Universidade de AveiroMestrado Comunicação e Educação em Ciência Temas da Actualidade I – Geologia Marinha            MUDA...
ÍNDICEPARTE IINTRODUÇÃO ………………………………………………...……………..………..3REGISTOS SEDIMENTARES ……………………………………………….………..5Sedimentação nas ...
PARTE I                                                                     INTRODUÇÃOFoi a Teoria da Tectónica de Placas ...
É possível ver o fundo do mar directamente a partir de um submarino, pioneiramenteusado pelo conhecido francês Jacques- Yv...
REGISTOS SEDIMENTARESEm quase todos os sítios onde os oceanógrafos pesquisam no mar, eles encontram ummanto de sedimentos....
•   Sedimentação em águas profundasLonge das margens continentais, grãos finos de partículas resultantes de precipitaçãobi...
cursos e formam vales em planos costeiros que passaram a estar expostos. Quando onível do mar aumenta, as cheias nas zonas...
SISTEMA CLIMÁTICO   •   ComponentesA maioria dos autores identifica a seguintes componentes incluídas no sistemaclimático:...
glaciares. No último ciclo glaciar, há cerca de 18000 anos, o nível do mar era 130 maisbaixo do que é hoje e o volume da c...
atmosfera sobre as causas exactas desses eventos. No entanto, parece certo que vamospoder aprender mais sobre a relação en...
Existe ainda evidências de que a diminuição dos níveis de carbono na atmosferaterrestre diminui os efeitos de estufa, assi...
1000 anos que antecederam o século XX: 1) houve um arrefecimento irregular, masconstante, de cerca de 0,2ºC naquele interv...
globo) cobre imensas regiões de altas altitudes desde a Sibéria ao Canadá, cujo subsoloestá sempre gelado, pois o Verão nã...
PARTE II                            COMUNICAÇÃO DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICASUm assunto que surgiu ao escrevermos este trabalh...
é só em Portugal que as questões económicas têm peso nas opções do dia-a-dia e, sendoassim, a predisposição de aceitar med...
•   Desconhecimento de qual o impacto que as acções humanas futuras terão neste       problemaO facto de haver incertezas ...
Então qual o caminho a seguir para uma comunicação eficaz?É necessário tornar este problema pessoal, que diga respeito a c...
BIBLIOGRAFIABord. R. 1998. Public perceptions of global warming: United States and internationalperspectives. Acedido em 1...
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MudançAs Climaticas E ComunicaçãO

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MudançAs Climaticas E ComunicaçãO

  1. 1. Universidade de AveiroMestrado Comunicação e Educação em Ciência Temas da Actualidade I – Geologia Marinha MUDANÇAS CLIMÁTICAS GLOBAIS A PALAVRA da HIDROSFERA E A COMUNICAÇÃO Filipa M. Ribeiro Rita Portela Dezembro de 2006
  2. 2. ÍNDICEPARTE IINTRODUÇÃO ………………………………………………...……………..………..3REGISTOS SEDIMENTARES ……………………………………………….………..5Sedimentação nas margens continentais ……………………………………..……...….5Sedimentação em águas profundas……………………………………………..……….6A ALTERAÇÃO DO NÍVEL DO MAR COMO MEDIDA DOAQUECIMENTO GLOBAL …………………………………………………………....6SISTEMA CLIMÁTICO ………………………………………………………………..8Componentes…………………………………………………………………………….8O papel da criosfera ……………………………………………………………………..8O REGISTO DAS GLACIAÇÕES ANTIGAS ………………………………...……..10A MARCA DO HOMEM NO AQUECIMENTO GLOBAL DO SÉCULO XX ……..11PARTE IICOMUNICAÇÃO DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS ………………………….....14Qual o grau de conhecimento, preocupação, percepção do risco edisposição de alterar comportamento? ………………………………………………...14Porque é tão difícil a comunicação das alterações climáticas econsequente alteração de comportamentos? …………………………………………...15Então qual o caminho a seguir para uma comunicação eficaz? ………………………..17BIBLIOGRAFIA……………………………………………………………………….18 2
  3. 3. PARTE I INTRODUÇÃOFoi a Teoria da Tectónica de Placas que nos facultou um entendimento básico dasdiferenças entre a geologia continental e a geologia marinha. No mar não existem osmesmos tipos de montanhas que existe em terra. Além disso, os fenómenos climáticos ede erosão são muito menos importantes nos oceanos do que em terra, pois naqueles nãoexistem processos de fragmentação eficientes, tais como o congelamento ou o degelo,nem existem os grandes agentes erosivos, tais como os rios. As correntes em águasprofundas podem erodir e transportar sedimentos, mas não mais que isso.Assim, porque a deformação das placas tectónicas, os efeitos do clima e a erosão sãomínimos nos fundos marinhos, são processos como o vulcanismo e a sedimentação quedominam o grosso da geologia marinha.As chamadas cristas oceânicas são formadas por vulcanismo e o resto do fundo marinhoé formado por sedimentação. Esta, a grande profundidade, acontece de forma maiscontínua do que nos continentes e, por isso, preserva em melhores condições registos deeventos geológicos, tais como, por exemplo, uma história mais detalhada das mudançasclimáticas na Terra.Todavia, estes registos são limitados no tempo, pois a subducção está continuamente a“engolir” as placas oceânicas, destruindo os sedimentos oceânicos por metamorfismo edegelo. Em média, são precisas apenas algumas dezenas de milhões de anos para queuma crosta criada numa crista oceânica se espalhar ao longo do oceano até entrar numazona de subducção.É extremamente difícil mapear os fundos oceânicos devido à ausência total de luz.Aliás, curiosamente é possível obter com maior precisão imagens do nebuloso planetaVénus do que dos fundos marinhos. 3
  4. 4. É possível ver o fundo do mar directamente a partir de um submarino, pioneiramenteusado pelo conhecido francês Jacques- Yves Cousteau. Essas máquinas erammultifunções: conseguiam fotografar a grandes profundidades e, com os seus braçosmecânicos, partir bocados de rocha, colher amostras de sedimentos ou de espéciesexóticas. Agora, os submersíveis robóticos são comandados por cientistas a partir de umbarco-mãe à superfície. Um dos maiores problemas com estes equipamentos é quecobrem pequenas áreas comparando com o custo elevado que acarretam. 4
  5. 5. REGISTOS SEDIMENTARESEm quase todos os sítios onde os oceanógrafos pesquisam no mar, eles encontram ummanto de sedimentos. As lamas e as areias formam essa espécie de manta que cobreuma topografia originalmente formada nas cristas do meio dos oceanos. É esseincessante processo de sedimentação nos oceanos que modifica as estruturas formadaspelas placas tectónicas e cria uma topografia muito própria em locais de rápidasedimentação.Os sedimentos têm essencialmente duas origens: lamas e areias provenientes da erosãoque acontece nos continentes e da precipitação bioquímica das cascas de organismosque vivem no mar. Nas zonas próximas das áreas de subducção, os sedimentos provêmde cinzas vulcânicas e de restos de lava. Nas zonas mais tropicais onde aconteceevaporação, originam-se ainda sedimentos provenientes da deposição desses evaporitos. • Sedimentação nas margens continentaisA sedimentação na crosta continental acontece devido às ondas e correntes. As ondasoriginadas com as grandes tempestades e furacões transportam sedimentos das camadasmais superficiais e as correntes das marés avançam pelas placas continentais. As ondase correntes distribuem os sedimentos trazidos pelos rios até se formarem grandesamontoados de areia e camadas de silício e lama.A sedimentação bioquímica resulta da formação de camadas de carbonato de cálcioprovenientes das cascas dos crustáceos e de outros organismos que vivem no mar. Amaioria destes organismos não tolera águas com elevados teor de lamas, sendoencontrados apenas em locais com menores teores de materiais térreos, tais comoacontece na costa da Florida ou na costa de Yucatán, no México. Nestes locais,abundam os recifes de coral e os organismos constroem espessas camadas desedimentos carbonatados. 5
  6. 6. • Sedimentação em águas profundasLonge das margens continentais, grãos finos de partículas resultantes de precipitaçãobioquímica e que se encontram em suspensão à superfície vão afundando até atingiremo fundo do mar. Chama-se os sedimentos pelágicos e caracterizam-se pela distância aque se encontram da costa, pelo seu tamanho pequeno, por serem muito finos e por sedepositarem no fundo de uma modo muito lento (alguns milímetros por cada mil anos).Destes uma pequena percentagem pode ser soprado para mar aberto. A ALTERAÇÃO DO NÍVEL DO MAR COMO MEDIDA DO AQUECIMENTO GLOBALPara entendermos a mudança do nível do mar como uma medida para aferir oaquecimento global, é necessário entendermos primeiros como se formam as praias e aslinhas costeiras, sobretudo ao nível da erosão e deposição dos sedimentos.A topografia das linhas costeiras é um resultado das forças tectónicas que elevam oudeprimem a crosta terrestre, através dos processos de erosão e de deposição desedimentos. Os factores mais directamente ligados a esses processos são: a natureza dasrochas e dos sedimentos das linhas costeiras, a média e altura das ondas provocadas poruma tempestade, as alterações do nível do mar, o alcance das marés que afecta quer aerosão, quer a sedimentação e o levantamento da região costeira que conduz à formas deerosão nas costas.As linhas costeiras são sensíveis a mudanças do nível do mar, pois isso pode alterar oalcance das marés, o nível de aproximação das ondas e afectar as correntes ao longo dacosta. O aumento ou diminuição do nível do mar pode ser local – como resultado dosmovimentos tectónicos – ou globais, como resultado, por exemplo, do degelo deglaciares. É por isso que, actualmente, uma das maiores preocupações por causa doaquecimento global induzido pelo homem reside no facto de isso poder causar umaumento do nível do mar e, consequentemente, provocar cheias nas linhas costeiras.Em períodos de abaixamento do nível do mar, as áreas que não pertenciam à costapassam a pertencer e a estar sujeitos aos agentes de erosão. Os rios aumentam os seus 6
  7. 7. cursos e formam vales em planos costeiros que passaram a estar expostos. Quando onível do mar aumenta, as cheias nas zonas costeiras são inevitáveis, os vales dos riossão inundados, os sedimentos marinhos aglomeram-se em terra em vez de ser no mar e aerosão é substituída pela deposição.As variações do nível do mar em escalas de tempo geológicas podem ser medidas, masdetectar mudanças globais nas escalas de tempo humanas pode ser difícil. Essasmudanças podem ser medidas localmente, recorrendo ao uso de uma aparelho que medeo nível do mar em relação a um determinado marco posto em terra. O problema maior éque a própria terra se move verticalmente como resultado da deformação tectónica.Além disso, também a sedimentação e outras mudanças geológicas são incorporadasnessas medidas. Ainda assim, com mil precauções, os oceanógrafos verificaram que onível do mar subiu entre 10 a 25 cm no século XX.Este aumento tem sido correlacionado com um aumento, à escala mundial, dastemperaturas, o qual, segundo muitos cientistas, acreditam ter sido causado, pelo menosem parte, pela poluição atmosférica causada pelo Homem. O aquecimento global, porsua vez, conduz ao aumento do nível do mar de duas maneiras. Primeiro, pelo degelo deglaciares que aumenta a quantidade de água nas bases marinhas. Segundo, temperaturasaltas causam a expansão da água através de pequenas fracções, aumentando o seuvolume. Estes efeitos parecem ter magnitudes semelhantes, ou seja, cada um deles podeexplicar cerca de metade do aumento observado do nível do mar.Altímetros de satélite fornecem uma técnica mais sensível para determinar a altitude dasuperfície do mar relativamente à órbita do satélite. Até agora, os dados têm indicadoque o nível do mar está a subir cerca de 4mm por ano. Algum desse aumento poderesultar de variações de curto prazo, mas a magnitude do aumento condiz com modelosclimáticos que têm em conta o efeito de estufa. De acordo com esses modelos, se nãohouverem esforços significativos para reduzir as emissões dos gases de estufa, o níveldo mar continuará a aumentar até cerca de 30-60 cm neste século. Os efeitos também sevêem nas nossas praias. 7
  8. 8. SISTEMA CLIMÁTICO • ComponentesA maioria dos autores identifica a seguintes componentes incluídas no sistemaclimático: atmosfera, hidrosfera, litosfera e biosfera. Há quem chame ao conjunto dalitosfera e biosfera de geosfera. Para o propósito deste trabalho, vamos deter-nos nahidrosfera.Ainda que a água se mova mais lentamente nos oceanos do que na atmosfera, a águapode armazenar uma quantidade muito maior de calor. É por esta razão, que as correntesoceânicas transportam energia de uma forma muito eficiente. O vento ao soprar nasuperfície dos oceanos, gera correntes e padrões de circulação em grande escala nasbases oceânicas. Tal como acontece na atmosfera, as correntes mais importantes para aregulação do clima são aquelas que transportam o calor desde as regiões equatoriaispara as regiões polares. Estas correntes envolvem um movimento de convecção vertical,bem como movimentos horizontais. Um exemplo muito conhecido é o canal do Golfo,que flui ao longo da margem ocidental do Atlântico, trazendo águas desde o mar dasCaraíbas aquecendo o clima do Atlântico Norte e Europa.A água arrefecida por esta troca de energia no Atlântico Norte move-se depois emdirecção ao Sul por intermédio de um sistema de convecção conhecido como athermohaline circulation. Esta envolve os efeitos da temperatura e da salinidade. Éimportante porque é responsável por grande parte do calor transportado desde ostrópicos até a latitudes mais altas no clima actual. Alguns cientistas pensam que asalterações no volume de água que circula do equador para os pólos pelo tipo de circuitoatrás descrito pode influenciar fortemente o clima global. • O papel da criosferaO papel da criosfera difere do papel do papel da hidrosfera, pois o gelo é relativamentebranco e imóvel reflectindo quase toda a energia solar que incide sobre ele. Grandesmassas de água são trocadas entre a criosfera e a hidrosfera líquida durante os ciclos 8
  9. 9. glaciares. No último ciclo glaciar, há cerca de 18000 anos, o nível do mar era 130 maisbaixo do que é hoje e o volume da criosfera era três vezes maior.Sabe-se hoje que um rápido aquecimento ocorreu há cerca de 14500 anos, após a últimaidade glaciar. Aproximadamente 1000 depois, o clima começou a arrefecer novamente,dando-se início a mais um período de glaciar há 12500 anos que durou cerca de 1000anos. Mais tarde, há 11700 anos, a temperatura voltou a subir cerca de 6ºC e o degeloprosseguiu até ao estado actual de diminuição do tamanho de icebergs e glaciares.Acontece que a transição da temperatura fria para o período de aquecimento até aoactual período interglacial decorreu de forma abrupta: começou com um rápido aumentode temperatura de 5ºC para 10ºC e continuou com um aumento de cerca de 15ºC. Julga-se que o salto inicial teve lugar em apenas 10 anos. Esta velocidade foi um choque paramuitos geólogos, pois estes julgavam que este tipo de alterações levaria milhares deanos. O que ficou demonstrado é que o tempo geológico se altera também um poucoquando se fala de aquecimento global e dos efeitos dos fluxos de temperatura. Alémdisso, ficou sugerido que o sistema climático global opera segundo uma espécie demodelo por turnos, ou seja, muda-se de uma estado para outro num período de apenasalguns anos.Algumas das mudanças climáticas dos últimos 10 000 anos parece estar relacionadacom as alterações cíclicas do volume das águas derivadas de degelos. Seis alteraçõesestão correlacionadas com avanços e recuos de glaciares continentais. Calcula-se quegrandes extensões de icebergues se encontrem nos fundos marinhos, por exemplo, naFrança. Sendo que esses “restos” de icebergues terão sido trazidos desde o Canadá. Aágua desse degelo acompanhou, à superfície, esses pedaços de icebergues, o que alteroua circulação do Atlântico Norte e, consequentemente, afectou o clima do Norte daAmérica e Europa. Durante tempos normais, ou seja, fora das idades glaciais, acirculação porta-se como um cinto condutor que torna o clima europeu moderado.Os eventos climáticos do passado foram deduzidos de placas de gelo e confirmadas pelahistória humana. De 1450 a 1650, a Terra viveu na Pequena Idade do Gelo, durante aqual o mar Báltico congelou e o gelo no rio Tamisa, em Inglaterra, atingiu umaespessura de vários metros. Não existe acordo entre geólogos e cientistas que estudam a 9
  10. 10. atmosfera sobre as causas exactas desses eventos. No entanto, parece certo que vamospoder aprender mais sobre a relação entre mudanças climáticas e a glaciação à medidaque as nações se tornam cada vez mais preocupadas com os efeitos das mudançasclimáticas futuras. O REGISTO DAS GLACIAÇÕES ANTIGASA glaciação do Pleitocénico não foi a única na História da Terra. O gelo glaciar tem acapacidade de transportar grandes quantidades de sedimentos de todos os tamanhos.Esses sedimentos são transportados quando o degelo acontece e podem ser depositadosdirectamente ou ser recolhidos por pequenos cursos de água derivada do degelo dosgelosA deriva glaciar da era do Pleistocénico está difundida em regiões de alta altitude queagora gozam de um clima temperado. Esta deriva é uma evidência de que houve umtempo em que os glaciares continentais se expandiram muito para além das regiõespolares. Estudos sobre eras geológicas, mostraram que os sedimentos depositados emterra ou nos fundos marinhos revelam que a época do Pleistocénico consistiu emmúltiplos avanços e recuos de placas de gelo continentais.Apesar das causas da glaciação permanecerem incertas, o arrefecimento global queconduz a esse fenómeno parece resultar de uma deriva continental que se movegradualmente para posições onde bloqueiam o transporte de calor desde o equador atéaos pólos. Uma outra explicação para a alternância entre intervalos glaciares einterglaciares é que esta resulte de efeitos de ciclos astronómicos. Algumas alteraçõesperiódicas muito pequenas na excentricidade da órbita da Terra e na precedência do seueixo de rotação altera a quantidade de luz solar recebida pela superfície terrestre.Actualmente, vivemos numa fase quente da história do nosso clima, o qual deveriacomeçar a arrefecer sem demora. Mas este arrefecimento dá-se à velocidade de um 1ºCpor cada 1000 anos, enquanto a taxa de aquecimento contemporânea é muito superior. 10
  11. 11. Existe ainda evidências de que a diminuição dos níveis de carbono na atmosferaterrestre diminui os efeitos de estufa, assim como, pelo contrário, a actual subida dosníveis de carbono resultante da queima de combustíveis fósseis pode levar a umaquecimento global. A MARCA DO HOMEM NO AQUECIMENTO GLOBAL DO SÉCULO XXSó no início do século XIX se começou a medir de forma sistemática a temperatura doplaneta. Em meados desse século a temperatura media-se quer por estaçõesmeteorológicas espalhadas pelo mundo, quer em navios de forma a se obter umaestimativa tão exacta quanto possível temperatura média anual à superfície da Terra.Entre o final do século XIX e o início do século XXI, a temperatura média aumentou0,6ºC. As causas para este aquecimento já foram suficientemente divulgadas. Mas queníveis de certeza existem realmente quanto ao facto do aquecimento global no séculoXX ser uma consequência directa do aumento de CO2 na atmosfera e não apenas umamudança fortuita relacionada com a variabilidade climática natural? É esta a questãoque está hoje no centro da controvérsia.A maioria dos cientistas especialistas no clima da Terra estão convencidos de que oaquecimento do século XX foi, em parte induzido pelo Homem, pelo que o fenómenosaumentará as suas proporções ao longo do século XXI se os níveis de gases de estufa naatmosfera continuarem a aumentar. Eles baseiam-se em duas justificações principais: osregistos das alterações climáticas e a sua compreensão do modo de funcionamento dosistema climático.O aquecimento no século XX baseia-se nas variações de temperatura inferidas doHolocénio. Com efeito, a média de temperaturas em muitas regiões do mundo foram,provavelmente mais elevadas há 10 000 ou 8000 anos do que o são agora. Porém, osregistos do século XX são claramente anómalos quando comparados com o padrão devariações climáticas do último milénio. Com base na análise de dados recolhidos dosanéis das árvores, de corais e das placas de gelo, bem como de outros indicadoresclimáticos, os cientistas chegaram a duas grandes conclusões sobre o clima durante os 11
  12. 12. 1000 anos que antecederam o século XX: 1) houve um arrefecimento irregular, masconstante, de cerca de 0,2ºC naquele intervalo de tempo; 2) a flutuação máxima dastemperaturas médias durante qualquer um dos nove séculos anteriores ao século XX foiprovavelmente inferior a 0,3ºC. Logo, o aquecimento registado no século XX parece seranormal.Será, pois, lícito concluir que um défice de compreensão de aspectos relacionados como sistema climático pode introduzir erros significativos nos modelos de previsãoclimática. No entanto, a consistência das marcas medidas com a evidência física dosaumentos dos efeitos de estufa confere um apoio substancial à hipótese de o serhumano ser o agente responsável pelo recente aquecimento global.Quanto à previsão do futuro a partir de modelos numéricos da atmosfera emcomputador, existe um grande número de investigadores, em particular os doInternational Panel on Climate Change, que estão a trabalhar nesse sentido. Asrespostas não são muito precisas devido às dificuldades inerentes à climatologia - talcomo se verifica com as previsões meteorológicas.As estimativas, de acordo com os cenários de comportamento humano, vão de 1,5ºC a5ºC ou mais, para o final do século XXI. Segundo numerosos climatologistas, a situaçãoestá já tão fortemente degradada que, mesmo no caso de se conseguir travar rápida esuficientemente as emissões de CO2, seria preciso mais de um século para parar oaquecimento. A diferença de apenas alguns graus não é uma mudança desprezível.Aquando da última glaciação, com 5ºC a menos, o nível do mar baixou cerca de 120metros (podia ir-se de França para Inglaterra sem molhar sempre por terra). O Canadá ea Europa do Norte estavam cobertos por uma camada de gelo de alguns quilómetros deespessura, como acontece com a Gronelândia e a Antárctida hoje.Em resumo: O acréscimo da temperatura tem por resultado o aumento da evaporaçãoda água dos oceanos. O vapor de água produzido contribui, ele também, para o aumentoda temperatura. Este, por sua vez, acelera a evaporação, aquilo a que se chama de «bolade neve». O fenómeno pode, pois, continuar por muito tempo. E é aqui que, na opiniãode alguns autores, se apresenta uma ameaça terrível escondida nos gelos polares: ometano. O permafrost (camadas de gelo permanente que cobrem algumas regiões do 12
  13. 13. globo) cobre imensas regiões de altas altitudes desde a Sibéria ao Canadá, cujo subsoloestá sempre gelado, pois o Verão não dura o suficiente para derreter os gelos. Aconteceque existem enormes quantidades de metano presas nas malhas cristalinas desse gelo. Enós sabemos que o metano é um gás de efeito de estufa 100 vezes mais nocivo que oCO2. O metano contribui já em mais de 5% para o efeito de estufa, sendo que esta taxaaumenta rapidamente. Libertado pela fusão acelerada do permafrost provocada peloaquecimento da atmosfera, os seus efeitos serão de grande impacto. A esse impactojunta-se o do CO2 e o do vapor de água, o que acelerará o processo de aumento dastemperaturas.Hoje não é possível, tanto pelo fraco conhecimento dos fenómenos meteorológicoscomo pelos nossos meios de cálculo, predizer qual a temperatura que a superfície doglobo atingirá devido àqueles fenómenos.Actualmente, sabemos que vivemos numa fase quente da história do nosso clima, quedeveria começar a arrefecer rapidamente. Pelo contrário, sabemos hoje também que osdez anos mais quentes desde 1867 aconteceram depois de 1980. Ou seja, nem aevolução da órbita terrestre nos ajudará muito a contrabalançar o aquecimentoprovocado pelas actividades humanas.A preocupação com a questão do aquecimento global fica muito bem resumida pelafrase de Hubert Reeves: a nossa “fabulosa odisseia cósmica pode muito bem acaber pornossa culpa”. 13
  14. 14. PARTE II COMUNICAÇÃO DAS ALTERAÇÕES CLIMÁTICASUm assunto que surgiu ao escrevermos este trabalho foi a relação da ciência e doconhecimento relacionado com as alterações climáticas/aquecimento global e apercepção/envolvimento do público perante estas questões. Achamos que seriainteressante explorar um pouco esta temática, pois achamos ser relevante num mestradode Comunicação de Educação e Comunicação de Ciência.Qual o grau de conhecimento, preocupação, percepção do risco e disposição dealterar comportamento?Segundo o estudo As Alterações Climáticas no Quotidiano - Estudo Comportamental deCurta Duração “ os níveis de apreensão do fenómeno de mudança climática, e atémesmo o conhecimento do termo ‘alterações climáticas’, são elevados. Já no querespeita às particularidades do fenómeno (causas, consequências e soluções) surgeminúmeras confusões (…). Quando confrontados com medidas e instrumentos de políticaconcretos (aumentos dos preços, redução de utilização do automóvel, etc.), os inquiridosafirmam muito menos vontade de mudar comportamentos do que quando questionadosde forma genérica acerca da importância de mudar comportamentos”. Os portuguesesestão dispostos a mudar comportamentos, mas não estão dispostos a pagar mais.Este é exactamente o posicionamento dos cidadãos quer de outros países da Europa,quer dos Estados Unidos, como refere Bord. R. et al. em que não há dúvida que apopulação está alertada e preocupada com questões ambientais, especificamente com oaquecimento global (embora este não seja completamente compreendido). Contudo estapreocupação não se reflecte nem numa aceitação de políticas “ambientais”, nem emmudança de comportamentos.Curiosamente, no estudo acima referido há alguma predisposição para a mudança decomportamentos, mas quando inquiridos sobre as políticas e medidas definidas, osportugueses concordam mais com aquelas que, de forma genérica, não os comprometemna sua vida quotidiana, e discordam daquelas que os comprometem. Naturalmente, não 14
  15. 15. é só em Portugal que as questões económicas têm peso nas opções do dia-a-dia e, sendoassim, a predisposição de aceitar medidas políticas que afectem directamente cadaindivíduo (aumento da gasolina, taxas ecológicas) não são bem recebidas (Leiserowtitz,2005). Há ainda outra contradição no panorama português que, por um lado, afirma queo principal responsável do aquecimento global é o cidadão e o seu comportamentoindividual, que este necessita de ser alterado e por outro, acha que as medidas paracombater as alterações climáticas estão mais associadas a factores colectivos do queindividuais. Esta segunda posição é partilhada por outros países segundo defende(Cohn, 1991) em que a responsabilidade da resolução de problemas ambientais não épercepcionada como um dever cívico.E parece ser muito difícil alterar esta situação: em 1997, a administração Clinton lançouuma campanha nos media para aumentar o apoio da população ao protocolo de Quioto.Nesta eram apresentadas as evidências científicas e as consequências do aquecimentoglobal. Um inquérito antes e depois da campanha mostrou apenas ligeiras alterações naopinião pública.Porque é tão difícil a comunicação das alterações climáticas e consequentealteração de comportamentos?Existem vários factores que dificultam a compreensão e a alteração de comportamentosdeste tema, como sejam: • o grau de incerteza inerente a esta ciência. Ainda existem muito desconhecimento na compreensão deste fenómeno; • o tempo de resposta longo das consequências (quer do aquecimento, quer da mudança de comportamento) • a percepção que não se vai sentir no “nosso jardim” mas algures numa terra distante • não existir um sentido de urgênciaA ciência que estuda as alterações climáticas é afectada por dois tipos de incerteza • Desconhecimento de alguns aspectos quanto ao funcionamento do clima 15
  16. 16. • Desconhecimento de qual o impacto que as acções humanas futuras terão neste problemaO facto de haver incertezas é muitas vezes utilizado e manipulado consoante osinteresses. Muitas vezes serve de justificação aos decisores políticos para não se agir.Aliado a esta limitação, o tratamento que a comunicação social foi dando a este assuntonão melhorou o entendimento, muito pelo contrário, contribuiu para a desinformação.Para a maioria dos cidadãos o conhecimento sobre ciência é adquirido principalmenteatravés da comunicação social (e não na escola ou por experiência própria) (Nelkin,1987), mesmo que uma pessoa tenha sofrido as consequências de uma cheia, ou outrofenómeno relacionado com o aquecimento global é a comunicação social que faz aponte entre os dois eventos e os relaciona.Num artigo de Corbertt, sobre a representação dos media no aquecimento global, Mazure Lee referem que os media em assuntos ambientais, escolhem preferencialmente oprisma da tragédia humana, de eventos bizarros e não sobre as descobertas científicasrelacionadas. O risco inerente é refutado para segundo plano (se não aconteceu ainda,não é notícia).Para além disto é também referido que o próprio conhecimento dos jornalistas sobreeste assunto era (em 200) confuso e desconheciam as certezas que a ciência tinha sobreo assunto.Se a todas estas dificuldades acrescentarmos a regra jornalística de analisar sempre osdois lados da questão teremos um cientista a expor um determinado facto e outra pessoa(político, comentador) a dizer que não é bem assim, o que leva a uma comunicaçãocompletamente falhada. Se é verdade que há muitas incertezas nesta matéria, também oé que a grande maioria dos cientistas está de acordo com a maioria das evidências nãohavendo muita discussão à volta do que já foi descoberto. 16
  17. 17. Então qual o caminho a seguir para uma comunicação eficaz?É necessário tornar este problema pessoal, que diga respeito a cada um. Todos nósquando folheamos um jornal paramos para ler as notícias que de uma forma geral nosafectam ou dizem respeito.Segundo Leirerowitz (2005), existem cinco estratégias a seguir na comunicação dasalterações climáticas para que esta seja eficaz: 1. Evidenciar o impacto (potencial) a nível regional e local. As ameaças locais são percebidas com maior premência e necessidade de intervenção que as questões globais. 2. Explicar que o aquecimento global já está a acontecer. Os problemas presentes são encarados com mais urgência e maior empenho na sua resolução 3. Sublinhar que estas alterações no clima têm efeitos na saúde humana. Quando se trata temas relacionados com a saúde, as pessoas estão mais receptivas e alerta. 4. Falar abertamente sobre o que ainda não se sabe, mas focar as certezas. Quando um determinado assunto fica sem resposta (porque não se sabe, ou não se quer dizer) leva a confabulações e interpretações erradas. É mais eficaz para a compreensão de uma matéria assumir a ignorância de determinado aspecto do que não responder. 5. A informação tem de ser adaptada consoante o público-alvo. A mesma informação é interpretada de maneira diferente pelas pessoas.Para resolver esta questão Leiserowitz afirma que (e embora se reporte aos americanos)a predisposição para ver as mudanças climáticas como um risco significante já existe, oque falta é o sentido de urgência, uma forte liderança e vontade politica. 17
  18. 18. BIBLIOGRAFIABord. R. 1998. Public perceptions of global warming: United States and internationalperspectives. Acedido em 19 de Dezembro de 2006 em: http://www.int-res.com/articles/cr/11/c011p075.pdfBriscoe. M. 2004. Communicating Uncertainty in the Science of climate Change.Acedido em 20 de Dezembro de 2006 em:http://www.icta.org/doc/Uncertainty%20in%20science-9-04.pdfCorbett. J. Testing Public (Un)Certainty of Science: Media Representations of GlobalWarming. Acedido em 20 de Dezembro de 2006 em:http://aicse.com/Testing%20Public%20%28Un%29certainty.cfm?pt=2&rpt=1&kt=2Pato.J. 2003. As Alterações Climáticas no Quotidiano - Estudo Comportamental deCurta Duração. Lisboa. Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa.Acedido em 19 de Dezembro d 2006 em:http://observa.iscte.pt/docs/Relatorio%20Final%20Alteracoes%20Climaticas.pdfHoffman, P.; D. Schrag. 2000. Snowball Earth. Scientific American (January):68.Leiserowitz. A. 2005. Communicating the Risks of Global warming: American riskperceptions, affective images and interpretive communities. Acedido em 20 deDezembro de 2006 em:http://darkwing.uoregon.edu/~ecotone/pubs_assets/ClimateCommunication.pdfMenzies, J. (ED.).1995. Modern Glacial Environments: Processes, Dynamics andSediments. Oxford: Butterworth-Heinemann.Oppenheimer, Michael; Wang, James. (2005). The latest myths and facts on GlobalWarming. Environmental Defense.Oppenheimer. M. et al. 2006. Global Warming: The Psychology of Long Term Risk.Climate Change. Acedido em 20 de Dezembro de 2006 em:http://www.princeton.edu/~step/people/Climatic%20Change.%20Global%20%20Warming.pdf 18

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