica ao par- Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |57
    • DESENVOLVIMENTO · JOOMLA DIVULGAÇÃO Criando Portais Instantâneos Parte 3 Por Relsi Hur Maron Bueno, essa terceira parte demorou um pouco mais para sair. Mas antes tarde do que nunca, espero que me perdoem. Na primeira parte dessa série de artigos aprendemos a fazer a instalação do Joomla com o conteúdo de exemplo. Na segunda parte, co- meçamos a trabalhar com uma instalação do ze- ro e criamos o conteúdo baseado em seções e Figura 1: Instalação Joomla sem conteúdo categorias, essa é uma forma bem fácil de criar um site com o Joomla, mas não é a mais adequa- da, as limitações são bem óbvias, pois a cada pá- formações sobre a banda e outra que conterá gina criada precisaríamos de uma categoria informações sobre o site, sendo assim entramos diferente. no back end do Joomla, clicamos no ícone “Ad- ministrar Seções” e criemos essas duas seções: Nessa terceira parte da série, vamos apren- der a gerir o conteúdo do Joomla através de arti- gos, e é imprescindível que você tenha acompanhado as duas primeiras partes, pois vou partir do princípio que você já está familiari- zado com a criação de Seções e Categorias, bem como a de menus, de forma que não vou me atentar a esses detalhes. Go to work! Figura 2: As seções criadas: Sobre o Site e Sobre a Banda Vamos começar com uma instalação pa- Agora atreladas a essas seções irei criar drão do Joomla, sem conteúdo conforme Figura as categorias, então clicando no Ícone “Adminis- 1. trar Categorias” eu crio as categorias relaciona- A primeira coisa que preciso definir é como das às suas Seções, conforme Figuras 3 e 4. a estrutura do meu site será organizada, eu deci- Com as categorias criadas, chegou a hora di por criar duas Seções, uma que conterá as in- de criar os artigos. Os artigos, no Joomla, são Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |58
    • DESENVOLVIMENTO · JOOMLA ria” isso faz com que o Joomla não vincule esse artigo a qualquer seção, e automaticamente ele define a opção Categorias como “sem catego- ria”, da mesma forma, pois na versão atual do Joomla toda a Categoria tem que estar vincula- da a uma Seção. Feito isso, criamos o conteúdo que queremos para esse nosso artigo no campo Figura 3: Categorias relacionadas a seção Sobre o Site específico, igualmente como foi feito no último tutorial em relação às categorias, eu simples- mente irei adicionar uma imagem ao artigo, mas pode-se inserir qualquer coisa: Figura 4: Categorias relacionadas a seção Sobre a Banda essenciais para a manutenção do conteúdo, é através dos artigos que iremos agregar conteú- do ao nosso site. Diferentemente das Categori- as, os artigos não precisam estar agregados a nenhuma seção específica, e isso é interessan- te quando queremos criar conteúdo que não se- ja exibido nas listagens das categorias, e isso é o que iremos fazer agora, criaremos um artigo que será exibido como página inicial de nosso si- Figura 6: Nosso primeiro artigo sendo exibido na página inicial do site te e não está atrelado a nenhuma categoria espe- cífica: O próximo passo será a criação dos outros No painel do Joomla iremos clicar em “Ad- artigos, porém dessa vez iremos definir categori- ministrar Artigos”, e na página de administração as distintas para cada, por exemplo um artigo de artigos clicaremos em “Novo”: que trate sobre um disco, será colocado na Se- ção Sobre a Banda e na categoria Discografia, um artigo que fale sobre um dos componentes da banda será colocado na categoria Compo- nentes, e assim por diante. Os passo para isso são exatamente iguais ao anterior, apenas pelo fato que que agora ire- mos escolher a Seção e a Categoria a que eles Figura 5: Criação de um novo artigo estarão atrelados, um exemplo seria escrever Primeiramente defina o título de seu artigo. sobre o primeiro disco dos Ramones, acesso o Os passos para a administração de conteúdos painel do Joomla e clico em “Administrar Arti- no Joomla são semelhantes, de forma que é gos”, ou se desejarem ir direto para a criação, bem simples de gerenciar esse CMS. Note que basta clicar no primeiro ícone “Adicionar Novo na opção Seção eu escolhi o valor “sem catego- Artigo”: Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |59
    • DESENVOLVIMENTO · JOOMLA Figura 7: Criando um novo artigo vinculado a uma Seção e a uma categoria conteúdo de exemplo Note que agora eu setei a opção Seção co- mo Sobre a Banda e Categoria como Discogra- fia, como padrão o Joomla deixa a opção “Exibir na Página Principal” setada como “Não”, e é as- Figura 9: Escolhendo os Itens de Menu sim que queremos por enquanto. Bom, irei repetir o mesmo processo com o Aponte cada item para uma categoria espe- resto de conteúdo, sempre escolhendo a seção cífica e salve, o resultado do Main Menu na pági- e a categoria. Feito isso, iremos agora criar uma na inicial será esse: menu que permita ter acesso a esse conteúdo, ou seja, devemos criar os links para as categori- as. Por padrão o Joomla já cria um menu cha- mado de Main Menu, iremos utilizar esse menu para as categorias relacionadas com o site e cria- remos apenas o segundo, para as categorias re- Figura 10: O Menu Sobre o Site com seus dois itens lacionadas a Banda. Esse procedimento já foi feito no artigo anterior da série, mas vamos repe- Note que o nome do menu continua como tí-lo a fim de reforçar o aprendizado. Voltamos Main Menu, iremos arrumar isso logo. Bueno, ao Painel do Joomla e clicamos em administrar agora ao clicar nos links do menu, já temos Menu, haverá um menu com o nome de Main Me- acesso ao conteúdo produzido: nu, vamos editá-lo e mudar seu título para “So- bre o Site”: Figura 11: Ao clicarmos no item do menu, já temos acesso ao conteúdo Figura 8: Editando o Main Menu do artigo Feito isso, vamos agora adicionar dois Bom agora, criaremos um menu que nos itens ao Menu Sobre o Site, são eles: Sobre o Si- dará acesso às categorias relativas aos artigos te e Sobre o Autor, clicando em “itens do menu”, sobre a banda, para isso entre no painel do Jo- escolha a opção Layout de Blog de categoria, re- omla e clique em Administrar Menus, e clique pita o processo para os dois itens: em novo. De o nome de Sobre a Banda a esse menu, e adicione os seguintes Itens de Menu: Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |60
    • DESENVOLVIMENTO · JOOMLA Componentes, Discografia e Sobre a Banda, ao contrário do que foi feito anteriormente dessa vez você escolherá para os Itens de Menu a op- ção “Layout Padrão de Categoria”, pois quere- mos que o conteúdo seja listado, e não exibido: Figura 14: Os dois menus configurados Figura 12: Definindo outro tipo de Item de Menu A criarmos um novo menu, o Joomla Auto- maticamente cria um módulo desse menu, po- rém não o habilita, temos que fazer isso Figura 15: Listagem dos artigos publicados na categoria Discografia manualmente. No menu superior do Joomla, cli- camos em Extensões e em seguida em Adminis- mo. Agora sempre que um artigo for inserido em trar Módulos e podemos ver nosso menu recém qualquer uma das categorias do site, essa lista- criado com uma bolinha vermelha e um xis no gem será atualizada, simples e fácil. meio, basta clicar em cima dela para habilitar o Como eu havia dito nos artigos anteriores, menu: é bem simples e fácil de se trabalhar com o Jo- omla, desde que se faça um planejamento pré- vio de como será a estrutura do site, sendo Figura 13: Habilitando o Menu “Sobre a Banda” assim você pode ter um super portal em apenas algumas horas de trabalho. Percebem que o Menu Main Menu está No próximo artigo iremos aprender como aqui também, então já vamos aproveitar modifi- configurar a exibição do conteúdo para deixar car seu título para “Sobre o Site”. Feito isso, tere- nosso site com uma aparência melhor, bem co- mos agora dois menus na página inicial com mo instalar temas, módulos e componentes. essa aparência, conforme Figura 14. Ao acessar quaisquer um dos itens do me- RELSI HUR MARON é empresário, nu Sobre a Banda, teremos acesso ao conteúdo participa do desenvolvimento do projeto da categoria correspondente ao link clicado, co- B2Stoq (http://b2stok.sourceforge.net/) e colabora com traduções e artigos para a mo no exemplo da Figura 15. comunidade livre; curte Poesia, PHP e interfaces gráficas, não necessariamente Ao clicar no título do Artigo, seremos direci- nessa ordem. onados para a página com o conteúdo do mes- Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |61
    • EMPREGABILIDADE · A SELVA DE DADOS CHAMADA INTERNET A selva de dados chamada Internet Seu futuro profissional pode estar aí Por Jorge Augusto Monteiro Carriça Flavio Takemoto - sxc.hu Pra quem já passou dos gia o mundo todo fala a mes- 40, é muito comum ver uma re- ma língua. Estar “antenado” cusa enorme em se interar com a tecnologia requer um com toda essa tecnologia que pouco de esforço no começo, o mercado coloca à disposi- mas depois que se “pega o jei- ção, porém ela está por toda a to”, a vida fica muito mais fácil parte e por mais que você relu- e divertida. As redes de ami- te, ela vai continuar por ai, to- gos multiplicam-se dia após mando cada vez mais espaço, dia e cada vez mais pessoas e levando a sociedade rumo a tem acesso ao mundo virtual. interação total. Essas redes como Orkut, face- I-pod, I-phone, I-doser, Wi- book, twitter, entre outras, são reless, Wi-fii, Mp10, Touch conhecidas por aproximar pes- Screen, entre outros termos soas e criar um círculo de ami- em inglês são geralmente usa- zade virtual que pode dos e mundialmente aceitos, já facilmente ser transportado pa- que quando se fala em tecnolo- ra o real, então os usuários desse mundo paralelo à nossa Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |62
    • EMPREGABILIDADE · A SELVA DE DADOS CHAMADA INTERNET realidade não usam somente para procurar namorado ou pa- ra publicar as fotos das férias, mas a internet hoje é uma im- portante ferramenta para divul- A melhor dica gação profissional, e aprimoramento, já que é cada para usar a grande rede obtendo vez mais fácil encontrar arti- gos, e-books, e matérias sobre ao máximo que ela oferece, é ser os mais variados assuntos. To- dos “navegam”, então aprenda o mais ético e profissional a utilizar toda essa tecnologia para a auto-promoção, para possível, e sempre ter contato mostrar ao seu círculo de ami- gos ou colegas de trabalho o com pessoas que atuam na que você gosta de fazer, ler, co- mesma área que a sua... mer, e todas as suas preferênci- as de trabalho. Venda sua imagem do jeitinho que você Jorge Augusto Monteiro Carriça quer que os outros o vejam. Muitas chances apare- cem pela internet, as maiores serviço, poema, piada ou qual- quer que seja já que isso não empresas do mundo a um bom quer outra coisa que se espa- é muito bem tolerado na inter- tempo já eliminaram o papel e lha quase que net e acaba virando uma “fofo- só aceitam currículos via inter- automaticamente pela grande ca virtual” que tem grande net, com foto, dados pessoais, rede. repercussão, porém fica grava- resumo das últimas experiênci- do na internet, então é fácil de É claro que com a inter- as de trabalho, e é claro as prin- rastrear e chegar a quem divul- net devem-se tomar alguns cui- cipais habilidades gou a informação indesejada. dados para evitar profissionais, que hoje muitas aborrecimentos, lembre-se que A melhor dica para usar a organizações julgam muito nem todos que sentam atrás grande rede obtendo ao máxi- mais necessário saber traba- do monitor são pessoas de mo que ela oferece, é ser o lhar em grupo do que ter uma boa índole, e não é raro ver na mais ético e profissional possí- faculdade. mídia algum tipo de golpe apli- vel, e sempre ter contato com O maior benefício que o cado pela “net”, mas com cuida- pessoas que atuam na mesma mundo virtual nos proporciona dos simples você pode usufruir área que a sua, sempre indivi- é a gratuidade, escrever, ler ou de todos os benefícios sem ter dualizando seus comentários e publicar algo é geralmente gra- nenhum tipo de problema. Evi- mostrando o diferencial que vo- tuito e tem repercussão mundi- tar colocar dados pessoais co- cê tem a oferecer para o gran- al, isso sem falar nas listas de mo endereço e telefone, de mercado, se você gosta de contatos que são intermináveis jamais publicar fotos ostentan- escrever comece com um blog e mandam milhares de e-mails do jóias ou alto poder aquisiti- divulgando artigos ou comentá- de uma só vez divulgando o vo, nunca fazer comentários rios sobre sua área de atua- que você quiser em tempo re- sobre a vida pessoal de quem ção, isso facilita que pessoas al, seja um produto, promoção, Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |63
    • EMPREGABILIDADE · A SELVA DE DADOS CHAMADA INTERNET Manter-se atualizado não é só questão de necessidade mas também é uma válvula de escape para todo o stress do Manter-se dia a dia, pois a facilidade em conhecer pessoas que tenham atualizado não é só questão de o mesmo perfil que você é mui- to grande. Mas lembre-se sem- necessidade mas também é uma pre de separar o profissional válvula de escape para todo o do pessoal, pois misturar as du- as coisas não é uma boa idéia, stress do dia a dia. na internet todos tem acesso a tudo, então a facilidade de en- contrar dados sobre quem Jorge Augusto Monteiro Carriça quer que seja é muito grande. A informação será o bem mais caro do futuro, quem a de- tiver e souber dominá-la certa- mente terá mais chances de do mesmo ramo identifiquem- capacidade interpretativa, boa sobreviver na selva de dados se com o seu, e possa corres- apresentação, já é uma boa for- chamada internet. ponder-se com você trocando ma de começar, a tendência é o maior número de informa- que logo-logo o youtube seja ções possível, lembre-se que utilizado desta forma, promo- JORGE AUGUSTO MONTEIRO CARRI- no futuro quem detiver o maior vendo vídeo-currículos e apre- ÇA é Administrador número de informações será pri- sentando-os, certamente em de Empresas e Pe- vilegiado. pouco tempo em vez do profissi- rito Judicial - CRA: onal enviar um currículo para a 23.237, Pós Gradu- Tenha sempre em mãos ado em Pericia Ju- (ou no desktop) um currículo empresa ele enviará somente dicial e atualizado e bem redigido, mui- um e-mail com um link que o re- Administração Judi- dicionará a uma página pesso- cial, Pós Graduado tas vezes uma apresentação em Recursos Hu- profissional gravado em CD aju- al com vídeos, artigos, fotos, manos. 30 anos, da muito, pois mostra que a pre- resumo profissional, etc, que Santo Antônio da com certeza será muito melhor Platina - PR. conta- ocupação com sua carreira é to: jamc.adm@hot- uma constante. Não precisa apreciado por quem estiver ava- mail.com. dar uma palestra, mas um ví- liando, pois assim além de mos- deo pequeno demonstrando su- trar dados mostrará também a as habilidades de dicção, capacidade criativa. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |64
    • FORUM · EUA defendem Google e China diz que Estados Unidos faz tempestade... EUA defendem Google e China diz que Estados Unidos faz tempestade em copo d'água Por Yuri Almeida greenj76 - sxc.hu Na edição passada escre- No artigo, para espanto vi um artigo intitulado "Verda- dos militantes pró-Google, de- des inconvenientes sobre a fendi que o Google, neste epi- relação Google x China?", on- sódio, pode ser comparado à de comentei o entrave entre o Hollywood como ferramenta po- Google e a China após uma in- lítica para a construção da ver- vasão a determinadas contas dade norte-americana sobre de e-mail de ativistas contrári- liberdade na Web e difusão do os ao regime do governo chi- american way of life. Desse nês. modo, simbolicamente, uma fa- A minha tese é de que lha de segurança no sistema uma falha e/ou invasão desen- da empresa de letrinhas colori- cadeou uma polêmica diplomáti- das se transforma em uma luta ca entre os dois países. entre o bem (Google e a liber- Obviamente, que tudo perfeita- dade ianque) e o mal (A censu- mente articulado, tal quais os ra do governo chinês), típico inúmeros golpes que os Esta- das Guerras Mundiais. dos Unidos patrocinou mundo Após um mês, novos ele- afora em sua eterna missão de mentos vieram à tona, o que "democratizar" cada ponto do justifica uma atualização do te- planeta, com sua ideologia, é ma. Vamos aos fatos. claro. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |65
    • FORUM · Verdades inconvenientes sobre a relação Google X China? Reação dos Estados Uni- China, mas a todos os gover- tir cerca de US$ 15 milhões dos ou como um departamen- nos que promoverem censura em um programa para promo- to de Estado se transforma na Web. ver a liberdade na internet, prin- em uma vertente de política Porém, isso não é tudo. cipalmente, entre as mulheres. externa do Google Os Estados Unidos tentam tor- Nos corredores da Casa Bran- O Google ameaçou dei- nar o problema de falha de se- ca comenta-se ainda que os xar a China caso a “censura” gurança do Google em um EUA querem ampliar novas fer- na Web fosse revista pelo go- problema a ser resolvido pela ramentas de mídia no Oriente verno chinês. A secretária de comunidade internacional (a Médio e na África. Estado dos EUA, Hillary Clin- Dito isso, volto ao arti- ton, partiu em defesa da em- go e pergunto a você leitor: presa de letrinhas coloridas. quem melhor encarna o es- Hillary disse em entrevista pírito de “promotor da liber- coletiva que os Estados Uni- Hillary dade” na Web do que o dos não mediram esforços Google? Note como o Goo- “diplomáticos, econômicos e Clinton disse em gle se transforma de uma tecnológicos necessários pa- simples empresa para uma ra expandir estas liberdades coletiva a imprensa entidade que incorporou a (na Web)”. que em um mundo emenda 1ª da Constituição dos Estados Unidos, cujo ob- Assim como o presiden- te Bush, que em sua corrida internectado, um jetivo é promover a “liberda- (fracassada) contra o terroris- de” e “defender os cidadãos mo declarou guerra a alguns ataque à rede de dos tiranos cibernéticos”. Es- países do Oriente Médio, sa metamorfose concede classificando-os como Eixo uma nação pode ser (com o aval do Governo dos Estados Unidos) ao Google do Mal, e responsável pelo pânico mundial, a secretária um ataque contra um poder simbólico extraor- dinário ao ponto de questio- de Estado dos EUA comen- todos... nar (ou melhor desafiar) um tou que houve um crescimen- to de ameaças ao livre fluxo Yuri Almeida país. de informação na Web, curio- samente nos países não-ali- Para China, Estados nhados ou não-dependentes Unidos “superestimam” o da política norte-americana, acontecimento como China, Tunísia, Egito, Vi- etnã e Uzbequistão. mesma estratégia foi utilizada De acordo com dados do por Bush na invasão do Afega- governo da China existem “Aqueles que interrom- nistão e Iraque, por exemplo). mais de 380 milhões de usuári- pem o livre fluxo de informa- “Em um mundo interconecta- os, 3,6 milhões de sites e 180 ção em nossa sociedade ou do, um ataque à rede de uma milhões de blogs no país. O co- em qualquer outra represen- nação pode ser um ataque con- mércio eletrônico é permitido tam uma ameaça para nossa tra todos”, disse Hillary em cole- no país, mas existe um forte economia, nosso governo e tiva a imprensa. controle (até censores em sala nossa sociedade civil", disse Hil- de bate-papo) que fiscalizam lary, ressaltando que as críti- E ainda tem mais. Os Es- conteúdos na seara de ques- cas não dizem respeito à tados Unidos pretendem inves- Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |66
    • FORUM · Verdades inconvenientes sobre a relação Google X China? cionamento do centrífugas da sociedade. Pre- governo dos EUA cisa dizer algo mais sobre a são prejudiciais a China? Herbert relação entre os dois países e que A verdade...até agora Marcuse alertava na os Estados Uni- A comunidade internacio- nal não foi sensibilizada com o dos “superesti- década de 70 que a mam” o ocorrido “barulho” que os Estados Uni- dos fez em apoio ao Google. com o Google. cultura do medo e medo "A internet Empresas estrangeiras com atuação na China não manifes- de um ataque externo a chinesa é aberta e a China é o país taram nenhum apoio ao Goo- gle. O Google ameaçou mais qualquer instante, não que testemunha o não deixou o país, o blefe não mais ativo desen- deu certo. A China pede cal- passa de estratégia para volvimento da inter- ma, nega o envolvimento e já net", declarou o a fiscalização e controle porta-voz do Minis- avisou que não mudará sua po- lítica de proteção as “condi- tério de Relações das forças centrífugas Exteriores. “Condi- ções nacionais e tradições culturais” para enriquecer o Go- ções nacionais e da sociedade. tradições cultu- ogle. Yuri Almeida rais” são as justifi- cativas para o Governo Chinês “regular” (termo uti- lizado pelo governo local) a YURI ALMEIDA é jor- tões sociais, política e pornogra- Web. nalista, especialista fia. Para ficar mais fácil o enten- em Jornalismo Con- dimento da vastidão do Hebert Marcuse, sociólo- temporâneo, pesqui- sador do jornalismo controle da Web, o YouTube e go e filósofo alemão, um dos colaborativo e edita o Twitter são bloqueados no mais importante da Escola de o blog herdeirodoca- Frankfurt, alertava na década os.com sobre ciber- país. cultura, novas de 70 que a cultura do medo e tecnologias e jornalis- Em nota oficial, o Ministé- mo. Contato: hdoca- o medo de um ataque externo rio de Relações Exteriores da os@gmail.com / a qualquer instante, não passa- twitter.com/herdeiro- China, disse que as declara- va de estratégia para a fiscaliza- docaos. ções de Hillary Clinton e o posi- ção e controle das forças Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |67
    • SEGURANÇA · PERÍCIA FORENSE COM LINUX FTDK Entendendo um pouco de Forense Digital com a utilização do Linux FTDK Por Patrick Amorim Cleferson Comarela Barbosa - sxc.hu Forense Computacional Sempre imaginamos nos seriados policiais como é coletar evidencias no local de um crime, como pegar relatos de testemunhas, coletar pro- vas como digitais, pegadas próximas ao local do crime, e ficamos a imaginar como seria uma pe- rícia em um computador, por exemplo quando a imprensa anuncia que foi preso mais um grupo de pedófilos repassando imagens pela inter- net,de que maneira é feito tudo isso. Quando o crime passa de ser um crime físico para um virtu- al em sistemas operacionais, é ai que entra a fo- rense computacional que é justamente a aplicação de técnicas investigativas com ferra- mentas que possibilitam a investigação de um sistema suspeito, é quando o investigador con- segue acessar um sistema e aplica seu conheci- Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |68
    • SEGURANÇA · PERÍCIA FORENSE COM LINUX FTDK mento em conjunto com ferramentas existentes putadores, noção sobre psicologia dos atualmente para isso. atacantes e de pessoas que ocultam informa- A Forense Digital pode englobar vários pro- ções pessoais (VARGAS, 2007), seus perfis de cedimentos e metodologias de diversas áreas comportamento, e suas motivações para um ata- distintas como Mineração de dados, Linguística, que ou ocultação de informações. Lógica, Probabilidade, Estatística, Processamen- to Digital de Sinais e Imagens, Criptografia e Re- Encriptação des de Computadores. Processo muito comum para dificultar a A Forense computacional pode ser defini- análise em arquivos encontrados durante uma da como um conjunto de técnicas, comprovadas perícia, pois mesmo que os arquivos sejam en- cientificamente, que são utilizadas para coletar, contrados, o investigador inicialmente não pode- reunir identificar, analisar, correlacionar, exami- rá indicar para que ou qual conteúdo contém nar, analisar e documentar evidências digitais determinado arquivo, os arquivos são comprimi- existentes em um alvo, tendo sido elas armaze- dos em um único, e a única forma que se tem nadas ou transmitidas pelo computador ou por de descobrir o conteúdo é encontrando a cifra computadores a ele conectados (FORENSICWI- para descriptografar. Ou obter de outras formas KI, 2007). essa informação. A encriptação é utilizada nor- O propósito do exame forense é a extra- malmente quando não se deseja que arquivos ção de informações de qualquer vestígio relacio- capturados durante sua transmissão possam nado com o caso investigado, que permita a ser utilizados por outras pessoas. formulação de conclusões sobre algum tipo de in- fração, seja ela direta (em arquivos que estejam livres e sem algum tipo de camuflagem) como imagens, textos, áudio, vídeo, imagens disponibi- lizadas em meios públicos, ou qualquer referên- cia que esteja visível e de fácil acesso, ou informações fechadas (arquivos que tenham si- do protegidos com técnicas anti-forenses, como criptografia, manipulação, ocultação de arquivos em extensões ou inserções de arquivos dentro de outros e camuflados para fins de envio e re- ceptação). Figura 1: Exemplo simples de Criptografia Simétrica (imagem demonstra- O Profissional tiva da aplicação do mesmo método com algoritmos simétricos) Um profissional da área de forense, chama- do normalmente de perito, deve ter qualidades Esteganografia que visem a ética, principalmente em uma área É o uso de técnicas que servem para ocul- onde os requisitos básicos de direito devem im- tar uma informação dentro de arquivos que não perar, esse tipo de profissional deve ter um bom servem para tal fim. É uma camuflagem para in- entendimento de direito, sigilo de privacidade, formação, são textos, áudio, dentro de arquivos além de tudo conhecer os requisitos técnicos de imagem, vídeo, texto, na verdade se aplica a que serão necessários para sua função, como formatos que possam transmitir algum tipo de in- funcionamento de sistemas de arquivos, softwa- formação do transmissor ao receptor de forma res, padrões de comunicação em redes de com- indireta. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |69
    • SEGURANÇA · PERÍCIA FORENSE COM LINUX FTDK Data Hiding É normalmente usado para esconder da- dos em lugares incomuns do sistema operacio- nal em uso, é também muito usado em soma com os métodos já apresentados, e se bem utili- zado podem omitir dados de análises, o uso mais comum é em partições que indicam “espa- ço não alocado” pois muitas vezes são ignora- dos por ferramentas, e em sistemas de arquivos utilizados por sistemas linux e similares indicam que não possuem blocos ruins (bad blocks), po- rém, é possível criar um bloco ruim e fazer uso Figura 2: Exemplo de mensagem escondida em arquivo dwg do dele para omitir informações. AUTOCAD (escondido no código hexadecimal do arquivo) Manuseando As Evidências Self Split Files + Encriptação Assim como muitos processos, na forense Funciona de forma a partir arquivos em inú- aplicada a computação existe também a docu- meras partes e encripta-las a ponto de facilitar o mentação, neste caso ela é de extrema impor- transporte e armazenamento de dados em servi- tância, pois é necessário que itens coletados dores web, mas o que caracteriza este método possuam sua descrição, sendo unicamente iden- é que a partilha do arquivo é feita de forma assi- tificado e descrito em detalhes o seu estado ori- métrica, essas partes são encriptadas separada- ginal, a documentação também exige a mente, e acabam tendo seus atributos de localização do item, data e hora em que foi cole- data/hora alterados para dificultar a correlação tado e identificação da pessoa que foi responsá- das partes. Outra característica que dificulta es- vel por tal item se tipo de pratica é que ela posiciona os arqui- vos em setores considerados “ruins” pelo sistema, mas que na verdade não são. FTDK O FDTK é um sistema operacional que vem de um projeto desenvolvido em software li- Wipe vre, gerado da distribuição Ubuntu-BR ela foi de- Considerada também como uma ferramen- senvolvida por dois alunos da Unisinos, está ta forense, ela entra no contexto de usabilidade, nova distribuição foi elaborada para ajudar na será boa dependendo de que “lado” ela está sen- coleta e análise de dados em perícias computa- do usada, ela simplesmente usa uma técnica de cionais. sobre escrita, ela realiza essa função preenchen- do um determinado arquivo com uma considerá- O principal intuito da criação desta ferra- vel quantidade de conteúdo aleatório e depois menta foi à finalidade de fornecer um sistema desativar suas entradas no sistema, existe a pos- poderoso para a coleta e á análise forense, tan- sibilidade de recuperação de arquivos que pas- to para peritos, quanto a estudantes, esta ferra- sam por esse processo, mas o processo possui menta é bastante ideal para universidades, já um custo muito elevado e piora de acordo com que é totalmente livre com seu código fonte o número de vezes que este processo foi execu- aberto, podendo até mesmo ser auditada. tado. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |70
    • SEGURANÇA · PERÍCIA FORENSE COM LINUX FTDK Figura 3: Tela inicial do Linux FTDK Figura 4: Tela do Adicionar e Remover Aplicações, a mesma do Ubuntu ferramentas, que podem vir de acordo com a Esta distribuição que já está na versão distribuição ou podem ser as de uso em 2.01 possui mais de 100 ferramentas que qualquer distribuição, aqui constam algumas suprem todas as necessidades de uma ferramentas que serão divididas pelas fases de investigação computacional em todas as suas uma análise forense, os exemplos apresentados etapas. A grande facilidade de se trabalhar com das ferramentas são baseadas em sistemas este sistema operacional em Linux é que ele Linux e seus similares. tanto pode ser instalado em uma estação de trabalho, quanto ser rodada em um live-cd, ou Na próxima edição continuamos com o mesmo através de um simples “pen drive” sem assunto. Até lá. necessidade de instalação. Outra grande facilidade de se trabalhar com esse sistema operacional em Linux é que Para mais informações: depois de antigos tabus de que Linux só poderia trabalhar em modo texto, pelo contrário ela Site Oficial FDTK-UbuntuBr possui uma interface muito amigável e http://www.fdtk.com.br estruturada de acordo com cada etapa de uma perícia, uma preocupação dos desenvolvedores é manter sempre o padrão de idioma em português, já foi feito uma página de internet sobre o FDTK Ubuntu-BR e uma Wiki voltada para a ajuda no desenvolvimento e sobre a documentação das ferramentas. PATRICK AMORIM é técnico em eletro- técnica pelo CEFET – AL, graduando em Sistemas de Informações pela Faculdade de Alagoas, Bolsista do Instituto de Tecno- Ferramentas logia em informática e Informação do Es- t Em sistemas Linux, Unix e similares ado de Alagoas na parte de redes de existem diversas ferramentas a serem aplicadas computadores, entusiasta do Linux e parti- cipante do grupo de usuários Linux de Ala- para aplicações na forense computacional, goas desde 2007. algumas vem em forma de pacote de Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |71
    • SYSADMIN - NAMP - NetBSD+Apache+MySQL+PHP NAMP - NetBSD + Apache + MySQL + PHP Por Alan MeC Lacerda Estamos de volta com mais informações Agora fazendo uso dos conhecimentos práticas da administração do NetBSD. Esse adquiridos em nosso ultimo artigo, vamos sistema é bastante estável, por isso podemos instalá-lo: confiar em colocar servidores de produção sob o mesmo sem preocupação alguma. Neste # make && make install breve artigo vamos aprender a instalar e configurar um servidor web com suporte a PHP e MySQL. Apenas para recordar, vamos explicar o Em particular estou usando a mais nova comando acima. Ao utilizarmos o “&&” estamos versão do NetBSD (5.0.1), mas as instruções separando dois comandos (neste caso “make” do artigo servem para outras versões do e “make install”), sendo que o segundo sistema. comando só será executado (só e somente só) se o primeiro comando for bem sucedido. O INSTALANDO O MySQL primeiro comando criar os arquivos para Vamos iniciar a instalação do MySQL por instalação (gera os binários) e o segundo acessar o diretório exato na árvore dos ports. comando coloca os arquivos gerados em seus Caso queira descobrir o caminho use o pkgfind respectivos lugares dentro da árvore de (caso não esteja familiarizado com a gerência diretórios do sistema. de pacotes no NetBSD leia o artigo anterior). CURIOSIDADE: # cd /usr/pkgsrc/databases/mysql5-server/ Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |72
    • SYSADMIN - NAMP - NetBSD+Apache+MySQL+PHP Para saber se o comando anterior foi executado com sucesso # ls -ld /var/mysql/ o Shell lê o valor da variável ? (interrogação). Caso o valor da drwx------ 4 root wheel 512 Dec 3 10:12 /var/mysql/ variável seja igual a zero, o ultimo comando foi executado # chown -R mysql /var/mysql/ com sucesso, caso qualquer outro valor seja encontrado na # ls -ld /var/mysql/ mesma, o shell entenderá que houve um erro na execução do drwx------ 4 mysql wheel 512 Dec 3 10:12 /var/mysql/ ultimo comando. Exemplo: Após isso, tente iniciar o serviço com o comando #ls “mysqld_safe &” novamente. .c shrc .klogin .login .profile .shrc #echo $? Feito isso, agora podemos executar o 0 comando indicado inicialmente: # /usr/pkg/bin/mysql_secure_installation O processo de instalação do MySQL- Server é relativamente demorado, por isso use a paciência que você tem na reserva e aguarde Na execução do comando acima, um pouco. Quando finalizado, execute o responda às perguntas feitas como por seguinte comando: exemplo a senha do usuário root (neste caso o super-usuário do MySQL, não o super-usuário # mysql_install_db do sistema operacional). INSTALANDO O APACHE + PHP Nesta etapa matamos dois coelhos numa Ao final da execução desse comando, leia cajadada só. Temos um pacote chamado ap- as instruções que irão surgir na sua tela. Uma php, que é responsável por instalar das instruções é que usemos o comando simultaneamente o Apache com suporte à “/usr/pkg/bin/mysql_secure_installation” para linguagem PHP. Perfeito isso não é? Então fazer uma configuração mais segura em nosso vamos lá: servidor. Vamos seguir essa instrução, mas para isso temos que iniciar o serviço do # cd /usr/pkgsrc/www/ap-php && make && make MySQL, fazemos isso com o seguinte comando: install # mysqd_safe & Acredito que a linha de comando acima tenha sido claramente entendida, após termos No caso acima o “&” no final do comando feito variantes da mesma linha mais acima. representa que queremos iniciar o serviço e ter Mas... Pelo preço não é?! Vamos explicar: o shell de volta para digitar outros comandos. Estamos executando três comandos sendo que Se você não fizer desta maneira, terá de abrir o segundo depende de o primeiro ter sido um novo terminal, pois o atual fiará indisponível. executado com sucesso e o terceiro de o segundo também ter sido executado com sucesso. Na sequência nós nos deslocamos IMPORTANTE para o diretório do pacote que pretendemos Caso o MySQL não inicie com o comando acima instalar, no segundo comando, criamos os verifique a permissão do diretório /var/mysql/ com o binários, e no terceiro comando, instalamos os comando ls -ld. Caso o dono do diretório não seja o mesmos. usuário mysql altere isso com o comando chown, por exemplo: Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |73
    • SYSADMIN - NAMP - NetBSD+Apache+MySQL+PHP Mais uma vez, só nos resta aguardar a Vamos então criar um arquivo php para conclusão da instalação. Quando ela finalizar, testar se o servidor está funcionando leia a nota que irá aparecer na sua tela. Nela, corretamente. Acompanhe a sequência de você verá as instruções de quais linhas deve comandos: adicionar ao arquivo de configuração do Apache (httpd.conf). Por exemplo, a mensagem # cd /usr/pkg/share/httpd/htdocs informa que para o Apache 2 as seguintes # echo “<?php phpinfo(); ?>” > teste.php linhas devem ser adicionadas: Com os comandos acima, estamos LoadModule php5_module lib/httpd/mod_php5.so acessando o diretório onde os arquivos do site AddHandler application/x-httpd-php .php deve ficar, e logo depois criamos um arquivo chamado “feste.php” com o seguinte conteúdo: Mas como saber qual a versão do Apache <?php phpinfo(); ?> foi instalada? Simples, no sumário final da Se você já conhece a linguagem de instalação (no final da mensagem que aparece programação PHP, já deve ter entendido o indicando as linhas que devem ser copiadas no objetivo desse arquivo. Mas vamos explicar arquivo de configuração) você verá todos os mesmo assim: O arquivo apenas chama uma pacotes instalados (o Apache, o PHP e suas função simples que exibe na página a dependências). configuração do PHP. Vamos ao arquivo de configuração do Para testar, apenas acesse o servidor web Apache para inserir as linhas pertinentes: usando um browser a partir de qualquer estação digitando o endereço IP do servidor, # vi /usr/pkg/etc/httpd/httpd.conf por exemplo: http://192.168.0.102/teste.php Caso a configuração esteja funcionando Localize a primeira aparição do nome corretamente no servidor, deverá aparecer “LoadModule” e insira as novas linhas logo para você uma página parecida com a seguinte: abaixo dela. Afim de o servidor reconhecer o arquivo index.php será necessário inserir mais uma informação nesse arquivo de configuração. Localize a linha que contém “DirectoryIndex” e adicione ao final da linha: “index.php”, agora salve as alterações. Podemos iniciar o servidor web a partir de agora. Para tal, use o comando: # apachectl start IMPORTANTE Caso o serviço não inicie, verifique o log com o comando “ tail /var/log/httpd/error_log”. Um erro bastante comum é a falta do hostname (máquina sem configuração de nome). Em nosso primeiro artigo foi mostrado como configurar o nome do host. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |74
    • SYSADMIN - NAMP - NetBSD+Apache+MySQL+PHP INSTALANDO PHP + MySQL Espero que tenham tirado proveito, e, mais uma Simples como qualquer outra instalação, vez agradeço pela paciência que tiveram até vamos ao pacote que dá suporte do php ao aqui. MySQL. Para acessar o diretório do pacote e instalá-lo digite o seguinte comando: Maiores informações: Site Oficial NetBSD: # cd /usr/pkgsrc/databases/php-mysql/ && make http://www.netbsd.org && make install ALAN MeC LACERDA é formando em Tecnologia de Redes de Computadores. Ao final da instalação, leia a informação Amante de segurança de redes e programação desde a infância. Co-fundador exibida na tela. Lá você verá que é necessário da Célula de software livre da Universidade configurar o PHP para ter acesso à extensão do Jorge Amado. Consultor de Redes e sistemas operacionais há 7 anos. MySQL. A mensagem nos informa onde encontrar o arquivo de configuração do PHP (arquivo php.ini). Vamos seguir as instruções: # vi /usr/pkg/etc/php.ini Nesse arquivo localize a sessão Dynamic Extensions e insira nessa sessão a linha: extension=mysql.so IMPORTANTE As informações exibidas ao final da instalação são de excelente ajuda, por isso NUNCA ignore a leitura dessas mensagens ao final de cada instalação. Reinicie o serviço do Apache para que ele possa reler a configuração do PHP e seu servidor está pronto para receber páginas em PHP que se conectem ao Banco de Dados MySQL. Reiniciando o serviço do Apache: # apachectl restart CONSIDERAÇÕES FINAIS Desta maneira finalizamos a configuração do servidor Web simples. O meu objetivo NÃO é dar uma receita de como configurar o servidor, e sim explicar os fundamentos do que se está fazendo, por isso de tanto comentário, alertas e dicas. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |75
    • GESTÃO DA INFORMAÇÃO · Como a biologia está inspirando a informática Sanja Gjenero - sxc.hu Como a biologia está inspirando a informática Por Hailton David Lemos Em uma competição, onde o homem com- pete consigo mesmo em busca de novas tecno- logias, ele será capaz de dar a uma máquina sua própria inteligência? Será capaz de cons- truir um Cérebro? Será capaz de construir uma máquina que seja capaz de pensar e raciocinar? Através da busca por novas tecnologias, o homem, mesmo antes de construir a maquina de Von Neumann (figura 1), nos primórdios da informática, sonhava em construir um cérebro artificial e assim responder a tais questionamen- tos. A temática de máquinas inteligentes era aliás uma temática muito em voga nos anos qua- renta e cinquenta e que deu origem à área de in- vestigação da inteligência artificial. A inteligência artificial simbólica tem demonstrado muito sucesso em áreas onde é possível cons- truir representações abstractas simplificadas, do mundo real. Como a construção de representa- ções à escala real é difícil, ou impossível, tem si- Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |76
    • GESTÃO DA INFORMAÇÃO · Como a biologia está inspirando a informática Figura 2: Cérebro sistema nervoso e o mais desenvolvido. Nele existem bilhões de neurônios. É ele que nos per- Figura 1: Diagrama da arquitetura de Von Newmann mite, por exemplo, aprender novas informações ou memorizá-las, pois é o centro da inteligência do usada uma abordagem de tipo bottom-up, is- e do aprendizado. Quando vivenciamos alguma to é, construir modelos complexos a partir de sis- situação, alguns neurônios gravam informações, temas simples. A abordagem mais comum é como se estivessem registrando em um cader- usar o mundo animal como referência; em alter- no. Se utilizarmos pouco essas informações, lo- nativa, são também usadas analogias provenien- go elas serão apagadas da memória; caso tes da física e química. contrário, elas são guardadas por mais tempo. Do mundo animal surgiu um conjunto impor- O cérebro coordena ações como a fala, o pensa- tante de modelos, dando mesma origem a uma mento, o movimento, além de perceber e decodi- nova subárea da inteligência artificial denomina- ficar as informações captadas pelos órgãos dos da vida artificial. Que tem como objetivo genéri- sentidos. Outras sensações, como a de dor, tam- co o estudo e reprodução de sistemas artificiais bém são coordenadas pelo cérebro. O cérebro que se comportam da mesma forma que os siste- está dividido em duas partes chamadas hemisfé- mas naturais. Os sistemas artificiais são “povoa- rios. O hemisfério cerebral direito controla algu- dos” por criaturas individuais, e na maioria dos mas atividades específicas, como a criatividade, casos autonomas, que em conjunto demons- as habilidades artísticas e o lado esquerdo do tram um comportamento global, não programa- corpo. O hemisfério esquerdo controla ativida- do. Englobam-se nos modelos de vida artificial des relacionadas ao cálculo, ao raciocínio e o la- os algoritmos genéticos, redes neuroniais, coloni- do direito do corpo. as de formigas, automatos celulares, algoritmos O neurônio (figura 3) é a célula do sistema genéticos. nervoso responsável pela condução do impulso Segundo o Wikcionário, cérebro (figura 2) nervoso. Há cerca de 86 bilhões de neurônios é um órgão do corpo de vários animais, integran- no sistema nervoso humano. O neurônio é cons- te do sistema nervoso; é responsável pelo contro- tituído pelas seguintes partes: corpo celular, on- le de outros órgãos, via impulsos elétricos e de se encontra o núcleo celular, dendrites, pelo raciocínio; é protegido pelo crânio e compos- axônio e telodendrites. O neurônio pode ser con- to por neurônios. O cérebro é o maior órgão do siderado a unidade básica da estrutura do cére- Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |77
    • GESTÃO DA INFORMAÇÃO · Como a biologia está inspirando a informática de respostas sejam extremamente rápidos e os algoritmos tão “inteligentes”, que muitas vezes julgamos que o computador esta pesando, ou pensa por si só, mas mesmo assim ainda não é um cérebro artificial. Apesar de estar distante de conseguir tal façanha, construir um cérebro físico, o homem através de software, especificamente através dos algoritmos, conseguiu criar um modelo que imitasse, mesmo que de maneira muito simplis- Figura 3: Neurônio ta, a estrutura notável e complicada das funções do cérebro. Essa conquista já representa um bro e do sistema nervoso. A membrana exterior passo significativo para se vencer o desafio de de um neurônio toma a forma de vários ramos ex- construir uma máquina com inteligência própria. tensos chamados dendrites, que recebem sinais elétricos de outros neurônios, e de uma estrutu- Estes algoritmos foram batizados, ou fica- ra a que se chama um axônio que envia sinais ram conhecidos, como Redes Neurais Artificiais, elétricos a outros neurônios. O espaço entre a RNA. Os algoritmos neurais são definidos como dendrite de um neurônio e as telodendrites de ou- um grupo interconectado de unidades de proces- tro é o que se chama uma sinapse: os sinais samento da informação cuja funcionalidade é ba- são transportados através das sinapses por seada muito aproximadamente ao neurônio uma variedade de substâncias químicas chama- vivo. Estas unidades “aprendem” ou processam das neurotransmissoras. O córtex cerebral é um a informação adaptando-se a um jogo de testes tecido fino composto essencialmente por uma re- e padrões de treinamento, refletida na força de de de neurônios densamente interligados tal suas conexões. que nenhum neurônio está a mais do que algu- A maneira que uma rede neural vai real- mas sinapses de distância de qualquer outro mente aproximar-se do treinamento para execu- neurônio. Os neurônios recebem continuamente tar uma tarefa é complexa; entretanto, é um impulsos nas sinapses das suas dendrites vin- processo muito mais simples se comparado à bi- dos de milhares de outras células. Os impulsos oquímica da aprendizagem em um cérebro vivo, geram ondas de corrente elétrica, excitatória ou mesmo se comparado, por exemplo, a algo tão inibitória; cada uma num sentido diferente, atra- rudimentar quanto a aprender um som da uma vés do corpo da célula até a uma zona chamada sílaba. à zona de disparo, no começo do axônio. É aí As redes Neurais são úteis para solucionar que as correntes atravessam a membrana celu- os problemas onde não se pode encontrar uma lar para o espaço extracelular e que a diferença solução algorítmica única, mas sim lotes de de voltagem que se forma na membrana determi- exemplos do comportamento que esteja sendo na se o neurônio dispara ou não. procurando. Ou onde precise identificar a estru- Depois desta introdução é possível traçar tura da solução dos dados existentes, ou mais um paralelo: O ser humano tem memória, en- ainda, não precisam ser programado para resol- quanto os computadores têm um “sistema de ar- ver um problema específico, mas se pode mazenamento”, que só pode reproduzir o que “aprender” pelo exemplo. nele for colocado. As Redes Neurais Artificiais foram os pri- Entretanto, com o avanço dos algoritmos e meiros algoritmos de computador que tentou mo- também do hardware, é possível que os tempos delar não somente a organização do cérebro, Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |78
    • GESTÃO DA INFORMAÇÃO · Como a biologia está inspirando a informática mas igualmente sua habilidade de aprender, ba- de outras ciências, assim como as outras ciênci- seado em mudanças fisiológicas na organização as estão se tornando dependentes da informáti- dos caminhos neurais. ca, a cada momento. Pois bem, fica notório que As aplicações de RNA são diversas e to- a Biologia esta realmente inspirando a Informáti- dos os dias aparecem novas aplicações, dentre ca, e vice versa. estas aplicações apresenta-se abaixo uma pe- quena lista das mais usuais: Para mais informações: - Reconhecimento de padrões; - Compressão de imagem; Forbes, Nancy. Imitation of life: how biology is - Previsão da evolução de mercados; inspiring computing / Nancy Forbes - Previsão de séries temporais e/ou espaciais; http://w3.ualg.pt/~lnunes/Pessoal/Disciplinas/Modelacao_ - Medicina, para reconhecimento de patologias; modelos.htm - Sistema bancário; - Robótica, condução de equipamentos; Artigo na Wikipedia sobre a Arquitetura de von - Algoritmos Genéticos. Neumann http://pt.wikipedia.org/wiki/Arquitetura_de_von_Neumann Mesmo sendo encarado por muitos como um pensamento quixotesco, e talvez nós pode- mos nunca alcançar, é notório como a complexi- HAILTON DAVID LEMOS (hailton@ter- ra.com.br) Bacharel em Administração de dade e os mistérios do cérebro quando Empresas, Tecnologo em Internet e Re- decifrados e compreendidos, mesmo que de for- des, Especialista em: Tecnologia da Infor- ma irrisória, inspiram provavelmente muitas idei- mação, Planejamento e Gestão Estratégica, Matemática e Estatistica. Tra- as e novas tecnologias. Igualmente são balha com desenvolvimento de Sistema impressionantes estes algoritmos que já conse- há mais de 20 anos, atualmente desenvol- ve sistemas especialistas voltados à pla- guimos criar, ou transformar através destas des- nejamento estratégico, tomada de cobertas e junção destas ciências. decisão e normas iso, utilizando platafor- ma Java e tecnologia Perl, VBA, OWC, é Como se vê, a informática é dependente membro do GOJAVA (www.gojava.org). Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |79
    • GAMES · LINUX É ALGO CHATO... SERÁ?! Linux é algo chato... Será?! Por Ricardo Pontes DIVULGAÇÃO “Linux é algo chato, voltado só para ad- ministradores de redes e programadores e com uma interface nada amigável.” Está errado quem ainda pensa dessa ma- neira sobre o GNU/Linux, de que ele não é fácil de se mexer, sem interface gráfica, etc. Muitos usuários finais vem abandonando sistemas pro- prietários e adotando o GNU/Linux como seu principal S.O., tanto para lazer como para traba- lho. Jornalistas, designers, músicos ou simples usuários já migraram para o sistema do pinguim devido a facilidade de se mexer e a quantidade de software livre disponível para seus nichos de mercado. Jornalistas estão satisfeitos com a suíte BrOffice.org/OpenOffice.org onde vão de escre- ver artigos até diagramar e mandar para impres- são. Designers tem uma infinidade de softwares para trabalhar, como o GIMP ou Inkscape para edição de fotos e vetores ou mesmo o poderoso e leve Blender 3D para renderizações e afins. Músicos tem desde o simples Tuxguitar para a leitura e reprodução de partituras e tablaturas Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |80
    • GAMES · LINUX É ALGO CHATO... SERÁ?! até o Ardour (esse não tão livre assim), uma esta- instalar rodar diretamente no GNU/Linux. ção digital de áudio similar ao Pro Tools. Enfim, estamos rodeados de softwares ex- FlightGear celentes para as diversas áreas de atuação, to- dos eles sobre alguma licença gratuita e sempre Se você gosta de um simulador de vôo, fáceis de se mexer. Poderia encher diversas pá- uma excelente opção é o FlightGear, com diver- ginas falando de softwares para isso ou aquilo sos cenários pelo mundo e muitas aeronaves pa- mas o ponto em que quero chegar é que além ra se pilotar. O gráfico é considerado bom, boas desses nichos já estarem usando o GNU/Linux, definições de cores e detalhes. Perderá algu- designers de games e os próprios games já co- mas horas jogando ele. meçaram a olhar de outro modo para o pinguim. Temos várias bibliotecas e ferramentas de desenvolvimento gráfico disponíveis pela inter- net à fora. Uma delas é PyGame, um conjunto de módulos em Python que foi projetado para es- crever jogos. Suas funcionalidades se baseiam em cima da biblioteca SDL (Simple DirectMedia Layer ) e tem API de baixo nível, em C. PyGame é altamente portátil e roda em qua- se qualquer plataforma e sistema operacional. Existem outras bibliotecas de desenvolvi- mento para jogos como o Open Scene Graph (OSG) ou o Ioquake3 para os programadores Figura 1: Cena do jogo 'brincarem'. Quem nunca ouviu um gamer dizer “só Hedgewars não migro pra Linux porque gosto de jogar”? Esse é pra quem curte o Worms. É um jo- Pronto, seus problemas se acabaram, pode jo- go muito similar ao Worms e tem gente que o jul- gar tranquilamente em seu sistema livre e custo- gue até melhor. É muito divertido :-) mizável :-). Se você tiver uma máquina boa com um bom processamento gráfico, poderá rodar seus jogos que realmente não estão disponíveis para GNU/Linux sobre o Wine, um emulador para ro- dar programas baseados em Windows. Ou quem sabe, rodá-los em uma máquina virtual dentro do seu Fedora, Ubuntu ou o que seja. Pode também instalar um emulador de con- soles como o Mednafen, que emula o Game- Boy, GameBoy Advance e Color, NES, etc. Mas também não precisa fazer isso sem- pre que quiser se divertir. Com as ferramentas que citei acima, foram criados diversos jogos, desde clássicos até os mais 'moderninhos' para Figura 2: Cena do jogo Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |81
    • GAMES · LINUX É ALGO CHATO... SERÁ?! Tremulous Com uma breve apresentação dos jogos É um game multiplayer com uma das temá- podemos perceber que o mundo dos games es- ticas mais usadas até hoje, Aliens versus Huma- tá embarcando no Software Livre. São muitos jo- nos. Visual que dá pra lembrar o Half-Life 1, gos que estão ai para serem baixados, jogados, com ótimos gráficos. adaptados, modificados, etc. e com boa jogabili- dade e gráficos que não deixam nada a desejar para quem está vindo do mundo do software pro- prietário. Como o próprio Jon 'Maddog' Hall disse uma vez em uma de suas palestras, ele se diver- te mexendo e fazendo adaptações que lhe con- vêm com o software livre. Mas também você não precisa aprender a programar para poder se divertir de qualquer maneira. Basta baixar seu jogo e passar algumas horas do dia esfrian- do a cabeça. Se algum erro for encontrado no jo- go, você mesmo, se souber, pode arrumá-lo ou então reportar para a comunidade que cuida dis- so. Essa é a vantagem do código aberto. Divirta- se. Figura 3: Cena do jogo Frets-on-Fire (FoF) Para saber mais: Para amantes de guitarra, Guitar Hero e vi- Site oficial FlightGear Flight Simulator deogames, você pode se transformar em um http://www.flightgear.org Jimmy Page ou Slash com esse jogo que imita o grandioso Guitar Hero. Você joga com o teclado Site oficial Hedgewars (pode posicioná-lo como uma guitarra mesmo) http://www.hedgewars.org ou com uma guitarra-console USB. Site oficial Tremulous http://www.tremulous.net Site oficial Frets On Fire http://fretsonfire.sourceforge.net RICARDO PONTES é graduando em Análise e Desenvolvimento de Sistemas pelo IBTA Campinas, programador PHP, ativista do Software Livre em geral e usuário GNU/Linux há dois anos, já tendo passado por algumas distribuições. Figura 4: Cena do jogo Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |82
    • JURIS · O destravamento é legal? O destravamento é ilegal? xc.hu o-s Alons énez io Jim Anton Uma análise jurídica da modificação de bens tecnológicos (jailbreaking) Por Walter Aranha Capanema Jorge comprou um telefone celular de mar- ca famosa e, ato contínuo, levou o seu precioso aparelho para ser “destravado“ em uma loja de produtos eletrônicos no Centro do Rio de Janei- ro. Por esse “destravamento”, nosso amigo te- ria a possibilidade de acessar funcionalidades que foram desligadas pela operadora de telefo- nia que lhe vendeu o aparelho, tais como: aces- so à um MP3 player interno, ativação de comunicação por Bluetooth e à linguagem Java. Todavia, tal procedimento é categorica- mente vedado pelos termos do contrato de com- pra do referido telefone. A operadora proíbe qualquer alteração física (no hardware) ou lógi- ca (no software), conduta que poderá ensejar, como penalidade, a imposição de significativa multa. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |83
    • JURIS · O destravamento é legal? ca e jurídica do indivíduo nas relações que envolvam direito do consumidor1. Deve-se afirmar que E, nessas relações con- sumeristas, que são todas não existe qualquer lei brasileira aquelas em que os indivíduos adquirem produtos e serviços que proíba o consumidor de para o seu consumo, não se poderá ter contrato que prejudi- realizar alterações em um bem de que ou onere demasiadamen- te a parte mais frágil sua propriedade. (consumidor), tendo como efei- to a declaração de nulidade de Walter Capanema tais cláusulas, que perderão o seu valor. Questiona-se se não é Essa pequena estória ilustra uma situação uma prática abusiva vender um bem tecnológi- que ocorre costumeiramente no mundo, e que co, geralmente complexo, limitando as suas fun- vem crescendo cada vez mais no nosso País, a cionalidades, para impedir que o consumidor medida em que os bens de consumo tecnológi- tenha pleno uso. cos são tornados populares, seja pela concorrên- cia comercial, seja pela diminuição na carga A resposta é afirmativa. Tal conduta visa tributária. fornecer ao consumidor, posteriormente, e medi- ante pagamento, formas “legítimas” de correção A despeito dessa massificação do “destra- dessa “deficiência tecnológica”. vamento”, essa conduta ainda não foi analisada pelos doutrinadores do Direito brasileiro, razão Para ilustrar esse exemplo, cita-se um ca- pela qual se arrisca a apreciar esse fato jurídico so retirado da jurisprudência do Tribunal de Jus- e, assim, ajudar outros operadores do direito e tiça do Estado do Rio de Janeiro, em que um também à população em geral. consumidor, ao comprar um telefone celular de determinada marca, descobriu que a função Blu- Deve-se afirmar que não existe qualquer etooth estava bloqueada. Para o TJRJ, se trata- lei brasileira que proíba o consumidor de reali- va de vício do produto, a permitir a condenação zar alterações em um bem de sua propriedade. em danos materiais e morais do fornecedor do Nosso regime democrático adota o princípio da aparelho2. legalidade, previsto expressamente no art. 5°, II, CF, pelo qual “ninguém será obrigado a fazer ou Mas porque uma empresa limita as funcio- deixar de fazer alguma coisa senão em virtude nalidades de seu produto? Não seria um contra- de lei”, ou seja, todo dever deve surgir de uma senso fazer publicidade de suas maravilhas e, norma prevista em uma lei. ao mesmo tempo, retirar utilidades? Um desdobramento da regra acima está A princípio, tal atitude parece paradoxal, nos contratos, que permitem impor deveres, direi- mas está fundamentada em um motivo: o lucro. tos e obrigações entre as partes, mas com limi- Ao bloquear a funcionalidade, o fornecedor po- tes criteriosos, baseando-se na segurança derá oferecer, simultaneamente ou posterior à jurídica, na boa-fé, nos bons costumes, e, princi- compra, o serviço, obviamente oneroso, de des- palmente, respeitar a hipossuficiência econômi- travamento da funcionalidade. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |84
    • JURIS · O destravamento é legal? Tal situação também ocor- re com o iPhone, em que a Ap- ple impede que o usuário instale programas que não es- tejam na iTunes App Store. En- O destravamento nada quanto que um proprietário de iPod pode abastecê-lo com mú- mais é do que o direito atribuído sicas de qualquer lugar, aquele pobre consumidor está restrito ao proprietário/consumidor de às opções do fabricante, que escolhe e aprova todos o retirar, por meio físico ou lógico as software disponível na loja vir- restrições abusivas impostas pelo tual, alegando, para isso, ra- zões de segurança, para fornecedor, e que lhe impede a controlar a qualidade dos pro- dutos disponibilizados. plena utilização do bem. Uma vez demonstrada a Walter Capanema arbitrariedade e a abusividade da conduta de bloquear bens tecnológicos, passa-se, assim, a fundamentar a legalidade do da conduta aqui 2 e XBOX 360 são ilegais, pois o que se visa analisada. aqui é a possibilidade de rodar jogos piratas. O destravamento nada mais é do que o di- E quanto ao fundamento jurídico para tal reito atribuído ao proprietário/consumidor de reti- argumento, em que se defende a legalidade do rar, por meio físico ou lógico as restrições destravamento? abusivas impostas pelo fornecedor, e que lhe im- A Constituição Federal, em seu art. 5°, pede a plena utilização do bem. XXII, garante o direito de propriedade, e o Códi- Mas não é qualquer destravamento que se- go Civil, em consonância com essa regra, deter- ria permitido. Só aquele que visar a plena utiliza- mina que: ção do aparelho e que não importe, assim, no cometimento de crimes. “Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de Assim, por exemplo, se desbloquear uma usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de rea- vê-la do poder de quem quer que injustamente a função oculta de seu telefone celular, que permi- possua ou detenha. te a escuta clandestina de ligações telefônicas de terceiros, haveria, assim, ilegalidade nesse § 1o O direito de propriedade deve ser exercido desbloqueio. em consonância com as suas finalidades econô- micas e sociais e de modo que sejam preserva- Além disso, não se pode falar em desblo- dos, de conformidade com o estabelecido em lei queio legítimo, nos termos do conceito apresen- especial, a flora, a fauna, as belezas naturais, o tando, quando o objetivo não for de ativar uma equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e ar- tístico, bem como evitada a poluição do ar e das funcionalidade, mas de contornar a segurança águas” ou a proteção intelectual do produto. Por essa razão, vê-se que os populares Se o proprietário tem a faculdade (leia-se o “desbloqueios” e destravamentos de Playstation direito) de usar, gozar e dispor da coisa, tal direi- Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |85
    • JURIS · O destravamento é legal? Referências: Se o proprietário tem 1 Segundo o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90), a faculdade (leia-se o direito) de uma relação de consumo é aquela em que estão presentes, usar, gozar e dipor da coisa, tal simultaneamente, duas figuras: o consumidor e o fornecedor, direito não pode ser limitado de conceituados em seus artigos 2° forma arbitrária e potestativa por e 3°: “Art. 2° Consumidor é toda terceiro. pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou Walter Capanema serviço como destinatário final. Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de to não pode ser limitado de forma arbitrária e po- pessoas, ainda que indetermináveis, que haja testativa por terceiro. Salvo o Poder Judiciário e intervindo nas relações de consumo. a Administração Pública, em hipóteses de uso Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou abusivo, só o proprietário é quem pode estabele- jurídica, pública ou privada, nacional ou cer limitações, se quiser, ao seu bem. estrangeira, bem como os entes E, diante do manifesto abuso da restrição despersonalizados, que desenvolvem atividade imposta pelo fornecedor, o Código de Defesa do de produção, montagem, criação, construção, Consumidor apresenta sólidos fundamentos a fa- transformação, importação, exportação, vor do destravamento. distribuição ou comercialização de produtos ou O seu art. 6°, IV estabelece o direito de pro- prestação de serviços”. teção do consumidor contra “métodos comerci- ais coercitivos ou desleais, bem como contra 2 TJRJ. Processo n° 2009.001.08736. DES. práticas e cláusulas abusivas ou impostas no for- CAETANO FONSECA COSTA - Julgamento: necimento de produtos e serviços”. 08/04/2009 - SETIMA CAMARA CIVEL Já o art. 51, IV da mesma lei declara que são nulas as cláusulas contratuais que “estabele- çam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa- fé ou a eqüidade”. Portanto, o destravamento, quando visar a WALTER CAPANEMA é professor da plena utilização de um bem tecnológico em que Escola da Magistratura do Estado do Rio de suas funcionalidades foram abusivamente limita- Janeiro – EMERJ (Brasil). Formado pela das pelo fornecedor e, principalmente, não confi- Universidade Santa Úrsula - USU. Advogado no Estado do Rio de Janeiro. Email: gure ilícito penal, é uma conduta lícita e constitui waltercapanema@globo.com uma defesa do consumidor em sua condição de hipossuficiência. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |86
    • PROJETO · RECICLAGEM DIGITAL Transformando o lixo eletrônico em inclusão digital Por Ana Paula Gomes Nas últimas décadas a tecnologia tem evo- luído bastante. A cada dia são apresentadas no- vas tendências, aparelhos e serviços para simplificar o trabalho humano com o uso do computador. Segundo o Greenpeace, são gera- dos entre 20 e 50 milhões de toneladas de lixo eletrônico no mundo. Por ser raro o recolhimen- to destas peças pelos fabricantes e por iniciati- vas governamentais, os usuários acabam jogando o lixo eletrônico junto com o lixo resi- dencial, ação que prejudica o meio ambiente e também a população que vive próxima a ater- ros sanitários. O Projeto Reciclagem Digital é uma iniciati- va voluntária que quer ajudar no reaproveita- mento do lixo gerado pela tecnologia e na Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |87
    • PROJETO · RECICLAGEM DIGITAL área de tecnologia. Os requisitos para ser um voluntário é compromisso e responsabilidade, aliados a vontade de aprender e de ensinar e disponibilidade de quatro horas semanais. Você pode conhecer os voluntários do Reciclagem Di- gital no site www.reciclagemdigital.org. Doações No Reciclagem Digital empresas e pesso- as físicas podem realizar doações. Após rece- ber o material é realizada uma triagem para separar o que está funcionando do que não es- tá. O processo de triagem por muitas vezes é Figura 1 - Projeto Reciclagem Digital demorado, pois as doações na maioria das ve- zes é de computadores antigos e que necessi- conscientização sobre o lixo eletrônico. A partir tam de periféricos compatíveis. A doação não do material que recebemos e reaproveitamos é precisa ser necessariamente de lixo eletrônico; verificado as instituições voluntárias que estão pode ser também a prestação de um serviço. To- precisando de máquinas e/ou ajuda com a manu- dos os colaboradores e parceiros estão disponí- tenção de seus computadores. O que não conse- veis no nosso site. guimos reaproveitar direcionamos para o artesanato. Objetivos Origem Atualmente o projeto Reciclagem Digital es- tá em processo de fundação de uma associa- A ideia do Reciclagem Digital nasceu de ção, auxiliados pelo consultor Anacleon um projeto de conclusão do curso técnico em In- Barbosa. Após conclusão desta etapa, nosso ob- formática, apresentado por Ana Paula Gomes, jetivo é conseguir um espaço maior para recebi- na Feira de Santana na Bahia. Após apresenta- mento das doações, ministração de cursos ção, muitos alunos do curso demonstraram inte- gratuitos e reciclagem das peças que não foram resse em fazer o projeto acontecer. No dia 4 de reaproveitadas, além do museu do computador outubro de 2008 foi fundado o projeto Recicla- Reciclagem Digital. gem Digital. Atualmente nossa sede funciona em uma oficina improvisada na casa da voluntá- Mais informações sobre o Reciclagem Digi- ria Jamilly Correia, que cedeu gentilmente o es- tal podem ser encontradas no nosso site paço para colocarmos as máquinas doadas e www.reciclagemdigital.org ou através do email trabalharmos no reaproveitamento. contato@reciclagemdigital.org. Voluntariado ANA PAULA GOMES é atualmente é coordenadora do projeto Reciclagem Todo o trabalho no projeto Reciclagem Digi- Digital, gerente de Qualidade na Total Informática e bacharelanda em Análise de tal é totalmente voluntário. Sem a presença e o Sistemas, pela Universidade do Estado da empenho dos voluntários o Reciclagem Digital Bahia. com certeza não existiria. Qualquer pessoa po- de ser um voluntário, independente de ser da Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |88
    • EDUCAÇÃO · EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E SOFTWARE LIVRE DIVULGAÇÃO Educação a Distância e Software Livre Por Antônio Augusto Mazzi Sem dúvida alguma a educação a distân- cia, mais conhecida como EAD, é uma realidade em diversas instituições de ensino, públicas e privadas. Entre as várias modalidades de EAD, des- taco uma não muito nova, mas que muda a for- ma aprendizado do aluno. A graduação tradicional, na qual os alunos tem todo o conteúdo ministrado presencialmen- te não é mais adota em algumas faculdades. Ho- je é adicionado ao ensino tradicional o ensina a distância em parte da carga horária do curso. Funciona assim, de segunda a quinta-feira os alunos tem aulas tradicionais, com o profes- sor presente e ministrando o conteúdo normal- mente, na sexta-feira é adota o ensino a distância utilizando principalmente a internet e softwares apropriados para promover o aprendi- zado. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |89
    • EDUCAÇÃO · EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E SOFTWARE LIVRE Afinal, quem nunca fez um curso a distân- cia, seja ele semi-presencial ou totalmente pela Internet?! Para mais informações: Site Oficial do Moodle: http://www.moodle.org Artigo na Wikipédia sobre Educação a Distância http://pt.wikipedia.org/wiki/Ead Figura 1: Ambiente Moodle do Centro Paulo Souza O ensino a distância não é realidade ape- nas para os alunos, os professores e funcionári- Mas o que é esse tal de Moodle? os podem se reciclar através de ambientes colaborativos e dinâmicos. O professor não preci- O "Modular Object-Oriented Dynamic Learning Environment sa mais se locomover para realizar algum curso (Moodle)" é um software livre, de apoio à aprendizagem, ou fazer alguma capacitação, basta ter um com- executado num ambiente virtual. Foi criado em 2001 pelo putador com conexão a internet. educador e cientista computacional Martin Dougiamas. Constitui- se em um sistema de administração de atividades educacionais A capacitação de professores e funcionári- destinado à criação de comunidades on-line, em ambientes os através do EAD, já é realizada no Centro Pau- virtuais voltados para a aprendizagem colaborativa. Permite, de la Souza, instituição responsável em administrar maneira simplificada, a um estudante ou a um professor integrar- 179 Escolas Técnicas (Etecs) e 49 Faculdades se, estudando ou lecionando, num curso on-line à sua escolha. O de Tecnologia (Fatecs) do estado de São Paulo. programa é gratuito, disponível sob a licença GNU-GPL e pode ser Para isso foi criado um ambiente colaborati- instalado em diversos ambientes (Unix, Linux, Windows, Mac OS) vo utilizando o software livre chamado moodle. desde que os mesmos consigam executar a linguagem PHP. O objetivo desse ambiente é proporcionar a inte- Como base de dados podem ser utilizados MySQL, PostgreSQL, gração do corpo docente, possibilitando a troca Oracle, Access, Interbase ou qualquer outra acessível via ODBC. de experiência. É desenvolvido colaborativamente por uma comunidade virtual, que reune programadores e desenvolvedores de software livre, O moodle pode ser instalado em diversos administradores de sistemas, professores, designers e usuários de ambientes (Windows, Linux, Mac, etc) e é desen- todo o mundo. Encontra-se disponível em diversos idiomas, volvido em PHP de forma colaborativa por uma inclusive em português. comunidade que reúne programados e desenvol- vedores de softwares livre. Com certeza essa forma de aprender é váli- da; A forma tradicional não é mais suficiente pa- ANTÔNIO AUGUSTO MAZZI ra preparar os alunos para o mercado de (gutomazzi@gmail.com) é graduado em trabalho, principalmente na área de tecnologia. Tecnólogo em Informática, pós-graduado em Administração em Sistemas de O aluno precisa conhecer outras formas e meios Informação pela UFLA. Atualmente é de aprendizados e a educação a distância é a for- professor de nível técnico do Centro Paula Souza do curso de informática e membro ma mais comum de se manter atualizado. da equipe responsável pelos laboratórios e servidores da Etec. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |90
    • EVENTO · DFD - Document Freedom Day - Dia da Liberdade dos Documentos 31 de Março de 2010 Usando padrões abertos, quem guarda, tem! Por Fernanda G Weiden Quando você clica em "Salvar" um docu- mento em seu computador, você se pergunta se vai conseguir acessar este mesmo documento daqui há 5 anos? E daqui há 10 anos? A maioria das pessoas não pensa nisso, mas nós quere- mos que a resposta seja "sim, eu posso ler meus documentos salvos há 10 anos". A única maneira de termos certeza que is- so vai acontecer é nos assegurarmos de sempre salvarmos nossos documentos usando padrões abertos. Com isso, independente de se a empre- sa que fornece seu processador de texto falir, ou mudar de campo, ou descontinuar o softwa- re, você ainda pode implementar, ou comprar ou- tro processador de texto que implemente o mesmo padrão. Parece simples, porém alguns dos proces- sadores de textos mais utilizados no mundo to- do não respeita esse direito: o seu direito de acessar informação que lhe pertence, sem que seja necessário manter uma relação comer- cial com a empresa que lhe vendeu o software inicialmente. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |91
    • EVENTO · DFD - Document Freedom Day - Dia da Liberdade dos Documentos Este problema vai além dos processadores Interessado em participar? Quer saber de texto, e também inclui vídeos, arquivos de áu- mais sobre o assunto? Então visite dio, planilhas eletrônicas, fotos. Qualquer forma http://www.documentfreedom.org. de armazenamento de informações. Imagine não poder mostrar aquele álbum de fotografias para seus netos, porque o formato que as ima- gens foram salvas era proprietário e foi desconti- nuado? Nós queremos evitar que isso aconteça. Para mais informações: Por este motivo, pelo terceiro ano consecuti- Site oficial Document Freedom Day vo estamos comemorando o Dia da Liberdade http://www.documentfreedom.org dos Documentos, marcado para o dia 31 de mar- ço. Este é um evento mundial com foco em pa- Grupo do DFD no LinkedIn drões abertos, com a finalidade de popularizar o http://ur1.ca/nehm assunto, e manter as discussões sobre padrões abertos ativa em nossa comunidade. Grupo do DFD no Identi.ca Defendemos o seu direito de acesso as in- http://identi.ca/group/dfd formações que lhe pertencem, independente de quanto tempo faz que a informação foi salva. Durante todo o mês de março haverão ativi- dades, lançamento de artigos e pequenas com- petições com distribuição de prêmios para os envolvidos na campanha. Existem várias maneiras de contribuir com a campanha: * Inscreva seu grupo como organizador de uma atividade no dia 31 de março. * Coloque um banner da campanha no seu sítio ou blog. * Entre no nosso sítio e dê uma pequena contri- buição financeira para a campanha. * Re-distribua nossos posts em suas ferramen- FERNANDA G WEIDEN é vice-presidente tas de microblogging. da Free Software Foundation Europa, e * Escreva em seu blog sobre padrões abertos e responsável pela campanha Dia da o Dia da Liberdade dos Documentos, inclua Liberdade dos Documentos 2010. É membro do Comitê de Programa do Fórum links para o site da campanha e distribua seus ar- Internacional Software Livre (fisl). Ela tigos as tags #dfd2010 e !dfd. trabalha como Site Reliability Engineer para o Google em Zurique, na Suíça. Simultaneamente diversas cidades em todo o mundo! www.documentfreedom.org Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |92
    • EVENTO · Relato do Ekaaty DAY + KDE Party + Comunidades SL - SALVADOR/BA Ekaaty day + KDE party + Comunidades Software Livre Por Otávio Gonçalves de Santana Notícias recentes do mundo da tecnologia, de formas distintas, falam sobre o Linux e sobre o software livre trazendo à tona uma série de possibilidades para um futuro que, em se tratan- do de informática, é agora. A ideia de uma socie- dade baseada em colaboração, códigos abertos e melhoria em comunidade está cada vez mais forte e presente em nossas vidas. Por esses mo- tivos as comunidades de software livre presen- tes na Bahia organizaram o KDE 4.4 Release Party. As KDE Release Parties são um tradicio- nal evento realizado no momento do lançamento das versões do KDE, geralmente a cada 6 me- ses. Na ocasião, apresenta-se as novidades mais recentes, o que podemos esperar das pró- ximas versões e, é claro, muita diversão para co- memorar. Neste primeiro semestre de 2010, além do KDE 4.4 Release Party houve a de- monstração das principais linguagens de progra- mação e tendências no desenvolvimento de programas - Java, PHP, Ruby on Rails, Manifes- to Ágil, entre outros - exibição da ferramenta Net- Beans, interface para desenvolvimento para diversas linguagens de programação, além do lançamento do Ekaaty 4 Linux, uma distribuição brasileira. Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |93
    • EVENTO · Relato do Ekaaty DAY + KDE Party + Comunidades SL - SALVADOR/BA Figura 1: Fila durante a inscrição Figura 2: Participantes durante palestra O evento foi subdivido em dois grupos: pe- diferencial em relação a outras distribuições é la manhã as linguagens livres (Java, PHP, Ruby que foi planejado para ser um sistema que aten- on Rails, Agile) palestraram e à tarde houve a da às necessidades específicas de usuários bra- apresentação do KDE Party e o lançamento do sileiros. No Ekaaty, o usuário poderá entrar em Ekaaty Day. Com cerca de 80 participantes, to- contato com os desenvolvedores, seja para re- dos elogiaram muito o evento, que distribuiu mídi- portar bugs ou solicitar recursos em sua língua as do Ekaaty 4 e do NetBeans. nativa de maneira direta, pois o projeto tem seu O KDE é uma equipe internacional de de- foco na interação com a comunidade. A distribui- senvolvimento de software livre para computado- ção é otimizada para o uso em desktops e pre- res pessoais e dispositivos portáteis. Entre seus parada para uso em laptops, tanto em casa principais produtos destacam-se: ambiente desk- quanto no trabalho - um ambiente de trabalho top e uma plataforma de desenvolvimento de apli- moderno e fácil de usar, editores de textos, pla- cativos modernos presentes na maioria dos nilhas, navegador Web, suíte Groupware, men- sistemas operacionais existentes - tais como o Li- sageiro eletrônico e muito mais. Por tudo isso, é nux (em cerca de 46 distribuições), BSD, Sola- indicado para estudantes, pequenas empresas ris, Windows e Mac OS X -, suítes de escritório e entusiastas de Linux. e comunicação pessoal completas e centenas Para mais informações: de aplicativos em muitas categorias, incluindo re- des e Internet, manipulação gráfica, multimídia, Site oficial Ekaaty acessibilidade, jogos, educação e ferramentas http://www.ekaaty.org de desenvolvimento. Com 13 anos de história, o KDE é atualmente traduzido para mais de 50 idio- Site oficial KDE mas e conta com cerca de 2 mil contribuidores http://www.kde.org ao redor do mundo, realizando mais de onze mil commits por mês, em um repositório que conta OTÁVIO GONÇALVES DE SANTANA é hoje com cerca de quatro milhões de linhas de Graduando em Engenharia de Computação e Líder da célula de Desenvolvimento da Fa- código. culdade Area1, Desenvolvedor em Solução Open Source, membro da equipe Ekaaty Li- O projeto Ekaaty é uma distribuição GNU/Li- nux. Profile no OSUM: nux, livre, robusta, segura e amigável, desenvol- http://osum.sun.com/profile/OtavioGoncal- vesdeSantana vida em conjunto com a comunidade. Seu Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |94
    • QUADRINHOS QUADRINHOS Por Wesley Samp e Wallisson Narciso OS LEVADOS DA BRECA http://www.OSLEVADOSDABRECA.com NANQUIM2 Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |95
    • AGENDA · O QUE TÁ ROLANDO NO MUNDO DE TI AGENDA MARÇO Evento: Web Expo Fórum 2010 Evento: DFD - Document Free- Data: 17 a 19/03/2010 dom Day 2010 Evento: II Seminário de Cloud Local: São Paulo/SP Data: 31/03/2010 Computing Local: Simultaneamente em diver- Data: 02/03/2010 Evento: CNASI – Congresso sas cidades do mundo Local: São Paulo/SP Latino-Americano de Auditoria de TI, Segurança da Informação Evento: II Encontro Livre e Governança Data: 10 a 12/03/2010 Data: 23/03/2010 Local: Recife/PE Local: Rio de Janeiro/RJ Quer seu evento de tecnologia divulgado Evento: Conferência Internacio- Evento: Seminário de Gestão aqui?! nal sobre Redes Sociais de Serviços de Terceirização Então entre em contato Data: 11 a 13/03/2010 em TI conosco através do Local: Recife/PE Data: 25/03/2010 contato@espiritolivre.org. Local: São Paulo/SP ENTRE ASPAS · CITAÇÕES E OUTRAS FRASES CÉLEBRES SOBRE TECNOLOGIA Combata funcionalidades... a única forma de fazer software seguro, confiável e rápido é faze- lo pequeno. Andrew Stuart "Andy" Tanenbaum, é o chefe do Departamento de sistemas de computação, na Universidade Vrije, Amsterdã. É o criador do Minix. Fonte: Wikiquote - Andrew Stuart Tanenbaum Revista Espírito Livre | Fevereiro 2010 | http://revista.espiritolivre.org |96